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Cap16_2005

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para evitar a transpiração de seus ocupantes e a conseqüente necessidade de
maior consumo de água. Nos climas frios, o grupo deve manter-se bem junto, para
prover aquecimento mútuo.
O vômito representa uma grande perda de água para o organismo. Em caso
de náuseas, tomar logo o medicamento contra enjôo e manter-se deitado.
Os ferimentos em geral devem ser mantidos secos e cobertos com ataduras.
Não perfurar as bolhas provenientes de queimaduras ou outras causas.
Com tempo bom, a intensa luminosidade do céu e os reflexos do mar podem
afetar os olhos, tornando-os inflamados e doloridos. Deve ser evitada a exposição
desnecessária da vista nessas ocasiões de sol forte. Se os olhos estiverem doloridos,
coloque uma leve atadura. Umedeça um pedaço de gaze ou algodão na água do mar
e coloque-o sobre os olhos, antes de fixar a atadura.
A falta de funcionamento dos intestinos constitui fenômeno comum em
náufragos, dada a exigüidade da alimentação. Não se impressione com isso e não
tome laxativos. A cor escura da urina e a dificuldade de urinar são, também, fenômenos
normais em tais circunstâncias, quando o consumo de água é baixo.
A sensação de medo é normal em homens que se encontram em situação
de perigo. Lembre-se de que outros homens sentiram o mesmo medo e, a despeito
disso, conseguiram sair-se bem das dificuldades e dos perigos. A fadiga e o
esgotamento resultantes de grandes privações muitas vezes conduzem a distúrbios
mentais que podem tomar forma de extenso nervosismo, atividade excessiva e
violenta ou de estafa. O melhor meio de evitá-los é procurar dormir e descansar o
máximo possível. Quando não estiver descansando, mantenha-se em relativa
atividade, atendendo às várias tarefas de bordo. A percepção de miragens não
significa estar sofrendo de distúrbios mentais. O ânimo alegre é um tônico real e
que se comunica aos demais. NÃO ECONOMIZE O BOM HUMOR, porém não
exagere nas brincadeiras, a ponto de quebrar a tranqüilidade que deve reinar no
ambiente.
No que tange à utilização da água disponível nas balsas ou nas embarcações
de salvamento, aconselha-se:
(1) não desperdiçar energia, pois assim estará aumentando suas necessidades
relativas a alimentos, assim como a transpiração, o que requer maior reposição de
água;
(2) alimento algum é necessário nas primeiras 24 horas; e
(3) nas primeiras 24 horas, não se deve dar água a homens sãos; somente os
feridos e doentes poderão receber uma ração de água, se estiverem sedentos.
Se dermos água aos homens sãos, por já possuírem em seus organismos a
quantidade de água normal, esta água se tornará excesso e será perdida, expelida
como urina. Se eles são privados de água pelo período inicial de 24 horas, seu
organismo fica um pouco desidratado e, assim, ávido de água, que será então
integralmente aproveitada quando ingerida.
SOBREVIVÊNCIA NO MAR 821
16.5. Água, o elemento vital – A água é mais importante do que o alimento.
O organismo humano contém cerca de 33 litros de água; a vida não pode ser mantida
se essa quantidade de água baixar a valores inferiores a 20 litros.
Mesmo que não esteja transpirando, o homem perde água devido a evaporação
normal, pela epiderme, pela respiração e cada vez que urinar ou evacuar. Experiências
constatam que nessas condições perde-se cerca de 0,8 litro de água por dia, caso
não seja ingerido líquido algum; assim pode-se sobreviver por 15 dias, pois se teria
uma desidratação de cerca de 12,5 litros durante tal período. Se houver bastante
transpiração, a perda de água aumenta tremendamente, e os 15 dias de sobrevivência
se reduzem a bem poucos. Isso ocorre principalmente emzonas tropicais, motivo
pelo qual deve-se molhar as roupas em água salgada, quando for obrigado a
permanecer exposto ao sol, para reduzir a transpiração.Como nos trópicos as noites
costumam ser frescas, aconselha-se que as roupas que foram molhadas sejam
colocadas para secar ao pôr-do-sol, para que sirvam de abrigo à noite.
