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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA CAMPUS NITERÓI CURSO DE FARMÁCIA HEMOTERAPIA THÁSSYA VIEIRA DE ALMEIDA DILEMAS ÉTICOS NA HEMOTRANSFUSÃO EM TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ( Análise crítica do artigo ) NITERÓI 2020 Análise crítica da obra Dilemas Éticos na hemotransfusão em Testemunhas de Jeová Sátiro Xavier de França, Inacia; Santos Baptista, Rosilene; de Sousa Brito, Virgínia Rosana Dilemas éticos na hemotransfusão em Testemunhas de Jeová: uma análise jurídico-bioética Acta Paulista de Enfermagem, vol. 21, núm. 3, 2008, pp. 498-503 Escola Paulista de Enfermagem São Paulo, Brasil SOBRE A AUTORA Inacia Sátiro Xavier de França, Enfermeira (Universidade Federal da Paraíba-UFPB, 1975) Mestre em Enfermagem (UFPB, 1998), Doutora em Enfermagem (Universidade Federal do Ceará/UFC, 2004). Atua na área de Enfermagem, com ênfase em Enfermagem médico-Cirúrgica. Linha temática de pesquisa: Assistência de Enfermagem ás Pessoas com Deficiência, atuando principalmente nos seguintes temas: reabilitação, educação em saúde, bioética, avaliação de programas.Em seu currículo lattes, os termos mais frequentes na contextualização da produção científica, tecnológica são: enfermagem, pessoas com deficiência, Deficiência auditiva, deficiência física, deficiência visual, educação em saúde. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Atenção em Saúde Coletiva - GEPASC desde 2005. RESUMO DA OBRA O artigo “ Dilemas éticos na hemotransfusão em Testemunhas de Jeová” realizado por Inácia Sátiro Xaxier de França , publicado pela revista Acta Paul Enferm ,em 2008, trás uma discussão sobre a Hemotrasfusão em testemunhas de Jeová e lista as alternativas terapêuticas para a hemotransfusão nesses indivíduos e cita o ordenamento jurídico, ético e bioético que concerne a esta hemotransfusão. Trata-se de artigo de revisão realizado no período de maio a junho de 2007 acerca do objeto hemotranfusão em Testemunhas de Jeová. O enfoque do artigo é acadêmico recomendável para alunos universitários e profissionais da área da saúde porém não excluindo outras áreas que busquem por conhecimento sobre o assunto. A autora, trata na obra ,sobre o conflito entre Testemunhas de Jeová e os profissionais da saúde , quando o assunto é sobre a transfusão de sangue , onde as Testemunhas de Jeová não aceitam a hemotransfusão mesmo havendo risco de vida. Essa recusa das TJ é sustentada nos textos bíblicos de Gênesis e Levítico onde recomendam abstenção de carne por considerar que ela possui uma alma e que assimilar sangue no corpo, pela boca ou pelas veias, viola a lei de Deus. No texto do artigo a autora informa : “ As TJ alegam que a alma do ser humano está no sangue e, assim, ela não pode ser passada para outra pessoa, pois do contrário, o adepto desobedecerá ao mandamento de amar a Deus com toda a alma. A proibição está impressa em um cartão de identificação pessoal que contém, no seu reverso, as diretrizes sobre tratamento de saúde, isenção para a equipe médica e a assinatura do adepto. Assim, quando a vida de uma TJ está em risco, e ela recusa hemotransfusão, o médico vivencia uma situação de difícil resolução, dado que deverá escolher entre respeitar a autonomia do paciente ou os dispositivos legais que regem a sua prática” . Em um de seus parágrafos a autora informa que as Testemunhas de Jeová em situação de risco , optam por uma terapia alternativa, que ao invés da hemotransfusão , pode-se utilizar eritropoietina humana recombinante, Interleucina-11 recombinante, ácido aminocapróico e tranexâmico, adesivos teciduais, expansores do volume do plasma, colóides e instrumentos hemostáticos como o eletrocautério, lasers ou o coagulador com raio de argônio. Entretanto , os profissionais de saúde vivenciam