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Instrumentação e Metrologia 1 Instrumentação e Metrologia Marla Souza Freitas 1ª e di çã o Instrumentação e Metrologia 2 DIREÇÃO SUPERIOR Chanceler Joaquim de Oliveira Reitora Marlene Salgado de Oliveira Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA Gerência Nacional do EAD Bruno Mello Ferreira Gestor Acadêmico Diogo Pereira da Silva FICHA TÉCNICA Texto: Revisão Ortográfica: Rafael Dias de Carvalho Moraes & Christina Corrêa da Fonseca Projeto Gráfico e Editoração: Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos e Victor Narciso Supervisão de Materiais Instrucionais: Antonia Machado Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos COORDENAÇÃO GERAL: Departamento de Ensino a Distância Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói Bibliotecária: ELIZABETH FRANCO MARTINS – CRB 7/4990 Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se r esponsabilizando a ASOEC pelo conteúdo do texto formulado. © Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora da Univer sidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Instrumentação e Metrologia 3 Palavra da reitora Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSOEAD, que reúne os diferentes segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas mundialmente. São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável pela própria aprendizagem. O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo o momento, ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa plataforma. Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem- sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, graduação ou pós-graduação. Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. Seja bem-vindo à UNIVERSOEAD! Professora Marlene Salgado de Oliveira Reitora. Instrumentação e Metrologia 4 Instrumentação e Metrologia 5 Sumário Apresentação da disciplina ................................................................................................ 7 Plano da disciplina .............................................................................................................. 9 Unidade 1 Introdução à Metrologia.................................................................................. 11 Unidade 2 Instrumentos de Medição ............................................................................... 25 Unidade 3 Máquinas de Medir e Medidores de Deslocamento.................................... 55 Unidade 4 Sistemas de Instrumentação Para Controle e Automação ........................ 77 Unidade 5 Medidores de pressão, vazão, temperatura e nível ..................................... 99 Unidade 6 Analisadores de processos e Válvulas de Controle...................................... 129 Considerações finais ........................................................................................................... 151 Conhecendo a autora ......................................................................................................... 152 Referências ........................................................................................................................... 153 Anexos .................................................................................................................................. 157 Instrumentação e Metrologia 6 Instrumentação e Metrologia 7 da Apresentação da Disciplina Nesta disciplina, serão discutidos diversos tópicos de instrumentação e metrologia para que o aluno adquira uma visão geral da realização de medições, do principio de funcionamento dos sistemas de medição e instrumentação e da seleção de instrumentos. Os tópicos de metrologia se iniciam com a definição das unidades de medida, conceitos básicos como calibração, validação, estabilidade, dentre outros, tolerância geométrica e dimensional também serão abordados. Os instrumentos de precisão como paquímetro, micrometro, bloco-padrão, instrumentos auxiliares de medição e medidores de deslocamento terão seus princípios de funcionamento e utilização discutidos. Serão discutidas também as simbologias, os critérios de instrumentação e as malhas de controle aberta e fechada como introdução à instrumentação. Para que na sequência os instrumentos de pressão, temperatura, vazão e nível sejam abordados, tendo como foco os principais tipos, e a visão geral do princípio de medição de acordo com o tipo de elemento sensível utilizado. Por fim, há uma rápida abordagem sobre os principais tipos de analisadores de processo e válvulas de controle, com a citação do princípio de funcionamento dos mesmos. Espera-se que o aluno adquira um embasamento teórico sobre o assunto a partir deste material, de forma a ser capaz de utilizar instrumentos de precisão e controle. Bons Estudos! Instrumentação e Metrologia 8 Instrumentação e Metrologia 9 Plano da disciplina Caro aluno, Na unidade 1, serão apresentados os conceitos básicos de metrologia para auxiliar na seleção de instrumentos e entendimento dos conhecimentos discutidos nos capítulos seguintes. Na unidade 2, o estudo de tolerâncias geométricas, blocos padrão, paquímetros e micrômetros serão abordados para que o aluno compreenda a utilidade das tolerâncias geométricas e dos blocos padrão na confecção de peças, assim como manusear paquímetros e micrômetros para realizar medições com esses instrumentos de forma precisa. A unidade 3 aborda os medidores de deslocamento, instrumentos auxiliares de medição e máquinas de medir, citando seus princípios de funcionamento, aspectos construtivos e seus principais tipos. A unidade 4 apresenta uma introdução aos sistemas de instrumentação para automação e controle, discutindo as simbologias utilizadas para representar os sistemas deinstrumentação e as malhas de controle. Já a unidade 5 apresenta os principais tipos de medidores de pressão, vazão, temperatura e nível que são utilizados nos instrumentos industriais de medição. Finalmente, a unidade 6 aborda os princípios básicos dos analisadores de processos e alguns tipos de válvulas, citando o princípio de funcionamento das válvulas de controle, seus diferentes tipos e suas características construtivas. Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 10 Instrumentação e Metrologia 11 Introdução à Metrologia 1 Instrumentação e Metrologia 12 Nesta unidade, serão apresentados os conceitos básicos de metrologia para auxiliar no entendimento dos assuntos a serem discutidos posteriormente. Objetivos da unidade: Entender os conceitos iniciais de metrologia para seleção de instrumentos de medição e discussão de outros assuntos posteriormente, como tolerância geométrica. Plano da unidade: Conceitos iniciais de metrologia. Definição de Unidades de Medida. Medição. Aferição. Calibração. Validação. Precisão. Exatidão. Reprodutibilidade. Repetibilidade. Estabilidade. Erros de medição. Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 13 Conceitos iniciais de metrologia Definição de Unidades de Medida Para determinar o valor numérico de uma grandeza, é necessário que se disponha de outra grandeza de mesma natureza, definida e adotada por convenção, para fazer a comparação com a primeira (URL1). Medição Medir é comparar uma grandeza com outra, de mesma natureza, tomada como padrão, utilizando certo tipo de escala. Medição é, portanto, o conjunto de operações que tem por objetivo determinar o valor de uma grandeza (URL 1). Figura 1: Representação de uma medição por comparação (RUBIO, 2000). As medições são realizadas a partir de um sistema de medidas, semelhante ao representado pelo diagrama de blocos abaixo, composto por sensores, conversores de sinais e mostradores analógicos ou digitais. Figura 2: Diagrama de blocos de um sistema de medição (RUBIO, 2000). Instrumentação e Metrologia 14 O elemento sensor está em contato direto com o mensurando, ou a variável a ser medida, podendo essa ser elétrica, mecânica, pneumática ou de qualquer outra natureza. Já a unidade de conversão de sinais é responsável por amplificar, filtrar e processar o sinal. O mostrador recebe o sinal condicionado e exibe o mesmo ao observador, podendo ser na forma escrita, visual ou sonora. Calibração Trata-se da relação entre os valores indicados por um instrumento e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões, isto é, valores gerados por instrumentos de referência. O resultado da calibração é registrado em um certificado de calibração (ALBERTAZZI, 2008). Quando o sistema analisado não está em conformidade com as normas ou padrões do meio de medição é necessário que o sistema passe por um processo de ajuste ou regulagem até o mesmo alcançar a conformidade. Os padrões utilizados nas calibrações devem ser rastreáveis, ou seja, devem ser calibrados por outros padrões de qualidade sucessivamente melhor e estar em conformidade com os padrões internacionais através de uma cadeia continua e sucessiva de padrões a fim de garantir uma uniformidade nas medições em qualquer local do mundo (ALBERTAZZI, 2008). Validação Verificar se os requisitos especificados são adequados para determinado uso. Por exemplo, verificar se a temperatura de uma autoclave (equipamento) está ajustada corretamente para que o seu uso seja liberado para esterilizar material. Precisão Qualidade da medição que representa a dispersão dos vários resultados, correspondentes a repetições de medições quase iguais, em torno do valor central. É usualmente associado ao erro padrão (RUBIO, 2000). Instrumentação e Metrologia 15 Exatidão Qualidade da medição que assegura que a medida coincida com o valor real da grandeza considerada. Quando o valor real ou correto é conhecido, a exatidão garante a rastreabilidade da medição. Isso significa que o valor pode passar de um laboratório para outro, sempre mantendo a medida exata (RUBIO, 2000). Na figura abaixo, é possível visualizar a diferença entre as duas características, em que a precisão se relaciona com a proximidade dos pontos e a exatidão com a proximidade dos pontos com o centro ou alvo. Figura 3: Relação entre precisão e exatidão (RUBIO, 2000). Reprodutibilidade Exprime a intensidade dos erros aleatórios em medidas repetidas do mesmo mensurando realizadas sob condições variadas de medição, como diferentes operadores, métodos de medição, sistemas de medição, padrões de referência, momentos diferentes, locais de medição (ALBERTAZZI, 2008). Instrumentação e Metrologia 16 Repetibilidade É a capacidade do instrumento de reproduzir as mesmas saídas, quando as mesmas entradas são aplicadas, na mesma sequência e nas mesmas condições ambientais (RUBIO, 2000). A repetitividade exprime a intensidade dos erros aleatórios em condições especiais de utilização, que nem sempre exprime a realidade (ALBERTAZZI, 2008). Figura 4: Representação de Repetibilidade (RUBIO, 2000). Linearidade Em sistemas lineares, a relação entre a entrada e a saída do sistema de medição deveria ser uma linha reta, porém, isso geralmente não ocorre devido às limitações construtivas ou dos fenômenos físicos que o sistema está submetido. A figura abaixo exibe a curva com a resposta real e o quanto ela se afasta da resposta ideal (ALBERTAZZI, 2008). Instrumentação e Metrologia 17 Figura 5: Representação do erro de linearidade (ALBERTAZZI, 2008). Histerese A histerese trata-se das diferenças entre as saídas, quando os valores de entrada estão aumentando e quando os valores de entrada estão diminuindo, conforme a Figura abaixo (RUBIO, 2000). Figura 6: Representação de histerese. (RUBIO, 2000). Instrumentação e Metrologia 18 Estabilidade Quando as características metrológicas de um sistema de medição são mantidas constantes ao longo do tempo ou em relação à outra grandeza de interesse, como temperatura (ALBERTAZZI, 2008). Erros de medição Os erros de medição são as diferenças entre o valor medido pelo sistema de medição e o valor verdadeiro do mensurando, que podem ser causados pelas imperfeiçoes dos sistemas de medição, limitações do operador, condições ambientais, dentre outros motivos. O erro pode ser sistemático, quando o mesmo é previsível ou aleatório, em que não é possível prever a ocorrência do erro (ALBERTAZZI, 2008). O erro sistemático é a parcela de erro sempre presente nas medições realizadas em idênticas condições de operação, por exemplo, o ponteiro torto de um relógio sempre fará a medição errada enquanto o ponteiro estiver torto. O erro sistemático afeta a exatidão do sistema. Es = MI – VVC; Es = erro sistemático; MI = média das indicações; VVC = valor verdadeiro convencional; O erro aleatório é observado quando as medições são repetidas diversas vezes, nas mesmas condições e há variações nos valores obtidos, afetando a precisão do sistema de medição. Eai = Ii - MI Eai = erro aleatório da i-ésima indicação; Ii = indicação da i-ésima indicação individual; Instrumentação e Metrologia 19 MI = média das indicações. Na figura abaixo, há um exemplo dos erros sistemáticos e aleatórios em um teste de balística. Observa-se que o atirador acertou o alvo A com grandes erros sistemáticos e aleatórios, visto que os tiros foram muito espalhados, já no alvo B tem-se um erro aleatório grande, visto que se tem um espalhamento dos tiros, mas todos tendem a mesma localização. O alvo C apresenta apenas erro sistemático, visto que está distante do alvo, mas todos concentrados no mesmoponto, e o alvo D não apresenta erro sistemático e pequeno erro aleatório. Figura 7: Erros sistemáticos e aleatórios em um teste de balística. Nesta unidade, foram ensinados os conceitos básicos de metrologia e instrumentação para serem utilizados nos próximos capítulos. No capitulo a seguir, será apresentado os conceitos de tolerância geométrica, paquímetro, micrômetro e blocos padrão. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 20 Exercícios – unidade 1 1. Assinale a alternativa correta: a) Medir é comparar uma grandeza com a outra de mesma natureza. b) Medir é comparar uma grandeza com a outra de natureza diferente. c) Medição e validação são sinônimos. d) A estabilidade não é importante para a medição. e) A medição é utilizada para comparar grandezas de naturezas diferentes, enquanto que a validação é para comparar grandezas de mesma natureza. 2.Com base nos conhecimentos de calibração, assinale a alternativa correta: a) Trata-se da dispersão dos valores medidos. b) Trata-se da diferença entre as saídas, quando ocorre variação das entradas. c) Trata-se da relação dos valores medidos por instrumentos e os valores de referência. d) Trata-se da capacidade do instrumento repetir as saídas, tendo os procedimentos de medição se alterados. e) Procedimento realizado para ajustar os sistemas de medição. Instrumentação e Metrologia 21 3.Os erros de medição são: a) São sempre evitados; b) É a diferença entre o valor medido e o valor verdadeiro; c) São sempre aleatórios. d) São sempre previsíveis. e) Estão relacionados somente com os erros de medição do operador. 