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ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 1 
ANATOMIA DO PESCOÇO 
CONSIDERAÇÕES GERAIS 
 O pescoço é a área de transição entre a base do crânio superiormente e as clavículas inferiormente. 
 Une a cabeça ao tronco e aos membros, atuando como importante conduto entre eles, por onde passam 
diversas estruturas. 
 Estão localizados vários órgãos importantes com funções específicas: a laringe e as glândulas tireoide e 
paratireoides, por exemplo. 
 O pescoço é relativamente delgado a fim de permitir a flexibilidade necessária para posicionar a cabeça e 
maximizar a eficiência de seus órgãos sensitivos (sobretudo os olhos, mas também as orelhas, a boca e o nariz). 
 Muitas estruturas importantes estão aglomeradas no pescoço, como músculos, glândulas, artérias, veias, 
nervos, vasos linfáticos, traqueia, esôfago e vértebras. 
 O pescoço é, portanto, uma região bem conhecida de vulnerabilidade. Existem várias estruturas vitais, entre 
elas a traqueia, o esôfago e a glândula tireoide, não têm a proteção óssea existente em outras partes dos 
sistemas aos quais elas pertencem. 
 O principal fluxo sanguíneo arterial para a cabeça e o pescoço (as artérias carótidas) e a principal drenagem 
venosa (as veias jugulares) ocupam posição anterolateral no pescoço. 
 Os vasos sanguíneos carotídeos/jugulares são as principais estruturas lesadas em feridas do pescoço por 
instrumentos penetrantes. 
 Os plexos braquiais de nervos originam-se no pescoço, seguem em sentido inferolateral, entram nas axilas e 
continuam até os membros superiores, os quais suprem. 
 No meio da face anterior do pescoço está a cartilagem tireóidea, a maior cartilagem da laringe, e a traqueia. 
A linfa proveniente de estruturas na cabeça e no pescoço drena para linfonodos cervicais. 
OSSOS DO PESCOÇO 
O esqueleto do pescoço é formado pelas: 
 vértebras cervicais 
 osso hioide 
 manúbrio do esterno 
 clavículas 
Esses ossos são partes do esqueleto axial, com exceção das clavículas, que são parte do esqueleto apendicular 
superior. 
Vértebras cervicais 
Sete vértebras cervicais formam a região cervical da coluna vertebral, que encerra a medula espinal e as meninges. Os 
corpos vertebrais empilhados e posicionados centralmente sustentam a cabeça, e as articulações intervertebrais (IV) 
– sobretudo as articulações craniovertebrais em sua extremidade superior – proporcionam a flexibilidade necessária 
para permitir o posicionamento da cabeça. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 2 
 
Figura 9.1 Dissecção da região anterior do pescoço. A fáscia foi removida e os músculos do lado esquerdo foram rebatidos para mostrar 
o hioide, a glândula tireoide e as estruturas relacionadas com a bainha carótica; a artéria carótida, a veia jugular interna (VJI), o nervo 
vago (NC X) e os linfonodos cervicais profundos. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 3 
 
Figura 9.2 Vértebras cervicais. A. As vértebras cervicais III a VI são “típicas”; enquanto as vértebras I, II e VII são 
“atípicas”. B e C. Ilustração e radiografia de vértebras cervicais articuladas. D. Vértebra cervical típica que mostra um corpo retangular, 
com uncos articulares nas faces laterais, um forame vertebral triangular, um processo espinhoso bífido e forames transversários. 
 
As vértebras cervicais, as articulações IV cervicais e o movimento da região cervical da coluna vertebral foram 
descritos junto com o dorso (Capítulo 2, Dorso). Portanto, a seguir é feita apenas uma rápida revisão. 
 
As quatro vértebras cervicais típicas (III a VI) têm as seguintes características: 
•O corpo vertebral é pequeno e mais longo no sentido laterolateral do que no sentido anteroposterior; a face 
superior é côncava e a face inferior é convexa 
•O forame vertebral é grande e triangular 
•Os processos transversos de todas as vértebras cervicais (típicas ou atípicas) incluem forames 
transversários para os vasos vertebrais (as veias vertebrais e, com exceção de C VII, as artérias vertebrais) 
•As faces superiores dos processos articulares estão voltadas em sentido superoanterior, e as faces inferiores 
estão voltadas em sentido inferoposterior 
•Os processos espinhosos são curtos e, em indivíduos de ascendência europeia, bífidos. 
Existem três vértebras cervicais atípicas (C I, C II e C VII): 
1.A vértebra C I ou atlas: um osso anular e reniforme que não tem processo espinhoso nem corpo e consiste em 
duas massas laterais unidas por arcos anterior e posterior. Suas faces articulares superiores côncavas recebem 
os côndilos occipitais 
2.A vértebra C II ou áxis: um dente, semelhante a um pino, projeta-se de seu corpo para cima 
3.A vértebra proeminente (C VII): assim denominada por causa do processo espinhoso longo, que não é bífido. 
Os processos transversos são grandes, mas os forames transversários são pequenos. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 4 
Hioide 
 O hioide é um osso móvel situado na parte anterior do pescoço, no nível da vértebra C III, no ângulo entre a 
mandíbula e a cartilagem tireóidea. 
 É suspenso por músculos que o unem à mandíbula, aos processos estiloides, à cartilagem tireóidea, ao 
manúbrio do esterno e às escápulas. 
 É um osso singular em razão de sua separação do restante do esqueleto. O hioide não se articula com nenhum 
outro osso. 
 É suspenso dos processos estiloides dos temporais pelos ligamentos estilo-hióideos e está firmemente unido 
à cartilagem tireóidea. O hioide tem um corpo e cornos maior e menor. 
 
Função: o hioide é um local de inserção para os músculos anteriores do pescoço e atua como suporte para manter a 
via respiratória aberta. 
O corpo do hioide, sua parte média, está voltado anteriormente e tem cerca de 2,5 cm de largura e 1 cm de 
espessura. A face convexa anterior projeta-se em sentido anterossuperior; a face côncava posterior projeta-se em 
sentido posteroinferior. Cada extremidade do corpo está unida a um corno maior. 
 corno maior: se projeta em sentido posterossuperior e lateral a partir do corpo. Em pessoas jovens, os 
cornos maiores são unidos ao corpo por fibrocartilagem. Em idosos, os cornos geralmente são unidos por 
osso. 
 corno menor: é uma pequena projeção óssea da parte superior do corpo do hioide perto de sua união 
com o corno maior. Está unido ao corpo do hioide por tecido fibroso e, às vezes, ao corno maior por uma 
articulação sinovial. O corno menor projeta-se em sentido superoposterior em direção ao processo 
estiloide; pode ser parcial ou completamente cartilagíneo em alguns adultos. 
FÁSCIA DO PESCOÇO 
As estruturas no pescoço são circundadas por uma camada de tela subcutânea (hipoderme) e são divididas em 
compartimentos por camadas de fáscia cervical. Os planos fasciais determinam a possível direção de disseminação de 
uma infecção do pescoço. 
Tela subcutânea cervical e músculo platisma 
 A tela subcutânea cervical é uma camada de tecido conjuntivo adiposo situada entre a derme da pele e a 
lâmina superficial da fáscia cervical. 
 Em geral, a tela subcutânea cervical é mais fina do que em outras regiões, sobretudo na parte anterior. 
 Contém nervos cutâneos, vasos sanguíneos e linfáticos, linfonodos superficiais e quantidades variáveis de 
gordura. A parte anterolateral contém o músculo platisma. 
 
PLATISMA 
 O músculo platisma é uma lâmina larga e fina de músculo na tela subcutânea do pescoço. 
 O músculo platisma desenvolve-se a partir de uma lâmina contínua de musculatura derivada do mesênquima 
no 2o arco faríngeo do embrião e é suprido por ramos do nervo facial, NC VII. 
 Profundamente ao músculo platisma: A veia jugular externa, que desce do ângulo da mandíbula até o meio 
da clavícula, e os principais nervoscutâneos do pescoço. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 5 
O músculo platisma cobre a face anterolateral do pescoço. Suas fibras originam-se na fáscia muscular que cobre 
as partes superiores dos músculos deltoide e peitoral maior e seguem em sentido superomedial sobre a clavícula até 
a margem inferior da mandíbula. As margens anteriores dos dois músculos cruzam-se sobre o mento (queixo) e se 
fundem aos músculos da face. Na parte inferior, as fibras divergem, deixando uma abertura anterior à laringe e à 
traqueia. A continuidade dessa lâmina muscular, que muitas vezes se apresenta na forma de tiras isoladas, sofre 
grande variação. O músculo platisma é suprido pelo ramo cervical do NC VII. 
Agindo a partir de sua inserção superior à mandíbula, o músculo platisma tensiona a pele, produzindo sulcos 
cutâneos verticais e liberando a pressão sobre as veias superficiais. Os homens costumam usar ações do músculo 
platisma ao barbearem o pescoço e ao afrouxarem colarinhos apertados. Atuando a partir de sua inserção inferior, o 
músculo platisma ajuda a abaixar a mandíbula e os ângulos da boca, como ao fazer uma careta. Como músculo da 
expressão facial, o platisma exprime tensão ou estresse. 
 
Figura 9.4 Cortes da cabeça e pescoço mostrando a fáscia cervical. A. A metade direita da cabeça e do pescoço foi seccionada no plano 
mediano. O detalhe ilustra a fáscia na região retrofaríngea. B. Este corte transversal do pescoço atravessa o istmo da glândula tireoide 
no nível da vértebra C VII, como é indicado na parte A. A lâmina externa da fáscia cervical, a lâmina superficial, divide-se e envolve os 
músculos trapézio e esternocleidomastóideo (ECM) nos quatro ângulos do pescoço. A lâmina superficial e os músculos envolvidos 
circundam duas principais colunas fasciais. A lâmina pré-traqueal (visceral) reveste músculos e vísceras na parte anterior do pescoço; a 
lâmina pré-vertebral (musculoesquelética) envolve a coluna vertebral e os músculos associados. As bainhas caróticas são condutos 
neurovasculares relacionados com as colunas fasciais. C. Os compartimentos fasciais do pescoço são mostrados para demonstrar um 
acesso na linha mediana anterior à glândula tireoide. Embora a laringe, a traqueia e a glândula tireoide sejam quase subcutâneas na linha 
mediana, é necessária a incisão de duas lâminas de fáscia cervical (superficial e pré-traqueal) para alcançá-las. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 6 
 
Figura 9.5 Músculo platisma. O músculo platisma fino estende-se na tela subcutânea como uma lâmina, passa sobre as clavículas e é 
perfurado por nervos cutâneos. A continuidade dessa lâmina muscular varia muito. 
Fáscia cervical 
A fáscia cervical é formada por três lâminas (bainhas) fasciais: 
 Superficial 
 pré-traqueal 
 pré-vertebral 
Essas lâminas sustentam as vísceras cervicais (p. ex., glândula tireoide), os músculos, os vasos e os linfonodos 
profundos. A fáscia cervical também se condensa ao redor das artérias carótidas comuns, das veias jugulares internas 
(VJI) e dos nervos vagos para formar a bainha carótica. 
Essas três lâminas de fáscia formam planos de clivagem naturais através dos quais os tecidos podem ser separados 
durante a cirurgia, e limitam a disseminação de abscessos resultantes de infecções. As lâminas fasciais cervicais 
também garantem o deslizamento de estruturas no pescoço para que se movimentem e passem umas sobre as outras 
sem dificuldade, por exemplo, ao deglutir e virar a cabeça e o pescoço. 
LÂMINA SUPERFICIAL DA FÁSCIA CERVICAL 
A lâmina superficial da fáscia cervical circunda todo o pescoço profundamente à pele e à tela subcutânea. Nos “quatro 
ângulos” do pescoço, divide-se em partes superficial e profunda para envolver (revestir) os músculos trapézio e 
esternocleidomastóideo. Esses músculos são derivados da mesma lâmina embrionária de músculo e são inervados 
pelo mesmo nervo (NC XI). Eles têm fixações praticamente contínuas à base do crânio superiormente e à espinha 
escapular, ao acrômio e à clavícula inferiormente. 
 
Na parte superior, os locais de inserção da lâmina superficial da fáscia cervical são: 
•Linhas nucais superiores do occipital 
•Processos mastoides dos temporais 
•Arcos zigomáticos 
•Margem inferior da mandíbula 
•Hioide 
•Processos espinhosos das vértebras cervicais. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 7 
Imediatamente abaixo da sua inserção na mandíbula, a lâmina superficial também se divide para envolver a 
glândula submandibular; posteriormente à mandíbula, divide-se para formar a cápsula fibrosa da glândula parótida. 
O ligamento estilomandibular é uma modificação mais espessa dessa lâmina. 
Na parte inferior, a lâmina superficial de fáscia cervical fixa-se ao manúbrio do esterno, às clavículas, aos acrômios 
e às espinhas das escápulas. A lâmina superficial da fáscia cervical é contínua posteriormente com o periósteo que 
cobre o processo espinhoso de C VII, e com o ligamento nucal, uma membrana triangular que forma um septo fibroso 
mediano entre os músculos dos dois lados do pescoço. 
Na parte inferior, entre as cabeças esternais dos músculos ECM e imediatamente superior ao manúbrio, a lâmina 
superficial da fáscia cervical permanece dividida em duas camadas para envolver o músculo ECM; uma lâmina fixa-se 
à face anterior e outra à face posterior do manúbrio. 
Espaço supraesternal: entre as lâminas. Envolve as extremidades inferiores das veias jugulares anteriores, o arco 
venoso jugular, gordura e alguns linfonodos profundos. 
LÂMINA PRÉ-TRAQUEAL DA FÁSCIA CERVICAL 
 A fina lâmina pré-traqueal da fáscia cervical é limitada à parte anterior do pescoço. 
 Estende-se inferiormente do hioide até o tórax, onde se funde ao pericárdio fibroso que reveste o coração. 
 A lâmina pré-traqueal de fáscia inclui uma parte muscular fina, que reveste os músculos infra-hióideos, e 
uma parte visceral, que reveste a glândula tireoide, a traqueia e o esôfago e é contínua nas partes posterior 
e superior com a fáscia bucofaríngea da faringe. 
 A lâmina pré-traqueal funde-se lateralmente com as bainhas caróticas. Superiormente ao osso hioide, um 
espessamento da lâmina pré-traqueal forma uma polia ou tróclea, através da qual passa o tendão intermédio 
do músculo digástrico, suspendendo o hioide. Passando ao redor da margem lateral do tendão intermédio do 
músculo omo-hióideo, a lâmina pré-traqueal também aprisiona o músculo omo-hióideo com dois ventres, 
redirecionando o trajeto do músculo entre os ventres. 
LÂMINA PRé-VERTEBRAL DA FÁSCIA CERVICAL 
A lâmina pré-vertebral da fáscia cervical forma uma bainha tubular para a coluna vertebral e os músculos associados 
a ela, como o longo do pescoço e o longo da cabeça anteriormente, os escalenos lateralmente, e os músculos 
profundos do pescoço posteriormente. 
 Superior: A lâmina pré-vertebral de fáscia está fixada à base do crânio superiormente. 
 Inferior: funde-se à fáscia endotorácica na região periférica e ao ligamento longitudinal anterior na região 
central, aproximadamente na vértebra T III. 
 Lateral: A lâmina pré-vertebral estende-se lateralmente como a bainha axilar, que circunda os vasos 
axilares e o plexo braquial. As partes cervicais dos troncos simpáticos estão incrustadas na lâmina pré-
vertebral da fáscia cervical. 
 
Bainha carótica. 
A bainha carótica é um revestimento fascial tubular que se estende da base do crânio até a raiz do pescoço. Essa 
bainha funde-se, na parte anterior, às lâminas superficial e pré-traqueal da fáscia e, na parte posterior, à lâmina pré-
vertebral da fáscia. 
A bainha carótica contém as seguintes estruturas: 
•Artérias carótidas comum e interna 
•Veia jugular interna 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARALÉO E PALOMA MAMERI – MED006 8 
•Nervo vago (NC X) 
•Linfonodos cervicais profundos 
•Nervo do seio carótico 
•Fibras nervosas simpáticas (plexos periarteriais caróticos). 
A bainha carótica se comunica com o mediastino do tórax inferiormente e se estende para a base do crânio 
(basioccipúcio) superiormente. Essas comunicações representam possíveis vias para a disseminação de infecção e do 
sangue extravasado. 
 
Espaço retrofaríngeo. 
O espaço retrofaríngeo é o maior e mais importante espaço interfascial no pescoço. É um espaço virtual que 
consiste em tecido conjuntivo frouxo entre a parte superior da lâmina pré-vertebral da fáscia cervical e a fáscia 
bucofaríngea que circunda a faringe superficialmente. Na parte inferior, a fáscia bucofaríngea é contínua com a lâmina 
pré-traqueal de fáscia cervical. 
A fáscia alar forma outra subdivisão do espaço retrofaríngeo. Essa lâmina fina está fixada ao longo da linha 
mediana da fáscia bucofaríngea, desde o crânio até o nível da vértebra C VII. A partir desta inserção, estende-se em 
sentido lateral e termina na bainha carótica. 
O espaço retrofaríngeo permite o movimento de faringe, esôfago, laringe e traqueia em relação à coluna vertebral 
durante a deglutição. A parte superior desse espaço é fechada pela base do crânio e a cada lado, pela bainha carótica. 
A parte inferior se abre no mediastino superior. 
 
Figura 9.6 Bainha carótica. 
 
ESTRUTURAS SUPERFICIAIS DO PESCOÇO | REGIÕES CERVICAIS 
O pescoço é dividido em regiões para possibilitar a comunicação exata acerca da localização das estruturas, lesões ou 
afecções. Entre o crânio (mandíbula anteriormente e occipital posteriormente) e as clavículas, o pescoço é dividido 
em quatro regiões principais com base nas margens geralmente visíveis e/ou palpáveis dos músculos ECM e trapézio, 
grandes e relativamente superficiais, contidos pela lâmina superficial de fáscia cervical. 
Região esternocleidomastóidea 
 O músculo esternocleidomastóideo (ECM) é um ponto de referência muscular estratégico no pescoço e forma 
a região esternocleidomastóidea. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 9 
 O músculo ECM divide, de modo visível, cada lado do pescoço em regiões cervical anterior e lateral (trígonos 
cervicais anterior e posterior do pescoço). 
 O músculo ECM é largo, semelhante a uma alça, e tem duas cabeças: o tendão arredondado da cabeça 
esternal fixa-se ao manúbrio, e a cabeça clavicular carnosa e espessa fixa-se à face superior do terço medial 
da clavícula. 
Na parte inferior, as duas cabeças do músculo ECM são separadas por um espaço, visível na superfície como uma 
pequena depressão triangular, a fossa supraclavicular menor. Na parte superior, as cabeças se unem enquanto 
seguem com trajeto oblíquo em direção ao crânio. A inserção superior do músculo ECM é o processo mastoide do 
temporal e a linha nucal superior do occipital. A lâmina superficial da fáscia cervical divide-se para formar uma bainha 
para o músculo ECM. 
Os músculos ECM produzem movimento nas articulações craniovertebrais, nas articulações intervertebrais 
cervicais, ou em ambas. As fixações cranianas dos músculos ECM situam-se posteriormente ao eixo das articulações 
atlantoccipitais (AO). A partir da posição anatômica, com a contração tônica mantendo a posição da coluna vertebral 
cervical, a contração bilateral dos músculos ECM (principalmente de suas fibras posteriores) causa a extensão da 
cabeça nas articulações AO, elevando o mento. 
A ação bilateral dos músculos ECM também flete o pescoço. Isso é feito de duas formas diferentes: 
1.Se primeiro houver flexão anterior da cabeça nas articulações AO pelos músculos pré-vertebrais (e/ou os 
músculos supra-hióideos e infra-hióideos) contra resistência, os músculos ECM (sobretudo as fibras anteriores) 
fletem toda a coluna vertebral cervical de modo a aproximar o mento do manúbrio. Entretanto, em geral a 
gravidade é o agonista desse movimento na posição ereta 
2.A contração bilateral dos músculos ECM, em ação antagonista com os músculos extensores do pescoço (i. e., 
os músculos cervicais profundos), flete a parte inferior do pescoço e, ao mesmo tempo, produz extensão limitada 
na articulação AO e parte superior do pescoço, protraindo o mento enquanto mantém o nível da cabeça. Esses 
movimentos de flexão também ocorrem ao levantar a cabeça do solo a partir do decúbito dorsal (com a gravidade 
oferecendo resistência no lugar dos músculos cervicais profundos). 
 
Figura 9.7 Regiões e trígonos cervicais. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 10 
 
Figura 9.8 Músculos do pescoço. 
É provável que na maioria das vezes haja participação de músculos sinérgicos menores e/ou de contração 
excêntrica (relaxamento controlado do músculo, cedendo gradualmente à gravidade) no início da flexão ou extensão, 
com os músculos ECM proporcionando a força e a amplitude ao movimento já iniciado. 
O músculo ECM, em ação unilateral, flete lateralmente o pescoço (curva o pescoço para o lado) e gira a cabeça de 
modo a aproximar a orelha do ombro ipsilateral enquanto eleva e gira o mento para o lado oposto. Se a cabeça e o 
pescoço estiverem fixos, a contração bilateral dos músculos ECM eleva as clavículas e o manúbrio e, portanto, as 
costelas anteriores. 
Desse modo, os músculos ECM atuam como músculos acessórios da respiração, auxiliando o movimento em 
alavanca de bomba da parede torácica. 
Avaliação do músculo ECM: a cabeça é girada para o lado oposto contra resistência (mão contra o mento). Pode-
se ver e palpar o músculo ECM quando sua ação for normal. 
Região cervical posterior 
A região posterior às margens anteriores do músculo trapézio é a região cervical posterior. A região suboccipital situa-
se profundamente à parte superior dessa região. 
O músculo trapézio é grande, triangular e plano, recobrindo a face posterolateral do pescoço e do tórax. 
O músculo trapézio é um: 
•Músculo superficial do dorso 
•Músculo toracoapendicular posterior, que atua no cíngulo do membro superior 
•Músculo cervical, que pode movimentar o crânio. 
O músculo trapézio fixa o cíngulo do membro superior ao crânio e à coluna vertebral e ajuda na sua suspensão. A 
pele da região cervical posterior é inervada em um padrão segmentar pelos ramos posteriores dos nervos espinais 
cervicais que perfuram, mas não inervam, o músculo trapézio 
Para avaliar o músculo trapézio: o ombro é retraído contra resistência. É possível ver e palpar a margem superior 
do músculo se sua ação for normal. A paralisia do músculo trapézio causa a queda do ombro; entretanto, as ações 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 11 
associadas do músculo levantador da escápula e das fibras superiores do músculo serrátil anterior ajudam a sustentar 
o ombro e compensam parcialmente a paralisia. 
Região cervical lateral 
A região cervical lateral (trígono cervical lateral) é limitada: 
•Anteriormente pela margem posterior do músculo ECM 
•Posteriormente pela margem anterior do músculo trapézio 
•Inferiormente pelo terço médio da clavícula, entre os músculos trapézio e ECM 
•Por um ápice, onde os músculos ECM e trapézio encontram-se na linha nucal superior do occipital 
•Por um teto, formado pela lâmina superficial da fáscia cervical 
•Por um assoalho, formado por músculos cobertos pela lâmina pré-vertebral da fáscia cervical. 
A região cervical lateral circunda a face lateral do pescoço como uma espiral. A região é coberta por pele e tela 
subcutânea contendo o músculo platisma. 
MÚSCULOS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
O assoalho da região cervical lateral geralmente é formado pela lâmina pré-vertebral, que cobre quatro músculos: 
 esplênio da cabeça 
 levantador da escápula 
 escaleno médio 
 escaleno posterior. 
Às vezes a parteinferior do músculo escaleno anterior aparece no ângulo inferomedial da região cervical lateral, onde 
geralmente é ocultada pelo músculo ECM. Um derivado ocasional do músculo escaleno anterior, o músculo escaleno 
mínimo, segue posteriormente à artéria subclávia até se fixar na costela I. 
Para uma localização mais precisa das estruturas, a região cervical lateral é dividida em um grande trígono occipital 
superiormente e um pequeno trígono omoclavicular inferiormente, delimitados pelo ventre inferior do músculo omo-
hióideo. 
•O trígono occipital é assim denominado porque a artéria occipital aparece em seu ápice. O nervo mais 
importante a cruzar o trígono occipital é o nervo acessório (NC XI) 
•O trígono omoclavicular é indicado na superfície do pescoço pela fossa supraclavicular. A parte inferior da VJE 
cruza a superfície desse trígono; a artéria subclávia situa-se na parte profunda dele. Esses vasos são separados 
pela lâmina superficial da fáscia cervical. Como a terceira parte da artéria subclávia está localizada nessa região, 
muitas vezes o trígono omoclavicular é denominado trígono subclávio, embora isso não conste na T.A. 
ARTÉRIAS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
As artérias na região cervical lateral incluem os ramos laterais do tronco tireocervical, a terceira parte da artéria 
subclávia e parte da artéria occipital. Na maioria das vezes o tronco tireocervical, um ramo da artéria subclávia, dá 
origem a uma artéria supraescapular e a uma artéria cervical transversa (“tronco cervicodorsal”) a partir de sua face 
lateral; seus ramos terminais são as artérias cervical ascendente e tireóidea inferior. 
Artéria supraescapula: segue em sentido inferolateral através do músculo escaleno anterior e nervo frênico. Em 
seguida, atravessa a terceira parte da artéria subclávia e os fascículos do plexo braquial e passa posteriormente à 
clavícula para suprir músculos na face posterior da escápula. A artéria supraescapular também pode originar-se 
diretamente da terceira parte da artéria subclávia. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 12 
 
Figura 9.9 Dissecção superficial da região cervical lateral. A tela subcutânea e a lâmina superficial da fáscia cervical foram removidas, 
preservando a maior parte do músculo platisma e os nervos cutâneos. Entre os músculos trapézio (na região cervical posterior) e ECM, a 
lâmina pré-vertebral da fáscia cervical forma o assoalho da região cervical lateral. O nervo acessório (NC XI) é o único nervo motor 
superficial a essa fáscia. 
 
