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Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
2 
AUTORIA 
 
MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE 
Olá! Sou Mirella Ramalho Cavalcante 
Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Ciências Sociais 
Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de arquitetura e pela prefeitura de 
Campina Grande – Paraíba. Atualmente atuo como profissional autônoma. A área de 
urbanismo e toda sua história, desde o início, como também pelo meu 
desenvolvimento do trabalho final de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto 
de incentivar as pessoas a olharem com mais delicadeza a arquitetura e todas as 
áreas que a mesma abrange. 
 
ALEXSANDRO PEREIRA 
Olá, sou Alexsandro, Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal de 
Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Arquitetura e 
Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense (UFF) com enfoque na área 
de Habitação de Interesse Social. Membro do Corpo Docente do grupo ITEC, onde 
leciona para o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade TECSOMA diversas 
disciplinas ligadas a Projeto Arquitetônico 
Por isso fomos convidados pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Ficamos felizes pelo convite e gratos em poder ajudar você nesta fase 
de muito aprendizado. Saiba que pode contar conosco e estarei à disposição para 
qualquer dúvida! 
 
 
 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
3 
ICONOGRAFIA 
Estes iconográficos irão aparecer toda vez que: 
 
INTRODUÇÃO 
uma nova unidade 
letiva estiver sendo 
iniciada, indicando que 
competências serão 
desenvolvidas ao seu 
término; 
 
 
VOCÊ SABIA 
curiosidades e indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo forem necessárias; 
 
DEFINIÇÃO 
houver necessidade de 
se apresentar um novo 
conceito; 
 
 
REFLITA 
houver necessidade de se 
chamar a atenção sobre 
algo a ser refletido ou 
discutido sobre; 
 
NOTA 
forem necessárias 
observações ou 
complementação para 
o conhecimento; 
 
 
ACESSE 
for preciso acessar um ou 
mais sites para fazer 
download, assistir a um 
vídeo, ler um texto, ouvir 
um podcast, etc.; 
 
IMPORTANTE 
as observações 
escritas tiverem que ser 
priorizadas; 
 
 
RESUMINDO 
for preciso se fazer um 
resumo acumulativo das 
últimas abordagens; 
 
EXPLICANDO 
MELHOR 
algo precisar ser 
melhor explicado ou 
detalhado; 
 
 
SAIBA MAIS 
um texto, referências 
bibliográficas e links para 
fontes de aprofundamento 
se fizerem necessários; 
 
ATIVIDADES 
quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem for 
aplicada; 
 
 
TESTANDO 
chegar o momento ideal 
para o aluno responder ao 
enunciado de algumas 
questões do banco, ou 
mesmo de forma 
intempestiva, em meio ao 
livro didático; 
Assim vai ficar mais fácil nos comunicarmos. Basta olhar para um desses ícones e você saberá 
exatamente o que virá logo em seguida. 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
4 
 
INTRODUÇÃO 
Você sabia que a área da Arquitetura e Urbanismo é um componente da história do 
homem desde a antiguidade? A mesma tem relação desde a época em que os 
arquitetos empregavam matérias-primas ao dispor da natureza, fazendo surgir prédios, 
pontes, monumentos entre várias artes históricas marcadas pelo mundo. A área da 
arquitetura tem presença até os dias atuais, onde os homens desenvolvem sua 
criatividade e a partir dos erros e acertos, vão surgindo ideias inovadoras e conceituais 
que definem o espaço onde se vive. A partir de técnicas a arquitetura vai se 
desenvolver pelo mundo e vão surgindo novos espaços e novos lugares. Entendeu? 
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! 
 
 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
5 
Competências 
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade I. Nosso objetivo é auxiliar você no 
desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa 
de estudos: 
1. Definir e aplicar os conceitos da arquitetura e do urbanismo ao contexto 
histórico e atual das cidades e suas edificações. 
2. Desenvolver uma visão crítica sobre a história e o desenvolvimento da 
arquitetura e do urbanismo. 
3. Sistematizar os fundamentos teóricos da arquitetura e do urbanismo. 
4. Discernir sobre a relação entre a arquitetura, o urbanismo e as questões 
econômicas, sociais e culturais. 
Espero que ao longo das unidades você possa compreender melhor o mundo da 
arquitetura e que faça um bom proveito dos ensinamentos aqui discutidos. Sua 
curiosidade, inquietação e motivação te levarão longe! 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
6 
 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
7 
SUMÁRIO 
ICONOGRAFIA ............................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 4 
COMPETÊNCIAS ............................................................................................. 5 
1. CONCEITOS DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........................................ 8 
1.1 Aplicações da arquitetura e do urbanismo ................................................ 8 
2. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........... 15 
2.1 Desenvolvimento da arquitetura ........................................................... 15 
2.2 O urbanismo .................................................................................. 16 
2.3 As cidades ..................................................................................... 18 
3. TEORIAS DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........................................... 24 
3.1 Modo artístico ................................................................................. 24 
3.2 Fundamentos teóricos ....................................................................... 25 
4. VISÃO ECONÔMICA, SOCIAL E CULTURAL DA ARQUITETURA E DO URBANISMO32 
4.1 Relação entre arquitetura e urbanismo ................................................... 32 
4.2 Espaços públicos............................................................................. 33 
4.3 Economia, socialização e cultura .......................................................... 34 
REFERÊNCIAS .............................................................................................. 40 
 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
8 
1. Conceitos da arquitetura e do urbanismo 
 
INTRODUÇÃO 
Ao término deste capítulo você será capaz de entender quais são 
os conceitos que desenvolveram a história da arquitetura e do 
urbanismo ao longo dos anos. Isto será fundamental para o 
exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então vamos lá. Avante! 
 
1.1 Aplicações da arquitetura e do urbanismo 
O termo arquitetura procede da união das palavras gregas “arché”, com significado de 
principal, e “tékton” com acepção de construção. Atualmente, pode-se definir como a 
ligação do homem e do espaço, onde ele cria circunstâncias estéticas e úteis com 
finalidade de habitação e ordenação dos ambientes. 
A arquitetura também pode ser definida por uma arte visual renomada pelo mundo ao 
longo de vários anos. A mesma está presente até os dias atuais e é responsável pela 
criação de espaços públicos e privados, que tem como propósito a união de conforto, 
funcionalidade e estética. 
Figura 1: Esboço projetual 
 
Fonte: Freepick 
 
Outra aplicação que a disciplina se refere é na construção que engloba várias áreas, 
algumas delas como exemplo são: paisagens, interiores, cidades, móveis. Desde a 
época do Renascimento pode considerar a arquitetura como uma arte plástica, 
envolvendo toda proporção humana, desde a etapa manual como também a humana. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
9 
Segundo Marcos Vitrúvio, no início do século I a.C, a arquitetura desenvolvida em uma 
de suas obras descreve a abrangência na área da filosofia e sua base surgede 
diversas teorias. O fragmento mais renomado do arquiteto foi a Tríade Vitruviana, 
onde envolve três tópicos essenciais como conceito: Firmitas, Utilitas e Venustas. 
Figura 2: Tríade Vitruviana 
 
