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NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 1 EXAME NEUROLÓGICO APLICADO NA PRÁTICA CLÍNICA Na neurologia a gente tem aquele monte de coisa, são não sei quantos passos do exame neurológico, fazemos aquele monte de exames com o objetivo de chegar a diagnósticos sindrômicos e através do diagnóstico sindrômico a gente vai caminhar para tentar localizar onde está essa lesão. Por exemplo, síndrome do 1º neurônio, 2º neurônio, então o nosso exame neurológico vai ser para a gente dizer com qual síndrome estamos lidando, se é uma síndrome extrapiramidal, uma síndrome cerebelar, então primeiro a gente faz p diagnóstico sindrômico, após fazê-lo, a gente vai topografar a lesão, dar o diagnóstico topográfico, por exemplo, onde nós podemos ter uma síndrome de 1º neurônio motor? Encéfalo, tronco, medula e cerebelo. A partir disso, após fazer os exames corretos, achar o local da lesão, após analisar a cara da lesão e após realizar outros exames complementares vamos chegar ao diagnóstico etiológico. Então o caminho do Diagnóstico Neurológico é sempre esse. Se não seguirmos esse passo é fácil errar. ANAMNESE A gente começa pelo começo, para estabelecer uma boa relação os livros recomendam deixar o paciente falar por uns 5 min. IDENTIFICAÇÃO Nome completo Sexo Idade Cor, etnia, é importante por causa de doenças genéticas Naturalidade Estado civil Profissão QUEIXA PRINCIPAL Tem que ser com as palavras do paciente, tem que ser curta! Ex: perdi a força no braço. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL (HDA) É tudo que tem a ver com a doença atual, tudo que tenha a ver com o sintoma da queixa principal, aí você tem que pôr quando começou esse sintoma, o modo de instalação (agudo ou crônico, ou subagudo), a evolução (se foi uma coisa que aconteceu e ficou daquele jeito ou se é alguma coisa que está evoluindo), a duração (quanto tempo durou o sintoma), a localização do sintoma é importantíssimo na neurologia, porque examinando o local do sintoma a gente consegue fazer o diagnóstico sindrômico e topográfico pra pedir o exame certo e achar a etiologia certa que é o nosso objetivo. Saber se tem algum fator precipitante ou atenuante do sintoma e se está fazendo uso de alguma medicação. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA São as condições gerais da história da saúde do paciente, não está relacionada com a queixa principal, com a queixa atual, você vai perguntar se ele tem alguma comorbidade, se ele é hipertenso, diabético. Vai perguntar se ele passou por hospitalização, cirurgias, traumas, doenças infecciosas e doenças congênitas. HISTÓRIA SOCIAL É importante a gente ver o nível educacional e a ocupação do paciente (tem doenças que vai impossibilitar ele de trabalhar, por exemplo, o paciente que tem epilepsia não pode trabalhar pilotando avião, como motorista de ônibus, porque se ele tiver uma crise coloca ele e outras pessoas em risco). A gente questiona também sobre dieta, tabagismo, etilismo, uso de drogas ilícitas e alergias. HISTÓRIA FAMILIAR É importante perguntar se tem história de câncer, diabetes, hipertensão, transtorno do movimento, miopatia, doença degenerativa, enxaqueca e epilepsia. Se tem história de alcoolismo e uso de drogas. REVISÃO DE SINTOMAS NEUROLÓGICOS Depois que você colhe toda história a gente faz uma revisão de sintomas neurológicos. Perguntar o que ele esqueceu de falar ou que ele não deu a importância que deveria. Então a gente vai perguntar se ele já teve convulsão ou perca de consciência, cefaleia, vertigem ou tontura, amaurose (perda da visão), diplopia NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 2 (visão dupla), dificuldade de audição, zumbido nos