Figura 9.10 Dissecção profunda da região cervical lateral. A lâmina superficial da fáscia cervical foi removida. Embora o nervo acessório 
(NC XI) seja superficial a ela, o plexo braquial e os nervos motores do plexo cervical seguem profundamente à lâmina pré-vertebral da 
fáscia cervical que cobre o assoalho do trígono. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 13 
 
Figura 9.11 Dissecção profunda da parte inferior da região cervical lateral. Toda a fáscia, o músculo omo-hióideo e a cabeça clavicular 
do músculo peitoral maior foram removidos para mostrar a veia subclávia e a terceira parte da artéria subclávia. A veia jugular interna, 
situada profundamente ao músculo ECM, não está na região cervical lateral, mas próximo a ela. O plexo braquial de nervos e os vasos 
subclávios seguem até o membro superior, e o nome dos vasos muda para axilar inferiormente à clavícula, na margem lateral da costela 
I. 
Artéria cervical transversa (tronco cervicodorsal): também se origina lateralmente e bifurca-se em: 
 ramo superficial (artéria cervical superficial) 
 ramo profundo (artéria dorsal da escápula) 
Esses ramos seguem em direção superficial e lateral através do nervo frênico e músculo escaleno anterior, 2 a 3 cm 
acima da clavícula. A seguir, cruzam ou atravessam os troncos do plexo braquial, enviando ramos para os vasos dos 
nervos (vasa nervorum). 
 Ramo superficial passa profundamente (anteriormente) ao músculo trapézio, acompanhando o nervo 
acessório (NC XI). 
 Artéria dorsal da escápula pode originar-se de modo independente, diretamente da terceira (ou, com 
menor frequência, da segunda) parte da artéria subclávia. 
Quando é um ramo da subclávia, a artéria dorsal da escápula segue lateralmente através dos troncos do plexo braquial, 
anteriormente ao músculo escaleno médio. Qualquer que seja a origem, sua parte distal segue profundamente aos 
músculos levantador da escápula e romboide, suprindo ambos e participando das anastomoses arteriais ao redor da 
escápula. 
 Artéria occipital: um ramo da artéria carótida externa, entra na região cervical lateral em seu ápice e ascende 
sobre a cabeça para suprir a metade posterior do couro cabeludo. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 14 
 
Figura 9.12 Artéria subclávia: partes e ramos. A artéria subclávia tem três partes: medial (1), posterior (2) e lateral (3) ao músculo 
escaleno anterior. Às vezes, as artérias cervicais transversa e supraescapular originam-se diretamente (ou por intermédio de um tronco 
comum) da segunda ou terceira partes da artéria subclávia, e não diretamente do tronco tireocervical por um tronco comum como é 
mostrado aqui, ou de modo independente. 
Artéria subclávia: envia sangue para o membro superior. A terceira parte começa cerca de um dedo transverso acima 
da clavícula, oposta à margem lateral do músculo escaleno anterior. Está oculta na parte inferior da região cervical 
lateral, posterossuperior à veia subclávia. A terceira parte da artéria é a parte mais longa e mais superficial. Situa-se 
sobre a costela I e suas pulsações podem ser palpadas por compressão profunda no trígono omoclavicular. A artéria 
toca a costela I quando passa posteriormente ao músculo escaleno anterior; assim, a compressão da artéria subclávia 
contra essa costela pode controlar um sangramento no membro superior. O tronco inferior do plexo braquial situa-se 
diretamente posterior à terceira parte da artéria. Os ramos que às vezes se originam da terceira parte (artéria 
supraescapular, artéria dorsal da escápula) são formas aberrantes de padrões mais típicos nos quais se originam de 
outras partes (do tronco tireocervical via artéria cervical transversa). 
 
VEIAS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
 Veia jugular externa (EJV): começa perto do ângulo da mandíbula (imediatamente inferior à orelha) pela 
união da divisão posterior da veia retromandibular com a veia auricular posterior. A VJE cruza o músculo ECM 
em direção oblíqua, profundamente ao músculo platisma, e entra na parte anteroinferior da região cervical 
lateral. Em seguida, perfura a lâmina superficial da fáscia cervical, que forma o teto dessa região, na margem 
posterior do músculo ECM. A VJE desce até a parte inferior da região cervical lateral e termina na veia 
subclávia. Drena a maior parte do couro cabeludo e a região lateral da face. 
 Veia subclávia: o principal canal venoso que drena o membro superior, curva-se através da parte inferior da 
região cervical lateral. Passa anteriormente ao músculo escaleno anterior e ao nervo frênico e une-se, na 
margem medial do músculo, com a VJI para formar a veia braquiocefálica, posteriormente à extremidade 
medial da clavícula. Imediatamente acima da clavícula, a VJE recebe as veias 
cervicodorsais, supraescapular e jugular anterior. 
NERVOS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
O nervo acessório (NC XI) passa profundamente ao músculo ECM, suprindo-o antes de entrar na região cervical lateral, 
na junção dos terços superior e médio da margem posterior do músculo ECM, ou abaixo da junção. O nervo segue em 
sentido posteroinferior, dentro da ou profundamente à lâmina superficial da fáscia cervical, seguindo sobre o músculo 
levantador da escápula, do qual é separado pela lâmina pré-vertebral dafáscia. O NC XI então desaparece 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 15 
profundamente à margem anterior do músculo trapézio na junção de seus dois terços superiores com seu terço 
inferior. 
As raízes do plexo braquial (ramos anteriores de C5–C8 e T1) aparecem entre os músculos escalenos anterior e 
médio. Os cinco ramos se unem para formar os três troncos do plexo braquial, que descem em sentido inferolateral 
através da região cervical lateral. Em seguida, o plexo passa entre a costela I, a clavícula e a margem superior da 
escápula (o canal cervicoaxilar) até entrar na axila, inervando a maior parte do membro superior. 
O nervo supraescapular, que se origina do tronco superior do plexo braquial (não do plexo cervical), segue em 
sentido lateral através da região cervical lateral para suprir os músculos supraespinal e infraespinal na face posterior 
da escápula. Também envia ramos articulares para a articulação do ombro. 
Os ramos anteriores de C1 a C4 formam as raízes do plexo cervical. O plexo cervical consiste em uma série 
irregular de alças nervosas (primárias) e nos ramos que se originam das alças. Cada ramo participante, com exceção 
do primeiro, divide-se em ramos ascendente e descendente que se unem aos ramos do nervo espinal adjacente para 
formar as alças. O plexo cervical situa-se anteromedialmente aos músculos levantador da escápula e escaleno médio 
e profundamente ao músculo ECM. Os ramos superficiais do plexo que inicialmente seguem em sentido posterior são 
ramos cutâneos (sensitivos). Os ramos profundos que seguem em sentido anteromedial são ramos motores, inclusive 
as raízes do nervo frênico (para o diafragma) e a alça cervical. 
 
Figura 9.13 Estruturas superficiais do pescoço. As veias temporais superficiais e maxilares unem-se, formando a veia retromandibular, 
cuja divisão posterior une-se à veia auricular posterior para formar a VJE. A veia facial recebe a divisão anterior da veia retromandibular 
antes de drenar para a veia jugular interna, profundamente ao músculo ECM. As veias jugulares anteriores podem ocupar posição 
superficial ou profunda em relação à lâmina superficial da fáscia cervical. 
 A raiz superior da alça cervical, que conduz fibras dos nervos espinais C1 e C2, une-se momentaneamente 
e depois se separa do nervo hipoglosso (NC XII) enquanto atravessa a região cervical lateral. 
 A raiz inferior da alça cervical origina-se de uma alça entre os nervos espinais C2 e C3. As raízes superior 
e inferior unem-se, formando uma alça secundária, a alça cervical, formada por fibras dos nervos espinais 
C1–C3, que se ramificam a partir da alça para suprir os músculos infra-hióideos, omo-
hióideo, esternotireóideo e esterno-hióideo. O quarto músculo infra-hióideo, o tíreo-hióideo, recebe fibras 
de C1, que descem separadas do nervo hipoglosso, distalmente à raiz superior da alça cervical (nervo para 
o músculo tíreo-hióideo). 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 16 
 
Figura 9.14 Plexo cervical de nervos. A a C. O plexo consiste em alças de nervos formadas entre os ramos anteriores adjacentes dos 
quatro primeiros nervos cervicais e os ramos comunicantes cinzentos receptores do gânglio simpático cervical superior (não mostrado) 
(Figura 9.25A). Os nervos motores (B) e sensitivos (C) originam-se das alças do plexo. A alça cervical (A e B) é uma alça de segundo nível, 
cujo ramo superior origina-se da alça entre as vértebras C I e C II, mas segue inicialmente com o nervo hipoglosso (NC XII), que não faz 
parte do plexo cervical. D. Áreas de pele supridas pelos nervos sensitivos (cutâneos) do plexo cervical (derivado de ramos anteriores) e 
pelos ramos posteriores dos nervos espinais cervicais. 
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ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 17 
 
Figura 9.15 Dissecções das regiões cervical anterior e supra-hióidea. A. Esta dissecção superficial do pescoço exibe a glândula e os 
linfonodos submandibulares. B. Nesta dissecção da região supra-hióidea, foram removidas a metade direita da mandíbula e a parte 
superior do músculo milo-hióideo. A face seccionada do músculo milo-hióideo torna-se cada vez mais fina em sentido anterior. 
 
Figura 9.16 Dissecção profunda da região cervical anterior. A veia facial comum e suas tributárias foram removidas, revelando artérias 
e nervos, inclusive a alça cervical e seus ramos para os músculos infra-hióideos. Nesta pessoa, as artérias facial e lingual originam-se de 
um tronco comum que passa profundamente aos músculos estilo-hióideo e digástrico e entra no trígono submandibular. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 18 
Os ramos cutâneos do plexo cervical emergem ao redor do meio da margem posterior do músculo ECM, muitas 
vezes denominado ponto nervoso do pescoço, e suprem a pele do pescoço, parte superolateral da parede torácica e 
o couro cabeludo entre a orelha e a protuberância occipital externa. 
 Perto de sua origem, as raízes do plexo cervical recebem ramos comunicantes cinzentos, a maioria dos quais desce 
do grande gânglio cervical superior na parte superior do pescoço. 
Os ramos do plexo cervical que se originam da alça nervosa entre os ramos anteriores de C2 e C3 são: 
•Nervo occipital menor (C2): supre a pele do pescoço e o couro cabeludo posterossuperior à orelha 
•Nervo auricular magno (C2 e C3): ascende verticalmente através do músculo ECM oblíquo até o polo inferior 
da glândula parótida, onde se divide para suprir a pele sobrejacente – e a bainha que circunda a glândula –, o 
processo mastoide, as duas faces da orelha e uma área de pele que se estende do ângulo da mandíbula até o 
processo mastoide 
•Nervo cervical transverso (C2 e C3): supre a pele que cobre a região cervical anterior. Curva-se ao redor do 
meio da margem posterior do músculo ECM inferiormente ao nervo auricular magno e segue em sentido anterior 
e horizontal através dele profundamente à VJE e ao músculo platisma, dividindo-se em ramos superior e inferior. 
Os ramos do plexo cervical que se originam da alça nervosa formada entre os ramos anteriores de C3–C4 são: 
•Nervos supraclaviculares (C3 e C4): emergem como um tronco comum sob a cobertura do músculo ECM, 
enviando pequenos ramos para a pele do pescoço que cruzam a clavícula e suprem a pele sobre o ombro. 
Além da alça cervical e dos nervos frênicos que se originam das alças do plexo, ramos motores profundos do plexo 
cervical incluem ramos que se originam das raízes que suprem os músculos romboides (nervo escapular dorsal; C4 e 
C5), serrátil anterior (nervo torácico longo; C5–C7) e músculos pré-vertebrais próximos. 
Os nervos frênicos originam-se principalmente do nervo C4, mas recebem contribuições dos nervos C3 e C5. Os 
nervos frênicos contêm fibras nervosas motoras, sensitivas e simpáticas. Esses nervos proporcionam o único 
suprimento motor para o diafragma e o suprimento sensitivo de sua parte central. No tórax, cada nervo frênico supre 
a parte mediastinal da pleura parietal e o pericárdio. Recebendo fibras comunicantes variáveis no pescoço 
provenientes dos gânglios simpáticos cervicais ou de seus ramos, cada nervo frênico forma-se na parte superior da 
margem lateral do músculo escaleno anterior no nível da margem superior da cartilagem tireóidea. O nervo frênico 
desce em sentido oblíquo com a VJI sobre o músculo escaleno anterior, profundamente à lâmina pré-vertebral da 
fáscia cervical e às artérias cervical transversa e supraescapular. 
No lado esquerdo, o nervo frênico cruza anteriormente à primeira parte da artéria subclávia; no lado direito, 
situa-se sobre o músculo escaleno anterior e cruza anteriormente à segunda parte da artériasubclávia. Nos dois lados, 
o nervo frênico segue posteriormente à veia subclávia e anteriormente à artéria torácica interna quando entra no 
tórax. 
A contribuição do nervo C5 para o nervo frênico pode ser derivada de um nervo frênico acessório. Muitas vezes, 
é um ramo do nervo para o músculo subclávio. Se presente, o nervo frênico acessório situa-se lateralmente ao nervo 
principal e desce posteriormente e, às vezes, anteriormente à veia subclávia. O nervo frênico acessório une-se ao 
nervo frênico na raiz do pescoço ou no tórax. 
LINFONODOS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
A linfa dos tecidos superficiais na região cervical lateral entra nos linfonodos cervicais superficiais situados ao longo 
da VJE, superficialmente ao músculo ECM. Os vasos eferentes desses linfonodos drenam para os linfonodos cervicais 
profundos, que formam uma cadeia ao longo do trajeto da VJI revestida pela fáscia da bainha carótica. 
Região cervical anterior 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 19 
A região cervical anterior (trígono cervical anterior) tem: 
•Um limite anterior formado pela linha mediana do pescoço 
•Um limite posterior formado pela margem anterior do músculo ECM 
•Um limite superior formado pela margem inferior da mandíbula 
•Um ápice localizado na incisura jugular no manúbrio do esterno 
•Um teto formado por tela subcutânea que contém o músculo platisma 
•Um assoalho formado pela faringe, laringe e glândula tireoide. 
Para permitir a localização mais precisa das estruturas, a região cervical anterior é subdividida em quatro trígonos 
menores pelos músculos digástrico e omo-hióideo: o trígono submentual ímpar e três pares de trígonos pequenos – 
submandibular, carótico e muscular. 
O trígono submentual, situado inferiormente ao mento, é uma área supra-hióidea, que tem como limite inferior 
o corpo do hioide e como limite lateral os ventres anteriores direito e esquerdo dos músculos digástricos. O assoalho 
do trígono submentual é formado pelos dois músculos milo-hióideos, que se encontram em uma rafe fibrosa mediana. 
O ápice do trígono submentual está na sínfise da mandíbula, o local de união das metades da mandíbula durante o 
primeiro ano de vida. A base do trígono submentual é formada pelo osso hioide. Esse trígono contém vários 
pequenos linfonodos submentuais e pequenas veias que se unem para formar a veia jugular anterior. 
O trígono submandibular é uma área glandular entre a margem inferior da mandíbula e os ventres anterior e 
posterior do músculo digástrico. O assoalho do trígono submandibular é formado pelos músculos milo-hióideo e 
hioglosso e pelo músculo constritor médio da faringe. A glândula submandibular quase preenche todo esse trígono. 
de cada lado da glândula submandibular e ao longo da margem inferior da mandíbula. O nervo hipoglosso (NC XII) 
é responsável pela inervação motora dos músculos intrínsecos e extrínsecos da língua. Segue até o trígono 
submandibular, assim como o nervo para o músculo milo-hióideo (um ramo do NC V3, que também supre o ventre 
anterior do músculo digástrico), partes da artéria e veia faciais e a artéria submentual (um ramo da artéria facial). 
O trígono carótico é uma área vascular limitada pelo ventre superior do músculo omo-hióideo, o ventre posterior 
do músculo digástrico e a margem anterior do músculo ECM. Esse trígono é importante porque a artéria carótida 
comum ascende até seu interior. Seu pulso pode ser auscultado ou palpado comprimindo-o levemente contra os 
processos transversos das vértebras cervicais. No nível da margem superior da cartilagem tireóidea, a artéria carótida 
comum divide-se nas artérias carótidas interna e externa. No trígono carótico estão localizados: 
•Seio carótico: uma dilatação da parte proximal da artéria carótida interna, que pode incluir a artéria carótida 
comum. Inervado principalmente pelo nervo glossofaríngeo (NC IX) através do nervo do seio carótico, e também 
pelo nervo vago (NC X), ele é um barorreceptor (pressorreceptor) que reage a alterações da pressão arterial 
•Glomo carótico: uma pequena massa de tecido ovoide marrom-avermelhada em vida, situada na face medial 
(profunda) da bifurcação da artéria carótida comum em íntima relação com o seio carótico. Suprido 
principalmente pelo nervo do seio carótico (NC IX) e pelo NC X, é um quimiorreceptor que monitora o nível de 
oxigênio no sangue. É estimulado por baixos níveis de oxigênio e inicia um reflexo que aumenta a frequência e a 
profundidade da respiração, a frequência cardíaca e a pressão arterial. 
As estruturas neurovasculares do trígono carótico são circundadas pela bainha carótica: as artérias carótidas 
medialmente, a VJI lateralmente, e o nervo vago posteriormente. Na parte superior, a artéria carótida comum é 
substituída pela artéria carótida interna. A alça cervical geralmente está situada sobre a face anterolateral da bainha 
(ou inserida nela). Muitos linfonodos cervicais profundos situam-se ao longo da bainha carótica e da VJI. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 20 
O trígono muscular é limitado pelo ventre superior do músculo omo-hióideo, a margem anterior do músculo ECM 
e o plano mediano do pescoço. Esse trígono contém os músculos infra-hióideos e as vísceras (p. ex., as glândulas 
tireoide e paratireoides). 
 
Figura 9.17 Dissecção superficial da região cervical anterior. O limite inferior do trígono submentual é o corpo do hioide e os limites 
laterais são os ventres anteriores direito e esquerdo dos músculos digástricos. O assoalho do trígono submentual é formado pelos dois 
músculos milo-hióideos e pela rafe situada entre eles, trígono muscular é flanqueado pelo ventre superior do músculo omo-hióideo, pela 
margem anterior do músculo ECM e a linha mediana. 
 
Figura 9.18 Glomo carótico e seio carótico. Esse pequeno corpo epitelioide situa-se na bifurcação da artéria carótida comum. Também 
são mostrados o seio carótico e a rede associada de fibras sensitivas do nervo glossofaríngeo (NC IX). 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 21 
 
Figura 9.19 Músculos da região cervical anterior. 
MÚSCULOS NA REGIÃO CERVICAL ANTERIOR 
Na parte anterolateral do pescoço, fixam-se no hioide os músculos supra-hióideos superiores a ele e os músculos infra-
hióideos inferiores a ele. Esses músculos hióideos estabilizam ou movimentam o hioide e a laringe. Para fins 
descritivos, são divididos em músculos supra-hióideos e infra-hióideos. 
Os músculos supra-hióideos são superiores ao hioide e o conectam ao crânio. O grupo supra-hióideo de músculos 
inclui os músculos milo-hióideo, gênio-hióideo, estilo-hióideo e digástrico. Esse grupo de músculos constitui a 
substância do assoalho da boca, sustenta o hioide para formar uma base de ação da língua e eleva o hioide e a laringe 
para a deglutição e a entonação. Cada músculo digástrico tem dois ventres, unidos por um tendão intermédio que 
desce em direção ao hioide. 
Alça fibrosa derivada da lâmina pré-traqueal da fáscia cervical permite que o tendão deslize em sentido anterior 
e posterior, enquanto une esse tendão ao corpo e ao corno maior do hioide. 
A diferença na inervação entre os ventres anterior e posterior dos músculos digástricos resulta de sua diferente 
origem embriológica dos 1o e 2o arcos faríngeos, respectivamente. O NC V supre derivados do 1o arco, e o NC VII supre 
os derivados do 2o arco. 
 Músculos infra-hióideos têm aparência semelhante a uma fita e situam-se em posição inferior ao hioide. 
Esses quatro músculos fixam o hioide, o esterno, a clavícula e a escápula e deprimem o hioide e a laringe 
durante a deglutição e a fala. Também atuam com os músculos supra-hióideos para estabilizar o hioide, 
garantindo uma base firme para a língua. 
O grupo infra-hióideo de músculos está organizado em dois planos: Plano superficial, formado pelos músculos esterno-hióideo e omo-hióideo. 
 Plano profundo, composto pelos músculos esternotireóideo e tíreo-hióideo. 
Como o músculo digástrico, o músculo omo-hióideo tem dois ventres (superior e inferior) unidos por um tendão 
intermédio. A alça de fáscia para o tendão intermédio une-se à clavícula. 
 Músculo esternotireóideo: é mais largo do que o músculo esterno-hióideo, sob o qual está localizado. O 
músculo esternotireóideo cobre o lobo lateral da glândula tireoide. Sua inserção à linha oblíqua da lâmina 
da cartilagem tireóidea imediatamente superior à glândula limita a extensão superior de uma glândula 
tireoide aumentada. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 22 
 Músculo tíreo-hióideo parece ser a continuação do músculo esternotireóideo e segue em sentido superior 
da linha oblíqua da cartilagem tireóidea até o hioide. 
ARTÉRIAS NA REGIÃO CERVICAL ANTERIOR 
A região cervical anterior contém o sistema carótico de artérias, formado pela artéria carótida comum e seus ramos 
terminais, as artérias carótidas interna e externa. Também contém a VJI e suas tributárias e as veias jugulares 
anteriores. A artéria carótida comum e um de seus ramos terminais, a artéria carótida externa, são os principais vasos 
arteriais no trígono carótico. Os ramos da artéria carótida externa (p. ex., a artéria tireóidea superior) também se 
originam no trígono carótico. Cada artéria carótida comum ascende na bainha carótica com a VJI e o nervo vago até 
o nível da margem superior da cartilagem tireóidea. Aí cada artéria carótida comum termina dividindo-se nas artérias 
carótidas interna e externa. A artéria carótida interna não emite ramos no pescoço; a artéria carótida externa emite 
vários. 
 Artéria carótida comum direita: começa na bifurcação do tronco braquiocefálico. A artéria subclávia direita é 
o outro ramo desse tronco. 
 A partir do arco da aorta, a artéria carótida comum esquerda ascende até o pescoço. Assim, a artéria carótida 
comum esquerda tem um trajeto de cerca de 2 cm no mediastino superior antes de entrar no pescoço. 
Artérias carótidas internas são continuações diretas das artérias carótidas comuns superiores à origem da artéria 
carótida externa, no nível da margem superior da cartilagem tireóidea. A parte proximal de cada artéria carótida 
interna é o local do seio carótico. O glomo carótico está localizado na fenda entre as artérias carótidas interna e 
externa. As artérias carótidas internas entram no crânio através dos canais caróticos nas partes petrosas dos 
temporais e tornam-se as principais artérias do encéfalo e das estruturas contidas nas órbitas (ver Capítulo 8, Cabeça). 
Nenhum ramo nomeado origina-se das artérias carótidas internas no pescoço. 
As artérias carótidas externas suprem a maioria das estruturas externas ao crânio; a órbita e a parte da fronte e 
do couro cabeludo supridas pela artéria supraorbital são as principais exceções. Também há alguma distribuição 
profunda (p. ex., via artéria meníngea média). Cada artéria segue em sentido posterossuperior até a região entre o 
colo da mandíbula e o lóbulo da orelha, onde está inserida na glândula parótida e termina dividindo-se em dois ramos, 
a artéria maxilar e a artéria temporal superficial. Antes desses ramos terminais, seis artérias originam-se da artéria 
carótida externa: 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 23 
 