Fonte: Elaborada pelo autor (2021). 
Enquanto Firmitas é atribuído à estabilidade do edifício, como o suporte dos materiais, 
Utilitas discorre sobre a comodidade da utilização, ou seja, como o ambiente interior é 
desenvolvido. Já Venustas está ligado à beleza de toda edificação. 
Trazendo um pouco mais dos conceitos modernos sobre a arquitetura, o arquiteto 
famoso do século XIX, Louis Sullivan, impulsionou uma norma essencial ao projeto 
arquitetônico, onde a forma deverá seguir a função. Ou seja, no lugar da ideia 
Vitruviana, o autor insere a função substituindo a utilidade. Já segundo Nunzia 
Rondanini, outra ideia surge sobre conceitos de arquitetura, como descreve: 
"Por meio de sua dimensão estética, a arquitetura vai além dos 
aspectos funcionais que tem em comum com outras ciências 
humanas. Por meio de sua maneira particular de expressar valores, a 
arquitetura pode estimular e influenciar a vida social sem presumir 
que, por si só, promoverá o desenvolvimento social. Restringir o 
significado do formalismo (arquitetônico) à arte em prol da arte não é 
apenas reacionário; também pode ser uma busca sem propósito pela 
perfeição ou originalidade, que degrada em forma em uma mera 
instrumentalidade" (RONDANINI, 1981, p. 3). 
Assim, podem-se observar algumas das filosofias que induziram os arquitetos 
modernos ao longo do desenvolvimento dos projetos de edifícios, sendo entre elas: o 
Tríade 
Vitruviana
FIRMITAS: 
estabilidade 
e caráter 
construtivo
UTILITAS: 
Comodidade, 
função e 
utilitarismo
VENUSTAS: 
Beleza e 
estética
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
10 
racionalismo, empirismo, estruturalismo, pós-estruturalismo, a desconstrução e a 
fenomenologia. 
Surge no final do século XX um novo conceito que também seria utilizado na 
construção dos edifícios: a sustentabilidade, trazendo a ideia de menos impacto na 
hora da construção no ambiente natural. 
Figura 3: Relações entre o homem e o ambiente natural 
 
Fonte: Freepick 
Com isso, ao longo dos anos e seguidamente de vários movimentos modernos, o 
campo da arquitetura começou a ser compreendido por uma única definição: espaço 
habitável. Os estilos criados ao decorrer do tempo passaram a ser chamados de 
escola ou de momentos históricos. Em outras palavras, o estilo abandona a cópia e 
transita para ser uma expressão característica de cada arquiteto. 
Ao passar dos anos, a arquitetura deixou de ser foco apenas em construções, edifícios 
ou monumentos e conseguiu abranger uma escala maior: a da cidade. Onde foi 
desenvolvendo a preocupação de estudos para que espaços ociosos fossem bem 
aproveitados e para que cada vez mais trouxessem aos seus usuários o conforto 
necessário. 
 
Toda atividade gerada pelo homem irá gerar um impacto, seja em relação ao edifício 
no meio ambiente, ou o impacto visual entre o idealizador e a pessoa que irá usufruir 
daquele ambiente construído. Ou seja, o objetivo dessa construção irá impactar na 
maneira em que nós iremos ver, podendo ter um efeito positivo, negativo, neutro, 
desagradável, agradável, estranho entre várias outras observações dependendo da 
forma de percepção de cada um. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
11 
A arquitetura moderna vem juntamente com o quarto Congresso Internacional, que 
tem como abordagem o tema: Cidade Funcional, o mesmo foi concluído em Atenas. 
Nele, continha um documento das atividades residenciais, produtivas e áreas públicas 
equipadas, como também outro documento com a rede viária e o tráfego, 
desenvolvido por mapas da cidade juntamente com seu entorno imediato, relevo, 
ligações suburbanas, e paisagem. 
 
Um dos fatores construtivos que vem a surgir na arquitetura é a avaliação do volume, 
ou seja, a maneira que os edifícios encontram-se distribuídos e organizados nos 
espaços. Assim, podem-se tomar como base os dois princípios na disciplina: tanto ser 
observada como volume ou como espaço. Mas a arquitetura não se resume só a 
esses conceitos de estilos e técnicas, também é de grande importância a 
compreensão sobre seus materiais e sobre as ideias e impressões que os mesmos 
desejam passar. 
 
Com isso, tanto a arquitetura como o urbanismo englobam a união das ideias tanto 
dos arquitetos, como também dos clientes. A união de estabilidade, beleza e 
funcionalidade, não estão presentes apenas em edifícios residenciais, mas em 
edifícios que unem todo o público, como religiosos ou civis. 
A criação de espaços que unem toda população também é característica histórica do 
processo da arquitetura e suas edificações. O edifício deixa de ser somente o volume 
“privado” e passa a desejar uma área comum para que todos aproveitem da mesma. 
Assim, os arquitetos passam a ter cada vez mais que projetar espaços e edifícios não 
só pela beleza, mas pela funcionalidade. Tal funcionalidade irá trazer a todos seus 
usuários motivos de permanência e conforto naquele local, gerando qualidade e 
melhoria de vida para todos. 
 
Assim, nota-se que os conceitos e definições da arquitetura e do urbanismo está 
fortemente ligada ao progresso humano, onde de início ele desenvolvia locais para se 
proteger, ao passar dos anos, foram formando espaços de convivência que mais tarde 
iriam virar civilizações. A necessidade de interligações entre às mesmas, a junção das 
crenças religiosas, a busca por fornecimento de água, tudo isso foi gerando a intenção 
do homem em construir seu próprio espaço através de suas técnicas e até os dias 
atuais se pode notar essa evolução. Segundo Rocha (2011): 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
12 
“Arquitetura é a arte ou ciência de projetar espaços organizados, por 
meio do agenciamento urbano e da edificação, para abrigar os 
diferentes tipos de atividades humanas. Seguindo determinadas 
regras, tem como objetivo criar obras adequadas a seu propósito, 
visualmente agradáveis e capazes de provocar um prazer estético. A 
história da arquitetura é uma subdivisão da história da arte, 
responsável pelo estudo da evolução histórica da arquitetura, seus 
princípios, ideias e realizações.” (ROCHA, 2011, p. 6). 
A matéria da arquitetura e do urbanismo, da mesma maneira que outro aspecto de 
entendimento histórico está disposto a restrições e novas possibilidades como ciência, 
ela também pode estar sujeita há várias visões ao longo dos seus estudos, onde o 
mesmo se desenvolve, em sua maior parte, no ocidente. 
Figura 4: Arquitetura e urbanismo do centro histórico de Kiev 
 
Fonte: Freepick 
 
A história da arquitetura e urbanismo irá começar a partir dos egípcios e sumérios, 
onde os mesmos já apresentavam elementos primordiais para o desenvolvimento da 
arte. A arquitetura na antiguidade era demonstrada através de palácios ou templos. 
Com a chegada dos gregos nos primórdios da história, veio a ultrapassagem da arte 
que antes era mais conhecida pelos egípcios, e surge um dos monumentos mais 
conhecidos e que podem ser vistos até os tempos atuais, como é o caso do Partenon 
de Atenas. 
Para alguns autores, como é o caso de Lima (2010), a arquitetura foi inserida na 
bibliografia ocidental com base na Grécia. Assim, mesmo que a arte faça competência 
ao mundo da Idade Média, a arquitetura está fortemente conectada ao firmamento 
grego. Para o autor: 
“Os arquitetos gregos teriam, pelo menos, um parco consolo: não 
fariam, diretamente, cópias do mundo, como o fazem pintores e 
escultores. A condenação que pesa sobre o objeto arquitetônico é de 
natureza mais sutil: existindo como matéria, somente se realiza como 
cópia sensível do não-sensível, do imaterial, e, portanto, da Verdade. 
Há, portanto, ainda menos "verdade" nas obras dos escultores e 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
13 
pintores do que nas dos carpinteiros,marceneiros e arquitetos.” 
(LIMA, 2010, p. 1). 
Ao longo de toda história, podemos observar que não há conceitos e sinônimos que 
definam impecavelmente todos os termos históricos. Visto que os arquitetos romanos 
também fazem parte do desenvolvimento dessa história, onde os mesmos eram 
encarregados pela continuação coerente de um costume produtivo e abundante. 
Figura 5: Coliseu localizado em Roma 
 
Fonte: Pixabay 
 
Ainda para Lima (2010), a ascendência dos gregos em comparação aos romanos está 
presente em um único conceito que está ligado às origens, ou seja, a comparação 
histórica entre as construções gregas e as romanas sempre irão existir, porém, essa 
superação da grega para com a romana estaria ligada a suas esculturas romanas 
serem consideradas cópias das gregas. Em outras palavras, o autor desperta a falta 
de originalidade em comparação as demais épocas citadas. 
 
