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Um guia para ajudar os pais a promoverem a 
comunicação e as habilidades sociais em crianças 
com Transtornos do Espectro do Autismo 
Fern Sussman
Ilustrado por 
Robin Baird Lewis
Uma publicação
Hanen Centre, Canadá.
Mais do que 
palavras
More than words
ii	 Mais do que palavras
	 	 Agradecimentos	............................................................................................... iv
	 	 Algumas	palavras	sobre	algumas	palavras	........................................................ v
	 	 Algumas	coisas	a	saber	antes	de	começar	.........................................................vi
	 1	 Saiba mais sobre a Comunicação de seu filho ..................................... 1
 2 Defina metas usando o que você sabe sobre seu filho ...................... 47
 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho .......................................................... 85
 4 Participem juntos ...................................................................................111
 5 Promova interações usando Brincadeiras com Gente......................137
 6 Ajude seu filho a entender o que você diz ........................................189
 7 Use ajudas visuais ................................................................................ 213
	
 8 R.O.D.A. nas suas rotinas.....................................................................257
 
 9 Aproveite a música ao máximo ..........................................................297
 10 Que venham os livros! .........................................................................333
 
 11 Traga os brinquedos ............................................................................. 361
	
 12 Vamos fazer amigos ............................................................................. 407
	
 
 Glossário	......................................................................................................420
	 	 Referências	bibliográficas	..............................................................................422
Conteúdo
Mais do que Palavras 
de Fern Sussman
The Hanen Centre
Copyright © 1999 do Programa Hanen de 
Linguagem Todos os direitos reservados. Ne-
nhuma parte deste livro, exceto quando expli-
citamente declarado, pode ser reproduzida por 
quaisquer meios sem a autorização escrita da 
editora. Trechos podem ser citados se fizerem 
parte de revisões publicadas em periódicos sem 
autorização expressa. Nenhuma parte deste livro 
pode ser traduzida sem a autorização do editor.
Biblioteca Nacional do Canadá
ISBN 0-921145-14-4
 Exemplares deste livro podem ser adqui-
ridas do editor:
The hanen CenTre
1075 Bay Street, Suite 515
Toronto, Ontario
M5SB1
Canada
Telephone: (416)921-1073
Fax: (416) 921-1225
E-mail:info@hanen.org
Site: http://www.hanen.org
Partes deste livro foram adaptadas de “It	
takes	two	to	talk”, de Ayala Manolson (1992) e 
“Learning	language	and	loving	it:	a	guide	to	pro-
moting	 children’s	 social	 language	 development	
in	early	childhood	settings” de Elaine Westzman 
(1992), ambos publicações do Hanen Centre.
Ilustrações: Robin Baird Lewis
 Design: Conteurpunch/Linda Gustafson, 
Sue Meggs-Becker, Peter Ross
Editor Geral: Matthew Sussman
 Editores: Jennifer Glossop e 
Susan Goldberg
More Than Words	 é	 uma	 publicação	 de	
The	 Hanen	 Centre	 e	 foi	 patrocinada	 com	 re-
cursos	do	Ontario	Ministry	of	Community	and	
Social	Services	e	a	Autism	Society	of	Ontario,	
Metro	Toronto	Chapter.	Todas	as	opiniões	aqui	
emitidas	são	da	autora	e	não	refletem	necessa-
riamente	as	opiniões	dos	patrocinadores.
 Impresso no Canadá pela The Beacon He-
rald Fine Printing Division
5ª impressão 1/2004
iv	 Mais do que palavras
Agradecimentos
Sobre o termo “Transtornos do Espectro do Autismo”
Transtorno do Espectro do Autismo é um termo que tem sido usado por muitos pro-
fissionais para descrever crianças que apresentam dificuldades na interação social, 
no brincar e na comunicação. Neste livro, eu uso este termo na sua forma abreviada 
(TEA). TEA não é um termo médico. Mas é uma maneira prática de descrever um 
grupo grande e variado de crianças com semelhanças na sua maneira de processar 
as informações e entender o mundo. Você pode ter ouvido os termos Transtorno In-
vasivo do Desenvolvimento, Autismo, Síndrome de Asperger, Hiperlexia e Transtor-
no Semântico-Pragmático, todos associados aos TEA. Independente do diagnóstico 
dado ao seu filho, lembre-se primeiro e principalmente de que ele é um indivíduo 
único, com seus próprios talentos e desafios.
Os rótulos podem ser amedrontadores. Mas o rótulo de TEA pode ajudá-lo a ter 
acesso a informações e serviços adequados para o seu filho. Reconhecer as necessidades 
especiais do seu filho é o primeiro passo para ajudá-lo a se desenvolver e melhorar.
Sobre o uso de “ele” e “ela”*
Na população mundial, de cada 
quatro crianças afetadas por TEA, 
três são meninos. Para refletir isso, 
no original em inglês, todos os ca-
pítulos, exceto o 3, 9 e o 12 usam 
“ele” ao se referirem a uma criança. 
Na versão para o Português não foi 
possível manter essa estratégia. No 
entanto, em reconhecimento a todo 
o amor, esforço e trabalho duro 
de ambos, mamães e papais estão 
igualmente representados.
Escrever um livro é uma tarefa solitária, mas que 
não é feita isoladamente. Do começo ao fim do 
livro tive a sorte de contar com a ajuda de muitas 
pessoas, as quais generosamente compartilharam 
conhecimento e tempo comigo.
Sou especialmente grata a Elaine Weitz-
man, Diretora Executiva do The Hanen Centre e 
minha amiga, por começar este projeto comigo e 
por me oferecer sua perspicácia, apoio e incenti-
vo, mesmo estando muito ocupada.
O patrocínio inicial para o livro veio de 
uma generosa doação da Autism Society Ontario, 
Metro Chapter. Eu gostaria de agradecer especial-
mente a Cathy Patton e Dr. Russell Tanzer pelo 
esforço para conseguir que o projeto começasse.
O Ontario Ministry of Comunity and Social 
Services, Toronto Área Office, contribuiu com 
uma generosa doação para a produção deste li-
vro. Estou profundamente agradecida a Betty Pa-
lantzas, Henrietta Slavinski e Michèle Sorois. Seu 
compromisso com esse projeto deu oportunidade 
ao Programa Hanen para Pais de criar um recur-
so que benficiará muitas famílias em Ontario e 
em outras partes do mundo.
Sem o apoio da minha família, este livro 
certamente não estaria pronto. Quero agradecer 
meu marido, Jackie, por seu incentivo constante 
e a boa vontade de fazer mais do que seria justo 
em casa. Ao meu filho Matthew, que me ajudou 
de maneira significativa em todos os aspectos do 
livro, serei eternamente agradecida. Seu interesse 
no Programa Hanen, sua edição meticulosa e o 
desejo que sua mãe fizesse tudo direitinho, des-
mentem sua idade. Em muitos aspectos, esse li-
vro é muito mais dele do que meu. À minha filha, 
Jillian, apesar de estar em Montreal durante qua-
se todo o período de redação deste livro, agrade-
ço por sempre lembrar de ligar e perguntar se o 
livro já estava pronto. Agradeço também a mi-
nha sogra, Frances Sussman, por fornecer bolos 
de chocolate semanais numa casa onde o forno 
estava totalmente desligado. E é claro, agrade-
ço a meus pais, Lillian e Maurice Goodman, que 
serviram como meus primeiros exemplos de pais 
amorosos e incentivadores. 
Minha gratidão especial a Sue Honeyman, 
Fonoaudióloga na Hamiliton Health Sciences 
Corporation, que compartilhou com boa vonta-
de a experiência adquirida em muitos anos de 
observação e estudos trabalhando com famílias 
de crianças com TEA. O Capítulo 7: “Use Ajudas 
Visuais”, em particular, traz muitas das suas va-
liosas sugestões. 
Tive muita sorte de estar rodeada de uma 
equipe de criação ao mesmo tempo talentosa e 
calma. Robin Baird Lewis não só produziu lin-
das ilustrações, mas também usou sua experiên-
cia como professora para fazer sugestões sobre 
como apresentar as informações da maneira mais 
clara possível. Suas maravilhosas ilustrações va-
lorizam significativamente estelivro. Agradeço 
a Linda Gustafson, Sue Meggs-Becker e Peter 
Ross da Counterpunch, que foram acima e além 
para tornar minhas palavras parecerem atraentes 
com seu imaginativo design gráfico. E obrigada 
também para Jennifer Glossop e Susan Goldberg, 
cujo excelente trabalho de edição ajudou que 
esse livro ficasse muito mais fácil de ler.
Também sou muito grata às minhas cole-
gas de trabalho, Lauren Chisholm e Cheri Ro-
rabeck – Fonoaudiólogas no Hanen Centre em 
Toronto – que apresentaram o material do li-
vro para os pais nos seus Programas para Pais 
e me deram um inestimável retorno durante a 
redação do livro. A Michelle Droettboem, nossa 
Instrutora Hanen em Vancouver, que telefonou 
para dar suporte moral, obrigada. Vilia Cox e 
Tom Khan, do Hanen Centre, como sempre, fo-
ram extremamente úteis.
Nenhuma lista de agradecimentos fica com-
pleta se não incluir Ayala Manolson, a fundadora 
do Hanen Centre, cujo desejo de dar aos pais as 
ferramentas que precisam para ajudar seus filhos 
continua a inspirar todos nós, sortudos o sufi-
ciente para trabalhar com ela.
E por fim, os pais que me deram o privilé-
gio de entrar nas suas vidas são muito numerosos 
para mencionar. Suas inestimáveis contribuições 
podem ser vistas no livro todo, como ilustrações, 
idéias e sugestões apresentadas.
algumas palavras sobre 
algumas palavras
Mais do que palavras vii
Você, pai ou mãe, quer proporcionar ao seu filho o máximo de oportunidades para 
que ele se desenvolva e atinja seu potencial. Profissionais, tais como fonoaudió-
logos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros educadores serão capazes de 
ajudar vocês e seu filho nessa jornada. Mas lembre-se que:
V Você é quem mais conhece seu filho
V Você é quem mais se preocupa com ele
V Você é a pessoa mais constante e importante nos primeiros anos do seu filho
A comunicação é parte essencial da vida. Através da comunicação nos ligamos às 
outras pessoas, fazemos com que conheçam nossos desejos, compartilhamos idéias 
e podemos mostrar aos outros como nos sentimos.
Para crianças com Transtornos do Espectro do Autismo, a comunicação é tão 
importante como para as outras crianças. No entanto, elas enfrentam desafios es-
peciais, devido ao seu estilo de aprendizagem e preferências sensoriais, o que ge-
ralmente torna difíceis a interação e a comunicação. Felizmente há algumas coisas 
que tornam mais fáceis para o seu filho todos os tipos de aprendizagem, inclusive 
aprender a se comunicar.
Seu filho aprenderá a se comunicar quando ele ou ela:
V prestar atenção em você
V divertir-se com a comunicação de duas vias
V imitar as coisas que você faz e diz
V entender o que os outros dizem
V interagir como outras pessoas
V divertir-se!
V praticar frequentemente o que aprender 
V tiver estrutura, repetição e previsibilidade em sua vida
As idéias deste livro são baseadas no More than Words – Um Programa Hanen para Pais 
de Crianças com TEA (ou dificuldades de comunicação correlatas). Este programa pre-
para pais para ajudar seus filhos com menos de seis anos de idade a aprender a interagir 
e se comunicar, usando as situações que ocorrem naturalmente durante o dia.
 À medida que o conhecimento sobre a natureza dos TEA cresce, novas estra-
tégias são desenvolvidas para ajudar as crianças afetadas. Neste livro, abordamos 
não só os tipos de dificuldades de comunicação que seu filho possa ter, mas também 
quais destas estratégias você pode usar para melhor ajudá-lo. Foi escrito de maneira 
que você, mãe ou pai, possa aprender como transformar as rotinas e atividades do 
dia-a-dia em oportunidades para aprender comunicação.
Como usar este livro
Cada capítulo baseia-se no anterior. Por isso, será mais proveitoso se, ao ler este livro, 
você respeitar a seqüência dos capítulos, do começo para o fim. Os dois primeiros ca-
pítulos tratam do que é comunicação e por que ela é muito “mais do que palavras”.
No Capítulo 1 “Saiba mais sobre a comunica-
ção do seu filho”, discutimos alguns dos aspectos 
que influenciam a comunicação do seu filho. Você 
usará seu conhecimento sobre ele para identificar 
seu estágio de comunicação. Isto ajudará a saber 
o que esperar do seu filho e, portanto, ajudá-lo no 
que ele realmente precisa. O código de cores para os 
estágios torna mais fácil encontrar as informações 
sobre o seu filho ao longo do livro.
No Capítulo 2, começamos com “Defina metas usando o que você sabe sobre 
seu filho” de acordo com o estágio de comunicação que ele se encontra. Na segunda 
parte desse capítulo, há algumas idéias práticas de como começar para atingir as 
metas estabelecidas.
O resto do livro fornece idéias e sugestões para crianças em todos os estágios de 
desenvolvimento da comunicação. A primeira parte da maioria dos capítulos trata 
de como as informações do capítulo se aplicam às crianças em todos os estágios. A 
segunda parte apresenta algumas informações adicionais para o estágio do seu filho. 
Uma boa idéia é ler as informações gerais no começo do capítulo e depois procurar 
a seção que traz informações específicas para o seu filho. As descrições sobre cada 
estágio são orientações gerais apenas. Você vai encontrar, freqüentemente, sugestões 
valiosas para seu filho nos textos sobre outros estágios. Cada capítulo termina com 
um pequeno resumo sobre os pontos importantes abordados.
O Capítulo 3, “Deixe-se conduzir pelo seu filho” traz informações sobre como a 
interação faz a comunicação começar e o que fazer para ajudar seu filho a progredir 
durante as interações.
No Capítulo 4, “Participem juntos”, tratamos de como manter seu filho intera-
gindo e brincando com você, de maneira a promover a participação recíproca.
No Capítulo 5, nós “Promovemos interações usando Brincadeiras com Gente” 
e fornecemos estrutura e previsibilidade às atividades do seu filho. Descrevemos 
algumas coisas a saber 
antes de começar
Os	Estágios	de	Comunicação
Estágio de Interesses Próprios
Estágio de Pedidos
Estágio de Comunicação Básica
Estágio de Parceria
Saiba mais sobre 
a comunicação 
de seu filho 1
Guilherme tem 3 anos de idade e parece não gostar de estar com outras pessoas. Prefere brincar sozinho, 
fazendo seu trem de brinquedo ir para frente e para trás sobre os trilhos. Quando não está brincando com 
seus trens, Guilherme está sempre se mexendo, correndo da sala para a cozinha e para a sala de novo. 
Seus pais estão preocupados, porque ele ainda não fala e não responde quando o chamam pelo nome.
como escolher as brincadeiras participativas e como brincá-las com seu filho.
O Capítulo 6, “Ajude seu filho a entender o que você diz”, trata de como você 
pode ajustar sua maneira de falar para que ele possa entender.
O Capítulo 7, “Use Ajudas Visuais”, apresenta o que você pode fazer com obje-
tos, figuras e escrita para ajudar seu filho a entender situações, organizar sua vida 
e se expressar. Você pode reproduzir as figuras usadas nesse capítulo para fazer 
AjudasVisuais para o seu filho.
No Capítulo 8, “R.O.D.A. nas suas Rotinas”, tratamos de como usar todas as 
estratégias dos capítulos anteriores para incentivar interação, compreensão, inde-
pendência e conversação durante as rotinas diárias.
O Capítulo 9, “Aproveite a Música ao máximo”, se vale do amor do seu filho 
pela música para melhorar sua interação e sua comunicação.
O Capítulo 10, “Que venham os livros!” sugerimos alguns e discutimos sobre 
como usá-los de forma estruturada para ajudar seu filho entender mais palavras e 
desenvolver novos pensamentos e maneiras de se comunicar sobre eles.
O Capítulo 11, “Traga os brinquedos”, descreve os tipos de brinquedos que aju-
darão seu filho a desenvolver habilidades para brincar e se comunicar.
Finalmente, no Capítulo 12, “Vamos fazer amigos”, há sugestões práticas 
sobre como promover amizades nas quais seu filho continue a 
usar suas novas habilidades de comunicação.
O glossário no final do livro é uma maneira mais fá-
cil de lembrar-se dos significados de termos usados ao 
longo do livro.
Usando as estratégiasapresentadas neste livro, você pode 
proporcionar para seu filho um ambiente que promova a 
aprendizagem e a comunicação e permita que toda a família 
possa participar e se divertir! Com alguma paciência e 
persistência, você pode ajudar seu filho a desenvolver 
todo o seu potencial nos primeiros anos de vida.
viii Mais do que palavras
Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 3
Os pais de Guilherme não sabem como ajudá-lo a se comunicar. Nem mesmo sabem 
se o filho os ouve quando falam com ele. Mas certamente sabem muitas coisas sobre 
o filho. Sabem de que comida, brinquedos e atividades ele gosta. Os pais de Gui-
lherme podem não ter percebido, mas estas informações são importantes e podem 
ser usadas para ajudá-lo.
Quando você sabe do que seu filho gosta, você 
sabe o que o motiva a se comunicar.
Observe do que seu filho 
gosta e do que ele não gosta
Com quais brinquedos 
seu filho gosta mais de 
brincar? 
Qual é a comida 
preferida de seu filho? 
De que tipo de 
atividade física seu 
filho gosta? 
Com quem seu filho 
gosta mais de ficar? 
Algumas crianças dão pistas claras sobre o que gostam e o que não gostam. Por 
exemplo, pode ser que seu filho brinque sempre com o mesmo brinquedo ou puxe você 
até a porta da frente repetidas vezes. Nessas situações, é fácil perceber do que ele gosta. 
Mas, às vezes, é preciso observá-lo mais atentamente para descobrir as preferências 
dele. Desta forma, pode ser que descubra que ele gosta de pular, correr de um lado para 
o outro ou engatinhar por baixo dos móveis ainda mais do que você pensava.
As coisas das quais seu filho gosta podem ser difíceis de entender
4 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 5
As coisas das quais seu filho não gosta podem ser difíceis de entender Seu filho pode fazer outras coisas difíceis de entender
6 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 7
As ações de seu filho mostram como ele percebe o mundo 
– através de movimento, tato, visão, audição e olfato.
Muitas crianças com TEA, como as mostradas nas páginas anteriores, reagem de formas 
incomuns ao mundo ao seu redor. Isto acontece porque elas podem não sentir as coisas 
da mesma forma que você e eu. Seu filho pode ser hipersensível a certas sensações, o 
que significa que uma pequena quantidade da sensação pode estimulá-lo intensamente. 
Se o seu filho é hipersensível, ele pode se afligir e tentar evitar as sensações que o inco-
modam. Por exemplo: Lucas, uma das crianças descritas anteriormente, é hipersensível 
ao som do aspirador de pó, por isso cobre os ouvidos para bloquear o barulho.
Ao mesmo tempo, seu filho pode ser hipossensível a certas sensações e bus-
cá-las, porque é necessária uma grande quantidade da sensação para estimulá-lo. 
Crianças que são hipossensíveis ao movimento são particularmente ativas, porque 
correm de um lado para o outro, balançam o tronco ou pulam buscando provocar 
as sensações que precisam. Por outro lado, há crianças que são hipossensíveis às 
sensações, e mesmo assim são passivas. Elas mal reagem ao mundo à sua volta, 
porque não estão obtendo estímulos suficientes.
É possível que seu filho tenha reações contraditórias às sensações – ele pode ser 
hipersensível a algumas e hipossensível a outras. Muitas crianças com TEA são hi-
possensíveis à fala e não respondem a ela, muito embora outros sons as incomodem. 
Vai ser difícil que seu filho preste atenção ao que você diz, se ele tiver dificuldades 
em ouvir sons da fala.
Os comportamentos das crianças nas páginas 3, 4 e 5, com exceção de Bruno, 
podem ser explicados pelas situações às quais são hiper ou hipossensíveis.
Da mesma forma que muitas crianças com TEA, Bruno, o menino que não sabe 
pedalar seu triciclo, tem dificuldades com planejamento motor, ou seja, para ele é 
difícil planejar e executar movimentos.
Quando seu filho tem dificuldades de planejamento motor, pode trombar com as 
coisas. Ou pode ser que brinque com os brinquedos de uma forma repetitiva, pois acha 
mais fácil aprender um só conjunto de ações do que aprender muitos. Falar é difícil para 
algumas crianças com TEA, em parte porque a fala requer muito 
planejamento motor da boca, língua 
e aparelho vocal.
Bruno tem dificuldades com o planejamento
motor. Ele não consegue planejar e executar 
as ações necessárias para andar de triciclo.
MOVIMENTO
TATO
Associe as preferências e ações de seu filho 
à maneira como ele sente o mundo
Estas crianças são hipersensíveis a 
algumas sensações e tentam evitá-las
Estas crianças são hipossensíveis a 
algumas sensações e procuram senti-las
Miguel tenta evitar movimento e tem medo da 
escada rolante.
Gui corre pela casa para buscar movimento.
João se incomoda quando seu pai 
toca sua cabeça.
Luana gosta de sentir pressão 
sobre seu corpo.
8 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 9
Pedro gosta do cheiro 
do cabelo de sua mãe.
VISÃO
Jaqueline tenta evitar a luz em seus olhos. Gabriel gosta de observar seus 
dedos movendo-se rapidamente
AUDIÇÃO
Alguns sons parecem ser altos demais 
para Lucas.
Ao mesmo tempo, parece não ouvir quando 
seu pai o chama.
OLFATO
Karen não come macarrão porque não gosta 
do cheiro de molho condimentado.
O pai transforma o amor de 
Guilherme por movimento 
em uma brincadeira 
interativa.
Estas crianças são hipersensíveis a 
algumas sensações e tentam evitá-las.
Estas crianças são hipossensíveis a 
algumas sensações e procuram senti-las.
Identifique as preferências sensoriais de seu filho
As visões, os sons, os cheiros, toques e movimentos de que seu filho gosta ou não 
gosta são chamados de preferências sensoriais. Será mais fácil entender o compor-
tamento de seu filho se você identificar as preferências sensoriais dele.
Elas também mostrarão por 
onde você começa para ajudar seu 
filho a se comunicar. Se ele receber 
a informação através de seu senti-
do preferido, pode ser que consiga 
prestar atenção por mais tempo e 
aprender mais. Ao identificar as 
preferências sensoriais de seu fi-
lho, saberá quais atividades podem 
ser motivadoras e prazerosas tanto 
para ele quanto para você. Preencha 
a lista de verificação sensorial nas 
páginas 10 a 13 para registrar quais 
sensações seu filho busca ou evita.
10 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 11
As preferências sensoriais do meu filho
Observe as preferências sensoriais de seu filho. Depois, marque os quadrados que se 
aplicam ao seu caso.
MOVIMENTO
Meu filho é hipossensível ao movimento e busca o 
movimento assim:
 pulando
 balançando o corpo
 girando
gostando de brincadeiras “brutas”, por exemplo, 
ser jogado para o alto
 correndo de um lado para o outro
 de outras maneiras: _________________
Meu filho mostra que é hipersensível 
ao movimento assim:
mostrando medo em escadas e escadas rolantes
mostrando medos em balanços, gangorras e 
escorregadores
 irritando-se ou enjoando-se ao andar de carro
 de outras maneiras: _________________
Meu filho tem dificuldades de planejamento motor:
 é desajeitado ou tromba com as coisas
 não usa brinquedos de forma apropriada
 brinca com o mesmo brinquedo horas a fio
 não imita as coisas que eu faço
realiza uma atividade apenas uma vez (por 
exemplo, ele desce pelo escorregador uma vez)
 vaga sem objetivo
 passa muito tempo deitado
 tem dificuldades para assoprar velas
 me entende mas não fala
 tem dificuldades para “achar” uma palavra que já disse antes
 não pronuncia corretamente as palavras que sabe dizer
 tem uma voz incomum
 outros: ___________________
Meu filho mostra que é hipersensível ao tato:
não gosta de coisas pegajosas nas suas mãos (por exemplo: 
massinhas, argila e tinta)
gosta ou detesta certas texturas de roupas
 não gosta de vestir chapéus e luvas
 não gosta de lavar ou cortar o cabelo
não gosta de comidas crocantes ou difíceis de mastigar
 outros: ________________
TATO
Meu filho é hipossensível ao tato e busca 
essa sensaçãoassim:
 gostando de longos abraços
 enrolando-se em cobertores
espremendo-se em locais apertados (por 
exemplo, atrás do sofá)
 insistindo em usar roupas justas
 deitando esparramado no chão
 esbarrando nas pessoas
 batendo palmas
 segurando objetos
 pondo objetos na boca
 rangendo os dentes
 raramente chorando quando se machuca
 de outras maneiras: ______________
12 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 13
SOM
Meu filho é hipossensível ao som:
parece não ouvir o que as pessoas 
dizem
 gosta de música e certos sons
gosta de brinquedos que fazem 
certos sons
gosta de quando eu falo com ele de 
um jeito animado
 outros: ___________________
VISÃO
Meu filho é hipossensível a coisas que vê e 
procura sensações visuais assim:
 acendendo e apagando as luzes
observando movimentos repetitivos (por 
exemplo: o virar de páginas de livro, o abrir 
e fechar de portas, seus dedos se mexendo 
diante de seu rosto)
 enfileirando coisas
 olhando para as coisas com o canto do olho
 olhando para as coisas de ângulos incomuns
 outros: ___________________
Meu filho é hipersensível ao som e pode evitá-lo:
 tapa os ouvidos
chora quando uso eletrodomésticos (lava-
louças, aspirador de pó, secador de cabelo)
 gosta de quando uso uma voz macia
 consegue ouvir os sons mais sutis
 outros: ____________________
Meu filho é hipersensível a coisas que vê e 
às vezes evita algumas sensações visuais:
 prefere o escuro
 pisca frequentemente
 evita o sol
 outros: _______________
14 Capítulo 1
OLFATO E PALADAR
Meu filho é hipossensível a alguns cheiros 
e gostos e busca estas sensações:
 explora coisas lambendo e cheirando-as
 gosta de comidas muito condimentadas
 outros: ____________
Diferentes tipos de aprendizes
Estilos de aprendizagem baseiam-se na for-
ma como assimilamos informação. Podemos 
aprender através da visão, do toque e/ou da 
audição. Também temos diferentes tipos de 
memória – algumas pessoas têm mais facili-
dade de se lembrar de acontecimentos do que 
outras. Algumas pessoas aprendem detalhes, 
enquanto outras gostam de ver o todo. A 
maioria das pessoas tem um estilo de aprendi-
zagem preferido – a maneira pela qual apren-
dem melhor. Seu filho também tem um estilo 
de aprendizagem preferido.
Aprendizes de rotinas
Muitas crianças com TEA, como Michele, obtêm informações memorizando coisas 
sem pensar. Essas crianças memorizam uma enorme quantidade de informações – tais 
como números e letras – quando pequenas, e muitos fatos sobre assuntos específicos 
quando crescem. Se por um lado podem re-
citar a informação palavra por palavra, por 
outro freqüentemente não entendem o que 
estão dizendo.
Aprendizes Gestalt
Muitas crianças com TEA memorizam senten-
ças como um todo sem compreender o signi-
ficado de cada palavra. Crianças que proces-
sam a informação desta forma têm um estilo 
de aprendizagem “gestalt”. Por exemplo, se 
der ao seu filho um brinquedo de banheira e 
disser “Ponha isso na água”, pode ser que ele 
atenda. Contudo, se der a ele um brinquedo de 
banheira e disser “Ponha isso na estante”, pode 
ser que ele o ponha na água. Seu filho come-
te esse erro porque associa qualquer frase que 
Meu filho é hipersensível a 
alguns cheiros ou gostos e evita 
estas sensações:
gosta de comidas suaves ou 
insípidas
é sensível a certos cheiros (por 
exemplo: perfume)
 outros: ___________________
Entenda o Estilo 
de Aprendizagem do seu Filho
Michele sabe falar os números de um a dez, 
mas não entende o conceito de quantidade.
Felipe usa o verso memorizado de uma música para 
dizer ao pai que está triste. Ele pode não entender as 
palavras, mas sabe que a frase fala de tristeza.
16 Capítulo 1
contenha a palavra “ponha” com uma ação 
específica, independentemente das outras 
palavras da frase.
Ao contrário de outras crianças que 
aprendem a falar usando palavras isoladas 
e depois gradualmente adquirem frases de 
duas palavras e sentenças curtas, crianças 
que são aprendizes gestalt começam a falar 
repetindo sentenças inteiras. Crianças com 
aprendizagem gestalt costumam lembrar de 
tudo em uma situação, mas quase sempre 
não conseguem discernir o que é importan-
te do que não é.
Na figura da pág. 15, por exemplo, Fe-
lipe não consegue dizer ao pai como está se 
sentindo com as próprias palavras. Em vez 
disso, repete um trecho que memorizou de 
uma música que ele associa com tristeza.
Aprendizes Visuais
Se o seu filho gosta de olhar livros ou ver 
TV, pode ser um aprendiz visual. A maio-
ria das crianças com qualquer dificuldade 
de linguagem aprende melhor quando vê 
coisas do que quando as ouve. Uma vez 
que a visão é o sentido mais forte, muitas 
dessas crianças ficam encantadas por li-
vros ilustrados e vídeos.
Aprendizes “mãos na massa”
Se o seu filho gosta de apertar botões, abrir 
e fechar portas e/ou consegue entender o 
mais complicado dos brinquedos, o mais 
provável é que ele seja um aprendiz “mãos 
na massa”, que aprende melhor pegando 
ou mexendo nas coisas.
Aprendizes Auditivos
Se o seu filho gosta de conversar e ouvir 
outros conversando, pode ser um aprendiz 
auditivo, que gosta de obter informações 
através da audição. Não é comum que uma 
criança com TEA dependa primariamente 
da aprendizagem auditiva.
Coloque suas observações 
em prática
Suas observações sobre o estilo de apren-
dizagem de seu filho dão informações adi-
cionais para ajudá-lo.
Se o seu filho tem boa memória de rotina, 
aprenderá melhor em atividades realiza-
das sempre da mesma maneira. Dentre 
elas, atividades com números e letras.
Se o seu filho é um aprendiz gestalt, pode 
aprender a dizer uma sentença inteira 
antes de uma palavra isolada. Sua tarefa 
é ajudá-lo a entender as partes do todo.
Se o seu filho é um aprendiz visual, apre-
sente as informações através de coisas 
que ele possa ver. Exemplo: quando dis-
ser uma palavra mostre-lhe o próprio ob-
jeto ou uma foto. Crie oportunidades para 
aprender com livros ilustrados e vídeos.
Se o seu filho é um aprendiz “mãos na 
massa”, deixe-o aprender manipulando e 
pegando coisas. Escolha brinquedos que 
ele possa movimentar usando as mãos.
Comunicação
A comunicação acontece quando uma pessoa envia uma mensagem para outra pes-
soa. Você pode enviar a mensagem de diversas maneiras: expressões faciais, gestos 
e palavras. E pode enviar a mensagem por diferentes motivos, tais como pedir ajuda 
ou compartilhar uma idéia. Às vezes, as formas com as quais alguém se comunica 
são chamadas de “modos” de comunicação, e as razões pelas quais alguém se co-
munica são chamadas de “porquês”.
Interação
A interação ocorre sempre que você e seu filho fazem coisas juntos e respondem um 
ao outro. É a base da comunicação de mão dupla ou recíproca. Toda vez que você e 
seu filho interagem, fazem uma conexão que inicia a comunicação.
Devido ao estilo de aprendizagem e necessidades sensoriais, todas as crianças 
com TEA têm algum grau de dificuldade para interagir com o outro.
Para estabelecer interações bem sucedidas, seu filho precisa reagir aos outros 
quando é abordado e iniciar interações por conta própria. Para o seu filho, responder 
pode ser mais fácil do que iniciar. Se ele entende o que você diz, pode responder aos 
seus comandos e perguntas simples. Contudo, pode ser que ele tome a iniciativa apenas 
para atender as necessidades dele ou para pedir algo. Pode demorar até que ele inicie a 
interação simplesmente para mostrar algo ou para ser sociável.
Entenda o que é comunicação
O pai tem dificuldade de interagir com Caio, porque seu 
filho está mais interessado em olhar para as rodas girando.
Embora Eduardo saiba falar, sem interação 
ele e sua mãe não conseguem conversar.
18 Capítulo 1
Vítor responde ao comando de seu pai.
Andréa inicia uma interação para pedir ajuda.
Quando Juliana gira começa uma interação 
com sua mãe simplesmente para ser 
sociável. Isto é um grande avanço!
A capacidadeque seu filho tem de interagir depende também da personalidade 
dele, das pessoas com quem fica e das coisas que faz. Ao saber como seu filho in-
terage, você pode planejar melhor como ajudá-lo a participar em interações sociais 
que sejam prazerosas para ele.
Algumas crianças interagem apenas com seus pais 
e familiares adultos em alguns jogos e atividades.
Algumas crianças conseguem integrar-
se e brincar com outras crianças.
Saiba como e porque 
seu filho se comunica
Embora Rafael não fale, consegue mostrar ao pai 
o que quer, sem palavras.
Seu filho pode não dizer nenhuma palavra, mas comunicação é mais do que 
palavras. Quando seu filho leva você até a geladeira, está lhe dizendo que quer 
beber suco. Quando chora ou bate o pé no chão, está contando que está bravo ou 
frustrado. Quando lhe dá um largo sorriso, está mostrando que você é especial 
para ele. Mesmo quando abana as mãos, está lhe dizendo alguma coisa a respeito 
de como se sente.
Crianças se comunicam pelas ações, sons ou palavras. Perceber como seu filho 
se comunica ajudará você a desenvolver seus talentos e ensinar-lhe outras formas 
de comunicação, um passinho de cada vez. Por exemplo, se o seu filho não emite 
som algum, pode ser que não esteja pronto para falar. Você deverá começar mos-
trando a ele uma forma mais fácil de se comunicar – talvez através de gestos.
A percepção a respeito de como seu filho se comunica, no entanto, é apenas 
uma pequena peça do quebra-cabeça. Você não pode se preocupar com o modo
dele se comunicar sem saber também por que ele se comunica. Uma vez sabendo o 
motivo da comunicação, se é para solicitar, comentar ou dizer como se sente, você 
poderá ajudá-lo a encontrar mais maneiras e motivos para se comunicar.
20 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 21
Perceba como seu filho se comunica
Seu filho se comunica usando mais do que palavras!
Há muitas formas diferentes de se comuni-
car, e algumas são socialmente mais apropriadas 
do que outras. Ainda assim, tudo o que seu fi-
lho faz, inclusive balançar o tronco, correr de um 
lado para o outro e agitar os dedos na frente do 
próprio rosto comunicam algo sobre ele.
Pode ser que seu filho se comunique de uma das seguintes maneiras:
Ecolalia
“Ecolalia” é um termo que descreve a repetição 
de palavras ditas por outras pessoas. É um traço 
comum na fala de crianças com TEA.
Primeiro, seu filho pode repetir palavras que 
ouviu sem entender o que significam. Pode ser que 
ele faça isso por diversas razões e não para comu-
nicar uma mensagem diretamente a você. De fato, 
pode ser que você nem esteja quando ele fizer isso. 
Ao repetir palavras ou frases, seu filho pode estar 
tentando se acalmar, prestar atenção em uma ativi-
dade ou simplesmente praticar a fala.
Ecolalia é um bom sinal. Mostra que a co-
municação de seu filho está se desenvolvendo. 
Logo ele pode querer começar a usar essas pala-
vras e frases repetidas para comunicar-lhe algo. 
Por exemplo, depois de repetir o que você diz, 
pode olhar para você ou chegar mais perto de 
um objeto. Ou pode se lembrar das palavras que 
você usou para perguntar se ele queria beber 
alguma coisa, e depois usar as palavras memo-
rizadas para fazer uma pergunta. As palavras 
que seu filho aprende com a ecolalia abrem a 
porta para comunicação com significado.
A expressão facial e a linguagem corporal 
de Karen dizem à mãe exatamente como se 
sente na hora de comer macarrão.
Primeiro, seu filho aponta para algo 
sem olhar de volta para você...
Chorando ou gritando
Movendo-se até ficar bem próximo 
das pessoas e coisas de seu interesse, 
ou virando-lhes as costas
 Usando gestos ou expressões faciais
Tentando conseguir o que quer 
indicando com a mão aberta
Levando sua mão para conseguir 
que você faça coisas para ele 
Olhando para as coisas que quer
Apontando para as coisas, sem olhar 
para você.
Olhando ou apontando para coisas 
que quer e então olhando para 
você. Alternar o olhar entre você 
e um objeto chama-se Atenção 
Compartilhada. Significa que seu 
filho consegue comunicar a você os 
interesses dele.
 Comunicando–se com figuras
 Emitindo sons
 Usando palavras
 Usando sentenças
 Usando ecolalia
...depois aponta e olha para você para ter certeza de 
que você está olhando para a mesma coisa.
Seu filho pode dizer o que quer 
apontando para uma figura...
Quando seu filho começa a falar, 
pode ser que repita o que ouvir das 
outras pessoas. Isto é chamado 
de “ecolalia”, e muitas vezes é um 
sinal de que a sua comunicação 
está se desenvolvendo.
...ou ao dando-lhe uma figura do 
que ele quer.
22 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 23
Seu filho pode mostrar comunicação pré-intencional para:
 se acalmar durante alguma atividade
 praticar alguma atividade
 se concentrar ou se orientar
 reagir a uma experiência prazerosa ou 
desagradável
 conseguir coisas que ele quer
protestar ou recusar. Os primeiros 
protestos que seu filho faz são 
normalmente respostas automáticas a 
coisas que ele não gosta. Quando chora, 
vira a cabeça ou empurra sua mão, está 
evitando você, mais do que tentando dizer 
como está se sentindo.
A comunicação de seu filho pode ser intencional. A comunicação será mais 
fácil quando seu filho entender que o que ele faz tem efeito sobre outra pessoa. 
Comunicar-se com o propósito de enviar uma mensagem chama-se comunicação 
intencional, e representa um grande avanço para o seu filho.
Seu filho pode se comunicar intencionalmente por diferentes razões
Protestar ou recusar
Protestos ou recusas não intencionais tor-
nam-se intencionais quando seu filho envia a 
mensagem diretamente a você. Por exemplo, 
em vez de simplesmente empurrar sua mão 
ele pode primeiro olhar para você. Ou em vez 
de chorar e dar as costas quando você oferece 
algo que ele não quer, pode sacudir a cabeça 
em sinal de “não”. Protestos ou recusas inten-
cionais revelam que seu filho:
 não quer o que você está oferecendo
 não quer começar uma atividade
 quer parar uma atividade
Há diferentes tipos de ecolalia:
Seu filho repete palavras ou frases, 
geralmente a última parte do que 
foi dito, imediatamente depois de 
ouvi-las. Esta é a chamada ecolalia 
imediata.
Seu filho memoriza ou “recupera” 
partes de palavras ou frases que 
ouviu e então as usa um dia, uma 
semana, um mês ou mesmo um ano 
depois. Esta é a chamada ecolalia 
tardia. Geralmente, uma criança 
repete algo que ouviu em uma 
situação emocional. Por exemplo, 
um menino pequeno ouve sua mãe 
gritar “Larga!” quando pega uma 
tesoura, e então repete a expressão “Larga!” sempre que alguém parecer bravo 
com ele. Nesta situação, o menino entende quando as palavras são usadas, mas 
não entende o que as palavras realmente significam.
Seu filho muda as repetições dizendo-as num tom diferente ou mudando algumas 
das palavras, na tentativa de adaptá-las aos diferentes contextos. Esta é a chamada 
ecolalia branda, e é um sinal positivo de que seu filho entende como usar as 
palavras com sentido.
Observe por que seu filho se comunica
A comunicação de seu filho pode ser pré-in-
tencional. Ele pode fazer ou dizer coisas sem ter 
a intenção de provocar um efeito nas pessoas. 
Por exemplo, ele pode repetir palavras que co-
nhece mesmo quando não há ninguém no re-
cinto, ou pode fazer o movimento de tentar al-
cançar um brinquedo quando ninguém estiver 
olhando. Essas ações são chamadas de comuni-
cação pré-intencional, porque seu filho envia a 
mensagem sem ter a intenção de fazê-lo. Con-
tudo, você pode interpretar essas ações como se 
fossem comunicações dirigidas a você.
Lucas repete algumas das palavras de seu 
pai para responder perguntas.
A mãe sabe o que Rubens quer, mesmo 
que ele não esteja dirigindo a mensagem 
diretamente a ela.
Michele está contando em voz alta para se concentrar 
no livro. Ela não percebe que sua mãe está fazendo 
uma pergunta.
Guilhermedeve olhar para seu pai antes de empurrá-
lo para que o protesto seja intencional.
24 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 25
Pedir
Seu filho pode pedir para mostrar que ele quer:
 comida ou bebida
 um brinquedo, um objeto ou uma atividade
 sua ajuda
 permissão para fazer algo
Sara está mostrando à mãe que quer 
alguma coisa que está na geladeira.
Quando seu filho começa a se comunicar por outros motivos além de atender às pró-
prias necessidades, está progredindo para se tornar um verdadeiro comunicador.
Por exemplo, seu filho pode pedir por razões sociais, tais como:
pedir para continuar com brincadeiras corporais, chamadas “Brincadeiras com 
Gente”, como fazer cócegas ou andar de cavalinho 
nas pernas do papai. Ele pode fazer isso puxando 
suas mãos para o corpo dele ou sacudindo o corpo 
para mostrar que quer mais. 
(Para saber mais sobre “Brincadeiras com Gente”, 
veja o Capítulo 5).
 obter informação 
mostrar às outras crianças que ele quer 
brincar com elas 
Paulo mexe o corpo para pedir 
que a mãe continue a brincadeira, 
um sinal claro de que está começando 
a pedir com intenções sociais.
Conforme seu filho se torna mais sociável, ele se comunica por mais motivos. 
Seu filho pode se comunicar para res-
ponder aos outros das seguintes for-
mas: seguindo instruções, fazendo uma 
escolha ou respondendo perguntas.
Seu filho pode se comunicar para cum-
primentar ou dar tchau.
Seu filho pode se comunicar para cha-
mar sua atenção.
Seu filho pode se comunicar para mos-
trar-lhe algo ou fazer um comentário.
26 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 27
Seu filho pode se comunicar 
para fazer perguntas.
Seu filho pode se comunicar 
para falar do passado e do futuro.
Continuum da Comunicação Intencional
Enxergar a capacidade de comunicação intencional de cada criança dentro de um 
continuum é de grande ajuda. Em um extremo do continuum, estão as crianças que 
se comunicam principalmente para obter coisas que querem. No outro extremo, es-
tão as crianças que se comunicam por diversos motivos, tais como fazer perguntas, 
comentar algo ou simplesmente para serem sociáveis.
Esta criança, puxando o braço do pai, 
- comunica-se apenas para conseguir 
as coisas que quer. 
Esta criança usa a fala 
para ser sociável.
Seu filho pode se comunicar para ex-
pressar sentimentos, para dizer que está 
feliz, triste ou com medo.
Seu filho pode se comunicar para fazer 
de conta ou imaginar.
Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 29
O estágio de comunicação de seu filho depende de quatro coisas:
 Da capacidade de interagir com você
 De como ele se comunica
 Por que ele se comunica
 Da compreensão dele 
É importante identificar o estágio de comunicação de seu filho, para que você tenha 
uma boa idéia do que ele consegue e do que não consegue fazer, bem como do que 
você pode esperar que ele consiga a seguir. Saber disto ajudará a definir metas e dar 
o tipo de ajuda que ele precisa.
As descrições das crianças nos quatro estágios de comunicação podem ajudá-lo 
a identificar o estágio de comunicação de seu filho. Os quatro estágios são:
Estágio de Interesses Próprios
Estágio de Pedidos
Estágio de Comunicação Básica
Estágio de Parceria
Nem todas as crianças passam por todos esses estágios nessa ordem, mas muitas 
começam no estágio de Interesses Próprios, progridem para os estágios de Pedidos 
e Comunicação Básica e finalmente chegam ao estágio de Parceria com o passar 
do tempo. Outras crianças podem ter características de diversos estágios. E, é claro, 
crianças reagem de formas diferentes dependendo das pessoas com quem estão, das 
situações em que se encontram e de suas personalidades próprias e únicas.
Após ler as descrições das crianças em todos os estágios, observe seu filho de 
perto durante uma semana. Depois, preencha a lista de verificação “Como e Por quê” 
no Capítulo 2 na página 84, para identificar o estágio de comunicação de seu filho.
O Estágio de Interesses Próprios
Renata, que tem 2 anos e meio, é bastante independente. Gosta de fazer sozinha a maioria 
das coisas, embora não brinque com brinquedos. O que mais gosta de fazer é brincar 
no parque. Sempre que vê sua mãe se preparando para sair, Renata começa a pular de 
animação. Muitas vezes, tenta abrir a porta sozinha. Mas como não alcança a maçaneta, 
sempre se frustra e chora. A mãe fica imaginando por que Renata nunca pede ajuda.
Renata nunca pede para a mãe ajudá-la a abrir a porta. Uma criança no estágio de Interesses Próprios 
não dirige nenhuma mensagem diretamente a você.
Saiba qual o estágio de 
comunicação de seu filho
30 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 31
Uma criança no estágio de Interesses Próprios aparenta querer brincar sozinha 
e mostra-se desinteressada pelas pessoas em torno dela. Ainda não entende que 
pode afetar outras pessoas enviando uma mensagem diretamente a elas, de forma 
que sua comunicação é primordialmente pré-intencional. Você sabe como ela está 
se sentindo pela observação de seus movimentos corporais, gestos, gritos e sorrisos. 
Muitas crianças pequenas estão no estágio de Interesses Próprios quando recebem 
pela primeira vez o diagnóstico de TEA.
Uma criança no estágio de 
Interesses Próprios pode fazer 
algumas das coisas a seguir:
interagir com você muito brevemente e 
quase nunca com outras crianças
querer fazer coisas sozinha
olhar ou tentar pegar as coisas que 
quer
não se comunicar intencionalmente 
com você
brincar de formas incomuns
fazer sons para se acalmar
chorar ou gritar para protestar
sorrir
gargalhar
não entender quase nenhuma palavra
Renata ainda não sabe 
como brincar com sua bonequinha.
O Estágio de Pedidos
Rafael é uma criança de 3 anos de idade que está no estágio de Pedidos, e se comunica 
principalmente puxando e conduzindo os outros para pedir coisas que ele quer. Durante o 
banho, Rafael puxa a mão de seu pai para pedir mais cócegas; quando quer sair, conduz 
sua mãe à porta da frente. Rafael também puxa quando quer que um de seus pais lhe 
dê um biscoito do armário da cozinha. Seus pais estão frustrados porque é difícil obter e 
manter a atenção dele.
Para mostrar que quer mais cócegas, Rafael olha para o pai e puxa sua mão em direção à própria barriga.
32 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 33
A criança no estágio de Pedidos está começando a entender que pode pedir coisas 
a alguém, puxando ou conduzindo você.
O Estágio da Comunicação Básica
César brinca por horas a fio de brincadeiras corporais como Pega-pega e Cócegas com os 
pais e seu irmão. A mãe segura seus ombros e diz “Pronto? Atenção: um, dois, três e...” 
espera que ele olhe para ela antes de gritar “Já!”, mostrando que a brincadeira começou. 
A mãe geralmente se cansa do jogo antes do César! Às vezes, César começa o jogo com 
outras pessoas dizendo “Já!”. César também usa algumas outras palavras. Geralmente, faz 
o sinal de “abrir” com a mão, que aprendeu na pré-escola, para pedir à mãe que abra a 
caixa de uvas passas, mas às vezes ele diz “abrir”.
Rafael puxa sua mãe até a porta, pedindo para ir 
ao parque.
Rafael também puxa seu pai para 
pedir biscoitos.
Uma criança que está no estágio de Pedidos acaba de começar a perceber que as 
ações dela podem ter efeito sobre você. Puxando e conduzindo as pessoas, é capaz 
de pedir coisas que precisa ou que gosta. Gosta especialmente de Brincadeiras com 
Gente do tipo físico, como “Cócegas” e “Achou!”. Quando você faz uma pausa du-
rante a brincadeira, olha para você ou mexe o corpo para continuar a brincadeira.
A criança no estágio de Pedidos pode fazer algumas das seguintes coisas:
 interagir brevemente com você
 usar sons para se acalmar ou se concentrar
 “ecoar” algumas palavras para se acalmar ou se concentrar
 tentar pegar as coisas que ela quer
comunicar-se principalmente quando precisa de algo, conduzindo ou puxando a 
sua mão para pedir coisasque ela quer. 
pedir que você continue uma Brincadeira com Gente do tipo físico, como 
Cócegas ou Pega-pega, através do contato ocular e/ou sorriso e/ou movimentos 
de corpo e/ou sons.
seguir comandos conhecidos ocasionalmente, se conseguir entender o que 
tem que fazer
 entender as etapas de rotinas conhecidas
A criança que está no estágio de Comunicação Básica é capaz de usar o mesmo gesto, 
som ou palavra de forma constante para pedir coisas que gosta ou para dizer que 
quer continuar a brincadeira depois que ela começou.
34 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 35
A criança que está no estágio de Comunicação Básica começou a usar gestos, 
sons, figuras ou palavras específicas para pedir coisas em situações muito motiva-
doras, como pedir brinquedos ou comidas preferidas.
Quando a criança que está no estágio de Comunicação Básica começa a com-
partilhar sues interesses, olhando para alguma coisa e em seguida olhando de volta 
para você, ela desenvolveu atenção compartilhada, um grande avanço no aprendi-
zado da comunicação.
César compartilha com o pai seu interesse pelo porco de brinquedo.
O que esperar que uma criança no estágio de Comunicação Básica faça:
 interagir com você e com pessoas conhecidas em situações conhecidas
brincar Brincadeiras com Gente por mais rodadas e brincar com você por mais tempo 
pedir que você continue algumas Brincadeiras com Gente corporais prediletas, tais 
como Cócegas e Pega-pega, usando as mesmas ações, sons ou palavras toda vez que 
vocês brincarem
em algumas situações, repetir o que você diz, para pedir ou responder (usar ecolalia 
imediata) 
fazer pedidos intencionais por coisas motivadoras (por exemplo, comida, brinquedos, 
Brincadeiras com Gente do tipo corporal, ajuda) usando figuras, gestos ou palavras
 começar a protestar ou recusar usando a mesma ação, som ou palavra
ocasionalmente usar movimentos de corpo, gestos, sons ou palavras para obter sua 
atenção ou mostrar algo a você.
 entender frases simples e familiares
 entender os nomes de objetos e pessoas familiares sem dicas visuais
 dizer “oi” e “tchau”
responder perguntas do tipo Sim ou Não, “O que é isto?” e fazer escolhas (veja o 
Capítulo 4, páginas 124-125)
César faz o sinal com a mão e repete a 
palavra “abrir”, para pedir uvas passas.
Marcos dá ao pai uma figura para pedir 
bolinhas de sabão de verdade.
Quando seu filho está no estágio de Comunicação Básica, suas interações so-
ciais duram mais. Sua comunicação é mais intencional, embora ainda se comunique 
principalmente para pedir que você faça coisas para ele. Nesta fase, entendeu que 
pode usar a mesma forma de comunicação – gestos, sons, figuras ou palavras – em 
certas situações. Por exemplo, ele sempre pode pedir por suco ou seu vídeo favorito 
entregando uma figura ou dizendo uma palavra. Mas pode continuar a puxar ou 
conduzir você para outras coisas, como passear.
