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Um guia para ajudar os pais a promoverem a comunicação e as habilidades sociais em crianças com Transtornos do Espectro do Autismo Fern Sussman Ilustrado por Robin Baird Lewis Uma publicação Hanen Centre, Canadá. Mais do que palavras More than words ii Mais do que palavras Agradecimentos ............................................................................................... iv Algumas palavras sobre algumas palavras ........................................................ v Algumas coisas a saber antes de começar .........................................................vi 1 Saiba mais sobre a Comunicação de seu filho ..................................... 1 2 Defina metas usando o que você sabe sobre seu filho ...................... 47 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho .......................................................... 85 4 Participem juntos ...................................................................................111 5 Promova interações usando Brincadeiras com Gente......................137 6 Ajude seu filho a entender o que você diz ........................................189 7 Use ajudas visuais ................................................................................ 213 8 R.O.D.A. nas suas rotinas.....................................................................257 9 Aproveite a música ao máximo ..........................................................297 10 Que venham os livros! .........................................................................333 11 Traga os brinquedos ............................................................................. 361 12 Vamos fazer amigos ............................................................................. 407 Glossário ......................................................................................................420 Referências bibliográficas ..............................................................................422 Conteúdo Mais do que Palavras de Fern Sussman The Hanen Centre Copyright © 1999 do Programa Hanen de Linguagem Todos os direitos reservados. Ne- nhuma parte deste livro, exceto quando expli- citamente declarado, pode ser reproduzida por quaisquer meios sem a autorização escrita da editora. Trechos podem ser citados se fizerem parte de revisões publicadas em periódicos sem autorização expressa. Nenhuma parte deste livro pode ser traduzida sem a autorização do editor. Biblioteca Nacional do Canadá ISBN 0-921145-14-4 Exemplares deste livro podem ser adqui- ridas do editor: The hanen CenTre 1075 Bay Street, Suite 515 Toronto, Ontario M5SB1 Canada Telephone: (416)921-1073 Fax: (416) 921-1225 E-mail:info@hanen.org Site: http://www.hanen.org Partes deste livro foram adaptadas de “It takes two to talk”, de Ayala Manolson (1992) e “Learning language and loving it: a guide to pro- moting children’s social language development in early childhood settings” de Elaine Westzman (1992), ambos publicações do Hanen Centre. Ilustrações: Robin Baird Lewis Design: Conteurpunch/Linda Gustafson, Sue Meggs-Becker, Peter Ross Editor Geral: Matthew Sussman Editores: Jennifer Glossop e Susan Goldberg More Than Words é uma publicação de The Hanen Centre e foi patrocinada com re- cursos do Ontario Ministry of Community and Social Services e a Autism Society of Ontario, Metro Toronto Chapter. Todas as opiniões aqui emitidas são da autora e não refletem necessa- riamente as opiniões dos patrocinadores. Impresso no Canadá pela The Beacon He- rald Fine Printing Division 5ª impressão 1/2004 iv Mais do que palavras Agradecimentos Sobre o termo “Transtornos do Espectro do Autismo” Transtorno do Espectro do Autismo é um termo que tem sido usado por muitos pro- fissionais para descrever crianças que apresentam dificuldades na interação social, no brincar e na comunicação. Neste livro, eu uso este termo na sua forma abreviada (TEA). TEA não é um termo médico. Mas é uma maneira prática de descrever um grupo grande e variado de crianças com semelhanças na sua maneira de processar as informações e entender o mundo. Você pode ter ouvido os termos Transtorno In- vasivo do Desenvolvimento, Autismo, Síndrome de Asperger, Hiperlexia e Transtor- no Semântico-Pragmático, todos associados aos TEA. Independente do diagnóstico dado ao seu filho, lembre-se primeiro e principalmente de que ele é um indivíduo único, com seus próprios talentos e desafios. Os rótulos podem ser amedrontadores. Mas o rótulo de TEA pode ajudá-lo a ter acesso a informações e serviços adequados para o seu filho. Reconhecer as necessidades especiais do seu filho é o primeiro passo para ajudá-lo a se desenvolver e melhorar. Sobre o uso de “ele” e “ela”* Na população mundial, de cada quatro crianças afetadas por TEA, três são meninos. Para refletir isso, no original em inglês, todos os ca- pítulos, exceto o 3, 9 e o 12 usam “ele” ao se referirem a uma criança. Na versão para o Português não foi possível manter essa estratégia. No entanto, em reconhecimento a todo o amor, esforço e trabalho duro de ambos, mamães e papais estão igualmente representados. Escrever um livro é uma tarefa solitária, mas que não é feita isoladamente. Do começo ao fim do livro tive a sorte de contar com a ajuda de muitas pessoas, as quais generosamente compartilharam conhecimento e tempo comigo. Sou especialmente grata a Elaine Weitz- man, Diretora Executiva do The Hanen Centre e minha amiga, por começar este projeto comigo e por me oferecer sua perspicácia, apoio e incenti- vo, mesmo estando muito ocupada. O patrocínio inicial para o livro veio de uma generosa doação da Autism Society Ontario, Metro Chapter. Eu gostaria de agradecer especial- mente a Cathy Patton e Dr. Russell Tanzer pelo esforço para conseguir que o projeto começasse. O Ontario Ministry of Comunity and Social Services, Toronto Área Office, contribuiu com uma generosa doação para a produção deste li- vro. Estou profundamente agradecida a Betty Pa- lantzas, Henrietta Slavinski e Michèle Sorois. Seu compromisso com esse projeto deu oportunidade ao Programa Hanen para Pais de criar um recur- so que benficiará muitas famílias em Ontario e em outras partes do mundo. Sem o apoio da minha família, este livro certamente não estaria pronto. Quero agradecer meu marido, Jackie, por seu incentivo constante e a boa vontade de fazer mais do que seria justo em casa. Ao meu filho Matthew, que me ajudou de maneira significativa em todos os aspectos do livro, serei eternamente agradecida. Seu interesse no Programa Hanen, sua edição meticulosa e o desejo que sua mãe fizesse tudo direitinho, des- mentem sua idade. Em muitos aspectos, esse li- vro é muito mais dele do que meu. À minha filha, Jillian, apesar de estar em Montreal durante qua- se todo o período de redação deste livro, agrade- ço por sempre lembrar de ligar e perguntar se o livro já estava pronto. Agradeço também a mi- nha sogra, Frances Sussman, por fornecer bolos de chocolate semanais numa casa onde o forno estava totalmente desligado. E é claro, agrade- ço a meus pais, Lillian e Maurice Goodman, que serviram como meus primeiros exemplos de pais amorosos e incentivadores. Minha gratidão especial a Sue Honeyman, Fonoaudióloga na Hamiliton Health Sciences Corporation, que compartilhou com boa vonta- de a experiência adquirida em muitos anos de observação e estudos trabalhando com famílias de crianças com TEA. O Capítulo 7: “Use Ajudas Visuais”, em particular, traz muitas das suas va- liosas sugestões. Tive muita sorte de estar rodeada de uma equipe de criação ao mesmo tempo talentosa e calma. Robin Baird Lewis não só produziu lin- das ilustrações, mas também usou sua experiên- cia como professora para fazer sugestões sobre como apresentar as informações da maneira mais clara possível. Suas maravilhosas ilustrações va- lorizam significativamente estelivro. Agradeço a Linda Gustafson, Sue Meggs-Becker e Peter Ross da Counterpunch, que foram acima e além para tornar minhas palavras parecerem atraentes com seu imaginativo design gráfico. E obrigada também para Jennifer Glossop e Susan Goldberg, cujo excelente trabalho de edição ajudou que esse livro ficasse muito mais fácil de ler. Também sou muito grata às minhas cole- gas de trabalho, Lauren Chisholm e Cheri Ro- rabeck – Fonoaudiólogas no Hanen Centre em Toronto – que apresentaram o material do li- vro para os pais nos seus Programas para Pais e me deram um inestimável retorno durante a redação do livro. A Michelle Droettboem, nossa Instrutora Hanen em Vancouver, que telefonou para dar suporte moral, obrigada. Vilia Cox e Tom Khan, do Hanen Centre, como sempre, fo- ram extremamente úteis. Nenhuma lista de agradecimentos fica com- pleta se não incluir Ayala Manolson, a fundadora do Hanen Centre, cujo desejo de dar aos pais as ferramentas que precisam para ajudar seus filhos continua a inspirar todos nós, sortudos o sufi- ciente para trabalhar com ela. E por fim, os pais que me deram o privilé- gio de entrar nas suas vidas são muito numerosos para mencionar. Suas inestimáveis contribuições podem ser vistas no livro todo, como ilustrações, idéias e sugestões apresentadas. algumas palavras sobre algumas palavras Mais do que palavras vii Você, pai ou mãe, quer proporcionar ao seu filho o máximo de oportunidades para que ele se desenvolva e atinja seu potencial. Profissionais, tais como fonoaudió- logos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros educadores serão capazes de ajudar vocês e seu filho nessa jornada. Mas lembre-se que: V Você é quem mais conhece seu filho V Você é quem mais se preocupa com ele V Você é a pessoa mais constante e importante nos primeiros anos do seu filho A comunicação é parte essencial da vida. Através da comunicação nos ligamos às outras pessoas, fazemos com que conheçam nossos desejos, compartilhamos idéias e podemos mostrar aos outros como nos sentimos. Para crianças com Transtornos do Espectro do Autismo, a comunicação é tão importante como para as outras crianças. No entanto, elas enfrentam desafios es- peciais, devido ao seu estilo de aprendizagem e preferências sensoriais, o que ge- ralmente torna difíceis a interação e a comunicação. Felizmente há algumas coisas que tornam mais fáceis para o seu filho todos os tipos de aprendizagem, inclusive aprender a se comunicar. Seu filho aprenderá a se comunicar quando ele ou ela: V prestar atenção em você V divertir-se com a comunicação de duas vias V imitar as coisas que você faz e diz V entender o que os outros dizem V interagir como outras pessoas V divertir-se! V praticar frequentemente o que aprender V tiver estrutura, repetição e previsibilidade em sua vida As idéias deste livro são baseadas no More than Words – Um Programa Hanen para Pais de Crianças com TEA (ou dificuldades de comunicação correlatas). Este programa pre- para pais para ajudar seus filhos com menos de seis anos de idade a aprender a interagir e se comunicar, usando as situações que ocorrem naturalmente durante o dia. À medida que o conhecimento sobre a natureza dos TEA cresce, novas estra- tégias são desenvolvidas para ajudar as crianças afetadas. Neste livro, abordamos não só os tipos de dificuldades de comunicação que seu filho possa ter, mas também quais destas estratégias você pode usar para melhor ajudá-lo. Foi escrito de maneira que você, mãe ou pai, possa aprender como transformar as rotinas e atividades do dia-a-dia em oportunidades para aprender comunicação. Como usar este livro Cada capítulo baseia-se no anterior. Por isso, será mais proveitoso se, ao ler este livro, você respeitar a seqüência dos capítulos, do começo para o fim. Os dois primeiros ca- pítulos tratam do que é comunicação e por que ela é muito “mais do que palavras”. No Capítulo 1 “Saiba mais sobre a comunica- ção do seu filho”, discutimos alguns dos aspectos que influenciam a comunicação do seu filho. Você usará seu conhecimento sobre ele para identificar seu estágio de comunicação. Isto ajudará a saber o que esperar do seu filho e, portanto, ajudá-lo no que ele realmente precisa. O código de cores para os estágios torna mais fácil encontrar as informações sobre o seu filho ao longo do livro. No Capítulo 2, começamos com “Defina metas usando o que você sabe sobre seu filho” de acordo com o estágio de comunicação que ele se encontra. Na segunda parte desse capítulo, há algumas idéias práticas de como começar para atingir as metas estabelecidas. O resto do livro fornece idéias e sugestões para crianças em todos os estágios de desenvolvimento da comunicação. A primeira parte da maioria dos capítulos trata de como as informações do capítulo se aplicam às crianças em todos os estágios. A segunda parte apresenta algumas informações adicionais para o estágio do seu filho. Uma boa idéia é ler as informações gerais no começo do capítulo e depois procurar a seção que traz informações específicas para o seu filho. As descrições sobre cada estágio são orientações gerais apenas. Você vai encontrar, freqüentemente, sugestões valiosas para seu filho nos textos sobre outros estágios. Cada capítulo termina com um pequeno resumo sobre os pontos importantes abordados. O Capítulo 3, “Deixe-se conduzir pelo seu filho” traz informações sobre como a interação faz a comunicação começar e o que fazer para ajudar seu filho a progredir durante as interações. No Capítulo 4, “Participem juntos”, tratamos de como manter seu filho intera- gindo e brincando com você, de maneira a promover a participação recíproca. No Capítulo 5, nós “Promovemos interações usando Brincadeiras com Gente” e fornecemos estrutura e previsibilidade às atividades do seu filho. Descrevemos algumas coisas a saber antes de começar Os Estágios de Comunicação Estágio de Interesses Próprios Estágio de Pedidos Estágio de Comunicação Básica Estágio de Parceria Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 1 Guilherme tem 3 anos de idade e parece não gostar de estar com outras pessoas. Prefere brincar sozinho, fazendo seu trem de brinquedo ir para frente e para trás sobre os trilhos. Quando não está brincando com seus trens, Guilherme está sempre se mexendo, correndo da sala para a cozinha e para a sala de novo. Seus pais estão preocupados, porque ele ainda não fala e não responde quando o chamam pelo nome. como escolher as brincadeiras participativas e como brincá-las com seu filho. O Capítulo 6, “Ajude seu filho a entender o que você diz”, trata de como você pode ajustar sua maneira de falar para que ele possa entender. O Capítulo 7, “Use Ajudas Visuais”, apresenta o que você pode fazer com obje- tos, figuras e escrita para ajudar seu filho a entender situações, organizar sua vida e se expressar. Você pode reproduzir as figuras usadas nesse capítulo para fazer AjudasVisuais para o seu filho. No Capítulo 8, “R.O.D.A. nas suas Rotinas”, tratamos de como usar todas as estratégias dos capítulos anteriores para incentivar interação, compreensão, inde- pendência e conversação durante as rotinas diárias. O Capítulo 9, “Aproveite a Música ao máximo”, se vale do amor do seu filho pela música para melhorar sua interação e sua comunicação. O Capítulo 10, “Que venham os livros!” sugerimos alguns e discutimos sobre como usá-los de forma estruturada para ajudar seu filho entender mais palavras e desenvolver novos pensamentos e maneiras de se comunicar sobre eles. O Capítulo 11, “Traga os brinquedos”, descreve os tipos de brinquedos que aju- darão seu filho a desenvolver habilidades para brincar e se comunicar. Finalmente, no Capítulo 12, “Vamos fazer amigos”, há sugestões práticas sobre como promover amizades nas quais seu filho continue a usar suas novas habilidades de comunicação. O glossário no final do livro é uma maneira mais fá- cil de lembrar-se dos significados de termos usados ao longo do livro. Usando as estratégiasapresentadas neste livro, você pode proporcionar para seu filho um ambiente que promova a aprendizagem e a comunicação e permita que toda a família possa participar e se divertir! Com alguma paciência e persistência, você pode ajudar seu filho a desenvolver todo o seu potencial nos primeiros anos de vida. viii Mais do que palavras Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 3 Os pais de Guilherme não sabem como ajudá-lo a se comunicar. Nem mesmo sabem se o filho os ouve quando falam com ele. Mas certamente sabem muitas coisas sobre o filho. Sabem de que comida, brinquedos e atividades ele gosta. Os pais de Gui- lherme podem não ter percebido, mas estas informações são importantes e podem ser usadas para ajudá-lo. Quando você sabe do que seu filho gosta, você sabe o que o motiva a se comunicar. Observe do que seu filho gosta e do que ele não gosta Com quais brinquedos seu filho gosta mais de brincar? Qual é a comida preferida de seu filho? De que tipo de atividade física seu filho gosta? Com quem seu filho gosta mais de ficar? Algumas crianças dão pistas claras sobre o que gostam e o que não gostam. Por exemplo, pode ser que seu filho brinque sempre com o mesmo brinquedo ou puxe você até a porta da frente repetidas vezes. Nessas situações, é fácil perceber do que ele gosta. Mas, às vezes, é preciso observá-lo mais atentamente para descobrir as preferências dele. Desta forma, pode ser que descubra que ele gosta de pular, correr de um lado para o outro ou engatinhar por baixo dos móveis ainda mais do que você pensava. As coisas das quais seu filho gosta podem ser difíceis de entender 4 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 5 As coisas das quais seu filho não gosta podem ser difíceis de entender Seu filho pode fazer outras coisas difíceis de entender 6 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 7 As ações de seu filho mostram como ele percebe o mundo – através de movimento, tato, visão, audição e olfato. Muitas crianças com TEA, como as mostradas nas páginas anteriores, reagem de formas incomuns ao mundo ao seu redor. Isto acontece porque elas podem não sentir as coisas da mesma forma que você e eu. Seu filho pode ser hipersensível a certas sensações, o que significa que uma pequena quantidade da sensação pode estimulá-lo intensamente. Se o seu filho é hipersensível, ele pode se afligir e tentar evitar as sensações que o inco- modam. Por exemplo: Lucas, uma das crianças descritas anteriormente, é hipersensível ao som do aspirador de pó, por isso cobre os ouvidos para bloquear o barulho. Ao mesmo tempo, seu filho pode ser hipossensível a certas sensações e bus- cá-las, porque é necessária uma grande quantidade da sensação para estimulá-lo. Crianças que são hipossensíveis ao movimento são particularmente ativas, porque correm de um lado para o outro, balançam o tronco ou pulam buscando provocar as sensações que precisam. Por outro lado, há crianças que são hipossensíveis às sensações, e mesmo assim são passivas. Elas mal reagem ao mundo à sua volta, porque não estão obtendo estímulos suficientes. É possível que seu filho tenha reações contraditórias às sensações – ele pode ser hipersensível a algumas e hipossensível a outras. Muitas crianças com TEA são hi- possensíveis à fala e não respondem a ela, muito embora outros sons as incomodem. Vai ser difícil que seu filho preste atenção ao que você diz, se ele tiver dificuldades em ouvir sons da fala. Os comportamentos das crianças nas páginas 3, 4 e 5, com exceção de Bruno, podem ser explicados pelas situações às quais são hiper ou hipossensíveis. Da mesma forma que muitas crianças com TEA, Bruno, o menino que não sabe pedalar seu triciclo, tem dificuldades com planejamento motor, ou seja, para ele é difícil planejar e executar movimentos. Quando seu filho tem dificuldades de planejamento motor, pode trombar com as coisas. Ou pode ser que brinque com os brinquedos de uma forma repetitiva, pois acha mais fácil aprender um só conjunto de ações do que aprender muitos. Falar é difícil para algumas crianças com TEA, em parte porque a fala requer muito planejamento motor da boca, língua e aparelho vocal. Bruno tem dificuldades com o planejamento motor. Ele não consegue planejar e executar as ações necessárias para andar de triciclo. MOVIMENTO TATO Associe as preferências e ações de seu filho à maneira como ele sente o mundo Estas crianças são hipersensíveis a algumas sensações e tentam evitá-las Estas crianças são hipossensíveis a algumas sensações e procuram senti-las Miguel tenta evitar movimento e tem medo da escada rolante. Gui corre pela casa para buscar movimento. João se incomoda quando seu pai toca sua cabeça. Luana gosta de sentir pressão sobre seu corpo. 8 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 9 Pedro gosta do cheiro do cabelo de sua mãe. VISÃO Jaqueline tenta evitar a luz em seus olhos. Gabriel gosta de observar seus dedos movendo-se rapidamente AUDIÇÃO Alguns sons parecem ser altos demais para Lucas. Ao mesmo tempo, parece não ouvir quando seu pai o chama. OLFATO Karen não come macarrão porque não gosta do cheiro de molho condimentado. O pai transforma o amor de Guilherme por movimento em uma brincadeira interativa. Estas crianças são hipersensíveis a algumas sensações e tentam evitá-las. Estas crianças são hipossensíveis a algumas sensações e procuram senti-las. Identifique as preferências sensoriais de seu filho As visões, os sons, os cheiros, toques e movimentos de que seu filho gosta ou não gosta são chamados de preferências sensoriais. Será mais fácil entender o compor- tamento de seu filho se você identificar as preferências sensoriais dele. Elas também mostrarão por onde você começa para ajudar seu filho a se comunicar. Se ele receber a informação através de seu senti- do preferido, pode ser que consiga prestar atenção por mais tempo e aprender mais. Ao identificar as preferências sensoriais de seu fi- lho, saberá quais atividades podem ser motivadoras e prazerosas tanto para ele quanto para você. Preencha a lista de verificação sensorial nas páginas 10 a 13 para registrar quais sensações seu filho busca ou evita. 10 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 11 As preferências sensoriais do meu filho Observe as preferências sensoriais de seu filho. Depois, marque os quadrados que se aplicam ao seu caso. MOVIMENTO Meu filho é hipossensível ao movimento e busca o movimento assim: pulando balançando o corpo girando gostando de brincadeiras “brutas”, por exemplo, ser jogado para o alto correndo de um lado para o outro de outras maneiras: _________________ Meu filho mostra que é hipersensível ao movimento assim: mostrando medo em escadas e escadas rolantes mostrando medos em balanços, gangorras e escorregadores irritando-se ou enjoando-se ao andar de carro de outras maneiras: _________________ Meu filho tem dificuldades de planejamento motor: é desajeitado ou tromba com as coisas não usa brinquedos de forma apropriada brinca com o mesmo brinquedo horas a fio não imita as coisas que eu faço realiza uma atividade apenas uma vez (por exemplo, ele desce pelo escorregador uma vez) vaga sem objetivo passa muito tempo deitado tem dificuldades para assoprar velas me entende mas não fala tem dificuldades para “achar” uma palavra que já disse antes não pronuncia corretamente as palavras que sabe dizer tem uma voz incomum outros: ___________________ Meu filho mostra que é hipersensível ao tato: não gosta de coisas pegajosas nas suas mãos (por exemplo: massinhas, argila e tinta) gosta ou detesta certas texturas de roupas não gosta de vestir chapéus e luvas não gosta de lavar ou cortar o cabelo não gosta de comidas crocantes ou difíceis de mastigar outros: ________________ TATO Meu filho é hipossensível ao tato e busca essa sensaçãoassim: gostando de longos abraços enrolando-se em cobertores espremendo-se em locais apertados (por exemplo, atrás do sofá) insistindo em usar roupas justas deitando esparramado no chão esbarrando nas pessoas batendo palmas segurando objetos pondo objetos na boca rangendo os dentes raramente chorando quando se machuca de outras maneiras: ______________ 12 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 13 SOM Meu filho é hipossensível ao som: parece não ouvir o que as pessoas dizem gosta de música e certos sons gosta de brinquedos que fazem certos sons gosta de quando eu falo com ele de um jeito animado outros: ___________________ VISÃO Meu filho é hipossensível a coisas que vê e procura sensações visuais assim: acendendo e apagando as luzes observando movimentos repetitivos (por exemplo: o virar de páginas de livro, o abrir e fechar de portas, seus dedos se mexendo diante de seu rosto) enfileirando coisas olhando para as coisas com o canto do olho olhando para as coisas de ângulos incomuns outros: ___________________ Meu filho é hipersensível ao som e pode evitá-lo: tapa os ouvidos chora quando uso eletrodomésticos (lava- louças, aspirador de pó, secador de cabelo) gosta de quando uso uma voz macia consegue ouvir os sons mais sutis outros: ____________________ Meu filho é hipersensível a coisas que vê e às vezes evita algumas sensações visuais: prefere o escuro pisca frequentemente evita o sol outros: _______________ 14 Capítulo 1 OLFATO E PALADAR Meu filho é hipossensível a alguns cheiros e gostos e busca estas sensações: explora coisas lambendo e cheirando-as gosta de comidas muito condimentadas outros: ____________ Diferentes tipos de aprendizes Estilos de aprendizagem baseiam-se na for- ma como assimilamos informação. Podemos aprender através da visão, do toque e/ou da audição. Também temos diferentes tipos de memória – algumas pessoas têm mais facili- dade de se lembrar de acontecimentos do que outras. Algumas pessoas aprendem detalhes, enquanto outras gostam de ver o todo. A maioria das pessoas tem um estilo de aprendi- zagem preferido – a maneira pela qual apren- dem melhor. Seu filho também tem um estilo de aprendizagem preferido. Aprendizes de rotinas Muitas crianças com TEA, como Michele, obtêm informações memorizando coisas sem pensar. Essas crianças memorizam uma enorme quantidade de informações – tais como números e letras – quando pequenas, e muitos fatos sobre assuntos específicos quando crescem. Se por um lado podem re- citar a informação palavra por palavra, por outro freqüentemente não entendem o que estão dizendo. Aprendizes Gestalt Muitas crianças com TEA memorizam senten- ças como um todo sem compreender o signi- ficado de cada palavra. Crianças que proces- sam a informação desta forma têm um estilo de aprendizagem “gestalt”. Por exemplo, se der ao seu filho um brinquedo de banheira e disser “Ponha isso na água”, pode ser que ele atenda. Contudo, se der a ele um brinquedo de banheira e disser “Ponha isso na estante”, pode ser que ele o ponha na água. Seu filho come- te esse erro porque associa qualquer frase que Meu filho é hipersensível a alguns cheiros ou gostos e evita estas sensações: gosta de comidas suaves ou insípidas é sensível a certos cheiros (por exemplo: perfume) outros: ___________________ Entenda o Estilo de Aprendizagem do seu Filho Michele sabe falar os números de um a dez, mas não entende o conceito de quantidade. Felipe usa o verso memorizado de uma música para dizer ao pai que está triste. Ele pode não entender as palavras, mas sabe que a frase fala de tristeza. 16 Capítulo 1 contenha a palavra “ponha” com uma ação específica, independentemente das outras palavras da frase. Ao contrário de outras crianças que aprendem a falar usando palavras isoladas e depois gradualmente adquirem frases de duas palavras e sentenças curtas, crianças que são aprendizes gestalt começam a falar repetindo sentenças inteiras. Crianças com aprendizagem gestalt costumam lembrar de tudo em uma situação, mas quase sempre não conseguem discernir o que é importan- te do que não é. Na figura da pág. 15, por exemplo, Fe- lipe não consegue dizer ao pai como está se sentindo com as próprias palavras. Em vez disso, repete um trecho que memorizou de uma música que ele associa com tristeza. Aprendizes Visuais Se o seu filho gosta de olhar livros ou ver TV, pode ser um aprendiz visual. A maio- ria das crianças com qualquer dificuldade de linguagem aprende melhor quando vê coisas do que quando as ouve. Uma vez que a visão é o sentido mais forte, muitas dessas crianças ficam encantadas por li- vros ilustrados e vídeos. Aprendizes “mãos na massa” Se o seu filho gosta de apertar botões, abrir e fechar portas e/ou consegue entender o mais complicado dos brinquedos, o mais provável é que ele seja um aprendiz “mãos na massa”, que aprende melhor pegando ou mexendo nas coisas. Aprendizes Auditivos Se o seu filho gosta de conversar e ouvir outros conversando, pode ser um aprendiz auditivo, que gosta de obter informações através da audição. Não é comum que uma criança com TEA dependa primariamente da aprendizagem auditiva. Coloque suas observações em prática Suas observações sobre o estilo de apren- dizagem de seu filho dão informações adi- cionais para ajudá-lo. Se o seu filho tem boa memória de rotina, aprenderá melhor em atividades realiza- das sempre da mesma maneira. Dentre elas, atividades com números e letras. Se o seu filho é um aprendiz gestalt, pode aprender a dizer uma sentença inteira antes de uma palavra isolada. Sua tarefa é ajudá-lo a entender as partes do todo. Se o seu filho é um aprendiz visual, apre- sente as informações através de coisas que ele possa ver. Exemplo: quando dis- ser uma palavra mostre-lhe o próprio ob- jeto ou uma foto. Crie oportunidades para aprender com livros ilustrados e vídeos. Se o seu filho é um aprendiz “mãos na massa”, deixe-o aprender manipulando e pegando coisas. Escolha brinquedos que ele possa movimentar usando as mãos. Comunicação A comunicação acontece quando uma pessoa envia uma mensagem para outra pes- soa. Você pode enviar a mensagem de diversas maneiras: expressões faciais, gestos e palavras. E pode enviar a mensagem por diferentes motivos, tais como pedir ajuda ou compartilhar uma idéia. Às vezes, as formas com as quais alguém se comunica são chamadas de “modos” de comunicação, e as razões pelas quais alguém se co- munica são chamadas de “porquês”. Interação A interação ocorre sempre que você e seu filho fazem coisas juntos e respondem um ao outro. É a base da comunicação de mão dupla ou recíproca. Toda vez que você e seu filho interagem, fazem uma conexão que inicia a comunicação. Devido ao estilo de aprendizagem e necessidades sensoriais, todas as crianças com TEA têm algum grau de dificuldade para interagir com o outro. Para estabelecer interações bem sucedidas, seu filho precisa reagir aos outros quando é abordado e iniciar interações por conta própria. Para o seu filho, responder pode ser mais fácil do que iniciar. Se ele entende o que você diz, pode responder aos seus comandos e perguntas simples. Contudo, pode ser que ele tome a iniciativa apenas para atender as necessidades dele ou para pedir algo. Pode demorar até que ele inicie a interação simplesmente para mostrar algo ou para ser sociável. Entenda o que é comunicação O pai tem dificuldade de interagir com Caio, porque seu filho está mais interessado em olhar para as rodas girando. Embora Eduardo saiba falar, sem interação ele e sua mãe não conseguem conversar. 18 Capítulo 1 Vítor responde ao comando de seu pai. Andréa inicia uma interação para pedir ajuda. Quando Juliana gira começa uma interação com sua mãe simplesmente para ser sociável. Isto é um grande avanço! A capacidadeque seu filho tem de interagir depende também da personalidade dele, das pessoas com quem fica e das coisas que faz. Ao saber como seu filho in- terage, você pode planejar melhor como ajudá-lo a participar em interações sociais que sejam prazerosas para ele. Algumas crianças interagem apenas com seus pais e familiares adultos em alguns jogos e atividades. Algumas crianças conseguem integrar- se e brincar com outras crianças. Saiba como e porque seu filho se comunica Embora Rafael não fale, consegue mostrar ao pai o que quer, sem palavras. Seu filho pode não dizer nenhuma palavra, mas comunicação é mais do que palavras. Quando seu filho leva você até a geladeira, está lhe dizendo que quer beber suco. Quando chora ou bate o pé no chão, está contando que está bravo ou frustrado. Quando lhe dá um largo sorriso, está mostrando que você é especial para ele. Mesmo quando abana as mãos, está lhe dizendo alguma coisa a respeito de como se sente. Crianças se comunicam pelas ações, sons ou palavras. Perceber como seu filho se comunica ajudará você a desenvolver seus talentos e ensinar-lhe outras formas de comunicação, um passinho de cada vez. Por exemplo, se o seu filho não emite som algum, pode ser que não esteja pronto para falar. Você deverá começar mos- trando a ele uma forma mais fácil de se comunicar – talvez através de gestos. A percepção a respeito de como seu filho se comunica, no entanto, é apenas uma pequena peça do quebra-cabeça. Você não pode se preocupar com o modo dele se comunicar sem saber também por que ele se comunica. Uma vez sabendo o motivo da comunicação, se é para solicitar, comentar ou dizer como se sente, você poderá ajudá-lo a encontrar mais maneiras e motivos para se comunicar. 20 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 21 Perceba como seu filho se comunica Seu filho se comunica usando mais do que palavras! Há muitas formas diferentes de se comuni- car, e algumas são socialmente mais apropriadas do que outras. Ainda assim, tudo o que seu fi- lho faz, inclusive balançar o tronco, correr de um lado para o outro e agitar os dedos na frente do próprio rosto comunicam algo sobre ele. Pode ser que seu filho se comunique de uma das seguintes maneiras: Ecolalia “Ecolalia” é um termo que descreve a repetição de palavras ditas por outras pessoas. É um traço comum na fala de crianças com TEA. Primeiro, seu filho pode repetir palavras que ouviu sem entender o que significam. Pode ser que ele faça isso por diversas razões e não para comu- nicar uma mensagem diretamente a você. De fato, pode ser que você nem esteja quando ele fizer isso. Ao repetir palavras ou frases, seu filho pode estar tentando se acalmar, prestar atenção em uma ativi- dade ou simplesmente praticar a fala. Ecolalia é um bom sinal. Mostra que a co- municação de seu filho está se desenvolvendo. Logo ele pode querer começar a usar essas pala- vras e frases repetidas para comunicar-lhe algo. Por exemplo, depois de repetir o que você diz, pode olhar para você ou chegar mais perto de um objeto. Ou pode se lembrar das palavras que você usou para perguntar se ele queria beber alguma coisa, e depois usar as palavras memo- rizadas para fazer uma pergunta. As palavras que seu filho aprende com a ecolalia abrem a porta para comunicação com significado. A expressão facial e a linguagem corporal de Karen dizem à mãe exatamente como se sente na hora de comer macarrão. Primeiro, seu filho aponta para algo sem olhar de volta para você... Chorando ou gritando Movendo-se até ficar bem próximo das pessoas e coisas de seu interesse, ou virando-lhes as costas Usando gestos ou expressões faciais Tentando conseguir o que quer indicando com a mão aberta Levando sua mão para conseguir que você faça coisas para ele Olhando para as coisas que quer Apontando para as coisas, sem olhar para você. Olhando ou apontando para coisas que quer e então olhando para você. Alternar o olhar entre você e um objeto chama-se Atenção Compartilhada. Significa que seu filho consegue comunicar a você os interesses dele. Comunicando–se com figuras Emitindo sons Usando palavras Usando sentenças Usando ecolalia ...depois aponta e olha para você para ter certeza de que você está olhando para a mesma coisa. Seu filho pode dizer o que quer apontando para uma figura... Quando seu filho começa a falar, pode ser que repita o que ouvir das outras pessoas. Isto é chamado de “ecolalia”, e muitas vezes é um sinal de que a sua comunicação está se desenvolvendo. ...ou ao dando-lhe uma figura do que ele quer. 22 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 23 Seu filho pode mostrar comunicação pré-intencional para: se acalmar durante alguma atividade praticar alguma atividade se concentrar ou se orientar reagir a uma experiência prazerosa ou desagradável conseguir coisas que ele quer protestar ou recusar. Os primeiros protestos que seu filho faz são normalmente respostas automáticas a coisas que ele não gosta. Quando chora, vira a cabeça ou empurra sua mão, está evitando você, mais do que tentando dizer como está se sentindo. A comunicação de seu filho pode ser intencional. A comunicação será mais fácil quando seu filho entender que o que ele faz tem efeito sobre outra pessoa. Comunicar-se com o propósito de enviar uma mensagem chama-se comunicação intencional, e representa um grande avanço para o seu filho. Seu filho pode se comunicar intencionalmente por diferentes razões Protestar ou recusar Protestos ou recusas não intencionais tor- nam-se intencionais quando seu filho envia a mensagem diretamente a você. Por exemplo, em vez de simplesmente empurrar sua mão ele pode primeiro olhar para você. Ou em vez de chorar e dar as costas quando você oferece algo que ele não quer, pode sacudir a cabeça em sinal de “não”. Protestos ou recusas inten- cionais revelam que seu filho: não quer o que você está oferecendo não quer começar uma atividade quer parar uma atividade Há diferentes tipos de ecolalia: Seu filho repete palavras ou frases, geralmente a última parte do que foi dito, imediatamente depois de ouvi-las. Esta é a chamada ecolalia imediata. Seu filho memoriza ou “recupera” partes de palavras ou frases que ouviu e então as usa um dia, uma semana, um mês ou mesmo um ano depois. Esta é a chamada ecolalia tardia. Geralmente, uma criança repete algo que ouviu em uma situação emocional. Por exemplo, um menino pequeno ouve sua mãe gritar “Larga!” quando pega uma tesoura, e então repete a expressão “Larga!” sempre que alguém parecer bravo com ele. Nesta situação, o menino entende quando as palavras são usadas, mas não entende o que as palavras realmente significam. Seu filho muda as repetições dizendo-as num tom diferente ou mudando algumas das palavras, na tentativa de adaptá-las aos diferentes contextos. Esta é a chamada ecolalia branda, e é um sinal positivo de que seu filho entende como usar as palavras com sentido. Observe por que seu filho se comunica A comunicação de seu filho pode ser pré-in- tencional. Ele pode fazer ou dizer coisas sem ter a intenção de provocar um efeito nas pessoas. Por exemplo, ele pode repetir palavras que co- nhece mesmo quando não há ninguém no re- cinto, ou pode fazer o movimento de tentar al- cançar um brinquedo quando ninguém estiver olhando. Essas ações são chamadas de comuni- cação pré-intencional, porque seu filho envia a mensagem sem ter a intenção de fazê-lo. Con- tudo, você pode interpretar essas ações como se fossem comunicações dirigidas a você. Lucas repete algumas das palavras de seu pai para responder perguntas. A mãe sabe o que Rubens quer, mesmo que ele não esteja dirigindo a mensagem diretamente a ela. Michele está contando em voz alta para se concentrar no livro. Ela não percebe que sua mãe está fazendo uma pergunta. Guilhermedeve olhar para seu pai antes de empurrá- lo para que o protesto seja intencional. 24 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 25 Pedir Seu filho pode pedir para mostrar que ele quer: comida ou bebida um brinquedo, um objeto ou uma atividade sua ajuda permissão para fazer algo Sara está mostrando à mãe que quer alguma coisa que está na geladeira. Quando seu filho começa a se comunicar por outros motivos além de atender às pró- prias necessidades, está progredindo para se tornar um verdadeiro comunicador. Por exemplo, seu filho pode pedir por razões sociais, tais como: pedir para continuar com brincadeiras corporais, chamadas “Brincadeiras com Gente”, como fazer cócegas ou andar de cavalinho nas pernas do papai. Ele pode fazer isso puxando suas mãos para o corpo dele ou sacudindo o corpo para mostrar que quer mais. (Para saber mais sobre “Brincadeiras com Gente”, veja o Capítulo 5). obter informação mostrar às outras crianças que ele quer brincar com elas Paulo mexe o corpo para pedir que a mãe continue a brincadeira, um sinal claro de que está começando a pedir com intenções sociais. Conforme seu filho se torna mais sociável, ele se comunica por mais motivos. Seu filho pode se comunicar para res- ponder aos outros das seguintes for- mas: seguindo instruções, fazendo uma escolha ou respondendo perguntas. Seu filho pode se comunicar para cum- primentar ou dar tchau. Seu filho pode se comunicar para cha- mar sua atenção. Seu filho pode se comunicar para mos- trar-lhe algo ou fazer um comentário. 26 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 27 Seu filho pode se comunicar para fazer perguntas. Seu filho pode se comunicar para falar do passado e do futuro. Continuum da Comunicação Intencional Enxergar a capacidade de comunicação intencional de cada criança dentro de um continuum é de grande ajuda. Em um extremo do continuum, estão as crianças que se comunicam principalmente para obter coisas que querem. No outro extremo, es- tão as crianças que se comunicam por diversos motivos, tais como fazer perguntas, comentar algo ou simplesmente para serem sociáveis. Esta criança, puxando o braço do pai, - comunica-se apenas para conseguir as coisas que quer. Esta criança usa a fala para ser sociável. Seu filho pode se comunicar para ex- pressar sentimentos, para dizer que está feliz, triste ou com medo. Seu filho pode se comunicar para fazer de conta ou imaginar. Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 29 O estágio de comunicação de seu filho depende de quatro coisas: Da capacidade de interagir com você De como ele se comunica Por que ele se comunica Da compreensão dele É importante identificar o estágio de comunicação de seu filho, para que você tenha uma boa idéia do que ele consegue e do que não consegue fazer, bem como do que você pode esperar que ele consiga a seguir. Saber disto ajudará a definir metas e dar o tipo de ajuda que ele precisa. As descrições das crianças nos quatro estágios de comunicação podem ajudá-lo a identificar o estágio de comunicação de seu filho. Os quatro estágios são: Estágio de Interesses Próprios Estágio de Pedidos Estágio de Comunicação Básica Estágio de Parceria Nem todas as crianças passam por todos esses estágios nessa ordem, mas muitas começam no estágio de Interesses Próprios, progridem para os estágios de Pedidos e Comunicação Básica e finalmente chegam ao estágio de Parceria com o passar do tempo. Outras crianças podem ter características de diversos estágios. E, é claro, crianças reagem de formas diferentes dependendo das pessoas com quem estão, das situações em que se encontram e de suas personalidades próprias e únicas. Após ler as descrições das crianças em todos os estágios, observe seu filho de perto durante uma semana. Depois, preencha a lista de verificação “Como e Por quê” no Capítulo 2 na página 84, para identificar o estágio de comunicação de seu filho. O Estágio de Interesses Próprios Renata, que tem 2 anos e meio, é bastante independente. Gosta de fazer sozinha a maioria das coisas, embora não brinque com brinquedos. O que mais gosta de fazer é brincar no parque. Sempre que vê sua mãe se preparando para sair, Renata começa a pular de animação. Muitas vezes, tenta abrir a porta sozinha. Mas como não alcança a maçaneta, sempre se frustra e chora. A mãe fica imaginando por que Renata nunca pede ajuda. Renata nunca pede para a mãe ajudá-la a abrir a porta. Uma criança no estágio de Interesses Próprios não dirige nenhuma mensagem diretamente a você. Saiba qual o estágio de comunicação de seu filho 30 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 31 Uma criança no estágio de Interesses Próprios aparenta querer brincar sozinha e mostra-se desinteressada pelas pessoas em torno dela. Ainda não entende que pode afetar outras pessoas enviando uma mensagem diretamente a elas, de forma que sua comunicação é primordialmente pré-intencional. Você sabe como ela está se sentindo pela observação de seus movimentos corporais, gestos, gritos e sorrisos. Muitas crianças pequenas estão no estágio de Interesses Próprios quando recebem pela primeira vez o diagnóstico de TEA. Uma criança no estágio de Interesses Próprios pode fazer algumas das coisas a seguir: interagir com você muito brevemente e quase nunca com outras crianças querer fazer coisas sozinha olhar ou tentar pegar as coisas que quer não se comunicar intencionalmente com você brincar de formas incomuns fazer sons para se acalmar chorar ou gritar para protestar sorrir gargalhar não entender quase nenhuma palavra Renata ainda não sabe como brincar com sua bonequinha. O Estágio de Pedidos Rafael é uma criança de 3 anos de idade que está no estágio de Pedidos, e se comunica principalmente puxando e conduzindo os outros para pedir coisas que ele quer. Durante o banho, Rafael puxa a mão de seu pai para pedir mais cócegas; quando quer sair, conduz sua mãe à porta da frente. Rafael também puxa quando quer que um de seus pais lhe dê um biscoito do armário da cozinha. Seus pais estão frustrados porque é difícil obter e manter a atenção dele. Para mostrar que quer mais cócegas, Rafael olha para o pai e puxa sua mão em direção à própria barriga. 32 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 33 A criança no estágio de Pedidos está começando a entender que pode pedir coisas a alguém, puxando ou conduzindo você. O Estágio da Comunicação Básica César brinca por horas a fio de brincadeiras corporais como Pega-pega e Cócegas com os pais e seu irmão. A mãe segura seus ombros e diz “Pronto? Atenção: um, dois, três e...” espera que ele olhe para ela antes de gritar “Já!”, mostrando que a brincadeira começou. A mãe geralmente se cansa do jogo antes do César! Às vezes, César começa o jogo com outras pessoas dizendo “Já!”. César também usa algumas outras palavras. Geralmente, faz o sinal de “abrir” com a mão, que aprendeu na pré-escola, para pedir à mãe que abra a caixa de uvas passas, mas às vezes ele diz “abrir”. Rafael puxa sua mãe até a porta, pedindo para ir ao parque. Rafael também puxa seu pai para pedir biscoitos. Uma criança que está no estágio de Pedidos acaba de começar a perceber que as ações dela podem ter efeito sobre você. Puxando e conduzindo as pessoas, é capaz de pedir coisas que precisa ou que gosta. Gosta especialmente de Brincadeiras com Gente do tipo físico, como “Cócegas” e “Achou!”. Quando você faz uma pausa du- rante a brincadeira, olha para você ou mexe o corpo para continuar a brincadeira. A criança no estágio de Pedidos pode fazer algumas das seguintes coisas: interagir brevemente com você usar sons para se acalmar ou se concentrar “ecoar” algumas palavras para se acalmar ou se concentrar tentar pegar as coisas que ela quer comunicar-se principalmente quando precisa de algo, conduzindo ou puxando a sua mão para pedir coisasque ela quer. pedir que você continue uma Brincadeira com Gente do tipo físico, como Cócegas ou Pega-pega, através do contato ocular e/ou sorriso e/ou movimentos de corpo e/ou sons. seguir comandos conhecidos ocasionalmente, se conseguir entender o que tem que fazer entender as etapas de rotinas conhecidas A criança que está no estágio de Comunicação Básica é capaz de usar o mesmo gesto, som ou palavra de forma constante para pedir coisas que gosta ou para dizer que quer continuar a brincadeira depois que ela começou. 34 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 35 A criança que está no estágio de Comunicação Básica começou a usar gestos, sons, figuras ou palavras específicas para pedir coisas em situações muito motiva- doras, como pedir brinquedos ou comidas preferidas. Quando a criança que está no estágio de Comunicação Básica começa a com- partilhar sues interesses, olhando para alguma coisa e em seguida olhando de volta para você, ela desenvolveu atenção compartilhada, um grande avanço no aprendi- zado da comunicação. César compartilha com o pai seu interesse pelo porco de brinquedo. O que esperar que uma criança no estágio de Comunicação Básica faça: interagir com você e com pessoas conhecidas em situações conhecidas brincar Brincadeiras com Gente por mais rodadas e brincar com você por mais tempo pedir que você continue algumas Brincadeiras com Gente corporais prediletas, tais como Cócegas e Pega-pega, usando as mesmas ações, sons ou palavras toda vez que vocês brincarem em algumas situações, repetir o que você diz, para pedir ou responder (usar ecolalia imediata) fazer pedidos intencionais por coisas motivadoras (por exemplo, comida, brinquedos, Brincadeiras com Gente do tipo corporal, ajuda) usando figuras, gestos ou palavras começar a protestar ou recusar usando a mesma ação, som ou palavra ocasionalmente usar movimentos de corpo, gestos, sons ou palavras para obter sua atenção ou mostrar algo a você. entender frases simples e familiares entender os nomes de objetos e pessoas familiares sem dicas visuais dizer “oi” e “tchau” responder perguntas do tipo Sim ou Não, “O que é isto?” e fazer escolhas (veja o Capítulo 4, páginas 124-125) César faz o sinal com a mão e repete a palavra “abrir”, para pedir uvas passas. Marcos dá ao pai uma figura para pedir bolinhas de sabão de verdade. Quando seu filho está no estágio de Comunicação Básica, suas interações so- ciais duram mais. Sua comunicação é mais intencional, embora ainda se comunique principalmente para pedir que você faça coisas para ele. Nesta fase, entendeu que pode usar a mesma forma de comunicação – gestos, sons, figuras ou palavras – em certas situações. Por exemplo, ele sempre pode pedir por suco ou seu vídeo favorito entregando uma figura ou dizendo uma palavra. Mas pode continuar a puxar ou conduzir você para outras coisas, como passear. Uma criança no estágio de Comunicação Básica pode começar a “ecoar” mui- tas coisas que ouve, às vezes para comunicar algo. Entende muito do que você diz, se tiver pistas visuais e se você usar frases simples e curtas. Quando por fim ele iniciar as interações – chamando o seu nome, apontado para algo que quer mostrar e alternando o olhar entre você e aquilo em que está interessado – a co- municação de duas vias está começando! 