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ROMANOS 
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 Introdução 
 Capítulo 1 Capítulo 5 Capítulo 9 Capítulo 13 
 Capítulo 2 Capítulo 6 Capítulo 10 Capítulo 14 
 Capítulo 3 Capítulo 7 Capítulo 11 Capítulo 15 
 Capítulo 4 Capítulo 8 Capítulo 12 Capítulo 16 
 
Introdução 
Parece-nos que o apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos, intentou 
responder ao incrédulo e ensinar ao judeu crente; confirmar ao cristão e 
converter o gentio idólatra; e mostrar que o convertido gentio era igual 
ao judeu quanto à sua condição religiosa, e à sua dignidade no favor 
divino. Estes diversos desígnios são tratados opondo-se ao judeu infiel 
ou incrédulo, ou discutindo com ele a favor do cristão ou do crente 
gentio. Estabelece claramente que a maneira em que Deus aceita o 
pecador ou o justifica diante de seus olhos, é somente pela graça por 
meio da fé na justiça de Cristo, sem acepção de nações. Esta doutrina é 
aclarada a partir de objeções estabelecidas pelos cristãos judaizantes, que 
favoreciam as condições da aceitação de Deus por meio de uma mistura 
da lei e do Evangelho, excluindo os gentios de toda a participação nas 
bênçãos da salvação efetuadas pelo Messias. Na conclusão, coloca ainda 
mais em vigência a santidade por meio de exortações práticas. 
 
Romanos 1 
Versículos 1-7: A missão do apóstolo; 8-15: Ele ora pelos cristãos 
em Roma e diz que deseja vê-los; 16, 17: O caminho do Evangelho da 
justificação pela fé é para os judeus e os gentios; 18-32: Exposição dos 
pecados dos gentios. 
Vv. 1-7. A doutrina sobre a qual o apóstolo Paulo escreve 
estabelece o cumprimento das promessas feitas por meio dos profetas. 
Fala do Filho de Deus, Jesus o Salvador, o Messias prometido, que veio 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 2 
de Davi, quanto à sua natureza humana, mas que foi declarado Filho de 
Deus pelo poder divino, que o ressuscitou dentre os mortos. A confissão 
cristã não consiste no conhecimento teórico ou somente na concordância 
intelectual, e muito menos em discussões perversas, mas na obediência. 
Somente os eficazmente chamados por Jesus Cristo são levados à 
obediência da fé. Aqui se expõe: 
1. O privilégio dos cristãos amados por Deus e membros desse 
corpo amado. 
2. O dever dos cristãos: serem santos; daqui por diante são 
chamados a serem santos. O apóstolo saúda a estes desejando-lhes graça 
que santifique as suas almas e paz que console os seus corações, as que 
brotam da livre misericórdia de Deus, o Pai reconciliado de todos os 
crentes, que vêm a eles através do Senhor Jesus Cristo. 
Vv. 8-15. Devemos demonstrar amor por nossos amigos não 
somente orando por eles, mas louvando a Deus por eles. Em todos os 
nossos propósitos, e em nossos desejos devemos nos lembrar de dizer: 
Se o Senhor quiser (Tg 4.15). Nossas jornadas são ou não prósperas 
conforme a vontade de Deus. Devemos prontamente repartir com os 
outros o que Deus nos tem entregado, regozijando-nos ao repartirmos 
gozo aos demais, especialmente tendo prazer em ter comunhão com os 
que crêem nas mesmas coisas em que nós cremos. Se somos redimidos 
pelo sangue, e convertidos pela graça do Senhor Jesus, somos 
completamente seus e por amor a Ele estamos endividados com todos os 
homens para fazer todo o bem que pudermos. Tais serviços são nosso 
dever. 
Vv. 16,17. Nestes versículos o apóstolo expressa o propósito de 
toda a epístola, na qual estabelece uma acusação de pecaminosidade 
contra toda a carne; declara que o único método de se livrar da 
condenação é a fé na misericórdia de Deus por meio de Jesus Cristo, e 
logo edifica sobre ele a pureza do coração, a obediência agradecida, e os 
desejos fervorosos de crescer em todas as graças e temperamentos 
cristãos que nada, senão a fé viva em Cristo, pode produzir. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 3 
Deus é um Deus Justo e Santo, e nós somos pecadores culpáveis. É 
necessário que sejamos justificados para comparecermos diante dEle; tal 
justiça existe, foi trazida pelo Messias e dada a conhecer no Evangelho: 
o método de aceitação por graça apesar da culpa de nossos pecados. É a 
justiça de Cristo, que é Deus, a que provém de um pagamento de valor 
infinito. A fé é tudo em todos, no início e na continuação da vida cristã. 
Este processo não é da fé para as obras, como se a fé nos colocasse em 
um estado justificado, e em seguida as obras nos mantivessem ali. 
Sempre é de fé em fé: é a fé que segue adiante, ganhando a vitória sobre 
a incredulidade. 
Vv. 18-25. O apóstolo começa a mostrar que toda a humanidade 
necessita da salvação do Evangelho, porque ninguém pode obter o favor 
de Deus ou escapar da sua ira por meio de suas próprias obras. Porque 
nenhum homem pode alegar ter cumprido todas as suas obrigações para 
com Deus e para com o seu próximo, nem tampouco pode dizer 
verazmente que tem atuado plenamente sobre a base da luz que lhe tem 
sido outorgada. A pecaminosidade do homem é entendida como 
iniqüidade contra as Íeis da primeira tábua, e injustiça contra as da 
segunda. A causa dessa tendência ao pecado é deter a verdade por meio 
da injustiça. Todos fazem mais ou menos o que sabem que é mau e 
omitem o que sabem que é bom, de modo que ninguém se pode permitir 
alegar ignorância. O poder invisível de nosso Criador e a divindade estão 
tão claramente manifestados nas obras que têm feito de modo que até os 
idólatras e os gentios maus não têm desculpas. Eles seguiram de maneira 
néscia a idolatria, e as criaturas racionais trocaram a adoração do Criador 
glorioso por animais, répteis e imagens sem sentimento. Se apartariam 
de Deus até perderem todo o vestígio da verdadeira religião, se a 
revelação do Evangelho não os houvesse impedido. Os fatos são 
inegáveis, quaisquer que sejam os pretextos estabelecidos quanto a 
suficiência da razão humana para descrever a verdade divina e a 
obrigação moral, ou para governar bem a conduta. Estas coisas mostram 
simplesmente que os homens desonram a Deus com as idolatrias e as 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 4 
superstições mais absurdas, e que se degradaram a si mesmos com os 
mais vil afetos e obras mais abomináveis. 
Vv. 26-32. A verdade de nosso Senhor é mostrada na horrenda 
depravação do pagão: "que a luz veio ao mundo, e os homens amaram 
mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más. Porque todo 
aquele que faz o mal, aborrece a luz". A verdade não lhes agradava. 
Todos sabemos quão rapidamente o homem confabula contra a 
prova mais evidente para argumentar evitando crer naquilo que não lhe 
agrada. O homem não pode ser levado a uma escravidão maior que a de 
ser entregue às suas próprias luxúrias. Como os gentios não se 
agradaram em conhecerem a Deus, cometeram delitos totalmente 
contrários à razão e ao seu próprio bem-estar. A natureza do homem, 
seja ele pagão ou cristão, ainda é a mesma; e as acusações do apóstolo se 
aplicam com mais ou menos intensidade ao estado e ao caráter dos 
homens de todas as épocas, até que sejam levados a submeterem-se 
completamente à fé em Cristo, e sejam renovados pelo poder divino. 
Todavia, nunca houve um homem que não tivesse razão para lamentar-se 
de suas fortes corrupções e de seu secreto desagrado pela vontade de 
Deus. Portanto este capítulo é um convite a examinarmo-nos a nós 
mesmos, com a finalidade de sentirmos a profunda convicção do pecado 
e da necessidade de sermos livres da condenação. 
 
Romanos 2 
Versículos 1-16: Os judeus não podiam ser justificados pela lei de 
Moisés mais do que os gentios pela lei da natureza: 17-29: Os pecados 
dos judeus refutam toda a vã confiança em seus privilégios exteriores. 
Vv. 1-16. Os judeus acreditavam ser um povo santo, merecedores 
de seus privilégios por direito próprio, ainda que fossem ingratos, 
rebeldes e injustos, mas todos os que agem assim, em toda nação, época 
e classe social,devem ser lembrados de que o juízo de Deus será de 
acordo com o verdadeiro caráter deles. O caso é tão claro que podemos 
apelar aos pensamentos próprios do pecador. Em todo pecado voluntário 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 5 
há desprezo para com a bondade de Deus. Mesmo que as ramificações da 
desobediência do homem sejam muito variadas, todas brotam da mesma 
raiz. No real arrependimento deve existir ódio pela pecaminosidade 
anterior, por causa da transformação realizada no estado da mente, que a 
dispõe a escolher o bem e a rejeitar o mal. Também mostra um 
sentimento de infelicidade interior. A grande mudança produzida pelo 
arrependimento é a conversão, e esta é necessária para todo ser humano. 
A ruína dos pecadores é que eles caminham após um coração duro e 
impenitente. Suas obras pecaminosas são expressas por estas fortes 
palavras: "entesouras ira para ti no dia da ira". 
Observe a total exigência da lei na descrição do homem justo. Ela 
exige que os motivos sejam puros, e rejeita todas as ocasiões motivadas 
pela ambição ou por fins terrenos. Na descrição do injusto, o espírito 
contencioso apresenta-se como o princípio de todo o mal. A vontade 
humana está em inimizade com Deus. Até os gentios que não tinham a 
lei escrita, tinham dentro de si o que os dirigia quanto ao que deveriam 
fazer pela luz da natureza. A consciência é uma testemunha que mais 
cedo ou mais tarde falará. Ao obedecer ou desobedecer estas leis naturais 
e as suas ordenanças, as consciências deles os exoneravam ou os 
condenavam. Nada causa mais terror aos pecadores e mais consolo aos 
santos, do que o fato de Cristo ser o Juiz. Os favores feitos secretamente 
serão recompensados, então os pecados secretos serão castigados, e 
trazidos à luz. 
Vv. 17-24. O apóstolo dirige o seu discurso aos judeus e mostra de 
quais pecados eram culpáveis apesar de suas confissões e vãs pretensões. 
A raiz e a suma de toda a religião é gloriar-se em Deus, crendo com 
humildade e gratidão. Porém, a vaidade orgulhosa que se vangloria em 
Deus, e na profissão externa de seu nome, é a raiz e a suma de toda a 
hipocrisia. 
O orgulho espiritual é o mais perigoso de todos os tipos de orgulho. 
Um grande dos que professam a fé é a desonra contra Deus e a religião, 
porque não vivem conforme o que professam. Muitos que descansam em 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 6 
uma forma morta de piedade desprezam ao seu próximo mais ignorante, 
ainda que eles próprios confiem em uma forma de conhecimento 
igualmente desprovido de vida e poder, enquanto que alguns se gloriam 
no Evangelho, e levam vidas ímpias que desonram a Deus e fazem com 
que o seu nome seja blasfemado. 
Vv. 25-29. Não podem aproveitar as formas, as ordenanças ou as 
noções sem a graça regeneradora, que sempre leva a buscar um interesse 
na justiça de Deus pela fé. Não é mais cristão agora do que era o judeu 
antigo, aquele que só o é exteriormente, tampouco é batismo o exterior 
na carne. O verdadeiro cristão é aquele que por dentro é obediente e tem 
fé. O batismo verdadeiro é o do coração, pela lavagem da regeneração e 
da renovação do Espírito Santo, que traz um marco espiritual à mente e 
uma vontade de seguir a verdade em seus caminhos santos. 
Oremos para que nos tornemos cristãos de verdade, não por fora, 
mas por dentro; no coração e no espírito, não na letra; batizados não 
somente com água, mas com o Espírito Santo; e que o nosso louvor não 
seja para homens, mas para Deus. 
 