Uma criança no estágio de Comunicação Básica pode começar a “ecoar” mui-
tas coisas que ouve, às vezes para comunicar algo. Entende muito do que você 
diz, se tiver pistas visuais e se você usar frases simples e curtas. Quando por fim 
ele iniciar as interações – chamando o seu nome, apontado para algo que quer 
mostrar e alternando o olhar entre você e aquilo em que está interessado – a co-
municação de duas vias está começando!
36 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 37
O Estágio de Parceria
Fábio é um Parceiro de comunicação e brincadeira. Gosta de interações com outras 
pessoas e é capaz de estabelecer conversas curtas sobre seus próprios interesses. Apesar 
disso, suas conversas frequentemente são interrompidas porque ele não entende o que as 
outras pessoas estão dizendo ou porque não consegue se lembrar das palavras que precisa 
usar. Quando isto acontece, costuma se valer da repetição do que alguém acabou de dizer.
O Parceiro é um comunicador mais efetivo do que crianças em outros estágios. 
A menos que tenha dificuldades na produção da fala, consegue falar e conduzir 
conversas simples. Também consegue falar sobre o passado e o futuro, como o que 
fez na escola ou o que quer no seu aniversário. Às vezes, crianças no estágio de 
Parceria não conseguem produzir suas próprias palavras, mas utilizam palavras ou 
frases memorizadas. Isto acontece mais freqüentemente em situações não familiares 
e quando não entendem tudo o que está sendo dito.
Quando uma criança que está no estágio de Parceria se comunica sobre seus 
próprios interesses, ela não tem dificuldades. Contudo, em situações não conheci-
das, geralmente acha difícil captar as regras da conversa. Por exemplo, pode não 
considerar se o que diz faz sentido para o ouvinte. Pode começar uma conversa 
com “Eu fui lá”, sem perceber que o ouvinte não tem idéia de onde é “lá”. Ou pode 
começar uma conversa sempre com a mesma frase memorizada, por exemplo, “De 
que cor é o seu carro?” ou um verso da sua música preferida.
Uma criança no estágio de Parceria gosta de brincar com você e com outras 
crianças, mas às vezes brinca sozinha porque não tem certeza do que fazer e dizer, 
principalmente em brincadeiras imaginativas. Ela se sai muito melhor em brinca-
deiras corporais, como correr ou balançar, ou em jogos estruturados nos quais possa 
aprender as regras.
Uma criança no estágio de Parceria pode fazer algumas das coisas abaixo:
 participar em interações mais longas com você
ser mais bem sucedida em participar com outras crianças nas brincadeiras com 
rotinas conhecidas
 usar palavras ou outro método de comunicação para:
฀. pedir
฀. protestar
฀. cumprimentar
฀. chamar sua atenção para algo
฀. fazer e responder perguntas
 começar a usar palavras ou outro método de comunicação para:
฀. falar sobre o passado e o futuro
฀. expressar sentimentos
฀. fazer de conta
 construir suas próprias frases
 ter conversas breves
 às vezes consertar ou corrigir o que ela diz quando alguém não a entende
 entender os significados de uma série de palavras diferentes
A comunicação entre um Parceiro e outra pessoa pode se romper quando a 
conversa for muito complicada para ele.
38 Capítulo 1
A criança no estágio de Parceria pode ainda mostrar 
dificuldades na comunicação. Ela pode: 
resistir a brincar com outras crianças quando não souber o que fazer, como em 
brincadeiras imaginativas, que dependem de linguagem e faz de conta
usar ecolalia quando não entende o que alguém está dizendo ou quando não 
consegue construir suas próprias frases
ter dificuldade em participar de conversas. Ela pode:
฀. responder aos outros, mas não iniciar conversas por conta própria
฀. tentar manter a conversa dentro de seus assuntos preferidos
฀. cometer erros gramaticais, principalmente com pronomes, como “você”, “eu”, 
“ele” e “ela”
฀. confundir-se quando a conversa fica complexa e as pessoas não falam 
diretamente para ela
 ter dificuldade com as regras de conversação. Ela pode:
฀. não saber como começar e terminar uma conversa
฀. não ouvir o que outra pessoa diz
฀. não permanecer dentro do assunto
฀. não acompanhar o que está sendo dito de forma apropriada (por exemplo, não 
pedir que as pessoas esclareçam o que disseram quando não entender)
฀. dar informação demais ou insuficientes
não captar regras sociais sutis que a outra pessoa está enviando através de 
expressões faciais e linguagem corporal
entender errado ironias 
ou jogos de palavras, 
porque interpreta 
literalmente o que as 
pessoas dizem
Um Parceiro freqüentemente 
quer brincar com outras 
crianças, mas não 
sabe como pedir.
Embora a forma de você interagir com seu filho dependa da sua personalidade e da 
dele, há alguns papéis comuns que todos os pais tendem a assumir. Vamos dar uma 
conversada sobre esses papéis, quando eles são úteis para a aprendizagem do seu 
filho e quando não são.
O Papel do “Ajudante/Professor”
Quando seu filho parece não saber como fazer coisas ou não consegue se comunicar, é 
natural querer ajudá-lo.Mas se você fizer as coisas para seu filho sempre, ele não terá 
a oportunidade de mostrar que consegue fazer mais do que você poderia esperar.
Perceba Como Você Afeta a 
Comunicação do Seu Filho
Seu filho pode ser capaz de 
fazer mais do que você pensa.
40 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 41
Muitas vezes, contudo, principalmente se estiver no estágio de Interesses Pró-
prios, seu filho pode não entender o que você espera que ele faça. Nesses casos, vai 
precisar que você seja o seu “Ajudante”.
A Regra do Ajudante
A “Regra do Ajudante”, a seguir, vai ajudá-lo a identificar quando convém ser o 
Ajudante de seu filho, e o que você pode fazer para dar a ajuda que ele precisa: Peça 
uma vez e espere. Peça de novo, acrescentando ajuda.
Peça para seu filho fazer algo e espere a resposta. Se não responder, peça de 
novo. Ao mesmo tempo, guie-o delicadamente para fazer o que você pediu. Veja 
como a mãe de Érico usa a “Regra do Ajudante” para ajudá-lo a vestir a camisa.
Após uma semana, a mãe de Érico ainda precisa pedir-lhe para levantar os braços duas vezes, 
mas não precisa mais dar tanta ajuda quanto antes. Agora, só precisa tocar o cotovelo dele 
para lembrá-lo de levantar os braços acima da cabeça.
Érico precisa de um pouco de ajuda para 
responder ao pedido da mãe.
A mãe pede uma vez e espera que Érico 
responda. Quando ele não responde, ela pede 
de novo, levantando os braços dele acima da 
cabeça para ajudá-o a vestir a camisa.
Depois de um mês, Érico 
já consegue levantar os 
braços depois da primeira 
vez que a mãe pede.
42 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 43
O Papel do “Não Perturbe”
Se o seu filho não se mostra interessado em interagir com você e raramente deman-
da sua atenção, é tentador acreditar que é o seu jeito de mostrar independência. Em-
bora todas as crianças precisem mesmo de tempo para elas mesmas, é importante 
que seu filho aprenda a interagir, coisa que não poderá fazer sozinho.
Persista nas tentativas de se juntar ao seu filho no que ele estiver fazendo. Por 
exemplo, se ele está assistindo televisão sozinho, sente bem ao lado no sofá. Ou se 
ele está brincando com um barbante, tente puxar o barbante até obter sua atenção. 
Ele pode ficar bravo e empurrar você; mesmo assim, isto é preferível a não haver 
interação. Depois que começar a interagir mais com seu filho, pode ser que enfim 
ele perceba que brincar pode ser mais divertido se você estiver junto. (Para mais 
sugestões de como se juntar ao seu filho, veja o Capítulo 3).
O Papel do “Atarefado”
Às vezes a vida parece uma corrida contra o relógio. Pense em todas as coisas que 
tem que fazer de manhã: levantar-se, tomar banho, vestir seu filho, fazer café da 
manhã, fazer as camas, levar o cachorro para passear, etc. Você provavelmente vive 
correndo para cumprir sua agenda. Todos esses momentos apressados são momen-
tos nas quais seu filho poderia estar aprendendo algo. Se, por um lado, nem sempre 
é possível diminuir o ritmo, por outro, cinco minutos extras no café da manhã 
ou quando estão se vestindo podem fazer a diferença. Lembre-se que 
seu filho precisa de mais tempo para entender o que está acon-
tecendo à sua volta e para pensar sobre o que deve fazer 
ou dizer. Ele aprenderá melhor quando você “parar
de apostar corrida e diminuir o ritmo”!
Em vez de deixar seu filho 
“fazendo as coisas dele”...
...tente fazer coisas juntos. Diminua o ritmo e dê a 
seu filho a chance de se 
comunicar com você.
44 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 45
O Papel do “Parceiro” O Papel do “Animador”
Seu filho aprende muito quando você é parceiro dele na brincadeira.
Você e seu filho provavelmente brincam juntos, como de Cócegas ou Achou! Mes-
mo quando você não está ensinando habilidades específicas ao seu filho durante 
essas brincadeiras, ele está aprendendo muito sobre comunicação por ter você como 
“Parceiro” de brincadeira.
Conforme seu filho entende mais e se torna um comunicador mais capaz, pre-
cisará de menos orientações suas. Em outras palavras, quando ele consegue fazer 
e falar mais, você pode fazer e falar menos! Se fizer perguntas e sugestões demais, 
poderá inibir seu filho a iniciar suas próprias conversas. Quando você está no papel 
do Parceiro, deixe seu filho conduzir e responda ao que ele fizer.
Como pai ou mãe, você geralmente é um bom animador.
Todas as crianças se beneficiam de um “oba!” e um abraço. Quando você recom-
pensa as tentativas de seu filho de entender e se comunicar, aumenta a chance de que 
ele tente de novo. Mas a forma de fazer o elogio também é importante. Por exemplo, 
quando seu filho bebe todo o leite, você pode dizer “Muito bem!”. Embora seu filho 
perceba que você está feliz, pode não entender o que as palavras “muito bem” signifi-
cam. Faça um elogio descritivo que diga exatamente por que está fazendo festa para 
ele. Depois que ele terminar o leite, diga algo como “Oba! Tomou todo o leite!”. Assim, 
ele consegue fazer a conexão entre suas palavras e as ações dele. 
46 Capítulo 2
2
Defina metas a 
partir do que sabe 
sobre seu filho
No capítulo anterior, falamos sobre as preferências sensoriais, o estilo de aprendiza-
gem e o estágio de comunicação, bem como sobre o seu papel na comunicação de 
seu filho. Agora você está preparado para definir algumas metas.
Se o seu filho não fala, é provável que você queira ensinar-lhe algumas pala-
vras. E, se ele já fala, é provável que esteja ansioso para que ele comece a participar 
de conversas. Mas essas duas metas – falar e conversar – só podem ser atingidas 
dando pequenos passos.
As informações da primeira parte deste capítulo ajudam você a definir expec-
tativas realistas para seu filho. A segunda parte do capítulo oferece sugestões para 
começar a ajudar seu filho a atingir suas metas de comunicação.
Contudo, esteja atento, pois pode confundir seu filho com o elogio. Imagine-se 
contando algo importante para uma amiga e que, no meio da conversa, ela dissesse 
“Muito bem, você falou!”. Você provavelmente acharia estranho sua amiga interrompê-lo 
e poderia esquecer sobre o que estava falando. Seu filho pode ficar meio confuso se você 
interromper com elogios as tentativas dele de se comunicar.
Em vez de interromper a comunicação 
de seu filho com palavras que ele pode 
não entender...
... tente recompensá-lo com 
uma resposta direta ao que ele está 
tentando comunicar.
Resumo
Na primeira parte deste capítulo falamos de fatores que afetam a comunicação 
de seu filho. O que ele gosta e não gosta, suas preferências sensoriais e seu estilo 
próprio de aprendizagem afetam igualmente a sua comunicação. Além disso, essas 
características permitem que você identifique maneiras de começar a ajudá-lo. Na 
segunda parte deste capítulo, você determina o estágio de comunicação do seu 
filho, baseado na sua habilidade de interagir, na forma como se comunica, nos 
motivos pelos quais se comunica e na compreensão dele. Ao saber o estágio de co-
municação do seu filho, pode dar a ele o tipo de ajuda que funciona melhor. Você 
– pai ou mãe – pode assumir diferentes papéis com seu filho, dependendo da sua 
personalidade, da personalidade dele e da situação. Ao observar mais de perto seu 
filho e a si mesmo, achará o caminho para que vocês se comuniquem.
Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 49
Meta 2: Novas formas de comunicação 
Como você viu no capítulo 1, aprender a se comunicar acontece gradativamente. 
Embora crianças com TEA não desenvolvam suas habilidades de comunicação da 
mesma maneira que a maioria das crianças, elas certamente seguem um padrão 
particular de aprendizagem e crescimento.
Ajude seu filho a progredir: puxar e conduzir você 
para o que ele quer...
... a usar figuras... 
...ou gestos. Depois, se ele puder, progredir de 
usar figuras ou gestos...
Defina quatro metas
Você não pode trabalhar com as quatro metas ao mesmo tempo. Em umdia pode 
se concentrar na forma como seu filho se comunica, quem sabe ajudando-o a pro-
gredir do uso de gestos para o uso de palavras. Em outro dia pode estimulá-lo a se 
comunicar por outros motivos, além de simplesmente pedir coisas. Contudo, você 
pode incluir as metas de “interação” e “compreensão” em tudo o que fizer com seu 
filho. Precisa ajudá-lo todos os dias a entender a relação entre o que você diz e o 
que está acontecendo. E precisa tentar diariamente estabelecer uma interação de 
mão dupla com ele. Lembre-se: “a interação inicia a comunicação”.
Meta 1: interação com você e com outras pessoas
Quando você ajuda seu filho 
a interagir, ele:
descobre o prazer em fazer 
coisas com você e com outras 
pessoas
entende que, ao fazer alguma 
coisa, pode exercer um efeito 
sobre você e sobre outras 
pessoas
aprende que comunicação é um 
jogo de mão dupla.
Incentive seu filho a interagir com você 
em tudo o que fizerem juntos.
Seu filho será um comunicador eficiente se você ajudá-lo a atingir 
estas quatro metas:
 interagir com você e com outras pessoas
 comunicar-se de novas formas
 comunicar-se por novos motivos
 entender a conexão entre o que você diz e o que está acontecendo ao redor dele
50 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 51
Escolha uma forma para seu filho se comunicar
Como viu no Capítulo 1, a primeira razão pela qual seu filho começa a comunicar-se 
é para pedir coisas, puxando e conduzindo você em direção a elas. O próximo passo a 
ensinar é uma forma simbólica mais efetiva de fazer esses pedidos não verbais.
Você pode ensinar seu filho a:
 usar figuras,
 apontar, ou
 usar sinais
Usando figuras
O Picture Exchange Communi-
cation System (PECS - sistema de 
comunicação por troca de figuras) 
ou Troca por Figuras, desenvolvido 
por Lori Frost e Andrew Bondy, do 
Delaware Autistic Program, ensina 
seu filho a pedir coisas que ele quer, trocando 
a figura pela coisa em si. Através da troca por figuras, seu 
filho desenvolve pensamento simbólico - aprende que uma figura, da 
mesma forma que uma palavra, pode representar a coisa real. A troca por figuras 
também tem a vantagem de forçar seu filho a interagir com você.
...para usar sons com ou sem 
figuras ou gestos...
...até dizer tudo sozinho.
52 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 53
Apontando
Se o seu filho já se comunica intencionalmente, apon-
tar para figuras é uma alternativa à troca por figuras. 
Mas se ainda não alterna o olhar entre você e o que 
ele quer, não deve ensiná-lo a apontar como forma de 
pedir. Algumas crianças aprendem primeiro a trocar 
por figuras, e depois passam a apontar.
Usando sinais
Seu filho também pode se comunicar através de 
sinais. Este método de comunicação não é muito 
usado para crianças com TEA, por que copiar sinais 
pode ser difícil para crianças com dificuldades de 
planejamento motor. Contudo, às vezes, aprender um ou dois sinais pode ajudar seu 
filho a transmitir mensagens importantes nos primeiros estágios da comunicação. 
Você pode ensinar sinais específicos para algumas coisas que ele costuma querer com 
freqüência, como “biscoito” ou “suco”. Ou pode ensinar sinais mais genéricos, como 
“mais” e “acabou”, que podem ser usados em muitas situações.
Se você está inseguro quanto ao que deve ensinar, consulte um fonoaudiólogo (es-
pecialista em comunicação e linguagem) ou um educador que conheça esses métodos.
Usando uma combinação de métodos
Quando seu filho está começando a se comunicar, 
você pode usar uma combinação desses métodos. Por 
exemplo, ele pode dar figuras para pedir algumas co-
midas favoritas e fazer um sinal para pedir “mais”.
Meta 3: comunicar-se por novos motivos
Se o seu filho ainda não se comunica intencionalmente, você pode tentar transformar 
o que ele está fazendo em comunicação intencional. Se ele está tentando alcançar os 
brinquedos por conta própria, ensine-o a pedir ajuda para pegar o brinquedo. Assim 
que conseguir fazer alguns pedidos, incentive-o a fazer mais. Se ele só pede biscoitos 
ou só pede para ser pego no colo, arme situações onde possa pedir por vários brinque-
dos, comidas e atividades. (Nas páginas 68-74 há sugestões de como criar situações que 
incentivem seu filho a fazer pedidos).
Depois, ajude-o a avançar, criando oportunidades de se comunicar por outras 
razões: além de responder uma pergunta ou dizer “Oi”. Assim que ele dominar essas 
novas habilidades de comunicação, crie mais situações nas quais possa praticá-las.
Este é o sinal de “mais”.
No estágio inicial da Troca por 
Figuras, seu filho precisa de ajuda 
física para aprender a trocar uma fi-
gura por alguma coisa que ele quei-
ra, como um biscoito ou um brin-
quedo. Gradualmente, aprenderá a 
trocar algumas figuras sem nenhu-
ma ajuda. Nas primeiras fases, seu 
filho não precisa reconhecer figuras. 
O foco está na troca.
Seu filho pode resistir à troca 
porque tem dificuldades para segurar a figura na mão. Ou pode simplesmente não 
estar interessado na figura. Neste caso, em vez de usar figuras, você pode decidir 
ensiná-lo a trocar objetos por coisas que ele quer. Por exemplo, pode dar a você 
um copo quando quiser beber. (Trocas por figuras e por objetos são explicadas com 
mais detalhes no Capítulo 7, página 233).
Gustavo mostra à mãe 
que quer beber, entregando-lhe 
seu “copo especial”. 
54 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 55
... para comunicação 
de interesses 
compartilhados.
Meta 4: Entendendo a conexão entre o que você diz e o que 
está acontecendo no mundo do seu filho
A única forma de ajudar seu filho a entender o que você diz é fazer com que suas 
palavras façam sentido para ele. Ele precisa se familiarizar com as pessoas, objetos 
e ações em uma situação antes de poder entender o sentido das suas palavras. Pa-
lavras fora do contexto não têm significado. Para entender, seu filho precisa par-
ticipar ativamente das situações nas quais as palavras são usadas e ouvir diversas 
vezes as palavras associadas com estas situações.
Quando ele tiver aprendido o significado de uma palavra em uma situação espe-
cífica, você pode mostrar-lhe como a palavra pode ser usada em diferentes situações. 
Por exemplo, seu filho pode entender que o líquido laranja que você põe no copo dele 
é chamado de “suco”. Contudo, pode não perceber que há diferentes tipos de suco. 
Ou pode pensar que todas as bebidas são chamadas 
de “suco”. Você não pode pressupor que ele 
entenda coisas que não explicou.
Ajudar seu filho a entender o 
que você diz geralmente significa 
não priorizar que ele fale. Exigir a 
fala pode fazer com que ele tenha 
dificuldade em se concentrar na 
compreensão do que acontece.
(Veja no Capítulo 6 mais sobre 
ajudar seu filho a entender a fala).
Para seu filho entender o significado das 
palavras, precisa ouvir as palavras correspondentes 
às coisas que o interessam na vida cotidiana.
Ajude seu filho a progredir da comunicação pré-
intencional...
... para a comunicação intencional.
De pedidos... ... para comunicação social...
No Capítulo 1, também falamos sobre o estilo de aprendizagem de seu filho, que 
indica como ele adquire informações. Sabendo a forma como seu filho aprende 
melhor, você pode ajustar sua maneira de dar informações, e se adaptando às ne-
cessidades dele. 
A maioria das crianças com TEA aprende melhor quando usam memórias de 
rotina. Para elas, é mais fácil memorizar rotinas quando as coisas têm uma deter-
minada ordem, que seja constante. Para ajudar seu filho a usar a memória de rotina, 
planeje as rotinas diárias e brincadeiras de forma que tenham um padrão previsível. 
Assim, seu filho consegue memorizar as palavras e as ações que acompanham essas 
situações. Conforme ele se familiarizar com o que está acontecendo, sua compreen-
são do que aprendeu melhorará. (Os Capítulos 5 e 8-12 ajudarão você a acrescentar 
estrutura às atividadesde seu filho).
Para seu filho, letras e números são fáceis de memorizar decorando: então, 
lembre-se de incluir letras e números nas atividades que fizerem juntos. Conte ou 
fale o nome de letras do alfabeto junto com seu filho.
Se o seu filho é um aprendiz gestalt, aprenderá a falar pela repetição de tre-
chos inteiros das coisas que ouvir. Então, lembre-se que ele repetirá o que você 
disser exatamente como disser. Você pode aproveitar o estilo de aprendizagem dele 
dizendo coisas “como ele diria, se pudesse”. (O Capítulo 3, páginas 95-101, traz ex-
plicações de como ensinar aprendizes “gestalt”). 
Se o seu filho é um aprendiz visual, dê dicas visuais para ajudá-lo a entender 
as coisas que ouve. Aponte para as coisas sobre as quais vocês estão falando. Exage-
re suas expressões faciais e use vídeos para 
ajudar seu filho a dar sentido ao mundo dele. 
(Veja mais informações sobre como ajudar 
seu filho com dicas visuais no Capítulo 7).
Se o seu filho aprende pelo tato, use 
aprendizagem mão na massa para ensinar 
novas palavras a ele. Se ele gosta de pressio-
nar os botões do rádio do carro, use isto como 
uma oportunidade para ajudá-lo a entender 
“ligado” e “desligado”, por exemplo.
Luana gosta de contar, então a mãe entra na 
brincadeira e conta junto.
Use o estilo de aprendizagem de 
seu filho para atingir as metas dele
No Capítulo 1, falamos sobre as coisas que seu filho gosta: as comidas, brinquedos, 
pessoas, imagens, sons, odores, texturas e movimentos. Você deve ter preenchido as 
listas de verificação de preferências nas páginas 10-13 e agora tem muitas informa-
ções para ajudar seu filho.
Use as preferências de seu filho 
para alcançar as metas dele
O pai sabe que Guilherme
gosta de correr,...
... por isso transforma a correria solitária do 
filho em uma brincadeira para dois!
Quando você sabe as coisas que seu filho gosta, sabe quais palavras ele precisa 
aprender para pedi-las.
Esta mãe pensa que 
“caminhão” será uma 
das primeiras palavras 
do filho, porque prefere 
caminhões aos 
outros brinquedos.
Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 59
Arme situações para seu filho se comunicar intencionalmente, 
começando com pedidos
Incentive seu filho a progredir da comunicação pré-intencional para a comunicação 
intencional. Vamos ver como a mãe da Renata faz.
No começo, Renata não faz idéia de que enviando 
uma mensagem para seus pais consegue que eles abram 
a porta. Tenta abrir a porta por conta própria...
Ensine seu filho a participar usando movimentos de corpo, contato 
ocular, sorrisos e sons, nas brincadeiras corporais e sensoriais preferidas
A palavra “participar” descreve qualquer coisa que seu filho faz – ele pode olhar para você, 
fazer um gesto, fazer um som ou dizer uma palavra – para mostrar a você que ele está 
participando da interação. As primeiras vezes que seu filho usa a vez dele para se comuni-
car podem ser em brincadeiras “brutas”, nas quais ele usa todo o corpo e obtém sensações 
agradáveis. Os olhares e sorrisos dele mostram que está se divertindo e quer continuar. No 
começo, as brincadeiras não duram muito. (No Capítulo 5, veja as brincadeiras que você 
pode fazer e como fazê-las).
Quando Renata e sua mãe pulam juntas, não se alternam, no começo. Só pulam, até que 
a mãe finalmente diga “Parou!”. Renata acha isso divertido; ri e olha para a mãe antes de 
recomeçar a pular. As gargalhadas e o contato ocular são as formas dela participar.
Aumente a compreensão que seu filho tem das atividades, para que ele 
possa começar a responder ao que você diz
Seu filho ainda não entende palavras, mas se você continuar fazendo coisas com ele 
da mesma maneira, começará a antecipar o que vai acontecer. Então, suas palavras 
começarão a fazer sentido para ele.
Quando Renata começa a pular com a mãe, não sabe o que fazer quando a mãe diz 
“Parou!”. A mãe tem que mostrar a ela. Mas se elas brincarem de pular de novo amanhã e 
depois de amanhã, Renata vai enfim entender como a atividade funciona. Logo entenderá, 
também, o que a palavra “Parou” significa.
...mas quando a mãe fica cara a cara 
com ela e lhe estende a mão, Renata 
vê que é fácil obter ajuda.
Quando você identificou o estágio de comunicação de seu filho no Capítulo 1, des-
cobriu em qual estágio ele está: Interesses Próprios, Pedidos, Comunicação Básica 
ou Parceria.
Identificar o estágio de seu filho dá informações sobre como ele interage com 
você e com as outras pessoas, como e por que já se comunica e a habilidade dele 
de entender o que você diz. Você tem informações sobre o que ele consegue e o que 
não consegue fazer. Com este conhecimento, pode definir metas especialmente para 
ele, desenvolvendo suas habilidades de comunicação um passo de cada vez. 
Metas para a criança no estágio de Interesses Próprios
Mantenha seu filho ligado em interações divertidas com você, usando 
Brincadeiras com Gente do tipo corporal
Interação é a meta mais importante se 
o seu filho está no estágio de Interes-
ses Próprios. Você quer que ele des-
cubra o quanto pode se divertir com 
você e quanta influência pode exercer 
quando se comunica diretamente com 
você. Ajude seu filho neste estágio a 
descobrir a alegria de estar com você, 
juntando-se a ele nas coisas que ele
gosta de fazer. 
Renata não interage com seus pais 
com muita freqüência. Para manter 
uma interação com a filha, seus pais 
precisam se aproveitar de coisas que 
ela gosta de fazer – como pular 
quando fica animada.
A mãe ajuda Renata a descobrir que 
é mais divertido pular com a mamãe 
do que pular sozinha.
Estabeleça metas para seu filho com 
base no seu estágio de comunicação
60 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 61
Ajude seu filho a substituir o puxar e o conduzir por gestos, figuras, 
sons ou tentativas de dizer palavras
Rafael puxa seus pais para mostrar-lhes que quer os biscoitos que estão no armário. 
Agora, seus pais precisam mostrar a ele como pedir biscoitos usando uma figura.
O pai de Rafael o ajuda a deixar de puxá-lo e lhe dar uma figura para pedir um biscoito.
Aumente o número de coisas que seu filho pede
Se o seu filho só sabe pedir uma ou duas coisas, você precisa experimentar desco-
brir o que mais ele pode querer. Pode descobrir que ele não está pedindo por nada 
porque, no seu papel de “Ajudante”, você tem antecipado suas necessidades. Na 
segunda parte deste capítulo, há muitas idéias que podem encorajar seu filho a fazer 
mais pedidos.
Ajude seu filho a entender várias palavras conhecidas 
Descreva o que seu filho está fazendo para ajudá-lo a entender o significado das 
palavras. Quando seu objetivo principal é ajudar seu filho a entender as palavras, 
não o pressione a falar.
Incentive seu filho a fazer as mesmas brincadeiras com outras 
pessoas conhecidas, como irmãos e avós
Assim que seu filho conseguir brincar de algumas brincadeiras corporais com você, 
incentive-o a brincar com outras pessoas, para que ele possa generalizar o que 
aprendeu. Quando generaliza suas habilidades, seu filho usa as coisas que aprendeu 
com você para brincar com outras pessoas. Diga aos novos “companheiros” como é 
feita a brincadeira e o que seu filho consegue fazer durante ela.
Metas para a criança que está no estágio de Pedidos
Ajude seu filho a usar uma ação ou um som para fazer com que você 
continue uma brincadeira corporal, como Cócegas ou Pega-pega.
A interação entre você e seu filho no estágio de Pedidos geralmente é melhor em 
Brincadeiras com Pessoas do tipo corporal, como Cócegas, Achou!, Pega-pega e 
Pular. Essas brincadeiras em geral são rápidas, porque seu filho tende a perder in-
teresse rapidamente. Às vezes, pede claramente para você continuar a brincadeira 
usando um gesto, som ou ação, às vezes não faz. Ajude-o a aprender a participar de 
forma consistente e brincar por mais tempo.
Lembra do Rafael, o menino do Capítulo 1, que gosta de cócegas? Ele mostra que 
quer mais cócegas puxandoa mão do pai em direção à sua barriga. Agora, Rafael 
precisa aprender a acrescentar som à sua ação.
Depois de ter brincado essa brincadeira várias vezes, Rafael começa a usar 
um som quando puxa a mão do pai para ganhar cócegas.
62 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 63
Ajude seu filho a aumentar o uso de gestos, sinais, figuras ou 
palavras para fazer pedidos em novas situações
César sempre pede à mãe para abrir a caixa de uvas passas dizendo a palavra “abrir” e 
fazendo um sinal manual. Da mesma forma, sempre pede para começar a brincadeira 
de Pega-Pega dizendo “Um, dois, três e já!”. Seus pais querem que ele aprenda que as 
palavras “abrir” e “Um, dois, três e já!” podem ser usadas em outras situações.
César faz o sinal e diz “abrir” para pedir 
sua guloseima preferida,...
... então o pai o incentiva a 
usar o mesmo sinal e a mesma 
palavra para pedir que abra a 
porta do carro.
Metas para a criança que está no estágio de Comunicação Básica
A interação entre você e seu filho está 
ficando mais fácil e durando mais tem-
po, principalmente em músicas e brin-
cadeiras “brutas”.
Ensine seu filho a participar 
de forma consistente com 
você e com outras pessoas nas 
Brincadeiras com Gente do tipo 
corporal.
Lembra do César, do Capítulo 1, que 
adora ser perseguido pelos pais? César 
sabe que pode começar a brincadeira 
dizendo “Já!” depois que seus pais 
dizem “Um, dois, três e...”.
A brincadeira só começa depois que César faz a sua parte.
Incentive seu filho a começar algumas brincadeiras corporais em vez 
de esperar que você o faça
Depois de César já ter brincado de 
“Um, dois, três e já!” várias vezes 
com a mãe, o próximo passo é 
que ele inicie a brincadeira com 
o irmão mais velho, Alessandro. 
A mãe ajuda, segurando César 
enquanto Alessandro foge. 
Querendo começar a brincadeira, 
César diz “Um, dois, três e já!” e 
começa a perseguição.
Incentive seu Comunicador Básico a 
começar suas brincadeiras preferidas 
e a brincar com outras pessoas 
conhecidas, além de você.
64 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 65
Agora que César já sabe pedir diversas comidas e atividades constantemente, sua 
mãe quer que ele se comunique por outras razões. Então, tenta criar uma situação 
que surpreenda o filho e o incentive a fazer algo novo. Quando a mãe tira uma 
cenoura da caixa de biscoitos, César sem dúvida fica surpreso. Mas é sua mãe quem 
fica mais surpresa quando César vê a cenoura e diz “Não!” pela primeira vez.
César sabe que o lugar da cenoura não é na caixa de biscoitos!
Ajude seu filho a entender palavras e frases 
conhecidas e seguir instruções simples
Uma criança que está no estágio de Comunicação Básica já aprendeu a atribuir sig-
nificado a diversas palavras. Para aumentar sua compreensão, você precisa destacar 
as palavras e conectá-las a objetos e pessoas reais. (Veja o Capítulo 6: “Ajude Seu 
Filho a Entender o que Você Diz”)
Ajude seu filho a melhorar a forma de se 
comunicar, fazendo o seguinte:
 transformando “ecos” em fala espontânea
 transformando gestos em comunicação através de sinais, fala ou figuras
 transformando comunicação através de figuras em comunicação verbal
 transformando comunicação verbal em frases curtas
Sempre que Marcos troca uma figura por bolinhas de sabão, seu pai diz “Bolinhas!”. Depois de 
ouvir a palavra diversas vezes, Marcos dá a figura e diz a palavra também!
Ajude seu filho a se comunicar por diversas razões, 
não apenas para obter o que quer. Incentive-o a:
 recusar e protestar
responder perguntas (Perguntas para o Comunicador Básico, como escolhas, 
perguntas do tipo Sim/Não e “O que é isto?” – são tratadas no Capítulo 4)
 cumprimentar e dizer “tchau” para as pessoas
 alternar o olhar entre você e algo em que ele esteja interessado
 chamar sua atenção para alguém ou algo
 comentar sobre coisas diferentes ou preferidas
66 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 67
Ajude seu filho a se comunicar por muitas razões
É provável que seu filho cumprimente você, faça comentários sobre o que vê, cha-
me seu nome para conseguir atenção, faça e responda perguntas simples e diga 
quando não quer uma coisa. Agora, o desafio é fazer essas coisas com outras pes-
soas, em outras situações. Também precisa se comunicar sobre outras coisas, além 
das que estão acontecendo no momento. Incentive-o a:
responder perguntas do tipo “O que”, “Quem” e “Onde”, e as abertas como 
“Por que você está triste?” ou “Como você se machucou?” (veja o Capítulo 4, 
páginas 124-127)
 falar sobre o passado, o futuro e sentimentos
 fazer de conta
Ajude seu filho a conversar
Conversas curtas e simples sobre coisas conhecidas são fáceis. A conversa morre 
quando seu filho não entende o que está sendo dito ou não consegue pensar no que 
dizer. Uma criança no estágio de Parceria precisa aprender:
 a começar e terminar uma conversa
 a permanecer dentro do assunto
que os outros nem sempre entendem o que ele quer dizer e que pode ter que 
mudar o que diz
 que deve pedir esclarecimento quando não entender algo
Ajude a melhorar a compreensão do seu filho 
O “parceiro” entende quando você fala sobre coisas que pode ver. Precisa também en-
tender quando fala de coisas que ele não pode ver ou de conceitos abstratos, como:
 o passado e o futuro
 sentimentos (feliz, triste, bravo etc.)
 comparações (maior, mais quente etc.)
 como se comportar ou solucionar problemas
 pontos de vista de outras pessoas
perguntas que exigem que se pense além do aqui e agora (como, “Por que você 
está fazendo isto?” ou “Como você sabe que ele está triste?”)
Ajude seu filho a ser bem sucedido ao se comunicar com outras crianças
Seu filho pode ainda preferir adultos, porque não está seguro quanto ao que fazer e 
dizer ao brincar com crianças. Nem sempre as crianças gastam o tempo e o esforço 
necessários para facilitar a participação do seu filho. Ele se sairá melhor se praticar 
algumas brincadeiras com você antes de tentar brincar com outras crianças. (Veja 
mais sobre esse assunto no Capítulo 12).
Metas para a criança no estágio de Parceria
Fábio está no estágio de Parceria. É um menino simpático que consegue manter 
conversas curtas. Gosta de estar com outras crianças e fica feliz quando Júlia, uma 
menina mais velha que encontra no parque, se aproxima. Contanto que a conversa 
permaneça simples, Fábio consegue participar. Mas se Júlia usa frases mais longas, a 
conversa “morre”. A meta do pai é que Fábio entenda o que Júlia diz, para que possa 
responder. Veja como o pai de Fábio o ajuda a alcançar essa meta.
... então seu pai o ajuda, simplificando a pergunta e 
apontando para a coisa sobre a qual a Júlia estava falando.
Ajude seu filho a mudar a forma de se comunicar
Quando o pai ajudou Fábio a entender a pergunta de Júlia, também o ajudou a usar suas 
próprias palavras, em vez de repetir as de Júlia. Neste estágio, incentive seu filho a:
substituir a “ecolalia” pelas suas próprias palavras (conforme a compreensão de 
seu filho aumenta, a ecolalia dele diminui)
 usar sentenças e palavras corretas em uma conversa
 usar uma figura ou um sistema de computador, se não conseguir falar.
Fábio não entende a pergunta de Júlia...
Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 69
Ponha algo que seu filho goste muito, como um doce ou um carrinho de 
brinquedo, em um recipiente transparente que seja difícil de abrir ou um pote de 
plástico com uma tampa de rosca.
Renata não consegue abrir o pote para pegar suas 
balinhas prediletas,...
... então pede ajuda da mãe.
É tentador colocar tudo o que seu filho precisa ao alcance dele: os brinquedos 
preferidos na prateleira mais baixa ou a comida predileta na beira do balcão da 
cozinha. Mas se ele não enfrentar nenhuma dificuldade para conseguir o que quer, 
também não terá razões para se comunicar. Você precisa arquitetar situações para 
incentivar a comunicação.
As seguintes sugestões*ajudarão você a montar situações para induzir seu filho a 
interagir e se comunicar por diversas razões – pedir, recusar, cumprimentar, comentar 
e fazer escolhas. Estas sugestões servem para crianças de todas as idades. Nos capítu-
los subseqüentes deste livro, muitas delas serão discutidas com mais detalhe.
Maneiras seu filho pedir
Ponha as coisas preferidas dele à vista, mas fora do alcance
Ponha a comida preferida do seu filho em uma prateleira alta ou em cima do 
balcão onde ele possa ver, mas não possa pegar
Ponha o brinquedo ou o vídeo preferido do seu filho em uma prateleira que está 
fora do alcance, mas dentro do campo de visão.
A mãe “arquiteta” a situação, 
colocando o vídeo preferido 
de Beto na prateleira de cima, 
na expectativa de que ele peça 
ajuda quando quiser o vídeo.
Dê ao seu filho um motivo para 
se comunicar e então espere
* Adaptado de A Wetherby & Prizant 1989
70 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 71
Os Brinquedos com Gente descritos abaixo podem interessar seu filho. Deixe-o 
passar algum tempo descobrindo como usar cada brinquedo e espere que ele frustre 
ou pedir peça sua ajuda. Depois, entre em cena e faça o brinquedo funcionar. Em 
alguns casos, seu filho descobrirá sozinho como usar o brinquedo. Quando isso 
acontecer, comemore o sucesso dele com um abraço ou um “Jóia!” e depois encon-
tre Brinquedos com Gente diferentes que exijam sua ajuda.
Brinquedos de dar corda ou de apertar
Um rato que pula ou um trem que anda 
podem fascinar seu filho. Brinquedos 
de apertar também são divertidos. Es-
ses brinquedos são ativados quando 
você aperta uma pequena bomba de ar. 
Faça o brinquedo andar. Quando parar, 
passe-o para seu filho e espere que ele 
peça para fazê-lo andar de novo.
Bolinhas de sabão
Abra um frasco de bolinhas de sabão e sopre algumas. Assim que 
seu filho começar a olhar ou estourar as bolhas, feche o frasco. Es-
pere que ele peça, de alguma forma, para você abri-lo de novo. Ou 
faça bolinhas para chamar a atenção dele. Faça mais uma bola e 
pare, segurando a haste em frente da sua boca. Espere que ele peça, de 
alguma forma, por mais bolinhas.
Bexigas
Encha uma bexiga e depois esvazie. (Seu fi-
lho pode gostar de ver você deixar a bexiga 
voar enquanto esvazia). Ponha a bexiga na 
sua boca e espere seu filho pedir, de alguma 
forma, para você enchê-la de novo. Ou en-
cha a bexiga só até a metade. Depois, com 
ela na boca, espere que seu filho peça de 
alguma forma para encher mais.
Este menino pede à mãe para fazer uma bexiga 
maior, mostrando à mãe como se sopra.
Use Brinquedos Com Gente
Brinquedos Com Gente são brinquedos difíceis de operar, como aqueles de dar 
corda, caixas de música e bolinhas de sabão, que incentivam a interação: seu filho 
precisa da sua ajuda para fazê-los funcionar. Mesmo que ele aprenda como operar 
um Brinquedo com Gente sozinho, você precisará mostrar-lhe que é mais divertido 
brincar com você do que brincar sozinho.
Rafael não sabe fazer bolinhas de 
sabão sozinho. Então empurra a mão 
do pai em direção à boca, pedindo para 
que ele faça algumas bolinhas.
Brinquedos com Gente precisam de duas pessoas para ficarem divertidos e são interessantes 
para crianças em todos os estágios.
72 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 73
Crie seus próprios Brinquedos com Gente!
Chapéu engraçado
Ponha um chapéu engraçado e incentive seu filho 
a tirá-lo. Depois de fazer isto algumas vezes, po-
nha o chapéu e deixe-o difícil de alcançar. Espere 
que ele peça o chapéu de alguma maneira. Você 
pode adaptar essa brincadeira usando óculos ou 
outra peça de roupa que tenha algum apelo, como 
uma echarpe de pelos macios.
Torneiras
Uma torneira pode se tornar um Brin-
quedo com Gente. Ligue a água e deixe 
seu filho brincar com ela. Feche-a e es-
pere seu filho pedir mais.
Espelhos
Muitas crianças, principalmente aquelas que são mais visuais, são fascinadas pelo 
seu reflexo no espelho. Aproveite o interesse de seu filho pelo espelho e brinque 
de “Achou!”. Segure sua filha longe do espelho dizendo “Cadê a Karen?” e depois, 
coloque-a na frente do espelho dizendo 
“Achou!”. Depois de fazer isso algumas vezes, 
segure-a longe do espelho por mais tempo. 
Antes de voltar, espere que ela peça ou 
mostre que quer se ver novamente. Espelhos 
também são ideais para praticar jogos de 
imitação: aponte os olhos da mamãe, depois 
os olhos do seu filho; aponte o nariz do 
papai, depois o nariz do seu filho. Você pode 
brincar de qualquer coisa ou cantar uma 
música na frente do espelho. 
Este pai transformou-
se em um brinquedo!
Caixas de música
Dê corda na caixa de música e deixe 
a música tocar. Espere seu filho pedir 
para você dar corda de novo.
Caixinha de surpresa
Dê corda na caixinha de surpresa 
e deixe o palhaço saltar. Espere 
seu filho pedir outra surpresa.
Piões
Comece a girar o pião e espere seu filho 
pedir “mais” quando o pião parar.
74 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 75
Formas de ajudar seu filho a dizer 
“Não”, “Chega”, “Pronto” ou “Pare”
Crianças muito seletivas para a comida praticam bastante a recusa.
Ofereça a coisa que ele menos gosta
Ofereça uma comida, bebida ou brinquedo que seu filho não goste, para dar-lhe a 
oportunidade de dizer “Não!”.
Deixe seu filho terminar a atividade
Espere até que seu filho se canse de uma atividade e depois deixe que diga isso a 
você, com uma expressão facial, um som ou uma palavra. Por exemplo, continue 
a empurrá-lo no balanço até ele se cansar, faça uma brincadeira por muito tempo, 
ou deixe-o brincar com um brinquedo por bastante tempo. Então o provoque mos-
trando outra coisa que ele goste. (Aviso: algumas vezes ele vai terminar o que está 
fazendo muito rápido e outras vezes você vai se cansar antes dele).
Ofereça as coisas aos pouquinhos
Se você sempre der ao seu filho o que ele quiser, de uma só vez, ele não precisará 
pedir nada a você. Se der pequenas porções, criará mais oportunidades para que ele 
comunique suas necessidades a você.
Ponha um pouquinho de suco no copo de 
seu filho e espere que peça mais.
Quebre batatas chips e biscoitos em pedaços 
e dê ao seu filho um pedaço por vez: dê-lhe a 
chance de pedir outras vezes. Dê um pedaço 
do quebra-cabeça por vez.
Alguns brinquedos são fáceis de dar os poucos, porque têm múltiplas peças. Se der 
ao seu filho as peças do quebra-cabeça, blocos, Lego ou trilhos de trem um de cada 
vez, ele terá diversas oportunidades de pedir as coisas que precisa para completar as 
construções. Se ele tentar pegar a peça do brinquedo da sua mão, esconda o objeto 
e faça-o aparecer quando pedir. (Dica: lugares bons de esconder brinquedos são 
dentro da sua manga ou no seu bolso).
Dê todos menos um
Dê ao seu filho todas as coisas que precisa para uma atividade, menos uma. Segure 
uma coisa fora do alcance dele, mas à vista, e espere que ele peça. Por exemplo, dê 
o papel, mas segure o giz de cera, dê a tesoura, mas segure o papel, dê a haste de 
fazer bolinhas de sabão, mas segure o frasco com o líquido.
76 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 77
Esconda coisas em lugares inesperados
Ponha um dos brinquedos 
preferidos do seu filho na 
gaveta dele e espere que 
descubra a surpresa.
A mãe espera que Carla 
mostre a fotografia quando 
encontrá-la dentro do livro.
Fique quieto
Folheie alguns livros. Aponte e fale o nome das figuras. Depois, aponte para 
uma figura e fique quieto.
Olhe pela janela com seu filho e mostre-se animado com o que vê. Aponte e 
diga “Olhe, um caminhão!” “Olhe, um gatinho!”. Na próxima vez que você vir 
algo interessante, fique animado, mas espere que seu filho aponte e comente.
Deixe seu filho ajudá-lo a desembalar as comidas para o lanche. Mostre muito 
interesse toda vez que tirar algo da sacola, e fale o nome de cada item. Quando 
chegar a vez da comida preferida do seu filho, espereque ele fique alegre ou fale 
o nome da comida. Você pode tentar isto no mercado também, dizendo “Olha 
o macarrão”, “Isto aqui é leite”, “Olha o suco”. Depois, pare na frente da comida 
preferida de seu filho e espere sua reação. Se acha que ele consegue dizer o nome 
da comida, ajude-o a começar, dizendo “Olha o...” e espere que complete a frase.
Maneiras de Ajudar seu Filho 
a Aprender a Cumprimentar e 
Dizer “Tchau”
Use fantoches ou 
bichos de pelúcia
Esconda um fantoche ou um bicho 
de pelúcia embaixo da mesa e de-
pois o chame pelo nome (por exem-
plo, “Coelhinho!”). Faça o brinquedo 
aparecer, depois acene para ele, di-
zendo “Oi!”. Repita esta ação diver-
sas vezes e incentive seu filho a di-
zer “Oi!”. Por fim, faça o brinquedo 
aparecer e espere seu filho acenar e 
dizer “Oi!” sozinho.
Use sua janela
Vá para a janela, acene e diga “oi” para 
todas as pessoas ou carros que passarem. 
Depois, quando outro carro vier, não diga 
e não faça nada. Espere seu filho acenar e 
dizer “oi” por conta própria.
Maneiras de Incentivar Seu Filho a Interagir ou Fazer 
Comentários: Faça o Inesperado
Crie rotinas que sejam previsíveis e depois faça uma surpresa
Quando seu filho estiver acostumado a fazer algo sempre da mesma maneira, você 
deve fazer o inesperado! Mudar a rotina incentiva seu filho a reagir à surpresa e, 
quem sabe, comunicar-se sobre ela.
A seguir, algumas idéias para situações cotidianas ideais para surpresas:
A mamãe cumprimenta o fantoche diversas 
vezes, para que Eva saiba exatamente o que 
fazer quando for a vez dela.
78 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 79
Tente um pouco de “bobeira criativa”!
Cometa erros “acidentalmente”
Crianças adoram quando seus pais cometem erros. Faça algo bobo e seu filho pro-
vavelmente vai prestar atenção. Quando estiver vestindo seu filho, esqueça “aciden-
talmente” de uma peça de roupa. Ou vista algo da maneira errada.
Seu filho pode reparar em você quando “esquecer” como se coloca o sapato dele.
Aproveite os momentos em que as coisas dão errado
Se as coisas não saírem como o planejado, use essas situações para obter a atenção 
de seu filho. Por exemplo, se o jantar dele estiver quente demais, não tire simples-
mente e esfrie o prato; faça disto um acontecimento, dizendo “Opa! Muito quente!”. 
Se você exagerar suas ações, assoprando ou abanando para esfriar a pizza, seu filho 
poderá achar a situação divertida e querer participar ou fazer algum comentário.
Caio tem uma 
surpresa quando 
seu pai lhe dá uma 
peça de Lego em 
vez de um carrinho.
Ofereça algo diferente
Brinque com brinquedos que usem diversas peças, como brinquedos de encaixe, 
quebra-cabeças, copos de empilhar ou blocos. Dê ao seu filho algumas peças, uma 
por vez. Depois, dê algo completamente diferente ou uma peça que não se encaixa 
e espere sua reação.
Surpresa com cheiro
Deixe seu filho cheirar algo que 
goste, mas que não possa ver. 
Faça uma expressão alegre e 
comente. Por exemplo, ponha 
pizza no forno, inspire o ar de 
forma exagerada e comente 
“Hum, pizza!”. Depois de fazer 
isto algumas vezes, apenas ins-
pire o ar e espere seu filho reagir 
de alguma forma.
Surpresa com o tato
Ponha a mão do seu filho al-
gumas vezes em uma substân-
cia fria, molhada ou grudenta, 
até ter estabelecido um pa-
drão. Você pode usar pudim, geleca ou até água. A cada vez, faça uma cara alegre 
e descreva a sensação (por exemplo: “grudento” ou “molhado”). Depois, ponha a 
mão do seu filho em uma substância diferente e espere para ver se ele reage.
Davi adivinha que a mãe está 
fazendo sua comida preferida.
80 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 81
Finja que você está quebrada
Monte situações nas quais você age como se tivesse dificuldades para fazer as coi-
sas. Por exemplo, finja que não consegue ver o que seu filho vê ou que não conse-
gue ouvir o que ele ouve. Você pode continuar “quebrada” enquanto seu filho não 
ficar frustrado demais.
Quando a mãe finge que não consegue ouvir a campainha, 
Fábio tem uma oportunidade de avisar-lhe o que está acontecendo.
Quando tudo estiver transcorrendo tranquilamente, faça alguma coisa sair errado
Quando a mãe deixa cair o garfo “acidentalmente”, Renato avisa.
Finja que não sabe onde as coisas estão
Se agir como se não soubesse onde as coisas estão, você e seu filho poderão procu-
rar juntos. Ele pode dizer ou fazer algo novo nesta situação incomum. Por exemplo, 
quando estiver saindo de casa, perceber que não está levando a lancheira, as luvas ou a 
mochila dele. Quando seu filho pedir algo, como um brinquedo preferido, aja como se o 
brinquedo tivesse sumido. Exagere sua preocupação e espere pela reação de seu filho.
Finja que algo está quebrado, quando na verdade não está. 
Seu filho espera que tudo funcione. Como vai reagir quando alguma coisa não fun-
cionar? Tente colocar a chave na fechadura de ponta cabeça, de forma que ela não 
entre no buraco. Diga “Opa! A chave quebrou.”. Espere seu filho mostrar como ele 
se sente nesta situação.
82 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 83
Resumo
Veja algumas escolhas para experimentar:
 “Você quer seu sabonete ou seu boné?” (antes de sair na rua)
 “Você quer leite ou suco?” (quando você sabe que seu filho prefere suco)
“Você quer a bola ou o vídeo?” (quando você sabe que seu filho vai 
escolher o vídeo)
Escolhas do tipo Sim/Não
Se você quer que seu filho pratique responder “sim” e “não”, pode oferecer algo que 
sabe que ele quer e algo que sabe que não quer. Deixe seu filho ver os dois itens, 
para ajudá-lo a entender que deve escolher entre duas coisas. Por exemplo, segure 
uma boneca (algo que ele não quer) em uma mão e um quebra-cabeça (algo que 
você sabe que ele quer) na outra mão. Segure a boneca e pergunte para seu filho 
“quer a boneca?”. Estimule-o a responder “Não”. Se não sabe responder, responda 
por seu filho para mostrar o que poderia dizer. Depois, segure o quebra-cabeça e 
pergunte “quer o quebra-cabeça?”. Incentive-o a responder “sim”.