4.Tendo a figura abaixo como base, pode-se dizer: a) O alvo A é muito preciso e exato. b) O alvo B é muito preciso, mas não é exato. c) O alvo C é muito preciso e exato. d) O alvo C é exato, mas não é preciso. e) O alvo D é preciso e exato. Instrumentação e Metrologia 22 5.Sobre a figura da questão anterior, assinale a alternativa correta: a) O alvo A apresenta erro sistemático e é preciso. b) O alvo B apresenta erro sistemático e é exato; c) O alvo C apresenta erro sistemático e é preciso; d) O alvo D apresenta erro sistemático e erro aleatório; e) O alvo C apresenta erro aleatório e é exato; 6.O sistema de medição é composto de três elementos, sobre esses assinale a alternativa correta: a) O elemento sensor está em contato direto com o mensurando e é responsável por amplificar o sinal. b) O condicionador de sinal é responsável por amplificar, filtrar e processar o sinal. c) O mostrador de sinal é responsável por realizar a medição e exibir o resultado. d) O sistema de medição não precisa ter elemento sensor, apenas condicionador de sinal. e) Geralmente o sistema de medição é composto, nesta sequência, do elemento sensor, condicionador de sinal e mostrador, mas essa sequência pode ser modificada. Instrumentação e Metrologia 23 7.Assinale a alternativa correta: Os sistemas lineares sempre apresentam a relação entre a entrada e saída como uma reta. a) A relação de entrada e saída de um sistema linear é uma curva não linear. b) A Repetibilidade exprime a intensidade dos erros sistemáticos. c) A estabilidade do sistema não interfere na resposta dos sistemas de medição. d) O erro aleatório é a diferença entre a média das medidas e o valor verdadeiro. 8.Qual a diferença entre calibração e validação. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 24 9.Explique a diferença entre precisão e exatidão. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10.Explique a diferença entre repetibilidade e reprodutibilidade. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 25 2Instrumentos de Medição Instrumentação e Metrologia 26 Nesta unidade será feito o estudo de tolerâncias geométricas, blocos padrão, paquímetros e micrômetros. Objetivos da unidade: Permitir o estudante aprender o significado e utilidade das tolerâncias geométricas e blocos padrão na confecção de peças, assim como manusear paquímetros e micrômetros para realizar medições com esses instrumentos de forma precisa. Plano da unidade: Tolerâncias Geométricas Tolerância Geométrica Dimensional Tolerância Geométrica de Forma Tolerância Geométrica de Posição Blocos padrão Paquímetro Leitura do Paquímetro: Sistema métrico Leitura do Paquímetro: Sistema Inglês Micrômetro Leitura do Micrômetro com resolução de 0,01 mm Leitura do Micrômetro com resolução de 0,001 mm Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 27 Tolerâncias Geométricas Tolerância Geométrica Dimensional No processo de fabricação de peças em série, é necessário que essas sigam as especificações das peças originais para que, no processo de montagem das mesmas, não seja necessário a realização de ajustes suplementares. Porém, sabe-se que é impossível a produção ilimitada de peças com 100% de exatidão, devido à inexatidão das maquinas, dos dispositivos e dos instrumentos de medição. Portanto é necessário que tolerâncias e ajustes sejam selecionados para garantir que as peças sejam intercambiáveis, independentemente do lote ou data de fabricação (URL 2). As peças para serem produzidas precisam possuir um desenho técnico com cotas indicativas das dimensões nominais, isto é, valores reais da dimensão da peça e o indicativo dos desvios aceitáveis dessas dimensões. Esses desvios são denominados de afastamentos (URL 3). Figura 8: Peça com indicativo da dimensão nominal e os afastamentos superior e inferior (URL 3). Com base na figura acima, tem-se que a dimensão nominal da peça é de 20 mm, o afastamento de maior valor (0,28 mm) refere-se ao afastamento superior e o afastamento de menor valor (0,18 mm) refere-seao afastamento inferior da peça. O somatório do afastamento superior com a dimensão nominal fornece a dimensão máxima da peça (20,28 mm) e o somatório do afastamento inferior com Instrumentação e Metrologia 28 a dimensão nominal fornece a informação de dimensão mínima (20,18 mm). Desta forma, a peça após o processo de fabricação deve possuir uma dimensão intermediária a dimensão máxima e dimensão mínima (URL 3). A diferença entre a dimensão máxima e dimensão mínima é denominada de tolerância, que pode ser obtida, também, a partir da diferença entre o afastamento superior e afastamento inferior. Utilizando a figura acima como exemplo, tem-se que a tolerância desta peça é de 0,13 mm (0,28 – 0,15 = 0,13 mm). Algumas peças são compostas por eixos ou furos, em que os eixos são partes das peças que funcionam alojadas em outras peças e os furos são partes internas das peças que funcionam para receber os eixos (URL 3). Geralmente, eixos e furos devem possuir a mesma dimensão nominal para se acoplarem, tendo variações nos afastamentos, o que será determinante no tipo de ajuste, de acordo com a aplicação das peças. Figura 9: Furo (imagem da esquerda); Eixo (imagem da direita). Ajuste com folga (URL 3). O ajuste entre o eixo e o furo pode ocorrer com folga, permitindo que o eixo deslize livremente, conforme a figura acima. Esse tipo de ajuste é denominado ajuste com folga (URL 3). Instrumentação e Metrologia 29 Há também o ajuste com interferência, em que o eixo encaixa no furo com dificuldade, ficando fixo no furo, conforme figura abaixo. E o ajuste incerto, em que o encaixe do eixo no furo pode ser com folga ou interferência, dependendo das dimensões reais das peças após a fabricação. Figura 10: Furo(imagem da esquerda); Eixo (imagem da direita). Ajuste com interferência (URL 3). Para um ajuste com folga o eixo e o furo devem ter a mesma dimensão nominal e a dimensão máxima do eixo tem que ser menor que a dimensão mínima do furo (URL 3). Observando a figura abaixo, tem que a dimensão nominal de ambas peças é de 25 mm, e a dimensão máxima do eixo é de 24,80 mm e a dimensão mínima do furo de 25 mm. Figura 11: Furo(imagem da esquerda); Eixo (imagem da direita). Ajuste com folga (URL 3). Instrumentação e Metrologia 30 Já o ajuste com interferência, a dimensão mínima do eixo tem que ser maior que a dimensão mínima do furo. As tolerâncias e os ajustes são determinados com base na norma ABNT/NBR 6158:1995, em que a precisão ou qualidade de trabalho das medidas das peças são determinadas. A norma prevê 18 qualidades de trabalho, que são acompanhadas pelas letras IT (I de ISO e T de tolerância). As qualidades podem variar de mecânica extra precisa, utilizadas para instrumentos de alta precisão, até mecânica grosseira, que são peças isoladas que não exigem grande precisão (URL 3). Além da qualidade de trabalho, a norma estabelece o campo de tolerância, que é um conjunto de valores aceitáveis para a confecção das peças que variam da dimensão mínima até a dimensão máxima. Os campos de tolerância são representados por 28 letras do alfabeto, em que as letras minúsculas são usadas para eixos e as letras maiúsculas para furos. Figura 12: Representação do eixo e furo conforme NBR 6158 (URL 3). De acordo com a NBR 6158, as cotas devem indicar as dimensões do eixo e do furo, conforme a figura acima, em que a dimensão nominal do eixo e furo é de 25 mm (URL 3). A tolerância do furo é H8 e do eixo g7, ou seja, não há indicação direta dos afastamentos superior e inferior. Utilizando tabelas especificas é possível obter as dimensões máximas e mínimas. Utilizando a Figura 8, observa-se na primeira coluna a qualidade de trabalho, que para o exemplo de 25g7, a qualidade de trabalho é 07 e está localizado na tabela primeira coluna 10ª linha. Observando a primeira linha da tabela, têm-se as dimensões nominais em milímetros, em que o 25 está na primeira linha 7ª coluna. Buscando o ponto de cruzamento de ambos, obtêm-se a tolerância de 21 µm. Nas Figuras 9 e 10 de afastamentos superior e inferior para eixo, descritos em micrometro (µm), a primeira coluna descreve as dimensões nominais e a primeira Instrumentação e Metrologia 31 linha os campos de tolerância, em que se observa que as letras da tabela de afastamento superior não se repetem na tabela de afastamento inferior. Semelhantemente, têm-se as tabelas de afastamentos superior e inferior para furo. Desta forma, a letra do campo de tolerância determinará a tabela a ser utilizada, para o exemplo a letra g está descrita na primeira linha 11ª coluna da Figura 9, tabela de afastamento superior, realizando o cruzamento desta coluna com a 9ª linha, em que está a dimensão nominal 25, tem-se o afastamento superior -7 µm. Tendo a tolerância e o afastamento superior, pode-se obter o afastamento inferior, e vice-versa, diante da equação abaixo: T = as - ai, Em que T trata-se da tolerância, as é o afastamento superior e ai é o afastamento inferior. Dando continuidade a resolução do exemplo acima, tem-se: T = as - ai, ai = - T + as ai = - 21 - 7 ai = - 28 µm Tendo os valores de afastamento superior de - 21 µm e afastamento inferior de - 28 µm, tem-se: dimensão máxima = 25 mm - 21 µm = 25 mm - 0,021 mm = 24, 979 mm. dimensão mínima = 25 mm - 28 µm = 25 mm - 0,028 mm = 24, 972 mm. Instrumentação e Metrologia 32 Figura 13: Tolerâncias dimensionais (URL 2). Instrumentação e Metrologia 33 Figura 14: Afastamentos Superiores (URL 2) Instrumentação e Metrologia 34 Figura 15: Afastamentos Superiores (URL 2). Instrumentação e Metrologia 35 Tolerância Geométrica de Forma A diferença, medida perpendicularmente, entre a superfície real da peça e a forma geométrica teórica é denominado de erro de forma. Esses erros são causados por vibrações, defeitos nos mancais ou imperfeições na geometria da máquina, que podem ser verificados por réguas, micrômetros, comparadores. A forma é considerada correta quando cada um dos seus pontos é igual ou menor que o valor da tolerância dada. Esses erros e suas formas de medição são padronizados pela ABNT NBR ISO 4287:2002, em que os erros podem ser divididos em dois grupos: Erros macrogeométricos: detectáveis por instrumentos convencionais. Exemplos: ondulações acentuadas, conicidade, ovalização etc. Erros microgeométricos: detectáveis somente por rugosímetros, perfiloscópios etc. São também definidos como rugosidade. Figura 16: Tipos de erros de forma (ROSA). Instrumentação e Metrologia 36 Retilineidade Símbolo: É a condição pela qual cada linha deve estar limitada dentro do valor de tolerância especificada. Se o valor da tolerância (t) for precedido pelo símbolo , o campo de tolerância será limitado por um cilindro “t”, conforme figura. Figura 17: Tolerância de retilineidade (ROSA). Planeza Símbolo: É a condição pela qual toda superfície deve estar limitada pela zona de tolerância “t”, compreendida entre dois planos paralelos, distantes de “t”. Quando a tolerância de planeza não é especificada no desenho, admite-se que sua variação pode ser igual ou menor que a tolerância dimensional. Figura 18: Tolerância de planeza (ROSA). Instrumentação e Metrologia 37 Circularidade Símbolo: É a condição pela qual qualquer círculo deve estar dentro de uma faixa definida por dois círculos concêntricos, distantes no valor da tolerância especificada. O campo de tolerância em qualquer seção transversal é limitado por dois círculos concêntricos e distantes 0,5mm. Figura 19: Tolerância de circularidade (ROSA). Geralmente, os erros de circularidade não precisam ser especificados por serem menores que a tolerância dimensional, mas há situações queos erros de circularidade, embora muito pequenos, prejudicam a funcionalidade da peça, como cilindros de motores de combustão interna, que a tolerância de circularidade tem de ser estreita, para evitar vazamentos. Cilindricidade Símbolo: É a condição pela qual a zona de tolerância especificada é a distância radial entre dois cilindros coaxiais. A circularidade é um caso particular de cilindricidade, quando se considera a seção transversal do cilindro. Instrumentação e Metrologia 38 Forma de uma linha qualquer Símbolo: O campo de tolerância é limitado por duas linhas envolvendo círculos cujos diâmetros sejam iguais à tolerância especificada e cujos centros estejam situados sobre o perfil geométrico correto da linha. Forma de uma superfície qualquer Símbolo: O campo de tolerância é limitado por duas superfícies envolvendo esferas de diâmetro igual à tolerância especificada e cujos centros estão situados sobre uma superfície que tem a forma geométrica correta. Tolerância Geométrica de Posição A tolerância de posição estuda a relação entre dois ou mais elementos. Essa tolerância estabelece o valor permissível de variação de um elemento da peça em relação à sua posição teórica, estabelecida no desenho do produto. No estudo das diferenças de posição será suposto que as diferenças de forma dos elementos associados são desprezíveis em relação à suas diferenças de posição. As tolerâncias de posição por orientação estão resumidas na tabela abaixo: Instrumentação e Metrologia 39 Figura 20: Erros de posição e orientação (ROSA). Paralelismo Símbolo: Paralelismo é a condição de uma linha ou superfície ser equidistante em todos os seus pontos de um eixo ou plano de referência. Perpendicularidade Símbolo: É a condição pela qual o elemento deve estar dentro do desvio angular, tomado como referência o ângulo reto entre uma superfície, ou uma reta, e tendo como elemento de referência uma superfície ou uma reta, respectivamente. Inclinação Símbolo: A tolerância de inclinação pode ser especificada pelo ângulo máximo e ângulo mínimo, ou pela especificação do elemento que será medido e sua referência. Posição de um elemento Símbolo: A tolerância de posição pode ser definida, de modo geral, como desvio tolerado de um determinado elemento (ponto, reta, plano) em relação a sua posição teórica. Instrumentação e Metrologia 40 Concentricidade Símbolo: Define-se concentricidade como a condição segundo a qual os eixos de duas ou mais figuras geométricas, tais como cilindros, cones etc., são coincidentes. Simetria Símbolo: A tolerância de simetria é semelhante à de posição de um elemento, porém utilizada em condição independente, isto é, não se leva em conta a grandeza do elemento. O campo de tolerância é limitado por duas retas paralelas, ou por dois planos paralelos, distantes no valor especificado e dispostos simetricamente em relação ao eixo (ou plano) de referência. Instrumentação e Metrologia 41 Blocos Padrão Os blocos padrão são muito utilizados como padrões de referência em sistemas de medição, confecção de peças e máquinas operatrizes. Os conjuntos de blocos padrão são compostos de diversas quantidades de peças e variação de valores dos blocos (GIORGIANO). Os blocos devem ser manipulados sempre com os blocos protetores, de espessura de 2 mm e muito resistentes para evitar o desgaste dos blocos e interferência na exatidão dos mesmos. Figura 21: Exemplo de Kit de Bloco Padrão (GIORGIANO) Os blocos padrão devem ser empilhados, durante a sua utilização, de forma cruzada um sobre o outro para que as superfícies fiquem em contato e toda a camada de ar entre os blocos seja eliminada. Geralmente, realiza-se duas montagens para obter os limites máximo e mínimo das dimensões que se deseja calibrar (GIORGIANO). Exemplo da composição de um jogo de blocos-padrão, contendo 114 peças, já incluídos dois blocos protetores: 2 - blocos-padrão protetores de 2,00 mm de espessura; 1 - bloco-padrão de 1,0005 mm; 9 - blocos-padrão de 1,001; 1,002; 1,003 .......... 