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Interpretação dos textos: Speenhamland, 1795 e Antecedentes e consequências

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS E HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS
DISCIPLINA DE SOCIOLOGIA RURAL
 
 
INTERPRETAÇÃO DOS TEXTOS 7 E 8:
Speenhamland, 1795 (texto 7)
Antecedentes e consequências (texto 8)
 
 
MOSSORÓ-RN
NOVEMBRO-2018
SPEENHAMLAND, 1795 (TEXTO 7)
No capítulo 7, o autor destaca um momento de impasse, mesmo durante o período mais ativo da revolução industrial, de 1795 a 1834, impediu-se a criação de um mercado de trabalho na Inglaterra através da Speenhamland Law. Pois o novo sistema industrial requeria a implantação de um mercado de trabalho, porém o seu estabelecimento destruiria o tecido tradicional da sociedade rural da Inglaterra. Apesar de percebido que era ainda pior não haver essa implantação do que as próprias consequências da sua introdução, não era possível compensar os desastres sofridos pelo povo com a introdução do mercado de trabalho. Então, surgiu a Lei de Speenhamland, que impediu a criação desse mercado. Mas, para os capitalistas, essa lei constituía-se num entrave para a criação de um mercado de trabalho “livre”, pois afetava o curso natural do sistema e, consequentemente, iriam destruí-lo. Entre 1795 e 1834, ela conseguiu estabelecer um “sistema de abonos” em complemento aos salários que eram pagos, de acordo com a tabela do preço do pão, assegurando ao pobre uma renda mínima. Essa lei, pouco a pouco, foi provocando o declínio do capitalismo primitivo, pois o complemento aos salários eram dados independente da boa ou má produtividade deles. Até que em 1834 a Speenhamland Law foi abolida e promulgou-se a Poor Law Reform, que pôs fim ao protecionismo, a servidão paroquial, a territorialidade e a obstrução ao mercado de trabalho. Assim, encerra-se o chamado “direito de viver” e essa suposta reforma social jogou ao abandono tanto os “pobres merecedores”, aqueles que trabalhavam, quanto os mais pobres, indigentes e desempregados que viviam nos albergues.
Isto resultou no abandono da legislação Tudor, não em nome de um menor paternalismo, mas de um ainda maior. A ampliação de a assistência externa, introdução de abonos salarias e ainda abonos separados para a mulher e os filhos, que aumentavam ou diminuíam de acordo com o preço do pão. Ainda houve um terceiro momento, ainda mais massacrante, onde o homem não tinha mais lar, família e estava perdido na sociedade. O autor cita ainda, se a Speenhamland significava a decomposição da imobilidade, agora o perigo era a morte pela exposição. E assim se implementou a economia política, foi a relação ao problema da pobreza que as pessoas começaram a explorar o significado da vida numa sociedade complexa. A introdução da economia política aconteceu em duas perspectivas opostas, a do progresso e do aperfeiçoamento.
ANTECEDENTES E CONSEQUÊNCIAS (TEXTO 8)
O sistema Speenhamland originalmente foi um paliativo, mas modelou o destino de uma civilização. E teve que teve que ser abandonada antes de se iniciar uma nova época. No sistema mercantil, a organização de trabalho na Inglaterra era baseada na Lei dos pobres e no Statute of Artificers. A lei dos pobres era aplicada as pessoas desempregados e incapazes de se empregarem, enquanto o Statute of Artificers a aqueles que estavam empregados.
Segundo o Statute of Artificers, a organização do trabalho baseava-se em três pilares, a obrigatoriedade do trabalho, sete anos de aprendizado e um salário anual determinado pela autoridade pública e aplicava-se tanto aos trabalhadores agrícolas como aos artesãos. Com o passar do tempo o Statute não se aplicava as novas indústrias, caindo em desuso, mas ela preparou o esboço de uma organização nacional do trabalho baseada nos princípios da regulamentação e do paternalismo.
A Poor Law decretou que os pobres capacitados deveriam trabalhar para ganhar o sustento e que a paroquia deveria providenciar o trabalho. Cada paroquia possuía seus próprios meios em empregar os homens capazes, manter asilo aos pobres e etc, tendo sua própria tabela de impostos. Muitas delas não dispunham de recursos para ocupar os homens e asilos para os pobres, além de possuírem infindáveis formas de burlar as leis.