Leva tempo para que crianças se tornem comunicadores. Na primeira parte deste capí-
tulo, falamos sobre quatro metas gerais que seu filho pode atingir, um passo de cada 
vez: 1) interagir com você e com outras pessoas, 2) comunicar-se de novas formas, 3) 
comunicar-se por novos motivos e 4) entender a conexão entre o que você diz e o que 
está acontecendo ao redor dele. As metas mais específicas, que você define, dependem 
do estágio atual de comunicação do seu filho. Se ele não está enviando nenhuma 
mensagem para você, não espere que saia falando. Contudo, esperar que ele preste 
mais atenção em você é uma meta realista. Ao reavaliar continuamente suas metas, 
você ajudará seu filho a atingir todo seu potencial.
Na segunda parte do capítulo, falamos sobre coisas que você pode fazer para dar ao 
seu filho motivos para se comunicar. Quando faz com que comidas e brinquedos fiquem 
menos acessíveis ou “criativamente” se faz de bobo, dá ao seu filho inúmeras oportuni-
dades para se comunicar. É como se você fosse um arquiteto, planejando e manipulando 
o ambiente ao redor de seu filho, de forma que ele possa reagir e responder às coisas que 
você faz. Muitas das estratégias descritas aqui serão mencionadas novamente diversas 
vezes neste livro, para mostrar como usá-las em rotinas diárias, brincadeiras, músicas e 
livros, e adaptá-las para seu filho e para o estágio de comunicação em que se encontra.
Formas de Ajudar Seu Filho a Fazer Escolhas
Quando deixa seu filho fazer escolhas, permite que ele envie uma mensagem para 
você e mostre como se sente. Imagine a sensação de poder para ele, quando con-
segue dizer o que quer com gestos, figuras, palavras. Incentive-o a fazer escolhas 
baseando-se no que ele gosta e no que ele não gosta.
Comece com escolhas fáceis
Para seu filho é mais fácil escolher 
entre duas coisas que ele possa 
ver: uma coisa que goste muitoe 
outra que ele não goste. Segure as 
opções na frente dele.
Primeiro, ofereça a coisa 
preferida por último
Se está começando a aprender a 
fazer escolhas, seu filho sempre 
escolherá o último objeto apre-
sentado. Faz isso porque é o últi-
mo item que ele vê, como quando 
começa a desenvolver ecolalia e 
repete a última palavra que ouve. 
Lembre-se dessa tendência e ofe-
reça por último o item mais pro-
vável que ele escolha, depois de 
oferecer o item menos desejado.
Depois, ofereça a coisa preferida primeiro
Quando seu filho tiver experiência em fazer escolhas e estiver repetindo muitas das 
coisas que ouve, ofereça a coisa preferida em primeiro lugar. Você quer ter certeza 
de que ele está de fato fazendo uma escolha, e não apenas repetindo a última pala-
vra que ouve ou escolhendo o último objeto que vê.
Dê dicas visuais
No começo, seu filho pode precisar de dicas visuais para fazer escolhas. Você pode 
segurar os objetos reais, apontar para objetos reais ou apontar para figuras de obje-
tos. (Se você segurar os objetos um em cima do outro, pode ser que fique mais fácil 
para o seu filho escolher do que se segurá-los lado a lado). Experimente tanto com 
objetos quanto com figuras para ver o que seu filho prefere.
Douglas não gosta de verduras, então fica fácil 
para escolher entre sua guloseima favorita e 
um ramo de brócolis.
84 Capítulo 2
POR QUE
SEU FILHO SE
COMUNICA
QUANDO
SEU FILHO SE
COMUNICA
COMO SEU FILHO SE COMUNICA
Comportamentos 
(ex. chora, grita)
Ações, 
gestos
Figuras Sons Ecos Fala espontânea
Para se acalmar ou se 
orientar
Para protestar ou 
recusar
Para pedir
Comidas/bebidas
Objetos/brinquedos
Ajuda
Para continuar uma 
Brincadeira com 
Gente ou uma música
Permissão para fazer 
algo
Informação
Para responder às 
pessoas
Para seguir instruções
Para fazer escolhas
Para responder 
perguntas
Para cumprimentar
Oi
Tchau
Para chamar a atenção 
ou comentar sobre
Objeto
Pessoa 
Evento
Si mesmo
Para falar sobre
Passado
Futuro
Sentimentos:
Feliz
Triste
Bravo
Com medo
Para fazer de conta
Lista de checagem: Como e Por que seu filho se comunica Deixe-se conduzir 
pelo seu filho
3
86 Capítulo 3
A maioria das pessoas presta atenção ao que a interessa. Por exemplo, se você 
gosta de futebol e assiste a um jogo na televisão, facilmente se lembra do placar 
e dos nomes dos jogadores. Agora, quando assiste a um evento de um esporte que 
não lhe interessa muito, por exemplo, um jogo de tênis, provavelmente não vai 
se lembrar de muita coisa sobre o jogo. Pode perder o interesse e mudar de canal 
após poucos minutos.
Uma criança com TEA, mais ainda do que as outras crianças, presta atenção no 
que a interessa. Mas como seu filho precisa que mostrem a ele como fazer as coisas, 
você acaba gastando um bom tempo sendo o “professor” ou “ajudante”, enquanto 
ele é o “aprendiz”. Se você sempre disser ou mostrar ao seu filho o que fazer, pode 
ser que ele nunca tenha a chance de fazer coisas que realmente quer. E não terá a 
oportunidade de iniciar a comunicação por conta própria.
Neste capítulo, vamos falar sobre o momento e o jeito certos de deixar-se con-
duzir pelo seu filho, bem como quando não é apropriado fazer isso. Mostraremos 
que se você deixar-se conduzir pelo seu filho, ele pode aprender a se comunicar 
enquanto vocês fazem as coisas juntos.
A criança que conduz frequentemente obtém o que precisa
Uma criança presta mais atenção às coisas que ela escolhe do que as coisas que 
você escolhe.
Uma criança geralmente é mais sociável e interativa quando está engajada em 
atividades escolhidas por ela.
É mais fácil que vocês dois prestem atenção na mesma coisa quando ela 
estiver conduzindo a situação. Quando seu filho consegue prestar atenção na 
mesma coisa que você, está dando um importante primeiro passo para poder se 
relacionar ao mesmo tempo com você e com o que está fazendo.
Uma criança que lidera aprende que não depende de você para saber o que fazer 
ou dizer em todas as situações. Pode fazer escolhas por conta própria.
Uma criança que lidera aprende que tem o poder de fazer as coisas acontecerem. 
Saber que pode afetar pessoas ao seu redor é um passo importante para se 
tornar um comunicador intencional.
Uma criança que conduz a situação não tem que alternar o seu foco de atenção, 
coisa que é difícil para crianças com TEA.
Para ser conduzido pelo seu filho, você deve começar “observando, esperando e 
ouvindo” seu filho, como faria uma sábia mãe coruja.
Observar
Observar significa olhar atentamente para seu filho para ver as coisas que o inte-
ressam. Desta forma, você poderá incluir as coisas que o interessam nas coisas que 
vocês fazem juntos. Veja o que Karina aprende sobre o filho dela, Júlio, quando o 
observa de perto durante uma brincadeira de bater a bola com a colher. Ela percebe 
que Júlio está mais interessado em segurar a colher 
na frente dos olhos do que em usá-la para bater 
na bolinha.
A observação de Karina lhe dá infor-
mações importantes sobre Júlio. Agora 
pode escolher: continua a incentivar 
Júlio a jogar a bolinha de volta 
para ela ou usa o interesse dele 
pela colher e esquece a brin-
cadeira com a bolinha. O que 
ela vai fazer? (Vamos voltar a 
falar de Karina e Júlio mais 
adiante neste capítulo).
Use o OEO: Observar, Esperar 
e Ouvir
88 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 89
Enquanto observa seu filho, veja como e por que ele se comunica e a que 
responde. Depois que ele “ecoa” o que você diz, olha para você ou se aproxima da 
coisa sobre a qual você está falando? Percebe mudanças na expressão facial dele 
quando você pega determinado brinquedo? O que seu filho faz nessas situações dá 
informações de onde começar para ajudá-lo a aprender a se comunicar.
Esperar
A espera dá ao seu filho tempo suficiente para que ele envie mensagens do seu 
próprio jeito. Embora você possa pensar às vezes que seu filho não está se comuni-
cando nada, talvez ele simplesmente não esteja tendo chances de se comunicar.
A mãe está preocupada porque Luciana nunca pede nada. Então, um dia, depois do 
almoço, na hora em que a filha costuma ganhar um biscoito, a mãe não pode pegar 
o biscoito, pois está no telefone. Luciana bate o pé no chão e grita para mostrar 
que quer o biscoito imediatamente. Nessa hora, a mãe percebe que Luciana sabe se 
comunicar se as pessoas esperarem até que ela o faça.
Se não se apressar, seu filho terá chan-
ces de fazer mais do que você espera.
Esperar também pode dar chance ao 
seu filho de assimilar e pensar sobre o que 
você está dizendo. Se fizer uma pergunta e 
seu filho não responder de imediato, você 
pode supor que ele não entendeu a pergunta 
e perguntar de novo. Contudo, a repetição 
da pergunta pode distrai-lo bem na hora em 
que a sua primeira pergunta ia começar a 
fazer sentido para ele. Se ele estava a ponto 
de lembrar-se de uma palavra, sua segunda 
pergunta pode fazê-lo esquecer.
Toda criança demora mais do que um 
adulto para responder a uma pergunta. Para 
o seu filho, demora ainda mais. Então, es-
pere pelo menos quinze ou trinta segundos 
para que seu filho responda. Para que você 
se lembre de esperar, conte lentamente até quinze. Mas tenha cuidado! É possível 
que você espere tempo demais e seu filho perca o interesse. Você tem que ter “sin-
tonia fina” na sua espera para que ela fique no mesmo nível da persistência do seu 
filho. Se ele desiste facilmente, seu tempo de espera pode ser mais curto. Sua espera 
trará melhores resultados quando seu filho estiver motivado como a Luciana.
Ouvir
Quando você ouve com atenção os sons, palavras e frases vindos do seu filho , 
aprende o que ele já consegue fazer e o que você pode construir a partir disso. 
Por exemplo, se ele produz uma série de sons com os lábios, como “pá” e “bó”, 
pode se dedicar mais a coisas motivadoras que comecem com esses sons, como 
“parque” e “bola”.
Quando seu filho começa a falar,pode não falar claramente. Se disser “sa” 
toda vez que você pega a mochila dele no armário, há uma forte possibilidade 
de ele estar tentando dizer “sair”. Se você ouve com atenção, pode responder ao 
som de “sa” dizendo “Sair. Vamos sair.” Isto dará a ele um modelo da pronúncia 
correta da palavra. Depois, você pode, nas outras vezes que ele disser “sa”, res-
ponder pegando a mochila, mesmo que não tenha planejado sair. Logo seu filho 
entenderá o poder da palavra.
Você pode ouvir seu filho usar uma palavra um dia, e depois não ouvi-lo dizer 
essa palavra por vários dias ou mesmo semanas. Mas se ouvir e memorizá-la, pode 
fazer coisas que o incentivem a usar essa palavra novamente logo. Por exemplo, se 
ouvir seu filho dizer “não” uma vez, pode aumentar as oportunidades que ele tem 
de dizer “não” de novo, oferecendo comidas que não gosta, cantando músicas com a 
palavra “não” e vendo fotos de pessoas fazendo “não” com a cabeça.
Ouvir é uma ferramenta valiosa quando seu filho apresenta ecolalia (isto é, 
imita ou “papagaia” as palavras ou frases que outras pessoas dizem). Se você pres-
tar atenção à maneira como ele repete essas palavras, sua entonação lhe dirá muita 
coisa sobre por que as está dizendo. Por exemplo, se pergunta para seu filho “Quer 
um biscoito?” e ele repete a pergunta exatamente da forma como você disse (com 
a mesma entonação ascendente), é provável que não tenha entendido e esteja “eco-
ando” porque está aflito. Contudo, se ele repete o que você diz e muda a entonação, 
pode ter entendido sua fala e esteja lhe dizendo, da melhor maneira que pode, “Sim, 
eu quero um biscoito”.
Quando seu filho usa ecolalia tardia, “pescando” algo que ouviu de um con-
texto e usando em outro, você precisa ser um ouvinte e observador muito bom para 
entender o que ele está tentando lhe dizer. Algumas vezes pode precisar bancar o 
detetive para tentar descobrir o que esses “ecos” significam.
A mãe de Luciana descobre 
a importância da espera.
90 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 91
Larissa gosta de assistir a uma história interativa no computador. Sempre que vai 
“mudar de página”, o computador diz “clique na opção desejada”. Quando Larissa 
quer que seus pais liguem a TV, ela também diz “clique na opção desejada”. Embora 
isto faça todo o sentido para ela, deixa seus pais confusos. Mas ao observá-la, 
percebem que ela associa o comando “clique na opção desejada” com fazer algo novo 
aparecer, tanto na tela do computador quanto na tela da TV.
Ao observar e ouvir, os pais de Larissa percebem que ela acha que “clique na opção desejada” 
significa “Faça a tela (qualquer tela) mudar!”
Sabendo que tantas palavras, frases e sentenças de seu filho podem ser empres-
tadas de outras situações, garanta que estas palavras ajudem-no a aprender. Depois 
que os pais ouviram o que Larissa estava dizendo e perceberam qual o motivo, 
tentaram descobrir novos programas de computador com instruções (por exemplo, 
“pressione a tecla” ou “próximo”) que a filha pudesse usar em outras situações.
Quando Você Usa o OEO, a Melhor posição é Face a Face
Se você se posiciona face a face com seu filho, consegue ver o que o está interessan-
do. Colocando-se no mesmo plano do seu filho, torna-se parte do mundo dele.
Sabendo que pode ser difícil para seu filho fazer contato ocular, facilite as coi-
sas para ele. Por exemplo, coloque-o sentado nos seus joelhos, de frente para você; 
se ele estiver brincando no chão, deite-se de barriga para baixo ou de lado, se ele 
estiver de pé, engatinhe ou se agache na sua frente.
Nosso rosto transmite importantes informações sociais que podem ser difíceis 
de entender. Mesmo quando seu filho está participando de uma conversa, pode 
não notar o franzir da testa, o sorriso e os movimentos dos olhos, que dizem tanto 
quanto as palavras. Então, abaixe-se até a altura do seu filho e dê a ele todas as 
oportunidades de ver seu rosto “falar”.
Quando souber o que esperar, seu filho terá um desempenho melhor. Se você 
brincarem frente a frente regularmente, ele passará a esperar e antecipar sua pre-
sença. Se um dia você não estiver, ele pode simplesmente buscá-lo você para brin-
car com ele como você sempre faz.
Quando a mãe fica face a face com Igor, vê que ele está 
brincando com um barbante e pode juntar-se a ele.
A mãe não pode ver o que interessa 
Igor quando está atrás dele.
Deixe-se conduzir pelo seu filho 93
As estratégias dos Quatro “Is” ajudam seu filho a aprimorar suas habilidades de 
comunicação e interação. Você pode usar os Quatro “Is” com seu filho em qualquer 
estágio do desenvolvimento de comunicação: nos estágios de Interesses Próprios, 
Pedidos, Comunicação Básica e Parceria. Três dos Quatro “Is” - inclua os interesses 
do seu filho, imite e intrometa-se – ajudarão a incentivá-lo a participar de ativida-
des e interagir com você. Assim que vocês já estiverem interagindo, a estratégia de 
“interpretar” ajuda a dar informações ao seu filho.
O Primeiro “I”: Inclua os Interesses do seu filho
Perceba o que seu filho está fazendo, e junte-se a ele.
É o que fez a mãe de Igor quando o viu brincando com o barbante. Volte e pense sobre 
Júlio no começo deste capítulo. Durante a brincadeira de “bater a bola com uma colher”, 
sua mãe percebeu que ele estava mais interessado em pôr a colher diante de seus olhos 
do que usá-la para bater na bola. Embora a mãe quisesse que Júlio entrasse em uma 
brincadeira que exigisse a participação dele, sentiu que se o pressionasse para brincar de 
bater na bola, ele se levantaria e iria embora. Decidiu, então deixar a bola de lado.
Karina aproximou-se do filho, e, minutos depois, quando ele baixou a colher, disse 
“Achou!”. Júlio gargalhou e pôs a colher diante de seus olhos de novo. Logo ele come-
çou a dizer “Achou!” depois de Karina. Júlio se escondeu atrás da colher oito vezes, 
antes de se cansar da brincadeira, e manteve contato ocular com sua mãe o tempo todo. 
Olhando para a mãe, Júlio a manteve envolvida para poder continuar brincando.
Note que depois que as mães de Igor e Júlio perceberam o que interessava seus 
filhos, entraram na brincadeira como “parceiras”. Entrar na brincadeira significa 
tornar-se “criança” e fazer tudo o que seu filho está fazendo.
Às vezes, seu filho pode ter interesses limitados e depender de você para que 
novas atividades sejam introduzidas. Apresente um objeto ou atividade tentadores, 
espere que ele o descubra e depois o siga, entrando na brincadeira.
Quando Karina percebe que Júlio não quer brincar com a bola, deixa-se conduzir por ele, 
transformando o interesse dele na colher em uma brincadeira de “Achou!”.
Traga para um espaço compartilhado a coisa 
para a qual seu filho está olhando
Incluir os interesses de seu filho significa que, quando ele estiver interessado em 
algo, você mostra interesse também. Pode fazer isto trazendo o brinquedo ou objeto 
no qual ele está interessado para mais perto de vocês dois. Por exemplo, se o seu 
filho fixa o olhar em uma pedra brilhante e colorida, pegue essa pedra e olhe para 
ela junto com seu filho (mesmo se parecer estranho que ele esteja mais interessado 
em uma pedra ou barbante do que em um brinquedo novinho).
Você também pode compartilhar os interesses de seu filho reparando no que ele 
está olhando e apontando para a pessoa, coisa ou ação e fazendo comentários. Um 
comentário pode ser uma palavra (“bola”) ou uma sentença (“É uma bola grande”) que 
dê ao seu filho informações sobre os interesses dele. Por exemplo, se ele nota um passa-
rinho, você pode apontá-lo e dizer “Olha! Um 
passarinho!”. Você precisa estar perto do 
seu filho e próximo daquilo que está 
apontando, para que ele veja o que 
está fazendo. Se possível, ponha a 
mão dele no objeto, para que sai-
ba exatamente do que você está 
falando. Mais adiante, seu filho 
pode descobrir que você também 
tem coisas bacanas para mostrar 
a ele. Talvez se interesse por coi-
sas que vocêpercebe antes dele.
Use os quatro “Is” para se deixar 
conduzir pelo seu filho
Os quatro “Is”
1. Inclua os interesses do seu filho
2. Interprete
3. Imite
4. Intrometa-se
O pai aponta e nomeia o 
passarinho para Lucas.
94 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 95
O Segundo “I”: Interprete
Trate tudo o que seu filho faz como se ele estivesse enviando 
uma mensagem intencional
Quando trata tudo o que seu filho faz como se ele estivesse intencionalmente en-
viando uma mensagem, você o ajuda a perceber que pode influenciar o que você 
faz. Este tipo de interpretação funciona melhor com crianças nos estágios de In-
teresses Próprios e Pedidos, que não se comunicam diretamente a você de forma 
consistente, mas frequentemente mostram o que querem através de ações.
Por exemplo, se o seu filho pega as chaves do carro, você pode dizer “Chaves. 
Vamos!”. Mesmo que ele não esteja se comunicando diretamente, você está respon-
dendo como se ele estivesse. Se fizer isto repetidas vezes, seu filho poderá fazer a 
associação entre as chaves e o passeio de carro, e finalmente dar-lhe as chaves da 
próxima vez em que tiver vontade de dar uma volta.
Diga ou faça coisas “como ele faria, se pudesse”.
Se o seu filho demonstra interesse em algo ou tenta lhe transmitir uma mensa-
gem, você precisa “interpretar” suas tentativas de comunicação, dizendo ou fa-
zendo “como ele faria, se pudesse”. Quando faz isso, você usa as palavras e ações 
que gostaria que seu filho usasse no futuro, dando a ele um modelo que ele possa 
eventualmente copiar. Um modelo físico demonstra o que pode fazer. Um modelo
verbal mostra o que ele pode dizer. Por exemplo, se ele mostrar interesse em um 
passarinho, aponte (um modelo físico) e diga “passarinho” (um modelo verbal). Para 
chamar atenção para seus modelos, diminua o ritmo antes de demonstrá-los, enfati-
zando ou exagerando suas palavras e ações. Quando você enfatiza um modelo, seu 
filho presta atenção e fica mais provável que o copie.
Interprete para as crianças nos estágios de Interesses Próprios e Pedidos
Seu filho pode estar começando a se comunicar para pedir coisas, puxando sua 
mão ou dando um objeto ou figura em troca do que ele quer. Esses são momentos 
importantes para fornecer-lhe as palavras que “usaria, se pudesse”. Nomeie o objeto, 
pessoa ou atividade que ele está pedindo. Evite usar palavras como “isso” e “coisa”, 
porque essas palavras não são tão específicas quanto “biscoito” e “livros”.
Os nomes que você dá às coisas também ajudam seu filho a entender o signi-
ficado das palavras; então os use sempre para fazer comentários sobre coisas que 
o interessam.
Quando está interpretando para Caio, a mãe fala “curto e gostoso”, 
para que ele possa vir a pedir pizza de forma independente.
A mãe de Eugênio age como se ele estivesse 
pedindo para dar uma volta de carro.
Então, um dia, ele de fato dá as chaves 
do carro a ela para pedir o passeio.
Você também pode interpretar e responder às palavras de seu filho, tratando 
tudo o que ele disser como se estivesse falando com você. Por exemplo, se ouvir seu 
filho dizer “mama” na hora em que estiver brincando no quarto ao lado, pode ir até 
lá e dizer “A mamãe está aqui”, como se ele realmente estivesse chamando você.
96 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 97
Pode ser que as primeiras palavras do seu filho sejam bobas e sem sentido, fáceis de 
pronunciar e divertidas de dizer, como “opa” ou “eca!”. Você pode usar essas pala-
vras DIVERTIDAS quando estiver interpretando. (Veja o capítulo 6, página 201 para 
uma lista de palavras DIVERTIDAS).
Exagere seus modelos e tenha pa-
drões consistentes nas inflexões e ento-
nações que você usa para enfatizar os 
modelos. A crescente associação que seu 
filho faz entre palavras ou frases espe-
cíficas e sua entonação o ajudará a se 
lembrar delas. É provável que, antes de 
repetir o que você diz, ele repita como
você diz, imitando sua entonação, mas 
não pronunciando realmente as pala-
vras. Não se surpreenda se ele, quando 
começar a falar, usar suas palavras e seu 
padrão de entonação. Se o seu filho se 
interessa por música, você pode até can-
tar algumas palavras para ele!
“Ops” é uma palavra DIVERTIDA, mais fácil e 
mais legal para Renato dizer do que “O garfo caiu”.
Lucas aprende a dizer “oi” do mesmo jeito cantado do seu pai.
Interprete para a criança que está no estágio de Comunicação Básica
Se o seu filho ainda não começou a falar, mas envia mensagens intencionais com 
gestos ou figuras, você deve dar um modelo verbal de uma só palavra imediatamen-
te depois que ele fizer um gesto ou der uma figura.
Se, contudo, seu filho, como tantas outras crianças neste estágio, começar a 
falar repetindo frases e sentenças, é importante que seus modelos verbais conte-
nham palavras que ele possa “pescar” e usar depois. Ao fornecer modelos de pala-
vras, você dá ao seu filho um roteiro para memorizar e usar no futuro. Depois de 
aprender o que dizer em uma situação, ele pode conseguir aplicar essa fala a outra 
situação. Quando, por fim, ele se tornar um comunicador mais capaz, vai se apoiar 
menos no roteiro e mais em suas próprias idéias.
No começo, André aprende o que dizer de forma 
mecânica, repetindo o que seu pai diz.
Depois, André mostra que entendeu as palavras, 
usando-as em uma situação similar.
Seu filho tende a lembrar-se e repetir a última coisa que ouve. Então, enfatize 
palavras importantes, colocando-as no final da frase. Por exemplo, se você quer que 
ele aprenda a palavra “abre”, diga “a porta, abre” em vez de “abre a porta”.
Diga do jeito dele!
Se o seu filho vai se expressar imitando exatamente o que você disser, é importante 
fornecer um modelo verbal do ponto de vista dele. Se você diz “Quer beber água?”, 
ele pode entender exatamente o que você está perguntando, mesmo que não entenda 
98 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 99
o que cada palavra significa. Por causa da tendência à ecolalia, pode repetir sua 
pergunta em vez de dar uma resposta adequada. Se você quiser que seu filho apren-
da a dizer coisas de uma forma mais apropriada, você deve dizer “como ele diria, 
se pudesse”! Em vez de perguntar da forma costumeira, assuma a perspectiva da 
criança e diga “Eu quero água”. Para mostrar-lhe quem é o “eu”, ajude-o a tocar o 
peito com a própria mão.
Pode ser estranho falar com seu filho dessa maneira, mas é importante apro-
veitar-se da sua habilidade de imitar o que você diz, para que possa começar a usar 
as palavras com significado. Embora você não possa dizer tudo do jeito dele, tente 
fazê-lo toda vez que ele estiver motivado a falar, principalmente quando quiser algo 
de você, mas não sabe como pedir.
Lembre-se de desacelerar antes de falar e enfatizar o que diz, chamando a 
atenção de seu filho para o modelo. Quando você destaca o que diz, a chance de 
que ele repita é maior.
Se o seu filho imita prontamente, você precisa simplesmente enfatizar o modelo, 
fazer uma expressão de expectativa e, quem sabe, tocar o peito ou o ombro dele para 
mostrar que é a vez dele falar. Por outro lado, se ele não tende a copiar, você pode 
precisar solicitar que use o seu modelo, com a instrução “Diga: ‘eu quero água’”. Se 
o seu filho entende o significado das palavras “diga”, “fale”, ou de outras instruções, 
não vai incluí-las quando repetir o modelo. Contudo, para crianças que tendem a 
copiar tudo o que você diz, 
independente do significa-
do, essas instruções serão 
percebidas como parte do 
modelo. Você pode tentar 
ajudar seu filho a distinguir 
o modelo das instruções, 
usando diversas técnicas 
discutidas no próximo ca-
pítulo (veja o Capítulo 4, 
páginas 117-118). Se você 
perceber que ele repete 
suas instruções, atenha-se 
apenas ao modelo.
Para dizer ao pai que quer um 
copo de água, Lucas repete a 
pergunta do pai exatamente 
como ouve.
Mais tarde, ele usa a 
sentença memorizada 
para pedir para o paium copo de água.
Quando o pai diz “como o 
filho diria, se ele pudesse”, 
Lucas tem um modelo mais 
apropriado para copiar.
100 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 101
Use Frases-Suporte ou de Apoio* em seus modelos verbais para que seu filho apren-
da algumas frases-chaves, úteis em diversas situações.
De uma palavra, para duas palavras, para três
Nem todas as crianças que estão no estágio de Comunicação Básica aprendem a 
falar através da repetição de trechos inteiros do que ouvem. Algumas adquirem, 
primeiro, um vocabulário com nomes de coisas, geralmente de comidas ou brin-
quedos que mais gostam, e depois progridem para combinar esses nomes com 
palavras que designem ação (verbos). Por exemplo, podem primeiro dizer “suco” 
para pedir para beber algo, e depois dizer “Quer suco”. Quando você interpretar 
para uma criança que diz palavras isoladas, ajude-a a progredir de uma palavra 
para duas palavras. Primeiro, repita o que ele disser, e depois diga “como ele 
diria se pudesse”, usando um modelo de duas palavras, sendo uma a palavra que 
ele disse e a outra uma palavra que designa uma ação. Por exemplo, se a criança 
trouxer uma fita de vídeo e disser “vídeo”, repita “vídeo” e adicione “assistir 
vídeo” ou “quer vídeo”. Para chamar a atenção da criança para a nova palavra, 
fale devagar e enfatize-a. 
Repetir o que a criança diz e adicionar um verbo não é a única forma de 
ajudar seu filho a começar a fazer combinações de duas palavras. Você também 
pode combinar nomes de coisas com palavras que designam lugar ou palavras 
descritivas. Você só tem que imaginar o que seu filho diria se pudesse, e depois 
usar a estratégia de “repetir e adicionar” para ajudá-la a progredir de frases de 
duas palavras para frases de três palavras. A seguir, uma lista para começar.
COMBINAÇÕES DE DUAS PALAVRAS Exemplos
Pessoa/objeto + ação “Mamãe empurra”, “carro vai”
Ação + pessoa/objeto “Ler livro”, “quer biscoito”
Pessoa/objeto + localização “Cachorro fora”, “sapato no pé”
Ação + lugar/objeto “Por (colocar) dentro”, “pular em cima”
Descrição + pessoa/objeto “Mais suco”, “bola grande”
COMBINAÇÕES DE TRÊS PALAVRAS Exemplos
Agente (pessoa/coisa) +palavra-ação + objeto “Eu quero suco”
Agente + palavra-ação + objeto “Mamãe beija o bebê”
Ação + objeto + lugar “Põe o copo na mesa”
Ação + descrição + objeto “Quero mais suco”
Interpretação para o Parceiro
Você vai precisar menos da estratégia de “interpretação” com a criança que está no 
estágio de Parceria, porque ela está começando a fazer suas próprias sentenças. Sim, 
ainda é importante modelar palavras e frases que você quer que seu filho aprenda. Tam-
bém pode dizer “como ele diria se 
pudesse” para dar a informação que 
ele precisa para corrigir alguns erros. 
Se ouvir seu filho cometer um erro, 
apresente imediatamente o modelo 
verbal correto, e exagere a correção 
para que ele perceba a mudança.
Janaína pode corrigir o próprio erro 
se a mãe interpretar para ela.
Como modelar pronomes
Comunicadores Básicos e Parceiros, que dependem de “pescar” e reutilizar palavras 
que ouvem, podem se beneficiar não só dos seus modelos de pronomes, mas tam-
bém dos modelos de outras pessoas. Observar e ouvir membros da família falando 
entre si usando “eu”, “mim” e “você” durante uma conversa, dá modelos verbais 
dessas palavras para o seu filho.
* N.T.: A frase de apoio ajuda uma criança que não tem capacidade lingüística de montar es-
pontaneamente uma frase. Para a criança que diz apenas “bolacha” para pedir bolacha – a 
frase de apoio seria “Eu quero....”. O que a criança tem que fazer é terminá-la: “Eu quero... 
bolacha”. Depois de ouvir muitas vezes “Eu quero bolacha” a criança passará a usá-la inteira.
O QUE SÃO FRASES-SUPORTE OU DE APOIO?
Frases-suporte consistem de palavras que aparecem juntas freqüentemente e são usadas em 
bloco. Exemplos de frases-suporte apropriadas para todas as crianças são:
“Eu quero...”, “Eu gosto...”, “Eu tenho...”, “Estou vendo...”,
“Eu vou...”, “Me dá...”, “Quero mais...”, “O que é isto?”
102 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 103
Comunicadores Básicos e Parceiros 
entendem pronomes melhor do que você 
pode imaginar. Eles frequentemente per-
cebem a quem a palavra “você” se refere, 
mesmo que não sejam capazes de usar 
“você” corretamente em uma sentença. 
Essas crianças precisam de dois tipos de 
modelos de pronomes: um que modele 
como elas usariam pronomes se pudes-
sem, e outro que demonstre como prono-
mes são usados naturalmente no meio de 
uma conversa. (Veja o Capítulo 6, página 
206, para ler mais sobre como ajudar seu 
filho a entender e usar pronomes).
O terceiro “I”: imite
Deixe seu filho liderar; imite suas ações e sons. 
A imitação pode ajudar seu filho a se envolver em interações de mão dupla, com 
chances para vocês copiarem um ao outro.
Seu filho pode prestar atenção em você se você bater em um bloco logo depois que 
ele fizer o mesmo, se pular depois que ele pular, ou se emitir os mesmos sons que ele, logo 
em seguida Você pode até tentar copiar alguns dos comportamentos sensoriais dele, tais 
como girar em torno de si mesmo ou sacudir as mãos (flapping). A criança pode se sentir 
bem poderosa quando perceber que está conduzindo e você está seguindo. Se imitar as 
ações e sons do seu filho, ele pode começar reagir imitando-o também. Nessa hora, você 
pode adicionar algo novo para ele duplicar. Esta brincadeira de imitação é muito impor-
tante – seu filho pode aprender muito observando o que você faz.
Na hora do almoço, Marcelo bate na 
mesa com a colher. O pai deixa-se 
conduzir, batendo sua colher na 
mesa também. Isto 
chama a atenção de 
Marcelo! Depois de 
bater a colher de novo, 
Marcelo olha para o 
pai, como se dissesse 
“É sua vez, papai”.
Caso seu filho não se interesse por brincadeiras de imitação, você pode ensiná-lo a 
imitar. Comece mostrando uma ação, e depois, se ele não imitar você, ajude-o fisicamente 
a fazê-lo. Quando conseguir, recompense-o com um elogio, abraços ou o doce preferido. 
Comece fazendo-o imitar ações com brinquedos, como, por exemplo, empurrar um car-
rinho no chão. Depois, progrida, fazendo-o copiar ações sem brinquedos (por exemplo, 
“toque o nariz”), e depois copiar alguns sons, como sons de animais.
O quarto “I”: intrometa-se
Insista em participar do que seu filho está fazendo, mesmo que ele 
não o receba bem no início
Nem sempre é fácil brincar com uma criança relutante em interagir com você ou que gos-
ta de fazer coisas repetitivas sozinha. Mas lembre-se de que ela não está fazendo isso por-
que não quer incluir você. Ela simplesmente não sabe como fazê-lo. Em vez de desanimar, 
procure oportunidades para se “infiltrar” no que seu filho estiver fazendo. Por exemplo: 
sente-se ao lado enquanto ele age como se não quisesse você por perto, ou bloqueie o 
caminho quando ele estiver correndo. Abaixe-se ao lado dele e brinque com brinquedos 
similares! Não se preocupe se ele não parecer feliz no começo. Uma hora ele aprenderá 
que é mais divertido brincar com você do que brincar sozinho. Lembre que seu filho 
ainda precisa ouvir modelos de palavras que possa dizer. Quando você se intrometer 
no que ele está fazendo, também vai precisar interpretar. 
Álvaro gosta de correr de um lado para o 
outro. Seu pai tenta seguir as suas ações 
correndo junto, mas Álvaro parece nem 
perceber. Então, o pai bloqueia seu caminho 
e diz “Parado!”. O menino não gosta, e tenta 
evitar o pai tentando dar a volta, mas o pai 
vai junto. Álvaro se vê forçado a empurrar 
o pai para que saia do seu caminho. Saindo 
da frente, o pai diz “Sai!”, deixando que 
Álvaro volte a correr. Depois que isto 
acontece algumas vezes, Álvaro começa a 
esperar o “bloqueio” e ri quando o pai entra 
na sua frente. Três semanas depois, quando 
Álvaro está correndo pela sala, procura pelo 
pai. Assim que o pai pula na sua frente, 
Álvaro diz, pela primeira vez “Sai!” parafazer seu pai sair da frente.
Os pais modelam a maneira 
como Fábio pode usar pronomes 
na mesa de jantar.
Marcelo fica entusiasmado quando seu pai o imita.
Ao criar um “bloqueio na estrada”, o pai de Álvaro 
transforma a correria em uma brincadeira interativa e 
dá ao filho a chance de aprender uma nova palavra.
104 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 105
Geralmente, há mais de uma forma de se intrometer no que seu filho está fazendo. Tal-
vez tenha que tentar algumas coisas diferentes antes que você e seu filho interajam. 
Pode ser que, como o Álvaro, que corre pra lá e pra cá o tempo todo, seu filho 
faça coisas que não parecem produtivas. É provável que esse comportamento esteja 
satisfazendo necessidades sensoriais. Por exemplo, pode ser que seu filho goste de 
jogar coisas no chão e vê-las cair. Ou pode alinhar objetos, como carros de brinque-
do ou livros, porque gosta de ver a fila de objetos.
Vamos apresentar algumas idéias de como se intrometer nessas atividades repeti-
tivas e solitárias, transformando-as em interações positivas entre você e seu filho.
A estratégia do guardador
Se seu filho gosta de jogar coisas (por exemplo, blocos) no chão, aja como se ele 
estivesse intencionalmente iniciando uma brincadeira. Ponha uma cesta ou caixa 
no chão para recolher os objetos, e diga: “Na caixa. Blocos na caixa.” Depois, para 
participar da atividade de jogar blocos no chão, torne-se o “guardador” dos blocos. 
Junte todos os blocos assim que seu filho tiver jogado no chão, e ofereça um para 
ele. Interprete no nível do seu filho: se ele estiver no estágio de Interesses Próprios 
ou de Pedidos, diga “bloco”. Se ele estiver no estágio de Comunicação Básica e for 
capaz de repetir o que você diz, diga “Eu quero um bloco”. Uma criança no estágio 
de Parceria provavelmente vai descobrir sozinha uma forma de dizer que quer um 
bloco. Dê o bloco ao seu filho. Depois que ele jogar o bloco no chão, dê-lhe outro, 
junto com o modelo verbal apropriado. Assim que você estabelecer um padrão, 
espere alguns segundos antes de dar mais um bloco. Isto vai dar tempo para seu 
filho tentar alcançar o bloco, fazer um som, repetir seu modelo verbal ou usar as 
palavras dele para pedir o bloco.
Lembre-se que seu fi-
lho pode não ficar muito 
feliz com suas intromissões, 
mas com um pouco de per-
sistência divertida da sua 
parte, atividades solitárias 
podem se transformar em 
brincadeiras interativas.
Se o seu filho gosta de enfileirar objetos, você pode usar a estratégia do 
“guardador”, a mesma que usaria com uma criança que gosta de jogar coisas 
no chão. Junte todos os objetos que seu filho enfileira (carros de brinquedo, 
letras do alfabeto, blocos, etc.) e dê-lhe os objetos um por um, até que aprenda 
que você é parte da brincadeira. Quando você é o “guardador” dos objetos que 
seu filho quer, ele tem que incluir você naquilo que está fazendo.
O pai segura o último carrinho 
que Caio precisa para terminar 
a fileira, de forma que o filho 
tenha que interagir com ele 
para obter o carrinho.
 Coloque você também 
um objeto, para ajudar 
seu filho a fazer uma 
fila. Deslize um carrinho 
até a fila naturalmente e 
diga algo como 
“Mais um carrinho”.
Depois que seu filho permitir sua participação, introduza uma variação, por 
exemplo, colocando um brinquedo diferente na fileira ou colocando o mesmo tipo 
de brinquedo, mas de uma forma diferente (por exemplo, de cabeça para baixo, ou 
de lado). Ele pode não gostar da mudança, mas quando gritar ou chorar, lembre-se, 
isto é comunicação! Se persistir 
de uma forma gentil e divertida, 
a nova rotina de brincadeira de 
seu filho logo incluirá você.
Caio deixa bem claro como se sente 
quando seu pai tenta colocar uma 
peça de Lego na fila de carrinhos.Quando insiste em recolher as pecinhas na cesta, esta mãe transforma o ato 
repetitivo da filha de jogar blocos no chão em uma brincadeira interativa
106 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 107
Escondendo e Procurando
 Tire um dos objetos da fila e esconda-o na sua manga, no seu bolso ou em-
baixo da sua camisa. É praticamente certo que seu filho vai interagir com você 
(porém, pode ser que ele goste tanto da brincadeira de “esconder”, que comece a 
procurar nas mangas e bolsos de todo mundo!).
 Esconda os objetos que seu filho gosta de enfileirar, e depois a ajude a procu-
rá-los. Para facilitar que a busca seja bem sucedida, deixe os objetos parcialmen-
te visíveis onde quer que você os esconda, seja embaixo do sofá, atrás da porta 
ou em cima da mesa.
Quando estiver procurando, use palavras ou frases que sejam apropriadas para 
o estágio de comunicação de seu filho: uma palavra simples se ele estiver no estágio 
de Interesses Próprios ou de Pedidos (“Carrinho!”); uma ou duas palavras ou uma 
sentença que contenha uma frase-suporte para um Comunicador Básico (“Estou
vendo um carrinho”); ou uma sentença que inclua uma palavra nova ou conceito 
novo (“Vamos procurar embaixo da cadeira”!) para uma criança Parceira.
Entre na frente
 Entre na frente de seu filho, de forma que ele tenha que dizer ou fazer alguma 
coisa para pedir para você sair. É exatamente o que o pai faz quando bloqueia 
o caminho de Álvaro, tornando impossível para o filho não interagir com ele, se 
quiser continuar correndo.
Descubra outras oportunidades para 
barrar o caminho do seu filho. Se ele tentar 
pegar o brinquedo que mais gosta, coloque-
se parado na frente da prateleira. Interpre-
te para seu filho, quando ele empurrar para 
tirá-lo do caminho, dizendo alguma coisa 
do tipo “Sai!”. Pare na frente de portas, de 
escadas ou mesmo na frente da TV. Se você 
estiver impedindo seu filho de fazer algo que 
ele quer, ele terá que mostrar o que quer.
Se Álvaro quiser passar, tem que dizer para o pai 
sair da frente.
Entre na brincadeira
 Quando seu filho estiver brincando sozinho com um brinquedo, pegue um 
brinquedo parecido e insista em entrar na brincadeira. Por exemplo, faça seu 
carrinho bater no carrinho dele e diga algo como “Bateu!” ou “Ai, não!”. Faça 
o seu dinossauro comer o dinossauro dele, criando animação com grunhidos 
de dinossauro e dizendo “Te peguei!” para crianças nos estágios de Interesses 
Próprios, de Pedidos ou de Comunicação Básica, ou “Grr”! “Estou comendo um 
tricerátopes” para o Parceiro que sabe os nomes dos dinossauros dele.
Léo gosta de brincar sozinho 
com dinossauros, até que 
a mãe insiste em fazer 
parte da brincadeira. Então, 
ele descobre uma nova 
brincadeira, que só tem 
graça quando envolve duas 
pessoas.
O pai esconde os carrinhos; assim, 
quando Caio quiser enfileirar 
carrinhos, terá que procurá-los junto 
com seu pai, primeiro.
108 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 109
Luana gosta de ficar sentada sozinha no sofá, até que a mãe 
se intromete com a brincadeira de “amassar”.
 Se o seu filho sempre quer ficar sentado sozinho, tente sentar bem perto dele 
e “amassá-lo” de forma divertida. Para a criança no estágio de Interesses Pró-
prios, de Pedidos ou de Comunicação Básica, diga algo como “Amassa”, “Empur-
ra” ou “Ops! Mamãe em cima da Luana”. Para a criança no estágio de Parceria, 
diga algo como “Vamos brincar de amassar”. Se ele virar de costas para você ou 
sair de perto quando se aproximar, será fácil de supor que isto significa “Não 
perturbe!”. Mas se você desistir, não vai estabelecer uma conexão. Então, persista 
(sempre de forma divertida!) em compartilhar o espaço com ele.
Intrometa-se para ter uma conversa
 Se o seu filho está no estágio de Parceria, intrometer-se pode significar mais 
do que simplesmente se envolver no que ele estiver fazendo. Pode ser que você 
não precise se intrometer com tanta freqüência para estabelecer uma conexão 
com seu filho ou para fazê-la perceber você. Em vez disso, você pode usar a téc-
nica da “intromissão” para ajudar seu filho a participar de uma conversa.
Se o seu filho faz a mesma perguntarepetidas vezes, ou insiste em manter a con-
versa no mesmo assunto, nem sempre é a melhor idéia deixá-lo conduzir. Se você 
deixar que continue falando sempre sobre as coisas que ele quer, não vai aprender 
a participar de uma conversa.
Jonas adora listar todos os pontos de ônibus que conhece. Às vezes, o pai dele tenta 
deixá-lo conduzir e tenta incluir os interesses de Jonas nas conversas deles. Contudo, o 
pai quer que Jonas fale sobre outras coisas, e não só sobre ônibus. Olhe como o pai de 
Jonas se intromete para ajudar o filho a sair do seu assunto preferido.
Como se intrometer quando seu filho sai do assunto 
ou insiste no assunto dele:
 Reintroduza o primeiro assunto ou introduza um assunto novo. Avise a criança 
que haverá uma mudança na conversa (por exemplo: “Mais uma coisa sobre... e 
depois vamos conversar sobre...”).
 Fale novamente o que já foi dito antes que seu filho mude de assunto.
 Para conduzir seu filho de volta para o assunto, repita parte do que foi dito e 
deixe-o completar o resto (por exemplo: “Estávamos falando sobre a escola. Pri-
meiro, você desenhou. Depois você brincou com...)
 Certifique-se que seu filho está entendendo você. Se ele mudou para um assunto fa-
miliar porque a conversa o está confundindo, tente simplificar sua fala. Transforme 
uma pergunta difícil numa afirmação. Depois faça uma pergunta mais fácil.
Para ajudar Jonas a mudar de assunto, seu 
pai introduz um novo tema na conversa. 
Situações em que você não deve deixar seu filho conduzir
Nem sempre é apropriado ou bom para o seu filho deixar que ele conduza a situa-
ção. Ele ainda precisa aprender muitas coisas com você, e uma dessas coisas é como 
se comportar. A decisão de quando deixar e quando não deixar seu filho conduzir 
a situação dependerá muitas vezes do seu bom senso.
Foi sugerido que você tente transformar um comportamento repetitivo e im-
produtivo em uma brincadeira interativa. Mas se as ações do seu filho resultarem 
da frustração ou irritação, você precisa mostrar a ele outras formas de lidar com 
estes sentimentos. Por exemplo, se ele está jogando blocos porque está bravo ou 
para dizer que não quer brincar com blocos, não tente transformar isto em brinca-
deira, pois estará reforçando esse comportamento. Em vez disso, mostre à criança 
que não vai aceitar o que está fazendo, dizendo “jogar não” (não jogar os blocos no 
chão) ou “pára” de forma firme e clara para fazê-la parar de jogar os blocos. Assim 
que o comportamento parar, faça seu filho recolher os brinquedos jogados no chão, 
dizendo algo como “Pega! Pega!”.
Certas necessidades sensoriais de algumas crianças são tão fortes que podem ser 
difíceis de satisfazer. Por exemplo, uma brincadeira interativa de pega-pega pode 
não ser suficiente para a criança que precisa de movimento. Para esta criança, você 
precisa encontrar outras formas de provocar as sensações que ele precisa, usando, 
por exemplo, uma mini cama elástica ou um balanço. Uma terapeuta ocupacional 
que tenha conhecimento na área de questões sensoriais pode ajudá-la a decidir que 
estímulos sensoriais seu filho precisa e como proporcioná-los.
Resumo
Quando você usa o OEO – observar, esperar e ouvir o que seu filho faz e diz - des-
cobre exatamente quais são os interesses dele. Depois, você pode deixar-se conduzir 
por seu filho, entrando na atividade e incluindo os interesses dele nas interações 
entre vocês. Ele pode oferecer resistência à sua participação. Nessa hora, você deve 
gentilmente se intrometer no mundo dele. Outra forma de conseguir iniciar uma 
interação é imitar seu filho, copiando suas ações e sons. Sempre que sentir que seu 
filho se comunicaria “se pudesse”, interprete, para lhe dar as informações que pre-
cisa, dizendo as palavras sob o ponto de vista dele.
110 Capítulo 3
Participem juntos
Se você deixar-se conduzir pelo seu filho, como sugerido no Capítulo 3, pode perce-
ber que vocês respondem um ao outro de muitas maneiras. Quando faz cócegas nele, 
por exemplo, ele pode olhar para você, mostrando que está se divertindo. Se parar de 
fazer cócegas por um momento, seu filho pode puxar suas mãos na direção dele para 
conseguir que você continue. Nessa situação e outras parecidas, os dois participam.
Neste livro, a palavra “participar” descreve qualquer coisa que duas pessoas 
fazem – olhar uma para outra, gesticular, produzir sons ou dizer palavras – para 
mostrar uma para a outra que estão fazendo parte da interação.
4
112 Capítulo 4 Participem juntos 113
Neste capítulo, você descobrirá como prolongar as interações com seu filho 
usando dicas que avisem que é a vez dele dizer ou fazer alguma coisa. À medida que 
as interações com seu filho tornarem-se mais longas, elas vão começar a parecer 
uma conversa.
Conversa é um diálogo onde cada pessoa participa no momento certo, envian-
do mensagens de ida e de volta. Você pode ter uma conversa com palavras, mas 
há outros tipos de conversas. Por exemplo, em uma brincadeira de “Achou”, você 
participa primeiro quando cobre seu filho com um lençol. Quando ele tira o lençol, 
ele participa. Então você diz “Achou!” (sua participação) e seu filho ri (participação 
dele). Você e seu filho alternam-se participando, tal como duas pessoas que se alter-
nam em uma conversa. Agora o desafio é fazer com que esse “jogo” dure o máximo 
possível, garantindo que as participações continuem!
Regras de Conversação
Para se envolver em uma conversa simples sem palavras, como a brincadeira de 
“Achou”, seu filho precisa entender algumas das regras de conversação. Nas con-
versas verbais, seguir as regras fica ainda mais importante.
Há muitas regras e mesmo adultos têm dificuldade de seguir a todas elas. Imagine 
como é difícil para seu filho aprendê-las! Ele vai precisar da sua orientação e ajuda 
para aprender como ter conversas gratificantes para vocês dois.
Essa brincadeira de “Achou!” é uma conversa sem muitas palavras.
Ajude seu filho a aprender as regras de conversação abaixo:
Preste atenção na pessoa com quem você está interagindo
Inicie conversas.
Responda quando outros começarem conversas.
Participe no momento certo.
Dê uma chance para a outra pessoa participar.
Continue participando, mantendo o assunto.
Leve em consideração as palavras da outra pessoa, sua linguagem corporal e ponto de vista.
Esclareça ou “diga de outra maneira” quando seu interlocutor não entender.
Peça esclarecimentos para a outra pessoa quando precisar.
Mude de assunto quando for apropriado.
Termine a conversa de maneira adequada
Jonas precisa de ajuda 
para mudar de assunto 
quando conversa.
Seu filho pode ter dificuldade em saber quando e como participar da conversa. 
A melhor maneira de ajudá-lo é usando dicas, ajudas que avisam quando participar 
e algumas vezes mostram como participar. Há dois tipos de dicas:
 Dicas explícitas, que mostram para o seu filho o que ele deve fazer e deixam 
pouco espaço para que faça alguma coisa errada. Quando dá dicas explícitas, 
você faz toda ou parte do papel do seu filho. Por exemplo, em uma brincadeira 
de “Bate palminhas” (ver página 312, Capítulo 9), seu filho pode não saber o que 
fazer. Quando você guia suas mãos para ajudá-lo a bater palmas, usa uma dica 
explícita chamada ajuda física. Além da ajuda física, outras ‘dicas explícitas 
nas quais você faz toda a parte do seu filho incluem modelos físicos e verbais e 
instruções faladas. Dicas nas quais você só faz parte do papel do seu filho, tais 
como modelos parciais, são as dicas explícitas menos explícitas.
