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Filosofia e Lógica 
 
Filosofia e Lógica 
Delmo Mattos 
2ª
 e
di
çã
o 
Filosofia e Lógica 
 
 
 
DIREÇÃO SUPERIOR 
Chanceler Joaquim de Oliveira 
Reitora Marlene Salgado de Oliveira 
Presidente da Mantenedora Jefferson Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira 
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira 
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira 
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves 
Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Marcio Barros Dutra 
 
DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA 
Diretora Claudia Antunes Ruas Guimarães 
Assessora Andrea Jardim 
 
FICHA TÉCNICA 
Texto: Delmo Mattos 
Revisão: Lívia Antunes Faria Maria e Walter P. Valverde Júnior 
Projeto Gráfico e Editoração: Andreza Nacif, Antonia Machado, Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
Supervisão de Materiais Instrucionais: Janaina Gonçalves de Jesus 
Ilustração: Daniel Mattos 
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos 
 
COORDENAÇÃO GERAL: 
Departamento de Ensino a Distância 
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br 
 
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói 
M444f Mattos, Delmo . 
Filosofia e lógica. Delmo Mattos ; revisão de Lívia Antunes 
Faria Maria e Walter P. Valverde Júnior. – 2.ed. - Niterói, RJ: 
UNIVERSO, 2010. 
218p. ; il. 
 
 
1. Filosofia. 2. Lógica. I- Maria, Lívia Antunes Faria. II- 
Valverde Júnior, Walter P. III- Título. 
 
CDD 100 
 
Bibliotecária: ANA MARTA TOLEDO PIZA VIANA – CRB/ 7 - 2224 
 
© Departamento de Ensino a Distância - Universidade Salgado de Oliveira 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma 
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora 
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). 
 
Filosofia e Lógica 
 
 
Palavra da Reitora 
 
 
Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, exigente 
e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de Oliveira 
(UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes segmentos do 
ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as 
diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas mundialmente. 
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa 
modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos 
dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e gerenciar 
seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável pela própria 
aprendizagem. 
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite 
que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo momento 
ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa plataforma. 
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores 
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são 
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. 
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a 
distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo 
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, 
graduação ou pós-graduação. 
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando 
as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o 
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. 
Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual! 
Professora Marlene Salgado de Oliveira 
Reitora
Filosofia e Lógica 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
 
 
Sumário 
 
1. Apresentação da disciplina ......................................................................................................................................... 06 
2. Plano da disciplina .......................................................................................................................................................... 09 
3. Unidade 1 – A importância da investigação filosófica ....................................................................................... 13 
4. Unidade 2 – As diversas formas de interpretação da realidade: o senso 
 comum, conhecimento científico e o conhecimento filosófico ..................................................................... 29 
5. Unidade 3 – A filosofia conta a sua história: os principais períodos da 
 história da filosofia .......................................................................................................................................................... 47 
6. Unidade 4 – Os principais campos de investigação do conhecimento 
 filosófico .............................................................................................................................................................................. 63 
7. Unidade 5 – O problema do conhecimento e a reflexão acerca da 
 verdade ................................................................................................................................................................................ 81 
8. Unidade 6 – A teoria do conhecimento: A explicação filosófica acerca 
 das possibilidades do conhecimento humano ..................................................................................................... 95 
9. Unidade 7 - Os conceitos fundamentais da Lógica clássica e a sua 
 aplicabilidade no campo da ........................................................................................................................................ 113 
10. Unidade 8 - Matemática e da ciência ...................................................................................................................... 127 
11. Unidade 9 - A epistemologia e a filosofia da ciência .......................................................................................... 145 
12. Unidade 10 - A filosofia moral: ética, moral e valores humanos .................................................................... 161 
13. Unidade 11 - A filosofia política .................................................................................................................................. 177 
14. Unidade 12 - A filosofia no Brasil: a questão sobre a existência de uma 
 filosofia genuinamente brasileira .............................................................................................................................. 193 
15. Considerações finais ....................................................................................................................................................... 207 
16. Conhecendo o autor ....................................................................................................................................................... 208 
17. Referências ......................................................................................................................................................................... 209 
18. Anexos ......................................................................................................................................................................................211 
 
Filosofia e Lógica 
 
 
Apresentação da Disciplina 
 
Você acaba de receber o Livro de Estudo da disciplina Filosofia e Lógica. 
Este livro foi elaborado página a página pensando em você e nas suas 
necessidades. Por isso, leia-o sempre e reflita sobre cada assunto. O estudo 
constantelhe garantirá maior segurança e aprendizado. 
Você já parou para refletir sobre a sua condição de estudante universitário? Em 
geral, o que um estudante universitário está procurando é um curso que o 
transforme em um profissional qualificado. Por isso, este se dispõe a ficar alguns 
anos por conta de obter o diploma que lhe dará crédito no mercado de trabalho. 
Neste sentido, a universidade é só um meio para alcançar essa ansiada meta: ser 
profissional para entrar no mercado de trabalho e ter sucesso na vida. Trata-se, 
portanto, de uma perspectiva individualista que segue uma lógica bastante 
evidente: eu passei para a universidade, eu devo passar em cada uma das 
disciplinas, eu devo passar em cada um dos semestres, eu devo fazer minha 
monografia, eu devo obter meu título ou a minha graduação. 
Pensando assim, o terceiro grau é um vago episódio na nossa vida. Ela é 
somente um “ente” que nos confere um título. Usando a experiência universitária 
neste sentido, jogamos fora a grande chance que a universidade nos dá: pertencer 
a uma longínqua tradição. Tradição de pensamento, tradição de conhecimento, 
tradição de busca, tradição de sentimento. Perdemos a oportunidade de vivenciar 
a experiência de pertencer a uma teia que tem raízes muito profundas na história 
humana, pois o conhecimento, em qualquer das áreas de especialização, não é 
outra coisa que o resultado dos esforços de milhares de homens e mulheres que, 
ao longo dos milênios, acumularam saber e o transmitiram de geração em geração 
até o presente e o farão no futuro. 
Assim, a disciplina de Filosofia será apresentada sob esta forma de ver nosso 
percurso pela universidade: eu chego à faculdade onde serei iniciado numa 
tradição de conhecimento que está, por sua vez, conectada intimamente com a 
história do pensamento e do conhecimento da humanidade. Ao final disso, serei 
um iniciado capaz de perpetuar essa tradição, transmitindo e ampliando seus 
conteúdos. Tornar-me-ei um membro legítimo de um grupo de seres humanos que 
durante milênios perseguiram o seu desejo de conhecer o mundo que os rodeia, a 
sociedade e a si mesmos. 
 
9
Filosofia e Lógica 
 
 
Como a Filosofia é uma instituição que tem uma tradição e uma história de 
mais de vinte e cinco séculos, nada mais coerente com o nosso propósito de 
estudar a disciplina Filosofia é travar um debate com a sua própria história. Assim, a 
melhor maneira de se estudar Filosofia é refazermos o percurso percorrido pela 
história da Filosofia desde o seu nascimento. Sem vivenciar o passado filosófico, 
sem examinar a sua problemática através de uma prévia visão retrospectiva do seu 
evoluir histórico, é quase impossível compreendê-la. Porque de todos os saberes 
nenhum é tão comprometido como o seu passado histórico do que a Filosofia. 
Outros saberes ou ciências aceitam os resultados da sua evolução histórica, 
bastando apenas o aproveitamento destes sem a necessidade de se reportar a sua 
própria história. A Filosofia, ao contrário de outras ciências, historicamente se 
constitui, em parte, em si mesma, porque a construção histórica da Filosofia já é um 
filosofar e, portanto, é já Filosofia. Por isso, a necessidade de ao estudar a Filosofia 
tenha necessariamente que iniciar por refazer minuciosamente a sua própria 
história para compreender a sua problemática, a sua importância e finalidade como 
também reconhecer que o que somos e o que temos é resultado de uma grande 
aventura que se chama: história da humanidade. 
Levando em conta tudo o que foi dito acima, a nossa disciplina tem por 
finalidade principal: 
- Capacitação para um modo especificamente filosófico de formular e 
propor soluções a problemas nos diversos campos do conhecimento; 
- Capacidade de desenvolver uma consciência crítica sobre 
conhecimento, razão e realidade sócio-histórico-política; 
- Estimular a aquisição de competências adequadas ao exercício 
profissional compromissado com o “aprender a aprender”, 
possibilitando o crescimento pessoal e o amadurecimento intelectual; 
- Compreensão da importância das questões acerca do sentido e da 
significação da própria existência e das produções culturais; 
- Percepção da integração necessária entre a Filosofia e a produção 
científica, artística, bem como com o agir pessoal e político; 
 
10 
Filosofia e Lógica 
 
- 
Capacidade de relacionar o exercício da crítica filosófica com a promoção 
integral da cidadania e com o respeito à pessoa, dentro da tradição de 
defesa dos direitos humanos. 
- Capacitar o discente a interpretar, discutir e relacionar logicamente os 
conceitos e dados de cada disciplina específica. 
Aceite esse desafio que lhe convidamos agora, mergulhe de cabeça neste 
imenso oceano do pensamento e do raciocínio, e deixe o resto por conta de sua 
competência e destreza. Bom estudo ! 
Não esqueça de se organizar! Reserve um horário para leituras 
complementares, fazer seus exercícios, garantindo assim um ótimo desempenho. 
Desejamos que você tenha um excelente estudo e alcance o sucesso! 
 
 
11 
Filosofia e Lógica 
 
 
Plano da Disciplina 
 
Esta disciplina foi elaborada tendo em vista fornecer um quadro geral de 
uma determinada questão filosófica, o que facilita o seu estudo em profundidade, 
pois permite facilmente uma visão segura do campo geral em que está colocada 
cada questão particular da Filosofia. Desta forma, não se constitui em uma síntese 
esquemática e sufocante para os estudantes, mas oferece uma exposição que 
realça o que é de essencial sobre uma determinada questão ou assunto, deixando 
outras para que você tenha iniciativa de investigá-las por conta própria. Há assim 
uma unidade que se manifesta no equilíbrio da exposição, na proporção e 
hierarquia dos assuntos apresentados. Além disso, a elaboração do conteúdo desta 
disciplina tem por objetivo fazer com que você se contagie pelo gosto do 
raciocínio e utilização da reflexão crítica, pois veremos que esta disciplina lhe trará 
satisfação e liberdade. 
Segue abaixo um pequeno resumo acerca de cada unidade para que você 
possa ter uma visão global daquilo que irá estudar. 
 
UNIDADE 1: A IMPORTÂNCIA DA INVESTIGAÇÃO FILOSÓFICA. 
Objetivo: Procuramos através desta unidade mostrar a relevância e a 
necessidade do estudo da disciplina Filosofia, focando, sobretudo, o seu aspecto 
questionador como um exercício da liberdade da humana. Por outro lado, faz-se 
necessário investigar a sua necessidade diante das especificidades da sociedade 
em que vivemos. 
UNIDADE 2: AS DIVERSAS FORMAS DE INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE: 
SENSO COMUM, CONHECIMENTO CIENTÍFICO E O CONHECIMENTO 
FILOSÓFICO. 
Objetivo: Compreender que a interpretação humana da realidade se dá 
através de várias formas, sendo estas formas as relações que o homem 
compreende e interpreta o mundo. Caracterizar cada uma dessas formas de 
interpretação da realidade, Senso Comum, Conhecimento Científico e 
Conhecimento Filosófico indicando suas características marcantes a fim de 
problematizar o que as distinguem uma das outras. 
12 
Filosofia e Lógica 
 
 
UNIDADE 3: O NASCIMENTO DA FILOSOFIA E O SEU ESTABELECIMENTO 
ENQUANTO CONHECIMENTO RACIONAL. 
Objetivo: Compreender as condições que permitiram o surgimento de uma 
nova forma de pensar denominada de Filosofia. Problematizar a discussão, 
inicialmente, em torno do pensamento mítico, mostrando que a Filosofia se inicia a 
partir deste pensamento. Mostrar as principais características da Filosofia em seu 
nascimento na Grécia, e o que especulavam os primeiros filósofos. 
UNIDADE 4: A FILOSOFIA CONTA A SUA HISTÓRIA: OS PRINCIPAIS PERÍODOS 
DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA. 
Objetivo: Compreender a evolução da Filosofia através dos principais 
períodos da sua história. Trata-se, portanto, de percorrer a história da Filosofia 
através dos seus momentos e dos tipos de abordagem que variam ao longo da 
história da humanidade. 
UNIDADE 5: OS PRINCIPAIS CAMPOS DE INVESTIGAÇÃO DOCONHECIMENTO 
FILOSÓFICO. 
Objetivo: Procuramos através desta unidade delinear algumas das principais 
disciplinas ou ramos da Filosofia. Nosso objetivo principal é mostrar o 
desdobramento da Filosofia em vários campos de conhecimento. 
UNIDADE 6: O PROBLEMA DO CONHECIMENTO E A REFLEXÃO ACERCA DA 
VERDADE. 
Objetivo: O objetivo desta unidade é fornecer uma introdução ao problema 
do conhecimento. Procuramos destacar alguns aspectos iniciais acerca deste 
problema, tais como: o conceito de verdade e a questão da relação entre o sujeito e 
o objeto, à medida que fornecemos uma preparação para a próxima unidade em 
que analisaremos a teoria do conhecimento propriamente dita. 
UNIDADE 7: A TEORIA DO CONHECIMENTO: A EXPLICAÇÃO FILOSÓFICA 
ACERCA DAS POSSIBILIDADES DO CONHECIMENTO HUMANO. 
Objetivo: Pretende-se apresentar o desenvolvimento histórico do tema e dos 
problemas da teoria do conhecimento pelo estudo dos problemas filosóficos 
relativos ao alcance, limite e origem do conhecimento. 
 
13 
Filosofia e Lógica 
 
 
UNIDADE 8: OS CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA LÓGICA CLÁSSICA E A SUA 
APLICABILIDADE NO CAMPO DA MATEMÁTICA E DA CIÊNCIA. 
Objetivo: Através do exame de um ramo específico da Filosofia denominada 
de Lógica, iremos analisar os conceitos fundamentais da Lógica Clássica, como 
também a sua aplicabilidade no campo da matemática e da ciência. Com isto, 
pretendemos conduzi-lo a uma abordagem que contemple tanto o aspecto da 
lógica no sentido filosófico, como também a sua aplicabilidade e funcionalidade no 
âmbito das ciências exatas. 
UNIDADE 9: A FILOSOFIA DA CIÊNCIA. 
Objetivo: O objetivo desta unidade é de examinar a constituição da filosofia 
da ciência e fornecer uma apreciação mais ampla dos argumentos que 
transformaram o debate sobre a ciência numa discussão sobre os valores e o 
compromisso do conhecimento científico para com a sociedade. 
UNIDADE 10: ÉTICA, MORAL E VALORES HUMANOS. 
Objetivo: Esta unidade constitui uma reflexão sobre o significado dos 
conceitos de ética e moral. Começaremos por apresentar o significado dos valores 
morais, para a partir desses, examinarmos os conceitos de moral e de ética. 
UNIDADE 11: A FILOSOFIA POLÍTICA. 
Objetivo: Fornecer uma análise dos problemas fundamentais da filosofia 
política com base em alguns temas e autores relevantes que apresentam 
problemas que continuam sendo fundamentais na reflexão sobre o poder, o 
Estado, as instituições sociais e as relações entre os seres humanos. 
UNIDADE 12: FILOSOFIA NO BRASIL: A QUESTÃO SOBRE A EXISTÊNCIA DE 
UMA FILOSOFIA GENUINAMENTE BRASILEIRA. 
Objetivo: Esta unidade possui como objeto apresentar uma reflexão acerca da 
genuinidade da reflexão de uma filosofia brasileira. Procura mostrar alguns 
aspectos do debate sobre a originalidade da filosofia no Brasil, como também, 
delineia a trajetória da formação de um pensamento filosófico no Brasil, seja ele 
genuíno ou não. 
 
14 
Filosofia e Lógica 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
A Importância da 
Investigação Filosófica 
O que é Filosofia e por que é necessário estudá-la? 
A utilidade da reflexão Filosófica. 
1 
Filosofia e Lógica 
14
 
Caro aluno, seja bem-vindo a nossa primeira unidade. Ela visa delinear a 
configuração do pensamento filosófico. Para isso, buscamos compreender a 
questão acerca da sua utilidade através de uma breve explicação da relevância da 
Filosofia como atitude de questionamento da realidade. Espero que por intermédio 
desta explicação você se sinta mais confortável ao se introduzir no espetacular 
“mundo da Filosofia”. 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
Reconhecer a relevância e a necessidade do estudo da disciplina Filosofia, 
focando, sobretudo, o seu aspecto questionador como um exercício da liberdade 
humana e investigar a sua necessidade diante das especificidades da sociedade em 
que vivemos. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• O que é Filosofia e por que é necessário estudá-la? 
• A utilidade da reflexão Filosófica. 
 
Bem-vindo à primeira unidade de estudo. 
Sucesso! 
 
Filosofia e Lógica 
15
 
O que é filosofia e por que é necessário estudá-la? 
 
Uma definição precisa do real significado do que é Filosofia é quase 
impraticável. Difícil se torna entender a definição de Filosofia sem se possuir uma 
vivência, por mais insignificante que seja, acerca dos seus “problemas” 
fundamentais. Dessa forma, o significado ou a simples definição do que é Filosofia, 
formulado no início de qualquer compêndio ou tratado, 
só passa adquirir pleno sentido e profunda ressonância 
no entendimento do estudante de Filosofia, quando este, 
assimiladas certas questões fundamentais, pode aplicá-
las a situações concretas e deduzir daí como procede a 
reflexão filosófica. Pois bem, afinal de contas, por que é 
necessário estudar Filosofia? 
Segundo Porta (2002, p. 25), “para quem não se dedicou a um estudo 
sistemático da filosofia e tem um contato primário com essa disciplina, a impressão 
de um certo caos é inevitável”. A Filosofia, neste sentido, é compreendida como 
uma disciplina em que cada Filósofo ou autor pode dizer o que quiser sobre o 
conteúdo e o discurso filosófico. Porém, esta impressão é falsa, ou seja, a reflexão 
filosófica não pode ser compreendida assim. Se o 
estudante de Filosofia não entende o que os 
Filósofos dizem, acreditando que cada um 
meramente diz “o que quer”, isso pode ser explicado 
pelo fato de que não se entende o “problema” que 
os Filósofos apresentam ou, ainda, porque não 
constata que existam “problemas”. Esse é um dos 
motivos principais que nos faz entender o motivo básico da falta de interesse pelo 
estudo da Filosofia. 
 
Compêndio: Estudo 
introdutório e 
sintetizado de uma 
determinada disciplina 
ou assunto. 
Filosofia e Lógica 
16
 
IMPORTANTE 
No entanto, a Filosofia está repleta de “problemas”, e mais, a lista 
dos “problemas” filosóficos está submetida a uma constante revisão, que 
nunca tem fim. Ora, pode-se dizer que se a Filosofia se faz com “problemas”, 
quando este não há, tampouco pode haver Filosofia propriamente dita. Isto é 
lógico! Bom, se a Filosofia se faz com “problemas”, você já deve estar se 
perguntando: quais são os “problemas” da Filosofia? Por incrível que pareça os 
“problemas” fundamentais da Filosofia se originam do “espanto” e da 
“perplexidade” que temos diante das coisas que parecem ser comuns a nós. 
 
 
Assim, na visão de Garcia Morente (1970, p. 33-34): 
 
“Para abordar a Filosofia, para entrar no território da 
Filosofia, é absolutamente indispensável uma primeira 
disposição de ânimo. É absolutamente indispensável que 
o aspirante a filósofo sinta a necessidade de levar a seu 
estudo uma disposição infantil. Quem quiser ser filósofo 
necessitará infantilizar-se, transformar-se em menino.” 
 
Esta afirmação paradoxal de Garcia Morente nos coloca diante do mais 
importante ou o ponto de partida de todos os “problemas” que irão permear o 
estudo da Filosofia, ou seja, o “espanto” ou a “perplexidade” como o início de todo 
o processo da reflexão filosófica. 
 
Espanto - Usa-se o termo “espanto” no sentido de admiração e inquietação 
diante da realidade. A primeira virtude do Filósofo, afirmava Platão, é o espanto (em 
grego: thaumázein) que significa a capacidade de admirar e problematizar as coisas. 
Filosofia e Lógica 
17
 
O que significa este “espanto” e tal “perplexidade” para com as coisas, com a 
realidade em que estamos inseridos? Ora, a capacidade de se 
espantar diante das coisas, de se admirar é uma característica 
própria de todo ser humano. Do “espanto” e da “perplexidade” 
surge a nossa capacidade de interrogação, ou seja, de uma 
busca incessante de uma explicação plausível para os fatos sobre 
os quais nos deparamos, pelas coisas que vivemos, sentimos, da 
nossa realidade e das coisas que ainda podemos esperar. Esta atitude é comparada 
com a de uma criança ou um menino, como vimos na citaçãode Morente. 
Doravante, o sentido de que a disposição do ânimo que se faz presente na origem 
do processo da reflexão filosófica deve consistir necessariamente em perceber e 
sentir por onde quer que for, tanto no âmbito de nossas vidas, tanto no âmbito da 
realidade que participamos, um sentimento de admiração, espanto e de uma 
curiosidade insaciável, como a de uma criança que inicialmente não compreende 
nada e para quem tudo está repleto de “problemas”. 
É neste sentido que a etimologia da palavra 
Filosofia é compreendida. O termo “Filosofia” 
significava originariamente “amante da sabedoria”, 
tendo surgido com a famosa réplica de Pitágoras aos 
que o chamavam de “sábio”. Insistia Pitágoras em que 
sua sabedoria consistia unicamente em reconhecer sua 
ignorância, não devendo, portanto, ser chamado de 
“sábio”, mas apenas de “amante da sabedoria”. Nesta 
acepção, a Filosofia apresenta-se como uma busca 
incessante pelo saber, através do “espanto” originário 
de todo ser humano. Com efeito, a Filosofia mantém 
acesa a capacidade humana de espantar-se com tudo, 
na medida em que chama a nossa atenção de que nada 
é tão óbvio assim e que todas as coisas são passíveis de 
“espanto” e “perplexidade”. Nada pode escapar ao olhar 
crítico de quem se espanta com os fatos. Quem se 
“espanta” também possui a capacidade de questionar, 
de duvidar, pois o “espanto” e a “perplexidade” são a 
base para a atitude questionadora da Filosofia. 
A palavra filosofia é grega. É 
composta por duas outras: 
philo e sophia. Philo deriva de 
philia, que significa amizade, 
amor fraterno, respeito entre 
os iguais. Sophia quer dizer 
sabedoria e dela vem a 
palavra sophos, sábio. 
Pitágoras - Atribui-se ao 
filósofo grego Pitágoras de 
Samos (que viveu no século V 
antes de Cristo) a invenção 
da palavra filosofia. Pitágoras 
teria afirmado que a 
sabedoria plena e completa 
pertence aos deuses, mas 
que os homens podem 
desejá-la ou amá-la, 
tornando-se filósofos. 
Filosofia e Lógica 
18
 
Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos olímpicos (a 
festa mais importante da Grécia): as que iam para comerciar durante os jogos, ali 
estando apenas para servir aos seus próprios interesses e sem preocupação com as 
disputas e os torneios; as que iam para competir, isto é, os atletas e artistas (pois 
durante os jogos também havia competições artísticas: dança, poesia, música, 
teatro) e as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o 
desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Este terceiro tipo de 
pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo. 
Se você percebeu, através do que apresentamos acima, delineamos a principal 
característica da Filosofia, talvez o seu postulado fundamental, que é o seu caráter 
de questionamento. Através desta caracterização, podemos, enfim, entender a 
importância e a finalidade de se estudar a Filosofia. 
 
De acordo com Iglesias (2002, p. 17): 
 
“Ora, quando uma sociedade em que as explicações estão 
prontas, onde as normas são aceitáveis sem discussão, a 
tendência é estagnar. As alterações, inevitáveis em 
qualquer comunidade humana, ficam por conta de fatores 
externos: mudanças climáticas, cataclismas, guerras, 
invasões... Mas onde há questionamento de tudo existe 
um princípio interno de transformação, e existe a 
permanente possibilidade de mudança.” 
 
Como se pode notar pela citação da autora acima, na maioria das vezes a 
sociedade, em seu cotidiano, é repleta de crenças, muitas vezes “silenciosas”, em 
que as explicações “prontas” nos fazem aceitar as coisas e as ideias como sendo 
óbvias e naturais. Isso pode ser explicado porque em nossa “experiência cotidiana” 
na sociedade, surge uma série de concepções que são aceitas de modo que se 
tornam um consenso entre os seus membros. Ao acharmos como óbvias tais 
concepções, estas se tornam uma verdade incontestável, mas na verdade elas 
escondem ideias e valores falsos, parciais e preconceituosos. 
 
Filosofia e Lógica 
19
 
Mas por que razão acreditamos nestas crenças e nestes valores? Acreditamos 
porque não nos espantamos e nem temos uma perplexidade diante deles. Apenas 
acreditamos, na medida em que fazemos parte de uma sociedade que não 
estimula aquela curiosidade insaciável tal como a de uma criança. Pois, aquele para 
quem tudo resulta muito natural e óbvio, nunca poderá compreender que há uma 
falta de fundamentação, uma ambiguidade e uma incompatibilidade entre os fatos 
do cotidiano, isto é, da “experiência cotidiana”. 
Desta forma, a Filosofia pressupõe uma “não-aceitação” às crenças e aos 
preceitos da “experiência cotidiana”. Quando não aceitamos mais as coisas como 
óbvias, introduzimos na nossa atitude com a realidade certo distanciamento 
daquilo que é consenso, daquilo que é aceito por todos. Por esta atitude, somos 
instigados a questionar as crenças e os valores da “experiência cotidiana” e, ao 
questionarmos, exigimos respostas e justificações para as crenças e valores que 
dominam a sociedade. 
Segundo Chauí (2005, p. 18): 
 
“Para Platão, o discípulo de Sócrates, a Filosofia começa com 
a admiração ou, como escreve seu discípulo Aristóteles, a 
Filosofia começa com o espanto ‘... pois os homens começam 
e começaram sempre a filosofar movidos pelo espanto (...) 
Aquele que se coloca uma dificuldade e se espanta 
reconhece a sua própria ignorância (...) De sorte que, se 
filosofaram, foi para fugir da ignorância.” 
 
Lembra que dissemos acima que o “espanto” e a 
“perplexidade” são a base para a atitude questionadora 
da Filosofia? Pois então, aí está sinalizado o caminho 
para compreendermos porque precisamos estudar 
Filosofia. O “espanto” e a “perplexidade” que temos 
das coisas significam nada mais do que o 
reconhecimento da nossa ignorância e, ao reconhecê-
la, já estamos nos pondo diante de sua superação. Se 
nos espantamos com algo é porque este nos produz uma inquietação. Tal 
inquietação, certamente, nos 
Filosofia e Lógica 
20
 
conduzirá a um amontoado de questionamentos e indagações a respeito de algo, 
isto, portanto, só é possível na medida em que tomamos distância da “experiência 
cotidiana”, fugindo assim do consenso, daquilo que é aceito por todos sem uma 
prévia indagação. 
Desta forma, esse distanciamento configura-se como uma diferenciação, não 
aceitar o costumeiro é se distanciar do consenso, do comum, isto é, daquilo que 
não contém a atitude questionadora da Filosofia. Já vimos que a Filosofia tem 
como base a função de questionar, de refletir sobre os “fatos do cotidiano”. Assim, 
através da Filosofia, podemos conhecer a fundo a nossa capacidade de refletir e 
questionar. Você deve estar se perguntando em que sentido o estudo da Filosofia 
pode te levar a avaliar a sua capacidade reflexiva. A resposta é que ao utilizarmos a 
nossa capacidade de questionar e refletir, podemos exercer o poder de transformar 
a realidade que nos cerca e a nós mesmos, pois ao questionarmos ou nos 
espantarmos com certas coisas que são tidas como óbvias, estamos praticando 
nada mais do que o exercício de liberdade. Ora, sem questionarmos as coisas, não 
poderíamos ser de modo algum livres. Considerar as coisas, a “experiência 
cotidiana” sem um prévio questionamento é não ser dono de nossas próprias 
ações na medida em que se é movido por causas que não são as nossas. Essa é a 
diferença entre quem estuda Filosofia e aqueles que vivem imersos em valores e 
crenças do cotidiano. Estes não possuem o poder de reflexão e, por isso mesmo, 
não podem escolher por si mesmo o curso de ação que irão adotar. 
É neste momento que fica bastante claro a necessidade de se estudar Filosofia. 
A atitude de questionamento e de indagação é a condição de possibilidade para 
nos tornarmos livres. Se for assim, então o estudo da Filosofia está muito próximo 
da liberdade. Assim, se o questionamento e a indagação levam-nosa liberdade, e 
se a Filosofia nos permite usar essa capacidade de questionar as coisas com mais 
profundidade tal como a atitude de uma criança, então a Filosofia pode ser 
compreendida como uma ferramenta primordial para o exercício de nossa 
liberdade, pois nos leva a refletir sobre as coisas mais claramente, resultando no 
uso de nossa capacidade de escolha com mais plenitude. 
 
Filosofia e Lógica 
21
 
Eis, então, a resposta para a pergunta da necessidade de se estudar Filosofia, 
ou seja, o exercício e o estudo da Filosofia é a expressão mais profunda e plena da 
nossa liberdade. Ela representa a liberdade do refletir, do pensar e que, portanto, 
nos conduz a agirmos livremente. O estudo da Filosofia pressupõe que reflitamos e 
indagamos o sentido de nossas vidas, nossas ações e a realidade que nos rodeia, a 
situação do nosso país, os valores e as crenças da nossa sociedade etc. 
 
A utilidade da reflexão filosófica 
 
Há uma questão que muita gente formula de imediato quando ouve falar da 
Filosofia: qual a utilidade da Filosofia? Podemos ver acima que a principal 
característica da Filosofia consiste no caráter questionador e no exercício da 
liberdade. Será que estas características da Filosofia estão em conformidade com a 
realidade da nossa sociedade? Qual seria a utilidade da Filosofia em relação a esta 
realidade? 
Ora, na nossa sociedade atual é considerado útil aquilo que possui uma 
finalidade prática e imediata. Tudo se processa ou tem razão de existir se tiver uma 
aplicação prática que forneça algum resultado imediato, não é isso? Um exemplo 
deste fato é que todo mundo sabe que todo aquele que estuda engenharia, de 
uma maneira geral, irá participar da construção de edifícios, ruas, bairros, cidades 
etc. Todos sabem que a utilidade de se filmar um roteiro cinematográfico é, senão, 
para que as pessoas vejam o tal enredo sendo encenado e que ao assistirem ao 
filme pronto se emocionem, que se tal filme for bem aceito pelo público, seja 
merecedor de um Oscar e que ao ser visto por milhões de telespectadores, ele 
retorne em dividendos para seus produtores. Tudo hoje em dia é visto sob este 
aspecto finalístico, em que tudo que é feito possui uma razão de ser. 
Segundo Chauí (2005, p. 24): 
“(...) Nossa sociedade considera útil o que nos dá prestígio, 
poder, fama e riqueza. Julga o útil pelos resultados visíveis 
das coisas e das ações, identificando sua possível 
utilidade, como na famosa expressão ‘levar vantagem em 
tudo. ’” 
Filosofia e Lógica 
22
 
Sobre este aspecto, não há, certamente, expectativa 
alguma de que a Filosofia contribua para a produção de 
riqueza material. Contudo, a menos que suponhamos 
que a riqueza material seja a única coisa de valor, a 
incapacidade da Filosofia de promover este tipo de 
riqueza não implica em que não haja sentido prático em 
filosofar. Ora, se a Filosofia não traz riquezas, em muito 
menos nos dá prestígio ou poder. Por que, então há pessoas que se dedicam a essa 
atividade? Para que serve a filosofia? 
Para respondermos a tal indagação, faz-se necessário, em primeiro lugar, 
refletir sobre a expressão “para que serve?”. Primeiramente, devemos nos ater que 
a própria questão acerca do que “para que serve?” já é o começo de toda atitude 
filosófica, isto é, o ato de refletir. 
A questão acerca do que “para que serve?”, de antemão, pressupõe uma visão 
utilitária das coisas. No entanto, no sentido utilitário das coisas, não há como 
vislumbrar para que serviria a Filosofia. Aí então, poderíamos dizer a célebre 
expressão: a Filosofia não serve para nada! Mas, tal expressão só poderia fazer 
sentido se limitássemos a pensar a Filosofia através da possibilidade de que com 
ela se poderia obter uma utilidade econômica, isto é, obter lucro com a sua 
utilização. Se for assim, a Filosofia sempre permanecerá no direito de se manter 
inteiramente inútil. 
Se ao contrário, pensássemos a utilidade da Filosofia sem a visão utilitária que 
permeia a nossa sociedade, isto é, sem a visão do que o que é útil pressupõe uma 
finalidade, uma utilidade prática, poderíamos pensar a utilidade da Filosofia de 
uma outra forma. Você deve estar ansioso para saber qual seria a utilidade da 
Filosofia, não é? Então vamos lá! 
A utilidade da Filosofia se faz presente quando, com e para com ela 
abandonamos as crenças e os valores pré-concebidos. Ela se faz útil quando 
através dela exercemos nossa capacidade de ser livre. Ser livre, neste sentido é não 
aceitar que os valores e as crenças sem fundamentos possam governar nossas 
vidas. Além disso, a Filosofia está disposta a recuperar a unidade do saber na 
medida em que em nossos dias, o saber se “pulveriza” em uma gama de 
 
Filosofia e Lógica 
23
 
especializações que resulta em uma perda de visão mais ampla do conhecimento 
humano. Ao recuperar esta visão perdida sobre a visão unitária do conhecimento, a 
Filosofia procura questionar a validade dos métodos e critérios adotados pelas 
ciências. A Filosofia torna-se útil quando busca compreender e investigar as 
respostas à finalidade, ao sentido e ao valor da vida e de toda a realidade. Por este 
aspecto, ela torna-se o mais útil de todos os saberes que a humanidade foi capaz 
de conceber. 
Enfim, podemos agora com toda a clareza afirmar que a Filosofia possui uma 
utilidade, mas que a sua utilidade nada tem a ver com o sentido de utilidade que a 
nossa sociedade é regida. No entanto, ainda pode haver alguém que discorde 
dessa ideia e nos convença de que a Filosofia é o contrário de tudo o que dissemos, 
ou seja, “ela é justamente a ciência com a qual, ou sem a qual, o mundo continua 
tal e qual!”. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. 3ª ed. São 
Paulo: Cultrix, (1980). 188p. 
BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Trad. Desidério Murcho: Rio 
de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. 437p. 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, 
além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso 
prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Chegamos ao final desta unidade. Esperamos que você tenha compreendido a 
relevância do estudo da Filosofia através dos argumentos apresentados acima e 
que a partir desta unidade, você se sinta estimulado a prosseguir com mais 
confiança e segurança ao exame dos problemas fundamentais da Filosofia. Então, 
te espero na próxima unidade. Ainda temos muito que estudar!
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24
 
Exercícios – unidade 1 
 
1. Complete a frase a abaixo. 
“A __________ da Filosofia se faz presente quando, com e para com ela 
__________ as crenças e os valores pré-concebidos. Ela se faz útil quando através 
dela exercemos nossa capacidade de ser livre. _____ , neste sentido, é não aceitar 
que os valores e as crenças sem __________ possam governar nossas vidas. Além 
disso, a Filosofia está disposta a __________ do saber na medida em que em 
nossos dias, o saber se “pulveriza” em uma gama de especializações que resulta em 
uma perda de visão mais ampla do _______________”. 
a) Utilidade - abandonamos - ser livre - fundamento - recuperar a unidade - 
conhecimento humano. 
b) Inutilidade - abandonamos - ser bom - esquecimento - recuperar a unidade - 
conhecimento desumano. 
c) Utilidade - achamos - ser mau - esquecimento - recuperar a inutilidade - 
conhecimento humano. 
d) Inutilidade - abandonamos - ser livre - fundamento - enumerar e unidade - 
conhecimento insano. 
e) Utilidade - abandonamos - ser bom - esquecimento - recuperar a unidade - 
conhecimento inato. 
 
2. Marque a única resposta incorreta: 
a) Uma definição precisa do real significado do que é Filosofia é quase 
impraticável. 
b) Do “espanto” e da“perplexidade” surge a nossa capacidade de interrogação. 
c) A questão acerca do que “para que serve?”, de antemão, pressupõe uma visão 
não-utilitária das coisas dos princípios. 
d) A Filosofia pressupõe uma “não-aceitação” às crenças e aos preceitos da 
“experiência cotidiana”. 
e) Na nossa sociedade atual é considerado útil aquilo que possui uma finalidade 
prática e imediata. 
Filosofia e Lógica 
25
 
3. Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos Olímpicos (a 
festa mais importante da Grécia): as que iam para comerciar durante os jogos, ali 
estando apenas para servir aos seus próprios interesses e sem preocupação com as 
disputas e os torneios; as que iam para competir, isto é, os atletas e artistas (pois 
durante os jogos também havia competições artísticas: dança, poesia, música, 
teatro); e as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o 
desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Este terceiro tipo de 
pessoa, dizia Pitágoras, é o: 
a) Sofista. 
b) Hermeneuta. 
c) Médico. 
d) Filósofo. 
e) Atleta. 
 
4. Coloque (V) se a questão for verdadeira ou (F) se for falsa: 
( ) A utilidade da filosofia é facilmente perceptível. 
( ) A inutilidade da filosofia proclamada pelo senso comum decorre dele não 
tomar o significado de útil como aquilo que traz vantagem imediata. 
( ) A diferença entre ser útil e inútil depende do significado atribuído à palavra 
“útil”. 
( ) Muitas vezes o senso comum só percebe como útil aquilo que é 
empregado no seu dia-a-dia. 
( ) O senso comum só utiliza a filosofia quando esta é atualizada. 
 
a) F – F – V - V - F 
b) V - F - V - V - V 
c) F - F - F - F - V 
d) V - V - V - F - F 
e) V - V - F - V - V 
 
Filosofia e Lógica 
26
 
5. Sabemos que os “problemas” fundamentais da Filosofia possuem uma origem 
bastante precisa. Quais são estes problemas fundamentais pelos quais a Filosofia se 
principia? 
a) O inesperado e o absurdo. 
b) O próprio ato de discordar. 
c) O “espanto” e a “perplexidade”. 
d) A dúvida em relação ao existir. 
e) O espanto e da falta de clareza das coisas. 
 
