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BIOGRAFIA
 Ao longo da história universal, vários pensadores diferentes apresentaram as suas ideias sobre o que vem a ser a Filosofia, mas nunca houve um consenso estabelecido, pronto e definido sobre a sua essência. Essa seja, talvez, a maior característica da Filosofia, que, por meio do livre pensar e da crítica, permite que seja desenvolvida uma maneira autônoma de se pensar sobre diversos assuntos, impulsionando o conhecimento sempre adiante. Porém, de maneira provisória e seguindo uma convenção acadêmica, podemos dizer que a filosofia é a atividade crítica, abstrata, conceitual e problematizadora que o ser humano pode estabelecer sobre os diversos elementos do conhecimento humano e de seu meio.
Filosofia é uma palavra de origem grega que significa "Amor a sabedoria", ou seja, querer saber mais. Que surgiu a partir da necessidade de explicar o mundo de maneira ou por meio da análise racional ou seja usando a razão ou conhecimento racional. Rigor metodológico parecido com o rigor científico.. É a disciplina que consiste em criar conceitos”. Filosofia é um trabalho de criação e também de recriação, renovação e atualização dos conceitos. na medida em que permite que o pensamento nunca cesse a sua marcha. A professora Marilena Chaui, da Universidade de São Paulo (USP), escreveu em seu livro Convite à Filosofiaii (" Dizem que esse saber tem a missão de duvidar das crenças costumeiras. Isso significa colocar em questão o senso comum.
A Filosofia seria, para Chaui, aquele movimento que Sócrates iniciou na Antiguidade de olhar para dentro de si (“conhece-te a ti mesmo” são as palavras entalhadas no templo dedicado a Apolo em Atenas que tanto marcaram a trajetória de Sócrates), para então tentar entender o mundo e a verdade. Esse movimento seria percebido apenas em momentos de crise, quando a pessoa sai de sua zona de conforto e percebe a existência de uma realidade muito maior do que a que ela julgava existir.
Algumas perspectivas de estudiosos da didática e da metodologia filosófica, como a de Gonzalo Armijos Paláciosiii, professor titular de Filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG), contrariam essa visão, conjecturando que (com base em uma frase comumente atribuída a Kant) não se deve ensinar História da Filosofia, mas filosofar.
Nessa perspectiva, o aprendizado da Filosofia acontece por meio da atitude filosófica, que não é passiva, no sentido de esperar por um conhecimento, mas sim ativa, no sentido de ser a própria atividade um conhecimento.
Ao longo da história, diversos pensadores apresentaram diversas visões do que é a Filosofia. Alguns disseram a respeito dessas visões próprias; outros, simplesmente, agiram de acordo com o que acreditavam. Se para Sócrates a Filosofia deveria partir do conhecimento interior para se chegar à verdade, para Aristóteles e Tomás de Aquino a Filosofia partiria do conhecimento das causas para se chegar a um conhecimento das essências.
Se para Descartes a Filosofia era racionalista, devendo atuar somente no campo conceitual e abstrato do pensamento, para Hume e Bacon ela deveria partir da experiência prática. Se para Kant e Nietzsche a Filosofia é feita pelo criticismo, para Deleuze, que tem inspirações nietzschianas, a filosofia é o trabalho com os conceitos.
Para a epistemologia, a Filosofia deve buscar entender como é possível o conhecimento. Para a filosofia política, o trabalho filosófico consiste em problematizar as ações humanas resultantes da vida em sociedade. Há uma variedade imensa de estudos e possibilidades de atuação para os filósofos, sendo impossível elencar, em um breve texto, todas essas possibilidades.
Essa tese suporta a ideia de que Tales de Mileto tenha sido o primeiro filósofo, ao buscar uma origem racional para o surgimento do universo e afirmando que a água seria a possível origem, por volta do ano 585 a.C.
Tales, ao fazer a sua Filosofia, não sabia que ficaria marcado na história ocidental. Também não sabia que o que estava fazendo era Filosofia e tampouco cunhou a palavra que ficou conhecida pela posteridade. Aristóteles foi o responsável por afirmar que Tales foi o primeiro filósofo e reconheceu em Pitágoras a origem do termo filosofia, que seria a junção dos vocábulos gregos philos (de philia, que significa amor ou amizade) e sophia (que significa sabedoria). O filósofo seria, portanto, um amigo ou amante da sabedoria.
Quem discorda dessa tese tem também os seus motivos. Alguns pesquisadores acreditam que os pensadores gregos tiveram contato com povos egípcios e babilônicos, que trouxeram, devido ao contato com hindus, caldeus e hebreus, as influências do pensamento oriental para a região da Grécia. Alguns ainda dizem que, em períodos anteriores, os gregos tiveram contato direto com orientais.
Na esteira do que foi dito, deve-se considerar como Filosofia a produção de doutrinas orientais, fundadas no budismo, escritas por pensadores como Lao Tsé, Confúcio e Mozi, mais ou menos no mesmo período em que os gregos desenvolviam a sua Filosofia.
Filosofia é o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento, valores, razão, mente, e linguagem; frequentemente colocadas como problemas a se resolver.
1 .FILOSOFIA
amor pela sabedoria, experimentado apenas pelo ser humano consciente de sua própria ignorância [Segundo autores clássicos, sentido original do termo, atribuído ao filósofo grego Pitágoras (sVI a.C.).].
2.
FILOSOFIA
no platonismo, investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis.
Antes porém de fazer sua narrativa, quero apenas lembrar que “sabedoria” e
“saber” são palavras formadas do mesmo radical, mas não são sinônimas, pois
designam coisas diferentes, tanto na língua quanto na vida. 
Filho de um escultor e de uma parteira, Sócrates era uma figura desconcertante, sempre visto com a mesma túnica velha, andando vagarosamente pelas praças, mercados e ruas de Atenas. Ele nunca trabalhou e comia apenas quando convidado à mesa por seus discípulos. Por não ter emprego, não militar na política, não exercer cargos administrativos, foi visto como um filósofo verdadeiramente livre: ninguém o financiava, ninguém o patrocinava: não precisava agradar a ninguém.
Acusado de corromper a juventude de Atenas e não reconhecer a existência dos deuses, ele foi condenado à morte. Por mais que seus amigos quisessem libertá-lo, o sábio se recusava, pois fugir de sua condenação seria renegar as próprias ideias: “Conservando a vida, eu me tornaria indigno. Não me peças que eu mate a minha palavra”. Ele suicidou-se antes de sua execução com um cálice de cicuta.
Certa vez, o oráculo de Delfos declarou Sócrates o maior sábio da Grécia, dizendo: “Sábio é Sófocles, mais sábio é Eurípedes, mas entre todos os homens, Sócrates é sapientíssimo”. Categoricamente, Sócrates afirmou: “Só sei uma coisa. E é que nada sei”. Não se julgava um sábio erudito, mas simplesmente se autodenominava um “amante da sabedoria”. “E o que é senão ignorância, a mais reprovável, acreditar saber aquilo que não se sabe?”.
!) Sábio não é aquele que acumula muitos conhecimentos e experiências, e sim aquele que sabe usar de forma eficaz cada coisa aprendida, e além disso é capaz de ignorar tudo aquilo que não é útil, que não lhe permite crescer para avançar como pessoa.Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é medida por quanto uma pessoa sabe e, a superior, plea consciência que ela tem do que não sabe. Os verdadeiros sábios são os mais convictos da sua ignorância. Desconfiem das pessoas autossufucentes. 
