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Organização Técnica do Trabalho Profissional Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Luiz Boscardin Revisão Textual: Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti Introdução conceitual e histórica • Arquitetura • Arquiteto e Urbanista • Arquitetura no Brasil – Histórico da Profissão • Entidades Representativas · Apresentaremos nesta unidade, importantes fatos históricos que contribuíram para a atual definição do que é arquitetura e de como se desenvolveu a atividade profissional do arquiteto e urbanista. Exibiremos um breve histórico da evolução da arquitetura no Brasil a partir do Primeiro Império, e como conclusão, serão apresentadas as principais entidades representativas relacionadas a Arquitetura e Urbanismo no Brasil. OBJETIVO DE APRENDIZADO Olá, aluno (a)! Nesta Unidade, vamos aprender um pouco mais sobre importantes conceitos relacionados a arquitetura, aos arquitetos e urbanistas, a evolução da arquitetura no Brasil, além de apresentarmos as principais entidades representativas relacionadas a Arquitetura e Urbanismo no Brasil. Então, procure ler, com atenção, o conteúdo disponibilizado e o material complementar. Não esqueça! A leitura é um momento oportuno para registrar suas dúvidas; por isso, não deixe de registrá-las e transmiti-las ao professor-tutor. Além disso, para que a sua aprendizagem ocorra num ambiente mais interativo possível, na pasta de atividades, você também encontrará as atividades de Avaliação, uma Atividade Reflexiva e a videoaula. Cada material disponibilizado é mais um elemento para seu aprendizado, por favor, estude todos com atenção! ORIENTAÇÕES Introdução conceitual e histórica UNIDADE Introdução conceitual e histórica Contextualização Tendo em vista o contexto histórico atual, a arquitetura, além do projeto de edificações, engloba desde o desenho de mobiliário (desenho industrial) até o desenho da paisagem (paisagismo) e das cidades (urbanismo), ou mesmo de uma extensa porção territorial (planejamento regional e ordenamento do território). A formação em arquitetura e urbanismo se diferencia de boa parte das outras profissões devido ao seu caráter multidisciplinar, englobando conhecimentos técnico-construtivos, gráfico-representativos (desenhos técnicos bidimensionais e em perspectiva) e artísticos (principalmente associados ao processo compositivo). Neste contexto, a atividade caracteriza-se pela qualidade singular de agregar em seu cerne arte e ciência. Desta forma, para o entendimento do atual panorama relacionado a atuação de arquitetos e urbanistas, é indispensável o conhecimento da origem de nossa profissão e suas principais características relacionadas a formação e organização profissional, além de compreender qual sua importância no desenvolvimento histórico da humanidade. Apresentaremos a seguir estes conceitos, afim de criar um ponto de partida para as próximas unidades. 6 7 Arquitetura “Arquitetura”, termo originário dos vocábulos gregos “arkhé” (primeiro) e “tékhton” (construção) designa o trabalho de projeto e execução dos espaços habitados pelo ser humano. Partindo deste princípio, a arquitetura organiza o espaço e seus elementos, além de levar em conta fatores estéticos e formais dentro deste processo. Em uma definição que leva em conta o contexto histórico atual, a arquitetura, além do projeto de edificações, engloba desde o desenho de mobiliário (desenho industrial) até o desenho da paisagem (paisagismo) e das cidades (urbanismo), ou mesmo de uma extensa porção territorial (planejamento regional e ordenamento do território). A gênese da arquitetura encontra-se na pré-história da humanidade, quando o homem passou a se abrigar das intempéries (fig.01 e 02) e seu processo de produção engloba duas atividades básicas: a atividade intelectual, ou seja, o projeto das edificações e espaços, e o trabalho de construção do ambiente idealizado. Figura 1 – Dólmen da Aboboreia, Portugal, construído a aproximadamente 5.000 anos Fonte: Wikimedia Commons Figura 2 – Estrutura de Stonehenge, País de Gales, construído a aproximadamente 5.200 anos Fonte: Wikimedia Commons 7 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Importante! No período neolítico, com o desenvolvimento das primeiras formas de agricultura, os humanos passaram a se fixar por mais tempo em uma mesma região, utilizando em um primeiro momento, abrigos naturais ou fabricados com fibras vegetais. As construções em pedra deste período serviam em sua maioria como câmaras mortuárias ou templos religiosos. Raras as construções eram destinadas à habitação. Você Sabia? Como característica marcante, a arquitetura é notadamente uma atividade que se apropria de um campo de conhecimento multidisciplinar, incluindo em sua base, a matemática e as ciências exatas (com destaque para a física); a