6. Sabemos que Filosofia se opõe ao pensamento mítico. O que se pode entender 
por mito? 
a) Um conjunto de livros e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos 
físicos por intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
b) Um conjunto de narrativas e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos 
físicos por intermédio da linguagem matemática. 
c) Um conjunto de livros e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de obras 
filosóficas por intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
d) Um conjunto de narrativas e doutrinas, o mito caracteriza-se por oferecer 
uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos racionais 
por intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
e) Um conjunto de narrativas e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos 
fantasiosos por intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
 
7. Qual o significado da palavra “Filosofia”? 
a) Amigo dos preconceitos. 
b) Liberdade de pensamento. 
c) Amante da sabedoria. 
d) Questionamento. 
e) Amante da disputa. 
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27
 
8. Marque a única afirmativa correta: 
a) Filosofia torna-se útil quando busca compreender e investigar as respostas 
à finalidade, ao sentido e ao valor da vida e de toda a realidade. 
b) Filosofia torna-se útil quando busca compreender e investigar porque o 
consenso é útil para nossas vidas. 
c) Filosofia torna-se útil quando busca compreender e investigar as respostas 
à finalidade, ao sentido e ao valor da consciência física e de toda a 
irrealidade. 
d) Filosofia torna-se útil quando busca compreender e investigar as respostas 
à finalidade daquilo que não precisa possuir finalidade. 
e) Filosofia torna-se inútil quando busca compreender e investigar as 
respostas à finalidade, ao sentido e ao valor da vida e de toda a realidade. 
 
9. Para Garcia Morente (1970, p. 33-34): 
“Para abordar a Filosofia, para entrar no território da Filosofia, é absolutamente 
indispensável uma primeira disposição de ânimo. É absolutamente indispensável 
que o aspirante a filósofo sinta a necessidade de levar o seu estudo uma disposição 
infantil. Quem quiser ser filósofo necessitará infantilizar-se, transformar-se em 
menino”. 
Comente a afirmação de Morente, procurando evidenciar o aspecto de todo o 
processo da reflexão filosófica. 
 
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10. Relacione a expressão “para que serve?” com a concepção do que é útil e do 
que é inútil na sociedade em que vivemos ? 
 
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ASDIVERSAS FORMAS DE 
INTERPRETAÇÃO DA 
REALIDADE:SENSO COMUM, 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO E 
O CONHECIMENTO FILOSÓFICO. 
 
As formas de interpretação da realidade. 
O senso comum e sua caracterização. 
O conhecimento científico e a sua caracterização. 
O conhecimento filosófico e a sua caracterização. 
 
2 
Filosofia e Lógica 
30
 
Na unidade anterior, compreendemos a importância e a utilidade da Filosofia. 
Vimos que pensar filosoficamente é possível a qualquer um,bastando apenas certo 
distanciamento do “pensar ingênuo”, comum ao dogmatismo e que sejam 
colocadas questões fundamentais sobre a realidade. Nesta unidade, veremos quais 
são as formas humanas de interpretação da realidade. 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
• compreender que a interpretação humana da realidade se dá através de 
várias formas, sendo tais formas as relações que o homem compreende e 
interpreta o mundo; caracterizar cada uma dessas formas de interpretação da 
realidade: o senso comum, o conhecimento científico e o conhecimento filosófico, 
indicando suas características marcantes, a fim de problematizar o que as 
distinguem. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• As formas de interpretação da realidade. 
• O senso comum e sua caracterização. 
• O conhecimento científico e a sua caracterização. 
• O conhecimento filosófico e a sua caracterização. 
 
 
Bons estudos! 
  
Filosofia e Lógica 
31
 
As formas de interpretação da realidade 
 
O nosso objetivo nesta disciplina é o estudo da Filosofia em geral. No entanto, 
devemos ressaltar que a Filosofia não é a única forma de saber ou de 
conhecimento. Existem outras formas sob as quais interpretamos a realidade e 
buscamos respostas para nossos problemas. A partir deste momento, iremos 
conhecer as outras formas de interpretação da realidade, de modo que possamos 
distingui-las umas das outras e buscar compreender o papel da Filosofia diante de 
outras formas de interpretação da realidade. Cercado pelas coisas do mundo no 
convívio com seus semelhantes, o homem é um ser que, diferentemente dos 
demais, problematiza a realidade que o rodeia, colocando perguntas e 
investigando possíveis respostas. O homem não se contenta em simplesmente 
estar ou transitar entre as coisas, mas procura esclarecer o seu significado, seu 
porquê, ou seja, as causas das coisas. 
Para Buzzi (1992, p. 73), 
“A diferença do animal que vive no puro aberto, que não vê 
espaço e o tempo, o homem vê sempre dentro de uma 
moldura, define e delimita as coisas. Isso é o seu espaço. As 
coisas são vistas a partir desse espaço. São colhidas dentro 
de um determinado horizonte. Surge daí aquilo que 
chamamos de mundo, história, cultura, sociedade. Não 
vemos jamais as coisas puras em si, vemos a partir de uma 
representação, nas malhas de uma interpretação.” 
 
IMPORTANTE 
Todo indivíduo, ao nascer, já se encontra imediatamente inserido em um 
mundo previamente interpretado. Desde o nascimento, encontramos 
um “sistema” de coisas com uma significação definida, transmitida pela cultura de 
uma determinada sociedade. A interpretação da realidade é uma necessidade 
essencial do ser humano, pois surge da necessidade de resolver certos problemas 
impulsionados pelos mais variados interesses. Assim, de acordo com certos 
interesses, o homem interpreta a realidade das mais variadas formas. 
Filosofia e Lógica 
32
 
Há muitos modos de se conhecer e interpretar a realidade que dependem da 
postura do homem frente às suas necessidades fundamentais. De acordo com esta 
postura, a interpretação da realidade pode ser explicada através do mito, do Senso 
Comum, da Ciência, da Filosofia e da Arte. Todos eles são formas de conhecimento, 
pois cada um, a seu modo, oferece uma resposta para os mais variados interesses 
do homem, atribuindo-lhes um sentido. 
Sendo assim, o mito é um modo de interpretação da realidade em que ocorre 
o apelo ao sagrado na medida em que fornece segurança e conforto ao homem. O 
Senso Comum ou “conhecimento espontâneo” é a primeira compreensão do 
mundo resultante da herança do grupo a que pertencemos e das experiências 
atuais que continuam sendo efetuadas. A ciência procura descobrir o 
funcionamento da natureza através, principalmente, das relações de causa e efeito, 
busca o conhecimento objetivo e lógico, através de métodos desenvolvidos para 
manter a coerência interna de suas afirmações. Dotada de aplicabilidade, pode 
resultar em tecnologias que permitem ao homem intervir na natureza. A Filosofia, 
por sua vez, propõe oferecer um tipo de conhecimento que busca, com todo o 
rigor, a origem dos problemas, relacionando-os a outros aspectos da vida humana, 
numa abordagem “totalizante”, e o conhecimento proporcionado pela Arte nos dá 
não o conhecimento de um objeto, mas de um mundo interpretado pela 
sensibilidade do artista e traduzido numa obra individual. 
Como vimos, podemos conhecer e interpretar a realidade de diversas 
maneiras. A seguir, iremos examinar os três tipos básicos de interpretação da 
realidade: Senso Comum, Conhecimento Científico e a Filosofia. Deixaremos o mito 
para uma outra unidade e a Arte, não entraremos no mérito da questão. 
 
O senso comum e sua caracterização 
 
No seu cotidiano, o homem adquire espontaneamente um modo de entender 
e atuar sobre a realidade que o cerca. Algumas pessoas, por exemplo, não passam 
por baixo de escadas, porque acreditam que dão azar, outras acham que se 
quebrarem um espelho podem ter sete anos de azar. Algumas confeiteiras sabem 
que o forno não pode ser aberto enquanto o bolo está assando, senão ele “sola”, 
sabem também que determinados pratos, feitos em “banho-maria”, deve-se 
acrescentar algumas gotas de limão para que a vasilha em que está inserido não
Filosofia e Lógica 
33
 
fique escura. Como estas pessoas aprendem tais informações? Elas foram 
transmitidas de geração para geração. Elas não só foram assimiladas como também 
transformadas, contribuindo assim para uma compreensão da realidade. Em todos 
os tempos, o homem se defronta com dificuldades de ordem prática que 
necessitam de soluções imediatas e imprescindíveis para a sua sobrevivência e seu 
bem-estar. 
 
IMPORTANTE 
Com efeito, podemos perceber que este tipo de conhecimento é 
um produto de uma prática que se faz social e historicamente. Todas as 
explicações para a vida, para as regras de comportamento, para o trabalho, para os 
fenômenos da natureza etc., passam a fazer parte das explicações para tudo o que 
observamos e “experimentamos”. Todos estes são elementos assimilados ou 
transformados de forma espontânea. Por isso, raramente há questionamento sobre 
outras possibilidades de explicações para a realidade. Acostumamos-nos a uma 
determinada compreensão de mundo e não mais questionamos, nos tornamos 
“conformistas de algum conformismo”. 
 
Aos que não detêm o conhecimento científico, resta buscar a resolução de 
seus problemas cotidianos sem a ajuda das construções racionais e metódicas da 
ciência, sem os instrumentos que a ciência desenvolveu para que se atinja uma 
melhor compreensão do mundo. Dotados de informações e interpretações que 
adquirem com a experiência de vida, os “homens comuns” procuram dar respostas 
às questões e às necessidades de seu mundo baseados num “conhecimento” cujo 
conjunto de formulações a ciência denomina: senso comum ou conhecimento 
espontâneo. Portanto, podemos dizer que o senso comum é o modo comum, 
corrente e espontâneo de conhecer e interpretar a realidade, que se adquire no 
trato direto com as coisas e os seres humanos; é o saber que prevalece em nossas 
vidas diárias, aquele que é sem comprovação ou estudo, sem a aplicação de um 
estudo (método) mais cuidadoso e sem se haver refletido sobre algo que é 
afirmado como verdade. 
 
Filosofia e Lógica 
34
 
Muitas das concepções do senso comum transformam-se em frases feitas ou 
ditados populares, como por exemplo: “homem que é homem não chora”, “filho de 
peixe, peixinho é”, “Deus ajuda a quem cedo madruga”. Frases como estas, 
repetidas irrefletidamente no cotidiano, na verdade escondem ideias falsas, 
parciais e preconceituosas. Mas, o que caracteriza basicamente as ideias 
provenientes do senso comum não é a sua verdade ou falsidade, mas uma falta de 
fundamentação. Ou seja, não nos preocupamos com o porquê destas ideias. Elas 
são aceitas, repetidas e até defendidas, mas não sabemos explicá-las.Trata-se, 
portanto, de um conhecimento adquirido sem uma base crítica ou de 
questionamento. 
Isto explica o motivo pelo qual o senso comum apresenta-se como um 
conhecimento superficial adquirido espontaneamente, sem preocupação com o 
método, com a crítica ou com a sistematização. Desta forma, o senso comum é 
indisciplinar e ametódico; não resulta de uma prática especificamente orientada 
para o produzir, reproduz-se espontaneamente no suceder quotidiano da vida. Por 
último, o senso comum é retórico e metafórico; não ensina, persuade. 
 
As principais características do senso comum são: 
• Subjetivo: Só exprime sentimentos e opiniões individuais de um 
determinado grupo, variando de indivíduo para indivíduo, conforme as 
condições em que se vive; 
• Natural: Transmitido de “pai para filho” quase da mesma forma como se 
transmitem as características genéticas - sem qualquer esforço 
consciente, sem intenção nem intervenção da vontade; 
• Conservador: O novo, as mudanças, o desconhecido é evitado, pois 
exigiria maior empenho do pensamento e uma mudança de hábitos; 
• Preconceituoso: Não há o costume de verificar e checar as informações, 
os valores e os comportamentos que são repetidos pela maioria. 
• Fragmentário: Não percebe os fatos relacionados entre si, embora 
diferentes na aparência. Assim, as ideias desenvolvem-se 
independentemente umas das outras, opiniões contrárias são 
submetidas ao mesmo tempo; algo dito agora, pode ser negado por 
outra coisa dita logo depois; 
Filosofia e Lógica 
35
 
Espontâneo ou intuitivo: Surge como se não obedecesse a nenhuma 
determinação da razão, se faz por imitação e da associação por analogias. 
 
Porém, é importante assinalar que o senso comum é uma forma válida de 
conhecimento e explicação da realidade, pois o homem precisa dele para se 
orientar, resolver ou superar suas necessidades imediatas do cotidiano. 
Os pais, por exemplo, educam seus filhos mesmo não sendo psicólogos ou 
pedagogos e nem sempre os filhos de pedagogos ou psicólogos são mais bem 
educados. 
Levando em conta a reflexão feita até aqui, podemos considerar o senso 
comum como sendo uma visão de mundo, uma explicação precária e fragmentada 
da realidade. Mesmo possuindo o seu valor enquanto processo de construção e 
explicação do conhecimento e da realidade, ele deve ser superado por um tipo de 
explicação que o incorpore, que se estenda a uma concepção crítica e coerente e 
que possibilite, até mesmo, o acesso a um saber mais elaborado, como a ciência e a 
Filosofia. 
Mostraremos a você, no próximo tópico, o que é e o que caracteriza o 
conhecimento científico. 
 
O conhecimento científico e a sua caracterização 
 
Quando nos deparamos com o tema ciência, uma polêmica logo se faz 
presente quanto ao significado que se quer dar ao termo. Assim, para o senso 
comum, a ciência significa uma coisa, como significou outra coisa para Aristóteles e 
Platão. Tem ainda um significado bem específico para os filósofos e cientistas da 
contemporaneidade. Para o senso comum, a ciência pode significar habilidade na 
execução de uma tarefa específica ou uma informação mais apurada sobre um 
determinado assunto. Nos dias atuais, a ciência reveste-se de um caráter especial: 
não é simplesmente uma habilidade especial, nem um conhecimento obtido com 
o uso da razão sobre um objeto qualquer, mas sim um conhecimento rigoroso, 
sistematizado e demonstrado metodicamente. 
Filosofia e Lógica 
36
 
É neste sentido que trataremos de examinar o 
conhecimento científico, ou seja, através do seu caráter 
sistemático, metodológico e do seu rigor. Diferentemente do 
senso comum que concebia o mundo fragmentado, a ciência 
ou o conhecimento científico passa a conceber os fatos do 
mundo através de uma explicação investigativa, cuja causa 
deve ser explicada e comprovada. Explicar uma causa é 
resolver um problema sobre o porquê de um fato. No entanto, 
no caso do conhecimento científico, somente se pode explicar 
um fato através da utilização de um método adequado. 
 
IMPORTANTE 
A palavra método tem sua origem na língua grega (em grego, ‘meta’ 
quer dizer ‘através de’, ‘por meio’ de e ‘hodós’, ‘caminho’). O método, 
portanto, sinaliza para a ciência que suas especulações precisam seguir um 
caminho para se obter resultados seguros, embora este caminho não lhe traga 
garantias de que os resultados esperados sejam realmente o que buscamos. É 
como você ter uma receita e querer fazer um bolo. A receita é o método e o bolo é 
a solução do problema que você irá resolver. Na ciência, tudo se passa como se 
alguém perguntasse se o “bolo está bom”, e você respondesse que ele está 
delicioso porque você seguiu perfeitamente a receita. Ou seja, você não pode 
aperfeiçoar seu bolo com toques especiais na preparação, não pode pôr seus 
preconceitos e sentimentos, e muito menos suas crenças pessoais. A ciência quer 
somente que seu bolo seja conforme a receita diz. 
 
Tudo bem que a receita pode, em certos casos, ser omissa, mas neste, 
você pode fazer o que quiser, sem ficar em desacordo com o método. 
O método é um estranho caminho que nos leva a um 
lugar, mas não temos certeza que lugar é este. Assim, o 
método configura-se como um “roteiro de pesquisa”, ou 
seja, uma orientação que guia a ciência na busca das 
explicações sobre os fatos. No entanto, é importante notar 
que a utilidade do método para a ciência não consiste em
A Ciência é um 
conhecimento 
racional, metódico, 
verificável e 
sistemático que visa 
estabelecer relações 
necessárias entre as 
coisas. 
Filosofia e Lógica 
37
 
chegar a conclusões dos seus problemas mais gerais, mas, sobretudo, em evitar 
que a sua atividade se perca enquanto procura resolver seus problemas. Ou seja, o 
método não garante que se chegue lá aonde se quer chegar, mas garante que não 
se assumam certos procedimentos em desacordo com o procedimento científico. 
O método científico pode ser resumido em quatro momentos principais: a 
observação, a hipótese, a experimentação e a generalização. Veja cada um a seguir: 
A observação científica: Observar é uma das atitudes mais comuns de todo ser 
humano. Observarmos o comportamento dos outros, como se vestem, como 
falam, como comem, observamos o clima, entre outras coisas. Este tipo de 
observação, normalmente, ocorre de uma forma superficial e aleatória, isto é, 
observamos por acaso, sem uma preocupação de levarmos isso a diante, pois esta 
observação é própria de nossa consciência espontânea ou natural. Ao contrário da 
observação natural, a observação científica só se dá numa consciência 
anteriormente preparada para a pesquisa científica. Portanto, a observação 
científica pressupõe um conjunto de conhecimentos e informações prévias daquilo 
que se está observando. 
A hipótese científica: A observação científica pode originar uma hipótese 
científica. Por hipótese, deve-se entender uma explicação provisória que necessita 
de um amadurecimento maior e uma averiguação posterior. 
A experimentação científica: A característica da hipótese consiste em não 
concluir a certeza ou a evidência, pois assim não seria mais considerada uma 
hipótese, mas um postulado. Uma vez lançada a hipótese, a ciência prepara as 
condições necessárias para a sua verificação. Enquanto no primeiro momento a 
observação se dá in loco, aqui a observação se faz a partir de um artifício, pois o 
cientista forja uma situação em que o objeto de seu estudo pode receber um 
tratamento mais minucioso. Além disso, a ciência faz uso dos instrumentos que 
considera adequado para o controle do mesmo. 
A Generalização: Uma vez confirmada a hipótese, o cientista chega ao 
momento mais almejado: a generalização da sua hipótese, ou seja, a conclusão 
obtida em que seja aplicada a situações semelhantes àquela particularmente 
testada. 
 
Filosofia e Lógica 
38
 
As generalizações são, portanto, o ponto de chegada de uma pesquisacientífica. No entanto, esta deve proceder de uma linguagem apropriada. Isto quer 
dizer que a ciência possui uma linguagem extremamente rigorosa cujos conceitos 
são definidos, a fim de evitar ambiguidades. Desta forma, a linguagem científica 
torna-se cada vez mais precisa, na medida em que utiliza a matemática como a 
linguagem específica da ciência. A matematização da ciência se inicia a partir do 
século XVII com Galileu Galilei. Depois deste, os acontecimentos do mundo são 
interpretados e representados matematicamente, portanto, experimentados e 
medidos. 
 
As principais características do Conhecimento científico são: 
• Sistematização: A ciência organiza-se sob a forma sistêmica, isto é, 
em sistemas. Por sistema entende-se o caráter orgânico e coerente 
em que as hipóteses e conclusões da ciência estão dispostas; 
• Verificação: As conclusões científicas são passíveis de verificação. 
Em certos casos, através destas experiências, uma hipótese é 
comprovada, tornando-se, por sua vez, uma teoria; 
• Operatividade: Consiste no postulado de que todo e qualquer 
conceito científico somente tem valor científico se for definido 
mediante uma série de operações físicas, experiências e medidas 
idealmente possíveis; 
• Objetividade: Capacidade de distanciamento de todo elemento 
afetivo e subjetivo, isto é, tendência a ser independente dos 
“sentimentos pessoais”. A objetividade da ciência quer dizer, 
sobretudo, que o seu conhecimento tem um caráter universal. 
 
No próximo tópico mostraremos a você o que é e o que caracteriza o 
conhecimento filosófico. 
 
Filosofia e Lógica 
39
 
O conhecimento filosófico e a sua caracterização 
 
A Filosofia é uma forma de interpretação da realidade 
como a ciência e o senso comum. Diferentemente da ciência, 
a Filosofia não assenta em experimentações nem em 
observação, sua especificidade está no pensamento. Ao 
contrário do senso comum, a Filosofia não surge da 
necessidade de se enfrentar as circunstâncias imediatas sem a 
necessidade de uma prévia discussão ou fundamentação. 
De uma maneira geral, o que diferencia o conhecimento filosófico das outras 
formas de conhecimento é a maneira como problematiza as coisas. A Filosofia é 
uma forma de reflexão, ou melhor, uma reflexão crítica acerca dos fundamentos de 
todas as coisas. Ela pode ser considerada uma ciência, mas uma ciência que possui 
a pretensão de obter as explicações mais complexas e profundas sobre todas as 
coisas, a partir de suas causas e seus fins últimos. Não vá pensando que os mesmos 
problemas da ciência sejam os problemas da Filosofia. A ciência pretende alcançar 
a determinação constante dos nexos, ou seja, a regularidade dos fenômenos, com 
a descrição do que acontece na realidade e suas causas próprias, suscetíveis de 
serem registradas pela experiência. A experiência permite fornecer uma 
uniformidade às investigações científicas, de modo que esta adquire mais 
objetividade. Ao contrário, a Filosofia pretende saber as razões últimas de todos os 
seres, sem a preocupação de uma referência à experiência, pois a Filosofia parte da 
experiência vivida o que permite ir além da mera constatação científica. 
 
IMPORTANTE 
O conhecimento filosófico é um saber crítico e conceitual. A 
exigência da crítica é própria do ideal da Filosofia. Trata-se de um 
conhecimento que se assenta em base crítica, mas não basta apenas a crítica para 
caracterizar a Filosofia. Esta é uma atividade de investigação e questionamento 
permanente. A atitude filosófica exige uma insatisfação constante para a abertura 
de novos horizontes, a fim de solucionar os problemas mais gerais que se impõe 
aos homens. Enfim, podemos concluir que a Filosofia é uma forma de 
conhecimento que, a partir da reflexão rigorosa, radical e totalizante sobre o real, 
procura construir um conhecimento cada vez mais verdadeiro através da sua 
atitude questionadora, a fim de ultrapassar o caráter finito e óbvio da interpretação 
superficial que apresenta o saber comum. 
Filosofia e Lógica 
40
As principais características do conhecimento filosófico são: 
• A Filosofia é uma atividade racional, pois exige a utilização do 
pensamento. Por sua vez, o uso da razão torna viável a reflexão e a 
crítica, cuja principal finalidade é a procura da verdade e do sentido da 
existência humana. O uso da razão permite ainda a autonomia e a 
independência intelectual, ou seja, pensar por si mesmo; 
• A Filosofia procura os fundamentos, as causas fundamentais da 
realidade de modo a encontrar a sua essência. Procura a razão de ser 
das coisas, o seu sentido geral, a verdade que se encontra por trás das 
aparências. Esta, portanto, implica em um questionamento e uma 
problematização constante. Exige uma solução para as perguntas que 
vai ao “por que” último das coisas; 
• A Filosofia pressupõe inquietações que interessam a todos os homens. 
Desta forma, os temas da Filosofia são temas universais, pois exprimem 
inquietações próprias de toda a humanidade. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
GARCIA MORENTE, Manuel. Fundamentos de filosofia. 8ª edição. São 
Paulo: Mestre Jou, 1980. 324p. 
CORBISIER, Roland. Introdução à filosofia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 1986, 288p. 
REALE, Miguel. Introdução à Filosofia. 4ª ed. São Paulo, Saraiva, 1994 2002. 
322p. 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, 
além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso 
prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
Nesta unidade foram apresentadas as diferentes formas de interpretação da 
realidade. Cada uma delas é um modo como o homem interpreta a realidade que o 
cerca. Espero que você tenha compreendido a questão acerca dos modos como 
interpretamos a realidade. Na próxima unidade, vamos analisar o surgimento da 
Filosofia, ou seja, o seu nascimento na Grécia antiga. Até lá! 
 
Filosofia e Lógica 
 
41 
 
Exercícios – unidade 2 
 
1. Qual das alternativas abaixo é concernente à caracterização do caráter 
“subjetivo” do senso comum? 
a) Só exprime sentimentos e opiniões individuais de um determinado grupo, 
variando de indivíduo para indivíduo, conforme as condições em que se vive. 
b) Transmitido de “pai para filho” quase da mesma forma como se transmitem as 
características genéticas - sem qualquer esforço consciente, sem intenção 
nem intervenção da vontade. 
c) O novo, as mudanças, o desconhecido é evitado, pois exigiria maior empenho 
do pensamento e uma mudança de hábitos. 
d) Não há o costume de verificar e checar as informações, os valores e os 
comportamentos que são repetidos pela maioria. 
e) Não percebe os fatos relacionados entre si, embora diferentes na aparência. 
Assim, as ideias desenvolvem-se independentemente umas das outras, 
opiniões contrárias são submetidas ao mesmo tempo; algo dito agora, pode 
ser negado por outra coisa dita logo depois. 
 
2. Complete a frase abaixo. 
No seu cotidiano, __________ adquire __________ um modo de entender e atuar 
sobre a _______ que o cerca. 
a) O animal, criticamente, realidade. 
b) O homem, criticamente, realidade. 
c) O homem, espontaneamente, realidade. 
d) O animal, reflexivamente, realidade. 
e) O homem, reflexivamente, realidade. 
 
Filosofia e Lógica 
 
42 
 
3. Dentre as alternativas abaixo, qual delas caracteriza a “hipótese científica”? 
a) Deve-se entender como uma “explicação científica” provisória que necessita 
de um amadurecimento maior e uma averiguação posterior. 
b) Deve-se entender como uma verificação inconsequente e imprevisível. 
c) Consiste no postulado de que todo e qualquer conceito científico somente 
tem valor científico se for definido mediante uma série de operações físicas, 
experiências e medidas idealmente possíveis. 
d) Consiste em uma hipótese,ou seja, uma conclusão obtida em que seja 
aplicada a situações semelhantes àquela particularmente testada. 
e) Deve-se entender como uma atividade racional que exige a retrospectiva do 
pensamento. 
 
4. Qual das alternativas a seguir refere-se à caracterização de “generalização”. 
a) Capacidade de distanciamento de todo elemento afetivo e subjetivo, isto é, 
tendência a ser independente dos “sentimentos pessoais”. 
b) Entende-se o caráter orgânico e coerente em que as hipóteses e conclusões 
da ciência estão dispostas. 
c) Uma conclusão obtida em que seja aplicada a situações semelhantes àquela 
particularmente testada. 
d) Entende-se o caráter orgânico e coerente em que as falácias e conclusões da 
ciência estão dispostas. 
e) Capacidade de congestionamento de todo elemento afetivo e objetivo, isto é, 
tendência a ser independente dos “sentimentos impessoais”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
43 
 
5. Das alternativas abaixo, qual delas reapresenta uma característica do 
conhecimento filosófico? 
a) Espontâneo. 
b) Fragmentário. 
c) Impreciso. 
d) Procura da verdade e do sentido da existência humana. 
e) Desonesto. 
 
6. Há muitos modos de se conhecer e interpretar a realidade que dependem da 
postura do homem frente às suas necessidades fundamentais. Quais são eles? 
a) A hipótese, a lei, a generalização e a memorização. 
b) O mito, o Senso Comum, a Ciência, a Filosofia e a Arte. 
c) O mito, o senso comum, a ciência, a memorização e a arte. 
d) A lei, a regra, a generalização e a arte. 
e) O mito, a hipótese, a generalização e a ciência. 
 
7. Para Buzzi, o que diferencia o animal do homem? 
a) Para Buzzi, o animal vive no puro aberto e não vê o espaço e o tempo. O 
homem, por sua vez, vê sempre dentro de uma moldura pela qual define e delimita 
as coisas. 
b) Para Buzzi, o animal vive no puro aberto no qual estabelece uma relação 
com o espaço e o tempo. O homem, por sua vez, vê sempre dentro de uma 
moldura pela qual define e delimita as coisas. 
c) Para Buzzi, o animal vive no puro aberto no qual estabelece uma relação 
com o espaço e o tempo. O homem, por sua vez, é limitado à estrutura irracional. 
d) Para Buzzi, o animal vive no puro aberto no qual não estabelece uma 
relação com o espaço e o tempo. O homem, por sua vez, vê sempre dentro de uma 
moldura pela qual define e delimita as coisas. 
e) Para Buzzi, o animal, apesar de não viver no puro aberto, estabelece uma 
relação com o espaço e o tempo. O homem, por sua vez, não consegue ver dentro 
de uma moldura pela qual define e delimita as coisas. 
Filosofia e Lógica 
 
44 
 
8. Complete a seguinte frase: 
“O ______ é um estranho caminho que nos leva a um lugar, mas não temos certeza 
que lugar é este. Assim, o método configura-se como ____________, ou seja, uma 
orientação que guia _______ na busca das explicações sobre os fatos. No entanto, 
é importante notar que a utilidade do método para a ciência não consiste em 
chegar a _________ dos seus problemas mais gerais, mas, sobretudo, em evitar que 
a sua atividade se perca enquanto procura resolver seus problemas”. 
 
a) Método, um “roteiro de pesquisa”, a ciência, conclusões. 
b) Vocabulário, um “roteiro de pesquisa”, a ciência, conclusões. 
c) Sentido, um “roteiro de pesquisa”, a ciência, conclusões. 
d) Método, um “roteiro de pesquisa”, o senso comum, conclusões. 
e) Vocabulário, um “roteiro de pesquisa”, a ciência, conclusões. 
 
9. Atente ao texto que se segue: 
“Quando uma pessoa faz um bolo, segue a receita e incorpora uma série de 
informações para melhor sucesso do seu trabalho. Sabe que ao bater as claras dos 
ovos, elas crescem e tornam-se esbranquiçadas; sabe que não convém abrir o forno 
quando o bolo começa a cozinhar senão ele sola: que medida adequada de fermento 
faz o bolo crescer. Se fizer um pudim em “Banho-Maria”, sabe que uma rodela de limão 
na água evita o crescimento deste na vasilha, o que facilitará o trabalho posterior. Essa 
pessoa sabe tudo isso, mas não sabe explicar o porquê e como ocorrem esses 
fenômenos, não conhecendo as suas causas constitutivas”. (Autor desconhecido). 
 
Filosofia e Lógica 
 
45 
A) Identifique o tipo de conhecimento a que o texto se refere. 
_____________________________________________________________________ 
 
B) Cite duas características deste tipo de conhecimento. 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
 
10. O que significa a “operatividade” e a “objetividade” no conhecimento 
científico? 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
46 
Filosofia e Lógica 
 
47 
 
O NASCIMENTO DA 
FILOSOFIA E O SEU 
ESTABELECIMENTO 
ENQUANTO CONHECIMENTO 
RACIONAL 
 
A origem da Filosofia. 
A questão do Mito. 
O nascimento da Filosofia: a passagem do Mito para a Razão. 
 
3 
Filosofia e Lógica 
 
48 
 
Na unidade anterior, compreendemos que a Filosofia é apenas uma forma de 
compreender a realidade. Nesta unidade, vamos mostrar a você como a Filosofia 
nasceu e as condições para o seu surgimento na Grécia no século VI a.C.. 
Preparado? Vamos lá! 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
compreender as condições que permitiram o surgimento de uma nova forma 
de pensar denominada de Filosofia; problematizar a discussão, inicialmente, em 
torno do pensamento mítico, mostrando que a Filosofia se inicia a partir deste 
pensamento; mostrar as principais características da Filosofia em seu nascimento 
na Grécia e o que especulavam os primeiros filósofos. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• A origem da Filosofia. 
• A questão do Mito. 
• O nascimento da Filosofia: a passagem do Mito para a Razão. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
49 
 
A origem da filosofia 
 
A questão sobre a origem da Filosofia pergunta como a Filosofia começa, ou 
seja, como ocorre o seu nascimento. A tendência de todo e qualquer estudioso no 
assunto é responder a esta questão através da exposição sobre o antigo “mundo 
grego” e um relato das questões que intrigavam os gregos, entre os séculos VI a.C. 
e IV a.C, na Ásia menor. Essa tendência imediata é fundamental para a 
compreensão histórica do surgimento da Filosofia. 
O nascimento da Filosofia pressupõe uma ruptura com certo modo de 
pensamento predominante na Grécia Antiga. Alguns historiadores da Filosofia 
costumam afirmar que a Filosofia surge quando se abandona o mito, substituindo-
o pela “explicação racional”. A “explicação racional” de que 
falamos é aquilo que o logos expressa, isto é, a razão. Assim, 
a Filosofia surge, pois, quando o logos (razão) substitui o 
mito na função de explicação da realidade. 
Essenovo modo de interpretar a realidade é 
considerado oposto ao pensamento mítico (mito). É como 
se na Grécia, no século VI a.C., os homens tomassem 
consciência de que a realidade que os cercava não era algo 
de tão misterioso, celestial e divino, mas ao contrário, podia 
ser perfeitamente conhecido através da razão ou de um 
discurso racional. O descrédito com que a explicação mítica 
apresentava-se dentro da sociedade grega é, portanto, o que tornará possível o 
nascimento de uma nova forma de interpretação da realidade: a Filosofia.
Logos – Essa palavra 
sintetiza vários 
significados em 
português, como por 
exemplo, narrar, 
proferir, falar, refletir, 
mas daremos 
preferência ao seu 
significado como razão. 
Filosofia e Lógica 
 
50 
 
Vejamos como isto aconteceu. 
 
A questão do mito 
 
Na antiguidade, antes do estabelecimento da Filosofia enquanto saber 
racional, os mitos eram a principal forma de compreensão da realidade, da origem 
do universo e do funcionamento da natureza. Originalmente 
em grego, Mythos designa uma palavra formulada, quer se 
trata de uma narrativa, de um diálogo ou de uma 
anunciação. Dessa forma, o mito é um conjunto de 
narrativas e doutrinas tradicionais dos poetas ou rapsodos 
(aedos) acerca do mundo, do homem e de Deus. Como um 
conjunto de narrativas e doutrinas, isto é, o mito caracteriza-
se por oferecer uma explicação da realidade através de um 
conjunto de relatos fantasiosos por intermédio de uma 
linguagem simbólica e misteriosa. 
Para Eliade (1986, p. 7): 
“(...) o mito narra como, graças às façanhas dos entes 
sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, seja ela 
uma realidade total, isto é, o Cosmo ou apenas um 
fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um 
comportamento humano, uma instituição. É sempre, 
portanto, uma narrativa de uma “criação”: Ele relata de que 
modo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do 
que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente.” 
Mito vem da palavra 
grega Mythos que 
significa discurso, 
rumor, palavra 
proferida, conselho e 
prescrição. 
Filosofia e Lógica 
 
51 
 
Conforme a citação acima, os mitos descrevem 
essencialmente a origem de alguma coisa (o universo, o homem, 
o mal, o trabalho, as estações do ano, etc.) através de uma 
linguagem própria e não-racional. A narração sobre a origem é 
designada de genealogia, ou seja, uma narrativa acerca da 
geração, do nascimento de algo. 
Consideremos um exemplo da narrativa mítica a obra do 
poeta Grego Hesíodo (séc. VIII-VII a.C.) ‘Teogonia’. Nessa obra, 
Hesíodo declama que é a partir do “caos primordial” que surgem 
as divindades Eros (amor) e Gaia (terra). Esta, portanto, dá origem 
a Urano (céu) e Pontos (mar) sozinha, isto é, por meio da 
segregação. Depois, unindo-se a Urano graças à influência de 
Eros – princípio da coesão do universo -, Gaia dá início às gerações divinas. O 
trecho a seguir expõe a explicação mítica para a origem da noite, da dor e dos 
combates: 
 
“Noite pariu hediondo Lote, Sorte negra e Morte, pariu Sono 
e pariu a grei dos Sonhos. A seguir, Escárnio e Miséria cheia 
de Dor. Com nenhum conúbio divino pariu-os a Noite 
trevosa. As Hespérides que vigiam além do ínclito Oceano 
Belas macas de ouro e as árvores frutificantes Pariu e as 
Partes e as Sortes que punem sem dó: Fiadeira, Distributiz e 
Inflexível que os mortais tão logo nascidos dão haveres de 
bem e de mal (...)” (HESÍODO Apud SOUZA, 1995, p. 40). 
 
Percebeu como a linguagem mítica é repleta de símbolos sobrenaturais 
através dos quais as “forças emergentes” vão se transformando em divindades: a 
Terra é Gaia, o Céu é Urano, o Tempo é Cronos. Esses seres nascem, portanto, ora 
da segregação, ora pela intervenção de Eros (Amor). Através desse exemplo, 
podemos perceber que o pensamento mítico apela para uma explicação da 
realidade fazendo uso do sobrenatural e do mistério. São os Deuses, as divindades 
que governam a realidade, a natureza e o próprio homem. O mito não pode ser 
desprezado enquanto uma interpretação da realidade, ele possui uma função 
muito importante dentro de uma cultura específica. 
Genealogia: 
Essa palavra na 
terminologia 
grega génos, 
significa 
nascimento, 
tempo, origem, 
lugar e 
condição do 
nascimento. 
Filosofia e Lógica 
 
52 
 
Segundo Buzzi (1992, p. 81), 
“O conhecimento expresso em mitos traduz uma intelecção 
do ser de validade originária e primária, que se coloca num 
plano diferente da lógica racional, mas dotado de igual 
dignidade.” 
 
Na visão de Buzzi, o mito apesar de se contrapor à razão (lógica racional) 
também possui a sua função coerente dentro do contexto da cultura Grega. 
Podemos considerar como papel do mito acomodar e tranquilizar o ser humano 
diante dos acontecimentos do mundo, fornecendo uma base de sustentação para 
o bem viver. 
De acordo com Marcondes (2001, p. 21), 
“De fato, desse ponto de vista, o pensamento mítico tem 
uma característica até certo ponto paradoxal. Se, por um 
lado, pretende fornecer uma explicação da realidade, por 
outro, recorre nessa explicação ao mistério e ao sobrenatural, 
ou seja, exatamente aquilo que não se pode explicar, que 
não se pode compreender por estar fora do plano da 
compreensão humana. A explicação dada pelo pensamento 
mítico esbarra assim no inexplicável, impossibilidade do 
conhecimento.” 
 
Isto justifica porque a explicação mítica vai perdendo sua relevância dentro da 
sociedade grega que tem como consequência o nascimento da Filosofia. O 
aparecimento da Filosofia tem a ver com um rompimento com o pensamento 
mítico à medida que este não satisfaz plenamente a uma explicação coerente e 
racional sobre a realidade. 
No próximo tópico analisaremos como se dá exatamente esse rompimento 
com o pensamento mítico e como a partir dele nasce a Filosofia. 
 
Filosofia e Lógica 
 
53 
 
O nascimento da filosofia: a passagem do mito à razão 
 
 
Foi utilizando o significado do mito na Grécia que afirmamos que o 
nascimento da Filosofia representa um rompimento, uma passagem do 
pensamento mítico para o pensamento racional. No entanto, devemos ressaltar 
que a Filosofia não nasceu na Grécia repentinamente, de uma hora para outra, mas 
é fruto de um longo processo o qual teve início com o pensamento mítico. 
Devemos, neste instante, nos perguntar: O que tornou possível o surgimento da 
Filosofia na Grécia no século VI a.C.? Quais as condições para que tal fato 
acontecesse? 
 
Filosofia e Lógica 
 
54 
IMPORTANTE 
Podemos apontar alguns fatores que levaram os Gregos a filosofar. 
Dentre eles, o comércio assume importância definitiva, possibilitando o 
desenvolvimento da moeda. A viagem entre os Gregos possibilitou a aquisição de 
novos conhecimentos técnicos e geográficos através do contato com outras 
civilizações e diferentes formas de vida. Nas mentes mais despertas, a sabedoria 
popular, representada pelos ensinamentos rotineiros dos poetas, começa a 
aparecer inadequada. No que diz respeito à moral, os valores bélicos e 
aristocráticos encontram-se defasados, já que as relações comerciais exigem 
normas de justiça e de direito como base para as trocas. O conhecimento dos 
outros povos pelos gregos cria a convicção de que cada povo e cada raça 
representavam de maneira diversa os deuses. Em suma, todos esses motivos levam 
os gregos a acreditar que a interpretação da realidade e da convivência humana 
deve assentar-se em bases inteligíveis e racionais. 
 
