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Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 2 AUTORIA MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE Olá! Sou Mirella Ramalho Cavalcante Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de arquitetura e pela prefeitura de Campina Grande – Paraíba. Atualmente atuo como profissional autônoma. A área de urbanismo e toda sua história, desde o início, como também pelo meu desenvolvimento do trabalho final de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto de incentivar as pessoas a olharem com mais delicadeza a arquitetura e todas as áreas que a mesma abrange. ALEXSANDRO PEREIRA Olá, sou Alexsandro, Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense (UFF) com enfoque na área de Habitação de Interesse Social. Membro do Corpo Docente do grupo ITEC, onde leciona para o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade TECSOMA diversas disciplinas ligadas a Projeto Arquitetônico Por isso fomos convidados pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Ficamos felizes pelo convite e gratos em poder ajudar você nesta fase de muito aprendizado. Saiba que pode contar conosco e estarei à disposição para qualquer dúvida! Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 3 ICONOGRAFIA Estes iconográficos irão aparecer toda vez que: INTRODUÇÃO uma nova unidade letiva estiver sendo iniciada, indicando que competências serão desenvolvidas ao seu término; VOCÊ SABIA curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo forem necessárias; DEFINIÇÃO houver necessidade de se apresentar um novo conceito; REFLITA houver necessidade de se chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; NOTA forem necessárias observações ou complementação para o conhecimento; ACESSE for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir a um vídeo, ler um texto, ouvir um podcast, etc.; IMPORTANTE as observações escritas tiverem que ser priorizadas; RESUMINDO for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; EXPLICANDO MELHOR algo precisar ser melhor explicado ou detalhado; SAIBA MAIS um texto, referências bibliográficas e links para fontes de aprofundamento se fizerem necessários; ATIVIDADES quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO chegar o momento ideal para o aluno responder ao enunciado de algumas questões do banco, ou mesmo de forma intempestiva, em meio ao livro didático; Assim vai ficar mais fácil nos comunicarmos. Basta olhar para um desses ícones e você saberá exatamente o que virá logo em seguida. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 4 INTRODUÇÃO Você sabia que a área da Arquitetura e Urbanismo é um componente da história do homem desde a antiguidade? A mesma tem relação desde a época em que os arquitetos empregavam matérias-primas ao dispor da natureza, fazendo surgir prédios, pontes, monumentos entre várias artes históricas marcadas pelo mundo. A área da arquitetura tem presença até os dias atuais, onde os homens desenvolvem sua criatividade e a partir dos erros e acertos, vão surgindo ideias inovadoras e conceituais que definem o espaço onde se vive. A partir de técnicas a arquitetura vai se desenvolver pelo mundo e vão surgindo novos espaços e novos lugares. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 5 Competências Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade I. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Definir e aplicar os conceitos da arquitetura e do urbanismo ao contexto histórico e atual das cidades e suas edificações. 2. Desenvolver uma visão crítica sobre a história e o desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo. 3. Sistematizar os fundamentos teóricos da arquitetura e do urbanismo. 4. Discernir sobre a relação entre a arquitetura, o urbanismo e as questões econômicas, sociais e culturais. Espero que ao longo das unidades você possa compreender melhor o mundo da arquitetura e que faça um bom proveito dos ensinamentos aqui discutidos. Sua curiosidade, inquietação e motivação te levarão longe! Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 6 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 7 SUMÁRIO ICONOGRAFIA ............................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 4 COMPETÊNCIAS ............................................................................................. 5 1. CONCEITOS DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........................................ 8 1.1 Aplicações da arquitetura e do urbanismo ................................................ 8 2. HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........... 15 2.1 Desenvolvimento da arquitetura ........................................................... 15 2.2 O urbanismo .................................................................................. 16 2.3 As cidades ..................................................................................... 18 3. TEORIAS DA ARQUITETURA E DO URBANISMO ........................................... 24 3.1 Modo artístico ................................................................................. 24 3.2 Fundamentos teóricos ....................................................................... 25 4. VISÃO ECONÔMICA, SOCIAL E CULTURAL DA ARQUITETURA E DO URBANISMO32 4.1 Relação entre arquitetura e urbanismo ................................................... 32 4.2 Espaços públicos............................................................................. 33 4.3 Economia, socialização e cultura .......................................................... 34 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 40 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 8 1. Conceitos da arquitetura e do urbanismo INTRODUÇÃO Ao término deste capítulo você será capaz de entender quais são os conceitos que desenvolveram a história da arquitetura e do urbanismo ao longo dos anos. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 1.1 Aplicações da arquitetura e do urbanismo O termo arquitetura procede da união das palavras gregas “arché”, com significado de principal, e “tékton” com acepção de construção. Atualmente, pode-se definir como a ligação do homem e do espaço, onde ele cria circunstâncias estéticas e úteis com finalidade de habitação e ordenação dos ambientes. A arquitetura também pode ser definida por uma arte visual renomada pelo mundo ao longo de vários anos. A mesma está presente até os dias atuais e é responsável pela criação de espaços públicos e privados, que tem como propósito a união de conforto, funcionalidade e estética. Figura 1: Esboço projetual Fonte: Freepick Outra aplicação que a disciplina se refere é na construção que engloba várias áreas, algumas delas como exemplo são: paisagens, interiores, cidades, móveis. Desde a época do Renascimento pode considerar a arquitetura como uma arte plástica, envolvendo toda proporção humana, desde a etapa manual como também a humana. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 9 Segundo Marcos Vitrúvio, no início do século I a.C, a arquitetura desenvolvida em uma de suas obras descreve a abrangência na área da filosofia e sua base surgede diversas teorias. O fragmento mais renomado do arquiteto foi a Tríade Vitruviana, onde envolve três tópicos essenciais como conceito: Firmitas, Utilitas e Venustas. Figura 2: Tríade Vitruviana Fonte: Elaborada pelo autor (2021). Enquanto Firmitas é atribuído à estabilidade do edifício, como o suporte dos materiais, Utilitas discorre sobre a comodidade da utilização, ou seja, como o ambiente interior é desenvolvido. Já Venustas está ligado à beleza de toda edificação. Trazendo um pouco mais dos conceitos modernos sobre a arquitetura, o arquiteto famoso do século XIX, Louis Sullivan, impulsionou uma norma essencial ao projeto arquitetônico, onde a forma deverá seguir a função. Ou seja, no lugar da ideia Vitruviana, o autor insere a função substituindo a utilidade. Já segundo Nunzia Rondanini, outra ideia surge sobre conceitos de arquitetura, como descreve: "Por meio de sua dimensão estética, a arquitetura vai além dos aspectos funcionais que tem em comum com outras ciências humanas. Por meio de sua maneira particular de expressar valores, a arquitetura pode estimular e influenciar a vida social sem presumir que, por si só, promoverá o desenvolvimento social. Restringir o significado do formalismo (arquitetônico) à arte em prol da arte não é apenas reacionário; também pode ser uma busca sem propósito pela perfeição ou originalidade, que degrada em forma em uma mera instrumentalidade" (RONDANINI, 1981, p. 3). Assim, podem-se observar algumas das filosofias que induziram os arquitetos modernos ao longo do desenvolvimento dos projetos de edifícios, sendo entre elas: o Tríade Vitruviana FIRMITAS: estabilidade e caráter construtivo UTILITAS: Comodidade, função e utilitarismo VENUSTAS: Beleza e estética Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 10 racionalismo, empirismo, estruturalismo, pós-estruturalismo, a desconstrução e a fenomenologia. Surge no final do século XX um novo conceito que também seria utilizado na construção dos edifícios: a sustentabilidade, trazendo a ideia de menos impacto na hora da construção no ambiente natural. Figura 3: Relações entre o homem e o ambiente natural Fonte: Freepick Com isso, ao longo dos anos e seguidamente de vários movimentos modernos, o campo da arquitetura começou a ser compreendido por uma única definição: espaço habitável. Os estilos criados ao decorrer do tempo passaram a ser chamados de escola ou de momentos históricos. Em outras palavras, o estilo abandona a cópia e transita para ser uma expressão característica de cada arquiteto. Ao passar dos anos, a arquitetura deixou de ser foco apenas em construções, edifícios ou monumentos e conseguiu abranger uma escala maior: a da cidade. Onde foi desenvolvendo a preocupação de estudos para que espaços ociosos fossem bem aproveitados e para que cada vez mais trouxessem aos seus usuários o conforto necessário. Toda atividade gerada pelo homem irá gerar um impacto, seja em relação ao edifício no meio ambiente, ou o impacto visual entre o idealizador e a pessoa que irá usufruir daquele ambiente construído. Ou seja, o objetivo dessa construção irá impactar na maneira em que nós iremos ver, podendo ter um efeito positivo, negativo, neutro, desagradável, agradável, estranho entre várias outras observações dependendo da forma de percepção de cada um. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 11 A arquitetura moderna vem juntamente com o quarto Congresso Internacional, que tem como abordagem o tema: Cidade Funcional, o mesmo foi concluído em Atenas. Nele, continha um documento das atividades residenciais, produtivas e áreas públicas equipadas, como também outro documento com a rede viária e o tráfego, desenvolvido por mapas da cidade juntamente com seu entorno imediato, relevo, ligações suburbanas, e paisagem. Um dos fatores construtivos que vem a surgir na arquitetura é a avaliação do volume, ou seja, a maneira que os edifícios encontram-se distribuídos e organizados nos espaços. Assim, podem-se tomar como base os dois princípios na disciplina: tanto ser observada como volume ou como espaço. Mas a arquitetura não se resume só a esses conceitos de estilos e técnicas, também é de grande importância a compreensão sobre seus materiais e sobre as ideias e impressões que os mesmos desejam passar. Com isso, tanto a arquitetura como o urbanismo englobam a união das ideias tanto dos arquitetos, como também dos clientes. A união de estabilidade, beleza e funcionalidade, não estão presentes apenas em edifícios residenciais, mas em edifícios que unem todo o público, como religiosos ou civis. A criação de espaços que unem toda população também é característica histórica do processo da arquitetura e suas edificações. O edifício deixa de ser somente o volume “privado” e passa a desejar uma área comum para que todos aproveitem da mesma. Assim, os arquitetos passam a ter cada vez mais que projetar espaços e edifícios não só pela beleza, mas pela funcionalidade. Tal funcionalidade irá trazer a todos seus usuários motivos de permanência e conforto naquele local, gerando qualidade e melhoria de vida para todos. Assim, nota-se que os conceitos e definições da arquitetura e do urbanismo está fortemente ligada ao progresso humano, onde de início ele desenvolvia locais para se proteger, ao passar dos anos, foram formando espaços de convivência que mais tarde iriam virar civilizações. A necessidade de interligações entre às mesmas, a junção das crenças religiosas, a busca por fornecimento de água, tudo isso foi gerando a intenção do homem em construir seu próprio espaço através de suas técnicas e até os dias atuais se pode notar essa evolução. Segundo Rocha (2011): Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 12 “Arquitetura é a arte ou ciência de projetar espaços organizados, por meio do agenciamento urbano e da edificação, para abrigar os diferentes tipos de atividades humanas. Seguindo determinadas regras, tem como objetivo criar obras adequadas a seu propósito, visualmente agradáveis e capazes de provocar um prazer estético. A história da arquitetura é uma subdivisão da história da arte, responsável pelo estudo da evolução histórica da arquitetura, seus princípios, ideias e realizações.” (ROCHA, 2011, p. 6). A matéria da arquitetura e do urbanismo, da mesma maneira que outro aspecto de entendimento histórico está disposto a restrições e novas possibilidades como ciência, ela também pode estar sujeita há várias visões ao longo dos seus estudos, onde o mesmo se desenvolve, em sua maior parte, no ocidente. Figura 4: Arquitetura e urbanismo do centro histórico de Kiev Fonte: Freepick A história da arquitetura e urbanismo irá começar a partir dos egípcios e sumérios, onde os mesmos já apresentavam elementos primordiais para o desenvolvimento da arte. A arquitetura na antiguidade era demonstrada através de palácios ou templos. Com a chegada dos gregos nos primórdios da história, veio a ultrapassagem da arte que antes era mais conhecida pelos egípcios, e surge um dos monumentos mais conhecidos e que podem ser vistos até os tempos atuais, como é o caso do Partenon de Atenas. Para alguns autores, como é o caso de Lima (2010), a arquitetura foi inserida na bibliografia ocidental com base na Grécia. Assim, mesmo que a arte faça competência ao mundo da Idade Média, a arquitetura está fortemente conectada ao firmamento grego. Para o autor: “Os arquitetos gregos teriam, pelo menos, um parco consolo: não fariam, diretamente, cópias do mundo, como o fazem pintores e escultores. A condenação que pesa sobre o objeto arquitetônico é de natureza mais sutil: existindo como matéria, somente se realiza como cópia sensível do não-sensível, do imaterial, e, portanto, da Verdade. Há, portanto, ainda menos "verdade" nas obras dos escultores e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 13 pintores do que nas dos carpinteiros,marceneiros e arquitetos.” (LIMA, 2010, p. 1). Ao longo de toda história, podemos observar que não há conceitos e sinônimos que definam impecavelmente todos os termos históricos. Visto que os arquitetos romanos também fazem parte do desenvolvimento dessa história, onde os mesmos eram encarregados pela continuação coerente de um costume produtivo e abundante. Figura 5: Coliseu localizado em Roma Fonte: Pixabay Ainda para Lima (2010), a ascendência dos gregos em comparação aos romanos está presente em um único conceito que está ligado às origens, ou seja, a comparação histórica entre as construções gregas e as romanas sempre irão existir, porém, essa superação da grega para com a romana estaria ligada a suas esculturas romanas serem consideradas cópias das gregas. Em outras palavras, o autor desperta a falta de originalidade em comparação as demais épocas citadas. Com o surgimento da era moderna e o seu principal fundador: Império Romano ocidental, outro período surge e novas características, conceitos e definições sobre a arquitetura tornam-se evidentes. De modo geral, a probabilidade em alterações e instituir novas regras de argumentação e compreensão, tanto formais quanto funcionais, faz parte do método criativo do profissional de arquitetura. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 14 RESUMINDO Tendo em vista todos os estudos sobre a arquitetura e o que a mesma envolve, é importante lembrar que além dos edifícios, o urbano e suas contemplações também estão presentes no desenvolvimento da disciplina. É nítido que para compreensão da construção de uma residência ou de um ambiente interno, o arquiteto irá precisar entender as necessidades dos seus usuários, assim como quem irá projetar espaços para toda população, terá que pensar em um espaço que traga comodidade, conforto e qualidade de materiais, para que aquelas mesmas pessoas façam bom proveito e queiram permanecer nesses mesmos locais agradáveis. Assim, para servir de embasamento teórico, vários conceitos e definições foram aplicadas ao longo dos anos sobre a história da arquitetura, onde une a filosofia, a arte e o compreender narrativo que procedem em distintas categorias de valorização do saber empregado a favor dos meios que estipula as ligações do poder e do controle dos espaços. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 15 2. História e desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo INTRODUÇÃO Ao término dessa competência, você conseguirá visualizar uma visão crítica sobre a história e o desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo, bem como o seu desenvolvimento ao longo dos anos envolvendo o estudo do urbanismo e das cidades e compreendendo melhor onde as mesmas estão inseridas e quais efeitos causam e impactam na arquitetura. Curioso? Então vamos lá saber mais! 2.1 Desenvolvimento da arquitetura Não podemos deixar de falar da arquitetura sem envolver arte. Antes de entendermos quais os procedimentos que levaram ao surgimento da arquitetura, temos que compreender que ela se desenvolve a partir de uma ideia e de um conceito do autor sobre sua criatividade. A partir disso, o processo artístico vai avançando juntamente com técnicas que permitem o surgimento de espaços ordenados compostos por elementos que vão dar resultado em edifícios ou recintos urbanos. Assim, quanto mais se desenvolve a sociedade, novas técnicas vão sendo impostas junto com condicionantes tecnológicos, sendo assim capazes de criação de novos projetos cada vez mais atualizados e sofisticados. Durante os fatos históricos foram desenvolvendo acontecimentos importantes que faziam diferença no papel da arte. A arquitetura está presente nesse período onde fez com que seus conceitos progredissem e que mais tarde tornaram-se fatos reais e importantes. O primeiro passo do esboço é a base para a continuação da ideia do autor, onde ele tem sua inspiração e a partir disso, consegue desenvolver sua ideia para que outras pessoas consigam desfrutar e observar a mesma. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 16 Figura 6: Conceito projetual Fonte: Freepick Assim, o autor vai ter várias etapas para crescimento e amadurecimento de suas ideias, incluindo desde o esboço, até a parte projetual que se inicia com a construção do ambiente. 2.2 O urbanismo Decorrendo um pouco sobre o urbanismo e seus conceitos, entende-se como uma parte da arquitetura que busca compreender e solucionar tais problemas urbanos, com termos relativamente recentes. O mesmo termo surge anteriormente a sua utilização, nos anos de 1830 e 1850. Além da arquitetura, o urbanismo faz forte relevância para o aprendizado da disciplina. Atualmente, faz-se necessário o desenvolvimento do mesmo interligado ao desenvolvimento das cidades, onde foi se desenvolvendo ao longo dos anos desordenadamente, com o crescente número de favelas, e demais problemas que vinham a ser gerados posteriormente pelo mesmo. Assim, o urbanismo envolve o crescimento das necessidades de cada população, onde a mesma precisa compreender o local que é inserido e observar suas especificações escassas que cada uma enfrenta. A fim de melhorias para cidade, o urbanismo entra como um projeto que estabeleça melhoria de qualidade de vida e proporcione bem estar a toda população. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 17 Segundo Jan Gehl (2010), para a expansão de áreas para caminhar e pedalar, a cidade deve aumentar a quantidade e qualidade dos espaços públicos agradáveis, bem planejados, e, na escala do homem, sustentáveis, saudáveis, seguros e cheios de vida. A cidade se torna mais densa, compacta e segura, quando se tem ruas, praças e parques considerados como um todo, apropriando-se de forma correta desses espaços. Quando o espaço público está degradado, provoca uma rejeição imediata. Se não está bem iluminado, se não possui atividade noturna que o anime, será percebido como perigoso e muito provavelmente é; se os edifícios que o circundam possuem funções inapropriadas – oficinas ruidosas, estabelecimentos que geram tráfego pesado – ou estão degradados, ninguém os procurará para passar seu tempo livre, interagem socialmente ou por simples curiosidade. (RODRÍGUEZ ALOMÁ, 2013, p.1). Para o dicionário, o significado do urbanismo reúne uma soma de assuntos referentes à arte de erguer uma cidade. De outra maneira, mostra que os responsáveis da área usam esse pretexto para estudar o modo de compreender a mesma. Mesmo com significados parecidos, urbanismo e urbanização possuem uma diferença, onde o primeiro está ligado à ideia de urbanizar e o segundo a ideia de realização, ou seja, execução do mesmo. Essa disciplina pode ser considerada como uma técnica que tem ligação com o planejamento, onde esse planejamento pode ser ligado ao de um local ou espaço, como também pode chegar a um objetivo mais amplo de interferência: a cidade. Figura 7: Urbanização Fonte: Freepick O urbanismo tem início após a revolução industrial, onde se via a necessidade de ajustar a cidade devido ao caos, de modo que conseguissem encontrar soluções para Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 18 os problemas enfrentados. Assim, atualmente, vê-se o planejamento urbano de modo progressivamente gradativo, atuando principalmente em espaços e locais alternativos, onde obtém grande demanda. O planejamento não só está ligado a pequenos espaços, ele também contribui para ligação de vias públicas que unem bairros, como também terrenos ociosos que precisam desenvolver alguma função para sua população e precisam de máxima exploração, garantindo assim a economia também da cidade. Em geral, toma-se como significado de urbanismo a cultura que se mantém da organização de uma atmosfera urbana, entendendo seu progresso com finalidade de colher o melhor posicionamento de ruas, de construções como edifíciose de até mesmo instalações públicas, de modo que toda população que esteja incluso nesses espaços consiga desfrutar de um local agradável e satisfatório com apropriadas exigências sanitárias para viver. 