Para o filósofo grego, o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo para a busca da verdade.
Sócrates afirmou: “Só sei uma coisa. E é que nada sei”. Não se julgava um sábio erudito, mas simplesmente se autodenominava um “amante da sabedoria”. “E o que é senão ignorância, a mais reprovável, acreditar saber aquilo que não se sabe?”.
Em outras palavras, o reconhecimento daprópria ignorância é o primeiro passo para a 
busca da verdade. A verdade não é, entretanto, propriedade de nenhum homem, e ser filósofo é estar numa incessante busca por ela: “A vida não refletida não vale a pena ser vivida”.
Sócrates acreditava que a reflexão pessoal e a meditação eram as maiores fontes de sabedoria: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”. Tal frase resume a postura do filósofo de comprometer-se na busca da verdade.
O filósofo costumava andar pelas ruas de Atenas e abordar algum jovem ou erudito, dialogando com eles no meio de toda a gente. O diálogo, suscitando a busca pela verdade, era a forma de livrar a alma da doença do erro. Diferentemente da tradicional figura do professor, Sócrates apresentava-se ao seu interlocutor, convidando-o à jornada para a sabedoria; em seguida, comportando-se como um ignorante ávido pelo conhecimento de seu interlocutor que se julgava sábio (ironia socrática), começava a questioná-lo (indagação).
A partir daí, Sócrates continuava a fazer diversas perguntas, mostrando as contradições e os pontos fracos de seu interlocutor, levando-o a questionar as próprias verdades preestabelecidas e, assim, parir uma nova concepção, uma opinião própria, livrando-o de preconceitos. Por isso, Sócrates dizia ter uma função semelhante à de sua mãe: enquanto ela era parteira de crianças, ele era parteiro das ideias, ou seja, dava luz à razão. Tal ação era chamada de Maiêutica.
A filosofia não é algo que se pode obter com um certificado, mas é uma postura que exige dedicação e compromisso pela busca da verdade. Sócrates era, na verdade, um questionador, figura que incomoda as sociedades em todas as épocas.
maiêutica
método socrático que consiste na multiplicação de perguntas, induzindo o interlocutor na descoberta de suas próprias verdades e na conceituação geral de um objeto.
A partir daí, Sócrates continuava a fazer diversas perguntas, mostrando as contradições e os pontos fracos de seu interlocutor, levando-o a questionar as próprias verdades preestabelecidas e, assim, parir uma nova concepção, uma opinião própria, livrando-o de preconceitos. Por isso, Sócrates dizia ter uma função semelhante à de sua mãe: enquanto ela era parteira de crianças, ele era parteiro das ideias, ou seja, dava luz à razão. Tal ação era chamada de Maiêutica.
A filosofia não é algo que se pode obter com um certificado, mas é uma postura que exige dedicação e compromisso pela busca da verdade. Sócrates era, na verdade, um questionador, figura que incomoda as sociedades em todas as épocas.
Sócrates hoje
Na atualidade, muitos evocam o pensamento socrático para opor-se aos dogmatismos ou imposições. Por exemplo, há muitos defensores de uma escola que, em vez de basear-se na memorização ou na reprodução de pensamentos prontos, seja ancorada no diálogo. Por outro lado, há aqueles que usam o pensamento de Sócrates para resistir ao nosso contexto de hiperinformação. Por exemplo, a desconfiança, a humildade e o diálogo são fundamentais numa época em que as verdades parecem ser “prontas e rápidas”.
 Em obra de Rabelais, autor francês do século XVI (" ‘Ciência sem consciência não passa de ruína da alma", exemplo disso: Guerras).
, a palavra “sabedoria”
pode significar ainda: ‘prudência, moderação, sensatez’, como no exemplo “Os
sofrimentos deram-lhe grande sabedoria”; ou pode significar ‘conhecimento justo das
coisas, conhecimento inspirado nas coisas divinas e humanas’, como na frase “Um dos
sete dons do Espírito Santo é a sabedoria”.
A sabedoria não despreza aos valores éticos que devem reger as relações humanas. 
Na vulgata, a princípio, ela se confunde com a
astúcia, com a esperteza, mas depois vai evoluindo, até que chega a ser, nos livros
sapienciais, o temor de Deus, o respeito pela justiça e a rejeição de toda forma de
iniqüidade ou de crueldade. A sabedoria do rei Salomão : A sua sabedoria se
confunde com uma forma de humanismo, mas um humanismo devoto, que pode
significar respeito pelo homem, com apoio em Deus, ou melhor, originado no temor de
Deus. Salomão pediu a Deus que lhe desse riqueza ou poder, mas pediu que lhe desse prudência e discernimento para distinguir o bem do mal e para poder conduzir o seu povo. 
Dom Afonso X, o Sábio, rei de Leão e Castela,nascido em 1221, reinou no século XIII, por 33 anos, de 1251 a 1284. A segunda se acha nas Cantigas de Santa Maria, de D. Afonso X: é o julgamento, por um bispo de Colônia, de uma abadessa que se torna grávida, mas cuja vida tinha sido dedicada a uma boa obra. ( " Não teria sentido que, por causa da fraqueza
humana de uma mulher que dedicara a sua vida àquela abadia, fosse destruída toda a
obra edificada por ela. ") . Não fiz aqui a leitura dos textos no original. Mas, por meio de paráfrases, espero ter-lhes mostrado o que pode ser a sabedoria. 
 A sabedoria era sapientia, enquanto o saber era scientia – coisas diferentes uma da outra.
A sapiência é um conhecimento intuitivo das coisas, conhecimento que pode ser inato
ou adquirido com a experiência, mas que não se confunde com a quantidade de saber
acumulado. Já a ciência é o saber, ou melhor, é um conjunto de saberes acumulados
através do estudo, nas várias áreas do conhecimento. 
sabedoria nada tem a ver com as conquistas
específicas dos vários ramos da ciência e da tecnologia. 
A consciência é a ciência a serviço da alma, a serviço
do espírito. É uma acumulação de conhecimentos, sim, mas conhecimentos que,
reunidos, vão iluminar a alma e, portanto, orientar o comportamento humano. A ciência
se limita ao domínio intelectual, enquanto a consciência reúne o intelectual e o moral. A sabedoria é atributo de alguns indivíduos ou dealgumas culturas, revelado em palavras e em modos de pensar e de agir. 
Ela não se confunde com a ciência
nem com os conhecimentos acumulados por um indivíduo, mas é um saber feito de
intuição, de bom senso e de experiência, que respeita à justiça, que considera o direito
dos outros, que é prudente e que teme a Deus. Essa é a verdadeira sabedoria. 
Aí está o que eu pretendia dizer-lhes a respeito do tema que me foi proposto.
Penso que foi mais fácil levar a entender a sabedoria através desses dois exemplos, do
que teria sido fazê-lo através de conceitos abstratos, ou buscados em tratados
filosóficos. O rei Salomão dos hebreus e o rei D. Afonso X dos castelhanos são dois
sábios que podem ser considerados como protótipos da sabedoria. Como eu já disse,
trata-se de uma qualidade que não depende do saber livresco adquirido na escola , nem
da posição social ou da riqueza. É mais profundo que isso e pode manifestar-se em
pessoas simples, sem nenhum título conferido pela academia ou prestígio social advindo
do poder ou da fortuna. 