1,009 mm; Instrumentação e Metrologia 42 49 - blocos-padrão de 1,01; 1,02; 1,03 .......... 1,49 mm; 49 - blocos-padrão de 0,50; 1,00; 1,50; 2,00 .......... 24,5 mm; 4 - blocos-padrão de 25; 50; 75 e 100 mm. Para verificar a dimensão de uma peça de limite máximo 12, 578 mm e limite mínimo 12, 573 mm, por exemplo, é necessário fazer duas montagens de blocos- padrão, buscando uma combinação entre os blocos de forma regressiva e procurando utilizar o menor número de blocos possível, de acordo com as peças que compõe o conjunto de blocos-padrão. Figura 22: Cálculo para definir os blocos-padrão que serão utilizados (GIORGIANO). Instrumentação e Metrologia 43 Figura 23: Montagem usando os blocos-padrão (GIORGIANO). Paquímetro O Paquímetro é um instrumento utilizado para realizar medições lineares precisas de medidas internas, externas e de profundidade, composto de diversas partes, conforme mostrado pela figura abaixo. Figura 24: Partes do paquímetro. Instrumentação e Metrologia 44 A figura abaixo ilustra a aplicação do paquímetro na realização de algumas medições de partes internas, profundidade ou medições externas. Figura 25: Exemplos de aplicação do paquímetro. Leitura do Paquímetro: Sistema Métrico A leitura feita na escala fixa antes do zero da escala móvel corresponde à leitura em milímetro, depois realiza a contagem da quantidade de traços da escala móvel até ocorrer a coincidência de um traço da escala móvel com um traço da escala fixa (URL 3). E finalmente, realiza o somatório das leituras da escala móvel e escala fixa. A leitura na escala móvel será dependente da resolução da mesma. No exemplo abaixo a resolução é de 1 mm, pois a escala possui 10 divisões: Instrumentação e Metrologia 45 Figura 26: Paquímetro com resolução de 1 mm (URL 3). Leitura da escala fixa: 1,0 mm (Apenas 1 traço antes do zero) Leitura da escala móvel: 0,3 mm (Terceiro traço coincidente) Leitura Final: 1,3 mm Figura 27: Paquímetro com resolução de 0,5 mm (URL 3). Leitura da escala fixa: 73,0 mm Leitura da escala móvel: 0,65 mm Leitura Final: 73,65 mm Instrumentação e Metrologia 46 Leitura do Paquímetro: Polegada Milesimal Neste sistema, cada polegada do paquímetro possui 40 divisões para a escala fixa, ou seja, a resolução da escala fixa é de 0,025”. Já a escala móvel possui 25 divisões, portanto tem uma resolução de 0,001”. O procedimento de leitura será o mesmo que foi utilizado para o sistema métrico. Figura 28: Paquímetro com resolução de 0,025” (URL 3). Leitura da escala fixa: 0,050” ou 2 X 0,025” = 0,050” (número de traços X resolução). Leitura da escala móvel: 0,014” ou 14 X 0,001” = 0,014” (número de traços X resolução). Leitura Final: 0,064”. Micrômetro Os micrômetros são caracterizados de acordo com a sua capacidade, resolução e aplicação, em que a capacidade pode variar de 25 mm a 2000 mm, já a resolução podem variar de 0,01 mm a 0,001. As partes do micrômetro podem variar de acordo com a utilização do mesmo, podendo ter um arco profundo, discos nas hastes, ou hastes de extensão para medição de profundidade (GIORGIANO). Figura 29: Definição das partes do Micrômetro (URL 4). Instrumentação e Metrologia 47 A figura acima exibe as partes do micrômetro, em que o mesmo é constituído pelo arco feito de aço fundido, o isolante térmico, fixado ao arco para evitar transmissão de calor, as faces de medição que estarão em contato com a peça a ser medida, a bainha que tem a escala fixa dos milímetros e o tambor que localiza a escala dos centésimos de milímetros (GIORGIANO). Leitura do Micrômetro com resoluçãode 0,01 mm A leitura feita na escala fixa (bainha) corresponde à leitura em milímetro, depois realiza a leitura dos centésimos de milímetros no tambor. E finalmente, realiza o somatório das leituras da escala móvel e escala fixa. Figura 30: Micrômetro com resolução de 0,01 mm (GIORGIANO). Leitura dos mm na bainha: 17,5 mm. Leitura dos centésimos no tambor: 0,32mm Leitura Final: 17,82 mm. Leitura do Micrômetro com resolução de 0,001mm Os micrômetros com essa resolução possuem o nônio, além da bainha e do tambor. O procedimento de leitura será o mesmo, acrescentando a leitura dos milésimos de milímetros medidos pelo nônio. Instrumentação e Metrologia 48 Figura 31: Micrômetro com resolução de 0,001 mm (GIORGIANO). Leitura dos mm na bainha (A+B): 20,5 mm. Leitura dos centésimos no tambor (C): 0,11 mm Leitura dos milésimos no nônio (D): 0,008 mm Leitura Final: 20,618 mm. Figura 32: Micrômetro com resolução de 0,001 mm (GIORGIANO). Leitura dos mm na bainha (A+B): 6 mm. Leitura dos centésimos no tambor (C): 0,04 mm Leitura dos milésimos no nônio (D): 0,003 mm Leitura Final: 6,043 mm Instrumentação e Metrologia 49 Nesta unidade, foram abordados os tópicos de tolerância dimensional, montagem dos blocos padrão, paquímetros com escala no sistema métrico e de polegada milesimal e micrômetros com resolução centesimal e milesimal. Na unidade seguinte, abordaremos calibradores, máquinas de medir e medidores de deslocamento. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 50 Exercícios – unidade 2 1.Assinale a opção que apresenta o ajuste com folga para a peça com as dimensões especificadas: a) diâmetro do eixo: 50,012 mm; diâmetro do furo: 50,015 mm; b) diâmetro do eixo: 50,016 mm; diâmetro do furo: 50,008 mm; c) diâmetro do eixo: 50,008 mm; diâmetro do furo: 50,002 mm; d) diâmetro do eixo: 50,011 mm; diâmetro do furo: 50,006 mm; e) diâmetro do eixo: 50,035 mm; diâmetro do furo: 50,001 mm; 2.Determine a tolerância geométrica da peça abaixo: a) 0,10 mm b) 0,21 mm c) 0,05 mm d) 0,61mm e) 0,35 mm Instrumentação e Metrologia 51 3.Assinale a alternativa que determina a leitura do paquímetro, representado na figura abaixo: a) 4,1 mm b)4,4 mm c) 4,5 mm d)4,0 mm e) 5,0 mm 4.Assinale a alternativa que determina a leitura do paquímetro, representado na figura abaixo: a) 1,1” b) 1,8” c) 0,12” d) 0,175” e) e. 0,01” Instrumentação e Metrologia 52 5.Assinale a alternativa que determina a leitura do paquímetro, representado na figura abaixo: a) 4” b) 0,4” c) 0,45” d) 0,35” e) 0,525” 6.Assinale a alternativa que determina a leitura do paquímetro, representado na figura abaixo: a) 70,0 mm b) 70,73 mm c) 70,76 mm d) 70,70 mm e) 71 mm Instrumentação e Metrologia 53 7.Assinale a alternativa que determina a leitura do micrômetro, representado na figura abaixo: a) 42,5 mm b) 43 mm c) 42,97 mm d) 42,47 mm e) 43,03 mm 8.Assinale a alternativa que determina a leitura do micrômetro, representado na figura abaixo: a) 43,0 mm b) 3,5 mm c) 3,509 mm d) 3,930 mm e) 3,43 mm Instrumentação e Metrologia 54 9.Monte os blocos padrão para comparar as dimensões abaixo. Utilize o menor número de blocos, tem como base o conjunto de blocos padrão citado na unidade. E utilize bloco protetor de 2 mm. Assinale a quantidade de blocos necessários para a dimensão 14,578 ± 0,001 mm. 10.Monte os blocos padrão para comparar as dimensões abaixo. Utilize o menor número de blocos, tem como base o conjunto de blocos padrão citado na unidade. E utilize bloco protetor de 2 mm. Assinale a quantidade de blocos necessários para a dimensão 23,245 ± 0,005. Instrumentação e Metrologia 55 3 Máquinas de Medir e Medidores de Deslocamento Instrumentação e Metrologia 56 Nesta unidade, serão abordados medidores de deslocamento, instrumentos auxiliares de medição e máquinas de medir, citando seus princípios de funcionamento, aspectos construtivos e seus principais tipos. Objetivos da unidade: O intuito desta unidade é que o aluno conheça os tipos de medidores de deslocamento e as máquinas de medir, além dos instrumentos auxiliares de medição como réguas, esquadros e desempenos. E que relembre os conceitos abordados nas unidades anteriores como tolerância geométrica. Plano da unidade: Medidores de Deslocamento Instrumentos Auxiliares de Medição e Calibradores Máquinas de Medir Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 57 Medidores de deslocamento A medição de deslocamento de um corpo esta relacionado com a mudança de posição de um corpo tridimensionalmente, para isso é necessário medir a posição do corpo nas três direções em relação a sua origem utilizando variados sensores, podendo ser mecânicos, pneumáticos, resistivos, indutivos. A faixa de medição varia de nanômetros ao metro (URL 5). Medidor Diferencial O medidor diferencial é utilizado para verificar pequenos deslocamentos em deslocamentos amplificados de um ponteiro, da ordem de décimos de micrômetros. Para a realização da medida, utiliza-se de um relógio comparador e um bloco padrão para ajuste do sistema (URL 6). Conforme mostrado na figura abaixo, prende o relógio comparador em um suporte (A), coloca-se o padrão sob o sensor de deslocamento (B), zera o relógio (C) e depois insere a peça a ser medida (D) e realiza a leitura da diferença. Figura 33: Medidor diferencial (URL 6). Instrumentação e Metrologia 58 Principio construtivo do relógio comparador Os relógios comparadores são constituídos de um apalpador (que toca na peça), de um mecanismo de amplificação baseado em um sistema cremalheira/trem de engrenagens e um mostrador circular onde se desloca um ou dois ponteiros, à semelhança de relógios. Figura 34: Construção de um relógio comparador (URL 6). O mostrador giratório (EP) permite que o "zero" da escala principal coincida com o ponteiro para realizar a indicação inicial do zero. Além da escala principal, há a escala auxiliar (EA) com um ponteiro pequeno (PP) para indicar quantas voltas completas o ponteiro principal realizou. Para reduzir o grau de histerese, utiliza-se uma mola espiral (ME) que atua sobre a engrenagem auxiliar (EAX) para que o contato entre os “dentes” das engrenagens ocorra sem folga (URL 6). Instrumentação e Metrologia 59 Figura 35: Exemplo comercial de relógio comparador (URL 7). Medidores Pneumáticos Os medidores pneumáticos de deslocamento são mais utilizados em locais com campo magnético e radiação nuclear, em que o deslocamento é transformado em variações de pressão de ar. O principio de funcionamento esta ilustrado na figura abaixo, em que uma pressão constante H é injetada no orifício G (tamanho constante) e chega à câmara A. O ar deve seguir pelo orifício S, de tamanho proporcional ao deslocamento d. Se d variar, haverá variação de S e h, de forma linear, que permite extrair a informação de deslocamento. Figura 36: Funcionamento do medidor pneumático (URL 6). Instrumentação e Metrologia 60 Medidores resistivos Os medidores resistivos de deslocamento utilizam potenciômetros para medir o deslocamento, uma vez que esse dispositivo possui um cursor que ao ser movimentado altera o valor da resistência. Assim a variação da resistência será proporcional ao deslocamento (URL 5). Figura 37: Funcionamento dos medidores resistivos (URL 6). Medidores capacitivos Esses sensores trabalham com a variação da capacitância de um capacitorde placas paralelas a partir do deslocamento do dielétrico em seu interior, ou seja, do afastamento ou aproximação das placas (URL 5). Figura 38: Medidores capacitivos de placas paralelas (URL 8). Instrumentação e Metrologia 61 Medidores indutivos Os medidores indutivos estão relacionados com a variação da indutância mutua entre as bobinas de acordo com a posição do núcleo móvel (URL 5). O transdutor indutivo de variação de indutância própria constituído de um só indutor possui uma característica não linear, por isso geralmente utilizam-se dois indutores de forma diferencial, isto é, à medida que a indutância de um indutor aumenta, diminui a indutância do outro proporcionalmente. A figura abaixo mostra as principais características deste tipo de medidor. Figura 39: Características dos medidores indutivos (URL 6) Instrumentos auxiliares de medição Para realizar determinadas medições, é mais conveniente ter um plano de medição ou uma reta considerados perfeitos, para isso utilizam-se de desempenos, réguas e esquadros (URL 6). Desempenos Os desempenos são placas fabricadas de ferro fundido ou material que tenha uma boa rigidez, apoiados em três pés dispostos de forma a obter a mínima flexão pelo próprio peso. Instrumentação e Metrologia 62 Dimensões e erros admissíveis são normalizados pela DIN 876 e NBR 7263. Os erros admissíveis de planeza, relativos a um plano ideal médio da placa em questão são verificados com o auxilio de uma régua montada sobre dois blocos padrão de mesmo tamanho. A distância entre a régua e a placa é medida em vários pontos com blocos padrão e a diferença entre as medidas indica os erros de planeza (URL 6). A retilineidade pode ser medida também utilizando métodos eletrônicos, em que várias direções são analisadas e o erro de planeza é determinado. Figura 40: Desempeno com a régua sobre os blocos padrão (URL 6). Os desempenos podem ser usados também para desempenar superfícies, a partir da comparação entre a superfície do desempeno e da superfície em questão, pintando uma das superfícies com uma fina camada de tinta para evidenciar as imperfeições da outra superfície. Trata-se de uma técnica não muito precisa, pois ambas as superfícies podem sofrer uma compensação, além da espessura da camada de tinta que pode interferir na precisão da medida (URL 6). Réguas As réguas são empregadas para representação de eixos de referência e linhas retas, confeccionadas em aço, ferro fundido ou granito, podem ser de seção retangular, em L, triangular, quatro cantos e outras. Instrumentação e Metrologia 63 Régua de fio Utilizada na verificação da planicidade de superfícies, em que a face do fio é colocado em contato com a superfície e verificado se há passagem de luz (GIORGIANO). Figura 41: Exemplo de régua de fio (GIORGIANO). Régua triangular Possui canais côncavos no centro e fios arredondados para ser utilizada em superfícies placa que a régua de fio não pode ser usada. Figura 42: Exemplo de régua triangular (GIORGIANO). Instrumentação e Metrologia 64 Régua de desempeno ou quatro cantos Esse tipo de régua é usado para desempenar superfícies estreitas, porém compridas com nervuras de reforço em formas parabólicas, e é fabricada com a mesma classe de erro das placas de desempenar. Figura 43: Exemplo de régua de quatro cantos (URL 6). Esquadros Os esquadros possuem ângulos retos que são utilizados na medição ou traçagem de planos e/ou retas perpendiculares, confeccionados em granito ou aço (URL 6). Figura 44: Exemplo de esquadros (GIORGIANO). Instrumentação e Metrologia 65 São classificados quanto ao tamanho, conforme a tabela abaixo e quanto à forma, conforme a figura abaixo. Figura 45: Tabela de dimensões dos esquadros (GIORGIANO). Figura 46: Tipos de esquadros (URL 6). Calibradores Os calibradores são padrões