Adam Smith denunciou a lei porque impedia as pessoas de encontrar empregos uteis, como também impedia os capitalistas de encontrar empregados, pois um homem só poderia ficar fora da sua paroquia se contasse com a boa vontade do magistrado e da autoridade paroquial, sendo os homens iguais perante a lei e livres como pessoas, mas eles não podiam escolher suas ocupações ou a dos seus filhos ou de se estabelecer onde quisessem e eram forçados a trabalhar. 
Sob a pressão da indústria, foi abolida a servidão paroquial e restaurada a mobilidade física do trabalhador, podendo estabelecer um mercado de trabalho em escala nacional. A revolução industrial estava exigindo um suprimento nacional de trabalhadores que poderiam trabalhar em troca de salários, enquanto a Speenhamland pregava o princípio de que nenhuma pessoa precisava temer a fome e que os necessitados, por pouco que ganhassem, e as suas famílias seriam sustentados pela paróquia. 
A geração de Speenhamland não tinha consciência do que vinha a caminho. Ninguém previra o desenvolvimento de uma indústria mecanizada e a sua emergência foi uma surpresa completa, mas o Speenhamland conseguiu o seu objetivo de proteger a aldeia contra a desagregação, embora as suas medidas tivessem tido efeitos absolutamente desastrosos em outras direções, que não previram, sendo as medidas o resultado de uma fase concreta do desenvolvimento de um mercado da força de trabalho. 
O aumento do empobrecimento rural era o primeiro sintoma da convulsão social iminente, no entanto, os contemporâneos não viam razões que lhes permitissem associar o número dos pobres de uma aldeia ao desenvolvimento do comércio, atribuído aos métodos de aplicação da Lei dos Pobres, pouquíssimos autores associaram na época à Revolução Industrial. 
De onde vêm os pobres? Essa era a pergunta feita ao longo do século, onde a grande diversidade das causas que explicavam o aumento da pobreza era um ponto sobre o qual parecia haver acordo generalizado. Entre elas estava a escassez de cereais, os salários agrícolas muito baixos, a irregularidade do emprego nas cidades, havia autores que culpavam uma raça de ovinos demasiado grandes, outros a necessidade dos bois substituírem os cavalos. Havia os que sustentavam que os pobres deveriam comer menos pão, ou nenhum. 
No entanto, é quase certo que a verdadeira explicação está no fato de o empobrecimento ter se agravado e os impostos aumentado devido ao desemprego invisível, por causa das flutuações excessivas do comércio que tenderam a encobrir o seu crescimento. Se este último contribuiu para o aumento do emprego, as flutuações contribuíram para um crescimento muito maior do desemprego. Mas, enquanto o aumento do nível de emprego era lento, o aumento do desemprego e do subemprego tendia a ser rápido. 
A expansão do comercio aumentou o volume de empregos, enquanto a divisão territorial do trabalho, a flutuação do comercio, os boatos de altos salários pagos nas cidades que tornavam os pobres insatisfeitos com o que a agricultura podia oferecer fez com que houvesse uma grande imigração para cidade, resultando em um rápido crescimento no desemprego.
Nas cidades os empregos eram vistos como ocupações esporádicas, onde os operários poderiam estar empregados em um dia e no outro desempregados, e as incertezas das condições de trabalho, fez com que muitos que foram as cidades em busca de emprego voltassem as suas aldeias mais pobres ainda e com problemas que dificultava que realizasse o trabalho de antes. 
Com a crescente imigração do meio rural para a cidade, utilizaram a Lei de Speenhamland, reforçando a autoridade tradicional e que elevasse os salários agrícolas sem sobrecarregar o fazendeiro. Começou por assumir a forma de um subsídio complementar dos salários, beneficiando aparentemente os assalariados, quando, na realidade, utilizava fundos públicos para subsidiar