Prévia do material em texto
CÓDIGO CIVIL DE 2002 – Lei 10.406/2002.
MATERIAL COM QUESTÕES DE CONCURSO e ALGUMAS REFERÊNCIAS À SÚMULAS E JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES
Material confeccionado por Eduardo B. S. Teixeira
Última atualização legislativa: Lei 13.777/18 (publicada 21/12/18 – período de vacatio concluído!!! – vide arts. 1358-B a art. 1358-U, CC); Lei 13.792/19 (publicada em 03/01/19); Lei 13.811/19 - vide art. 1520 – (publicada em 13/03/19); Lei 13.874/19 – conversão da MP 881/19 – (vide arts. 49-A; 50; 421; 423, § único; art. 480-A; art. 480-B; art. 980-A, § 7º; art. 1052, § único; arts. 1368-C a 1.368-F). MP 931/2020 (inclusão do art. 1.080-A); MP 958/2020 (revogou o art. 1.463)
Última atualização jurisprudencial: 11/07/20 - Inclusão dos julgados: Info 654 (art. 1911); Info 655 (art. 1565, §1º); Info 656 (arts. 1208 e 1261); Info 656 (arts. 987 e 1687); Info 657 (art. 206, §5º, I); Info 658 (art. 187); Info 658 (art. 1238, § único);
Última atualização questões de concurso: 19/07/2020.
Observações quanto à compreensão do material:
1) Cores utilizadas:
· EM VERDE: destaque aos títulos, capítulos, verbos, bem como outras informações relevantes, etc.
· EM ROXO: artigos que já foram cobrados em provas de concurso.
· EM AZUL: Parte importante do dispositivo (ex.: questão cobrou exatamente a informação, especialmente quando a afirmação da questão dizia respeito à situação contrária ao que dispõe no CC/02).
· EM AMARELO: destaques importantes (ex.: critério pessoal)
2) Siglas utilizadas:
· MP (concursos do Ministério Público); M ou TJMG (concursos da Magistratura); BL (base legal, etc.
LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002.
Institui o Código Civil.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
P A R T E G E R A L
LIVRO I
DAS PESSOAS
TÍTULO I
DAS PESSOAS NATURAIS
CAPÍTULO I
DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE
Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. (TJRS-2012) (Oficial de Justiça/TJSC-2018)
(MPMG-2018): Os aspectos essenciais da personalidade humana são caracterizados pela imaterialidade.
##Atenção: Personalidade humana é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, a individualidade pessoal e social de alguém.
(MPRS-2017): Todas as pessoas têm a capacidade de direito, o que pressupõe a capacidade de fato, em regra, pois a incapacidade é a exceção.
##Atenção: Flávio Tartuce explica que, “todas as pessoas têm a primeira (capacidade de direito), o que pressupõe a segunda (capacidade de fato), em regra, uma vez que a incapacidade é exceção” (TARTUCE, 2020, p. 62). O art. 1º do CC/02 traz a denominada capacidade de direito ou de gozo, que nas lições de Tartuce, compreende “aquela para ser sujeito de direitos e deveres na ordem privada, e que todas as pessoas têm sem distinção. Em suma, em havendo pessoa, está presente tal capacidade, não importando questões formais como ausência de certidão de nascimento ou de documentos” (TARTUCE, 2020, p. 62). Por outro lado, a capacidade de fato ou de exercício é a possibilidade que se tem de praticar pessoalmente atos da vida civil. Quem não tem essa aptidão, são os denominados incapazes. Essa incapacidade pode ser absoluta (menor de 16 anos – art. 3º) ou relativa (artigo 4º).
(TRF4-2014) A incapacidade é a restrição legal aos atos da vida civil, sendo esta, na Ordem Jurídica brasileira, exclusivamente, de fato ou exercício.
(MPCE-2011-FCC): Os menores de dezoito anos têm capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações. BL: art. 1º, CC.
(MPMT-2008-FMP): O absolutamente incapaz tem capacidade de direito. BL: art. 1º, CC.
##Atenção: Dicas:
· Sujeito de direito é o titular de interesses juridicamente protegidos, qualificado como tal por uma norma jurídica.
· Personalidade jurídica: autorização prévia e genérica do ordenamento jurídico para a prática de qualquer ato jurídico que não seja proibido pelo Direito.
· Capacidade: aptidão jurídica (de gozo) ou de fato (exercício/ação).
· Legitimação: aptidão especial exigida para a prática de determinados atos (ex.: arts. 496[footnoteRef:1], 1749, I[footnoteRef:2], 1687[footnoteRef:3]) [1: Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.] [2: Art. 1.749. Ainda com a autorização judicial, não pode o tutor, sob pena de nulidade:
I - adquirir por si, ou por interposta pessoa, mediante contrato particular, bens móveis ou imóveis pertencentes ao menor;] [3: Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real.]
· No direito brasileiro, não existe incapacidade de direito, porque todos se tornam, ao nascer, capazes de adquirir direitos (CC, art. 1°). Há, portanto, somente incapacidade de fato ou de exercício. Incapacidade, assim, é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil, imposta por lei, somente ao que, por exceção, necessitam de proteção, pois a capacidade é a regra.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. (MPRJ-2012) (MPF-2012) (DPEDF-2013) (PCMS-2017) (TJPR-2017) (Cartórios/TJRO-2017) (Anal. Judic./TRT1-2018) (MPMT-2019)
JDC nº 01: A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como: nome, imagem e sepultura.
JDC nº 02: Sem prejuízo dos direitos da personalidade nele assegurados, o art. 2º do Código Civil não é sede adequada para questões emergentes da reprogenética humana, que deve ser objeto de um estatuto próprio.
(TJPA-2019-CESPE): Conforme a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) e a posição do STF sobre as teorias natalista e da personalidade condicional, o direito à vida deve ser respeitado desde o momento da concepção. BL: art. 4º, item 1 da Convenção.
##Atenção: Vide art. 4º, item 1 da Conv. Americ. sobre Direitos Humanos: “Artigo 4º – Direito à vida: 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente.” O STF, da mesma forma, entende que muito embora o CC/02 tenha adotado a teoria natalista, o direito à vida deve ser respeitado desde à concepção, e não somente com o nascimento.
(MPPI-2019-CESPE): O Código Civil dispõe que “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil” e que “a personalidade civil da pessoa começa com o nascimento com vida”. Considerando-se os conceitos de capacidade e personalidade, é correto afirmar que a pessoa passa, a partir do nascimento com vida, a ser sujeito de direitos e de deveres, e a ocorrência desse requisito determina consequências de alta relevância, incluindo aspectos sucessórios. BL: arts. 1º e 2º, CC.
##Atenção: Maria Berenice Dias explica que, quando ocorre o nascimento com vida, torna-se de imediato titular de herança, fazendo jus aos seus frutos e rendimentos desde a abertura da sucessão.
(MPMG-2017): Considere o julgado a seguir: “Responsabilidade civil. Acidente de trabalho. Morte. Indenização por dano moral. Filho nascituro. Fixação do quantum indenizatório. Dies a quo. Correção monetária. Data da fixação pelo juiz. Juros de mora. Data do evento danoso. Processo civil. Juntada de documento na fase recursal. Possibilidade, desde que não configurada a má-fé da parte e oportunizado o contraditório. Anulação do processo. Inexistência de dano. Desnecessidade. – Impossível admitir-se a redução do valor fixado a título de compensação por danos morais em relação ao nascituro, em comparação com outros filhos do de cujus, já nascidos na ocasião do evento morte, porquanto o fundamento da compensação é a existência de um sofrimento impossível de ser quantificado com precisão. – Embora sejam muitos os fatores a considerar para a fixaçãoda satisfação compensatória por danos morais, é principalmente com base na gravidade da lesão que o juiz fixa o valor da reparação. [...]” (STJ, REsp 931.556/ RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 17.6.08, DJe 5.8.08). Da interpretação da ementa, é possível concluir que o STJ adotou no julgado, quanto ao início da personalidade jurídica: a teoria concepcionista.
(Anal. Judic./TJAL-2012-CESPE): O nascituro e o embrião possuem personalidade jurídica formal, e apenas a partir do nascimento com vida se adquire a personalidade jurídica material e se alcançam os direitos patrimoniais e obrigacionais.
##Atenção: Maria Helena Diniz classifica a personalidade jurídica em formal e material: 1) Personalidade jurídica formal: relaciona-se com os direitos da personalidade, o que o nascituro já tem desde a concepção; 2) Personalidade jurídica material: mantém relação com os direitos patrimoniais, e o nascituro só a adquire com o nascimento com vida (TARTUCE, 2020, p. 65).
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (TJMS-2015) (PCMS-2017) (PCMG-2018) (Cartórios/TJMG-2018) (MPPR-2016/2019) (TJAL-2019) (MPSC-2019) (Anal. Judic./TRF3-2019)
I a III - (Revogados); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
(MPGO-2019): Em relação à capacidade e à personalidade das Pessoas Naturais, é correto afirmar que: Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil, contudo, são absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 anos. BL: arts. 1º e 3º, CC.
(DPEAP-2018-FCC): Considere a seguinte assertiva à luz do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15): As pessoas que em razão de enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil deixaram de ser absolutamente incapazes.
##Atenção: Com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, somente se consideram absolutamente incapazes as pessoas menores de 16 anos.
(MPMG-2017): O defeito de idade é fundamento exclusivo para a incapacidade absoluta. BL: art. 3º, CC.
##Atenção: O defeito de idade é o vício do negócio jurídico em função da situação etária de uma ou algumas das partes. Se menor de 16 anos, sua incapacidade para figurar num dos polos do negócio jurídico é absoluta, sendo este o fundamento exclusivo para a incapacidade absoluta, uma vez que após a promulgação do Estatuto da Pessoa com Deficiência, já não há outras hipóteses de incapacidade absoluta que não a menoridade civil.
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; (MPSE-2010) (TJAM-2016) (MPSC-2016) (TJAL-2019) (MPPR-2019) (MPGO-2019)
(PCPI-2018-NUCEPE): Fernando, atualmente, com 17 anos de idade, nasceu sem o movimento das pernas. Quanto a personalidade e capacidade de Fernando, podemos afirmar: possui incapacidade relativa apenas em razão do critério etário. BL: art. 4º, I, CC.
##Atenção: Nos termos do art. 3º do CC, são absolutamente incapazes os menores de 16 anos. Por outro lado, o art. 4º, I do CC afirma que são relativamente incapazes os maiores de 16 e menores de 18 anos. O ECA considera “criança” a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e “adolescente” aquela entre 12 e 18 anos de idade incompletos. Logo, crianças e adolescentes até 16 anos são considerados absolutamente incapazes. Os adolescentes com idade entre 16 e 17 anos são considerados relativamente incapazes.
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (MPPR-2016/2019) (MPPI-2019) (MPGO-2019)
(Cartórios/TJRO-2017-IESES): Os ébrios habituais e os viciados em tóxico são incapazes relativamente a certos atos, ou a maneira de os exercer. BL: art. 4º, II, CC.
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (TJMSP-2016) (Cartórios/TJMG-2018) (MPPR-2016/2019) (MPSC-2019) (MPGO-2019)
(TJAL-2019-FCC): Alessandra, atualmente com 17 anos de idade, nasceu com deficiência mental que a impede, de forma permanente, de exprimir sua vontade. Para o Código Civil, ela é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, e permanecerá nessa condição mesmo depois de completar 18 anos. BL: art. 4º, I e III, CC.
##Atenção: ##MPGO-2019: O Estatuto da Pessoa com Deficiência acabou consolidando as ideias constantes na Convenção de Nova York, tendo em seu art. 114, alterado substancialmente alguns dispositivos do CC/02, revogando assim, todos os incisos do art. 3º e alterando os incisos II e III do art. 4º do CC/02. Cumpre registrar que, na antiga inciso III do art. 3º do CC, tínhamos a previsão dos que, mesmo por causa transitória, não pudessem exprimir sua vontade. Com as alterações legislativas trazidas pelo Estatuto, apenas são absolutamente incapazes os menores de 16 anos, não mais havendo maiores absolutamente incapazes. No caso em tela, considerando que Alessandra, atualmente com 17 anos de idade, nasceu com deficiência mental que a impede, de forma permanente, de exprimir sua vontade, para o atual redação do CC/02, ela é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, e permanecerá nessa condição mesmo depois de completar 18 anos. Portanto, podemos concluir que, no caso de Alessandra, temos que ela será relativamente incapaz, nos termos do art. 4º, inciso I, em razão de sua idade, mas também, mesmo após completar os 18 anos, por causa do inciso III, isto é, em razão da sua impossibilidade permanente de exprimir sua vontade.
(Anal. Judic./TRF3-2019-FCC): Ricardo, maior de 16 anos, não consegue, por causa permanente, exprimir sua vontade. Nesse caso, de acordo com o CC/02, Ricardo é incapaz, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer, mas contra ele corre a prescrição. BL: art. 4º, I e III c/c art. 198, I, CC.
IV - os pródigos. (Cartórios/TJRS-2015) (MPPR-2016/2019) (MPGO-2019)
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. (TJMG-2008) (MPSE-2010) (MPGO-2019)
JDC nº 03: A redução do limite etário para a definição da capacidade civil aos 18 anos não altera o disposto no art. 16, I, da Lei n. 8.213/91, que regula específica situação de dependência econômica para fins previdenciários e outras situações similares de proteção, previstas em legislação especial.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: [Emancipação: antecipa a capacidade, porém não a maioridade civil.]
JDC nº 530: A emancipação, por si só, não elide a incidência do ECA.
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial [VOLUNTÁRIA], ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos [JUDICIAL]; (PCPR-2007) (TJMG-2008) (TJDFT-2008) (MPSP-2008) (DPESP-2009) (DPEAL-2009) (TJPI-2012) (TJSC-2010/2013) (MPDFT-2013/2015) (TJAM-2016) (MPSC-2016) (Anal. Judic./TRT1-2018) (MPSC-2019) (MPGO-2019)
JDC nº 397: A emancipação por concessão dos pais ou por sentença do juiz está sujeita à desconstituição por vício de vontade.
(MPRS-2016): Se o menor estiver sob tutela, a emancipação será concedida por sentença do juiz, ouvido o tutor. BL: art. 5º, § único, I, in fine, do CC.
(PGM-Balneário Camboriú/SC-2016-FAPESE): A incapacidade de fato ou de exercício é afastada por meio da emancipação. BL: art. 5º, § único, CC.
(Anal. Judic./TREES-2012-CESPE): Os pais podem conceder emancipação a filho que tenha completado dezesseis anos de idade. BL: art. 5º, § único, I do CC.
(TJRS-2009): Ao ensejo da separação judicial de Carlos e Cláudia, o juiz determinou que a guarda do filho do casal, Mário, então com 16 anos deidade, ficaria com o pai. Por considerar que o filho já tinha maturidade suficiente para dirigir sua pessoa e administrar seus bens, Carlos elaborou um instrumento particular de emancipação e o encaminhou para o registro competente, sem que a mãe do menor tivesse conhecimento. Na hipótese, a emancipação não é válida porque, além de o poder familiar dever ser em igualdade de condições pelo pai e pela mãe, a emancipação voluntária somente ser materializada por instrumento público. BL: art. 5º, § único, I do CC..
##Atenção: De acordo com o art. 5º, § único, I do CC, exige-se o instrumento público e a concordância de ambos os pais para a concessão da emancipação, ainda que a guarda seja unilateral. A concessão da emancipação por um dos pais é possível, desde que em relação ao outro tenha ocorrido a extinção do poder familiar (art. 1635, CC).
II - pelo casamento; (PCPR-2007) (Cartórios/TJMG-2008) (MPPR-2014) (TJMS-2015) (MPGO-2019)
(PGM-Francisco Morato/SP-2019-VUNESP): Pode-se corretamente afirmar que o menor de 17 anos de idade divorciado é capaz. BL: art. 5º, § único, II, CC.
III - pelo exercício de emprego público efetivo; (Cartórios/TJMG-2008) (MPMG-2010) (MPPR-2014) (MPGO-2019)
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; (Cartórios/TJMG-2008) (MPPR-2014) (MPGO-2019)
(Anal. Judic./TRT21-2017-FCC): João se tornou órfão de ambos os pais no dia 01/06/17, colou grau em curso de ensino superior no dia 2/7/17, entrou em exercício de emprego público efetivo no dia 3/8/17, casou-se no dia 4/9/17 e completou 18 anos de idade no dia 5/10/17. Nesse caso, de acordo com o CC/02, a incapacidade de João cessou no dia 2/07/17. BL: art. 5º, § único, IV do CC.
##Atenção: Como na questão proposta, a situação que ocorreu antes foi a colação em grau superior, podemos afirmar que a incapacidade de João cessou no dia 02 de julho de 2017.
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. (TJPI-2012) (MPGO-2019)
(Cartórios/TJMG-2018-Consulplan): A emancipação produz o efeito de antecipação da aquisição da capacidade de fato. BL: art. 5º, § único, CC.
##Atenção: “A emancipação pode ser conceituada como sendo o ato jurídico que antecipa os efeitos da aquisição da maioridade e da consequente capacidade civil plena, para data anterior àquela em que o menor atinge a idade de 18 anos, para fins civis. Com a emancipação, o menor deixa de ser incapaz e passa a ser capaz. Todavia, ele não deixa de ser menor.” (Tartuce, Manual de Direito Civil, 7a ed., p. 78).
##Atenção: Pode-se afirmar que a capacidade civil plena pode ser adquirida antes da maioridade civil, considerando que uma pessoa menor de 18 anos pode ser emancipada nas situações trazidas pelo art. 5º, § único do CC.
(MPMS-2015): Havendo emancipação do menor, ainda que não inexista qualquer vício no ato, o emancipado não poderá retirar a Carteira Nacional de Habilitação – CNH, segundo a legislação vigente. BL: art. 5º, § único, CC.
Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. (MPSE-2010) (MPPB-2011) (Cartórios/TJRO-2017) (MPMG-2018) (MPPI-2019)
(Cartórios/TJSC-2019-IESES): Em relação à morte presumida: A morte é presumida nos casos em que a lei autoriza a abertura da sucessão definitiva do ausente. BL: art. 6º, CC.
Art. 7o Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência [hipóteses taxativas]: (TJSE-2008) (TJPR-2010) (MPSC-2013) (MPT-2017) (Anal. Judic./TRT1-2018) (MPPI-2019)
I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; (TRT3-2007) (TJDFT-2008) (TJRR-2008) (PGERO-2011) (MPPR-2008/2013) (Cartórios/TJSC-2019)
(Anal. Judic./TRT7-2017-CESPE): Após o naufrágio de embarcação em alto mar, constatou-se a falta de um dos passageiros, que nunca foi encontrado. Nessa situação, com relação ao desaparecido, será declarada a sua morte presumida mesmo sem a decretação de ausência. BL: art. 7º, I, CC.
(TJAM-2016-CESPE): O reconhecimento da morte presumida, quando for extremamente provável a morte de quem estava com a vida sob risco, independe da declaração da ausência. BL: art. 7º, I, CC.
(MPDFT-2011): É prescindível a declaração de ausência para o reconhecimento judicial da morte presumida na hipótese de ser extremamente provável o falecimento de quem estava em perigo de vida. BL: art. 7º, I, CC.
II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. (TRT3-2007) (MPPR-2013) (Cartórios/TJRS-2015) (Cartórios/TJSC-2019)
(MPGO-2019): Em relação à capacidade e à personalidade das Pessoas Naturais, é correto afirmar que: A existência da pessoa natural termina com a morte. Presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucesso definitiva, sendo que a morte presumida pode ser declarada sem decretação de ausência quando for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida ou se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. BL: arts. 6º e 7º, CC.
(TJPB-2015-CESPE): A legislação civil brasileira admite o reconhecimento de morte sem a existência de cadáver e sem a necessidade de declaração de ausência. BL: art. 7º, II, CC.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. (Anal. Proc./MPRJ-2007) (TJDFT-2008) (Anal. Judic./TJPI-2015)
JDC nº 614: Os efeitos patrimoniais da presunção de morte posterior à declaração da ausência são aplicáveis aos casos do art. 7º, de modo que, se o presumivelmente morto reaparecer nos dez anos seguintes à abertura da sucessão, receberá igualmente os bens existentes no estado em que se acharem.
(TRT1-2014-FCC): Alexandre, casado com Maria, viajava a serviço em uma embarcação que desapareceu em um rio caudaloso, tendo, provavelmente, naufragado durante uma tempestade. Neste caso, Maria poderá requerer a declaração de morte presumida de seu cônjuge, sem decretação de ausência, depois de esgotadas as buscas e averiguações e a sentença deverá fixar a data provável do falecimento. BL: art. 7º, I e § único, CC.
Art. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. (PCMS-2006) (TJSP-2008/2009) (DPEDF-2013) (TJPB-2015) (MPSC-2016) (Cartórios/TJRO-2017) (MPMG-2018) (Anal. Judic./TJAM-2019)
(TRF2-2018-IBFC): Devido ao desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, localizado na capital do Estado de São Paulo, após um incêndio de grandes proporções ocorrido no local, pai e filho se encontravam no interior do prédio e vieram a falecer. Não tendo sido identificado por perícia qual foi o momento da morte de cada um dos dois, assinale a alternativa correta: a hipótese é de comoriência. BL: art. 8º, CC.
(MPMG-2017): A comoriência é compatível com a morte presumida, sem a decretação de ausência. BL: art. 7º e 8º, CC.
##Atenção: A morte presumida é ficta, isto é, o juiz declara a morte de alguém, com base numa extrema probabilidade, em função de perigo de vida ou tendo desaparecido em guerra ou campanha por mais de dois anos. Perceba-se que em ambos os casos, é faltante o cadáver. Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, é possível decretar-se a comoriência, presumindo-se simultaneamente mortos.
(MPMG-2017): A comoriência encerra presunção relativa de falecimento ao mesmo tempo, não havendo necessidade de que seja do mesmo modo. BL: art. 8º, CC.
##Atenção: Ressalta-se que o requisito que a lei impõe é temporal, não há restrição em relação ao modo da morte.
(TJDFT-2014-CESPE): A comoriência pode ser reconhecida ainda que os óbitos não tenham decorrido de um único acidente. BL: art. 8º, CC.
##Atenção:A morte conjunta ocorrida no mesmo evento é comum, mas situações haverá de pessoas falecidas em locais ou ocasiões distintas, mas no mesmo instante, sem que se possa averiguar quem precedeu. Nestas situações, haverá presunção de comoriência de morte simultânea, aplicando o art. 8º do CC. No campo sucessório, se os comorientes são herdeiros uns dos outros, não há transferência de direitos entre eles. Ausente o vínculo sucessório, não há falar em comoriência.
##Atenção: Maria Berenice Dias ensina: “Não havendo a possibilidade de saber quem é herdeiro de quem, a lei presume que as mortes foram concomitantes. Desaparece o vínculo sucessório entre ambos. Com isso, um não herda do outro e os bens de cada um passam aos seus respectivos herdeiros.”(fonte: DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Sucessões. 7. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: RT, 2010, pág. 286.).
(TJRJ-2013-VUNESP): Marido e mulher, casados pelo regime da separação total de bens, morreram em um acidente de avião, sem se conseguir, aplicando-se todas as técnicas da medicina legal, identificar qual dos mortos faleceu primeiro. Deixaram filhos. Nesse caso, quanto à sucessão, é correto afirmar que pelo regime de bens, um cônjuge poderia ser herdeiro do outro, mas, no presente caso, devido à comoriência, não cabe direito sucessório entre si, pelo que os filhos serão os herdeiros de todo o monte partível. BL: art. 8º, CC.
Art. 9o Serão registrados em registro público:
I - os nascimentos, casamentos e óbitos; (TJDFT-2012) (MPRR-2017) (TJPA/Reaplic-2019)
II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz; (MPMG-2012) (TJPB-2015) (MPRR-2017) (TJPA/Reaplic-2019) (Cartórios/TJMG-2019)
III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa; (TJMT-2009) (MPMG-2012) (MPSC-2019) (Cartórios/TJMG-2019)
(PGM-Várzea Paulista/SP-2016-VUNESP): As interdições deverão ser registradas no registro civil de pessoas naturais. BL: art. 29, V da LRF c/c art. 9º, III do CC.
##Atenção: Tanto a interdição por incapacidade absoluta quanto a interdição por incapacidade relativa demandam registro em registro público.
IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. (TJDFT-2012) (MPMG-2012) (Cartórios/TJMG-2019)
OBS: Dica bem conhecida para ajudar a lembrar dos casos de REGISTRO:
NASCEU (nascimento) - CRESCEU (emancipação) - CASOU (casamento) - FICOU DOIDO (interdição) - FUGIU (ausência) e MORREU (óbito e morte presumida).
(Cartórios/TJMG-2012): Considerando o Código Civil Brasileiro, serão registrados em registro público os nascimentos e a sentença declaratória de ausência. BL: art. 9º, I e IV, CC.
Art. 10. Far-se-á averbação em registro público:
I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal; (MPSP-2006) (MPCE-2011) (MPMG-2012) (TJMA-2013) (TJPA/Reaplic-2019) (MPSC-2019)
(TJCE-2018-CESPE): Conforme o Código Civil e a Lei de Registros Públicos, depende de averbação a sentença de divórcio. BL: art. 10, I, CC c/c art. 29, §1º, “a” c/c art. 167, II, 14, da LRP.
(MPRR-2017-CESPE): No Registro Civil das Pessoas Naturais é feita a averbação: Das sentenças de nulidade do casamento. BL: art. 10, I, CC e art. 29, §1º, “a” da LRP.
II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação; (MPPR-2013) (Proc.-Câm. Itaquaquecetuba/SP-2018) (MPSC-2019) (Cartórios/TJMG-2019)
(TJPA/Reaplic-2019-CESPE): De acordo com o Código Civil, devem ser averbados em registro público os atos judiciais que declararem ou reconhecerem filiação. BL: art. 10, II, CC.
(TJPA/Reaplic-2019-CESPE): De acordo com o Código Civil, devem ser averbados em registro público os atos extrajudiciais que declararem ou reconhecerem filiação. BL: art. 10, II, CC.
(TJMG-2008): De acordo com o Código Civil, averba-se em registro público sentença que declara ou reconhece a filiação. BL: art. 10, II e art. 1609, II, ambos do CC.
III - (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009)
JDC nº 272: Não é admitida em nosso ordenamento jurídico a adoção por ato extrajudicial, sendo indispensável a atuação jurisdicional, inclusive para a adoção de maiores de dezoito anos.
JDC nº 273: Tanto na adoção bilateral quanto na unilateral, quando não se preserva o vínculo com qualquer dos genitores originários, deverá ser averbado o cancelamento do registro originário de nascimento do adotado, lavrando-se novo registro. Sendo unilateral a adoção, e sempre que se preserve o vínculo originário com um dos genitores, deverá ser averbada a substituição do nome do pai ou mãe naturais pelo nome do pai ou mãe adotivos.
OBS: Dica para diferenciar REGISTRO de AVERBAÇÃO:
· Registro (art. 9º) - iniciam com vogal
· Averbação (art. 10) - iniciam com preposição Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE
(TJPR-2008): É possível afirmar, mesmo à luz da doutrina que preconiza a constitucionalização do Direito Civil, que nem todo direito fundamental é direito da personalidade.
##Atenção: À luz da constitucionalização do Direito Civil, três são os princípios magnos afetos aos direitos da personalidade, quais sejam: a) os da dignidade humana; b) da solidariedade social e; c) da igualdade (art. 1º, III; 3º, I; 5º, caput, CF). Consequentemente, a garantia do direito à propriedade não guarda qualquer relação com os direitos da personalidade (art. 5º, XXII, CF).
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. (PGESP-2002) (TJMG-2009) (TJMS-2010) (DPEAM-2011) (PGESP-2012) (TRF4-2012) (MPBA-2015) (PGEAM-2016) (Téc. Judic./STJ-2018) (MPPI-2019)
JDC nº 04: O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral. (PGESP-2012) (TRF4-2012) (TJDFT-2016) (PGEAM-2016) (MPPI-2019)
JDC nº 139: Os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes. (MPDFT-2015) (MPSC-2016) (MPPI-2019)
JDC nº 274: Os direitos da personalidade, regulados de maneira não exaustiva pelo Código Civil, são expressões da cláusula geral de tutela da pessoa humana, contida no art. 1º, inc. III, da Constituição (princípio da dignidade da pessoa humana). Em caso de colisão entre eles, como nenhum pode sobrelevar os demais, deve-se aplicar a técnica da ponderação. (TJMG-2009)
JDC nº 531: A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento.
JDC nº 532: É permitida a disposição gratuita do próprio corpo com objetivos exclusivamente científicos, nos termos dos arts. 11 e 13 do Código Civil.
(PCRS-2018-FUNDATEC): Com exceção dos casos previstos em lei, o exercício dos direitos de personalidade não pode sofrer, voluntariamente, limitações, observada a característica da irrenunciabilidade de tais direitos. BL: art. 11, CC.
(MPF-2017): Relativamente ao chamado direito ao esquecimento, é correto afirmar que: A tese ganhou força com a aprovação do Enunciado 531 na VI Jornada de Direito Civil, promovida pelo CJF/STJ. BL: Enunciado 531, JDC.
(MPSC-2016): De acordo com o CC/02, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Todavia, alguns direitos excepcionam referida regra, como por exemplo, o direito a imagem e o direito a honra. BL: art. 11, CC e Enunciado 04 JDC.
##Atenção: Tartuce explica que, “via de regra, são irrenunciáveis e intransmissíveis, extrapatrimoniais e vitalícios, eis que comuns à própria existência da pessoa. São também direitos subjetivos, inerentes à pessoa (inatos). O direito da personalidade não é disponível no sentido estrito, sendo transmissíveis apenas expressões do uso do direito da personalidade. Em outras palavras, existem aspectos patrimoniais do direito de personalidade que podemser destacados ou transmitidos, desde que de forma limitada. Ex.: cessão onerosa dos direitos patrimoniais da imagem de um atleta profissional, cessão patrimonial dos direitos do autor (art. 28, Lei 9.610/98).” (Fonte: TARTUCE, Flávio, Manual de Direito Civil, vol. único, 2016, p. 110-111).Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
(DPEPE-2015-CESPE): A respeito de direitos da personalidade, pessoas jurídicas e personalidade, julgue o item a seguir, de acordo com a jurisprudência do STJ. A exagerada e indefinida exploração midiática de crimes e tragédias privadas deve ser impedida, a fim de se respeitar o direito ao esquecimento das vítimas de crimes e, assim, preservar a dignidade da pessoa humana. BL: Enunciado 531, JDC.
(TJPR-2014-PUCPR): Consistem em direitos da personalidade, dentre outros: o direito à vida, ao próprio corpo, à liberdade de pensamento e de expressão, à liberdade, à honra, ao recato, à imagem e à identidade. BL: Enunciado 274, JDC.
(DPERS-2014-FCC): Os direitos de personalidade são adquiridos pelo sujeito independentemente da vontade, mas seu exercício admite limitação voluntária, desde que esta não ocorra de forma geral e permanente. BL: art. 11, CC e Enunciado 04 da JDC.
(TJDFT-2014-CESPE): A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento. BL: Enunciado 531, JDC.
OBS: Em março de 2013, na VI JDC, foi aprovado um Enunciado 531 defendendo a existência do direito ao esquecimento como uma expressão da dignidade da pessoa humana. Vale ressaltar que há doutrinadores que criticam a existência de um “direito ao esquecimento”. O Min. Luis Felipe Salomão, no julgamento do REsp 1.335.153-RJ, apesar de ser favorável ao direito ao esquecimento, colacionou diversos argumentos contrários à tese. Vejamos os mais relevantes: a) o acolhimento do chamado direito ao esquecimento constituiria um atentado à liberdade de expressão e de imprensa; b) o direito de fazer desaparecer as informações que retratam uma pessoa significa perda da própria história, o que vale dizer que o direito ao esquecimento afronta o direito à memória de toda a sociedade; c) o direito ao esquecimento teria o condão de fazer desaparecer registros sobre crimes e criminosos perversos, que entraram para a história social, policial e judiciária, informações de inegável interesse público; d) é absurdo imaginar que uma informação que é lícita se torne ilícita pelo simples fato de que já passou muito tempo desde a sua ocorrência; e) quando alguém se insere em um fato de interesse coletivo, mitiga-se a proteção à intimidade e privacidade em benefício do interesse público. Sem dúvida nenhuma, o principal ponto de conflito quanto à aceitação do direito ao esquecimento reside justamente em como conciliar esse direito com a liberdade de expressão e de imprensa e com o direito à informação.
(DPERS-2014-FCC): O sistema de codificação do CC/02 estabeleceu a visão antropocêntrica ao Direito Privado, da qual é exemplo a previsão normativa dos direitos da personalidade.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. (PGESP-2002) (MPSP-2008) (TJMG-2009) (TJRO-2011) (DPEAM-2011) (PGESP-2012) (TJPI-2015) (MPBA-2015)
JDC nº 05: 1) as disposições do art. 12 têm caráter geral e aplicam-se, inclusive, às situações previstas no art. 20, excepcionados os casos expressos de legitimidade para requerer as medidas nele estabelecidas; 2) as disposições do art. 20 do novo Código Civil têm a finalidade específica de regrar a projeção dos bens personalíssimos nas situações nele enumeradas. Com exceção dos casos expressos de legitimação que se conformem com a tipificação preconizada nessa norma, a ela podem ser aplicadas subsidiariamente as regras instituídas no art. 12.
JDC nº 140: A primeira parte do art. 12 do Código Civil refere-se às técnicas de tutela específica, aplicáveis de ofício, enunciadas no art. 461 do Código de Processo Civil, devendo ser interpretada com resultado extensivo.
JDC nº 631: A liberdade de expressão não goza de posição preferencial em relação aos direitos da personalidade no ordenamento jurídico brasileiro.
(MPPE-2014-FCC): A artista “X”, que se apresenta totalmente nua frequentemente em casas noturnas, constatou que seus vizinhos sorrateiramente a espionavam, fotografavam e filmavam despida, no interior de sua residência, divulgando o material em redes sociais. Nesse caso ela poderá requerer ao Juiz competente providências para impedir e fazer cessar esses atos. BL: art. 12, CC.
(MPMG-2010): Nem todos os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, podendo o titular requerer que cesse a ameaça ou a lesão a qualquer deles. BL: arts. 11 e 12, CC.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o cônjuge sobrevivente [= supérstite], ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau. (TJRO-2011) (DPEAM-2011) (TJMG-2009/2012) (PGESP-2012) (TJSP-2013) (TJPI-2015) (Anal. Judic./TRF5-2017)
JDC nº 275: O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo único, do Código Civil também compreende o companheiro.
JDC nº 398: As medidas previstas no art. 12, parágrafo único, do Código Civil podem ser invocadas por qualquer uma das pessoas ali mencionadas de forma concorrente e autônoma.
JDC nº 399: Os poderes conferidos aos legitimados para a tutela post mortem dos direitos da personalidade, nos termos dos arts. 12, parágrafo único, e 20, parágrafo único, do CC, não compreendem a faculdade de limitação voluntária.
JDC nº 400: Os parágrafos únicos dos arts. 12 e 20 asseguram legitimidade, por direito próprio, aos parentes, cônjuge ou companheiro para a tutela contra lesão perpetrada post mortem.
##Atenção: ##STF: ##DOD: Jornal divulgou a foto do cadáver de um indivíduo morto em tiroteio ocorrido em via pública. Os familiares do morto ajuizaram ação de indenização por danos morais contra o jornal alegando que houve violação aos direitos de imagem. O STF julgou a ação improcedente argumentando que condenar o jornal seria uma forma de censura, o que afronta a liberdade de informação jornalística. STF. 2ª Turma. ARE 892127 AgR/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 23/10/18 (Info 921).
(MPMG-2019): Analise a seguinte proposição sobre o fim da personalidade da pessoa natural e marque a alternativa correta: É facultado ao cônjuge sobrevivente, ou a qualquer parente em linha reta ou colateral até o quarto grau, exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade de pessoa já falecida, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. BL: arts. 12, caput e único, CC
(Anal. Judic./TJAM-2019-CESPE): Embora o direito à honra seja personalíssimo, o direito de exigir sua reparação econômica, no caso de dano moral, se transmite aos sucessores do ofendido, caso este tenha falecido. BL: art. 12, § único, CC.
(Anal. Judic./TJAL-2018-FGV): Lucas, polêmico radialista da Rádio ABC Ltda., foi acometido de mal súbito que ceifou sua vida. Além de Carla, sua viúva, Lucas deixou Rodrigo, filho do casal, que contava com 15 anos. Após o falecimento e a abertura de seu testamento, viu-se a propagação em redes sociais de inúmeras inverdades sobre Lucas, de autoria de desafeto conhecido. Nessa situação, tem legitimidade para tutelar o direito de personalidade de Lucas: Carla e/ou Rodrigo. BL: art. 12, § único, CC.
##Atenção: Vejamos os seguintes julgados do STJ:
• Ofensa à memória da pessoa já falecida: os herdeiros (e não o espólio) são legitimados para propor a ação de indenização.
• Dor e sofrimento causado pela morte da pessoa: os herdeiros (e não o espólio) são legitimados para propor a ação de indenização.
STJ. 4ª Turma. REsp 1143968-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 26/2/13 (Info 517).
STJ. 4ª Turma. REsp 1209474-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 10/9/13 (Info 532).
(Anal. Judic./STJ-2018-CESPE):O companheiro sobrevivente tem legitimidade para requerer medida judicial para que cesse lesão a direito da personalidade da pessoa falecida com quem possuía união estável. BL: art. 12, § único e Enunciado 275, JDC.
(MPBA-2015): O cônjuge sobrevivente ou qualquer parente do morto, em linha reta, ou colateral até o quarto grau, pode exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. BL: art. 12 e § único, CC.
##Atenção: Consagra o art. 12, § único do CC a situação dos lesados indiretos. Quando se tratar de lesão a interesses econômicos, o lesado indireto será aquele que sofre um prejuízo em interesse patrimonial próprio, resultante de dano causado a um bem jurídico alheio, podendo a vítima estar falecida ou declarada ausente. Assim, o lesado indireto reclama por direito próprio, por prejuízos que sofra, e age de forma concorrente e autônoma. É o que ocorre na situação de dano por ricochete. Os legitimados previstos legalmente para proteção dos direitos da personalidade são: a) cônjuge sobrevivente; b) parentes em linha reta ou colateral até 4º grau.
(MPPA-2014-FCC): Gilberto Costa, mais conhecido pelo pseudônimo Jacinto Perez, faleceu deixando apenas sobrinhos. Depois de seu falecimento, passou a ser injustamente difamado em redes sociais. As ofensas mencionavam ora Gilberto Costa ora Jacinto Perez. Os sobrinhos poderão requerer que cessem as ofensas ao falecido tio, não importando se dirigidas a Gilberto Costa ou a Jacinto Perez, além de reclamar perdas e danos. BL: art. 12 c/c art. 19, CC.
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. (DPEAM-2011) (TRF4-2012) (TJSC-2013) (TJPR-2010/2019)
##Atenção: A teor do art. 13 do CC, os direitos da personalidade estão sujeitos à disponibilidade relativa.
##Atenção: Segundo o teor do art. 13 do CC, é defeso, ou seja, é proibido, o ato de disposição do próprio corpo quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. Desse modo, toda pessoa tem direito a dispor de seu próprio corpo, desde que tal disposição não resulte em diminuição permanente da integridade física ou contrarie os bons costumes. Em se tratando de diminuições permanentes da integridade física, como ocorrem nas amputações por gangrena de extremidades ou para retirada de órgãos e tecidos cancerígenos, são possíveis através de exigência médica. Por "exigência médica" entende-se não só a busca pelo bem estar físico, mas também pelo psicológico, consoante o teor do Enunciado 6 da I JDC, abaixo citado.
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial.
JDC nº 06: A expressão “exigência médica” contida no art. 13 refere-se tanto ao bem-estar físico quanto ao bem-estar psíquico do disponente.
JDC nº 276: O art. 13 do Código Civil, ao permitir a disposição do próprio corpo por exigência médica, autoriza as cirurgias de transgenitalização, em conformidade com os procedimentos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina, e a consequente alteração do prenome e do sexo no Registro Civil.
JDC nº 401: Não contraria os bons costumes a cessão gratuita de direitos de uso de material biológico para fins de pesquisa científica, desde que a manifestação de vontade tenha sido livre, esclarecida e puder ser revogada a qualquer tempo, conforme as normas éticas que regem a pesquisa científica e o respeito aos direitos fundamentais.
