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Resumo de Gestão da Interface Empresa x Sociedade​ 
Aula 1 – A era do capitalismo criativo e sustentável​ 
- As empresas que vinculam suas ações socioambientais às suas estratégias empresariais reforçam suas marcas, 
posicionam-se melhor em seus mercados, diferenciam-se dos seus concorrentes, motivam seus empregados e parceiros, 
ganham espaço na mídia, conquistam e fidelizam clientes, conseguem a simpatia do público, obtêm a adesão e o apoio 
dos seus acionistas e estreitam seus relacionamentos com o governo e a sociedade. 
- Era do capitalismo criativo também pode ser chamada de era do capitalismo responsável e também 
sustentável:​ não deve prevalecer a idéia do negócio em si, a primazia do lucro em detrimento de outros fatores, como a 
preservação do meio ambiente, o bom relacionamento com a comunidade, a ética, a boa imagem, o respeito e a 
admiração dos clientes, a satisfação dos acionistas, o atendimento das necessidades dos empregados, a aprovação de 
toda a sociedade e a colaboração com o governo. 
- Formas assumidas pelo capitalismo criativo:​ • criação de negócios voltados para o mercado das classes menos 
favorecidas (são as empresas que lançam produtos voltados para a base da pirâmide); • desenvolvimento de produtos e 
serviços que visam à melhoria das condições de vida das populações mais pobres; • negócios sustentáveis ou 
responsáveis, direcionados para a preservação ambiental e a promoção do desenvolvimento das comunidades locais; e • 
empresas que fomentam as atividades de empreendedorismo local, com ênfase na concessão de microcrédito. 
- Capitalismo criativo:​ promove a inclusão social, cidadania plena, maior participação e bem comum. 
-Podemos afirmar que a Ricardo Eletro, ao cobrar preços mais baixos e parcelar as compras para os clientes, 
cumpre uma função social relevante e compatibiliza as estratégias sociais e empresariais:​ permite o acesso dessa 
população a bens de consumo que vão permitir melhorias em suas vidas, e através de crédito, cria facilidades de 
compra. 
- Uma das vertentes da prática do capitalismo criativo:​ a produção e comercialização de produtos que contribuem 
para a melhoria da qualidade de vida das populações carentes. 
- Exemplo de prática de capitalismo criativo:​ (1) produtos Frandsen geram lucros e contribuem para a erradicação de 
doenças e promovem melhorias consideráveis na qualidade de vida das comunidades pobres (não são vendidos 
diretamente para essa população, mas para o governo e organizações que assistem essas comunidades); (2) Freeplay 
Energy que leva luz a lugares onde não existe rede elétrica, facilitando a vida dessas populações. 
- Outra vertente do capitalismo criativo:​ a preservação ambiental e o desenvolvimento da comunidade onde a 
empresa ficcalizada. 
plo de negócios que causam danos inevitáveis ao meio a​, como minérios e petróleo. 
- Diferenmomentos da história do ambientalismo empresarial:​ (1) anos 1960 – agrotóxicos e poluição do ar; (2) 
anos 1970 – conflitos entre empresas e agências de proteção ambiental; (3) a partir dos anos 1980 – preservação do 
meio ambiente torna-se tema de responsabilidade social; e (4) anos 1990 – a preservação ambiental torna-se uma das 
estratégias empresariais. 
- Conceito de negócio ambientalmente responsável:​ é fruto de um processo de gestão ambiental, social e 
economicamente sustentável. É comum nas empresas que atuam no trinômio negócio – sociedade – ambiente. Suas 
ações não priorizam apenas o crescimento do negócio, mas também a preservação ou restauração do ambiente e o 
desenvolvimento da comunidade. 
- Empreendedores sociais:​ pessoas comuns, conhecedoras da realidade socioeconômica onde vivem, que têm idéias 
criativas de negócios sustentáveis e buscam fontes de financiamento para seus projetos. 
- Canibalismo corporativo:​ práticas utilizadas pelas empresas que degradam o meio ambiente e instituem hábitos de 
consumo supérfluos. 
- Microcrédito:​ modalidade de financiamento que busca permitir o acesso dos pequenos empreendedores ao crédito.​ 
Aula 2 – O relacionamento da empresa com os seus diversos públicos-alvo​ 
- A empresa não é um ente isolado que atua de forma soberana em seu ambiente. Para sobreviver e se desenvolver, ela 
necessita criar, implementar, manter e redefinir relacionamentos com outros entes, como, por exemplo, os seus 
fornecedores e parceiros, o governo, os sindicatos e as associações de classe, a mídia, a sociedade e até mesmo o 
ambiente físico onde está inserida. 
- Além desses públicos externos, a empresa deve manter um estreito relacionamento com dois tipos de públicos 
que interferem diretamente no desempenho do seu negócio:​ são os stakeholders ( seus empregados e familiares, os 
seus acionistas majoritários e minoritários). 
- A empresa, para manter, crescer e expandir o seu próprio negócio, deve estreitar o relacionamento com seus diversos 
parceiros e colaboradores, os quais denominamos públicos- 
- Público alvo de uma empresa:​ acionistas, estado/governo, empregados, comunidade, fornecedores, clientes, 
ambiente, concorrentes, e franqueados. 
- Objetivos dos acionistas:​ bom desempenho da empresa e a maximização do lucro, proporcionando altos rendimentos. 
- Objetivos do estado / governo:​ cumprimento das leis e obrigações legais por parte da empresa 
- Objetivos dos empregados:​ ter um bom emprego, bem remunerado, desenvolvimento pessoal e profissional e 
qualidade de vida no trabalho. 
- Objetivos da comunidade:​ melhores oportunidades de trabalho, investimentos socioeconômicos e ambientais que 
contribuam para a melhoria das condições e vida local. 
- Objetivos dos fornecedores e clientes:​ manter relações comerciais justas, éticas, duradouras, de confiança e lealdade 
recíprocas. 
- Objetivos em relação ao ambiente:​ o ambiente tornou-se um stakeholder super importante para qualquer empresa, e 
ela deve protegê-lo por meio de ações de reciclagem, reflorestamento e uso de tecnologias limpas. 
- Objetivos dos concorrentes:​ em vez de competidores, podem ser vistos como parceiros do negócio, através de 
acordos e convênios de produção e comercialização. 
- Objetivos dos franqueados:​ serem parceiros de negócios que exigem relacionamentos confiáveis, permanentes, 
respeito mútuo, transparência e colaboração, ou seja, um contrato de parceria. 
- Atendendo às demandas dos seus stakeholders, a empresa desenvolve o seu negócio, ganha reputação no mercado, 
fortalece sua marca, consolida-se na liderança do seu segmento de atuação e eleva o seu valor de mercado. 
- Por que algumas empresas assumem o risco e divulgam na mídia campanhas de recall:​ Para uma empresa ética, 
socialmente responsável, o relacionamento com os clientes é fundamental para a sua reputação e sobrevivência, pois a 
sua base de clientes é o seu principal ativo, além da sua marca. Assumindo todos os riscos envolvidos no recall (por 
exemplo, perda de imagem, fuga de clientes, perda de mercado), bem como os custos que são repassados aos clientes 
(divulgação na mídia, conserto e reparação), a empresa assume publicamente o seu erro de fabricação. Com ética e 
transparência, assume o problema e age com rapidez e eficiência para solucioná-lo. Deve ser lembrado o risco dos 
processos movidos pelos clientes lesados, que podem semultiplicar nessa situação, o que significa pesadas multas e 
indenizações. 
- Teoria dos grupos de interesse: ​diz em benefício de quem a empresa deve ser gerenciada. 
- Teoria dos grupos de interesse, de Freeman:​ a empresa deve gerenciar suas atividades com o foco em dois grupos 
de interesse: os grupos primários e os secundários. 
- Grupos primários:​ são aqueles que influenciam diretamente os negócios da empresa (por exemplo, os acionistas, os 
sócios, os empregados, os fornecedores, os clientes, os parceiros, a população residente na área de atuação da empresa, 
o ambiente natural, as espécies não-humanas e as futuras gerações). 
- Grupos secundários:​ são aqueles que influenciam indiretamente a empresa, não são afetados diretamente por ela e 
não estão diretamente engajados nas suas transações (por exemplo, a mídia, os grupos de pressão), mas afetam a sua 
reputação, porque mobilizam a opinião pública. 
- Os seis principais modelos de análise que se aplicam no diagnóstico dos problemas de relacionamento de uma 
empresa com os seus diversos públicos:​ • o modelo de Preston e Post; • o modelo de Mitchel, Agle e Wood; • o 
modelo de Freeman e Gilbert; • o modelo de Ann Svedsen; • o modelo de D. Wheeler e M. Sillanpää; • o modelo de 
Donaldson e Preston. 
- ModelPrestpn e Post (Teoria dos tipos de envolvimento da empresa com seu ambiente): ​o exercício da 
Responsabilidade Social Corporativa deve ser analisado com base em dois fatores: o envolvimento primário e 
secundário das empresas com o ambiente social. 
- Envolvimento primário:​ diz respeito às atividades econômicas da empresa, como, por exemplo, vender produtos e 
serviços, contratar pessoas, comprar matéria-prima e componentes com fornecedores, instalar, modernizar e ampliar 
instalações comerciais e industriais, bem como o cumprimento das obrigações legais e tributárias (pagamento de 
tributos, obediência às leis). Sua principal característica é o seu papel relevante para a sobrevivência da empresa. 
- Envolvimento secundário:​ compreende o impacto das atividades econômicas e legais da empresa (envolvimento 
primário) no ambiente. Exemplo: a contratação de empregados (atividade primária) cria oportunidades de emprego na 
sociedade local (atividade secundária). 
- Seus produtos e serviços (atividade primária) podem contribuir para a melhoria da vida dos consumidores (atividade 
secundária). O pagamento dos impostos (atividade primária) permite ao governo local investir em saúde, educação e 
infra-estrutura (atividade secundária). 
- Reatividade social:​ composta de duas abordagens básicas: o nível micro (que analisa a reatividade individual das 
empresas em relação às questões sociais), e o nível macro (que estuda as forças que determinam as questões sociais às 
quais as empresas devem reagir). 
- Modelo​ ​de Mitchel, Agle e Wood (Teoria do Poder dos Stakeholders): ​um stakeholder torna-se tão mais merecedor 
de atenção quanto mais satisfaz a três fatores: poder, legitimidade e urgência, conjunto ao qual denominam ênfase ou 
preponderância (salience) do stakeholder. Busca identificar grupos de interesse com base nesses três fatores. 
- Fator poder:​ identifica os tipos utilizados pelos grupos de interesse. O modelo busca identificar três tipos de grupos 
de interesse: aqueles que exercem o poder coercitivo sobre a empresa (secretarias de Fazenda, agências de meio 
ambiente), aqueles que exercem o poder utilitário sobre a empresa, pois controlam sobre seus bens e serviços e os 
símbolos que permitem a aquisição destes (por exemplo, os sindicatos, que pressionam por melhores salários; os 
fornecedores, que vendem seus produtos e componentes para a empresa; os clientes, que exigem qualidade, preço e 
atendimento) e aqueles grupos de interesse que exercem o poder normativo sobre a empresa, ou seja, criam símbolos 
que promovem prestígio e estima entre os que os possuem, bem como aceitação na sociedade, por exemplo, as 
associações de classe e profissionais às quais estão filiados seus empregados. 
- Fator legitimidade:​ grau de aceitação das ações dos grupos de interesse, ou seja, se legítimas, suas ações são 
percebidas pela empresa e pela sociedade como desejáveis, corretas e apropriadas. É o caso dos acionistas, que exigem 
melhor remuneração do seu capital e, conseqüentemente, maiores lucros e produtividade da empresa; dos clientes, que 
pagaram e exigem contrapartidas; e da comunidade local, em busca de oportunidades de emprego. 
- Fator urgência: ​representa o caráter crítico das ações dos grupos de interesse. São adequadas ao tempo e devem ser 
desenvolvidas naquele momento. O melhor exemplo são os consumidores que se sentem lesados pela empresa e exigem 
reparações. 
- Grupos de interesse atuantes (expectant stakeholders​): aqueles que possuem dois ou mais fatores. Esses são mais 
facilmente percebidos pelos executivos e gerentes, e suas demandas são quase sempre atendidas. – O grupos de 
interesse atuantes podem ser divididos em três grupos: • os grupos de interesse dominantes (que possuem os fatores de 
poder e legitimidade; sua capacidade de influenciar a empresa é alta, são os acionistas e credores); • os grupos de 
interesse dependentes (que têm legitimidade e urgência, mas não têm poder. São exemplos as populações afetadas pela 
poluição causada pela empresa); e • os grupos de interesse perigosos (que têm poder e urgência, mas não têm 
legitimidade. São capazes de usar a força para exigir da empresa o atendimento de suas exigências – por exemplo, os 
grupos ambientalistas radicais, os guerrilheiros e os terroristas). 
- Há, também, os grupos de interesse definitivos (definitive stakeholders), os quais possuem todos os 
fatores: ​poder, legitimidade e urgência. Têm destaque e, assim, são facilmente percebidos pelos executivos e gerentes. 
Sua capacidade de influenciar a empresa é muito elevada. 
- ​Modelo do Freeman e Gilbert: A Teoria dos níveis de interação da empresa com o ambiente: ​Tem como objetivo 
contribuir para a identificação dos stakeholders (qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar ou ser afetado pela 
empresa) que interagem com a empresa. 
- Os três níveis de interação da empresa com o ambiente:​ • Nível racional (ambiente no qual a empresa está inserida, 
onde estão os grupos ou indivíduos com algum grau de relacionamento com a empresa. São os grupos de interesse que 
podem afetar a existência ou o funcionamento da empresa. Exemplos;as agências de proteção ambiental, a 
administração da saúde e segurança ocupacional, a vigilância sanitária, os sindicatos etc); • Nível processual 
(procedimentos operacionais utilizados pela empresa para se relacionar com o seu ambiente, constituído pelo universo 
de múltiplos stakeholders. São exemplos os processos de planejamento estratégico, as vendas, a produção e logística 
desenvolvidos pela empresa e a análise das demandas ambientais que interferem em tais procedimentos, por exemplo, a 
demanda de mercado, as estratégias das concorrentes, as fontes de fornecimento, as necessidades e desejos dos 
consumidores); e • Nível transacional (interação entre os executivos e gerentes da empresa com seus diversos públicos,por exemplo, a negociação de executivos da empresa com organizações ambientalistas por ocasião da aprovação do 
projeto). 
- ​Modelo de Ann Svedsen: A Teoria das estratégias de relacionamento da empresa com os seus 
stakeholders: ​Svedsen apresenta duas estratégias que uma empresa pode adotar em seu relacionamento com os 
stakeholders: uma abordagem estratégica tradicional (a administração dos stakeholders), e uma abordagem estratégica 
moderna e inovadora (a colaboração com os stakeholders). 
- Características da abordagem estratégica tradicional (administração dos stakeholdeers):​ estratégia fragmentada; 
foco na administração das relações; ênfase na defesa da organização; relacionada aos objetivos de curto prazo do 
negócio; implementação dependente dos interesses dos departamentos e do estilo pessoal dos gerentes. 
- Características da abordagem estratégica moderna e inovadora (colaboração com os stakeholers):​ abordagem 
integrada; foco na construção das relações; ênfase na criação de oportunidades para mútuos benefícios; relacionada aos 
objetivos de longo prazo do negócio; abordagem coerente dos dirigentes pelos objetivos dos negócios, valores e 
estratégias corporativas. 
- Estratégia de Administração dos stakeholders:​ a empresa se relaciona separadamente com cada um deles; Seu 
objetivo é defender-se contra as pressões e influências de cada stakeholder; Utiliza tais relacionamentos para dar suporte 
ao alcance de seus objetivos de curto prazo e com base nos interesses de cada departamento e nos estilos pessoais de 
cada gerente. 
- Exemplos de estratégia de administração dos stakeholders:​ as empresas que adotam posturas distintas no trato com 
a mídia, no relacionamento com o governo, a sociedade, seus clientes, parceiros, fornecedores, empregados, sindicatos e 
associações de classe. 
- Nas empresas que utilizam a estratégia de administração dos stakeholders, cada unidade segue um padrão de 
relacionamento – por exemplo, a área de Recursos Humanos desenvolve uma linha de ação pouco colaborativa com os 
empregados. Ao contrário, a área de logística tem um relacionamento de intensa colaboração e confiabilidade com seus 
terceirizados. 
- Estratégia de colaboração com os stakeholders:​ caracteriza-se por uma abordagem integrada. A empresa utiliza o 
mesmo padrão de transparência, confiança, participação e lealdade em seus relacionamentos com todos os seus 
stakeholders; Seu foco é na construção de relações – por exemplo, as empresas que incorporam seus fornecedores à sua 
gestão da cadeia de suprimentos, que criam conselhos de clientes e de acionistas, que ouvem sistematicamente as 
demandas e sugestões de seus parceiros e, assim, reforçam seus vínculos; Essas empresas agem de forma proativa na 
busca de soluções para os problemas atuais e futuros e identificam oportunidades para gerar mútuos benefícios – para si 
próprias e para seus stakeholders. 
- A criação, manutenção e avaliação desses relacionamentos são gerenciadas com base no alcance dos objetivos 
estratégicos de longo prazo, nos valores e compromissos, na missão e na visão da empresa. 
- Modelo de D. Wheeler e M. Sillanpaa: as características da organização Stakeholder: ​criaram o conceito de 
organização stakeholder (stakeholder organization) e definiram as suas principais características. 
- Principais características da organização stakeholder:​ • seu modelo de administração é o gerenciamento das 
relações com base em contratos; • sua gestão baseia-se num conjunto de contratos, os quais estabelecem as expectativas 
da empresa em relação às partes interessadas, para atingir seus objetivos; • através desses contratos, são fixadas as 
expectativas de ambos – empresa e partes interessadas; • a finalidade de tais contratos é o estímulo à cooperação entre a 
empresa e as partes interessadas; • os instrumentos utilizados são contratos explícitos (formais, frutos de acordos entre 
as partes e cujo cumprimento é reforçado por lei) e implícitos (as obrigações e os deveres não são especificados 
previamente, mas são garantidos por lei, e os resultados não são observáveis). 
- Inclusão dos stakeholders ou stakeholding:​ incorporação da Responsabilidade Social como um processo de 
melhoria contínua com base nos seguintes fatores: confiança, integridade, sustentabilidade, liderança e 
comprometimento. 
- Modelo de Donaldson e Prestonb: Os diferentes usos da teoria dos stakeholders: ​Os autores identificaram os três 
usos que podem ser feitos na análise de uma organização com base na teoria dos stakeholders: o descritivo, o 
instrumental e o normativo. 
- Uso descritivo da teoria dos stakeholders:​ caracteriza-se pela descrição e análise do funcionamento e desempenho 
da empresa com base nos relacionamentos que mantém com os stakeholders (por exemplo, relacionamentos de curto, 
médio ou longo prazo, tipos de contratos, objetivos das partes envolvidas). 
- Uso instrumental da teoria dos stakeholders:​ utilizada como uma ferramenta de gestão. Os relacionamentos com os 
stakeholders são analisados com base no seu impacto na melhoria do desempenho da empresa (por exemplo, os ganhos 
da empresa em seu relacionamento com os franqueados e terceirizados; a redução dos custos no gerenciamento da 
cadeia de suprimentos, envolvendo todos os fornecedores; a prática de governança corporativa e seus reflexos no 
relacionamento com os acionistas; as políticas e os programas de recursos humanos e seus reflexos na produtividade). 
- Uso normativo da teoria dos stakeholders:​ tem como objetivo reconhecer os interesses dos empregados, clientes, 
fornecedores, acionistas e demais stakeholders. É comum naquelas empresas que fazem pesquisas periódicas sobre 
necessidades e índices de satisfação dos seus stakeholders (por exemplo, pesquisas de clima organizacional, pesquisas 
de feedback junto a clientes, reuniões de trabalho com fornecedores e franqueados, emissão de informativos de 
prestação de contas para os acionistas).​ 
Aula 3 – O exercício da responsabilidade social corporativa: a empresa voltada para o cliente interno e externo e 
para a sociedade​ 
- Gestão da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) ou Empresarial (RSE):​ As empresas, conscientes do seu 
papel social e do seu compromisso com o governo, a sociedade, seus fornecedores, clientes, acionistas, empregados e 
demais parceiros, ingressaram na onda social corporativa. Elas mudaram sua forma de atuação, renovaram suas 
estratégias, criaram novas práticas, reforçaram seu marketing e muitas foram ainda mais além – departamentalizaram-se 
ao criar seus próprios braços de atuação social por intermédio das suas fundações. 