arte e todo processo compositivo com a qual esta se relaciona, e o desenvolvimento tecnológico (com técnicas pré-existentes, aplicadas à produção arquitetônica, ou inéditas, resultantes de novas necessidades de projeto e execução). Como meio de produção e organização espacial de todo ambiente habitado pela espécie humana, a arquitetura também está intimamente ligada as ciências sociais, política, história e filosofia. Devido a este amplo espectro de conhecimento aplicado em sua produção, a arquitetura não se classifica como atividade estritamente ligada as ciências exatas, nem tampouco pode ser classificada como atividade relacionada apenas às ciências humanas. Pode ser entendida então como uma “ponte” entre estas duas matrizes de conhecimento. Observando muitas das definições a respeito da Arquitetura, podemos considerar como paradigma, o tratado “De Architectura”, produzido entre os anos 27 e 16 a.C., pelo arquiteto romano Marco Vitrúvio Polião (fig.03). Figura 3 – Capa da edição do ano de 1567 de “De Architectura” e busto de Marco Vitrúvio Polião Fonte: romanemperorsroute.org 8 9 Segundo Vitrúvio, arquitetura é “uma ciência, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que são o resultado das outras artes.” Mesmo que formulada a cerca de dois mil e cinquenta anos atrás, e já parcialmente contestada por diversos teóricos desde sua “redescoberta” durante o período do renascimento, estas definições ainda podem ser consideradas como uma síntese universal para a atividade arquitetônica. Vitrúvio declara ainda que um arquiteto deve possuir saber relacionado a outros campos de conhecimento, como música e outras manifestações artísticas, astronomia e filosofia. Esta última com certo destaque, pela referência à “filosofia de determinado arquiteto”, quando isto significa a ação do profissional ao propor soluções projetuais a serem adotadas. Podemos entender esta citada “filosofia” como o partido arquitetônico. Segundo Mario Biselli: podemos entender partido arquitetônico como: “[...] Partido Arquitetônico é a ideia inicial de um projeto, que a sua formulação é uma criação autoral e inventiva com base na coerência e na lógica funcional, e que, o partido, sendo uma prefiguração do projeto, faz da projetação um processo que vai do todo em direção à parte”. (BISELLI, M., 2011.) Vitrúvio, define ainda três elementos fundamentais presentes em um projeto arquitetônico: firmitas, utilitas e venustas: • Firmitas, refere-se à estabilidade, a relação entre arquitetura resolução estrutural. • Utilitas, à função e utilidade da edificação. • Venustas, associada à beleza e as questões estéticas e formais. Segundo Vitrúvio, uma construção pode ser considerada como “Arquitetura” apenas quando satisfaz os três fatores descritos acima. Ou seja, construtivamente resolvida, possuidora de função e utilidade, e apresentar beleza em sua composição. Sobre a “beleza”, devemos considerar que para Vitrúvio, esta qualidade está relacionada com os conceitos da beleza clássica greco-romana, correntes em seu períodohistórico. Portanto, “venustas” foi o princípio mais polêmico e relativizado em análises realizadas sobre “De Architectura” ao longo da história. Dada a amplitude dos campos de conhecimentos empregados em sua prática e também as constantes mudanças de linhas de pensamento e demais relações com as atividades humanas devido a passagem do tempo, uma definição precisa e atemporal do que é arquitetura é praticamente impossível de ser formulada. Porém se considerarmos o pensamento arquitetônico moderno, que parte do ponto de vista de que a arquitetura se origina de um programa de necessidades, incorporando em seu processo projetual variáveis sociais, culturais, econômicas e artísticas de um dado momento histórico, e levando em conta que estes momentos 9 UNIDADE Introdução conceitual e histórica históricos possuem características particulares, podemos citar como consenso a definição dada por Lúcio Costa (fig.04) do que é arquitetura: “Arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção. E nesse processo fundamental de ordenar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso específico, certa margem final de opção entre os limites - máximo e mínimo - determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica, condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento individual do arquiteto, no que ele tem de artista, portanto, escolher na escala dos valores contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada.[...] A intenção plástica que semelhante escolha subentende é precisamente o que distingue a arquitetura da simples construção.