Romanos 3 
Versículos 1-8: Objeções respondidas; 9-18: Toda a humanidade é 
pecadora; 19,20: Judeus e gentios não podem ser justificados por suas 
obras; 21-31: A justificação é pela livre graça de Deus, pela fé na 
justiça de Cristo, mas a lei não deve ser abolida. 
Vv. 1-8. A lei não podia salvar no pecado nem dos pecados, mas 
dava vantagens aos judeus para alcançarem a salvação. As ordenanças 
estabelecidas, a educação no conhecimento do Deus verdadeiro e no seu 
serviço, e muitos favores concedidos aos filhos de Abraão, eram todos 
meios de graça e verdadeiramente foram utilizados para a conversão de 
muitos. Eles foram especialmente designados como os responsáveis pela 
Palavra de Deus escrita. O gozo da Palavra e das ordenanças de Deus é a 
principal felicidade de um povo, mas Deus faz promessas somente aos 
crentes; portanto, a incredulidade de alguns ou de muitos professos não 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 7 
pode inutilizar o resultado desta fidelidade. Ele cumprirá as suas 
promessas ao seu povo, e executará as suas ameaças de vingança aos 
incrédulos. 
O juízo de Deus sobre o mundo deverá silenciar para sempre todas 
as dúvidas e especulações sobre a sua justiça. A maldade e a obstinada 
incredulidade dos judeus demonstram a necessidade que o homem tem 
da justiça de Deus pela fé, e de sua justiça para castigar o pecado. 
Façamos o mal para que nos sobrevenham bens é algo mais 
freqüente no coração do que na boca dos pecadores; poucos se 
justificarão a si mesmos em seus maus caminhos. O crente sabe que o 
dever é seu, e os acontecimentos são de Deus; e que ele não deve 
cometer nenhum pecado nem dizer nenhuma mentira com a esperança, 
nem com a segurança, de que Deus seja glorificado. Se alguém fala e age 
assim, a sua condenação é justa. 
Vv. 9-18. Aqui é novamente demonstrado que toda a humanidade 
está debaixo da culpa do pecado como uma carga, e está sob o governo e 
o domínio do pecado, escravizada por ele para praticar a iniqüidade. 
Várias passagens das Escrituras do Antigo Testamento deixam isto muito 
claro, porque descrevem o estado depravado e corrupto de todos os 
homens, até que a graça os refreie e transforme. Por maiores que sejam 
as nossas vantagens, estes textos descrevem a multidão dos que se dizem 
cristãos. Os seus princípios e conduta provam que não há temor de Deus 
diante de seus olhos. E onde não há temor a Deus não se pode esperar 
nada bom. 
Vv. 19,20. É vão buscar justificação pelas obras da lei. Todos 
devem se declarar culpados. A culpa diante de Deus é uma palavra 
temível, mas nenhum homem pode ser justificado por uma lei que o 
condena por violá-la. A corrupção de nossa natureza sempre impedirá 
toda a justificação por nossas próprias obras. 
Vv. 21-26. O homem culpado deve permanecer submetido à ira pari 
sempre? A ferida estará aberta para sempre? Não, bendito seja Deus, há 
outro caminho aberto para nós. É a justiça de Deus; a justiça na 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 8 
ordenação, na provisão e na aceitação. Essa fé que tem a Jesus como seu 
objeto; o Salvador ungido, este é o significado do nome de Jesus Cristo. 
A fé justificadora diz respeito a Cristo como Salvador em seus três 
ofícios ungidos: Profeta, Sacerdote e Rei; essa fé confia nEle, o aceita e 
se apega a Ele; em tudo isto os judeus e os gentios são igualmente bem-
vindos a Deus por meio de Cristo. 
Não há diferença, sua justiça está sobre todo aquele que crê; não 
somente lhes oferece, mas a coloca neles como uma coroa, como uma 
túnica. É livre graça, pura misericórdia, nada há em nós que mereça tais 
favores. Nos é concedida gratuitamente, mas Cristo comprou-a e pagou o 
preço. A fé tem especial consideração pelo sangue de Jesus Cristo, como 
a que fez a expiação. Deus declara a sua justiça em tudo isto. Fica claro 
que Ele odeia o pecado, quando nada inferior ao sangue de Cristo faz 
expiação pelo pecado. Cobrar a dívida do pecador não estaria em 
conformidade com a sua justiça, posto que o Fiador a pagou e Ele 
aceitou esse pagamento por toda a dívida. 
Vv. 27-31. Deus executará a grande obra da justificação e salvação 
dos pecadores do primeiro ao último, para silenciar o nosso orgulho. 
Agora, se fôssemos salvos por nossas obras, o orgulho não seria 
excluído; porém, o caminho da justificação pela fé exclui todo o orgulho 
para sempre. Os crentes não têm a autorização para transgredirem a lei. 
A fé é uma lei, é uma graça que opera onde quer que opere em verdade. 
Por fé, que nestamatéria não é um ato de obediência ou uma boa obra, 
mas a formação de uma relação entre Cristo e o pecador, que considera 
adequado que o crente seja perdoado e justificado por amor ao Salvador, 
e que o incrédulo, que não está unido ou relacionado deste modo com 
Ele, permaneça submetido à condenação. Todavia, a lei é útil para nos 
convencer do que passou, e para nos dirigir ao futuro. Ainda que não 
possamos ser salvos por ela como um pacto, a reconhecemos e nos 
submetemos a ela, como regra na mão do Mediador. 
 
 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 9 
Romanos 4 
Versículos 1-12: A doutrina da justificação exemplificada com o 
caso de Abraão; 13-22: Recebeu a promessa por meio da justiça da fé; 
23-25: Nós somos justificados pela mesma maneira de crer. 
Vv. 1-12. Para enfrentar os pontos de vista dos judeus, o apóstolo se 
refere primeiramente ao exemplo de Abraão, em quem os judeus se 
gloriavam como seu antepassado mais renomado. Por mais exaltado que 
fosse em diversos aspectos, Abraão não tinha nada de que orgulhar-se na 
presença de Deus, sendo salvo pela graça por meio da fé, como os 
demais. Sem destacar os anos que se passaram antes de seu chamado, e 
os momentos em que a sua obediência falhou, e também a sua fé, a 
Escritura estabeleceu expressamente: "E creu em Deus, e isto lhe foi 
imputado por justiça" (Gn 15.6). 
Observa-se a partir deste exemplo que se um homem pudesse 
realizar tudo o que a lei exige, a recompensa seria considerada como 
dívida, que evidentemente não foi o caso de Abraão, uma vez que a fé 
lhe foi imputada por justiça. Quando os crentes são justificados pela fé, 
"isto lhe é imputado por justiça"; a fé deles não os justifica como parte 
da justiça própria, seja esta pequena ou grande, mas como o meio 
designado de uni-los àquEle que escolheu o nome pelo qual devem 
chamá-lo: "Jeová Justiça nossa" 
O povo perdoado é o único povo abençoado. A Escritura mostra 
claramente que Abraão foi justificado vários anos antes de sua 
circuncisão. Portanto, é evidente que este ritual não era necessário para a 
justificação. Era um sinal da tendência que todos nós possuímos ao 
pecado. Era um sinal e um selo exterior, concebido não somente para ser 
a confirmação das promessas que Deus dera a ele e à sua descendência, e 
da obrigação de serem do Senhor, mas para assegurar-lhe de igual modo 
que já era um verdadeiro participante da justiça da fé. 
Vv. 13-22. A promessa foi feita a Abraão muito antes da lei. Mostra 
a Cristo e refere-se à promessa (Gn 12.3): "em ti serão benditas todas as 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 10 
famílias da terra". A lei produzia ira ao indicar que todo transgressor fica 
exposto ao descontentamento divino. 
Como Deus tinha a intenção de dar aos homens um título das 
bênçãos prometidas, o designou pela fé, gratuitamente, para assegurá-la 
a todos os que tivessem a mesma fé preciosa de Abraão, quer fossem 
judeus, quer fossem gentios de todas as épocas. A justificação e a 
salvação dos pecadores, o tomar para si aos gentios que não haviam sido 
povo, foi um chamado de graça das coisas que não são como se já 
fossem, e esta ação de criar aquilo que não existe, prova o poder 
onipotente de Deus. 
A natureza e a fé de Abraão são mostradas aqui. Creu no 
testemunho de Deus e esperou o cumprimento de sua promessa, com 
uma firme esperança quando o caso parecia sem esperanças. É fraqueza 
de fé o que faz com que o homem se angustie pelas dificuldades do 
caminho até uma promessa. Abraão não a considerou como tema que 
admitisse discussão nem debate. A incredulidade está no fundo de todas 
as nossas dúvidas em relação às promessas de Deus. O poder da fé é 
demonstrado em sua vitória sobre os temores. Deus honra a fé e uma 
grande fé honra a Deus. Esta lhe foi imputada por justiça. A fé é uma 
graça que, entre todas as demais, glorifica a Deus. A fé é claramente o 
instrumento pelo qual recebemos a justiça de Deus, a redenção que há 
em Cristo; e aquilo que é o instrumento pelo qual a alcançamos ou 
recebemos, não pode ser a mesma coisa, nem o dom pode ser assim 
alcançado e recebido. A fé de Abraão não o justificou por mérito ou 
valor próprio, mas ao dar-lhe uma participação em Cristo. 
Vv. 23-25. A história de Abraão e de sua justificação foi escrita 
para ensinar aos homens de todas as épocas posteriores, especialmente 
aos que na época conheceriam o Evangelho. É claro que não somos 
justificados pelo mérito de nossas próprias obras, mas pela fé em Jesus 
Cristo e em sua justiça; essa é a verdade enfatizada neste capítulo e no 
anterior como a grande fonte e fundamento de todo consolo. Cristo 
realizou com muito mérito a nossa justificação e salvação por sua morte 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 11 
e paixão, mas o poder e a perfeição dessas, em relação a nós, depende de 
sua ressurreição. Por sua morte pagou a nossa dívida, em sua 
ressurreição recebeu a nossa absolvição (Is 53.8). Quando Ele foi 
absolvido, nEle e por meio dEle recebemos o perdão da culpa e do 
castigo de todos os nossos pecados. Este último versículo é uma 
descrição ou um resumo de todo o Evangelho. 
 