##Atenção: ##STJ: ##DOD: ##MPSC-2019: Não se exige que o indivíduo tenha deixado um documento escrito dizendo que desejava ser submetido à criogenia, podendo essa vontade ser provada por outros meios, como a declaração do familiar mais próximo. Não há exigência de formalidade específica acerca da manifestação de última vontade do indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo possível a submissão do cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade manifestada em vida. A criogenia (ou criopreservação) é a técnica de congelamento do corpo humano após a morte, em baixíssima temperatura, a fim de conservá-lo, com o intuito de reanimação futura da pessoa caso sobrevenha alguma importante descoberta científica que possibilite o seu retorno à vida. Em outras palavras, a criogenia consiste no congelamento de cadáveres a baixas temperaturas, com a finalidade de que, com os possíveis avanços da ciência, sejam, um dia, ressuscitados. STJ. 3ª T. REsp 1693718-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 26/3/19 (Info 645).
(MPSC-2019): Segundo entendimento do STJ, não há exigência de formalidade específica acerca da manifestação de última vontade do indivíduo sobre a destinação de seu corpo após a morte, sendo possível a submissão do cadáver ao procedimento de criogenia em atenção à vontade manifestada em vida. BL: Info 645, STJ.
(PCRS-2018-FUNDATEC): Além da possibilidade legal de realização de transplantes e exceto por determinação médica, é defeso o ato de disposição sobre o próprio corpo quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. BL: art. 13 e § único, CC.
(MPSC-2013): Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física ou contrariar os bons costumes. O ato a que se refere a lei será admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial. BL: art. 13 e § único, CC.
(MPSP-2012): Por se tratar de direito da personalidade, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes, salvo na seguinte hipótese: Para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial. BL: art. 13, CC.
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. (PGERR-2006) (TJPR-2010) (TJMG-2011) (DPEAM-2011) (PGESP-2012) (MPDFT-2015) (TJSP-2015) (MPBA-2015) (Cartórios/TJMG-2019)
(TJMS-2020-FCC): Luiz Antônio, sentindo-se perto da morte, por meio de testamento, dispõe gratuitamente do próprio corpo em prol da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, para estudos em curso médico. Excepciona porém o coração, em relação ao qual pleiteia seja enterrado no túmulo de sua família. Esse ato é válido, por ter objetivo científico, ser gratuito e por não ser defesa a disposição parcial do corpo após a morte. BL: art. 13, § único c/c art. 14, CC.
(TJPR-2019-CESPE): Conforme os direitos da personalidade, a disposição do próprio corpo é permitida, após a morte, para fins científicos e de forma gratuita. BL: art. 14, CC.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo. (PGERR-2006) (TJPR-2010) (TJMG-2011) (DPEAM-2011) (Cartórios/TJMG-2019)
JDC nº 277: O art. 14 do Código Civil, ao afirmar a validade da disposição gratuita do próprio corpo, com objetivo científico ou altruístico, para depois da morte, determinou que a manifestação expressa do doador de órgãos em vida prevalece sobre a vontade dos familiares, portanto, a aplicação do art. 4º da Lei n. 9.434/97 ficou restrita à hipótese de silêncio do potencial doador. (MPMG-2017) (Cartórios/TJPR-2019) (TJMS-2020)
JDC nº 402: O art. 14, parágrafo único, do Código Civil, fundado no consentimento informado, não dispensa o consentimento dos adolescentes para a doação de medula óssea prevista no art. 9º, § 6º, da Lei n. 9.434/1997 por aplicação analógica dos arts. 28, § 2º (alterado pela Lei n. 12.010/2009), e 45, § 2º, do ECA.
(Cartórios/TJPR-2019-UFPR): Afrânio, renomado cientista, ofereceu seu corpo para estudo após a sua morte. Para tanto, registrou sua vontade em cartório. Todavia, três anos após o registro em cartório, se arrependeu do ato de disposição de seu próprio corpo, por questões religiosas. Sobre o ato de revogação, é correto afirmar:O ato de disposição pode ser revogado a qualquer tempo. BL: art. 14 e § único, CC.
(MPBA-2018): Considere que, na atualidade, há grande apelo para as doações de órgãos e tecidos humanos e para atender a essa necessidade a lei civil estabelece que, com o objetivo exclusivamente altruístico, ou científico pode o cidadão dispor para depois de sua morte: Do próprio corpo, no todo ou em parte, sendo tal disposição revogável e gratuita. BL: art. 14 e § único, CC.
(Anal. Judic./TRF5-2017-FCC): Paulo se obrigou a ceder à terceiro o seu corpo, depois de morto, em contrapartida ao pagamento de mil reais aos seus herdeiros. Nesse caso, de acordo com o CC/02, esse contrato é inválido, pois não se admite a disposição onerosa do próprio corpo para depois da morte. BL: art. 14, CC.
(TJMG-2007): Na sistemática do Código Civil, os direitos da personalidade são indisponíveis. Mas, casualmente, admite-se temperamentos. Assim, são relativamente disponíveis, de acordo com a lei: o direito à integridade física. BL: arts. 13 e 14, CC.
Art. 15. Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. (PGERR-2006) (DPEAM-2011) (TJMG-2012) (PCGO-2013) (MPBA-2015)
JDC nº 403: O Direito à inviolabilidade de consciência e de crença, previsto no art. 5º, VI, da Constituição Federal, aplica-se também à pessoa que se nega a tratamento médico, inclusive transfusão de sangue, com ou sem risco de morte, em razão do tratamento ou da falta dele, desde que observados os seguintes critérios: a) capacidade civil plena, excluído o suprimento pelo representante ou assistente; b) manifestação de vontade livre, consciente e informada; e c) oposição que diga respeito exclusivamente à própria pessoa do declarante.
JDC nº 533: O paciente plenamente capaz poderá deliberar sobre todos os aspectos concernentes a tratamento médico que possa lhe causar risco de vida, seja imediato ou mediato, salvo as situações de emergência ou no curso de procedimentos médicos cirúrgicos que não possam ser interrompidos.
(TJSP-2017-VUNESP): No caso da celebração de um contrato de prestação de serviços vinculados à saúde, a obtenção do consentimento informado do paciente, destinatário final do atendimento, é obrigatória, tratando-se de obrigação vinculada ao princípio da boa-fé. BL: art. 15, CC e Enunciado 533 da JDC.
OBS: Todos os riscos e possíveis sequelas provenientes de determinado ato cirúrgico devem ser previamente alertados ao paciente, para que possa ser obtido seu consentimento. Assim, se o médico deixar de informar o paciente sobre possíveis sequelas decorrentes do ato cirúrgico deve indenizá-lo, ainda que tenha sido diligente na execução de suas atividades profissionais. (STJ - AREsp 615340 PE 2014/0297407-4 - 2014).
OBS: O Princípio do CONSENTIMENTO INFORMADO constitui direito do paciente de participar de toda e qualquer decisão sobre tratamento que possa afetar sua integridade psicofísica e o dever de o médico alertar sobre os riscos e benefícios das terapêuticas envolvidas.
(DPEES-2008-CESPE): O indivíduo não pode ser constrangido a submeter-se a tratamento ou a intervenção cirúrgica com risco de morte. BL: art. 15, CC.
Art. 16. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. (TJMG-2007) (TJMA-2008)
(TRF2-2014): Nome é um direito personalíssimo e, em princípio, é inalterável e imutável, salvo as exceções em lei, sendo possível a supressão de um patronímico pelo casamento, desde que não haja prejuízo à ancestralidade nem à sociedade. BL: art. 16, CC e Entendimento do STJ.
##Atenção: Segundo o STJ, “a supressão devidamente justificada de um patronímico em virtude do casamento realiza importante direito da personalidade, desde que não prejudique a plena ancestralidade nem a sociedade Preservação da autonomia de vontade e da integridade psicológica perante a unidade familiar no caso concreto.”. (REsp 1433187/SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 3ª T., j. 26/05/2015).
Art. 17. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória. (TRT3-2007) (MPSC-2013) (MPMG-2014) (Téc. Judic./STJ-2018) (Cartórios/TJMG-2019)
Art. 18. Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda comercial. (TRT3-2007)
JDC nº 278: A publicidade que venha a divulgar, sem autorização, qualidades inerentes a determinada pessoa, ainda que sem mencionar seu nome, mas sendo capaz de identificá-la, constitui violação a direito da personalidade.
(Cartórios/TJPR-2019-UFPR): Júlio de Almeida, famoso ator de teatro, usa como pseudônimo Hélio das Dores. Tendo atuado em vários palcos pelo mundo a fora, sua fama é internacional. Sabendo disso, a empresa “X” usa o pseudônimo de Júlio em propaganda comercial. Levando em consideração os dados apresentados, assinale a alternativa correta: Júlio de Almeida deve autorizar o uso do pseudônimo. BL: art. 18, CC.
(PCRS-2018-FUNDATEC): Não se pode usar o nome de outrem em propaganda comercial sem a devida autorização. BL: art. 18, CC.
Art. 19. O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. (PGERR-2006) (TJDFT-2007) (TJMA-2008) (TJMG-2012) (PGESP-2012) (MPMG-2014) (Téc. Judic./STJ-2018) (Cartórios/TJPR-2019) (Cartórios/TJMG-2019)
(ABIN-2018-CESPE): A proteção do pseudônimo, nome por meio do qual autor de obra artística, literária ou científica se oculta, é expressamente assegurada se sua utilização for para atividades lícitas. BL: art. 19, CC.
(TJSC-2017-FCC): “De nossa parte, lembramos ainda a já afirmada função identificadora do pseudônimo, relativamente à esfera de ação em que é usado, o que, sem dúvida, é um traço distintivo do falso nome, que, evidentemente, embora, em certas circunstâncias, possa vir também a exercer papel semelhante, não é usado com essa finalidade, senão com a de frustrar qualquer possibilidade de identificação.” (R. Limongi França. Do Nome Civil das Pessoas Naturais. p. 542. 3. ed. São Paulo. RT, 1975). Essa afirmação é compatível com o direito brasileiro, porque o pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome. BL: art. 19, CC.
(TJSP-2015-VUNESP): O pseudônimo licitamente utilizado goza de proteção que se dá ao nome. BL: art. 19, CC.
##Atenção: O pseudônimo possui as mesmas proteções garantidas ao nome.
(TRF2-2013-CESPE): A proteção legal do pseudônimo se restringe aos adotados para as atividades lícitas. BL: art. 19 do CC.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. (Vide ADIN 4815) (PGESP-2002/2012) (MPSC-2013) (TJSP-2015) (DPU-2017) (Cartórios/TJMG-2019)
(Téc. Judic./TJSC-2018-FGV): Quando de uma viagem a Fortaleza, ocorrida em maio de 2011, o casal Carolina e Rodrigo foram fotografados pelo gerente do Quiosque do Vento Ltda., de modo a registrar a presença em uma parede de fotos. No entanto, sem consentimento do casal, o gerente, no mês seguinte à visita deles, imprimiu a foto em tamanho superior ao das demais da parede de exposição e a inseriu em um grande cartaz publicitário afixado na parte externa do estabelecimento. Em maio do corrente ano, Carolina e Rodrigo retornam a Fortaleza e, para rememorar a viagem de 2011, visitam o Quiosque do Vento. Lá chegando, deparam-se com o enorme cartaz e exigem, de imediato, a sua retirada. Essa exigência de Carolina e Rodrigo é: adequada, pois o direito de personalidade é imprescritível.
OBS: Inicialmente, de acordo com o art. 20, CC, a exposição da imagem de uma pessoa pode ser proibida (sem prejuízo de eventual indenização) se destinarem a fins comerciais. Apesar do direito de imagem ser disponível (permite ao seu titularobter proveito econômico, firmando contratos de licenciamento ou concessão de uso de sua imagem), caso haja violação a ele, tem a proteção comum aos demais direitos da personalidade, tais como ser absoluto, impenhorável, imprescritível, oponível erga omnes (contra todos), etc. Deve-se deixar claro uma coisa. Enquanto o cartaz publicitário estiver afixado no estabelecimento estará ocorrendo a violação ao direito de personalidade (violação contínua), que não se convalesce com o decorrer do tempo. Portanto, a qualquer tempo a pessoa lesada pode exigir a imediata retirada do cartaz. É isso o que deseja o casal. No entanto, segundo a jurisprudência, o prazo para requerer indenização pelo uso indevido da imagem é de três anos (art. 206, §3°, V, C). Vejamos, ainda, o teor da Súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais”. Resumindo: Uma coisa é o direito em si (de retirada imediata do cartaz), imprescritível. Outra coisa é a indenização pelo uso indevido da imagem (nesse caso o direito prescreve em 3 anos). BL: art. 20, CC e S. 403, STJ.
(MPF-2017): Em matéria de direitos da personalidade, é correto afirmar que, quando se trata de pessoas que ocupam cargos públicos, prevalece o entendimento de que há uma ampliação da liberdade de informação jornalística. BL: Enunciado 279, CJF e art. 20, CC. (PGESP-2012)
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes. (PGESP-2002) (PCRS-2018)
JDC nº 05: 1) as disposições do art. 12 têm caráter geral e aplicam-se, inclusive, às situações previstas no art. 20, excepcionados os casos expressos de legitimidade para requerer as medidas nele estabelecidas; 2) as disposições do art. 20 do novo Código Civil têm a finalidade específica de regrar a projeção dos bens personalíssimos nas situações nele enumeradas. Com exceção dos casos expressos de legitimação que se conformem com a tipificação preconizada nessa norma, a ela podem ser aplicadas subsidiariamente as regras instituídas no art. 12.
JDC nº 275: O rol dos legitimados de que tratam os arts. 12 parágrafo único, e 20, parágrafo único, do Código Civil também compreende o companheiro.
JDC nº 279: A proteção à imagem deve ser ponderada com outros interesses constitucionalmente tutelados, especialmente em face do direito de amplo acesso à informação e da liberdade de imprensa. Em caso de colisão, levar-se-á em conta a notoriedade do retratado e dos fatos abordados, bem como a veracidade destes e, ainda, as características de sua utilização (comercial, informativa, biográfica), privilegiando-se medidas que não restrinjam a divulgação de informações.
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma. (Vide ADIN 4815)
JDC nº 404: A tutela da privacidade da pessoa humana compreende os controles espacial, contextual e temporal dos próprios dados, sendo necessário seu expresso consentimento para tratamento de informações que versem especialmente o estado de saúde, a condição sexual, a origem racial ou étnica, as convicções religiosas, filosóficas e políticas
JDC nº 405: As informações genéticas são parte da vida privada e não podem ser utilizadas para fins diversos daqueles que motivaram seu armazenamento, registro ou uso, salvo com autorização do titular.
JDC nº 576: O direito ao esquecimento pode ser assegurado por tutela judicial inibitória.
##Atenção: ##STJ: ##DOD: O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na CF/1988 e no Código Civil, não tendo sido afastado pelo STF no julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação integral (arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da indenização em pecúnia e in natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da responsabilidade civil. Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp 1771866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 12/2/19 (Info 642).
##Atenção: ##STJ: ##DOD: Ação de indenização proposta por ex-goleiro do Santos em virtude da veiculação indireta de sua imagem (por ator profissional contratado), sem prévia autorização, em cenas do documentário “Pelé Eterno”. O autor alegou que a simples utilização não autorizada de sua imagem, ainda que de forma indireta, geraria direito a indenização por danos morais, independentemente de efetivo prejuízo. O STJ não concordou. A representação cênica de episódio histórico em obra audiovisual biográfica não depende da concessão de prévia autorização de terceiros ali representados como coadjuvantes. O STF, no julgamento da ADI 4.815/DF, afirmou que é inexigível a autorização de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais bem como desnecessária a autorização de pessoas nelas retratadas como coadjuvantes. A Súmula 403/STJ é inaplicável às hipóteses de representação da imagem de pessoa como coadjuvante em obra biográfica audiovisual que tem por objeto a história profissional de terceiro. STJ. 3ª T. REsp 1454016-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 12/12/17 (Info 621).
##Atenção: ##STJ: ##DOD:A Súmula 403 do STJ é inaplicável às hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de repercussão social. Caso concreto: a TV Record exibiu reportagem sobre o assassinato da atriz Daniela Perez, tendo realizado, inclusive, uma entrevista com Guilherme de Pádua, condenado pelo homicídio. Foram exibidas, sem prévia autorização da família, fotos da vítima Daniela. O STJ entendeu que, como havia relevância nacional na reportagem, não se aplica a Súmula 403 do STJ, não havendo direito à indenização. STJ. 3ª Turma. REsp 1.631.329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, j. 24/10/17 (Info 614).
##Atenção: ##STF: ##DOD: O STF julgou procedente a ADI 4815, proposta pela Associação dos Editores de Livros (ANEL) e conferiu interpretação conforme a Constituição aos arts. 20 e 21 do CC/02 para declarar que não é necessária a autorização prévia para a publicação de biografias. Portanto, para que seja publicada uma biografia NÃO é necessária autorização prévia do indivíduo biografado, das demais pessoas retratadas, nem de seus familiares. Essa autorização prévia seria uma forma de censura, não sendo compatível com a liberdade de expressão consagrada pela CF/88. As exatas palavras do STF foram as seguintes: “É inexigível o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo por igual desnecessária a autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes ou de familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes”. Caso o biografado ou qualquer outra pessoa retratada na biografia entenda que seus direitos foram violados pela publicação, terá direito à reparação, que poderá ser feita não apenas por meio de indenização pecuniária, como também por outras formas, tais como a publicação de ressalva, de nova edição com correção, de direito de resposta etc. STF. Plenário. ADI 4815/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 10/6/2015 (Info 789).
##Atenção: ##STJ: ##DOD: Imagine que determinada modelo é fotografada para uma revista. O titular dos direitos autorais sobre essas fotos será o fotógrafo (e não a modelo). Em se tratando de fotografia, para efeitos de proteção do direito autoral, o autor – e, portanto, o titular do direito autoral – é o fotógrafo (e não o fotografado). O fotógrafo, detentor da técnica e da inspiração, é quem coordena os demais elementos complementares aoretrato do objeto – como iluminação – e capta a oportunidade do momento e o transforma em criação intelectual, digna, portanto, de tutela como manifestação de cunho artístico. A pessoa fotografada terá proteção jurídica, mas com base no direito de imagem (e não no direito autoral). Desse modo, a proteção do fotografado é feita com fundamento no art. 20 do Código Civil (e não com base na Lei 9.610/98). STJ. 4ª Turma. REsp 1.322.704-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 23/10/14 (Info 554).
(PCRS-2018-FUNDATEC): A intimidade da pessoa natural é inviolável, e o juiz adotará as providências para fazer cessar ato contrário a esta norma. BL: art. 12 c/c 21, CC.
CAPÍTULO III
DA AUSÊNCIA
Seção I
Da Curadoria dos Bens do Ausente
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. (DPDF-2006) (MPMG-2010) (TJRJ-2012) (TRT1-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (Cartórios/TJMG-2016)
(Anal. Judic./TREMA-2015-IESES): A declaração de ausência poderá ser requerida com o desaparecimento de uma pessoa, sem deixar representante ou procurador. BL: art. 22, CC.
Art. 23. Também se declarará a ausência, e se nomeará curador, quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes. (TJRJ-2012) (Cartórios/TJRS-2015) (Anal. Judic./TJMS-2017)
Art. 24. O juiz, que nomear o curador, fixar-lhe-á os poderes e obrigações, conforme as circunstâncias, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador. (Anal. Judic./TJMS-2017)
JDC nº 97: No que tange à tutela especial da família, as regras do Código Civil que se referem apenas ao cônjuge devem ser estendidas à situação jurídica que envolve o companheiro, como, por exemplo, na hipótese de nomeação de curador dos bens do ausente (art. 25 do CC).
(MPMG-2019): Analise a seguinte proposição sobre o fim da personalidade da pessoa natural e marque a alternativa correta: Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador, que será, preferencialmente, o cônjuge, salvo se separado judicialmente ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência. BL: arts. 22 e 25, caput, CC
(Anal. Judic./STM-2018-CESPE): O companheiro do ausente na ocasião do desaparecimento deste deve ser considerado como seu curador legítimo e possui preferência, em relação aos pais ou descendentes da pessoa desaparecida, para exercer essa função. BL: art. 25, CC e Enunc. 97, JDC.
(MPGO-2012): Nos termos da lei, será legítimo curador do ausente o seu cônjuge, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência. BL: art. 25, CC.
§ 1o Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes, nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo.
(Cartórios/TJMG-2016-Consulplan): Quanto à ausência: Segundo o Código Civil, será nomeado curador do ausente o cônjuge ou o companheiro, por interpretação analógica e sistemática, os pais, ou os descendentes, nesta ordem. BL: art. 25 e §1º, CC.
§ 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos.
§ 3o Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.
Seção II
Da Sucessão Provisória
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. (DPEMS-2008) (MPDFT-2013) (MPPR-2013) (TJMT-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (Cartórios/TJCE-2018)
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram interessados:
I - o cônjuge não separado judicialmente; [obs.: inclui-se o(a) companheiro(a)]
II - os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
III - os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
(DPDF-2013-CESPE): Aqueles que, independentemente da existência de grau de parentesco, tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte possuem legitimidade, como interessados, em requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. BL: art. 26 c/c art. 27, III, CC.
OBS: Esses interessados não são apenas os parentes, eventuais sucessores do de cujus. Basta que haja algum interesse pecuniário. Nesse sentido, é o que prevê o art. 27 do CC.
IV - os credores de obrigações vencidas e não pagas.
Art. 28. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. (Anal. Judic./TRERN-2011)
(MPSC-2013): A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa; mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver, e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido. BL: art. 28, CC.
##Atenção: Do art. 28 do CC, extrai-se o seguinte (fonte: qconcursos):
· Regra: Os efeitos da sentença de abertura da sucessão provisória só após 180 dias de publicada na imprensa (pode ser que transite em julgado em momento anterior).
· Exceção: Quando o ausente houver deixado testamento, a sua abertura far-se-á tão logo da ocorrência do trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória.
· Exceção: Em caso de inventário ou partilha, igualmente se dará após o trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória.
§ 1o Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão provisória, cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo competente. (MPF-2005) (MPGO-2013)
§ 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823.
Art. 29. Antes da partilha, o juiz, quando julgar conveniente, ordenará a conversão dos bens móveis, sujeitos a deterioração ou a extravio, em imóveis ou em títulos garantidos pela União. (MPGO-2012)
Art. 30. Os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias da restituição deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. (Cartórios/TJMG-2016) (Anal. Judic./TJMS-2017) (TJAL-2019)
§ 1o Aquele que tiver direito à posse provisória, mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo, será excluído, mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador, ou de outro herdeiro designado pelo juiz, e que preste essa garantia. (MPGO-2012)
§ 2o Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de herdeiros, poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do ausente. (Anal. Judic./TJMS-2017) (TJAL-2019)
Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína. (TJDFT-2012) (Anal. Judic./TJMS-2017) (TJAL-2019)
(Proc./TCU-2015-CESPE): É possível hipotecar imóvel de ausente com o fim específico de lhe evitar a ruína, hipótese em que será necessária ordem judicial. BL: art. 31, CC.
(MPPR-2013): Durante o período de sucessão provisória, os imóveis do ausente somentepoderão ser alienados por decisão judicial. BL: art. 31, CC.
Art. 32. Empossados nos bens, os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o ausente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas.
(TJAL-2019-FCC): Luciano, proprietário de duas casas, desapareceu do seu domicílio sem deixar testamento, representante ou procurador para administrar-lhe os bens. À falta de notícia de Luciano, o Juiz, a requerimento do MP, declarou sua ausência e nomeou-lhe curador, que arrecadou seus bens. Decorrido um ano da arrecadação dos bens, deferiu-se, a pedido dos filhos de Luciano, seus únicos herdeiros, a abertura da sucessão provisória. Nesse caso, uma vez empossados nos seus bens, os filhos de Luciano ficarão o representando ativa e passivamente, de modo que contra eles correrão as ações pendentes e futuras movidas em face do ausente. BL: art. 32, CC.
Art. 33. O descendente, ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente, fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos, segundo o disposto no art. 29, de acordo com o representante do Ministério Público, e prestar anualmente contas ao juiz competente. (MPMG-2010) (DPESP-2010) (TJAL-2019)
(TJMT-2014-FMP): Quanto à sucessão de ausentes, assinale a alternativa correta: O descendente, o ascendente, o cônjuge ou o companheiro do ausente, dele sucessores provisórios, após imitidos na posse dos bens, no limite do que corresponde aos seus quinhões, terão direito aos frutos e rendimentos de tais bens, ficando dispensados da prestação de contas, diferentemente do que ocorre com os demais herdeiros. BL: art. 33, CC.
Parágrafo único. Se o ausente aparecer, e ficar provado que a ausência foi voluntária e injustificada, perderá ele, em favor do sucessor, sua parte nos frutos e rendimentos.
Art. 34. O excluído, segundo o art. 30, da posse provisória poderá, justificando falta de meios, requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria.
Art. 35. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo.
(Anal. Judic./TJMS-2017-PUCPR): Considerando as disposições sobre o instituto da ausência previstas no CC/02: Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente, considerar-se-á, nessa data, aberta a sucessão em favor dos herdeiros, que o eram àquele tempo. BL: art. 35, CC.
Art. 36. Se o ausente aparecer, ou se lhe provar a existência, depois de estabelecida a posse provisória, cessarão para logo as vantagens dos sucessores nela imitidos, ficando, todavia, obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas, até a entrega dos bens a seu dono. (MPMG-2010)
Seção III
Da Sucessão Definitiva
Art. 37. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas. (MPPR-2013) (TRT1-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (Anal. Judic./TREMA-2015) (Cartórios/TJCE-2018) (PGM-Barretos/SP-2018)
(TJMT-2014-FMP): Quanto à sucessão de ausentes, assinale a alternativa correta: A conversão da sucessão provisória em definitiva permite aos herdeiros o levantamento das garantias de restituição dos bens do ausente prestadas, quando imitidos na posse dos bens. BL: art. 37, CC.
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. (MPPR-2013) (TJMT-2014) (TRT1-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (Anal. Judic./TREMA-2015) (Cartórios/TJMG-2016)
(Cartórios/TJCE-2018-IESES): Em relação à ausência, responda: Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. BL: art. 38, CC.
OBS: A sucessão definitiva inicia-se dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória. Neste momento poderão os interessados requerer o levantamento das cauções prestadas, situação que pode ser antecipada, provando-se que o ausente tenha oitenta anos de idade, e que de cinco anos datam as ultimas noticias dele. Diante da hipótese de morte presumida, mesmo após aberta a sucessão definitiva do ausente, e possível o seu regresso ou o retorno de algum de seus descendentes ou ascendentes. Neste caso, não se tendo ainda ultrapassado os dez anos seguintes a abertura da sucessão definitiva, aquele ou estes haverão tão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. (Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier - 5. ed. rev. ampl. e atual. - Salvador: Juspodivm, 2017).
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. (TJSP-2008) (PGM-Barretos/SP-2018)
Parágrafo único. Se, nos dez anos a que se refere este artigo, o ausente não regressar, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados em território federal.
##Atenção: Segundo dispõe o art. 39 do CC, regressando o ausente nos dez anos seguintes à da abertura da sucessão definitiva haverá os bens no estado em que se encontrarem. Se não retornar nesse tempo, os bens passarão a seus herdeiros, não havendo herdeiros passarão os bens ao Município, DF ou União. Se retornar após a sucessão definitiva não terá direito a nada.
TÍTULO II
DAS PESSOAS JURÍDICAS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. (TRT24-2012)
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; (PGEGO-2010)
III - os Municípios; (PGEGO-2010)
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) (Anal. Judic./TREAP-2010) (TCEAP-2010/2012) (PGEAC-2014)
(TRF4-2009): As agências reguladoras (entidades de caráter público criadas por lei como por exemplo ANATEL, ANP, ANEEL, etc.) são pessoas jurídicas de Direito Público interno. BL: art. 44, IV, CC.
OBS: Agências reguladoras são autarquias. Logo, são pessoas jurídicas de direito público interno.
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. [ex.: fundações públicas] (PGEGO-2010) (TJAM-2016)
(PGESC-2018-FEPESE): Segundo o Código Civil, são pessoas jurídicas de direito público interno: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os Municípios, as autarquias, inclusive as associações públicas, as demais entidades de caráter público criadas por lei. BL: art. 44, CC.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. (TJDFT–2016)
JDC nº 141: A remissão do art. 41, parágrafo único, do Código Civil “às pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado”, diz respeito às fundações públicas e aos entes de fiscalização do exercício profissional.
Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros [ex.: Alemanha, EUA] e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público [ex.: ONU, OIT, etc.]. (TJCE-2014) (TJAL–2015)
Art. 43. As pessoas jurídicas de direito públicointerno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. (TJPR-2012) (MPT-2013)
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações; (PGEAP-2018)
II - as sociedades; (PGEAP-2018)
(Anal. Judic./TRF1-2017-CESPE): Acerca das associações, das sociedades e das fundações, julgue o item seguinte, com base no Código Civil: As cooperativas têm natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado. BL: art. 44, II e art. 1093 do CC e Enunciado 69 do CJF.
OBS: Enunciado 69, CJF: “Art. 1.093: as sociedades cooperativas são sociedades simples sujeitas à inscrição nas juntas comerciais.”
(DPECE-2008-CESPE): As sociedades são pessoas jurídicas de direito privado, mesmo que tenham como sócios ou acionistas entes de direito público interno. BL: art. 44, II, CC.
III - as fundações [privadas]. (TJAM-2016) (PGEAP-2018) (MPSP-2019)
IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) (PGEAP-2018)
V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) (TRF4-2010) (TJPR-2010) (PGEPA-2012) (MPPR-2013) (Anal. Judic./TRT10-2013) (TJMT-2014) (PGM-João Pessoa/PB-2018) (PGEAP-2018)
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (TJPE-2013) (TJSC-2017) (Téc. Judic./TRF1-2017) (PGEAP-2018)
JDC nº 142: Os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem natureza associativa, aplicando-se-lhes o Código Civil.
JDC nº 143: A liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade de reexame, pelo Judiciário, da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus estatutos.
JDC nº 144: A relação das pessoas jurídicas de direito privado constante do art. 44, incs. I a V, do Código Civil não é exaustiva.
(Anal. Judic./TST-2017-FCC): São pessoas jurídicas de direito privado as associações, as fundações, as sociedades, as organizações religiosas e as empresas individuais de responsabilidade limitada, enquanto a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios são pessoas jurídicas de direito público interno. BL: arts. 41 e 44, CC.
(TJPE-2013-FCC): São pessoas jurídicas de direito privado, segundo o CC/02, os partidos políticos e as empresas individuais de responsabilidade limitada. BL: art. 44, V e VI do CC.
§ 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
(ABIN-2018-CESPE): O ordenamento assegura a liberdade de criação e funcionamento das organizações religiosas, mas isso não impede que o Poder Judiciário analise a compatibilidade dos atos praticados por essas instituições com a lei e com seus respectivos estatutos. BL: art. 44, CC e Enunciado 143, CJF.
§ 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
JDC nº 280: Por força do art. 44, § 2º, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas pelo Livro II da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: a) em havendo previsão contratual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica do art. 1.085; b) as deliberações sociais poderão ser convocadas por iniciativa de sócios que representem 1/5 do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada.
(Anal. Judic./TRF1-2017-CESPE): Acerca das associações, das sociedades e das fundações, julgue o item seguinte, com base no Código Civil. As disposições legais referentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades. BL: art. 44, §2º, CC/02.
§ 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro [no CRPJ = Cartório de Registro de Pessoa Jurídica], precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. (DPEES-2008) (TJPB-2011) (DPERS-2011) (TRF2-2013) (MPT-2013) (Cartórios/TJRS-2015) (MPBA-2015) (Anal. Judic./TRF5-2017) (DPU-2017) (Cartórios/TJMG-2018)
(PCMA-2018-CESPE): O início da personalidade civil das pessoas físicas e das pessoas jurídicas de direito privado ocorre, respectivamente, como nascimento com vida e com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida de autorização ou aprovação do Poder Executivo, quando necessária. BL: art. 2º e 45 do CC.
(PGM-Teixeira de Freitas/BA-2016-IBEG): Dentre as teorias que procuram justificar a existência da pessoa jurídica, a adotada no CC/02 é a teoria da realidade técnica, pela qual se entende que a pessoa jurídica não é uma simples abstração, tendo existência de fato. BL: art. 45, CC.
(PCDF-2015-FUNIVERSA): No Código Civil brasileiro, adota-se a teoria da realidade técnica para explicar e disciplinar as pessoas jurídicas. BL: art. 45, CC.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. (Cartórios/TJSE-2006) (TJRS-2009) (TJRO-2011) (Cartórios/TJRO-2012) (TJSC-2013) (TJPB-2015) (MPSC-2016) (MPAM-2016) (Cartórios/TJMG-2017) (Téc. Judic./TRF1-2017) (Proc. Jurídico-Suzano/SP-2019)
(Anal. Legisl./Câm. Deputados-2014-CESPE): O direito de requerer a anulação do registro de partidos políticos por defeito do referido ato decai em três anos, contados a partir da publicação de sua inscrição no registro. BL: art. 45, § único, CC.
Art. 46. O registro declarará:
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;
II - o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;
III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente;
IV - se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
(PGEMT-2011-FCC): O registro da pessoa jurídica no órgão competente tem eficácia constitutiva. BL: art. 45 e art. 46, IV, CC.
##Atenção: O registro da pessoa natural tem natureza declaratória, com eficácia “ex tunc”, já o registro da pessoa jurídica tem natureza constitutiva, com eficácia “ex nunc”, só produz efeito a partir do registro.Parte superior do formulário
(PGERO-2011): A eficácia do registro da pessoa jurídica é constitutiva. BL: art. 45 e art. 46, IV, CC.Parte inferior do formulário
V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso.
(Cartórios/TJRO-2012-IESES): Assinale a assertiva correta, segundo o que expressamente estabelece o CC/02 para as situações mencionadas: Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado, com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo, sendo que o registro declarará a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver; o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores; o modo por que se administra e representa,ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo; se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse caso. BL: art. 45, caput e art. 46, CC.Parte inferior do formulário
Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.
JDC nº 145: O art. 47 não afasta a aplicação da teoria da aparência.
(Téc. Judic./TRF1-2017-CESPE): No que se refere às pessoas jurídicas, julgue o item que se segue: A pessoa jurídica se responsabiliza pelos atos praticados por seus administradores, desde que esses atos sejam exercidos nos limites dos poderes estabelecidos no ato constitutivo. BL: art. 47, CC.
Art. 48. Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. (Anal. Judic./TRT24-2017)
(Anal. Judic./TJMS-2017-PUCPR): Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso. BL: art. 48, CC.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude. (Anal. Judic./TRT1-2018)
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer interessado, nomear-lhe-á administrador provisório. (TJPB-2011)
(Anal. Judic./TRT24-2017-FCC): Sobre as pessoas jurídicas, à luz do Código Civil: O juiz poderá nomear administrador provisório à sociedade, a requerimento de qualquer interessado, se a administração da pessoa jurídica vier a faltar. BL: art. 49, CC.
Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) (MPPE-2002/2008) (TJAP-2008) (PGEAL-2009) (MPMG-2010) (MPSP-2005/2011) (TJRO-2011) (TJRJ-2011) (DPERS-2011) (Cartórios/TJRO-2012) (TJPR-2013) (TJMG-2014) (TJDFT-2007/2012/2014) (PGEMA-2016) (MPT-2017) (DPU-2007/2015/2017) (TJSP-2008/2009/2014/2018) (ABIN-2018) (Anal. Judic./TRT1-2018) (DPEDF-2013/2019) (TJPA-2019) (MPSC-2019)
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
JDC nº 7: Só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática de ato irregular e, limitadamente, aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido. (TJPR-2013) (ABIN-2018)
JDC nº 51: A teoria da desconsideração da personalidade jurídica – disregard doctrine – fica positivada no novo Código Civil, mantidos os parâmetros existentes nos microssistemas legais e na construção jurídica sobre o tema.
JDC nº 146: Nas relações civis, interpretam-se restritivamente os parâmetros de desconsideração da personalidade jurídica previstos no art. 50 (desvio de finalidade social ou confusão patrimonial).
JDC nº 281: A aplicação da teoria da desconsideração, descrita no art. 50 do Código Civil, prescinde da demonstração de insolvência da pessoa jurídica.
JDC nº 282: O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para caracterizar abuso da personalidade jurídica.
JDC nº 283: É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros. (DPERS-2011)
JDC nº 284: As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica. (DPERS-2011)
JDC nº 285: A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada pela pessoa jurídica, em seu favor.
JDC nº 406: A desconsideração da personalidade jurídica alcança os grupos de sociedade quando estiverem presentes os pressupostos do art. 50 do Código Civil e houver prejuízo para os credores até o limite transferido entre as sociedades.
##Atenção: ##DPEDF-2019: ##CESPE: Não é cabível a teoria da desconsideração da personalidade jurídica em se tratamento de sociedade em comum (de fato ou irregular), pois ela não possui personalidade jurídica. Como não tem personalidade jurídica, não há o que se desconsiderar. Os sócios respondem com seu patrimônio pessoal também pelas dívidas da sociedade, porque não registraram o contrato social no Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, conforme imposição do art. 985 e art. 1.150 do CC. Trata-se, pois, de uma sociedade em comum, de maneira que estabelece o art. 990 do CC que “todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade".
##Atenção: Requisitos cumulativos para se requerer a despersonificação:
1) Existência de ente personificado: Não se pode requerer desconsideração de sociedade em comum, sociedade em conta de participação e de empresário individual (pois são entes despersonalizados);
2) Limitação da responsabilidade: Se a responsabilidade for ilimitada, não há porquê requerer a desconsideração;
3) Esgotamento do patrimônio da pessoa jurídica;
4) Ato de abuso da personalidade: Ato ultra vires (excesso ou desvio da personalidade) ou confusão patrimonial (não se trata de atos ilícitos, mas sim de atos abusivos).
##Atenção: O ato de desconsideração deve observar a cláusula de reserva judicial, seja no âmbito do CC/02 ou do CDC.
##Atenção: ##DPEDF-2013: ##DPU-2015: ##CESPE: A desconsideração da personalidade jurídica não acarreta a extinção ou torna nula a pessoa jurídica desconsiderada (ou seja, não atinge a existência da pessoa jurídica), nem atinge a validadedos demais atos praticados; ela apenas afasta a personalidade da pessoa jurídica, buscando no patrimônio dos sócios os meios para indenizar os lesados, mantendo-se, no mais, a integridade da sociedade e de suas atividades.
##Atenção: O encerramento irregular das atividades da empresa devedora autoriza, por si só, que se busque os bens dos sócios para pagar a dívida?
· Código Civil: NÃO
· CDC: SIM
· Lei Ambiental: SIM
· CTN: SIM
##Atenção: ##Anal. Judic./STJ-2018: ##CESPE: É de curial importância reiterar que, principalmente nas sociedades anônimas, impera a regra de que apenas os administradores da companhia e seu acionista controlador podem ser responsabilizados pelos atos de gestão e pela utilização abusiva do poder; sendo certo, ainda, que a responsabilização deste último exige prova robusta de que esse acionista use efetivamente o seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar os órgãos da companhia.” (REsp 1412997/SP, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, 4ª T., j. 8/9/15).
(TJMT-2018-VUNESP): Suponha as seguintes situações hipotéticas: i) o marido, tendo em vista seu desejo de futuramente se divorciar da esposa, pretendendo excluir alguns bens adquiridos durante o casamento (sob o regime da comunhão parcial) da meação, integraliza-os, utilizando-se de procuração outorgada por sua esposa e sem ciência desta, de parte de seu patrimônio em pessoa jurídica da qual é detentor de 99% do capital social (o 1% restante é detido por seu pai); ii) sociedade limitada que, sem fraudes e em razão de dificuldades financeiras decorrentes de alta do dólar, deixa de pagar todos os seus fornecedores, apesar de terem os sócios vultoso patrimônio; iii) pessoa jurídica encerra irregularmente suas atividades. Considerando a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a alternativa correta: Na hipótese “ii”, não existe possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, em razão do acolhimento da Teoria Maior pelo CC/02, sendo possível a desconsideração da personalidade jurídica na situação “i”, bem como na “iii”; nesta última, apenas se verificada a existência de confusão patrimonial ou desvio de finalidade. BL: art. 50, CC.