[...] Por outro lado, a arquitetura depende ainda, necessariamente, da época da sua ocorrência, do meio físico e social a que pertence, da técnica decorrente dos materiais empregados e, finalmente, dos objetivos e dos recursos financeiros disponíveis para a realização da obra, ou seja, do programa proposto. [...] Pode-se então definir arquitetura como construção concebida com a intenção de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa.” (COSTA, L.,1940.) Devemos destacar ainda que em sua definição, a arquitetura moderna não torna ilegítima nenhuma manifestação arquitetônica anterior, mas combate de maneira efetiva a cópia de outros momentos históricos no período contemporâneo. Figura 4 – Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa, arquiteto e urbanista Fonte: www.caubr.gov.br 10 11 Arquiteto e Urbanista Palavra derivada do grego “arkhitektôn” que significa “o construtor principal” (arqui = principal + tectônica = construção). Durante a Idade Antiga e Idade Média, não havia distinção entre as atividades de projeto e execução de obras, estando todas as atividades subordinadas à mesma figura: o mestre-construtor. Na Idade Antiga, à medida que as comunidades humanas evoluíam, os diversos enfrentamentos entre grupos populacionais favoreceram, em um primeiro momento, o desenvolvimento de uma arquitetura de caráter militar. Nas civilizações egípcias e assírias, o poder divino estava fundido ao poder secular. Este arranjo fez com que os principais exemplares arquitetônicos destas civilizações fossem palácios e templos religiosos. Nestas sociedades, a figura do arquiteto estava associada aos sacerdotes e governantes. Na Grécia antiga e durante a República e Império Romano, além da construção de edificações isoladas, destaca-se o florescimento do urbanismo, pois a vida cívica era o coração destas civilizações, tornando a cidade o elemento principal da vida política e social destes povos. Os gregos estabeleceram-se em diversas cidades- estados, como Atenas (fig.05) e Esparta, enquanto que o Império Romano surgiu de uma única cidade, Roma. Figura 5 – Paternon, na Acrópole de Atenas – Grécia Fonte: Wikimedia Commons Os segredos do Paternon. Ótimo documentário sobre a acrópole de Atenas. Disponível em: https://goo.gl/FM9MojEx pl or 11 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Apesar de ser conhecida como “Idade das Trevas”, a arquitetura na Idade Média passou por um grande avanço tecnológico, sobre tudo pelo emprego dos arcos ogivais (fig.06) e arcobotantes (fig.07). A aplicação destas técnicas construtivas pode ser observada principalmente na construção de catedrais. Figura 6 – Arcos ogivais, Catedral de St. Denis – França Fonte: Wikimedia Commons Figura 7 – Arcobotante, Catedral de Amiens – França Fonte: Wikimedia Commons Analisando o período medieval, é possível observar que figura do arquiteto, como criador solitário do espaço arquitetônico é inexistente. Tomando novamente como exemplo a construção das catedrais medievais (fig.08), o processo de execução era acompanhado por toda a população local, geralmente por décadas. O conhecimento técnico para a realização de qualquer atividade produtiva era de domínio das corporações de ofício ou Gildas, que reuniam regionalmente profissionais de uma mesma profissão. Nas corporações de ofício de construtores, os mestres-obreiros (equivalentes aos arquitetos contemporâneos) eram os responsáveis pelo projeto e execução de obras. 12 13 Figura 8 – Catedral de Chartres – França Fonte: Wikimedia Commons O fim da Idade Média marca uma mudança estrutural no poder. Surgem os Estados-Nacionais e o poder secular assume o protagonismo antes pertencente a Igreja, contexto reforçado ainda pela Reforma Protestante. É na Idade Moderna que são redescobertos, por exemplo, os tratados arquitetônicos de Vitrúvio, que irão influenciar a produção de uma nova arquitetura, que resgata elementos da cultura greco-romana. A partir daí temos o período conhecido como Renascimento, caracterizado por uma cultura multidisciplinar e interdisciplinar, onde a produção e o pensamento individual do profissional que hoje identificamos como “arquiteto” se torna preponderante. Analisando os projetos e obras dos principais nomes ligados a arquitetura deste período histórico, como Vignola, Alberti, Brunelleschi e Michelângelo (fig.09), não é mais possível detectar uma separação radical entre as ciências e as artes. Documentário Michelângelo - Grandes Artistas da História. Disponível em: https://goo.gl/TlXboMEx pl or 13 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Figura 9 – Biblioteca Laurenciana, projetada por Michelangelo Buonarroti em 1525. Florença – Itália Fonte: Wikimedia Commons Este panorama cultural mostrou-se altamente favorável para o desenvolvimento de uma nova arquitetura, cada vez mais tecnologicamente desenvolvida, tanto nos aspectos construtivos como também na representação gráfica (a descoberta da perspectiva e manipulação dos pontos de fugas foi um fator essencial neste desenvolvimento), resultando em uma atividade que agrega em seu cerne arte e ciência, e que até os dias de hoje não traça um limite exato entre estas duas áreas de conhecimento. Arquitetura no Brasil – Histórico da Profissão Até a inauguração da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816, devido a vinda da família Real Portuguesa para o Brasil em 1808, não existia no país nenhum curso de arquitetura. Até então destacavam-se aqui alguns arquitetos autodidatas ou possuidores de uma formação não acadêmica como por exemplo Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (fig.10). 