- Conceito de Responsabilidade Social Corporativa:​ nova atitude empresarial de respeito à natureza, à sociedade, aos 
clientes como cidadãos, ao governo e aos demais parceiros como atores de um processo conjunto de gestão do social. 
- Responsabilidade Social:​ é a responsabilidade de uma empresa diante da sociedade. É a empresa se preocupar com 
todo e qualquer impacto que seu negócio traga para a sociedade e o meio ambiente. 
- Para Elkington, o mundo empresarial já viveu três ondas de pressões socioambientais e está em vias de 
enfrentar uma quarta:​ (1ª) representao início da consciência social e ambiental das empresas. Os governos, ao 
criarem as suas agências de controle ambiental e a legislação específica, bem como a sociedade, consciente da 
gravidade dos problemas sociais e ambientais, começaram a pressionar as empresas para adotarem uma nova postura e 
prática em relação a tais temas; (2ª) o movimento de responsabilidade social ganha fôlego na sociedade, com a atuação 
das ONGs ambientalistas e dos grupos sociais radicais. As empresas começaram a criar fundações para desenvolver 
seus programas e projetos sociais, publicaram balanços sociais e obtiveram certificações sociais e ambientais; (3ª) 
sobreveio o paradigma do desenvolvimento sustentável e da governança corporativa. As empresas assumiram o papel 
de agentes do desenvolvimento local e regional; e (4ª) indica que vamos entrar em uma nova era de grandes 
transformações sustentáveis, o que implicará o uso de tecnologias limpas e sustentáveis, a explosão do mercado verde e 
dos produtos ecologicamente corretos, a formação de redes de cooperação e de estímulo ao empreendedorismo social. É 
o que muitos denominam era da globalização positiva. 
- Duas reações distintas surgiram em relação a RSC ou RSE:​ Os que apóiam o exercício da RSE vêem a função 
social como uma extensão natural das demais funções e vocações da empresa. A corrente contrária ao envolvimento das 
empresas na questão social lembram os riscos e perigos da apropriação do social pelo modelo empresarial, sendo o 
principal deles a apropriação de um modelo de gestão (a gestão das práticas socialmente responsáveis e do marketing 
social) para auferir mais lucro, mais visibilidade de suas marcas e desfrutar de melhor imagem junto aos seus diversos 
públicos, além de motivar seus empregados para obter maior produtividade. Esses seguidores criticam as estratégias de 
empresarização do social e a sua marketização, sob o pretexto único de apropriar-se do “bem” para atenuarem ou 
disfarçarem as mazelas e práticas antiéticas vigentes na grande maioria das empresas. 
- Para esses críticos, tudo é planejado no meio empresarial:​ da escolha estratégica dos alvos sociais até as estratégias 
e ações socialmente responsáveis e a divulgação dos resultados alcançados. 
- Objetivos econômicos e sociais não são distintos como se pensava antigamente. Hoje as empresas mais lucrativas são 
aquelas que mais investem no social. 
- a RSC tornou-se um instrumento de gestão de pessoas, da cultura e do clima organizacional. 
- Prática da Responsabilidade Social Interna:​ Com ênfase nos programas motivacionais, de compensação e de 
benefícios, de melhoria da qualidade de vida no trabalho (QVT) e de voluntariado, a RSC consolidou sua posição como 
valioso instrumento de gestão empresarial interna. 
- Uma empresa socialmente responsável deve privilegiar o relacionamento com os seus empregados e criar 
internamente um ambiente de trabalho saudável. 
- Práticas de gestão empresarial social voltada para a comunidade:​ o seu exercício focaliza os investimentos sociais 
da empresa – suas ações sociais sob a forma de programas e projetos. Compete à empresa contribuir para o 
desenvolvimento da comunidade, em parceria com o governo e as entidades locais, sobretudo no que se refere aos 
programas e projetos sociais da empresa em relação às comunidades em seu entorno. 
- Prática da gestão ambiental, priorizando as relações da empresa com o meio ambiente:​ Preocupada com o 
impacto de suas ações no meio ambiente e atenta às demandas ecológicas da sociedade e à crescente onda de 
conscientização ambiental, bem como aos rigores da legislação ambiental, as empresas tornaram-se provedoras de 
práticas social e ambientalmente responsáveis. A empresa é parte do meio ambiente e, portanto, deve contribuir para a 
sua preservação. 
- A RSC agregou a dimensão ética, e hoje é comum a expressão “gestão da RSC e da ética empresarial”. A moral 
tornou-se condição para o sucesso a médio e longo prazo dos negócios – a ética é o motor de uma empresa eficiente. 
- Estágios da evolução ética das empresas:​ • Estágio 1 (empresas criminosas –empresas que praticam crimes na área 
do Direito Civil e Penal - narcotráfico, fabricação de remédios falsificados, crime organizado e utilização de 
mão-de-obra escrava e infantil ); • Estágio 2 (empresas predatórias – poluem o meio ambiente, fazem lavagem de 
dinheiro, cometem dolo ao consumidor, desrespeitam os direitos trabalhistas e estão envolvidas em corrupção); • 
Estágio 3 (empresas capitalistas selvagens – são as empresas que buscam o lucro de qualquer forma e se beneficiam de 
brechas na lei para maximizar seus resultados); • Estágio 4 (empresas capitalistas – empresas que adotam a ética do 
lucro, obedecem à lei e só fazem o que ela determina); • Estágio 5 (empresas humanas – voltadas para seus próprios 
empregados (seus principais ativos), motivam seus funcionários para melhorar seus resultados); • Estágio 6 (empresas 
socioutilitaristas – desenvolvem ações sociais, internas e externas, apenas com o objetivo de melhorar a imagem e fazer 
marketing); • Estágio 7 (empresas cidadãs – possuem em sua missão valores e propósitos sociais, adotam causas sociais 
e investem em seus empregados, parceiros e na comunidade); • Estágio 8 (empresas divinas – vendem produtos com o 
objetivo de desenvolver ações nos campos social e ambiental. Atuam como verdadeiros agentes do desenvolvimento 
sustentável. O negócio é uma mera estratégia para realizar algo maior). 
- ​As abordagens da RSC são desenvolvidas a partir das visões da alta direção da empresa. Essas visões compartilham 
diferentes perspectivas de análise do processo de gestão da RSC. 
- As três perspectivas de análise da RSC: ​• (1ª) de natureza humanitária, visualiza o processo de RSC como uma ação 
filantrópica dos dirigentes das empresas; • (2ª) focaliza a busca de ganhos institucionais e visualiza o exercício da RSC 
como uma estratégia de marketing da empresa; • (3ª) de natureza sociopolítica, percebe a RSC como resultado das 
pressões crescentes da opinião pública dos consumidores e dos movimentos da sociedade civil. 
- Três tipos de abordagens da RSC:​ (a) a RSC como obrigação social; (b) a RSC como responsabilidade social 
propriamente dita;(c) a RSC como exercício da sensibilidade social. 
- Empresas que utilizam a abordagem da obrigação social:​ entendem que o simples fato de a empresa cumprir suas 
obrigações legais (gerar emprego, pagar salários e impostos, cumprir leis) já garante para si própria a condição de 
empresa socialmente responsável (a empresa-cidadã). 
- Empresas que utilizam a abordagem da responsabilidade social propriamente dita:​ vai além do cumprimento de 
suas obrigações sociais. Investe na melhoria das condições de trabalho de seus empregados, fornecedores e parceiros e 
desenvolve programas e projetos socioambientais. 
- Empresas que utilizam a abordagem da sensibilidade social:​ além de cumprir suas obrigações sociais e investir 
interna e externamente no social e na preservação do meio ambiente, atua como agente do desenvolvimento local e 
regional sustentável. Seu foco de atuação não se restringeaos problemas imediatos, mas, sobretudo, às demandas de 
médio e longo prazo. Sua consciência socioambiental extrapola os limites da sua área física de atuação, pois suas ações 
priorizam tendências e problemas que estão surgindo, mesmo que afetem a empresa apenas indiretamente. 
- Identificação das empresas que praticam as três abordagens da RSC:​ As empresas que fazem parte da terceira 
abordagem – sensibilidade social – são as que estão totalmente engajadas, da cúpula à base, tanto no nível social quanto 
no ecológico, segundo o consultor. Aquelas empresas nas quais as práticas da RSC são parciais, tímidas, controversas e 
buscam apenas ganhar imagem são as que fazem parte da segunda abordagem – responsabilidade social. E as empresas 
que nada fazem e assumem desinteresse pelo assunto, pois se limitam a cumprir suas obrigações legais e sociais, são 
aquelas que fazem parte da primeira abordagem – obrigação social. 
- Teoria da Responsabilidade Social Corporativa como Vantagem Competitiva:​ a RSC não deve se basear apenas 
num único fator – a causa social ou as causas sociais priorizadas pela empresa –, mas deve levar em conta o negócio da 
empresa. 
- Segundo essa teoria, o exercício da RSC deve guiar-se por dois fatores básicos:​ gerar benefícios importantes para 
a sociedade e agregar novas frentes para o negócio. 
- Segundo essa teoria, fazer o bem tem dois lados:​ fazer o bem para a sociedade e fazer o bem para o negócio. 
- Praticar a RSC não consiste apenas em investir em projetos sociais, realizar boas ações, praticar filantropia e fazer o 
que é certo. A RSC, ao criar vantagem competitiva para a empresa (melhoria de imagem, agregação de valor a marca, 
produtos e serviços, conquista de novos mercados, melhor posicionamento, fidelização de clientes), faz bem ao negócio 
e também se constitui numa fonte de inovação para a empresa (por exemplo, uso de tecnologias limpas, produtos 
verdes, uso de tecnologias sociais, idéias empreendedoras, novos estímulos motivacionais, novos modelos de gestão). 
- Teoria dos Desafios Sociais:​ Define os três desafios a serem administrados pelas empresas em suas relações com a 
sociedade - princípios de responsabilidade social corporativa ou empresarial; processos de responsabilidade; e 
administração de questões.. 
- ​Os cinco estágios que caracterizam a ação social de uma empresa: ​• Estágio 1 (empresa não assume 
responsabilidades perante a sociedade e não desenvolve ações sociais de qualquer tipo ou natureza); • Estágio 2 ( 
empresa reconhece os impactos causados pelos seus produtos, processos e instalações e desenvolve algumas ações 
isoladas no sentido de minimizá-las); • Estágio 3 (empresa está iniciando a sistematização de uma avaliação dos 
impactos dos seus produtos, processos e instalações e exerce alguma liderança em questões de interesse da comunidade. 
Existe envolvimento das pessoas nos esforços de desenvolvimento social); • Estágio 4 (a avaliação dos impactos dos 
produtos, processos e instalações está em fase de sistematização. A empresa exerce liderança em questões de interesse 
da comunidade por meio do desenvolvimento de projetos, investimentos e parcerias. O envolvimento das pessoas nos 
esforços de desenvolvimento social é freqüente); • Estágio 5 (a avaliação dos impactos dos produtos, processos e 
instalações está sistematizada buscando antecipar as questões públicas. A empresa lidera questões de suma importância 
para a comunidade e dentro do seu setor de atividades. O estímulo à participação de pessoas e esforços de 
desenvolvimento social é sistemático). 
- Responsabilidade social corporativa:​ é a forma como a empresa age frente às necessidades sociais e ambientais. 
Compreende o conjunto de ações socioambientais desenvolvido pela empresa-cidadã e pode ser exercida sob diferentes 
formas de atuação, direta ou indiretamente, com objetivos de curto, médio e longo prazo, por meio de doações ou 
investimentos, através de ações filantrópicas ou programas e projetos sociais de maior impacto socioambiental. 
- Responsividade social corporativa:​ traduz o tipo de comportamento estratégico adotado pela empresa diante de 
causas sociais por ela escolhidas como prioritárias em relação aos problemas socioambientais identificados e aos atores 
envolvidos (governo, associações, sindicatos, movimentos sociais, ONGs). 
- Responsabilidade social corporativa e responsividade social corporativa são dois conceitos distintos, porém 
complementares. 
- No exercício da responsabilidade social corporativa ou empresarial, a empresa desenvolve a sua capacidade de 
enfrentar problemas socioambientais e de responder às pressões sociais. 
- No exercício da responsividade social corporativa, a empresa demonstra o seu comportamento diante de um problema 
socioambiental que afeta diretamente os seus negócios. 
- Os quatro tipos de comportamento padrão de responsabilidade social corporativa:​ o reativo, o defensivo, o 
acomodativo e o interativo. 
- Padrão reativo:​ ocorre quando a empresa somente exerce a RSC ao se sentir ameaçada por um problema social 
qualquer. Por exemplo, uma indústria farmacêutica que, ao produzir um medicamento, provoca danos à saúde das 
pessoas. Nesse caso, ela imediatamente suspende a venda e a fabricação do remédio. 
- Padrão defensivo:​ surge quando a empresa desenvolve uma campanha publicitária para se defender de acusações de 
fraude, corrupção ou danos causados à natureza por causa de suas atividades industriais. 
- Padrão acomodativo:​ típico daquelas empresas que nada fazem, mesmo quando os fatos trazem evidências dos 
efeitos nocivos de produtos, serviços e atividades da empresa. 
- Padrão interativo:​ o melhor e mais adequado aos novos padrões de atuação socioambiental. É quando a empresa 
interage com o governo e as entidades da sociedade civil na busca de soluções para os problemas socioambientais 
existentes ou que poderão existir no futuro. 
- Padrão de responsividade social do Bradesco, ao criar o Banco Planeta, que, em parceria com a Fundação 
Amazonas Sustentável e o Governo do Estado do Amazonas, está desenvolvendo ações de desenvolvimento 
sustentável na região:​Responsividade Social Corporativa do tipo interativo. Sua atuação não é isolada, pois faz 
parcerias com outras entidades e desenvolve ações de promoção do desenvolvimento sustentável. 
- Padrão de responsividade social da revista Época quando escolheu a causa ambiental como o principal objetivo 
de suas ações sociais:​ encontrou na causa ambiental o seu novo modelode atuação, seu blog é um exemplo de interação 
criativa com seus leitores, e é uma empresa que adota o padrão interativo de Responsividade Social Corporativa. 
- Padrão de responsividade social do Condomínio Recanto da Barra quando foi multado pela Secretaria de Meio 
Ambiente do Rio de Janeiro por despejar esgoto na lagoa de Marapendi e cobrou dos condôminos a pesada 
multa, sob o disfarce de despesas extras, alegando novos investimentos na construção de uma estação de 
tratamento do esgoto do condomínio: ​padrão reativo de Responsividade Social Corporativa, pois pagou 
imediatamente a multa, reconheceu o delito e propôs a construção de uma estação de tratamento de esgoto docondomínio para acabar com o gravíssimo problema de poluição causado à lagoa de Marapendi. 
- Padrão de Responsividade social da Concessionária CVR, que explora o pedágio das estradas federais, faz todo 
ano a campanha do agasalho, seus serviços são alvos de reclamações dos usuários que pagam altas tarifas de 
pedágio:​ ao cobrar tarifas de pedágio abusivas e prestar péssimos serviços, não cumpre a sua função social básica. 
Utiliza ações caritativas para melhorar sua imagem perante os clientes, o governo e a comunidade local, mas adota uma 
postura defensiva ao justificar-se perante os clientes e prometer melhorias em seus serviços. Seu padrão de atuação de 
Responsividade Social Corporativa é do tipo acomodativo. 
- Padrão de responsividade social do restaurante Recanto dos Boêmios, famoso pelas ações trabalhistas movidas 
pelos seus ex-garçons que, ao serem demitidos, cobram na Justiça os valores referentes às gorjetas pagas pelos 
clientes e que nunca receberam enquanto trabalhavam na empresa: ​padrão defensivo. A sua responsividade aos 
problemas sociais da comunidade é inexistente. 
- A certificação das ações sociais contribui para a melhoria das gestão da RSC, pois define normas e procedimentos a 
serem adotados pela empresa na elaboração de políticas, diretrizes e projetos sociais. 
- Principal norma de certificação do exercício da responsabilidade social corporativa:​ ISO 26000, ainda em 
processo de discussão e elaboração. 
- Nnormas ISO 9000 e ISO 14000:​ certificam a empresa por sua capacidade gerencial (a qualidade do seu processo de 
gerenciamento de produção e respeito ao meio ambiente). 
- Normas específicas BS 8800, OHSAS 18001 e AS 8000:​ certificam as empresas que dão garantias adequadas para a 
segurança e para a saúde do trabalhador, bem como o respeito aos direitos humanos e trabalhistas. 
- Norma AS 8000:​ estabelece normas para a defesa dos direitos dos empregados, incluindo a proibição do trabalho 
infantil, do trabalho escravo, a defesa da saúde e segurança do trabalhador, a remuneração justa. Baseia-se nos preceitos 
da Organização Internacional do Trabalho – OIT – e foi criada pelo Council on Economic Priorities Accreditation 
Agency (CEPAA), em 1997. 
- As empresas que obtêm tais certificações atestam o valor social da sua gestão e assumem uma postura 
verdadeiramente cidadã no mercado em que atuam. Assim, adquirem maior reputação, valorizam sua marca e são 
respeitadas pelo governo, pelos clientes, fornecedores, empregados, pela mídia e sociedade civil organizada.​ 
Aula 4 – A onda verde​ 
- Onda verde:​ movimento global de esverdeamento de consciências, idéias, valores, produtos, marcas e ações que tem 
no meio ambiente o seu credo principal, e na defesa da natureza, sua missão derradeira. 
- Miopia do verde:​ é a visão de que o crescimento econômico é decorrência da devastação ambiental. 
- Os verdes radicais e suas exigências socioambientais são ao mesmo tempo ameaça à fartura nas vendas e demanda por 
mudanças estruturais em fórmulas e linhas de produção. 
- o cliente “radical verde” pode ser um risco, quando faz exigências que não podem ser atendidas, ou uma oportunidade 
de ampliar o negócio, se produtos forem reformulados. 
- Setores mais vulneráveis aos radicais verdes:​ os de alimentação, óleo e gás, automobilismo, mercado de capitais, 
utilidades e imobiliário. 
- As pressões sobre esses setores se traduzem no aumento do consumo de alimentos orgânicos e sucos naturais, compra 
de carros mais econômicos e menos poluentes, de eletrodomésticos com menor consumo de energia, investimentos em 
empresas campeãs em sustentabilidade e priorização das construções sustentáveis e dos edifícios verdes (imóveis que 
priorizam a economia de energia e de água e utilizam material certificado e reciclado em sua obra e operação). 
- O grande desafio é conciliar a defesa da natureza – o ser verde – com o desenvolvimento econômico. 
- Exemplos que vêm gerando danos gravíssimos à natureza e, conseqüentemente, comprometendo o meio 
ambiente:​ • geração de energia (altos investimentos nas construções de hidrelétricas em áreas que deveriam ser 
preservadas); • expansão da agricultura (uso descontrolado de agrotóxicos, adubo químico, saturação do solo); • 
expansão da pecuária (abate abusivo de animais, consumo exorbitante de água, contaminação do solo); • expansão 
urbana (crescimento desordenado de áreas construídas, desmatamento, falta de saneamento, contaminação de rios e 
lagoas, favelização); • expansão industrial (desmatamento, poluição atmosférica, saneamento inadequado, contaminação 
de rios e lagoas). 
- Onda verde:​ é o verde da natureza que simboliza a defesa do meio ambiente, a proteção dos recursos naturais, o amor 
à Terra, o desenvolvimento sustentável. 
- Por que a questão ambiental tornou-se um fator estratégico para as empresas nos dias atuais:​ Antes, a questão 
ambiental era tratada pelas empresas de forma pontual – o atendimento das exigências legais do governo (licenciamento 
ambiental, fiscalização, regulação). Hoje, a questão ambiental extrapola o aspecto legal; é de vital importância para o 
sucesso de qualquer negócio. A empresa que causa danos ao meio ambiente, cujos produtos são nocivos à saúde das 
pessoas, e que não adota práticas sustentáveis tem a sua imagem deteriorada, perde mercado e clientes. A 
sustentabilidade não é apenas a do negócio, é também a promoção da sustentabilidade local e regional, cuja tarefa a 
empresa deve repartir com o governo e demais parceiros. Daí a dimensão estratégica empresarial da questão ambiental. 
- Pressões que forçam o surgimento da onda verde:​ o posicionamento dos stakeholders das empresas preocupados 
com as questões ambientais e o esgotamento progressivo dos recursos naturais que restringem as operações da empresa. 