Observe as nuvens e esteja prevenido para qualquer chuva que possa cair.
Tenha sempre ao seu alcance algum meio para coletar e guardar a maior quantidade
possível de água da chuva. Se o coletor e a cobertura da balsa se encontram
impregnados de sal, lave-os com água do mar, a qual, misturada à água da chuva
em pequena quantidade, pouco é percebida pelo paladar e não causa transtorno
fisiológico algum quando ingerida. Em mar agitado, é difícil obter água doce que não
venha contaminada com água salgada.
A água da chuva nem sempre satisfaz a sede; nela faltam os minerais
necessários ao corpo humano, além de desagradar um pouco ao paladar. Sempre
que chover, beba água o máximo que puder. Nunca beba água salgada, porque, em
vez de matar a sua sede, você irá aumentá-la.
A água do mar pura não pode ser absorvida pelo organismo humano. A própria
água do mar misturada com água doce é prejudicial ao organismo, pois o sal ingerido
deve ser expelido pela urina e para isso o corpo humano tem que ceder água para
dissolvê-lo e permitir sua passagem pelos rins;as células que perdem essa água
morrerão, o mesmo acontecendo com todo o organismo, caso o processo de
desidratação não seja interrompido.
16.6. Alimentos, pesca e fauna marinha – Um homem pode sobreviver
sem alimento algum por um período muito maior do que sem água. A qualidade e o
tipo de alimento são pontos a considerar. O número de dias que um náufrago pode
sobreviver é variável, dependendo da condição física, porém um período de 35 a 40
dias não é excepcional. Alimentos ricos em proteínas, como a carne, não são
totalmente absorvidos, de modo que os produtos que forem expelidos irão necessitar
de uma quantidade de água, retirando-a do organismo.
Quando um homem está morrendo de fome, seu organismo lança mão do
seu próprio corpo, porém, ao ingerir açúcar, seu organismo não utiliza suas próprias
reservas de proteínas, havendo, conseqüentemente, menos material a ser expelido
em forma de urina.
Comendo açúcar, cerca de 0,15 litro de água do corpo deixa de ser despendido,
sendo conservado; por isso as rações modernas são, em sua maioria, compostas
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com açúcar. Nenhum alimento açucarado deve ser liberado nas primeiras 24 horas.
Após isso, é fornecida a cada homem a ração diária (no kit da balsa há ração para
três dias).
Alguns tipos de algas e sargaços encontrados em alto-mar podem ser
comidos. Quando frescas, essas algas não possuem odor algum, são macias e
sem asperezas. Não coma algas ásperas, pois poderão conter substâncias que
irritarão as mucosas do aparelho digestivo. Verifique se as algas contêm minúsculos
organismos, que lhe irão picar e que devem ser retirados antes de comê-las. Deve-
se ter cuidado em não comer algas e sargaços sem haver reserva extra de água,
que compense o sal ingerido com elas.
Quase todas as espécies de peixes de alto-mar são comestíveis e representam
um precioso reforço ao cardápio do náufrago. Como é praticamente impossível fazer
fogo para cozinhar a bordo das balsas e mesmo das lanchas, os peixes devem ser
comidos crus. Isso poderá ser difícil para muitas pessoas e, em caso de náuseas,
é melhor não insistir. A carne dos peixes deve ser chupada, sorvendo-se o líquido
altamente nutritivo que contém, jogando-a fora a seguir.
Além dos apetrechos de pesca (kit de pesca) constantes da dotação das
embarcações de salvamento, a improvisação poderá suprir diversos meios para
pescaria. É possível transformar em anzóis objetos tais como: clips de lapiseira,
prego dos sapatos, espinha de peixe, ossos de pássaros etc. A linha pode ser
facilmente tirada das próprias roupas, torcendo-se vários fios para maior resistência.
Durante o dia, os peixes são, em geral, atraídos pela sombra da balsa;
improvise um arpão para pegar os peixes maiores.
Projete pela água adentro (à noite) o facho de luz de sua lanterna elétrica de
mão, ou então, por meio de um espelho, reflita a luz da lua para dentro da água. A
luz atrairá os peixes. À noite, poderá acontecer que os peixes de determinadas
espécies, especialmente os peixes voadores, caiam dentro da balsa.

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