Figura 9.20 Artérias subclávias e carótidas e seus ramos. A. Posições das bainhas caróticas. B. Os músculos (ventres posterior do 
músculo digástrico e superior do músculo omo-hióideo) indicam os limites superior e inferior do trígono carótico. 
Figura 9.21 Veia jugular interna. A VJI é a principal estrutura venosa no pescoço. Origina-se como uma continuação do seio sigmóideo 
(seio venoso da dura-máter) em forma de S. Está contida na bainha carótica durante seu trajeto de descida no pescoço. Termina no nível 
da vértebra T I, superiormente à articulação esternoclavicular, unindo-se à veia subclávia para formar a veia braquiocefálica. Uma grande 
válvula perto de sua extremidade evita o refluxo de sangue para a veia. 
1.Artéria faríngea ascendente: é o primeiro ou o segundo ramo da artéria carótida externa e seu único ramo 
medial. Ascende sobre a faringe profundamente (medial) à artéria carótida interna e envia ramos para a faringe, 
músculos pré-vertebrais, orelha média e meninges cranianas 
2.Artéria occipital: origina-se da face posterior da artéria carótida externa, superiormente à origem da artéria 
facial. Segue em sentido posterior, imediatamente medial e paralela à inserção do ventre posterior do músculo 
digástrico no sulco occipital do temporal, e termina dividindo-se em vários ramos na parte posterior do couro 
cabeludo. Durante seu trajeto, segue superficialmente à artéria carótida interna e aos NC IX–XI 
3.Artéria auricular posterior: é um pequeno ramo posterior da artéria carótida externa, que geralmente é o 
último ramo pré-terminal. Ascende em sentido posterior entre o meato acústico externo e o processo mastoide 
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para suprir os músculos adjacentes; glândula parótida; nervo facial; e estruturas no temporal, orelha e couro 
cabeludo 
4.Artéria tireóidea superior: o ramo inferior dos três ramos anteriores da artéria carótida externa segue em 
sentido anteroinferior profundamente aos músculos infra-hióideos até chegar à glândula tireoide. Além de suprir 
esta glândula, emite ramos para os músculos infra-hióideos e ECM e dá origem à artéria laríngea superior, que 
supre a laringe 
5.Artéria lingual: origina-se da face anterior da artéria carótida externa, onde se situa sobre o músculo constritor 
médio da faringe. Curva-se em sentido superoanterior e segue profundamente ao nervo hipoglosso (NC XII), o 
músculo estilo-hióideo e o ventre posterior do músculo digástrico. Desaparece profundamente ao músculo 
hioglosso, emitindo ramos para a parte posterior da língua. A seguir, volta-se em sentido superior na margem 
anterior desse músculo, bifurcando-se nas artérias lingual profunda e sublingual 
6.Artéria facial: ramo anterior da artéria carótida externa, origina-se em comum com a artéria lingual ou logo 
superiormente a ela. Depois de dar origem à artéria palatina ascendente e a uma artéria tonsilar, a artéria facial 
segue em sentido superior sob os músculos digástrico e estilo-hióideo e o ângulo da mandíbula. Faz uma curva 
anterior e entra em um sulco profundo na glândula submandibular para supri-la. Em seguida, dá origem à artéria 
submentual para o assoalho da boca, faz uma volta ao redor do meio da margem inferior da mandíbula e entra 
na face. 
Recurso para memorizar os seis ramos da artéria carótida: 1, 2 e 3 – um ramo medial (artéria faríngea ascendente), 
dois ramos posteriores (artérias occipital e auricular posterior) e três ramos anteriores (artérias tireóidea superior, 
lingual e facial). 
VEIAS NA REGIÃO CERVICAL ANTERIOR 
A maioria das veias na região cervical anterior consiste em tributárias da VJI, em geral a maior veia no pescoço. A VJI 
drena sangue do encéfalo, da região anterior da face, das vísceras cervicais e dos músculos profundos do pescoço. 
Origina-se no forame jugular na fossa posterior do crânio como a continuação direta do seio sigmóideo. 
A partir de uma dilatação em sua origem, o bulbo superior da VJI, a veia desce na bainha carótica, acompanhando 
a artéria carótida interna superiormente à bifurcação da carótida e a artéria carótida comum e o nervo vago 
inferiormente. A veia situa-se na parte lateral da bainha carótica, e o nervo está localizado na parte posterior. 
O tronco simpático cervical situa-se posterior à bainha carótica. Embora haja relação íntima, o tronco não está 
dentro da bainha;em vez disso está dentro da lâmina pré-vertebral da fáscia cervical. A VJI deixa a região cervical 
anterior passando profundamente ao músculo ECM. A extremidade inferior da veia segue profundamente ao espaço 
entre as cabeças esternal e clavicular desse músculo. Posteriormente à extremidade esternal da clavícula, a VJI une-
se à veia subclávia para formar a veia braquiocefálica. A extremidade inferior da VJI dilata-se para formar o bulbo 
inferior da VJI. Este bulbo tem um par de válvulas que permitem o fluxo sanguíneo em direção ao coração e impedem 
o refluxo para a veia, como poderia ocorrer no caso de uma inversão (p. ex., quando a pessoa fica de cabeça para baixo 
ou há aumento da pressão intratorácica). 
As tributárias da VJI são o seio petroso inferior e as veias facial e lingual (muitas vezes por intermédio de um tronco 
comum), além das veias faríngea e tireóideas superior e média. A veia occipital geralmente drena para o plexo venoso 
suboccipital, drenado pela veia cervical profunda e a veia vertebral, mas pode drenar para a VJI. 
O seio petroso inferior deixa o crânio através do forame jugular e entra no bulbo superior da VJI. A veia 
facial drena para a VJI oposta ou logo abaixo do nível do hioide. A veia facial pode receber as veias tireóidea superior, 
lingual ou sublingual. As veias linguais formam uma única veia a partir da língua, que drena para a VJI no nível de 
origem da artéria lingual. As veias faríngeas originam-se do plexo venoso na parede faríngea e drenam para a VJI 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 25 
aproximadamente no nível do ângulo da mandíbula. As veias tireóideas superior e média deixam a glândula tireoide e 
drenam para a VJI. 
NERVOS NA REGIÃO CERVICAL ANTERIOR 
Vários nervos, entre eles ramos dos nervos cranianos, estão localizados na região cervical anterior: 
•Nervo cervical transverso (C2 e C3): supre a pele que cobre a região cervical anterior. 
•Nervo hipoglosso (NC XII): é o nervo motor da língua, entra no trígono submandibular profundamente ao ventre 
posterior do músculo digástrico para suprir os músculos intrínsecos e quatro dos cinco músculos extrínsecos da 
língua. O nervo passa entre a artéria carótida externa e a veia jugular e dá origem à raiz superior da alça cervical 
e, depois, a um ramo para o músculo gênio-hióideo Em ambos os casos, o ramo conduz apenas fibras do nervo 
espinal C1, que se uniram à sua parte proximal; esses ramos não conduzem fibras do hipoglosso. 
•Ramos dos nervos glossofaríngeo (NC IX) e vago (NC X): nos trígonos submandibular e carótico. O NC IX está 
relacionado principalmente com a língua e com a faringe. No pescoço, o NC X dá origem aos ramos faríngeo, 
laríngeo e cardíaco. 
 
Figura 9.22 Relações entre os nervos e vasos e os músculos supra-hióideos na região cervical anterior. O ventre posterior do músculo 
digástrico, que segue do processo mastoide até o hioide, tem uma posição superficial e estratégica no pescoço. 
ANATOMIA DE SUPERFÍCIE DAS REGIÕES CERVICAIS E TRÍGONOS DO PESCOÇO 
A pele do pescoço é fina e flexível. A tela subcutânea contém o músculo platisma, uma fina lâmina de músculo estriado 
que ascende até a face. As fibras podem ser vistas, sobretudo em pessoas magras, quando se contraem os músculos 
platismas (p. ex., ao fingir que se afrouxa um colarinho apertado). 
O músculo ECM é o principal ponto de referência muscular do pescoço. Delimita a região 
esternocleidomastóidea e divide o pescoço em regiões cervicais anterior e lateral. É fácil observar e palpar este 
músculo saliente e largo em todo o seu trajeto superolateral a partir do esterno e da clavícula. A inserção superior 
ao processo mastoide é palpável posteriormente ao lóbulo da orelha. O músculo ECM é ressaltado instruindo-se a 
pessoa a girar a face para o lado oposto e a elevar o mento. Durante essa contração, as margens anterior e posterior 
do músculo são bem definidas. 
 A incisura jugular do manúbrio do esterno forma o limite inferior da fossa entre as cabeças esternais dos 
músculos ECM. 
 O espaço supraesternal e o arco venoso jugular estão em posição superior a essa incisura. 
 A fossa supraclavicular menor, entre as cabeças esternal e clavicular do músculo ECM, está sobre a 
extremidade inferior da VJI. É possível inserir uma agulha ou um cateter nesse local (“Punção da veia 
jugular interna”). 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 26 
A VJE segue verticalmente através do músculo ECM em direção ao ângulo da mandíbula. Pode ser proeminente, 
sobretudo se distendida pela inspiração profunda seguida por interrupção da respiração e expiração contra resistência 
(manobra de Valsalva), ou leve compressão da parte inferior da veia. Essas medidas impedem o retorno venoso para 
o lado direito do coração. A VJE é menos visível em crianças e mulheres de meia-idade que tendem a ter uma tela 
subcutânea mais espessa do que os homens. 
O nervo auricular magno acompanha a veia, cerca de um dedo transverso posteriormente a ela. Profundamente 
à metade superior do músculo ECM está o plexo cervical, e profundamente à metade inferior do músculo ECM estão 
a VJI, a artéria carótida comum e o nervo vago na bainha carótica. 
O músculo trapézio, que define a região cervical posterior, pode ser observado e palpado instruindo-se a pessoa 
a retrair os ombros contra resistência. Na parte superior, onde se fixa à protuberância occipital externa, o músculo 
está sobre a região suboccipital. 
O ventre inferior do músculo omo-hióideo pode ser visto e palpado com dificuldade em seu trajeto sup 
eromedial através da parte inferior da região cervical lateral. Muitas vezes é possível ver a contração do músculo 
omo-hióideo, mais fácil de observar em pessoas magras, durante a fala. 
Logo abaixo do ventre inferior do músculo omo-hióideo está a fossa supraclavicular maior, a depressão sobre 
o trígono omoclavicular. A terceira parte da artéria subclávia atravessa esse trígono antes de passar posteriormente à 
clavícula e cruzar a costela I. 
A fossa supraclavicular maior é clinicamente importante porque aí é possível palpar as pulsações da artéria 
subclávia na maioria das pessoas. O trajeto da artéria subclávia no pescoço é representado por uma linha curva que 
vai da articulação esternoclavicular (EC) até o ponto médio da clavícula. As pulsações subclávias podem ser palpadas 
mediante pressão inferoposterior (para baixo e para trás) logo atrás da junção dos terços medial e intermédio da 
clavícula. Este é o ponto de compressão da artéria subclávia; a pressão mais firme, comprimindo a artéria contra a 
costela I, pode ocluir a artéria quando há hemorragia distal no membro superior. 
O principal conteúdo do trígono occipital maior, superior ao músculo omo-hióideo, é o nervo acessório (NC XI); os 
ramos cutâneos dos nervos cervicais C2, C3 e C4; e os linfonodos cervicais. Em face da vulnerabilidade e da frequência 
de lesão iatrogênica do nervo acessório, é importante ser capaz de estimar a localização do NC XI na região cervical 
lateral. O trajeto aproximado é determinado por uma linha que cruza a junção dos terços superior e médio da margem 
posterior do ECM e a junção dos terços médio e inferior da margem anterior do músculo trapézio. 
O acesso cirúrgico às vísceras cervicais e às artérias carótidas e seus ramos é feito através da região cervical 
anterior, entre a margem anterior do músculo ECM e a linha mediana. Dos quatro trígonos menores nos quais a região 
é subdividida, os trígonos submandibular e carótico são os mais importantes na prática clínica. 
A glândula submandibular ocupa quase todo o trígono submandibular. É palpável como massa mole inferior ao 
corpo da mandíbula, sobretudo quando o ápice da língua é forçado contra os dentes incisivos maxilares. Os linfonodos 
submandibulares situam-se superficialmente à glândula. Esseslinfonodos recebem linfa da face inferior ao olho e da 
boca. Se estiverem aumentados, esses linfonodos podem ser palpados movendo-se as pontas dos dedos a partir do 
ângulo da mandíbula ao longo de sua margem inferior. Continuando até os dedos se encontrarem sob o mento, podem 
ser palpados linfonodos submentuais aumentados no trígono submentual. 
O sistema arterial carótico está localizado no trígono carótico. Essa área é importante para abordagens cirúrgicas 
da bainha carótica, que contém a artéria carótida comum, a VJI e o nervo vago. O trígono carótico também contém o 
nervo hipoglosso (NC XII) e o tronco simpático cervical. A bainha carótica pode ser delimitada por uma linha que une 
a articulação EC a um ponto médio entre o processo mastoide e o ângulo da mandíbula. 
O pulso carotídeo pode ser palpado colocando-se o 2o e o 3o dedos da mão sobre a cartilagem tireóidea e 
apontando-os em sentido posterolateral entre a traqueia e o músculo ECM. O pulso é palpável imediatamente medial 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 27 
ao músculo ECM. A palpação é feita na região baixa do pescoço para evitar pressão sobre o seio carótico, o que poderia 
causar a queda reflexa da pressão arterial e da frequência cardíaca. 
 
Figura 9.23 Anatomia de superfície do pescoço. A. Contração do músculo platisma. B. Regiões (A a E) e trígonos (2 a 7) do 
pescoço. C. Trajeto do nervo acessório (NC XI). D. Pontos de referência da região anterolateral do pescoço. E. Palpação do pulso da 
artéria subclávia. F. Palpação dos linfonodos submandibulares. 
ESTRUTURAS PROFUNDAS DO PESCOÇO 
As estruturas profundas do pescoço são os músculos pré-vertebrais, que ocupam posição posterior às vísceras 
cervicais e anterolateral à coluna vertebral cervical, e as vísceras que se estendem até a abertura superior do tórax, 
na parte mais inferior, ou a raiz do pescoço. 
Músculos pré-vertebrais 
Os músculos vertebrais anteriores e laterais ou pré-vertebrais situam-se profundamente à lâmina pré-vertebral da 
fáscia cervical. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 28 
Os músculos vertebrais anteriores, que consistem nos músculos longos do pescoço e da cabeça, reto anterior da 
cabeça e escaleno anterior, ocupam posição diretamente posterior ao espaço retrofaríngeo e medial ao plano 
neurovascular dos plexos cervical e braquial e à artéria subclávia. 
Os músculos vertebrais laterais, representados pelos músculos reto lateral da cabeça, esplênio da cabeça, levantador 
da escápula e escalenos médio e posterior, situam-se em posição posterior a esse plano neurovascular e (com exceção 
do músculo reto lateral da cabeça em posição alta) formam o assoalho da região cervical lateral. 
Raiz do pescoço 
A raiz do pescoço* é a área da junção entre o tórax e o pescoço. É localizada na face cervical da abertura superior do 
tórax, através da qual passam todas as estruturas que seguem do tórax para a cabeça ou membro superior e vice-
versa. O limite inferior da raiz do pescoço é a abertura superior do tórax, formada lateralmente pelo 1o par de costelas 
e suas cartilagens costais, anteriormente pelo manúbrio do esterno e posteriormente pelo corpo da vértebra T I. As 
estruturas viscerais na raiz do pescoço são descritas em “Vísceras do pescoço”. 
Figura 9.24 Músculos 
pré-vertebrais. 
Quadro 9.4 Músculos pré-vertebrais. 
Músculo Inserção superior Inserção inferior Inervação Principal(is) ação(ões) 
Vertebrais anteriores 
Longo do 
pescoço 
Tubérculo anterior da 
vértebra C I (atlas); corpos 
de C I a C III e processos 
transversos das vértebras C 
III a C VI 
Corpos das vértebras 
C V a T III; processos 
transversos das 
vértebras C III a C V 
Ramos anteriores 
dos Nn. espinais 
C2 a C6 
Flete o pescoço com rotação 
(torção) para o lado oposto se 
estiver agindo unilateralmentea 
M. longo da 
cabeça 
Parte basilar do occipital Tubérculos 
anteriores dos 
processos 
transversos de C III a 
C VI 
Ramos anteriores 
dos Nn. espinais 
C1 a C3 
Flete a cabeçab 
M. reto 
anterior da 
cabeça 
Base do crânio, 
imediatamente anterior ao 
côndilo occipital 
Face anterior da 
massa lateral do 
atlas (vértebra CI) 
Ramos da alça 
entre os Nn. 
espinais C1 e C2 
Escaleno 
anterior 
Processos transversos das 
vértebras C III a C VI 
Costela I Nn. espinais 
cervicais C4 a C6 
Vertebrais laterais 
M. reto 
lateral da 
cabeça 
Processo jugular do occipital Processo transverso 
do atlas (vértebra CI) 
Ramos da alça 
entre os Nn. 
espinais C1 e C2 
Flete a cabeça e ajuda a 
estabilizá-lab 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#rfn2
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 29 
M. esplênio 
da cabeça 
Metade inferior do 
ligamento nucal e processos 
espinhosos das seis 
vértebras torácicas 
superiores 
Face lateral do 
processo mastoide e 
terço lateral da linha 
nucal superior 
Ramos posteriores 
dos Nn. espinais 
cervicais 
intermédios 
Flete lateralmente e gira a 
cabeça e o pescoço para o 
mesmo lado; agindo 
bilateralmente, estende a 
cabeça e o pescoçoc 
Levantador 
da escápula 
Tubérculos posteriores dos 
processos transversos das 
vértebras C II a C VI 
Parte superior da 
margem medial da 
escápula 
Nervo dorsal da 
escápula C5 e Nn. 
espinais cervicais 
C3 e C4 
Rotação da escápula para baixo 
e inclinação da cavidade 
glenoidal inferiormente por 
meio de rotação da escápula 
Escaleno 
médio 
Tubérculos posteriores dos 
processos transversos das 
vértebras C V a C VII 
Face superior da 
costela I; posterior 
ao sulco da A. 
subclávia 
Ramos anteriores 
dos Nn. espinais 
cervicais 
Flete o pescoço lateralmente; 
eleva a costela I durante a 
inspiração forçadaa 
Escaleno 
posterior 
 Margem externa da 
costela II 
Ramos anteriores 
dos Nn. espinais 
cervicais C7 e C8 
Flete o pescoço lateralmente; 
eleva a costela II durante a 
inspiração forçadaa 
aFlexão do pescoço = flexão anterior (ou lateral) das vértebras cervicais C II a C VII. 
bFlexão da cabeça = flexão anterior (ou lateral) da cabeça em relação à coluna vertebral nas articulações atlantoccipitais. 
cA rotação da cabeça ocorre nas articulações atlantoaxiais. 
ARTÉRIAS NA RAIZ DO PESCOÇO 
O tronco braquiocefálico é coberto anteriormente pelos músculos esterno-hióideo e esternotireóideo direitos; é o 
maior ramo do arco da aorta. Origina-se na linha mediana, no início do arco da aorta, posteriormente ao manúbrio do 
esterno. Segue em sentido superolateral à direita, onde se divide em artérias carótida comum e subclávia direitas 
posteriormente à articulação esternoclavicular (EC). O tronco braquiocefálico geralmente não tem ramos pré-
terminais. 
As artérias subclávias suprem os membros superiores; também enviam ramos para o pescoço e o encéfalo. 
 Artéria subclávia direita origina-se do tronco braquiocefálico. 
 Artéria subclávia esquerda origina-se do arco da aorta, cerca de 1 cm distal à artéria carótida comum 
esquerda. 
O nervo vago esquerdo segue paralelamente à primeira parte da artéria. Embora as artérias subclávias dos dois lados 
tenham diferentes origens, seus trajetos no pescoço começam posteriormente às respectivas articulações EC 
enquanto ascendem através da abertura superior do tórax e entram na raiz do pescoço. 
As artérias subclávias fazem uma curva superolateral, atingindo um ápice quando passam posteriormente 
aos músculos escalenos anteriores. Quando começam a descer, situam-se posteriormente à parte média das 
clavículas. Ao cruzarem a margem externa das primeiras costelas, o nome das artérias subclávias muda; elas se tornam 
as artérias axilares. Três partes de cada artéria subclávia são descritas em relação ao músculo escaleno anterior: a 
primeira parte é medial ao músculo, a segunda parte é posterior a ele, e a terceiraparte é lateral a ele. As pleuras 
cervicais (cúpulas da pleura), os ápices do pulmão e os troncos simpáticos situam-se posteriormente à primeira parte 
das artérias. A terceira parte da artéria subclávia já foi discutida neste capítulo. 
Os ramos das artérias subclávias são: 
•Da 1a parte: Artéria vertebral, artéria torácica interna e tronco tireocervical 
•Da 2a parte: Tronco costocervical 
•Da 3a parte: Artéria dorsal da escápula. 
A parte pré-vertebral da artéria vertebral origina-se da primeira parte da artéria subclávia e ascende no espaço 
piramidal formado entre o músculo escaleno e os músculos longos do pescoço e da cabeça. No ápice desse espaço, a 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 30 
artéria segue profundamente e atravessa os forames dos processos transversários das vértebras C I a C VI. Essa é 
a parte transversária (cervical) da artéria vertebral. Às vezes, a artéria vertebral entra em um forame superior ao da 
vértebra C VI. Em cerca de 5% das pessoas, a artéria vertebral esquerda origina-se do arco da aorta. 
A parte atlântica (suboccipital) da artéria vertebral segue em um sulco no arco posterior do atlas e entra na 
cavidade craniana através do forame magno. A parte intracraniana da artéria vertebral envia ramos para o bulbo e a 
medula espinal, partes do cerebelo e a dura-máter da fossa posterior do crânio. Na margem inferior da ponte do 
tronco encefálico, as artérias vertebrais unem-se para formar a artéria basilar, que participa na formação do círculo 
arterial do cérebro. 
A artéria torácica interna origina-se da face anteroinferior da artéria subclávia e segue em sentido inferomedial 
até o tórax. A parte cervical da artéria torácica interna não tem ramos. 
O tronco tireocervical origina-se da face anterossuperior da primeira parte da artéria subclávia, perto da margem 
medial do músculo escaleno anterior. Emite quatro ramos, sendo a artéria tireóidea inferior o maior e o mais 
importante deles, a artéria visceral primária do pescoço, que supre a laringe, a traqueia, o esôfago, as glândulas 
tireoide e paratireoides, bem como os músculos adjacentes. Os outros ramos do tronco tireocervical são as artérias 
cervical ascendente, supraescapular e cervical transversa. Os ramos da artéria cervical transversa já foram analisados, 
junto com a região cervical lateral. Os ramos terminais do tronco tireocervical são as artérias tireóidea inferior e 
cervical ascendente. Esta última é uma pequena artéria que envia ramos musculares para os músculos laterais da parte 
superior do pescoço e ramos espinais para os forames intervertebrais. 
O tronco costocervical origina-se da face posterior da segunda parte da artéria subclávia (posterior ao músculo 
escaleno anterior no lado direito e, em geral, logo medial a este músculo no lado esquerdo). O tronco segue em sentido 
posterossuperior e divide-se em artérias intercostal suprema e cervical profunda, que suprem os dois primeiros 
espaços intercostais e os músculos cervicais profundos posteriores, respectivamente. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 31 
 