- Stakeholders:​ as pressões pelo verde são cada vez maiores. A legislação ambiental rigorosa, os clientes que exigem 
produtos verdes, o governo que implementa políticas ambientais e submete as empresas a um rigoroso monitoramento e 
avaliação ambiental, os fornecedores que querem participar de uma cadeia de produção limpa, a sociedade civil com 
seus movimentos ambientalistas que exercem vigilância constante sobre as empresas e os acionistas que sabem que o 
valor da empresa está associado a sua imagem e reputação de empresa social e ambientalmente responsável. 
- Esgotamento dos recursos naturais:​ as empresas buscam reduzir seus custos de matérias-primas e investem cada vez 
mais em fontes alternativas de energia. 
- Empresa verde:​ aquela comprometida com as melhores práticas socioambientais, e que atua com eficiência 
energética, porque gasta menos energia que os concorrentes e não desperdiça água com o seu funcionamento e lança 
produtos verdes. 
- Emrpesas verdes:​ desenvolvem ações estratégicas de preservação ambiental. 
- O meio ambiente é um dos principais stakeholders de qualquer empresa. 
- Conceitos chaves de negócios sustentáveis:​ produção limpa; ecoeficiência; Ecologia industrial; Produtividade verde; 
Quimica verde. 
- Produção limpa:​ uso de metodologias e técnicas que buscam a eficiência produtiva, a redução da poluição na fonte, a 
redução ou eliminação de riscos para o ser humano e o meio ambiente e o ciclo de vidadas espécies animais e vegetais. 
É um estágio de excelência para a indústria que deseja aumentar o seu grau de responsabilidade social e ambiental. 
- Princípios pelos quais a indústria deseja aumentar seu grau de responsabilidade social e ambiental:​ ● produção 
(produção limpa); ● prevenção do resíduo na fonte (controle total dos resíduos); ● integração total da produção 
(controle de todas as etapas da produção); ●participação democrática (ampla divulgação das informações). 
- Ecoeficiência:​ é alcançada mediante o fornecimento de bens e serviços, a preços competitivos, que satisfaçam às 
necessidades humanas e tragam qualidade de vida, ao mesmo tempo que reduzem progressivamente o impacto 
ambiental e o consumo de recursos ao longo do ciclo da vida, a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de 
sustentação estimada da Terra. 
- Elementos básicos da ecoeficiência:​ ● redução do consumo de materiais e energia de bens e serviços; ● redução da 
dispersão de substâncias tóxicas; ● intensificação da reciclagem de materiais; ● maximização do uso sustentável de 
recursos naturais; ● prolongamento da durabilidade de produtos; ● agregação de valor a bens e serviços. 
- Ecologia industrial:​ estudo dos relacionamentos entre sistemas industriais e atividades econômicas com os sistemas 
naturais. 
- Ecossistema industrial: ​reestruturação dos sistemas industriais a partir do conhecimento de como tais sistemas 
funcionam e são regulados, bem como suas interações com a biosfera; e do conhecimento disponível sobre o meio 
ambiente, de forma a compatibilizá-los com os ecossistemas naturais. 
- Produtividade verde:​ é uma estratégia para aumentar a produtividade e o desempenho ambiental para o 
desenvolvimento socioeconômico global. 
- Química verde:​ o uso da química para prevenir a poluição. É o planejamento de produtos e processos químicos que 
sejam saudáveis ao ambiente. 
- Dimensões”eco”:​ representam a incorporação de diversos conceitos de mundo dos negócios nas questões ecológicas. 
É a junção desses elementos – as dimensões empresarial e ecológica (ambiental). 
- Dimensões eco que são objetos do gerenciamento das empresas verdes:​ ecoeficiência (melhoria da produtividade 
dos recursos); redução de ecodespesas (redução dos custos ambientais); ecoeficiência da cadeia de valor (redução dos 
custos em todas as etapas da cadeia produtiva e de valor); ecodesign (inovação do design e da embalagem de produtos e 
criação da linha de produtos verdes); ecovendas e marketing (posicionamento do produto como verde); mercado 
ecodefinido (foco em segmentos de clientes verdes); ecorrisco (redução dos riscos ambientais); e ecovantagem (melhor 
imagem e maiores vendas obtidas pelas empresas verdes). 
- Em quais dimensões eco e tendências da onda verde a Natura atua:​ ecoeficiência (ao reduzir custos de 
matérias-primas e de transporte junto a seus fornecedores e em todas as demais etapas da produção e distribuição); 
ecodesign e ecovendas (ao criar linhas de produtos verdes); e ecorrisco (ao recolher frascos, evitando a poluição do 
ambiente e diminuindo a emissão de gases). 
- Estratégias verdes utilizadas pela Natura:​ utilização de marketing ambiental (marketing verde), que busca associar 
a imagem da empresa à luta pela preservação ambiental. Algumas estratégias verdes utilizadas: fortalecer sua marca, 
com os atributos inerentes à defesa da natureza; a apologia de uma vida melhor, posicionando-se como uma empresa 
que se preocupa com a saúde dos seus clientes; a empresa posiciona-se na mente dos consumidores como social e 
ambientalmente responsável, uma empresa verde de verdade; lançamento e comercialização de produtos verdes; 
redução de custos de transportes, extração de matéria-prima e descarte de embalagens; e melhor comunicação com os 
clientes e com o mercado. 
- Linhas verdes de financiamento:​ são financiamentos concedidos às empresas verdes, empenhadas em reduzir seus 
passivos ambientais, em melhorar sua eficiência energética e a gestão dos recursos naturais, e em promover a coleta e o 
tratamento dos dejetos industriais, alem de praticar o desenvolvimento sustentável. 
- Economia verde:​ compreende um conjunto de atividades econômicas, sociais, comerciais, industriais e tecnológicas 
desenvolvidas pelas empresas, governo e sociedade civil que buscavam valorizar o verde. 
- Principais vertentes da economia verde:​ lançamento de produtos verdes (famosas linhas verdes); estratégias verdes 
com forte ênfase nos investimentos de imagem (institucionais); crescentes investimentos em ações socioambientais; 
mercado de produtos verdes; instalações verdes (fábricas, lojas, prédios, casas); tecnologias limpas. 
- Principais tendências da gestão corporativa os riscos ambientais nos próximos anos, segundo o estudo da 
consultoria Ernst & Young (denominado Riscos Estratégicos Ambientais): ​aumento das preocupações ambientais 
entre consumidores e governos; surgimento do fenômeno esverdeamento radical, motivado pela crescente mobilização 
dos governos, consumidores, fabricantes, mídia e sociedade civil em favor das práticas sustentáveis; surgimento de 
regulamentações mais severas, com forte atuação das agencias governamentais e órgãos fiscalizadores; aumento da 
pressão sobre as empresas de petróleo e gás, seguros, química, automobilística, mineração, energia e saneamento; 
grande mobilização dos governos e da sociedade civil em torno da questão dos impactos das mudanças climáticas; a 
inserção do tema meio ambiente e da sustentabilidade socioambiental nas agendas pública e empresarial; aumento do 
uso de poder dos consumidores como forma de pressão sobre as empresas; maior participação dos governos na 
regulação dos mercados com o objetivo de torná-los menos emissores de carbono e menos agressores ao meio ambiente; 
surgimento do estado de tolerância zero em relação a acidentes ambientais; fim da era combustível fóssil e o advento da 
era das energias limpas e renováveis. 
- Projeto de Tecnologia da Informação verde (Greenit) criado pelo Banco Real:​ voltado para a eficiência em 
operações, reuso de computadores e reciclagem de lixo eletrônico e doação de computadores usados. 
- Produtos tipos como socioambientalmente incorretos, segundo pesquisa da Ernst & Young:​ cigarro, bebidas 
alcoólicas, armamentos e o automóvel. 
- Ecodesign:​ nova tendência de mercado e uma das manifestações mais recentes da onda verde. 
- Ecodesing:​ consiste em desenvolver produtos que são ao mesmo tempo lucrativos e que obedecem aos preceitos 
ecológicos. São produtos que de alguma forma incorporam algum aspecto verde. 
- Ecodesign:​ metodologia de projeto direcionada à obtenção de resultados ambientais concretos – uso da embalagem 
reciclada, utilização de menos material, consumo de pouca energia e não-desperdício de água, facilidade de descarte e 
transporte, e produto biodegradável. 
- Como estão sendo julgados os produtos e seus produtores:​ cada vez mais não apenas pela qualidade, durabilidade, 
performance, preço e assistência técnica, mas principalmente por critérios éticos, ecológicos e de justiça.​ 
Aula 5 – As ações sociais transformadoras: a base do empreendedorismo social​ 
- No início da onda da responsabilidade social, o social e o comercialeram vistos como universos distintos. 
- Tempo depois, a responsabilidade social adquiriu status de investimento estratégico:​ as empresas começaram a 
investir no social para obter recursos institucionais e financeiros, conquistar e fidelizar clientes, expandir mercados, 
vender mais produtos e valorizar suas marcas. O empresarial e o corporativo tornaram-se atributos do social. 
- Ações sociais transformadoras:​ é desenvolver ações sociais de impacto. 
- Características das ações sociais transformadoras:​ alto potencial de impacto social (pois reduzem a desigualdade, 
combatem a pobreza de forma definitiva, produzem inclusão social, promovem a cidadania); produção de um agir 
coletivo (rede de empreendedores sociais); transformação da sociedade (pois onde as ações se realizam o ambiente 
humano torna-se mais justo, mais fraterno, solidário e social, cultural e economicamente mais desenvolvido); o 
despertar do coletivo e o fomento à colaboração; redução da pobreza de forma mensurável (pois tais ações geram 
emprego e renda); criação de organizações sociais auto-sustentáveis (cooperativas, ONGs e empresas locais que 
produzam, e comercializem seus produtos, gerando emprego e renda para os seus membros e para a comunidade). 
- Diferentes tipos de ações sociais transformadoras:​ • empreendimentos sociais privados (iniciativas privadas 
orientadas para o social, mas com base no mercado); e • empreendimentos sociais (iniciativas focadas na busca de 
soluções transitórias ou duradouras para os problemas sociais crônicos). 
- Tipos de empreendimentos sociais privados:​ organizações sociais de cunho empresarial; e organizações 
empresariais de cunho social. 
- Organizações sociais de cunho empresarial:​ ONGs que desenvolvem atividades empresariais, de produção e venda 
de seus produtos, como forma de auto-sustentar-se, independentemente de doações de terceiros e investimentos de 
empresas patrocinadoras ou do próprio governo. 
- Exemplo de organizações sociais de cunho empresarial:​ cooperativas que são criadas por pequenos agricultores, 
artesãos, costureiras e profissões afins, que comercializam seus produtos e que, da venda dos mesmos, conseguem os 
recursos necessários para o seu sustento e para a manutenção do seu negócio. 
- Organizações empresariais de cunho social:​ empresas que financiam projetos sociais relevantes. 
- Exemplo de organização empresarial de cunho social:​ bancos que mantêm linhas de financiamento para fins de 
concessão de microcrédito e os institutos que se constituem em braços sociais das grandes corporações. 
- Empreendedorismo social:​ consiste na aplicação de técnicas empresariais para se4 alcançar fins sociais. É uma 
iniciativa não-lucrativa, e para gerar recursos para o seu funcionamento é preciso implementar ações de ponderamento 
que gerem rendimentos. 
- Empreendedorismo social:​ um dos fenômenos mais inovadores que surgiram no mundo nos últimos anos. 
- Características das ações dos empreendedores sociais:​ promovem mudanças sistêmicas (produzem efeitos nas 
pessoas, nas comunidades e no ambiente); representam uma visão de mundo (idéia chave é transformadora); oferecem 
soluções adequadas (uso de tecnologias sociais inovadoras); promovem o empoderamento das pessoas envolvidas 
(desenvolvem capacidades e habilidades técnicas e humanas); criam e desenvolvem mercados (empreendedorismo gera 
prodeutos e serviços que são oferecidos e comercializados no mercado); e usam recursos limitados (atividades 
desenvolvidas otimizam os recursos existentes).​ 
Aula 6 – Desenvolvimento Sustentável: conceito, características e desafios​ 
- Sustentabilidade:​ está no meio de todas as questões de interesse local, regional, nacional e global. E assim acabou 
ganhando dimensão maior: a visão do mundo sustentável o foco no desenvolvimento sustentável em todas as suas 
dimensões. 
- O ritmo acelerado da industrialização e do crescimento econômico provocou o quase esgotamento dos recursos 
naturais e uma crescente ameaça ao meio ambiente. Diante desse fato, surgiu a necessidade urgente de formular um 
novo modelo de desenvolvimento a ser seguido por todos os países, governos e populações. 
- Erros cometidos em relação ao desenvolvimento sustentável:​ (1) não potencializar sua condição única nas áreas de 
energia limpa, biodiversidade e inclusão social na base da pirâmide; (2) continuar insistindo num modelo de 
crescimento que exclui milhões de brasileiros, os quais, de outra maneira, na perspectiva do desenvolvimento 
sustentável, serão incluídos também como protagonistas do processo de crescimento; e (3) continuar queimando 
florestas, desperdiçando riquezas e destruindo sua biodiversidade, hipotecando das gerações futuras a condição de 
emancipação, dignidade e cidadania global. 
- Princípios do novo modelo de desenvolvimento econômico (desenvolvimento sustentável):​ recursos naturais são 
finitos e devem ser preservados; desenvolvimento econômico deve levar em conta o meio ambiente; recursos naturais 
devem ser preservados porque deles dependem a humanidade e toda a diversidade biológica; aumento da reutilização e 
da reciclagem é uma prática que deve ser estimulada, pois reduz o uso de matérias-primas e produtos; todas as relações 
do homem com a natureza devem ocorrer com o menos dano possível; para alcançar o desenvolvimento sustentável, a 
proteção ambiental deve constituir-se parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada 
isoladamente deste. 
- Fator chave para a compreensão dos problemas ambientais causados pelo desenvolvimento industrial:​ a 
explosão do consumo. 
- O problema não era apenas o esgotamento dos recursos naturais. Havia um outro risco, ainda maior: as ameaças e a 
degradação do meio ambiente. 
- Tipos de ameaças ambientais:​ poluição com os resíduos despejados no ambiente e o esgotamento dos recursos 
naturais. 
- Fenômenos conhecidos que ameaçam o ambiente:​ poluição da água; do ar, sonora e visual, por elementos químicos 
e tóxicos, emitidos em grande parte pelas indústrias e pelos automóveis. 
- Outro problema grave existente:​ os resíduos sólidos, como o lixo doméstico e o industrial, o lixo acumulado nas 
ruas, nas rodovias, nos terrenos baldios e os resíduos provenientes dos materiais sintéticos e de plástico descartados 
(embalagens). 
- Mesmo os recursos renováveis (água, madeira, etc) correm o risco de desaparecerem:​ o elevado crescimento 
demográfico tornou insuficiente a quantidade de água para todos. Além disso, existe a degradação do solo, processo que 
afeta a qualidade da terra devido ao seu uso excessivo por práticas agrícolas, agropecuárias e outra. 
- Efeitos mais conhecidos que aumentam o risco de escassez dos recursos renováveis:​ destruição das florestas e 
desertificação. 
- Aquecimento global:​ aumento gradual e contínuo da temperatura da Terra produzido pelos gases que se acumulam na 
atmosfera (gases do efeito estufa que funcionam como uma barreira que retêm o calor proveniente da energia do Sol). 
- Gases que causam o aquecimento global:​ dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, produzidos pela empresas 
industriais e pelo elevado consumo de gasolina e diesel dos veículos, pela agricultura intensiva, pela derrubada de 
florestas, pela extração de minério,pelos aterros. 
- Consequências do aquecimento global:​ aumento do nível dos oceanos (porque o calor derrete as calotas polares e 
flui mais água para os mares); desertificação, propagação de doenças, diminuição da produtividade agrícola e mudanças 
no clima. 
- Planejamento estratégico da empresa deve contemplar ações de preservação ambiental:​ caso a visão de futuro da 
empresa não envolva ações de preservação ambiental, a gestão dos recursos naturais, o combate ao lixo tóxico e aos 
dejetos industriais e a busca da eficiência energética, não haverá futuro para a empresa e seu negócio. 
- Empresários:​ principais responsáveis pelas agressões ao meio ambiente, pela destruição da natureza e pelos 
maus-tratos à Terra, 
- Por que a Terra está tão ameaçada:​ o mecanismo do aquecimento global, a queima de combustíveis fósseis (diesel, 
gasolina) e o desmatamento produzem gás carbônico que se acumula na atmosfera, substância que funciona como o 
vidro de uma estufa – deixa a luz do Sol entrar e aprisiona o calor, deixando a Terra mais quente. 
- Protocolo de Kyoto:​ acordo internacional que objetiva reduzir as emissões de gases estufa dos países industrializados 
e garantir um modelo de crescimento limpo aos países em desenvolvimento. 
- Outras medidas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto:​ estímulo à substituição do uso dos derivados de petróleo 
pelo uso de energia elétrica e do gás natural. 
- Compensação energética:​ empresas que investem em energia suja serão obrigadas a investir em energia limpa. 
- Linhas de ação propostas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC):​ criar metas de 
redução do desmatamento; criar mecanismos de controle mais severos sobre a utilização do automóvel; construir novas 
usinas hidroelétricas sem causar prejuízos ao meio ambiente; planejar estrategicamente a expansão do plantio agrícola; 
aumentar os índices de reciclagem nas indústrias; ampliar a participação de energias renováveis (solar, eólica) na matriz 
energética brasileira; reverter a tendência de crescimento da geração térmica baseado em combustível fóssil. 
- Os governos devem adotar tais objetivos e ações estratégicas caso desejem promover a sinergia entre desenvolvimento 
e meio ambiente. Para isso devem rever seus instrumentos de controle e fiscalização, legislação ambiental, processos de 
regulação e ações promotoras do desenvolvimento e crescimento econômico. Se o fizerem, serão “governos verdes”. 
- As cinco visões de um mundo sustentável:​ visao de Jeffrrey Sachs sobre a criação de uma sociedade sustentável; 
visão de Lester Brown sobre um mundo sustentável; visão de Stuart Hart sobre o papel das empresas como agentes do 
desenvolvimento sustentável; visão de Ignacy Sachs sobre a criação de uma nova ciência de base sustentável; e visão de 
Ray Anderson sobre o papel das empresas como agentes do desenvolvimento sustentável. 
- Visão de Jeffrey Sachs sobre a criação de uma sociedade sustentável:​ afirma que a sociedade atual tem três 
desafios a serem vencidos: eliminar a pobreza extrema; conter o crescimento populacional; e trabalhar bem com o meio 
ambiente. 
- Visão de Lester Brown sobre um mundo sustentável:​ propõe seis ações estratégicas a serem implementadas no 
mundo – erradicar a pobreza, estabilizando a população; restaurar o planeta; alimentar bem oito bilhões de pessoas; 
planejar cidades; criar eficiência energética; e mudar a matriz energética para energia renovável. 
- Visão de Stuart Hart sobre o papel das empresas como agentes do desenvolvimento sustentável: ​as empresas são 
autores importantíssimos que podem conduzir o mundo para um caminho sustentável. Isso porque, segundo ele, as 
empresas estão historicamente em melhor posição do que os governos para fazer uma evolução em prol da 
sustentabilidade. As empresas mais enganjadas com as questões sociais e ambientais terão mais sucesso do que as 
outras. 
- Visão de Ignacy Sachs sobre a criação de uma nova ciência de base sustentável:​ define as dimensões do 
desenvolvimento sustentável – social (combate à pobreza e desigualdades sociais); ambiental (defesa e preservação do 
meio ambiente); territorial (distribuição espacial dos recursos, das populações e das atividades); econômica (geração de 
emprego e renda); e política (democracia plena e estímulo à participação política). Propõe a adoção de um planejamento 
local e participativo e de negociações com os stakeholders. 
- Visão de Ray Anderson sobre o papel das empresas c Omo agentes do desenvolvimento sustentável:​ prega a 
visão de um mundo sustentável em que “os consumidores preferem produtos de empresas éticas, companhias abrem 
mão de fornecedores socialmente irresponsáveis, bancos financiam atividades ambientalmente equilibradas e 
investidores aplicam recursos em corporações menos emissoras de carbono”. Para ele, regulações inteligentes, leis e 
fiscalizações severas vão contribuir para a mudança no modo de gerir negócios. 
- Conceito de desenvolvimento sustentável:​ É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual 
sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações; é o desenvolvimento que não esgota os 
recursos para o futuro. 