geométricos que estabelecem os limites máximos e mínimos das dimensões que se deseja comparar, por isso denominados de passa/não passa. Os calibradores podem ter formatos especiais para medição de roscas, furos e eixos, são fabricados em aço-carbono e com tolerâncias que não devem exceder de um quinto a um décimo das tolerâncias da dimensão a verificar. Os calibradores devem ser bastante resistentes a abrasão devido o seu constante contato com as peças (GIORGIANO; URL 6). Abaixo segue alguns tipos de calibradores: Calibrador tampão Utilizado para medição de furos, em que o lado passa deve se encaixar no furo e não encaixar o lado não passa. O lado não passa tem uma marca vermelha para facilitar a identificação. Instrumentação e Metrologia 66 Figura 47: Exemplo de calibrador tampão (GIORGIANO). Calibrador de boca Esse calibrador tem duas bocas para controle: uma passa, com a medida máxima, e a outra não passa, com a medida mínima. Figura 48: Exemplo de calibrador de boca (GIORGIANO). Calibrador de bocas ajustável O calibrador ajustável para eixo tem dois ou quatro parafusos de fixação e pinos de aço temperado e retificado. É confeccionado de ferro fundido, em forma de ferradura. A dimensão máxima pode ser ajustada entre os dois pinos anteriores, enquanto a dimensão mínima é ajustada entre os dois pinos posteriores. Instrumentação e Metrologia 67 Figura 49: Exemplo de calibrador de bocas ajustável (GIORGIANO). Calibrador de rosca O calibrador de rosca é composto por dois anéis, sendo que um lado passa e o outro não passa, para a verificação da rosca externa e o outro calibrador serve para a verificação de rosca interna. A extremidade de rosca mais longa do calibrador tampão verifica o limite mínimo: ela deve penetrar suavemente, sem ser forçada, na rosca interna da peça que está sendo verificada. Diz-se lado passa. A extremidade de rosca mais curta, não passa, verifica o limite máximo. Figura 50: Exemplo de calibrador de roscas externas (GIORGIANO). Figura 51: Exemplo de calibrador de roscas internas (GIORGIANO). Instrumentação e Metrologia 68 Máquinas de Medir Máquina de medir é o nome corrente para sistemas de medição geométricos de porte razoável e que se assemelham às máquinas-ferramenta no que se refere à estrutura. As máquinas de medir por coordenadas, são totalmente universais em suas aplicações, assumirem com vantagens os trabalhos realizados pelas máquinas dedicadas. Microscópios de Medição Utiliza um sistema ótico semelhante ao do microscópio para localizar ponto (aresta) de medição sobre a peça que está sendo medida. Estes sistemas de medição destinam-se, principalmente para peças pequenas e dispõe de medidores de deslocamentos linear e angular. Uma aplicação bastante rotineira para microscópio é a medição de ângulos de rosca de peças em geral, inclusive de calibradores de rosca. Os microscópios, assim como os projetores de perfil podem operar pelos métodos de projeção episcópica e diascópica, conforme estejam a fonte de luz e imagem projetada do mesmo lado ou em lados opostos em relação à peça, respectivamente (URL 6). Projetores de perfil O problema de medição de peças pequenas reside, muitas vezes, no acaso do instrumento de medir até o ponto desejado. Uma forma de solucionar o problema é medir sobre ou com auxílio de uma imagem ampliada. Os projetores de perfil podem operar com diferentes graus de ampliação da imagem, sendo comumente adotados os fatores 10x, 20x e 50x. As principais fontes de erro nos projetores de perfil são: ampliação, posicionamento da mesa/feixe luminoso (URL 6). Instrumentação e Metrologia 69 Figura 52: Sistema de projeção de imagem (URL9). Na projeção diascópica, a iluminação transpassa a peça que será examinada. Com isso, obtemos na tela uma silhueta escura, limitada pelo perfil que se deseja verificar. Geralmente utilizadoem medição de peças como pequenas engrenagens, ferramentas, roscas. Já a projeção episcópica (superfície), tem a iluminação concentrada na superfície da peça, cujos detalhes aparecem na tela. Eles se tornam ainda mais evidentes se o relevo for nítido e pouco acentuado. Esse sistema é utilizado na verificação de moedas, circuitos impressos, gravações, acabamentos superficiais (URL 9). Máquinas dedicadas Para facilitar a medição de determinadas peças de geometria complexa, foram desenvolvidas ao longo de muitos anos, algumas máquinas especiais, de forma que o processo de medição simplifica-se grandemente, evitando a realização de intensivos e complexos cálculos (URL 6). Medição por coordenadas Com base nos sistemas de medição de deslocamento das máquinas de medir por coordenadas, é possível conhecer a posição que um elemento localizador ocupa dentro do espaço de trabalho da máquina (URL 6). Instrumentação e Metrologia 70 A determinação das coordenadas dos pontos sobre a peça serve de base para a determinação dos parâmetros de elementos geométricos (dimensão, forma e posição) como a distância entre superfícies, o diâmetro e a posição de um círculo, e outros. Para determinar o comprimento de um bloco prismático, é suficiente conhecer as coordenadas dos pontos sobre as faces extremas (URL 6). A base para a medição por coordenadas é o sistema cartesiano, utilizando a representação de cada ponto em um sistema ortogonal de coordenadas (x, y, z). A partir desta informação de posição, registrada diretamente do componente, é possível avaliar as características dimensionais do projeto (URL5). A estrutura da MMC é formada pela mesa, estrutura dos eixos e mancais. Esses componentes são responsáveis pela rigidez estática e dinâmica bem como da estabilidade com o tempo da MMC. Uma das principais fontes de incerteza da MMC é o sistema de apalpação, o que requer cuidados especiais na escolha adequada da configuração do apalpador (MAAS, 2001). O sistema do apalpador consiste de uma chave comutadora segurada em sua posição por uma mola, que altera seu estado de tensão elétrica quando submetida a um deslocamento. No momento em que a alteração da tensão é detectada, são adquiridas simultaneamente as coordenadas das três escalas, representando a posição do centro da esfera do apalpador (URL 5). Figura 53: Máquina de medir por coordenadas (URL10). Instrumentação e Metrologia 71 Nesta unidade, foram ensinados os conceitos de medidores de deslocamento resistivos, pneumáticos e capacitivos. Os instrumentos auxiliares de medição como réguas, esquadros e calibradores também foi discutido, além das máquinas de medir como projetores de perfil e máquinas de medir por coordenadas. No capítulo seguinte, serão discutidos os sistemas de instrumentação para controle e automação de processos. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 72 Exercícios – unidade 3 1.As réguas de controle destinam-se à verificação de superfície: a) plana-padrão; b) plana; c) perpendicular; d) circular; e) esférica. 2.O esquadro é utilizado para verificar superfícies em ângulos: a. menor que 90º; b. maior que 90º; c. igual a 90º; d. igual a 100º. e. Igual a 180º. 3.As dimensões de furo cilíndrico estarão dentro das tolerâncias quando o calibrador tampão (passa/não passa): a. passar o diâmetro menor e não passar o diâmetro maior; b. não passar o diâmetro menor; c. não passar os dois diâmetros; d. passar os dois diâmetros. e. passar o diâmetro maior e o diâmetro menor. Instrumentação e Metrologia 73 4.As dimensões de um eixo estarão dentro das tolerâncias quando o calibrador de bocas (passa/não passa): a) passar na boca menor e não passar na boca maior; b) passar na boca maior e não passar a boca menor; c) passar na boca maior e na boca menor; d) não passar a boca menor e na boca maior. e) não passar em ambas as bocas. 5.Para comparar o diâmetro interno de um furo cilíndrico e o diâmetro médio de uma rosca externa, usam-se os calibradores: a) de boca ajustável e regulável; b) tampão e regulável; c) de boca escalonada e chata; d) tampão e chato; e) rosca, de boca. 6.O projetor de perfil se destina a: a) medir peças complexas; b) medir peças grandes com formato complexo; c) verificar peças pequenas com formato complexo; d) verificar rugosidade; e) medir peças simples. Instrumentação e Metrologia 74 7.A ampliação mínima obtida em um projetor de perfil é: a) 10 vezes; b) 20 vezes; c) 50 vezes; d) 5 vezes; e) 100 vezes. 8.O sistema de projeção diascópica e episcópica faz, respectivamente, projeções: a) de superfície e de contorno; b) angular e linear; c) de contorno e angular; d) esférica e de contorno; e) de contorno e de superfície. Instrumentação e Metrologia 75 9.Explique a diferença entre os medidores de deslocamento capacitivos e os medidores de deslocamento pneumáticos. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10.Explique brevemente, o princípio de funcionamento do sistema apalpador das máquinas de medir por coordenadas. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 76 Instrumentação e Metrologia 77 4 Sistemas de Instrumentação para Controle e Automação Instrumentação e Metrologia 78 Nesta unidade será feita uma introdução aos sistemas de instrumentação para automação e controle, aprendendo as simbologias utilizadas para representar os sistemas de instrumentação e as malhas de controle. Objetivos da unidade: O intuito desta unidade é permitir que o aluno conheça os símbolos de representação dos instrumentos e as malhas de controle para projetar ou entender desenhos esquemáticos das plantas de controle e automação. Plano da unidade: Simbologia de Instrumentação Elementos de uma malha de controle Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 79 Simbologia de Instrumentação Os símbolos gráficos para representar os instrumentos e suas funções nas malhas de instrumentação, são estabelecidos pela norma NBR 8190 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e pela ISA (Instrument Society of America). Ficando a critério de cada empresa e/ou instituição decidir qual norma seguir. Nesta apostila será abordada apenas a simbologia determinada pela NBR 8190, conforme descrito a seguir. Tipos de Conexões Instrumentação e Metrologia 80 Código de Identificação de Instrumentos Todo instrumentopode ser identificado por um conjunto de letras e números para identificar a funcionalidade e as malhas de controle respectivamente (URL 11). A identificação funcional é representada pela primeira letra, que identifica a variável medida pelo instrumento e as letras subsequentes, que descrevem as funcionalidades adicionais do instrumento. Já os números, identificam a malha de controle, sendo que todos os instrumentos da mesma malha devem apresentar o mesmo número (URL 11). Abaixo, segue um exemplo de um registrador controlador de temperatura da malha 2. Figura 54: Identificação do instrumento (URL 11). A norma NBR 8190 apresenta uma tabela que descreve todo o sistema de letras. Instrumentação e Metrologia 81 Figura 55: Significado das letras de identificação (URL 11). Instrumentação e Metrologia 82 Observação: Os números entre parênteses se referem às notas relativas que são dadas a seguir. Notas relativas 1) As letras indefinidas são próprias para indicação de variáveis não listadas que podem ser repetidas em um projeto particular. Se usada, a letra deverá ter um significado como primeira letra e outro significado como letra subsequente. O significado precisará ser definido somente uma vez e uma legenda para aquele respectivo projeto. Por exemplo: a letra N pode ser definida como Módulo de Elasticidade na primeira letra na letra subsequente. 2) A letra não classificada, X, é própria para indicar variáveis que serão usadas uma vez, ou de uso limitado. Se usada, a letra poderá ter qualquer número de significados como primeira letra e qualquer número de significados como letra subsequente. Exceto para seu uso como símbolos específicos, seu significado deverá ser definido fora do círculo de identificação no fluxograma. Por exemplo: XR-3 pode ser um “registrador de vibração”, XR-2 pode ser um “registrador de tensão mecânica” e XX4 pode ser um “osciloscópio de tensão mecânica”. 3) Qualquer primeira letra, se usada em combinação com as letras modificadoras D (diferencial), F (razão) ou Q (totalização ou integração), ou qualquer combinação, será tratada como uma entidade primeira letra. Então, instrumentos TDI e TI medem duas diferentes variáveis, que são: temperatura diferencial e temperatura. 4) A primeira letra A, para análise, cobre todas as análises não listadas na Tabela 1 e não cobertas pelas letras indefinidas. Cada tipo de análise deverá ser definido fora do seu círculo de indefinição no fluxograma. Símbolos tradicionalmente conhecidos como pH, O2, e CO, têm sido usados opcionalmente em lugar da primeira letra A. Esta prática pode causar confusão particularmente quando as designações são datilografadas por máquinas que usam somente letras maiúsculas. Instrumentação e Metrologia 83 5) O uso da primeira letra U para multivariáveis em lugar de uma combinação de primeira letra é opcional. 6) O uso dos termos modificadores alto, baixo, médio ou intermediário e varredura ou seleção é preferido, porém opcional. 7) O termo segurança se aplicará somente para elementos primários de proteção de emergência e elementos finais de controle de proteção de emergência. Então, uma válvula auto-operada que previne a operação de um sistema acima da pressão desejada, aliviando a pressão do sistema, será uma PCV, mesmo que a válvula não opere continuamente. Entretanto esta válvula será uma PSV se seu uso for para proteger o sistema contra condições de emergência, isto é, condições que colocam em risco o pessoal e o equipamento, ou ambos e que não se esperam acontecer normalmente. A designação PSV aplica-se para todas as válvulas que são utilizadas para proteger contra condições de emergência em termos de pressão, não importando se a construção e o modo de operação da válvula enquadram-se como válvula de segurança, válvula de alívio ou válvula de segurança e alívio. 8) A função passiva visor aplica-se a instrumentos que dão uma visão direta e não calibrada do processo. 9) O termo indicador é aplicável somente quando houver medição de uma variável. Um ajuste manual, mesmo que tenha uma escala associada, porém desprovido de medição de fato, não deve ser designado indicador. 10) Uma lâmpada-piloto, que é a parte de uma malha de instrumentos, deve ser designada por uma primeira letra seguida pela letra subsequente. Entretanto, se é desejado identificar uma lâmpada-piloto que não é parte de uma malha de instrumentos, a lâmpada-piloto pode ser designada da mesma maneira ou alternadamente por uma simples letra L. Por exemplo: a lâmpada que indica a operação de um motor elétrico pode ser designada com EL, assumindo que a tensão é a variável medida ou XL assumindo a lâmpada é atuada por contatos elétricos auxiliares do sistema de partida do motor, ou ainda simplesmente L. A ação de uma lâmpada-piloto pode ser acompanhada por um sinal audível. Instrumentação e Metrologia 84 11) O uso da letra subsequente U para multifunção em lugar de uma combinação de outras letras funcionais é opcional. 