ouvidos, dificuldade de fala ou de dicção, fraqueza ou dificuldade de se mover, movimentos anormais, dormência, formigamento, tremores, problemas de marcha, problemas de coordenação, disfunção sexual, dificuldade de pensamento ou memória, problemas de dormir ou sonolência excessiva, e sintomas depressivos. EXAME NEUROLÓGICO CONSCIÊNCIA A 1ª coisa que vamos avaliar é a Consciência, que capacidade do indivíduo de reconhecer a si mesmo e aos estímulos do ambiente. Nela a gente avalia o nível e o conteúdo, tem que ficar claro que o nível é o grau de alerta e o conteúdo é quanto o paciente sabe quem ele é, onde ele está, o dia que é hoje. Nível é o grau, é o que vamos medir se ele está Alerta, Torporoso, Sonolento, Comatoso e o conteúdo da consciência é se ele está orientado, a gente vai perguntar: “quem é essa pessoa que está com você? Que dia é hoje? Onde você está? ” ESCALA DE COMA DE GLASGOW PARAMÊTROS RESPOSTA OBTIDA PONTUAÇÃO ABERTURA OCULAR ESPONTÂNEA 4 AO ESTIMÚLO SONORO 3 AO ESTÍMULO DE PRESSÃO 2 NENHUMA 1 RESPOSTA VERBAL ORIENTADA 5 CONFUSA 4 VERBALIZA PALAVRAS SOLTAS 3 VERBALIZA SOM 2 NENHUMA 1 RESPOSTA MOTORA OBEDECE A COMANDOS 6 LOCALIZA ESTÍMULO 5 FLEXÃO NORMAL 4 FLEXÃO ANORMAL 3 EXTENSÃO ANORMAL 2 NENHUMA 1 REATIVIDADE PUPILAR INEXISTENTE UNILATERAL BILATERAL -2 -1 0 TRAUMA LEVE TRAUMA MODERADO TRAUMA GRAVE 13-15 9-12 3-8 AVALIAÇÃO DA FALA Disfonia: é alteração do timbre da voz. Mutismo: incapacidade total do paciente falar Gagueira: fala defeituosa interrompida por hesitações involuntárias Dislalia: é a troca de letras DISARTRIA: é a articulação defeituosa de formar palavras Disfasia: dificuldade de elaborar fala AFASIA: quando o paciente tiver comprometimento na capacidade de produzir espontaneamente, compreender e repetir a fala, assim como defeito para ler e escrever. Temos 2 afasias principais a Afasia de Broca e a Afasia de Wernicke. AFASIA DE BROCA: “O paciente entende tudo, mas não é capaz de falar nada” É uma afasia motora, não-fluente, lesão na área de Broca (áreas perissilvianas anteriores), o paciente compreende o que está sendo dito, mas ele não consegue manifestar a fala dele, por conta de defeito motor. Fala espontânea não é fluente, com poucas palavras, frases curtas, gramática deficiente. Pacientes percebem seu déficit, pois a capacidade de compreensão relativamente não comprometida. AFASIA DE WERNICKE: fluente, sensorial; Lesão na área de Wernicke córtex associativo auditivo e giros angular e supramarginal região responsável pela compreensão da linguagem; Incapaz de compreender a fala fluente fala produzida sem esforço, mas desprovida de conteúdo significativo não percebe seus erros. Caso clínico: Paciente vítima de acidente automobilístico observa-se que ele apresenta abertura dos olhos quando chamado, resposta verbal com palavras desconexas, aperta a mão quando solicitado e reflexo fotomotor direto preservado a direita e abolido a esquerda. Qual o somatório? 11 O mais importante é saber o que é disartria e o que é afasia é o que a gente mais verá na neurologia. NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 3 AFASIA DE CONDUÇÃO: o paciente entende e consegue falar, mas ele não consegue repetir o que é dito. AFASIA TRANSCORTICAL: vai ser naquelas fibras que vão comunicar a área de Broca com a área de Wernicke, então vamos dividir a Transcortical em Motora e Sensitiva quando o paciente tiver um déficit parcial, se o paciente tem uma Afasia Parcial Motora a gente vai falar que é uma Afasia Transcortical Motora. Se o paciente tem uma perda parcial do entendimento a gente vai falar que ele tem uma Afasia Transcortical Sensitiva. AFASIA GLOBAL: é total, ela é tanto sensitiva quanto expressiva, o paciente não consegue nem