2.3 As cidades A cidade sempre foi um lugar de diferentes situações e contrastes, como por exemplo: a riqueza ou a exclusão. No todo, a população busca encontrar os mesmos locais agradáveis com boas condições de vida no que se diz respeito à moradia, paisagem, lazer e trabalho. O espaço urbano é destinado às pessoas de forma que possibilite o desenvolvimento de suas atividades, onde as mesmas mantêm relações entre si, demonstram suas opiniões, gerando influências e intervenções no processo de formação das cidades. Através da geografia, possibilitou-se o melhor estudo sobre esse espaço, onde cada sociedade enxerga o urbano de forma diferenciada, mas tem-se o homem como principal guia desse processo histórico, mantendo suas relações com outros homens em seu determinado meio. Por isso, a importância do estudo histórico de cada etapa dessas relações, incluindo seus fatores preexistentes que interferem em tal modo de produção do espaço. SABIA MAIS Segundo o capítulo I – Diretrizes Gerais, do Estatuto da Cidade, devem conter proteção às cidades sustentáveis, compreendido como direito à terra urbana, moradia, saneamento, infraestrutura urbana, serviços públicos e transporte, trabalho e lazer, para todas as gerações, um dos direitos essenciais do cidadão incluídos no grupo dos direitos humanos. Já sobre a gestão democrática, a Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 19 população se faz presente, seja por meio de associações representativas, onde executam e acompanham planos, programas e projetos sobre o desenvolvimento urbano. Tem-se então, o processo geográfico em constante modificação, tornando-o dinâmico com diferentes escalas e formas. Ou seja, cada sociedade vai enxergar suas concepções sociais de tal maneira que distinguem uma das outras. Cada produção do homem no espaço urbano vai adicionar na construção das relações que constituem uma sociedade, contribuindo com a vida cotidiana. Com o ambiente em constante transformação, de espaços naturais em espaços produtivos, o significado econômico surge diante as cidades, dando continuidade pelas necessidades do homem com a natureza. Assim, a produção e o consumo dão início ao verdadeiro valor e uso dos mesmos. Figura 8: Desenvolvimento de rodovias pelas cidades Fonte: Freepick Além das relações sociais, a oferta de bens e serviços, tal como a carência do mesmo, situa-se nas cidades capitalistas, presente também nas relações do mercado, através da comercialização e produção, incentivando a movimentação do dinheiro e assim, ampliando as estratégias de sobrevivência das relações sócio espaciais. Levando em consideração a existência de espaços que não são pensados e executados de forma adequada, é notável ambiente carente de um bom desenho urbano, que possam promover uma boa sensação de segurança, acessibilidade, mobilidade, conforto, entre vários fatores que fazem diferença quando o espaço Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 20 público é projetado adequadamente para aquele lugar específico, como afirma Silva; Barros Filho (2013): As cidades médias brasileiras convivem com o problema da falta de espaço para a expansão dos seus territórios. Isso não significa a ausência completa de áreas livres, mas demandam o fortalecimento de políticas públicas que orientem a sua adequada ocupação (SILVA; BARROS FILHO, 2013 p.4). Com o modernismo, surge a baixa prioridade dos espaços públicos e algumas das principais causas da segregação desses espaços: a valorização das vias para veículos motorizados, trazendo a diminuição das atividades sociais na cidade. As vias com alta densidade de veículos que apresentam pouca arborização, rios canalizados, e insatisfatórios ambientes de convivência, são responsáveis por tornarem os ambientes monótonos. Os espaços públicos são importantes e fundamentais em todas as cidades. “As cidades são locais onde as pessoas se encontram para trocar ideias, comprar e vender, ou simplesmente relaxar e se divertir. O domínio público de uma cidade – suas ruas, praças e parques – é o palco e o catalisador dessas atividades.” (GEHL, 2010, p. 8). Porém, a frequente rotina de ir às ruas a pé e desfrutar de espaços públicos ao longo da caminhada que despertem o bem-estar do pedestre foi diminuindo, visto também pelo fato da priorização de espaços para os automóveis, como os estacionamentos, tornando as áreas cada vez mais isoladas e indiferentes ao seu entorno. O Estado, por sua vez, com sua pouca presença significativa, faz com que as pessoas procurem suas próprias maneiras de sobrevivência, construindo relações umas com as outras, através de atividades em grupo, da cultura, de relações interpessoais, entre outros meios. Faz parte do cotidiano alguns pontos como: o bairro, a rua, as praças, onde são responsáveis por realizarem trocas diárias, gerando trocas entre vizinhanças e comunidade. No mesmo ambiente, também é possível práticas políticas sobre tal espaço, onde cada um impõe sua maneira de pensar e agir, sua própria história e identidade, como afirma Corrêa (1995): O conjunto dos usos da terra justapostos entre si definem áreas, como o centro da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviços e de gestão, áreas industriais, áreas residenciais distintas em termos de forma e conteúdo social, de lazer, e entre outras aquelas reservadas a futura expansão. Este complexo Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 21 conjunto de usos da terra é, em realidade, a organização espacial da cidade, ou simplesmente, o espaço urbano, que aparece assim como espaço fragmentado. (CORRÊA, 1995, p. 7). Segundo Benévolo (1993), as ruas retilíneas, que apontam uma série de quadras iguais, mostram um novo modelo uniforme de cidades, em sua maioria com forma quadrada. Já no centro da cidade, surgem praças onde se curvam sobre edifícios de grande importância como, por exemplo, as igrejas ou casas mais ricas. Ainda sobre o autor, a desorganização mostra consequências visíveis na cidade industrial, onde o mesmo ciclo iniciava-se na cidade medieval, apresentando características positivas quanto as relações das comunidades, mostrando sempre um equilíbrio entre campo e cidade. Com o início do capitalismo, o desequilíbrio surge, expondo um determinado fragmento na vida urbana, fazendo com que as relações sociais sejam cada vez mais escassas, como mostra Mumford: Paisagens arruinadas, distritos urbanos desordenados, focos de doenças, trechos de desertos, milhas e milhas de cortiços padronizados, enxameando nas áreas que circundam as grandes cidades e se confundindo com seus subúrbios inúteis. Em resumo: malogro geral e a derrota do espírito civilizado. (MUMFORD, 1961, p.18). Para Mumford (1961), a função de construir uma cidade acarreta o trabalho maior de reerguer uma nova civilização, de maneira que seus pontos negativos e positivos juntos contribuíam para o futuro. Assim, surgiria a possibilidade de correção das cidades a cada novo ciclo ou fase histórica, chegando à formação da metrópole. VOCÊ SABIA? Mumford morava em Nova York, onde apareceram as grandes teorias e perspectivas sobre a cidade. Ele delineava uma escrita sobre planos urbanos que já estavam sendo administrados. O autor também retratava sobre os períodos históricos das cidades, onde mostrava um resumo histórico de fases de desenvolvimento da cidade, uma natureza de ciclo vital quase que dá específica civilização. Na segunda parte do seu livro, ele apresenta mais intenções nítidas que mostram o desdobramento de seu pensamento sobre o planejamento urbano e sobre intervenção social. A metrópole, por sua vez, é vista como devastadora para as relaçõesculturais da comunidade, uma vez que com o forte crescimento das cidades, o vínculo que as pessoas possuíam nos municípios, em campo ou em pequenas cidades desenvolvidas seria cessado. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 22 A arquitetura entra no meio de tais agentes quando a crescente verticalização no centro e as manchas urbanas intensificam-se, trazendo juntamente a esses locais, a modernização com novos edifícios, deixando de lado vestígios da cidade antiga. O mais importante agora seria como tornar-se grande metrópole sem decompor o valor da comunidade. Todavia, Mumford (1961), não enxergava a metrópole de modo homogêneo, para ele também era importante tratar os pontos de manutenção do mesmo no sentido de toda comunidade. Quando tais pontos não existissem mais, refazê-los, pois o centro não podia ser deixado de lado ou substituído. O autor ainda compreendia a cidade como uma transformação de uma nova forma de metrópole moderna. Assim, através da junção de vários agentes, o lugar torna-se resposta à tentativa natural de unificação de todo mundo, por meio da união dos homens dentro do mercado. Após sua longa construção, a etapa seguinte é definir formas de adequação do espaço, tendo como base suas relações. O próprio lugar vai conquistando o sentido de território, com experiências e atitudes de cada população. Cada passo segue a construção de um local, com conquistas coletivas e comuns, como também pelas suas dificuldades no ambiente vivido. Essa tal área passa a ser a base da sociedade, um acontecimento físico, social e político, possível de modificação, onde o Estado não se faz tão presente, porém, insere algumas de suas políticas públicas que devem ter como objetivo principal atender as necessidades da população. Suas funções não são atingidas igualitariamente, o que traz exceção e falta de ações importantes para algumas localidades, onde a sociedade fica sujeita a suas próprias estratégias de vida e apropriação de seu espaço. RESUMINDO E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que com a vida social fortalecida por vínculos, solidariedade, realizações sociais, entre outros, a cidade vai se mantendo, mesmo com ausência de políticas públicas que certifiquem as mesmas de infraestrutura urbana de qualidade e possibilitem o ingresso ao trabalho, saúde, educação e lazer, de forma que a cidadania seja exercida de forma Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 23 plena e correta. Apesar de grandes dificuldades enfrentadas pelas comunidades para tal cidadania, no Brasil, as sugestões de soluções de tais problemas urbanos já avançaram, de modo que as localidades ‘abandonadas’ são priorizadas, trazendo assim um atendimento diferenciado, mesmo que deixem a desejar em relação a uma cidadania plena e igualitária para todos, com uma concepção injusta do espaço urbano, buscando também a priorização de construções arquitetônicas que consigam suprir as necessidades da população. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 24 3. Teorias da arquitetura e do urbanismo INTRODUÇÃO Ao término dessa competência, você irá discernir sobre a sistematização dos fundamentos teóricos, identificando as principais etapas e fatos históricos que desenvolveram a arquitetura ao longo dos anos. Curioso? Então vamos lá saber mais! 3.1 Modo artístico O âmbito da disciplina dispõe a apurar a elaboração da arquitetura e do urbanismo, do design e de suas várias histórias artísticas, como também da técnica do patrimônio, de toda paisagem, envolvendo também a cidade e a habitação. O conhecimento de cada campo e suas expressões e modificações ao longo do período e recinto possuem suas histórias distintas e focos disciplinares diferentes, em todo o mundo, com várias proporções sociais, econômicas, políticas, territoriais, institucionais, estéticas, simbólicas, culturais e conceituais. Segundo Lira (2020), três linhas de pesquisas são desenvolvidas para a disciplina de maneira que mostrem a partir das questionáveis diversas o trabalho das obras e perspectivas da arquitetura, do urbanismo, do design e das demais áreas que abordam a mesma. As linhas de pesquisa podem ser observadas a seguir: Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 25 Tabela 1: Linhas de pesquisa I. Memória, práticas e representações Inclui refletir sobre os hábitos e interpretação da recordação da história em todas as etapas da arquitetura e do urbanismo, focando em períodos sociais, conceitos e bens culturais, materiais e urbanas. II. Cultura, produção material e instituições Reflete sobre a área da arquitetura e do urbanismo incluindo as proporções sociais e área mais ampla, focando no profissional, técnico e trabalho, como o planejamento e as etapas de produção e obtenção da cidade, da paisagem e do edifício. III. Estética, historiografia e crítica Prioriza os critérios historiográficos, a teoria e a crítica na área. Fonte: (Elaborada pelo autor, 2020. Baseado em Lira, 2020). Ao longo da história, várias pesquisas irão ser realizadas chegando até a contemporaneidade, envolvendo práticas projetuais e profissionais do projeto em si, como também seu planejamento, sua gestão e intervenção, sua conservação e restauro e toda sua história e memória, envolvendo paisagismo, urbanismo, design e arte. 3.2 Fundamentos teóricos Com a necessidade de novos processos, as cidades passam a evoluir sendo contestadas pelo Estado, onde precisam manter o controle do espaço urbano fazendo com que surja o urbanismo como uma nova matéria acadêmica. Assim surge o papel do profissional de arquitetura juntamente com uma crise na construção arquitetônica que atravessa o século XIX e só será solucionada com o surgimento da arquitetura moderna. No século XIX, na idade contemporânea, os arquitetos passaram por crises estéticas, ou podendo ser chamado de movimentos revivalistas, onde a tecnologia não se deparava com uma expressão apropriada, devido a algumas causas artísticas ou entre outros contextos. Tais movimentos procederiam para o ecletismo, caracterizado por Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 26 diversas opiniões como o mais descaído e formalista em meio dos demais estilos históricos. O primeiro movimento que surge é o Neoclássico, ele está ligado aos conceitos românticos nacionalistas, presente na arquitetura inglesa. Os ideais progrediram e o último estilo do século XIX surgiu, o Art Nouveau, entrando no século XX. Art Nouveau, ou arte nova, surge como um costume moderno, trazendo o modo floreado, tomando como detalhes formas orgânicas transmitidas em folhagens, cisnes, flores, labaredas, entre outros elementos. Figura 9: Edifício Art Nouveau Fonte: Freepick Outra característica dos edifícios dessa época são as linhas curvas, assimétricas e desarmoniosas. O período associa-se com a segunda Revolução Industrial, alinhado com a utilização de materiais recentes, como por exemplo: ferro e o vidro, componentes fundamentais que faziam parte dos edifícios e de sua estética. Também dá ênfase ao trabalho artesanal e a valorização da natureza. Segundo Portes (2012), a partir do século XX, a diferença dos arquitetos que estavam mais aproximados das vanguardas artísticas e dos que associavam à tradição estaria ficando mais evidente, transformando o momento arquitetônico em um campo cheio de posições e deslocamentos. Assim, surgem novos fundamentos teóricos que discorrem sobre o significado da arte e a função do artista, encontrando a demonstração de toda tarefa artística, seja racional, artificial ou moderno, na indústria. A nova sociedade aparece com a modernidade, juntamente com novasideias e estilos estéticos, sendo elas as mesmas capazes de sintetizar todas as artes e determinar as casualidades da vida humana. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 27 Com o surgimento da arquitetura moderna, nasce o discurso estético e social, onde se caracterizava pela vida do homem contemporâneo. Assim, fez-se surgir um novo período marcante: arquitetura influenciada pelo Bauhaus, buscando por uma sociedade mais moderna. Figura 10: Organização Deutscher Werkbund Fonte: https://fundamentosarqeurb.files.wordpress.com/2012/03/aula03-hist-da- arquitetura.pdf VOCÊ SABIA? Peter Behrens começou como pintor e em seguida transformou-se em um dos profissionais mais capacitados da Alemanha. Obteve participação em seus trabalhos de artistas como: Gropius, Mies van der Rohe e Le Corbousier. Ao longo de seus trabalhos, desenvolveu diversas construções industriais, juntamente com sua capacitação de decorador. O mesmo desfrutava de construções leves e festivais, ligados à vanguarda, onde os materiais eram evidentes com objetivo de enfatizá-los nos edifícios que possuíam andamentos uniformes. Em seguida, Walter Gropius logo começa a trabalhar com Behrens e segue seu trabalho individual, deixando em uma de suas obras a importância da adição da calma e racional na aplicação das novas técnicas. Uma de suas principais construções Deutscher Werkbund Organização cultural alemã Fundada por conjunto de artistas e arquitetos Engrandecer o trabalho do artesão Participação de: Van de Velde e Peter Behrens Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 28 desenvolvidas é a Fagus ad Alfed an der Leine, uma fábrica de fôrmas para sapatos. Já Walter Gropius afirma: A primeira coisa que nos toca é a simplicidade e segurança dessa arquitetura, em contraste com as intenções monumentais e a carranca dramática das obras análogas de Behrens. A inexcedível adequação técnica permitiu uma perfeita conservação: dois materiais apenas, o tijolo e o metal polido, formam a superfície externa, e a combinação fundamental de amarelo e preto domina toda a composição. (GROPIUS, 2012, p.14). Também desenvolvendo trabalhos com Behrens, Mies van der Rohe em 1913 abre seu próprio negócio em arquitetura e o mesmo é suspenso pela guerra. O que ele deixa exposto em suas obras é o estudo sobre composições na construção de edifícios e suas funções. Figura 11: Villa Tugendhat pelo arquiteto Mies van der Rohe Fonte: Freepick Bahaus é reconhecida por ser uma escola famosa de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha, presente nos anos 1919 até 1933. Ela teve grandes influências na arquitetura moderna, sendo a primeira do mundo. Seu fundador foi Walter Gropius, e as atividades nela desenvolvidas pelos alunos, em sua maioria, foram vendidas ao decorrer da Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, o artista responsável pela criação da escola resolveu criar um novo modelo arquitetônico que lembrasse esse período vivido. Esse mesmo modelo obteria funcionalidade, baixo custo de produção, e orientação ordenada, como diversas características que não se limitavam por aí. O autor ainda defende o racionalismo funcional, diferenciando o desnecessário do que é importante e essencial, assim, seria de suma importância a união da arte e do artesanato, desenvolvendo peças fundamentais e com suas determinadas funções artísticas. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 29 Após perseguições, a escola se fecha e deixa seu registro e impacto fundamental para a arquitetura e as artes, tanto no ocidente europeu, quanto nos Estados Unidos da América. É notório que com o surgimento da arquitetura moderna, houve vários acontecimentos marcantes que definiram essa disciplina durante todo o século XX, com a presença de diversas ideias de vários artistas e desenvolvimento de algumas escolas, como por exemplo Bauhaus, localizada na Alemanha e artes desenvolvidas por Le Corbusier, desenvolvido na França. Todas essas influências modernas rejeitaram a arquitetura anterior com intuito de renovação da área. Logo em seguida, iria surgir o Pós- Modernismo, que iria defender a renovação da arquitetura anterior e criticar as ideias do modernismo. Figura 12: Ronchamp, arquitetura de Le Corbusier Fonte: Pixabay Em 1928 surge o CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna), localizado na Suíça, onde vão ter uma participação importante na construção dos fundamentos da arquitetura e urbanismo, a fim de discorrer sobre as principais áreas da arquitetura, sendo eles: o paisagismo, urbanismo, exteriores, interiores, equipamentos, materiais, entre outros pontos importantes. A arquitetura para os criadores da CIAM deveria surgir como objeto sintético, limpo, racional e funcional, e deveria ser utilizada pelo poder público a fim de contribuir economicamente e socialmente, promovendo assim o crescimento coletivo da população. Nesse período irá adicionar aos fatos históricos da disciplina a Carta de Atenas, decorrida por Le Corbusier e estruturada sobre os debates surgidos na conferência do planejamento. Para Portes (2012): Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 30 “A Carta praticamente definiu o que é o urbanismo moderno, traçando diretrizes e fórmulas que, segundo seus autores, são aplicáveis internacionalmente. A Carta considerava a cidade como um organismo a ser planejado de modo funcional e centralmente planejado, na qual as necessidades do homem devem estar claramente colocadas e resolvidas. Entre outras propostas revolucionárias da Carta está o de que toda a propriedade de todo o solo urbano da cidade pertence à municipalidade, sendo, portanto público.” (PORTES, 2012, p. 23). Toma-se como exemplo a cidade de Brasília, sobre criação do arquiteto Lúcio Costa, onde a mesma desenvolverá todos os requisitos da carta caracterizada pelo seu projeto urbano mais avançado no mundo. Figura 13: Urbanização na cidade de Brasília Fonte: Pixabay Ainda sobre Portes (2012), como consequência das resoluções do CIAM IV, feito em 1933 em Atenas e em Marselha, o congresso acabou sendo o mais extenso em relação ao ponto urbanístico, pretendendo desenvolver o estudo relativamente de 34 cidades europeias. RESUMINDO Mas e então? Em que se baseia a arquitetura antiga e a arquitetura moderna? Será que algum estilo não foi importante para fundamentação teórica da disciplina? Então, como você observou ao longo da competência, são muitos os conceitos e baseamentos de cada estilo e cada época da arquitetura. Mas o que se sabe é que a arte esteve presente para que chegasse até os dias atuais. Cada arquiteto teve sua importância e participação fundamental para marcar os demais estilos. Alguns são utilizados até os dias atuais. De modo geral, observa-se a arquitetura como uma maneira de se expressar, deixando claras as ideias do homem cuja finalidade tenha o alinhamento da: funcionalidade, técnica e estética, podendo ser considerada como um espaço Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 31 arquitetônico, quaisquer intromissão no ambiente, contanto que tenha um objetivo de designar a arte. Para isso, toda fundamentação da teoria deve ser estudada e compreendida de forma correta, pois faz parte da história e tem forte relevância para a disciplina. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 32 4. Visão Econômica, Social e Cultural da Arquitetura e do Urbanismo INTRODUÇÃO Ao término dessa competência, você conseguirá analisar a produção arquitetônica e urbanística, compreendendo também a melhor forma de discernir sobre a relação entre a arquitetura, o urbanismo e as questões sociais, econômicas e culturais nos dias atuais. Curioso? Então vamos lá saber mais! 4.1 Relação entre arquitetura e urbanismo Entendendo a arquitetura como uma arte quecria espaços e abrigam às tarefas do homem, alguns critérios são utilizados para tal desenvolvimento, sendo eles: técnica, funcional, ergonomia, custos, sustentabilidade, estética, conforto, entre outros tópicos relevantes. Visto que o contexto do urbanismo insere a cidade e o grupo de medidas tomadas pela mesma, várias são as questões que juntas resultam no estudo e regulamento das áreas, sendo sempre utilizados as razões econômicas, políticas e sociais. Segundo Colin (2000): A arquitetura permite aos seres humanos, com ajuda dos meios técnicos criados e aperfeiçoados por eles, realizar a construção de todos os abrigos que lhes são necessários para sua vida coletiva ou em família. Neste aspecto, ela é pura produção material, ou seja, um bem-de-consumo. Entretanto, a obra arquitetônica não ocupa somente essa função utilitária primordial. Com o auxílio das formas que estas necessidades provocam e que os meios técnicos permitem realizar, ela atinge uma das mais altas expressões da arte pela utilização estética dos seus espaços e de seu invólucro, o que configura sua finalidade. (COLIN, 2000, p.7). A atividade arquitetônica irá abranger toda tarefa organizada do homem buscando a aplicação na prática, tomando como características a criação de uma atividade das mais antigas do gênero humano. O arquiteto terá uma função importante na construção de edifícios ou de ambientes, podendo impactar positivamente ou negativamente os seus usuários. Dentre esses impactos, o autor busca causar uma percepção do seu ambiente construído para aqueles que irão desfrutar, nascendo assim impactos sociais, ambientais, culturais, físicos de cada cidade, onde cada uma vai priorizar uma característica distinta e será marcada pela arte desenvolvida nela. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 33 Para que o estudante da área consiga alcançar o programa arquitetônico terá que estudar o desenvolvimento e oportunidades da disciplina, sendo primordial que o mesmo se conecte com o aprendizado sensível, crítico e artístico ao longo de todo caminhar de sua formação. Além dos aspectos arquitetônicos, a formação do arquiteto e urbanista irá abranger muito mais observações para o profissional, como afirma Saboya (2011): A formação do arquiteto e urbanista abrange o estudo do urbanismo, mas não se limita a este, englobando um espectro mais amplo de matérias e conteúdos curriculares. Por consequência, os profissionais formados em curso de urbanismo desmembrado da arquitetura têm campo distinto de atuação, não cabendo seu registro nos Conselhos de Arquitetura e Urbanismo. (SABOYA, 2011, p. 1). Com isso, a relação da arquitetura e do urbanismo vai estar fundada entre uma visão poética sobre a consciência crítica. Segundo Malard (2006), sua dimensão artística irá se encontrar em suas concepções visuais, internas e externas, contendo volumes, texturas, planos e cores. 4.2 Espaços públicos Para compreender melhor as questões sociais, econômicas e culturais da disciplina, é importante entender que cada cidade ou cada espaço contém uma determinada demanda e seu programa de necessidades. O mesmo será desenvolvido de acordo com a característica de cada população, formando assim a sua identidade e tornando aquele ambiente único e acessível para seus usuários. Pode-se observar que cada local se desenvolveu ao longo dos anos com sua própria cultura, onde a arquitetura tem sua participação com objetivo de contribuir, de forma positiva, em suas relações econômicas e sociais, aumentando cada vez mais a união das pessoas através dos espaços projetados e desenvolvendo características culturais únicas. As cidades têm, como de suma importância, o espaço público, uma vez que se torna assunto frequente no meio do Urbanismo. Com a falta de um planejamento urbano eficaz, as cidades acarretam problemas como desvalorização e segregação desses espaços. Tais áreas, por sua vez, possuem funções de minimizar problemas nas cidades e trazerem benefícios na qualidade de vida dos citadinos, onde precisam cumprir sua função ecológica, social, de encontro e lazer, mas devidamente de acordo com as prerrogativas funcionais, de conforto e segurança dos espaços públicos, transmitindo sensação de bem-estar e conforto para as pessoas. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 34 VOCÊ SABIA? Os autores Jan Gehl, Lars Gamzoe e Sai Karnaes sintetizaram 12 itens que definiam se um espaço público era ou não de boa qualidade, tais critérios descritos são: (1) pedestres possam se locomover pelas ruas com tranquilidade e não se preocuparem em serem atingidos por algum veículo; (2) segurança em espaços públicos; (3) proteção contra experiências sensoriais desagradáveis. (4) espaços para caminhar; (5) espaços de permanência e contemplativas do seu entorno; (6) mobiliário urbano qualificado e equivalente ou maior à quantidade de indivíduos que frequentam determinado espaço; (7) garantia de paisagens visuais agradáveis ao público, para que desfrutem das perspectivas do meio urbano; (8) desenho e mobiliário planejados de forma a fomentar a interação social; (9) possibilidade dos cidadãos se relacionarem com a estrutura da cidade, levando em conta a perspectiva dos sentidos da visão; (10) escala humana; (11) utilização do clima como uma potencialidade; (12) experiências sensoriais. Figura 14: Esboço paisagem urbana em Hong Kong Fonte: Freepick No século XX, o processo de urbanização toma impulso juntamente com o processo de industrialização, onde surge uma causa chamada como êxodo rural, desenvolvido através da mudança da população rural para a cidade urbana. Assim, surge a urbanização, também fazendo parte da arquitetura, a mesma está ligada ao processo do crescimento das cidades, onde inclui a edificação de vários setores, como moradias, escolas, hospitais, entre outros. 4.3 Economia, socialização e cultura Os edifícios públicos possuem uma diversidade quanto a seu uso, podendo ser misto, comercial, residencial, entre outros espaços que complementam o ambiente em que Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 35 se vive. O desenvolvimento do térreo livre também é um forte ponto da arquitetura moderna, onde complementa a estética dos projetos no país. Segundo Montaner (2011), tais espaços são criados de tal forma que atendam as habitações e o uso coletivo e social, trazendo o edifício moderno a partir dos anos 50. Outra forma moderna dos edifícios é no que diz respeito à introdução dos pilotis. O espaço de uso coletivo é desenvolvido através das atividades terciárias nas cidades, onde se tem um local de comércio ligado a uma nova arquitetura. Pode-se encontrar também nestes espaços, trocas de atividades entre a população, seja interna ou externa, onde é exposta a mercadoria, chamada recentemente de vitrines. Segundo Vargas (2001), o termo mercado surge ao longo dos anos, induzindo a comunidade a troca e poder de compras. Esses espaços, abertos, semicobertos e cobertos, permitem o desenvolvimento do conceito de espaço público, mantendo também interesses públicos. O autor também define: Espaço público, por excelência, é o lugar onde uma pessoa pode estar sozinha sem dar impressão de estar solitária. [...] é importante saber que para ser considerado um “espaço público”, o espaço deve, a princípio, ser acessível a todos os moradores e visitantes, ao mesmo tempo em que esses cidadãos e visitantes devem ser capazes de interagir, livremente, na mesma base, independentemente de sua condição social. (VARGAS, p. 98, 2001). Para se ter uma boa condição de edifício público, é importante que o mesmo esteja inserido em locais de fácil acesso na cidade. Nem todos são considerados públicos por não atenderem todos os requisitos de um, apesar de alguns terem bom acesso. Outra função importante dos edifícios públicos é o interesse descompromissado. Os pontos comerciais como, por exemplo,galerias, se tornam locais de passeio e convívio amplo, não estando diretamente ligadas ao comércio, mas fazendo com que as pessoas andem e sintam além de sua função de comércio estabelecida. Atualmente, com as novas tecnologias, os espaços encontram-se cada vez mais distantes do homem, fazendo necessário espaço ou edifícios que permitam a interação das pessoas umas com as outras, com disponibilidade do ócio e negócio, criando locais que ampliem a dinâmica da sociedade. Galerias e shoppings centers são alguns dos edifícios públicos da fase moderna, sendo assim um local planejado, diferentemente das ruas que oferecem comércios, porém, são considerados espaços não planejados (VARGAS, 2001). Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 36 Um fator determinante para os edifícios públicos é agora, permitindo a evolução do conceito dos espaços ao longo dos anos no mundo ocidental, onde o comércio passa e suas definições antigas para as atuais. Juntamente com o desenho viário e com o comércio foi se formando de forma mais fechada, dando lugar aos edifícios modernos, com fachadas recuadas em forma de U. Assim, é definido o conceito principal dos edifícios públicos: fechados e acessíveis. Figura 15: Relação entre comércio, residência e urbano Fonte: Freepick Atualmente, mais da metade da população brasileira reside em áreas urbanas. É comum vermos pessoas pausando suas rotinas para desfrutarem de áreas em que as recebam e transmitam bem-estar e o descanso que procuram. As mesmas buscam através desses lugares se desconectarem dos dias conturbados e se tranquilizarem em sintonia com o ambiente. VOCÊ SABIA? Toda habitação deve ter interesse social, onde deve manter o convívio das pessoas, suas culturas e costumes, promovendo áreas de lazer e bem-estar. As mesmas, destinadas à população mais carente, deve oferecer uma oportunidade do mercado imobiliário aqueles que têm menor poder de aquisição, com direitos básicos como a moradia digna para todos. O assunto leva aos estudos das habitações sociais de muitos pesquisadores ou estudantes que buscam desenvolver análises feitas a partir de critérios sobre a arquitetura e o urbano, social e cultural. As mesmas também relatam sobre suas formas, implantação e volume, tendo em vista o aspecto dos locais e itens de habitação, gerando a comparação de qual se inseriu em determinado local. No século XX, nota-se um regresso nas políticas habitacionais brasileiras, onde os padrões de edifícios e áreas urbanas não levam em consideração a principal função da habitação, que é a de gerar moradias para famílias carentes, colaborando para a Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 37 segregação da cidade. A realidade do Brasil, até o ano de 1950, é de característica de uma população rural, onde as principais ocupações estavam ligadas a exportação de produtos agrícolas. O início do método industrial dá-se em 1930, onde mais tarde também estaria associado a outros fatores, como a concentração fundiária e a mecanização do campo. Tal migração do homem do campo para a cidade, fez com que as cidades crescessem de forma desordenada e acelerada, ampliando também o setor de comércios e serviços. Com a grande concentração da população em grandes cidades, o homem também viu a necessidade de migrar para as cidades médias, buscando assim o seu interesse na geração de empregos e melhoria da qualidade de vida. Alguns fatores contribuíram para que essa migração surgisse, tais como: a otimização e viabilização da alta produtividade, mecanismo das atividades rurais, aumento da escassez do campo, a queda da economia rural, a inconstância do trabalho, entre outras atividades. Com isso, grande parte da mão de obra era dispensada e as pessoas perdiam seus empregos por serem substituídas por máquinas, aumentando assim, o índice de desemprego. IMPORTANTE O assunto que estamos estudando possui aplicação prática relevante, sendo objeto de estudo para compreensão sobre a área do urbanismo nas cidades. Assim, para que você possa compreender melhor o desenvolvimento, faça a leitura na íntegra no material aqui. À medida que o crescimento urbano toma conta das cidades, alguns pontos negativos também vêm a surgir, sendo eles: a falta de infraestrutura e investimento nas comunidades, fazendo com que pessoas fiquem sem moradias e dando oportunidade a desigualdade social, aumento da violência, desemprego, enaltecimento de imóveis em determinados pontos, como também a poluição ao meio ambiente de modo geral. As cidades se preparavam para receber as indústrias investindo em infraestrutura, energia elétrica, meios de comunicação e transporte, incentivos fiscais, contudo não se investia na produção de um espaço urbano mais humano e equânime. Ao contrário, a política desenvolvimentista atraia cada vez mais mão de obra, formadora da https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geo/article/download/6981/4579/23346 Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 38 reserva de mercado e oferecia pouca comodidade – serviços urbanos (SILVIA, p. 7, 2001). Com toda a mudança e crescimento dos municípios, a preocupação do uso e ocupação do solo passa a existir, onde os poderes públicos passam a aplicarem determinadas diretrizes de ordem constitucional para uma nova gestão e administração do espaço urbano, como por exemplo, o Plano Diretor para as cidades. Tal ordem busca nesses ambientes, juntamente com o Estatuto da Cidade, objetivos de gestão democrática, com a ajuda do governo, a fim de planejar cidades sustentáveis e com correção do seu uso e ocupação do solo, com melhoria da qualidade do meio ambiente, como também a regularização fundiária e urbanização de alguns territórios ocupados pela população. Segundo Silva (2001), as cidades planejavam receber as indústrias aplicando infraestrutura, energia elétrica, meios de comunicação, entre outros incentivos que mantinham a produção de um espaço urbano cada vez mais igualitário para todos. Apesar das diretrizes serem traçadas pelo Plano Diretor, nem sempre as mesmas são atingidas. Segundo Santos (2007), desde o início do século, uma grande dificuldade de tal processo é a crítica do consumismo e o reaprendizado da cidadania. Com isso, têm-se as cidades contemporâneas como um modelo capital, onde o homem é levado pelo consumismo, tornando-a um espaço em que remete a perda da urbanidade em várias escalas. Com o espaço urbano segregado, começam a surgir tais problemas urbanos, de origem política e econômica, e assim, a reflexão sobre os espaços que serão construídos futuramente e sua importância. No entanto, há vários modelos de cidades, mas todas buscam de forma unitária os mesmos objetivos, áreas que tragam melhoria de vida e que consigam desenvolver atividades em que as pessoas socializem cada qual com sua própria história e característica individual, mas marcada por semelhanças e diferenças que as unem e tornam grandes e sustentáveis. A cidade é, sobretudo, contato, regulação, intercâmbio e comunicação. A convicção de que a população pode expandir infinitamente os espaços do assentamento humano é a primeira forma, geograficamente falando, de neutralizar o valor de qualquer espaço (SENNET, 1991, p. 9). Contudo, os denominados “problemas ambientais urbanos” na atualidade estão sendo levados a reflexões sobre a cidade que possuímos e a cidade que desejamos. Visto Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 39 que, a importância do arquiteto para que as cidades se desenvolvam é de extrema significância. As áreas que precisam de uma estrutura para que consigam exercer seu papel de melhorias de convívio e lazer, é de fundamental importância à visão de um profissional que projeta tais ambientes para que as pessoas se sintam convidativas e queiram permanecer nos demais locais. RESUMINDO Os estudos sobre tais preocupações necessitamda compreensão do urbano brasileiro em toda sua totalidade, ou seja, incluindo as pequenas cidades também no discurso. Além das preocupações acadêmicas, também é de extrema importância a expressividade das políticas públicas, imprensa e sociedade em geral, mostrando sua diversidade, e principalmente, suas dificuldades. As culturas que crescem em cada ambiente são devido à junção de várias pessoas no mesmo local. Os espaços urbanos tornam-se assim uma área de repouso e tranquilidade para seus usuários, levando em consideração que não são apenas edifícios e construções verticais que devem ser planejadas e bem estruturadas. O que definirá a economia, socialização e característica cultural daquele local será o resultado da utilização de espaços ociosos e que deve ser pensada, planejada, destinada e projetada a toda população. Com isso, é visto a significância do papel do arquiteto para que os ambientes possam, além de impacto visual, oferecer conforto e bem-estar a todos. Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo 40 Referências CARREIRA, Guia da. Arquitetura: a História da Arte. 2020. Disponível em:. Acesso em: 30 de dez. 2020. CASTELNOU, Antônio. Fundamentos da Arquitetura. 2014. Disponível em:. Acesso em: 20 de dez. 2020. DECORFACIL. Arquitetura: o que é, conceito, estilos e breve história. 2020. Disponível em:. Acesso em: 27 de dez. 2020. E.A. Qual é a importância do Urbanismo para a Arquitetura? 2019. Disponível em:. Acesso em: 29 de dez. 2020. FERNANDES, Pedro Henrique Carnevalli. O URBANO BRASILEIRO A PARTIR DAS PEQUENAS CIDADES THE BRAZILIAN URBAN FROM SMALL TOWNS. 2018. Disponível em:. 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