2) Cosmologia
FILOSOFIA
A cosmologia é o estudo da origem e da composição do Universo. Os filósofos pré-socráticos são considerados cosmólogos por buscarem a origem racional do Universo.
 
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Atualmente, a cosmologia é uma vertente de estudos da Astronomia que lida diretamente com a origem do Universo por meio do uso de aparelhos tecnológicos e de cálculos físicos avançados. No passado, a cosmologia foi utilizada pelos pré-socráticos para descobrir a possível origem do Cosmos por meio de observações e especulações.
Não havia instrumentos tecnológicos, portanto, o que eles poderiam fazer era observar a olho nu o que estava ao seu alcance, inclusive elementos encontrados no próprio planeta, e formular raciocínios com base em suas observações.
Significado
A palavra cosmologia tem sua raiz no idioma grego antigo, derivada dos termos Cosmos (Universo) e logos (razão, organização racional). A cosmologia é o estudo do Universo, de sua origem e de sua organização. A tarefa do cosmólogo é determinar qual é a origem do Universo, de maneira científica e racional. Portanto, podemos dizer, grosso modo, que cosmologia é o estudo da origem do Universo, de como este se formou, de como se organiza e dos elementos que o compõem.
Acesse também: A Filosofia da ciência de Thomas Kuhn
Cosmologia e Filosofia
A Filosofia gregapré-socrática está intimamente ligada à cosmologia. Em contraposição às narrativas mitológicas, os primeiros filósofos intentaram encontrar a verdadeira origem do Universo que, de uma maneira lógica e racional, fizesse sentido. Assim sendo, os primeiros filósofos também eram cosmólogos.
Cosmologia e cosmogonias
A palavra cosmogonia possui os radicais Cosmos (Universo) e gonia (vocábulo que originou a palavra gênese, ou seja, criação). Antes do surgimento da Filosofia, quem apresentava a origem do Universo eram as mitologias, por meio de narrativas cosmogônicas. As narrativas mitológicas gregas apresentam a origem de tudo a partir dos titãs — Chaos, Chronos e Gaia — como pilares do surgimento do Cosmos. Os primeiros deuses, Zeus, Hades e Poseidon, foram os que libertaram o Universo da crueldade de Chronos.
Cosmologia grega
Tales foi o primeiro cosmólogo da tradição grega. Ao observar o Universo e pensar que aquelas cosmogonias não faziam sentido, o filósofo passou por um processo de observação e especulação que originou a sua teoria: a ideia de que a água dá origem a tudo.
Sua especulação pode parecer-nos absurda hoje, mas também pode ser considerada o primeiro pilar da cosmologia grega, porque Tales não buscou um elemento sobrenatural para explicar o Universo e sim postulou que a origem estava dentro da natureza.
Na mesma esteira, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras, Heráclito, Parmênides, Demócrito, Anaxágoras e outros filósofos propuseram teorias cosmológicas com base na observação do Universo e na especulação racional.
Veja também: O ser para Parmênides
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O que houve na Grécia Antiga, a partir do surgimento da Filosofia ocidental, foi um embate de ideias de pensadores que buscavam na natureza a origem de todo o Universo contra as teorias cosmogônicas propostas pela mitologia grega, que equivalia à religião daquele povo.
Do equilíbrio entre as cosmogonias e a cosmologia, surgiu o pensamento contemporâneo, inclinado a uma busca da racionalidade, que, por sua vez, originou as ciências. A Filosofia é, portanto, a mãe de todas as ciências, e seus suportes racionais deram origem à atividade científica extremamente empírica.
Ernst Cassirer, filósofo contemporâneo, assim descreve o embate entre as cosmogonias e a cosmologia no mundo grego, ao apresentar a visão dramática proposta pela mitologia e a visão científica que trata a natureza como um objeto a ser desbravado:
A natureza, em seu sentido empírico ou científico, pode ser definida como a existência de coisas enquanto for determinada por leis gerais. Uma 'natureza' assim não existe para os mitos. O mundo do mito é um mundo dramático — um mundo de ações, de forças, de poderes conflitantes. Em todo fenômeno da natureza ele vê a colisão desses poderes. A percepção mítica está sempre impregnada dessas qualidades emocionais. Tudo o que é visto, o sentido está rodeado por uma atmosfera especial — uma atmosfera de alegria, de pesar, de angústia, de excitação, de exultação ou depressão. Não podemos falar aqui de 'coisas' como matéria morta ou indiferente. Todos os objetos são benignos ou malignos, amistosos ou hostis, familiares ou estranhos, atraentes e fascinantes ou repelentes e ameaçadores. Podemos reconstruir facilmente essa forma elementar da experiência humana, pois, nem mesmo na vida do homem civilizado, ela perdeu seu poder original. Quando estamos sobre a atenção de uma emoção violenta, temos ainda essa concepção dramática de todas as coisas. Elas não têm mais o rosto de sempre; mudam abruptamente de fisionomia, ficam tingidas da cor específica de nossas paixões, de amor ou ódio, de medo ou esperança.i
Veja também: O empirismo crítico de John Locke
c)O objetivo desta dissertação é propor um estudo comparativo envolvendo duas diferentes
perspectivas teóricas para o estudo da consciência situadas no contexto da Filosofia
Contemporânea da Mente e das Ciências Cognitivas. Analisaremos criticamente seus
pressupostos, suas divergências e o alcance de suas propostas considerando os filósofos da
mente John R. Searle e Daniel C. Dennett como paradigmas representantes de cada uma das
duas perspectivas. A filosofia da mente de John Searle caracteriza-se por levar em
consideração os aspectos subjetivos dos estados conscientes em uma perspectiva que nunca
permite dispensar ou desconsiderar os dados de primeira pessoa no estudo da consciência.
Estes dados geralmente dizem respeito às experiências conscientes e às peculiares impressões
e sensações internas tais como os qualia. Por outro lado, Daniel Dennett adota a perspectiva
de terceira pessoa no estudo da consciência, buscando critérios científicos para o
desenvolvimento deste estudo sustentado por dados publicamente observáveis e
intersubjetivamente definíveis. Estes dados levam em conta as evidências comportamentais,
informacionais ou neurofisiológicas que remetem a aspectos mentais, tentando assim
estabelecer uma relação explicativa destes com o que se entende por consciência. No atual
campo de pesquisas da Filosofia da Mente junto às Ciências Cognitivas não há consenso
sobre o método mais adequado para o estudo da consciência sendo, ao contrário disso,
composto por várias divergências. Por este motivo, consideramos relevante uma confrontação
entre as principais perspectivas utilizadas no estudo do assunto. Buscaremos realizar esta
tarefa analisando as contribuições das teorias estudadas para a elucidação da relação
subjetividade/objetividade dos estados conscientes. 
Cosmologia moderna
Nos dias atuais, a cosmologia faz parte dos estudos de Astronomia e Astrofísica. Diferente da cosmologia antiga, a cosmologia atual conta com os avançados cálculos matemáticos e fórmulas físicas, além de instrumentos tecnológicos de alta precisão, como computadores e telescópios.
iCASSIRER, E. Ensaio sobre o homem: introdução a uma filosofia da cultura humana. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p. 129.