Romanos 5 
Versículos 1-5: Os felizes efeitos da justificação pela fé na justiça 
de Cristo; 6-11: Somos reconciliados por seu sangue; 12-14: A queda de 
Adão levou toda a humanidade ao pecado e à morte; 15-19: A graça de 
Deus pela justiça de Jesus Cristo tem mais poder para trazer a salvação 
do que teve o pecado de Adão para trazer a desgraça; 20,21: Como a 
graça superabundou. 
Vv. 1-5. Uma bendita transformação acontece na vida do pecador 
quando passa a ser um crente verdadeiro, não imporia o que tenha sido 
anteriormente. Sendo justificado pela fé, tem paz com Deus. O Deus 
santo e justo não pode estar em paz com um pecador enquanto este 
estiver sob a culpa do pecado. A justificação elimina a culpa, e assim 
abre caminho para a paz. Esta é concedida por meio de nosso Senhor 
Jesus; por meio dEle como o grande Pacificador, e Mediador entre Deus 
e homem. O feliz estado dos santos, é o estado de graça. Somos levados 
a esta graça. 
Isto nos ensina que não nascemos neste estado. Não poderíamos 
chegar a este estado por nós mesmos, mas somos levados a ele como 
ofensores perdoados. Ali estamos firmes, postura que denota 
perseverança; seguros, sustentados pelo poder de Deus, como homens 
que mantém seu terreno sem ser derrubados pelo poder do inimigo. E 
aqueles que têm a esperança da glória de Deus no mundo vindouro, têm 
suficiente razão para se regozijarem no atual. 
A tribulação produz paciência, não em si mesma, nem por si, mas a 
poderosa graça de Deus opera na tribulação e com ela. Os que sofrem 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 12 
com paciência, têm abundantes consolações divinas, quando as aflições 
abundam. Realiza uma experiência necessária para nós. 
Esta esperança não desilude porque está selada com o Espírito 
Santo como o Espírito de amor. Derramar o amor de Deus nos corações 
de todos os santos é obra de graça do Espírito Bendito. O correto 
sentimento do amor de Deus por nós, não nos envergonhará em nossa 
esperança nem por nossos sofrimentos por Ele. 
Vv. 6-11. Cristo morreu pelos pecadores; não somente pelos que 
eram inúteis, mas pelos que eram culpáveis e aborrecíveis; por estes cuja 
destruição eterna seria para a glória da justiça de Deus. Cristo morreu 
para nos salvar, não em nossos pecados, mas de nossos pecados, e ainda 
éramos pecadores quando Ele morreu por nós. Sim, a mente carnal não 
somente é inimiga de Deus, mas é a própria inimizade (cap. 8.7; Cl 
1.21). Porém, Deus determinou livrar do pecado e realizar uma grande 
mudança. Enquanto o estado pecaminoso continuar, Deus aborrecerá o 
pecador e o pecador aborrecerá a Deus (Zc 11.8). É um mistério Cristo 
ter morrido pelos tais; não conhecemos outro exemplo de amor, para que 
possamos dedicar a eternidade a adorá-lo e a maravilharmo-nos dEle. 
Além disso, qual seria o pensamento do apóstolo quando mostra o 
casode alguém que morre por um justo? E isto ele colocou como sendo 
a única opção que poderia ser correta. Não seria por passar por este 
sofrimento, que a pessoa que se queria beneficiar poderia ser liberta? 
Mas do que são livres os crentes em Cristo, por sua morte? Não da morte 
física, porque todos devem enfrentá-la. O mal, do qual a libertação 
poderia ser efetuada somente desta maneira maravilhosa, é mais terrível 
do que a morte natural. Não há mal ao qual este argumento possa ser 
aplicado, salvo o que o apóstolo afirma concretamente; o pecado e a ira, 
o castigo do pecado determinado pela infalível justiça de Deus. 
E se pela graça divina, assim foram levados a se arrependerem e 
crer em Cristo, e assim eram justificados pelo preço de seu sangue 
derramado e por fé nessa expiação, muito mais por meio daquele que 
morreu por eles e ressuscitou, serão livres de cair no poder do pecado e 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 13 
de Satanás, ou de se afastarem definitivamente dEle. O Senhor de todos 
os viventes concretizará o propósito do seu amor ao morrer e ressuscitar, 
salvando até o último de todos os crentes verdadeiros. 
Tendo tal sinal de salvação no amor de Deus por meio de Cristo, o 
apóstolo declara que os crentes não somente se regozijam na esperança 
do céu, e até em suas tribulações por amor de Cristo; mas que também se 
gloriam em Deus como o Amigo seguro e a Porção absolutamente 
suficiente deles, unicamente por meio de Cristo. 
Vv. 12-14. A intenção do que segue é clara. É a exaltação de nosso 
ponto de vista acerca das bênçãos que Cristo alcançou para nós, 
comparando-as com o mal que seguiu a queda de nosso primeiro pai; e 
mostrando que estas bênçãos não somente se estendem para eliminar estes 
males, porém muito mais do que isto. Adão peca, a sua natureza torna-se 
culpável e corrupta, e assim agem os seus filhos. Assim todos pecamos 
nele. A morte é pelo pecado porque ela é o salário do pecado. Então entrou 
toda esta miséria, que é a sorte devida do pecado: a morte temporal, 
espiritual e eterna. Se Adão não tivesse pecado, não teria morrido, mas a 
sentença de morte foi ditada como sobre um criminoso; passou a todos os 
homens como uma enfermidade infecciosa, da qual ninguém escapa. 
Como prova de nossa união com Adão, e de nossa parte naquela 
primeira transgressão, observa que o pecado prevaleceu no mundo por 
muito tempo antes que a lei fosse dada a Moisés. A morte reinou nesse 
longo tempo, somente sobre os adultos que pecavam voluntariamente, e 
não sobre a multidão de crianças, coisa que mostra que eles haviam 
caído por causa do mau exemplo e condenação de Adão, e que o pecado 
de Adão se estendeu a toda a sua posteridade. Figurava ou tipificava 
aquele que viria como a garantia do novo pacto para todos os que 
estiverem aparentados com Ele. 
Vv. 15-19. Por meio da ofensa de somente um homem, toda a 
humanidade ficou exposta à condenação eterna. Porém, a graça e a 
misericórdia de Deus e o dom livre da justiça e da salvação, nos são 
dadas por meio de Jesus Cristo como homem; contudo, o Senhor do céu 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 14 
tem levado multidões de crentes a um estado mais seguro e enaltecido 
que aquele no qual caíram em Adão. Este dom não voltou a colocá-los 
em estado de prova; firmou-os em um estado de justificação, como Adão 
teria sido colocado se tivesse resistido à tentação. 
Há uma semelhança espantosa considerando as diferenças. Como 
pelo pecado de um, o pecado e a morte prevaleceram para a condenação 
de todos os homens, assim, pela justiça de um prevaleceu a graça para a 
justificação de todos os relacionados com Cristo pela fé. Por meio da 
graça de Deus, Cristo tem abundado para muitos; contudo, as multidões 
optam por continuarem sob o domínio do pecado e da morte ao invés de 
pedirem as bênçãos do reino da graça. Mas Cristo não lançará fora 
ninguém que esteja disposto a ir a Ele. 
Vv. 20,21. Por Cristo e sua justiça temos mais e maiores privilégios 
do que aqueles que perdemos pelo pecado de Adão. A lei moral 
mostrava que muitos pensamentos, temperamentos, palavras e ações, 
eram pecaminosos, de modo que assim as transgressões se 
multiplicavam. Não foi feito porque o seu pecado tivesse abundado mais, 
e sim porque a sua pecaminosidade foi mostrada, como ao permitir que 
uma luz mais clara entre em uma residência, deixando à mostra o pó e a 
sujeira que havia ali, mas que não eram vistas anteriormente. O pecado 
de Adão e o efeito da corrupção em nós, são a abundância daquela 
ofensa que tornou-se evidente quando a lei entrou. Os terrores da lei 
suavizam ainda mais os consolos do Evangelho. 
Assim, pois, o Espírito Santo nos entregou, por meio de seu bendito 
apóstolo, uma verdade mais importante, cheia de consolo, apta para a 
nossa necessidade de pecadores. Por mais coisas que alguém possa ter 
que os demais, cada homem é um pecador contra Deus, está condenado 
pela lei e necessita perdão. Não se pode fazer desta justiça, que é para 
justificar, uma mescla de santidade e pecado. Não há direito à 
recompensa eterna sem a justiça pura e imaculada: esperemos por ela 
nem mais nem menos que pela justiça de Cristo. 
 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 15 
Romanos 6 
Versículos 1,2: Os crentes devem morrer para o pecado, e viver 
para Deus; 3-10: Isto é uma demanda de seu batismo cristão e de sua 
união com Cristo; 11-15: Vivos para Deus; 16-20: Libertados do 
domínio do pecado; 21-23: O fim do pecado é a morte, o da santidade é 
a vida eterna. 
Vv. 1,2. O apóstolo é muito completo ao enfatizar a necessidade da 
santidade. Não a elimina ao expor a livre graça do Evangelho, mas 
mostra que a conexão entre justificação e a santidade é inseparável. O 
pensamento de continuar em pecado para que a graça abunde, deve ser 
aborrecido. Os crentes verdadeiros estão mortos para o pecado, portanto, 
não devem segui-lo. Ninguém pode estar vivo e morto ao mesmo tempo. 
Néscio é quem, desejando estar morto para o pecado, pensa que pode 
viver nele. 
Vv. 3-10. O batismo ensina a necessidade de morrer para o pecado, 
e viver em relação a toda a obra ímpia e iníqua como se tivesse sido 
sepultado, e ressuscitar para andar com Deus em uma nova vida. Os 
professos ímpios podem ter o sinal exterior de uma morte para o pecado 
e de um novo nascimento para a justiça, mas nunca saíram da família de 
Satanás para a família de Deus. 
A natureza corrupta, chamada velho homem, porque derivou de 
Adão, o nosso primeiro pai, em todo crente verdadeiro está crucificada 
com Cristo, pela graça derivada da cruz. Está enfraquecida e em estado 
moribundo, mesmo que ainda lute pela vida, e até pela vitória. Porém, 
todo o corpo do pecado, seja o que for que não concorde com a santa lei 
de Deus, deve ser abandonado para que o crente não seja mais escravo 
do pecado, mas viva para Deus e encontre alegria em seu serviço. 
Vv. 11-15. Aqui são estipulados os motivos mais fortes contra o 
pecado, para colocar a obediência em vigor. Sendo livre do reinado do 
pecado, feito vivo para Deus, e tendo a perspectiva da vida eterna, é 
dever dos crentes interessarem-se muito por progredirem em direção a 
ela, mas como as luxúrias ímpias não têm sido totalmente desarraigadas 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 16 
nesta vida, a preocupação do cristão deve ser a de resistir às suas 
indicações, lutando com fervor para que, por meio da graça divina, não 
prevaleçam neste estado mortal. 
Alente ao cristão verdadeiro o pensamento de que este estado logo 
terminará, enquanto as seduções das luxúrias freqüentemente deixam-no 
confundido e o inquietam. Apresentemos todos os nossos poderes como 
armas ou instrumentos a Deus, prontos para a guerra e para a obra de 
justiça a seu serviço. 
Há poder para nós no pacto da graça. O pecado não terá domínio. 
As promessas de Deus para nós são mais poderosas e eficazes para 
mortificar o pecado, do que as nossas promessas a Deus. O pecado pode 
lutar contra um crente real etrazer-lhe muitos transtornos, mas não o 
dominará; pode até angustiá-lo, mas não o dominará. Alguém se 
beneficia desta estimulante doutrina para permitir-se a prática de 
qualquer pecado? Longe de nós estejam estes pensamentos tão 
abomináveis, tão contrários à perfeição de Deus, e ao desígnio de seu 
Evangelho, tão opostos ao serem submetidos à graça. Que motivo pode 
ser mais forte contra o pecado do que o amor de Cristo? Pecaremos 
contra tanta bondade e contra uma graça semelhante? 
Vv. 16-20. Todo homem é servo do Senhor a cujos mandamentos se 
rende, seja às disposições pecaminosas de seu coração em ações que 
levem à morte, ou à nova obediência espiritual implantada pela 
regeneração. O apóstolo se regozija agora porque eles obedeceram de 
todo o coração o Evangelho no qual foram colocados como em um 
molde. Assim como com o mesmo metal pode-se fazer um vaso novo 
quando é fundido, e torna a ser colocado em um outro molde, assim o 
crente tem se tornado uma nova criatura. Há uma grande diferença na 
liberdade da mente e do espírito, muito oposta ao estado da escravidão, 
que o crente verdadeiro tem a serviço de seu justo Senhor, a quem pode 
considerar seu Pai. E pela adoção da graça, pode considerar-se filho e 
herdeiro dEle. O domínio do pecado consiste em ser escravos 
voluntários; não em ser arrasados por um poder odiado, enquanto se luta 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 17 
pela vitória. Os que agora são os servos de Deus, uma vez foram os 
escravos do pecado. 
Vv. 21-23. O prazer e o proveito do pecado não merecem ser 
chamados de fruto. Os pecadores não estão mais do que arando 
iniqüidade, semeando vaidade e colhendo o mesmo. A vergonha veio ao 
mundo com o pecado, e o seu efeito ainda continua certo. O fim do 
pecado é a morte. Mesmo que o caminho pareça agradável e convidativo, 
ao final haverá amargura. 
O crente é colocado em liberdade quanto a esta condenação, quando 
se torna livre do pecado. Se o fruto é para a santidade, se há um princípio 
vivo e em crescimento de graça verdadeira, o final será a vida eterna, um 
final muito feliz! Mesmo que o caminho seja íngreme, ainda que seja 
estreito, espinhoso e tentador, em seu final a vida eterna está assegurada. 
A dádiva de Deus é a vida eterna, e este dom nos é dado por meio de 
Jesus Cristo nosso Senhor. Ele a comprou, preparou, está nos preparando 
para ela e nos preserva para ela; Ele é tudo em nossa salvação. 
 
Romanos 7 
Versículos 1-6: Os crentes estão unidos a Cristo para darem frutos 
a Deus; 7-13: O uso e a excelência da lei; 14-25: Os conflitos espirituais 
entre a corrupção e a graça no crente. 
Vv. 1-6. Enquanto o homem continuar sob o pacto da lei, e procurar 
justificar-se por obedecê-la, continuará sendo de alguma forma escravo 
do pecado. Só o Espírito de vida em Cristo Jesus pode libertar o pecador 
da lei do pecado e da morte. Os crentes são libertos do poder da lei, que 
os condena pelos pecados cometidos por eles, e são libertos do poder da 
lei que incita e provoca o pecado que habita neles. Entenda isto, não da 
lei como regra, mas como pacto de obras. 
Em profissão de fé e privilégio, estamos sob um pacto de graça e 
não sob um pacto de obras; sob o Evangelho de Cristo, não sob a lei de 
Moisés. A diferença é estabelecida com a semelhança ou a figura de 
estar casado com um segundo marido. O segundo casamento é com 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 18 
Cristo. Pela morte somos livres da obrigação à lei quanto ao pacto, como 
a esposa é livre de seus votos para com o primeiro marido. Uma vez que 
cremos, estamos mortos para a lei de uma maneira poderosa e eficaz, e 
não temos relação com ela mais do que o servo morto e liberto de seu 
Senhor, tem com o jugo de seu Senhor. 
O dia em que cremos é o dia em que somos unidos ao Senhor Jesus. 
Entramos em uma vida de dependência dEle e de dever para com Ele. As 
boas obras são pela união com Cristo; como o fruto da vide é o produto 
de estar em união com suas raízes, não há fruto para Deus até que 
estejamos unidos a Cristo. A lei, e os maiores esforços de alguém, ainda 
na carne, sob a lei e sob o poder de princípios corruptos, não podem 
levar o coração ao amor de Deus, nem derrotar as tendências carnais, ou 
dar veracidade e sinceridade ao interior, nem nada que venha pelo poder 
especialmente santificador do Espírito Santo. Somente a obediência 
formal da letra de qualquer preceito pode ser cumprida por nós sem a 
graça renovadora do novo pacto, que cria de novo. 
Vv. 7-13. Não há maneira de chegar ao conhecimento do pecado, 
que é necessário para o arrependimento e, portanto, para a paz e o 
perdão, senão relacionando os nossos corações e vidas com a lei. Em seu 
próprio caso o apóstolo não tinha conhecido a pecaminosidade de seus 
pensamentos, motivos e ações, senão pela lei. Esta norma perfeita 
mostrou o quão mau eram o seu coração e sua vida, provando que os 
seus pecados eram mais numerosos do que ele havia pensado antes, mas 
não continha nenhuma cláusula de misericórdia ou graça para o seu 
alívio. 
Aquele que não nota em si mesmo a facilidade para imaginar que 
existe algo desejável no que está fora de seu alcance, ignora a natureza 
humana e a perversidade de seu próprio coração. Podemos perceber isto 
em nossos filhos, ainda que o amor próprio nos cegue em relação a nós 
mesmos. Quanto mais humilde e espiritual for um cristão, mais notará 
que o apóstolo descreve o crente verdadeiro, desde as suas primeiras 
convicções de pecado até o seu maior progresso na graça, durante este 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 19 
presente estado imperfeito. Paulo foi fariseu, ignorante em relação à 
espiritualidade da lei, e pensava que possuía um caráter correto sem 
conhecer a sua depravação interior. Quando o mandamento chegou à sua 
consciência, através da convicção do Espírito Santo, e viu o que Ele 
exigia, percebeu que a sua mente pecaminosa se levantava contra. Ao 
mesmo tempo sentiu a maldade do pecado, seu próprio estado 
pecaminoso e que era incapaz de cumprir a lei, como um criminoso 
condenado. Contudo, ainda que o princípio do mal no coração humano 
produza más motivações, e ainda mais quando toma ocasião pelo 
mandamento, de todo modo a lei é santa, e o mandamento, santo, justo e 
bom. Não é favorável ao pecado, aquele que o busca no coração, e o 
descobre e reprova em seu agir interior. 
Nada é tão bom, que uma natureza corrupta e viciosa não perverta. 
O mesmo calor que abranda a cera endurece o barro. O alimento ou o 
remédio, quando mal ingeridos podem causar a morte, ainda que as suas 
propriedades sejam de nutrir e curar. A lei pode causar a morte por meio 
da perversão do homem, mas o pecado é o veneno que produz a morte. 
Não a lei, mas o pecado descoberto pela lei, tornou-se morte para o 
apóstolo. A natureza destruidora do pecado, e a pecaminosidade do 
coração humano são claramente demonstradas aqui. 
Vv. 14-17. Comparado com a santa regra de conduta da lei de Deus, 
o apóstolo se encontrou tão longe da perfeição que lhe pareceu ser 
carnal, como um homem que está vendido contra a sua vontade a um 
Senhor odiado, do qual não pode ser livre. As pessoas servem 
involuntariamente a esse amo odiado, mas não podem sacudir de si esta 
cadeia humilhante, até que o seu Amigo poderoso e a graça do alto as 
resgatem, quando tornam-se verdadeiros cristãos. O mal remanescente 
de seus corações é um obstáculo real e humilhante para que sirvam a 
Deus, como fazem os anjos e os espíritos dos justos aperfeiçoados. Esta 
forte linguagem foi um resultado do grande avanço de Paulo em direção 
à santidade, e da profundidade da humilhação de si mesmo e do ódio 
pelo pecado. Se não entendemos esta linguagem, isto se deve a estarmos 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 20 
muito aquém dele em santidade, no conhecimento da espiritualidade da 
lei de Deus e do mal de nossos próprios corações e do ódio do mal 
moral. 
Muitos crentes têm adotado a linguagem do apóstolo, demonstrandoque estão aptos para os profundos sentimentos de aborrecimento pelo 
pecado e para a humilhação de si mesmos. O apóstolo se estende quanto 
ao conflito que mantinha diariamente com os vestígios de sua 
depravação original. Foi freqüentemente tentado em seu temperamento, 
palavras ou atos, em coisas que ele não aprovava ou não permitiria em 
seu juízo e afeto renovados. Distinguindo o seu verdadeiro eu, a sua 
parte espiritual, do eu ou da carne, em que habita o pecado, e observando 
que as ações más eram realizadas. não por ele, mas pelo pecado que 
habitava nele, o apóstolo não quis dizer que os homens não são 
responsáveis por prestarem contas de seus pecados, mas ensina sobre o 
mal deles. demonstrando que todos o estão cometendo contra a razão e a 
consciência. O pecado que habita em um homem não é quem manda nele 
ou o domina; um homem pode viver em uma cidade ou em um país, e até 
mesmo reinar em outro lugar. 
Vv. 18-22. Quanto mais puro e santo for o coração, mais sensível 
será ao pecado que permanece nele. O crente enxerga melhor a beleza da 
santidade e a excelência da lei. Os seus desejos fervorosos de obedecer 
aumentam à medida que cresce na graça. Mas não faz todo o bem ao 
qual a sua vontade se inclina plenamente; o pecado sempre brota. nele 
através dos vestígios da corrupção, e muitas vezes faz o mal, ainda que 
contra a decidida determinação de sua vontade. 
As pressões interiores do pecado castigavam o apóstolo. Se pela 
luta da carne contra o espírito, quis dizer que ele não podia fazer nem 
cumprir como o Espírito sugeria, assim também, pela eficaz oposição do 
Espírito, não podia fazer aquilo a que a carne o impelia. Quão diferente é 
este caso do daqueles que sentem-se confortáveis com as seduções 
internas da carne que os impulsionam ao mal. Estes, contra a luz e a 
advertência de suas consciências, seguem adiante, até a prática exterior 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 21 
fazendo o mal, e desse modo, com premeditação, seguem a caminho da 
perdição! Quando o crente está sob a graça e sua vontade está no 
caminho da santidade, deleita-se sinceramente na lei de Deus e na 
santidade que Ele exige, conforme o seu homem interior: o novo homem 
nele, criado segundo a vontade de Deus na justiça e santidade da 
verdade. 
Vv. 23-25. Esta passagem não apresenta o apóstolo como alguém 
que andava após a carne, mas como alguém que se dispunha de todo o 
coração a não andar assim. Se há aqueles que abusam desta passagem, 
como também das demais Escrituras, para a sua própria destruição, os 
cristãos sérios encontram, não obstante, motivos para bendizerem a Deus 
por haver providenciado assim para seu sustento e consolo. Não 
devemos ver defeitos nas Escrituras, nem em nenhuma interpretação 
justa e bem respaldada delas porque os que estão cegos por suas próprias 
luxúrias abusam destas. Nenhum homem que não esteja envolvido neste 
conflito pode entender claramente o significado destas palavras nem 
julgar corretamente acerca deste conflito doloroso, que levou o apóstolo 
a lamentar-se de si mesmo como miserável, constrangido a fazer aquilo 
que o aborrecia. 
Não podia livrar a si mesmo, e isto fazia com que agradecesse mais 
fervorosamente a Deus pelo caminho. da salvação revelado por Jesus 
Cristo, que lhe prometeu a libertação final deste inimigo. Assim disse 
ele: Eu mesmo, com a minha mente e o meu juízo consciente, meus 
afetos e propósitos de homem regenerado pela graça divina, sirvo e 
obedeço à lei de Deus; porém com a carne, a natureza carnal, os 
vestígios da corrupção, sirvo à lei do pecado, que batalha contra a lei de 
minha mente. Não é que a sirva como para viver debaixo dela ou 
permiti-la, mas que é incapaz de livrar a si mesmo dela, mesmo em seu 
melhor estado e necessitando buscar ajuda e libertação fora de si mesmo. 
É evidente que agradece a Deus por Cristo, como nosso libertador, nossa 
expiação e justiça nEle mesmo, e não devido a nenhuma santidade 
realizada em nós. Não conhecia uma salvação assim, e rejeitou todo o 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 22 
direito a ela. Estava disposto a atuar em tudo de acordo com a lei, em sua 
mente e consciência, mas o pecado que habitava nele o impedia, e nunca 
alcançou a perfeição que a lei requeria. 
Em que pode consistir a libertação para um homem sempre 
pecador, senão na livre graça de Deus segundo é oferecida em Cristo 
Jesus? O poder da graça divina e do Espírito Santo poderiam desarraigar 
o pecado de nossos corações ainda nesta vida, se a sabedoria divina o 
tivesse determinado. Porém, os cristãos o sofrem para que sintam e 
entendam de modo constante e completo o estado miserável do qual a 
graça divina os salva; para que possam ser guardados de confiar em si 
mesmos, e que sempre possam alcançar todo o seu consolo e esperança 
da rica e livre graça de Deus em Cristo. 
 