Figura 9.25 Raiz do pescoço e região pré-vertebral. A. Dissecção da raiz do pescoço. O plexo braquial e a terceira parte da artéria 
subclávia emergem entre os músculos escalenos anterior e médio. As veias braquiocefálicas, as primeiras partes das artérias subclávias 
e as artérias torácicas internas que se originam das artérias subclávias mantêm íntima relação com a cúpula da pleura (cervical). O ducto 
torácico termina na raiz do pescoço, quando entra no ângulo venoso esquerdo. ASE = artéria subclávia esquerda; ASD = artéria subclávia 
direita; C = artéria carótida comum; E = esôfago; T = traqueia; TB = tronco braquiocefálico; VBE = veia braquiocefálica esquerda; VBD = 
veia braquiocefálica direita; VJI = veia jugular interna; VSD = veia subclávia direita; VSE = veia subclávia esquerda. B. Nesta dissecção da 
região pré vertebral e raiz do pescoço, a lâmina pré vertebral de fáscia cervical e as artérias e nervos foram removidos no lado direito; o 
músculo longo da cabeça foi excisado no lado direito. O plexo nervoso cervical, que se origina nos ramos anteriores de C1–C4; o plexo 
nervoso braquial, originado nos ramos anteriores de C5–C8 e T1; e ramos da artéria subclávia são visíveis no lado esquerdo. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 32 
VEIAS NA RAIZ DO PESCOÇO 
Duas grandes veias que terminam na raiz do pescoço são a VJE, que drena sangue recebido principalmente do couro 
cabeludo e da face, e a veia jugular anterior (VJA) variável, geralmente a menor das veias jugulares. A VJA 
normalmente origina-se perto do hioide a partir da confluência das veias submandibulares superficiais. A VJA desce 
na tela subcutânea ou profundamente à lâmina superficial da fáscia cervical entre a linha mediana anterior e a margem 
anterior do músculo ECM. Na raiz do pescoço, a VJA vira-se lateralmente, posterior ao músculo ECM, e abre-se no 
término da VJE ou na veia subclávia. Superiormente ao manúbrio do esterno as VJAs direita e esquerda costumam se 
unir através da linha mediana para formar o arco venoso jugular no espaço supraesternal. 
Veia subclávia: a continuação da veia axilar, começa na margem lateral da costela I e termina quando se une à VJI. 
A veia subclávia segue sobre a costela I anteriormente ao tubérculo do músculo escaleno paralelamente à artéria 
subclávia, mas é separada dela pelo músculo escaleno anterior. Em geral, tem apenas uma tributária nomeada, a VJE. 
A VJI termina posteriormente à extremidade medial da clavícula unindo-se à veia subclávia para formar a veia 
braquiocefálica. Essa união é denominada ângulo venoso e é o local onde o ducto torácico (lado esquerdo) e o tronco 
linfático direito (lado direito) drenam a linfa recolhida em todo o corpo para a circulação venosa. Em todo o trajeto, a 
VJI é revestida pela bainha carótica. 
NERVOS NA RAIZ DO PESCOÇO 
Existem três pares de grandes nervos na raiz do pescoço: (1) nervos vagos, (2) nervos frênicos e (3) troncos simpáticos. 
Nervos vagos (NC X). Depois de sua saída do forame jugular, cada nervo vago segue em sentido inferior no pescoço, 
dentro da parte posterior da bainha carótica, no ângulo entre a VJI e a artéria carótida comum. 
 Nervo vago direito segue anteriormente à primeira parte da artéria subclávia e posteriormente à veia 
braquiocefálica e à articulação EC para entrar no tórax. 
 Nervo vago esquerdo desce entre as artérias carótida comum esquerda e subclávia esquerda, e 
posteriormente à articulação EC para entrar no tórax. 
Os nervos laríngeos recorrentes originam-se dos nervos vagos na parte inferior do pescoço. Os nervos dos dois 
lados têm praticamente a mesma distribuição; entretanto, formam uma alça ao redor de diferentes estruturas e em 
diferentes níveis nos dois lados. 
 Nervo laríngeo recorrente direito faz uma curva inferiormente à artéria subclávia direita, no nível 
aproximado das vértebras T I e T II. 
 Nervo laríngeo recorrente esquerdo faz uma curva inferiormente ao arco da aorta, no nível aproximado 
das vértebras T IV e T V. 
Depois de fazer uma alça, os nervos laríngeos recorrentes ascendem superiormente até a face posteromedial da 
glândula tireoide, onde ascendem no sulco traqueoesofágico, suprindo a traqueia e o esôfago e todos os músculos 
intrínsecos da laringe, com exceção do músculo cricotireóideo. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 33 
 
Figura 9.26 Nervos no pescoço. A. Tronco e gânglios simpáticos cervicais, artérias carótidas e plexos periarteriais simpáticos. B. Nesta 
vista da raiz do pescoço (lado direito), a clavícula foi removida e foram feitos cortes da artéria carótida comum e da VJI. O lobo direitoda 
glândula tireoide foi afastado para mostrar o nervo laríngeo recorrente e o gânglio cervical médio (simpático). 
Os ramos cardíacos do NC X originam-se no pescoço e no tórax e conduzem fibras parassimpáticas pré-
ganglionares e aferentes viscerais para o plexo cardíaco de nervos. 
Nervos frênicos 
Os nervos frênicos formam-se nas margens laterais dos músculos escalenos anteriores, principalmente do nervo C4 
com contribuições de C3 e C5. Os nervos frênicos descem anteriormente aos músculos escalenos anteriores sob a 
cobertura das VJIs e dos músculos ECMs. Eles passam sob a lâmina pré-vertebral da fáscia cervical, entre as artérias e 
veias subclávias, e prosseguem até o tórax para suprir o diafragma. 
Os nervos frênicos são importantes porque, além de sua distribuição sensitiva, são os únicos responsáveis pelo 
suprimento motor da sua própria metade do diafragma. 
Troncos simpáticos 
A parte cervical dos troncos simpáticos situa-se anterolateralmente à coluna vertebral, estendendo-se 
superiormente até o nível da vértebra C I ou base do crânio. Os troncos simpáticos não recebem ramos comunicantes 
brancos no pescoço (lembrar que ramos brancos são associados somente aos nervos espinais T1 a L2 ou 3). 
A parte cervical dos troncos tem três gânglios simpáticos cervicais: superior, médio e inferior. Esses gânglios 
recebem fibras pré-ganglionares conduzidas até o tronco pelos nervos espinais torácicos superiores e seus ramos 
comunicantes brancos associados, que então ascendem através do tronco simpático até os gânglios. Depois de 
fazerem sinapse com o neurônio pós-ganglionar nos gânglios simpáticos cervicais, os neurônios pós-ganglionares 
enviam fibras para as seguintes estruturas: 
1.Nervos espinais cervicais via ramos comunicantes cinzentos 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 34 
2.Vísceras torácicas via nervos esplâncnicos cardiopulmonares 
3.Cabeça e vísceras do pescoço via ramos arteriais cefálicos. 
As últimas fibras acompanham artérias como plexos nervosos periarteriais simpáticos, sobretudo as artérias 
vertebrais e carótidas internas e externas. 
Em cerca de 80% das pessoas, o gânglio cervical inferior funde-se ao primeiro gânglio torácico para formar o 
grande gânglio cervicotorácico (gânglio estrelado). Este gânglio em formato de estrela situa-se anteriormente ao 
processo transverso da vértebra C VII, logo acima do colo da costela I de cada lado e atrás da origem da artéria 
vertebral. Algumas fibras pós-ganglionares do gânglio seguem através dos ramos comunicantes cinzentos até os ramos 
anteriores dos nervos espinais C7 e C8 (raízes do plexo braquial), e outras seguem até o coração através do nervo 
cardíaco cervical inferior (um nervo esplâncnico cardiopulmonar), que continua ao longo da traqueia até o plexo 
cardíaco profundo. Outras fibras seguem pelos ramos arteriais e contribuem para o plexo nervoso periarterial 
simpático ao redor da artéria vertebral que segue para a cavidade craniana. 
Às vezes, o gânglio cervical médio, o menor dos três gânglios, não existe. Quando presente, ele se situa sobre a 
face anterior da artéria tireóidea inferior no nível da cartilagem cricóidea e do processo transverso da vértebra C VI, 
logo anterior à artéria vertebral. As fibras pós-ganglionares seguem do gânglio pelos ramos comunicantes cinzentos 
até os ramos anteriores dos nervos espinais C5 e C6, através de um nervo cardíaco cervical médio (esplâncnico 
cardiopulmonar) até o coração e por ramos arteriais para formar os plexos periarteriais da glândula tireoide. 
O gânglio cervical superior está situado no nível das vértebras C I e C II. Por ser grande é um bom ponto de 
referência para a localização do tronco simpático, mas pode ser necessário distingui-lo de um gânglio sensitivo 
(nodoso) grande do nervo vago (NC X), quando presente. As fibras pós-ganglionares partem dele por meio de ramos 
arteriais cefálicos para formar o plexo simpático carótico interno e entrar na cavidade craniana. Esse gânglio também 
envia ramos arteriais para a artéria carótida externa e ramos cinzentos para os ramos anteriores dos quatro nervos 
espinais cervicais superiores. Outras fibras pós-ganglionares partem dele para o plexo cardíaco de nervos por 
um nervo cardíaco cervical superior (nervo esplâncnico cardiopulmonar). 
VÍSCERAS DO PESCOÇO 
As vísceras do pescoço estão dispostas em três camadas, nomeadas de acordo com sua função primária. Da região 
superficial para a profunda, elas são: 
1.Camada endócrina: glândulas tireoide e paratireoides 
2.Camada respiratória: laringe e traqueia 
3.Camada alimentar: faringe e esôfago. 
CAMADA ENDÓCRINA DE VÍSCERAS CERVICAIS 
As vísceras da camada endócrina fazem parte do sistema endócrino (glândulas secretoras de hormônio, sem ductos). 
A glândula tireoide é a maior glândula endócrina do corpo. Produz hormônio tireoidiano, que controla a velocidade 
do metabolismo, e calcitonina, um hormônio que controla o metabolismo do cálcio. A glândula tireoide influencia 
todas as áreas do corpo, com exceção dela própria e do baço, testículos e útero. O hormônio produzido pelas glândulas 
paratireoides, o paratormônio (PTH), controla o metabolismo do fósforo e do cálcio no sangue. As glândulas 
paratireoides atuam no esqueleto, nos rins e no intestino. 
GLÂNDULA TIREOIDE 
A glândula tireoide situa-se profundamente aos músculos esternotireóideo e esterno-hióideo, na parte anterior do 
pescoço, no nível das vértebras C V a T I. É formada principalmente pelos lobos direito e esquerdo, situados em posição 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 35 
anterolateral em relação à laringe e à traqueia. Um istmo relativamente fino une os lobos sobre a traqueia, em geral 
anteriormente ao segundo e terceiro anéis traqueais. 
A glândula tireoide é circundada por uma cápsula fibrosa fina, que envia septos profundos para o interior da glândula. 
Tecido conjuntivo denso fixa a cápsula à cartilagem cricóidea e aos anéis traqueais superiores. Externamente à cápsula 
há uma bainha frouxa formada pela parte visceral da lâmina pré-traqueal da fáscia cervical. 
Artérias da glândula tireoide 
A glândula tireoide, bastante vascularizada, é suprida pelas artérias tireóideas superior e inferior. Esses vasos 
situam-se entre a cápsula fibrosa e a bainha fascial frouxa. Em geral, os primeiros ramos das artérias carótidas 
externas, as artérias tireóideas superiores, descem até os polos superiores da glândula, perfuram a lâmina pré-
traqueal da fáscia cervical e dividem-se em ramos anterior e posterior que suprem principalmente a face 
anterossuperior da glândula. 
As artérias tireóideas inferiores, os maiores ramos dos troncos tireocervicais que se originam das artérias 
subclávias, seguem em sentido superomedial posteriormente às bainhas caróticas até chegarem à face posterior 
da glândula tireoide. Elas se dividem em vários ramos que perfuram a lâmina pré-traqueal da fáscia cervical e suprem 
a face posteroinferior, inclusive os polos inferiores da glândula. As artérias tireóideas superiores e inferiores direita e 
esquerda fazem extensas anastomoses dentro da glândula, assegurando sua vascularização enquanto proporcionam 
potencial circulação colateral entre as artérias subclávia e carótida externa. 
Em cerca de 10% das pessoas, uma pequena artéria tireóidea ima ímpar origina-se do tronco braquiocefálico (ver 
“Artéria tireóidea ima” no boxe Anatomia Clínica, mais adiante); entretanto, pode originar-se do arco da aorta ou das 
artérias carótida comum direita, subclávia ou torácica interna. Quando existente, essa pequena artéria ascende na 
face anterior da traqueia, emitindo pequenos ramos para ela. A artéria continua até o istmo da glândula tireoide, onde 
se divide para irrigá-la. 
Veias da glândula tireoide 
Três pares de veias tireóideas geralmente formam um plexo venosotireóideo na face anterior da glândula tireoide 
e anterior à traqueia. 
 Veias tireóideas superiores acompanham as artérias tireóideas superiores; elas drenam os polos 
superiores da glândula tireoide; 
 Veias tireóideas médias não acompanham, mas seguem trajetos praticamente paralelos às artérias 
tireóideas inferiores; drenam a região intermédia dos lobos. 
 Veias tireóideas inferiores geralmente independentes drenam os polos inferiores. As veias tireóideas 
superior e média drenam para as VJI; as veias tireóideas inferiores drenam para as veias braquiocefálicas 
posteriormente ao manúbrio do esterno. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 36 
 
Figura 9.27 Relações da glândula tireoide. A. Os músculos esternotireóideos foram seccionados para expor os lobos da glândula tireoide 
normal. O istmo situa-se anteriormente aos segundo e terceiro anéis traqueais. B. As glândulas paratireoides geralmente estão inseridas 
na cápsula fibrosa na face posterior da glândula tireoide. C a E. Camadas funcionais das vísceras cervicais. Os níveis das imagens são 
próximos do mostrado em C. (A figura D foi cedida pelo Dr. M. Keller, Medical Imaging, University of Toronto, Toronto, Ontario, Canada. 
A figura E foi cedida pelo Dr. W. Kucharczyk, Professor and Neuroradiologist Senior Scientist, Department of Medical Resonance Imaging, 
University Health Network. Toronto, Ontario, Canada.) 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 37 
 
Figura 9.28 Dissecção do lado esquerdo da raiz do pescoço. As vísceras (glândula tireoide, traqueia e esôfago) foram afastadas para a 
direita, e o conteúdo da bainha carótica esquerda foi afastado para a esquerda. A veia tireóidea média, seccionada para permitir esse 
afastamento, não é visível. As glândulas paratireoides esquerdas na face posterior do lobo esquerdo da glândula tireoide estão expostas. 
O nervo laríngeo recorrente ascende ao lado da traqueia, no ângulo entre a traqueia e o esôfago. O ducto torácico segue lateralmente, 
posterior ao conteúdo da bainha carótica, enquanto o tronco tireocervical segue medialmente. 
 
Figura 9.29 Glândula tireoide. Dissecção da face anterior do pescoço. Nesta amostra, há uma pequena glândula tireoide acessória à 
direita, situada sobre o músculo tíreo-hióideo, lateral à cartilagem tireóidea. A artéria tireóidea superior é distribuída primariamente 
para a parte anterossuperior da glândula. 
Drenagem linfática da glândula tireoide 
Os vasos linfáticos da glândula tireoide seguem no tecido conjuntivo interlobular, geralmente perto das artérias; 
eles se comunicam com uma rede capsular dos vasos linfáticos. A partir daí, os vasos seguem primeiro para 
os linfonodos pré-laríngeos, pré-traqueais e paratraqueais. Por sua vez, os linfonodos pré-laríngeos drenam para os 
linfonodos cervicais superiores, e os linfonodos pré-traqueais e paratraqueais drenam para os linfonodos cervicais 
profundos inferiores. Lateralmente, os vasos linfáticos situados ao longo das veias tireóideas superiores seguem 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 38 
diretamente para os linfonodos cervicais profundos inferiores. Alguns vasos linfáticos podem drenar para 
os linfonodos braquiocefálicos ou para o ducto torácico. 
Nervos da glândula tireoide 
Os nervos da glândula tireoide são derivados dos gânglios (simpáticos) cervicais superiores, médios e inferiores. 
Eles chegam à glândula através dos plexos cardíaco e periarteriais tireóideos superior e inferior que acompanham as 
artérias tireóideas. Essas fibras são vasomotoras, não secretomotoras. Causam constrição dos vasos sanguíneos. A 
secreção endócrina da glândula tireoide é controlada por hormônios pela hipófise. 
GLÂNDULAS PARATIREOIDES 
Em geral, as pequenas glândulas paratireoides ovais e achatadas situam-se externamente à cápsula tireóidea na 
metade medial da face posterior de cada lobo da glândula tireoide, dentro de sua bainha. 
 Glândulas paratireoides superiores costumam situar-se um pouco mais de 1 cm acima do ponto de entrada 
das artérias tireóideas inferiores na glândula tireoide. 
 Glândulas paratireoides inferiores geralmente situam-se mais de 1 cm abaixo do ponto de entrada arterial. 
A maioria das pessoas tem quatro glândulas paratireoides. Cerca de 5% das pessoas têm mais; algumas têm apenas 
duas glândulas. As glândulas paratireoides superiores, com posição mais constante do que as inferiores, geralmente 
estão situadas no nível da margem inferior da cartilagem cricóidea. A posição habitual das glândulas paratireoides 
inferiores é perto dos polos inferiores da glândula tireoide, mas elas podem ocupar várias posições. Em 1 a 5% das 
pessoas, uma glândula paratireoide inferior está situada profundamente no mediastino superior. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 39 
 
Figura 9.30 Drenagem linfática da glândula tireoide, da laringe e da traqueia. As setas indicam o sentido do fluxo linfático. 
Figura 9.31 Glândulas tireoide e paratireoides. A. A bainha da glândula tireoide foi dissecada da sua face posterior para mostrar as três 
glândulas paratireoides integradas. As duas glândulas paratireoides no lado direito são bastante baixas, e a glândula inferior está situada 
inferiormente à glândula tireoide. B. Locais e frequências de tecido glandular paratireóideo ectópico. 
Vasos das glândulas paratireoides 
Como as artérias tireóideas inferiores são responsáveis pela vascularização primária da face posterior da glândula 
tireoide, onde estão localizadas as glândulas paratireoides, ramos dessas artérias geralmente suprem essas glândulas. 
Entretanto, elas também podem ser supridas por ramos das artérias tireóideas superiores; a artéria tireóidea ima; ou 
as artérias laríngeas, traqueais e esofágicas. 
Veias paratireóideas drenam para o plexo venoso tireóideo da glândula tireoide e da traqueia. Os vasos 
linfáticos das glândulas paratireoides drenam com os vasos da glândula tireoide para os linfonodos cervicais profundos 
e linfonodos paratraqueais. 
Nervos das glândulas paratireoides 
A inervação das glândulas paratireoides é abundante; é derivada de ramos tireóideos dos gânglios (simpáticos) 
cervicais. Assim como os nervos para a glândula tireoide, são vasomotores em vez de secretomotores, porque as 
secreções endócrinas dessas glândulas são controladas por hormônios. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 40 
Camada respiratória de vísceras cervicais 
As vísceras da camada respiratória, a laringe e a traqueia, contribuem para as funções respiratórias do corpo. As 
principais funções das vísceras respiratórias cervicais são: 
•Direcionamento de ar e alimento para o sistema respiratório e o esôfago, respectivamente 
•Garantia de uma via respiratória pérvia e de um meio para fechá-la temporariamente (uma “válvula”) 
•Produção da voz. 
LARINGE 
A laringe, o complexo órgão de produção da voz, é formada por nove cartilagens unidas por membranas e ligamentos 
e contém as pregas (“cordas”) vocais. A laringe está situada na região anterior do pescoço no nível dos corpos das 
vértebras C III a C VI. Une a parte inferior da faringe (parte laríngea da faringe) à traqueia. 
Embora seja conhecida mais frequentemente por seu papel como o mecanismo fonador para produção de voz, sua 
função mais importante é proteger as vias respiratórias, sobretudo durante a deglutição, quando serve como 
“esfíncter” ou “válvula” do sistema respiratório inferior, mantendo, assim, a perviedade das vias respiratórias. 
Esqueleto da laringe 
O esqueleto da laringe é formado por nove cartilagens: três são ímpares (tireóidea, cricóidea e epiglótica) e três 
são pares (aritenóidea, corniculada ecuneiforme). 
A cartilagem tireóidea é a maior das cartilagens; sua margem superior situa-se oposta à vértebra C IV. Os dois 
terços inferiores de suas duas lâminas fundem-se anteriormente no plano mediano para formar a proeminência 
laríngea. Essa projeção (“pomo de Adão”) é bem definida em homens, mas raramente é visível em mulheres. 
Acima dessa proeminência, as lâminas divergem para formar uma incisura tireóidea superior em forma de V. 
A incisura tireóidea inferior, bem menos definida, é um entalhe pouco profundo no meio da margem inferior da 
cartilagem. 
 A margem posterior de cada lâmina projeta-se em sentido superior, como o corno superior, e inferior, 
como o corno inferior. 
 A margem superior e os cornos superiores fixam-se ao hioide pela membrana tíreo-hióidea. 
 A parte mediana espessa dessa membrana é o ligamento tíreo-hióideo mediano; suas partes laterais são 
os ligamentos tíreo-hióideos laterais. 
Os cornos inferiores articulam-se com as faces laterais da cartilagem cricóidea nas articulações cricotireóideas. 
Os principais movimentos nessas articulações são rotação e deslizamento da cartilagem tireóidea, que modificam o 
comprimento das pregas vocais. 
A cartilagem cricóidea tem o formato de um anel de sinete com o aro voltado anteriormente. Essa abertura anular 
da cartilagem permite a passagem de um dedo médio. A parte posterior (sinete) da cartilagem cricóidea é a lâmina, e 
a parte anterior (anel) é o arco. Embora seja muito menor do que a cartilagem tireóidea, a cartilagem cricóidea é mais 
espessa e mais forte, e é o único anel de cartilagem a circundar completamente uma parte da via respiratória. Fixa-se 
à margem inferior da cartilagem tireóidea pelo ligamento cricotireóideo mediano e ao primeiro anel traqueal 
pelo ligamento cricotraqueal. No local onde a laringe está mais próxima da pele e mais acessível, o ligamento 
cricotireóideo mediano pode ser percebido como um ponto mole durante a palpação inferior à cartilagem tireóidea. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 41 
 
