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GESTÃO DE PROJETOS Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; MONTEIRO, Rodrigo Bastos. Gestão de Projetos. Rodrigo Bastos Monteiro. (Reimpressão revista e atualizada) Maringá-Pr.: UniCesumar, 2016. 254 p. “Graduação - EaD”. 1. Gestão. 2. Projetos. 3. EaD I.Título. ISBN 978-85-8084-967-7 CDD - 22 ed. 658.4 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário João Vivaldo de Souza – CRB-9 - 1807 Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Direção Operacional de Ensino Kátia Coelho Direção de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Direção de Operações Chrystiano Mincoff Direção de Mercado Hilton Pereira Direção de Polos Próprios James Prestes Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida Direção de Relacionamento Alessandra Baron Gerência de Produção de Conteúdo Juliano de Souza Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Coordenador de Conteúdo Danillo Xavier Saes Design Educacional Nádila de Almeida Toledo Iconografia Amanda Peçanha dos Santos Ana Carolina Martins Prado Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa André Morais de Freitas Editoração André Morais de Freitas Revisão Textual Maria Vasconcelos Fernanda Viviane Favaro Notari Ilustração Thomas Hudson Costa Rafael Szpaki Sangueza Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para liderança e so- lução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho. Cada um de nós tem uma grande responsabilida- de: as escolhas que fizermos por nós e pelos nos- sos farão grande diferença no futuro. Com essa visão, o Centro Universitário Cesumar assume o compromisso de democratizar o conhe- cimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros. No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro Universi- tário Cesumar busca a integração do ensino-pes- quisa-extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que contribua para o desenvolvimento da consci- ência social e política e, por fim, a democratização do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade. Diante disso, o Centro Universitário Cesumar al- meja ser reconhecido como uma instituição uni- versitária de referência regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de competências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; con- solidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrati- va; compromisso social de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relaciona- mento permanente com os egressos, incentivan- do a educação continuada. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quan- do investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capa- zes de alcançar um nível de desenvolvimento compa- tível com os desafios que surgem no mundo contem- porâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialó- gica e encontram-se integrados à proposta pedagó- gica, contribuindo no processo educacional, comple- mentando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inse- ri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproxi- mação entre você e o conteúdo”, desta forma possi- bilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pes- soal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cres- cimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos peda- gógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possi- bilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e en- quetes, assista às aulas ao vivo e participe das discus- sões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. Diretoria Operacional de Ensino Diretoria de Planejamento de Ensino Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro Mestrado em Administração no PPA/UEM - Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá. MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV - Fundação Getúlio Vargas. MBA em Finanças pelo Instituto IPE - Paranaense de Ensino. Administrador pela Faculdade Maringá. Professor do NEAD/UNICESUMAR - Núcleo de Ensino à Distância do Centro Universitário Cesumar. Professor do CADEMP/FGV. Professor de programas de pós-graduação do tipo especialização em algumas instituições de ensino superior do sul do Brasil. Membro do PMI - Project Management Institute. Profissional Certificado ANBIMA CPA10 e CPA20. Certificado em Proficiência na Lingua Inglesa pelo DLM/UEM com o conceito máximo A/10.0. A U TO R SEJA BEM-VINDO(A)! Olá! Seja bem-vindo(a). Este é o livro de Gestão de Projetos da graduação EAD da Uni- cesumar. Eu sou o professor Rodrigo Bastos Monteiro e fui convidado a apresentar para você o gerenciamento de projetos. Missão importante, uma vez que o assunto é um co- nhecimento fundamental para o estágio atual do desenvolvimento brasileiro. Para nos tornarmos competitivos como nação, precisamos de efetividade gerencial, aumentar a produtividade do nosso trabalho e inovar. Além disso, pensando globalmente, cons- tantemente devemos ampliar as condições para o emprego de recursos por parte de empresas e investidores. De certo modo, essas dimensões são, para a administração, a forma de aplicar seu conhecimento. Ou seja, o fazer para as empresas é traduzido pelas iniciativas que se propõe. O fazer para profissionais que administram empresas é o ge- renciamento dos projetos. Isso posto, passo a te apresentar uma área que é atualmente tanto realidade quanto promissão dentro da administração brasileira. Em outras palavras, o gerenciamento de projetos é muito utilizado por várias empresas, que se organizam, testam sua matu- ridade, qualificam seus quadros e buscam certificações, mas também é um completo desconhecido para outros milhões de empresas brasileiras. Aí está um primeiro desafio que deveremos subverter: ampliar o entendimento sobre o gerenciamento de projetos. Outro grande desafio, para o qual eu conto com você, está relacionado a tornar em uma narrativa amigável e acessível conceitos que, muitas vezes, são herméticos e distantes de empresários e gestores. Dessa maneira, procurarei me esmerar em exemplos, casos, quadros explicativos e também sugestões de outras leituras que permitam que você não pare por aqui no entendimento de gerenciamento de projetos. Nessesentido, mi- nha intenção é de que esta obra seja para você uma porta aberta para o assunto. De outro modo, o gerenciamento de projetos será apresentado de maneira fundamental e introdutória. Tudo do mais importante está aqui, questões específicas e preciosismos foram deixados de lado. Para dar conta dos desafios que te apresento, o livro passa a ser estruturado de forma que seu entendimento seja facilitado. Assim, na Unidade I, avançaremos sobre o conhe- cimento da interface entre o gerenciamento de projetos e o empreendedorismo. Ainda, nos dedicaremos a propor definições para projetos, porta-fólio e programas. Apresenta- rei o que é uma metodologia de gerenciamento de projetos, bem como fundamentarei a demanda pela criação de projetos em empresas. Na Unidade II, tratarei de um assunto importante: a seleção de projetos. Com isso, abor- daremos análises fundamentais na seleção de projetos pelas empresas. Desfilarão ali as análises estratégica, mercadológica e de viabilidade em projetos. Mais do que isso, também receberá atenção a figura do gerente de projetos. Fundamentaremos compe- tências essenciais para esse profissional, mostrarei cuidados básicos na hora de realizar apresentações, bem como te proporei uma organização documental primária, porém importante. APRESENTAÇÃO GESTÃO DE PROJETOS O PMBOK® – um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos – é a nossa principal referência tanto na prática do gerenciamento de projetos quanto na estru- turação deste livro. Nesse sentido, na Unidade III abordo os processos do gerencia- mento de projetos a partir de sua iniciação, reportando, com isso, o conhecimento contido no tripé do gerenciamento de projetos: escopo, custo e tempo. A seguir, já falando de estratégias de execução em projetos, me dedico aos assuntos da gestão de mudanças, bem como os conceitos importantes sobre o gerenciamento de ris- cos, pessoas e stakeholders em projetos. Na Unidade IV, para abordarmos os processos inerentes ao monitoramento e con- trole de projetos, descrevo as práticas recomendadas pelo PMBOK® para o gerencia- mento de integração, comunicação, qualidade e aquisições. Esta unidade também nos reportará as condutas profissionais no encerramento de projetos. Por fim, e de modo nenhum menos importante, na Unidade V daremos espaço para assuntos que não podem ser preteridos em um livro sobre o gerenciamento profis- sional de projetos. Com isso, a ética e conduta profissional, organizações e certifi- cações do gerenciamento de projetos, bem como tendências e ferramentas para o gerenciamento de projetos são destacadas. Ao final da leitura deste livro, espero que também tenha te acompanhado muito estudo. Dessa maneira, torço para que este livro sirva de apoio para o avanço de seu conhecimento. Nesse sentido, proponho que você leia, resuma, faça anotações e, a partir das atividades que realizar, absorva o que preparei para você. Tenha certeza de que está de frente de um conteúdo e de um material que foram feitos utilizando as principais referências bibliográficas do assunto, com casos muitas vezes reais e em algumas vezes preferivelmente pedagógicos. Encare as próximas páginas com firmeza e com obstinação. Bom estudo. Conte comigo. APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS 15 Introdução 16 Projetos Pessoais e Profissionais 26 Gerenciamento de Projetos 37 Considerações Finais UNIDADE II SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO 45 Introdução 45 Análise e Seleção de Projetos 47 Análise Estratégica de Projetos 61 O Gerente de Projetos 74 Considerações Finais SUMÁRIO UNIDADE III PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO 81 Introdução 81 Iniciação de Projetos 86 Gerenciamento do Escopo 96 Gerenciamento dos Custos 114 Gerenciamento do Tempo 124 Estratégias de Execução de Projetos 130 Gerenciamento dos Riscos 144 Gerenciamento de Pessoas 163 Gerenciamento das Partes Interessadas 170 Considerações Finais UNIDADE IV PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO 177 Introdução 177 Gerenciamento da Integração 184 Gerenciamento da Comunicação 189 Gerenciamento da Qualidade 194 Gerenciamento das Aquisições 207 Encerramento do Projeto 211 Considerações Finais SUMÁRIO 11 UNIDADE V GERENCIAMENTO DE PROJETOS E CARREIRA 219 Introdução 219 Ética e Conduta Profissional 224 Principais Organizações de Estudo do Gerenciamento de Projetos 227 Certificações em Gerenciamento de Projetos 229 Tendências para o Gerenciamento de Projetos 232 Ferramentas para o Gerenciamento de Projetos 237 Lições Aprendidas 241 Considerações Finais 245 CONCLUSÃO 247 REFERÊNCIAS 251 GABARITO U N ID A D E I Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Objetivos de Aprendizagem ■ Fundamentar o conhecimento sobre projetos e gerenciamento de projetos. ■ Descrever a intersecção entre empreendedorismo e projetos. ■ Apresentar o conceito de metodologia em gerenciamento de projetos. ■ Destacar os grupos de processos das áreas de gerenciamento de projetos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Projetos Pessoais e Profissionais ■ Definição de Projetos ■ Empreendedorismo e Projetos ■ Histórico do Gerenciamento em Projetos ■ As Organizações e os Projetos ■ Gerenciamento de Projetos ■ Metodologia em Gerenciamento de Projetos ■ Porta-fólio, Programa e Projeto ■ Processos para Gerenciamento de Projetos ■ Criação de Projetos INTRODUÇÃO Olá, querido(a) aluno(a)! Prepare-se, porque vamos iniciar nosso estudo do gerenciamento de projetos. Para continuar a minha missão e facilitar o seu enten- dimento, este livro está estruturado ao redor da metodologia do PMI – Project Management Institute, expressa no seu PMBOK® – um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos que é composto por 10 áreas do conhecimento e 47 pro- cessos, que serão apresentados um por um ao longo do livro. Consequentemente, duas seções são elencadas para você, a primeira se dedica a colocar o projeto como objeto de descrição, na segunda, a relação do projeto com a empresa é que ganha espaço. Assim, nesta Unidade, nos esforçaremos em identificar quais são as características de um projeto e faremos um breve apanhado sobre a história do gerenciamento de projetos no mundo, entendendo como as organizações têm encarado projetos atualmente. Ainda, nesta Unidade, apresentarei o conceito de metodologia em geren- ciamento de projetos e faremos uma distinção entre projetos, programas, e porta-fólios. Você verá que há aspectos estratégicos ao definir a iniciação de um projeto. Também nesta Unidade, avançaremos sobre o entendimento da ativi- dade de empreender, sua implicação no pensamento estratégico de uma empresa e de que forma a tradução da estratégia ganha corpo pelos projetos, programas e porta-fólios. Apresentarei todos os processos do PMBOK® e falaremos um pouco sobre a criação de projetos. Ao final, separei uma indicação de vídeo e de um site, que você poderá consultar para aprender mais ainda sobre o gerenciamento de projetos. Estou aqui na torcida para que sua jornada seja bastante gratificante e produtiva. Comecemos por entender projetos. Venha comigo, dominando esse conhe- cimento, esse novo repertório profissional que estará à sua disposição. Não perca essa oportunidade. 15 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I PROJETOS PESSOAIS E PROFISSIONAIS Atividade histórica, empreender projetos é característica humana. Por outro lado, gerenciamento profissional de projetos não. É coisa de ontem. Se formos pensar em um padrão estruturado para o gerenciamento de qualquer tipo de projetos,nos remeteremos a pouco mais de 100 anos. Para essa afirmação, vou buscar na Administração Científica de Frederick Taylor e seus colegas as primeiras pre- ocupações com custo, tempo, escopo e qualidade na administração (SILVA, 2008). Um dos parceiros de Taylor, Henry Gantt, tem seu sobrenome marcado no gerenciamento de projetos atual em função da sua criação mais famosa: o gráfico de Gantt. Conheceremos este ao falarmos do Gerenciamento de Tempo em Projetos, na Unidade III. Há uma máxima entre as pessoas que se envolvem com projetos: projetos estão presentes em toda a nossa vida. Essa afirmação é verdadeira. Você verá neste livro que projetos têm características comuns que nos permitem distingui-los de outros momentos da nossa vida produtiva. Se você pensar no trabalho diário que tem a fazer, provavelmente não encontrará projetos na sua rotina. Contudo, se pensar nas suas férias, nos seus planos pessoais de educação e no que pensa sobre os rumos da sua carreira, te garanto que poderemos encontrar uma dezena, no mínimo, de projetos com os quais você está envolvido(a). Se projetos são realidade na sua vida, pense em quantas iniciativas e planos da empresa que você trabalha – sua ou não – precisam ser organizados para che- gar ao atendimento dos objetivos por ela estabelecidos. Ainda, refletindo sobre o paralelo entre seus projetos pessoais e os da empresa, podemos imaginar que na organização e gozo de suas férias, muitas vezes, as coisas não saem exata- mente como você imaginou. Mas foi você mesmo quem organizou! Por que o carro pifou? Por que o quarto do hotel não era o que você reservou? Por que o clima foi péssimo em todo o tempo que você esteve na praia? Por que você gas- tou mais do que planejou inicialmente? E por aí vai. Antes de terem acontecido, eram incertezas, depois, passaram a ser fatos. Posso te afirmar que gerenciar projetos é planejar a execução de modo a diminuir as incertezas. De certa maneira, o que queremos em um projeto é obter sucesso. Sucesso aqui é fazer as coisas no tempo certo, com o custo planejado, 17 Projetos Pessoais e Profissionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . entregando o que foi imaginado inicialmente, ou seja, no escopo e qualidade planejados. Vamos voltar à empresa: o desafio é maior. Proponha um objetivo, adicione várias pessoas a uma equipe que gerencia as iniciativas de alcance desse objetivo, exija comunicação e alcance de resultados. Ainda, limite recursos e espere um produto ou serviço pronto no final dessa empreitada. Estão contidos aí muitos dos problemas com o planejamento e execução de projetos dentro das organizações. De certo modo, ao dividir as iniciativas da empresa em projetos e estabelecer um responsável para cada um deles – esse é o gerente do projeto –, a empresa se tornará mais eficiente, uma vez que terá mais facilidade em observar seus con- troles. Tanto para a empresa como para o gerente de projeto, é condição sine qua non dominar os fundamentos de gerenciamento de projetos. Para isso escreve- mos este livro. DEFINIÇÃO DE PROJETO Ao propor um entendimento definitivo sobre projeto, podemos supor duas verten- tes: etimológica e técnica. Etimologia é o estudo das palavras, ou seja, é entender o que a palavra projeto quer dizer. Já técnica é uma forma, uma maneira, um jeito de cumprir uma atividade. A etimologia da palavra projeto passa por projetar. Nesse sentido, Sabbag (2009) afirma que o melhor sentido da palavra projeto é o da projeção de um filme sobre uma tela, por exemplo. Assim, a palavra proje- tar vem do latim, projicere, que significa “lançar adiante”. Com este viés, pode-se compreender como projetar a atividade de “realizar depois”. Como uma nação pouco afeita ao planejamento, caso da brasileira, parece que em alguma medida nos sentimos desconfortáveis em estruturar planos para nossa vida. Ao planejar, alguns de nós parecem conseguir enxergar o limite da sua existência e isso parece frustrante. Não deveria ser exatamente o contrário? CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Há uma certa confusão com a palavra projeto no português, uma vez que está associada a projetos de engenharia também. De certo modo, a atividade de projetos arquitetônicos, se recorrermos ao inglês, seria mais apropriadamente design, enquanto que project remete não só ao design (concepção, desenho e especificações), mas também à realização do desafio. Por fim, seria o mais cor- reto, nessa compreensão do termo projeto, a tradução de project: projétil. Essa tradução condiz mais com algo que requer impulso e está condicionado a obje- tivos (alvos) específicos (SABBAG, 2009). De outra maneira, se avançarmos tecnicamente, segundo o PMI (2012), pro- jeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único, utilizando recursos escassos. Essa definição nos importa mais. É sobre ela que depositamos nossa concentração nesse livro. De acordo com a definição estabelecida pela comunidade do PMI, o término do projeto é alcan- çado quando os objetivos tiverem sido atingidos ou quando se concluir que esses objetivos não serão ou não poderão ser atingidos e o projeto for encerrado, ou, ainda, se o projeto não for mais necessário. Resumindo, projetos acontecerão após uma determinada iniciativa. Eles nas- cerão como fruto de uma necessidade. Assim, uma necessidade se fará presente e um projeto será a forma de saná-la. Da mesma forma que não há planejamento sem um objetivo, não há projetos que existam por si só. Os projetos, como vimos, serão sempre temporais e, de outro modo, serão sempre secundários, no sentido de que o mais importante é o produto do projeto. Exemplificando, um empre- endedor pensa em abrir uma padaria, com isso, passa a ter que dar conta de um projeto, por exemplo, da implantação das instalações da padaria. Ao final do projeto, as instalações – produto do projeto – estarão presentes; o projeto, por outro lado, terá terminado. Você já percebeu que, então, os projetos precisam entregar os produtos ou serviços para os quais foram idealizados. Precisam atender aos anseios que os propiciaram. Precisam servir o capital e recursos investidos neles. Precisam de produtos condizentes com sua proposta. Essas propostas, invariavelmente, são frutos de atividades empreendedoras, por isso, falemos um pouco mais sobre empreendedorismo. ©shutterstock 19 Projetos Pessoais e Profissionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . EMPREENDEDORISMO E PROJETOS Não é possível entender projetos e sua função empresarial sem abor- dar, ainda que tangencialmente, o empreendedorismo. Para isso, alguns nomes são parada obriga- tória. Um deles é do alemão Joseph Schumpeter. Para Schumpeter (1949), a atividade de empreender tem um agente: o empreende- dor. Assim, a ação desse sujeito é o empreendedorismo. Com esse sentido, a definição da ação do empreendedor é proposta como sendo a daquele que destrói um negócio ao criar outro. Isso é radical! Posso concordar com essa afirmação ao pensar na invenção do computador e da impres- sora que sepultaram a velha máquina de escrever. E o que dizer dos smartphones atuais que estão aposentando as máquinas fotográficas domésticas? Assim, pode- ríamos citar o fax-símile substituído pelo e-mail e as notas fiscais em papel sendo substituídas pelas eletrônicas. Os exemplos vão ao infinito, já que essa é a carac- terística da nossa existência: empreender. Por outro lado, estamos falando de iniciativas vencedoras, exitosas, contudo, há muitas iniciativas empreendedoras que ficam pelo caminho. Uma pesquisa do IBGE (2012) apontou que 48% das empresas fecham antes do terceiro ano. O Sebrae/SP (2014) entrevistou empreendedoresque tiveram seus negócios fracas- sados e perguntou o que poderia ter sido diferente: para 49% dos entrevistados, o que faltou foi planejamento. O Sebrae não perguntou sobre o gerenciamento de projetos para esses empreendedores, mas tenho uma inclinação a propor que a execução (projetos, ora!) também não foi adequada. Ademais, podemos entender que o empreendedor tem características pesso- ais importantes. Acredita em si mesmo. Normalmente, é alguém que consegue desenvolver uma equipe ao redor de si. Tem visão e, com isso, consegue perceber CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I oportunidades. Consegue gerenciar bem a relação entre risco e retorno. Todas elas bastante exploradas por outro autor importante do empreendedorismo: o professor José Dornelas. Para Dornelas (2008), o empreendedor precisa ter um forte domínio de ges- tão. Com isso, esse autor propôs um plano cartesiano, exibido na Figura 1, que ilustra bem a diferença entre o empreendedor, o inventor, o gestor administra- tivo e a maioria das pessoas. As pessoas caracterizadas como inventoras detêm grande criatividade. Conseguem propor um conceito para um novo produto, um novo serviço ou um novo pensamento a partir de suas experiências e do que observam à sua volta. O ponto negativo – sob o paradigma do empreendedo- rismo, claro – é que, normalmente, pessoas que apresentam grande criatividade não têm características de conhecimento em negócios, por exemplo, não têm como imperativo que suas invenções atendam a uma necessidade percebida pelas pessoas, ou ainda, não se prendem à viabilidade econômica de seus inventos. Por outro lado, na proposta do professor Dornelas (2008), na posição dia- metralmente oposta está o Gerente Administrativo. Nesse sentido, pessoas que exibem grandes habilidades em gerenciamento de negócios, mas que even- tualmente não têm associado a isso a criatividade detêm-se sobre atividades escriturárias e de organização de rotina, mas carregam certa dificuldade em con- seguir observar novas oportunidades de negócios ou modos diferentes de fazer um produto ou serviço. Com isso, o empreendedor seria aquela pessoa que reúne tanto forte criativi- dade e sentido de inovação quanto o conhecimento em criar, gerir e desenvolver negócios. Adicionalmente, o empreendedor é visto como uma pessoa que con- segue identificar novas alternativas ao que já existe, suplantando ou melhorando produtos e serviços. Ainda, o empreendedor exibe, normalmente, uma neces- sidade de realização e uma percepção de gestão de risco mais afinada do que a grande maioria das pessoas, ao conseguir conviver com a ambiguidade da rela- ção entre a exposição a riscos e a perspectiva de retornos. Inventor Empreendedor Gerente Administrador A grande maioria Alta Alta Baixo Criatividade e Inovação Habilidades gerenciais e experiências em negócios 21 Projetos Pessoais e Profissionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A proposta de habilidades integradas no empreendedor se apoia no gerencia- mento de projetos. Para levar um empreendimento à realidade, é necessário, via de regra, uma dezena ou até uma centena de projetos. Compreender a meto- dologia e decompor um projeto em áreas e fases parece ser uma atitude lógica para estimular a missão de empreender. Por fim, não basta ter uma ideia, é pre- ciso colocá-la em prática. Nada mais prático em administração do que a gestão profissional de projetos. Resumindo, quando um empreendedor tem uma ideia, é fundamental que a coloque no papel. O documento que ele produzirá será chamado de plano de negócios. Ali, estarão contidas a descrição de seu negócio, a equipe que fará a gestão do empreendimento e o capital necessário para aproveitá-la. Mais do que isso, apresentará ao leitor a previsão de retorno, quem serão os clientes, os for- necedores e, ainda, se a ideia tem concorrentes e qual é a relação de força com eles. Se for uma nova empresa, por exemplo, o plano de negócio detalhará os produtos, descreverá os gastos para a conquista dos clientes e também como o caixa se comportará, a priori, pelos próximos 3 a 5 anos. Esse documento servirá como matéria-prima na tomada de decisões sobre a viabilidade e atratividade da ideia ou negócio. Figura 1 - Interação entre habilidades em negócios e criatividade Fonte: adaptado de Dornelas (2008, pp. 15-16) Interface entre Empreendedorismo e Gerenciamento de projetos Avaliação da Oportunidade Ideias Avaliação da Viabilidade PN Gerenciamento para o Resultado Projetos Operação Tempo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 2 4 6 7 8 10 13 14 2 6 10 13 14 2 6 10 13 14 Figura 2 - Interface entre Empreendedorismo e o Gerenciamento de Projetos Fonte: elaborada pelo autor CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I A partir do momento em que o plano de negócio for aprovado e passar a deman- dar ser realizado, entra em cena o gerenciamento de projetos. Em outras palavras, as iniciativas que precisarão ser concluídas para que o negócio comece serão convertidas em projetos. Por exemplo, a construção da fábrica, da marca, a con- tratação e treinamento das pessoas, todas essas iniciativas serão transformadas em projetos. Ainda, a implantação de softwares e a seleção de fornecedores, bem como a propaganda dos produtos e a estruturação da logística poderão também ser encaradas como projetos, cada um com seu responsável e orçamento, sua expectativa de prazo para execução e escopo presumidamente definido (veja essa evolução no esquema proposto na Figura 2). Posso endossar que quanto mais cercada de metodologia e práticas consagradas a execução desses projetos esti- ver, menos eles comprometerão o alcance do idealizado no plano de negócios. Espero que sua compreensão sobre o que é um projeto seja estimulada com este livro, contudo, vale um grifo: os projetos não começaram agora. Projetos permeiam a história humana desde muito tempo. Entender o histórico do geren- ciamento de projetos também nos ajuda a compor o cenário da concepção e gerenciamento dessas iniciativas. © Sh ut te rs to ck 23 Projetos Pessoais e Profissionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . HISTÓRICO DO GERENCIAMENTO EM PROJETOS Desde o início da civilização, o homem se viu forçado a orga- nizar-se. Se lembrarmos de histórias como a de Alexandre, O Grande (cerca de 330 a.C.), que antes dos 35 anos dominou o mundo conhecido à sua época, perce- beremos a grande demanda por organização de sua empreitada (RODRIGUES, 2007). De outra maneira, o professor Barcaui (2010) faz um paralelo entre a necessidade de organização de projetos históricos, exemplificados a partir da construção da Pirâmide de Quéops. Nesta monumental construção feita há mais de 4.500 anos, houve características funda- mentais do gerenciamento de projetos: restrições do tempo, custo, riscos e escopo. Para atender aos requi- sitos do projeto e superar suas adversidades, houve grande esforço intelectual dos Gerentes de Projeto do Faraó à época: os Arquitetos do Rei. Valle (2010) cita outros feitos importantes, como a Muralha da China (1368), O Coliseu de Roma e o Parthenon (438 a.C.), como projetos que exigiram grande organização e tecnologia humana. Mais recentemente, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos da América e a extinta União Soviética travaram uma disputa para ver quem detinha a melhor tecnologia. Mais ainda, essa disputa pretendia dizer qual era o regime político mais certo: socialismo ou capitalismo. A União Soviética saiuna frente e lançou o astronauta Yuri Gagarin numa inédita jornada ao redor da terra em abril de 1961. Gagarin, com isso, foi o pri- meiro homem a orbitar no espaço. O feito da União Soviética de Gagarin fez os Estados Unidos estabelecerem um objetivo ambicioso: pisar na Lua em 10 anos. Mais de quinhentas mil pessoas se envolveram neste projeto, que custou à época cerca de um bilhão de dólares. Algo impensável até então. Para que este grande projeto de enviar o homem à Lua fosse alcançado, surgiu a necessidade de implementar outros milhares. Atividades como o desenvolvi- mento de materiais, combustível, design e construção do foguete, treinamento CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I dos astronautas, projeção e treinamento para a operação de alunissagem, ali- mentação das equipes, comunicação terra-foguete e centenas de outras tarefas exclusivas precisavam ser cumpridas. Claro que essa quantidade de iniciativas tinha de ser organizada, uma vez que o principal imperativo era o tempo. Se demorasse muito para entregar o seu resultado, o projeto seria uma demonstração da superioridade soviética. Algo inadmissível para os estadunidenses naquele tempo. Correndo no tempo, em abril de 1969, enfim, Neil Armstrong pisou na Lua e o projeto estadunidense cumpriu o seu objetivo. A partir das experiências advindas desse empreendimento, formou-se uma comunidade que pretendeu estudar o gerenciamento de projetos e propor uma metodologia para isso. Nascia o Project Management Institute (PMI). O surgimento do PMI foi um marco na estruturação de gerenciamento de projetos no mundo. Atualmente, o PMI conta com 440.000 associados em 184 países. Está dividido em capítulos, sendo que no Brasil conta com 13. O mais antigo por aqui é o capítulo do Rio de Janeiro, fundado em 1999. Esses capítu- los congregam os interessados no gerenciamento de projetos e os municiam de eventos, como congressos, simpósios e reuniões temáticas que descrevem os avanços e modificações do gerenciamento de projetos. Além disso, o PMI edita dois periódicos, o Project Management Journal, voltado ao público científico, e a PM Network, voltada à comunidade do gerenciamento de projetos. De modo abrangente, as empresas brasileiras estão cada vez mais cientes da necessidade de gerenciar melhor suas iniciativas. Realizar um planejamento pode ser uma atividade inútil caso não se aponte quais projetos serão prioriza- dos. Assim, o profissional de gerenciamento de projetos e a atividade de gerenciar projetos ganham espaço cada vez maior nas empresas e nas universidades. AS ORGANIZAÇÕES E OS PROJETOS Em uma organização, os projetos estão sempre associados ao seu nível de impor- tância estratégica e/ou seus impactos em custo, tempo e escopo. Poderíamos entender que dependendo da severidade dos riscos incorridos da realização/ 25 Projetos Pessoais e Profissionais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . não realização do projeto como previsto, sua alçada é estabelecida. Com isso, valendo-se do entendimento do professor Sabbag (2009), podemos distinguir os tipos e a hierarquia dos projetos nas organizações de acordo com a Figura 3. Esta relação hierárquica apresentada na Figura 3 propõe tipos e quantida- des diferentes de projetos nas organizações. Podemos entender que há projetos com tamanhos, impactos e riscos diferentes acontecendo ao mesmo tempo em toda a empresa. Assim, a hierarquia de projetos ajuda a compreender onde eles mais claramente estarão alojados. Empreendimentos ou Megaprojetos Especiais Projetos Estratégicos Projetos Corporativos Projetos Operacionais Figura 3 - Tipos de projetos nas organizações Sabbag (2009) nos explica essa classificação: Por Projetos Especiais, podemos entender iniciativas como a aquisição de negócios, mudança societária ou fusões. Normalmente, esse tipo de projeto está sob a alçada da direção e dos acionistas e não passa de alguns poucos aconte- cendo concomitantemente. Empreendimentos ou Megaprojetos podem acontecer às dezenas na empresa, normalmente estão ligados às unidades de negócio e são caracteristicamente provenientes de contratos de negócios, como obras, consultorias, sistemas e pro- jetos governamentais. Já os Projetos Estratégicos visam demarcar a posição da empresa no mercado, ou efetuar uma melhoria no atendimento aos clientes, ampliar a logística ou até CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I mesmo atender uma exigência legal. Esse tipo de projeto tem como responsá- vel as diretorias imediatas a que pertencem e acontecem às dezenas na empresa. Os Projetos Corporativos estão mais ligados à entrega de produtos ou servi- ços para a própria organização. Também ligados às diretorias imediatas, esses projetos acontecem às dezenas e são associados às mudanças na estrutura, cria- ção de funções e/ou o estabelecimento de competências centrais. Por fim, Sabbag (2009) nos ensina que os Projetos Operacionais pertencem a áreas ou departamentos e oferecem melhorias nos processos, na qualidade, no desempenho, ou, ainda, no desenvolvimento de uma competência especí- fica. Esse tipo de projeto, mais “comum”, muitas vezes acontece aos milhares em empresas mais inovativas e empreendedoras. GERENCIAMENTO DE PROJETOS Para o PMI (2012), o Gerenciamento de Projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto, a fim de atender aos seus requisitos. Com isso, salienta que o gerenciamento de projetos é realizado por meio da aplicação e integração apropriadas de processos de gerenciamento de projetos agrupados logicamente. Em outras palavras, avançamos sobre o gerenciamento de projetos a partir de uma metodologia, estruturamos proje- tos a partir de porta-fólios e aplicamos procedimentos estruturados, de modo a realizar o planejamento, coordenar a execução e entregar o resultado esperado. Partindo do contexto apresentado, nesta seção te apresento a estrutura da metodologia de gerenciamento de projetos da International Standard Association (ISO) e do PMI. Além disso, descreveremos a interação entre projetos, porta- -fólios e programas, bem como a estrutura de processos do gerenciamento de projetos. Por fim, são descritos fundamentos da criação de projetos no contexto de uma organização empresarial. 27 Gerenciamento de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . METODOLOGIA EM GERENCIAMENTO DE PROJETOS A ISO – Internacional Standartization Organization define padrão como um documento aprovado por um órgão reconhecido que fornece, para uso comum e repetido, regras, diretrizes ou características para produtos, processos e serviços cujo cumprimento não é obrigatório. O Guia PMBOK ® – um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos, editado pelo PMI (2012), fornece um padrão para gerenciamento de um projeto. Nesse sentido, gerenciar projetos inclui: 1. Identificação dos requisitos do projeto. 2. Adaptação às diferentes necessidades, preocupações e expectativas das partes interessadas. 3. Estabelecimento e manutenção da comunicação ativa com as partes inte- ressadas. 4. Balanceamento das restrições conflitantes do projeto que incluem, mas não se limitam, a: a. escopo; b. qualidade; c. cronograma; d. orçamento; e. recursos; f. riscos. Sabbag (2009) salienta que os problemas inerentes à atividade de implantação de novos negócios e projetos (lembra que um projeto entregará um produto exclu- sivo?) não são apenas resolvidos com esforço por parte do gerente de projeto. Nesse sentido, uma metodologia que contenha aplicação sistemática, instrumen- tos gerenciais e procedimentos aumenta a chancede êxito do projeto. A metodologia do PMI, expressa no PMBOK®, divide o projeto em grupos de processos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle e CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I encerramento. Este livro está estruturado de modo que, enquanto são apresenta- das as fases do projeto, também são apresentados os processos por área. Não será possível uma divisão perfeita, uma vez que as áreas de gerenciamento de projetos contêm, sempre, processos acontecendo em mais de um grupo. Em outras pala- vras, na fase de iniciação de um projeto, iremos utilizar um processo do grupo de processos de iniciação, que corresponde à área de gerenciamento do escopo: o Termo de Abertura do Projeto. Contudo, na fase de execução do projeto, uti- lizamos um processo contido no grupo de processos de planejamento da área de gerenciamento do escopo para refazer a EAP – Estrutura Analítica de Projeto. Perceba que, no dia a dia do projeto, de forma simultânea, acontecerão atividades de todas as áreas do gerenciamento de projetos. Ainda de modo a exemplificar, posso afirmar que é possível que na fase final do projeto estejam sendo executados processos de planejamento (como os de gerenciamento de riscos), embora já esteja sendo iniciado o encerramento de aquisições, que faz parte do grupo de processos de encerramento. Mas vamos por partes! Primeiro, vamos entender ainda mais a relação inse- parável entre porta-fólio, programa e projeto. PORTA-FÓLIO, PROGRAMA E PROJETO A boa estruturação administrativa de uma organização lhe propicia a competi- tividade. Projetos deveriam ser sempre a tradução do planejamento da empresa. Quando uma empresa consegue estruturar suas ações ao redor de objetivos sóli- dos, passamos a enxergar uma certa sinergia entre o seu pensar (planejamento) e o seu agir (projeto). Este é o ponto onde a competitividade é adquirida. Sob esse olhar, os projetos em organizações podem ter duas vertentes para a promoção da competitividade. Elas não são excludentes entre si. Rabechini Jr. (2011) afirma que a primeira consiste na capacidade da empresa em traduzir as necessidades de seus consumidores em produtos e serviços. Sendo assim, o que importa é fazer a coisa certa, ou seja, gastar o mínimo de recursos e tempo no atendimento às necessidades dos clientes, antes que outros o façam. 29 Gerenciamento de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A segunda vertente é a da inovação. Aqui, o ponto é a proposição de algo novo. Uma nova forma de prestação de serviços ou um novo produto que permita domi- nar o mercado criado com isso (HAMEL; PRAHALAD apud RABECHINI JR., 2011). Ora, se, de um lado é importante fazer certo as coisas e, de outro, é fazer a coisa certa, encontraremos a efetividade como sinônimo dessas iniciativas. Com efeito, a administração de porta-fólios, programas e projetos sob um eixo estrutu- rante parece ser a forma com que isso pode ser alcançado. Para o PMI (2012), o relacionamento entre porta-fólios, programas e proje- tos é enorme. Assim, um porta-fólio descreve uma coleção de projetos, programas, sub porta-fólios e operações gerenciadas como um grupo para o alcance de objeti- vos estratégicos. Nesse sentido, os porta-fólios são os guarda-chuvas principais da empresa, que congregam todos os seus projetos e programas, além de outros por- ta-fólios (SABBAG, 2009). Com essa descrição, parece-nos familiar a interação da competitividade da empresa e dos projetos que abordamos anteriormente. Com efeito, os programas são agrupados em um porta-fólio e englobam subpro- gramas, projetos ou outros trabalhos que são gerenciados de forma integrada para apoiar o porta-fólio. Assim, os projetos individuais que estão dentro ou fora do pro- grama são de qualquer forma considerados parte de um porta-fólio (PMI, 2012). Ainda que projetos e programas do porta-fólio possam não ser necessariamente interdependentes ou diretamente relacionados, eles estão ligados ao plano estraté- gico da organização por meio do seu porta-fólio. A Figura 4 apresenta uma interação possível entre porta-fólio, programa e projeto. Porta-fólio Porta-fólio Projetos Projetos Projetos Programa Outros Trabalhos Programa Programa Projetos Projetos Projetos Figura 4 - Porta-fólio, Programa e Projeto Fonte: elaborada pelo autor CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I O intuito da distinção entre estes três conceitos em projetos é tornar mais pragmá- tica a sua administração. Efetivamente, o que se procura com o estabelecimento de uma carteira de projetos é o balanceamento entre o investimento e os resul- tados previstos. Pense na quantidade de iniciativas que os funcionários e acionistas de uma empresa podem propor. Partindo do princípio de que todas as iniciativas vieram à mente de seus proponentes já com um profundo alinhamento competitivo da empresa, o pensamento seguinte será: haverá recursos (pessoas, tempo e capital) suficientes para darmos execução a essas iniciativas? Além disso, qual iniciativa trará mais resultado para o alcance dos objetivos? Ainda, será que a conclusão de alguma dessas iniciativas não tornará uma outra, ou outras, desnecessária? PROCESSOS PARA GERENCIAMENTO DE PROJETOS O PMI (2012) define que os processos de gerenciamento de projetos são agrupa- dos em cinco categorias conhecidas como grupos de processos de gerenciamento de projetos (ou grupos de processos): ■ Grupo de processos de iniciação. Os processos executados para definir um projeto novo ou uma fase nova de um projeto existente por meio da obtenção de autorização para iniciar o projeto ou fase. ■ Grupo de processos de planejamento. Os processos exigidos para definir o escopo do projeto, refinar os objetivos e desenvolver o curso de ação necessário para alcançar os objetivos para os quais o projeto foi criado. ■ Grupo de processos de execução. Os processos realizados para executar o trabalho definido no plano de gerenciamento do projeto, a fim de aten- der às especificações do projeto. ■ Grupo de processos de monitoramento e controle. Os processos necessá- rios para acompanhar, analisar e controlar o progresso e o desempenho do projeto, identificar todas as áreas nas quais serão necessárias mudan- ças no plano e iniciar as mudanças correspondentes. ■ Grupo de processos de encerramento. Os processos executados para con- cluir todas as atividades de todos os grupos de processos, a fim de encerrar formalmente o projeto ou a fase. 31 Gerenciamento de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Cada grupo de processos compreende atividades que são desenvolvidas em uma ou mais áreas do projeto. Assim, no grupo de processos de iniciação, por exem- plo, estarão contidos processos das áreas de gerenciamento de integração e de interessados, por exemplo. Por outro lado, essas mesmas áreas também integra- rão o grupo de processos de encerramento. A Figura 5 traz todos os grupos de processos e as áreas. Então, em colunas, estão agrupados os processos por áreas e no processo, a partir da inclusão das letras I, P, E, C e T antes do nome, é indicado a que grupo pertence. CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I In te gr aç ão I. D es en v. Te rm o de A be rt ur a P. D es en v. PI . G er . P ro j. E. O rie nt a e G er en ci a Pr oj et o C. M on . Co nt r. Tr ab al ho C. R ea l. Co nt r. In t. M ud an ça T. Te rm in a Pr oj et o T. E nc er ra m en to P. Pl an ej a G . Esc op os P. Pl an ej a G . Cr on og ra m a P. Pl an ej a G . Cu st o P. Co le ta Re qu is ito s P. D e� ne Es co po s P. Se qu en ci a A tiv id ad es P. D e� ne A tiv id ad es P. Cr ia EA P (W BS ) C. V al id a Es co po C. C on tr ol a Es co po P. E st im a Re cu rs os P. D e� ne O rç am en to P. Es tim a Cu st os P. Pl an ej a G . Q ua lid ad e C. C on tr ol a Q ua lid ad e E. G ar an te Q ua lid ad e C. C on tr ol a Cu st os P. Pl an ej a G . Re c. H um . E. A rr eg im en ta Eq ui pe E. D es en vo lv e Eq ui pe P. Pl an ej a G . Co m un ic aç ão E. G er en ci a Co m un ic aç ão C. C on tr ol a Co m un ic aç ão E. G er en ci a Eq ui pe I. Id en ti� ca In te re ss ad os P. Pl an ej a G . In te re ss ad os E. G er en ci a En g. In te re ss C. C on tr ol a En g. In te re ss P. Pl an ej a G . Aq ui si çã o E. C on du z Aq ui si çõ es C. C on tr ol a Aq ui si çõ es T. Te rm in a Aq ui si çõ es P. Es tim a D ur aç õe s P. D es en v. Cr on og ra m a P. Pl an ej a G . R is co s P. Re al iz a A . Q ua lit at iv a P. In de nt i� ca Ri sc os P. R ea liz a A . Q ua nt ita tiv a P. Pl an ej a Re sp os ta s C. C on tr ol a Ri sc os C. M on ito ra m en to e Co nt ro le E. E xe cu çã o P. Pl an ej am en to I. In ic ia çã o C. C on tr ol a Cr on og ra m a Es co po Te m po Cu st o Q ua lid ad e Re cu rs os H um an os Co m un ic aç ão Ri sc o Aq ui si çã o In te re ss ad os Fi gu ra 5 - G ru po s d e Pr oc es so s e Á re as d o C on he ci m en to – P M BO K 33 Gerenciamento de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Ademais, o PMI (2012) estabelece que os grupos de processos de gerenciamento de projetos são vinculados pelas saídas que produzem. Raramente os processos são eventos distintos ou que ocorrem uma única vez; são atividades sobrepos- tas que ocorrem ao longo de todo o projeto. A saída de um processo, em geral, torna-se uma entrada em outro processo ou é uma entrega do projeto, subpro- jeto, ou fase do projeto. As entregas no nível de subprojeto ou projeto podem ser chamadas de entregas incrementais (SABBAG, 2009). O grupo de processos de planejamento fornece ao grupo de processos de execução o plano de geren- ciamento do projeto e, à medida que o projeto avança, ele frequentemente cria atualizações no plano de gerenciamento e nos documentos do projeto. A Figura 6 é emblemática no estudo do gerenciamento de projetos e, de certa maneira, sintetiza o que te apresentei até aqui. Os processos se sobrepõem e a atividade de gerenciamento é a da compreensão profissional das atividades. Um leigo pode ver o dia a dia do projeto como um caos, um gerente de pro- jeto, ao contrário, controla a execução, de modo a garantir o cumprimento da linha de base planejada (falaremos da linha de base na Unidade III). Não há caos nessa visão. Grupo de processos de iniciação Grupo de processos de planejamento Grupo de processos de execução Grupo de processos de monitoramento e controle Grupo de processos de encerramento Nível de Interação entre os processos Tempo Início Final Figura 6 - Interações entre os grupos de processos em um projeto Fonte: PMI (2012, p. 51) CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I Consequentemente ao que te propus até aqui, precisamos puxar o fio do carretel, de modo a entender como o projeto se desenrolará. Para isso, e de modo a concluir o nosso entendimento entre a interface existente entre pro- jetos e empresas, temos que entender que os projetos não são aleatórios, ou, pelo menos, não deveriam ser. Ao contrário, são oriundos de um direciona- mento estratégico que passo a chamar de diretriz. Nesse sentido, a próxima seção te apresenta como as diretrizes estratégicas de uma empresa dão ori- gem a projetos, porta-fólios e programas. CRIAÇÃO DE PROJETOS A iniciativa de um projeto parte da identificação de uma necessidade. Se entendermos nossa vontade de descanso e distração ao final de um ano de trabalho, perceberemos que um projeto que entregue férias agradáveis aten- derá a essa necessidade. Por outro lado, um olhar para a modificação do futuro também pode ser- vir como inspiração. Por exemplo, se entendermos que queremos assumir a gestão de alguma área da empresa em que trabalhamos, um projeto que nos entregue uma melhor qualificação nesse sentido (faculdade, cursos, dedicação no estudo de livros ou certificações) ajudará o alcance do objetivo. Por fim, se imaginarmos uma vida saudável, produtiva e feliz, entenderemos como uma das alternativas para esse resultado os projetos de casar ou de ter filhos. No caso das empresas, o caminho da criação de projetos é mais fácil de ser trilhado. Ao estabelecer seu planejamento estratégico, a empresa define diretrizes que a farão atender a sua missão e cumprir sua visão. De certo modo, podemos entender que cada uma das diretrizes de um negócio, para ser cumprida, demandará por projetos correspondentes. Dessa maneira, no atendimento de uma diretriz estratégica, serão estabelecidos objetivos, que, por sua vez, serão divididos em metas. A consecução das metas cumpre os objetivos e é a razão de ser dos projetos. A Figura 7 demonstra essa interação. 