uma situação difícil , pois nem sempre os hospitais estão preparados para essas terapias alternativas e em contrapartida eles não podem deixar de prestar a assistência quando possível fazê-la , para salvar a vida do ser humano quando se está em risco , pois é caracterizado como crime previsto no Código Penal, art 135. Porém, a Autora informa no mesmo parágrafo que, o Artigo 146 do código penal exime o médico de culpa por intervenção médica ou cirúrgica sem o consentimento do paciente, ou do seu representante legal, em caso de iminente perigo de vida. Nesses casos , os médicos para evitar confrontos com pacientes e familiares, buscam respeitar o dever de preservar a vida, a autonomia de vontade e a liberdade religiosa usando da hemoterapia alternativa , como exemplo, a transfusão autóloga, utilizando o próprio sangue do paciente , por um meio de um sistema fechado e conectado á veia da TJ. “Na impossibilidade da hemoterapia alternativa, cabe ao médico reger-se pelo ordenamento jurídico e pela Resolução n.º 1021/81, do Conselho Federal de Medicina e o Código de ética Médica, em seus artigos 56 e 57, e proceder a hemotransfusão para preservar a vida, apesar da recusa da TJ. Quando o procedimento for eletivo, com necessidade comprovada de hemotransfusão, compete ao hospital requisitar decisão jurídica para proceder a hemoterapia, caso ela seja recusada” . Nesse trecho informa como não se pode recusar uma assistência médica em caso de risco de vida de uma testemunha de Jeová quando o assunto é utilizar a hemotransfusão como a terapia. Inácia conclui em seu artigo que, em caso de risco de vida de uma TJ, se for necessário da utilização da hemotransfusão como a única alternativa para salvar a vida do paciente, o médico se ver obrigado a usar dessa terapia , sabendo-se que o hospital irá requisitar as decisões jurídicas para proceder com o tratamento, porém se o caso não for tão grave e puder ser utilizados outras formas de terapias para salvar a vida do paciente , deve-se respeitar a sua autonomia da vontade e de crença reliogiosa. Entende-se com a leitura do artigo científico , que exite um conflito aqui, existe o direito da crença religiosa das TJ , e o direito dos profissionais de saúde de zelar pela vida e saúde dos seres humanos , e acima desses direito existe o princípio fundamental da dignidade humana . Observa-se que hoje em dia existem terapias alternativas em casos que não existam riscos iminentes de vida e que devem ser levadas em consideração para se evitar ao máximo uma situação em que a TJ se veja ali com uma indicação de transfusão de sangue e esteja colocada nesse conflito. Então se por um lado tem a autonomia da TJ da crença religiosa por outro lado existe a autonomia do profissional de saúde de zelar e cuidar da vida do ser humano, e os profissionais de saúde devem pautar a sua atuação nas normativas éticas e legais vigentes no momento , esse conflito chama muita atenção da sociedade, do judiciário por que envolvem dois direitos fundamentais, que são o direito da vida e o direito da liberdade de crença, esses dois direitos encontram-se no artigo 5º da constituição de 1988. Percebe-se não só o conflito do âmbito da bioética mas também do biodireito e várias decisões judiciais relativas a esses casos. As testemunhas de Jeová alegam “ a liberdade de crença e de consciência, princípios da legalidade e da dignidade da pessoa humana além dos riscos inerentes a transfusão de sangue”. E o posicionamento jurídico tem se apoiado do fato de que a vida seria um bem maior e por isso ela estaria a cima da liberdade de crença religiosa . Baseado na resolução CFM 1021/1980, que fala especificamente que deve ocorrer a transfusão de sangue em casos de risco de vida ainda que o paciente se negue a isso, mesmo sabendo que ainda é um assunto muito conflituoso.