Com o surgimento da era moderna e o seu principal fundador: Império Romano 
ocidental, outro período surge e novas características, conceitos e definições sobre a 
arquitetura tornam-se evidentes. 
 
De modo geral, a probabilidade em alterações e instituir novas regras de 
argumentação e compreensão, tanto formais quanto funcionais, faz parte do método 
criativo do profissional de arquitetura. 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
14 
 
RESUMINDO 
Tendo em vista todos os estudos sobre a arquitetura e o que a 
mesma envolve, é importante lembrar que além dos edifícios, o 
urbano e suas contemplações também estão presentes no 
desenvolvimento da disciplina. É nítido que para compreensão da 
construção de uma residência ou de um ambiente interno, o 
arquiteto irá precisar entender as necessidades dos seus usuários, 
assim como quem irá projetar espaços para toda população, terá 
que pensar em um espaço que traga comodidade, conforto e 
qualidade de materiais, para que aquelas mesmas pessoas façam 
bom proveito e queiram permanecer nesses mesmos locais 
agradáveis. Assim, para servir de embasamento teórico, vários 
conceitos e definições foram aplicadas ao longo dos anos sobre a 
história da arquitetura, onde une a filosofia, a arte e o compreender 
narrativo que procedem em distintas categorias de valorização do 
saber empregado a favor dos meios que estipula as ligações do 
poder e do controle dos espaços. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
15 
2. História e desenvolvimento da arquitetura e do 
urbanismo 
 
INTRODUÇÃO 
Ao término dessa competência, você conseguirá visualizar uma 
visão crítica sobre a história e o desenvolvimento da arquitetura e 
do urbanismo, bem como o seu desenvolvimento ao longo dos 
anos envolvendo o estudo do urbanismo e das cidades e 
compreendendo melhor onde as mesmas estão inseridas e quais 
efeitos causam e impactam na arquitetura. Curioso? Então vamos 
lá saber mais! 
 
2.1 Desenvolvimento da arquitetura 
Não podemos deixar de falar da arquitetura sem envolver arte. Antes de entendermos 
quais os procedimentos que levaram ao surgimento da arquitetura, temos que 
compreender que ela se desenvolve a partir de uma ideia e de um conceito do autor 
sobre sua criatividade. A partir disso, o processo artístico vai avançando juntamente 
com técnicas que permitem o surgimento de espaços ordenados compostos por 
elementos que vão dar resultado em edifícios ou recintos urbanos. 
Assim, quanto mais se desenvolve a sociedade, novas técnicas vão sendo impostas 
junto com condicionantes tecnológicos, sendo assim capazes de criação de novos 
projetos cada vez mais atualizados e sofisticados. 
Durante os fatos históricos foram desenvolvendo acontecimentos importantes que 
faziam diferença no papel da arte. A arquitetura está presente nesse período onde fez 
com que seus conceitos progredissem e que mais tarde tornaram-se fatos reais e 
importantes. 
O primeiro passo do esboço é a base para a continuação da ideia do autor, onde ele 
tem sua inspiração e a partir disso, consegue desenvolver sua ideia para que outras 
pessoas consigam desfrutar e observar a mesma. 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
16 
Figura 6: Conceito projetual 
 
Fonte: Freepick 
 
Assim, o autor vai ter várias etapas para crescimento e amadurecimento de suas 
ideias, incluindo desde o esboço, até a parte projetual que se inicia com a construção 
do ambiente. 
 
2.2 O urbanismo 
Decorrendo um pouco sobre o urbanismo e seus conceitos, entende-se como uma 
parte da arquitetura que busca compreender e solucionar tais problemas urbanos, com 
termos relativamente recentes. O mesmo termo surge anteriormente a sua utilização, 
nos anos de 1830 e 1850. 
Além da arquitetura, o urbanismo faz forte relevância para o aprendizado da disciplina. 
Atualmente, faz-se necessário o desenvolvimento do mesmo interligado ao 
desenvolvimento das cidades, onde foi se desenvolvendo ao longo dos anos 
desordenadamente, com o crescente número de favelas, e demais problemas que 
vinham a ser gerados posteriormente pelo mesmo. 
Assim, o urbanismo envolve o crescimento das necessidades de cada população, 
onde a mesma precisa compreender o local que é inserido e observar suas 
especificações escassas que cada uma enfrenta. 
A fim de melhorias para cidade, o urbanismo entra como um projeto que estabeleça 
melhoria de qualidade de vida e proporcione bem estar a toda população. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
17 
Segundo Jan Gehl (2010), para a expansão de áreas para caminhar e pedalar, a 
cidade deve aumentar a quantidade e qualidade dos espaços públicos agradáveis, 
bem planejados, e, na escala do homem, sustentáveis, saudáveis, seguros e cheios 
de vida. A cidade se torna mais densa, compacta e segura, quando se tem ruas, 
praças e parques considerados como um todo, apropriando-se de forma correta 
desses espaços. 
Quando o espaço público está degradado, provoca uma rejeição 
imediata. Se não está bem iluminado, se não possui atividade noturna 
que o anime, será percebido como perigoso e muito provavelmente é; 
se os edifícios que o circundam possuem funções inapropriadas – 
oficinas ruidosas, estabelecimentos que geram tráfego pesado – ou 
estão degradados, ninguém os procurará para passar seu tempo 
livre, interagem socialmente ou por simples 
curiosidade. (RODRÍGUEZ ALOMÁ, 2013, p.1). 
Para o dicionário, o significado do urbanismo reúne uma soma de assuntos referentes 
à arte de erguer uma cidade. De outra maneira, mostra que os responsáveis da área 
usam esse pretexto para estudar o modo de compreender a mesma. 
Mesmo com significados parecidos, urbanismo e urbanização possuem uma diferença, 
onde o primeiro está ligado à ideia de urbanizar e o segundo a ideia de realização, ou 
seja, execução do mesmo. Essa disciplina pode ser considerada como uma técnica 
que tem ligação com o planejamento, onde esse planejamento pode ser ligado ao de 
um local ou espaço, como também pode chegar a um objetivo mais amplo de 
interferência: a cidade. 
Figura 7: Urbanização 
 
Fonte: Freepick 
 
O urbanismo tem início após a revolução industrial, onde se via a necessidade de 
ajustar a cidade devido ao caos, de modo que conseguissem encontrar soluções para 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
18 
os problemas enfrentados. Assim, atualmente, vê-se o planejamento urbano de modo 
progressivamente gradativo, atuando principalmente em espaços e locais alternativos, 
onde obtém grande demanda. 
O planejamento não só está ligado a pequenos espaços, ele também contribui para 
ligação de vias públicas que unem bairros, como também terrenos ociosos que 
precisam desenvolver alguma função para sua população e precisam de máxima 
exploração, garantindo assim a economia também da cidade. 
Em geral, toma-se como significado de urbanismo a cultura que se mantém da 
organização de uma atmosfera urbana, entendendo seu progresso com finalidade de 
colher o melhor posicionamento de ruas, de construções como edifíciose de até 
mesmo instalações públicas, de modo que toda população que esteja incluso nesses 
espaços consiga desfrutar de um local agradável e satisfatório com apropriadas 
exigências sanitárias para viver. 
 
2.3 As cidades 
A cidade sempre foi um lugar de diferentes situações e contrastes, como por exemplo: 
a riqueza ou a exclusão. No todo, a população busca encontrar os mesmos locais 
agradáveis com boas condições de vida no que se diz respeito à moradia, paisagem, 
lazer e trabalho. 
O espaço urbano é destinado às pessoas de forma que possibilite o desenvolvimento 
de suas atividades, onde as mesmas mantêm relações entre si, demonstram suas 
opiniões, gerando influências e intervenções no processo de formação das cidades. 
Através da geografia, possibilitou-se o melhor estudo sobre esse espaço, onde cada 
sociedade enxerga o urbano de forma diferenciada, mas tem-se o homem como 
principal guia desse processo histórico, mantendo suas relações com outros homens 
em seu determinado meio. Por isso, a importância do estudo histórico de cada etapa 
dessas relações, incluindo seus fatores preexistentes que interferem em tal modo de 
produção do espaço. 
 