É nesse sentido que o pensamento mítico vai 
paulatinamente perdendo sentido e deixando de 
satisfazer às necessidades de uma nova sociedade, 
preocupada, sobretudo, com a realidade concreta e com a 
atividade política intensa à medida que cria as condições 
favoráveis para o surgimento de um pensamento mais 
racional. 
A explicação racional (logos) começa quando a ideia 
de uma explicação divina sobre as coisas cede lugar a uma 
explicação provenienteda própria natureza. Portanto, foi 
o mundo natural que despertou nos primeiros filósofos o 
exercício de uma especulação racional. Por esta razão é que Aristóteles denomina 
os primeiros filósofos de físicos na medida em que as suas especulações buscam 
fornecer uma explicação causal dos processos e dos fenômenos naturais a partir 
de causas genuinamente naturais, ou seja, no âmbito da natureza e não em mundo 
sobrenatural e divino como as explicações míticas. É sob essa perspectiva que se 
permite compreender tanto a originalidade como a transcendência histórica da 
interrogação dos primeiros filósofos gregos sobre a arché ou o princípio último. 
 
Explicação causal - 
Princípio fundamental da 
razão aplicada segundo o 
qual “todo o fenômeno 
possui uma causa”, “tudo o 
que acontece ou começa a 
ser supõe, antes dele, algo 
do qual resulta segundo 
uma regra” (Kant). 
Filosofia e Lógica 
 
55 
 
De início, o princípio único que os primeiros filósofos buscavam, isto é, a arché 
(princípio fundamental), é retirada da natureza, embora tendo um valor ideal, 
mantém, por assim dizer, uma consistência concreta. As especulações em busca 
das causas (arché) são, portanto, o objeto de investigação e preocupação dos 
primeiros filósofos, denominados de Pré-socráticos. No entanto, como a procura da 
arché não poderia ser de ordem sobrenatural e misteriosa, esta reporta 
necessariamente aos eventos naturais. Tais eventos são denominados por estes 
filósofos originários de physis (natureza). Diante disso, é possível compreender que 
a própria interrogação acerca da arché (princípio) nos remeta para a ideia de physis 
e esta abarque as ideias de origem, substrato e causa primeira. Aquilo que os Pré-
socráticos procuravam como arché nada mais poderia ser do que a própria physis, 
ou seja, um princípio natural, proveniente da natureza. 
Assim com uma originalidade estupenda, Tales de Mileto, considerado o 
primeiro a especular a realidade sobre bases naturais, portanto, o primeiro filósofo 
propriamente dito de que se tem notícia, sustentou ser a arché um princípio 
puramente natural (physis), ou seja, a água. Temos, então, a água como um 
princípio imanente, natural e concreto no qual tudo se origina. Segundo Tales, a 
água, ao se resfriar, torna-se densa e dá origem a terra; ao se aquecer transforma-se 
em vapor e ar, que retornam como chuva quando novamente resfriada. Sugestão: 
inserir figura de representação da água. 
Para Marcondes (2001, p. 25), 
“É claro que a água tomada como primeiro princípio é muito 
diferente da água de nossa experiência comum, que 
bebemos ou que encontramos em rios, mares, e lagos. Trata-
se realmente de um princípio, tomado aqui como 
simbolizando um elemento líquido ou fluido real como o 
mais básico, mais primordial; ou ainda a água como 
elemento presente em todas as coisas em maior e menor 
grau.” 
 
Filosofia e Lógica 
 
56 
 
O que Marcondes quer dizer é que não possui importância a escolha de Tales 
no que diz respeito à água como a sua physis, mas sim sua contribuição de 
formulação em bases próprias a ideia de um elemento primordial que fornece uma 
explicação não-divina ou sobrenatural como faziam os mitos, mas unicamente 
natural. 
Sobre esse ponto, vejamos o comentário de Nietzsche na sua obra A Filosofia 
na idade trágica dos Gregos (1995, p. 27): 
“A filosofia grega parece começar com a ideia absurda, com a 
proposição de que a água é a origem de todas e o seio 
materno de todas as coisas. Será realmente necessário parar 
aqui e levar esta ideia adiante? Sim, e por três razões: 
primeiro, porque a proposição sugere algo acerca da origem 
das coisas; em segundo lugar, porque faz isso sem imagens e 
fábulas; e, finalmente, porque contém, embora em estado de 
crisálida, a ideia de que tudo é um. A primeira dessas três 
razões ainda deixa Tales na comunidade dos homens 
religiosos e supersticiosos, a segunda separa-o dessa 
sociedade e mostra-o como investigador da natureza, a 
terceira faz de Tales o primeiro filósofo grego.” 
 
A busca da arché, um princípio originário, conflita com forças que, por sua vez, 
precisam ser enquadradas em um princípio diferente. Essa dificuldade não é 
exclusividade de Tales, é da própria Filosofia, que se desenvolve tentando resolvê-
la. Se Tales aparece como iniciador da Filosofia, é porque seu esforço em busca de 
um princípio único da explicação da realidade não só constitui o ideal da Filosofia 
como também lhe forneceu o impulso para se desenvolver. Diferentes pensadores 
buscaram, portanto, o princípio explicativo para a questão da arché e da physis, 
assim, por exemplo, os sucessores de Tales, Anaximandro e Anaxímenes 
compreenderam que a physis era o ar e o apeíron. Para Pitágoras era o número. 
Heráclito dizia ser o fogo o princípio primeiro de todas as coisas. Demócrito, o 
átomo e assim sucessivamente. 
Filosofia e Lógica 
 
57 
 
A interrogação dos filósofos gregos acerca do princípio ou princípios da 
totalidade do real representa, pois, uma dupla característica: a sua radicalidade, na 
medida em que pretende alcançar o princípio ou os princípios últimos e originários 
e a sua universalidade, em que aspira atingir o princípio ou os princípios do real. 
Trata-se, portanto, de uma interrogação filosófica ou, mais exatamente, trata-se da 
interpretação com a qual se inicia a Filosofia. 
Na visão de Marcondes (2001, p. 27): 
“Um dos aspectos mais fundamentais do saber que se 
constitui nessas primeiras escolas de pensamento, 
sobretudo na escola jônica, é o seu caráter crítico. Isto é, as 
teorias aí formuladas não o eram de forma dogmática, não 
eram apresentadas como verdades absolutas e definitivas, 
mas como formulações e propostas alternativas. Como se 
trata de construções do pensamento humano, de ideias 
de um filósofo – e não de verdades reveladas, de caráter 
divino ou sobrenatural. Estão sempre abertas à discussão, 
à reformulação, a correções. O que pode ser ilustrado pelo 
fato de que, na escola de Mileto, os dois principais 
seguidores de Tales, Anaxímenes e Anaximandro, não 
aceitaram a ideia do mestre de que a água seria o 
elemento primordial, postulando outros elementos, 
respectivamente o ar e o apeíron, como tendo esta 
função. Isso pode ser tomado como um sinal de que nessa 
escola filosófica o debate, a divergência e a formulação de 
novas hipóteses eram estimuladas.” 
 
Na verdade, quando esse debate foi instaurado em lugar da transmissão 
dogmática dos mitos, esses filósofos demonstraram nada mais do que a principal 
característica da Filosofia, isto é, a atitude crítica. 
 
Filosofia e Lógica 
 
58 
 
Atitude crítica - A palavra crítica vem do grego e significa capacidade de julgar, 
discernir e decidir corretamente. Também significa a atividade de examinar e 
avaliar detalhadamente uma ideia, um valor ou um costume. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. 4ª 
Edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992. 360 p. 
NIETZSCHE, F. A Filosofia na idade trágica dos Gregos. 1ª 
edição. Lisboa: Edições 70, 1995. 112p. 
 
VÍDEO 
Fúria de Titãs. Diretor: Desmond Davis. Duração: 117 min. 
Hécules. Diretor: John Musker e Ron Clements. Duração: 117 min. 
 
 
É HORA DE AVALIAR: 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, 
além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso 
prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Nessa unidade, entendemos a explicação sobre o nascimento da Filosofia. 
Vimos que este fato está diretamente ligado à ruptura com o pensamento mítico. 
Dessa forma, ao romper com o mito, a Filosofia cria uma nova forma de 
interpretação da realidade construída em bases puramente racionais.Na próxima 
unidade, convidamos você a conhecer como esse tipo de pensamento se 
desenvolveu ao longo da história. Trata-se de conhecer as divisões fundamentais 
da história da filosofia. Encontro você na próxima unidade!
Filosofia e Lógica 
 
59 
 
Exercícios – unidade 3 
 
1. O que a problemática sobre a origem da filosofia pressupõe? 
a) A pergunta como a Filosofia terminou, ou seja, como ocorre a sua finalização. 
b) A pergunta como os Romanos não conseguiram inventar uma nova atitude de 
pensamento. 
c) A indagação de como a Filosofia começa, ou seja, como ocorre o seu 
nascimento. 
d) A pergunta sobre como a Filosofia não se desenvolveu no Brasil. 
e) A pergunta sobre como a Filosofia iniciou-se juntamente com os mitos. 
 
2. “Alguns historiadores da Filosofia costumam afirmar que a Filosofia surge 
quando se abandona o mito, substituindo-o pela “explicação racional.” 
Qual das alternativas abaixo explica a afirmação acima? 
a) Isto quer dizer que o nascimento da Filosofia não pressupõe uma ruptura com 
nenhum modo de pensamento. 
b) Isto quer dizer que o nascimento da Filosofia pressupõe uma ruptura com um 
modo de pensamento predominante na Grécia. 
c) Isto quer dizer que o nascimento da Filosofia não interferiu em nada na 
estrutura predominante na Grécia. 
d) Isto quer dizer que o nascimento da Filosofia nada tem a ver com uma ruptura 
na estrutura predominante na Grécia. 
e) Isto quer dizer que o nascimento da Filosofia pode ser interpretado como uma 
convergência entre a poesia e a razão. 
 
Filosofia e Lógica 
 
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3. Pode-se dizer que a filosofia surge quando: 
a) o logos (razão) substitui o mito na função de explicação da realidade. 
b) Tales observa que o fogo é o princípio de toda a realidade. 
c) o logos (razão) substitui os Gregos na função de explicação da realidade. 
d) a realidade passa a ser interpretada com um cunho fundamentalmente 
religioso. 
e) a realidade passa a ser interpretada com um cunho fundamentalmente 
surreal. 
 
4. Dentre as alternativas abaixo, qual delas é diz respeito à caracterização de 
“Mito”? 
a) Um conjunto de narrativas e doutrinas. O mito caracteriza-se por oferecer uma 
explicação da realidade através de um conjunto de relatos racionais, por 
intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
b) Um conjunto de narrativas e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos 
fantasiosos por intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
c) Um conjunto de livros e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por oferecer 
uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos físicos, por 
intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
d) Um conjunto de narrativas e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por 
oferecer uma explicação da realidade através de um conjunto de relatos 
físicos, por intermédio da linguagem matemática. 
e) Um conjunto de livros e doutrinas, ou seja, o mito caracteriza-se por oferecer 
uma explicação da realidade através de um conjunto de obras filosóficas, por 
intermédio de uma linguagem simbólica e misteriosa. 
 
5. A relação entre o pensamento racional e o mítico é entendida de que forma? 
a) Uma relação de dependência. 
b) Uma relação de assimetria. 
c) Uma relação de identidade. 
d) Uma relação de oposição. 
e) Uma relação de consignação. 
Filosofia e Lógica 
 
61 
 
6. Qual o correto significado do termo “genealogia”? 
a) O uso genético de uma explicação. 
b) A genética enquanto explicação misteriosa. 
c) Um discurso racional acerca da geração. 
d) Uma narrativa acerca da geração. 
e) O uso fantasioso de uma causa racional. 
 
7. Por que para Marcondes (2001) o mito é uma explicação paradoxal? 
a) Porque se por um lado pretende fornecer uma explicação da realidade, por 
outro, recorre nessa explicação ao mistério e ao racional, ou seja, exatamente 
aquilo que não se pode explicar, que não se pode compreender por estar fora 
do plano da compreensão humana. 
b) Porque se por um lado pretende fornecer uma explicação da realidade, por 
outro não consegue uma explicação suficiente do mistério e do sobrenatural, 
ou seja, exatamente aquilo que não se pode explicar, que não se pode 
compreender por estar fora do plano da compreensão humana. 
c) Porque se por um lado pretende fornecer uma explicação da racionalidade 
humana, por outro recorre nessa explicação ao mistério e ao sobrenatural, ou 
seja, exatamente aquilo que não se quer explicar, pois não pode compreender 
aquilo que está fora do plano da compreensão humana. 
d) Porque se por um lado pretende fornecer uma explicação da realidade, por 
outro recorre nessa explicação ao mistério e ao sobrenatural, ou seja, 
exatamente aquilo que não se pode explicar, que não se pode compreender 
por estar fora do plano da compreensão humana. 
e) Porque se por um lado não pretende fornecer uma explicação da realidade, 
por outro pretende recorrer a uma explicação diferente do mistério e do 
sobrenatural, ou seja, exatamente aquilo que não se pode explicar, que não se 
pode compreender por estar fora do plano da compreensão humana. 
 
Filosofia e Lógica 
 
62 
 
8. Sobre o que se interrogavam os primeiros filósofos, podemos afirmar que: 
a) os primeiros filósofos gregos buscavam compreender como a filosofia se 
emancipou do mito. 
b) os primeiros filósofos gregos interrogam sobre a arché ou o princípio último. 
c) os primeiros filósofos gregos buscavam compreender como a água era o 
princípio fundamental. 
d) os primeiros filósofos gregos buscavam compreender porque o Eros e não o 
sol era o princípio das coisas. 
e) os primeiros filósofos gregos buscavam compreender porque ora a água era 
um princípio ora o fogo era uma espécie de mito. 
 
9. Alguns fatores possibilitaram que a Filosofia surgisse na Grécia. Quais são os 
fatores que levaram os gregos a filosofar? 
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10. Qual foi a importância de Tales de Mileto no desenvolvimento da Filosofia? 
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63 
 
A filosofia conta a sua 
história: os principais 
períodos da história da 
filosofia 
Os períodos da Filosofia ao longo da História. 
A Filosofia Antiga: Os períodos da Filosofia grega. 
A Filosofia Medieval e o Cristianismo: O conflito entre Fé e Razão. 
A Filosofia Moderna e a Nova Atitude Científica. 
A Filosofia Contemporânea: problemas e questões fundamentais. 
4 
Filosofia e Lógica 
 
64 
 
Como ciência, a Filosofia pode ser estudada no seu desenvolvimento e 
evolução no tempo, o que chamamos de História da Filosofia. O estudo da História 
da Filosofia não pode substituir o estudo da filosofia propriamente dita, mas é um 
precioso auxílio para compreender como as diversas correntes filosóficas 
desenvolveram-se no tempo e chegaram a determinadas conclusões. Assim, o 
estudo da história deve andar lado a lado com o estudo da Filosofia sistemática. 
Convidovocê a acompanhar conosco a evolução histórica da Filosofia. Então, 
vamos lá! 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: 
Compreender a evolução da Filosofia através dos principais períodos da sua 
história. Trata-se, portanto, de percorrer a história da Filosofia através dos seus 
momentos e dos tipos de abordagem que variam ao longo da história da 
humanidade. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• Os períodos da Filosofia ao longo da História. 
• A Filosofia Antiga: Os períodos da Filosofia grega. 
• A Filosofia Medieval e o Cristianismo: O conflito entre Fé e Razão. 
• A Filosofia Moderna e a Nova Atitude Científica. 
• A Filosofia Contemporânea: problemas e questões fundamentais. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
65 
 
Os períodos da filosofia ao longo da história 
 
A partir do seu nascimento e ao longo dos séculos, a Filosofia teve um 
conjunto de preocupações, indagações e interesses que são peculiares de cada 
época e de cada filósofo. Examinemos, brevemente, os conteúdos que a Filosofia 
apresentou no decorrer de vinte e cinco séculos. Comecemos, então pela Filosofia 
Antiga. 
 
A filosofia antiga: os períodos da filosofia grega 
 
Para Chauí (2005, p. 38), “a história da Grécia costuma ser dividida pelos 
historiadores em quatro grandes fases ou épocas”: 
• “A da Grécia homérica, correspondente aos 400 anos narrados pelo poeta 
Homero, em seus dois grandes poemas, Ilíada e Odisséia”; 
• “A da Grécia arcaica ou dos sete sábios, do século VII ao século V antes de 
Cristo, quando os gregos criam cidades como Atenas, Esparta, Tebas, 
Megara, Samos, etc., e predomina a economia urbana, baseada no 
artesanato e no comércio”; 
• “A da Grécia clássica, nos séculos V e IV antes de Cristo, quando a 
democracia se desenvolve, a vida intelectual e artística entra no apogeu e 
Atenas domina a Grécia com seu império comercial e militar”; 
• “A época helenística, a partir do final do século IV antes de Cristo, quando a 
Grécia passa para o poderio do império de Alexandre da Macedônia, e, 
depois, para as mãos do Império Romano, terminando a história de sua 
existência independente. Os períodos da Filosofia não correspondem 
exatamente a essas épocas, já que ela não existe na Grécia homérica e só 
aparece nos meados da Grécia arcaica. Entretanto, o apogeu da Filosofia 
acontece durante o apogeu da cultura e da sociedade grega; portanto, 
durante a Grécia clássica. Os quatro grandes períodos da Filosofia grega, 
nos quais seu conteúdo muda e se enriquece são”:
Filosofia e Lógica 
 
66 
 
• “Período pré-socrático ou cosmológico, do final do século VII ao 
final do século V a.C., quando a Filosofia se ocupa 
fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das 
transformações na Natureza”. Os historiadores da filosofia costumam 
dividir a Filosofia grega em dois períodos: antes e depois de 
Sócrates. Assim, os filósofos anteriores a Sócrates são denominados 
de pré-socráticos e escreveram obras que, no entanto, não foram 
conservadas. Tudo aquilo que se sabe sobre estes filósofos é 
indireto, ou seja, baseado em pequenos trechos de seus escritos, 
citados por outros filósofos que vieram depois deles (os fragmentos 
dos pré-socráticos) e em descrições feitas por autores posteriores a 
Sócrates (os comentários ou doxografias). 
 
As principais escolas filosóficas do período pré-socrático foram: 
• Filósofos da Escola Jônica: a Escola Jônica, assim chamada por ter 
florescido nas colônias jônicas da Ásia Menor. A escola jônica é 
também a primeira do período naturalista, preocupando-se os seus 
expoentes em achar a substância única, a causa, o princípio do 
mundo natural, múltiplo e mutável (physis). Essa escola floresceu 
precisamente em Mileto, colônia grega do litoral da Ásia Menor, 
durante todo o VI século, até a destruição da cidade pelos persas no 
ano de 494 a.C., prolongando-se, porém, ainda pelo V século. 
 Os mais conhecidos filósofos desta escola são: 
• Tales de Mileto (625-558 a.C.): Tales foi comerciante de sal e de 
azeite de oliva e enriqueceu como proprietário de prensas de 
azeitona durante uma safra promissora. Sabe-se que Tales previu um 
eclipse ocorrido em 585 a.C. De suas ideias quase nada é conhecido. 
Aristóteles o denomina de fundador da filosofia e lembra que a sua 
doutrina baseia-se na água como o elemento primordial de todas as 
coisas (physis, fonte originária, gênese), e que para suportar as 
transformações e permanecer inalterada, a água deveria ser um 
elemento eterno. Atribui-se a Tales a afirmação de que “todas as
Filosofia e Lógica 
 
67 
 
coisas estão cheias de deuses”. Essa afirmação representa não um 
retorno a concepções míticas, mas simplesmente a ideia de que o 
universo é dotado de animação, de que a matéria é viva (hilozoísmo). 
Além disso, elaborou uma teoria para explicar as inundações do Nilo, 
e atribui-se a Tales a solução de diversos problemas geométricos 
(exemplo: teorema de Pitágoras). Tales, com essa afirmação, queria 
descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as 
coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres. 
 
Principais fragmentos do seu pensamento: “(...) a água é o princípio de todas 
as coisas(...)”; (...) todas as coisas estão cheias de deuses(...)”; “(...) a pedra magnética 
possui uma alma porque move o ferro(...)” 
• Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.): Discípulo e sucessor de 
Tales. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um 
elemento particular; todas as coisas são limitadas e o limitado não 
pode ser, sem injustiça, a origem das coisas. Do ilimitado surgem 
inúmeros mundos e estabelece-se a multiplicidade; a gênese das 
coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos 
contrários em consequência do movimento eterno. Para 
Anaximandro o princípio das coisas, isto é, arché - não era algo 
visível -; era uma substância etérea ou infinita. Chamou a essa 
substância de apeíron (indeterminado, infinito). O apeíron seria uma 
“massa geradora” dos seres, contendo em si todos os elementos 
contrários. Anaximandro tinha um argumento contra Tales: o ar é 
frio, a água é úmida, e o fogo é quente, e essas coisas são 
antagônicas entre si, portanto, um elemento primordial não poderia 
ser um dos elementos visíveis, teria que ser um elemento neutro, 
que está presente em tudo, mas está invisível. Esse filósofo foi o 
iniciador da astronomia grega. Foi o primeiro a formular o conceito 
de uma lei universal presidindo o processo cósmico totalmente. De 
acordo com ele, para que o vir-a-ser não cesse, o ser originário tem 
de ser indeterminado. Estando, assim, acima do vir-a-ser e 
garantindo, por isso, a eternidade e o curso do vir-a-ser. O seu 
fragmento refere-se a uma unidade primordial, da qual nascem 
todas as coisas e à qual retornam todas as coisas. Anaximandro 
recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular. 
Filosofia e Lógica 
 
68 
 
Principais fragmentos do seu pensamento: “(...) o ilimitado é eterno(...)”; ”(...) o 
ilimitado é imortal e indissolúvel(...)” 
• Heráclito de Éfeso (540-476 a.C.): Heráclito nasceu em Éfeso, 
cidade da Jônia, de família que ainda conservava prerrogativas 
reais, isto é, descendentes do fundador da cidade. Seu caráter altivo, 
misantrópico e melancólico ficou marcado em toda a antiguidade. 
Recusou-se sempre a intervir na política. Além disso, manifestou 
desprezo pelos antigos poetas, contra os filósofos de seu tempo e 
até contra a religião. Sem ter sido mestre, Heráclito escreveu um 
livro Sobre a Natureza, em prosa, no dialeto jônico, mas de forma tão 
concisa que recebeu o cognome de Skoteinós, o Obscuro. Por conta 
disso, Heráclito é por muitos considerados o mais eminente 
pensador pré-socrático, por formular com vigor o problema da 
unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade 
das coisas particulares e transitórias. Estabeleceu a existência de 
uma lei universal e fixa o Lógos regedora de todos osacontecimentos particulares e fundamento da harmonia universal. 
Harmonia feita de tensões: “como a do arco e da lira”. 
 
Principais fragmentos do seu pensamento: “(...) Todas as coisas estão em 
movimento(...)”; “(...) O movimento se processa através de contrários(...)” ; ”(...) 
Tudo se faz por contraste; da luta dos contrários nasce a mais bela 
harmonia(...)”;”(...) descemos e não descemos no mesmo rio; somos e não 
somos(...)” 
• Filósofos da Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e 
Árquitas de Tarento; 
• Filósofos da Escola Eleata: Parmênides de Eléia e Zenão de Eléia; 
• Filósofos da Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, 
Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de Abdera e Demócrito de 
Abdera. 
 
Filosofia e Lógica 
 
69 
 
• “Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo o 
século IV a.C., quando a Filosofia investiga as questões humanas, 
isto é, a ética, a política e a técnica (em grego, ântropos quer dizer 
homem; por isso o período recebeu o nome de antropológico)”. O 
principal representante dessa fase da filosofia foi Sócrates. Ele 
nasceu em Atenas, provavelmente no ano de 470 a.C. e tornou-se 
um dos principais pensadores da Grécia Antiga. Podemos afirmar 
que Sócrates fundou o que conhecemos hoje por filosofia ocidental. 
Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante 
filósofo grego: Anaxágoras. Seus primeiros estudos e pensamentos 
discorrem sobre a essência da alma humana. Conhecemos seus 
pensamentos e ideias através das obras de dois de seus discípulos: 
Platão e Xenofontes. Infelizmente, Sócrates não deixou por escrito 
seus pensamentos. Ele não foi muito bem aceito por parte da 
aristocracia grega, pois defendia algumas ideias contrárias ao 
funcionamento da sociedade. Criticou muitos aspectos da cultura 
grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e 
costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos 
cidadãos gregos. 
• “Período sistemático, do final do século IV ao final do século III a.C. , 
quando a Filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi 
pensado sobre a cosmologia e a antropologia, interessando-se, 
sobretudo, em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento 
filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas 
demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os 
critérios da verdade e da ciência”. 
• “Período helenístico ou greco-romano, do final do século III a.C. até 
o século VI depois de Cristo. Nesse longo período, que já alcança 
Roma e o pensamento dos primeiros padres da Igreja, a Filosofia se 
ocupa, sobretudo, com as questões da ética, do conhecimento 
humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos 
com Deus. Pode-se perceber que os dois primeiros períodos da 
Filosofia grega têm como referência o filósofo Sócrates de Atenas, 
donde a divisão em Filosofia pré-socrática e socrática”. 
Filosofia e Lógica 
 
70 
 
A filosofia medieval e o cristianismo: 
o conflito entre fé e razão 
 
Ao longo do século V d.C., o Império Romano do Ocidente sofreu constantes 
ataques dos povos bárbaros. Do confronto desses povos com a civilização romana 
decadente, desenvolveu-se uma nova forma de vida social, política e econômica na 
Europa correspondente ao período medieval. Em meio ao esmagamento do 
Império Romano, decorrente, em parte, das invasões germânicas, a igreja católica 
conseguiu manter-se como instituição social organizada. A igreja consolidou a sua 
estrutura religiosa e difundiu o cristianismo entre os povos “bárbaros”, preservando 
vários elementos da cultura pagã greco-romana. Nesse contexto, surge a filosofia 
cristã – bastante influenciada pelo cristianismo, predominou no Ocidente, 
principalmente na Europa, entre os séculos I ao século XIV d.C. Sugestão: inserir 
figura do período Medieval. 
Alguns historiadores da Filosofia costumam dividir a Filosofia cristã em duas 
grandes épocas: a primeira, que se inicia no século I d.C. e vai até o século V d.C., 
denominada de Filosofia Patrística; a segunda, por sua vez, inicia-se no século X 
d.C. e vai até o século XIV, e corresponde a chamada Filosofia Escolástica ou 
Medieval, propriamente dita. 
IMPORTANTE 
 Para Silveira da Costa (2002, cap. 2, p. 88), 
“O problema central da filosofia cristã é o da conciliação das 
exigências da razão humana com a revelação divina. O modo de 
abordar e solucionar esse problema caracteriza suas duas etapas e, 
mais particularmente, a constituição e dissolução da escolástica 
medieval.” 
 
Os principais filósofos da Filosofia Patrística são: 
• São Justino: Estabelece um elo entre a filosofia pagã e o 
cristianismo; 
• Tertuliano: Para Tertuliano, não há uma concordância entre a razão 
humana e a revelação divina; 
Filosofia e Lógica 
 
71 
 
• Santo Agostinho: Nascido em Tagaste, província da África, 
Agostinho fora profundamente influenciado pelos clássicos, 
principalmente, por Platão. Entre as suas obras mais importantes 
está a Cidade de Deus que, influenciou decisivamente o rumo da 
cristandade medieval. 
Os principais filósofos da filosofia escolástica medieval são: 
• Santo Anselmo de Canterbury: Considerado o verdadeiro fundador da 
escolástica. Seu intuito era o de retomar e inovar o projeto de Santo Agostinho de 
compreender a razão como revelação. Santo Anselmo foi o formulador do célebre 
“argumento ontológico”, que caracteriza muito bem o estilo dos filósofos 
medievais de filosofar e o tratamento fornecido às questões que dizem respeito à 
aproximação entre a teologia e a filosofia. 
• Pedro Abelardo: Aberlardo, juntamente com Santo Anselmo, é 
considerado um dos fundadores da escolástica. Seu esforço dirige-se no sentido de 
explicar racionalmente as verdades da fé, ultrapassando os limites aceitos pela 
ortodoxia ao submeter os dogmas às exigências críticas da dialética. 
• Santo Tomás de Aquino: A sua Filosofia representa uma verdadeira 
aproximação entre o cristianismo e o aristotelismo. Ao contrário de Santo 
Agostinho, São Tomás aproximou-se do pensamento de Platão, conseguindo, com 
isso, uma abertura de um novo rumo para o desenvolvimento da escolástica. 
• John Duns Scot: A Filosofia de Duns Scot representou uma das várias 
reações ao pensamento de São Tomás, que, segundo ele, implicava concessões em 
demasia à razão humana. 
• Guilherme Ockham: Representante legítimo do final da escolástica. Sua 
Filosofia se desenvolveu em torno da tese da separação entre fé e razão. 
 
Bem, traçamos de uma forma geral a Filosofia medieval. No tópico seguinte, 
você terá a oportunidade de examinar as características e os principais 
representantes da Filosofia Moderna. 
 
Filosofia e Lógica 
 
72 
 
A filosofia moderna e a nova atitude científica 
 
A Filosofia Moderna tem início com o pensamento de Descartes e o dos 
empiristas ingleses. É claro que a Filosofia moderna não nasceu de uma hora para 
outra, seu nascimento possui suas origens no humanismo do século XVI e pelas 
concepções científicas da época. 
A ideia de modernidade, segundo Marcondes (2001, p. 139) “está sempre 
relacionado para nós ao “novo”, àquilo que rompe com a tradição”. Trata-se de um 
termo ligado à transformação, à mudança. Ainda segundo Marcondes (2001, p. 
141), “a etimologia de “moderno” parece ser o advérbio latino “modo”, que 
significa “agora mesmo”; “neste instante”; “no momento”, portanto, designando o 
que nos é contemporâneo, e é este o sentido que “moderno” capta, opondo-se ao 
que é anterior e traçado, por assim dizer, uma linha ou divisão entre os dois 
períodos” 
Os principais filósofos do período da filosofia moderna são: 
• Renné Descartes: Considerado um dos “pais da filosofia moderna”, 
Descartes, aplicando a “dúvida metódica”, chegou à célebre conclusão: “penso, 
logo existo”. Através dessa conclusão, enquanto postulado fundamental da sua 
filosofia, Descartes construiu de forma sólida o edifício do conhecimento filosóficoda sua época. 
 
1- Os Empiristas: 
• Francis Bacon: Considerado um dos fundadores do método indutivo da 
investigação científica. Conhecido pela sua frase “conhecer é poder”, criticava o 
pensamento escolástico considerando-o meramente especulativo e abstrato. 
Bacon valorizava a pesquisa científica experimental; 
• John Locke: Afirmava que o homem, ao nascer, seria uma “tábua rasa”, 
ou seja, um papel em branco sem nenhuma ideia previamente escrita. Assim, a tese 
de Locke é que não existe nada em nossa mente que não tenha origem nos 
sentidos. Todas as ideias que possuímos são adquiridas pelo exercício da 
experiência sensorial; 
Filosofia e Lógica 
 
73 
 
• David Hume: Para Hume, tudo o que conhecemos são impressões (dados 
dos sentidos) ou ideias (representações mentais derivadas das impressões). Seu 
pensamento dirige-se ao questionamento da validade do raciocínio indutivo, 
afirmando que a repetição de um fato não nos possibilita concluir, pela lógica, que 
ele continuará a repetir-se indefinidamente; 
• George Berkeley: Defendeu a tese de que “ser é perceber e ser 
percebido”, reduzindo assim a realidade material à ideia que fazemos dela. 
 
2- Os Racionalistas: A filosofia de Descartes influenciou uma nova forma de 
pensamento na época moderna denominada de Racionalismo. O Racionalismo 
caracteriza-se como uma reflexão que enfatiza a razão humana como primordial no 
processo de conhecimento. 
• Pascal: Profundamente ligado ao movimento de Port-Royal, pretende 
conciliar a razão e a experiência religiosa; 
Sugestão: inserir figura de Pascal. 
• Spinoza: Formulador de uma “metafísica monista” baseada, sobretudo, 
na ideia de substância integrando metafísica e ética; 
• Leibiniz: Considera a lógica como o verdadeiro caminho para uma 
fundamentação do conhecimento, afastando-se da epistemologia e do 
racionalismo, como também, do empirismo. 
1- Os teóricos políticos da modernidade: Os principais pensadores da 
tradição política são Hobbes, Locke e Rousseau. São os formuladores do 
denominado “contrato social” como fundamento da sociedade organizada 
racionalmente. 
2- Kant e o kantismo: Immanuel Kant foi o formulador da filosofia crítica. 
Kant valorizou a importância dos “juízos sintéticos a priori” como o único capaz de 
ampliar o conhecimento humano. Além do mais, defendeu a tese da 
impossibilidade de conhecimento das coisas que estão além da experiência 
sensível. 
Filosofia e Lógica 
 
74 
 
3- G.W.F. Hegel: O mais importante filósofo do idealismo alemão e principal 
crítico do sistema kantiano. Considerado o último pensador da filosofia moderna, 
Hegel pensa a história inserida no centro do seu sistema filosófico, mostrando o 
modo filosófico de compreender a realidade baseada no conhecimento da 
evolução da história. 
4- Karl Marx: De início, profundamente influenciado pelo pensamento de 
Hegel, Marx desenvolve a sua filosofia como uma crítica ao idealismo através do 
método por ele criado, denominado de “materialismo histórico”; 
5- Idealismo alemão pós-kantiano: caracterizado, sobretudo, por indicar 
um novo rumo às ideias de Kant, ao abandonar o seu sentido crítico. Os principais 
representantes dessa corrente são: 
• Schopenhauer: Privilegia a vontade como um lugar central da interpretação 
da realidade; 
• Kierkegaard: Para Kierkegaard, a existência humana divide-se em três 
estágios: o estético, o ético e o religioso. Considerado o fundador do 
existencialismo e é um dos seus principais representantes. 
• F. Nietzsche: O principal crítico da tradição e de seus valores reais. 
Desenvolveu um niilismo baseado na afirmação da “morte de Deus”, ou seja, na 
rejeição à crença dos valores absolutos. O niilismo de valores faz surgir o “niilismo 
existencial”. No entanto, Nietzsche acreditava na possibilidade de superação de tal 
niilismo através de uma “transmutação dos valores” tradicionais e a criação de uma 
nova ordem capaz de gerar valores afirmativos da vida. 
 
Diante desse panorama geral que traçamos sobre o período moderno da 
Filosofia, no próximo tópico, examinaremos as principais características da 
denominada Filosofia contemporânea. 
 
Filosofia e Lógica 
 
75 
 
A filosofia contemporânea: 
problemas e questões fundamentais 
 
A contemporaneidade Filosófica caracteriza-se, sobretudo, como uma 
tentativa de encontrar respostas para a crise do projeto filosófico da era moderna. 
As principais correntes que a constitui visam atualizar o racionalismo e o 
fundacionismo característico da filosofia moderna, assim seu objetivo é o de 
romper com essa tradição através de uma crítica à subjetividade como o ponto de 
partida para a fundamentação do conhecimento e da ética. 
Em vez de caracterizarmos os filósofos principais desse período, 
consideraremos algumas correntes teóricas que surgiram na contemporaneidade, 
tais como: 
• Filosofia analítica da linguagem; 
• Semiótica; 
• Positivismo lógico; 
• A hermenêutica; 
• O estruturalismo; 
• A Fenomenologia; 
• O existencialismo; 
• A escola de Frankfurt. 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Filosofia e Lógica 
 
76 
 
Espero que você tenha compreendido os principais períodos da filosofia. Na 
próxima unidade, analisaremos os principais ramos de conhecimento em que a 
filosofia se divide. Até a próxima! 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
DELACAMPAGNE, Cristian. História da filosofia no séc. XX. 1ª edição. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. 308p. 
NUNES, Benedito. A filosofia contemporânea: trajetos iniciais. 2ª edição. São 
Paulo: Ática, 1991. 142p. 
 
 
VÍDEO 
O Nome da rosa. Diretor: Jean Jaques Annaud. Duração: 130 minutos. 
 
Filosofia e Lógica 
 
77 
 
Exercícios – unidade 4 
 
1. Qual dos filósofos abaixo é reconhecidamente um legítimo representante do 
período antigo da filosofia? 
a) Sócrates. 
b) Hegel. 
c) Kant. 
d) Karl Marx. 
e) Kierkegaard. 
 
2. Na divisão da história da filosofia, o período considerado “helenístico ou greco-
romano” compreende: 
a) o longo período em que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros 
Padres da Igreja. A Filosofia se ocupa, sobretudo, com as questões da ética, 
do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de 
ambos com Deus. 
b) o período em que a Filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, 
a política e as técnicas (em grego, ântropos quer dizer homem; por isso o 
período recebeu o nome de antropológico). 
c) do final do século IV ao final do século III a.C. 
d) o período em que o problema central da filosofia é o da conciliação das 
exigências da razão humana com a revelação divina. 
e) O período que se caracteriza como uma tentativa de encontrar respostas 
para a crise do projeto filosófico da era moderna. 
 
3. Qual das correntes filosóficas abaixo é representante do período contemporâneo 
da filosofia? 
a) Período pré-socrático. 
b) Positivismo lógico. 
c) Escola da Pluralidade. 
d) Empirismo. 
e) Escola Eleata. 
 
Filosofia e Lógica 
 
78 
 
4. Qual das questões abaixo não diz respeito ao problema central tratado pela 
filosofia cristã? 
a) Explicação racional sobre as verdades da fé. 
b) Influência direta do cristianismo. 
c) O “argumento ontológico”. 
d) A interdependência entre a subjetividade teológica e a razão pragmática. 
e) A conciliação das exigências da razão humana com a revelação divina. 
 
5. Qual dos filósofos abaixo apresentou uma das várias reações ao pensamento de 
São Tomás? 
a) John Duns Scot. 
b) Aristóteles. 
c) Kierkegaard. 
d) G.W.F. Hegel. 
e) Pascal. 
 
6. Dentre os filósofos abaixo, qualpode ser considerado um legítimo representante 
do pensamento do empirista inglês? 
a) Pascal. 
b) Descartes. 
c) Foucault. 
d) Locke. 
e) Tales de Mileto. 
 
7. Dentre as questões abaixo, qual delas é concernente com o núcleo central do 
pensamento dos filósofos políticos da modernidade? 
a) Formulação crítica do denominado “contrato social” como fundamento da 
sociedade organizada racionalmente. 
b) Visam atualizar o racionalismo e o fundacionismo característico da filosofia 
moderna, assim seu objetivo é o de romper com essa tradição através de 
uma crítica à subjetividade como o ponto de partida para a fundamentação 
do conhecimento e da ética. 
c) Formulação acrítica do denominado “contrato social” como fundamento da 
sociedade organizada racionalmente. 
Filosofia e Lógica 
 
79 
 
d) Visam desatualizar o irracionalismo e o fundacionismo característico da 
filosofia moderna, assim seu objetivo é o de romper com essa tradição 
através de uma crítica à subjetividade como o ponto de partida para a 
fundamentação do conhecimento e da ética. 
e) Defesa intransigente da tese da impossibilidade de conhecimento das 
coisas que estão no âmbito da experiência sensível. 
 