- Indicadores econômicos podem comprovar que houve um crescimento econômico, porém não é suficiente para afirmar 
que existiu um desenvolvimento sustentável. Os indicadores do desenvolvimento sustentável referem-se principalmente 
aos benefícios do desenvolvimento econômico junto à população, ao meio ambiente e aos recursos naturais (exemplo, 
geração de emprego e melhor distribuição de renda, a preservação ambiental local, a racionalização do uso da energia, o 
adequado manejo de resíduos e uso de tecnologias limpas e substitutas de bens não renováveis). 
- Empresas agropecuárias não divulgam indicadores sustentáveis referentes à sua gestão. 
- Conceito de desenvolvimento sustentável não diz respeito apenas ao impacto das atividades econômicas no meio 
ambiente:​ incluem também bem-estar social (qualidade de vida), redução da pobreza, preservação da identidade 
cultural, melhor distribuição territorial, justiça e equidade social. 
- idéia base do desenvolvimento sustentável:​ tripé atividade econômica, meio ambiente e bem estar da sociedade. 
- Objetivo do relatório “Os Limites do Crescimento” elaborado pelo grupo de estudos “Clube de Roma”: ​analisar 
o impacto do crescimento econômico das décadas seguintes. 
- Principal conclusão do relatório “Os Limites do Crescimento”:​ as taxas de crescimento industrial não eram 
compatíveis com a natureza finita dos recursos da terra e da capacidade do planeta para suportar o crescimento 
populacional e absorver a poluição. 
- Elementos centrais do modelo de desenvolvimento sustentável:​ preservação da qualidade dos sistemas ecológicos e 
do ambiente em geral; necessidade de um crescimento econômico voltado para a satisfação das necessidades sociais e o 
alcance da equidade; compartilhamento dos benefícios do desenvolvimento pelas gerações atuais e futuras; 
racionalização do uso da energia; adequado manejo de resíduos; desenvolvimento de tecnologias limpas e de 
tecnologias de bens não-renováveis. 
- Teoria das Sete Revoluções da Sustentabilidade:​ identifica as sete revoluções queestão começando a ocorrer no 
mundo dos negócios e que direcionarão as economias e as grandes corporações para o futuro – (1ª! Refere-se aos 
mercados cada vez mais globalizados e pautados pelo consumo consciente e responsável; (2ª) acontece com a 
emergência dos novos valores e princípios que pregam o respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente; (3ª! busca 
de maior transparência na gestão dos negócios; (4ª) acontece com a tecnologia do ciclo de vida do produto que tem 
levado as empresas ao gerenciamento socioambiental em toda sai cadeia produtiva; (5ª) está nas parcerias que são cada 
vez mais freqüentes entre empresas, governos e sociedade; (6ª) está na nova dimensão do tempo que obriga as empresas 
a pensarem não apenas no desenvolvimento presente, mas também no crescimento futuro; (7ª) compreende as novas 
práticas de governança corporativa nas empresas, dando voz aos pequenos acionistas e fortalecendo os conselhos da 
administração. 
- Diferenças entre o desenvolvimento capitalista e desenvolvimento sustentável:​ O Desenvolvimento Capitalista é 
linear, cumulativo e não tolera limites porque PE regido pela concorrência e não pela cooperação; gera mudanças 
incrementais de bases cumulativas; os ricos tornam-se mais ricos e a riqueza produz mais riquezas. O Desenvolvimento 
Sustentável é regido pela cooperação, gera inclusão social, busca a equidade e a justiça social, produz renda para muitos 
e não é cumulativo; ocorrem mudanças não-lineares , pois são criadas oportunidades iguais para todos e também são 
gerados bens em diferentes níveis e setores. 
- Conceito de desenvolvimento sustentável local:​ processo de crescimento econômico que gera benefícios para a 
população e para a preservação do meio ambiente, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população 
local; processo de transferência da riqueza gerada para a comunidade; processo de mobilização de diversos segmentos 
da sociedade local. 
- Metas do Milênio:​ série de oito compromissos aprovados entre líderes de 1919 países, membros das Nações Unidas: 
erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a 
autonomia das mulheres; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater o HIV, malária e outras 
doenças; garantir a sustentabilidade ambiental; e estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento. 
- Pacto Global:​ conjunto de diretrizes que tem como objetivo mobilizar as lideranças da comunidade empresarial 
internacional na promoção de valores fundamentais nas áreas do meio ambiente e dos direitos humanos e trabalhistas. 
- Os nove princípios que regem o pacto Global:​ divididos em Direitos Humanos, Trabalho e Meio Ambiente. 
- Princípios dos Direitos Humanos que regem o Pacto Global:​ apoiar e respeitar a proteção dos direitos humanos 
internacionais dentro de seu âmbito de influência; certificar-se de que suas corporações não sejam cúmplices de abusos 
em direitos humanos. 
- Princípios do Trabalho que regem o Pacto Global:​ apoiar a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do 
direito à negociação coletiva; apoiar a eliminação de todas as formas de trabalho forçado e compulsório; apoiar a 
erradicação efetiva do trabalho infantil; apoiar o fim da discriminação relacionada a emprego e cargo. 
- Princípios do Meio Ambiente que regem o Pacto Global:​ adotar uma abordagem preventiva para os desafios 
ambientais; tomar iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental; incentivar o desenvolvimento e a 
difusão de tecnologias ambientalmente sustentáveis. 
- Princípios do Equador:​ acordo assinado por dez bancos de sete países e hoje já contam com a adesão de 60 bancos, 
entre os quais Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Unibanco. É um conjunto de diretrizes que devem ser seguidas pelos 
bancos ao concederem empréstimos a empresas. 
- Requisitos que as empresas devem atender, como beneficiárias desse acordo: ​gestão de risco ambiental; proteção 
da biodiversidade e adoção de mecanismos de prevenção e controle da poluição, proteção à saúde, à diversidade cultural 
e desenvolvimento de sistemas de segurança e saúde ocupacional, avaliação de impactos socioeconômicos |(incluindo 
cuidados com as comunidades e povos indígenas, proteção a habitats naturais e proteção das populações que neles 
residem, eficiência na produção, distribuição e consumo de recursos hídricos e energia, uso de energias renováveis, 
respeito aos direitos humanos, combate à mão de obra infantil e ao trabalho escravo. 
- A​genda 21:​ documento que compreende compromissos de todos os países presentes na Conferência das Nações 
Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente (Rio-92). 
- Principais atores do desenvolvimento sustentável definidos pela Agenda 21:​ as empresas, as ONGs, os governos e 
a sociedade civil. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação às empresas e à sociedade civil:​ que a coletividade deve participar também 
como ator fundamental neste novo caminho, apresentando reivindicações, fiscalizando as obras públicas, 
principalmente as que causam impacto ambiental, bem como exigindo legalidade e probidade administrativa por meio 
de ações judiciais. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação ao empresariado:​ que ele também deve colaborar para o desenvolvimento 
com ações sociais, aliando lucro à conduta social. Deve ainda observar as tendências mundiais de produção limpa para 
evitar prejuízos ambientais. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação aos governos:​ compete a eles promover o desenvolvimento sustentável e a 
gestão pública sustentável e fomentar as parcerias com as empresas e as entidades da sociedade civil organizada. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação às ONGs:​ elas devem propor soluções factíveis para os problemas locais, 
mobilizar a coletividade e atuar em parceria com o governo e o setor privado. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação a sociedade civil:​ devem cobrar do governo e das empresas ações 
sustentáveis e se mobilizar para atuar como um agente do desenvolvimento local. 
- O que afirma a Agenda 21 em relação às empresas:​ a elas compete financiar e apoiar projetos de desenvolvimento 
sustentável e fortalecer as capacidades locais. 
- Não são apenas os governos locais e a própria sociedade os principais agentes do desenvolvimento local. As empresas 
devem juntar-se a eles na implementação das ações sustentáveis com ênfase nos aspectos sociais, econômicos, culturais 
e ambientais. 
- Características das empresas que atuam como agentes locais e regionais do desenvolvimento sustentável:​ • 
Elevada preocupação com os entornos (a empresa investe na melhoria da qualidade de vida da população local e atua 
em parceria com o governo, ONGs e demais entidades da sociedade civil); • Fomento da economia local gerando 
emprego e renda (a empresa gera empregos diretos e indiretos na cidade e na região onde atua); • Orientação para a 
melhoria da infra-estrutura urbana e serviços sociais locais (sistema viário, calçamento de ruas, iluminação pública, 
saneamento básico, serviços de educação e saúde); • Fomento do empreendedorismo social e cívico de base local (apoioàs lideranças locais, incentivo à criação de empreendimentos surgidos na própria sociedade e realização de ações de 
capacitação da mão-de-obra local); • Aprimoramento da gestão de políticas públicas locais (com sua atuação, a empresa 
estimula o governo local a criar e aprimorar suas políticas públicas sustentáveis); • Preservação ambiental (as empresas 
agem como entes protetores do meio ambiente local, investem em projetos conservacionistas e adotam práticas de 
gestão sustentável); As empresas que assumem esse perfil se capacitam para assumir o seu papel de agente do 
desenvolvimento sustentável local. 
- Alguns exe​mplos de empresas que vêm atuando como agentes do desenvolvimento sustentável local:​ • Perdigão 
(criou a escola de agronegócio na região de Videira (SC) com o objetivo de treinar os agricultores locais a melhor gerir 
suas propriedades); • Basf (instalou a sua fábrica em Guaratinguetá (SP), ali desenvolve o Projeto Sementes do 
Amanhã, cujo objetivo é ensinar educação ambiental para os alunos de escolas públicas locais); • IBM (capacita 
professores da rede pública de Hortolândia (SP), onde mantém um centro de tecnologia); • Instituto Camargo Correa 
(criou o Comitê de Desenvolvimento Comunitário reunindo lideranças locais para definir projetos sociais); • Instituto 
Alpargatas (atua em parceria com prefeituras de onze cidades de três estados no Nordeste, onde tem unidades de 
produção); • Instituto Sadia (desenvolve projetos socioambientais em Lucas do Rio Verde (Mato Grosso), onde está 
implantando uma unidade); • Ambev (em parceria com a Embrapa, está desenvolvendo programas de melhoria de renda 
e produtividade na região amazônica com a instalação de doze pólos agrícolas); • Alcoa, Philco e Gerdau (apóiam os 
pequenos empresários nas cidades do Nordeste onde atuam com o objetivo de transformá-los em seus fornecedores 
locais). 
- A sustentabilidade é a nova palavra de ordem no mundo moderno. Todos querem ser sustentáveis:​ empresas, 
governos, sociedades, comunidades e entidades em geral.​ 
Aula 7 – Gestão Sustentável​ 
- Conceito de ​sustentabilidade nos negócios, segundo Andrew Savitz e Karl Weber:​ • A arte de fazer negócios num 
mundo interdependente – inter-dependência de vários elementos entre si e em relação ao tecido social (respeito à 
interdependência dos seres vivos entre si e em relação ao meio ambiente; significa operar a empresa sem causar danos 
aos seres vivos e sem destruir o meio ambiente, restaurando-o e enriquecendo-o); • É o território compartilhado pelos 
interesses da empresa e pelos interesses da sociedade; • É o reconhecimento das necessidades e dos interesses das outras 
partes (grupos comunitários, instituições educacionais e religiosas, força de trabalho e público) reforçando a rede de 
relacionamentos que mantém com esses segmentos; • É a aceitação da interdependência de diferentes aspectos da 
existência humana (crescimento econômico, sucesso financeiro, vida familiar, crescimento intelectual, estímulo à 
expressão artística e desenvolvimento moral); • É a gestão do negócio de maneira a promover o crescimento e gerar 
lucro, reconhecendo e facilitando a realização das afirmações econômicas e não-econômicas das pessoas de quem a 
empresa depende dentro e fora da organização; • É gerar benefícios para os grupos sociais fora e dentro das empresas, 
fazendo as empresas desfrutarem desses benefícios. 
- Temas envolvidos na sustentabilidade, responsabilidade social e ética empresarial:​ ​• ​preservação ambiental; • 
promoção do desenvolvimento econômico, social e cultural 
local e regional; • promoção da justiça e defesa dos direitos humanos; • prática da governança corporativa; • proteção 
aos consumidores; • defesa dos direitos dos trabalhadores, acionistas e demais parceiros; • impacto dos negócios na 
sociedade e na mídia; • foco nas questões sociais emergenciais (pobreza, fome, violência, desemprego) e seus impactos 
sobre o lucro. 
- Empresa sustentável:​ ​aquela que desenvolve ações voltadas para a busca da lucratividade (sustentabilidade 
econômica), o desenvolvimento da comunidade e atendimento das necessidades dos seus empregados e parceiros 
(sustentabilidade social) e a preservação do meio ambiente (sustentabilidade ambiental). 
- Etapas a serem percorridas por uma empresa em seu trajeto para a sustentabilidade:​ •(1ª) eliminar o lixo dos 
processos industriais (eliminação do desperdício de recursos e redução dos custos dos processos industriais); (2ª) 
envolver os fornecedores em um esforço de redução de emissão de carbono (redução da emissão de gases); (3ª) buscar a 
eficiência energética (substituição dos combustíveis fósseis – petróleo, carvão – por fontes renováveis); (4ª) redesenhar 
processos, reciclar e reutilizar; (5ª) esverdear a cadeia de transporte (uso de combustíveis alternativos na frota de 
veículos); (6ª) mudar a cultura interna para um novo modelo de gestão da produção ambientalmente responsável (mudar 
as atitudes e os comportamentos de todos os empregados e parceiros e conscientizá-los para a adoção de novas práticas 
sustentáveis); (7ª) reinventar a atividade comercial e o próprio mercado a partir de novas regras que permitem equilibrar 
a biosfera (conjunto de ecossistemas que cobre toda a superfície da Terra e é a parte viva do Planeta, que inclui a 
atmosfera) e a tecnosfera (são os elementos desenvolvidos pelo homem como aglomerações humanas e cidades, centros 
industriais, redes de transporte e comunicação etc.). 
- Tipos de empresas segundo Anderson: ​as minimalistas (que vêem a sustentabilidade como custo e não se esforçam 
em subir os degraus da montanha sustentável e geralmente estão nas primeiras etapas), as pragmáticas (que escolhem os 
passos e galgam os degraus de acordo com suas próprias conveniências e necessidades; são as empresas que queimam 
etapas, pulam degraus e buscam chegar mais rapidamente aos estágios que mais lhes convêm) e as impostoras (que 
criam um projeto socioambiental de impacto, divulgando-o intensamente na mídia, e desprezam as etapas a serem 
percorridas). 
- Empresas sustentáveis:​ aquelas que adotam medidas que diminuem o impacto negativo de suas atividades produtivas 
no meio ambiente e geram diversos benefícios econômicos e sociais para seus diversos públicos-alvo e para a sociedade 
em geral. 
- Características das empresas sustentáveis:​ • promovem a interseção entre os interesses de negócios (obtenção do 
lucro, por exemplo), os interesses do meio ambiente (preservação ambiental) e os interesses da sociedade 
(desenvolvimento social e econômico); • geram rendimentos como fonte de sobrevivência em vez de con-sumir o 
próprio capital; • usam de forma eficiente e eficaz os recursos naturais, econômicos, humanos e sociais (recursos 
naturais – água, ar, energia e alimentos; recursos econômicos – capital próprio, empréstimos, financiamentos; recursos 
humanos e sociais – apoio das comunidades, envolvimento dos trabalhadores, parcerias com fornecedores); • seus 
empreendimentos são duradouros. 
- Propriedades do empreendimento ou negócio sustentável: ​• ​perspectiva de rentabilidadeeconômica a médio e 
longo prazo; • capacidade de operar seus passivos que gerem prejuízos inesperados; • capacidade de minimizar sua 
dependência de recursos esgotáveis e seus impactos sobre o ambiente; • busca da eficiência; • adoção de uma gestão 
transparente; • capacidade de relacionar-se com as demandas de ordem global e local. 
- ​A sustentabilidade agrega valores sociais e ambientais ao negócio, contribui para o fortalecimento da área de políticas 
públicas, cria empregos estáveis, diminui gastos com saúde, promove a preservação ambiental, facilita o acesso a bens 
essenciais, como, por exemplo, a água. 
- A ​empresa pode melhorar o seu desempenho, e a sua imagem, ao adotar práticas de sustentabilidade e, ao 
fazê-lo, a empresa obtém três grandes benefícios:​ • redução dos riscos de prejudicar os clientes, os empregados e as 
comunidades, de degradar o meio ambiente, de cometer falhas gerenciais que ameaçam a reputação e o desempenho da 
empresa no mercado e a defesa contra as intervenções regulatórias (leis, regulamentos e políticas governamentais); • 
melhor gestão da empresa que se reflete na redução dos custos, no aumento da produtividade, na eliminação de 
desperdícios, no melhor relacionamento com fornecedores e parceiros e melhor acesso a fontes de matéria-prima e de 
capital; • promoção do crescimento da empresa, que inclui a abertura de novos mercados, desenvolvimento de novos 
produtos e serviços, maior competitividade, maior lealdade e fidelidade dos clientes e conquista de novos clientes. 
- A adequação do negócio às práticas sustentáveis leva a empresa à conquista de vantagens competitivas consideráveis 
em relação aos seus concorrentes. 
- Uma empresa que adota um modelo de gestão sustentável obtém um melhor acesso a mercados, melhora a sua 
imagem e reputação diante do público, cria maior valor agregado aos seus produtos, fortalece sua marca, ganha maior 
produtividade, faz economia de insumos e melhora o seu relacionamento com seus diversos stakeholders. 
- Vantagens competitivas dos empreendimentos sustentáveis: ​aumento da receita, valorização da reputação, 
melhoria do desempenho dos funcionários, apoio à economia local, criação de novas oportunidades de negócios, maior 
diálogo com os atores envolvidos no negócio, melhoria da gestão interna e lançamento de serviços ambientais. 
- Características do modelo de geswtão sustentável adotado pelas empresas, ao obter tais vantagens 
competitivas:​ • aumento da receita; • valorização da reputação; • melhoria do desempenho dos funcionários; • apoio à 
economia local; • criação de novas oportunidades de negócios; • maior diálogo com os atores envolvidos no negócio; • 
lançamento de serviços ambientais; • melhoria da governança corporativa. 
- Modelo de gestão sustentável da Light:​ ​focado na busca da eficiência energética; ênfase concentrada nas atividades 
que estimulam os consumidores a poupar energia e otimizar o seu uso. Com isso, a empresa perde no consumo per 
capita de eletricidade, mas ganha no volume total de consumo de eletricidade ao criar novos mercados e aumentar a sua 
base de clientes. 
- Principal atividade de uma empresa:​ gerenciamento de recursos econômicos, ambientais, sociais e institucionais. 
- Recursos consumidos pela empresa ao exercer suas atividades:​ • recursos econômicos (caixa gerado pelas suas 
operações, empréstimos, financiamentos); • recursos ambientais (água, energia e matéria-prima); • recursos sociais 
(tempo e talento das pessoas da comunidade); • recursos institucionais públicos (infra-estrutura fornecida pelo governo, 
rede de saneamento, estradas, energia elétrica). 
- ​A empresa, para ser sustentável, ao consumir tais recursos, deve gerar resultados positivos nos campos econômico, 
ambiental e social com o seu funcionamento. 
- Tríplice resultado das empresas sustentáveis:​ ganhos econômicos (venda, lucro, retorno sobre o investimento; 
impostos pagos; fluxos monetários; criação de empregos); ganhos ambientais (qualidade do ar; qualidade da água; uso 
de energia; geração de resíduos); e ganhos sociais (práticas trabalhistas; impactos sobre as comunidades; direitos 
humanos; responsabilidade pelos produtos). 
- A gestão sustentável vai além da prática da Responsabilidade Social Corporativa (RSC), da filantropia, da 
preservação do ambiente e da ética nos negócios:​ ela exige da empresa o enfrentamento de novos desafios sociais, 
políticos, culturais e ambientais. 
- Ponto em comum com os interesses da empresa e de seus stakeholders:​ Ponto Doce da Sustentabilidade. 
- Stakeholders financeiros:​ clientes, acionistas, fornecedores. 
- Stakeholders não-financeiros:​ público, mídia, comunidade. 
- Área comum entre as relações da empresa com seus stakeholders constitui o Ponto Doce da Sustentabilidade:​ é 
a zona de confluência entre as atividades que buscam o lucro e as atividades que geram o bem comum. 
- Quando desenvolve produtos saudáveis, a empresa vende mais e conquista novos mercados, beneficiando a si própria 
e a saúde das pessoas. 