Romanos 8 
Versículos 1-9: A liberdade dos crentes em relação à condenação; 
10-17: Seus privilégios por serem os filhos de Deus; 18-25: Suas 
esperanças diante das tribulações; 26, 27: A ajuda do Espírito Santo na 
oração; 28-31: Seu interesse no autor de Deus; 32-39: O triunfo final 
por meio de Cristo. 
Vv. 1-9. Os crentes podem ser castigados pelo Senhor, mas não 
serão condenados com o mundo. Por sua união com Cristo por meio da 
fé, estão seguros. Qual é o princípio de seu andar: a carne ou o Espírito, 
a velha ou a nova natureza, a corrupção ou a graça? Para qual destes 
fazemos provisão? Por qual somos governados? A vontade não renovada 
é incapaz de obedecer qualquer mandamento por completo. A lei, além 
dos deveres exteriores, requer também obediência interior. Deus mostra 
o seu aborrecimento pelo pecado através dos sofrimentos de seu Filho na 
carne, para que o crente seja perdoado e justificado. Assim, a justiça 
divina foi satisfeita e o caminho da salvação foi aberto para o pecador. O 
Espírito escreve a lei do amor no coração, e ainda que a justiça da lei não 
seja cumprida por nós, de todo modo, bendito seja Deus, pois cumpre-se 
em nós; no meio de todos os crentes existem aqueles que correspondem 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 23 
à intenção da lei. O favor de Deus, o bem estar da alma e os interesses da 
eternidade, são as coisas do Espírito que importam àqueles que vivem 
segundo o Espírito. 
Por que caminho os nossos pensamentos se movem com mais 
deleite? Por que caminho vão os nossos planos e projetos? Somos mais 
sábios com os assuntos relacionados ao mundo ou com os relacionados 
às nossas almas? Os que vivem em deleites estão mortos (1 Tm 5.6). A 
alma santificada é uma alma viva, e essa vida é paz. A mente carnal não 
é somente inimiga de Deus, mas é a própria inimizade. O homem carnal 
pode, pelo poder da graça divina, ser submetido à lei de Deus, mas a 
mente carnal, nunca; esta deve ser anulada e expulsa. 
Podemos conhecer o nosso estado e caráter verdadeiros quando nos 
perguntamos se temos ou não o Espírito de Deus e de Cristo (verso 9). 
Não estamos na carne, mas no Espírito. Ter o Espírito de Cristo significa 
ter em certa medida mudado o desígnio ao sentimento que havia em 
Cristo Jesus, e isso deve ser notado em uma vida e em uma convivência 
que corresponda aos seus preceitos e ao seu exemplo. 
Vv. 10-17. Se o Espírito Santo está em nós, Cristo também está em 
nós. Ele habita por fé no coração. A graça na alma é a sua nova natureza; 
a alma está viva para Deus e tem início a sua felicidade, que durará para 
sempre. A justiça imputada de Cristo assegura à alma a melhor parte da 
morte. Disto vemos quão grande é o nosso dever de andar, não após a 
carne, mas após o Espírito. Se alguém vive habitualmente conforme as 
luxúrias corruptas, certamente perecerá em seus pecados, professe ou 
não a fé. E pode uma vida mundana presente, que se torna digna por um 
momento, ser comparada com o nobre prêmio de nossa suprema 
chamada? Então, pelo Espírito esforcemo-nos mais para mortificar a 
carne. 
A regeneração pelo Espírito Santo traz à alma uma vida novae 
divina, ainda que o seu estado seja fraco. Os filhos de Deus têm o 
Espírito para que opere neles a disposição de filhos; não têm o espírito 
de servidão sob o qual estava a Igreja do Antigo Testamento, pela 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 24 
obscuridade dessa dispensação. O Espírito de adoção não fora 
plenamente derramado. E refere-se ao espírito de servidão, ao qual 
estavam sujeitos muitos santos em sua conversão. 
Muitos se gloriam de terem paz em si mesmos, aqueles aos quais 
Deus não tem dado a sua paz; mas os santificados têm o Espírito de 
Deus, e este testemunha aos seus espíritos que lhes dá paz às suas almas. 
Ainda que agora podemos parecer perdedores por Cristo, ao final não 
seremos, nem podemos ser perdedores para Ele. 
Vv. 18-25. Os sofrimentos dos santos angustiam, mas não por mais 
tempo que o necessário; duram somente um tempo, e são somente 
aflições leves e passageiras. Quão diferentes são a sentença da palavra e 
o sentimento do mundo em relação aos sofrimentos deste tempo 
presente! Sem dúvida toda a criação espera com ansiosa expectativa o 
período em que se manifestem os filhos de Deus, na glória preparada 
para eles. Existe impureza, deformidade e enfermidade que sobrevieram 
à criatura por causa da queda do homem. Existe inimizade de uma 
criatura contra outra. São úteis, mas os homens abusam muito delas 
como instrumentos de pecado. Este estado deplorável da criação 
permanece "com esperança"; Deus a livrará de estar assim mantida em 
escravidão pela depravação do homem. As misérias da raça humana, por 
meio da maldade de cada um e de uns para com os outros, declaram que 
o mundo nem sempre continuará como está. Por termos recebido as 
primícias do Espírito, temos os nossos desejos vivificados, as nossas 
esperanças animadas e as nossas expectativas elevadas. O pecado foi e é 
a causa culpável de todo o sofrimento que existe na criação de Deus. O 
pecado trouxe os ais à terra, acendendo as chamas do inferno. Quanto ao 
homem, nenhuma lágrima tem sido derramada, nenhum lamento tem 
sido emitido, nenhuma punhalada se tem sentido no corpo ou na mente, 
que não tenha procedido do pecado. Isto não é tudo: deve-se considerar 
que o pecado afeta a glória de Deus. Com quanta ousadia imprudente a 
maior parte da humanidade olha para isto! 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 25 
Os crentes têm sido levados a um estado de segurança, mas o seu 
consolo consiste mais em esperança do que em deleite. Não podem ser 
tirados desta esperança pela vã expectativa de encontrar satisfação nas 
coisas do tempo e dos sentimentos. Precisamos de paciência; o nosso 
caminho é áspero e longo, mas o que há de vir, virá ainda que pareça 
tardar. 
Vv. 26,27. Mesmo que as enfermidades dos cristãos sejam muitas e 
grandes, de modo que seriam vencidos se fossem deixados à sua própria 
sorte, o Espírito Santo os sustenta. O Espírito Santo, como Espírito 
iluminador, nos ensina pelo que devemos orar; como Espírito 
santificador opera e estimula as graças para orar; como Espírito 
consolador, acalma os nossos temores e nos ajuda a superar todas as 
desilusões. O Espírito Santo é a fonte de todos os desejos que temos 
provenientes de Deus, os quais são muitas vezes mais do que as palavras 
podem expressar. O Espírito que esquadrinha os corações pode tocar a 
mente e a vontade do espírito, a mente renovada e advogar a sua causa. 
O Espírito de Deus intercede por nós diante de Deus e o inimigo não nos 
vence. 
Vv. 28-31. Bom para os santos é aquilo que torna as suas almas 
boas. Toda a providência procura o bem espiritual dos que amam a Deus: 
apartando-os do pecado, aproximando-os de Deus, tirando-os do mundo 
e preparando-os para o céu. Quando os santos se conduzem de maneira 
contrária ao caráter que têm, serão corrigidos para voltarem para onde 
devem estar. 
Aqui está a ordem dos motivos da nossa salvação, uma cadeia de 
ouro que não pode ser quebrada. 
1. "Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para 
serem conforme à imagem de seu Filho". Tudo isto que Deus concebeu 
com a finalidade da glória e da felicidade, decretou como o caminho da 
graça e da santidade. Toda a raça humana merecia a destruição, mas por 
razões imperfeitamente conhecidas por nós, Deus determinou recuperar a 
alguns pela regeneração e pelo poder da sua graça. Ele predestinou, ou 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 26 
decretou anteriormente, que eles fossem feitos conforme a imagem de 
seu Filho. Nesta vida eles são renovados em parte e andam em suas 
pisadas. 
2. "E aos que predestinou, a estes também chamou". É uma 
chamada eficaz desde o eu e da terra, a Deus e a Cristo, e ao céu como o 
nosso fim; do pecado e da vaidade, à graça e à santidade como o nosso 
caminho. Este é o chamado do Evangelho. O amor de Deus, que reina 
nos corações daqueles que uma vez foram seus inimigos, prova que eles 
foram chamados conforme o seu propósito. 
3. "E aos que chamou a estes também justificou". Ninguém é assim 
justificado, senão aqueles que são eficazmente chamados. Os que 
resistem ao Evangelho permanecem sujeitos à culpa e à ira. 
4. "E aos que justificou, a estes também glorificou". Sendo 
quebrado o poder da corrupção na chamada eficaz, e eliminada a culpa 
do pecado na justificação, nada pode se interpor entre esta alma e a 
glória. Isto estimula a nossa fé e esperança, porque, como Deus, o seu 
caminho e a sua obra são perfeitos. 
O apóstolo fala como alguém maravilhado e absorto de admiração, 
maravilhando-se pela altura e a profundidade, a largura e o comprimento 
do amor de Cristo, que excede a todo entendimento. Quanto mais 
conhecemos outras coisas, menos nos maravilhamos; porém, quanto 
mais profundamente somos guiados nos mistérios do Evangelho, mais 
afetados somos por eles. Enquanto Deus estiver a nosso favor e formos 
mantidos em seu amor, poderemos desafiar com santa ousadia todas as 
potestades das trevas. 
Vv. 32-39. Todas as coisas do céu e da terra, quaisquer que sejam, 
não são tão grandes para demonstrar o amor de Deus como a dádiva de 
seu Filho, que é igual a Ele, como expiação pelo pecado do homem na 
cruz; e tudo mais segue a união com Ele e o interesse nEle. "Todas as 
coisas", tudo isso que pode ser a causa ou o meio de qualquer bem real 
para o cristão fiel. Ele que tem preparado uma coroa e um reino para nós, 
nos dará o que necessitarmos no caminho para alcançá-la. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 27 
Os homens podem justificar a si próprios, mesmo que as acusações 
contra eles estejam plenamente vigentes; porém, se Deus justifica, isso 
responde a tudo. Assim, somos assegurados por Cristo. Ele pagou a 
nossa dívida pelo mérito de sua morte. Sim, mais do que isto, Ele 
ressuscitou. Esta é a prova mais convincente de que a justiça divina foi 
satisfeita. De maneira que temos um Amigo à destra de Deus; todo o 
poder foi dado a Ele, que está ali e intercede por nós. Crente! Diga a tua 
alma dentro de ti: Ó! que Ele seja meu! E, Ó! Que eu seja dEle! Que eu 
possa agradá-lo e viver para Ele! Então, não arrisques o teu espírito nem 
confundas teus pensamentos em dúvidas estéreis e intermináveis, mas, 
como estás convencido de impiedade, creia naquEle que justifica ao 
ímpio. Estás condenado, mas Cristo morreu e ressuscitou. Fuja a Ele 
nesta condição. 
Havendo Deus manifestado o seu amor ao dar o seu próprio Filho 
por nós, poderíamos pensar que existe algo que possa apartar ou eliminar 
esse amor? Os problemas não causam nem mostram nenhuma 
diminuição do seu amor. Não importa do que os crentes venham a ser 
separados, o amor de Deus é o bastante para cada um de nós. Ninguém 
pode tirar o amor de Cristo do crente; ninguém pode tirar o crente de 
Cristo, e isto basta. Todos os outros riscos nada significam. 
Sim, pobres pecadores! Ainda que abundem com possessões deste 
mundo, que coisas tão vãs são! Podes dizer de qualquer uma delas: 
Quem nos separará? Pode ser que até tirem de ti valiosas residências, as 
amizadese a fortuna. Pode acontecer que estas coisas aconteçam durante 
a tua vida. Ao final deverás separar-te porque deves morrer. Então, darás 
adeus a tudo o que este mundo considera como de supremo valor. O que 
te restou, pobre alma que não tens a Cristo, senão aquilo de que te 
separarás pesaroso, sem nada poder fazer? A culpa condenatória de todos 
os teus pecados! 
Porém, a alma que está em Cristo, quando lhe tiram todas as demais 
coisas, se apega mais fortemente a Cristo, e estas separações não trazem 
pesar a ela. Sim, quando a morte chega, isso rompe todas as demais 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 28 
uniões, até a da alma com o corpo, leva a alma do crente à união mais 
íntima com seu amado Senhor Jesus, e ao pleno gozo dEle para sempre. 
 