SABIA MAIS 
Segundo o capítulo I – Diretrizes Gerais, do Estatuto da Cidade, 
devem conter proteção às cidades sustentáveis, compreendido 
como direito à terra urbana, moradia, saneamento, infraestrutura 
urbana, serviços públicos e transporte, trabalho e lazer, para todas 
as gerações, um dos direitos essenciais do cidadão incluídos no 
grupo dos direitos humanos. Já sobre a gestão democrática, a 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
19 
população se faz presente, seja por meio de associações 
representativas, onde executam e acompanham planos, 
programas e projetos sobre o desenvolvimento urbano. 
Tem-se então, o processo geográfico em constante modificação, tornando-o dinâmico 
com diferentes escalas e formas. Ou seja, cada sociedade vai enxergar suas 
concepções sociais de tal maneira que distinguem uma das outras. Cada produção do 
homem no espaço urbano vai adicionar na construção das relações que constituem 
uma sociedade, contribuindo com a vida cotidiana. 
Com o ambiente em constante transformação, de espaços naturais em espaços 
produtivos, o significado econômico surge diante as cidades, dando continuidade pelas 
necessidades do homem com a natureza. Assim, a produção e o consumo dão início 
ao verdadeiro valor e uso dos mesmos. 
Figura 8: Desenvolvimento de rodovias pelas cidades 
 
Fonte: Freepick 
 
Além das relações sociais, a oferta de bens e serviços, tal como a carência do mesmo, 
situa-se nas cidades capitalistas, presente também nas relações do mercado, através 
da comercialização e produção, incentivando a movimentação do dinheiro e assim, 
ampliando as estratégias de sobrevivência das relações sócio espaciais. 
Levando em consideração a existência de espaços que não são pensados e 
executados de forma adequada, é notável ambiente carente de um bom desenho 
urbano, que possam promover uma boa sensação de segurança, acessibilidade, 
mobilidade, conforto, entre vários fatores que fazem diferença quando o espaço 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
20 
público é projetado adequadamente para aquele lugar específico, como afirma Silva; 
Barros Filho (2013): 
As cidades médias brasileiras convivem com o problema da falta de 
espaço para a expansão dos seus territórios. Isso não significa a 
ausência completa de áreas livres, mas demandam o fortalecimento 
de políticas públicas que orientem a sua adequada ocupação (SILVA; 
BARROS FILHO, 2013 p.4). 
Com o modernismo, surge a baixa prioridade dos espaços públicos e algumas das 
principais causas da segregação desses espaços: a valorização das vias para veículos 
motorizados, trazendo a diminuição das atividades sociais na cidade. As vias com alta 
densidade de veículos que apresentam pouca arborização, rios canalizados, e 
insatisfatórios ambientes de convivência, são responsáveis por tornarem os ambientes 
monótonos. 
Os espaços públicos são importantes e fundamentais em todas as cidades. “As 
cidades são locais onde as pessoas se encontram para trocar ideias, comprar e 
vender, ou simplesmente relaxar e se divertir. O domínio público de uma cidade – suas 
ruas, praças e parques – é o palco e o catalisador dessas atividades.” (GEHL, 2010, p. 
8). 
 
Porém, a frequente rotina de ir às ruas a pé e desfrutar de espaços públicos ao longo 
da caminhada que despertem o bem-estar do pedestre foi diminuindo, visto também 
pelo fato da priorização de espaços para os automóveis, como os estacionamentos, 
tornando as áreas cada vez mais isoladas e indiferentes ao seu entorno. 
O Estado, por sua vez, com sua pouca presença significativa, faz com que as pessoas 
procurem suas próprias maneiras de sobrevivência, construindo relações umas com 
as outras, através de atividades em grupo, da cultura, de relações interpessoais, entre 
outros meios. 
 
Faz parte do cotidiano alguns pontos como: o bairro, a rua, as praças, onde são 
responsáveis por realizarem trocas diárias, gerando trocas entre vizinhanças e 
comunidade. No mesmo ambiente, também é possível práticas políticas sobre tal 
espaço, onde cada um impõe sua maneira de pensar e agir, sua própria história e 
identidade, como afirma Corrêa (1995): 
O conjunto dos usos da terra justapostos entre si definem áreas, 
como o centro da cidade, local de concentração de atividades 
comerciais, de serviços e de gestão, áreas industriais, áreas 
residenciais distintas em termos de forma e conteúdo social, de lazer, 
e entre outras aquelas reservadas a futura expansão. Este complexo 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
21 
conjunto de usos da terra é, em realidade, a organização espacial da 
cidade, ou simplesmente, o espaço urbano, que aparece assim como 
espaço fragmentado. (CORRÊA, 1995, p. 7). 
Segundo Benévolo (1993), as ruas retilíneas, que apontam uma série de quadras 
iguais, mostram um novo modelo uniforme de cidades, em sua maioria com forma 
quadrada. Já no centro da cidade, surgem praças onde se curvam sobre edifícios de 
grande importância como, por exemplo, as igrejas ou casas mais ricas. 
Ainda sobre o autor, a desorganização mostra consequências visíveis na cidade 
industrial, onde o mesmo ciclo iniciava-se na cidade medieval, apresentando 
características positivas quanto as relações das comunidades, mostrando sempre um 
equilíbrio entre campo e cidade. 
Com o início do capitalismo, o desequilíbrio surge, expondo um determinado 
fragmento na vida urbana, fazendo com que as relações sociais sejam cada vez mais 
escassas, como mostra Mumford: 
Paisagens arruinadas, distritos urbanos desordenados, focos de 
doenças, trechos de desertos, milhas e milhas de cortiços 
padronizados, enxameando nas áreas que circundam as grandes 
cidades e se confundindo com seus subúrbios inúteis. Em resumo: 
malogro geral e a derrota do espírito civilizado. (MUMFORD, 1961, 
p.18). 
Para Mumford (1961), a função de construir uma cidade acarreta o trabalho maior de 
reerguer uma nova civilização, de maneira que seus pontos negativos e positivos 
juntos contribuíam para o futuro. Assim, surgiria a possibilidade de correção das 
cidades a cada novo ciclo ou fase histórica, chegando à formação da metrópole. 
 
 
VOCÊ SABIA? 
Mumford morava em Nova York, onde apareceram as grandes 
teorias e perspectivas sobre a cidade. Ele delineava uma escrita 
sobre planos urbanos que já estavam sendo administrados. O 
autor também retratava sobre os períodos históricos das cidades, 
onde mostrava um resumo histórico de fases de desenvolvimento 
da cidade, uma natureza de ciclo vital quase que dá específica 
civilização. Na segunda parte do seu livro, ele apresenta mais 
intenções nítidas que mostram o desdobramento de seu 
pensamento sobre o planejamento urbano e sobre intervenção 
social. 
 
A metrópole, por sua vez, é vista como devastadora para as relaçõesculturais da 
comunidade, uma vez que com o forte crescimento das cidades, o vínculo que as 
pessoas possuíam nos municípios, em campo ou em pequenas cidades desenvolvidas 
seria cessado. 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
22 
A arquitetura entra no meio de tais agentes quando a crescente verticalização no 
centro e as manchas urbanas intensificam-se, trazendo juntamente a esses locais, a 
modernização com novos edifícios, deixando de lado vestígios da cidade antiga. O 
mais importante agora seria como tornar-se grande metrópole sem decompor o valor 
da comunidade. 
Todavia, Mumford (1961), não enxergava a metrópole de modo homogêneo, para ele 
também era importante tratar os pontos de manutenção do mesmo no sentido de toda 
comunidade. Quando tais pontos não existissem mais, refazê-los, pois o centro não 
podia ser deixado de lado ou substituído. O autor ainda compreendia a cidade como 
uma transformação de uma nova forma de metrópole moderna. 
 