36 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 37 O Estágio de Parceria Fábio é um Parceiro de comunicação e brincadeira. Gosta de interações com outras pessoas e é capaz de estabelecer conversas curtas sobre seus próprios interesses. Apesar disso, suas conversas frequentemente são interrompidas porque ele não entende o que as outras pessoas estão dizendo ou porque não consegue se lembrar das palavras que precisa usar. Quando isto acontece, costuma se valer da repetição do que alguém acabou de dizer. O Parceiro é um comunicador mais efetivo do que crianças em outros estágios. A menos que tenha dificuldades na produção da fala, consegue falar e conduzir conversas simples. Também consegue falar sobre o passado e o futuro, como o que fez na escola ou o que quer no seu aniversário. Às vezes, crianças no estágio de Parceria não conseguem produzir suas próprias palavras, mas utilizam palavras ou frases memorizadas. Isto acontece mais freqüentemente em situações não familiares e quando não entendem tudo o que está sendo dito. Quando uma criança que está no estágio de Parceria se comunica sobre seus próprios interesses, ela não tem dificuldades. Contudo, em situações não conheci- das, geralmente acha difícil captar as regras da conversa. Por exemplo, pode não considerar se o que diz faz sentido para o ouvinte. Pode começar uma conversa com “Eu fui lá”, sem perceber que o ouvinte não tem idéia de onde é “lá”. Ou pode começar uma conversa sempre com a mesma frase memorizada, por exemplo, “De que cor é o seu carro?” ou um verso da sua música preferida. Uma criança no estágio de Parceria gosta de brincar com você e com outras crianças, mas às vezes brinca sozinha porque não tem certeza do que fazer e dizer, principalmente em brincadeiras imaginativas. Ela se sai muito melhor em brinca- deiras corporais, como correr ou balançar, ou em jogos estruturados nos quais possa aprender as regras. Uma criança no estágio de Parceria pode fazer algumas das coisas abaixo: participar em interações mais longas com você ser mais bem sucedida em participar com outras crianças nas brincadeiras com rotinas conhecidas usar palavras ou outro método de comunicação para: . pedir . protestar . cumprimentar . chamar sua atenção para algo . fazer e responder perguntas começar a usar palavras ou outro método de comunicação para: . falar sobre o passado e o futuro . expressar sentimentos . fazer de conta construir suas próprias frases ter conversas breves às vezes consertar ou corrigir o que ela diz quando alguém não a entende entender os significados de uma série de palavras diferentes A comunicação entre um Parceiro e outra pessoa pode se romper quando a conversa for muito complicada para ele. 38 Capítulo 1 A criança no estágio de Parceria pode ainda mostrar dificuldades na comunicação. Ela pode: resistir a brincar com outras crianças quando não souber o que fazer, como em brincadeiras imaginativas, que dependem de linguagem e faz de conta usar ecolalia quando não entende o que alguém está dizendo ou quando não consegue construir suas próprias frases ter dificuldade em participar de conversas. Ela pode: . responder aos outros, mas não iniciar conversas por conta própria . tentar manter a conversa dentro de seus assuntos preferidos . cometer erros gramaticais, principalmente com pronomes, como “você”, “eu”, “ele” e “ela” . confundir-se quando a conversa fica complexa e as pessoas não falam diretamente para ela ter dificuldade com as regras de conversação. Ela pode: . não saber como começar e terminar uma conversa . não ouvir o que outra pessoa diz . não permanecer dentro do assunto . não acompanhar o que está sendo dito de forma apropriada (por exemplo, não pedir que as pessoas esclareçam o que disseram quando não entender) . dar informação demais ou insuficientes não captar regras sociais sutis que a outra pessoa está enviando através de expressões faciais e linguagem corporal entender errado ironias ou jogos de palavras, porque interpreta literalmente o que as pessoas dizem Um Parceiro freqüentemente quer brincar com outras crianças, mas não sabe como pedir. Embora a forma de você interagir com seu filho dependa da sua personalidade e da dele, há alguns papéis comuns que todos os pais tendem a assumir. Vamos dar uma conversada sobre esses papéis, quando eles são úteis para a aprendizagem do seu filho e quando não são. O Papel do “Ajudante/Professor” Quando seu filho parece não saber como fazer coisas ou não consegue se comunicar, é natural querer ajudá-lo.Mas se você fizer as coisas para seu filho sempre, ele não terá a oportunidade de mostrar que consegue fazer mais do que você poderia esperar. Perceba Como Você Afeta a Comunicação do Seu Filho Seu filho pode ser capaz de fazer mais do que você pensa. 40 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 41 Muitas vezes, contudo, principalmente se estiver no estágio de Interesses Pró- prios, seu filho pode não entender o que você espera que ele faça. Nesses casos, vai precisar que você seja o seu “Ajudante”. A Regra do Ajudante A “Regra do Ajudante”, a seguir, vai ajudá-lo a identificar quando convém ser o Ajudante de seu filho, e o que você pode fazer para dar a ajuda que ele precisa: Peça uma vez e espere. Peça de novo, acrescentando ajuda. Peça para seu filho fazer algo e espere a resposta. Se não responder, peça de novo. Ao mesmo tempo, guie-o delicadamente para fazer o que você pediu. Veja como a mãe de Érico usa a “Regra do Ajudante” para ajudá-lo a vestir a camisa. Após uma semana, a mãe de Érico ainda precisa pedir-lhe para levantar os braços duas vezes, mas não precisa mais dar tanta ajuda quanto antes. Agora, só precisa tocar o cotovelo dele para lembrá-lo de levantar os braços acima da cabeça. Érico precisa de um pouco de ajuda para responder ao pedido da mãe. A mãe pede uma vez e espera que Érico responda. Quando ele não responde, ela pede de novo, levantando os braços dele acima da cabeça para ajudá-o a vestir a camisa. Depois de um mês, Érico já consegue levantar os braços depois da primeira vez que a mãe pede. 42 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 43 O Papel do “Não Perturbe” Se o seu filho não se mostra interessado em interagir com você e raramente deman- da sua atenção, é tentador acreditar que é o seu jeito de mostrar independência. Em- bora todas as crianças precisem mesmo de tempo para elas mesmas, é importante que seu filho aprenda a interagir, coisa que não poderá fazer sozinho. Persista nas tentativas de se juntar ao seu filho no que ele estiver fazendo. Por exemplo, se ele está assistindo televisão sozinho, sente bem ao lado no sofá. Ou se ele está brincando com um barbante, tente puxar o barbante até obter sua atenção. Ele pode ficar bravo e empurrar você; mesmo assim, isto é preferível a não haver interação. Depois que começar a interagir mais com seu filho, pode ser que enfim ele perceba que brincar pode ser mais divertido se você estiver junto. (Para mais sugestões de como se juntar ao seu filho, veja o Capítulo 3). O Papel do “Atarefado” Às vezes a vida parece uma corrida contra o relógio. Pense em todas as coisas que tem que fazer de manhã: levantar-se, tomar banho, vestir seu filho, fazer café da manhã, fazer as camas, levar o cachorro para passear, etc. Você provavelmente vive correndo para cumprir sua agenda. Todos esses momentos apressados são momen- tos nas quais seu filho poderia estar aprendendo algo. Se, por um lado, nem sempre é possível diminuir o ritmo, por outro, cinco minutos extras no café da manhã ou quando estão se vestindo podem fazer a diferença. Lembre-se que seu filho precisa de mais tempo para entender o que está acon- tecendo à sua volta e para pensar sobre o que deve fazer ou dizer. Ele aprenderá melhor quando você “parar de apostar corrida e diminuir o ritmo”! Em vez de deixar seu filho “fazendo as coisas dele”... ...tente fazer coisas juntos. Diminua o ritmo e dê a seu filho a chance de se comunicar com você. 44 Capítulo 1 Saiba mais sobre a comunicação de seu filho 45 O Papel do “Parceiro” O Papel do “Animador” Seu filho aprende muito quando você é parceiro dele na brincadeira. Você e seu filho provavelmente brincam juntos, como de Cócegas ou Achou! Mes- mo quando você não está ensinando habilidades específicas ao seu filho durante essas brincadeiras, ele está aprendendo muito sobre comunicação por ter você como “Parceiro” de brincadeira. Conforme seu filho entende mais e se torna um comunicador mais capaz, pre- cisará de menos orientações suas. Em outras palavras, quando ele consegue fazer e falar mais, você pode fazer e falar menos! Se fizer perguntas e sugestões demais, poderá inibir seu filho a iniciar suas próprias conversas. Quando você está no papel do Parceiro, deixe seu filho conduzir e responda ao que ele fizer. Como pai ou mãe, você geralmente é um bom animador. Todas as crianças se beneficiam de um “oba!” e um abraço. Quando você recom- pensa as tentativas de seu filho de entender e se comunicar, aumenta a chance de que ele tente de novo. Mas a forma de fazer o elogio também é importante. Por exemplo, quando seu filho bebe todo o leite, você pode dizer “Muito bem!”. Embora seu filho perceba que você está feliz, pode não entender o que as palavras “muito bem” signifi- cam. Faça um elogio descritivo que diga exatamente por que está fazendo festa para ele. Depois que ele terminar o leite, diga algo como “Oba! Tomou todo o leite!”. Assim, ele consegue fazer a conexão entre suas palavras e as ações dele. 46 Capítulo 2 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho No capítulo anterior, falamos sobre as preferências sensoriais, o estilo de aprendiza- gem e o estágio de comunicação, bem como sobre o seu papel na comunicação de seu filho. Agora você está preparado para definir algumas metas. Se o seu filho não fala, é provável que você queira ensinar-lhe algumas pala- vras. E, se ele já fala, é provável que esteja ansioso para que ele comece a participar de conversas. Mas essas duas metas – falar e conversar – só podem ser atingidas dando pequenos passos. As informações da primeira parte deste capítulo ajudam você a definir expec- tativas realistas para seu filho. A segunda parte do capítulo oferece sugestões para começar a ajudar seu filho a atingir suas metas de comunicação. Contudo, esteja atento, pois pode confundir seu filho com o elogio. Imagine-se contando algo importante para uma amiga e que, no meio da conversa, ela dissesse “Muito bem, você falou!”. Você provavelmente acharia estranho sua amiga interrompê-lo e poderia esquecer sobre o que estava falando. Seu filho pode ficar meio confuso se você interromper com elogios as tentativas dele de se comunicar. Em vez de interromper a comunicação de seu filho com palavras que ele pode não entender... ... tente recompensá-lo com uma resposta direta ao que ele está tentando comunicar. Resumo Na primeira parte deste capítulo falamos de fatores que afetam a comunicação de seu filho. O que ele gosta e não gosta, suas preferências sensoriais e seu estilo próprio de aprendizagem afetam igualmente a sua comunicação. Além disso, essas características permitem que você identifique maneiras de começar a ajudá-lo. Na segunda parte deste capítulo, você determina o estágio de comunicação do seu filho, baseado na sua habilidade de interagir, na forma como se comunica, nos motivos pelos quais se comunica e na compreensão dele. Ao saber o estágio de co- municação do seu filho, pode dar a ele o tipo de ajuda que funciona melhor. Você – pai ou mãe – pode assumir diferentes papéis com seu filho, dependendo da sua personalidade, da personalidade dele e da situação. Ao observar mais de perto seu filho e a si mesmo, achará o caminho para que vocês se comuniquem. Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 49 Meta 2: Novas formas de comunicação Como você viu no capítulo 1, aprender a se comunicar acontece gradativamente. Embora crianças com TEA não desenvolvam suas habilidades de comunicação da mesma maneira que a maioria das crianças, elas certamente seguem um padrão particular de aprendizagem e crescimento. Ajude seu filho a progredir: puxar e conduzir você para o que ele quer... ... a usar figuras... ...ou gestos. Depois, se ele puder, progredir de usar figuras ou gestos... Defina quatro metas Você não pode trabalhar com as quatro metas ao mesmo tempo. Em umdia pode se concentrar na forma como seu filho se comunica, quem sabe ajudando-o a pro- gredir do uso de gestos para o uso de palavras. Em outro dia pode estimulá-lo a se comunicar por outros motivos, além de simplesmente pedir coisas. Contudo, você pode incluir as metas de “interação” e “compreensão” em tudo o que fizer com seu filho. Precisa ajudá-lo todos os dias a entender a relação entre o que você diz e o que está acontecendo. E precisa tentar diariamente estabelecer uma interação de mão dupla com ele. Lembre-se: “a interação inicia a comunicação”. Meta 1: interação com você e com outras pessoas Quando você ajuda seu filho a interagir, ele: descobre o prazer em fazer coisas com você e com outras pessoas entende que, ao fazer alguma coisa, pode exercer um efeito sobre você e sobre outras pessoas aprende que comunicação é um jogo de mão dupla. Incentive seu filho a interagir com você em tudo o que fizerem juntos. Seu filho será um comunicador eficiente se você ajudá-lo a atingir estas quatro metas: interagir com você e com outras pessoas comunicar-se de novas formas comunicar-se por novos motivos entender a conexão entre o que você diz e o que está acontecendo ao redor dele 50 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 51 Escolha uma forma para seu filho se comunicar Como viu no Capítulo 1, a primeira razão pela qual seu filho começa a comunicar-se é para pedir coisas, puxando e conduzindo você em direção a elas. O próximo passo a ensinar é uma forma simbólica mais efetiva de fazer esses pedidos não verbais. Você pode ensinar seu filho a: usar figuras, apontar, ou usar sinais Usando figuras O Picture Exchange Communi- cation System (PECS - sistema de comunicação por troca de figuras) ou Troca por Figuras, desenvolvido por Lori Frost e Andrew Bondy, do Delaware Autistic Program, ensina seu filho a pedir coisas que ele quer, trocando a figura pela coisa em si. Através da troca por figuras, seu filho desenvolve pensamento simbólico - aprende que uma figura, da mesma forma que uma palavra, pode representar a coisa real. A troca por figuras também tem a vantagem de forçar seu filho a interagir com você. ...para usar sons com ou sem figuras ou gestos... ...até dizer tudo sozinho. 52 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 53 Apontando Se o seu filho já se comunica intencionalmente, apon- tar para figuras é uma alternativa à troca por figuras. Mas se ainda não alterna o olhar entre você e o que ele quer, não deve ensiná-lo a apontar como forma de pedir. Algumas crianças aprendem primeiro a trocar por figuras, e depois passam a apontar. Usando sinais Seu filho também pode se comunicar através de sinais. Este método de comunicação não é muito usado para crianças com TEA, por que copiar sinais pode ser difícil para crianças com dificuldades de planejamento motor. Contudo, às vezes, aprender um ou dois sinais pode ajudar seu filho a transmitir mensagens importantes nos primeiros estágios da comunicação. Você pode ensinar sinais específicos para algumas coisas que ele costuma querer com freqüência, como “biscoito” ou “suco”. Ou pode ensinar sinais mais genéricos, como “mais” e “acabou”, que podem ser usados em muitas situações. Se você está inseguro quanto ao que deve ensinar, consulte um fonoaudiólogo (es- pecialista em comunicação e linguagem) ou um educador que conheça esses métodos. Usando uma combinação de métodos Quando seu filho está começando a se comunicar, você pode usar uma combinação desses métodos. Por exemplo, ele pode dar figuras para pedir algumas co- midas favoritas e fazer um sinal para pedir “mais”. Meta 3: comunicar-se por novos motivos Se o seu filho ainda não se comunica intencionalmente, você pode tentar transformar o que ele está fazendo em comunicação intencional. Se ele está tentando alcançar os brinquedos por conta própria, ensine-o a pedir ajuda para pegar o brinquedo. Assim que conseguir fazer alguns pedidos, incentive-o a fazer mais. Se ele só pede biscoitos ou só pede para ser pego no colo, arme situações onde possa pedir por vários brinque- dos, comidas e atividades. (Nas páginas 68-74 há sugestões de como criar situações que incentivem seu filho a fazer pedidos). Depois, ajude-o a avançar, criando oportunidades de se comunicar por outras razões: além de responder uma pergunta ou dizer “Oi”. Assim que ele dominar essas novas habilidades de comunicação, crie mais situações nas quais possa praticá-las. Este é o sinal de “mais”. No estágio inicial da Troca por Figuras, seu filho precisa de ajuda física para aprender a trocar uma fi- gura por alguma coisa que ele quei- ra, como um biscoito ou um brin- quedo. Gradualmente, aprenderá a trocar algumas figuras sem nenhu- ma ajuda. Nas primeiras fases, seu filho não precisa reconhecer figuras. O foco está na troca. Seu filho pode resistir à troca porque tem dificuldades para segurar a figura na mão. Ou pode simplesmente não estar interessado na figura. Neste caso, em vez de usar figuras, você pode decidir ensiná-lo a trocar objetos por coisas que ele quer. Por exemplo, pode dar a você um copo quando quiser beber. (Trocas por figuras e por objetos são explicadas com mais detalhes no Capítulo 7, página 233). Gustavo mostra à mãe que quer beber, entregando-lhe seu “copo especial”. 54 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 55 ... para comunicação de interesses compartilhados. Meta 4: Entendendo a conexão entre o que você diz e o que está acontecendo no mundo do seu filho A única forma de ajudar seu filho a entender o que você diz é fazer com que suas palavras façam sentido para ele. Ele precisa se familiarizar com as pessoas, objetos e ações em uma situação antes de poder entender o sentido das suas palavras. Pa- lavras fora do contexto não têm significado. Para entender, seu filho precisa par- ticipar ativamente das situações nas quais as palavras são usadas e ouvir diversas vezes as palavras associadas com estas situações. Quando ele tiver aprendido o significado de uma palavra em uma situação espe- cífica, você pode mostrar-lhe como a palavra pode ser usada em diferentes situações. Por exemplo, seu filho pode entender que o líquido laranja que você põe no copo dele é chamado de “suco”. Contudo, pode não perceber que há diferentes tipos de suco. Ou pode pensar que todas as bebidas são chamadas de “suco”. Você não pode pressupor que ele entenda coisas que não explicou. Ajudar seu filho a entender o que você diz geralmente significa não priorizar que ele fale. Exigir a fala pode fazer com que ele tenha dificuldade em se concentrar na compreensão do que acontece. (Veja no Capítulo 6 mais sobre ajudar seu filho a entender a fala). Para seu filho entender o significado das palavras, precisa ouvir as palavras correspondentes às coisas que o interessam na vida cotidiana. Ajude seu filho a progredir da comunicação pré- intencional... ... para a comunicação intencional. De pedidos... ... para comunicação social... No Capítulo 1, também falamos sobre o estilo de aprendizagem de seu filho, que indica como ele adquire informações. Sabendo a forma como seu filho aprende melhor, você pode ajustar sua maneira de dar informações, e se adaptando às ne- cessidades dele. A maioria das crianças com TEA aprende melhor quando usam memórias de rotina. Para elas, é mais fácil memorizar rotinas quando as coisas têm uma deter- minada ordem, que seja constante. Para ajudar seu filho a usar a memória de rotina, planeje as rotinas diárias e brincadeiras de forma que tenham um padrão previsível. Assim, seu filho consegue memorizar as palavras e as ações que acompanham essas situações. Conforme ele se familiarizar com o que está acontecendo, sua compreen- são do que aprendeu melhorará. (Os Capítulos 5 e 8-12 ajudarão você a acrescentar estrutura às atividadesde seu filho). Para seu filho, letras e números são fáceis de memorizar decorando: então, lembre-se de incluir letras e números nas atividades que fizerem juntos. Conte ou fale o nome de letras do alfabeto junto com seu filho. Se o seu filho é um aprendiz gestalt, aprenderá a falar pela repetição de tre- chos inteiros das coisas que ouvir. Então, lembre-se que ele repetirá o que você disser exatamente como disser. Você pode aproveitar o estilo de aprendizagem dele dizendo coisas “como ele diria, se pudesse”. (O Capítulo 3, páginas 95-101, traz ex- plicações de como ensinar aprendizes “gestalt”). Se o seu filho é um aprendiz visual, dê dicas visuais para ajudá-lo a entender as coisas que ouve. Aponte para as coisas sobre as quais vocês estão falando. Exage- re suas expressões faciais e use vídeos para ajudar seu filho a dar sentido ao mundo dele. (Veja mais informações sobre como ajudar seu filho com dicas visuais no Capítulo 7). Se o seu filho aprende pelo tato, use aprendizagem mão na massa para ensinar novas palavras a ele. Se ele gosta de pressio- nar os botões do rádio do carro, use isto como uma oportunidade para ajudá-lo a entender “ligado” e “desligado”, por exemplo. Luana gosta de contar, então a mãe entra na brincadeira e conta junto. Use o estilo de aprendizagem de seu filho para atingir as metas dele No Capítulo 1, falamos sobre as coisas que seu filho gosta: as comidas, brinquedos, pessoas, imagens, sons, odores, texturas e movimentos. Você deve ter preenchido as listas de verificação de preferências nas páginas 10-13 e agora tem muitas informa- ções para ajudar seu filho. Use as preferências de seu filho para alcançar as metas dele O pai sabe que Guilherme gosta de correr,... ... por isso transforma a correria solitária do filho em uma brincadeira para dois! Quando você sabe as coisas que seu filho gosta, sabe quais palavras ele precisa aprender para pedi-las. Esta mãe pensa que “caminhão” será uma das primeiras palavras do filho, porque prefere caminhões aos outros brinquedos. Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 59 Arme situações para seu filho se comunicar intencionalmente, começando com pedidos Incentive seu filho a progredir da comunicação pré-intencional para a comunicação intencional. Vamos ver como a mãe da Renata faz. No começo, Renata não faz idéia de que enviando uma mensagem para seus pais consegue que eles abram a porta. Tenta abrir a porta por conta própria... Ensine seu filho a participar usando movimentos de corpo, contato ocular, sorrisos e sons, nas brincadeiras corporais e sensoriais preferidas A palavra “participar” descreve qualquer coisa que seu filho faz – ele pode olhar para você, fazer um gesto, fazer um som ou dizer uma palavra – para mostrar a você que ele está participando da interação. As primeiras vezes que seu filho usa a vez dele para se comuni- car podem ser em brincadeiras “brutas”, nas quais ele usa todo o corpo e obtém sensações agradáveis. Os olhares e sorrisos dele mostram que está se divertindo e quer continuar. No começo, as brincadeiras não duram muito. (No Capítulo 5, veja as brincadeiras que você pode fazer e como fazê-las). Quando Renata e sua mãe pulam juntas, não se alternam, no começo. Só pulam, até que a mãe finalmente diga “Parou!”. Renata acha isso divertido; ri e olha para a mãe antes de recomeçar a pular. As gargalhadas e o contato ocular são as formas dela participar. Aumente a compreensão que seu filho tem das atividades, para que ele possa começar a responder ao que você diz Seu filho ainda não entende palavras, mas se você continuar fazendo coisas com ele da mesma maneira, começará a antecipar o que vai acontecer. Então, suas palavras começarão a fazer sentido para ele. Quando Renata começa a pular com a mãe, não sabe o que fazer quando a mãe diz “Parou!”. A mãe tem que mostrar a ela. Mas se elas brincarem de pular de novo amanhã e depois de amanhã, Renata vai enfim entender como a atividade funciona. Logo entenderá, também, o que a palavra “Parou” significa. ...mas quando a mãe fica cara a cara com ela e lhe estende a mão, Renata vê que é fácil obter ajuda. Quando você identificou o estágio de comunicação de seu filho no Capítulo 1, des- cobriu em qual estágio ele está: Interesses Próprios, Pedidos, Comunicação Básica ou Parceria. Identificar o estágio de seu filho dá informações sobre como ele interage com você e com as outras pessoas, como e por que já se comunica e a habilidade dele de entender o que você diz. Você tem informações sobre o que ele consegue e o que não consegue fazer. Com este conhecimento, pode definir metas especialmente para ele, desenvolvendo suas habilidades de comunicação um passo de cada vez. Metas para a criança no estágio de Interesses Próprios Mantenha seu filho ligado em interações divertidas com você, usando Brincadeiras com Gente do tipo corporal Interação é a meta mais importante se o seu filho está no estágio de Interes- ses Próprios. Você quer que ele des- cubra o quanto pode se divertir com você e quanta influência pode exercer quando se comunica diretamente com você. Ajude seu filho neste estágio a descobrir a alegria de estar com você, juntando-se a ele nas coisas que ele gosta de fazer. Renata não interage com seus pais com muita freqüência. Para manter uma interação com a filha, seus pais precisam se aproveitar de coisas que ela gosta de fazer – como pular quando fica animada. A mãe ajuda Renata a descobrir que é mais divertido pular com a mamãe do que pular sozinha. Estabeleça metas para seu filho com base no seu estágio de comunicação 60 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 61 Ajude seu filho a substituir o puxar e o conduzir por gestos, figuras, sons ou tentativas de dizer palavras Rafael puxa seus pais para mostrar-lhes que quer os biscoitos que estão no armário. Agora, seus pais precisam mostrar a ele como pedir biscoitos usando uma figura. O pai de Rafael o ajuda a deixar de puxá-lo e lhe dar uma figura para pedir um biscoito. Aumente o número de coisas que seu filho pede Se o seu filho só sabe pedir uma ou duas coisas, você precisa experimentar desco- brir o que mais ele pode querer. Pode descobrir que ele não está pedindo por nada porque, no seu papel de “Ajudante”, você tem antecipado suas necessidades. Na segunda parte deste capítulo, há muitas idéias que podem encorajar seu filho a fazer mais pedidos. Ajude seu filho a entender várias palavras conhecidas Descreva o que seu filho está fazendo para ajudá-lo a entender o significado das palavras. Quando seu objetivo principal é ajudar seu filho a entender as palavras, não o pressione a falar. Incentive seu filho a fazer as mesmas brincadeiras com outras pessoas conhecidas, como irmãos e avós Assim que seu filho conseguir brincar de algumas brincadeiras corporais com você, incentive-o a brincar com outras pessoas, para que ele possa generalizar o que aprendeu. Quando generaliza suas habilidades, seu filho usa as coisas que aprendeu com você para brincar com outras pessoas. Diga aos novos “companheiros” como é feita a brincadeira e o que seu filho consegue fazer durante ela. Metas para a criança que está no estágio de Pedidos Ajude seu filho a usar uma ação ou um som para fazer com que você continue uma brincadeira corporal, como Cócegas ou Pega-pega. A interação entre você e seu filho no estágio de Pedidos geralmente é melhor em Brincadeiras com Pessoas do tipo corporal, como Cócegas, Achou!, Pega-pega e Pular. Essas brincadeiras em geral são rápidas, porque seu filho tende a perder in- teresse rapidamente. Às vezes, pede claramente para você continuar a brincadeira usando um gesto, som ou ação, às vezes não faz. Ajude-o a aprender a participar de forma consistente e brincar por mais tempo. Lembra do Rafael, o menino do Capítulo 1, que gosta de cócegas? Ele mostra que quer mais cócegas puxandoa mão do pai em direção à sua barriga. Agora, Rafael precisa aprender a acrescentar som à sua ação. Depois de ter brincado essa brincadeira várias vezes, Rafael começa a usar um som quando puxa a mão do pai para ganhar cócegas. 62 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 63 Ajude seu filho a aumentar o uso de gestos, sinais, figuras ou palavras para fazer pedidos em novas situações César sempre pede à mãe para abrir a caixa de uvas passas dizendo a palavra “abrir” e fazendo um sinal manual. Da mesma forma, sempre pede para começar a brincadeira de Pega-Pega dizendo “Um, dois, três e já!”. Seus pais querem que ele aprenda que as palavras “abrir” e “Um, dois, três e já!” podem ser usadas em outras situações. César faz o sinal e diz “abrir” para pedir sua guloseima preferida,... ... então o pai o incentiva a usar o mesmo sinal e a mesma palavra para pedir que abra a porta do carro. Metas para a criança que está no estágio de Comunicação Básica A interação entre você e seu filho está ficando mais fácil e durando mais tem- po, principalmente em músicas e brin- cadeiras “brutas”. Ensine seu filho a participar de forma consistente com você e com outras pessoas nas Brincadeiras com Gente do tipo corporal. Lembra do César, do Capítulo 1, que adora ser perseguido pelos pais? César sabe que pode começar a brincadeira dizendo “Já!” depois que seus pais dizem “Um, dois, três e...”. A brincadeira só começa depois que César faz a sua parte. Incentive seu filho a começar algumas brincadeiras corporais em vez de esperar que você o faça Depois de César já ter brincado de “Um, dois, três e já!” várias vezes com a mãe, o próximo passo é que ele inicie a brincadeira com o irmão mais velho, Alessandro. A mãe ajuda, segurando César enquanto Alessandro foge. Querendo começar a brincadeira, César diz “Um, dois, três e já!” e começa a perseguição. Incentive seu Comunicador Básico a começar suas brincadeiras preferidas e a brincar com outras pessoas conhecidas, além de você. 64 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 65 Agora que César já sabe pedir diversas comidas e atividades constantemente, sua mãe quer que ele se comunique por outras razões. Então, tenta criar uma situação que surpreenda o filho e o incentive a fazer algo novo. Quando a mãe tira uma cenoura da caixa de biscoitos, César sem dúvida fica surpreso. Mas é sua mãe quem fica mais surpresa quando César vê a cenoura e diz “Não!” pela primeira vez. César sabe que o lugar da cenoura não é na caixa de biscoitos! Ajude seu filho a entender palavras e frases conhecidas e seguir instruções simples Uma criança que está no estágio de Comunicação Básica já aprendeu a atribuir sig- nificado a diversas palavras. Para aumentar sua compreensão, você precisa destacar as palavras e conectá-las a objetos e pessoas reais. (Veja o Capítulo 6: “Ajude Seu Filho a Entender o que Você Diz”) Ajude seu filho a melhorar a forma de se comunicar, fazendo o seguinte: transformando “ecos” em fala espontânea transformando gestos em comunicação através de sinais, fala ou figuras transformando comunicação através de figuras em comunicação verbal transformando comunicação verbal em frases curtas Sempre que Marcos troca uma figura por bolinhas de sabão, seu pai diz “Bolinhas!”. Depois de ouvir a palavra diversas vezes, Marcos dá a figura e diz a palavra também! Ajude seu filho a se comunicar por diversas razões, não apenas para obter o que quer. Incentive-o a: recusar e protestar responder perguntas (Perguntas para o Comunicador Básico, como escolhas, perguntas do tipo Sim/Não e “O que é isto?” – são tratadas no Capítulo 4) cumprimentar e dizer “tchau” para as pessoas alternar o olhar entre você e algo em que ele esteja interessado chamar sua atenção para alguém ou algo comentar sobre coisas diferentes ou preferidas 66 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 67 Ajude seu filho a se comunicar por muitas razões É provável que seu filho cumprimente você, faça comentários sobre o que vê, cha- me seu nome para conseguir atenção, faça e responda perguntas simples e diga quando não quer uma coisa. Agora, o desafio é fazer essas coisas com outras pes- soas, em outras situações. Também precisa se comunicar sobre outras coisas, além das que estão acontecendo no momento. Incentive-o a: responder perguntas do tipo “O que”, “Quem” e “Onde”, e as abertas como “Por que você está triste?” ou “Como você se machucou?” (veja o Capítulo 4, páginas 124-127) falar sobre o passado, o futuro e sentimentos fazer de conta Ajude seu filho a conversar Conversas curtas e simples sobre coisas conhecidas são fáceis. A conversa morre quando seu filho não entende o que está sendo dito ou não consegue pensar no que dizer. Uma criança no estágio de Parceria precisa aprender: a começar e terminar uma conversa a permanecer dentro do assunto que os outros nem sempre entendem o que ele quer dizer e que pode ter que mudar o que diz que deve pedir esclarecimento quando não entender algo Ajude a melhorar a compreensão do seu filho O “parceiro” entende quando você fala sobre coisas que pode ver. Precisa também en- tender quando fala de coisas que ele não pode ver ou de conceitos abstratos, como: o passado e o futuro sentimentos (feliz, triste, bravo etc.) comparações (maior, mais quente etc.) como se comportar ou solucionar problemas pontos de vista de outras pessoas perguntas que exigem que se pense além do aqui e agora (como, “Por que você está fazendo isto?” ou “Como você sabe que ele está triste?”) Ajude seu filho a ser bem sucedido ao se comunicar com outras crianças Seu filho pode ainda preferir adultos, porque não está seguro quanto ao que fazer e dizer ao brincar com crianças. Nem sempre as crianças gastam o tempo e o esforço necessários para facilitar a participação do seu filho. Ele se sairá melhor se praticar algumas brincadeiras com você antes de tentar brincar com outras crianças. (Veja mais sobre esse assunto no Capítulo 12). Metas para a criança no estágio de Parceria Fábio está no estágio de Parceria. É um menino simpático que consegue manter conversas curtas. Gosta de estar com outras crianças e fica feliz quando Júlia, uma menina mais velha que encontra no parque, se aproxima. Contanto que a conversa permaneça simples, Fábio consegue participar. Mas se Júlia usa frases mais longas, a conversa “morre”. A meta do pai é que Fábio entenda o que Júlia diz, para que possa responder. Veja como o pai de Fábio o ajuda a alcançar essa meta. ... então seu pai o ajuda, simplificando a pergunta e apontando para a coisa sobre a qual a Júlia estava falando. Ajude seu filho a mudar a forma de se comunicar Quando o pai ajudou Fábio a entender a pergunta de Júlia, também o ajudou a usar suas próprias palavras, em vez de repetir as de Júlia. Neste estágio, incentive seu filho a: substituir a “ecolalia” pelas suas próprias palavras (conforme a compreensão de seu filho aumenta, a ecolalia dele diminui) usar sentenças e palavras corretas em uma conversa usar uma figura ou um sistema de computador, se não conseguir falar. Fábio não entende a pergunta de Júlia... Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 69 Ponha algo que seu filho goste muito, como um doce ou um carrinho de brinquedo, em um recipiente transparente que seja difícil de abrir ou um pote de plástico com uma tampa de rosca. Renata não consegue abrir o pote para pegar suas balinhas prediletas,... ... então pede ajuda da mãe. É tentador colocar tudo o que seu filho precisa ao alcance dele: os brinquedos preferidos na prateleira mais baixa ou a comida predileta na beira do balcão da cozinha. Mas se ele não enfrentar nenhuma dificuldade para conseguir o que quer, também não terá razões para se comunicar. Você precisa arquitetar situações para incentivar a comunicação. As seguintes sugestões*ajudarão você a montar situações para induzir seu filho a interagir e se comunicar por diversas razões – pedir, recusar, cumprimentar, comentar e fazer escolhas. Estas sugestões servem para crianças de todas as idades. Nos capítu- los subseqüentes deste livro, muitas delas serão discutidas com mais detalhe. Maneiras seu filho pedir Ponha as coisas preferidas dele à vista, mas fora do alcance Ponha a comida preferida do seu filho em uma prateleira alta ou em cima do balcão onde ele possa ver, mas não possa pegar Ponha o brinquedo ou o vídeo preferido do seu filho em uma prateleira que está fora do alcance, mas dentro do campo de visão. A mãe “arquiteta” a situação, colocando o vídeo preferido de Beto na prateleira de cima, na expectativa de que ele peça ajuda quando quiser o vídeo. Dê ao seu filho um motivo para se comunicar e então espere * Adaptado de A Wetherby & Prizant 1989 70 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 71 Os Brinquedos com Gente descritos abaixo podem interessar seu filho. Deixe-o passar algum tempo descobrindo como usar cada brinquedo e espere que ele frustre ou pedir peça sua ajuda. Depois, entre em cena e faça o brinquedo funcionar. Em alguns casos, seu filho descobrirá sozinho como usar o brinquedo. Quando isso acontecer, comemore o sucesso dele com um abraço ou um “Jóia!” e depois encon- tre Brinquedos com Gente diferentes que exijam sua ajuda. Brinquedos de dar corda ou de apertar Um rato que pula ou um trem que anda podem fascinar seu filho. Brinquedos de apertar também são divertidos. Es- ses brinquedos são ativados quando você aperta uma pequena bomba de ar. Faça o brinquedo andar. Quando parar, passe-o para seu filho e espere que ele peça para fazê-lo andar de novo. Bolinhas de sabão Abra um frasco de bolinhas de sabão e sopre algumas. Assim que seu filho começar a olhar ou estourar as bolhas, feche o frasco. Es- pere que ele peça, de alguma forma, para você abri-lo de novo. Ou faça bolinhas para chamar a atenção dele. Faça mais uma bola e pare, segurando a haste em frente da sua boca. Espere que ele peça, de alguma forma, por mais bolinhas. Bexigas Encha uma bexiga e depois esvazie. (Seu fi- lho pode gostar de ver você deixar a bexiga voar enquanto esvazia). Ponha a bexiga na sua boca e espere seu filho pedir, de alguma forma, para você enchê-la de novo. Ou en- cha a bexiga só até a metade. Depois, com ela na boca, espere que seu filho peça de alguma forma para encher mais. Este menino pede à mãe para fazer uma bexiga maior, mostrando à mãe como se sopra. Use Brinquedos Com Gente Brinquedos Com Gente são brinquedos difíceis de operar, como aqueles de dar corda, caixas de música e bolinhas de sabão, que incentivam a interação: seu filho precisa da sua ajuda para fazê-los funcionar. Mesmo que ele aprenda como operar um Brinquedo com Gente sozinho, você precisará mostrar-lhe que é mais divertido brincar com você do que brincar sozinho. Rafael não sabe fazer bolinhas de sabão sozinho. Então empurra a mão do pai em direção à boca, pedindo para que ele faça algumas bolinhas. Brinquedos com Gente precisam de duas pessoas para ficarem divertidos e são interessantes para crianças em todos os estágios. 72 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 73 Crie seus próprios Brinquedos com Gente! Chapéu engraçado Ponha um chapéu engraçado e incentive seu filho a tirá-lo. Depois de fazer isto algumas vezes, po- nha o chapéu e deixe-o difícil de alcançar. Espere que ele peça o chapéu de alguma maneira. Você pode adaptar essa brincadeira usando óculos ou outra peça de roupa que tenha algum apelo, como uma echarpe de pelos macios. Torneiras Uma torneira pode se tornar um Brin- quedo com Gente. Ligue a água e deixe seu filho brincar com ela. Feche-a e es- pere seu filho pedir mais. Espelhos Muitas crianças, principalmente aquelas que são mais visuais, são fascinadas pelo seu reflexo no espelho. Aproveite o interesse de seu filho pelo espelho e brinque de “Achou!”. Segure sua filha longe do espelho dizendo “Cadê a Karen?” e depois, coloque-a na frente do espelho dizendo “Achou!”. Depois de fazer isso algumas vezes, segure-a longe do espelho por mais tempo. Antes de voltar, espere que ela peça ou mostre que quer se ver novamente. Espelhos também são ideais para praticar jogos de imitação: aponte os olhos da mamãe, depois os olhos do seu filho; aponte o nariz do papai, depois o nariz do seu filho. Você pode brincar de qualquer coisa ou cantar uma música na frente do espelho. Este pai transformou- se em um brinquedo! Caixas de música Dê corda na caixa de música e deixe a música tocar. Espere seu filho pedir para você dar corda de novo. Caixinha de surpresa Dê corda na caixinha de surpresa e deixe o palhaço saltar. Espere seu filho pedir outra surpresa. Piões Comece a girar o pião e espere seu filho pedir “mais” quando o pião parar. 74 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 75 Formas de ajudar seu filho a dizer “Não”, “Chega”, “Pronto” ou “Pare” Crianças muito seletivas para a comida praticam bastante a recusa. Ofereça a coisa que ele menos gosta Ofereça uma comida, bebida ou brinquedo que seu filho não goste, para dar-lhe a oportunidade de dizer “Não!”. Deixe seu filho terminar a atividade Espere até que seu filho se canse de uma atividade e depois deixe que diga isso a você, com uma expressão facial, um som ou uma palavra. Por exemplo, continue a empurrá-lo no balanço até ele se cansar, faça uma brincadeira por muito tempo, ou deixe-o brincar com um brinquedo por bastante tempo. Então o provoque mos- trando outra coisa que ele goste. (Aviso: algumas vezes ele vai terminar o que está fazendo muito rápido e outras vezes você vai se cansar antes dele). Ofereça as coisas aos pouquinhos Se você sempre der ao seu filho o que ele quiser, de uma só vez, ele não precisará pedir nada a você. Se der pequenas porções, criará mais oportunidades para que ele comunique suas necessidades a você. Ponha um pouquinho de suco no copo de seu filho e espere que peça mais. Quebre batatas chips e biscoitos em pedaços e dê ao seu filho um pedaço por vez: dê-lhe a chance de pedir outras vezes. Dê um pedaço do quebra-cabeça por vez. Alguns brinquedos são fáceis de dar os poucos, porque têm múltiplas peças. Se der ao seu filho as peças do quebra-cabeça, blocos, Lego ou trilhos de trem um de cada vez, ele terá diversas oportunidades de pedir as coisas que precisa para completar as construções. Se ele tentar pegar a peça do brinquedo da sua mão, esconda o objeto e faça-o aparecer quando pedir. (Dica: lugares bons de esconder brinquedos são dentro da sua manga ou no seu bolso). Dê todos menos um Dê ao seu filho todas as coisas que precisa para uma atividade, menos uma. Segure uma coisa fora do alcance dele, mas à vista, e espere que ele peça. Por exemplo, dê o papel, mas segure o giz de cera, dê a tesoura, mas segure o papel, dê a haste de fazer bolinhas de sabão, mas segure o frasco com o líquido. 76 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 77 Esconda coisas em lugares inesperados Ponha um dos brinquedos preferidos do seu filho na gaveta dele e espere que descubra a surpresa. A mãe espera que Carla mostre a fotografia quando encontrá-la dentro do livro. Fique quieto Folheie alguns livros. Aponte e fale o nome das figuras. Depois, aponte para uma figura e fique quieto. Olhe pela janela com seu filho e mostre-se animado com o que vê. Aponte e diga “Olhe, um caminhão!” “Olhe, um gatinho!”. Na próxima vez que você vir algo interessante, fique animado, mas espere que seu filho aponte e comente. Deixe seu filho ajudá-lo a desembalar as comidas para o lanche. Mostre muito interesse toda vez que tirar algo da sacola, e fale o nome de cada item. Quando chegar a vez da comida preferida do seu filho, espereque ele fique alegre ou fale o nome da comida. Você pode tentar isto no mercado também, dizendo “Olha o macarrão”, “Isto aqui é leite”, “Olha o suco”. Depois, pare na frente da comida preferida de seu filho e espere sua reação. Se acha que ele consegue dizer o nome da comida, ajude-o a começar, dizendo “Olha o...” e espere que complete a frase. Maneiras de Ajudar seu Filho a Aprender a Cumprimentar e Dizer “Tchau” Use fantoches ou bichos de pelúcia Esconda um fantoche ou um bicho de pelúcia embaixo da mesa e de- pois o chame pelo nome (por exem- plo, “Coelhinho!”). Faça o brinquedo aparecer, depois acene para ele, di- zendo “Oi!”. Repita esta ação diver- sas vezes e incentive seu filho a di- zer “Oi!”. Por fim, faça o brinquedo aparecer e espere seu filho acenar e dizer “Oi!” sozinho. Use sua janela Vá para a janela, acene e diga “oi” para todas as pessoas ou carros que passarem. Depois, quando outro carro vier, não diga e não faça nada. Espere seu filho acenar e dizer “oi” por conta própria. Maneiras de Incentivar Seu Filho a Interagir ou Fazer Comentários: Faça o Inesperado Crie rotinas que sejam previsíveis e depois faça uma surpresa Quando seu filho estiver acostumado a fazer algo sempre da mesma maneira, você deve fazer o inesperado! Mudar a rotina incentiva seu filho a reagir à surpresa e, quem sabe, comunicar-se sobre ela. A seguir, algumas idéias para situações cotidianas ideais para surpresas: A mamãe cumprimenta o fantoche diversas vezes, para que Eva saiba exatamente o que fazer quando for a vez dela. 78 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 79 Tente um pouco de “bobeira criativa”! Cometa erros “acidentalmente” Crianças adoram quando seus pais cometem erros. Faça algo bobo e seu filho pro- vavelmente vai prestar atenção. Quando estiver vestindo seu filho, esqueça “aciden- talmente” de uma peça de roupa. Ou vista algo da maneira errada. Seu filho pode reparar em você quando “esquecer” como se coloca o sapato dele. Aproveite os momentos em que as coisas dão errado Se as coisas não saírem como o planejado, use essas situações para obter a atenção de seu filho. Por exemplo, se o jantar dele estiver quente demais, não tire simples- mente e esfrie o prato; faça disto um acontecimento, dizendo “Opa! Muito quente!”. Se você exagerar suas ações, assoprando ou abanando para esfriar a pizza, seu filho poderá achar a situação divertida e querer participar ou fazer algum comentário. Caio tem uma surpresa quando seu pai lhe dá uma peça de Lego em vez de um carrinho. Ofereça algo diferente Brinque com brinquedos que usem diversas peças, como brinquedos de encaixe, quebra-cabeças, copos de empilhar ou blocos. Dê ao seu filho algumas peças, uma por vez. Depois, dê algo completamente diferente ou uma peça que não se encaixa e espere sua reação. Surpresa com cheiro Deixe seu filho cheirar algo que goste, mas que não possa ver. Faça uma expressão alegre e comente. Por exemplo, ponha pizza no forno, inspire o ar de forma exagerada e comente “Hum, pizza!”. Depois de fazer isto algumas vezes, apenas ins- pire o ar e espere seu filho reagir de alguma forma. Surpresa com o tato Ponha a mão do seu filho al- gumas vezes em uma substân- cia fria, molhada ou grudenta, até ter estabelecido um pa- drão. Você pode usar pudim, geleca ou até água. A cada vez, faça uma cara alegre e descreva a sensação (por exemplo: “grudento” ou “molhado”). Depois, ponha a mão do seu filho em uma substância diferente e espere para ver se ele reage. Davi adivinha que a mãe está fazendo sua comida preferida. 