Dicas naturais não mostram para seu filho o que fazer. Elas simplesmente 
indicam ou insinuam o que fazer. Por exemplo, quando seu filho ficar mais 
familiarizado com as palmas na brincadeira de “Bate palminhas”, você pode 
diminuir o ritmo, parar, e olhar como quem espera, indicando quando ele deve 
bater palmas. Dicas naturais também incluem dicas visuais, perguntas, pistas,
instruções sobre o que fazer e comentários.Você é o melhor juiz para deci-
dir os tipos de dicas mais apro-
priados para seu filho. Prova-
velmente começará dando dicas 
mais explícitas e gradualmente 
caminhará para as mais naturais. 
Em última análise, as dicas mais 
naturais não precisam ser elimi-
nadas nunca. Nós as usamos nas 
conversas o tempo todo. 
Ajuda física
Quando estiver aprendendo alguns movimentos em brincadeiras e canções ou como 
participar de atividades, seu filho pode precisar de uma delicada assistência física. Se 
ele não souber o que fazer por conta própria, tente mostrar-lhe exatamente o que fazer, 
conduzindo seus movimentos fisicamente. Ajuda física pode auxiliar seu filho a execu-
tar gestos ou movimentos específicos e é útil por que mostra ao seu filho exatamente 
como fazer as coisas, sem permitir que cometa erros. Ele aprende a maneira certa de 
fazer algo da primeira vez que tenta. Você deve tomar cuidado, no entanto, para não 
usar a ajuda física em excesso, porque seu filho pode ficar acostumado a sempre preci-
sar da sua ajuda.
Os pais nas ilustrações a seguir estão dando ajuda física para que seus filhos 
possam participar.
Dê Dicas para ajudar seu
filho a participar
Esperar e olhar como quem espera são 
dicas naturais que usamos o tempo todo!
Use dicas explícitas
Use ajuda física para ensinar seu filho a lhe entregar 
uma figura em troca de algo que ele quer.
A mãe de Rafael guia as mãos do 
filho para bater palmas para que 
ele possa participar da canção.
116 Capítulo 4 Participem juntos 117
Você pode também usar uma dica física para conseguir a atenção do seu filho. 
Tocar as costas, peito, braços, ombros ou rosto, ao mesmo tempo em que diz seu 
nome, é uma boa maneira de conseguir que ele note alguma coisa, inclusive você!
Lembre-se que um mo-
delo vai incentivar seu filho a 
fazer ou dizer alguma coisa so-
mente se ele estiver prestando 
atenção. Chame atenção para 
os seus modelos diminuindo 
o ritmo antes de executá-los e 
então os enfatize. Para enco-
rajar seu filho a participar por 
conta própria, tente ir retiran-
do aos poucos seus modelos ou 
trocá-los por dicas menos ex-
plícitas (completar frases, por 
exemplo) assim que possível.
Instruções de fala
Além dos modelos verbais, você pode incluir uma instrução falada, como “Diga...” 
ou “Fale...” Esta dica é útil em algumas ocasiões, particularmente em situações so-
ciais, onde você instrui seu filho sobre o que dizer exatamente para outra criança 
ou adulto. Por exemplo, se o seu filho não souber como começar uma conversa com 
um amigo, você pode dizer-lhe exatamente quais palavras usar.
Para ajudar João a 
começar a brincar 
com Laila, sua mãe 
lhe diz exatamente 
o que dizer.
Álvaro se afasta do escorregador depois 
de uma descida, então seu pai o conduz 
fisicamente de volta à escada.
Modelos verbais e físicos
Quando apresenta um modelo para seu filho, você o incentiva a copiar suas pa-
lavras ou ações, além de mostrar-lhe o que espera que ele faça ou diga por conta 
própria. Faça a parte dele até que ele saiba o que fazer sozinho. Os modelos podem 
ser físicos ou verbais.
Um modelo físico mostra uma ação ao seu filho. Sempre que demonstrar mo-
vimentos, seja para acompanhar canções ou virar uma página de livro, você dá ao 
seu filho um modelo para copiar e aprender. Ao mesmo tempo em que ensina ao seu 
filho o que fazer, descreva o que está fazendo em sentenças simples e curtas.
Um modelo verbal proporciona ao seu filho ouvir palavras, frases ou sentenças 
que pode repetir em seguida ou dizer por conta própria mais tarde. Ele se beneficia 
não só dos seus modelos verbais, mas dos vindos de outras pessoas, também. Por 
exemplo, se o seu filho tem dificuldade com pronomes como “eu”, “me”, “mim”, 
e “você”, olhar e ouvir outras pessoas usando essas palavras é uma das melhores 
maneiras dele aprender a usá-las por conta própria. Adapte o modelo ao estágio de 
comunicação do seu filho. (Para saber mais sobre modelos verbais, veja o Capítulo 
3, páginas 95-101).
O pai tenta conseguir a 
atenção de Renata dando 
tapinhas no seu ombro.
Observando e ouvindo outras pessoas, 
Fábio aprende como usar 
aqueles pronomes bem complicados.
118 Capítulo 4 Participem juntos 119
Há alguns problemas, no entan-
to, com o uso freqüente de instru-
ções faladas. Primeiro, as instruções 
interrompem o fluxo natural da con-
versa. Além disso, muitas crianças 
ecolálicas tendem a repetir tudo o 
que ouviram, inclusive as instruções. 
Se o seu filho não consegue enten-
der onde terminam as instruções e 
começa o modelo, tente evitar com-
pletamente o uso de instruções fala-
das. Em vez disso, continue a dar o 
modelo que você quer que a criança 
copie e, então, espere que ela copie.
Se o seu filho não entende suas instruções, 
provavelmente vai repeti-las.
Se você já está acostumado a 
usar instruções faladas, seguem duas 
sugestões para evitar que seu filho 
repita as instruções junto com o mo-
delo. Tente dizer “Diga” ou “Fale” em 
um tom monótono e então enfatize 
e anime o modelo que você gostaria 
que ele repetisse. Você também pode 
tentar sussurrar as instruções no ou-
vido do seu filho e, então, tocar seu 
ombro e lhe dar o modelo no seu tom 
de voz normal.
Modelos parciais
Quando você usa um modelo parcial, você começa a fazer ou dizer alguma coisa 
pelo seu filho e então deixa que ele termine o modelo sozinho. Em modelos parciais, 
você faz parcialmente pelo seu filho a participação dele; depois, mostra que está 
esperando que ele faça a parte dele.
Use um modelo parcial para incentivar seu filho a agir de determinada maneira:
Comece a agir e espere que seu filho complete a ação em você ou nele mesmo
Antes de completar a última palavra, a mãe 
de Lucas traz seu próprio dedo até metade 
do caminho para o nariz e espera que o filho 
complete tocando o seu nariz por ele.
Use um modelo parcial, chamado com-
pletar frases, para incentivar seu filho 
a dizer alguma coisa.
Diga a primeira parte de uma palavra, frase ou sentença e espere que seu
filho a complete. Completar frases pode ser um estágio de transição que seu filho 
passa, antes de aprender a responder perguntas. Antes que possa dar respostas a 
perguntas totalmente por conta própria, ele precisa da sua ajuda pra começar.
Em vez de dar instruções faladas, 
dê-lhe um modelo do que falar.
Essa mãe diz a primeira parte de uma palavra 
e então espera que a filha diga o resto.
O pai diz a primeira parte da resposta e então 
espera que Lucas complete a frase.
120 Capítulo 4
Se o seu filho responde perguntas facilmente, você poderá usar menos modelos 
parciais para ajudá-lo a participar. No entanto, quando ele não consegue responder 
a uma pergunta, tente fazer a pergunta mais fácil, usando “completar frases”. A mãe 
de Caio faz exatamente isso.
Dicas Visuais
Dicas visuais podem ser extremamente úteis para crianças que apresentam dificul-
dade em entender o que ouvem. Além de ajudarem a criança a entender o mundo à 
sua volta, as dicas visuais agem como lembretes constantes sobre as coisas que as 
crianças podem fazer ou dizer em diferentes situações. 
O mundo do seu filho é cheio de dicas visuais – como gente, móveis, objetos e 
figuras – para as quais você pode chamar sua atenção. Você pode segurar e mostrar 
alguma coisa, dar-lhe tapinhas ou apontá-la para lembrar seu filho de se comunicar. 
Fica fácil escolher se Douglas puder ver as opções.
Quando Caio não 
consegue responder a 
pergunta da sua mãe...
...ela o ajuda transformando 
a pergunta em um 
“complete a frase”.
Use dicas naturais
Completar a frase é uma dica útil para ajudar seu filho a transformar “ecos” 
em fala espontânea. Comece dando o modelo verbal completo (por exemplo, “Eu 
quero suco”.) Então diga “Eu quero...” e deixe que ele complete a frase com a pa-
lavra “suco”. Então diga somente uma palavra “Eu...” e espere que ele complete a 
sentença com “quero suco”. Depois use somentedicas naturais, como demonstrar 
expectativa, para sinalizar que é a vez dele participar.
122 Capítulo 4 Participem juntos 123
Mesmo os jeitos de arrumar a mesa e a posição das cadeiras na sala de jantar podem 
sugerir ao seu filho o que fazer e dizer.
O mundo do seu filho está cheio de dicas visuais na forma de sinais e logos que o 
incentivam a se comunicar.
Michele sabe o que quer quando vê a placa.
As figuras também são dicas visuais úteis, por que relembram as crianças do que 
fazer ou dizer. Uma ou duas figuras das comidas favoritas do seu filho na porta da 
geladeira podem estimulá-lo a pedir-lhe alguma coisa. 
Você pode usar figuras para 
criar Ajudas Visuais, tais como pai-
néis especiais que mostrem figuras 
de brinquedos, alimentos e ativida-
des que seu filho pode escolher. As 
figuras também podem estimulá-lo 
a conversar sobre coisas que aconte-
cem enquanto você não está com ele. 
Por exemplo, se a professora da pré-
escola manda para casa uma figura 
de uma criança ou de um brinque-
do com o qual brincou na escola, ele 
pode mostrar-lhe ou dizer-lhe o que 
fez na escola. (Veja o Capítulo 7, “Use 
Ajudas Visuais”, para aprender mais 
sobre o uso de figuras como dicas).
A cadeira vazia lembra Fábio que o seu pai não está 
em casa e o ajuda a começar uma conversa.
Figuras podem lembrar seu filho 
de dizer-lhe o que precisa.
A figura que a professora mandou 
para casa ajuda Caio a contar para 
a mãe o que fez na escola.
124 Capítulo 4 Participem juntos 125
Perguntas
Responder perguntas manterá seu filho envolvido na conversa. Mas ele não será 
capaz de responder uma pergunta se não puder entendê-la. Como as crianças nos 
estágios de Interesses Próprios e de Pedidos entendem muito poucas palavras, você 
terá que perguntar e responder às perguntas, fornecendo modelos verbais que, com 
o tempo, ele poderá imitar.
No Capítulo 2, nós já falamos sobre perguntas de escolha e perguntas do tipo 
Sim ou Não. Vamos revê-las de forma rápida.
Perguntas de escolha
Responder uma pergunta de escolha, que faça seu filho optar entre duas coisas 
mencionadas, é mais fácil do que responder uma pergunta mais aberta. Por exem-
plo: “Você quer cereal ou torrada?”, é mais fácil do que “O que você quer comer?”. 
Perguntas do tipo Sim ou Não
È um pouquinho mais difícil para seu filho res-
ponder perguntas do tipo sim ou não que as de 
escolha. Ensine “Não” antes de “Sim”, por que 
seu filho precisa de um jeito de protestar ou re-
cusar coisas no lugar de chorar ou fazer birra.
Comece oferecendo ao seu filho coisas que pro-
vavelmente recusará. Então forneça um modelo 
verbal e físico de como recusar – balançando a 
cabeça e dizendo “não”. Gradualmente, aguarde 
que ele responda por conta própria. Introduza 
perguntas “sim” depois que ele tiver bastante 
prática com o “não”. Ofereça algumas coisas que 
você sabe que ele não quer e então alguma coisa 
que realmente quer. (Veja o Capítulo 2, páginas 
82-83 para mais informações sobre o uso de 
perguntas de escolha e do tipo sim ou não).
Perguntas do tipo “Q”, Onde, e “Como”
São as questões que usam “o que”, “quem”, “onde”, “quando”, “como” e “por que”. 
Seu filho provavelmente vai entender como responder primeiro as questões do tipo 
“o que”, depois as perguntas que começam com “quem” ou “onde”. Perguntas que 
começam com “quando”, “como” e “por que” são mais difíceis; algumas crianças 
continuam a ter dificuldades com estas questões até no período escolar.
Perguntas “O que?”
A pergunta do tipo “O que” mais simples é “O que é isso?”. Seu filho pode aprender 
a responder essa pergunta se você fornecer modelos verbais de possíveis respostas. 
A próxima pergunta do tipo “o que” mais comum é “O que você quer?”. Quando 
uma criança estiver pronta para responder essa pergunta, provavelmente estará no 
estágio de Comunicador Básico.
No começo as perguntas precisarão ser feitas com outras dicas para ajudar seu 
filho a entendê-las. Pergunte e então indique a resposta olhando para objetos reais 
ou figuras, apontando-os ou mostrando-os.
Perguntas “Quem?”, “Onde?” e “Quando?”, “Cadê?”
Respostas para “Quem”, “Onde” e “Quando” e “Cadê” podem começar a aparecer na 
linguagem das crianças no estágio de comunicação de Parceria. A compreensão co-
meça à medida que você fornece modelos dessas perguntas e suas respostas muitas e 
muitas vezes em rotinas, músicas e jogos. Para garantir que seu filho pratique respon-
dendo essas perguntas que começam com “quem”, “onde” e “quando”, trabalhe com 
elas durante suas conversas sempre que possível. Por exemplo, aponte para pessoas 
sentadas na mesa de jantar ou olhe para álbuns de fotos perguntando “Quem é este?” 
Você também pode usar “bobeira criativa”: derrube seu guardanapo “acidentalmente” 
sob a mesa e pergunte “Onde está o guardanapo?”. Então ponha brincando o guarda-
napo na cabeça do seu filho e diga “E agora, onde está o guardanapo?”.
Perguntas “Quem”, “Onde” e “Quando” podem provocar bastante confusão. Seu 
filho vai precisar muitas vezes de ajuda extra para aprender como fazer e responder 
esse tipo de perguntas. (Veja o Capitulo 7, página 251 para aprender como ensinar 
essas perguntas com Ajudas Visuais).
A mãe garante que Renata tenha muitas 
oportunidades de praticar a resposta “Sim”, 
oferecendo-lhe suco aos pouquinhos.
A mãe ajuda Érico a responder perguntas do 
tipo “onde”, brincando de esconder.
A mãe de Mara usa a hora do livro para praticar 
respostas às perguntas do tipo “Q”.
126 Capítulo 4 Participem juntos 127
Perguntas “Como” e “Por quê?”.
Perguntas do tipo “Como” e “Por que” são as mais difíceis de responder, por que são 
“abertas” e requerem que seu filho pense sobre coisas que não está vendo. Mesmo 
uma criança no estágio de comunicação de Parceria pode continuar a ter problemas 
com estas perguntas por um longo tempo.
Quando seu filho estiver começando a aprender a responder perguntas do tipo 
“como” e “por que”, você pode ajudá-lo fazendo uma destas perguntas e depois re-
fazê-la, tornando-a mais simples. Transforme uma pergunta do tipo “como” ou “por 
que” em uma descrição que diga ao seu filho o que ele está fazendo. Então faça 
uma pergunta do tipo “sim ou não” fácil de responder. Por exemplo, pergunte “Por 
que você está gritando?”, e então mude para “Você está gritando. Você está bravo?” 
Quando seu filho entender perguntas do tipo “como” e “por que”, você não precisará 
mais refazê-las, mas ele pode continuar tendo dificuldade para encontrar as respostas. 
Forneça modelos de respostas até que ele possa responder por conta própria.
Cuidado com muitas perguntas ou perguntas muito difíceis!
Se o seu filho for bom em responder perguntas, fica fácil cair num padrão no qual 
você faz perguntas uma atrás da outra e seu filho fica respondendo. Isso o coloca 
no papel de “respondedor” – dependendo de você para iniciar todas as interações. 
Apesar de ser tentador fazer muitas perguntas para mantê-lo na conversa, ele tam-
bém deve ter oportunidades de iniciar a comunicação.
Perguntas muito difíceis também podem ser excessivamente exigentes para um 
Comunicador Básico ou Parceiro, que pode não dar conta de encontrar as respostas. Na 
sua frustração, seu filho pode usar uma das suas estratégias sensoriais para se acalmar, 
como agitar as mãos, batucar na mesa ou pular. Outra maneira dele mostrar que as per-
guntas estão muito difíceis é aumentar o uso da ecolalia, como se estivesse dizendo: “Eu 
não entendo a pergunta, mas sei que deveria responder. Então vou participar da melhor 
maneira que posso – repetindo o que você diz”.
Fazer muitas perguntas cria um terceiro problema para uma criança cuja princi-
pal maneira de conduzir uma conversa é reutilizar o que ouviu outras pessoas dizen-
do. Se ouvir uma questão atrás da outra, vai repetir esse modelo mais tarde: fazer uma 
pergunta atrás da outra será seu método principal de manter uma conversa.
Quando seu filho mostra que suasperguntas 
não estão ajudando, tente o seguinte:
Faça menos perguntas e forneça mais comentários e modelos verbais. 
Perguntar menos freqüentemente resulta num aumento da fala espontânea de seu filho.
Faça perguntas mais fáceis.
Faça a mesma pergunta de novo, comece a respondê-la e então espere que ele complete a 
frase. Depois que seu filho tiver completado, você pode tentar refazer a pergunta.
Em vez de bombardear seu 
filho com perguntas...
...faça comentários que o 
ajudarão a manter-se na conversa.
128 Capítulo 4 Participem juntos 129
Instruções
Todos os pais, de alguma maneira, dizem para os filhos o que fazer: “Dá tchau”, 
“Traga o livro”, “Jogue isso no lixo”. Instruções claras e simples podem ajudar seu 
filho entender o que fazer, desde que você não lhe dê instruções demais.
Você pode preparar crianças no estágio de Parceria para futuras situações so-
ciais dando-lhes instruções sobre o que fazer e dizer. Por exemplo, para ajudar seu 
filho a tornar-se um ouvinte melhor, pode instruí-lo sobre o que fazer “Quando o 
outro fala, tente ouvir”. As orientações sobre o que fazer podem ser apresentadas 
visualmente, o que tratamos no Capítulo 7.
Se o seu filho estiver muito adiantado no estágio de Parceria, você pode dar-lhe 
instruções que o ajudarão a começar e manter conversas. Seguem alguns exemplos 
de instruções:
Para começar uma conversa, tem alguns jeitos: Você pode sorrir e dizer: ‘Oi, 
Tudo bem?’; ‘pode dizer alguma coisa simpática para a outra pessoa’; ‘você 
pode mostrar para a pessoa seu álbum de fotos’. (Dê uma instrução por vez).
 Para continuar uma conversa: Você precisa ouvir o que a outra pessoa diz. 
Então, diga alguma coisa sobre o que a pessoa acabou de dizer. Você pode 
dizer: ‘Eu também acho’ ou ‘Eu não acho que é assim’.
“Para terminar uma conversa, você pode dizer ‘Agora eu preciso ir. Tchau’.
Pistas
Nós todos usamos pistas ou “indiretas” para dar às outras pessoas idéias do que 
queremos que elas façam. Por exemplo, quando você pára na frente de uma vitrine 
e elogia alguma coisa na frente do seu esposo ou esposa uma semana antes do seu 
aniversário, pode estar dando uma pista do que gostaria de ganhar de presente. Seu 
filho também pode se beneficiar de vários tipos de pistas.
Pistas não verbais
Diminuir o ritmo, dar uma pausa, inclinar-se em direção ao seu filho e olhar de
maneira expectativa são dicas efetivas (especialmente se combinadas com pistas 
verbais). Essas dicas sinalizam para o seu filho que é a vez dele participar. Estas são 
algumas das dicas mais naturais e você pode usá-las frequentemente quando estiver 
brincando com seu filho.
A mãe dá instruções a João sobre o que 
fazer e dizer para interagir com Laila.
Ele responde às dicas 
balançando o corpo para 
dizer que quer continuar!
A mãe olha para Zeca como quem está esperando, 
aguardando que ele indique que quer outra 
“cavalgada” nos seus joelhos.
Pistas Verbais
Pistas verbais funcionam somente se o seu filho entender o que você diz. Se ele compre-
ende bem as palavras, você pode usar pistas verbais sutis para lembrá-lo de fazer coisas. 
Por exemplo, para estimulá-lo a pedir-lhe seu brinquedo favorito, tente dizer “Hora de 
brincar!” Ou para lembrá-lo a dizer algo sobre uma situação incomum, tente dizer “Nossa! 
Olha aquilo!” Você pode também combinar pistas verbais com dicas visuais, uma coisa 
que os professores fazem o tempo todo na escola quando dizem: “Hora da arrumação!” e 
acendem e apagam a luz. Depois de dizer “Hora de brincar!”, tente apontar para o brin-
quedo do seu filho, que pode ser colocado fora do alcance dele em uma prateleira próxi-
ma. Isso pode estimular seu filho a pedir-lhe que pegue o brinquedo.
Lembretes verbais também podem ajudar uma criança que insiste em manter 
a conversa sobre um único assunto. Por exemplo, se o seu filho só quer falar sobre 
130 Capítulo 4 Participem juntos 131
trens, você pode dizer algo como “Mais uma coisa sobre trens e então vamos falar 
sobre a escola”. Se ele não responder uma pergunta, lembre-o de responder dizendo 
algo como: “Papai fez uma pergunta pra você.”
Comentários
Comentários são observações breves que você faz em reação às participações do seu 
filho ou para compartilhar suas idéias com ele. Dizendo alguma coisa sobre deter-
minado assunto, você pode dar uma nova idéia ao seu filho. Diferente dos modelos, 
não se espera que seu filho repita seus comentários palavra por palavra, mas algu-
mas vezes ele pode fazer isto. Quando você quiser que seu filho participe de uma 
conversa, tente fazer um comentário e então aguardar e mostrar expectativa. Por 
exemplo, você pode dizer “Mamãe cortou o cabelo” e então esperar que seu filho 
diga alguma coisa. Combinar um comentário com uma pergunta, como faz o pai na 
figura abaixo, torna a resposta do seu filho ainda mais fácil.
Se Carolina ouve primeiro os 
comentários do seu pai, fica 
mais fácil responder
às perguntas.
Dicas combinadas
É comum dar dois ou três ti-
pos de dicas ao mesmo tem-
po para seu filho. 
Além de todas as dicas 
que você acabou de ver, con-
sulte as sugestões dadas na 
segunda parte do Capítulo 2, 
sobre como criar situações 
que motivem seu filho a se 
comunicar. Muitas daquelas 
idéias sobre como manejar o 
ambiente do seu filho, tais 
como dar-lhe comida aos 
pouquinhos ou fazer alguma 
bobeira, também o estimu-
lam a participar.
Participar de conversas é diferente de participar de brincadeiras
Para interagir socialmente com outras crianças, seu filho precisa aprender como par-
ticipar de brincadeiras. Ele precisa aprender que deve esperar que os outros escorre-
guem antes da sua vez, e que não é o único a querer usar o cavalete de pintura. No 
entanto, participar de brincadeiras difere da participação em conversas. Aprender a 
participar de brincadeiras melhora as relações com as outras crianças, mas não neces-
sariamente leva uma comunicação de duas vias. Seu filho vai aprender gradualmente 
a participar de brincadeiras à medida que brinca com você e então com outras crian-
ças. Nós falaremos sobre esse tipo de participação nos Capítulos 11 e 12. 
A mãe dá uma dica visual (a pizza) e então aguarda, 
mostrando expectativa, que Caio complete sua fala.
Esperar a sua vez é uma habilidade 
necessária para a convivência do seu filho 
com outras crianças, mas não o ensina 
muita coisa sobre como conversar.
Participem juntos 133
A seção a seguir resume os tipos de participação que você pode esperar que seu filho 
aprenda no seu estágio de comunicação. Também sugere atividades que promovam 
participação e recomenda dicas para sinalizar-lhe que é vez dele participar.
Estágio de Interesses Próprios
Se o seu filho está nesse estágio, não se comunica diretamente com você para participar. 
Ele sorri, grita, olha e emite sons sem se importar com você. Antes de envolvê-lo em inte-
rações recíprocas, tente conseguir sua atenção. Depois, pode ajudá-lo a interagir.
Participações que você pode esperar
As participações que você pode esperar no estágio de Interesses próprios são:
 Olhar para você
 Sorrir para você
 Tentar alcançar
 Recusar gritando, virando-se para o outro lado ou empurrando sua mão
 Dar-lhe um objeto
Fazer alguns movimentos dirigidos a você (por exemplo, mover suas mãos para 
que você continue a fazer cócegas)
 Emitir sons dirigidos a você
Quando você pode esperar que ele participe
Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações:
Durante brincadeiras corporais (isto é, Brincadeiras com Gente) com sensações 
prazerosas, como balançar e abraçar
 Cantando
Quando ele realmente quer alguma coisa, como uma bolacha ou sua mamadeira.
O que você pode fazer
Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar:
 Dicas físicas para conseguir atenção (por exemplo, tapinhas no ombro)
 Ajuda física para guiá-lo nas atividades
 Modelos físicos para mostrar-lhe como agir
 Modelos verbais para mostrar-lhe o que dizer
 Dicasvisuais (neste estágio, mostrando-lhe objetos reais)
 Mostrar expectativa antes da sua participação em atividades altamente motivadoras
 Situações planejadas para dar-lhe um motivo para se comunicar.
Estágio de Pedidos
Se o seu filho está no estágio de Pedidos, ele se comunica principalmente levando 
você pela mão e tentando pegar quando lhe oferecer opções.
Ele também pode participar algumas vezes em brincadeiras corporais, olhando, 
sorrindo, fazendo alguns movimentos e emitindo sons dirigidos a você.
Participações que você pode esperar
Você pode esperar que a criança no estágio de Pedidos aprenda a:
 Olhar para você com mais freqüência
 Fazer mais movimentos dirigidos a você
 Sorrir para você
 Emitir sons dirigidos a você
 Iniciar troca de objetos ou figuras para pedir ajuda, um ou dois brinquedos ou 
comidas prediletos 
 Recusar coisas que não quer, gritando, virando para o outro lado ou 
empurrando você.
Quando você pode esperar que ele participe
Será mais fácil que seu filho aprenda a participar nas seguintes situações:
 Durante rotinas diárias altamente motivadoras quando ele quer alguma coisa
 Durante atividades corporais (Brincadeiras com Gente)
 Durante jogos de trocas, como passar a bola (um joga bola e outro pega)
 Cantando
 Brincando com livros interativos com janelinhas, surpresas, sons e cheiros.
 Brincando com Brinquedos com Gente que o interessem e sejam difíceis de operar.
O que você pode fazer
Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar:
 Ajudas físicas para orientá-lo
 Modelos verbais e físicos para demonstrar o que ele pode fazer e dizer
 Modelos parciais (para ações nas Brincadeiras com Gente)
 Dicas visuais (dando tapinhas, apontando, mostrando objetos)
 Perguntas com opções (entre duas coisas que ele possa ver)
 Perguntas com respostas que você modela
 Pistas não verbais: diminuir o ritmo, esperar, inclinar-se para frente, olhar como 
quem espera.
 Situações “armadas”:
• colocando coisas à vista, mas fora de alcance.
Participação no estágio de
comunicação do seu filho
134 Capítulo 4 Participem juntos 135
• oferecendo coisas aos pouquinhos
• fazendo o inesperado
Estágio de Comunicaçãoo Básica
Se o seu filho está nesse estágio, participa para se comunicar intencionalmente, 
usando gestos, sons, figuras, palavras, olhares e sorrisos. Ainda se comunica prin-
cipalmente para pedir coisas.
O que você pode esperar
Da criança nesse estágio você pode esperar que ela aprenda as seguintes participações:
 Usar gestos/sons/figuras/palavras com mais freqüência por uma série de motivos:
• para pedir uma série de coisas
• para fazer escolhas
• para comentar
• para responder a perguntas do tipo Sim ou Não e “O que é isto?”
• para responder a um comentário (normalmente imitando o que você disse)
Quando você pode esperar que ele participe
Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações:
 Quando estiver em Brincadeiras de Gente, como pega-pega
 Durante jogos de troca, como receber e passar a bola 
 Durante rotinas diárias, especialmente refeições e lanches, quando ele quer algo
 Enquanto estiver cantando
 Enquanto estiver olhando livros (especialmente os previsíveis)
 Enquanto estiver envolvido em rotinas colaborativas estruturadas, tais como 
fazer gelatina com outra pessoa (para saber mais sobre rotinas colaborativas, 
veja o Capítulo 8, página 283)
 Enquanto brincar com Brinquedos com Gente ou brinquedos difíceis de operar
 Durante brincadeiras com brinquedos muito conhecidos, nas quais a criança 
sabe o “roteiro”
 Quando estiver cumprimentando em situações conhecidas (por exemplo, 
dizendo “tchau” ao pai de manhã)
O que você pode fazer
Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar:
 Ajuda física para ensinar-lhe o que fazer (ele precisará menos ajuda que a 
criança nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos)
 Modelos verbais e físicos das coisas que ele pode fazer e dizer. Modelos 
de palavras, frases e sentenças curtas partindo do ponto de vista dele são 
especialmente importantes se ele está começando a repetir o que ouve.
 Dicas visuais para lembrá-lo do que fazer e dizer, assim como responder 
algumas perguntas
 Completar frases
 Perguntas que apresentam opções, perguntas do tipo Sim ou Não e perguntas 
que comecem com “O que” e possivelmente com “Quem”. 
 Dar instruções, tais como “Diga” e “Fale”, seguidas pelas palavras exatas que ele 
pode dizer (Use instruções faladas somente para ajudar seu filho em situações 
sociais ou se ele entende a diferença entre as instruções e o modelo que as segue)
 Pistas: diminuir o ritmo, inclinar-se para frente, dar uma pausa e/ou olhar como 
quem espera, fazendo-o perceber sua expectativa
 Comentários combinados com dicas visuais
 Situações armadas:
• colocando coisas à vista, mas fora de alcance.
• oferecendo coisas aos pouquinhos
• fazendo o inesperado
Estágio de Parceria
Se o seu filho está nesse estágio, e não tem problemas com a produção da fala, já participa 
de conversas: você diz alguma coisa e ele responde. A duração da conversa depende das 
suas habilidades de comunicação. Se seu Parceiro for capaz de ter conversas que durem 
pouco, ainda assim a conversa pode ser interrompida, porque ele ainda não entende todas 
as regras de conversação (veja uma lista dessas regras no começo deste Capítulo).
Participações que você pode esperar
No estágio de Parceria, você pode esperar que ele aprenda as seguintes participações:
 Comentar e fazer perguntas
 Saber responder “O que”, “Quem”, “Onde” e, depois, “Por que” e “Como”.
 Começar uma conversa de maneira adequada
 Ouvir o que a outra pessoa fala e então dizer alguma coisa sobre o mesmo assunto
 Esclarecer o que disse quando o interlocutor não entender
 Introduzir um novo assunto de maneira adequada
 Terminar uma conversa de maneira adequada
Quando você pode esperar que ele participe
Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações:
 Durante rotinas familiares com pessoas familiares
 Em jogos com regras (montados em casa ou comprados, como Loto ou Bingo)
 Durante brincadeiras de faz de conta (como fingir que está numa loja, cozinhando 
um jantar de mentirinha ou comendo em um restaurante de mentirinha)
 Durante atividades colaborativas estruturadas (como fazer suco ou brincar 
com massa de modelar) e rotinas diárias (como refeições e banho). (Para mais 
informações sobre atividades colaborativas, veja Capítulo 8, páginas 273 e 295)
 Enquanto estiver cantando.
 Enquanto estiver olhando livros.
O que você pode fazer
Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar:
 Dicas visuais (por exemplo, figuras e escritas)
 Ajuda física para orientá-lo na interação com outras crianças
 Modelos de palavras e sentenças que ele ache difíceis, tais como aquelas com 
“Eu”, “você”, ”me” e “mim”.
 Perguntas (O que, Quem, Onde e, depois, Por que e Como) acompanhados por 
comentários ou modelos das respostas.
 Completar frases
 Pistas verbais e não verbais
 Instruções sobre regras de conversação
 Situações armadas para lhe dar um motivo para se comunicar (as páginas 108 e 109 
do Capítulo 3, trazem idéias sobre como ajudar seu Parceiro a manter conversas).
Quando conseguir que seu filho se envolva em interações recíprocas, o desafio passa 
a ser mantê-lo na interação. Você pode dar-lhe uma série de dicas para perceber que 
precisa participar. Ele pode precisar, no começo, de muita ajuda, e você pode usar dicas 
explícitas para isso. Forneça um modelo para mostrar-lhe como participar, copiando o 
que você faz e diz, ou dê-lhe ajuda física para fazer certos movimentos. É importante 
ir rapidamente retirando esses tipos de dicas, de maneira que ele aprenda a participar 
sem sua ajuda. As dicas mais naturais, tais como parar e olhar como quem espera, são 
as que você deseja que funcionem melhor. Todas as crianças podem se beneficiar de 
dicas visuais – aquelas que ocorrem naturalmenteno mundo da criança e aquelas que 
você pode criar usando figuras. As perguntas também são dicas úteis, mas perguntas 
demais ou muito difíceis podem fazer com que seu filho fique dependente de você ou 
estressado. Crie situações nas quais fiquem equilibradas as participações do seu filho 
como “iniciador” da conversa e “respondedor”.
Resumo
136 Capítulo 4
5
Promovendo
interações usando 
Brincadeiras com Gente
138 Capítulo 5
Taís não brinca com muitos brinquedos, mas adora tocar seu pianinho. Seu pai tenta 
brincar junto, mas assim que toca o teclado, Taís empurra a sua mão. Quando o pai 
insiste em brincar, levanta-se e leva o seu piano para o quarto. O pai a 
segue, mas em vez de tentar brincar de novo com o piano, pega Taís 
e a joga para cima. A menina adora ser jogada, então ri e olha 
nos olhos do pai. Depois de alguns “vôos”, ela está se 
divertindo tanto que se esquece do piano.
Pergunte-se: o que faz você e seu filho “entrarem em sintonia” e se divertirem 
juntos? Se ele tem dificuldades em compartilhar brinquedos com você, talvez você 
consiga momentos mais interativos durante brincadeiras sem brinquedos. Quase to-
das as crianças gostam de atividades físicas – pega-pega, cócegas ou serem jogadas 
para cima. Quando você e seu filho divertem-se juntos sem brinquedos, a interação 
ocorre mais facilmente e mais oportunidades de comunicação aparecem.
Neste capítulo, nós veremos como você pode transformar as brincadeiras cor-
porais com seu filho em jogos estruturados e previsíveis, chamados Brincadeiras
com Gente. Brincar com gente ensina comunicação para seu filho porque vocês 
dois precisam participar para brincar. Vamos ver como o pai de Taís consegue criar 
uma Brincadeira com Gente para ela.
O pai percebe que Taís adora ser jogada para cima e decide transformar isso em um 
jogo. Depois de jogá-la para cima algumas vezes, pára e espera para ver o que ela faz. 
Taís levanta seus braços para pedir outro “vôo” – participando pela primeira vez. Então 
seu pai faz a sua parte, jogando a filha para cima. Agora Taís e o pai sabem exatamente 
o que devem fazer para continuar brincando: Taís pede mais e seu pai continua o jogo. O 
que era apenas uma atividade divertida torna-se 
uma brincadeira estruturada, em que ambos os 
participantes revezam-se de maneira previsível.
Tudo o que o seu filho precisa aprender 
sobre comunicação pode ser ensinado em 
uma Brincadeira com Gente.
Através da Brincadeira com Gente, seu filho 
aprende a:
 prestar atenção em você e copiá-lo
 participar
 dar uma chance para que você participe
 continuar participando
 começar a brincadeira
 terminar a brincadeira
 começar uma nova brincadeira
Participar nas Brincadeiras com Gente é fácil 
para seu filho por que:
 elas são estruturadas e previsíveis
Taís não sabe como incluir seu 
pai em algumas brincadeiras... 
... mas acha que o seu pai é o 
melhor brinquedo do mundo 
quando ele a joga para cima.
O que são Brincadeiras com Gente?
Ao esperar, o pai de Taís dá-lhe 
uma chance de participar. 
140 Capítulo 5
 elas têm ações, sons e palavras repetitivas
 seu filho sabe quando participar e qual é a sua participação 
 elas incluem sensações que ele gosta
 elas são divertidas e estimulantes para ele, o que o motiva a continuar brincando
Você pode inventar uma Brincadeira com Gente por sua conta, mas normalmente a 
melhor maneira de criá-la é observar seu filho e então participar do que ele está fa-
zendo. Isso é exatamente o que os pais de Guilherme e Luana fizeram; os resultados 
foram melhores do que se eles tivessem passado horas pensando em brincadeiras 
para envolver o filho.
Brincar com Gente é um pouco como participar de uma brincadeira de roda. Para 
brincar você precisa de um ou mais participantes – e cada participante deve fazer a 
sua parte na hora certa! Tanto a roda quanto a Brincadeira com Gente são diverti-
das, mas requerem bastante prática até que cada um domine a sua parte.
Para se lembrar das coisas mais importantes a fazer durante as Brincadeiras 
com Gente, use as quatro letras da palavra R.O.D.A.:
Guilherme gosta de correr 
para lá e para cá...
Luana gosta de se esconder 
atrás do sofá...
...então sua mãe transforma isso em 
uma brincadeira de esconde-esconde.
Use R. O. D. A. quando brincar 
com Brincadeiras com Gente
...então seu pai transforma seu amor pelo 
movimento em uma brincadeira de pega-pega.
Repita o que você diz e faz.
Ofereça Oportunidades para que seu filho participe.
Dê Dicas para ajudar o seu filho a participar
Animado! Acontecendo! Mantenha Animado! Mantenha Acontecendo!
142 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 143
Repita o que você diz e faz Repita o que você diz e faz quando começar a brincadeira
Toda Brincadeira com Gente precisa de um início padronizado – palavras especí-
ficas e ações que o seu filho associe com a brincadeira. Começar uma brincadeira 
sempre da mesma maneira, permite que seu filho saiba o que vai acontecer e dá a 
ele um modelo para copiar, de forma que, posteriormente, ele mesmo possa pedir 
pela brincadeira. Mas se você muda o que você diz (por exemplo, “Vou te pegar” 
uma vez e “Pega-pega”), fica difícil para seu filho entender qual grupo de palavras 
começa a brincadeira. Você pode chamar seu filho para conseguir sua atenção, mas 
assegure-se de esperar vários segundos antes de pedir-lhe para vir e brincar. Isto vai 
evitar que um aprendiz “gestalt” pense que o seu nome faz parte da brincadeira.
Se o seu filho estiver usando figuras para se comunicar, faça uma que represente a 
sua brincadeira preferida. Seu filho pode pedir pela brincadeira dando-lhe a figura.
Rafael tem visto sua mãe começar a brincadeira de Cosquinhas tantas 
vezes que ele finalmente começa a brincadeira por sua conta!
 Quando você começa a brincadeira
 Enquanto você brinca
 Quando você termina a brincadeira
 Repita a brincadeira freqüentemente e com pessoas diferentes.
A mãe de Rafael sempre começa a brincadeira de Cosquinhas dizendo o nome da brincadeira 
e fazendo movimentos de cosquinhas com as mãos. Rafael fica assanhado com o que 
ela faz – toda vez que ele a vê fazendo isso sabe exatamente o que vem a seguir.
144 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 145
Repita o que você diz e faz enquanto brinca
Contar “Um, dois, três” faz parte de todas as Brincadeiras com 
Gente que Luana brinca com sua mãe.
Se você diz e faz exatamente as mesmas coisas todas as ve-
zes que você brinca, seu filho vai aprender o “roteiro”, da mesma 
maneira que um ator aprende sua parte ensaiando-a até decorar. 
Com a prática, seu filho vai antecipar qual é a parte dele e quando 
é a vez dele, assim como mostrar-lhe que é a sua vez. Por exem-
plo, toda vez que você quiser dar uma dica para o seu filho de que 
é a vez dele na brincadeira, pode dizer: “Um, dois, três...” e deixá-
lo completar com alguma coisa como “e já!” ou “vamos lá!”. Você 
também pode tentar outras frases repetitivas, como “Atenção, 
preparar - já!” ou inventar suas próprias frases, como “Agora o ... (nome do seu filho) 
“Sobe, sobe sobe!”. Há exemplos de roteiros de Brincadeiras com Gente na parte deste 
capítulo chamada “Algumas Brincadeiras com Gente para brincar com seu filho”.
Quando o seu filho tornar-se um experiente “Brincador com Gente”, sabendo 
participar e deixando que o outro participe de maneira constante, você pode variar 
a brincadeira para que ele aprenda coisas novas. Mas no começo, tente manter as 
coisas o mais previsíveis possível.
Repita o que fizer e disser quando a brincadeira terminar 
Além de um início identificável, cada brincadeira 
precisa de um término definido. Sem um final, seu 
filho vai deixar a brincadeira repentinamente quan-
do ficar cansado, ou chorará para mostrar que não 
quer brincar. Mas se você usar sempre as mesmas 
palavras e ações para terminar uma brincadeira, seu 
filho aprenderá que há um outrojeito, além de cho-
rar e gritar, para mostrar que está entediado.
Sempre diga e faça as mesmas coisas no final da brincadeira. 
Por exemplo, levante os braços e grite “Êba!” e então diga “Pron-
to” ou “Acabou” (“Pronto” é mais fácil para crianças que estão 
começando a falar). Você pode usar algum gesto para indicar que 
a brincadeira terminou, desde que seja constante, como o que a 
mãe de Rafael está usando na figura ao lado. Se o seu filho estiver 
na pré-escola, combine com seus professores de usarem o mesmo 
gesto que você para “acabou”.
Você também pode usar figuras para terminar as brincadeiras. Por exemplo, pode 
pôr uma figura da brincadeira terminada no bolso/envelope de “pronto”. (Para mais 
informações sobre figuras, veja o Capítulo 7).
Repita a brincadeira freqüentemente e com diferentes pessoas
Além de repetir as mesmas palavras e ações toda vez que brincar, repita a brinca-
deira muitas vezes durante o dia, todos os dias e com pessoas diferentes. Você quer 
que o seu filho generalize, ou seja, que transfira o que aprendeu brincando com 
você para brincadeiras com outras pessoas em situações parecidas.
O Rafael brinca de Cosquinha várias vezes todo dia, algumas vezes o pai, outras com a mãe.
Ofereça oportunidades para seu filho participar
Planeje quando oferecerá uma oportunidade de participação para seu filho
Juntos, você e seu filho se divertirão muito nas Brincadeiras com Gente. E como estará se 
divertindo, você pode ficar tentado a continuar a brincadeira da mesma maneira. Mas se 
continuar jogando seu filho para cima ou fazendo cócegas na sua barriga sem dar-lhe 
A mãe de Rafael termina 
todas as brincadeiras 
dizendo “Pronto!” e fazendo 
o gesto de “acabou”, 
esperando que um dia 
Rafael faça o mesmo.
Planeje quando vai oferecer uma oportunidade 
de participação para o seu filho
Defina quais serão as participações do seu filho
Ofereça novas oportunidades de participação 
à medida que o seu filho progride
146 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 147
oportunidade de fazer algo mais do que se divertir, ele não aprenderá nada. Você 
deve parar em momentos determinados, para permitir que seu filho comunique-se 
com você, fazendo a parte dele na brincadeira.
Isso é divertido, mas Zeca não 
teve chance de fazer a sua parte.
Zeca, por exemplo, está se diver-
tindo muito cavalgando nas per-
nas da mãe, mas não tem opor-
tunidade de fazer a sua parte: a 
mãe continua brincando mesmo 
que ele nunca peça para conti-
nuar. No entanto, se ela pára de-
pois de uns pulinhos e aguarda, 
mostra que espera alguma coisa 
dele. Ela não tem certeza de que 
tipo de participação ele terá, mas 
vai saber quando ele participar. 
Se tiver uma chance, Zeca vai 
pedir mais, movendo seu corpo para cima e para baixo ou emitindo um som.
Para ajudar seu filho a participar, você precisa dar-lhe uma chance de parti-
cipar do mesmo jeito e no mesmo lugar toda vez que vocês brincarem juntos, até 
que ele possa participar de forma constante. Por exemplo, se a mãe do Zeca não 
esperar depois de dar uns pulinhos na próxima vez que brincar com ele, ele não terá 
uma chance de praticar sua participação.
Defina quais serão as participações do seu filho
Os tipos de participação que o seu filho pode ter dependem do seu estágio de comu-
nicação. Para identificar esses estágios talvez você precise “bancar o detetive”.
Se ele está no estágio de Interesses Próprios, pode fazer uma série de coisas di-
ferentes enquanto você aguarda que ele participe. Pode olhar, balançar-se ou emitir 
algum som. Você deve considerar qualquer coisa que ele faça como uma participação. 
Se não fizer nada, mostre-lhe o que fazer fornecendo um modelo de participação.
No exemplo anterior, a mãe não sabia como Zeca pediria por outra “caval-
gada”, mas quando observou e esperou, descobriu que ele participava chacoa-
lhando o corpo. Na mesma brincadeira, uma criança no estágio de Pedidos pode 
também emitir um som, além de chacoalhar o corpo. Uma criança no estágio 
de Comunicação Básica pode fazer os mesmos movimentos e dizer uma pala-
vra para a qual você forneceu modelo. Quando estiver no estágio de Parceria,
a criança pode pedir por outra cavalgada de muitas maneiras diferentes, assim 
como sugerir mudanças na brincadeira.
Ofereça novas oportunidades de participação 
à medida que o seu filho progredir
Se você brincar muitas vezes da mesma maneira, seu filho vai achar cada vez mais 
fácil participar na brincadeira, e o seu jeito de participar vai mudar à medida que 
sua comunicação se desenvolver. Por exemplo, ele pode começar olhando e sacu-
dindo o corpo e acabar dizendo uma palavra. Para fazê-lo progredir, adicione novos 
elementos à brincadeira, de maneira a mudar os motivos e a maneira do seu filho 
participar. Posteriormente, ofereça uma oportunidade para que ele mesmo comece a 
brincadeira, assumindo o papel de iniciador. Você perceberá que a maneira de vocês 
brincarem poderá ficar bem diferente três meses depois!
Dê dicas para que seu filho participeQuando sua mãe espera um pouco, Zeca sacode 
seu corpo para mostrar que quer brincar outra vez.
Dê dicas explícitas quando seu filho não 
souber como participar
Dê dicas naturais quando seu filho estiver 
familiarizado com a brincadeira
148 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 149
Dê dicas explícitas quando seu filho não souber como participar
Todas as dicas que você viu no Capítulo 4 podem ajudar seu filho a participar das 
Brincadeiras com Gente. No começo, quando seu filho não souber ainda como par-
ticipar da brincadeira, suas dicas devem conter muitas informações. Você deve dar-
lhe modelos, ou seja, demonstrar o que ele poderia fazer posteriormente. Diminua o 
ritmo antes de dar esses modelos e exagere-os para que fiquem bem evidentes. Além 
dos modelos, seu filho pode precisar de ajuda física para aprender o que fazer.
Dê dicas naturais quando o seu filho 
estiver familiarizado com a brincadeira 
Parar, inclinar-se para frente e olhar como quem espera fornece uma dica para que 
seu filho participe.
Assim que o seu filho estiver conhecendo o jogo, dê dicas naturais para sinali-
zar que é a vez dele – pare, incline-se para frente e mostre expectativa. Isso mostra 
que ele deve fazer ou dizer alguma coisa.
Quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, ficará mais fácil para 
ele “completar a frase”, especialmente se ele já viu ou ouviu o seu modelo. Por exem-
plo, se você fala “Um, dois, três” contando nos dedos antes de fazer cócegas ou balan-
çá-lo nos joelhos, a contagem serve como dica. Na próxima vez que você levantar o 
dedo para contar “um”, ele poderá imitá-lo ou levantar os dois dedos e dizer “dois”.
Se der uma razão para o seu filho se comunicar usando as maneiras sugeridas 
no Capítulo 2, tais como fazer o inesperado ou oferecer escolhas durante a brinca-
deira, você lhe dá dicas adicionais que o ajudarão a participar novamente.
Animado! Acontecendo! 
Mantenha Animado! Mantenha Acontecendo!
Se o seu filho estiver se divertindo, vai querer continuar brincando. Quanto mais 
brincar, mais oportunidades terá de aprender. Você pode garantir que ele se divirta 
escolhendo uma brincadeira que ele goste. A maioria das crianças gosta de brin-
cadeiras que envolvam algum tipo de atividade corporal. Pense nas preferências 
sensoriais do seu filho. Elas lhe dirão quais jogos serão divertidos para ele e o in-
centivarão a prestar atenção em você.
Se ele gosta de movimento tente:
 Brincadeiras de correr, como Pega-pega e Cavalinho
 Brincadeiras de Aviãozinho, de balancear, de subir e descer 
 Brincadeiras no balanço ou de girar
 Brincadeiras de pular como “Montanhas de travesseiros”
 Brincadeiras de balançar o corpo
Se ele gosta de sentir pressão sobre o corpo ou mãos tente:
 Brincadeiras de esconde-esconde, como “Cadê? Achou!”, usando travesseiros e 
almofadas ou cobertas pesadas.
 Brincadeirasde apertar, como abraços
 Brincadeiras que envolvam toques, como Cosquinhas
 Jogos de mão, como apertos de mão, Cabo de guerra, Toca aqui, Bolinho-bolacha
 Cavalinho, se ele ficar de barriga para baixo sobre suas costas
Seja exagerado e animado
Faça que a interação dure o máximo possível
Correr e pular em travesseiros é divertido 
para as crianças que gostam de movimento.
Algumas crianças gostam de “cavalgar” 
deitadas de barriga para baixo.
Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 151
Dependendo do estágio de comunicação de seu filho você usa as recomendações 
R.O.D.A. de um jeito. Quando você brinca com uma criança no estágio de Interes-
ses Próprios, seu objetivo é convencê-lo a participar da brincadeira. Quando você 
brinca da mesma coisa com uma criança no estágio de Pedidos, você vai tentar 
“mantê-la acontecendo” um pouco mais. Para um Comunicador Básico, é impor-
tante oferecer oportunidades para que ele use suas habilidades de comunicação 
emergentes. Quando você brinca com uma criança no estágio de Parceria, as metas 
devem ser focadas nas trocas verbais e conversação. Esta seção mostra como você 
deve brincar com crianças em cada um dos estágios de comunicação.
Brincadeiras com Gente no Estágio Interesses Próprios
Uma criança no estágio Interesses Próprios não é um brincador experiente e por isso 
não sabe que brincar com você é mais divertido que brincar sozinho. No começo, 
suas brincadeiras não durarão muito – seu filho pode participar uma vez e depois 
esquecer de você.
Nesse estágio, as metas para o seu filho são:
 Divertir-se ao brincar
 Comunicar-se intencionalmente com você.
Enquanto brinca, você pode esperar que o seu filho sorria ou mova seu corpo.
O que você pode fazer
 Mantenha seu filho ligado à brincadeira. Convença-o a participar tornando a 
brincadeira divertida e estimulante.
• Faça algo que chame sua atenção, tal como movimentos exagerados de có-
cegas ou ficar de quatro, pronto para a sua cavalgada.
• Seja animado quando participar de algo que ele já estiver fazendo, como 
pular ou correr.
 Para conseguir que ele se comunique intencionalmente, repita a brincadeira 
muitas vezes da mesma maneira, introduzindo pausas, gradualmente, antes dos 
momentos que o seu filho possa participar ativamente.