8. Dentre os fragmentos abaixo, qual deles diz respeito a uma das questões 
fundamentais de Heráclito de Éfeso? 
a) “(...) a pedra magnética possui uma alma porque move o ferro (...)”. 
b) “ser ou não ser, eis a questão”. 
c) “sei que nada sei”. 
d) “(...) descemos e não descemos no mesmo rio; somos e não somos (...)”. 
e) “(...) o ilimitado é imortal e indissolúvel (...)”. 
 
9. Cite duas correntes primordiais da Filosofia contemporânea e em seguida 
caracterize-a 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
10. Quais são as duas grandes vertentes da filosofia medieval? 
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________ 
Filosofia e Lógica 
 
80 
Filosofia e Lógica 
 
81 
 
Os principais campos de 
investigação do 
conhecimento filosófico 
Antropologia Filosófica. 
A Ética. 
Filosofia da Mente. 
Ontologia ou Metafísica. 
Filosofia da Ciência. 
Epistemologia. 
Estética. 
Filosofia Política. 
Filosofia da História. 
Filosofia da linguagem. 
Lógica. 
História da Filosofia. 
5 
Filosofia e Lógica 
 
82 
 
Após termos estudado, na unidade anterior, a evolução da Filosofia através da 
história, abordaremos, nesta unidade, os diversos ramos que constitui a Filosofia 
enquanto disciplina sistemática. Vamos lá? 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
 Identificar algumas das principais disciplinas ou ramos da Filosofia; 
Reconhecer o desdobramento da Filosofia em vários campos de conhecimento. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• Antropologia Filosófica. 
• A Ética. 
• Filosofia da Mente. 
• Ontologia ou Metafísica. 
• Filosofia da Ciência. 
• Epistemologia. 
• Estética. 
• Filosofia Política. 
• Filosofia da História. 
• Filosofia da linguagem. 
• Lógica. 
• História da Filosofia. 
 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
83 
 
A antropologia filosófica 
 
É uma disciplina filosófica ou movimento filosófico que tem relações com as 
intenções e os trabalhos de M. Scheler, mas não está unido ao conteúdo específico 
desse autor. A antropologia encarada metafisicamente é antes aquela parte da 
Filosofia que investiga a estrutura essencial do homem. Contudo, este ocupa o 
centro da especulação filosófica, na medida em que tudo se deduz a partir dele, na 
medida em que ele torna acessíveis as realidades que o transcende nos modos de 
seu existir relacionados com essas realidades. Ou seja, a antropologia filosófica é 
uma antropologia da essência e não das características humanas. Ela se distingue 
da antropologia mítica, poética, teológica e científico natural ou evolucionista por 
fornecer uma interpretação basicamente ontológica do homem. 
 
 
 
A ética 
 
A ética do latim “ethica”, do grego “ethiké”, é um ramo da filosofia e um sub-
ramo da axiologia que estuda a natureza do que consideramos adequado e 
moralmente correto. Pode-se afirmar também que Ética é, portanto, uma Doutrina 
Filosófica que tem por objeto a moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos 
juízos de apreciação referentes à conduta humana. A ética pode ser interpretada 
também como um termo genérico que designa aquilo que é frequentemente 
descrito como a “ciência da moralidade”, isto é, suscetível de qualificação do ponto 
de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de 
modo absoluto. Na filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado 
bom e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode
Filosofia e Lógica 
 
84 
 
ser bom à gazela. E, o que é bom à gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é 
um dilema ético típico. Portanto, a ética juntamente com outras áreas tradicionais 
de investigação filosófica e devidas subjetividades típicas em si, ao lado da 
metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Dessa forma, o 
objetivo da teoria da ética é determinar o que é bom tanto para o indivíduo como 
para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adotaram diversas posições 
na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos 
indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a 
“ética de situação”. Nesta, o que está certo depende das circunstâncias e não de 
uma lei geral qualquer e sobre se a bondade é determinada pelos resultados da 
ação ou os meios pelos quais os resultados são alcançados. 
 
A filosofia da mente 
 
A Filosofia da Mente é o estudo filosófico dos fenômenos mentais, incluindo 
investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A 
Filosofia da Mente é, na verdade, um conjunto de estudos metafísicos sobre o 
modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a 
consciência. Além disso, a filosofia da mente envolve estudos epistemológicos 
sobre o modo como a mente conhece a si mesma e sobre a relação entre os 
estados mentais e os estados de coisa que os mesmos representam 
(intencionalidade), incluindo estudos sobre a percepção e outros modos de 
aquisição de informação, como a memória, o testemunho (fundamental para a 
aquisição da linguagem) e a introspecção. Envolve ainda a investigação de 
questões éticas como a questão da liberdade, normalmente considerada 
impossível caso a mente siga, como tudo o mais, leis naturais. 
A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista 
alguma entidade – uma alma ou espírito – separada ou distinta do corpo ou do 
cérebro e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, 
da linguística e da inteligência artificial. 
 
Filosofia e Lógica 
 
85 
 
A ontologia ou metafísica 
 
A Metafísica é uma divisão da filosofia que se ocupa do estudo da realidade, 
dos primeiros princípios (filosofia primeira) e do ser (ontologia). Os problemas 
centrais da metafísica são ontológicos, principalmente o ser enquanto ser. O 
sentido da palavra metafísica deve-se a Aristóteles e a Andrônico de Rodes. 
Aristóteles nunca utilizou esta palavra, mas escreveu sobre temas relacionados à 
physis e sobre temas relacionados à ética e política, entre outros semelhantes. 
Andrônico, ao organizar os escritos de Aristóteles, organizou os escritos de formaque, espacialmente, aqueles que tratavam de temas relacionados à physis vinham 
antes dos outros. Assim, eles vinham depois da física (metha = depois, além; physis = 
física). Assim, conscientemente ou não, Andrônico organizou os escritos de forma 
análoga à classificação dos dois temas. Ética, política, etc., são assuntos que não 
tratam de seres físicos, mas de seres não-físicos existentes, apesar da sua 
imaterialidade. Portanto, a Metafísica trata de problemas sobre o propósito e a 
origem da existência e dos seres. Especulações em torno dos primeiros princípios e 
das causas primeiras do ser. Muitas vezes ela é vista como parte da Filosofia, outras, 
a esta se confunde. 
 
A filosofia da ciência 
 
A Filosofia da Ciência tem por função analisar de 
forma crítica as diferentes formas de ciência, ou seja, as 
ciências exatas e humanas na busca por compreender a 
avaliação dos seus métodos e dos seus resultados. Possui 
a pretensão de examinar as relações entre as ciências e 
cientificismo e a aplicação prática da ciência, ou seja, a 
técnica. 
 
Filosofia e Lógica 
 
86 
 
A epistemologia 
 
Epistemologia ou Teoria do Conhecimento (do grego episteme – ‘ciência’; 
‘conhecimento’, logos – ‘discurso’) é um ramo da filosofia que trata dos problemas 
filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento. Podemos dizer que a 
epistemologia se origina em Platão. Ele opõe a crença ou opinião ( doxa, em grego) 
ao conhecimento. A crença é um determinado ponto de vista subjetivo. O 
conhecimento é crença verdadeira e justificada. A epistemologia também estuda a 
evidência (entendida não como mero sentimento que temos da verdade do 
pensamento, mas sim no sentido forense de prova), isto é, os critérios de 
reconhecimento da verdade. 
 
A estética 
 
Em sua origem, o conceito de Estética é atribuído à palavra grega aisthetiké, 
que se refere a tudo aquilo que pode ser percebido pelos sentidos (COTRIM, 1993). 
O primeiro a utilizar-se deste termo no sentido que conhecemos até os nossos dias 
foi Alexander Baumgarter. Ele referia-se à Estética como a teoria do belo e das suas 
manifestações pela arte. Como tal, a Estética pretende alcançar um conhecimento 
específico que pode ser capturado pelos sentidos, pois parte da experiência 
sensorial, da sensação, da percepção sensível. Seu principal objeto de investigação 
é a “obra de arte”. Podemos citar a Estética ao lado da Filosofia da Arte, mas neste 
caso caberia à Filosofia da Arte investigar o desenvolvimento artístico na busca 
pelo seu sentido no contexto da história da arte. 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
87 
 
A filosofia política 
 
Cabe à Filosofia Política enquanto uma ramificação da Filosofia, o estudo sobre 
a questão da natureza do poder e, principalmente, as teorias que retratam o 
nascimento do Estado, a ideia de direito, justiça e lei. 
 
A filosofia da história 
 
A Filosofia da História busca compreender a “dimensão temporal da existência 
humana” sob o ponto de vista sociocultural. Seus temas variam entre as teorias do 
progresso, evolução e descontinuidade dos processos históricos à historicidade da 
condição humana. A periodização da história, tal como a concebemos hoje, tem 
origem com o filósofo Alemão Hegel. Este foi o primeiro a elaborar uma Filosofia da 
História, ou seja, uma tentativa de compreender a história da filosofia como uma 
questão central da própria Filosofia e não como um relato histórico das doutrinas 
ou correntes do passado. 
 
IMPORTANTE 
A Filosofia da Linguagem 
A Filosofia da Linguagem ou Filosofia Analítica amadureceu durante a virada 
deste século, quando Frege, Bertrand Russel e Ludwig Wittgenstein desenvolveram 
importantes reflexões acerca da Linguagem. Segundo Costa (2002, p. 7), “A 
expressão “filosofia da linguagem” possui duas acepções principais, uma mais 
estrita e outra mais ampla”. Na visão deste, na acepção estrita, a Filosofia da 
linguagem é uma investigação filosófica acerca da natureza e do funcionamento 
da linguagem, “sendo por vezes chamada de “análise da Linguagem” (Ibidem, 
idem). Na segunda acepção, Costa afirma que a Filosofia da Linguagem diz respeito 
a qualquer abordagem crítica de “problemas filosóficos metodologicamente 
orientada por uma investigação da linguagem”, sendo por vezes, denominada de 
“crítica da linguagem”. 
Filosofia e Lógica 
 
88 
 
A lógica 
 
A Lógica é o ramo da Filosofia que cuida das regras do bem-
pensar ou do pensar correto, sendo, portanto, um instrumento do 
pensar. A aprendizagem da lógica não constitui um fim em si. Ela só 
tem sentido enquanto meio de garantir que nosso pensamento 
proceda corretamente, a fim de chegar a conhecimentos verdadeiros. 
Podemos, então, dizer que a lógica trata dos argumentos, isto é, das 
conclusões a que chegamos através da apresentação de evidências 
que a sustentam. O principal organizador da Lógica Clássica foi 
Aristóteles, com sua obra chamada Órganon. 
 
A história da filosofia 
 
Essa ramificação da Filosofia possui como objetivo analisar os diferentes 
períodos da Filosofia, os principais filósofos de cada período e os problemas que 
são abordados por estes nas diferentes épocas que constitui a Filosofia ao longo da 
história. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
MARÍAS, Julían. História da Filosofia. Tradução Alexandre Pinheiro 
Torres. 2ª ed. Porto: Sousa e Almeida 1988. 560 p. 
 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
Filosofia e Lógica 
 
89 
 
Esses são alguns dos principais ramos em que a Filosofia se desdobra. Claro, 
existem outras ramificações que não mencionamos aqui, mas acreditamos que as 
mencionadas sintetizam e fornecem a você um panorama dos principais 
problemas da filosofia. Espero que você tenha compreendido os aspectos 
principais desta. Na próxima unidade, começaremos a examinar alguns dos 
problemas apresentados aqui. Portanto, o nosso trabalho está apenas começando. 
Não desanime! Espero você na próxima unidade! 
 
Filosofia e Lógica 
 
90 
 
Exercícios – unidade 5 
 
1. A Metafísica pressupõe: 
a) problemas sobre o propósito e a origem da existência e dos seres. 
b) analisar de forma crítica as diferentes formas de ciência, ou seja, as ciências 
exatas e humanas, na busca em compreender a avaliação dos seus métodos 
e dos seus resultados. 
c) um determinado ponto de vista subjetivo. 
d) alcançar um conhecimento específico que pode ser capturado pelos 
sentidos, pois parte da experiência sensorial, da sensação, da percepção 
sensível. 
e) o estudo sobre a questão da natureza do poder e, principalmente, as 
teorias que retratam o nascimento do Estado. 
 
2. A Metafísica disciplina constitui-se em uma subdivisão da filosofia que se ocupa 
do estudo da realidade, dos primeiros princípios (filosofia primeira) e do ser 
(ontologia). O sentido da palavra metafísica deve-se a qual dos pensadores 
abaixo? 
a) Baumgarter e Kant. 
b) Andrônico de Rodes e Baumgarter. 
c) Aristóteles e Platão. 
d) Aristóteles e Andrônico de Rodes. 
e) Aristóteles e Tales de Mileto. 
 
3. Qual das alternativas abaixo diz respeito aos problemas fundamentais da 
filosofia da mente? 
a) Envolve estudos monetários sobre o modo como a mente conhece a si 
mesma e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa 
que os mesmos representam. 
b) Envolve estudos epistemológicos sobre o modo como a democracia 
estabelece relações entre os poderes institucionais e sobre a relação entre 
os estados mentais e os estados de coisa que os mesmos representam. 
 
Filosofia e Lógica 
 
91 
 
c) Envolve estudos sobrenaturais sobreo modo como a mente conhece a si 
mesma e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa 
que os mesmos representam. 
d) Envolve estudos políticos sobre o modo como a mente conhece a si mesma 
e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa que os 
mesmos representam. 
e) Envolve estudos epistemológicos sobre o modo como a mente conhece a si 
mesma e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa 
que os mesmos representam. 
 
4. Por Epistemologia diz-se que é o: 
a) ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à política 
e ao conhecimento dos universais. 
b) ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à política 
e ao conhecimento dos fatos sobrenaturais. 
c) ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à busca 
dos problemas relacionados aos poderes constitucionais. 
d) ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à política 
e ao conhecimento dos fatos sobrenaturais. 
e) ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença 
e ao conhecimento. 
 
5. Qual das alternativas abaixo NÃO pode ser considerada um problema específico 
da ética? 
a) Uma Doutrina Filosófica que tem por objeto a moral no tempo e no espaço, 
sendo o estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana. 
b) O comportamento ético é aquele que é considerado bom e, sobre a 
bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser 
bom à gazela. 
c) A questão dos universais. 
d) Estuda a natureza do que consideramos adequado e moralmente correto. 
e) O comportamento humano. 
 
Filosofia e Lógica 
 
92 
 
6. Qual dos filósofos abaixo é um dos principais expoentes da filosofia da 
linguagem ou filosofia analítica? 
a) Karl Popper. 
b) Ludwig Wittgenstein. 
c) Fichte. 
d) Baumgarter. 
e) Platão. 
 
7. Dentre as alternativas abaixo, qual delas NÃO pertence ao leque de ramificações 
que compõem a Filosofia enquanto estudo crítico e racional? 
a) Filosofia da história. 
b) Doxografia. 
c) Estética. 
d) Ética. 
e) Antropologia filosófica. 
 
8. Pode-se afirmar que a Ética: 
a) pode ser compreendida como mais uma fase da metafísica. 
b) constitui-se, também, como doutrina Filosófica que tem por objeto a moral 
no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação referentes 
à conduta humana. 
c) pode ser interpretada como um termo atípico que designa aquilo que 
nunca é descrito como a “ciência da moralidade”, isto é, suscetível de 
qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a 
determinada sociedade, seja de modo absoluto. 
d) não se constitui, também, como doutrina Filosófica que tem por objeto a 
moral no tempo e no espaço, sendo o estudo dos juízos de apreciação 
referentes à conduta humana. 
e) pode ser interpretada como um termo anormal que designa aquilo que 
nunca é descrito como a “ciência da causalidade”, isto é, suscetível de 
qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a 
determinada sociedade, seja de modo absoluto. 
Filosofia e Lógica 
 
93 
 
9. A citação abaixo diz respeito a um ramo de conhecimento da filosofia. Qual seria 
este ramo? 
“O ramo da Filosofia que cuida das regras do bem pensar ou do pensar correto, 
sendo, portanto, um instrumento do pensar”. 
_____________________________________________________________________
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_____________________________________________________________________ 
 
10. O que diferencia a antropologia filosófica da antropologia mítica, poética, 
teológica, científico natural ou evolucionista? 
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Filosofia e Lógica 
 
94 
Filosofia e Lógica 
 
95 
 
O problema do 
conhecimento e a reflexão 
acerca da verdade
O que significa filosoficamente “conhecer”? 
A estrutura do conhecimento e o conhecimento como processo. 
Mas afinal, o que é o conhecimento? 
6 
Filosofia e Lógica 
 
96 
Nesta unidade, abordaremos o problema do conhecimento em Filosofia. Você 
já parou para pensar sobre este assunto? Então, convido você a caminhar junto 
conosco neste intrigante mundo do conhecimento. Vamos lá!! 
 
OBJETIVO: 
 Destacar alguns aspectos iniciais acerca do problema do conhecimento, 
tais como o conceito de verdade e a questão da relação entre sujeito e do objeto. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
 
 O que significa filosoficamente “conhecer” ? 
 A estrutura do conhecimento e o conhecimento como processo. 
 Mas afinal, o que é o conhecimento? 
 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
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O que significa filosoficamente “conhecer”? 
 
Um dos problemas fundamentais apresentados pela tradição filosófica 
ocidental é o que se refere à possibilidade de conhecermos a realidade. Ao longo 
da história, à medida que o homem supre as suas necessidades, ele produz 
conhecimento, pois nas suas atividades práticas ele busca respostas para as suas 
inquietações. Desta forma, o conhecimento se torna um elemento interpretativo e 
elucidativo do real, ou seja, por meio do conhecimento a intenção do homem é 
chegar à verdade. Filósofos e cientistas têm se ocupado nesta busca, encontrando 
diferentes possibilidades de verdade ao longo dos tempos. Ao refletirmos sobre o 
conhecimento e a sua relação com a verdade, a primeira dificuldade é a de saber 
de que tipo de conhecimento pode-se falar. Com efeito, podemos distinguir: 
 Um conhecimento que nos chega através da percepção sensorial 
(conhecimento sensível) e um conhecimento fruto já da elaboração do 
entendimento (conhecimento racional); 
 Um conhecimento que se satisfaz com a descrição superficial das coisas 
(conhecimento vulgar) e um tipo de conhecimento que aspira a dar conta 
da razão de ser profunda das coisas, explicando-as (conhecimento 
científico); 
 Um conhecimento direto ou imediato (conhecimento intuitivo) e um 
conhecimento a que se chega através de uma cadeia de raciocínios 
(conhecimento discursivo). 
Com isto, devemos proceder a seguinte indagação: se há diferentes 
possibilidades de verdade, então não existe uma única verdade? Você já parou 
para refletir sobre o que é a verdade? Comecemos então pelos dicionaristas, 
apresentando dois significados do termo verdade: 
Verdade: [do latim veritae] S.f. 1. Conformidade com o real; 
exatidão, realidade: verdade do ocorrido. 2. Franqueza, 
sinceridade. 3. Coisa verdadeira ou certa: A verdade foi 
escamoteada por todos (...) Filo. Verdade que é contingente e 
cujo oposto é impossível. Verdade de razão. Filos. Verdade 
necessária e cujo oposto é impossível (...). (FERREIRA, Aurélio 
Buarque de Holanda, 1986, p. 1975).
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De outro modo, veremos o seguinte conceito de verdade: 
Verdade. 1. Classicamente, a verdade se define como 
adequação do intelecto ao real. Pode-se dizer, portanto, que 
a verdade é uma propriedade dos juízos, que podem ser 
verdadeiros ou falsos, dependendo da correspondência 
entre o que afirmam ou negam e a realidade de que falam. 2. 
Há, entretanto, várias definições de verdade e várias teorias 
que pretende explicar a natureza da verdade (...). 3. Diz-se 
daquilo que corresponde à verdade, à realidade, ao existente 
e como tal se impõe à aceitação. Real, evidente. Ex. juízo 
verdadeiro. Autêntico, sincero. Ex. o verdadeiro motivo, o 
verdadeiro patriota.“Jamais aceitar alguma coisa como 
verdadeira que não a conhecesse evidentemente como tal”. 
Descartes, Discurso do método (...). (JAPIASSU, Hilton; 
MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia, 1995, pp. 
241-42). 
 
IMPORTANTE 
Bem, de acordo com as definições dos dicionaristas, podemos 
enunciar algumas conclusões acerca da concepção de verdade: 
1. Existem várias definições de verdade e várias teorias que 
pretendem explicar a natureza da verdade; 
2. De uma maneira geral, a verdade é concebida como 
adequação ou correspondência; 
3. A verdade é o que é verdadeiro em contraposição ao 
que é falso. 
 
A partir dessas três conclusões retiradas dos dicionários podemos, portanto, 
refletir acerca da concepção de verdade, como também fornecer uma definição 
plausível para os nossos propósitos. 
 
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Na primeira conclusão (1), diz-se que existem várias definições de verdade. Se 
nos voltarmos para a primeira definição, a do dicionário Aurélio, constataremos 
que a palavra ‘verdade’ em seu sentido etimológico refere-se a ‘veritas’. Dessa 
forma, ‘veritas’ é o termo latino que significa ‘verdade’. Nessa acepção, ‘verdade’ 
quer dizer precisão, rigor e exatidão “de um relato, no qual se diz com detalhes, por 
menores e fidelidade o que realmente aconteceu” (CHAUÍ, 2005, p. 96). O 
verdadeiro, neste caso, deve corresponder, portanto, a um fato real, a um 
acontecimento verdadeiro. Assim, uma ideia verdadeira é aquela que corresponde 
à realidade que é o conteúdo da verdade, que existe fora do nosso pensamento, ou 
seja, não está em nós. Chegamos à segunda conclusão (2), a verdade concebida 
como ‘correspondência’. Na concepção de verdade como ‘correspondência’ é 
aquela que afirma que o que é verdadeiro só pode ser através do acordo entre o 
pensamento e a realidade. Mas, como o pensamento e a realidade podem estar de 
acordo? Estão de ‘acordo’ quando a verdade do nosso pensamento se adequada às 
coisas representadas por ela ou quando as coisas se adequam ao nosso 
pensamento. A terceira conclusão (3), diz respeito àquilo que é oposto ao 
verdadeiro, ou seja, o falso. Como podemos distinguir o falso do verdadeiro? Ora, 
como vimos, o verdadeiro é aquilo que corresponde à realidade. No entanto, se 
não existe ‘acordo’ entre o nosso pensamento e a realidade, é claro que não pode 
haver um conhecimento verdadeiro, e sim, um conhecimento falso. O falso e o 
verdadeiro estão, portanto, ligados à correspondência entre a realidade e o 
pensamento. 
Estas breves considerações acerca da verdade são já bastantes para nos 
advertir para o amplo leque de significações, de usos e de contextos que tornam 
complexo esse conceito. A verdade é, porventura, uma das mais obscuras noções 
que usamos e, todavia, é igualmente uma das que mais capacidade de mobilização 
possui. Se passarmos agora a consideração da noção de verdade, tal como ela 
surge na obra dos filósofos, também aí se nos depara uma grande diversidade de 
significados. Ao limite, quase se poderia dizer que embora todos os filósofos, sem 
exceção, dizem a respeito da verdade e partam do suposto de que a verdade é o 
termo comum onde se pode dar o entendimento entre os homens, sendo assim, 
cada qual possui a sua própria concepção de verdade. Com efeito, tal como 
acontece com outros conceitos, assim também, o conceito de verdade sofreu 
transformações ao longo da historia do pensamento. Podemos, todavia, referenciar 
essas transformações e alguns momentos e aspectos fundamentais, que são:
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 A verdade lógica: Esta é o tipo de verdade entendida como a coerência 
formal do pensamento consigo mesmo, segundo o princípio de não-
contradicão. Esta noção de verdade é indiferente à realidade, ou 
conteúdo material do pensamento, ou seja, não visa à correspondência 
entre os enunciados e à realidade ou os objetos a que se referem, mas 
visa apenas à correspondência das proposições ou enunciações entre si, 
tal como ocorre na lógica das operações da matemática e da álgebra. Por 
isso, também é denominada de “verdade formal”. 
 
 A verdade metafísica: Esta é aquela verdade entendida como adequação 
do pensar (o do dizer o que se exprime) ao ser (adequação do 
entendimento à realidade). É, portanto, este o conceito de verdade que 
subjaz às filosofias antigas e medievais. Esta parte do suposto de que o 
entendimento humano tem como seu objeto próprio o ser e é 
naturalmente capaz de conhecer a realidade tal como ela realmente é. 
 
Vejamos como esta concepção é expressa por Aristóteles na sua obra 
Metafísica: “A verdade ou a falsidade depende, por parte dos objetos, da sua união 
ou da sua separação, de tal modo que estar no verdadeiro, é pensar que o que está 
separado está separado e que o que está unido está unido, e estar falso é pensar de 
modo contrario à natureza dos objetos. Quando há, pois, ou não há aquilo que 
chamamos verdadeiro ou falso ? É necessário, com efeito, examinar bem, o que 
entendemos por essas expressões não é porque pensamos de uma maneira 
verdadeira que tu és branco, mas é porque és branco que, ao dizermos que tu és, 
dizemos a verdade. Se, por conseguinte, existem coisas que estão sempre unidas e 
que é impossível distinguir; se há outras que são sempre distantes e que é 
impossível unir; se outras, finalmente, admitem união e distinção: então, ser, é estar 
unido, é ser uno; não ser é não estar unido, é ser múltiplo. Sendo assim, quando se 
trata de coisas contingentes, a mesma opinião não se torna ora verdadeira ora 
falsa, mas as mesmas opiniões são eternamente verdadeiras ou falsas”. 
 
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 A verdade como certeza. Com Descartes deparamo-nos com um novo 
conceito de verdade, segundo o qual é verdadeira toda a ideia, que se 
revele ao pensamento, como clara e distinta. Não é já, pois, a ordem 
ontológica, ou seja, o ser, que determina a verdade do pensamento e que 
é o seu critério, mas sim o modo como as ideias são vistas ou intuídas 
pelo pensamento: ideias que se revelam como claras e distintas não 
podem ser senão verdadeiras. O pressuposto do pensamento antigo e 
medieval, que acima referimos, foi invertido: agora não são as leis que 
regem o ser que, por sua vez, regem o pensamento, mas sim o inverso: as 
leis que regem o pensamento são também as que regem o ser. Dessa 
forma, verdade é ter certeza, ou seja, é estar certificado, ter a garantia de 
evidência de uma ideia ou conceito. Contudo, esta noção de verdade 
exige um “certificado absoluto”, que só poderia ser Deus. Assim, 
Descartes tem que admitir que o autor de algumas ideias fundamentais é 
necessariamente o próprio Deus e que este, se é o ser perfeito e infinito 
que, de acordo com a ideia que dele fizemos, coloca no meu espírito 
ideias evidentes e não falsas. 
 
Vejamos o que Descartes diz sobre esta questão nas suas Meditações de 
Filosofia Primeira, mais precisamente na quarta meditação: “Creio que não lucrei 
pouco com a meditação de hoje, porque investiguei a causa do erro e da falsidade. 
E certamente não pode ser nenhuma outra senão a que expliquei, porque sempre 
que contenho assim a vontade, ao fazer juízos, de maneira a que ela apenas se 
estenda ao que lhe é apresentado clara e distintamente pelo entendimento, nunca 
pode acontecer que eu erre. Todo o conceito claro e distinto é, sem dúvida, alguma 
coisa e, por conseguinte, não pode partir do nada, mas tem necessariamente Deus 
como autor, quero dizer, aquele Deus sumamente perfeito a que repugna ser 
enganador; e logo, sem dúvida, é verdadeiro (....)”. 
 A verdade como objetividade: Também no pensamento de Kant é central 
o problema da verdade. Kant aborda esse problema em três níveis, dois 
dos quais já lhe apresentamos anteriormente, a saber, o nível lógico, o 
nível metafísico e, finalmente, o nível transcendental. Para este, entre a 
verdade formal lógica e aquilo que seria a verdade absoluta metafísica,Filosofia e Lógica 
 
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segundo a qual o pensar coincidiria com o ser, há lugar, segundo Kant, para 
um tipo de intermédio de verdade que é a que está verdadeiramente ao 
alcance do entendimento humano e a que se exibe na ciência. É o que 
poderíamos denominar de “noção transcendental de verdade, ou a 
objetividade do conhecimento” esta consistiria na concordância do pensar 
com os objetos, os quais devem ser dados na experiência. O estudo das 
condições de possibilidade de tal verdade e o reconhecimento da sua 
amplitude é o que constitui a tarefa daquilo que Kant chama de Lógica 
transcendental, que visa a estabelecer as condições a priori que tornam 
possível o conhecimento dos objetos enquanto dados na experiência. 
 
 “A verdade como todo”: Hegel pretende com a sua Filosofia fazer uma 
síntese da concepção antiga e da concepção moderna da verdade, ou 
seja, daquela concepção que fundava a verdade no ser ou na substância e 
daquela que a fundava no pensar, no sujeito e na sua certeza: Diz Hegel: 
“Segundo a minha maneira de ver (...) tudo depende deste ponto 
essencial: aprender e exprimir o verdadeiro, não apenas como substância, 
mas precisamente também como sujeito”. Assim se ultrapassaria a 
imobilidade do objeto, ou seja, a sua indiferença e autonomia do sujeito 
relativamente ao objeto, ou seja, se sairia da forma do pensamento que 
se fecha na universalidade vazia. A verdade, por conseguinte, não está 
dada de imediato, nem do lado do objeto, nem do lado do sujeito, mas é 
um processo pelo qual o sujeito, mediante a reflexão sobre o objeto, se 
desenvolve, apropriando-se do objeto ou da substância e fazendo deste 
o seu objeto. Assim, continua Hegel: “O verdadeiro é o de vir de si 
mesmo, o círculo que pressupõe e tem no começo o seu próprio fim 
como seu objetivo e que é efetivamente real apenas mediante a sua 
atualização desenvolvida e mediante o seu fim. (...) O verdadeiro é o todo. 
Mas, o todo é apenas a essência realizando-se e acabando-se mediante o 
seu desenvolvimento. Do absoluto deve dizer-se que ele é resultado, ou 
seja, que somente no fim ele se efetiva como verdade; nisso consiste 
 
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propriamente a sua natureza, que é ser realidade efetiva, sujeito ou 
desenvolvimento de si mesmo”. Este conceito de Hegel de verdade que 
está subjacente a muitas manifestações do pensamento contemporâneo, 
nomeadamente as filosóficas da história. Com efeito, a noção hegeliana 
de verdade fornece fundamentação lógica e metafísica à crença 
iluminista no progresso da humanidade e da razão. 
 
 A verdade como apropriação: No Novum Organum, o filósofo do século 
XVII Francis Bacon manifesta o sentimento profundo da sua época, a 
confiança nas novas possibilidades oferecidas pela nova ciência. Assim, 
estabelece uma íntima relação entre ciência e o poder humano, que 
constituirá um dos aspectos mais significativos da civilização moderna e 
contemporânea. Conhecer a natureza é poder dominá-la e manipulá-la. 
Ao ideal antigo, medieval e renascentista de uma ciência essencialmente 
contemplativa, substitui-se, assim, o ideal de uma ciência operativa, 
inventiva de conhecimentos que, por sua vez, possam ser produtores dos 
efeitos. Conhecer as causas é aprender a produzir os efeitos. Dessa forma, 
ciência e técnica unem-se em um indissociável consórcio que perdura e 
se intensifica até os nossos dias. 
 
Conseguiu entender como a Filosofia e / ou os filósofos compreendem a 
verdade? No próximo item, veremos como a verdade está intrinsecamente 
relacionada ao processo de conhecimento. Então, no próximo tópico, vamos 
examinar a estrutura filosófica do conhecimento. 
Diante do que foi dito acima, o conhecimento é dependente da nossa 
representação, isto é, daquilo que está fora de nós. Dessa forma, conhecer alguma 
coisa é nada mais que representar o que está no exterior do nosso pensamento, da 
mente, do espírito. A representação, por sua vez, é o processo pelo qual o 
pensamento (o espírito, a mente) torna presente diante de si a imagem ou a ideia 
de um objeto que é exterior. 
 
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No entanto, para que haja qualquer tipo de conhecimento, é necessário que 
exista uma relação entre dois elementos básicos: um sujeito cognoscente, isto é, a 
nossa mente, o pensamento e um objeto a ser conhecido (a realidade, o mundo, os 
fenômenos). Essa é a relação necessária para qualquer conhecimento, portanto, só 
poderá haver conhecimento se houver um sujeito e um objeto. 
Relação: A relação entre os dois elementos é ao mesmo tempo uma 
correlação. O sujeito só é sujeito para um objeto e o objeto para um sujeito. Ambos 
só são o que são para o outro. Mas, esta correlação não é reversível. Ser sujeito é 
algo completamente distinto de ser objeto. A função do sujeito consiste em 
apreender o objeto, a do objeto em ser apreendido pelo sujeito. 
 
No entanto, nessa relação, sujeito e objeto permanecem separados. O 
conhecimento apresenta-se como uma relação entre estes dois elementos, que 
nela permeiam eternamente separados um do outro. O dualismo sujeito e objeto 
pertence à essência do conhecimento (HESSEN, 2000, p. 26). 
 
IMPORTANTE 
Desta forma, podemos concluir: 
 conhecer é reproduzir em nosso pensamento a realidade; 
 damos o nome de conhecimento à posse deste pensamento que 
concorda com a realidade; 
 a concordância do pensamento com a realidade, chamamos de verdade. 
 
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“O conhecimento está, portanto, intimamente relacionado ao conceito de 
verdade. Sendo assim, o conhecimento concorda com o objeto, a verdade do 
conhecimento é estabelecida. No entanto, antes de ser verificada essa 
concordância, o objeto mesmo não pode ser considerado nem verdadeiro nem 
falso. Vale ressaltar que as determinações do objeto não se modificam pelo simples 
fato de ele haver sido captado e incorporado à esfera do sujeito. Não há, nesse 
processo, uma inclusão do objeto no sujeito, senão a reprodução do objeto, ou 
seja, a formação da imagem do objeto. No sujeito sim, acrescenta-se algo que o 
modifica completamente, que é a imagem dentro de si do objeto. 
Dentro dessa estrutura, o conhecimento é considerado não como uma 
construção arbitrária do sujeito, este somente deve reproduzir as propriedades do 
objeto, pelo que exige o concurso da experiência. 
 
Mas afinal, o que é o conhecimento? 
 
A primeira tentativa de responder a pergunta acerca do que é conhecimento 
pode ser obtida inicialmente através da distinção formal entre conhecimento 
sensível, isto é, aquele que advém dos sentidos humanos fundamentais e o 
conhecimento racional, (aquele que provém substancialmente da razão). Esta 
distinção fora uma das primeiras grandes conquistas da filosofia. Tanto Platão 
como Aristóteles reclamaram, embora por vias diferentes, a necessidade de 
ultrapassar o nível do conhecimento sensível para chegar ao nível do 
conhecimento racional ou intelectual. Para estes, o conhecimento sensível não 
oferece garantia suficiente de segurança para o conhecimento, pois está sujeito 
constantemente ao erro, ou seja, à modalidade das impressões sensoriais 
desencadeadas pelos objetos. Assim, para estes somente o conhecimento racional 
ou intelectual poderia garantir uma concepção estável da realidade, 
simultaneamente, de acordo com os objetivos da ciência e de acordo com as leis 
lógicas da razão humana. 
 
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I 
MPORTANTE 
A distinção entre o conhecimento sensível e o racional nos conduz, 
irremediavelmente, a uma outra distinção, aquela que se estabelece entre o 
conhecimento vulgar e o conhecimento científico. O primeiro não se preocupa 
com a objetividade requerida pela ciência nem ao menos com a coerência (ver a 
segunda unidade desta disciplina); o segundo ao contrário, não se contenta em ver 
com o aspecto superficial da realidade, mas procura a razãode ser ou o porquê de 
acontecer. Aristóteles concebia a ciência ou o conhecimento cientifico como o 
“conhecimento da realidade pelas causas”. Com efeito, conhecer a realidade era 
saber o porquê das suas manifestações. Contudo, esse porquê não pode ser 
considerado como algo a ser alcançado pelos sentidos, mas sim, aquele que é 
descoberto ou contemplado pela razão. 
 
Assim, se desfaz, completamente, a crença vulgar dos nossos sentidos. Os 
sentidos não somente são incapazes de nos fornecer um acesso a um verdadeiro 
conhecimento da realidade, mas pode ser por vezes um obstáculo ao 
conhecimento de fato. Tem-se presente a reação dos homens do século XVII às 
teorias de Copérnico e Galileu segundo as quais não era o sol que girava em torno 
da terra, mas era a terra que girava em torno do sol. Essa era, portanto, uma 
verdade científica que contradizia as evidências dos sentidos. 
Atualmente, o problema do conhecimento não somente assume uma maior 
relevância em todos os seus aspectos como também proporcionou o surgimento 
de uma disciplina filosófica específica denominada de teoria do conhecimento, 
onde são abordados de uma forma sistemática os vários problemas acerca do 
conhecimento, tais como: o problema da sua origem, do seu valor e do seu limite, 
da sua possibilidade, etc. Em torno desses problemas, alinham-se as posições dos 
diferentes filósofos. Com isso, surgem as mais diversas designações que na 
atualidade se aplicam para definir o pensamento desses filósofos acerca do 
conhecimento, dentre estes: racionalismo, empirismo, psicologismo, idealismo, 
formalismo, realismo, criticismo, etc. 
 
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Entretanto, para Chauí (2005, p. 130), “tornar o entendimento objeto para si 
próprio, tornar o sujeito do conhecimento objeto de conhecimento para si mesmo 
é a grande tarefa que a modernidade filosófica inaugura ao desenvolver a teoria do 
conhecimento”. Se for assim, a teoria do conhecimento possui como pressuposto a 
volta do pensamento sobre si mesmo, colocando-se como objeto para si mesmo. 
Assim, do ponto de vista da teoria do conhecimento, a reflexão se torna um 
ingrediente fundamental no processo de conhecimento. Como somos seres 
racionais e conscientes, a consciência que possuímos das coisas é um fator de 
conhecimento. Mas o que podemos entender por consciência? 
A consciência é uma “atividade mental” que torna a presença humana no 
mundo como capaz de possuir algum tipo de saber. Por isso, diz Cotrim (1993, p. 
44) “a biologia classifica o homem atual como “sapiens sapiens”, ou seja, o ser que 
sabe que sabe. O processo de conscientização faz do homem um ser inter-
relacionado com o mundo e consigo mesmo. Isto o permite caminhar para dentro 
de si, investigando o seu íntimo, à medida que descobre a si mesmo e a realidade 
externa. Esse processo faz do homem um ser dinâmico na medida em que pode 
centrar sobre si mesmo ou sobre os objetos exteriores, aquilo que se denomina 
alteridade (do latim, alter, o outro). Portanto, pode vislumbrar duas dimensões no 
processo de conscientização humana: a consciência de si e a consciência do outro. 
A consciência de si é consciência nos estados internos do sujeito, ou seja, a 
reflexão. A consciência do outro é a consciência dos objetos exteriores. Enquanto a 
consciência é o pressuposto da capacidade humana de conhecer, esta se faz 
presente no conhecimento na medida em que é um conhecimento do 
conhecimento, ou seja, a reflexão. 
Assim, para a teoria do conhecimento, a consciência representa uma atividade 
dotada de poder de análise, de representação dos objetos, compreensão e 
interpretação. Ela é o sujeito de todo e qualquer conhecimento. Portanto, a 
consciência enquanto sujeito do conhecimento reflete sobre as relações entre ela e 
o seu objeto, procurando denotar sentido ou significação ao próprio ato de 
conhecer. 
 