OBS: Passa-se à análise das situações hipotéticas apresentadas na questão:
i) o marido, tendo em vista seu desejo de futuramente se divorciar da esposa, pretendendo excluir alguns bens adquiridos durante o casamento (sob o regime da comunhão parcial) da meação, integraliza-os, utilizando-se de procuração outorgada por sua esposa e sem ciência desta, de parte de seu patrimônio em pessoa jurídica da qual é detentor de 99% do capital social (o 1% restante é detido por seu pai): Neste caso, o ato do marido caracterizou abuso, prejudicando claramente a esposa, ocorrendo a chamada "desconsideração da personalidade jurídica inversa", que consiste no ato dos sócios, visando seus interesses particulares, se utilizarem da própria pessoa jurídica, desviando-se dos interesses destas. Além disso, temos o Enunciado 283 da IV JDC (citado acima).
ii) sociedade limitada que, sem fraudes e em razão de dificuldades financeiras decorrentes de alta do dólar, deixa de pagar todos os seus fornecedores, apesar de terem os sócios vultoso patrimônio: De acordo com a teoria maior, adotada pelo CC/02, a mera demonstração de a pessoa jurídica estar insolvente para o cumprimento de suas obrigações não é justificativa para a desconsideração da personalidade jurídica. Deve haver a prova da insolvência, através do desvio da finalidade ou confusão patrimonial. Conclui-se, portanto, que, em se tratando de teoria maior, o mero inadimplemento não é suficiente a configurar a desconsideração da personalidade, nos termos do art. 50 do CC.
iii) pessoa jurídica encerra irregularmente suas atividades: No presente caso, embora existam entendimentos no sentido de que o encerramento irregular, por si só, não caracteriza a desconsideração da personalidade jurídica, esta ocorre quando houver desvio de finalidade ou confusão patrimonial (requisitos trazidos pelo art. 50, CC), tendo em vista nascer a presunção de um abuso, transferindo ao próprio sócio a prova de inexistência de abuso. Nesse sentido, vejamos o seguinte julgado do STJ: “Do encerramento irregular da empresa presume-se o abuso da personalidade jurídica, seja pelo desvio de finalidade, seja pela confusão patrimonial, apto a embasar o deferimento da desconsideração da personalidade jurídica da empresa para se buscar o patrimônio individual de seu sócio”. (STJ 3ª T., Resp. 1.259.066, Min. Nancy Andrighi, j. 19.06.12).
(TJRS-2018-VUNESP): A respeito do tema teoria da desconsideração da personalidade jurídica, o STJ em muitos de seus julgados faz menção à teoria maior e à teoria menor da desconsideração. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta: Para incidência da teoria maior da desconsideração, regra geral do sistema jurídico brasileiro, exige-se para além da prova da insolvência, ou a demonstração de desvio de finalidade ou a demonstração de confusão patrimonial. Para caracterização da teoria menor, por sua vez, regra excepcional, basta a prova de insolvência da pessoa jurídica. BL: art. 50, CC e art. 28, §5º, CDC.
##Atenção: ##TJPA-2019: ##CESPE: O CC/02 e o CDC adotam teorias distintas para justificar a desconsideração da personalidade jurídica. Enquanto o primeiro acolheu a teoria maior, exigindo a demonstração de abuso ou fraude como pressuposto para sua decretação (CC art. 50), o CDC perfilha a teoria menor, a qual admite a responsabilização dos sócios quando a personalidade da sociedade empresária configurar impeditivo ao ressarcimento dos prejuízos causados ao consumidor (CDC art. 28, § 5º).
##Atenção: ##TJPA-2019: ##CESPE: ##Resumo Qconcursos: Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica:
a) MAIOR: baseia-se na confusão patrimonial e demonstrada a INEXISTÊNCIA de separação entre patrimônios. São elas:
a.1) SUBJETIVA: DIREITO EMPRESARIAL - fraudar credores - DESVIO DE FINALIDADE. Portanto, a desconsideração da personalidade jurídica é baseada no desvio de finalidade, caracterizando-se pelo ato intencional dos sócios de fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica. (Ex.: Salomon X Salomon LA, 1897)
a.2) OBJETIVA: DIREITO CIVIL (Família/Sucessões) - CONFUSÃO PATRIMONIAL. Portanto, a desconsideração da personalidade jurídica é baseada na confusão patrimonial. Demonstrada pela inexistência, no campo dos fatos, de separação entre o patrimônio da pessoa jurídica e os de seus sócios. (Ex.: Alienação de imóvel do casal sem tutela uxória/ Doação de pai a filho sem a anuência dos outros sucessores legítimos)
b) MENOR: Independe do desvio de finalidade ou confusão patrimonial, exigindo-se apenas um único elemento, qual seja, o prejuízo ao credor. (Ex.: danos ambientais da Lei 9.605/98 e art. 28, §5º, CDC).
##Atenção: ##TJPA-2019: ##CESPE: A regra geral adotada no ordenamento jurídico brasileiro é aquela prevista no art. 50 do CC, que consagra a teoria maior da desconsideração, tanto na sua vertente subjetiva quanto na objetiva. Salvo em situações excepcionais previstas em leis especiais, somente é possível a desconsideração da personalidade jurídica quando verificado o desvio de finalidade (Teoria Maior Subjetiva da Desconsideração), caracterizado pelo ato intencional dos sócios de fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica, ou quando evidenciada a confusão patrimonial (Teoria Maior Objetiva da Desconsideração), demonstrada pela inexistência, no campo dos fatos, de separação entre o patrimônio da pessoa jurídica e os de seus sócios. Recurso especial provido para afastar a desconsideração da personalidade jurídica da recorrente. (REsp 970.635/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 10/11/2009).[footnoteRef:4] [4: Confira-se o seguinte trecho do voto da Ministra Nancy Andrighi (REsp 279273/SP, Rel. Min. Ari Pargendler, Rel. p/ Acórdão Ministra Nancy Andrighi, DJU de 29.03.2004), que explica a teoria da desconsideração da personalidade jurídica: “A teoria da desconsideração dapessoa jurídica, quanto aos pressupostos de sua incidência, subdivide-se em duas categorias: teoria maior e teoria menor da desconsideração. A teoria maior não pode ser aplicada com a mera demonstração de estar a pessoa jurídica insolvente para o cumprimento de suas obrigações. Exige-se, aqui, para além da prova de insolvência, ou a demonstração de desvio de finalidade, ou a demonstração de confusão patrimonial. A prova do desvio de finalidade faz incidir a teoria (maior) subjetiva da desconsideração. O desvio de finalidade é caracterizado pelo ato intencional dos sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica. A demonstração da confusão patrimonial, por sua vez, faz incidir a teoria (maior) objetiva da desconsideração. A confusão patrimonial caracteriza-se pela inexistência, no campo dos fatos, de separação patrimonial do patrimônio da pessoa jurídica e do de seus sócios, ou, ainda, dos haveres de diversas pessoas jurídicas. A teoria maior da desconsideração, seja a subjetiva, seja a objetiva, constitui a regra geral no sistema jurídico brasileiro, positivada no art. 50 do CC/02. A teoria menor da desconsideração, por sua vez, parte de premissas distintas da teoria maior: para a incidência da desconsideração com base na teoria menor, basta a prova de insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações, independentemente da existência de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial”.]
(Anal. Judic./TRF1-2017-CESPE): [...] muitas vezes os sócios ou administradores, agindo contrariamente às finalidades estatutárias ou abusando da personalidade jurídica da pessoa jurídica, acarretam prejuízos a terceiros [...] A fim de pôr cobro a esses desvios, formou-se a doutrina conhecida como disregard of legal entity, para vincular o patrimônio dos sócios. Nestor Duarte. Código civil comentado. São Paulo: Ed. Manole, 2007, p. 432 (com adaptações). Considerando o texto precedente e aspectos a ele inerentes, julgue o item a seguir, com base no Código Civil: Descumprimento de finalidades estatutárias significa o mesmo que desrespeito aos objetivos sociais da empresa. BL: art. 50, CC.
##Atenção: ##TJPA-2019: ##CESPE: “O desvio de finalidade tem ampla conotação e sugere uma fuga dos objetivos sociais da pessoa jurídica, deixando um rastro de prejuízo, direto ou indireto, para terceiros ou mesmo para outros sócios da empresa.” (Fonte: Nelson Rosenvald e Cristiano Chaves, in Curso de direito civil. Parte geral e LINDB, volume 1. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2015. P. 395).
(TJRS-2016-Faurgs): A desconsideração da personalidade jurídica é admitida também para a responsabilização da sociedade por dívidas pessoais dos sócios. BL: Enunc. 283, JDC e art. 50, CC.
(TJAL-2015-FCC): Nas relações de consumo, a desconsideração da personalidade jurídica é regulada pela teoria menor da desconsideração, operando-se, dentre outras hipóteses, com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica, ao contrário das relações de natureza civil, às quais se aplica a teoria maior da desconsideração. BL: art. 28, caput e §5º, CDC e art. 50 do CC.
##Atenção: ##TJPA-2019: ##CESPE: “A teoria menor da desconsideração, acolhida em nosso ordenamento jurídico excepcionalmente no Direito do Consumidor e no Direito Ambiental, incide com a mera prova de insolvência da pessoa jurídica para o pagamento de suas obrigações, independentemente da existência de desvio de finalidade ou de confusão patrimonial. Para a teoria menor, o risco empresarial normal às atividades econômicas não pode ser suportado pelo terceiro que contratou com a pessoa jurídica, mas pelos sócios e/ou administradores desta, ainda que estes demonstrem conduta administrativa proba, isto é, mesmo que não exista qualquer prova capaz de identificar conduta culposa ou dolosa por parte dos sócios e/ou administradores da pessoa jurídica. A aplicação da teoria menor da desconsideração às relações de consumo está calcada na exegese autônoma do § 5º do art. 28, do CDC, porquanto a incidência deste dispositivo não se subordina à demonstração dos requisitos previstos no caput do artigo indicado, mas apenas à prova de causar, a mera existência da pessoa jurídica, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores” (STJ, REsp 279.273, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3a T, DJ 29/03/04)
(MPBA-2015): A desconsideração da personalidade jurídica poderá ser decretada em duas hipóteses: abuso da personalidade jurídica, caracterizada pelo desvio de finalidade, ou confusão patrimonial. BL: art. 50, CC.
(MPBA-2015): A desconsideração da personalidade jurídica pode acarretar que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. BL: art. 50, CC.
(TJPA-2014-CESPE): A desconsideração inversa é o afastamento do princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar a sociedade por obrigação do sócio. BL: Enunc. 283 do CJF e Info 480 do STJ.
(PGEBA-2014-CESPE): A desconsideração inversa da personalidade jurídica implica o afastamento do princípio de autonomia patrimonial da sociedade, o que a torna responsável por dívida do sócio.
##Atenção: A desconsideração inversa da personalidade jurídica caracteriza-se pelo afastamento da autonomia patrimonial da sociedade para, contrariamente do que ocorre na desconsideração da personalidade propriamente dita, atingir o ente coletivo e seu patrimônio social, de modo a responsabilizar a pessoa jurídica por obrigações do sócio controlador (STJ, REsp 1236916/RS, Min. Nancy Andrighi, j. 22/10/13).
(Atividade Téc. de Sup./MC-Direito-2013-CESPE): A desconsideração da personalidade jurídica é técnica que não consiste na ineficácia ou invalidade de negócios jurídicos celebrados pela empresa, mas na ineficácia relativa da própria pessoa jurídica frente a credores cujos direitos não são satisfeitos. BL: art. 50, CC e REsp 1312591/RS, STJ.
##Atenção: Vejamos trecho do REsp 1312591/RS, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, 4ª T., j. 11/6/13: “A desconsideração da personalidade jurídica é técnica consistente na ineficácia relativa da própria pessoa jurídica - rectius, ineficácia do contrato ou estatuto social da empresa -, frente a credores cujos direitos não são satisfeitos, mercê da autonomia patrimonial criada pelos atos constitutivos da sociedade.”
(MPSP-2010): A desconsideração da personalidade jurídica é medida excepcional, diante da autonomia patrimonial de que goza a pessoa jurídica. BL: art. 50, CC.
(TJSC-2009): A desconsideração da personalidade jurídica não objetiva a anulação da personalidade jurídica em toda a sua extensão; cuida somente de declarar a sua ineficácia para determinado ato. BL: art. 50 do CC.
(TJRR-2008-FCC): A doutrina do disregard of legal entity tem por finalidade superar ou desconsiderar a personalidade jurídica de pessoas jurídicas, responsabilizando-lhes os sócios ou administradores, mas sem considerar nula a personificação, apenas a tornando ineficaz para certos atos. BL: art. 50, CC.
Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. (MPMG-2010) (TCERN-2015) (Anal. Judic./TRT24-2017) (Juiz Leigo/TJRJ-2018) (Cartórios/TJDFT-2019)
Súmula 435-STJ: Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.
(Anal./MPU-2018-CESPE): Com a dissolução da pessoa jurídica, a personalidade desse ente não desaparece, mas subsiste até que a liquidação seja concluída. BL: art. 51, CC.
§ 1o Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. (Cartórios/TJDFT-2019)
§ 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado.
§ 3o Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
OBS:Somente após a liquidação haverá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. (PGERR-2006) (TJAP-2009) (DPERS-2011) (DPEAM-2011) (TJPE-2015) (MPF-2017) (PGM-Boa Vista/RR-2019)
JDC nº 189: Na responsabilidade civil por dano moral causado à pessoa jurídica, o fato lesivo, como dano eventual, deve ser devidamente demonstrado.
JDC nº 286: Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de tais direitos.
Súmula 227-STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
##Atenção: ##STJ: #DOD:A pessoa jurídica de direito público não tem direito à indenização por danos morais relacionados à violação da honra ou da imagem. Não é possível pessoa jurídica de direito público pleitear, contra particular, indenização por dano moral relacionado à violação da honra ou da imagem. STJ. 4ª T. REsp 1258389-PB, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 17/12/13 (Info 534).
(TJSP-2015-VUNESP): A pessoa jurídica de direito público não tem direito à indenização por dano moral. BL: S. 227, STJ e Info 534, STJ.
##Atenção: ##STJ: O próprio STJ deixou claro que isso somente ocorre hipótese em que haja ferimento à sua honra objetiva (é a reputação, aquilo que os outros pensam a seu respeito; o conceito que a pessoa goza perante a comunidade em que está inserida).
(TCEPA-2016-CESPE): A pessoa jurídica, assim como a física, é capaz de direitos e deveres na ordem civil. BL: arts. 1º e 52 do CC e Súmula 227, STJ.
CAPÍTULO II
DAS ASSOCIAÇÕES
Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas [obs.: 2 ou mais pessoas] que se organizem para fins não econômicos. (MPF-2005) (DPESP-2009) (PCRN-2009) (TRF2-2013) (Anal. Judic./TJSE-2014) (MPAM-2015) (TJAM-2016) (Anal. Judic./TJMS-2017) (Cartórios/TJMG-2018) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018) (TJPR-2019)
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. (PCRN-2009) (TJRO-2011) (TRF2-2013) (MPMG-2014) (Anal. Judic./TJMS-2017) (Anal. Judic./TRF1-2017) (Cartórios/TJMG-2017) (Anal. Judic./TRT1-2018) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018)
JDC nº 534: As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa.
JDC nº 615: As associações civis podem sofrer transformação, fusão, incorporação ou cisão.
(Téc. Judic./TJAL-2018-FGV): A Associação Amigos de Ponta Verde, constituída por moradores do bairro, decide, em assembleia regular, explorar cantina em sua sede, com o propósito de melhorar seu caixa com o lucro da atividade. Essa deliberação é considerada válida, pois o lucro será destinado à associação. BL: art. 53 do CC e Enunciado 534, JDC.
(Téc. Judic./TJSE-2014-CESPE): Considerando que Francisco, José e Luiz tenham-se reunido, em janeiro de 2014, para criar a Associação X, com a finalidade de auxiliar pessoas carentes em projetos para aquisição de moradia, além de ajudar a executar projetos de construção e cadastramento dos demais associados, no âmbito de programas governamentais e assistenciais, julgue o item subsequente: De acordo com a jurisprudência e a doutrina, a Associação X não perderá a qualificação de associação se vier a desenvolver atividade econômica, desde que essa atividade não vise ao lucro. BL: art. 53, CC e Enunciado 534, JDC.
(DPEES-2012-CESPE): Nas associações, não há responsabilidade solidária entre os administradores, de forma que um não responde pelos atos praticados por outro.
OBS: Como na associação não há finalidade lucrativa, não há como um associado responder pelos atos praticados pelo outro.
(DPESP-2009-FCC): Considerando as pessoas das associações, assinale a alternativa correta: Entre as pessoas que as constituem inexiste reciprocidade de direitos e obrigações. BL: art. 53, § único, CC.
(TJSE-2008-CESPE): A associação civil é uma pessoa jurídica de direito privado criada a partir da união de pessoas em torno de uma finalidade que não seja lucrativa. No entanto, não há qualquer impedimento para que uma organização sem fins lucrativos desenvolva atividades econômicas para geração de renda, desde que não partilhe os resultados decorrentes entre os associados. BL: art. 53 c/c art. 997, VII, CC e Enunc. 534, JDC.
(TCESP-2008-FCC): Será possível distinguir uma associação de uma sociedade se aquela não tiver fins econômicos e se esta tiver fins econômicos. BL: arts. 53 e 981, CC.
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: (Advogado/Petrobrás-2010)
I - a denominação, os fins e a sede da associação;
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III - os direitos e deveres dos associados;
IV - as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) (Cartórios/TJRO-2012)
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. (Incluído pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. (TJDFT-2007) (TCEES-2009) (PCRN-2009) (DPESC-2012) (PCDF-2015) (Cartórios/TJMG-2017) (Advogado/Transpetro-2018) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018)
JDC nº 577: A possibilidade de instituição de categorias de associados com vantagens especiais admite a atribuição de pesos diferenciados ao direito de voto, desde que isso não acarrete a sua supressão em relação a matérias previstas no art. 59 do CC.
(Cartórios/TJMG-2017-Consulplan): Para a constituição de uma associação são necessários, por regra, o mínimo de quantos associados e em quais condições? 2 associados, com direitos iguais, embora o estatuto possa instituir categorias de associados com vantagens especiais. BL: arts. 53 e 55, CC.
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. (TCEES-2009) (PCRN-2009) (DPESC-2012) (PCDF-2015) (Téc. Judic./TJRS-2017) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018)
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. (DPESC-2012)
(TCESC-2016-CESPE): A transferência de quota de associação de um associado para seu filho não importará na atribuição da qualidade de associado ao filho, salvo se houver disposição estatutária nesse sentido. BL: art. 56, § único, CC.
OBS: Deste modo, os herdeiros com a sucessão passam a ter um direito de crédito contra a pessoa jurídica, representado pela participação societária deixada pelo de cujus. Assim, tanto o espólio como os herdeiros do sócio falecido não são sócios da sociedade empresária da qual este fazia parte; são apenas credores e tem direito à apuração dos haveres para pagamento. Neste sentido: "Os herdeiros, com a sucessão, passaram a ter um direito de crédito contra a pessoa jurídica, representado pela participação societária deixada pelo de cujus... Nenhum deles, porém, pode ser reputado representante legal da sociedade civil, porque uma coisa é ser titular de um direito de crédito por sucessão causa mortis, outra, e muito diferente, é a posição de sócio, que depende da vontade dos herdeiros, ou de alguns deles, de ingressar no quadro social." Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
OBS: A admissão na associação é ato personalíssimo e intransferível.
(PGESE-2005-FCC): Falecendo o associado de uma entidade de fins esportivos, cujo patrimônio tenha sido constituído também com recursos do finado, que, por isto, é titular de quota patrimonial, e nada dispondo a respeito o estatuto da associação, seus herdeiros não passarão à qualidade de associado, mas poderão herdar sua quota parte do patrimônio. BL: art. 56 e § único, CC.
Art. 57. A exclusão do associado sóé admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previstos no estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) (TCEES-2009) (PCRN-2009) (TJAM-2013) (TJSC-2013) (PCDF-2015) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018)
(TRF3-2016): É obrigatória a inclusão de norma estatutária nas associações que preveja o direito de recorrer dos associados na hipótese de sua exclusão.
(TJPR-2012-UFPR): Nas associações, a exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso, nos termos previsto no estatuto. BL: art. 57 do CC.
Parágrafo único.(Revogado pela Lei nº 11.127, de 2005)
JDC nº 280: Por força do art. 44, § 2º, consideram-se aplicáveis às sociedades reguladas pelo Livro II da Parte Especial, exceto às limitadas, os arts. 57 e 60, nos seguintes termos: a) Em havendo previsão contratual, é possível aos sócios deliberar a exclusão de sócio por justa causa, pela via extrajudicial, cabendo ao contrato disciplinar o procedimento de exclusão, assegurado o direito de defesa, por aplicação analógica do art. 1085; b) As deliberações sociais poderão ser convocadas pela iniciativa de sócios que representem 1/5 (um quinto) do capital social, na omissão do contrato. A mesma regra aplica-se na hipótese de criação, pelo contrato, de outros órgãos de deliberação colegiada.
Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto.
Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) (DPESC-2012) (Cartórios/TJMG-2017)
II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) (DPESP-2009) (DPESC-2012)
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005) (Cartórios/TJMG-2017) (Proc. Legisl.-Câm. Legisl./DF-2018)
Art. 60. A convocação dos órgãos deliberativos far-se-á na forma do estatuto, garantido a 1/5 (um quinto) dos associados o direito de promovê-la. (Redação dada pela Lei nº 11.127, de 2005)
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. (DPESP-2009) (Anal. Judic./TRF1-2017)
JDC nº 407: A obrigatoriedade de destinação do patrimônio líquido remanescente da associação à instituição municipal, estadual ou federal de fins idênticos ou semelhantes, em face da omissão do estatuto, possui caráter subsidiário, devendo prevalecer a vontade dos associados, desde que seja contemplada entidade que persiga fins não econômicos.
(Anal./MPSP-2010-VUNESP): Assinale a alternativa correta sobre o destino dos bens de uma associação, quando de sua dissolução, se o seu estatuto é omisso a respeito: Destinar-se-ão, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. BL: art. 61, CC.
§ 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação.
§ 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.
CAPÍTULO III
DAS FUNDAÇÕES
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. (DPEES-2008) (MPPB-2011) (PGERS-2011) (TJAC-2012) (MPES-2012) (STM-2013) (MPMA-2014) (MPBA-2015) (MPSC-2014/2016) (TJAM-2016) (PGEAM-2016) (MPRR-2017) (Anal. Judic./TJMS-2017) (Anal. Judic./TRF1-2017) (Téc. Judic./TJAL-2018) (MPGO-2013/2019)
(MPSP-2019): No que diz respeito às fundações, é correto afirmar: Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina. BL: art. 62, CC.
##Atenção: Fica ao arbítrio do instituidor declarar a maneira de administrar a fundação por ele criada.
(MPBA-2015): Conforme o art. 62 do CC, para criar uma fundação far-lhe-á o seu instituidor, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Sobre o papel do MP em relação às fundações, é correto afirmar que, para criação de uma fundação é obrigatória a intervenção do MP. BL: art. 62, CC e art. 764, NCPC.
(MPSP-2015): As associações e as fundações apresentam traços que as aproximam, mas não se confundem, por terem natureza jurídica diversa. Diante disso, aponte a alternativa que demonstra a verdadeira distinção existente entre elas: As associações têm seu elemento principal nas pessoas e as fundações têm seu elemento essencial no patrimônio.
##Atenção: Fundações são universalidades de bens (resultam da afetação de um patrimônio e não da união de indivíduos), enquanto que associações são caracterizadas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos (comunhão de esforços para um fim comum).
(MPDFT-2013): Para a validade da alienação do patrimônio da fundação é imprescindível a autorização judicial com a participação do órgão do MP com atribuição para o velamento das fundações, formalidade que, se suprimida, acarreta a nulidade do ato negocial. BL: STJ, REsp 303707/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª T., j. 19/11/01.
(MPPR-2012): A instituição causa mortis de uma fundação deve ser realizada por intermédio de testamento, não se admitindo o codicilo. BL: art. 62 do CC.
DICA: Existem 3 tipos de fundações:
1) Fundações PÚBLICAS de direito PÚBLICO: Essas nada mais são do que Fundações AUTÁRQUICAS, logo elas devem ser criadas por lei.
2) Fundações PÚBLICAS de direito PRIVADO: essas se equiparam às Empresas Públicas e Sociedade de Economia Mista, por isso sua criação é AUTORIZADA por lei.
3) Fundações PRIVADAS: essas são pessoas jurídicas privadas e não há que se falar em lei em sua criação.
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de: (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPBA-2015) (MPGO-2019) (MPMT-2019)
I – assistência social; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
III – educação; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (PGEAM-2016) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
IV – saúde; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPPR-2016) (MPSC-2016) (PGEAM-2016) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
V – segurança alimentar e nutricional; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPPR-2016) (MPSC-2016) (MPMT-2019)
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPSC-2016) (PGEAM-2016) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
VIII – promoção da ética, da cidadania,da democracia e dos direitos humanos; (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
IX – atividades religiosas; e (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPPR-2016) (MPRR-2017) (MPMT-2019)
JDC nº 08: A constituição de fundação para fins científicos, educacionais ou de promoção do meio ambiente está compreendida no Código Civil, art. 62, parágrafo único.
JDC nº 09: Deve ser interpretado de modo a excluir apenas as fundações com fins lucrativos.
X – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.151, de 2015)
##Questiona-se: É possível a instituição de fundação privada para o desempenho de atividades de “habitação de interesse social”? Márcio Cavalcante acredita que essa pergunta pode ser feita em provas objetivas de concurso e a resposta deverá ser NÃO. Repare que a nova redação do § único do art. 62 termina no inciso IX. No entanto, a Lei n° 13.151/15 previa a existência do inciso X dizendo que a fundação poderia ser instituída para fins de “X - habitação de interesse social.” Esse inciso X foi vetado pela Presidente da República sob o seguinte argumento: “Da forma como previsto, tal acréscimo de finalidade poderia resultar na participação ampla de fundações no setor de habitação. Essa extensão ofenderia o princípio da isonomia tributária e distorceria a concorrência nesse segmento, ao permitir que fundações concorressem, em ambiente assimétrico, com empresas privadas, submetidas a regime jurídico diverso.” A preocupação da Presidente foi a de que pessoas jurídicas fossem criadas sob a roupagem de “fundação” e desempenhassem atividades de habitação concorrendo com sociedades empresárias em vantagem competitiva já que as fundações gozam de alguns privilégios. Em provas objetivas, o examinador poderá perguntar quais são as finalidades possíveis das fundações e colocar, dentre as alternativas, a frase “habitação de interesse social”. Neste caso, esta alternativa estará incorreta porque a questão estará querendo saber apenas o texto literal do Código Civil.
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. (MPPB-2011) (PGERS-2011) (STM-2013) (PGEAM-2016) (Anal. Legisl. Câm. Salvador/BA-2018) (MPMT-2019)
(DPECE-2014-FCC): Em testamento, Antônio previu a constituição de fundação para a promoção da educação de crianças carentes. Quando de seu falecimento, constatou-se que os bens destinados à criação da fundação seriam insuficientes para sua constituição. O testamento nada previu para esta hipótese. Os bens deverão ser destinados para outra fundação que se proponha a igual ou semelhante fim. BL: art. 63, CC.
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial. (MPDFT-2009) (MPMT-2019)
(Téc. Judic./TJAL-2018-FGV): Vinte pescadores de São Miguel dos Milagres decidem adquirir pequeno imóvel para beneficiar sua pesca. De modo que o imóvel fosse destinado apenas para esse fim, resolvem constituir uma fundação, o que fazem mediante escritura pública e destacando o bem adquirido para o patrimônio da nova entidade. Consignaram no ato, ainda, que, na hipótese de extinção, o imóvel deveria ser incorporado ao patrimônio do Município. Contudo, após lavratura do ato subscrito por todos, dois pescadores resolvem não mais participar do projeto e solicitam sua parte do bem. A pretensão deles é incabível, pois o ato constitutivo da fundação encontra-se perfeito e sua extinção se dará na forma do estatuto. BL: art. 64, CC.
##Atenção: Depreende-se desse artigo que, uma vez passado qualquer bem para a fundação, o bem não é mais da pessoa física que repassou qualquer bem para a fundação.
(MPSP-2017): Empresária paulista e seu marido, inconformados com o feminicídio de sua filha, assassinada meses antes por um estudante de medicina que fora seu namorado, decidem criar imediatamente uma fundação em memória de sua querida filha morta, que se dedicará a ações diversas em prol do empoderamento das mulheres brasileiras, de maior respeito à condição feminina, da diminuição do índice de feminicídios e de outras inúmeras formas de violência contra as mulheres do Brasil, haja vista que o país ocupa a quinta posição no ranking mundial dos países em que mais mulheres são assassinadas por conta de sua condição feminina e tendo em vista que o país também está entre os países com os índices mais elevados de estupros e outras diversas formas de violência contra a mulher. Assim sendo, os pais da jovem, vítima de feminicídio, deverão observar alguns requisitos mínimos legais obrigatórios para que a fundação possa ser devidamente criada. Assinale a alternativa que os indica corretamente: Lavratura de escritura pública para dotação especial de bens livres e suficientes para a constituição da fundação e do desenvolvimento de suas atividades, com a especificação do fim ao qual a fundação se destina. Na sequência, os instituidores farão a transferência da propriedade ou outro direito real sobre os bens dotados. BL: arts. 62 c/c art. 64, CC.
(MPPR-2012): Se o instituidor inter vivos de uma fundação não lhe transferir a propriedade dos bens dotados, eles serão registrados em nome dela por mandado judicial. BL: art. 64, CC/02.
##Atenção: Esse mandado judicial deve ser postulado pelo MP, a quem incumbe zelar pelas fundações.
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. (MPPR-2011) (MPDFT-2011) (MPSP-2012) (MPSC-2012) (MPGO-2013)
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em cento e oitenta dias, a incumbência caberá ao Ministério Público. (MPPB-2011) (MPDFT-2011) (PGERS-2011) (MPSC-2012) (MPGO-2013) (MPSP-2012/2019)
(MPBA-2018): Cabe ao Ministério Público elaborar o estatuto de fundação se este não for elaborado no prazo estipulado pelo instituidor. BL: art. 65, § único, CC.
Art. 66. Velará pelas fundações [obs.: públicas e privadas] o Ministério Público do Estado onde situadas. (TRT8-2005) (TRT3-2007) (PGERS-2011) (MPGO-2013) (MPBA-2015) (MPMG-2018)
##Questiona-se: O TCU tem competência para fiscalizar a Fundação Banco do Brasil? Em regra, não deveria ter. Isso porque como se trata de uma fundação de caráter privado, em regra, ela não está sujeita à fiscalização do TCU nem se submete aos princípios e à legislação aplicáveis à Administração Pública. Como fundação de direito privado, a FBB está, em regra, submetida apenas à fiscalização do Ministério Público estadual, nos termos do art. 66 do Código Civil.
##Questiona-se: A Fundação Banco do Brasil não poderia ser considerada como uma fundação instituída e mantida “pelo Poder Público federal”, atraindo sempre a fiscalização do TCU com base no art. 71, II, da CF/88? NÃO. Isso porque o STF entende que o Banco do Brasil, apesar de integrar a Administração Pública federal, não pode ser considerado como “poder público”: “O Banco do Brasil, entidade da Administração Indireta dotada de personalidade jurídica de direito privado, voltada à exploração de atividade econômica em sentido estrito, não pode ser concebida como poder público.” (STF. Plenário. MS 24427, Rel. Min. Eros Grau, DJ 24/11/06). Logo, a FBB consiste em entidade privada não instituída pelo poder público.
##Atenção: ##STF: ##DOD: Não compete ao TCU adotar procedimento de fiscalização que alcance a Fundação Banco do Brasil quanto aos recursos próprios, de natureza eminentemente privada, repassados por aquela entidade a terceiros, eis que a FBB não integra o rol de entidades obrigadas a prestar contas àquela Corte de Contas, nos termos do art. 71, II, CF. A FBB é uma pessoa jurídica dedireito privado não integrante da Administração Pública. Assim, a FBB não necessita se submeter aos ditames da gestão pública quando repassar recursos próprios a terceiros por meio de convênios. Por outro lado, quando a FBB recebe recursos provenientes do Banco do Brasil — sociedade de economia mista que sofre a incidência dos princípios da Administração Pública previstos no art. 37, caput, da Constituição Federal, — ficará sujeita à fiscalização do TCU. Isso porque, neste caso, tais recursos, como são provenientes do BB, têm caráter público. STF. 2ª Turma. MS 32703/DF, Rel. Min. Dias Tóffoli, j. 10/4/18 (Info 897).
(MPBA-2018): Ao Ministério Público cumpre fiscalizar as fundações do Estado onde de achem localizadas. BL: art. 66, CC.
(MPBA-2018): O Ministério Público tem o dever funcional de examinar e aprovar os estatutos das fundações e fiscalizar os atos praticados por quem as administre. BL: art. 66, CC.
§ 1º Se funcionarem no Distrito Federal ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPPR-2016)
§ 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público. (TRT8-2005) (TRT3-2007) (AGU-2007)
JDC nº 147: A expressão “por mais de um Estado”, contida no § 2o do art. 66, não exclui o Distrito Federal e os Territórios. A atribuição de velar pelas fundações, prevista no art. 66 e seus parágrafos, ao MP local – isto é, dos Estados, DF e Territórios onde situadas – não exclui a necessidade de fiscalização de tais pessoas jurídicas pelo MPF, quando se tratar de fundações instituídas ou mantidas pela União, autarquia ou empresa pública federal, ou que destas recebam verbas, nos termos da Constituição, da LC n. 75/93 e da Lei de Improbidade.
##Questiona-se: Quem fiscaliza o funcionamento das fundações privadas? O Ministério Público estadual. Depois de criada, as fundações serão fiscalizadas pelo Ministério Público do Estado onde situadas, nos termos do caput do art. 66, CC.
##Questiona-se: O caput do art. 66 fala em Ministério Público do Estado. E se a fundação estiver situada no Distrito Federal, quem irá fiscalizá-la? Quem vela pelas fundações localizadas no DF? O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A Lei 13.151/15 alterou o § 1º do art. 66 do CC com o objetivo de deixar isso expresso no texto do Código.
##Questiona-se: A alteração representou uma grande inovação jurídica? Antes da Lei 13.151/15 quem fiscalizava as fundações localizadas no DF? NÃO. A alteração não representou inovação jurídica. Mesmo antes da Lei 13.151/15 quem fiscalizava as fundações localizadas no DF já era o Ministério Público do Distrito Federal (e não o Ministério Público Federal). O § 1º do art. 66 do CC, em sua redação original, afirmava que as fundações localizadas no DF seriam fiscalizadas pelo MPF. Ocorre que isso não tinha nenhuma razão lógica, considerando que o DF possui autonomia política e administrativa em relação à União e quem é o responsável pela atuação no DF em temas “estaduais” é o Ministério Público do Distrito Federal (e não o MPF). Com base nisso, tão logo o CC foi aprovado, ainda em 2002, foi proposta uma ADI contra esse § 1º do art. 66. O STF julgou a ação procedente e declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 66 do CC, afirmando que a atribuição de fiscalizar as fundações privadas localizadas no DF é do MPDFT. O MPF possui a atribuição de velar pelas fundações federais, funcionem, ou não, no Distrito Federal ou nos eventuais Territórios. (STF. Plenário. ADI 2794, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 14/12/06). Desse modo, por isso, mesmo antes da alteração da Lei 13.151/15, por força de decisão do STF, a atribuição para fiscalizar as fundações privadas localizadas no DF já era do MPDFT.
##Questiona-se: E se a fundação abranger mais de um Estado/DF? Se ela funcionar em dois, três, quatro Estados/DF, quem fiscaliza? Se as atividades da fundação se estenderem por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo MP (§ 2º do art. 66). Ex: fundação “Leia Livros” atua em SP, RJ e DF. O MPSP irá fiscalizar as atividades dessa fundação em SP, o MPRJ no RJ e o MPDFT no DF.
Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: (STM-2013) (MPMA-2014) (MPGO-2013/2019) (MPSP-2019) (MPMT-2019)
I - seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação; (MPAM-2007) (MPSC-2016) (MPRS-2017) (MPMT-2019)
(MPAM-2015-FMP): Para que se possa alterar o estatuto de uma fundação, é necessário que a reforma seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação. BL: art. 67, I, CC.
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; (TJMG-2011) (MPSC-2016) (MPMT-2019)
##Atenção: De acordo com o Código Civil, uma fundação não pode alterar a finalidade pela qual foi constituída para outra prevista na legislação pertinente. Porém, é possível a alteração do estatuto da fundação, consoante dispõe o caput do art. 67, CC.
III – seja aprovada pelo órgão do Ministério Público no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias, findo o qual ou no caso de o Ministério Público a denegar, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. (Redação dada pela Lei nº 13.151, de 2015) (MPAM-2007) (MPPA-2014) (MPBA-2015) (MPPR-2011/2016) (MPSC-2016) (MPRS-2017) (MPMT-2019)
##Atenção: ALTERAÇÕES NO ESTATUTO DA FUNDAÇÃO: As fundações são regidas por um ESTATUTO, que é aprovado pelo MP e posteriormente registrado no cartório do Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Depois de registrado, esse estatuto só poderá ser alterado se cumpridas algumas formalidades: a) haja a deliberação de 2/3 das pessoas competentes para gerir e representar a fundação; b) a mudança não contrarie ou desvirtue a finalidade da fundação; c) o Ministério Público aprove essa mudança no prazo de 45 dias (se este negar, o juiz pode supri-la, a requerimento).
##Atenção: ##Resumo: A alteração do estatuto de uma fundação ocorre mediante:
1) deliberação de 2/3 das pessoas competentes
2) não contrarie os fins fundacionais
3) aprovação do MP, que é posterior em até 45 dias.
4) não havendo aprovação posterior do MP no prazo, juiz suprirá.
(MPPR-2012): A reforma do estatuto da fundação deve ser aprovada pelo órgão do MP; caso este a denegue, os interessados podem pedir suprimento judicial. BL: art. 67, III, CC.
(MPPB-2011): É necessária a aprovação pelo MP para a alteração do estatuto da fundação. BL: art. 67, III, CC.
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em dez dias. (MPCE-2008) (STM-2013)
(TJSC-2013): Quando eventual alteração em estatuto de fundação não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do MP, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em 10 dias. BL: art. 68, CC.
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. (MPAM-2007) (TJDFT-2012) (MPPA-2014) (MPBA-2015/2018) (MPGO-2013/2019) (MPMT-2019)
(MPPR-2012): Uma vez tornada inútil a finalidade de uma fundação, o Ministério Público ou qualquer interessado podem provocar sua extinção. BL: art. 69, CC.
TÍTULO III
Do Domicílio
(TJMG-2009): Quando fixado pela lei, o domicílio é um fato jurídico. Quando não fixado por lei, é um ato jurídico em sentido estrito, por expressar uma manifestação voluntária do sujeito, relativamente ao local onde estabelece sua residência com caráter definitivo.
OBS: Noato jurídico em sentido estrito o efeito da manifestação da vontade está predeterminado em lei, como ocorre, também, com a notificação.
Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. (TRT3-2007) (TJPR-2011) (Téc. Judic./STJ-2018) (Anal. Legisl./ALESE-2018)
JDC nº 408: Para efeitos de interpretação da expressão “domicílio” do art. 7º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, deve ser considerada, nas hipóteses de litígio internacional relativo a criança ou adolescente, a residência habitual destes, pois se trata de situação fática internacionalmente aceita e conhecida.
(Cartórios/TJMG-2018-Consulplan): O domicílio compõe-se de dois elementos: o elemento objetivo, que é o local onde a pessoa se fixa, e o subjetivo, consistente na vontade de permanecer com ânimo definitivo. BL: art. 70, CC.
OBS: Portanto, nos termos do art. 70 do CC, há dois elementos o domicílio, um objeto (residência) e outro, subjetivo (ânimo definitivo).
(PCMG-2018-FUMARC): Considere as seguintes afirmativas a respeito do domicílio da pessoa natural: Tem como regra geral o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. BL: art. 70, CC.
(TJPA-2012-CESPE): Para a lei, o elemento subjetivo mostra-se importante na definição do domicílio. BL: art. 70, CC.
OBS: O elemento subjetivo é um dos que compõe o conceito de domicílio civil. Trata-se do caráter psicológico de fixar-se de modo permanente em um local (ânimo definitivo).
(TJRS-2009): A pessoa natural tem por domicílio a residência com ânimo definitivo. BL: art. 70, CC.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas. (TRT3-2007) (TJRS-2009) (TJMG-2009) (DPEES-2009) (TJRN-2013) (Anal. Judic./TREBA-2017) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (Cartórios/TJMG-2018)
(Téc. Ministerial/MPPE-2018-FCC): Luísa possui residências, com ânimo definitivo, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nas quais alternadamente vive. Considerando-se que a residência de São Paulo é onde vive há mais tempo, a residência do Rio de Janeiro é onde passa a maior parte do ano e a residência de Belo Horizonte foi a estabelecida por ela mais recentemente, Luísa possui domicílio em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. BL: arts. 71, CC.