 Incentive seu filho a participar dando-lhe dicas explícitas. No início, você 
deve fazer todo o trabalho, dando ajuda física se necessário e modelando a 
participação de seu filho. Para ressaltar o modelo, Diminua o ritmo, dê uma 
pausa antes de mostrá-lo e depois apresente-o de forma exagerada.
 Trate qualquer reação do seu filho como uma participação. Ele pode mover 
seu corpo, olhar ou fazer um som. Mesmo que ele não pretenda participar com 
essas ações, aja como se elas fossem intencionais. Quando seu filho perceber 
que essas ações fazem a brincadeira continuar, provavelmente vai repeti-las na 
próxima vez que brincar.
 Gradualmente, passe a dar dicas mais naturais – Diminuindo o ritmo, 
esperando, inclinando-se para frente e olhando como quem espera – antes da 
vez da pretendida participação da criança. 
 Deixe-se conduzir pelo seu filho. Em algumas situações você pode ter planejado 
certa brincadeira e o seu filho ter uma idéia diferente. Quando isso acontecer, você 
precisa esquecer dos seus planos e deixar-se conduzir pelo seu 
filho, inventando uma nova brincadeira que inclua 
os interesses da criança. Por exemplo, você 
pode começar com “serra-serra” para 
frente e para trás e descobrir que 
o seu filho prefere balançar de 
um lado para o outro. Se fizer 
o que ele faz, vocês terão 
uma nova brincadeira.
De vez em quando seu filho pode 
conduzi-lo a novas maneiras de brincar.
Adapte as Brincadeiras com Gente ao 
Estágio de Comunicação do seu filho
152 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 153
Brincadeiras com Gente no Estágio de Pedidos
Nesse estágio, seu filho já se comunica intencionalmente com você durante as Brin-
cadeiras com Gente para pedir que você continue. Pode olhar para você, mover o 
corpo, executar uma ação, puxar sua mão ou emitir um som. Mesmo que ele saiba 
o quanto é bom brincar, pode distrair-se ou cansar-se rapidamente da brincadeira.
Nesse estágio, as metas para o seu filho são:
 Brincar por mais tempo
 Participar de maneira constante
 Aumentar os pedidos para que a brincadeira continue
 Mudar a maneira que ele faz pedidos nas brincadeiras conhecidas (por exemplo, 
de puxar sua mão para emitir um som)
 Usar as participações que ele já conhece (“pedidos aprendidos”) em novas 
brincadeiras
 Comunicar-se por outros motivos, além de pedir a continuação da brincadeira 
 Começar a brincar de Brincadeiras com Gente com outras pessoas conhecidas.
O que você pode fazer
 Aumente as oportunidades de seu filho fazer pedidos, mudando a brincadeira 
assim que ele estiver conhecendo-a bem. Use algumas das sugestões oferecidas 
no Capítulo 2 para mudar a brincadeira. Por exemplo, fazer uma coisa inesperada 
pode dar ao seu filho um novo motivo para pedir algo. Pense no que poderia 
acontecer se estivesse brincando de Serra-serra com seu filho e em vez de 
mostrar-lhe as mãos para que ele segure e continue a “serrar”, você esconde suas 
mãos sob as pernas. A mãe de Zeca tentou essa estratégia e veja o que aconteceu.
Faça algo inesperado e pode ser que seu filho faça algo inesperado também!
 Mude a maneira que o seu filho pede nas brincadeiras conhecidas. Assim 
que ele estiver fazendo sua parte na brincadeira consistentemente, mude o jeito 
dele pedir, dando-lhe um novo modelo. Por exemplo, adicione uma contagem 
de “Um, dois, três” ao começo da brincadeira. Se a criança participava puxando 
a sua mão, ensine-lhe contar nos seus dedos ou nos dela para continuar a 
brincadeira. Quando você introduz uma nova participação na brincadeira, como 
contar, exagere esse modelo novo e diminua o ritmo antes de demonstrá-lo.
Depois que copia a mãe, 
as duas pulam juntas.
Para continuar a brincadeira, Luana 
contava nos dedos da mãe...
...mas agora ela conta sozinha.
154 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 155
 Nas brincadeiras muito familiares, ajude o seu filho a se comunicar por 
algum outro motivo que não o de pedir 
• Prepare-se para sugerir escolhas. Depois de ter ampliado a brincadeira crian-
do um novo jeito de participar, você pode, depois, oferecer para a criança 
uma escolha entre o jeito antigo e o novo. Por exemplo, depois que ela con-
segue pedir consistentemente “sobe” e “desce” numa brincadeira de Avião-
zinho, adicione algo novo. Em vez de sempre levantá-lo, tente rodá-lo. Mais 
tarde, você pode oferecer-lhe uma escolha entre “sobe” e “roda”.
• Esteja disposto deixar-se conduzir pelo seu filho. Nada funciona sempre 
como o planejado. Se o seu filho tiver outra idéia, prepare-se para incluí-
la na brincadeira. Foi o que a mãe do Zeca fez (página 152) quando ela o 
acompanhou no “Serra-serra” de um lado para o outro.
• Algumas crianças resistem a mudar suas brincadeiras conhecidas. Não de-
sista muito facilmente, mas se perceber que seu filho fica muito infeliz de 
brincar de um jeito diferente, simplesmente mude de brincadeira.
 Ajude o seu filho a usar as participações que ele já conhece (“pedidos 
aprendidos”) em novas brincadeiras, músicas, rotinas e outras atividades. 
Quando o seu filho transfere alguma coisa que aprendeu em uma situação para 
outra situação, ele faz uma generalização. Ajude seu filho a generalizar dando-
lhe oportunidades para usar a mesma participação em brincadeiras diferentes. 
Por exemplo, se ele levanta os braços para ser jogado para cima no jogo de 
“Aviãzinho”, dê-lhe outras chances de usar o seu “sobe”, por exemplo em um 
“Roda-roda-roda”. Você pode até tentar esperar que ele estenda seus braços para 
pedir para subir as escadas. A generalização é muito importante por que o seu 
filho aprende ausar suas novas habilidades de comunicação em muitas situações.
Brincadeiras com Gente no estágio de Comunicação básica
Neste estágio seu filho está mais experiente em brincar de Brincadeiras com Gente. 
Está desenvolvendo maneiras mais compatíveis de se comunicar e algumas vezes 
ele mesmo pode começar a brincadeira. Além de agir por conta própria, ele freqüen-
temente copia seus modelos verbais.
Nesse estágio, as metas para o seu filho são: 
 Pedir constantemente para que você continue a brincadeira 
 Mudar a maneira de fazer pedidos nas brincadeiras conhecidas (por exemplo, 
começar repetindo o que você diz e passar a completar frases)
 Comunicar-se não só para pedir, mas para fazer escolhas e comentários ou 
responder questões simples (como perguntas do tipo Sim ou Não)
 Trocar de papéis com você
 Começar a brincadeira por conta própria
 Usar as participações que ele já conhece em novas brincadeiras 
 Brincar com outras pessoas conhecidas
O que você pode fazer
 Para ajudar seu filho a participar constantemente, repita as Brincadeiras 
com Gente com freqüência. Quanto mais vocês brincarem juntos uma 
Brincadeira com Gente, mais provável será que seu filho participe para garantir 
a continuação da brincadeira.
 Mude a maneira de seu filho pedir, fornecendo modelos para suas 
participações. Inclua frases úteis nos seus modelos, de maneira que seu filho 
possa transferir palavras das brincadeiras para outras situações (por exemplo “Dá” 
“Me dá”, “Pára”, “Vai”, “Quero mais”, “Já”). À medida que o seu filho progredir, 
use menos modelos e dê dicas mais naturais, como frases para completar ou 
mostrar expectativa, para incentivá-lo a usar mais palavras espontaneamente.
 Arranje mais motivos para seu filho se comunicar
• Apresente escolhas dentro da brincadeira. Por exemplo, pergunte ao seu fi-
lho, que tipo de cócegas ele quer (“grandes” ou “pequenas”), onde ele quer 
cócegas (“na barriga” ou “debaixo dos braços”) ou onde procurar a mamãe 
(“no guarda roupa” ou “atrás da porta”)
• Inclua perguntas do tipo Sim ou Não nas suas Brincadeiras com Gente (por 
exemplo: “Você quer parar?”).
• Mude a brincadeira de maneira a dar uma oportunidade para ele comentar. 
Adicione alguma coisa nova à Brincadeira, faça algo inesperado ou alguma 
bobeira criativa para criar mais oportunidades para participações verbais, 
como pedidos, respostas e comentários.
O pai espera que Taís olhe para 
mostrar-lhe que quer mais “sobe”.
Mais tarde, ele diminui o ritmo e espera que ela tenha 
a mesma participação antes de ler “sobe” no livro dela.
156 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 157
Guilherme e o seu pai têm brincado de Pega-pega do mesmo jeito há bastante tempo.
Por exemplo, o pai de Guilherme adiciona alguma coisa nova – uma caixa - na 
sua brincadeira de Pega-pega. Quando Guilherme nota a caixa, seu pai aponta para 
ela e diz “Olha! Uma caixa!”. Depois de brincar desta maneira por algumas semanas, 
o pai de Guilherme diz “Olha!” e espera que Guilherme complete a frase.
 Incentive seu filho a trocar de papéis com você, para que ele possa 
experimentar alguma coisa sob o ponto de vista de outra pessoa. Por exemplo, 
se você normalmente é o pegador, mude a brincadeira: o seu filho passa a 
pegar você! Se quem recebe as cócegas for sempre ele, está na hora de ele fazer 
cócegas também.
Quando o pai de Guilherme põe uma caixa no chão, tem alguma coisa 
nova para fazer e sobre a qual falar durante a brincadeira.
 Planeje a situação de maneira que seu filho possa iniciar a brincadeira. Se você 
tem dado constantemente o mesmo modelo de palavras e ações para começar 
a brincadeira, seu filho pode ter aprendido como pedir para brincar. Ajude-o a 
pedir, dando algumas dicas sobre como começar a brincadeira. Por exemplo, você 
fica em uma posição associada a uma das brincadeiras ou vai para a sala onde 
vocês normalmente brincam disso. Pôr uma figura ou foto da brincadeira onde 
o seu filho possa ver, também pode lembrá-lo de pedir para brincar. Para que ele 
comece, você pode dar uma sugestão do tipo “Eu quero brincar” e, então, esperar 
que diga ou faça algo mostrando que também quer brincar.
 Faça com que seu filho brinque com outras pessoas. As Brincadeiras com 
Gente são as situações ideais para que irmãos e irmãs possam começar a brincar 
de maneira interativa por um tempo mais longo. Inclua também os avós, tios 
e tias primos e os amigos do seu filho. Se ele freqüenta a pré-escola ou creche, 
fale com sua professora sobre as brincadeiras já conhecidas para que possa 
praticá-las com alguns colegas na escola.
158 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 159
Seu “comunicador básico” aprenderá a fazer e falar mais nas Brincadeiras com Gen-
te se ele trocar de papéis e brincar com outras pessoas.
Brincadeiras de Gente no estágio de Parceria
Seu filho pode brincar muitas Brincadeiras com Gente com você e com outras pes-
soas. Ele fala espontaneamente, mas a maior parte da sua linguagem pode conti-
nuar vindo da repetição das suas palavras. Nesse estágio, muitas crianças não se 
limitam a fazer pedidos, mas também fazem perguntas e sugerem mudanças na 
brincadeira. As brincadeiras para as crianças no estágio de Parceria começam a 
se tornar mais complexas e menos “dirigidas” que as brincadeiras para crianças 
nos outros estágios.
Nesse estágio, os objetivos do seu filho são:
 Participar de brincadeiras nas quais ele possa se comunicar por vários motivos, 
especialmente para compartilhar seus pensamentos espontaneamente
 Participar de brincadeiras mais complexas, com novos tipos de participação
 Praticar vocabulário e gramática novos (por exemplo, fazendo e respondendo 
perguntas que começam com “O que”, “Quem” e “Onde”)
 Adicionar algumas brincadeiras de “faz de conta” às brincadeiras
 Brincar com outras crianças
O que você pode fazer
 Mude a maneira de seu filho se comunicar. Já que a maioria das crianças no 
estágio de Parceria usa um pouco de ecolalia, você pode continuar fornecendo 
modelos de comentários e perguntas para o seu filho copiar.
 Ajude seu filho a se comunicar por uma série de motivos durante 
as Brincadeiras com Gente. Uma das melhores maneiras de expandir 
as fronteiras da comunicação do seu filho para fora do “roteiro” da 
brincadeira é introduzir novidades. Tente algumas “bobeiras criativas”.
Agora que ele é um Brincador experiente, fazer alguma coisa fora do 
comum provavelmente chamará sua atenção e o incentivará a fazer 
algum comentário. Fingir que você não sabe como brincar pode levar 
seu filho a explicar as regras para você! Veja o que o pai de Fábio faz em uma 
brincadeira conhecida de “Roda-roda-roda”, e o efeito que isso tem sobre a 
comunicação de Fábio.
 Ajude seu filho na arte da conversação. Tente falar sobre o que está 
acontecendo enquanto vocês brincam. Por exemplo, faça um elogio sobre como 
ele está brincando (todo mundo gosta de elogios!). Numa brincadeira de Pega-
Pega, por exemplo, você pode dizer para o seu filho: “Você corre rápido. Eu 
corro devagar” e esperar que ele comente. Mantenha o assunto com alguma 
questão simples como “Você corre na escola?”, ou sugira correr em outro lugar 
No início, a mãe é quem pega o César. Depois, ele se transforma em pegador.
Quando o pai finge que não 
sabe como brincar, Fábio tem 
uma chance de ensiná-lo.
160 Capítulo 5
e pergunte-lhe aonde quer ir. Pense em muitas maneiras de manter a conversa 
andando. No entanto, não bombardeie seu filho com muitas perguntas – isso 
praticamente garante o fim da conversa.
 Ajude seu filho a brincar de maneira mais complexa criando novas fases na 
brincadeira. Por exemplo, adicione obstáculos diferentes a uma brincadeira de 
Pega-pega para torná-la mais interessante. Uma cadeira que precisa ser escalada 
ou uma cama para pular em cima tornam a brincadeira mais estimulante para 
seu filho e lhe dão oportunidades para fazere dizer coisas novas.
 Ajude seu filho a trabalhar seu vocabulário e habilidades gramaticais. Por 
serem repetitivas, as Brincadeiras com Gente dão oportunidades para que seu filho 
pratique repetidamente seu vocabulário e habilidades gramaticais. Por exemplo, se 
ele precisa de ajuda com perguntas começadas com “Onde”, brinque de Esconde-
Esconde, na qual a questão “Onde está o/a (nome da pessoa)?” é usada muitas 
vezes. Nas Brincadeiras com Gente, você pode escolher como alvo qualquer 
palavra ou forma gramatical que o seu filho precisa trabalhar. Um fonoaudiólogo 
pode ajudá-lo a decidir quais alvos escolher.
 Introduza imaginação nas brincadeiras. Introduza o “faz-de-conta” em todas 
as Brincadeiras com Gente. Num Pega-Pega, por exemplo, você pode ser Lobo 
Mau e o seu filho um dos três porquinhos. Se não correr rápido, o porquinho 
vai ser comido no jantar! Talvez seu filho goste de cócegas do “Monstro das 
Cosquinhas” ou brincar de Esconde-Esconde com seu bichinho de pelúcia 
preferido. Então você pode fingir que o bichinho fica triste ou surpreso 
quando alguém o encontra. Enquanto você representa, torne-se o monstro ou 
o lobo mau e mantenha-se no papel! Vai ser mais divertido para vocês dois. 
Além disso, mostrando o que esses personagens dizem e fazem, você dá ao 
seu filho algo para copiar quando é a vez dele de representar o papel. (Veja o 
Capítulo 11 para mais informações sobre faz de conta.)
 Ajude seu filho a brincar 
com outras crianças. 
Depois que ele tiver muita 
prática nas brincadeiras 
com você e a família, estará 
pronto para brincar com 
outras crianças. Ensine ao 
novo parceiro as regras 
da brincadeira, para que 
brinquem da mesma maneira 
que seu filho conhece. 
A maioria das brincadeiras nesta seção é apropriada, com adaptações, para crianças 
em todos os estágios de desenvolvimento da comunicação. Escolha brincadeiras que 
dêem ao seu filho as sensações que ele precisa e evite aquelas que possam estimulá-
lo demais. Algumas sugestões de tipos de brincadeiras que ele pode gostar foram 
dadas no início deste capítulo (p.149).
Nesta seção, você encontrará uma descrição detalhada de como brincar de 
“Achou!”, Esconde-esconde, Cosquinhas, Pega-pega, Cavalinho e Aviãozinho para 
crianças em cada um dos quatro estágios de comunicação. Para adaptar outras brin-
cadeiras para o seu filho, veja a seção anterior “Adapte as Brincadeiras com Gente 
para o estágio de comunicação de seu filho”, neste capítulo.
Achou
“Achou” é uma das primeiras Brincadeiras com Gente que as crianças aprendem. 
Ponha uma coberta sobre seu filho. Tire então a coberta para “descobri-lo” e diga 
“Achou!” Planeje quais participações seu filho pode ter para manter a brincadeira 
andando e quando pode participar – enquanto a coberta está sobre ele ou depois 
que você o descobriu. Os tipos e número de participações dependem do estágio de 
comunicação da criança.
Variações do Achou:
 Ponha a coberta sobre você em vez da 
criança. Agora a participação do seu filho 
na brincadeira é tirar a coberta. Se possível, 
arranje mais alguém que o mantenha 
interessado na brincadeira enquanto você 
estiver sob a coberta. Se ele estiver no estágio 
de Interesses Próprios ou de Pedidos, essa 
terceira pessoa também pode guiar a mão do 
seu filho para a coberta, se necessário.
 Se o seu filho gosta da sensação de pressão 
sobre o seu corpo, esconda-o sob alguns 
travesseiros ou almofadas. Se ele gosta da 
sensação de maciez sobre a pele, você pode 
usar uma coberta feita de tecido macio, como 
flanela ou tecido aveludado.
As Brincadeiras com Gente ficam mais divertidas 
ainda quando você acrescenta o faz-de-conta.
Algumas Brincadeiras com 
Gente para você e seu filho
O Tiago gosta de se esconder 
sob uma coberta macia 
quando brinca de “Achou”.
162 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 163
“Achou” no estágio de Interesses Próprios
O que você pode esperar
As participações do seu filho vão mudar à medida que ele brinca muitas vezes. 
Inicialmente, pode não fazer nada, mas mais tarde você pode esperar que ele faça 
algumas das coisas a seguir:
 Mexer-se embaixo da coberta
 Olhar rapidamente para você quando a coberta é tirada
 Emitir um som antes que a coberta seja tirada
 Tirar a coberta
 Sorrir ou rir
O que você pode fazer
 Transmita animação logo no começo – levante a coberta e exagere o que 
está para fazer. Quando seu filho estiver embaixo da coberta, diga numa voz 
animada: “Cadê (o nome do seu filho)?” Depois de alguns segundos, tire a 
coberta e diga: “Achou!” ou “É o (o nome do seu filho)!”
 Repita a brincadeira até seu filho não fugir mais depois que a coberta 
for tirada. A partir da próxima vez que você cobri-lo, não tire a coberta 
imediatamente. Espere até que ele mesmo empurre a coberta. Ele pode fazer 
outra coisa também – tal como se mexer sob a coberta ou emitir um som. Nesse 
estágio, trate qualquer coisa que fizer como sua participação e então tire a 
coberta, dizendo “É o (nome do seu filho)!”
 Vá aumentando gradualmente o tempo para colocar a coberta sobre o seu filho 
e antes de tirá-la. Provoque-o para que peça para cobri-lo, segurando a coberta 
sobre sua cabeça e olhando 
como quem espera. Ele pode 
participar puxando suas mãos 
para baixo de maneira que 
fique sob a coberta e continue 
a brincadeira.
Luana gosta da sensação de pressão 
sobre seu corpo, então sua mãe a 
esconde sob alguns travesseiros.
“Achou” no estágio de Pedidos
O que você pode esperar
Nesse estágio, seu filho vai brincar por mais tempo e mostrar-lhe que quer conti-
nuar a brincar usando determinado som ou ação. Se você criar oportunidades, ele 
pode ter novas participações.
Você pode esperar que ele aprenda a fazer algo do seguinte:
 Pedir com um olhar, ação ou som que você ponha ou tire a coberta de sua cabeça 
 Copiar a sua contagem de dedos
 Tirar a coberta dele mesmo ou de você para manter a brincadeira andando
 Pedir para você pôr a coberta sobre a cabeça dele puxando sua mão
 Acenar um “oi”
O que você pode fazer
 Comece a brincadeira levantando a coberta enquanto seu filho olha para você. 
Diga algo como “Vou esconder o Tiago”. Então esconda seu filho sob a coberta. 
Diga “Cadê o Tiago?”. Depois de alguns segundos de espera, espere que o seu 
filho tire a coberta. Então diga algo como “É o Tiago!” ou “oi” e acene um 
“oi” para o seu filho. Espere que o seu filho use um som, ação ou ambos para 
mostrar-lhe que quer ser escondido novamente.
 Brinque deste jeito até que seu filho participe consistentemente antes e depois 
de ser coberto
 Adicione novas participações à brincadeira conhecida. Por exemplo, 
adicione contagem (“um, dois, três”) ao começo da brincadeira e acene um 
“oi” com um fantoche quando tirar a coberta. Seu filho pode copiar essas 
ações. Se ele não copiar seu modelo de abanar a mão para dizer “oi”, 
você pode ajudá-lo guiando sua mão em um “oi”. Depois, dê apenas um 
tapinha no ombro para estimulá-lo a dizer “oi”.
 Mude o jogo depois que o seu filho tiver dominado as participações da 
brincadeira original. Ponha a coberta sobre sua cabeça em vez da do seu filho.
 Use as participações aprendidas no “Achou” em outras brincadeiras. Por 
exemplo, brinque de esconder atrás da porta ou da cortina. Certifique-se de 
manter o mesmo “roteiro”. Se a participação do seu filho for tirar a coberta da 
cabeça, ele pode empurrar a porta ou a cortina para aparecer e fazer a sua parte.
164 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 165
“Achou” no estágio de Comunicação básica
O que você pode esperar
Nesse estágio, seu filho está brincando por mais tempo e participando com palavras 
ou ações. Ele pode até fazer um comentário sobre a brincadeira por conta própria.
Você pode esperar que seu filho aprenda algumas 
das seguintes coisas:
 Tirar a coberta
 Dizer “oi” ou “estou aqui” quando a coberta for retirada e acenarOlhar para você e usar um gesto, palavra ou frase para pedir que continue a 
brincadeira
 Completar frases, tal como “Cadê o (nome da pessoa embaixo da coberta)?”
 Responder questões simples, muitas vezes repetindo a última palavra que você 
disse (por exemplo, questões de escolha, tais como “Coberta em cima da mamãe 
ou do Tiago?”)
 Responder a perguntas do tipo Sim ou Não, sacudindo a cabeça ou com uma 
palavra. 
 Começar a brincadeira entregando-lhe uma figura ou jogando a coberta em 
você ou nele mesmo, dizendo “Cadê (nome da pessoa embaixo da coberta)?”
 Fazer um ou dois comentários
 Usar as participações que aprender nessa brincadeira em outras atividades
 Brincar de “Achou” com outras pessoas conhecidas
O que você pode fazer
 Brincar de “Achou” muitas vezes: de manhã, na hora de dormir e no mínimo 
mais uma vez durante o dia.
 Se quiser que o seu filho acene e diga algo como “Sou eu” ou “Oi” quando a coberta 
é tirada, faça com que os modelos dessas palavras e ações chamem atenção:
diminua o ritmo antes de apresentá-los. À medida que seu filho for aprendendo os 
modelos, vá dando dicas cada vez menos explícitas, como iniciar a sentença com 
“Sou...” e mostrar expectativa enquanto espera que ele complete a frase.
 Assim que seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, você pode apresentar 
escolhas enquanto brincam, como escolher onde seu filho gostaria de se esconder: 
“Travesseiro ou coberta?”. Quando vocês tiverem um repertório de algumas 
brincadeiras, faça que o seu filho escolha entre as brincadeiras. Você pode colocar 
figuras das brincadeiras para escolher em um quadro. (Veja o capítulo 7 para saber 
No início, Tiago espera que a 
sua mãe tire a coberta.
Depois o Tiago sai da coberta 
por conta própria!
A mãe mostra a Tiago omo participar de uma nova maneira – acenando um “oi” para o pai.
166 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 167
mais sobre Painel de Opções.) Envolva outras pessoas na brincadeira e então deixe 
que seu filho escolha quem se esconderá sob a coberta: “Papai ou Tiago?”.
 Varie a brincadeira fazendo 
alguma coisa inesperada, como 
a mãe de Tiago faz na figura. 
Quando se levanta e foge com 
a coberta sobre ela, dá ao pai 
uma oportunidade ideal de 
comentar sobre sua travessura: 
Tiago repete o que o pai diz. 
Continue procurando novas 
coisas inesperadas para manter os 
comentários acontecendo!
 Quando seu filho estiver brincando 
e participando freqüentemente, 
estimule-o a trocar de papéis com 
você. Se ele tem sido escondido 
sob a coberta, tente que ele 
esconda você. Enquanto estiver 
escondida, você não poderá mostrar-lhe o que fazer. Então, se possível, envolva o 
pai, avô ou avó, irmã, irmão ou babá na brincadeira. Se o seu filho precisar de uma 
dica, esta terceira pessoa pode desempenhar o papel de “Ajudante”, dizendo “Cadê a 
mamãe?” e começar a puxar a coberta da sua cabeça. 
 Ajude a criança a começar o jogo por conta própria. Deixe a coberta de esconder 
convenientemente visível e dê uma dica como “Olha, a coberta de esconder”.
 Faça seu filho experimentar suas novas habilidades de comunicação em outras 
brincadeiras e atividades. Esconda-se atrás da cortina, procure por brinquedos 
escondidos ou acene “oi” para pessoas da janela. Ache um livro que faca a mesma 
pergunta que você faz na brincadeira, como “Cadê o Bolinha”de E. Hill. 
 Quando seu filho estiver conhecendo bem a brincadeira, inclua outros 
membros da família. Traga uma irmã/ão ou a vovó, então pergunte quem deve 
se esconder sob a coberta, “Vovó ou Ana?” Lembre-se de explicar para a pessoa 
exatamente como você vem brincando, de maneira que ela possa oferecer as 
mesmas oportunidades para seu filho se comunicar.
Esconde-esconde
Quando seu filho está no estágio de Comunicação Básica ou no de Parceria, pode 
estar pronto para mudar de “Achou” para “Esconde-esconde”. Como em “Achou”, no 
“Esconde-esconde” seu filho pode se esconder em lugares apertados ou ser coberto 
por travesseiros e cobertas. Mas o Esconde-esconde oferece a ele maior variedade 
de participações. 
O Esconde-esconde nos estágios de 
Comunicação básica e de Parceria
Ensine essa brincadeira ao seu filho fazendo com que ele comece se escondendo - há 
menos demandas para a pessoa que se esconde. Ajude-o a se esconder atrás do sofá, 
embaixo de uma cadeira ou atrás de uma cortina. Conte devagar até dez, e então diga 
“Estou indo”, “Lá vou eu” ou “Cadê o (nome da criança)?” Ache seu filho. Depois, você 
e seu filho podem trocar de papéis - ele será o “pegador”. Quando começar a brincar 
assim, precisará de uma terceira pessoa para modelar a participação do seu filho.
O que você pode esperar
Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas:
 Esconder e então procurar
 Contar para começar a brincadeira
 Falar para o “escondido” que está chegando (repetindo seu modelo ou usando 
suas próprias palavras)
 Dizer para o “escondido” que ele foi achado (Por exemplo: “Peguei você / Te 
peguei” ou “Achei você / Te achei”)
 Anunciar de quem é a vez de se esconder e quem será o pegador
 Completar frases usando palavras
 Responder perguntas com palavras ou gestos
 Fazer perguntas tipo Sim ou Não, Onde/Cadê e Quem (no estágio de Parceria)
 Fazer comentários
O que você pode fazer
 Forneça modelos para as participações do seu filho. Por exemplo, enquanto 
está procurando, use as palavras que ele pode dizer quando for o pegador: 
“Cadê você? Onde está você?” ou “Estou te vendo!” Quando seu filho estiver 
procurando, inclua uma outra pessoa que o acompanhe. Ela pode dizer coisas 
que seu filho diria se pudesse, como “Cadê a mamãe?” e “Será que a mamãe está 
Quando a mãe de Tiago faz algo inesperado, dá-lhe uma 
nova razão para se comunicar – comentar sua bobeira.
168 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 169
na cozinha?”. Essa pessoa também pode esconder-se com seu filho, dizendo algo 
como “Você me achou!” quando forem descobertos.
 Dê a dica certa para ajudar seu filho participar. No começo, seu filho pode 
precisar de ajuda física tanto para ficar escondido como para procurar. Quando 
seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, dê dicas menos explícitas. 
Espere que a criança “complete as frases” para que complete comentários como 
“Mamãe não está no...”, quando abre a porta do quarto. Faça perguntas no seu 
nível (por exemplo, “Você está vendo a mamãe?” no estágio de Comunicação 
Básica e “Quem está escondido?” para a criança no estágio de Parceria). À medida 
que a criança progredir, dê pistas como “Estou escutando a mamãe” ou “Mamãe 
não está na cozinha”. Seu filho pode também precisar de instruções, tais como 
“Comece a contar”, ou instruções do que falar, tais como “Diga, estou indo”.
 Quando seu filho aprender a participar da brincadeira, torne-a mais complexa.
Faça de conta que não consegue encontrar seu filho e procure em diversos 
cômodos, dizendo “Mamãe está procurando na cozinha. Nada do (nome do seu 
filho). Mamãe está procurando atrás da porta. Nada do (nome do seu filho)”. 
Quando por fim você achar seu filho, diga: “Ah, você está ai” ou “Estou te vendo”. 
 Quando seu filho estiver muito familiarizado com a brincadeira, troque de 
papéis para que ele participe como “Pegador”. Esse papel dá mais oportunidades 
de participações verbais. Incentive seu filho a usar o mesmo roteiro que você 
usou quando procurava por ele.
Cócegas ou Cosquinhas
Muitas crianças pequenas gostam de Brincadeiras com Gente envolvendo algum 
tipo de toque ou pressão profunda, tais como cócegas, batidinhas leves, massagem 
ou abraço. Esses tipos de brincadeiras são especialmente atraentes para crianças que 
buscam ativamente essas sensações. Um toque firme ou pressão profunda podem ter 
um efeito calmante sobre algumas crianças. Em vez de fazer cócegas, tente dar-lhe 
alguns apertões firmes, mas gentis, acima da sua barriga.É gostoso dar e receber cócegas. 
Fique frente a frente com 
seu filho enquanto brinca de 
cócegas, para que ambos possam 
ver as reações do outro.
Erga sua mão na posição de cócegas 
e, em uma voz bem animada, diga 
“Cosquinhas!”. Espere para que seu 
filho participe e então faça cócegas 
de maneira divertida, dizendo “Cos-
quinhas, cosquinhas, cosquinhas!”.
Certifique-se de que você e seu 
filho estejam frente a frente quan-
do brincar de Cócegas. Se ele es-
tiver sentado numa cadeira, ajoe-
lhe-se em frente. Se estiver deitado, 
deite-se ao lado, de frente para ele, 
ou incline-se sobre ele para que fi-
quem olhando um para o outro.
No começo seu filho pode se esconder...
... depois pode ser o pegador.
170 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 171
O pai espera por um sorriso e 
uma tentativa de alcançar suas 
mãos antes de fazer cócegas.
Luana conta nos dedos da sua 
mãe para conseguir cócegas.
Cócegas no estágio de Interesses Próprios
O que você pode esperar
A brincadeira de Cócegas será curta no começo. Seu filho pode fugir depois da primeira 
cosquinha. Mas você pode esperar, depois de algum tempo, que ele faça algumas das 
seguintes coisas:
 Olhar brevemente pra você
 Tentar alcançar sua mão
 Sorrir e rir
O que você pode fazer
 Faça a brincadeira de Cócegas ficar empolgante, sendo muito animado e 
fazendo cócegas no seu filho por pouco tempo, mas com muito entusiasmo.
 Repita as cócegas e, gradualmente, espere cada vez mais tempo com suas 
mãos na “posição de cócegas” antes de fazer cócegas de novo. Isso lhe dá 
oportunidade de sorrir, olhar para você ou puxar suas mãos na direção dele. 
Lembre-se que ele pode fazer somente uma dessas coisas, todas elas 
juntas ou mesmo mais alguma outra. Talvez ele mova seu corpo em sua 
direção ou comece a rir.
 Trate qualquer reação da criança como se tivesse pedido para fazer-lhe 
cócegas de novo. Quando você descobrir como seu filho participa, pode dar-
lhe dicas para que participe de novo. Por exemplo, se ele puxar suas mãos para 
baixo, garanta que a posição das suas mãos permita que ele as puxe de novo.
Cócegas no estágio de Pedidos
O que você pode esperar
Nesse estágio, espere seu filho pedir por cócegas, provavelmente puxando sua mão. Ele 
pode começar pedindo por mais depois que tiver brincado de cócegas algumas vezes, 
mas somente se você lhe der a oportunidade, parando e mostrando expectativa. À medi-
da que seu filho progride, vai brincar por mais tempo e participar de outras maneiras. 
Você pode esperar do seu filho faça alhumas das coisas seguintes:
 Olhe para você
 Faça um gesto ou som para pedir por Cócegas
 Sorria ou ria 
 Guie seus dedos quando você contar, depois imite 
sua contagem nos próprios dedos e, finalmente, 
complete a seqüência de contagem levantando o 
dedo da própria mão.
 Faça um movimento que indique onde quer 
cócegas (por exemplo, levantando os braços para 
pedir cócegas debaixo dos braços).
O que você pode fazer
 Adicione participações à brincadeira de Cócegas 
contando até três, tanto oralmente como nos 
dedos, antes de fazer cócegas no seu filho. No 
início, você precisa apresentar modelos exagerados 
de contagem de dedos. Depois, espere um pouco para que seu filho o imite. Se não 
imitar, pode precisar ajuda física para levantar os dedos. (Se o seu filho levantar 
os seus dedos - não os dele - antecipando o que você faria, deixe que essa seja 
a participação dele). Finalmente, incentive-o a completar a frase levantando três 
dedos nas mãos dele enquanto você conta “Um, dois...”. Se ele não levantar os três 
dedos, ajude-o levantando os seus dedos (não os dele) e repetindo “Um, dois...” 
Espere que ele copie você. Assim que participar, faça-lhe cócegas.
 Crie novas oportunidades para seu filho dizer que quer mais. Por exemplo, você 
pode perguntar-lhe se deseja continuar brincando dizendo “Mais?” ou “De novo?” 
e modelar um gesto de cabeça para “sim” e outro para “não”. Ou você pode 
ensinar o sinal manual para “mais”.
 Faça cosquinhas no seu filho em outras partes do corpo, como nariz, debaixo 
dos braços ou nas pernas. Exagere os nomes das partes do corpo antes de fazer-
lhe cócegas. Depois, espere antes de continuar a brincadeira para lhe dar chance 
de dizer que quer mais, levantando o braço ou a perna.
172 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 173
 Depois de um tempo fazendo cócegas em diferentes partes do corpo, tente 
introduzir uma escolha entre duas opções. Se disser “Cosquinha no nariz ou 
cosquinha no braço?” e o seu filho levantar o braço, saberá que ele aprendeu o 
significado dessas palavras. Ele também aprendeu a se comunicar não somente 
para pedir, mas também para responder.
 Mude a maneira do seu filho pedir. Com modelos exagerados repetidos, ele 
pode começar a dizer “Có...” quando puxa sua mão em direção a ele para pedir 
cócegas, ou fazer o gesto de cócegas ou um sinal manual para “mais”.
Cócegas no estágio de Comunicação básica
O que você pode esperar
Seu filho gosta de fazer e receber cócegas e pode brincar por um longo tempo. 
Você pode esperar que ele aprenda algumas das coisas a seguir:
 Pedir por cócegas de maneira consistente, com gestos ou palavras.
 Completar frases, tais como “Eu quero... (cosquinhas)”.
 Responder perguntas de escolha sobre qual tipo de cócegas quer, principalmente 
repetindo a última palavra ouvida; responder questões do tipo Sim ou Não sobre 
onde quer as cócegas (por exemplo: “No nariz?”)
 Fazer um ou dois comentários
 Começar a brincadeira com você e outras pessoas
O que você pode fazer
 Forneça modelos das suas participações e então dê as 
dicas certas para ajudá-lo a fazer a sua parte. Diga 
isso da maneira que ele faria se pudesse, como “Quero 
cosquinha” ou “na perna”. Para ajudar seu filho a aprender a responder perguntas 
sobre onde quer as cócegas, forneça dicas visuais e dê oportunidades para 
completar frases. Por exemplo, aponte para uma parte do corpo, como seu braço, 
e diga “Cosquinhas no...” e espere que diga “braço”. Faça perguntas no seu nível, 
como “Quer uma cosquinha ou uma coscona?”. Ou uma pergunta do tipo Sim 
ou Não como “Quer mais cosquinha?”. Não faça muitas perguntas e pergunte em 
situações naturais, para que a brincadeira não vire um questionário.
 Aumente os motivos pelos quais seu filho se comunica, fazendo o inesperado 
e oferecendo opções. Se ele pede por cócegas nos braços, provoque-o fazendo 
cócegas na sua cabeça. Talvez ele corrija o seu “erro”, dizendo que não pediu 
aquilo. Ofereça opções que ajudarão seu filho a aprender palavras novas. Por 
exemplo, pergunte “Você quer cócegas no nariz ou nos ombros?” ou “Quer uma 
cosquinha grande ou uma cosquinha pequena?”.
 Troque de papéis, para que seu filho possa fazer e receber cócegas. Pode ser 
mais fácil para ele trocar de papel se tiver um “aparelho fazedor de cócegas” 
– algo que ele possa usar para fazer cócegas, como um espanador de penas, 
por exemplo. O “Fazedor de cócegas” funciona também como um lembrete 
visual da brincadeira.
 Nesse estágio, está na hora da família toda entrar na brincadeira. Mostre aos 
outros como brincar e incentive-os a brincar com seu filho sempre que puderem. 
Se ele tiver um irmão ou irmã, certifique-se de que ambos possam fazer e 
receber cócegas. Para incentivar seu filho a começar a fazer cócegas em outro 
membro da família, tente uma dica – “Papai precisa de umas cosquinhas”, mais 
uma dica visual, como apontar para o papai.
 Faça com que seu filho teste suas novas habilidades de comunicação em 
brincadeiras parecidas. Faça cócegas nele primeiro e então façam cócegas em 
todos os seus bonecos ou bichinhos de pelúcia, chamando o nome de cada um 
que receber as cócegas.
Cócegas no estágio de Parceria
O que você pode esperar
Nesse estágio, você e seu filho estarão participando de forma mais equilibrada. 
Ambos estarão participando fazendocócegas um no outro e pode perguntar e res-
ponder questões sobre a brincadeira.
Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas:
 Responder mais perguntas sobre a brincadeira
 Dizer o que você deve fazer – por exemplo, onde fazer cócegas, em quem fazer 
cócegas
 Usar suas próprias palavras – por exemplo, para anunciar em quem ele vai fazer 
cócegas
 Brincar imaginativamente e com outras pessoas
O que você pode fazer
 Além de brincar da mesma maneira que brincaria com uma criança no estágio 
de Comunicação Básica, tente fazer perguntas do tipo “Q”, tais como “Qual 
tipo de cócegas você quer?” ou “Onde você quer cócegas?” “Em que lugar você 
quer cócegas?” ou “Em quem vamos fazer cócegas?”, “Quem faz cócegas?” No 
entanto, lembre-se de não bombardear seu filho com perguntas. Se ele não 
conseguir responder a uma pergunta, pergunte de novo e mostre um modelo 
enfático da resposta. Por exemplo, se não conseguir responder a “Em quem 
vamos fazer cócegas?” diga “Em quem vamos fazer cócegas? Vamos fazer 
174 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 175
cócegas no Papai”. Você pode então refazer a pergunta para dar-lhe uma chance 
de responder sozinho.
 Você pode introduzir brincadeiras de faz-de-conta fazendo cócegas nos 
animais de pelúcia e bonecos do seu filho, fingindo que eles estão pedindo 
“Mais cosquinhas”, “cosconas”, ou “cosquinhas na cabeça”. Há muitas 
possibilidades para ampliar a brincadeira de Cócegas, evitando ficar preso 
à mesma coisa por muito tempo. Nesse estágio, seu filho pode até ter suas 
próprias idéias sobre como brincar. 
Pega-pega
Brincadeiras com correria são as favoritas de crianças que estão sempre em mo-
vimento. Pega-pega é uma brincadeira na qual você corre atrás do seu filho para 
pegá-lo ou que ele corre atrás de você! Depois que seu filho aprender a brincadeira 
com você, será mais fácil incluir outras crianças e brincar no parque ou na escola.
Pega-pega no estágio de Interesses Próprios
O que você pode esperar
No começo, seu filho provavelmente não terá qualquer participação, mas depois de 
um tempo você poderá esperar que ele:
 Comece a olhar para você quando estiver correndo
 Tente continuar correndo quando você conseguir pegá-lo, empurrando sua mão
 Ria sorria e olhe para você quando pegá-lo
O que você pode fazer
 Comece a brincadeira quando seu filho estiver correndo de você. Chame seu 
nome e diga “Vou te pegar” e aponte para ele. Então, corra atrás dele enquanto 
repete “corre, corre, corre”. Torne a brincadeira muito divertida e finja que não 
consegue pegá-lo. Então, depois de alguns segundos, pegue-o levantando-o ou 
dando-lhe um grande abraço e diga: “Te peguei!”. Segure-o por alguns segundos. 
Diga: “Corra!” ou “Vai!”, antes de deixá-lo sair correndo novamente.
 Repita a brincadeira desse jeito. Gradualmente seu filho vai começar a olhar 
para trás, esperando que você vá pegá-lo. Para ajudá-lo a fazer isso, a cada 
vez que vocês brincarem, espere um pouco mais antes de deixá-lo ir. Você está 
esperando por uma nova participação – um olhar do seu filho que quer dizer 
“Me solta! Me deixa ir”
Pega-pega no estágio de Pedidos
O que você pode esperar
Nesse estágio, seu filho provavelmente incluirá você na sua brincadeira de correr e 
entenderá o que deve fazer para conseguir que você o persiga.
Você poderá esperar algumas das seguintes coisas:
 Pedir que você o persiga, olhando para você quando estiver correndo
 Rir enquanto olha para você 
 Olhar para você e empurrar sua mão quando conseguir pegá-lo
 Emitir um som depois que você disser “Um, dois e ... já!”. 
O que você pode fazer
 Brinque exatamente da mesma maneira que você faria com uma criança no 
estágio de Interesses Próprios, mas agora não pegue seu filho muito rápido. 
Espere que ele participe voltando-se e olhando para você. Quando pegá-lo, 
espere que empurre sua mão para lhe mostrar que quer correr de novo.
176 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 177
 Quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, adicione uma 
nova oportunidade para que ele se comunique quando for pego. Você pode 
dizer “Pronto? Um, dois, três e já!” antes de soltá-lo, e, à medida que ele ficar 
familiarizado, dê um modelo parcial (isto é, “Pronto? Um, dois e ...”). Espere que 
ele complete a frase com um som ou um movimento.
Pega-pega no estágio de Comunicação básica
O que você pode esperar
Nesse estágio, seu filho aprende como conseguir que você o persiga imitando seu 
modelo. Para começar a brincadeira você pode dizer “Corre”, “Me pega”, “Pronto? 
Um, dois, três e já!”.Você poderá esperar algumas das seguintes coisas:
 Começar a brincadeira de Pega-pega olhando para você e dizendo “Corre!” ou 
“Me pega!”.
 Repetir o que você diz para manter a brincadeira acontecendo.
 Completar uma frase para manter a brincadeira, como “Pronto? Um, dois, três e já!”.
 Responder perguntas de escolha, tais como “Você quer correr rápido ou devagar” 
e perguntas do tipo Sim ou Não, como “Você quer pegar o Papai?”.
O que você pode fazer
 Mude a brincadeira, criando oportunidades para novas participações.
Comece a brincadeira dizendo “Corre!” “Me pega!” ou “Pronto? Um, dois, 
três e já!”. Corra para diferentes cômodos na casa enquanto diz: “Corre! Para 
a cozinha!” ou “Corre! Para o banheiro!”. Depois que tiver brincado de Pega-
Pega muitas vezes, você pode oferecer ao seu filho uma escolha sobre onde ele 
quer ir: “Cozinha ou banheiro?”. 
Você pode ainda transformar o Pega-pega em uma corrida de obstáculos. Bloqueie o 
caminho do seu filho ou ponha algumas almofadas no caminho. Então modele um 
comentário, como “Olhe! Uma caixa!”, “Opa!”, ou alguma coisa que ele possa dizer 
para continuar a brincadeira, tal como “Sai!”. 
 com seu filho e faça com que ele pegue você. Mostre um modelo do que dizer 
como pegador. Diga “Pega a mamãe!” e fuja dele. Logo ele pode começar a dizer 
“Pega a mamãe”, também. Se incluir outras pessoas na brincadeira, seu filho 
pode aprender a generalizar sua participação, dizendo “Pega o Papai!”, “Pega o 
Alessandro !”, etc. 
O pai de Guilherme muda 
a brincadeira pondo um 
“bloqueio” no caminho.
O pai de Álvaro muda 
a brincadeira sendo ele 
mesmo o “bloqueio”.
178 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 179
Pega-pega no estágio de Parceria
Pega-pega no estágio de Parceria é mais elaborado que para uma criança em qual-
quer outro estágio, já que ela pode responder a mais tipos de perguntas e gerar suas 
próprias idéias.
O que você pode esperar
Durante a participação do seu filho você pode esperar que seu filho faça algo como:
 Pedir verbalmente que você o persiga 
 Responder suas perguntas (por exemplo: “Você quer me pegar?”)
 Imitar seus modelos
 Fazer perguntas
O que você pode fazer
 A brincadeira apresenta muitas oportunidades para que seu filho se comunique 
por outras razões, além de pedir que você o persiga ou deixe-o correr. Se você 
montar um percurso com obstáculos, ele pode falar os nomes dos obstáculos 
enquanto você tenta pegá-lo, em volta de um vaso de planta, sobre a cama 
ou de um quarto para o outro. Ele pode sugerir novos objetos para colocar no 
percurso e como o percurso deve ser percorrido.
 Se o seu filho estiver pronto, inclua alguma brincadeira de faz-de-conta. Em vez 
de ser o papai, você pode ser o personagem de uma história que ele gosta (por 
exemplo, o Lobo Mau) ou um dragão malvado. Finja que ele é um porquinho ou 
um pequeno dinossauro que você quer “jantar”. Depois troque os papéis e deixe 
que seu filho tente pegar você para jantar.
Cavalinho
Na Brincadeira de Cavalinho, seu filho 
sobe nos seus ombros ou, se ele gosta da 
sensação de pressão profunda, pode deitar-
se de barriga para baixo sobre suas costas 
para uma “cavalgada”. Quando você parar, 
a participação dele será pedir que recome-
ce. Subsequentemente, seu filho poderá lhedizer quando parar e quando andar.
Cavalinho no estágio de Interesses próprios
O que você pode esperar
Assim como em todas as brincadeiras, as participações do seu filho vão mudar à 
medida que brinca mais e mais vezes. Inicialmente, ele pode sair do “cavalo” rapi-
damente, mas mais tarde você pode esperar que ele faça algo do seguinte:
 Rir ou sorrir durante a “cavalgada”
 Mover seu corpo quando o “cavalinho” parar
 Emitir sons quando o “cavalinho” parar
O que você pode fazer
 No início, dê uma pista da brincadeira ficando de quatro e dizendo “Cavalinho!” 
com animação. Se você relinchar, provavelmente vai obter atenção.
 No começo, só faça com que seu filho “curta” a cavalgada. Repita a brincadeira 
dizendo “Upa” quando se move para frente, então “Ôa, pára!”. Aumente 
gradualmente o tempo de espera, de maneira que seu filho possa indicar que 
quer continuar. Se ele não fizer nada, tente mover seu corpo um pouquinho para 
frente e então pare.
Cavalinho no estágio de Pedidos
O que você pode esperar
Você pode esperar do seu filho algumas das seguintes coisas:
 Rir ou sorrir durante a “cavalgada”
 Mover seu corpo quando o “cavalinho” parar
 Bater no cavalo para fazê-lo andar
 Dizer alguma coisa que soe como “Upa” quando o “cavalinho” parar.
 (Relincho)
180 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 181
O que você pode fazer
 Brinque de Cavalinho como se fosse com uma criança no estágio de Interesses 
Próprios, mas espere um pouco mais pela participação do filho quando o 
“cavalinho” parar.
Cavalinho no estágio de Comunicação básica
O que você pode esperar
Você pode esperar que ele aprenda algumas das seguintes coisas:
 Dizer “Upa” e “Ôa, pára”, primeiro copiando você e depois por conta própria
 Fazer uma escolha (“Rápido ou devagar”, por exemplo)
 Começar a brincadeira dizendo “cavalinho” ou empurrando você para a 
posição de cavalinho
 Comentar sobre alguma coisa nova
 Responder uma pergunta do tipo Sim ou Não, como “Quer mais uma voltinha?”.
O que você pode fazer
 Forneça modelos verbais de “Upa” e “Ôa, pára”. Tente dar modelos que tornem 
mais fácil para seu filho completar frases: “Pai – upa!”, “Pai – Ôa, pára!”
 Prolongue a brincadeira fazendo o cavalo andar mais rápido ou mais devagar, e 
de um cômodo para o outro. Então ofereça opções tais como “Quer ir rápido ou 
devagar?”, ou “Cozinha ou quarto?” Ou ponha obstáculos no caminho do cavalo 
para estimular seu filho a comentar sobre a nova situação (“Opa!” ou “Olha uma 
cerca!”) ou dizer-lhe como fazer (“Pule!”, por exemplo)
Cavalinho no estágio de Parceria
O que você pode esperar
Você pode esperar que seu filho faça algumas dessas coisas:
 Responda perguntas sobre a brincadeira (“Para onde você quer ir?”)
 Diga o que fazer (Por exemplo, “Upa! Vai mais rápido, papai!” ou “Ôa! Vai mais 
devagar, cavalinho!”)
 Compartilhe suas idéias comentando (“Cavalinho legal” ou “Cavalinho bobo”)
O que você pode fazer
O “Cavalinho” usual torna-se uma brincadeira mais elaborada nesse estágio. Você pode 
introduzir brincadeira de “faz-de-conta”. Seu filho pode gostar de fingir que está ca-
valgando o cavalo até a escola ou que o cavalo precisa beber água. Lembre-se que seus 
modelos e comentários ajudarão seu filho a inventar novas idéias tanto quanto ou mais 
do que se você ficasse fazendo um monte de perguntas. Por exemplo, se você disser 
“Este cavalo está muito cansado”, ele pode dizer “Vai dormir, cavalo”. No entanto, se 
disser “O que o cavalo deve fazer?” a brincadeira pode acabar depressa se ele não con-
seguir elaborar uma resposta.
Aviãozinho
Nas brincadeiras de Aviãozinho, você joga 
seu filho para cima, levanta-o em pé sobre 
seus joelhos, leva-o em um passeio sobre suas 
pernas e então o coloca de volta no chão. 