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Segundo Caio Jr. (1981, p. 15), 
“Realmente é o que se verifica no desenvolvimento histórico 
do pensamento humano logo que o progresso do 
conhecimento atinge certo nível. Isto é, retorno reflexivo da 
elaboração cognitiva sobre si mesma, passando o próprio 
conhecimento a se fazer objeto do conhecer, fato esse 
suficientemente marcado para dar lugar a uma ordem de 
cogitações bem caracterizadas e distintas do conhecimento 
ordinário”. 
Essa observação do autor nos fornece uma característica importante do 
conhecimento, ou seja, o sujeito ao apreender o objeto não se comporta 
passivamente. A consciência humana não se encontra perante a realidade como se 
fosse um espelho a refletir simplesmente a imagem do objeto. A sua atitude, 
portanto, é ativa e dinâmica. Há uma participação criativa e inovadora por parte da 
consciência na construção da imagem, quanto ao seu próprio conteúdo objetivo. 
Dessa forma, as imagens captadas pelo sujeito no processo de conhecimento são 
interpretadas de uma forma que este mesmo sujeito pode operar no processo de 
intervenção e construção da realidade que o cerca. Viu como não é tão difícil 
compreender a dinâmica do conhecimento? Não há dificuldades. O conhecimento 
é relacional, existe sob a forma de relação, isto é, em uma relação entre o sujeito e o 
objeto. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
Hessen, J. Teoria do conhecimento. 3ª Edição. São Paulo: Martins 
fontes, 2000. 184 p. 
 
 
SUGESTÃO DE FILME: 
Quem somos nós? (Original: What the Bleep Do We Know?) 
Duração: 109 minutos. Ano de Lançamento (EUA): 2004
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É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA) .Interaja conosco! 
 
Definido em linhas gerais o problema do conhecimento, na próxima unidade 
estudaremos a teoria do conhecimento, em que serão apresentadas as definições 
mais específicas do problema do conhecimento na Filosofia. Espero você na 
próxima unidade! Até lá! 
 
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Exercícios – unidade 6 
 
1. Qual das alternativas abaixo diz respeito à concepção de verdade como 
‘correspondência’? 
a) É aquela que afirma que o que é moralmente aceito só pode ser através de 
uma superação entre o pensamento e a realidade. 
b) É aquela que afirma que o que é verdadeiro só pode ser através de uma 
distinção entre o pensamento e a realidade. 
c) É aquela que afirma que o que é falso só pode ser através de uma superação 
entre o pensamento e a realidade. 
d) É aquela que afirma que o que é verdadeiro só pode ser através do acordo 
entre o pensamento e a realidade. 
e) É aquela que afirma que o que é verdadeiro só pode ser através de uma 
superação entre o pensamento e a realidade. 
 
2. Das alternativas a seguir, não diz respeito ao significado de ‘verdade’? 
a) Adequação do intelecto ao real. 
b) Acordo entre a subjetividade e as propriedades mentais. 
c) Coisa verdadeira ou certa. 
d) Verdade do ocorrido. 
e) Verdade que é contingente e cujo oposto é impossível. 
 
3. Dentre as seguintes afirmações qual delas está incorreta? 
a) O conhecimento dependente da nossa representação, isto é, daquilo que está 
dentro de nós. 
b) Diz-se daquilo que corresponde à verdade, à realidade, ao existente e como tal 
se impõe à aceitação. 
c) A verdade é o que é verdadeiro em contraposição ao que é falso. 
d) Existem várias definições de verdade e várias teorias que pretendem explicar a 
natureza da verdade. 
e) De uma maneira geral, a verdade é concebida como adequação ou 
correspondência. 
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4. Das alternativas a seguir, qual se refere exatamente à essência do conhecimento? 
a) A união entre sujeito e objeto. 
b) A inexistência entre um sujeito e umobjeto. 
c) A descoberta de um termo intermediário entre um sujeito e um objeto. 
d) A relação entre sujeito e objeto. 
e) O desvio lógico entre o sujeito e o objeto. 
 
5. Das alternativas a seguir, uma delas explica corretamente o significado de 
“representação”, qual? 
a) É o processo pelo qual o que é falso torna presente diante de si a imagem ou a 
criptografia de um objeto que é exterior. 
b) É a dinâmica da realidade pela qual o pensamento (o espírito, a mente) torna 
distante a imagem ou a ideia de um objeto que é exterior. 
c) É o processo pelo qual a metafísica (o espírito, a mente) torna presente diante 
de si a imagem ou a ideia de um objeto que é interior. 
d) É o processo pelo qual o pensamento (o espírito, a mente) torna presente 
diante de si a imagem ou a ideia de um objeto que é interior. 
e) É o processo pelo qual o pensamento torna presente diante de si a imagem ou 
a ideia de um objeto que é exterior. 
 
6. Dentre as alternativas a seguir, qual delas diz respeito à forma de “conhecimento 
falso”? 
a) Quando existe um ‘acordo’ entre o nosso pensamento e a realidade. 
b) Quando pensamos não existir uma realidade no nosso pensamento. 
c) Quando falta um dos componentes do conhecimento. 
d) Quando não existe um ‘acordo’ entre o nosso pensamento e a realidade. 
e) Quando não se pode determinar um exame do pensamento. 
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7. O termo reflexão pode ser entendido como: 
a) uma introspecção das emoções. 
b) uma retrospecção da ação. 
c) uma ação irrefletida. 
d) um conhecimento do conhecimento. 
e) um conhecimento sem conhecimento. 
 
8. Qual é a relação entre a verdade e o conhecimento? 
a) A verdade é sempre determinada pelo que não podemos conhecer. 
b) A concordância do sujeito e do objeto revela-nos a verdade. 
c) O conhecimento só é conhecimento porque não existe uma verdade única. 
d) A verdade é o que se apresenta como ilusório à consciência. 
e) O conhecimento válido é aquele que é igual ao falso. 
 
9. O que podemos entender classicamente por “verdade”? 
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10. O que diferencia a “consciência de si” da “consciência do outro”? 
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A teoria do conhecimento: 
A explicação filosófica acerca 
das possibilidades do 
conhecimento humano 
O problema inicial da teoria do conhecimento. 
Os fundamentos do conhecimento. 
As possibilidades do conhecimento. 
7 
Filosofia e Lógica 
 
114 
 
Na unidade anterior obtemos uma noção sobre o significado do 
conhecimento e o problema relativo à verdade. Nesta unidade, examinaremos um 
importante ramo da Filosofia, fundamental para a formação de qualquer ser 
humano: a teoria do conhecimento. À teoria do conhecimento cabe a explicação 
de como o conhecimento ocorre e quais são as possibilidades do ato de conhecer. 
Preparado para iniciar a nossa sétima unidade? Então, vamos lá! 
 
OBJETIVO: 
compreender o desenvolvimento histórico da teoria do conhecimento pelo 
estudo dos problemas filosóficos relativos ao alcance, ao limite e à origem do 
conhecimento. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
 
• O problema inicial da teoria do conhecimento. 
• Os fundamentos do conhecimento. 
• As possibilidades do conhecimento. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
115 
 
O problema inicial da teoria do conhecimento 
 
A Teoria do Conhecimento tem por objetivo buscar a 
origem, a natureza, o valor e os limites do conhecimento da 
faculdade de conhecer. Às vezes o termo é usado ainda 
como sinônimo de epistemologia, o que não é exato, pois o 
mesmo é mais amplo, abrangendo todo tipo de 
conhecimento, enquanto que a epistemologia limita-se ao 
estudo sistemático do conhecimento científico, sendo por 
isso mesmo chamada de filosofia da ciência. 
Na obra Teoria do Conhecimento (2000, p. 14), o autor Hessen afirma que 
“como disciplina filosófica independente, não se pode falar de uma teoria de 
conhecimento nem na antiguidade nem na Idade média”. Para este, embora se 
encontrem várias reflexões acerca da natureza do conhecimento, não podem ser 
consideradas questões do conhecimento sobre os moldes de uma teoria, pois 
nestas misturam-se questões psicológicas e metafísicas. Foi somente a partir da 
Idade Moderna que a teoria do conhecimento surge como uma disciplina 
autônoma. Segundo Hessen (2000, p. 19), “A teoria do conhecimento, como o 
nome já diz, é uma teoria, isto é, uma interpretação e uma explicação filosófica do 
conhecimento humano”. Neste sentido, enquanto uma teoria, esta tem o papel de 
investigar as origens e as possibilidades do conhecimento, os seus fundamentos e 
a extensão do conhecimento, como também o seu valor. 
Contudo, o problema do conhecimento pode ser considerado e estudado sob 
vários pontos de vista: sob o ponto de vista psicológico, sob o ponto de vista 
lógico, sob o ponto de vista gnosiológico, sob o ponto de vista epistemológico, sob 
o ponto de vista sociológico, etc. Vejamos, brevemente, em que consistem 
algumas dessas modalidades de abordagem do conhecimento. Preste atenção em 
cada uma delas. 
 A perspectiva psicológica: Nesta o conhecimento é considerado como 
uma “vivência” do sujeito, ora é visto e estudado como uma das respostas 
do ser humano aos estímulos do seu meio. Analisam-se, neste caso, as 
condições de aprendizagem, isto é, o processo da sua constituição e 
sedimentação até se atingir formas estáveis de conduta, nas quais se 
integram e organizam-se os dados oriundos das percepções. 
Filosofia e Lógica 
 
116 
 
 A perspectiva lógica: Nesta o conhecimento é concebido enquanto 
expresso em enunciados e proposições. Dessa forma, se estuda a lei 
interna desses enunciados, não interessando os conteúdos, mas apenas 
as condições que deve o conhecimento cumprir para ser considerado 
correto ou válido. Também, abstrai-se do problema da adequação entre 
conhecimento e os objetos reais, para fixar-se somente na articulação 
formal dos enunciados. 
 A perspectiva gnosiológica: Esta considera o conhecimento em si 
mesmo, como ato no qual um objeto se faz presente a um sujeito ou uma 
consciência. Nesta perspectiva, o conhecimento é visto como uma 
relação entre sujeito e objeto. Trata-se, então, de analisar o que nesta 
relação, que constitui o conhecimento, é contribuição do objeto e o que é 
contribuição do sujeito. Enfim, trata-se ainda de pensar a relação entre o 
objeto e o sujeito enquanto conhecido. 
 A perspectiva metafísica: Esta trata de verificar se o objeto se esgota no 
plano subjetivo – enquanto objeto conhecido por uma consciência ou 
sujeito -, ou se mesmo esse plano do sujeito só ganha sentido dentro de 
um plano mais vasto que é o plano do ser. Enfim, trata-se de ver se para 
além dos nossos conteúdos da consciência não há algo de real ao qual os 
nossos pensamentos correspondam e que, em última instância, seja o seu 
suporte e fundamento. 
 A perspectiva sociológica: Nesta o conhecimento é considerado como 
estando condicionado por fatores históricos, ou seja, trata-se de 
investigar até que ponto e em que medida as transformações 
econômicas e sociais influem na evolução das categorias do pensamento, 
no surgimento das doutrinas e até mesmo da ciência. 
 A perspectiva epistemológica: É o tipo qualificado de conhecimento 
que pode ser considerado como, propriamente,o conhecimento 
científico. Trata-se, então, de averiguar as condições, isto é, métodos, 
critérios e pressupostos que validam qualquer tipo de conhecimento que 
queira se apresentar como cientifico. 
Filosofia e Lógica 
 
117 
 
Como é obvio, todos os aspectos atrás referidos estão intimamente 
relacionados. A solução que se dá ao problema do conhecimento em uma dessas 
perspectivas afeta diretamente a solução das outras perspectivas. 
Uma vez caracterizada a proposta geral acerca da teoria do conhecimento, no 
próximo tópico examinaremos os problemas fundamentais sobre o qual se 
debruça este ramo da Filosofia. Vamos lá! 
 
Os fundamentos filosóficos do conhecimento 
 
Vimos no tópico anterior que a preocupação central da teoria do 
conhecimento é investigar as origens e as possibilidades do conhecimento. Iremos, 
a partir de agora, detectar os elementos que são as bases para o conhecimento. 
Várias correntes filosóficas procuraram fornecer uma resposta a esta questão. 
Podemos destacar dentre elas o empirismo e o racionalismo. Vejamos as respostas 
que estas tendências formulam: 
 O empirismo: O termo empirismo em grego significa empeiria, isto é, a 
experiência sensorial. O empirismo afirma que todas as nossas ideias são 
provenientes de nossas percepções sensoriais, tais como visão, audição 
etc. Conforme afirma o filósofo Locke, o principal representante do 
empirismo, “nada vem à mente sem antes ter passado pelos sentidos”. 
Em outras palavras, a mente é entendida como uma folha em branco, na 
qual os sentidos registram as percepções. 
 O racionalismo: Derivado do latim ratio, que significa razão, o 
racionalismo pressupõe a razão como o principal meio de conhecimento 
da verdade. Os racionalistas afirmam que a experiência sensível não pode 
ser levada a sério, pois são fontes de erros. Apenas a razão humana pode 
atingir o conhecimento verdadeiro capaz de fornecer a universalidade ao 
conhecimento. 
 
Filosofia e Lógica 
 
118 
 
Estas concepções refletem de maneira divergente as diversas fontes para se 
conhecer a verdade. O empirismo considera a experiência dos sentidos como a 
base do conhecimento e, por outro lado, o racionalismo afirma que a razão 
humana é a verdadeira fonte do conhecimento. Você pode estar se perguntando: 
Mas, quais destas concepções podem ser consideradas corretas? A resposta é: 
nenhuma! A preocupação em relação às fontes do conhecimento é um debate 
interminável. Até hoje são discutidas as possibilidades de que o empirismo e o 
racionalismo possam ser considerados como fontes válidas do conhecimento. No 
entanto, não importa quais são as fontes verdadeiras do conhecimento, o que é 
válido é a discussão e o debate em torno desta questão. 
 
As possibilidades do conhecimento: 
como podemos conhecer? 
 
Se a questão acerca das fontes do conhecimento é apresentada de maneira 
divergente e interminável, a capacidade e a possibilidade humana de conhecer a 
verdade é uma preocupação também discutida e polêmica. Ao longo da história da 
filosofia o problema do conhecimento desenvolveu-se sobre as seguintes 
questões: somos realmente capazes de conhecer? É possível o sujeito captar o seu 
objeto de conhecimento? Quais são, verdadeiramente, as possibilidades do 
conhecimento humano? As respostas a estas questões conduziram ao surgimento 
de duas correntes filosóficas que procuraram responder tais questões: o 
dogmatismo e o ceticismo: 
 Dogmatismo: O dogmatismo é a posição mais simples e mais antiga, 
aquela que significa a atitude ingênua do homem diante da realidade 
que o cerca. A palavra dogmatismo vem do grego dogmatikós, que 
significa doutrina estabelecida. O dogmatismo é a doutrina que defende 
a possibilidade do conhecimento da verdade. Ele se divide em três 
variantes básicas: 
 
1- O dogmatismo ingênuo: Este tipo não encontra problemas na relação entre 
o sujeito e o objeto, por isso não entende como problema qualquer 
dificuldade no que concerne à percepção do mundo tal como ele se 
apresenta; 
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Máquina de escrever
duas correntes filosóficas que procuraram responder tais questões
Filosofia e Lógica 
 
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2- O dogmatismo crítico: Acredita em nossa capacidade de conhecer a 
verdade mediante um esforço entre os nossos sentidos e a nossa 
inteligência. Além disso, confia plenamente que através de um método 
adequado, ou seja, racional e científico, o conhecimento humano torna-se 
capaz de compreender a realidade que o cerca; 
3- O dogmatismo pragmático: Compreende o conhecimento como sendo 
resultado de uma operação de pesquisa e investigação no sentido de que 
estes são fatores fundamentais para o homem solucionar problemas por 
eles enunciados. O pragmatismo pode ser considerado uma espécie de 
relativismo, ou seja, o conhecimento se apresenta como uma função 
meramente instrumental ou utilitária: o conhecimento é verdadeiro ou 
falso na medida em que serve ou não para os fins humanos. O pragmatismo 
volta-se, principalmente, para ação. 
 Ceticismo: A palavra ceticismo vem do grego Sképtesthai, que significa 
considerar, examinar. O ceticismo afirma a impossibilidade de 
conhecimento da verdade. Assim, para ele, o homem nada pode afirmar, 
pois nada pode conhecer. 
Através da história da filosofia, os céticos sensoriais argumentaram que só 
percebemos coisas como parecem a nós e não podemos saber o que causa essa 
aparência. Se é que existe um saber sensorial, ele é sempre pessoal, imediato e 
mutável. Qualquer inferência das aparências é sujeita a erros e não temos meio de 
saber se essa inferência ou julgamento está correto. Contudo, estes argumentos 
não impediram muitos céticos de avançar na defesa do probabilismo em relação 
ao conhecimento empírico. Nem o ceticismo sensorial impediu dogmáticos de 
procurar a verdade absoluta noutro lado, nomeadamente na Razão ou na Lógica. 
Talvez o maior problema acerca da possibilidade da verdade absoluta seja o 
argumento cético quanto ao critério da verdade. Qualquer critério usado para 
julgar a verdade de uma afirmação pode ser desafiado, pois é necessário um 
critério superior para julgar o critério usado, e assim, sucessivamente, até ao 
infinito. Este argumento não deteve filósofos como Platão e Descartes de 
afirmarem ter encontrado um critério absoluto de verdade. Enquanto a maioria dos 
céticos rejeitaria a noção de tal critério existir como eles pretendem, a maioria
Filosofia e Lógica 
 
120 
 
aceita provavelmente os argumentos de Santo Agostinho e outros que afirmam 
existir certas afirmações absolutamente certas, mas esses são assuntos de lógica e 
não tem a ver com o estabelecimento da certeza de afirmações da nossa percepção 
imediata. 
Os antigos céticos não concordavam sequer com os assuntos fundamentais, 
tais como certeza e conhecimento serem possíveis. Alguns acreditavam que 
sabiam que a certeza não era possível; outros afirmavam que não sabiam se o saber 
era possível. A posição de alguém que defende que o conhecimento é impossível 
parece ser autorrefutado. O ponto de vista que afirma que não sabe se o saber é 
possível é consistente com a noção de que faz sentido tentar saber, mesmo se não 
temos a certeza de atingir esse conhecimento. E, enquanto antigos céticos 
pareciam advogar a ideia de que não ter opiniões fortes é algo bom, muitos 
pareciam manter que quando existem fortes provas apoiando a probabilidade de 
uma posição sobre outra, então aquela era desejável. A maioria deles parecia não 
aceitar que, como não podemos ter a absoluta certeza de algo, devíamos 
suspender o julgamento sobre todas as coisas. Tal princípio negar-se-ia a si próprio. 
Pois que, de acordo com ele, não o devemos aceitar, mas suspender julgamento 
sobre ele. Suspender o julgamento sobre afirmações deve ser reservado para 
aquelas sobre as quais nada sabemos, ou não podemos saber, e para aquelas em 
que as evidências estão equilibradas nos opostos. Pode ser verdade que nada é 
absolutamentecerto, mas não é verdade que todas as afirmações são igualmente 
prováveis. Uma pessoa razoável usa a probabilidade como guia para o que 
acredita, não a certeza absoluta, de acordo com os céticos filosóficos. 
Em resumo, diversas foram as formas de investigar e responder a possibilidade 
e a impossibilidade do conhecimento. Tanto o dogmatismo quanto o ceticismo 
apresentam seus argumentos, mas nenhum destes podem ser considerados como 
superior ao outro. São discussões que não encerram em si a questão do 
conhecimento, pois dão forma e conteúdo para a atualização do debate acerca 
desta questão. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
Hessen, J. Teoria do conhecimento. 3ª Edição. São Paulo: Martins 
fontes, 2000. 184p. 
Filosofia e Lógica 
 
121 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
 
Chegamos ao fim do nosso estudo sobre o problema do conhecimento. Como 
você pode notar as unidades VI e VII são unidades complementares. As duas 
abordam de maneira geral a questão do conhecimento em Filosofia. Na próxima 
unidade você terá a oportunidade de estudar a lógica que, embora não seja uma 
teoria sobre o conhecimento, é uma parte essencial e auxiliar desta questão 
genuinamente filosófica, ou seja, a questão do conhecimento. Vamos para a 
próxima unidade? Até lá! 
 
Filosofia e Lógica 
 
122 
 
Exercícios – unidade 7 
 
1. Dentre as alternativas abaixo, qual delas diz respeito ao objetivo fundamental da 
teoria do conhecimento? 
a) Buscar na própria imagem do objeto, a origem, a natureza dos limites do 
conhecimento, da faculdade de ajuizamento. 
b) Buscar a origem para o apreço que se tem em relação à vontade de conhecer. 
c) Buscar a origem, a natureza, o valor e os limites da capacidade de relacionar o 
sujeito e o objeto. 
d) Buscar a origem, a natureza, o valor e os limites do conhecimento, da 
faculdade de conhecer. 
e) Buscar as relações entre a natureza e o valor dos limites da consciência, da 
faculdade dos valores. 
 
2. Qual das alternativas a seguir caracteriza corretamente o empirismo? 
a) O empirismo afirma que todas as nossas convicções pessoais são provenientes 
do nosso mau hábito de gerar discussões passivas. 
b) O empirismo afirma que todas as nossas visões espaciais são provenientes de 
nossas percepções intelectuais. 
c) O empirismo afirma que todas as nossas experiências são provenientes 
unicamente da razão. 
d) O empirismo afirma que todas as nossas ideias são provenientes de nossas 
percepções sensoriais, tais como visão, audição etc. 
e) O empirismo afirma que todas as nossas convicções são provenientes de 
nossas percepções elementares, tais como visão, audição etc. 
 
Filosofia e Lógica 
 
123 
 
3. O pragmatismo pode ser considerado uma espécie de relativismo. Por 
pragmatismo podemos dizer que: 
a) o conhecimento se apresenta como uma função meramente desinteressada 
ou utilitária. 
b) o conhecimento se apresenta como uma função meramente instrumental ou 
utilitária. 
c) o conhecimento se apresenta como uma função meramente desinteressada 
ou instrumentalizada. 
d) o conhecimento se apresenta como uma função meramente sensorial ou 
utilitária. 
e) o conhecimento se apresenta como uma função meramente limitada ou 
fragmentada. 
 
4. Por ‘dogmatismo crítico’ diz ser uma: 
a) incapacidade de conhecer a verdade mediante um esforço entre os nossos 
sentidos e a nossa inteligência. Além disso, confia plenamente que através de 
um método adequado, ou seja, racional e científico, o conhecimento humano 
torna-se capaz de compreender a realidade que o cerca. 
b) capacidade de conhecer a verdade mediante um esforço entre os nossos 
sentidos e a nossa percepção monoteísta. Além disso, confia plenamente que 
através de um método adequado, ou seja, racional e científico, o 
conhecimento humano torna-se capaz de compreender a realidade que o 
cerca. 
c) capacidade de conhecer a verdade mediante um esforço entre os nossos 
sentidos e a nossa inteligência. Além disso, confia plenamente que através de 
um método adequado, ou seja, racional e científico, o conhecimento humano 
torna-se capaz de compreender a realidade que o cerca. 
 
Filosofia e Lógica 
 
124 
d) incapacidade de conhecer a verdade mediante um esforço entre os nossos 
sentidos e a nossa inteligência. Além disso, o conhecimento humano é 
incapaz de compreender a realidade intransigente. 
e) capacidade de desconhecer a verdade mediante um esforço de disjunção 
entre os nossos sentidos e a nossa inteligência. Além disso, confia plenamente 
que através de um método adequado, ou seja, racional e científico, o 
conhecimento humano torna-se capaz de compreender a realidade que o 
cerca. 
 
5. Qual a contribuição de Kant para o problema do conhecimento? 
a) Formulador da filosofia crítica emocional. Além disso, difundiu a tese da 
incapacidade de conhecer as coisas que estão introduzidas na conduta 
insensível. 
b) Formulador da filosofia Racionalista. Além disso, defendeu a tese da 
impossibilidade de conhecimento das coisas que estão além da experiência 
racional. 
c) Formulador da filosofia Empírico-teológica. Além disso, defendeu a tese da 
compatibilidade entre o conhecimento das coisas que estão além da 
experiência racional e daquelas que estão no interior da nossa memória 
afetiva. 
d) Formulador da filosofia Racionalista. Além disso, defendeu a tese da 
possibilidade de conhecimento das coisas que estão além da experiência 
sensível. 
e) Formulador da filosofia Racionalista. Além disso, criticou a tese da 
impossibilidade de conhecimento das coisas que estão além da experiência 
sensível. 
 
Filosofia e Lógica 
 
125 
 
6. Quanto ao ‘ceticismo ingênuo’, podemos dizer que: 
a) este tipo de conhecimento subordina os problemas elementares da relação 
entre o sujeito e o objeto, não conseguindo entender o problema da 
percepção do mundo tal como ele se apresenta. 
b) este tipo de conhecimento somente encontra problemas na relação entre o 
sujeito e o objeto desconhecido, por isso não se baseia no problema que 
concerne à percepção do mundo tal como ele se apresenta. 
c) este tipo de conhecimento não encontra problemas na relação entre o critério 
subjetivo e o objeto incoerente, por isso não entende como problema 
qualquer dificuldade no que concerne à percepção do mundo tal como ele se 
apresenta. 
d) este tipo de conhecimento não encontra problemas na relação entre o sujeito 
e o objeto, por isso não entende como problema qualquer dificuldade no que 
concerne à percepção do mundo tal como ele se apresenta. 
e) este tipo de conhecimento identifica problemas na relação entre o sujeito e o 
objeto, por isso não entende como problema qualquer dificuldade no que 
concerne à percepção do mundo tal como ele se apresenta. 
 
7. O ceticismo vem do grego Sképtesthai. Qual o significado deste termo? 
a) Considerar ou examinar. 
b) Examinar ou desconsiderar. 
c) Considerar ou encaminhar. 
d) Desconsiderar ou verificar. 
e) Verificar ou desconfiar. 
 
Filosofia e Lógica 
 
126 
 
8. Qual o problema maior sobre a possibilidade da verdade absoluta para os 
céticos? 
a) O argumento que justifica a possibilidade de qualquer conhecimento 
mediato. 
b O argumento acerca do critério da verdade. 
c) O problema acerca dos universais. 
d) O problema acerca da incapacidade de descobrir uma conexão entre o sujeito 
e o objeto. 
e) A incapacidade de o sujeito possuir várias concepções de verdade. 
 
9. O que pressupõe o ‘Racionalismo’? 
 ___________________________________________________________________ 
 ______________________________________________________________________________________________________________________________________ 
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 ___________________________________________________________________ 
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10. O que os céticos argumentam em relação às possibilidades do conhecimento? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
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 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
Filosofia e Lógica 
 
127 
 
Os conceitos fundamentais 
da lógica clássica e a sua 
aplicabilidade no campo da 
matemática e da ciência 
O que é Lógica? 
A Lógica Formal. 
As três operações intelectuais do espírito. 
Trabalhando com conceitos. 
O Silogismo: a lógica do Raciocínio. 
A relação possível entre a lógica e a matemática. 
8 
Filosofia e Lógica 
 
128 
 
Nesta unidade iremos analisar os conceitos fundamentais da Lógica Clássica, 
como também a sua aplicabilidade no campo das ciências exatas e principalmente 
no âmbito da matemática e da ciência. Esta possui o filósofo grego Aristóteles 
como seu principal formulador. Dessa forma, procuraremos ressaltar como e 
porque as contribuições deste filósofo no campo da Lógica são de extrema 
importância até os nossos dias. 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
• analisar a fundamentação dos argumentos lógicos e as condições que 
esses argumentos necessitam para serem considerados válidos ou corretos; 
• compreender a aplicabilidade da Lógica clássica no estudo da 
matemática e da ciência. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• O que é Lógica? 
• A Lógica Formal. 
• As três operações intelectuais do espírito. 
• Trabalhando com conceitos. 
• O Silogismo: a lógica do Raciocínio. 
• A relação possível entre a lógica e a matemática. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
129 
 
O que é lógica? 
 
 
A Lógica é uma parte da Filosofia, na sua definição geral, que pode ser 
compreendida como a ciência que tem como objeto determinar, por entre todas as 
operações intelectuais que tendem para o conhecimento do verdadeiro, as que são 
válidas e as que não são (LALANDÉ, 1951). Desde a Grécia Antiga, a Filosofia busca 
o saber através do uso metódico da razão, ou seja, aos filósofos interessava uma 
formulação de raciocínios que chegasse a resultados verdadeiros e não falsos. Para 
se obter esses resultados, diversos pensadores se voltaram para a tarefa de analisar 
as estruturas do raciocínio, organizando-as e classificando-as. Foi assim que a 
Lógica se desenvolveu. 
Contudo, em seu início, a falta de uma sistematização que fizesse com que a 
Lógica se constituísse em um domínio específico e autônomo do conhecimento 
humano era visível. Essa sistematização da Lógica só teve seu início com 
Aristóteles, no qual a Lógica se estabelece enquanto disciplina sistemática 
denominada de Lógica Clássica ou Lógica Tradicional. Com isso, Aristóteles assume 
um papel fundamental na história da Lógica, pois tem consciência de seu caráter 
autônomo, sendo seu primeiro grande sistematizador. 
Apesar de Aristóteles fornecer um caráter sistematizador da Lógica e de ser o 
seu principal iniciador, parece, portanto, que ele não chega a nos dar uma 
definição explícita de seu empreendimento teórico. Surge, então, um ponto 
fundamental que não podemos deixar de mencionar para entendermos como 
Aristóteles caracteriza a Lógica. O fato é que ele não emprega o termo “lógica” e 
sim o termo “analítica” (o nome Lógica é posterior a Aristóteles – só vai aparecer 
500 anos depois, no tempo de Cícero). Mas, o que estuda a analítica?
Filosofia e Lógica 
 
130 
 
As fontes básicas para elucidar essa questão são os comentários de Aristóteles 
em uma das suas obras lógicas, Os Primeiros analíticos. Nessa obra, ele procura 
destacar a finalidade da Analítica. 
 
“De início é necessário estabelecer o objetivo de nossa 
investigação e a que a disciplina ela pertence: seu objetivo é 
a demonstração e pertence à ciência demonstrativa.” (An. Pr. 
24ª, pp. 10-17) 
 
Assim, o que a analítica visa é o estudo da demonstração, que para Aristóteles 
se dá a partir da análise do raciocínio. A Lógica, para Aristóteles, não teria a função 
de aumentar o conhecimento, seu objetivo seria, como vimos, uma análise do 
raciocínio em suas diversas formas e comuns a todo tipo de conhecimento 
(Matemática, Ética, Física), caracterizando-se, assim, em um pré-requisito básico, 
em um conhecimento para o conhecimento propriamente dito. Por fim, a título de 
esclarecer a função da analítica para Aristóteles, vale ressaltar o comentário de um 
estudioso do pensamento aristotélico, Ross, que diz: 
 
“Para Aristóteles, a Lógica não é uma ciência substantiva, 
mas sim um aspecto geral a que todos devem submeter-se 
antes de estudar qualquer ciência.” (ROSS, D. 1993) 
 
Considerando a afirmação de Ross, a Lógica para Aristóteles possui um caráter 
instrumental, ou seja, é um instrumento utilizado pelas ciências. Na verdade, a 
Lógica é um estágio preparatório que antecede ao conhecimento propriamente 
dito. É dentro dessa vertente que se convencionou chamar de Órganon (em grego, 
instrumento) ao conjunto de obras lógicas de Aristóteles. As obras de Aristóteles 
que constituem o Órganon são as seguintes: 
 
Filosofia e Lógica 
 
131 
I 
MPORTANTE 
• As categorias: Referem-se a uma lista de predicados mais 
abrangentes, que são predicáveis essencialmente das várias 
entidades nomeáveis e que determinam de que espécie são; 
• Sobre a Interpretação: Estuda-se a enunciação; 
• Primeiros Analíticos: Estuda a natureza do Silogismo; 
• Segundos Analíticos: Aristóteles estuda a aplicação do Silogismo; 
• Os Tópicos: Tratam do uso do Silogismo; 
• As refutações Sofísticas: Discutem os erros que podem ser encontrados no 
raciocínio. 
 
Como um instrumento para o conhecimento, a Lógica preocupa-se 
fundamentalmente com o aspecto formal de um raciocínio ou argumento. O termo 
“formal” refere-se à forma, o que pressupõe que a Lógica tem como objetivo a 
preocupação com a forma e a estrutura do pensamento, e não o seu conteúdo. 
Pode-se dividir a Lógica de duas formas: a Lógica tradicional e a Lógica moderna 
(simbólica ou matemática). Entretanto, essas duas não são completamente 
distintas, pois a Lógica tradicional está contida na moderna. O objetivo dessa 
divisão é apenas uma questão didática. 
Para nossos propósitos, no próximo tópico, examinaremos algumas das 
especificações da lógica tradicional de origem aristotélica. Acreditamos que a 
análise desta representa uma reflexão mais simples e particular, correspondendo, 
assim, aos objetivos desse curso. 
 
A lógica formal ou clássica 
 
A Lógica formal preocupa-se com a maneira pela qual o pensamento deve se 
apresentar para ser correto, ou seja, preocupa-se em estabelecer a forma pela qual 
o pensamento deve ser enunciado para que possua validade. 
 
Filosofia e Lógica 
 
132 
 
A Lógica formal considerou alguns princípios fundamentais. Tais princípios 
nos quais toda a Lógica é baseada são básicos e elementares. São eles: 
A – O princípio da identidade: Enunciado pela seguinte sentença: “cada coisa é 
idêntica a si mesma”. Podemos dar ao princípio da identidade um tratamento 
algébrico, reduzindo-o à seguinte forma enunciativa: 
A é idêntico a A 
Esse enunciado atribui ao princípio da identidade um caráter tautológico (do 
grego tauto, o mesmo). Isso significa que o seu enunciado consiste numa 
proposição que tem como sujeito e predicado o mesmo conceito. Ex.: Eu sou eu. 
B – O princípio da não-contradição:O princípio da não-contradição postula 
que dois conceitos são contraditórios quando não podem ser e não são ao mesmo 
tempo, quando analisados de um mesmo ponto de referência. Este princípio pode 
receber o seguinte tratamento: 
Não (A é não- A) 
A partir dessas caracterizações, vamos examinar no tópico seguinte os 
conceitos básicos da Lógica formal. 
 
As três operações intelectuais do espírito segundo a lógica 
clássica aristotélica 
 
Segundo Aristóteles, a inteligência humana possui três funções básicas: 
A- Conceber: Conceber é um ato pelo qual se forma um conceito. Quando 
pensamos, por exemplo, acerca do homem em geral, da mesa em geral, do 
professor em geral, estamos efetuando um ato de conceber. 
B- Julgar: Julgar é o ato pelo qual se afirma ou se nega algo a respeito de 
alguma coisa. Quando pensamos, por exemplo, “o homem é mortal” estamos 
efetuando um ato de julgar. O ato de julgar é mais complexo do que o ato de 
conceber, uma vez que o ato de conceber é suposto pelo de julgar, sendo anterior 
a este. 
 
Filosofia e Lógica 
 
133 
 
C- Raciocinar: Raciocinar é o ato pelo qual se deriva um 
juízo a partir de um ou mais juízos. É, por exemplo, pensar: 
José é maior do que Mário. 
Logo, Mário é menor do que José. 
Temos, portanto, um exemplo de derivação de um juízo a partir de um juízo. O 
ato de raciocinar envolve em si todo um mecanismo psicológico que não interessa 
a Lógica. À Lógica cabe estudar o conteúdo do ato de raciocinar. Ao conteúdo do 
ato de raciocinar chamamos de raciocínio. Assim, quando efetuamos o ato de 
raciocinar, produzimos raciocínio. Na produção de um raciocínio existem sempre 
juízos. 
 
Trabalhando com conceitos lógicos: 
Como vimos anteriormente, um conceito é o conteúdo do ato mental de 
conceber. Podemos definir o conceito como uma representação intelectual ou 
discursiva das propriedades que definem uma classe de objetos. As notas 
determinam a compreensão de um conceito de tal modo que quanto maior o 
número de notas admitidas, maior a compreensão do conceito. Quando definimos 
“homem” como ‘animal racional’ distinguimos duas notas que compõem o 
conceito ‘homem’: ‘animal’ e ‘racional’. Neste sentido, as notas ‘animal’ e ‘racional’ 
designam propriedades que algo deve possuir a fim de pertencer à classe das 
entidades que, corretamente, podemos denominar individualmente de ‘homem’. 
Assim, dizer que as notas de conceito conotam o conceito. 
 
A extensão de um conceito na lógica: 
Também conhecida como denotação, a extensão de um 
conceito – ‘livro’ -, por exemplo, pode ser definida como a 
classe de todos os objetos aos quais podemos 
inequivocadamente denominar de ‘livro’. Do mesmo modo, a 
extensão do conceito ‘mesa’ seria o conjunto de todas as 
mesas e a extensão do conceito ‘homem’, o conjunto de todos os homens. João, 
Pedro e José, por exemplo, pertencem à extensão do conceito ‘homem’. Podemos 
notar, por exemplo, que a extensão do conceito ‘quadrado’ é menor do que a do 
conceito ‘quadrilátero’ e a extensão deste, por sua vez, é menor do que a do 
conceito ‘polígono’. 
Filosofia e Lógica 
 
134 
 
A compreensão de um conceito na lógica: 
A compreensão de um conceito é também denominada de conotação ou 
intensão. Podemos definir a compreensão como o conjunto de características que 
dizem respeito ao significado de um conceito, contrariamente às coisas que o 
conceito designa. Assim, enquanto extensão refere-se à amplitude do conceito 
quanto a particularidades, a compreensão diz respeito à sua amplitude quanto às 
notas que o constituem e o caracterizam. 
 