35 Gerenciamento de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Complementarmente ao proposto, e em outras palavras, Sabbag (2009) afirma que os projetos podem nascer de sonhos ou problemas. Nesse sentido, profissio- nalmente, para criar projetos a partir de sonhos, é necessário i) visão de futuro que determine objetivos estratégicos de longo prazo, ii) reflexão estratégica para posicionar a organização em seu contexto ou mercado, iii) visão sistêmica das relações e interdependências na organização e em seu contexto e, iv) capacidade para gerir inovação (ex.: ver Figura 1). Por outro lado, Sabbag (2009) destaca que os projetos que nascem de problemas demandam i) competência em análise estrutural e de operações, ii) visão sistêmica das relações e interdependências na organização, iii) competência no diagnóstico de problemas, iv) capacidade para produzir estudos comparativos de benchmarking, v) atenção a mudanças legais, regulatórias ou tecnológicas, visando adaptar-se a elas e vi) capacidade de rápida reação a crises, desastres e catástrofes. Ainda que não seja possível, em função dos propósitos desta obra, detalhar cada uma das análises que deveriam ser feitas na criação de projetos, sigo com o raciocínio de Sabbag (2009) para descrever cada uma das técnicas e análises necessárias para tanto. Com isso, quando o que se quer é resolver um problema, as principais técnicas utilizadas são, entre outras, i) mapeamento de processos, que pode incluir, não se limitando a, controle estatístico do processo, controle dos indicadores de desempenho operacional ou de produtividade, ii) análise das Diretriz 01 D.01 Objetivo D.01 0.01 Objetivo D.01 0.03 Objetivo D.02 0.01 Objetivo D.02 0.02 Objetivo D.02 0.03 Objetivo D.01 0.02 Meta D.01 0.01 M.01 Meta D.02 0.01 M.01 Meta D.02 0.01 M.02 Meta D.01 0.01 M.02 Projeto D.01 0.01 M.01 P.01 Projeto D.02 0.01 M.01 P.01 Projeto D.02 0.01 M.01 P.02 Projeto D.02 0.01 M.01 P.03 Projeto D.01 0.01 M.01 P.02 Diretriz 02 D.02 Figura 7 - Interação entre diretrizes estratégias e projetos Fonte: elaborada pelo autor CONCEPÇÃO E GERENCIAMENTO DE PROJETOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. I competências daorganização, sua cultura e valores, seu capital humano e estru- tura organizacional, bem como seu modo de gestão, iii) análise SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) a que a organização está submetida e, iv) definição de prioridades estratégicas: rapidez de atendimento, qualidade, con- fiabilidade, relação custo-benefício, pioneirismo e assim por diante. Resolver os problemas ou atender às necessidades da empresa é fundamen- tal, contudo, é imprescindível que isso esteja sob uma diretriz, como vimos. Consequentemente, entendo que os projetos precisam sempre estar alinhados ao que a empresa pretende ser, a como quer ser reconhecida, aos diferenciais e destaques que pretende entregar ao mercado. Novamente, é a gestão do porta- -fólio que garantirá isso. De outro modo, quando os projetos são criados para atender aos anseios da empresa ou seus sonhos, como nos propôs Sabbag (2009), o que será demandado, grosso modo, é a análise da viabilidade estratégica e financeira dessa iniciativa. Como vimos na Figura 3, esse tipo de projeto modifica a empresa substancial- mente. Assim, a próxima seção deste livro trata tanto da análise estratégica de projetos quanto da seleção de projetos, passo importante quando é necessário escolher qual iniciativa deve ser priorizada. O PMI tem uma série de padrões fundamentais, práticos e extensões de pa- drões. Essas categorias refletem a expansão do gerenciamento de projetos e continuarão a crescer em conjunto com a profissão. De modo simplificado, o PMI entende que um padrão é um documento elaborado por um processo consensual, que fornece diretrizes, regras e características para o tópico que está tratando. A biblioteca de padrões do PMI agrupa-se em cinco categorias: projetos, programas, pessoas, organizações e profissões. O PMBOK®, por exemplo, está em sua 5ª edição. A cada ano olímpico, desde 1996, é editada uma versão nova. Os demais padrões não seguem esta mesma lógica. Assim, o padrão para gerenciamento de programas e o padrão para ge- renciamento de portfólio estão na terceira edição. Conheça os outros padrões de fundamentais do PMI em: <http://brasil.pmi. org/brazil/PMBOKGuideAndStandards/LibrarytoPMIGlobalStandards.aspx>. 37 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . CONSIDERAÇÕES FINAIS Uau! Terminamos a primeira Unidade. Eu nem percebi. Passou rápido e foi muito instigante. Vimos a intersecção entre o gerenciamento de projetos e o empreen- dedorismo e fundamentamos o pensamento estratégico de projetos, ao falarmos da diferença entre projetos, programas e porta-fólio. Apresentamos todos os pro- cessos do gerenciamento de projetos e fundamentamos a criação de projetos. Não se esqueça: projetos são iniciativas temporárias, ou seja, tem dia e hora para começar e dia e hora para acabar. Ainda, entregam resultados exclusivos: produção em série não é projeto. Mais do que isso, projetos utilizam recursos escassos e pessoas para atender à necessidade que o originou. Em outras pala- vras, projetos são únicos, exclusivos, contidos no tempo, têm recursos limitados e só têm o porquê de existir ao atenderem alguma necessidade. Um porta-fólio de projetos é uma coleção de programas e projetos e seu alinhamento auxilia a empresa a verificar se está cumprindo sua estratégia. Ao estabelecer um ou mais porta-fólios, a empresa delimita uma espécie de guar- da-chuva sob o qual depositará recursos que serão os mais ordenados possíveis na geração das vantagens competitivas e da sustentabilidade da empresa. De maneira acessória nesta Unidade, mais imperativa em nosso livro como um todo, a metodologia de gerenciamento de projetos se apresenta como um conjunto de processos, ferramentas e práticas que tem o intuito de ser aplicável a todo e qualquer projeto, de modo a reduzir as incertezas e aumentar o dire- cionamento dos esforços no projeto, para que mais rapidamente possível ele entregue os resultados previstos. 1. O que é empreendedorismo? 2. O que é projeto? 3. Descreva a interface entre o empreendedorismo e a criação de projetos. 4. Do que trata uma metodologia de gerenciamento de projetos? 39 GERÊNCIA POR PROJETOS Necessidade primordial: tornar as empresas mais prósperas. Como? Para isso, é preciso compreender que o resultado das empresas depende de quanto se agrega valor com seu negócio e que, valor é agregado pelo sucesso sistemático de no- vos projetos - de todos os tipos e em todas as áreas. Quanto melhor gerenciados forem esses projetos, mais resultado terá a organização. Concordamos que as empresas hoje têm realidades turbulentas, caóticas e incertas? Pois bem, para superar o desafio das mudanças que estão ocorrendo em ritmo cada vez mais acelerado, as empresas precisam se transformar de estáticas e estáveis em dinâmi- cas e mutantes sem tornar-se um complexo de equipes puxando uma para cada lado. Aplique o gerenciamento de projetos para atingir necessidades estratégicas, ao invés de simplesmente realizar implementações específicas e isoladas. Esta visão atualizada do gerenciamento de projetos possibilita que sua empresa olhe para si mesmo como um organismo dinâmico, compostos de inúmeros projetos cuja realização é gerenciada simultaneamente. Nesta abordagem, enquanto alguns projetos – produtos e serviços – são descontinu- ados, outros são colocados em marcha, de modo que um núcleo de projetos gera as mudanças necessárias para que a empresa se mantenha atual e competitiva. As empresas vanguardistas de sucesso como IBM, FGV e Petrobrás, por exemplo, estão utilizando o gerenciamento de projetos há mais de uma década como a abordagem adequada para a formulação de planos e o acompanhamento do dia a dia dos negó- cios, ou seja, o gerenciamento de projetos está se tornando parte da filosofia gerencial das organizações, assim como a qualidade total, satisfação dos clientes e administração enxuta. Temos observado que esta forma de gestão torna-se inerente, parte integrante da em- presa: uma forma consagrada de se atingir as metas! O gerenciamento de projetos deve ser alinhado e integrado através de toda a empresa, de forma que todos os projetos sejam acompanhados mais facilmente e que a empresa absorva os benefícios do valor agregado resultante; para isso são necessárias algumas habilidades que precisam ser obtidas pela empresa, conforme aponta o Prof. Paul Dins- more: • Realizar diagnóstico da situação atual da empresa em relação ao estado da arte de gerência por projetos. • Desenvolver um projeto gerência por projeto, feito sob medida para a empresa. • Apresentar um plano executivo para a diretoria, visando garantir patrocínio e comprometimento. • Realizar workshops de formação e nivelamento em uma metodologia de ge- renciamento de projeto para gerência média. • Desenvolver ou contratar assessoria de implantação do projeto de mudança e em projetos específicos. O gerenciamento de projetos é a primordial das habilidades gerenciais. Está se espa- lhando pelas organizações e é cada vez mais percebida como uma habilidade funda- mental para a gestão empresarial. A tendência da gestão por projetos é crescer e adap- tar-se. Lembra a máxima da globalização: pensar global e agir local? Comece pela gestão por projetos! MONTEIRO, Rodrigo Bastos. Gerência por Projetos. O Diário do Norte do Paraná. Disponí- vel em: <http://www.educacaoeap.com/2013/05/11/gerencia-por-projetos-2/>. Acesso em: 17 jan. 2015. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Neste vídeo, o professor Paulo Sabbag faz uma introdução ao gerenciamento de projetos e conta a criação do gerenciamento de projetos a partir da necessidade de estruturar uma metodologia para a execução de projetos. Além disso, ele oferece dicas de certificação e destaca pontos fundamentais para a carreira de projetos. O professor é uma autoridade no Gerenciamento de Projetosno Brasil e autor de uma das bibliografias utilizadas neste livro. Recomendo fortemente que você, ao concluir esta Unidade, assista a essa entrevista com o professor Sabbag. Vale a pena assistir. <https://www.youtube.com/watch?v=j-3xDdMqS3M>. U N ID A D E II Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a seleção de projetos como atividade de ajuste entre a estratégia empresarial e o porta-fólio de projetos. ■ Destacar as análises mercadológica e estratégica como orientadoras da seleção de projetos. ■ Fundamentar a utilização de indicações de retorno na avaliação de viabilidade econômico-financeira de projetos. ■ Fundamentar as competências essenciais do Gerente de Projeto profissional. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Análise e Seleção de Projetos ■ Análise Estratégica de Projetos ■ Análise Mercadológica de Projetos ■ Viabilidade de Projetos ■ O Gerente de Projetos ■ Competências Essenciais ■ Fundamentos de Técnicas de Apresentação ■ Organização Documental do Projeto INTRODUÇÃO Muito bem, estamos cada vez mais inteirados sobre o gerenciamento de projetos. Nesta Unidade, vamos fazer uma abordagem ainda mais interessante de assuntos correlatos aos projetos. Assim, será apresentada a análise e seleção de projetos, que é integrada pela análise estratégica, mercadológica e de viabilidade econômico- -financeira. Dessa forma, preocuparemo-nos em estabelecer esses aspectos como fatores de priorização de projetos. Partiremos do princípio que, em um ciclo de planejamento, os projetos serão a tradução do planejado. Assim, uma ideia gerada no âmbito do empreendedorismo ganha um plano de negócio que a estrutura. Os planos de negócio nos mostram a viabilidade daquela ideia, ou seja, a partir dos recursos empregados, a vantagem econômica ou estratégica é demonstrada pelos produtos e negócios que serão cria- dos, descritos no plano. Mas é possível implementar todos os projetos que estão em nossa carteira? Nunca será! Assim, a empresa tem de se valer de mecanismos de priorização de projetos. Disso trataremos aqui nesta Unidade. Adicionalmente, a Unidade traz ainda aspectos inerentes ao gerente de pro- jeto, sujeito central na atividade de gerenciar projetos. É sabido que o gerente precisa exibir habilidades comportamentais, de gestão e de organização, que dife- rem gerentes altamente eficazes de gerentes não experientes. Na segunda parte da Unidade, trataremos, portanto, do gerente de projetos. Ao final da Unidade, no item Saiba Mais, você terá a apresentação do PMI Brasil e do endereço do site brasileiro e dos conteúdos que você pode encontrar lá. Ainda, trago uma indicação ótima de uma entrevista com o professor Paulo Sabbag, que trata sobre a resiliência, aspecto reconhecidamente importante para a atividade de gerenciar pessoas e projetos. ANÁLISE E SELEÇÃO DE PROJETOS A seleção de projetos visa manter o porta-fólio da empresa alinhado aos seus objetivos. Assim, como discutimos ao apresentar os fundamentos de um porta- -fólio, na seleção de projetos novamente nos voltamos à estratégia e ao mercado. 45 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . pensamento estratégico de�nindo a empresa do futuro Gestão Estratégica Gestão de Projetos Transformando as idéias em realidade estratégias Identi�caçãode projetos projetos SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II De certa maneira, a seleção de projetos funcionará como uma decisão estruturada de tornar, o mais rápido e com o menor custo possível, realidade o pretendido pela empresa (ver Figura 8). A análise e seleção de projetos é um processo antecessor ao gerenciamento. Claro, só poderão ser gerenciados projetos iniciados e só iniciarão projetos seleciona- dos. A seleção de projetos, portanto, é uma função estratégica da empresa e visa alinhar o porta-fólio de projetos da empresa às suas aspirações empresariais. Em outras palavras, a alta administração da empresa busca identificar na seleção de projetos quais são os mais oportunos para receberem os recursos limitados de que a empresa dispõe. De fato, a análise de projetos, nesse caso, pode ser denominada como a análise de Planos de Negócio. Será selecionado o plano de negócios (projeto em poten- cial) que oferecer a melhor modificação ou incremento no balanço competitivo da empresa (reveja a Figura 2). Assim, podemos distinguir o processo de seleção de projetos em três etapas: análise estratégica, análise mercadológica e análise de viabilidade. Na análise estratégica, o que se quer compreender é a relação do projeto com os objetivos da companhia. Nesse sentido, as perguntas que precisam ser respon- didas são: o projeto saneia algum ponto fraco? O projeto aproveita lucrativamente alguma oportunidade da empresa? O projeto atende aos anseios da empresa, con- tidos em sua missão e visão? O projeto satisfaz o preconizado pelos acionistas e alta direção quanto às diretrizes estratégicas da companhia? Figura 8 - Interação entre estratégia e projetos Fonte: adaptada de FGV Online (2009) 47 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . As perguntas estratégicas (e suas respostas) são o primeiro filtro seletor de pro- jetos, porém, o projeto ainda deve passar por um crivo mercadológico, ou seja, o produto do projeto, após entregue, criará valor para o cliente? Em outras palavras, podemos nos perguntar, na análise mercadológica do projeto, sobre o seu impacto no cliente, nos fornecedores e na concorrência da empresa. Para exemplificar o processo de seleção, podemos propor a um empreendedor, de posse de dois planos de negócio que atendam aos seus objetivos, não havendo recursos para os dois, restaria-lhe a dúvida de qual destes priorizar e transformar em projeto. A análise mercadológica responderia prontamente: aquele que ofere- cer maior vantagem competitiva em relação aos concorrentes, ou ainda, aquele que o cliente do produto do projeto entender como mais útil e valoroso. Ademais, é capital tratar ainda da AVP – Análise de Viabilidade de Projetos na seleção de projetos, que consiste em um olhar econômico-financeiro do resultado do projeto para o investidor. Nesse caso, o foco é a verificação da relação entre o valor do projeto no momento de seu investimento e seus fluxos de caixa nos perí- odos subsequentes. A AVP se vale de alguns parâmetros matemático-financeiros para estipular o VPL – Valor Presente Líquido do projeto, bem como sua TIR – Taxa Interna de Retorno. A seguir, apresento fundamentos da análise estratégica dos projetos, depois, passo para a análise mercadológica e, por fim, dedico espaço no estudo da seleção de projetos para a apresentação dos principais parâmetros de análise de viabili- dade econômico-financeira. ANÁLISE ESTRATÉGICA DE PROJETOS No início de um ciclo de planejamento estratégico, há a proposição de uma série de diretrizes que serão perseguidas. Demonstramos isso na Figura 7. A busca por atender às diretrizes se dá em função de que quando cumpridas, garantirão que a empresa aplicou seu planejamento estratégico. Ainda, indicarão se o processo de planejamento foi adequadamente conduzido e preocupou-se em atender à missão e visão da empresa a médio e longo prazo. SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II A missão da empresa pode ser entendida como a sua justificativa maior de existir. Uma empresa que não estabelece claramente o porquê de sua existência (sua missão) se coloca em situações delicadas, comoa indecisão sobre os produ- tos que venderá, ou sobre a melhor região da cidade e do estado para posicionar suas lojas. De outro modo, no firme estabelecimento da missão da empresa está facilitada a tomada de decisão sobre como todos os seus integrantes (funcioná- rios, clientes, fornecedores e acionistas) poderão interagir. Nesse sentido, uma empresa que se propõe a vender os produtos mais baratos em um determinado segmento, e deixa claro isso em sua missão, por exemplo, não será demandada pelos clientes por produtos fora dessa característica. Os funcionários, por outro lado, já sabem que precisam trabalhar para reduzir custos, aumentar as eficiên- cias e ganhar escala. Percebe a importância da missão? Consequentemente, neste conjunto pleno de causas e consequências que é o esforço estratégico em uma empresa, a visão seria uma dimensão maior dos anseios da organização. A visão é, em outras palavras, o sonho da empresa. A visão é a signatária do que a empresa quer se tornar, enquanto a missão é o que ela é. Não vivem separados. Caso voltemos ao exemplo da empresa que quer ser reconhecida como a de menores preços do mercado em um segmento qualquer (sua missão), deveremos ver algo em sintonia na sua visão. Nesse sentido, uma empresa que tem como missão vender produtos baratos não pode ter, por exem- plo, como visão, ser líder em produtos diferenciados, sofisticados e com altíssimo valor agregado. Essas coisas se tornariam como água e azeite e dariam um nó na cabeça dos gestores, funcionários e acionistas. Por fim, essa confusão faria a empresa não posicionar-se adequadamente e enfrentar problemas de competi- tividade com seus concorrentes. Você já percebeu que a análise estratégica de projetos passa pela análise estra- tégica da empresa! Os fundamentos estratégicos de uma empresa nos mostram como ela escolheu atender à sua missão. Assim, a empresa, ciente de que não está livre no espaço, ao contrário, está interligada através dos clientes, funcionários, acionistas, fornecedores e tecnologia, ao todo que chamamos de sociedade, pre- cisa encontrar sua melhor forma de agir: a isso chama-se estratégia. Toda análise estratégica passa por um entendimento do ambiente em que está inserida a empresa. Normalmente, divide-se esses ambientes em internos e 49 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . externos. No ambiente interno estão contidos os fatores que são característicos da empresa, seus pontos fortes e fracos. Já no ambiente externo estão contidos os fatores sobre os quais a empresa não tem poder de decisão, suas oportunidades e ameaças. Valle et al. (2010) exemplifica a interseção entre estratégia e projetos ao descrever o ciclo do processo estratégico, conforme a Figura 9. Análise do Ambiente Implementação, liderança e suporte da estratégia Teste e homologação da estratégia Formulação da Estratégia Podemos estabelecer que um projeto, para ser levado adiante, deve ser, de alguma forma, atendedor dos objetivos estratégicos da empresa. Para isso, podemos nos valer de instrumentos da análise estratégica, sintetizados por Lobato et al. (2009), como i) Análise do posicionamento competitivo (estratégias genéricas de Porter), que envolve a definição do viés estratégico da empresa: liderança em custos, dife- renciação ou enfoque); ii) Análise das Forças Competitivas de Porter, de modo a verificar a atuação da rivalidade do mercado, poder dos fornecedores e clientes, competitividade dos concorrentes e possíveis produtos substitutos ou barreiras de entradas sobre a empresa. Sabbag (2009) acrescenta à formulação da estratégia a definição do Mapa Estratégico (BSC – Balance Score Card). O BSC visa estabelecer vínculos entre objetivos em quatro diferentes perspectivas: financeira, do cliente, dos proces- sos internos e de crescimento/aprendizagem. Assim, para definir se um projeto Figura 9: Ciclo de Planejamento Estratégico Fonte: adaptado de Valle et al. (2010) SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II deve ser levado adiante ou não, verifica-se quanto ele contribui nessas quatro perspectivas, sendo que o projeto que mais fortemente integrar os resultados da empresa passa a ter prioridade e é, consequentemente, chamado de estratégico e iniciado (ver Figura 10). ANÁLISE MERCADOLÓGICA DE PROJETOS Avançando sobre o entendimento da seleção de projetos, é possível presumir que não basta o projeto estar adequado estrategicamente. Nesse sentido, poderíamos perfeitamente conceber um projeto que atendesse completamente as diretrizes estratégicas da empresa, como vimos, mas falhar profundamente na geração de valor para o cliente. Em outras palavras, um projeto que é bom para a empresa, mas não faz diferença para o cliente da empresa, não é um projeto mercadolo- gicamente alinhado. Veja, há projetos que ocorrem no âmbito da produção, como um que abranja a substituição de tecnologia de produção. A pergunta a seguir é quase instantânea: como esse projeto poderia ser importante para o cliente? De modo a compreen- der ainda mais essa perspectiva e responder a essa pergunta, valemo-nos, assim Projeto 1 Projeto 3 Projeto 3 Projetos Selecionados Análise estratégica de projetos Propostas de Projetos Análise Ambiental Mapa Estratégico Projeto 4 Projeto 6 Projeto 6 Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3 Projeto 4 Projeto 5 Projeto 6 Projeto 7 Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3 Projeto 4 Projeto 5 Projeto 6 Projeto 7 Figura 10 - Análise estratégica de projetos Fonte: elaborado pelo autor ©shutterstock 51 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . como fizemos na seção anterior, de conceitos que não estão propriamente cir- cunscritos na metodologia de projetos. Ao contrário, interessa-nos aqui entender a intersecção entre os projetos e o cliente. Para o exemplo da substituição de tecnologia de produção, pode- mos lançar mão da análise dos 4 Ps de marketing. Os quatro Ps consis- tem em Produto, Preço, Promoção e Praça. Com isso, produto refere-se ao quanto uma necessidade do cliente é satisfeita com esse produto ou serviço. No produto, estão contidas as somas de valores que motivam o cliente a escolher aquele item especificamente. Por preço, entende-se a quantia mone- tária cobrada pelo produto e a análise desse P deve entregar uma compreensão defensável sobre por que o cliente dis- poria desta quantia para obter a posse do produto ou então contratar o serviço. Em outras palavras, de que modo o cliente pode entender que o valor mone- tário que tem é menor do que o bem em questão, de tal forma que o motive a buscar a troca. O terceiro P é a promoção, que consiste em comunicar-se com o cliente de modo que ele compreenda, ou ainda, que assimile como deseja a empresa, os atributos do produto e sua relação positiva de preço. Para isso, a análise desse P poderia resultar num melhor entendimento sobre se o valor embarcado no pro- duto é, de fato, conhecido pelo cliente e, ainda, qual a melhor forma de manter essa comunicação. Por fim, o último P é a praça. Aqui, a análise que nos importa é a de que, havendo demanda para o produto, no preço combinado, ele esteja disponível para o cliente de modo acessível. Em outras palavras, a) o produto reúne atri- butos suficientes para ser avaliado de modo superior pelo cliente; b) o preço é tido por esse mesmo cliente como um valor inferior à soma dos atributos; c) a SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II promoção do produto, portanto, foi eficiente em comunicar e convencer o cliente desta realidade, despertou o desejo pela troca. Aí, por fim,o cliente procura o produto e não o encontra. A dimensão do P “praça” pode fazer com que tudo o que foi feito esteja a perder. Para que esse cenário hipotético não ocorra, busca- mos na análise mercadológica um equilíbrio entre os aspectos estratégicos e a percepção de satisfação do cliente. Vamos avançar e, a partir do entendimento dos 4 Ps, conseguimos eluci- dar, no nosso projeto hipotético de substituição da tecnologia de um processo produtivo, a análise mercadológica. O Quadro 1 apresenta uma possível reso- lução desse caso. PROJETO SUBSTITUIÇÃO DA TECNOLOGIA DE UM PROCESSO PRODUTIVO Análise dos 4 Ps Fator Descrição do efeito do projeto no fator Impacto do Valor Gerado Produto Aspectos técnicos dos produtos fabricados serão melho- rados em até 50% em relação aos produzidos atualmen- te. Esta melhora tornará os produtos tão qualificados quanto os do principal concorrente do mercado. + + + Preço A nova tecnologia trará aumento no custo fixo, contudo, trará também redução compensatória no custo variável, equivalendo aos custos quando consideradas as quanti- dades planejadas para produção nos próximos 3 anos. neutro Promo- ção Os produtos fabricados a partir da nova tecnologia passarão a exibir atributos diferenciados em relação à maioria dos concorrentes (exceto o líder de mercado, para o qual haverá similaridade). Com o mesmo preço, esse é um fator de destaque que deve ser conhecido pelo cliente. + + + Praça Com a nova tecnologia, será possível aumentar em 20% a quantidade produzida. Esse aumento permitirá expan- dir as operações para mais macrorregiões brasileiras. + Quadro 1 - Análise dos 4 Ps de marketing Fonte: elaborado pelo autor 53 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Claro que você entendeu que a técnica dos 4 Ps de marketing consiste numa fer- ramenta. Assim, a ação mais importante é a análise de valor gerada ao cliente, não o uso da ferramenta. Se pudermos explorar ainda um pouco mais esse con- ceito, posso te apontar alternativas de análise mercadológica de produtos e serviços tão consagradas quanto os 4 Ps e que são complementares à análise rea- lizada. Antes de nominá-las, cabe ressaltar que esse tipo de análise pode resultar inclusive em ativos organizacionais – que você recuperará quando falarmos de gerenciamento do escopo e risco do projeto, pelo menos – e também em funda- mentos para criação de outros projetos (SABBAG, 2009). Dentre as ferramentas que são passíveis de utilização na hora de fazer a aná- lise mercadológica, podemos citar i) a Matriz BCG; ii) pesquisa de mercado e iii) análises setoriais (de oferta e demanda). A Matriz BCG (Boston Consulting Group) consiste no estabelecimento de dois eixos, sendo posicionado no eixo Y o crescimento do mercado e no eixo X a participação do produto ou serviço da empresa no mercado. Em outras palavras, a partir do enquadramento dos produtos da empresa nas intersecções entre X e Y, podemos entender se aquele produto ou serviço demanda o projeto que é analisado para ele. Ainda, com isso, poderemos criar um balanceamento do porta-fólio de produtos e serviços da empresa. Aliás, a aplicação da Matriz BCG tem se dado primordialmente na análise de porta-fólios de produtos (SABBAG, 2009). Como é possível observar na Figura 11, a Matriz BCG indicará a ação a ser tomada sobre o projeto em análise, a partir da sobreposição dos valores do cres- cimento e participação no mercado para o produto do projeto. Nesse sentido, os projetos relacionados a produtos com grande participação no mercado ganha- rão destaque e investimento (estrela e vaca leiteira). Por outro lado, os projetos relacionados a produtos para os quais o mercado cresça a taxas superiores a 10%, mas que a empresa detenha pouca participação (incógnita), estarão colocados em acompanhamento constante, de modo a monitorar a evolução das condi- ções de sua implementação. Por fim, os projetos posicionados no quadrante de pequeno crescimento no mercado e pequena participação (cachorro) não serão priorizados. SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II A pesquisa de mercado e as análises setoriais podem ser conduzidas pela pró- pria empresa na tentativa de compreender as necessidades do cliente e/ou, ainda, mapear seus padrões de consumo. Normalmente, os dados produzidos nesse tipo de análise suportam não apenas um projeto, mas um coletivo deles, que aqui, você já aprendeu, chamamos de programas ou porta-fólios. Claro que a empresa pode sempre se valer de institutos de pesquisa e empre- sas especializadas na produção de pesquisas de mercado. Nesse caso, há o ganho de qualidade na produção dos resultados da pesquisa e nas análises multivaria- das dos dados – pela expertise, normalmente maior, da empresa contratada – e, via de regra, um custo associado menor em função também da especialização no trabalho. O que queremos, ao final, é obter um indicativo de seleção dos projetos, similar ao que te apresento no Quadro 2. Assim, utilizando indicadores de “- - -” quando o projeto não contribui com estratégia ou mercado e “+ + +” quando o projeto contribui ao máximo para cada uma dessas avaliações, a diretoria da Estrela Incógnita CachorroVacaleiteira P1 P10 P2 P5 P9 P3 P4 P8 P7 P6 0 00,1x0,3x0,5x2,0x4,0x6,0x8,0x10,0x % de faturamento em relação aos principais concorrentes Ta xa d e cr es ci m en to d o m er ca do CR ES CI M EN TO N O M ER CA D O Pe qu en o G ra nd e PARTICIPAÇÃO NO MERCADO Grande Pequeno 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Figura 11 - Matriz BCG aplicada Fonte: elaborada pelo autor 55 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . empresa faz o ranqueamento dos projetos, para selecioná-los. Evidentemente, os projetos que obtiverem mais indicadores positivos serão os priorizados. NR° PROJETO DURAÇÃO CUSTO ESTRATÉGIA MERCADO P01 Implantação Sistema de ERP 18 meses 1.2000.000 + + + P02 Migração para Plataforma X 9 meses 900.000 + + + 0 P03 Arrecadação Online 12 meses 3.000.000 + + + + + P04 Reestruturação Organiza- cional 6 meses 80.000 + + + P05 Certificação 8 meses 450.000 + + + + + P06 Atualização 4 meses 180.000 0 + + P07 Inclusão 22 meses 300.000 0 + P08 Workflow 14 meses 700.000 + + + P08 Geoprocessamento 32 meses 250.000 0 0 P99 ... ... ... ... ... Quadro 2 - Lista de Seleção de Projetos Fonte: elaborado pelo autor Então, até aqui, submetemos nossos planos de negócio à análise estratégica e fizemos análise mercadológica, sempre com o olhar sobre qual iniciativa agrega mais valor ao negócio e aos clientes. Mas ainda poderemos nos encontrar em uma situação em que não seja possível identificar qual o melhor, ou quais os melhores projetos para iniciarmos. O tripé da seleção de projetos é formado também pela AVP – Análise de Viabilidade de Projetos. Sobre isso trataremos na próxima seção. VIABILIDADE DE PROJETOS A AVP – Análise de Viabilidade de Projetos é uma atividade relacionada à ave- riguação dos resultados financeiros que o projeto produzirá a partir de sua execução. Sendo assim, para a análise de viabilidade, via de regra, são utilizados cálculos matemático-financeiros que permitam demonstrar como se comporta a relação investimento vs retorno vs tempo. Em outras palavras, o que se espera SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II é observar uma relação de sobras do lucro do projeto sobre o capital investido nele, em um determinado tempo. Para a AVP, são utilizados alguns parâmetros que medem principalmente a grandeza do resultado e quando ele acontecerá, seja emvalores relativos (per- centuais) ou em valores absolutos. Dentre os parâmetros mais utilizados na AVP, destacam-se o Payback, Payback Descontado, VPL – Valor Presente Líquido e a TIR – Taxa Interna de Retorno. Todos estes serão apresentados neste livro. Adicionalmente, ainda são utilizados outros métodos, como o CAPM – Capital Asset Pricing Model, CMPC – Custo Médio Ponderado de Capital e Análise do Ponto de Equilíbrio (break even). Estes últimos não serão abordados neste livro por terem utilização seletiva, ou seja, são utilizados apenas em tipos específi- cos de projetos. Para fazer o uso dos instrumentos de análise de um projeto, é preciso, antes de tudo, estabelecer seu fluxo de caixa. Assim, fluxo de caixa é entendido como o comportamento das entradas e saídas do caixa ao longo do tempo em que o projeto acontecer. A representação temporal de um fluxo de caixa, de maneira sucinta, pode ser feita assim: Tempo Entradas adicionais de caixa Saída adicionais de caixa Saída do Caixa no Tempo 0 Entrada no caixa em n Fonte: elaborada pelo autor Caso adicionemos valores e detalhamento à representação temporal, ela ganha formas de uma planilha, como pode ser visto em todos os planos de negócios profissionais. Vejamos no Quadro 3 um exemplo de fluxo de caixa. 57 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . FLUXO DE CAIXA: PROJETO X Período 0 1 2 3 4 5 6 Fluxos de Caixa (500.000) 50.000 80.000 100.000 120.000 150.000 200.000 Quadro 3 - Exemplo de Fluxo de Caixa Fonte: elaborado pelo autor Para elencarmos os números da viabilidade deste projeto, iniciamos pelo Payback. O Payback é a expressão do tempo que leva para o investimento realizado retornar para o investidor. Assim, do investimento de 500.000 realizado no tempo 0 são descontados os fluxos de caixa positivos até que essa relação seja equivalente. Em outras palavras, os lucros do projeto são somados até que se encontre o momento no tempo em que o resultado dessa soma é igual ao valor do investimento feito. Aí estará o Payback do projeto. Portanto, se aplicarmos essa técnica ao fluxo de caixa do Projeto X, identificaremos que o Payback é de 5 anos (ver Quadro 4). FLUXO DE CAIXA: PROJETO X Período 0 1 2 3 4 5 6 Fluxos de Caixa (500.000) 50.000 80.000 100.000 120.000 150.000 200.000 Valor Acu- mulado (500.000) (450.000) (370.000) (270.000) (150.000) 0 200.000 Quadro 4 - Payback do fluxo de caixa Fonte: elaborado pelo autor Há vantagens e desvantagens no uso do Payback. Entre as vantagens, podemos citar a simplicidade do método e a utilidade da informação apresentada. Em outras palavras, o investidor de um projeto sempre deseja a informação sobre quanto tempo o projeto levará para “devolver” seu capital. Como desvantagem, podemos afirmar que o método não leva em consideração o custo do dinheiro do tempo. Assim, tomando o Projeto X como exemplo, assumindo que os perí- odos estão representados em anos, teremos clara visão de que o valor de 200.000 no sexto ano não seria igual ao valor de 200.000 no ano 0 – ele perdeu valor no tempo (pela inflação, por exemplo). Vamos pensar nisso mais um pouquinho. Assumindo que o investidor pode- ria aplicar os 500.000 a uma taxa de 6% ao ano e que ele estabeleceu este como SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II sendo o custo de oportunidade do projeto, ficaríamos em dúvida quanto ao momento em que o projeto se pagaria. Assim, para respondermos a este investi- dor, recorreríamos ao Payback Descontado. Em outras palavras, descontaríamos os fluxos de caixa projetados pelo custo de oportunidade, de modo a entender qual o valor desses fluxos de caixas futuros na data 0, ou seja, na mesma data em que o investimento foi feito. Para atendermos a esse propósito, temos que utilizar a fórmula dos juros compostos. Assim, o valor presente do fluxo de caixa futuro é encontrado pela fórmula: - VP=VF÷(1+i)n - Sendo: - VP: Valor Presente - VF: Valor Futuro - i: taxa ao período - n: número de períodos Então, ao calcularmos todos os fluxos de caixa do projeto à taxa de 6% a.a., encontraremos: FLUXO DE CAIXA: PROJETO X | TAXA: 6% A.A. Período 0 1 2 3 4 5 6 Fluxos de Caixa (500.000) 50.000 80.000 100.000 120.000 150.000 200.000 Valor Presente (500.000) 47.170 71.200 83.962 95.051 112.089 140.992 Valor Acumulado (500.000) (452.830) (381.630) (297.669) (202.617) (90.529) 50.464 Perceba que, a partir da informação do custo de oportunidade, temos o entendi- mento de que o Payback do projeto acontece, na realidade, no sexto ano. Agora, o investidor pode confrontar essa informação com suas premissas de investimento e decidir se inicia o projeto (caso suporte projetos com Payback Descontado > de 5 anos) ou se abandona a iniciativa. Quadro 5 - Payback Descontado do fluxo de caixa Fonte: elaborado pelo autor 59 Análise Estratégica de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Ademais, normalmente as análises de projetos trazem outros indicativos de viabilidade, uma vez que as respostas ainda não estão todas à mesa apenas com os dois métodos de Payback apresentados. Poderíamos nos perguntar, por exemplo, qual é o real valor do projeto, uma vez que seu fluxo de caixa é cons- tantemente positivo ao longo dos seis primeiros anos. Para responder a essa pergunta, o método do VPL – Valor Presente Líquido é o mais indicado (BORDEAUX-RÊGO et al., 2010). Esse método trata de apre- sentar ao investidor qual é o valor dos retornos do projeto na mesma data do investimento. Em outras palavras, se o projeto apresentar VPL positivo (VPL > 0) ele é viável, uma vez que paga o custo de oportunidade e ainda dá retornos adicionais. Se o VPL for nulo (VPL = 0), tanto faz investir nele, ou seja, ele é igual ao custo de oportunidade e não acresce valor. Por fim, se o VPL do projeto for negativo (VPL < 0), ele é rejeitado, uma vez que não entrega nem mesmo o valor do custo de oportunidade estabelecido pelo investidor. Ainda, é importante destacar que no método do VPL estará assumindo que os valores dos fluxos de caixa recebidos no projeto estarão reinvestidos no pro- jeto à taxa utilizada para descontá-lo (BORDEAUX-RÊGO et al., 2010). Assim, podemos entender que valor do VPL para o Projeto X é igual ao valor do exce- dente ao Payback Descontado, contido no período 6. Ora, se o Payback Descontado tem a mesma dinâmica de cálculo do VPL, por que utilizar este último? Bordeaux-Rêgo et al. (2010) nos explicam que o VPL utiliza todos os fluxos de caixa, e não apenas o momento em que o saldo acumulado torna-se positivo, o que permite a verificação do valor adicionado, como vimos. Por fim, para respondermos à última questão que nos resta sobre o fluxo de caixa do projeto, utilizaremos a TIR – Taxa Interna de Retorno. E qual é a pergunta? Muito simples: qual é a taxa efetiva de retorno que o projeto tem? Vamos problematizar. Se o projeto tem fluxos de caixa descontados excedentes ao seu custo de oportunidade, qual seria a taxa que obteríamos caso incluísse- mos esse fluxo na análise de retorno? Veja, aqui estamos no caminho oposto ao do Payback Descontado e do VPL, uma vez que não há uma predefinição de qual é a taxa que queremos e um SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II balizamento por essa informação. Ao contrário, o que queremos agora é identi- ficar qual é o retorno que o projeto oferece. A TIR ajuda sobremaneira quando, por exemplo, um investidor avalia alternati- vas de aplicação de recursos e tem pela frente projetos com VPLs distintos, para os quais houve superação do custo de oportunidade. Nessecaso, o que apresen- tar a maior TIR será escolhido. Adicionalmente, o investidor poderia, além da TIR, olhar qual projeto tem retorno mais breve (Payback) e assim sucessivamente. Por outro lado, podemos apresentar a TIR como a taxa que faz com que o VPL seja 0. Se entendermos a representação da TIR num plano cartesiano, sendo os eixos x e y a taxa de desconto e o valor presente líquido, respectivamente, ficará mais fácil a visualização dessa informação (ver Figura 12). Para o cálculo da TIR (ou Internal Rate of Return – IRR), é necessário o uso da máquina calculadora HP12C, ou então de planilhas eletrônicas do tipo MS Excel®. Neste último, o cálculo é facilitado, conforme você pode ver na Figura 13. 