Como pode perceber, há muitas variações de 
Aviãozinho. Se o seu filho gosta de movimento, vai 
gostar pelo menos de uma dessas brincadeiras.
Aviãozinho no estágio de Interesses Próprios
O que você pode esperar
Neste estágio, seu filho pode não participar. No começo pode fugir depois de apenas 
uma seqüência de “decolagem” e “aterrissagem”. Mais tarde você pode esperar que 
ele faça o seguinte:
 Olhe para você quando jogá-lo para cima.
 Olhe para você quando colocá-lo no chão.
 Levante os braços ou o corpo para pedir mais.
O que você pode fazer
 Consiga a atenção do seu filho e então comece a brincadeira. Mantenha seus braços 
em posição de pegá-lo quando perceber que ele está olhando para você e diga “Sobe?” 
Pegue-o e jogue-o para cima sobre sua cabeça dizendo “Sobe”. Ponha-o de volta no 
chão e estenda os braços para cima na direção dele, perguntando “Sobe?”.Mesmo que 
não responda, levante-o dizendo “Sobe” e continue a brincar da mesma maneira. Não 
espere por muito tempo no começo, porque ele ainda não saberá o que fazer.
 Cada vez que você brincar, espere mais tempo antes de levantá-lo. Dê-lhe uma 
dica, estendendo-lhe os braços, para que ele levante o corpo ou os braços ou 
olhe para você.
182 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 183
Aviãozinho no estágio de Pedidos
O que você pode esperar
Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas:
 Olhar para você e levantar os braços ou o corpo.
 Emitir um som direcionado a você
 Olhar para você para pedir que o coloque no chão.
 Fazer contagem nos seus dedos
 Imitar você, contando nos próprios dedos 
O que você pode fazer
 No começo da brincadeira adicione a contagem: “Um, dois, três – sobe!” (Veja 
Cócegas no estágio de Pedidos, pág. 171, para informações sobre como adicionar a 
contagem na brincadeira). A contagem prepara seu filho para o divertimento que 
virá a seguir e cria oportunidades para novas participações. Se ele não imitar sua 
contagem de dedos, ajude-o guiando seus dedos à medida que diz cada número.
Aviãozinho no estágio de Comunicação básica
O que você pode esperar
Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas:
 Olhar para você e pedir para “subir” usando uma só palavra (“Sobe!”).
 Olhar para você e pedir para voltar para o chão com uma só palavra (“Desce!”) 
 Copiar a contagem nos dedos e repetir os números para continuar brincando.
 Completar várias frases durante a contagem (Um, ___, três, por exemplo)
O que você pode fazer
 Se o seu filho está começando a “ecoar”, ajude-o a participar verbalmente 
estimulando-o a completar as frases durante sua contagem “Um, dois....”. Faça-o 
saber que você quer sua participação: diminua o ritmo antes do “três” e espere para 
dar-lhe oportunidade de completar. Quando ele estiver dominando a brincadeira, 
pode ter várias participações: completar as frases para todos os números. Inclua 
também algumas frases de apoio, tais como “Eu quero...”. Pouco a pouco, vá falando 
cada vez menos, para que seu filho possa completar a frase por conta própria.
 Acrescente novos movimentos à brincadeira para que seu filho participe de 
outras maneiras. Faça-o girar em vez de jogá-lo para cima. Então você pode 
oferecer-lhe uma escolha durante a brincadeira: “Subir ou rodar?”. Faça coisas 
inesperadas. Quando ele disser que quer descer, deixe-o lá em cima ou coloque-
o em um lugar diferente, como na cama ou no sofá.
Aviãozinho no estágio de Parceria
O que você pode fazer
 Adapte o jogo de maneira que seu filho tenha muitas oportunidades de 
participar verbalmente: abaixá-lo para o chão bem devagar algumas vezes e 
então fazer isso depressa, modelando a fala que descreve o que está fazendo. 
Então ofereça uma opção: “Você quer ir rápido ou devagar?” Você pode levantar 
seu filho sobre sua cabeça e perguntar “Você quer subir ou subir muito alto?”
 Introduza brincadeiras de faz-de-conta, fingindo que o seu filho é um 
passarinho ou um avião. Modele sons de pássaros e aviões assim como as 
palavras que ele pode usar em brincadeiras de faz-de-conta, como “O avião está 
descendo. Ai não! Vai bater!”Outras Brincadeiras com Gente para todos os estágios
Cavalinho-Aviãozinho
É como o “aviãozinho”, exceto que seu filho sobe em suas costas para “voar”.
Roda-roda-roda
“Roda-roda-roda” é uma canção que oferece oportunidades para seu filho aprender 
e praticar as palavras 
Palma, palma, palma (os participantes batem palmas)
Pé, pé, pé (os participantes batem os pés)
Roda, roda, roda (os participantes rodam sobre si mesmo ou de mãos dadas em roda)
Caranguejo peixe é! (os participantes se agacham)
Você também pode começar praticando com um verso de cada vez
A galinha do vizinho
A galinha do vizinho bota ovo amarelinho (os participantes dão-se as mãos e rodam)
Bota um
Bota dois
Bota três 
.....
Bota nove
Bota dez! (os participantes se agacham)
As cantigas dessas brincadeiras de roda permitem que seu filho aprenda e pra-
tique as palavras para palmas, pés, roda, agachar, levantar e contar.
184 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 185
Plantar bananeira
Se o seu filho gosta de ficar de cabeça para 
baixo e de “bumbum” para cima, transforme 
isso em uma Brincadeira com Gente. Quando 
ele puser sua cabeça no sofá, tente levantar 
suas pernas. Diga “sobe” quando levantá-las 
e “desce” quando abaixá-las.
Cambalhota no ar 
Convide seu filho para brincar de cambalhota no 
ar, estendendo seus braços e dizendo o nome da 
brincadeira. Segure as mãos dele enquanto fica de 
frente para você. Então o ajude a subir nas suas 
pernas e no final gire-o sobre si mesmo. 
Um, dois, três e Roda!
Brinque da mesma maneira que você brinca de 
Aviãozinho, só que em vez de jogar seu filho para 
cima, balance-o segurando seus braços e diga “Um, 
dois, três e (pausa)” balança! (ou “vai!”, ou “oba!”). Se você ainda não estiver dizendo 
“Um, dois, três” em outras brincadeiras, tente outra frase repetitiva, como “Atenção, 
preparar - balança”!, ou invente algo usando o nome do seu filho, por exemplo 
“Tiago está subindo, subindo, subindo” 
e “Tiago está descendo, descendo, des-
cendo!” 
Você pode tentar essa brincadeira 
em um balanço de verdade. Algumas 
crianças ficam muito interativas e atentas 
quando estão balançando. (Veja o Capí-
tulo 11, página 395 para saber como usar 
balanços nas Brincadeiras com Gente.)
Você fazer Brincadeiras com Gen-
te” em balanços, dando oportunidades 
para seu filho dizer ou fazer alguma 
coisa antes de empurrá-lo.
Um, Dois, e lá vão os ...Três! no meio de duas pessoas 
Um, dois, e lá vão os Três! É divertido para 
brincar quando seu filho está andando entre 
você e um outro adulto. Segure nas mãos 
dele e então o levante no ar enquanto 
diz: “Um, dois, três e lá vão os ...três!. Se 
já estiver contando em outras brinca-
deiras, mude “Um, dois, e lá vão os ... 
três”, para algo novo como “É hora de 
balançar!” ou “Lá vamos nós – sobe!”
Cabo de Guerra 
(Um, dois, três -Puxa!)
Se o seu filho gosta de segurar-se às 
coisas, uma brincadeira de cabo de 
guerra não satisfaz somente esta neces-
sidade, mas também o ajuda a interagir e 
se comunicar. Para brincar, cada um segura 
em uma ponta de uma toalha ou lençol, dependendo do que ele preferir. Diga: “Um, 
dois, três ... puxa!” e então puxe o tecido de maneira gentil mas firme.
Um, dois, três – Pula! 
Brinca-se de Um, dois, três – 
Pula! da mesma maneira que 
“Aviãozinho”. Mas em vez de 
levantar seu filho sobre sua 
cabeça, segure suas mãos e 
pulem juntos dizendo: “Um, 
dois, três, pula!” Se ele gos-
ta de pular, pode providen-
ciar uma mini cama elásti-
ca, encontrada em lojas de 
material esportivo. Se ele 
usar a cama elástica, não es-
queça de interromper os pulos 
para que tenha a oportunidade 
de pedir mais.
Seu filho pode gostar 
de cambalhotas!
186 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 187
Brincadeira com bola grande
Uma bola grande o suficiente para 
que seu filho possa sentar-se sobre 
ela é ideal para Brincadeiras com 
Gente. Seu filho pode sentar-se so-
bre ela, deitar-se de barriga para 
baixo, ajoelhar-se enquanto você 
o segura. Bata suavemente a bola 
e diga “Atenção, preparar – já!” ou 
“Um, dois, três – pula” ou “Pula, pula, 
em cima da – bola!”. Crie oportunida-
des para que seu filho participe, de acordo 
com seu estágio de comunicação.
Montanha de travesseiros 
Esta brincadeira oferece uma série de 
estímulos – correr, pular e sentir 
pressão sobre o corpo. Junto com 
seu filho, monte uma montanha 
de travesseiros ou almofadas, 
colocando-os uns sobre os ou-
tros. Enquanto vai construindo 
a montanha, conte cada traves-
seiro ou almofada, levantando 
os dedos para indicar os núme-
ros. Diga, então: “Vamos pular!” e 
ajude seu filho a pular para cima das 
almofadas e travesseiros. Você também 
pode ajudar seu filho a correr para tomar 
impulso. Assim que ele souber brincar, há vários 
pontos durante esta brincadeira onde você pode interromper a ação para que seu 
filho participe. Se estiver no estágio de Pedidos, sua participação pode ser ajudar a 
construir a montanha e então pular; se estiver no estágio de Comunicação Básica, 
pode completar a frase quando você disser “Atenção, preparar e ....!” Uma criança 
no estágio de Parceria pode ser incentivada a dizer se a montanha vai ser alta ou 
baixa ou muito alta e quem vai pular primeiro.
Brincadeiras que ajudam seu filho a entender comandos simples
As crianças nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos estão aprendendo a 
entender o que você fala. Você pode ajudar seu filho a atender a alguns comandos 
básicos de uma etapa só, transformando em brincadeiras as orientações do dia-a-
dia. Se você tiver uma atitude positiva para ensinar, essas brincadeiras podem ser 
tão divertidas como as que já descrevemos. Brinque usando a Regra do “Ajudan-
te”: “Peça uma vez e espere. Então peça de novo, acrescentando ajuda”.
Brincadeira do “Vem aqui”
Comece a brincadeira enquanto seu filho estiver correndo de você. Quando não 
estiver muito longe, chame seu nome e diga “(nome do seu filho), vem aqui”. 
Para ajudá-lo a atender, faça com que outro adulto guie-o até você. Mais tarde, 
seu filho pode correr de um para o outro entre você e a outra pessoa. Se precisar 
motivar seu filho a ir até você, providencie uma coisa gostosa ou um brinquedo 
querido. Assim que seu filho chegar, faça festa, abrace-o, jogue-o para cima ou 
dê-lhe o “presentinho”. 
Vá retirando a ajuda física e o presentinho assim que puder. Então tente cha-
má-lo quando estiver mais longe de você.
Use outras oportunidades durante o dia para praticar sua resposta dele ao “Vem 
aqui”. Por exemplo, quando o almoço estiver pronto, chame seu nome e diga “Vem 
aqui” mesmo que normalmente você vá buscá-lo ou leve o almoço para ele.
Cadeira maluca
Nessa brincadeira, você ensina seu filho a sentar-se e então transforma esse mo-
vimento em uma brincadeira. Para começar, leve-o para uma cadeira macia, uma 
cadeira giratória ou um sofá e peça que sente. Se não atender, peça de novo e 
então o ajude a sentar-se. Quando ele se sentar, elogie-o, faça festa, faça-o pular 
sobre a almofada ou gire-o na cadeira giratória. Repita isso várias vezes ao dia, 
reduzindo pouco a pouco a ajuda que você dá.
Assim que seu filho tiver aprendido a sentar-se quando pedido, você pode 
fazer a brincadeira ficar muito mais divertida. Envolva-se na brincadeira. Por 
exemplo: diga “Senta” e então aposte corrida até uma cadeira, sentem-se juntos 
em muitos lugares diferentes ou deixe que seu filho sente-se sobre você. Trans-
formando o ato de sentar-se em brincadeira, ele vai gostar de aprender a seguir 
uma instrução importante enquanto se diverte. E se você introduzir “senta” natu-
ralmente no seu dia-a-dia, pedindo “senta” para almoçar ou “senta” para ver TV, 
ele começará a generalizar seu novo repertório.
188 Capítulo 5
No começo deste capítulo dissemos que “tudo o que seu filho precisa saber sobre 
comunicação pode ser aprendido em uma Brincadeira comGente”. Em uma Brin-
cadeira com Gente, tal como em uma conversa, seu filho precisa manter-se no as-
sunto, participar e responder à pessoa que estiver brincando com ele. Para ajudá-lo 
a se comunicar, estruture suas Brincadeiras com Gente usando as recomendações 
R.O.D.A. Repita o que faz e diz todas as vezes que brincar; brinque freqüentemente; 
ofereça oportunidades para que seu filho lhe mostre que tipo de participação pode 
ter; dê dicas para que ele participe; quando possível, use dicas naturais que não 
atrapalhem o ritmo da brincadeira. Mais importante de tudo – mantenha a brinca-
deira animada e divertida! 
Nem todas as crianças aprendem a falar com as Brincadeiras de Gente. No en-
tanto, com certeza aprendem muito sobre a natureza recíproca da interação. Mas 
o melhor de tudo é que seu filho nem vai perceber que está ganhando mais do que 
bons momentos com sua pessoa preferida – você.
Resumo Ajude seu filho 
a entender o 
que você diz
Para que seu filho entenda a ligação entre o mundo real e as palavras, primeiro 
precisa entender o que está acontecendo à sua volta. Mas entender o mundo nem 
sempre é fácil. O processamento das informações pode ser difícil para ele e, por-
tanto, vocês podem ter impressões diferentes da mesma situação. Por exemplo, se o 
seu filho alinha os brinquedos porque gosta de olhar o padrão formado, o que ele 
entende por “brincar” provavelmente é diferente do que você entende.
Mesmo que seu filho entenda uma situação, pode não entender as palavras que 
a acompanham.
6
190 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 191
Imagine-se como um turista perdido em um país estrangeiro, pedindo informações para 
alguém. Se a pessoa responder na língua local, você provavelmente não vai entendê-
la Mas assim que perceber sua total incompreensão, ela ajustará automaticamente sua 
linguagem. Pode ajudá-lo a entender o caminho falando menos – trocando suas frases 
longas e complexas por outras curtas e simples, e também enfatizando somente as pala-
vras-chave para a compreensão. Também pode diminuir a velocidade da fala, mostrar-lhe 
o caminho em um mapa, e apontar a direção correta. E se ainda assim você não entender, 
ela pode repetir as palavras e os gestos importantes até que entenda. Depois de tudo isso, 
você acha o caminho e até aprende uma palavra ou outra em uma nova língua!
Roberto parece entender o 
significado de “Vamos para 
a escola”
Em outra situação, as 
palavras “vamos para” 
não significam nada 
para Roberto.
Parece que Roberto 
entendeu a frase da 
sua mãe quando o car-
ro parou na frente da 
escola, mas é provável 
que tenha entendido por 
já ter feito a mesma coisa 
muitas vezes. Os pais de Roberto 
ajudaram-no a compreender a situação, 
introduzindo repetições e previsibilidade na sua vida. Agora eles devem ajudá-lo a en-
tender também as palavras relacionadas à situação.
Neste capítulo, você aprenderá como ajustar sua maneira de falar para melho-
rar a compreensão do seu filho sobre o que as pessoas fazem e dizem para ele.
Esse homem fala 
muito rápido com 
os turistas, usando 
sentenças longas. 
Eles têm dificuldade 
para entendê-lo.
Agora o homem mudou 
a maneira de falar com 
os turistas. Ele os ajuda a 
entender suas informações 
falando menos, repetindo 
e enfatizando poucas 
palavras-chave, diminuindo a 
velocidade da fala e mostra-
lhes o caminho apontando e 
usando o mapa.
192 Capítulo 6
Seu filho pode sentir a mesma frustração de alguém tentando entender uma língua 
estrangeira. No Capítulo 1, discutimos como a maioria das crianças com atrasos de 
linguagem tem dificuldade em assimilar o que ouvem. Isso quer dizer que elas têm 
dificuldade para:
 Entender o que você diz
 Ouvi-lo quando há outros sons e visões
 Organizar o que ouvem
Juliano não entende 
o que sua mãe disse.
Mesmo que seu filho saiba 
o significado de uma determinada palavra em uma situação, ele pode não entender 
o que ela significa em outro contexto. Isto acontece porque seu filho tende a asso-
ciar um único significado a cada palavra.
Para ajudar seu filho a entender o que você diz, faça os mesmos tipos de ajuste que 
faria para alguém aprendendo uma nova língua.
A mãe de Juliano faz os mesmos ajustes que o mexicano fez para os turistas. Fala 
menos, dá instruções precisas e troca a sentença “guardar aquelas coisas” pelo nome 
das coisas (“brinquedos”) e o nome do lugar para onde elas devem ir (“na caixa”). 
Quando ela repete e enfatiza essas palavras-chave várias vezes, enquanto aponta para 
os brinquedos e para a caixa, Juliano finalmente consegue entender a mensagem!
O menino aprendeu 
que “chamar” significa 
“dizer em voz alta o 
nome de alguém”. Ele 
pensa que “chamar” só 
tem esse significado.
Fale pouco e enfatizando,
Devagar e demonstrando! 
194 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 195
Para ajudar a lembrar de como ajustar o que você diz para facilitar a compreensão 
do seu filho, use a seguinte rima: Fale pouco
 Simplifique o que você diz
 Use sentenças e nomes curtos e claros
Simplifique o que diz
“Fale pouco” significa que você deve falar com seu filho no nível de entendimento 
dele, o que depende do estágio de comunicação em que se encontra. Dê todas as 
instruções em palavras claras e simples. Na maioria das vezes você precisa dar uma 
dica visual ao mesmo tempo em que dá as instruções. Por exemplo, quando está na 
hora de dormir, diga “Hora de dormir” e mostre-lhe seu pijama.
Use sentenças e nomes curtos e claros
Como regra geral, use nomes e sentenças curtos e claros, dando para seu filho so-
mente a informação essencial. Se ele está começando a entender a fala, use palavras 
simples para nomear os objetos, pessoas e ações pelas quais demonstre interesse. 
Tente não demorar antes de nomear. Se você disser “Suco” depois que a atenção do 
seu filho mudou para outra coisa, sua palavra perde o sentido. Para crianças com 
melhor compreensão, diga sentenças, mas nunca longas, complexas ou ambíguas.
Repetindo e Repisando!
Fale pouco e Enfatizando
Devagar e Demonstrando
Lucas não consegue entender o 
que o seu pai está dizendo.
Quando o pai usa uma frase simples e mostra 
para Lucas sobre o que está falando, ele 
consegue entender exatamente o que fazer.
196 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 197
Enfatize
 Exagere as palavras-chave
 Ponha as palavras-chave no fim das sentenças
 Use palavras DIVERTIDAS
Exagere as palavras-chave
Enfatizando as palavras-chave, você consegue a atenção do seu filho e as torna 
mais evidentes. Para enfatizar certas palavras, diga-as em voz mais alta ou use um 
tom exagerado. Use a maneira mais natural possível.
Cada criança reage de maneira diferente a níveis altos de animação. Uma crian-
ça mais passiva, que parece não ligar para o que você fala, normalmente responde 
melhor a uma voz mais alta e animada. No entanto, também há crianças passivas 
que vão retrair-se ou ficar estressadas se você “forçar” muito a voz. Pelas reações 
do seu filho, você saberá o que é mais adequado para ele.
Ponha a palavra-chave no fim das sentenças
Como o seu filho relembra a última coisa que ouve, se você colocar as palavras 
importantes ou chave no fim das sentenças, vai chamar sua atenção para essas pa-
lavras e torná-las mais fáceis de serem lembradas. Fazendo seu filho prestar atenção 
às palavras importantes, você também o ajuda a entendê-las.
Quando seu filho tiver entendido as palavras-chave, não será mais necessário 
colocá-las no fim das sentenças. O objetivo é que seu filho entenda o sentido das 
palavras independente do lugar em que elas se encontram na sentença. Para mais 
informações sobre a ordem das palavras, veja o Capítulo 2, página 82.
Devagar
 Faça pausas entre palavras e frases
 Seja natural
Pausas entre palavras e frases
Se você faz pausas entre palavras ou frases, dá tempo ao seu filho tanto para processar as 
coisas que ouve como paraapresentar uma resposta. Para ter certeza de que ele entendeu 
o que você disse, primeiro diga a sentença inteira como faria normalmente e, então, repi-
ta a mesma sentença com pausas que ressaltem as palavras-chave. Você pode fazer isso 
usando montagens e desmontagens, que serão discutidas mais tarde neste capítulo.
Seja natural
Tente falar o mais naturalmente possível, para ajudar seu filho a entender o significado 
do que você está falando. Seu objetivo é evitar perder os ritmos e entonações naturais 
que ajudam seu filho a entender a fala. Se você fala muito devagar ou separa as pala-
vras que funcionam como uma só, tais como “Vem aqui”, “Muito bem”, ou “Eu quero”, 
seu filho pode achar mais difícil entender, não mais fácil. Se você exagerar na “roboti-
zação”, ele pode falar da mesma maneira quando finalmente imitar seu modelo.
Demonstre
 Demonstre com objetos reais
 Demonstre com ações e gestos
 Demonstre com figuras
 Demonstre com palavras escritas
Como seu filho aprende melhor se puder visualizar o que está ouvindo, se você com-
binar o que você diz com dicas visuais – objetos reais, ações, gestos, figuras ou pala-
vras escritas – aumenta a capacidade do seu filho para entender suas palavras. Essas 
dicas visuais permanecem na cabeça dele depois que as palavras faladas vão embora. 
(Veja o Capítulo 7 para saber mais sobre dicas visuais).
Demonstre com objetos reais
No começo, seu filho pode precisar ver objetos reais para fazer a ligação entre palavras 
e coisas. Por exemplo, quando você lhe diz que está na hora de entrar no carro, mostre-
lhe as chaves do carro. Quando for hora de ir para cama, mostre-lhe seu pijama.
Demonstre com ações e gestos
Se o seu filho não entende suas palavras, ações e gestos mostrarão exatamente o que você 
quer dizer. Por exemplo, quando pergunta a ele se quer beber alguma coisa, finja que está 
segurando um copo. Então, traga sua mão à boca como se estivesse bebendo. Outra forma 
de ajudá-lo a entender o mundo é apontando objetos, pessoas ou lugares quando fala 
sobre eles. Será mais fácil de entender se usar gestos, tais como balançar a cabeça ver-
ticalmente ao dizer “sim”, balançar de um 
lado para o outro quando disser “não”, além 
de exagerar suas expressões faciais, particu-
larmente quando sorrir e fizer cara de bravo. 
Seu filho perceberá melhor suas expressões 
se vocês estiverem frente a frente.
Diga “não” e demonstre isso
198 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 199
Demonstre com figuras (fotos, ilustrações)
Quando não tiver as coisas reais à mão, as figuras podem ajudar seu filho a en-
tender o que você está falando. Por exemplo, uma figura do suco na porta do 
refrigerador mostra para ele o que tem lá dentro. As figuras também mostram o 
que ele fará durante o dia (sua agenda para o dia). Podem mostrar-lhe, inclusive, 
como deve se comportar em determinadas situações.
Demonstre com palavras escritas
Algumas crianças se interessam pelas 
palavras escritas desde muito pequenas. 
A leitura dá a seu filho uma nova ma-
neira de conseguir informação e depois 
pode ajudá-lo a se expressar. Mesmo 
que ele ainda não possa ler, mostre 
palavras escritas junto com as figu-
ras correspondentes, de forma que 
possa começar a fazer ligação en-
tre as duas formas de linguagem.
Repetindo e repisando
Crie oportunidades para que seu filho ouça as novas palavras usadas sempre que pos-
sível e em muitas situações diferentes durante o dia. Por exemplo, se ele aprendeu a 
entender “Sobe” em uma Brincadeira com Gente, tente usar essa palavra outras vezes, 
como “Vamos subir” quando estiver subindo escadas, ou em canções, como “Dona 
Aranha” e “Cobra no pé de limão” (Veja Capítulo 9).
A próxima seção descreve como adaptar as recomendações “Fale pouco e en-
fatizando/Sem pressa e demonstrando/Repetindo e repisando!” para o estágio de 
comunicação do seu filho.
Como ajustar o que você diz aos estágios 
de Interesses Próprios e de Pedidos
Fale pouco
 Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos
 Use nomes específicos para pessoas, objetos e ações
 Use o nome do seu filho quando falar com ele
Enfatizando
 Use palavras DIVERTIDAS
Devagar
 Faça pausas entre as palavras
 Seja natural
Demonstrando
 Demonstre com objetos reais
 Demonstre com ações, gestos e expressões faciais exageradas
 Demonstre com figuras (fotos, ilustrações)
Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos
Nomeie o que seu filho olha ou faz com uma ou duas palavras simples. Nomear não 
o ajuda somente a fazer ligação entre as palavras e as coisas, mas também lhe dá 
modelos verbais que pode depois usar. Quando você nomeia, elimine palavras como 
“um, uma, uns, umas” e “o, a, os, as”.
Se o seu filho vê nomes escritos sobre 
as fotos de um álbum de família, pode 
começar a reconhecer os nomes e “lê-los”.
200 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 201
Use os nomes específicos das 
pessoas, objetos e ações.
Evite palavras como “isto”, “ela/ele”, “este” 
e “lá”, porque são imprecisas. Nomeie as 
coisas pelas quais seu filho demonstrar 
interesse usando seus próprios nomes. As 
palavras “biscoito”, “livros” e “Caio” dão 
ao seu filho mais informações do que as 
palavras “isto”, “deles” e “ele”.
Use o nome do seu filho quando falar com ele
As palavras “você” ou “tu” podem confundir seu filho, 
porque se referem a muitas pessoas diferentes. Chamar 
seu filho pelo seu próprio nome evita que ele se con-
funda e o ajuda a aprender seu próprio nome. Em vez 
de dizer “Mamãe ama você” ou “Mamãe te ama”, diga 
“Mamãe ama Mateus”.
Use palavras DIVERTIDAS
Palavras DIVERTIDAS, assim como os sons de animais, como “muu” e “miau” e a tão 
usada palavra “Oi” são muito atrativas para todas as crianças. Muitas das palavras 
DIVERTIDAS são fáceis de serem lembradas e entendidas, porque estão associadas a 
objetos, ações e padrões de entonação específicos. As palavras DIVERTIDAS ficam 
ainda mais fáceis de entender se você 
exagerar o que disser e fizer. Por exem-
plo, se você disser “Êêêê!” e movimentar 
as mãos como se estivesse escorregando 
cada vez que seu filho desce em um es-
corregador, ele pode associar a palavra 
DIVERTIDA “Êêêê” com brincar em um 
escorregador.
Aqui estão algumas outras palavras 
DIVERTIDAS e as ações associadas que 
seu filho pode gostar:
 Tchau! (acene)
 Opa! (ponha a mão na cabeça)
 Ai! Ui! (exagere a cara de dor; esfregue a parte do corpo que você 
ou seu filho machucou)
 Eca! (exagere a cara de nojo)
 Hummmm! (esfregue a barriga)
 “Êêê” (movimente as mãos como se estivesse escorregando)
 Em algumas situações, você pode conseguir a atenção do 
seu filho repetindo bem depressa a mesma palavra vá-
rias vezes. É muito mais divertido para seu filho se 
disser “Corre! Corre! Corre!” ou “Sobe! Sobe! 
Sobe!” com muita animação na voz, do 
que se disser as mesmas palavras ape-
nas uma vez. Repita as palavras 
rapidamente para enfatizá-las e 
motivar seu filho.
O pai da Taís deixa-a entusiasmada 
repetindo “sobe” várias vezes.
Em vez de dizer o nome do que Caio está 
olhando (pizza), a mãe de Caio fala do 
suco. Isto é confuso para ele.
Quando a mãe do Caio fala sobre o 
que ele está interessado, ela o ajuda a 
entender o que “pizza” significa.
A mãe fala com a Renata usando poucas 
palavras e enfatiza o “abre”, por que 
descreve o que a filha quer.
Palavras DIVERTIDAS como “opa” são gostosas de 
ouvir, fáceis de entender e fáceis de repetir.
202 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 203
Demonstre com objetos reais
Enquanto diz nomes das coisas importantes para o seu filho, mostre-lhe os objetos 
reais que se referem às palavras. Por exemplo, segure seu livro, mostre-lhe e diga 
“livro” ou levante seu pijama enquanto diz “pijama”. Se ele for um “aprendiz mão na 
massa”, faça com que toque e segure o objeto. Depois de um tempo, você pode parar 
de mostrar os objetos e esperar para ver se ele entendeo que diz sem a dica visual. 
Quando não precisar mais ver o objeto para entender, você pode apenas falar.
A mãe mostra o livro a Carlos para ajudá-lo 
a entender o que está dizendo.
Demonstre com ações, gestos e expressões faciais exageradas
Junte ações, gestos e expressões faciais exageradas às suas palavras para mostrar 
para seu filho o que você quer dizer. Ações e gestos incluem encenar; fazer mímica 
do significado das palavras, usar sinais manuais e apontar para as coisas. Encene 
ações grandiosas e óbvias, de maneira que ele preste atenção. Fique frente a frente 
quando encenar as ações para que ele possa vê-lo. Alguns sinais e gestos que aju-
dam as crianças nesses estágios a compreender estão ilustrados abaixo.
Sim e Não 
Movimentos exagerados de cabeça 
para baixo e para cima no “sim” e de 
um lado para o outro em “não”.
Oi e Tchau 
Acene com 
a mão.
Para cima/Sobe 
Aponte o dedo 
para cima.
Para baixo/Desce 
Aponte para baixo.
Pronto / Acabou
Deslize batendo a palma da mão sobre 
a palma da outra mão como se estives-
se limpando-as.
Mais
Forme um “O” com 
as mãos, com as palmas e as pontas 
dos dedos frente a frente.
Vem (para mim)
Braço, mão e dedos acenando 
em sua direção. 
204 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 205
Aponte para lugares e objetos que chamem a atenção do seu filho, para ajudá-lo 
a associar suas palavras a coisas reais. Você também pode pôr a mão dele sobre o 
que está olhando, para garantir que ele veja o objeto ao qual se refere. Esta técnica 
funciona melhor se você seguir os interesses dele, em vez de seguir os seus.
Além de apontar para as coisas sobre as quais fala, apontar para sua própria boca 
pode ajudar seu filho a entender mais sobre linguagem falada. Apontar para a boca 
e exagerar a maneira de fazer certos sons chama a atenção para a maneira de falar 
e, então, perceber como ele mesmo poderia dizer.
Demonstre com figuras 
(fotos e ilustrações)
Tire algumas fotos dos alimentos, brinque-
dos e pessoas preferidas e mostre-as para 
seu filho quando falar sobre eles. Se ele 
gosta de vídeos, mostre-lhe a figura ou foto 
na caixa do vídeo e diga o nome do vídeo 
antes de colocá-lo no aparelho. Desta ma-
neira, seu filho vai começar a entender que 
as figuras podem representar coisas e que a 
coisa e a figura têm o mesmo nome.
Como ajustar o que você fala 
no estágio de Comunicação Básica
Fale menos
 Use sentenças simples, em Português gramaticalmente correto
 Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos
 Diga os nomes das pessoas após dizer os pronomes
Enfatizando
 Use montagens e desmontagens
 Use palavras DIVERTIDAS
Devagar
 Fale com seu filho de duas maneiras:
 • de maneira a ajudar que ele entenda
 • de maneira a ajudar que ele fale
Demonstrando
 Demonstre com objetos, gestos e figuras/imagens (fotos/ilustrações)
Use sentenças simples, em Português gramaticalmente correto.
Manter artigos como “um/uma/uns/umas” e “o/a/os/as” permite ao seu filho ouvir 
os ritmos naturais da fala, ajudando a transmitir o significado das sentenças. Por 
exemplo, quando falar com seu filho, diga: “Você é um menino engraçado!” em vez 
de “Você menino engraçado!”.
Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos.
Nomear o que seu filho olha ou faz, ajuda a fazer a ligação entre palavras e coisas 
e fornece um modelo verbal que ele mesmo pode usar mais tarde.
Quando sua mãe mostra 
a figura do suco, Mariana 
começa a entender o que 
está dentro da geladeira.
206 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 207
Diga os nomes das pessoas depois de usar pronomes
Pronomes, em especial as palavras “eu”, “me/mim” e “você/tu”, podem ser bem 
complicados. Seu filho pode repetir esses pronomes da maneira como os ouve, sem 
entender o que significam. Você pode ter notado que quando pede um suco, ele diz: 
“Você quer água” em vez de “Eu quero água”.
Nós já vimos que você pode ajudar seu filho a aprender quais pronomes usar 
fornecendo um modelo a partir do ponto de vista dele, ou dizendo algo “como ele 
faria se pudesse”. Mas ele também precisa aprender o que os pronomes significam. 
Para ajudar a esclarecer o sentido de palavras como “eu”, “me/mim” e “você/tu”, use 
o pronome correto e então adicione o nome de seu filho ou o nome da pessoa a quem 
você está falando. Por exemplo, diga: “Você, Adam, está indo para a escola”. Para evi-
tar confusão entre fornecer um modelo do que o seu filho deveria dizer e esclarecer o 
significado dos pronomes, tente escolher um momento especial para trabalhar a com-
preensão dessas palavras. As refeições são momentos ideais, porque seu filho pode ver 
como você usa pronomes enquanto fala com os outros membros da família. 
Use montagens e desmontagens
Lembre-se que seu filho é um “aprendiz gestalt” (veja o Capítulo 1, página 15). 
Isso significa que pode entender uma sentença inteira como um todo, mas não as 
palavras que a compõem individualmente. Duas técnicas – chamadas montagens e 
desmontagens – podem ajudá-lo a entender o que cada palavra da sentença signi-
fica e como as palavras se combinam.
Em uma montagem, comece dizendo cada parte da sentença e então “monte” 
as partes e forme a sentença completa. Por exemplo: “Gorro (aponte para o 
gorro). Vista (faça o gesto). Vista o gorro.”. 
Os pais de Fábio ajudam-no 
a entender o significado de 
“você” e “eu”, usando nomes 
depois dos pronomes.
Para ajudar seu filho a entender cada 
palavra, comece com uma palavra e a seguir 
monte sentenças curtas.
208 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 209
Uma desmontagem começa com a sentença inteira que depois é dividida em 
partes. Por exemplo, “Pegue sua colher e coma o cereal. Pegue colher. Colher 
(aponte para a colher). Coma cereal. (aponte para a tigela de cereal). Cereal 
(gesto ou apontando para a tigela)”. Na maior parte do tempo, você usa uma 
combinação de montagens e desmontagens.
A mãe do Danilo começa dizendo a sentença inteira e depois a desmonta 
em partes menores, apontando para o objeto sobre o qual está falando. 
Então, monta a última parte da sentença de novo. (“Coma o cereal”).
Fale com seu filho de duas maneiras
Você deve sempre falar as coisas “como seu filho falaria se pudesse” quando ele está 
motivado para falar, mas não acha as palavras certas. Mas e todas aquelas vezes 
nas quais não conta que o seu filho diga algo? Nelas, precisa falar de uma segunda 
maneira – para ajudá-lo a entender o que as palavras significam. Quando estiver 
ajudando seu filho a entender o que você diz, use comentários e nomes que lhe 
dêem informações, mas não aqueles que você escolheu para que ele repita.
Agora, a mãe do João está ajudando-o a 
pedir suco, enfatizando as palavras que ele 
pode usar para solicitar algo.
Demonstre com objetos, gestos e figuras
À medida que seu filho se desenvolve, você pode usar cada vez mais dicas visuais 
para ajudá-lo a entender o mundo. Figuras - sejam fotografias, desenhos ou mesmo 
símbolos - podem ajudar a explicar o que está sendo dito quando os objetos reais 
não estiverem à vista. As figuras também podem explicar os acontecimentos do dia 
e o que as pessoas sentem (veja o Capítulo 7).
Apontar também pode chamar a atenção do seu filho para o que você está 
dizendo. Além de apontar para objetos e pessoas próximas, tente apontar para ob-
jetos, pessoas e acontecimentos um pouco mais distantes. Embora apontar seja mais 
efetivo quando acompanha o interesse do seu filho, nesse estágio você também 
pode apontar para coisas que ele não notou por conta própria.
A mãe de João o ajuda a entender 
que as coisas têm nomes.
210 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 211
Como ajustar o que você diz no estágio de parceria
 Converse com seu filho de duas maneiras:
• uma para ajudá-lo a entender
• outra para ajudá-lo a falar
 Use montagens e desmontagens
 Repita o que seu filho disser, corrigindo os erros
 Apresente seus próprioscomentários e idéias
 Demonstre com Agendas de Figuras, Painel de Opções e Histórias Pessoais
Converse com seu filho de duas maneiras:
 Converse com seu filho para ajudá-lo a entender. Uma criança no estágio 
de Parceria entende muitos tipos de palavras em uma série de sentenças. 
A não ser que tenha uma grande dificuldade com a produção da fala 
propriamente dita, ele fala e pode ter pequenos diálogos. No entanto, essas 
conversas podem se romper se ele não entender você.
Se o seu filho não entende o que você diz, pense em uma maneira mais simples 
de expressar sua mensagem ou perguntar-lhe alguma coisa. Lembre-se de como o 
pai de Fábio ajudou-o a entender o que a garota do parque disse.
Converse com seu filho de maneira a ajudá-lo a falar. Lembre-se: mesmo 
os Parceiros ainda dependem muitas vezes dos seus modelos verbais para se 
expressar. Quando seu filho não consegue achar as palavras certas ou comete 
erros, você precisa ajudá-lo a dizer as palavras a partir do ponto de vista dele 
– dizendo-as “como ele faria se pudesse”!
O pai ajuda Fábio a 
entender o que foi 
dito, simplificando a 
frase da garota.
O Lucas não entende o 
que seu pai quer...
... então, seu pai diz 
novamente o que quer e assim 
Lucas consegue entender – de 
maneira clara e específica.
212 Capítulo 6
Use montagens e desmontagens
Embora seu filho já entenda sentenças mais 
longas, ainda pode estar usando trechos 
inteiros que memorizou sem entender o 
significado. Então, você precisa desmontar 
as sentenças e então montá-las novamente 
para mostrar-lhe como as palavras se jun-
tam. (Veja detalhes no Estágio de Comuni-
cação Básica, na pág. 205).
À medida que seu filho for progredin-
do, use as montagens e desmontagens tam-
bém para ajudá-lo a entender mais palavras 
abstratas: palavras de ligação (porque, p.ex.), 
preposições (p.ex. depois) e algumas palavras 
usadas em perguntas (p.ex. como e por que).
Demonstre com Agendas de 
Figuras, Painéis de Opções 
e Histórias Pessoais.
Seu filho pode beneficiar-se de todos os tipos de dicas visuais, como Agendas de Figuras, 
Painéis de Opções e Histórias Pessoais (veja no Capítulo 7). As Agendas de Figuras e os 
Painéis de Opções são ferramentas feitas de figuras que ajudarão seu filho a entender o 
que ele pode fazer durante o dia e em suas atividades. As figuras também podem repre-
sentar conceitos abstratos, como passado, futuro e emoções humanas, mais concretas para 
o seu filho. As Histórias Pessoais podem ajudá-lo a entender situações confusas.
A maioria das crianças com Transtorno do Espectro do Autismo tem dificuldade 
para entender o que as pessoas dizem. Você pode ajudá-las a compreender as pala-
vras ajustando a sua maneira de falar. Fale pouco ao se dirigir a elas. Use sentenças 
curtas descrevendo o que acontece a sua volta. Chame a atenção para as palavras 
a serem entendidas (ou até faladas) por elas, diminuindo o ritmo antes de dizê-las 
ou exagerando sua pronúncia. Finalmente, use os pontos fortes do seu filho – seu 
interesse pelas coisas visuais – para ajudá-lo a compreender e organizar aconteci-
mentos, além de entender as pessoas (tanto o que elas dizem como o que fazem). 
O pai de Breno usa uma montagem para ajudá-lo 
a entender a palavra “Porque”. Primeiro diz o que 
fazer (“Ponha seu casaco”); então diz por que deve 
fazer isso (“Está frio lá fora”). Depois, mostra como 
a palavra “porque” liga as duas sentenças.
Resumo
Ajudas Visuais
Eu ouço e esqueço.
Eu vejo e memorizo.
Eu faço e compreendo.
- Provérbio chinês
A maioria das crianças com TEA são aprendizes visuais – aprendem melhor olhando. A 
maioria deles gosta de brinquedos como quebra-cabeças e de encaixe porque podem ver 
como usá-los. Gostam de assistir vídeo e TV, especialmente desenhos animados. Alguns 
aprendizes visuais também são fascinados por letras e números e podem surpreender, 
lendo algumas palavras que não foram ensinadas.
7
Você pode fazer Ajudas Visuais, como Painéis de Opções, Agendas de Figuras, Pai-
néis de Auto-cuidado ou Livros de Comunicação usando objetos reais, fotografias 
coloridas, desenhos em branco e preto ou em cor e palavras escritas. Para o seu 
filho, umas coisas vão funcionar melhor que as outras. Enquanto estiver fazendo 
suas Ajudas Visuais, você precisa levar em consideração as preferências do seu 
filho e sua capacidade de entender diferentes tipos de figuras, mas descobrir quais 
funcionam melhor para ele vai exigir um pouco de experimentação. Descrevemos 
agora os tipos de coisas que você pode usar para fazer Ajudas Visuais, começando 
pelas mais fáceis de entender e terminando com as mais difíceis.
Objetos reais 
As crianças nos estágios 
de Interesses Próprios 
e de Pedidos muito fre-
quentemente não enten-
dem ilustrações ou fotos, 
e não se interessam em olhar 
livros e álbuns fotográficos. 
Se este é o caso do seu filho, 
Ajudas Visuais feitas com fo-
tos e figuras não vão ser mui-
to úteis. Para ele, será mais 
útil ver objetos reais. Por 
exemplo, se você quiser 
dizer-lhe que vai beber 
algo, mostrar-lhe a figu-
ra de um copo de suco pode não significar nada. Mas se mostrar-lhe um copo vazio, 
talvez entenda o que você está tentando dizer. Em algumas situações, o objeto real 
não está disponível ou é muito grande para usar. Quando isso acontecer, você pode 
tentar achar um brinquedo ou objeto que pareça com a coisa real ou lembre a coisa 
real. Por exemplo, pode usar um balanço de brinquedo para representar o parque. 
Tenha cuidado, no entanto; algumas crianças podem ficar confusas com o uso de 
brinquedos e na verdade entenderão mais facilmente as figuras.
 Alberto não faz idéia do que a mãe 
está dizendo...
... mas passa a entender quando ela mostra uma 
figura sobre o que está falando.
214 Capítulo 7
Se o seu filho ainda não está pronto para figuras, 
use objetos reais como Ajudas Visuais. 
Por que algumas crianças aprendem melhor visualmente? Quando você pro-
nuncia uma palavra, ela acaba em milésimos de segundos – muito rápido para quem 
tem dificuldade em processar a linguagem falada. Seu filho então se concentra em 
coisas que pode entender – coisas que ele vê. Ao contrário das palavras faladas, as 
coisas que o seu filho olha, tais como objetos, fotos, desenhos, palavras escritas, 
duram por um bom tempo. Quando seu filho olha para uma figura, ele continua a 
receber a informação ali contida o tempo todo em que estiver olhando.
Quase todo mundo usa “Ajudas Visuais” o tempo todo: uma seta na rua que nos 
indica o sentido do tráfego, um calendário ou agenda que nos ajuda a organizar a 
semana e anotações que tornam uma palestra muito mais fácil de fazer. Todos nós 
usamos esses tipos de Ajudas Visuais para melhorar nossa compreensão do mundo, 
para organizar informação e nos expressar. Seu filho também pode se beneficiar das 
informações apresentadas de forma visual.
Neste capitulo você descobrirá como aproveitar das habilidades do seu filho como 
aprendiz visual. Na primeira parte, mostraremos como você pode criar ferramentas 
especiais, chamadas “Ajudas Visuais”, usando as coisas que seu filho vê – objetos, 
figuras e palavras escritas. Essas Ajudas Visuais ajudarão seu filho a entender o que 
está acontecendo ao seu redor e a se expressar. Na segunda parte do capítulo, apren-
derá como você e seu filho podem usar essas Ajudas Visuais em cada estágio de co-
municação. Muitas das idéias foram adaptadas do excelente livro de Linda Hodgdon 
“Visual strategies for improving communication” (Estratégias visuais para melhorar a 
comunicação) (veja as referências na página 422).
Como criar Ajudas Visuais
216 Capítulo 7 Ajudas Visuais 217
Para ajudar seu filho a fazer a 
transição entre entender objetos 
reais e entender figuras, 
tente colar um pedaço o 
objeto real em um cartão 
e cobri-lo com um filme 
plástico ou plástico 
transparente.
Fotografias coloridas
Muitas crianças pequenas com TEA gostam deolhar para fotos coloridas. Olham para 
as imagens de pessoas reais nos álbuns de família ou examinam os animais e objetos 
ilustrados nas caixas de brinquedos e de cereais. Se fotografias conseguem manter a 
atenção do seu filho, ele se beneficiará das Ajudas Visuais feitos com fotografias rea-
listas. Você pode conseguir fotos de ali-
mentos e objetos familiares na Internet, 
catálogos e revistas. Ou pegar sua má-
quina fotográfica e tirar fotos das coisas 
e pessoas importantes para seu filho! Se 
decidir tirar suas próprias fotos, apro-
xime bem o foco da sua máquina para 
que a fotografia não traga nenhuma in-
formação desnecessária. Por exemplo, 
se você quer fazer uma Ajuda Visual 
para um brinquedo específico, tire uma 
foto SÓ daquele brinquedo, não do seu 
filho brincando com ele. Para crianças 
que estão começando a se interessar por 
fotografia, use fotos grandes (mais ou 
menos 15 X 10 cm). Você também pode 
recortar fotos e etiquetas para os nomes 
em revistas, catálogos e embalagens de 
brinquedos e alimentos.
Desenhos
Ao contrário das fotografias, os desenhos nem sempre se pare-
cem exatamente com a coisa real. Mas os desenhos podem ser 
mais fáceis de usar, pois são mais baratos e de obtenção mais 
rápida. Além disso, os desenhos podem ser representações ge-
rais de um tipo de objeto, enquanto as fotos são sempre especí-
ficas. Por exemplo, se você usar uma foto para mostrar ao seu 
filho que tipo de roupa ele deve por, ele pode insistir em usar 
exatamente a camiseta que vê na foto. Mas se você mostrar um 
desenho, ele vai saber que é para vestir uma camiseta, mas não 
vai pensar numa camiseta em particular.
Se o seu filho olha desenhos nos livros ou gosta de alinhar seus brinquedos, pode 
estar pronto para desenhos. Você pode comprar programas de computadores e livros de 
desenhos em lojas especiais; algumas figuras estão disponíveis na Internet. E você não 
precisa ser um grande artista para desenhar algumas figuras simples! Fonoaudiólogos e 
especialistas em linguagem podem indicar como obter desenhos desse tipo:
Essas figuras provêm de um livro disponível para venda (Canadá e EUA/Internet) chamado “The 
Picture Communication Symbols Book” de Mayer-Johnson.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender diferentes tipos de informações. 
Podem mostrar-lhe:
 alternativas a escolher
 o que vai acontecer
 passado e futuro
 seus sentimentos e os sentimentos dos outros
 como fazer coisas de maneira independente
 o que precisa saber sobre situações difíceis
Seu filho vai entender fotografias antes de 
entender desenhos. Para ajudá-lo a entender 
desenhos, tente colocá-los no canto da foto.
Você pode usar fotos 
ou embalagens dos 
alimentos preferidos de 
seu filho. 
Ajudas Visuais podem ajudar 
seu filho a entender informação
218 Capítulo 7 Ajudas Visuais 219
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho 
a entender alternativas de escolha
Uma das Ajudas Visuais mais simples é o Painel de Opções. Um Painel de Opções 
apresenta fotos de comida, brinquedos e atividades a escolher. Quando entrega ou 
mostra a você uma das figuras do painel, seu filho faz sua escolha.
Os Painéis de Opções podem ser feitos usando objetos ou figuras. Há muitas 
maneiras de colocar os objetos no painel: colocar os objetos em sacos plásticos 
transparentes e incolores com fechos e prendê-los a um painel ou a um varal, ou 
colocá-los em uma caixa de sapato com divisões. Também pode tentar colocar os 
objetos em bolsos daqueles painéis transparentes para fotos, outros objetos ou mes-
mo sapateiras com bolsos (ver figura na página 220).
Se usar figuras, você pode prendê-las sobre a 
um pedaço de papel bem resistente ou compensa-
do. Use Velcro e poderá mudar as figuras quando 
quiser oferecer novas escolhas.
A quantidade de objetos ou figuras a serem colo-
cadas no Painel de Opções e como seu filho fará 
a escolha dependerão do seu estágio de comuni-
cação. Até que ele entenda como fazer uma es-
colha, limite o número de escolhas a dois. Depois 
que seu filho estiver experiente no uso do Painel de Opções, você pode pôr suas 
figuras de escolha em um livro que ele carregue consigo. Desta maneira, poderá 
fazer escolhas onde estiver.
Adicionando “Eu quero” ao Painel de Opções, seu filho pode 
aprender como as sentenças são feitas.
O Sinal de Não
Há ocasiões em que uma alternativa não está disponível – acabaram os biscoitos da 
casa ou alguém comeu a última banana. Você pode mostrar que uma opção não está 
disponível usando o Sinal de Não. O Sinal de Não é um círculo cortado por uma 
barra diagonal, como nos avisos de Proibido Fumar. Você pode fazer seu próprio 
Sinal de Não desenhando o símbolo sobre um pedaço de plástico transparente ou 
cortando-o em papel e colocando-o sobre a figura da alternativa não disponível.
Hoje não dá para escolher assistir ao vídeo! 
Pode ser necessário limitar também as 
opções de comportamento do seu filho. 
Por exemplo, se ele faz alguma coisa pe-
rigosa para si mesmo ou para os outros, 
você precisa mostrar-lhe que este com-
portamento não é uma opção. O Sinal 
de Não colocado sobre uma figura do 
comportamento inaceitável, tal como 
bater ou gritar, faz com que ele perce-
ba que essas ações não são permitidas. 
Quando apresentar o Sinal de Não pela 
primeira vez ao seu filho, ajude-o fisi-
camente a corrigir seu comportamento 
e então chame sua atenção para o Sinal 
de Não. Por exemplo: se quer que pare 
de bater, impeça-o de bater fisicamente 
(segure-o), aponte para a figura e diga: 
“Não bata!” A seguir, aponte para a fi-
gura do que deve fazer no lugar de ba-
ter. Diga-lhe: “Pegue um livro” e então 
procurem por um livro juntos.
*Adaptado de I. Hodgdon – Visual strategies for improving Communication (Troy, MI: QuirkRoberts, 1995)
Esse é um Painel de Opções com duas partes, 
usando figuras.