OBS: O local onde a pessoa se estabelece temporariamente, de forma provisória, é chamado de morada. A residência se caracteriza pelo intuito de permanência ou habitualidade. Já o domicílio pode ser o local onde a pessoa estabeleça sua residência definitiva ou onde exerça suas atividades profissionais. Tanto o domicílio quanto a residência exigem que algo vincule a pessoa ao imóvel, como contas ou outras obrigações. É possível ter vários domicílios e várias residências simultaneamente, assim como é possível que um mesmo local funcione como domicílio e residência ao mesmo tempo. Uma vez que Luísa possui residência com ânimo definitivo nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nas quais alternadamente vive, aplica-se a regra do art. 71 do Código Civil, considerando-se como seu domicílio qualquer uma das cidades.
(MPPR-2017): Se a pessoa natural tiver diversas residências, onde alternadamente viva, seu domicílio será qualquer delas. BL: art. 71, CC.
OBS: Diversas residências = domicílio plúrimo.
OBS: Diferenças entre Morada x Residência x Domicílio:
· MORADA é o lugar onde a pessoa natural se estabelece temporariamente, ou seja, de forma provisória;
· RESIDÊNCIA é o local em que a pessoa se estabelece permanentemente, ou, como assevera Pablo Stolze, “(...) lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente (...) pressupõe maior estabilidade (em relação a morada)”.
· DOMICÍLIO é aquele lugar onde o indivíduo se estabelece com ânimo definitivo, como também o local em que exerce seus negócios jurídicos, relativamente à atividade profissional.Parte superior do formulárioParte inferior do formulário
Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. (TRT3-2007) (TJRS-2009) (Anal. Judic./TRESP-2017) (Cartórios/TJMG-2018) (Anal. Legisl./ALESE-2018)
(PCMG-2018-FUMARC): Considere as seguintes afirmativas a respeito do domicílio da pessoa natural: Considera-se também como domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. BL: art. 72, CC.
(MPPR-2017): O domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, é o lugar onde esta é exercida. BL: art. 72 do CC.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. (PCMG-2018)
(PGERS-2015-Fundatec): Em relação ao domicílio: Exercendo profissões em locais diversos, cada um destes pode constituir domicílio para as relações que lhes corresponderem. BL: art. 72, § único, CC.
(TJMA-2013-CESPE): Caso um profissional que tenha negócios nas cidades A, B e C seja demandado judicialmente por fato ocorrido na cidade C e a demanda tenha relação com o exercício de sua profissão, essa cidade será considerada o domicílio do profissional para esse fim. BL: art. 72 e § único do CC.
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada. (MPPI-2012) (TJRN-2013) (MPMG-2014) (MPPR-2017) (Anal. Legisl./ALESE-2018)
(Cartórios/TJMG-2018-Consulplan): O domicílio do itinerante é o local onde for encontrado. BL: art. 73, CC.
(Anal. Judic./TRT6-2018-FCC): Pimpão é um palhaço de circo itinerante. Para efeitos legais, o domicílio de Pimpão é o lugar em que Pimpão for encontrado com o circo. BL: art. 73, CC.
(TJRS-2009): O domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, é o lugar aonde se encontre. BL: art. 73, CC.
OBS: O princípio da cogência do domicílio e da teoria do domicílio aparente ocasional ou presumido, não se admite a falta de domicílio, mesmo que sem residência, conforme art. 73 do CC/02.
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar. (PGERS-2015)
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem.
(PCMG-2018-FUMARC): Considere as seguintes afirmativas a respeito do domicílio da pessoa natural: Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com as circunstâncias que a acompanharem. BL: art. 74 e § único, CC.
Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
I - da União, o Distrito Federal;
II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
(TCEMG-2005-FCC): O município X, que possui dois distritos, e pertence à comarca Y, tem por domicílio o lugar onde funciona a administração municipal. BL: art. 75, III, CC.
IV - das demais pessoas jurídicas [das pessoas jurídicas de direito privado, inclusive], o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. (TJRN-2013)
(MPPR-2017): O domicílio das pessoas jurídicas de direito privado é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. BL: art. 75, IV do CC.
§ 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados [pluralidade de domicílios]. (PGERR-2006) (TJSE-2008) (Cartórios/TJMG-2012) (Anal. Judic./TREBA-2017)
Súmula 363-STF: A pessoa jurídica de direito privado pode ser demandadano domicílio da agência, ou estabelecimento, em que se praticou o ato.
(Espec. Regul. Transporte/ARTESP-2017-FCC): Suponha que determinada sociedade empresária cujo objeto social seja a execução de obras de infraestrutura rodoviária, possua sede na capital do Estado, onde funciona a respectiva diretoria, e exerça atividades em diferentes municípios do interior, cada qual com estabelecimento próprio. De acordo com o CC/02, considera-se domicílio da referida pessoa jurídica a sede e os estabelecimentos, estes para os atos neles praticados. BL: art. 75, §1º, CC.
(MPMG-2017): A lei civil admite a pluralidade de domicílio voluntário da pessoa jurídica que tiver estabelecimentos diversos em lugares diferentes. BL: art. 75, §1º, CC.
(PGESE-2005-FCC): Pessoa jurídica de direito privado com estabelecimento na cidade de Aracaju, onde se reúne a diretoria, e possuindo outros estabelecimentos em municípios de diversos Estados e em Brasília, tem por domicílio cada um dos estabelecimentos para os atos nele praticados. BL: art. 75, §1º, CC.
§ 2o Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
CPC/2015
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; (...)
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso. [MNEMÔNICO MANCHETE DE JORNAL: "SERVIDOR MARÍTIMO E MILITAR É PRESO POR INCAPAZ".] (TJRN-2013) (PGERS-2015) (TJAM-2016) (Téc. Judic./STJ-2018) (Cartórios/TJMG-2018) (Anal. Judic./TREPA-2020)
(Anal. Judic./TRERJ-2017-Consuplan): “Rogério nasceu em Petrópolis; viveu em Duque de Caxias até completar a maioridade; é servidor efetivo do Tribunal Regional Eleitoral, lotado na capital do Rio de Janeiro; e reside, atualmente, com sua família em Niterói.” Nos termos do Código Civil brasileiro, o domicílio de Rogério é: Rio de Janeiro, capital. BL: art. 76, CC/02.
(Anal. Judic./TRF5-2017-FCC): De acordo com o Código Civil, têm domicílio necessário, entre outros, o marítimo, o preso e o incapaz. BL: art. 76, CC/02.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença. (TJPR-2011) (PGERS-2015) (Anal. Judic./TREBA-2017) (Cartórios/TJMG-2018)
DOMICÍLIO NECESSÁRIO
Incapaz
Seu representante ou assistente.
Servidor Público
O lugar onde exerce permanentemente suas funções.
Militar
Onde servir.
Marinha/Aeronáutica
A sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado.
Marítimo
Onde o navio estiver matriculado.
Preso
O lugar em que cumpre a sentença.
(MPPR-2017): O domicílio do preso é o lugar onde ele cumpre a sentença. BL: art. 76, CC.
(Anal. Judic./TREPR-2017-FCC): João, com dezesseis anos de idade e não emancipado, filho de José e Maria, foi autorizado por seus pais, que são médicos e residiam na cidade de Campo Mourão, a morar com os avós maternos em Curitiba, a fim de matricular-se na escola de sua preferência. Chegando a Curitiba e já instalado, João alistou-se eleitor. No mesmo dia do embarque do filho, seus pais transferiram a residência definitivamente para Londrina, passando ambos a clinicar três dias da semana nessa cidade e a mãe, em dois dias alternados, também na cidade de Arapongas, enquanto o pai, também em dois dias alternados, na cidade de Cornélio Procópio, viajando e retornando a Londrina, no fim de cada dia de trabalho, naquelas cidades. Nesse caso, o domicílio de João é Londrina. BL: art. 76, § único, CC.
OBS: Se os pais do menor de idade moram em Londrina, este é o domicílio (necessário) do filho incapaz, nos termos do art. 76, § único, CC.
(TJRJ-2013-VUNESP): Conforme o Código Civil, tem domicílio necessário o preso, onde cumprir a sentença. BL: art. 76, § único, CC.
(TJSC-2010): O absolutamente incapaz tem por domicílio o de seu representante legal. O domicílio do preso é o do lugar em que cumprir a sua sentença. O denominado domicílio necessário é aquele determinado por lei em razão da condição ou situação de certas pessoas. BL: art. 76 e § único, CC.
Art. 77. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve. (TJPR-2011) (Anal. Judic./TRT1-2018)
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. (TJRN-2013) (Anal. Judic./TREBA-2017) (Cartórios/TJMG-2018)
(TJPR-2012-UFPR): Os contratos escritos podem conter cláusula que especifique o domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações resultantes do contrato. BL: art. 78 do CC.
LIVRO II
DOS BENS
TÍTULO ÚNICO
Das Diferentes Classes de Bens
CAPÍTULO I
Dos Bens Considerados em Si Mesmos
(TJSP-2009-VUNESP): Considerados em si mesmos, os bens podem ser móveis e imóveis.
OBS: Além dos bens móveis e imóveis (art. 82 e 84), a classificação ainda alcança os bens fungíveis e consumíveis (arts. 85 e 86), os bens divisíveis e indivisíveis (arts. 87 e 88) e os bens singulares e coletivos (art. 89 a 91 do CC).
Seção I
Dos Bens Imóveis
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. (TJPI-2007) (PGEAM-2010)
JDC nº 11: Não persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imóveis por acessão intelectual, não obstante a expressão “tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”, constante da parte final do art. 79 do Código Civil.
(PCPI-2018-NUCEPE): Marque a alternativa correta no que tange aos bens: delegacia são considerados bens imóveis por sua natureza. BL: art. 79, CC.
(DPEAL-2017-CESPE): Assinale a opção que apresenta exemplo de bem imóvel: maçã pendente de colheita. BL: art. 79 do CC.
OBS: "As árvores e frutos da terra enquanto não separados consideram-se imóveis, mas podem ser alienados para corte ou colheita e, nesses casos, classificam-se como móveis por antecipação." (CC/02 Comentado. Comentários ao art. 79. Autores: Cláudio Luiz Bueno de Godoy, Francisco Loureiro, Hamid Charaf Bedine Jr, José Roberto Neves Amorim, etc. Coord.: Cezar Peluso. Ed. Manole. 7ª rev. 2013).
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; (TJRS-2009) (PGEAC-2014) (MPRS-2017) (Cartórios/TJRO-2017)
OBS: O direito real de habitação é exemplo de bem imóvel. (DPERS-2018)
II - o direito à sucessão aberta. (MPAM-2007) (MPAL-2012) (TJPB-2015) (MPRS-2017) (Anal. Judic./TRF5-2017) (Cartórios/TJRO-2017) (TJBA-2019)
(PGEGO-2010): O direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel para os efeitos legais. BL: art. 80, II, CC.
(PGEAM-2010-FCC): São imóveis por definição legal o direito à sucessão aberta e os direitos reais sobre bens imóveis. BL: art. 80, I e II, CC.
(DPEES-2009-CESPE): Os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram, bem como o direito à sucessão aberta, são considerados bens imóveis para os efeitos legais, de acordo com o Código Civil. BL: art. 80, I e II, CC.
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; (DPECE-2008) (PGEAM-2010) (PGEAC-2014) (PCPI-2018) (TJBA-2019)
(Cartórios/TJMG-2018-Consulplan): Uma casa modular,que pode ser retirada de seus alicerces, para ser fixada em local diferente do original, sem perder sua natureza e finalidade é considerada bem imóvel. BL: art. 81, I, CC.
(Anal. Judic./TJMS-2017-PUCPR): As edificações que forem separadas do solo para remoção a outro local, mas conservem a sua unidade, não perdem o caráter de imóveis. BL: art. 81, I, CC.
OBS: O art. 81, I, do CC inclui entre as hipóteses de bens imóveis as edificações que, mesmo separadas do solo e puderem ser removidas para outro local, conservarem sua unidade.
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. (DPECE-2008) (PGEAM-2010) (MPMA-2013) (PGEAC-2014) (PCPI-2018) (MPBA-2018) (TJBA-2019)
(TJMG-2014): Consideram-se bens imóveis para os efeitos legais os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. BL: art. 81, II, CC.
(Anal. Judic.-TRF4-2004-FCC): Consideram-se, dentre outros, bens imóveis para os efeitos legais: telhas provisoriamente retiradas de um prédio para nele se reempregarem. BL: art. 81, II, CC.
Seção II
Dos Bens Móveis
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. (DPECE-2008)
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:
I - as energias que tenham valor econômico; (DPECE-2008) (PGEGO-2010) (TJRO-2011) (Anal. Jud./TRT11-2017) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (DPERS-2018)
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; (TJMG-2008) (DPECE-2008) (PGEGO-2010)
(PCMA-2018-CESPE): Determinado indivíduo tinha direito de usufruto de uma casa. Tal direito era transmissível a seus sucessores que com ele habitassem à época de sua morte. Além disso, ele era proprietário de um pequeno barco. Quando de seu falecimento, foi aberta a sucessão. De acordo com o Código Civil, os referidos bens — direito real de usufruto; direito real sobre o barco; direito à sucessão aberta — são classificados, respectivamente, como bens imóvel, móvel e imóvel. BL: art. 80, I; art. 83, II e art. 80, II, CC.
III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. (DPECE-2008)
(TJSC-2013): Segundo o Código Civil, consideram-se móveis para os efeitos legais apenas as energias que tenham valor econômico; os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; e os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. BL: art. 83, CC.
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. (DPECE-2008) (TJBA-2012) (PGEAC-2014)
OBS: Contraponto: art. 81, II, CC.
(TJBA-2019-CESPE): De acordo com o Código Civil, são bens móveis os materiais provenientes da demolição de um prédio. BL: art. 84, CC.
OBS: Está expresso no art. 84 do CC que os materiais provenientes de demolição de um prédio readquirem a qualidade de bens móveis.
(PGERS-2015-Fundatec): Readquirem a qualidade de bens móveis os provenientes da demolição de algum prédio. BL: art. 84, CC.
Seção III
Dos Bens Fungíveis e Consumíveis
Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. (Cartórios/TJRO-2017) (PCPI-2018) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (MPPI-2019)
(TJPB-2015-CESPE): A infungibilidade de um bem pode decorrer da manifestação de vontade da parte.
##Atenção: Pode acontecer de um bem, que por sua natureza seja fungível, tornar-se infungível por vontade das partes. Pode ser o exemplo de uma moeda, que é um bem fungível, mas que para um colecionador pode tornar-se infungível.
##Atenção: Bens fungíveis, nos termos do art. 85 do CC, são os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade, como por exemplo a água, dinheiro, etc. Os bens infungíveis, ao contrário dos fungíveis, não podem ser substituídos por outro em virtude de sua característica individual específica, podendo surgir da própria natureza da coisa ou da vontade das partes.
(TJPI-2007-CESPE): Os bens móveis fungíveis podem ser objeto dos contratos de mútuo, por serem passíveis de substituição por outro bem da mesma espécie, qualidade e quantidade, seja por vontade das partes ou por serem naturalmente fungíveis. BL: art. 85, CC.
##Atenção: A classificação dos bens em fungíveis e infungíveis tem, como uma das importâncias clássicas, a distinção entre mútuo, que só recai sobre bens fungíveis, e comodato, que tem por objeto bens infungíveis.
Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância [consuntibilidade física], sendo também considerados tais os destinados à alienação [consuntibilidade jurídica ou de direito]. (TJPR-2008) (MPPI-2019)
(PCPI-2018-NUCEPE): Marque a alternativa correta no que tange aos bens: Os veículos à venda em uma concessionária são considerados bens consumíveis. BL: art. 86, CC.
##Atenção: Bens consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação, conforme art. 86 do CC. Já os bens inconsumíveis podem ser usados de forma contínua e reiterados sem que isso importe na sua destruição imediata.
(MPMA-2014): São fungíveis os bens móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade; e consumíveis aqueles cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. BL: arts. 85 e 86, CC.
Seção IV
Dos Bens Divisíveis
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes. (Cartórios/TJRO-2017) (DPERS-2018) (MPPI-2019)
(Anal. Judic./TRT11-2017-FCC): A respeito dos bens, é correto afirmar que os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes. BL: art. 88, CC.
OBS: Vide art. 1320, §§ 1º e 2º do CC.
(PGERS-2015-Fundatec): Bens naturalmente divisíveis são aqueles passíveis de fracionamento, muito embora possam se tornar indivisíveis por vontade das partes. BL: arts. 87 e 88, CC.
(TRF5-2015-CESPE): No que se refere a bens, assinale a opção correta: A divisibilidade, ou não, de uma coisa, sob o aspecto jurídico, decorre de um critério utilitarista.
OBS: Segundo, Caio Mario Pereira (Instituições de Direito Civil, Vol. I), “do ponto de vista jurídico, a divisibilidade ou a indivisibilidade decorre de um critério utilitarista, qual seja, o da manutenção do valor econômico proporcional nas coisas divididas, bem como da identidade da substancia”.
Seção V
Dos Bens Singulares e Coletivos
Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais.
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária. (PGEGO-2010) (MPPB-2010) (Anal. Jud./TRT11-2017)
JDC nº 288: A pertinência subjetiva não constitui requisito imprescindível para a configuração das universalidades de fato e de direito.
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
(TJDFT-2012): Os bens que formam a universalidade de fato podem ser objeto de relações jurídicas próprias. BL: art. 90, § único do CC.
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico. (MPPB-2010) (Anal. Judic./TJMS-2017) (Anal. Jud./TRT11-2017)
JDC nº 288: A pertinência subjetiva não constitui requisito imprescindível para a configuração das universalidades de fato e de direito.
(PGERS-2015-Fundatec): Trata-se de universalidade de direito o complexo das relações jurídicas dotadas de valor econômico. BL: art. 91, CC.
CAPÍTULO II
Dos Bens ReciprocamenteConsiderados
Art. 92. Principal [ou independente] é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório [ou dependente], aquele cuja existência supõe a do principal.
(TJAM-2016-CESPE): Pelo princípio da gravitação jurídica, a propriedade dos bens acessórios segue a sorte do bem principal, podendo, entretanto, haver disposição em contrário pela vontade da lei ou das partes. BL: art. 92, parte final, CC.
(TJMG-2009): Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal (art. 92 do CC/02). A lei estabelece um vínculo entre o bem principal e o acessório. Relativamente a este último, o bem acessório, é correto afirmar que: “A relação de acessoriedade existe entre coisas e direitos”. BL: art. 92, CC.
OBS: A relação entre principal e acessório não se esgota em matéria de bens, alcançando direitos.
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. (TRT2-2011) (TJAM-2013) (DPU-2015) (TRF5-2015) (PGERS-2015) (PCPI-2018)
JDC nº 288: Para a existência da pertença, o art. 93 do Código Civil não exige elemento subjetivo como requisito para o ato de destinação.
(DPERS-2018-FCC): Sobre os bens, é correto afirmar: Segundo o STJ, os aparelhos de adaptação para direção por deficiente físico são pertenças. BL: Info 594, STJ.
OBS: Teor do julgado do STJ: “Havendo adaptação de veículo, em momento posterior à celebração do pacto fiduciário, com aparelhos para direção por deficiente físico, o devedor fiduciante tem direito a retirá-los quando houver o descumprimento do pacto e a consequente busca e apreensão do bem. Os equipamentos que permitem a condução do veículo por pessoa com deficiência física, se instalados em automóvel, são considerados bens acessórios do carro, mas não seguem a sorte do principal porque são classificados como pertenças, uma espécie peculiar de bens acessórios que, em regra, não seguem a sorte do principal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.305.183-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 18/10/16 (Info 594).”
(TJCE-2012-CESPE): Caso uma pessoa adquira um trator para melhor explorar sua propriedade rural, esse bem, de acordo com o CC/02, caracteriza-se como pertença. BL: art. 93, CC.
OBS: Desse modo, um trator ou qualquer máquina agrícola de uma propriedade rural é considerada pertença, pois utilizado na exploração da terra.
(TJMS-2010-FCC): As pertenças são bens acessórios que se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. BL: art. 93 do CC/02.
Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. (TJMG-2005) (DPU-2015) (TRF5-2015) (PGERS-2015)
(MPMS-2018): Quanto aos bens reciprocamente considerados, podemos afirmar que a pertença é um acessório sobre o qual não incide o princípio da gravitação jurídica. BL: art. 94 do CC.
OBS: Pertenças são bens não integrantes do principal que se destinam, de modo duradouro, ao uso do bem principal. Ocorre que as pertenças, se não inclusas no negócio jurídico, não são por ele abrangidos (art. 94, CC) – daí ser correta a afirmação de não ser aplicável o princípio da gravitação jurídica.
(DPEES-2009-CESPE): As pertenças não seguem necessariamente a lei geral de gravitação jurídica, por meio da qual o acessório sempre seguirá a sorte do principal. Por isso, se uma propriedade rural for vendida, desde que não haja cláusula que aponte em sentido contrário, o vendedor não estará obrigado a entregar máquinas, tratores e equipamentos agrícolas nela utilizados. BL: art. 94, CC.
(AGU-2007-CESPE): Em regra, os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças. BL: art. 94, CC.
Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. (TJRR-2015) (TCEPA-2016) (TJAM-2016) (Anal. Judic./TJMS-2017) (MPPI-2019)
(PGESE-2017-CESPE): De acordo com a classificação doutrinária dos bens, o valor pago a título de aluguel ao proprietário de um imóvel é denominado fruto.
##Atenção: Os frutos, os produtos e as benfeitorias são exemplos de bens acessórios. Frutos são bens acessórios que têm sua origem no bem principal, mantendo a integridade desse último, sem a diminuição da sua substância ou quantidade. Os frutos, quanto à origem, podem ser assim classificados:
· Frutos naturais – São aqueles decorrentes da essência da coisa principal, isto é, decorrem da própria força orgânica da coisa, como as frutas produzidas por uma árvore ou os ovos de uma galinha.
· Frutos industriais – São aqueles decorrentes de uma atividade humana, ou seja, vinculam-se à força humana, caso de um material produzido por uma fábrica.
· Frutos civis – São aqueles decorrentes de uma relação jurídica ou econômica, de natureza privada, também denominados rendimentos. É o caso dos valores decorrentes do aluguel de um imóvel, de juros de capital, de dividendos de ações.
(TCESC-2016-CESPE): O valor decorrente do aluguel de determinado imóvel é considerado bem acessório. BL: art. 95, CC.
(TJSC-2009): Ainda que não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. BL: art. 95, CC.
(TJPI-2007-CESPE): Os frutos e os produtos são considerados bens acessórios, que advêm do bem principal. A percepção dos frutos não causa a destruição da coisa principal, mas a percepção ou extração dos produtos diminui a existência e a substância do bem principal. As pertenças também são bens acessórios, sendo que elas não são partes integrantes do bem principal, mas o embelezam ou lhe são úteis. BL: arts. 93 e 95, CC.
OBS: Na grande classe dos bens acessórios compreendem-se os produtos e os frutos. Produtos são utilidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade, porque não se reproduzem periodicamente, como as pedras e os metais, que se extraem das pedreiras e das minas. Frutos são utilidades que uma coisa periodicamente produz. Nascem e renascem da coisa, sem acarretar-lhe a destruição no todo ou em parte, como o café, os cereais, os frutos das árvores. O CC também incluiu, no rol dos bens acessórios, as pertenças, previstas no art. 93 do CC, que assim dispõe: “São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao, uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro".
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. (TJSC-2010) (MPMA-2014)
§ 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. (TJSC-2010)
(TJSC-2009): Úteis são as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem. BL: art. 96, §2º, CC.
§ 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. (TJSC-2010) (MPDFT-2015)
Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. (TJPR-2012) (Anal. Judic./TJMS-2017)
CAPÍTULO III
Dos Bens Públicos
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. (TJPI-2007) (TJAP-2008) (PGEGO-2010) (TJCE-2014) (TRF1-2015) (TRF5-2015) (TCEPA-2016) (PGESC-2018)
JDC nº 287: O critério da classificação de bens indicado no art. 98 do Código Civil não exaure a enumeração dos bens públicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente a pessoa jurídica de direito privado que esteja afetado à prestação de serviços públicos
(TJSC-2015-FCC): Pela perspectiva tão somente das definições constantes do direito positivo brasileiro, consideram-se “bens públicos” os pertencentes a uma associação pública, mas não os pertencentes a uma empresa pública. BL: art. 98, CC.
##Atenção:Há divergência sobre a definição do que vem a ser bem público. A teoria mais adotada em provas objetivas é a exclusivista, capitaneada por José dos Santos Carvalho Filho. Para tal doutrina, são públicos os bens pertencentes a pessoas jurídicas de direito público interno. Os demais bens são particulares. Nesse sentido, art. 98 do CC. As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado e, pela corrente exclusivista, seus bens não são públicos.
Art. 99. São bens públicos:
(MPMG-2012): No Código Civil, lei de caráter eminentemente privatista, radica o conceito jurídico de bens públicos (natureza subjetiva), bem como a classificação dos bens de acordo com a respectiva destinação. BL: arts. 98 e 99, CC.
##Atenção: A definição de bens públicos é encontrada no CC/02, em seu art. 98. A partir da definição pelo referido dispositivo, José dos Santos Carvalho Filho refere que são bens públicos tanto aqueles pertencentes à União Federal, Estados e municípios, como aqueles pertencentes a autarquias, fundações de direito público e associações públicas. Já os bens pertencentes às empresas públicas e sociedades de economia mista são compreendidos como privados, inclusive em decorrência da previsão constitucional de que as atividades dessas entidades regem-se, quanto ao direito civil e comercial, pelas mesmas regras aplicáveis às empresas privadas. Quanto à destinação, apresenta-se clássica a divisão dos bens públicos quanto a (i) bens de uso comum do povo; (ii) bens de uso especial; e (iii) bens dominicais, expressamente prevista no art. 99 do CC/02.
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; (TJAP-2008) (MPSC-2012) (TJAM-2013/2016) (TJAM-2016) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (PGESC-2018)
(Téc. Judic./TJAL-2018-FGV): Determinada sociedade empresarial recebeu autorização do Poder Executivo municipal para manter uma praça pública, onde poderia, inclusive, divulgar publicidade de sua marca. Diante dessa situação, afirma-se que a praça é um bem público de uso comum. BL: art. 99, I, CC.
(MPDFT-2015): As estradas são bens públicos de uso comum do povo e são inalienáveis enquanto conservarem essa qualificação. BL: art. 99, I e art. 100, CC.
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; (MPAM-2007) (TJAP-2008) (MPRO-2008) (TJPB-2011) (MPSC-2012) (TJRR-2015) (TJAM-2013/2016) (PCPI-2018) (PGESC-2018)
(MPMT-2019-FCC): Mares e rios, terrenos e edifícios destinados aos serviços da Administração pública são exemplos de bens públicos, respectivamente, de uso comum do povo e de uso especial. BL: art. 99, I e II, CC. (adm.)
(TJAM-2016-CESPE): Os bens de uso especial do Estado são as coisas, móveis ou imóveis, corpóreas ou não, que a administração utiliza para a realização de suas atividades e finalidades. BL: art. 99, I, CC.
(TJSP-2014-VUNESP): Os edifícios em que se encontram sediados o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, na Praça da Sé, e o Fórum João Mendes Júnior, na Praça João Mendes, podem ser qualificados, dentro do tema dos bens públicos, como bens de uso especial, pertencentes à Fazenda do Estado, afetados ao uso do Poder Judiciário. BL: art. 99, II, CC.
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. (TJAP-2008) (MPPR-2008) (MPSP-2010) (TJPB-2011) (TJAM-2016) (TCEPA-2016) (PGESC-2018)
(MPMG-2018): Os bens públicos, quanto à sua destinação, podem ser classificados como de uso comum do povo, de uso especial e bens dominicais. BL: art. 99, I a III, CC (administrativo)
(TJMG-2014): Na classificação dos bens públicos, distinguem-se os bens de uso comum do povo e os bens dominicais. Assinale a alternativa que destaca a DIFERENÇA entre os bens de uso comum do povo e os bens dominicais: A diferença está no fato de que os bens de uso comum se destinam à utilização da coletividade e da própria administração pública, enquanto que os dominicais são bens sem qualquer destinação específica, não integrando a classe dos primeiros, nem à dos bens de uso especial. BL: art. 99, I e III, CC. (adm.)
(TJRS-2009): Os bens públicos dominicais constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal ou real. BL: art. 99, III, CC.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. (MPPR-2008) (PGEGO-2010)
(TJSC-2013): Consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado, salvo se a lei dispuser em contrário. BL: art. 99, § único, CC.
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. (TJPI-2007) (TRF4-2010) (TJPB-2011) (TJMG-2012) (MPMA-2014) (TRF1-2015) (MPPR-2008/2016) (TJRS-2016) (PGESC-2018)
(DPEBA-2016-FCC): Segundo o CC/02, os bens públicos são inalienáveis, os bens públicos de uso comum do povo na forma que a lei determinar. BL: art. 100, CC.
(TJPI-2015-FCC): Nos termos do CC/02, é consequência do caráter de “uso comum do povo” de um bem público, por contraste com os bens dominicais, a impossibilidade de alienação. BL: art. 100, CC.
(TJRR-2015-FCC): NÃO podem ser objeto de alienação os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial, enquanto conservarem legalmente essa qualificação. BL: art. 100 do CC.
(MPDFT-2015): As estradas são bens públicos de uso comum do povo e são inalienáveis enquanto conservarem essa qualificação. BL: art. 99, I e art. 100, CC.
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. (MPAM-2007) (TRF4-2010) (TJPB-2011) (TJPR-2012) (TJAM-2013) (TJRR-2015) (TRF5-2015) (MPPR-2016) (TJRS-2016) (PGESC-2018)
(MPMG-2018): Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais. BL: art. 101, CC. (administrativo)
(DPEBA-2016-FCC): Segundo o CC/02, os bens públicos são alienáveis, os bens dominicais, observadas as determinações legais. BL: art. 101, CC.
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. (TJRS-2009) (TJGO-2009) (MPDFT-2009) (MPSP-2010) (TRF4-2010) (TJPB-2011) (TJPR-2012) (TJAM-2013) (TJAP-2014) (PGM-Campinas/SP-2016)
Súmula 340-STF: Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.
(TJAL-2015-FCC): No ano de 1963, o STF adotou, em sua Súmula, o seguinte enunciado, sob o n° 340: “Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião”. Independentemente de eventual opinião doutrinária minoritária em sentido contrário, tal conclusão, atualmente, resta compatível com o direito vigente, eis que a CF/88 prevê a não sujeição à usucapião dos bens públicos imóveis, e o CC/02 prevê a mesma não sujeição quanto aos bens públicos em geral, sem excepcionar os dominicais. BL: art. 102, CC e arts. 183, §3º e 191, CF/88.
##Atenção: Ainda como garantia decorrente dos privilégios estatais, seus bens não se sujeitam a usucapião, gozando da prerrogativa de imprescritibilidade. Essa norma está estampada no art. 102 do CC, que estabelece genericamente que os bens públicos não se sujeitam à usucapião e também no art. 200, do Decreto lei 9.760/46, que trata da imprescritibilidade de bens imóveis. Ainda nesses termos, o art. 183, §3° e art. 191, § único, CF/88 define que "Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião”.
(MPDFT-2015): Os bens dominicais não podem ser adquiridos por usucapião, embora possam ser alienados. BL: arts. 101 e 102, CC.
(TJMS-2015-VUNESP): Os bens públicos dominicais não estão sujeitos à prescrição aquisitiva. BL: art. 102 do CC; S. 340, STF; arts. 183 e 191 da CF/88.
(PGERR-2006-FCC):NÃO podem ser adquiridos por usucapião os bens pertencentes às associações públicas. BL: arts. 98 e 102 c/c art. 41, IV, CC.
##Atenção: Os bens pertencentes às associações não podem ser objeto de usucapião por se tratarem de bens públicos, já que pertencem a uma pessoa jurídica de direito público interno.
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. (TRF4-2010) (TJPI-2012) (TJCE-2012) (TJAM-2013) (TJPB-2015) (TJRS-2016) (Anal. Minist./MPPI-2018) (PGESC-2018)
(MPMG-2018): O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencem. BL: art. 103, CC.
##Atenção: Quanto aos bens de uso geral ou comum do povo (art. 99, I, CC), afirma Flávio Tartuce que “os bens de uso geral do povo não perdem a característica de uso comum se o Estado regulamentar sua utilização de maneira onerosa”. (Manual de direito civil : volume único / Flávio Tartuce. – 8. ed. rev, atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2018). Por isso, a cobrança de valores por sua utilização não caracteriza violação ao interesse social.
(MPDFT-2015): A cobrança pelo uso de estacionamentos nas ruas das cidades (rotativos) é exemplo de uso oneroso de bem público. BL: art. 103, CC.
(TJDFT-2008): Pode ser cobrada retribuição pelo uso de bens públicos do povo, conforme estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. BL: art. 103, CC.
LIVRO III
Dos Fatos Jurídicos
(TJMG-2009): Fatos jurídicos são acontecimentos que produzem efeitos jurídicos, causando o nascimento, a modificação ou a extinção de relações jurídicas e de seus direitos. Ora constituem-se como simples manifestação da natureza, ora podem configurar-se como manifestação da vontade humana. Neste último caso são chamados de atos jurídicos em sentido estrito, os quais consistem em simples declarações de vontade que produzem efeitos estabelecidos em lei, isto é, sem ingerência da autonomia das partes.
TÍTULO I
Do Negócio Jurídico
CAPÍTULO I
Disposições Gerais
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: (MPBA-2018)
I - agente capaz; (MPRO-2008) (Cartórios/TJMG-2018)
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei. (Cartórios/TJMG-2018)
(MPBA-2015): A validade do negócio jurídico requer agente capaz, objeto lícito, possível e determinado ou determinável, além de forma prescrita ou não defesa em lei. BL: art. 104, CC.
(TJMS-2010-FCC): Toda relação jurídica contratual possui, além das partes e do consensualismo, um objeto. BL: art. 104, CC.
##Atenção: Portanto, os elementos do contrato são o consensualismo, que é o acordo de vontades, as partes e o objeto.
Art. 105. A incapacidade relativa de uma das partes não pode ser invocada pela outra em benefício próprio, nem aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, neste caso, for indivisível o objeto do direito ou da obrigação comum. (TJAL-2008) (TJRS-2009) (MPPB-2011) (MPSC-2016) (MPSP-2017) (MPMG-2017)
Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado. (MPSP-2017)
(TJAL-2019-FCC): De acordo com o Código Civil, o negócio cujo objeto, ao tempo da celebração, é impossível terá validade se a impossibilidade inicial do objeto cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado. BL: art. 106, CC.
(TJDFT-2008): A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa. BL: art. 106, CC.
Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. (TJRS-2009) (MPGO-2012) (MPMA-2014) (MPSP-2017)
Vide arts. 183 e 212 do CC:
Art. 183. A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio. (...)
Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante:
I - confissão;
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunção;
V - perícia.
(Cartórios/TJMG-2018-Consulplan): Nos termos do Código Civil em vigência, a validade dos negócios jurídicos independe, via de regra, de sua forma.. BL: art. 107, CC.
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. (TJRS-2009) (MPT-2012) (MPSP-2017) (TJCE-2018) (DPEAP-2018)
##Atenção: ##DOD: ##STJ: A compra e venda de bens IMÓVEIS pode ser feita por meio de contrato particular ou é necessária escritura pública?
• Em regra: é necessária escritura pública (art. 108 do CC).
• Exceção: a compra e venda pode ser feita por contrato particular (ou seja, sem escritura pública) se o valor do bem imóvel alienado for inferior a 30 salários-mínimos.
Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor calculado pelo Fisco?
O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em preço do negócio). Assim, havendo disparidade entre ambos, é o valor do imóvel calculado pelo Fisco que deve ser levado em conta para verificar se será necessária ou não a elaboração da escritura pública. A avaliação feita pela Fazenda Pública para fins de apuração do valor venal do imóvel é baseada em critérios objetivos, previstos em lei, os quais admitem aos interessados o conhecimento das circunstâncias consideradas na formação do quantum atribuído ao bem. Logo, trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência de fraudes. Logo, está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF. STJ. 4ª T. REsp 1.099.480-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, j. 2/12/2014 (Info 562).
(TJAC-2019-VUNESP): Assinale a alternativa correta sobre os defeitos e validade dos negócios jurídicos: É válido o negócio jurídico de compra e venda de bem imóvel (de valor superior a trinta vezes o maior salário-mínimo vigente no país), com pacto de alienação fiduciária em garantia, realizado por meio de instrumento particular. BL: art. 108, CC e art. 38, Lei 9514/97.
##Atenção: Em que pese a redação do art. 108 do CC, cumpre ressaltar que o art. 38 da Lei 9.514/97, que trata de alienação fiduciária em garantia de bem imóvel, não exige a escritura pública: “Os atos e contratos referidos nesta Lei ou resultantes da sua aplicação, mesmo aqueles que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis, poderão ser celebrados por escritura pública ou por instrumento particular com efeitos de escritura pública".
(MPPI-2019-CESPE): A respeito da classificação dos bens, é correto afirmar que a aquisição de bens móveis se dá por simples tradição, enquanto a de bens imóveis exige escritura pública e registro em cartório, com exceção daqueles cujo valor atinja até trinta vezes o maior salário mínimo do país. BL: art. 108, 1226 e 1267, CC.
##Atenção: Quanto aos bens imóveis, o art. 108 do CC refere que a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos relativos a bens imóveis. Já o art. 1.267 dispõe que, antes da tradição não existe propriedade, isto é, a tradição é o que transfere a propriedade para outrem. Por fim, o art. 1226 do CC afirma que “os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição”.
Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato. (TJAL-2008) (MPBA-2015)
(TJDFT-2008): Em negócio jurídico celebrado, as partes podem avençar cláusula de não valer sem instrumento público, passando este a ser considerado como da substância do ato. BL: art. 109, CC.
##Atenção: Quando a lei exigir uma forma mais branda (instrumento privado, por exemplo), as partes podem acordar umaforma mais "rígida" (instrumento público) para o negócio jurídico - que DEVERÁ ser obedecida, será da substância do ato.
Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. (TJPI-2007/2012) (TJPR-2012) (DPEAM-2013) (MPPR-2011/2016) (TJMT-2018) (TJBA-2012/2019)
(TRF4-2009): Assinalar a alternativa correta no que concerne ao negócio jurídico: Na hipótese de reserva mental, não há invalidação do negócio jurídico. BL: art. 110, CC.
##Atenção: Cristiano Chaves explica que a reserva mental "é aquilo que não se declara, existindo apenas na mente de quem celebra um negócio jurídico. Trata-se, portanto, de uma reserva silenciosa e oculta". (Manual de Direito Civil, 2019. p. 535). A doutrina civilista esclarece que a reserva mental é “a emissão intencional de uma declaração não querida em seu conteúdo” (ALVES, Jones F.; DELGADO, Mario L. CC Anotado. 2005. p. 82) – como, ademais, se depreende do art. 110 do CC. Todavia, ao contrário da simulação, não se pretende dissimular ou simular; o negócio jurídico efetivado celebra os efeitos pretendidos pelo declarante, que pretende deles se beneficiar de alguma forma, e assim planeja mentalmente. Daí a primeira norma contida no art. 110 do CC: se a vontade velada não for conhecida do outro contratante, não há que se falar em invalidade; as vontades foram livres e o negócio jurídico não é viciado. No entanto, se a contraparte estiver ciente da reserva mental feita pelo declarante, o negócio deverá ser considerado nulo (ou anulável, para parte da doutrina), porque se equipararia a uma simulação.
Art. 111. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. (TJPI-2007) (TJRS-2009) (TJBA-2012) (MPT-2012) (MPRO-2013) (MPDFT-2015) (Cartórios/TJMG-2018)
(Cartórios/TJSP-2018-VUNESP): O silêncio circunstanciado pode produzir efeitos jurídicos. BL: art. 111, CC.
(TJPE-2011-FCC): Na interpretação do silêncio, como manifestação de vontade, importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. BL: art. 111, CC.
Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. (TJRS-2009) (TRF4-2012) (MPT-2012) (MPSC-2013) (MPSP-2017)
JDC nº 421: Os contratos coligados devem ser interpretados segundo os critérios hermenêuticos do Código Civil, em especial os dos arts. 112 e 113, considerada a sua conexão funcional.
(MPRO-2013-CESPE): De acordo com a teoria da confiança, nas declarações de vontade, importa a vontade real, e não a vontade declarada. BL: art. 112, CC.
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. (Cartórios/TJMG-2018)
JDC nº 409: Os negócios jurídicos devem ser interpretados não só conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração, mas também de acordo com as práticas habitualmente adotadas entre as partes.
(TJPB-2015-CESPE): A boa-fé objetiva limita os direitos subjetivos e constitui fonte de obrigação aos contratantes, de forma a estabelecer deveres implícitos que não estão previstos expressamente no contrato. BL: art. 113, CC.