Romanos 9 
Versículos 1-5: A preocupação do apóstolo porque os seus 
compatriotas eram estrangeiros para o Evangelho; 6-13: As promessas 
são válidas para a semente espiritual de Abraão; 14-24: Resposta às 
objeções contra a conduta soberana de Deus ao exercer misericórdia e 
justiça; 25-29: Esta soberania é demonstrada pela maneira de Deus 
tratar os judeus e os gentios; 30-33: A deficiência dos judeus se deve a 
que eles buscam sua justificação pelas obras da lei, e não pela fé. 
Vv. 1-5. Estando a ponto de tratar a rejeição dos judeus e a 
chamada dos gentios, e mostrar que tudo concorda com o eletivo 
soberano amor de Deus, o apóstolo expressa com força seu amor por seu 
povo. Apela solenemente a Cristo; sua consciência iluminada e dirigida 
pelo Espírito Santo dá testemunho de sua sinceridade. Se submeteria a 
ser anátema, a ser condenado, crucificado, e ainda a sofrer o horror e a 
angústia mais profunda, se pudesse resgatar sua nação da destruição 
vindoura, por causa da sua obstinada incredulidade. Ser insensível ao 
estado eterno de nosso próximo é contrário ao amor requerido pela lei e 
pela misericórdia do Evangelho. Eles haviam professado há muito tempo 
ser adoradores de Jeová. A lei e o pacto nacional, fundamentado nela, 
eram seus. A adoração no templo tipificava a salvação realizada pelo 
Messias e o meio de comunhão com Deus. Todas as promessas referidas 
a Cristo e à sua salvação lhes foram dadas. Não somente está acima de 
tudo como Mediador; mas é o Deus bendito pelos séculos dos séculos. 
Vv. 6-13. A rejeição dos judeus pela dispensação do Evangelho não 
quebrantou a promessa de Deus aos patriarcas. As promessas e as 
advertências se cumprirão. A graça não corre pelo sangue, e os 
benefícios da salvação nem sempre são encontrados nos privilégios 
externos da Igreja. Não somente foram escolhidos alguns da semente de 
Abraão e outros não, mas Deus operou conforme o conselho de sua 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 29 
vontade. Deus profetizou sobre Esaú e Jacó, nascidos em pecado, filhos 
da ira pela natureza, como os demais. Se fossem deixados a si mesmos, 
teriam continuado em pecado durante toda a vida, mas, por razões santas 
e sábias, que não nos são dadas a conhecer. Ele se propôs a mudar o 
coração de Jacó e deixar Esaú em sua maldade. Este caso de Esaú e Jacó 
ilumina a conduta divina para com a raça caída do homem. 
Toda a Escritura mostra a diferença entre o cristão confesso e o 
crente verdadeiro. Os privilégios exteriores são concedidos a muitos que 
não são filhos de Deus. Contudo, há um estímulo completo para o uso 
diligente dos meios da graça que Deus tem determinado. 
Vv. 14-24. Qualquer coisa que Deus faz será justa. Por esta razão, o 
feliz povo santo de Deus deve ser diferente dos demais. Somente a graça 
de Deus os torna diferentes. Ele age como benfeitor nesta graça eficaz e 
prudente que distingue, porque a sua graça é somente sua. Ninguém a 
merece, de modo que aqueles que são salvos devem agradecer 
unicamente a Deus; e aqueles que perecem, devem culpar somente a si 
mesmos (Os 13.9). Deus não está obrigado além do que lhe pareça bem 
obrigar-se, segundo o seu pacto e promessa, que é a sua vontade 
revelada. Esta é aquela que receberá e não lançará fora àqueles que vêm 
a Cristo; porém, a escolha das almas para que venham é um favor 
antecipado. 
Por que ainda encontras faltas? Esta não é objeção que a criatura 
pode fazer ao seu Criador, o homem contra Deus. A verdade, conforme 
expressa por Jesus, aniquila o homem, tornando-o menos do que nada, e 
estabelece a Deus como o soberano Senhor de tudo. Quem és tu, tão 
néscio, tão fraco. tão incapaz de julgar os conselhos divinos? É nosso 
dever submetermo-nos a Ele, e não contestá-lo. Os homens não 
permitiriam ao infinito Deus o mesmo direito soberano para decidir 
sobre os assuntos da criação, como o oleiro exerce o seu direito ao dispor 
de seu barro, quando do mesmo montão de barro pode fazer um vaso 
para uso mais honroso, e outro para uso mais vil? Deus não pode fazer 
injustiça, por mais que assim pareça aos homens. Ele deixará evidente 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 30 
que odeia o pecado. Além disso, criou vasos cheios de misericórdia. A 
santificação é a preparação da alma para a glória. Esta é a obra de Deus. 
Os pecadores se preparam para o inferno, mas Deus é quem prepara os 
santos para o céu; e a todos os que Deus destina para o céu, no além, a 
estes prepara agora. 
Queremos saber quem são estes vasos de misericórdia? Aqueles que 
Deus chamou; e estes não somente são dos judeus, mas dos gentios. 
Certamente não pode haver injustiça em nenhuma destas dispensações 
divinas; não há injustiça em Deus que exerce sua benignidade, paciência 
e tolerância para com os pecadores sujeitos à culpa crescente, antes de 
trazer-lhes a destruição total. A falta está no próprio pecador 
embaraçado. Quanto a todos os que amam e temem a Deus, por mais que 
estas verdades pareçam além do alcance de seu entendimento, mesmo 
assim guardam silêncio diante dEle. E somente o Senhor quem nos torna 
diferentes; devemos adorá-lo por sua misericórdia perdoadora e por sua 
graça que cria de novo, e ser diligentes para assegurarmos a nossa 
vocação e eleição. 
Vv. 25-29. A rejeição dos judeus e a incorporação dos gentios 
estavam profetizadas no Antigo Testamento. Isto ajuda muito a 
esclarecer uma verdade, e observar como as Escrituras se cumprem nela. 
O prodígio da potestade e misericórdia divinas é que existem alguns 
salvos: mesmo os deixados para ser semente teriam perecido com os 
demais, se Deus os tivesse tratado conforme os seus pecados. Esta 
grande verdade nos é ensinada pelas Escrituras. Deve-se temer que, 
ainda que exista um grande número de cristãos professos, somente os 
fiéis serão salvos. 
Vv. 30-33. Os gentios não conheciam a sua culpa e miséria, 
portanto, não se preocupavam em procurar o remédio. Mas alcançaram a 
justiça por fé. Não por tornarem-se prosélitos da religião judaica, nem 
por submeterem-se à lei cerimonial, mas abraçando a Cristo, crendo 
nEle, e sujeitando-se ao Evangelho. Os judeus falavam muito de 
justificação e santidade e parece que desejavam muito ser os favoritos de 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 31 
Deus. Buscaram, mas não da maneira correta, não com humildade nem 
da maneira estabelecida. Não por fé, não por abraçarem a Cristo. 
Buscaram sem depender de Cristo nem se sujeitarem ao Evangelho. 
Esperavam a justificação obedecendo os preceitos e as cerimônias da lei 
de Moisés. Os judeus incrédulos tiveram uma justa oferta de justiça, vida 
e salvação, oferecida a eles nas condições do Evangelho, coisa de que 
não se agradaram e que não aceitaram. 
Temos procurado saber como podemos ser justificados diante de 
Deus, procurando essa bênção da maneira aqui determinada por fé em 
Cristo, como Jeová Justiça nossa? Então, não seremos envergonhados 
naquele dia terrível, quando todos os refúgios de mentiras serão 
arrasados, e a ira divina inundará todo os esconderijos, salvo aquele que 
Deus tem preparado em seu Filho. 
 
Romanos 10 
Versículos 1-4: O fervoroso desejo do apóstolo pela salvação dos 
judeus; 5-11: A diferença entre a justiça da lei e ajustiça da fé; 12-17: 
Os gentios estão no mesmo nível dos judeus em justificação e salvação; 
18-21: Os judeus podiam saber destas coisas através das profecias do 
Antigo Testamento. 
Vv. 1-4. Os judeus edificaram sobre um fundamento falso e não 
quiseram ir a Cristo para receber a salvação gratuita por fé, e são muitos 
os que em cada época, de diversas formas, fazem o mesmo. A severidade 
da lei demonstrou aos homens a sua necessidade de salvação pela graça e 
por meio da fé. As cerimônias eram uma sombra de Cristo, que cumpre a 
justiça e retira a maldição da lei. Desta forma, mesmo sob a lei, todos os 
que foram justificados diante de Deus, obtiveram esta bênção pela fé, 
pela qual foram feitos participantes da perfeita justiça do Redentor 
prometido. A lei não é destruída, nem a intenção do Legislador é 
frustrada, mas a morte de Cristo, dando a plena satisfação por nossa 
violação da lei, faz com que a finalidade seja alcançada. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 32 
Cristo cumpriu toda a lei, portanto, quem crê nEle é contado como 
justo diante de Deus, como se tivesse cumprido toda a lei. Os pecadores 
nunca se diluiriam em vãs fantasias de sua própria justiça se 
conhecessem a justiça de Deus como Rei ou a sua retidão como 
Salvador. 
Vv. 5-11. O pecador condenado por si mesmo não deve se 
confundir com a maneira pela qual esta justiça pode ser encontrada. 
Quando falamos de olhar para Cristo, recebê-lo e alimentarmo-nos dEle, 
não queremos dizer a Cristo no céu, mas Cristo na promessa, Cristo 
oferecido na Palavra. A justificação pela fé em Cristo é uma doutrina 
simples. Se expõe diante da mente e do coração de cada pessoa, 
deixando-a, assim, sem desculpa pela incredulidade. 
Se um homem confessa a sua fé em Jesus como Senhor e Salvador 
dos pecadores perdidos, e realmente crê em seu coração que Deus o 
ressuscitou dentre os mortos, para mostrar que havia aceitado a expiação, 
será salvo pela justiça de Cristo, imputada a ele por meio da fé. Porém, 
nenhuma fé justifica o que não é poderoso para santificar o coração e 
regulamentar todos os seus afetos pelo amor de Cristo. 
Devemos consagrar e render nossas almas e nossos corpos a Deus: 
nossas almas ao crermos com o coração e nossos corpos ao confessarmos 
com a boca. O crente nunca terá razão para arrepender-se de sua total 
confiança no Senhor Jesus. Nenhum pecador jamais será envergonhado 
diante de Deus por sua fé; e deveria gloriar-se nela diante dos homens. 
Vv. 12-17. Não há um Deus para os judeus que seja melhor, nem 
outro para os gentios que seja pior; o Senhor é o Pai de todos os homens. 
A promessa é a mesma para todos os que invocam o nome do Senhor 
Jesus como Filho de Deus, como o Deus manifesto em carne. 
Todos os crentes desta classe invocam ao Senhor Jesus e ninguém 
mais o fará tão humilde ou sinceramente, mas como alguém que não tem 
ouvido dEle poderia invocar ao Senhor Jesus, o Salvador divino? Qual é 
a vida do cristão, senão uma vida de oração? Isto demonstra que 
sentimos nossa dependência dEle, que estamos prontos para rendermo-
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 33 
nos a Ele, e temos a expectativa confiante acerca de todo o nosso bem 
por parte dEle. 
Era necessário que o Evangelho fosse pregado aos gentios. Alguém 
deveria mostrar-lhes em que deveriam crer. O Evangelho deveria ser 
bem recebido entre aqueles a quem é pregado! Ele é dado não somente 
para ser conhecido e crido, mas para ser obedecido. Não é um sistema de 
noções, mas uma regra de conduta. O início, o progresso e o poder da fé 
vêm pelo ouvir, mas somente por ouvir a Palavra, porque a Palavra de 
Deus fortalecerá a fé. 
Vv. 18-21. Os judeus não sabiam que os gentios seriam chamados? 
Eles poderiam ter sabido por Moisés e Isaías. Isaías fala claramente da 
graça e do favor de Deus, que avançam para ser recebidos pelos gentios. 
Não foi este o nosso caso? Não começou Deus com amor, e não se nos 
deu a conhecer quando não perguntávamos por Ele? A paciência de Deus 
para com os pecadores provocadores é maravilhosa. O tempo da 
paciência de Deus é chamado um dia, leve como um dia e apto para o 
trabalho e os negócios; porém, limitado como o dia, e há uma noite que 
coloca fim a ele. A paciência de Deus agrava a desobediência do homem 
e a torna mais pecaminosa. Podemos nos maravilhar diante da 
misericórdia de Deus, que a sua bondade não seja vencida pela maldade 
do homem; podemos nos maravilhar diante da iniqüidade do homem, 
que muitas vezes a sua maldade não seja vencida pela bondade de Deus. 
É motivo de alegria, pensar que Deus tem enviado a mensagem de graça 
a tantos milhões de pessoas, pela ampla difusão de seu Evangelho. 
 