12) Um dispositivo que conecta, desconecta ou transfere um ou mais circuitos pode ser, dependendo das aplicações, uma chave, um relé, um controlador de duas posições, ou uma válvula de controle. Se o dispositivo manipula uma corrente fluida de processo e não é uma válvula de bloqueio comum atuada manualmente, deve ser designada como uma válvula de controle. Para todas as outras aplicações o equipamento é designado como: a) uma chave, quando é atuado manualmente; b) uma chave ou um controlador de duas posições se é automático e se é atuado pela variável medida. O termo chave é, geralmente, atribuído ao dispositivo que é usado para atuar um circuito de alarme, lâmpada-piloto seleção, intertravamento ou segurança. O termo controlador é, geralmente, atribuído ao equipamento que é usado para operação de controle normal; c) um relé se é automático e não atuado pela variável medida, isto é, ele é atuado por uma chave ou por um controlador de duas posições. 13) Sempre que necessário, as funções associadas como o uso da letra subsequente Y devem ser definidas fora do círculo de identificação. Não é necessário esse procedimento quando a função é por si só evidente, tal como no caso de uma válvula solenoide. 14) O uso dos termos modificadores alto, baixo, médio ou intermediário, deve corresponder a valores das variáveis medidas e não dos sinais, a menos que de outra maneira seja especificado. Por exemplo: um alarme de nível alto derivado de um transmissor de nível de ação reversa é um LAH, embora o alarme seja atuado quando o sinal alcança um determinado valor baixo. Os termos podem ser usados em combinações apropriadas. 15) Os termos alto e baixo, quando aplicados para designar a posição de válvulas, são definidos como: Alto - denota que a válvula está em ou aproxima-se da posição totalmente aberta; Instrumentação e Metrologia 85 Baixo - denota que a válvula está em ou aproxima-se da posição totalmente fechada (VIANA, 1999). Simbologia de Identificação de Instrumentos de Campo e Painel Figura 56: Simbologia de instrumentos (VIANA, 1999). Instrumentação de vazão Placa de Orifício Medidor Venturi Tubo Pitot Instrumentação e Metrologia 86 Figura 57: Simbologia de instrumentos de vazão (VIANA, 1999). Válvula de Controle Figura 58: Simbologia de válvulas de controle (VIANA, 1999). Instrumentação e Metrologia 87 Alguns Arranjos Típicos de Instrumentos Figura 59: Simbologia de instrumentos de vazão (VIANA, 1999). Medidor de linha (Rotâmetro) – malha 301. Vazão Medidor de linha (Rotâmetro) – malha 301. Indicador de vazão (montagem local) – malha 401. Registrador montado no painel e transmissor local com transmissão pneumática – malha 201. Pressão Indicador de pressão (manômetro) (montagemlocal) – malha 101. Instrumentação e Metrologia 88 Registrador-controlador de pressão, comandando válvula de controle, com transmissão pneumática. Registrador no painel e transmissor local – malha 301. Figura 60: Simbologia de instrumentos de pressão (VIANA, 1999). Temperatura Indicador de temperatura no painel com transmissão elétrica. Indicador e registrador de temperatura no painel, com transmissão elétrica. Figura 61: Simbologia de instrumentos de temperatura (VIANA, 1999). Nível Visor de Nível Instrumentação e Metrologia 89 Instrumento combinado: controlador, indicador de nível e transmissor, comandando válvula de controle, com indicador no painel e com transmissão pneumática. Figura 62: Simbologia de instrumentos de nível (VIANA, 1999). Elementos de uma malha de controle O desempenho de um processo pode ser afetado por varias condições internas e externas ao processo, como temperatura, volume, nível, pressão, vazão. Para controlar o processo, é necessário que a variável que representa o estado desejado seja monitorada e as demais sejam ajustadas a fim de obter o resultado esperado, não se esquecendo de considerar os fatores ambientais como temperatura e umidade do ambiente (CHAVES,2002). Para facilitar o entendimento, será utilizado como exemplo um sistema de aquecimento de água, que tem a finalidade de fornecer água aquecida a uma determinada vazão. Portanto, a variável controlada é a temperatura da água. Já o meio controlado é a água, por ser a energia ou o material no qual a variável é controlada. A variável manipulada, que é aquela sobre a qual o controlador atua para mantê-la no valor desejado é a vazão do vapor e o agente de controle é o vapor, por se tratar da energia ou material do processo (CHAVES,2002). Resumidamente, as principais variáveis do processo são: variável controlada: temperatura da água; meio controlado: água na saída do processo; variável manipulada: vazão de vapor; Instrumentação e Metrologia 90 agente de controle: vapor. A malha de controle trata-se de um sistema que realiza a medição de uma variável do processo e compara esta informação com um valor pré-estabelecido, denominado de setpoint, a fim de obter a diferença entre ambos e trabalha para reduzir essa diferença (CHAVES,2002). A malha de controle aberta não utiliza a informação sobre a variável controlada para ajustar qualquer entrada do sistema. Utilizando o exemplo de aquecimento de agua, na malha de controle aberta, a informação da temperatura do líquido de saída não afeta o controle de entrada de vapor (CHAVES,2002). Figura 63: representação de malha de controle aberta (chaves,2002). A malha fechada utiliza a comparação do valor desejado com a informação da variável controlada para manipular as variáveis do processo. Conforme mostrado na figura abaixo, a temperatura do líquido de saída implica na regulação da entrada de vapor. Caso a temperatura do líquido esteja baixa, a válvula de vapor é aberta e caso a temperatura do líquido esteja alta, a válvula de vapor é fechada (CHAVES,2002). Instrumentação e Metrologia 91 Figura 64: Representação de malha de controle aberta (CHAVES,2002). Os elementos de controle são divididos em dois grupos, dispositivos de campo e de painel. Os dispositivos de campo são subdividos em elementos primários, transmissor e elemento final de controle. Os elementos primários detectam as alterações na variável do processo, os transmissores realizam a medição e envia a informação para um instrumento do painel e elemento final de controle atua e modifica o valor da variável manipulada (CHAVES,2002). Os dispositivos de painel são compostos pelo indicador, registrador, conversor, e controlador. O indicador fornece uma indicação visual das variáveis do processo, podendo ser digital ou analógico. O registrador tem a função de registrar a variável e o conversor tem o papel de converter o sinal recebido em outra forma de sinal, isto é, converter um sinal elétrico em um sinal pneumático. Por fim, tem-se o controlador que fornece um sinal de saída para o processo, tentando manter a variável do processo dentro do valor ajustado (setpoint) (CHAVES,2002). O controlador pode ser analógico, digital – single-loop, que controla apenas uma malha e digital – multi-loop, que controla simultaneamente várias malhas. Instrumentação e Metrologia 92 Figura 65: Elementos de controle (CHAVES,2002). Nesta unidade foi realizada uma introdução aos sistemas de instrumentação para automação e controle, discutindo simbologias utilizadas para representar os sistemas de instrumentação e as malhas de controle. No capítulo seguinte, serão abordados os medidores de pressão, vazão, temperatura, nível. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 93 Exercícios – unidade 4 1.Com base na figura abaixo, determine a função de cada componente da malha abaixo: a) Registrador de vazão. b) Indicador de vazão. c) Registrador de pressão. d) Transmissor de vazão, montado em campo. e) Transmissor de vazão, montado em painel. 2.Com base na figura abaixo, determine a função de cada componente da malha abaixo: a) Registrador de vazão. b) Indicador de pressão, montado em campo. c) Registrador de pressão, montado em campo. d) Transmissor de vazão, montado em campo. e) Transmissor de vazão, montado em painel. Instrumentação e Metrologia 94 3.Com base na figura abaixo, determine a função de cada componente da malha abaixo: a) Visor de nível, montado em campo. b) Indicador de nível, montado em campo. c) Registrador de nível, montado em campo. d) Transmissor de vazão, montado em campo. e) Transmissor de vazão, montado em painel. Instrumentação e Metrologia 95 4.Com base na figura abaixo, determine a função de cada componente da malha abaixo: a. Válvula controladora de pressão ou vácuo. b. Válvula de pressão ou vácuo. c. Transmissor de pressão ou vácuo. d. Transmissor controlador de temperatura. e. Indicador de Pressão ou vácuo. 5.Com base na figura do exercício anterior, determine o tipo de componente utilizado: a) Válvula com atuador elétrico (senoidal ou motor). b) Válvula com atuador hidráulico ou pneumático tipo pistão. c) Válvula manual. d) Válvula auto-operada de diafragma. e) Válvula com atuador pneumático de diafragma. Instrumentação e Metrologia 96 6.Conhecendo as variáveis de um processo de controle e automação, verifique a alternativa incorreta: a) Variável controlada. b) Meio controlado. c) Variável manipulada. d) Agente de controle. e) Setpoint. 7.Com base no conhecimento dos dispositivos de campo, assinale a alternativa correta: a) Os elementos primários detectam as alterações na variável do processo. b) O elemento final de controle realiza a medição e envia a informação para um instrumento do painel. c) Os transmissores realizam o controle e modifica o valor da variável manipulada. d) Os dispositivos de campo não são essenciais em um processo de controle e automação. e) O indicador também faz parte dos dispositivos de campo. Instrumentação e Metrologia 97 8.Com base no conhecimento dos dispositivos de painel, assinale a alternativa correta: a) O registrador fornece uma indicação visual das variáveis do processo. b) O controlador pode ser somente multi-loop. c) O controlador single-loop, é assim denominado por controlar apenas uma malha. d) O controlador não é essencial no processo de automação. e) O controlador realiza a soma do valor da variável doprocesso com o valor do setpoint. 9.Explique a diferença entre a malha de controle aberta e a malha de controle fechada: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 98 10.Explique a principal diferença entre as duas figuras abaixo: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 99 5 Medidores de Pressão, Vazão, Temperatura e Nível Instrumentação e Metrologia 100 Nesta unidade, serão abordados os principais tipos de medidores de pressão, vazão, temperatura e nível que são utilizados nos instrumentos industriais de medição. Objetivos da unidade: Fornecer o conhecimento básico dos principais tipos de medidores industriais, como o princípio de funcionamento, construção e utilização desses instrumentos. Plano da unidade: Instrumentos de Pressão Instrumentos de Vazão Instrumentos de Temperatura Instrumentos de Nível Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 101 Instrumentos de pressão Instrumentos de Pressão A medição de pressão é o mais importante padrão de medida, uma vez que as medidas de vazão, nível e outras podem ser feitas utilizando-se os mesmos princípios. A pressão é definida como uma força aplicada perpendicularmente a uma unidade de área. A pressão total é dada pelo somatório da pressão estática e da pressão dinâmica. Em que a pressão estática é a pressão exercida em um ponto por fluidos estáticos de modo a produzir a mesma força em todos os pontos, já a pressão dinâmica é a pressão exercida por um fluido em movimento (CHAVES, 2002). A pressão medida pode ser absoluta, manométrica ou diferencial. A pressão absoluta trata-se da pressão positiva medida com referência ao vácuo perfeito, já a pressão manométrica é a pressão medida com base na pressão atmosférica do local, e a pressão diferencial é a diferença entre a medida de duas pressões, conforme mostrado na figura abaixo. Figura 66: Relação entre os tipos de medida de pressão (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 102 Unidades de Pressão A pressão possui vários tipos de unidade. Os sistemas de unidade MKS, CGS, gravitacional e de coluna de líquido são utilizados tendo como referência a pressão atmosférica e escolhidos, dependendo da área de utilização, tipos de medida de pressão, faixa de medição. Figura 67: Conversão de Unidades de Pressão (CHAVES, 2002). Medição de Pressão Os medidores de pressão, geralmente, são compostos por três elementos: Elemento de recepção: recebe a pressão a ser medida e a transforma em deslocamento ou força; Elemento de transferência: Aquele que amplia o deslocamento ou a força do elemento de recepção; Elemento de indicação: Aquele que recebe o sinal do elemento de transferência e indica ou registra a pressão medida (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 103 Manômetros Os manômetros podem ser classificados de acordo com os seus elementos de recepção, conforme a figura abaixo. Figura 68: Classificação dos manômetros (CHAVES, 2002). Manômetros de líquido É constituído por tubo de vidro com área seccional uniforme, uma escala graduada, um líquido de enchimento e suportados por uma estrutura de sustentação. O valor de pressão medida é obtido pela leitura da altura de coluna do líquido deslocado em função da intensidade da referida pressão aplicada (CHAVES, 2002). Qualquer líquido com baixa viscosidade, e não volátil nas condições de medição, pode ser utilizado como líquido de enchimento, sendo que o mais usado é a água destilada. A faixa de medição é de 0 a 2000 mmH2O caso se utilize água destilada, devido a altura máxima de coluna disponível no mercado (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 104 Tubo em U No manômetro com tubo em U, a pressão medida está relacionada à altura (h) da coluna, podendo o zero da escala ficar no mesmo plano horizontal que a superfície do líquido quando as pressões P1 e P2 são iguais (a). A leitura é feita, somando a quantidade deslocada a partir do zero nos lados de alta e baixa pressão. Em (b), tem o exemplo de o zero ficar ajustado em relação ao lado da alta pressão e em (c) a leitura é feita a partir do ponto mínimo da superfície do líquido no lado de alta pressão, subtraída do ponto máximo do lado de baixa pressão (CHAVES, 2002). Figura 69: Classificação dos manômetros (CHAVES, 2002). Tubo reto No tubo reto, tem-se um ramo de maior área, que a receber pressão provoca um pequeno deslocamento no líquido, mas que provoca um grande deslocamento no outro ramo devido à área reduzida do mesmo. Desta forma, a pressão diferencial é medida a partir da altura da coluna reta (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 105 Figura 70: Manômetro tipo coluna reta vertical (CHAVES, 2002). Tubo inclinado Este Manômetro é utilizado para medir baixas pressões na ordem de 50 mmH2O. Sua construção é feita inclinando um tubo reto de pequeno diâmetro, de modo a medir, com boa precisão, pressões em função do deslocamento do líquido dentro do tubo. A vantagem adicional é a de