14 15 Figura 10 – Igreja São Francisco de Assis, cuja autoria do projeto arquitetônico (1770) é creditada à Alejadinho Fonte: Wikimedia Commons Aleijadinho: a arte de um gênio. Disponível em: https://goo.gl/YS8a4aEx pl or Já no século XIX, ocorre uma maior consolidação da profissão,que se neste período era intitulada “Engenheiro-Arquiteto”. Além dos profissionais formados na agora Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, atuavam no Brasil engenheiros-arquitetos com formação internacional, como o paulista Ramos de Azevedo (fig.11), graduado na Universidade de Gante na Bélgica. 15 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Figura 11 – Teatro Municipal de São Paulo, projetado por Ramos de Azevedo em 1903/1911. São Paulo – Brasil Fonte: Wikimedia Commons Durante a década de 1930 são formados os CREAs (Conselhos regionais de Engenharia e Arquitetura e Agronomia) que regularizam a profissão, e a partir da das décadas de 1940 e 1950 consolidam-se as escolas nacionais de arquitetura e urbanismo, cujos currículos tinham como base a arquitetura moderna. Sob o ponto de vista da atuação profissional, o período compreendido entre primeiras décadas do século XX até meados de 1960, é caracterizado pela figura do arquiteto profissional liberal, que trabalha em seu próprio escritório, ou membro de pequenos grupos societários. Como exemplo deste tipo de profissional podemos citar Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, os irmãos Milton, Marcelo e Mauricio Roberto (fig.12), entre outros. Figura 12 – Colônia de férias IRB, projetada pelo escritório MMM Roberto em 1943 Fonte: www.archdaily.com.br 16 17 Após este período, devido a maior oferta de cursos de arquitetura e urbanismo, injetando um número cada vez maior de profissionais no mercado, além de um panorama nacional primeiramente marcado pela construção de Brasília e num segundo momento, durante os primeiros anos da década de 1970, pelo “milagre econômico” já no regime militar, cresce o número de profissionais assalariados contratados por grandes empresas de engenharia e arquitetura, notadamente para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura, como hidrelétricas, aeroportos, complexos hospitalares, etc. Deste período, podemos destacar a produção de grandes construtoras de capital privado, como a Promon e a Hidroservice, esta última com seu departamento de arquitetura coordenado pelo arquiteto Rodrigo Lefèvre (fig.13). Também foi de grande importância a produção arquitetônica realizada por empresas estatais como a CESP (Companhia Energética do Estado de São Paulo), cujo departamento de arquitetura era coordenado pelo arquiteto Hélio Pasta. “Concretamente, o que tem acontecido na Hidroservice é que o único profissional que consegue responder sobre todos os aspectos do projeto, quando alguém lhe pergunta é o arquiteto. O arquiteto não consegue responder que uma central de transformação de voltagem é de trinta quilowatts, mas, em termos de conceitos, em termos de sistema de distribuição elétrica, sobre maneiras de adotar economias corretas em projeto, quem responde é o arquiteto. Nenhum dos outros técnicos de engenharia têm uma visão global do projeto. E então ele, arquiteto, é um coordenador”. (LEFREVE, R., 1974.) Já na década de 1980, com a derrocada da economia brasileira, devido à entre outros fatores, às sucessivas crises mundiais relacionadas à produção do petróleo, ocorre um acentuado desmonte das empresas estatais e de capital privado dedicadas a projetos de infraestrutura. Figura 13 – Instituto de Ambulatórios do Hospital das Clínicas – São Paulo. Projetado pela Hidroservice sob a coordenação do arquiteto Rodrigo Lefréve em 1973. (Guimarães, H.P., 2006) Fonte: www.archdaily.com.br 17 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Atualmente, mercado de trabalho é bastante diversificado, onde o arquiteto e urbanista pode atuar tanto como profissional liberal, ou em regime assalariado, em construtoras e grandes escritórios de arquitetura. Há uma expressiva produção de projetos dedicados ao mercado imobiliário, sobretudo de edifícios residenciais e comerciais. Neste nicho de atuação, é exigido do profissional grande conhecimento de leis e normas, como planos diretores, códigos de obras e de acessibilidade, além da capacidade de coordenação