Romanos 11 
Versículos 1-10: A rejeição dos judeus não é universal; 11-21: 
Deus ignorou a incredulidade deles ao tornar os gentios participantes 
dos privilégios do Evangelho; 22-32: Os gentios são advertidos contra o 
orgulho e a incredulidade; 33-36. Uma solene glorificação da 
sabedoria, da bondade e da justiça de Deus. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 34 
Vv. 1-10. Houve um remanescente escolhido de judeus crentes, que 
teve justiça e vida por fé em Jesus Cristo. Estes foram preservados 
conforme a eleição da graça. Se esta eleição era de graça, não poderia ser 
por obras, quer feitas, quer previstas. Toda a disposição verdadeiramente 
boa em uma criatura caída deve ser um efeito, e portanto, não pode ser a 
causa da graça de Deus outorgada a ela. A salvação, do princípio ao fim 
deve ser formada por graça e dívida. Estas coisas se contradizem entre si, 
tanto que não podem fundir-se. Deus glorifica a sua graça transformando 
os corações e o temperamento dos rebeldes. Então, como deveriam 
admirá-lo e louvá-lo! 
A nação judaica estava como em um profundo sono, sem conhecer 
o seu perigo, nem interessar-se a respeito; não sabiam da necessidade 
que tinham do Salvador ou de estar à beira da destruição eterna. 
Havendo profetizado pelo Espírito os sofrimentos de Cristo infligidos 
pelo seu povo, Davi prediz os terríveis juízos de Deus contra eles por 
isto (Sl 69). Isto nos ensina a entender outras orações de Davi contra os 
seus inimigos; estas são profecias dos juízos de Deus, e não expressões 
de sua própria ira. As maldições divinas operam por longo tempo, e 
temos os nossos olhos escurecidos se nos inclinarmos diante da 
mentalidade mundana. 
Vv. 11-21. O Evangelho é a maior riqueza em todo o lugar em que 
estiver. Portanto, assim como a justa rejeição dos judeus incrédulos foi a 
ocasião para que uma multidão tão imensa de gentios se reconciliasse 
com Deus e tivesse paz com Ele, a futura recepção dos judeus na Igreja 
significará uma mudança tal que se parecerá com a ressurreição geral dos 
mortos em pecado a uma vida de justiça. 
Abraão era a raiz da Igreja. Os judeus eram os ramos desta árvore, 
até que, como nação, rejeitaram o Messias; depois disto, sua relação com 
Abraão e com Deus foi cortada. Os gentios foram enxertados nesta 
árvore no lugar deles, sendo admitidos na Igreja de Deus. Multidões 
foram feitas herdeiras da fé, da santidade e da bênção de Abraão. O 
estado natural de cada um de nós é ser silvestre por natureza. A 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 35 
conversão é como o enxerto das almas silvestres na boa oliveira. A 
oliveira silvestre costumava ser enxertada na frutífera quando esta 
começava a decair. 
Assim, não somente deu fruto, mas fez a oliveira decadente reviver 
e florescer. Os gentios, por pura graça, foram enxertados para 
compartilhar os benefícios. Portanto, deveriam se cuidar de confiar em si 
mesmos e de toda a classe de orgulho e ambição; para que não 
acontecesse que tendo somente uma fé morta e uma profissão de fé 
vazia, se voltassem contra Deus, e abandonassem os seus privilégios. Se 
permanecemos, é absolutamente pela fé; somos culpáveis e incapazes em 
nós mesmos e devemos ser humildes, estar alertas, temer ser enganados 
por nosso ego, ou de ser vencidos pela tentação. Não somentetemos que 
ser primeiramente justificados pela fé, mas devemos nos manter até o 
fim justificados pela fé, operada por amor a Deus e ao homem. 
Vv. 22-32. Os juízos espirituais são os mais dolorosos de todos os 
juízos, e é destes que o apóstolo fala aqui. A restauração dos judeus, no 
curso dos acontecimentos, é muito menos improvável do que o 
chamamento dos gentios para serem os filhos de Abraão; e ainda que 
agora outros possuam estes privilégios, não impedirá que sejam 
admitidos novamente. Por rejeitarem o Evangelho e por indignarem-se 
pela pregação aos gentios, os judeus se tornaram inimigos de Deus; 
mesmo que ainda sejam favorecidos por amor a seus piedosos pais. 
Ainda que atualmente sejam inimigos do Evangelho, por seu ódio aos 
gentios, quando o tempo de Deus chegar, isso não existirá mais, e o amor 
de Deus por seus pais será recordado. 
A graça verdadeira não procura limitar o favor de Deus. Os que 
acham misericórdia devem se esforçar para que, por sua misericórdia, 
outros também possam alcançar misericórdia. Não se trata de uma 
restauração na qual os judeus voltem a ter o seu sacerdócio, o templo e 
as cerimônias novamente; a tudo isto foi colocado um fim. Porém, serão 
levados a crer em Cristo, o Messias verdadeiro, ao qual crucificaram; 
serão levados à Igreja cristã, que se tornará um só redil com os gentios 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 36 
submetidos a Cristo, o grande Pastor. Os cativeiros de Israel, sua 
dispersão e o feito de serem excluídos da Igreja são para os crentes 
emblemas das correções por praticarem o mal; o contínuo cuidado do 
Senhor para com seu povo, e a misericórdia final e a bendita restauração 
concebida para eles, mostra a paciência e o amor de Deus. 
Vv. 33-36. O apóstolo Paulo conhecia mais os mistérios do reino de 
Deus do que qualquer outro homem; contudo, se reconhece impotente; 
sem esperança de chegar ao fundo, senta-se humildemente às margens e 
adora ao Senhor. Aqueles que mais sabem neste estado imperfeito, são 
os que mais sentem a sua fraqueza. Não é somente a profundidade dos 
conselhos divinos, mas as riquezas, a abundância do que é precioso e de 
valor. Os conselhos divinos são completos; não têm apenas profundidade 
e altura, mas também largura e comprimento (Ef 3.18), e isto ultrapassa 
todo o conhecimento. 
Há vasta distância e desproporção entre Deus e o homem, entre o 
Criador e a criatura, o que sempre nos impede de conhecermos os seus 
caminhos. Que homem ensinará a Deus como governar o mundo? O 
apóstolo adora a soberania dos conselhos divinos. Todas as coisas do céu 
e da terra, especialmente as que se relacionam com a nossa salvação, que 
correspondem à nossa paz, são todas dEle pela criação, por meio dEle 
pela providência, para que ao final sejam para Ele. São de Deus como 
manancial e fonte de tudo; por meio de Cristo, para Deus como fim. 
Estas incluem todas as relações de Deus com as suas criaturas; se todos 
somos dEle, e por Ele, todos seremos dEle e para Ele. 
Tudo o que começa deve ter a finalidade de ser para a glória de 
Deus; adoremo-lo especialmente quando falamos dos conselhos e das 
ações divinas. Os santos no céu nunca discutem, sempre louvam. 
 
Romanos 12 
Versículos 1,2: Os crentes devem se consagrar a Deus; 3-8: Ser 
humildes e usar fielmente os seus dons espirituais em seus respectivos 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 37 
postos; 9-16. Exortações a diversos deveres; 17-21: E a uma conduta 
pacífica comi todos os homens, com tolerância e benevolência. 
Vv. 1,2. Tendo o apóstolo terminado a parte de sua carta em que 
argumenta e prova diversas doutrinas que são aplicadas na prática, aqui 
estabelece deveres importantes a partir dos princípios do Evangelho. Ele 
roga aos romanos, como irmãos em Cristo, que pelas misericórdias de 
Deus apresentem os seus corpos como sacrifício vivo ao Senhor. Este é 
um poderoso chamado. 
Recebemos diariamente do Senhor os frutos da sua misericórdia, 
apresentemos a Ele tudo o que somos, o que temos e o que fazemos, 
porque depois de tudo, o que é isto em comparação com as grandes 
riquezas que recebemos? É aceitável a Deus: um culto racional, pelo 
qual somos capazes e estamos preparados pela razão, e o entendemos. A 
conversão e a santificação são a renovação da mente: a transformação, 
não da essência, mas das qualidades da alma. 
O progresso na santificação, morrer mais e mais para o pecado e 
viver mais e mais para a justiça, é levar a cabo esta obra renovadora, até 
que seja aperfeiçoada na glória. O grande inimigo desta renovação é 
conformar-se com este mundo. Procuram formar planos para a felicidade 
como se esta estivesse nas coisas terrenas, que passam rapidamente. Não 
caiamos nos costumes daqueles que andam nas luxúrias da carne, e se 
preocupam com as coisas terrenas. A obra do Espírito Santo começa 
primeiro no entendimento e se efetua na vontade, nos afetos e na 
conversação, até que aconteça uma mudança completa no homem à 
semelhança de Deus, no conhecimento, na justiça e na santidade da 
verdade. Assim pois, ser piedosos é apresentarmo-nos a Deus. 
Vv. 3-8. O orgulho é um pecado que está em nós por natureza; dele 
precisamos ser advertidos, e contra ele estar armados. Todos os santos 
constituem um corpo em Cristo; Ele é a Cabeça do corpo, e o centro 
comum de sua unidade. No corpo espiritual há alguns que são aptos para 
um tipo de obra e dom, e são chamados a eles; outros para outro tipo de 
obra. Devemos fazer todo o bem que pudermos, uns aos outros, e para 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 38 
proveito do corpo. Se pensássemos devidamente nos poderes que temos, 
e quão longe estamos de aproveitá-los apropriadamente, isso nos 
humilharia. Porém, como não devemos estar orgulhosos de nossos 
talentos, devemos nos cuidar, para que não aconteça que sob o pretexto 
da humildade e da abnegação, sejamos preguiçosos em entregarmo-nos 
para o benefício dos demais. 
Não devemos dizer: "Não sou nada; ficarei quieto e não farei nada"; 
mas devemos dizer: "Não sou nada por mim mesmo, e portanto, me 
empenharei ao máximo, no poder da graça de Cristo. Sejam quais forem 
os nossos dons ou situações, procuremos nos ocupar de modo humilde, 
diligente, alegre e com simplicidade, sem buscar o nosso próprio mérito 
ou benefício, mas o bem de muitos neste mundo e no vindouro. 
Vv. 9-16. O amor mútuo que os cristãos professam deve ser sincero, 
livre de engano e de adulações mesquinhas e mentirosas. Em 
dependência da graça divina, eles devem detestar e ter pavor de todo 
mal, e amar e deleitarem-se em tudo o que for bom e útil. Não somente 
devemos fazer o que é bom; temos que nos apegar ao bem. Todo o nosso 
dever mútuo está resumido nesta palavra: amor. Isto significa o amor dos 
pais por seus filhos, que é mais terno e natural que qualquer outro; é 
espontâneo e sem ataduras. Amar com zelo a Deus e ao homem pelo 
Evangelho dará diligência ao cristão sábio em todos os seus negócios 
mundanos para alcançar uma destreza superior. 
Deus deve ser servido com o espírito, sob a influência do Espírito 
Santo. Ele é honrado pela nossa esperança e confiança nEle, 
especialmente quando nos regozijamos nessa esperança. Servimo-lo não 
somente fazendo a sua obra, mas sentando-nos tranqüilos e em silêncio 
quando nos chama a sofrer. A paciência por amor a Deus é a verdadeira 
piedade. Os que se regozijam na esperança provavelmente serão 
pacientes quando estiverem passando por tribulações. Não devemos ser 
frios nem nos cansarmos no dever da oração. 
Não deve somente existir benignidade para os amigos e os irmãos; 
os cristãos não devem guardar ira contra os inimigos. É um falso amor 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 39 
aquele que consiste somente em palavras bonitas, enquanto os nossos 
irmãos precisam de provisões reais e nós podemos prover para eles. 
Devemos estar preparados para receber aos que praticam o bem: segundo 
haja ocasião devemos dar as boas vindas aos forasteiros. 
Abençoai e não amaldiçoeis.A boa vontade completa pressupõe 
que não devemos abençoá-los quando oramos e amaldiçoá-los em outros 
momentos; mas abençoá-los sempre sem jamais amaldiçoá-los. O 
verdadeiro amor cristão nos fará participar dos sofrimentos e alegrias uns 
dos outros. Trabalhará o máximo possível para concordar nas mesmas 
verdades espirituais; e quando não o alcança, concorda em amor. 
Olhemos com santo desprezo a pompa e a dignidade mundanas. Não nos 
preocupes com elas, nem as cobicemos. Conforma-te com o lugar em 
que Deus te tem colocado em sua providência, qualquer que seja. Nada é 
mais baixo do que nós, senão o pecado. Nunca encontraremos em nossos 
corações a condescendência para com o próximo enquanto abrigarmos 
vaidade pessoal; portanto, esta deve ser mortificada. 
Vv. 17-21. Desde que os homens tornaram-se inimigos de Deus, 
têm estado muito dispostos a serem inimigos entre si. Os que abraçam a 
religião devem esperar encontrar-se com inimigos em um mundo cujos 
sorrisos raras vezes concordam com os de Cristo. "A ninguém pagueis 
mal por mal". Esta é uma recompensa brutal, apta somente para os 
animais que não têm consciência de nenhum ser superior, ou de 
nenhuma existência depois desta. E não somente façais, mas aprendei e 
procurai fazer o que é amistoso e louvável, e que faz com que a religião 
resulte ser recomendável a todos aqueles com quem converseis. 
Aprendei as coisas que trazem a paz; se for possível; sem ofender a 
Deus nem ferir a consciência. Não vos vingueis a vós mesmos. Esta é 
uma lição difícil para a natureza corrupta; portanto, é dado um remédio 
para isto. Dai lugar à ira. Quando a paixão do homem está em seu auge, 
e o ímpeto for forte, deixe-o passar para que não se enfureça ainda mais. 
A linha de nosso dever está claramente marcada, e se nossos inimigos 
não forem derribados pela benignidade perseverante, não devemos 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 40 
buscar a vingança; eles serão consumidos pela grande ira deste Deus, ao 
qual a vingança pertence. 
O último versículo sugere o que é mais facilmente entendido pelo 
mundo: que em toda a discórdia e contenda os que se vingam são 
vencidos, e os que perdoam são vencedores. Não te deixes vencer pelo 
mal. Aprende a derrotar as más intenções que são contra ti, seja para 
mudá-las ou para preservar a tua paz. O que tem esta regra em seu 
espírito é melhor do que o poderoso. Pode-se perguntar aos filhos de 
Deus, se para eles não é mais doce, que todo o bem terreno, que Deus os 
capacite por seu Espírito de maneira que este seja o seu sentimento e o 
seu agir. 
 