80 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 81 Finja que você está quebrada Monte situações nas quais você age como se tivesse dificuldades para fazer as coi- sas. Por exemplo, finja que não consegue ver o que seu filho vê ou que não conse- gue ouvir o que ele ouve. Você pode continuar “quebrada” enquanto seu filho não ficar frustrado demais. Quando a mãe finge que não consegue ouvir a campainha, Fábio tem uma oportunidade de avisar-lhe o que está acontecendo. Quando tudo estiver transcorrendo tranquilamente, faça alguma coisa sair errado Quando a mãe deixa cair o garfo “acidentalmente”, Renato avisa. Finja que não sabe onde as coisas estão Se agir como se não soubesse onde as coisas estão, você e seu filho poderão procu- rar juntos. Ele pode dizer ou fazer algo novo nesta situação incomum. Por exemplo, quando estiver saindo de casa, perceber que não está levando a lancheira, as luvas ou a mochila dele. Quando seu filho pedir algo, como um brinquedo preferido, aja como se o brinquedo tivesse sumido. Exagere sua preocupação e espere pela reação de seu filho. Finja que algo está quebrado, quando na verdade não está. Seu filho espera que tudo funcione. Como vai reagir quando alguma coisa não fun- cionar? Tente colocar a chave na fechadura de ponta cabeça, de forma que ela não entre no buraco. Diga “Opa! A chave quebrou.”. Espere seu filho mostrar como ele se sente nesta situação. 82 Capítulo 2 Defina metas a partir do que sabe sobre seu filho 83 Resumo Veja algumas escolhas para experimentar: “Você quer seu sabonete ou seu boné?” (antes de sair na rua) “Você quer leite ou suco?” (quando você sabe que seu filho prefere suco) “Você quer a bola ou o vídeo?” (quando você sabe que seu filho vai escolher o vídeo) Escolhas do tipo Sim/Não Se você quer que seu filho pratique responder “sim” e “não”, pode oferecer algo que sabe que ele quer e algo que sabe que não quer. Deixe seu filho ver os dois itens, para ajudá-lo a entender que deve escolher entre duas coisas. Por exemplo, segure uma boneca (algo que ele não quer) em uma mão e um quebra-cabeça (algo que você sabe que ele quer) na outra mão. Segure a boneca e pergunte para seu filho “quer a boneca?”. Estimule-o a responder “Não”. Se não sabe responder, responda por seu filho para mostrar o que poderia dizer. Depois, segure o quebra-cabeça e pergunte “quer o quebra-cabeça?”. Incentive-o a responder “sim”. Leva tempo para que crianças se tornem comunicadores. Na primeira parte deste capí- tulo, falamos sobre quatro metas gerais que seu filho pode atingir, um passo de cada vez: 1) interagir com você e com outras pessoas, 2) comunicar-se de novas formas, 3) comunicar-se por novos motivos e 4) entender a conexão entre o que você diz e o que está acontecendo ao redor dele. As metas mais específicas, que você define, dependem do estágio atual de comunicação do seu filho. Se ele não está enviando nenhuma mensagem para você, não espere que saia falando. Contudo, esperar que ele preste mais atenção em você é uma meta realista. Ao reavaliar continuamente suas metas, você ajudará seu filho a atingir todo seu potencial. Na segunda parte do capítulo, falamos sobre coisas que você pode fazer para dar ao seu filho motivos para se comunicar. Quando faz com que comidas e brinquedos fiquem menos acessíveis ou “criativamente” se faz de bobo, dá ao seu filho inúmeras oportuni- dades para se comunicar. É como se você fosse um arquiteto, planejando e manipulando o ambiente ao redor de seu filho, de forma que ele possa reagir e responder às coisas que você faz. Muitas das estratégias descritas aqui serão mencionadas novamente diversas vezes neste livro, para mostrar como usá-las em rotinas diárias, brincadeiras, músicas e livros, e adaptá-las para seu filho e para o estágio de comunicação em que se encontra. Formas de Ajudar Seu Filho a Fazer Escolhas Quando deixa seu filho fazer escolhas, permite que ele envie uma mensagem para você e mostre como se sente. Imagine a sensação de poder para ele, quando con- segue dizer o que quer com gestos, figuras, palavras. Incentive-o a fazer escolhas baseando-se no que ele gosta e no que ele não gosta. Comece com escolhas fáceis Para seu filho é mais fácil escolher entre duas coisas que ele possa ver: uma coisa que goste muitoe outra que ele não goste. Segure as opções na frente dele. Primeiro, ofereça a coisa preferida por último Se está começando a aprender a fazer escolhas, seu filho sempre escolherá o último objeto apre- sentado. Faz isso porque é o últi- mo item que ele vê, como quando começa a desenvolver ecolalia e repete a última palavra que ouve. Lembre-se dessa tendência e ofe- reça por último o item mais pro- vável que ele escolha, depois de oferecer o item menos desejado. Depois, ofereça a coisa preferida primeiro Quando seu filho tiver experiência em fazer escolhas e estiver repetindo muitas das coisas que ouve, ofereça a coisa preferida em primeiro lugar. Você quer ter certeza de que ele está de fato fazendo uma escolha, e não apenas repetindo a última pala- vra que ouve ou escolhendo o último objeto que vê. Dê dicas visuais No começo, seu filho pode precisar de dicas visuais para fazer escolhas. Você pode segurar os objetos reais, apontar para objetos reais ou apontar para figuras de obje- tos. (Se você segurar os objetos um em cima do outro, pode ser que fique mais fácil para o seu filho escolher do que se segurá-los lado a lado). Experimente tanto com objetos quanto com figuras para ver o que seu filho prefere. Douglas não gosta de verduras, então fica fácil para escolher entre sua guloseima favorita e um ramo de brócolis. 84 Capítulo 2 POR QUE SEU FILHO SE COMUNICA QUANDO SEU FILHO SE COMUNICA COMO SEU FILHO SE COMUNICA Comportamentos (ex. chora, grita) Ações, gestos Figuras Sons Ecos Fala espontânea Para se acalmar ou se orientar Para protestar ou recusar Para pedir Comidas/bebidas Objetos/brinquedos Ajuda Para continuar uma Brincadeira com Gente ou uma música Permissão para fazer algo Informação Para responder às pessoas Para seguir instruções Para fazer escolhas Para responder perguntas Para cumprimentar Oi Tchau Para chamar a atenção ou comentar sobre Objeto Pessoa Evento Si mesmo Para falar sobre Passado Futuro Sentimentos: Feliz Triste Bravo Com medo Para fazer de conta Lista de checagem: Como e Por que seu filho se comunica Deixe-se conduzir pelo seu filho 3 86 Capítulo 3 A maioria das pessoas presta atenção ao que a interessa. Por exemplo, se você gosta de futebol e assiste a um jogo na televisão, facilmente se lembra do placar e dos nomes dos jogadores. Agora, quando assiste a um evento de um esporte que não lhe interessa muito, por exemplo, um jogo de tênis, provavelmente não vai se lembrar de muita coisa sobre o jogo. Pode perder o interesse e mudar de canal após poucos minutos. Uma criança com TEA, mais ainda do que as outras crianças, presta atenção no que a interessa. Mas como seu filho precisa que mostrem a ele como fazer as coisas, você acaba gastando um bom tempo sendo o “professor” ou “ajudante”, enquanto ele é o “aprendiz”. Se você sempre disser ou mostrar ao seu filho o que fazer, pode ser que ele nunca tenha a chance de fazer coisas que realmente quer. E não terá a oportunidade de iniciar a comunicação por conta própria. Neste capítulo, vamos falar sobre o momento e o jeito certos de deixar-se con- duzir pelo seu filho, bem como quando não é apropriado fazer isso. Mostraremos que se você deixar-se conduzir pelo seu filho, ele pode aprender a se comunicar enquanto vocês fazem as coisas juntos. A criança que conduz frequentemente obtém o que precisa Uma criança presta mais atenção às coisas que ela escolhe do que as coisas que você escolhe. Uma criança geralmente é mais sociável e interativa quando está engajada em atividades escolhidas por ela. É mais fácil que vocês dois prestem atenção na mesma coisa quando ela estiver conduzindo a situação. Quando seu filho consegue prestar atenção na mesma coisa que você, está dando um importante primeiro passo para poder se relacionar ao mesmo tempo com você e com o que está fazendo. Uma criança que lidera aprende que não depende de você para saber o que fazer ou dizer em todas as situações. Pode fazer escolhas por conta própria. Uma criança que lidera aprende que tem o poder de fazer as coisas acontecerem. Saber que pode afetar pessoas ao seu redor é um passo importante para se tornar um comunicador intencional. Uma criança que conduz a situação não tem que alternar o seu foco de atenção, coisa que é difícil para crianças com TEA. Para ser conduzido pelo seu filho, você deve começar “observando, esperando e ouvindo” seu filho, como faria uma sábia mãe coruja. Observar Observar significa olhar atentamente para seu filho para ver as coisas que o inte- ressam. Desta forma, você poderá incluir as coisas que o interessam nas coisas que vocês fazem juntos. Veja o que Karina aprende sobre o filho dela, Júlio, quando o observa de perto durante uma brincadeira de bater a bola com a colher. Ela percebe que Júlio está mais interessado em segurar a colher na frente dos olhos do que em usá-la para bater na bolinha. A observação de Karina lhe dá infor- mações importantes sobre Júlio. Agora pode escolher: continua a incentivar Júlio a jogar a bolinha de volta para ela ou usa o interesse dele pela colher e esquece a brin- cadeira com a bolinha. O que ela vai fazer? (Vamos voltar a falar de Karina e Júlio mais adiante neste capítulo). Use o OEO: Observar, Esperar e Ouvir 88 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 89 Enquanto observa seu filho, veja como e por que ele se comunica e a que responde. Depois que ele “ecoa” o que você diz, olha para você ou se aproxima da coisa sobre a qual você está falando? Percebe mudanças na expressão facial dele quando você pega determinado brinquedo? O que seu filho faz nessas situações dá informações de onde começar para ajudá-lo a aprender a se comunicar. Esperar A espera dá ao seu filho tempo suficiente para que ele envie mensagens do seu próprio jeito. Embora você possa pensar às vezes que seu filho não está se comuni- cando nada, talvez ele simplesmente não esteja tendo chances de se comunicar. A mãe está preocupada porque Luciana nunca pede nada. Então, um dia, depois do almoço, na hora em que a filha costuma ganhar um biscoito, a mãe não pode pegar o biscoito, pois está no telefone. Luciana bate o pé no chão e grita para mostrar que quer o biscoito imediatamente. Nessa hora, a mãe percebe que Luciana sabe se comunicar se as pessoas esperarem até que ela o faça. Se não se apressar, seu filho terá chan- ces de fazer mais do que você espera. Esperar também pode dar chance ao seu filho de assimilar e pensar sobre o que você está dizendo. Se fizer uma pergunta e seu filho não responder de imediato, você pode supor que ele não entendeu a pergunta e perguntar de novo. Contudo, a repetição da pergunta pode distrai-lo bem na hora em que a sua primeira pergunta ia começar a fazer sentido para ele. Se ele estava a ponto de lembrar-se de uma palavra, sua segunda pergunta pode fazê-lo esquecer. Toda criança demora mais do que um adulto para responder a uma pergunta. Para o seu filho, demora ainda mais. Então, es- pere pelo menos quinze ou trinta segundos para que seu filho responda. Para que você se lembre de esperar, conte lentamente até quinze. Mas tenha cuidado! É possível que você espere tempo demais e seu filho perca o interesse. Você tem que ter “sin- tonia fina” na sua espera para que ela fique no mesmo nível da persistência do seu filho. Se ele desiste facilmente, seu tempo de espera pode ser mais curto. Sua espera trará melhores resultados quando seu filho estiver motivado como a Luciana. Ouvir Quando você ouve com atenção os sons, palavras e frases vindos do seu filho , aprende o que ele já consegue fazer e o que você pode construir a partir disso. Por exemplo, se ele produz uma série de sons com os lábios, como “pá” e “bó”, pode se dedicar mais a coisas motivadoras que comecem com esses sons, como “parque” e “bola”. Quando seu filho começa a falar,pode não falar claramente. Se disser “sa” toda vez que você pega a mochila dele no armário, há uma forte possibilidade de ele estar tentando dizer “sair”. Se você ouve com atenção, pode responder ao som de “sa” dizendo “Sair. Vamos sair.” Isto dará a ele um modelo da pronúncia correta da palavra. Depois, você pode, nas outras vezes que ele disser “sa”, res- ponder pegando a mochila, mesmo que não tenha planejado sair. Logo seu filho entenderá o poder da palavra. Você pode ouvir seu filho usar uma palavra um dia, e depois não ouvi-lo dizer essa palavra por vários dias ou mesmo semanas. Mas se ouvir e memorizá-la, pode fazer coisas que o incentivem a usar essa palavra novamente logo. Por exemplo, se ouvir seu filho dizer “não” uma vez, pode aumentar as oportunidades que ele tem de dizer “não” de novo, oferecendo comidas que não gosta, cantando músicas com a palavra “não” e vendo fotos de pessoas fazendo “não” com a cabeça. Ouvir é uma ferramenta valiosa quando seu filho apresenta ecolalia (isto é, imita ou “papagaia” as palavras ou frases que outras pessoas dizem). Se você pres- tar atenção à maneira como ele repete essas palavras, sua entonação lhe dirá muita coisa sobre por que as está dizendo. Por exemplo, se pergunta para seu filho “Quer um biscoito?” e ele repete a pergunta exatamente da forma como você disse (com a mesma entonação ascendente), é provável que não tenha entendido e esteja “eco- ando” porque está aflito. Contudo, se ele repete o que você diz e muda a entonação, pode ter entendido sua fala e esteja lhe dizendo, da melhor maneira que pode, “Sim, eu quero um biscoito”. Quando seu filho usa ecolalia tardia, “pescando” algo que ouviu de um con- texto e usando em outro, você precisa ser um ouvinte e observador muito bom para entender o que ele está tentando lhe dizer. Algumas vezes pode precisar bancar o detetive para tentar descobrir o que esses “ecos” significam. A mãe de Luciana descobre a importância da espera. 90 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 91 Larissa gosta de assistir a uma história interativa no computador. Sempre que vai “mudar de página”, o computador diz “clique na opção desejada”. Quando Larissa quer que seus pais liguem a TV, ela também diz “clique na opção desejada”. Embora isto faça todo o sentido para ela, deixa seus pais confusos. Mas ao observá-la, percebem que ela associa o comando “clique na opção desejada” com fazer algo novo aparecer, tanto na tela do computador quanto na tela da TV. Ao observar e ouvir, os pais de Larissa percebem que ela acha que “clique na opção desejada” significa “Faça a tela (qualquer tela) mudar!” Sabendo que tantas palavras, frases e sentenças de seu filho podem ser empres- tadas de outras situações, garanta que estas palavras ajudem-no a aprender. Depois que os pais ouviram o que Larissa estava dizendo e perceberam qual o motivo, tentaram descobrir novos programas de computador com instruções (por exemplo, “pressione a tecla” ou “próximo”) que a filha pudesse usar em outras situações. Quando Você Usa o OEO, a Melhor posição é Face a Face Se você se posiciona face a face com seu filho, consegue ver o que o está interessan- do. Colocando-se no mesmo plano do seu filho, torna-se parte do mundo dele. Sabendo que pode ser difícil para seu filho fazer contato ocular, facilite as coi- sas para ele. Por exemplo, coloque-o sentado nos seus joelhos, de frente para você; se ele estiver brincando no chão, deite-se de barriga para baixo ou de lado, se ele estiver de pé, engatinhe ou se agache na sua frente. Nosso rosto transmite importantes informações sociais que podem ser difíceis de entender. Mesmo quando seu filho está participando de uma conversa, pode não notar o franzir da testa, o sorriso e os movimentos dos olhos, que dizem tanto quanto as palavras. Então, abaixe-se até a altura do seu filho e dê a ele todas as oportunidades de ver seu rosto “falar”. Quando souber o que esperar, seu filho terá um desempenho melhor. Se você brincarem frente a frente regularmente, ele passará a esperar e antecipar sua pre- sença. Se um dia você não estiver, ele pode simplesmente buscá-lo você para brin- car com ele como você sempre faz. Quando a mãe fica face a face com Igor, vê que ele está brincando com um barbante e pode juntar-se a ele. A mãe não pode ver o que interessa Igor quando está atrás dele. Deixe-se conduzir pelo seu filho 93 As estratégias dos Quatro “Is” ajudam seu filho a aprimorar suas habilidades de comunicação e interação. Você pode usar os Quatro “Is” com seu filho em qualquer estágio do desenvolvimento de comunicação: nos estágios de Interesses Próprios, Pedidos, Comunicação Básica e Parceria. Três dos Quatro “Is” - inclua os interesses do seu filho, imite e intrometa-se – ajudarão a incentivá-lo a participar de ativida- des e interagir com você. Assim que vocês já estiverem interagindo, a estratégia de “interpretar” ajuda a dar informações ao seu filho. O Primeiro “I”: Inclua os Interesses do seu filho Perceba o que seu filho está fazendo, e junte-se a ele. É o que fez a mãe de Igor quando o viu brincando com o barbante. Volte e pense sobre Júlio no começo deste capítulo. Durante a brincadeira de “bater a bola com uma colher”, sua mãe percebeu que ele estava mais interessado em pôr a colher diante de seus olhos do que usá-la para bater na bola. Embora a mãe quisesse que Júlio entrasse em uma brincadeira que exigisse a participação dele, sentiu que se o pressionasse para brincar de bater na bola, ele se levantaria e iria embora. Decidiu, então deixar a bola de lado. Karina aproximou-se do filho, e, minutos depois, quando ele baixou a colher, disse “Achou!”. Júlio gargalhou e pôs a colher diante de seus olhos de novo. Logo ele come- çou a dizer “Achou!” depois de Karina. Júlio se escondeu atrás da colher oito vezes, antes de se cansar da brincadeira, e manteve contato ocular com sua mãe o tempo todo. Olhando para a mãe, Júlio a manteve envolvida para poder continuar brincando. Note que depois que as mães de Igor e Júlio perceberam o que interessava seus filhos, entraram na brincadeira como “parceiras”. Entrar na brincadeira significa tornar-se “criança” e fazer tudo o que seu filho está fazendo. Às vezes, seu filho pode ter interesses limitados e depender de você para que novas atividades sejam introduzidas. Apresente um objeto ou atividade tentadores, espere que ele o descubra e depois o siga, entrando na brincadeira. Quando Karina percebe que Júlio não quer brincar com a bola, deixa-se conduzir por ele, transformando o interesse dele na colher em uma brincadeira de “Achou!”. Traga para um espaço compartilhado a coisa para a qual seu filho está olhando Incluir os interesses de seu filho significa que, quando ele estiver interessado em algo, você mostra interesse também. Pode fazer isto trazendo o brinquedo ou objeto no qual ele está interessado para mais perto de vocês dois. Por exemplo, se o seu filho fixa o olhar em uma pedra brilhante e colorida, pegue essa pedra e olhe para ela junto com seu filho (mesmo se parecer estranho que ele esteja mais interessado em uma pedra ou barbante do que em um brinquedo novinho). Você também pode compartilhar os interesses de seu filho reparando no que ele está olhando e apontando para a pessoa, coisa ou ação e fazendo comentários. Um comentário pode ser uma palavra (“bola”) ou uma sentença (“É uma bola grande”) que dê ao seu filho informações sobre os interesses dele. Por exemplo, se ele nota um passa- rinho, você pode apontá-lo e dizer “Olha! Um passarinho!”. Você precisa estar perto do seu filho e próximo daquilo que está apontando, para que ele veja o que está fazendo. Se possível, ponha a mão dele no objeto, para que sai- ba exatamente do que você está falando. Mais adiante, seu filho pode descobrir que você também tem coisas bacanas para mostrar a ele. Talvez se interesse por coi- sas que vocêpercebe antes dele. Use os quatro “Is” para se deixar conduzir pelo seu filho Os quatro “Is” 1. Inclua os interesses do seu filho 2. Interprete 3. Imite 4. Intrometa-se O pai aponta e nomeia o passarinho para Lucas. 94 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 95 O Segundo “I”: Interprete Trate tudo o que seu filho faz como se ele estivesse enviando uma mensagem intencional Quando trata tudo o que seu filho faz como se ele estivesse intencionalmente en- viando uma mensagem, você o ajuda a perceber que pode influenciar o que você faz. Este tipo de interpretação funciona melhor com crianças nos estágios de In- teresses Próprios e Pedidos, que não se comunicam diretamente a você de forma consistente, mas frequentemente mostram o que querem através de ações. Por exemplo, se o seu filho pega as chaves do carro, você pode dizer “Chaves. Vamos!”. Mesmo que ele não esteja se comunicando diretamente, você está respon- dendo como se ele estivesse. Se fizer isto repetidas vezes, seu filho poderá fazer a associação entre as chaves e o passeio de carro, e finalmente dar-lhe as chaves da próxima vez em que tiver vontade de dar uma volta. Diga ou faça coisas “como ele faria, se pudesse”. Se o seu filho demonstra interesse em algo ou tenta lhe transmitir uma mensa- gem, você precisa “interpretar” suas tentativas de comunicação, dizendo ou fa- zendo “como ele faria, se pudesse”. Quando faz isso, você usa as palavras e ações que gostaria que seu filho usasse no futuro, dando a ele um modelo que ele possa eventualmente copiar. Um modelo físico demonstra o que pode fazer. Um modelo verbal mostra o que ele pode dizer. Por exemplo, se ele mostrar interesse em um passarinho, aponte (um modelo físico) e diga “passarinho” (um modelo verbal). Para chamar atenção para seus modelos, diminua o ritmo antes de demonstrá-los, enfati- zando ou exagerando suas palavras e ações. Quando você enfatiza um modelo, seu filho presta atenção e fica mais provável que o copie. Interprete para as crianças nos estágios de Interesses Próprios e Pedidos Seu filho pode estar começando a se comunicar para pedir coisas, puxando sua mão ou dando um objeto ou figura em troca do que ele quer. Esses são momentos importantes para fornecer-lhe as palavras que “usaria, se pudesse”. Nomeie o objeto, pessoa ou atividade que ele está pedindo. Evite usar palavras como “isso” e “coisa”, porque essas palavras não são tão específicas quanto “biscoito” e “livros”. Os nomes que você dá às coisas também ajudam seu filho a entender o signi- ficado das palavras; então os use sempre para fazer comentários sobre coisas que o interessam. Quando está interpretando para Caio, a mãe fala “curto e gostoso”, para que ele possa vir a pedir pizza de forma independente. A mãe de Eugênio age como se ele estivesse pedindo para dar uma volta de carro. Então, um dia, ele de fato dá as chaves do carro a ela para pedir o passeio. Você também pode interpretar e responder às palavras de seu filho, tratando tudo o que ele disser como se estivesse falando com você. Por exemplo, se ouvir seu filho dizer “mama” na hora em que estiver brincando no quarto ao lado, pode ir até lá e dizer “A mamãe está aqui”, como se ele realmente estivesse chamando você. 96 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 97 Pode ser que as primeiras palavras do seu filho sejam bobas e sem sentido, fáceis de pronunciar e divertidas de dizer, como “opa” ou “eca!”. Você pode usar essas pala- vras DIVERTIDAS quando estiver interpretando. (Veja o capítulo 6, página 201 para uma lista de palavras DIVERTIDAS). Exagere seus modelos e tenha pa- drões consistentes nas inflexões e ento- nações que você usa para enfatizar os modelos. A crescente associação que seu filho faz entre palavras ou frases espe- cíficas e sua entonação o ajudará a se lembrar delas. É provável que, antes de repetir o que você diz, ele repita como você diz, imitando sua entonação, mas não pronunciando realmente as pala- vras. Não se surpreenda se ele, quando começar a falar, usar suas palavras e seu padrão de entonação. Se o seu filho se interessa por música, você pode até can- tar algumas palavras para ele! “Ops” é uma palavra DIVERTIDA, mais fácil e mais legal para Renato dizer do que “O garfo caiu”. Lucas aprende a dizer “oi” do mesmo jeito cantado do seu pai. Interprete para a criança que está no estágio de Comunicação Básica Se o seu filho ainda não começou a falar, mas envia mensagens intencionais com gestos ou figuras, você deve dar um modelo verbal de uma só palavra imediatamen- te depois que ele fizer um gesto ou der uma figura. Se, contudo, seu filho, como tantas outras crianças neste estágio, começar a falar repetindo frases e sentenças, é importante que seus modelos verbais conte- nham palavras que ele possa “pescar” e usar depois. Ao fornecer modelos de pala- vras, você dá ao seu filho um roteiro para memorizar e usar no futuro. Depois de aprender o que dizer em uma situação, ele pode conseguir aplicar essa fala a outra situação. Quando, por fim, ele se tornar um comunicador mais capaz, vai se apoiar menos no roteiro e mais em suas próprias idéias. No começo, André aprende o que dizer de forma mecânica, repetindo o que seu pai diz. Depois, André mostra que entendeu as palavras, usando-as em uma situação similar. Seu filho tende a lembrar-se e repetir a última coisa que ouve. Então, enfatize palavras importantes, colocando-as no final da frase. Por exemplo, se você quer que ele aprenda a palavra “abre”, diga “a porta, abre” em vez de “abre a porta”. Diga do jeito dele! Se o seu filho vai se expressar imitando exatamente o que você disser, é importante fornecer um modelo verbal do ponto de vista dele. Se você diz “Quer beber água?”, ele pode entender exatamente o que você está perguntando, mesmo que não entenda 98 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 99 o que cada palavra significa. Por causa da tendência à ecolalia, pode repetir sua pergunta em vez de dar uma resposta adequada. Se você quiser que seu filho apren- da a dizer coisas de uma forma mais apropriada, você deve dizer “como ele diria, se pudesse”! Em vez de perguntar da forma costumeira, assuma a perspectiva da criança e diga “Eu quero água”. Para mostrar-lhe quem é o “eu”, ajude-o a tocar o peito com a própria mão. Pode ser estranho falar com seu filho dessa maneira, mas é importante apro- veitar-se da sua habilidade de imitar o que você diz, para que possa começar a usar as palavras com significado. Embora você não possa dizer tudo do jeito dele, tente fazê-lo toda vez que ele estiver motivado a falar, principalmente quando quiser algo de você, mas não sabe como pedir. Lembre-se de desacelerar antes de falar e enfatizar o que diz, chamando a atenção de seu filho para o modelo. Quando você destaca o que diz, a chance de que ele repita é maior. Se o seu filho imita prontamente, você precisa simplesmente enfatizar o modelo, fazer uma expressão de expectativa e, quem sabe, tocar o peito ou o ombro dele para mostrar que é a vez dele falar. Por outro lado, se ele não tende a copiar, você pode precisar solicitar que use o seu modelo, com a instrução “Diga: ‘eu quero água’”. Se o seu filho entende o significado das palavras “diga”, “fale”, ou de outras instruções, não vai incluí-las quando repetir o modelo. Contudo, para crianças que tendem a copiar tudo o que você diz, independente do significa- do, essas instruções serão percebidas como parte do modelo. Você pode tentar ajudar seu filho a distinguir o modelo das instruções, usando diversas técnicas discutidas no próximo ca- pítulo (veja o Capítulo 4, páginas 117-118). Se você perceber que ele repete suas instruções, atenha-se apenas ao modelo. Para dizer ao pai que quer um copo de água, Lucas repete a pergunta do pai exatamente como ouve. Mais tarde, ele usa a sentença memorizada para pedir para o paium copo de água. Quando o pai diz “como o filho diria, se ele pudesse”, Lucas tem um modelo mais apropriado para copiar. 100 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 101 Use Frases-Suporte ou de Apoio* em seus modelos verbais para que seu filho apren- da algumas frases-chaves, úteis em diversas situações. De uma palavra, para duas palavras, para três Nem todas as crianças que estão no estágio de Comunicação Básica aprendem a falar através da repetição de trechos inteiros do que ouvem. Algumas adquirem, primeiro, um vocabulário com nomes de coisas, geralmente de comidas ou brin- quedos que mais gostam, e depois progridem para combinar esses nomes com palavras que designem ação (verbos). Por exemplo, podem primeiro dizer “suco” para pedir para beber algo, e depois dizer “Quer suco”. Quando você interpretar para uma criança que diz palavras isoladas, ajude-a a progredir de uma palavra para duas palavras. Primeiro, repita o que ele disser, e depois diga “como ele diria se pudesse”, usando um modelo de duas palavras, sendo uma a palavra que ele disse e a outra uma palavra que designa uma ação. Por exemplo, se a criança trouxer uma fita de vídeo e disser “vídeo”, repita “vídeo” e adicione “assistir vídeo” ou “quer vídeo”. Para chamar a atenção da criança para a nova palavra, fale devagar e enfatize-a. Repetir o que a criança diz e adicionar um verbo não é a única forma de ajudar seu filho a começar a fazer combinações de duas palavras. Você também pode combinar nomes de coisas com palavras que designam lugar ou palavras descritivas. Você só tem que imaginar o que seu filho diria se pudesse, e depois usar a estratégia de “repetir e adicionar” para ajudá-la a progredir de frases de duas palavras para frases de três palavras. A seguir, uma lista para começar. COMBINAÇÕES DE DUAS PALAVRAS Exemplos Pessoa/objeto + ação “Mamãe empurra”, “carro vai” Ação + pessoa/objeto “Ler livro”, “quer biscoito” Pessoa/objeto + localização “Cachorro fora”, “sapato no pé” Ação + lugar/objeto “Por (colocar) dentro”, “pular em cima” Descrição + pessoa/objeto “Mais suco”, “bola grande” COMBINAÇÕES DE TRÊS PALAVRAS Exemplos Agente (pessoa/coisa) +palavra-ação + objeto “Eu quero suco” Agente + palavra-ação + objeto “Mamãe beija o bebê” Ação + objeto + lugar “Põe o copo na mesa” Ação + descrição + objeto “Quero mais suco” Interpretação para o Parceiro Você vai precisar menos da estratégia de “interpretação” com a criança que está no estágio de Parceria, porque ela está começando a fazer suas próprias sentenças. Sim, ainda é importante modelar palavras e frases que você quer que seu filho aprenda. Tam- bém pode dizer “como ele diria se pudesse” para dar a informação que ele precisa para corrigir alguns erros. Se ouvir seu filho cometer um erro, apresente imediatamente o modelo verbal correto, e exagere a correção para que ele perceba a mudança. Janaína pode corrigir o próprio erro se a mãe interpretar para ela. Como modelar pronomes Comunicadores Básicos e Parceiros, que dependem de “pescar” e reutilizar palavras que ouvem, podem se beneficiar não só dos seus modelos de pronomes, mas tam- bém dos modelos de outras pessoas. Observar e ouvir membros da família falando entre si usando “eu”, “mim” e “você” durante uma conversa, dá modelos verbais dessas palavras para o seu filho. * N.T.: A frase de apoio ajuda uma criança que não tem capacidade lingüística de montar es- pontaneamente uma frase. Para a criança que diz apenas “bolacha” para pedir bolacha – a frase de apoio seria “Eu quero....”. O que a criança tem que fazer é terminá-la: “Eu quero... bolacha”. Depois de ouvir muitas vezes “Eu quero bolacha” a criança passará a usá-la inteira. O QUE SÃO FRASES-SUPORTE OU DE APOIO? Frases-suporte consistem de palavras que aparecem juntas freqüentemente e são usadas em bloco. Exemplos de frases-suporte apropriadas para todas as crianças são: “Eu quero...”, “Eu gosto...”, “Eu tenho...”, “Estou vendo...”, “Eu vou...”, “Me dá...”, “Quero mais...”, “O que é isto?” 102 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 103 Comunicadores Básicos e Parceiros entendem pronomes melhor do que você pode imaginar. Eles frequentemente per- cebem a quem a palavra “você” se refere, mesmo que não sejam capazes de usar “você” corretamente em uma sentença. Essas crianças precisam de dois tipos de modelos de pronomes: um que modele como elas usariam pronomes se pudes- sem, e outro que demonstre como prono- mes são usados naturalmente no meio de uma conversa. (Veja o Capítulo 6, página 206, para ler mais sobre como ajudar seu filho a entender e usar pronomes). O terceiro “I”: imite Deixe seu filho liderar; imite suas ações e sons. A imitação pode ajudar seu filho a se envolver em interações de mão dupla, com chances para vocês copiarem um ao outro. Seu filho pode prestar atenção em você se você bater em um bloco logo depois que ele fizer o mesmo, se pular depois que ele pular, ou se emitir os mesmos sons que ele, logo em seguida Você pode até tentar copiar alguns dos comportamentos sensoriais dele, tais como girar em torno de si mesmo ou sacudir as mãos (flapping). A criança pode se sentir bem poderosa quando perceber que está conduzindo e você está seguindo. Se imitar as ações e sons do seu filho, ele pode começar reagir imitando-o também. Nessa hora, você pode adicionar algo novo para ele duplicar. Esta brincadeira de imitação é muito impor- tante – seu filho pode aprender muito observando o que você faz. Na hora do almoço, Marcelo bate na mesa com a colher. O pai deixa-se conduzir, batendo sua colher na mesa também. Isto chama a atenção de Marcelo! Depois de bater a colher de novo, Marcelo olha para o pai, como se dissesse “É sua vez, papai”. Caso seu filho não se interesse por brincadeiras de imitação, você pode ensiná-lo a imitar. Comece mostrando uma ação, e depois, se ele não imitar você, ajude-o fisicamente a fazê-lo. Quando conseguir, recompense-o com um elogio, abraços ou o doce preferido. Comece fazendo-o imitar ações com brinquedos, como, por exemplo, empurrar um car- rinho no chão. Depois, progrida, fazendo-o copiar ações sem brinquedos (por exemplo, “toque o nariz”), e depois copiar alguns sons, como sons de animais. O quarto “I”: intrometa-se Insista em participar do que seu filho está fazendo, mesmo que ele não o receba bem no início Nem sempre é fácil brincar com uma criança relutante em interagir com você ou que gos- ta de fazer coisas repetitivas sozinha. Mas lembre-se de que ela não está fazendo isso por- que não quer incluir você. Ela simplesmente não sabe como fazê-lo. Em vez de desanimar, procure oportunidades para se “infiltrar” no que seu filho estiver fazendo. Por exemplo: sente-se ao lado enquanto ele age como se não quisesse você por perto, ou bloqueie o caminho quando ele estiver correndo. Abaixe-se ao lado dele e brinque com brinquedos similares! Não se preocupe se ele não parecer feliz no começo. Uma hora ele aprenderá que é mais divertido brincar com você do que brincar sozinho. Lembre que seu filho ainda precisa ouvir modelos de palavras que possa dizer. Quando você se intrometer no que ele está fazendo, também vai precisar interpretar. Álvaro gosta de correr de um lado para o outro. Seu pai tenta seguir as suas ações correndo junto, mas Álvaro parece nem perceber. Então, o pai bloqueia seu caminho e diz “Parado!”. O menino não gosta, e tenta evitar o pai tentando dar a volta, mas o pai vai junto. Álvaro se vê forçado a empurrar o pai para que saia do seu caminho. Saindo da frente, o pai diz “Sai!”, deixando que Álvaro volte a correr. Depois que isto acontece algumas vezes, Álvaro começa a esperar o “bloqueio” e ri quando o pai entra na sua frente. Três semanas depois, quando Álvaro está correndo pela sala, procura pelo pai. Assim que o pai pula na sua frente, Álvaro diz, pela primeira vez “Sai!” parafazer seu pai sair da frente. Os pais modelam a maneira como Fábio pode usar pronomes na mesa de jantar. Marcelo fica entusiasmado quando seu pai o imita. Ao criar um “bloqueio na estrada”, o pai de Álvaro transforma a correria em uma brincadeira interativa e dá ao filho a chance de aprender uma nova palavra. 104 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 105 Geralmente, há mais de uma forma de se intrometer no que seu filho está fazendo. Tal- vez tenha que tentar algumas coisas diferentes antes que você e seu filho interajam. Pode ser que, como o Álvaro, que corre pra lá e pra cá o tempo todo, seu filho faça coisas que não parecem produtivas. É provável que esse comportamento esteja satisfazendo necessidades sensoriais. Por exemplo, pode ser que seu filho goste de jogar coisas no chão e vê-las cair. Ou pode alinhar objetos, como carros de brinque- do ou livros, porque gosta de ver a fila de objetos. Vamos apresentar algumas idéias de como se intrometer nessas atividades repeti- tivas e solitárias, transformando-as em interações positivas entre você e seu filho. A estratégia do guardador Se seu filho gosta de jogar coisas (por exemplo, blocos) no chão, aja como se ele estivesse intencionalmente iniciando uma brincadeira. Ponha uma cesta ou caixa no chão para recolher os objetos, e diga: “Na caixa. Blocos na caixa.” Depois, para participar da atividade de jogar blocos no chão, torne-se o “guardador” dos blocos. Junte todos os blocos assim que seu filho tiver jogado no chão, e ofereça um para ele. Interprete no nível do seu filho: se ele estiver no estágio de Interesses Próprios ou de Pedidos, diga “bloco”. Se ele estiver no estágio de Comunicação Básica e for capaz de repetir o que você diz, diga “Eu quero um bloco”. Uma criança no estágio de Parceria provavelmente vai descobrir sozinha uma forma de dizer que quer um bloco. Dê o bloco ao seu filho. Depois que ele jogar o bloco no chão, dê-lhe outro, junto com o modelo verbal apropriado. Assim que você estabelecer um padrão, espere alguns segundos antes de dar mais um bloco. Isto vai dar tempo para seu filho tentar alcançar o bloco, fazer um som, repetir seu modelo verbal ou usar as palavras dele para pedir o bloco. Lembre-se que seu fi- lho pode não ficar muito feliz com suas intromissões, mas com um pouco de per- sistência divertida da sua parte, atividades solitárias podem se transformar em brincadeiras interativas. Se o seu filho gosta de enfileirar objetos, você pode usar a estratégia do “guardador”, a mesma que usaria com uma criança que gosta de jogar coisas no chão. Junte todos os objetos que seu filho enfileira (carros de brinquedo, letras do alfabeto, blocos, etc.) e dê-lhe os objetos um por um, até que aprenda que você é parte da brincadeira. Quando você é o “guardador” dos objetos que seu filho quer, ele tem que incluir você naquilo que está fazendo. O pai segura o último carrinho que Caio precisa para terminar a fileira, de forma que o filho tenha que interagir com ele para obter o carrinho. Coloque você também um objeto, para ajudar seu filho a fazer uma fila. Deslize um carrinho até a fila naturalmente e diga algo como “Mais um carrinho”. Depois que seu filho permitir sua participação, introduza uma variação, por exemplo, colocando um brinquedo diferente na fileira ou colocando o mesmo tipo de brinquedo, mas de uma forma diferente (por exemplo, de cabeça para baixo, ou de lado). Ele pode não gostar da mudança, mas quando gritar ou chorar, lembre-se, isto é comunicação! Se persistir de uma forma gentil e divertida, a nova rotina de brincadeira de seu filho logo incluirá você. Caio deixa bem claro como se sente quando seu pai tenta colocar uma peça de Lego na fila de carrinhos.Quando insiste em recolher as pecinhas na cesta, esta mãe transforma o ato repetitivo da filha de jogar blocos no chão em uma brincadeira interativa 106 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 107 Escondendo e Procurando Tire um dos objetos da fila e esconda-o na sua manga, no seu bolso ou em- baixo da sua camisa. É praticamente certo que seu filho vai interagir com você (porém, pode ser que ele goste tanto da brincadeira de “esconder”, que comece a procurar nas mangas e bolsos de todo mundo!). Esconda os objetos que seu filho gosta de enfileirar, e depois a ajude a procu- rá-los. Para facilitar que a busca seja bem sucedida, deixe os objetos parcialmen- te visíveis onde quer que você os esconda, seja embaixo do sofá, atrás da porta ou em cima da mesa. Quando estiver procurando, use palavras ou frases que sejam apropriadas para o estágio de comunicação de seu filho: uma palavra simples se ele estiver no estágio de Interesses Próprios ou de Pedidos (“Carrinho!”); uma ou duas palavras ou uma sentença que contenha uma frase-suporte para um Comunicador Básico (“Estou vendo um carrinho”); ou uma sentença que inclua uma palavra nova ou conceito novo (“Vamos procurar embaixo da cadeira”!) para uma criança Parceira. Entre na frente Entre na frente de seu filho, de forma que ele tenha que dizer ou fazer alguma coisa para pedir para você sair. É exatamente o que o pai faz quando bloqueia o caminho de Álvaro, tornando impossível para o filho não interagir com ele, se quiser continuar correndo. Descubra outras oportunidades para barrar o caminho do seu filho. Se ele tentar pegar o brinquedo que mais gosta, coloque- se parado na frente da prateleira. Interpre- te para seu filho, quando ele empurrar para tirá-lo do caminho, dizendo alguma coisa do tipo “Sai!”. Pare na frente de portas, de escadas ou mesmo na frente da TV. Se você estiver impedindo seu filho de fazer algo que ele quer, ele terá que mostrar o que quer. Se Álvaro quiser passar, tem que dizer para o pai sair da frente. Entre na brincadeira Quando seu filho estiver brincando sozinho com um brinquedo, pegue um brinquedo parecido e insista em entrar na brincadeira. Por exemplo, faça seu carrinho bater no carrinho dele e diga algo como “Bateu!” ou “Ai, não!”. Faça o seu dinossauro comer o dinossauro dele, criando animação com grunhidos de dinossauro e dizendo “Te peguei!” para crianças nos estágios de Interesses Próprios, de Pedidos ou de Comunicação Básica, ou “Grr”! “Estou comendo um tricerátopes” para o Parceiro que sabe os nomes dos dinossauros dele. Léo gosta de brincar sozinho com dinossauros, até que a mãe insiste em fazer parte da brincadeira. Então, ele descobre uma nova brincadeira, que só tem graça quando envolve duas pessoas. O pai esconde os carrinhos; assim, quando Caio quiser enfileirar carrinhos, terá que procurá-los junto com seu pai, primeiro. 108 Capítulo 3 Deixe-se conduzir pelo seu filho 109 Luana gosta de ficar sentada sozinha no sofá, até que a mãe se intromete com a brincadeira de “amassar”. Se o seu filho sempre quer ficar sentado sozinho, tente sentar bem perto dele e “amassá-lo” de forma divertida. Para a criança no estágio de Interesses Pró- prios, de Pedidos ou de Comunicação Básica, diga algo como “Amassa”, “Empur- ra” ou “Ops! Mamãe em cima da Luana”. Para a criança no estágio de Parceria, diga algo como “Vamos brincar de amassar”. Se ele virar de costas para você ou sair de perto quando se aproximar, será fácil de supor que isto significa “Não perturbe!”. Mas se você desistir, não vai estabelecer uma conexão. Então, persista (sempre de forma divertida!) em compartilhar o espaço com ele. Intrometa-se para ter uma conversa Se o seu filho está no estágio de Parceria, intrometer-se pode significar mais do que simplesmente se envolver no que ele estiver fazendo. Pode ser que você não precise se intrometer com tanta freqüência para estabelecer uma conexão com seu filho ou para fazê-la perceber você. Em vez disso, você pode usar a téc- nica da “intromissão” para ajudar seu filho a participar de uma conversa. Se o seu filho faz a mesma perguntarepetidas vezes, ou insiste em manter a con- versa no mesmo assunto, nem sempre é a melhor idéia deixá-lo conduzir. Se você deixar que continue falando sempre sobre as coisas que ele quer, não vai aprender a participar de uma conversa. Jonas adora listar todos os pontos de ônibus que conhece. Às vezes, o pai dele tenta deixá-lo conduzir e tenta incluir os interesses de Jonas nas conversas deles. Contudo, o pai quer que Jonas fale sobre outras coisas, e não só sobre ônibus. Olhe como o pai de Jonas se intromete para ajudar o filho a sair do seu assunto preferido. Como se intrometer quando seu filho sai do assunto ou insiste no assunto dele: Reintroduza o primeiro assunto ou introduza um assunto novo. Avise a criança que haverá uma mudança na conversa (por exemplo: “Mais uma coisa sobre... e depois vamos conversar sobre...”). Fale novamente o que já foi dito antes que seu filho mude de assunto. Para conduzir seu filho de volta para o assunto, repita parte do que foi dito e deixe-o completar o resto (por exemplo: “Estávamos falando sobre a escola. Pri- meiro, você desenhou. Depois você brincou com...) Certifique-se que seu filho está entendendo você. Se ele mudou para um assunto fa- miliar porque a conversa o está confundindo, tente simplificar sua fala. Transforme uma pergunta difícil numa afirmação. Depois faça uma pergunta mais fácil. Para ajudar Jonas a mudar de assunto, seu pai introduz um novo tema na conversa. Situações em que você não deve deixar seu filho conduzir Nem sempre é apropriado ou bom para o seu filho deixar que ele conduza a situa- ção. Ele ainda precisa aprender muitas coisas com você, e uma dessas coisas é como se comportar. A decisão de quando deixar e quando não deixar seu filho conduzir a situação dependerá muitas vezes do seu bom senso. Foi sugerido que você tente transformar um comportamento repetitivo e im- produtivo em uma brincadeira interativa. Mas se as ações do seu filho resultarem da frustração ou irritação, você precisa mostrar a ele outras formas de lidar com estes sentimentos. Por exemplo, se ele está jogando blocos porque está bravo ou para dizer que não quer brincar com blocos, não tente transformar isto em brinca- deira, pois estará reforçando esse comportamento. Em vez disso, mostre à criança que não vai aceitar o que está fazendo, dizendo “jogar não” (não jogar os blocos no chão) ou “pára” de forma firme e clara para fazê-la parar de jogar os blocos. Assim que o comportamento parar, faça seu filho recolher os brinquedos jogados no chão, dizendo algo como “Pega! Pega!”. Certas necessidades sensoriais de algumas crianças são tão fortes que podem ser difíceis de satisfazer. Por exemplo, uma brincadeira interativa de pega-pega pode não ser suficiente para a criança que precisa de movimento. Para esta criança, você precisa encontrar outras formas de provocar as sensações que ele precisa, usando, por exemplo, uma mini cama elástica ou um balanço. Uma terapeuta ocupacional que tenha conhecimento na área de questões sensoriais pode ajudá-la a decidir que estímulos sensoriais seu filho precisa e como proporcioná-los. Resumo Quando você usa o OEO – observar, esperar e ouvir o que seu filho faz e diz - des- cobre exatamente quais são os interesses dele. Depois, você pode deixar-se conduzir por seu filho, entrando na atividade e incluindo os interesses dele nas interações entre vocês. Ele pode oferecer resistência à sua participação. Nessa hora, você deve gentilmente se intrometer no mundo dele. Outra forma de conseguir iniciar uma interação é imitar seu filho, copiando suas ações e sons. Sempre que sentir que seu filho se comunicaria “se pudesse”, interprete, para lhe dar as informações que pre- cisa, dizendo as palavras sob o ponto de vista dele. 110 Capítulo 3 Participem juntos Se você deixar-se conduzir pelo seu filho, como sugerido no Capítulo 3, pode perce- ber que vocês respondem um ao outro de muitas maneiras. Quando faz cócegas nele, por exemplo, ele pode olhar para você, mostrando que está se divertindo. Se parar de fazer cócegas por um momento, seu filho pode puxar suas mãos na direção dele para conseguir que você continue. Nessa situação e outras parecidas, os dois participam. Neste livro, a palavra “participar” descreve qualquer coisa que duas pessoas fazem – olhar uma para outra, gesticular, produzir sons ou dizer palavras – para mostrar uma para a outra que estão fazendo parte da interação. 