14%12%10%8%6%4%2%0% -R$ 100,00 -R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 100,00 R$ 150,00 R$ 200,00 R$ 250,00 R$ - VPL (1.000) Custo do Capital Taxa interna de retorno (TIR) Figura 12 - TIR do Projeto X Fonte: elaborada pelo autor Figura 13 - Cálculo da TIR no MS Excel® Fonte: elaborada pelo autor 61 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Na HP12C, o cálculo da TIR do Projeto X é feito da seguinte forma: Figura 14 - Cálculo da TIR na HP12C Fonte: elaborada pelo autor Por fim, cabe ressaltar que a AVP é uma análise feita preliminarmente em um projeto. Assim, ela está mais contida em planos de negócios e estudos de via- bilidade. Compreendê-la tem o sentido de municiar o Gerente de Projeto de ferramental técnico na hora de discutir com os stakeholders do projeto quais são as expectativas do negócio. O GERENTE DE PROJETOS O Gerente de Projetos tem uma ação específica. Essa ação distingue-se da de um gerente funcional (ex.: gerente financeiro, gerente de vendas, gerente de produ- ção), uma vez que o seu objeto de gestão é o gerenciamento do projeto. O PMI (2012) aponta que o gerente de projeto pode se reportar a um gerente funcio- nal. Nesse caso, a área do gerente funcional poderia ser a responsável no centro do custo, por exemplo, pelo recurso destacado para a execução do projeto, e o Gerente de Projeto se reportaria a esse gerente. SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Em algumas empresas há a centralização de projetos ao redor do escritó- rio de projetos, nominado pelo PMBOK de PMO – Project Management Office. Nesse caso, o gerente de projeto reporta-se ao Gerente de Portfólio, ou ainda, ao Gerente de Programa. De todo modo, parece claro que o gerente de projeto é uma condição tran- sitória. Nessa condição, o gerente de projeto precisa exibir características fortes de resiliência (SABBAG, 2009). Prefiro pôr o dedo nos pontos que podem ser saudáveis para o gerente de projeto, no sentido de que a partir dessas habilida- des sua tarefa seja mais eficaz e satisfatória e, com isso, propicie a resiliência. Ao longo de minha experiência como gerente de projetos, algumas coisas me saltaram os olhos como características fundamentais no dia a dia. Do mesmo modo, acho incrível como poucas escolas de negócio se dedicam a explicar para o profissional de projetos pontos que, a meu ver, são o pulo do gato na caracte- rização de um gerente de projeto de alto nível. Dentre esses pontos, posso apontar o domínio de fundamentos de ges- tão de pessoas. Aqui, não estou me referindo aos processos contidos na área de Gerenciamento de Pessoas em Projetos do PMI (2012). Esses veremos adiante. Aponto principalmente para o que chamo de competências essenciais em pro- jetos. Dentre essas competências estão Liderança, Motivação e Comunicação, características que todo gerente de projeto deveria permanentemente aperfeiçoar. Além da gestão de pessoas, um ponto que diferencia gerentes de alto nível é a sua capacidade de apresentar ideias, projetos e resultados. Aqui, incluo a con- dução de reuniões, atividade mais recorrente para o gerente. Sendo assim, ao abordar esse tema, faço questão de te dar algumas dicas introdutórias. Elas não dispensarão seu aperfeiçoamento em outros cursos e livros, mas são a porta de entrada para que o assunto Apresentações Empresariais não saia do seu radar. Por fim, entendo que o gerente de projeto tem como atividade peremptó- ria a organização. Não consigo imaginar um gerente de projeto que não exiba uma agenda pontual e gerenciada, ou ainda, que não conheça as suas urgên- cias e prioridades. A procrastinação deve ser o inimigo número um do gerente. Por isso, dentro de todo o conjunto de informações que seriam possíveis para ajudá-lo como gerente de projeto em potencial, escolhi apontar a Organização Documental do projeto como ponto-chave. Vou apresentar a forma como sempre 63 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . mantive e mantenho meus projetos organizados. A obtenção de lições aprendi- das só é possível a partir de uma organização exemplar de toda a documentação que é produzida durante o projeto. De acordo com o exposto nos parágrafos anteriores, nas próximas seções, dedico-me a abrir o tema das competências essenciais; depois passo a explorar as práticas de apresentações empresariais e, por fim, entrego uma opção de orga- nização documental de projetos. COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS Ponto pacífico: a ação do gerente de projeto é de gestão de pessoas, sob várias formas. Sendo assim, as habilidades que são esperadas de um gerente de projeto estão estritamente ligadas à gestão. O PMI (2012) oferece uma lista de habilida- des pessoais que precisam estar incluídas no corpo de conhecimento do gerente de projetos: ■ Liderança. ■ Construção de equipes. ■ Motivação. ■ Comunicação. ■ Influência. ■ Tomada de decisões. ■ Consciência política e cultural. ■ Negociação. ■ Ganho de confiança. ■ Gerenciamento de conflitos. ■ Coaching. SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Rabechini Jr. (2011) apresenta uma pesquisa feita com gerentes de projeto ini- ciantes, em que 95,51% elegeram a liderança como a principal habilidade de um gerente de projeto. Nessa pesquisa, o conceito de liderança foi apresentado aos participantes como a capacidade de estabelecer metas e fazê-las cumprir. Em outras palavras, liderar projetos é a habilidade que o gerente de projetos tem em influenciar um grupo e dirigir a execução de suas atividades. Mas se a principal ação do gerente de projeto é a gestão de pessoas, quem são essas pessoas? Muitas. Vamos nos concentrar em um grupo muito impor- tante: a equipe do projeto. Há uma diferença entre os conceitos no inglês: team building e team deve- lopment (SABBAG, 2009). O primeiro tem a ver com a formação de um time. Em projetos, chamaremos isso de mobilização da equipe do projeto. Veremos mais detalhes sobre isso quando falarmos de estratégias de execução. O segundo termo em inglês, team development, remete ao desenvolvimento dessa equipe, para que consiga alcançar os resultados que são esperados. Nem todo grupo forma um verdadeiro time. John Katzembach, professor de Harvard, sugere que um time é um conjunto de pessoas com habilidades complementares, comprometidas com um propósito comum, metas de desempenho e com uma abordagem em que são mutuamente responsáveis pelo trabalho. Para o professor Katzembach, os times existem apenas quando há tarefas e resultados, mútua dependência de competências complemen- tares e comunicação intensa que favoreça a solução de problemas. Nesse sentido, em um time, a ação coletiva supera o individualismo. Ainda, a confiança e res- peito são bases para relações sadias. Sabbag (2009) afirma que um time é divertido, evita o controle externo, tolera erros. Para ele, o time é autogerenciado, ou seja, o líder nãochefia, apenas Pausa para reflexão: O que é um time? 65 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . estimula, apoia e educa as pessoas. Por fim, o professor Sabbag (2009) afirma que equipe ou time sempre é pequeno, variando de 10 a 20 membros. Mas não adianta ter apenas a boa vontade das pessoas para obter um time: há condições estruturais que afetam o processo. Kurt Lewin, o criador da dinâ- mica de grupo nos anos 1940 nos EUA, sugere que todo grupo está exposto a forças antagônicas: as impulsoras e as restritivas (apud SABBAG, 2009). Se as impulsoras foram mais fortes e sustentáveis, há maior chance de obter um time. Veja só as forças que ele descreve: FORÇAS IMPULSORAS FORÇAS RESTRITIVAS Indivíduo • Motivação • Empatia • Iniciativa • Competência • Apoio • Vaidade • Apatia • Dependência • Timidez • Manipulação Grupo • Liderança • Confiança • Simpatia • Competência • Comunicação aberta • Conflitos reprimidos • Manobras sutis • Objetivos confusos • Linguagem cautelosa • Decisões impostas Organização • Recursos adequados • Ambiente confortável • Tempo disponível • Privacidade • Organização • Tamanho do grupo • Ambiente desagradável • Troca de local • Horário inconveniente • Interferências Quadro 5 - Forças impulsoras e restritivas no desenvolvimento de equipes Fonte: adaptado de Sabbag (2009) Você já entendeu que o gerente tem um papel de liderança, não especificamente de chefe! Ora, liderança é uma questão complicada. Só porque alguém foi desig- nado líder do projeto, ele não o será a menos que conquiste isso com seu time. Quanto mais o grupo aproximar-se de um verdadeiro time, mais ele resistirá ao papel do líder designado. Daí concluo que a liderança é circunstancial e situacional. ©shutterstock SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Rabechini Jr. (2011) afirma que há quatro formas de liderar um time: i) determinar; ii) persuadir; iii) compartilhar e iv) delegar. De certo modo, você pode entender que a decisão por um modelo de posicionamento do gerente de projeto dependerá tanto do desafio (do que precisa ser feito) quanto da maturi- dade das pessoas no trabalho com o projeto (sua experiência). Assim, tomando como base a proposta feita pelo professor Rabechini Jr. (2011), é possível afirmar que quanto mais importante e crítica for a tarefa, associada a menos experiên- cia do time, mais o líder adotará comportamentos de determinação. Por outro lado, quanto mais maduro for o time e menos crítica seja a decisão ou ação a ser tomada, mais o líder adotará – ou deveria, pelo menos – comportamentos de delegação de autoridade. Vamos explorar um pouco mais esse assunto nas seções de Gerenciamento de Pessoas e de Integração em Projetos, nas Unidades III e IV, respectivamente. FUNDAMENTOS DE TÉCNICAS DE APRESENTAÇÃO Tão importante quanto as habilidades gerenciais, o gerente de projetos pre- cisa exibir forte capacidade de apresentação de ideias e argumentos. Imagine que em um projeto poderão estar envolvidos diversos stakeholders, para cada um deles deverá ser produzida e entregue apresentações específi- cas, que tratem de informações de interesse daquele interlocutor em especial. Desse modo, produzir e apresentar informações garante que o trabalho não seja avaliado de modo inferior em função de ruídos nessa comunicação. Um ponto-chave para apre- sentações de alto nível é o controle do tempo. Para ilustrar 67 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . essa importância, passo a narrar uma pequena história que aconteceu comigo recentemente. Fui convidado por um amigo, empresário muito bem-sucedido do segmento de móveis, a coordenar uma equipe que tinha como objetivo gerenciar um pro- jeto de implantação do novo sistema que haviam comprado. Aqui, o nome desse amigo é Carlos. O projeto levou cerca de 8 meses entre planejamento, execução e testes (inicialmente, considerava-se o prazo de 6 meses). Teve gasto levemente superior ao planejado (cerca de 8%). Sem cortes no escopo. Por tudo isso, con- siderei o resultado do projeto um sucesso. Mais ainda, fiquei encantado com as pessoas que trabalharam naquele pro- jeto. Eram jovens muito dedicados. Pareceu-me que Carlos não estava sabendo completamente o potencial das pessoas que tinha em sua equipe. Resolvi utilizar a entrega do projeto, a apresentação final, como oportunidade para apresentar aquele time para o seu diretor. Solicitei um horário com a secretária e a surpresa veio com o retorno: 5 minutos, entre 16h30 e 16h35 na próxima sexta-feira. Fiquei espantado. Era uma terça-feira, teríamos 2 dias e meio para preparar-nos melhor do que até aquele momento. Tínhamos muito a fazer para que aquela apresenta- ção atendesse o meu objetivo: demonstrar a qualidade da equipe. Eu não podia deixar o tiro sair pela culatra. Chegamos na sala de reunião 15 minutos antes. Aprontamos tudo (som, projetor, cadeiras, água, o passador de slides). Preparamos 10 slides. Só apresen- taríamos um slide nos cinco minutos que nos foram dados, mas consideramos que Carlos poderia fazer outras perguntas e, por isso, queríamos estar preparados. Carlos chegou exatamente na hora combinada. Após cumprimentos iniciais, fiz uma pequena abertura da reunião e passei a palavra para Clara (nome tam- bém fictício), que era desde sempre a mais comunicativa dos seis. Ela iniciou cumprimentando o Carlos, agradeceu pela oportunidade. Informou que está- vamos cientes do tempo disponível e que se ele estivesse à vontade poderíamos iniciar. Carlos acenou com a cabeça que sim. Ela imediatamente colocou o slide na tela. Apresentou os objetivos, o que foi feito, o resultado do projeto e os bene- fícios que o projeto executado tão eficazmente produziu na empresa. Ah, chamei essa técnica de agrupamento de informações de um modo pouco original: Um Slide. Está demonstrada uma forma de disposição do conteúdo e as informações SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II selecionadas naquela oportunidade na Figura 15. Carlos adorou aquela objeti- vidade e viu o mesmo que eu: a equipe era ótima. Passou a fazer perguntas e querer saber mais sobre o projeto, o gerenciamento e o time. Eu quase não falei e fiquei extremamente feliz de saber que aqueles profissionais foram reconhecidos. Resumo desse caso: a reunião acabou durando quase uma hora, contudo, cumprimos o combinado inicialmente e falamos o que o interlocutor esperava (ou se interessava) em ouvir. 1 2 3 4 5 6 Gerenciamento de Integração: Curva S + Principais Entregas Gerenciamento de Escopo: EAP - Estruturas Analítica de Projeto Gerenciamento de Custos: Fluxo de Caixa do Projeto Gerenciamento de Risco: Principais riscos gerenciados atualmente no projeto e as medidas tomadas sobre o assunto (ações de gestão e contingência de risco) Gerenciamento do Tempo: Cronograma das principais entregas e/ ou marcos importantes que estão próximos Gerenciamento de Interessados: Estado atual dos interessados em relação ao projeto. Explicitar os apoios e as opositores da iniciativa, bem como a demonstração de como estão sendo gerenciados/ comunicados/ abordados. Figura 15 - Técnica "UM SLIDE" de Apresentação de Resultados de Projetos Fonte: elaborada pelo autor Essa pequena história chama a atenção por algumas coisas: o tempo, a preparação, a estratégia de comunicação e os recursos tecnológicos. O tempo de uma apre- sentação varia muito. Uma história bem parecida com a minha é a do brasileiro Ricardo Bellino1, que teve três minutos para apresentar seu empreendimento a Donald Trump, megaempresário estadunidense. Recordo-mede casos em que o tempo para apresentar uma ideia ou reportar um desempenho é entre o ele- vador e o carro no estacionamento, ou ainda, durante uma viagem aérea entre Curitiba e Maringá (que leva pouco mais de 40 minutos). São desafios diferen- tes, com o tempo sendo a principal restrição. 1 História desse brasileiro em: <http://www.ricardobellino.com.br/noticias/direto-de-miami-embaixador-de-donald- trump-no-brasil-lanca-o-verdadeiro-aprendiz-nas-ruas-de-miami/27/>. 69 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sendo assim, costumo afirmar que não há como você fazer uma apresentação sem boa preparação. Quando vemos alguém desfiando palavras em sequência e construindo um raciocínio com fluidez, tendemos a achar que aquela pessoa está produzindo aquele “texto” ali naquela hora. Claro que não! Por exemplo, pense num palestrante que você admirou em uma palestra. Muitas vezes, ele já reproduziu aquele conteúdo dezenas de vezes e cada vez que fez isso foi se aprimorando. Da mesma forma, quando for fazer uma apresenta- ção, gaste um certo tempo preparando-a. Costumo indicar pelo menos 50% do tempo disponível. Assim, se você tem 4 dias até a apresentação, gaste dois dias na preparação. Gaste outro dia na construção dos slides (se for o caso), gaste mais um dia revisando. Se você tiver 10 minutos antes da apresentação, a lógica é a mesma, gaste 5 minutos preparando a apresentação, 2 a 3 minutos no slide e 2 minutos revisando o que fez. Ao preparar, você deve pensar em: ■ Qual é o seu objetivo. ■ Qual é o público. ■ Quais os interesses do público. ■ Qual tempo disponível. ■ Qual será a estratégia de comunicação. ■ De que recursos você precisará. O especialista em apresentações empresariais e professor Araújo Filho (2009) nos ensina a importância da linguagem corporal em apresentações. Para isso, nos lembra o exemplo de Charles Chaplin e seu inesquecível Carlitos, que encantou o mundo através do cinema mudo. Sem dizer uma palavra, Carlitos tocou o mundo com mensagens de cuidado e amor, bem como com críticas à sociedade: quem não se lembra da cena de Tempos Modernos em que Carlitos aperta tantos para- fusos que sai da fábrica reproduzindo o mesmo movimento repetidamente? Essa crítica à Revolução Industrial do início do século 20, contemporânea a Charles Chaplin, cruzou o século sem ter sido dita uma palavra sequer. Com isso, cuidado na apresentação pessoal, traje utilizado, assepsia e outros SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II cuidados com sua aparência, de modo que a audiência de sua apresentação não fique mais preocupada em reparar neste ponto do que no conteúdo que você está elaborando. Ademais, cuidado com a tensão. Ficar clicando no dispositivo de uma caneta de ponta retrátil, batendo as mãos uma contra a outra, ou as espre- mendo em função da tensão da apresentação também não é legal. Sua audiência pode te julgar despreparado para aquele desafio: você não quer isso, certo? Ainda, não menos importante, atenção com os slides. Recomendo sempre cuidados básicos: ■ Fontes: não fugir do tradicional: Tahoma, Verdana, Times New Roman e Arial dão conta de qualquer recado. Para qualquer uma delas: não usar tamanhos menores de 24 pontos nem maiores de 75. ■ Cores: se o fundo é claro, a letra tem de ser escura e vice-versa. Amarelo sobre branco é quase invisível. Lembre-se de que no projetor a imagem do slide será relativamente menos nítida do que em seu computador. ■ Conteúdo: prefira imagens, gráficos, esquemas. Para o conteúdo, use tópi- cos. Saiba sobre o assunto que vai falar e use os slides apenas como apoio. ■ Postura: nunca dê as costas para a audiência. Movimente-se lateralmente, mas não muito: lembre-se de que não quer parecer um leão numa jaula! Se fosse escolher apenas uma palavra para resumir essa seção: preparação. Prepare-se para a apresentação. É a melhor forma de obter ótimos resultados. ORGANIZAÇÃO DOCUMENTAL DO PROJETO O gerente de projeto tem de ser um sujeito organizado. Muitas vezes, é atribu- ído valor a um trabalho por sua apresentação, nos detalhes. Em gerenciamento de projetos, isso é 100% verdade. Dessa forma, nesta seção, dedico-me a explicar algo que não é encontrado facilmente em livros sobre gerenciamento de projetos. Talvez seja o pulo do gato. Aprendi essas lições gerenciando projetos de todos os portes e me submetendo a clientes (internos e externos) com diferentes graus de conhecimento sobre o gerenciamento e exigência em relação a relatórios. Vale lembrar que um Plano de Gerenciamento de Projetos não é um Plano de 71 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Negócio. Esses dois documentos servem a um projeto em momentos distintos. No caso do plano de negócios, sua principal finalidade é demonstrar que uma ideia ou oportunidade é viável e estratégica. No caso do Plano de Gerenciamento de Projetos, o objetivo é demonstrar como será o caminho percorrido até a entrega do produto do projeto. Em alguns casos, o plano de negócio já vendeu a ideia, a empresa quer implementar, define o Gerente de Projeto no Termo de Abertura e, logo após, o Gerente de Projeto precisa demonstrar como executará a missão que lhe foi incumbida: utilizar os recursos estabelecidos, para entregar o produto esperado no prazo desejado! Uma boa organização documental é imprescindível na obtenção de credibi- lidade. É quase instantânea a associação entre documentação mal organizada e gerente de projeto imaturo ou despreparado. Sendo assim, pense em uma pasta fichário, dessas em que você pode colocar e retirar folhas em ordens distintas (espiral, por exemplo, serve para encadernar um documento final; ao contrá- rio, o plano de gerenciamento de projetos está sempre em desenvolvimento, até o final do projeto). Utilize separadores entre as seções. Eu gosto sempre de uti- lizar separadores com cores diferentes, assim, a pasta além de organizada, fica intuitiva. Basta o interessado identificar a aba que deseja e ir direto ao conteúdo. Plano de Gerenciamento do Projeto Figura 16 - Plano de Gerenciamento do Projeto Fonte: elaborada pelo autor SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II Na lista a seguir, descrevo nos textos indicados em negrito o que deve ser escrito nas abas. O transcrito logo após os dois pontos é o conteúdo que vai preencher a seção. ■ Visão geral: inclua o TAP – Termo de Abertura do Projeto, assinado pelo patrocinador. Nesta seção, é importante preparar um resumo dos problemas que originaram o projeto, bem como descrever o projeto em si. Um ponto- -chave é a apresentação das premissas e restrições. Embora elas estejam no TAP, como há mais espaço, pode-se explorar as implicações e exemplifica- ções da ação das premissas e restrições sobre o projeto. ■ Escopo: aqui cabe o detalhamento do escopo. Além disso, a EAP – Estrutura Analítica do Projeto deve estar apresentada e também o dicionário da EAP. ■ Prazo: nesta seção, inclua o cronograma. Dê preferência ao Gráfico de Gantt para a apresentação dos marcos, contudo, não dispense uma tabela com as principais entregas e datas importantes no projeto, como a conclusão da fun- dação ou a data de liberação para testes beta. ■ Custos: parte fundamental, aqui, o orçamento do projeto precisa estar bas- tante detalhado. Apresente o Fluxo de Caixa, bem como a Curva S (ver mais detalhes na seção deste livro que trata sobre o Gerenciamento do Custo). Se for o caso – para projetos em andamento –, apresente o comportamento dos desembolsos em relação ao previsto e as entregas em relação aos desembolsos.■ Qualidade: nesta parte, é importante descrever os Critérios que serão adota- dos para a definição da qualidade do produto do projeto. Ainda, é importante deixar bem claro quais serão as métricas de acompanhamento e quais serão os processos para controle da qualidade no projeto. ■ Pessoas: esta seção deve estar completada com o perfil técnico e de expe- riência para a equipe necessária ideal. É importante destacar, se possível, o uso (histograma) dos recursos humanos no projeto. Caso sejam necessárias terceirizações, por exemplo, elas precisam ser caracterizadas de maneira pon- tual, bem como em que momento serão usadas e onde. ■ Comunicação: aqui, o que importa é descrever o domínio de interessados no projeto. Na maioria dos projetos, há forças prós e contras. No Plano de Comunicação com estes interessados (chamamos de stakeholders em pro- jetos), eles precisam estar mapeados, seus interesses e posições, bem como a estratégia e forma que será utilizada para contato e a frequência desejada. 73 O Gerente de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Riscos: como veremos a seguir, podem ser inviabilizadores de um projeto. Assim, demonstrar o mapeamento de riscos e as principais ações de geren- ciamento é salutar. Por outro lado, não deixe de destacar também os riscos positivos – as oportunidades – a que o projeto está exposto. Por exemplo, se o projeto tem risco de atraso por conta da falta de alguma matéria-prima, no plano de gerenciamento do projeto isso precisa estar claro, bem como as ações (homologação e seleção de fornecedores alternativos, por exemplo) também precisam estar nominadas e com responsáveis bem definidos. Ainda, diga- mos que o projeto tenha uma oportunidade (um risco) de ser entregue com um custo 15% menor em função da aprovação de uma tecnologia ainda não utilizada. As ações que a equipe de projeto fará para apoiar/obter essa apro- vação também têm de estar destacadas aqui. ■ Aquisições: muitos projetos são gerados internamente na companhia que é utilitária de seu produto. Assim, destacar as Especificações das aquisições que precisarão ser feitas é fundamental para a interface com a área de com- pras da empresa. ■ Gerenciamento de Mudanças: todo projeto passará por mudanças no perí- odo compreendido entre o seu início e fim. Via de regra, as mudanças do escopo, do custo e do cronograma serão as principais negociações e objeto de trabalho do Gerente do Projeto nesse período. Assim, o estabelecimento de regras para as mudanças (como patamares em que o gerente pode agir, ou o usuário solicitar mudanças, sem a necessidade de aprovação do comitê de mudanças), mais um modelo (template, na linguagem de projetos) que já seja pré-acordado para uso nos pedidos de mudança são o conteúdo básico desta área. Por ser uma atividade estruturada ao redor de uma metodologia; por ter nascido a partir das necessidades em empreendimentos de engenharia e atualmente ter uma ampla aplicação em negócios de tecnologia, fica evi- dente um certo ranço do gerenciamento de projetos ao redor de aspectos técnicos. Mas, afinal de contas, o que é gerenciado em um projeto? SELEÇÃO DE PROJETOS E PROCESSOS DE INICIAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. II CONSIDERAÇÕES FINAIS Muito bem! A segunda Unidade já ficou pra trás. Tenho a esperança de que a sua leitura para este livro não seja como uma vacina: uma dose única. Assim, espero que ainda haja fôlego de sua parte tanto para avançar e conhecer o que ainda não descobrimos quanto para retomar a leitura desta Unidade em outro momento, de modo a conseguir recuperar informações que, por mais que tenham apresentado algum sentido, terão este modificado ou aperfeiçoado a partir do restante do que ainda temos preparado para você. Assim, como lições aprendidas, espero que esteja claro em sua memória que os projetos precisam estar alinhados estrategicamente, produzir resultados econômi- co-financeiros e criar valor para o cliente da organização. Quanto mais desses três critérios o projeto produzir, mais ele será priorizado no porta-fólio da empresa e mais rapidamente ele será implementado. Ainda, apresentei a você conceitos fundamentais na formação de equipes de pro- jeto de alto desempenho e também para apresentações empresariais. Lembre-se de que esses dois aspectos merecem maior atenção de sua parte, porque eles são sensíveis às pessoas que te contratarem, empregadores ou clientes. Em outras palavras, quanto mais você souber lidar (no sentido de trabalho mesmo) com equipes e se comuni- car bem, mais as pessoas atribuirão valor ao seu trabalho e destaque à sua atuação. Além disso, nesta Unidade, tive a oportunidade de apresentar uma organização possível para o plano de gerenciamento do projeto, de modo que você tenha tanto facilidade em administrá-lo quanto eficiência em apresentá-lo às partes interessadas. Uma série de informações sobre o gerenciamento de projetos pode ser aces- sada em português, gratuitamente, a partir da comunidade de gerenciamen- to de projetos do Brasil, reunida ao redor do PMI. Assim, o capítulo Brasil do PMI pode ser acessado pelo site <http://brasil.pmi.org/>. Neste site, os voluntários e membros do PMI no Brasil oferecem maiores in- formações sobre desenvolvimento e educação, associação, certificações e os padrões do conhecimento em projetos editados pelo PMI. Neste, também es- tão reunidas as agendas de eventos dos capítulos estaduais do PMI no Brasil. 75 1. Qual é a necessidade de selecionar projetos? 2. Quais são as competências fundamentais para o gerente de projetos apontadas nesta Unidade? 3. No que consiste a análise de viabilidade econômico-financeira de projetos? QUAL É A SUA MISSÃO MESMO? Sem muito esforço encontramos empresas com uma frase que supostamente seria sua missão pregada na parede. Igualmente, não é difícil encontrar empresas em que, ainda que espalhada pela empresa, sua missão não represente efetivamente seus esforços, ou seu DNA. Há na verdade a maioria dos casos onde a missão sequer é conhecida ou lembrada pela direção ou funcionários. Essa constatação gera dois problemas. O primeiro é que a missão, por exemplo, sempre é feita às pressas, sem participação devida das pessoas que deveriam. Em alguns casos é definida por consultores e gerentes, sozinhos, e com isso, não expressa nada. Frase comum para a missão: “satisfazer os clientes, com produtos (serviços) de qualida- de, respeitando a sociedade e o meio ambiente, dando retorno aos acionistas.” Este tipo de missão não fala nada a respeito do que é a essência da empresa. Claro que ninguém vai guardar essa frase mesmo. Ela não diz o que é para fazer. Na maioria das vezes nem os diretores e acionistas estão lembrando dela no dia a dia. Foi feita porque em algum momento alguém achou que era legal. Pegava bem. Ou então, ouviu de algum pales- trante ou consultor. O problema é a falta de identidade que isso gera. Essa falta de identidade fará com que tanto os dirigentes da empresa quanto os funcionários tenham muito mais dúvidas do que deveriam na gestão do negócio. Exemplo, investir em um projeto “x”, sim ou não? Não se sabe. Afinal de contas, o projeto parece ser interessante, mas será que atende nossos propósitos? Quais são nossos propósitos? Cada um tem uma resposta diferente. A missão ajudaria exatamente nesse ponto. Em segundo lugar, é que quem paga a conta por esse erro básico é o planejamento, cla- ro! Se começar mal – sem objetivos bem definidos – um planejamento pode até ser bem feito, mas atenderá a propósitos que não são, verdadeiramente, os esperados. Com isso, normalmente após um primeiro ciclo do planejamento, ineficaz, o processo é abando- nado. “Isso não funciona!”. “Dinheiro jogado fora”. “Perda de tempo”. O que deveria estar na conta dos propósitos mal definidos (missão,objetivo, DNA, dê o nome que queira!), passa a figurar na conta do planejamento estratégico. Desta maneira – sem planejamento – as empresas fazem mais do mesmo, apagam in- cêndios, vivem às voltas com alta rotatividade de pessoal e por aí vai. Primeiro passo na gestão de qualquer negócio: defina bem seus objetivos. Gaste um tempo refletindo sobre isso. Compartilhe com as pessoas da empresa o propósito que ela deveria. Gaste um tempo refletindo sobre isso. Pense no que a empresa tem que fazer para oferecer algo diferente ao mercado. Gaste um tempo refletindo sobre isso. Inove. Quando tiver muita, mas muita certeza de que achou sua missão, não volte atrás nem a pau! Persiga-a e motive a todos na empresa para fazer o mesmo. MONTEIRO, Rodrigo Bastos. Qual é sua missão mesmo? Disponível em: <http://www. educacaoeap.com/2014/07/30/qual-e-a-sua-missao-mesmo/>. Acesso em: 17 jan. 2015. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Neste vídeo, o professor Paulo Sabbag dá uma aula sobre resiliência. Resiliência é a capacidade que o indivíduo, um grupo de pessoas ou uma corporação tem de superar crises e graves adversidades. O professor Paulo Sabbag identificou nove fatores importantes que permitem o enfrentamento correto dessas situações: autoeficácia, solução de problemas, temperança, empatia, proatividade, competência social, tenacidade, otimismo e flexibilidade mental. Estes nove fatores formam um sistema, eles se compõem e se ajudam mutuamente, não adiantado ter apenas um ou outro desenvolvido, de acordo com Sabbag. Nesta conversa, que você pode assistir no vídeo, estão contidas informações sobre o papel dos pessimistas no ambiente de trabalho, pois, ao contrário do que a maioria das pessoas entende, Sabbag defende que essa é uma característica que pode ajudar no desenvolvimento de projetos profissionais. <https://www.youtube.com/watch?v=tJRC38XHAPU>. U N ID A D E III Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar a lei da tripla restrição em projetos. ■ Apresentar as fases de iniciação, planejamento e execução de projetos. ■ Fundamentar o uso da AVA – Análise de Valor Agregado como ferramenta de gestão e controle de tempo e custo em projetos. ■ Definir o que são riscos e como gerenciá-los. ■ Definir o que são stakeholders e como gerenciá-los. ■ Destacar a gestão de pessoas como preponderante no gerenciamento de projetos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Iniciação de projetos ■ Gerenciamento do escopo ■ Gerenciamento do custo ■ Gerenciamento do tempo ■ Estratégias de execução de projetos ■ Gestão de mudanças ■ Gerenciamento de riscos ■ Gerenciamento de pessoas ■ Gerenciamento das partes interessadas INTRODUÇÃO Tendo selecionado os projetos que serão implementados – vimos isso na Unidade II –, passamos a definir os gerentes de projeto que serão responsáveis por entregar o produto dos projetos. O gerente então inicia o mapeamento das partes interes- sadas do projeto, os stakeholders, e simultaneamente o planejamento do projeto. Essa fase, de planejamento do projeto, é crítica e, em alguns casos, acompanhará o gerente de projeto durante toda a execução do projeto. Veremos indissociáveis os planejamentos de custo, tempo e riscos. Assim, nesta Unidade, me dedico a te explicar a tripla restrição, uma espécie de lei em projetos, mas que eu expandi para quatro restrições. Com base na tripla restri- ção, apresento o gerenciamento de escopo, de custo e de tempo em projetos na primeira parte da Unidade. Na segunda parte, apresento o gerenciamento de riscos, pessoas e de stakeholders, que aqui chamaremos de partes interessadas. Esta Unidade, a meu ver, traz o núcleo do entendimento de projetos, uma vez que aborda aspectos que já te darão algum subsídio para gerenciar melhor os seus projetos. Não digo com isso que o que abordamos até agora foi menor, ao contrário, foi fundamental para podermos ter entendimento do que tratare- mos. A minha exortação é no sentido de que como tratamos de gerenciamento de projetos em todo o livro, ao falarmos das seis áreas que abordaremos aqui, falaremos de 75% do gerenciamento de projetos profissional. Ao final da Unidade, trago um relatório do PMI que versa sobre o geren- ciamento de mudanças em projeto. Ainda, trago uma palestra com uma gerente de projeto que dá fechamento à compreensão da prática de projetos. Espero que você continue motivado(a), agora é a hora da verdade. Vamos lá, venha comigo! INICIAÇÃO DE PROJETOS Para Sabbag (2013), projeto é um esforço (endeavour) temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. Esforço incomum, porque 81 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III restringido por recursos escassos. Temporário significa que há um ciclo de vida com início e fim. Empreendido porque projeto = empreendimento. Resultado inclui recomendações (projeto de consultoria), nova estrutura (projeto de RH), eleição (projeto político), conformidade a regras e leis. Único ou exclusivo porque contexto, equipe do projeto, planejamento e contingências são únicos. Escopos quase sempre são progressivamente elaborados; o planejamento pode ser pro- gressivo (rolling-wave planning). Como começa um Projeto? O PMI (2012) recomenda a elaboração de um TAP – Termo de Abertura do Projeto (Project Charter, no inglês) (ver Figura 18). É o documento que oficializa a existência do projeto, designa responsável por ele e delimita as fronteiras do projeto (ver Figura 17). Produzir um Termo de Abertura resulta de um estudo inicial que, eventualmente, atesta a viabilidade de sua exe- cução, em nível macro. Sabbag (2013) afirma que se deve tomar alguns cuidados na construção do termo de abertura: ■ Texto curto (3 páginas) e ilustrado. ■ Narrativa afirmativa e convincente. ■ Argumentos objetivos e definidos. Fronteiras de projeto Responsável inicial/ patrocinador do prjeto Entregas de projeto Entradas de projeto Processos de iniciação Processos de encerramento Processos de execução Processos de planejamento Processos de monitoramento e controle Registros de projeto Usuários �nais Ativos de processos Figura 17 - Limites do Projeto Fonte: PMI (2012, p. 54) 83 Iniciação de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Revela profissionalismo. ■ Documento aprovado é fonte única de divulgação. Para facilitar sua compreensão, reproduzo uma ideia para o TAP a seguir (ver Quadro 7). Muito cuidado para esse não se tornar “O” termo de abertura. Trate-o como uma ideia. Você pode elaborar nos seus projetos um TAP mais ou menos detalhado do que essa proposta que estou te entregando: PROJETO JUPITER PROJECT CHARTER 001 Nome do Projeto Projeto Jupiter Ver- são 01 1. Objetivo do Projeto Implantar uma ferramenta e estruturar os processos de Inteligência Competitiva em todas as áreas de negócio da Unidade do Paraná da Empresa Brasil-AmericaLatina, buscando atender às diretrizes estabelecidas pela diretoria da Organização. 2. Gerente do Projeto, Responsabilidades e Autoridade O Gerente designado para a condução do projeto será o Sr. Eduardo Gutierrez, e terá como atribui- ções garantir as entregas estabelecidas para o projeto, dentro do padrão de qualidade acordado e das premissas e restrições mapeadas. Sua autoridade é total na esfera do projeto, estando subordi- nado diretamente ao Patrocinador e ao Comitê Executivo estruturado para o projeto. Gerenciamento da integração do projeto 4.1 Desenvolver o termo de abertura do projeto 13.1 Identi�car as partes interessadasA seta circular tracejada indica que o processo é parte da área de conhecimento da integração do projeto. Esta área de conhecimento coordena e uni�ca os processos das outras áreas de conhecimento. Gerenciamento das partes interessadas do projeto Figura 18 - Grupo de Processos de Iniciação Fonte: PMI (2012, p. 425) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III 3. Metas 1. Aumentar em 25% o Market Share da Empresa Brasil-AmericaLatina. 2. Reduzir em 10% seus Custos Operacionais. 3. Reduzir em 30% o tempo de lançamento de novos produtos no mercado. 4. Premissas • Deverá ser Implantada uma Ferramenta de Inteligência Competitiva. • O Processo de Inteligência Competitiva deverá ser estruturado na Organização. • O projeto deverá prever o compartilhamento da Ferramenta e Processos em todas as áreas da organização. • Para o projeto, deverão ser designadas Pessoas-Chave de cada uma das Áreas da Organização. • Estão previstas a criação e a revisão dos procedimentos internos que darão suporte ao novo pro- cesso estabelecido. • Está previsto o treinamento de todas as Áreas na Nova Ferramenta e nos novos Processos e Proce- dimentos Estabelecidos. 5. Restrições • O Prazo de Implantação deverá ser de 1,5 ano. • A verba será limitada, de modo que o orçamento disponível para investimento no projeto, já nego- ciado junto à Diretoria Financeira, é de R$ 1.150.000,00. • O projeto deverá ser limitado à Planta do Paraná. • Eventuais alterações no escopo deverão ser solicitadas formalmente ao comitê de controle de mudanças do projeto, que estudará e emitirá um parecer a respeito da viabilidade. 6. Riscos • Baixa Qualidade das Informações Levantadas. • Falta de Assertividade nos Diagnósticos realizados junto às Áreas da Organização. • Resistência à Mudança por Parte das Pessoas da Organização. • Complexidade na Ferramenta a ser Desenvolvida. • Falta de Efetividade nos Procedimentos Estabelecidos. • Treinamento Inadequado. • Falta de Apoio do Patrocinador e da Alta Direção. 7. Prazo e Investimento Prazo 18 Meses Investimento R$ 1.150.000,00 8. Principais Etapas Principais Etapas Datas Custos Planejamento 10.03.2015 R$ 50.000,00 Levantamento de Informações Estratégicas 15.04.2015 R$ 100.000,00 85 Iniciação de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Diagnóstico das Demandas Organizacionais 01.06.2015 R$ 85.000,00 Proposta de Soluções 10.09.2015 R$ 75.000,00 Ferramenta de Inteligência Competitiva 30.10.2015 R$ 650.000,00 Procedimentos Corporativos 15.02.2016 R$ 95.000,00 Treinamentos 20.04.2016 R$ 70.000,00 Go Live 05.06.2016 R$ 25.000,00 Total R$ 1.150.000,00 9. Stakeholders Os principais stakeholders do Projeto são: Nome Cargo Função Marcus Marcondes Diretor de Operações Sponsor do Projeto Eduardo Gutierrez Gerente de Operações Gerente do Projeto Bruno Bastos Presidente do Grupo Comitê Executivo Sidnei Silva Gerente de Marketing Coordenador de Comunicação Augusto Afonso Coordenador de RH Coordenador de Treinamentos Silvio Silvestre Gerente de Informática Coordenador Técnico 10. Comentários Este é um projeto estratégico para a empresa. Os gestores das áreas envolvidas deverão orientar suas equipes para que seja dada a devida importância ao projeto, de modo a garantir o cumprimen- to dos prazos previstos e a qualidade das entregas estabelecidas. REGISTRO DE ALTERAÇÕES Data Modificado por Descrição da mudança APROVAÇÕES Nome Marcus Marcondes – Dir. de Operações Assinatura Função Sponsor do Projeto Data 01.11.2014 Nota: Quaisquer alterações neste documento deverão ser submetidas ao CCB para fins de controle e documentação. Quadro 7 - Exemplo de TAP – Termo de Abertura do Projeto Fonte: elaborado pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Além dos exemplos que estão posicionados aqui, na Unidade V apresento a técnica do 5W2H, que pode ser utilizada para a construção de um TAP. Assim, quando chegar lá, retome o estudo desta seção. Ficará mais claro ainda o que propus para você agora. GERENCIAMENTO DO ESCOPO Para o PMI (2012), o gerenciamento do escopo do projeto está relacionado à defi- nição e controle do que está ou não incluso no projeto. Assim, o Gerenciamento do Escopo visa garantir que esteja incluído todo o trabalho necessário para ter- minar o projeto com sucesso. Dessa forma, é importante distinguir os escopos do projeto e do produto do projeto. Quando o escopo é do produto, envolve características e funções de um produto ou serviço. Por outro lado, quando tratamos do escopo do projeto, nos referimos ao trabalho a ser realizado para entregar o produto ou serviço (SOTILLE et al., 2010). Com isso em mente, já conseguimos entender que a con- clusão do escopo do projeto é medida em relação ao atendimento do plano de gerenciamento do projeto. Por outro lado, a conclusão do escopo do produto é medida no atendimento aos requisitos do produto. Dessa maneira, o PMI (2012) é categórico ao afirmar que os processos de gerenciamento do escopo do pro- jeto precisam estar bem integrados aos das outras áreas de conhecimento para que o trabalho do projeto resulte na entrega do escopo do produto especificado. A partir da apresentação dos processos do Gerenciamento de Escopo no PMBOK®, podemos verificar a amplitude do trabalho envolvido nesta área de gerenciamento. Assim, o PMI (2012) destaca os seis processos de Gerenciamento de Escopo como: - Planejar o gerenciamento do escopo – O processo de criar um plano de gerenciamento do escopo do projeto que documenta como tal escopo será definido, validado e controlado. - Coletar os requisitos – O processo de determinar, documentar e geren- 87 Gerenciamento do Escopo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ciar as necessidades e requisitos das partes interessadas, a fim de atender aos objetivos do projeto. - Definir o escopo – O processo de desenvolvimento de uma descrição deta- lhada do projeto e do produto. - Criar a EAP – O processo de subdivisão das entregas e do trabalho do pro- jeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis. - Validar o escopo – O processo de formalização da aceitação das entregas concluídas do projeto. - Controlar o escopo – O processo de monitoramento do andamento do escopo do projeto e do produto e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do escopo. A partir do plano de gerenciamento do escopo, é feita a declaração do escopo detalhada. Cria-se a EAP – Estrutura Analítica do Projeto e fica estabelecido o processo de controle de solicitação de mudanças. Machado Filho (2013) lem- bra que o Plano de Gerenciamento do Escopo é um plano auxiliar do Plano de Gerenciamento do Projeto, em consonância com o que apresentei na seção de Organização Documental do Projeto, na Unidade I. Para o PMI (2012), os pro- cessos usados para gerenciar o escopo do projeto, bem como as ferramentas e técnicas de suporte, podem variar por projeto. Pelo guia, podemos compreender a linha de base do escopo para o projeto como a versão aprovada da especifica- ção do escopo do projeto, da estrutura analítica do projeto (EAP) e o respectivo dicionário da EAP. Ainda, o PMI (2012) nos alertará que a linha de base só poderá ser alterada através de procedimentos formais de controle de mudança. Assim, a linha de base sempre é utilizada como comparação nos processos de validar o escopo e controlar o escopo. Resumidamente, acompanhando o que nos informa o PMBOK®, o plano de gerenciamento do escopo descreve como o escopo será definido, desen- volvido, monitorado, controlado e verificado. O desenvolvimento do plano de gerenciamento do escopo e o detalhamentodo escopo do projeto são origina- dos a partir da análise das informações contidas no TAP, nos últimos planos das demais áreas, aprovados do plano de gerenciamento do projeto, nas informações PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III históricas contidas nos ativos de processos organizacionais e quaisquer outros fatores ambientais da empresa que sejam relevantes. Sobre o processo de coletar os requisitos para definição do escopo, Machado Filho (2013) afirma que se trata de definir e documentar as características e fun- ções do produto e do projeto que atendam às necessidades e expectativas dos interessados. Nesse sentido, os requisitos de um projeto podem ser classifica- dos quanto a Requisitos do Negócio, quando associados ao valor agregado ao negócio. Ainda, podem ser Requisitos do Produto, a partir das características ou funcionalidades que o produto deve ter. Por fim, podem ser Requisitos do Projeto, quando são processos, restrições, normas ou procedimentos. Para Sotille et al. (2010), o sucesso do projeto está diretamente influenciado pelo envolvimento das partes interessadas na descoberta e decomposição das necessidades. Com isso, decompor as necessidades em requisitos, determinar e documentar o gerenciamento dos requisitos do produto, serviço ou resultado do projeto são atividades características desse processo. Ainda, o PMBOK® destaca que os requisitos incluem as necessidades quan- tificadas e documentadas, bem como as expectativas do patrocinador, cliente e outras partes interessadas. Assim, os requisitos precisam ser obtidos, analisados e registrados com detalhes suficientes para serem incluídos na linha de base do escopo e medidos, uma vez que a execução do projeto se inicie. Há uma certa lógica em constatar que são muitas as partes interessadas e são muitas as entregas que deverão ser feitas para atender o produto e o geren- ciamento de projeto. Assim, é importante estruturar os requisitos em categorias, de modo a permitir uma melhor visualização e detalhamento. Nesse sentido, o PMI (2012) destaca que os requisitos agrupados em classificações permitem um refinamento à medida que são elaborados. Mais do que isso, o guia informa algumas classificações possíveis: ■ Necessidades de negócios: questões estratégicas da organização, como oportunidades de negócios e as razões por que o projeto foi empreendido. ■ Requisitos de projeto: descrevem as ações, processos e outras condições que devem ser cumpridas pelo projeto. ■ Requisitos de qualidade: descrevem condições ou critérios necessários 89 Gerenciamento do Escopo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . para validar a conclusão bem-sucedida de uma entrega de projeto ou o cumprimento de outros requisitos do projeto. ■ Requisitos das partes interessadas: descrição das necessidades de uma parte ou de um grupo de partes interessadas. ■ Requisitos de solução: atributos, funções e características do produto, ser- viço ou resultado que atenderão aos requisitos do negócio e das partes interessadas. Podem ser funcionais, quando descrevem os comportamen- tos do produto. Também podem ser não funcionais, quando descrevem as condições ou qualidades ambientais requeridas para que o produto seja eficaz. ■ Requisitos de transição: descrevem temporalidades, como conversão de dados, cadastro e treinamentos necessários para a transição entre a equipe de projeto e a equipe de operação do produto ou serviço. Para a coleta de requisitos, a equipe do projeto se utilizará de entrevistas for- mais e informais, que investigarão as expectativas das partes interessadas. Ainda, poderá definir grupos de discussão sobre o projeto com especialistas e pessoas- -chave, tanto no cliente do projeto como no patrocinador e demais interessados. Uma vez coletados os requisitos, partimos para a definição do escopo do projeto. Sobre o processo de definir o escopo, temos que este processo delineia objetivos, descrição do escopo, requisitos (condições que deverão ser atendidas), limites, entregas, critérios de aceitação e aprovação do produto. Além disso, na definição do escopo são destacadas as premissas e restrições, os riscos iniciais, os marcos do cronograma e as limitações orçamentárias (SABBAG, 2009). Embora o planejamento de um projeto inicie pelo escopo, é comum que o planejamento das outras áreas influencie na definição do escopo. O PMI (2012) expõe que a preparação detalhada da especificação do escopo é crítica para o sucesso do projeto. Isso se dá porque a especificação do escopo baseia-se nas entregas principais, premissas e restrições que são documentadas durante a iniciação do projeto. Com isso, durante o planejamento do projeto, o seu escopo é definido e descrito com maior especificidade conforme as infor- mações a respeito do projeto são conhecidas. Claro que os riscos existentes, premissas e restrições são analisados para veri- ficar sua integridade e acrescentados ou atualizados conforme necessário. Com PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III isso, o PMBOK® destaca que o processo definir o escopo pode ser altamente ite- rativo. Por exemplo, na área de risco em um projeto hipotético de uma Festa de 15 anos, o plano de resposta a riscos pode indicar a necessidade de contratação de um toldo, tendo em vista a grande probabilidade de chuvas durante o evento que está sendo planejado. Na área de aquisições, os contratos, quando de respon- sabilidade da equipe do projeto, são subprodutos que devem constar do escopo do projeto. Comportamento que também pode ser observado na área de cus- tos, uma vez que, se a equipe for realizar o gerenciamento pela AVA – Análise de Valor Agregado (EVM – Earned Value Management), uma das técnicas do processo de controle dos custos, esse trabalho de gerenciamento deve ser pre- visto no escopo do projeto. Para explorar um pouco mais a intersecção entre a definição do escopo e as demais áreas, podemos continuar exemplificando interações. Assim, em reação à área de tempo, para a utilização de um software que permita o controle do cro- nograma, pode ser necessário acrescentar ao escopo do projeto o treinamento de integrantes da equipe na utilização desse software. Na qualidade, para atendimento de um item do processo de garantia da qualidade, pode ser necessária a realização de auditoria da qualidade, sendo, por conseguinte, acrescentada ao escopo do pro- jeto. Em recursos humanos, para o processo de desenvolvimento da equipe, pode ser decidida a realização de um evento de confraternização para que os membros da equipe se conheçam ou um treinamento em uma tecnologia específica. Por fim, nas comunicações, o plano de gerenciamento das comunicações pode concluir ser necessária a instalação de uma estrutura de videoconferência interli- gando os principais envolvidos no projeto. De outro modo, na área de integração, o plano de projeto é um dos itens do escopo oriundos dessa área. Você percebeu que uma declaração do escopo – resultado do processo de defi- nir o escopo – é um documento que pode sofrer atualizações ao longo do projeto. Nesse sentido, quanto melhor for a visualização do trabalho que deve ser feito no projeto para a entrega do produto do projeto, melhor. Para isso, apresentare- mos o processo de criação da EAP – Estrutura Analítica do Projeto. O PMI (2012) destaca que criar a EAP é o processo de subdivisão das entregas e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciá- veis. Por isso, afirma que o principal benefício desse processo é o fornecimento 91 Gerenciamento do Escopo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . deuma visão estruturada do que deve ser entregue. Abreu (2013) afirma que o objetivo de uma EAP, do Inglês, Work Breakdown Structure (WBS), é identifi- car elementos terminais (os produtos, serviços e resultados a serem feitos em um projeto). Amplamente, em gerenciamento de projetos, uma EAP é uma fer- ramenta de decomposição do trabalho do projeto em partes manejáveis. Dessa forma, a EAP é estruturada em árvore exaustiva, da mais geral para a mais espe- cífica (hierárquica), orientada às entregas (deliverables) que precisam ser feitas para completar um projeto. Assim, a EAP serve como base para a maior parte do planejamento do projeto. Em outras palavras, a ferramenta primária para des- crever o escopo do projeto (trabalho) é a Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Ainda sobre os componentes da EAP e sua construção, podemos citar o PMI (2012): ■ EAP: Decomposição hierárquica orientada à entrega do trabalho. Organiza e define o escopo total do projeto. ■ Decomposição: Subdivisão das entregas até o nível de Pacotes de Trabalho (Work Package: Componentes de nível mais baixo da EAP. Para o PMI, nunca inferior a 80 horas). ■ Dicionário da EAP: Conteúdo detalhado dos componentes da EAP. ■ Entregáveis (deliverables): Tangibiliza o trabalho. Simboliza a conclusão de determinado trabalho. Demarca eventos (início ou conclusão). ■ Datas-marco (milestones): São utilizadas para controlar resultado e não trabalho. Assim, o que se espera é controlar eventos sem cometer inge- rências sobre o processo. A EAP é uma ferramenta bastante comum. Abreu (2013) afirma que várias reso- luções de trabalho do governo dos Estados Unidos têm como requerimento uma Estrutura Analítica do Projeto – EAP/WBS. Desse modo, a EAP não é criada apenas para o gerente do projeto, mas para toda a equipe de execução do projeto, bem como para as demais partes interessadas, tais como clientes e fornecedo- res. Em outras palavras, a EAP é uma das partes mais importantes no plano do projeto. Ela serve como entrada para o desenvolvimento da agenda, atribuição de funções e responsabilidades, gestão de riscos, entre outros. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Para construir adequadamente uma EAP, alguns cuidados precisam ser toma- dos. A EAP tem de ser completa, organizada e pequena o suficiente para tornar possível a medição do progresso, mas não detalhada o suficiente para se tornar, ela mesma, um obstáculo à realização do projeto. De acordo com Sotille et al. (2010), uma boa heurística a seguir é a regra do 8-80: exige-se que um pacote de trabalho ocupe entre 8 e 80 horas de duração. Vejamos como o professor Abreu (2013) exemplifica uma simples EAP orientada a entregas: - Pacotes de Trabalho (parte da EAP) - Atividades (não fazem parte da EAP) - Projeto: Pintar uma sala ■ Preparação de materiais - Comprar tinta - Comprar escada - Comprar pincéis / rolos - Comprar removedor de papel de parede ■ Preparação da sala - Remoção do papel de parede antigo - Remoção das decorações destacáveis - Cobrir chão com jornais - Cobrir tomadas com fita - Cobrir móveis com lençóis velhos ■ Pintura da sala - Pintar grandes áreas com rolo - Pintar rodapés com pincel ■ Limpeza da sala - Jogar fora ou guardar a tinta que sobrou - Limpar pincéis e rolos - Jogar fora jornais 93 Gerenciamento do Escopo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Há diversas formas de se organizar uma EAP. Algumas delas são: d. Fases, datas-marco ou etapas de execução. e. Macrocomponentes ou entregáveis. f. Subsistemas tecnológicos. g. Função da organização. h. Unidade organizacional ou área geográfica. i. Natureza das atividades. j. Plano de Contas. k. Executores. O Dicionário da EAP é o documento que descreve o trabalho a ser realizado em cada pacote de trabalho. Assim, um Dicionário da EAP precisa incluir informa- ções, como i) o número de identificação do pacote de trabalho na EAP (ou código de contas [code of accounts] que pode ser usado para apropriação dos custos, segundo o PMI [2012]); ii) o escopo: especificação do subproduto a ser gerado, o trabalho necessário para a geração dele, critérios de aceitação do subproduto; iii) tempo: duração – data prevista para início e fim – prazo para a aceitação e Pintar uma Sala Nível 1 Nível 2 Nível 3 Preparação de Materiais Preparação de Sala Pintar Sala Limpeza da Sala • Comprar tinta • Comprar escada • Comprar pincéis / rolos • Comprar removedores de papel de parede • Remoção do papel de parede antigo • Remoção das decorações destacáveis • Cobrir chão com jornais • Cobrir tomadas com �ta • Cobrir móveis com lençóis velhos • Pintar grandes áreas com rolo • Pintar rodapés com pincel • Jogar fora, ou guardar a tinta que sobrou • Limpar pincéis e rolos • Jogar fora jornais • Remover e limpar lençóis Figura 19 - Estrutura Analítica do Projeto (WBS) Fonte: elaborada pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III dependência de outros subprodutos; iv) custo: estimativa do custo e recursos necessários; v) pessoas: designação de responsabilidades e recursos; vi) risco: riscos envolvidos e respostas planejadas; vii) qualidade: critérios de qualidade a serem atendidos; viii) comunicações: informações necessárias para os stake- holders; ix) aquisições: recursos a serem adquiridos (descrição e cronograma). A especificação de um pacote de trabalho contém informações sobre o pro- duto a ser gerado, podendo conter figuras, gráficos ou textos. As especificações podem ser do seguinte tipo: ■ Especificações de Projeto (desenho): detalham as características físicas (design), com o risco de execução para o Contratante. ■ Especificações de desempenho: especificam as características mensuráveis de performance que devem ser atingidas durante a operação do produto final, com o risco de execução para o contratado. ■ Especificações funcionais: descrição do uso final de um item para esti- mular a competição em itens comerciais ao menor custo total. É um subconjunto da especificação de desempenho, com o risco da execução recaindo sobre o contratado. Veja um exemplo de dicionário da EAP: PACOTE DE TRABALHO DESCRIÇÃO 4.1.3 Evento de Boas- Vindas Evento de boas-vindas para conferencistas que chegam um dia antes do início da conferência. Consistirá em um coquetel oferecido no próprio hotel do evento, para cerca de 100 pessoas, com duração de 2 horas. O buffet, cardápio e bebidas devem ser aprovados pelo Departa- mento de Marketing. Quadro 8 - Exemplo de Dicionário da EAP Fonte: elaborado pelo autor O planejamento adequado é o principal elemento para o sucesso de qualquer projeto. Para o desenvolvimento de um plano de projeto realista, é fundamental a definição do trabalho a ser realizado (escopo), através da elaboração de uma EAP. Este documento, juntamente com o cronograma e o orçamento correspon- dentes, formam a linha-base (base de referência) do projeto em relação ao qual é realizado o acompanhamento do projeto, permitindo a medição de desempenho. 95 Gerenciamento do Escopo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Durante a execução do projeto, é praticamente inevitável ocorrer solicitações de alterações no escopo dele. Um fator crítico de sucesso para o gerenciamento do escopo é a condução estruturada do processo de solicitação de mudanças, com a utilização de um procedimento formal, previamente definido e documentado. O controle de alterações do escopo em um projeto é o processo responsá- vel por, de forma organizada e controlada, receber os pedidos de alterações do escopo, avaliar o impactodelas no próprio projeto e, em projetos interdependentes, obter a autorização ou não das alterações por quem de direito e, se autorizadas, refletir as mudanças solicitadas na linha-base do projeto. Esse controle envolve procedimentos e padrões que são usados para gerenciar as alterações, os quais devem ter sido previstos no Plano de Gerenciamento do Escopo, gerado durante o processo de Planejamento do Escopo. O Controle de Alterações do escopo consiste, portanto, em: ■ Influenciar os fatores que geram as alterações do escopo para assegurar que, quando forem solicitadas, haja concordância a respeito delas. ■ Detectar que uma alteração do escopo ocorreu. ■ Administrar as alterações, se e quando ocorrerem. Por fim, dentro do Gerenciamento do Escopo, há o processo de validação do escopo (ver Figura 5), que é definido pelo PMI (2012) não apenas como a aceitação das entregas, mas também da validação de que as entregas entregarão valor ao negó- cio e a confirmação de que as entregas, como fornecidas, cumprirão os objetivos do projeto e seu uso pretendido pelas respectivas partes interessadas. Assim, são condu- zidas inspeções que têm por finalidade medir, examinar e verificar, determinando se o trabalho e as entregas atendem aos requisitos e aos critérios de aceitação do pro- duto. Uma vez as entregas aceitas, é feita a documentação das entregas terminadas e o reconhecimento da aceitação das entregas do projeto pelas partes interessadas. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III GERENCIAMENTO DOS CUSTOS Os custos em projetos integram a chamada tripla restrição. Assim como escopo e tempo, forma a base de estimativas e, às vezes, de parâmetros básicos para enten- der o valor do projeto e sua eficiência. Nesse sentido, qualquer alteração que se faça no escopo afeta o custo ou o tempo, ou os dois. Consequentemente, alte- rações de tempo do projeto têm impacto no custo ou no escopo, ou em ambos. Veja um exemplo: Projeto: Construir uma casa. ■ Escopo: duas suítes, um quarto, sala de jantar, sala de TV, cozinha, lavan- deria, jardim, muros e duas vagas de garagem. ■ Tempo: 6 meses para completar a obra. ■ Custo: 250 mil reais. Parecer do cliente do projeto: “– Não posso pagar 250 mil reais. O orçamento disponível é de 50 mil a menos”. Nesse caso, podemos tomar algumas alternativas para atender à restrição no orçamento (ver Figura 20): PROJETO DA CASA Te m po Custo Escopo Figura 20 - Tripla restrição em projetos Fonte: adaptada de PMI (2012) 97 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . a. Diminuir o escopo (entregar a casa sem muros, jardim, lavanderia e gara- gem, por exemplo). b. Aumentar o tempo (reduzindo a mão de obra, diminui-se o ritmo de construção e entrega a casa em 20 meses). Novo parecer do cliente: “– Não! Quero pagar 200 mil com o mesmo escopo e tempo que havia sido colocado na primeira estimativa!”. Nesse caso, tenho uma alternativa que estava faltando à tripla restrição: a Qualidade. Em outras palavras, a qualidade, se alterada, também impacta direta- mente em tempo, escopo ou custo. Assim, as ações para construir a casa dentro das restrições do escopo, tempo e custo serão relacionadas a interferências na qualidade. Portanto, para alterar a qualidade, algumas providências podem ser tomadas. Veja: a. Os muros, que seriam feitos de tijolos de barro, são substituídos por blo- cos pré-fabricados. b. As telhas não são mais de concreto, são onduladas. c. As suítes, em vez de porcelanato, receberão azulejos de baixa qualidade. d. As luminárias do tipo plafon dão lugar a bocal e lâmpadas simples E por aí vai. Você já entendeu que a tripla restrição é, na realidade, uma quádrupla restri- ção. Qualquer alteração em uma das quatro variáveis, consequentemente, afeta uma, duas ou todas as demais (ver Figura 21). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Com o entendimento das restrições básicas em projetos, podemos avançar na compreensão da forma como o Gerenciamento do Custo em Projetos precisa ser abordado e utilizado: de maneira integrada com as outras áreas e continua- mente aperfeiçoado. Nesse sentido, o gerente de projeto deve se ocupar com a coleta e análise das informações em custos durante todo o projeto. Dessa forma, esse conjunto de informações passa a ser uma espécie de termômetro para ava- liar a eficiência e o desempenho do projeto. Em outras palavras, o custo precisa ser planejado e controlado, não apenas contabilizado (BARBOSA et al., 2009). Para o PMI (2012), os processos que compreendem o Gerenciamento dos Custos em um projeto são os seguintes: ■ Planejar o gerenciamento dos custos – O processo de estabelecer as polí- ticas, os procedimentos e a documentação para o planejamento, gestão, despesas e controle dos custos do projeto. ■ Estimar os custos – O processo de desenvolvimento de uma estimativa dos custos dos recursos monetários necessários para terminar as ativi- dades do projeto. ■ Determinar o orçamento – O processo de agregação dos custos estima- dos de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos autorizada. ■ Controlar os custos – O processo de monitoramento do andamento do projeto para atualização no seu orçamento e gerenciamento das mudan- ças feitas na linha de base dos custos. PROJETO DA CASA Te mp o Escopo Cu sto Qualidade Figura 21 - Quádrupla restrição em projetos Fonte: adaptada de PMI (2012) 99 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Dedicaremo-nos a entender o gerenciamento dos custos a partir dos quatro processos definidos no PMBOK, contudo, o entendimento dos conceitos sobre custos e sua dinâmica de planejamento, controle e orçamentação nos remete ao conhecimento originado na contabilidade. Normalmente, os gestores definem custo como um recurso sacrificado ou algo que se abre mão para um determinado fim. Assim, muitas empresas consideram custo como quantia monetária (dólares, reais, euros, ienes etc.) consumida na obtenção de serviços ou produtos. Com isso, para guiar suas decisões, os gesto- res desejam saber “quanto custa” determinado objeto do custo (serviço, produto, atividade, processo, departamento etc.). Como em outros campos do conheci- mento, há aqui também uma nomenclatura específica e peculiar, cujo estudo iniciaremos pela terminologia. Desse modo, há que se diferenciar os conceitos e atribuir significado mais detalhado a termos que, muitas vezes, são tidos como sinônimos e não são. Assim, desembolso, gasto e despesa, por exemplo, ganham novos contornos de compreensão. Para tornar esse entendimento mais fácil, apresento os termos e seus significados no Quadro 9. TERMO SIGNIFICADO Desembolso Pagamento oriundo da aquisição de bem, serviço, financia- mento etc. Gasto Sacrifício financeiro representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro), que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço. Despesa Bem ou serviço consumido indiretamente para a obtenção de receitas. Gasto com a empresa. Exemplo: salário do contador. Investimento Gasto “ativado” em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a períodos futuros, normalmente de médio ou lon- go prazo. Ex.: compra de computador. Custo Soma dos valores dos esforços consumidos na geração de outros bens e/ou serviços. Ex.: horas dedicadas à atividade-fim. Perda Bem ou serviço consumido de forma involuntária. Pode ser Normal, Técnica ou do Processo (incluídas no custo), ou Anor- mal, por Obsolescência ou Desperdício (despesa). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃOReprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Custo por Natureza Segregação dos custos por tipo. Ex.: materiais (MAT), salários, encargos sociais, aluguel, energia etc. Custo Direto Identifica, de maneira razoavelmente precisa, a qual objeto do custo (departamento / produto / serviço etc.) se refere. Ex.: embalagem. Custo Indireto (IND) Necessita do auxílio de critérios para ser atribuído aos objetos do custo (atividade / produto / serviço etc.) que o consomem. Ex.: aluguel de um imóvel ocupado por diferentes departa- mentos (vendas, produção, administração etc.). Custo dos Pro- dutos Fabrica- dos Total do custo dos produtos concluídos num período. Também chamado de Custo de Produção. Ex.: somatório do consumo de MAT + mão de obra direta (MOD) + IND. Custo dos Pro- dutos Vendi- dos (indústria) Representa o custo dos itens que foram comercializados pela empresa (custo unitário multiplicado pela respectiva quanti- dade vendida), e será confrontado com a respectiva receita de venda. Raciocínio semelhante ao do Custo das Mercadorias Vendidas (comércio). Custo Total Somatório de todos os custos (diretos e indiretos, fixos e variáveis etc.). Este conceito/raciocínio serve como base para o Método de Custeio por Absorção (será estudado adiante). Custo Unitário Resultado da divisão do custo total pela respectiva quantida- de. Custo Variável É aquele cujo valor total varia direta e proporcionalmente jun- to com o volume de atividade. Esta classificação como Variável é feita a partir da observação do seu valor total, admitindo-se que seu valor unitário mantenha-se constante (pressuposto da linearidade), independente da alteração que ocorrer no volume operacional. Ex.: consumo de material. Custo Fixo É aquele que, durante um período de tempo e amplitude do nível da atividade (chamada intervalo relevante), não se altera em seu valor total. À medida que, nesse intervalo relevante, altera-se o volume de atividade, seu valor unitário torna-se progressivamente menor ou maior. Também conhecido como Custo Periódico (ou do Período). Ex.: aluguel. Custos Incor- ridos Custos afundados ou Sunk Costs. Dinheiro já investido em um projeto. Fora do controle do Gerente do Projeto. Independen- temente do que seja feito, os custos incorridos não podem ser recuperados e não afetarão os resultados futuros do projeto. Quadro 9 - Terminologia de Custos Fonte: elaborado pelo autor 101 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A partir do entendimento da nomenclatura em custos, é possível propor um entendimento sobre as principais preocupações com custos em projetos. Assim, vamos aproximar ainda mais o entendimento sobre custos diretos e indiretos, fixos e variáveis e também sobre custos incorridos. Os custos diretos são aqueles gastos no projeto, diretamente atribuídos e que, portanto, não demandam rateios. Podemos entender como custos os ori- ginados em gastos em equipamentos, mão de obra, serviços no projeto, viagens da equipe e assim sucessivamente. Já os custos indiretos demandam maior cuidado na análise, uma vez que se relacionam com as atividades necessárias para o funcionamento de toda a empresa. Assim, esses custos precisam ser rateados entre os projetos e departa- mentos. Por isso, de modo a tornar a atribuição dos custos indiretos mais lógica, são estabelecidos, pelo menos, quatro subgrupos destes custos: administrativos, vendas, tributários e financeiros. Desse modo, custos com pessoal da administra- ção, incluindo diretoria, bem como gastos com materiais de escritório, limpeza, energia elétrica e todas as outras que estejam sendo destacadas para a adminis- tração, serão atribuídos proporcionalmente ao projeto. Com o mesmo raciocínio dos custos indiretos administrativos, atribui-se o rateio aos custos com vendas. Nesse caso, serão integrados por itens como pro- moção e propaganda, salário e comissão dos vendedores, gastos com visitas a clientes, telefone e internet, material de escritório utilizado na área de vendas e demais com o mesmo fim. Por fim, os custos tributários guardam certa autoexplicação. Tratam-se dos custos decorrentes de tributos, impostos, taxas e contribuições pagas pela empresa de modo global e que precisarão contar – proporcionalmente – como custo para cada área e projeto. Ainda, os custos financeiros serão aqueles empre- gados na remuneração do capital obtido pela empresa para o financiamento de suas atividades. De modo a exemplificar o comportamento dos custos indiretos em um pro- jeto, propomos um exemplo. A Empresa XYZ tem custo anual de R$ 500 mil para suas atividades. Desse modo, ao fazer o levantamento dos custos indiretos para administração e vendas, encontra-se o cenário contido no Quadro 10. Assim, os custos indiretos com administração e vendas, que deverão ser atribuídos aos PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III projetos da empresa, somam R$ 81.660, ou seja, 16,33% dos R$ 500 mil que é a soma do custo anual. CUSTOS INDIRETOS (EM R$) Empresa: Empresa XYZ Custos 1º quadrimestre 2º quadrimestre 3º quadrimestre Total Anual Administração Salários 12.000 13.200 12.950 38.150 Aluguéis 4.400 3.950 4.875 13.225 Telefone 800 915 1.025 2.740 Material de escri- tório 2.850 2.900 2.645 8.395 Energia Elétrica 500 750 980 2.230 VENDAS Propaganda 3.000 2.800 7.800 13.600 Assessoria téc- nica 400 100 1.500 2.000 Elaboração de propostas 100 870 350 1.320 Total Quadrimestral 24.050 25.485 32.125 81.660 Quadro 10 - Demonstrativo Quadrimestral de Custos Indiretos com Administração e Vendas Fonte: elaborado pelo autor Seguindo com a aplicação do exemplo da Empresa XYZ, pode-se propor uma forma de estimação dos custos indiretos com administração e vendas para um projeto qualquer da empresa. Em outras palavras, o projeto precisa contemplar em seus custos pelo menos 16,33% do total a ser gasto para despesas com a admi- nistração e com as vendas. Retomaremos o assunto de estimação dos custos no processo referente a ele ainda nesta Unidade. Agora, importa-nos definir bem as diferenças entre os cus- tos. Ainda nos escapam os custos fixos, variáveis e incorridos. Vamos aos fixos. 103 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Para Barbosa et al. (2009), os custos fixos são aqueles que não variam em função da quantidade de atividades do projeto. Assim, custos com aluguéis e instalações, por exemplo, acontecerão de igual forma, havendo ou não trabalho no projeto, sendo grande ou pequena a utilização de tais itens. Por outro lado, os custos variáveis são aqueles que se modificam de acordo com a quantidade de trabalho empregada. Assim, quanto mais se produz, maiores são as necessidades de matérias-primas e insumos para esse trabalho e, portanto, maiores os custos fixos. Claro que você já entendeu que a soma dos custos fixos e variáveis produzem o custo total do projeto (ver Figura 22). Já os custos incorridos (sunk costs) são aqueles em que já houve o desembolso no projeto até um determinado momento. Em projetos, o poder de ajuste sobre os custos é maior no início, quando eles ainda não são totalmente conhecidos ou estão sendo negociados (BARBOSA et al., 2009). Nesse sentido, quanto mais o tempo passa no projeto, menores são as possibilidades de redução dos custos. Em sentido contrário, à medida que o tempo passa, maior é o custo de modifi- cação do projeto, uma vez que já foram incorridos diversos custos. Em outras palavras, o planejamento do gerenciamento dos custos tem grande ascendência sobre os stakeholders no início do projeto, na hora em que os demais planeja- mentos (do tempo, escopo, riscose qualidade, por exemplo) estão sendo feitos. Custo total: custos �xos + custos variáveis Custos Fixos Quantidade de Trabalho no projeto Custos Figura 22 - Composição do custo total de um projeto Fonte: elaborada pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III No processo de planejamento do gerenciamento dos custos, são estabelecidas as políticas, os procedimentos e a documentação necessária para o planejamento, gerenciamento, desembolso e controle dos custos do projeto. Para o PMI (2012), o principal benefício deste processo é o fornecimento de orientação e instruções sobre como os custos do projeto serão gerenciados ao longo de todo o projeto. Para isso, são consultados o TAP – Termo de Abertura do Projeto, os fatores ambientais da empresa e os ativos de processos organizacionais. É possível definir os fatores ambientais e os ativos de processos organizacio- nais para o gerenciamento dos custos como, por exemplo, o modelo de atribuição dos custos adotado pela empresa, o plano de contas e os demais critérios que a empresa utiliza para a análise de seus resultados. Barbosa et al. (2009) nos lem- bra que os componentes essenciais de um plano de contas são i) o elenco das contas; ii) as funções das contas; iii) o funcionamento das contas; iv) normas de avaliação e apuração; e, v) os demonstrativos relacionados. Ao planejar o gerenciamento dos custos do projeto, iremos nos fixar em dire- trizes fundamentais da análise do custo, como o comportamento da Curva de Itens a controlar B A C Total de itens Faixas de controle Custo acumulado Figura 23 - Curva de classificação ABC Fonte: Barbosa et al. (2009, p.37) 105 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Classificação ABC, a partir do princípio de Pareto. Pelo princípio de Pareto, 20% dos itens de um projeto representam 80% do seu custo. Dessa forma, é nesses itens que deveremos nos concentrar para que o projeto continue dentro da linha de base estabelecida nos termos de gastos (ver Figura 23). O entendimento do gerenciamento dos custos em um projeto, a partir do que preconiza o PMI (2012), está situado nos quatro processos. Assim, com os fundamentos para o planejamento do gerenciamento dos custos apresentados, importa-nos agora avançar sobre o entendimento do processo de estimar os custos. Como você sabe, o processo de estimar os custos consiste no desenvolvi- mento de uma estimativa dos custos dos recursos monetários necessários para terminar as atividades do projeto. A estimativa dos custos do projeto pode ser por analogia, ou seja, definir qual será o custo do projeto a partir de projetos similares a ele. Também é passível de estimar os custos do projeto de forma paramétrica. Nesse caso, são utilizadas as quantidades de cada atividade calculadas por parâmetros conhecidos, como metro, metro², Homem/hora, quilo, tonelada, hora, e assim sucessivamente. Por fim, também é possível estimar os custos por sua composição unitária, ou seja, são calculados cada um dos pacotes de trabalho da EAP, que somados, propo- rão o custo final do projeto. Um alerta feito por Sabbag (2009) cabe quanto às estimativas. Para ele, como há imprecisão na estimativa do custo e no escopo do projeto, utilizam-se reser- vas de contingências para garantir recursos para o projeto. Assim, quanto menos precisa for a estimativa dos custos do projeto, maior será a reserva de contin- gência. Desse modo, embora aquele autor nos indique uma reserva, em geral, de 10% para contingências, em projetos com custo menos precisamente estima- dos, esse percentual pode chegar a 40%. Então, ao iniciarmos um projeto que um dia foi um plano de negócio, como você viu, podemos nos valer da AVP, que te apresentei na Unidade II, que será revisada com maiores informações de quem já planejará o projeto. Caso ela não tenha sido feita e a equipe do projeto não tenha recebido o plano de negócio para base, o trabalho de estimação dos custos deverá adotar a forma de estima- tiva mais condizente com a realidade da empresa (VALLE, 2005). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Veja, o que proponho é que, caso você tenha sido designado como o gerente de projeto de uma casa, para uma pequena construtora que já tenha fabricado outras dez unidades daquela casa que você entregará como produto do projeto, vale muito a pena se dedicar à estimação dos custos por analogia. De outro modo, nesta mesma empresa, se seu próximo projeto for uma reforma da fachada de um prédio de 6 andares, jamais feito até então, indico que a sua escolha de esti- mação dos custos deverá recair sobre a composição unitária. Estabelecida a forma de estimação dos custos, o próximo processo dentro do gerenciamento dos custos em projetos é o de determinar o orçamento. Como vimos, esse processo consiste na agregação dos custos estimados de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos autorizada. Em outras palavras, é a hora de estabelecer qual é o orçamento do projeto (budget). A linha de base é um conceito importante no gerenciamento de projetos. Vale lembrar que o gerenciamento de projetos é uma atividade de planejamento, exe- cução, monitoramento e controle e encerramento de projetos. De certo modo, como mostrei no início desta Unidade, se não temos um planejamento do pro- jeto, nos resta apenas a execução. Ora, se não há planejamento, não há o que controlar, dado que controle refere-se a uma atividade de averiguação de que se o que está sendo executado está de acordo com o planejado. Portanto, sem planejamento, sem controle. Sem planejamento, não há encerramento, há aban- dono. Como não sei exatamente o que é para fazer – não fiz um planejamento –, não sei exatamente onde devo concluir o que era para fazer. Você me enten- deu. Não há planejamento, não há mais nada em um projeto. Desse modo, o orçamento no gerenciamento dos custos é para onde o gerente de projeto sempre olhará, de modo a entender em quanto ele está caminhando com o projeto. Em outras palavras, ao olhar para o orçamento, o gerente de pro- jeto se preocupa em saber se ele gastou o que estava previsto até aquele momento do projeto, ou mais, ou menos (VALLE, 2005). Caso tenha gasto o que deveria, preocupa-se em saber se entregou o que estava previsto para aquele volume de custos incorridos. E, por fim, caso tenha gasto e entregue o que deveria, foi no tempo que deveria? Perceba, estamos sempre falando da nossa tripla restrição, tempo, custo e escopo. Por isso a linha de base é tão importante. 107 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O entendimento de Barbosa et al. (2009) nos auxilia na definição do orça- mento. Para eles, o orçamento do projeto leva em consideração o custo do projeto, a soma de todos os pacotes de trabalho estimados, para os quais é atribuída uma reserva de contingência. Assim, o custo do projeto mais a reserva de contingên- cia seriam a linha de base do custo. Sobre a linha de base dos custos, é atribuída uma reserva para gerenciamento, que, somada à linha de base do custo, apon- ta-nos o orçamento do projeto (ver Figura 24). Sendo obtido entendimento sobre a constituição da linha de base, devemos nos dedicar a compreender a execução do orçamento. Assim, a atividade mandatória nesse processo de definir o orçamento será a construção da planilha do orça- mento composta por atividade, mês e valor do desembolso. De certa maneira, podemos dizer que além da definição do orçamento, esta- belecemos o fluxo de caixa do projeto. Isto é possível uma vez que no orçamento está demonstradoo quanto vamos gastar, no que gastaremos e quando gastare- mos. Núcleo duro do gerenciamento de projetos. Tomando a Empresa XYZ como exemplo e supondo para ela uma planilha de orçamento conforme descrita no Quadro 11, conseguimos visualizar que os cus- tos incorridos, acumulados ao longo do projeto, podem ser definidos numa curva Orçamento de custos Reserva de Gerenciamento Linha de base de custos Reserva de contingência Conta de controle Pacote de trabalho Atividades Custo do projeto $1.423 $1.355 $1.250 $850 $250 $500 $400 $100 $25 $25 $25$25 + $105 + $68 Figura 24 - Orçamento dos custos Fonte: Mulcahy (2005 apud BARBOSA et al., 2009, p. 92) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III que em projetos chamaremos de curva S. Essa curva é obtida a partir do custo acumulado para o projeto. Adicionalmente, podemos colocar também os custos mensais para que seja possível checar a evolução dos custos incorridos no projeto. ORÇAMENTO DO PROJETO (EM R$ MIL) Empresa: Empresa XYZ Projeto Software de Gestão de Integrada Atividade Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total Levantamento de requisitos 3 8 1 12 Desenho de processos 5 3 8 16 Planificação da Infra. T.I. 5 7 12 5 29 Prototipagem 5 7 10 15 20 5 62 Treinamento 10 5 10 10 5 5 5 50 Teste 5 10 7 8 3 33 Migração Cadastro 10 25 15 50 Migração Indústria 15 10 5 30 Migração Vendas 5 15 10 30 Utilização Assistida 5 7 3 15 Custo Mês 3 13 14 22 32 30 40 32 58 53 27 3 327 Custo Acumulado 3 16 30 52 84 114 154 186 244 297 324 327 654 Quadro 11 - Planilha de orçamento do projeto Fonte: elaborado pelo autor Ainda, caso sobre a curva S projetemos as reservas de gerenciamento e o valor das entradas para financiamento do projeto, teremos um tipo de relatório geren- cial que é fortemente demandado dentro do gerenciamento de projetos (ver Figura 25). Em outros termos, a transformação do dado técnico da ocorrên- cia dos custos no projeto em informação gerencial e gerenciável do projeto é, digamos, uma sensível diferença entre projetos gerenciados profissionalmente daqueles feitos apenas na “raça”. 109 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Barbosa et al. (2009) ainda destacam um ponto importante, fundamental para o controle do orçamento: a curva S recebe também o nome de ONT. Ora, a curva S é o orçamento-base do projeto. Assim, nada mais coerente do que entender que essa projeção do custo é o que se espera do orçamento no término do pro- jeto. Percebeu? Orçamento No Término – ONT. Essa compreensão é importante, uma vez que, ao abordarmos o controle dos custos, valeremo-nos de uma intro- dução à AVA – Análise do Valor Agregado, que pressupõe entender o andamento do projeto em termos do tempo, custo e valor agregado. Lembre que o processo de controlar os custos consiste no conjunto de ati- vidades de monitoramento do andamento do projeto para atualização no seu orçamento e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base dos custos (PMI, 2012). Assim, a partir do monitoramento e controle dos custos do pro- jeto, o gerente pode acompanhar se os custos que estão sendo incorridos são oriundos de entregas previstas ou, por exemplo, de aumentos não planejados dos custos em atividades (VALLE, 2005). Seguindo o proposto por Barbosa et al. (2009), para o acompanhamento do desempenho do projeto, é importante i) registrar o desempenho atual; ii) estimar 60 50 40 30 20 10 Curva S do Projeto Software de Gestão Integrada Custo Mês Custo Acumulado Reserva gerencial Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez - 350 300 250 200 150 100 50 - Curva S Figura 25 - Curva S do projeto Fonte: elaborada pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III o desempenho futuro; iii) calcular a variação ou desvio; e iv) tomar uma ação condizente com a magnitude das variações. As variações são, portanto, fonte de maior preocupação do gerenciamento dos custos. Valle (2005) afirma que elas ocorrerão em todos os projetos, o que, para ele, é o indicativo primordial de que os sistemas e processos de controle dos custos devem ser bem entendidos. Com isso, vale a fundamentação do método AVA, com seus pressupostos e definições. Com efeito, as técnicas de medição de desempenho auxiliam na avaliação da extensão das variações que irão ocorrer. Dessa maneira, a Análise do Valor Agregado (AVA) compara o valor cumulativo do custo orçado do trabalho rea- lizado (agregado) no valor de orçamento alocado original com o custo orçado do trabalho previsto e com o custo real do trabalho realizado. Sendo assim, essa técnica promove o controle integrado de prazos e custos, pois está munida de indicadores de progresso expressos em termos de custos, o que permite análises e conclusões mais precisas no processo de tomada de decisão (VALLE, 2005). Alguns conceitos são fundamentais na aplicação da AVA. Seguindo Valle (2005), temos como principais indicadores: COTA – Custo Orçado do Trabalho Agendado – Aponta quanto do orçamento que deverá ser gasto pelo uso dos insumos e/ou pelo critério em que se paga o insumo, se tudo ocorrer conforme o planejado. Em outras palavras, trata-se do Valor Planejado para os custos num determinado tempo. Esse valor, em geral, é calculado mensalmente e acumulado até a data atual (curva S). COTR – Custo Orçado do Trabalho Realizado – Aponta quanto do orça- mento deverá ser gasto, considerando o trabalho físico efetivamente realizado até o momento. Esse custo é calculado como o percentual da atividade reali- zada multiplicado pelo seu orçamento. Em outras palavras, é o Valor Agregado ao (do) projeto. CRTR – Custo Real do Trabalho Realizado – Indica os custos reais incidentes para o trabalho já realizado por uma atividade até a data atual do empreendi- mento. É o custo real. VP – Variação de Progresso – É a diferença, em termos de custo, entre o Custo Orçado do Trabalho Realizado (COTR) e o Custo Orçado do Trabalho Agendado (COTA). Sendo assim, a VP é uma medida do desempenho do cro- nograma em um projeto. Se a VP for positiva, o projeto está antecipado em 111 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . termos de prazo. Para o caso de essa diferença ser negativa, o projeto está atra- sado em termos de prazo. VC – Variação de Custos – É a diferença entre o custo realizado para atingir o nível atual do progresso físico (COTR) e o custo real (CRTR), até a data atual. Nesse sentido, a VC é uma medida do desempenho dos custos em um projeto, sendo a diferença entre o valor agregado (VA) e o custo real (CR). Dessa forma, caso a VC tenha um valor positivo, o custo está abaixo do previsto. Ao contrá- rio, se a VC for negativa, indica que a atividade terá ultrapassado o orçamento previsto. VT – Variação do Tempo – É a diferença, em termos do tempo, entre o rea- lizado e o previsto no projeto. É encontrado apenas graficamente pela projeção horizontal da curva COTR na curva COTA (ver Figura 26). IDP – Índice de Desempenho de Progresso – É o indicador que mostra a taxa de conversão do Valor Planejado em Valor Agregado. Sendo assim, sua operacio- nalização se dá a partir da divisão entre o custo orçado do trabalho realizado (COTR) e o custo orçado do trabalho agendado (COTA). Portanto, caso o índice seja maior que 1 (IDP>1), o projeto agregou maior valor do que o planejado para aquele custo, assim, está adiantado no cronograma. Para o caso de esse índice ser menor que 1 (IDP<1), o projeto entregou menos atividades do que estava previsto com o custoincorrido, dessa maneira, está atrasado no cronograma. Data da análise Cutos Reais (CR) Va lo re s Cu m ul at iv os Valor Planejado (VP) Valor Agregado (VA) Tempo Figura 26 - Relatório de desempenho com uso do AVA Fonte: adaptada de PMI (2012, p. 219) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Por fim, sendo o índice igual a 1 (IDP=1), o projeto está com andamento exata- mente conforme havia sido previsto, está dentro do cronograma e não demanda ações de correção. IDC – Índice de Desempenho de Custos – É o indicador que mostra a taxa de conversão entre os custos gastos e os custos programados do projeto. Para isso, seu valor é obtido pela divisão entre o custo orçado do trabalho realizado (COTR) e o custo real (CRTR). Assim, caso o índice seja maior que 1 (IDC>1), o projeto agregou maior valor do que o planejado para aquele custo. Para o caso de esse índice ser menor que 1 (IDC<1), o projeto agregou menos valor do que estava previsto com o custo incorrido. Por fim, sendo o índice igual a 1 (IDC=1), o projeto está com andamento exatamente conforme havia sido previsto. O Quadro 12 traz um exemplo da aplicação do método da Análise do Valor Agregado. 113 Gerenciamento dos Custos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . EL EM EN TO S D A E A P O RÇ A M EN TO PL A N EJ A D O VA LO R A G RE G A D O CU ST O RE A L VA RI A ÇÕ ES D E CU ST O S VA RI A ÇÕ ES D E PR A ZO S ÍN D IC ES D E D ES EM PE N H O SI TU A Ç Ã O em R $ em % em R $ em % Cu st os - I D C Pr az os - I D P em re la çã o ao s cu st os em re la çã o ao s pr az os Fó rm ul a CO TA CO TR CR TR CO TR - -C RT R VC ÷ CO TR CO TR - -C O TA VP ÷ CO TA CO TR ÷ CR TR CO TR ÷ CO TA D es en ho d e pr oc es so s 65 .0 00 53 .2 00 63 .4 00 -1 0. 20 0 -1 9, 17 -1 1. 80 0 -1 8, 15 0, 84 0, 82 Ac im a do or ça m en to A tr as ad o Pl an ifi ca çã o da In fr a. T .I. 52 .0 00 49 .5 00 47 .6 00 1. 90 0 3, 84 -2 .5 00 -4 ,8 1 1, 04 0, 95 A ba ix o do or ça m en to A tr as ad o Pr ot ot ip ag em 82 .0 00 77 .0 00 78 .3 50 -1 .3 50 -1 ,7 5 -5 .0 00 -6 ,1 0 0, 98 0, 94 Ac im a do or ça m en to A tr as ad o Tr ei na m en to 25 .0 00 25 .0 00 25 .0 00 0 0, 00 0 0, 00 1, 00 1, 00 D en tr o do or ça m en to N o pr az o Te st e 26 .5 00 31 .0 00 39 .0 00 -8 .0 00 -2 5, 81 4. 50 0 16 ,9 8 0, 79 1, 17 Ac im a do or ça m en to Ad ia nt ad o To ta l 25 0. 50 0 23 5. 70 0 25 3. 35 0 -1 7. 65 0 -7 ,4 9 -1 4. 80 0 -5 ,9 1 0, 93 0, 94 A ci m a do or ça m en to A tr as ad o Q ua dr o 12 - Re la tó rio d e D es em pe nh o de C us to Fo nt e: a da pt ad o de V al le (2 00 5) ©shutterstock PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III GERENCIAMENTO DO TEMPO Tendo abordado o gerenciamento do escopo e o gerenciamento dos custos em projeto, inclusive o método AVA, é a hora de falarmos do tempo em projetos. Evidentemente, o tempo é um recurso que temos para o qual não é possível ações no sentido de conseguir mais do que temos. De modo mais simples, o tempo corre e não há nada que você possa fazer. Com isso, a proposta de gerenciamento do tempo consiste no entendimento de quanto desse recurso podemos utilizar, no mínimo possível, para desempenhar nosso projeto. Em termos mais práticos, nos interessa programar o trabalho necessário, de modo que haja um cronograma funcional. Nesses termos, cronograma é o fluxo da utilização do tempo. A construção do cronograma e o seu controle, grosso modo, é o objetivo principal do gerenciamento do tempo em projetos. Quando um projeto não cumpre suas atividades no tempo em que estava previsto, está atrasado. Projetos invariavelmente atrasam. Por isso, gerenciar o tempo em pro- jetos é capital (BARCAUI et al., 2010). De acordo com o PMI (2012), os processos que são demandados pela equipe do projeto para gerenciamento do tempo no projeto são os seguintes: Planejar o gerenciamento do cronograma – O processo de estabelecer as políticas, os procedimentos e a documentação para o planejamento, desenvolvi- mento, gerenciamento, execução e controle do cronograma do projeto. Definir as atividades – O processo de identificação e documentação das ações específicas a serem realizadas para produzir as entregas do projeto. Sequenciar as atividades – O processo de identificação e documentação dos relaciona- mentos entre as atividades do projeto. Estimar os recursos das atividades – O pro- cesso de estimativa dos tipos e quantidades de material, recursos humanos, equipamentos ou suprimentos que serão necessários para reali- zar cada atividade. Estimar as durações das atividades – O pro- cesso de estimativa do número de períodos de 115 Gerenciamento do Tempo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . trabalho que serão necessários para terminar atividades específicas com os recur- sos estimados. Desenvolver o cronograma – O processo de análise das sequências das ativi- dades, suas durações, recursos necessários e restrições do cronograma, visando criar o modelo do cronograma do projeto. Controlar o cronograma – O processo de monitoramento do andamento das atividades do projeto para atualização no seu progresso e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do cronograma para realizar o planejado. O planejamento do gerenciamento do cronograma do projeto tem como prin- cipal benefício o fornecimento de orientação e direção sobre como o cronograma do projeto será gerenciado ao longo de todo o projeto (PMI, 2012). Com isso, são utilizados o TAP como apoio para estabelecer a forma de gerenciamento do cronograma, bem como eventuais práticas que a empresa onde está o pro- jeto tenha estabelecido para esse tipo de controle. Ainda, é nesse processo que é identificado o método de elaboração do cronograma, a ferramenta que será uti- lizada para criá-lo e como o cronograma será calculado. Assim como o gerenciamento dos custos, o gerenciamento do tempo também tem fundamento no escopo do projeto. Dessa forma, a declaração do escopo, a EAP e o dicionário da EAP são a matéria-prima que utilizamos na definição das atividades. Nesse processo, nos importará saber quais são as atividades que inte- grarão o cronograma do projeto. Com isso, os pacotes de trabalho presentes na EAP são decompostos nas atividades necessárias para entregá-los. O processo de definição das atividades, na prática, pode ser confundido com a construção da EAP, uma vez que, ao detalharmos as atividades para construir o cronograma, invariavelmente, obteremos uma revisão da EAP. Com isso, as definições das atividades têm de ser suficientemente detalhadas, de modo a per- mitir a estimação de duração, trabalho e custo (PMI, 2012). Ainda, precisam trazer informações que permitam sequenciar as atividades, ou seja, determinar o que será feito após o que. Ademais, o detalhamento das atividades precisa ser suficiente para que se possa alocar recursos adequadamente durante a execução do projeto e, por fim, que sua duração esteja contida entre 1 e 10% da duração total do projeto (BARCAUI et al., 2010). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Ainda refletindo sobre a definição de atividades, é importante destacar aqui a utilização de marcos (milestones). Os marcos são atividades especiais que cons- tam no cronograma com a funçãode demonstrar um evento no tempo do projeto. Assim, são atividades sem duração e que servem como datas representativas de eventos-chave do projeto (PMI, 2012). Para Barcauí et al. (2010), o marco de maior importância para o gerenciamento do tempo é a entrega final do projeto. Assim, os autores nos explicam que, além de compor a EAP, o marco tem uma função específica para o processo de sequenciamento das atividades. O sequenciamento das atividades é o processo de identificação e documenta- ção dos relacionamentos entre as atividades do projeto. Assim, podemos entender que nesse processo acontece a sequência lógica do trabalho, a fim de obter o mais alto nível de eficiência em face de todas as restrições do projeto (ver Figura 27). Com isso, ao final desse processo, devemos obter um diagrama de rede com- pleto, que compreenda as atividades e as relações entre elas. Nesse sentido, um diagrama de rede do cronograma do projeto é uma representação gráfica das relações lógicas, também chamadas de dependências, entre as atividades do cro- nograma do projeto (PMI, 2012). A B C D E H F G I J K L Início Término II + 10 II TT TI + 15 Figura 27 - Diagrama de rede do cronograma do projeto Fonte: PMI (2012, p.160) 117 Gerenciamento do Tempo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O diagrama de rede utilizará relações de precedência que podem ser do tipo tér- mino para início (TI), término para término (TT), início para início (II) e início para término (IT). Assim, no relacionamento TI, a atividade sucessora não pode começar antes do término da atividade predecessora. Já no relacionamento TT, a atividade sucessora termina apenas quando a sua atividade predecessora se encerre. No tipo de relacionamento entre as atividades denominado II, a ativi- dade sucessora inicia quando a atividade predecessora é iniciada também. Por fim, no relacionamento do tipo IT entre atividades, a sucessora não pode ser ter- minada até que uma atividade predecessora tenha sido iniciada. Ainda, é importante entender alguns tipos de dependências entre as ativida- des. Há algumas, chamadas de dependências obrigatórias, que são inerentes ao trabalho do projeto. Por exemplo, a atividade de pintar uma parede em um pro- jeto de construção de uma casa será possível apenas após a construção da parede. Um outro tipo de dependência entre as atividades são as atribuídas pela equipe do projeto. O PMI (2012) as chama de dependências arbitradas. Assim, seriam aquelas propostas pelas boas práticas naquele tipo de projeto. No nosso projeto da construção da casa, por exemplo, a equipe de construção define que vai concluir a parte hidráulica antes da elétrica. Já as dependências externas são aquelas afetadas por atividades não pertencen- tes ao projeto. Por exemplo, vistorias e liberações feitas por órgãos fiscalizadores, para que a casa possa ter sua fundação iniciada. Por fim, as dependências internas são aquelas afetadas por atividades que estão sob controle da equipe do projeto, por exemplo, a instalação e teste da betoneira por um eletricista, antes da utili- zação pelos pedreiros. Após o sequenciamento das atividades e a definição da relação de depen- dência entre elas, o processo a seguir, definido pelo PMI (2012), é o de estimar os recursos das atividades. Nesse processo, estima-se os tipos e quantidades de material, pessoas, equipamentos ou suprimentos que serão necessários para rea- lizar cada atividade. Com isso, espera-se obter o tipo, quantidade e características dos recursos exigidos para concluir a atividade, permitindo estimativas de cus- tos e de duração mais exatas. Então, se sabemos que precisamos construir uma parede de 160 m² e um pedreiro produz 10 m² por hora, sabemos que tal pedreiro levará 16 horas para PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III construir a parede. Se ele tem um turno de 8 horas de trabalho por dia, será necessário 2 dias para concluir a parede. Com esse exemplo, verificamos que cada atividade possui uma relação particular entre os fatores duração, número de recursos e produtividade (BARCAUI et al., 2010). Assim, se, em vez de alo- carmos 1 pedreiro para a construção da parede, destacarmos 2 com a mesma produtividade, a parede seria concluída em um dia. Como a duração caiu pela metade e os recursos dobraram, em tese, o custo para a produção da parede foi o mesmo. Contudo, Barcaui et al. (2010) lembram que, na medida em que são alocados mais recursos em uma atividade, a produ- tividade tende a cair a partir de um determinado momento. Assim, os autores indicam que seja feita uma estimação dos recursos demandados a partir do pro- cesso de definição da utilização dos recursos. Em outras palavras, ver quantos pedreiros estarão disponíveis primeiro, para depois definir se serão um, dois ou mais a erguer a parede. Ademais, a disponibilidade de recursos influencia a duração das atividades e do projeto. Com isso, ficam também afetadas a distribuição dos recursos no tempo e, portanto, a necessidade de recursos no tempo. De outro modo, esse processo de estimação dos recursos necessários para o projeto levará ao impacto na estimativa de duração das atividades e do projeto. Como parece ser cíclica, é importante que seja feito o planejamento até um limite confiável de informa- ções ter sido obtido. Então, você já percebeu que o processo de estimar as durações das atividades, um dos mais complexos desta área de gerenciamento, acontecerá simultaneamente à estimação dos recursos. Nesse processo, será definida a duração, o esforço e o tempo decorrido para cada atividade. Duração, em gerenciamento de projetos, é diferente de tempo decorrido. Para fazer corretamente a distinção sobre esses três componentes da estima- ção das durações das atividades – duração, esforço e tempo decorrido – recorro ao PMI (2012, p. 541, 542) que em seu glossário nos informa sobre os dois primeiros: Duração: número total de períodos de trabalho (sem incluir feriados ou outros períodos de descanso) necessários para terminar uma atividade do cronograma ou um componente da EAP. Normalmente expressa em dias ou semanas de trabalho. Às vezes, é incorretamente equiparada ao tempo decorrido. 119 Gerenciamento do Tempo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Esforço: O número de unidades de mão de obra exigidas para finalizar uma atividade do cronograma ou um componente da EAP, frequente- mente expresso em horas, dias, ou semanas. O tempo decorrido pode ser entendido sobre quanto tempo passou enquanto a atividade era completada. Assim, no nosso exemplo da construção da parede, a duração é de 16 horas, contudo, o tempo decorrido ao final da atividade, com um pedreiro, é de 2 dias. No entanto, com dois pedreiros, a duração da atividade seria a mesma, mas o tempo decorrido seria menor, 1 dia. No exemplo de cronograma da Figura 28, é possível ver uma coluna mais clara ao fundo das atividades, de modo a que estejam representados os finais de semana. Assim, embora as atividades A e B do projeto tenham a mesma dura- ção, 3 dias de oito horas cada, o tempo decorrido para sua execução será distinto em função do final de semana, sendo maior para a tarefa B. Para a estimação da duração da atividade de construção de uma parede, sem- pre haverá bancos de dados da construção civil que nos ajudarão nessa missão, porém, há atividades que têm sua estimação mais complexa. Para essas ativida- des, além de dados históricos e analogias com outros projetos, também é possível o emprego de técnicas de estimação. Algumas dessas técnicas contam com a participação de pessoas que têm certo grau de conhecimento sobre o assunto, como é o caso da técnica Delphi, ou então da ajuda de especialistas.A técnica Delphi, aqui, nós veremos quando falarmos de gerenciamento de risco. Por hora, vamos nos fixar no entendimento de uma outra técnica bastante útil para o gerenciamento do tempo: a estimativa de três pontos. Figura 28 - Exemplo de cronograma Fonte: elaborada pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III A estimativa de três pontos nos oferece um equilíbrio entre a duração, o risco e a incerteza em um projeto. Assim, estabelecemos uma média ponderada para atividades em três cenários, para calibrar a estimação da duração. Utilizamos duração sem o acontecimento de riscos, ou mais provável; com apenas os ris- cos positivos ocorrendo, ou otimista; e, ainda, com apenas os riscos negativos ocorrendo, ou pessimista. A fórmula para a estimativa de três pontos é: Te = otimista+pessimista+ (mais provável x 4) 6 assim, podemos exemplificar com a estimação da duração de uma viagem de carro entre Curitiba e Joinville. Num cenário otimista em que os pedágios estão vazios, a velocidade média consiga ser exatamente a permitida para as vias e não haja atrasados na saída e na chegada, o percurso desse trajeto levará duas horas. Para o caso de haver um pouco de filas nos pedágios, o que é normal, um certo trânsito tanto para sair de Curitiba quanto para chegar em Joinville, o que também é normal, e, pelo trânsito nas vias, não ser possível percorrer sempre a velocidade indicada nas pla- cas, o percurso do trajeto será feito em 3 horas. Essa é a previsão mais provável. Por fim, caso o trânsito na saída de Curitiba e na chegada à Joinville esteja muito engarrafado, caso as filas nos pedágios estejam enormes e, por algum imprevisto, como acidente ou reformas, a velocidade nas vias tenha sido redu- zida a menos da metade em várias partes do trecho, a expectativa é de que o trajeto precise de 5 horas para ser percorrido. Portanto, caso o trajeto entre Curitiba e Joinville integre as atividades do projeto e precise ser estimado e valendo-se dos cenários apresentados podemos dizer que a duração atribuída será a seguinte: Te = 2+5+(3x4) 6 = 3,16. Assim, está previsto que a duração, independente de quando ocorrer, leve cerca de 3 horas e 10 minutos. Muito bem, tendo percorrido pela definição e sequenciamento das atividades e já apontado as estimativas de recursos e de duração para elas, chega o momento de desenvolver o cronograma do projeto. 121 Gerenciamento do Tempo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Como você lembra, o processo de desenvolver o cronograma consiste da análise das sequências das atividades, suas durações, recursos necessários e res- trições do cronograma, visando criar o modelo do cronograma do projeto (PMI, 2012). Assim, Barcaui et al. (2010) nos lembram que o cronograma será a linha de base de prazo utilizada para acompanhar o progresso do projeto ao longo de sua execução. Nesse sentido, os autores nos recordam que esse processo acon- tecerá continuamente durante o projeto. Assim, recuperando o que já foi feito, ou seja, as listas com atividades, sequenciamento e suas estimativas, passamos à programação das atividades. Adicionalmente, haverá restrições que precisarão ser atendidas de modo a “encai- xar” o projeto no tempo. Essas restrições, segundo Barcaui et al. (2010), podem ser de três tipos: flexíveis, semiflexíveis e inflexíveis. As restrições flexíveis indicam atividades que podem ter seu início ou término reagendado. Portanto, as atividades com essa característica podem ser iniciadas tão logo possível, ou ainda, o mais tarde possível em relação às suas predecesso- ras e sem o comprometimento do prazo final do projeto. Para as restrições semiflexíveis, o comportamento é parecido com as flexí- veis. A diferença está no tempo de tolerância para atrasos ou antecipações. Dessa maneira, essas restrições imporão ao cronograma situações como: i) atividades podem ser atrasadas, mas não antecipadas; ii) iniciar antes de, ou não terminar antes de; iii) atividades podem ser antecipadas, mas não atrasadas; iv) não ini- ciar depois de ou não terminar depois de. Já as restrições inflexíveis não toleram qualquer antecipação ou adiamentos. Assim, as restrições impostas por esse tipo de restrição são do tipo i) a atividade tem de começar em; ii) a atividade terminará impreterivelmente em. São tipos de restrições caracterizadas pelo início e pelo fim do projeto. Assim, caso o pro- jeto seja, por exemplo, o de participar de uma feira, não será proveitoso montar os estandes nem antes ou depois. Aquela data da montagem não tolera atrasos. Com as restrições adicionadas aos nossos insumos para a construção do cronograma, nos dedicaremos a entender o método do caminho crítico – CPM (Critical Path Method), que é o mais utilizado na expressão do tempo decorrido no projeto. Sabbag (2009) afirma que o CPM exprime uma realidade para cada cronograma: há apenas um caminho interligando todas as atividades, sem folgas. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Nesse sentido, qualquer variação na execução de uma atividade que esteja nesse caminho levará a atrasos no projeto. Por isso, esse método leva em considera- ção as datas mais cedo e mais tarde em cada atividade, de modo a prever se elas estão ou não no caminho considerado crítico para a execução. Para o desenvolvimento do cronograma e para a obtenção do CPM, utiliza- mos softwares específicos. O Open Project, por exemplo, é um software de código aberto que é bastante utilizado em escritórios de projetos no Brasil. Além dele, há os mais consagrados, como o MS-Project e o Primavera, dentre tantos outros. Para fazer as simulações nesta seção, eu utilizei o Gantt Project. Assim, a partir da inclusão das atividades, das durações e das precedências, o software tornará mais simplificada a relação dos finais de semana com o tempo decorrido do projeto. Mostrará as folgas nas atividades e permitirá o cálculo do CPM. Ainda mais, com o desenvolvimento do cronograma a partir de sistemas, será possível projetar tendências e fazer simulações para o comportamento do cronograma. Como é possível identificar na Figura 29, o software calcula os prazos de cada etapa/atividade/entregável e indica quais atividades são críticas e quais apresentam folgas. A partir desse cronograma, é possível fazer as simulações de aceleração do cronograma (fast tracking), bem como as de compactação (crashing). Sabbag (2009) afirma que durante a execução o cronograma evolui. Atividades são detalhadas, datas reais são registradas, percentuais de execução são infor- mados, de modo que é possível refazer a programação do trabalho que ainda precisa ser executado. Eventualmente, melhorando a percepção do alcance da meta de prazo estipulada para o projeto. 123 Gerenciamento do Tempo Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Fi gu ra 2 9 - E xe m pl o de p ro gr am aç ão n a fo rm a de cr on og ra m a Fo nt e: a da pt ad o de S ab ba g (2 00 9) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III O processo de controlar o cronograma evidentemente parte da construção do cronograma e é contínuo durante o projeto. Como vimos, esse processo consiste no monitoramento do andamento das atividades do projeto para atualização no seu progresso e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do crono- grama para realizar o planejado (PMI, 2012). De maneira abrangente, podemos propor que, durante o controle do cro- nograma, são tomadas decisões que visam garantir o cumprimento dos prazos. Assim, as estratégiasde aceleração e compressão são as mais utilizadas. Sabbag (2009) nos informa que a estratégia de aceleração consiste em criar ou aumen- tar a superposição entre fases ou atividades, reduzindo os prazos globais. Em outras palavras, a aceleração pode ser entendida como um aumento no rigor da gestão, uma vez que aumentará os riscos pela superposição das atividades, com uma menor tolerância às previsões de duração de atividades. Por outro lado, na estratégia de compressão, são adicionados recursos nas atividades, de modo a diminuir sua duração. Transferidos recursos de atividades com folgas para atividades críticas, permite-se horas extras e trabalhos noturnos, bem como terceiriza-se partes do trabalho para mais execuções simultâneas. Em outras palavras, há um aumento dos custos e dos riscos do projeto, portanto, são implementadas apenas em casos em que a expectativa de término fora do prazo do projeto seja muito grande e os prejuízos com isso compensem. Para monitorar o cronograma, valemo-nos da técnica do AVA – Análise do Valor Agregado, como vimos no gerenciamento de custos. Com isso, tendo sido definidos custo, escopo e tempo no projeto, cabe o avanço sobre as demais áreas do gerenciamento de projetos. ESTRATÉGIAS DE EXECUÇÃO DE PROJETOS De início, o gerente de projetos conta apenas com uma designação formal que lhe dá autoridade para cuidar do projeto e tem a sua “caixa de ferramentas”: Plano de Gerenciamento do Projeto e softwares de gestão do projeto. De certa ©shutterstock 125 Estratégias de Execução de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . maneira, a decisão de como dar solu- ção à execução do projeto pode variar de Gerente para Gerente. Desse modo, Sabbag (2009) alerta para a necessidade de avaliar adequada- mente a estratégia de execução do projeto. Claro que há premissas e res- trições no projeto que muitas vezes são intransponíveis, por exemplo, a necessidade de terminar uma funda- ção antes do verão, período de forte chuva em algumas regiões do Brasil. Contudo, como sabemos, todo pro- jeto tem um resultado exclusivo, e o fato de ser inusitado acaba por demandar do gerente alternativas de execução. Como primeiros passos, o gerente de projeto trata de mobilizar a equipe do projeto, conforme o Plano de Gerenciamento de Recursos Humanos que já fez. Com isso, deve atrair, negociar os recursos, motivar e capacitar e, o mais impor- tante, divulgar a todos quem está comprometido com o projeto. De um lado, isso dará alguma autoridade aos membros da equipe diante dos interessados e, de outro lado, firma compromissos de todos. A seguir, cabe a pergunta: como o planejamento pode ser executado conforme o planejado se os projetos reúnem gente de diferentes áreas, com grau de dedica- ção reduzido, sendo que o gerenciador do projeto não manda em ninguém? Para o PMI (2012), o processo de planejar um projeto uniforme com ciclos de vida preditivos é possível com o uso da técnica de planejamento em ondas sucessi- vas. Nesse tipo de planejamento, é elaborada uma linha mais geral e de alto nível. Assim, na medida em que novas atividades de trabalho se aproximam e recursos precisam ser designados, é feito um planejamento mais detalhado. Para Sabbag (2009), é possível implantar (executar) um projeto em ondas. Dessa maneira, antes de uma etapa ser concluída, baseada num escopo mais abrangente, uma nova equipe inicia a execução da próxima etapa, já com maiores informações, permitindo uma integração e confronto maior entre planejado e executado. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Sabbag (2009) avança e propõe estratégias diferentes para alguns tipos de cenários possíveis e identificáveis na fase de planejamento. Nesse sentido, as estratégias derivam da existência de riscos e incerteza. O principal fator envol- vido quando definimos estratégias de execução é a incerteza. Em outras palavras, estratégias são modos de reduzir a incerteza. As estratégias sugeridas pelo professor Sabbag (2009) são apresentadas no Quadro 13. QUESTÃO ESTRATÉGIAS DE EXECUÇÃO Elevado Risco e Incerteza 1. Dividir o projeto em FASES consecutivas ou não, cada qual concluída com um entregável (deliverable) Tema controverso e inovador 2. FASE DE DEFINIÇÃO no início aprova a solução propos- ta Incerteza sobre Resultados 3. Implantar PILOTO em condições controladas pelo período necessário para avaliar resultados, depois decidir generalizar a implantação 4. Criar VITÓRIAS PRECOCES (quick wins), antecipando resultados Incerteza sobre a operação 5. Criar FASE de OPERAÇÃO EXPERIMENTAL ou Assistida, na qual a equipe do projeto apoia operadores durante a transição Incerteza sobre adesão do usuário 6. Criar FASE de PÓS-IMPLANTAÇÃO para apoiar usuário, corrigir problemas e avaliar resultados 7. Antecipar divulgação e treinamentos, para mapear resistência do usuário 8. Adesão forçada de todos no dia D (BIG BANG) Incerteza quanto ao investimento 9. Aprovar orçamento por fase, após fazer balanço da fase anterior Imprevisibilidade do esforço reque- rido 10. Antecipar execução e o problema para dar tempo para alocar mais pessoal 11. Contratar terceiros (GUARDA-CHUVA) para reduzir sobrecargas em certas fases Incerteza sobre a Capacidade de Gestão 12. Implantar ONDAS SUCESSIVAS – o prazo entre elas é o exigido para a equipe de gestão transferir-se para a nova onda Quadro 13 - Estratégias para execução de projetos Fonte: Sabbag (2009, p. 157) 127 Estratégias de Execução de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Então, de modo a se precaver para avançar sobre a execução com mais alter- nativas de gerenciamento, o gerente de projeto deve exibir grande capacidade de negociação. Nesse sentido, a negociação será tão importante na mobilização de uma equipe adequada à complexidade do projeto quanto para a sua motiva- ção. Mais do que isso, e conforme explorei nos fundamentos de apresentação, a comunicação adequada, com os canais adequados, sobre os resultados e proble- mas do projeto, também propiciam um gerenciamento mais eficaz da execução. Mas há um ponto-chave que não podemos deixar de lado na execução de projetos: seu impacto na realidade e as tensões que isso gera. Em outras palavras, quando um projeto é levado a cabo, o resultado que produz pode ser desinteres- sante ou conflituoso com os interesses das pessoas. Ainda, as mudanças geram, primeiramente, uma certa dúvida sobre o que será, ou mais, sobre se o que vem e é desconhecido é melhor ou pior do que o que está e é conhecido. Assim, falemos mais sobre as mudanças. GESTÃO DE MUDANÇAS Ideias são importantes, porém, colocá-las em prática é sempre um desafio. Nenhum processo de mudança acontece automaticamente. É necessário criar um movimento de opinião e, depois, um grupo de execução para colocar em prática as ideias inovadoras. Para Piderit (apud SABBAG, 2009), há três tipos de resistências negativas: i) cognitiva: quando as crenças são diferentes entres as partes, há discordância e contrariedade; ii) emocional: quando há frustração, ansiedade, defensividade e temor manifesto; e, iii) comportamental: quando há manifestações de protesto, agressividade, omissão ou paralisação. Assim, durante a execução de projetos, alguns problemas são típicos. Para Machado Filho (2013), esses problemas são, por exemplo, mas não limitados a: ■ Objetivos nebulosos: “Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve” - Alcorão. ■ Escopos mutantes: “Escopos são progressivamente elaborados, rara- mente o projeto se inicia com a definição precisa do trabalho requerido” PMI (2012). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do CódigoPenal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III ■ Planejamento inócuo: “Quando a guerra começa, a primeira vítima são os planos”, “Planos não são nada, planejamento é tudo” – Napoleão Bonaparte. ■ Decisões erráticas: Monitoramento inconsistente induz à fragilidade. ■ Orçamentos inviáveis: Erros em estimativas e em margens para contingências. ■ Predominância de crises: Reservas para contingências são suficientes no contexto atual? ■ Perda de controle: Onde há desafios arriscados, crise é normal; anormal é perder o controle em situações de crises. ■ Descompasso na execução: Equipes temporárias, multidisciplinares, sem dedicação exclusiva: como fazer acontecer? ■ Incapacidade de atribuir responsabilidades: Projeto é encarado como “apêndice” da organização. ■ Nível exagerado de conflito: Há antagonismo entre interessados. ■ Competição com a rotina: Rotinas são absorventes – se descuidar faltará tempo para dedicar a projetos. ■ Gestão insuficiente ou amadora: Cada projeto requer a definição de uma equipe temporária: é onde ocorrem erros de dimensionamento. A resistência a mudanças é contagiosa (SABBAG, 2009). Portanto, para preca- ver-se de seu impacto no projeto, o gerente de projetos precisa conhecer muito bem os poderes que atuarão interessados no projeto. O PMI (2012), inclusive, inclui uma seção de gerenciamento apenas para essas partes: o gerenciamento de stakeholders. Assim, entender quais são e como atuarão os stakeholders no projeto é importante, falaremos disso a seguir. Por hora, cabe entender que a resistência à mudança existe e o gerente de pro- jetos pode tomar atitudes de modo a deslocá-la. Com isso, a divulgação constante e antecipada de estudos e oportunidades do projeto se faz necessária. Comunicar pró-ativamente a decisão de mudança, de modo a evitar mal-entendidos e fofo- cas, ainda, criar fóruns para que as pessoas possam expor suas conclusões e entendimentos. Evitar retrocessos nas decisões o que, invariavelmente, é enten- dido como falta de organização e potencializa as resistências (SABBAG, 2009). No quadro, preparado por Snyder (2013), há a indicação de um formulário possível para intermediar as solicitações de mudança no projeto. Veja, esse tipo 129 Estratégias de Execução de Projetos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . de documento demonstra às partes envolvidas com o projeto que a mudança solicitada afetará várias áreas do projeto, incluindo escopo, tempo e custo. De certa maneira, esse tipo de documento facilita a compreensão, mesmo para lei- gos em gerenciamento de projetos, da tripla restrição que apresentei. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Quadro 14 - Formulário de Solicitação de Mudanças em Projetos Fonte: Snyder (2013, p. 23) Você já entendeu que as mudanças envolvem a administração de conflitos pro- venientes delas. A palavra-chave nesse caso é a tolerância e equilíbrio emocional. Mas, ainda mais do que se controlar, na execução podem estar contidos proble- mas de ordens variadas. O gerente de projetos empregará algum tempo, junto com sua equipe, para entender a que riscos está exposto o projeto. Para dar suporte à gestão de mudanças e melhorar a execução de projetos, as próximas seções são destaque. Sendo assim, o gerenciamento de riscos, de pessoas e de stakeholders é explorado. GERENCIAMENTO DOS RISCOS O risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto, tais como escopo, cronograma, custo e qualidade (PMI, 2012). Um risco pode ter uma ou mais causas e, se ocorrer, pode ter um ou mais impactos. 131 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Podemos, então, caracterizar o risco em projetos como sendo constituído por três partes: causa raiz, evento, efeito (ver Figura 30). Causa raiz é o que pode originar o risco. Então, se o risco é a inundação da fundação de uma obra, por exemplo, a causa raiz pode ser a chuva e o efeito pode ser o atraso na obra. Nesse caso, uma causa raiz pode originar dois ou mais eventos. Voltemos à chuva: com o vento, pode haver (evento) destelhamento de partes que já foram concluídas, tendo como efeito o atraso no cronograma e aumento no custo do projeto (para reconstrução). Você não deve perder essa definição de vista. Na medida em que o projeto avança, a incerteza que o cerca diminui, contudo, os impactos, caso algum risco se realize, são maiores (ver Figura 31). Desse modo, o gerenciamento de riscos não corresponde a decisões no futuro. Ao contrário, o gerenciamento de riscos em projetos diz respeito ao futuro de decisões atu- ais (SALLES JUNIOR et al., 2010). Cabe então, preliminarmente, compreender que o espectro do gerenciamento de riscos está entre o que não se tem a mínima indicação de variação no resultado até aquelas situações em que há quase cer- teza do acontecimento do evento. Nesse sentido, o PMI (2012) estabelece seis processos para Gerenciamento de Riscos no Projeto, os quais veremos a seguir. Figura 31 - Relação entre Incertezas e Impacto em um Projeto Fonte: adaptada de PMI (2012, p. 40) Impacto Incertezas Risco Fases Causa Raiz + Evento + Efeito = RISCO Figura 30 - Componentes do risco em projetos Fonte: elaborada pelo autor PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III A identificação dos ativos organizacionais, ou seja, a maneira como a empresa encara a exposição a riscos é o ponto de partida. De certo modo, a proposta é que, como os projetos estão integrados às empresas, a maneira com que o pro- jeto deverá gerenciar seus riscos deve ser alinhada a esse pressuposto. Então, de acordo com o PMI (2012), os processos que se sucedem no gerenciamento de riscos em projetos são os seguintes: Planejar o gerenciamento dos riscos – O processo de definição de como conduzir as atividades de gerenciamento dos riscos de um projeto. Identificar os riscos – O processo de determinação dos riscos que podem afetar o projeto e de documentação das suas características. Realizar a análise qualitativa dos riscos – O processo de priorização de riscos para análise ou ação posterior através da avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. Realizar a análise quantitativa dos riscos – O processo de analisar nume- ricamente o efeito dos riscos identificados nos objetivos gerais do projeto. Planejar as respostas aos riscos – O processo de desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. Controlar os riscos – O processo de implementar planos de respostas aos riscos, acompanhar os riscos identificados, monitorar riscos residuais, identi- ficar novos riscos e avaliar a eficácia do processo de gerenciamento dos riscos durante todo o projeto. Figura 32 - Espectro do Gerenciamento de Riscos Fonte: adaptada de Salles Junior et al. (2010) Informação Parcial Total Incerteza 0% Total Certeza 100% ESPECTRO DO GERENCIAMENTO DE RISCOS Informação Completa Sem Informação Incerteza Geral IncertezaEspecí�ca 133 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Como já mencionei, os ativos organizacionais, entendidos como a política global de risco da empresa, sua política para contratação de seguros e terceiri- zações, entre outros, são base para o gerente de projeto planejar o gerenciamento de riscos do projeto, o primeiro processo. Em minhas aulas sobre o tema, sempre dou um exemplo que agora encaixa bem.Imagine que eu te ofereça uma viagem de sete noites a Paris com direito a acompanhante e com tudo pago. Uau! A cidade luz, romântica, carregada de um certo charme e apelo cultural mundial disponível para você, e de graça. Você topa na hora! Mas calma, não faça as malas ainda. Há chances de 5% de que nessa viagem haja um acidente aéreo com o avião que te transporta. Você descarta a viagem na hora! Mas calma, não guarde a mala ainda. Se eu te mandar de navio, a chance dele afundar é de 1%, ou seja, a cada 100 navios que partem, um afunda. Você agora passa a considerar fortemente se expor ao risco de naufrágio do navio para chegar a Paris. Nesse momento, fica clara a relação entre exposição ao risco e o impacto esperado. É esse tipo de relação que o gerente de projeto procura nos ativos organizacionais. Claro, o gerente de projeto não procura a percepção de risco da empresa no que diz respeito a viagens românticas. Isso é óbvio. A preocupação aqui diz res- peito às percepções da empresa sobre riscos como i) acidentes de trabalho; ii) eventos de força maior; iii) segurança física patrimonial; iv) segurança jurídica; v) registros de patentes e propriedade intelectual, entre outros. Diferentemente da sua decisão em relação à viagem, ou seja, alguns poderiam ter topado o avião com 95% de chances, outros não aceitariam o navio nem com 1%, a decisão de se expor a um risco por parte da empresa é mais metodológica do que perceptiva. Cabe então, entendidos os pressupostos do plano do gerenciamento de riscos, entender como mensurar os riscos de modo a oferecer uma perspectiva meto- dológica para a tomada de decisão quanto à exposição e às respostas aos riscos. Nesse sentido, o processo de identificar riscos é fundamental. Por identificar os riscos, podemos entender a descrição de quais riscos um projeto está exposto (COSTA, 2011). Assim, a exposição a um risco seria uma decisão da empresa, contida nos ativos organizacionais, para a qual o gerente PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III de projeto deveria tomar uma precaução. Ademais, a identificação dos riscos passa a ser feita a partir da própria característica do projeto. Relembremos: um projeto é uma iniciativa contida no tempo, que utiliza recursos limitados, com o objetivo de entregar um produto ou serviço único, exclusivo. Nesse sentido, a identificação inicial de riscos se dá em áreas inerentes ao próprio processo cons- tituinte do projeto: o fato de ser temporário, ter recursos limitados, de entregar um produto inédito (SALLES JUNIOR et al., 2010). Por outro lado, a identificação de riscos é crucial em um projeto. Um erro banal na condução profissional da gestão de riscos em um projeto é a identifi- cação de poucos riscos, menos de 20 (SOTILLE, 2011). Além disso, apenas com a refinada identificação dos riscos é que é possível propor alternativas de equa- cionamento (SALLES JUNIOR et al., 2010). LISTA DE RISCOS Nome da Empresa Brasil-AmericaLatina Nome do Projeto Projeto Jupiter Versão 01 Categoria Causa Raiz Evento Efeito Probabilidade Impacto PxI Técnico Falta de aderência da tecnologia Instalação incorreta dos softwares Perda de informações importantes 0,30 0,70 0,21 Externo Chuva Inundação da fundação Atraso no Cronograma 0,70 0,30 0,21 Organiza- cional Depto. Supri- mentos não aprovar aqui- sições como planejado Materiais de construção com menor eficiência estrutural Diminuição do padrão de qualidade 0,70 0,70 0,49 Gestão de Projeto Lista de riscos não refinada Surgirem riscos novos durante o projeto Aumento do custo do projeto para adequar as respostas aos novos riscos encontrados 0,30 0,90 0,27 Quadro 15 - Lista de identificação de riscos Fonte: elaborado pelo autor 135 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Uma boa lista de riscos deve, além de descrever causas, eventos e efeitos, catego- rizar os riscos (ver Quadro 15). Importante salientar que essa lista não é estanque, ou seja, à medida que o projeto é iniciado e passa a sofrer mudanças, novos ris- cos deverão ser identificados e, assim, passar a figurar na relação. Volto a esse ponto mesmo tendo apresentado na Figura 31 a relação entre a percepção do acontecimento do evento do risco (chamei de incerteza) e o impacto, porque essa é uma situação mais comum do que deveria em projetos: o acontecimento de riscos em momentos nos quais seu impacto é catastrófico para o projeto. Em outras palavras, imagine um projeto de um prédio de 40 andares, nos quais, após a construção da fundação, identifica-se que a composição do solo pediria uma fundação ainda mais robusta. Catastrófico, não? Agora proponha que esta identificação apenas se dê quando os 40 andares já estiverem erguidos e o pré- dio comece a inclinar. Muito pior, certo? Pode parecer impossível, mas a maioria dos riscos fundamentais em um pro- jeto “passa batido” na hora do planejamento. É nessa hora que a equipe de projeto deve dedicar grande tempo e esforço para tentar identificar o que pode parecer improvável, mas que, se não for tratado e acontecer, será trágico. Salles Junior et al. (2010) propuseram um processo para a identificação de riscos que entendo ser extremamente prático e oportuno para este momento (ver Figura 33). Sintetizando o que propõe o PMI (2012), aqueles autores carac- terizam a identificação dos riscos como um processo. Aqui, não estamos apenas entendendo um processo com entradas e saídas, como descrito no PMBOK, e sim como um conjunto de atividades cíclicas que produzirá uma análise cons- tante das exposições por que passa o empreendimento, o projeto. Em outras palavras, a atividade de identificação de riscos é intelectual e, sendo assim, requer estruturação e metodologia na sua execução, que acontecerá em todo o projeto. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Assim, no momento em que equipe do projeto e stakeholders identificam os ris- cos, utilizam-se de estruturas técnicas como brainstorming, brainwriting, Técnica Delphi e análise SWOT para guiar essa investigação. Salles Junior et al. (2010) são base para a descrição sucinta que podemos apresentar sobre as técnicas estruturantes da identificação de riscos: Brainstorming. Neste tipo de reunião, um facilitador, líder da reunião, ins- tiga os participantes a contribuírem para a imaginação dos riscos a que o projeto estará submetido. Assim, com base nos primeiros insights, os demais participantes vão compondo o raciocínio, ampliando os horizontes e avançando na sugestão de ideias (por isso o nome da técnica remeter a uma tempestade de ideias, numa tradução livre). Nesse tipo de atividade, é importante que as pessoas seleciona- das para participar sejam motivadas a apontar os riscos. Situações em que o líder da reunião desqualifique uma ideia ou não a anote são contrárias ao propósito da atividade. O produto dessa reunião é uma lista de riscos. Brainwriting. Um avanço em relação à técnica brainstorming, a técnica brainwriting tem a mesma dinâmica de criação de ideias. Aqui, a diferença está no ferramental utilizado, ou seja, em vez de debates e sugestões, as ideias são escritas em uma folha de papel (para cada participante), que roda em sentido horário para que os participantes opinem uns sobre as ideias dos outros. Técnica Delphi. Seguindo o raciocínio da brainwriting, excluindo o fator pes- soalidade e explorando especialidades, a Técnica Delphi se apresenta como uma maneira de estimular a geração de análises sucessivas e multilaterais dos riscos. Novos riscos Analogia (projetos anteriores) Descrição dos riscos Categorização Realimentação Brainstorning Brainwritting Técnica Delphi Lista de riscos categorizados SWOTFigura 33 - O processo de identificação de riscos Fonte: Salles Junior et al., (2010, p. 54) 137 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em outras palavras, o facilitador recebe as folhas (e-mails, cartas etc.) de todos os participantes convidados (que, nesse caso, são anônimos), consolida-as em uma única e, então, repete a distribuição das ideias para nova rodada de aná- lise. Normalmente, faz isso 5 ou 6 vezes até que chegue a um resultado bastante abrangente no que diz respeito à identificação de riscos. Análise SWOT. Essa análise nasce na avaliação ambiental com vistas a movi- mentos estratégicos. Aqui, em identificação de riscos, vale-se de sua estrutura ambiental sem, contudo, ocupar-se da estratégia. O que se deseja é identificar as forças (S), fraquezas (W), oportunidades (O) e ameaças (T) a que está sujeito o projeto. Ademais, a identificação de riscos decorre da incapacidade de explorar as forças e oportunidades do projeto ou, ainda, de enfrentar as ameaças ou corri- gir as fraquezas. A análise SWOT aqui não será utilizada para definir o modo de resolução destas inconsistências, apenas para mapeá-las. Conseguinte à SWOT, a caracterização de que as forças e fraquezas são fatores internos à empresa e pro- jeto, enquanto as ameaças e oportunidades são externas a eles. Ao abordar a SWOT, você já entendeu que os riscos, portanto, podem ser descritos também como oportunidades. Claro que quando estamos diante de oportunidades das quais não podemos aproveitar isso é ruim. Sendo assim, o que nos interessa aqui é a realização do risco. Com nova forma, na explora- ção de riscos que tratem de efeitos positivos, o trabalho da equipe de projeto é aumentar a sua probabilidade de acontecimento, inversamente ao que se espera da mesma equipe no trato dos riscos negativos. Com a lista de riscos consolidada, fruto de um trabalho intelectual e abs- trato sobre coisas de que se tem mínimas informações até as quais temos quase todas as informações (espectro do gerenciamento de riscos), passamos, então, a avaliar os riscos (SALLES JUNIOR et al., 2010). Naturalmente, essa análise, como estamos lidando com probabilidade e impacto, se dará sob dois aspectos: qualitativos e quantitativos. No processo de realizar a análise qualitativa dos riscos, será feita a priorização de riscos a partir da combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto previsto. Evidentemente, quando nos referimos à probabilidade de um evento ocorrer, já nos situamos dentro do espectro do gerenciamento de riscos que, como você sabe, vai da incerteza geral até a incerteza específica (ver Figura 32). Em outras palavras, quando você tem 100% de certeza, você está dizendo que PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III 100 dividido por 100, ou ainda, 100 em cada 100 vezes em que uma ação ocor- rer você já saberá o resultado e, portanto, isso não é risco, é fato, e não é disso que trata o gerenciamento de riscos em projetos. Por outro lado, caso sua sen- tença se referisse a 0% de certeza, ou seja, você não faz a mínima ideia da ação possível ou de seu resultado, também não falaremos de gerenciamento de riscos. Vamos pensar sobre o 0% de certeza. Essa indicação de probabilidade nos aponta situações para as quais não temos vaga noção. É aquilo que não sabe- mos, por isso nem identificamos, portanto, não probabilizamos, não agimos. A etapa de identificação de riscos, via de regra, partiu de algo com que, pelo menos, tínhamos alguma informação. Novamente, estou te falando do espectro de ris- cos. É importante essa compreensão. De forma prática, o processo de qualificação dos riscos é conduzido de modo a priorizar os riscos negativos que têm como característica a alta probabilidade e alto impacto. De certo modo, esperamos ranquear os riscos identificados pela sua expressão de efeito sobre o projeto. Assim, nos dedicaremos a atribuir uma probabilidade de ocorrência e um grau de impacto caso o risco se torne o evento. A etapa de qualificação dos riscos é, portanto, um momento em que são atri- buídos probabilidade e impacto aos riscos, consequentemente, sua classificação. Nesse sentido, um risco pode, ao ocorrer, oferecer impactos na quádrupla res- trição (lembre-se dela com a Figura 21). Em outras palavras, nos esforçaremos em atribuir uma probabilidade de ocorrência (muito baixa, baixa, média, alta, muito alta) e um impacto, com a mesma escala, no que diz respeito a Custo, Tempo, Escopo e Qualidade do projeto. Na escala que te proponho – de muito baixo a muito alto – sugiro a atribuição de pesos (quando olhamos pro impacto) e probabilidades. Esse número, P x I, é famoso em gerenciamento de projetos. O PxI é a forma de ranquearmos os riscos. Quanto maior for o PxI, mais crí- tico é o risco. Salles Junior et al. (2010) apresentam uma tabela, bastante simples, que sintetiza o raciocínio que elencamos nesta exposição da qualificação dos ris- cos. Como você pode ver no Quadro 16, os valores atribuídos para o impacto e a probabilidade, ainda que subjetivos à equipe, precisam seguir uma ordem integrada, de modo a diminuir essa subjetividade. Ademais, podemos utilizar o PxI como um indicador geral do risco do projeto. Para isso, a soma do PxI é dividida pelo número de riscos vezes 0,81, que é o maior PxI possível, dado que ambos podem assumir 0,9. 139 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A N Á LI SE D E RI SC O S N om e da E m pr es a Br as il- A m er ic aL at in a N om e do P ro je to Pr oj et o Ju pi te r Ve rs ão 01 Ri sc o nº D es cr iç ão do ri sc o Im pa ct o Pr ob ab ili da de Px I Pr op rie da de d e ris co Cu st o Te m po Es co po Q ua lid ad e G er al A lta M éd ia Ba ix a 1 Im pa ct o do ri sc o no cu st o do p ro je to : • Au m en to s ig ni - fic an te n o cu st o (0 ,1 ) • Au m en to n o cu st o de m en os d o qu e R$ 1 m il po r d ia (0 ,3 ) • Au m en to n o cu st o de R $ 1 a R$ 5 m il po r d ia (0 ,5 ) • Au m en to n o cu st o de R $ 5 a R$ 1 0 m il po r d ia (0 ,7 ) • Au m en to n o cu st o de m ai s do q ue R $ 10 m il po r d ia (0 ,9 ) Im pa ct o do ri sc o no te m po d o pr oj et o: • A tr as o in si gn ifi - ca nt e no c ro no - gr am a (0 ,1 ) • A tr as o de m en os de u m d ia n o cr o- no gr am a (0 ,3 ) • A tr as o de 1 a 5 di as n o cr on og ra - m a (0 ,5 ) • A tr as o de 5 a 1 0 di as n o cr on og ra - m a (0 ,7 ) • A tr as o m ai or q ue 10 d ia s no c ro no - gr am a (0 ,9 ) Im pa ct o do ri sc o no es co po d o pr oj et o: • Im pa ct o in si gn ifi - ca nt e no e sc op o do pr oj et o (0 ,1 ) • Po uc os e nt re gá ve is im pa ct ad os , s em ef ei to n o ac ei te d o pr oj et o (0 ,3 ) • A lg un s en tr eg áv ei s im pa ct ad os , p er ce p- tív ei s no a ce ite d o pr oj et o (0 ,5 ) • Im pa ct o m ui to s ig ni - fic an te p ar a o cl ie nt e (0 ,7 ) • In ac ei tá ve l p ar a o cl ie nt e (0 ,9 ) Im pa ct o do ri sc o na qu al id ad e do p ro je to : • Im pa ct o in si gn ifi ca n- te n a qu al id ad e do pr oj et o (0 ,1 ) • Po uc os e nt re gá ve is im pa ct ad os , s em ef ei to n o ac ei te d o pr oj et o (0 ,3 ) • A lg un s en tr eg áv ei s im pa ct ad os , p er ce p- tívei s no a ce ite d o pr oj et o (0 ,5 ) • Im pa ct o m ui to si gn ifi ca nt e pa ra o cl ie nt e (0 ,7 ) • In ac ei tá ve l p ar a o cl ie nt e (0 ,9 ) Pr ob ab ili da de d o ri sc o se n en hu m a aç ão fo r t om ad a: • M ui to im pr ov á- ve l d e ac on te ce r (0 ,1 ) • M ai s pr ov áv el d e nã o ac on te ce r do q ue a co nt e- ce r ( 0, 3) • Pr ob ab ili da de de a co nt ec er o u nã o é ig ua l ( 0, 5) • M ai s pr ov áv el de a co nt ec er do q ue d e nã o ac on te ce r ( 0, 7) • M ui to p ro vá ve l qu e oc or ra (0 ,9 ) 2 3 O co rr ên ci a de C hu va s 0, 5 0, 7 0, 3 0, 1 0, 7 0, 3 0, 21 - ... Fa lta d e m at er ia l p or es ca ss ez 0, 3 0, 5 0, 1 0, 7 0, 7 0, 7 0, 49 - n Q ua dr o 16 - Pl an ilh a de A ná lis e Q ua lit at iv a de R isc o: E sc al as d e Im pa ct o Fo nt e: S al le s J un io r e t a l. (2 01 0, p . 