Assim, através da junção de vários agentes, o lugar torna-se resposta à tentativa 
natural de unificação de todo mundo, por meio da união dos homens dentro do 
mercado. Após sua longa construção, a etapa seguinte é definir formas de adequação 
do espaço, tendo como base suas relações. 
O próprio lugar vai conquistando o sentido de território, com experiências e atitudes de 
cada população. Cada passo segue a construção de um local, com conquistas 
coletivas e comuns, como também pelas suas dificuldades no ambiente vivido. 
 
Essa tal área passa a ser a base da sociedade, um acontecimento físico, social e 
político, possível de modificação, onde o Estado não se faz tão presente, porém, 
insere algumas de suas políticas públicas que devem ter como objetivo principal 
atender as necessidades da população. Suas funções não são atingidas 
igualitariamente, o que traz exceção e falta de ações importantes para algumas 
localidades, onde a sociedade fica sujeita a suas próprias estratégias de vida e 
apropriação de seu espaço. 
 
 
RESUMINDO 
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente 
entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o 
que vimos. Você deve ter aprendido que com a vida social 
fortalecida por vínculos, solidariedade, realizações sociais, entre 
outros, a cidade vai se mantendo, mesmo com ausência de 
políticas públicas que certifiquem as mesmas de infraestrutura 
urbana de qualidade e possibilitem o ingresso ao trabalho, saúde, 
educação e lazer, de forma que a cidadania seja exercida de forma 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
23 
plena e correta. 
Apesar de grandes dificuldades enfrentadas pelas comunidades 
para tal cidadania, no Brasil, as sugestões de soluções de tais 
problemas urbanos já avançaram, de modo que as localidades 
‘abandonadas’ são priorizadas, trazendo assim um atendimento 
diferenciado, mesmo que deixem a desejar em relação a uma 
cidadania plena e igualitária para todos, com uma concepção 
injusta do espaço urbano, buscando também a priorização de 
construções arquitetônicas que consigam suprir as necessidades 
da população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
24 
3. Teorias da arquitetura e do urbanismo 
 
INTRODUÇÃO 
Ao término dessa competência, você irá discernir sobre a 
sistematização dos fundamentos teóricos, identificando as 
principais etapas e fatos históricos que desenvolveram a 
arquitetura ao longo dos anos. Curioso? Então vamos lá saber 
mais! 
 
 
3.1 Modo artístico 
O âmbito da disciplina dispõe a apurar a elaboração da arquitetura e do urbanismo, do 
design e de suas várias histórias artísticas, como também da técnica do patrimônio, de 
toda paisagem, envolvendo também a cidade e a habitação. 
 
O conhecimento de cada campo e suas expressões e modificações ao longo do 
período e recinto possuem suas histórias distintas e focos disciplinares diferentes, em 
todo o mundo, com várias proporções sociais, econômicas, políticas, territoriais, 
institucionais, estéticas, simbólicas, culturais e conceituais. 
 
Segundo Lira (2020), três linhas de pesquisas são desenvolvidas para a disciplina de 
maneira que mostrem a partir das questionáveis diversas o trabalho das obras e 
perspectivas da arquitetura, do urbanismo, do design e das demais áreas que 
abordam a mesma. As linhas de pesquisa podem ser observadas a seguir: 
 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
25 
Tabela 1: Linhas de pesquisa 
I. Memória, práticas e 
representações 
Inclui refletir sobre os hábitos e 
interpretação da recordação da história 
em todas as etapas da arquitetura e do 
urbanismo, focando em períodos sociais, 
conceitos e bens culturais, materiais e 
urbanas. 
II. Cultura, produção material e 
instituições 
 
Reflete sobre a área da arquitetura e do 
urbanismo incluindo as proporções sociais 
e área mais ampla, focando no 
profissional, técnico e trabalho, como o 
planejamento e as etapas de produção e 
obtenção da cidade, da paisagem e do 
edifício. 
III. Estética, historiografia e crítica Prioriza os critérios historiográficos, a 
teoria e a crítica na área. 
Fonte: (Elaborada pelo autor, 2020. Baseado em Lira, 2020). 
 
Ao longo da história, várias pesquisas irão ser realizadas chegando até a 
contemporaneidade, envolvendo práticas projetuais e profissionais do projeto em si, 
como também seu planejamento, sua gestão e intervenção, sua conservação e 
restauro e toda sua história e memória, envolvendo paisagismo, urbanismo, design e 
arte. 
 
3.2 Fundamentos teóricos 
Com a necessidade de novos processos, as cidades passam a evoluir sendo 
contestadas pelo Estado, onde precisam manter o controle do espaço urbano fazendo 
com que surja o urbanismo como uma nova matéria acadêmica. 
Assim surge o papel do profissional de arquitetura juntamente com uma crise na 
construção arquitetônica que atravessa o século XIX e só será solucionada com o 
surgimento da arquitetura moderna. 
No século XIX, na idade contemporânea, os arquitetos passaram por crises estéticas, 
ou podendo ser chamado de movimentos revivalistas, onde a tecnologia não se 
deparava com uma expressão apropriada, devido a algumas causas artísticas ou entre 
outros contextos. Tais movimentos procederiam para o ecletismo, caracterizado por 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
26 
diversas opiniões como o mais descaído e formalista em meio dos demais estilos 
históricos. 
O primeiro movimento que surge é o Neoclássico, ele está ligado aos conceitos 
românticos nacionalistas, presente na arquitetura inglesa. Os ideais progrediram e o 
último estilo do século XIX surgiu, o Art Nouveau, entrando no século XX. 
Art Nouveau, ou arte nova, surge como um costume moderno, trazendo o modo 
floreado, tomando como detalhes formas orgânicas transmitidas em folhagens, cisnes, 
flores, labaredas, entre outros elementos. 
Figura 9: Edifício Art Nouveau 
 
Fonte: Freepick 
 
Outra característica dos edifícios dessa época são as linhas curvas, assimétricas e 
desarmoniosas. O período associa-se com a segunda Revolução Industrial, alinhado 
com a utilização de materiais recentes, como por exemplo: ferro e o vidro, 
componentes fundamentais que faziam parte dos edifícios e de sua estética. Também 
dá ênfase ao trabalho artesanal e a valorização da natureza. 
Segundo Portes (2012), a partir do século XX, a diferença dos arquitetos que estavam 
mais aproximados das vanguardas artísticas e dos que associavam à tradição estaria 
ficando mais evidente, transformando o momento arquitetônico em um campo cheio de 
posições e deslocamentos. 
Assim, surgem novos fundamentos teóricos que discorrem sobre o significado da arte 
e a função do artista, encontrando a demonstração de toda tarefa artística, seja 
racional, artificial ou moderno, na indústria. A nova sociedade aparece com a 
modernidade, juntamente com novasideias e estilos estéticos, sendo elas as mesmas 
capazes de sintetizar todas as artes e determinar as casualidades da vida humana. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
27 
Com o surgimento da arquitetura moderna, nasce o discurso estético e social, onde se 
caracterizava pela vida do homem contemporâneo. Assim, fez-se surgir um novo 
período marcante: arquitetura influenciada pelo Bauhaus, buscando por uma 
sociedade mais moderna. 
Figura 10: Organização Deutscher Werkbund 
 
Fonte: https://fundamentosarqeurb.files.wordpress.com/2012/03/aula03-hist-da-
arquitetura.pdf 
 
 
VOCÊ SABIA? 
Peter Behrens começou como pintor e em seguida transformou-se 
em um dos profissionais mais capacitados da Alemanha. Obteve 
participação em seus trabalhos de artistas como: Gropius, Mies 
van der Rohe e Le Corbousier. Ao longo de seus trabalhos, 
desenvolveu diversas construções industriais, juntamente com sua 
capacitação de decorador. O mesmo desfrutava de construções 
leves e festivais, ligados à vanguarda, onde os materiais eram 
evidentes com objetivo de enfatizá-los nos edifícios que possuíam 
andamentos uniformes. 
 