Figura 9.33 Esqueleto da laringe. A. Embora esteja firmemente conectado à laringe, o hioide não faz parte dela. A laringe estende-se 
verticalmente da ponta da epiglote em forma de coração até a margem inferior da cartilagem cricóidea. B. A cartilagem tireóidea protege 
as cartilagens menores da laringe, e o hioide protege a parte superior da cartilagem epiglótica. C. Três vistas de uma cartilagem 
aritenóidea. 1 = Cartilagem corniculada; 2 = ápice da cartilagem aritenóidea; 3 = face anterolateral; 4 = processo vocal (projeta-se 
anteriormente, é o local de inserção do ligamento vocal); 5 = processo muscular (projeta-se lateralmente, para inserção dos músculos 
cricoaritenóideos posterior e lateral); 6 = fóvea oblonga (para inserção do músculo tireoaritenóideo); 7 = base; 8 = face medial; 9 = face 
articular; 10 = face posterior. D. Cartilagem tireóidea e músculo cricotireóideo. Este músculo movimenta a articulação cricotireóidea. E. A 
cartilagem epiglótica tem depressões para glândulas mucosas, e seu pecíolo está fixado pelo ligamento tireoepiglótico ao ângulo da 
cartilagem tireóidea superiormente aos ligamentos vocais. O ligamento vocal, que forma o esqueleto da prega vocal, estende-se do 
processo vocal da cartilagem aritenóidea até o “ângulo” da cartilagem tireóidea, e aí se une ao par contralateral inferiormente ao 
ligamento tireoepiglótico. 
As cartilagens aritenóideas são cartilagens piramidais pares, com três lados, que se articulam com as partes 
laterais da margem superior da lâmina da cartilagem cricóidea. Cada cartilagem tem um ápice superior, um processo 
vocal anterior e um grande processo muscular que se projeta lateralmente a partir de sua base. O ápice tem a 
cartilagem corniculada e se fixa à prega ariepiglótica. O processo vocal permite a inserção posterior do ligamento 
vocal, e o processo muscular atua como alavanca à qual estão fixados os músculos cricoaritenóideos posterior e lateral. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 42 
As articulações cricoaritenóideas, localizadas entre as bases das cartilagens aritenóideas e as faces superolaterais da 
lâmina da cartilagem cricóidea, permitem que as cartilagens aritenóideas deslizem, aproximando-se ou afastando-se 
umas das outras, inclinem-se anterior e posteriormente, e girem. Esses movimentos são importantes na aproximação, 
tensionamento e relaxamento das pregas vocais. 
Os ligamentos vocais elásticos estendem-se da junção das lâminas da cartilagem tireóidea anteriormente até o 
processo vocal da cartilagem aritenóidea posteriormente. Os ligamentos vocais formam o esqueleto submucoso das 
pregas vocais. Esses ligamentos são a margem superior livre espessada do cone elástico ou membrana cricovocal. As 
partes da membrana que se estendem lateralmente entre as pregas vocais e a margem superior da cartilagem 
cricóidea são os ligamentos cricotireóideos laterais. O cone elástico, fibroelástico, funde-se anteriormente com 
o ligamento cricotireóideo mediano. O cone elástico e a túnica mucosa sobrejacente fecham a abertura da traqueia, 
com exceção da rima da glote central (abertura entre as pregas vocais). 
A cartilagem epiglótica, formada por cartilagem elástica, confere flexibilidade à epiglote, uma cartilagem em 
forma de coração coberta por túnica mucosa. A cartilagem epiglótica, situada posteriormente à raiz da língua e ao 
hioide, e anteriormente ao ádito da laringe, forma a parte superior da parede anterior e a margem superior da 
entrada. Sua extremidade superior larga é livre. A extremidade inferior afilada, o pecíolo epiglótico, está fixada 
pelo ligamento tireoepiglótico ao ângulo formado pelas lâminas da cartilagem tireóidea. O ligamento 
hioepiglótico fixa a face anterior da cartilagem epiglótica ao hioide. A membrana quadrangular é uma lâmina 
submucosa fina de tecido conjuntivo que se estende entre as faces laterais das cartilagens aritenóidea e epiglótica. 
 A margem inferior livre constitui o ligamento vestibular, que é coberto frouxamente por túnica mucosa 
para formar a prega vestibular. Essa prega situa-se acima da prega vocal e estende-se da cartilagem 
tireóidea até a cartilagem aritenóidea. 
 A margem superior livre da membrana quadrangular forma o ligamento ariepiglótico, que é coberto por 
túnica mucosa para formar a prega ariepiglótica. 
As cartilagens corniculada e cuneiforme apresentam-se como pequenos nódulos na parte posterior das pregas 
ariepiglóticas. As cartilagens corniculadas fixam-se aos ápices das cartilagens aritenóideas; as cartilagens cuneiformes 
não se fixam diretamente em outras cartilagens. A membrana quadrangular e o cone elástico são as partes superior e 
inferior da membrana fibroelástica da laringe, que está localizada na tela submucosa. 
 
Figura 9.34 Epiglote e ligamento hioepiglótico. A epiglote é uma lâmina de fibrocartilagem elástica, em formato de folha, coberta por 
túnica mucosa (rosa) e fixada anteriormente ao hioide pelo ligamento hioepiglótico (cinza). A epiglote atua como uma válvula de desvio 
sobre a abertura superior da laringe durante a deglutição. 
Interior da laringe 
A cavidade da laringe estende-se do ádito da laringe, através do qual se comunica com a parte laríngea da faringe, 
até o nível da margem inferior da cartilagem cricóidea. Aqui a cavidade da laringe é contínua com a cavidade da 
traqueia. A cavidade da laringe inclui: 
•Vestíbulo da laringe: entre o ádito da laringe e as pregas vestibulares 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 43 
•Parte média da cavidade da laringe: a cavidade central (via respiratória) entre as pregas vestibulares e vocais 
•Ventrículo da laringe: recessos que se estendem lateralmente da parte média da cavidade da laringe entre as 
pregasvestibulares e vocais. O sáculo da laringe é uma bolsa cega que se abre para cada ventrículo revestida por 
glândulas mucosas 
•Cavidade infraglótica: a cavidade inferior da laringe entre as pregas vocais e a margem inferior da cartilagem 
cricóidea, onde é contínua com o lúmen da traqueia. 
As pregas vocais controlam a produção do som. O ápice de cada prega cuneiforme projeta-se medialmente para 
a cavidade da laringe. Cada prega vocal contém um: 
•Ligamento vocal, formado por tecido elástico espessado que é a margem livre medial do cone elástico. 
•Músculo vocal, formado por fibras musculares muito finas que ocupam posição imediatamente lateral aos 
ligamentos vocais e terminam irregularmente em relação ao comprimento desses ligamentos. 
 
Figura 9.35 Interior da laringe. A parede posterior da laringe foi dividida no plano mediano, e as duas partes foram afastadas e mantidas 
no lugar por uma agulha cirúrgica. A túnica mucosa está intacta no lado esquerdo. No lado direito, a túnica mucosa e a tela submucosa 
foram removidas, e a túnica esquelética – formada por cartilagens, ligamentos e membrana fibroelástica – foi descoberta. 
 As pregas vocais são pregas salientes de túnica mucosa que estão situadas sobre os ligamentos vocais e 
os músculos tireoaritenóideos e incorporam essas estruturas. Elas são a origem dos sons (tons) que 
provêm da laringe. 
 Essas pregas produzem vibrações audíveis quando suas margens livres estão justapostas (mas não 
comprimidas) durante a fonação, e o ar é expirado intermitentemente com força. 
 As pregas vocais também são o principal esfíncter inspiratório da laringe quando estão fechadas com 
firmeza. A adução completa das pregas forma um esfíncter eficaz que impede a entrada de ar. 
A glote (o aparelho vocal da laringe) é formada pelas pregas e processos vocais, juntamente com a rima da glote, 
a abertura entre as pregas vocais. O formato da rima varia de acordo com a posição das pregas vocais. Durante a 
respiração comum, a rima é estreita e cuneiforme; durante a respiração forçada, é larga e trapezoide. A rima da glote 
é semelhante a uma fenda quando as pregas vocais estão bem aproximadas durante a fonação. A variação na tensão 
e no comprimento das pregas vocais, na largura da rima da glote e na intensidade do esforço expiratório produz 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 44 
alterações na altura da voz. A menor amplitude de altura da voz de homens pós-púberes resulta do maior 
comprimento das pregas vocais. 
As pregas vestibulares, que se estendem entre a cartilagem tireóidea e as cartilagens aritenóideas, desempenham 
pequeno ou nenhum papel na produção da voz; sua função é protetora. Consistem em duas pregas espessas de túnica 
mucosa que encerram os ligamentos vestibulares. O espaço entre esses ligamentos é a rima do vestíbulo. Os recessos 
laterais entre as pregas vocais e vestibulares são os ventrículos da laringe. 
 
Músculos da laringe 
Os músculos da laringe são divididos em extrínsecos e intrínsecos: 
•Os músculos extrínsecos da laringe movem a laringe como um todo. Os músculos infra-hióideos abaixam o 
hioide e a laringe, enquanto os músculos supra-hióideos (e o estilofaríngeo, um músculo da faringe, discutido 
adiante neste capítulo) são elevadores do hioide e da laringe 
•Os músculos intrínsecos da laringe movem os componentes da laringe, alterando o comprimento e a tensão 
das pregas vocais e o tamanho e formato da rima da glote. Todos os músculos intrínsecos da laringe, com exceção 
de um, são supridos pelo nervo laríngeo recorrente, um ramo do NC X. O músculo cricotireóideo é suprido pelo 
nervo laríngeo externo, um dos dois ramos terminais do nervo laríngeo superior. 
É mais fácil compreender as ações dos músculos intrínsecos da laringe quando estes são considerados como 
grupos funcionais: adutores e abdutores, esfíncteres, e tensores e relaxadores. 
 
Figura 9.36 Pregas e compartimentos da laringe. A. Este corte coronal mostra os compartimentos da laringe: vestíbulo, compartimento 
médio com os ventrículos esquerdo e direito, e cavidade infraglótica. B. Essa RM mostra a valécula epiglótica da parte oral da faringe, os 
recessos piriformes da parte laríngea da faringe e as pregas vestibulares e vocais da laringe. C. A rima da glote (o espaço entre as pregas 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 45 
vocais) é visível através do ádito e do vestíbulo da laringe. O ádito da laringe é limitado (1) anteriormente pela margem curva livre da 
epiglote; (2) posteriormente pelas cartilagens aritenóideas, as cartilagens corniculadas que as recobrem, e a prega interaritenóidea que 
as une; e (3) de cada lado pela prega ariepiglótica que contém a extremidade superior da cartilagem cuneiforme. D e E. Os planos destas 
imagens transversais, orientados na mesma direção que a parte C, passam acima (D) e abaixo (E) da rima da glote. 
 
Figura 9.37 Variações no formato da rima da glote. A. O formato da rima da glote, a abertura entre as pregas vocais, varia de acordo 
com a posição das pregas vocais. Durante a respiração normal, os músculos laríngeos estão relaxados e a rima da glote assume posição 
estreita, semelhante a uma fenda. B. Durante a inalação profunda, os ligamentos vocais são abduzidos por contração dos músculos 
cricoaritenóideos posteriores, abrindo bem a rima da glote em formato de pipa invertida. C. Durante a fonação, os músculos aritenóideos 
aduzem as cartilagens aritenóideas ao mesmo tempo que os músculos cricoaritenóideos laterais aduzem-na moderadamente. A 
passagem forçada de ar entre os ligamentos vocais aduzidos produz o tom. A contração mais forte dos mesmos músculos fecha a rima 
da glote (manobra de Valsalva). D. Durante o sussurro, os ligamentos vocais são fortemente aduzidos pelos músculos cricoaritenóideos 
laterais, mas os músculos aritenóideos relaxados permitem a passagem de ar entre as cartilagens aritenóideas (parte intercartilagínea 
da rima da glote), tornando a fala atonal. Não há produção de tom. 
•Adutores e abdutores: esses músculos movimentam as pregas vocais para abrir e fechar a rima da glote. Os 
principais adutores são os músculos cricoaritenóideos laterais, que tracionam os processos musculares 
anteriormente, girando as cartilagens aritenóideas e causando a oscilação medial de seus processos vocais. 
Quando esta ação é associada à dos músculos aritenóideos transverso e oblíquo, que tracionam as cartilagens 
aritenóideas juntas, o ar empurrado através da rima da glote causa vibrações dos ligamentos vocais (fonação). 
Quando os ligamentos vocais são aduzidos, mas os músculos aritenóideos transversos não atuam, as cartilagens 
aritenóideas permanecem afastadas e o ar passa ao largo dos ligamentos. Essa é a posição do sussurro, quando 
a respiração é transformada em voz na ausência de tom. Os únicos abdutores são os músculos cricoaritenóideos 
posteriores, que tracionam os processos musculares posteriormente, girando os processos vocais lateralmente 
e assim alargando a rima da glote 
•Esfíncteres: as ações combinadas da maioria dos músculos do ádito da laringe resultam em ação esfincteriana 
que fecha o ádito da laringe como mecanismo de proteção durante a deglutição. A contração dos músculos 
cricoaritenóideos laterais, aritenóideos transversos e oblíquos e ariepiglóticos aproxima as pregas ariepiglóticas 
e traciona as cartilagens aritenóideas em direção à epiglote. Esta ação é um reflexo ao líquido ou a partículas que 
se aproximam ou entram no vestíbulo da laringe. Talvez seja nosso reflexo mais forte, diminuindo só depois da 
perda de consciência, como no afogamento 
•Tensores: os principais tensores são os músculos cricotireóideos, que inclinam ou tracionam a proeminência 
ou ângulo da cartilagem tireóidea anterior e inferiormente em direção ao arco da cartilagem cricóidea. Isso 
aumentaa distância entre a proeminência tireóidea e as cartilagens aritenóideas. Como as extremidades 
anteriores dos ligamentos vocais se fixam na face posterior da proeminência, os ligamentos vocais são alongados 
e tensionados, elevando a altura da voz 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 46 
•Relaxadores: os principais músculos neste grupo são os músculos tireoaritenóideos, que tracionam as 
cartilagens aritenóideas anteriormente, em direção ao ângulo (proeminência) da cartilagem tireóidea, relaxando, 
assim, os ligamentos vocais para reduzir a altura da voz. 
 
Figura 9.38 Músculos e nervos da laringe e articulação cricotireóidea. A cartilagem tireóidea foi seccionada à direita do plano mediano. 
A articulação cricotireóidea foi desarticulada e a lâmina direita da cartilagem tireóidea está voltada anteriormente (como ao abrir um 
livro), separando os músculos cricotireóideos do arco da cartilagem cricóidea. 
Os músculos vocais situam-se medialmente aos músculos tireoaritenóideos e lateralmente aos ligamentos vocais 
nas pregas vocais. Os músculos vocais fazem pequenos ajustes dos ligamentos vocais, mediante tensão e relaxamento 
seletivo das partes anterior e posterior, respectivamente, das pregas vocais durante a fala e o canto enérgicos. 
 
Artérias da laringe 
As artérias laríngeas, ramos das artérias tireóideas superior e inferior, irrigam a laringe. 
 A artéria laríngea superior acompanha o ramo interno do nervo laríngeo superior através da membrana tíreo-
hióidea e ramos para suprir a face interna da laringe. A artéria cricotireóidea, um pequeno ramo da artéria 
tireóidea superior, supre o músculo cricotireóideo. 
 A artéria laríngea inferior, um ramo da artéria tireóidea inferior, acompanha o nervo laríngeo inferior (parte 
terminal do nervo laríngeo recorrente) e supre a túnica mucosa e os músculos na parte inferior da laringe. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 47 
Figura 
9.39 Músculos da laringe. 
aAs fibras superiores dos músculos tireoaritenóideos seguem para a prega ariepiglótica, e algumas delas chegam à cartilagem epiglótica. Essas 
fibras constituem o músculo tireoepiglótico, que alarga o ádito da laringe. 
bAlgumas fibras dos músculos aritenóideos oblíquos continuam como músculos ariepiglóticos (Figura 9.40). 
cEssa alça muscular delgada situa-se medialmente ao músculo tireoaritenóideo e é formada por fibras mais finas do que as dele. 
Veias da laringe 
As veias laríngeas acompanham as artérias laríngeas. 
 A veia laríngea superior geralmente se une à veia tireóidea superior e através dela drena para a VJI. 
 A veia laríngea inferior une-se à veia tireóidea inferior ou ao plexo venoso sobre a face anterior da 
traqueia, que drena para a veia braquiocefálica esquerda. 
 
Vasos linfáticos da laringe 
Os vasos linfáticos da laringe superiores às pregas vocais acompanham a artéria laríngea superior através da 
membrana tíreo-hióidea e drenam para os linfonodos cervicais profundos superiores. 
Os vasos linfáticos inferiores às pregas vocais drenam para os linfonodos pré-traqueais ou paratraqueais, que 
drenam para os linfonodos cervicais profundos inferiores. 
 
Nervos da laringe 
Os nervos da laringe são os ramos laríngeos superior e inferior dos nervos vagos (NC X). 
O nervo laríngeo superior origina-se do gânglio vagal inferior na extremidade superior do trígono carótico. O 
nervo divide-se em dois ramos terminais na bainha carótica: o nervo laríngeo interno (sensitivo e autônomo) e o nervo 
laríngeo externo (motor). 
 O nervo laríngeo interno, o maior dos ramos terminais do nervo laríngeo superior, perfura a membrana 
tíreo-hióidea com a artéria laríngea superior, enviando fibras sensitivas para a túnica mucosa laríngea do 
vestíbulo da laringe e cavidade média da laringe, inclusive a face superior das pregas vocais. 
 O nervo laríngeo externo, o ramo terminal menor do nervo laríngeo superior, desce posteriormente ao 
músculo esternotireóideo em companhia da artéria tireóidea superior. Inicialmente, o nervo laríngeo 
externo está situado sobre o músculo constritor inferior da faringe; depois perfura o músculo, 
contribuindo para sua inervação (com o plexo faríngeo), e continua para suprir o músculo cricotireóideo. 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#fig9-40
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 48 
O nervo laríngeo inferior, a continuação do nervo laríngeo recorrente (um ramo do nervo vago), entra na laringe 
passando profundamente à margem inferior do músculo constritor inferior da faringe e medialmente à lâmina da 
cartilagem tireóidea. Divide-se em ramos anterior e posterior, que acompanham a artéria laríngea inferior até a 
laringe. 
 O ramo anterior supre os músculos cricotireóideo lateral, tireoaritenóideo, vocal, ariepiglótico e 
tireoepiglótico. 
 O ramo posterior supre os músculos cricoaritenóideo posterior e aritenóideos transverso e oblíquo. Como 
supre todos os músculos intrínsecos, com exceção do cricotireóideo, o nervo laríngeo inferior é o nervo 
motor primário da laringe. Entretanto, também envia fibras sensitivas para a túnica mucosa da cavidade 
infraglótica. 
 
Figura 9.40 Vasos, nervos e linfonodos da laringe. As artérias tireóideas superior e inferior dão origem às artérias laríngeas superior e 
inferior, respectivamente; elas se anastomosam entre si. Os nervos laríngeos são derivados do vago (NC X) através dos ramos interno e 
externo do nervo laríngeo superior, e o nervo laríngeo inferior é derivado do nervo laríngeo recorrente. O nervo laríngeo recorrente 
esquerdo segue inferiormente ao arco da aorta. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 49 
 
Figura 9.41 Ramos laríngeos do nervo vago direito (NC X). Os nervos da laringe são os ramos internos e externos do nervo laríngeo 
superior, e o nervo laríngeo inferior é o ramo do nervo laríngeo recorrente. O nervo laríngeo recorrente direito passa inferiormente à 
artéria subclávia direita. 
TRAQUEIA 
 A traqueia, que se estende da laringe até o tórax, termina inferiormente dividindo-se em brônquios principais 
direito e esquerdo. 
 Transporta o ar que entra e sai dos pulmões, e seu epitélio impulsiona o muco com resíduos em direção à 
faringe para expulsão pela boca. 
 A traqueia é um tubo fibrocartilagíneo, sustentado por cartilagens (anéis) traqueais incompletas, que ocupa 
uma posição mediana no pescoço. 
 As cartilagens traqueais mantêm a traqueia pérvia; são deficientes na parte posterior onde a traqueia é 
adjacente ao esôfago. 
 A abertura posterior nos anéis traqueais é transposta pelo músculo traqueal, músculo liso involuntário que 
une as extremidades dos anéis. Portanto, a parede posterior da traqueia é plana. 
Nos adultos, a traqueia tem cerca de 2,5 cm de diâmetro, enquanto nos lactentes tem o diâmetro de um lápis. A 
traqueia estende-se a partir da extremidade inferior da laringe no nível da vértebra C VI. Termina no nível do ângulo 
esternal ou do disco entre as vértebras T IV e T V, onde se divide nos brônquios principais direito e esquerdo. 
Lateralmente à traqueia estão as artérias carótidas comuns e os lobos da glândula tireoide. Inferiormente ao istmo 
da glândula tireoide estão o arco venoso jugular e as veias tireóideas inferiores. O tronco braquiocefálico mantém 
relação com o lado direito da traqueia na raiz do pescoço. O desvio da traqueia da linha mediana, visível na superfície 
ou em radiografias, costuma indicar a presença de um processo patológico. Muitas vezes o traumatismo da traqueia 
afeta o esôfago, que está bem aderido a ela. 
Camada alimentar de vísceras cervicais 
Na camada alimentar, as vísceras cervicais participam nas funçõesdigestórias do corpo. Embora a faringe conduza o 
ar para a laringe, a traqueia e os pulmões, os músculos constritores da faringe direcionam (e a epiglote desvia) o 
alimento para o esôfago. O esôfago, que também participa na propulsão do alimento, é o início do sistema digestório. 
FARINGE 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 50 
A faringe é a parte expandida superior do sistema digestório, posterior às cavidades nasal e oral, que se estende 
inferiormente além da laringe. 
 Limites: A faringe estende-se da base do crânio até a margem inferior da cartilagem cricóidea anteriormente 
e a margem inferior da vértebra C VI posteriormente. 
A faringe é mais larga (cerca de 5 cm) defronte ao hioide e mais estreita (cerca de 1,5 cm) em sua extremidade inferior, 
onde é contínua com o esôfago. A parede posterior plana da faringe situa-se contra a lâmina pré-vertebral da fáscia 
cervical. 
Cavidade da faringe 
A faringe é dividida em três partes: 
1.Parte nasal da faringe (nasofaringe): posterior ao nariz e superior ao palato mole 
2.Parte oral da faringe (orofaringe): posterior à boca 
3.Parte laríngea da faringe (laringofaringe): posterior à laringe. 
 