§ 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
III - corresponder à boa-fé; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
(MPGO-2019): Considerando as disposições do CC/02 sobre os fatos jurídicos, assinale a alternativa correta: A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável. BL: art. 113, §1º, IV, CC.
V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no momento de sua celebração. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
(MPGO-2019): Considerando as disposições do CC/02 sobre os fatos jurídicos, assinale a alternativa correta: As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei. BL: art. 113, §2º, CC.
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. (TJDFT-2008) (MPPB-2011) (TJPB-2013)
(MPRS-2017): Os contratos de transação e doação somente admitem interpretação restritiva. BL: arts. 114, 538 e 843, CC.
CAPÍTULO II
Da Representação
Art. 115. Os poderes de representação conferem-se por lei ou pelo interessado. (PCPR-2007) (MPRO-2010) (PCGO-2013) (Cartórios/TJMS-2014)
(Anal. Minist./MPPI-2012-CESPE): Sabendo-se que a representação nasce da lei ou do negócio jurídico, é correto afirmar que, na representação legal, o representante exerce uma atividade obrigatória e personalíssima. BL: art. 115, CC.
##Atenção: Está correta, porque a representação legal é a fixada por lei, ou seja, é obrigatória. Por outro lado, a atividade personalíssima decorre de qualidades pessoais do representante.
Art. 116. A manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado. (TJPA-2012)
(TCEPA-2016-CESPE): Denomina-se representação a relação jurídica em que uma pessoa se obriga perante terceiro por meio de ato praticado em seu nome por representante, cujos poderes são conferidos por lei ou por mandato. BL: arts. 115 e 116, CC.
##Atenção: A representação refere-se a uma manifestação de vontade em que uma pessoa atua em nome de outra nos limites dos poderes por essa conferidos ou decorrentes de lei e que produzem efeitos. Existem três espécies de representantes: a) representante legal, a quem a lei confere poderes para administrar bens e interesses alheios (tutor que administra os bens do tutelado); b) representante judicial, nomeado pelo juiz (administrador judicial na falência); e c) representante convencional, que decorre da vontade das partes, por meio de mandato expresso ou tácito, verbal ou escrito, tratado no art. 653 e seguintes do CC.
Art. 117. Salvo se o permitir a lei ou o representado, é anulável o negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar consigo mesmo. (MPRO-2010/2013) (TJPB-2013) (Cartórios/TJRS-2013) (TJRS-2016) (MPSC-2019)
(Cartórios/TJPA-2016-IESES): Com relação à representação, assinale a opção correta: Os poderes de representação podem ser conferidos pelo interessado ou pela lei. BL: art. 117, CC.
(PCGO-2013-UEG): Considerando-se a Teoria da Representação e da manifestação da vontade, o Código Civil dispõe que o mandato em causa própria, ou mandato in rem propriam, é lícito desde que o mandante outorgue poderes para o mandatário, constando a autorização para que o último realize o negócio jurídico consigo mesmo. BL: art. 117, CC.
Parágrafo único. Para esse efeito, tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido subestabelecidos. (TJRS-2016) (Cartórios/TJPA-2016)
Art. 118. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederem. (MPTO-2012) (MPT-2012)
Art. 119. É anulávelo negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. (MPRO-2010) (Cartórios/TJSP-2011) (TRF4-2012) (TRT24-2012) (Cartórios/TJRS-2013) (MPMA-2014) (MPSC-2016) (Cartórios/TJPA-2016) (MPGO-2019)
##Atenção: Ao ler o art. 119 do CC, constata-se que há a necessidade do conhecimento, pelo terceiro beneficiado, do conflito de interesses entre representado e representante. Com isso, o legislador protege a boa-fé, não admitindo que ele o terceiro seja prejudicado pelo ato danoso do representante, de maneira que restará ao representado se valer do art. 118 do CC, para que seja ressarcido dos danos eventualmente sofridos.
Parágrafo único. É de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade, o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo. (TJRS-2009) (STM-2013) (Cartórios/TJRS-2013) (MPSC-2016)
##Atenção: O prazo decadencial para ingresso da ação anulatória de negócio jurídico realizado por representante em conflito de interesses com o representado, é de cento e oitenta dias, a contar da cessação da incapacidade ou da conclusão do negócio. É necessário comprovar o conhecimento desse fato por parte daquele que negociou com o representante.
Art. 120. Os requisitos e os efeitos da representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas; os da representação voluntária são os da Parte Especial deste Código. (PCGO-2013)
CAPÍTULO III
Da Condição, do Termo e do Encargo
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes [= voluntariedade], subordina o efeito[footnoteRef:5] do negócio jurídico a evento futuro e incerto. (MPSP-2006) (PGEES-2008) (TJAP-2009) (MPTO-2012) (TJSP-2014) (Anal. Legisl./Câm. Deputados-2014) (Cartórios/TJMA-2016) (Cartórios/TJPA-2016) [5: A doutrina sugere que o termo adequado seria “eficácia”.]
(TJCE-2018-CESPE): Elemento acidental do negócio jurídico, a condição possui, entre outras, as seguintes características: acessoriedade e voluntariedade. BL: art. 121, CC.
##Atenção: São elementos acidentais do negócio jurídico o termo, o encargo e a condição. Assim, não se trata a condição de elemento essencial do negócio jurídico, mas sim acidental, de onde deriva sua caraterística de acessoriedade. No tocante à "ACESSORIEDADE", vale dizer, segundo as lições de Carlos Roberto Gonçalves, a condição não é necessária à essência do negócio jurídico, mas uma vez convencionada, passa a integrar o negócio jurídico de maneira indissociável. Além disso, verifica-se, assim, que a condição não é impositiva (cogente), posto que deriva da vontade das partes, não sendo cláusula aplicável ex lege. Portanto, verifica-se que a voluntariedade também é característica da condição.
##Atenção: Segundo Daniel Carnacchioni, “(...) a condição deriva, exclusivamente, da vontade das partes, isto é, a condição é, por natureza convencional, estando inserida no âmbito da autonomia privada, portanto, no poder das partes de regularem os seus próprios interesses. Nesse poder está a prerrogativa de impor restrições ao negócio jurídico, limitando os efeitos da vontade ou a eficácia do mesmo, a um evento futuro e incerto. A condição é o evento futuro e incerto de que depende a eficácia do negócio jurídico. Após a “condição” ser inserida no negócio jurídico, passa a ser elemento constitutivo do mesmo e, como tal, deve ser respeitada, pois os efeitos jurídicos passam a subordinar a essa condição”. (Manual de Direito Civil, 2017, p. 359).
Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. (DPEDF-2006) (TJSP-2011) (MPDFT-2011) (PGERS-2011) (TJDFT-2016)
Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos [obs.: nulidade absoluta] que lhes são subordinados: (TJMT-2014)
I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; (TJDFT-2008) (MPRO-2008) (TJRS-2009) (PGERS-2011) (Cartórios/TJSP-2011) (MPRJ-2012) (MPTO-2012) (Cartórios/TJRS-2015)
(PCMA-2018-CESPE): Em geral, todas as condições do negócio jurídico que não sejam contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes são lícitas. Entretanto, condição física ou juridicamente impossível imposta por uma das partes do negócio à outra uma invalidará o negócio jurídico, caso seja suspensiva. BL: arts. 122 e 123, I do CC.
##Atenção: Dica:
- CONDIÇÃO SUSPENSIVA - quando for física ou juridicamente impossível - Invalida o Negócio
- CONDIÇÃO RESOLUTIVA - quando for física ou juridicamente impossível e a de não fazer coisa impossível - É considerada inexistente.
(TJMT-2014-FMP): A condição é elemento acidental do negócio jurídico e, não obstante isso, sendo suspensiva, invalidará o ato se for originariamente impossível, uma vez que o priva de todo o efeito. BL: arts. 122 e 123, I do CC.
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; (PGERS-2011) (MPRJ-2012) (Cartórios/TJRO-2013)
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias. (TJRS-2009) (TJSP-2011)
##Atenção: Dica:
- CONDIÇÃO SUSPENSIVA E A RESOLUTIVA - Se forem ilícitas, ou de fazer coisa ilícita, ou então incompreensíveis ou contraditórias - Invalidam o negócio.
(TJPE-2013-FCC): Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados as condições incompreensíveis ou contraditórias. BL: art. 123, III do CC.
(PGERS-2011-FUNDATEC): Quanto à condição, pode-se afirmar que: É invalidante do próprio negócio jurídico se incompreensível ou contraditória. BL: art. 123, III do CC.
Art. 124. Têm-se por inexistentes [obs.: não escritas] as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. (TJDFT-2008) (PGERS-2011) (Cartórios/TJSP-2011) (MPRJ-2012) (MPTO-2012) (Cartórios/TJRO-2013) (Cartórios/TJRS-2015) (Cartórios/TJMG-2015) (PCMA-2018)
(TJPB-2013-CESPE): As condições de fazer coisas impossíveis, quando resolutivas, são inexistentes. BL: art. 124, CC.
(TJRS-2009): São tidas por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. BL: art. 124, CC.
##Atenção: Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível, mas invalidam o negócio jurídico que lhe são subordinado as condições físicas ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas (art. 123, I e 124 do CC). Assim, a impossibilidade da condição tem tratamento diverso em um e outro caso; torna inexistente a cláusula na condição resolutiva e invalida na suspensiva.
##Atenção: Dica: A estipulação de condição fisicamente impossível possui dois efeitos no negócio jurídico:
1. É inválido se a condição for suspensiva (art. 123, I, CC).
2. É inexistente se a condição for resolutiva (art. 124, CC).
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. (MPF-2005) (PGEES-2008) (MPPR-2008) (TJRS-2009) (TJSC-2009) (MPMG-2010) (TJCE-2012) (TJSP-2015) (MPMT-2019)
(Auditor Contr. Interno/CCE-CE-2019-CESPE): Um produtor agrícola e uma companhia que produz derivados de sementes de soja pactuaram que a companhia compraria a próxima safra colhida pelo produtor, ficando o negócio jurídico condicionado à efetivação da colheita. A cláusula em questão constitui uma condição suspensiva. BL: arts. 121 e 125, CC.
(MPPR-2011): Subordinar a eficácia de um negócio jurídico a uma condição suspensiva significa afirmar que, enquanto esta não se realizar, não se terá adquirido o direito subjetivo a que visa o negócio. BL: art. 125, CC.
(TJAP-2009-FCC): Distinguem-se a condição suspensiva, o termo inicial e o encargo porque a condição suspensiva, enquanto não verificada, impede a aquisição e o exercício do direito; o termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição e o encargo não suspende a aquisição, nem o exercício do direito,salvo se imposto no negócio jurídico pelo disponente, como condição suspensiva. BL: arts. 125, 131 e 136, CC.
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. (Cartórios/TJMG-2015)
Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. (PGESP-2002) (TJDFT-2007) (MPPR-2008) (PGEES-2008) (TJSC-2009) (MPMG-2010) (Cartórios/TJMG-2015)
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. (MPMG-2010) (TJSP-2011) (TJSC-2013)
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. (TJCE-2012)
(TJSC-2009): A condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem seu implemento aproveite é considerada como não verificada. BL: art. 129, CC.
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. (TJTO-2007) (TJAP-2009) (MPMG-2010) (TJDFT-2008/2011) (TJSP-2015) (Cartórios/TJMG-2015)
(Anal. Legisl./Câm. Deputados-2014-CESPE): Acerca de negócio jurídico e de ato jurídico lícito e ilícito, julgue o item seguinte: É permitido ao titular de direito eventual praticar atos para conservação desse direito enquanto se mantiver pendente a condição suspensiva ou resolutiva. BL: art. 130 do CC.
(TJPR-2012-UFPR): Nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido ao titular do direito eventual praticar os atos destinados a conservá-lo. BL: art. 130 do CC.
##Atenção: Permitem-se os atos conservatórios na pendência de condição suspensiva ou resolutiva.
(TJSP-2011-VUNESP): O titular de direito eventual pode praticar os atos destinados a conservá-lo, nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. BL: art. 130, CC/02.
Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. (MPSP-2006) (TJAP-2009) (MPMG-2010) (MPPR-2011) (TJPB-2013) (Cartórios/TJRO-2013) (TJSP-2011/2014)
Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. (MPMG-2010) (MPMA-2014)
§ 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. (Cartórios/TJMS-2014)
§ 2o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. (Cartórios/TJMS-2014)
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência.
§ 4o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto.
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos contratos, em proveito do devedor, salvo, quanto a esses [obs.: nos contratos], se do teor do instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do credor, ou de ambos os contratantes. (TJSC-2013)
(TJAL-2019-FCC): Nos casos de condição suspensiva ou resolutiva, é permitido ao titular do direito eventual praticar os atos destinados a conservá-lo. BL: art. 133, CC.
Art. 134. Os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exeqüíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo.
(TJPE-2015-FCC): A costureira Antonieta confeccionou cinquenta vestidos para Fábrica de Roupas Última Moda, durante o ano de 2014, sem vínculo empregatício e em intervalos irregulares de tempo. As partes acordaram a respeito do preço e do prazo de entrega, mas não acerca do prazo de pagamento. Em 30/12/2014, Antonieta foi avisada de que não mais seriam necessários os seus serviços, porém não recebeu seu crédito que atinge R$ 1.000,00. Considerando o disposto no artigo 134 do Código Civil, segundo o qual os negócios jurídicos entre vivos, sem prazo, são exequíveis desde logo, salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo, e que todo o serviço contratado já havia sido prestado, Antonieta deverá interpelar judicial ou extrajudicialmente a devedora, antes de ajuizar ação de cobrança.
##Atenção: O teor do art. 134, CC se coaduna com o disposto no art. 331, CC: Salvo disposição legal em contrário, não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente. Ambos os dispositivos devem ser associados com o art. 397, parágrafo único, CC. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.
Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. (MPMG-2010) (MPGO-2012)
Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. [observação 2ª parte do dispositivo: quando, então, impedirá a aquisição do direito] (MPSP-2006) (TJAP-2009) (TJSC-2009) (MPMG-2010) (Cartórios/TJRO-2013)
(ABIN-2018-CESPE): A existência de encargo em negócio jurídico somente suspende a aquisição ou exercício do direito se for expressamente imposto como condição suspensiva pela disponente. BL: art. 136, CC.
(TJPI-2015-FCC): Quando o testamento foi aberto, Rubião quase caiu para trás. Advinhas por quê. Era nomeado herdeiro universal do testador. Não cinco, nem dez, nem vinte contos, mas tudo, o capital inteiro, especificados os bens, casa na Corte, uma em Barbacena, escravos, apólices, ações do Banco do Brasil e de outras instituições, joias, dinheiro amoedado, livros − tudo finalmente passava às mãos do Rubião, sem desvios, sem deixas a nenhuma pessoa, nem esmolas, nem dívidas. Uma só condição havia no testamento, a de guardar o herdeiro consigo o seu pobre cachorro Quincas Borba, nome que lhe deu por motivo da grande afeição que lhe tinha. Exigia do dito Rubião que o tratasse como se fosse a ele próprio testador, nada poupando em seu benefício, resguardando-o de moléstias, de fugas, de roubo ou de morte que lhe quisessem dar por maldade; cuidar finalmente como se cão não fosse, mas pessoa humana. Item, impunha-lhe a condição, quando morresse o cachorro, de lhe dar sepultura decente, em terreno próprio, que cobriria de flores e plantas cheirosas; e mais desenterraria os ossos do dito cachorro, quando fosse tempo idôneo, e os recolheria a uma urna de madeira preciosa para depositá-los no lugar mais honrado da casa. (Assis, Machado de. Quincas Borba. p. 25.). As exigências feitas a Rubião consubstanciam encargo.
(TJDFT-2008): Regra geral, o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. BL: art. 136 do CC/02.
Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico. (TJSC-2009) (MPMG-2010) (MPTO-2012) (STM-2013)
(MPBA-2018): No plano da eficácia do negócio jurídico estão a suspensão ou resolução dos direitos e deveres.
##Atenção: Na eficácia estão as consequências do negócio jurídico, relacionadas com a suspensão e com a resolução de direitos e deveres relativos ao contrato, como a condição, o termo, o encargo, os juros, a multa, as perdas e danos.
##Atenção: TRÊS PLANOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (Escala Ponteana):
· PLANO DA EXISTÊNCIA – São os elementos essenciais, os pressupostos de existência. Assim, nenhum negócio jurídico existirá ante a ausência de algum dos elementosconstitutivos essenciais, a saber:
- MANIFESTAÇÃO OU DECLARAÇÃO DE VONTADE;
- PARTES OU AGENTE EMISSOR DA VONTADE;
- OBJETO;
- FORMA;
· PLANO DA VALIDADE – são os elementos do plano da existência com alguma qualificações.
· PLANO DA EFICÁCIA – neste plano estão os efeitos gerados pelo negócio em relação às partes e em relação a terceiros. São elementos relacionados com a suspensão e resolução de direitos e deveres. Neste plano, interessa identificar se o negócio jurídico repercute juridicamente no plano social, isto é, a eficácia da declaração negocial manifestados como queridos. No entanto, mesmo um ato eivado de nulidade absoluta produzirá efeitos jurídicos, ou seja, terá repercussão no plano da eficácia. Nesse sentido e bastante elucidativo pontifica Sílvio Venosa: “O negócio é juridicamente nulo, mas o ordenamento jurídico não pode deixar de levar em conta efeitos materiais produzidos por esse ato. Isso é verdadeiro tanto em relação aos atos nulos como em relação aos atos anuláveis.” Os elementos que o compõem são acidentais, uma vez que sua presença é dispensável, são eles a Condição, Termo e Modo ou Encargo.
(PGM/São José dos Campos-2017-VUNESP): Os negócios jurídicos são divididos em três campos de análise: existência, validade e eficácia. Acerca do tema, assinale a alternativa correta. Condição, termo e encargo são elementos de eficácia que se classificam como acidentais ou facultativos.
Dica:
- ENCARGO - se for ilícito ou impossível - Considera-se não escrito , salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.
CAPÍTULO IV
Dos Defeitos do Negócio Jurídico
(TJAC-2012-CESPE): Os vícios de consentimento prejudicam a exteriorização do negócio jurídico, atuando sobre o consentimento; já os vícios sociais se mostram quando há uma divergência entre a vontade exteriorizada e a ordem legal.
##Atenção: Os vícios de consentimento provocam uma manifestação de vontade não correspondente com o íntimo e verdadeiro querer do agente, ou melhor, a vontade manifestada e a interior são divergente; os vícios sociais caracterizam-se por prejudicar terceiros, sendo a vontade interior e exterior convergentes. Dessa maneira, os defeitos do negócio jurídico são as imperfeições que nele podem surgir, decorrentes de anomalias na formação da vontade ou na sua declaração.
Seção I
Do Erro ou Ignorância
Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. (MPPR-2008) (MPGO-2010) (DPEAM-2013) (MPMA-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (TJSC-2017)
(MPBA-2010): De acordo com a teoria da confiança, a perceptibilidade é requisito para a caracterização do erro como defeito do negócio jurídico. BL: art. 138, CC/02.
Art. 139. O erro é substancial quando: (MPGO-2010) (TJMG-2014)
I - interessa à natureza do negócio [obs.: 1ª parte: erro in negotio], ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; [obs.: 2ª parte: erro in corpore]; (PFN-2003) (TJMG-2014)
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante [obs.: erro in persona]; (TJRO-2011)
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico [obs.: erro juris]. (TJSC-2017)
(MPSC-2016): De acordo com o Código Civil, o erro substancial, passível de anular um negócio jurídico, ocorre quando: interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais; concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante; sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico. BL: art. 139 do CC.
##Atenção: Cristiano Chaves explica que o erro "nada mais é do que um equívoco, uma percepção falsa sobre algo (acho, por exemplo, que hoje é quarta e na verdade é quinta. Isso é um exemplo prosaico de erro). Trata-se, portanto, de uma falsa representação da realidade" (Manual de Direito Civil, 2019. p. 522). Consiste, portanto, na falsa representação da realidade fática em relação à pessoa, ao objeto do negócio ou ao direito, acarretando vício na vontade da parte que celebrou o negócio jurídico. Em linhas gerais, o erro é uma falsa percepção da realidade, influenciando na celebração de negócio jurídico, dizendo respeito (i) à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração ou a alguma das qualidades a ele essenciais, (ii) à identidade ou qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade ou (iii) ao motivo único ou principal do negócio jurídico (caso em que não deve implicar recusa à aplicação da lei). Incorrendo o agente em falsa percepção em qualquer destas três, haverá erro. Não é, entretanto, qualquer erro que enseja a anulabilidade do negócio, mas apenas o erro substancial, assim entendido como aquele sem o qual o negócio jurídico não teria sido praticado, conforme dispõe o art. 138 do CC.
(TJDFT-2012): O erro de direito, atendidos os pressupostos legais, pode ser substancial. BL: art. 139, III, CC.
(TJSP-2009-VUNESP): Erro substancial e dolo essencial viciam o ato jurídico porque impedem que o declarante tenha conhecimento da realidade.
##Atenção: Tanto num, como noutro, a manifestação da vontade não corresponde com o íntimo e verdadeiro querer do agente, ou seja, há uma desconformidade entre o querer real e o manifestado; entre a realidade e sua intenção.
(TJRR-2008-FCC): O negócio jurídico eivado de erro de direito é anulável, mas não se anula a transação por erro de direito acerca das questões que foram objeto de controvérsia entre as partes.
Art. 140. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. (MPTO-2012) (TJPB-2013) (MPPR-2016)
Art. 141. A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em que o é a declaração direta.
Art. 142. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. (TJMG-2014) (MPSC-2013) (MPGO-2010)
Art. 143. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. (TJMG-2014) (MPSP-2011)
Art. 144. O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. (MPGO-2010)
(TJPR-2010-PUCPR): A declaração de vontade emanada de erro substancial não prejudica a validade do ato jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. BL: art. 144 do CC/02.
Seção II
Do Dolo
Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa. (TJDFT-2011) (Cartórios/TJRS-2015)
##Atenção: Cristiano Chaves explica que o dolo "é um engano provocado por umas das partes ou por terceiro. [...] Há utilização de meios ardilosos, fazendo com que a parte tenha uma falsa ideia da realidade" (Manual de Direito Civil, 2019. p. 559). Desse modo, o dolo é compreendido como a atuação da contraparte ou de terceiros, ambos de má-fé, que, enganando o sujeito, o induz a celebrar determinado negócio jurídico. Não há declaração enganosa de vontade; a declaração das partes é legítima, embora a declaração do lesado tenha sido ilegitimamente induzida.
##Atenção: ##STJ: Nas palavras do Min. Luís Felipe Salomão, “o dolo, enquanto vício do consentimento, consiste em manobras ou maquinações feitas com o propósito de obter uma declaração de vontade que não seria emitida se o declarante não fosse enganado. É o erro intencionalmente provocado, instigado pela intenção de enganar; pois o autor mune-seda vontade de induzir o outro ao erro, usando de artifícios não grosseiros ou perceptíveis prima facie”. (STJ, AgInt no REsp 1636070/CE, Rel. Min. Raul Araújo, Rel. p/ Ac Min Luís Felipe Salomão, 4ª T., j. 26/09/17).
Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. (MPPR-2012)
(TJDFT-2012): O dolo acidental ou dolus incidens não é causa de anulação do negócio jurídico. BL: art. 146 CC/02.
##Atenção: Significa dizer que o negócio seria praticado, mesmo com o emprego das manobras astuciosas, porém em condições melhores.
Art. 147. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. (MPDFT-2004)
Art. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. (MPAM-2007) (MPMG-2010)
Art. 149. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. (TJTO-2007) (TJPI-2007) (MPGO-2010) (MPBA-2010) (TJPE-2011)
(MPPR-2016): O dolo do representante convencional de uma das partes obriga o representado a responder solidariamente com ele por perdas e danos. BL: art. 149, CC.
Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização. (TJSP-2008) (STM-2013)
(TJDFT-2012): O dolo recíproco impede a anulação do negócio jurídico. BL: art. 150 do CC/02.
Seção III
Da Coação
Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. (MPBA-2010) (TJSP-2018) (Anal. Judic./STM-2018)
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação. (MPBA-2010)
Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. (TJSP-2018)
Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. (TJDFT-2008) (MPT-2013) (Anal. Judic./STM-2018) (TJMT-2018)
(Anal. Judic./SEAD-2018-FCC): Antenor e Amélia, pai e filha, adquiriram um imóvel para nele juntos residirem. Em razão de dificuldades financeiras, Antenor e Amélia, por preço justo, venderam-no a Pedro. Embora fosse contrária à venda, Amélia aceitou participar de sua realização apenas pelo receio de desapontar Antenor, a quem respeitava profundamente. Em tal cenário, agiu Amélia sob temor reverencial, sendo válido o negócio jurídico. BL: art. 153, CC.
(TJPR-2012): Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito. BL: art. 153, CC.
Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. (MPAM-2007) (TJDFT-2012)
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. (MPAM-2007)
(TJDFT-2012): Subsiste o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento, devendo o autor da coação responder pelas perdas e danos ao coacto. BL: art. 155, CC/02.
(MPPR-2012): A coação por terceiro somente anula o negócio jurídico se dela tiver, ou devesse ter, conhecimento a parte a quem aproveite. BL: arts. 154 e 155, CC/02.
(MPDFT-2011): Em matéria de coação de terceiro, a lei não autoriza a anulação do negócio jurídico, pelo coato, se o sujeito, a quem a declaração beneficia, não tinha nem podia ter conhecimento do mencionado vício. BL: arts. 154 e 155, CC/02.
Seção IV
Do Estado de Perigo
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. (MPBA-2015) (Cartórios/TJRS-2015) (TJRS-2018) (DPERS-2018) (TJAC-2019)
##Atenção: Dica:
· Estado DE perigo (art. 156): exige dolo DE aproveitamento.
· O estado de perigo configura-se quando há perigo de dano à pessoa, não aos bens. Em outras palavras, no estado de perigo, a existência de um risco à vida ou à integridade de uma pessoa faz com que a vítima se submeta ao negócio excessivamente oneroso.
· Lesão: não exige dolo de aproveitamento (vide Enunciado 150, CJF, a seguir).
(TJRJ-2012-VUNESP): Quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa, configura-se estado de perigo. BL: art. 156 do CC/02.
##Atenção: Dica:
· No estado de perigo a outra parte conhece o grave dano.
· Na lesão a outra parte não conhece o grave dano.
(TJES-2011-CESPE): Pedro, ao chegar com seu filho doente em um hospital particular, concordou em pagar quantia exorbitante para submetê-lo a cirurgia, ante a alegação do médico de que o tempo necessário para levar a criança a outro hospital poderia acarretar-lhe a morte. Nessa situação hipotética, caracteriza-se, como causa de invalidação do negócio, o estado de perigo, porquanto o pai se encontrava em situação de extrema necessidade. BL: art. 156 do CC/02.
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias.
(TJSP-2008-VUNESP): Em um negócio de compra e venda de imóvel, com pagamento à vista, o vendedor, premido da necessidade de salvar-se de grave mal de saúde, conhecido pela outra parte, acaba por transferi-lo a esta por valor bem inferior ao de mercado. Sobre o assunto em questão, assinale a alternativa correta: O interesse da parte beneficiada no contrato não pode merecer proteção, porque nulo o negócio, uma vez que sua realização, nas condições em que celebrado pelo vendedor, significava que não existira, na verdade, de parte deste, manifestação nenhuma de vontade. BL: art. 156, c/c art. 157, §2º, CC e Enunciado 148, CJF.
##Atenção: Enunciado 148, CJF: Ao “estado de perigo” (art. 156) aplica-se, por analogia, o disposto no § 2º do art. 157. O art. 157, §2º do CC, por sua vez, assim dispõe: “§ 2º. Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.”
Seção V
Da Lesão
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. (MPAM-2007) (TJSC-2009) (Cartórios/TJRS-2015) (MPSP-2017)
##Atenção: Enunciado 150, CJF: "Art. 157: A lesão de que trata o art. 157 do Código Civil não exige dolo de aproveitamento”.
##Atenção: Enunciado nº 290, CJF: “(...) A lesão acarretará a anulação do negócio jurídico quando verificada, na formação deste, a desproporção manifesta entre as prestações assumidas pelas partes, não se presumindo a premente necessidade ou a inexperiência do lesado.”
(TJPR-2019-CESPE): Para ajudar a custear o tratamento médico de seu filho, José resolveu vender seu próprio automóvel. Em razão da necessidade e da urgência, José estipulou, para venda, o montante de 35 mil reais, embora o valor real de mercado do veículo fosse de 65 mil reais. Ao ver o anúncio, Fernando ofereceu 32 mil reais pelo automóvel. José aceitou o valor oferecidopor Fernando e formalizou o negócio jurídico de venda. Conforme o Código Civil, essa situação configura hipótese de lesão, sendo o negócio jurídico anulável. BL: arts. 157 e 171, II, CC.
(PGEPE-2018-CESPE): Quando alguém obtém lucro exagerado, desproporcional, aproveitando-se da situação de necessidade real e notória do outro contratante, configura-se o vício do negócio jurídico denominado lesão. BL: art. 157, CC.
##Atenção: ##DOD: A lesão está intrinsecamente relacionada com o princípio da boa-fé, que deve pautar a atuação de todos os envolvidos na relação contratual. Encontra-se prevista no art. 157 do CC. Para a caracterização do instituto, é necessária a presença simultânea de dois elementos:
1º) Elemento Objetivo: É a manifesta desproporcionalidade, isto é, a desproporção das prestações de um contratante em relação ao outro; Em outras palavras, diz respeito ao valor do negócio jurídico celebrado, que deve ser manifestamente desproporcional à contraprestação. A avaliação das desproporções deve ser feita de acordo com o tempo em que foi celebrado o negócio jurídico (vício de formação).
2º) Elemento Subjetivo: É a inocência por parte daquele que contrata ou a sua necessidade, ou seja, deve ser analisado o contratante que é o lesado pela contratação. Caracteriza-se, portanto, pela premente necessidade ou pela inexperiência do lesado. Isso é o que define, em linhas gerais, o instituto da lesão.
##Atenção: ##DOD: Quanto ao elemento objetivo, o CC/02 afastou-se do sistema do tarifamento e optou por não estabelecer um percentual indicador da desproporção, permitindo ao julgador examinar o caso concreto para aferir a existência de prestações excessivamente desproporcionais de acordo com a vulnerabilidade da parte lesada. Os requisitos subjetivos também devem ser examinados de acordo com as circunstâncias fáticas, considerando a situação que levou o indivíduo a celebrar o negócio jurídico e sua experiência para a negociação, conforme destacado no Enunciado nº 410 do CJF: “(...) A inexperiência a que se refere o art. 157 não deve necessariamente significar imaturidade ou desconhecimento em relação à prática de negócios jurídicos em geral, podendo ocorrer também quando o lesado, ainda que estipule contratos costumeiramente, não tenha conhecimento específico sobre o negócio em causa”.
##Atenção: Lesão: Palavras-chave: Premente necessidade; inexperiência e manifesta desproporcionalidade do valor da prestação.
##Atenção: Cristiano Chaves explica: “(...) O art. 157 descreve a denominada lesão especial, sendo necessário para a concreção do seu suporte fático o valor manifestamente desproporcional da contraprestação exigida quando da formalização de ato jurídico que deva ter ocorrido por necessidade ou inexperiência no mundo dos negócios. E preciso cautela na construção de significado para as expressões “necessidade" e “inexperiência", que atuam como elementos completantes do núcleo do suporte fático da lesão. A referida necessidade transcende o mero caráter econômico, devendo ser entendida como impossibilidade de se evitar a celebração do negocio, inclusive por imperativo de cunho moral. Já a inexperiência aqui abordada leva em consideração as condições pessoais da parte contratante desfavorecida, cabendo ao magistrado, no caso concreto, examinar seu status sociocultural. Enfim, a “necessidade" em análise e a necessidade contratual, e não a insuficiência de meios para promover subsistência própria do lesado ou de sua família. Tampouco a “inexperiência" deve ser confundida com o erro ou a ignorância.” (Código Civil para Concursos / coordenador Ricardo Didier - 5. ed. rev. ampl. e atual. - Salvador: Juspodivm, 2017, p. 235).
(DPEAC-2017-CESPE): Pedro, recém-chegado a Rio Branco, adquiriu de Ana um apartamento na cidade e, posteriormente, descobriu que havia pagado, pelo imóvel, valor equivalente ao dobro da média constatada no mercado, uma vez que desconhecia a real situação imobiliária local e tinha pressa em adquirir um apartamento para abrigar sua família. Nessa situação hipotética, o negócio poderá ser anulado, uma vez que apresenta o vício de consentimento denominado lesão. BL: art. 157, CC.
##Atenção: No caso apresentado, Ana adquiriu o imóvel pelo dobro do preço, pois tinha pressa em adquirir um imóvel para abrigar sua família (premente necessidade), mas, quando ela foi pesquisar, notou a desproporcionalidade do imóvel com o valor de mercado. Isso se amolda no conceito de lesão.
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. (MPSP-2017)
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. (Cartórios/TJRS-2015) (MPPR-2016)
(TJRS-2018-VUNESP): Egídio descobre que sua esposa Joana está com um câncer. Ao iniciar o tratamento, o plano de saúde de Joana se recusa a cobrir as despesas, em razão da doença ser preexistente à contratação. Em razão disso, o casal coloca à venda um imóvel de propriedade do casal com valor de mercado de um milhão de reais por cento e cinquenta mil reais, visando obter, de forma rápida, valores necessários para o pagamento do tratamento de saúde de Joana. Raimundo, tomando ciência da oferta da venda do imóvel de Egídio e Joana, não tendo qualquer intenção de auferir um ganho exagerado na compra e nem causar prejuízo aos vendedores, apenas aproveitando o que considera um excelente negócio, compra o imóvel em 01.01.15. Em 02.01.18, Egídio e Joana ajuízam uma ação judicial contra Raimundo, na qual questionam a validade do negócio jurídico. Assinale a alternativa correta: O negócio jurídico é anulável. Em razão da doença de Joana, o casal estava numa situação que os levou à conclusão de um negócio jurídico eivado pelo vício da lesão que pode ser desconstituído; caso Raimundo concorde em suplementar o valor anteriormente pago, o negócio pode ser mantido. BL: art. 157, caput e §2º do CC e Enunciado 150, CJF.
##Atenção: No caso em questão se verifica que " Raimundo, tomando ciência da oferta da venda do imóvel de Egídio e Joana, não tendo qualquer intenção de auferir um ganho exagerado na compra e nem causar prejuízo aos vendedores, apenas aproveitando o que considera um excelente negócio" Assim, ficou evidente não existir dolo de aproveitamento por parte de Raimundo, razão pela qual é caso de lesão. Houve lesão, e não estado de perigo, tendo em vista o desconhecimento do adquirente da situação de risco que ensejou a proposta de contrato, bem como não houve dolo de aproveitamento. Ademais, na forma do art. 157, §2º, do CC, a oferta de complementação do valor pago é capaz de fazer sanar o vício que atinge o negócio jurídico.
(MPSP-2017): Sobre a lesão, um dos defeitos dos negócios jurídicos, assinale a alternativa correta: A anulação do negócio jurídico poderá ser evitada se a parte favorecida ofertar suplemento suficiente à outra parte ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito obtido. BL: art. 157, §2º, CC.
(TJRJ-2014-VUNESP): Nas hipóteses de lesão previstas no Código Civil, pode o lesionado optar por não pleitear a anulação do negócio jurídico, deduzindo, desde logo, pretensão com vista à revisão judicial do negócio por meio da redução do proveito do lesionador ou do complemento do preço. BL: Enunciado 291, CJF.
##Atenção: Enunciado nº 291 CJF/STJ: "Nas hipóteses de lesão previstas no art. 157 do Código Civil, pode o lesionado optar por não pleitear a anulação do negócio jurídico, deduzindo, desde logo, pretensão com vistas à revisão judicial do negócio por meio de redução do proveito do lesionador ou do complemento do preço".
(TJAM-2013-FGV): João, premido pela necessidade de conseguir dinheiro para purgar a mora referente a alugueis e encargos da casa em que reside e evitar o despejo, vendeu uma joia de família a Ricardo, por R$5.000,00, embora o seu preço de mercado seja de aproximadamente R$50.000,00. Posteriormente, não conseguindo desfazer amigavelmente o negócio realizado, propõeação para anular a venda da joia. De acordo com as informações apresentadas, assinale a alternativa que indica, em tese, o defeito do negócio jurídico: LESÃO. BL: art. 157, CC/02.
Seção VI
Da Fraude Contra Credores
Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. (MPAM-2007) (TJDFT-2008)
§ 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente.
§ 2o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles. (TJDFT-2008) (TJPA-2012) (PGM/AM-2018)
(MPSC-2013): Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. BL: art. 158, §1º, CC/02.
(TJPR-2008): O consilium fraudis e a scientia fraudis não são requisitos essenciais para a anulação de um negócio jurídico gratuito sob o fundamento da fraude contra credores. (MPSE-2010)
Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. (MPPR-2016)
(TJSP-2014-VUNESP): No que concerne ao elemento subjetivo da fraude pauliana, não se exige intenção de prejudicar, tendo-se como presente quando houver motivo para que o contratante in bonis conheça a insolvência de sua contraparte, ou esta seja notória. BL: art. 159, CC/02.
##Atenção: Em 1º lugar, quando se utiliza a expressão “fraude pauliana”, está se referindo à fraude contra credores, prevista nos art. 158/165, CC. Esse vício possui dois elementos: a) objetivo (eventus damni): trata-se do prejuízo causado ao credor, que deve provar que com a prática do ato o devedor se tornou insolvente ou já praticou o ato em estado de insolvência, não tendo mais condições de honrar suas dívidas; b) subjetivo (consilium fraudis): trata-se do “conluio fraudulento”, da má-fé, da intenção deliberada (animus) de prejudicar, com a consciência de que de seu ato advirão prejuízos a uma terceira pessoa (que é o credor). No entanto o art. 159, CC prevê duas situações onde há presunção de má-fé do terceiro adquirente: a) for notória a insolvência do devedor; b) quando o terceiro adquirente tinha motivos para conhecer a má situação financeira do devedor. Portanto, nesses casos, não se exige a prova do elemento subjetivo, ou seja, da intenção em prejudicar.
(TJPA-2012-CESPE): Pedro, percebendo que seu patrimônio seria consumido pelas dívidas que havia contraído com Marcos, decidiu doar ao seu irmão, sem qualquer encargo, seu único imóvel. Considerando-se essa situação hipotética, é correto afirmar que: “não é necessária a demonstração da má-fé do irmão, para que Marcos anule a doação”.
##Atenção: Nos negócios gratuitos exige-se somente o eventus damni, dispensando-se o consilium fraudis, de acordo com o art. 158 do CC/02. A outro giro, segundo o art. 159 do CC/02, serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. Neste caso, trata-se de insolvência presumida, que ocorre quando as circunstâncias indicarem tal estado que já devia ser do conhecimento do outro contratante, que tinha motivos para saber da situação financeira precária do alienante. Por exemplo, o parentesco próximo, como na situação problema, onde o adquirente é irmão do alienante. Outros exemplos podem ser citados, como o preço vil, a alienação de todos os bens, relações de amizade, de negócio mútuos, etc.
(MPSP-2011): É hipótese de anulabilidade de negócio jurídico: escritura de hipoteca de devedor, em favor de credor, não possuindo outros bens e com notório estado de insolvência. BL: art. 159, CC.
Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for, aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados.
Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes corresponda ao valor real. (TJSP-2008)
Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé. (TRT15-2013) (MPMA-2014)
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu. (TJPR-2012)
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. (TJPR-2012)
(TJPI-2015-FCC): Roberto doou aos filhos seu mais valioso imóvel em 20/10/2014 e, no mesmo dia, ofereceu em hipoteca outro imóvel para garantia de dívida por empréstimo que lhe foi concedido, em 19/09/2014, por seu amigo Pedro. Com a doação daquele imóvel, Roberto tornou-se insolvente, porque já tinha diversas dívidas vencidas e não pagas entre as quais a decorrente de negócios realizados com Manoel, sem garantia real, vencida em 08/09/2014 e não paga, além de contar com vários protestos cambiais. Em 18/11/2014 tomou emprestado de Antônio R$ 80.000,00, que não exigiu qualquer garantia e R$ 85.000,00 de Rodrigo, que exigiu fiança, prestada por José, mas Roberto também não pagou as dívidas a esses mutuantes. Nesses negócios, está configurada fraude contra credores, pela doação e constituição de hipoteca, cujas anulações podem ser pleiteadas por Manoel. BL: arts. 158, 159 e 163 do CC/02.
Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família.
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. (TJAC-2019)
Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.