- Exemplo de ações focadas no Ponto Doce da Sustentabilidade:​ é o desenvolvimento de estratégias empresariais 
que promovem estilos de vida promissores através do lançamento de produtos e práticas sustentáveis, ou ainda ações de 
empresas que lançam no mercado produtos saudáveis e obtêm elevados ganhos de imagem e de venda. São exemplos os 
prédios verdes (energia solar, aproveitamento da água de chuva, iluminação natural, móveis com certificação etc.), os 
produtos orgânicos e serviços que contribuam para a diminuição do consumo de energia e de matérias-primas. 
- As empresas sustentáveis decidiram divulgar suas ações e resultados junto a seus diversos stakeholders 
(públicos-alvo), sobretudo seus acionistas:​ surgiram então os “relatórios de sustentabilidade”, uma espécie de 
prestação de contas dos investidores feitos pelas empresas em projetos sustentáveis. 
- Relatórios de sustentabilidade:​ ​influenciam cada vez mais as decisões dos investidores, acionistas, clientes e 
parceiros. 
- O que é o Relatório de sustentabilidade:​ • É uma ferramenta para gerenciar aspectos econômicos, sociais e 
ambientais na empresa; • É uma forma de apresentação das estratégias de negócio e seus resultados econômicos, sociais 
e ambientais; • É um poderoso instrumento de comunicação institucional; • É um instrumento de prestação de contas a 
funcionários, clientes e demais stakeholders da empresa; • É uma metodologia de avaliação de performance da empresa; 
• É uma fonte valiosa de informações para clientes e investidores. 
- ​Os relatórios de sustentabilidade tornaram-se balanços socioambientais das ações das empresas, novos instrumentos de 
gestão, relatos de gestão avançada e até mesmo peças de promoção institucional e elementos centrais das estratégias 
inovadoras de negócios. 
- Principais características de um relatório corporativo de sustentabilidade:​ • Instrumento de prestação de contas à 
sociedade; • Ferramenta de gestão interna da empresa; • Análise dos principais indicadores do desempenho 
socioambiental da empresa; • Instrumento de gestão das práticas socioambientais da empresa; • Instrumento de 
prestação de contas aos stakeholders; • Ferramenta de marketing e comunicação corporativa. 
- A sustentabilidadenão se aplica apenas às empresas, aos seus produtos e negócios:​ já existe a sustentabilidade 
setorial. 
- Sustentabilidade setorial:​ ​setor de crescimento sustentável apresenta índices em constante evolução e as empresas 
que nele atuam se destacam pelo uso de modelos e de práticas sustentáveis. 
- Principais características que fazem do setor de embalagens, no Brasil, um setor de crescimento sustentável:​ A 
principal característica diz respeito aos aspectos econômicos do setor (sustentabilidade econômica), que apresenta 
tendência de crescimento em todos os seus segmentos (latas, plásticos, papel e papelão). As demais características 
referem-se às práticas de gestão, centradas na redução de custos, uso de fontes renováveis de matéria-prima (etanol, 
amido de milho ou mandioca), na redução do peso das embalagens (com reflexos positivos para os clientes e para a 
redução do consumo de combustível dos veículos transportadores) e no uso de tecnologias de reciclagem (eliminação de 
desperdícios e redução do impacto ambiental).​ 
Aula 8 – A sociedade como agente do desenvolvimento sustentável​ 
- A sociedade também desempenha o seu papel de agente do desenvolvimento sustentável local:​ quando os 
próprios membros da comunidade se organizam em pequenas cooperativas, criam ONGs locais e desenvolvem negócios 
sociais próprios. 
- Governo também contribui para a criação desses negócios sociais locais:​ por meio de programas de inclusão social 
e de redistribuição de renda e da implantação de estratégias de desenvolvimento sustentável, mas nada disso funciona se 
a sociedade não se investir no papel de agente do seu próprio desenvolvimento. 
- Idéias de Charam sobre a inovação sustentável:​ enfatiza as práticas criativas e inovadoras na busca de soluções 
sustentáveis para os problemas econômicos, sociais e ambientais. 
- Os 10 princípios da teoria de inovação sustentável, de Charan:​ (1) definir uma causa de interesse comum, 
estabelecendo resultados desejados e as formas de mensurá-los; (2) identificar pessoas capazes de assumir compromisso 
local com essa causa; (3) trabalhar para formar um consenso coletivo sobre a sua importância; (4) construir soluções 
que tornem produtos e serviços acessíveis; (5) projetar sistemas eficazes para fazê-los chegar até as pessoas; (6) 
identificar líderes sustentáveis sem os quais não há uma mudança possível; (7) não fazer nenhuma publicidade das 
iniciativas realizadas; (8) definir um foco e prioridades claras; (9) estimular a criatividade das pessoas envolvidas na 
solução; (10) buscar a felicidade pessoal e a de outras pessoas. 
- Teoria Charaniana:​ ​enfatiza as práticas criativas e inovadoras na busca de soluções sustentáveis para os problemas 
econômicos, sociais e ambientais que afetam comunidades pobres ou ameaçadas de extinção ou marginalização 
crescente. 
- Maior desafio, segundo Charan:​ “construir um ambiente favorável à sustentabilidade”, o que, para ele, depende 
fundamentalmente da disposição das pessoas daquela comunidade, do seu desejo de mudar, do seu envolvimento com a 
causa escolhida e do empenho na implementação das soluções propostas. 
- Outro fator de extrema importância para o sucesso de iniciativas sustentáveis inovadoras:​ a busca do consenso 
coletivo e a participação de líderes sustentáveis (empreendedores sociais responsáveis por projetos sustentáveis) nas 
comunidades a serem alvo das ações sustentáveis. 
- O papel das empresas é fundamental no processo de inovação sustentável:​ são elas que podem contribuir para a 
criar soluções que tornem produtos e serviços acessíveis e para projetar sistemas eficazes para fazê-los chegar até as 
pessoas. 
- Negócios sociais sustentáveis (NSS):​ empreendimentos sociais que buscam viabilizar pequenos negócios locais com 
o objetivo de criar o sustento de membros da comunidade local e promover o seu autodesenvolvimento. 
- Por que os Negócios Sociais Sustentáveis são importantes:​ porque geram trabalho e renda para populações de baixa 
renda, que estão à margem do mercado de trabalho e excluídas da cadeia produtiva local; aproveitam e desenvolvem o 
potencial dos moradores daquela comunidade; resgatam tradições culturais esquecidas e, assim, preservam a memória e 
a história da comunidade, seus costumes e tradições. 
- Negócios Sociais Susentáveis:​ são empreendimentos que promovem a inclusão social, a geração de emprego e renda 
e contribuem para a criação de comunidades e de uma sociedade sustentável. 
- Fatores que determinaram o surgimento desses empreendimentos em nosso país e em todo o mundo:​ (1º) de 
natureza estrutural, refere-se às ameaças trazidas pela industrialização, pela urbanização e pelo desemprego crescente 
que afetaram as comunidades de baixa renda. Vítimas do desemprego e assoladas por problemas socioambientais de 
todos os tipos, as comunidades decidiram se mobilizar na busca de soluções que atendessem às suas necessidades; (2º) a 
revolução no campo: no setor rural e nas comunidades ribeirinhas sediadas nas grandes florestas, o despertar dessa 
consciência de auto-sustento teve início com os avanços da agricultura, da agroindústria e da pecuária. As florestas 
começavam a ser destruídas para dar lugar a novos plantios e pastagens. 
- Tais fatores contribuíram para o surgimento de um novo modelo de empreendimento social – os negócios sociais 
sustentáveis. 
- Características dos negócios sociais sustentáveis:​ • adoção de práticas de gestão típicas do setor privado, como, por 
exemplo, o foco na geração de receitas; • visão de médio e longo prazo; • desenvolvimento de estratégias com base no 
mercado; • uso de recursos de diferentes ecossistemas sem devastação do meio ambiente e sem expulsão dos seus 
habitantes; • criação de uma alternativa de renda para as pessoas da comunidade; • promoção da auto-sustentabilidade 
do negócio (depois de certo tempo, o empreendimento se mantém com suas próprias receitas); • exploração socialmente 
mais justa (há uma repartição equânime dos benefícios do empreendimento entre todos os participantes); • fomento da 
economia solidária (com base no surgimento de cooperativas locais); • rompimento dos velhos entraves de escoamento 
do bem produzido e acesso aos mercados consumidores (por meio de arranjos produtivos locais). 
- ​Um negócio social sustentável é um empreendimento focado na comunidade cujo principal objetivo é promover o 
desenvolvimento sustentável da própria comunidade. Ele pode surgir por iniciativa da própria comunidade ou por 
iniciativa de uma ou mais empresas em parceria com o governo. 
- Fatores que tornam um negócio social em um empreendimento sustentável:​ capacidade econômica (gestão 
eficiente dos recursos do negócio, o que significa gerar receitas e obter lucratividade com o objetivo de remunerar os 
que nele trabalham e de reinvestir parte do lucro nas melhorias e na expansão do negócio); capacidade técnica 
(competência individual e coletiva dos participantes do negócio para desenvolver as atividades produtivas); e 
capacidade operacional (conjunto de ações de suporte, sob a forma de parcerias com empresas, governo e demais 
entidades locais, para expandir o negócio). 
- Capacidade econômicanecessária para a sustentabilidade de um negócio social sustentável:​ geração de receita, 
venda de bens e serviços, captação de patrocínios, comercialização de produtos promocionais com a grife do negócio 
social (camisetas e bonés). 
- Capacidade técnica necessária para a sustentabilidade de um negócio social sustentável:​ execução e 
gerenciamento de eventos, oficinas, programas e projetos em geral. 
- Capacidade operacional necessária para a sustentabilidade de um negócio social sustentável:​ corresponde à 
administração das operações administrativas e de suporte técnico aos eventos, oficinas, programas e projetos. 
- Formas de obtenção de sustentabilidade num negócio social:​ • criação de uma estratégia de mobilização de 
recursos de forma a garantir a sustentabilidade a longo prazo da instituição por meio de parcerias com empresas, 
fundações, doações de pessoas físicas e jurídicas e promoção de eventos de diversos tipos; • geração de recursos por 
meio da comercialização de um produto, como, por exemplo, a venda de artesanato, de produtos orgânicos etc. Nesse 
caso, a comunidade atendida pela organização é a responsável pela produção; • geração de recursos por meio da 
prestação de serviços, como, por exemplo, serviços de assessoria e consultoria em projetos de formação e capacitação 
profissional. 
- Principais características de um modelo de um negócio social sustentável:​ ​• ​adoção de práticas de gestão típicas 
do setor privado (por exemplo, plano de negócios, geração de receitas, administração de patrocínios, definição de 
missão, criação, produção e comercialização de bens e serviços, geração de emprego e renda); • foco em produtos e 
mercado (atividades econômicas com foco em produto e serviços direcionados para segmentos de mercado específicos); 
• ênfase em parcerias, com empresas e entidades públicas; • realização de campanhas para adesão de novos 
patrocinadores e doadores; • criação de logomarcas próprias; • desenvolvimento de linhas de produtos (artesanato, 
produtos orgânicos) para consumo e lazer; • promoção de eventos de diversos tipos; • geração de recursos por meio de 
venda de produtos e prestação de serviços, fruto de ações empreendedoras de base local, centrados em tradições, 
costumes e cultura da região. 
- Suchmita Ghosh, ex presidente da Ashoka, na India, criou a solução para aproximar empreendedores sociais das 
empresas investidoras: crio o conceito de “competição colaborativa”. 
- Conceito de competição colaborativa:​ consiste na divulgação de idéias de projetos sociais focados na busca de 
soluções para os problemas socioambientais.​ 
Aula 9 – Os novos desafios da sustentabilidade​ 
- Novo desafio das empresas:​ além de obedecer aos parâmetros sociais, econômico e ambiental, deve haver uma 
abordagem inovadora dos negócios, com foco no mercado da base da pirâmide, constituído pelas classes mais pobres. 
- Conceito de capitalismo criativo:​ reduzir a pobreza e a desigualdade por meio da criação de novas oportunidades de 
negócio. 
- Capital criativo:​ abordagem na qual empresas, governos e organizações sem fins lucrativos trabalham juntos para 
ampliar o alcance do mercado de maneira que seja possível reduzir a desigualdade. 
- Iniciativas de capitalismo criativo voltado para a base da pirâmide:​ no Brasil, a Miller Eletrodomésticos produz 
os chamados “tanquinhos, destinadas as classes C e D; no México, a Cemex, produtora de cimento, criou 
microfinanciamento para venda de cimento para construção de moradias em comunidades carentes; no Quênia, a 
Safaricom, empresa de telefonia celular, criou o celular comunitário, com baixas tarifas; na Índia, a Eye Care, clínica 
especializada em cirurgias de cataratas, cobra em seus hospitais com base naquilo que o cliente pode pagar; na 
Venezuela, a Cruz Salud opera com planos de saúde para as classes D e E. 
- Proposta de criação de empresas sociais (social business):​ são as novas empresas com objetivo de gerar benefícios 
sociais, e não lucros e dividendos. 
- Principais características das empresas sociais (social business):​ atuam em benefício dos outros e não de si; são 
direcionadas pela causa social (ajuda aos pobres) e não pelo lucro; visualizam a população mais pobre não como 
oportunidade de ganhar dinheiro, mas como uma oportunidade de gerar benefícios sociais; remuneram os acionistas 
pelo capital investido e o restante é reinvestido no negócio para ampliar o seu alcance ou melhorar a qualidade do 
produto ou serviço. 
- Os quatro tipos dominantes de capitalismo:​ (1) Capitalismo oligárquico; (2) Capitalismo0 guiado pelo Estado; (3) 
Capitalismo das grandes corporações; e (4) Capitalismo de empreendedores. 
- Principal característica do Capitalismo Oligárquico:​ grande concentração da riqueza e do poder nas mãos de uma 
pequena elite. Existente em alguns países da América Latina, do Oriente Médio e da África. 
- Capitalismo guiado pelo Estado:​ governos promovem o desenvolvimento e incentivam alguns setores da economia. 
Comum nos países do Sudeste asiático. 
- Capitalismo das grandes corporações:​ economias dominadas por grandes empresas. Muito comum na Europa 
ocidental. 
- Capitalismo de Empreendedores:​ economia é dominada por pequenas e médias empresas que cresceram e muitas se 
tornaram megaempresas, fruto da inovação dos seus fundadores empreendedores. È o caso dos Estados Unidos e do 
Brasil. 
- Embora o capitalismo seja dominante em nosso país, é bom lembrar em que algumas regiões há um predomínio 
de um ou mais tipos restantes:​ como exemplo, os bolsões de pobreza e miséria no Nordeste, onde impera o 
capitalismo guiado pelo Estado, que movimenta a economia com o Programa Bolsa-Família. Outro exemplo é o das 
pequenas e médias cidades em alguns estados brasileiros, cujos negócios dependem de grandes empresas, configurando 
o domínio do capitalismo das grandes corporações. 
- Mau capitalismo, segundo Baumol:​ representado pelos modelos de capitalismo oligárquico e das grandes 
corporações, concentradores de riquezas. 
- Bom capitalismo, segundo Baumol:​ capitalismo de empreendedores, que gera emprego e renda, fomenta a economia 
local, desenvolve capacidades, é criativo e inovador e gera novas oportunidades de negócio, inclusive para as classes 
que integram a base da pirâmide. 
- Para Baumol, o capitalismo guiado pelo Estado pode ser bom ou mau, dependendo dos efeitos de suas políticas e seus 
programas de inclusão social e de crescimento e prosperidade local. 
- Para Baumol, o capitalismo de empreendedores é o que oferece melhores perspectivas para as novas ações de 
sustentabilidade, porque são as pequenas e médias empresas que assumem o papel de agentes de desenvolvimento 
sustentável local com suas inovações de produtos e serviços para os pobres. 
- Principais desafios da sustentabilidade no período de 1970 a 2000:​ as questões da poluição, do esgotamento dos 
recursos naturais e do combate à pobreza. 
- Questões que eram prioritárias com relação à preservação do meio ambiente, nos países desenvolvidos:​ poluição 
causada pelos gases estuga, uso de materiais tóxicos e contaminação do solo. 
- Questões que eram prioritárias nos países emergentes:​ poluição causada pelas emissões de gasesindustriais, falta 
de tratamento de esgoto e contaminação da água. 
- Questões que eram prioritárias nos países mais pobres:​ poluição era vista como algo determinado pela queima de 
adubo, lixo e madeira que destruíam os ecossistemas. 
- No início do século XXI, o combate à pobreza tornou-se a principal dimensão da sustentabilidade. 
- Maior causa da pobreza nos mercados desenvolvidos:​ desemprego urbano. 
- Maior causa da pobreza nos mercados emergentes:​ migração para a cidade, falta de trabalhadores qualificados, 
desigualdade de renda e exclusão social. 
- Maior causa da pobreza nos mercados tradicionais:​ crescimento populacional, deslocamentos da população (fluxos 
migratórios) e posição inferior das mulheres e dos excluídos. 
- Foco da nova sustentabilidade:​ na geração de emprego e renda para as camadas populacionais mais pobres e na sua 
inserção no mercado de consumo. Ao contrário do que pregam os adeptos do capitalismo criativo, seus principais 
agentes não são as grandes corporações, mas os empreendimentos nativos. 
- São as empresas nativas as verdadeiras expressões do desenvolvimento de um novo tipo de economia 
capitalista:​ o capitalismo dos empreendedores locais. 
- Primeiro desafio da nova sustentabilidade:​ não é mais o combate a poluição e ao esgotamento dos recursos naturais, 
e sim, o combate a pobreza. 
- Segundo desafio da sustentabilidade:​ o fomento do empreendedorismo local a partir da criação e do 
desenvolvimento dos empreendimentos nativos. 
- Terceiro e último desafio da sustentabilidade:​ a busca do apoio dos stakeholders periféricos, que são os grupos 
comunitários locais, as minorias sociais, as ONGs e os movimentos de base social local. 
- Todo processo de desenvolvimento sustentável é baseado no conceito de empresa nativa. 
- Conceito de empresa nativa: ​Uma empresa pequena, ou até mesmo uma grande empresa, que se adaptou às 
condições locais. 
- Características do empreendedorismo nativo:​ (1) transatividade radical (fazer transações freqüentes com a 
comunidade local – stakeholders locais); e (2) capacidade nativa (competência da empresa para criar soluções 
contextualizadas com base nos problemas locais). 
- Primeiro desafio da nova sustentabilidade:​ criar empreendimentos nativos, locais, em bases sustentáveis 
(economicamente lucrativos, socialmente viáveis e ambientalmente aplicáveis). 
- Os três tipos de economia que imperam no mundo globalizado (Teoria das Três Economias):​ economia do 
dinheiro (geração de riqueza); economia tradicional (busca da subsistência); e economia da natureza (preservação dos 
recursos naturais). 
- No Brasil, nas regiões mais pobres do Norte e Nordeste coexistem os modelos de economia tradicional, baseados na 
agricultura rudimentar e de subsistência; e de economia da natureza, na qual a sociedade, o Estado e as empresas 
desenvolvem práticas sociais e ambientalmente sustentáveis. 
- Os empreendimentos nativos devem compreender elementos das três economias. 
- O empreendimento nativo trabalha com elementos da economia do dinheiro:​ ao incorporar a geração de emprego 
e renda, a busca do lucro, a ênfase nos processos operacionais e nas estratégias de comercialização. 
- O empreendimento nativo adota como modelo a economia tradicional:​ ao preservar as tradições rurais locais e 
dinamizar as atividades do campo. 
- O empreendimento nativo pratica ações típicas da economia da natureza:​ quando focaliza a preservação 
ambiental. 
- Maior erro cometido por muitos empreendedores:​ criar negócios sociais orientados apenas para a economia do 
dinheiro, negligenciando os outros dois tipos de economia (tradicional e da natureza) que vão assegurar a sua 
sustentabilidade a médio e longo prazo. 
- Exemplos de negócios orientados para as três economias:​ produtos do Boticário e da Natura – utilizam recursos 
naturais na fabricação de essências para seus produtos de beleza (economia da natureza); empregam mão-de-obra local 
na preservação e no manejo desses recursos (economias da natureza e tradicional) e vendem seus produtos em lojas 
próprias e franqueadas (economia do dinheiro). 
- Modelo da ecoeconomia:​ exemplo típico de sinergia entre os três tipos de economia. 
- Princípios básicos da ecoeconomia:​ preservação e uso sustentável do capital natural são uma fonte de renda 
crescente; os ecossistemas são ativos ambientais e fontes ambientalmente responsáveis de lucratividade; os ativos 
ambientais são os novos atributos de sustentabilidade aos produtos fabricados pelas empresas; os recursos naturais 
constituem um patrimônio imaterial de inestimável valor para as empresas e para a sociedade. 