Romanos 13 
Versículos 1-7: O dever de submeter-se aos governantes; 8-10: 
Exortações ao autor mútuo; 11-14: Exortações à temperança e à 
sobriedade. 
Vv. 1-7. A graça do Evangelho nos ensina submissão e silêncio 
quando o orgulho e a mente carnal só vêem motivos para murmurar e 
estar descontentes. Sejam quais forem as pessoas que exerçam 
autoridade sobre nós, devemos nos submeter e obedecer ao justo poder 
que têm. No transcurso geral dos assuntos humanos, os reis não são 
terror para os súditos honestos, tranqüilos e bons, mas para os 
malfeitores. Tal é o poder do pecado e da corrupção, que muitos são 
refreados de delinqüir somente por medo do castigo. Tu tens o benefício 
do governo, portanto faça o que puderes para conservá-lo e nada para 
perturbá-lo. Esta é uma ordem para que os indivíduos se comportem com 
tranqüilidade e paz onde Deus os tem colocado (1 Tm 2.1,2). Os cristãos 
não devem usar truques nem fraudes. Todo o contrabando, tráfico de 
mercadorias contrabandeadas, a retenção ou evasão dos impostos, 
constituem uma rebelião contra o mandamento expresso de Deus. Desta 
maneira, rouba-se os semelhantes honestos, que terão que pagar mais, e 
contribui-se para o aumento dos delitos dos contrabandistas e de outros 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 41 
que se associam a eles. Dói saber que alguns professos do Evangelho 
estimulem tais costumes desonestos. Convém que todos os cristãos 
aprendam e pratiquem a lição aqui ensinada, para que os santos da terra 
sejam sempre achados como os tranqüilos e pacíficos, não importando 
como sejam os demais. 
Vv. 8-10. Os cristãos devem evitar os gastos inúteis e ter o cuidado 
de não contrair dívidas que não podem pagar. Também devem se afastar 
de toda a especulação aventureira e dos compromissos precipitados, e de 
tudo o que possa expô-los ao perigo de não dar a cada um o que é 
devido. Não devais nada a ninguém. Dai a cada um o que lhe for devido. 
Não gasteis convosco aquilo que deveis ao próximo. Contudo, muitos 
dos que são muito sensíveis aos problemas pensam pouco sobre o pecado 
de endividar-se. 
O amor ao próximo inclui todos os deveres da segunda tábua (dos 
mandamentos). Os últimos cinco mandamentos se resumem nesta lei 
real: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" ; com a mesma 
sinceridade com que te amas a ti mesmo, ainda que não na mesma 
medida e grau. O que ama o seu próximo como a si mesmo desejará o 
bem estar de seu próximo. Sobre este se edifica a regra de ouro: fazer o 
que queremos que nos façam. O amor é um princípio ativo de obediência 
a toda a lei. Não somente devemos evitar o dano às pessoas, aos 
relacionamentos, à propriedade e ao caráter dos homens, mas também 
não devemos fazer nenhuma classe nem grau de mal a ninguém, e 
devemos nos ocupar em ser úteis em cada situação da vida. 
Vv. 11-14. Aqui são ensinadas quatro coisas, como uma lista do 
trabalho diário do cristão. Quando despertar-se: agora; e despertar-se do 
sono da segurança carnal, da preguiça e da negligência; despertar-se do 
sono da morte espiritual. Considera o tempo: um tempo ocupado, um 
tempo perigoso. Além disso, a salvação está próxima, à mão. Ocupemo-
nos em nosso caminho e façamos a nossa paz, pois estamos mais 
próximos do final de nossa viagem. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 42 
Além disto, preparemo-nos. A noite quase tem passado, o dia está 
às portas; portanto, é tempo de vestir-nos. Observe o que devemos tirar: 
a roupa usada na noite. Lançai fora as obras pecaminosas das trevas. 
Observe o que devemos vestir, como vestir nossas almas. vesti-vos da 
armadura da luz. O cristão deve reconhecer-se como nu, se não estiver 
armado. A graça do Espírito é esta armadura, para assegurar a alma 
contra as tentações de Satanás e dos ataques do presente mundo mau. 
Vesti-vos de Cristo: isto inclui tudo. Vesti-vos da justiça de Deus 
para a justificação. Vesti-vos do Espírito e da graça de Cristo para a 
santificação. Deveis vestir-vos do Senhor Jesus Cristo como Senhor que 
vos governa, como Jesus que vos salva; e em ambos os casos, como 
Cristo Ungido e nomeado pelo Pai para a obra de reinar e salvar. 
Quando estamos em pé e prontos, não devemos nos sentar 
tranqüilamente, mas ir para fora: andemos. O cristianismo nos ensina a 
andar de maneira que agrademos a Deus que sempre está nos vendo. 
Andemos honestamente como de dia, evitando as obras das trevas. Onde 
há tumultos e embriaguez costuma haver libertinagem e lascívia, 
discórdia e inveja. Salomão juntou todas (Pv 23.29-35). Observe bem a 
provisão que farás. O nosso maior cuidado deve ser por nossas almas. 
Não devemos cuidar de nossos corpos? Sim, porém, há duas coisas 
proibidas: confundir-nos com ansioso e perturbador afã, e satisfazermos 
os desejos ilícitos. As necessidades naturais devem ser supridas, mas 
devemos controlar e negar os maus apetites. O nosso dever é pedir carne 
para as nossas necessidades; somos ensinados a orar pedindo o pão 
cotidiano, mas pedir carne para as nossas luxúrias é provocar a Deus (Sl 
78.18). 
 