CAPÍTULO V
Da Invalidade do Negócio Jurídico
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: (MPSC-2010)
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; (TJPR-2010) (TJPA-2012) (MPBA-2015) (TJAM-2016) (TJCE-2018)
##Atenção: Nos termos do art. 166, I do CC, o ato praticado por pessoa absolutamente incapaz sem a devida representação legal é nulo.
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; (Cartórios/TJRS-2015)
(TJMS-2010-FCC): O objeto da relação jurídica patrimonial pode ser imediato ou mediato, sendo o primeiro o contrato propriamente dito e o último, o bem da vida suscetível de apreciação econômica. BL: art. 166, II, CC.
##Atenção: O objeto imediato na relação contratual é a ação humana de dar, fazer e não fazer. Por outro lado, o objeto imediato compreende a prestação em si considerada (é o bem da vida), como um carro. Vale ressaltar que o objeto deverá ser lícito, possível, determinado ou determinável, nos termos do art. 166, II, CC.
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; (TJMG-2008) (TJRO-2011) (STM-2013) (MPRO-2017) (TJAC-2019)
IV - não revestir a forma prescrita em lei; (TJMG-2008) (MPRO-2008) (Cartórios/TJRS-2015)
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; (TJMG-2008) (MPRO-2017) (MPBA-2018)
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; (MPPR-2008) (TRF4-2010)
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. (MPDFT-2004) (DPEAM-2013)
(TJPR-2012-PUCPR): Cinco anos apóster recebido do Poder Público a outorga de uma concessão de serviço de táxi pelo prazo de dez anos, Silvio firmou um contrato particular com Orlando, por meio do qual fez a cessão dos direitos, pelo valor de R$ 100.000,00, condicionada à anuência do Poder Concedente. Assim, o negócio jurídico realizado entre Silvio e Orlando é nulo.
##Atenção: De acordo com o art. 101 do CC, o uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. A concessão não resulta a propriedade da vaga e, portanto, não se pode aliená-la e tampouco fazer dela objeto de cessão, já que a outorga é uma espécie de ato de natureza contratual, intuito personae, a cargo da Administração, e não dos administrados (STJ, REsp 821.008/MG, 1ª Turma, j. 2/10/06; REsp 120.113/MG, j. 14/8/00). Sendo assim, a delegação de serviço público de transporte por meio do táxi pressupõe a realização de licitação desde a CF/88, em razão de sempre haver limitação do número de delegatários e o manifesto interesse na exploração daquela atividade pelos particulares, seja pela via da permissão, seja pela via da autorização. Portanto, é nulo o negócio celebrado, por infringir o art. 166, II, VI e VII do CC/02.
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. (TCEMG-2005) (TJMA-2008) (TJDFT-2008) (MPSC-2012) (Cartórios/TJRS-2015) (Anal. Judic./TRT17-2017) (MPBA-2018) (TJBA-2019) (Cartórios/TJSC-2019)
JDC nº 153: Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é nulo, mas o dissimulado será válido se não ofender a lei nem causar prejuízos a terceiros.
(TJMS-2020-FCC): Em relação à invalidade do negócio jurídico, considere o enunciado seguinte: É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. BL: art. 167, CC.
(TJSP-2014-VUNESP): Na simulação relativa em que há dois negócios, um falso e outro oculto, é correto dizer que o negócio simulado é inválido, mas o negócio oculto, sendo válido na substância e na forma, passa a produzir plenos efeitos. BL: art. 167, CC.
(TJSC-2013): Toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante. BL: Enunciado 152 da JDC.
(TJSE-2008-CESPE): A simulação consiste em um acordo das partes contratantes para criar um negócio jurídico aparente, cujos efeitos não são desejados pelas partes, ou para ocultar, sob determinada aparência, o negócio querido, acarretando a nulidade do negócio. O propósito do negócio aparente é o de enganar terceiros; ou fugir ao imperativo da lei.
§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; [Interposição de pessoa]
(TJMT-2018-VUNESP): João é casado com Maria, sob o regime de separação convencional de bens. Entretanto, ele possui uma concubina, chamada Rita. Pretendendo dar um presente a esta última, João propõe a Paulo, pai de Rita, que este lhe compre um apartamento (de propriedade exclusiva de João), por um preço irrisório, e o dê em usufruto vitalício a Rita. Após o negócio, Paulo propôs a João que este lhe vendesse uma casa na praia, também de sua exclusiva propriedade, pelo valor que entendesse justo. Apesar de Paulo nunca ter ameaçado ou sequer insinuado que poderia contar a alguém a respeito do negócio anterior, temendo que, se contrariasse Paulo, poderia ter o seu segredo revelado, João vendeu a Paulo a casa na praia por metade de seu valor de mercado. A respeito dos negócios narrados, é correto afirmar que o contrato de compra e venda do apartamento é nulo, podendo ser declarada a nulidade a qualquer tempo. O contrato de compra e venda da casa de praia é válido. BL: art. 167, §1º, I e art. 110, CC.
##Atenção: Para que se entenda cada negócio jurídico realizado, suas características e efeitos, devemos analisá-los separadamente. No caso da venda do apartamento ao pai de sua concubina, João propôs à este que lhe compre um apartamento, de propriedade exclusiva de João - vez que casado sob o regime da separação convencional de bens -, por um preço irrisório, e o dê em usufruto vitalício a Rita, sua concubina. Neste caso, ocorreu a chamada simulação, que, nas palavras de Washington Monteiro de Barros, se caracteriza por um desacordo intencional entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. A simulação não corresponde à verdadeira intenção das partes, sendo feita para enganar terceiros, no caso, Rita, portanto, o negócio jurídico será nulo. É nesse sentido o teor do art. 167, §1º, inciso I do CC. Já no segundo negócio jurídico, Paulo propôs a João que este lhe vendesse uma casa na praia, também de sua exclusiva propriedade, pelo valor que entendesse justo, sem ameaçar ou sequer insinuar algo relativo ao negócio anterior. Todavia, João, temendo que Paulo revelasse seu segredo, vendeu a casa na praia por metade de seu valor de mercado. Neste caso, o negócio jurídico é válido, visto que Paulo nada fez para que João temesse qualquer atitude sua, fazendo uma reserva mental e realizando o negócio jurídico com Paulo. A reserva mental nada mais é do que uma declaração de vontade do agente, resguardando, em seu íntimo, o desejo de não cumprir com o contrato. É o que dispõe o art. 110 do CC: “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento”.
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; [Ocultação da verdade]
(MPPA-2014-FCC): Já sem filhos nem cônjuge, Mário decide transmitir gratuitamente um de seus imóveis à neta Carolina, de 15 anos. A fim de pagar menos tributos, registra o negócio como venda e compra de valor menor que o real. Passados 6 anos, Mariana, também neta de Mário, ajuíza ação buscando desconstituir o negócio. A pretensão de Mariana não foi alcançada pela decadência, pois negócios jurídicos nulos não convalescem pelo decurso do tempo. BL: arts. 167, II c/c art. 169, CC.
(TJMG-2008): O Código Civil considera nulo o negócio jurídico simulado. Assim, haverá nulidade por simulação nos negócios jurídicos quando contiverem confissão, condição ou cláusula não verdadeira. BL: art. 167, §1º, II do CC/02.
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. [Falsidade de data]
(TJSC-2019-CESPE): A declaração enganosa de vontade que vise à produção, no negócio jurídico, de efeito diverso do apontado como pretendido consiste em defeito denominado simulação. BL: art. 167, caput e §1º, CC.
##Atenção: Cristiano Chaves explica que a simulação "é uma declaração negocial de vontade que, de modo intencional e deliberado, disfarça outra intenção. Há, nela, um descompasso consciente entre o que as partes dizem querer e aquilo que querem" (Manual de Direito Civil, 2019. p. 596). Desse modo, percebe-se que a vontade do sujeito é velada, dando lugar a um negócio jurídico que cria efeitos jurídicos não pretendidos (simulação) ou mascara fatos verdadeiros (dissimulação). A vontade é sub-repticiamente omitida para que se forjem efeitos jurídicos que, de outro modo, não surgiriam. Em resumo, na simulação, celebra-se um negócio jurídico aparentemente normal, mas que, em verdade, não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. Duas partes se unem para praticar acordo simulatório para prejudicar terceiro ou a lei. Compreende manifestação de vontade com desacordo proposital entre a vontade interna (intenção) e a vontade externa (manifestação/declaração). Enfim, a pessoa declara uma coisa, quando na verdade queria outra, ou nada queria. Aparentar fazer algo que não foi feito.
(Anal./MPU-2018-CESPE): Negócio jurídico simulado por interposição de pessoa, por ocultação da verdade ou por falsidade de data será considerado nulo. BL: art. 167, capute §1º, CC.
§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (TJMG-2008)
(TJTO-2007-CESPE): Em caso de simulação absoluta, as partes convencionam um negócio jurídico aparente com o qual não desejam produzir qualquer efeito com esse ato. Esse negócio jurídico é nulo e o efeito da declaração de nulidade é ex tunc, fulminando o ato em sua origem e extirpando todos os seus efeitos, ressalvando-se os direitos de terceiros de boa-fé em face desses contratantes. BL: art. 167, caput e §2º, CC.
##Atenção: Diferenças entre a Simulação Absoluta e a Simulação Relativa:
· Simulação absoluta – as partes na realidade não realizam nenhum negócio. Apenas fingem, para criar uma aparência, uma ilusão externa, sem que na verdade desejem o ato. Diz-se absoluta porque a declaração de vontade se destina a não produzir resultado nenhum. Essa modalidade destina-se a prejudicar terceiro, subtraindo os bens do devedor à execução ou partilha. Exemplos citados por Carlos Roberto Gonçalves: “a emissão de títulos de crédito em favor de amigos e posterior dação em pagamento de bens, em pagamento desses títulos, por marido que pretende se separar da esposa e subtrair da partilha tais bens; a falsa confissão de dívida perante amigo, com concessão de garantia real, para esquivar-se da execução de credores quirografários”. Nos dois exemplos, o simulador não realizou nenhum negócio verdadeiro com os amigos, mas apenas fingiu, simulou.
· Simulação relativa – as partes pretendem realizar determinado negócio, prejudicial a terceiro em fraude à lei. Para escondê-lo, ou dar-lhe aparência diversa, realizam outro negócio. Compõe-se de dois negócios: um deles é o “simulado”, aparente, destinado a enganar; o outro é o “dissimulado”, oculto, mas verdadeiramente desejado. O negócio aparente, simulado, serve apenas para ocultar a efetiva intenção dos contratantes, ou seja, o negócio real. Exemplo: homem casado, para contornar a proibição legal de fazer doação à concubina, simula a venda a um terceiro, que transferirá o bem àquela; ou quando, para pagar imposto menor e burlar o Fisco, as partes passam a escritura por preço inferior ao real.
(TJMG-2007): No sistema do CC/02, a simulação se situa no plano de nulidade. Então, no caso de simulação maliciosa, é correto dizer que para a declaração de nulidade é necessário a intenção de prejudicar e mera possibilidade do prejuízo ser ocasionado. BL: art. 169, CC.
##Atenção: Diferenças entre Simulação Inocente e Simulação Maliciosa:
· Simulação inocente: É a que não objetiva violar a lei ou prejudicar terceiro. É o que ocorre no caso de um homem solteiro simular qualquer venda à sua companheira, ocultando na verdade uma doação, pois não há qualquer impedimento para este ato (CC, art. 550). Parte da doutrina entende que por não prejudicar terceiro, deve ser considerada. Entretanto, o Conselho da Justiça Federal entende o contrário, conforme exteriorizado na III Jornada de Direito Civil, através do Enunciado 152: “Toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante”.
· Simulação maliciosa: É a que objetiva fraudar a lei ou prejudicar terceiros. Nesse caso o ato será nulo.
##Atenção: Assim, para que seja declarada a nulidade de SIMULAÇÃO MALICIOSA é necessário a intenção e que haja a possibilidade de prejuízo. Não é necessário o prejuízo efeito, mas a mera possibilidade.
##Atenção: O CC vigente não prevê mais esta distinção entre simulação inocente e simulação fraudulenta, tratando ambas no art. 167, através do qual “é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”. Ademais, ao dispor que subsiste a relação jurídica dissimulada desde que “válida na substância e na forma”, o CC vigente acabou resguardando para a simulação inocente tratamento diverso do tratamento dado à simulação absoluta, a qual é nula de pleno direito, ressalvado o direito de terceiros (§ 2º do art. 167, CC).
Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir. (AGU-2004) (TJPI-2007) (TJAL-2008) (MPRO-2013)
Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes. (TJPI-2007) (TJPR-2011) (MPRO-2013) (STM-2013) (TJRS-2016)
(TJSP-2014-VUNESP): Com relação às nulidades do negócio jurídico disciplinadas no artigo 166 do Código Civil, é correto dizer que as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou de seus efeitos e as encontrar provadas. BL: art. 168, § único, CC.
##Atenção: As nulidades absolutas, por envolverem ordem pública, podem se alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir (art. 168 do CC). Também por envolverem o interesse de todos, as nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos (art. 168, parágrafo único, do CC). Trata-se da tão comentada declaração de ofício ou ex officio pelo magistrado, sempre indispensável quando os interesses da coletividade estiverem em jogo. Pelo mesmo dispositivo, a nulidade absoluta não pode ser suprida, sanada, pelo magistrado mesmo a pedido da parte interessada.
Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo. (MPDFT-2004) (TJAL-2008) (PGEES-2008) (TJPR-2010) (MPRO-2013) (MPBA-2015) (TJRS-2012/2016) (TJBA-2019) (TJMS-2020)
(TJDFT-2015-CESPE): Se, de negócio nulo, resultarem consequências patrimoniais capazes de ensejar pretensões, será possível a incidência, quanto a estas, da prescrição. BL: Enunciado 536 do CJF.
(TJMG-2009): O decurso do tempo não opera a confirmação, nem convalesce o negócio jurídico nulo. BL: art. 169, CC.
Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade. (PGEES-2008) (TJPE-2011) (TJPR-2017)
OBS: O negócio jurídico inválido poderá gerar efeitos. O CC/02, em busca da conservação dos negócios jurídicos, permite que, havendo boa-fé e tratando-se de negócio jurídico inválido, as partes convertam o negócio, aproveitando-o e o tornando válido na forma do art. 170 do CC, que preceitua que se o negócio jurídico nulo contiver requisitos de outro, pode o mesmo subsistir, desde que seja possível supor que as partes tenham querido, se houvessem previsto a nulidade. Lembrando que o plano de validade deve ser analisado sob a lei vigente na época da celebração do negócio jurídico. Sendo assim, o plano de validade trata de anulabilidade do negócio jurídico. Outros exemplos: o art. 172 do CC, que assim dispõe: “O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.” e o art. 183 do CC: “A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio.”
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: (TJRS-2012)
I - por incapacidade relativa do agente; (TJAL-2008) (TRF4-2010) (MPSP-2011) (DPEAM-2013)
(PGM-São José dos Campos/SP-2017-VUNESP): Acerca do novel panorama do Direito Civil sobre capacidade, afirma-se corretamente que os atos praticados por aqueles que em virtude de causa transitória ou permanente não puderem exprimir suas vontades são anuláveis. BL: arts. 4º e 171, I, CC.
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. (MPPR-2008) (Cartórios/TJMG-2008) (MPSC-2010) (TRF4-2010) (TJRS-2012) (DPEAM-2013) (Cartórios/TJRS-2015) (TJSC-2017) (MPRO-2017) (TJSP-2018) (TJAC-2019) (Cartórios/TJSC-2019)
(TJPE-2011-FCC): Consideram-se: válido a alienação fiduciária de imóvel no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) por instrumento particular; ineficaz o pacto antenupcial celebrado por instrumento público,se não lhe seguir o casamento; anulável o negócio jurídico realizado em estado de perigo; nulo o contrato que tenha por objeto herança de pessoa viva. BL: Lei 9514/97; art. 1653, 171, II e 426 do CC/02.
(TJMG-2008): Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação ou fraude contra credores. BL: art. 171, II do CC/02.
(TJRR-2008-FCC): O negócio jurídico eivado de erro de direito é anulável, mas não se anula a transação por erro de direito acerca das questões que foram objeto de controvérsia entre as partes. BL: arts. 171, II e 849, parágrafo único, CC/02.
Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro. (MPDFT-2004) (PGEES-2008) (TJPR-2010/2017)
(TJCE-2018-CESPE): Maria decidiu alugar um imóvel de sua propriedade para Ana, que, no momento da assinatura do contrato, tinha dezessete anos de idade. Nessa situação hipotética, o contrato celebrado pelas partes é anulável, portanto passível de convalidação, ressalvado direito de terceiros. BL: art. 171, I c/c art. 172, CC/02.
Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. (DPEAM-2013)
Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente do vício que o inquinava.
Art. 175. A confirmação expressa, ou a execução voluntária de negócio anulável, nos termos dos arts. 172 a 174, importa a extinção de todas as ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor.
Art. 176. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der posteriormente.
Art. 177. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. (TJTO-2007) (TJAL-2008) (TRF4-2009) (TJPR-2011) (MPMS-2011) (TJAC-2012) (MPSC-2014) (MPMG-2017)
(TJMS-2020-FCC): Em relação à invalidade do negócio jurídico, considere o enunciado seguinte: A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, nem se pronuncia de ofício; só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. BL: art. 177, CC.
(TJMG-2009): A anulação do negócio jurídico somente pode ser alegada pelas pessoas afetadas pelo negócio jurídico e em benefício de quem se anula o ato. BL: art. 177, CC.
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: (TJRS-2012)
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; (MPBA-2010) (TJPR-2011)
(TJSP-2018-VUNESP): Um enfermo, detentor de boa situação financeira e colecionador de relógios valiosos, cujos preços alardeava, contratou um cuidador que, depois de ganhar a confiança do patrão, e na ausência da família deste, exigiu que lhe vendesse por R$ 1.000,00 um relógio avaliado em R$ 15.000,00, sob a ameaça de trocar os medicamentos que ministrava, agravando a saúde do doente, que já piorara, podendo levá-lo à morte. Um mês depois, adquirido o relógio pelo valor exigido, abandonou o emprego. Esse negócio jurídico poderá ser anulado por coação, no prazo decadencial de quatro anos, contado do dia em que ela cessar. BL: arts. 151, 152 e 178, II, CC.
##Atenção: Sabendo que a vítima, um enfermo colecionador de relógios valiosos, fora intimidado pelo seu cuidador, sob ameaça contra sua saúde, a realizar negócio que não pretendia (vender relógio por preço extremamente desvantajoso), é preciso identificar qual a medida cabível e o prazo. A questão envolve o tema “coação” (arts. 151 a 155, CC), o vício que provoca a celebração de um negócio jurídico mediante a manifestação de uma vontade intimidada, isto é, a vítima, com receio de sofrer algum dano que prejudique a si, seus familiares ou bens, realiza o negócio. Cumpre registrar que a coação deve ser o fator determinante para a realização do ato, ou seja, a vítima não o realizaria caso não fosse intimidada, pouco importando se o negócio em si é prejudicial ou inviável para a vítima, exatamente como ocorrido no caso em tela. O art. 171, II do CC dispõe que o negócio viciado pela coação será anulável, no prazo decadencial de 4 anos a contar da cessação da coação, nos termos do inciso I do art. 178 do mesmo diploma legal.
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; (TJSC-2017) (MPRO-2017) (TJRS-2009/2018) (TJSP-2018)
(TJRS-2016): A invalidade do negócio jurídico por fraude a credores decorre do exercício de direito pessoal do credor, mediante interposição de ação pauliana, no prazo de quatro anos contados do dia da celebração. BL: art. 178, II, CC.
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. (TJRS-2009)
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. (DPU-2007) (TJPR-2012) (MPRO-2017) (TJRS-2009/2012/2018) (MPBA-2018) (TJMS-2020)
##Atenção: O prazo decadencial de 2 anos somente é aplicável quando a lei não prevê um prazo certo, seja a anulabilidade textual ou virtual (art. 179, do CC).
(MPSC-2014): Tendo em vista a previsão no Código Civil de prazo decadencial para pleitear a anulação do negócio jurídico, uma vez transcorrido o prazo é possível afirmar que a nulidade relativa se convalesce com o decurso do tempo. BL: arts. 178 e 179 do CC/02.
(MPRO-2013-CESPE): É decadencial o prazo para anular venda realizada pelo ascendente ao descendente.
(TJMS-2008): O prazo para anular venda de ascendente para descendente, sem observância dos requisitos legais, é decadencial de 2 anos.
##Atenção: Pelo art. 496, caput do CC, é anulável a venda de ascendente para descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Em ambos os casos, diz o parágrafo único, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens for da separação obrigatória. Pelo art. 179 do CC/02, quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será de 2 anos, a contar da data da conclusão do ato. Trata-se de prazo decadencial.
Art. 180. O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior. (TJDFT-2008) (MPSP-2011) (TJCE-2014/2018)
Art. 181. Ninguém pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que reverteu em proveito dele a importância paga. (TJDFT-2008)
Art. 182. Anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. (PGEES-2008) (MPMG-2017)
##Atenção: A sentença da ação anulatória tem efeito entre as partes e restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam, ou seja, a eficácia é ex tunc (retroativa). Portanto, a ação anulatória é aquela que busca promover a nulidade de um negócio jurídico. Sendo deferido o pedido, a consequência é a desconstituição da situação das partes desde a formação do negócio, logo, a eficácia é ex tunc.
Art. 183. A invalidade do instrumento não induz a do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio. (Analista-CRBio/1ªRegião-2017) (TJPR-2017)
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. (TJDFT-2008)
(TJMS-2020-FCC): Em relação à invalidade do negócio jurídico, considere o enunciado seguinte: Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicarána parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. BL: art. 184, CC.
(TJAL-2008-CESPE): Tendo sido pactuada cláusula penal em negócio jurídico, caso venha a ocorrer a invalidade da obrigação principal, a cláusula penal, por consequência, também perecerá em razão do mesmo vício. BL: art. 184, 2ª parte, do CC.
##Atenção: As cláusulas penais são acessórias de uma obrigação principal (arts. 408 a 416, CC). Prestam-se de estímulo ao cumprimento da obrigação, no tempo e forma devidos, com previsão sanção em caso de inadimplência.
TÍTULO II
Dos Atos Jurídicos Lícitos
Art. 185. Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior.
(TJMT-2014-FMP): O sistema geral de invalidade dos negócios jurídicos, previsto no Código Civil em vigor, é aplicável aos atos jurídicos stricto sensu. BL: art. 185, CC/02.
OBS: Por força do art. 185, do CC, do qual consta que: "Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos (atos jurídicos stricto sensu), aplicam-se, no que couber, as disposições do Título anterior (no qual se insere o sistema geral de invalidade dos negócios jurídicos).
TÍTULO III
Dos Atos Ilícitos
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. (TRF5-2009) (MPPB-2011) (MPRS-2012) (TJPR-2013)
##Atenção: ##STJ: #DOD: Em ação destinada a apurar a responsabilidade civil decorrente de acidente de trânsito, presume-se culpado o condutor de veículo automotor que se encontra em estado de embriaguez, cabendo-lhe o ônus de comprovar a ocorrência de alguma excludente do nexo de causalidade. STJ. 3ª T. REsp 1749954-RO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 26/2/19 (Info 644).
##Atenção: ##STJ: #DOD: ##TJBA-2019: ##CESPE: A omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo MATERIAL do filho gera danos morais, passíveis de compensação pecuniária. O descumprimento da obrigação pelo pai, que, apesar de dispor de recursos, deixa de prestar assistência MATERIAL ao filho, não proporcionando a este condições dignas de sobrevivência e causando danos à sua integridade física, moral, intelectual e psicológica, configura ilícito civil, nos termos do art. 186 do Código Civil. STJ. 4ª T. REsp 1.087.561-RS, Rel. Min. Raul Araújo, j. 13/6/17 (Info 609).
(TJBA-2019-CESPE): Com referência a adoção, guarda, medidas pertinentes aos pais ou responsáveis e direitos fundamentais da criança e do adolescente, julgue o item a seguir: O descumprimento da obrigação de prestação material do pai que dispõe de recursos ao filho gera a responsabilização do genitor e o seu dever de pagamento de indenização por danos morais. BL: Info 609, STJ.
##Atenção: ##STJ: ##TJDFT-2016: ##CESPE: ##MPSC-2019: ##Proc./ALRS-2018: ##Fundatec: A atual orientação do STJ é de que a reparação pela lesão extrapatrimonial deve seguir o método denominado bifásico. Por outras palavras, na primeira etapa, deve-se estabelecer um valor básico para a indenização, considerando o interesse jurídico lesado, com base em grupo de precedentes jurisprudenciais que apreciaram casos semelhantes. Já numa segunda etapa, devem ser consideradas as circunstâncias do caso, para fixação definitiva do valor da indenização, atendendo a determinação legal de arbitramento equitativo pelo juiz. (STJ, 3ª T. Resp 1152541/RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 13/09/11). No mesmo sentido, vejamos os seguintes julgados: “(...) 3. Dano moral. Quantum indenizatório. Critérios de arbitramento equitativo pelo juiz. Método bifásico. Valorização do interesse jurídico lesado e das circunstâncias do caso. Precedentes do STJ. (...)" (STJ, 3ª T. AgRg no REsp 1493022/PE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 5/2/15)”. “(...) A fixação do valor devido a título de indenização por danos morais, segundo a jurisprudência desta Corte, deve considerar o método bifásico, sendo este o que melhor atende às exigências de um arbitramento equitativo da indenização por danos extrapatrimoniais, uma vez que minimiza eventual arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano. (STJ, 4ª T. REsp 1.445.240/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 10.10.17).” Mais recentemente, vejamos: “(...) Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, é possível a modificação do quantum indenizatório quando os danos morais forem flagrantemente irrisórios ou exorbitantes, hipótese verificada na espécie à luz do método bifásico, inexistindo razão para aplicar a Súmula nº 7/STJ. (...) O método bifásico, como parâmetro para a aferição da indenização por danos morais, atende às exigências de um arbitramento equitativo, pois, além de minimizar eventuais arbitrariedades, evitando a adoção de critérios unicamente subjetivos pelo julgador, afasta a tarifação do dano, trazendo um ponto de equilíbrio pelo qual se consegue alcançar razoável correspondência entre o valor da indenização e o interesse jurídico lesado, bem como estabelecer montante que melhor corresponda às peculiaridades do caso. (...) Na primeira fase, o valor básico ou inicial da indenização é arbitrado tendo-se em conta o interesse jurídico lesado, em conformidade com os precedentes jurisprudenciais acerca da matéria (grupo de casos). (...) Na segunda fase, ajusta-se o valor às peculiaridades do caso com base nas suas circunstâncias (gravidade do fato em si, culpabilidade do agente, culpa concorrente da vítima, condição econômica das partes), procedendo-se à fixação definitiva da indenização, por meio de arbitramento equitativo pelo juiz. (...) (STJ, 4ª T. AgInt no REsp 1608573/RJ, Rel. Min Luis Felipe Salomão, j. 20/8/19).” Por fim, temos, ainda, a Jurisprudência em teses STJ, edição 125: A fixação do valor devido à título de indenização por danos morais deve considerar o método bifásico, que conjuga os critérios da valorização das circunstâncias do caso e do interesse jurídico lesado, e minimiza eventual arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano.
(MPSC-2019): Segundo entendimento do STJ, a fixação do valor devido à título de indenização por danos morais deve considerar o método bifásico, que conjuga os critérios da valorização das circunstâncias do caso e do interesse jurídico lesado, e minimiza eventual arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano. BL: Jurisprudência/Teses do STJ.
(Proc./ALRS-2018-Fundatec): A responsabilidade civil, sobretudo os seus elementos estruturantes, sob os auspícios constitucionais de uma nova leitura das relações privadas que tem como essência a dignidade da pessoa humana, foi uma das searas do Direito Civil que mais sofreu transformações, mormente acentuadas a partir da revolução industrial no século XIX. Pode-se detectar uma flexibilização em relação aos seus pressupostos e, como consequência, uma dilatação dos danos suscetíveis de reparação, uma objetivação da responsabilidade e a sua coletivização. Diante disso, sobre a responsabilidade civil, assinale a alternativa correta: Há orientação jurisprudencial do STJ para que se utilize o método bifásico no arbitramento equitativo da indenização por dano extrapatrimonial, que consiste na reunião de dois momentos: numa primeira fase, arbitra-se o valor inicial da indenização considerando-se o interesse jurídico do lesado, em conformidade com precedentes judiciais acerca da matéria e, numa segunda fase, procede-se a fixação definitiva da indenização, ajustando-se o seu montantes de acordo com as circunstâncias particulares do caso, como: gravidade do fato em si, culpabilidade do agente, culpa concorrente da vítima e a condição econômica das partes, até se alcançar o montante definitivo. BL: Jurisprudência do STJ.
(TJDFT-2016-CESPE): A respeito da responsabilidadecivil, assinale a opção correta: Segundo a atual orientação do STJ, a reparação pela lesão extrapatrimonial deve seguir o método denominado bifásico na aferição do valor da indenização. BL: Jurisprudência do STJ.
(MPSP-2010): Assinale a alternativa correta: A indenização por dano moral prescinde da comprovação do dano material. BL: art. 186, CC.
(MPSP-2006): A teoria da responsabilidade civil integra o direito obrigacional, pois a principal consequência prática de um ato ilícito é a obrigação que acarreta, para seu autor, de reparar o dano. A lei prevê, no entanto, as excludentes da responsabilidade civil, que afastam a responsabilidade do agente porque rompem o nexo de causalidade. BL: art. 186, CC.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. (MPPR-2008) (MPRS-2017)
##Atenção: ##STJ: ##DOD: A prática de sham litigation (litigância simulada) configura ato ilícito de abuso do direito de ação, podendo gerar indenização por danos morais e materiais. O ajuizamento de sucessivas ações judiciais, desprovidas de fundamentação idônea e intentadas com propósito doloso, pode configurar ato ilícito de abuso do direito de ação ou de defesa, o denominado assédio processual. STJ. 3ª T. REsp 1817845-MS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, j. 10/10/19 (Info 658).
##Comentários sobre o julgado acima: ##DOD: Trata-se daquilo que, nos EUA, ficou conhecido como “sham litigation” (litigância simulada), ou seja, a “ação ou conjunto de ações promovidas junto ao Poder Judiciário, que não possuem embasamento sólido, fundamentado e potencialidade de sucesso, com o objetivo central e disfarçado de prejudicar algum concorrente direto do impetrante, causando-lhe danos e dificuldades de ordem financeira, estrutural e reputacional.”[footnoteRef:6] [6: CORRÊA, Rogério. Você sabe o que é Sham Litigation? Disponível em: https://sollicita.com.br/Noticia/?p_idNoticia=13665&n=voc%C3%AA-sabe-o-que-%C3%A9-sham-litigation? ]
##Comentários sobre o julgado acima: ##DOD: Quando se fala em punição por ato abusivo no processo judicial, imediatamente se pensa nos arts. 77 a 81 do CPC/15, que tratam sobre os deveres e as responsabilidades das partes por dano processual. Ocorre que não se pode afirmar que todas as descomposturas, chicanas e tramoias processuais estão apenas ali elencadas.
##Atenção: ##STJ: ##DOD: Configura abuso de direito a denúncia imotivada pelo cliente de contrato de prestação de serviços advocatícios firmado com cláusula de êxito antes do resultado final do processo, salvo quando houver estipulação contratual que a autorize ou quando ocorrer fato superveniente que a justifique. Em situações como essa, o STJ, com base no § 2º do art. 22 do Estatuto da OAB, tem afirmado que deverão ser arbitrados honorários para remunerar o advogado pelo trabalho desempenhado até o momento da resilição unilateral e imotivada do contrato pelo cliente, a fim de evitar o locupletamento ilícito deste com a atividade realizada por aquele. STJ. 3ª Turma. REsp 1724441-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 19/02/2019 (Info 643).
##Comentários sobre o julgado acima: ##DOD: Cumpre ressaltar que, mesmo ainda não tendo havido o julgamento definitivo do processo, já será possível ocorrer o arbitramento dos honorários a serem pagos ao advogado, ou seja, o mandante já poderá ser condenado a pagar os honorários pelos serviços desempenhados pelo mandatário, mesmo antes do trânsito em julgado da ação proposta.
(TJRJ-2016-VUNESP): A prolongada omissão de um dos contratantes em exigir da parte contrária o cumprimento de determinada cláusula contratual, que não vinha sendo cumprida ou respeitada, pode configurar motivo idôneo para tornar a cláusula juridicamente inexigível.
OBS: Trata-se da figura conhecida como “supressio” que é desdobramento da boa-fé objetiva.
(MPGO-2016): O boa-fé objetiva é uma causa limitadora do exercício, antes lícito, hoje abusivo, dos direitos subjetivos, e, ainda caracteriza-se por ser fonte de deveres anexos contratuais. BL: art. 187, CC e Enunciado 26 da JDC. (consumidor)
OBS: Enunciado 26 da JDC: A cláusula geral contida no art. 422 do novo Código Civil impõe ao juiz interpretar e, quando necessário, suprir e corrigir o contrato segundo a boa-fé objetiva, entendida como a exigência de comportamento leal dos contratantes.
(TJAL-2015-FCC): A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de comprovação de culpa. BL: art. 187 do CC e Enunciado 37 da JDC. (TJDFT-2007)
(TJCE-2014-FCC): Praticado um ato jurídico de objeto lícito, mas cujo exercício, levado a efeito sem a devida regularidade, acarreta um resultado que se considera ilícito (FRANÇA, R. Limongi. Instituições de Direito Civil. 4. ed., Saraiva, 1991, p. 891), pode-se afirmar que o agente incorreu em abuso do direito.
Explicação: O abuso de direito é um conceito dinâmico e variável. O melhor conceito apresentado até hoje é aquele apresentado pelo professor Rubens Limongi França: o abuso de direito é lícito quanto ao conteúdo e ilícito quanto as consequências. Isso quer dizer que a ilicitude está na forma de execução do ato." Segundo a I Jornada de Direito Civil, no Enunciado nº 37 – Art. 187:"a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico." Quer dizer que a responsabilidade é objetiva.
(TJPE-2013-FCC): O abuso de direito acarreta indenização a favor daquele que sofrer prejuízo em razão dele.
Explicação: Os atos abusivos são atos ilícitos, e como tal sujeitam o autor a indenizar. Pelo Enunciado 539, “O abuso de direito é uma categoria autônoma em relação à responsabilidade civil. Por isso, o exercício abusivo de posições jurídicas desafia controle independentemente de dano” Por sua vez, Enunciado 37, “A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico”.
(MPGO-2012): O abuso de direito enseja reparação pelo regime da responsabilidade objetiva, sendo desnecessária a demonstração da conduta do agente (dolo ou culpa), de sorte que são requisitos necessários para haja o dever de indenizar: o ato; o dano; e o nexo de causalidade entre o ato e o dano. BL: art. 187, CC/02.
(MPMT-2012): Sobre o princípio de proteção da boa-fé objetiva no Código Civil brasileiro, é correto afirmar: Possui previsão expressa como cláusula geral na forma da boa-fé contratual, além de também ser possível reconhecer seus efeitos em manifestações específicas nas relações jurídicas reguladas pela codificação.
Art. 188. Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; (MPPR-2008) (TJDFT-2008) (TJRS-2012) (MPRS-2012) (TRF1-2013)
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. (TJAL-2008) (TJAP-2009) (TJRS-2012) (MPRS-2012) (TJRN-2013)
(TJSP-2009-VUNESP): A responsabilidade civil extracontratual no direito brasileiro não é afastada em caso de estado de necessidade, pois o autor do dano responde pelos prejuízos causados. BL: art. 188, II e art. 930, CC.
##Atenção: De acordo com o arts. 188, II e 930 do CC, aquele que age em estado de necessidade não pratica ato ilícito; não obstante, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado.
(MPSP-2006): O art. 188 do Código Civil prevê três causas de exclusão de ilicitude, que não acarretam no dever de indenizar. São elas: legítima defesa, exercício regular de direito reconhecido e estado de necessidade.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. (TJAL-2008) (TJAP-2009) (TJRS-2012)
TÍTULO IV
Da Prescriçãoe da Decadência
CAPÍTULO I
Da Prescrição
Seção I
Disposições Gerais
(TJRS-2012): A prescrição tem por objeto direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis, basicamente as obrigações. Não abrange os direitos da personalidade, os direitos relacionados ao estado da pessoa e os direitos de família.
Explicação: A prescrição tem como requisitos a violação de um direito, com o nascimento de uma pretensão, a inércia do titular e o decurso do tempo fixado em lei. A prescrição tem por objeto direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis, basicamente as obrigações. Algumas pretensões são imprescritíveis, como as que protegem os direitos da personalidade, direitos de família, aquelas pertinentes ao estado das pessoas, as de exercício facultativo ou direitos potestativos, as referentes aos bens públicos, as pretensões de reaver os bens confiados a guarda de outrem, como no depósito, penhor ou mandato, entre outras. Todavia, as vantagens patrimoniais dos direitos imprescritíveis são atingidas pela prescrição como o direito de reclamar a herança, conforme a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de petição de herança”.
Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
##Atenção: ##STJ: ##DOD: Imagine que o advogado celebrou contrato de prestação de serviços advocatícios com seu cliente, tendo sido acertado que os honorários contratuais seriam pagos pelo cliente somente ao final da causa, se esta fosse exitosa. A isso chamamos cláusula ad exitum ou quota litis. O advogado elaborou e protocolizou a petição inicial da ação. Ocorre que durante a tramitação do processo, o cliente e o advogado se desentenderam e o cliente revogou o mandato outorgado (“revogou a procuração”) e constituiu outro causídico para acompanhar a causa. Alguns anos depois, a ação foi julgada procedente (o cliente ganhou a causa). O prazo prescricional para a cobrança de honorários advocatícios é de 5 anos (art. 25 da Lei 8.906/94). A dúvida que surgiu foi a seguinte: qual é o termo inicial deste prazo? Ele deve ser contado do dia em que a procuração foi revogada ou da data em que a ação foi julgada? A contagem do prazo prescricional começou na data do êxito da demanda, ou seja, no dia em que houve a sentença favorável ao cliente. No caso de contrato advocatício com cláusula de remuneração quota litis, a obrigação é de resultado (e não de meio), ou seja, o direito à remuneração do profissional dependerá de um julgamento favorável ao seu cliente na demanda judicial. No caso em análise, no momento da revogação do mandato, o advogado destituído ainda não tinha o direito de exigir o pagamento da verba honorária, uma vez que, naquela altura, o processo não havia sido julgado e o cliente não era vencedor da demanda. Segundo o princípio da actio nata, o prazo prescricional somente se inicia quando o direito for violado. Portanto, a contagem de prazos para se aferir eventual ocorrência de prescrição deve observar o princípio da actio nata, que orienta somente iniciar o fluxo do lapso prescricional se existir pretensão exercitável por parte daquele que suportará os efeitos do fenômeno extintivo. É o que se extrai da disposição contida no art. 189 da lei material civil. Desse modo, se no momento da revogação da procuração, o advogado ainda não tinha direito aos honorários, não se pode dizer que ele foi inerte porque simplesmente não tinha como ingressar com ação cobrando os honorários. Aplica-se aqui o brocardo latino “contra non valentem agere non currit praescriptio”, que significa “a prescrição não corre contra quem não pode agir”. STJ. 4ª Turma. REsp 805.151-SP, Rel. Min. Raul Araújo, Rel. para acórdão Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 12/8/14 (Info 560).
(TJPR-2017-CESPE): Lúcia, advogada, celebrou com Aldo contrato de prestação de serviços advocatícios, com previsão de pagamento exclusivamente ad exitum. No curso do processo, antes do julgamento, Aldo revogou unilateralmente o mandato. Inconformada, Lúcia ajuizou ação de cobrança de honorários após o julgamento do mérito favorável a Aldo. A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta à luz da legislação aplicável ao caso e da jurisprudência do STJ: A pretensão de Lúcia será exercitável após a prolação de sentença favorável aos pedidos formulados por Aldo. BL: Info 560, STJ.
(TJRS-2012): A prescrição tem por objeto direitos subjetivos patrimoniais e disponíveis, basicamente as obrigações. Não abrange os direitos de personalidade, os direitos relacionados ao estado da pessoa e os direitos de família. BL: art. 189, CC.