- Stakeholders principais:​ os que estão no centro das atenções da empresa. 
- Stakeholders periféricos:​ se encontram nas extremidades das empresas, e assim, não são foco das estratégias 
empresariais; são geralmente negligenciados pela direção da empresa. 
- Principais características dos stakeholders principais:​ de fácil identificação e dee fácil visualização pela empresa; 
mantêm relacionamentos estreitos e constantes, e participam do processo de gestão estratégica da empresa; total 
conexão direta com as atividades da empresa. 
- Principais características dos stakeholders periféricos:​ de difícil identificação, mais distantes e invisíveis das 
empresas; não participam do processo de gestão estratégica da empresa; pouca ou nenhuma conexão direta com as 
atividades da empresa. 
- Exemplos de stakeholders principais:​ empregados, concorrentes, acionistas, fornecedores, governo, comunidade e 
meio ambiente. 
- Exemplos de stakeholders periféricos:​ grupos radicais, desinteressados, comunidades isoladas, dissidentes, 
adversários. 
- O que a empresa deve fazer para atrair os stakeholders periféricos:​ primeiramente descobri-los, inventariá-los e 
mapeá-los. Em seguida, ouví-los, pesquisar e analisar suas atitudes e comportamentos, seus valores e costumes, suas 
necessidades e seus desejos, seus problemas e desafios. Depois, promover o seu empoderamento a partir de sua 
participação no desenvolvimento sustentável local. 
- Algumas estratégias que a empresa deve adotar para buscar o apoio dos stakeholders periféricos:​ transformar os 
grupos adversários em aliados; envolver os grupos isolador no processo de criação de novos empreendimentos; mostrar 
aos pobres os benefícios; capacitar os analfabetos e não-qualificados; mobilizar os radicais, os dissidentes e os 
desinteressados em seu favor. 
- Valor sustentável:​ é o retorno corporativo que as empresas obtêm com os seus investimentos em ações 
socioambientais e econômicas, como, por exemplo, melhor imagem, melhor relacionamento com os clientes, 
preservação do ambiente, aumento das vendas e outros. 
- Anteriormente, o maior valor sustentável obtido pela empresa no âmbito interno era a redução dos seus custos e riscos, 
e isso era alcançado mediante a implementação de uma estratégia de prevenção da poluição. 
- Aspectos que se tornaram dominantes no âmbito interno, com a nova sustentabilidade:​ o uso de tecnologia limpa 
tornou-se o aspecto dominante. O re-torno obtido pela empresa é a inovação de produtos, serviços, processos, 
tecnologia e os ganhos decorrentes do seu reposicionamento no mercado (como uma empresa social e ambientalmente 
inovadora). 
- Aspectos quese tornaram dominantes no âmbito externo, com a nova sustentabilidade:​ a empresa passa a fazer 
uso do novo modelo de sustentabilidade, gerando crescimento local, mantendo uma trajetória de desenvolvimento e 
co-parceria com as pequenas e médias empresas locais, fomentando o empreendedorismo local e preservando os 
recursos naturais disponíveis. 
- Com a nova sustentabilidade, a empresa adquiriu novos valores sustentáveis e obteve outros tipos de retorno, sendo o 
principal deles a promoção do desenvolvimento local e a preservação dos recursos naturais locais. 
- Nos dias atuais, a produção de valor sustentável está centrada no antigo modelo de sustentabilidade, cujo foco é 
a prevenção da poluição e o manejo de produtos:​ ao contrário, o novo modelo de sustentabilidade, utilizado por 
poucas empresas, não foca apenas as questões ambientais, mas, principalmente, o combate à pobreza, a promoção do 
desenvolvimento local, o fomento do empreendedorismo nativo. O foco é, portanto, na inovação de produtos e serviços. 
Por exemplo, lançamento de produtos para as classes pobres, desenvolvimento de projetos sociais inovadores, novo 
padrão de relacionamento com os stakeholders periféricos. 
- Empresa adepta desse novo modelo:​ reposiciona-se como agente do desenvolvimento local e agente local de 
fomento do empreendedorismo nativo de base local. E, com isso, fortalece o seu crescimento, cria história e se integra 
na comunidade, reforça a cultura local e promove os três tipos de economia: a tradicional, a do dinheiro e a da natureza. 
- Empresas adeptas do modelo tradicional de sustentabilidade:​ enfatizam a redução de custos e riscos ambientais. E 
se posicionam como empresas ambientalmente responsáveis, defensoras do meio ambiente e promotoras do bem-estar 
social. Aquelas que seguem a nova cartilha da sustentabilidade são verdadeiros agentes do desenvolvimento da 
ecoeconomia regional e promotoras de valores sustentáveis permanentes. 
- Diferença entre o valor sustentável de hoje e de amanhã:​ Valor sustentável de hoje (baseado no antigo modelo de 
sustentabilidade; foco é na prevenção da poluição e no manejo de produtos; ênfase na redução de custos, gerenciamento 
de riscos e ganhos de imagem e reputação); e Valor sustentável de amanhã (baseado no novo modelo de 
sustentabilidade; o foco é o combate à pobreza, a promoção da inclusão social, o fomento do empreendedorismo local e 
a preservação ambienta; ênfase no desenvolvimento da ecoeconomia). 
- Geração de valor sustentável natural:​ consiste em extrair as riquezas naturais sem destruir os ecossistemas. 
- Valor sustentável econômico:​ os empreendimentos nativos criam uma fonte de renda permanente para as 
comunidades locais e para as empresas. 
- Quando dizemos que o empreendimento produziu valor sustentável social:​ quando a sociedade local se 
desenvolve, gerando emprego, rena e inclusão social para seus membros.​ 
Aula 10 – A onda Azul​ 
- Com o desenvolvimento industrial e o advento da tecnologia, os desejos, as necessidades e o consumo dos indivíduos 
aumentaram consideravelmente e, como conseqüência, a utilização da água aumentou em grandes desproporções. 
- O homem passou a interferir com agressividade na natureza:​ para construir uma hidrelétrica, por exemplo, desvia 
curso de rios, represa uma quantidade muito grande de água, interferindo na temperatura, na umidade, na vegetação e na 
vida de animais e pessoas que vivem nas proximidades. Ele tem o direito de criar tecnologias e promover o 
desenvolvimento para suprir suas necessidades, mas tudo precisa ser muito bem pensado, pois a natureza precisa ser 
respeitada. 
- Onda Azul:​ Movimento de conscientização e mobilização para a preservação dos recursos hídricos e a redução do 
consumo da água em todos os setores da economia e da sociedade, diante da grande expansão do consumo da água e das 
crescentes ameaças da sua escassez. 
- Onda Azul:​ movimento global, capitaneado em diversos países por organizações não-governamentais, associações, 
sindicatos, universidades, órgãos governamentais, empresas e pela própria mídia. 
- Algumas empresas já se adaptaram ao movimento da Onda Azul e adotam modelos sustentáveis de gerenciamento da 
água. No campo da construção civil, já são inúmeros os empreendimentos que privilegiam sistemas tecnologicamente 
avançados de redução do consumo da água. 
- Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM):​ estudo global sobre a situação dos recursos naturais em todo o mundo. 
- Resultados da Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM):​ a escassez da água foi identificada como uma das 
maiores ameaças ao setor privado. Segundo o estudo, 5% a 20% da captação de água para uso industrial ou doméstico 
não são sustentáveis, ou seja, são obtidas por transferência de bacia hidrográfica ou retirada dos lençóis freáticos em 
quantidades superiores à da reposição natural. 
- A água tem um valor econômico em todos os seus usos, devendo ser reconhecida como um bem econômico. 
- Por que a água é um bem econômico:​ (1) porque a sua disponibilidade implica custos; (2) porque a água tem um 
valor para quem a consome: custos financeiros (investimento, exploração, manutenção e administração), custos 
econômicos (oportunidades e externalidades) e custos ambientais (impactos no meio ambiente, resultantes das diversas 
utilizações da água). 
- A água, apesar de abundante, é limitada e, devido aos maus-tratos causados pelo homem, pode se tornar escassa. Em 
contrapartida, seu mercado é ilimitado, pois todas as pessoas, empresas, indústrias, organizações em geral, governos, 
comunidades e a sociedade necessitam da água para sobreviver e desenvolver suas atividades. Além disso, a água é uma 
fonte de oportunidade de negócios de elevado valor agregado, pois ela é utilizada em todos os setores da economia: na 
indústria, no comércio e no serviço. 
- As oportunidades podem ser identificadas sob dois aspectos distintos:​ a oferta e a demanda. 
- Oferta de água:​ corresponde às disponibilidades hídricas (rios, mananciais, lagos, lagoas etc.) que são afetadas pelos 
setores que a utilizam. Isso significa que à medida que o consumo de água aumenta nas cidades e nos diversos setores 
da economia são crescentes as oportunidades de negócio no campo da redução do seu consumo. A situação se agrava 
porque os mananciais, rios, lagos e lagoas estão sofrendo danos irreparáveis devido à poluição e ao aquecimento global. 
É o caso das empresas concessionárias de serviços de tratamento e abastecimento de água, que investem em 
infra-estrutura e cobram tarifas por esses serviços. 
- Demanda de água:​ problema ainda é maior, devido ao excesso e à crescente procura. Há diversos setores na 
economia que se destacam pela grande procura de água, como, por exemplo, a indústria, a agricultura e a produção de 
energia. Além das pessoas que precisam de água pra sobreviver, a demanda por água é crescente em todas as atividades 
industriais e comerciais. 
- De olho nesse mercado, as empresas já começaram a definir e implementar suas estratégias para investimento no setor 
de águas. Isso porque os governos não têm recursos suficientes para investir no setor, em face da crescente necessidadede água pela população e pelas empresas. 
- ​De que forma as empresas gerenciam a água como um bem econômico escasso: ​Para as empresas, a água é um 
bem econômico porque é escasso, e seu consumo é excessivo como ingrediente do processo produtivo e das operações 
de apoio. 
- Muitas empresas implantaram modos de gerenciamento da água, fazendo uso de modernas tecnologias de captação e 
reaproveitamento. 
- As empresas já estão conscientes da necessidade de tratar a água como um bem econômico e um recurso natural 
exaurível e de que o gerenciamento do seu consumo deve orientar-se pelos princípios da eficiência e da otimização do 
seu uso. É cada vez maior o número de empresas que desenvolvem processos de reutilização, reaproveitamento, 
redução de consumo da água e novas formas de captação. 
- A economia da água não compete apenas às empresas. É dever de toda a sociedade mobilizar-se para economizar este 
bem econômico de grande valor. 
- A água é um bem de consumo que se caracteriza por sua elevada externalidade:​ a sua utilização por um grupo ou 
região afeta sua disponibilidade e garantia para outros. 
- Interdependência hidrológica:​ situação em que a utilização da água por um grupo ou região afeta sua 
disponibilidade e garantia para outros. 
- Exemplo de interdependência hidrológica:​ quando o curso de um rio é desviado para irrigação de lavouras, a 
conseqüência será, certamente, a redução da disponibilidade de água rio abaixo. Uma represa, no curso superior de um 
rio, pode instaurar uma escassez de água nas comunidades. 
- Crise hídrica:​ a escassez de água e o nível excessivo de poluição das águas são dois problemas graves que preocupam 
governos, empresas, sociedade civil e toda a humanidade. 
- A crise hídrica sob a perspectiva da escassez da água:​ é a crise da falta de água provocada pelo elevado consumo 
na sociedade e nas empresas. Muitas indústrias são consumidoras em potencial de grandes volumes de água em seus 
processos de fabricação. Exemplo: o caso das indústrias automobilísticas, que consomem em média 147 mil litros de 
água para produzir um carro (incluindo os pneus), um consumo irresponsável porque, além de intensivo e sem qualquer 
preocupação com o esgotamento desse recurso, é predatório, porque afeta os lençóis d´água e o represamento constante 
dos rios. 
- Principais fatores que fizeram ultrapassar os limites sustentáveis da retirada de água das reservas subterrâneas 
de água e dos rios:​ O primeiro e principal fator é o uso da água para a irrigação da lavoura; O segundo fator é o 
elevado número de represas construídas (impedindo o curso natural dos rios) em prol da geração de energia elétrica, 
como também os desvios de água para uso industrial e agrícola. 
- As conseqüências da construção de represas:​ fragmentação de rios; destruição de pântanos; redução da fertilidade 
das planícies de inundação, pois as entopem de sedimentos; enorme perda de água por evaporação dos reservatórios; 
desaparecimento de lagos e mares interiores; interrupção de rios em seus cursos para o mar e empobrecimento das 
populações que vivem dos recursos econômicos extraídos dos rios represados. 
- A crise hídrica sob a perspectiva da poluição da água:​ poluição provocada pelo lançamento e pela infiltração de 
substâncias nocivas na água. 
- Atividades que mais poluem as águas:​ a indústria, a mineração, a agricultura e os esgotos das cidades. 
- Causa da poluição das águas pelas atividades industriais:​ os dejetos despejados nos rios, oriundos de fábricas, 
sobretudo metais pesados e outras substâncias químicas, e o lixo e esgoto industriais que correm para os rios e mares. 
- As águas dos rios e lagos são contaminadas pelo lançamento de substâncias tóxicas, de metais pesados, como o 
chumbo e o mercúrio, de resíduos industriais, de detritos petroquímicos, de lixo hospitalar e muitos outros. 
- As empresas industriais, em sua grande maioria, além de poluírem o meio ambiente, conseguem fugir das multas e 
regulamentações impostas pelos governos locais, contornando as obrigações legais e éticas. 
- Os mares e oceanos também sofrem com a poluição, pois além de todos os dejetos decorrentes das cidades, que 
deságuam no mar, são conhecidos os casos de acidentes com navios petroleiros e com oleodutos litorâneos, que 
despejam grandes quantidades de óleo nas águas dos mares, afetando a vida marinha e poluindo as praias. 
- Ainda há os detritos domésticos, como lixo orgânico e inorgânico, jogados pelas pessoas sem qualquer cerimônia nos 
rios, lagos, mares e nas ruas. Todo o lixo jogado na rua, após as chuvas, vai para os rios e mares, causando acidentes 
com a fauna marinha e com as embarcações. 
- Medidas e mecanismos de preservação dos recursos hídricos:​ • o atendimento das necessidades básicas da 
população; • a garantia do abastecimento de alimentos; • a proteção dos ecossistemas e mananciais; • a administração de 
riscos; • a valorização da água; • a divisão dos recursos hídricos; • a eficiente administração dos recursos hídricos. 
- A falta de água e a sua contaminação vão gerar conseqüências graves para o planeta:​ as terras áridas vão se 
tornar ainda mais áridas (crescente desertificação), as áreas úmidas da faixa equatorial se tornarão ainda mais úmidas e 
alvo de grandes enchentes, as grandes cidades vão experimentar falta de água, haverá aumento do número e freqüência 
das secas, as safras agrícolas terão baixa produtividade e surgirão novas zonas de risco hídrico. 
- Soluções inovadoras tomadas por governos, empresas, sociedade, mídia e demais entidades da sociedade civil 
organizada, para evitar ou reduzir as conseqüências dos problemas causados pela crise hídrica:​ • elaborar planos 
de ação com o objetivo de garantir água potável e saneamento para todos; • obter uma maior eficiência no uso da água 
pelas pessoas, comunidades, empresas e governos; • desenvolver sistemas eficientes de armazenamento de água para 
combater a escassez e as secas; • reduzir a dependência das populações em relação às chuvas; • combater a poluição dos 
rios, mares, lagos, lagoas e mananciais. 
- Novas técnicas que devem ser adotadas em relação à agricultura, para criar condições mais favoráveis para o 
cultivo a partir da utilização desse recurso escasso (água):​ • técnicas que objetivem o aumento da produtividade 
agrícola (por exemplo, criação de variedades de cultivo que demandem menos água; modificações que tornem espécies 
mais resistentes à seca); • introdução de sistemas mecânicos ou agronômicos para maximizar as safras com a água da 
chuva; • captação de água de chuva; • uso intensivo da agricultura orgânica; • mudanças no sistema de preparação do 
solo, com menor uso de água. 
- Medidas que devem ser tomadas, na área da indústria:​ devem ser desenvolvidos novos sistemas de captação, 
tratamento, aproveitamento e reutilização da água, bem como a fabricação de produtos economizadores de água. 
- Exemplos de empresas com modelo de gestão sustentável:​ Lwarcel Celulose (adotou diversas práticas de reuso, 
reaproveitamento e redução do consumo de água, como reuso da água utilizada nas torres de esfriamento, reuso da água 
de resfriamento de amostra de condensados, reaproveitamento de água na máquina secadorae redução no consumo de 
água potável); Parque de diversões Hopi Hari (empreendimento sustentável com o foco na preservação de mananciais, 
tratamento de efluentes, captação subterrânea de água potável e gerenciamento de resíduos). 
- Além de fonte de vantagem competitiva para as empresas, a água vem se tornando um veículo de comunicação e de 
ação de marketing. 
- Cada vez mais, as empresas buscam associar suas marcas a iniciativas de economia de água e preservação dos recursos 
hídricos. 
- Um dos principais elementos do conceito de sustentabilidade em edificações:​ a eficiência do uso da água. 
- Fatores chaves do modelo de construção civil sustentável:​ a redução do consumo da água, juntamente com outros 
elementos, tais como redução do consumo de energia elétrica em face do aproveitamento máximo da luz do sol, energia 
solar para aquecimento, tratamento de resíduos e o uso de materiais certificados. 
- Medidas de economia de água adotadas na construção civil:​ • captação da água da chuva para regar plantas e lavar 
áreas e calçadas; • reciclagem da água de pias e chuveiros para uso nos sanitários; • utilização de medidores de água 
(hidrômetros) individualizados nos condomínios. 
- Exemplos de empreendimentos sustentáveis voltados para a economia do consumo da água:​ os prédios 
residenciais e de escritórios denominados Ecoesfera no Estado de São Paulo. 
- Onda azul:​ tendência global na busca de soluções para a crise hídrica que se agrava em todo o mundo.​ 
Aula 11 – A Onda Cinza​ 
- O mundo não para de produzir lixo:​ é o lixo industrial, doméstico, hospitalar, comercial e o lixo das ruas. 
- Dois vilões na questão do lixo:​ as pessoas que, ao produzirem lixo, não fazem a coleta seletiva, despejando-o em 
locais impróprios, e as empresas, grandes produtoras de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. 
- Resíduos:​ resultado de processos de diversas atividades da comunidade: industrial, hospitalar, doméstica, comercial, 
agrícola, de serviços e ainda da varrição pública. Apresentam-se nos estados sólido, líquido e gasoso. 
- Onda cinza:​ movimento de conscientização que vem sendo adotado por governos, empresas, mídia e sociedade sobre 
a importância e o gerenciamento adequado do lixo em todo o mundo. 
- Foco da onda cinza:​ no desenvolvimento das práticas de coleta seletiva, no reaproveitamento e na reciclagem do lixo. 
- Objetivo da onda cinza:​ conscientizar pessoas, grupos e instituições para os riscos da destinação e do manejo 
inadequado do lixo e divulgar os benefícios inerentes ao seu reaproveitamento e à sua reciclagem. 
- Principais agentes da onda cinza:​ as empresas, industriais ou comerciais. 
- As indústrias, em muitos casos, despejam seus lixos tóxicos em locais inadequados como rios, lagos, lagoas e galerias 
pluviais, causando, de forma avassaladora, a contaminação das águas e também do solo. 
- Há empresas que se utilizam dos aterros sanitários para o despejo de seus resíduos – outra forma incorreta de se livrar 
do lixo. 
- Aterro sanitário:​ maneira prática e barata de destinar os resíduos urbanos e industriais, além de esgoto não tratado. É 
a forma mais utilizada de alocar o lixo nos grandes centros urbanos. O lixo é colocado em uma grande extensão de terra 
(aterro), geralmente na periferia da cidade. 
- O resultado do aterro sanitário não poderia ser mais danoso:​ poluição do solo, do lençol freático, dos rios e lagos, 
do ar, fonte de diversas doenças, de emissão de gases que contribuem para o efeito estufa e, também, a inutilização de 
vários materiais que poderiam ser reciclados. 
- Lixo:​ os restos das atividades humanas considerados como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, 
apresenta-se sob os estados sólido, semi-sólido ou semilíquido. 
- Os lixos que encontramos na água, na terra e no ar variam conforme sua origem, composição química e grau de 
periculosidade. 
- Categorias do lixo:​ (1) Quanto a sua composição química: orgânico ou inorgânico; (2) quanto a sua origem: 
domiciliar; comercial; industrial; hospitalar; agrícola; dos portos, aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários, do 
tipo entulho, ou público; (3) quanto a sua periculosidade: alta periculosidade ou baixa periculosidade. 