IMPORTANTE 
A lei geral dos conceitos na lógica clássica: 
Como vimos, a extensão do conceito ‘quadrilátero’ é menor do que a do 
conceito ‘polígono’, pois há mais polígonos do que quadriláteros. Entretanto, a 
compreensão do conceito quadrilátero é maior do que a do conceito de ‘polígono’, 
pois a compreensão de ‘quadrilátero’ pode ser assim expressa: polígono de quatro 
lados. Isto é, ‘ter quatro lados’ é uma característica fundamental de ‘quadrilátero’, e 
não de ‘polígono’, pois existem polígonos que não tem quatro lados. Logo, ‘ter 
quatro lados’ é uma característica a mais que o conceito ‘quadrilátero’ possui em 
relação ao conceito ‘polígono’. Esse exemplo ilustra a lei geral vigente entre a 
extensão e a compreensão de um conceito e que pode ser assim enunciada: “A 
extensão e a compreensão dos conceitos variam inversamente”, ou seja, quanto 
maior for a compreensão de um conceito, menor a sua extensão, e quanto maior 
for a extensão, menor será a compreensão. 
Essas considerações sobre o conceito, a extensão e a compreensão serão de 
extrema importância para entendermos o silogismo. Convido você a examinar 
comigo o significado de silogismo. 
 
Filosofia e Lógica 
 
135 
 
O silogismo e a estrutura lógica do raciocínio 
 
Como vimos anteriormente, o raciocínio é o conteúdo do ato mental de 
raciocinar. Podemos definir o raciocínio como a derivação de um juízo a partir de 
um ou mais juízos. Em todo raciocínio distinguimos sempre o antecedente e o 
consequente. Como exemplo de raciocínio, temos: 
Nenhum homem é mortal [ANTECEDENTE] 
Logo, nenhum imortal é homem [CONSEQuENTE] 
Esse exemplo é também caracterizado como uma inferência. Por inferência 
deve-se entender um conjunto ordenado de proposições no qual a última é a 
conclusão (consequente) e as demais são denominadas de premissas 
(antecedente). 
 
Os tipos de Raciocínios 
 Raciocínio Dedutivo 
Raciocínio dedutivo ou dedução é aquele cujo consequente é inferido em 
função apenas da conexão que compõe o raciocínio. Ou seja, o argumento 
dedutivo é aquele que parte de premissas gerais para uma conclusão particular. 
 
Exemplo: 
 
Todo mamífero é mortal 
Todo cão é mamífero 
Logo, todo cão é mortal. 
 
Como você observou o antecedente “todo 
mamífero é mortal” enuncia uma verdade mais geral do que a conclusão “todo cão 
é mortal”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
136 
 
 Raciocínio Indutivo 
Raciocínio indutivo é aquele que parte de proposições ou premissas 
particulares e chega a uma conclusão geral. Vejamos um exemplo: 
A África é um continente habitado. 
A Europa é um continente habitado 
(o mesmo para a América, Ásia, Oceania e Antártida) 
Logo, todos os continentes são habitados. 
 
O raciocínio indutivo, partindo de verdades particulares, tende a chegar a 
conclusões apenas provavelmente corretas, enquanto que o raciocínio dedutivo, 
partindo de verdades gerais, tende a chegar a conclusões seguramente corretas. 
Isto porque no raciocínio indutivo a conclusão não está implícita no antecedente, 
ao passo que no raciocínio dedutivo a conclusão está implícita no antecedente. 
 
A natureza do silogismo e os seus elementos principais 
O silogismo é uma forma especial de argumento em que uma conclusão que 
une os dois termos é deduzida de duas premissas que une esses dois termos a um 
terceiro termo. Todo silogismo é constituído de três proposições nas quais os três 
termos são combinados dois a dois. Eis um exemplo de silogismo aristotélico: 
 
1ª Premissa – Todo homem é mortal 
2ª Premissa – Todo grego é homem 
Conclusão – Todo grego é mortal 
1ª Premissa – Todo A é B 
2ª Premissa – x é A 
Conclusão – Todo x é B e A 
 
Filosofia e Lógica 
 
137 
 
O silogismo é composto de dois termos extremos que se unem na conclusão 
funcionando como sujeito e predicado. O predicado da conclusão é denominado 
de termo maior (que se convencionou abreviar por “T”), enquanto que o sujeito é o 
termo menor (que se convencionou abreviar por “t”). O termo ao qual cada um dos 
extremos está ligado e que não aparece na conclusão do silogismo é denominado 
de termo médio (abreviado por “M”). No exemplo acima, ‘mortal’ é o termo maior, 
‘grego’ é o termo menor e ‘homem’, o termo médio. 
Assim, os termos (T, t, M) são a “matéria remota” do silogismo. A premissa que 
contém o termo maior é chamada de premissa maior,enquanto que a que contém 
o termo menor é chamada de premissa menor. A premissa maior e menor e a 
conclusão são a “matéria próxima” do silogismo. Todo silogismo possui a seguinte 
estrutura: 
 (Antecedente) Todo homem (M) é mortal. (T) – Premissa maior. 
 (Antecedente) Todo grego (t) é homem. (M) – Premissa menor. 
 (Consequente) Todo grego (t) é mortal. (T) – Conclusão. 
 
Mais exemplos: 
 (Antecedente) Todo círculo (M) é redondo. (T) – Premissa maior. 
 (Antecedente) Nenhum triângulo (t) é redondo. (M) – Premissa menor. 
 (Consequente) Logo, Nenhum triângulo (t) é círculo. (T) – Conclusão. 
 
A relação possível entre a lógica e a matemática 
Tanto para os antigos e os medievais aristotélicos, os princípios e as leis da 
lógica correspondiam à estrutura da própria realidade, pois o pensamento 
exprimiria o real e dele participa. Aristóteles dizia que a verdade e a falsidade são 
propriedades do pensamento e não das coisas e que a realidade e a irrealidade 
(aparência ilusória) são propriedades das coisas e não do pensamento e, ainda, um 
pensamento verdadeiro devia exprimir a realidade da coisa pensada, enquanto um 
pensamento falso nada poderia exprimir. Por outro lado, os modernos (século XVII), 
a lógica era uma arte de pensar, para bem conduzir a razão nas ciências. 
Filosofia e Lógica 
 
138 
 
Os princípios e as leis da lógica correspondiam à estrutura do próprio 
pensamento, sobretudo, à do raciocínio. Dessa forma, como arte de pensar, a 
lógica oferecia ao conhecimento científico e filosófico as leis do pensamento 
verdadeiro e os procedimentos para a avaliação dos conhecimentos adquiridos. 
Contudo, alguns estudiosos contemporâneos admitem que a lógica antiga e 
moderna não eram plenamente formal, pois não era indiferente aos conteúdos das 
proposições, nem às operações intelectuais do sujeito do conhecimento. A forma 
lógica recebia o valor de verdade ou falsidade a partir da verdade a falsidade dos 
atos de conhecimento do sujeito e da realidade ou irrealidade dos objetos 
conhecidos. Ao contrário, a lógica contemporânea, procurando tornar-se um puro 
simbolismo do tipo matemático e um cálculo simbólico preocupa-se cada vez 
menos com o conteúdo material das proposições (a realidade dos objetos referidos 
pela proposição) e com as operações intelectuais do sujeito do conhecimento (a 
estrutura do pensamento). 
Desde a Grécia antiga considerou-se a matemática uma ciência baseada na 
intuição intelectual de verdades absolutas, existentes em si e por si mesmas, sem 
depender de qualquer interferência humana. Os axiomas, as figuras geométricas, 
os números e as operações aritméticas, os símbolos e as operações algébricas eram 
considerados verdades absolutas, universais, necessárias, que existiriam com ou 
sem os homens e que permaneceriam existindo mesmo se os humanos 
desaparecessem (para muitos filósofos, a matemática chegou a ser considerada a 
ciência divina por excelência). No entanto, desde o século XIX passou-se a 
considerar a matemática uma ciência que resulta de uma construção intelectual, 
uma invenção do espírito humano, sem que suas entidades sejam existentes em si 
e por si mesmas. Os entes matemáticos são puras idealidades construídas pelo 
intelecto ou pelo pensamento, que formula um conjunto rigoroso de princípios, 
regras, normas e operações, para a criação de figuras, números, símbolos, cálculos, 
etc. 
Desta maneira, a matemática surgia como um ramo da lógica, cabendo ao 
alemão Frege e aos ingleses Bertrand Russell e Alfred Whitehead prosseguir o 
trabalho de Peano (que realizou um estudo sobre a aritmética dos números 
cardinais finitos demonstrando que estes poderiam ser derivados de cinco 
axiomas ou proposições primitivas e de três termos não definíveis – zero,
Filosofia e Lógica 
 
139 
 
número e sucessor de), oferecendo as definições lógicas dos três termos que o 
matemático italiano julgara indefiníveis. Frege ofereceu o primeiro conceito de 
sistema formal e os primeiros exemplos do cálculo de proposições e de predicados. 
A matemática é uma ciência de formas e cálculos puros organizados numa 
linguagem simbólica perfeita, na qual cada signo é um algoritmo, isto é, um 
símbolo com um único sentido. É elaborada pelo espírito humano e não um 
pensamento intuitivo que contemplaria entidades perfeitas e eternas, existentes 
em si e por si mesmas. 
Ora, se o pensamento constrói seus próprios objetos, em vez de descobri-los 
ou contemplá-los, essa construção, segundo os próprios matemáticos, faz com que 
a matemática deva ser entendida como um discurso ou como uma linguagem que 
obedece a certos critérios e padrões de funcionamento. Assim sendo, a lógica 
adotou para si o modelo de um discurso ou de uma linguagem que lida com puras 
formas sem conteúdo e tais formas são símbolos de tipo matemático ou 
algoritmos. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
COPI, Irving. Introdução à lógica. 2ª Edição. São Paulo: Mestre Jou, 1974. 
488p. 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, 
além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso 
prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
Percebeu como o estudo da lógica é importante? Através dessa disciplina, 
podemos obter um raciocínio correto, seja quando estamos escrevendo seja 
quando estamos argumentando um problema qualquer. Espero que você tenha 
compreendido esses conceitos fundamentais da lógica. Caso queira se aprofundar 
mais nesse assunto, recomendo que você recorra à leitura complementar indicada. 
Bom estudo! Até a próxima unidade. 
Filosofia e Lógica 
 
140 
 
Exercícios – unidade 8 
 
1. O que podemos entender o estudo da lógica? 
a) A lógica pode ser compreendida como a ciência que tem como objeto 
determinar, por entre todas as operações intelectuais que tendem para o 
conhecimento do verdadeiro, as que são válidas e as que não são. 
b) A lógica pode ser compreendida como uma conferência que tem como 
objeto determinar, por entre todas as operações intelectuais que tendem 
para o conhecimento do verdadeiro, as que são válidas e as que não são. 
c) A lógica pode ser compreendida como uma tendência moderna que tem 
como objeto determinar, por entre todas as operações intelectuais que 
tendem para o conhecimento do verdadeiro, as que são válidas e as que 
não são. 
d) A lógica pode ser compreendida como uma conferência que tem como 
objeto catalogar, por entre todas as operações intelectuais que tendem 
para o conhecimento do verdadeiro, as que são válidas e as que não são. 
e) A lógica pode ser compreendida como uma conferência que tem como 
iniciativa coletiva determinar, por entre todas as operações intelectuais que 
tendem para o conhecimento do verdadeiro, as que são válidas e as que 
não são. 
 
2. O que significa dizer que a Lógica ocupa-se fundamentalmente com o aspecto 
formal de um raciocínio ou de um argumento? 
a) Porque a Lógica tem como objetivo a preocupação com a emancipação 
disforme e a estrutura do pensamento e não o seu conteúdo. 
b) Porque a Lógica tem como objetivo a preocupação com a forma e a 
estrutura do pensamento e não o seu conteúdo. 
c) Porque a Lógica tem como objetivo a preocupação com a ligação disforme 
e a estrutura do pensamento e não o seu conteúdo. 
d) Porque a Lógica tem como objetivo a preocupação com a iniciação 
disforme e a estrutura do pensamento e não o seu conteúdo. 
e) Porque a Lógica tem como objetivo o exame da confecção do silogismo e a 
estrutura do pensamento e não o seu conteúdo. 
Filosofia e Lógica 
 
141 
 
3. Qual das alternativas a seguir implica em uma definição da compreensão de um 
conceito? 
a) Refere-se à amplitude do conceito quanto às particularidades. 
b) É o conteúdo do ato mental de raciocinar. 
c) O conjunto de característicasque dizem respeito ao significado de um 
conceito, contrariamente às coisas que o conceito designa. 
d) Refere-se ao conteúdo dos atos mentais. 
e) Designa uma nota do conteúdo do ato mental de raciocinar. 
 
4. Identifique no silogismo a seguir qual é a premissa maior. 
Existem biscoitos feitos de água e sal. 
O mar é feito de água e sal. 
Logo, o mar é um grande biscoito. 
 
a) O mar é feito de água e sal. 
b) Logo. 
c) “Existem biscoitos feitos de água e sal”. 
d) Água e sal. 
e) Logo, o mar é um grande biscoito. 
 
5. Que tipo de raciocínio expressa o seguinte silogismo? 
O ferro conduz eletricidade 
O ouro conduz eletricidade 
O cobre conduz eletricidade 
Logo, todos os metais conduzem eletricidade. 
 
Filosofia e Lógica 
 
142 
 
a) Raciocínio indutivo. 
b) Raciocínio dedutível 
c) Raciocínio dedutivo. 
d) Raciocínio gramático. 
e) Falácia conceitual. 
 
6. Dentre as questões a seguir, qual delas caracteriza corretamente “o princípio da 
não-contradição”? 
a) Postula que três conceitos são ilusórios quando não podem ser e não são 
ao mesmo tempo, quando analisados de um mesmo ponto de referência. 
b) Postula que dois conceitos são invariáveis quando podem ser e não são ao 
mesmo tempo, quando analisados de um mesmo ponto de referência. 
c) Postula que duas consciências são contraditórias quando não podem se 
refletir ao mesmo tempo, quando analisados de um mesmo ponto de 
referência. 
d) Postula que dois conceitos são contraditórios quando podem ser e não ser 
ao mesmo tempo, quando analisados de um mesmo ponto de referência. 
e) Postula que dois conceitos são contraditórios quando não podem ser e não 
são ao mesmo tempo, quando analisados de um mesmo ponto de 
referência. 
 
7. Qual das alternativas abaixo não se refere à “compreensão de um conceito” na 
lógica? 
a) Também denominada de conotação. 
b) Também denominada de intensão. 
c) Diz respeito à sua amplitude quanto às notas que o constituem e o 
caracterizam. 
d) Refere-se à amplitude do conceito quanto às particularidades. 
e) Conjunto de características que dizem respeito ao significado de um 
conceito, contrariamente às coisas que o conceito designa.
Filosofia e Lógica 
 
143 
 
8. Das seguintes alternativas, qual corresponde à caracterização correta de 
Raciocinar? 
a) Ato pelo qual o espírito opõe-se à matéria. 
b) Ato pelo qual se deriva um juízo a partir de um ou mais juízos. 
c) Ato pelo qual o diálogo se converte em espírito. 
d) Ato pelo qual a concepção de ato conduz a concepção de espírito. 
e) Ato pelo se deriva uma inferência a partir de uma consequência. 
 
9. A Lógica Formal considerou alguns princípios fundamentais. Tais princípios, nos 
quais toda a Lógica é baseada, são básicos e elementares. Quais são eles? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
10. Quais são as três operações intelectuais do Espírito segundo a Lógica clássica 
aristotélica? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
Filosofia e Lógica 
 
144 
Filosofia e Lógica 
 
145 
 
A epistemologia e a 
filosofia da ciência 
A questão inicial da Filosofia da ciência. 
A classificação das ciências. 
A neutralidade da ciência. 
O cientificismo e a ideologia da ciência. 
9 
Filosofia e Lógica 
 
146 
 
Nesta unidade aprenderemos que a Filosofia da Ciência procura identificar as 
peculiaridades da ciência e descobrir em que operações da razão ela fundamenta 
suas técnicas, seus procedimentos de pesquisa e, consequentemente, seus 
resultados. 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
• examinar a constituição da Epistemologia e da Filosofia da Ciência. 
• fornecer uma apreciação mais ampla dos argumentos que transformaram 
o debate sobre a ciência numa discussão sobre os valores e o compromisso do 
conhecimento científico para com a sociedade. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
 
• A questão inicial da Filosofia da ciência. 
• A classificação das ciências. 
• A neutralidade da ciência. 
• O cientificismo e a ideologia da ciência. 
 
Bons estudos! 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
147 
 
A questão inicial da filosofia da ciência 
 
A Filosofia da Ciência enquanto uma especificação da filosofia destacou-se no 
final do século XIX, a partir da polêmica travada entre William Whewell e John 
Stuart Mill. A preocupação central da Filosofia da Ciência diz respeito à reflexão 
crítica sobre os fundamentos do saber científico. Em outras palavras, diz-se que a 
Filosofia da Ciência ou Epistemologia busca constituir uma “teoria do 
conhecimento científico”. No entanto, podemos a partir desse tema geral, 
desdobrá-lo em uma série de problemas que são discutidos pelos filósofos da 
ciência ao longo dos tempos, tais como: 
 
 A preocupação acerca do método de investigação científica; 
 A questão sobre a classificação das ciências; 
 A natureza e as especificidades das teorias científicas; 
 A questão acerca do papel da ciência e a sua utilidade na sociedade. 
 
A Filosofia da Ciência pode ser dividida em duas grandes áreas: a 
epistemologia da ciência e a metafísica da ciência. (1) A epistemologia da ciência 
discute a justificação e a objetividade do conhecimento científico. (2) A metafísica 
da ciência discute aspectos filosoficamente problemáticos da realidade 
desvendada pela ciência. Podemos dizer que a filosofia da ciência possui como 
expressão máxima as reflexões dos filósofos Thomas Kuhn e Karl Popper. As 
questões levantadas por estes filósofos acerca dos problemas da ciência podem ser 
resumidas na seguinte reflexão de Gilles-Gaston Granger: 
 
Filosofia e Lógica 
 
148 
 
“A ciência é uma das mais extraordinárias criações do homem, ao 
mesmo tempo pelos poderes que lhe confere e pela satisfação 
intelectual e até estética que suas explicações proporcionam. No 
entanto, ele não é lugar de certezas absolutas e, exceto nas 
matemáticas, nas quais sabemos exatamente as condições em que 
um teorema é verdadeiro, o conhecimento científico é 
necessariamente parcial e relativo. É limitado o campo em que a 
visão científica do conhecimento pode legitimamente conhecer? 
Devemos traçar fronteiras à ciência? A resposta é não, no sentido de 
que nenhuma razão derivada da natureza da ciência obrigue a se 
delimitar seu campo de investigação. No entanto, nem toda espécie 
de fenômeno lhe é igualmente acessível. O obstáculo único, mas 
radical, me parece ser a realidade individual dos acontecimentos e 
dos seres. O conhecimento científico exerce-se plenamente quando 
pode neutralizar essa individuação, sem gerar gravemente seu 
objeto, como acontece em geral nas ciências da natureza. (...) Por 
outro lado, a ciência não se propõe de modo algum resolver as 
questões que envolvem escolhas de valor. Vimos que ela própria 
levanta problemas éticos; sem dúvida, ela deve contribuir para nos 
informar e nos esclarecer a respeito desses problemas, mas 
absolutamente não seria capaz de resolvê-los. O erro mais grave 
sobre esse ponto consistiria em transformar conhecimentos positivos 
cientificamente estabelecidos em preceitos de escolha e de ação.” 
(GRANGER, 1994, pp. 113-114). 
 
Essas dentre muitas questões são, portanto, o objetode discussão da filosofia 
da ciência. A seguir, iremos examinar alguns desses problemas e discussões acerca 
dos fundamentos do saber científico. 
 
Filosofia e Lógica 
 
149 
 
2- A classificação das ciências 
 
 
Desde os tempos áureos da Filosofia, os filósofos possuem a preocupação de 
elaborar uma classificação geral das ciências. A primeira classificação sistemática 
das ciências se deve a Aristóteles. Aristóteles empregou três critérios para 
classificar os saberes: 
 Critério da ausência ou de presença da ação humana. Levando em conta 
esse aspecto, Aristóteles estabeleceu uma distinção entre ciências 
teoréticas, ou seja, as ciências que tem como objetivo o conhecimento 
puro e racional do mundo. Ex.: Física, matemática, biologia, etc. As 
ciências práticas, as que possuem como objetivo o conhecimento de 
princípios instrumentais a serem aplicados no comportamento social e 
intelectual do homem. Ex.: Moral, política, lógica; 
 Critério de imutabilidade e permanência: nesse critério, Aristóteles 
estabelece uma distinção entre metafísica, física ou ciências da natureza e 
a matemática; 
 Critério de praticidade: Nesse, Aristóteles distingue as ciências que tem 
por objeto a práxis (a ação ética e política) das ciências técnicas (a 
fabricação de objetos artificiais). 
Uma outra interessante classificação das ciências nos é fornecida pelo filósofo 
do século XIX Auguste Comte. Ele propôs uma classificação das ciências baseada 
no critério do grau de simplicidade ou generalidade dos fenômenos investigados. 
Para este filósofo, era necessário partir da investigação dos fenômenos mais gerais 
ou simples, até atingir os fenômenos particulares. Assim, de acordo com esse 
princípio, as ciências são classificadas em cinco grupos: astronomia, física, química, 
biologia e sociologia. 
Filosofia e Lógica 
 
150 
 
Diferentemente de Aristóteles e Auguste Comte, o filósofo contemporâneo 
Carl Hempel classificou as ciências em dois grandes grupos: 
 Ciências empíricas: são aquelas que procuram descobrir, descrever e 
explicar as ocorrências do mundo em que vivemos. As afirmações dessas 
ciências, diz Hempel, devem ser confrontadas com os fatos de nossa 
experiência; 
 Ciências não-empíricas: são aquelas que dispensam a referência à 
experiência. Estas se desenvolvem no plano da abstração e do raciocínio. 
Ex.: a lógica e a matemática. Por sua vez, as ciências empíricas dividem-se 
em ciências naturais e ciências sociais ou ciências humanas. Para Hempel, 
as ciências naturais são aquelas que estudam o conjunto de seres e 
coisas, orgânicas e inorgânicas, que compõem a natureza. São exemplos 
de ciências naturais: a física, a química, a biologia, etc. Por outro lado, as 
ciências sociais estudam as relações do homem consigo mesmo, com os 
outros homens e com a natureza. Exemplos desse tipo de ciência são: 
sociologia, economia, antropologia e história. 
Bem, com base nesses três exemplos de filósofos e suas teorias classificatórias, 
você possui subsídios suficientes para compreender as distinções entre as ciências 
e os seus limites de atuação. 
 
3- A neutralidade da ciência 
 
Segundo Chauí (2005, p. 235), 
“Como a ciência se caracteriza pela separação e pela distinção 
entre o sujeito do conhecimento e o objeto e por retirar dos 
objetos de conhecimento os elementos subjetivos; como os 
procedimentos científicos de observação, experimentação e 
interpretação procuram alcançar o objeto real ou o objeto 
construído como modelo aproximado do real. Enfim, como os 
resultados obtidos por uma ciência não dependem da boa ou 
má vontade do cientista nem de suas paixões, estamos 
convencidos de que a ciência é neutra ou imparcial.”
Filosofia e Lógica 
 
151 
 
Mesmo tendo esta visão como predominante, a ciência em nada pode ser 
caracterizada como neutra ou desinteressada. Essa visão é uma ilusão, pois quando 
o cientista define o seu objeto de investigação ou conhecimento ou decide usar 
um ou outro método em sua investigação para obter um resultado esperado, sua 
atividade não é neutra nem parcial. A neutralidade da ciência diz respeito aos 
valores morais e sociais que, em tese, não influenciariam os cientistas em seu 
trabalho de pesquisa e investigação. Neste caso, o conhecimento científico seria 
considerado neutro por não atender a nenhum valor particular, podendo suas 
práticas serem realizadas sem a influência de qualquer valor, não serviriam a 
nenhum interesse específico. No entanto, como vimos acima, parece que a ciência 
não procede dessa maneira. De fato, vamos investigar alguns procedimentos 
científicos, tais como os exemplos que forneceremos a seguir conforme a filósofa 
Marilena Chauí (2005, p. 235), ilustra que a neutralidade e imparcialidade da ciência 
é um mito: 
 “O racismo não é apenas uma ideologia social e política. É também uma 
teoria que se pretende científica, apoiada em observações, dados e leis 
conseguidas com a biologia, a psicologia, a sociologia. É uma certa 
maneira de construir tais dados, de sorte a transformar diferenças étnicas 
e culturais em diferenças biológicas naturais imutáveis e separar os seres 
humanos em superiores e inferiores, dando aos primeiros justificativas 
para explorar, dominar e mesmo exterminar os segundos”; 
 
Filosofia e Lógica 
 
152 
 
 “Por que Copérnico teve que esconder os resultados de suas pesquisas e 
Galileu foi forçado a comparecer perante a Inquisição e negar que a Terra 
se movia ao redor do Sol? Porque a concepção astronômica geocêntrica 
(elaborada, na Antiguidade, por Ptolomeu e Aristóteles) permitia que a 
Igreja Romana mantivesse a ideia de que a realidade é constituída por 
uma hierarquia de seres, que vão dos mais perfeitos – os celestes – aos 
mais imperfeitos – os infernais – e que essa hierarquia colocava a Igreja 
acima dos imperadores, estes acima dos barões e estes acima dos 
camponeses e servos”; 
 “Se a astronomia demonstrasse que a Terra não é o centro do Universo e 
que o Sol não é apenas uma perfeição imóvel, e se a mecânica galileana 
demonstrasse que todos os seres estão submetidos às mesmas leis do 
movimento, então as hierarquias celestes, naturais e humanas perderiam 
legitimidade e fundamento, não precisando ser respeitadas. A física e a 
astronomia pré-copernicanas (elaboradas por Ptolomeu e Aristóteles) 
serviam – independentemente da vontade de Ptolomeu e de Aristóteles, 
é verdade – a uma sociedade e a uma concepção do poder que se viram 
ameaçadas por uma nova concepção científica”; 
 “Um último exemplo pode ser dado através da antropologia. Durante 
muito tempo, os antropólogos afirmaram que havia duas formas de 
pensamento cientificamente observáveis e com leis diferentes: o 
pensamento lógico-racional dos civilizados (europeus brancos adultos) e 
o pensamento pré-lógico e pré-racional dos selvagens ou primitivos 
(africanos, índios, tribos australianas). O primeiro era considerado 
superior, verdadeiro e evoluído; o segundo, inferior, falso, supersticioso e 
atrasado, cabendo aos brancos europeus “auxiliar” os selvagens 
“primitivos” a abandonar sua cultura e adquirir a cultura “evoluída” dos 
colonizadores”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
153 
 
Enfim, esses exemplos ilustram que não têm como aceitar a neutralidade e a 
imparcialidade da ciência como se fosse possível compreender que o 
conhecimento científico é um “saber pelo saber”, ou seja, completamente 
desinteressado. Os valores morais e sociais influenciam de tal forma as escolhas das 
pesquisas, ao privilegiar umas em detrimentos de outras, o que torna impossível 
considerar a ciência neutra e imparcial. Portanto, é uma ilusão conceber que o 
cientista esteja imune à influência do contexto social em que está inserido. Assim, a 
ciência se encontra fundamentalmente envolvida na moral e na política, pelas 
quais se evidencia o comprometimento e a responsabilidade social do cientista das 
quais ele não pode abdicar.4- O cientificismo e a ideologia da ciência 
 
Segundo Chauí (2005, p. 235), 
“O senso comum, ignorando as complexas relações entre as 
teorias científicas e as técnicas, entre ciência pura e ciência 
aplicada, entre teoria e prática e entre verdade e utilidade, 
tende a identificar as ciências com os resultados de suas 
aplicações. Essa identificação desemboca numa atitude 
conhecida como cientificismo, isto é, fusão entre ciência e 
técnica e a ilusão da neutralidade científica.” 
 
O cientificismo é a crença segundo a qual a ciência pode e deve conhecer tudo 
e que seu procedimento é perfeito, ou seja, a ciência é considerada o único 
conhecimento possível e o método das ciências da natureza é o único capaz de 
explicar todas as ocorrências da realidade. O cientificismo, diz Chauí (2005, p. 235) 
“(...) desemboca numa ideologia e numa mitologia da ciência. O que é a ‘ideologia 
da ciência’ e ‘mitologia da ciência’? 
 A Ideologia da ciência: Crença no progresso e na evolução dos 
conhecimentos que, um dia, explicarão totalmente a realidade e 
permitirão manipulá-la tecnicamente, sem limites para a ação 
humana; 
 
Filosofia e Lógica 
 
154 
 
 A Mitologia da ciência: Crença na ciência como se fosse magia e 
poderio ilimitado sobre as coisas e os homens, dando-lhe o lugar que 
muitos costumam dar às religiões, isto é, um conjunto doutrinário de 
verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis. 
 
 
IMPORTANTE 
Pode-se dizer que a ideologia e a mitologia cientificistas encaram a 
ciência não pelo prisma do trabalho do conhecimento, mas pelo prisma 
dos seus resultados específicos, como também uma forma velada de poder social e 
de controle do pensamento. Sendo assim, aceitam a “ideologia da competência”, 
ou seja, a ideia de que na sociedade existem dois grupos: os que sabem e os que 
não sabem. Os primeiros são competentes e possuem o direito de mandar e de 
exercer poderes; os demais são vistos como incompetentes e, por isso, devem 
obedecer e ser mandados. Enfim, a sociedade sob este ordenamento possui certa 
estrutura através da qual deve ser dirigida e comandada pelos que “sabem” e os 
demais devem executar as tarefas que lhes são ordenadas por quem tem o “saber”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
155 
 
Podemos concluir o nosso estudo com a seguinte reflexão: 
“Além de fazer parte essencial da atividade econômica, a 
ciência também passou a fazer parte do poder político. Não é 
por acaso, por exemplo, que governos criem ministérios e 
secretarias de ciência e tecnologia e que destinem verbas para 
financiar pesquisas civis e militares. Do mesmo modo que as 
grandes empresas financiam pesquisas e até criam centros e 
laboratórios de investigação científica, assim também os 
governos determinam quais as ciências que irão ser 
desenvolvidas e, nelas, quais as pesquisas que serão 
financiadas. Essa nova posição das ciências na sociedade 
contemporânea, além de indicar que é mínimo ou quase 
inexistente o grau de neutralidade e de liberdade dos cientistas, 
indica também que o uso das ciências define os recursos 
financeiros que nelas serão investidos. A sociedade, porém, não 
luta pelo direito de interferir nas decisões de empresas e 
governos quando estes decidem financiar um tipo de pesquisa 
em vez de outra. Dessa maneira, o campo científico torna-se 
cada vez mais distante da sociedade sem que esta encontre 
meios para orientar o uso das ciências, pois este é definido 
antes do início das próprias pesquisas e fora do controle que a 
sociedade poderia exercer sobre ele.” (CHAUÍ, 2005, p. 235). 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
ALVES, RUBEM. Filosofia da Ciência. 21ª Ed. São Paulo: Brasiliense,1995. 
224 pág. 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
156 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Terminamos mais uma unidade. Você compreendeu alguns problemas que a 
filosofia da ciência reflete e discute. Notou como os problemas são importantes e 
atuais? Pois bem, agora você está apto a se aprofundar um pouco mais sobre esses 
assuntos, consultando a leitura complementar recomendada. Claro, sinta-se à 
vontade caso queira investir em outras fontes no seu aprofundamento sobre a 
filosofia da ciência. Então, procure a biblioteca do seu campus e siga em frente! Até 
a próxima unidade! 
 
Filosofia e Lógica 
 
157 
 
Exercícios – unidade 9 
 
1. Complete a frase a abaixo. 
“Pode-se dizer que a _____ e a ______ cientificistas encaram a ciência não pelo 
prisma do trabalho do ______, mas pelo prisma dos seus resultados específicos, 
como também, uma forma velada de ______ e de controle do pensamento”. 
a) Ciência, técnica, conceito, poder social. 
b) Ideologia, mitologia, conhecimento, poder social. 
c) Ideologia, técnica, conhecimento, poder social. 
d) Ciência, mitologia, conceito, poder social. 
e) Ideologia, técnica, conceito, poder social. 
 
2. Quais são os dois grandes grupos em que o filósofo contemporâneo Carl Hempel 
classifica as ciências? 
a) Ciências teoréticas e ciências materiais. 
b) Ciências empíricas e ciências naturalizadas. 
c) Ciências materiais e ciências práticas. 
d) Ciências empíricas e ciências não-empíricas. 
e) Ciências da saúde e ciências humanas. 
 
3. Poderíamos dizer que a filosofia da ciência subdivide-se em duas áreas 
fundamentais. Quais são elas? 
a) A epistemologia da ciência e a filosofia da metafísica. 
b) A epistemologia da ciência e a espectrologia da decência. 
c) A epistemologia da ciência e a metafísica da ciência. 
d) A epistemologia da ciência e a operatividade das hipóteses. 
e) A epistemologia da ciência e a pós-metafísica da ciência.
Filosofia e Lógica 
 
158 
 
4. Qual das seguintes alternativas abaixo caracteriza a epistemologia da ciência? 
a) Discute a inativação e a subjetividade do conhecimento científico. 
b) Discute a justificação e a inutilidade do conhecimento científico. 
c) Discute a ausência de subjetividade no conhecimento científico. 
d) Discute a justificação e a objetividade do conhecimento científico. 
e) Discute a justificação e a incompetência do conhecimento científico. 
 
5. Qual o significado da “ideologia da competência”? 
a) É a idéia de que na sociedade existem dois grupos: os alunos e os professores. 
b) É a idéia de que na sociedade existem dois grupos: os que sabem e os que não 
sabem. 
c) É a idéia de que na universidade existem dois grupos: os que sabem e os que 
não sabem. 
d) É a idéia de que na sociedade não existem grupos diferenciados. 
e) É a idéia de que na sociedade possam existir dois grupos: os que não sabem e 
os que desejam saber cada vez mais. 
 
6. Complete a frase a abaixo. 
“A _____, porém, não luta pelo direito de _____ nas decisões de empresas e 
governos quando estes decidem ______ um tipo de pesquisa em vez de outro”. 
a) Sociedade, interferir, comprar. 
b) Sociedade, se omitir, comprar. 
c) Sociedade, interferir, financiar. 
d) Sociedade, refletir, financiar. 
e) Sociedade, monitorar, conquistar. 
 
Filosofia e Lógica 
 
159 
 
7. Qual o significado correto de ‘cientificismo’? 
a) É a crença segundo a qual a ciência pode e deve conhecer tudo e que seu 
procedimento é desnecessário. 
b) É a crença segundo a qual a ciência pode e deve conhecer tudo e que seu 
procedimento é perfeito. 
c) É a crença segundo a qual a ciência pode e deve desconhecer tudo e que seu 
procedimento é imperfeito. 
d) É a crença segundo a qual a ciência pode e deve conhecer tudo e que seu 
procedimento é imperfeito. 
e) É a crença segundo a qual a ciência não pode e não deve conhecer tudo e que 
seu procedimento é perfeito.8. O que significa “mitologia da ciência”? 
a) Crença na ciência como se fosse magia e poderio ilimitado sobre as coisas e os 
homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar às religiões, isto é, um 
conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis. 
b) Crença na religião como se fosse tecnologia e poderio ilimitado sobre as 
coisas e os homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar às religiões, 
isto é, um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e 
inquestionáveis. 
c) Crença na moral como se fosse tecnologia e poderio limitado sobre as coisas e 
os homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar às religiões, isto é, 
um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e 
inquestionáveis. 
d) Crença na não-ciência como se fosse magia e poderio ilimitado sobre as coisas 
e os homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar às religiões, isto é, 
um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e 
inquestionáveis. 
e) Crença na ciência como se fosse magia e poderio limitado sobre as coisas e os 
homens, dando-lhe o lugar que muitos costumam dar à tecnologia, isto é, um 
conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e inquestionáveis.
Filosofia e Lógica 
 
160 
 
9. A primeira classificação sistemática das ciências se deve a Aristóteles. Quais são 
os três critérios que este utilizou para classificar os saberes? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 
10. Qual é a diferença fundamental entre as Ciências Empíricas e as Ciências Não-
empíricas? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 
Filosofia e Lógica 
 
161 
 
A filosofia moral: 
ética, moral e valores 
humanos 
Os valores morais: O argumento principal da Filosofia Moral. 
A Moralidade e o seu campo de atuação. 
A Ética e o seu campo de atuação. 
A Liberdade como um problema ético e moral. 
10
Filosofia e Lógica 
 
162 
 
Esta unidade visa abordar um tema muito importante em nossa época, a 
questão da ética e da moral. O que é ética? O que é moral? As respostas para essas 
questões podem ser vislumbradas por intermédio da distinção fundamental entre 
ética e moral. Então, vamos examinar o que esses conceitos significam? 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
• constituir uma reflexão sobre o significado dos conceitos de ética e moral; 
• compreender o significado dos valores morais, para a partir desses, 
examinar os conceitos de moral e de ética. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
• Os valores morais: O argumento principal da Filosofia Moral. 
• A Moralidade e o seu campo de atuação. 
• A Ética e o seu campo de atuação. 
• A Liberdade como um problema ético e moral. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
163 
1- 
Os valores morais: o argumento principal da filosofia 
moral 
 
O seguinte texto é do Filósofo Nowell-Smith (1966, p.11-12,). Vejamos como 
ele expõe a sua conceituação sobre os valores: 
 
“Imagine-se que alguém me pedisse um código moral por onde 
pautar a sua vida. Eu responderia como Aristóteles fez – “Não 
posso dar-lhe um código; observe os homens melhores e mais 
sábios que você possa encontrar e imite-os.” 
 
Bem, podemos perceber na citação acima que a questão dos valores possui 
uma correspondência direta entre a conduta a ser seguida por alguém. Ora, mas 
como avaliar se a conduta de alguém merece ou não ser seguida? Assim, como na 
citação do Filósofo Nowell-Smith sobre Aristóteles: como posso saber quem é sábio 
ou mais sábio para que eu possa me espelhar ou imitar? 
 
IMPORTANTE 
Essa é uma questão que diz respeito ao ato humano de valorar as 
coisas. O âmbito dos valores faz parte da existência humana. O ato de 
valorar é uma constante entre nós. Estamos a todo o momento fazendo avaliações 
sobre as coisas e pessoas que nos cercam. Por exemplo: “Este computador é lento, 
não corresponde ao que espero” ou “Esta disciplina é muito atrativa”, ainda mais 
“Acho que o Presidente da República agiu corretamente ao pronunciar aquelas 
palavras” e “Prefiro comprar um carro novo a viajar para a Europa”. Essas 
afirmações se referem aos juízos que fazemos da realidade. Quando nos referimos 
ao computador ou a esta disciplina, ao pronunciamento do Presidente da 
República e ao escolher a compra de um carro do que a viajem, estamos emitindo 
“juízos de valor” sobre a realidade, atribuindo uma qualidade que desperta a nossa 
atração ou repulsão sobre uma determinada coisa, opinião, etc. 
 