7 1) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Ainda sobre indicador de risco do projeto, exemplifico: - Dado 3 riscos para o Projeto “X”: R1, R2 e R3. - Dado o impacto geral de R1 em 0,7, de R2 em 0,7 e R3 em 0,9. - Dado que a probabilidade de ocorrência de R1 é 0,3, de R2 é 0,9 e de R3 é 0,5, temos o PxI de R1 como 0,21, de R2 em 0,63 e de R3 de 0,45. Risco geral= ∑nj=1(Ij x Pj) n x (0,81) Assim, indicador geral de risco deste projeto – utilizando a fórmula de Salles Junior et al. (2010) acima – é 0,5308, ou então, 53,08% de risco de o resultado do Projeto “X” ser diferente do esperado. Sendo assim, tomando como base os três riscos hipotéticos do Projeto “X”, conseguimos construir a matriz de ris- cos qualificados, sendo R1 um risco médio e R2 e R3 riscos de alta criticidade. Após a qualificação dos riscos, estabelecimento dos riscos mais críticos e sua priorização, é importante identificar quanto esses riscos representam, em termos financeiros, para o projeto. Em outras palavras, o interesse passa a ser identificar 0,1 (MB) 0,1 (MB) 0,3 (B) 0,3 (B) 0,5 (M) 0,5 (M) 0,7 (A) 0,7 (A) 0,9 (MA) 0,9 (MA) Indicador Geral de Risco = 53,08% Impacto Projeto X Pr ob ab ili da de R2 R3 R1 Quadro 17 - Matriz de riscos qualificados Fonte: elaborado pelo autor 141 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . se os riscos categorizados e qualificados comprometem o resultado do projeto e sua viabilidade. Ainda, o processo de quantificação dos riscos visa identificar a magnitude dos riscos numa comparação com seu custo e resultado esperado. Para clarificar metodologicamente as atividades que são demandadas nesse momento, o PMI (2012) estabelece o quarto processo no gerenciamento de riscos em projetos. Trata-se da realização da análise quantitativa dos riscos, que consiste em analisar numericamente o efeito dos riscos identificados nos objetivos gerais do projeto. Em outras palavras, neste processo, é atribuído um valor ao risco, caso ocorra, de modo que seja possível identificar o valor esperado do projeto. Para Salles Junior et al., (2010) o valor monetário esperado do projeto é a soma das probabilidades de risco do projeto vezes o somatório destes riscos. Claro que você já lembrou do indicador geral de risco do projeto. Além deste, vamos enten- der o impacto no projeto, de modo a entender os cenários de valor do projeto. Para explicar um pouco mais sobre o conceito de valor esperado, recupero para você um exemplo criado pelo professor Mauro Sotille (2010), autoridade brasileira no ensino de gerenciamento de riscos. Neste exemplo, calcula-se o valor monetário esperado de uma aposta na roleta. A aposta é de um real. Dá o direito de escolher um número de 1 a 100. Caso acerte o número em cheio, o prêmio é de R$ 50,00. Para o caso de acertar a dezena, a premiação é de R$ 2,00. Sendo assim, podemos assumir que a proba- bilidade de acertar o número cheio é uma em cem, ou 1/100, ou ainda, 1%. De igual modo, a probabilidade de acertar ao menos a dezena é 9 em 100, ou 9/100, ou ainda, 9%. As probabilidades de acerto no número em cheio e na dezena são excludentes entre si. Assim, podemos entender que a chance de não acertar nada é 90 em 100, ou 90/100, ou ainda 90%. Você escolheu, por exemplo, o número 12. Gira a roleta e quando ela para, pode colher um dos seguintes resultados: a) parou no 12. Ganhou R$ 50; b) parou no 17. Ganhou R$ 2; c) parou no 35. Perdeu a aposta. Pelo nosso entendimento do conceito de VME – Valor Monetário Esperado, podemos estruturar esses resultados como no Quadro 18. Assim, a coluna VME representa a exposição ao risco. Ou seja, como há chance de 1% de ganhar 49 reais (50 reais do prêmio menos 1 real da aposta), mais a chance de 9% de ganhar 1 real e a chance de 90% de perder um real, o valor monetário esperado para a PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III aposta é de R$ 0,39 negativos. Ou seja, espera-se perder trinta e nove centavos a cada um real apostado. O projeto aposta é inviável. EVENTO VALOR PROBABILIDADE DE OCORRER VME Acertar Número Cheio R$ 49,00 1% R$ 0,49 Acertar Dezena R$ 1,00 9% R$ 0,09 Não Acertar Nada - R$ 1,00 90% - R$ 0,90 Total 100% - R$ 0,32 Quadro 18 - Cálculo do Valor Monetário Esperado Fonte: Sotille (2010, p. 23) De certo modo, podemos afirmar que, de acordo com o perfil de percepção de riscos do apostador, será conduzido o raciocínio. Ou seja, caso seja um perfil tomador de risco, vai apostar 1 real para perder 68 centavos. Caso seja um per- fil avesso a riscos, não fará a aposta. Após a análise quantitativa dos riscos, a lista de riscos será novamente prio- rizada, sendo que os riscos que trouxerem maior impacto financeiro ao projeto serão os mais críticos também para o gerenciamento. Com isso, espera-se que a equipe de projetos produza respostas aos riscos identificados. O processo de planejar as respostas aos riscos, como vimos, consiste no desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. Nesse sentido, as estratégias que poderão ser utilizadas para precaver-se de um risco poderão envolver evitá-lo, transferi- -lo, mitigá-lo e, até mesmo, aceitá-lo. Na estratégia de evitar os riscos, serão feitas mudanças no plano de gerencia- mento de projetos, de modo que a ameaça identificada seja totalmente eliminada. Em outras palavras, evita-se a causa raiz do risco. De modo a exemplificar, pode- ríamos propor um risco de acidente aéreo com a equipe de projetos. Para evitar completamente esse risco, todos os deslocamentos da equipe ocorreriam por automóveis, não se expondo, assim, àquele tipo de risco. Já na posição de transferência de riscos, o que se pretende é mudar o res- ponsável pelo risco. Assim, o risco continua existindo, mas o seu impacto já não é direto no projeto. De maneira prática, podemos entender essa estratégia como 143 Gerenciamento dos Riscos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . a adoção de seguros, terceirizações e empregos de cláusulas contratuais que des- cartem a responsabilidade sobre o risco identificado. Outra estratégia válida para o gerenciamento de riscos em projetos é a miti- gação. Mitigar riscos consiste em diminuir a probabilidade e/ou o impacto do risco. Assim, a mitigação tenta trazer o VME do risco a valores aceitáveis utili- zando de ações de prevenção (no início do projeto) e contingência (durante o projeto, caso ocorra o risco) (SALLES JUNIOR et al., 2010). Por fim, quando o risco tem probabilidadeou impacto baixos, aceita-se sua ocorrência sem maiores precauções. Num exemplo absurdo, propomos a queda de uma aeronave no local do projeto, enquanto estiverem todos trabalhando. É assustador, o impacto é catastrófico. Contudo, a probabilidade de isso ocorrer é tão ínfima que esse tipo de risco é aceito. Claro que o exemplo tem probabilidade tão pequena que não vale a pena nem constar na lista de riscos do projeto, mas vale como exemplo para outros riscos potenciais do projeto que tenham proba- bilidade ou impactos pequenos que, muitas vezes, receberão apenas um plano de contingência para o caso de ocorrerem, a chamada aceitação ativa. Estabelecidas as respostas que serão dadas aos riscos, muitas vezes, será pre- ciso identificar novos riscos que aconteceram a partir das respostas. Em outras palavras, o controle dos riscos é atividade permanente do processo de gerencia- mento dos riscos. Como você sabe, o processo de controlar os riscos consiste em implementar os planos de respostas aos riscos, acompanhar os riscos iden- tificados, monitorar riscos residuais, identificar novos riscos e avaliar a eficácia do processo de gerenciamento dos riscos durante todo o projeto. Dessa maneira, o processo de controle dos riscos pode ser entendido como o estado de alerta da equipe e dos stakeholders em relação aos riscos, bem como da contínua aplicação dos demais processos do gerenciamento de riscos. Evidentemente, as ações em um projeto são sempre oriundas do trabalho de pessoas e, por isso, o PMI (2012) destaca uma área apenas para esse assunto, como veremos a seguir. ©shutterstock PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III GERENCIAMENTO DE PESSOAS O PMI (2012) define a área como Gerenciamento dos Recursos Humanos do Projeto. Parece-me que essa nomenclatura em breve avançará para Gerenciamento de Pessoas em Projetos. Sendo assim, neste livro, destinado a formar gerentes de projetos brasileiros, entendo que é mais saudável propor essa nomenclatura. Lidar com as pessoas como se fossem mais um recurso do projeto não deve ser o seu olhar. Feita essa proposição cautelar, a área de gerenciamento de pessoas do PMBOK propõe uma estrutura importante de como ordenar os esforços das pessoas que integrarão o time do projeto. Assim, os processos que compõem o gerenciamento das pessoas do projeto são os seguintes: Planejar o gerenciamento de pessoas (recursos humanos) – O processo de identificação e documentação de papéis, responsabilidades, habilidades neces- sárias, relações hierárquicas, além da criação de um plano de gerenciamento do pessoal. Mobilizar a equipe do projeto – O processo de confirmação da disponibi- lidade dos recursos humanos e obtenção da equipe necessária para terminar as atividades do projeto. Desenvolver a equipe do projeto – O processo de melhoria de competências, da interação da equipe e do ambiente geral da equipe para aprimorar o desem- penho do projeto. 145 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Gerenciar a equipe do projeto – O processo de acompanhar o desempe- nho dos membros da equipe, fornecer feedback, resolver problemas e gerenciar mudanças para otimizar o desempenho do projeto. Ainda de modo introdutório, importa-nos a compreensão de que o geren- ciamento das pessoas do projeto inclui os processos que organizam, gerenciam e guiam a equipe do projeto. Assim, a equipe do projeto consiste das pessoas com papéis e responsabilidades designadas para completar o projeto (PMI, 2012). Com isso, a equipe do projeto pode ter membros com várias habilidades, que atuem em regime de tempo integral ou parcial e podem ser acrescentados ou removidos da equipe à medida que o projeto progride. Ainda de acordo com o PMI (2012), a equipe de gerenciamento de proje- tos é um subconjunto da equipe do projeto e é responsável pelas atividades de gerenciamento do projeto e liderança, como iniciação, planejamento, execução, monitoramento, controle e encerramento das várias fases do projeto. Nesse sen- tido, o papel do gerente de projetos é o de liderar a equipe do projeto, responsável por gerir o projeto como um todo. De outro modo, ainda que os papéis e responsabilidades específicos para os membros da equipe do projeto sejam designados, o envolvimento de todos os membros da equipe no planejamento do projeto e na tomada de decisões pode ser benéfico. A participação dos membros da equipe durante o planejamento agrega seus conhecimentos ao processo e fortalece o compromisso com o pro- jeto (PMI, 2012). Nesse sentido, ao planejar o gerenciamento das pessoas em projetos, o gerente de projetos precisa levar em consideração a cultura da empresa e a forma como ela está organizada. Em outras palavras, a forma como a empresa se estruturou diz o quanto de responsabilidade e autoridade será atribuída ao gerente de pro- jeto na gestão das pessoas atribuídas ao projeto. Se propusermos um plano contínuo em que, de um lado, está uma organiza- ção projetizada, no qual o gerente de projeto tem muita autoridade, e, de outro lado, está uma organização com estrutura funcional, em que o gerente de proje- tos tem a menor autoridade possível, conseguiremos entender as variações nas empresas sempre alocadas entre um extremo e outro desse plano. Assim, para entendermos melhor essa estrutura, vale definir como são essas organizações. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III A estrutura funcional pode ser chamada de tradicional, ou seja, os gerentes fun- cionais, como o gerente financeiro ou o gerente comercial, são responsáveis e têm autoridade sobre a maioria dos recursos (ver Figura 34). Já na estrutura projeti- zada, o gerente de projeto tem alto nível de autoridade para gerenciar e controlar os recursos do projeto e, assim, para projetos, é a melhor forma de organiza- ção ao promover a maturidade no gerenciamento de projetos (ver Figura 35). Coordenação do projeto Executivo Chefe Gerente funcional Gerente funcional Gerente funcional Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Figura 34 - Exemplo de estrutura organizacional funcional Fonte: adaptada de PMI (2012, p. 22) Figura 35 - Exemplo de estrutura organizacional projetizada Fonte: adaptada de PMI (2012, p. 25) Coordenação do projeto Executivo Chefe Gerente de projetos Gerente de projetos Gerente de projetos Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe Equipe 147 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com base no entendimento do tipo de organização em que o projeto está inserido, o gerente de projeto vai consultar as atribuições de papéis e responsabilidades das pessoas da organização para mobilizar a equipe do projeto. Valendo-se da EAP, do TAP, do cronograma e da lista de recursos necessários, o gerente de projeto verifica quais as habilidades que já se encontram disponíveis através das pessoas da organização e quais deverão ser mobilizadas exclusivamente para esse projeto. Também será fundamental contar com os ativos organizacionais, por exem- plo, a política de gestão de pessoas da empresa; a consulta ao plano de cargos e salários; a estrutura interna de treinamento e desenvolvimento do time. Por fim, o quanto da área de gestão de pessoas apoiará o projeto. A partir do entendimento das pessoas que atuarão no projeto, é constru- ída a matriz de responsabilidades. Assim, será possível que toda a equipe que começa a ser iniciada veja como será a organização das pessoas dentro do pro- jeto. Para o PMI (2012), a descrição dos papéis e responsabilidades deve conter os seguintes itens: Papel – descrevea parte do projeto pela qual a pessoa é responsável. Clareza nos limites da responsabilidade e autoridade do papel são recomendados. Autoridade – entendida como o direito de aplicação de recursos do projeto, tomar decisões e assinar em nome do projeto. Responsabilidade – o trabalho ao qual a pessoa está incumbida. Competência – capacidades analíticas e gerenciais requeridas para aquele papel. Ao final do planejamento do gerenciamento das pessoas do projeto, além da matriz de responsabilidades, terá sido criado o calendário de recursos, o plano de liberação do pessoal, as necessidades de treinamento e os critérios para reco- nhecimento e recompensas. O sentido de estruturar a mobilização do pessoal, de acordo com Raj et al. (2010), está em responder a perguntas como i) os membros da equipe precisarão trabalhar em locais diferentes? ii) todas as pessoas que trabalharão no projeto já estão disponíveis na empresa? iii) quais são os custos associados a cada per- fil demandado pelo projeto? Um outro componente importante no gerenciamento de pessoas em projetos, o calendário de recursos, também é fruto da atividade de planejar o cronograma. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III O calendário de recursos interagirá com o cronograma no sentido de entender em que momento serão possíveis as alocações e desmobilizações das equipes de trabalho do projeto, em suas diversas funções. Nesse caso, o histograma de recursos, gráfico que demonstra o uso vs. a disponibilidade de recursos, é ideal. Com as pessoas mobilizadas, é mapeado para cada uma delas, através de entrevistas e o preenchimento de questionários que podem ser dirigidos ou auto- aplicados, as necessidades de treinamento. Assim, as necessidades de treinamento serão levantadas na medida em que as pessoas que integrarão a equipe do pro- jeto não exibam as competências exigidas para o projeto e para as atividades que farão. De certo modo, as pessoas em um projeto normalmente executam mais de uma atividade, por isso, saber exatamente como chegam para o projeto em termos de competências é fundamental para poder adequar, inclusive, o com- passo de execução. Por fim, no planejamento da gestão de pessoas nos projetos, são definidos a forma e o momento em que serão comemorados e compartilhados os resulta- dos econômicos do projeto. Em outras palavras, os critérios de recompensas e reconhecimento definidos quanto a valores e condições. Esses critérios e as recompensas em si são apoios para a motivação e o incentivo de comportamen- tos desejados pela equipe. Tendo concluído o planejamento do gerenciamento de pessoas no projeto, é hora de efetivamente confirmar as disponibilidades das pessoas e trazê-las para o projeto. Assim, o processo de mobilizar a equipe do projeto consiste na confir- mação da disponibilidade dos recursos humanos e obtenção da equipe necessária para terminar as atividades do projeto. O PMI (2012) afirma que a equipe de gerenciamento do projeto pode não ter controle direto sobre a seleção dos membros da equipe devido a acordos de negociação coletiva, uso de pessoal subcontratado, ambiente de projeto em estrutura matricial, relações hierárquicas internas ou externas, ou diversas outras razões. De todo modo, alguns fatores devem ser considerados na mobilização da equipe do projeto. Para o PMI (2012), o gerente de projetos e sua equipe têm de negociar com eficácia e influenciar outras pessoas que estejam em uma posição de fornecer as pessoas necessárias para o projeto. Isso ocorre porque deixar de mobilizar as 149 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . pessoas necessárias para o projeto pode afetar os cronogramas e orçamentos, a satisfação do cliente, a qualidade e os riscos. Em outras palavras, pessoas ou capacidades insuficientes podem reduzir a probabilidade de sucesso e, na pior das hipóteses, resultar no cancelamento do projeto. Ainda, caso as pessoas não estejam disponíveis devido a restrições, fatores econômicos ou designações anteriores para outros projetos, o gerente de pro- jetos ou a equipe do projeto podem valer-se de alternativas, talvez com menos competências, desde que não ocorra infração de requisitos jurídicos, regulató- rios, obrigatórios ou outros critérios específicos (RAJ et al., 2010). O PMBOK® faz referência a habilidades e competências do gerente, da equipe e das pessoas que serão mobilizadas para o projeto. Dessa forma, o gerente de projetos muitas vezes atuará em projetos sem toda a autoridade formal de que deveria dispor, mas ainda assim, continuará responsável pela entrega do produto do projeto de acordo com os requisitos iniciais. Por isso, desenvolver habilidades de negociação e liderança são imprescindíveis para esse profissional. A nego- ciação o ajudará a construir acordos onde houver conflitos, já a liderança dará repertório para entender as motivações e o comportamento do grupo, ao redor e no alcance de uma meta (RAJ et al. 2010). Por toda essa construção intelectual das pessoas, o PMI (2012) compreende o processo de desenvolver a equipe do projeto. Por conseguinte, esse processo prevê a melhoria de competências, da interação da equipe e do ambiente geral da equipe para aprimorar o desempenho do projeto. O papel do gerente de projeto será muito afetado pelo grau de desenvolvi- mento que a equipe exibir, assim, Rabechini Jr. (2011) descreve cinco fases no desempenho da equipe do projeto. A primeira fase é denominada formação. Nesta há, de modo paralelo, a pre- sença de sentimentos de excitação pela participação de algo novo e de uma certa ansiedade em função de não estar muito claro o que será conquistado. As pes- soas ainda estão se conhecendo e se testando. Como ainda não está muito claro o que precisa ser feito, há uma certa tendência à baixa produtividade (RAJ et al., 2010). Nessa fase, o gerente de projetos deve ajudar a equipe a se conhecer, oferecendo direção e propósitos claros. Ainda, o gerente pode incluir os parti- cipantes no desenvolvimento de planos, esclarecimento de funções e definição ©shutterstock PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III de formas de trabalharem juntos. O ponto principal para a liderança da equipe nesse estágio, portanto, é o municiamento de informações. A segunda fase no desenvolvimento de uma equipe é de confusão ou con- flito. Como ainda há uma certa incerteza sobre o que é para fazer e a ansiedade para pôr a “mão na massa” cresce, as pessoas tendem a adotar comportamentos defensivos. Rabechini Jr. (2011) afirma que as pessoas formam subgrupos e se esforçam em identificar o que deve ser feito, os papéis de cada um e qual a meta a seguir. Aqui, o gerente deve exibir grande habilidade de negociação, resolvendo problemas de poder e autoridade. Assim, a construção de acordos sobre como tomar as decisões e também uma certa preparação para decisões descentraliza- das são fundamentais para o gerente. A terceira fase na evolução da equipe é a de normatização. Nessa fase, as pessoas já encontraram o seu modo de operar e, com isso, passa a existir uma noção de coletividade. As pessoas passam a cooperar em vez de competir e, assim, a comunicação floresce. Ainda não temos grande produtividade, mas o fato de a equipe chegar a este estágio é sinal de que os resultados virão em breve. Nessa fase, o gerente de projetos deve utilizar a habilidade e o conhecimento dos membros da equipe. Ainda, deve estimular o respeito mútuo e o trabalho coo- perativo dentro do time. A quarta fase é a do desempenho propriamente dito. As pessoas, enfim, estão de acordo sobre o que tem de ser feito e os processos passam a ser desenvolvidos e executados para comunicação e administração de conflitos. Otrabalho passa a ser realizado até a sua conclusão. Raj et al. (2010) afirmam que devem ser atualizados os métodos e proce- dimentos da equipe para sustentar a cooperação. Aqui, o gerente precisa explorar ainda mais as atividades que estejam relacionadas ao monitora- mento e controle do projeto. Mais do que isso, o gerente precisa ser o canal de comemoração das conquistas e resultados (RABECHINI JR., 2011). 151 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A última fase é a da desmobilização. Aqui, os objetivos do projeto já foram alcançados e a equipe não tem mais necessidade de trabalhar conjuntamente. Nesse caso, o gerente tem de agir de maneira natural, encarando o processo como um final de ciclo. É preciso tranquilizar as pessoas em relação ao futuro e esta- belecer um processo de transição com as pessoas que cuidarão da operação do empreendimento (SABBAG, 2009). A atividade de desenvolver a equipe do projeto é, em última instância, tor- nar um grupo de pessoas um time orientado e comprometido com o resultado (do projeto). Ainda assim, podemos supor que existam diferentes graus de com- prometimento e competências de time para o alcance de resultados. Em outras palavras, ainda que as pessoas já estejam comprometidas, é preciso transformar o comprometimento em resultados para o projeto e satisfação para as pessoas. Nesse sentido, Raj et al. (2010) nos apresentam, baseados no trabalho de Boyett e Boyett (1999), distinções entre equipes de projeto de alto desempenho e as demais. Essas diferenças estão destacadas no Quadro 19. ASPECTOS EQUIPES DE PROJETO TRADICIONAIS EQUIPES DE PROJETO DE ALTO DESEMPENHO Ênfase no apren- dizado O aprendizado é pouco recom- pensado. O aprendizado é altamente valorizado. Concepção do trabalho As pessoas têm dificuldade para ver como contribuem para o produto ou serviço final e nunca se envolvem na resolução de problemas. As pessoas veem uma conexão direta en- tre o que fazem e o produto ou serviço final. A resolução de problemas é parte do trabalho de todos. Papel da gerên- cia Os gerentes atribuem tarefas, ana- lisam o desempenho e decidem quais serão os procedimentos de trabalho sem a contribuição dos funcionários. Os próprios funcionários distribuem as tarefas, analisam o desempenho e decidem quais serão os procedimentos de trabalho adotados. Estrutura orga- nizacional Existem muitos níveis de geren- ciamento e fronteiras nítidas entre gerência e subordinados. Existem apenas alguns níveis de geren- ciamento entre gerência e subordinados. A organização é muito horizontalizada. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Relacionamento com o cliente As pessoas que trabalham em uma das etapas de uma operação não encaram como seus clientes as que trabalham na etapa seguinte. Todos têm um cliente interno ou externo e buscam constantemente entender e suprir as necessidades do cliente. Flexibilidade A equipe demora a adotar novas tecnologias existentes para novos propósitos. A equipe explora os progressos tecnoló- gicos e busca encontrar formas inovado- ras de utilizar a tecnologia existente. Trabalho em equipe As pessoas olham apenas para si mesmas. Os valores, quando existem, dizem respeito apenas aos lucros. Valorizam-se o trabalho em equipe, a participação, a inovação, a qualidade, tanto quanto os lucros. Dedicação Só algumas pessoas se sentem pessoalmente responsáveis pelo desempenho da equipe. Todos se sentem pessoalmente res- ponsáveis pelo desempenho geral da equipe. Remuneração Todos recebem as mesmas recom- pensas financeiras, independente- mente de seu desempenho. As pessoas são recompensadas de acordo com seu desempenho e/ou da equipe. Acesso à infor- mação Gerentes e especialistas técnicos retêm informações. O acesso aos sistemas de informação e aos da- dos é rigidamente controlado. Gerentes e especialistas técnicos com- partilham livremente as informações. Os sistemas de informação permitem que as pessoas compartilhem prontamente as informações. Equilíbrio socio- técnico A tecnologia é considerada mais importante do que as pessoas A tecnologia e as pessoas são trata- das como tendo importância igual na equipe. Quadro 19 - Diferenças entre equipes de projeto tradicionais e equipes de projeto de alto desempenho Fonte: Boyett e Boyett (apud RAJ et al., 2010, pp. 73-74) Assim como as demais formas de controle possíveis em gerenciamento de proje- tos, como vimos em custos, tempo e escopo, no caso do gerenciamento de pessoas em projetos, quanto mais informações você dispuser sobre o que há de ser feito no projeto e quais são as responsabilidades e atribuições de cada um, mais será possível comparar com o que efetivamente for realizado. Em outras palavras, é preciso planejar adequadamente a forma de alcance dos objetivos, de modo que os desvios no planejamento possam ser corrigidos durante a execução. 153 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em termos práticos, o desenvolvimento da equipe do projeto passa por ativi- dades de treinamento. Essas atividades podem ser do tipo presencial tradicional, em que um curso é oferecido dentro da própria empresa, sem custo para o fun- cionário. Nestes casos podem ser ministrados pelos próprios colaboradores ou, então, por instrutores contratados. De outro modo, o desenvolvimento da equipe a partir de treinamentos tam- bém pode se valer da Educação a Distância – EAD. Dessa forma, as tarefas de aprendizagem podem ser feitas dentro do tempo de cada pessoa, sem a neces- sidade da reunião de várias pessoas em um mesmo local, no mesmo momento. Ainda, em adição aos processos de treinamento, o desenvolvimento de pes- soas pode ocorrer por outras formas bastante eficazes. É o caso da rotação de atividades, em que cada pessoa passará por outras áreas, de modo a ter um conhe- cimento integrado da atividade da empresa. Esse tipo de iniciativa permite que a pessoa desenvolva um pensamento holístico sobre o projeto e a empresa, do mesmo modo que aproxima tanto por empatia quanto por networking o pro- fissional com as demais áreas. Por fim, sem ser exaustivo, há os programas de mentoring e coaching, que têm como proposta um auxílio personalizado para o profissional alcançar tanto os padrões desejados de desempenho pela corpora- ção quanto os seus próprios objetivos pessoais e profissionais. Muito bem, chegamos ao último processo do gerenciamento de pessoas em projetos: gerenciar a equipe do projeto. Como você sabe, esse processo consiste em acompanhar o desempenho dos membros da equipe, fornecer feedback, resolver problemas e gerenciar mudanças para otimizar o desempenho do projeto. Assim sendo, podemos estruturar o gerenciamento da equipe em três grandes áreas: comunicação, administração de conflitos e motivação. Falaremos de comuni- cação no gerenciamento da comunicação em projetos, sendo assim, por hora, vamos nos dedicar a ampliar o entendimento sobre a administração de confli- tos e a motivação. PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Conflitos ocorrem quando duas ou mais partes têm aspirações diferentes ao interagirem. Assim, as partes podem interagir em diversos ambientes, com fre- quências distintas e com níveis de poder e dependência variados. A análise dessas condições, ao identificar o conflito, é que permitirá ao gerente de projeto posi- cionar-se da melhor maneira possível (ver Figura 36). Os conflitos podem ser entre pessoas, são chamados assim de interpessoais; também podem ser entre grupos, os intergrupais; e podem ser entre organi- zações, interorganizacionais.Em cada um deles, o gerente de projeto precisa identificar as causas do conflito antes de tomar qualquer ação. Assim, as causas do conflito podem ser emocionais, causadas por medo, desprezo, ressentimento, por exemplo, ou, ainda, por causas reais, como normas, políticas, regulamentos, orçamentos, entre outros. Os conflitos que têm como causa fatores emocionais algumas vezes precisam da participação de outras partes em sua resolução. Em função disso, o gerente de projeto deve conhecer as pessoas de seu time, suas preferências e afeições, de modo a conseguir identificar pessoas que podem ajudar na resolução de um conflito com causas emocionais. Proponho uma história para ilustrar essa parti- cipação de uma terceira parte na resolução de conflitos interpessoais com causas emocionais. Con�itos Interações Frequência Família Eventual Esporádica Continuada Comunidade Trabalho Mercado Internacional Nacional Simétrica Assimétrica Independentes Interdependentes Dependentes Coincidências Diferenças Signi�cantivas Pequenas As partes podem ser As aspirações podem gerar Ambiente Figura 36 - Interações e conflitos Fonte: Mallmann (2011, p. 25) 155 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O coordenador de aquisições de um projeto que você gerencia entra em desacordo constante com a equipe de gerenciamento de riscos da empresa. Ao investigar o caso, você descobre que o responsável pela área de riscos e o membro da sua equipe já trabalharam juntos em outra empresa no passado e guardam certa resistência um com o outro por uma convivência que foi tumul- tuada naquele período. Parece que um dos dois deixou a empresa por conta do relacionamento com o outro, você não sabe bem como foi isso. De todo modo, ambos têm bom relacionamento com você. Assim, você passa a intermediar as comunicações entre as áreas, procurando, sempre que necessário, convocar reu- niões curtas que sejam momentos de decisão ou comemoração de resultados, e faz questão de colocar os dois na mesma sala. Com uma interação amigável e com a sua intervenção, durante o projeto, as diferenças antigas são deixadas de lado e o projeto tem sequência sem maiores prejuízos. Agora, imagine que você seja uma das partes que está em conflito com outra e as causas são emocionais. Nesse caso, vale a pena entender que a outra parte (o cliente, patrocinador, pessoas do projeto) poderia ser convocada a atuar como um atenuador das relações. A participação desse terceiro sempre é no sentido de permitir que a comunicação flua de uma parte à outra. Dedico-me a explorar os conflitos interpessoais e de causas emocionais por- que, na nossa cultura brasileira, são os mais frequentes em projetos. Ainda, são os conflitos em que é mais difícil a obtenção da resolução. Sendo assim, é pos- sível destacar que os conflitos que têm causas reais podem ser administrados a partir de uma postura transparente, com comunicação ativa e frequente. Os conflitos entre pessoas nas empresas têm origem em três condições ante- cedentes: recursos compartilhados, diferenciação entre grupos e interdependência de atividades. Recursos compartilhados, como carros, salas de reunião e trei- namento, capital para investimento, áreas de convivência, vagas de garagem e assim sucessivamente sempre que demandado por duas partes ao mesmo tempo, geram conflito (CARVALHAL et al., 2012). PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III A diferenciação entre grupos ocorre pela convivência acentuada e a criação de jargões e diálogos internos. Assim, o grupo de vendas não se mistura com o pessoal do financeiro, que dificilmente interage com o grupo da produção, que não tem interação com o grupo de vendas. Essa diferenciação cria estereótipos: “o pessoal de vendas não trabalha, só conversa”; “o pessoal do financeiro não faz nada, só conversa”; “o pessoal da produção não faz nada, a nossa produção é lenta”, e por aí vai. Assim, o gerente de projetos, que muitas vezes precisa interagir com as várias áreas, precisa tomar cuidado para não ser classificado como sendo um representante de um dos grupos, de modo que tenha sua ação simplificada. A interdependência de atividades é notória na chegada aos conflitos. Assim, a área de produção não pode produzir se a área de compras não comprar os mate- riais adequados. O pessoal de vendas não consegue melhorar seus resultados em função da morosa produção, bem como o pessoal do financeiro não pode libe- rar o pedido sem que todas as informações sejam adequadamente entregues pela área de vendas. Como em empresas e projetos há grande interação de atividades, processos bem-definidos e respeitados são a forma de minimizar os conflitos por interdependência de atividades. Parece que você já entendeu que uma certa compreensão sobre a dinâmica dos grupos nas empresas é necessária ao gerente de projetos. Contudo, na ocorrência de conflitos, o gerente de projetos precisa conseguir um repertório diversificado de reações, de modo a conseguir movimentar-se e movimentar a outra parte em direção ao acordo. Nesse sentido, primeiro compreenderá em que ambiente o conflito ocorre, qual a frequência da interação e qual a dependência em relação à outra parte (ver Figura 36). Depois, entenderá a causa daquele conflito, se real ou emocional, e então identificará sua posição. Tudo isso, muitas vezes, em pou- cos minutos ou segundos. Por isso, administrar conflitos é prática! As estratégias possíveis para a administração de conflitos passam por i) fuga; ii) amaciamento; iii) uso do poder; iv) barganha; e v) negociação. Esses posiciona- mentos podem ser colocados em um plano cartesiano em que o eixo Y representa o interesse no relacionamento com a outra parte e o eixo X representa o inte- resse no resultado daquela interação (CARVALHAL et al., 2012). Interessante notar que, nessa compreensão, os aspectos de relacionamento e os aspectos de resultado da negociação são inseparáveis. O que acontece é um privilégio entre 157 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . um e outro na hora de se posicionar. Reforçando, este ponto é importante de ser assimilado: não é possível separar aspectos relacionais de aspectos de resul- tado em negociações. Assim, na fuga, o que se tem é uma postergação para a solução. O que se espera é que o tempo resolva o problema. Como não há solução para as partes, esse posicionamento é chamado de perde-perde. No amaciamento, o que pretende é enfatizar os aspectos positivos da rela- ção. Assim, um dos lados se dispõe, inclusive, a abrir mão de seus resultados e objetivos em prol da permanência do relacionamento. Com isso, como uma das partes perde para a outra ganhar, esse posicionamento é chamado também de perde-ganha. No sentido oposto, quando o interesse maior é no alcance dos objetivos e no resultado gerado, um posicionamento possível é o do uso do poder. Nesse caso, a postura é de pegar ou largar: ou é feito como uma das partes quer ou então não há relação. Assim, o uso do poder normalmente é uma forma de uma das partes, com mais poder sobre a outra, impor sua solução, sem que haja espaço para diálogo. Tarefas - Resultados AMACIAMENTO Não engajar Re la ci on am en to s - Pe ss oa s INTEGRAÇÃO Negociar USO DO PODER Pegar ou Largar FUGA Afastar BARGANHA Barganhar/trocar 1 5 5 9 91 Figura 37 - Matriz de resolução de conflitos e negociação Fonte: Thomas e Kilman (1974) e Blake e Mouton (1975 apud CARVALHAL et al., 2012, p.50) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III Por sua característica, esse posicionamento é também chamado de ganha-perde.Há também o meio termo. Chamamos esse posicionamento de barganha. É quando nenhuma das partes chega ao seu objetivo principal, para que as duas possam chegar a um consenso. Nesse tipo de posicionamento, as partes trocam o valor que está em seu poder pelo valor que está em poder da outra parte. Como normalmente nenhuma das partes fica plenamente satisfeita com o relaciona- mento e tampouco consegue adicionar valor na interação, esse posicionamento também é chamado de perde-perde. Por fim, há o posicionamento da integração. É a chamada negociação pro- priamente dita, ou o ganha-ganha. É desejado para todas as interações, mas não é possível para todas. Assim, esse é mais um posicionamento viável de acordo com a situação em que você estiver colocado. Para esse tipo de resolução de conflitos, é preciso grande troca de informação, paciência e uma certa confiança mútua. Normalmente, a integração, ou negociação, é alcançada por negociadores expe- rientes e habilidosos dos dois lados (CARVALHAL et al., 2012). O posicionamento em administração de conflitos pode variar de acordo com as rodadas. Para definir o posicionamento adequado em uma rodada, o negociador, gerente de projeto, deverá procurar construir a análise que estou descrevendo para cada uma dessas fases. Além de negociação, é importante para o gerente de projetos, no gerencia- mento das pessoas do projeto, compreender os fatores motivacionais associados a elas. Nesse sentido, há teorias sobre a motivação que são importantes de serem conhecidas. Ainda, é fundamental entender que a motivação nesse cenário é o motivo para a ação. Não está, de forma alguma, relacionada a palestras motivacio- nais e iniciativas correlatas, que, ao contrário, apenas atrapalham a compreensão do que é agir para motivar as pessoas. Muito bem, ao falar de motivação, precisamos escolher, entre o conheci- mento já produzido pelo homem, aqueles mais aderentes ao desafio no âmbito do projeto. Dessa forma, são muito caras as teorias produzidas por Abraham Maslow e também por Frederick Herzberg, ambas na segunda parte do século 20 e extremamente adequadas ao contexto atual. Maslow propôs uma hierarquia das necessidades que corresponde a uma espécie de estágio em que a pessoa está. Sendo assim, naquele estágio, todas as 159 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ações do indivíduo estarão orientadas para satisfazer à necessidade correspon- dente. Para ilustrar essa hierarquia, Maslow propôs uma pirâmide que ficou conhecida como a pirâmide das necessidades de Maslow. Dividida em 5 níveis ou degraus, a pirâmide também apresenta duas fases. Nos dois degraus inferio- res, estão as necessidades primárias: fisiológicas e de segurança. Nos três degraus superiores estão as necessidades secundárias: social, estima e autorrealização. Para Novo et al. (2008), há alguns pressupostos que devemos assumir antes de entender como se comportam os degraus da pirâmide de Maslow. Nesse sentido, é possível afirmar que, para Maslow, uma necessidade satisfeita não é motiva- dora de comportamento, apenas as necessidades não satisfeitas influenciam o comportamento, dirigindo-o para objetivos individuais. Ainda, Maslow propõe que cada comportamento humano pode ter mais de uma motivação e que qualquer comportamento motivado é uma espécie de canal pelo qual muitas necessidades podem ser satisfeitas isolada ou simultaneamente. Dessa forma, uma necessidade superior se manifesta quando a necessidade está intima- mente ligada com o estado de satisfação ou de insatisfação de outras necessidades. Nesse caso, a necessidade inferior monopoliza o comportamento do indivíduo e tende automaticamente a organizar a mobilização do indivíduo (PEREIRA, 2005). Estima Autorrealização Social Segurança Fisiológicas Figura 38 - A pirâmide de Maslow Fonte: Novo et al. (2008, p. 105) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III As necessidades superiores tendem a ficar relegadas a um plano secundário. Apenas quando satisfeitas as necessidades inferiores é que surgem gradativa- mente as necessidades mais elevadas. Em outras palavras, a privação de uma necessidade mais baixa faz com que as energias do indivíduo se desviem para a luta pela sua satisfação. Compreendidos os pressupostos que acompanham a teoria de Maslow, vamos aos níveis. Comecemos pelas necessidades fisiológicas. As necessidades fisiológicas fazem referência à preocupação com o bem-es- tar. Assim, exemplos da materialização dessas necessidades seriam sede, fome, sono, fazer necessidades fisiológicas, respirar. Também estão incluídas as neces- sidades de ser ativo, evitar a dor e fazer sexo. Aqui, não há uma preocupação com o trabalho em si, somente a satisfação da necessidade. Para poder geren- ciar pessoas nesse estágio, o indicado seria proporcionar condições adequadas de trabalho, auxílios para alimentação e transporte, remuneração. O próximo estágio, sanadas as necessidades fisiológicas, é o das necessida- des de segurança. Dessa maneira, afloram preocupações com segurança atual e futura. Exemplos dessas preocupações seriam o da estabilidade no emprego e justeza na remuneração. Ainda, necessidade de seguro saúde, planos de apo- sentadoria e assim sucessivamente. Nesse estágio, a ênfase também está na necessidade, não no trabalho em si. Com isso, o gerenciamento deve adotar medidas que proporcionem segurança local de trabalho e na empresa, políticas de remuneração direta e indireta. Necessidades sociais, terceiro degrau, após sanadas as necessidades fisioló- gicas e de segurança, refere-se à preocupação em relacionamentos sociais, em aliar-se e ser recebido como membro do grupo ou família. Aqui, o que se per- segue é a valorização de trabalhos que oferecem oportunidade de descobrir e estabelecer relacionamentos interpessoais. Dessa maneira, o gerenciamento deve agir de modo permissivo e apoiador, incentivando a participação do indivíduo em grupos na empresa, clubes etc. Nas necessidades de estima, quarto degrau, a ênfase está no reconhecimento de oportunidades que permitam demonstrar sua competência. Nesse caso, o indivíduo depende essencialmente do próprio trabalho produzido como fonte motivacional. Sendo assim, o gerenciamento tem de enfatizar o reconhecimento. 161 Gerenciamento de Pessoas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com isso, os contatos se caracterizam pela ênfase sobre a dificuldade no traba- lho e habilidade requerida para atingir o sucesso. Último degrau, as necessidades de autorrealização são caracterizadas pela preocupação em testar seu próprio potencial através de oportunidades desafiantes e exigidoras de criatividade. Assim, o indivíduo buscará grande dose de autono- mia na função, liberdade de expressão e oportunidade de realizar experiências. Aqui, o gerenciamento consiste em permitir a criatividade, a experimentação e dar liberdade de ação. Além de Maslow, também é importante olhar para o trabalho de Frederick Herzberg e estender o entendimento da motivação a partir de sua análise. Para Herzberg, a motivação das pessoas depende de dois fatores: higiênicos e moti- vacionais (ver Quadro 20). CONDUZEM À INSATISFAÇÃO (HIGIÊNICOS) CONDUZEM À SATISFAÇÃO (MOTIVACIONAIS) • Relações interpessoais • Supervisão • Colegas e subordinados • Supervisão técnica • Políticas administrativas e empresa- riais • Segurança no cargo • Condições físicas de trabalho • Salário • O trabalho em si • Responsabilidade • Progresso • Crescimento • Realização • Reconhecimento • Status Quadro 20 - Fatores de Herzberg Fonte: adaptado de Novo et al. (2008, p. 107-108) Para Pereira (2005), há pressupostos que também precisam de atenção,antes da interpretação da proposta de Herzberg. Assim, para Herzberg, a satisfação no cargo é função do conteúdo ou atividades desafiadoras e estimulantes do cargo. Esses são os chamados “fatores motivadores”. Por outro lado, a insatisfação no cargo é função do ambiente, da supervisão, dos colegas e do contexto geral do cargo, portanto, são os chamados “fatores higiênicos”. Dessa forma, os fatores responsáveis pela satisfação PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III profissional são totalmente desligados e distintos dos fatores responsáveis pela insa- tisfação profissional. Para definir os fatores higiênicos, podemos colocá-los em referência às condi- ções que rodeiam o empregado enquanto trabalha, englobando as condições físicas e ambientais de trabalho, salário, benefícios sociais, políticas da empresa, tipo de supervisão recebida, entre outros. Pereira (2005) afirma que os fatores higiênicos são muito limitados em sua capa- cidade de influenciar o comportamento dos empregados. Assim, a expressão “higiene” serve exatamente para refletir seu caráter preventivo e profilático e para mostrar que se destinam simplesmente a evitar fontes de insatisfação do meio ambiente ou ameaças potenciais ao seu equilíbrio. Consequentemente, quando esses fatores são ótimos, simplesmente evitam a insatisfação; porém, quando são precários, provo- cam insatisfação. Já os fatores motivacionais referem-se ao conteúdo do cargo, às tarefas e aos deveres relacionados com o cargo em si. Esses fatores produzem efeito duradouro de satisfação e de aumento de produtividade em níveis acima do normal. Para Pereira (2005), o termo “motivação” envolve sentimentos de realização, de crescimento e de reconhecimento profissional manifestos por meio do exercício das tarefas e ativida- des que oferecem suficiente desafio e significado para o trabalho. Em outras palavras, quando os fatores motivacionais são ótimos, elevam substancialmente a satisfação; quando estão precários, provocam ausência de satisfação. Assunto fundamental, lidar com pessoas ainda pode ser explorado de muitas outras formas. Qualificar-se para enfrentar as relações e ampliar seu modo de agir é característico de profissionais de alto desempenho. Não se esqueça de que para ter uma equipe de alto desempenho, são necessários pessoas e líderes de alto desempe- nho também. Uma outra dimensão do gerenciamento de pessoas, fundamental para o pro- jeto, é o gerenciamento das partes interessadas. Essa área ganhou abordagem nova na quinta edição do PMBOK® em relação à quarta, e nós passaremos agora a enten- der o porquê. 