Este sinal diz à criança que não há “bater” como 
opção. Depois diz que ela deve abaixar as mãos e 
sugere que pegue um livro para se acalmar. *
220 Capítulo 7 Ajudas Visuais 221
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o que vai acontecer
Quando usa palavras para dizer ao seu filho o que vai acontecer durante o dia, ele 
pode não entender muito do que você diz. Deve ser assustador não saber o que vai 
acontecer a seguir! Mas se você usar uma Agenda de Figuras, pode ajudá-lo a en-
tender melhor e antecipar os eventos na sua vida. A Agenda de Figuras usa objetos 
ou figuras para mostrar o que há reservado para seu filho. Podem ser muito simples 
ou mais longas e detalhadas.
Agendas de Objetos Simples ou Figuras podem mostrar:
um objeto ou uma figura de uma 
pessoa ou local que represente o que 
a criança vai fazer
dois objetos ou figuras que dizem ao 
seu filho o que fará por um espaço 
de tempo pequeno – por exemplo, 
“Primeiro banana. Depois bolinhas 
de sabão.” Esse tipo de agenda é 
chamado de Painel Primeiro/Depois. 
A mãe da ilustração na primeira 
página deste Capítulo está usando um Painel Primeiro/Depois com seu filho.
Agendas de Figuras mais detalhadas e Painéis de Auto-cuidado 
podem mostrar:
quatro ou cinco figuras do que seu filho vai fazer durante o dia todo
quatro ou cinco figuras dos passos individuais de uma atividade, tais como 
figuras de cada item de roupa que seu filho precisa vestir ou a série de ações 
necessárias para lavar as mãos
figuras de alguns dos acontecimentos importantes da semana inteira
Faça uma Agenda de Objetos 
dispondo quatro ou cinco 
objetos que representem 
as atividades diárias do seu 
filho em algo como bolsos 
transparentes de um porta-
retrato ou sapateira.
Faça uma Agenda de Figuras prendendo figuras na horizontal ou na vertical a um 
cartaz ou painel. Se o seu filho estiver interessado na escrita, você pode prender as fi-
guras horizontalmente da esquerda para a direita: ele vai ficando mais acostumado à 
maneira de ler. Se não, você precisa experimentar para ver qual estilo de apresentaçãoele prefere. Então, mantenha o modelo em todas as suas Agendas de Figuras. Para as 
Agendas de Figuras que mudam dependendo do dia, prenda as figuras com Velcro ou 
fita adesiva; para as Agendas permanentes, como lavar as mãos e escovar os dentes, 
cole a figura direto no cartaz. 
Essa Agenda de Figuras mostra a rotina da manhã para o seu filho.
Esse Painel de Auto-cuidado mostra cada passo do ato de vestir-se.
Outra maneira de fazer uma Agenda de Figuras é colocar as figuras em envelopes e prendê-los 
num cartaz ou painel.
A primeira Agenda de Figuras normalmente 
é um Painel de Primeiro/Depois 
222 Capítulo 7 Ajudas Visuais 223
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho entender o passado e o futuro
Seu filho entende melhor o que vê do que o que ouve. Imagine a dificuldade dele 
quando você fala sobre seu passado ou seu futuro: coisas abstratas e impossíveis 
de se ver. As Ajudas Visuais podem mostrar-lhe o que você quer dizer quando fala 
sobre idéias abstratas. 
Crie um recipiente para o “Pronto” para ajudar seu filho a “visualizar o passado”. 
Escreva “Pronto” sobre uma caixa, um recipiente vazio ou em um bolso especial com 
um envelope. Para mostrar ao seu filho que uma atividade acabou, coloque objetos ou 
figuras na caixa assim que a atividade terminar. Se a sua agenda for feita com bolsos, 
simplesmente vire o cartão com a figura de costas no bolso quando a atividade acabar. 
(Veja a discussão sobre como usar o recipiente “Pronto” na seção “Ajudas Visuais para 
o estágio de comunicação do seu filho” neste capítulo).
Seu filho pode ver o fez quando coloca a figura e o objeto da atividade terminada 
no recipiente de “Pronto”. 
Mantenha um Diário de Figuras para ajudar a entender quando você fala sobre coisas 
que seu filho fez. Um Diário de Figuras pode ser uma figura única ou um fichário de 
desenhos, fotos ou lembranças sobre lugares que ele tenha ido, como a escola, casas de 
parentes ou da piscina onde faz aula de natação. Mantendo um Diário 
de Figuras, você proporciona ao seu filho uma recordação 
visual do que aconteceu com ele, o que pode ajudá-lo 
a entender quando fala sobre o que ele tem feito. 
As figuras de um Diário de Figuras também o 
ajudam a se lembrar do que aconteceu no pas-
sado e podem relembrá-lo de alguma coisa que 
possa compartilhar com você.
Mostre ao seu filho uma figura para prepará-lo para visitas a lugares que vocês freqüen-
tam. Antes de sair de casa, mostre-lhe a figura e converse sobre o lugar para onde estão 
indo. Por exemplo, se planeja levar seu filho ao cinema, an-
tes de sair, mostre-lhe antecipadamente uma propaganda 
do filme no jornal.
Se o seu filho freqüenta creche, pré-escola 
ou alguém que tome conta seria uma boa idéia 
manter um Livro de Comunicação. No Livro 
de Comunicação, você e a pessoa responsá-
vel relatam, através de figuras e pequenas 
anotações, o que seu filho fez em cada lo-
cal. O livro vai e volta para casa todos os 
dias, possibilitando que você e o profissio-
nal conversem com ele sobre o que viven-
ciou quando vocês estavam ausentes.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender seus 
sentimentos e os sentimentos dos outros
Nós usamos expressões faciais o tempo todo para expressar o que sentimos. Sorrir 
fazr com que os outros saibam que estamos felizes, inclinar a cabeça para baixo 
mostrar tristeza e levantar a voz pode significar que estamos bravos. No entanto, 
seu filho pode não perceber essas pistas de como você está se sentindo. Pode não 
entender o que quer dizer quando diz “estou feliz”, “triste” ou “brava”. Mas se 
mostrar-lhe figuras representando esses sentimentos, ele pode ter mais tempo de 
entender sobre o que você está falando. Nomeie as figuras enquanto as mostra 
para seu filho, de maneira que ele aprenda os nomes de diferentes sentimentos. 
Você também pode escrever uma história de figuras sobre sentimentos (veja as 
páginas 247-248). Posteriormente, seu filho poderá apontar ou lhe dar uma figura 
que mostre como ele está se sentindo.
divisões opcionais
A professora de Caio mandou para casa uma 
figura do que ele fez na escola, dando a ele e 
sua mãe algo para conversar.
NOME Data
Hoje nós..... 
Olhando no Livro de Comunicação 
da Amanda, sua professora pode 
conversar sobre o passeio que 
a menina fez com seu pai até a 
floricultura.
A professora do seu 
filho pode circular as 
figuras do que seu 
filho fez em uma 
folha como esta.
224 Capítulo 7
Ajudas Visuais podem mostrar para o seu filho como fazer 
coisas por conta própria
Quando o seu filho usa Ajudas Visuais, como Painéis de Auto-cuidado, torna-se me-
nos dependente das suas instruções para fazer coisas como lavar as mãos, escovar os 
dentes ou mesmo lidar com a própria raiva. As Ajudas Visuais também podem ajudar 
seu filho a organizar sua vida, e assim poder fazer outras coisas por conta própria. Por 
exemplo, você pode mostrar-lhe onde colocar suas roupas, brinquedos e livros, colando 
etiquetas em estantes e prateleiras, guarda-roupas e armários de cozinha. As etiquetas 
vão permitir que seu filho guarde suas coisas sem ajuda e até que ele aprenda a ler uma 
ou duas palavras. (Para outras idéias 
sobre usar palavras escritas, 
veja o Capítulo 10, páginas 
355-60).
Essas etiquetas mostram para 
o Fábio onde colocar seus 
sapatos.
As Ajudas Visuais podem mostrar o que 
seu filho precisa saber sobre situações difíceis
Assim que seu filho puder entender histórias simples (normalmente nos estágios 
de Comunicação Básica e Parceria), você pode escrever Histórias Pessoais espe-
cialmente para ele. Essas histórias, escritas a partir do ponto de vista da criança, 
ajudam a entender o que as pessoas fazem e dizem em situações confusas. Além 
disso, as histórias sugerem alguma coisa para tentar fazer quando estiver na mesma 
situação (Veja a página 239 para aprender como escrever Histórias Pessoais).
As Ajudas Visuais podem dar ao seu filho uma outra maneira de se comunicar 
enquanto a linguagem se desenvolve, ou lembrá-lo do que dizer quando já estiver 
falando. As Ajudas Visuais:
possibilitam que ele faça escolhas
proporcionam-lhe uma outra maneira de dizer algo, começando com pedidos
lembram-no do que fazer e dizer.
Ajudas Visuais possibilitam que seu filho faça escolhas
Um Painel de Opções pode ser usado para encorajar seu filho a iniciar uma comuni-
cação por iniciativa própria. Em vez de ficar constantemente perguntando o que ele 
quer, você pode ensiná-lo a iniciar a comunicação apontando para uma figura no 
Painel de Opções ou pegando uma figura ou objeto e entregando-o a você. Quando 
seu filho for interativo e verbal, as figuras e palavras do Painel de Opções vão lem-
brá-lo de pedir as coisas desejadas.
Você pode também usar o Painel de Opções para ajudar seu filho a responder às 
suas perguntas. Quando apresentar as opções no painel, pode perguntar-lhe o que 
quer e esperar por sua resposta – apontar para a figura ou dizer a palavra. Dependen-
do do estágio do seu filho, você pedirá que faça escolhas de diferentes maneiras. Por 
exemplo, dar-lhe duas coisas para escolher, mostrando-as e nomeando-as (por exem-
plo, “pão ou bolacha?”), perguntando “O que você quer?” e esperando sua resposta ou 
fazendo uma pergunta “Sim ou Não”, tal como “Você quer queijo?”.
Ajudas Visuais dão ao seu filho uma 
outra maneira de dizer algo
A fala pode levar um longo tempo para se desen-
volver. Enquanto isso não acontece, seu filho 
precisa aprender outras maneiras de se co-
municar. Trocar uma figura ou objeto por 
coisas que deseja ou apontar figuras em 
um painel são maneiras mais claras de 
se comunicar do que empurrar ou con-
duzir alguém. Seu filho também come-
ça a entender que figuras, assim como as 
palavras, podem representar ou simbolizar 
coisas reais. Lembre-se, apontar para figuras 
Ajudas Visuais podem ajudar seu 
filho a se expressar
226 Capítulo 7
e fazer Troca de Figuras ou Objetos não são alternativas permanentesà fala. Na verdade, 
devem colaborar no desenvolvimento da fala. Para as crianças que continuam a ter difi-
culdade em falar, a comunicação por figuras é uma boa introdução a formas alternativas 
de comunicação.
Ajudas Visuais podem lembrar seu filho do que dizer e fazer
Toda vez que você usar Ajudas Visuais, deve dizer exatamente as mesmas coisas. 
Por causa da repetição, seu filho poderá posteriormente começar a repetir algumas 
palavras. Em pouco tempo as figuras podem estimular seu filho a dizer palavras que 
tenha aprendido. Você pode até ouvi-lo falando sozinho ao olhar para as figuras 
durante uma atividade!
As Agendas de Figuras para rotinas são feitas para dar independência. Com o 
passar do tempo, você nem precisará estar na sala enquanto seu filho os usa. Enquan-
to ele ainda estiver aprendendo a usar a Agenda de Figuras para orientar sua rotina, 
você pode tirar vantagem da oportunidade para promover a comunicação recíproca. 
Por exemplo, assim que seu filho tiver vestido suas calças na rotina de se vestir, mos-
tre-lhe sua Agenda de Figuras e deixe que diga qual peça de roupa precisa vestir a se-
guir. Você pode dizer alguma coisa como: “Primeiro, vestir as calças. Depois, vestir...” 
e esperar que ele complete a frase . No entanto, assim que seu filho for capaz de fazer 
parte da rotina sozinho, deixe que as figuras dêem todas as instruções.
Os Cartões de Dicas fornecem um outro jeito de lembrar o que seu filho pode dizer. 
Os Cartões de Dicas são justamente o que você pensaria – cartões com uma figura e 
palavras ou sentenças que orientam seu filho a dizer algo. Os Cartões de Dicas com “Eu 
quero”, “ Eu tenho” e “ Olha” escritos podem lembrar seu filho de como pedir pelas coi-
sas ou fazer um comentário. Os Cartões de Dicas também podem fornecer ao seu filho 
uma sentença inteira a dizer, como “O que você fez hoje?”. (Nós falaremos mais sobre os 
Cartões de Dicas quando tratarmos dos estágios de Comunicador Básico e de Parceria).
Ponha as Ajudas Visuais nos lugares onde 
serão usadas
Adicione palavras escritas (em letra de forma 
ou bastão)
Preste atenção no que você fala
Chame a atenção da criança para as figuras
Seu filho poderá fazer escolhas 
rapidamente se você puser figuras 
das suas comidas favoritas na 
porta da geladeira.
A figura dos balanços permite que seu 
filho saiba antecipadamente aonde vai.
Ponha as Ajudas Visuais nos lugares onde serão usadas
As Ajudas Visuais só ajudarão se estiverem onde seu filho vá precisar delas. Disponha 
as Ajudas Visuais onde elas façam sentido. Por exemplo, ponha figuras de suco ou 
leite na porta da geladeira ou figuras de brinquedos na parte de fora do armário de 
brinquedos. Ponha as figuras no nível dos olhos de seu filho, usando fita adesiva ou 
Velcro. Para a porta da geladeira, tente colar figuras sobre placas de imãs.
Adicione palavras escritas (em letra de forma)
Mesmo que seu filho ainda não leia, adicione palavras escritas rotulando as figuras. 
Desta maneira, seu filho pode começar a ver a conexão entre as pinturas e as pala-
Dicas sobre o uso de Ajudas Visuais
228 Capítulo 7 Ajudas Visuais 229
vras escritas. Você não precisa escrever tudo o que fala, só as palavras importantes. 
Embora não haja regras sobre usar letras minúsculas ou maiúsculas, faz sentido 
usar letras minúsculas, como seu filho as vê nos livros.
Preste atenção no que você fala
Tente dizer a mesma coisa toda vez que fala sobre uma figura, mas não fale muito. 
Use sentenças claras e simples.
Há algumas regras básicas sobre quando falar e quando não falar: durante as 
rotinas de auto-cuidado, como escovar os dentes e lavar as mãos, descreva cada 
passo enquanto o seu filho aprende a rotina. Então deixe que as figuras “falem”! 
Você ainda pode usar as rotinas de auto-cuidado como oportunidades para comuni-
cação, mas não vai querer que seu filho fique dependente das suas instruções!
Quando estiverem olhando a Agenda de Figuras diária, sempre comente sobre 
os planos para o dia ou, no fim do dia, sobre o que ele fez. Você pode conversar 
sobre o que os outros membros da família estão fazendo também. E lembre-se: 
qualquer hora é uma boa hora para conversar, desde que seu filho possa fazê-lo.
Chame a atenção do seu filho para as Ajudas Visuais
Não espere que seu filho use as Ajudas Visuais logo depois de colocá-las. Você pre-
cisa chamar a atenção para as figuras, trazendo-as para sua linha de visão e apon-
tando-as o tempo todo enquanto estiver falando sobre elas. Também pode guiar a 
mão da criança para tocar ou apontar as figuras.
Se estiver usando figuras para ajudar seu filho a fazer uma atividade ou rotina, 
você precisa apontar para determinada figura toda vez que ele estiver para fazer um 
passo daquela atividade. Por exemplo, se ele está usando um Programa de hora do 
banho, aponte para a figura do primeiro passo da rotina, que pode ser abrir a tornei-
ra. Depois da torneira aberta, dirija a atenção do seu filho para a figura que ilustra 
o segundo passo da rotina e assim por diante, até completar todos os passos.
A figura do biscoito está no nível de 
visão da criança, não na do adulto.
O pai desse menininho o ajuda a 
entender passo a passo a rotina 
da hora do banho.
Ajudas Visuais 231
A seção a seguir dá sugestões sobre como usar Ajudas Visuais para crianças nos 
quatro estágios de comunicação. Se o seu filho se interessa por figuras, pode estar 
pronto para as sugestões dadas para uma criança em estágio mais adiantado.
Ajudas Visuais para crianças no estágio de Interesses Próprios
Nesse estágio, é melhor usar objetos reais, fotos realistas e rótulos das comida e 
embalagens de brinquedos. Esses recursos visuais podem ajudar seu filho a entender 
o que você fala e proporcionar-lhe uma forma de se expressar.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender seu mundo
Use objetos reais para ajudar seu filho entender o que está para acontecer
Você pode mostrar objetos para o seu filho, tais como a jarra de suco, seus pijamas 
ou seu livro para ajudá-lo a antecipar o que vai acontecer. Mostre-lhe um objeto 
que ele possa associar com uma rotina ou atividade – a caixa de ce-
real antes do café da manhã ou seu patinho de borracha 
antes do banho. Você pode usar um determina-
do objeto para representar uma atividade, de 
maneira que toda vez que seu filho vir 
aquele objeto, associe-o a um aconte-
cimento específico. Por exemplo, se 
trouxer o mesmo copo toda vez em 
que disser “suco”, seu filho pode 
começar a ligar aquele copo a to-
mar suco. Você pode usar dife-
rentes objetos para representar 
outras atividades: uma colher 
especial para indicar a hora de 
comer, um sabonete para indi-
car a hora do banho ou as cha-
ves do carro para seu filho saber 
que vai dar uma volta de carro. 
Futuramente, pode ser que ele tra-
ga algum desses objetos por conta 
própria para pedir-lhe algo.
Use uma Agenda de Objetos para ajudar seu filho a entender o que 
está para acontecer
Quando seu filho puder concentrar-se em objetos, faça uma Agenda de Objetos com 
quatro ou cinco objetos para ajudá-lo a entender o que fará nos diferentes períodos 
do dia, tais como de manhã ou antes de dormir. Mostre-lhe o objeto que representa 
a atividade e diga-lhe o que está para acontecer. Por exemplo, antes de ajudá-lo a se 
vestir, mostre-lhe uma camiseta e diga “Vista a roupa!” Deixe que seu filho manipule 
o objeto que representa a atividade, se ele puder fazer isso sem ficar muito distraído. 
Ele pode até levar os objetos para onde a atividade acontece. Quando tiver completa-
do a atividade, ajude-o a colocar os objetos na caixa de “Pronto” e diga “Pronto”.
Use Ajudas Visuais para o estágio 
de comunicação do seu filho
Toda vez que a mãe do Bernardo leva-o para o 
carro, mostra-lhe as chaves e diz “Vamos!”. Então, 
um dia, Bernardo traz as chaves e diz “Vamos!”
Renata gosta de pegar a sua caneca de sua Agenda de 
Objetos e levar para o balcão onde toma caféda manhã.
232 Capítulo 7 Ajudas Visuais 233
Use objetos reais para mostrar ao seu filho o que ele deve fazer a seguir
Seu filho às vezes pode não querer parar uma atividade e mudar para outra por não 
saber o que vem a seguir. Mas se você lhe der um objeto que ele possa associar com 
a próxima atividade, poderá mudar mais facilmente de uma atividade para outra. 
Por exemplo, dê-lhe uma bola antes de ir lá fora brincar ou uma fita cassete para 
ouvir no carro antes de sair do parque. Essa estratégia pode ser bem útil em um 
ambiente escolar, onde seu filho pode não querer deixar uma atividade que goste. 
Se a professora mostrar-lhe ou entregar-lhe algo que o relembre de uma coisa na 
próxima atividade que ele goste bastante, como um pincel antes de levá-lo para a 
pintura, ele dará menos trabalho para começar a nova atividade. 
Apresente algumas fotografias grandes e rótulos de embalagens para 
ajudar seu filho a entender quais opções ele tem.
Se o seu filho estiver pronto para imagens, use fotografias coloridas grandes (15X10 
cm ou maiores) ou recorte figuras de pacotes de cereal, petiscos ou brinquedos. Co-
loque fotos de duas coisas que seu filho gosta de comer na porta da geladeira ou no 
armário da cozinha. Garanta que as fotos estejam na altura dos olhos dele. Escolha 
coisas motivadoras, que ele vá querer frequentemente durante o dia.
Quando seu filho se aproximar do item motivador, aponte para a figura ou foto e 
diga o que é. Se ele estiver interessado na figura, tente pegar sua mão e guiá-lo para 
tocar a foto enquanto diz o que é. Então lhe dê o item mostrado na foto ou figura.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar
Use objetos para ajudar seu filho a fazer escolhas
Quando você começa a apresentar opções, ofereça algo que goste e algo que não o 
interessa. Mostre-lhe as duas coisas para que ele escolha. Você pode precisar mo-
vimentar-se em volta dele para conseguir que olhe para as opções. Ele não enviará 
uma mensagem diretamente a você, mas pode tentar alcançar ou olhar para algo. 
Trate esta tentativa ou olhar como se ele tivesse escolhido. Rapidamente, faça com 
que toque o objeto escolhido e lhe dê.
Ensine Troca de Objetos para ajudar seu filho a pedir-lhe coisas 
comunicando diretamente a você
Esta técnica é a mesma da Troca de Figuras, exceto que, no lugar de figuras, seu 
filho lhe dá objetos em troca daquilo que deseja. Você vai precisar de um ajudante 
para ensinar Troca de Objetos.
Veja como funciona. Primeiro, certifique-se que seu filho deseja o que você vai 
ensinar-lhe a pedir. Por exemplo, depois que ele comeu algo bem salgado, traga-lhe 
um suco, por que provavelmente estará com sede. Sente-se em uma mesa do lado 
oposto ao dele. Deixe que ele veja o suco sobre a mesa, mas não o deixe pegá-lo. Se 
ele continuar a tentar alcançar o suco, segure-o. Ponha o copo na frente dele, estenda 
sua mão aberta e faça com que a outra pessoa guie a mão da criança para pegar o 
copo e entregar-lhe. Assim que lhe entregar o copo, aja como se ele tivesse pedido 
para beber algo. Diga “como ele teria dito se pudesse”: “Suco!” Ao mesmo tempo, dê-
lhe o suco em outro copo. Pode levar várias tentativas até que o seu filho entenda o 
que se espera dele, mas não desanime. Tente de novo mais tarde ou no dia seguinte. 
Quando seu filho começar a dar-lhe o copo de maneira constante para conseguir o 
suco, coloque o copo “pidão” onde seu filho possa vê-lo e alcançá-lo, talvez no bolso 
transparente de um painel de plástico. Mais tarde você pode colar o objeto em uma 
figura para ajudar seu filho a fazer conexão entre a coisa real e a figura. Embora a 
Troca de Objetos seja limitada, a idéia de ter de dar-lhe uma coisa para conseguir algo 
em troca ajuda seu filho a perceber o poder da comunicação direta com você.
Você pode tentar ensinar Troca de Figuras nesse estágio, mesmo que ele 
não entenda as figuras. À medida que adquire mais experiência, dando figuras 
e recebendo determinadas comidas ou objetos, ele pode começar a atribuir sig-
nificado a cada figura.
Gustavo dá a sua mãe um copo 
especial para pedir-lhe algo para beber.
234 Capítulo 7 Ajudas Visuais 235
Ajudas Visuais para crianças no estágio de Pedidos 
Nesse estágio, use objetos e figuras realistas, tais como fotogra-
fias coloridas grandes (no mínimo 10 x15 cm), ou corte figuras 
de caixas ou embalagens de cereal, petiscos e brinquedos.
Ajudas Visuais podem ajudar 
seu filho a entender o mundo
Use um Painel Primeiro/Depois para ajudar seu filho a entender o que 
está para acontecer com ele (durante a próxima hora)
Neste estágio, você pode fazer um Painel Primeiro/Depois usando objetos ou figuras. Para 
facilitar, falaremos sobre os Painéis Primeiro/Depois usando figuras. Comece achando 
duas figuras para representar o que seu filho fará em um pequeno espaço de tempo. Por 
exemplo, uma figura pode ser um brinquedo, como um quebra-cabeça que ele vá brincar 
e o outro pode ser uma figura de uma guloseima que ele comerá depois do jogo. Cole as 
duas figuras vertical ou horizontalmente sobre 
um cartaz. Enquanto mostra as figuras para o 
seu filho, ajude-o a tocar cada uma e ao mesmo 
tempo explique: “Primeiro, quebra-cabeça. De-
pois, uvas.” Faça que a segunda atividade seja a 
melhor, de maneira que o seu filho tenha algu-
ma coisa a aguardar ansiosamente. Escolha um 
quebra-cabeça bem fácil, com poucas peças ou 
quase completo. Faça com que seu filho fique 
com a figura (ou objeto em miniatura) durante a 
primeira atividade e assim que terminá-la, aju-
de-o a devolver a figura ou objeto para a caixa 
de “Pronto”. A seguir mostre a figura das uvas de novo, dizendo “uvas”. Ajude-o a tocar 
a figura enquanto diz a palavra e então lhe dê a guloseima.
Quando seu filho estiver pronto, use Agendas de Figuras mais longas
Quando seu filho tiver entendido como funciona o Painel Primeiro/Depois, adicione 
uma ou mais figuras ou objetos para ajudá-lo a entender o que vai acontecer por um es-
paço de tempo maior. Ele pode estar pronto até para uma Agenda de Figuras que mostre 
os passos de uma rotina, tais como se vestir ou lavar as mãos. (Veja o Capítulo 8, página 
274, para mais informações sobre o uso de Agendas de Figuras em rotinas.)
Use uma única figura para ajudar seu filho a entender aonde está indo
Mostre para seu filho fotos de pessoas 
e lugares familiares antes de visitá-los. 
Use linguagem simples para descrever o 
que vai acontecer: “Vovó. Ir vovó.”.
Ajudas Visuais podem ajudar 
seu filho a se expressar
Ensine seu filho a fazer pedidos 
pela Troca de Figuras ou Objetos 
O Sistema de Comunicação por Troca de 
Figuras (PECS) ensina seu filho a pedir-
lhe coisas que deseja, como comida ou 
brinquedo, trocando a figura de alguma 
coisa pela coisa real. (A Troca de Figuras 
é aprendida da mesma maneira que Troca 
de Objetos. Veja, na página 233, a descri-
ção de Troca de Figuras para uma crian-
ça no estágio de Interesses Próprios). No 
começo, seu filho vai precisar de ajuda 
física para aprender como trocar a figura por algo que deseja, como uma uva passa 
ou uma bolacha. Gradualmente, aprenderá como trocar algumas figuras sem qualquer 
ajuda e sem dicas. Assim que seu filho entregar-lhe a figura, certifique-se de dizer 
“como ele faria se pudesse”. Por exemplo, se lhe der a figura de suco, diga “suco”.
Uma nova dica: quando estiver ensinando Troca de Figuras, garanta que seu 
filho adquira muita prática oferecendo-lhe guloseimas pedacinho por pedacinho. Se 
ele gosta de uvas passas, troque uma passa de cada vez pela figura. Quebre batatinhas 
chips e bolachas e corte frutas como maçãs e bananas em pedaços 
menores. Está fora dos objetivos deste livro explicar em 
detalhes o Sistema de Comunicação por Trocas de 
Figuras. Um profissional experiente, como um 
fonoaudiólogo, especialista em educação espe-
cial ou psicólogo pode ajudá-lo a dominar o 
PECS. Se o seu filho resistir à Troca de Figu-
ras, tente Trocade Objetos.
A mãe ajuda Rafael fisicamente 
a dar uma figura ao pai, até que ele 
aprenda a fazer isso por conta própria.
Este é um Painel Primeiro/Depois feito de figuras. 
Você poderia mostrar as mesmas coisas para o seu 
filho usando objetos – uma peça do quebra-cabeça 
ou uvas de brinquedo.
Se você tiver fotos de pessoas e lugares 
familiares, pode preparar seu filho para visitas.
236 Capítulo 7 Ajudas Visuais 237
Use um Painel de Opções para ajudar seu filho a 
dizer o que deseja quando lhe perguntar
Seu filho pode usar um Painel de Opções tanto para iniciar uma interação quanto 
para responder a uma pergunta. Pode escolher a figura ou objeto por conta própria 
ou escolher a figura ou objeto para responder a uma pergunta. Quando você oferecer 
algo, seu filho pode responder indicando ou tocando um dos objetos ou figura. Se ele 
não o fizer por conta própria, guie sua mão para tocar a figura ou objeto que você 
acredita ser o que ele quer e lhe dê a coisa desejada imediatamente.
Ajudas Visuais para a criança no Estágio de Comunicação Básica
Seu filho provavelmente ainda é muito atraído por fotos, nomes escritos nas figuras e 
grandes desenhos coloridos. Nesse estágio, se ele estiver usando várias figuras, prova-
velmente será mais prático começar a usar desenhos com mais ou menos 5 x 5 cm.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o mundo
Use o Painel de Opções para mostrar ao seu filho 
o que está disponível e o que não está
À medida que a capacidade do seu filho para entender figuras aumentar, também au-
mentará o número de opções disponíveis no Painel de Opções. Ele está fazendo mais 
escolhas e usando o painel principalmente para dizer-lhe o que deseja, seja lhe dando 
figuras, dizendo a palavra ou apontando.
De vez em quando, no entanto, uma deter-
minada opção não está disponível. Por exemplo, 
você pode não querer que seu filho possa optar 
sempre por assistir TV. Ajude-o a entender quan-
do uma opção não está disponível, introduzindo 
o Sinal de Não (veja a página 219). Comece com 
uma opção que ele possa ver que não está dispo-
nível. Por exemplo, se não houver mais bolachas, 
diga “Bolacha acabou” e faça com que ele veja a 
caixa vazia. Exagere o fato de a caixa estar va-
zia. Vire-a de ponta cabeça e agite-a enquanto 
repete “Bolacha acabou”. Então coloque o Sinal 
de Não sobre a figura de bolachas no Painel de 
Opções, dizendo “Bolacha acabou”. Pode levar 
algumas explicações em palavras simples, como 
“TV Não” ou “Bolacha acabou”, até seu filho en-
tender o que significa o símbolo.
Se o seu filho tiver qualquer problema de comportamento, tais como morder ou 
bater, você pode também usar o Sinal de Não para mostrar-lhe que estas ações são 
inaceitáveis. Primeiro faça figuras mostrando “Não bater”, “Não gritar”, “Não mor-
der”. Então faça figuras mostrando o que ele deveria fazer. Descreva o que a figura 
significa em sentenças curtas e simples e dê ao seu filho a ajuda física que precisa 
para seguir as instruções, até que ele possa fazê-lo por conta própria.
Ajudas Visuais dizem ao seu filho o que 
deve e o que não deve fazer.
Use Agendas de Figuras e Painéis de Auto-cuidado para ajudar seu filho 
a entender os acontecimentos do dia e os passos de uma rotina difícil
Se o seu filho não tiver experiência prévia com Agendas de Figuras, comece com um 
Painel de Primeiro/Depois, usando-o da mesma maneira descrita para crianças no 
estágio de Pedidos (veja na página 234). Não demorará muito e você poderá adicionar 
mais atividades ao cartaz e mostrar ao seu filho o que fará durante o dia todo.
Esse cartaz mostra para o seu filho o que fará o dia inteiro.
A mãe faz com que Douglas veja que não 
há mais bolachas no pacote, e assim ele 
entende que bolacha não é uma opção.
238 Capítulo 7 Ajudas Visuais 239
Quando as figuras são destinadas a mostrar os passos de uma rotina difícil, seu filho 
pode usá-las de maneira mais eficiente se cada uma estiver colocada no lugar onde 
ele executa aquele passo da rotina na vida real. Por exemplo, em uma rotina de lavar 
as mãos, ponha a figura do sabão perto de onde fica o sabão de verdade, a figura das 
mãos sendo enxugadas sobre a toalha e a figura da água sobre as torneiras. À medida 
que seu filho for progredindo, você pode colocar todas as figuras em um único Painel 
de Figuras. Algumas crianças não têm dificuldade em completar um passo e então 
consultar o painel para o próximo passo. Mais uma vez você precisará experimentar 
para ver o que é melhor para o seu filho.
Adicione um lugar de “Pronto” à Agenda de Figuras para ajudar seu 
filho a entender o passado
Toda vez que seu filho terminar uma atividade do Painel, estimule-o a colocar a 
figura da ação completada em uma caixa ou envelope especial. Diga o nome da 
atividade e “Pronto” (por ex. “Banho pronto”). Ele pode precisar de ajuda mão sobre 
mão para aprender como fazer isto.
Use as Ajudas Visuais para mostrar o que seu filho 
precisa saber sobre situações difíceis
Escreva Histórias Pessoais curtas para seu filho. Estas histórias são escritas espe-
cialmente para ele, de forma a ajudá-lo a aprender o que dizer em diferentes situ-
ações. Seguindo estas recomendações, você pode escrever Histórias Pessoais para 
quase tudo o que quiser que seu filho entenda ou faça.
Segue um exemplo de uma História Pessoal que conta a um Comunicador Básico o 
que acontece quando uma visita chega.
Coloque as figuras onde 
seu filho precisa delas.
Guia para escrever Histórias Pessoais*
1. Identifique sobre quem e o que a história trata.
2. Escreva sob o ponto de vista da criança.
3. Descreva o que as pessoas fazem e/ou dizem na situação.
4. Forneça alguma alternativa para que a criança tente fazer e/ou dizer na situação.
* Adaptado de C.Gray. “Teaching children with autism to read social situations.
” In: Teaching Children with Autism, editado por K.Quill (Albany: Delmar, 1995). 
240 Capítulo 7 Ajudas Visuais 241
Segue um exemplo de uma História Pessoal para ajudar um Comunicador Básico.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar
Nesse estágio, as figuras podem ajudar seu filho a fazer pedidos, e também fazer e 
responder perguntas ou comentar alguma coisa.
Use Cartões de Dicas
Use os Cartões de Dicas para ajudar seu filho a fazer sentenças. Você pode ajudá-
lo a progredir com os Cartões de Dicas: começar se comunicando com apenas uma 
figura durante a Troca de Figuras e terminar fazendo pequenas “sentenças”. Escreva 
“Eu quero” em um Cartão de Dicas e demonstre como colocar a figura do que ele 
deseja perto das palavras no cartão. Então faça com que ele troque a “sentença” 
pelo que deseja. Se o seu filho estiver “ecoando” (repetindo o que você diz), use a 
oportunidade para ajudá-lo a dizer a sentença depois de fazê-la. Assim que ele lhe 
der o Cartão de Dicas “Eu quero” e a figura, diga “como ele diria se pudesse” – por 
exemplo, “Eu quero vídeo”. Conforme ele progride e fica mais interativo, pode não 
precisar mais da troca de figura e do cartão – poderá apontar ou dizer a sentença. 
Use Cartões de Dicas para ajudar seu filho 
a comunicar-se por outras razões além de 
pedir coisas, tais como responder perguntas 
e fazer comentários. Por exemplo, se estiver 
jogando um jogo com seu filho e quiser que 
ele diga de quem é a vez, faça cartões “Sua 
vez/Minha vez”. São dois cartões onde você 
escreve palavras indicando o que ele pode 
dizer quando é a vez dele (por exemplo, “vez 
do César”) e quando é a sua vez (por exem-
plo, “vez da Mamãe”). Ponha outras senten-
ças utilizadas frequentemente em Cartões de 
Dicas, tais como “Eu tenho”, “Eu vejo”, “Es-
tou indo” e “O que é isto?” e mostre ao seu 
filho sempre que ele precisar.
Para usar os Cartões de Dicas, exiba o cartão ou aponte para ele quando desejar 
que o seu filho fale. No começo, forneça um modelo verbal completo se necessário, 
dizendo tudo o que está escrito no Cartão de Dicas e também fazendo o papel doseu filho de preencher as lacunas. Por exemplo, se o Cartão de Dicas diz “Olha” diga 
“Olha“ e aponte para algo como uma bola e complete dizendo “bola”. Depois de 
dizer várias vezes o modelo completo, dê ao seu filho um modelo parcial, dizendo 
somente: “Olha a...” e deixando que ele complete a frase. Quando sentir que ele está 
pronto, simplesmente diga “Olha...” e deixe que ele complete mais a frase. Seu obje-
tivo é que o Cartão de Dicas venha a funcionar como um lembrete para seu filho de 
que é a vez dele dizer alguma coisa, sem que você precise fazer ou dizer nada. 
Ajuda ter alguns cartões de Dicas permanentes em determinados lugares. Por 
exemplo, na mesa de jantar, faça um 
Cartão de Dicas para lembrar 
seu filho a pedir por mais 
(por exemplo, “Eu quero 
mais”) e um outro para 
dizer-lhe que já comeu 
o bastante (por exem-
plo, “Pronto”).
Os Cartões de Dicas com 
frases podem relembrar 
seu filho sobre o que dizer 
durante as refeições.
Cartões de Dicas podem lembrar seu 
filho de como pedir um lanchinho.
242 Capítulo 7 Ajudas Visuais 243
Use os Cartões de Dicas para ajudar seu filho a entender e falar sobre senti-
mentos. Seu filho sente felicidade, tristeza, raiva, medo e entusiasmo como todas 
as crianças, mas pode ter dificuldade de entender as palavras que as nomeiam. No 
entanto, você provavelmente já tem ajudado seu filho a entender sentimentos mais 
do que imagina. Por exemplo, quando ele lhe dá um abraço, você pode sorrir e dizer 
“Isso deixa a mamãe feliz”. Ou quando ele sobe em cima da geladeira, você pode 
dizer numa voz dura: “Desça daí. Mamãe está brava.” Nesses exemplos, sua lingua-
gem corporal, tom de voz e expressões faciais ajudam seu filho a entender como 
você se sente. Mesmo assim, ele pode precisar de umas ajudas extras.
Comece com figuras e os nomes dos sentimentos mais básicos.
Ponha cada figura em seu próprio Cartão de Dicas. Quando você quiser identificar 
um sentimento para seu filho, diga a palavra e guie sua mão para tocar o Cartão de 
Dicas com a figura da mesma emoção. Você deve sempre dar ao seu filho um exem-
plo do que o faz sentir-se de determinada maneira. Por exemplo, em vez de dizer 
simplesmente “César está triste”, mostre-lhe e identifique o que o faz triste – por 
exemplo: “A roda quebrou. O César está triste.”. A melhor ocasião para identificar 
sentimentos com um Cartão de Dicas é quando seu filho estiver experimentando um 
deles. Veja como a mãe de César seguiu o seu comando.
O César adora picolés, em especial os de uva, e fica muito animado quando sua 
mãe pega um do congelador. Toda vez que a sua mãe lhe dava um picolé, ela dizia: 
“César gosta de picolé. César está feliz.” Então ela pegava a mão do filho e tocava um 
Cartão de Dicas com uma cara feliz desenhada e repetia a palavra “Feliz”. Ela fez isso 
repetidas vezes sempre que o César estivesse feliz de verdade. Um dia, a mãe de César 
lhe deu o picolé e esperou. O César pegou a mão da mãe e fez com que ela tocasse o 
Cartão de Dicas. Assim que ela tocou o cartão, ele disse: “César está feliz!”.
Ajudas Visuais para a criança no estágio de Parceria
Nesse estágio, seu filho pode ser capaz de usar todos os tipos de figuras e até mesmo 
obter informações de palavras escritas. Se ele estiver usando muitas Ajudas Visuais, 
seria mais prático usar desenhos menores (5 x 5 cm). Também está ficando mais in-
dependente. Nas rotinas de auto-cuidado, como escovar os dentes ou lavar as mãos, 
pode seguir as figuras mesmo sem você estar junto.
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o mundo
Use Agendas de Figuras para ajudar seu filho entender os 
acontecimentos do seu dia, semana e mês
Há muitas maneiras de usar Ajudas Visuais nesse estágio. Muitas Agendas de Figu-
ras diferentes podem mostrar ao seu filho o que fazer durante o dia todo, a semana 
e o mês. Até mesmo o conceito de tempo pode ser expresso através de figuras.
Uma agenda que mostre o dia inteiro ao seu filho permite que ele saiba o que 
esperar e pode ser especialmente útil se está relutando em fazer alguma coisa.
Todas as quintas-feiras, 
a avó do Fábio cuida 
dele enquanto sua mãe 
vai ao trabalho. Sempre 
que chega à casa da 
vovó, Fábio se recusa a 
sair do carro e chora. 
Ele gosta da avó, mas 
não gosta quando sua 
mãe o deixa.
Fábio não gosta de ser 
deixado na casa da avó.
244 Capítulo 7 Ajudas Visuais 245
Uma Agenda de Figuras para o dia do Fábio pode 
ficar assim: “Primeiro o Fábio vai para a casa da 
Vovó. Depois Fábio vai almoçar. Depois Fábio vai 
assistir a um vídeo. Depois Fábio vai tomar um 
suco. Depois o papai vai buscar o Fábio e trazê-lo 
para casa.” Essa agenda pode não resolver todo o 
problema, mas vai lembrar Fábio que a casa da 
avó é divertida e que o pai sempre vai buscá-lo 
no fim do dia.
O dia também pode ser dividido em mini-
agendas. Uma agenda para a manhã pode in-
cluir “Vá ao banheiro. Tire os pijamas. Tome 
café da manhã. Escove os dentes.” Se o seu filho 
tem dificuldades em se vestir sozinho, pode usar 
um Painel de Figuras mostrando cada passo da 
Rotina – por exemplo: “Vestir cuecas. Vestir ca-
miseta. Vestir calças. Vestir meias”.
Uma agenda semanal ou mensal parece
um calendário com figuras dos acontecimen-
tos importantes – aulas de natação, visitas aos 
amigos ou à escola – sobre os dias em que eles 
acontecem.
As Agendas de Figuras podem ser especialmente úteis para o seu filho na sala 
de aula da pré–escola ou educação infantil. Se puder consultar seu livro ou seu pai-
nel, ele saberá exatamente o que fazer, sem precisar de ajuda do professor.
Tempo é muito abstrato. Portanto, seu filho precisa de exemplos concretos so-
bre o que acontece em determinados períodos do dia para entender como o tempo 
funciona. Por exemplo, você pode por uma figura de comida de café da manhã ao 
lado das 8 horas ou uma figura do ônibus da escola do lado das 8:30. Se o seu filho 
está ansioso por um evento que vai acontecer, como 
um filme ou uma visita ao Zoológico, mostre-lhe 
quantas noites de sono terá antes do grande dia.
Esse calendário mostra ao seu filho que faltam três 
noites de sono antes de visitar o Zoológico.
*Adaptado de L. Hodgdon, Visual strategies for improving 
communication, (Troy, MI, QuirkRoberts, 1995)
Use Ajudas Visuais para ajudar seu filho a entender situações difíceis 
As Histórias Pessoais, já descritas para o estágio de Comunicação Básica nas pági-
nas 239 e 240, podem ser usadas quase sempre que seu filho precisar de algumas 
sugestões sobre o que fazer ou dizer. Pense sobre alguma coisa que é difícil para o 
seu filho, consulte as instruções e escreva a história.
Use Ajudas Visuais para mostrar ao seu filho como criar algo
As Ajudas Visuais podem mostrar ao seu filho como construir ou fazer alguma coisa, 
de uma torre de bloquinhos a um leite com chocolate. Escreva ou imprima as instru-
ções na forma de palavras ou figuras. Depois o ajude a seguir as instruções. (Para sa-
ber mais sobre como seguir instruções visuais, veja o Capítulo 8, páginas 283-287).
Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar
Use Diários de Figuras e Livros de Comunicação para falar 
sobre coisas que seu filho fez
Seu filho pode ser muito bom para comunicar-se sobre coisas que ele vê, mas não 
pode ver as coisas que já fez em determinado dia. Você pode ajudá-lo a se lembrar 
de experiências passadas relembrando-o de determinadas coisas e fazendo pergun-
tas. No entanto, se você fizer uma pergunta atrás da outra – por exemplo, “O que 
você viu no Zoológico? Quem foi ao Zoológico? Você gostou do Zoológico?” – sua 
conversa pode rapidamente virar um questionário.
Os Diários de Figuras e 
os Livros de Comunicação 
podem lembrar seu filho do 
que dizer sem que você pre-
cise fazer muitas perguntas. 
Enquanto olham para as 
figuras, ambos podem co-
mentar sobre o que vêem. 
Segue um exemplo de um 
Diário de Figuras de uma 
viagem à fazenda:
Essa Agenda de Figuraspermite que Fábio saiba 
que o pai vai buscá-lo no fim do dia.*
246 Capítulo 7 Ajudas Visuais 247
Se o seu filho freqüenta uma escola, estimule sua 
professora a mandar para casa todos os dias um 
Livro de Comunicação com algumas figuras sobre 
o que ele faz na escola e uma pequena nota des-
crevendo as figuras. Se a professora mantiver o re-
gistro diário, você vai ter sempre alguma coisa para 
conversar com seu filho. Por exemplo, “Você brincou 
com a Ana hoje. O que vocês fizeram?”
Então você coloca algumas figu-
ras de coisas que seu filho faz em casa 
no Livro de Comunicação e ele pode le-
var de volta para escola no dia seguinte 
e mostrar para a professora. Você pode 
fazer com que olhar o Livro de Comuni-
cação faça parte da Agenda de Figuras, 
e chamá-la de “Hora da Conversa”. Vocês 
terão uma oportunidade de conversar so-
bre atividades de seu filho.
Uma maneira rápida da professora do seu filho 
informar o que ele fez durante o dia é circular 
a figura em uma folha xerocada como esta.
Se a professora mandar 
para casa um registro 
do que seu filho brincou 
e com quem, você 
saberá facilmente o que 
conversar com ele.
Use Ajudas Visuais para ajudar seu filho a entender 
e conversar sobre sentimentos
Nesse estágio, seu filho entende o que as palavras “feliz”, “triste” e “bravo” 
significam. Você pode adicionar “com medo” à lista de palavras que nomeiam 
sentimentos. Use os “Cartões de Dicas sobre Sentimentos” para identificar os 
sentimentos quando o seu filho os experimenta (veja a página 242). Outra ma-
neira de ajudá-lo a entender sentimentos é criar um livro Feliz, um livro Triste, 
um livro Bravo e um livro com Medo. Cada livro terá figuras de coisas que o fa-
zem sentir-se daquela manei-
ra e sugestões para o que 
fazer quando sentir-se triste 
ou bravo. * (Para mais infor-
mações sobre como fazer li-
vros para o seu filho, veja o 
Capítulo 10).
NOME Data
Hoje nós..... 
* adaptado de S. Freeman & Drake. Teach me language. (Langly, B.C.: SKF Books, 1996).
248 Capítulo 7 Ajudas Visuais 249
Ajudas Visuais podem ser grandes solucionadoras de problemas. Pense em um 
problema que o seu filho tenha, pegue um papel e uma caneta e resolva o problema 
visualmente. Olhe o que a mãe fez quando Bruna teve um problema.
Bruna adora sua blusa com corações vermelhos. Um dia, ela e a mãe estavam 
pintando e a menina espirrou tinta roxa em sua blusa. Bruna ficou muito 
incomodada e começou a chorar. A mãe decidiu ajudar Bruna resolver o problema 
usando Ajudas Visuais. Segue o exemplo de como ela apresentou o problema para 
Bruna e então o resolveu “visualmente” *.
* Adaptado de J. Janzen. Understanding the nature of autism (San Antonio. Therapy Skills Builders, 1996).
250 Capítulo 7 Ajudas Visuais 251
Se usar Ajudas Visuais para resolver problemas com seu filho, prepare-o para a possi-
bilidade da solução não funcionar. Por exemplo, no caso da blusa da Bruna, pode ser 
que a tinta não saia com a lavagem. Mas sua mãe poder sugerir um outro plano.
Use os Cartões de Dicas para explicar como usar palavras difíceis
Seu filho pode precisar de instruções mais específicas para entender e usar certas 
palavras. Por exemplo, você pode explicar como fazer e responder perguntas co-
meçadas com “O quê”, “Quem”, “Onde” e “Quando”, através de figuras e mesmo 
com algumas palavras escritas. Prepare cartões com as palavras “O quê?”, “Quem?”, 
“Onde?” e “Quando?” no alto. Embaixo das palavras, cole ou desenhe algumas fi-
guras que ilustrem os tipos de respostas requeridas por estas questões. Como pode 
ver nas ilustrações abaixo, as perguntas “que” são respondidas com o nome de um 
objeto, as perguntas “onde” com o nome de um lugar, as perguntas “quem” com o 
nome de uma pessoa e as perguntas “quando” com uma hora do dia. Explique para 
o seu filho, dando-lhe instruções: “Responda as perguntas que começam com “que” 
com o nome de uma coisa” e assim por diante. Dê outros exemplos, além dos já 
dados nos cartões. Tenha os cartões prontamente disponíveis: assim, se o seu filho 
tiver dificuldade em responder a uma pergunta, você pode apontar para o cartão 
apropriado e lembrá-lo da resposta certa.
252 Capítulo 7 Ajudas Visuais 253
Use Cartões de Dicas em conversas
Os Cartões de Dicas também podem lembrar seu filho de como começar e permane-
cer em uma conversa. Por exemplo, um Cartão de Dicas pode lembrá-lo de dizer “Oi. 
Tudo bem?” Se vocês estiverem conversando sobre planos para um acontecimento 
futuro, pode fazer um Cartão de Dicas que ajude seu filho a falar sobre seus planos 
- por exemplo, “Semana que vem eu...”.
Se a compreensão do seu filho for boa, os Cartões de Dicas pode lembrá-lo das 
regras da conversação, dando-lhe algumas instruções como “Espere pela resposta”. Car-
tões de Dicas também podem lembrá-lo do que dizer durante brincadeiras. Por exemplo, 
você pode colocar sentenças como “Minha vez/Agora é a minha vez” ou “Eu gosto 
desse jogo” nos Cartões de Dicas, assim como “Sem trapaça!” ou “Estou ganhando!”. 
Coloque os Cartões de Dicas sobre o tabuleiro do jogo ou sobre uma parede onde seu 
filho possa ver. Ou mova os cartões na frente dele para lembrá-lo do que dizer.
Os Cartões de Dicas podem ajudar seu 
filho a lembrar-se de algumas regras de 
conversação.
Se o seu filho é um apren-
diz visual, ele provavelmente 
adora assistir TV e vídeos.
Assistir TV pode pare-
cer uma atividade passiva, 
que oferece poucas oportu-
nidades para seu filho se co-
municar. Fazendo algumas 
adaptações, você pode trans-
formar a hora da TV em uma 
atividade interativa.
Assista TV com seu filho e use o botão de pausa nos vídeos
A maioria das crianças gosta de assistir o mesmo vídeo muitas vezes. Quando seu filho 
ficar bem familiarizado com um vídeo, pode começar a antecipar suas partes favoritas. 
Use o botão de pausa antes de uma dessas partes e foque a atenção do seu filho no que 
está para acontecer. Por exemplo, no vídeo “Spot vai para o parquinho”, assim que o 
Spot desce pelo escorregador, o narrador diz “ Êêêê!”. Pause o vídeo antes que o Spot 
desça o escorregador e diga “O Spot vai descer pelo escorregador”. Espere e olhe com 
expectativa e então solte a pausa e diga “Êêê!” com a voz 
do vídeo. Da próxima vez, pode ser que o seu filho 
aceite a sua dica e diga “Êêê!” antes de você.
Ouça com cuidado o que seu filho imi-
ta dos vídeos e tente criar algumas situações 
onde ele possa generalizar o que aprendeu.
Esse menino está aprendendo 
uma palavra divertida na TV.
Depois tem a 
chance de usá-la 
na vida real!
Seja interativo
Se os personagens do vídeo cantam e dançam, levante-se e cante e dance com seu 
filho!