entender, nem falar. MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS O que mais vemos na prática é o tremor, temos 2 tipos de tremor,o tremor de Repouso e o tremor de Ação. Tremor série de movimentos oscilatórios involuntários, relativamente rítmicos, não dirigidos a uma finalidade. ESTÁTICOS: de repouso, presentes durante o relaxamento e se atenuam por uso daquela parte do corpo DE AÇÃO: aparecem ao executar uma atividade. EXAME: colocar uma folha de papel sobre os dedos estendidos 1. TREMOR DE REPOUSO: a gente pensa em uma síndrome parkisoniana. 2. TREMOR DE AÇÃO: a gente pensa em tremor essencial, em outras causas. 3. COREIA: é uma doença neurológica dos núcleos da base, parece que o paciente é histérico, psiquiátrico, parece que está debochando. hipercinesia não rítmica, involuntária, irregular, sem finalidade e ao acaso. a. Movimentos espontâneos, abruptos, breves, rápidos, espasmódicos e não duradouros. b. Presentes no repouso e se exacerbam em situações de estresse c. Desaparecem durante o sono 4. ATETOSE: é como se ele estivesse serpentiando e aos poucos apresentando movimento involuntário, é diferente da coreia. a. hipercinesia mais lenta e prolongada que na coréia b. Involuntárias, irregulares, grosseiras, algo rítmicas e de natureza sinuosa ou serpenteante c. Desaparece no sono d. Lesão nos gânglios da base 5. DISTONIA: é uma contração que é mais prolongada 6. HEMIBALISMO: é diferença também, parece que o paciente está jogando alguma coisa. Amplitude do movimento é muito maior, atinge só um membro, é unilateral, diferentemente da coréia. Temos também: discinesias, mioclonia, tiques, espasmo, câimbra. 7. FASCICULAÇÃO: contração de só um grupamento muscular, é sinal de doença periférica, a gente pensa em neuropatia motora e na esclerose lateral amiotrófica uma das doenças mais severas que há. Pode também acontecer em decorrência de estresse, nem sempre é sinal de doença neurológica. MARCHA Depois que avalia isso tudo com o paciente sentado vamos avaliar a marcha. Solicitar que paciente caminhe em linha reta, até determinado ponto e retorne. Andar em linha reta com os dedos de um pé tocando o calcanhar do outro. Andar nas pontas dos pés. Andar com os calcanhares. EQUILÍBRIO Aproveitando que o paciente está em pé testaremos o equilíbrio e o TESTE DE ROMBERG: pediremos para o paciente colocar os 2 pés juntos, juntar as mãos e fechar os olhos mas temos que fazer um Romberg dando segurança ao paciente logo com ele de frente para a maca, porque se o Romberg for positivo ele vai cair, logo temos que dar a ele segurança. MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO: visão, labirinto e cerebelo, propriocepção (noção de posição segmentar); é necessário que pelo menos 2 estejam íntegros para que o paciente consiga estar em equilíbrio. NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 4 1. DÉFICIT PROPRIOCEPTIVO: paciente cai assim que fecha os olhos ou nem consegue juntar os pés 2. DÉFICIT LABIRÍNTICO/CEREBELAR: queda preferencialmente para o lado lesado COORDENAÇÃO MOTORA Exige a integração da via piramidal, sistema cerebelar, sistema vestibular e a sensibilidade proprioceptiva. Sento o paciente na maca e começo examinando de cima pra baixo. a) Prova dedo nariz b) Prova dedo-dedo c) Prova calcanhar joelho se alteradas: dismetria sugestivo de lesão cerebelar ou alteração proprioceptiva. d) Diadococinesia: Movimentos alternados de pronação/supinação nas mãos sobre a coxa. Se paciente incapaz, chama se de disdiadococcinesia sugestivo de lesão cerebelar. NERVOS CRANIANOS NC I: OLFATÓRIO Responsável pelo olfato, como testá-lo? De olho fechado, tampa uma narina e desta uma de cada vez. O paciente pode ter um hiposmia (perda do olfato). NC