 
Por Francisco Porfírio
Graduado em Filosofia
Para Heráclito tudo muda, as pessoas mudam, o nosso desejo muda, os planos mudam.Ou seja tudo é móvel......Para parmênides é o contrário a gente é o que é, ninguém nos muda ( ex: uma pessoa racista por mais que seja orientada para não ser racista e que mude suas atitudes, no fundo, no fundo continuará sendo racista )Essa é a linha de pensamento só para você ter uma noção.Tem MUITO mais coisas!
Tanto Parmênides quanto Heráclito são filósofos antigos que buscaram solucionar a questão do Ser, buscando desvendar o que "ser" significa, um problema que persiste na filosofia até os dias atuais, com soluções que se dividem tanto pela metafísica quanto pela linguagem.
A diferença entre os dois pensadores, contudo, era que para Parmênides o ser era "redondo", não mudava, era estável, enquanto que para Heráclito o ser era como um rio, sempre mudava, de modo que existir seria estar em constante mudança.
Resposta:
Parmênides acreditava na imobilidade do ser. O ser é e não podemos imaginar o não-ser. Já Heráclito acreditava no constante devir. Na constante alteração e mudança do ser.
Nesse trabalho discutiremos as diferenças entre Parmênides e Heráclito, seus conceitos, suas diferenças, especialmente seus pensamentos mais significativos e populares. Tais como as constantes modificações de Heráclito e o ser perfeito de Parmênides.
Heráclito procura explicar o mundo pelo desenvolvimento de uma natureza comum a todas as coisas e em eterno movimento. Ele afirma a estrutura contraditória e dinâmica do real. Para ele, tudo está em constante modificação. Daí sua frase “Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio”, já que nem o rio nem quem nele se banha são os mesmos em dois momentos diferentes da existência. Parmênides, ao contrário, diz que o ser é unidade e imobilidade e que a mutação não passa de aparência. Para Parmênides, o ser é ainda completo, eterno e perfeito.
Conta-se que Parmênides certa vez disse a respeito de Heráclito: “Fora com os homens que nada sabem e parecem ter duas cabeças! Junto deles está tudo, também seu pensamento,em fluxo. Eles admiram as coisas perenemente mas precisam ser tão surdos quanto cegos para misturarem assim os contrários!”.
De fato, enquanto um se baseava na lenta e dolorosa escalada da lógica pura, e outro muitas vezes parecia estar guiado pela intuição e até por um misticismo confuso, era natural que não apenas discordassem, mas que se desenvolvessem ânimos entre eles. No entanto, esse conflito nos é fundamental, pois teria sido o primeiro choque de ideias que ainda hoje encontra força e significado; afastando-se lentamente da Filosofia da Natureza e do misticismo de Pitágoras, Heráclito e Parmênides começam a desbravar um território que ainda hoje nos assombra – o estudo dos seres e dos não-seres.
Ao questionar o que eles são, até que ponto eles são válidos e reais, ponto de divergência entre os dois, o que é, como ocorre e se ocorre o vir-a-ser (isto é, não ser então tornar-se) eles partem para um estudo mais aprofundado da realidade além de onde a ciência ou qualquer outra área do conhecimento com a exceção da filosofia alcançam.
PARMÊNIDES
Retrato de Parmênides
Parmênides nasceu em Eleia na Itália, por volta de 530 a. c. Sua filosofia, dita Eleata, contrasta-se com a de Heráclito, dita Jônica, por seu tom cinza, frio e penetrante, mostrando um processo lógico de passos lentos, porém firmes; a filosofia de Parmênides pode ser dividida em duas fases, que servem inclusive para dividir o pensamento pré- socrático; em sua primeira fase, o pensamento de Parmênides é feito a partir de um sistema físico-filosófico; quando ele parte, no entanto, para a teoria do Ser, ele marca a divisão entre um pensamento anaximândrico e o pensamento parmenídico. Nos interessa, logicamente, apenas a segunda parte, onde se concentra o que há de inovador em sua filosofia;
O primeiro passo tomado por Parmênides é tentar ordenar a realidade; para isso, faz uso de duas classes; aquelas que são, e aquelas que não são – ao observar a luz e a escuridão, por exemplo, observou que a escuridão nada mais era que a negação as luz; como uma qualidade negativa; a partir daí partiu para outros pares de opostos, leve e pesado, sutil e denso, passivo e ativo, terra e fogo, frio e quente, etc. Parmênides relacionava uma das características à luz, ou positiva, e a sua oposta, à escuridão, ou negativa; depois que passou a denominá-las, simplesmente, “ser” (positiva) e não-ser (negativa), e postula também, que “O Ser é, e o Não-Ser não é”. Nessa seleção dos opostos, em vários momentos evidencia-se a disposição para um pensamento lógico livre de intuições sem fundamentos, uma característica que, aliás, marca Parmênides.
Parmênides estava, então, diante de um grande problema; ele precisava explicar como ocorre o movimento, ou o vir-a-ser (ou seja, a mudança; um não-ser que se torna ser, ou um ser que se torna não-ser). Foi então que Parmênides fez uma constatação sem precedente- ao decidir por seguir a lógica, somente a lógica, Parmênides descobriu que não sabia de nada com certeza- livre de certezas intuitivas, não fosse questionável, nada que fosse realmente claro e certo. Assim, Parmênides partiu em uma busca por um pensamento fundamental, algo que fosse evidente em si. Em Parmênides, esse pensamento se manifestou como o Princípio da Identidade – “o que é, é”, ou seja, “n” é igual a “n”, e somente igual a “n” – se “n” for igual a “a”, então nada mais pode ser do que “n” (você não pode ser igual e diferente ao mesmo tempo). Isso parecia ser tão óbvio e tão evidente que parecia ilógico que não fosse verdade.
Aqui entram as complicações de Parmênides – diante do Ser e do Não-Ser, e da Identidade, ele não podia enxergar um caminho para que ocorresse o vir-a-ser O Ser é, e o Não-ser não é, pensava Parmênides: como pode-se dizer que “algo era”, ou “algo será”? o ser não pode vir do não-ser, pois o não-ser, é o nada e nada pode surgir do nada; e se viesse do Ser, o que seria isso senão a criação de si mesmo? O perecimento – o deixar de ser – também sofre do mesmo problema. Nesse momento, Parmênides marcha para sua conclusão final – não há mudança, e, portanto, não há distinção entre seres e não-seres. O homem que criticara Heráclito por sua cegueira e surdez agora tinha como palavra de ordem a negação do que os “sentidos mentirosos” lhe mostravam – o Ser é Uno, um único grande Ser eterno que jamais se altera e a qual tudo, Seres e Não-Seres, são apenas ilusões de si mesmo.
É possível observar tocantes semelhantes de Parmênides e outros eleatas como Xenófanes com o Hinduísmo, e até mesmo com correntes de pensamentos que florescem em nosso tempo; e, embora várias críticas possam ser feitas a Parmênides, talvez a mais fundamental seja quanto a seu curso da lógica – hoje pensamos que a razão que deve se adequar à realidade, e não o contrário; assim, se a “lógica pura e bruta” diz que tudo é uma ilusão, então a falha deve estar na lógica, e não no mundo. Parmênides desenvolveu também um profundo estudo do infinito, juntamente com seu discípulo Zeno (ou Zenão de Eleia).
