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PRÁTICA INTEGRADA DO CUIDAR Procedimento Operacional Padrão (POP) Técnica de pronação em paciente crítico 1. Definição ❏ Técnica que baseia-se em posicionar o paciente em decúbito ventral com o objetivo de distribuir a tensão pulmonar, melhorar e diminuir a duração da ventilação artificial e reduzir a taxa de mortalidade. 2. Indicação ❏ Caso o efeito desejado seja a melhora da oxigenação arterial, ela deve ser utilizada somente nas situações de necessidade de altas frações inspiradas de oxigênio para conseguir a oxigenação adequada. ❏ Caso o objetivo principal seja a diminuir de lesão pulmonar induzida pela ventilação mecânica, a posição prona deve ser utilizada o mais rápido possível ou imediatamente após o diagnóstico de Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) ou lesão pulmonar aguda. ❏ E m pacientes com SARA grave: ➢ relação PAO2 /FIO2 < 150 (desde que iniciada até 72 horas do início dos sintomas), devendo ser mantida por pelo menos 16 horas por sessão. Deve ser mantida até se atingirem relação PAO2 /FIO2 > 150 mmHg com PEEP ≤10 cmH2 O e FiO2 ≤ 60% em posição supina. ➢ SARA moderada ou grave, com relação PaO2/FiO2 ≤150mmHg com hipoxemia refratária (PEEP >10cmH2O e FiO2 >60%) nas primeiras 6-12 horas em ventilação mecânica; ➢ dificuldade de manter a ventilação protetora (pressão de distensão alveolar ≤ 15 cmH20, pressão de platô < 30 cmH20, vac (volume de ar corrente) de 4-6ml/kg de peso ideal e pH >7,15); ➢ disfunção de Ventrículo direito (VD). 3. Contraindicações ❏ Queimaduras ou ferimentos na face e/ou região ventral; ❏ Instabilidade da coluna vertebral; ❏ Hipertensão intracraniada; ❏ Arritimias graves; ❏ Hipotensão severa; ❏ Avaliação especial em caso de cateteres de diálise e/ou drenos torácicos. 4. Complicações ❏ Edema facial; ❏ Lesões cutâneas; ❏ Perda de acessos/sondas; ❏ Extubação acidental. 5. Materiais necessários ❏ Coxins para apoio da face, tórax, pelve, punho e região anterior das pernas ❏ Lençóis para envolver o paciente; ❏ Carro de PCR; ❏ Caixa de intubação; ❏ Material de aspiração; ❏ Placas de hidrocoloides; ❏ Ambu. 6. Descrição da técnica Pré-manobra Ação Justificativa 1. Verificar no prontuário a necessidade da realização da manobra. Evitar complicações para o paciente. 2. Checar todos os itens do checklist de prona segura. Evitar a ausência de instrumentos necessários. 3. Verificar quantidade adequada de profissionais. Evitar sobrecarga dos profissionais e danos ao paciente. 4. Pausar a dieta e abrir a sonda nasoentérica 2 horas antes do procedimento (tec) Evitar broncoaspiração, gases, náuseas e vômito. 5. Implementar cuidados oculares (higienizar com SF 0,9%, Promover conforto e lubrificar, fechar as pálpebras e proteger com curativo) para prevenir ressecamento e lesões (tec) evitar lesões. 6. Fixar placas de hidrocoloides em regiões com proeminências ósseas: região zigomática, clavículas, crista ilíaca, patela e pretibial (tec) Evitar lesões. 7. Revisar fixação dos dispositivos invasivos e curativos (enf) 8. Pausar hemodiálise contínua (enf) 9. Aspirar vias aéreas e/ou TOT (enf/tec) Manter as vias aéreas desobstruídas. 10. Verificar fixação do cadarço, registrar comissura labial e pressão do balonete do TOT (enf) 11. Pré-oxigenar com fração inspirada do oxigênio - FiO2: 100% por 10 minutos (fisio/med) Evitar desconforto respiratório. 12. Avaliar sedação (med) Observar nível de consciência do paciente. 13. Verificar sinais vitais e parâmetros da VM (tec) Observar estabilidade do paciente. 14. Clampear sondas e drenos (exceto dreno de tórax) Evitar que o conteúdo da sonda seja expelido. 15. Retirar a monitorização. Manter o oxímetro de pulso. (enf) Facilitar a movimen- tação. 16. Retirar os eletrodos do tórax anterior fixados à pele. (enf) Facilitar a movimen- tação. 