 
Em seguida, Walter Gropius logo começa a trabalhar com Behrens e segue seu 
trabalho individual, deixando em uma de suas obras a importância da adição da calma 
e racional na aplicação das novas técnicas. Uma de suas principais construções 
Deutscher 
Werkbund
Organização 
cultural alemã
Fundada por 
conjunto de 
artistas e 
arquitetos
Engrandecer o 
trabalho do 
artesão
Participação 
de: Van de 
Velde e Peter 
Behrens
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
28 
desenvolvidas é a Fagus ad Alfed an der Leine, uma fábrica de fôrmas para sapatos. 
Já Walter Gropius afirma: 
A primeira coisa que nos toca é a simplicidade e segurança dessa 
arquitetura, em contraste com as intenções monumentais e a 
carranca dramática das obras análogas de Behrens. A inexcedível 
adequação técnica permitiu uma perfeita conservação: dois materiais 
apenas, o tijolo e o metal polido, formam a superfície externa, e a 
combinação fundamental de amarelo e preto domina toda a 
composição. (GROPIUS, 2012, p.14). 
Também desenvolvendo trabalhos com Behrens, Mies van der Rohe em 1913 abre 
seu próprio negócio em arquitetura e o mesmo é suspenso pela guerra. O que ele 
deixa exposto em suas obras é o estudo sobre composições na construção de 
edifícios e suas funções. 
Figura 11: Villa Tugendhat pelo arquiteto Mies van der Rohe 
 
Fonte: Freepick 
 
Bahaus é reconhecida por ser uma escola famosa de design, artes plásticas e 
arquitetura de vanguarda na Alemanha, presente nos anos 1919 até 1933. Ela teve 
grandes influências na arquitetura moderna, sendo a primeira do mundo. Seu fundador 
foi Walter Gropius, e as atividades nela desenvolvidas pelos alunos, em sua maioria, 
foram vendidas ao decorrer da Segunda Guerra Mundial. 
Com o fim da guerra, o artista responsável pela criação da escola resolveu criar um 
novo modelo arquitetônico que lembrasse esse período vivido. Esse mesmo modelo 
obteria funcionalidade, baixo custo de produção, e orientação ordenada, como 
diversas características que não se limitavam por aí. O autor ainda defende o 
racionalismo funcional, diferenciando o desnecessário do que é importante e 
essencial, assim, seria de suma importância a união da arte e do artesanato, 
desenvolvendo peças fundamentais e com suas determinadas funções artísticas. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
29 
Após perseguições, a escola se fecha e deixa seu registro e impacto fundamental para 
a arquitetura e as artes, tanto no ocidente europeu, quanto nos Estados Unidos da 
América. 
É notório que com o surgimento da arquitetura moderna, houve vários acontecimentos 
marcantes que definiram essa disciplina durante todo o século XX, com a presença de 
diversas ideias de vários artistas e desenvolvimento de algumas escolas, como por 
exemplo Bauhaus, localizada na Alemanha e artes desenvolvidas por Le Corbusier, 
desenvolvido na França. Todas essas influências modernas rejeitaram a arquitetura 
anterior com intuito de renovação da área. Logo em seguida, iria surgir o Pós-
Modernismo, que iria defender a renovação da arquitetura anterior e criticar as ideias 
do modernismo. 
Figura 12: Ronchamp, arquitetura de Le Corbusier 
 
Fonte: Pixabay 
Em 1928 surge o CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna), localizado 
na Suíça, onde vão ter uma participação importante na construção dos fundamentos 
da arquitetura e urbanismo, a fim de discorrer sobre as principais áreas da arquitetura, 
sendo eles: o paisagismo, urbanismo, exteriores, interiores, equipamentos, materiais, 
entre outros pontos importantes. 
 
A arquitetura para os criadores da CIAM deveria surgir como objeto sintético, limpo, 
racional e funcional, e deveria ser utilizada pelo poder público a fim de contribuir 
economicamente e socialmente, promovendo assim o crescimento coletivo da 
população. 
Nesse período irá adicionar aos fatos históricos da disciplina a Carta de Atenas, 
decorrida por Le Corbusier e estruturada sobre os debates surgidos na conferência do 
planejamento. Para Portes (2012): 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
30 
“A Carta praticamente definiu o que é o urbanismo moderno, traçando 
diretrizes e fórmulas que, segundo seus autores, são aplicáveis 
internacionalmente. A Carta considerava a cidade como um 
organismo a ser planejado de modo funcional e centralmente 
planejado, na qual as necessidades do homem devem estar 
claramente colocadas e resolvidas. Entre outras propostas 
revolucionárias da Carta está o de que toda a propriedade de todo o 
solo urbano da cidade pertence à municipalidade, sendo, portanto 
público.” (PORTES, 2012, p. 23). 
Toma-se como exemplo a cidade de Brasília, sobre criação do arquiteto Lúcio Costa, 
onde a mesma desenvolverá todos os requisitos da carta caracterizada pelo seu 
projeto urbano mais avançado no mundo. 
Figura 13: Urbanização na cidade de Brasília 
 
Fonte: Pixabay 
 
Ainda sobre Portes (2012), como consequência das resoluções do CIAM IV, feito em 
1933 em Atenas e em Marselha, o congresso acabou sendo o mais extenso em 
relação ao ponto urbanístico, pretendendo desenvolver o estudo relativamente de 34 
cidades europeias. 
 
 
RESUMINDO 
Mas e então? Em que se baseia a arquitetura antiga e a 
arquitetura moderna? Será que algum estilo não foi importante 
para fundamentação teórica da disciplina? Então, como você 
observou ao longo da competência, são muitos os conceitos e 
baseamentos de cada estilo e cada época da arquitetura. Mas o 
que se sabe é que a arte esteve presente para que chegasse até 
os dias atuais. Cada arquiteto teve sua importância e participação 
fundamental para marcar os demais estilos. Alguns são utilizados 
até os dias atuais. De modo geral, observa-se a arquitetura como 
uma maneira de se expressar, deixando claras as ideias do 
homem cuja finalidade tenha o alinhamento da: funcionalidade, 
técnica e estética, podendo ser considerada como um espaço 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
31 
arquitetônico, quaisquer intromissão no ambiente, contanto que 
tenha um objetivo de designar a arte. Para isso, toda 
fundamentação da teoria deve ser estudada e compreendida de 
forma correta, pois faz parte da história e tem forte relevância para 
a disciplina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
32 
4. Visão Econômica, Social e Cultural da Arquitetura 
e do Urbanismo 
 
INTRODUÇÃO 
Ao término dessa competência, você conseguirá analisar a 
produção arquitetônica e urbanística, compreendendo também a 
melhor forma de discernir sobre a relação entre a arquitetura, o 
urbanismo e as questões sociais, econômicas e culturais nos dias 
atuais. Curioso? Então vamos lá saber mais! 
 