HERÁCLITO
Retrato de HeráclitoParmênides cai no repouso universal; já um fragmento dos escritos de Heráclito diz: “Tudo flui e nada permanece; tudo se afasta e nada fica parado… Você não consegue se banhar duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo…É na mudança que as coisas acham repouso…”
De fato, enquanto Parmênides duvida do vir-a-ser, Heráclito faz deles um dos seus pontos de partida; dessa maneira, afirma que nada é permanente, que tudo está em constante mutação, incessantemente; nesse ponto enxerga-se um paralelo curioso com o pensamento oriental, embora as civilizações de onde surgiram conceitos tão semelhantes ainda não tivessem entrado em contato com umas com as outras; a respeito de sua vida, Heráclito nasceu em Efésios; conhecido por desprezar quase todos, senão todos, os pensadores e poetas da sua época, não teve mestre, dizendo na adolescência que “não sabia nada”, e, na idade adulta, que “sabia tudo”. Heráclito, em seu comportamento antissocial, resolveu se afastar da cidade e habitar os campos, se alimentando apenas de ervas, o que lhe trouxe hidropisia, que acabou lhe matando. Conta-se que teria retornado a Efésios e perguntado se seria possível curá-lo esvaziando seus intestinos; como diziam que não, dizem que deitou em praça pública e deu o comando que lhe cobrissem de esterco, para que o calor fizesse evaporar a água que tanto lhe atormentava; tendo então morrido por sob uma pilha de esterco, alguns dizem que teria sido sepultado na própria praça pública, enquanto outros dizem que ele teria sido devorado pelos cachorros que ali passavam.
Heráclito foi também conhecido por Skoteinós, que quer dizer “O Obscuro”- de fato, seus pensamentos muitas vezes parecem contraditórios e sem sentido, e apesar de seu amor declarado por Lógos (a lógica, a razão) ele não parece disposto a se utilizar tão exclusivamente dela, como Parmênides, mesmo que seus pensamentos a respeito da lógica tenham sido de fundamental importância para grandes pensadores como Aristóteles e Hegel. Heráclito declara que tudo está em mutação, mas apenas o que permanece é – e o que permanece, senão a própria mudança? Assim, ele denomina como Lógos essa lei universal da mudança – o modo com que as coisas mudam- e ainda: “Todos fazemos e dizemos segundo a participação do Lógos. Por isso devemos seguir apenas a este entendimento universal. Muitos, porém, vivem como se tivessem um entendimento próprio; o entendimento, porém, não é outra coisa que a interpretação (o tomar consciência, a exposição, a convicção) dos modos da ordenação do todo. Por isso, na medida em que tomamos no saber dele, estamos na verdade; mas, na medida em que temos coisas particulares (próprias), estamos na ilusão”
Heráclito também parte da divisão do universo entre dois polos, “Seres” e “Não-Seres”, e, também, enxerga a unidade entre eles. No entanto, enquanto a unidade de Parmênides é idêntica e imutável, a de Heráclito é “tensionada entre dois polos”; assim, mesmo que o Ser e o Não-Sersejam parte e coabitem o mesmo, e, como diz em suas obscuras palavras, “O ser é tão pouco como o não-ser; o devir é e também não é”, mesmo apesar de tudo isso, não quer dizer que você possa descartá-los como simples ilusão. Dessa maneira, enquanto os eleatas mergulham fundo em busca da essência verdadeira, daquilo que factualmente existe, Heráclito faz uso de uma representação, o que, não se pode negar, é um avanço considerável. A partir dessa nova visão dos pares de opostos Heráclito cria ideias interessantes a partir de pares como “o todo e a parte”, “o que se une e o que se opõe”; dessa ideia de que os polos sejam simples abstrações e habitem o mesmo, conclui que, em suas próprias palavras, “O Um, diferenciado de si mesmo, une-se consigo mesmo, como a harmonia do arco e da lira”. Essa harmonia seria Lógos, a razão, que une os opostos em sons consoantes; como a composição grega é horizontal e não vertical, por harmonia entende-se a maneira como sons tocados em sequência equilibram-se entre si; daí a metáfora torna-se perfeita, como mudança.
Heráclito também teve uma participação marcante juntamente dos jônicos, voltando-se novamente aos modelos físico-filosóficos; e nesse ponto a partir de diferentes fontes encontra-se diferentes visões a respeito de qual seria a essência ontológica; essas aparentes contradições parecem ruir, pelo outro lado, quando se lembra que nada era permanente para Heráclito (senão Lógos, a mudança em si), e que ele parece estar mais preocupado com determinar o ciclo de mudanças e a maneira como esta ocorre – e daí a indicação do tempo como uma das essências ontológicas. Mesmo assim, ele acende e se apaga.
De um lado, um mundo em repouso, onde tudo que se movimenta é ilusão, nascida da lógica; pelo outro lado, um mundo onde tudo é movimentado, onde as coisas nascem mas, nas palavras de Buda, “Você deveria saber que todas as coisas nesse mundo são efêmeras – unir-se significa inevitavelmente separar-se. Não se entristeça, pois tal é a natureza da vida”, uma visão gerada pela razão, mas também por um recém-nascido método especulativo, baseado em como Lógos alcança a mente humana, e, no fundo, muitos traços se intuição e misticismo, condenáveis não ao pensador, mas ao ser humano por trás dele. E assim nascia a Filosofia.
Autoria: Samuel Pereira
A – Capítulo 06
Filosofia cristã: a relação entre
fé e razão
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 07
EXERCÍCIOS PROPOSTOS 07
SEÇÃO ENEM 08
Michelangelo
A Criação de Adão, de Michelangelo, pintado no teto da Capela Sistina (Detalhe)
O período entre a Antiguidade e o Renascimento,
preanunciado por Francesco Petrarca (1304-1374) e
batizado por este de medium aevum, ficou conhecido como
Idade Média. Pejorativamente chamado de “Idade das
Trevas” ou “Noite dos Mil Anos”, esse período sofreu com
a estagnação da política e da economia, devido ao sistema
feudal, e com o atraso da ciência, impedida de avançar
devido à presença fiscalizadora da Igreja. Iniciando-se no
século V, com a queda do Império Romano do Ocidente
(476), quando da invasão de Roma pelos visigodos, e se
estendendo até o início do pensamento moderno, no final
do século XV e início do século XVI, a Idade Média foi
palco de profundos avanços da história e do pensamento
ocidental, embora tenha sido amplamente criticada. As
obras de grandes pensadores, como Agostinho de Hipona,
Tomás de Aquino, Pedro Abelardo e Guilherme de Ockam,
são exemplos cabais da importância e do fervor intelectual
desse período. Podemos mencionar ainda a arte gótica,
presente até os dias atuais, e a fundação das primeiras
universidades a partir do século XI.
É na Idade Média que acontece, de forma sistemática,
a aproximação entre fé (religião) e razão (filosofia).
Porém, tal aproximação não se deu somente a partir do
século V, uma vez que a religião cristã teve seu início já no
século I, antes da queda do Império Romano do Ocidente.
O pano de fundo que leva à compreensão do surgimento e
do crescimento do cristianismo é o Helenismo, que permitiu,
graças à convivência de várias culturas num mesmo
território, uma aproximação entre o judaísmo e a cultura
grega, preanunciando a filosofia cristã que surgiria algum
tempo depois.
Filosofia cristã: a relação entre
fé e razão
Pág 01
O primeiro pensador a buscar uma conciliação entre
religião e filosofia foi Fílon de Alexandria (25 a.C.-50 d.C.).