Relacione a informação ao mundo real
Tente ter alguns acessórios idênticos aos do vídeo. Por exemplo, se um personagem 
encher um balde de água, providencie um balde para o seu filho. Se você não tiver 
os objetos, faça gestos para representar o que os personagens estão fazendo.
Transforme a hora da TV 
em hora da Conversa
254 Capítulo 7
Faça seu próprio vídeo
Se o seu filho freqüenta uma escola ou creche, consiga permissão para gravar a classe 
cantando ou fazendo um lanchinho. Ou consiga alguns primos, filhos de amigos ou 
parentes e faça seu próprio vídeo: o que uma criança pode dizer quando encontra 
alguém novo ou quer pedir “mais” na mesa do jantar. Seu vídeo não vai receber uma 
indicação para o Oscar, mas ao ver outras crianças agindo, seu filho vai aprender mais 
sobre o que pode dizer e fazer. Lembre-se de escrever um roteiro adequado ao estágio 
de comunicação do seu filho. De maneira geral, use sentenças simples e curtas que seu 
filho possa “copiar” e reutilizar. Inclua também muitas frases de apoio e linguagem 
social, como “Vamos brincar” e “Até mais ou Tchau”. Crianças no estágio de Parceria 
podem representar o vídeo depois de assisti-lo.
Use a TV para despertar o interesse 
de seu filho pelos livros 
Muitos livros de crianças têm vídeos como mesmo personagem ou o mesmo assunto. 
Para uma criança que não mostra interesse por livros, talvez seja uma maneira de con-
seguir sua atenção.
Use a TV e os vídeos para ampliar o repertório do 
seu filho sobre sentimentos, o futuro e o passado.
Se o seu filho está no estágio de Parceria, você pode usar o 
que está acontecendo nos vídeos e TV para ajudá-lo a enten-
der e conversar sobre sentimentos. Depois de uma cena de 
medo, descreva como você se sente. Da próxima vez, aperte 
a pausa antes da cena e avise seu filho sobre o que vai acon-
tecer – “O monstro está vindo. Estou com medo!” Converse 
sobre isso e estimule seu filho a falar sobre os que os perso-
nagens da TV estão sentindo. Também fale sobre coisas que 
fazem vocês rirem. Se o seu filho não se importar, você pode 
apertar a pausa em certos pontos do vídeo e perguntar-lhe 
sobre o que vai acontecer. Quando o vídeo acabar, converse 
sobre o que assistiram.
Use a TV para despertar o interesse do seu filho pela leitura
Use os comerciais e os créditos dos programas de TV e vídeo para desenvolver o 
interesse do seu filho pelo mundo da escrita, apontando algumas palavras e expli-
cando de maneira que ele possa entender. Se o seu filho mostra bastante interesse 
pelos créditos dos programas, pode ser uma boa idéia optar por legendas (“closed 
caption”) na sua TV. Ele poderá ao mesmo tempo ver e ouvir o que estão dizendo.
Tanto quanto a TV, os computadores podem contribuir para a aprendizagem do seu 
filho, por que apresentam informações visuais e são divertidos. Além disso, propi-
ciam oportunidades para que ele pratique e repita as mesmas palavras e conceitos 
muitas vezes. Muitos programas de computadores ensinam vocabulário às crianças 
e propiciam uma oportunidade para ouvir e seguir instruções. Se o seu filho está 
aprendendo um novo vocabulário via computador, certifique-se que tenha opor-
tunidades de usar essas palavras na vida real. Se ele vem identificando nomes de 
alimentos no computador, faça com que coma ou experimente alguns deles ou vá 
comprá-los em sua companhia.
Apesar de seu filho poder aprender muito via computador, não permita que 
o aparelho substitua a interação com pessoas. Tente ficar por algum tempo com 
seu filho enquanto ele brinca no computador. Procure por programas interativos, 
como jogos onde vocês possam participar juntos e se alternar. Se o seu filho está 
começando a ler, tente manter pequenas conversas no computador que o ajudem a 
aprender alguma linguagem social. Por exemplo, digite “Oi. Tudo bem?” e mostre 
a ele a forma escrita da resposta “Tudo bem. E você?” Então o ajude a digitar a 
resposta. A seguir, digite “Quantos anos você tem?” e mostre para o seu filho outra 
frase escrita: “Tenho 5 anos”. À medida que ele melhorar seu desempenho no com-
putador, precisará menos ajuda para digitar suas respostas.
Seu filho pode gostar de olhar 
o livro depois de assistir o 
vídeo com o mesmo título.
E o uso do computador?
Todos nós dependemos de Ajudas Visuais – calendários, agendas diárias, sinais de 
rua – para entender o mundo e organizar nossas vidas. As Ajudas Visuais descritas 
neste capítulo procuram diminuir a confusão na vida do seu filho, dando-lhe infor-
mações de um jeito mais fácil de entender. Ajudas Visuais também dão ao seu filho 
outra maneira de se expressar e, quando começar a falar, lembrá-lo do que dizer. 
Há muitas maneiras de usar as Ajudas Visuais: Painéis de Opções permitem que seu 
filho inicie e responda uma conversa, as Agendas de Figuras ajudam a entender o 
que vai acontecer e os Cartões de Dicas e as Histórias Pessoais sugerem o que dizer 
e fazer sem sua ajuda. As Ajudas Visuais ajudam a todos nós e nos mantêm mais 
calmos e relaxados. Podem fazer o mesmo pelo seu filho. 
Resumo
256 Capítulo 7
R.O.D.A. na 
sua rotina
Durante as atividades que você e seu filho fazem diariamente, há 
muitas oportunidades para aprender sobre interação e comunicação.
Pense em todas as coisas que você e o seu filho fazem de manhã. Primeiro vocês 
acordam. Depois vem o café da manhã e o gato pode querer o seu “café” também. 
Depois seu filho precisa escovar os dentes, lavar-se e vestir-se. Daí vêm as louças 
do café da manhã, e talvez uma correria louca para o trabalho ou uma carona até a 
escolinha. Tudo isso – e ainda não são 9 horas da manhã!
Apesar das suas manhãs parecerem agitadas e desorganizadas, na verdade há um 
padrão no que você faz. Levantar-se, vestir-se tomar o café da manhã são exemplos 
de “rotinas diárias”: coisas que você e seu filho fazem do mesmo jeito todos os dias. 
8
258 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 259
R.O.D.A. nas suas Rotinas Diárias
As rotinas diárias podem ajudar seu filho a entender o seu mundo porque são repeti-
tivas e previsíveis. Quanto mais vezes seu filho faz a mesma coisa da mesma maneira, 
fica mais claro o significado do que está acontecendo.
Neste capítulo, nós mostraremos/veremos maneiras de fazer com que as ativi-
dades do dia-a-dia com seu filho - suas rotinas diárias – possam melhorar sua com-
preensão sobre o que você faz e diz e como as Ajudas Visuais podem contribuir para 
essa compreensão. Veremos também que quando você usa R.O.D.A., as rotinas diárias 
tornam-se muito parecidas com as Brincadeiras com Gente: atividades estruturadas 
durante as quais vocês dois têm oportunidades de alternar papéis e interagir. 
Repita o que você diz e faz
Repita o que você diz e faz quando começar a rotina
O primeiro passo de qualquer rotina é anunciar o nome dela 
e fazer alguma coisa relacionada especificamente com ela, 
como mostrar ao seu filho os pijamas na hora de ir dormir. Se 
você começar as rotinas com determinados nomes ou títulos, 
seu filho associará essas palavras com a rotina: “Hora do ba-
nho” para tomar banho ou “Escovar dentes” para escovar seus 
dentes. É importante ser constante no que você diz e faz. Por 
exemplo, se um dia disser “Vamos almoçar” um dia e “Hora 
de comer” em outro, seu filho não vai aprender a associar 
palavras específicas à hora do almoço. Então, decida quais 
“títulos” vai dar às suas rotinas e permaneça neles (“grude ne-
les”). Escrever o nome da rotina no topo da Agenda de Figuras 
pode relembrá-lo de ser constante. Pelo mesmo motivo, come-
ce suas rotinas com a mesma ação todas as vezes. Por exem-
plo, se você disser para seu filho que é hora do almoço, pode 
levar a mão à boca como se estivesse comendo ou levantar-se 
e mostrar o prato dele. Você pode cantar uma canção especial 
para cada início de rotina e ajudar seu filho a entender o que 
está para acontecer. Não há uma maneira certa de começar 
uma rotina, mas quando decidir como vai fazer, não mude até 
que seu filho esteja pronto para aprender alguma coisa nova.
O segundo passo de muitas rotinas é fazer com que seu filho venha até você 
para que façam juntos a rotina. Algumas crianças virão por conta própria, enquanto 
outras podem não vir mesmo que você diga “Venha aqui”. Para conseguir que seu fi-
lho atenda ao “Venha aqui”, use a Regra do Ajudante descrita no Capítulo 1. Chame 
o nome dele e diga “Venha aqui” uma vez. Então espere. Se não atender, chame-o 
de novo, guiando-o fisicamente até o local da rotina.
Além do “Venha aqui”, as rotinas diárias proporcionam oportunidades ideais para 
seu filho aprender a seguir instruções simples de uma maneira natural e significa-
tiva. Por exemplo, algumas rotinas, como as horas das refeições, começam quando 
ele senta-se à mesa, e então pode praticar muito a resposta ao “Senta”.
Repita o que diz e faz durante a rotina
Assim como nas Brincadeiras com Gente, faça os passos da rotina da mesma ma-
neira e na mesma ordem todas as vezes até que seu filho esteja muito acostumado 
com eles. Mantenha o que você diz simples e constante. Lembre-se do “Fale pouco e 
enfatizando. Devagar e demonstrando”. Com a prática, seu filho começará a entender 
como a rotina funciona e participará conforme seu nível de habilidade.Assim que ele 
puder seguir a rotina sem sua ajuda, você pode variá-la introduzindo algo novo. Por 
exemplo, pode oferecer-lhe uma opção ou algo inesperado.
Repita o que você diz e faz quando você terminar a rotina
Da mesma maneira que as rotinas necessitam de começos, precisam também de finais 
claros. Sempre faça o sinal de “pronto”, dizendo “pronto” ou “acabou” e então ponha, 
no lugar combinado, a figura da rotina ou da parte dela que compleTâniam. Você 
pode adicionar “Me dá um abraço”, “Me dá um beijo” ou “Toca aqui” (batendo sua 
mão aberta na mão aberta do seu filho) como passo final da sua rotina. Além disso, 
pode desenvolver outros rituais para ajudar seu filho entender que a rotina acabou. 
Por exemplo, fazê-lo saber que ouviu a 
última história antes de dormir di-
zendo “Fim. E agora, cama”. Pode 
cantar uma música específica ou 
apagar as luzes no corredor, antes 
de apagar as luzes do quarto dele. 
Não importa o que você faça, desde 
que faça sempre do mesmo jeito.
Se você escrever o nome da 
rotina perto de uma figura, é 
mais provável que você use as 
mesmas palavras todos os dias.
Se você terminar as rotinas fazendo o 
sinal de “pronto/acabou”, seu filho vai 
perceber que a atividade terminou.
260 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 261
Repita a rotina frequentemente, com pessoas diferentes 
e em lugares diferentes.
Seu filho pode facilmente ficar dependente de você para desempenhar suas rotinas. Para 
ajudá-lo a tornar-se mais flexível e independente, tente achar outras pessoas com as 
quais ele possa cumprir suas rotinas. Por exemplo, talvez a vovó possa tomar lanche 
com ele ou a babá possa dar-lhe banho de vez em quando. Se você envolve outras 
pessoas, mostre-lhes como fazer a rotina da maneira que seu filho está acostumado. A 
Agenda de Figuras pode ajudá-las a manter a constância do que fazem e dizem. Quando 
seu filho estiver pronto, deixe que faça algumas rotinas sem ninguém ajudando.
Ofereça oportunidades para seu filho participar
Planeje quando oferecer uma oportunidade para seu filho participar
O bom das rotinas é que elas já estão divididas em pequenos passos. Cada um desses 
passos dá ao seu filho uma oportunidade de participar. Por exemplo, pense sobre a 
hora do banho. Primeiro você precisa encher a banheira. Se o 
seu filho puder abrir a torneira, esta pode ser a sua 
primeira participação. Depois, precisa tirar a 
roupa. Ele pode tirar a camiseta – sua 
segunda participação. Seu filho pode 
querer um brinquedo para brincar 
na banheira. Sua terceira par-
ticipação pode ser escolher o 
brinquedo. Finalmente, ele 
entra na banheira. Quando 
estiver na banheira, vocês 
podem cantar uma canção 
juntos: “Lava, lava, lava 
lava uma orelha, outra 
orelha...” Se você “esque-
cer” da palavra ”orelha” 
depois de começar a can-
ção, seu filho pode partici-
par mais uma vez, comple-
tando a frase com a palavra.
Há muitas coisas para fazer e 
dizer enquanto se lava!
Quando decidir quando vai oferecer uma oportunidade de participação para 
seu filho, seja constante. No exemplo acima, isto significa oferecer, no próximo 
banho, as mesmas participações – antes de abrir a torneira, antes de tirar a ca-
miseta, antes de escolher o brinquedo para o banho e antes da palavra “orelha”. 
Pode ser que seu filho participe de maneira diferente da que você planejou. Pode 
fazer isso porque a outra maneira é mais interessante para ele ou mais fácil de 
fazer. Independente do motivo, atenda aos interesses do seu filho e inclua a 
nova participação na rotina da próxima vez. 
Planeje os papéis que seu filho pode desempenhar
Os papéis que o seu filho vai desempenhar dependem do seu estágio de comuni-
cação e da rotina a seguir. Como o seu filho precisa entender o que está aconte-
cendo antes de fazer as coisas por conta própria, muitos dos seus primeiros papéis 
serão ações, respostas às suas instruções e sugestões. Por exemplo, quando seu 
filho lavar as mãos, você (ou uma Agenda de Figuras) pode dizer-lhe para abrir a 
torneira e pegar o sabonete.
Seguir instruções, no entanto, não é o único tipo de papel que seu filho pode 
desempenhar. Você pode equilibrar suas instruções com oportunidades para outros 
tipos de papel, tais como fazer comentários ou escolhas. Evite dar muitas instruções 
em uma rotina e não as dê se o seu filho não precisar mais.
Algumas rotinas, como refeições e banho, são muito sociais. Nestas rotinas, 
haverá mais oportunidades para seu filho solicitar coisas, fazer escolhas, completar 
frases, comentar sobre fatos inesperados e ter pequenas conversas.
Ofereça novas oportunidades de participação à medida
que seu filho progride.
Você precisa acompanhar o progresso do seu filho, claro. Assim que ele tiver me-
morizado uma rotina, adicione algo novo. Por exemplo, se toda vez lhe der suco aos 
pouquinhos, seu filho terá oportunidade de pedir “Mais”, porém nada além disso. 
Mas, se surpreendê-lo dando-lhe um suco que não gosta, terá a oportunidade de 
aprender a dizer “não”! Independente do estágio que seu filho estiver, sempre há 
oportunidades para que aprenda alguma coisa nova nas rotinas diárias.
262 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 263
Dê dicas para que seu filho participe
Dê dicas mais explícitas no começo e então dicas mais naturais 
quando seu filho estiver acostumado com a rotina.
As mesmas recomendações que você usa nas Brincadeiras de Gente se aplicam à hora 
do banho, refeições e mesmo cumprimentando uma visita. No começo, você vai precisar 
fazer todo o serviço, fornecendo modelos para o seu filho ou guiando-o fisicamente. 
Mais à frente, você fará menos: esperar e olhar de forma expectativa pode ser uma dica 
suficiente do que ele deve fazer.
Use Ajudas Visuais
Use Agendas de Figuras para mostrar ao seu filho as rotinas de certas horas do dia – por 
exemplo, o que faz de manhã antes da escolinha ou creche – e para rotinas mais difíceis. 
Numa rotina difícil as figuras mostrarão como ela é feita e ajudarão nos pontos mais 
complicados. Ajudas Visuais também lembrarão do que dizer durante as rotinas. Por 
exemplo, na hora do lanche, um Painel de Opções ou um Cartão de Dicas com “Eu quero” 
por escrito pode lembrá-lo de como dizer o que quer. E olhar uma Agenda de Figuras das 
suas atividades do dia todo torna mais fácil dizer o que já fez e o que vai fazer. 
Arme a situação
Quando seu filho tiver aprendido os passos de uma rotina, você pode dar-lhe oportu-
nidades de desempenhar novos papéis armando a situação. Você pode colocar alguma 
coisa que ele precisa ou quer onde possa ver, mas não possa alcançar, ou oferecer 
comida um pedacinho de cada vez. A melhor maneira de incentivar seu filho a fazer 
comentários é introduzir algo novo às rotinas conhecidas. As sugestões do Capítulo 
2, páginas 68-81, ajudarão você a armar situações e transformar as rotinas diárias em 
oportunidades nas quais seu filho sempre possa aprender coisas novas.
Animado! Mantenha Animado! 
Mantenha Acontecendo!
As rotinas podem ser repetitivas, mas não 
precisam ser chatas! Por exemplo, a maioria 
das crianças adorará o banho se houver 
bolhas e brinquedos na água e se você 
ficar brincando ou cantando.
Canções podem tornar as rotinas 
divertidas para você e para seu 
filho.
Acrescentar canções às rotinas é um jeito fácil de torná-las mais divertidas. As 
canções chamam a atenção do seu filho e sugerem atividades que você podem fazer 
juntos. No Capítulo 9, trataremos de como você pode fazer canções especialmente 
para seu filho. Uma canção especial pode ajudar seu filho a aprender atividades ou 
palavras novas ou ajudá-lo em uma situação difícil. Por exemplo, o pai da figura 
anterior canta uma canção que ele fez a partir da melodia de “Frére Jacques”. A 
canção é simples, com as mesmas cinco palavras repetidas muitas vezes – “Minhas 
calças, minhas calças, vou baixar/tirar” – mas torna aprender a usar o banheiro um 
pouco mais divertido.
Da mesma maneira que vocêpode transformar rotinas em atividades diverti-
das, você transformar atividades divertidas em rotinas! Dizer “tchau” à mamãe e 
ao papai todos os dias, cumprimentar uma babá ou professor, alimentar um bicho 
de estimação, visitar a padaria ou lavar pratos podem todas ser transformadas em 
rotinas agradáveis com papéis previsíveis para você e o seu filho.
Algumas rotinas podem ser especialmente difíceis por conta das preferências 
sensoriais do seu filho. Por exemplo, sempre é um desafio tornar as horas das re-
feições divertidas se ele for muito seletivo para comer e sensível ao cheiro de certos 
alimentos. Vesti-lo também pode ser complicado se ele for muito sensível ao toque. 
Mas mesmo rotinas difíceis podem oferecer oportunidades para seu filho comunicar-
se diretamente com você. E, Com alguns dos 
planos criativos descritos na próxima 
seção, você pode realmente pegar es-
sas situações problemáticas e trans-
formá-las em interações positivas 
para vocês dois.
Qualquer coisa que você e seu filho 
façam juntos todos os dias pode 
ser transformada em uma rotina 
interativa para ambos.
R.O.D.A. na sua rotina 265
Lanche para a criança no estágio de Interesses Próprios
Lanches são oportunidades ideais para ajudar seu filho a comunicar-se intencional-
mente para pedir seu lanchinho.
O que você pode esperar
Neste estágio, você pode esperar que a criança aprenda a:
Atender a “Vem aqui” e “Senta”
Pedir seu lanche usando gestos, objetos ou figuras
O que você pode fazer
Você deverá testar para descobrir como o seu filho poderá pedir pelo seu lanchinho – atra-
vés de Troca de Objetos ou Figuras, gestos ou sinais manuais. Tente primeiro a Troca de 
Figuras. Se ele não compreender a troca, veja se a Troca de Objetos funciona melhor. Use 
objetos em miniatura ou brinquedos, como comida de mentirinha, para representar seus 
lanches preferidos. Você pode até prender o lanchinho de verdade, como uma batata chip, 
a um Painel e cobri-lo com filme plástico transparente (veja o Capítulo 7, página 233, so-
bre a Troca de Objetos). Se esta troca também não funcionar, pode ensinar-lhe um gesto, 
tal como pedir seu lanchinho segurando e empurrando um prato na sua direção ou fazen-
do um sinal manual. Use o método da 
“mão sobre mão” para ensinar 
os sinais, como já descrito 
para ensinar Troca de Fi-
guras ou Objetos. Consiga 
alguém que ajude seu fi-
lho a desempenhar a ação, 
como empurrar o prato em 
sua direção, e então lhe dê 
imediatamente o que ele 
quer. A tabela seguinte traz 
um plano passo a passo de 
uma rotina de lanche para 
uma criança no estágio de 
Interesses Próprios.
O Gustavo aprende Troca de 
Objetos na hora do lanche.
As seções a seguir dão algumas idéias sobre como ajudar seu filho a aprender a enten-
der e participar em duas rotinas diárias – hora do lanche e vestir-se – dividindo as roti-
nas em pequenos passos e tornando-as mais estruturadas. Você verá que os lanchinhos, 
como todas as refeições, é uma das ocasiões mais naturais para interagir e trabalhar 
a comunicação. Vestir-se é mais uma rotina de auto-cuidado na qual a ênfase está na 
compreensão de como fazê-la adequadamente. No entanto, depois que ele puder vestir-
se sozinho, você pode começar a criar oportunidades de comunicação durante as roti-
nas e ter pequenas conversas. Nas páginas seguintes, falaremos de como adaptar a hora 
do lanche e o vestir-se ao estágio de comunicação do seu filho – de Interesses Próprios, 
de Pedidos e de Comunicação Básica. Se ele está no estágio de Parceria, talvez já saiba 
como fazer essas rotinas por conta própria; falaremos então de como tornar as rotinas 
uma hora para conversar. Não se esqueça que este livro é somente um guia – você pode 
ter de fazer as coisas um pouco diferentes para o seu filho.
Rotinas para a criança no estágio de Interesses Próprios
Nesse estágio, no início você faz todo o trabalho. Mostra para o seu filho como a roti-
na funciona, desempenhando os papéis dele e ajudando-o fisicamente. Então você vai 
precisar descobrir quando esperar que seu filho mostre como ele vai participar e quando 
você o conduzirá à participação. Na maioria das vezes, precisará ajudá-lo fisicamente 
em algumas ações da rotina, tais como abrir a torneira ou enxugar as mãos. Mas você 
precisará de OEO (Observar, Esperar e Ouvir) e deixar-se conduzir pelo seu filho para 
transformar em comunicação proposital uma tentativa de alcançar ou um olhar. Quan-
do ele estiver familiarizado com a rotina, você pode introduzir algo novo para fazer.
O que você pode esperar
Nesse estágio de comunicação, você pode esperar que seu filho aprenda a:
Prestar atenção à rotina
Entender os passos da rotina
Interagir intencionalmente com você
O que você pode fazer
Oferecer modelos verbais e físicos
Ajudar fisicamente (Use a “Regra do Ajudante”, descrita no Capítulo 1, página 40)
Aguardar que seu filho faça a parte dele
 Atender aos interesses do seu filho
Armar a situação
Adapte as rotinas diárias ao estágio 
de comunicação do seu filho
266 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 267
Lanche: Passos para uma rotina no estágio de Interesses Próprios
Se você estiver usando Troca de Figuras ou Objetos e o seu filho estiver preparado, 
dê um modelo parcial ao invés de ajuda física. Você pode dar uma dica para que 
ele entregue o objeto ou figura, abrindo sua mão como se estivesse esperando ou 
tocando o braço dele.
Mais coisas que você pode fazer
Atenda aos interesses do seu filho para conseguir 
que ele interaja espontaneamente com você
Neste estágio, use todos os Quatro “I”s – incluir o interesse do seu filho, imitar, in-
trometer-se e interpretar – para permitir que ele veja que suas ações podem influen-
ciar você. Nos exemplos seguintes, o pai de Chico usa a intromissão para tornar o 
comportamento do filho em uma parte interativa da rotina.
Toda vez que o pai lhe dava um biscoito, Chico pegava e corria para comê-lo 
sozinho no sofá da sala. Um dia, seu pai seguiu-o até o sofá e se intrometeu de 
maneira brincalhona, fingindo que ia pegar um pedaço do biscoito. Disse: ”Mmm! 
Biscoito do papai!” Nas primeiras vezes, Chico não gostou da intromissão do pai. 
Mas logo começou a achar divertido o que o pai fazia. Depois, acabou esperando 
que o pai o seguisse até o sofá e até ofereceu o biscoito para que o pai comesse 
um pedaço de mentirinha.
Quando o pai de Chico se intromete e faz de conta que vai comer um pedaço 
do biscoito, possibilita que Chico interaja intencionalmente pela primeira vez.
O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO
Chame seu filho pelo nome 
e use gestos/ gesticule para 
que ele venha até você. Use 
a Regra do Ajudante se ele 
não responder.
OU
Mostre-lhe o pacote 
de biscoitos.
“(Nome do seu filho)!
Vem aqui!”
Ele pode vir ou 
precisar de ajuda.
“Biscoito!”
Ele pode olhar para o pacote 
ou tentar pegá-lo.
Aponte para a cadeira. “Senta.” (Use a Regra do 
Ajudante se necessário)
Ele pode sentar-se 
ou precisar de ajuda.
Dê um pequeno pedaço de 
biscoito para o seu filho.
“Biscoito!” Ele come o biscoito.
Você e outra pessoa podem 
ensinar seu filho a trocar 
um biscoito de brinquedo 
ou uma figura pelo biscoito 
(veja o Capítulo 7, página 233)
OU
Use ajuda física para 
mostrar ao seu filho como 
manter a mão aberta com a 
palma para cima para pedir 
por um biscoito.
OU
Mostre ao seu filho como 
empurrar o prato em sua 
direção para pedir um 
biscoito. Dê ajuda física.
OU
Mostre ao seu filho como 
fazer o sinal para pedir 
biscoito usando ajuda física.
“Biscoito!”
Ele entrega o objeto ou a 
figura com ajuda física.
“Biscoito!”
Ele estende a mão com 
ajuda física.
“Biscoito!”
Com ajuda física, 
ele empurra o prato 
em sua direção.
“Biscoito!”
Ele faz o sinal 
com ajuda física.
Dê um pedaço de biscoito 
para seu filho assim que 
ele usar uma figura, objeto, 
gesto ou sinal manual.
“Biscoito!”
Ele come o biscoito e tenta 
alcançar outro pedaço.
Repitaa ajuda física para 
Troca de Figuras, sinais 
manuais ou gestos.
“Biscoito!”
Ele lhe dá o objeto ou figura, 
faz um sinal ou estende 
a mão com ajuda física.
268 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 269
Dê-lhe o lanche aos pouquinhos
Se o seu filho pega todas as passas de uma vez ou um biscoito inteiro, terá apenas 
uma oportunidade de pedir-lhe o que deseja. Mas, se você lhe der seu lanche aos 
pedacinhos, dará mais oportunidades para que se comunique.
Tente uma pequena “bobeira criativa”
Finja que você não consegue abrir 
o suco, ponha uns biscoitos na 
caixa de cereais ou esconda 
uma cenoura na caixa de 
biscoitos. Lembre-se que 
as crianças adoram sur-
presas e quando os pais 
cometem erros.
A mãe de César 
consegue sua atenção 
quando tira uma 
cenoura da caixa de 
biscoitos.
Ofereça opções
Mesmo que seu filho não diga diretamente a você o que escolheu, ofereça-lhe op-
ções mesmo assim. Ofereça-lhe algo que você sabe que ele gosta e algo que não 
liga. Mostre-lhe ao mesmo tempo uma coisa predileta e uma não tanto e diga seus 
nomes em tom de pergunta. Seu filho provavelmente vai tentar pegar a que quer. 
Quando ele tentar alcançar, diga o nome da coisa que escolheu e coloque a comida 
na altura dos seus olhos para que ele tenha de olhar para você. Então diga o nome 
do que ele escolheu de novo, enquanto pega a mão dele e o ajude a tocar a comida 
que tentou pegar ou olhou antes de entregar-lhe.
Vestir-se no estágio de Interesses Próprios
Uma criança no estágio de Interesses próprios normalmente precisa de muita 
ajuda para vestir-se. Ele está apenas aprendendo o que é esperado e tentando 
entender o que você diz. 
O que você pode esperar
Neste estágio, você pode esperar que o seu filho aprenda:
Seguir os passos da rotina
Levantar os braços e as pernas
Levantar as calças
Atender a “Me dá um abraço”
O que você pode fazer
Usar a Regra do Ajudante (veja Capítulo 1, página 40)
Atender aos interesses do seu filho
Fazer bobeiras criativas
Quando você coloca as roupas de seu filho onde ele possa 
ver, proporciona-lhe um lembrete visual do que fazer.
270 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 271
Vestindo-se: Passos da rotina no estágio de Interesses Próprios
Mais coisas para você fazer
Use um Painel de Auto-cuidado
Enquanto seu filho não consegue se concentrar em um Painel de Auto-cuidado, monte 
um que ajude você mesmo a fazer e dizer sempre as mesmas coisas. Mesmo que seu 
filho olhe rapidamente as figuras, pode começar a 
associá-las ao que está sendo feito.
Deixe-se conduzir pelo seu filho para 
conseguir uma interação com você.
O que fazer quando seu filho não coope-
ra? Veja o que a mãe faz quando Renata 
tem dificuldades para se vestir.
A mãe de Renata tentou tornar a rotina de 
vestir-se mais estruturada e repetitiva, para 
ajudar a filha a entender os passos da rotina 
e as palavras associadas a ela. Mas Renata 
continuou jogando-se na cama. Na próxima vez 
que Renata se jogou na cama, sua mãe resolveu deixar-se conduzir em vez de tentar ter-
minar a rotina. Fez sua filha rolar para frente e para trás na cama. Renata se divertiu 
muito! Enquanto a filha ria, sua mãe aproveitou para “encaixar” a camiseta em sua 
cabeça. Logo depois, Renata se jogou de novo na cama, e a mãe rolou de novo a filha. 
Então pôs rapidamente a peça seguinte da roupa e rolou a filha de novo. Gradualmente, 
rolar na cama virou parte da rotina, uma recompensa por vestir cada peça da roupa.
Tente um pouco de bobeira criativa
Já que seu filho está apenas aprendendo a rotina, você pode não querer fazer tantas 
bobeiras. Mas quando ele começar a participar da rotina – levantando a perna, olhando 
para ver qual a próxima peça de roupa – tente uma ou duas das idéias descritas no Ca-
pítulo 2. Por exemplo, tente “acidentalmente” vestir a camiseta nas pernas do seu filho 
ou vista os sapatos da mamãe nos pés dele. Bobeiras podem conseguir sua atenção.
Ofereça opções
Se o seu filho for bastante apegado a uma peça de roupa, faça-o escolher entre a cami-
seta preferida e uma que ele não goste. Se ele tentar alcançar a favorita, trate a tentativa 
como se ele tivesse dito o que quer – “Quer a camiseta vermelha!” – e guie sua mão para 
tocar a camiseta escolhida. Então lhe dê a camiseta dizendo “camiseta”. Negue com a 
cabeça enquanto guarda a outra camiseta e diga “Esta camiseta não”.
Vestir a filha ficou mais fácil 
quando a mãe se deixou conduzir.
O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO
Estenda as roupas da criança 
na sua cama e segure suas 
calças, mostrando-as.
OU
Chame seu filho se ele 
estiver longe de você. 
(Use a Regra do Ajudante 
se ele precisar).
“(Nome do seu filho)!
Vem aqui!”
Ele pode vir ou 
precisar de ajuda.
“(Nome do seu filho)!
Vem aqui!”
Ele pode vir ou 
precisar de ajuda.
Segure suas calças 
mostrando-as “Calças” Ele pode olhar para as calças.
Espere. Aponte 
para as calças. “Vestir as calças”
Ele pode olhar para as calças 
e para você.
Aponte ou toque uma 
perna do seu filho. Se 
necessário, ajude-o a 
vestir essa perna das calças.
“Uma perna”. (Use a Regra 
do Ajudante se ele não 
responder)
Ele pode levantar 
a perna ou precisar 
de ajuda.
Aponte ou toque a outra 
perna do seu filho. Se 
necessário, ajude-o a vestir 
a outra perna da calça.
“Outra perna”. (Use a regra 
do Ajudante se ele não 
responder)
Ele pode levantar a perna.
Aponte para as calças. Dê 
um “começo” puxando um 
pouco as calças para cima.
“Pra cima. Puxe pra cima.
Puxe as calças para cima”. 
(Use a Regra do Ajudante 
se ele não responder).
Ele pode levantar suas calças.
Estique seus braços e um 
dos braços de seu filho 
acima da cabeça.
“Viva! Calças vestidas!”
Ele pode olhar para você e 
sorrir.
Abra seus braços para um 
abraço (Use a Regra do 
Ajudante)
(Nome do seu filho)! Me dá 
um abraço (ou beijo)!
Ele pode abraçar ou beijar 
você.
Repita todos os passos com o resto das roupas do seu filho.
Faça o sinal de “Acabou” “Pronto!” Ele pode olhar para você
272 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 273
Lanche: os passos da Rotina de Troca de 
Figuras no Estágio de Pedidos
Rotinas para a criança no estágio de Pedidos
Neste estágio, seu filho puxa e guia você para as coisas que deseja; está começando a 
entender o que você diz e faz. As rotinas geram oportunidades para que ele aprenda 
como trocar o puxar e guiar por uma comunicação mais efetiva e simbólica.
O que você pode esperar
Neste estágio você pode esperar que seu filho aprenda a:
Fazer pedidos usando figuras, objetos, gestos ou sons
Atender a algumas de suas instruções
Fazer escolhas
Recusar
O que você pode fazer
Ensinar Troca de Figuras ou Objetos (descrita no Capítulo 7)
Fornecer modelos verbais e físicos
Dar ajuda física usando as “Regras do Ajudante” (veja Capítulo 1, página 40)
Usar dicas naturais à medida que seu filho se familiariza com a rotina
Atender aos interesses do seu filho
Manipular armar a situação
Lanche no estágio de Pedidos
O lanche é a rotina perfeita para seu filho aprender Troca de Figuras ou Objetos.
O que você pode esperar
Nesse estágio você pode esperar que seu filho aprenda a:
Pedir pelo seu lanche usando um gesto, objeto, figura ou som
Atender a “vem aqui”, “senta” ou o nome do lanche
Tocar o que prefere quando apresentar-lhe uma escolha
Olhar para você antes de fazer uma escolha
O que você pode fazer
Se você estiver usando Troca de Figuras, seu filho deve ficar perto de você para lhe dar a 
figura. O ideal é que as figuras fiquem na cozinha, onde possam lembrá-lo de pedir um 
lanche. Você pode também “montar o cenário”, colocando o lanche onde seu filho possa 
ver, mas não alcançar – uma bancada mais alta, por exemplo – ou em um armário tranca-
do com a figura do lanche na porta. Seu filho sabe que o lanche está lá, mas não consegue 
pegá-lo. Também pode encontrar facilmente a figura adequada para trocar pelo lanche.
Os passos da rotina estão descritos a seguir. Se o seufilho não estiver pronto para 
figuras, use objetos no lugar.
Apresente opções entre 
dois alimentos – uma 
que seu filho gosta e 
outra que ele não gosta.
Mais coisas para você fazer
Dê o lanche aos pouquinhos
Quando você dá o lanche para o seu filho aos pouquinhos (ou 
pedacinhos), ele vai praticar bastante como pedir usando tanto 
Troca de Figuras ou Objetos como gestos. Quebre a comida, como 
biscoitos, batata frita ou queijo em muitos pedacinhos. Corte fru-
tas como maçãs, laranjas e bananas em pequenos pedaços.
Ofereça opções
Não são muitas as crianças no estágio de Pedidos que consigam 
fazer escolhas olhando figuras. Então, é melhor que seu filho 
escolha entre comidas de verdade, oferecendo a preferida por 
último. Se o seu filho gosta mais de biscoitos do que de cenoura, 
O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO
Se o seu filho não sabe como trocar uma 
figura por algo que deseja, ensine-lhe 
Troca de Figuras (veja Capítulo 7, pági. 233).
OU
Se o seu filho usa a Troca de Figuras, 
coloque os biscoitos onde ele possa 
vê-los e ponha a figura perto dos 
biscoitos (por exemplo, sobre a mesa 
ou na porta do armário).
Espere que seu 
filho peça por conta 
própria.
Ele pode lhe dar uma 
figura ou um biscoito.
Pegue a figura. Dê-lhe um biscoito. “Biscoito”. Ele pode comer o biscoito
Faça o sinal de mão para “Pronto”. 
Depois, ajude seu filho a fazer o 
sinal de “pronto”.
“Pronto”.
Ele pode fazer o sinal com 
sua ajuda.
Coloque a figura de volta no lugar.
Nada
Ele não se responsabiliza 
por colocar a figura de 
volta.
274 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 275
diga “Cenoura ou biscoito?” se ele prefere cenouras a biscoitos diga “Biscoito ou 
cenoura?”. Quando achar que sabe o que seu filho quer, ajude-o a tocar o item an-
tes de entregar-lhe, dizendo o nome da comida quando ele tocá-la. Então, afaste a 
opção recusada enquanto diz “Não” de uma forma exagerada.
Vestir-se no estágio de Pedidos
Nesse estágio, a maneira de fazer a rotina é muito semelhante à maneira de fazê-la para 
uma criança no estágio de Interesses Próprios. (Consulte a página 270 sobre os passos 
da rotina). No entanto, a diferença agora é que uma criança no Estágio de Pedidos aten-
de a mais instruções e precisa de menos ajuda para vestir as peças de roupa.
O que você pode esperar
Neste estágio você pode esperar que o seu filho aprenda a:
Entender os nomes de algumas peças de roupa
Atender a “Vem aqui”, “Me dá um abraço” e outras instruções simples
Levantar os braços e as pernas
Acabar de vestir calças e meias
O que você pode fazer
Esperar e olhar de forma expectativa
Usar um pouco de bobeira criativa
Se for conveniente, seguir os interesses do seu filho
Espere e olhe de forma expectativa
Assim que o seu filho entender como a rotina funciona, não faça todos os passos da 
rotina por ele. Ele pode surpreender você pelo tanto de coisas que pode fazer sem 
ajuda. Por exemplo, depois de vestir a camiseta, nomeie a próxima peça de roupa e 
espere para ver se o seu filho pega a peça por conta própria.
Use um pouco de bobeira criativa 
e dê ao seu filho uma nova 
razão para se comunicar
Assim que seu filho entender a rotina, 
torne-a interativa manipulando/arman-
do/montando a situação. Tente um pou-
co de bobeira criativa: vista as calças na 
cabeça “acidentalmente”, calce os sapatos 
de ponta cabeça nos pés da criança, dê-
lhe uma camiseta do pai ou diga “pronto” 
sem ter vestido suas calças, camiseta ou 
uma de suas meias.
A mãe de Érico aguarda para que ele 
levante os braços por conta própria.
Rafael gosta quando 
seu pai faz bobagem!
Eugênio reclama quando sua mãe insiste 
em vestir seu sapato do jeito errado.
Uma Agenda de Figuras pode ajudar seu filho entender os passos da rotina. 
Ela também manterá constante o que você diz e faz.
276 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 277
Se for conveniente, siga os interesses do seu filho
Usando os Quatro “Is”, você pode conseguir mais interação. No estágio de Interesses 
próprios, a mãe de Renata incluiu os interesses da filha na rotina, transformando 
a ação favorita de Renata, rolar na cama, em uma recompensa. E o pai de Chico se 
intrometeu para manter o filho envolvido. Ser conduzido pelos interesses do seu 
filho sempre será adequado, desde que mantenha a rotina funcionando.
Nem sempre é aconselhável ser conduzido pelo seu filho, especialmente quando 
suas ações não puderem ser adaptadas à rotina. Por exemplo, se ele bate em você en-
quanto o veste ou tira suas roupas, é preciso mostrar-lhe que isso não pode fazer parte 
da rotina. Descubra as razões por trás dos seus atos: talvez não goste do tecido da roupa 
ou não queira vestir-se. Em ambos os casos você deve ajudá-lo a terminar a rotina, mas 
sem os comportamentos negativos. Se o seu filho não gosta do tecido, troque de roupa. 
Se está apenas sendo chato, persista na rotina, elogiando-o quando colaborar e dizendo 
“Não bater!” de maneira firme, mas gentil, para mostrar-lhe o que não é aceitável.
Rotinas para crianças no estágio de Comunicação Básica
A maioria das rotinas funciona mais facilmente agora, porque seu filho sabe o que o espera 
e consegue entender bastante do que você diz. Ele provavelmente se comunicará de várias 
maneiras durante as rotinas. Pode pedir pelas coisas usando figuras, apontando, dizendo 
uma única palavra ou repetindo palavras ou frases depois que você as usar. E, embora ele 
se comunique principalmente para conseguir aquilo que deseja, está começando a se co-
municar por outras razões também. Independente do que ele faça, você pode esperar que 
aprenda a progredir no “como” e no “por que” se comunicar durante as rotinas.
O que você pode esperar 
Neste estágio de comunicação você pode esperar que seu filho aprenda a:
Entender os passos e a maioria das palavras das rotinas diárias
Solicitar constantemente com figuras, gestos ou palavras
Comunicar-se por outras razões além de pedidos
• Para fazer escolhas
• Para recusar ou protestar
• Para atender às suas instruções
• Para comentar
• Para responder perguntas simples (por exemplo, perguntas do tipo Sim/
Não, ou que comecem com “O que?”)
Transformar “ecos” (ecolalia) em fala espontânea
Transformar comunicação de uma palavra para comunicação de duas palavras
Iniciar a rotina por conta própria ou completar partes dela independentemente.
O que você pode fazer
Criar muitas oportunidades para seu filho praticar solicitações
Fornecer modelos verbais de comentários (por exemplo: “Olha! Calças novas!”)
Fornecer modelos verbais de perguntas e respostas
Modelar frases com duas palavras para a criança que usa uma só palavra
Usar “completar a frase” e depois dicas mais naturais para ajudar seu filho a 
falar espontaneamente
Usar Ajudas Visuais
Manipular armar/montar/ planejar a situação
Lanche para a criança no estágio de Comunicação Básica
O que você pode esperar
Crianças diferentes no estágio de Comunicação Básica pedirão seus lanches de maneiras 
diferentes. Uma criança pode trocar figuras e dizer uma palavra seguindo o seu modelo 
e uma outra pode pedir o que deseja por conta própria sem precisar de figuras.
Nesse estágio, você pode esperar que a criança aprenda a:
Pedir pelo lanche usando uma sentença curta (escrita ou falada)
Responder com palavras e/ou apontando quando você perguntar o que quer
Comentar sobre mudanças na rotina
O que você pode fazer
Transformar “ecos” em fala espontânea
Ajudar seu filho a se comunicar por novos motivos
• Faça com que seu filho pratique bastante usando palavras novas
• Ofereça várias opções
• Ajude seu filho a entender quando algumas 
opções não estão disponíveis
• Faça bobeiras criativas
• Tire vantagem quando as 
coisas dão errado
• Ofereça ao seu filho um lanche que 
ele não goste
Envolver seu filho na preparação do lanche
Usar Cartões de Dicas
Se Túlio puder escolher, 
sempre diz “sim” para bananas!
278 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 279
Lanche: os passosda rotina no 
estágio de Comunicação Básica
Transforme ecolalias em fala espontânea
Se o seu filho ecoa seus modelos verbais, fale cada vez menos de forma que tenha 
chances de dizer cada vez mais. Em vez de dar um modelo verbal completo, forneça um 
“complete a frase” para uma palavra. Gradualmente aumente o número de palavras que 
você espera que a criança fale, até que um dia ele fale a frase completa sem nenhuma 
dica explícita. Por exemplo, quando seu filho estiver “ecoando” “Eu quero biscoito”, 
diga “Eu quero...” e deixe que ele complete com “biscoito”. Então diga “Eu...” e deixe 
que seu filho complete com duas palavras, “quero biscoito”. Finalmente, apenas espere 
que seu filho diga a sentença inteira por conta própria. Um Cartão de Dicas “Eu quero”, 
colocado do lado do lanche, também pode ajudar seu filho a se lembrar o que dizer.
Ajude seu filho a se comunicar por novos motivos
Permita que seu filho pratique bastante usando palavras novas em lugares 
diferentes e por diferentes razões. Se o seu filho tiver aprendido a dizer “leite” 
para pedir algo de beber durante a rotina do lanche, crie outras situações 
nas quais ele possa praticar dizer “leite” por outras razões além de pedir. Por 
exemplo, derrame “acidentalmente” um pouco de leite, aponte para e diga: 
“Olha! Mamãe derramou o...”. Aguarde que seu filho complete. Ele também pode 
praticar usando a nova palavra se você fizer que opte entre leite e uma outra 
bebida que ele não goste.
Completar frases ajuda Joaquim a usar 
a palavra “leite” para comentar.
O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO
Para um Comunicador Básico 
que constantemente pede 
usando uma figura única:
Tenha biscoitos prontos e 
figuras de diferentes lanches 
em um Painel de Opções onde 
o seu filho possa vê-los.
Pegue a figura que ele 
apresenta e mostre-lhe como 
colocar a figura do biscoito 
sobre um Cartão de Dicas 
que diga “Eu quero” antes de 
entregar a figura.
Nada. Espere que seu filho 
peça com uma figura.
Ele pode escolher uma figura 
e entregá-la a você.
“Eu quero biscoito”
Ele pode colocar a figura 
do biscoito sobre o Cartão 
de Dicas “Eu quero”.
Para um Comunicador Básico 
que pede com uma figura e 
“ecoa” (“ecolaliza”) 
suas palavras:
Se o seu filho já ecoa “biscoito”, 
forneça uma dica “complete 
a frase”. Se o seu filho não 
completa frases, segure e 
mostre o biscoito ou aponte 
para a figura de um biscoito.
“Eu quero...” Ele pode dizer “biscoito”.
Para um Comunicador Básico 
que pede usando 
uma palavra:
Se o seu filho pedir com uma 
palavra (“biscoito”) mesmo 
depois de você fornecer o 
modelo “Eu quero biscoito”, 
tente mostrar-lhe um Cartão 
de Dicas “Eu quero”.
Primeiro use um Cartão 
de Dicas “Eu quero” com 
um modelo verbal – “Eu 
quero biscoito”. Depois use 
o Cartão de Dicas e um 
modelo parcial: 
“Eu ...”. Depois use somente 
o Cartão de Dicas.
Ele pode dizer por conta 
própria “Eu quero biscoito” 
ou precisar de um modelo 
parcial para dizer 
“quero biscoito”.
280 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 281
Ofereça várias opções. Neste estágio, o Painel de Escolhas do seu filho pode ter 
muitas comidas e bebidas. Você pode usar o painel e pedir ao seu filho dizer o 
nome do que escolheu (por exemplo: “O que o César quer?) ou simplesmente res-
ponder questões sim ou não (por exemplo: “Você quer maçã?”). Quando seu filho 
não quiser comer determinado alimento, dê-lhe um modelo de como responder, 
balançando a cabeça e dizendo “não”.
Para um Comunicador Básico que está apenas iniciando a repetir o que você diz, 
ofereça a opção preferida por último. À medida que a compreensão do seu filho 
melhorar, você pode mudar a ordem pela qual você oferece as opções. No começo, 
ofereça opções entre alimentos muito conhecidos, tais como suco ou leite, usando 
dicas visuais somente se a criança precisar. Nesse ponto você também fazer pergun-
tas que encorajem seu filho a comparar duas coisas e usar seu novo vocabulário. 
Por exemplo, você pode perguntar “Você quer um biscoito pequeno ou um biscoito 
grande?” ou “Você quer pizza quente ou pizza fria?”. Se você está introduzindo pa-
lavras novas, como grande, pequeno, quente, frio, depressa e devagar, mostre o que 
elas realmente significam usando objetos reais, ações ou figuras.
Ajude seu filho entender quando as opções não estão mais disponíveis. Quando 
seu filho perceber o poder da sua comunicação, pode começar a pedir sem parar 
por todas as coisas que você tem lhe dado com toda boa vontade. Se você quiser 
dizer ao seu filho que ele não pode obter alguma coisa, use o Sinal de “Não” 
descrito na página 236 no Capítulo 7. Ponha o sinal sobre a figura do lanche 
não disponível e diga ao seu filho que aquele lanche não pode ser escolhido. 
Então o ajude a encontrar outra coisa para comer. Quando você usa o Sinal Não, 
pode também fornecer novos modelos verbais para seu filho, tais como “Biscoito 
acabou” ou “Eu posso comer maçã.”
É mais fácil para o César escolher entre um biscoito grande 
e um biscoito pequeno quando ele vê os biscoitos.
O Sinal de Não mostra para Douglas que o “Biscoito acabou”.
282 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 283
Faça bobeiras criativas. Seu filho vai ter que fazer alguma coisa se você lhe der 
sua colher de cereal sem o cabo, seu copo sem o suco ou a caixinha de passas 
sem as passas. Se o seu filho olhar surpreso para você, mas não disser nada, 
forneça um modelo verbal que ele possa copiar, tal como “Ué! Cadê o suco?”. Na 
hora das refeições sirva todo mundo mas esqueça “acidentalmente”de servir seu 
filho. Se ele não reagir, faça por ele – “Ei! A mamãe esqueceu o César!”. Encha o 
copo com o suco, mas “esqueça” de entregá-lo ou sirva o cereal, mas esqueça de 
entregar-lhe a tigela. Tenha cuidado, no entanto de não fazer demais - um erro 
“bobo” por lanche é suficiente.
Aproveite quando as coisas derem errado. Pegue a pizza mesmo que ela esteja 
muito quente e comente de maneira animada: “Quente! Ai! Muito quente!” Se o 
leite derramar, pareça surpreso e espere que seu filho faça ou diga alguma coisa. 
Se ele não reagir, diga por ele – Ah, não! O leite derramou!”
Ofereça um lanche que seu filho não gosta. Oferecendo uma comida a qual 
seu filho com certeza vai torcer o nariz, você estará dando uma grande 
oportunidade para balançar a cabeça e dizer “Não”. Não se esqueça de oferecer 
um lanche predileto depois de oferecer outro pouco apreciado. Lembre-se, seu 
filho pode não responder “sim” ou “não” por conta própria; então, faça a parte 
dele acentuando as respostas e exagerando os movimentos de cabeça.
Envolva seu filho na preparação do lanche
Atividades colaborativas que terminam com um produto concreto são chamadas de 
Rotinas de Ação Conjunta. Fazer um bolo ou preparar uma taça de sorvete podem 
ser Rotinas de Ação Conjunta se forem feitas junto com seu filho. As Rotinas de 
Ação Conjunta tem pequenos passos que as constroem e, assim como outras rotinas 
diárias, proporcionam funções específicas para você e para seu filho.
Como vocês estarão criando alguma coisa como colegas de uma equipe, as in-
terações de duas vias podem ocorrer naturalmente. E se você mostrar para seu filho 
figuras de como o produto final vai parecer, ele ficará motivado para trabalhar até 
o fim da rotina.
Há muitos lanchinhos fáceis de preparar, tais como leite com chocolate, taças de 
sorvete, sanduíches, gelatinas e pudins. Você pode fazer pipoca e depois espalhar sal 
sobre ela, confeitar bolinhos e decorá-los com balas, preparar aperitivos com bastõezi-
nhos de cenoura com queijo cremoso ou maionese. Preparar uma salada com seu filho 
– rasgando as folhas de alface pode ser bem mais divertido do que você imagina. Mes-
mo arrumar a mesa e fazer limpeza são atividades que podem ser feitas em conjunto.
Apresentamos a seguir um programa passo-a-passo para fazer leite com choco-
late com um Comunicador Básico que está apenas começando a repetir

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