163 Gerenciamento das Partes Interessadas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . GERENCIAMENTO DAS PARTES INTERESSADAS Todos os projetos têm partes interessadas que são afetadas ou podem afetar o projeto de uma maneira positiva ou negativa (PMI, 2012). Embora algumas par- tes interessadas possam ter condições limitadas de influenciar o projeto, outras podem ter grande influência e afetar os resultados esperados. Nesse cenário, a habilidade do gerente de projetos de identificar e gerenciar essas partes interes- sadas, também chamados de stakeholders, de maneira apropriada, pode fazer a diferença entre o êxito e o fracasso. Aliás, durante essa seção, faço questão de ora chamá-los de partes interessadas, ora de stakeholders, ou, ainda, em alguns momentos, de partes intervenientes, para que, qual seja o jargão utilizado nos projetos que você participará, você esteja acostumado a ele. O PMI (2012) estabelece quatro processos que conduzirão o gerenciamento profissional dos stakeholders em projetos: Identificar as partes interessadas – O processo de identificar pessoas, gru- pos ou organizações que podem impactar ou serem impactados por uma decisão, atividade ou resultado do projeto e analisar e documentar informações relevantes relativas aos seus interesses, nível de engajamento, interdependências, influên- cia e seu impacto potencial no êxito do projeto. Planejar o gerenciamento das partes interessadas – O processo de desenvol- ver estratégias apropriadas de gerenciamento para engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na aná- lise das suas necessidades, interesses e impacto potencial no sucesso do projeto. Gerenciar o engajamento das partes interessadas – O processo de se comu- nicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades e às expectativas deles, abordar as questões à medida que elas ocorrem e incenti- var o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto, no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto. Controlar o engajamento das partes interessadas – O processo de monito- rar os relacionamentos das partes interessadas do projeto em geral e ajustar as estratégias e planos para o engajamento das partes interessadas. De acordo com o PMI (2012), os stakeholders são pessoas, grupos ou orga- nizações que podem afetar, serem afetados ou se sentirem afetados por uma PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III decisão, atividade ou resultado de um projeto. As partes interessadas em projetos podem fazer referências às pessoas e organizações. Nesse sentido, são stakehol- ders os clientes, patrocinadores, a organização executora e o público do produto do projeto e da empresa. Essas pessoas, normalmente, estão ativamente envolvi- dos no projeto ou seus interesses podem ser positiva ou negativamente afetados pela execução ou pela conclusão do projeto. Na literatura da administração de empresas no Brasil, é bastante utilizada a expressão interveniente para comple- tar o entendimento de sua ação. Intervir significa que essas partes também podem exercer influência sobre o projeto e suas saídas. As partes interessadas podem estar em diversos níveis da organização e ter diferentes níveis de autoridade ou estar fora da organiza- ção executora do projeto (RABECHINI JR., 2011). O PMI (2012) preconiza que, para o sucesso do projeto, é fundamental iden- tificar as partes interessadas desde o início. Mais do que isso, é mister analisar seus níveis de interesse, expectativas individuais, assim como sua importância e influência. A favor Necessidades do gerente do projeto RECURSOS SUPORTE POLÍTICO Bloqueadores (isolar ou negociar) Aliados (usar como fonte de poder) Desaceleradores (negociar) Membros da rede (Construir forte base política) Contra Alta Baixa In�uência no projeto Figura 39 - Identificação das partes interessadas Fonte: Nolan (1987 apud CHAVES et al., 2010, p. 47) 165 Gerenciamento das Partes Interessadas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Para Chaves et al. (2010), a análise inicial deve ser revista e atualizada regular- mente. A maioria dos projetos tem um número variado de partes interessadas, dependendo do seu tamanho, tipo e complexidade. Como o tempo do gerente de projetos é limitado e precisa ser usado com a maior eficiência possível, essas partes interessadas devem ser classificadas de acordo com o seu interesse, influ- ência e engajamento no projeto (ver Figura 39). Para o PMI (2012), na identificação das partes interessadas, é preciso levar em conta o fato de que o efeito ou influência de uma parte interessada pode não ocorrer ou se tornar evidente até os estágios finais do projeto ou fase. Isso per- mite que o gerente de projetos se concentre nos relacionamentos necessários para garantir o sucesso do projeto. Após identificar as partes que são stakeholders no projeto, o gerente a lista de modo a entender quais são os enfoques e fatores de interesse sobreo projeto. Chaves et al. (2010) apresentam um quadro que ilustra essa lista (ver Quadro 21). FOCO DE INTERESSE Parte interessada Custo Prazo Qualidade/performan- ce técnica Cliente Não ultrapassar Não ultrapassar ou antecipar Atingir ou superar Gerente de pro- jeto < ou = meta < ou = meta Atingir ou superar Fornecedores ou subcontratados Não se preocu- pam com maior custo Querem mais tempo Atingir ou superar Externos Indiferentes Indiferentes Alta Equipe do projeto Quer flexibilidade Quer mais tempo para evitar pressão extra Atingir ou superar Alta administra- ção Cumprir Cumprir Atingir ou superar Outras partes interessadas Querem flexibili- dade Querem mais tempo Querem flexibilidade Quadro 21 - Identificação de partes interessadas para um projeto Fonte: Pinto (1994 apud CHAVES et al., 2010, p. 48-49) PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III O processo seguinte, de acordo com o PMBOK®, em relação ao gerenciamento das partes interessadas em projetos é o de planejar o gerenciamento das partes interessadas. Esse processo é uma inovação da 5ª edição do guia. Para esclarecer mais essa afirmação: o processo de identificar as partes interessadas, que vimos anteriormente, estava contido na área de gerenciamento das comunicações. De certa maneira, a área de comunicações abrangia o gerenciamento de partes inte- ressadas, porque além de identificar os stakeholders, também estava posicionado ali o gerenciamento deles. Contudo, a nova área de gerenciamento das partes interessadas não é apenas um desmembramento das comunicações. Mais do que isso, os processos de plane- jar o gerenciamento dos stakeholders e também o de controlar o seu engajamento foram acrescentados. Bom poder destacar essas evoluções, porque demonstram que a comunidade de gerentes de projetos e pesquisadores do assunto estão con- tinuamente adequando o guia às práticas mais atuais e mais bem executadas. Então, voltando ao processo de planejar o gerenciamento dos stakeholders, sabemos que consiste em desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento para engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise das suas necessidades, interesses e impacto potencial no sucesso do projeto. De acordo com o que abordamos no processo de identificar os stakehol- ders, saber como comportam-se e que expectativas essas partes têm em relação ao projeto é estratégico para o gerente de projeto. Nesse sentido, o PMI (2012) compreende que, com a execução desse processo, é possível para o gerente de projetos desenvolver maneiras de engajar as partes interessadas no projeto mais eficazmente. O propósito desse esforço é gerenciar as expectativas das partes e cumprir os objetivos do projeto, claro. Ainda, temos que o gerenciamento das partes interessadas vai além da melhora nas comunicações e requer mais do que gerenciar uma equipe, pois envolve a criação e manutenção de relacionamentos entre a equipe do projeto e as partes interessadas, com o objetivo de satisfazer suas respectivas necessidades e requi- sitos dentro dos limites do projeto (VALLE, 2011). Assim, para executar esse processo, o gerente de projeto pode avaliar junto a pessoas da i) alta administração; com os ii) membros da equipe; com as iii) 167 Gerenciamento das Partes Interessadas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . principais partes interessadas identificadas no processo anterior; e com iv) geren- tes de projetos que trabalharam em projetos da mesma área, para saber qual é o nível de engajamento necessário para cada um dos stakeholders do projeto (PMI, 2012). O nível de engajamento de todos os stakeholders deve ser comparado entre o atual e os planejados requeridos para a conclusão bem-sucedida do projeto. Para isso, o PMBOK® sugere que o nível de engajamento das partes interessa- das seja classificado em: ■ Desinformado: nenhum conhecimento do projeto e impactos potenciais. ■ Resistente: a par do projeto, dos impactos potenciais e resistente a ele. ■ Neutro: a par do projeto, nem apoia nem resiste. ■ Dá apoio: a par do projeto, dos impactos potenciais e apoia a mudança. ■ Lidera: a par do projeto, dos impactos potenciais e ativamente engajado em garantir o êxito do projeto. Como você pode ver, é uma espécie de escala entre o desinformado e o líder enga- jado com o projeto. Para não perder-se sobre o atual estágio da parte interessada, o PMI (2012) sugere uma espécie de tabela, chamada de matriz de avaliação do nível de engajamento das partes interessadas, em que C indica o nível de engaja- mento atual e D indica o nível de engajamento almejado para aquela parte (ver Quadro 22). PROJETO: DATA: Parte interessada Desinformado Resistente Neutro Dá apoio Lidera Stakeholder1 C D Stakeholder2 C D Stakeholder3 D C Quadro 22 - Matriz de avaliação do nível de engajamento das partes interessadas Fonte: PMI (2012, p. 403) A equipe do projeto precisa identificar o nível de engajamento desejado para a fase atual do projeto, com base nas informações disponíveis e nas consultas às PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III partes já mencionadas. Por meio dessa análise, podem ser identificadas diferen- ças entre os níveis de engajamento atual e desejado. Assim, ações e comunicações necessárias para dirimir essas diferenças deverão ser identificadas pela equipe do projeto, usando a rede de apoio do projeto (PMI, 2012). Você percebeu que nós avançamos firmemente em direção ao próximo pro- cesso da área de gerenciamento das partes interessadas. Assim, já temos à mão o processo de gerenciar o engajamento das partes interessadas, que consiste em se comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessi- dades/expectativas, abordar as questões à medida que elas ocorrem e promover o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto, no decorrer de todo o ciclo de vida dele. Valle (2011) afirma que a maior utilidade nesse processo está em que ele permita ao gerente de projetos aumentar o nível de apoio às partes interessadas e minimizar a sua resistência. Quando isso é feito, estão ampliadas, de maneira significativa, as chances de êxito do projeto. A propensão das partes interessadas em influenciar o projeto é normalmente mais alta no início e vai diminuindo na medida em que o projeto avança. Para isso, o gerente de projetos é incumbido de trazer os stakeholders para apoiar o projeto – o que até aqui chamamos de engajamento. Ainda, o gerente de projeto pode solicitar auxílio do patrocinador do projeto conforme necessário, sempre que isso ajudar no engajamento de demais partes. Para o PMI (2012), o geren- ciamento ativo do envolvimento das partes interessadas diminui o risco de o projeto não alcançar suas metas e objetivos. PROJETO: DATA: Stakeholder Necessidade de Comunicação Meio de Comunicação Frequência Parte 1 Custo, tempo, riscos Relatório, Presencial Semanal Parte 2 Aquisições E-mail Mensal Parte 3 Tempo Telefone Diário Parte 4 Risco, Qualidade Reunião Quinzenal Figura 40 – Modelo de Matriz de Comunicação com os Stakeholders Fonte: elaborada pelo autor 169 Gerenciamento das Partes Interessadas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Adicionalmente, e figurando aqui em nosso entendimento como último processo de gerenciamento das partes interessadas, está controlar o engajamento das partes interessadas. Esse processo é definido no PMBOK® como monitorar os relacio- namentos das partes interessadas no projeto em geral e ajustar as estratégias e planos para o engajamento delas.De certa maneira, aponto que é um estado de alerta em que o gerente de projeto se coloca, de modo a imprimir a manutenção ou aumento da eficiência e eficácia das atividades de engajamento das partes interessadas à medida que o projeto se desenvolve e o seu ambiente muda (PMI, 2012). Em outras palavras, esse processo consiste em, identificando uma discrepância entre o engajamento esperado e o engajamento identificado (ver Quadro 22), agir firmemente de forma política (com as demais partes) e conciliadora, com a parte discrepante, visando o ajuste para o esperado. “Este relatório detalhado fornece insights de um estudo do PMI de 2014, com profissionais experientes de gerenciamento de projetos de todo o glo- bo. Esse relatório busca ajudar as organizações a identificar onde podem criar experiências mais eficientes e eficazes de gerenciamento de mudanças e desenvolver competências para implementar e manter mudanças com su- cesso. As mudanças são inevitáveis e as organizações que as gerenciarem mais eficazmente se destacarão de suas concorrentes” (PMI, 2014, p. 02). <http://www.pmi.org/~/media/PDF/Knowledge%20Center/Portuguese/ organizational-change-management-portuguese.ashx>. Os stakeholders podem atingir o projeto de maneira positiva ou não. A partir desta premissa, podemos nos deparar com um espantoso aspecto: a política. O quanto de política é necessário para ser um grande gerente de equipes, projetos e empresas? PROCESSOS DE PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. III CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe como temos conseguido nos entender? A Unidade III foi profícua em nos apresentar aspectos-chave do gerenciamento de projetos. Você viu a tripla restrição como uma forma de interação entre os aspectos que modificam tanto o planejamento do gerenciamento de projetos quanto as expectativas de con- clusão. Você não esquecerá que a tripla restrição é composta por custo, tempo e escopo, mas que podemos adicionar uma outra área, a qualidade, que também integrará essa interação. Ainda, falamos de gerenciamento de riscos, pessoas e partes interessadas em projetos e, com isso, avançamos sobre temas que são chave para conseguir entre- gar o projeto dentro do custo, escopo e tempo esperados. Em outras palavras, não identificar todos os riscos, não motivar as pessoas ou não engajar adequada- mente os stakeholders, apenas para ser conclusivo, pode ter impactos catastróficos na tripla restrição. Por isso que descrever os processos e as ferramentas – como a AVA – é fundamental para o seu desempenho. Ainda temos coisas muito importantes para conhecer. Aliás, não será pos- sível esgotar o assunto nesta obra, mas para o que tenho planejado para você, ainda temos temas de destaque a encontrar, assim, as Unidades IV e V serão muito bem-vindas. Vamos logo! O gerenciamento de projetos não pode tolerar um segundo sequer de hesitação. 171 1. Diferencie escopo de produto do projeto. 2. Defina o que são riscos em projetos. 3. Quais são os aspectos comuns ao gerenciamento do custo e do tempo em pro- jetos? 4. Quem são os stakeholders e qual o seu papel em um projeto? CONFLITOS: NÃO FUJA DELES Negar a existência de conflitos é mais prejudicial seu acontecimento pela redundante compreensão de que o reconhecimento do mesmo leva à busca de solução. É comum em nossas empresas cultivar-se a prática dos panos quentes: - deixa pra lá! Diretores e empresários fazem vistas grossas às relações e situações em choque – aberto ou maquiado – querendo evitar tratar o conflito. Essa postura é um equívoco grave em administração. Na maioria dos casos, a resistência em tratar o conflito é fruto do medo ou despreparo em tomar as decisões necessárias: esta posição cômoda é perigosa, já que enquanto não se trata o conflito, ele continua crescendo e pode chegar a um ponto de não ser possível controlá-lo. Quando este ponto é atingido, há o embate explosivo com todos os danos inerentes e em alguns casos irreparáveis. Fato é que não há como impedir a ocorrência de conflitos entre pessoas num contexto competitivo como precisa ser o das organizações, portanto, todos buscam o desenvol- vimento da carreira e essa corrida para o alto resulta algum tipo de conflito. Desta forma parece-me de bom senso aprender a administrar os conflitos ao invés de temê-los e negá-los. Nos cursos de negociação que ministro, elenco os seguintes pontos na administração de conflitos: Desenvolver na equipe a prática da ética e do respeito profissional. Cabe ao gestor esti- mular o comportamento ético, principalmente pelo exemplo – dentre outras maneiras – pelos critérios que o mesmo utiliza nas ações e decisões. Reuniões periódicas entre diretores e gestores. Quando bem preparadas e conduzidas es- sas reuniões são oportunidades para monitoramento das situações que podem gerar conflitos. Estimular o espírito de equipe. Assim como um time, não há empresa que sobreviva à custa apenas de valores individuais: eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam é coisa de um passado longínquo. Agora é: todos ganham ou todos perdem. Manter a empresa em mudança. Na era das redes sociais e internet inovação é um ele- mento de crescimento e não fator gerador de insegurança: certifique que sua empresa pensa assim. Muitos conflitos nascem do temor da mudança, criando resistências de um lado e (re)pressões do outro. Comunicação interna rápida e transparente. Quase sempre o boato é o pivô de um confli- to. Ainda temos empresas que não usam intranet e rede sociais para comunicar e comu- nicar-se com seu time: não esteja entre essas empresas. É preciso eliminar a prática do ouvir dizer que ou parece que. 173 Combater a formação das “panelas”. Todas as atividades de uma empresa são um meio para se atingir um fim maior – que é o resultado final esperado pela organização. As di- versas áreas de uma empresa devem entender que as tarefas entre si são diferentes, mas o objetivo maior é comum a todas. Ser firme e decisivo ao primeiro sinal de conflito. É preciso cautela para discernir entre a discordância operacional – muito válida – e a contestação gratuita. Convém ficar atento aos sinais. MONTEIRO, Rodrigo Bastos. Conflitos: não fuja deles. O Diário do Norte do Paraná. Dis- ponível em: <http://www.educacaoeap.com/2012/08/28/conflitos-nao-fuja-deles/>. Acesso em: 17 jan. 2015. MATERIAL COMPLEMENTAR Neste vídeo, Karina Murgel, gerente de projetos da Integration, explica a importância dos projetos para criar um serviço ou produto único. A partir de uma interseção entre o empreendedorismo e os projetos surge a dúvida: Como desenvolver projetos e geri-los de forma eficiente para ter resultados expressivos? Esta é a pergunta de fundo do vídeo que traz a palestra sobre práticas em gerenciamento de projeto no Brasil e no mundo. <https://www.youtube.com/watch?v=zGxmcxodq5k>. U N ID A D E IV Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar as fases de monitoramento e controle e encerramento no gerenciamento de projetos profissional. ■ Destacar o papel da integração em projetos como atividade orientadora de esforços para o alcance dos objetivos do projeto. ■ Fundamentar a interação existente entre a área da qualidade em projetos com a área da qualidade na organização executora do projeto. ■ Definir comunicações e estruturar um processo de comunicação efetivo. ■ Apresentar as aquisições em projetos como área-chave no desempenho do projeto. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Gerenciamento da integração ■ Gerenciamento da comunicação ■ Gerenciamento da qualidade ■ Gerenciamento das aquisições ■ Encerramento do projeto INTRODUÇÃO Nesta Unidade IV, dedicaremo-nos a entender aspectos acessórios, mas não menos importantes, no gerenciamento de projetos.Para ter uma ideia dessa rele- vância, arrancamos com o gerenciamento da integração em projetos. Esta área simplesmente contém processos que literalmente são o primeiro e o último a serem executados em qualquer projeto. Além disso, falaremos do gerenciamento de comunicação, qualidade e aquisições em projetos. Veja, as áreas que alocamos nesta Unidade têm processos nos demais gru- pos de processos (iniciação, planejamento e execução), mas destacá-los como primordialmente processos apoiadores do controle da execução tem uma expli- cação até certo ponto simples. Com isso, quero te dizer que sem um coerente dimensionamento dos esforços para garantir e controlar a qualidade, gerenciar e controlar as comunicações, controlar o trabalho do projeto e as aquisições, sim- plesmente não há ação de gerenciamento. Aliás, planejar é a alma do negócio; claro, contudo, pode ser apenas uma mera atribuição de nomes e processos se não houver uma robusta coordenação na execução para atividades. Em outras palavras, planejar é mandatório. Ponto. Contudo, é a atividade de controlar a execução de acordo com o planejado que garante a execução e o alcance dos objetivos que foram imaginados para o projeto. Serei vigoroso e incisivo em apresentar as áreas que destaquei. Não vou me deter às minúcias, porque o intuito dessa obra é ser introdutória para você, porém, não deixarei nenhum processo sem atenção e descrição suficiente para que você o aplique em seus projetos. GERENCIAMENTO DA INTEGRAÇÃO Um projeto é simplesmente uma proposta de algo a ser feito. Em sentido amplo, um projeto pode ser definido como uma série de tarefas relacionadas dirigida a algum fim e que requeira um período do tempo para ser realizada. Desse modo, Gerenciamento de Projeto pode ser definido como o planejamento, a direção 177 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ©shutterstock PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV e o controle de recursos (mão de obra, equipamento e material) orientados de acordo com normas técnicas, metas dos custos e metas do tempo estipuladas pelo projeto. Se o projeto é longo, é requerido um programa para cumpri-lo. Nesse sentido, Abreu (2013) afi rma que o Controle de Projeto é um con- junto de mecanismos de reportagem que monitora a evolução das atividades. Esses mecanismos aferem se os custos reais evoluem de acordo com os custos projetados, se o tempo real de realização das tarefas está dentro dos padrões pro- jetados, se as tarefas executadas estão em conformidade com os padrões técnicos e de qualidade estipulado. A área de Gerenciamento da Integração em um projeto consiste em grandes linhas gerais que norteiam o trabalho do gerente de projeto. De certa maneira, é a partir da compreensão do gerenciamento da integração que poderemos compor o quadro de trabalho do gerente do projeto. Não por outros motivos, nessa área estão contidos os processos de desenvolvimento do TAP – Termo de Abertura do Projeto, primeiro processo em um projeto com gerenciamento profi ssional e também o processo de encerramento do projeto, o apagar das luzes. Assim, temos clara visão de que o gerente de projeto é o primeiro e o último a envol- ver-se e fazer entregas no projeto. 179 Gerenciamento da Integração Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Um componente-chave nessa área é o Plano de Gerenciamento de Projeto. Apresentei para você na Unidade I os fundamentos de organização documental no projeto, contudo, acho importante explorar um pouco mais o trabalho e a impor- tância em que está envolto esse documento. Por exemplo, Machado Filho (2013) afirma que o Plano de Gerenciamento do Projeto – PGP é o documento do geren- ciador, mas certas partes são filtradas e usadas como meio de comunicação. Para ele, o sumário executivo, cronograma, matriz de responsabilidades não são apenas integradores do PGP, mas também comunicadores do andamento do projeto. Mais do que isso, para esse autor, o PGP estabelece a referência (baseline) de controle. De fato, há uma superposição dos processos do gerenciamento de projetos e os esforços no decorrer da execução de um projeto podem ser mal dimensionados e alocados. Evidentemente, o gerente de projeto precisará dar conta de uma série de processos e entregas que muitas vezes serão simultâneas e exigirão capacidade de organização e de decisão. Isso pode ocasionar diversos conflitos pelo uso de recursos e por importância e poder. Assim, para o PMI (2012), o gerenciamento da integração do projeto inclui os processos e atividades para identificar, definir, combinar, unificar e coordenar os vários processos e atividades dentro dos gru- pos de processos de gerenciamento do projeto. Você percebeu que o PMI (2012) utiliza as palavras unificar e coordenar? Essa visão é muito clara no PMBOK®, uma vez que lá o contexto de gerenciamento de projetos pede uma integração que inclui características de unificação, consoli- dação, comunicação e ações integradoras. No guia, essas ações são chamadas de essenciais para a execução controlada do projeto, do início até a conclusão. Essa execução controlada e integrada tem o fim de gerenciar com sucesso as expecta- tivas das partes interessadas e atender aos requisitos do projeto. Em outras palavras, o gerenciamento da integração do projeto contempla a tomada de decisão sobre a alocação de recursos, concessões entre objetivos e alter- nativas conflitantes e gerenciamento das dependências mútuas entre as áreas de conhecimento de gerenciamento de projetos (SABBAG, 2009). Para o PMI (2012), são cinco os processos que abrangem o gerenciamento da integração em projetos: Desenvolver o termo de abertura do projeto – O processo de desenvolver um documento que formalmente autoriza a existência de um projeto e dá ao gerente PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV do projeto a autoridade necessária para aplicar recursos organizacionais às ativi- dades do projeto. Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto – O processo de definir, preparar e coordenar todos os planos auxiliares e integrá-los a um plano de geren- ciamento de projeto abrangente. As linhas de base e os planos auxiliares integrados do projeto podem ser incluídos no plano de gerenciamento do projeto. Orientar e gerenciar o trabalho do projeto – O processo de liderar e realizar o trabalho definido no plano de gerenciamento do projeto e a implementação das mudanças aprovadas para atingir os objetivos do projeto. Monitorar e controlar o trabalho do projeto – O processo de acompanhar, revisar e registrar o progresso do projeto para atender aos objetivos de desempe- nho definidos no plano de gerenciamento do projeto. Realizar o controle integrado de mudanças – O processo de revisar todas as solicitações de mudança, aprovar as mudanças e gerenciar as mudanças nas entre- gas, ativos de processos organizacionais, documentos do projeto e no plano de gerenciamento do projeto, e comunicar a decisão sobre eles. Encerrar o projeto ou fase – O processo de finalização de todas as atividades de todos os grupos de processos de gerenciamento do projeto para encerrar for- malmente o projeto ou a fase. Sobre o processo de desenvolver o TAP – Termo de Abertura do Projeto, nós já tivemos cuidados e exemplos apresentados lá no começo da Unidade III, quando falamos sobre o início de projetos. Ainda assim, reproduzo alguns outros pontos importantes que são citados pelo PMI (2012), principalmente no que diz respeito à autoridade e responsabilidades que são atribuídas pelo TAP ao gerente de Projeto. No PMBOK®, o processo de desenvolvero termo de abertura do projeto é cor- respondente a construir um documento que formalmente autoriza a existência de um projeto e dá ao gerente do projeto a autoridade necessária para aplicar recur- sos organizacionais às atividades do projeto. Mais do que isso, o TAP estabelece uma parceria entre a organização executora e a organização solicitante. Assim, para o PMI (2012), o termo de abertura do projeto aprovado inicia formalmente o projeto. O gerente de projeto é identificado e designado o mais cedo possível, preferivelmente enquanto o termo de abertura está sendo desenvolvido e sempre antes do início do planejamento. ©shutterstock 181 Gerenciamento da Integração Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O processo de desenvolver o plano de gerenciamento do projeto, como vimos na Unidade II e no início desta seção, define como o projeto será executado, monitorado e controlado e encerrado. Nesse sentido, o PGP varia dependendo da área de aplicação e complexidade do projeto. Ele é desenvolvido através de uma série de processos integrados até o encerramento do projeto (PMI, 2012). Adiante, o processo de orientar e gerenciar o trabalho do projeto consiste na liderança e realização do trabalho definido no plano de gerenciamento do pro- jeto e implementação das mudanças aprovadas para atingir os objetivos dele (PMI, 2012). O principal benefício desse processo é o fornecimento do geren- ciamento geral do trabalho do projeto. Sabbag (2009) nos apresentará as atividades desse processo como sendo com- postas, mas não limitadas, a: i) executar atividades para alcance dos objetivos do projeto; ii) produzir as entregas do projeto, que atenderão o trabalho previsto para o projeto; iii) fornecer, treinar e gerenciar os membros da equipe alocados no projeto; iv) obter, gerenciar e usar recursos, inclusive materiais, ferramentas, equipamentos e instalações; v) realizar o que foi planejado, estabelecer e gerenciar os canais de comunicação do projeto; vi) produzir e distribuir informações sobre o desempenho do trabalho e as previsões do projeto; vii) emitir solicitações de mudança e implementar as mudanças aprovadas no escopo do projeto, nos pla- nos e no ambiente; viii) gerenciar e produzir respostas aos riscos; ix) gerenciar as partes interessadas e seu engajamento; e, x) descrever as lições aprendidas no projeto e implementar as atividades de melho- rias nos processos aprovados. Bastante relacionado ao processo de orien- tar e dirigir o trabalho do projeto, o processo de monitorar e controlar o trabalho do projeto consiste no acompanhamento, análise e registro do progresso alcançado pelo projeto. Para Valle (2011), o principal benefício deste processo é permitir que as partes interessadas entendam a situação atual do projeto, os passos tomados e as previsões do orçamento, cronograma e escopo. Sendo um aspecto do gerenciamento presente PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV em toda a duração do projeto, esse processo inclui a coleta, medição e distribui- ção das informações de desempenho e a avaliação das medições e tendências para efetuar melhorias no processo. Bastante pragmático, o PMI (2012) não deixa dúvidas sobre o que deve ser feito no monitoramento e controle do projeto. Assim, nesse processo estão contidas as atividades de i) comparar o desempenho real com o plano de gerenciamento do projeto; ii) avaliar o desempenho e determinar ações corretivas e preventivas indi- cadas, se necessário; iii) identificar novos riscos, acompanhar os riscos existentes, e garantir a resposta aos riscos; iv) fornecer relatório apropriado sobre o progresso e situação do projeto. No processo de realizar o controle integrado de mudanças, estão previstas as ati- vidades de revisar todas as solicitações de mudança, aprovar as mudanças e gerenciar as mudanças sendo feitas nas entregas, ativos de processos organizacionais, docu- mentos do projeto e no plano de gerenciamento do projeto, e comunicar a disposição deles (PMI, 2012). Assim, Sabbag (2009) nos explica que esse processo revisa todas as solicitações de mudança ou modificações nos documentos do projeto, entregas, linhas de base ou no plano de gerenciamento do projeto, e aprova ou rejeita essas mudanças. Pela própria característica de revisão que o autor nos apresenta, podemos afirmar que esse processo acontecerá do início ao término do projeto e é, em última instância, responsabilidade do gerente de projetos. Por quê? Porque a especificação do escopo do projeto e outras entregas são mantidas através do gerenciamento cuidadoso e contínuo das mudanças, através da rejeição ou aprovação delas, assegurando, assim, que somente as mudanças aprovadas sejam incorporadas à linha de base revisada (PMI, 2012). Para Valle (2011), as mudanças podem ser solicitadas por qualquer parte inte- ressada envolvida no projeto. Segundo o autor, ainda que seja possível solicitar mudanças verbalmente, elas deveriam ser sempre registradas por escrito e lançadas no sistema de gerenciamento de mudanças e/ou no sistema de gerenciamento de configurações. Dessa forma, esses processos de solicitação de mudança podem reque- rer informações sobre impactos estimados no tempo e custos, o que demanda que todas as requisições de mudança documentadas precisem ser aprovadas ou rejeita- das por uma pessoa responsável, geralmente o patrocinador ou o gerente do projeto. 183 Gerenciamento da Integração Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O PMI (2012) destaca que a pessoa responsável pelas aprovações será identifi- cada no plano de gerenciamento do projeto ou por procedimentos organizacionais. Ainda, o guia afirma que, quando requerido, o processo realizar o controle inte- grado de mudanças incluirá um CCM – Comitê de Controle de Mudanças, grupo formalmente constituído para revisar, avaliar, aprovar, adiar ou rejeitar mudan- ças no projeto, e registrar e comunicar tais decisões. Mais do que isso, o PMI (2012) esclarece que as solicitações de mudança aprovadas podem requerer novas ou revisadas estimativas de custos, sequenciamento de atividades, datas de cro- nograma, requisitos de recursos e análise de alternativas de resposta aos riscos (lembre-se de que apresentei um formulário específico sobre isso quando trata- mos de gestão de mudanças na Unidade III). Adicionalmente, as mudanças podem exigir ajustes no plano de gerencia- mento ou em outros documentos do projeto. Nesse sentido, o nível de controle de mudança do projeto dependerá da área de aplicação, complexidade do pro- jeto, requisitos contratuais e o contexto ambiental no qual o projeto é executado. Evidentemente, poderá ser necessária a aprovação do cliente ou do patrocina- dor para certas requisições de mudança após a aprovação pelo CCM, a menos que eles participem do CCM (VALLE, 2011; PMI, 2012). Por fim, sem trocadilhos, a área de gerenciamento da integração do projeto contempla o processo de encerrar o projeto ou fase. Assim, esse processo consiste na finalização de todas as atividades de todos os grupos de processos de geren- ciamento do projeto para encerrar formalmente o projeto ou a fase. Para o PMI (2012), o principal benefício desse processo é o fornecimento de lições apren- didas, o encerramento formal do trabalho do projeto e a liberação dos recursos organizacionais para utilização em novos empreendimentos. Ao final desta Unidade, ainda retomarei alguns cuidados importantes no encerramento do projeto, contudo, no contexto da integração em projetos, cabe algum detalhamento. Portanto, durante o encerramento do projeto, o gerente do projeto deve revisar todas as informações prévias dos encerramentos de fases anteriores, assegurando quetodo o trabalho do projeto está completo e que o projeto alcançou seus objetivos (PMI, 2012). Pense comigo. Uma vez que o escopo do projeto é medido em comparação com o plano de gerenciamento, antes de dar o projeto por encerrado, o gerente PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV do projeto deve revisar a linha de base do escopo para garantir a conclusão. Dessa forma, Valle (2011) ressalta que o processo encerrar o projeto ou fase também estabelece os procedimentos para investigar e documentar os motivos de ações realizadas se o projeto for encerrado antes da sua conclusão, o que é raro, diga- -se de passagem. Mais ainda, para que o projeto se encerre com sucesso, o gerente do pro- jeto precisa envolver todas as partes interessadas apropriadas no processo. Isso inclui todas as atividades necessárias para administrar o encerramento do pro- jeto ou de uma fase, inclusive metodologias no estilo passo a passo que abordam, segundo o PMI (2012): i) ações e atividades necessárias para atender aos critérios de conclusão ou de saída para a fase ou projeto; ii) ações e atividades necessárias para transferir os produtos, serviços ou resultados do projeto para a próxima fase ou para produção e/ou operações; e, iii) atividades necessárias para coletar registros do projeto ou da fase, auditar o projeto quanto ao seu êxito ou fracasso, coletar lições aprendidas e arquivar informações do projeto para o uso futuro da organização. GERENCIAMENTO DA COMUNICAÇÃO O gerenciamento das comunicações do projeto consiste na estrutura de ativi- dades necessárias para assegurar o fluxo coerente de informações sobre e no projeto. Assim, essa área do gerenciamento abrange processos que permitem que as comunicações sejam planejadas, coletadas, criadas, distribuídas, armazena- das, recuperadas, gerenciadas, controladas, monitoradas e, finalmente, dispostas de maneira oportuna e apropriada (PMI, 2012). Para Chaves et al. (2010), o gerente de projeto passa a maior parte do tempo se comunicando com os me mbros da equipe e outras partes interessadas do projeto, quer sejam internas (em todos os níveis da organização) ou externas à organização. Dessa forma, a comunicação precisa ser eficaz para propiciar uma ponte entre as diversas partes interessadas do projeto. Isso é necessário, uma vez 185 Gerenciamento da Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . que, dentro do projeto, pode haver diferenças culturais e organizacionais, dife- rentes níveis de conhecimento e diversas perspectivas e interesses entre as partes atuantes. Essa diversidade pode impactar ou influenciar a execução ou resultado do projeto (PMI, 2012). É sabido que comunicação pode ser considerada efetiva quando, ao chegar ao seu destino, é compreendida pelo receptor tal qual foi enviada pelo emissor (ver Figura 41). Dessa maneira, o processo de comunicação quase sempre sofre com ruídos ao longo de seu processo. Em outras palavras, ruídos referem-se a entra- ves, bloqueios, dificuldades e restrições devido a barreiras que se interpõem entre os emissores e receptores. Para o PMI (2012), as atividades de comunicação têm várias dimensões potenciais que devem ser consideradas, incluindo a i) interna (dentro do pro- jeto) e externa (cliente, fornecedores, outros projetos, organizações, o público); ii) formal (relatórios, minutas, instruções) e informal (e-mails, memorandos, reuniões); iii) vertical (nos níveis superiores e inferiores da organização) e hori- zontal (com colegas); iv) oficial (boletins informativos, relatório anual) e não oficial (comunicações confidenciais) e escrita e oral, e verbal (inflexões da voz) e não verbal (linguagem corporal). Dessa maneira, o desafio de se comunicar adequadamente em cada uma dessas dimensões passa por compreender adequa- damente o canal mais indicado para aquele público e utilizá-lo de forma eficaz. Codi�car Codi�car Emissor ReceptorRuído Mensagem Feedback - Mensagem Decodi�car Decodi�car Figura 41 - Modelo Genérico de Comunicação Fonte: PMI (2012, p. 294) PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Antes de nos debruçarmos sobre as ferramentas possíveis no gerenciamento da comunicação em projetos, vamos recuperar quais são os processos de geren- ciamento de comunicação em projetos, de acordo com o PMBOK®. Dessa forma, o PMI (2012) destaca os seguintes processos: Planejar o gerenciamento das comunicações – O processo de desenvolver uma abordagem apropriada e um plano de comunicações do projeto com base nas necessidades de informação e requisitos das partes interessadas e nos ativos organizacionais disponíveis. Gerenciar as comunicações – O processo de criar, coletar, distribuir, arma- zenar, recuperar e de disposição final das informações do projeto de acordo com o plano de gerenciamento das comunicações. Controlar as comunicações – O processo de monitorar e controlar as comu- nicações no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto para assegurar que as necessidades de informação das partes interessadas do projeto sejam atendidas. De certa maneira, podemos afirmar que a maioria das habilidades de comu- nicação são comuns ao gerenciamento geral e ao gerenciamento do projeto. Assim, escutar ativamente, perguntar, resumir e confirmar informações para assegurar um entendimento melhor de situações e atividades são característi- cas de um gestor eficaz. Podemos propor ainda que, na liderança e desenvolvimento de equipes, o gerente muitas vezes precisa agir como um educador. Nesse sentido, age com o fim de aumentar o conhecimento da equipe para que ela seja mais eficaz. Ainda, a ansiedade sobre o projeto, como vimos no gerenciamento das par- tes interessadas e no gerenciamento de pessoas, por exemplo, é uma variável que está sempre à espreita na geração de conflitos. Por isso, o gerente deve se valer de uma boa comunicação para definir e administrar as expectativas de cada um, persuadindo a pessoa, equipe ou organização a executar uma ação em linha com os objetivos do projeto. Mais do que isso, a comunicação atuará como meio pelo qual o gerente de projeto poderá motivar e encorajar sua equipe, orientar para melhorar o desem- penho e alcançar os resultados desejados, negociar para conseguir acordos mutuamente aceitáveis entre as partes e solucionar conflitos para evitar impac- tos negativos (PMI, 2012). Assim, planejar o gerenciamento das comunicações é 187 Gerenciamento da Comunicação Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . o processo de desenvolver uma abordagem apropriada e um plano de comunica- ção do projeto com base nas necessidades de informação e requisitos das partes interessadas e nos ativos organizacionais disponíveis. Segundo o PMI (2012), o principal benefício desse processo é a identificação e a documentação da abor- dagem de comunicação mais efetiva com as partes interessadas. Podemos assumir que comunicação efetiva é uma comunicação que é efi- caz e eficiente ao mesmo tempo. Assim, poderemos recorrer ao PMI (2012) para definir cada um dos tipos de comunicação. No guia, a comunicação eficaz sig- nifica que as informações são fornecidas no formato correto, na hora certa, ao público certo e com o impacto necessário, enquanto a comunicação eficiente sig- nifica fornecer somente as informações que são necessárias. Para Chaves et al. (2010), e em linha com o PMBOK®, o planejamento das comunicações deve ser feito bem no início do projeto, durante o desenvolvimento do PGP. Esse cuidado permite que os recursos adequados, tais como tempo e orçamento, sejam alocados às atividades de comunicação. Com isso, emboratodos os projetos compartilhem a demanda por comunicar as informações do projeto, as necessidades de informação e os métodos de distribuição podem variar muito. Mais do que isso, no planejamento da comunicação do projeto, os métodos de armazenamento, recuperação e disposição final das informa- ções do projeto devem ser considerados e documentados de forma apropriada durante o processo. Ainda sobre o planejamento da comunicação em projetos, Chaves et al. (2010) destaca que os pontos importantes que podem precisar ser considerados incluem, mas não estão limitados, a: i) quem são os demandantes e que tipo de informação precisam; ii) quem são os autorizados a acessar e qual informação; iii) em que momento do tempo as informações serão necessárias; iv) em que local as informações devem ser armazenadas; v) qual o formato em que as informa- ções devem ser dispostas e armazenadas; vi) como e por quem as informações podem ser recuperadas; e vi) que aspectos relativos ao fuso horário, às barreiras linguísticas e as considerações multiculturais devem ser levados em consideração. Estando definido o nosso plano de gerenciamento da comunicação, passa- mos ao próximo processo, que é o de propriamente gerenciar as comunicações. Esse processo consiste em criar, coletar, distribuir, armazenar, recuperar e dar PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV disposição final às informações do projeto de acordo com o plano de gerencia- mento das comunicações. Para o PMI (2012), o principal benefício desse processo é possibilitar um fluxo de comunicação eficiente e eficaz entre as partes interes- sadas do projeto. Mais do que isso, para o guia, esse processo procura assegurar que as informações sendo comunicadas para as partes interessadas do projeto sejam geradas de forma apropriada, assim como recebidas e compreendidas. Chaves et al. (2010) destacam que, no gerenciamento das comunicações, são propiciadas oportunidades às partes interessadas de solicitar informações, esclarecimentos e discussões adicionais. Em outras palavras, o intuito é distri- buir as informações precisas, para os interessados adequados, com a utilização do melhor canal que lhes couber. No sentido de materializar as comunicações, o gerente de projeto pode valer- -se de técnicas e considerações para o gerenciamento eficaz das comunicações que, para Rabechini Jr. (2011), incluem, mas não se limitam, a: ■ Modelos de emissor-receptor: O estabelecimento de ciclos de feedback para fornecer oportunidades de integração e remoção de ruídos na comu- nicação (ver Figura 41). ■ Escolha dos meios de comunicação: Deliberação consciente sobre quando se comunicar por escrito ou oralmente. Ainda, quando preparar um memo- rando informal ou um relatório formal. Por fim, em que tempo ou com que propósito se comunicar presencialmente ou por e-mail. ■ Estilo de redação: Uso adequado da voz ativa ou passiva, estrutura das frases e escolha das palavras. ■ Gerenciamento de reuniões: Preparação de uma pauta, estipulação de horários de início e término e administração de conflitos. ■ Técnicas de apresentação: Consciência do impacto da linguagem corpo- ral e desenvolvimento de recursos visuais (ver Unidade II). ■ Técnicas de negociação: Obtenção de consenso e superação de obstáculos. Escutar ativamente (confirmar, esclarecer e confirmar o entendimento) e remover as barreiras que afetam negativamente a compreensão. Por fim, na área de comunicações em projetos, está previsto o processo de controlar as comunicações. Este processo consiste em monitorar e controlar as comunicações 189 Gerenciamento da Qualidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, para assegurar que as necessi- dades de informação das partes interessadas do projeto sejam atendidas (PMI, 2102). O guia destaca ainda que a principal utilidade desse processo é a garantia de um fluxo ótimo de informações entre todos os participantes das comunica- ções, em qualquer momento. Para Chaves et al. (2010), o processo de controlar as comunicações requer a discussão e o diálogo constante entre o gerente com a equipe do projeto. Essa constância é útil na determinação da maneira mais apropriada de atualizar e comunicar o desempenho e responder às solicitações de informações das par- tes interessadas. Assim, essas discussões e diálogos são geralmente facilitados através de reuniões, que podem ser conduzidas presencialmente ou online e em vários locais, tais como no local do projeto ou no local do cliente. O PMI (2012) afirma que as reuniões de projeto também incluem discussões e o diálogo com fornecedores e vendedores, e outras partes interessadas. GERENCIAMENTO DA QUALIDADE O gerenciamento da qualidade do projeto consiste no conjunto de atividades da organização executora que determina as políticas de qualidade, os objetivos e as responsabilidades, de modo que o projeto satisfaça às necessidades para as quais foi empreendido (PMI, 2012). Nesse sentido, o gerenciamento da quali- dade buscará garantir o sucesso do projeto, de acordo com as métricas que forem estabelecidas para ele. O gerenciamento da qualidade do projeto usa as políticas e procedimentos para a implementação, no contexto do projeto, do sistema de gerenciamento da qualidade da organização em que o projeto está situado. Assim, existe uma interface entre o gerenciamento da qualidade do projeto e da empresa que, de maneira apropriada, dá suporte às atividades de melhoria do processo contínuo como empreendido no interesse da organização executora (CIERCO et al., 2011). ©shutterstock PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV O gerenciamento da qualidade do projeto trabalha para garantir que os requisitos do projeto, incluindo os requisitos do produto, sejam cumpridos e validados. Assim, é importante destacar que o cliente, por exemplo, passa a ter uma percepção clara do que não precisa após ter tido contato com o produto do projeto. Com isso, cresce a exigência de revisão contínua dos requisitos, como vimos, por exemplo, na área de gerenciamento do escopo. Desde já é importante definir o que é qualidade. Vários autores destacaram aspectos importantes da qualidade. Muitos são chamados de gurus da qualidade, como Juran, Crosby, Shewhart e Deming. Não é nosso propósito falar sobre o que cada um fez ou contribuiu em termos de compreensão da qualidade, con- tudo, ficam os nomes para que você se informe, quando possível, ainda mais sobre esse assunto. Dessa forma, para nós, fica um conceito geral que atribui à qualidade uma conformidade com especificações. Ainda, podemos destacar a qualidade como adequação ao uso, ou seja, um produto de qualidade é aquele que apresenta o desempenho desejado a um preço aceitável. Resumindo, o gerenciamento da qualidade do projeto inclui a aderência às especificações do projeto, com base em métricas de escopo, tempo, custos, nível de satisfação das partes interessadas e assim por diante, bem como a aderência à metodologia de gerenciamento de projetos e às demais normas da organização. A área de gerenciamento da qualidade do projeto para o PMI (2012) engloba os processos e atividades da organização executora que determinam as políticas de qualidade, os objetivos e as responsabilidades, de modo que o projeto satis- faça às necessidades para as quais foi empreendido e estão compreendidos em: Planejar o gerenciamento da qualidade – O processo de identificação dos requisitos e/ou padrões da qualidade do projeto e suas entregas, além da docu- mentação de como o projeto demonstrará a conformidade com os requisitos e/ ou padrões de qualidade. Realizar a garantia da qualidade – O processo deauditoria dos requisitos de qualidade e dos resultados das medições do con- trole de qualidade para garantir o uso dos padrões de qualidade e das definições operacionais apropriadas. 