Filosofia e Lógica 
 
164 
 
Nesse momento, você deve estar se perguntando: afinal, qual é a relação entre 
a questão dos valores e a filosofia? A questão dos valores é objeto de estudo da 
axiologia (em grego: axios que dizer valor e logos significa estudo), que é um ramo 
particular da filosofia. A axiologia é uma teoria ou uma investigação acerca dos 
valores. De uma maneira geral, o conceito de valor designa o caráter valioso de 
algo que nos desperta uma afetividade ou uma repulsão. 
Os valores morais são, portanto, juízos sobre as ações humanas que se 
baseiam em definições do que é bom ou mau, ou do que é o bem ou o mal. Eles 
são imprescindíveis para que possamos guiar nossa compreensão do mundo e de 
nós mesmos e servem de parâmetros pelos quais fazemos escolhas e orientamos 
nossas ações. Os valores morais servem justamente para orientar as pessoas no 
momento de escolhas e de construção de suas existências. Como a ação humana é 
aberta e não inteiramente determinada, toda comunidade humana precisa criar 
valores que permitam distinguir os comportamentos desejados e bons dos 
indesejados e maus. Do mesmo modo, toda sociedade promove uma reflexão 
crítica sobre seus valores morais e suas ações práticas reais. 
Assim, todos nós fazemos apreciações morais e nos colocamos indagações 
sobre o que é bom e mau. Por essa razão, todos possuem valores morais e não 
há ninguém sem ética. O que acontece, com frequência, é que os valores variam 
entre pessoas e grupos, que são diferentes e, muitas vezes, podem questionar ou 
mesmo agredir nossas convicções do que é certo ou justo, bom ou mal. 
 
2- A moralidade e o seu campo de atuação 
 
Segundo Aranha, M. L. A. e Martins, M. H. P (1995, p. 301) 
“Os conceitos de moral e ética, ainda 
que diferentes, são com frequência 
usados como sinônimos. Aliás, a 
etimologia dos termos é semelhante: 
moral vem do latim ‘mos’, que significa 
“costume”, “maneira de comportar-se 
 
Filosofia e Lógica 
 
165 
 
regulada pelo uso”, e de moralis, morale, adjetivo referente ao 
que é relativo aos “costumes”. Ética vem do grego ethos, que 
tem o mesmo significado de “costume”. 
 
Apesar de serem conceitos aparentemente idênticos, ética e moral possuem 
diferenças fundamentais. O ato de perceber os valores, de avaliar as nossas ações 
de acordo com o que é bom e o que é mal, ou quais são justas e injustas, corretasou não é o que de certa forma diferencia o comportamento humano do 
comportamento animal. Para o animal, o campo da moralidade é inacessível, pois 
seu comportamento é guiado pelos seus instintos imediatos. Os seres humanos, 
por sua vez, possuem a consciência moral, ou seja, a “faculdade de observar a 
própria conduta e formular juízos sobre os atos passados, presentes e as 
intenções futuras” (COTRIM, 1993, p. 214). Dessa forma, depois de emitir um juízo 
de valor, os seres humanos têm a capacidade de escolher através de um cálculo de 
consequências decorrentes do que será feito. É exatamente isto que constitui a 
consciência moral, ou seja, um conjunto de exigências e prescrições que os seres 
humanos reconhecem como válidas para a orientação da sua escolha. É a própria 
consciência que discerne o valor moral dos nossos atos. 
Ao longo da história da humanidade, a consciência moral foi responsável 
direta pelo desenvolvimento do que se denomina moralidade. De uma maneira 
geral, podemos considerar a moral como um conjunto de condutas que indica qual 
deve ser o comportamento dos homens em um determinado contexto ou em um 
grupo social. 
A moral - uma das formas de consciência social - é o reflexo das condições da 
vida material da sociedade sob determinadas normas de conduta dos homens. 
Podemos dizer que toda cultura e cada sociedade instituem uma moral, ou seja, 
valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido, e à conduta 
correta, válidos para todos os seus membros. “Culturas e sociedades fortemente 
hierarquizadas e com diferenças muito profundas de castas ou de classes podem 
até mesmo possuir várias morais, cada uma delas referida aos valores de uma casta 
ou de uma classe social”. (CHAUÍ, 2005) Contudo, não se pode dizer que a simples 
existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida 
como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o 
significado dos valores morais. Então, vamos analisar o conceito de ética?
Filosofia e Lógica 
 
166 
 
 
A ética e o seu campo de atuação 
 
A experiência moral é comum a todos os homens, em 
todas as sociedades. Entretanto, nem todos são capazes 
de desenvolver uma crítica do conteúdo da moral. Essa é, 
portanto, tarefa da ética. 
Como vimos anteriormente, muitos empregam 
indiscriminadamente os termos moral e ética. No âmbito 
da Filosofia, tais termos são vistos como distintos. Uma 
breve exposição da etimologia desses dois termos torna 
as suas diferenças mais claras. O conceito de ética provém 
do grego éthos. Quando escrito com “e” breve, significa 
hábito, enquanto que com “e” longo significa 
“propriedade ou caráter”. Nas suas investigações sobre as 
questões do bem e do mal, da virtude e do vício, Aristóteles empregou Ethiké com 
sentido de reflexão sobre as “propriedades do caráter”. Se por moral entende-se a 
reunião de costumes e hábitos de um indivíduo ou um povo, orientada por um 
princípio geral do que é “bem”, ao contrário desta, a ética deve ser entendida como 
um conjunto de regras avaliadas com rigor e consciência crítica. Isto significa que a 
ética se preocupa com uma rigorosa avaliação sobre o que é o bem e o mal, 
buscando indicar quais os caminhos o homem pode realizar enquanto agente do 
bem. Assim, se a moral indica os costumes de um determinado grupo social, a ética 
questionará e teorizará o que é justo sobre o agir adequado a uma determinada 
situação, na qual se realize o bem e se evite o mal. 
 
 
Ética: é uma disciplina 
filosófica que, a partir 
de uma determinada 
ideia de bem, tem por 
objeto uma elaboração 
teórico-crítica acerca da 
conduta humana no 
contexto social e a 
análise do conjunto das 
condições necessárias 
para que uma 
experiência moral 
qualquer possa ocorrer. 
Filosofia e Lógica 
 
167 
 
Ao abordar o primeiro aspecto, a ética considera de que modo, nas mais 
diversas sociedades, os homens vivem concretamente seus valores morais, 
apontando suas fraquezas e enaltecendo suas realizações. No segundo aspecto, a 
ética desenvolve uma análise sobre as condições necessárias para que um ato 
humano qualquer possa ser introduzido no âmbito da moral ou da ética e, com 
isso, avaliado como bom ou mal, justo ou injusto, moral ou amoral. Além disso, 
cabe à ética a análise do conjunto das condições necessárias para que a 
experiência ética pessoal possa ocorrer de maneira absoluta. Enquanto a moral 
está associada ao agir concreto, a ética vincula-se também à teorização sobre os 
valores e a conduta moral, discutindo a questão do bem e do mal. Em outras 
palavras, enquanto a moral envolve exclusivamente a prática, a ética pode se 
referir tanto à prática quanto à teoria sobre a mesma. 
Dessa forma, para que um determinado ato possa ser avaliado sob o ponto de 
vista da ética, ele deve ser livre, consciente e orientado por alguma norma. A partir 
daí, o ato humano pode ser classificado como moral, imoral, amoral e não-moral. 
Vamos descrevê-los: 
 
Filosofia e Lógica 
 
168 
 
A liberdade como um problema ético e moral 
 
IMPORTANTE 
Todas essas possibilidades, no entanto, podem dar a impressão de 
que vivemos em grande liberdade, mas isso é relativo. Há uma série de 
circunstâncias que acontecem conosco e nas quais nos vemos envolvidos sem que 
as tenhamos escolhido. Por essa razão, podemos afirmar que a vida social instaura 
a construção histórica e sempre relativa da liberdade. 
Desse modo, embora nossa liberdade tenha limites, é possível afirmar que 
nossas condutas não são inteiramente determinadas de fora e jamais temos apenas 
uma alternativa a seguir. Nossa capacidade de interpretar o mundo e orientar 
nossas ações no tempo nos dá, a cada instante, um leque de possibilidades para 
novos arranjos de vida. 
Sendo assim, não podemos evitar nossa liberdade relativa, nem suas 
consequências. Portanto, nós precisamos, necessariamente, fazer escolhas para 
inventarmos, dentro de certos limites e nas possibilidades que nos são dadas, a 
nossa vida. Diante disso, é comum nos depararmos com dúvidas como o que 
devemos fazer? Como saber o que é mais importante ou urgente? Como escolher? 
Como se pode deduzir, a questão da liberdade é um dos grandes temas nas 
discussões morais. Mais que escolher entre duas alternativas, liberdade é decidir, 
conscientemente, por que se está tomando esta atitude e não outra. Assim, a 
liberdade pressupõe uma pessoa que interiorize as razões pelas quais se age, ou 
seja, um sujeito que se coloca como a causa última das próprias ações. 
Para interiorizar as razões de nossas ações, é preciso: 
 
Filosofia e Lógica 
 
169 
 
O desenvolvimento da consciência e da capacidade de atribuir sentido ao 
mundo, portanto, aumentam a possibilidade de ação livre das pessoas. Ao 
contrário, nas situações em que não conseguimos compreender o que está se 
passando, que não entendemos o que nos acontece, nossa capacidade de tomar 
decisões é muito mais limitada e restrita. Entretanto, a realização da liberdade não 
depende apenas da capacidade de compreensão do mundo e de planejamento da 
ação. Para, além disso, é preciso reunir as condições objetivas para a ação 
acontecer. Assim, o acesso aos meios de vida criados socialmente também são 
condições para a realização da liberdade. 
 
IMPORTANTE 
A liberdade permite que o sujeito tome decisões e possa ser o autor, 
em certa medida, de sua própria existência. Entretanto, para viver a 
liberdade, precisamos nos responsabilizar por ela, ou seja, a liberdade traz, em 
contrapartida, a responsabilidade. Somos livres para tomar uma decisão, mas 
devemos assumir a autoria daquilo que decidimos fazer. No campo contrário ao da 
liberdade está a dependência. A ação dependente é baseada em uma causa 
externa e as escolhas não são feitas a partir de uma reflexão e da própria 
compreensão do mundo. 
 
Podemos concluir, portanto, que a liberdade é uma construçãohistórica que 
depende do trabalho dos humanos. No mundo da natureza não há liberdade 
possível, pois nas condições da ação natural não existe representação consciente 
do mundo, nem ação planejada e orientada a finalidades. Por ser um mundo 
 
Filosofia e Lógica 
 
170 
 
 restrito aos limites dados previamente e sujeito ao que acontece, a natureza é 
o mundo da necessidade e da dependência. 
Assim, a reflexão sobre os valores morais serve para aprendermos a lidar 
melhor com a nossa capacidade de escolher e com o uso dessa particularidade 
humana, que é a liberdade. Ao definirmos o que é bom ou mal, estamos 
projetando um modo de viver humanamente, em sociedade. Por essa razão, a 
reflexão sobre liberdade e responsabilidade não pode deixar de ser feita tendo em 
vista as relações humanas. 
Nós nos formamos na interação com os outros. Sem o outro, não poderíamos 
desenvolver nossos conhecimentos, modos de agir, nem nossa consciência. Assim, 
é na relação com o outro que podemos exercer a liberdade. Por esse motivo, 
podemos concluir que reconhecer o outro como humano livre e tratá-lo como tal, 
fortalecendo sua liberdade, não é uma atitude altruísta pura e simplesmente, não é 
uma ação que beneficia apenas o outro. Tratar o outro como humano é criar 
condições para que o outro, fortalecido na sua condição de humano, possa 
reconhecer e fortalecer a nossa própria condição humana, a nossa liberdade . 
Não se esqueça: 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
171 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. 26ª Edição. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 1987. 304p. 
VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. 9ª Edição. São Paulo: Brasiliense, 1996. 84p. 
 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Bem, chegamos ao final desta unidade. Aqui, mostramos a você as 
especificações contidas na filosofia moral ou ética e evidenciamos que o problema 
da filosofia moral ou da ética pressupõe o conhecimento dos valores morais, nos 
quais as ações humanas se baseiam. Foi, portanto, pela apresentação das 
definições de ética e moral e das suas respectivas diferenças, que essa unidade 
cumpriu o seu objetivo de apresentar o significado geral dos problemas relativos à 
filosofia moral. Espero que tenha sido proveitoso para você. Na próxima unidade, 
vamos tratar de um outro tema importante, também relacionado com o tema 
apresentado nessa unidade - trataremos da filosofia política. Espero você lá! 
 
Filosofia e Lógica 
 
172 
 
Exercícios – unidade 10 
 
1. O conceito de ‘valor moral’ designa: 
a) a imposição de regras à conduta individual. 
b) o caráter valioso de algo que nos desperta uma afetividade ou uma 
repulsão. 
c) a falta de uma perspectiva moral. 
d) os valores servem para obstruir o momento de escolhas das pessoas. 
e) o preço que se dá às coisas. 
 
2. Os ‘valores éticos’ possuem uma correspondência com o que? 
a) Possuem uma correspondência direta entre a conduta e a Inteligência. 
b) Possuem uma correspondência indireta entre a conduta a ser seguida por 
alguém. 
c) Possuem uma correspondência direta entre a conduta a ser seguida por 
alguém. 
d) Possuem uma correspondência formal entre a conduta a ser seguida por 
um membro de uma facção. 
e) Possuem uma correspondência complementar entre a conduta a ser 
seguida por alguém. 
 
3. Qual dos conceitos abaixo representa uma característica da moral? 
a) Objetivação do ser. 
b) Normas de conduta. 
c) Ser enquanto ser. 
d) Confiabilidade prática. 
e) Condições de possibilidade. 
 
Filosofia e Lógica 
 
173 
 
4. Qual dos conceitos abaixo não representa uma propriedade da ética? 
a) Rigor. 
b) Nascimento. 
c) Crítica. 
d) Avaliação. 
e) Teorização. 
 
5. Marque a única opção correta. 
a) “Todos renegam os valores amorais e não há conhecimento sem uma 
ética”. 
b) “Todos possuem valores imorais e não há ética sem imitação”. 
c) “Todos possuem valores morais e não há ninguém sem uma ética”. 
d) “Todos renegam os valores morais e não há ética sem medo”. 
e) “Todos possuem valores anormais e não há ética sem preconceito”. 
 
6. De acordo com Aristóteles, o significado da palavra Ethiké diz respeito a qual 
opção abaixo? 
a) Designa uma caracterização dos valores individuais. 
b) Compreende tudo aquilo contrário ao bem e ao mal. 
c) Reflexão acerca de regras de conduta. 
d) Reflexão sobre as possibilidades de conhecimento. 
e) Uma reflexão sobre as “propriedades do caráter”. 
 
7. Podemos dizer que o desenvolvimento da consciência e da capacidade de 
atribuir sentido ao mundo pode contribuir para quê, na conduta ética e moral dos 
indivíduos? 
a) Para aumentar a possibilidade de ação livre das pessoas. 
b) Para compartilharmos bons momentos com nós mesmos. 
c) Para diminuir a possibilidade de ação livre das pessoas. 
d) Para nos dar um sentido para a vida. 
e) Para convencer as pessoas a praticar o bem. 
Filosofia e Lógica 
 
174 
 
8. Podemos dizer que a função dos valores morais é: 
a) Os valores morais contribuem justamente para desfazer as escolhas 
pessoais e a desconstrução de suas existências. 
b) Os valores morais servem justamente para informar as pessoas o momento 
de angústia e de construção de suas existências. 
c) Os valores morais servem justamente para desorientar as pessoas no 
momento de escolhas e de construção de suas existências. 
d) Os valores morais servem justamente para orientar as pessoas no momento 
de escolhas e de construção de suas existências. 
e) Os valores morais servem justamente para capacitar as pessoas no 
momento de escolhas e de construção de suas inteligência. 
 
9. Explique em que a ética se diferencia da moral. 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 
10. Leia atentamente o texto abaixo: 
“No âmbito da Filosofia, tais termos são vistos como distintos. Uma breve 
exposição da etimologia desses dois termos torna as suas diferenças mais 
claras. O conceito de ética provém do grego éthos. Quando escrito com “e” 
breve, significa hábito, enquanto que com “e” longo significa “propriedade 
ou caráter”. Nas suas investigações sobre as questões do bem e do mal, da 
virtude e do vício, Aristóteles empregou Ethiké com sentido de reflexão 
sobre as “propriedades do caráter.” 
 
Filosofia e Lógica 
 
175 
Diante do que foi mencionado acima, podemos dizer que por moral entende-se a 
reunião de costumes e hábitos de um indivíduo ou um povo, orientada por um 
princípio geral do que é “bem”, a ética deve pressupor o quê? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
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 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 
Filosofia e Lógica 
 
176 
Filosofia e Lógica 
 
177 
 
A filosofia política 
Os problemas fundamentais da Filosofia Política. 
A origem e o significadodo conceito de Política. 
A relação entre a política e o poder. 
O problema da origem do Estado. 
11 
Filosofia e Lógica 
 
178 
 
Nesta unidade, você terá a oportunidade de estudar a política enquanto um 
problema estritamente filosófico. Convido você a conhecer alguns conceitos e 
problemas daquilo que se costuma denominar de Filosofia Política. 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: 
•Analisar os problemas fundamentais da filosofia política com base em alguns 
temas e autores relevantes que apresentam problemas que continuam sendo 
fundamentais na reflexão sobre o poder, o Estado, as instituições sociais e as 
relações entre os seres humanos. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
 
• Os problemas fundamentais da Filosofia Política. 
• A origem e o significado do conceito de Política. 
• A relação entre a política e o poder. 
• O problema da origem do Estado. 
 
Bons estudos! 
 
Filosofia e Lógica 
 
179 
 
Os problemas fundamentais da filosofia política 
 
A Filosofia política é a disciplina filosófica na qual se discute o modo como a 
sociedade deve estar organizada. A melhor maneira de abordarmos esta disciplina 
(como qualquer outra) é conhecendo os problemas de que trata. Os problemas 
relacionados à filosofia política possuem um elevado grau de generalidade e de 
abstração: isto significa que não se trata de analisar problemas sociais e políticos 
contextualizados num dado país ou num determinado momento, mas, sobretudo, 
de refletir sobre questões sociais e politicamente transnacionais. 
Os problemas de filosofia política são, acima de tudo, problemas conceituais 
por oposição aos problemas empíricos tratados em disciplinas como a ciência 
política, a sociologia ou a economia. Por muito que observemos as sociedades ou 
por mais que descrevamos os seus sistemas políticos, não encontraremos respostas 
para a questão fundamental da filosofia política: como deveremos organizar a 
sociedade? Algo análogo se passa também com a ética. Por mais que psicólogos e 
sociólogos descrevam como é que os seres humanos agem, não conseguem 
responder, ainda, à questão ética de saber o que devemos fazer. Isto mostra, 
finalmente, que os problemas relacionados à filosofia política, tal como os da Ética, 
originam uma reflexão que é, sobretudo normativa, por contraste com os estudos 
descritivos feitos pela ciência (Cf. WOLFF, 2004, p. 17). 
As teorias de filosofia política estão, particularmente, enraizadas nos contextos 
históricos, sociais, econômicos e políticos que os filósofos viveram e isto é mais 
sensível do que quando estudamos metafísica ou epistemologia. No entanto, fazer 
filosofia política não consiste em analisar o contexto histórico, em descrever as 
circunstâncias políticas em que os filósofos viveram e deixaram de viver ou em 
traçar a história das ideias dos filósofos políticos – isso é algo que compete ao 
historiador, não ao filósofo. Também a ciência política descreve sistemas políticos 
concretos, analisando as suas características, comparando-as com as de outros 
sistemas e explicando a origem das suas leis. 
É evidente que o filósofo político não pode ignorar os dados empíricos que a 
ciência política, bem como outras ciências, lhe proporciona. Contudo, mais do que 
descrever os sistemas políticos, a filosofia política consiste numa análise crítica dos 
fundamentos desses sistemas. Não sendo possível dissociar a organização política 
da atividade econômica dos Estados, é claro que das teorias relativas à filosofia
Filosofia e Lógica 
 
180 
 
política se podem deduzir consequências em termos de pensamento econômico. 
De fato, propor um modo como devemos organizar a sociedade inclui propor um 
modo como devemos organizar a economia dessa sociedade. Mas, isto não 
transforma a filosofia política em um ramo ou sub-ramo da economia, tal como a 
Lógica não se transforma num ramo da Ética por esta ser o lugar do raciocínio 
prático. 
Vejamos agora que relação tem a filosofia política com outras disciplinas 
normativas, nomeadamente com outras especialidades filosóficas. Tal como a 
filosofia política, a ética consiste num corpus (programa ou conjunto) de teorias 
sobre como devemos agir. Mas, tem um alcance mais geral, pois não trata 
especificamente de saber como devemos agir para organizar uma sociedade. Por 
exemplo, em ética discute-se o relacionamento moral da espécie humana com 
outras espécies, o que excede o âmbito da filosofia política. Admitindo esta 
caracterização, a relação da ética com a filosofia política será uma relação gênero-
espécie. E assim se compreende que os problemas de filosofia política tenham, por 
regra, um acentuado conteúdo ético: por exemplo, o filósofo político discute o que 
deveria ser uma sociedade justa, mas o filósofo moral interroga-se sobre o que é a 
justiça propriamente dita. 
Uma outra área que mantém grande contiguidade temática com a filosofia 
política é a filosofia do direito. Nesta, discutem-se questões como a da natureza do 
direito; analisam-se conceitos como os de direito e dever jurídicos; esclarece-se o 
que é um ato jurídico, o que é a responsabilidade ou em que consiste a 
inimputabilidade; analisam-se os mecanismos das decisões jurídicas e discutem-se 
quais as instituições mais adequadas para o funcionamento do Estado. Há, assim, 
uma forte conexão entre a filosofia do direito e os sistemas jurídicos e instituições 
concretas sobre as quais refletem. Entretanto, na filosofia política analisa-se o 
próprio âmbito do direito, ou seja, o lugar e alcance que deve ter na sociedade, 
discutindo, por exemplo, até onde pode ir o Estado na regulação das interações 
dos indivíduos. Podemos, então, concluir que a filosofia política é uma disciplina 
mais abstrata e mais geral do que a filosofia do direito. 
 
Filosofia e Lógica 
 
181 
 
A origem e o significado do conceito de política 
 
O homem é um animal essencialmente político e sociável, como já havia 
observado Aristóteles na sua obra Política. Em geral, o termo política vem do 
grego pólis que significa cidade ou Estado. Neste sentido, a política seria a arte de 
governar a cidade. Por outro lado, esse termo tem um sentido mais abrangente 
que designa o campo da atividade humana que além de se referir à cidade ou ao 
Estado, também diz respeito às coisas de interesse público. A obra Política se 
configura como um dos tratados mais importantes sobre a arte e a ciência de 
governar a pólis. Para Cotrim (1993, 228), “foi devido, em grande medida, a essa 
obra clássica que o termo política se firmou nas línguas ocidentais”. 
Para Aristóteles, o termo política vem do grego ta politika proveniente de pólis. 
Pólis é a cidade entendida como uma comunidade organizada, formada, 
principalmente, por cidadãos, ou seja, os homens livres. Assim, ta politika refere-se 
aos negócios públicos dirigidos pelos cidadãos, isto é, os costumes, as leis, a 
administração dos serviços públicos e das atividades econômicas da cidade. 
A pólis grega é vista por Aristóteles como um fenômeno natural, pois a cidade 
(pólis) encontra-se entre as realidades que existem naturalmente e o homem é por 
natureza um animal político, ou seja, é da própria natureza do homem ser 
envolvido na política. Assim, constituída por um impulso natural do homem, a 
sociedade deve ser organizada conforme essa natureza humana. 
Sobre isso Aristóteles diz o seguinte: 
“Essas considerações deixam claro que a cidade e não uma 
criação natural e que o homem é por natureza um animal social, 
e um homem que por natureza, e não por mero acidente, não 
fizesse parte de cidade alguma seria desprezível ou estaria 
acima da humanidade (como o “sem clã, sem leis e sem lar” de 
que Homero fala com escárnio, pois ao mesmo tempo ele é 
ávido de combates), e se poderia compará-lo a uma peça 
isolada do jogo do gamão. Agora é evidente que o homem, 
muito mais do que a abelha ou outro animal gregário é um 
animal social. Como costumamos dizer, a naturezafaz sem um
Filosofia e Lógica 
 
182 
 
propósito, e o homem é único entre os animais que tem o dom 
da fala. Na verdade, a simples voz pode indicar o dom do 
prazer, e outros mais a possuem (...) a característica específica 
do homem em comparação com outros animais é que somente 
ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e 
de outras qualidades morais (...)” (ARISTÓTELES, 1988, p. 15). 
 
Percebeu como a definição de homem para Aristóteles possui um significado 
estrito com a política? Na passagem acima, podemos inferir que, por um lado, o 
homem é um animal, ou seja, um ser da natureza, por outro, ele é o único animal 
que possui o dom da fala, por isso, para Aristóteles, o homem é um zóon lógon 
ékhon (animal reclamante). No entanto, fora da pólis não seria possível ao homem 
comunicar-se, daí o sentido aristotélico do homem como zóon politikón, ou seja, o 
homem como um animal político. 
 
3- A relação entre a política e o poder 
 
Em qualquer estudo sobre política constata-se que a sua discussão está 
estritamente relacionada à questão do poder. Esta questão é sempre pensada de 
duas formas, a saber: do poder que é exercido por alguém e de alguém sobre o 
qual o poder é exercido. Pensar o poder assim é compreendê-lo através de uma 
relação ou um conjunto de relações pelas quais um grupo de pessoas ou uma 
pessoa interfere nas relações de outras. 
O que é poder ? Para Bertrand Russel (1982, p. 55) “poder é a posse dos meios 
que levam à produção de efeitos desejados”, quer dizer aqueles que detêm o 
poder são capazes de exercer várias formas de domínio e, por meio deste, alcançar 
os efeitos desejados. Para Cotrim (1993, p. 230), “entre os diversos tipos de 
domínio, costuma-se destacar o poder do homem sobre a natureza e o poder do 
homem sobre outros homens”. Portanto, essas duas formas de poder andam lado a 
lado, podendo-se dizer que uma influi na outra. 
Filosofia e Lógica 
 
183 
 
Segundo Cotrim (Idem, Ibidem.), “se levarmos em conta o meio do qual se 
serve o detentor do poder para conseguir os efeitos desejados, podemos destacar 
três formas de poder (...)”. Dentre essas formas podemos citar: 
 
 Poder econômico: Aquele que utiliza a posse de bens “socialmente 
necessários” para induzir aqueles que não possuem a adotar um 
determinado comportamento. Exemplo: Fazer um determinado tipo de 
trabalho. Este se preocupa em garantir o domínio da riqueza, 
controlando a organização das forças produtivas. 
 Poder ideológico: Aquele que utiliza a persuasão para influenciar o 
comportamento dos outros, induzindo-os a pensar da mesma forma que 
aqueles que detêm o poder. Estes se preocupam em garantir o domínio 
sobre o conhecimento, controlando a forma como a sociedade deve 
pensar. Exemplos: Os meios de comunicação de massa, ou seja, a 
televisão, jornais, etc. 
 Poder político: Aquele que utiliza os meios de “coerção social”, ou seja, a 
força física, legalmente, para dominar os outros. Este se preocupa em 
garantir o domínio da força controlando a organização dos 
“instrumentos de coerção”, ou seja, polícia, forças armadas, tribunais 
etc. 
 
Diante desses três tipos de poder, Bobbio faz o seguinte comentário: 
“O que têm em comum essas três formas de poder é que elas 
contribuem conjuntamente para instituir e manter sociedades 
de desiguais divididas em fortes e fracas, com base no poder 
político; em ricos e pobres, com base no poder econômico; em 
sábios e ignorantes, com base no poder ideológico. 
Genericamente, em superiores e inferiores.” (BOBBIO, N. 1987, 
p. 83) 
 
Filosofia e Lógica 
 
184 
 
Podemos apontar um outro importante comentário de Bobbio inserido no 
Dicionário de política sobre a questão do poder: 
“Como o poder cujo meio específico é a força, de longe o 
meio mais eficaz para condicionar os comportamentos, o poder 
político é, em toda a sociedade de desiguais, o poder supremo, 
ou seja, o poder ao qual todos os demais estão de algum modo 
subordinados; o poder coativo é, de fato, aquele a que recorrem 
todos os grupos sociais (a classe dominante), em última 
instância, para se defenderem dos ataques externos ou para 
impedirem, com a desagregação do grupo, de serem 
eliminados. Nas relações entre grupos sociais diversos, o 
instrumento decisivo para impor a própria vontade é o uso da 
força, a guerra.” (BOBBIO, N. 1986, p. 995-6). 
 
As relações de poder são, portanto, essencialmente, relações de 
desigualdade. Isso levou muitos críticos do poder a confundi-lo com a pura 
repressão. Sendo o poder considerado sinônimo de repressão, ele constituiria uma 
injustiça que deveria ser abolida. Muitos sonharam e muitos hão de sonhar com a 
abolição do poder, no entanto, é preciso compreender com mais cuidado esta 
questão. Uma coisa são as relações de poder que existe entre as diversas instâncias 
da sociedade, outra coisa é o poder do Estado. 
Esta situação recoloca com especial urgência o problema tantas vezes 
debatido também nas épocas anteriores a respeito da origem, natureza e funções 
do Estado e das relações entre os indivíduos e a sociedade. 
 
4- O problema da origem do estado 
 
O Estado é uma realidade empírica cuja existência é incontrovertível, mas é 
também uma realidade extremamente mutável: nasce, desenvolve-se e, 
desenvolvendo-se, assume múltiplas formas e, frequentemente, por razões várias, 
debilita-se e desagrega-se. Tudo isso faz do Estado uma realidade problemática. De 
uma forma geral, o Estado é uma das mais complexas instituições sociais já criadas 
pelos homens em todos os tempos. 
Filosofia e Lógica 
 
185 
 
 
IMPORTANTE 
De uma forma mais específica, o pensador alemão Max Weber 
conceitua o Estado como uma instituição política que é dirigida por um governo 
soberano que possui o monopólio do uso da força física em um determinado 
território subordinando a sociedade que nele vive. Pode-se dizer que a função do 
Estado é de promover a conciliação dos grupos sociais, conflitos que são 
inevitáveis entre os homens em todos os tempos. Como o Estado pode resolver 
esses conflitos? Para minimizá-los, o Estado deve promover o bem estar dos 
indivíduos, criando condições para uma harmonia entre os grupos da sociedade, 
preservando certos interesses que são comuns a eles. Sabemos, portanto, que o 
Estado nem sempre existiu, sendo assim, ele é gerado por um ato de criação 
essencialmente humano. 
 
Para Cotrim (1993, p. 233), 
“O nascimento do Estado representa o ponto de passagem 
das chamadas sociedades primitivas para as sociedades 
civilizadas. Quer dizer, o Estado surge quando a sociedade 
torna-se complexa: aumenta a divisão social do trabalho e 
surgem conflitos de classe com a formação de grupos 
dominantes e grupos dominados”. 
No entanto, devemos nos indagar: o que aconteceria se o Estado não existisse 
realmente? O Estado pode possuir múltiplas faces? Por que alguns Estados prezam 
a democracia e outros não? Qual seria a visão dos filósofos de um Estado ideal? 
Como pensar a questão da liberdade em relação ao poder do Estado? A essas 
interrogações foram dadas muitas respostas, das quais as principais parecem ser a 
dos seguintes pensadores políticos: 
 Nicolau Maquiavel 
Em vez de argumentar sobre um Estado ideal em sua obra O Príncipe, 
Maquiavel defendeu a conquista e manutenção do poder pelo governante que, 
segundo sua virtude de administrar o acaso, realizaria seus objetivos. Ele afirma 
que a obrigação suprema do governante é manter o poder e a segurança de seu 
país e para isso deve utilizar todos os meios disponíveis, já que os fins justificam os 
meios. Nicolau Maquiavel propõe também a compreensão profunda da história
Filosofia e Lógica 
 
186 
 
que ajudaria a prever e prevenir acontecimentos típicos. De uma forma geral, essa 
doutrina exprime e lança uma nova visão da história, uma visão moderna, na qual a 
desordem e a desarmonia são o preço a se pagar pela manutençãoda liberdade. 
Com sua teoria de “os fins justificam os meios” e exposição de medidas que ele 
considera necessárias em determinados momentos para manter o poder (medidas 
que por muitos seriam consideradas imorais), sua obra serviu como legitimação de 
investidas políticas de vários governos e ainda inaugurou um estudo político da 
realidade baseada na investigação histórica, que serviu de guia em certas situações 
pelas quais os Estados passam, sobretudo, em conselhos políticos para a 
manutenção do poder. 
 Thomas Hobbes 
Hobbes justifica o poder centralizado através da natureza humana. Segundo 
ele, o homem, por natureza, é individualista e mesquinho. O poder absoluto 
centralizado seria, então, o produto de um pacto social de um contrato ou acordo 
estabelecido entre os homens em condição de igualdade. Por esse contrato eles 
renunciavam as suas liberdades naturais, delegando a um soberano o poder de 
decidir sobre tudo que diz respeito à vida social. A expressão máxima desse poder 
na prática foi a monarquia absolutista. A ideia de que todo indivíduo é portador 
de direitos naturais inalienáveis formou um novo conceito de cidadania. No século 
XVIII, essa formulação deu lugar à luta pelos direitos naturais humanos. Mas, as 
influências de Hobbes na modernidade não se limitam à concepção de direitos 
humanos e de liberdade. A noção de que a função do Estado é manter a paz e o 
monopólio do uso da violência para preservar os pactos ainda está presente no 
mundo. Pode-se dizer que Thomas Hobbes inaugura o Estado civil moderno, como 
fruto de um pacto entre os homens que não podem sobreviver numa situação de 
cada um por si. 
 John Locke 
Com suas ideias políticas, Locke exerceu a mais profunda influência sobre o 
pensamento ocidental. Suas teses encontram-se na base das democracias liberais. 
Os Dois Tratados sobre o Governo Civil justificaram a revolução burguesa na 
Inglaterra no século XVII. De uma forma geral, as revoluções burguesas 
representaram a formação de um novo Estado, com novos participantes do poder
Filosofia e Lógica 
 
187 
 
político e uma nova concepção de sociedade que prevalece até hoje. No século 
XVIII, os iluministas franceses foram buscar em suas obras as principais ideias 
responsáveis pela Revolução Francesa. Esta Revolução é um marco na história 
humana e a cronologia tradicional a classifica como marco do início dos tempos 
contemporâneos, devido à manifestação, neste movimento, de ideais que se 
tornariam a base do Estado atual. 
 Rousseau 
Começando com a desigualdade como um fato irreversível, Rousseau tenta 
responder a questão do que compele um homem a obedecer a outro homem ou 
por que direito um homem exerce autoridade sobre outro. Ele concluiu que 
somente um contrato tácito e livremente aceito por todos permite cada um “ligar-
se a todos enquanto retendo sua vontade livre”. A liberdade está inerente na lei 
livremente aceita. “Seguir o impulso de alguém é escravidão, mas obedecer a uma 
lei autoimposta é liberdade”. 
Há uma diferença entre o pensamento de Rousseau e o de Locke, que também 
afirmou a liberdade do homem como base de sua teoria política. Locke admite a 
perda da liberdade quando afirma que o homem, por ser livre por natureza, não 
pode ser privado dessa condição e submetido ao poder de outro sem o próprio 
consentimento. Para Rousseau, o homem não pode renunciar a sua liberdade. Esta 
é, portanto, uma exigência fundamental do seu pensamento ético. 
Rousseau considera a liberdade um direito e um dever ao mesmo tempo. A 
liberdade pertence ao homem e renunciá-la é renunciar a própria qualidade de 
homem. O princípio da liberdade é direito inalienável e exigência essencial da 
própria natureza espiritual do homem. 
O contrato social para Rousseau é “uma livre associação de seres humanos que 
deliberadamente resolvem formar certo tipo de sociedade a qual passam a prestar 
obediência mediante o respeito à vontade geral”. O contrato social, ao considerar 
que todos os homens nascem livres e iguais, encara o Estado como objeto de um 
contrato no qual os indivíduos não renunciam seus direitos naturais, mas ao 
contrário, entram em acordo para a proteção desses direitos que o Estado é criado 
para preservar. O Estado é a unidade e como tal expressa a “vontade geral”, porém 
esta vontade é posta em contraste e se distingue da “vontade de todos”, a qual é 
meramente o agregado de vontades, o desejo acidentalmente mútuo da maioria.
Filosofia e Lógica 
 
188 
 
 Montesquieu 
Inspirou-se em Locke para formular a teoria da separação dos três poderes. 
Inúmeros Estados, hoje em dia, apresentam-se segundo esse modelo. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
LEBRUN, Gérard. O que é poder. 14ª Edição. São Paulo, Brasiliense, 
1994. 126p. 
 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Nessa unidade você compreendeu alguns dos principais conceitos da filosofia 
política. Partindo de Aristóteles, percorremos, de forma breve, um longo caminho 
que a filosofia política trilhou até ser o que estudamos hoje. Espero que você tenha 
se interessado sobre esse assunto tão importante e que se aprofunde mais lendo as 
diversas obras de inúmeros autores que tratam sobre o tema. Por enquanto, 
atente-se às diretrizes traçadas aqui. Até a próxima unidade! 
 
Filosofia e Lógica 
 
189 
 
Exercícios – unidade 11 
 
1. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, o homem é essencialmente: 
a) político e amigável. 
b) político e sonhador. 
c) político e honesto. 
d) político e libertário. 
e) político e sociável. 
 
2. Quais são as duas formas pelas quais é discutida a questão do poder? 
a) Poder temporal e poder passageiro. 
b) Do poder que é discutido por alguém e de alguém sobre o qual o poder é 
inibido. 
c) Poder animal e poder humano 
d) Poder simplificado e poder composto. 
e) Do poder que é exercido por alguém e de alguém sobre o qual o poder é 
exercido. 
 
3. Qual das obras de Aristóteles se configura como um dos tratados mais 
importantes sobre a arte e a ciência de governar a pólis? 
a) Órganon. 
b) Política. 
c) Crítica da Razão Pura. 
d) Leviatã. 
e) Omnia vincit. 
 
4. A pólis grega é entendida por Aristóteles como um fenômeno puramente 
natural, pois: 
a) A pólis encontra-se entre as realidades que existem artificialmente, e o 
homem é por natureza um animal político. 
b) A pólis encontra-se entre as realidades que existem naturalmente, e o 
homem é por natureza um animal político. 
c) A pólis encontra-se entre as modalidades que existem naturalmente, e o 
homem é por natureza um animal apolítico. 
Filosofia e Lógica 
 
190 
 
d) A pólis encontra-se entre as fases lunares que existem naturalmente, e o 
homem é por natureza um animal político. 
e) A pólis não encontra-se entre as realidades que existem naturalmente, e o 
homem é por natureza um animal apolítico. 
 
