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Resenha do Documentário “Meninas” de Sandra Werneck Aluna: Gabrielly Cavalcante de Abreu Professora: Renata Campos Velasque Fisioterapia na Saúde da Mulher O documentário “Meninas”, exibe a vida diária de quatro meninas adolescentes cariocas durante o momento de descoberta, gestação e nascimento de seus bebês. Durante 1 (um) ano as meninas foram acompanhadas de perto, mostrando suas casas e seus relacionamentos íntimos. O documentário aponta os problemas enfrentados por essas meninas e a reação das famílias ao ter que lidar com essa nova problemática. Luana, Evelin, Edilene e Joice, são adolescentes que engravidaram precocemente, uma dura realidade apresentada em grande parte das comunidades periféricas do nosso país. Sabemos que a atividade sexual precoce é o motivo da gravidez na adolescência, mas, o que leva a adolescente a essa atividade sexual precoce? Dentre muitos fatores, PAPALIA (2006) cita apenas alguns que podem influenciar essa atividade sexual precoce, como, o ingresso precoce na puberdade, o mau desempenho escolar, a pobreza, ausência de metas acadêmicas e profissionais, histórico de abuso sexual, de negligencia parental e padrões culturais ou de familiares que vivenciaram uma atividade sexual precoce. “Uma das influências mais fortes é a percepção que os adolescentes têm das normas do grupo de amigos” (Pg. 486). Onde a intenção de ter a relação sexual fica mais forte (quando já se tem alguma intenção), e onde surge coragem para realizar a primeira atividade sexual (quando não se tem intenção). A adolescente se sente obrigada a iniciar sua vida sexual pelo fato de suas amigas já terem o feito. Se sente excluída do grupo quando não o faz para mudar essa situação, acaba cedendo. (PAPALIA, 2006). Acredito que algumas dessas meninas foram influenciadas. Pode acontecer também, da adolescente estar namorando um rapaz mais velho, que a faz se sentir pressionada e/ou coagida. Se sentindo obrigada a realizar sua vontade, pelo fato de ser sua namorada. Levando muitas vezes, à uma “primeira vez” involuntária. (PAPALIA, 2006). Para Hoga, Borges e Reberte (2010), a gravidez é considerada como uma consequência dos problemas pessoais, socioeconômicos e familiares enfrentados pelas adolescentes: “Isso refletiu no desejo de ser mãe, cuja condição era vista como uma possibilidade concreta para sair de casa e constituir sua própria família. O seguimento desta trajetória levaria à conquista da liberdade e da autonomia que as adolescentes não tinham quando moravam com os pais” [...] Porém, muitas delas contam com o apoio do parceiro e não tem sucesso. “As "más companhias" que influenciavam negativamente as adolescentes também foram relatadas como aspectos que contribuíram para a ocorrência da gravidez. As amizades inadequadas eram inevitáveis em razão das características socioeconômicas e estruturais muito precárias do local onde moravam. Os familiares alegaram falta de domínio sobre esta situação e lamentaram a necessidade de conviver continuamente com o problema.” Cita do Artigo Razões e reflexos da gravidez na adolescência (narrativa dos membros das famílias) que se encaixa no documentário. As adolescentes mais carentes possuem cinco vezes mais chances de engravidar do que as mais favorecidas. A dra. Alda Elizabeth, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), afirma que se a família, a escola e o Estado falham no dever de garantir a proteção integral das crianças e dos adolescentes, esse problema vai continuar. A adolescência em si já é um processo de mudança psicofisiológica. Consequentemente, uma gravidez nesse período agrava essa situação. Ser mãe é uma decisão difícil, que envolve muitas renúncias, e, por isso, o apoio familiar – tanto da menina quanto do rapaz, é essencial, sendo de grande importância não só pelo lado financeiro, mas especialmente pelo emocional. (FRIZZO, KAHL e OLIVEIRA, 2005). No documentário, percebi que a maioria obteve apoio familiar, porém um caso colocava a vida da adolescente e da família dela em risco durante a gravidez. As meninas contam no documentário que não se sentem preparadas para serem mães e após o nascimento de seus filhos, falam da luta em cuidar de seus bebês, porque elas não tinham noção da realidade. Durante as cenas do documentário é possível perceber que em alguns momentos, as adolescentes oscilam de comportamento, alternando entre as atitudes de uma menina, com atitudes de uma mulher, consequentemente gerando conflitos. Devido a gravidade desses fatos, a sociedade brasileira de pediatria lançou uma campanha de sensibilização para prevenir a gravidez precoce. De acordo com a SBP, o lançamento da campanha antecipa-se ao início da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, no dia 1º de fevereiro. A data foi instituída após o presidente Jair Bolsonaro sancionar a lei nº 13.798, que acrescenta ao Estatuto da Criança e do Adolescente um artigo sobre o assunto. Referências Flávia Albuquerque (São Paulo) (Ed.) SBP lança campanha de sensibilização para prevenir gravidez precoce: Pediatra deve ser protagonista de ações preventivas e alertar jovens. 2019 Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-lanca- campanha-de-sensibilizacao-para-prevenir-gravidez-precoce/ https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-lanca-campanha-de-sensibilizacao-para-prevenir-gravidez-precoce/ https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-lanca-campanha-de-sensibilizacao-para-prevenir-gravidez-precoce/ FRIZZO, Giana B., KAHL, Maria Luiza F., OLIVEIRA, Ebenézer A. F. Aspectos Psicológicos da Gravidez na Adolescência. Psico v. 36, n. 1, pg. 13-20. 2005. PAPALIA, Diane E. Desenvolvimento Humano. 8ª Edição. Porto Alegre: Artmed. 2006. Razões e reflexos da gravidez na adolescência: narrativas dos membros da família disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-81452010000100022 https://doi.org/10.1590/S1414-81452010000100022