Figura 9.42 Cortes medianos da cabeça e do pescoço. A. A faringe estende-se da base do crânio até o nível da cartilagem cricóidea (corpo 
da vértebra C VI ou disco intervertebral C VI–C VII, como mostrado aqui), onde é contínua com o esôfago. B. Este corte sagital não mostra 
as continuidades das vias respiratórias superiores, porque o palato mole está elevado, fechando a parte nasal da faringe, e o plano de 
corte atravessa as pregas vestibulares e vocais ao lado da rima da glote. (A figura B foi cedida pelo Dr. W. Kucharczyk, University Health 
Network, Toronto, Ontario, Canada.) 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 51 
 
Figura 9.43 Parede anterior da faringe. Nesta dissecção, a parede posterior foi incisada ao longo da linha mediana e aberta. As aberturas 
na parede anterior comunicam-se com as cavidades nasal, oral e laríngea. A cada lado do ádito da laringe, separada dele pela prega 
ariepiglótica, a invaginação da laringe para a parede anterior da parte laríngea da faringe forma um recesso piriforme. 
A parte nasal da faringe tem função respiratória; é a extensão posterior da cavidade nasal. O nariz abre-se para a 
parte nasal da faringe através de dois cóanos (aberturas pares entre a cavidade nasal e a parte nasal da faringe). O 
teto e a parede posterior da parte nasal da faringe formam uma superfície contínua situada inferiormente ao corpo 
do esfenoide e à parte basilar do occipital. 
O tecido linfoide abundante na faringe forma um anel tonsilar incompleto ao redor da parte superior da faringe. 
O tecido linfoide é agregado em algumas regiões para formar massas denominadas tonsilas. 
A tonsila faríngea (comumente chamada de adenoide quando aumentada) está situada na túnica mucosa do teto 
e parede posterior da parte nasal da faringe. Uma prega vertical de túnica mucosa, a prega salpingofaríngea, estende-
se inferiormente a partir da extremidade medial da tuba auditiva. Ela cobre o músculo salpingofaríngeo, que abre o 
óstio faríngeo da tuba auditiva durante a deglutição. A coleção de tecido linfoide na tela submucosa da faringe perto 
do óstio faríngeo da tuba auditiva é a tonsila tubária. Posteriormente ao toro tubário e à prega salpingofaríngea há 
uma projeção lateral da faringe, semelhante a uma fenda, o recesso faríngeo, que se estende lateral e posteriormente. 
A parte oral da faringe tem função digestória. Os limites são: superior, palato mole; inferior, base da língua; 
laterais, arcos palatoglosso e palatofaríngeo. Estende-se do palato mole até a margem superior da epiglote. 
A deglutição é o processo complexo que transfere um bolo de alimento da boca através da faringe e esôfago para 
o estômago. O alimento sólido é mastigado e misturado com a saliva para formar um bolo macio e mais fácil de engolir. 
A deglutição ocorre em três estágios: 
•Estágio 1: voluntário; o bolo é comprimido contra o palato e empurrado da boca para a parte oral da faringe, 
principalmente por movimentos dos músculos da língua e do palato mole (Figura 9.46A e B) 
•Estágio 2: involuntário e rápido; o palato mole é elevado, isolando a parte nasal da faringe das partes oral e 
laríngea. A faringe alarga-se e encurta-se para receber o bolo alimentar enquanto os músculos supra-hióideos e 
os músculos faríngeos longitudinais se contraem, elevando a laringe 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#fig9-46
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 52 
•Estágio 3: involuntário; a contração sequencial dos três músculos constritores da faringe cria uma crista 
peristáltica que força a descida do bolo alimentar para o esôfago. 
As tonsilas palatinas são coleções de tecido linfoide de cada lado da parte oral da faringe no intervalo entre os 
arcos palatinos. A tonsila não ocupa toda a fossa tonsilar entre os arcos palatoglosso e palatofaríngeo em adultos. A 
fossa tonsilar, na qual está situada a tonsila palatina, situa-se entre esses arcos. A fossa tonsilar é formada pelo 
músculo constritor superior da faringe e pela lâmina fibrosa e fina da fáscia faringobasilar. Esta fáscia funde-se ao 
periósteo da base do crânio e define os limites da parede faríngea em sua parte superior. 
A parte laríngea da faringe situa-se posteriormente à laringe, estendendo-se da margem superior da epiglote e 
das pregas faringoepiglóticas até a margem inferior da cartilagem cricóidea, onde se estreita e se torna contínua com 
o esôfago. Posteriormente, a parte laríngea da faringe mantém relação com os corpos das vértebras C IV a C VI. 
 As paredes posterior e lateral são formadas pelos músculos constritores médio e inferior da faringe. 
 Internamente a parede é formada pelos músculos palatofaríngeo e estilofaríngeo. 
 A parte laríngea da faringe comunica-se com a laringe através do ádito da laringe em sua parede anterior. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 53 
 
Figura 9.44 Face interna da parede lateral da faringe. A. Vias respiratórias superiores e canal alimentar na metade direita de cabeça e 
pescoço divididos ao meio. O retângulo indica a localização do corte mostrado na parte B. B. Uma vista mais de perto das partes nasal e 
oral da faringe, que são separadas anteriormente pelo palato mole. A margem posterior do palato mole forma a margem anterior do 
istmo da faringe através do qual os dois espaços comunicam-se posteriormente. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 54 
 
Figura 9.45 Cavidade oral e fossa tonsilar. A. A cavidade oral e as tonsilas palatinas em uma criança pequena, com a boca bem aberta e 
a língua projetada o máximo possível para fora da boca. A úvula é uma projeção muscular da margem posterior do palato mole. B. A 
tonsila palatina foi removida nesta dissecção profunda da fossa tonsilar. A língua foi tracionada anteriormente, e a inserção inferior 
(lingual) do músculo constritor superior da faringe foi seccionada. 
 
Figura 9.46 Deglutição. A. A língua é empurrada contra o palato e comprime o bolo de alimento na parte posterior da boca. B. A parte 
nasal da faringe é fechada e a laringe é elevada, ampliando a faringe para receber o alimento. C. Há contração sequencial dos esfíncteres 
da faringe, criando uma “crista peristáltica”, comprimindo o alimento em direção ao esôfago. A epiglote desvia o bolo, mas não fecha o 
ádito da laringe e a traqueia. D. O bolo de alimento desce no esôfago impulsionado por contrações peristálticas. 
O recesso piriforme é uma pequena depressão da parte laríngeada faringe de cada lado do ádito da laringe. Esse 
recesso revestido por túnica mucosa é separado do ádito da laringe pela prega ariepiglótica. Lateralmente, o recesso 
piriforme é limitado pelas faces mediais da cartilagem tireóidea e pela membrana tíreo-hióidea. Os ramos dos nervos 
laríngeo interno e laríngeo recorrente situam-se profundamente à túnica mucosa do recesso piriforme e são 
vulneráveis à lesão quando um corpo estranho se aloja no recesso. 
 
Músculos da faringe 
A parede da faringe é excepcional para o sistema digestório, tendo uma lâmina muscular formada apenas 
por músculo voluntário disposto em uma camada interna de músculo longitudinal e uma camada circular externa. A 
maior parte do sistema digestório é composta por músculo liso, com uma camada de músculo longitudinal externa e 
uma camada circular interna. A camada circular externa de músculos faríngeos consiste em três constritores da 
faringe: superior, médio e inferior. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 55 
Os músculos longitudinais internos são o palatofaríngeo, o estilofaríngeo e o salpingofaríngeo. Esses músculos 
elevam a laringe e encurtam a faringe durante a deglutição e a fala. 
Os músculos constritores da faringe têm um revestimento fascial interno forte, a fáscia faringobasilar e um 
revestimento fascial externo fino, a fáscia bucofaríngea. Inferiormente, a fáscia bucofaríngea funde-se com a lâmina 
pré-traqueal de fáscia cervical. A contração dos músculos constritores da faringe é involuntária, de modo que a 
contração ocorre de modo sequencial da extremidade superior para a extremidade inferior da faringe, impulsionando 
o alimento para o esôfago. Os três músculos constritores são supridos pelo plexo nervoso faríngeo formado por ramos 
faríngeos dos nervos vago e glossofaríngeo e por ramos simpáticos do gânglio cervical superior. O plexo faríngeo situa-
se na parede lateral da faringe, principalmente sobre o músculo constritor médio. 
A superposição dos músculos constritores da faringe deixa quatro aberturas na musculatura para a entrada ou 
saída de estruturas da faringe: 
 Superiormente ao músculo constritor superior da faringe, o músculo levantador do véu palatino, a tuba 
auditiva e a artéria palatina ascendente atravessam uma abertura entre o músculo constritor superior 
e o crânio. É aqui que a fáscia faringobasilar funde-se à fáscia bucofaríngea para formar, com a túnica 
mucosa, a parede fina do recesso faríngeo. 
 Uma abertura entre os músculos constritores superior e médio da faringe permite a passagem do 
músculo estilofaríngeo, nervo glossofaríngeo e ligamento estilo-hióideo até a face interna da parede da 
faringe. 
 Uma abertura entre os músculos constritores médio e inferior da faringe permite que o ramo interno 
do nervo laríngeo superior e a artéria e veia laríngeas superiores sigam até a laringe 
 Uma abertura inferior ao músculo constritor inferior da faringe permite que o nervo laríngeo recorrente 
e a artéria laríngea inferior sigam superiormente até a laringe. 
Vasos da faringe 
Um ramo da artéria facial, o ramo tonsilar, atravessa o músculo constritor superior da faringe e entra no polo 
inferior da tonsila palatina. A tonsila também recebe ramos arteriais das artérias palatina ascendente, lingual, palatina 
descendente e faríngea ascendente. A grande veia palatina externa (veia paratonsilar) desce do palato mole e passa 
perto da face lateral da tonsila antes de entrar no plexo venoso faríngeo. 
Os vasos linfáticos tonsilares seguem em sentido lateral e inferior até os linfonodos perto do ângulo da mandíbula 
e o linfonodo jugulodigástrico, denominado linfonodo tonsilar em razão de seu frequente aumento quando a tonsila 
está inflamada (tonsilite). As tonsilas palatinas, linguais e faríngeas formam o anel linfático (tonsilar) da faringe, uma 
faixa circular incompleta de tecido linfoide ao redor da parte superior da faringe. 
 A parte anteroinferior do anel é formada pela tonsila lingual na parte posterior da língua. 
 As partes laterais do anel são formadas pelas tonsilas palatinas e tubárias, e as partes posterior e superior 
são formadas pela tonsila faríngea. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 56 
 
Figura 9.47 Faringe e nervos cranianos. A. Esta dissecção mostra a face posterior da faringe e as estruturas associadas. A fáscia 
bucofaríngea foi removida. Dos três músculos constritores da faringe, o músculo inferior superpõe-se ao médio, e o médio superpõe-se 
ao superior. Os três músculos formam uma rafe da faringe mediana comum posteriormente. B. A parte mais estreita e menos distensível 
do sistema digestório é a junção faringoesofágica, onde termina a parte laríngea da faringe e começa o esôfago. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 57 
 
Figura 9.48 Músculos da faringe. 
Nervos faríngeos 
A inervação da faringe (motora e a maior parte da sensitiva) deriva do plexo nervoso faríngeo. 
 As fibras motoras no plexo são derivadas do nervo vago (NC X) através de seu ramo ou ramos faríngeos. 
Elas suprem todos os músculos da faringe e do palato mole, com exceção dos músculos estilofaríngeo 
(suprido pelo NC IX) e tensor do véu palatino (suprido pelo NC V3). O músculo constritor inferior da faringe 
também recebe algumas fibras motoras dos ramos laríngeos externo e recorrente do nervo vago. 
 As fibras sensitivas no plexo faríngeo são derivadas do nervo glossofaríngeo. Elas são distribuídas para as 
três partes da faringe. Além disso, a túnica mucosa das regiões anterior e superior da parte nasal da faringe 
é suprida principalmente pelo nervo maxilar (NC V2). 
Os nervos tonsilares são derivados do plexo nervoso tonsilar formado por ramos dos nervos glossofaríngeo e vago. 
ESÔFAGO 
 O esôfago é um tubo fibromuscular que conecta a faringe ao estômago. 
 Começa no pescoço, onde é contínuo com a parte laríngea da faringe na junção faringoesofágica. 
 O esôfago consiste em músculo estriado (voluntário) em seu terço superior, músculo liso (involuntário) em 
seu terço inferior, e uma mistura de músculo estriado e liso na região intermediária. 
A primeira parte, a parte cervical, pertence ao terço superior voluntário. Começa imediatamente posterior à 
margem inferior da cartilagem cricóidea e no mesmo nível dela, no plano mediano. Este é o nível da vértebra C VI. 
Externamente, a junção faringoesofágica apresenta-se como uma constrição produzida pela parte cricofaríngea 
do músculo constritor inferior da faringe (o esfíncter esofágico superior) e é a parte mais estreita do esôfago. A parte 
cervical do esôfago inclina-se um pouco para a esquerda enquanto desce e entra no mediastino superior, através da 
abertura superior do tórax, onde se torna a parte torácica do esôfago. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 58 
 
Figura 9.49 Tecido linfoide na língua e na faringe. O anel linfático da faringe (tonsilar) (rosa) ao redor da parte superior da faringe é 
formado pelas tonsilas faríngeas, tubárias, palatinas e linguais. 
Quando o esôfago está vazio, seu lúmen assemelha-se a uma fenda. Quando o bolo alimentar desce por ele, o 
lúmen se expande, produzindo peristalse reflexa nos dois terços inferiores do esôfago. A parte cervical do esôfago 
situa-se entre a traqueia e a coluna vertebral cervical. Está fixada à traqueia por tecido conjuntivo frouxo. 
Os nervos laríngeos recorrentes situam-se nos sulcos traqueoesofágicos, ou perto deles, entre a traqueia e o 
esôfago. À direita do esôfago estão o lobo direito da glândula tireoide e a bainha carótica direita e seu conteúdo. 
O esôfago está em contato com a cúpula da pleura na raiz do pescoço. À esquerda está o lobo esquerdo da glândula 
tireoide e a bainha caróticaesquerda. O ducto torácico adere ao lado esquerdo do esôfago e situa-se entre ele e a 
pleura. 
Vasos da parte cervical do esôfago 
As artérias da parte cervical do esôfago são ramos das artérias tireóideas inferiores. Cada artéria dá origem a 
ramos ascendentes e descendentes que se anastomosam entre si e através da linha mediana. As veias da parte cervical 
do esôfago são tributárias das veias tireóideas inferiores. Os vasos linfáticos da parte cervical do esôfago drenam para 
os linfonodos paratraqueais e linfonodos cervicais profundos inferiores. 
Nervos da parte cervical do esôfago 
A inervação da parte cervical do esôfago é somática motora e sensitiva para a metade superior e parassimpática 
(vagal), simpática e sensitiva visceral para a metade inferior. A parte cervical do esôfago recebe fibras somáticas 
através de ramos dos nervos laríngeos recorrentes e fibras vasomotoras dos troncos simpáticos cervicais através do 
plexo ao redor da artéria tireóidea inferior. 
Anatomia de superfície das camadas endócrina e respiratória de vísceras cervicais 
O pescoço do lactente é curto; portanto, nele as vísceras cervicais ocupam posição mais alta do que nos adultos. As 
vísceras cervicais só alcançam seus níveis finais depois do 7o ano de vida. O alongamento do pescoço é acompanhado 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 59 
por alterações do crescimento na pele. Assim sendo, uma incisão mediana na parte inferior do pescoço de um recém-
nascido/lactente deixará uma cicatriz que se localizará sobre a parte superior do esterno na criança futuramente. 
O hioide, que tem formato de U, situa-se na parte anterior do pescoço no ângulo profundo entre a mandíbula e a 
cartilagem tireóidea no nível da vértebra C III. Ao deglutir, o hioide se desloca sob os dedos colocados no ângulo entre 
o mento e a parte anterior do pescoço. O corno maior de um lado do hioide só é palpável quando o corno maior do 
lado oposto é estabilizado. 
A proeminência laríngea é produzida pelo encontro das lâminas da cartilagem tireóidea, que formam um ângulo 
agudo na linha mediana anterior. Esse ângulo tireóideo, mais agudo em homens pós-púberes, forma a proeminência 
laríngea (“pomo de Adão”), que é palpável e muitas vezes visível. Durante a palpação da proeminência, pode-se 
perceber que ela recua durante a deglutição. As pregas vocais estão no nível do meio da proeminência laríngea. 
A cartilagem cricóidea pode ser palpada inferiormente à proeminência laríngea, no nível da vértebra C VI. Estenda 
o pescoço o máximo possível e passe o dedo sobre a proeminência laríngea. Deslizando o dedo da proeminência para 
baixo, palpe o ligamento cricotireóideo, o local usado na cricotireotomia com agulha ou coniotomia. Depois que o dedo 
passar sobre o arco da cartilagem cricóidea, note que a ponta do dedo afunda porque o arco da cartilagem projeta-se 
mais anteriormente do que os anéis da traqueia. 
A cartilagem cricóidea, um ponto de referência fundamental no pescoço, indica: 
•O nível da vértebra C VI 
•O local onde a artéria carótida pode ser comprimida contra o processo transverso da vértebra C VI 
•A junção da laringe e traqueia 
•A união da faringe e esôfago 
•O ponto onde o nervo laríngeo recorrente entra na laringe 
•O local cerca de 3 cm superior ao istmo da glândula tireoide. 
A primeira cartilagem traqueal é mais larga do que as outras e é palpável. As segunda, terceira e quarta cartilagens 
não são palpáveis, pois são recobertas pelo istmo da glândula tireoide que une os lobos direito e esquerdo da glândula 
tireoide. 
A glândula tireoide pode ser palpada pela técnica anterior ou posterior (colocando-se à frente ou atrás da pessoa). 
Coloque as pontas dos dedos anteriormente (para palpar o istmo) ou lateralmente (para palpar os lobos) à traqueia e 
depois instrua a pessoa a engolir. 
Embora as duas técnicas para examinar a glândula tireoide sejam usadas, a palpação costuma ser melhor com a 
técnica posterior, mas a técnica anterior permite observação. Uma glândula tireoide perfeitamente normal pode não 
ser visível nem bem palpável em algumas mulheres, exceto durante a menstruação ou gravidez. A glândula normal 
tem consistência igual à do tecido muscular. 
O istmo da glândula tireoide situa-se imediatamente inferior à cartilagem cricóidea; estende-se cerca de 1,25 cm 
de cada lado da linha mediana. Em geral, pode ser palpado colocando-se as pontas dos dedos de uma mão sobre a 
linha mediana abaixo do arco cricóideo e instruindo-se a pessoa a engolir em seguida. O istmo é palpado movendo-se 
para cima e para baixo. O ápice de cada lobo da glândula tireoide estende-se superiormente para o meio da lâmina da 
cartilagem tireóidea. 
Os pontos fundamentais são: 
•Os processos espinhosos das vértebras C VI e C VII são palpáveis e visíveis, sobretudo quando o pescoço está 
fletido. 
•Os processos transversos das vértebras C I, C VI e C VII são palpáveis. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 60 
•Os tubérculos da vértebra C I podem ser palpados por pressão profunda posteroinferior às extremidades dos 
processos mastoides. 
 
Figura 9.50 Anatomia de superfície das camadas endócrina e respiratória do pescoço. 
 
Figura 9.51 Drenagem linfática da cabeça e do pescoço. A e B. Vias das drenagens linfáticas superficial e profunda, 
respectivamente. C. Linfonodos, troncos linfáticos e ducto torácico. 
 
VASOS LINFÁTICOS DO PESCOÇO 
A maioria dos tecidos superficiais no pescoço é drenada por vasos linfáticos que entram nos linfonodos cervicais 
superficiais, situados ao longo do trajeto da VJE. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 61 
A linfa desses linfonodos, como a linfa de toda a cabeça e pescoço, drena para os linfonodos cervicais profundos 
inferiores. O grupo específico de linfonodos cervicais profundos inferiores desce através da região cervical lateral com 
o nervo acessório (NC XI). 
Em seguida, a maior parte da linfa dos seis a oito linfonodos drena para o grupo supraclavicular de linfonodos, 
que acompanham a artéria cervical transversa. 
O principal grupo de linfonodos cervicais profundos forma uma cadeia ao longo da VJI, principalmente sob o 
músculo ECM. 
Outros linfonodos cervicais profundos incluem os linfonodos pré-laríngeos, pré-traqueais, paratraqueais e 
retrofaríngeos. 
Os vasos linfáticos eferentes dos linfonodos cervicais profundos unem-se para formar os troncos linfáticos 
jugulares, que geralmente se unem ao ducto torácico no lado esquerdo e entram na junção das veias jugular interna 
e subclávia (ângulo venoso direito) diretamente ou através de um ducto linfático direito curto à direita. 
Figura 9.52 Vasos 
linfáticos na raiz do pescoço. A. Esta visão geral mostra o trajeto do ducto torácico e o local do término dos ductos torácico e linfático 
direito. B. Esta dissecção do lado esquerdo mostra os linfonodos cervicais profundos e o término do ducto torácico na junção das veias 
subclávia e jugular interna (ângulo venoso esquerdo). 
 O ducto torácico segue em sentido superior através da abertura superior do tórax, ao longo da margem 
esquerda do esôfago. 
 Curva-se lateralmente na raiz do pescoço, posteriormente à bainha carótica e anteriormente ao tronco 
simpático e às artérias vertebral e subclávia. 
 O ducto torácico entra na veia braquiocefálica esquerda na junção da veia subclávia e VJI (ângulo venoso 
esquerdo). 
 Quando os troncos linfáticos jugular direito, subclávio e broncomediastinal unem-se para formar um ducto 
linfático direito, ele entra no ângulo venoso direito, do mesmo modo que o ducto torácico no lado 
esquerdo. Muitas vezes, porém, esses troncos linfáticos entram separados no sistema venoso, na região 
do ângulo venoso direito. 
 
 
 
ANATOMIA IIANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 62 
ANATOMIA DO PESCOÇO – QUADROS AZUIS 
OSSOS DO PESCOÇO 
 
CERVICALGIA 
A cervicalgia (dor no pescoço) tem várias causas, inclusive inflamação de linfonodos, distensão muscular e protrusão 
dos discos intervertebrais. A linfadenopatia cervical pode indicar um tumor maligno na cabeça; entretanto, o câncer 
primário pode estar localizado no tórax ou abdome porque o pescoço une a cabeça ao tronco (p. ex., o câncer de 
pulmão pode enviar metástases através do pescoço para o crânio). A maioria dos casos de cervicalgia crônica é causada 
por anormalidades ósseas (p. ex., osteoartrite cervical) ou traumatismo. A cervicalgia geralmente é afetada pelo 
movimento da cabeça e do pescoço e pode ser agravada pela tosse ou pelo espirro, por exemplo. 
 
LESÕES DA COLUNA VERTEBRAL CERVICAL 
As fraturas e luxações das vértebras cervicais podem causar lesão da medula espinal e/ou das artérias vertebrais e 
plexos simpáticos que atravessam os forames transversários. 
 
FRATURA DO HIOIDE 
A fratura do hioide (ou dos processos estiloides do temporal) ocorre em pessoas estranguladas com as mãos por 
compressão da parte oral da faringe. Isso resulta em afundamento do corpo do hioide sobre a cartilagem tireóidea. A 
incapacidade de elevar o hioide e de movimentá-lo anteriormente sob a língua dificulta a deglutição e a manutenção 
da separação dos sistemas digestório e respiratório, o que pode resultar em pneumonia por aspiração. 
 
FÁSCIA CERVICAL 
 
PARALISIA DO MÚSCULO PLATISMA 
A paralisia do músculo platisma, resultante da lesão do ramo cervical do nervo facial, causa o surgimento de pregas 
frouxas na pele do pescoço. Consequentemente, durante dissecções cirúrgicas do pescoço, é necessário cuidado extra 
para preservar o ramo cervical do nervo facial. Durante o fechamento de feridas no pescoço, os cirurgiões suturam 
com cuidado a pele e as margens do músculo platisma. Se isso não for feito, as bordas da ferida cutânea serão 
afastadas (tracionadas em direções diferentes) pela contração das fibras musculares do músculo platisma, o que pode 
ocasionar uma cicatriz desfigurante. 
 
DISSEMINAÇÃO DE INFECÇÕES NO PESCOÇO 
A lâmina superficial da fáscia cervical ajuda a evitar a disseminação de abscessos causados por destruição tecidual. A 
infecção entre a lâmina superficial da fáscia cervical e a parte muscular da fáscia pré-traqueal que envolve os músculos 
infra-hióideos geralmente não se dissemina além da margem superior do manúbrio do esterno. No entanto, a infecção 
entre a lâmina superficial e a parte visceral da fáscia pré-traqueal pode disseminar-se para a cavidade torácica 
anteriormente ao pericárdio. 
O pus de um abscesso posterior à lâmina pré-vertebral da fáscia cervical pode estender-se lateralmente no pescoço e 
formar uma protuberância posterior ao músculo ECM. O pus pode perfurar a lâmina pré-vertebral da fáscia cervical e 
entrar no espaço retrofaríngeo, criando uma protrusão na faringe (abscesso retrofaríngeo). Esse abscesso pode 
dificultar a deglutição (disfagia) e a fala (disartria). 
Infecções na cabeça também podem disseminar-se em sentido inferior, posteriormente ao esôfago, e penetrar no 
mediastino posterior, ou podem disseminar-se anteriormente à traqueia e entrar no mediastino anterior. As infecções 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 63 
no espaço retrofaríngeo também podem estender-se em sentido inferior para o mediastino superior. Do mesmo 
modo, o ar proveniente de uma ruptura da traqueia, brônquio ou esôfago (pneumomediastino) pode seguir em sentido 
superior no pescoço. 
 