4 112 Capítulo 4 Participem juntos 113 Neste capítulo, você descobrirá como prolongar as interações com seu filho usando dicas que avisem que é a vez dele dizer ou fazer alguma coisa. À medida que as interações com seu filho tornarem-se mais longas, elas vão começar a parecer uma conversa. Conversa é um diálogo onde cada pessoa participa no momento certo, envian- do mensagens de ida e de volta. Você pode ter uma conversa com palavras, mas há outros tipos de conversas. Por exemplo, em uma brincadeira de “Achou”, você participa primeiro quando cobre seu filho com um lençol. Quando ele tira o lençol, ele participa. Então você diz “Achou!” (sua participação) e seu filho ri (participação dele). Você e seu filho alternam-se participando, tal como duas pessoas que se alter- nam em uma conversa. Agora o desafio é fazer com que esse “jogo” dure o máximo possível, garantindo que as participações continuem! Regras de Conversação Para se envolver em uma conversa simples sem palavras, como a brincadeira de “Achou”, seu filho precisa entender algumas das regras de conversação. Nas con- versas verbais, seguir as regras fica ainda mais importante. Há muitas regras e mesmo adultos têm dificuldade de seguir a todas elas. Imagine como é difícil para seu filho aprendê-las! Ele vai precisar da sua orientação e ajuda para aprender como ter conversas gratificantes para vocês dois. Essa brincadeira de “Achou!” é uma conversa sem muitas palavras. Ajude seu filho a aprender as regras de conversação abaixo: Preste atenção na pessoa com quem você está interagindo Inicie conversas. Responda quando outros começarem conversas. Participe no momento certo. Dê uma chance para a outra pessoa participar. Continue participando, mantendo o assunto. Leve em consideração as palavras da outra pessoa, sua linguagem corporal e ponto de vista. Esclareça ou “diga de outra maneira” quando seu interlocutor não entender. Peça esclarecimentos para a outra pessoa quando precisar. Mude de assunto quando for apropriado. Termine a conversa de maneira adequada Jonas precisa de ajuda para mudar de assunto quando conversa. Seu filho pode ter dificuldade em saber quando e como participar da conversa. A melhor maneira de ajudá-lo é usando dicas, ajudas que avisam quando participar e algumas vezes mostram como participar. Há dois tipos de dicas: Dicas explícitas, que mostram para o seu filho o que ele deve fazer e deixam pouco espaço para que faça alguma coisa errada. Quando dá dicas explícitas, você faz toda ou parte do papel do seu filho. Por exemplo, em uma brincadeira de “Bate palminhas” (ver página 312, Capítulo 9), seu filho pode não saber o que fazer. Quando você guia suas mãos para ajudá-lo a bater palmas, usa uma dica explícita chamada ajuda física. Além da ajuda física, outras ‘dicas explícitas nas quais você faz toda a parte do seu filho incluem modelos físicos e verbais e instruções faladas. Dicas nas quais você só faz parte do papel do seu filho, tais como modelos parciais, são as dicas explícitas menos explícitas. Dicas naturais não mostram para seu filho o que fazer. Elas simplesmente indicam ou insinuam o que fazer. Por exemplo, quando seu filho ficar mais familiarizado com as palmas na brincadeira de “Bate palminhas”, você pode diminuir o ritmo, parar, e olhar como quem espera, indicando quando ele deve bater palmas. Dicas naturais também incluem dicas visuais, perguntas, pistas, instruções sobre o que fazer e comentários.Você é o melhor juiz para deci- dir os tipos de dicas mais apro- priados para seu filho. Prova- velmente começará dando dicas mais explícitas e gradualmente caminhará para as mais naturais. Em última análise, as dicas mais naturais não precisam ser elimi- nadas nunca. Nós as usamos nas conversas o tempo todo. Ajuda física Quando estiver aprendendo alguns movimentos em brincadeiras e canções ou como participar de atividades, seu filho pode precisar de uma delicada assistência física. Se ele não souber o que fazer por conta própria, tente mostrar-lhe exatamente o que fazer, conduzindo seus movimentos fisicamente. Ajuda física pode auxiliar seu filho a execu- tar gestos ou movimentos específicos e é útil por que mostra ao seu filho exatamente como fazer as coisas, sem permitir que cometa erros. Ele aprende a maneira certa de fazer algo da primeira vez que tenta. Você deve tomar cuidado, no entanto, para não usar a ajuda física em excesso, porque seu filho pode ficar acostumado a sempre preci- sar da sua ajuda. Os pais nas ilustrações a seguir estão dando ajuda física para que seus filhos possam participar. Dê Dicas para ajudar seu filho a participar Esperar e olhar como quem espera são dicas naturais que usamos o tempo todo! Use dicas explícitas Use ajuda física para ensinar seu filho a lhe entregar uma figura em troca de algo que ele quer. A mãe de Rafael guia as mãos do filho para bater palmas para que ele possa participar da canção. 116 Capítulo 4 Participem juntos 117 Você pode também usar uma dica física para conseguir a atenção do seu filho. Tocar as costas, peito, braços, ombros ou rosto, ao mesmo tempo em que diz seu nome, é uma boa maneira de conseguir que ele note alguma coisa, inclusive você! Lembre-se que um mo- delo vai incentivar seu filho a fazer ou dizer alguma coisa so- mente se ele estiver prestando atenção. Chame atenção para os seus modelos diminuindo o ritmo antes de executá-los e então os enfatize. Para enco- rajar seu filho a participar por conta própria, tente ir retiran- do aos poucos seus modelos ou trocá-los por dicas menos ex- plícitas (completar frases, por exemplo) assim que possível. Instruções de fala Além dos modelos verbais, você pode incluir uma instrução falada, como “Diga...” ou “Fale...” Esta dica é útil em algumas ocasiões, particularmente em situações so- ciais, onde você instrui seu filho sobre o que dizer exatamente para outra criança ou adulto. Por exemplo, se o seu filho não souber como começar uma conversa com um amigo, você pode dizer-lhe exatamente quais palavras usar. Para ajudar João a começar a brincar com Laila, sua mãe lhe diz exatamente o que dizer. Álvaro se afasta do escorregador depois de uma descida, então seu pai o conduz fisicamente de volta à escada. Modelos verbais e físicos Quando apresenta um modelo para seu filho, você o incentiva a copiar suas pa- lavras ou ações, além de mostrar-lhe o que espera que ele faça ou diga por conta própria. Faça a parte dele até que ele saiba o que fazer sozinho. Os modelos podem ser físicos ou verbais. Um modelo físico mostra uma ação ao seu filho. Sempre que demonstrar mo- vimentos, seja para acompanhar canções ou virar uma página de livro, você dá ao seu filho um modelo para copiar e aprender. Ao mesmo tempo em que ensina ao seu filho o que fazer, descreva o que está fazendo em sentenças simples e curtas. Um modelo verbal proporciona ao seu filho ouvir palavras, frases ou sentenças que pode repetir em seguida ou dizer por conta própria mais tarde. Ele se beneficia não só dos seus modelos verbais, mas dos vindos de outras pessoas, também. Por exemplo, se o seu filho tem dificuldade com pronomes como “eu”, “me”, “mim”, e “você”, olhar e ouvir outras pessoas usando essas palavras é uma das melhores maneiras dele aprender a usá-las por conta própria. Adapte o modelo ao estágio de comunicação do seu filho. (Para saber mais sobre modelos verbais, veja o Capítulo 3, páginas 95-101). O pai tenta conseguir a atenção de Renata dando tapinhas no seu ombro. Observando e ouvindo outras pessoas, Fábio aprende como usar aqueles pronomes bem complicados. 118 Capítulo 4 Participem juntos 119 Há alguns problemas, no entan- to, com o uso freqüente de instru- ções faladas. Primeiro, as instruções interrompem o fluxo natural da con- versa. Além disso, muitas crianças ecolálicas tendem a repetir tudo o que ouviram, inclusive as instruções. Se o seu filho não consegue enten- der onde terminam as instruções e começa o modelo, tente evitar com- pletamente o uso de instruções fala- das. Em vez disso, continue a dar o modelo que você quer que a criança copie e, então, espere que ela copie. Se o seu filho não entende suas instruções, provavelmente vai repeti-las. Se você já está acostumado a usar instruções faladas, seguem duas sugestões para evitar que seu filho repita as instruções junto com o mo- delo. Tente dizer “Diga” ou “Fale” em um tom monótono e então enfatize e anime o modelo que você gostaria que ele repetisse. Você também pode tentar sussurrar as instruções no ou- vido do seu filho e, então, tocar seu ombro e lhe dar o modelo no seu tom de voz normal. Modelos parciais Quando você usa um modelo parcial, você começa a fazer ou dizer alguma coisa pelo seu filho e então deixa que ele termine o modelo sozinho. Em modelos parciais, você faz parcialmente pelo seu filho a participação dele; depois, mostra que está esperando que ele faça a parte dele. Use um modelo parcial para incentivar seu filho a agir de determinada maneira: Comece a agir e espere que seu filho complete a ação em você ou nele mesmo Antes de completar a última palavra, a mãe de Lucas traz seu próprio dedo até metade do caminho para o nariz e espera que o filho complete tocando o seu nariz por ele. Use um modelo parcial, chamado com- pletar frases, para incentivar seu filho a dizer alguma coisa. Diga a primeira parte de uma palavra, frase ou sentença e espere que seu filho a complete. Completar frases pode ser um estágio de transição que seu filho passa, antes de aprender a responder perguntas. Antes que possa dar respostas a perguntas totalmente por conta própria, ele precisa da sua ajuda pra começar. Em vez de dar instruções faladas, dê-lhe um modelo do que falar. Essa mãe diz a primeira parte de uma palavra e então espera que a filha diga o resto. O pai diz a primeira parte da resposta e então espera que Lucas complete a frase. 120 Capítulo 4 Se o seu filho responde perguntas facilmente, você poderá usar menos modelos parciais para ajudá-lo a participar. No entanto, quando ele não consegue responder a uma pergunta, tente fazer a pergunta mais fácil, usando “completar frases”. A mãe de Caio faz exatamente isso. Dicas Visuais Dicas visuais podem ser extremamente úteis para crianças que apresentam dificul- dade em entender o que ouvem. Além de ajudarem a criança a entender o mundo à sua volta, as dicas visuais agem como lembretes constantes sobre as coisas que as crianças podem fazer ou dizer em diferentes situações. O mundo do seu filho é cheio de dicas visuais – como gente, móveis, objetos e figuras – para as quais você pode chamar sua atenção. Você pode segurar e mostrar alguma coisa, dar-lhe tapinhas ou apontá-la para lembrar seu filho de se comunicar. Fica fácil escolher se Douglas puder ver as opções. Quando Caio não consegue responder a pergunta da sua mãe... ...ela o ajuda transformando a pergunta em um “complete a frase”. Use dicas naturais Completar a frase é uma dica útil para ajudar seu filho a transformar “ecos” em fala espontânea. Comece dando o modelo verbal completo (por exemplo, “Eu quero suco”.) Então diga “Eu quero...” e deixe que ele complete a frase com a pa- lavra “suco”. Então diga somente uma palavra “Eu...” e espere que ele complete a sentença com “quero suco”. Depois use somentedicas naturais, como demonstrar expectativa, para sinalizar que é a vez dele participar. 122 Capítulo 4 Participem juntos 123 Mesmo os jeitos de arrumar a mesa e a posição das cadeiras na sala de jantar podem sugerir ao seu filho o que fazer e dizer. O mundo do seu filho está cheio de dicas visuais na forma de sinais e logos que o incentivam a se comunicar. Michele sabe o que quer quando vê a placa. As figuras também são dicas visuais úteis, por que relembram as crianças do que fazer ou dizer. Uma ou duas figuras das comidas favoritas do seu filho na porta da geladeira podem estimulá-lo a pedir-lhe alguma coisa. Você pode usar figuras para criar Ajudas Visuais, tais como pai- néis especiais que mostrem figuras de brinquedos, alimentos e ativida- des que seu filho pode escolher. As figuras também podem estimulá-lo a conversar sobre coisas que aconte- cem enquanto você não está com ele. Por exemplo, se a professora da pré- escola manda para casa uma figura de uma criança ou de um brinque- do com o qual brincou na escola, ele pode mostrar-lhe ou dizer-lhe o que fez na escola. (Veja o Capítulo 7, “Use Ajudas Visuais”, para aprender mais sobre o uso de figuras como dicas). A cadeira vazia lembra Fábio que o seu pai não está em casa e o ajuda a começar uma conversa. Figuras podem lembrar seu filho de dizer-lhe o que precisa. A figura que a professora mandou para casa ajuda Caio a contar para a mãe o que fez na escola. 124 Capítulo 4 Participem juntos 125 Perguntas Responder perguntas manterá seu filho envolvido na conversa. Mas ele não será capaz de responder uma pergunta se não puder entendê-la. Como as crianças nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos entendem muito poucas palavras, você terá que perguntar e responder às perguntas, fornecendo modelos verbais que, com o tempo, ele poderá imitar. No Capítulo 2, nós já falamos sobre perguntas de escolha e perguntas do tipo Sim ou Não. Vamos revê-las de forma rápida. Perguntas de escolha Responder uma pergunta de escolha, que faça seu filho optar entre duas coisas mencionadas, é mais fácil do que responder uma pergunta mais aberta. Por exem- plo: “Você quer cereal ou torrada?”, é mais fácil do que “O que você quer comer?”. Perguntas do tipo Sim ou Não È um pouquinho mais difícil para seu filho res- ponder perguntas do tipo sim ou não que as de escolha. Ensine “Não” antes de “Sim”, por que seu filho precisa de um jeito de protestar ou re- cusar coisas no lugar de chorar ou fazer birra. Comece oferecendo ao seu filho coisas que pro- vavelmente recusará. Então forneça um modelo verbal e físico de como recusar – balançando a cabeça e dizendo “não”. Gradualmente, aguarde que ele responda por conta própria. Introduza perguntas “sim” depois que ele tiver bastante prática com o “não”. Ofereça algumas coisas que você sabe que ele não quer e então alguma coisa que realmente quer. (Veja o Capítulo 2, páginas 82-83 para mais informações sobre o uso de perguntas de escolha e do tipo sim ou não). Perguntas do tipo “Q”, Onde, e “Como” São as questões que usam “o que”, “quem”, “onde”, “quando”, “como” e “por que”. Seu filho provavelmente vai entender como responder primeiro as questões do tipo “o que”, depois as perguntas que começam com “quem” ou “onde”. Perguntas que começam com “quando”, “como” e “por que” são mais difíceis; algumas crianças continuam a ter dificuldades com estas questões até no período escolar. Perguntas “O que?” A pergunta do tipo “O que” mais simples é “O que é isso?”. Seu filho pode aprender a responder essa pergunta se você fornecer modelos verbais de possíveis respostas. A próxima pergunta do tipo “o que” mais comum é “O que você quer?”. Quando uma criança estiver pronta para responder essa pergunta, provavelmente estará no estágio de Comunicador Básico. No começo as perguntas precisarão ser feitas com outras dicas para ajudar seu filho a entendê-las. Pergunte e então indique a resposta olhando para objetos reais ou figuras, apontando-os ou mostrando-os. Perguntas “Quem?”, “Onde?” e “Quando?”, “Cadê?” Respostas para “Quem”, “Onde” e “Quando” e “Cadê” podem começar a aparecer na linguagem das crianças no estágio de comunicação de Parceria. A compreensão co- meça à medida que você fornece modelos dessas perguntas e suas respostas muitas e muitas vezes em rotinas, músicas e jogos. Para garantir que seu filho pratique respon- dendo essas perguntas que começam com “quem”, “onde” e “quando”, trabalhe com elas durante suas conversas sempre que possível. Por exemplo, aponte para pessoas sentadas na mesa de jantar ou olhe para álbuns de fotos perguntando “Quem é este?” Você também pode usar “bobeira criativa”: derrube seu guardanapo “acidentalmente” sob a mesa e pergunte “Onde está o guardanapo?”. Então ponha brincando o guarda- napo na cabeça do seu filho e diga “E agora, onde está o guardanapo?”. Perguntas “Quem”, “Onde” e “Quando” podem provocar bastante confusão. Seu filho vai precisar muitas vezes de ajuda extra para aprender como fazer e responder esse tipo de perguntas. (Veja o Capitulo 7, página 251 para aprender como ensinar essas perguntas com Ajudas Visuais). A mãe garante que Renata tenha muitas oportunidades de praticar a resposta “Sim”, oferecendo-lhe suco aos pouquinhos. A mãe ajuda Érico a responder perguntas do tipo “onde”, brincando de esconder. A mãe de Mara usa a hora do livro para praticar respostas às perguntas do tipo “Q”. 126 Capítulo 4 Participem juntos 127 Perguntas “Como” e “Por quê?”. Perguntas do tipo “Como” e “Por que” são as mais difíceis de responder, por que são “abertas” e requerem que seu filho pense sobre coisas que não está vendo. Mesmo uma criança no estágio de comunicação de Parceria pode continuar a ter problemas com estas perguntas por um longo tempo. Quando seu filho estiver começando a aprender a responder perguntas do tipo “como” e “por que”, você pode ajudá-lo fazendo uma destas perguntas e depois re- fazê-la, tornando-a mais simples. Transforme uma pergunta do tipo “como” ou “por que” em uma descrição que diga ao seu filho o que ele está fazendo. Então faça uma pergunta do tipo “sim ou não” fácil de responder. Por exemplo, pergunte “Por que você está gritando?”, e então mude para “Você está gritando. Você está bravo?” Quando seu filho entender perguntas do tipo “como” e “por que”, você não precisará mais refazê-las, mas ele pode continuar tendo dificuldade para encontrar as respostas. Forneça modelos de respostas até que ele possa responder por conta própria. Cuidado com muitas perguntas ou perguntas muito difíceis! Se o seu filho for bom em responder perguntas, fica fácil cair num padrão no qual você faz perguntas uma atrás da outra e seu filho fica respondendo. Isso o coloca no papel de “respondedor” – dependendo de você para iniciar todas as interações. Apesar de ser tentador fazer muitas perguntas para mantê-lo na conversa, ele tam- bém deve ter oportunidades de iniciar a comunicação. Perguntas muito difíceis também podem ser excessivamente exigentes para um Comunicador Básico ou Parceiro, que pode não dar conta de encontrar as respostas. Na sua frustração, seu filho pode usar uma das suas estratégias sensoriais para se acalmar, como agitar as mãos, batucar na mesa ou pular. Outra maneira dele mostrar que as per- guntas estão muito difíceis é aumentar o uso da ecolalia, como se estivesse dizendo: “Eu não entendo a pergunta, mas sei que deveria responder. Então vou participar da melhor maneira que posso – repetindo o que você diz”. Fazer muitas perguntas cria um terceiro problema para uma criança cuja princi- pal maneira de conduzir uma conversa é reutilizar o que ouviu outras pessoas dizen- do. Se ouvir uma questão atrás da outra, vai repetir esse modelo mais tarde: fazer uma pergunta atrás da outra será seu método principal de manter uma conversa. Quando seu filho mostra que suasperguntas não estão ajudando, tente o seguinte: Faça menos perguntas e forneça mais comentários e modelos verbais. Perguntar menos freqüentemente resulta num aumento da fala espontânea de seu filho. Faça perguntas mais fáceis. Faça a mesma pergunta de novo, comece a respondê-la e então espere que ele complete a frase. Depois que seu filho tiver completado, você pode tentar refazer a pergunta. Em vez de bombardear seu filho com perguntas... ...faça comentários que o ajudarão a manter-se na conversa. 128 Capítulo 4 Participem juntos 129 Instruções Todos os pais, de alguma maneira, dizem para os filhos o que fazer: “Dá tchau”, “Traga o livro”, “Jogue isso no lixo”. Instruções claras e simples podem ajudar seu filho entender o que fazer, desde que você não lhe dê instruções demais. Você pode preparar crianças no estágio de Parceria para futuras situações so- ciais dando-lhes instruções sobre o que fazer e dizer. Por exemplo, para ajudar seu filho a tornar-se um ouvinte melhor, pode instruí-lo sobre o que fazer “Quando o outro fala, tente ouvir”. As orientações sobre o que fazer podem ser apresentadas visualmente, o que tratamos no Capítulo 7. Se o seu filho estiver muito adiantado no estágio de Parceria, você pode dar-lhe instruções que o ajudarão a começar e manter conversas. Seguem alguns exemplos de instruções: Para começar uma conversa, tem alguns jeitos: Você pode sorrir e dizer: ‘Oi, Tudo bem?’; ‘pode dizer alguma coisa simpática para a outra pessoa’; ‘você pode mostrar para a pessoa seu álbum de fotos’. (Dê uma instrução por vez). Para continuar uma conversa: Você precisa ouvir o que a outra pessoa diz. Então, diga alguma coisa sobre o que a pessoa acabou de dizer. Você pode dizer: ‘Eu também acho’ ou ‘Eu não acho que é assim’. “Para terminar uma conversa, você pode dizer ‘Agora eu preciso ir. Tchau’. Pistas Nós todos usamos pistas ou “indiretas” para dar às outras pessoas idéias do que queremos que elas façam. Por exemplo, quando você pára na frente de uma vitrine e elogia alguma coisa na frente do seu esposo ou esposa uma semana antes do seu aniversário, pode estar dando uma pista do que gostaria de ganhar de presente. Seu filho também pode se beneficiar de vários tipos de pistas. Pistas não verbais Diminuir o ritmo, dar uma pausa, inclinar-se em direção ao seu filho e olhar de maneira expectativa são dicas efetivas (especialmente se combinadas com pistas verbais). Essas dicas sinalizam para o seu filho que é a vez dele participar. Estas são algumas das dicas mais naturais e você pode usá-las frequentemente quando estiver brincando com seu filho. A mãe dá instruções a João sobre o que fazer e dizer para interagir com Laila. Ele responde às dicas balançando o corpo para dizer que quer continuar! A mãe olha para Zeca como quem está esperando, aguardando que ele indique que quer outra “cavalgada” nos seus joelhos. Pistas Verbais Pistas verbais funcionam somente se o seu filho entender o que você diz. Se ele compre- ende bem as palavras, você pode usar pistas verbais sutis para lembrá-lo de fazer coisas. Por exemplo, para estimulá-lo a pedir-lhe seu brinquedo favorito, tente dizer “Hora de brincar!” Ou para lembrá-lo a dizer algo sobre uma situação incomum, tente dizer “Nossa! Olha aquilo!” Você pode também combinar pistas verbais com dicas visuais, uma coisa que os professores fazem o tempo todo na escola quando dizem: “Hora da arrumação!” e acendem e apagam a luz. Depois de dizer “Hora de brincar!”, tente apontar para o brin- quedo do seu filho, que pode ser colocado fora do alcance dele em uma prateleira próxi- ma. Isso pode estimular seu filho a pedir-lhe que pegue o brinquedo. Lembretes verbais também podem ajudar uma criança que insiste em manter a conversa sobre um único assunto. Por exemplo, se o seu filho só quer falar sobre 130 Capítulo 4 Participem juntos 131 trens, você pode dizer algo como “Mais uma coisa sobre trens e então vamos falar sobre a escola”. Se ele não responder uma pergunta, lembre-o de responder dizendo algo como: “Papai fez uma pergunta pra você.” Comentários Comentários são observações breves que você faz em reação às participações do seu filho ou para compartilhar suas idéias com ele. Dizendo alguma coisa sobre deter- minado assunto, você pode dar uma nova idéia ao seu filho. Diferente dos modelos, não se espera que seu filho repita seus comentários palavra por palavra, mas algu- mas vezes ele pode fazer isto. Quando você quiser que seu filho participe de uma conversa, tente fazer um comentário e então aguardar e mostrar expectativa. Por exemplo, você pode dizer “Mamãe cortou o cabelo” e então esperar que seu filho diga alguma coisa. Combinar um comentário com uma pergunta, como faz o pai na figura abaixo, torna a resposta do seu filho ainda mais fácil. Se Carolina ouve primeiro os comentários do seu pai, fica mais fácil responder às perguntas. Dicas combinadas É comum dar dois ou três ti- pos de dicas ao mesmo tem- po para seu filho. Além de todas as dicas que você acabou de ver, con- sulte as sugestões dadas na segunda parte do Capítulo 2, sobre como criar situações que motivem seu filho a se comunicar. Muitas daquelas idéias sobre como manejar o ambiente do seu filho, tais como dar-lhe comida aos pouquinhos ou fazer alguma bobeira, também o estimu- lam a participar. Participar de conversas é diferente de participar de brincadeiras Para interagir socialmente com outras crianças, seu filho precisa aprender como par- ticipar de brincadeiras. Ele precisa aprender que deve esperar que os outros escorre- guem antes da sua vez, e que não é o único a querer usar o cavalete de pintura. No entanto, participar de brincadeiras difere da participação em conversas. Aprender a participar de brincadeiras melhora as relações com as outras crianças, mas não neces- sariamente leva uma comunicação de duas vias. Seu filho vai aprender gradualmente a participar de brincadeiras à medida que brinca com você e então com outras crian- ças. Nós falaremos sobre esse tipo de participação nos Capítulos 11 e 12. A mãe dá uma dica visual (a pizza) e então aguarda, mostrando expectativa, que Caio complete sua fala. Esperar a sua vez é uma habilidade necessária para a convivência do seu filho com outras crianças, mas não o ensina muita coisa sobre como conversar. Participem juntos 133 A seção a seguir resume os tipos de participação que você pode esperar que seu filho aprenda no seu estágio de comunicação. Também sugere atividades que promovam participação e recomenda dicas para sinalizar-lhe que é vez dele participar. Estágio de Interesses Próprios Se o seu filho está nesse estágio, não se comunica diretamente com você para participar. Ele sorri, grita, olha e emite sons sem se importar com você. Antes de envolvê-lo em inte- rações recíprocas, tente conseguir sua atenção. Depois, pode ajudá-lo a interagir. Participações que você pode esperar As participações que você pode esperar no estágio de Interesses próprios são: Olhar para você Sorrir para você Tentar alcançar Recusar gritando, virando-se para o outro lado ou empurrando sua mão Dar-lhe um objeto Fazer alguns movimentos dirigidos a você (por exemplo, mover suas mãos para que você continue a fazer cócegas) Emitir sons dirigidos a você Quando você pode esperar que ele participe Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações: Durante brincadeiras corporais (isto é, Brincadeiras com Gente) com sensações prazerosas, como balançar e abraçar Cantando Quando ele realmente quer alguma coisa, como uma bolacha ou sua mamadeira. O que você pode fazer Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar: Dicas físicas para conseguir atenção (por exemplo, tapinhas no ombro) Ajuda física para guiá-lo nas atividades Modelos físicos para mostrar-lhe como agir Modelos verbais para mostrar-lhe o que dizer Dicasvisuais (neste estágio, mostrando-lhe objetos reais) Mostrar expectativa antes da sua participação em atividades altamente motivadoras Situações planejadas para dar-lhe um motivo para se comunicar. Estágio de Pedidos Se o seu filho está no estágio de Pedidos, ele se comunica principalmente levando você pela mão e tentando pegar quando lhe oferecer opções. Ele também pode participar algumas vezes em brincadeiras corporais, olhando, sorrindo, fazendo alguns movimentos e emitindo sons dirigidos a você. Participações que você pode esperar Você pode esperar que a criança no estágio de Pedidos aprenda a: Olhar para você com mais freqüência Fazer mais movimentos dirigidos a você Sorrir para você Emitir sons dirigidos a você Iniciar troca de objetos ou figuras para pedir ajuda, um ou dois brinquedos ou comidas prediletos Recusar coisas que não quer, gritando, virando para o outro lado ou empurrando você. Quando você pode esperar que ele participe Será mais fácil que seu filho aprenda a participar nas seguintes situações: Durante rotinas diárias altamente motivadoras quando ele quer alguma coisa Durante atividades corporais (Brincadeiras com Gente) Durante jogos de trocas, como passar a bola (um joga bola e outro pega) Cantando Brincando com livros interativos com janelinhas, surpresas, sons e cheiros. Brincando com Brinquedos com Gente que o interessem e sejam difíceis de operar. O que você pode fazer Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar: Ajudas físicas para orientá-lo Modelos verbais e físicos para demonstrar o que ele pode fazer e dizer Modelos parciais (para ações nas Brincadeiras com Gente) Dicas visuais (dando tapinhas, apontando, mostrando objetos) Perguntas com opções (entre duas coisas que ele possa ver) Perguntas com respostas que você modela Pistas não verbais: diminuir o ritmo, esperar, inclinar-se para frente, olhar como quem espera. Situações “armadas”: • colocando coisas à vista, mas fora de alcance. Participação no estágio de comunicação do seu filho 134 Capítulo 4 Participem juntos 135 • oferecendo coisas aos pouquinhos • fazendo o inesperado Estágio de Comunicaçãoo Básica Se o seu filho está nesse estágio, participa para se comunicar intencionalmente, usando gestos, sons, figuras, palavras, olhares e sorrisos. Ainda se comunica prin- cipalmente para pedir coisas. O que você pode esperar Da criança nesse estágio você pode esperar que ela aprenda as seguintes participações: Usar gestos/sons/figuras/palavras com mais freqüência por uma série de motivos: • para pedir uma série de coisas • para fazer escolhas • para comentar • para responder a perguntas do tipo Sim ou Não e “O que é isto?” • para responder a um comentário (normalmente imitando o que você disse) Quando você pode esperar que ele participe Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações: Quando estiver em Brincadeiras de Gente, como pega-pega Durante jogos de troca, como receber e passar a bola Durante rotinas diárias, especialmente refeições e lanches, quando ele quer algo Enquanto estiver cantando Enquanto estiver olhando livros (especialmente os previsíveis) Enquanto estiver envolvido em rotinas colaborativas estruturadas, tais como fazer gelatina com outra pessoa (para saber mais sobre rotinas colaborativas, veja o Capítulo 8, página 283) Enquanto brincar com Brinquedos com Gente ou brinquedos difíceis de operar Durante brincadeiras com brinquedos muito conhecidos, nas quais a criança sabe o “roteiro” Quando estiver cumprimentando em situações conhecidas (por exemplo, dizendo “tchau” ao pai de manhã) O que você pode fazer Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar: Ajuda física para ensinar-lhe o que fazer (ele precisará menos ajuda que a criança nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos) Modelos verbais e físicos das coisas que ele pode fazer e dizer. Modelos de palavras, frases e sentenças curtas partindo do ponto de vista dele são especialmente importantes se ele está começando a repetir o que ouve. Dicas visuais para lembrá-lo do que fazer e dizer, assim como responder algumas perguntas Completar frases Perguntas que apresentam opções, perguntas do tipo Sim ou Não e perguntas que comecem com “O que” e possivelmente com “Quem”. Dar instruções, tais como “Diga” e “Fale”, seguidas pelas palavras exatas que ele pode dizer (Use instruções faladas somente para ajudar seu filho em situações sociais ou se ele entende a diferença entre as instruções e o modelo que as segue) Pistas: diminuir o ritmo, inclinar-se para frente, dar uma pausa e/ou olhar como quem espera, fazendo-o perceber sua expectativa Comentários combinados com dicas visuais Situações armadas: • colocando coisas à vista, mas fora de alcance. • oferecendo coisas aos pouquinhos • fazendo o inesperado Estágio de Parceria Se o seu filho está nesse estágio, e não tem problemas com a produção da fala, já participa de conversas: você diz alguma coisa e ele responde. A duração da conversa depende das suas habilidades de comunicação. Se seu Parceiro for capaz de ter conversas que durem pouco, ainda assim a conversa pode ser interrompida, porque ele ainda não entende todas as regras de conversação (veja uma lista dessas regras no começo deste Capítulo). Participações que você pode esperar No estágio de Parceria, você pode esperar que ele aprenda as seguintes participações: Comentar e fazer perguntas Saber responder “O que”, “Quem”, “Onde” e, depois, “Por que” e “Como”. Começar uma conversa de maneira adequada Ouvir o que a outra pessoa fala e então dizer alguma coisa sobre o mesmo assunto Esclarecer o que disse quando o interlocutor não entender Introduzir um novo assunto de maneira adequada Terminar uma conversa de maneira adequada Quando você pode esperar que ele participe Será mais fácil que seu filho participe nas seguintes situações: Durante rotinas familiares com pessoas familiares Em jogos com regras (montados em casa ou comprados, como Loto ou Bingo) Durante brincadeiras de faz de conta (como fingir que está numa loja, cozinhando um jantar de mentirinha ou comendo em um restaurante de mentirinha) Durante atividades colaborativas estruturadas (como fazer suco ou brincar com massa de modelar) e rotinas diárias (como refeições e banho). (Para mais informações sobre atividades colaborativas, veja Capítulo 8, páginas 273 e 295) Enquanto estiver cantando. Enquanto estiver olhando livros. O que você pode fazer Tipos de dicas que ajudarão seu filho a participar: Dicas visuais (por exemplo, figuras e escritas) Ajuda física para orientá-lo na interação com outras crianças Modelos de palavras e sentenças que ele ache difíceis, tais como aquelas com “Eu”, “você”, ”me” e “mim”. Perguntas (O que, Quem, Onde e, depois, Por que e Como) acompanhados por comentários ou modelos das respostas. Completar frases Pistas verbais e não verbais Instruções sobre regras de conversação Situações armadas para lhe dar um motivo para se comunicar (as páginas 108 e 109 do Capítulo 3, trazem idéias sobre como ajudar seu Parceiro a manter conversas). Quando conseguir que seu filho se envolva em interações recíprocas, o desafio passa a ser mantê-lo na interação. Você pode dar-lhe uma série de dicas para perceber que precisa participar. Ele pode precisar, no começo, de muita ajuda, e você pode usar dicas explícitas para isso. Forneça um modelo para mostrar-lhe como participar, copiando o que você faz e diz, ou dê-lhe ajuda física para fazer certos movimentos. É importante ir rapidamente retirando esses tipos de dicas, de maneira que ele aprenda a participar sem sua ajuda. As dicas mais naturais, tais como parar e olhar como quem espera, são as que você deseja que funcionem melhor. Todas as crianças podem se beneficiar de dicas visuais – aquelas que ocorrem naturalmenteno mundo da criança e aquelas que você pode criar usando figuras. As perguntas também são dicas úteis, mas perguntas demais ou muito difíceis podem fazer com que seu filho fique dependente de você ou estressado. Crie situações nas quais fiquem equilibradas as participações do seu filho como “iniciador” da conversa e “respondedor”. Resumo 136 Capítulo 4 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 138 Capítulo 5 Taís não brinca com muitos brinquedos, mas adora tocar seu pianinho. Seu pai tenta brincar junto, mas assim que toca o teclado, Taís empurra a sua mão. Quando o pai insiste em brincar, levanta-se e leva o seu piano para o quarto. O pai a segue, mas em vez de tentar brincar de novo com o piano, pega Taís e a joga para cima. A menina adora ser jogada, então ri e olha nos olhos do pai. Depois de alguns “vôos”, ela está se divertindo tanto que se esquece do piano. Pergunte-se: o que faz você e seu filho “entrarem em sintonia” e se divertirem juntos? Se ele tem dificuldades em compartilhar brinquedos com você, talvez você consiga momentos mais interativos durante brincadeiras sem brinquedos. Quase to- das as crianças gostam de atividades físicas – pega-pega, cócegas ou serem jogadas para cima. Quando você e seu filho divertem-se juntos sem brinquedos, a interação ocorre mais facilmente e mais oportunidades de comunicação aparecem. Neste capítulo, nós veremos como você pode transformar as brincadeiras cor- porais com seu filho em jogos estruturados e previsíveis, chamados Brincadeiras com Gente. Brincar com gente ensina comunicação para seu filho porque vocês dois precisam participar para brincar. Vamos ver como o pai de Taís consegue criar uma Brincadeira com Gente para ela. O pai percebe que Taís adora ser jogada para cima e decide transformar isso em um jogo. Depois de jogá-la para cima algumas vezes, pára e espera para ver o que ela faz. Taís levanta seus braços para pedir outro “vôo” – participando pela primeira vez. Então seu pai faz a sua parte, jogando a filha para cima. Agora Taís e o pai sabem exatamente o que devem fazer para continuar brincando: Taís pede mais e seu pai continua o jogo. O que era apenas uma atividade divertida torna-se uma brincadeira estruturada, em que ambos os participantes revezam-se de maneira previsível. Tudo o que o seu filho precisa aprender sobre comunicação pode ser ensinado em uma Brincadeira com Gente. Através da Brincadeira com Gente, seu filho aprende a: prestar atenção em você e copiá-lo participar dar uma chance para que você participe continuar participando começar a brincadeira terminar a brincadeira começar uma nova brincadeira Participar nas Brincadeiras com Gente é fácil para seu filho por que: elas são estruturadas e previsíveis Taís não sabe como incluir seu pai em algumas brincadeiras... ... mas acha que o seu pai é o melhor brinquedo do mundo quando ele a joga para cima. O que são Brincadeiras com Gente? Ao esperar, o pai de Taís dá-lhe uma chance de participar. 140 Capítulo 5 elas têm ações, sons e palavras repetitivas seu filho sabe quando participar e qual é a sua participação elas incluem sensações que ele gosta elas são divertidas e estimulantes para ele, o que o motiva a continuar brincando Você pode inventar uma Brincadeira com Gente por sua conta, mas normalmente a melhor maneira de criá-la é observar seu filho e então participar do que ele está fa- zendo. Isso é exatamente o que os pais de Guilherme e Luana fizeram; os resultados foram melhores do que se eles tivessem passado horas pensando em brincadeiras para envolver o filho. Brincar com Gente é um pouco como participar de uma brincadeira de roda. Para brincar você precisa de um ou mais participantes – e cada participante deve fazer a sua parte na hora certa! Tanto a roda quanto a Brincadeira com Gente são diverti- das, mas requerem bastante prática até que cada um domine a sua parte. Para se lembrar das coisas mais importantes a fazer durante as Brincadeiras com Gente, use as quatro letras da palavra R.O.D.A.: Guilherme gosta de correr para lá e para cá... Luana gosta de se esconder atrás do sofá... ...então sua mãe transforma isso em uma brincadeira de esconde-esconde. Use R. O. D. A. quando brincar com Brincadeiras com Gente ...então seu pai transforma seu amor pelo movimento em uma brincadeira de pega-pega. Repita o que você diz e faz. Ofereça Oportunidades para que seu filho participe. Dê Dicas para ajudar o seu filho a participar Animado! Acontecendo! Mantenha Animado! Mantenha Acontecendo! 142 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 143 Repita o que você diz e faz Repita o que você diz e faz quando começar a brincadeira Toda Brincadeira com Gente precisa de um início padronizado – palavras especí- ficas e ações que o seu filho associe com a brincadeira. Começar uma brincadeira sempre da mesma maneira, permite que seu filho saiba o que vai acontecer e dá a ele um modelo para copiar, de forma que, posteriormente, ele mesmo possa pedir pela brincadeira. Mas se você muda o que você diz (por exemplo, “Vou te pegar” uma vez e “Pega-pega”), fica difícil para seu filho entender qual grupo de palavras começa a brincadeira. Você pode chamar seu filho para conseguir sua atenção, mas assegure-se de esperar vários segundos antes de pedir-lhe para vir e brincar. Isto vai evitar que um aprendiz “gestalt” pense que o seu nome faz parte da brincadeira. Se o seu filho estiver usando figuras para se comunicar, faça uma que represente a sua brincadeira preferida. Seu filho pode pedir pela brincadeira dando-lhe a figura. Rafael tem visto sua mãe começar a brincadeira de Cosquinhas tantas vezes que ele finalmente começa a brincadeira por sua conta! Quando você começa a brincadeira Enquanto você brinca Quando você termina a brincadeira Repita a brincadeira freqüentemente e com pessoas diferentes. A mãe de Rafael sempre começa a brincadeira de Cosquinhas dizendo o nome da brincadeira e fazendo movimentos de cosquinhas com as mãos. Rafael fica assanhado com o que ela faz – toda vez que ele a vê fazendo isso sabe exatamente o que vem a seguir. 144 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 145 Repita o que você diz e faz enquanto brinca Contar “Um, dois, três” faz parte de todas as Brincadeiras com Gente que Luana brinca com sua mãe. Se você diz e faz exatamente as mesmas coisas todas as ve- zes que você brinca, seu filho vai aprender o “roteiro”, da mesma maneira que um ator aprende sua parte ensaiando-a até decorar. Com a prática, seu filho vai antecipar qual é a parte dele e quando é a vez dele, assim como mostrar-lhe que é a sua vez. Por exem- plo, toda vez que você quiser dar uma dica para o seu filho de que é a vez dele na brincadeira, pode dizer: “Um, dois, três...” e deixá- lo completar com alguma coisa como “e já!” ou “vamos lá!”. Você também pode tentar outras frases repetitivas, como “Atenção, preparar - já!” ou inventar suas próprias frases, como “Agora o ... (nome do seu filho) “Sobe, sobe sobe!”. Há exemplos de roteiros de Brincadeiras com Gente na parte deste capítulo chamada “Algumas Brincadeiras com Gente para brincar com seu filho”. Quando o seu filho tornar-se um experiente “Brincador com Gente”, sabendo participar e deixando que o outro participe de maneira constante, você pode variar a brincadeira para que ele aprenda coisas novas. Mas no começo, tente manter as coisas o mais previsíveis possível. Repita o que fizer e disser quando a brincadeira terminar Além de um início identificável, cada brincadeira precisa de um término definido. Sem um final, seu filho vai deixar a brincadeira repentinamente quan- do ficar cansado, ou chorará para mostrar que não quer brincar. Mas se você usar sempre as mesmas palavras e ações para terminar uma brincadeira, seu filho aprenderá que há um outrojeito, além de cho- rar e gritar, para mostrar que está entediado. Sempre diga e faça as mesmas coisas no final da brincadeira. Por exemplo, levante os braços e grite “Êba!” e então diga “Pron- to” ou “Acabou” (“Pronto” é mais fácil para crianças que estão começando a falar). Você pode usar algum gesto para indicar que a brincadeira terminou, desde que seja constante, como o que a mãe de Rafael está usando na figura ao lado. Se o seu filho estiver na pré-escola, combine com seus professores de usarem o mesmo gesto que você para “acabou”. Você também pode usar figuras para terminar as brincadeiras. Por exemplo, pode pôr uma figura da brincadeira terminada no bolso/envelope de “pronto”. (Para mais informações sobre figuras, veja o Capítulo 7). Repita a brincadeira freqüentemente e com diferentes pessoas Além de repetir as mesmas palavras e ações toda vez que brincar, repita a brinca- deira muitas vezes durante o dia, todos os dias e com pessoas diferentes. Você quer que o seu filho generalize, ou seja, que transfira o que aprendeu brincando com você para brincadeiras com outras pessoas em situações parecidas. O Rafael brinca de Cosquinha várias vezes todo dia, algumas vezes o pai, outras com a mãe. Ofereça oportunidades para seu filho participar Planeje quando oferecerá uma oportunidade de participação para seu filho Juntos, você e seu filho se divertirão muito nas Brincadeiras com Gente. E como estará se divertindo, você pode ficar tentado a continuar a brincadeira da mesma maneira. Mas se continuar jogando seu filho para cima ou fazendo cócegas na sua barriga sem dar-lhe A mãe de Rafael termina todas as brincadeiras dizendo “Pronto!” e fazendo o gesto de “acabou”, esperando que um dia Rafael faça o mesmo. Planeje quando vai oferecer uma oportunidade de participação para o seu filho Defina quais serão as participações do seu filho Ofereça novas oportunidades de participação à medida que o seu filho progride 146 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 147 oportunidade de fazer algo mais do que se divertir, ele não aprenderá nada. Você deve parar em momentos determinados, para permitir que seu filho comunique-se com você, fazendo a parte dele na brincadeira. Isso é divertido, mas Zeca não teve chance de fazer a sua parte. Zeca, por exemplo, está se diver- tindo muito cavalgando nas per- nas da mãe, mas não tem opor- tunidade de fazer a sua parte: a mãe continua brincando mesmo que ele nunca peça para conti- nuar. No entanto, se ela pára de- pois de uns pulinhos e aguarda, mostra que espera alguma coisa dele. Ela não tem certeza de que tipo de participação ele terá, mas vai saber quando ele participar. Se tiver uma chance, Zeca vai pedir mais, movendo seu corpo para cima e para baixo ou emitindo um som. Para ajudar seu filho a participar, você precisa dar-lhe uma chance de parti- cipar do mesmo jeito e no mesmo lugar toda vez que vocês brincarem juntos, até que ele possa participar de forma constante. Por exemplo, se a mãe do Zeca não esperar depois de dar uns pulinhos na próxima vez que brincar com ele, ele não terá uma chance de praticar sua participação. Defina quais serão as participações do seu filho Os tipos de participação que o seu filho pode ter dependem do seu estágio de comu- nicação. Para identificar esses estágios talvez você precise “bancar o detetive”. Se ele está no estágio de Interesses Próprios, pode fazer uma série de coisas di- ferentes enquanto você aguarda que ele participe. Pode olhar, balançar-se ou emitir algum som. Você deve considerar qualquer coisa que ele faça como uma participação. Se não fizer nada, mostre-lhe o que fazer fornecendo um modelo de participação. No exemplo anterior, a mãe não sabia como Zeca pediria por outra “caval- gada”, mas quando observou e esperou, descobriu que ele participava chacoa- lhando o corpo. Na mesma brincadeira, uma criança no estágio de Pedidos pode também emitir um som, além de chacoalhar o corpo. Uma criança no estágio de Comunicação Básica pode fazer os mesmos movimentos e dizer uma pala- vra para a qual você forneceu modelo. Quando estiver no estágio de Parceria, a criança pode pedir por outra cavalgada de muitas maneiras diferentes, assim como sugerir mudanças na brincadeira. Ofereça novas oportunidades de participação à medida que o seu filho progredir Se você brincar muitas vezes da mesma maneira, seu filho vai achar cada vez mais fácil participar na brincadeira, e o seu jeito de participar vai mudar à medida que sua comunicação se desenvolver. Por exemplo, ele pode começar olhando e sacu- dindo o corpo e acabar dizendo uma palavra. Para fazê-lo progredir, adicione novos elementos à brincadeira, de maneira a mudar os motivos e a maneira do seu filho participar. Posteriormente, ofereça uma oportunidade para que ele mesmo comece a brincadeira, assumindo o papel de iniciador. Você perceberá que a maneira de vocês brincarem poderá ficar bem diferente três meses depois! Dê dicas para que seu filho participeQuando sua mãe espera um pouco, Zeca sacode seu corpo para mostrar que quer brincar outra vez. Dê dicas explícitas quando seu filho não souber como participar Dê dicas naturais quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira 148 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 149 Dê dicas explícitas quando seu filho não souber como participar Todas as dicas que você viu no Capítulo 4 podem ajudar seu filho a participar das Brincadeiras com Gente. No começo, quando seu filho não souber ainda como par- ticipar da brincadeira, suas dicas devem conter muitas informações. Você deve dar- lhe modelos, ou seja, demonstrar o que ele poderia fazer posteriormente. Diminua o ritmo antes de dar esses modelos e exagere-os para que fiquem bem evidentes. Além dos modelos, seu filho pode precisar de ajuda física para aprender o que fazer. Dê dicas naturais quando o seu filho estiver familiarizado com a brincadeira Parar, inclinar-se para frente e olhar como quem espera fornece uma dica para que seu filho participe. Assim que o seu filho estiver conhecendo o jogo, dê dicas naturais para sinali- zar que é a vez dele – pare, incline-se para frente e mostre expectativa. Isso mostra que ele deve fazer ou dizer alguma coisa. Quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, ficará mais fácil para ele “completar a frase”, especialmente se ele já viu ou ouviu o seu modelo. Por exem- plo, se você fala “Um, dois, três” contando nos dedos antes de fazer cócegas ou balan- çá-lo nos joelhos, a contagem serve como dica. Na próxima vez que você levantar o dedo para contar “um”, ele poderá imitá-lo ou levantar os dois dedos e dizer “dois”. Se der uma razão para o seu filho se comunicar usando as maneiras sugeridas no Capítulo 2, tais como fazer o inesperado ou oferecer escolhas durante a brinca- deira, você lhe dá dicas adicionais que o ajudarão a participar novamente. Animado! Acontecendo! Mantenha Animado! Mantenha Acontecendo! Se o seu filho estiver se divertindo, vai querer continuar brincando. Quanto mais brincar, mais oportunidades terá de aprender. Você pode garantir que ele se divirta escolhendo uma brincadeira que ele goste. A maioria das crianças gosta de brin- cadeiras que envolvam algum tipo de atividade corporal. Pense nas preferências sensoriais do seu filho. Elas lhe dirão quais jogos serão divertidos para ele e o in- centivarão a prestar atenção em você. Se ele gosta de movimento tente: Brincadeiras de correr, como Pega-pega e Cavalinho Brincadeiras de Aviãozinho, de balancear, de subir e descer Brincadeiras no balanço ou de girar Brincadeiras de pular como “Montanhas de travesseiros” Brincadeiras de balançar o corpo Se ele gosta de sentir pressão sobre o corpo ou mãos tente: Brincadeiras de esconde-esconde, como “Cadê? Achou!”, usando travesseiros e almofadas ou cobertas pesadas. Brincadeirasde apertar, como abraços Brincadeiras que envolvam toques, como Cosquinhas Jogos de mão, como apertos de mão, Cabo de guerra, Toca aqui, Bolinho-bolacha Cavalinho, se ele ficar de barriga para baixo sobre suas costas Seja exagerado e animado Faça que a interação dure o máximo possível Correr e pular em travesseiros é divertido para as crianças que gostam de movimento. Algumas crianças gostam de “cavalgar” deitadas de barriga para baixo. Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 151 Dependendo do estágio de comunicação de seu filho você usa as recomendações R.O.D.A. de um jeito. Quando você brinca com uma criança no estágio de Interes- ses Próprios, seu objetivo é convencê-lo a participar da brincadeira. Quando você brinca da mesma coisa com uma criança no estágio de Pedidos, você vai tentar “mantê-la acontecendo” um pouco mais. Para um Comunicador Básico, é impor- tante oferecer oportunidades para que ele use suas habilidades de comunicação emergentes. Quando você brinca com uma criança no estágio de Parceria, as metas devem ser focadas nas trocas verbais e conversação. Esta seção mostra como você deve brincar com crianças em cada um dos estágios de comunicação. Brincadeiras com Gente no Estágio Interesses Próprios Uma criança no estágio Interesses Próprios não é um brincador experiente e por isso não sabe que brincar com você é mais divertido que brincar sozinho. No começo, suas brincadeiras não durarão muito – seu filho pode participar uma vez e depois esquecer de você. Nesse estágio, as metas para o seu filho são: Divertir-se ao brincar Comunicar-se intencionalmente com você. Enquanto brinca, você pode esperar que o seu filho sorria ou mova seu corpo. O que você pode fazer Mantenha seu filho ligado à brincadeira. Convença-o a participar tornando a brincadeira divertida e estimulante. • Faça algo que chame sua atenção, tal como movimentos exagerados de có- cegas ou ficar de quatro, pronto para a sua cavalgada. • Seja animado quando participar de algo que ele já estiver fazendo, como pular ou correr. Para conseguir que ele se comunique intencionalmente, repita a brincadeira muitas vezes da mesma maneira, introduzindo pausas, gradualmente, antes dos momentos que o seu filho possa participar ativamente. Incentive seu filho a participar dando-lhe dicas explícitas. No início, você deve fazer todo o trabalho, dando ajuda física se necessário e modelando a participação de seu filho. Para ressaltar o modelo, Diminua o ritmo, dê uma pausa antes de mostrá-lo e depois apresente-o de forma exagerada. Trate qualquer reação do seu filho como uma participação. Ele pode mover seu corpo, olhar ou fazer um som. Mesmo que ele não pretenda participar com essas ações, aja como se elas fossem intencionais. Quando seu filho perceber que essas ações fazem a brincadeira continuar, provavelmente vai repeti-las na próxima vez que brincar. Gradualmente, passe a dar dicas mais naturais – Diminuindo o ritmo, esperando, inclinando-se para frente e olhando como quem espera – antes da vez da pretendida participação da criança. Deixe-se conduzir pelo seu filho. Em algumas situações você pode ter planejado certa brincadeira e o seu filho ter uma idéia diferente. Quando isso acontecer, você precisa esquecer dos seus planos e deixar-se conduzir pelo seu filho, inventando uma nova brincadeira que inclua os interesses da criança. Por exemplo, você pode começar com “serra-serra” para frente e para trás e descobrir que o seu filho prefere balançar de um lado para o outro. Se fizer o que ele faz, vocês terão uma nova brincadeira. De vez em quando seu filho pode conduzi-lo a novas maneiras de brincar. Adapte as Brincadeiras com Gente ao Estágio de Comunicação do seu filho 152 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 153 Brincadeiras com Gente no Estágio de Pedidos Nesse estágio, seu filho já se comunica intencionalmente com você durante as Brin- cadeiras com Gente para pedir que você continue. Pode olhar para você, mover o corpo, executar uma ação, puxar sua mão ou emitir um som. Mesmo que ele saiba o quanto é bom brincar, pode distrair-se ou cansar-se rapidamente da brincadeira. Nesse estágio, as metas para o seu filho são: Brincar por mais tempo Participar de maneira constante Aumentar os pedidos para que a brincadeira continue Mudar a maneira que ele faz pedidos nas brincadeiras conhecidas (por exemplo, de puxar sua mão para emitir um som) Usar as participações que ele já conhece (“pedidos aprendidos”) em novas brincadeiras Comunicar-se por outros motivos, além de pedir a continuação da brincadeira Começar a brincar de Brincadeiras com Gente com outras pessoas conhecidas. O que você pode fazer Aumente as oportunidades de seu filho fazer pedidos, mudando a brincadeira assim que ele estiver conhecendo-a bem. Use algumas das sugestões oferecidas no Capítulo 2 para mudar a brincadeira. Por exemplo, fazer uma coisa inesperada pode dar ao seu filho um novo motivo para pedir algo. Pense no que poderia acontecer se estivesse brincando de Serra-serra com seu filho e em vez de mostrar-lhe as mãos para que ele segure e continue a “serrar”, você esconde suas mãos sob as pernas. A mãe de Zeca tentou essa estratégia e veja o que aconteceu. Faça algo inesperado e pode ser que seu filho faça algo inesperado também! Mude a maneira que o seu filho pede nas brincadeiras conhecidas. Assim que ele estiver fazendo sua parte na brincadeira consistentemente, mude o jeito dele pedir, dando-lhe um novo modelo. Por exemplo, adicione uma contagem de “Um, dois, três” ao começo da brincadeira. Se a criança participava puxando a sua mão, ensine-lhe contar nos seus dedos ou nos dela para continuar a brincadeira. Quando você introduz uma nova participação na brincadeira, como contar, exagere esse modelo novo e diminua o ritmo antes de demonstrá-lo. Depois que copia a mãe, as duas pulam juntas. Para continuar a brincadeira, Luana contava nos dedos da mãe... ...mas agora ela conta sozinha. 154 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 155 Nas brincadeiras muito familiares, ajude o seu filho a se comunicar por algum outro motivo que não o de pedir • Prepare-se para sugerir escolhas. Depois de ter ampliado a brincadeira crian- do um novo jeito de participar, você pode, depois, oferecer para a criança uma escolha entre o jeito antigo e o novo. Por exemplo, depois que ela con- segue pedir consistentemente “sobe” e “desce” numa brincadeira de Avião- zinho, adicione algo novo. Em vez de sempre levantá-lo, tente rodá-lo. Mais tarde, você pode oferecer-lhe uma escolha entre “sobe” e “roda”. • Esteja disposto deixar-se conduzir pelo seu filho. Nada funciona sempre como o planejado. Se o seu filho tiver outra idéia, prepare-se para incluí- la na brincadeira. Foi o que a mãe do Zeca fez (página 152) quando ela o acompanhou no “Serra-serra” de um lado para o outro. • Algumas crianças resistem a mudar suas brincadeiras conhecidas. Não de- sista muito facilmente, mas se perceber que seu filho fica muito infeliz de brincar de um jeito diferente, simplesmente mude de brincadeira. Ajude o seu filho a usar as participações que ele já conhece (“pedidos aprendidos”) em novas brincadeiras, músicas, rotinas e outras atividades. Quando o seu filho transfere alguma coisa que aprendeu em uma situação para outra situação, ele faz uma generalização. Ajude seu filho a generalizar dando- lhe oportunidades para usar a mesma participação em brincadeiras diferentes. Por exemplo, se ele levanta os braços para ser jogado para cima no jogo de “Aviãzinho”, dê-lhe outras chances de usar o seu “sobe”, por exemplo em um “Roda-roda-roda”. Você pode até tentar esperar que ele estenda seus braços para pedir para subir as escadas. A generalização é muito importante por que o seu filho aprende ausar suas novas habilidades de comunicação em muitas situações. Brincadeiras com Gente no estágio de Comunicação básica Neste estágio seu filho está mais experiente em brincar de Brincadeiras com Gente. Está desenvolvendo maneiras mais compatíveis de se comunicar e algumas vezes ele mesmo pode começar a brincadeira. Além de agir por conta própria, ele freqüen- temente copia seus modelos verbais. Nesse estágio, as metas para o seu filho são: Pedir constantemente para que você continue a brincadeira Mudar a maneira de fazer pedidos nas brincadeiras conhecidas (por exemplo, começar repetindo o que você diz e passar a completar frases) Comunicar-se não só para pedir, mas para fazer escolhas e comentários ou responder questões simples (como perguntas do tipo Sim ou Não) Trocar de papéis com você Começar a brincadeira por conta própria Usar as participações que ele já conhece em novas brincadeiras Brincar com outras pessoas conhecidas O que você pode fazer Para ajudar seu filho a participar constantemente, repita as Brincadeiras com Gente com freqüência. Quanto mais vocês brincarem juntos uma Brincadeira com Gente, mais provável será que seu filho participe para garantir a continuação da brincadeira. Mude a maneira de seu filho pedir, fornecendo modelos para suas participações. Inclua frases úteis nos seus modelos, de maneira que seu filho possa transferir palavras das brincadeiras para outras situações (por exemplo “Dá” “Me dá”, “Pára”, “Vai”, “Quero mais”, “Já”). À medida que o seu filho progredir, use menos modelos e dê dicas mais naturais, como frases para completar ou mostrar expectativa, para incentivá-lo a usar mais palavras espontaneamente. Arranje mais motivos para seu filho se comunicar • Apresente escolhas dentro da brincadeira. Por exemplo, pergunte ao seu fi- lho, que tipo de cócegas ele quer (“grandes” ou “pequenas”), onde ele quer cócegas (“na barriga” ou “debaixo dos braços”) ou onde procurar a mamãe (“no guarda roupa” ou “atrás da porta”) • Inclua perguntas do tipo Sim ou Não nas suas Brincadeiras com Gente (por exemplo: “Você quer parar?”). • Mude a brincadeira de maneira a dar uma oportunidade para ele comentar. Adicione alguma coisa nova à Brincadeira, faça algo inesperado ou alguma bobeira criativa para criar mais oportunidades para participações verbais, como pedidos, respostas e comentários. O pai espera que Taís olhe para mostrar-lhe que quer mais “sobe”. Mais tarde, ele diminui o ritmo e espera que ela tenha a mesma participação antes de ler “sobe” no livro dela. 156 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 157 Guilherme e o seu pai têm brincado de Pega-pega do mesmo jeito há bastante tempo. Por exemplo, o pai de Guilherme adiciona alguma coisa nova – uma caixa - na sua brincadeira de Pega-pega. Quando Guilherme nota a caixa, seu pai aponta para ela e diz “Olha! Uma caixa!”. Depois de brincar desta maneira por algumas semanas, o pai de Guilherme diz “Olha!” e espera que Guilherme complete a frase. Incentive seu filho a trocar de papéis com você, para que ele possa experimentar alguma coisa sob o ponto de vista de outra pessoa. Por exemplo, se você normalmente é o pegador, mude a brincadeira: o seu filho passa a pegar você! Se quem recebe as cócegas for sempre ele, está na hora de ele fazer cócegas também. Quando o pai de Guilherme põe uma caixa no chão, tem alguma coisa nova para fazer e sobre a qual falar durante a brincadeira. Planeje a situação de maneira que seu filho possa iniciar a brincadeira. Se você tem dado constantemente o mesmo modelo de palavras e ações para começar a brincadeira, seu filho pode ter aprendido como pedir para brincar. Ajude-o a pedir, dando algumas dicas sobre como começar a brincadeira. Por exemplo, você fica em uma posição associada a uma das brincadeiras ou vai para a sala onde vocês normalmente brincam disso. Pôr uma figura ou foto da brincadeira onde o seu filho possa ver, também pode lembrá-lo de pedir para brincar. Para que ele comece, você pode dar uma sugestão do tipo “Eu quero brincar” e, então, esperar que diga ou faça algo mostrando que também quer brincar. Faça com que seu filho brinque com outras pessoas. As Brincadeiras com Gente são as situações ideais para que irmãos e irmãs possam começar a brincar de maneira interativa por um tempo mais longo. Inclua também os avós, tios e tias primos e os amigos do seu filho. Se ele freqüenta a pré-escola ou creche, fale com sua professora sobre as brincadeiras já conhecidas para que possa praticá-las com alguns colegas na escola. 158 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 159 Seu “comunicador básico” aprenderá a fazer e falar mais nas Brincadeiras com Gen- te se ele trocar de papéis e brincar com outras pessoas. Brincadeiras de Gente no estágio de Parceria Seu filho pode brincar muitas Brincadeiras com Gente com você e com outras pes- soas. Ele fala espontaneamente, mas a maior parte da sua linguagem pode conti- nuar vindo da repetição das suas palavras. Nesse estágio, muitas crianças não se limitam a fazer pedidos, mas também fazem perguntas e sugerem mudanças na brincadeira. As brincadeiras para as crianças no estágio de Parceria começam a se tornar mais complexas e menos “dirigidas” que as brincadeiras para crianças nos outros estágios. Nesse estágio, os objetivos do seu filho são: Participar de brincadeiras nas quais ele possa se comunicar por vários motivos, especialmente para compartilhar seus pensamentos espontaneamente Participar de brincadeiras mais complexas, com novos tipos de participação Praticar vocabulário e gramática novos (por exemplo, fazendo e respondendo perguntas que começam com “O que”, “Quem” e “Onde”) Adicionar algumas brincadeiras de “faz de conta” às brincadeiras Brincar com outras crianças O que você pode fazer Mude a maneira de seu filho se comunicar. Já que a maioria das crianças no estágio de Parceria usa um pouco de ecolalia, você pode continuar fornecendo modelos de comentários e perguntas para o seu filho copiar. Ajude seu filho a se comunicar por uma série de motivos durante as Brincadeiras com Gente. Uma das melhores maneiras de expandir as fronteiras da comunicação do seu filho para fora do “roteiro” da brincadeira é introduzir novidades. Tente algumas “bobeiras criativas”. Agora que ele é um Brincador experiente, fazer alguma coisa fora do comum provavelmente chamará sua atenção e o incentivará a fazer algum comentário. Fingir que você não sabe como brincar pode levar seu filho a explicar as regras para você! Veja o que o pai de Fábio faz em uma brincadeira conhecida de “Roda-roda-roda”, e o efeito que isso tem sobre a comunicação de Fábio. Ajude seu filho na arte da conversação. Tente falar sobre o que está acontecendo enquanto vocês brincam. Por exemplo, faça um elogio sobre como ele está brincando (todo mundo gosta de elogios!). Numa brincadeira de Pega- Pega, por exemplo, você pode dizer para o seu filho: “Você corre rápido. Eu corro devagar” e esperar que ele comente. Mantenha o assunto com alguma questão simples como “Você corre na escola?”, ou sugira correr em outro lugar No início, a mãe é quem pega o César. Depois, ele se transforma em pegador. Quando o pai finge que não sabe como brincar, Fábio tem uma chance de ensiná-lo. 160 Capítulo 5 e pergunte-lhe aonde quer ir. Pense em muitas maneiras de manter a conversa andando. No entanto, não bombardeie seu filho com muitas perguntas – isso praticamente garante o fim da conversa. Ajude seu filho a brincar de maneira mais complexa criando novas fases na brincadeira. Por exemplo, adicione obstáculos diferentes a uma brincadeira de Pega-pega para torná-la mais interessante. Uma cadeira que precisa ser escalada ou uma cama para pular em cima tornam a brincadeira mais estimulante para seu filho e lhe dão oportunidades para fazere dizer coisas novas. Ajude seu filho a trabalhar seu vocabulário e habilidades gramaticais. Por serem repetitivas, as Brincadeiras com Gente dão oportunidades para que seu filho pratique repetidamente seu vocabulário e habilidades gramaticais. Por exemplo, se ele precisa de ajuda com perguntas começadas com “Onde”, brinque de Esconde- Esconde, na qual a questão “Onde está o/a (nome da pessoa)?” é usada muitas vezes. Nas Brincadeiras com Gente, você pode escolher como alvo qualquer palavra ou forma gramatical que o seu filho precisa trabalhar. Um fonoaudiólogo pode ajudá-lo a decidir quais alvos escolher. Introduza imaginação nas brincadeiras. Introduza o “faz-de-conta” em todas as Brincadeiras com Gente. Num Pega-Pega, por exemplo, você pode ser Lobo Mau e o seu filho um dos três porquinhos. Se não correr rápido, o porquinho vai ser comido no jantar! Talvez seu filho goste de cócegas do “Monstro das Cosquinhas” ou brincar de Esconde-Esconde com seu bichinho de pelúcia preferido. Então você pode fingir que o bichinho fica triste ou surpreso quando alguém o encontra. Enquanto você representa, torne-se o monstro ou o lobo mau e mantenha-se no papel! Vai ser mais divertido para vocês dois. Além disso, mostrando o que esses personagens dizem e fazem, você dá ao seu filho algo para copiar quando é a vez dele de representar o papel. (Veja o Capítulo 11 para mais informações sobre faz de conta.) Ajude seu filho a brincar com outras crianças. Depois que ele tiver muita prática nas brincadeiras com você e a família, estará pronto para brincar com outras crianças. Ensine ao novo parceiro as regras da brincadeira, para que brinquem da mesma maneira que seu filho conhece. A maioria das brincadeiras nesta seção é apropriada, com adaptações, para crianças em todos os estágios de desenvolvimento da comunicação. Escolha brincadeiras que dêem ao seu filho as sensações que ele precisa e evite aquelas que possam estimulá- lo demais. Algumas sugestões de tipos de brincadeiras que ele pode gostar foram dadas no início deste capítulo (p.149). Nesta seção, você encontrará uma descrição detalhada de como brincar de “Achou!”, Esconde-esconde, Cosquinhas, Pega-pega, Cavalinho e Aviãozinho para crianças em cada um dos quatro estágios de comunicação. Para adaptar outras brin- cadeiras para o seu filho, veja a seção anterior “Adapte as Brincadeiras com Gente para o estágio de comunicação de seu filho”, neste capítulo. Achou “Achou” é uma das primeiras Brincadeiras com Gente que as crianças aprendem. Ponha uma coberta sobre seu filho. Tire então a coberta para “descobri-lo” e diga “Achou!” Planeje quais participações seu filho pode ter para manter a brincadeira andando e quando pode participar – enquanto a coberta está sobre ele ou depois que você o descobriu. Os tipos e número de participações dependem do estágio de comunicação da criança. Variações do Achou: Ponha a coberta sobre você em vez da criança. Agora a participação do seu filho na brincadeira é tirar a coberta. Se possível, arranje mais alguém que o mantenha interessado na brincadeira enquanto você estiver sob a coberta. Se ele estiver no estágio de Interesses Próprios ou de Pedidos, essa terceira pessoa também pode guiar a mão do seu filho para a coberta, se necessário. Se o seu filho gosta da sensação de pressão sobre o seu corpo, esconda-o sob alguns travesseiros ou almofadas. Se ele gosta da sensação de maciez sobre a pele, você pode usar uma coberta feita de tecido macio, como flanela ou tecido aveludado. As Brincadeiras com Gente ficam mais divertidas ainda quando você acrescenta o faz-de-conta. Algumas Brincadeiras com Gente para você e seu filho O Tiago gosta de se esconder sob uma coberta macia quando brinca de “Achou”. 162 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 163 “Achou” no estágio de Interesses Próprios O que você pode esperar As participações do seu filho vão mudar à medida que ele brinca muitas vezes. Inicialmente, pode não fazer nada, mas mais tarde você pode esperar que ele faça algumas das coisas a seguir: Mexer-se embaixo da coberta Olhar rapidamente para você quando a coberta é tirada Emitir um som antes que a coberta seja tirada Tirar a coberta Sorrir ou rir O que você pode fazer Transmita animação logo no começo – levante a coberta e exagere o que está para fazer. Quando seu filho estiver embaixo da coberta, diga numa voz animada: “Cadê (o nome do seu filho)?” Depois de alguns segundos, tire a coberta e diga: “Achou!” ou “É o (o nome do seu filho)!” Repita a brincadeira até seu filho não fugir mais depois que a coberta for tirada. A partir da próxima vez que você cobri-lo, não tire a coberta imediatamente. Espere até que ele mesmo empurre a coberta. Ele pode fazer outra coisa também – tal como se mexer sob a coberta ou emitir um som. Nesse estágio, trate qualquer coisa que fizer como sua participação e então tire a coberta, dizendo “É o (nome do seu filho)!” Vá aumentando gradualmente o tempo para colocar a coberta sobre o seu filho e antes de tirá-la. Provoque-o para que peça para cobri-lo, segurando a coberta sobre sua cabeça e olhando como quem espera. Ele pode participar puxando suas mãos para baixo de maneira que fique sob a coberta e continue a brincadeira. Luana gosta da sensação de pressão sobre seu corpo, então sua mãe a esconde sob alguns travesseiros. “Achou” no estágio de Pedidos O que você pode esperar Nesse estágio, seu filho vai brincar por mais tempo e mostrar-lhe que quer conti- nuar a brincar usando determinado som ou ação. Se você criar oportunidades, ele pode ter novas participações. Você pode esperar que ele aprenda a fazer algo do seguinte: Pedir com um olhar, ação ou som que você ponha ou tire a coberta de sua cabeça Copiar a sua contagem de dedos Tirar a coberta dele mesmo ou de você para manter a brincadeira andando Pedir para você pôr a coberta sobre a cabeça dele puxando sua mão Acenar um “oi” O que você pode fazer Comece a brincadeira levantando a coberta enquanto seu filho olha para você. Diga algo como “Vou esconder o Tiago”. Então esconda seu filho sob a coberta. Diga “Cadê o Tiago?”. Depois de alguns segundos de espera, espere que o seu filho tire a coberta. Então diga algo como “É o Tiago!” ou “oi” e acene um “oi” para o seu filho. Espere que o seu filho use um som, ação ou ambos para mostrar-lhe que quer ser escondido novamente. Brinque deste jeito até que seu filho participe consistentemente antes e depois de ser coberto Adicione novas participações à brincadeira conhecida. Por exemplo, adicione contagem (“um, dois, três”) ao começo da brincadeira e acene um “oi” com um fantoche quando tirar a coberta. Seu filho pode copiar essas ações. Se ele não copiar seu modelo de abanar a mão para dizer “oi”, você pode ajudá-lo guiando sua mão em um “oi”. Depois, dê apenas um tapinha no ombro para estimulá-lo a dizer “oi”. Mude o jogo depois que o seu filho tiver dominado as participações da brincadeira original. Ponha a coberta sobre sua cabeça em vez da do seu filho. Use as participações aprendidas no “Achou” em outras brincadeiras. Por exemplo, brinque de esconder atrás da porta ou da cortina. Certifique-se de manter o mesmo “roteiro”. Se a participação do seu filho for tirar a coberta da cabeça, ele pode empurrar a porta ou a cortina para aparecer e fazer a sua parte. 164 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 165 “Achou” no estágio de Comunicação básica O que você pode esperar Nesse estágio, seu filho está brincando por mais tempo e participando com palavras ou ações. Ele pode até fazer um comentário sobre a brincadeira por conta própria. Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas: Tirar a coberta Dizer “oi” ou “estou aqui” quando a coberta for retirada e acenarOlhar para você e usar um gesto, palavra ou frase para pedir que continue a brincadeira Completar frases, tal como “Cadê o (nome da pessoa embaixo da coberta)?” Responder questões simples, muitas vezes repetindo a última palavra que você disse (por exemplo, questões de escolha, tais como “Coberta em cima da mamãe ou do Tiago?”) Responder a perguntas do tipo Sim ou Não, sacudindo a cabeça ou com uma palavra. Começar a brincadeira entregando-lhe uma figura ou jogando a coberta em você ou nele mesmo, dizendo “Cadê (nome da pessoa embaixo da coberta)?” Fazer um ou dois comentários Usar as participações que aprender nessa brincadeira em outras atividades Brincar de “Achou” com outras pessoas conhecidas O que você pode fazer Brincar de “Achou” muitas vezes: de manhã, na hora de dormir e no mínimo mais uma vez durante o dia. Se quiser que o seu filho acene e diga algo como “Sou eu” ou “Oi” quando a coberta é tirada, faça com que os modelos dessas palavras e ações chamem atenção: diminua o ritmo antes de apresentá-los. À medida que seu filho for aprendendo os modelos, vá dando dicas cada vez menos explícitas, como iniciar a sentença com “Sou...” e mostrar expectativa enquanto espera que ele complete a frase. Assim que seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, você pode apresentar escolhas enquanto brincam, como escolher onde seu filho gostaria de se esconder: “Travesseiro ou coberta?”. Quando vocês tiverem um repertório de algumas brincadeiras, faça que o seu filho escolha entre as brincadeiras. Você pode colocar figuras das brincadeiras para escolher em um quadro. (Veja o capítulo 7 para saber No início, Tiago espera que a sua mãe tire a coberta. Depois o Tiago sai da coberta por conta própria! A mãe mostra a Tiago omo participar de uma nova maneira – acenando um “oi” para o pai. 166 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 167 mais sobre Painel de Opções.) Envolva outras pessoas na brincadeira e então deixe que seu filho escolha quem se esconderá sob a coberta: “Papai ou Tiago?”. Varie a brincadeira fazendo alguma coisa inesperada, como a mãe de Tiago faz na figura. Quando se levanta e foge com a coberta sobre ela, dá ao pai uma oportunidade ideal de comentar sobre sua travessura: Tiago repete o que o pai diz. Continue procurando novas coisas inesperadas para manter os comentários acontecendo! Quando seu filho estiver brincando e participando freqüentemente, estimule-o a trocar de papéis com você. Se ele tem sido escondido sob a coberta, tente que ele esconda você. Enquanto estiver escondida, você não poderá mostrar-lhe o que fazer. Então, se possível, envolva o pai, avô ou avó, irmã, irmão ou babá na brincadeira. Se o seu filho precisar de uma dica, esta terceira pessoa pode desempenhar o papel de “Ajudante”, dizendo “Cadê a mamãe?” e começar a puxar a coberta da sua cabeça. Ajude a criança a começar o jogo por conta própria. Deixe a coberta de esconder convenientemente visível e dê uma dica como “Olha, a coberta de esconder”. Faça seu filho experimentar suas novas habilidades de comunicação em outras brincadeiras e atividades. Esconda-se atrás da cortina, procure por brinquedos escondidos ou acene “oi” para pessoas da janela. Ache um livro que faca a mesma pergunta que você faz na brincadeira, como “Cadê o Bolinha”de E. Hill. Quando seu filho estiver conhecendo bem a brincadeira, inclua outros membros da família. Traga uma irmã/ão ou a vovó, então pergunte quem deve se esconder sob a coberta, “Vovó ou Ana?” Lembre-se de explicar para a pessoa exatamente como você vem brincando, de maneira que ela possa oferecer as mesmas oportunidades para seu filho se comunicar. Esconde-esconde Quando seu filho está no estágio de Comunicação Básica ou no de Parceria, pode estar pronto para mudar de “Achou” para “Esconde-esconde”. Como em “Achou”, no “Esconde-esconde” seu filho pode se esconder em lugares apertados ou ser coberto por travesseiros e cobertas. Mas o Esconde-esconde oferece a ele maior variedade de participações. O Esconde-esconde nos estágios de Comunicação básica e de Parceria Ensine essa brincadeira ao seu filho fazendo com que ele comece se escondendo - há menos demandas para a pessoa que se esconde. Ajude-o a se esconder atrás do sofá, embaixo de uma cadeira ou atrás de uma cortina. Conte devagar até dez, e então diga “Estou indo”, “Lá vou eu” ou “Cadê o (nome da criança)?” Ache seu filho. Depois, você e seu filho podem trocar de papéis - ele será o “pegador”. Quando começar a brincar assim, precisará de uma terceira pessoa para modelar a participação do seu filho. O que você pode esperar Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas: Esconder e então procurar Contar para começar a brincadeira Falar para o “escondido” que está chegando (repetindo seu modelo ou usando suas próprias palavras) Dizer para o “escondido” que ele foi achado (Por exemplo: “Peguei você / Te peguei” ou “Achei você / Te achei”) Anunciar de quem é a vez de se esconder e quem será o pegador Completar frases usando palavras Responder perguntas com palavras ou gestos Fazer perguntas tipo Sim ou Não, Onde/Cadê e Quem (no estágio de Parceria) Fazer comentários O que você pode fazer Forneça modelos para as participações do seu filho. Por exemplo, enquanto está procurando, use as palavras que ele pode dizer quando for o pegador: “Cadê você? Onde está você?” ou “Estou te vendo!” Quando seu filho estiver procurando, inclua uma outra pessoa que o acompanhe. Ela pode dizer coisas que seu filho diria se pudesse, como “Cadê a mamãe?” e “Será que a mamãe está Quando a mãe de Tiago faz algo inesperado, dá-lhe uma nova razão para se comunicar – comentar sua bobeira. 168 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 169 na cozinha?”. Essa pessoa também pode esconder-se com seu filho, dizendo algo como “Você me achou!” quando forem descobertos. Dê a dica certa para ajudar seu filho participar. No começo, seu filho pode precisar de ajuda física tanto para ficar escondido como para procurar. Quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, dê dicas menos explícitas. Espere que a criança “complete as frases” para que complete comentários como “Mamãe não está no...”, quando abre a porta do quarto. Faça perguntas no seu nível (por exemplo, “Você está vendo a mamãe?” no estágio de Comunicação Básica e “Quem está escondido?” para a criança no estágio de Parceria). À medida que a criança progredir, dê pistas como “Estou escutando a mamãe” ou “Mamãe não está na cozinha”. Seu filho pode também precisar de instruções, tais como “Comece a contar”, ou instruções do que falar, tais como “Diga, estou indo”. Quando seu filho aprender a participar da brincadeira, torne-a mais complexa. Faça de conta que não consegue encontrar seu filho e procure em diversos cômodos, dizendo “Mamãe está procurando na cozinha. Nada do (nome do seu filho). Mamãe está procurando atrás da porta. Nada do (nome do seu filho)”. Quando por fim você achar seu filho, diga: “Ah, você está ai” ou “Estou te vendo”. Quando seu filho estiver muito familiarizado com a brincadeira, troque de papéis para que ele participe como “Pegador”. Esse papel dá mais oportunidades de participações verbais. Incentive seu filho a usar o mesmo roteiro que você usou quando procurava por ele. Cócegas ou Cosquinhas Muitas crianças pequenas gostam de Brincadeiras com Gente envolvendo algum tipo de toque ou pressão profunda, tais como cócegas, batidinhas leves, massagem ou abraço. Esses tipos de brincadeiras são especialmente atraentes para crianças que buscam ativamente essas sensações. Um toque firme ou pressão profunda podem ter um efeito calmante sobre algumas crianças. Em vez de fazer cócegas, tente dar-lhe alguns apertões firmes, mas gentis, acima da sua barriga.É gostoso dar e receber cócegas. Fique frente a frente com seu filho enquanto brinca de cócegas, para que ambos possam ver as reações do outro. Erga sua mão na posição de cócegas e, em uma voz bem animada, diga “Cosquinhas!”. Espere para que seu filho participe e então faça cócegas de maneira divertida, dizendo “Cos- quinhas, cosquinhas, cosquinhas!”. Certifique-se de que você e seu filho estejam frente a frente quan- do brincar de Cócegas. Se ele es- tiver sentado numa cadeira, ajoe- lhe-se em frente. Se estiver deitado, deite-se ao lado, de frente para ele, ou incline-se sobre ele para que fi- quem olhando um para o outro. No começo seu filho pode se esconder... ... depois pode ser o pegador. 170 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 171 O pai espera por um sorriso e uma tentativa de alcançar suas mãos antes de fazer cócegas. Luana conta nos dedos da sua mãe para conseguir cócegas. Cócegas no estágio de Interesses Próprios O que você pode esperar A brincadeira de Cócegas será curta no começo. Seu filho pode fugir depois da primeira cosquinha. Mas você pode esperar, depois de algum tempo, que ele faça algumas das seguintes coisas: Olhar brevemente pra você Tentar alcançar sua mão Sorrir e rir O que você pode fazer Faça a brincadeira de Cócegas ficar empolgante, sendo muito animado e fazendo cócegas no seu filho por pouco tempo, mas com muito entusiasmo. Repita as cócegas e, gradualmente, espere cada vez mais tempo com suas mãos na “posição de cócegas” antes de fazer cócegas de novo. Isso lhe dá oportunidade de sorrir, olhar para você ou puxar suas mãos na direção dele. Lembre-se que ele pode fazer somente uma dessas coisas, todas elas juntas ou mesmo mais alguma outra. Talvez ele mova seu corpo em sua direção ou comece a rir. Trate qualquer reação da criança como se tivesse pedido para fazer-lhe cócegas de novo. Quando você descobrir como seu filho participa, pode dar- lhe dicas para que participe de novo. Por exemplo, se ele puxar suas mãos para baixo, garanta que a posição das suas mãos permita que ele as puxe de novo. Cócegas no estágio de Pedidos O que você pode esperar Nesse estágio, espere seu filho pedir por cócegas, provavelmente puxando sua mão. Ele pode começar pedindo por mais depois que tiver brincado de cócegas algumas vezes, mas somente se você lhe der a oportunidade, parando e mostrando expectativa. À medi- da que seu filho progride, vai brincar por mais tempo e participar de outras maneiras. Você pode esperar do seu filho faça alhumas das coisas seguintes: Olhe para você Faça um gesto ou som para pedir por Cócegas Sorria ou ria Guie seus dedos quando você contar, depois imite sua contagem nos próprios dedos e, finalmente, complete a seqüência de contagem levantando o dedo da própria mão. Faça um movimento que indique onde quer cócegas (por exemplo, levantando os braços para pedir cócegas debaixo dos braços). O que você pode fazer Adicione participações à brincadeira de Cócegas contando até três, tanto oralmente como nos dedos, antes de fazer cócegas no seu filho. No início, você precisa apresentar modelos exagerados de contagem de dedos. Depois, espere um pouco para que seu filho o imite. Se não imitar, pode precisar ajuda física para levantar os dedos. (Se o seu filho levantar os seus dedos - não os dele - antecipando o que você faria, deixe que essa seja a participação dele). Finalmente, incentive-o a completar a frase levantando três dedos nas mãos dele enquanto você conta “Um, dois...”. Se ele não levantar os três dedos, ajude-o levantando os seus dedos (não os dele) e repetindo “Um, dois...” Espere que ele copie você. Assim que participar, faça-lhe cócegas. Crie novas oportunidades para seu filho dizer que quer mais. Por exemplo, você pode perguntar-lhe se deseja continuar brincando dizendo “Mais?” ou “De novo?” e modelar um gesto de cabeça para “sim” e outro para “não”. Ou você pode ensinar o sinal manual para “mais”. Faça cosquinhas no seu filho em outras partes do corpo, como nariz, debaixo dos braços ou nas pernas. Exagere os nomes das partes do corpo antes de fazer- lhe cócegas. Depois, espere antes de continuar a brincadeira para lhe dar chance de dizer que quer mais, levantando o braço ou a perna. 172 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 173 Depois de um tempo fazendo cócegas em diferentes partes do corpo, tente introduzir uma escolha entre duas opções. Se disser “Cosquinha no nariz ou cosquinha no braço?” e o seu filho levantar o braço, saberá que ele aprendeu o significado dessas palavras. Ele também aprendeu a se comunicar não somente para pedir, mas também para responder. Mude a maneira do seu filho pedir. Com modelos exagerados repetidos, ele pode começar a dizer “Có...” quando puxa sua mão em direção a ele para pedir cócegas, ou fazer o gesto de cócegas ou um sinal manual para “mais”. Cócegas no estágio de Comunicação básica O que você pode esperar Seu filho gosta de fazer e receber cócegas e pode brincar por um longo tempo. Você pode esperar que ele aprenda algumas das coisas a seguir: Pedir por cócegas de maneira consistente, com gestos ou palavras. Completar frases, tais como “Eu quero... (cosquinhas)”. Responder perguntas de escolha sobre qual tipo de cócegas quer, principalmente repetindo a última palavra ouvida; responder questões do tipo Sim ou Não sobre onde quer as cócegas (por exemplo: “No nariz?”) Fazer um ou dois comentários Começar a brincadeira com você e outras pessoas O que você pode fazer Forneça modelos das suas participações e então dê as dicas certas para ajudá-lo a fazer a sua parte. Diga isso da maneira que ele faria se pudesse, como “Quero cosquinha” ou “na perna”. Para ajudar seu filho a aprender a responder perguntas sobre onde quer as cócegas, forneça dicas visuais e dê oportunidades para completar frases. Por exemplo, aponte para uma parte do corpo, como seu braço, e diga “Cosquinhas no...” e espere que diga “braço”. Faça perguntas no seu nível, como “Quer uma cosquinha ou uma coscona?”. Ou uma pergunta do tipo Sim ou Não como “Quer mais cosquinha?”. Não faça muitas perguntas e pergunte em situações naturais, para que a brincadeira não vire um questionário. Aumente os motivos pelos quais seu filho se comunica, fazendo o inesperado e oferecendo opções. Se ele pede por cócegas nos braços, provoque-o fazendo cócegas na sua cabeça. Talvez ele corrija o seu “erro”, dizendo que não pediu aquilo. Ofereça opções que ajudarão seu filho a aprender palavras novas. Por exemplo, pergunte “Você quer cócegas no nariz ou nos ombros?” ou “Quer uma cosquinha grande ou uma cosquinha pequena?”. Troque de papéis, para que seu filho possa fazer e receber cócegas. Pode ser mais fácil para ele trocar de papel se tiver um “aparelho fazedor de cócegas” – algo que ele possa usar para fazer cócegas, como um espanador de penas, por exemplo. O “Fazedor de cócegas” funciona também como um lembrete visual da brincadeira. Nesse estágio, está na hora da família toda entrar na brincadeira. Mostre aos outros como brincar e incentive-os a brincar com seu filho sempre que puderem. Se ele tiver um irmão ou irmã, certifique-se de que ambos possam fazer e receber cócegas. Para incentivar seu filho a começar a fazer cócegas em outro membro da família, tente uma dica – “Papai precisa de umas cosquinhas”, mais uma dica visual, como apontar para o papai. Faça com que seu filho teste suas novas habilidades de comunicação em brincadeiras parecidas. Faça cócegas nele primeiro e então façam cócegas em todos os seus bonecos ou bichinhos de pelúcia, chamando o nome de cada um que receber as cócegas. Cócegas no estágio de Parceria O que você pode esperar Nesse estágio, você e seu filho estarão participando de forma mais equilibrada. Ambos estarão participando fazendocócegas um no outro e pode perguntar e res- ponder questões sobre a brincadeira. Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas: Responder mais perguntas sobre a brincadeira Dizer o que você deve fazer – por exemplo, onde fazer cócegas, em quem fazer cócegas Usar suas próprias palavras – por exemplo, para anunciar em quem ele vai fazer cócegas Brincar imaginativamente e com outras pessoas O que você pode fazer Além de brincar da mesma maneira que brincaria com uma criança no estágio de Comunicação Básica, tente fazer perguntas do tipo “Q”, tais como “Qual tipo de cócegas você quer?” ou “Onde você quer cócegas?” “Em que lugar você quer cócegas?” ou “Em quem vamos fazer cócegas?”, “Quem faz cócegas?” No entanto, lembre-se de não bombardear seu filho com perguntas. Se ele não conseguir responder a uma pergunta, pergunte de novo e mostre um modelo enfático da resposta. Por exemplo, se não conseguir responder a “Em quem vamos fazer cócegas?” diga “Em quem vamos fazer cócegas? Vamos fazer 174 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 175 cócegas no Papai”. Você pode então refazer a pergunta para dar-lhe uma chance de responder sozinho. Você pode introduzir brincadeiras de faz-de-conta fazendo cócegas nos animais de pelúcia e bonecos do seu filho, fingindo que eles estão pedindo “Mais cosquinhas”, “cosconas”, ou “cosquinhas na cabeça”. Há muitas possibilidades para ampliar a brincadeira de Cócegas, evitando ficar preso à mesma coisa por muito tempo. Nesse estágio, seu filho pode até ter suas próprias idéias sobre como brincar. Pega-pega Brincadeiras com correria são as favoritas de crianças que estão sempre em mo- vimento. Pega-pega é uma brincadeira na qual você corre atrás do seu filho para pegá-lo ou que ele corre atrás de você! Depois que seu filho aprender a brincadeira com você, será mais fácil incluir outras crianças e brincar no parque ou na escola. Pega-pega no estágio de Interesses Próprios O que você pode esperar No começo, seu filho provavelmente não terá qualquer participação, mas depois de um tempo você poderá esperar que ele: Comece a olhar para você quando estiver correndo Tente continuar correndo quando você conseguir pegá-lo, empurrando sua mão Ria sorria e olhe para você quando pegá-lo O que você pode fazer Comece a brincadeira quando seu filho estiver correndo de você. Chame seu nome e diga “Vou te pegar” e aponte para ele. Então, corra atrás dele enquanto repete “corre, corre, corre”. Torne a brincadeira muito divertida e finja que não consegue pegá-lo. Então, depois de alguns segundos, pegue-o levantando-o ou dando-lhe um grande abraço e diga: “Te peguei!”. Segure-o por alguns segundos. Diga: “Corra!” ou “Vai!”, antes de deixá-lo sair correndo novamente. Repita a brincadeira desse jeito. Gradualmente seu filho vai começar a olhar para trás, esperando que você vá pegá-lo. Para ajudá-lo a fazer isso, a cada vez que vocês brincarem, espere um pouco mais antes de deixá-lo ir. Você está esperando por uma nova participação – um olhar do seu filho que quer dizer “Me solta! Me deixa ir” Pega-pega no estágio de Pedidos O que você pode esperar Nesse estágio, seu filho provavelmente incluirá você na sua brincadeira de correr e entenderá o que deve fazer para conseguir que você o persiga. Você poderá esperar algumas das seguintes coisas: Pedir que você o persiga, olhando para você quando estiver correndo Rir enquanto olha para você Olhar para você e empurrar sua mão quando conseguir pegá-lo Emitir um som depois que você disser “Um, dois e ... já!”. O que você pode fazer Brinque exatamente da mesma maneira que você faria com uma criança no estágio de Interesses Próprios, mas agora não pegue seu filho muito rápido. Espere que ele participe voltando-se e olhando para você. Quando pegá-lo, espere que empurre sua mão para lhe mostrar que quer correr de novo. 176 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 177 Quando seu filho estiver familiarizado com a brincadeira, adicione uma nova oportunidade para que ele se comunique quando for pego. Você pode dizer “Pronto? Um, dois, três e já!” antes de soltá-lo, e, à medida que ele ficar familiarizado, dê um modelo parcial (isto é, “Pronto? Um, dois e ...”). Espere que ele complete a frase com um som ou um movimento. Pega-pega no estágio de Comunicação básica O que você pode esperar Nesse estágio, seu filho aprende como conseguir que você o persiga imitando seu modelo. Para começar a brincadeira você pode dizer “Corre”, “Me pega”, “Pronto? Um, dois, três e já!”.Você poderá esperar algumas das seguintes coisas: Começar a brincadeira de Pega-pega olhando para você e dizendo “Corre!” ou “Me pega!”. Repetir o que você diz para manter a brincadeira acontecendo. Completar uma frase para manter a brincadeira, como “Pronto? Um, dois, três e já!”. Responder perguntas de escolha, tais como “Você quer correr rápido ou devagar” e perguntas do tipo Sim ou Não, como “Você quer pegar o Papai?”. O que você pode fazer Mude a brincadeira, criando oportunidades para novas participações. Comece a brincadeira dizendo “Corre!” “Me pega!” ou “Pronto? Um, dois, três e já!”. Corra para diferentes cômodos na casa enquanto diz: “Corre! Para a cozinha!” ou “Corre! Para o banheiro!”. Depois que tiver brincado de Pega- Pega muitas vezes, você pode oferecer ao seu filho uma escolha sobre onde ele quer ir: “Cozinha ou banheiro?”. Você pode ainda transformar o Pega-pega em uma corrida de obstáculos. Bloqueie o caminho do seu filho ou ponha algumas almofadas no caminho. Então modele um comentário, como “Olhe! Uma caixa!”, “Opa!”, ou alguma coisa que ele possa dizer para continuar a brincadeira, tal como “Sai!”. com seu filho e faça com que ele pegue você. Mostre um modelo do que dizer como pegador. Diga “Pega a mamãe!” e fuja dele. Logo ele pode começar a dizer “Pega a mamãe”, também. Se incluir outras pessoas na brincadeira, seu filho pode aprender a generalizar sua participação, dizendo “Pega o Papai!”, “Pega o Alessandro !”, etc. O pai de Guilherme muda a brincadeira pondo um “bloqueio” no caminho. O pai de Álvaro muda a brincadeira sendo ele mesmo o “bloqueio”. 178 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 179 Pega-pega no estágio de Parceria Pega-pega no estágio de Parceria é mais elaborado que para uma criança em qual- quer outro estágio, já que ela pode responder a mais tipos de perguntas e gerar suas próprias idéias. O que você pode esperar Durante a participação do seu filho você pode esperar que seu filho faça algo como: Pedir verbalmente que você o persiga Responder suas perguntas (por exemplo: “Você quer me pegar?”) Imitar seus modelos Fazer perguntas O que você pode fazer A brincadeira apresenta muitas oportunidades para que seu filho se comunique por outras razões, além de pedir que você o persiga ou deixe-o correr. Se você montar um percurso com obstáculos, ele pode falar os nomes dos obstáculos enquanto você tenta pegá-lo, em volta de um vaso de planta, sobre a cama ou de um quarto para o outro. Ele pode sugerir novos objetos para colocar no percurso e como o percurso deve ser percorrido. Se o seu filho estiver pronto, inclua alguma brincadeira de faz-de-conta. Em vez de ser o papai, você pode ser o personagem de uma história que ele gosta (por exemplo, o Lobo Mau) ou um dragão malvado. Finja que ele é um porquinho ou um pequeno dinossauro que você quer “jantar”. Depois troque os papéis e deixe que seu filho tente pegar você para jantar. Cavalinho Na Brincadeira de Cavalinho, seu filho sobe nos seus ombros ou, se ele gosta da sensação de pressão profunda, pode deitar- se de barriga para baixo sobre suas costas para uma “cavalgada”. Quando você parar, a participação dele será pedir que recome- ce. Subsequentemente, seu filho poderá lhedizer quando parar e quando andar. Cavalinho no estágio de Interesses próprios O que você pode esperar Assim como em todas as brincadeiras, as participações do seu filho vão mudar à medida que brinca mais e mais vezes. Inicialmente, ele pode sair do “cavalo” rapi- damente, mas mais tarde você pode esperar que ele faça algo do seguinte: Rir ou sorrir durante a “cavalgada” Mover seu corpo quando o “cavalinho” parar Emitir sons quando o “cavalinho” parar O que você pode fazer No início, dê uma pista da brincadeira ficando de quatro e dizendo “Cavalinho!” com animação. Se você relinchar, provavelmente vai obter atenção. No começo, só faça com que seu filho “curta” a cavalgada. Repita a brincadeira dizendo “Upa” quando se move para frente, então “Ôa, pára!”. Aumente gradualmente o tempo de espera, de maneira que seu filho possa indicar que quer continuar. Se ele não fizer nada, tente mover seu corpo um pouquinho para frente e então pare. Cavalinho no estágio de Pedidos O que você pode esperar Você pode esperar do seu filho algumas das seguintes coisas: Rir ou sorrir durante a “cavalgada” Mover seu corpo quando o “cavalinho” parar Bater no cavalo para fazê-lo andar Dizer alguma coisa que soe como “Upa” quando o “cavalinho” parar. (Relincho) 180 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 181 O que você pode fazer Brinque de Cavalinho como se fosse com uma criança no estágio de Interesses Próprios, mas espere um pouco mais pela participação do filho quando o “cavalinho” parar. Cavalinho no estágio de Comunicação básica O que você pode esperar Você pode esperar que ele aprenda algumas das seguintes coisas: Dizer “Upa” e “Ôa, pára”, primeiro copiando você e depois por conta própria Fazer uma escolha (“Rápido ou devagar”, por exemplo) Começar a brincadeira dizendo “cavalinho” ou empurrando você para a posição de cavalinho Comentar sobre alguma coisa nova Responder uma pergunta do tipo Sim ou Não, como “Quer mais uma voltinha?”