191 Gerenciamento da Qualidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Controlar a qualidade – O processo de monitoramento e registro dos resul- tados da execução das atividades de qualidade para avaliar o desempenho e recomendar as mudanças necessárias. Como pode ser visto nos processos apontados para essa área, o gerenciamento da qualidade do projeto aborda o gerenciamento do projeto e suas entregas. Neste sentido, aplica-se a todos os projetos, independentemente da sua especificidade e complexidade. Para isso, as medidas e técnicas da qualidade são inerentes ao tipo de entrega produzida pelo projeto (CIERCO et al., 2011). Por exemplo, o gerenciamento da qualidade das entregas de software pode usar abordagens e medidas diferentes das utilizadas na construção de uma usina hidrelétrica. Em ambos os casos, deixar de cumprir os requisitos pode ter consequências nega- tivas e graves para uma ou todas as partes interessadas do projeto (PMI, 2012). No processo de planejar o gerenciamento da qualidade, será definida a PQ – Política da Qualidade. Dessa forma, essa política tratará do conjunto de intenções e direções de uma organização em relação à qualidade, formalmente expresso pela gerência executiva. Assim, a PQ pode ser adotada pelo time de projeto, ou criada e adaptada caso a empresa não a tenha. Uma política da qualidade em uma organização, normalmente, dá origem a um SQ – Sistema da Qualidade. Assim, o SQ corresponde ao conjunto formado pela estrutura organizacional, visão, política, diretrizes, processos, procedimen- tos, recursos e respectivas responsabilidades necessárias à implementação do Gerenciamento da Qualidade (CIERCO et al., 2011). Ainda, o SQ é formalizado e suas diretrizes e normas integram o MQ – Manual da Qualidade. Por fim, o MQ contém toda a documentação do Sistema da Qualidade. Avançando ainda um pouco mais sobre o entendimento da interface entre a gestão da qualidade da organização, que é patrocinadora ou cliente do pro- jeto, e a área de gerenciamento da qualidade em projetos, precisamos definir o que é o plano da qualidade. Assim, Cierco et al. (2011) apontam que o Plano de Qualidade é um documento que especifica quais os procedimentos e recursos serão necessários no projeto. Para Almeida (2013), nesse plano estarão descritos: Requisito, Especificação ou Indicador: Característica ou propriedade que deve ser fornecida para atender às necessidades das partes interessadas (requisitos do gerenciamento do projeto e requisitos do produto). PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Métricas: Atributos que descrevem as características ou propriedades dos requisitos e que são passíveis de avaliação. Critérios de Aceitação ou Meta: O nível de qualidade a ser atingido pelas métricas dos requisitos. Esse nível de qualidade pode ser expresso por valores absolutos (números, itens de classificação); por faixas de valores; ou porcentagens. Métodos e técnicas (e frequência de aplicação): Os procedimentos e ativida- des para medir e avaliar o requisito, com base na métrica definida e focando o atingimento do critério de aceitação ou meta. Fica mais fácil entender a forma do plano a partir da ilustração de uma pla- nilha que dará estrutura a ele. Assim, utilizemos como exemplo um projeto que envolve treinamento dos participantes em alguma habilidade específica. Algumas das entregas desse projeto hipotético poderiam ter sua qualidade planejada con- forme exposto no Quadro 23. ENTREGA/ ITEM REQUISITO MÉTRICA E CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO MÉTODO DE VERIFICAÇÃO Treinamento Desempenho Individual Percentual de aprovação igual ou superior a 75% Aplicação de uma prova teórica Presença da turma Percentual de frequência mínimo de 90% Aplicação de lista de presença a cada 4 horas de curso Avaliação do curso Índice de aprovação mínimo de 85% Aplicação de formulários de avaliação do curso pelos alunos Avaliação da metodologia Usabilidade aprovada por no mínimo 70% dos usuá- rios Aplicação de formulários de avaliação de usabilida- de da metodologia pelos alunos Projeto Cronograma Cumprimento do prazo com variação máxima de 5% do tempo estimado Análise dos relatórios peri- ódicos do projeto (AVA) Orçamento Custo final com variação máxima de 10% do custo orçado Análise dos relatórios peri- ódicos do projeto (AVA) Quadro 23 - Modelo de plano da qualidade Fonte: Almeida (2013, p. 25) 193 Gerenciamento da Qualidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Estando definido o plano da qualidade, avancemos sobre os outros dois proces- sos da área de gerenciamento da qualidade. A saber, os processos de realizar a garantia da qualidade e controlar a qualidade. O processo de realizar a garantia da qualidade consiste na auditoria dos requi- sitos de qualidade e dos resultados das medições do controle de qualidade para garantir o uso dos padrões de qualidade e das definições operacionais apropria- das. Como vimos, o processo de controlar a qualidade consiste no monitoramento e registro dos resultados da execução das atividades de qualidade para avaliar o desempenho e recomendar as mudanças necessárias (PMI, 2012). Em outras palavras, a garantia da qualidade envolve aspectos gerenciais, como processos, procedimentos, padrões e auditorias dos demais. Enquanto isso, o controle da qualidade envolve aspectos técnicos, como adequação e desempe- nho do produto do projeto e do gerenciamento do projeto (ALMEIDA, 2013). Para o PMI (2012), o processo de realizar a garantia da qualidade trata da execução das ações e processos planejados e sistematizados dentro do plano de gerenciamento da qualidade do projeto. Assim, a garantia da qualidade procurará assegurar que uma saída futura ou uma saída não terminada seja concluída, de forma a cumprir os requisitos e expectativas especificados. Portanto, a garantia de qualidade confere acurácia, precisão ao estado de incerteza sobre a qualidade ao impedir defeitos nos processos de planejamento ou ao eliminar tais defeitos na inspeção realizada durante a execução (CIERCO et al., 2011). Por fim, o processo controlar a qualidade usa um conjunto de técnicas e tarefas operacionais para verificar se a saída entregue cumprirá os requisitos (PMI, 2012). Assim, o controle da qualidade deve ser implementado durante as fases de execução e encerramento, de modo a demonstrar formalmente, a par- tir de informações confiáveis, que os critérios de aceitação do patrocinador ou do cliente foram cumpridos. Já atribuímos ao controle da qualidade um aspecto mais técnico, dessa forma, a equipe de gerenciamento do projeto é incumbida a ter um conhecimento prá- tico de processos de controle estatístico da qualidade, de modo a ser possível avaliar os dados contidos nas saídas de qualidade do controle. Com isso, o PMI (2012) recomenda que, entre outros assuntos, a equipe conheça as diferenças entre os seguintes pares de termos: PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ■ Prevenção (manter o processo sem erros) e inspeção (manter os erros longe do cliente). ■ Amostragem de atributos (o resultado está em conformidade ou não está em conformidade) e amostragem de variáveis (o resultado é classificado em uma escala contínua que mede o grau desconformidade). ■ Tolerâncias (uma faixa especificada de resultados aceitáveis) e limites de controle (que identificam os limites de variação comum em umprocesso estatisticamente estável ou desempenho do processo). GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES O gerenciamento de aquisições em projetos engloba os processos necessários para compra de produtos, serviços ou resultados de fora da equipe do projeto para realizar o trabalho. Nesse sentido, gerenciar as aquisições tem por diretriz otimizar as aquisições, a fim de atingir os objetivos traçados e entregar o pro- duto ou serviço determinado no escopo do projeto. Ainda, propõe-se a reduzir o risco empresarial da aquisição e transformá-lo em contribuição para o resul- tado do projeto. As aquisições em um projeto têm como base o escopo do projeto e a EAP. No planejamento do projeto, é preciso avaliar e decidir o que será produzido internamente ao projeto e o que será contratado de partes externas (XAVIER et al., 2010). Em gerenciamento de projetos, essa decisão ganha o nome de make- -or-buy, fazer ou comprar, numa tradução livre. É possível comprar, ou ainda, contratar (i) pacotes de trabalho; (ii) um con- junto de pacotes de trabalho; e (iii) recursos, em um projeto. Xavier et al. (2010) exemplificam essa divisão com um projeto hipotético de produção de um livro. Assim, a revisão ortográfica e gramatical pode ser contratada como um pacote de trabalho. Ademais, o projeto gráfico da capa e do miolo do livro – pacotes de trabalho distintos – podem ser adquiridos em conjunto, formando um pacote de contratação. Por fim, se as ilustrações do livro forem feitas pela própria equipe 195 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . do projeto, serão necessários computadores e softwares adequados para isso. Quando os pacotes de trabalho serão contratados de partes externas ao projeto, o seu detalhamento deve ser maior do que para aqueles que serão fei- tos pela própria equipe. Assim, as especificações do que será contratado tem de contemplar a quantidade de informações que permita, inclusive, construir mode- los de tomada de decisão para as compras. Em outras palavras, a descrição das especificações deve permitir ponderar qual é a característica mandatória para aquele pacote de trabalho: menor custo, maior qualidade, tempo de entrega etc. Lembre-se da tripla restrição. Aqui o que se quer é saber qual aspecto dela é o preponderante ou o mais importante. Em gerenciamento de projetos, essas especificações ganham a denomina- ção de DT – Declaração de Trabalho (Statement of Work – SOW). Xavier et al. (2010) afirmam que, dependendo da empresa ou do que se está contratando, a DT pode ter vários nomes: memorial descritivo, objeto de licitação, especifi- cação técnica, especificação funcional, especificação de serviços, entre outros. Nesse sentido, especificações bem elaboradas i) ajudam os fornecedores a apre- sentar em propostas mais acuradas em relação à técnica e ao preço; ii) são base de referência para o desenvolvimento de outras partes da solicitação, como cri- térios de seleção e estimativas do custo; e iii) reduzem disputas e reivindicações sob um contrato. Você já conseguiu perceber que o gerenciamento de projetos é integrado. De igual forma, a área de aquisições tem grande interface com as demais áreas do projeto. Em projetos mais robustos, em termos de tamanho do escopo e quanti- dade de entregas, a área de gerenciamento das aquisições não interage apenas no âmbito do projeto, mas também com outros stakeholders, como a área de supri- mentos da empresa, fornecedores externos e assim sucessivamente. A Figura 42 demonstra como a área de Aquisições (e o Gerenciamento de Aquisições, por conseguinte) interage com as demais áreas do projeto. PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Escopo EAP + Dicionário Integração Tempo Qualidade Comunicações Aquisições RH Custo Risco Plano Integrado de Mudança Plano de Comunicação Plano da Qualidade Plano da Qualidade Orçamento Plano de Resposta a Riscos Plano Ger. de Pessoas Figura 42 - Interação da área de aquisições com as demais áreas do projeto Fonte: adaptada de PMI (2012, p. 359) O PMI (2012) estrutura o Gerenciamento de Aquisições em Projetos a partir de quatro processos: Planejar o gerenciamento das aquisições – O processo de documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando fornecedores em potencial. Conduzir as aquisições – O processo de obtenção de respostas de fornece- dores, seleção de um fornecedor e adjudicação de um contrato. Controlar as aquisições – O processo de gerenciamento das relações de aqui- sições, monitoramento do desempenho do contrato e realizações de mudanças e correções nos contratos, conforme necessário. Encerrar as aquisições – O processo de finalizar cada uma das aquisições do projeto. O PMI (2012) descreve o PGA – Plano de Gerenciamento de Aquisições como o documento que demonstra como serão gerenciados os processos de aquisição. Nesse documento, é detalhado desde o desenvolvimento da documentação da 197 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . aquisição até o encerramento do contrato. Assim, esse documento é um com- ponente auxiliar do plano de gerenciamento de projeto, como vimos na seção de Organização do Documental do Projeto. No PGA estão citadas, por exemplo, as normas ou políticas organizacionais para as aquisições. Nesse sentido, não é necessário reproduzir essas informações, basta referenciá-las. Perceba que somente os projetos intensivos em contrata- ção necessitam de um plano. Porém, é necessário planejar as aquisições mesmo sem ter um plano. Portanto, posso recomendar, a partir do que preconiza o PMI (2012), que no PGA estejam contidas as seguintes informações: ■ Tipos de contratos a serem usados. ■ Mapa das aquisições. ■ Documentos de aquisição padronizados. ■ Responsabilidade por preparar estimativas. ■ Autonomia do projeto com relação às aquisições. ■ Gerenciamento dos fornecedores. ■ Restrições e premissas das compras. Dentre as informações apontadas, o Mapa das Aquisições tem certo destaque. Ou seja, mesmo na hipótese de você não preparar um PGA completo, o Mapa de Aquisições será fundamental para o projeto. Oportunamente, este documento é, na realidade, uma tabela em que você coloca informações, como: i) o item a ser adquirido; ii) os prováveis fornecedores daquele item; iii) o orçamento que está disponível para aquela aquisição; e iv) qual é o prazo em que o produto ou serviço deve estar à disposição no projeto. Além disso, é importante integrar o Mapa de Aquisições com a EAP, sendo assim, basta incluir um código do item para o Mapa e o código do item na EAP. Um exemplo: PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV MAPA DE AQUISIÇÕES Nome da Empresa Brasil-AmericaLatina Nome do Projeto Projeto Jupiter Versão 01 NÚMERO ITEM A SER CONTRATADO REFERÊNCIA NA EAP VENDOR LIST ORÇAMENTO PRAZO 1 Nome dos itens que serão contra- tados Código na EAP referente a cada item Lista dos fornecedores que serão convidados a apresentar proposta Quanto está pre- visto no orçamento Que data tem de estar dis- ponível Cada linha deve ser um pacote de contratação Quadro 24 - Mapa de Aquisições do Projeto Fonte: elaborado pelo autor O Mapa já é útil da forma como está acima, certo? Contudo, caso você apresente mais algumas informações, ele também poderá ser utilizado como um instru- mento de controle das aquisições. Quando falarmos de controle de aquisições, eu apresentarei essa ideia de maneira mais clara. Agora, é importante avançar- mos para o próximo processo: conduzir as aquisições. Como vocêjá viu, o processo de conduzir aquisições consiste na obtenção de respostas de fornecedores, seleção de um fornecedor e adjudicação de um contrato. Em outras palavras, o que será feito nesse processo é a preparação e o envio de solicitações de propostas, avaliação das propostas recebidas e celebra- ção de um contrato com o fornecedor que apresentar a melhor proposta. 199 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Caso a empresa que seja patrocinadora do projeto tenha uma estrutura cen- tralizada de compras, entendo que fica mais facilitada a vida do gerente de projeto. Quero dizer, neste caso, bastaria à equipe do projeto estruturar as especificações das aquisições e monitorar o processo de aquisições junto à área centralizada da empresa. Além disso, Xavier et al. (2010) propõem que com a centralização das compras de um projeto há um incremento constante no conhecimento em gerenciamento de aquisições. Ainda, pelo volume de trabalho, é possível avançar sobre a padronização das práticas de aquisição. Em outro sentido, esses autores ainda destacam o menor custo envolvido nas compras e o provável ganho finan- ceiro obtido a partir dos descontos por volumes de aquisições. Caso a empresa não disponha de uma área para as compras do projeto, a equipe precisará conduzir os processos licitatórios. Desse modo, terá mais faci- lidade no uso do conhecimento técnico sobre o que será contratado e, claro, verá maior agilidade nas contratações, em comparação com o modelo centra- lizado. Por outro lado, a duplicidade de funções tende a causar ineficiência do uso dos recursos, e a falta de padrão no processo pode ocasionar perda de con- trole (XAVIER et al., 2010). A SP – Solicitação de Proposta (Request for Proposal – RFP) é um documento formal, preparado pelo contratante e enviado aos potenciais fornecedores e pres- tadores de serviço, de tal modo que sirva como base para que eles preparem as suas condições de fornecimento do item solicitado. Algumas informações são indispensáveis, por exemplo, a DT – Declaração de Trabalho. Mas não só isso. Critérios de seleção (classificatórios e eliminatórios), bem como os requisitos de envio e formas de contato para esclarecimento, também. Veja esse exemplo: PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV SP - SOLICITAÇÃO DE PROPOSTA Nome da Empresa Brasil-AmericaLatina Nome do Projeto Projeto Jupiter Pedido de Proposta nº 01 Prezado(s) Senhor(es) O Departamento de Contratação convida V. Sas a apresentar proposta para ________________________, conforme a seguir especificado. Atenciosamente, Geraldo Genro Gerente de Contratações 1. Introdução Informações sobre a empresa que está divulgando o pedido, tais como nome, endere- ço, telefone, CNPJ, pessoa de contato etc. 2. Declaração do Trabalho 2.1. Escopo da contratação: Especificação do produto ou serviço, incluindo as quanti- dades desejadas. 2.2. Normas de qualidade a serem atendidas: Qualidade de processos, produtos e equipe. 2.3. Prazos: período de realização do serviço ou prazo de entrega e garantia. 3. Cláusulas contratuais relevantes Penalidades, incentivos, confidencialidade, direito de propriedade, direito de proprie- dade intelectual, responsabilidade das partes etc. 4. Pré-requisitos Itens obrigatórios em relação ao fornecedor, como capacidade técnica e financeira, habilitação jurídica, tamanho e tipo de negócio, referências etc. 5. Processo de classificação / seleção das propostas Menor preço ou outra forma de avaliação. 6. Formatação da Resposta a. Endereçamento b. Prazo recebimento proposta c. Padronização da proposta Local, em ___de _____ de ____________. ____________________ Assinatura do Responsável Quadro 25 - SP - Solicitação de Proposta Fonte: elaborado pelo autor 201 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Você pode perceber que, na Solicitação de Proposta, é indicado o processo de classificação e de seleção das propostas. Esse ponto é fundamental, uma vez que atribui transparência ao processo e denota que a seleção será feita a partir de critérios técnicos e comerciais, o que permitirá ao participante concorrer em igualdade de condições com os demais. Esse tipo de ação aumenta o número de fornecedores interessados em atender à solicitação de proposta, bem como evita problemas políticos e éticos no desenrolar dos processos licitatórios. EXEMPLOS DE CRITÉRIOS OBRIGATÓRIOS Critérios obrigatórios Atende? Apresentação de certidão negativa de débitos do INSS Sim/Não Apresentar equipe tendo, no mínimo, 50% dos profissionais com curso no Senac para atividades que realizarão no coquetel Sim/Não Ter realizado, no mínimo, 4 coquetéis nos últimos 6 meses Sim/Não Habilitação jurídica Sim/Não Ter instalações próprias no município em que será servido o coquetel Sim/Não Quadro 26 - Exemplos de critérios obrigatórios Fonte: Xavier et al. (2010, p. 63) EXEMPLOS DE CRITÉRIOS FACULTATIVOS Critérios facultativos Peso(%) Qualificação do corpo técnico do fornecedor 25 Qualificações desejadas do fornecedor 20 Variedade dos produtos (alimentos e bebidas) e serviços ofereci- dos 5 Experiência do fornecedor (número de eventos realizados) 20 Tempo de existência da empresa 5 Preço 25 Total 100 Quadro 27 - Exemplos de critérios facultativos Fonte: Xavier et al. (2010, p. 64) PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Após elaborada a solicitação de proposta, é divulgada aos potenciais fornecedo- res. Vários meios poderão ser empregados para essa operação. Os mais comuns, ou, ainda, os mais utilizados são: e-mail, publicação de editais, divulgação de cartas-convite, sites na internet, anúncios em jornais e correspondências dire- tas a fornecedores. Após o recebimento das propostas e utilizando os critérios previamente esta- belecidos e divulgados, é feita a avaliação das propostas. Assim, o que se passa a procurar é a proposta que exiba maior equilíbrio entre as condições de preço, prazo e adequação às especificações técnicas. Xavier et al. (2010) descrevem os critérios de seleção das propostas entre obrigatórios e facultativos (ver Quadro 26 e Quadro 27). Quando os critérios são obrigatórios, o fornecedor que não os atender está automaticamente eliminado do pleito (concorrência). Quando os critérios são facultativos, recebem pesos que permitem aproximar (ou dis- tanciar) aquela proposta do que foi planejado inicialmente. Sendo assim, basta a equipe que está avaliando as propostas, atribuir notas de 1 a 10, por exemplo, para os diversos critérios da proposta o que, ponderado pelos pesos atribuídos, oferecerá qual é a melhor proposta dentre as recebidas. Veja uma forma de fazer isso, a partir da demonstração de Xavier et al. (2010): EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Atende aos critérios obrigatórios Fornecedor A Fornecedor B Fornecedor C Apresentação de certidão negativa de débitos do INSS Sim Sim Sim Apresentar equipe tendo, no mínimo, 50% dos profissionais com curso no Senac para atividades que realizarão no coquetel Sim Sim Não Ter realizado, no mínimo, 4 coquetéis nos últimos 6 meses Sim Sim Sim Habilitação jurídica Sim Sim Não Ter instalações próprias no município em que será servido o coquetel Sim Sim Sim Quadro 28 - Exemplo de tabulação de critérios de avaliação Fonte: Xavier et al. (2010, p. 75) 203 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . De acordo com o que você tem visto nesta seção,os fornecedores A e B seriam aprovados, já o fornecedor C, por não atender a dois critérios obrigatórios, esta- ria eliminado da disputa de fornecimento (ver Quadro 28). Resta, neste caso, avaliar os critérios facultativos, como vemos no quadro a seguir. EXEMPLOS DE APLICAÇÃO DE CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO Critérios Facultativos Peso (%) Nota Forne- cedor A Nota For- necedor B Qualificação do corpo técnico do fornecedor 25 7 10 Qualificações desejadas do fornecedor 20 10 4 Variedade dos produtos (alimentos e bebidas) e serviços oferecidos 5 8 3 Experiência do fornecedor (número de eventos realizados) 20 10 4 Tempo de existência da empresa 5 9 5 Preço 25 6 10 Total 100 8,1 7 Quadro 29 - Exemplo de tabulação de critérios de avaliação Fonte: Xavier et al. (2010, p. 76) PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Como é possível identificar nesse caso, a proposta vencedora, ou seja, aquela que reúne todas as condições obrigatórias e também é a mais bem posicionada em relação aos critérios facultativos é a do fornecedor A. Grosso modo, os tipos de julgamento podem ser apontados assim: Menor Preço; Melhor Técnica; e Técnica e Preço. Demonstrada e ratificada a diferença entre as propostas, elege-se o vence- dor da licitação e se celebra o contrato entre as partes. O contrato é um conjunto de regras definidas pelas partes interessadas, por meio de cláusulas contratuais, negociadas ou não, que definem a forma de se relacionar, guardando princípios de probidade e boa-fé. Esse documento pode assumir uma série de formas e de denominações, mas, aqui, entenderemos por contrato qualquer uma das seguin- tes formalizações: ■ Acordo. ■ Carta-contrato. ■ Subcontrato. ■ Ordem de compra. ■ Carta de intenções. O Código Civil Brasileiro dispõe sobre as diversas formas de contratação, a saber: contrato formal e escrito e o contrato tácito, verbal ou informal. Contrato Formal é aquele que observa as formalidades previstas no Código Civil, cujas condi- ções podem estar descritas em um instrumento com cláusulas. Contrato Tácito ocorre quando uma das partes solicita à outra o fornecimento de um produto ou serviço e aquela que recebe a demanda concorda, por meio de manifestação não formal, em implementar o solicitado. A Lei 10.406/2002 do Código Civil classifica os contratos em espécies, cada uma delas com características e funções distintas, por exemplo: ■ Compra e venda. ■ Prestação de serviços. ■ Empreitada (obra). ■ Empréstimo (comodato e mútuo). 205 Gerenciamento das Aquisições Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Estimatório (consignação). ■ Locação de coisas. ■ Troca ou permuta. ■ Doação. A escolha do melhor contrato, ou ainda, do contrato mais adequado àquele item, se dá em função de uma análise que leva em conta i) quão clara é ou pode ser a definição do escopo do trabalho; ii) a quantidade ou frequência de mudanças esperada após o início do projeto; iii) esforço ou expertise do contratante para gerenciar o fornecedor/contratado; iv) urgência do produto; v) tipo ou com- plexidade dos requisitos; vi) análise custo vs preço; e, vii) propensão ao risco (ameaça ou oportunidade). Estabelecidos os contratos, é hora de controlar as aquisições. Para o PMI (2012), esse processo consiste no gerenciamento das relações de aquisições, moni- toramento do desempenho do contrato e realizações de mudanças e correções nos contratos, conforme necessário. Assim, você pode usar o Mapa de Aquisições em projetos menos complexos, como uma forma de controle. Lembra-se do exem- plo de Mapa de Aquisições que vimos no Quadro 24? Pois bem, com algumas modificações ele pode nos auxiliar a controlar as aquisições. Isso fica claro pra você no Quadro 30. MAPA DE AQUISIÇÕES Nome da Empresa Brasil-AmericaLatina Nome do Projeto Projeto Jupiter Versão 01 Referência na EAP / Descrição do Item Moda- lidade Contra- tual Vendor List Pedido nº / data Custo Data Andamento Orçado Real Pro- gra- mada Entrega Efetiva Quadro 30 - Mapa de Aquisições Expandido Fonte: elaborado pelo autor PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV É natural que ao longo das contratações haja mudanças. Rabechini Jr. (2011) destaca, entre as competências essenciais do Gerente de Projeto, o domínio de técnicas de gerenciamento de contratos. O processo de administração de con- tratos, cada vez mais demandado por empresas, visa justamente estabelecer a maneira mais justa de resolver as reivindicações (claims) e disputas que podem ocorrer. Nesse sentido, independentemente de qual modalidade contratual uti- lizada, é uma boa prática a presença nesse instrumento de cláusulas contratuais que estabeleçam os procedimentos formais para as alterações no contrato. Ainda, a limitação do número de pessoas autorizadas a solicitar e aprovar mudanças, bem como a definição de procedimentos para respostas a mudanças não autori- zadas (XAVIER et al., 2010). Segundo o PMI (2012), encerrar as aquisições é o processo de finalizar todas as aquisições do projeto. O principal benefício desse processo é a documentação dos acordos e outros documentos relacionados, para consultas futuras. Xavier et al. (2010) lembram que, nessa fase, os produtos e serviços constantes do escopo delineado sejam, de fato, disponibilizados para o cliente, sendo que esse momento deve ser acompanhado da necessária caracterização e oficialização da conclusão e aceite do projeto. Veremos com mais cuidado o encerramento de projetos a seguir. Quero ainda apresentar alguns pontos importantes do encerramento de contratos. No encerramento de cada um dos contratos, o que se pretende é assegurar que todos os aspectos administrativos estão concluídos. Para isso, após a entrega do produto ou serviço pelo fornecedor para o cliente, será feita por esse último uma verificação do (atendimento do) escopo e aceite (ou não). Nesse sentido, é importante documentar o encerramento do contrato através do relatório de encer- ramento do contrato e termo de aceite (emitido pelo contratante), e do atestado de inexistência de reivindicações e relatório de encerramento do contrato (emi- tido pelo contratado). Podemos imaginar que, ao final de todas as aquisições, teremos um número muito grande de papéis. Ainda, com a preocupação de dar subsídios de como se organiza em meio a isso, proponho uma organização final de cada um dos contra- tos, de modo que, caso necessário, seja possível encontrar, de maneira ordenada e lógica, o que você procura. Dessa forma, a organização, após a conclusão do contrato, pode ser feita assim: 207 Encerramento do Projeto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . ■ Solicitação de proposta. ■ Análise das propostas. ■ Contrato. ■ Alterações solicitadas e aprovadas. ■ Aditivos ao contrato. ■ Aprovação das entregas. ■ Avaliações do contratado. ■ Relatórios de desempenho. ■ Cópias das faturas e pagamentos. ENCERRAMENTO DO PROJETO Muito bem, chegamos ao Encerramento do Projeto. Veja, o encerramento do projeto não é um momento, é um período de transição. Machado Filho (2013) afirma que sob alguns aspectos – para a equipe do projeto e para o gerente, realo- cados, por exemplo – esse momento de encerramento de um projeto não é um final, é um reinício. Ainda no sentido de proposição de uma transição, Sabbag (2009) afirma que além da desmobilização que passa a acontecer, é hora da comemoração dos resultados alcançados. Dessa forma, passar por vários processos de encerra- mento indica um acúmulo de experiência e um conjunto de memórias que são tanto parte fundamental paraum profissional experiente como pessoais, para uma pessoa madura. E quando se termina um projeto? Para responder a essa pergunta, Machado Filho (2013) propõe uma metáfora: a Corrida de Revezamento. Nessa metá- fora, se o corredor que termina sua atividade desacelerar, perde a corrida. Por outro lado, se o corredor que inicia a atividade estiver parado, perde a corrida. PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Assim, não é preciso apenas de sincronia, é preciso que o corredor que inicia esteja com o mesmo ímpeto e esforço do que o que termina. Resultado: a tran- sição torna-se natural. Há um senso comum de que o projeto termina abruptamente. Não é o caso, ainda mais que a equipe temporária que executou o projeto reúne muito conheci- mento sobre ele, não podendo ser desmobilizada senão quando alguém assumir responsabilidades sobre o produto do projeto (SABBAG, 2009). Veja o que indica o PMI (2012) no PMBOK®: há uma distinção entre acei- tação provisória e definitiva (aprovação) do projeto. E o encerramento ocorre ainda depois disso. Vamos traçar um paralelo e ver na legislação brasileira o que se fala de encer- ramento de projetos ou de entregas de bens. O Código Civil indica a necessidade de um termo formal de aceitação, toda vez que há um bem para entrega futura (caso dos projetos): bens de entrega futura – “a contento” ou “sujeito a prova”. Art. 509: entrega “a contento” exige que o comprador manifeste agrado. Art. 510: na “sujeito a prova” a qualidade é assegurada ao vendedor. Art. 511: comprador é “mero comodatário” até que manifeste agrado. A lei 8.666 de 1993 distingue a aceitação provisória da definitiva, que cor- responde à aprovação do PMI: II - em se tratando de compras ou de locação de equipamentos: ■ provisoriamente, para efeito de posterior verificação da conformidade do material com a especificação; ■ definitivamente, após a verificação da qualidade e quantidade do mate- rial e consequente aceitação. O Código do Consumidor estabelece prazos para reclamações após a entrega ou aceitação: Art. 26: O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil consta- tação caduca em: i. trinta dias, fornecimento de serviços e de produtos não-duráveis; ii. noventa dias, fornecimento de serviços e de produtos duráveis: 209 Encerramento do Projeto Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efe- tiva do produto ou término da execução dos serviços; § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no mo- mento em que ficar evidenciado. O que essas informações nos apresentam? Que a equipe do projeto é responsável por ele até que alguém assuma o controle, aprovando o projeto. Ainda assim, a equipe do projeto pode continuar apoiando quem recebeu o projeto, na fase de pós-implantação dele. Imagine a entrega de um software de gestão do tipo ERP. Podemos esperar que, durante algum tempo após a entrega do produto do pro- jeto (o software), ainda esteja acontecendo a solução de dúvidas e a análise do gerente do projeto sobre a aderência da entrega total. Portanto, o projeto não estará encerrado. Para Sabbag (2009), o encerramento do projeto não inicia quando termina a execução. Para ele, isso acontece muito antes, no momento em que alguém tem que pensar em como se dará a aceitação e aprovação. Dessa forma, qual seria o escopo do encerramento do projeto? Segundo Machado Filho (2013), podería- mos ter o seguinte Escopo Potencial no Encerramento: ■ Testes e Operação Experimental (se pertence ao escopo). ■ Comissionamento de Equipamentos e Instalações. ■ Desmobilização de pessoal (equipe do projeto e terceiros) e instalações provisórias. ■ Serviços em Garantia, Assistência Técnica. ■ Reaproveitamento: criação de novos projetos para explorar oportunidades. Por esse exemplo, veja o grau de formalismo requerido e a necessidade de apro- vação de interessados relevantes. Assim, com esse escopo, podemos supor que algumas atividades durante a execução do projeto, que preparem o encerramento, contenham, ainda de acordo com Sabbag (2009): ■ Planejar atividades de Aceitação, com aprovação prévia (testes, aferição de desempenho). ■ Planejar documentação final do projeto (dossiê do projeto, projeto as-built, relatórios). PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV ■ Planejar aprendizado retrospectivo (determinar o que serve para o apren- dizado e criar sistema de coleta e processamento). ■ Criar reservas para a pós-aprovação (garantia). De todo modo, o encerramento, ainda que planejado, pode apresentar inúme- ros problemas. Machado Filho (2013) lembra dos casos mais complicados, que ocorrem quando o cliente ou empreendedor aceita o projeto, começa a operá-lo, mas se recusa a fornecer a aprovação. Ainda, pode haver retenção de pagamen- tos ou de garantias, atreladas à aprovação. Sabbag (2009) afirma que há casos de serviços em garantia intermináveis, que vale a pena exemplificar – os norte-americanos chamam isso de garantias “ever-green”, sempre verdes – isto é, a partir de um serviço em garantia, o prazo de garantia se reinicia. No PMBOK®, há três tipos de encerramentos no projeto: Aceitação provisória: verifica a conformidade com especificações; pode ini- ciar a operação, sem transferir responsabilidades. Aceitação definitiva: atesta a conformidade com os requisitos e assume a res- ponsabilidade pelo produto do projeto. Entrega (handover): termina a atuação da equipe do projeto. Assim, o PMI (2012) aponta como atividades possíveis no encerramento de projetos: ■ Obter licenças de uso, atestados, alvarás e documentação legal. ■ Encerrar administrativamente os contratos, com o mesmo rigor formal adotado na iniciação deles. ■ Efetuar balanço final do projeto – Project Evaluation. ■ Concluir dossiê da documentação do projeto, incluindo lições aprendi- das e avaliação dos membros da equipe do projeto. 211 Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Na Unidade V, em lições aprendidas, mostro um formulário bem interessante preparado pela professora Cynthia Stackpole Snyder. Lá você verá uma série de aspectos bastante importantes que devem ser observados pelo gerente de pro- jetos e pela equipe de projetos, na hora de incorporar as experiências vividas. Acredito que seja importante esse tipo de atividade – de relacionar as lições aprendidas – em toda a nossa vida. Sou pai de duas meninas. Cinco anos de dife- rença entre elas. Volta e meia me pego não repetindo, de maneira deliberada, atitudes que tive com a mais velha e que não resultaram como esperava. Claro que pra mim está mais fácil este tipo de reflexão, uma vez que sou afetado pela própria metodologia que ensino. Sendo assim, para você, querido(a) aluno(a), peço que, a cada curso que fizer, a cada livro que ler, a cada viagem que realizar, procure reproduzir as suas lições aprendidas. Tenho certeza que abreviará muito o tempo que leva para nos darmos conta de alguns aprendizados. CONSIDERAÇÕES FINAIS E assim foi a história de quando terminamos mais uma Unidade em nosso enten- dimento do gerenciamento de projetos. Veja que nesta Unidade IV fomos muito além da sua expectativa inicial. Abordamos de maneira detida os aspectos ine- rentes à integração, comunicação, qualidade e aquisições em projetos. Tivemos cuidado ao caminhar por essas áreas, já que elas, como exortei no início da Unidade, são peremptórias no alcance do planejado pelo projeto. Na grande maioria dos processos de planejamento do PMBOK, o PMI indica a consulta aos ativos organizacionais.Vale a pena investigar cada vez mais esse conjunto de realidades da empresa! PROCESSOS DE MONITORAMENTO E CONTROLE E ENCERRAMENTO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IV Ainda fiz um pouco mais, explorei o encerramento do projeto de modo que você pudesse perceber que na hora de concluir um projeto, o gerenciamento pro- fissional de projetos pede também uma atuação de alto nível, preocupada tanto com aspectos relacionados à legislação e à proteção do consumidor do produto ou serviço do projeto, quanto de aspectos condizentes com a atividade de geren- ciamento de projetos propriamente dita. Em outras palavras, teremos muito mais pessoas com grandes experiências de gerenciamento do que pessoas com experiências no encerramento de pro- jetos. Assim, posso te garantir que as que você mais se esforçará em estar junto são aquelas que finalizaram um número maior de projetos. Por quê? Exibiram grande resiliência, capacidade gerencial e, sem dúvida, são as que têm maior experiência acumulada, úteis para novos empreendimentos. “A pesquisa de comunicação Pulse do PMI conclui que as comunicações eficazes levam a projetos mais bem-sucedidos, permitindo que as organi- zações tornem-se de alto desempenho (concluindo uma média de 80 por cento dos projetos dentro do cronograma, dentro do orçamento e aten- dendo os objetivos originais). Essas organizações arriscam 14 vezes menos dólares que suas concorrentes de baixo desempenho. O relatório também focaliza as dificuldades de comunicação que impedem as organizações de concluir projetos mais bem-sucedidos e identifica iniciativas-chave que po- dem ajudar as organizações a melhorar suas comunicações enquanto en- frentam suas próprias dificuldades nesse ambiente complexo e arriscado” (PMI, 2014c, p. 2). <http://www.pmi.org/~/media/PDF/Knowledge%20Center/Portuguese/ 2013-pulse-communications-report.ashx>. 213 1. Descreva os componentes genéricos de um processo de comunicação. 2. Qual a diferença entre a garantia e o controle da qualidade. 3. A que se refere a expressão make-or-buy? IMPLEMENTANDO ESTRATÉGIAS ATRAVÉS DO GERENCIAMENTO DE PROJETOS O Gerenciamento de Projetos eficaz é indispensável para converter estratégias de negó- cios em resultados positivos para o negócio. Os recursos da organização são escassos! Portanto, empreender projetos coerentes, ali- nhados com a estratégia da empresa – que a implementem, portanto – e de maneira eficiente pode ser o limite entre o sucesso e a crise. Com a crescente competição no mercado global, os gestores cada vez mais buscam alternativas para responder adequadamente à pressão para entregar produtos inova- dores e permitir à suas corporações permanecer relevantes no mercado: ora, se temos outras 10 empresas que fazem exatamente o que a sua faz e melhor, porque a sua será a escolhida? Projetos tornam realidade a sustentação de corporações, contudo, tem de ser entregues no prazo necessário – sob o risco de não serem mais novidade, ou não agregarem o va- lor esperado – e dentro do orçamento disponível. Para realizar isso é preciso estabelecer prazos, definir tarefas, identificar itens de caminho crítico, especificar e adquirir mate- riais, acompanhar custos e o valor agregado. Além disso, e as forças ocultas?? Aquelas que agem a favor e contra a empresa e seus projetos; como lidar com elas? Entenda-se por forças ocultas o Governo, credores, os funcionários (e a política envolvida), os concorrentes e todos os intervenientes que po- dem afetar ou serem afetados pelos projetos. O PMI – Project Management Institute, sediado na Philadélphia, USA, desde 1969 de- dica-se ao estudo do gerenciamento de projeto e desde 1996, a cada 4 anos, edita o PMBOK – Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos, já em sua 4ª edi- ção. Suas práticas tem sido aplicadas em todo o mundo – e no Brasil – com o objetivo de agregar valor às empresas através da implementação coerente do Gerenciamento de Projetos. Entregar o resultado de um projeto de acordo com o escopo, prazo e custo definidos, e com a qualidade adequada são os principais objetivos de um gerenciamento de projeto eficiente. Incluindo, certamente, o planejamento e gerenciamento adequado dos recur- sos humanos, aquisições, comunicações e riscos. Conhecer o caminho é diferente de trilhar o caminho. Tive a oportunidade de participar de projetos de sucesso e de projetos de insucesso; em todos eles, claro, existem as lições aprendidas, portanto, a principal lição é: Planejamento e comunicação. Infelizmente es- tas duas práticas ainda não são comuns na grande maioria das empresas brasileiras, mas esse cenário vai mudar: É o mercado quem faz a seleção natural. MONTEIRO, Rodrigo Bastos. Implementando Estratégias através do Gerenciamento de Projetos. Disponível em: <http://www.educacaoeap.com/2011/11/04/implementando- -estrategias-atraves-do-gerenciamento-de-projetos/>. Acesso em: 17 jan. 2015. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Neste vídeo, o professor Robson Camargo apresenta o gerenciamento das comunicações em projetos. Para isso, descreve algumas ferramentas e práticas importantes, bem como cuidados na condução das comunicações em um projeto. <https://www.youtube.com/watch?v=6Ijvk9nWHoI>. U N ID A D E V Professor Me. Rodrigo Bastos Monteiro GERENCIAMENTO DE PROJETOS E CARREIRA Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar o código de ética do PMI. ■ Apresentar a principal certificação em gerenciamento de projetos, o PMP. ■ Destacar ferramentas-chave no gerenciamento de projetos. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Ética e conduta profissional ■ Principais organizações de estudo do gerenciamento de projetos ■ Certificações em gerenciamento de projetos ■ Tendências para o gerenciamento de projetos ■ Ferramentas para o gerenciamento de projetos ■ Lições Aprendidas INTRODUÇÃO Maravilha! Você chegou à Unidade V. Veja como nós caminhamos bem ao longo do livro. Fizemos o chamado overview, um olhar geral sobre o gerenciamento de pro- jetos. Nesse overview, começamos lá no empreendedorismo, onde os embriões de projetos são produzidos: os chamamos de plano de negócio. Passamos pelas cinco fases possíveis em um projeto: início, planejamento, execução, monitoramento e controle e encerramento. Por fim, abordamos as 10 áreas do conhecimento em geren- ciamento de projetos, talvez não nessa ordem. Agora, nesta Unidade V, nosso objetivo é falar de assuntos muito importantes em gerenciamento de projetos e que, talvez, merecessem um livro apenas para tratar deles. Assim, você já percebeu que para mim ética, certificações e ferramentas em gerenciamento de projetos têm um peso muito grande. Não poderia concluir o livro sem fazer um destaque para elas. Sendo assim, passo a explorá-las nesta Unidade. Mais do que isso, vou também propor duas tendências para o uso do geren- ciamento de projetos: que ele crescerá em função da necessidade de habilidade em gestão, carente em nosso país, e que ele crescerá pela demanda por sustentabilidade e uso responsável e comedido de recursos de todas as espécies (minerais, humanos, financeiros, de tempo, éticos). Também, ao final da Unidade, separei um dos vídeos que eu mais assisti e gosto. Trata-se do Prof. Dr. Clóvis de Barros Filho falando sobre a ética. Espero que você aproveite. Vamos lá! ÉTICA E CONDUTA PROFISSIONAL O que é ética e qual sua distinção com o conceito de moral? Sabbag (2009, p. 191) afirma que Ética é o “desejo de uma vida satisfeita consigo e para os outros em situações justas”. Se é um dever de consciência, deriva dos valores esposados pelo indivíduo. Por outro lado, a moral é reativa e normativa, ou seja, consiste em cumprir leis e normas sociais. 219 Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e