- Lixo orgânico:​ são os resíduos biodegradáveis (restos de alimentos, cascas de frutas, legumes, ovos, podas de jardim, 
excrementos) que podem ser destruídos por agentes biológicos (por exemplo, bactérias). Não deveria ser visto como um 
problema, mas sim como uma solução para a fertilização dos solos (redes de compostagem) e produção de biogás 
(biodigestão de resíduos). 
- Lixo inorgânico:​ resíduos que pertencem à química dos minerais, isto é, que não são compostos de matéria animal ou 
vegetal. Podem ser de dois tipos: recicláveis e não-recicláveis. 
- Lixo domiciliar:​ resíduos orgânicos e inorgânicos, produzidos pelas residências particulares. 
- Lixo comercial:​ resíduos orgânicos e inorgânicos, produzidos pelos estabelecimentos comerciais. 
- Lixo industrial:​ resíduos orgânicos, inorgânicos e químicos, produzidos pelas indústrias fabricantes de produtos. 
- Lixo hospitalar:​ resíduos orgânicos, inorgânicos, químicos, tóxicos e infectantes, produzidos pelos hospitais e pelas 
casas de saúde. 
- Lixo agrícola:​ resíduos orgânicos, inorgânicos, químicos e tóxicos, produzidos pelas produções agrícolas. 
- Lixo dos portos, aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários:​ lixos e resíduos produzidos por esses 
estabelecimentos provenientes da manutenção desses meios de transportes, do embarque e desembarque de passageiros, 
da carga e descarga de mercadorias. 
- Lixo do tipo entulho:​ resíduos inorgânicos, produzidos pelas empresas de construção civil. 
- Lixo público:​ resíduos encontrados nas ruas, praças, praias e demais logradouros públicos. 
- Lixo de alta periculosidade (Classe I):​ os que apresentam graves riscos à saúde e ao meio ambiente tais como: 
resíduos industriais, agrícolas, hospitalares, químicos e tecnológicos (baterias, pilhas, lâmpadas fluorescentes). 
- Lixo de baixa periculosidade (Classe II):​ também apresentam danos ao meio ambiente, principalmente pela 
quantidade despejada e nem tanto pela sua composição. São divididos em inertes (entulhos de demolições como pedras, 
areia, concreto, vidro) e não-inertes (resíduos domésticos, sucatas de materiais ferrosos e não-ferrosos, embalagens de 
plástico). 
- Em uma classificação mais simplificada, podemos dividir o lixo em duas categorias:​ lixo comum (resíduos 
gerados pela população, como papéis, embalagens plásticas, metais, vidros, restos de alimentos etc.) e lixo especial 
(resíduos que necessitam de coleta e destinos diferenciados, pois causam danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas, 
como, por exemplo, o lixo hospitalar). 
- Resíduos industriais:​ são os maiores responsáveis pela deterioração do meio ambiente. 
- Resíduos industriais:​ são os produtos químicos (cianureto, pesticidas, solventes), metais (mercúrio, cádmio, chumbo) 
e solventes químicos que degradam o meio ambiente e constituem sérias ameaças à saúde das pessoas, dos animais e 
destroem a vegetação e os demais recursos naturais. 
- Indústria:​ a maior causadora do fator cinza, devido à grande quantidade de resíduos tóxicos lançados no ambiente: 
sobras de carvão mineral, refugos da indústria metalúrgica, resíduos químicose gases. 
- Indústrias:​ principais agentes da onda cinza. Seus resíduos acinzentam o ar, a natureza, a água e tudo mais. 
- Lixo tecnológico:​ proveniente do descarte de equipa-mentos e peças de aparelhos eletrônicos, de telefonia, 
computadores e periféricos. 
- O Brasil é um grande produtor de lixo tecnológico, por força de sua crescente indústria eletroeletrônica, de informática 
e de telecomunicações. 
- Razões da questão do lixo tecnológico ser relevante:​ o tempo médio de degradação dos metais contidos nesses 
equipamentos é de quase meio milênio; ao serem depositados em aterros sanitários, exalam substâncias tóxicas que, ao 
serem liberadas, penetram no solo e contaminam lençóis freáticos (água submersa) e atingem os animais e as pessoas 
que fazem uso dessa água; Não sendo corretamente descartado, o lixo tecnológico causa sérios danos ao meio ambiente 
e, como vimos, ameaça a saúde das pessoas e dos animais. 
- Uma das modalidades de lixo eletrônico é constituída pelos detritos elétrico e eletrônicos (lixo eletrônico). 
- A indústria de eletrônicos é a principal responsável pelo lixo eletrônico em todo o mundo:​ milhões de aparelhos 
de televisão, computadores, celulares e equipamentos de som são descartados anualmente e depositados em lixões. 
- Critérios para definir as empresas que tratam o lixo eletrônico:​ • limpar os seus produtos por meio da eliminação 
de substâncias perigosas; • reciclar os seus produtos, uma vez que se tornam obsoletos, e reutilizá-los; • reduzir o 
impacto de suas operações e produtos. 
- Sociedade do lixo:​ por causa do rápido aumento do lixo produzido, tornamo-nos uma sociedade produtora de lixo de 
todos os tipos. 
- O crescimento do lixo está diretamente relacionado ao estilo de vida que incentiva o consumismo e o descarte de 
resíduos em conseqüência do elevado consumo de produtos em geral e de bens materiais. 
- Caminhos para reduzir o lixo em nossa sociedade:​ coleta seletiva e reciclagem. 
- Coleta seletiva:​ alternativa ecologicamente correta que desvia do destino, em aterros sanitários ou lixões, os resíduos 
que podem ser reciclados. É um sistema de recolhimento de materiais recicláveis. Com isso, prolonga-se a vida dos 
aterros sanitários e o meio ambiente é menos contaminado. A reciclagem desse material coletado significa menos 
extração de recursos naturais. 
- Estratégias em que se devem basear a atuação da empresa no campo da coleta seletiva do lixo:​ • fazer parcerias 
institucionais (financiamento para capital de giro, compra de equipamentos e construção de instalações), com 
cooperativas de catadores para a gestão dos resíduos; • manter acordos operacionais com cooperativas com o objetivo 
de doar resíduos; • estabelecer acordos comerciais com cooperativas para fins de compra dos materiais por elas 
reciclados; • fornecer infra-estrutura para a implantação de Postos de Entrega Voluntária (PEVs) de materiais 
recicláveis; • contratar representantes das cooperativas para atuar como instrutores do programa de conscientização do 
lixo; • apoiar campanhas, programas e ações implementadas pelo governo e por entidades civis; • criar um programa de 
coleta seletiva solidária, estimulando seus funcionários, clientes e fornecedores no processo de gestão dos resíduos; • 
promover eventos comemorativos; • fazer pesquisa sobre o ciclo de vida de seus produtos; • desenvolver programas e 
projetos sociais com base na reciclagem e no reaproveitamento do lixo; • seguir a legislação específica; • divulgar 
informações sobre a destinação final de seus materiais e sua reutilização, quando possível; • adequar suas ações e 
políticas às políticas nacional, estadual e municipal de resíduos sólidos; • criar comitês internos de reciclagem. 
- A empresa que desenvolve um programa de coleta seletiva atua em duas dimensões:​ a ambiental (porque 
contribui para preservar o meio ambiente), e a social (porque doa os recicláveis para uma cooperativa, gerando emprego 
e renda para seus membros). 
- As empresas estão mais atentas à questão da gestão estratégica de resíduos:​ é comum a parceria com cooperativas 
locais de catadores de lixo com o objetivo de alavancar a indústria de reciclagem. 
- Reciclagem:​ outra forma de reduzir o acúmulo de lixo em nossa sociedade. É o retorno da matéria-prima ao ciclo de 
produção do qual foi descartado. É o conjunto de técnicas envolvidas nesse processo de reaproveitamento da 
matéria-prima já utilizada anteriormente. 
- Reciclagem:​ Consiste na coleta dos materiais que se tornaram lixo – ou já estão no lixo –, na sua separação e no seu 
posterior processamento. 
- Por que reciclar:​ (1) para reduzir o volume do lixo, um dos maiores problemas do nosso século; (2) para preservar a 
natureza desses dejetos e, também, para poupá-la de mais extração de seus recursos naturais; (3) para reduzir a poluição 
do ar, da água e do solo. 
- Vantagens que a reciclagem traz para as empresas:​ (1) redução do custo de embalagens devido ao 
reaproveitamento dos recipientes reciclados e, também, diminuição do custo de compra ou de fabricação das 
embalagens utilizadas em seus produtos; (2) aumento da sua produção, pois grande parte da matéria-prima utilizada é 
reaproveitada; (3) empresa se posiciona no mercado de forma ambientalmente sustentável e comprometida com a 
redução do lixo em nossa sociedade. 
- São considerados recicláveis: aqueles resíduos que constituem interesse de transformação e que têm mercado ou 
operação que viabiliza sua transformação industrial. 
- Exemplos dos benefícios da reciclagem:​ • cada 50 quilos de papel reciclado (papel usado, transformado em papel 
novo) evita que uma árvore seja derrubada; • cada 50 quilos de alumínio usado e reciclado evita que sejam extraídos do 
solo cerca de 5.000 quilos de minério (a bauxita); • com cada quilo de vidro quebrado é possível fazer um quilo de vidro 
novo. 
- Como reciclar:​ por meio da coleta seletiva do lixo, um compromisso que deve ser assumido por todos: cidadãos, 
empresas e governos. 
- Alguns exemplos de produtos recicláveis:​ folhas e aparas de papel, jornais, revistas, caixas, papelão, formulários de 
computador, cartolinas, cartões, envelopes, rascunhos escritos, impressos em geral, Tetra Pak e outros. Dentre os 
metais, as latas de alumínio, de aço, de alimentos em geral, ferragens, canos, esquadrias, arame e outros. Dentre os 
plásticos, tampas, potes de alimentos, recipientes de limpeza e higiene, PVC, PETs, sacos plásticos, brinquedos, baldes 
e outros. Dentre os vidros, potes, copos, garrafas, frascos e outros. 
- Como induzir as empresas a desempenhar o papel da reciclagem: (​1) obrigar as empresas a cuidar do destino final 
dos seus produtos, mediante a inserção do custo da reciclagem no preço do produto (assim, o cliente, ao comprar o 
produto, pagará o custo da reciclagem que está embutido no preço final e, em contrapartida, quando o cliente não quiser 
mais o produto, ou porque se tornou obsoleto, ou porque parou de funcionar, devolverá o produto para a empresa de 
origem); (2) as empresas podem adotar é conscientizar o consumidor a fazer a coleta seletiva do seu lixo, evitando, 
dessa forma, o descartesimples de seus produtos, seja em lata de lixo, terreno baldio ou qualquer lugar irregular; (3) 
obrigar algumas empresas, no ato da venda de um produto, a exigir do consumidor o produto antigo (exemplo, as 
empresas de telefonia celular só venderiam os novos aparelhos caso recebessem de volta os antigos, ou poderiam exigir 
do cliente a comprovação, via número ativado do antigo telefone celular, de que o antigo aparelho ainda está em uso). 
- Compete ao governo criar políticas de reciclagem para os diversos setores da economia, apoiar a criação de 
cooperativas de cata-dores de lixo, com condições salubres de trabalho, para que todo e qualquer tipo de lixo tenha seu 
destino certo e possa ser efetivamente reaproveitado. 
- Etapas do processo de reciclagem pelo modelo de logística reversa do produto reciclado (a empresa prioriza a 
destinação final e reciclagem do produto em detrimento da sua produção e distribuição):​ • coleta do produto 
descartado na casa do cliente ou na revenda; • desmontagem do produto nas próprias revendas ou na fábrica; • 
reintrodução dos materiais no ciclo produtivo. 
- Alternativas das empresas para se livrarem do seu e-lixo (lixo eletrônico proveniente do descarte das peças dos 
computadores e pertiféricos):​ (1) Reuso: forma de aumentar a vida útil dos eletrônicos. Algumas empresas os 
repassam adiante para outra empresa localizada em países pobres. O problema é que, em pouco tempo, eles viram 
sucata e, ao serem descartados, poluem o ambiente; (2) Incineração: o que fazem muitas empresas. A incineração dos 
eletrônicos libera metais pesados, como o chumbo, o cádmio e o mercúrio, e em forma de cinzas, e isso, ao ser 
despejado nos rios, pode chegar à nossa cadeia alimentar por meio dos peixes que comemos; (3) Reciclagem: 
reaproveitamento dos materiais que são utilizados na confecção de novos aparelhos, mas traz riscos de contaminação 
para as pessoas que trabalham na reciclagem; (4) Design verde: consiste na substituição do material usado; por 
exemplo, o chumbo das soldas pode ser trocado por liga de estanho. Muitas empresas decidiram, por exemplo, trocar o 
PVC em seus produtos por materiais similares; (5) Aterros: a pior alternativa. Empresas que o fazem ou permitem 
fazê-lo poluem o solo, pois seus equipamentos eletrônicos liberam elementos tóxicos ao serem enterrados no solo, 
afetando o ambiente e as comunidades em seu entorno. 
- Quando reutilizado, reciclado e reaproveitado, o lixo sob a forma de resíduos adquire um elevado valor agregado. 
- Por que o lixo tornou-se um produto de alto valor agregado:​ (1) porque ele retorna ao ciclo de produção da 
empresa, sob a forma de novos recursos produtivos, reduzindo enormemente os seus custos de produção; (2) porque as 
atividades de coleta seletiva de lixo, indispensáveis para a reciclagem, são geradoras de emprego e renda, e alavancam 
novos negócios; (3) porque a economia do lixo tem um enorme escopo de utilização, que faz dele não apenas uma fonte 
de recursos renováveis, mas, sobretudo, uma fonte de geração de energia; (4) porque o aproveitamento do lixo demanda 
uso e aplicação de novas tecnologias. O melhor exemplo é a tecnologia bottom to bottom, utilizada no reaproveitamento 
das garrafas PET, recicladas para a fabricação de novas garrafas PET; (5) porque o reaproveitamento e reúso dos 
resíduos diminui as agressões ao meio ambiente.​ 
Aula 12 – O Consumo Consciente​ 
- Consumo consciente:​ ato de consumir com a compreensão do impacto que ele tem sobre o planeta e orientado para a 
sustentabilidade. 
- Uma pesquisa realizada em novembro de 2008 pelo Grupo Havas Digital em nove países, inclusive no Brasil, 
dividiu os consumidores em três categorias, de acordo com os seus diferentes comportamentos em relação à 
questão ambiental:​ os ecoindiferentes (totalmente indiferentes aos impactos do consumo no planeta e na so-ciedade), 
os ecoatentos (apenas têm conhecimento da importância do consumo consciente) e os ecoengajados (comprometidos 
com as práticas do consumo consciente). 
- A compra consciente é o primeiro passo para se chegar ao efetivo compromisso com o consumo consciente. 
- Compra consciente:​ é o oposto da compra por impulso, que é a compra sem reflexão, apenas movida pelo desejo de 
posse e de uso. 
- O comprador consciente começa o seu processo de conscientização mudando os seus hábitos de compra e, em um 
segundo momento, dando preferência aos produtos verdes produzidos e vendidos por empresas que honram seus 
compromissos socioambientais. 
- Compra consciente: é aquela na qual o consumidor está consciente do seu ato de consumo. Isso significa a certeza de 
que ele realmente necessita de algo para melhorar sua qualidade de vida. Ele compra porque quer mais conforto, 
segurança e saúde. 
- Fatores que o consumidor consciente leva em consideração no ato da compra:​ • se o produto é ecologicamente 
correto (se não contém agrotóxicos, se não causa danos ao meio ambiente, se é feito de material reciclável e se não 
possui embalagem que não seja biodegradável); • se a empresa fabricante do produto ou prestadora de serviço 
desenvolve ações socioambientais, se os seus produtos e serviços são certificados, se a sua gestão se destaca pela ética e 
pela transparência, se tem um bom relacionamento com os seus stakeholders e se goza de uma boa reputação no 
mercado e na sociedade); • investiga as origens do produto ou serviço: se os fornecedores, prestadores de serviços, 
franqueados e representantes são empresas social e ambientalmente responsáveis, se o uso de matérias-primas e 
subprodutos obedece a critérios sustentáveis e se não violam os direitos sociais e humanos elementares, como, por 
exemplo, não empregar mão-de-obra infantil, não discriminar minorias, não usar trabalho escravo e dar oportunidades 
de emprego para mulheres, jovens, portadores de deficiência e idosos. 
- Esses fatores citados acima constituem o que denominamos questões básicas do consumo consciente. 
- Questões secundárias para o consumidor consciente:​ preço, qualidade, marca e condições de financiamento e 
serviços complementares. 
- Diferenças entre o consumidor consciente e o consumidor compulsivo:​ Consumidor consciente (• Só compra o que 
é necessário para seu bem-estar e o que o seu dinheiro permite; • Tem consciência de que cada atitude sua como cidadão 
e consumidor gera uma reação em cadeia que afeta todas as outras pessoas, o meio ambiente, as relações sociais e a 
economia); Consumidor Compulsivo (• Compra mais produtos do que precisa, gastando mais dinheiro do que pode; • 
Age e pensa apenas no seu próprio conforto, sem se preocupar com as conseqüências dos seus atos). 
- As 10 diretrizes divulgadas pela ONU em prol do consumo concicente:​ (1) assegurar que as instituições educativas 
reflitam na sua gestão diária as prioridades para o desenvolvimento sustentável; (2) incluir no currículo formal temas, 
tópicos, módulos, cursos e disciplinas de educação para o consumo sustentável; (3) estimular a investigação em áreas 
relacionadas à educação para consumo sustentável; (4) fortalecer os laços entre pesquisadores, professores, atores eagentes socioeconômicos; (5) aumentar a cooperação entre profissionais de diferentes disciplinas para desenvolver 
abordagens integradas de educação para o consumo sustentável; (6) fornecer educação e formação para os professores 
que irão reforçar perspectivas globais, construtivas e voltadas para o futuro; (7) recompensar o pensamento criativo, 
inovador e crítico sobre o consumo sustentável; (8) garantir que a educação para o consumo sustentável observe a 
importância do conhecimento indígena e reconheça os estilos de vida alternativos; (9) incentivar a aprendizagem entre 
gerações com relação ao consumo sustentável; (10) gerar oportunidades para a aplicação prática do estudo teórico por 
meio do envolvimento da comunidade e do serviço comunitário. 
- Seguir as diretrizes divulgadas pela ONU é o melhor caminho em busca da maior conscientização de pessoas, grupos e 
toda a sociedade para a prática do consumo consciente. 
- As grandes magazines e os shopping center fomentam o consumo supérfluo e o hiperconsumo, ambos centrados mais 
no prazer de comprar do que na necessidade de consumir. 
- A grande maioria desses templos de consumo fácil, supérfluo e não-consciente não é empreendimento sustentável, 
pois gastam bastante energia, produzem muito lixo, poluem visualmente a cidade, provocam engarrafamentos no 
trânsito das imediações, produzem excesso de ruídos e poluição atmosférica. 
- O consumo consciente antecede o consumo sustentável no processo de educação para o novo consumo. 
- A prática do consumo consciente é o primeiro estágio na conquista de uma nova consciência planetária. O consumo 
responsável é um estágio mais avançado. Ambos, consumo consciente e consumo sustentável ou responsável, 
constituem o novo paradigma da educação para um mundo melhor. 
- O consumo consciente refere- se mais a produtos do que a recursos naturais e está mais diretamente associado ao ato 
de comprar. 
- O consumo sustentável está relacionado ao consumo de recursos naturais e ao ato de poupar. 
- O consumo sustentável ou responsável é, portanto, mais relacionado à economia natural e aos recursos ambientais, 
enquanto o consumo consciente é mais voltado para a economia do consumo e os recursos econômicos. 
- Diz-se que alguém pratica o consumo consciente quando limita e prioriza os seus gastos na compra de produtos e 
serviços; e que alguém pratica o consumo responsável ou sustentável quando busca o equilíbrio no uso dos recursos 
naturais em sua interação permanente com a natureza. Exemplo: o consumidor, quando gasta menos e é mais seletivo 
em seus gastos, pratica o consumo consciente. Quando o cidadão poupa energia e utiliza fontes alternativas desse 
recurso, ele pratica o consumo sustentável ou responsável. 
- O consumo consciente tem como seus maiores inimigos as mensagens enganosas da publi cidade e a febre de consumo 
consumista dos templos de consumo. 