Conhecido também como Fílon, o Judeu, ele escreveu alguns
comentários ao Pentateuco a partir das ideias de Platão,
fazendo uma aproximação entre a cosmologia platônica,
presente no livro Timeu, e a criação do mundo por Deus.
Platão se referiu ao Demiurgo, um semideus que criou
todas as coisas do mundo a partir das ideias inteligíveis
já existentes. Já para Fílon, Deus criou todas as coisas a
partir de suas próprias ideias, e não de ideias tidas como
autônomas, como supunha Platão, que não provinham do
próprio Deus.
André Thevet
Fílon de Alexandria
O ponto mais importante de nossa análise consiste
justamente em nos determos na tentativa de conciliação
entre fé e razão1, ou seja, entre a filosofia clássica,
principalmente a de Platão e Aristóteles, e as verdades
reveladas, crença fundante do cristianismo, o que marcará
definitivamente o pensamento e o modo de ser e viver da
Idade Média.
Apesar de, historicamente, a Idade Média ter seu início
com a queda do Império Romano do Ocidente no século V,
o pensamento medieval deve ser entendido a partir do início
do cristianismo, no século I. O crescimento do cristianismo
foi um processo longo e gradativo, estendendo-se de seu
nascimento, com a morte de Cristo e a formação das
primeiras comunidades cristãs, até sua consolidação, com
a conversão e o batismo do imperador romano Constantino,
no ano de 337, e a consequente institucionalização da
religião cristã, mais especificamente do catolicismo,
como religião oficial do Império Romano no ano 391.
O cristianismo foi difundido após a morte de Jesus de
Nazaré, judeu que afirmava ser o messias e que, por isso, foi
crucificado, aos 33 anos, tendo pregado uma nova maneira de
ser e viver, levantando a bandeira do amor, da compaixão e do
perdão. Após sua crucificação, pequenas comunidades foram
formadas, principalmente como resultado da pregação dos
apóstolos e de outros neoconvertidos, como Paulo de Tarso,
antes perseguidor de cristãos e agora adepto do cristianismo
após ter tido uma experiência com o Cristo ressuscitado.
Essas pequenas comunidades, em geral guiadas por um
líder local, se reuniam em assembleias para a leitura e para a
execução de rituais que reviviam os atos e as mensagens de
Jesus Cristo. Tais reuniões representaram a semente do que
ficou conhecido algum tempo depois como Igreja.
Embora seguindo um mesmo mestre como modelo, nessas
primeiras comunidades, não havia uma unidade em relação
aos ritos, aos sacramentos e mesmo à leitura dos textos,
que eram comumente interpretados de maneiras distintas.
Essas diferenças poderiam provocar uma ruptura interna no
cristianismo, pois a doutrina e as crenças variavam e muitas
vezes se contradiziam. Diante disso, surgiu a necessidade de
se realizar uma institucionalização que promovesse a unidade
da nova religião, de seus ritos, textos sagrados, doutrinas e
objetivos. Tal unidade deveria ser rapidamente confirmada,
uma vez que o cristianismo crescia vertiginosamente e
agregava, a cada dia, mais fiéis, que compunham comunidades
espalhadas por toda a Judeia e pelo Oriente Médio.
Pantocrator. Mosaico do século XII, que se encontra na Igreja
de Santa Sofia, em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia.
1 Este foi o principal e mais difícil problema sobre o qual os Padres da Igreja e toda a Idade Média tiveram de se debruçar. Será que
a fé é contrária à razão? Será que a filosofia é inimiga das verdades cristãs? É na tentativa de conciliar fé e razão que Agostinho
constrói uma síntese extraordinária entre a Bíblia, as verdades da Igreja e a filosofia de Platão.
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FILOSOFIA
Diante do desafio de se promover uma união do
cristianismo, fazia-se urgente a construção de uma unidade
doutrinária. As perguntasfundamentais que deveriam ser
respondidas eram: Em que acreditar? Como as leis e regras
morais deveriam ser pregadas aos novos cristãos? O que
é permitido e o que é proibido fazer? Quem e quais povos
poderiam se tornar cristãos? Seriam todos os homens de boa
vontade ou somente os provenientes do judaísmo? Como
defender doutrinariamente o cristianismo contra as outras
religiões e seitas que surgiam na mesma época?
Era extremamente necessário munir o cristianismo
de explicações lógicas e coerentes que se fizessem
compreender tanto pelos críticos da nova religião quanto
pelos intelectuais neoconvertidos. Era inaceitável participar
de uma religião que não trouxesse consigo argumentos
inteligíveis de suas bases doutrinárias, argumentos estes
que deveriam ter uma fundamentação filosófica, uma vez
que a filosofia fazia parte da vida de praticamente todos os
pensadores e intelectuais, trazida pela tradição helênica.
Para os filósofos medievais, o fato de o cristianismo
representar “a Verdade” era um dado inquestionável.
A questão era saber se os homens deveriam simplesmente
acreditar na revelação cristã ou se também deveria
haver uma compreensão dessas verdades por meio da
razão. Existiria uma relação entre os filósofos gregos
e a Bíblia? Haveria uma contradição entre a revelação
de Deus aos homens, representada pela Bíblia e pela
interpretação da Igreja, e a razão, representada pela
filosofia, ou ambas poderiam conviver em harmonia? Este
é o desafio que representou a grande questão medieval.
Nesse sentido, cabe destacar um momento importante da
Idade Média, o chamado Período dos Padres Apologistas, que
se iniciou a partir do século II. Dentre os Padres Apologistas
(Apologia: defesa, justificação), o mais importante foi, sem
dúvida, Justino Mártir (100-165/167). Justino escreveu
duas importantes obras, denominadas Apologias, nas
quais busca defender o cristianismo, considerando-o
a “verdadeira filosofia”, contrário, portanto, a alguns
antigos princípios filosóficos que não se harmonizavam
completamente com o cristianismo. Justino foi um grande
estudioso de Platão e, ao se converter ao cristianismo,
ele reviu suas crenças na filosofia platônica, principalmente
no tocante à possibilidade de, por meio dela, alcançar a
verdade.
A passagem a seguir demonstra seu posicionamento
em relação à filosofia: “Eu sou cristão, glorio-me disso e,
confesso, desejo fazer-me conhecer como tal. A doutrina
de Platão não é incompatível com a de Cristo, mas não se
casa perfeitamente com ela [...]”. Desse modo, os Padres
Apologistas representaram uma primeira tentativa de
compreender a fé cristã.
São Justino Mártir. Os mártires eram mortos por causa da
perseguição aos primeiros cristãos por parte dos romanos.
As mortes eram as mais cruéis possíveis. Muitos cristãos foram
decapitados, outros jogados aos leões no Coliseu, outros
queimados vivos, etc. São Justino foi decapitado em 165/167.
Com os Padres Apologistas, começa a atividade filosófica
cristã. A tese comum que defendem é de que o cristianismo
é a única filosofia segura e útil e resultado último a que
a razão deve chegar. Os filósofos pagãos conheceram
sementes de verdade que não puderam entender
plenamente: os cristãos conhecem a verdade inteira porque
Cristo é o logos, isto é, a razão mesma da qual participa todo
o gênero humano. A apologética desses padres constitui,
portanto, a primeira tentativa de inserir o cristianismo na
história da filosofia clássica.
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 5. ed. Tradução
de Alfredo Bossi. São Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 74.