II: ÓPTICO É responsável por tudo que é aferente, tudo que é sensitivo do olho, então tudo que chega de informação através do olho é o 2º nervo, então se a gente vê cores é o 2º nervo, se a gente vê acuidade visual é o 2º nervo, se a gente consegue enxergar os quatro quadrantes na hora que faz a campimetria de confrontação é o 2º nervo, se a gente faz o reflexo fotomotor quem faz a aderência do reflexo é o 2º nervo, então ele é relacionado a tudo que for sensitivo a visão e ao olho. NC III, IV E VI: OCULOMOTOR, TROCLEAR E ABDUCENTE Examinamos junto lll, lV e Vl nervos: Oculomotor, Troclear e Abducente. Como vamos examinar? Em H, mas temos que separar cada um. O lV nervo: vai olhar pra baixo em direção ao nariz, o Vl nervo é a abdução, olhar para fora horizontalmente, o restante do H é o lll nervo, mas além disso o lll também faz abertura palpebral e contração pupilar. NC V: TRIGÊMEO O V Nervo é o Trigêmeo, é um nervo misto, ele tem três raízes sensitivas e três raízes motoras, diferente do 2º nervo que é só sensitivo, e do 3º, 4º e 6º que são só motores. Tem três ramos: Oftálmico, Mandibular e Maxilar e os Ramos motores que atuará no músculo temporal, músculo masseter e pterigoides. NC VII: FACIAL É responsável pela gustação dos 2/3 anteriores da língua, mas principalmente pela motricidade da face. Então quando o paciente tem uma hemiparesia facial a gente precisa identificar clinicamente se é uma paralisia motora ou central, o paciente não consegue mexer a hemiface é uma paralisia periférica, se o paciente não consegue mexer só a parte inferior da face é uma paralisia central. OS 4 RELA 6 O RESTO É 3 Oblíquo superior – IV Reto lateral – VI Restantes - III NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 5 NC VIII: VESTIBULOCOCLEAR A gente já falou sobre o Teste de Romberg, tem a parte vestibular dele. Já na parte coclear vamos testar a parte auditiva esfregando os dedos no ouvido dele ou cabelinho e também tem o teste de WEBER ou de RINE. NC IX: GLOSSOFARÍNGEO Pede para o paciente abrir a boca e falar “A” se o paciente tiver um desvio do véu palatino a gente diz que ele tem uma paralisia e a gente também testa o reflexo do glossofaríngeo pega o abaixador de língua e estimula a úvula desvia para o lado que foi estimulado. NC X: VAGO Nós não o conseguimos avaliar diretamente pois inerva muitos órgãos, é muito importante por isso não conseguimos isolar sua função para estudá-lo, ele inerva tireoide, laringe, traqueia, pulmão, coração, estômago, fígado, rim, intestino, baço, ele emite ramo para todos esses órgãos. NC XI: ACESSÓRIO Vamos ver a motricidade do pescoço e do ombro. NC XII: HIPOGLOSSO É o nervo motor da língua, o lado que tem a força preservada vai ganhar e empurrar a língua para o lado afetado. FORÇA MUSCULAR A gente vai fazer o teste da força muscular, vamos fazer: abdução e adução do braço, flexão e extensão dos braços, mãos e punhos, abdução e extensão do quadril, flexão e extensão da coxa, flexão e extensão da perna e do pé. Vai fazer esses movimentos todos. Tem que falar o local e o grau de força. Força normal grau 5, paciente vence a sua força. Força muscular grau 4, moderadamente reduzida, vence a resistência mais um lado é mais fraco que o outro. Força muscular grau 3: paciente não vence a resistência embora vença a gravidade (levanta). Força muscular grau 2: paciente não vence a gravidade. Força muscular grau 1: pouca reação Força muscular grau 0: nenhum movimento. De 1 a 4 vamos chamar de hemiparesia, já o grau 0 chamaremos de plegia, então é importante saber para falar certo, porque um tem movimento o outro não. Se o paciente tem um lado do corpo todo afetado a gente fala Hemiparesia ou pode ser hemiplegia. Se o paciente tem as