5. Dentre as alternativas abaixo, qual delas representa o significado exato de 
“Poder político”? 
a) Aquele que inutiliza a posse de bens “socialmente necessários” para induzir 
aqueles que não possuem a adotar um comportamento indeterminado. 
Exemplo: fazer um determinado tipo de trabalho. Este se preocupa em 
garantir o domínio da riqueza controlando a organização das forças 
produtivas. 
b) Aquele que utiliza a ingratidão para influenciar o comportamento dos 
outros, induzindo-os a repensar da mesma forma que aqueles que detêm o 
poder. Estes se preocupam em garantir o domínio sobre o conhecimento, 
controlando a forma como a sociedade deve pensar. Exemplos: os meios de 
comunicação de massa, ou seja, a televisão, os jornais, etc. 
c) Aquele que utiliza aposse de bens “socialmente necessários” para induzir 
aqueles que não possuem a adotar um determinado comportamento. 
Exemplo: fazer um determinado tipo de trabalho. Este se preocupa em 
garantir o domínio da riqueza controlando a organização das forças 
produtivas. 
d) Aquele que utiliza a persuasão para influenciar o comportamento dos 
outros, induzindo-os a pensar da mesma forma que aqueles que detêm o 
poder. Estes se preocupam em garantir o domínio sobre o conhecimento, 
controlando a forma como a sociedade deve pensar. Exemplos: os meios de 
comunicação de massa, ou seja, a televisão, os jornais, etc. 
e) Aquele que utiliza os meios de “coerção social”, ou seja, a forca física, 
legalmente, para dominar os outros. Este se preocupa em garantir o 
domínio da força controlando a organização dos “instrumentos de 
coerção”, ou seja, polícia, forças armadas, tribunais etc. 
 
6. Pode-se dizer que a função do Estado é de promover a conciliação dos grupos 
sociais, conflitos que são inevitáveis entre os homens em todos os tempos. Como o 
pensador alemão Max Weber conceitua o Estado? 
Filosofia e Lógica 
 
191 
a) Como uma instituição inconsistente que é dirigida por um governo 
soberano que possui o monopólio do uso da força física em um 
determinado território, subordinando a sociedade a uma esfera altruísta. 
b) Como uma instituição política que é dirigida por um governo soberano que 
possui o monopólio do uso da força física em um determinado território, 
subordinando a sociedade que nele vive. 
c) Como uma instituição política que é dirigida por um governo alternativo 
que possui o monopólio do uso da força física em um determinado 
território, subordinando a sociedade a uma anomalia inevitável. 
d) Como uma instituição política que é dirigida por um governo soberano que 
possui o monopólio do uso da intensidade moral em um determinado 
território, subordinando a sociedade a um todo composto inevitável. 
e) Como uma instituição política que é dirigida por um governo misto que 
possui o monopólio do uso da mídia televisiva em um determinado 
território, subordinando a sociedade a uma massificação ideológica. 
 
7. Em vez de argumentar sobre um Estado ideal em sua obra O Príncipe, Maquiavel 
defendeu a conquista e manutenção do poder pelo governante que, segundo sua 
virtude de administrar o acaso, realizaria seus objetivos. Com base nisto, podemos 
dizer que Maquiavel: 
a) afirma que a obrigação suprema do governante é manter o poder e a 
segurança de seu país e para isso deve utilizar todos os meios disponíveis, 
já que os fins justificam os meios. 
b) afirma que a obrigação suprema do governante é manter o poder e a 
segurança de seu país e para isso deve utilizar a educação inclusiva para 
todos, já que os fins justificam os meios. 
c) afirma que a obrigação suprema do governante é manter o poder e a 
segurança de seu país e para isso deve utilizar intensamente o debate e a 
persuasão, já que os fins justificam os meios. 
d) afirma que a obrigação suprema do governante é denegrir o poder e a 
segurança de seu país e para isso deve utilizar todos os meios disponíveis, 
já que os fins justificam os meios. 
e) afirma que a obrigação suprema do governante é manter o poder e a 
segurança de seu país e para isso deve utilizar se armar com o poder bélico 
altamente desenvolvido, já que os fins justificam os meios. 
 
Filosofia e Lógica 
 
192 
8. Com suas ideias políticas, Locke exerceu uma profunda influência sobre o 
pensamento ocidental. Suas ideias encontram-se na base das atuais democracias 
liberais. Qual das alternativas a seguir é uma obra de referência deste filósofo: 
 
a) Contrato Social. 
b) Leviatã 
c) Segundo Tratado sobre o Governo Civil. 
d) Ética mínima para homens mal governados. 
e) O Príncipe. 
 
9. O que é “poder político”? 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 ___________________________________________________________________ 
 
10. Há uma diferença entre o pensamento de Rousseau e o de Locke, que também 
afirmou a liberdade do homem como base de sua teoria política. Locke admite a 
perda da liberdade quando afirma que o homem, por ser livre por natureza, não 
pode ser privado dessa condição e submetido ao poder de outro sem o próprio 
consentimento. Para Rousseau, o homem não pode renunciar a sua liberdade. Esta 
é, portanto, uma exigência fundamental do seu pensamento ético. Em que consiste 
o contrato social para Rousseau? 
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Filosofia e Lógica 
 
193 
 
A filosofia no Brasil: a 
questão sobre a existência 
de uma filosofia 
genuinamente brasileira 
O debate acerca da possibilidade de uma Filosofia Brasileira. 
Aspectos históricos da Filosofia Brasileira. 
 
12
Filosofia e Lógica 
 
194 
 
Estamos prestes a concluir o nosso estudo, porém não podemos deixar de 
mencionar a questão da possibilidade da existência de um pensamento original no 
nosso país. Convido você, nesta unidade, a percorrer de forma breve as questões 
que envolvem a filosofia no Brasil. 
 
OBJETIVOS DA UNIDADE: 
• Refletir acerca da genuinidade da reflexão filosófica brasileira; 
Compreender alguns aspectos do debate sobre a originalidade da 
filosofia no Brasil; 
• Delinear a trajetória da formação de um pensamento filosófico no Brasil, 
seja ele genuíno ou não. 
 
PLANO DA UNIDADE: 
 
• O debate acerca da possibilidade de uma Filosofia Brasileira. 
• Aspectos históricos da Filosofia Brasileira. 
 
Bons estudos! 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
195 
 
O debate acerca da possibilidade de uma filosofia 
brasileira 
 
O filósofo Miguel Reale, certa vez, pronunciou-se sobre a questão da filosofia 
brasileira da seguinte forma: 
“Custou para se desfazer a crença de que a gente brasileira 
seria infensa à meditação filosófica, limitando-se a informar 
sobre as doutrinas estrangeiras e a delas reproduzir conceitos e 
ideais. Chegou-se mesmo a proclamar, desconsoladamente, 
que a história da filosofia no Brasil não seria senão a história das 
influências recebidas, o que era afirmado por figuras das mais 
representativas de nossa intelectualidade.” 
 
Essa é uma das questões mais delicadas e difíceis, a da “filosofia nacional”, uma 
vez que a filosofia é por sua própria natureza universal, mas não há quem não 
distinga, em virtude de certas características ou pelo predomínio de determinadas 
tendências, a filosofia alemã da francesa, da anglo-americana, da italiana, etc. É 
que, por mais universal que seja a filosofia, não pode esta deixar de sofrer a 
influência de diretrizes dominantes na linha existencial dos povos ou das nações, o 
que já fora possível observar na passagem do mundo grego para o mundo romano. 
Assim, na visão de ARANHA, Maria Lúcia A., MARTINS (2003, p. 94), 
 
“De fato mesmo que a filosofia inicie seu questionamento 
a partir das peculiaridades histórico-sociais de um determinado 
país, é no sentido da universalidade, e não do regionalismo que 
busca realizar seu projeto (...).” 
 
Filosofia e Lógica 
 
196 
 
Tanto os que não acreditam em tal coisa, os “universalistas” ou 
“internacionalistas”, quanto os que acreditam, os “originários”, sempre colocam 
toda a questão em termos sociais e institucionais. Os primeiros pensam que deve 
criar-se uma comunidade de estudiosos de textos,de bons comentadores e 
conhecedores de filosofia clássica e moderna, capazes de gerar artigos e livros que 
possam concorrer dignamente no plano internacional. Esta deve, segundo eles, ser 
considerada como a contribuição brasileira à filosofia. Alguns deles não veem 
qualquer sentido na questão de tal tipo de prática filosófica acabar gerando ou não 
um pensar “genuinamente brasileiro”, enquanto outros apostam numa 
continuidade, às vezes difícil de compreender entre essas atividades eruditas e o 
nascer de um pensamento original brasileiro. Para ARANHA, Maria Lúcia A., 
MARTINS (2003, p. 94), 
“Retomando a indagação sobre a “filosofia brasileira”, 
entenderíamos que o filósofo brasileiro deveria estar voltado 
para as questões que se colocam no espaço e no tempo por ele 
vivido. A partir dessa condição, muitos concluem pela 
negatividade sobre uma eventual filosofia no Brasil, afirmando 
que os pensadores brasileiros estariam por demais presos à 
cultura europeia, ou nos últimos anos, também, à norte-
americana.” 
 
Por isso, a ideologia universalista parece-me hoje predominante entre os 
professores. Por outro lado, os escassos críticos da filosofia acadêmica acham que 
se devem criar condições sociais, culturais e mesmo institucionais que favoreçam a 
um pensamento original e criador, devendo-se lutar contra o colonialismo ainda 
presente nas mentes dos pensadores brasileiros, que os leva a copiar moldes 
externos em lugar de pensar por si mesmos. 
 
Filosofia e Lógica 
 
197 
 
Em ambos os casos, pensam todo o problema do filosofar original e criador 
dentro dos termos de uma preparação sociocultural e institucional que permitiria 
seu desenvolvimento: do ponto de vista universalista, devem-se preparar gerações 
de eruditos e comentadores, criando-se, então, uma comunidade de 
contribuidores à filosofia internacional. Por outro lado, são criadas condições para 
superar as estruturas da dependência cultural e preparar as condições para um 
pensamento, se possível, genuinamente brasileiro. 
 
2- Aspectos históricos da filosofia brasileira 
 
O pensamento filosófico brasileiro constituiu-se a partir do final do século 
XVIII, passando por sucessivas mutações, até ganhar a pluralidade de formas e 
correntes que possui em nossos dias. Contudo, não é possível falar de uma tradição 
intrinsecamente brasileira de pensamento, constituidora de um cabedal de ideias e 
de uma metodologia própria. Em um país relativamente jovem, cuja porção letrada 
era formada por imigrantes europeus e seus descendentes, a filosofia em nosso 
país foi em sua quase totalidade influenciada por correntes europeias, 
predominantemente pelo pensamento e pela cultura francesa. 
 
IMPORTANTE 
Os primeiros pensadores brasileiros de que se tem notícia adotavam 
as teorias sensistas e materialistas de Condillac e Cabanis, tentando conciliá-las 
com o espiritualismo eclético, veiculado, especialmente, por Victor Cousin. Dentre 
os adeptos deste direcionamento, destacam-se, no século XIX, Eduardo Ferreira 
França e Domingos José Gonçalves de Magalhães. 
Contrapondo-se a essa tendência, a filosofia tomista sempre encontrou 
expressão no Brasil. Seu principal órgão de difusão foram os padres jesuítas, cuja 
ordem chegou ao país na mesma época de seu descobrimento. Podemos citar 
entre seus principais representantes no século passado, José Soriano de Souza e 
Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. O principal objetivo desses pensadores era 
empreender a crítica, a um só tempo, do materialismo e do espiritualismo reinantes 
entre os filósofos brasileiros de seu tempo, a fim de apresentar o pensamento 
escolástico como solução para resolver a contradição matéria-espírito, presente na 
obra dos filósofos criticados. 
Filosofia e Lógica 
 
198 
 
Uma doutrina largamente difundida em nosso país durante todo o século XIX, 
permanecendo atuante até as primeiras décadas do século XX, é o positivismo. 
Seus adeptos exerceram influência não apenas filosófica, mas igualmente política, 
desempenhando importante papel na Proclamação da República (vale a pena 
lembrar que o lema Ordem e Progresso, presente em nossa bandeira é igualmente 
o lema do positivismo comteano). Podemos citar como seus mais eminentes 
adeptos, Benjamin Constant, Miguel Lemos e Teixeira Mendes. As correntes 
evolucionistas e culturalistas, em voga na Europa durante a segunda metade do 
século XIX, também encontraram-se representadas no Brasil. Seus principais 
divulgadores foram Tobias Barreto e Sílvio Romero, partidários do culturalismo 
alemão e do evolucionismo de Spencer, respectivamente. 
Podemos citar como o filósofo brasileiro de maior fôlego e originalidade o 
cearense Raimundo de Farias Brito, o maior representante da filosofia em nosso 
país. Aluno de Tobias Barreto, Farias Brito produziu uma extensa obra voltada, 
sobretudo, para a reflexão filosófica. Sua reflexão representa um grande esforço de 
renovação espiritualista contra o positivismo e o materialismo da “Escola de 
Recife”, fundada por Tobias Barreto. 
Segundo os historiadores da filosofia Padovani e Castagnola (1994, p. 536), 
“No pensamento de Tobias Barreto não se encontram 
doutrinas verdadeiramente originais. O que ele disse a respeito 
de Deus, do homem, da religião, da alma, do direito natural já 
se encontrava nos famosos fundadores europeus do 
materialismo e do monismo evolucionista (...).” 
No princípio do século XX, vimos surgir o padre Leonel Franca como um dos 
nomes mais representativos do pensamento filosófico desse período. Pensador 
Neotomista desempenhou importante papel na restauração e renovação desse 
pensamento frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e 
espiritualista. 
Podemos citar outros pensadores de inspiração católica tais como, Tarcísio 
Meireles Padilha quem, inspirado na meditação de Louis Lavelle, formula uma 
“filosofia da esperança”; Geraldo Pinheiro Machado, que se destacou como 
historiador das ideias filosóficas no Brasil; Ubiratan Macedo e Gilberto de Mello 
Kujawski, os quais elaboraram as suas obras inspirando-se no pensador espanhol 
José Ortega y Gasset; Fernando Arruda Campos, reconhecido estudioso do 
neotomismo brasileiro e o padre Stanislavs Ladusans, da Companhia de Jesus, 
autor da obra Rumos da filosofia atual no Brasil. 
Filosofia e Lógica 
 
199 
 
Tentando dar uma resposta concreta ao problema da pobreza e das 
desigualdades sociais que afetam o Brasil, alguns pensadores de formação cristã 
têm desenvolvido, ao longo das últimas décadas, o que poderia ser denominado 
de projeto “imanentista de libertação”, que acolhe elementos conceituais 
provindos das teologias católica e protestante, bem como do hegelianismo, dos 
messianismos políticos rousseauniano e saint-simoniano, do personalismo de 
Emmanuel Mounier e do marxismo. As principais contribuições nesse terreno 
pertencem ao padre jesuíta Henrique Cláudio de Lima Vaz, inspirador do 
movimento chamado Ação Popular (que posteriormente converter-se-ia na Ação 
Popular Marxista-Leninista); a Hugo Assmann, destacado professor universitário; ao 
padre Leonardo Boff, autor de numerosa bibliografia nos terrenos teológico, 
político, filosófico e ecológico e ao pedagogo Paulo Freire. 
O pensamento filosófico em nosso país foi, ao longo do século XX, ampliando 
seus horizontes e suas áreas de contato. Os pensadores de inspiração marxista têm 
desenvolvido no Brasil amplo trabalho de análise, abordando, especialmente, os 
aspectos socioeconômicos. Destaca-se nesse terreno Caio Prado Júnior, para quem 
seria infantil a pretensão comteana, adotada pela maior parte dos marxistas 
brasileiros, de enquadrar a explicação científica acerca da evolução social nos 
estreitos parâmetros de leis gerais e eternas. “Tal pré-fixação de etapas”, escreve 
Prado Júnior (1966, p. 23), “através das quais evoluem ou devem evoluir as 
sociedades humanas, faz rir”. Apesar da advertência crítica desse autor, a tendênciaque veio a prevalecer no chamado “marxismo acadêmico” brasileiro, foi a 
comteana ou cientificista. Os principais representantes dessa vertente (que possui 
como preocupação fundamental a implantação da sociedade racional, em bases 
marxistas) foram Leônidas de Rezende, Hermes Lima, Edgardo de Castro Rebelo, 
João Cruz Costa, Álvaro Vieira Pinto e Roland Corbisier. 
 
Filosofia e Lógica 
 
200 
 
IMPORTANTE 
Vale a pena destacar os nomes de alguns autores de inspiração 
marxista desvinculados da opção comteana: Luiz Pinto Ferreira e Gláucio Veiga, os 
quais fazem uma avaliação da problemática herdada da “Escola do Recife”, 
notadamente no terreno do direito. Recentemente, Leandro Konder desenvolveu 
uma crítica sistemática à opção comteana seguida pelo marxismo brasileiro. 
Apoiando-se em bases que remontam a Hegel e a Marx, esse autor atribui à 
“derrota da dialética”, sofrida pelo marxismo brasileiro. Leandro Konder situa-se, 
assim, nos dias atuais, como o ‘continuador’ da atitude crítica anteriormente 
sustentada por Caio Prado Júnior. Podemos ainda citar como principais pensadores 
brasileiros contemporâneos: Emmanuel Carneiro Leão, Gerd Bornheim, Ernildo 
Stein, Guido de Almeida, Miguel Reale, Roberto Machado e Benedito Nunes. 
 
Para Resende (2002, p. 289), 
“A instauração do lugar institucional da filosofia na cultura 
brasileira, porém, não é suficiente para assegurar a produção 
teórica especialmente filosófica referida a essa cultura. Assim, 
Gilberto Kujawski parece que, embora a filosofia apareça 
oficialmente institucionalizada nas universidades brasileiras, 
ainda não foi socialmente institucionalizada. Entendendo que a 
tarefa da filosofia é a de conduzir a consciência nacional à idade 
da razão, não à razão pura, mas à razão histórica - único 
instrumento capaz de devolver o Brasil a si mesmo e de nos 
fazer compreender o que somos, de onde viemos, para onde 
vamos -, urge impedir que ela se transforme em função 
esotérica de alguns iniciados. É preciso, diz ele, voltar das ideias 
para a realidade. E uma das maneiras de fazê-lo é saber o que 
fazer corretamente com as ideias, o que fazer com as ideias 
filosóficas. Enfim, para despertar o interesse da juventude pela 
filosofia é preciso, antes, dar satisfação ao seu sadio 
pragmatismo e lhe mostrar o que fazer com a filosofia.” (Cf. 
Rumos da filosofia atual no Brasil, padre S. Ladusans (org.), 1976) 
 
Filosofia e Lógica 
 
201 
 
Embora isso seja constatado na realidade, algumas universidades divulgam 
uma gama muito diversificada de correntes, ocorrendo estudos aprofundados e 
intercâmbios com os principais pensadores de nosso século. Podemos citar como 
principais direcionamentos da investigação filosófica brasileira atual: a filosofia 
analítica, o pensamento existencial francês e alemão, as filosofias antiga e 
moderna, o marxismo, a ética, a epistemologia, a lógica, a filosofia francesa 
contemporânea. Enfim, a filosofia está presente com toda força em nosso país. 
Cabe a todos os interessados aproximar-se do fascinante mundo do pensamento 
filosófico. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR: 
PAIM, Antônio. História das ideias filosóficas no Brasil. 5ª ed. 
Londrina: 
UEL, 1997. 760p. 
JAIME, Jorge. História da Filosofia no Brasil. 3ª edição. Petrópolis: Faculdades 
Salesianas, 1997. Vol. 1. 
___________. História da Filosofia no Brasil. Vol. 1 e 2. São Paulo: Vozes, 
1999. Vol.2 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
Não esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo, 
presentes no caderno de exercício! Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de 
proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, 
redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente virtual 
de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
 
Filosofia e Lógica 
 
202 
 
Nessa unidade, estudamos um pouco sobre a problemática acerca da filosofia 
no Brasil. Podemos destacar na nossa exposição a formação de um debate 
filosófico no Brasil e também a tentativa de se criar um espaço para a consolidação 
de um pensamento brasileiro. 
Com isso, chegamos ao fim do nosso estudo. Espero que tenhas gostado. 
Conto com suas críticas, sugestões e opiniões. Foi ótimo estar contigo. Até outra 
oportunidade e sucesso daqui para frente! Depois dessa longa jornada, sinta-se 
convidado a ser mais um “amante da sabedoria”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
203 
 
Exercícios – unidade 12 
 
1. Aponte entre os pensadores brasileiros abaixo qual é o fundador da “escola de 
recife”. 
a) Benjamin Constant. 
b) Tobias Barreto. 
c) Teixeira Mendes. 
d) Miguel Lemos. 
e) Miguel Reale. 
 
2. Podemos dizer que Tobias Barreto e Sílvio Romero são legítimos representantes 
de quais correntes da filosofia brasileira? 
a) Positivismo e Fenomenologia. 
b) Materialismo e evolucionismo. 
c) Culturalismo e Positivismo. 
d) Evolucionismo e culturalismo. 
e) Fenomenologia e Culturalismo. 
 
3. A tendência que veio a prevalecer no chamado “marxismo acadêmico” brasileiro 
foi exatamente: 
a) a renascentista ou greco-romana. 
b) a evolucionista ou pagã. 
c) a comteana ou cientificista. 
d) a leninista-comunista. 
e) a socialista moderada. 
 
4. Podemos dizer que a preocupação fundamental da vertente denominada de 
“marxismo acadêmico” brasileiro foi: 
a) implantar uma sociedade racional, em bases marxistas. 
b) implantar uma sociedade de mercado. 
c) implantar um regime socialista. 
d) implantar uma sociedade neocapitalista. 
e) implantar uma Universidade voltada para os interesses religiosos.
Filosofia e Lógica 
 
204 
 
5. Dentro dos pensadores brasileiros abaixo, quais deles são representantes do 
positivismo iniciado no século passado? 
a) Tobias Barreto e Sílvio Romero. 
b) Benjamin Constant e Miguel Lemos. 
c) Caio Prado Junior e Padre Leonel Franca. 
d) Teixeira Mendes e Gláucio Veiga. 
e) Miguel Reale e Silvio Romero. 
 
6. No princípio do século XX, vimos surgir o padre Leonel Franca como um dos 
nomes mais representativos do pensamento filosófico desse período. Sobre este, 
podemos dizer que: 
a) desempenhou importante papel na restauração e renovação do pensamento 
Neotomista frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e 
espiritualista. 
b) desempenhou importante papel na restauração e renovação das escolas 
antitomistas frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e 
espiritualista. 
c) desempenhou importante papel na restauração e renovação do pensamento 
Neotomista frente às ameaças trazidas pelas doutrinas imaterialista e 
espiritualista. 
d) desempenhou importante papel na difamação e renovação do pensamento 
Neotomista frente às questões trazidas pelas doutrinas materialista e 
espiritualista. 
e) desempenhou importante papel na restauração e renovação do pensamento 
Neotomista frente às questões trazidas pelas doutrinas imanista e 
espiritualista romana. 
 
Filosofia e Lógica 
 
205 
 
7. Os primeiros pensadores brasileiros de que se tem notícia adotavam as teorias 
sensistas e materialistas de Condillac e Cabanis, tentando conciliá-las com o 
espiritualismo eclético, veiculado, especialmente, por Victor Cousin. Dentre os 
adeptos deste direcionamento, podemos destacar: 
 
a) José Soriano de Souza e Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. 
b) Miguel Lemos e Teixeira Mendes. 
c) Miguel Lemos e Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. 
d) Eduardo Ferreira França e Domingos José Gonçalves de Magalhães. 
e) José Soriano de Souza e Vicente Cândido Figueiredo de Sabóia. 
 
8. Dentre os principais representantes do “marxismo acadêmico”, podemos citar 
entre eles: 
a) Roland Corbisier e Edgardo de Castro Rebelo. 
b) Emmanuel Carneiro Leão e Gerd Borheim. 
c) Patrik Stellita e Salvador Adoran. 
d) Tobias Barreto e Afonso Barbosa Filho. 
e) Gerd Borheim e Roland Corbisier. 
 
Filosofia e Lógica 
 
206 
 
9. Tentando dar uma resposta concreta ao problemada pobreza e das 
desigualdades sociais que afetam o Brasil, alguns pensadores de formação cristã 
têm desenvolvido projeto, ao longo das últimas décadas, que acolhe elementos 
conceituais provindos das teologias católica e protestante, bem como do 
hegelianismo, dos messianismos políticos rousseauniano e saint-simoniano, do 
personalismo de Emmanuel Mounier e do marxismo. Como se denomina este 
projeto desenvolvido pelos pensadores brasileiros nas ultimas décadas? 
 ___________________________________________________________________ 
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 ___________________________________________________________________ 
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10. Por que existem teóricos que afirmam veementemente a impossibilidade de 
uma filosofia genuinamente brasileira? 
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 ___________________________________________________________________ 
 
Filosofia e Lógica 
 
207 
 
Considerações finais 
 
Caro aluno, 
Chegamos ao final ao final do nosso curso de Filosofia e Lógica. Durante o 
nosso percurso de estudo, objetivamos oferecer a você um panorama geral da 
Filosofia através dos temas principais que a constitui, diante de um panorama 
lógico e coerente com a especificidade de cada campo de estudo que esta 
disciplina abrange. Com base nisso, foi-lhe apresentado as ferramentas 
fundamentais para que você desenvolva uma elaboração correta do pensamento 
abstrato, como também o amadurecimento, a aquisição da autonomia da reflexão 
e do seu agir coerente, através do olhar crítico sobre si mesmo e do mundo que o 
cerca. Esta foi, portanto, a nossa tarefa principal. 
O Ensino à Distância o parabeniza por ter concluído seus estudos, 
aumentando sua bagagem com conhecimentos e habilidades que irão beneficiá-lo 
durante toda a sua vida. 
Contudo, tenha em mente que a aprendizagem não para por aqui. Mantenha 
o hábito de ler, atualize-se sempre e não esqueça de praticar o que foi aprendido 
com esta disciplina. 
“Uma visão sem ação é meramente um sonho. 
Uma ação sem visão carece de sentido. 
Uma visão com ação pode mudar o mundo”. 
(Arthur Joel Barker – do filme Descobrindo o Futuro) 
 
Sucesso! 
 
Filosofia e Lógica 
 
208 
 
Conhecendo o autor 
 
O professor universitário Delmo Mattos é graduado em Filosofia, Mestre em 
Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, onde atualmente 
cursa o Programa de Doutorado em Filosofia. Professor e Coordenador do curso de 
Pós-graduação em Filosofia e Cultura – UNIVERSO. Conteudista e Tutor da 
disciplina Filosofia – EAD- UNIVERSO, assim como professor da UNIVERSO desde 
2002 nas disciplinas presenciais correlacionadas a Filosofia e Sociologia. Possui 
artigos publicados em revistas eletrônicas de cunho internacional e participante 
ativo de conferências relacionadas às áreas de Filosofia Política e Metafísica. 
 
Filosofia e Lógica 
 
209 
Referências 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA: 
1- ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando. Introdução à filosofia. São 
Paulo: Moderna, 1995. 
2- CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. SP: Ática, 2005. 
3- ______. Introdução à história da filosofia. Dos pré-socráticos a Aristóteles. São 
Paulo: Brasiliense, 1994. 
4- REZENDE, A. Curso de filosofia. Para Professores e alunos dos cursos de Filosofia 
de segundo Grau e Graduação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,1986. 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: 
JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. 3 ed. São Paulo: Cultrix, 
1976. 
BLACKBURN, S. Dicionário Oxford de Filosofia. Trad. Desidério Murcho: Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 1997. 
GARCIA MORENTE, Manuel. Fundamentos de filosofia. São Paulo, Mestre Jou, 
1970. 
REALE, Miguel. Introdução à Filosofia. 3ª ed. São Paulo, Saraiva, 1994. 
VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Ed. Rio de Janeiro, 
Bertrand Brasil, 1992. 
DELACAMPAGNE, Cristian. História da filosofia no séc. XX. Rio de janeiro, Jorge 
Zahar, 1997. 
 
Filosofia e Lógica 
 
210 
 
NUNES, Benedito. A filosofia contemporânea. São Paulo, Ática, 1991. 
MARÍAS, Julían. História da Filosofia. Tradução Alexandre Pinheiro Torres. 2. ed. 
Porto: Sousa e Almeida, s.d. 
HESSEN, J. Teoria do conhecimento. Martins fontes: São Paulo, 2000. 
COPI, Irving. Introdução à lógica. São Paulo: Mestre Jou, 1974. 
ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência. 21ª Ed. São Paulo: Brasiliense, 1995. 
VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1987. 
VALLS, Álvaro L. M. O que é ética. São Paulo, Brasiliense, 1986. 
LEBRUN, Géreard. O que é poder. São Paulo, Brasiliense, 1881. 
BOBBIO, Norberto. A teoria das formas de governo. Brasília, UNB, 1980. 
PAIM, Antônio. História das ideias filosóficas no Brasil. 5. ed. Londrina: UEL, 1997. 
JAIME, Jorge. História da Filosofia no Brasil. Vol. 1 e 2. São Paulo/Petrópolis: 
Faculdades Salesianas/Vozes, 1997 e 1999. 
Filosofia e Lógica 
 
211 
 
Anexos 
Filosofia e Lógica 
 
212 
 
Gabarito 
 
Unidade 1 
1. A 
2. C 
3. D 
4. A 
5. C 
6. E 
7 C 
8 A 
9 Resposta: Esta afirmação paradoxal de Garcia Morente nos coloca diante do 
mais importante ou o ponto de partida de todos os “problemas” que irão permear 
o estudo da Filosofia, ou seja, o “espanto” ou a “perplexidade” como o início de 
todo o processo da reflexão filosófica. O que significa este “espanto” e tal 
“perplexidade” para com as coisas, com a realidade em que estamos inseridos? Ora, 
a capacidade de se espantar diante das coisas, de se admirar é uma característica 
própria de todo ser humano. Do “espanto” e da “perplexidade” surge a nossa 
capacidade de interrogação, ou seja, de uma busca incessante de uma explicação 
plausível para os fatos sobre os quais nos deparamos, pelas coisas que vivemos, 
sentimos, da nossa realidade e das coisas que ainda podemos esperar. Esta atitude 
é comparada com a de uma criança ou um menino, como vimos na citação de 
Morente. Doravante, o sentido de que a disposição do ânimo que se faz presente 
na origem do processo da reflexão filosófica deve consistir necessariamente em 
perceber e sentir por onde quer que for, tanto no âmbito de nossas vidas , tanto no 
âmbito da realidade que participamos, um sentimento de admiração, espanto e de 
uma curiosidade insaciável, como a de uma criança que inicialmente não 
compreende nada e para quem tudo está repleto de “problemas”. 
 
Filosofia e Lógica 
 
213 
 
10 Resposta: Ora, na nossa sociedade atual é considerado útil aquilo que possui 
uma finalidade prática e imediata. Tudo se processa ou tem razão de existir se tiver 
uma aplicação prática que forneça algum resultado imediato, não é isso? Um 
exemplo deste fato é que todo mundo sabe que todo aquele que estuda 
engenharia, de uma maneira geral, irá participar da construção de edifícios, ruas, 
bairros, cidades etc. Todos sabem que a utilidade de se filmar um roteiro 
cinematográfico é, senão, para que as pessoas vejam o tal enredo sendo encenado 
e que ao assistirem ao filme pronto se emocionem, que se tal filme for bem aceito 
pelo público, seja merecedor de um Oscar e que ao ser visto por milhões de 
telespectadores, ele retorne em dividendos para seus produtores. Tudo hoje em 
dia é visto sob este aspecto finalístico, em que tudo que é feito possui uma razão 
de ser. A questão acerca do que "para que serve?", de antemão, pressupõe uma 
visão utilitária das coisas. Noentanto, no sentido utilitário das coisas, não há como 
vislumbrar para que serviria a Filosofia. Aí então, poderíamos dizer a célebre 
expressão: a Filosofia não serve para nada! Mas, tal expressão só poderia fazer 
sentido se limitássemos a pensar a Filosofia através da possibilidade de que com 
ela se poderia obter uma utilidade econômica, isto é, obter lucro com a sua 
utilização. Se for assim, a Filosofia sempre permanecerá no direito de se manter 
inteiramente inútil. 
 
 
Unidade 2 
1. A 
2. C 
3. A 
4. C 
5. D 
6. B 
7 A 
8 A 
 
9 A – Resposta: O Senso comum. / B - Resposta: O aluno poderá citar entre 
muitas: Subjetivo; Natural; Conservador; Fragmentário; Espontâneo e Intuitivo. 
Também, acrítico, pré-científico, Dogmático. 
 
Filosofia e Lógica 
 
214 
 
10 Resposta: A operatividade consiste no postulado de que todo e qualquer 
conceito científico somente tem valor científico, se for definido mediante uma série 
de operações físicas, experiências e medidas idealmente possíveis e a objetividade 
significa a capacidade de distanciamento de todo elemento afetivo e subjetivo, isto 
é, tendência a ser independente dos “sentimentos pessoais”. A objetividade da 
ciência quer dizer, sobretudo, que o seu conhecimento tem um caráter universal. 
 
 
Unidade 3 
1. C 
2. B 
3. A 
4. B 
5. D 
6. D 
7 D 
8 B 
9 Resposta: O comércio assume importância definitiva possibilitando o 
desenvolvimento da moeda. A viagem entre os Gregos possibilitou a aquisição de 
novos conhecimentos técnicos e geográficos através do contato com outras 
civilizações e diferentes formas de vida. Nas mentes mais despertas, a sabedoria 
popular, representada pelos ensinamentos rotineiros dos poetas, começa parecer 
inadequada. No que diz respeito à moral, os valores bélicos e aristocráticos 
encontram-se defasados, já que as relações comerciais exigem normas de justiça e 
de direito como base para as trocas. O conhecimento dos outros povos pelos 
gregos cria a convicção de que cada povo e cada raça representavam os Deuses de 
maneira diversa. 
 
10 Resposta: Tales aparece como iniciador da Filosofia. A sua importância se 
deve ao fato de que, seu esforço em busca de um princípio único da explicação da 
realidade, não só constitui o ideal da Filosofia como também lhe forneceu o 
impulso para se desenvolver. 
 
Filosofia e Lógica 
 
215 
 
Unidade 4 
1. A 
2. A 
3. B 
4. D 
5. A 
6. D 
7 A 
8 D 
9 Resposta: O aluno pode citar: Filosofia Analítica da Linguagem; Semiótica; 
Positivismo Lógico; A Hermenêutica; O Estruturalismo; A Fenomenologia; O 
Existencialismo; A Escola de Frankfurt. A Filosofia Contemporânea caracteriza-se, 
sobretudo, como uma tentativa de encontrar respostas para a crise do projeto 
filosófico da era moderna. 
 
10 Resposta: A Filosofia Patrística e a Filosofia Escolástica ou Medieval 
propriamente dita. 
 
Unidade 5 
1. A 
2. D 
3. E 
4. E 
5. C 
6. B 
7 B 
8 B 
9 Resposta: Lógica 
 
10 Resposta: Esta se distingue daquelas por ser uma antropologia da essência e 
não das características humanas, ou seja, ela se distingue da antropologia mítica, 
poética, teológica e científico-natural ou evolucionista por fornecer uma 
interpretação basicamente ontológica do homem. 
 
Filosofia e Lógica 
 
216 
 
Unidade 6 
1. D 
2. B 
3. A 
4. D 
5. E 
6. D 
7 D 
8 B 
9 Resposta: Classicamente, a verdade se define como adequação do intelecto ao 
real. Pode-se dizer, portanto, que a verdade é uma propriedade dos juízos que 
podem ser verdadeiros ou falsos, dependendo da correspondência entre o que 
afirmam ou negam e a realidade de que falam. 
 
10 Resposta: A consciência de si é a consciência nos estados internos do sujeito, 
ou seja, a reflexão. A consciência do outro é a consciência dos objetos exteriores. 
 
Unidade 7 
1. D 
2. D 
3. B 
4. C 
5. D 
6. D 
7 A 
8 B 
 
9 Resposta: O racionalismo pressupõe a razão como o principal meio de 
conhecimento da verdade. 
 
10 Resposta: A impossibilidade de conhecimento da verdade. Assim, para o 
ceticismo, o homem nada pode afirmar, pois nada pode conhecer. 
 
Filosofia e Lógica 
 
217 
 
Unidade 8 
1. A 
2. B 
3. C 
4. C 
5. A 
6. E 
7 D 
8 B 
9 Resposta: O princípio da identidade e o princípio da não-contradição. 
 
10 Resposta: Conceber, julgar e raciocinar. 
 
Unidade 9 
1. B 
2. D 
3. C 
4. D 
5. B 
6. C 
7 B 
8 A 
9 Resposta: Critério da ausência ou de presença da ação humana, critério de 
imutabilidade e permanência, critério de praticidade. 
 
10 Resposta: Enquanto as ciências empíricas vão descobrir, descrever e explicar 
as ocorrências do mundo em que vivemos, as ciências não-empírica são aquelas 
que dispensam a referência à experiência. Estas se desenvolvem no plano da 
abstração e do raciocínio. 
 
Unidade 10 
1. B 
2. C 
3. B 
4. B 
5. C 
6. E 
7 A 
8 D 
9 Resposta: Enquanto a moral está associada ao agir concreto, a ética vincula-se 
também à teorização sobre os valores e à conduta moral, discutindo a questão do 
bem e do mal. Em outras palavras, enquanto a moral envolve exclusivamente a 
prática, a ética pode se referir tanto à prática quanto à teoria sobre a mesma.
Filosofia e Lógica 
 
218 
 
10 Resposta: A ética deve ser entendida como um conjunto de regras avaliadas 
com rigor e consciência crítica. Isto significa que a ética se preocupa com uma 
rigorosa avaliação sobre o que é o bem e o mal, buscando indicar quais os 
caminhos o homem pode realizar enquanto agente do bem. Assim, se a moral 
indica os costumes de um determinado grupo social, a ética questionará e teorizará 
o que é justo sobre o agir adequado a uma determinada situação, na qual se realize 
o bem e se evite o mal. 
 
Unidade 11 
1. E 
2. E 
3. B 
4. B 
5. E 
6. B 
7 A 
8 C 
9 Resposta: É aquele que utiliza os meios de “coerção social”, ou seja, a força 
física, legalmente, para dominar os outros. Este se preocupa em garantir o domínio 
da força, controlando a organização dos “instrumentos de coerção”, ou seja, polícia, 
forças armadas, tribunais etc. 
 
10 Resposta: O contrato social para Rousseau é “uma livre associação de seres 
humanos inteligentes que deliberadamente resolvem formar certo tipo de 
sociedade a qual passam a prestar obediência mediante o respeito à vontade 
geral”. O contrato social, ao considerar que todos os homens nascem livres e iguais, 
encara o Estado como objeto de um contrato no qual os indivíduos não renunciam 
seus direitos naturais, mas ao contrário, entram em acordo para a proteção desses 
direitos que o Estado é criado para preservar. 
 
Unidade 12 
1. B 
2. D 
3. C 
4. A 
5. B 
6. A 
7 D 
8 A 
9 Resposta: Denomina-se de projeto “imanentista de libertação”. 
10 Resposta: O aluno deverá responder, destacando, sobretudo, que os filósofos 
brasileiros foram profundamente influenciados pelas Correntes Européias, dando 
margem para uma continuidade do Pensamento Europeu ao invés de uma 
constituição de um pensamento original. 
	Resposta: Tales aparece como iniciador da Filosofia. A sua importância sedeve ao fato de que, seu esforço em busca de um princípio único da explicação darealidade, não só constitui o ideal da Filosofia como também lhe forneceu oimpulso para se desenvolver.
	Sem título
	Sem título
	Esta trata de verificar se o objeto se esgota noplano subjetivo – enquanto objeto conhecido por uma consciência ousujeito
	3- O dogmatismo pragmático: Compreende o conhecimento como sendoresultado de uma operação de pesquisa e investigação

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