Porém, o que mais nos interessa é o momento posterior ao
dos Padres Apologistas, denominado Período dos Padres da
Igreja ou Patrística, no qual se verifica uma crescente aceitação
da filosofia grega pelos cristãos e líderes do cristianismo.
Pág 03
A imagem mais antiga de Santo Agostinho, o mais importante
pensador da Patrística, no afresco do século VI, na Basílica de
Latrão, em Roma.
Os Padres da Igreja constituíam um conjunto de filósofos
cristãos, que, principalmente a partir do século III,
aproximou, por meio de seus escritos e pregações, a filosofia
grega do cristianismo.
Nesse contexto, a filosofia teve um papel primordial,
servindo como base à formulação de argumentos que
defendessem de modo compreensível a doutrina cristã
frente às heresias2, comuns tanto dentro quanto fora do
cristianismo.
É claro que a fé ocupa lugar primordial e precedente
à razão, mas, justamente pela necessidade de munir a
fé de argumentos racionais, a filosofia grega se torna
imprescindível para este processo. No entanto, não é qualquer
filosofia que pode ser aceita, sendo os textos, as ideias e
os pensadores gregos cuidadosamente selecionados. Aqueles
textos, ideias ou pensadores que pudessem representar,
mesmo que timidamente, alguma ameaça à doutrina
cristã e à revelação são deixados de lado, buscando-se
somente aqueles que servissem de base para uma nova
interpretação dos textos e dos pensamentos a partir da
lógica e da visão cristã.
Dessa forma, os textos, ideias e filósofos seriam
selecionados se servissem ao objetivo da Igreja, que era o
de fortificar a fé a partir desses textos, agora interpretados
à luz da revelação divina.
Gustav Vasakyrkan
Os santos triunfam sobre a heresia. Escultura de Gustav
Vasakyrkan em Estocolmo.
Essa pos tura cris tã foi amplamen te di fundida ,
principalmente nos Concílios de Niceia (325), Constantinopla
(381) e Calcedônia (451). Com o objetivo de legitimar e
construir uma doutrina que atendesse a todo o cristianismo,
as reuniões da Igreja em torno de questões teológicas e
morais se dedicaram a uma conciliação entre fé e razão,
entre filosofia e revelação, que pudesse atender aos anseios
do cristianismo nascente, nessa época, já reconhecido como
religião (313) e mais tarde elevado ao patamar de religião
oficial do Império Romano (391). Durante a realização
dos Concílios, foi comum a utilização de teorias e textos
filosóficos com o intuito de defender uma postura favorável
ao cristianismo e de condenar as heresias.
É nesse momento delicado do cristianismo que a filosofia
encontra bases sólidas de comunhão com a doutrina cristã.
Alguns conceitos dos principais filósofos gregos, Platão e
Aristóteles, foram amplamente utilizados como fundamento
teórico para a doutrina cristã. Exemplos disso são os
conceitos de essência, substância, alma, corpo, ideia,
causa, entre outros. Também a retórica e a lógica foram
aplicadas de forma a defender a fé e justificar a teologia,
fornecendo a esta as bases de uma argumentação clara a
favor das verdades reveladas.
2 Heresia: doutrina contrária a uma verdade estabelecida pela religião. Esse termo é amplamente utilizado para se referir a todas
as ideias contrárias ou críticas às verdades fundamentais do cristianismo.
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FILOSOFIA
Com eventos em todo o mundo em homenagem aos
200 anos de nascimento do cientista britânico, celebrados
amanhã, e o 150º aniversário de seu livro A Origem das
Espécies, lançado em novembro de 1859, o Vaticano
destacou que a Igreja Católica nunca condenou Charles
Darwin.
Segundo o presidente do Conselho Pontifício para a
Cultura, arcebispo Gianfranco Ravasi, o livro do cientista
britânico nunca foi parar no Index Librorum Prohibitorum –
índice de textos proibidos da Igreja.
No último século, tanto o papa Pio XII como João Paulo II
se manifestaram sobre a evolução.
Em sua encíclica Humani Generis (1950), Pio XII já dizia
que o “magistério da Igreja não proíbe o estudo da doutrina
do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano
em matéria viva preexistente”.
Naqueles tempos, Pio XII insistia em afirmar que
“a fé católica manda defender que as almas são criadas
imediatamente por Deus”. O pontífice encorajava um
confronto “sério, moderado e temperado”.
Em 22 de outubro de 1996, João Paulo II fez um grande
discurso na Pontifícia Academia das Ciências afirmando
que a evolução “já não era uma mera hipótese, mas uma
teoria”. Após declarar, como Pio XII, que era importante
não perder de vista alguns pontos pré-determinados, João
PauloII reconheceu que a convergência dos resultados
de trabalhos realizados independentemente nesse campo
constituía “um argumento significativo a favor dessa teoria”.
O antecessor de Bento XVI declarou que a Igreja estava
interessada diretamente na questão da evolução, porque
esta influi na concepção do homem, “sobre o qual – disse –
a Revelação mostra que foi criado à imagem e semelhança
de Deus”.
O papa polonês ainda afirmaria anos depois que “não
basta a evolução das espécies para explicar a origem do
gênero humano, como não basta a casualidade biológica
para explicar por si só o nascimento de uma criança”.
Já Bento XVI sempre defendeu a chegada à fé por meio
da razão, apoiando o diálogo entre fé e ciência. Da mesma
forma que seus antecessores, o atual pontífice declara que
não há oposição entre “a fé da compreensão da criação e
a evidência empírica da ciência”.
Algumas ideias das escolas filosóficas do Período
Helenístico também foram usadas como auxiliares da fé,
principalmente aquelas ideias que se referem à vida
simples e mortificada. Por exemplo, dos estoicos, veremos
as ideias de austeridade, sacrifício, abnegação, disciplina
e autocontrole serem amplamente utilizadas como forma
de preparar o cristão para se tornar digno da vida futura,
depois da morte, junto a Deus.
Apesar da constante tentativa de aproximação, o problema
da relação entre fé e razão ainda hoje é um desafio enorme
para a Igreja e para a Filosofia. De um lado, temos os
defensores de uma verdade revelada inquestionável e,
do outro, aqueles que defendem um conhecimento científico
construído sem qualquer necessidade do transcendente.
No entanto, a própria Igreja Católica, em acordo com as
descobertas científicas e com o próprio progresso da ciência,
demonstra abertura para algumas concepções científicas
antes condenadas. É o que podemos observar na reportagem
a seguir:
Vaticano considera não haver contraposição
entre fé e evolução
Juan Lara
Cidade do Vaticano, 11 de fevereiro de 2009 (EFE).
O Vaticano acredita que não existe, a priori, contraposição
entre fé e a ideia da evolução, ainda que o papa Bento XVI
não compartilhe das teorias que explicam a existência da
humanidade só como resultado do acaso e que, para João Paulo II,
Darwin não bastasse para explicar a origem do homem. J. Cameron
(Imagem acrescentada ao texto original)
Charles Darwin, criador da teoria da evolução, defendida
em seu livro A Origem das Espécies, publicado em 1859.
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A filosofia grega e a tradição cristã Francisco de Goya
(Imagem acrescentada ao texto original)
Mesmo as verdades da religião precisam ser compreendidas
pelos homens de forma racional.