de diversas disciplinas de projeto. Para edificações de menor porte, há boas oportunidades na execução de projetos e obras de residências unifamiliares, pontos comerciais e afins, além da atuação em arquitetura de interiores e paisagismo. É esperada também uma maior atuação na área de urbanismo, devido a fatores como o déficit habitacional e a ocupação de áreas de risco e de mananciais, além da necessidade de pesados investimentos pelos poderes públicos em obras de infraestrutura urbana. Por fim, em virtude do crescente número de cursos de arquitetura e urbanismo, existe a necessidade cada vez maior de profissionais que atuem na área acadêmica, exercendo docência e pesquisa, e que possuam para tanto, pós-graduação strictu- sensu (mestrado ou doutorado). Entidades Representativas As entidades que representam arquitetos e urbanistas são constituídas por associações, conselhos e sindicatos. Cada uma delas com diferentes papéis de atuação. Dentre os principais objetivos destas entidades podemos destacar: • Aprimoramento técnico científico dos associados; • Promover discussão e divulgação de assuntos referentes à profissão; • Organizar e promover cursos, congressos, seminários, palestras e outros eventos; • Colaborar com os poderes públicos e instituições nos assuntos de interesses da comunidade, e área de conhecimento que representam. Apresentamos agora as principais entidades representativas de arquitetos e urbanistas: Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal regulamentam o exercício profissional da Arquitetura e Urbanismo no país desde sua criação, em 31 de dezembro de 2010. Antes desta data, estas atribuições estavam sob responsabilidades do sistema CREA/CONFEA. 18 19 O CAU é uma autarquia federal e possui a função de “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo” (§ 1º do Art. 24º da Lei 12.378/2010). Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) Fundado no Rio de Janeiro em 1921, o IAB é a mais antiga entidade brasileira dedicada à arquitetura e urbanismo. O IAB é uma associação de arquitetos e urbanistas, que se dedica a temas como a cultura arquitetônica e suas relações com a sociedade. Assim como o CAU, o IAB possui uma organização federativa, com departamentos autônomos em todos estados do país, liderados por um diretório nacional. Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (ASBEA) Fundada em 1973, a AsBEA é uma entidade independente, de abrangência nacional, com sede na cidade de São Paulo. É a entidade representante da atividade empresarial que reúne escritórios de arquitetura e urbanismo e empresas fornecedoras de produtos e serviços ligados ao setor. Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (ABAP) Fundada em 1976, é uma entidade sem fins lucrativos, com sede na cidade de São Paulo que tem como objetivo “assistir, promover, apoiar, incentivar e desenvolver ações científicas, tecnológicas, educacionais, culturais, sociais e ambientais que visem o desenvolvimento, a divulgação e valorização profissional da Arquitetura paisagística no país”. (Art. 4º, Cap. II do Estatuto Social). Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) Criada no ano de 1979, e Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas é uma entidade sindical que reúne sindicatos e associações profissionais estaduais, constituída para balizar as relações de trabalho, direitos e atribuições da categoria profissional constituída por arquitetos e urbanistas. 19 UNIDADE Introdução conceitual e histórica Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Stonehenge: Mistério na Pré-históriahttps://goo.gl/PgEQJw Documentário sobre Roma https://goo.gl/opoZZd Arte Gótica https://goo.gl/V757bN Arquitetura Moderna no Brasil https://goo.gl/rxKrpS 20 21 Referências ARGAN, G.C.; Arte moderna; São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 1998. BENEVOLO, L.; História da arquitetura moderna; São Paulo: Ed. Perspectiva, 2001. BISELLI, M.; Teoria e prática do partido arquitetônico. Diponível em <http:// www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3974>. Acesso em 07.mar.2016 COSTA, L.; Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio Costa, Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608p.il. GUIMARÃES, H.P.,Rodrigo Brotero Lefèvre: a construção da utopia. Dissertação de Mestrado. Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, 2006. São Carlos, SP. Brasil. RASMUSSEN, E. E.; Arquitetura vivenciada; São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2002. SUTTON, I.; História da arquitectura do Ocidente; Lisboa: Ed. Verbo, 2004. ZEVI, B.; Saber ver a arquitetura. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2002 Sites visitados <http://www.caubr.gov.br/> <http://www.iab.org.br/> <http://www.asbea.org.br/> <http://www.abap.org.br/> <http://www.fna.org.br/site/> <http://www.abea.org.br/> 21