OBS: Atendendo-se à circunstância de que a prescrição é instituto de direito material, usou-se o termo “pretensão”, que diz respeito a figura jurídica do campo do direito material, conceituando-se o que se entende por essa expressão no art. 189, que tem a virtude de indicar que a prescrição se inicia no momento em que há violação do direito. Segundo dispõe o art. 189 do CC, “violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206”. A violação do direito, que causa dano ao titular do direito subjetivo, faz nascer, para esse titular, o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão, que permite a composição do dano verificado. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão, por influência do direito germânico (anspruch). A pretensão revela-se, portanto, como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. Não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade, como o direito à vida, à honra, à liberdade, à integridade física ou moral, à imagem, ao nome, às obras literárias, artísticas ou científicas etc.; b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação, a qualidade de cidadania, a condição conjugal). Não prescrevem, assim, as ações de separação judicial, de interdição, de investigação de paternidade etc.; c) as de exercício facultativo (ou potestativo), em que não existe direito violado, como as destinadas a extinguir o condomínio (ação de divisão ou de venda da coisa comum – CC, art. 1.320), a de pedir meação no muro vizinho (CC, arts. 1.297 e 1.327) etc.; d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza, que são imprescritíveis; e) as que protegem o direito de propriedade, que é perpétuo (reivindicatória); (GONÇALVES. Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, volume 1: parte geral. 12.ed.- São Paulo: Saraiva, 2014, p. 1.185 a 1.192).
(MPGO-2010): A prescrição atinge a pretensão que tem por objeto uma prestação e a decadência o direito dirigido a uma sujeição. BL: art. 189, CC.
Art. 190. A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão. (MPSC-2010) (TJMG-2012) (TJSP-2015) (Cartórios/TJRS-2015) (Anal. Judic./TREPA-2020)
(TJAL-2015-FCC): Em comentário ao Código Civil de 1916, escreveu Carpenter (Manual do Código Civil Brasileiro. Paulo de Lacerda, v. IV. p. 208. Jacintho Ribeiro dos Santos Editor, 1919): Desde as considerações introductorias desta obra (ns. 1-19, acima) viemos sempre salientando que a prescripção extinctiva era um instituto peculiar às acções, a saber, que ella extinguia acções, e somente acções. E ainda há pouco (n. 59), voltámos ao assumpto e lhe dedicámos as ultimas ponderações. Dada essa orientação, claro se torna que, mesmo antes de o externarmos, já está patente o nosso modo de pensar acerca do assumpto, a saber − as excepções não estão sujeitas a prescrever: são imprescritíveis. No Código Civil de 2002, a matéria foi resolvida de modo diferente, porque pela prescrição extingue-se a pretensão e a exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão. BL: art. 190, CC.
Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. (MPSP-2005/2006) (TJTO-2007) (TJMG-2008) (TRF4-2009) (MPPB-2011)(TJDFT-2012) (MPPI-2012) (TJPB-2013) (TJRR-2015) (Cartórios/TJRS-2015) (MPSC-2016) (MPMG-2017) (TJRS-2012/2018)
(DPEAP-2018-FCC): No Direito Civil brasileiro atual, a prescrição admite renúncia tácita, quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. BL: art. 191, CC.
(TJMG-2014): A prescrição pode ser renunciada na forma expressa ou na forma tácita, quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. BL: art. 191, CC.
(TJPR-2013): É possível renunciar à prescrição, de forma expressa ou tácita, mas somente será válida sendo feita sem prejuízo de terceiro e depois que o prazo prescricional se consumar. BL: art. 191 do CC.
##Atenção: O CC permite a renúncia expressa e a renúncia tácita da prescrição. O ato da renúncia, todavia, só valerá sendo feito, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar.
(TJAL-2008-CESPE): Não se admite a renúncia prévia ou antecipada da prescrição. BL: art. 191, CC.
Art. 192. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. (MPSP-2006) (TJAL-2008) (MPPR-2008) (AGU-2009) (MPSC-2010) (MPPI-2012) (TJRN-2013) (DPEDF-2013) (TJMG-2014) (MPMT-2008/2014) (Cartórios/TJRS-2015) (MPMG-2011/2017) (Anal. Judic./TREPA-2020)
Art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. (MPSP-2005/2006) (DPEDF-2013) (MPMT-2008/2014) (MPMG-2011/2014) (Cartórios/TJRS-2015) (PGM-Andralina/SP-2017) (PGM/AM-2018) (TJRS-2018)
Art. 194. (Revogado pela Lei nº 11.280, de 2006)
Art. 195. Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem oportunamente.
Art. 196. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor. (MPMG-2011) (TJRJ-2013) (Anal. Judic./TREPA-2020)
(MPMS-2011): A prescrição iniciada contra o de cujus continuará a correr contra seus sucessores, sem distinção entre singulares e universais; logo, continuará a correr contra o herdeiro, o cessionário ou o legatário, salvo se for absolutamente incapaz. BL: art. 196, CC/02.
Seção II
Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição
Art. 197. Não corre a prescrição:
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal; (TJMG-2005/2014) (TJAP-2014) (TJMS-2015) (MPDFT-2015) (DPEAP-2018) (TJAL-2019)
(MPMS-2018): Entre cônjuges, na constância da sociedade conjugal, não correrão os prazos de usucapião. Exceção a essa regra é a modalidade de usucapião urbano, para os casos de abandono do lar. BL: art. 197, I c/c art. 1.240-A, CC.
##Atenção: Vide teor do art. 1.240-A do CC: “Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011)”. Portanto, a “usucapião familiar” é exceção à previsão legal de que não correm prazos prescricionais durante a constância da sociedade conjugal.
(MPPR-2017): É causa de suspensão do prazo prescricional: O casamento das partes da relação jurídica. BL: art. 197, I, CC.
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; (MPSP-2012) (MPRJ-2012) (MPRS-2017)
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela. (MPSP-2012) (MPMG-2018)
Art. 198. Também não corre a prescrição: [obs.: é caso de suspensão]
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o [obs.: absolutamente incapazes]; (TJMG-2007) (TJPA-2009) (MPCE-2009) (TRF4-2009) (MPPB-2010) (TJPE-2011) (MPSP-2008/2012) (DPESP-2012) (TJRN-2013) (TJMS-2015) (MPRS-2017) (MPMG-2018) (Anal. Judic./TRF3-2019)
(TJRS-2018-VUNESP): Sobre a prescrição e a decadência, é correto afirmar: contra os ébrios habituais, os viciados em tóxico e aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade, a prescrição e a decadência correm normalmente. BL: art. 198, I c/c art. 208 CC.
##Atenção: Os sujeitos listados são relativamente incapazes (art. 4º, II, III e IV, CC), contra os quais corre a prescrição e a decadência normalmente, uma vez que elas só não correm contra os absolutamente incapazes (art. 198, I e 208, CC).
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios; (DPECE-2008) (MPSP-2012) (TJMG-2007/2014)
(TJSP-2017-VUNESP): Não sendo proprietário de imóvel, Nelson passa a ocupar como seu, no ano de 2005, imóvel localizado em área urbana de Brasília, com 450 metros quadrados. Ali estabelece sua moradia habitual, tornando pública a posse. O imóvel é de propriedade de Fábio, embaixador brasileiro em atividade na Bélgica desde o ano 2000. Quando retorna ao Brasil no ano de 2008, Fábio se aposenta e fixa residência em Santa Catarina. No ano de 2016, Nelson propõe ação de usucapião contra Fábio. Considerando ser incontroverso que Nelson exerce a posse, sem quaisquer vícios, assinale a alternativa correta: A ação é improcedente, pois, embora a posse tenha sido exercida com animus domini, de forma contínua e pacífica, faltou o preenchimento do requisito temporal de 10 (dez) anos, em razão da existência de causa impeditiva atinente à ausência de Fábio do país, o que impediu a contagem do prazo da prescrição aquisitiva entre 2005 e 2008. BL: art. 198, II, c/c art. 1238, § único, CC/02.
OBS: Está correta, já que, a despeito de ter cumprido praticamente todos os requisitos exigidos pelo art. 1.238, parágrafo único, a ausência de Fábio em território nacional, por força do art. 198, inc. II, impediu a contagem do prazo necessário à aquisição da propriedade por usucapião por Nelson.
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. (MPSP-2012) (TJRJ-2013) (TJMG-2014)
Art. 199. Não corre igualmente a prescrição: [obs.: é caso de suspensão]
I - pendendo condição suspensiva; (MPPI-2012) (TJMG-2007/2014) (TJRR-2015) (Cartórios/TJRS-2015)
II - não estando vencido o prazo;
III - pendendo ação de evicção. (TJRR-2015)
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. (TJAL-2008) (TJAP-2009) (MPSC-2010) (MPMG-2011) (TJPE-2011) (TJPB-2011) (TJRS-2012)
(PGM-Alumínio/SP-2017-VUNESP): O termo inicial do prazo de prescrição para o ajuizamento da ação de indenização por danos decorrentes de crime (ação civil ex delicto), de ação proposta contra empregador em razão de crime praticado por empregado no exercício do trabalho que lhe competia, é a data do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. BL: art. 200, CC.
OBS: De acordo com o art. 200 do CC/02, quando a ação civil se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não ocorrerá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. Com o advento da sentença penal transitada em julgado, o prazo prescricional para a ação civil começa a correr. A prescrição em tal caso ocorrerá com o decurso do lapso de três anos (art. 206, 3º, V, CC). Ratificando o disposto em lei, o STJ tem entendimento sedimentado "A jurisprudência de ambas as turmas da primeira seção do STJ é firme no sentido de que, na hipótese de ação indenizatória ex delicto, o prazo prescricional do direito de pleitear a reparação começa a fluir a partir do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. (NESTOR TÁVORA, Curso de Direito Processual Penal, 2016, p.353)
(TJRJ-2016-VUNESP): Kleber, renomado médico ortopedista, atendeu Bruno em uma emergência médica decorrente de um abalroamento de veículos. Bruno chegou ao hospital com grave fratura em sua perna e foi submetido a uma cirurgia capitaneada pelo ortopedista. Em consequência da natureza e extensão da fratura, após o período de convalescença, constatou-se que Bruno teria sua mobilidade reduzida. Inconformado com suacondição, acreditando ter ocorrido erro médico, Bruno voltou ao hospital em fevereiro de 2009 e desferiu 2 disparos de arma de fogo contra Kleber, um em seu peito e outro em seu rosto. Kleber foi prontamente atendido e sobreviveu ao atentado, permanecendo até fevereiro de 2010 em convalescença, sem poder trabalhar neste período. Sua recuperação foi integral, mas restou com grande e incômoda cicatriz em seu rosto. Em decorrência dos fatos, uma ação penal foi ajuizada em face de Bruno em março de 2011, sobrevindo definitiva sentença criminal condenatória em dezembro de 2012. Kleber relutou em buscar reparação pelos danos suportados, mas, em abril de 2015, ajuizou ação indenizatória em face de Bruno, que foi citado no mesmo mês. Sua pretensão consiste, em suma, nos cumulativos pedidos de reembolso das despesas com tratamento médico, de lucros cessantes, de danos morais e de dano estético. Nesse cenário, é correto afirmar que a pretensão de Kleber não está prescrita e deverá englobar todos os pedidos formulados. BL: art. 200 c/c art. 206, §3º, V do CC/02.
(TJRS-2012): Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. BL: art. 200 do CC.
##Atenção: ##TJAL-2008: ##CESPE: O marco inicial será o recebimento da denúncia ou queixa, e o final, mesmo que a sentença seja absolutória, o trânsito em julgado.
(TJSC-2009): Quando o ato ilícito deva ser apurado no juízo criminal, não corre prescrição antes da respectiva sentença definitiva, não sendo bastante para permitir a fluência do prazo mera sentença penal recorrível. BL: art. 200 do CC.
(MPCE-2009-FCC): Considere a seguinte afirmação a respeito da prescrição e decadência, reguladas pelo Código Civil: Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva, embora a responsabilidade civil seja independente da criminal. BL: art. 200, CC.
Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível. (TJTO-2007) (DPU-2007) (MPCE-2009) (MPDFT-2011) (MPGO-2012) (TJRJ-2013) (MPMT-2008/2014) (TJDFT-2008/2012/2014) (TJSP-2015) (TJMS-2020)
(MPSP-2010): Tratando-se de obrigação não suscetível de fracionamento, suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, aos demais será estendida. BL: art. 201, CC.
(TJAL-2008-CESPE): Se duas pessoas forem credoras solidárias de determinada obrigação indivisível, então o casamento de um dos credores com o devedor suspenderá a prescrição em favor do outro credor. BL: art. 197, I e art. 201, CC.
##Atenção: Com o casamento, nas obrigações solidárias e indivisíveis, há suspensão do prazo prescricional, inteligência do art. 197, I c/c art. 201, segundo o qual: “suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os outros se a obrigação for indivisível”. Vejamos o teor do art. 197, I, “art. 197. Não corre a prescrição: I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;”
Seção III
Das Causas que Interrompem a Prescrição
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: (TJPR-2010) (MPSC-2010) (TJPB-2013) (TJRS-2018)
##Atenção: A interrupção da prescrição importa o recomeço do prazo por inteiro.
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual; (TJPR-2010) (MPSC-2012) (TJPB-2013) (TRF4-2014) (MPPR-2017) (DPEAP-2018)
(DPEDF-2013-CESPE): Acerca dos institutos da prescrição e da decadência na esfera cível, julgue o próximo item. A interrupção da prescrição, que pode ser promovida por qualquer interessado, pode ocorrer uma única vez. Entre as causas da interrupção inclui-se o despacho do juiz, ainda que incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. BL: art. 202, I, c/c art. 203, CC.
##Atenção: A citação NÃO precisa ser válida, basta que haja despacho que ordene citação.
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente; (MPSC-2012)
III - por protesto cambial; (Cartórios/TJSE-2006) (MPMT-2008) (TJCE-2012) (MPRO-2013) (MPMT-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (MPPR-2017)
(Advogado-AL/RO-2018-FGV): O protesto cambial é causa suficiente para a interrupção da prescrição da pretensão creditícia. BL: art. 202, III, CC.
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores;
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; (TJDFT-2008) (MPPR-2008/2017)
(TJMG-2012-VUNESP): A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. BL: art. 202, V do CC/02.
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. (TJDFT-2012) (MPPR-2017) (TJMT-2018)
##Atenção: ##STJ: ##DOD: O pedido de concessão de prazo para analisar documentos com o fim de verificar a existência de débito não tem o condão de interromper a prescrição. STJ. 3ª Turma. REsp 1677895-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 6/2/18 (Info 619).
(TJDFT-2016-CESPE): Suponha que, entabulado contrato facultativo de seguro de vida e acidentes pessoais, em decorrência do sinistro, o segurado pleiteou da seguradora o respectivo pagamento. Assinale a opção correta no que se refere à prescrição. O prazo prescricional anual é suspenso com o pedido administrativo do pagamento, voltando a correr pelo tempo restante a partir da eventual negativa da seguradora, mas se há pagamento parcial o prazo é interrompido voltando a correr por inteiro. BL: Súmula 229 do STJ c/c art. 202, VI do CC/02.
Explicação:
· 1º PARTE: "O prazo prescricional anual é suspenso com o pedido administrativo do pagamento, voltando a correr pelo tempo restante a partir da eventual negativa da seguradora," (SÚMULA 229, STJ: O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão.
· 2º PARTE: "mas se há pagamento parcial o prazo é interrompido voltando a correr por inteiro." Mas o inciso VI traz o único caso em que condutas do devedor trazem o mesmo efeito, a saber: “Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á: (...). VI – por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor”. Como exemplos de atos que têm esse condão, podem ser citados o pagamento de juros ou de cláusula penal, o envio de correspondência reconhecendo a dívida, o seu pagamento parcial ou total, entre outros. Essas condutas podem ocorrer no plano judicial ou extrajudicial, segundo consta do próprio dispositivo transcrito.
(TJRN-2013-CESPE): O reconhecimento do direito pelo devedor constitui causa de interrupção da prescrição. BL: art. 202, VI do CC/02.
(TJSC-2009): Ato extrajudicial do devedor de inequívoco reconhecimento da dívida interrompe a prescrição. BL: art. 200, VI do CC/02.
(TJMG-2007): O Código Civil enumera situações de fato e de direito em que a prescrição não tem curso, outras em que ocorre suspensão do prazo prescricional e ainda aquelas que interrompem a prescrição. De acordo com o Código Civil, é CORRETO dizer que interrompe a prescrição: alterar o objeto da relação obrigacional, mediante consenso entre os sujeitos do contrato. BL: art. 200, VI do CC/02.
Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper. (Cartórios/TJRS-2015)
Art. 203. A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado. (MPCE-2009) (TJMG-2012) (TJRJ-2013) (MPSP-2013) (DPEDF-2013) (Cartórios/TJRS-2015) (DPEAP-2018) (TJMS-2020)
Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados. (DPU-2007) (TJMG-2008) (MPPR-2008)(TJSC-2009) (TJRS-2012) (MPSP-2013) (TJDFT-2014) (TJSP-2015) (TJMT-2018) (TJMS-2020)
(PFN-2015-ESAF): A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; da mesma forma, quando operada contra o codevedor ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados. BL: art. 204, CC.
§ 1o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros. (DPU-2007) (TJMG-2008) (TJAL-2008) (TJSC-2009) (MPCE-2009) (TJRS-2012)
(MPSP-2013): A interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros. BL: art. 204, §1º, CC.
§ 2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis. (DPU-2007) (TJSC-2009) (MPCE-2009) (MPMA-2014) (MPSP-2014)
§ 3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador. (DPU-2007) (TRF2-2013) (MPSP-2013/2014) (Cartórios/TJRS-2015)
(TJMS-2010-FCC): A prescrição interrompe-se ou suspende-se nos casos taxativos enumerados em lei; na interrupção o prazo anterior não é computado e na suspensão soma-se o prazo anterior ao seu início. BL: art. 197 a 204, CC.
##Atenção: Para a prescrição suspensa, o prazo anterior já transcorrido é aproveitado, enquanto a prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.
Seção IV
Dos Prazos da Prescrição
Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.
##Atenção: ##STJ: #DOD: A ação de repetição de indébito por cobrança indevida de valores referentes a serviços não contratados de telefonia fixa tem prazo prescricional de 10 anos. STJ. Corte Especial. EAREsp 738991-RS, Rel. Min. Og Fernandes, j. 20/02/19 (Info 651).
##Atenção: ##Comentários ao julgado acima: #DOD: Por que não se aplica o prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 27 do CDC? O prazo do art. 27 do CDC se aplica para as pretensões relacionadas com danos causados por fato do produto ou do serviço. O art. 27 do CDC está, portanto, intimamente ligado ao art. 14 do CDC, tratando, assim, da responsabilidade do fornecedor pelo fato do serviço. No caso apreciado, a pretensão não está relacionada com “defeito” na prestação de serviços, mas sim com a restituição de valores de serviços cobrados indevidamente.
(MPPR-2016): O prazo geral de prescrição, aplicável quando não houver prazo especial, é de 10 anos. BL: art. 205, CC.
(TJCE-2015-FCC): O Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, estabelece um prazo geral de prescrição de dez anos e alguns prazos especiais, entre eles o de cinco anos para certas pretensões, não incluindo aquelas contra a Fazenda Pública. Nesse caso, a disposição do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, que fixa a prescrição quinquenal das pretensões contra a Fazenda Pública, continua em vigor, porque não se verifica nenhuma hipótese de revogação que a atinja e esse decreto ocupa a posição hierárquica de lei ordinária.
##Atenção: "O Decreto 20.910/32 foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, na parte que estabelece o prazo prescricional quinquenal em face da Fazenda Pública, com "status" de lei ordinária, por ser perfeitamente compatível, materialmente, com a proteção do interesse público, e sua inequívoca prevalência sobre o interesse privado na satisfação dos créditos particulares, albergadas pela Carta Magna de 1988" (AC 185-SP, TRF-3, j. 10.11.08).
(TJSP-2013-VUNESP): Quando a lei não fixar prazo menor, a prescrição ocorre em 10 anos. BL: art. 205, CC/02.
(TRF4-2012): Não é aplicável o prazo de prescrição de cinco anos previsto pelo art. 27 do Código de Defesa do Consumidor na hipótese de ação de restituição de taxa de água e esgoto cobrada indevidamente, pois não se trata de ação de reparação de danos causados por defeitos na prestação de serviços, aplicando-se o prazo prescricional estabelecido pela regra geral do Código Civil. BL: art. 205 do CC/02 (art. 177 do CC/16)
(TJMG-2012): É de 20 (vinte) anos o prazo prescricional da pretensão executiva atinente à tarifa por prestação de serviços de água e esgoto, cujo vencimento, na data da entrada em vigor do Código Civil de 2002, era superior a dez anos; do contrário, o prazo será de 10 (dez) anos.
Art. 206. Prescreve:
§ 1o Em um ano:
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento, para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos;
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo: (AGU-2009) (TJDFT-2007/2015/2016)
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador; (AGU-2009)
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão; (TJDFT-2007) (AGU-2009)
##Atenção: ##STJ: #DOD: A pretensão do segurado de revisar as cláusulas do contrato e também a de reaver valores pagos a maior prescrevem em um ano, por aplicação do art. 206, § 1º, “b”, do CC/02. STJ. 3ª T. AgInt no AREsp 745.841/RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, j. 15//17.
##Atenção: ##STJ: #DOD: ##TJDFT-2014: ##CESPE: A qualificação jurídica do resseguro como um contrato de seguro decorre do fato de a resseguradora obrigar-se, mediante o pagamento de um prêmio, a proteger o patrimônio da seguradora/cedente do risco substanciado na responsabilidade desta perante seu segurado. Logo, presentes as características principais da relação securitária: interesse, risco, importância segurada e prêmio. Qualquer pretensão do segurado contra o segurador, ou deste contra aquele, prescreve em um ano (art. 206, II, CC), regra que alcança o seguro do segurador, isto é, o resseguro. Portanto, prescreve em 1 ano a pretensão de sociedade seguradora em face de ressegurador baseada em contrato de resseguro. STJ. 3ª T. REsp 1170057-MG, Rel. Min. Villas Bôas Cueva, j. 17/12/2013 (Info 535).
(TJSP-2017-VUNESP): Pedro celebra contrato de seguro, com cobertura para invalidez total e permanente. Em 20 de outubro de 2008, é vítima de acidente. Fica hospitalizado e passa por longo tratamento médico. Cientificado em 20 de julho de 2010 de que é portador de incapacidade total e permanente, formula pedido administrativo de pagamento da indenização securitária em 20 de novembro de 2010. A seguradora alega que não há cobertura e, em 20 de setembro de 2011, formaliza a recusa ao pagamento da indenização, cientificando o segurado. Inconformado, Pedro propõe ação de cobrança de indenização securitária em 20 de janeiro de 2012. Assinale a alternativa correta: A ação deve ter prosseguimento, uma vez que o prazo para propositura teve início no momento em que Pedro teve ciência da incapacidade, que o prazo foi suspenso com a formulação do pedido administrativo e voltou a fluir com a cientificação da recusa da seguradora, e que na relação entre segurado e seguradora o prazo para a propositura é de 1 (um) ano, conforme dispõe o art. 206, § 1° , II, “b”, do Código Civil. BL: art. 206, §1º, II, “b”, CC/02 c/c S. 229, STJ.
OBS: Súmula 229, STJ: "O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão."
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça, serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela percepção de emolumentos, custas e honorários; (MPSP-2011) (MPMA-2014)
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima, contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade.
§ 2o Em dois anos, a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem.(MPPE-2002) (MPRJ-2012) (DPESP-2012) (MPSC-2010/2013) (TJSP-2013) (DPEAM-2013) (DPERS-2014)
(DPERS-2018-FCC): João, capaz, com 19 anos de idade, decide propor cumprimento da sentença que fixa alimentos contra seu genitor, que nunca pagou os alimentos fixados quando do divórcio. Em caso de ajuizamento da ação, o cumprimento de sentença poderá abranger todas as parcelas vencidas e inadimplidas. BL: art. 197 a 204, CC.
##Atenção: Cristiano Chaves explica que, “uma vez fixados os alimentos, por decisão judicial, fluirá, dali em diante, um prazo prescricional para a execução, em juízo, dos valores inadimplidos correspondentes. A prescrição, portanto, é da pretensão executória dos alimentos e ocorrerá no prazo de dois anos, como reconhece o art. 206, § 2°, do Estatuto do Cidadão”. (CC, arts. 197, II, e 198, I).” (Fonte: Curso de Direito Civil - V. 6 - Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald – 2016, 8ª Ed., 2016). Perceba que a questão não traz nenhuma exceção à regra geral de que o poder familiar cessa com a maioridade, isto é, 18 anos (art. 1.630, CC). Assim, sabendo que o CC/02 fixa em dois anos a prescrição para pretensão de prestações alimentícias (art. 206, §2º, CC) e que só se passou um ano entre a data da cessação da condição suspensiva da prescrição (a maioridade de João), temos que nenhuma parcela encontra-se prescrita. Em outras palavras, no caso concreto, como João encontra-se com 19 anos, ainda não houve a prescrição, já que só passou 01 ano que ele completou a maioridade, de modo que o cumprimento de sentença poderá abranger todas as parcelas vencidas e inadimplidas. Vejamos o teor do art. 197, inciso II e art. 1630 do CC: “Art. 197. Não corre a prescrição: (...) II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar; (...)Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores.”
(MPRS-2017): Assinale a alternativa correta quanto à obrigação alimentar: Se o alimentando for absolutamente incapaz, contra ele não corre a prescrição. Os alimentos fixados na sentença e vencidos só terão a prescrição iniciada quando o alimentando se tornar relativamente capaz. Todavia, sendo o pai ou a mãe os devedores dos alimentos, a prescrição, de dois anos, só se inicia quando o menor se tornar capaz, salvo se emancipado. BL: S. 197, II; art. 198, I; art. 206, §2º e art. 1635, II, CC.
##Atenção: O art. 3º do CC contempla somente os absolutamente incapazes, de modo que contra os relativamente incapazes a prescrição começará a correr, e, também, contra os emancipados, visto que a emancipação é causa de cessação da incapacidade.
§ 3o Em três anos:
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; (MPSP-2011) (PGM/AM-2018) (TJRJ-2019)
II - a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias;
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela;
(Advogado/EMBRAPA-2007-Consulplan): A pretensão para haver juros, dividendos ou quaisquer prestações acessórias, pagáveis em períodos não maiores de um ano, com capitalização ou sem ela, prescreve em 3 anos. BL: art. 206, §3º, III, CC/02.
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa; (MPMA-2013) (TJPR-2014) (MPPE-2014)
##Atenção: ##STJ: #DOD: ##TJBA-2019: ##CESPE: Em caso de pretensão de nulidade de cláusula de reajuste prevista em contrato de plano ou seguro de assistência à saúde ainda vigente, com a consequente repetição do indébito, a ação ajuizada está fundada no enriquecimento sem causa e, por isso, o prazo prescricional é trienal, nos termos do art. 206, § 3º, IV, CC/02. Em outras palavras, se o usuário do plano de saúde (ou do seguro-saúde), ainda com o contrato em vigor, pretende declarar a nulidade da cláusula de reajuste e obter a devolução dos valores pagos a mais, o prazo prescricional para isso é de 3 anos. No CC/16, não havia uma previsão como a do art. 206, § 3º, IV, CC/02. O art. 177 do CC/16 afirmava que, se para a situação concreta não houvesse prazo prescricional expressamente previsto na lei, deveria ser aplicado o prazo de 20 anos caso a ação versasse sobre direitos pessoais. Logo, se o fato ocorreu na vigência do CC/16, o prazo prescricional aplicável é de 20 anos. Resumindo, foi fixada a seguinte tese: Na vigência dos contratos de plano ou de seguro de assistência à saúde, a pretensão condenatória decorrente da declaração de nulidade de cláusula de reajuste nele prevista prescreve em 20 anos (art. 177 do CC/16) ou em 3 anos (art. 206, § 3º, IV, do CC/02), observada a regra de transição do art. 2.028 do CC/02. STJ. 2ª S. REsp 1.361.182-RS, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, j. 10/8/16 (recurso repetitivo) (Info 590).
(TJBA-2019-CESPE): Renê firmou contrato de seguro de assistência à saúde e, anos depois, quando ele completou sessenta anos de idade, a seguradora reajustou o valor do seu plano de assistência com base em uma cláusula abusiva. Por essa razão, Renê pretende ajuizar ação visando à declaração de nulidade da cláusula de reajuste e à condenação da contratada em repetição de indébito referente a valores pagos em excesso. De acordo com entendimento jurisprudencial do STJ, nessa situação hipotética, as parcelas vencidas e pagas em excesso estão sujeitas à prescrição de três anos, porque se trata de hipótese de enriquecimento sem causa da empresa contratada. BL: Info 590, STJ.
V - a pretensão de reparação civil; (MPMT-2008) (TJPE-2011) (TJRN-2013) (TJDFT-2014/2016)
##Atenção: ##STJ: #DOD: A pretensão indenizatória decorrente do inadimplemento contratual sujeita-se ao prazo prescricional decenal (art. 205 do CC), se não houver previsão legal de prazo diferenciado. STJ. Corte Especial. EREsp 1.281.594-SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, j. 15/5/19 (Info 649).
##Atenção: ##STJ: #DOD: É decenal o prazo prescricional aplicável às hipóteses de pretensão fundamentadas em inadimplemento contratual. É adequada a distinção dos prazos prescricionais da pretensão de reparação civil advinda de responsabilidades contratual e extracontratual. Nas controvérsias relacionadas à responsabilidade CONTRATUAL, aplica-se a regra geral (art. 205 CC/02) que prevê 10 anos de prazo prescricional e, quando se tratar de responsabilidade extracontratual, aplica-se o disposto no art. 206, § 3º, V, do CC/02, com prazo de 3 anos. Para fins de prazo prescricional, o termo “reparação civil” deve ser interpretado de forma restritiva, abrangendo apenas os casos de indenização decorrente de responsabilidade civil extracontratual. O prazo prescricional é assim dividido: 1º) Responsabilidade civil extracontratual (reparação civil): 3 anos (art. 206, § 3º, V, CC); 2º) Responsabilidade contratual (inadimplemento contratual): 10 anos (art. 205, CC). STJ. 2ª Seção. EREsp 1280825-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 27/06/2018 (Info 632).
(TJAL-2019-FCC): Luciana e Roberto casaram-se no ano de 2004 sob o regime da separação de bens, divorciando-se em 2018, quando desfizeram a sociedade conjugal. Em 2013, Luciana, culposamente, colidiu seu automóvel com o de Roberto, causando-lhe danos. Nesse caso, a pretensão de Roberto obter a correspondente reparação civil de Luciana, segundo o Código Civil, prescreverá em 2021. BL: art. 197, I c/c art. 206, §3º, V, CC.
##Atenção: Nos termos do CC/02, não correrá a prescrição entre os cônjuges na constância da sociedade conjugal (art. 197, I, CC). Neste ponto, considerando que o divórcio de Luciana e Roberto ocorreu em 2018 - momento em que desfizeram a sociedade conjugal - a pretensão de Roberto para obter a correspondente reparação civil de Luciana passa a prescrever. Portanto, com o encerramento da sociedade conjugal pelo divórcio em 2018, teremos o início do curso do prazo prescricional para a pretensão indenizatória, que, no caso, é a prevista pelo art. 206, §3º, V, do Código Civil, que é de 3 anos.
(TJSC-2015-FCC): A vítima de um acidente automobilístico ajuizou, um anoapós o fato, ação indenizatória contra o condutor, a quem o proprietário confiara o veículo, ocorrendo imediatamente a citação. Achando-se ainda o processo em curso, mas já passados quatro anos do acidente, a vítima propôs ação indenizatória contra o proprietário do automotor, que, na contestação, alegou inviabilidade do pedido, em razão da pretensão já deduzida contra o condutor, e prescrição. Nesse caso, nenhuma das alegações do réu deve ser acolhida.
##Atenção: Para resolver a questão devemos saber:
1º) a responsabilidade entre o condutor e o proprietário é solidária, conforme entendimento do STJ: O proprietário do veículo responde solidariamente pelos danos decorrentes de acidente de trânsito causado por culpa do condutor, pouco importando que ele não seja seu empregado ou preposto, ou que o transporte seja oneroso ou gratuito. [...]. (REsp 1484286/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 3ª T., j. 24/02/2015).
2º) ao ajuizar a ação apenas contra um devedor solidário o credor não renuncia à solidariedade passiva, consoante art. 275, p.ú. do CC: Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.
3º) de acordo com o §1º do art. 204, do CC a prescrição interrompida pela citação do condutor também se operou contra o proprietário do veículo: Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados. § 1o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.
4º) Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil (art. 206, §3º, V, CC). Logo, considerando que a ação contra o condutor foi promovida UM ANO APÓS o fato e a citação (que interrompe a prescrição, 202, I do CC c/c art 219 do CPC) foi feita imediatamente, o prazo de 3 anos se reiniciou a partir daí em relação ao proprietário/codevedor, já que pelo art. 202, pú. do CC: Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper.
(TJPR-2014-PUCPR): Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil (art. 206, §3º, V do CC). João dos Anzois foi atropelado por um veículo em 20.02.2008 e faleceu na mesma data, em virtude das lesões sofridas. O condutor do veículo foi denunciado um mês depois, processado e condenado criminalmente (decisão transitada em julgado em 10.01.2009). Os familiares de João (a viúva Maria dos Anzois, nascida em 1972, e as filhas Anita dos Anzois (nascida em 20.11.1992) e Beatriz dos Anzois (nascida em 15.12.1994) ajuizaram ação postulando a reparação dos danos em 10.12.2012. O Juiz declarou de ofício prescrita a pretensão indenizatória em relação à viúva Maria dos Anzois e à filha Anita.
##Atenção: De início, deve-se ter como premissa o fato de o início do cômputo da prescrição se dar a partir do trânsito em julgado da sentença penal, conforme o art. 200, do CC e diversos precedentes do STJ nesse sentido. A partir disso, teríamos que, da data do trânsito em julgado (10/01/09) até a data da propositura da ação (10/12/12) teriam decorridos mais de 3 anos e a prescrição já teria se consumado. No entanto, a filha Beatriz dos Anzóis nasceu em 15/12/94, sendo, na data em que se iniciou a contagem da prescrição, absolutamente incapaz, e, como se sabe, não corre prescrição contra absolutamente incapazes (artigo 198, inciso I, CC). Assim, tendo a prescrição se iniciado no dia 10/01/09, a prescrição alcança a esposa e a filha mais velha, mas não atinge a filha mais nova, pois contra ela a prescrição não iniciou a contagem na data do trânsito em julgado, mas sim a partir de seus 16 anos.
(TJRJ-2011-VUNESP): João nasceu em 14/9/90, tendo sido atropelado por um ônibus da empresa Aliança Transportes em 12/8/95. Na ocasião, seus pais não se interessaram em reclamar indenização da empresa, entretanto, ao completar 18 anos, João constituiu um advogado que propôs a ação de reparação de danos em 15/3/11. O juiz, ao apreciar a causa, entendeu que esta se encontrava prescrita. Em razão desse fato, assinale a alternativa correta: “A ação prescreveu em 14/9/09”.
##Atenção: Contra os absolutamente incapazes não corre prescrição, e o prazo para exercer a pretensão de reparação civil ocorre em 3 anos pelo CC/02 (art. 198, I e 206, §3º, V do CC). Até 14/09/06, a prescrição estava suspensa. A partir dessa data, teria João 3 anos para mover ação indenizatória, nos termos do novo CC, devendo fazê-lo até 14/09/09. BL: art. 206, VI do CC.
(TJPR-2008): Antonio, em 10/01/93, ao transpor um cruzamento com o sinal vermelho, acaba por abalroar o automóvel de propriedade de Bruna, causando danos patrimoniais. Diante desses fatos, a pretensão de Bruna à reparação civil frente a Antonio prescreverá 20 anos após o acidente. BL: Enunciado 50, JDC.
##Atenção: Pelo Enunciado 50, “a partir da vigência do novo Código Civil, o prazo prescricional das ações de reparação de danos que não houver atingido a metade do tempo previsto no Código Civil de 1916 fluirá por inteiro, nos termos da nova lei”. Trata-se de interpretação dada ao art. 2028 do CC/02 a respeito da prescrição. Na vigência do CC/16, a pretensão de reparação civil prescrevia em 20 anos, conforme o art. 177 do antigo Código. A partir do CC/02, a mesma pretensão teve o prazo prescricional reduzido a 3 anos, conforme art. 206, §3º, V. Todavia, se na vigência da legislação passada já transcorreu metade daquele prazo, ou seja, 10 anos, apurado em 11/01/03, data da vigência do CC/02, será o do antigo diploma o prazo prescricional de reparação civil.
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado o prazo:
a) para os fundadores, da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da apresentação, aos sócios, do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada, ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembléia semestral posterior à violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as disposições de lei especial;
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.
§ 4o Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas.
(TJPB-2013-CESPE): A pretensão relativa à tutela prescreve em quatro anos, a contar da data da aprovação das contas. BL: art. 206, §4º, CC/02.
(MPAP-2012-FCC): João e Maria, casados, quando transitavam por uma estrada no Estado do Amapá com seu veículo, sofreram um acidente de trânsito no mês de maio de 2011 e colidiram frontalmente com uma carreta, falecendo no local do acidente. O casal João e Maria deixou uma filha, Priscila, que contava com 17 anos de idade, completados naquele mesmo mês de maio, e não era emancipada. O juiz Henrique, na ausência de nomeação de tutor pelos pais falecidos, nomeou o avô materno Pedro como tutor da menor Priscila. Cessada a tutela com a maioridade de Priscila no mês de maio deste ano de 2012, Pedro cumpriu com suas obrigações e prestou contas em juízo sobre o período em que exerceu a tutela. Priscila, discordando das contas prestadas pelo seu ex-tutor, por conta de valores que teriam sido omitidos e desviados pelo tutor, deverá exercer a sua pretensão relativa à tutela observando o prazo prescricional de 4 anos, a contar da datada aprovação de contas. BL: art. 206, §4º, CC/02.
§ 5o Em cinco anos:
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular; (MPPR-2008) (TJRO-2011) (TJRN-2013) (Cartórios/TJMG-2017)
##Atenção: ##STJ: #DOD: É quinquenal o prazo prescricional aplicável à pretensão de cobrança, materializada em boleto bancário, ajuizada por operadora do plano de saúde contra empresa que contratou o serviço de assistência médico-hospitalar para seus empregados. Fundamento: art. 206, § 5º, I, do CC. Portanto, na hipótese, apesar de existir relação contratual entre as partes, a cobrança está amparada em boleto bancário, hipótese que atrai a incidência do disposto no inciso I do § 5º do art. 206 do CC, que prevê o prazo prescricional de 5 anos para a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. STJ. 3ª T. REsp 1763160-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 17/09/19 (Info 657).
(TJSP-2018-VUNESP): O prazo para a propositura de ação monitória de título de crédito prescrito é 5 anos. BL: Súmulas 503 e 504, STJ e art. 206, §5º, I, CC.
##Atenção: “[...] tanto o cheque quanto a promissória, cuja executividade já prescreveu, só autorizam o ajuizamento da ação monitória no prazo de cinco anos, a contar da data da emissão do cheque ou do vencimento da nota promissória. É o que estabelecem as Súmulas 503 e 504 do Superior Tribunal de Justiça.” (GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito processual civil esquematizado. 8 ed. – São Paulo: Saraiva, 2017, p. 669.).
(DPU-2017-CESPE): Situação hipotética: O condômino B deve taxas condominiais extraordinárias, estabelecidas em instrumento particular, ao condomínio edilício A. Assertiva: Nessa situação, o condomínio A goza do prazo de cinco anos, a contar do dia seguinte ao do vencimento da prestação, para exercer o direito de cobrança das referidas taxas. BL: Info 596, STJ.
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral, procuradores judiciais, curadores e professores pelos seus honorários, contado o prazo da conclusão dos serviços, da cessação dos respectivos contratos ou mandato; (TJRN-2013)
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.
CAPÍTULO II
Da Decadência
Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. (TJMG-2008/2009) (TJPR-2013) (MPMA-2014) (TJRR-2015) (TJMSP-2016) (TJRS-2018) (TJMS-2020)
##Atenção: O art. 207 do CC dispõe as regras relativas ao impedimento, à suspensão e à interrupção de prescrição apenas serão aplicáveis à decadência diante da previsão legal.
(TJSP-2009-VUNESP): Prescrição e decadência extinguem, respectivamente, a pretensão e o direito potestativo.
(TJMG-2009): A prescrição e a decadência são formas de extinção de direitos, constituindo-se as duas em prazos extintivos.
##Atenção: Embora a diferença entre ambas, de pretensão e direito, é certo que possuem em comum a inércia e o tempo.
(Anal./SERPRO-2008-CESPE): A prescrição e a decadência são exemplos de fatos jurídicos em sentido estrito e classificam-se entre os ordinários.
Art. 208. Aplica-se à decadência o disposto nos arts. 195 e 198, inciso I. (MPCE-2009) (TJRS-2018)
##Atenção: O art. 208 do CC prevê, por remissão, a ação regressiva também nos casos de decadência.
Art. 209. É nula a renúncia à decadência fixada em lei. (TJTO-2007) (TJMG-2008) (TJDFT-2012) (TJRN-2013) (TJRS-2018)
(MPMT-2014): Enquanto a prescrição admite renúncia, admitindo-se sua caracterização tácita desde que consumada e não haja prejuízo a terceiro, a decadência, prevista em lei, é irrenunciável. BL: art. 191 e art. 209 do CC/02.