O sono da razão produz monstros. Francisco de Goya
(1897-1898)
A Grécia foi o berço verdadeiro da filosofia. Pela primeira
vez no mundo ocidental, compreendeu e realizou a filosofia
como investigação racional, isto é, como investigação
autônoma que em si mesma encontra o fundamento e a
lei do seu desenvolvimento. A filosofia grega demonstrou
que a filosofia só pode ser procura da liberdade.
A liberdade implica que a disciplina, o ponto de partida,
o fim e o método da investigação sejam justificados
e postos por essa mesma investigação, e não aceitos
independentemente dela. A influência do cristianismo
no mundo ocidental determinou uma nova orientação da
filosofia. Toda a religião implica um conjunto de crenças
que não são fruto de qualquer investigação porque
consistem na aceitação de uma revelação. A religião é a
adesão a uma verdade que o homem aceitou devido a um
testemunho superior. Tal é, com efeito, o cristianismo. Aos
fariseus que lhe diziam: “Tu alegas de ti mesmo e, portanto,
o teu testemunho não tem valor”, Jesus respondeu:
O papa atual não compartilha, no entanto, do
evolucionismo radical. Em visita à Alemanha em setembro
de 2006, criticou o que chamou de “essa parte da ciência
que se empenha em buscar uma explicação ao mundo na
qual Deus é supérfluo”.
Joseph Ratzinger considerou na ocasião “irracionais” as
teorias que consideram a existência da humanidade um
“resultado do acaso” e destacou que, para os cristãos,
“Deus é o criador do céu e da terra e que para entender a
origem do mundo é preciso ter Deus como ponto de referência”.
Para Bento XVI, afirmar que a fundação do cosmos e sua
evolução estão na sabedoria divina “não quer dizer que a
criação só tem a ver com o começo do mundo e da vida.
Implica também que Deus abarca essa evolução e a apoia,
a sustenta continuamente”, completou recentemente o papa
na Pontifícia Academia das Ciências.
Em 2005, no início de seu pontificado e com o objetivo
de superar os receios entre ciência e fé e para recuperar
a unidade do saber, o Vaticano deu início ao projeto Stoq
(Ciência, Teologia e Pesquisa Ontológica, na sigla em
inglês).
O Stoq é considerado um dos mais prestigiosos
programas de pesquisa existentes no mundo sobre a
relação entre ciência, filosofia e teologia.
Foi criado para ser “fruto do renovado espírito de diálogo
entre teologia católica e ciência, inaugurado pelo Concílio
Vaticano II e que culminou com a revisão do caso Galileu”,
segundo afirmou o então ministro da Cultura do Vaticano,
cardeal Paul Paupard.
Segundo Paupard, o Stoq finca as bases para uma
verdadeira mudança de mentalidade com relação à ciência
dentro da Igreja Católica.
“Privilegiando conhecer a verdade, a Igreja não pode
ignorar a ciência. A religião pode purificar a ciência da
idolatria do cientificismo e dos falsos absolutos”, afirmou
Paupard. EFE
Disponível em: <http://www.abril.com.br/noticias/>.
Nov. 2009. Acesso em: 3 maio 2010.
O texto que se segue mostra com clareza a necessidade
de união entre fé e razão. Segundo o autor, Nicola
Abbagnano, essa união é importante para a compreensão das
verdades de forma racional, sendo, portanto, que filosofia
e cristianismo devem se complementar em alguma medida
e não simplesmente se excluírem.
Pág 06
FILOSOFIA
“Eu não estou só, somos eu e aquele que me enviou”
(S. João, VIII, 13, 16), apoiando assim o valor da sua
doutrina no testemunho do Pai. A religião parece,
por tanto, nos seus próprios princípios, excluir a
investigação e consiste antes numa atitude oposta,
a da aceitação de uma verdade testemunhada do alto,
independentemente de qualquer investigação. Todavia,
logo que o homem se interroga quanto ao significado
da verdade revelada e tenta saber por que caminho
pode realmente compreendê-la e fazer dela carne da
sua carne e sangue do seu sangue, renasce a exigência
da investigação. Reconhecida a verdade no seu valor
absoluto, tal como é revelada e testemunhada por
um poder transcendente, imediatamente se impõe a
cada homem a exigência de se aproximar dela e de a
compreender no seu significado autêntico para com ela
e dela viver verdadeiramente. Esta exigência só pode
ser satisfeita pela investigação filosófica. A investigação
renasce, pois, da própria religiosidade, pela necessidade
que o homem religioso tem de se aproximar, tanto quanto
lhe for possível, da verdade revelada. Renasce com uma
tarefa específica, que lhe é imposta pela natureza de
tal verdade e pelas possibilidades que pode oferecer
à sua efetiva compreensão pelo homem; mas renasce
com todas as características, próprias da sua natureza,
e com força tanto maior quanto maior for o valor que
se atribui à verdade em que se acredita e se pretende
fazer sua. Da religião cristã nasceu assim a filosofia
cristã. Esta tomou também como objetivo conduzir o
homem à compreensão da verdade revelada por Cristo,
de modo a que ele possa realizar o seu autêntico
significado. Os instrumentos indispensáveis para este
fim encontrou-os a filosofia cristã, prontos a servirem, na
filosofia grega. As doutrinas da especulação helênica do
último período, essencialmente religioso, prestavam-se
a exprimir, de modo acessível ao homem, o significado
da revelação cristã; e com esta finalidade foram,
efectivamente, utilizadas da maneira mais ampla.
ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia. Vol. II.
Tradução de Antônio Borges Coelho.
Lisboa: Editorial Presença, 1969. p. 108-109
Religião e filosofia\l "Relig
\l "PEDAGOGIA 
A filosofia e a religião buscam a resolução do mesmo problema básico, a questão do Ser, do que existe, do homem e seu dilema moral. As explicações e os métodos aplicados são diferentes, mas as respostas que buscam são idênticas.
A filosofia que se baseia inteiramente na razão nasceu, quando as academias gregas se afastaram das crenças nos deuses mitológicos, considerando somente argumentos racionais, a busca pela solução dos problemas é somente através do pensamento lógico. A religião é o inverso da filosofia, se baseia na fé, acreditar em algo na qual não se pode comprovar, na crença inabalável de ensinamentos impostos por revelações divinas, o que leva à rotinas e dogmas.
Explicar a misteriosa origem do universo somente com o uso da razão, sem mostrar o inexplicável como vontade divina, iniciou um diálogo, muitas vezes um confronto entre fé e razão. 
A filosofia variou entre épocas que acreditava em uma divindade superior e em épocas que não acreditava, essas épocas refletem na busca do homem pelo conhecimento de si mesmo e do mundo onde vive.
O surgimento da filosofia se deu na tentativa de superar uma fé cega em que os gregos viviam, tentando explicar os fenômenos através de causas racionais e não através dos mitos. Mais tarde, o cristianismo lutou para impor seu domínio ideológico, e logo depois o renascentismo batalhou contra a inquisição da Igreja. O Iluminismo é a maior expressão desse movimento, quando se esperava a superação total das crenças pela razão.
Porém, alguns filósofos acreditam que o melhor meio de alcançar as divindades é através da razão. Só é possível conhecer o Autor do universo pela busca do conhecimento das coisas, assim a religião convidaria os homens ao conhecimento e essa busca seria através da filosofia. Pensadores como Tomás de Aquino e Agostinho acreditam que a filosofia complementa a religião.

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