 
4.1 Relação entre arquitetura e urbanismo 
Entendendo a arquitetura como uma arte quecria espaços e abrigam às tarefas do 
homem, alguns critérios são utilizados para tal desenvolvimento, sendo eles: técnica, 
funcional, ergonomia, custos, sustentabilidade, estética, conforto, entre outros tópicos 
relevantes. 
Visto que o contexto do urbanismo insere a cidade e o grupo de medidas tomadas 
pela mesma, várias são as questões que juntas resultam no estudo e regulamento das 
áreas, sendo sempre utilizados as razões econômicas, políticas e sociais. Segundo 
Colin (2000): 
A arquitetura permite aos seres humanos, com ajuda dos meios 
técnicos criados e aperfeiçoados por eles, realizar a construção de 
todos os abrigos que lhes são necessários para sua vida coletiva ou 
em família. Neste aspecto, ela é pura produção material, ou seja, um 
bem-de-consumo. Entretanto, a obra arquitetônica não ocupa 
somente essa função utilitária primordial. Com o auxílio das formas 
que estas necessidades provocam e que os meios técnicos permitem 
realizar, ela atinge uma das mais altas expressões da arte pela 
utilização estética dos seus espaços e de seu invólucro, o que 
configura sua finalidade. (COLIN, 2000, p.7). 
A atividade arquitetônica irá abranger toda tarefa organizada do homem buscando a 
aplicação na prática, tomando como características a criação de uma atividade das 
mais antigas do gênero humano. O arquiteto terá uma função importante na 
construção de edifícios ou de ambientes, podendo impactar positivamente ou 
negativamente os seus usuários. Dentre esses impactos, o autor busca causar uma 
percepção do seu ambiente construído para aqueles que irão desfrutar, nascendo 
assim impactos sociais, ambientais, culturais, físicos de cada cidade, onde cada uma 
vai priorizar uma característica distinta e será marcada pela arte desenvolvida nela. 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
33 
Para que o estudante da área consiga alcançar o programa arquitetônico terá que 
estudar o desenvolvimento e oportunidades da disciplina, sendo primordial que o 
mesmo se conecte com o aprendizado sensível, crítico e artístico ao longo de todo 
caminhar de sua formação. 
Além dos aspectos arquitetônicos, a formação do arquiteto e urbanista irá abranger 
muito mais observações para o profissional, como afirma Saboya (2011): 
A formação do arquiteto e urbanista abrange o estudo do urbanismo, 
mas não se limita a este, englobando um espectro mais amplo de 
matérias e conteúdos curriculares. Por consequência, os profissionais 
formados em curso de urbanismo desmembrado da arquitetura têm 
campo distinto de atuação, não cabendo seu registro nos Conselhos 
de Arquitetura e Urbanismo. (SABOYA, 2011, p. 1). 
Com isso, a relação da arquitetura e do urbanismo vai estar fundada entre uma visão 
poética sobre a consciência crítica. Segundo Malard (2006), sua dimensão artística irá 
se encontrar em suas concepções visuais, internas e externas, contendo volumes, 
texturas, planos e cores. 
 
4.2 Espaços públicos 
Para compreender melhor as questões sociais, econômicas e culturais da disciplina, é 
importante entender que cada cidade ou cada espaço contém uma determinada 
demanda e seu programa de necessidades. O mesmo será desenvolvido de acordo 
com a característica de cada população, formando assim a sua identidade e tornando 
aquele ambiente único e acessível para seus usuários. Pode-se observar que cada 
local se desenvolveu ao longo dos anos com sua própria cultura, onde a arquitetura 
tem sua participação com objetivo de contribuir, de forma positiva, em suas relações 
econômicas e sociais, aumentando cada vez mais a união das pessoas através dos 
espaços projetados e desenvolvendo características culturais únicas. 
As cidades têm, como de suma importância, o espaço público, uma vez que se torna 
assunto frequente no meio do Urbanismo. Com a falta de um planejamento urbano 
eficaz, as cidades acarretam problemas como desvalorização e segregação desses 
espaços. Tais áreas, por sua vez, possuem funções de minimizar problemas nas 
cidades e trazerem benefícios na qualidade de vida dos citadinos, onde precisam 
cumprir sua função ecológica, social, de encontro e lazer, mas devidamente de acordo 
com as prerrogativas funcionais, de conforto e segurança dos espaços públicos, 
transmitindo sensação de bem-estar e conforto para as pessoas. 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
34 
 
VOCÊ SABIA? 
Os autores Jan Gehl, Lars Gamzoe e Sai Karnaes sintetizaram 12 
itens que definiam se um espaço público era ou não de boa 
qualidade, tais critérios descritos são: (1) pedestres possam se 
locomover pelas ruas com tranquilidade e não se preocuparem em 
serem atingidos por algum veículo; (2) segurança em espaços 
públicos; (3) proteção contra experiências sensoriais 
desagradáveis. (4) espaços para caminhar; (5) espaços de 
permanência e contemplativas do seu entorno; (6) mobiliário 
urbano qualificado e equivalente ou maior à quantidade de 
indivíduos que frequentam determinado espaço; (7) garantia de 
paisagens visuais agradáveis ao público, para que desfrutem das 
perspectivas do meio urbano; (8) desenho e mobiliário planejados 
de forma a fomentar a interação social; (9) possibilidade dos 
cidadãos se relacionarem com a estrutura da cidade, levando em 
conta a perspectiva dos sentidos da visão; (10) escala humana; 
(11) utilização do clima como uma potencialidade; (12) 
experiências sensoriais. 
 
Figura 14: Esboço paisagem urbana em Hong Kong 
 
Fonte: Freepick 
 
No século XX, o processo de urbanização toma impulso juntamente com o processo 
de industrialização, onde surge uma causa chamada como êxodo rural, desenvolvido 
através da mudança da população rural para a cidade urbana. 
Assim, surge a urbanização, também fazendo parte da arquitetura, a mesma está 
ligada ao processo do crescimento das cidades, onde inclui a edificação de vários 
setores, como moradias, escolas, hospitais, entre outros. 
 
4.3 Economia, socialização e cultura 
Os edifícios públicos possuem uma diversidade quanto a seu uso, podendo ser misto, 
comercial, residencial, entre outros espaços que complementam o ambiente em que 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
35 
se vive. O desenvolvimento do térreo livre também é um forte ponto da arquitetura 
moderna, onde complementa a estética dos projetos no país. 
Segundo Montaner (2011), tais espaços são criados de tal forma que atendam as 
habitações e o uso coletivo e social, trazendo o edifício moderno a partir dos anos 50. 
Outra forma moderna dos edifícios é no que diz respeito à introdução dos pilotis. 
 
O espaço de uso coletivo é desenvolvido através das atividades terciárias nas cidades, 
onde se tem um local de comércio ligado a uma nova arquitetura. Pode-se encontrar 
também nestes espaços, trocas de atividades entre a população, seja interna ou 
externa, onde é exposta a mercadoria, chamada recentemente de vitrines. 
Segundo Vargas (2001), o termo mercado surge ao longo dos anos, induzindo a 
comunidade a troca e poder de compras. Esses espaços, abertos, semicobertos e 
cobertos, permitem o desenvolvimento do conceito de espaço público, mantendo 
também interesses públicos. O autor também define: 
Espaço público, por excelência, é o lugar onde uma pessoa pode 
estar sozinha sem dar impressão de estar solitária. [...] é importante 
saber que para ser considerado um “espaço público”, o espaço deve, 
a princípio, ser acessível a todos os moradores e visitantes, ao 
mesmo tempo em que esses cidadãos e visitantes devem ser 
capazes de interagir, livremente, na mesma base, 
independentemente de sua condição social. (VARGAS, p. 98, 2001). 
 
Para se ter uma boa condição de edifício público, é importante que o mesmo esteja 
inserido em locais de fácil acesso na cidade. Nem todos são considerados públicos 
por não atenderem todos os requisitos de um, apesar de alguns terem bom acesso. 
Outra função importante dos edifícios públicos é o interesse descompromissado. Os 
pontos comerciais como, por exemplo,galerias, se tornam locais de passeio e convívio 
amplo, não estando diretamente ligadas ao comércio, mas fazendo com que as 
pessoas andem e sintam além de sua função de comércio estabelecida. 
 