. O que você pode fazer Forneça modelos verbais de “Upa” e “Ôa, pára”. Tente dar modelos que tornem mais fácil para seu filho completar frases: “Pai – upa!”, “Pai – Ôa, pára!” Prolongue a brincadeira fazendo o cavalo andar mais rápido ou mais devagar, e de um cômodo para o outro. Então ofereça opções tais como “Quer ir rápido ou devagar?”, ou “Cozinha ou quarto?” Ou ponha obstáculos no caminho do cavalo para estimular seu filho a comentar sobre a nova situação (“Opa!” ou “Olha uma cerca!”) ou dizer-lhe como fazer (“Pule!”, por exemplo) Cavalinho no estágio de Parceria O que você pode esperar Você pode esperar que seu filho faça algumas dessas coisas: Responda perguntas sobre a brincadeira (“Para onde você quer ir?”) Diga o que fazer (Por exemplo, “Upa! Vai mais rápido, papai!” ou “Ôa! Vai mais devagar, cavalinho!”) Compartilhe suas idéias comentando (“Cavalinho legal” ou “Cavalinho bobo”) O que você pode fazer O “Cavalinho” usual torna-se uma brincadeira mais elaborada nesse estágio. Você pode introduzir brincadeira de “faz-de-conta”. Seu filho pode gostar de fingir que está ca- valgando o cavalo até a escola ou que o cavalo precisa beber água. Lembre-se que seus modelos e comentários ajudarão seu filho a inventar novas idéias tanto quanto ou mais do que se você ficasse fazendo um monte de perguntas. Por exemplo, se você disser “Este cavalo está muito cansado”, ele pode dizer “Vai dormir, cavalo”. No entanto, se disser “O que o cavalo deve fazer?” a brincadeira pode acabar depressa se ele não con- seguir elaborar uma resposta. Aviãozinho Nas brincadeiras de Aviãozinho, você joga seu filho para cima, levanta-o em pé sobre seus joelhos, leva-o em um passeio sobre suas pernas e então o coloca de volta no chão. Como pode perceber, há muitas variações de Aviãozinho. Se o seu filho gosta de movimento, vai gostar pelo menos de uma dessas brincadeiras. Aviãozinho no estágio de Interesses Próprios O que você pode esperar Neste estágio, seu filho pode não participar. No começo pode fugir depois de apenas uma seqüência de “decolagem” e “aterrissagem”. Mais tarde você pode esperar que ele faça o seguinte: Olhe para você quando jogá-lo para cima. Olhe para você quando colocá-lo no chão. Levante os braços ou o corpo para pedir mais. O que você pode fazer Consiga a atenção do seu filho e então comece a brincadeira. Mantenha seus braços em posição de pegá-lo quando perceber que ele está olhando para você e diga “Sobe?” Pegue-o e jogue-o para cima sobre sua cabeça dizendo “Sobe”. Ponha-o de volta no chão e estenda os braços para cima na direção dele, perguntando “Sobe?”.Mesmo que não responda, levante-o dizendo “Sobe” e continue a brincar da mesma maneira. Não espere por muito tempo no começo, porque ele ainda não saberá o que fazer. Cada vez que você brincar, espere mais tempo antes de levantá-lo. Dê-lhe uma dica, estendendo-lhe os braços, para que ele levante o corpo ou os braços ou olhe para você. 182 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 183 Aviãozinho no estágio de Pedidos O que você pode esperar Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas: Olhar para você e levantar os braços ou o corpo. Emitir um som direcionado a você Olhar para você para pedir que o coloque no chão. Fazer contagem nos seus dedos Imitar você, contando nos próprios dedos O que você pode fazer No começo da brincadeira adicione a contagem: “Um, dois, três – sobe!” (Veja Cócegas no estágio de Pedidos, pág. 171, para informações sobre como adicionar a contagem na brincadeira). A contagem prepara seu filho para o divertimento que virá a seguir e cria oportunidades para novas participações. Se ele não imitar sua contagem de dedos, ajude-o guiando seus dedos à medida que diz cada número. Aviãozinho no estágio de Comunicação básica O que você pode esperar Você pode esperar que seu filho aprenda algumas das seguintes coisas: Olhar para você e pedir para “subir” usando uma só palavra (“Sobe!”). Olhar para você e pedir para voltar para o chão com uma só palavra (“Desce!”) Copiar a contagem nos dedos e repetir os números para continuar brincando. Completar várias frases durante a contagem (Um, ___, três, por exemplo) O que você pode fazer Se o seu filho está começando a “ecoar”, ajude-o a participar verbalmente estimulando-o a completar as frases durante sua contagem “Um, dois....”. Faça-o saber que você quer sua participação: diminua o ritmo antes do “três” e espere para dar-lhe oportunidade de completar. Quando ele estiver dominando a brincadeira, pode ter várias participações: completar as frases para todos os números. Inclua também algumas frases de apoio, tais como “Eu quero...”. Pouco a pouco, vá falando cada vez menos, para que seu filho possa completar a frase por conta própria. Acrescente novos movimentos à brincadeira para que seu filho participe de outras maneiras. Faça-o girar em vez de jogá-lo para cima. Então você pode oferecer-lhe uma escolha durante a brincadeira: “Subir ou rodar?”. Faça coisas inesperadas. Quando ele disser que quer descer, deixe-o lá em cima ou coloque- o em um lugar diferente, como na cama ou no sofá. Aviãozinho no estágio de Parceria O que você pode fazer Adapte o jogo de maneira que seu filho tenha muitas oportunidades de participar verbalmente: abaixá-lo para o chão bem devagar algumas vezes e então fazer isso depressa, modelando a fala que descreve o que está fazendo. Então ofereça uma opção: “Você quer ir rápido ou devagar?” Você pode levantar seu filho sobre sua cabeça e perguntar “Você quer subir ou subir muito alto?” Introduza brincadeiras de faz-de-conta, fingindo que o seu filho é um passarinho ou um avião. Modele sons de pássaros e aviões assim como as palavras que ele pode usar em brincadeiras de faz-de-conta, como “O avião está descendo. Ai não! Vai bater!”Outras Brincadeiras com Gente para todos os estágios Cavalinho-Aviãozinho É como o “aviãozinho”, exceto que seu filho sobe em suas costas para “voar”. Roda-roda-roda “Roda-roda-roda” é uma canção que oferece oportunidades para seu filho aprender e praticar as palavras Palma, palma, palma (os participantes batem palmas) Pé, pé, pé (os participantes batem os pés) Roda, roda, roda (os participantes rodam sobre si mesmo ou de mãos dadas em roda) Caranguejo peixe é! (os participantes se agacham) Você também pode começar praticando com um verso de cada vez A galinha do vizinho A galinha do vizinho bota ovo amarelinho (os participantes dão-se as mãos e rodam) Bota um Bota dois Bota três ..... Bota nove Bota dez! (os participantes se agacham) As cantigas dessas brincadeiras de roda permitem que seu filho aprenda e pra- tique as palavras para palmas, pés, roda, agachar, levantar e contar. 184 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 185 Plantar bananeira Se o seu filho gosta de ficar de cabeça para baixo e de “bumbum” para cima, transforme isso em uma Brincadeira com Gente. Quando ele puser sua cabeça no sofá, tente levantar suas pernas. Diga “sobe” quando levantá-las e “desce” quando abaixá-las. Cambalhota no ar Convide seu filho para brincar de cambalhota no ar, estendendo seus braços e dizendo o nome da brincadeira. Segure as mãos dele enquanto fica de frente para você. Então o ajude a subir nas suas pernas e no final gire-o sobre si mesmo. Um, dois, três e Roda! Brinque da mesma maneira que você brinca de Aviãozinho, só que em vez de jogar seu filho para cima, balance-o segurando seus braços e diga “Um, dois, três e (pausa)” balança! (ou “vai!”, ou “oba!”). Se você ainda não estiver dizendo “Um, dois, três” em outras brincadeiras, tente outra frase repetitiva, como “Atenção, preparar - balança”!, ou invente algo usando o nome do seu filho, por exemplo “Tiago está subindo, subindo, subindo” e “Tiago está descendo, descendo, des- cendo!” Você pode tentar essa brincadeira em um balanço de verdade. Algumas crianças ficam muito interativas e atentas quando estão balançando. (Veja o Capí- tulo 11, página 395 para saber como usar balanços nas Brincadeiras com Gente.) Você fazer Brincadeiras com Gen- te” em balanços, dando oportunidades para seu filho dizer ou fazer alguma coisa antes de empurrá-lo. Um, Dois, e lá vão os ...Três! no meio de duas pessoas Um, dois, e lá vão os Três! É divertido para brincar quando seu filho está andando entre você e um outro adulto. Segure nas mãos dele e então o levante no ar enquanto diz: “Um, dois, três e lá vão os ...três!. Se já estiver contando em outras brinca- deiras, mude “Um, dois, e lá vão os ... três”, para algo novo como “É hora de balançar!” ou “Lá vamos nós – sobe!” Cabo de Guerra (Um, dois, três -Puxa!) Se o seu filho gosta de segurar-se às coisas, uma brincadeira de cabo de guerra não satisfaz somente esta neces- sidade, mas também o ajuda a interagir e se comunicar. Para brincar, cada um segura em uma ponta de uma toalha ou lençol, dependendo do que ele preferir. Diga: “Um, dois, três ... puxa!” e então puxe o tecido de maneira gentil mas firme. Um, dois, três – Pula! Brinca-se de Um, dois, três – Pula! da mesma maneira que “Aviãozinho”. Mas em vez de levantar seu filho sobre sua cabeça, segure suas mãos e pulem juntos dizendo: “Um, dois, três, pula!” Se ele gos- ta de pular, pode providen- ciar uma mini cama elásti- ca, encontrada em lojas de material esportivo. Se ele usar a cama elástica, não es- queça de interromper os pulos para que tenha a oportunidade de pedir mais. Seu filho pode gostar de cambalhotas! 186 Capítulo 5 Promovendo interações usando Brincadeiras com Gente 187 Brincadeira com bola grande Uma bola grande o suficiente para que seu filho possa sentar-se sobre ela é ideal para Brincadeiras com Gente. Seu filho pode sentar-se so- bre ela, deitar-se de barriga para baixo, ajoelhar-se enquanto você o segura. Bata suavemente a bola e diga “Atenção, preparar – já!” ou “Um, dois, três – pula” ou “Pula, pula, em cima da – bola!”. Crie oportunida- des para que seu filho participe, de acordo com seu estágio de comunicação. Montanha de travesseiros Esta brincadeira oferece uma série de estímulos – correr, pular e sentir pressão sobre o corpo. Junto com seu filho, monte uma montanha de travesseiros ou almofadas, colocando-os uns sobre os ou- tros. Enquanto vai construindo a montanha, conte cada traves- seiro ou almofada, levantando os dedos para indicar os núme- ros. Diga, então: “Vamos pular!” e ajude seu filho a pular para cima das almofadas e travesseiros. Você também pode ajudar seu filho a correr para tomar impulso. Assim que ele souber brincar, há vários pontos durante esta brincadeira onde você pode interromper a ação para que seu filho participe. Se estiver no estágio de Pedidos, sua participação pode ser ajudar a construir a montanha e então pular; se estiver no estágio de Comunicação Básica, pode completar a frase quando você disser “Atenção, preparar e ....!” Uma criança no estágio de Parceria pode ser incentivada a dizer se a montanha vai ser alta ou baixa ou muito alta e quem vai pular primeiro. Brincadeiras que ajudam seu filho a entender comandos simples As crianças nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos estão aprendendo a entender o que você fala. Você pode ajudar seu filho a atender a alguns comandos básicos de uma etapa só, transformando em brincadeiras as orientações do dia-a- dia. Se você tiver uma atitude positiva para ensinar, essas brincadeiras podem ser tão divertidas como as que já descrevemos. Brinque usando a Regra do “Ajudan- te”: “Peça uma vez e espere. Então peça de novo, acrescentando ajuda”. Brincadeira do “Vem aqui” Comece a brincadeira enquanto seu filho estiver correndo de você. Quando não estiver muito longe, chame seu nome e diga “(nome do seu filho), vem aqui”. Para ajudá-lo a atender, faça com que outro adulto guie-o até você. Mais tarde, seu filho pode correr de um para o outro entre você e a outra pessoa. Se precisar motivar seu filho a ir até você, providencie uma coisa gostosa ou um brinquedo querido. Assim que seu filho chegar, faça festa, abrace-o, jogue-o para cima ou dê-lhe o “presentinho”. Vá retirando a ajuda física e o presentinho assim que puder. Então tente cha- má-lo quando estiver mais longe de você. Use outras oportunidades durante o dia para praticar sua resposta dele ao “Vem aqui”. Por exemplo, quando o almoço estiver pronto, chame seu nome e diga “Vem aqui” mesmo que normalmente você vá buscá-lo ou leve o almoço para ele. Cadeira maluca Nessa brincadeira, você ensina seu filho a sentar-se e então transforma esse mo- vimento em uma brincadeira. Para começar, leve-o para uma cadeira macia, uma cadeira giratória ou um sofá e peça que sente. Se não atender, peça de novo e então o ajude a sentar-se. Quando ele se sentar, elogie-o, faça festa, faça-o pular sobre a almofada ou gire-o na cadeira giratória. Repita isso várias vezes ao dia, reduzindo pouco a pouco a ajuda que você dá. Assim que seu filho tiver aprendido a sentar-se quando pedido, você pode fazer a brincadeira ficar muito mais divertida. Envolva-se na brincadeira. Por exemplo: diga “Senta” e então aposte corrida até uma cadeira, sentem-se juntos em muitos lugares diferentes ou deixe que seu filho sente-se sobre você. Trans- formando o ato de sentar-se em brincadeira, ele vai gostar de aprender a seguir uma instrução importante enquanto se diverte. E se você introduzir “senta” natu- ralmente no seu dia-a-dia, pedindo “senta” para almoçar ou “senta” para ver TV, ele começará a generalizar seu novo repertório. 188 Capítulo 5 No começo deste capítulo dissemos que “tudo o que seu filho precisa saber sobre comunicação pode ser aprendido em uma Brincadeira comGente”. Em uma Brin- cadeira com Gente, tal como em uma conversa, seu filho precisa manter-se no as- sunto, participar e responder à pessoa que estiver brincando com ele. Para ajudá-lo a se comunicar, estruture suas Brincadeiras com Gente usando as recomendações R.O.D.A. Repita o que faz e diz todas as vezes que brincar; brinque freqüentemente; ofereça oportunidades para que seu filho lhe mostre que tipo de participação pode ter; dê dicas para que ele participe; quando possível, use dicas naturais que não atrapalhem o ritmo da brincadeira. Mais importante de tudo – mantenha a brinca- deira animada e divertida! Nem todas as crianças aprendem a falar com as Brincadeiras de Gente. No en- tanto, com certeza aprendem muito sobre a natureza recíproca da interação. Mas o melhor de tudo é que seu filho nem vai perceber que está ganhando mais do que bons momentos com sua pessoa preferida – você. Resumo Ajude seu filho a entender o que você diz Para que seu filho entenda a ligação entre o mundo real e as palavras, primeiro precisa entender o que está acontecendo à sua volta. Mas entender o mundo nem sempre é fácil. O processamento das informações pode ser difícil para ele e, por- tanto, vocês podem ter impressões diferentes da mesma situação. Por exemplo, se o seu filho alinha os brinquedos porque gosta de olhar o padrão formado, o que ele entende por “brincar” provavelmente é diferente do que você entende. Mesmo que seu filho entenda uma situação, pode não entender as palavras que a acompanham. 6 190 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 191 Imagine-se como um turista perdido em um país estrangeiro, pedindo informações para alguém. Se a pessoa responder na língua local, você provavelmente não vai entendê- la Mas assim que perceber sua total incompreensão, ela ajustará automaticamente sua linguagem. Pode ajudá-lo a entender o caminho falando menos – trocando suas frases longas e complexas por outras curtas e simples, e também enfatizando somente as pala- vras-chave para a compreensão. Também pode diminuir a velocidade da fala, mostrar-lhe o caminho em um mapa, e apontar a direção correta. E se ainda assim você não entender, ela pode repetir as palavras e os gestos importantes até que entenda. Depois de tudo isso, você acha o caminho e até aprende uma palavra ou outra em uma nova língua! Roberto parece entender o significado de “Vamos para a escola” Em outra situação, as palavras “vamos para” não significam nada para Roberto. Parece que Roberto entendeu a frase da sua mãe quando o car- ro parou na frente da escola, mas é provável que tenha entendido por já ter feito a mesma coisa muitas vezes. Os pais de Roberto ajudaram-no a compreender a situação, introduzindo repetições e previsibilidade na sua vida. Agora eles devem ajudá-lo a en- tender também as palavras relacionadas à situação. Neste capítulo, você aprenderá como ajustar sua maneira de falar para melho- rar a compreensão do seu filho sobre o que as pessoas fazem e dizem para ele. Esse homem fala muito rápido com os turistas, usando sentenças longas. Eles têm dificuldade para entendê-lo. Agora o homem mudou a maneira de falar com os turistas. Ele os ajuda a entender suas informações falando menos, repetindo e enfatizando poucas palavras-chave, diminuindo a velocidade da fala e mostra- lhes o caminho apontando e usando o mapa. 192 Capítulo 6 Seu filho pode sentir a mesma frustração de alguém tentando entender uma língua estrangeira. No Capítulo 1, discutimos como a maioria das crianças com atrasos de linguagem tem dificuldade em assimilar o que ouvem. Isso quer dizer que elas têm dificuldade para: Entender o que você diz Ouvi-lo quando há outros sons e visões Organizar o que ouvem Juliano não entende o que sua mãe disse. Mesmo que seu filho saiba o significado de uma determinada palavra em uma situação, ele pode não entender o que ela significa em outro contexto. Isto acontece porque seu filho tende a asso- ciar um único significado a cada palavra. Para ajudar seu filho a entender o que você diz, faça os mesmos tipos de ajuste que faria para alguém aprendendo uma nova língua. A mãe de Juliano faz os mesmos ajustes que o mexicano fez para os turistas. Fala menos, dá instruções precisas e troca a sentença “guardar aquelas coisas” pelo nome das coisas (“brinquedos”) e o nome do lugar para onde elas devem ir (“na caixa”). Quando ela repete e enfatiza essas palavras-chave várias vezes, enquanto aponta para os brinquedos e para a caixa, Juliano finalmente consegue entender a mensagem! O menino aprendeu que “chamar” significa “dizer em voz alta o nome de alguém”. Ele pensa que “chamar” só tem esse significado. Fale pouco e enfatizando, Devagar e demonstrando! 194 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 195 Para ajudar a lembrar de como ajustar o que você diz para facilitar a compreensão do seu filho, use a seguinte rima: Fale pouco Simplifique o que você diz Use sentenças e nomes curtos e claros Simplifique o que diz “Fale pouco” significa que você deve falar com seu filho no nível de entendimento dele, o que depende do estágio de comunicação em que se encontra. Dê todas as instruções em palavras claras e simples. Na maioria das vezes você precisa dar uma dica visual ao mesmo tempo em que dá as instruções. Por exemplo, quando está na hora de dormir, diga “Hora de dormir” e mostre-lhe seu pijama. Use sentenças e nomes curtos e claros Como regra geral, use nomes e sentenças curtos e claros, dando para seu filho so- mente a informação essencial. Se ele está começando a entender a fala, use palavras simples para nomear os objetos, pessoas e ações pelas quais demonstre interesse. Tente não demorar antes de nomear. Se você disser “Suco” depois que a atenção do seu filho mudou para outra coisa, sua palavra perde o sentido. Para crianças com melhor compreensão, diga sentenças, mas nunca longas, complexas ou ambíguas. Repetindo e Repisando! Fale pouco e Enfatizando Devagar e Demonstrando Lucas não consegue entender o que o seu pai está dizendo. Quando o pai usa uma frase simples e mostra para Lucas sobre o que está falando, ele consegue entender exatamente o que fazer. 196 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 197 Enfatize Exagere as palavras-chave Ponha as palavras-chave no fim das sentenças Use palavras DIVERTIDAS Exagere as palavras-chave Enfatizando as palavras-chave, você consegue a atenção do seu filho e as torna mais evidentes. Para enfatizar certas palavras, diga-as em voz mais alta ou use um tom exagerado. Use a maneira mais natural possível. Cada criança reage de maneira diferente a níveis altos de animação. Uma crian- ça mais passiva, que parece não ligar para o que você fala, normalmente responde melhor a uma voz mais alta e animada. No entanto, também há crianças passivas que vão retrair-se ou ficar estressadas se você “forçar” muito a voz. Pelas reações do seu filho, você saberá o que é mais adequado para ele. Ponha a palavra-chave no fim das sentenças Como o seu filho relembra a última coisa que ouve, se você colocar as palavras importantes ou chave no fim das sentenças, vai chamar sua atenção para essas pa- lavras e torná-las mais fáceis de serem lembradas. Fazendo seu filho prestar atenção às palavras importantes, você também o ajuda a entendê-las. Quando seu filho tiver entendido as palavras-chave, não será mais necessário colocá-las no fim das sentenças. O objetivo é que seu filho entenda o sentido das palavras independente do lugar em que elas se encontram na sentença. Para mais informações sobre a ordem das palavras, veja o Capítulo 2, página 82. Devagar Faça pausas entre palavras e frases Seja natural Pausas entre palavras e frases Se você faz pausas entre palavras ou frases, dá tempo ao seu filho tanto para processar as coisas que ouve como paraapresentar uma resposta. Para ter certeza de que ele entendeu o que você disse, primeiro diga a sentença inteira como faria normalmente e, então, repi- ta a mesma sentença com pausas que ressaltem as palavras-chave. Você pode fazer isso usando montagens e desmontagens, que serão discutidas mais tarde neste capítulo. Seja natural Tente falar o mais naturalmente possível, para ajudar seu filho a entender o significado do que você está falando. Seu objetivo é evitar perder os ritmos e entonações naturais que ajudam seu filho a entender a fala. Se você fala muito devagar ou separa as pala- vras que funcionam como uma só, tais como “Vem aqui”, “Muito bem”, ou “Eu quero”, seu filho pode achar mais difícil entender, não mais fácil. Se você exagerar na “roboti- zação”, ele pode falar da mesma maneira quando finalmente imitar seu modelo. Demonstre Demonstre com objetos reais Demonstre com ações e gestos Demonstre com figuras Demonstre com palavras escritas Como seu filho aprende melhor se puder visualizar o que está ouvindo, se você com- binar o que você diz com dicas visuais – objetos reais, ações, gestos, figuras ou pala- vras escritas – aumenta a capacidade do seu filho para entender suas palavras. Essas dicas visuais permanecem na cabeça dele depois que as palavras faladas vão embora. (Veja o Capítulo 7 para saber mais sobre dicas visuais). Demonstre com objetos reais No começo, seu filho pode precisar ver objetos reais para fazer a ligação entre palavras e coisas. Por exemplo, quando você lhe diz que está na hora de entrar no carro, mostre- lhe as chaves do carro. Quando for hora de ir para cama, mostre-lhe seu pijama. Demonstre com ações e gestos Se o seu filho não entende suas palavras, ações e gestos mostrarão exatamente o que você quer dizer. Por exemplo, quando pergunta a ele se quer beber alguma coisa, finja que está segurando um copo. Então, traga sua mão à boca como se estivesse bebendo. Outra forma de ajudá-lo a entender o mundo é apontando objetos, pessoas ou lugares quando fala sobre eles. Será mais fácil de entender se usar gestos, tais como balançar a cabeça ver- ticalmente ao dizer “sim”, balançar de um lado para o outro quando disser “não”, além de exagerar suas expressões faciais, particu- larmente quando sorrir e fizer cara de bravo. Seu filho perceberá melhor suas expressões se vocês estiverem frente a frente. Diga “não” e demonstre isso 198 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 199 Demonstre com figuras (fotos, ilustrações) Quando não tiver as coisas reais à mão, as figuras podem ajudar seu filho a en- tender o que você está falando. Por exemplo, uma figura do suco na porta do refrigerador mostra para ele o que tem lá dentro. As figuras também mostram o que ele fará durante o dia (sua agenda para o dia). Podem mostrar-lhe, inclusive, como deve se comportar em determinadas situações. Demonstre com palavras escritas Algumas crianças se interessam pelas palavras escritas desde muito pequenas. A leitura dá a seu filho uma nova ma- neira de conseguir informação e depois pode ajudá-lo a se expressar. Mesmo que ele ainda não possa ler, mostre palavras escritas junto com as figu- ras correspondentes, de forma que possa começar a fazer ligação en- tre as duas formas de linguagem. Repetindo e repisando Crie oportunidades para que seu filho ouça as novas palavras usadas sempre que pos- sível e em muitas situações diferentes durante o dia. Por exemplo, se ele aprendeu a entender “Sobe” em uma Brincadeira com Gente, tente usar essa palavra outras vezes, como “Vamos subir” quando estiver subindo escadas, ou em canções, como “Dona Aranha” e “Cobra no pé de limão” (Veja Capítulo 9). A próxima seção descreve como adaptar as recomendações “Fale pouco e en- fatizando/Sem pressa e demonstrando/Repetindo e repisando!” para o estágio de comunicação do seu filho. Como ajustar o que você diz aos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos Fale pouco Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos Use nomes específicos para pessoas, objetos e ações Use o nome do seu filho quando falar com ele Enfatizando Use palavras DIVERTIDAS Devagar Faça pausas entre as palavras Seja natural Demonstrando Demonstre com objetos reais Demonstre com ações, gestos e expressões faciais exageradas Demonstre com figuras (fotos, ilustrações) Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos Nomeie o que seu filho olha ou faz com uma ou duas palavras simples. Nomear não o ajuda somente a fazer ligação entre as palavras e as coisas, mas também lhe dá modelos verbais que pode depois usar. Quando você nomeia, elimine palavras como “um, uma, uns, umas” e “o, a, os, as”. Se o seu filho vê nomes escritos sobre as fotos de um álbum de família, pode começar a reconhecer os nomes e “lê-los”. 200 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 201 Use os nomes específicos das pessoas, objetos e ações. Evite palavras como “isto”, “ela/ele”, “este” e “lá”, porque são imprecisas. Nomeie as coisas pelas quais seu filho demonstrar interesse usando seus próprios nomes. As palavras “biscoito”, “livros” e “Caio” dão ao seu filho mais informações do que as palavras “isto”, “deles” e “ele”. Use o nome do seu filho quando falar com ele As palavras “você” ou “tu” podem confundir seu filho, porque se referem a muitas pessoas diferentes. Chamar seu filho pelo seu próprio nome evita que ele se con- funda e o ajuda a aprender seu próprio nome. Em vez de dizer “Mamãe ama você” ou “Mamãe te ama”, diga “Mamãe ama Mateus”. Use palavras DIVERTIDAS Palavras DIVERTIDAS, assim como os sons de animais, como “muu” e “miau” e a tão usada palavra “Oi” são muito atrativas para todas as crianças. Muitas das palavras DIVERTIDAS são fáceis de serem lembradas e entendidas, porque estão associadas a objetos, ações e padrões de entonação específicos. As palavras DIVERTIDAS ficam ainda mais fáceis de entender se você exagerar o que disser e fizer. Por exem- plo, se você disser “Êêêê!” e movimentar as mãos como se estivesse escorregando cada vez que seu filho desce em um es- corregador, ele pode associar a palavra DIVERTIDA “Êêêê” com brincar em um escorregador. Aqui estão algumas outras palavras DIVERTIDAS e as ações associadas que seu filho pode gostar: Tchau! (acene) Opa! (ponha a mão na cabeça) Ai! Ui! (exagere a cara de dor; esfregue a parte do corpo que você ou seu filho machucou) Eca! (exagere a cara de nojo) Hummmm! (esfregue a barriga) “Êêê” (movimente as mãos como se estivesse escorregando) Em algumas situações, você pode conseguir a atenção do seu filho repetindo bem depressa a mesma palavra vá- rias vezes. É muito mais divertido para seu filho se disser “Corre! Corre! Corre!” ou “Sobe! Sobe! Sobe!” com muita animação na voz, do que se disser as mesmas palavras ape- nas uma vez. Repita as palavras rapidamente para enfatizá-las e motivar seu filho. O pai da Taís deixa-a entusiasmada repetindo “sobe” várias vezes. Em vez de dizer o nome do que Caio está olhando (pizza), a mãe de Caio fala do suco. Isto é confuso para ele. Quando a mãe do Caio fala sobre o que ele está interessado, ela o ajuda a entender o que “pizza” significa. A mãe fala com a Renata usando poucas palavras e enfatiza o “abre”, por que descreve o que a filha quer. Palavras DIVERTIDAS como “opa” são gostosas de ouvir, fáceis de entender e fáceis de repetir. 202 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 203 Demonstre com objetos reais Enquanto diz nomes das coisas importantes para o seu filho, mostre-lhe os objetos reais que se referem às palavras. Por exemplo, segure seu livro, mostre-lhe e diga “livro” ou levante seu pijama enquanto diz “pijama”. Se ele for um “aprendiz mão na massa”, faça com que toque e segure o objeto. Depois de um tempo, você pode parar de mostrar os objetos e esperar para ver se ele entendeo que diz sem a dica visual. Quando não precisar mais ver o objeto para entender, você pode apenas falar. A mãe mostra o livro a Carlos para ajudá-lo a entender o que está dizendo. Demonstre com ações, gestos e expressões faciais exageradas Junte ações, gestos e expressões faciais exageradas às suas palavras para mostrar para seu filho o que você quer dizer. Ações e gestos incluem encenar; fazer mímica do significado das palavras, usar sinais manuais e apontar para as coisas. Encene ações grandiosas e óbvias, de maneira que ele preste atenção. Fique frente a frente quando encenar as ações para que ele possa vê-lo. Alguns sinais e gestos que aju- dam as crianças nesses estágios a compreender estão ilustrados abaixo. Sim e Não Movimentos exagerados de cabeça para baixo e para cima no “sim” e de um lado para o outro em “não”. Oi e Tchau Acene com a mão. Para cima/Sobe Aponte o dedo para cima. Para baixo/Desce Aponte para baixo. Pronto / Acabou Deslize batendo a palma da mão sobre a palma da outra mão como se estives- se limpando-as. Mais Forme um “O” com as mãos, com as palmas e as pontas dos dedos frente a frente. Vem (para mim) Braço, mão e dedos acenando em sua direção. 204 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 205 Aponte para lugares e objetos que chamem a atenção do seu filho, para ajudá-lo a associar suas palavras a coisas reais. Você também pode pôr a mão dele sobre o que está olhando, para garantir que ele veja o objeto ao qual se refere. Esta técnica funciona melhor se você seguir os interesses dele, em vez de seguir os seus. Além de apontar para as coisas sobre as quais fala, apontar para sua própria boca pode ajudar seu filho a entender mais sobre linguagem falada. Apontar para a boca e exagerar a maneira de fazer certos sons chama a atenção para a maneira de falar e, então, perceber como ele mesmo poderia dizer. Demonstre com figuras (fotos e ilustrações) Tire algumas fotos dos alimentos, brinque- dos e pessoas preferidas e mostre-as para seu filho quando falar sobre eles. Se ele gosta de vídeos, mostre-lhe a figura ou foto na caixa do vídeo e diga o nome do vídeo antes de colocá-lo no aparelho. Desta ma- neira, seu filho vai começar a entender que as figuras podem representar coisas e que a coisa e a figura têm o mesmo nome. Como ajustar o que você fala no estágio de Comunicação Básica Fale menos Use sentenças simples, em Português gramaticalmente correto Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos Diga os nomes das pessoas após dizer os pronomes Enfatizando Use montagens e desmontagens Use palavras DIVERTIDAS Devagar Fale com seu filho de duas maneiras: • de maneira a ajudar que ele entenda • de maneira a ajudar que ele fale Demonstrando Demonstre com objetos, gestos e figuras/imagens (fotos/ilustrações) Use sentenças simples, em Português gramaticalmente correto. Manter artigos como “um/uma/uns/umas” e “o/a/os/as” permite ao seu filho ouvir os ritmos naturais da fala, ajudando a transmitir o significado das sentenças. Por exemplo, quando falar com seu filho, diga: “Você é um menino engraçado!” em vez de “Você menino engraçado!”. Nomeie objetos, pessoas, ações e acontecimentos. Nomear o que seu filho olha ou faz, ajuda a fazer a ligação entre palavras e coisas e fornece um modelo verbal que ele mesmo pode usar mais tarde. Quando sua mãe mostra a figura do suco, Mariana começa a entender o que está dentro da geladeira. 206 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 207 Diga os nomes das pessoas depois de usar pronomes Pronomes, em especial as palavras “eu”, “me/mim” e “você/tu”, podem ser bem complicados. Seu filho pode repetir esses pronomes da maneira como os ouve, sem entender o que significam. Você pode ter notado que quando pede um suco, ele diz: “Você quer água” em vez de “Eu quero água”. Nós já vimos que você pode ajudar seu filho a aprender quais pronomes usar fornecendo um modelo a partir do ponto de vista dele, ou dizendo algo “como ele faria se pudesse”. Mas ele também precisa aprender o que os pronomes significam. Para ajudar a esclarecer o sentido de palavras como “eu”, “me/mim” e “você/tu”, use o pronome correto e então adicione o nome de seu filho ou o nome da pessoa a quem você está falando. Por exemplo, diga: “Você, Adam, está indo para a escola”. Para evi- tar confusão entre fornecer um modelo do que o seu filho deveria dizer e esclarecer o significado dos pronomes, tente escolher um momento especial para trabalhar a com- preensão dessas palavras. As refeições são momentos ideais, porque seu filho pode ver como você usa pronomes enquanto fala com os outros membros da família. Use montagens e desmontagens Lembre-se que seu filho é um “aprendiz gestalt” (veja o Capítulo 1, página 15). Isso significa que pode entender uma sentença inteira como um todo, mas não as palavras que a compõem individualmente. Duas técnicas – chamadas montagens e desmontagens – podem ajudá-lo a entender o que cada palavra da sentença signi- fica e como as palavras se combinam. Em uma montagem, comece dizendo cada parte da sentença e então “monte” as partes e forme a sentença completa. Por exemplo: “Gorro (aponte para o gorro). Vista (faça o gesto). Vista o gorro.”. Os pais de Fábio ajudam-no a entender o significado de “você” e “eu”, usando nomes depois dos pronomes. Para ajudar seu filho a entender cada palavra, comece com uma palavra e a seguir monte sentenças curtas. 208 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 209 Uma desmontagem começa com a sentença inteira que depois é dividida em partes. Por exemplo, “Pegue sua colher e coma o cereal. Pegue colher. Colher (aponte para a colher). Coma cereal. (aponte para a tigela de cereal). Cereal (gesto ou apontando para a tigela)”. Na maior parte do tempo, você usa uma combinação de montagens e desmontagens. A mãe do Danilo começa dizendo a sentença inteira e depois a desmonta em partes menores, apontando para o objeto sobre o qual está falando. Então, monta a última parte da sentença de novo. (“Coma o cereal”). Fale com seu filho de duas maneiras Você deve sempre falar as coisas “como seu filho falaria se pudesse” quando ele está motivado para falar, mas não acha as palavras certas. Mas e todas aquelas vezes nas quais não conta que o seu filho diga algo? Nelas, precisa falar de uma segunda maneira – para ajudá-lo a entender o que as palavras significam. Quando estiver ajudando seu filho a entender o que você diz, use comentários e nomes que lhe dêem informações, mas não aqueles que você escolheu para que ele repita. Agora, a mãe do João está ajudando-o a pedir suco, enfatizando as palavras que ele pode usar para solicitar algo. Demonstre com objetos, gestos e figuras À medida que seu filho se desenvolve, você pode usar cada vez mais dicas visuais para ajudá-lo a entender o mundo. Figuras - sejam fotografias, desenhos ou mesmo símbolos - podem ajudar a explicar o que está sendo dito quando os objetos reais não estiverem à vista. As figuras também podem explicar os acontecimentos do dia e o que as pessoas sentem (veja o Capítulo 7). Apontar também pode chamar a atenção do seu filho para o que você está dizendo. Além de apontar para objetos e pessoas próximas, tente apontar para ob- jetos, pessoas e acontecimentos um pouco mais distantes. Embora apontar seja mais efetivo quando acompanha o interesse do seu filho, nesse estágio você também pode apontar para coisas que ele não notou por conta própria. A mãe de João o ajuda a entender que as coisas têm nomes. 210 Capítulo 6 Ajude seu filho a entender o que você diz 211 Como ajustar o que você diz no estágio de parceria Converse com seu filho de duas maneiras: • uma para ajudá-lo a entender • outra para ajudá-lo a falar Use montagens e desmontagens Repita o que seu filho disser, corrigindo os erros Apresente seus próprioscomentários e idéias Demonstre com Agendas de Figuras, Painel de Opções e Histórias Pessoais Converse com seu filho de duas maneiras: Converse com seu filho para ajudá-lo a entender. Uma criança no estágio de Parceria entende muitos tipos de palavras em uma série de sentenças. A não ser que tenha uma grande dificuldade com a produção da fala propriamente dita, ele fala e pode ter pequenos diálogos. No entanto, essas conversas podem se romper se ele não entender você. Se o seu filho não entende o que você diz, pense em uma maneira mais simples de expressar sua mensagem ou perguntar-lhe alguma coisa. Lembre-se de como o pai de Fábio ajudou-o a entender o que a garota do parque disse. Converse com seu filho de maneira a ajudá-lo a falar. Lembre-se: mesmo os Parceiros ainda dependem muitas vezes dos seus modelos verbais para se expressar. Quando seu filho não consegue achar as palavras certas ou comete erros, você precisa ajudá-lo a dizer as palavras a partir do ponto de vista dele – dizendo-as “como ele faria se pudesse”! O pai ajuda Fábio a entender o que foi dito, simplificando a frase da garota. O Lucas não entende o que seu pai quer... ... então, seu pai diz novamente o que quer e assim Lucas consegue entender – de maneira clara e específica. 212 Capítulo 6 Use montagens e desmontagens Embora seu filho já entenda sentenças mais longas, ainda pode estar usando trechos inteiros que memorizou sem entender o significado. Então, você precisa desmontar as sentenças e então montá-las novamente para mostrar-lhe como as palavras se jun- tam. (Veja detalhes no Estágio de Comuni- cação Básica, na pág. 205). À medida que seu filho for progredin- do, use as montagens e desmontagens tam- bém para ajudá-lo a entender mais palavras abstratas: palavras de ligação (porque, p.ex.), preposições (p.ex. depois) e algumas palavras usadas em perguntas (p.ex. como e por que). Demonstre com Agendas de Figuras, Painéis de Opções e Histórias Pessoais. Seu filho pode beneficiar-se de todos os tipos de dicas visuais, como Agendas de Figuras, Painéis de Opções e Histórias Pessoais (veja no Capítulo 7). As Agendas de Figuras e os Painéis de Opções são ferramentas feitas de figuras que ajudarão seu filho a entender o que ele pode fazer durante o dia e em suas atividades. As figuras também podem repre- sentar conceitos abstratos, como passado, futuro e emoções humanas, mais concretas para o seu filho. As Histórias Pessoais podem ajudá-lo a entender situações confusas. A maioria das crianças com Transtorno do Espectro do Autismo tem dificuldade para entender o que as pessoas dizem. Você pode ajudá-las a compreender as pala- vras ajustando a sua maneira de falar. Fale pouco ao se dirigir a elas. Use sentenças curtas descrevendo o que acontece a sua volta. Chame a atenção para as palavras a serem entendidas (ou até faladas) por elas, diminuindo o ritmo antes de dizê-las ou exagerando sua pronúncia. Finalmente, use os pontos fortes do seu filho – seu interesse pelas coisas visuais – para ajudá-lo a compreender e organizar aconteci- mentos, além de entender as pessoas (tanto o que elas dizem como o que fazem). O pai de Breno usa uma montagem para ajudá-lo a entender a palavra “Porque”. Primeiro diz o que fazer (“Ponha seu casaco”); então diz por que deve fazer isso (“Está frio lá fora”). Depois, mostra como a palavra “porque” liga as duas sentenças. Resumo Ajudas Visuais Eu ouço e esqueço. Eu vejo e memorizo. Eu faço e compreendo. - Provérbio chinês A maioria das crianças com TEA são aprendizes visuais – aprendem melhor olhando. A maioria deles gosta de brinquedos como quebra-cabeças e de encaixe porque podem ver como usá-los. Gostam de assistir vídeo e TV, especialmente desenhos animados. Alguns aprendizes visuais também são fascinados por letras e números e podem surpreender, lendo algumas palavras que não foram ensinadas. 7 Você pode fazer Ajudas Visuais, como Painéis de Opções, Agendas de Figuras, Pai- néis de Auto-cuidado ou Livros de Comunicação usando objetos reais, fotografias coloridas, desenhos em branco e preto ou em cor e palavras escritas. Para o seu filho, umas coisas vão funcionar melhor que as outras. Enquanto estiver fazendo suas Ajudas Visuais, você precisa levar em consideração as preferências do seu filho e sua capacidade de entender diferentes tipos de figuras, mas descobrir quais funcionam melhor para ele vai exigir um pouco de experimentação. Descrevemos agora os tipos de coisas que você pode usar para fazer Ajudas Visuais, começando pelas mais fáceis de entender e terminando com as mais difíceis. Objetos reais As crianças nos estágios de Interesses Próprios e de Pedidos muito fre- quentemente não enten- dem ilustrações ou fotos, e não se interessam em olhar livros e álbuns fotográficos. Se este é o caso do seu filho, Ajudas Visuais feitas com fo- tos e figuras não vão ser mui- to úteis. Para ele, será mais útil ver objetos reais. Por exemplo, se você quiser dizer-lhe que vai beber algo, mostrar-lhe a figu- ra de um copo de suco pode não significar nada. Mas se mostrar-lhe um copo vazio, talvez entenda o que você está tentando dizer. Em algumas situações, o objeto real não está disponível ou é muito grande para usar. Quando isso acontecer, você pode tentar achar um brinquedo ou objeto que pareça com a coisa real ou lembre a coisa real. Por exemplo, pode usar um balanço de brinquedo para representar o parque. Tenha cuidado, no entanto; algumas crianças podem ficar confusas com o uso de brinquedos e na verdade entenderão mais facilmente as figuras. Alberto não faz idéia do que a mãe está dizendo... ... mas passa a entender quando ela mostra uma figura sobre o que está falando. 214 Capítulo 7 Se o seu filho ainda não está pronto para figuras, use objetos reais como Ajudas Visuais. Por que algumas crianças aprendem melhor visualmente? Quando você pro- nuncia uma palavra, ela acaba em milésimos de segundos – muito rápido para quem tem dificuldade em processar a linguagem falada. Seu filho então se concentra em coisas que pode entender – coisas que ele vê. Ao contrário das palavras faladas, as coisas que o seu filho olha, tais como objetos, fotos, desenhos, palavras escritas, duram por um bom tempo. Quando seu filho olha para uma figura, ele continua a receber a informação ali contida o tempo todo em que estiver olhando. Quase todo mundo usa “Ajudas Visuais” o tempo todo: uma seta na rua que nos indica o sentido do tráfego, um calendário ou agenda que nos ajuda a organizar a semana e anotações que tornam uma palestra muito mais fácil de fazer. Todos nós usamos esses tipos de Ajudas Visuais para melhorar nossa compreensão do mundo, para organizar informação e nos expressar. Seu filho também pode se beneficiar das informações apresentadas de forma visual. Neste capitulo você descobrirá como aproveitar das habilidades do seu filho como aprendiz visual. Na primeira parte, mostraremos como você pode criar ferramentas especiais, chamadas “Ajudas Visuais”, usando as coisas que seu filho vê – objetos, figuras e palavras escritas. Essas Ajudas Visuais ajudarão seu filho a entender o que está acontecendo ao seu redor e a se expressar. Na segunda parte do capítulo, apren- derá como você e seu filho podem usar essas Ajudas Visuais em cada estágio de co- municação. Muitas das idéias foram adaptadas do excelente livro de Linda Hodgdon “Visual strategies for improving communication” (Estratégias visuais para melhorar a comunicação) (veja as referências na página 422). Como criar Ajudas Visuais 216 Capítulo 7 Ajudas Visuais 217 Para ajudar seu filho a fazer a transição entre entender objetos reais e entender figuras, tente colar um pedaço o objeto real em um cartão e cobri-lo com um filme plástico ou plástico transparente. Fotografias coloridas Muitas crianças pequenas com TEA gostam deolhar para fotos coloridas. Olham para as imagens de pessoas reais nos álbuns de família ou examinam os animais e objetos ilustrados nas caixas de brinquedos e de cereais. Se fotografias conseguem manter a atenção do seu filho, ele se beneficiará das Ajudas Visuais feitos com fotografias rea- listas. Você pode conseguir fotos de ali- mentos e objetos familiares na Internet, catálogos e revistas. Ou pegar sua má- quina fotográfica e tirar fotos das coisas e pessoas importantes para seu filho! Se decidir tirar suas próprias fotos, apro- xime bem o foco da sua máquina para que a fotografia não traga nenhuma in- formação desnecessária. Por exemplo, se você quer fazer uma Ajuda Visual para um brinquedo específico, tire uma foto SÓ daquele brinquedo, não do seu filho brincando com ele. Para crianças que estão começando a se interessar por fotografia, use fotos grandes (mais ou menos 15 X 10 cm). Você também pode recortar fotos e etiquetas para os nomes em revistas, catálogos e embalagens de brinquedos e alimentos. Desenhos Ao contrário das fotografias, os desenhos nem sempre se pare- cem exatamente com a coisa real. Mas os desenhos podem ser mais fáceis de usar, pois são mais baratos e de obtenção mais rápida. Além disso, os desenhos podem ser representações ge- rais de um tipo de objeto, enquanto as fotos são sempre especí- ficas. Por exemplo, se você usar uma foto para mostrar ao seu filho que tipo de roupa ele deve por, ele pode insistir em usar exatamente a camiseta que vê na foto. Mas se você mostrar um desenho, ele vai saber que é para vestir uma camiseta, mas não vai pensar numa camiseta em particular. Se o seu filho olha desenhos nos livros ou gosta de alinhar seus brinquedos, pode estar pronto para desenhos. Você pode comprar programas de computadores e livros de desenhos em lojas especiais; algumas figuras estão disponíveis na Internet. E você não precisa ser um grande artista para desenhar algumas figuras simples! Fonoaudiólogos e especialistas em linguagem podem indicar como obter desenhos desse tipo: Essas figuras provêm de um livro disponível para venda (Canadá e EUA/Internet) chamado “The Picture Communication Symbols Book” de Mayer-Johnson. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender diferentes tipos de informações. Podem mostrar-lhe: alternativas a escolher o que vai acontecer passado e futuro seus sentimentos e os sentimentos dos outros como fazer coisas de maneira independente o que precisa saber sobre situações difíceis Seu filho vai entender fotografias antes de entender desenhos. Para ajudá-lo a entender desenhos, tente colocá-los no canto da foto. Você pode usar fotos ou embalagens dos alimentos preferidos de seu filho. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender informação 218 Capítulo 7 Ajudas Visuais 219 Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender alternativas de escolha Uma das Ajudas Visuais mais simples é o Painel de Opções. Um Painel de Opções apresenta fotos de comida, brinquedos e atividades a escolher. Quando entrega ou mostra a você uma das figuras do painel, seu filho faz sua escolha. Os Painéis de Opções podem ser feitos usando objetos ou figuras. Há muitas maneiras de colocar os objetos no painel: colocar os objetos em sacos plásticos transparentes e incolores com fechos e prendê-los a um painel ou a um varal, ou colocá-los em uma caixa de sapato com divisões. Também pode tentar colocar os objetos em bolsos daqueles painéis transparentes para fotos, outros objetos ou mes- mo sapateiras com bolsos (ver figura na página 220). Se usar figuras, você pode prendê-las sobre a um pedaço de papel bem resistente ou compensa- do. Use Velcro e poderá mudar as figuras quando quiser oferecer novas escolhas. A quantidade de objetos ou figuras a serem colo- cadas no Painel de Opções e como seu filho fará a escolha dependerão do seu estágio de comuni- cação. Até que ele entenda como fazer uma es- colha, limite o número de escolhas a dois. Depois que seu filho estiver experiente no uso do Painel de Opções, você pode pôr suas figuras de escolha em um livro que ele carregue consigo. Desta maneira, poderá fazer escolhas onde estiver. Adicionando “Eu quero” ao Painel de Opções, seu filho pode aprender como as sentenças são feitas. O Sinal de Não Há ocasiões em que uma alternativa não está disponível – acabaram os biscoitos da casa ou alguém comeu a última banana. Você pode mostrar que uma opção não está disponível usando o Sinal de Não. O Sinal de Não é um círculo cortado por uma barra diagonal, como nos avisos de Proibido Fumar. Você pode fazer seu próprio Sinal de Não desenhando o símbolo sobre um pedaço de plástico transparente ou cortando-o em papel e colocando-o sobre a figura da alternativa não disponível. Hoje não dá para escolher assistir ao vídeo! Pode ser necessário limitar também as opções de comportamento do seu filho. Por exemplo, se ele faz alguma coisa pe- rigosa para si mesmo ou para os outros, você precisa mostrar-lhe que este com- portamento não é uma opção. O Sinal de Não colocado sobre uma figura do comportamento inaceitável, tal como bater ou gritar, faz com que ele perce- ba que essas ações não são permitidas. Quando apresentar o Sinal de Não pela primeira vez ao seu filho, ajude-o fisi- camente a corrigir seu comportamento e então chame sua atenção para o Sinal de Não. Por exemplo: se quer que pare de bater, impeça-o de bater fisicamente (segure-o), aponte para a figura e diga: “Não bata!” A seguir, aponte para a fi- gura do que deve fazer no lugar de ba- ter. Diga-lhe: “Pegue um livro” e então procurem por um livro juntos. *Adaptado de I. Hodgdon – Visual strategies for improving Communication (Troy, MI: QuirkRoberts, 1995) Esse é um Painel de Opções com duas partes, usando figuras. Este sinal diz à criança que não há “bater” como opção. Depois diz que ela deve abaixar as mãos e sugere que pegue um livro para se acalmar. * 220 Capítulo 7 Ajudas Visuais 221 Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o que vai acontecer Quando usa palavras para dizer ao seu filho o que vai acontecer durante o dia, ele pode não entender muito do que você diz. Deve ser assustador não saber o que vai acontecer a seguir! Mas se você usar uma Agenda de Figuras, pode ajudá-lo a en- tender melhor e antecipar os eventos na sua vida. A Agenda de Figuras usa objetos ou figuras para mostrar o que há reservado para seu filho. Podem ser muito simples ou mais longas e detalhadas. Agendas de Objetos Simples ou Figuras podem mostrar: um objeto ou uma figura de uma pessoa ou local que represente o que a criança vai fazer dois objetos ou figuras que dizem ao seu filho o que fará por um espaço de tempo pequeno – por exemplo, “Primeiro banana. Depois bolinhas de sabão.” Esse tipo de agenda é chamado de Painel Primeiro/Depois. A mãe da ilustração na primeira página deste Capítulo está usando um Painel Primeiro/Depois com seu filho. Agendas de Figuras mais detalhadas e Painéis de Auto-cuidado podem mostrar: quatro ou cinco figuras do que seu filho vai fazer durante o dia todo quatro ou cinco figuras dos passos individuais de uma atividade, tais como figuras de cada item de roupa que seu filho precisa vestir ou a série de ações necessárias para lavar as mãos figuras de alguns dos acontecimentos importantes da semana inteira Faça uma Agenda de Objetos dispondo quatro ou cinco objetos que representem as atividades diárias do seu filho em algo como bolsos transparentes de um porta- retrato ou sapateira. Faça uma Agenda de Figuras prendendo figuras na horizontal ou na vertical a um cartaz ou painel. Se o seu filho estiver interessado na escrita, você pode prender as fi- guras horizontalmente da esquerda para a direita: ele vai ficando mais acostumado à maneira de ler. Se não, você precisa experimentar para ver qual estilo de apresentaçãoele prefere. Então, mantenha o modelo em todas as suas Agendas de Figuras. Para as Agendas de Figuras que mudam dependendo do dia, prenda as figuras com Velcro ou fita adesiva; para as Agendas permanentes, como lavar as mãos e escovar os dentes, cole a figura direto no cartaz. Essa Agenda de Figuras mostra a rotina da manhã para o seu filho. Esse Painel de Auto-cuidado mostra cada passo do ato de vestir-se. Outra maneira de fazer uma Agenda de Figuras é colocar as figuras em envelopes e prendê-los num cartaz ou painel. A primeira Agenda de Figuras normalmente é um Painel de Primeiro/Depois 222 Capítulo 7 Ajudas Visuais 223 Ajudas Visuais podem ajudar seu filho entender o passado e o futuro Seu filho entende melhor o que vê do que o que ouve. Imagine a dificuldade dele quando você fala sobre seu passado ou seu futuro: coisas abstratas e impossíveis de se ver. As Ajudas Visuais podem mostrar-lhe o que você quer dizer quando fala sobre idéias abstratas. Crie um recipiente para o “Pronto” para ajudar seu filho a “visualizar o passado”. Escreva “Pronto” sobre uma caixa, um recipiente vazio ou em um bolso especial com um envelope. Para mostrar ao seu filho que uma atividade acabou, coloque objetos ou figuras na caixa assim que a atividade terminar. Se a sua agenda for feita com bolsos, simplesmente vire o cartão com a figura de costas no bolso quando a atividade acabar. (Veja a discussão sobre como usar o recipiente “Pronto” na seção “Ajudas Visuais para o estágio de comunicação do seu filho” neste capítulo). Seu filho pode ver o fez quando coloca a figura e o objeto da atividade terminada no recipiente de “Pronto”. Mantenha um Diário de Figuras para ajudar a entender quando você fala sobre coisas que seu filho fez. Um Diário de Figuras pode ser uma figura única ou um fichário de desenhos, fotos ou lembranças sobre lugares que ele tenha ido, como a escola, casas de parentes ou da piscina onde faz aula de natação. Mantendo um Diário de Figuras, você proporciona ao seu filho uma recordação visual do que aconteceu com ele, o que pode ajudá-lo a entender quando fala sobre o que ele tem feito. As figuras de um Diário de Figuras também o ajudam a se lembrar do que aconteceu no pas- sado e podem relembrá-lo de alguma coisa que possa compartilhar com você. Mostre ao seu filho uma figura para prepará-lo para visitas a lugares que vocês freqüen- tam. Antes de sair de casa, mostre-lhe a figura e converse sobre o lugar para onde estão indo. Por exemplo, se planeja levar seu filho ao cinema, an- tes de sair, mostre-lhe antecipadamente uma propaganda do filme no jornal. Se o seu filho freqüenta creche, pré-escola ou alguém que tome conta seria uma boa idéia manter um Livro de Comunicação. No Livro de Comunicação, você e a pessoa responsá- vel relatam, através de figuras e pequenas anotações, o que seu filho fez em cada lo- cal. O livro vai e volta para casa todos os dias, possibilitando que você e o profissio- nal conversem com ele sobre o que viven- ciou quando vocês estavam ausentes. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender seus sentimentos e os sentimentos dos outros Nós usamos expressões faciais o tempo todo para expressar o que sentimos. Sorrir fazr com que os outros saibam que estamos felizes, inclinar a cabeça para baixo mostrar tristeza e levantar a voz pode significar que estamos bravos. No entanto, seu filho pode não perceber essas pistas de como você está se sentindo. Pode não entender o que quer dizer quando diz “estou feliz”, “triste” ou “brava”. Mas se mostrar-lhe figuras representando esses sentimentos, ele pode ter mais tempo de entender sobre o que você está falando. Nomeie as figuras enquanto as mostra para seu filho, de maneira que ele aprenda os nomes de diferentes sentimentos. Você também pode escrever uma história de figuras sobre sentimentos (veja as páginas 247-248). Posteriormente, seu filho poderá apontar ou lhe dar uma figura que mostre como ele está se sentindo. divisões opcionais A professora de Caio mandou para casa uma figura do que ele fez na escola, dando a ele e sua mãe algo para conversar. NOME Data Hoje nós..... Olhando no Livro de Comunicação da Amanda, sua professora pode conversar sobre o passeio que a menina fez com seu pai até a floricultura. A professora do seu filho pode circular as figuras do que seu filho fez em uma folha como esta. 224 Capítulo 7 Ajudas Visuais podem mostrar para o seu filho como fazer coisas por conta própria Quando o seu filho usa Ajudas Visuais, como Painéis de Auto-cuidado, torna-se me- nos dependente das suas instruções para fazer coisas como lavar as mãos, escovar os dentes ou mesmo lidar com a própria raiva. As Ajudas Visuais também podem ajudar seu filho a organizar sua vida, e assim poder fazer outras coisas por conta própria. Por exemplo, você pode mostrar-lhe onde colocar suas roupas, brinquedos e livros, colando etiquetas em estantes e prateleiras, guarda-roupas e armários de cozinha. As etiquetas vão permitir que seu filho guarde suas coisas sem ajuda e até que ele aprenda a ler uma ou duas palavras. (Para outras idéias sobre usar palavras escritas, veja o Capítulo 10, páginas 355-60). Essas etiquetas mostram para o Fábio onde colocar seus sapatos. As Ajudas Visuais podem mostrar o que seu filho precisa saber sobre situações difíceis Assim que seu filho puder entender histórias simples (normalmente nos estágios de Comunicação Básica e Parceria), você pode escrever Histórias Pessoais espe- cialmente para ele. Essas histórias, escritas a partir do ponto de vista da criança, ajudam a entender o que as pessoas fazem e dizem em situações confusas. Além disso, as histórias sugerem alguma coisa para tentar fazer quando estiver na mesma situação (Veja a página 239 para aprender como escrever Histórias Pessoais). As Ajudas Visuais podem dar ao seu filho uma outra maneira de se comunicar enquanto a linguagem se desenvolve, ou lembrá-lo do que dizer quando já estiver falando. As Ajudas Visuais: possibilitam que ele faça escolhas proporcionam-lhe uma outra maneira de dizer algo, começando com pedidos lembram-no do que fazer e dizer. Ajudas Visuais possibilitam que seu filho faça escolhas Um Painel de Opções pode ser usado para encorajar seu filho a iniciar uma comuni- cação por iniciativa própria. Em vez de ficar constantemente perguntando o que ele quer, você pode ensiná-lo a iniciar a comunicação apontando para uma figura no Painel de Opções ou pegando uma figura ou objeto e entregando-o a você. Quando seu filho for interativo e verbal, as figuras e palavras do Painel de Opções vão lem- brá-lo de pedir as coisas desejadas. Você pode também usar o Painel de Opções para ajudar seu filho a responder às suas perguntas. Quando apresentar as opções no painel, pode perguntar-lhe o que quer e esperar por sua resposta – apontar para a figura ou dizer a palavra. Dependen- do do estágio do seu filho, você pedirá que faça escolhas de diferentes maneiras. Por exemplo, dar-lhe duas coisas para escolher, mostrando-as e nomeando-as (por exem- plo, “pão ou bolacha?”), perguntando “O que você quer?” e esperando sua resposta ou fazendo uma pergunta “Sim ou Não”, tal como “Você quer queijo?”. Ajudas Visuais dão ao seu filho uma outra maneira de dizer algo A fala pode levar um longo tempo para se desen- volver. Enquanto isso não acontece, seu filho precisa aprender outras maneiras de se co- municar. Trocar uma figura ou objeto por coisas que deseja ou apontar figuras em um painel são maneiras mais claras de se comunicar do que empurrar ou con- duzir alguém. Seu filho também come- ça a entender que figuras, assim como as palavras, podem representar ou simbolizar coisas reais. Lembre-se, apontar para figuras Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar 226 Capítulo 7 e fazer Troca de Figuras ou Objetos não são alternativas permanentesà fala. Na verdade, devem colaborar no desenvolvimento da fala. Para as crianças que continuam a ter difi- culdade em falar, a comunicação por figuras é uma boa introdução a formas alternativas de comunicação. Ajudas Visuais podem lembrar seu filho do que dizer e fazer Toda vez que você usar Ajudas Visuais, deve dizer exatamente as mesmas coisas. Por causa da repetição, seu filho poderá posteriormente começar a repetir algumas palavras. Em pouco tempo as figuras podem estimular seu filho a dizer palavras que tenha aprendido. Você pode até ouvi-lo falando sozinho ao olhar para as figuras durante uma atividade! As Agendas de Figuras para rotinas são feitas para dar independência. Com o passar do tempo, você nem precisará estar na sala enquanto seu filho os usa. Enquan- to ele ainda estiver aprendendo a usar a Agenda de Figuras para orientar sua rotina, você pode tirar vantagem da oportunidade para promover a comunicação recíproca. Por exemplo, assim que seu filho tiver vestido suas calças na rotina de se vestir, mos- tre-lhe sua Agenda de Figuras e deixe que diga qual peça de roupa precisa vestir a se- guir. Você pode dizer alguma coisa como: “Primeiro, vestir as calças. Depois, vestir...” e esperar que ele complete a frase . No entanto, assim que seu filho for capaz de fazer parte da rotina sozinho, deixe que as figuras dêem todas as instruções. Os Cartões de Dicas fornecem um outro jeito de lembrar o que seu filho pode dizer. Os Cartões de Dicas são justamente o que você pensaria – cartões com uma figura e palavras ou sentenças que orientam seu filho a dizer algo. Os Cartões de Dicas com “Eu quero”, “ Eu tenho” e “ Olha” escritos podem lembrar seu filho de como pedir pelas coi- sas ou fazer um comentário. Os Cartões de Dicas também podem fornecer ao seu filho uma sentença inteira a dizer, como “O que você fez hoje?”. (Nós falaremos mais sobre os Cartões de Dicas quando tratarmos dos estágios de Comunicador Básico e de Parceria). Ponha as Ajudas Visuais nos lugares onde serão usadas Adicione palavras escritas (em letra de forma ou bastão) Preste atenção no que você fala Chame a atenção da criança para as figuras Seu filho poderá fazer escolhas rapidamente se você puser figuras das suas comidas favoritas na porta da geladeira. A figura dos balanços permite que seu filho saiba antecipadamente aonde vai. Ponha as Ajudas Visuais nos lugares onde serão usadas As Ajudas Visuais só ajudarão se estiverem onde seu filho vá precisar delas. Disponha as Ajudas Visuais onde elas façam sentido. Por exemplo, ponha figuras de suco ou leite na porta da geladeira ou figuras de brinquedos na parte de fora do armário de brinquedos. Ponha as figuras no nível dos olhos de seu filho, usando fita adesiva ou Velcro. Para a porta da geladeira, tente colar figuras sobre placas de imãs. Adicione palavras escritas (em letra de forma) Mesmo que seu filho ainda não leia, adicione palavras escritas rotulando as figuras. Desta maneira, seu filho pode começar a ver a conexão entre as pinturas e as pala- Dicas sobre o uso de Ajudas Visuais 228 Capítulo 7 Ajudas Visuais 229 vras escritas. Você não precisa escrever tudo o que fala, só as palavras importantes. Embora não haja regras sobre usar letras minúsculas ou maiúsculas, faz sentido usar letras minúsculas, como seu filho as vê nos livros. Preste atenção no que você fala Tente dizer a mesma coisa toda vez que fala sobre uma figura, mas não fale muito. Use sentenças claras e simples. Há algumas regras básicas sobre quando falar e quando não falar: durante as rotinas de auto-cuidado, como escovar os dentes e lavar as mãos, descreva cada passo enquanto o seu filho aprende a rotina. Então deixe que as figuras “falem”! Você ainda pode usar as rotinas de auto-cuidado como oportunidades para comuni- cação, mas não vai querer que seu filho fique dependente das suas instruções! Quando estiverem olhando a Agenda de Figuras diária, sempre comente sobre os planos para o dia ou, no fim do dia, sobre o que ele fez. Você pode conversar sobre o que os outros membros da família estão fazendo também. E lembre-se: qualquer hora é uma boa hora para conversar, desde que seu filho possa fazê-lo. Chame a atenção do seu filho para as Ajudas Visuais Não espere que seu filho use as Ajudas Visuais logo depois de colocá-las. Você pre- cisa chamar a atenção para as figuras, trazendo-as para sua linha de visão e apon- tando-as o tempo todo enquanto estiver falando sobre elas. Também pode guiar a mão da criança para tocar ou apontar as figuras. Se estiver usando figuras para ajudar seu filho a fazer uma atividade ou rotina, você precisa apontar para determinada figura toda vez que ele estiver para fazer um passo daquela atividade. Por exemplo, se ele está usando um Programa de hora do banho, aponte para a figura do primeiro passo da rotina, que pode ser abrir a tornei- ra. Depois da torneira aberta, dirija a atenção do seu filho para a figura que ilustra o segundo passo da rotina e assim por diante, até completar todos os passos. A figura do biscoito está no nível de visão da criança, não na do adulto. O pai desse menininho o ajuda a entender passo a passo a rotina da hora do banho. Ajudas Visuais 231 A seção a seguir dá sugestões sobre como usar Ajudas Visuais para crianças nos quatro estágios de comunicação. Se o seu filho se interessa por figuras, pode estar pronto para as sugestões dadas para uma criança em estágio mais adiantado. Ajudas Visuais para crianças no estágio de Interesses Próprios Nesse estágio, é melhor usar objetos reais, fotos realistas e rótulos das comida e embalagens de brinquedos. Esses recursos visuais podem ajudar seu filho a entender o que você fala e proporcionar-lhe uma forma de se expressar. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender seu mundo Use objetos reais para ajudar seu filho entender o que está para acontecer Você pode mostrar objetos para o seu filho, tais como a jarra de suco, seus pijamas ou seu livro para ajudá-lo a antecipar o que vai acontecer. Mostre-lhe um objeto que ele possa associar com uma rotina ou atividade – a caixa de ce- real antes do café da manhã ou seu patinho de borracha antes do banho. Você pode usar um determina- do objeto para representar uma atividade, de maneira que toda vez que seu filho vir aquele objeto, associe-o a um aconte- cimento específico. Por exemplo, se trouxer o mesmo copo toda vez em que disser “suco”, seu filho pode começar a ligar aquele copo a to- mar suco. Você pode usar dife- rentes objetos para representar outras atividades: uma colher especial para indicar a hora de comer, um sabonete para indi- car a hora do banho ou as cha- ves do carro para seu filho saber que vai dar uma volta de carro. Futuramente, pode ser que ele tra- ga algum desses objetos por conta própria para pedir-lhe algo. Use uma Agenda de Objetos para ajudar seu filho a entender o que está para acontecer Quando seu filho puder concentrar-se em objetos, faça uma Agenda de Objetos com quatro ou cinco objetos para ajudá-lo a entender o que fará nos diferentes períodos do dia, tais como de manhã ou antes de dormir. Mostre-lhe o objeto que representa a atividade e diga-lhe o que está para acontecer. Por exemplo, antes de ajudá-lo a se vestir, mostre-lhe uma camiseta e diga “Vista a roupa!” Deixe que seu filho manipule o objeto que representa a atividade, se ele puder fazer isso sem ficar muito distraído. Ele pode até levar os objetos para onde a atividade acontece. Quando tiver completa- do a atividade, ajude-o a colocar os objetos na caixa de “Pronto” e diga “Pronto”. Use Ajudas Visuais para o estágio de comunicação do seu filho Toda vez que a mãe do Bernardo leva-o para o carro, mostra-lhe as chaves e diz “Vamos!”. Então, um dia, Bernardo traz as chaves e diz “Vamos!” Renata gosta de pegar a sua caneca de sua Agenda de Objetos e levar para o balcão onde toma caféda manhã. 232 Capítulo 7 Ajudas Visuais 233 Use objetos reais para mostrar ao seu filho o que ele deve fazer a seguir Seu filho às vezes pode não querer parar uma atividade e mudar para outra por não saber o que vem a seguir. Mas se você lhe der um objeto que ele possa associar com a próxima atividade, poderá mudar mais facilmente de uma atividade para outra. Por exemplo, dê-lhe uma bola antes de ir lá fora brincar ou uma fita cassete para ouvir no carro antes de sair do parque. Essa estratégia pode ser bem útil em um ambiente escolar, onde seu filho pode não querer deixar uma atividade que goste. Se a professora mostrar-lhe ou entregar-lhe algo que o relembre de uma coisa na próxima atividade que ele goste bastante, como um pincel antes de levá-lo para a pintura, ele dará menos trabalho para começar a nova atividade. Apresente algumas fotografias grandes e rótulos de embalagens para ajudar seu filho a entender quais opções ele tem. Se o seu filho estiver pronto para imagens, use fotografias coloridas grandes (15X10 cm ou maiores) ou recorte figuras de pacotes de cereal, petiscos ou brinquedos. Co- loque fotos de duas coisas que seu filho gosta de comer na porta da geladeira ou no armário da cozinha. Garanta que as fotos estejam na altura dos olhos dele. Escolha coisas motivadoras, que ele vá querer frequentemente durante o dia. Quando seu filho se aproximar do item motivador, aponte para a figura ou foto e diga o que é. Se ele estiver interessado na figura, tente pegar sua mão e guiá-lo para tocar a foto enquanto diz o que é. Então lhe dê o item mostrado na foto ou figura. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar Use objetos para ajudar seu filho a fazer escolhas Quando você começa a apresentar opções, ofereça algo que goste e algo que não o interessa. Mostre-lhe as duas coisas para que ele escolha. Você pode precisar mo- vimentar-se em volta dele para conseguir que olhe para as opções. Ele não enviará uma mensagem diretamente a você, mas pode tentar alcançar ou olhar para algo. Trate esta tentativa ou olhar como se ele tivesse escolhido. Rapidamente, faça com que toque o objeto escolhido e lhe dê. Ensine Troca de Objetos para ajudar seu filho a pedir-lhe coisas comunicando diretamente a você Esta técnica é a mesma da Troca de Figuras, exceto que, no lugar de figuras, seu filho lhe dá objetos em troca daquilo que deseja. Você vai precisar de um ajudante para ensinar Troca de Objetos. Veja como funciona. Primeiro, certifique-se que seu filho deseja o que você vai ensinar-lhe a pedir. Por exemplo, depois que ele comeu algo bem salgado, traga-lhe um suco, por que provavelmente estará com sede. Sente-se em uma mesa do lado oposto ao dele. Deixe que ele veja o suco sobre a mesa, mas não o deixe pegá-lo. Se ele continuar a tentar alcançar o suco, segure-o. Ponha o copo na frente dele, estenda sua mão aberta e faça com que a outra pessoa guie a mão da criança para pegar o copo e entregar-lhe. Assim que lhe entregar o copo, aja como se ele tivesse pedido para beber algo. Diga “como ele teria dito se pudesse”: “Suco!” Ao mesmo tempo, dê- lhe o suco em outro copo. Pode levar várias tentativas até que o seu filho entenda o que se espera dele, mas não desanime. Tente de novo mais tarde ou no dia seguinte. Quando seu filho começar a dar-lhe o copo de maneira constante para conseguir o suco, coloque o copo “pidão” onde seu filho possa vê-lo e alcançá-lo, talvez no bolso transparente de um painel de plástico. Mais tarde você pode colar o objeto em uma figura para ajudar seu filho a fazer conexão entre a coisa real e a figura. Embora a Troca de Objetos seja limitada, a idéia de ter de dar-lhe uma coisa para conseguir algo em troca ajuda seu filho a perceber o poder da comunicação direta com você. Você pode tentar ensinar Troca de Figuras nesse estágio, mesmo que ele não entenda as figuras. À medida que adquire mais experiência, dando figuras e recebendo determinadas comidas ou objetos, ele pode começar a atribuir sig- nificado a cada figura. Gustavo dá a sua mãe um copo especial para pedir-lhe algo para beber. 234 Capítulo 7 Ajudas Visuais 235 Ajudas Visuais para crianças no estágio de Pedidos Nesse estágio, use objetos e figuras realistas, tais como fotogra- fias coloridas grandes (no mínimo 10 x15 cm), ou corte figuras de caixas ou embalagens de cereal, petiscos e brinquedos. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o mundo Use um Painel Primeiro/Depois para ajudar seu filho a entender o que está para acontecer com ele (durante a próxima hora) Neste estágio, você pode fazer um Painel Primeiro/Depois usando objetos ou figuras. Para facilitar, falaremos sobre os Painéis Primeiro/Depois usando figuras. Comece achando duas figuras para representar o que seu filho fará em um pequeno espaço de tempo. Por exemplo, uma figura pode ser um brinquedo, como um quebra-cabeça que ele vá brincar e o outro pode ser uma figura de uma guloseima que ele comerá depois do jogo. Cole as duas figuras vertical ou horizontalmente sobre um cartaz. Enquanto mostra as figuras para o seu filho, ajude-o a tocar cada uma e ao mesmo tempo explique: “Primeiro, quebra-cabeça. De- pois, uvas.” Faça que a segunda atividade seja a melhor, de maneira que o seu filho tenha algu- ma coisa a aguardar ansiosamente. Escolha um quebra-cabeça bem fácil, com poucas peças ou quase completo. Faça com que seu filho fique com a figura (ou objeto em miniatura) durante a primeira atividade e assim que terminá-la, aju- de-o a devolver a figura ou objeto para a caixa de “Pronto”. A seguir mostre a figura das uvas de novo, dizendo “uvas”. Ajude-o a tocar a figura enquanto diz a palavra e então lhe dê a guloseima. Quando seu filho estiver pronto, use Agendas de Figuras mais longas Quando seu filho tiver entendido como funciona o Painel Primeiro/Depois, adicione uma ou mais figuras ou objetos para ajudá-lo a entender o que vai acontecer por um es- paço de tempo maior. Ele pode estar pronto até para uma Agenda de Figuras que mostre os passos de uma rotina, tais como se vestir ou lavar as mãos. (Veja o Capítulo 8, página 274, para mais informações sobre o uso de Agendas de Figuras em rotinas.) Use uma única figura para ajudar seu filho a entender aonde está indo Mostre para seu filho fotos de pessoas e lugares familiares antes de visitá-los. Use linguagem simples para descrever o que vai acontecer: “Vovó. Ir vovó.”. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar Ensine seu filho a fazer pedidos pela Troca de Figuras ou Objetos O Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (PECS) ensina seu filho a pedir- lhe coisas que deseja, como comida ou brinquedo, trocando a figura de alguma coisa pela coisa real. (A Troca de Figuras é aprendida da mesma maneira que Troca de Objetos. Veja, na página 233, a descri- ção de Troca de Figuras para uma crian- ça no estágio de Interesses Próprios). No começo, seu filho vai precisar de ajuda física para aprender como trocar a figura por algo que deseja, como uma uva passa ou uma bolacha. Gradualmente, aprenderá como trocar algumas figuras sem qualquer ajuda e sem dicas. Assim que seu filho entregar-lhe a figura, certifique-se de dizer “como ele faria se pudesse”. Por exemplo, se lhe der a figura de suco, diga “suco”. Uma nova dica: quando estiver ensinando Troca de Figuras, garanta que seu filho adquira muita prática oferecendo-lhe guloseimas pedacinho por pedacinho. Se ele gosta de uvas passas, troque uma passa de cada vez pela figura. Quebre batatinhas chips e bolachas e corte frutas como maçãs e bananas em pedaços menores. Está fora dos objetivos deste livro explicar em detalhes o Sistema de Comunicação por Trocas de Figuras. Um profissional experiente, como um fonoaudiólogo, especialista em educação espe- cial ou psicólogo pode ajudá-lo a dominar o PECS. Se o seu filho resistir à Troca de Figu- ras, tente Trocade Objetos. A mãe ajuda Rafael fisicamente a dar uma figura ao pai, até que ele aprenda a fazer isso por conta própria. Este é um Painel Primeiro/Depois feito de figuras. Você poderia mostrar as mesmas coisas para o seu filho usando objetos – uma peça do quebra-cabeça ou uvas de brinquedo. Se você tiver fotos de pessoas e lugares familiares, pode preparar seu filho para visitas. 236 Capítulo 7 Ajudas Visuais 237 Use um Painel de Opções para ajudar seu filho a dizer o que deseja quando lhe perguntar Seu filho pode usar um Painel de Opções tanto para iniciar uma interação quanto para responder a uma pergunta. Pode escolher a figura ou objeto por conta própria ou escolher a figura ou objeto para responder a uma pergunta. Quando você oferecer algo, seu filho pode responder indicando ou tocando um dos objetos ou figura. Se ele não o fizer por conta própria, guie sua mão para tocar a figura ou objeto que você acredita ser o que ele quer e lhe dê a coisa desejada imediatamente. Ajudas Visuais para a criança no Estágio de Comunicação Básica Seu filho provavelmente ainda é muito atraído por fotos, nomes escritos nas figuras e grandes desenhos coloridos. Nesse estágio, se ele estiver usando várias figuras, prova- velmente será mais prático começar a usar desenhos com mais ou menos 5 x 5 cm. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o mundo Use o Painel de Opções para mostrar ao seu filho o que está disponível e o que não está À medida que a capacidade do seu filho para entender figuras aumentar, também au- mentará o número de opções disponíveis no Painel de Opções. Ele está fazendo mais escolhas e usando o painel principalmente para dizer-lhe o que deseja, seja lhe dando figuras, dizendo a palavra ou apontando. De vez em quando, no entanto, uma deter- minada opção não está disponível. Por exemplo, você pode não querer que seu filho possa optar sempre por assistir TV. Ajude-o a entender quan- do uma opção não está disponível, introduzindo o Sinal de Não (veja a página 219). Comece com uma opção que ele possa ver que não está dispo- nível. Por exemplo, se não houver mais bolachas, diga “Bolacha acabou” e faça com que ele veja a caixa vazia. Exagere o fato de a caixa estar va- zia. Vire-a de ponta cabeça e agite-a enquanto repete “Bolacha acabou”. Então coloque o Sinal de Não sobre a figura de bolachas no Painel de Opções, dizendo “Bolacha acabou”. Pode levar algumas explicações em palavras simples, como “TV Não” ou “Bolacha acabou”, até seu filho en- tender o que significa o símbolo. Se o seu filho tiver qualquer problema de comportamento, tais como morder ou bater, você pode também usar o Sinal de Não para mostrar-lhe que estas ações são inaceitáveis. Primeiro faça figuras mostrando “Não bater”, “Não gritar”, “Não mor- der”. Então faça figuras mostrando o que ele deveria fazer. Descreva o que a figura significa em sentenças curtas e simples e dê ao seu filho a ajuda física que precisa para seguir as instruções, até que ele possa fazê-lo por conta própria. Ajudas Visuais dizem ao seu filho o que deve e o que não deve fazer. Use Agendas de Figuras e Painéis de Auto-cuidado para ajudar seu filho a entender os acontecimentos do dia e os passos de uma rotina difícil Se o seu filho não tiver experiência prévia com Agendas de Figuras, comece com um Painel de Primeiro/Depois, usando-o da mesma maneira descrita para crianças no estágio de Pedidos (veja na página 234). Não demorará muito e você poderá adicionar mais atividades ao cartaz e mostrar ao seu filho o que fará durante o dia todo. Esse cartaz mostra para o seu filho o que fará o dia inteiro. A mãe faz com que Douglas veja que não há mais bolachas no pacote, e assim ele entende que bolacha não é uma opção. 238 Capítulo 7 Ajudas Visuais 239 Quando as figuras são destinadas a mostrar os passos de uma rotina difícil, seu filho pode usá-las de maneira mais eficiente se cada uma estiver colocada no lugar onde ele executa aquele passo da rotina na vida real. Por exemplo, em uma rotina de lavar as mãos, ponha a figura do sabão perto de onde fica o sabão de verdade, a figura das mãos sendo enxugadas sobre a toalha e a figura da água sobre as torneiras. À medida que seu filho for progredindo, você pode colocar todas as figuras em um único Painel de Figuras. Algumas crianças não têm dificuldade em completar um passo e então consultar o painel para o próximo passo. Mais uma vez você precisará experimentar para ver o que é melhor para o seu filho. Adicione um lugar de “Pronto” à Agenda de Figuras para ajudar seu filho a entender o passado Toda vez que seu filho terminar uma atividade do Painel, estimule-o a colocar a figura da ação completada em uma caixa ou envelope especial. Diga o nome da atividade e “Pronto” (por ex. “Banho pronto”). Ele pode precisar de ajuda mão sobre mão para aprender como fazer isto. Use as Ajudas Visuais para mostrar o que seu filho precisa saber sobre situações difíceis Escreva Histórias Pessoais curtas para seu filho. Estas histórias são escritas espe- cialmente para ele, de forma a ajudá-lo a aprender o que dizer em diferentes situ- ações. Seguindo estas recomendações, você pode escrever Histórias Pessoais para quase tudo o que quiser que seu filho entenda ou faça. Segue um exemplo de uma História Pessoal que conta a um Comunicador Básico o que acontece quando uma visita chega. Coloque as figuras onde seu filho precisa delas. Guia para escrever Histórias Pessoais* 1. Identifique sobre quem e o que a história trata. 2. Escreva sob o ponto de vista da criança. 3. Descreva o que as pessoas fazem e/ou dizem na situação. 4. Forneça alguma alternativa para que a criança tente fazer e/ou dizer na situação. * Adaptado de C.Gray. “Teaching children with autism to read social situations. ” In: Teaching Children with Autism, editado por K.Quill (Albany: Delmar, 1995). 240 Capítulo 7 Ajudas Visuais 241 Segue um exemplo de uma História Pessoal para ajudar um Comunicador Básico. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar Nesse estágio, as figuras podem ajudar seu filho a fazer pedidos, e também fazer e responder perguntas ou comentar alguma coisa. Use Cartões de Dicas Use os Cartões de Dicas para ajudar seu filho a fazer sentenças. Você pode ajudá- lo a progredir com os Cartões de Dicas: começar se comunicando com apenas uma figura durante a Troca de Figuras e terminar fazendo pequenas “sentenças”. Escreva “Eu quero” em um Cartão de Dicas e demonstre como colocar a figura do que ele deseja perto das palavras no cartão. Então faça com que ele troque a “sentença” pelo que deseja. Se o seu filho estiver “ecoando” (repetindo o que você diz), use a oportunidade para ajudá-lo a dizer a sentença depois de fazê-la. Assim que ele lhe der o Cartão de Dicas “Eu quero” e a figura, diga “como ele diria se pudesse” – por exemplo, “Eu quero vídeo”. Conforme ele progride e fica mais interativo, pode não precisar mais da troca de figura e do cartão – poderá apontar ou dizer a sentença. Use Cartões de Dicas para ajudar seu filho a comunicar-se por outras razões além de pedir coisas, tais como responder perguntas e fazer comentários. Por exemplo, se estiver jogando um jogo com seu filho e quiser que ele diga de quem é a vez, faça cartões “Sua vez/Minha vez”. São dois cartões onde você escreve palavras indicando o que ele pode dizer quando é a vez dele (por exemplo, “vez do César”) e quando é a sua vez (por exem- plo, “vez da Mamãe”). Ponha outras senten- ças utilizadas frequentemente em Cartões de Dicas, tais como “Eu tenho”, “Eu vejo”, “Es- tou indo” e “O que é isto?” e mostre ao seu filho sempre que ele precisar. Para usar os Cartões de Dicas, exiba o cartão ou aponte para ele quando desejar que o seu filho fale. No começo, forneça um modelo verbal completo se necessário, dizendo tudo o que está escrito no Cartão de Dicas e também fazendo o papel doseu filho de preencher as lacunas. Por exemplo, se o Cartão de Dicas diz “Olha” diga “Olha“ e aponte para algo como uma bola e complete dizendo “bola”. Depois de dizer várias vezes o modelo completo, dê ao seu filho um modelo parcial, dizendo somente: “Olha a...” e deixando que ele complete a frase. Quando sentir que ele está pronto, simplesmente diga “Olha...” e deixe que ele complete mais a frase. Seu obje- tivo é que o Cartão de Dicas venha a funcionar como um lembrete para seu filho de que é a vez dele dizer alguma coisa, sem que você precise fazer ou dizer nada. Ajuda ter alguns cartões de Dicas permanentes em determinados lugares. Por exemplo, na mesa de jantar, faça um Cartão de Dicas para lembrar seu filho a pedir por mais (por exemplo, “Eu quero mais”) e um outro para dizer-lhe que já comeu o bastante (por exem- plo, “Pronto”). Os Cartões de Dicas com frases podem relembrar seu filho sobre o que dizer durante as refeições. Cartões de Dicas podem lembrar seu filho de como pedir um lanchinho. 242 Capítulo 7 Ajudas Visuais 243 Use os Cartões de Dicas para ajudar seu filho a entender e falar sobre senti- mentos. Seu filho sente felicidade, tristeza, raiva, medo e entusiasmo como todas as crianças, mas pode ter dificuldade de entender as palavras que as nomeiam. No entanto, você provavelmente já tem ajudado seu filho a entender sentimentos mais do que imagina. Por exemplo, quando ele lhe dá um abraço, você pode sorrir e dizer “Isso deixa a mamãe feliz”. Ou quando ele sobe em cima da geladeira, você pode dizer numa voz dura: “Desça daí. Mamãe está brava.” Nesses exemplos, sua lingua- gem corporal, tom de voz e expressões faciais ajudam seu filho a entender como você se sente. Mesmo assim, ele pode precisar de umas ajudas extras. Comece com figuras e os nomes dos sentimentos mais básicos. Ponha cada figura em seu próprio Cartão de Dicas. Quando você quiser identificar um sentimento para seu filho, diga a palavra e guie sua mão para tocar o Cartão de Dicas com a figura da mesma emoção. Você deve sempre dar ao seu filho um exem- plo do que o faz sentir-se de determinada maneira. Por exemplo, em vez de dizer simplesmente “César está triste”, mostre-lhe e identifique o que o faz triste – por exemplo: “A roda quebrou. O César está triste.”. A melhor ocasião para identificar sentimentos com um Cartão de Dicas é quando seu filho estiver experimentando um deles. Veja como a mãe de César seguiu o seu comando. O César adora picolés, em especial os de uva, e fica muito animado quando sua mãe pega um do congelador. Toda vez que a sua mãe lhe dava um picolé, ela dizia: “César gosta de picolé. César está feliz.” Então ela pegava a mão do filho e tocava um Cartão de Dicas com uma cara feliz desenhada e repetia a palavra “Feliz”. Ela fez isso repetidas vezes sempre que o César estivesse feliz de verdade. Um dia, a mãe de César lhe deu o picolé e esperou. O César pegou a mão da mãe e fez com que ela tocasse o Cartão de Dicas. Assim que ela tocou o cartão, ele disse: “César está feliz!”. Ajudas Visuais para a criança no estágio de Parceria Nesse estágio, seu filho pode ser capaz de usar todos os tipos de figuras e até mesmo obter informações de palavras escritas. Se ele estiver usando muitas Ajudas Visuais, seria mais prático usar desenhos menores (5 x 5 cm). Também está ficando mais in- dependente. Nas rotinas de auto-cuidado, como escovar os dentes ou lavar as mãos, pode seguir as figuras mesmo sem você estar junto. Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a entender o mundo Use Agendas de Figuras para ajudar seu filho entender os acontecimentos do seu dia, semana e mês Há muitas maneiras de usar Ajudas Visuais nesse estágio. Muitas Agendas de Figu- ras diferentes podem mostrar ao seu filho o que fazer durante o dia todo, a semana e o mês. Até mesmo o conceito de tempo pode ser expresso através de figuras. Uma agenda que mostre o dia inteiro ao seu filho permite que ele saiba o que esperar e pode ser especialmente útil se está relutando em fazer alguma coisa. Todas as quintas-feiras, a avó do Fábio cuida dele enquanto sua mãe vai ao trabalho. Sempre que chega à casa da vovó, Fábio se recusa a sair do carro e chora. Ele gosta da avó, mas não gosta quando sua mãe o deixa. Fábio não gosta de ser deixado na casa da avó. 244 Capítulo 7 Ajudas Visuais 245 Uma Agenda de Figuras para o dia do Fábio pode ficar assim: “Primeiro o Fábio vai para a casa da Vovó. Depois Fábio vai almoçar. Depois Fábio vai assistir a um vídeo. Depois Fábio vai tomar um suco. Depois o papai vai buscar o Fábio e trazê-lo para casa.” Essa agenda pode não resolver todo o problema, mas vai lembrar Fábio que a casa da avó é divertida e que o pai sempre vai buscá-lo no fim do dia. O dia também pode ser dividido em mini- agendas. Uma agenda para a manhã pode in- cluir “Vá ao banheiro. Tire os pijamas. Tome café da manhã. Escove os dentes.” Se o seu filho tem dificuldades em se vestir sozinho, pode usar um Painel de Figuras mostrando cada passo da Rotina – por exemplo: “Vestir cuecas. Vestir ca- miseta. Vestir calças. Vestir meias”. Uma agenda semanal ou mensal parece um calendário com figuras dos acontecimen- tos importantes – aulas de natação, visitas aos amigos ou à escola – sobre os dias em que eles acontecem. As Agendas de Figuras podem ser especialmente úteis para o seu filho na sala de aula da pré–escola ou educação infantil. Se puder consultar seu livro ou seu pai- nel, ele saberá exatamente o que fazer, sem precisar de ajuda do professor. Tempo é muito abstrato. Portanto, seu filho precisa de exemplos concretos so- bre o que acontece em determinados períodos do dia para entender como o tempo funciona. Por exemplo, você pode por uma figura de comida de café da manhã ao lado das 8 horas ou uma figura do ônibus da escola do lado das 8:30. Se o seu filho está ansioso por um evento que vai acontecer, como um filme ou uma visita ao Zoológico, mostre-lhe quantas noites de sono terá antes do grande dia. Esse calendário mostra ao seu filho que faltam três noites de sono antes de visitar o Zoológico. *Adaptado de L. Hodgdon, Visual strategies for improving communication, (Troy, MI, QuirkRoberts, 1995) Use Ajudas Visuais para ajudar seu filho a entender situações difíceis As Histórias Pessoais, já descritas para o estágio de Comunicação Básica nas pági- nas 239 e 240, podem ser usadas quase sempre que seu filho precisar de algumas sugestões sobre o que fazer ou dizer. Pense sobre alguma coisa que é difícil para o seu filho, consulte as instruções e escreva a história. Use Ajudas Visuais para mostrar ao seu filho como criar algo As Ajudas Visuais podem mostrar ao seu filho como construir ou fazer alguma coisa, de uma torre de bloquinhos a um leite com chocolate. Escreva ou imprima as instru- ções na forma de palavras ou figuras. Depois o ajude a seguir as instruções. (Para sa- ber mais sobre como seguir instruções visuais, veja o Capítulo 8, páginas 283-287). Ajudas Visuais podem ajudar seu filho a se expressar Use Diários de Figuras e Livros de Comunicação para falar sobre coisas que seu filho fez Seu filho pode ser muito bom para comunicar-se sobre coisas que ele vê, mas não pode ver as coisas que já fez em determinado dia. Você pode ajudá-lo a se lembrar de experiências passadas relembrando-o de determinadas coisas e fazendo pergun- tas. No entanto, se você fizer uma pergunta atrás da outra – por exemplo, “O que você viu no Zoológico? Quem foi ao Zoológico? Você gostou do Zoológico?” – sua conversa pode rapidamente virar um questionário. Os Diários de Figuras e os Livros de Comunicação podem lembrar seu filho do que dizer sem que você pre- cise fazer muitas perguntas. Enquanto olham para as figuras, ambos podem co- mentar sobre o que vêem. Segue um exemplo de um Diário de Figuras de uma viagem à fazenda: Essa Agenda de Figuraspermite que Fábio saiba que o pai vai buscá-lo no fim do dia.* 246 Capítulo 7 Ajudas Visuais 247 Se o seu filho freqüenta uma escola, estimule sua professora a mandar para casa todos os dias um Livro de Comunicação com algumas figuras sobre o que ele faz na escola e uma pequena nota des- crevendo as figuras. Se a professora mantiver o re- gistro diário, você vai ter sempre alguma coisa para conversar com seu filho. Por exemplo, “Você brincou com a Ana hoje. O que vocês fizeram?” Então você coloca algumas figu- ras de coisas que seu filho faz em casa no Livro de Comunicação e ele pode le- var de volta para escola no dia seguinte e mostrar para a professora. Você pode fazer com que olhar o Livro de Comuni- cação faça parte da Agenda de Figuras, e chamá-la de “Hora da Conversa”. Vocês terão uma oportunidade de conversar so- bre atividades de seu filho. Uma maneira rápida da professora do seu filho informar o que ele fez durante o dia é circular a figura em uma folha xerocada como esta. Se a professora mandar para casa um registro do que seu filho brincou e com quem, você saberá facilmente o que conversar com ele. Use Ajudas Visuais para ajudar seu filho a entender e conversar sobre sentimentos Nesse estágio, seu filho entende o que as palavras “feliz”, “triste” e “bravo” significam. Você pode adicionar “com medo” à lista de palavras que nomeiam sentimentos. Use os “Cartões de Dicas sobre Sentimentos” para identificar os sentimentos quando o seu filho os experimenta (veja a página 242). Outra ma- neira de ajudá-lo a entender sentimentos é criar um livro Feliz, um livro Triste, um livro Bravo e um livro com Medo. Cada livro terá figuras de coisas que o fa- zem sentir-se daquela manei- ra e sugestões para o que fazer quando sentir-se triste ou bravo. * (Para mais infor- mações sobre como fazer li- vros para o seu filho, veja o Capítulo 10). NOME Data Hoje nós..... * adaptado de S. Freeman & Drake. Teach me language. (Langly, B.C.: SKF Books, 1996). 248 Capítulo 7 Ajudas Visuais 249 Ajudas Visuais podem ser grandes solucionadoras de problemas. Pense em um problema que o seu filho tenha, pegue um papel e uma caneta e resolva o problema visualmente. Olhe o que a mãe fez quando Bruna teve um problema. Bruna adora sua blusa com corações vermelhos. Um dia, ela e a mãe estavam pintando e a menina espirrou tinta roxa em sua blusa. Bruna ficou muito incomodada e começou a chorar. A mãe decidiu ajudar Bruna resolver o problema usando Ajudas Visuais. Segue o exemplo de como ela apresentou o problema para Bruna e então o resolveu “visualmente” *. * Adaptado de J. Janzen. Understanding the nature of autism (San Antonio. Therapy Skills Builders, 1996). 250 Capítulo 7 Ajudas Visuais 251 Se usar Ajudas Visuais para resolver problemas com seu filho, prepare-o para a possi- bilidade da solução não funcionar. Por exemplo, no caso da blusa da Bruna, pode ser que a tinta não saia com a lavagem. Mas sua mãe poder sugerir um outro plano. Use os Cartões de Dicas para explicar como usar palavras difíceis Seu filho pode precisar de instruções mais específicas para entender e usar certas palavras. Por exemplo, você pode explicar como fazer e responder perguntas co- meçadas com “O quê”, “Quem”, “Onde” e “Quando”, através de figuras e mesmo com algumas palavras escritas. Prepare cartões com as palavras “O quê?”, “Quem?”, “Onde?” e “Quando?” no alto. Embaixo das palavras, cole ou desenhe algumas fi- guras que ilustrem os tipos de respostas requeridas por estas questões. Como pode ver nas ilustrações abaixo, as perguntas “que” são respondidas com o nome de um objeto, as perguntas “onde” com o nome de um lugar, as perguntas “quem” com o nome de uma pessoa e as perguntas “quando” com uma hora do dia. Explique para o seu filho, dando-lhe instruções: “Responda as perguntas que começam com “que” com o nome de uma coisa” e assim por diante. Dê outros exemplos, além dos já dados nos cartões. Tenha os cartões prontamente disponíveis: assim, se o seu filho tiver dificuldade em responder a uma pergunta, você pode apontar para o cartão apropriado e lembrá-lo da resposta certa. 252 Capítulo 7 Ajudas Visuais 253 Use Cartões de Dicas em conversas Os Cartões de Dicas também podem lembrar seu filho de como começar e permane- cer em uma conversa. Por exemplo, um Cartão de Dicas pode lembrá-lo de dizer “Oi. Tudo bem?” Se vocês estiverem conversando sobre planos para um acontecimento futuro, pode fazer um Cartão de Dicas que ajude seu filho a falar sobre seus planos - por exemplo, “Semana que vem eu...”. Se a compreensão do seu filho for boa, os Cartões de Dicas pode lembrá-lo das regras da conversação, dando-lhe algumas instruções como “Espere pela resposta”. Car- tões de Dicas também podem lembrá-lo do que dizer durante brincadeiras. Por exemplo, você pode colocar sentenças como “Minha vez/Agora é a minha vez” ou “Eu gosto desse jogo” nos Cartões de Dicas, assim como “Sem trapaça!” ou “Estou ganhando!”. Coloque os Cartões de Dicas sobre o tabuleiro do jogo ou sobre uma parede onde seu filho possa ver. Ou mova os cartões na frente dele para lembrá-lo do que dizer. Os Cartões de Dicas podem ajudar seu filho a lembrar-se de algumas regras de conversação. Se o seu filho é um apren- diz visual, ele provavelmente adora assistir TV e vídeos. Assistir TV pode pare- cer uma atividade passiva, que oferece poucas oportu- nidades para seu filho se co- municar. Fazendo algumas adaptações, você pode trans- formar a hora da TV em uma atividade interativa. Assista TV com seu filho e use o botão de pausa nos vídeos A maioria das crianças gosta de assistir o mesmo vídeo muitas vezes. Quando seu filho ficar bem familiarizado com um vídeo, pode começar a antecipar suas partes favoritas. Use o botão de pausa antes de uma dessas partes e foque a atenção do seu filho no que está para acontecer. Por exemplo, no vídeo “Spot vai para o parquinho”, assim que o Spot desce pelo escorregador, o narrador diz “ Êêêê!”