ESTRUTURAS SUPERFICIAIS DO PESCOÇO | REGIÕES CERVICAIS 
 
TORCICOLO CONGÊNITO 
O torcicolo é a contração ou o encurtamento dos músculos cervicais que produz torção do pescoço e inclinação da 
cabeça. O tipo mais comum de torcicolo é causado por um tumor de tecido fibroso que se desenvolve no músculo ECM 
antes ou logo depois do nascimento. A lesão, como uma contração unilateral normal do músculo ECM, causa a 
inclinação da cabeça em direção ao lado afetado e da face em direção oposta. Quando o torcicolo ocorre no período 
pré-natal, a posição da cabeça do feto geralmente exige um parto com apresentação pélvica. 
Às vezes, o músculo ECM é lesado quando há tração excessiva da cabeça do feto durante um parto difícil, rompendo 
suas fibras (torcicolo muscular) (Kliegman et al., 2016). Há surgimento de um hematoma (coleção de sangue 
extravasado), que pode se transformar em massa fibrótica e aprisionar um ramo do nervo acessório (NC XI), 
desnervando, assim, parte do músculo ECM. A rigidez e a torção do pescoço resultam da fibrose e do encurtamento 
do músculo ECM. Pode ser necessária a liberação cirúrgica do músculo ECM de suas fixações inferiores ao manúbrio e 
à clavícula abaixo do nível do NC XI para permitir que a pessoa sustente e gire a cabeça normalmente. 
 
TORCICOLO ESPASMÓDICO 
A distonia cervical (tonicidade anormal dos músculos do pescoço), conhecida como torcicolo espasmódico, geralmente 
começa na vida adulta. Pode incluir qualquer associação bilateral de músculos laterais do pescoço, principalmente os 
músculos ECM e trapézio. As características desse distúrbio são rotação, inclinação, flexão ou extensão contínuas do 
pescoço. O desvio lateral ou anterior da cabeça pode ocorrer involuntariamente (Fahn, 2016). Em geral, há elevação 
e deslocamento anterior do ombro no lado para o qual o queixo se volta. 
 
PUNÇÃO DA VEIA SUBCLÁVIA 
Com frequência a veia subclávia direita ou esquerda é o ponto de entrada no sistema venoso para a colocação de 
acessos centrais, tais como cateter de artéria pulmonar (CAP, também conhecido como cateter de Swan-Ganz ou de 
coração direito). Os acessos centrais são instituídos para administrar soluções parenterais e medicamentos e também 
para aferir a pressão venosa central. Em um acesso infraclavicular da veia subclávia, o profissional de saúde coloca o 
polegar de uma das mãos na parte média da clavícula e o dedo indicador na incisura jugular no manúbrio. A agulha 
punciona a pele inferiormente ao polegar (meio da clavícula) e é empurrada medialmente em direção à ponta do dedo 
indicador (incisura jugular) até que a extremidade entre no ângulo venoso direito, posteriormente à articulação 
esternoclavicular. Nesse local, as veias jugular interna e subclávia unem-se para formar a veia braquiocefálica. Se a 
agulha não for introduzida com cuidado, pode perfurar a pleura e o pulmão, com consequente pneumotórax. Além 
disso, se o local de inserção da agulha for muito posterior, ela pode entrar na artéria subclávia. Quando a agulha é 
introduzida corretamente, um cateter macio e flexível é introduzido na veia subclávia, usando-se a agulha como guia. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 64 
 
Torcicolo congênito. 
 
Punção da veia subclávia. 
 
CATETERISMO CARDÍACO DIREITO 
No cateterismo cardíaco direito (para aferir a pressão nas câmaras direitas do coração), pode-se usar a punção da VJI 
para introduzir um cateter através da veia braquiocefálica direita até a veia cava superior (VCS) e o lado direito do 
coração. Embora a via preferida seja a VJI ou a veia subclávia, pode ser necessário puncionar a VJE em alguns pacientes. 
Esta veia não é ideal para cateterização porque seu ângulo de junção com a veia subclávia dificulta a passagem do 
cateter. 
 
DILATAÇÃO DA VEIA JUGULAR EXTERNA (TURGÊNCIA JUGULAR) 
A VJE pode servir como “barômetro interno”. Quando a pressão venosa está na faixa normal, geralmente apenas um 
pequeno segmento da VJE é visível acima da clavícula. Entretanto, quando a pressão venosa aumenta (p. ex., como na 
insuficiência cardíaca), a veia é proeminente em todo o trajeto ao longo da face lateral do pescoço. Logo, a observação 
rotineira das VJE durante o exame físicooferece sinais diagnósticos de insuficiência cardíaca, obstrução da VCS, 
linfadenopatia supraclavicular ou aumento de pressão intratorácica. 
 
SECÇÃO DA VEIA JUGULAR EXTERNA 
Se a VJE for seccionada ao longo da margem posterior do músculo ECM, onde perfura o teto da região cervical lateral 
(p. ex., em uma agressão por faca), seu lúmen é mantido aberto pela lâmina superficial resistente da fáscia cervical, e 
a pressão aérea intratorácica negativa aspira o ar para o interior da veia. Esta ação produz um ruído semelhante ao de 
uma batedeira no tórax e cianose (coloração azulada da pele e das mucosas resultante da concentração excessiva de 
hemoglobina reduzida no sangue). A embolia gasosa venosa produzida desse modo enche o lado direito do coração 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 65 
com espuma, o que quase interrompe o fluxo sanguíneo através dele, resultando em dispneia. A aplicação de pressão 
firme à veia jugular seccionada até que possa ser suturada interrompe a hemorragia e a entrada de ar no sangue. 
 
LESÕES DO NERVO ACESSÓRIO (NC XI) 
As lesões do nervo acessório (NC XI) são raras. Esse nervo pode ser lesado por: 
•Traumatismo penetrante, como ferida por arma branca ou por projétil de arma de fogo (PAF) 
•Procedimentos cirúrgicos na região cervical lateral 
•Tumores na base do crânio ou linfonodos cervicais cancerosos 
•Fraturas do forame jugular onde o NC XI sai do crânio. 
Embora a contração de um músculo ECM vire a cabeça para um lado, a lesão unilateral do NC XI geralmente não causa 
posição anormal da cabeça. Entretanto, as pessoas com lesão do NC XI costumam apresentar fraqueza para girar a 
cabeça para o lado oposto contra resistência. As lesões do NC XI causam fraqueza e atrofia do músculo trapézio, 
comprometendo os movimentos do pescoço. 
A paralisia unilateral do músculo trapézio é evidente pela incapacidade de o paciente elevar e retrair o ombro e pela 
dificuldade em elevar o membro superior acima do nível horizontal. A proeminência normal no pescoço produzida 
pelo músculo trapézio também é reduzida. A queda do ombro é um sinal evidente de lesão do NC XI. Durante 
dissecções cirúrgicas extensas na região cervical lateral – por exemplo, durante a retirada de linfonodos cancerosos – 
o cirurgião isola o NC XI para preservá-lo, se possível. A consciência da localização superficial desse nervo durante 
procedimentos superficiais na região cervical lateral é importante, porque a lesão do NC XI é a lesão nervosa 
iatrogênica mais comum. 
 
SECÇÃO, BLOQUEIO E ESMAGAMENTO DO NERVO FRÊNICO 
A secção de um nervo frênico resulta em paralisia da metade correspondente do diafragma (ver “Paralisia do 
diafragma” no boxe Anatomia Clínica, no Capítulo 4, Tórax). O bloqueio do nervo frênico provoca um curto período de 
paralisia unilateral do diafragma (p. ex., para uma cirurgia do pulmão). O anestésico é injetado ao redor do nervo onde 
se situa na face anterior do terço médio do músculo escaleno anterior. O esmagamento cirúrgico do nervo frênico (p. 
ex., compressão e lesão do nervo com pinça) provoca um período mais longo de paralisia (às vezes durante semanas 
após o reparo cirúrgico de uma hérnia diafragmática). Se houver um nervo frênico acessório, também deve ser 
esmagado para produzir paralisia completa do hemidiafragma. 
 
BLOQUEIOS NERVOSOS NA REGIÃO CERVICAL LATERAL 
Na anestesia regional antes da cirurgia do pescoço, o bloqueio do plexo cervical inibe a condução de impulsos 
nervosos. O agente anestésico é injetado em vários pontos ao longo da margem posterior do músculo ECM, 
principalmente na junção de seus terços superior e médio, o ponto nervoso do pescoço. De modo geral, metade do 
diafragma é paralisada por um bloqueio de plexo cervical por causa da inclusão do nervo frênico no bloqueio. Por isso, 
esse procedimento não é empregado em pessoas com doença pulmonar ou cardíaca. Na anestesia do membro 
superior, o agente anestésico é injetado ao redor da parte supraclavicular do plexo braquial no bloqueio do plexo 
braquial supraclavicular. O principal local de injeção é acima do ponto médio da clavícula. 
 
LESÃO DO NERVO SUPRAESCAPULAR 
O nervo supraescapular é vulnerável à lesão em fraturas do terço médio da clavícula. A lesão do nervo 
supraescapular resulta em perda da rotação lateral do úmero na articulação do ombro. Assim, há rotação medial do 
membro relaxado, que assume a posição da mão de gorjeta do garçom. A capacidade de iniciar a abdução do membro 
também é afetada. 
 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 66 
LIGADURA DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA 
Às vezes é necessário ligar uma artéria carótida externa para controlar a hemorragia de um de seus ramos 
relativamente inacessíveis. Esse procedimento reduz o fluxo sanguíneo pela artéria e por seus ramos, mas não o 
elimina. O sangue flui em direção retrógrada da artéria carótida externa para a artéria no outro lado por intermédio 
de comunicações entre seus ramos (p. ex., na face e no couro cabeludo) e através da linha mediana. Quando as artérias 
carótida externa ou subclávia são ligadas, o ramo descendente da artéria occipital é o principal responsável pela 
circulação colateral, estabelecendo anastomose com as artérias vertebral e cervical profunda. 
 
DISSECÇÃO CIRÚRGICA DO TRÍGONO CARÓTICO 
O trígono carótico é um importante acesso cirúrgico ao sistema carótico de artérias. Também garante o acesso à VJI, 
aos nervos vago e hipoglosso, e ao tronco simpático cervical. A lesão ou compressão dos nervos vago e/ou laríngeo 
recorrente durante a dissecção cirúrgica do trígono carótico pode alterar a voz, porque esses nervos suprem os 
músculos laríngeos. 
 
OCLUSÃO DA ARTÉRIA CARÓTIDA E ENDARTERECTOMIA 
O espessamento aterosclerótico da túnica íntima da artéria carótida interna pode obstruir o fluxo sanguíneo. Os sinais 
e sintomas resultantes dessa obstrução dependem do grau de obstrução e da quantidade de fluxo sanguíneo colateral 
para o encéfalo e estruturas na órbita proveniente de outras artérias. A oclusão parcial da artéria carótida interna 
pode causar ataque isquêmico transitório (AIT), perda focal súbita da função neurológica (p. ex., tontura e 
desorientação) que desaparece em 24 horas. A oclusão arterial também pode causar um pequeno acidente vascular 
cerebral, perda da função neurológica como fraqueza ou perda da sensibilidade de um lado do corpo por mais de 24 
horas, mas que desaparece em 3 semanas. 
A obstrução do fluxo sanguíneo pode ser observada em um estudo com Doppler colorido. O Doppler é um dispositivo 
que emite um feixe de ultrassom e detecta sua reflexão pelo líquido (sangue) em movimento de uma forma que 
distingue entre o líquido e o tecido adjacente estático, fornecendo informações sobre sua pressão, velocidade e 
turbulência. A obstrução da artéria carótida, que causa estenose (estreitamento) em pessoas saudáveis, pode ser 
aliviada pela abertura da artéria em sua origem e retirada da placa aterosclerótica com a túnica íntima. O 
procedimento é denominado endarterectomia carotídea. Após a cirurgia, administram-se fármacos que inibem a 
formação de coágulo até que o endotélio tenha voltado a crescer. Em razão das relações da artéria carótida interna, 
há risco de lesão de nervo craniano durante o procedimento associado a um ou mais destes nervos: NC IX, NC X (ou 
seu ramo, o nervo laríngeo superior), NC XI ou NC XII. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 67 
 
Ultrassonografia com Doppler do fluxo sanguíneo carotídeo. 
 
PULSO CAROTÍDEO 
O pulso carotídeo é facilmente percebido por meio da palpação da artéria carótida comum na face lateral do pescoço, 
onde está situada em um sulco entre a traqueia e os músculos infra-hióideos. Em geral, é facilmente palpado 
profundamente à margem anteriordo músculo ECM, no nível da margem superior da cartilagem tireóidea. É avaliado 
rotineiramente durante a reanimação cardiopulmonar (RCP). A ausência de pulso carotídeo indica parada cardíaca. 
 
HIPERSENSIBILIDADE DO SEIO CARÓTICO 
Nas pessoas com hipersensibilidade do seio carótico (sensibilidade excessiva dos seios caróticos em vários tipos de 
doença vascular), a compressão externa da artéria carótida pode causar redução da frequência cardíaca, queda da 
pressão arterial e isquemia cardíaca, com consequente desmaio (síncope). Em todas as formas de síncope, os sinais e 
sintomas resultam da diminuição súbita e crítica da perfusão cerebral (Shih, 2016). Logo, esse método de verificação 
do pulso não é recomendado em pessoas com doença cardíaca ou vascular. Outros locais, como a artéria radial no 
punho, devem ser usados para avaliar a frequência de pulso em pessoas com hipersensibilidade do seio carótico. 
 
FUNÇÃO DOS GLOMOS CARÓTICOS 
Os glomos caróticos ocupam posição ideal para monitorar o conteúdo de oxigênio do sangue antes de chegar ao 
encéfalo. A diminuição da PO2 (pressão parcial de oxigênio), como ocorre em grandes altitudes ou na doença pulmonar, 
ativa os quimiorreceptores aórtico e carótico, aumentando a ventilação alveolar. Os glomos caróticos também 
respondem ao aumento da tensão de dióxido de carbono (CO2) ou de íons hidrogênio livres no sangue. O nervo 
glossofaríngeo (NC IX, talvez com a participação do nervo vago) conduz a informação centralmente, resultando na 
estimulação reflexa dos centros respiratórios encefálicos que aumentam a profundidade e a frequência respiratórias. 
A frequência de pulso e a pressão arterial também aumentam. Com o aumento da ventilação e da circulação, aumenta 
a absorção de oxigênio e, consequentemente, cai a concentração de CO2. 
 
PULSO DA VEIA JUGULAR INTERNA 
Embora as pulsações estejam mais associadas às artérias, as pulsações da veia jugular interna (VJI) podem fornecer 
informações sobre a atividade cardíaca correspondente aos registros do eletrocardiograma (ECG) e da pressão atrial 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 68 
direita. O pulso da VJI não é palpável do mesmo modo que os pulsos arteriais; entretanto, as pulsações venosas são 
transmitidas através do tecido adjacente e podem ser observadas sob o músculo ECM superiormente à extremidade 
medial da clavícula. 
Como não existem válvulas na veia braquiocefálica ou na veia cava superior, uma onda de contração ascende por esses 
vasos até o bulbo inferior da VJI. As pulsações são visíveis principalmente quando a cabeça da pessoa está mais baixa 
do que os membros inferiores (a posição de Trendelenburg). O pulso jugular interno aumenta bastante em situações 
como doença da valva atrioventricular esquerda (mitral) (ver Capítulo 4, Tórax), o que eleva a pressão na circulação 
pulmonar e no lado direito do coração. O trajeto da VJI direita em direção ao átrio direito é mais reto e mais direto do 
que o da VJI esquerda; assim, é ela que é examinada (Bickley, 2016). 
 
PUNÇÃO DA VEIA JUGULAR INTERNA 
A introdução de agulha e cateter na VJI pode ter fins diagnósticos ou terapêuticos. A VJI direita é preferida porque 
geralmente é maior e mais reta. Durante o procedimento, o médico palpa a artéria carótida comum e introduz a agulha 
na VJI imediatamente lateral a ela em um ângulo de 30°, visando ao ápice do trígono entre as cabeças esternal e 
clavicular do músculo ECM, a fossa supraclavicular menor. Em seguida, a agulha é apontada em direção inferolateral, 
voltada para o mamilo ipsilateral. 
 
Punção da veia jugular interna. 
 
ESTRUTURAS PROFUNDAS DO PESCOÇO 
 
BLOQUEIO DO GÂNGLIO CERVICOTORÁCICO 
O anestésico injetado ao redor do grande gânglio cervicotorácico bloqueia a transmissão de estímulos através dos 
gânglios cervical e torácico superior. Esse bloqueio ganglionar alivia espasmos vasculares no encéfalo e no membro 
superior. Também é útil ao decidir se uma ressecção cirúrgica do gânglio seria benéfica para uma pessoa com 
vasoconstrição excessiva no membro ipsilateral. 
 
LESÃO DO TRONCO SIMPÁTICO CERVICAL 
A lesão de um tronco simpático no pescoço provoca um distúrbio simpático denominado síndrome de Horner e 
caracterizado por: 
•Contração da pupila (miose), resultante de paralisia do músculo dilatador da pupila 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 69 
•Queda da pálpebra superior (ptose), resultante de paralisia do músculo liso (tarsal) mesclado ao músculo 
estriado do levantador da pálpebra superior 
•Retração do bulbo do olho em relação à órbita (enoftalmia), possivelmente causada por paralisia do músculo 
liso (orbital) rudimentar no assoalho da órbita 
•Vasodilatação e ausência de sudorese na face e no pescoço (anidrose), causada por ausência de inervação 
simpática (vasoconstritora) dos vasos sanguíneos e glândulas sudoríferas. 
 
VÍSCERAS E VASOS LINFÁTICOS DO PESCOÇO 
 
ARTÉRIA TIREÓIDEA IMA 
Em cerca de 10% das pessoas, uma pequena artéria tireóidea ima ímpar origina-se do tronco braquiocefálico; 
entretanto, pode originar-se do arco da aorta ou das artérias carótida comum direita, subclávia ou torácica interna. 
Essa pequena artéria tireóidea ima ascende na face anterior da traqueia até o istmo da glândula tireoide e envia ramos 
para as duas estruturas. A possível existência dessa artéria tem de ser considerada ao se realizarem procedimentos na 
linha mediana do pescoço inferior ao istmo, em razão do risco de sangramento (ver “Traqueostomia” neste boxe, mais 
adiante). 
 
CISTOS DO DUCTO TIREOGLOSSO 
O desenvolvimento da glândula tireoide começa no assoalho da faringe embrionária, no local indicado por uma 
pequena depressão, o forame cego, no dorso da língua depois do nascimento. Em seguida, a glândula em 
desenvolvimento migra da língua para o pescoço, passando anteriormente ao hioide e às cartilagens tireóideas até 
chegar à posição final anterolateral à parte superior da traqueia (Moore et al., 2016). Durante essa migração, a 
glândula tireoide está fixada ao forame cego pelo ducto tireoglosso. Este ducto normalmente desaparece, mas 
remanescentes de epitélio podem formar um cisto do ducto tireoglosso em qualquer ponto ao longo do trajeto de 
descida. O cisto geralmente situa-se no pescoço, perto ou inferiormente ao hioide, e forma uma protrusão na parte 
anterior do pescoço. Pode ser necessária excisão cirúrgica do cisto. A maioria dos cistos do ducto tireoglosso está 
situada no pescoço, perto ou logo abaixo do corpo do hioide. 
 
GLÂNDULA TIREOIDE ECTÓPICA 
O tecido glandular tireóideo ectópico pode ser encontrado em qualquer lugar ao longo do trajeto do ducto tireoglosso 
embrionário. Embora seja incomum, o ducto tireoglosso contendo tecido formador de tireoide em sua extremidade 
distal pode não chegar a sua posição definitiva no pescoço. Pode haver tecido tireóideo ectópico na raiz da língua, 
logo posterior ao forame cego, resultando em uma glândula tireoide lingual, ou no pescoço, no nível do hioide ou 
logo abaixo. Os remanescentes císticos do ducto tireoglosso podem ser diferenciados de uma glândula tireoide 
ectópica por uma cintigrafia com radioisótopos. Em geral, uma glândula tireoide ectópica no plano mediano do 
pescoço é o único tecido tireóideo presente. Por vezes, o tecido glandular tireóideo está associado a um cisto do ducto 
tireoglosso. Portanto, é importante diferenciar entre uma glândula tireoide ectópica e um cisto do ducto tireoglosso 
ao ser realizada a excisão de um cisto. Se isso não for feito, pode resultar em uma tireoidectomia total, tornando a 
pessoa permanentemente dependente de medicação tireoidiana (Leung et al., 1995). 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 70 
 
Artéria tireóidea ima. 
A. Vestígios do ducto tireoglosso. B.Criança com cisto do ducto tireoglosso. 
 
GLÂNDULA TIREOIDE ACESSÓRIA 
Partes do ducto tireoglosso podem persistir e formar tecido tireóideo. O tecido glandular tireóideo acessório pode 
aparecer em qualquer parte ao longo do trajeto embrionário do ducto tireoglosso (p. ex., no timo, inferiormente à 
glândula tireoide, ou no tórax). Uma glândula tireóidea acessória pode se desenvolver no pescoço, lateralmente à 
cartilagem tireóidea; em geral, situa-se no músculo tíreo-hióideo (Figura 9.29). Embora a glândula acessória possa ser 
ativa, muitas vezes seu tamanho é insuficiente para manter a função normal se a glândula tireoide for removida. 
 
LOBO PIRAMIDAL DA GLÂNDULA TIREOIDE 
Cerca de 50% das glândulas tireoides têm um lobo piramidal. Este lobo, que varia em tamanho, estende-se 
superiormente a partir do istmo da glândula tireoide, em geral à esquerda do plano mediano; o istmo pode ser 
incompleto ou ausente (Figura B9.8). Uma faixa de tecido conjuntivo, que muitas vezes contém tecido tireóideo 
acessório, pode continuar do ápice do lobo piramidal até o hioide. O lobo piramidal e a faixa de tecido conjuntivo se 
desenvolvem a partir de remanescentes do epitélio e do tecido conjuntivo do ducto tireoglosso. 
 
AUMENTO DA GLÂNDULA TIREOIDE 
O aumento não neoplásico e não inflamatório da glândula tireoide, diferente do aumento variável que pode ocorrer 
durante a menstruação e a gravidez, é denominado bócio, que é causado pela carência de iodo. É comum em algumas 
partes do mundo, onde o solo e a água são pobres em iodo. A glândula aumentada causa uma saliência no pescoço e 
pode comprimir a traqueia, o esôfago e os nervos laríngeos recorrentes. O aumento da glândula pode ser anterior, 
posterior, inferior ou lateral. Ela não pode migrar em sentido superior em razão das fixações superiores dos músculos 
esternotireóideo e esterno-hióideo sobrepostos. A extensão subesternal de um bócio também é comum. 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#fig9-29
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#figB9-8
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 71 
 
Tecido glandular tireóideo ectópico. A. Tecido ectópico inferior ao hioide. B. Cintigrafia mostrando tecido tireóideo 
ectópico (ATG). O tecido glandular na posição típica apresenta-se como massas de contorno irregular que formam 
pequenos lobos afunilados e um grande istmo. 
 
Lobo piramidal da glândula tireoide. 
TIREOIDECTOMIA 
Às vezes a excisão de um tumor maligno da glândula tireoide, ou outro procedimento cirúrgico, exige a retirada parcial 
ou total da glândula (hemitireoidectomia ou tireoidectomia). No tratamento cirúrgico do hipertireoidismo, geralmente 
é preservada a parte posterior de cada lobo da glândula tireoide aumentada, um procedimento 
denominado tireoidectomia quase total, para proteger os nervos laríngeos recorrente e superior e poupar as glândulas 
paratireoides. A hemorragia pós-operatória em cirurgia da glândula tireoide pode comprimir a traqueia, dificultando 
a respiração. O sangue acumula-se na cápsula fibrosa da glândula. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 72 
 
Glândula tireoide aumentada. A. Indivíduo com bócio. B. Cintigrafia mostrando uma glândula tireoide aumentada e 
difusa. 
LESÃO DOS NERVOS LARÍNGEOS RECORRENTES 
Sempre há risco de lesão dos nervos laríngeos recorrentes durante uma cirurgia do pescoço. Perto do polo inferior da 
glândula tireoide, o nervo laríngeo recorrente direito está muito próximo da artéria tireóidea inferior e de seus ramos 
(Figura B9.10). Esse nervo pode cruzar anterior ou posteriormente aos ramos da artéria, ou passar entre eles. Em face 
dessa proximidade, a artéria tireóidea inferior é ligada em local um pouco lateral à glândula tireoide, onde não está 
próxima do nervo. Embora o risco de lesão do nervo laríngeo recorrente esquerdo durante a cirurgia não seja tão 
grande em razão de sua ascensão mais vertical a partir do mediastino superior, também há íntima associação entre a 
artéria e o nervo perto do polo inferior da glândula tireoide (Figura 9.28). Rouquidão é o sinal habitual de lesão 
unilateral do nervo recorrente; entretanto, pode haver afonia temporária ou distúrbio da fonação e espasmo laríngeo. 
De modo geral, esses sinais resultam da lesão dos nervos laríngeos recorrentes durante cirurgia ou da pressão causada 
pelo acúmulo de sangue e exsudato seroso após a cirurgia. 
 