Romanos 14 
Versículos 1-13: Os judeus convertidos são advertidos a não julgar 
e aos crentes gentios a não desprezarem uns aos outros; 14-23: Exorta-
se os gentios a tomarem o cuidado de não ofender quando usam coisas 
indiferentes. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 43 
Vv. 1-13. As diferenças de opinião prevaleciam até mesmo entre os 
seguidores imediatosde Cristo e seus discípulos. Paulo não intentou 
acabar com elas. O estabelecimento forçado de qualquer doutrina ou a 
conformidade com os rituais exteriores sem estar convencido, é hipócrita 
e infrutífero. Os intentos de produzir a unanimidade absoluta nos cristãos 
serão inúteis. 
Que a comunhão cristã não seja perturbada por discórdias verbais. 
Bom será que nos perguntemos, quando formos tentados a desprezar e a 
culpar os nossos irmãos: Deus não os tem reconhecido? E se Ele o tem 
feito, me atrevo a não reconhecê-los? 
Que o cristão que usa a sua liberdade não despreze o seu irmão 
mais fraco por ser ignorante e supersticioso. Que o crente escrupuloso 
não procure defeitos em seu irmão, porque Deus o aceitou sem 
considerar as distinções da carne. Usurpamos o lugar de Deus quando 
nos colocamos a julgar assim os pensamentos e intenções do próximo, os 
quais estão fora de nossa vista. Muito parecido era o caso acerca de 
guardar os dias. Aqueles que sabiam que todas estas coisas tiveram fim 
com a vinda de Cristo, não davam atenção às festividades dos judeus. 
Mas não basta que as nossas consciências consintam com o que 
fazemos; é necessário que tudo o que fazemos seja certificado pela 
Palavra de Deus. Tenha o cuidado de agir contra a tua consciência 
quando existir dúvida. Temos a tendência de fazer das nossas opiniões a 
norma da verdade, para considerar como certas as coisas que para outros 
são duvidosas. Desta maneira, muitas vezes os cristãos se desprezam ou 
se condenam mutuamente por assuntos duvidosos e de pouca 
importância. O reconhecimento agradecido a Deus, Autor e Doador de 
todas as nossas misericórdias, as santifica e as suaviza. 
Vv. 7-13. Ainda que alguns sejam mais fracos e outros mais fortes, 
não obstante, todos devem estar de acordo e não viver para si mesmos. 
Ninguém que tenha dado o seu nome a Cristo tem permissão para ser 
egoísta; isso é contrário ao cristianismo verdadeiro. A atividade de 
nossas vidas não é agradarmos a nós mesmos, mas agradar a Deus. 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 44 
Cristianismo verdadeiro é o que faz de Cristo o tudo em todos. Ainda 
que os cristãos sejam de diferentes forças, capacidades e costumes em 
questões menores, ainda assim, todos são do Senhor; todos olham para 
Cristo, servem-no e procuram ser aprovados por Ele, Ele é o Senhor dos 
que estão vivos e os comanda; e aos que estão mortos, revive e levanta. 
Os cristãos não devem julgar nem desprezar uns aos outros, porque 
tanto um como outro prestarão contas dentro de pouco tempo. Uma 
consideração ciente do juízo do grande dia deveria silenciar os juízos 
precipitados. Que cada homem examine o seu coração e a sua vida; 
aquele que é rigoroso para julgar-se e humilhar-se não é capaz de julgar 
e desprezar o seu irmão. Devemos tomar o cuidado de não fazer e dizer 
coisas que possam fazer com que outros tropecem ou caiam. Uma pode 
significar um grau menor de ofensa, outra um maior; as quais podem ser 
ocasião de sofrimento ou de culpa para nosso irmão. 
Vv. 14-18. Cristo trata bondosamente aos que têm a graça 
verdadeira, ainda que sejam fracos nela. Consideremos a intenção da 
morte de Cristo. Se alguém levar uma alma ao pecado, ameaçará destruir 
essa alma. Cristo negou-se a si mesmo em nosso benefício e de nossos 
irmãos ao morrer por nós; e nós não negaremos a nós mesmos por eles, 
ao nos resguardarmos de toda indulgência? 
Não podemos impedir que as línguas desenfreadas falem mal, 
porém, não devemos dar-lhes ocasião. Devemos negar a nós mesmos em 
muitos casos, mesmo naquilo que for lícito, quando as nossas atitudes 
podem prejudicar a nossa boa fama. Muitas vezes o nosso bem costuma 
vir em ocasiões em que falam mal de nós, quando somos acusados de 
utilizarmos as coisas lícitas de maneira egoísta e nada caridosa. Como 
valorizamos a reputação do bem que professamos e praticamos, 
busquemos aquilo sobre o que não se pode falar mal. Justiça, paz e gozo 
são palavras de grande significado. Quanto a Deus, o nosso grande 
interesse é apresentarmo-nos diante dEle justificados pela morte de 
Cristo, santificados pelo Espírito de sua graça, porque o justo Senhor 
ama a justiça. Quanto aos nossos irmãos, devemos viver em paz, amor e 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 45 
caridade para com eles, e seguir a paz com todos os homens. Quanto a 
nós mesmos, é o gozo no Espírito Santo; esse gozo espiritual realizado 
pelo bendito Espírito nos corações dos crentes, que respeitam a Deus 
como seu Pai reconciliado, e ao céu como seu lugar esperado. Com 
respeito a cumprirmos os nossos deveres para com Cristo, somente Ele 
pode tomá-los aceitáveis. São mais agradáveis a Deus os que mais se 
comprazem nEle, e abundam em paz e gozo do Espírito Santo. São 
aprovados pelos homens sábios e bons, e a opinião dos demais não deve 
ser levada em conta. 
Vv. 19-23. Muitos que desejam a paz falam dela em alta voz, 
porém, não seguem aquilo que é capaz de fazer ou contribuir para a paz. 
Mansidão, humildade, abnegação e amor são capazes de fazer a paz. Não 
podemos nos edificar uns aos outros enquanto contendemos. 
Muitos destroem a obra de Deus em si mesmos por causa de comida 
e bebida; nada é mais destrutivo à alma de um homem do que afagar e 
agradar a própria carne, e satisfazer a luxúria desta. Deste modo, outros 
são prejudicados por uma ofensa voluntariamente cometida. As coisas 
lícitas podem se tornar ilícitas se forem feitas de modo que ofendam a 
algum irmão. Isto compreende todas as coisas indiferentes pelas quais 
um irmão seja levado a pecar, ou a envolver-se em problemas, e que 
façam com que ele se enfraqueça na graça, em seus consolos ou 
decisões. 
Tens fé? Esta pergunta se refere ao conhecimento e à claridade 
quanto à nossa liberdade cristã. Desfrute o conforto que lhe é concedido, 
mas não perturbes os demais pelo mau uso deste. Tampouco devemos 
agir contra uma consciência que está em dúvidas. Quão excelentes são 
as bênçãos do reino de Cristo, que não consistem em rituais e cerimônias 
exteriores, mas de justiça, paz e gozo no Espírito Santo! Quão preferível 
é o serviço a Deus em relação a todos os demais serviços! Ao servirmos 
a Deus, não somos chamados a viver e a morrer por nós mesmos, mas 
por Cristo, a quem pertencemos e a quem devemos servir. 
 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 46 
Romanos 15 
Versículos 1-7: Instruções sobre como se comportar em relação 
aos fracos; 8-13: Todos devem receber-se uns aos outros como irmãos; 
14-21: As Escrituras e a pregação do apóstolo; 22-29: Suas viagens 
planejadas; 30-33: Pede orações a seu favor. 
Vv. 1-7. A liberdade cristã foi concedida não para nosso prazer, 
mas para a glória de Deus e para o bem do próximo. Devemos agradar ao 
nosso próximo para o bem de sua alma; não para servir à alguma de suas 
vontades más, nem para contentá-lo de maneira pecaminosa. Se 
procurarmos agradar aos homens desta forma, não seremos servos de 
Cristo. Toda a vida do Senhor Jesus Cristo foi uma vida de renúncia, 
uma vida que jamais foi voltada à sua própria satisfação pessoal. 
Aqueles que mais estão de acordo com Cristo, são os cristãos mais fáceis 
de se lidar. Considerando a sua pureza e santidade imaculadas, nada 
poderia ser mais contrário a Ele do que ser feito pecado e maldição por 
nossa causa, e que caíssem sobre Ele as censuras de Deus: O Justo pelos 
injustos. Ele levou sobre si mesmo a culpa pelo pecado, e a maldição 
deste; nós somos somente chamados a suportar uma parte insignificante 
deste problema. Somente Ele levou sozinho, sobre si mesmo, os pecados 
impertinentes dos ímpios; nós somente somos convocados a suportar as 
falhas daqueles que são mais fracos. E não deveríamos ser humildes, 
abnegados e dispostos, para considerarmo-nos uns aos outros, uma vez 
que somos membros uns dos outros? 
As Escrituras foram redigidas para que nós as utilizemos e nos 
beneficiemos delas, tanto quanto o foram para aqueles a quem foram 
dadas primeiramente. 
Os mais poderosos nas Escriturassão aqueles que mais as 
conhecem, os mais doutos nelas. O consolo que surge da Palavra de 
Deus é o mais seguro, doce e grandioso para ancorarmos a nossa 
esperança. O Espírito Santo, como Consolador, é o penhor de nossa 
herança. Esta unanimidade deve estar de acordo com os preceitos de 
Cristo, conforme os seus padrões e exemplos. É uma dádiva preciosa de 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 47 
Deus, pela qual devemos buscá-lo fervorosamente. O nosso Mestre 
divino convida os seus discípulos e os alenta, mostrando-se a eles como 
manso e humilde de espírito. A mesma disposição deve caracterizar a 
conduta de seus servos, especialmente do forte para com o frágil. 
A grande finalidade de todos os nossos atos deve ser glorificar a 
Deus; nada fomenta isto mais do que o amor e a bondade mútua daqueles 
que professam a religião. Aqueles que estão de acordo com Cristo, são 
capazes de estar de acordo entre si mesmos. 
Vv. 8-13. O Senhor Jesus Cristo cumpriu as profecias e as 
promessas relacionadas aos judeus, e os convertidos gentios não têm 
desculpas para desprezá-las. Os gentios, ao serem trazidos para a Igreja, 
tornam-se companheiros de paciência e tribulações. 
Devem louvar a Deus. A chamada a todas as nações para que 
louvem ao Senhor, indica que estes o conhecerão. Jamais buscaremos a 
Cristo enquanto não confiarmos nEle. Todo o plano da redenção está 
adaptado para que nos reconciliemos uns com os outros, e com o nosso 
bondoso Deus, de modo que possamos alcançar a esperança permanente 
da vida eterna por meio do poder santificador e consolador do Espírito 
Santo. O nosso próprio poder jamais alcançaria esta bênção. Portanto, 
onde quer que esteja a esperança, e se torne abundante, é o bendito 
Espírito Santo que deve ter toda a glória. "Todo o gozo e paz"; toda a 
sorte de verdadeiro gozo e paz para tirar as dúvidas e os temores pela 
poderosa obra do Espírito Santo. 
Vv. 14-21. O apóstolo estava convencido que os cristãos romanos 
estavam cheios com um espírito bom e afetuoso, e de conhecimento. 
Escrevera-lhes para lembrá-los de seus deveres e perigos, porque Deus o 
nomeara como ministro de Cristo para os gentios. Paulo pregou a eles, 
mas o que os converteu em sacrifícios para Deus foi a santificação deles; 
não a obra de Paulo, mas a obra do Espírito Santo: as coisas ímpias 
jamais podem ser gratas para o Santo Deus. A conversão das almas 
pertence a Deus; portanto, é o motivo pelo qual Paulo se gloria, e não 
das coisas da carne. Porém, mesmo sendo um grande pregador, não 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 48 
podia tornar nenhuma alma obediente, além da medida em que o Espírito 
Santo acompanhava os seus trabalhos. Procurou principalmente o bem 
dos que estavam em trevas. Seja qual for o bem que façamos, é Cristo 
que o faz por nós. 
Vv. 22-29. O apóstolo buscava as coisas de Cristo mais que a sua 
própria vontade, e não podia abandonar a sua obra de fundar igrejas para 
ir a Roma. Todos devem fazer primeiramente aquilo que for mais 
necessário. Não devemos levar a mal se os nossos amigos preferem uma 
obra que agrade a Deus, ao invés das visitas e das cordialidades que 
podem nos agradar. 
De todos os cristãos espera-se justamente que promovam toda boa 
obra, especialmente a bendita obra da conversão das almas. A sociedade 
cristã é um céu na terra, primícias de nossa reunião com Cristo no grande 
dia; porém, é parcial comparada à nossa comunhão com Cristo, porque 
somente esta satisfará a alma. 
O apóstolo iria a Jerusalém como mensageiro da caridade. Deus 
ama aquele que dá com alegria. 
Tudo o que acontece entre os cristãos deve ser prova e exemplo da 
união que têm em Jesus Cristo. Os gentios receberam o Evangelho da 
salvação pelos judeus; portanto, estavam obrigados a ministrar-lhes o 
que fosse necessário para o corpo. Em relação ao que esperava deles fala 
de modo duvidoso, mesmo que confiasse acerca do que esperava em 
relação a Deus. Quão vantajoso é ter o Evangelho com a plenitude de 
suas bênçãos! Que efeitos maravilhosos e felizes produz quando é 
acompanhado com o poder do Espírito! 
Vv. 30-33. Aprendamos a valorizar a oração fervorosa e eficaz do 
justo. Quanto cuidado devemos ter para não abandonar o nosso interesse 
pelo amor e pelas orações do povo de Deus! Se temos experimentado o 
amor do Espírito, não faltemos neste ofício de bondade para com o 
próximo. 
Aqueles que perseveram em oração se fortalecerão em oração. Os 
que pedem as orações de outras pessoas não devem descuidar de suas 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 49 
orações. Ainda que conheça perfeitamente o nosso estado e as nossas 
necessidades, Cristo quer sabê-lo de nós. Como devemos buscar a Deus 
para que refreie a má vontade de nossos inimigos. Assim também 
devemos fazê-lo para preservar e aumentar a boa vontade de nossos 
amigos. Todo o nosso gozo depende da vontade de Deus. Sejamos 
fervorosos em nossas orações com outros e por outros, para que por 
amor a Cristo e pelo amor do Espírito Santo, possam sobrevir grandes 
bênçãos às almas dos cristãos e ao trabalho dos ministros. 
 
Romanos 16 
Versículos 1-16. O apóstolo recomenda Febe à igreja de Roma, e 
saúda a vários amigos de lá; 17-20: Adverte a igreja contra os que 
fazem divisões; 21-24: As saudações cristãs; 25-27: Conclui a epístola 
dando a glória a Deus. 
Vv. 1-16. Paulo recomenda Febe aos cristãos de Roma. É dever dos 
cristãos ajudarem-se uns aos outros em seus assuntos, especialmente aos 
forasteiros; não sabemos que ajuda nós mesmos podemos vir a precisar. 
Paulo pede ajuda para uma irmã que havia sido útil para muitos; o que 
rega também será regado. 
Ainda que o cuidado de todas as igrejas estava com ele diariamente, 
lembrava-se de muitas pessoas e podia enviar saudações a cada uma 
delas com suas características particulares, e expressava interesse por 
elas. 
Para que ninguém se sentisse ferido, como se Paulo tivesse se 
esquecido deles, envia suas saudações aos demais, como irmãos e santos, 
ainda que não os nomeie. Adiciona, ao final, uma saudação geral para 
todos eles em nome das igrejas de Cristo. 
Vv. 17-20. Quão fervorosas e cheias de afeto são estas exortações! 
O que se aparta da sã doutrina das Escrituras abre a porta para a divisão e 
as ofensas. Se a verdade for abandonada, a paz e a unidade não durarão 
muito tempo. Muitos que chamam a Cristo de Mestre e Senhor estão 
muito longe de servi-lo, porque servem aos seus interesses mundanos, 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 50 
sensuais e carnais. Corrompem a cabeça enganando o coração; 
pervertem os juízos porque se embaraçam nos seus afetos. Temos grande 
necessidade de cuidar de nossos corações com toda diligência. O 
procedimento comum dos sedutores é imporem-se sobre os que estão 
abrandados por suas convicções. O temperamento dócil é bom quando 
bem guiado; caso contrário, pode ser levado a desviar-se. Sejamos muito 
sábios para não sermos enganados, e muito sensíveis para não 
enganarmos a ninguém. 
A bênção que o apóstolo espera de Deus é a vitória sobre Satanás. 
Isto inclui todos os desígnios e estratégias dele contra as almas, para 
contaminá-las, perturbá-las e destruí-las; todos os seus intentos são para 
impedir a paz do céu aqui, e a possessão do céu no além. 
Quando parece que Satanás prevalece e que estamos prontos para 
dar tudo como perdido, então o Deus de paz intervirá por nós. Portanto, 
resistamos com fé e paciência um pouco mais. Se a graça de Cristo está 
conosco, quem pode nos vencer? 
Vv. 21-24. O apóstolo acrescenta lembranças afetuosas de pessoas 
que estão com ele, conhecidos pelos cristãos de Roma. É um grande 
consolo ver a santidade e o trabalho de nossos parentes. Nem muitos 
nobres são chamados, nem muitos poderosos, mas alguns o são. É lícito 
que os crentes desempenhem ofícios civis, e seria desejável que todos os 
ofícios dos países cristãos e da Igreja fossem encarregados a cristãos 
prudentes e firmes. 
Vv. 25-27. O que confirma as almas é a clarapregação de Jesus 
Cristo. A nossa redenção e salvação feita pelo Senhor Jesus Cristo é sem 
dúvida o grande mistério da piedade. Contudo, bendito seja Deus, que 
este mistério seja suficientemente claro para levar-nos ao céu, se não 
rejeitarmos voluntariamente uma salvação tão grande. A vida e a 
imortalidade são trazidas à luz pelo Evangelho, e o Sol da justiça se 
levanta sobre o mundo. As Escrituras dos profetas, aquilo que deixaram 
escrito, não somente é claro, mas por elas este mistério é dado a 
conhecer a todas as nações. Cristo é a salvação para todas as nações. O 
Romanos (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 51 
Evangelho é revelado, não para ser comentado nem debatido, mas para 
que nos submetamos a ele. A obediência de fé é a obediência dada à 
palavra da fé, e que vem pela graça da fé. 
Toda a glória que o homem caído der a Deus para ser aceito por 
Ele, deve ser dada por meio do Senhor Jesus, porque somente nEle a 
nossa pessoa e as nossas obras podem ser agradáveis a Deus. Devemos 
mencionar esta justiça como sendo somente daquEle que é o Mediador 
de todas as nossas orações, porque Ele é e será, por toda a eternidade, o 
Mediador de todos os nossos louvores. Lembrando-nos de que somos 
chamados à obediência da fé, e que todo o grau de sabedoria é do único e 
sábio Deus, devemos render a Ele, por palavras e obras, a glória por 
meio de Jesus Cristo, para que assim a graça de nosso Senhor esteja 
conosco para sempre. 
 
 
 
	ROMANOS 
	Introdução 
	Romanos 1 
	Romanos 2 
	Romanos 3 
	Romanos 4 
	Romanos 5 
	Romanos 6 
	Romanos 7 
	Romanos 8 
	Romanos 9 
	Romanos 10 
	Romanos 11 
	Romanos 12 
	Romanos 13 
	Romanos 14 
	Romanos 15 
	Romanos 16

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