. Pause o vídeo antes que o Spot desça o escorregador e diga “O Spot vai descer pelo escorregador”. Espere e olhe com expectativa e então solte a pausa e diga “Êêê!” com a voz do vídeo. Da próxima vez, pode ser que o seu filho aceite a sua dica e diga “Êêê!” antes de você. Ouça com cuidado o que seu filho imi- ta dos vídeos e tente criar algumas situações onde ele possa generalizar o que aprendeu. Esse menino está aprendendo uma palavra divertida na TV. Depois tem a chance de usá-la na vida real! Seja interativo Se os personagens do vídeo cantam e dançam, levante-se e cante e dance com seu filho! Relacione a informação ao mundo real Tente ter alguns acessórios idênticos aos do vídeo. Por exemplo, se um personagem encher um balde de água, providencie um balde para o seu filho. Se você não tiver os objetos, faça gestos para representar o que os personagens estão fazendo. Transforme a hora da TV em hora da Conversa 254 Capítulo 7 Faça seu próprio vídeo Se o seu filho freqüenta uma escola ou creche, consiga permissão para gravar a classe cantando ou fazendo um lanchinho. Ou consiga alguns primos, filhos de amigos ou parentes e faça seu próprio vídeo: o que uma criança pode dizer quando encontra alguém novo ou quer pedir “mais” na mesa do jantar. Seu vídeo não vai receber uma indicação para o Oscar, mas ao ver outras crianças agindo, seu filho vai aprender mais sobre o que pode dizer e fazer. Lembre-se de escrever um roteiro adequado ao estágio de comunicação do seu filho. De maneira geral, use sentenças simples e curtas que seu filho possa “copiar” e reutilizar. Inclua também muitas frases de apoio e linguagem social, como “Vamos brincar” e “Até mais ou Tchau”. Crianças no estágio de Parceria podem representar o vídeo depois de assisti-lo. Use a TV para despertar o interesse de seu filho pelos livros Muitos livros de crianças têm vídeos como mesmo personagem ou o mesmo assunto. Para uma criança que não mostra interesse por livros, talvez seja uma maneira de con- seguir sua atenção. Use a TV e os vídeos para ampliar o repertório do seu filho sobre sentimentos, o futuro e o passado. Se o seu filho está no estágio de Parceria, você pode usar o que está acontecendo nos vídeos e TV para ajudá-lo a enten- der e conversar sobre sentimentos. Depois de uma cena de medo, descreva como você se sente. Da próxima vez, aperte a pausa antes da cena e avise seu filho sobre o que vai acon- tecer – “O monstro está vindo. Estou com medo!” Converse sobre isso e estimule seu filho a falar sobre os que os perso- nagens da TV estão sentindo. Também fale sobre coisas que fazem vocês rirem. Se o seu filho não se importar, você pode apertar a pausa em certos pontos do vídeo e perguntar-lhe sobre o que vai acontecer. Quando o vídeo acabar, converse sobre o que assistiram. Use a TV para despertar o interesse do seu filho pela leitura Use os comerciais e os créditos dos programas de TV e vídeo para desenvolver o interesse do seu filho pelo mundo da escrita, apontando algumas palavras e expli- cando de maneira que ele possa entender. Se o seu filho mostra bastante interesse pelos créditos dos programas, pode ser uma boa idéia optar por legendas (“closed caption”) na sua TV. Ele poderá ao mesmo tempo ver e ouvir o que estão dizendo. Tanto quanto a TV, os computadores podem contribuir para a aprendizagem do seu filho, por que apresentam informações visuais e são divertidos. Além disso, propi- ciam oportunidades para que ele pratique e repita as mesmas palavras e conceitos muitas vezes. Muitos programas de computadores ensinam vocabulário às crianças e propiciam uma oportunidade para ouvir e seguir instruções. Se o seu filho está aprendendo um novo vocabulário via computador, certifique-se que tenha opor- tunidades de usar essas palavras na vida real. Se ele vem identificando nomes de alimentos no computador, faça com que coma ou experimente alguns deles ou vá comprá-los em sua companhia. Apesar de seu filho poder aprender muito via computador, não permita que o aparelho substitua a interação com pessoas. Tente ficar por algum tempo com seu filho enquanto ele brinca no computador. Procure por programas interativos, como jogos onde vocês possam participar juntos e se alternar. Se o seu filho está começando a ler, tente manter pequenas conversas no computador que o ajudem a aprender alguma linguagem social. Por exemplo, digite “Oi. Tudo bem?” e mostre a ele a forma escrita da resposta “Tudo bem. E você?” Então o ajude a digitar a resposta. A seguir, digite “Quantos anos você tem?” e mostre para o seu filho outra frase escrita: “Tenho 5 anos”. À medida que ele melhorar seu desempenho no com- putador, precisará menos ajuda para digitar suas respostas. Seu filho pode gostar de olhar o livro depois de assistir o vídeo com o mesmo título. E o uso do computador? Todos nós dependemos de Ajudas Visuais – calendários, agendas diárias, sinais de rua – para entender o mundo e organizar nossas vidas. As Ajudas Visuais descritas neste capítulo procuram diminuir a confusão na vida do seu filho, dando-lhe infor- mações de um jeito mais fácil de entender. Ajudas Visuais também dão ao seu filho outra maneira de se expressar e, quando começar a falar, lembrá-lo do que dizer. Há muitas maneiras de usar as Ajudas Visuais: Painéis de Opções permitem que seu filho inicie e responda uma conversa, as Agendas de Figuras ajudam a entender o que vai acontecer e os Cartões de Dicas e as Histórias Pessoais sugerem o que dizer e fazer sem sua ajuda. As Ajudas Visuais ajudam a todos nós e nos mantêm mais calmos e relaxados. Podem fazer o mesmo pelo seu filho. Resumo 256 Capítulo 7 R.O.D.A. na sua rotina Durante as atividades que você e seu filho fazem diariamente, há muitas oportunidades para aprender sobre interação e comunicação. Pense em todas as coisas que você e o seu filho fazem de manhã. Primeiro vocês acordam. Depois vem o café da manhã e o gato pode querer o seu “café” também. Depois seu filho precisa escovar os dentes, lavar-se e vestir-se. Daí vêm as louças do café da manhã, e talvez uma correria louca para o trabalho ou uma carona até a escolinha. Tudo isso – e ainda não são 9 horas da manhã! Apesar das suas manhãs parecerem agitadas e desorganizadas, na verdade há um padrão no que você faz. Levantar-se, vestir-se tomar o café da manhã são exemplos de “rotinas diárias”: coisas que você e seu filho fazem do mesmo jeito todos os dias. 8 258 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 259 R.O.D.A. nas suas Rotinas Diárias As rotinas diárias podem ajudar seu filho a entender o seu mundo porque são repeti- tivas e previsíveis. Quanto mais vezes seu filho faz a mesma coisa da mesma maneira, fica mais claro o significado do que está acontecendo. Neste capítulo, nós mostraremos/veremos maneiras de fazer com que as ativi- dades do dia-a-dia com seu filho - suas rotinas diárias – possam melhorar sua com- preensão sobre o que você faz e diz e como as Ajudas Visuais podem contribuir para essa compreensão. Veremos também que quando você usa R.O.D.A., as rotinas diárias tornam-se muito parecidas com as Brincadeiras com Gente: atividades estruturadas durante as quais vocês dois têm oportunidades de alternar papéis e interagir. Repita o que você diz e faz Repita o que você diz e faz quando começar a rotina O primeiro passo de qualquer rotina é anunciar o nome dela e fazer alguma coisa relacionada especificamente com ela, como mostrar ao seu filho os pijamas na hora de ir dormir. Se você começar as rotinas com determinados nomes ou títulos, seu filho associará essas palavras com a rotina: “Hora do ba- nho” para tomar banho ou “Escovar dentes” para escovar seus dentes. É importante ser constante no que você diz e faz. Por exemplo, se um dia disser “Vamos almoçar” um dia e “Hora de comer” em outro, seu filho não vai aprender a associar palavras específicas à hora do almoço. Então, decida quais “títulos” vai dar às suas rotinas e permaneça neles (“grude ne- les”). Escrever o nome da rotina no topo da Agenda de Figuras pode relembrá-lo de ser constante. Pelo mesmo motivo, come- ce suas rotinas com a mesma ação todas as vezes. Por exem- plo, se você disser para seu filho que é hora do almoço, pode levar a mão à boca como se estivesse comendo ou levantar-se e mostrar o prato dele. Você pode cantar uma canção especial para cada início de rotina e ajudar seu filho a entender o que está para acontecer. Não há uma maneira certa de começar uma rotina, mas quando decidir como vai fazer, não mude até que seu filho esteja pronto para aprender alguma coisa nova. O segundo passo de muitas rotinas é fazer com que seu filho venha até você para que façam juntos a rotina. Algumas crianças virão por conta própria, enquanto outras podem não vir mesmo que você diga “Venha aqui”. Para conseguir que seu fi- lho atenda ao “Venha aqui”, use a Regra do Ajudante descrita no Capítulo 1. Chame o nome dele e diga “Venha aqui” uma vez. Então espere. Se não atender, chame-o de novo, guiando-o fisicamente até o local da rotina. Além do “Venha aqui”, as rotinas diárias proporcionam oportunidades ideais para seu filho aprender a seguir instruções simples de uma maneira natural e significa- tiva. Por exemplo, algumas rotinas, como as horas das refeições, começam quando ele senta-se à mesa, e então pode praticar muito a resposta ao “Senta”. Repita o que diz e faz durante a rotina Assim como nas Brincadeiras com Gente, faça os passos da rotina da mesma ma- neira e na mesma ordem todas as vezes até que seu filho esteja muito acostumado com eles. Mantenha o que você diz simples e constante. Lembre-se do “Fale pouco e enfatizando. Devagar e demonstrando”. Com a prática, seu filho começará a entender como a rotina funciona e participará conforme seu nível de habilidade.Assim que ele puder seguir a rotina sem sua ajuda, você pode variá-la introduzindo algo novo. Por exemplo, pode oferecer-lhe uma opção ou algo inesperado. Repita o que você diz e faz quando você terminar a rotina Da mesma maneira que as rotinas necessitam de começos, precisam também de finais claros. Sempre faça o sinal de “pronto”, dizendo “pronto” ou “acabou” e então ponha, no lugar combinado, a figura da rotina ou da parte dela que compleTâniam. Você pode adicionar “Me dá um abraço”, “Me dá um beijo” ou “Toca aqui” (batendo sua mão aberta na mão aberta do seu filho) como passo final da sua rotina. Além disso, pode desenvolver outros rituais para ajudar seu filho entender que a rotina acabou. Por exemplo, fazê-lo saber que ouviu a última história antes de dormir di- zendo “Fim. E agora, cama”. Pode cantar uma música específica ou apagar as luzes no corredor, antes de apagar as luzes do quarto dele. Não importa o que você faça, desde que faça sempre do mesmo jeito. Se você escrever o nome da rotina perto de uma figura, é mais provável que você use as mesmas palavras todos os dias. Se você terminar as rotinas fazendo o sinal de “pronto/acabou”, seu filho vai perceber que a atividade terminou. 260 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 261 Repita a rotina frequentemente, com pessoas diferentes e em lugares diferentes. Seu filho pode facilmente ficar dependente de você para desempenhar suas rotinas. Para ajudá-lo a tornar-se mais flexível e independente, tente achar outras pessoas com as quais ele possa cumprir suas rotinas. Por exemplo, talvez a vovó possa tomar lanche com ele ou a babá possa dar-lhe banho de vez em quando. Se você envolve outras pessoas, mostre-lhes como fazer a rotina da maneira que seu filho está acostumado. A Agenda de Figuras pode ajudá-las a manter a constância do que fazem e dizem. Quando seu filho estiver pronto, deixe que faça algumas rotinas sem ninguém ajudando. Ofereça oportunidades para seu filho participar Planeje quando oferecer uma oportunidade para seu filho participar O bom das rotinas é que elas já estão divididas em pequenos passos. Cada um desses passos dá ao seu filho uma oportunidade de participar. Por exemplo, pense sobre a hora do banho. Primeiro você precisa encher a banheira. Se o seu filho puder abrir a torneira, esta pode ser a sua primeira participação. Depois, precisa tirar a roupa. Ele pode tirar a camiseta – sua segunda participação. Seu filho pode querer um brinquedo para brincar na banheira. Sua terceira par- ticipação pode ser escolher o brinquedo. Finalmente, ele entra na banheira. Quando estiver na banheira, vocês podem cantar uma canção juntos: “Lava, lava, lava lava uma orelha, outra orelha...” Se você “esque- cer” da palavra ”orelha” depois de começar a can- ção, seu filho pode partici- par mais uma vez, comple- tando a frase com a palavra. Há muitas coisas para fazer e dizer enquanto se lava! Quando decidir quando vai oferecer uma oportunidade de participação para seu filho, seja constante. No exemplo acima, isto significa oferecer, no próximo banho, as mesmas participações – antes de abrir a torneira, antes de tirar a ca- miseta, antes de escolher o brinquedo para o banho e antes da palavra “orelha”. Pode ser que seu filho participe de maneira diferente da que você planejou. Pode fazer isso porque a outra maneira é mais interessante para ele ou mais fácil de fazer. Independente do motivo, atenda aos interesses do seu filho e inclua a nova participação na rotina da próxima vez. Planeje os papéis que seu filho pode desempenhar Os papéis que o seu filho vai desempenhar dependem do seu estágio de comuni- cação e da rotina a seguir. Como o seu filho precisa entender o que está aconte- cendo antes de fazer as coisas por conta própria, muitos dos seus primeiros papéis serão ações, respostas às suas instruções e sugestões. Por exemplo, quando seu filho lavar as mãos, você (ou uma Agenda de Figuras) pode dizer-lhe para abrir a torneira e pegar o sabonete. Seguir instruções, no entanto, não é o único tipo de papel que seu filho pode desempenhar. Você pode equilibrar suas instruções com oportunidades para outros tipos de papel, tais como fazer comentários ou escolhas. Evite dar muitas instruções em uma rotina e não as dê se o seu filho não precisar mais. Algumas rotinas, como refeições e banho, são muito sociais. Nestas rotinas, haverá mais oportunidades para seu filho solicitar coisas, fazer escolhas, completar frases, comentar sobre fatos inesperados e ter pequenas conversas. Ofereça novas oportunidades de participação à medida que seu filho progride. Você precisa acompanhar o progresso do seu filho, claro. Assim que ele tiver me- morizado uma rotina, adicione algo novo. Por exemplo, se toda vez lhe der suco aos pouquinhos, seu filho terá oportunidade de pedir “Mais”, porém nada além disso. Mas, se surpreendê-lo dando-lhe um suco que não gosta, terá a oportunidade de aprender a dizer “não”! Independente do estágio que seu filho estiver, sempre há oportunidades para que aprenda alguma coisa nova nas rotinas diárias. 262 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 263 Dê dicas para que seu filho participe Dê dicas mais explícitas no começo e então dicas mais naturais quando seu filho estiver acostumado com a rotina. As mesmas recomendações que você usa nas Brincadeiras de Gente se aplicam à hora do banho, refeições e mesmo cumprimentando uma visita. No começo, você vai precisar fazer todo o serviço, fornecendo modelos para o seu filho ou guiando-o fisicamente. Mais à frente, você fará menos: esperar e olhar de forma expectativa pode ser uma dica suficiente do que ele deve fazer. Use Ajudas Visuais Use Agendas de Figuras para mostrar ao seu filho as rotinas de certas horas do dia – por exemplo, o que faz de manhã antes da escolinha ou creche – e para rotinas mais difíceis. Numa rotina difícil as figuras mostrarão como ela é feita e ajudarão nos pontos mais complicados. Ajudas Visuais também lembrarão do que dizer durante as rotinas. Por exemplo, na hora do lanche, um Painel de Opções ou um Cartão de Dicas com “Eu quero” por escrito pode lembrá-lo de como dizer o que quer. E olhar uma Agenda de Figuras das suas atividades do dia todo torna mais fácil dizer o que já fez e o que vai fazer. Arme a situação Quando seu filho tiver aprendido os passos de uma rotina, você pode dar-lhe oportu- nidades de desempenhar novos papéis armando a situação. Você pode colocar alguma coisa que ele precisa ou quer onde possa ver, mas não possa alcançar, ou oferecer comida um pedacinho de cada vez. A melhor maneira de incentivar seu filho a fazer comentários é introduzir algo novo às rotinas conhecidas. As sugestões do Capítulo 2, páginas 68-81, ajudarão você a armar situações e transformar as rotinas diárias em oportunidades nas quais seu filho sempre possa aprender coisas novas. Animado! Mantenha Animado! Mantenha Acontecendo! As rotinas podem ser repetitivas, mas não precisam ser chatas! Por exemplo, a maioria das crianças adorará o banho se houver bolhas e brinquedos na água e se você ficar brincando ou cantando. Canções podem tornar as rotinas divertidas para você e para seu filho. Acrescentar canções às rotinas é um jeito fácil de torná-las mais divertidas. As canções chamam a atenção do seu filho e sugerem atividades que você podem fazer juntos. No Capítulo 9, trataremos de como você pode fazer canções especialmente para seu filho. Uma canção especial pode ajudar seu filho a aprender atividades ou palavras novas ou ajudá-lo em uma situação difícil. Por exemplo, o pai da figura anterior canta uma canção que ele fez a partir da melodia de “Frére Jacques”. A canção é simples, com as mesmas cinco palavras repetidas muitas vezes – “Minhas calças, minhas calças, vou baixar/tirar” – mas torna aprender a usar o banheiro um pouco mais divertido. Da mesma maneira que vocêpode transformar rotinas em atividades diverti- das, você transformar atividades divertidas em rotinas! Dizer “tchau” à mamãe e ao papai todos os dias, cumprimentar uma babá ou professor, alimentar um bicho de estimação, visitar a padaria ou lavar pratos podem todas ser transformadas em rotinas agradáveis com papéis previsíveis para você e o seu filho. Algumas rotinas podem ser especialmente difíceis por conta das preferências sensoriais do seu filho. Por exemplo, sempre é um desafio tornar as horas das re- feições divertidas se ele for muito seletivo para comer e sensível ao cheiro de certos alimentos. Vesti-lo também pode ser complicado se ele for muito sensível ao toque. Mas mesmo rotinas difíceis podem oferecer oportunidades para seu filho comunicar- se diretamente com você. E, Com alguns dos planos criativos descritos na próxima seção, você pode realmente pegar es- sas situações problemáticas e trans- formá-las em interações positivas para vocês dois. Qualquer coisa que você e seu filho façam juntos todos os dias pode ser transformada em uma rotina interativa para ambos. R.O.D.A. na sua rotina 265 Lanche para a criança no estágio de Interesses Próprios Lanches são oportunidades ideais para ajudar seu filho a comunicar-se intencional- mente para pedir seu lanchinho. O que você pode esperar Neste estágio, você pode esperar que a criança aprenda a: Atender a “Vem aqui” e “Senta” Pedir seu lanche usando gestos, objetos ou figuras O que você pode fazer Você deverá testar para descobrir como o seu filho poderá pedir pelo seu lanchinho – atra- vés de Troca de Objetos ou Figuras, gestos ou sinais manuais. Tente primeiro a Troca de Figuras. Se ele não compreender a troca, veja se a Troca de Objetos funciona melhor. Use objetos em miniatura ou brinquedos, como comida de mentirinha, para representar seus lanches preferidos. Você pode até prender o lanchinho de verdade, como uma batata chip, a um Painel e cobri-lo com filme plástico transparente (veja o Capítulo 7, página 233, so- bre a Troca de Objetos). Se esta troca também não funcionar, pode ensinar-lhe um gesto, tal como pedir seu lanchinho segurando e empurrando um prato na sua direção ou fazen- do um sinal manual. Use o método da “mão sobre mão” para ensinar os sinais, como já descrito para ensinar Troca de Fi- guras ou Objetos. Consiga alguém que ajude seu fi- lho a desempenhar a ação, como empurrar o prato em sua direção, e então lhe dê imediatamente o que ele quer. A tabela seguinte traz um plano passo a passo de uma rotina de lanche para uma criança no estágio de Interesses Próprios. O Gustavo aprende Troca de Objetos na hora do lanche. As seções a seguir dão algumas idéias sobre como ajudar seu filho a aprender a enten- der e participar em duas rotinas diárias – hora do lanche e vestir-se – dividindo as roti- nas em pequenos passos e tornando-as mais estruturadas. Você verá que os lanchinhos, como todas as refeições, é uma das ocasiões mais naturais para interagir e trabalhar a comunicação. Vestir-se é mais uma rotina de auto-cuidado na qual a ênfase está na compreensão de como fazê-la adequadamente. No entanto, depois que ele puder vestir- se sozinho, você pode começar a criar oportunidades de comunicação durante as roti- nas e ter pequenas conversas. Nas páginas seguintes, falaremos de como adaptar a hora do lanche e o vestir-se ao estágio de comunicação do seu filho – de Interesses Próprios, de Pedidos e de Comunicação Básica. Se ele está no estágio de Parceria, talvez já saiba como fazer essas rotinas por conta própria; falaremos então de como tornar as rotinas uma hora para conversar. Não se esqueça que este livro é somente um guia – você pode ter de fazer as coisas um pouco diferentes para o seu filho. Rotinas para a criança no estágio de Interesses Próprios Nesse estágio, no início você faz todo o trabalho. Mostra para o seu filho como a roti- na funciona, desempenhando os papéis dele e ajudando-o fisicamente. Então você vai precisar descobrir quando esperar que seu filho mostre como ele vai participar e quando você o conduzirá à participação. Na maioria das vezes, precisará ajudá-lo fisicamente em algumas ações da rotina, tais como abrir a torneira ou enxugar as mãos. Mas você precisará de OEO (Observar, Esperar e Ouvir) e deixar-se conduzir pelo seu filho para transformar em comunicação proposital uma tentativa de alcançar ou um olhar. Quan- do ele estiver familiarizado com a rotina, você pode introduzir algo novo para fazer. O que você pode esperar Nesse estágio de comunicação, você pode esperar que seu filho aprenda a: Prestar atenção à rotina Entender os passos da rotina Interagir intencionalmente com você O que você pode fazer Oferecer modelos verbais e físicos Ajudar fisicamente (Use a “Regra do Ajudante”, descrita no Capítulo 1, página 40) Aguardar que seu filho faça a parte dele Atender aos interesses do seu filho Armar a situação Adapte as rotinas diárias ao estágio de comunicação do seu filho 266 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 267 Lanche: Passos para uma rotina no estágio de Interesses Próprios Se você estiver usando Troca de Figuras ou Objetos e o seu filho estiver preparado, dê um modelo parcial ao invés de ajuda física. Você pode dar uma dica para que ele entregue o objeto ou figura, abrindo sua mão como se estivesse esperando ou tocando o braço dele. Mais coisas que você pode fazer Atenda aos interesses do seu filho para conseguir que ele interaja espontaneamente com você Neste estágio, use todos os Quatro “I”s – incluir o interesse do seu filho, imitar, in- trometer-se e interpretar – para permitir que ele veja que suas ações podem influen- ciar você. Nos exemplos seguintes, o pai de Chico usa a intromissão para tornar o comportamento do filho em uma parte interativa da rotina. Toda vez que o pai lhe dava um biscoito, Chico pegava e corria para comê-lo sozinho no sofá da sala. Um dia, seu pai seguiu-o até o sofá e se intrometeu de maneira brincalhona, fingindo que ia pegar um pedaço do biscoito. Disse: ”Mmm! Biscoito do papai!” Nas primeiras vezes, Chico não gostou da intromissão do pai. Mas logo começou a achar divertido o que o pai fazia. Depois, acabou esperando que o pai o seguisse até o sofá e até ofereceu o biscoito para que o pai comesse um pedaço de mentirinha. Quando o pai de Chico se intromete e faz de conta que vai comer um pedaço do biscoito, possibilita que Chico interaja intencionalmente pela primeira vez. O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO Chame seu filho pelo nome e use gestos/ gesticule para que ele venha até você. Use a Regra do Ajudante se ele não responder. OU Mostre-lhe o pacote de biscoitos. “(Nome do seu filho)! Vem aqui!” Ele pode vir ou precisar de ajuda. “Biscoito!” Ele pode olhar para o pacote ou tentar pegá-lo. Aponte para a cadeira. “Senta.” (Use a Regra do Ajudante se necessário) Ele pode sentar-se ou precisar de ajuda. Dê um pequeno pedaço de biscoito para o seu filho. “Biscoito!” Ele come o biscoito. Você e outra pessoa podem ensinar seu filho a trocar um biscoito de brinquedo ou uma figura pelo biscoito (veja o Capítulo 7, página 233) OU Use ajuda física para mostrar ao seu filho como manter a mão aberta com a palma para cima para pedir por um biscoito. OU Mostre ao seu filho como empurrar o prato em sua direção para pedir um biscoito. Dê ajuda física. OU Mostre ao seu filho como fazer o sinal para pedir biscoito usando ajuda física. “Biscoito!” Ele entrega o objeto ou a figura com ajuda física. “Biscoito!” Ele estende a mão com ajuda física. “Biscoito!” Com ajuda física, ele empurra o prato em sua direção. “Biscoito!” Ele faz o sinal com ajuda física. Dê um pedaço de biscoito para seu filho assim que ele usar uma figura, objeto, gesto ou sinal manual. “Biscoito!” Ele come o biscoito e tenta alcançar outro pedaço. Repitaa ajuda física para Troca de Figuras, sinais manuais ou gestos. “Biscoito!” Ele lhe dá o objeto ou figura, faz um sinal ou estende a mão com ajuda física. 268 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 269 Dê-lhe o lanche aos pouquinhos Se o seu filho pega todas as passas de uma vez ou um biscoito inteiro, terá apenas uma oportunidade de pedir-lhe o que deseja. Mas, se você lhe der seu lanche aos pedacinhos, dará mais oportunidades para que se comunique. Tente uma pequena “bobeira criativa” Finja que você não consegue abrir o suco, ponha uns biscoitos na caixa de cereais ou esconda uma cenoura na caixa de biscoitos. Lembre-se que as crianças adoram sur- presas e quando os pais cometem erros. A mãe de César consegue sua atenção quando tira uma cenoura da caixa de biscoitos. Ofereça opções Mesmo que seu filho não diga diretamente a você o que escolheu, ofereça-lhe op- ções mesmo assim. Ofereça-lhe algo que você sabe que ele gosta e algo que não liga. Mostre-lhe ao mesmo tempo uma coisa predileta e uma não tanto e diga seus nomes em tom de pergunta. Seu filho provavelmente vai tentar pegar a que quer. Quando ele tentar alcançar, diga o nome da coisa que escolheu e coloque a comida na altura dos seus olhos para que ele tenha de olhar para você. Então diga o nome do que ele escolheu de novo, enquanto pega a mão dele e o ajude a tocar a comida que tentou pegar ou olhou antes de entregar-lhe. Vestir-se no estágio de Interesses Próprios Uma criança no estágio de Interesses próprios normalmente precisa de muita ajuda para vestir-se. Ele está apenas aprendendo o que é esperado e tentando entender o que você diz. O que você pode esperar Neste estágio, você pode esperar que o seu filho aprenda: Seguir os passos da rotina Levantar os braços e as pernas Levantar as calças Atender a “Me dá um abraço” O que você pode fazer Usar a Regra do Ajudante (veja Capítulo 1, página 40) Atender aos interesses do seu filho Fazer bobeiras criativas Quando você coloca as roupas de seu filho onde ele possa ver, proporciona-lhe um lembrete visual do que fazer. 270 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 271 Vestindo-se: Passos da rotina no estágio de Interesses Próprios Mais coisas para você fazer Use um Painel de Auto-cuidado Enquanto seu filho não consegue se concentrar em um Painel de Auto-cuidado, monte um que ajude você mesmo a fazer e dizer sempre as mesmas coisas. Mesmo que seu filho olhe rapidamente as figuras, pode começar a associá-las ao que está sendo feito. Deixe-se conduzir pelo seu filho para conseguir uma interação com você. O que fazer quando seu filho não coope- ra? Veja o que a mãe faz quando Renata tem dificuldades para se vestir. A mãe de Renata tentou tornar a rotina de vestir-se mais estruturada e repetitiva, para ajudar a filha a entender os passos da rotina e as palavras associadas a ela. Mas Renata continuou jogando-se na cama. Na próxima vez que Renata se jogou na cama, sua mãe resolveu deixar-se conduzir em vez de tentar ter- minar a rotina. Fez sua filha rolar para frente e para trás na cama. Renata se divertiu muito! Enquanto a filha ria, sua mãe aproveitou para “encaixar” a camiseta em sua cabeça. Logo depois, Renata se jogou de novo na cama, e a mãe rolou de novo a filha. Então pôs rapidamente a peça seguinte da roupa e rolou a filha de novo. Gradualmente, rolar na cama virou parte da rotina, uma recompensa por vestir cada peça da roupa. Tente um pouco de bobeira criativa Já que seu filho está apenas aprendendo a rotina, você pode não querer fazer tantas bobeiras. Mas quando ele começar a participar da rotina – levantando a perna, olhando para ver qual a próxima peça de roupa – tente uma ou duas das idéias descritas no Ca- pítulo 2. Por exemplo, tente “acidentalmente” vestir a camiseta nas pernas do seu filho ou vista os sapatos da mamãe nos pés dele. Bobeiras podem conseguir sua atenção. Ofereça opções Se o seu filho for bastante apegado a uma peça de roupa, faça-o escolher entre a cami- seta preferida e uma que ele não goste. Se ele tentar alcançar a favorita, trate a tentativa como se ele tivesse dito o que quer – “Quer a camiseta vermelha!” – e guie sua mão para tocar a camiseta escolhida. Então lhe dê a camiseta dizendo “camiseta”. Negue com a cabeça enquanto guarda a outra camiseta e diga “Esta camiseta não”. Vestir a filha ficou mais fácil quando a mãe se deixou conduzir. O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO Estenda as roupas da criança na sua cama e segure suas calças, mostrando-as. OU Chame seu filho se ele estiver longe de você. (Use a Regra do Ajudante se ele precisar). “(Nome do seu filho)! Vem aqui!” Ele pode vir ou precisar de ajuda. “(Nome do seu filho)! Vem aqui!” Ele pode vir ou precisar de ajuda. Segure suas calças mostrando-as “Calças” Ele pode olhar para as calças. Espere. Aponte para as calças. “Vestir as calças” Ele pode olhar para as calças e para você. Aponte ou toque uma perna do seu filho. Se necessário, ajude-o a vestir essa perna das calças. “Uma perna”. (Use a Regra do Ajudante se ele não responder) Ele pode levantar a perna ou precisar de ajuda. Aponte ou toque a outra perna do seu filho. Se necessário, ajude-o a vestir a outra perna da calça. “Outra perna”. (Use a regra do Ajudante se ele não responder) Ele pode levantar a perna. Aponte para as calças. Dê um “começo” puxando um pouco as calças para cima. “Pra cima. Puxe pra cima. Puxe as calças para cima”. (Use a Regra do Ajudante se ele não responder). Ele pode levantar suas calças. Estique seus braços e um dos braços de seu filho acima da cabeça. “Viva! Calças vestidas!” Ele pode olhar para você e sorrir. Abra seus braços para um abraço (Use a Regra do Ajudante) (Nome do seu filho)! Me dá um abraço (ou beijo)! Ele pode abraçar ou beijar você. Repita todos os passos com o resto das roupas do seu filho. Faça o sinal de “Acabou” “Pronto!” Ele pode olhar para você 272 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 273 Lanche: os passos da Rotina de Troca de Figuras no Estágio de Pedidos Rotinas para a criança no estágio de Pedidos Neste estágio, seu filho puxa e guia você para as coisas que deseja; está começando a entender o que você diz e faz. As rotinas geram oportunidades para que ele aprenda como trocar o puxar e guiar por uma comunicação mais efetiva e simbólica. O que você pode esperar Neste estágio você pode esperar que seu filho aprenda a: Fazer pedidos usando figuras, objetos, gestos ou sons Atender a algumas de suas instruções Fazer escolhas Recusar O que você pode fazer Ensinar Troca de Figuras ou Objetos (descrita no Capítulo 7) Fornecer modelos verbais e físicos Dar ajuda física usando as “Regras do Ajudante” (veja Capítulo 1, página 40) Usar dicas naturais à medida que seu filho se familiariza com a rotina Atender aos interesses do seu filho Manipular armar a situação Lanche no estágio de Pedidos O lanche é a rotina perfeita para seu filho aprender Troca de Figuras ou Objetos. O que você pode esperar Nesse estágio você pode esperar que seu filho aprenda a: Pedir pelo seu lanche usando um gesto, objeto, figura ou som Atender a “vem aqui”, “senta” ou o nome do lanche Tocar o que prefere quando apresentar-lhe uma escolha Olhar para você antes de fazer uma escolha O que você pode fazer Se você estiver usando Troca de Figuras, seu filho deve ficar perto de você para lhe dar a figura. O ideal é que as figuras fiquem na cozinha, onde possam lembrá-lo de pedir um lanche. Você pode também “montar o cenário”, colocando o lanche onde seu filho possa ver, mas não alcançar – uma bancada mais alta, por exemplo – ou em um armário tranca- do com a figura do lanche na porta. Seu filho sabe que o lanche está lá, mas não consegue pegá-lo. Também pode encontrar facilmente a figura adequada para trocar pelo lanche. Os passos da rotina estão descritos a seguir. Se o seufilho não estiver pronto para figuras, use objetos no lugar. Apresente opções entre dois alimentos – uma que seu filho gosta e outra que ele não gosta. Mais coisas para você fazer Dê o lanche aos pouquinhos Quando você dá o lanche para o seu filho aos pouquinhos (ou pedacinhos), ele vai praticar bastante como pedir usando tanto Troca de Figuras ou Objetos como gestos. Quebre a comida, como biscoitos, batata frita ou queijo em muitos pedacinhos. Corte fru- tas como maçãs, laranjas e bananas em pequenos pedaços. Ofereça opções Não são muitas as crianças no estágio de Pedidos que consigam fazer escolhas olhando figuras. Então, é melhor que seu filho escolha entre comidas de verdade, oferecendo a preferida por último. Se o seu filho gosta mais de biscoitos do que de cenoura, O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO Se o seu filho não sabe como trocar uma figura por algo que deseja, ensine-lhe Troca de Figuras (veja Capítulo 7, pági. 233). OU Se o seu filho usa a Troca de Figuras, coloque os biscoitos onde ele possa vê-los e ponha a figura perto dos biscoitos (por exemplo, sobre a mesa ou na porta do armário). Espere que seu filho peça por conta própria. Ele pode lhe dar uma figura ou um biscoito. Pegue a figura. Dê-lhe um biscoito. “Biscoito”. Ele pode comer o biscoito Faça o sinal de mão para “Pronto”. Depois, ajude seu filho a fazer o sinal de “pronto”. “Pronto”. Ele pode fazer o sinal com sua ajuda. Coloque a figura de volta no lugar. Nada Ele não se responsabiliza por colocar a figura de volta. 274 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 275 diga “Cenoura ou biscoito?” se ele prefere cenouras a biscoitos diga “Biscoito ou cenoura?”. Quando achar que sabe o que seu filho quer, ajude-o a tocar o item an- tes de entregar-lhe, dizendo o nome da comida quando ele tocá-la. Então, afaste a opção recusada enquanto diz “Não” de uma forma exagerada. Vestir-se no estágio de Pedidos Nesse estágio, a maneira de fazer a rotina é muito semelhante à maneira de fazê-la para uma criança no estágio de Interesses Próprios. (Consulte a página 270 sobre os passos da rotina). No entanto, a diferença agora é que uma criança no Estágio de Pedidos aten- de a mais instruções e precisa de menos ajuda para vestir as peças de roupa. O que você pode esperar Neste estágio você pode esperar que o seu filho aprenda a: Entender os nomes de algumas peças de roupa Atender a “Vem aqui”, “Me dá um abraço” e outras instruções simples Levantar os braços e as pernas Acabar de vestir calças e meias O que você pode fazer Esperar e olhar de forma expectativa Usar um pouco de bobeira criativa Se for conveniente, seguir os interesses do seu filho Espere e olhe de forma expectativa Assim que o seu filho entender como a rotina funciona, não faça todos os passos da rotina por ele. Ele pode surpreender você pelo tanto de coisas que pode fazer sem ajuda. Por exemplo, depois de vestir a camiseta, nomeie a próxima peça de roupa e espere para ver se o seu filho pega a peça por conta própria. Use um pouco de bobeira criativa e dê ao seu filho uma nova razão para se comunicar Assim que seu filho entender a rotina, torne-a interativa manipulando/arman- do/montando a situação. Tente um pou- co de bobeira criativa: vista as calças na cabeça “acidentalmente”, calce os sapatos de ponta cabeça nos pés da criança, dê- lhe uma camiseta do pai ou diga “pronto” sem ter vestido suas calças, camiseta ou uma de suas meias. A mãe de Érico aguarda para que ele levante os braços por conta própria. Rafael gosta quando seu pai faz bobagem! Eugênio reclama quando sua mãe insiste em vestir seu sapato do jeito errado. Uma Agenda de Figuras pode ajudar seu filho entender os passos da rotina. Ela também manterá constante o que você diz e faz. 276 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 277 Se for conveniente, siga os interesses do seu filho Usando os Quatro “Is”, você pode conseguir mais interação. No estágio de Interesses próprios, a mãe de Renata incluiu os interesses da filha na rotina, transformando a ação favorita de Renata, rolar na cama, em uma recompensa. E o pai de Chico se intrometeu para manter o filho envolvido. Ser conduzido pelos interesses do seu filho sempre será adequado, desde que mantenha a rotina funcionando. Nem sempre é aconselhável ser conduzido pelo seu filho, especialmente quando suas ações não puderem ser adaptadas à rotina. Por exemplo, se ele bate em você en- quanto o veste ou tira suas roupas, é preciso mostrar-lhe que isso não pode fazer parte da rotina. Descubra as razões por trás dos seus atos: talvez não goste do tecido da roupa ou não queira vestir-se. Em ambos os casos você deve ajudá-lo a terminar a rotina, mas sem os comportamentos negativos. Se o seu filho não gosta do tecido, troque de roupa. Se está apenas sendo chato, persista na rotina, elogiando-o quando colaborar e dizendo “Não bater!” de maneira firme, mas gentil, para mostrar-lhe o que não é aceitável. Rotinas para crianças no estágio de Comunicação Básica A maioria das rotinas funciona mais facilmente agora, porque seu filho sabe o que o espera e consegue entender bastante do que você diz. Ele provavelmente se comunicará de várias maneiras durante as rotinas. Pode pedir pelas coisas usando figuras, apontando, dizendo uma única palavra ou repetindo palavras ou frases depois que você as usar. E, embora ele se comunique principalmente para conseguir aquilo que deseja, está começando a se co- municar por outras razões também. Independente do que ele faça, você pode esperar que aprenda a progredir no “como” e no “por que” se comunicar durante as rotinas. O que você pode esperar Neste estágio de comunicação você pode esperar que seu filho aprenda a: Entender os passos e a maioria das palavras das rotinas diárias Solicitar constantemente com figuras, gestos ou palavras Comunicar-se por outras razões além de pedidos • Para fazer escolhas • Para recusar ou protestar • Para atender às suas instruções • Para comentar • Para responder perguntas simples (por exemplo, perguntas do tipo Sim/ Não, ou que comecem com “O que?”) Transformar “ecos” (ecolalia) em fala espontânea Transformar comunicação de uma palavra para comunicação de duas palavras Iniciar a rotina por conta própria ou completar partes dela independentemente. O que você pode fazer Criar muitas oportunidades para seu filho praticar solicitações Fornecer modelos verbais de comentários (por exemplo: “Olha! Calças novas!”) Fornecer modelos verbais de perguntas e respostas Modelar frases com duas palavras para a criança que usa uma só palavra Usar “completar a frase” e depois dicas mais naturais para ajudar seu filho a falar espontaneamente Usar Ajudas Visuais Manipular armar/montar/ planejar a situação Lanche para a criança no estágio de Comunicação Básica O que você pode esperar Crianças diferentes no estágio de Comunicação Básica pedirão seus lanches de maneiras diferentes. Uma criança pode trocar figuras e dizer uma palavra seguindo o seu modelo e uma outra pode pedir o que deseja por conta própria sem precisar de figuras. Nesse estágio, você pode esperar que a criança aprenda a: Pedir pelo lanche usando uma sentença curta (escrita ou falada) Responder com palavras e/ou apontando quando você perguntar o que quer Comentar sobre mudanças na rotina O que você pode fazer Transformar “ecos” em fala espontânea Ajudar seu filho a se comunicar por novos motivos • Faça com que seu filho pratique bastante usando palavras novas • Ofereça várias opções • Ajude seu filho a entender quando algumas opções não estão disponíveis • Faça bobeiras criativas • Tire vantagem quando as coisas dão errado • Ofereça ao seu filho um lanche que ele não goste Envolver seu filho na preparação do lanche Usar Cartões de Dicas Se Túlio puder escolher, sempre diz “sim” para bananas! 278 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 279 Lanche: os passosda rotina no estágio de Comunicação Básica Transforme ecolalias em fala espontânea Se o seu filho ecoa seus modelos verbais, fale cada vez menos de forma que tenha chances de dizer cada vez mais. Em vez de dar um modelo verbal completo, forneça um “complete a frase” para uma palavra. Gradualmente aumente o número de palavras que você espera que a criança fale, até que um dia ele fale a frase completa sem nenhuma dica explícita. Por exemplo, quando seu filho estiver “ecoando” “Eu quero biscoito”, diga “Eu quero...” e deixe que ele complete com “biscoito”. Então diga “Eu...” e deixe que seu filho complete com duas palavras, “quero biscoito”. Finalmente, apenas espere que seu filho diga a sentença inteira por conta própria. Um Cartão de Dicas “Eu quero”, colocado do lado do lanche, também pode ajudar seu filho a se lembrar o que dizer. Ajude seu filho a se comunicar por novos motivos Permita que seu filho pratique bastante usando palavras novas em lugares diferentes e por diferentes razões. Se o seu filho tiver aprendido a dizer “leite” para pedir algo de beber durante a rotina do lanche, crie outras situações nas quais ele possa praticar dizer “leite” por outras razões além de pedir. Por exemplo, derrame “acidentalmente” um pouco de leite, aponte para e diga: “Olha! Mamãe derramou o...”. Aguarde que seu filho complete. Ele também pode praticar usando a nova palavra se você fizer que opte entre leite e uma outra bebida que ele não goste. Completar frases ajuda Joaquim a usar a palavra “leite” para comentar. O QUE VOCÊ FAZ O QUE VOCÊ DIZ O PAPEL DO SEU FILHO Para um Comunicador Básico que constantemente pede usando uma figura única: Tenha biscoitos prontos e figuras de diferentes lanches em um Painel de Opções onde o seu filho possa vê-los. Pegue a figura que ele apresenta e mostre-lhe como colocar a figura do biscoito sobre um Cartão de Dicas que diga “Eu quero” antes de entregar a figura. Nada. Espere que seu filho peça com uma figura. Ele pode escolher uma figura e entregá-la a você. “Eu quero biscoito” Ele pode colocar a figura do biscoito sobre o Cartão de Dicas “Eu quero”. Para um Comunicador Básico que pede com uma figura e “ecoa” (“ecolaliza”) suas palavras: Se o seu filho já ecoa “biscoito”, forneça uma dica “complete a frase”. Se o seu filho não completa frases, segure e mostre o biscoito ou aponte para a figura de um biscoito. “Eu quero...” Ele pode dizer “biscoito”. Para um Comunicador Básico que pede usando uma palavra: Se o seu filho pedir com uma palavra (“biscoito”) mesmo depois de você fornecer o modelo “Eu quero biscoito”, tente mostrar-lhe um Cartão de Dicas “Eu quero”. Primeiro use um Cartão de Dicas “Eu quero” com um modelo verbal – “Eu quero biscoito”. Depois use o Cartão de Dicas e um modelo parcial: “Eu ...”. Depois use somente o Cartão de Dicas. Ele pode dizer por conta própria “Eu quero biscoito” ou precisar de um modelo parcial para dizer “quero biscoito”. 280 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 281 Ofereça várias opções. Neste estágio, o Painel de Escolhas do seu filho pode ter muitas comidas e bebidas. Você pode usar o painel e pedir ao seu filho dizer o nome do que escolheu (por exemplo: “O que o César quer?) ou simplesmente res- ponder questões sim ou não (por exemplo: “Você quer maçã?”). Quando seu filho não quiser comer determinado alimento, dê-lhe um modelo de como responder, balançando a cabeça e dizendo “não”. Para um Comunicador Básico que está apenas iniciando a repetir o que você diz, ofereça a opção preferida por último. À medida que a compreensão do seu filho melhorar, você pode mudar a ordem pela qual você oferece as opções. No começo, ofereça opções entre alimentos muito conhecidos, tais como suco ou leite, usando dicas visuais somente se a criança precisar. Nesse ponto você também fazer pergun- tas que encorajem seu filho a comparar duas coisas e usar seu novo vocabulário. Por exemplo, você pode perguntar “Você quer um biscoito pequeno ou um biscoito grande?” ou “Você quer pizza quente ou pizza fria?”. Se você está introduzindo pa- lavras novas, como grande, pequeno, quente, frio, depressa e devagar, mostre o que elas realmente significam usando objetos reais, ações ou figuras. Ajude seu filho entender quando as opções não estão mais disponíveis. Quando seu filho perceber o poder da sua comunicação, pode começar a pedir sem parar por todas as coisas que você tem lhe dado com toda boa vontade. Se você quiser dizer ao seu filho que ele não pode obter alguma coisa, use o Sinal de “Não” descrito na página 236 no Capítulo 7. Ponha o sinal sobre a figura do lanche não disponível e diga ao seu filho que aquele lanche não pode ser escolhido. Então o ajude a encontrar outra coisa para comer. Quando você usa o Sinal Não, pode também fornecer novos modelos verbais para seu filho, tais como “Biscoito acabou” ou “Eu posso comer maçã.” É mais fácil para o César escolher entre um biscoito grande e um biscoito pequeno quando ele vê os biscoitos. O Sinal de Não mostra para Douglas que o “Biscoito acabou”. 282 Capítulo 8 R.O.D.A. na sua rotina 283 Faça bobeiras criativas. Seu filho vai ter que fazer alguma coisa se você lhe der sua colher de cereal sem o cabo, seu copo sem o suco ou a caixinha de passas sem as passas. Se o seu filho olhar surpreso para você, mas não disser nada, forneça um modelo verbal que ele possa copiar, tal como “Ué! Cadê o suco?”. Na hora das refeições sirva todo mundo mas esqueça “acidentalmente”de servir seu filho. Se ele não reagir, faça por ele – “Ei! A mamãe esqueceu o César!”. Encha o copo com o suco, mas “esqueça” de entregá-lo ou sirva o cereal, mas esqueça de entregar-lhe a tigela. Tenha cuidado, no entanto de não fazer demais - um erro “bobo” por lanche é suficiente. Aproveite quando as coisas derem errado. Pegue a pizza mesmo que ela esteja muito quente e comente de maneira animada: “Quente! Ai! Muito quente!” Se o leite derramar, pareça surpreso e espere que seu filho faça ou diga alguma coisa. Se ele não reagir, diga por ele – Ah, não! O leite derramou!” Ofereça um lanche que seu filho não gosta. Oferecendo uma comida a qual seu filho com certeza vai torcer o nariz, você estará dando uma grande oportunidade para balançar a cabeça e dizer “Não”. Não se esqueça de oferecer um lanche predileto depois de oferecer outro pouco apreciado. Lembre-se, seu filho pode não responder “sim” ou “não” por conta própria; então, faça a parte dele acentuando as respostas e exagerando os movimentos de cabeça. Envolva seu filho na preparação do lanche Atividades colaborativas que terminam com um produto concreto são chamadas de Rotinas de Ação Conjunta. Fazer um bolo ou preparar uma taça de sorvete podem ser Rotinas de Ação Conjunta se forem feitas junto com seu filho. As Rotinas de Ação Conjunta tem pequenos passos que as constroem e, assim como outras rotinas diárias, proporcionam funções específicas para você e para seu filho. Como vocês estarão criando alguma coisa como colegas de uma equipe, as in- terações de duas vias podem ocorrer naturalmente. E se você mostrar para seu filho figuras de como o produto final vai parecer, ele ficará motivado para trabalhar até o fim da rotina. Há muitos lanchinhos fáceis de preparar, tais como leite com chocolate, taças de sorvete, sanduíches, gelatinas e pudins. Você pode fazer pipoca e depois espalhar sal sobre ela, confeitar bolinhos e decorá-los com balas, preparar aperitivos com bastõezi- nhos de cenoura com queijo cremoso ou maionese. Preparar uma salada com seu filho – rasgando as folhas de alface pode ser bem mais divertido do que você imagina. Mes- mo arrumar a mesa e fazer limpeza são atividades que podem ser feitas em conjunto. Apresentamos a seguir um programa passo-a-passo para fazer leite com choco- late com um Comunicador Básico que está apenas começando a repetir