duas pernas afetadas pode ser paraparesia ou paraplegia. Se o paciente tem um membro afetado pode ser menoparesia ou monoplegia. Se for os 4 membros tetraparesia ou tetraplegia. REFLEXOS PROFUNDOS Iremos testar os reflexos profundos com martelinho. Lembrar quetestaremos Bíceps, tríceps, braquioradial, patelar e Aquileo. REFLEXOS SUPERFICIAIS Cutâneo abdominal Cremasterico CUTÂNEO PLANTAR: faremos um estímulo na borda do pé, o normal é o paciente fletir o Hálux, se o paciente extende o Hálux será patológico NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 6 caracterizando o sinal de Babinski, que significa uma lesão de 1º neurônio motor, isso é importante para localizar a lesão. SUCEDÂNEOS DE BABINSKI: o Sinal de Oppenheim: vai aparecer a extensão do hálux quando fazemos o estímulo na crista tibial. o Sinal de Gordon: quando a gente aperta a panturrilha. o Sinal de Chaddock: quando a gente faz estímulo na face lateral do pé ao invés de fazer na sola. o Sinal de Schaffer: a gente vai apertar o tendão de Aquiles. Nós membros superiores a gente tem a pesquisa do SINAL DE HOFFMAN: a gente vai percutir o 3º dedo e o paciente vai fazer uma extensão se tiver teste positivo. SENSIBILIDADE Temos que ver tanto a tátil como a vibratória, dolorosa também. EXAME DO TÔNUS MUSCULAR Temos que saber se o tônus está normal, diminuído ou aumentado. Tônus diminuído é hipotonia Tônus aumentado é hipertonia, que se divide em dois tipos: a espástica e a plástica, a espástica será o sinal do canivete que a gente encontra no paciente, vai ter uma resistência, mas depois a gente consegue realizar o movimento. A plástica é como se o paciente estivesse rodando uma catraca a gente sente uma resistência aumentando aos poucos como se fosse girando uma roda denteada. O primeiro sinal a gente vai ser em síndrome de 1º neurônio e o 2º em síndrome extra-piramidal. É importante esses sinais para ver onde está a lesão. TÔNUS MUSCULAR Lembrando que tônus é diferente de trofismo, trofismo a gente vai ver músculo, já tônus é o movimento passivo do paciente. No trofismo veremos se ele tem uma hipertrofia, hipotrofia ou atrofia. SINAIS DE IRRITAÇÃO MENINGEA Sinal de Kernig e Sinal de Brudzinski COMO INTERPRETAR OS ACHADOS NO EXAME FÍSICO NEUROLÓGICO? Nosso objetivo é fazer o diagnóstico sindrômico! SÍNDROME DE 1º NEURÔNIO 1. Fraqueza Muscular - (Paresia = força 1 - 4) (Plegia = força 0) 2. Hiperreflexia 3. Hipertonia (Sinal do Canivete) 4. Marcha Ceifante - (hemiplégica, hemiparética ou espástica) 5. Perda dos reflexos: a. Cutâneo-abdominal b. Cremasteriano (elevação do testículo após estimular a pele da região medial do terço superior da coxa) 6. Presença dos sinais: a. Babinski b. Sucedâneos: Gordon (compressão panturrilha) Openheim (estimulação da crista tibial) Scheifer (tendão de Aquiles) Chaddock (estimulação da borda lateral do pé) 7. Clônus (ocorrência de contrações musculares repetitivas após estiramento do tendão de Aquiles - clônus de calcâneo, ou do quadríceps - clônus de patela) 8. Sincinesia (Movimentos associados anormais e se evidenciam nos membros deficitários quando o paciente executa determinado movimento) 9. Sinreflexia (resposta ao estímulo do lado oposto também). 