Atualmente, com as novas tecnologias, os espaços encontram-se cada vez mais 
distantes do homem, fazendo necessário espaço ou edifícios que permitam a 
interação das pessoas umas com as outras, com disponibilidade do ócio e negócio, 
criando locais que ampliem a dinâmica da sociedade. 
Galerias e shoppings centers são alguns dos edifícios públicos da fase moderna, 
sendo assim um local planejado, diferentemente das ruas que oferecem comércios, 
porém, são considerados espaços não planejados (VARGAS, 2001). 
Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
36 
Um fator determinante para os edifícios públicos é agora, permitindo a evolução do 
conceito dos espaços ao longo dos anos no mundo ocidental, onde o comércio passa 
e suas definições antigas para as atuais. Juntamente com o desenho viário e com o 
comércio foi se formando de forma mais fechada, dando lugar aos edifícios modernos, 
com fachadas recuadas em forma de U. Assim, é definido o conceito principal dos 
edifícios públicos: fechados e acessíveis. 
Figura 15: Relação entre comércio, residência e urbano 
 
Fonte: Freepick 
 
Atualmente, mais da metade da população brasileira reside em áreas urbanas. É 
comum vermos pessoas pausando suas rotinas para desfrutarem de áreas em que as 
recebam e transmitam bem-estar e o descanso que procuram. As mesmas buscam 
através desses lugares se desconectarem dos dias conturbados e se tranquilizarem 
em sintonia com o ambiente. 
 
 
VOCÊ SABIA? 
Toda habitação deve ter interesse social, onde deve manter o 
convívio das pessoas, suas culturas e costumes, promovendo 
áreas de lazer e bem-estar. As mesmas, destinadas à população 
mais carente, deve oferecer uma oportunidade do mercado 
imobiliário aqueles que têm menor poder de aquisição, com 
direitos básicos como a moradia digna para todos. O assunto leva 
aos estudos das habitações sociais de muitos pesquisadores ou 
estudantes que buscam desenvolver análises feitas a partir de 
critérios sobre a arquitetura e o urbano, social e cultural. As 
mesmas também relatam sobre suas formas, implantação e 
volume, tendo em vista o aspecto dos locais e itens de habitação, 
gerando a comparação de qual se inseriu em determinado local. 
No século XX, nota-se um regresso nas políticas habitacionais 
brasileiras, onde os padrões de edifícios e áreas urbanas não 
levam em consideração a principal função da habitação, que é a 
de gerar moradias para famílias carentes, colaborando para a 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
37 
segregação da cidade. 
A realidade do Brasil, até o ano de 1950, é de característica de uma população rural, 
onde as principais ocupações estavam ligadas a exportação de produtos agrícolas. O 
início do método industrial dá-se em 1930, onde mais tarde também estaria associado 
a outros fatores, como a concentração fundiária e a mecanização do campo. 
Tal migração do homem do campo para a cidade, fez com que as cidades crescessem 
de forma desordenada e acelerada, ampliando também o setor de comércios e 
serviços. 
 
Com a grande concentração da população em grandes cidades, o homem também viu 
a necessidade de migrar para as cidades médias, buscando assim o seu interesse na 
geração de empregos e melhoria da qualidade de vida. 
Alguns fatores contribuíram para que essa migração surgisse, tais como: a otimização 
e viabilização da alta produtividade, mecanismo das atividades rurais, aumento da 
escassez do campo, a queda da economia rural, a inconstância do trabalho, entre 
outras atividades. Com isso, grande parte da mão de obra era dispensada e as 
pessoas perdiam seus empregos por serem substituídas por máquinas, aumentando 
assim, o índice de desemprego. 
 
 
IMPORTANTE 
O assunto que estamos estudando possui aplicação prática 
relevante, sendo objeto de estudo para compreensão sobre a área 
do urbanismo nas cidades. Assim, para que você possa 
compreender melhor o desenvolvimento, faça a leitura na íntegra 
no material aqui. 
 
À medida que o crescimento urbano toma conta das cidades, alguns pontos negativos 
também vêm a surgir, sendo eles: a falta de infraestrutura e investimento nas 
comunidades, fazendo com que pessoas fiquem sem moradias e dando oportunidade 
a desigualdade social, aumento da violência, desemprego, enaltecimento de imóveis 
em determinados pontos, como também a poluição ao meio ambiente de modo geral. 
As cidades se preparavam para receber as indústrias investindo em 
infraestrutura, energia elétrica, meios de comunicação e transporte, 
incentivos fiscais, contudo não se investia na produção de um espaço 
urbano mais humano e equânime. Ao contrário, a política 
desenvolvimentista atraia cada vez mais mão de obra, formadora da 
https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geo/article/download/6981/4579/23346
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reserva de mercado e oferecia pouca comodidade – serviços urbanos 
(SILVIA, p. 7, 2001). 
Com toda a mudança e crescimento dos municípios, a preocupação do uso e 
ocupação do solo passa a existir, onde os poderes públicos passam a aplicarem 
determinadas diretrizes de ordem constitucional para uma nova gestão e 
administração do espaço urbano, como por exemplo, o Plano Diretor para as cidades. 
Tal ordem busca nesses ambientes, juntamente com o Estatuto da Cidade, objetivos 
de gestão democrática, com a ajuda do governo, a fim de planejar cidades 
sustentáveis e com correção do seu uso e ocupação do solo, com melhoria da 
qualidade do meio ambiente, como também a regularização fundiária e urbanização de 
alguns territórios ocupados pela população. 
Segundo Silva (2001), as cidades planejavam receber as indústrias aplicando 
infraestrutura, energia elétrica, meios de comunicação, entre outros incentivos que 
mantinham a produção de um espaço urbano cada vez mais igualitário para todos. 
Apesar das diretrizes serem traçadas pelo Plano Diretor, nem sempre as mesmas são 
atingidas. Segundo Santos (2007), desde o início do século, uma grande dificuldade 
de tal processo é a crítica do consumismo e o reaprendizado da cidadania. Com isso, 
têm-se as cidades contemporâneas como um modelo capital, onde o homem é levado 
pelo consumismo, tornando-a um espaço em que remete a perda da urbanidade em 
várias escalas. 
 
Com o espaço urbano segregado, começam a surgir tais problemas urbanos, de 
origem política e econômica, e assim, a reflexão sobre os espaços que serão 
construídos futuramente e sua importância. 
No entanto, há vários modelos de cidades, mas todas buscam de forma unitária os 
mesmos objetivos, áreas que tragam melhoria de vida e que consigam desenvolver 
atividades em que as pessoas socializem cada qual com sua própria história e 
característica individual, mas marcada por semelhanças e diferenças que as unem e 
tornam grandes e sustentáveis. 
A cidade é, sobretudo, contato, regulação, intercâmbio e 
comunicação. A convicção de que a população pode expandir 
infinitamente os espaços do assentamento humano é a primeira 
forma, geograficamente falando, de neutralizar o valor de qualquer 
espaço (SENNET, 1991, p. 9). 
Contudo, os denominados “problemas ambientais urbanos” na atualidade estão sendo 
levados a reflexões sobre a cidade que possuímos e a cidade que desejamos. Visto 
 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 
39 
que, a importância do arquiteto para que as cidades se desenvolvam é de extrema 
significância. 
As áreas que precisam de uma estrutura para que consigam exercer seu papel de 
melhorias de convívio e lazer, é de fundamental importância à visão de um profissional 
que projeta tais ambientes para que as pessoas se sintam convidativas e queiram 
permanecer nos demais locais. 
 
RESUMINDO 
Os estudos sobre tais preocupações necessitamda compreensão 
do urbano brasileiro em toda sua totalidade, ou seja, incluindo as 
pequenas cidades também no discurso. Além das preocupações 
acadêmicas, também é de extrema importância a expressividade 
das políticas públicas, imprensa e sociedade em geral, mostrando 
sua diversidade, e principalmente, suas dificuldades. As culturas 
que crescem em cada ambiente são devido à junção de várias 
pessoas no mesmo local. Os espaços urbanos tornam-se assim 
uma área de repouso e tranquilidade para seus usuários, levando 
em consideração que não são apenas edifícios e construções 
verticais que devem ser planejadas e bem estruturadas. O que 
definirá a economia, socialização e característica cultural daquele 
local será o resultado da utilização de espaços ociosos e que deve 
ser pensada, planejada, destinada e projetada a toda população. 
Com isso, é visto a significância do papel do arquiteto para que os 
ambientes possam, além de impacto visual, oferecer conforto e 
bem-estar a todos. 
 
 
 
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