Lesão dos nervos laríngeos recorrentes. 
RETIRADA ACIDENTAL DAS GLÂNDULAS PARATIREOIDES 
A posição variável das glândulas paratireoides, sobretudo das inferiores, acarreta o risco de sua lesão ou retirada 
durante cirurgias no pescoço. As glândulas paratireoides superiores podem ocupar posição tão alta quanto a 
cartilagem tireóidea, e as glândulas inferiores podem estar em nível bem baixo, na altura do mediastino superior 
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https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#fig9-28
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 73 
(Figura 9.31B). As localizações atípicas dessas glândulas são importantes ao se procurarem glândulas paratireoides 
anormais, o que pode ser necessário no tratamento do adenoma da glândula paratireoide, um tumor benigno comum 
de tecido epitelial associado ao hiperparatireoidismo. 
A atrofia ou remoção cirúrgica inadvertida de todas as glândulas paratireoides acarreta tetania, uma síndrome 
neurológica grave caracterizada por espasmos musculares e cãibras. Os espasmos generalizados são causados por 
diminuição dos níveis séricos de cálcio. Em face do acometimento dos músculos laríngeos e respiratórios, a ausência 
de resposta imediata ao tratamento correto pode resultar em morte. Os cirurgiões costumam preservar a parte 
posterior dos lobos da glândula tireoide durante a tireoidectomia para proteger essas glândulas. 
Quando é necessário remover toda a glândula tireoide (p. ex., doença maligna), as glândulas paratireoides são 
cuidadosamente isoladas com seus vasos sanguíneos intactos antes da retirada da glândula tireoide. O tecido 
paratireóideo também pode ser transplantado, em geral para o braço, a fim de evitar a lesão por cirurgia ou 
radioterapia subsequente. 
 
FRATURAS DO ESQUELETO DA LARINGE 
As fraturas da laringe podem ser decorrentes de golpes sofridos durante a prática de esportes, como kickboxing e 
hóquei, ou da compressão pelo cinto de segurança em um acidente automobilístico. Em virtude da frequência desse 
tipo de lesão, a máscara da maioria dos goleiros no hóquei no gelo e dos apanhadores no beisebol tem protetores de 
laringe. As fraturas da laringe produzem hemorragia e edema da tela submucosa, obstrução respiratória, rouquidão 
e, às vezes, incapacidade temporária de falar. 
 
LARINGOSCOPIA 
A laringoscopia é o procedimento usado para examinar o interior da laringe. O exame visual pode ser feito 
por laringoscopia indireta com uso de um espelho laríngeo. A parte anterior da língua é delicadamente puxada da 
cavidade oral para minimizar a cobertura da epiglote e do ádito da laringe pela parte posterior da língua. Como a rima 
do vestíbulo é maior do que a rima da glote durante a respiração normal, as pregas vestibulares e pregas vocais são 
visíveis durante um exame laringoscópico. A laringe também pode ser examinada por laringoscopia direta, usando-se 
um instrumento endoscópico tubular, um laringoscópio. O laringoscópio é um tubo ou endoscópio de fibra óptica 
flexível, equipado com iluminação elétrica, para examinar ou operar o interior da laringe através da boca. As pregas 
vestibulares normalmente são rosadas, ao passo que as pregas vocais são branco-peroladas.https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter09.html#fig9-31
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 74 
 
Laringoscopia. 
 
MANOBRA DE VALSALVA 
As ações esfincterianas das pregas vestibulares e vocais são importantes durante a manobra de Valsalva, o esforço 
expiratório contra a via respiratória fechada, como tosse, espirro ou esforço durante a defecação ou levantamento de 
peso. As pregas vestibulares e vocais são bem abduzidas durante a insuflação pulmonar na inspiração profunda. Na 
manobra de Valsalva, as pregas vestibulares e vocais são firmemente aduzidas ao fim da inspiração forçada. Em 
seguida, há forte contração dos músculos abdominais anterolaterais para aumentar as pressões intratorácica e intra-
abdominal. O diafragma relaxado transmite passivamente a pressão abdominopélvica aumentada para a cavidade 
torácica. Como a elevada pressão intratorácica impede o retorno venoso para o átrio direito, usa-se a manobra de 
Valsalva para estudar os efeitos cardiovasculares do aumento da pressão venosa periférica e da diminuição do 
enchimento cardíaco e do débito cardíaco. 
 
ASPIRAÇÃO DE CORPOS ESTRANHOS E MANOBRA DE HEIMLICH 
Um corpo estranho, como um pedaço de carne, pode ser aspirado acidentalmente através do ádito da laringe para o 
vestíbulo da laringe, onde fica aprisionado acima das pregas vestibulares. Quando um objeto estranho entra no 
vestíbulo da laringe, há espasmo dos músculos laríngeos e tensão das pregas vocais. A rima da glote se fecha e a 
entrada de ar na traqueia é bloqueada. A consequente obstrução pode fechar totalmente a laringe (obstrução 
laríngea) e sufocar a pessoa, impedindo-a de falar porque a laringe está bloqueada. Há asfixia, e a pessoa morre em 
cerca de 5 minutos por falta de oxigênio se a obstrução não for removida. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 75 
Uma pessoa que esteja sufocando tosse na tentativa de deslocar o objeto. As pregas vestibulares fazem parte do 
mecanismo protetor que fecha a laringe. A mucosa do vestíbulo é sensível a objetos estranhos como o alimento. 
Quando um objeto atravessa o ádito da laringe e toca o epitélio vestibular, há tosse violenta. Devem-se implementar 
medidas de emergência para desobstruir a via respiratória. O procedimento usado depende da condição da pessoa, 
dos recursos disponíveis e da experiência de quem está prestando os primeiros socorros. 
 
Manobra de Heimlich e traqueostomia. 
Como os pulmões ainda contêm ar, a compressão súbita do abdome (manobra de Heimlich) eleva o diafragma e 
comprime os pulmões, expelindo o ar da traqueia para a laringe. Essa manobra geralmente expulsa o alimento ou 
outro objeto da laringe. Para realizar a manobra de Heimlich, a pessoa que presta os primeiros socorros usa 
compressões abdominais subdiafragmáticas para expelir o objeto estranho da laringe. Em primeiro lugar, o punho 
cerrado, com a base da palma voltada para dentro, é colocado sobre o abdome da vítima, entre o umbigo e o processo 
xifoide do esterno. A outra mão segura o punho e o empurra com força para dentro e para cima, forçando o 
deslocamento superior do diafragma. Essa ação força a saída de ar dos pulmões e provoca tosse artificial, que 
geralmente expele o objeto estranho. Podem ser necessárias várias compressões abdominais para eliminar a 
obstrução na laringe. 
 
CRICOTIREOTOMIA 
Em casos de emergência extrema (p. ex., obstrução importante das vias respiratórias, traumatismo facial ou cervical 
substancial ou angioedema) quando não é possível realizar intubação, profissionais experientes (p. ex., médicos do 
setor de emergência) inserem uma agulha calibrosa através do ligamento cricotireóideo mediano (coniotomia) para 
possibilitar a entrada rápida de ar. Mais tarde, pode ser realizada uma cricotireotomia cirúrgica (laringotomia inferior) 
que consiste em incisão da pele e do ligamento cricotireóideo mediano e inserção de um pequeno tubo de 
traqueostomia na traqueia. A cricotireotomia é um procedimento mais oportuno que a traqueostomia e, em geral, 
não é necessário manipulação da parte cervical da coluna vertebral. 
 
TRAQUEOSTOMIA 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 76 
A incisão transversal da pele do pescoço e da parede anterior da traqueia, traqueostomia, estabelece uma via 
respiratória em pacientes com obstrução das vias respiratórias superiores ou insuficiência respiratória. Os músculos 
infra-hióideos são retraídos lateralmente, e o istmo da glândula tireoide é dividido ou retraído superiormente. É feita 
uma abertura na traqueia, entre o primeiro e o segundo anéis traqueais ou através dos segundos, terceiro e quarto 
anéis. Em seguida, um tubo de traqueostomia é introduzido na traqueia e fixado. Para evitar complicações durante a 
traqueostomia, são importantes as seguintes relações anatômicas: 
•As veias tireóideas inferiores originam-se de um plexo venoso na glândula tireoide e descem anteriormente à 
traqueia 
•Uma pequena artéria tireóidea ima é encontrada em cerca de 10% das pessoas; ascende a partir do tronco 
braquiocefálico ou do arco da aorta até o istmo da glândula tireoide 
•Pode-se encontrar a veia braquiocefálica esquerda, o arco venoso jugular e a pleura, sobretudo em lactentes e 
crianças 
•O timo cobre a parte inferior da traqueia em lactentes e crianças 
•A traqueia é pequena, móvel e mole em lactentes, o que facilita a secção da parede posterior e a lesão do 
esôfago. 
 
LESÃO DOS NERVOS LARÍNGEOS 
Como o nervo laríngeo inferior, a continuação do nervo laríngeo recorrente, inerva os músculos que movimentam a 
prega vocal, a lesão dos nervos laríngeos causa paralisia da prega vocal. Inicialmente a voz é insatisfatória, pois não 
há adução da prega vocal paralisada para encontrar a prega vocal normal. Em semanas, a prega contralateral cruza a 
linha mediana quando há compensação pela ação muscular. Na paralisia bilateral das pregas vocais a voz está quase 
ausente, pois as pregas vocais estão imóveis em uma posição um pouco mais estreita do que a posição respiratória 
geralmente neutra. Não podem ser aduzidas para fonação, nem podem ser abduzidas para aumentar a respiração, o 
que resulta em estridor (respiração ruidosa aguda), com frequência acompanhado por ansiedade semelhante à 
associada a um episódio de asma. 
Nas lesões progressivas do nervo laríngeo recorrente, há perda da abdução dos ligamentos vocais antes da adução; 
por outro lado, durante a recuperação, a adução retorna antes da abdução. A rouquidão é o sinal comum de distúrbios 
graves da laringe, como o carcinoma das pregas vocais. 
A paralisia do nervo laríngeo superior causa anestesia da mucosa laríngea superior. Logo, há inatividade do 
mecanismo protetor destinado a evitar a entrada de corpos estranhos na laringe, e corpos estranhos podem entrar na 
laringe com facilidade. A lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior ocasiona voz monocórdica, porque o 
músculo cricotireóideo paralisado suprido por ele não consegue variar o comprimento e a tensão da prega vocal. Essa 
lesão pode não ser notada nas pessoas que não costumam variar muito o tom da fala, mas é crucial para cantores ou 
pessoas que falam em público. 
Para evitar lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior (p. ex., durante tireoidectomia), a artéria tireóidea 
superior é ligada e seccionada em posição superior à glândula, onde não está tão próxima do nervo. Como o aumento 
da glândula tireoide (bócio) pode comprometer a inervação da laringe por compressão dos nervos laríngeos, as pregas 
vocais são examinadas por laringoscopia antes de uma cirurgia nessa área. Desse modo, a lesão da laringe ou de seus 
nervos em um acidente cirúrgico pode ser distinguida de uma lesão preexistente causada pela compressão do nervo.BLOQUEIO DO NERVO LARÍNGEO SUPERIOR 
Muitas vezes, o bloqueio do nervo laríngeo superior é feito com intubação endotraqueal no paciente consciente. Essa 
técnica é usada para endoscopia perioral, ecocardiografia transesofágica e procedimentos laríngeos e esofágicos. A 
agulha é introduzida no ponto médio entre a cartilagem tireóidea e o hioide, 1 a 5 cm anterior ao corno maior do 
hioide. A agulha atravessa a membrana tíreo-hióidea, e o anestésico banha o nervo laríngeo interno, o maior ramo 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 77 
terminal do nervo laríngeo superior. Há anestesia da mucosa laríngea superior às pregas vocais, o que inclui a face 
superior dessas pregas. 
 
CÂNCER DA LARINGE 
A incidência de câncer da laringe é alta em indivíduos que fumam cigarros ou mascam tabaco. A maioria das pessoas 
tem rouquidão persistente, frequentemente associada a otalgia (dor de ouvido) e disfagia (dificuldade em engolir). O 
aumento de linfonodos pré-traqueais ou paratraqueais é um sinal de câncer. A laringectomia (retirada da laringe) 
pode ser realizada em casos graves de câncer da laringe. A reabilitação vocal pode ser feita por eletrolaringe, prótese 
traqueoesofágica, ou fala esofágica (regurgitação de ar ingerido). 
 
ALTERAÇÕES DA LARINGE RELACIONADAS COM A IDADE 
O crescimento da laringe é contínuo até cerca de 3 anos de idade; depois disso, há pouco crescimento até cerca de 12 
anos. Antes da puberdade, não existem grandes diferenças na laringe associadas ao sexo. Em virtude da testosterona 
em homens na puberdade, as paredes da laringe se reforçam e a sua cavidade cresce. Na maioria das meninas há 
apenas pequeno aumento no tamanho da laringe. Nos meninos, todas as cartilagens da laringe aumentam, e a 
proeminência laríngea torna-se visível na maioria dos homens. Nos homens, o diâmetro anteroposterior da rima da 
glote é quase duplicado em relação à medida pré-puberdade; as pregas vocais sofrem alongamento e espessamento 
proporcional e abrupto. O crescimento é responsável pelas alterações da voz que ocorrem em homens: o tom costuma 
tornar-se uma oitava mais baixo. 
O tom de voz de eunucos, homens cujos testículos não se desenvolveram (homens agonádicos) ou foram retirados 
cirurgicamente, não se torna mais grave sem a administração de hormônios masculinos. As cartilagens tireóidea, 
cricóidea e a maioria das cartilagens aritenóideas costumam se ossificar com o avanço da idade, começando por volta 
dos 25 anos de idade na cartilagem tireóidea. Aos 65 anos, as cartilagens geralmente são visíveis em radiografias. 
 
CORPOS ESTRANHOS NA PARTE LARÍNGEA DA FARINGE 
Quando o alimento atravessa a parte laríngea da faringe durante a deglutição, parte dele entra nos recessos 
piriformes. Corpos estranhos (p. ex., um osso de galinha ou espinha de peixe) que entram na faringe podem alojar-se 
nesse recesso. Se o objeto for pontiagudo, pode perfurar a mucosa e lesar o nervo laríngeo interno. 
O nervo laríngeo superior e seu ramo laríngeo interno também são vulneráveis à lesão durante a retirada do objeto 
se o instrumento usado para remover o corpo estranho perfurar acidentalmente a mucosa. A lesão desses nervos 
pode resultar em anestesia da mucosa laríngea até as pregas vocais. As crianças pequenas engolem vários objetos, a 
maioria dos quais chega ao estômago e atravessa o sistema digestório sem dificuldade. Em alguns casos, o corpo 
estranho para na extremidade inferior da parte laríngea da faringe, sua parte mais estreita. Os exames de imagem, 
como radiografia ou TC, revelam um corpo estranho radiopaco. Muitas vezes, os corpos estranhos na faringe são 
removidos sob visualização direta através de um faringoscópio. 
Tonsilectomia 
A tonsilectomia (retirada das tonsilas) é realizada por dissecção da tonsila palatina da fossa tonsilar ou por uma 
cirurgia com guilhotina ou alça. Cada um desses procedimentos requer a retirada da tonsila e da lâmina fascial ao 
redor do tecido conjuntivo. Em vista da rica vascularização da tonsila, o sangramento muitas vezes provém da 
grande veia palatina externa ou, menos comumente, da artéria tonsilar ou de outros ramos arteriais. O nervo 
glossofaríngeo (NC IX) acompanha a artéria tonsilar na parede lateral da faringe. Como a parede é fina, o nervo é 
vulnerável à lesão. A artéria carótida interna é ainda mais vulnerável quando tortuosa e situada diretamente lateral à 
tonsila. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 78 
 
Tonsilectomia. 
 
ADENOIDITE (TONSILITE FARÍNGEA) 
A inflamação das tonsilas faríngeas (adenoides; é denominada adenoidite. Esse distúrbio pode obstruir a passagem de 
ar das cavidades nasais através dos cóanos para a parte nasal da faringe e exigir a respiração bucal. A infecção das 
tonsilas faríngeas aumentadas pode disseminar-se para as tonsilas tubárias, causando edema e fechamento das tubas 
auditivas. O comprometimento da audição pode resultar de obstrução nasal e da obstrução das tubas auditivas. A 
propagação da infecção da parte nasal da faringe para a orelha média causa otite média (infecção da orelha média), o 
que pode acarretar surdez temporária ou permanente. Por vezes as tonsilas palatinas e faríngeas são removidas na 
mesma cirurgia (tonsilectomia e adenoidectomia). 
 
FÍSTULA BRANQUIAL 
A fístula branquial é um canal anormal que se abre internamente na fossa tonsilar e externamente na lateral do 
pescoço. A saliva pode escorrer através da fístula, que pode ser infectada. Esse canal cervical incomum é formado pela 
persistência de remanescentes da 2a bolsa faríngea e 2o sulco faríngeo (Moore et al., 2016). A fístula ascende da 
abertura cervical, geralmente ao longo da margem anterior do músculo ECM no terço inferior do pescoço. Ela primeiro 
passa através de tela subcutânea, músculo platisma e fáscia do pescoço, e entra na bainha carótica. Em seguida, passa 
entre as artérias carótidas internas e externa em seu trajeto até a abertura na fossa tonsilar. O trajeto pode ser 
demonstrado por radiografia. 
 
SEIOS E CISTOS BRANQUIAIS 
Quando o seio cervical embrionário não desaparece, pode preservar sua conexão com a face lateral do pescoço por 
meio de um seio branquial, um canal estreito. A abertura do seio pode ocorrer em qualquer lugar ao longo da margem 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 79 
anterior do músculo ECM. Se o remanescente do seio cervical não estiver conectado à superfície, pode formar um cisto 
branquial (cisto cervical lateral), geralmente situado logo inferior ao ângulo da mandíbula. Embora esses cistos possam 
ocorrer em lactentes e crianças, podem só aumentar e se tornar visíveis nos adultos jovens. Em geral, o seio e o cisto 
são excisados. O cisto situa-se próximo dos nervos hipoglosso, glossofaríngeo e acessório. Portanto, é preciso ter 
cuidado para evitar lesão desses nervos durante a retirada do cisto. 
 
LESÕES DO ESÔFAGO 
As lesões do esôfago são os tipos mais raros de traumatismo perfurante do pescoço; entretanto, são fatais e causam 
a maioria das complicações após um procedimento cirúrgico ou outro tratamento. A maioria das lesões esofágicas é 
iatrogênica (50 a 75%), ocorrendo durante endoscopia, dilatação esofágica, procedimentos envolvendo estenoses 
causadas por irradiação ou tumor, e lesões das vias respiratórias. As vias respiratórias estão localizadas anteriormente 
ao esôfago e conferem alguma proteção ao mesmo. Com frequência, as lesões do esôfago são ocultas, o que dificulta 
sua detecção, sobretudo quando não há outras lesões. A perfuração esofágica que não é reconhecida é fatal em quase 
todos os casos não cirúrgicos (p. ex., por causa de vômitos – síndrome de Boerhaave), em aproximadamente 20% das 
ocorrências iatrogênicas e em 7% das perfurações traumáticas. 
 
Fístula branquial e Seios branquiais.FÍSTULA TRAQUEOESOFÁGICA 
A anomalia congênita mais comum do esôfago é a fístula traqueoesofágica (FTE). Em geral, está associada a alguma 
forma de atresia esofágica. No tipo mais comum de FTE (cerca de 90% dos casos), a parte superior do esôfago termina 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 80 
em uma bolsa cega e a parte inferior comunica-se com a traqueia. Nesses casos, a bolsa se enche de muco, que o 
recém-nascido/lactente aspira. Em alguns casos, a parte superior do esôfago comunica-se com a traqueia e a parte 
inferior une-se ao estômago, mas às vezes isso não ocorre, ocasionando FTE com atresia esofágica. As FTE resultam 
de anormalidades na divisão do esôfago e da traqueia (Moore et al., 2016). 
 
CÂNCER DO ESÔFAGO 
A queixa inicial mais comum do câncer do esôfago é a disfagia (dificuldade para deglutir), que geralmente só é 
reconhecida quando há redução de 30 a 50% do lúmen. A esofagoscopia é o exame que costuma revelar esses 
cânceres. A dor à deglutição em alguns pacientes sugere extensão do tumor para os tecidos periesofágicos. O aumento 
dos linfonodos cervicais profundos inferiores também sugere câncer de esôfago. A compressão dos nervos laríngeos 
recorrentes por um tumor esofágico causa rouquidão. 
 
ZONAS DE TRAUMATISMO PENETRANTE DO PESCOÇO 
Três zonas são usadas como orientações clínicas comuns sobre a gravidade do traumatismo do pescoço. Elas permitem 
que os médicos determinem as estruturas do pescoço sob risco no caso de lesões penetrantes: 
•Zona I: inclui a raiz do pescoço e estende-se das clavículas e do manúbrio do esterno até o nível da margem 
inferior da cartilagem cricóidea. As estruturas sob risco são as cúpulas da pleura, os ápices dos pulmões, as 
glândulas tireoides e paratireoides, a traqueia, o esôfago, as artérias carótidas comuns, as veias jugulares e a 
região cervical da coluna vertebral 
•Zona II: estende-se da cartilagem cricóidea até o nível dos ângulos da mandíbula. As estruturas em risco são os 
polos superiores da glândula tireoide, as cartilagens tireóideas e cricóidea, a laringe, a parte laríngea da faringe, 
as artérias carótidas, as veias jugulares, o esôfago e a região cervical da coluna vertebral 
•Zona III: corresponde aos ângulos das mandíbulas superiormente. As estruturas em risco são as glândulas 
salivares, as cavidades oral e nasal, as partes oral e nasal da faringe. 
As lesões das zonas I e III obstruem a via respiratória e estão associadas a maior risco de morbidade (complicações 
após procedimentos cirúrgicos e outros tratamentos) e mortalidade (desfecho fatal), visto que é difícil visualizar e 
reparar as estruturas lesadas e é difícil controlar a lesão vascular. As lesões na zona II são mais comuns; entretanto, a 
morbidade e a mortalidade são menores porque os médicos controlam a lesão vascular por compressão direta e os 
cirurgiões visualizam e tratam as estruturas lesadas com mais facilidade do que nas outras zonas. 
ANATOMIA II ANA CAROLINI VENTURIM, BÁRBARA LÉO E PALOMA MAMERI – MED006 81 
 
Fístulas traqueoesofágicas (FTE) e Zonas de traumatismo penetrante no pescoço. 
 
DISSECÇÕES RADICAIS DO PESCOÇO 
As dissecções radicais do pescoço são realizadas em casos de invasão cancerosa dos vasos linfáticos cervicais. Durante 
o procedimento, os linfonodos cervicais profundos e os tecidos ao seu redor são removidos do modo mais completo 
possível. As principais artérias, o plexo braquial, o NC X e o nervo frênico são preservados; mas a maioria dos ramos 
cutâneos do plexo cervical é removida. O objetivo da dissecção é remover em bloco todo o tecido que tenha 
linfonodos. Os linfonodos cervicais profundos, sobretudo aqueles localizados ao longo da artéria cervical transversa, 
podem participar na disseminação do câncer do tórax e abdome. Como seu aumento pode ser o primeiro indício de 
câncer nessas regiões, muitas vezes eles são chamados de linfonodos sentinela cervicais.

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