10. Fase aguda (AVE, trauma), há paresia/plegia flácida hipo/arreflexa, pode ocorrer o choque medular!! ETIOLOGIAS AVE TCE Trauma raquimedular Esclerose múltipla NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 7 Abcessos Tuberculose Neurotoxoplasmose Esclerose lateral amiotrófica TOPOGRAFANDO A LESÃO DE 1º NEURÔNIO... No cérebro, no tronco, no cerebelo ou na medula. Se a lesão de 1º neurônio estiver acima da decussação das pirâmides o déficit vai ser contralateral. Se for no tronco pode ter hemiparesia de um lado e parestesia do outro então pode ter déficit dos dois lados. No tronco também pode ter sintomas de nervos cranianos. Se você viu uma alteração de nervo craniano pode ser essa síndrome. Lembrando: o lobo frontal é movimento e planejamento de ação. Pré-frontal é a área de planejamento de ação. Área de Broca fica aqui. Esse Giro aqui é o giro pré-central é a área motora primária, logo se o doente tiver uma lesão aqui terá déficit motor contralateral. Já o giro pós- central é a área sensitiva primária, se o paciente tem uma lesão nesse local a gente espera que ele tenha uma deficiência na sensibilidade. Na área parietal tem a parte de interpretação da fala. O lobo occipital é todo dedicado a visão. Cerebelo tem relação com equilíbrio e movimento fino. Bulbo e ponte tem relação pela respiração e batimento cardíaco. COMO CONFIRMAR E INVESTIGAR A CAUSA Qual exame a gente pede quando o paciente tem síndrome de 1º neurônio? Exame de imagem (neuroimagem) e dependendo da nossa suspeita etiológica a gente pede outros exames: sorologias de algumas doenças, LCR, laboratório, etc. Quando a gente pede exame de neuroimagem vai vir isso aqui, mas nós temos dois exames de neuroimagem a tomografia e a ressonância. Como diferencia-las? Conseguimos ver os giros muito melhor na ressonância, pois ela é mais sensível para detectar as partes moles do nosso encéfalo. Então temos que olhar os giros para diferenciar. Na ressonância nós temos as ponderações e a divisão em T1, T2 e Flair isso é importante na prática clínica. Em T1 veremos a substância branca, branca, a substância cinzenta (córtex) cinzento e o liquor estará mais escuro nos ventrículos. Já na TC nós veremos densidades, onde a densidade do osso é maior que a do encéfalo, logo o osso fica hiperdenso na TC, já o liquor é menos denso que o encéfalo então ele vai ficar hipotenso e o encéfalo isodenso. Já na ressonância vamos falar de intensidade. Então na ressonância na ponderação em T1 a substância branca estará branca, estará hiperintensa, a substância cinzenta estará cinzenta e o liquor terá densidade diminuída. T2 é o contrário de T1 teremos substância branca escura, a substância cinzenta mais clara e o liquor vai brilhar, estará mais intenso. Já o Flair: é como se fosse uma mistura dos dois, a substância branca vai estar mais escura, a cinzenta mais clara e o liquor mais claro também. Essas são as 3 incidências mais importantes. Mas podem ter mais. SÍNDROME DO 2º NEURÔNIO 1. Hipotrofia ou atrofia muscular 2. Fraqueza 3. Hiporreflexia 4. Miofascuculações 5. Cãimbras ETIOLOGIAS Síndrome de Guillain-Barré Neuropatias (polineuropatia, mononeuropatia) Radiculopatia Polimielite Vasculites Esclerose lateral amiotrófica NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 8 TOPOGRAFANDO A LESÃO DE 2º NEURÔNIO... A topografia será ou raiz nervosa, ou nervo periférico propriamente dito. Precisamos diferenciar se é raiz nervosa ou nervo periférico, se tiver alteração de sensibilidade vai ser bem útil, se tiver alteração de acordo com os dermatómos a gente pensa em radiculopatia, se segue o caminho de nervo periférico a gente pode pensar em neuropatia periférica. Se tem hiporreflexia do bíceps braquial a gente vai desconfiar de lesão do nervo musculocutâneo ou da raiz C6, se a gente tem hiporreflexia do tríceps a gente vai desconfiar de lesão do nervo radial ou C7, hiporreflexia do braquioradial a gente vai topografar essa lesão como nervo radial ou C6, uma hiporreflexia patelar a gente pensa que a lesão está no nervo femoral, no plexo lombar, em L2 e L4, se tem uma hiporreflexia do reflexo Aquileu a gente vai suspeitar de lesão do nervo ciático, do plexo sacral ou de S1. Lesão de Nervos Periféricos mais comum no membro