- O consumo sustentável ou responsável tem na natureza e no meio ambiente seus maiores aliados. 
- Objetivo do consumo consciente:​ desenvolver novos hábitos de consumo. 
- Objetivo do consumo sustentável ou responsável:​ preservar o meio ambiente e desenvolver a sociedade em sua 
totalidade. 
- Ambas são mudanças que devem ocorrer na consciência individual e coletiva de pessoas, grupos, organizações, 
comunidades e sociedades. 
- A participação das empresas no movimento em prol do consumo sustentável ou responsável tem sido cada vez maior. 
- Exemplos de empresas que apóiam o movimento de consumo sustentável ou responsável:​ empresas que lançam 
produtos e serviços que poupam recursos naturais, que adotam práticas de reutilização desses recursos e que geram 
grandes economias no consumo desses recursos, como, por exemplo, os produtos que poupam energia, os produtos que 
contribuem para a redução do colesterol e para ativar o funcionamento de determinados órgãos do corpo humano, os 
serviços que permitem às pessoas terem um convívio harmonioso com a natureza, e produtos e serviços que contribuem 
para a preservação do meio ambiente. 
- Comportamento sustentável:​ vai além das práticas de consumo consciente e sustentável. 
- Objetivo do comportamento sustentável:​ não se resume à adoção de práticas de redução e seleção dos produtos a 
serem consumidos (consumo consciente) e à preocupação com o impacto desse consumo na preservação do meio 
ambiente (consumo sustentável). Compreende a dimensão da sustentabilidade econômica, social, cultural e ambiental 
daqueles que produzem esses produtos a serem consumidos. 
- Aquele que adota um comportamento sustentável é consciente nas suas compras, conhece os impactos ambientais 
daquilo que compra (produto + embalagem) e valoriza a procedência dos produtos que compra. E, ao comprá-los, 
contribui para a melhoria da sua qualidade de vida e da qualidade de vida das comunidades que produzem tais produtos. 
- Comportamento sustentável:​ compreende um conjunto de práticas que as pessoas devem adotar no seu dia-a-dia, em 
suas casas, seus locais de trabalho, nas áreas que freqüentam para diversão e lazer, e nas ruas. 
- Assumir um comportamento sustentável é conhecer a procedência dos produtos e ter a dimensão do impacto dos seus 
hábitos diários sobre a natureza. 
- Se compramos produtos feitos por comunidades tradicionais, se economizamos energia e água, se compramos 
produtos realmente necessários e não supérfluos e se fazemos a coleta seletiva do nosso lixo, estamos assumindo um 
comportamento sustentável. 
- Ter um comportamento sustentável é ter uma vida mais saudável, com o consumo de alimentos que fazem bem à 
saúde, a prática de exercícios diários, além do cumprimento dos horários normais de trabalho e descanso. 
- Ter um comportamento sustentável é ter consciência dos seus direitos básicos e da sua responsabilidade, como, por 
exemplo, respeitar as leis de trânsito e não fumar em lugares onde tal prática é proibida. 
- Desafios a serem vencidos por todos – empresas, governos, mídia e sociedade:​ Formar cidadãos conscientes e não 
consumidores irresponsáveis. Preservar os recursos naturais e não degradá-los. 
- Consumidor consciente:​ é aquele que adota práticas de consumo consciente e práticas de consumo sustentável ou 
responsável. 
- Alguns comportamentos do consumidor consciente, segundo a pesquisa “Descobrindo o consumidor 
consciente”, realizada em 2004 pelo Instituto Akatu:​ • evita deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados; • 
fecha a torneira enquanto escova os dentes; • desliga aparelhos eletrônicos quando não os está utilizando; • costuma 
planejar a compra de alimentos; • costuma pedir nota fiscal quando faz compras; • costuma planejar a compra de 
roupas; • costuma usar o verso de folhas de papel já utilizadas; • lê o rótulo atentamente antes de decidir comprar; • 
separa o lixo para reciclagem; • não costuma guardar alimentos quentes na geladeira; • compra produtos feitos com 
material reciclado nos últimos meses; • comprou produtos orgânicos nos últimos seis meses; • apresenta queixa, quando 
necessário, a algum órgão de defesa do consumidor. 
- Os quatro tipos de consumidores identificados pela pesquisa:​ (1) os comprometidos (os ecoengajados); (2) os 
conscientes (os ecoatentos); (3) os indiferentes (os ecoindiferentes);(4) os iniciantes (os ecolatentes). 
- Exercício do consumo consciente, segundo a pesquisa:​ planejar a compra de alimentos, pedir nota fiscal quando se 
faz compras e ler o rótulo atentamente antes de decidir comprar. 
- Os demais aspectos considerados na pesquisa estão mais relacionados ao comportamento sustentável ou responsável 
dos consumidores e todos os aspectos abordados na pesquisa caracterizam a prática do consumo sustentável. 
- O número de consumidores conscientes é cada vez maior, e o consumo consciente é uma prática já conhecida por 
muitos segmentos da sociedade brasileira. 
- Diferença entre consumo sustentável e consumo consciente:​ consumo sustentável e responsável evita a poluição da 
natureza, luta pela preservação das matas e contribui para a preservação ambiental. Consumo consciente orienta o 
cliente a consumir produtos mais saudáveis. Quando se unem os dois objetivos, temos um caso de estímulo ao consumo 
consciente e sustentável.​ 
Aula 13 – Governança Corporativa​ 
- Principal objetivo da governança corporativa:​ promover a democracia societária, um sistema de equilíbrio de poder 
que envolve acionistas, majoritários e minoritários, e os administradores da empresa, mediante a criação de órgãos 
como assembléia de acionistas, conselhos de administração e fiscal e obrigatoriedade de publicar balanços e relatórios. 
- Ações:​ direitos à propriedade de uma empresa,ou seja, uma ação confere a seu dono uma fração da propriedade da 
empresa”. É um título negociável que representa uma fração mínima do capital social de uma empresa de capital aberto, 
ou seja, de uma empresa tipo sociedade anônima. 
- Tipos de ações existentes:​ (1) Ações preferenciais nominativas (PN) → confere ao titular prioridades na distribuição 
dos dividendos e no reembolso do capital; não dá direito a voto ao acionista na assembléia geral da empresa; (2) Ações 
ordinárias nominativas (ON) → confere ao titular os direitos essenciais do acionista, em especial participação nos 
resultados da companhia e direito a voto nas assembléias da empresa. 
- Tipos de empresas:​ empresa individual, empresa limitada e empresa sociedade anônima. 
- Somente a sociedade anônima pode abrir o capital e negociar suas ações. 
- Empresa individual:​ formada por uma única pessoa, normalmente profissionais liberais. 
- Empresa limitada:​ constituída por duas ou mais pessoas que se juntam para criar uma empresa, formando uma 
sociedade, por meio de um contrato social, no qual constarão as normas da empresa e o capital social. O capital social 
será dividido em cotas per capita (cada sócio possui um número definido de cotas), o que indica que a responsabilidade 
pelo pagamento das obrigações da empresa é limitada à participação dos sócios. 
- Empresa de sociedade anônima (S.A.):​ capital social não se encontra atribuído a um nome específico, mas está 
dividido em ações que podem ser transacionadas livremente. Por ser uma sociedade de capital, prevê a obtenção de 
lucros a serem distribuídos aos acionistas. 
- Abrir o capital:​ processo pelo qual os proprietários de uma empresa de sociedade anônima decidem vender parte de 
sua empresa para os investidores em geral, ou seja, aqueles que acreditam no futuro da empresa e decidem comprar 
parte de suas ações. 
- Razão da venda de ações:​ o desejo da empresa de captar recursos financeiros para cobrir seus novos investimentos. 
Ao lançar ações na Bolsa de Valores, a empresa atrai novos investidores. 
- Primeira prática de governança corporativa:​ uma administração participativa, transparente e profissional cuja 
principal característica é o foco nos investidores das empresas. 
- Governança corporativa:​ são as práticas e os arranjos institucionais que regem as relações entre os acionistas e as 
administrações das empresas. 
- Governança corporativa:​ pode ser definida como um conjunto de procedimentos de gestão que visa regular os 
interesses dos investidores-acionistas da empresa. 
- Principais reflexos da governança corporativa no Brasil:​ • as empresas tornam-se mais responsáveis e prestam 
contas de suas ações; • constituição de Conselhos de Administração: elegem seus membros (conselheiros) e fiscalizam 
de perto as ações e decisões de seus executivos; • maior engajamento dos representantes dos cidadãos proprietários da 
empresa, que aumentam a sua vigilância sobre o desempenho da mesma; • criação de sistemas e processos de avaliação 
de desempenho da empresa feitos por auditorias externas. 
- Governança corporativa:​ sistema de gestão voltado para a alta administração que permite o equilíbrio de poder entre 
os gestores e os acionistas e proporciona transparência a todos os seus atos. 
- Objetivo da governança corporativa:​ dar mais transparência aos atos de gestão dos administradores da empresa e 
trata com equidade os acionistas minoritários, além de prestar contas aos diversos públicos-alvo da empresa. 
- Componentes de um sistema de governança corporativa:​ • Conselhos de Administração; • Diretoria Executiva; • 
Conselho Fiscal; • Auditoria Externa; • Comitês de Negócios e de Gestão. 
- Conselho de Administração:​ órgão colegiado e autônomo, cujos membros são eleitos em Assembléia Geral 
Ordinária para um mandato de um a dois anos. Seus membros representam os acionistas controladores e os acionistas 
minoritários. 
- Diretoria Executiva:​ unidade responsável pela gestão dos negócios da empresa. É composta por um presidente e 
diversos diretores eleitos pelo Conselho de Administração. 
- Conselho Fiscal:​ unidade responsável pelo assessoramento do Conselho de Administração na avaliação das contas. 
- Auditoria Externa:​ compete fiscalizar e monitorar as contas da empresa. 
- Comitês de Negócios e de Gestão:​ funcionam como fóruns de discussão de temas específicos. 
- Algumas empresas utilizam como componentes de seus sistemas de governança corporativa outras unidades, tais 
como auditoria interna e comitês do Conselho de Administração, que atuam como fóruns de discussão de temas 
estratégicos e unidades de assessoramento do Conselho de Administração. 
- Objetivo dos princípios de governança corporativa: garantir a integridade das corporações em seus processos de gestão 
e de relacionamento com as partes interessadas, além de manter a saúde das organizações e sua estabilidade. 
- Princípios da governança corporativa:​ (I) Garantir a base para um sistema eficaz de governança corporativa → o 
sistema de governança corporativa deve promover mercados transparentes e eficazes e ser coerente com o Estado de 
Direito, além de articular com clareza a divisão de responsabilidades entre as diferentes autoridades supervisoras, 
reguladoras e executoras da lei; (II) Direitos dos acionistas e principais funções da propriedade → o sistema de 
governança corporativa deve proteger e facilitar o exercício dos direitos dos acionistas; (III) Tratamento equitativo dos 
acionistas → o sistema de governança corporativa deve garantir o tratamento equitativo de todos os acionistas, inclusive 
os minoritários e estrangeiros. Todos os acionistas devem ter oportunidade de obter reparação efetiva por violação de 
seus direitos; (IV) Papel de outras partes interessadas na governança corporativa →o sistema de governança corporativa 
deve reconhecer os direitos de outras partes interessadas, previstospor lei ou por acordos mútuos, e estimular a 
cooperação ativa entre corporações e partes interessadas para criar riqueza, empregos e sustentabilidade de empresas 
financeiramente sólidas; (V) Divulgação e transparência → o sistema de governança corporativa deve garantir 
divulgação precisa e oportuna de todas as questões relevantes relacionadas com a corporação, inclusive situação 
financeira, desempenho, composição societária e governança da empresa; (VI) Responsabilidades do Conselho de 
Administração → o sistema de governança corporativa deve garantir a orientação estratégica da empresa, o 
monitoramento eficiente da administração pelo Conselho e a prestação de contas, pelo Conselho, à empresa e aos 
acionistas. 
- Princípio de governança corporativa utilizado pelo Banco Bradesco:​ ao manter uma constante comunicação com 
seus acionistas, adota o princípio V (divulgação e transparência). Suas ações de comunicação garantem uma divulgação 
precisa e oportuna de todas as questões relevantes relacionadas com a corporação, como, por exemplo, informações 
sobre a situação financeira, desempenho, composição societária e governança da empresa. 
- Conselho de Administração:​ autoridade suprema da empresa; órgão que, na hierarquia da empresa, está acima do 
presidente e dos demais membros da diretoria e para o qual os executivos da empresa devem prestar contas de seus atos. 
- Principais funções do Conselho de Administração:​ • assegurar o bom desempenho da empresa, que se reflete na 
busca da lucratividade e no retorno para os seus acionistas; • defender os interesses dos investidores institucionais 
(acionistas majoritários e minoritários); • assessorar os executivos da empresa em seus processos de gestão; • definir os 
objetivos estratégicos da empresa e monitorar os resultados. 
- Os Conselhos de Administração devem decidir questões da maior importância para a sobrevivência e para o futuro da 
empresa, como, por exemplo, para que serve a empresa, como ela vai criar valor para a sociedade e para os seus 
acionistas e manter-se lucrativa, o que ela vai produzir e comercializar e qual será o seu portfólio de produtos e serviços. 
- Como o Conselho representa o mais alto nível de gestão da empresa, seus membros são responsáveis pela definição, 
implantação e avaliação das estratégias-chave da empresa. 
- Atribuições do Conselho de Administração:​ definir a estratégia de negócios, decidir sobre a eleição e a destituição 
do principal executivo da empresa (no caso, o presidente) e demais executivos (no caso, os diretores), acompanhar a 
gestão, monitorar os riscos e indicar ou substituir auditores independentes para aprovação das contas (balanços e 
balancetes da empresa). 
- Tipos de Conselhos de Administração:​ • o modelo de empresa governada (John Pound); • o modelo de classificação 
dos Conselhos (Charan); • a teoria dos 3 I’s (Peter Drucker). 
- Modelo de empresa governada, de John Pound:​ estabeleceu as diferenças entre dois modelos de empresas: a 
gerenciada e a governada. 
- Empresa gerenciada:​ (1) O papel do Conselho de Administração é controlar, monitorar e, quando necessário, 
substituir a gerência; (2) O Conselho tem poder para controlar o CEO; (3) O Conselho está comprometido com a 
avaliação do CEO e atua independentemente da gerência; (4) O objetivo do Conselho é avaliar a atuação dos gerentes; 
(5) As reuniões do Conselho não têm a presença do CEO. 
- Empresa governada:​ (1) O papel do Conselho de Administração é fomentar decisões eficazes e revogar políticas 
inadequadas; (2) O Conselho tem expertise para contribuir para o desenvolvimento da empresa; (3) O Conselho está 
comprometido com a criação de valor para a empresa; (4) O objetivo principal do Conselho é promover o debate e 
auxiliar a gerência; (5) Algumas reuniões do Conselho contam com a presença do CEO e dos acionistas. 
- Crítica de John Pound sobre a atuação dos Conselhos nas empresas gerenciadas:​ na maioria das empresas, o 
papel do sistema de governança corporativa se limita a selecionar os executivos tidos como mais adequados a monitorar 
seus desempenhos e a substituí-los em caso de resultados insatisfatórios. 
- Novo papel proposto por John Pound para a governança corporativa:​ a governança corporativa não tem a ver 
com o poder; trata-se de descobrir meios de assegurar a eficácia das decisões. 
- Modelo de classificação dos conselhos, de Charan:​ define as seguintes prioridades para os Conselhos de 
Administração: • conduzir com acerto o processo sucessionário; • aprimorar estratégias vencedoras; • desenvolver 
pacotes de remuneração racionais e motivadores para os presidentes (CEOs). 
- Classificação dos Conselhos de Administração, segundo Charan:​ • Os ritualísticos (conselhos que pouco inovam, 
seguem procedimentos padrões e pouco se comunicam com os CEOs); • Os liberais (conselhos ativos, inovadores, 
atuantes, que interagem com os CEOs e avaliam constantemente sugestões);e • Os progressistas (os mais inovadores; 
priorizam as questões-chave do negócio; suas idéias são assimiladas pelos CEOs e se tornam fontes de vantagem 
competitiva para a empresa). 
- A Teoria dos 3 I’s, de Peter Druker:​ identifica os três fatores que afetam o desempenho dos Conselhos de 
Administração que, juntos, formam os 3 I’s: • A informação (os conselheiros não recebem as informações relevantes 
sobre o desempenho das empresas. São mal informados, pois recebem apenas relatórios financeiros secundários: um 
relato de despesa e nada mais); • A influência (os conselheiros, ao invés de exercerem influência sobre os executivos da 
empresa, são por eles influenciados. Os executivos submetem o Conselho aos seus caprichos e sobre ele exercem uma 
tutela permanente); • A incompetência (constituído de pessoas sem a necessária qualificação técnica e conhecimento da 
empresa e do negócio, os membros do Conselho revelam-se incompetentes para exercer sua função). 
- As práticas de governança corporativa (GC) baseiam-se em valores que devem nortear o comportamento dos 
executivos e gerentes da empresa, sobretudo no seu relacionamento com os acionistas. 
- Princípios básicos da governança corporativa:​ • transparência no fluxo e na divulgação das informações; • eqüidade 
no acesso e trato com todos aqueles com quem a empresa se relaciona societariamente; • prestação de contas 
regularmente por parte dos agentes responsáveis pela gestão da empresa; • responsabilidade socioambiental da 
corporação. 
- Transparência:​ se traduz não apenas na obrigação de informar, mas, sobretudo, no desejo de informar. A empresa 
que pratica a transparência publica balanços e relatórios (balanço social, relatórios financeiros, relatórios de 
sustentabilidade e outros) deve enviá-los a todos os seus acionistas e publicá-los na mídia. 
- Eqüidade:​ tratamento justo e igualitário de todos, de acionistas, sejam minoritários ou majoritários, e de grupos 
controladores. 
- O direito igualitário é feito por meio da garantia dos direitos fundamentais:​ direito essencial de voto, direito 
essencial de participação nos lucros, direito essencial de fiscalização de gestão dos negócios, direito essencial de 
retirar-se da sociedade ou vender suas ações. 
- Prestação de contas:​refere-se à divulgação de relatórios e contratos. 
- Responsabilidade corporativa:​ ênfase da empresa às questões socioambientais e que se traduz em programas e 
projetos geradores de impacto social. 
- Objetivo do Código Brasileiro de Melhores Práticas de Governança Corporativa:​ indicar caminhos para todos os 
tipos de sociedade comercial, visando aumentar seu valor, melhorar seu desempenho, facilitar o acesso ao capital a 
custos mais baixos e contribuir para a sua sustentabilidade a longo prazo. 
- Práticas adicionais de governança corporativa:​ • a extensão para todos os acionistas das mesmas condições obtidas 
pelos controladores quando da venda do controle da companhia; • mandato unificado de um ano para todo o Conselho 
de Administração; • disponibilização de balanço anual; • obrigatoriedade de realização de uma oferta de compra de 
todas as ações em circulação, pelo valor econômico, nas hipóteses de fechamento do capital ou cancelamento do 
registro de negociação no Novo Mercado; • adesão à Câmara de Arbitragem para resolução de conflitos societários. 
- Novo Mercado:​ lançado pela BM&F Bovespa em dezembro de 2000, é um compromisso assumido pelas empresas 
que dele fazem parte, de adotar práticas de governança corporativa adicionais em relação ao que é exigido pela 
legislação e também que vão além dos níveis estipulados por ela. 
- Por que uma das principais exigências para ingressar no segmento do Novo Mercado é não permitir que o 
presidente da empresa acumule as funções de presidente do Conselho de Administração:​ A adesão de empresas ao 
Novo Mercado segue uma série de regras societárias, denominadas boas práticas de governança corporativa, que vão 
além das regras básicas da governança corporativa. De acordo com as regras básicas, compete ao Conselho de 
Administração monitorar o desempenho do presidente da empresa, decidir sobre sua eleição e destituição, se necessário 
for. Sendo assim, ambos os cargos, presidência da empresa e presidência do Conselho de Administração, não podem ser 
exercidos pela mesma pessoa no Novo Mercado. 
- A governança corporativa (GC) é mais do que um conjunto de práticas de gestão. É um modelo de gestão voltada para 
a defesa dos stakeholders e, sobretudo, dos stockholders (acionistas). 
- O maior ganho da governança corporativa foi o de sujeitar as decisões e ações dos CEOs à aprovação, ao controle e à 
fiscalização de membros do Conselho de Administração das empresas. Era o fim da supremacia dos CEOs e o advento 
de uma nova era do apogeu dos novos capitalistas.

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