expandir a escala de leitura o que é muitas vezes conveniente para medições de pequenas pressões com boa precisão (± 0,02 mmH2O) (CHAVES, 2002). Figura 71: Manômetro tipo tubo inclinado (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 106 Manômetro Elástico tipo tubo de Bourdon O manômetro de Bourdon consiste em um tubo, que disposto em forma de “C”, espiral ou helicoidal conforme Figura X tem uma de suas extremidades fechada e a outra aberta à pressão a ser medida. Com pressão agindo em seu interior, o tubo tende a tomar uma seção circular, resultando em movimento em sua extremidade fechada. Este movimento, através de engrenagens, é transmitido a um ponteiro, que irá indicar uma medida de pressão em uma escala graduada. Figura 72: Manômetro tipo Bourdon (CASTELETTI, 2010). Manômetro Elástico tipo diafragma ou Fole Esse tipo de manômetro baseia-se na lei de Hooke que enuncia: “o módulo da força aplicada em um corpo é proporcional à deformação provocada”. O manômetro elástico mede a deformação elástica sofrida quando está submetido a uma força resultante da pressão aplicada sobre uma área específica. Essa deformação provoca um deslocamento linear que é convertido de forma proporcional a um deslocamento angular através de mecanismo específico. Ao deslocamento angular é anexado um ponteiro que percorre uma escala linear e cuja faixa representa a faixa de mediçãodo manômetro. Esses medidores de pressão são submetidos a valores de pressão sempre abaixo do limite de elasticidade para que cessada a força aplicada, o medidor retorne a sua posição inicial sem perder suas características. Instrumentação e Metrologia 107 Figura 73: Manômetro tipo diafragma e tipo fole (CASTELETTI, 2010). Transmissores de pressão Os instrumentos de transmissão de sinal de pressão têm a função de enviar informações à distância das condições atuais de processo desta variável. Os Transmissores eletrônicos analógicos utilizam elementos de transferência que convertem o sinal de pressão detectado em sinal elétrico padronizado de 4 a 20 mA dc. Fita Extensiométrica (Strain Gauge) É um dispositivo que mede a deformação elástica sofrida pelos sólidos quando estes são submetidos ao esforço de tração ou compressão. Ao ter os valores de resistência da fita mudada com a pressão, esta sofre desbalanceamento proporcional à variação desta pressão. Este tipo é utilizado como padrão para pressão maior que 3000 kgf/cm2. Sensor Piezoelétrico A medição de pressão utilizando este tipo de sensor baseia-se no fato dos cristais assimétricos, ao sofrerem uma deformação elástica ao longo do seu eixo axial, produzirem internamente um potencial elétrico causando um fluxo de carga Instrumentação e Metrologia 108 elétrica em um circuito externo. A quantidade elétrica produzida é proporcional à pressão aplicada, ou seja, esta relação é linear o que facilita sua utilização. Figura 74: Construção sensor piezoelétrico (CHAVES, 2002). Sensor Capacitivo (Célula Capacitiva) É o sensor mais utilizado em transmissores de pressão. Nele, um diafragma de medição move-se entre dois diafragmas fixos. Entre os diafragmas fixos e o móvel, existe um líquido de enchimento que funciona como um dielétrico. Como um capacitor de placas paralelas, é constituído por estas, separadas por um meio dielétrico. Ao sofrer o esforço de pressão, o diafragma móvel (que vem a ser uma das placas do capacitor) tem sua distância em relação ao diafragma modificada. Isto provoca modificação na capacitância de um círculo de medição e, tem-se, então, a medição de pressão (CHAVES, 2002). Figura 75: Transmissor de pressão tipo célula capacitiva (VIANA, 1999). Instrumentação e Metrologia 109 Instrumentos de vazão A medição de vazão inclui no seu sentido mais amplo, a determinação da quantidade de líquidos, gases e sólidos que passa por um determinado local na unidade de tempo. A quantidade total movimentada pode ser medida em unidades de volume (litros, mm3, cm3, m3, galões, pés cúbicos) ou em unidades de massa (g, Kg, toneladas, libras) (CHAVES, 2002). Existem dois tipos de medidores de vazão, os medidores de quantidade e os medidores volumétricos. Medidores de quantidade São aqueles que, em qualquer instante, permitem saber que quantidade de fluxo passou, mas não a vazão do fluxo que está passando, como as balanças industriais ou bombas de gasolina (CHAVES, 2002). Medidores volumétricos São aqueles que exprimem a vazão por unidade de tempo. Medição de Vazão por Pressão Diferencial A pressão diferencial é produzida por vários tipos de elementos primários, colocados na tubulação de forma tal que o fluido passa através deles. Sua função é aumentar a velocidade do fluido diminuindo a área da seção em um pequeno comprimento para haver uma queda de pressão. A vazão pode então, ser medida a partir desta queda, utilizando um dispositivo para medir a diferença das pressões P1 e P2 (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 110 figura 76: medidor de vazão utilizando pressão diferencial (casteletti, 2010). figura 77: variação de pressão no medidor de vazão (casteletti, 2010). Placa de Orifício Consiste em uma placa precisamente perfurada, e instalada perpendicularmente ao eixo de tubulação, de fácil instalação, econômica, de simples construção e manutenção, porém apresenta alta perda de carga e baixa rangeabilidade (CHAVES, 2002). Figura 78: Exemplo de placa de orifício (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 111 A placa de orifício pode ter um pequeno furo adicional para a passagem de gases ou condensado. Ela é inserida entre flanges e a tomada de pressão é realizada na região de alta pressão e baixa pressão, sendo a diferença de pressão verificada por um manômetro, conforme a figura a seguir. Figura 79: Instalação de uma placa de orifício (CASTELETTI, 2010). Tubo Venturi O tubo Venturi combina dentro de uma unidade simples uma garganta estreitada entre duas seções cônicas e está usualmente instalado entre duas flanges, em tubulações. Seu propósito é acelerar o fluido e temporariamente baixar sua pressão estática (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 112 Figura 80: Exemplo de tubo venturi (CHAVES, 2002). Bocal de Vazão Os bocais de vazão são projetados de forma a guiar a veia até atingir a seção estrangulada do elemento de medição, permite sua aplicação em serviços em que o fluido é abrasivo e corrosivo. Seu principal uso é em medição de vapor com alta velocidade, recomendado para tubulações > 50 mm (CHAVES, 2002). Figura 81: Exemplo de bocal de vazão (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 113 Tubo Pitot Realiza a medição da vazão verificando a diferença da pressão total e a pressão estática, que resulta na pressão dinâmica que é proporcional ao quadrado da velocidade (CHAVES, 2002). Figura 82: Exemplo de tubo de pitot (CHAVES, 2002). Medidor tipo Annubar O Annubar é um dispositivo de produção de pressão diferencial, que ocupa todo o diâmetro do tubo. É projetado para medir a vazão total, de forma diferente dos dispositivos tradicionais de pressão diferencial. Instrumentação e Metrologia 114 Figura 83: Exemplo de Annubar (CHAVES, 2002). Rotâmetros São medidores de vazão por área variável, nos quais um flutuador varia sua posição dentro de um tubo cônico, proporcionalmente à vazão do fluido. O fluido passa através do tubo da base para o topo. Quando não há vazão, o flutuador permanece na base do tubo e seu diâmetro maior é, em geral, selecionado de tal maneira que bloqueia a pequena extremidade do tubo quase que completamente. Quando a vazão começa e o fluido atinge o flutuador, o empuxo torna o flutuador mais leve, porém, como o flutuador tem uma densidade maior que a do fluido, o empuxo não é suficiente para levantar o flutuador. A área de passagem oferece resistência à vazão e a queda de pressão do fluido começa a aumentar. Quando a pressão diferencial, somada ao efeito de empuxo do líquido, excede a pressão devido ao peso do flutuador, então o flutuador sobe e flutua na corrente fluida (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 115 Figura 84: Exemplo de rotâmetro (CHAVES, 2002). Medidor eletromagnético de vazão O medidor magnético de vazão é constituído de ideais para medição de produtos químicos altamente corrosivos, fluidos com sólidos em suspensão, lama, água, polpa de papel etc. Sua aplicação estende-se desde saneamento até indústrias químicas, papel e celulose, mineração e indústrias alimentícias. A única restrição é que o fluido tem que ser eletricamente condutivo. Tem, ainda, como limitação o fato de fluidos com propriedades magnéticas adicionarem um certo erro de medição (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 116 Figura 85: Exemplo de medidor eletromagnético de vazão (CASTELETTI, 2010). O princípio de funcionamento do medidor eletromagnético de vazão está na relação entre o campo magnético, criado a partir da alimentação das bobinas, no movimento do fluido e na força eletromotriz induzida, que é captada pelos eletrodos, conforme mostrado na figura anterior (CASTELETTI, 2010). Medidortipo turbina O medidor é constituído por um rotor montado axialmente na tubulação. O rotor é provido de aletas que o fazem girar quando passa um fluido na tubulação do processo. Uma bobina captadora com um ímã permanente é montada fora da trajetória do fluido. Quando este se movimenta através do tubo, o rotor gira a uma velocidade determinada pela velocidade do fluido e pelo ângulo das lâminas do rotor. A medida que cada lâmina passa diante da bobina e do ímã, ocorre um variação da relutância do circuito magnético e do fluxo magnético total a que está submetida a bobina. Verifica-se, então, a indução de um ciclo de tensão alternada. A frequência dos pulsos gerados desta maneira é proporcional à velocidade do Instrumentação e Metrologia 117 fluido e a vazão pode ser determinada pela medição / totalização de pulsos (CHAVES, 2002). Figura 86: Exemplo de medidor de turbina (CHAVES, 2002). Instrumentos de temperatura A medição de temperatura é denominada de termometria e pode ser dividida em criometria para medição de baixas temperaturas e pirometria para altas temperaturas. Termômetro Bimetálico Trata-se de uma lamina bimetálica, isto é, composta de dois metais com coeficientes de dilatação diferentes, enroladas em forma de espiral ou hélice. A variação da temperatura provocará um encurvamento do conjunto que será proporcional à temperatura. A faixa de trabalho destes termômetros varia linearmente de -50°C a 800°C. Instrumentação e Metrologia 118 Figura 87: Termômetro bimetálico (CHAVES, 2002). Termopar Formado por dois fios condutores de metais diferentes, que são soldados em um extremo, denominado junta quente ou junta de medição. As outras pontas são conectadas ao instrumento de medição, formando a junta de referência. A junta de referência é mantida a uma temperatura constante, pois ao variar a temperatura da junta de medição surgirá uma força eletromotriz (f.e.m.) proporcional à variação da temperatura. Instrumentação e Metrologia 119 Figura 88: Termopar (CASTELETTI, 2010). Termorresistência As termorresistências baseiam-se na variação da temperatura ser proporcional a variação da resistência. Tem sua faixa de medição de -270 °C a 660 °C e são bastante utilizadas na indústria pela sua resistência a contaminação, estabilidade térmica e mecânica, tempo de resposta e linearidade. As mais utilizadas são as termorresistências de platina Pt 100. Figura 89: Tamanho das termorresistências comparadas a ponta de um lápis, e exemplo de termoresistores padrão e de filme (FRANÇA, 2007). Instrumentação e Metrologia 120 Pirômetros Os pirômetros são medidores de temperatura que utilizam sensores de radiação, ou seja, termômetros que não necessitam de contato físico com o corpo que se quer medir a temperatura. A radiação térmica é a energia emitida por um corpo pelo fato de sua temperatura estar acima do zero absoluto que tem as propriedades de uma onda, isto é frequência n e comprimento de onda l. Os pirômetros ópticos de filamento ou termômetros de radiação, mais precisamente, usados na elaboração da Escala Prática Internacional de Temperaturas para medidas acima de 1063 °C. O pirômetro óptico baseia-se no princípio de que, para um dado comprimento de onda l, a intensidade da radiação (brilho) varia com a temperatura conforme vimos. Assim, a imagem do objeto alvo é superposta sobre aquela do filamento de tungstênio aquecido. Esta lâmpada de tungstênio, que é muito estável, é calibrada previamente de modo que, conhecendo-se a corrente através dela, a temperatura do filamento pode ser determinada facilmente. Esta calibração é feita comparando-se visualmente o brilho da radiação de um corpo negro de temperatura conhecida com o bulbo do filamento. Um filtro vermelho, que deixa passar somente comprimentos de onda em uma faixa muito estreita em torno de 0,65 μm, é colocado entre o olho do observador e as imagens do filamento e do objeto alvo. A função deste filtro de absorção é reduzir a intensidade da radiação incidente de modo que a lâmpada possa ser operada a baixas potências (FRANÇA, 2007). Figura 90: Pirômetro ótico de tungstênio (FRANÇA, 2007). Instrumentação e Metrologia 121 Instrumentos de nível Nível é definido com a altura da coluna de líquido ou sólido de um reservatório, permitindo avaliar o volume do reservatório, realizar a segurança e controle de processos onde o nível da substancia é limitado. Régua O nível é determinado pela leitura direta da régua graduada que foi introduzida dentro do reservatório com líquido. Figura 91: Medição de nível em tanque com régua (FRANÇA, 2007). Visores de nível Trata-se de um visor acompanhado de uma escala graduada que permite a visualização do nível no reservatório, sendo que todo visor de nível precisa de uma válvula de bloqueio e uma de dreno (CASTELETTI, 2010). Instrumentação e Metrologia 122 Figura 92: Visor de nível e válvula de bloqueio (CASTELETTI, 2010). Boia ou Flutuador Trata-se de uma boia ou flutuador que estará sobre a superfície do líquido acompanhando a movimentação do nível. Acoplado a está boia, há um contrapeso com ponteiro localizado externamente ao reservatório próximo de uma escala graduada que permitirá a medição do nível (CHAVES, 2002). Figura 93: Medição de nível em tanque com boia (CASTELETTI, 2010). Instrumentação e Metrologia 123 Medição por contatos de eletrodos Utilizado para medição de nível em fluidos condutivos, não corrosivos e sem partículas em suspensão. Os sensores são dois eletrodos cilíndricos, em que um é montado verticalmente do topo para dentro do reservatório e o outro tão profundo quanto o nível que se deseja medir. O sistema deve ser alimentado com tensão alternada de baixo valor ( 10V). E a corrente elétrica que circulará no líquido será proporcional à parcela do sensor imerso no líquido (CASTELETTI, 2010). Figura 94: Medição de nível com eletrodos (CASTELETTI, 2010). Medição por capacitância Utilizado para medição continua de nível de líquidos e sólidos, em que o sensor capacitivo é montado na parte superior do reservatório, voltado para dentro e imersa no fluido. A medida que o nível do tanque aumentar o valor da capacitância aumenta progressivamente, a medida que o dielétrico ar é substituído pelo dielétrico líquido a medir (CASTELETTI, 2010). Instrumentação e Metrologia 124 A figura abaixo ilustra o princípio de funcionamento em que a haste vertical é uma das placas do capacitor e a parede do vaso a outra placa. À medida que o nível variar, haverá variação do dielétrico entre ar e líquido e isso afetará o valor da capacitância proporcionalmente a variação do nível (VIANA, 1999). Figura 95: Medição de nível utilizando a capacitância (VIANA, 1999). Nesta unidade, foram abordados os principais tipos de medidores de pressão, vazão, temperatura, nível e seus princípios de funcionamento. Na unidade seguinte, serão abordados alguns analisadores de processo e os principais tipos de válvulas. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 125 Exercícios – unidade 5 1.Assinale a alternativa incorreta: a) A pressão pode ser definida como a relação entre uma força aplicada perpendicularmente a uma área. b) A pressão absoluta é a pressão positiva a partir do vácuo perfeito. c) A definição de pressão manométrica é o mesmo que a pressão diferencial. d) Os transmissores de pressão podem ter como elemento sensível Strain Gage, Sensor Piezoelétrico e sensores Capacitivos. e) O pressostato tem a função de proteger o equipamento ou sistema. 2.Assinale a alternativacorreta: a) A pressão diferencial é a pressão medida em relação à pressão atmosférica. b) Criometria trata-se da medição de altas temperaturas, ou seja, próximas do zero absoluto. c) A Repetibilidade é uma característica de confiabilidade de uma termorresistência. d) As termorresistências PT100 são pouco utilizadas industrialmente, devido a sua grande estabilidade, e baixa precisão; e) Temperatura é definida como o grau de estabilidade térmica das moléculas. Instrumentação e Metrologia 126 3.Assinale a alternativa INCORRETA: a) O fluido do medidor eletromagnético de vazão tem que ser eletricamente condutivo. b) O medidor eletromagnético de vazão é indicado para fluidos altamente corrosivos como ácidos e bases. c) As placas de orifício não inserem perda de carga no sistema. d) Os medidores volumétricos exprimem a vazão por unidade de tempo. e) Como medidor de quantidade por pesagem tem-se as balanças industriais. 4.A pressão medida através de um manômetro do tipo tubo de vidro é de 1,5 bar, o que corresponde a: a) 15 psi b) 1,5 atm c) 1,5 mmHg d) 1,5 N/m2 e) 1,5 x 105 Pa 5.Entre os medidores de vazão, aquele que NÃO gera perda de pressão na linha é o(a): a) ultrassônico (efeito doppler). b) tubo de pitot. c) efeito coriolis. d) Turbina. e) placa de orifício. Instrumentação e Metrologia 127 6.Placas de orifício são medidores de fluxo por pressão diferencial que, uma vez inseridas na tubulação, criam uma restrição ao fluxo e, consequentemente, turbulências nas regiões próximas ao orifício. Considere as afirmações a seguir referentes a tais placas. I - Nas placas de orifício concêntrico, quando utilizadas em fluidos com várias fases, o acúmulo de material pode fechar o orifício; II - A maior vantagem da placa de orifício está na sua ilimitada faixa de fluxos e sensibilidade a distúrbios; III - As placas de orifício segmentadas são as menos indicadas para fluidos com várias fases; IV - As placas de orifício podem ser utilizadas em tubulações verticais cujo fluxo seja descendente. Está correto APENAS o que se afirma em: a) I b) II c) I e III d) II e IV e) III e IV 7.Com base no conhecimento dos pirômetros, assinale a alternativa INCORRETA: a) Os pirômetros utilizam a radiação térmica para o funcionamento. b) Utilizam lâmpada de tungstênio para calibração. c) Utilizado para medição de altas temperaturas. d) Para medir temperatura é necessário o contato com o objeto. e) A radiação térmica tem mudanças em sua frequência e comprimento de onda. Instrumentação e Metrologia 128 8.Sobre os transmissores de pressão, assinale a alternativa incorreta: a) Os transmissores realizam a medição na planta e enviam a informação para uma central. b) Os sinais de pressão são padronizados para sinais elétricos de 4 a 20 mA dc. c) Os sensores podem ser Strain Gauge, Capacitivos ou piezoelétrico. d) O sensor capacitivo é o menos utilizado por trabalhar com o princípio da deformação elástica a partir de um esforço de tração ou compressão. e) O sensor piezoelétrico fornece uma tensão elétrica proporcional à pressão aplicada. 9.Cite as diferenças entre os medidores de nível régua, visores e boia ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 129 6Analisadores de Processos e Válvulas de Controle Instrumentação e Metrologia 130 Nesta unidade, serão abordados os princípios básicos dos analisadores de processos e alguns tipos. Além do princípio de funcionamento das válvulas de controle, seus diferentes tipos e suas características construtivas. Objetivos da unidade: Fornecer o conhecimento básico dos principais de analisadores de processos e das válvulas de controle, como o princípio de funcionamento, construção. Plano da unidade: Analisadores de processo Válvulas de controle Bons estudos! Instrumentação e Metrologia 131 Analisadores de Processos Instrumentos de análise ou analisador Equipamento relativamente sofisticado, de operação automática e independente, que tem a finalidade de medir uma ou mais característica de uma amostra do processo que por ele fluem (CHAVES, 2002). Sistema de amostragem O sistema de amostragem deve fornecer continuamente ao analisador, uma amostra limpa e representativa, no tocante as características a serem analisadas, dentro de certas condições padronizadas de pressão, temperatura, umidade, poeira e corrosividade (CHAVES, 2002). A captação de uma amostra representativa é um fator fundamental na precisão geral da medição, por estar relacionada com a concentração de um componente, a densidade, viscosidade. O problema principal de captação de amostra aparece nos processos em que existe heterogeneidade com relação ao elemento em análise. É o caso da medição do oxigênio residual nas chaminés (CHAVES, 2002). A solução ideal, sob o ponto de vista técnico é o sistema de amostragem múltipla, que consiste em retirar do processo várias amostras em pontos diferentes e promover um mistura homogênea entre elas (CHAVES, 2002). Um sistema de amostragem deve, geralmente, cumprir as seguintes funções: Captar, uma amostra que seja representativa; Transportar rapidamente a amostra, do ponto de coleta ao analisador; Permitir a entrada de gases-padrão para aferição e pontos de coleta de amostra para análise externa; Transportar a amostra do analisador para o ponto de descarga; Adequar a amostra às condições de temperatura, pressão, umidade, corrosividade e concentração de poeira e de qualquer outra variável para a qual o analisador foi projetado (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 132 Figura 96: Sistema de amostragem (CHAVES, 2002). Captação de Amostra O sistema de captação da amostra, no interior do processo, deve satisfazer algumas condições básicas: Retirar do processo uma amostra que representa, realmente, as condições médias do componente ou característica a ser analisada; Promover um pré-condicionamento da amostra, a fim de proteger o sistema de transporte da mesma, ao analisador (CHAVES, 2002). Transporte de amostra A amostra captada pela sonda deve ser transportada por meio de tubos até o analisador, sem sofrer alteração na característica a ser analisada. A distância entre o ponto de amostragem e o analisador deve ser o menor possível, de modo a reduzir o tempo de resposta do instrumento a um mínimo. O diâmetro da linha deve ser escolhido de modo a não introduzir grandes perdas de carga e reduzir o volume a um mínimo. Os valores usuais estão compreendidos entre 1/4'' e 1/2'' (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 133 Temperatura O condicionamento da temperatura é por meio de aquecedores ou resfriadores de operação simples. O analisador possui, normalmente, um sistema de aquecimento interno, que mantém a célula de análise e amostra, em uma temperatura constante e acima da do ambiente. Os valores habituais variam entre 40 e 70°C (CHAVES, 2002). Quando a amostra apresenta-se comtemperatura elevada, a própria sonda a reduz ao nível da temperatura do ambiente, através de refrigeração interna com água ou com “spray”, também de água, injetado diretamente na amostra (CHAVES, 2002). Amostras secas As amostras com ponto de orvalho inferior a temperatura ambiente, não requerem nenhum condicionamento prévio. Amostras úmidas As amostras, com ponto de orvalho superior a temperatura ambiente, causam transtornos, devido às condensações ao longo da linha de transporte, nos filtros e, eventualmente, no próprio analisador. A umidade pode ser reduzida utilizando resfriadores de gás e filtros de adsorção (CHAVES, 2002). a) Resfriadores de gás: Promovem um abaixamento na temperatura do gás até cerca de 5°c, condensando, desta forma, uma quantidade de água equivalente entre as umidades absolutas nas temperaturas de entrada e saída (CHAVES, 2002). b) Filtro de adsorção: Instrumentação e Metrologia 134 O filtro de adsorção consiste em uma câmara, geralmente de forma cilíndrica, cheia de material absorvente de umidade. O ponto de orvalho de um vapor, em presença destas substâncias, é bem inferior ao existente em presença do líquido do próprio vapor (CHAVES, 2002). Analisadores de Gases por Condutibilidade Térmica O analisador por condutibilidade térmica permite determinar a concentração de um gás em uma mistura gasosa. A condutibilidade térmica de um gás é uma grandeza física específica dele. De modo que, quando uma mistura gasosa for composta de dois componentes, pode-se conhecer a concentração de cada um dos componentes através dessa propriedade (CHAVES, 2002). A Figura abaixo representa um cubo cheio de gás, tendo duas superfícies opostas mantidas em temperaturas diferentes. A quantidade de calor, Q, que atravessa o cubo na unidade de tempo T, entre as duas superfícies, depende dos seguintes fatores: – diferença de temperatura entre as duas superfícies: t1 – t2; – áreas das superfícies S; – distância entre as superfícies – D; – condutibilidade térmica do gás – K. Figura 97: Troca de calor. (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 135 Analisadores por absorção de raios infravermelhos O analisador de infravermelho permite determinar, quantitativamente, em uma mistura de dois ou mais gases, um dos componentes. A análise dos gases pelo método de absorção de raios infravermelhos utiliza o princípio de que as moléculas de um determinado gás absorvem o raio infravermelho. O princípio de medição é específico para o gás a ser analisado, isto é, o instrumento reagirá somente quando houver na amostra este gás (CHAVES, 2002). A absorção dos raios infravermelhos é efetuada no interior de uma célula provida de janelas que permitem a passagem de raios infravermelhos e a relação quantitativa entre a absorvidade do infravermelho pelas moléculas e a quantidade do gás existente numa mistura (CHAVES, 2002). Espectro de absorção Quando um feixe de radiação infravermelha atravessa uma substância gasosa, sofre uma absorção de energia em certos comprimentos de onda, resultando em um feixe emergente, com energia inferior a de entrada. – Infravermelho próximo: de 0,8 μm a 1,5 μm, com propriedades similares a da luz. – Infravermelho intermediário: de 1,5 μm a 15 μm, faixa esta, onde opera a maioria dos analisadores industriais. – Infravermelho longínquo: de 15 μm a 100 μm, de aplicação bastante especializada. Instrumentação e Metrologia 136 Figura 98: Absorção do infravermelho pela água (CHAVES, 2002). Em A, temos representada uma câmara ou célula de análise, que contém um determinado gás ou mistura de gases. Sobre a câmara, incide um feixe de radiação infravermelho de energia total E. Ao abandonar a câmara, a energia sofreu uma redução em alguns comprimentos de onda, sendo sua energia representada por E2. O gráfico B representa a distribuição de energia de entrada ao longo da faixa total de comprimentos de onda (CHAVES, 2002). O gráfico B2 representa o mesmo tipo de distribuição onde nota-se, porém, a redução de energia em alguns comprimentos de onda. Em C, temos uma comparação entre as energias totais de entrada e saída, E1 e E2, respectivamente. Figura 99: Espectrofotômetro básico (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 137 A radiação infravermelha proveniente da fonte (F) passa através de uma célula, contendo a amostra da substância a ser analisada. O feixe transmitido sofre, no prisma (P), uma dispersão e o espectro, assim obtido, incide em uma fenda que seleciona uma estreita faixa ou banda de comprimentos de onda, que irá atingir o detector de radiação (D). Atuando sobre os sistemas de dispersão, pode-se fazer uma exploração de todo o espectro, tendo como resultado, um gráfico chamado espectrograma (CHAVES, 2002). Figura 100: Espectrofotômetro não dispersante (CHAVES, 2002). A fonte do infravermelho (F) emite um feixe de radiação que passa através da célula de análise, indo incidir no detector (D) sem ter sofrido nenhuma dispersão. O sinal recebido pelo detector varia de Gráfico de um espectrômetro. Gráfico de analisador contínuo. Acordo com a concentração do gás a ser analisado, sendo o resultado, geralmente registrado em termos percentuais (CHAVES, 2002). Uma diferença a ser observada entre os dois tipos de analisadores é que, no tipo não dispersante, a amostra flui continuamente através da célula de análise, fornecendo, ao longo do tempo, a concentração de somente um dos componentes da amostra, enquanto no espectrômetro, a análise é feita com uma amostra selecionada por vez, sendo, o resultado, o espectro de absorção de todos os componentes presentes na amostra (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 138 Analisadores paramagnéticos São instrumentos que medem a suscetibilidade magnética de uma mistura de gases mantendo constante sua temperatura. Figura 101: Analisadores Quincke (CHAVES, 2002). Um fluxo de gás diamagnético (N2, Ar) se bifurca e volta a se encontrar em uma câmara, onde circula a amostra. Uma das linhas esta submetida a um forte campo magnético, próximo à câmara de amostra. Este campo provocará uma contrapressão na linha, caso a amostra apresente propriedades paramagnéticas. A relação entre as pressões ou vazões nas duas linhas indicará a suscetibilidade magnética do gás em análise (CHAVES, 2002). Analisador de Oxi-Zircônia A célula eletroquímica constitui-se, basicamente, de dois eletrodos imersos ou separados por um meio condutor adequado, líquido ou sólido, denominado eletrólito. A célula eletroquímica pode ser classificada em: a) Célula eletroquímica galvânica ou voltaica: é aquela que transforma energia química do sistema eletrodo/eletrólito em energia elétrica. Instrumentação e Metrologia 139 Figura 102: Célula Galvânica (CHAVES, 2002). b) Célula