superior. Se o paciente tem uma lesão de nervo radial, o nervo radial tem por função a extensão do punho, então o paciente vai ficar com a mão caída, aí a gente não pensa em raiz, pensa no nervo. Se tiver uma lesão do nervo mediano o paciente terá a mão em benção. Já opaciente com a mão em garra pensaremos em lesão do nervo ulnar. COMO CONFIRMAR E INVESTIGAR A CAUSA 1. Eletroneuromiografia 2. RM de coluna Se a gente desconfia em lesão de 2º neurônio não adianta pedir ressonância, eletroencefalograma, nada disso! A gente precisa pedir um exame para as colunas: cervical, torácica, lombar e sacral dependendo de onde está a queixa no exame físico e a Eletroneuromiografia que é o exame complementar mais importante para nervos periféricos, que vai ver a condução nervosa e se a velocidade de condução pela fibra está ok. SÍNDROME DA TRANSMISSÃO NEUROMUSCULAR Temos a junção neuromuscular que é onde o nervo vai interagir com o músculo para efetuar a contração. CASO CLÍNICO: é uma síndrome de 1º neurônio ou 2º neurônio? Paciente de 42 anos, iniciou a 6 meses quadro de fraqueza muscular de membros inferiores, engasgos, disfagia e perda ponderal, apresenta paraparesia assimétrica, sinal de Babinski bilateral, clonus e fasciculações. Qual o diagnóstico? Síndrome de 1º ou 2º neurônio? R: Trata-se de Síndrome de 1º e 2º neurônio, isso está presente em uma doença onde o 1º e o 2º neurônio estão afetados, é a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica). Uma doença bastante grave. NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 9 ETIOLOGIAS Miastenia Gravis Síndrome de Eaton Lamber Síndromes miastênicas congênitas Botulismo CARACTERÍSTICAS Também temos sintomas específicos de quando a lesão está na junção neuromuscular. Nesses casos o paciente terá só fraqueza e uma fraqueza flutuante, também pode ter manifestações oculares como ptose e diplopia e a sensibilidade e os reflexos estarão preservados, é uma fraqueza com sensibilidade e reflexo normal. 1. Flutuação da Fraqueza (APENAS FRAQUEZA) 2. Manifestações oculares: ptose e diplopia 3. Sensibilidade e reflexos preservados Se a fraqueza piora no decorrer do dia a gente vai pensar em Miastenia Gravis, se a fraqueza melhora ao longo do dia a gente pensa em síndrome de Lambert-Eaton, porque uma é pré-sináptica e a outra é pós-sináptica. COMO CONFIRMAR E INVESTIGAR A CAUSA Quando desconfiamos disso também é eletroneuromiografia que a gente vai solicitar só que é diferente, a gente tem que pedir estímulo de fibra única ou estimulação repetida. Também pode disse anticorpos pois são doenças autoimunes. 1. Eletroneuromiografia com estimulação repetida 2. Eletroneuromiografia de fibra única 3. Dosagem de anticorpos DOENÇAS ESPECÍFICAS DO MÚSCULO (MIOPATIAS) Fraqueza muscular Aumento das enzimas musculares: Ck, Ckmb, TGO, TGP Sensibilidade e reflexo estão preservados Não tem flutuação dos sintomas, tem fraqueza sem melhora e sem piora ao longo do dia, diferentemente das doenças da junção neuromuscular. ETIOLOGIAS Miopatias Distrofias musculares Miosites Aqui a doença típica é a Distrofia Muscular de Duchenne, que é a distrofia mais comum no mundo, ligada ao X e só acontece em meninos. SÍNDROME EXTRA-PIRAMIDAL Movimentos anormais de repouso Dificuldade para manter-se em pé Tendência a queda multidirecional Distúrbios da marcha Dificuldade para manter o foco e realizar movimentos rápidos, alternados e coordenados Aqui a gente pensa no paciente que tem parkinsonismo. SÍNDROME CEREBELAR Ela vai se manifestar com sintoma de disfunção do cerebelo, que vai ser: Desequilíbrio Incoordenação motora Marcha atáxica Disgrafia Disartria Nistagmo NEUROLOGIA AULA 1 - P1 Anderson Bastos, Guilherme Neves, Lucas Ribeiro 04/02/2020 10