##Atenção: A prescrição é renunciável e a decadência convencional também o é.
Art. 210. Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei. (TJMG-2008) (MPMG-2010) (TJPR-2013) (TJPE-2013) (MPMT-2014) (TJMSP-2016) (TJRS-2018) (Cartórios/TJMG-2018)
##Atenção: Ao juiz não se admite conhecer de ofício a decadência convencional. De acordo com os artigos 210 e 211 do Código Civil, a decadência convencional não pode ser levantada de ofício pelo juiz; deve ser arguida por uma das partes em qualquer grau de jurisdição. Apenas a decadência legal deve ser arguida de ofício pelo magistrado.
Art. 211. Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação. (TJTO-2007) (TJMG-2008) (TJSC-2009) (MPCE-2009) (MPMT-2008/2014) (TJRR-2015) (TJMSP-2016) (TJRS-2018) (TJMS-2020)
(MPGO-2019): Considerando as disposições do CC/02 sobre os fatos jurídicos, assinale a alternativa correta: Ainda que se trate de matéria de ordem pública, a decadência nem sempre pode ser conhecida de ofício pela autoridade judiciária. BL: arts. 210 e 211, CC.
##Atenção: Temos a decadência legal (ex.: art. 178 do CC) e a decadência convencional, que decorre da vontade das partes (ex.: o prazo de garantia estendido). A primeira deve ser conhecida de ofício pelo juiz, mas a segunda não.
(TJCE-2018-CESPE): Em um contrato, as partes pactuaram livremente o prazo de trinta dias para o exercício de eventual direito de arrependimento. Esse prazo possui natureza decadencial e somente pode ser suscitado pelas partes. BL: art. 211, CC.
##Atenção: Trata-se de prazo decadencial, uma vez que há o estabelecimento de um direito potestativo, qual seja, prazo de 30 dias para o exercício de eventual direito de arrependimento. Ademais, tal prazo é convencional, tendo em vista que fora estabelecido pelas partes ("as partes pactuaram livremente").
(TJSP-2015-VUNESP): A decadência convencional não é suprível por declaração judicial não provocada. BL: art. 211, CC.
(TJRR-2015-FCC): O juiz pode, de ofício, reconhecer a prescrição, ainda que a pretensão se refira a direitos patrimoniais, mas não pode, de ofício, suprir a alegação, pela parte, de decadência convencional. BL: arts. 211 e 219, §5º do CC.
(TJGO-2009-FCC): O empresário X é locatário de dois imóveis, sendo o contrato de um deles por prazo determinado de seis (06) anos e o de outro, também por prazo determinado, mas de um (01) ano, com cláusula estabelecendo que o locatário poderá renová-lo por igual prazo desde que notifique o locador até sessenta (60) dias antes do término, sob pena de a locação prorrogar-se por prazo indeterminado. Os prazos que o empresário X tem para mover ação renovatória do primeiro contrato de locação e para renovar anualmente o segundo contrato de locação classificam-se ambos como decadenciais, sendo apenas o primeiro passível de reconhecimento de ofício pelo Juiz. BL: art. 51 caput, II c/c §5º da Lei 8245/91 e arts. 211 e 212, CC.
##Atenção: A respeito da ação renovatória locatícia, o §5º do art. 51 da Lei 8245/91 compreende um prazo DECADENCIAL previsto em LEI, o qual pode ser conhecido EX OFFICIO pelo magistrado, nos termos do art. 210 CC/02: "Deve o juiz, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei." No caso em tela, o empresário, para renovar a locação do imóvel locado há mais tempo (06 anos), deverá fazê-lo no prazo estatuído pela Lei n. 8.245/91, já que cumprido o prazo mínimo quinquenal do contrato a renovar (art. 51, caput, inciso II). Logo, A PRIMEIRA SITUAÇÃO É DE DECADÊNCIA LEGAL QUE PODE SER APRECIADA DE OFÍCIO PELO JUIZ. Em relação ao imóvel alugado há menos tempo, note-se que o enunciado deixa claro que há cláusula estabelecendo que o locatário poderá renovar o contrato por igual prazo, desde que notifique o locador até 60 dias antes do término. Como esse interstício não se encontra previsto na Lei de Locações, e como referido contrato ainda não preencheu os requisitos mínimos para renovação legal (por não ter durado pelo menos cinco anos), conclui-se tratar-se exclusivamente de decadência contratual. A respeito dessa modalidade de decadência, prescreve o art. 211 do CC/02: "Se a decadência for convencional, a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não podesuprir a alegação.” Dessa feita, o segundo prazo, por se tratar de DECADÊNCIA COM SEDE EXCLUSIVAMENTE NEGOCIAL, NÃO PODE SER RECONHECIDO DE OFÍCIO PELO JUIZ.
TÍTULO V
Da Prova
Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante:
I - confissão;
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunção;
V - perícia.
Art. 213. Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. (MPRO-2010)
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado.
(MPSC-2013): Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode vincular o representado. BL: art. 213, CC/02.
Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação. (TJPR-2011) (MPMG-2011/2013)
(TJMG-2018-Consulplan): Quanto às provas, segundo o Código Civil, analise a afirmativa a seguir: O fato jurídico pode ser provado pela confissão que é irrevogável, porém, pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação. BL: art. 212, I c/c art. 214, CC/02.
Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. (PGESP-2009) (MPMG-2013) (TJSE-2015)
§ 1o Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter:
I - data e local de sua realização;
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas;
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação;
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes;
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato;
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram;
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato.
§ 2o Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz assinará por ele, a seu rogo.
§ 3o A escritura será redigida na língua nacional.
§ 4o Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião não entender o idioma em que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na localidade, outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes.
(TJMG-2018-Consulplan): Quanto às provas, segundo o Código Civil, analise a afirmativa a seguir: A escritura pública, redigida em língua portuguesa e lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena, mesmo que o comparecente não saiba a língua nacional e, neste caso, desde que o tabelião entenda o idioma em que se expressa. BL: art. 215, §§ 3º e 4º, CC/02.
§ 5o Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identificar-se por documento, deverão participar do ato pelo menos duas testemunhas que o conheçam e atestem sua identidade.
(MPAL-2012-FCC): Comparecendo Paulo, brasileiro, e Henri, francês, que desconhece a língua nacional, para lavratura de uma escritura pública, que será dotada de fé pública e fará prova plena, o tabelião, entendendo o idioma francês de Henri, poderá lavrar a escritura, independentemente de tradutor público para servir de intérprete. BL: art. 215, §5º, CC/02.
Art. 216. Farão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, ou sob a sua vigilância, e por ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados.
Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos por tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos lançados em suas notas. (MPMG-2013)
Art. 218. Os traslados e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos, se os originais se houverem produzido em juízo como prova de algum ato. (MPMG-2013)
Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. (DPEAP-2018) (TJMS-2020)
##Atenção: Do caput do art. 219 do CC extrai-se o seguinte: “mesmo sem testemunhas, o documento particular vale entre as PRÓPRIAS PARTES.”
Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las.
(TJMG-2018-Consulplan): Quanto às provas, segundo o Código Civil, analise a afirmativa a seguir: As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários, porém, não tendo relação direta com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados do ônus de prová-las. BL: art. 219, § único, CC/02.
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo modo que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento.
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (PGEAL-2009) (MPAL-2012)
(DPEAP-2018-FCC): A respeito das disposições gerais do negócio jurídico e da prova dos fatos jurídicos, de acordo com o Código Civil atualmente em vigor, o instrumento particular, feito por terceiro e somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor.. BL: art. 221, CC.
##Atenção: Desse modo, o instrumento particular gera efeitos entre as partes, mas para gerar efeitos perante terceiros, é necessário o seu registro no Cartório de Títulos e Documentos, nos termos do art. 221 do CC.
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal.
Art. 222. O telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante conferência com o original assinado.
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o original. (TJMG-2006) (DPEAP-2018)
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos casos em que a lei ou as circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição.
Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. (TJMG-2018)
Art. 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão.
(TJPI-2012-CESPE): Não havendo impugnação, não se discutirá a exatidão de cópia reprográfica de documento particular, ainda que não autenticada. BL: art. 225, CC/02.
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. [Obs.: presunção relativa.] (MPMG-2013) (PGERN-2014) (Cartórios/TJRS-2015) (DPEES-2016) (TJBA-2019)
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestidode requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. [Obs.: presunção relativa.] (PGERN-2014) (TJGO-2015) (Cartórios/TJRS-2015) (DPEES-2016) (TJBA-2019)
(TJGO-2015-FCC): Acerca dos livros e fichas dos empresários e sociedades, é correto afirmar: quando escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, fazem prova a favor das pessoas a que pertencem, mas desde que confirmados por outros subsídios. BL: art. 226, CC.
Art. 227. (Revogado pela Lei n º 13.105, de 2015) (Vigência)
Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. (TJRJ-2013) (DPEAP-2018)
Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:
I - os menores de dezesseis anos; (MPRO-2013) (MPSP-2017) (TJMS-2020)
II - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
III - (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; (MPSP-2017)
V - os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por consangüinidade, ou afinidade. (TJRJ-2013) (MPSP-2017)
§ 1o Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) [Obs.: EXCEÇÃO] (TJMS-2020)
§ 2o A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (PCMS-2017)
(TJMS-2020-FCC): Quanto à prova: A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. BL: art. 228, § único, CC.
Art. 229. (Revogado pela Lei n º 13.105, de 2015) (Vigência)
Art. 230. (Revogado pela Lei n º 13.105, de 2015) (Vigência)
Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa. (TJPR-2011) (ABIN-2018)
(TJAL-2015-FCC): Em ação de investigação de paternidade, recusando-se o suposto pai a submeter-se a exame de DNA, não poderá aproveitar-se da recusa, mas não corre contra ele presunção absoluta de paternidade. BL: S. 301, STJ e art. 231, CC e art. 2º-A, Lei 8.560/92.
##Atenção: Súmula 301/STJ: “Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.”
##Atenção: Lei 8.560/92, Art. 2o-A. “Na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos. (Incluído pela Lei nº 12.004, de 2009). Parágrafo único. A recusa do réu em se submeter ao exame de código genético - DNA gerará a presunção da paternidade, a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório.”
Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame. (MPPR-2014) (ABIN-2018) (TJMS-2020)
P A R T E E S P E C I A L
LIVRO I
DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
TÍTULO I
DAS MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES
CAPÍTULO I
DAS OBRIGAÇÕES DE DAR
Seção I
Das Obrigações de Dar Coisa Certa
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. (TJRN-2013) (MPPR-2013) (DPEDF-2013) (MPMT-2019)
(TJSC-2013): A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. BL: art. 233, CC.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. (MPAM-2007) (MPAL-2012) (TJGO-2012)
Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. (TJAP-2009) (MPMT-2019)
(MPAL-2012-FCC): Mikely deverá entregar para Janaína um lote de roupas femininas diversas. Antes da entrega, o veículo de propriedade de Mikely, utilizado para o transporte das roupas, é incendiado por vândalos e 70% da mercadoria é deteriorada. Neste caso, Janaína poderá resolver a obrigação ou, então, aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. BL: art. 235, CC.
##Atenção: O art. 235 do CC dispõe que, deteriorada a coisa, sem culpa do devedor, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, nesse caso com abatimento do preço, ainda que sem ausência de culpa do devedor.
Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos. (TJDFT-2008) (MPMT-2019)
(MPPA-2014-FCC): Carlos obrigou-se a entregar uma bicicleta a Paulo. Antes da tradição, porém, Carlos se acidentou, por dirigir negligentemente, causando danos à bicicleta. Paulo poderá aceitar a bicicleta no estado em que se encontra, ou o equivalente em dinheiro, mais indenização por perdas e danos, em um ou em outro caso.. BL: art. 236, CC.
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. (TJSC-2009) (STM-2013) (MPMT-2019)
(TJAP-2009-FCC): Na obrigação de dar coisa certa, até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço e se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação. BL: art. 237, CC.
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes. (MPPB-2010)
(Analista/INSS-2008-CESPE): Até a tradição, a coisa certa - bem como os seus melhoramentos e acréscimos, inclusive os frutos, salvo os pendentes - pertence ao devedor. BL: art. 237, CC.
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. (MPRN-2009) (TJPB-2011) (TJCE-2012)
(MPMT-2019-FCC): Em relação às obrigações de dar coisa certa, é correto afirmar que, se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. BL: art. 238, CC.
Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos. (MPRS-2016)
Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239.
Art. 241. Se, no caso do art. 238 [obs.: obrigação de restituir coisa certa.], sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização. (TJSC-2009) (TJPB-2011)
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
Perda com Culpa
O devedor responde pelo equivalente mais perdas e danos.
Perda sem Culpa
Resolve-se a obrigação, com o retorno das partes à situação anterior.
Deterioração com Culpa
Poderá o credor exigir o equivalente ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização por perdas e danos.
Deterioração sem Culpa
Poderá o credor resolver a obrigação ou aceitar a coisa,abatido de seu preço o valor que perdeu.
(TJGO-2012-FCC): Antônio obrigou-se a entregar a Benedito, Carlos, Dario e Ernesto um determinado touro reprodutor, avaliado em R$ 80.000,00. Embora bem guardado e bem tratado em lugar apropriado e seguro, o animal morreu afogado em inundação causada por fortes chuvas. Nesse caso, a obrigação é de dar coisa certa, indivisível, resolvida para ambas as partes com ausência de culpa do devedor, ante o perecimento do objeto.
Seção II
Das Obrigações de Dar Coisa Incerta
Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade. (MPPR-2013) (TJAM-2016) (PGM-Cerquilho/SP-2019)
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor. (TJRN-2013) (TJAM-2016)
(TJSC-2015-FCC): A indústria de cerâmica X celebrou contrato de fornecimento de carvão mineral, durante um ano, com empresa mineradora estabelecendo o instrumento que o produto deveria ser apropriado para a combustão, contudo sem fixar percentual máximo de cinza, sabendo-se que melhor será a combustão, quanto menor a quantidade de cinza. Ao fazer a primeira entrega do produto, o adquirente verificou que a quantidade de cinza era muito alta e que seu concorrente recebia carvão com quantidade de cinza muito baixa. Notificada, a mineradora esclareceu que, no contrato firmado com a concorrente, ficara estabelecido aquele percentual mínimo, o que não figurava no contrato firmado com a Cerâmica X e, por isso, entregava o carvão de pior qualidade. A indústria X ajuizou ação, com pedido de antecipação de tutela, para que a Mineradora Y lhe entregasse o carvão de melhor qualidade. O juiz, após a contestação, e tendo sido comprovada a existência de um produto intermediário, deferiu a liminar, determinando que este fosse o objeto da entrega. Ambas as partes interpuseram agravo de instrumento, pedindo a ré que fosse a liminar revogada e a autora, que fosse a decisão reformada para que a agravada lhe entregasse o carvão de melhor qualidade. Considerando a disposição específica de direito material, nesse caso, ambos os agravos devem ser improvidos, porque o devedor não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor. BL: art. 244, CC.
Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente.
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. (MPAL-2012)
(MPSP-2015): Nas obrigações de dar coisa incerta, não poderá o devedor, antes da escolha, alegar a perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito.
(MPRN-2009): Tratando-se de coisas determinadas pelo gênero e quantidade, antes de cientificado da concentração, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito, salvo se o objeto da dívida for limitado.
DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA e OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA:
Obrigação de Dar Coisa Certa: Caracteriza-se quando seu objeto for constituído por um corpo certo e determinado, estabelecendo entre as partes da relação obrigacional um vínculo em que devedor fará a entrega ao credor de uma coisa individualizada.
Obrigação de Dar Coisa Incerta (obrigação genérica): Consiste na relação obrigacional em que o objeto, indicado de forma genérica no início da relação vem a ser determinado mediante um ato de escolha, por ocasião do adimplemento.
CAPÍTULO II
Das Obrigações de Fazer
Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível.
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos. (MPRN-2009)
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. (MPDFT-2004) (TJSC-2009) (TCEBA-2010)
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. (TJSC-2009)
(MPSC-2016): Acerca da obrigação de fazer, o devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível incorre na obrigação de indenizar perdas e danos. Todavia, resolve-se a obrigação se a prestação do fato tornar-se impossível sem sua culpa, e, se por culpa sua, responderá ele por perdas e danos. BL: arts. 247, 248 e 249, CC.
(MPAL-2012-FCC): Paula contratou o empreiteiro Romeu para executar serviços de hidráulica, elétrica e colocação de forro de gesso em seu novo apartamento, pagando a quantia de R$10.000,00. Após quinze dias do início da obra, Romeu a abandona imotivadamente, causando um grande atraso em sua finalização. Paula poderá, então, mandar executar o serviço por outro empreiteiro, às custas de Romeu, e exigir o pagamento deste de indenização das perdas e danos que provocou. BL: art. 249, CC.
CAPÍTULO III
Das Obrigações de Não Fazer
Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. (TRT9-2003) (MPDFT-2004) (MPCE-2009) (MPT-2013) (PGM-Cerquilho/SP-2019)
Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos.
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.
(TJSC-2013): Nas obrigações de não fazer, quando praticado pelo devedor o ato a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos; e em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, ainda que sem autorização judicial, e sem prejuízo do ressarcimento devido. BL: art. 251, § único, CC.
(MPCE-2009-FCC): Nas obrigações de não fazer se descumprida, em caso de urgência poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido. BL: art. 251, § único, CC.
CAPÍTULO IV
Das Obrigações Alternativas
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou. (TJMG-2008) (MPSC-2010) (TJPR-2011) (TJDFT-2014) (PGESC-2014) (PGM-Cerquilho/SP-2019)
(Cartórios/TJRS-2015-Faurgs): Nas obrigações alternativas, se outra coisa não se estipular, a escolha cabe ao devedor. BL: art. 252, CC.
§ 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
(TJAP-2014-FCC): Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou, não podendo, porém, obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. BL: art. 252, §1º, CC.
§ 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. (TJPI-2007) (MPSC-2010) (TJAP-2014) (PGESC-2014)
(TJMG-2008): Diz-se alternativa a obrigação quando comportar duas prestações, distintas e independentes. Considerando essa afirmativa, o devedor pode exercer a faculdade de opção em cada período, quando a obrigação for de prestações periódicas. BL: art. 252, §2º, CC.
§ 3o No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação. (TJPI-2007) (TJMG-2008) (Cartórios/TJRS-2015)
§ 4o Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes. (TJRN-2013) (Cartórios/TJRS-2015)
Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra. (TJAP-2014) (Cartórios/TJRS-2015)Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. (TJAP-2014)
Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos. (Cartórios/TJRS-2015)
Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação.
CAPÍTULO V
Das Obrigações Divisíveis e Indivisíveis
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
(TJPR-2011): Nas obrigações divisíveis no que tange ao pagamento o recebimento é a regra do princípio do concursus parts fiut. BL: art. 257, CC.
OBS: “Concursus parts fiut”, princípio pelo qual as partes se satisfazem pelo concurso, conservando-se independentes as obrigações de cada uma. Haverá o rateio entre credores e devedores daquilo que será adimplido ou recebido. Encontra-se previsto no art. 257 do CC.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. (TJRS-2018)
OBS: A indivisibilidade decorre: a) da natureza da obrigação; b) da lei; e c) da vontade das partes.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. (MPDFT-2009) (TJPE-2011)
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. (TJPE-2011)
(TJPI-2015-FCC): Marcos foi contratado, em um mesmo instrumento, para prestar serviços de manutenção de máquinas agrícolas durante o período de colheita, simultaneamente, nas fazendas de Lourenço e Sérgio, comprometendo-se estes conjuntamente a pagar os serviços, parte em dinheiro e parte com um equino. Não tendo Lourenço e Sérgio cumprido a obrigação assumida e achando-se eles em mora, Marcos poderá cobrar a parte de cada um na dívida em dinheiro e a entrega do animal de qualquer dos devedores. BL: arts. 257, 258 e 259 do CC/02.
(TJSP-2009-VUNESP): A obrigação, se indivisível e solidária, implica responsabilidade de todos os devedores pelo total e sub-rogação em favor de quem paga. BL: arts. 259 e 283, CC/02.
Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando: (TJRN-2013)
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.
(TJRN-2013-CESPE): Nas obrigações não divisíveis, havendo pluralidade de credores, poderá cada um deles exigir a dívida inteira; o devedor ou devedores se desobrigarão pagando a todos conjuntamente ou a um, dando este caução de ratificação dos outros credores. BL: art. 260, CC/02.
Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.
Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente. (TJSC-2009)
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou confusão.
Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. (TJPI-2007) (MPDFT-2009) (TJRJ-2012) (TJAM-2016) (PGM-Cerquilho/SP-2019)
(TJRJ-2012-VUNESP): Na solidariedade passiva, havendo descumprimento da prestação por culpa de um dos devedores, os demais não ficarão liberados da responsabilidade de pagar o equivalente, embora pelas perdas e danos só responda o culpado; tal, porém, não ocorrerá com a indivisibilidade, que cessará se houver tal transformação; passando a ter natureza pecuniária, tornar-se-á uma obrigação divisível. BL: arts. 279 e 263, CC.
##Atenção: Portanto, uma vez convertida a obrigação em perdas e danos, esta perde o seu caráter indivisível, nos termos do art. 263 do CC.
§ 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos por partes iguais. (MPDFT-2009) (TJRJ-2012)
(TJGO-2009-FCC): Convertendo-se a prestação em perdas e danos subsiste para todos os efeitos a solidariedade, mas quando a obrigação é indivisível, perde esta qualidade, e, se houver culpa de todos os devedores, responderão por partes iguais. BL: art. 263, §1º e art. 271 do CC/02.
§ 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos. (TJPI-2007) (MPRN-2009) (MPDFT-2009) (TJRJ-2012) (Cartórios/TJRS-2015)
(TJSE-2008-CESPE): O inadimplemento da obrigação indivisível converte-a em perdas e danos, dando lugar à indenização, em dinheiro, dos prejuízos causados ao credor, que torna a obrigação divisível. Se apenas um dos devedores foi culpado pela inadimplência, só ele responderá por perdas e danos, exonerando-se os demais; mas, se a culpa for de todos, todos responderão por partes iguais. BL: art. 263, §§ 1º e 2º, CC.
CAPÍTULO VI
Das Obrigações Solidárias
Seção I
Disposições Gerais
Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. (DPU-2007) (MPSC-2010) (MPMS-2015) (TJRJ-2016)
(TJAM-2016-CESPE): Acerca do direito das obrigações, assinale a opção correta: Nas obrigações in solidum, todos os devedores, embora estejam ligados ao credor por liames distintos, são obrigados pela totalidade da dívida. BL: sem base legal.
##Atenção: ##TJPB-2011: ##CESPE: O que é uma obrigação in solidum? De início, cumpre ressaltar a obrigação in solidum não é sinônimo de obrigação solidária. Além disso, tal espécie de obrigação não se encontra prevista expressamente em nosso ordenamento. Há doutrina especializada que diferencia obrigação solidária da obrigação in solidum. Neste tipo de obrigação, os devedores estão vinculados ao mesmo fato, embora não exista solidariedade entre eles. Na chamada obrigação in solidum, temos devedores vinculados ao credor pelo mesmo fato, mas não há solidariedade entre eles. Se unem pelo mesmo fato, sem solidariedade. A propósito, neste tipo de obrigação, a remissão da dívida feita em favor de um dos devedores não beneficia os outros, como ocorre nas obrigações solidárias. Exemplo da doutrina argentina, trazida pelo doutrinador Guillermo Borda: imagine que eu tenha feito o seguro da minha casa contra danos. Um belo dia, eu viajei, entrou um cidadão na minha casa (terceiro) e ateou fogo nela. Deste fato, que é o incêndio, surgem dois devedores nitidamente. Tanto é meu devedor esse terceiro (e posso demandá-lo), como existe o devedor que é a companhia de seguros (nada impede que eu a demande). Deste mesmo fato, que é o incêndio, existem dois devedores: o terceiro, por conta do ilícito e a seguradora, por força do contrato que ela firmou comigo. Ambas as dívidas decorrem do mesmo fato, mas não há solidariedade entre eles. Nesse sentido, Guillermo Borda conclui dizendo que, aqui está um exemplo em que há uma obrigação in solidum porque temos devedores que se vinculam a um mesmo fato, embora não exista solidariedade entre eles, pois os liames que os unem com o credor são independentes.
(TJMS-2010-FCC): Na solidariedade ativa, cada um dos credores tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. BL: art. 264, CC.
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. (DPU-2007) (TJRS-2009) (MPSC-2010) (TJDFT-2014) (TJPE-2015) (TJRJ-2016) (TJAM-2016) (Cartórios/TJMG-2017)
(MPSC-2014):Para o Código Civil, a solidariedade não se presume, resulta de lei ou da vontade das partes. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com seu direito, ou obrigação, à divida toda. BL: arts. 264 e 265 do CC.
Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. (TJRS-2009) (MPSC-2016)
(DPEDF-2013-CESPE): No que se refere ao direito das obrigações, julgue o item a seguir: A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores ou codevedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. Esse tipo de obrigação não se presume, devendo ser sempre resultante da lei ou da vontade das partes.
Seção II
Da Solidariedade Ativa
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. (TRT9-2003) (TJMS-2010)
Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar.
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. (MPPR-2013)
Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. (TJMS-2010) (TJRJ-2012) (TJAM-2016)
(MPRN-2009): A solidariedade não subsiste para os herdeiros do credor solidário, mas conserva a vinculação em relação aos demais cocredores, salvo se a obrigação for indivisível. BL: art. 270, CC.
Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade. (TJGO-2011) (TJRJ-2012) (PGESC-2014)
Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba.
Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros. (TJDFT-2007) (TJPB-2015) (TJAM-2016)
(TJPI-2007-CESPE): Com relação ao direito das obrigações, assinale a opção correta: Ocorre a solidariedade quando a totalidade da prestação puder ser exigida por qualquer dos credores de qualquer devedor por inteiro, e a prestação efetuada pelo devedor a quaisquer deles libera-o em face de todos os outros credores. Deduzido em juízo qualquer litígio que verse sobre exceções pessoais entre o devedor e um dos credores solidários, a decisão que a este último prejudique não interferirá no direito dos demais credores. BL: art. 264 c/c art. 273, CC/02.
OBS: Vejamos o teor do art. 264 do CC: “Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.”
Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor tenha direito de invocar em relação a qualquer deles. (Redação dada pela Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)
Seção III
Da Solidariedade Passiva
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. (TJAL-2008) (TJPE-2011) (MPPB-2011) (TJRN-2013) (TJRS-2018) (TJMT-2018)
(TJPA-2012-CESPE): Quatro pessoas contraíram um empréstimo de R$ 100.000,00, tendo ficado estipulada, no contrato, a solidariedade entre elas quanto ao pagamento do débito. Contudo, a obrigação contratual não foi cumprida. A respeito dessa situação, a lei admite que o credor exija de um ou de mais de um devedor solidário o pagamento parcial ou total da dívida comum. BL: art. 275, §1ª parte, CC.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. (TJAL-2008) (TJRS-2009) (TJPB-2011) (MPPB-2011) (MPSP-2019)
##Atenção: Cumpre ressaltar que o regime de solidariedade visa garantir ao credor de devedores solidários maiores possibilidades de satisfazer seu crédito. O objetivo do instituto seria, em certa medida, frustrada fosse a ele facultado cobrar a dívida integral de qualquer dos devedores, desde que o ato importasse em renúncia com relação ao direito de crédito perante os demais.
Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. (DPESP-2006) (TJAC-2012) (TJDFT-2014) (TJRJ-2014/2016) (MPSP-2019)
(TJRS-2018-VUNESP): João emprestou a José, Joaquim e Manuel o valor de R$ 300.000,00; foi previsto no instrumento contratual a solidariedade passiva. Manuel faleceu, deixando dois herdeiros, Paulo e André. É possível afirmar que João poderá cobrar de Paulo e André a totalidade da dívida, tendo em vista que ambos, reunidos, são considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores; porém, isoladamente, somente podem ser demandados pelo valor correspondente ao seu quinhão hereditário. BL: art. 276, c/c art. 1.792, CC.
##Atenção: Os herdeiros, quando considerados individualmente, somente poderão ser cobrados pelo seu quinhão hereditário. Porém, quando considerados em conjunto, poderão ser cobrados pelo total da dívida. Atente-se que em TODAS as hipóteses, a cobrança estará limitada às forças da herança (art. 1.792 do CC).
##Atenção: Vejamos o teor do art. 1.792, CC: “Art. 1.792. O herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança; incumbe-lhe, porém, a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demostrando o valor dos bens herdados.”
(PGM/AM-2018-CESPE): À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue o item a seguir: Se o devedor solidário de uma dívida divisível falecer e deixar três herdeiros legítimos, tais herdeiros, reunidos, serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores, mas cada um desses herdeiros somente será obrigado a pagar a cota que corresponder ao seu quinhão hereditário. BL: art. 276, CC.
(MPSE-2010-CESPE): Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes será obrigado a pagar apenas a cota que corresponder ao seu quinhão hereditário, se a obrigação for divisível. BL: art. 276, CC.
Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. (DPESP-2006) (TJPA-2012)
(MPSP-2019): Gabriel Vieira, Paulo Martins, Carlos Andrade e Marcelo Pereira emprestaram de Jorge Manuel a quantia de R$ 400.000,00 para a compra de um carro esportivo. As partes estabeleceram que o referido valor seria dividido em quatro parcelas iguais e sucessivas bem como que todos os devedores ficariam obrigados pelo valor integral da dívida. Diante dessa situação, assinale a alternativa correta: O pagamento parcial feito por Carlos e a remissão dele obtida pelo credor Jorge Manuel não aproveitam aos outros devedores, senão até a concorrência da quantia paga ou relevada. BL: art. 277, CC.
Art. 278. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. (TJAL-2008)
(TJRJ-2014-VUNESP): A é credor de B, C, D e E, que são devedores solidários da quantia total de R$ 1.000,00. B falece e deixa como herdeiros BA e BB. A perdoa a dívida em relação a C e pactua com D uma nova garantia para o crédito. E torna-se insolvente. É correto afirmar em relação a essa obrigação solidária que a estipulação entre A e D, de estabelecer nova garantia para o crédito, não terá efeitoem relação aos demais devedores, que não poderão ver suas situações agravadas se não manifestaram seu consentimento. BL: art. 278, CC.
Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado. (TJTO-2007) (TJRN-2013) (MPSP-2019)
(Cartórios/TJRS-2015-Faurgs): Na solidariedade passiva, impossibilitando-se a prestação por culpa exclusiva de um dos devedores, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente, mas pelas perdas e danos só responde o culpado. BL: art. 279, CC.
(TJRJ-2012-VUNESP): Na solidariedade passiva, havendo descumprimento da prestação por culpa de um dos devedores, os demais não ficarão liberados da responsabilidade de pagar o equivalente, embora pelas perdas e danos só responda o culpado; tal, porém, não ocorrerá com a indivisibilidade, que cessará se houver tal transformação; passando a ter natureza pecuniária, tornar-se-á uma obrigação divisível. BL: arts. 279 e 263, CC.
(TJAL-2008-CESPE): Considerando que os irmãos Gustavo, Eduardo e Leonardo tenham adquirido um barco de pesca a ser pago em cinco prestações mensais de R$ 5.000,00, tendo firmado, para tanto, um contrato que contém cláusula de solidariedade. Em relação a esse negócio jurídico é correto afirmar que, ainda que a prestação se impossibilite por culpa de Gustavo, subsistirá para todos o encargo de pagar o equivalente, embora somente Gustavo responda pelas perdas e danos. BL: art. 279, CC.
Art. 280. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. (TJAL-2008) (Cartórios/TJRS-2015) (MPSP-2019)
Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro codevedor. (DPEDF-2006) (TJAL-2008) (MPSC-2010) (TJSP-2013) (TJAM-2016) (MPSP-2019)
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores. (MPPR-2013) (TJDFT-2014)
(TJPB-2011-CESPE): Em relação às obrigações, assinale a opção correta: Tratando-se de solidariedade passiva legal, admite-se a renúncia tácita da solidariedade pelo credor em relação a determinado devedor. BL: art. art. 282, CC e Enunc. 348, JDC.
##Atenção: O CC/02 continua admitindo a renúncia à solidariedade, de forma parcial (a favor de um devedor) ou total (a favor de todos os devedores), nos termos do art. 282, caput. Além disso, vejamos o teor do Enunciado 348 do JDC: “O pagamento parcial não implica, por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve derivar dos termos expressos da quitação ou, inequivocadamente, das circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor.”
Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais. (TJRS-2009) (TJDFT-2014)
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. (TJPA-2012)
(TJSE-2015-FCC): Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão: solidariamente pela reparação, podendo o ofendido cobrar de qualquer um deles a dívida toda, mas aquele que pagar por inteiro a dívida, salvo as exceções legais, poderá exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se houver. BL: art. 942 c/c art. 283 do CC.
(TJSP-2013-VUNESP): Caio, Tício e Pompeu se fazem devedores solidários de um Credor pela quantia de R$ 3 milhões, sendo que esta obrigação interessa igualmente a todos os devedores, e todos são solventes. Considerada essa hipótese, assinale a opção correta: Paga a integralidade da dívida por Caio, poderá ele cobrar R$ 1 milhão de Tício e R$ 1 milhão de Pompeu. BL: art. 283, CC.
OBS: Poderá cobrar, de cada um, a respectiva quota. Assim, presumindo-se iguais as partes, de cada um poderá cobrar apenas R$ 1 milhão.
(TJSP-2009-VUNESP): A obrigação, se indivisível e solidária, implica responsabilidade de todos os devedores pelo total e sub-rogação em favor de quem paga. BL: arts. 259 e 283, CC/02.
Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. (TJDFT-2014)
Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar. (MPPB-2011) (TJSP-2013) (MPPR-2013)
TÍTULO II
Da Transmissão das Obrigações
CAPÍTULO I
Da Cessão de Crédito
Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. (DPEES-2009) (TJMA-2013)
(TRF1-2013-CESPE): Suponha que um fazendeiro, mediante contrato escrito, tenha doado 10% da safra produzida em sua fazenda para uma instituição de caridade que, posteriormente, havia transferido essa vantagem para terceira pessoa. Nessa situação, o segundo negócio se configura como cessão de crédito. BL: art. 286, CC.
##Atenção: Portanto, se a instituição de caridade recebeu uma doação e, em seguida, a transferiu para terceiro, tal situação se configura cessão de crédito, prevista no art. 286 do CC.
(TRF4-2010): No que se refere à transmissão das obrigações, podemos afirmar que a cessão de crédito pode ocorrer independentemente da vontade do devedor, salvo estipulação em contrário no contrato originário. BL: art. 286, CC.
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios. (TRF4-2010) (TJDFT-2015)
(TJTO-2007-CESPE): Na cessão de um crédito, não há modificação objetiva da obrigação, a qual se transfere com todos os acessórios e garantias da dívida. Assim, ocorrendo a cessão do crédito, não se extingue a obrigação e o cessionário fica investido de todas as garantias que asseguravam originariamente o crédito, salvo se, quanto a estas, houver ressalva pactuada pelas partes. BL: art. 287, CC.
##Atenção: Vale destacar a seguinte lição de Washington de Barros Monteiro: "Nessas condições, cedido determinado crédito, igualmente se transferem ao cessionário, independentemente de expressa menção, cláusula penal, juros e garantias, reais ou pessoais, como a fiança e a hipoteca; bem assim, nas obrigações genéricas e alternativas, o direito de escolha. Mas os interessados podem convencionar o contrário, excluindo, assim, um, alguns ou todos os acessórios”.
Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654. (TJSC-2009)
Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. (TJSC-2017)
OBS: O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel, independentemente do consentimento do cedente e do proprietário do imóvel. Ressalte-se, contudo, que a cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita (art. 290 do CC).
Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. (TJSC-2009) (TRF4-2010) (MPRO-2013) (TJDFT-2014/2015) (TJSE-2015)
(TJMS-2015-VUNESP): Considerando a cessão de créditos e de direitos, no contexto da transmissão das obrigações, de acordo com as disposições do Código Civil de 2002, é corretoafirmar que é dispensada a notificação da cessão ao devedor que declara, por escrito, ciência da cessão realizada. BL: art. 290, CC/02.
Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição do título do crédito cedido. (TRF4-2010) (TJPB-2011) (TJPA-2012) (TJMS-2015)
Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação.
Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido.
(TJSC-2009): Na cessão de crédito, pode o cessionário exercer atos conservatórios do direito cedido independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor. BL: art. 293, CC/02.
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente. (DPEDF-2006) (TJDFT-2012) (TJSE-2015)
Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé. (AGU-2004) (TJSE-2015) (TJRS-2016)
(TJSC-2017-FCC): Na transmissão das obrigações aplicam-se as seguintes regras: Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé. BL: art. 295, CC.
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor. (AGU-2004) (MPRR-2008) (PGEMS-2014) (TJSE-2015) (TJDFT-2015) (TJMS-2015) (TJSC-2017)
(TJSC-2009): Na cessão por título oneroso, o cedente fica responsável perante o cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. Todavia, salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor. A cessão de crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. BL: arts. 290, 295 e 296, CC/02.
Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.
Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. (DPEES-2009) (TJPR-2012)
(Advogado-EMDAGRO/SE-2014-FUNCAB): Assinale a afirmativa correta sobre cessão de crédito e assunção de dívida: O crédito penhorado não pode ser transferido pelo credor ciente da penhora. BL: art. 298, CC/02.
CAPÍTULO II
Da Assunção de Dívida
Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. (TJDFT-2007) (TJSC-2009) (TJPR-2009) (TRF4-2010) (TJSE-2015)
(TJAL-2019-FCC): Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a importância de cem mil reais. No intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a obrigação de João, para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso, João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição. BL: art. 299, CC.
##Atenção: A questão descreve a situação de Leopoldo que assume a dívida de seu amigo João perante Teresa, com anuência desta, o que é plenamente possível de acordo com o CC/02.
##Atenção: Diferenças entre Assunção de Dívida, Cessão de Crédito e Cessão de Contrato:
· Assunção de Dívida: O devedor transfere sua dívida (encargos obrigacionais) a terceiro. Somente se houver anuência do credor; sai devedor Tício e entra o devedor Melvio... (e pode ser por delegação ou expromissão);
· Cessão de Crédito: O credor transfere apenas "direitos" para terceiro; não precisa da anuência do devedor, mas deve ser notificado;
· Cessão de Contrato ou de Posição Contratual: É a transferência "inteira" (global) da posição ativa ou passiva do contrato; transfere-se todos os direitos e obrigações. Diferentemente do que ocorre na cessão de crédito e de débito, a cessão da posição contratual é muito mais ampla e profunda. Por meio dela, o cedente transmite a sua própria posição contratual a um terceiro com anuência da parte contrária. O Código Português traz este tipo de cessão. O CC/02 não trouxe previsão. Exemplos: financiamento, empreitada, locação.
Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. (TJSC-2009)
(TJSC-2013): Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a assunção, interpretando-se porém o seu silêncio como recusa. BL: art. 299 e § único, CC.
Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. (TJDFT-2007) (MPRR-2008) (TJPR-2009) (MPMG-2013) (TJAL-2019)
JDC nº 422: A expressão "garantias especiais" constante do art. 300 do CC/2002 refere-se a todas as garantias, quaisquer delas, reais ou fidejussórias, que tenham sido prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro, vale dizer, aquelas que dependeram da vontade do garantidor, devedor ou terceiro para se constituírem.
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. (TJDFT-2007) (MPRR-2008) (TJAL-2019)
(TJSC-2017-FCC): Na transmissão das obrigações aplicam-se as seguintes regras: Na assunção de dívida, se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiro, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação. BL: art. 301, CC.
Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. (DPEDF-2006) (TJPR-2009) (MPSC-2010) (TJDFT-2015) (TJAL-2019)
(TJSC-2017-FCC): Na transmissão das obrigações aplicam-se as seguintes regras: Na assunção de dívida, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. BL: art. 302, CC.
(TJSE-2015-FCC): Na cessão de crédito, o devedor pode opor ao cessionário as exceções que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente, mas na assunção de dívida o novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao credor primitivo. BL: art. 294 c/c art. 302 do CC.
Art. 303. O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. (TJSC-2009)
(TJDFT-2015-CESPE): O silêncio do credor notificado da assunção de dívida deve ser interpretado como recusa, mas, na hipótese de assunção de débito garantido por hipoteca, o silêncio, decorrido o prazo de trinta dias, deve ser interpretado como anuência. BL: art. 299, § único c/c art. 303, CC.
TÍTULO III
Do Adimplemento e Extinção das Obrigações
CAPÍTULO I
Do Pagamento
Seção I
De Quem Deve Pagar
Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser,