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Apostila de comunicação e expressão

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Prévia do material em texto

COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO 
 
 
A leitura faz o homem completo; a conversa torna-o ágil 
e a escrita deixa-o preciso. (Francis Bacon) 
 
 
Professora 
MARIA DE FÁTIMA ROCHA MEDINA 
 
2020
 
 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 2 
 
PLANO DE ENSINO 
EMENTA 
 
Linguagem, língua e fala. Funções da linguagem. Oralidade, escrita e variação 
linguística. Leitura e estratégias de leitura. Escrita e estratégias de escrita. 
Paragrafação. Coesão e coerência textuais. Paráfrase. Argumentação e persuasão. 
Particularidades léxicas e gramaticais. 
 
COMPETÊNCIAS 
 
Esta disciplina contribui para o desenvolvimento das seguintes competências: 
 
1. usar a língua em suas manifestações orais e escritas, 
em suas dimensões receptivas e produtivas, 
em diferentes situações ou contextos, 
com diversos interlocutores ou públicos, 
como meio de organização cognitiva da realidade, 
constituição de significados e 
realização de práticas sociais. 
 
2. ser ético e comprometido com a disciplina. 
 
HABILIDADES 
 
1. Conceituar leitura de estudo e aplicar estratégias para ler com competência. 
2. Identificar tipos e gêneros textuais em textos verbais e não verbais, além de compreendê-
los e interpretá-los de forma adequada. 
3. Identificar e explicar relações de intertextualidade em textos lidos. 
4. Ler, compreender e debater textos, criticamente, sobre a importância da arte/cultura para o 
ser humano, além de produzir textos a respeito desse assunto. 
5. Entender as modalidades da língua - oral e escrita - ao reconhecer peculiaridades de cada 
uma em distintos textos que circulam na sociedade. 
6. Conceituar linguagem, língua e fala. 
7. Reconhecer algumas variedades linguísticas ao ler diferentes textos e aplicar a variante 
culta nas produções textuais. 
8. Apresentar-se oralmente, com desenvoltura e de maneira adequada, em debates e 
apresentações em sala de aula, como também no projeto interdisciplinar Palco Expresso. 
9. Escrever/refazer paráfrase de forma adequada ao compreender o texto original e reorganizá-
lo de maneira coerente e coesa. 
10. Elaborar/refazer parágrafo padrão ao defender e sistematizar argumentos/informações em 
estrutura textual corretamente definida e clara. 
 
CONTEÚDOS 
 
1. Leitura de estudo 
 1.1 Conceito 
 1.2 Tipos textuais: argumentativo, descritivo, expositivo, injuntivo e narrativo 
 1.3 Gêneros textuais: conto, charge, tirinha, artigo científico, artigo de opinião, reportagem, 
texto didático, etc. 
 1.4 Estratégias de leitura: 
1.4.1 analisar, sintetizar, interpretar, compreender 
1.4.2 identificação de tese, argumentos, contra-argumentos, ponto de vista do autor 
1.4.3 identificação do tópico frasal 
1.4.4 elaboração de esquemas 
1.4.5 relação entre textos: intertextualidade 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 3 
 
1.4.6 seleção e esquematização de informações primárias 
1.4.7 relação entre texto e realidade: contexto textual (interpretação) 
 
2. Linguagem, língua materna e fala 
 2.1 Conceitos 
 2.2 Variação linguística – utilização da norma culta 
 2.3 Modalidades da língua: oral e escrita (e suas peculiaridades) 
 
3. Estratégias de escrita 
 3.1 Recriação textual: paráfrase (citação indireta) 
 3.2 Escrita de parágrafo com suas partes constituintes: sistematização de argumentos 
 3.3 Produção escrita de distintos gêneros (crônicas, paródia, rap, cordel, poema, etc) 
 3.5 Refacção de textos 
 3.6 Particularidades gramaticais (norma culta) 
 
Texto: 
A arte e a humanização do homem, de Rose Meri Trojan. 
 
METODOLOGIA 
 
De acordo com o Projeto Didático Institucional do Ceulp (PDI, 2011, p. 13) “o aluno deve 
ser sujeito de seu processo de aprendizagem”. É por meio das disciplinas que a autonomia se 
consolida. Por isso, nesta disciplina, será necessário o envolvimento do acadêmico em 
atividades de leitura e compreensão de textos (verbais e não verbais) e da produção/refacção 
textual oral e escrita de distintos gêneros textuais. 
Por meio de atividades de leitura e produção de textos orais e escritos (impressos e 
online), em sala e extraclasse, o acadêmico deverá desenvolver a consciência de que a 
sistematização do texto escrito é distinta do texto oral. Nas aulas, o momento de escrita 
(paráfrase, parágrafo, entre outros) será precedido pela leitura e discussão (oralidade) de textos 
de distintos tipos e gêneros textuais. O objetivo é que o aluno desenvolva a compreensão ao 
identificar particularidades e inferências importantes de cada texto, como tema, relações 
intertextuais, argumentos e contexto, além de atribuir sentido ao que lê, de forma crítica e clara. 
Serão priorizados textos que abordam sobre direitos humanos. 
As aulas presenciais serão realizadas a partir de exposições dialogadas e de técnicas 
que favoreçam o debate tais como peritos e interrogadores, GV-GO, Phillips 66, discussão 
circular, batata quente e seminário a fim de que o aluno argumente, além de relacionar 
repertórios e experiências pessoais com novos conteúdos. Relevante, também, será a resolução 
e correção de exercícios para a prática da compreensão e produção/refacção textuais com a 
orientação da docente. Quanto às variantes linguísticas, além de identificá-las, o aluno deverá 
utilizar a variante culta de maneira adequada, sobretudo em textos escritos. 
Serão usados recursos materiais como: quadro branco, datashow, vídeos, livros, textos 
impressos e online, como também ferramentas da mídia digital (Conecta). O estudante terá 
oportunidade de participar do Palco 2020: projeto interdisciplinar que integra as disciplinas 
institucionais Comunicação e Expressão, Sociedade e Contemporaneidade e Cultura Religiosa. 
As web atividades da disciplina, além de outros exercícios e textos, serão disponibilizadas no 
Conecta, plataforma da instituição, para reforçar o estudo e a aprendizagem. 
 
AVALIAÇÃO 
 
O acadêmico será avaliado de forma diagnóstica, formativa e somatória, conforme 
preconizam os princípios pedagógicos da instituição, de forma contínua durante o semestre, por 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 4 
 
meio da prática de atividades de compreensão e produção de textos orais e escritos. Será 
avaliado também quanto ao envolvimento, responsabilidade e pontualidade. Além de duas 
provas, G1 e G2, de acordo com o calendário acadêmico. 
Ao apresentar trabalhos individuais e em grupos, orais e por escrito, o aluno deve 
demonstrar conhecimento, coerência e consciência crítica sobre o conteúdo abordado. A 
produção escrita que não for inédita e pessoal será desconsiderada, seja ela realizada em sala 
ou em ambiente virtual. 
Aparelho celular poderá ser utilizado, durante a aula, exclusivamente para consulta a (ou 
produção de) material específico da disciplina. Quanto aos textos e referências bibliográficas, 
são disponibilizados no Conecta e nas principais fotocopiadoras do campus. 
 
Notas da avaliação somatória 
 
G1 
1) Elaboração escrita de paráfrase (diagnóstico): valor – 1,0 
2) Elaboração escrita de paráfrase: valor – 1,5 
3) Texto “A arte e a humanização do homem”. 
3.1 Seminário. Valor: 0,5 
3.2 Elaboração de textos de distintos gêneros acerca da arte e humanização do ser 
humano (rap, poema, cordel, paródia, dança, etc): valor: 1,0 
4) Prova de acordo com o calendário acadêmico: valor - 6,0 
 
G2 
1) Esquematização de texto: 0,5 
2) Mesa redonda sobre variantes linguísticas: valor - 0,5 
3) Debate a partir do curta-metragem “Vida Maria” - 0,5 
4) Reescrita de texto (oralidade/escrita): valor – 1,0 
5) Elaboração de parágrafo: valor – 1,5 
6) Prova de acordo com o calendário acadêmico: valor - 6,0 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
 
ABREU, A. S. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 13. ed. São Paulo: Ateliê 
Editorial, 2011. 
FAULSTICH, E. L. de. Como ler, entender e redigir um texto. 27. ed. Petrópolis: Vozes,2014. E-
book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Como%2520escrever%2520textos&searchpage=1&filtro=todos
&from=busca&page=1&section=0#/edicao/49224. Acesso em: 12 jan. 2019. 
FULGÊNCIO, L.; LIBERATO, Y. G. É possível facilitar a leitura: um guia para escrever claro. 2. ed. 
São Paulo: Contexto, 2009. E-book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Como%2520facilitar%2520a%2520leitura&searchpage=1&filtro
=todos&from=busca&page=5&section=0#/edicao/1261. Acesso em: 15 jan. 2019. 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 
 
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed., reimpr. Rio de 
Janeiro: Lexikon, 2017. E-book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=gram%25C3%25A1tica&searchpage=1&filtro=todos&from=bus
ca&page=3&section=0#/edicao/130295. Acesso em 10 jan. 2019. 
FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto: leitura e redação. 17. ed. São Paulo: Ática, 
2007. E-book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Para%2520entender%2520o%2520texto%3A%2520leitura%25
20e%2520reda%25C3%25A7%25C3%25A3o&searchpage=1&filtro=todos&from=busca&page=3&se
ction=0#/edicao/2101. Acesso em: 10 jan. 2019. 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 5 
 
HARTMANN, S. H. de G.; SANTAROSA, S. D. Práticas de leitura para o letramento no ensino 
superior. Curitiba: Intersaberes, 2012. (Série Língua Portuguesa em Foco). E-book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Pr%25C3%25A1tica%2520de%2520texto%3A%2520para%25
20estudantes%2520universit%25C3%25A1rios&searchpage=1&filtro=todos&from=busca&page=5&s
ection=0#/edicao/6086. Acesso em: 10 jan. 2019. 
KOCH, I. V. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto, 2010. E-book. Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Como%2520escrever%2520textos&searchpage=1&filtro=todos
&from=busca&page=5&section=0#/edicao/35566. Acesso em: 10 jan. 2019. 
LEITE, M. Q. Preconceito e intolerância na linguagem. São Paulo: Contexto, 2008. Ebook. 
Disponível em: 
https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Preconceito%2520e%2520intoler%25C3%25A2ncia%2520na
%2520linguagem&searchpage=1&filtro=todos&from=busca#/edicao/1262. Acesso em: 15 jan. 2019. 
 
1. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ORAL 
Aspectos que serão avaliados desde o primeiro ao último dia: 
1. informações precisas do texto proposto 
2. ideias claras, coerentes e com senso crítico 
3. volume e entonação de voz adequados 
4. sinalização com a mão antes de falar 
5. respeito às ideias dos colegas 
6. uso da norma culta da língua de acordo com a oralidade. 
 
2. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO ESCRITA 
Os textos escritos serão avaliados a partir dos critérios expostos a seguir. 
2.1 Quanto à estrutura, o texto: (valor: 30%) 
� Apresenta características do tipo e gênero textuais solicitados, de forma que é possível 
identificá-los? 
� Apresenta as ideias centrais (tese e argumentos) quando o texto é argumentativo? 
� Apresenta título criativo? 
2.2 Quanto aos aspectos de coesão, coerência, clareza e criticidade, o texto: (valor: 30%) 
� Apresenta uso adequado de anafóricos, de elementos coesivos e de articuladores? 
� Apresenta as informações necessárias no texto produzido? 
� Apresenta o assunto de maneira original, clara, crítica, criativa e progressiva? 
2.3 Quanto a aspectos gramaticais, o texto: (valor: 25%) 
� Está adequado quanto à ortografia? 
� Está adequado quanto à acentuação gráfica? 
� Está adequado quanto à concordância? 
� Está adequado quanto à pontuação? 
� Está adequado quanto à sintaxe? 
� Está adequado quanto ao uso de letras minúsculas e maiúsculas? 
2.4 Quanto a aspectos estéticos, o texto: (valor: 15%) 
� Apresenta letra legível (quando manuscrito)? 
 
A leitura faz o homem completo; a conversa torna-o ágil e a escrita deixa-o 
preciso. (Francis Bacon) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 6 
 
Cronograma – turma 7004 Terça-feira 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
04/02/20 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento - conversa 
a partir de objetos artísticos. Diagnóstico a partir do conto “A infinita 
fiandeira”, de Mia Couto. Exercícios orais e escritos de compreensão 
e interpretação textuais. 
Interação com a turma. 
Compreensão e 
socialização de textos. 
Correção. 
11/02/20 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Código verbal e 
não verbal. Estratégia de leitura de estudo. Leitura = Iv + InV. 
Identificação de tópico frasal. 
Exposição dialogada. 
Exercícios e correção 
18/02/20 Retomada da aula anterior. Estratégias de leitura: tema e argumentos. 
Paráfrase. Releitura do texto “A infinita fiandeira”, de Mia Couto. 
Paráfrase escrita. 
Exposição dialogada. 
Releitura, comentários. 
Paráfrase: v. 1,0 
03/03/20 Devolução de paráfrase corrigida. 
Estratégia de leitura de estudo: analisar, sintetizar, interpretar e 
compreender. Compreensão e debate do texto Felicidade clandestina, 
de Clarice Lispector. Paráfrase escrita. 
 
Exposição dialogada. 
Paráfrase. 1,5 
10/03/20 Devolução de paráfrase corrigida. 
Texto “A arte e a humanização do homem”. Expor de forma crítica e 
relacioná-lo com os textos lidos anteriormente. 
Sorteio e 
Seminário: v.0,5 
17/03/20 Produção de textos de distintos gêneros: paródia, rap, cordel, outros, 
sobre a importância da arte para o ser humano e para o país. 
Elaboração de textos 
em grupos. v. 1,0 
24/03/19 Avaliação G1 Prova escrita. V: 6,0 
28/03/19 1ª. web atividade: compreensão textual e conteúdos do 1º. bimestre. Acesso interno: 
Conecta 
31/03/20 Devolução das avaliações: correções e comentários. Revisão do plano 
de ensino. Estratégia de leitura: intertextualidade. Exercício. 
Correção de provas. 
Plano de ensino. 
Exposição dialogada. 
07/04/20 Estratégia de leitura: sublinhar e esquematizar. 
Ler, compreender e esquematizar o texto “Para acabar com o 
preconceito racial no Brasil”, de Gislene Ramos 
Exposição dialogada. 
Leitura do texto e trabalho 
em grupo. V. 0,5 
14/04/20 Devolução do esquema. 
Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. 
 
Sorteio 
Mesa redonda. V. 0,5 
28/04/20 Leitura, compreensão e exercícios do texto “O melhor amigo”, de 
Fernando Sabino. Exercícios e correção. 
Leitura, compreensão 
de texto e exercícios. 
05/05/20 Distinção entre fala e escrita. 
 
Exposição dialogada. 
“Minijúri”. 
 Participação no projeto Palco. Apresentações 
artísticas 
09/05/20 2ª. web atividade: compreensão textual e conteúdos do 2º. bimestre. Acesso interno: 
Conecta 
12/05/20 Linguagem, língua, fala e variações linguísticas: exercícios e correção. 
Reescrita de texto (da oralidade para a escrita) 
 
Exercícios, 
comentários. Trabalho 
em dupla. V.1,0 
19/05/19 Devolução de texto escrito. Leitura, discussão e compreensão do curta-
metragem: Vida Maria. 
Peritos e 
interrogadores. V. 0,5 
26/05/19 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio. 
Exposição dialogada. 
Apresentação grupos. 
02/06/20 Parágrafo padrão: atividades, correção e elaboração de parágrafo. 
 
Correção de exercícios 
e texto escrito. V. 1,5 
09/06/20 Avaliação G2 Prova escrita V: 6,0 
16/06/20 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-
dialogada. Revisão 
23/06/20 Substituição de grau Prova escrita: V. 10,0 
 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 7 
 
 
Cronograma – turmas 7003 e 7005 Quarta-feira 
 
DATA 
 
 
TEMA 
PROCEDIMENTO 
METODOLÓGICO 
 
05/02/20 Gerenciamento de relações: apresentação e entrosamento - conversa 
a partir de objetos artísticos. Diagnóstico a partir do conto “A infinita 
fiandeira”, de Mia Couto. Exercícios orais e escritos de compreensão 
e interpretação textuais. 
Interação com a turma. 
Compreensão e 
socialização de textos. 
Correção. 
12/02/20 Apresentação do plano de ensino e do cronograma. Código verbale 
não verbal. Estratégia de leitura de estudo. Leitura = Iv + InV. 
Identificação de tópico frasal. 
Exposição dialogada. 
Exercícios e correção 
19/02/20 Retomada da aula anterior. Estratégias de leitura: tema e argumentos. 
Paráfrase. Releitura do texto “A infinita fiandeira”, de Mia Couto. 
Paráfrase escrita. 
Exposição dialogada. 
Releitura, comentários. 
Paráfrase: v. 1,0 
04/03/20 Devolução de paráfrase corrigida. 
Estratégia de leitura de estudo: analisar, sintetizar, interpretar e 
compreender. Compreensão e debate do texto Felicidade clandestina, 
de Clarice Lispector. Paráfrase escrita. 
 
Exposição dialogada. 
Paráfrase. 1,5 
11/03/20 Devolução de paráfrase corrigida. 
Texto “A arte e a humanização do homem”. Expor de forma crítica e 
relacioná-lo com os textos lidos anteriormente. 
Sorteio e 
Seminário: v.0,5 
18/03/20 Produção de textos de distintos gêneros: paródia, rap, cordel, outros, 
sobre a importância da arte para o ser humano e para o país. 
Elaboração de textos 
em grupo. v. 1,0 
25/03/19 Avaliação G1 Prova escrita. V: 6,0 
28/03/19 1ª. web atividade: compreensão textual e conteúdos do 1º. bimestre. Acesso interno: 
Conecta 
01/04/20 Devolução das avaliações: correções e comentários. Revisão do plano 
de ensino. Estratégia de leitura: intertextualidade. Exercício. 
Correção de provas. 
Rever plano de ensino. 
Exposição dialogada. 
08/04/20 Estratégia de leitura: sublinhar e esquematizar. 
Ler, compreender e esquematizar o texto “Para acabar com o 
preconceito racial no Brasil”, de Gislene Ramos 
Exposição dialogada. 
Leitura do texto e trabalho 
em grupo. V. 0,5 
15/04/20 Devolução do esquema. 
Linguagem, Língua, fala e variações linguísticas. 
 
Sorteio 
Mesa redonda. V. 0,5 
22/04/20 Linguagem, língua, fala e variações linguísticas: exercícios e correção. 
Distinção entre fala e escrita. 
 
Exercícios, 
comentários. 
 “Minijúri”. 
29/04/20 Leitura, compreensão e exercícios do texto “O melhor amigo”, de 
Fernando Sabino. Exercícios e correção. 
Leitura, compreensão 
de texto e exercícios. 
06/05/20 Distinção entre fala e escrita. 
Reescrita de texto (da oralidade para a escrita) 
 
Exposição dialogada. 
V.1,0 
 Participação no projeto Palco. Apresentações 
artísticas 
09/05/20 2ª. web atividade: compreensão textual e conteúdos do 2º. bimestre. Acesso interno: 
Conecta 
13/05/19 Devolução de texto escrito. Leitura, discussão e compreensão do curta-
metragem: Vida Maria. 
Peritos e 
interrogadores. V. 0,5 
27/05/19 Parágrafo padrão: conceito, tipos de introdução, tipos de 
desenvolvimento e de conclusão. Esquema prévio. 
Exposição dialogada. 
Apresentação grupos. 
03/06/20 Parágrafo padrão: atividades, correção e elaboração de parágrafo. 
 
Correção de exercícios 
e texto escrito. V. 1,5 
10/06/20 Avaliação G2 Prova escrita V: 6,0 
17/06/20 Devolução de provas e revisão do conteúdo. Aula expositivo-
dialogada. Revisão 
24/06/20 Substituição de grau Prova escrita: V. 10,0 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 8 
 
Primeira aula - Atividade diagnóstica 
A infinita fiandeira 
 
Autor: Mia Couto (do livro O Fio das Missangas) 
 
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os 
tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O 
bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já 
amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs. 
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, 
rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia 
cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a 
nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções. 
Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para que tanto labor se depois 
não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, 
alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. 
Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie. 
– Não faço teias por instinto. 
– Então, faz por quê? 
– Faço por arte. 
Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício 
de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os 
pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe: 
– Minha filha, quando é que assentas as patas na parede? 
E o pai: 
– Já eu me vejo em palpos de mim… 
Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse: 
– Estamos recebendo queixas do aranhal. 
– O que é que dizem, mãe? 
– Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas. 
Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos 
genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. A moça seria até virgem, não 
tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro. 
– Vai ver que custa menos que engolir mosca – disse a mãe. 
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e 
ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia 
vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa? 
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua coleção de teias, ele que escolhesse uma, 
ficaria prova de seu amor. 
A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele 
espécime. 
Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis 
saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num 
golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no 
mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia? 
– Faço arte. 
– Arte? 
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E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que 
consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, em tempos de que já se 
perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso 
tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos – chamados 
de obras de arte – tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem 
em que bichos. Aranhas, ao que parece. 
 
Questão 1: 
O texto pertence ao gênero textual: 
a) reportagem, uma vez que é um conteúdo jornalístico, baseado no testemunho direto dos 
fatos e situações explicadas, numa perspectiva atual. 
b) notícia, pois relata o que aconteceu com uma aranhiça e sua família. 
c) crônica, pois narra um episódio do cotidiano que pode ocorrer na vida de qualquer 
bichinho. 
d) conto, pois conta uma história de ficção sobre a uma pequena aranha com talento 
especial. 
e) artigo de opinião, pois apresenta estranheza da família animal e dos humanos em 
relação a alguém que trabalha sempre, mas de maneira improdutiva. 
 
Questão 2: 
Mia Couto, autor moçambicano, escreveu em tipo textual: 
a) expositivo 
b) descritivo 
c) injuntivo 
d) narrativo 
e) argumentativo 
Justificar, se necessário: 
 
Questão 3: 
Sobre o texto de Mia Couto, avalie as afirmações a seguir. 
I) O texto de Mia Couto está escrito nos códigos verbal e não verbal. 
II) Ao escrever, o autor faz escolhas de palavras e entonações para expressar o que 
pretende. Por exemplo, o autor utilizou neologismos para enfatizar aspectos relevantes. 
III) O texto, organizado em discurso direto e indireto, foi escrito, predominantemente, na 
variante culta. 
IV) No excerto “e os humanos se entreolharam, intrigados”, evidencia que as ações não 
podem ser transcritas integralmente para a escrita. Isso mostra que escrever é diferente 
de falar. 
V) O texto sugere que a arte, atualmente, temsido muito valorizada pelo Brasil, diferente do 
que ocorre com os humanos encarados pela aranhiça. 
 
Estão corretas as afirmativas 
a) I e V, apenas. 
b) I, II, IV e V apenas. 
c) II, III e IV apenas. 
d) I, II, III e IV apenas. 
e) I, II, III, IV e V. 
 
Questão 4: 
Qual é o tema ou conflito principal do texto? Qual é o seu ponto de vista a respeito? Apresente 
dois argumentos para defender ou rejeitá-lo. 
 
Questão 5: 
Expor, descrever e/ou narrar (oralmente) o texto de Mia Couto de maneira pessoal (parafraseá-
lo). 
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CAPÍTULO 1: ESTRATÉGIAS DE LEITURA 
Já é coisa sabida que o mais importante não são as 
informações em si, mas o ato de transformá-las em 
conhecimento. As informações são os tijolos e o 
conhecimento é o edifício que construímos com eles. 
(Antônio Suárez Abreu) 
 
Introdução 
Neste capítulo, discutiremos sobre o ato de ler. Veremos aspectos relacionados 
à compreensão e à interpretação da leitura, aos posicionamentos do leitor diante dos 
textos e às estratégias que podemos utilizar nessa tarefa. É preciso perceber que a 
leitura é indispensável para nossa formação. Ela deve fazer parte de nossa rotina, 
principalmente quando nos propomos a frequentar um curso superior. 
 
1.1 Noções preliminares 
A leitura auxilia no aprendizado logo nos primeiros anos de nossas vidas. Ela 
está presente no constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que 
nos rodeiam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a 
realidade ficcional com a que vivemos. Enfim, em todos esses casos, estamos, de 
certa forma, lendo. Por meio da leitura, temos a oportunidade de ampliar e aprofundar 
nossos conhecimentos, pois os textos formam uma fonte inesgotável de informações. 
Para que a leitura seja eficiente, eficaz e proveitosa e para que tenhamos 
compreensão adequada e assimilação do conteúdo, a atenção no que estamos lendo é 
essencial, caso contrário a leitura se torna superficial e sem aproveitamento para a 
construção do conhecimento. O processo de compreensão de textos não é uma tarefa 
simples, visto que depende de conhecimentos linguísticos, conhecimento prévio a 
respeito do assunto do texto, conhecimento geral a respeito do mundo, motivação e 
interesse na leitura, entre outros. É sobre isso que conversaremos na seção a seguir. 
 
1.2 O que é leitura? 
Segundo Fulgêncio e Liberato (2007), leitura não é uma atividade meramente 
visual. O acesso à informação visual (IV), isto é, à informação captada pelos olhos, é 
obviamente necessário, mas não suficiente. Podemos enxergar perfeitamente um texto 
e, ainda assim, não conseguir lê-lo por estar escrito em uma língua que não 
conhecemos. Portanto, o conhecimento da língua é imprescindível para a leitura. Ele 
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faz parte do conhecimento que temos estocado na memória, ao qual damos o nome de 
conhecimento prévio ou informação não visual (InV). 
Além do conhecimento da língua, outros tipos de InV são igualmente 
importantes na leitura. Um deles é o conhecimento sobre o assunto de que trata o 
texto. É possível que um leitor não consiga ler um texto que, embora escrito em uma 
língua que ele domina, trate de um assunto sobre o qual ele não tem informações. 
Também nesse caso diríamos que lhe falta InV adequada (FULGÊNCIO; LIBERATO, 
2007). 
Outro fator que contribui com o ato de ler é todo e qualquer outro conhecimento 
que temos e que compõe a nossa teoria de mundo. Isso inclui tudo o que sabemos, 
desde as coisas mais simples, como a de que “macacos comem bananas”, até 
relações mais complexas que podemos perceber entre objetos e acontecimentos do 
mundo. Todo esse conhecimento está, de alguma forma, armazenado em nossa 
memória, juntamente com o conhecimento da linguagem, e é utilizado no processo da 
leitura, permitindo dar sentido àquilo que a visão capta (FULGÊNCIO; LIBERATO, 
2007). 
Portanto, para o processamento textual, ativamos quatro grandes conjuntos de 
conhecimento: 
• o conhecimento linguístico (o lexical e o gramatical); 
• o conhecimento de mundo (que inclui os esquemas, os cenários, os protótipos 
ou os modelos de eventos e episódios em vigor nos grupos a que pertencemos); 
• o conhecimento referente a modelos globais de texto (que inclui as 
regularidades de construção dos tipos e gêneros textuais); 
• o conhecimento sociointeracional, ou o conhecimento sobre as ações 
verbais (que inclui o saber acerca da realização social das ações verbais ou de 
como as pessoas devem se comportar/interagir em diferentes situações sociais). 
 
• Vamos testar esses quatro conjuntos de conhecimento a partir da charge de 
Rodrigo? 
 
Comunicação e Expressão 
 
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Resumidamente, podemos afirmar que leitura é o resultado da interação entre o 
que o leitor já sabe e o que ele retira do texto. Em outras palavras, a leitura é o 
resultado da interação entre IV e InV. Portanto a atividade pode ser representada pela 
seguinte fórmula: 
LER = IV + InV 
 
1.3 Aprendizado da leitura 
A partir da definição que vimos sobre leitura, podemos dizer que é possível 
ensinar alguém a ler? Os pesquisadores afirmam que se aprende a ler, lendo. Dizem 
que, para ser um leitor competente, é necessário ler muito. É lendo muito que 
adquirimos a experiência para fazer leitura fluente e selecionar as informações mais 
importantes do texto (FULGÊNCIO; LIBERATO, 2007). 
 
1.4 O que é leitura de estudo? 
Castello-Pereira (2003, p. 55) destaca que a leitura de estudo 
 
[...] é a leitura em que se faz uma interlocução com o texto [...], é a leitura que 
tem a finalidade de retirar tudo o que dele se possa extrair. Ou seja, é a leitura 
em que se busca não uma informação pontual, mas perceber como o texto se 
organiza, o que discute e como discute. É a leitura do estudo e do trabalho. A 
leitura necessária no dia a dia de quem exerce uma atividade intelectual, 
necessária aos estudantes de um modo geral, mas ESPECIALMENTE 
NECESSÁRIA AOS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS (grifo nosso). 
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Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo como um todo até adquirir 
uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem que o autor 
pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por 
aqueles que os estudam e, portanto, exige um método de abordagem. Devemos 
compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos de criar condições capazes de 
permitir a compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo. 
Analisar: decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las. 
 Sintetizar: reconstituir o texto decomposto pela análise. 
 Compreender: identificar e/ou reconhecer as inferências e no/do texto. 
 Interpretar: ter posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto 
é, dialogar com o autor. 
 
Precisamos, mais detalhadamente, verificar como se pode estudar um texto. 
Conforme Geraldi (1984), para avaliar se o texto foi compreendido de forma adequada, 
é preciso responder às seguintes questões básicas: 
 
• Qual é a questão de que o texto trata (ou qual é a tese defendida)? Ao tentar 
responder a essa pergunta, o leitor será obrigado a distinguir as questões 
secundárias da principal, isto é, aquela em torno da qual gira o texto inteiro. 
Quando o leitor não sabe dizer o tema do texto ou sabe apenas de maneira 
genérica e confusa, é sinal de que ele precisa ler com mais atenção ou não tem 
repertório suficiente para compreender o que está diante de seus olhos. 
 
• Qual é a opinião do autor sobre a questão posta em discussão? Disseminados 
pelo texto, aparecem vários indicadores da opinião de quem escreve. Por isso, 
uma leituracompetente não terá dificuldade em identificá-la. Não saber 
responder a essa questão é um sintoma de leitura desatenta e dispersiva. Quais 
são os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinião exposta? 
Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para 
convencer o leitor de que está falando a verdade. É preciso identificar, também, 
os contra-argumentos expostos em teses contrárias. Na verdade, compreender 
um texto significa acompanhar com atenção o percurso argumentatório 
apresentado pelo autor. 
 
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O linguista sugere ainda que é necessário identificar a veracidade e validade 
dos argumentos apresentados. Para tanto, é importante observar a “costura” do texto, 
isto é, como ocorre a passagem de um parágrafo para outro e como, no interior do 
parágrafo, se passa de uma afirmação para outra. Pode-se ainda analisar os objetivos 
do autor. 
Outra dica interessante para localizar a informação principal de um 
parágrafo é identificar o tópico frasal. Mas o que é um tópico frasal? Tópico frasal é a 
introdução do tema, é a ideia-chave do parágrafo. É (são) a(s) frase(s) que traduz(em), 
de maneira geral e sucinta, a ideia núcleo do parágrafo. Sua função é delimitar o tema 
e fixar os objetivos da redação. Ele introduz o assunto e o aspecto desse assunto, a 
ideia central com o potencial de gerar outros períodos, chamados de ideias 
secundárias. O tópico frasal serve para orientar o restante do parágrafo. Segundo 
Faulstich (2001), em geral, o tópico frasal está na primeira frase do parágrafo – ideia 
genérica –, seguido de períodos que o desenvolvem – ideias secundárias. Observe o 
exemplo a seguir. 
 
1. Como é o ser negro que aprendi na escola? Lembro do retrato de um homem amarrado 
e a calça abaixada, apanhando num tronco. Essa era uma imagem que aparecia 
repetidamente nos livros escolares. Por que mostravam sempre a mesma figura negra 
totalmente dominada? Nunca aparecia de outra forma. Era um retrato congelado. Existem 
muitas outras histórias construídas pelos negros, mas, como elas não aparecem nunca, 
na prática são invisíveis: é como se nem existissem. E nas historinhas infantis, então? O 
único personagem de que me lembro é o Gato Félix, que é um gato preto. Nunca 
encontrei personagens negros fazendo papel principal num enredo de amor ou uma 
aventura. Nas poucas histórias em que eles ganham destaque, são pobres e tristes, na 
melhor das hipóteses. E na televisão, nos cartazes do shopping, nas revistas, a regra é 
esta: quando aparece a imagem de uma pessoa bem-sucedida, bonita, charmosa e 
competente, essa pessoa não é negra... (H.P. Lima. Histórias da preta. São Paulo: Companhias das 
letrinhas, 1998) 
Há parágrafos em que se particularizam as ideias no início do parágrafo, para, 
ao seu final, lançar a ideia principal genérica, como no exemplo exposto na sequência. 
 
2. O povo não tinha liberdade para decidir sobre o que seria melhor para si, sobre a 
própria vida. Sua liberdade de manifestação do pensamento foi cerceada por medidas 
de repressão, as leis foram-lhe impostas por uma minoria opressora, ficou à mercê de 
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governantes ditadores. Essa foi a situação do povo brasileiro durante o período de 
ditadura militar. 
Também há parágrafos em que a ideia principal é implícita ou diluída. Nesse 
caso, após uma leitura atenta do parágrafo, temos de construir a ideia principal, que 
não estaria expressa claramente. Examine o seguinte exemplo. 
 
3. Na Idade Média, as aulas da Universidade de Paris começavam às cinco horas da 
manhã. As primeiras atividades constavam de palestras ordinárias; eram as mais 
importantes palestras do dia. Após várias palestras regulares, havia pequeno lanche; 
depois, os estudantes assistiam a leituras extraordinárias, dadas à tarde pelos 
professores menos importantes, os quais geralmente tinham de 14 a 15 anos. O 
estudante gastava 10 ou 12 horas diárias com os professores, assistindo às aulas até à 
tardinha, quando ocorriam eventos esportivos. Depois dos esportes, o dia escolar 
prosseguia: existiam, ainda, as tarefas de copiar, recopiar e memorizar notas, até a luz 
permitir. Havia pouco intervalo no calendário escolar; as férias do Natal eram de 
aproximadamente três semanas, e as férias de verão, apenas de um mês. (Figueredo) 
 
A ideia principal parcial implícita: “o dia escolar medieval exigia muita 
dedicação”. Detalhamento dessa ideia: 
• palestras comuns das cinco horas até o lanche; 
• palestras extraordinárias após o lanche; 
• eventos esportivos à tardinha; e 
• tediosas tarefas até o cair da tarde. 
Com base no esquema das ideias do parágrafo, podemos formular a ideia 
principal: a rotina escolar exaustiva da Universidade de Paris, durante a Idade Média. A 
ideia principal está implícita no parágrafo, basta para tal que façamos um esquema das 
ideias desenvolvidas. 
 
Atividades 
Leia com atenção os parágrafos e grife seus tópicos frasais. Se estiverem implícitos, 
elabore um tópico frasal a partir das informações expostas no parágrafo. 
 
a) A multitarefa não é a bala de prata que parece ser. O cérebro humano não foi feito para o 
processamento paralelo de tarefas com demandas cognitivas similares, de modo que aquilo 
que parece ser multitarefa, de fato, implica comutação rápida entre tarefas. Estudos 
comprovam que a multitarefa é perniciosa tanto para a exatidão quanto para a eficiência e 
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Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 16 
 
pode prejudicar a aprendizagem e a rememoração. Embora seja possível melhorar as 
habilidades multitarefa com o tempo, há ainda um limite superior instalado no cérebro. Contudo 
a multitarefa também pode ser encarada como uma estratégia para enfrentar os estímulos 
múltiplos e competitivos e pode trazer certos ganhos em criatividade, pensamento lateral e 
produtividade em grupo. De modo inverso, alguns pesquisadores sugerem que é importante 
desacelerar de vez em quando e até mesmo desligar nossos fluxos de comunicação digital, 
abrindo espaço para modos mais focados, mais compassados de ler, escrever, pensar e 
aprender. (Dudeney, Gavin. Letramentos digitais. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: 
Parábola editorial, 2016) 
 
b) A Suécia é um primor no que diz respeito à igualdade entre os sexos no trabalho e na vida 
pública. No Parlamento, 45% das cadeiras são ocupadas por mulheres, o maior índice 
internacional de participação feminina e quase o triplo da média europeia. Por consenso entre 
os partidos políticos, elas também estão no comando de metade dos ministérios. Um terço dos 
cargos de confiança no governo é reservado para as mulheres. Em nenhum outro lugar da 
Europa é maior a presença feminina no mercado de trabalho e tão alta a média salarial, 
comparada com a masculina, como na Suécia. Dentro de casa, infelizmente, a história é outra. 
A violência contra a mulher – incluindo aí espancamento doméstico, relações sexuais forçadas 
e constrangimento psicológico – é também uma das maiores da Europa. Nos últimos quinze 
anos, o número oficial de casos de violência contra mulheres na Suécia aumentou 40%. Em 
2003, de acordo com um relatório da Anistia Internacional, 50% das agressões que chegaram 
ao conhecimento da polícia se referiam a surras aplicadas por marido, namorado e toda sorte 
de ex. Quatro em cada dez suecas, em algum momento da vida, já foram agredidas por 
homens. É o dobro da média europeia e um índice encontrado com maior facilidade em países 
menos desenvolvidos, como o Brasil. Na Europa, só em Portugal as mulheres são mais 
espancadas que as suecas. De acordo com estatísticas, metade das portuguesas já foi surrada 
pelo menos uma vez na vida. Na Holanda essa proporção é de 20% e na Espanha, de 11%. 
Na Inglaterra, onde a orientação policialé tratar com rigor os suspeitos de espancamento 
doméstico, o índice de violência no lar caiu 50% desde o início dos anos 90 (Veja, ed. 1902, 27 
abr. 2005, p. 70). 
 
A partir dos exemplos analisados e das atividades, você deve ter notado que 
não há uma regra para identificação do tópico frasal. O importante é que você leia e 
analise o parágrafo com atenção, verifique em torno de que período(s) as informações 
são desenvolvidas. 
Comunicação e Expressão 
 
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Na leitura de estudo, precisamos ficar atentos também na intertextualidade, 
assunto do próximo tópico. 
 
1.5 Intertextualidade 
 É o diálogo entre textos. Ocorre quando um texto retoma uma parte ou a 
totalidade de outro texto – o texto fonte. Geralmente, os textos fontes são aqueles 
considerados fundamentais em uma determinada cultura e que faça parte do repertório 
dos leitores. Segundo Ingedore e Marina, “em nossas práticas comunicativas, 
recorremos a textos que se cruzam e se entrecruzam em novas e variadas 
combinações. Intertextualidade é o nome que se dá a essa relação entre textos. No 
diálogo que estabelecemos entre textos, revelamos as leituras que fazemos, os filmes 
a que assistimos, as músicas que ouvimos, as conversas que temos na família, na 
escola, no trabalho, no barzinho, nas mídias sociais; a forma como explicamos o 
mundo, o que nele acontece e como nos posicionamos em relação a isso tudo”. 
(Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias. In: Escrever e argumentar. São Paulo: 
Contexto, 2016). 
Há diversas formas de fazer intertextualidade. 
 
Exemplo 1: 
 (...) 
Euclides da Cunha, no livro Os sertões afirma que “o nordestino é antes de tudo, um 
forte” e é verdade. Enfrenta todo tipo de dificuldade e ainda assim consegue vencer, sorrir pra 
vida e ser um povo extremamente amável e hospitaleiro. Ninguém é culpado de ter nascido 
em determinada região e viver por lá. O nordeste é rico, culturalmente falando, e sua 
economia cresce a cada ano que passa, e em todas as áreas há personalidades conhecidas 
nacionalmente; isso é fato! (Antônio Edelgardo Pereira da Silva em: Preconceito contra 
nordestinos mostra um Brasil que não é cordial) 
 
 Nesse exemplo, que é o trecho de um artigo de opinião, a intertextualidade se 
constitui como valioso recurso argumentativo na defesa do ponto de vista do autor. Ao 
criticar xenofobia contra nordestino, ele evoca Euclides da Cunha o qual afirmou que o 
nordestino é forte na obra Os sertões, que tem reconhecimento mundial. 
 
 
Exemplo 2: 
 
Comunicação e Expressão 
 
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É preciso ser saudável 
 
A peça publicitária “Horta de Elite”, que promove a rede de lojas Hortifruti, estabelece 
clara relação intertextual com o filme brasileiro de grande sucesso “Tropa de Elite” ao destacar 
o tomate como produto de qualidade. 
Isso é percebido, inicialmente, pelo próprio nome da propaganda, que substitui “Tropa” 
do título do filme, por “Horta”. Além disso, a peça enfatiza a superioridade da marca e seus 
produtos ao caracterizá-los de “elite”. Ou seja, o tomate, produto em destaque, é o melhor. É 
de qualidade assim como o grupo do Bope é também o mais preparado para atuar. 
No design do título é possível perceber que a letra “O” representa um prato com facas 
cruzadas e um garfo na vertical, que remete à ação de desfrutar um produto gastronômico. 
Isso se assemelha ao símbolo do filme, o qual apresenta uma caveira com pistolas cruzadas e 
uma faca cravada por cima que remete à ação de combate ao crime. 
Outra ligação evidente está na utilização do famoso bordão “pede pra sair”: no grupo, o 
policial que não for destemido e forte, deve deixar o Bope. Já na peça publicitária, a ideia é 
que, se o produto não for da Hortifruti, o cliente não deve confiar. Inclusive porque a marca 
demonstra respeito ao aspecto ecológico de produção, evidenciado na frase “Aqui a natureza é 
a estrela”. 
Por fim, no que diz respeito à imagem, o quepe policial com o logotipo da marca e a 
haste do fruto mostram que o tomate é a estrela da Hortifruti. Esses aspectos fazem clara 
referência ao Capitão Nascimento, o personagem principal (estrela) do filme. 
Conclui-se que, ao utilizar intertextualidade, a propaganda ficou divertida e agradável 
aos olhos dos consumidores os quais possivelmente sentem prazer e confiança em adquirir 
produtos da Hortifruti. Texto de J.A.P. (com complementação) 
 
 
 
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Exemplo 3: 
“(...) 
Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois 
irmãos filhos de pobres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, 
não havendo mais comida nenhuma, foram levados pelo pai ao bosque, e ali 
abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras abandonadas 
conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem talvez nem vissem a 
semelhança. Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas 
e sapatos. João e Maria tinham começado a vida como meninos de família, e pelas 
mãos do pai foram levados ao abandono. (Marina Colasanti em: De quem são os 
meninos de rua?) 
 Nesse exemplo 3, a cronista Marina Colasanti compara as crianças 
abandonadas nas ruas das cidades brasileiras aos personagens do conto de fadas, 
João e Maria, que foram deixados na floresta pelos pais. 
 
Atividades 
Questão 1: 
Sobre leitura de estudo marque apenas a alternativa INCORRETA 
a) Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o 
leitor de que está falando a verdade. 
b) Para ler com competência, o leitor ativa quatro grandes conjuntos de conhecimento: 
linguístico, de mundo, conhecimento referente a modelos globais de texto e o 
conhecimento sociointeracional, ou o conhecimento sobre as ações verbais. 
c) Analisar é decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las. Já 
interpretar é ter posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar 
com o autor. 
d) Tópico frasal é a introdução do tema, é a ideia-chave do parágrafo. Sua função é 
delimitar o tema e fixar os objetivos da redação. O tópico frasal aparece sempre no início 
do parágrafo. 
e) Se a técnica de sublinhar encontrar as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto, 
por isso ela monitora a compreensão do leitor e permite que ele faça um mapeamento do 
texto, o esquema é uma forma de reorganizar um texto em tópicos sequenciais ou arranjo 
de um modo espacial específico para permitir a visualização global e rápida. 
 
Questão 2: 
 
A Lei 10.639/2003 determina que, no currículo oficial da rede de ensino do Brasil, seja incluído “o 
estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra 
brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo 
negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil”. 
 
Comunicação e Expressão 
 
Centro Universitário Luterano de Palmas – Ceulp 20 
 
 
Disponível em:https://arquivopublicors.files.wordpress.com/2013/08/2013-08-14-xaxado-a-cedraz.jpg. 
Acesso: 30/03/17 
 
A respeito da lei que visa à educação de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade 
multicultural e pluriétnica, rumo à construção de nação democrática, avalie as afirmações a 
seguir. 
I. O modo como muitos professores concebem o cotidiano escolar, cuja preocupação maior 
é aprender o conteúdo. As relações interpessoais nele estabelecidas dificultam a 
percepção dos conflitos étnicos e, inclusive, a realização de um trabalho sistemático que 
propicie a convivência multiétnica, já que para muitos docentes esses problemas 
inexistem. 
II. A tirinha de Antônio Cedraz mostra como os autores dos livros didáticos têm contribuído 
com a concretização da lei 10.639, uma vez que eles estãoatentos à diversidade 
multicultural e pluriétnica da sociedade brasileira. Assim, tais escritores contribuem para a 
formação de uma nação sem preconceitos e intolerâncias. 
III. Em 14 anos da lei 10.639, é possível observar que ainda impera com força a ideologia de 
intolerância aos negros implantada na sociedade brasileira cuja história de quase 400 
anos de escravidão foi forjada em relação direta com o preconceito e a discriminação 
racista. 
 
É correto o que se afirma em 
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) I e III, apenas. 
e) I, II e III. 
 
Questão 3: 
Sobre a intertextualidade, assinale a alternativa incorreta. 
a) A intertextualidade implícita não se encontra na superfície textual, visto que não fornece 
para o leitor elementos que possam ser imediatamente relacionados com algum outro tipo 
de texto-fonte. 
b) Todo texto, em maior ou menor grau, é um intertexto, pois é normal que durante o processo 
da escrita aconteçam relações dialógicas entre o que estamos escrevendo e outros textos 
previamente lidos por nós. 
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c) A intertextualidade sempre acontece de maneira proposital. É um recurso que deve ser 
evitado, pois privilegia o plágio dos textos-fonte em detrimento de elementos que confiram 
originalidade à escrita. 
d) Na intertextualidade explícita, ficam claras as fontes nas quais o texto baseou-se e 
acontece, obrigatoriamente, de maneira intencional. Pode ser encontrada em textos do tipo 
resumo, resenhas, citações e traduções. 
e) A epígrafe, ao representar um pensamento ou reflexão filosófica, é uma forma de 
intertextualidade. 
 
Disponível em: http://exercicios.mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-redacao/exercicios-
sobre-intertextualidade-explicita-implicita.htm (com modificações). Acesso em 25 de jan.2018. 
 
Questão 4: 
a) Explique como ocorre a intertextualidade nas tirinhas de Maurício de Sousa em relação 
ao texto Mito da caverna, de Platão. 
 
 
 
Comentário sobre o mito da caverna 
O Mito da Caverna é um dos textos filosóficos mais debatidos e conhecidos pela 
humanidade, servindo de base para explicar o conceito do senso comum em oposição ao que 
seria a definição do senso crítico. 
De acordo com a história formulada por Platão, existia um grupo de pessoas que viviam 
numa grande caverna, com seus braços, pernas e pescoços presos por correntes, forçando-os a 
fixarem-se unicamente para a parede que ficava no fundo da caverna. Atrás dessas pessoas 
existia uma fogueira e outros indivíduos que transportavam ao redor da luz do fogo imagens de 
objetos e seres, que tinham as suas sombras projetadas na parede da caverna, onde os 
prisioneiros ficavam observando. Como estavam presos, os prisioneiros podiam enxergar 
apenas as sombras das imagens, julgando serem aquelas projeções a realidade. 
Certa vez, uma das pessoas presas nesta caverna conseguiu se libertar das correntes e 
saiu para o mundo exterior. A princípio, a luz do sol e a diversidade de cores e formas assustou 
o ex-prisioneiro, fazendo-o querer voltar para a caverna. No entanto, com o tempo, ele acabou 
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por se admirar com as inúmeras novidades e descobertas que fez. Assim, quis voltar para a 
caverna e compartilhar com os outros prisioneiros todas as informações e experiências que 
existiam no mundo exterior. As pessoas que estavam na caverna, porém, não acreditaram 
naquilo que o ex-prisioneiro contava e chamaram-no de louco. Para evitar que suas ideias 
atraíssem outras pessoas para os “perigos da insanidade”, os prisioneiros mataram o fugitivo. 
 
Para Platão, a caverna simbolizava o mundo onde todos os seres humanos vivem, 
enquanto as correntes significam a ignorância que prende os povos, que pode ser representada 
pelas crenças, culturas e outras informações de senso comum que são absorvidas ao longo da 
vida. As pessoas ficam presas às ideias pré-estabelecidas e não buscam sentido racional para 
determinadas coisas. Elas evitam a “dificuldade” do pensar e refletir, preferindo contentar-se 
apenas com as informações que lhe foram oferecidas por outras pessoas. O indivíduo que 
consegue se “libertar-se das correntes” e vivenciar o mundo exterior é aquele que vai além do 
pensamento comum, criticando e questionando a sua realidade. 
 
Disponível em: https://www.significados.com.br/mito-da-caverna/. Acesso em 08 de fev. 2019. 
 
1.6 Leitura de estudo 
Segundo Brito (apud CASTELLO-PEREIRA, 2003), para estudar um texto 
podemos usar algumas estratégias, como sublinhar, fazer anotações de margem no 
texto, realizar marcas diversas que orientam a leitura, elaborar fichamento, resumo, 
esquema. Examinaremos alguns desses recursos mais detalhadamente. 
 
1.6.1 A técnica de sublinhar 
Ao sublinhar um texto, considere o que Castello-Pereira (2003, p. 57-58) 
evidencia em relação a essa estratégia de estudo: 
Sublinhar um texto é destacar as ideias principais, para tanto é importante 
ter a percepção do conteúdo do texto. “Sua finalidade é destacar elementos 
que servirão de orientação para consulta futura; por isso, tem de ser objetivo e 
restringir a palavras ou frases” (BRITO, 2001). Como é necessário encontrar 
as ideias que nortearam o desenvolvimento do texto, é uma estratégia que 
monitora a compreensão. Permite que se faça um mapeamento do texto, 
destacando partes ou subdivisões, tese, principais argumentos, 
contraposições, definições etc. Para isso, é importante perceber como o autor 
desenvolveu o texto. Essa marcação, além de ajudar na compreensão do 
texto, auxilia na concentração na hora da leitura, pois, com um objetivo, uma 
tarefa a realizar, uma ação concreta, se tem mais facilidade de fixar a atenção 
na leitura e na compreensão das ideias. Além disso, possibilita voltar ao texto 
lido, num outro momento, quando for necessário buscar uma ideia para 
fundamentar uma posição ou relembrar o lido ou, por qualquer outro motivo, 
fazer uma retomada do texto (grifos nossos). 
 
A autora destaca que, ao estudar um texto, devemos sublinhar apenas as 
ideias principais (apenas palavras-chave ou frases). A finalidade dessa estratégia é: 
• orientar uma consulta futura; 
• mapear as informações principais do texto (tese, principais argumentos, 
contraposições, definições etc.); 
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• ajudar na compreensão do texto e na concentração. 
Sugerimos que, ao utilizar a técnica de sublinhar, realize os seguintes passos: 
• leia integralmente o texto, para ver do que trata e como o conteúdo é 
apresentado; 
esclareça dúvidas de vocabulário e termos técnicos; 
• releia o texto para identificação das ideias principais; 
• grife, em cada parágrafo, as palavras que contêm a ideia-núcleo e os detalhes 
importantes; 
• assinale com uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais 
importantes; 
• assinale, à margem do texto, com um ponto de interrogação ou outro sinal, os 
casos de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis; 
• leia o que foi grifado para verificar se há sentido; 
• reconstrua o texto, tomando as palavras grifadas como base. 
Ao estudar um texto, sublinhe apenas o estritamente necessário, evite o 
acúmulo de anotações que, em vez de facilitar o trabalho, poderá dificultar e gerar 
confusão. 
 
Atividade 
Leia com atenção o texto, analise-o e grife as informações principais. 
As reuniões periódicas de avaliação do progresso são instrumento fundamental de 
planejamento e controle da equipe. Como o próprio nome sugere, o objetivo é avaliar o 
andamento de uma atividade ou projeto, ou mesmo o estado geral das tarefas de uma equipe, 
sob o ponto de vista técnico e administrativo, e tomar as decisões necessárias a seu controle. 
Uma reunião destas também serve para reavaliar em que pé estão as decisões tomadas na 
reunião anterior, e pode começarcom uma apresentação feita pelo líder, sobre a situação 
geral das coisas. Em seguida, cada um dos membros pode fazer um relato das atividades sob 
sua responsabilidade. Depois disso, repete-se o processo para o período que vai até a reunião 
seguinte, especificando-se então quais são os planos e medidas corretivas a ser postas em 
prática nesse período. Dada essa sua característica de estar orientada para uma finalidade 
muito particular, uma reunião desse tipo tende a ser, quando bem administrada, extremamente 
objetiva e de curta duração. (Maximiano, 1986, p. 60) 
 
Você deve ter notado que sublinhamos apenas palavras-chave ou parte de 
frases e o que está grifado faz sentido, já que podemos reconstruir o texto tomando 
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os trechos grifados como base. Releia o que está grifado para verificar se realmente 
as informações destacadas fazem sentido e se sintetizam as ideias que embasam o 
texto. As informações sublinhadas servem para mapearmos as informações principais 
do texto e, consequentemente, fazermos uma consulta futura sem a necessidade de 
reler o texto todo. Portanto, pratique essa estratégia e verá que ela é bastante útil 
ao seu estudo. 
Até aqui você deve ter percebido que fazer leitura de estudo é bastante 
diferente de ler um romance, uma revista ou um jornal, já que estudar um texto é 
bem mais trabalhoso. Mas é assim que conseguiremos memorizar os conteúdos e 
ampliar nosso conhecimento na área em que estamos nos especializando. 
 
1.6.2 Elaboração de esquemas 
Ao elaborar um esquema, lembre-se das seguintes palavras de Castello Pereira 
(2003, p. 58): 
O esquema “é uma forma de reorganizar um texto em tópicos sequenciais ou 
arranjo de um modo espacial específico para permitir a visualização global e 
rápida” (BRITO, 2001). É uma atividade que pode ajudar na seleção e na 
organização das informações mais importantes. “O esquema é um texto que 
corresponde, grosso modo, a uma radiografia do texto, pois nele aparece 
apenas o ‘esqueleto’, ou seja, as ‘palavras-chave’, sem necessidade de 
apresentar frases redigidas”. Utilizam-se normalmente de colchetes, chaves, 
setas e outros símbolos (ANDRADE, 1997) que possam ajudar na organização 
e visualização das ideias. É um texto que auxilia na leitura, fundamental para 
desenvolver a capacidade de usar a escrita para intervenção social, estudo e 
trabalho (grifos nossos). 
 
 A autora expõe que, na elaboração do esquema, devemos selecionar e 
organizar as informações mais importantes, apenas palavras-chave (“esqueleto” do 
texto) para que, ao final, tenhamos a visualização global e rápida, a radiografiado texto. 
Para isso, podemos usar chaves, flechas, retângulos, subdivisão numérica, como 
podemos visualizar na sequência. 
 
Esquema: chaves 
 
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Esquema: retângulos 
 
 
 
Esquema: flechas 
 
 
Esquema: retângulos 
 
 
 
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Esquema: subdivisão numérica 
 
 
Segundo Galliano (1989), o esquema deve ser disposto em uma sequência 
lógica que ordene claramente as principais partes do conteúdo do texto e que, 
mediante divisões e subdivisões, represente sua hierarquia. Assim, para a elaboração 
do esquema, é necessário compreender bem as relações existentes entre as diversas 
partes do texto, captar os conteúdos principais e refletir melhor sobre o texto. Depois 
de elaborado, o esquema possibilita uma rápida recordação da leitura em consultas 
futuras. 
 
Ler o texto seguinte para esquematização. 
 
Para acabar com o preconceito racial no Brasil 
 
Autora: Gislene Ramos 
 
Um dos conceitos mais importantes no combate ao racismo brasileiro é entender 
como ele é estrutural na nossa sociedade, uma vez que é construído por relações de 
poder e opressão. Inúmeras são as pesquisas e estudos sobre o assunto que, apesar 
de complexo, é essencial. 
(...) 
Para esclarecer de forma simples, vamos comparar o racismo a um gigante 
edifício que precisa vir abaixo. Para destruí-lo, será preciso conhecer as estruturas que 
formam a construção e atingir as suas bases de forma simultânea. Lá no alto, na 
cobertura do prédio, junto das antenas parabólicas, estão as constantes e corriqueiras 
manifestações de discriminação de raça. Aqueles casos de ofensas e injúria racial, que 
têm grande repercussão nas redes sociais, com hashtags 
tipo #SomosTodosMaju ou #SomosTodosTaísAraújo. 
É comum essas manifestações gerarem intensa comoção e manifestações de 
apoio. Passado algum tempo, porém, logo são esquecidas. Podemos compreendê-las 
como estruturas mais superficiais do racismo. Também no alto do edifício, estão as 
situações constrangedoras sofridas por pessoas negras, como abordagens de policiais, 
restrição em portas de agências bancárias, olhares tortos nas ruas ou mesmo aquela 
segurada de bolsa na calçada. 
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Logo abaixo da cobertura, nos andares mais altos, estaria o sistema judiciário, 
com casos de prisões de homens negros e pobres sem prerrogativas ou provas 
consistentes, como o caso do jovem Rafael Braga, preso durante as manifestações de 
2013 por portar uma garrafa de detergente, visto como potencial criminoso. Na mesma 
altura estão as taxas de desemprego ou subemprego da população negra. Elas são 
somadas aos que estão em situação de vulnerabilidade nas ruas e vítimas do vício de 
drogas que, de acordo com o pensamento eugenista e higienista, são vistos como 
criminosos. Um exemplo recente é o caso na Cracolândia, em que a prefeitura de São 
Paulo autorizou a invasão no local, sob o uso da violência, com o intuito de desocupar a 
área. 
Mais próximo do térreo, nos andares mais baixos, estão as instituições de ensino 
e a precariedade. Apesar da implementação da Lei 10.639, que determina a 
obrigatoriedade dos estudos da História da África e dos africanos, a dificuldade de 
aplicabilidade das práticas pedagógicas relacionadas às questões raciais ainda é uma 
realidade. Na mesma altura estão as universidades públicas e a concentração de 
produção de conhecimento nos estudantes e pesquisadores não-negros. Aqui também 
estão as faculdades que não implementam medidas reparadoras, a exemplo da 
Universidade de São Paulo, que aderiu tardiamente ao sistema de cotas de negros e 
indígenas. 
E nos andares térreos, encontramos estruturas do Estado, organizações 
legislativas cuja maioria é composta por homens brancos e pouco representam a 
diversidade étnica da sociedade. Por fim, em sua base, estão as relações econômicas 
do país, sob o sistema capitalista, juntamente com o modo de produção neoliberal. O 
fato é que essas práticas não estão isoladas. Apesar de estarem em andares diferentes, 
todas mantêm entre si diversas ligações e interdependências. Isso nos leva a 
compreender que o racismo estrutural é um conjunto de sistemas interligados e que se 
retroalimentam. Da mesma forma, as práticas mais superficiais não são menos 
importantes. Elas apenas revelam um dos tantos aspectos do racismo enquanto sistema 
de opressão. 
Portanto, para enfrentar e demolir tais estruturas, é preciso não somente avançar 
sobre a base, mas em pontos específicos, estratégicos e de forma sincronizada. Isso 
significa que as práticas de enfrentamento precisam estar alinhadas na perspectiva da 
compreensão do racismo enquanto sistema estrutural e estruturante das relações 
socioculturais. Sendo mais translúcida: a proposta para o enfrentamento é atingir as 
suas bases de forma estratégica e sincronizada, como numa demolição com o uso de 
bombas em pontos específicos da construção. O que seriam essas bombas? Seriam 
bombas em forma de disputa de narrativas nos espaços políticos, por meio de grupos de 
militância, agrupamentos quilombolas, organizações não-governamentais,associação 
de moradores, juventude organizada, grupos artísticos, mídia especializada, ativistas e 
influenciadores digitais. Afinal, todos carregam responsabilidades na abordagem e na 
disseminação do entendimento do racismo estrutural. E se o racismo é um grande 
prédio a ser demolido, será necessária a força de todos para a implosão. 
 