eletroquímica eletrolítica: é aquela ligada a uma fonte de energia elétrica externa que força a passagem de corrente elétrica através da célula. Figura 103:Célula Eletroquímica (CHAVES, 2002). Instrumentação e Metrologia 140 Válvulas de Controle Uma válvula de controle consiste, basicamente, de dois conjuntos principais: o corpo e o atuador. O corpo é a parte da válvula que executa a ação de controle, permitindo maior ou menor passagem do fluido no seu interior, conforme a necessidade do processo. O conjunto do corpo divide-se, basicamente, nos seguintes subcomponentes: a) corpo propriamente dito; b) internos; c) castelo e d) flange inferior. As válvulas de controle são capazes de regular a vazão de um fluido (líquido, gás ou vapor) que escoa através de um conduto fechado, por meio do posicionamento relativo de uma peça móvel que obtura a área livre de passagem do fluido; o deslocamento da peça móvel é promovido por um atuador motorizado, em resposta aum sinal externo de comando, permitindo abrir ou fechar totalmente a válvula ou mantê-la em qualquer posição de seu curso, proporcionalmente ao sinal de comando; a energia de atuação é fornecida por uma fonte independente (CHAVES, 2002). As válvulas de controle são classificadas em função de seu formato (tipo de corpo) em dois grupos: deslocamento linear e de deslocamento rotativo. Define-se por válvula de deslocamento linear, a válvula na qual a peça móvel vedante descreve um movimento retilíneo, acionada por uma haste deslizante; enquanto que uma válvula de deslocamento rotativo é aquela na qual a peça móvel vedante descreve um movimento de rotação acionada por um eixo girante (CHAVES, 2002). Deslocamento Linear: Globo convencional; Globo Três vias; Globo Gaiola; Globo Angular; Diafragma; Bipartido; Guilhotina. Deslocamento Rotativo: Borboleta; Esfera; Obturador excêntrico. Instrumentação e Metrologia 141 Válvulas globo Válvula de deslocamento linear, corpo de duas vias, com formato globular reta com internos de sede simples ou de sede dupla. Figura 104: Válvula Globo (URL 12). Válvula angular Caso particular de válvula globo, de sede simples, corpo de duas vias, com conexões de entrada e saída em planos ortogonais, as linhas de fluxo de entrada e saída fazem ângulo de 90º. Válvula de três vias Caso particular de válvula globo, de sede dupla, corpo de três vias, com fluxos convergentes (válvula misturadora) ou divergentes (válvula separadora). Válvula de gaiola Caso particular de válvula globo, com tipo interno de gaiola de sede simples (corpo de duas vias) ou de sede dupla (corpo de três vias). Instrumentação e Metrologia 142 Válvula de diafragma Válvula de deslocamento linear, corpo de duas vias, de passagem reta, com o elemento vedante constituído por um diafragma flexível que promove a restrição variável à passagem do fluxo (patente Saunders). Válvula esfera Válvula de deslocamento rotativo corpo de duas vias, de passagem reta, com internos de sede simples e elemento vedante constituído por uma calota ou segmento esférico acionado por eixo de rotação axial. A válvula pode ser construída no projeto à prova de fogo (fire safe). O acionamento é rápido através de um giro de 90° quando feito através de alavanca manual. A área de passagem pode ser plena, reduzida ou venturi. Figura 105: Válvula Esfera (URL 12). Válvula borboleta Válvula de deslocamento rotativo, corpo de duas vias, de passagem reta, com internos de sede simples e elemento vedante constituído por um disco ou lâmina de formato circular acionado por eixo de rotação axial. Instrumentação e Metrologia 143 Figura 106: Válvula Borboleta (URL 12). Válvula excêntrica Válvula de deslocamento rotativo, corpo de duas vias, de passagem reta, com internos de sede simples e elemento vedante constituído por um disco, calota ou segmento circular acionado por eixo de rotação excêntrico (não axial) (CHAVES, 2002). Válvula Gaveta Válvula de deslocamento linear, baixa queda de pressão quando totalmente aberta; abertura e fechamento lentos; adequada somente para água, vapor e outros fluidos limpos; não são adequadas para fluidos contendo sólidos em suspensão ou fluidos densos (lamas) ou que possam cristalizar; são bidirecionais quanto ao sentido de fluxo. São válvulas de alta recuperação de pressão o que lhe proporciona baixa capacidade de controle. A haste pode ser fixa (não ascendente) ou ascendente, para esta última deve ser previsto espaço acima da válvula para permitir sua abertura completa. O acionamento pode ser através de volante manual, redutor de engrenagens, atuador elétrico ou hidráulico. Instrumentação e Metrologia 144 Figura 107: Válvula Gaveta (URL 12). Nesta unidade foram abordados os principais básicos de analisadores de processos e alguns tipos de válvulas de controle. É hora de se avaliar Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Instrumentação e Metrologia 145 Exercícios – Unidade 6 1.Assinale a alternativa incorreta: a) As válvulas de controle são constituídas do corpo e do atuador. b) O atuador controla a passagem do fluido. c) O corpo da válvula é um conjunto, composto pelo castelo, flange e pelo corpo propriamente. d) Conforme a necessidade do processo, o corpo controla a maior ou menor passagem do fluido. e) Pelas válvulas de controle podem passar liquido, gás ou vapor. 2.Assinale a alternativa correta: a) As válvulas podem ser fechadas ou abertas proporcionalmente a um sinal de comando externo. b) A válvula com deslocamento linear tem a haste deslizante descrevendo um movimento rotacional. c) As válvulas rotativas são globo, globo angular, guilhotina. d) A válvula gaveta é indicada para escoamento de fluidos que contenha sólidos. e) A válvula gaveta deve ter seu acionamento sempre manual. Instrumentação e Metrologia 146 3.Assinale a alternativa correta: a) Pressão, umidade e temperatura são irrelevantes para analisadores de processos. b) O sistema de amostragem é constituído pelo sistema de captação apenas. c) É necessária apenas uma amostra para o sistema de amostragem. d) A qualidade da amostra é fundamental na precisão da medição. e) A amostra é coletada facilmente devido a homogeneidade do processo. 4.Assinale a alternativa incorreta: a) A viscosidade, densidade e concentração dos componentes da amostra interferem diretamente na analise do processo. b) A amostra pode ser coletada em vários pontos do sistema. c) O sistema de amostragem deve captar, transportar, condicionar a amostra e descarta-la. d) A amostragem múltipla promove uma heterogeneidade no processo. e) As amostras homogêneas são bastante encontradas na medição de oxigênio em chaminés. Instrumentação e Metrologia 147 5.Assinale a alternativa correta: a) No transporte da amostra, a distância entre o ponto de amostragem e o analisador é irrelevante. b) O diâmetro da linha de transporte da amostra pode introduzir perda de carga e redução de volume. c) A temperatura e umidade não precisam ser controladas pelo analisador. d) A amostra deve ser fornecida ao analisador com temperatura já condicionada previamente. 6.Assinale a alternativa incorreta: a) A condutibilidade térmica de um gás é uma grandeza física específica dele. b) A quantidade de calor, Q, é dependente da diferença de temperatura entre duas superfícies, das áreas das superfícies; da distância entre as superfícies; e da condutibilidade térmica do gás. c) Somente com a condutibilidade térmica não é possível determinar a concentração de cada componente de uma mistura gasosa. d) Uma mistura de dois ou mais gases, pode-se determinar um dos componentes com o analisador de infravermelho. e) Cada gás absorve raios infravermelhos com comprimentos de onda específicos. Instrumentação e Metrologia 148 7.Assinale a alternativa correta. a) O espectrofotômetro tem a função de dispersar todos os raios infravermelhos. b) A radiação que passa pelo prisma é dispersada parcialmente no espectrofotômetro dispersante. c) Todos os raios provenientes da fonte atingem o detector de radiação no espectrofotômetro dispersante. d) No espectrofotômetro não dispersante é feita a analise de uma amostra por vez. e) No espectrofotômetro não dispersante o espectro resultante retrata todos os componentes da amostra. 8.Com base nos analisadores paramagnéticos, Assinale a alternativa correta. a) O gás que se bifurca deve ser paramagnético. b) Se o gás apresentar propriedades paramagnéticas, uma contrapressão será provocada. c) A suscetibilidade magnética é indicada pela pressão da linha1. d) Um forte campo magnético é criado na entrada do gás diamagnético. e) O gás paramagnético é dividido em duas linhas e volta a ser encontrar na câmara da amostra. Instrumentação e Metrologia 149 9.Explique a diferença entre o espectrofotômetro básico e o não dispersante. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10.Explique a diferença entre o analisador com célula galvânica e com célula eletrolítica. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instrumentação e Metrologia 150 Instrumentação e Metrologia 151 Considerações finais Caros alunos, espero, modestamente, ter contribuído para o aprendizado de vocês em Instrumentação e Metrologia, sendo esta disciplina apenas uma introdução ao conhecimento desta área. Sucesso! Instrumentação e Metrologia 152 Conhecendo a autora Marla Souza Freitas Graduada em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia (2011). Mestre em Engenharia Biomédica pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (2014). Foi bolsista de mestrado da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Atualmente, trabalha na empresa Medsystem como Engenheira Clínica responsável técnico pelo serviço de Engenharia Clínica no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) e Professora de Instalações Elétricas 1, Instalações Elétricas 2 e Instrumentação e Metrologia para o curso de Engenharia de Produção da Universo Campus São Gonçalo. Instrumentação e Metrologia 153 Referências ALBERTAZZI, Armando. Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial. Barueri: Manole, 2008. ANHANGUERA FERRAMENTAS. Disponível em: <https://www.anhangueraferramentas.com.br/images/produtos/1584/img_p hp5vMYGa.jpg>. Acesso em: 20 de junho de 2015. CASTELETTI, L. F. Instrumentação Industrial. Escola Politec, 2010. Disponível em: http://www.colegiopolitec.com.br/download/eletronica.htm. Acesso em: 02 de março de 2014. CHAVES, C. R. Curso de formação de operadores de refinaria: instrumentação básica. PETROBRAS. Curitiba, 2002. Disponível em: <http://www.tecnicodepetroleo.ufpr.br/apostilas/petrobras/instrumentacao_ basica.pdf>. Acesso em: 04 de julho de 2015. Controle de Fluxo Através de Válvulas Manuais e Automáticas. Disponível em: http://www.fluidcontrols.com.br/site/upload/pdf/Controle-de-Fluxo-Atraves- de-Valvulas-Manuais-e-Automaticas.pdf. Acesso em : 10de julho de 2015. DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR). Metrologia: Tolerâncias e Ajustes. Disponível em: <http://ftp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM297TM159/Arquivos%20gerais/Metrol ogia%20-%20Toler%e2ncias%20e%20Ajustes.pdf>. Acesso em: 01 de maio de 2015. 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A Repetibilidade está relacionada com obter as mesmas saídas a partir das mesmas entradas, sendo que as medições precisam ser feitas sob as mesmas condições, enquanto que a reprodutibilidade é realizar o ensaio por diversas vezes, porém sob condições diferentes de operador, sistema de medição e padrões de referência. Instrumentação e Metrologia 159 Exercícios – Unidade 2 1. a 2. b 3. c 4. d 5. e 6. c 7. c 8. d 9. 000,00 1500,8 500,08 1070,1 570,09 1009,1 579,10 cos2000,4 579,14 mm 14,579 = 0,001 + 14,578 bloco bloco bloco protetoresblo 000,00 1500,8 500,08 1070,1 570,09 1007,1 579,10 cos2000,4 577,14 mm 14,577 = 0,001 - 14,578 bloco bloco bloco protetoresblo Total de blocos: 5 Instrumentação e Metrologia 160 10. 000,00 1000,18 000,18 1250,1 250,19 cos2000,4 250,23 23.250mm = 0,005 + 23,245 bloco bloco protetoresblo 000,00 1000,18 000,18 1240,1 240,19 cos2000,4 240,23 23.240mm = 0,005 - 23,245 bloco bloco protetoresblo Total de blocos: 4 Exercícios – Unidade 3 1. b 2. c 3. b 4. b 5. b 6. e 7. a 8. c 9. Os medidores capacitivos utilizam a variação da capacitância, a partir da mudança do dielétrico para determinar o deslocamento. Enquanto que os medidores pneumáticos funcionam a partir de uma alimentação constante de ar comprimido e verifica a variação da pressão de saída deste ar em um orifício que tem seu diâmetro modificado pelo deslocamento. Instrumentação e Metrologia 161 10. O sistema do apalpador consiste de uma chave comutadora segurada em sua posição por uma mola, que altera seu estado de tensão elétrica quando submetida a um deslocamento. No momento que a alteração da tensão é detectada, são adquiridas simultaneamente as coordenadas x,y,z representando a posição do centro da esfera do apalpador. Exercícios – Unidade 4 1. d 2. b 3. a 4. a 5. e 6. e 7. a 8. c 9.A malha de controle aberta não utiliza a informação sobre a variável controlada para ajustar qualquer entrada do sistema. Enquanto que a malha fechada utiliza a comparação do valor desejado com a informação da variável controlada para manipular as variáveis do processo. 10. A principal diferença entre as duas figuras é o sistema de realimentação da segunda figura, que indica um sistema de malha fechada ou retroalimentada. Instrumentação e Metrologia 162 Exercícios – Unidade 5 1. c 2. c 3. c 4. e 5. a 6. a 7. d 8. d 9.Régua: Consiste em uma régua graduada que é inserida dentro do reservatório para medir a altura da coluna de liquido. Visores: Possui um visor com escala graduada que permite visualizar a altura da coluna de liquido. Boia ou flutuador: Consiste de uma boia presa a um contrapeso. A boia flutua sobre a superfície de liquido e se movimentara de acordo com a variação da altura da coluna de liquido assim como o contrapeso que estará fora do reservatório ao lado de um escala graduada. 10.O termômetro bimetálico trata-se de duas laminas metálicas com coeficientes de dilatação diferentes, que são sobrepostas, formando uma só peça. Variando a temperatura, verifica-se o encurvamento que é proporcional a temperatura. Já a termorresistência, tem-se a variação da resistência proporcional a variação da temperatura. Instrumentação e Metrologia 163 Exercícios – Unidade 6 1.b 2. a 3. b 4. d 5. b 6. c 7. b 8. b 9.Uma diferença a ser observada entre os dois tipos de analisadores é que, no tipo não dispersante, a amostra flui continuamente através da célula de análise, fornecendo, ao longo do tempo, a concentração de somente um dos componentes da amostra, enquanto no espectrômetro, a análise é feita com uma amostra selecionada por vez, sendo, o resultado, o espectro de absorção de todos os componentes presentes na amostra. 10. Célula galvânica transforma energia química do sistema eletrodo/eletrólito em energia elétrica. Enquanto que a célula eletrolítica é ligada a uma fonte de energia elétrica externa que força a passagem de corrente elétrica através da célula.