17. Manter os circuitos do ventilador mecânico livres. Fechar e desconectar o sistema da pressão arterial invasiva (PAI). Facilitar a movimen- tação. 18. Verificar se está adequado o comprimento da linha infusional e dos circuitos do ventilador. (tec) 19. Pausar infusões (exceto a do vasopressor) e desconectar os equipos do cateter venoso. (tec) Evitar danos e facilitar a movimentação. 20. Posicionar a cama em posição plana (0°). (tec) Facilitar a movimen- tação. 21. Checar se a cama está em um nível de altura adequado a Facilitar a movimen- todos os profissionais e com as rodas travadas. (todos) tação. 22. Alinhar os membros ao longo do corpo. (tec) Facilitar a movimen- tação 23. Posicionar os coxins/travesseiro sobre a pelve e o tórax. (enf/fisio) Garantir que o paciente esteja em uma altura adequada. 24. Posicionar o lençol móvel (travessão) sobre o abdome e quadril do cliente. (tec) Auxiliar a movimen- tação. 25. Cobrir o cliente com outro lençol, deixando a cabeça e os pés livres (tec) Auxiliar a movimen- tação. MANOBRA DE PRONAÇÃO Ação Justificativa 1. Unir as extremidades laterais dos lençóis - o de cobertura da cama, o travessão e o lençol de cima e enrolá-los mais próximo possível do corpo do paciente (Técnica do Envelope). 2. Realizar a manobra do giro em três movimentos ao comando do profissional médico que está na cabeceira da cama: - Lateralizar o paciente (desloca o paciente para o lado do acesso venoso central). 1. 2. 3. Equipe troca de posição das mãos em relação a borda enrolada do lençol. Evitar quedas e danos no paciente. 4. Girar o paciente para posição prona, centralizando-o no leito. 3. PÓS-MANOBRA Ação Justificativa 1. Checar o posicionamento do tubo traqueal (ausculta pulmonar, marcação de comissura labial e leitura de capnografia). 2. Reiniciar a infusão das medicações pausadas. 3. Verificar/ajustar a pressão do balonete com o cufômetro 4. Posicionar os eletrodos no dorso do cliente e monitorizá-lo. 5. Reposicionar o sistema da pressão arterial invasiva; nivelar o diafragma do transdutor e calibrar o sistema. 6. Ajustar os coxins de pelve e do tórax anterior Garantir abdome livre. 7. Posicionar coxins/travesseiro na face, mão e região anterior das pernas. Evitar lesões e promover conforto.8. Posicionar os braços em nadador (um braço fletido para cima e outro estendido para baixo, com rosto virado para o braço fletido). Evitar a lesão do plexo braquial. 9. Ajustar todos os drenos, tubos e cateteres quanto às conexões e funções. 10. Posicionar a cama em proclive (trendelemburg reverso) Reduzir risco de aspiração. 11. Ajustar os lençóis bem esticados no leito. Promover conforto. 7. REFERÊNCIAS - ANANIAS, M. A. N. B.; CAMBRAIA, Amanda Alvarenga; CALDERARO, Débora Cerqueira. Efeito da posição prona na mecânica respiratória e nas trocas gasosas em pacientes com SDRA grave. Rev Med Minas Gerais , v. 28, 2017. Disponível em: http://rmmg.org/exportar-pdf/2460/v28s5a33.pdf . Acessado em: 23 Set. 2020. - PAIVA, Kelly Cristina de Albuquerque; BEPPU, Osvaldo Shigueomi. Posição prona. Jornal Brasileiro de Pneumologia , v. 31, n. 4, p. 332-340, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132005000400011 . Acessado em: 23 Set. 2020. - OLIVEIRA, Vanessa Martins et al. Checklist da prona segura: construção e implementação de uma ferramenta para realização da manobra de prona. Revista Brasileira de Terapia Intensiva , v. 29, n. 2, p. 131-141, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-507X2017000200131&script=sci_arttext . Acessado em 23 Set. 2020. Elaboração Data - Maria Fernanda Oliveira Santos - Samara Silva dos Santos 30/09/20 http://rmmg.org/exportar-pdf/2460/v28s5a33.pdf https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-37132005000400011 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-507X2017000200131&script=sci_arttext