Disponível em: https://www.vice.com/pt_br/article/pa5geg/o-racismo-estrutural-e-um-grande-predio-a-ser-
implodido. Acesso em 15 de fev. 2019. (com adaptações) 
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Questão 2: 
Ler com atenção o texto de Gislene Ramos, sublinhar as informações principais e depois 
esquematizá-las. 
 
1.6.3 Como parafrasear textos 
Paráfrase é a representação de um texto ou fragmento de texto com outra forma 
e (hipoteticamente) o mesmo sentido básico. Consiste no desenvolvimento explicativo 
(ou interpretativo) de um texto do qual é necessário compreensão adequada. 
Corresponde a uma espécie de tradução dentro da própria língua, em que se diz, de 
maneira mais clara, num texto B, o que contém um texto A (GARCIA, 2006). Na 
paráfrase, ocorre transformação da parte formal do texto, vocabulário e estrutura da 
frase sem, no entanto, haver modificações das ideias ou acréscimo de informações. 
Vale ressaltar que comentário sobre o tema abordado no texto não é paráfrase. 
O que há em comum entre resumo, resenha e paráfrase? De forma breve, há 
algumas semelhanças entre esses três gêneros. Primeiro aspecto comum: resumo, 
resenha e paráfrase são recriações textuais, ou seja, são elaborados a partir de um 
texto alheio o qual é preciso ser compreendido de forma clara e objetiva, por isso exige 
leitura atenta e adequada. Segundo: para elaboração dos três é necessário, 
inicialmente, identificar tema, argumentos, contra-argumentos, ponto de vista do autor 
e outros elementos mais relevantes do texto alheio. E terceira semelhança: o autor do 
resumo, resenha ou paráfrase deve reorganizar as informações/argumentos, sem 
alterar o sentido, em novo texto, adequadamente articulado, coeso, coerente e de 
forma clara. Como peculiaridade, a paráfrase permite explicação para maior clareza 
do texto parafraseado. Já a resenha crítica permite julgamento pessoal do conteúdo, 
enquanto o resumo é a base para os dois. 
Atenção! Nossas paráfrases devem ser escritas em terceira pessoa, uma vez 
que parafraseamos texto de um/a determinado/a autor/a. Além disso, na introdução 
devem aparecer o nome do/a autor/a, o título e o tema do texto. E devem ser evitadas 
transcrições de trechos. O nome do autor deve ser retomado ao longo do texto 
parafraseado. 
 
Leia com atenção o texto exposto a seguir. 
 
 
 
 
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O homem nu 
Autor: Fernando Sabino 
 
Ao acordar, disse para a mulher: 
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com 
a conta, na certa. 
Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum. 
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher. 
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as 
minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, 
para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago. 
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas 
a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a 
ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou 
com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho 
deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia 
aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com 
estrondo, impulsionada pelo vento. 
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando 
ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, 
mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com 
o nó dos dedos: 
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa. 
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta 
do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da 
televisão! 
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e 
voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de 
pão: 
— Maria, por favor! Sou eu! 
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos 
lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, 
embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se 
aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o 
tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais 
um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. 
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer. 
— Ah, isso é que não! — fez o homem nu, sobressaltado. 
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, 
podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado 
cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de 
Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror! 
— Isso é que não — repetiu, furioso. 
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a 
parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. 
Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o 
elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? 
Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o 
elevador subir. O elevador subiu. 
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma 
cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. 
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o 
embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho: 
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso. — Imagine que eu... 
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito: 
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— Valha-me Deus! O padeiro está nu! E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha: 
— Tem um homem pelado aqui na porta! 
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava: 
— É um tarado! 
— Olha, que horror! 
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha! 
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como 
um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos 
depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta. 
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir. 
Não era: era o cobrador da televisão. 
 
Disponível em:<http://www.releituras.com/fsabino_homemnu.asp>. Acesso em 08 de mar. 2018 
 
.Sugestão de paráfrase 
 
Enfrentar o problema é a melhor solução1 
 
Fernando Sabino, na crônica, O homem nu, conta de maneira bem-humorada sobre 
um homem que passou por apuros por não ter dinheiro em casa para pagar a prestação da TV2. 
O devedor3 falou para Maria, a esposa dele, que não tinha dinheiro nenhum em mãos 
para pagar ao cobrador que logo iria aparecer. Então combinaram que, quando o sujeito da 
conta chegasse, ambos iriam fingir não ter ninguém em casa. No entanto nadasaiu como 
planejado. 
Enquanto a mulher estava no banheiro, o marido aproveitou para preparar o café e 
apanhar o pão, deixado pelo padeiro, do lado de fora. O homem estava despido, pois pretendia 
tomar banho logo após a esposa. Então, quando se apossou do embrulho do pão e percebeu 
que atrás de si a porta havia sido fechada pelo vento, ele desesperou-se. 
O homem, nu, batia na porta e chamava pela mulher, porém ela pensava que fosse o 
cobrador, por isso preferia ficar em silêncio. Passados uns minutos, os moradores começavam a 
se movimentar pelo condomínio, utilizando o elevador e a escada. O homem nu, com receio de 
ser visto, fez malabarismos para se esconder tanto das pessoas que passavam quanto do 
cobrador, que a qualquer momento poderia aparecer. Mais uma vez chamou Maria e, na 
sequência, ouviu uma porta se abrir atrás de si: era a vizinha já de idade avançada. 
Evidentemente, a velhinha fez escândalo ao se deparar com o sujeito sem roupas. Nesse 
momento, todos foram conferir o que acontecia no local, inclusive a esposa dele. 
 Depois de passar por tantos constrangimentos e, finalmente, conseguir vestir uma roupa, 
o infeliz, já dentro de casa, ouviu alguém bater à porta. Pensou que fosse um policial para 
verificar o que ali havia acontecido. Porém, para sua surpresa, era o cobrador. 
 O texto apresenta um pequeno problema corriqueiro que poderia ser evitado a partir de 
organização e controle do consumidor, mas resultou numa tremenda confusão. E ainda, apesar 
de todo o esforço para não ser cobrado, o homem teve que enfrentar sua responsabilidade de 
pagar, na data prevista, o que devia. 
 
Ler o texto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. 
 
 
 
 
 
1
 Título pessoal. 
2
 Introdução com nome do autor, título e tema do texto. 
3
 Início do desenvolvimento da paráfrase. Manter 3ª. pessoa. 
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Felicidade Clandestina 
 
Autora: Clarice Lispector 
 
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. 
Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse 
enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer 
criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. 
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um 
livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era 
de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás 
escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”. 
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com 
barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, 
esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na 
minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a 
implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. 
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. 
Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, 
dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua 
casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu 
nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. 
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como 
eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que 
havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. 
Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu 
recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de 
Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias 
seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei 
pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. 
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era 
tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o 
coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu 
voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia 
seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. 
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, 
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me 
escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como 
se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. 
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela 
dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o 
emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob 
os meus olhos espantados. 
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a 
sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela 
menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, 
entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato 
de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme 
surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! 
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a 
descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de 
perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das 
ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai 
eduar
Realce
eduar
Realce
eduar
Realce
eduar
Realce
eduar
Realce
eduar
Realce
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emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser. 
”Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse ” é tudo o que uma 
pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. 
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. 
Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando 
bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. 
Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu 
coração pensativo. 
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto 
de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela 
casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, 
achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa 
clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que 
eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma 
rainha delicada. 
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, 
em êxtase puríssimo. 
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. 
 
Questão 5: 
Elabore criativa paráfrase do texto Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. Antes de 
escrever, tenha paciência para compreender

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