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“Inicia-se o procedimento comum (como, aliás, qualquer outro procedimento) com o ajuizamento de uma petição inicial. Esta pode ser definida como o instrumento através do qual se propõe a demanda e se instaura o processo. Trata-se de elemento extremamente importante não só por servir para dar início ao processo, mas também – e principalmente – por ser a petição inicial a responsável por trazer ao processo os elementos que identificam a demanda que será apreciada. Exatamente em função disso, a petição inicial é documento que precisa preencher uma série de requisitos formais, sem os quais não se pode ter o válido e regular desenvolvimento do processo.” (Alexandre Freitas Câmara) No que concerne petição inicial explique: a) Quais são os requisitos obrigatórios da Petição Inicial? R= Os requisitos obrigatórios da Petição Inicial estão tipificados nos artigos 319 e 320 do NCPC. Nesse caso, temos: (a) o juízo a que é dirigida; (b) as partes e suas qualificações (nome, estado civil, profissão, endereço e entre outros); (c) os fatos e fundamentos jurídicos do pedido; (d) o pedido; (e) o valor da causa; (f) as provas que pretende usar; (g) opção da realização (ou não) da audiência de conciliação; (h) apresentação da documentação. b) Explique o que são os fenômenos da emenda, alteração e aditamento da Petição Inicial e como e quando eles acontecem. R= Emenda inicial: A petição que não tiver os requisitos dos artigos 319 e 320, o juiz concederá um prazo de 15 dias para correção e irá indicar qual é o vicio a ser corrigido. Nesse caso, ela vai ocorrer por determinação judicial. Aditamento: Aditar é o ato de incluir, de forma voluntária, algum pedido ou causa de pedir. Ela pode ocorrer até a citação, de forma independente e até o saneamento, com o consentimento do réu. c) O que se entende por improcedência liminar do pedido? Quando ocorre e qual o pronunciamento que o julgador profere? R= A improcedência liminar é uma decisão do juiz, que antes de citar o réu, julga o pedido formulado como improcedente, de acordo com artigo 332 do NCPC, com o intuito de gerar uma celeridade ao processo e evitar custas. Nesse caso, a sentença é julgada como definitiva (mérito). Adriano ajuizou ação de obrigação de fazer e reparação por danos morais em face de João e Antônio, na 3ª Vara Cível da Comarca Z. Adriano informou na sua petição inicial que não possuía interesse na realização da audiência de conciliação, prevista no Código de Processo Civil. O juiz, seguindo a ritualística processual, designou a audiência de conciliação e determinou a citação de João e Antônio. Os réus foram devidamente citados, sendo que João se manifestou, com 5(cinco) dias de antecedência, pela não realização da audiência de conciliação, e Antônio não se manifestou. No dia da audiência de conciliação, somente o autor compareceu à audiência. a) Neste caso como deverá o magistrado proceder em relação aos réus? R= Como João e Antônio não compareceram a audiência, sem a devida justificação, esse ato é considerado atentatório à dignidade da justiça, cabendo multa de 2% do valor da causa. Vale salientar que a manifestação de João, no prazo de 05 dias de antecedência, se configura como inválida, visto que o prazo mínimo é de 10 dias, contados da data de audiência. b) Em quais hipóteses essa audiência não ocorrerá? Explique cada uma delas. R= Só não será realizada a audiência em dois casos: (a) se réu e autor se manifestarem, de forma expressa, desinteresse na composição consensual; (b) quando não se admitir a autocomposição (resolução do conflito pelo consentimento de todos). c) É possível haver mais de uma sessão? Em caso afirmativo, há prazo entre elas? R= Pode sim ter mais de uma sessão, porém não pode exceder a dois meses da data de realização da primeira sessão (art. 334). Quais as espécies (características) de pedidos que o código de processo civil prevê? Explique cada uma R= De modo geral, os pedidos podem se classificar em mediatos e imediatos. O pedido imediato está vinculado com o direito processual, e o mediato com o direito material. Dessa ideia geral, temos outros tipos de pedidos. Pedidos alternativos: o réu pode cumprir por duas ou mais maneiras, caracterizando a alternância. Pedidos genéricos: é o tipo de pedido um valor ou quantidade incerta, porém é certo o gênero. Só pode ser aceito em três hipóteses: ações universais; quando for indefinido as consequências do ato ilícito; quando o valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu. Pedido determinado: Definir o que se quer (dano moral, material). Está tipificado no art. 324 Pedidos cumulados: Quando o autor formula contra o réu mais de um pedido, que sejam conciliáveis uns com outros; não se exclua um em decorrência do outro. Segundo o renomado processualista Fredie Didier, “O indeferimento da petição inicial é decisão judicial que obsta liminarmente o prosseguimento da causa, pois não se admite o processamento da demanda. O indeferimento da petição inicial somente ocorre no início do processo: só há indeferimento liminar antes da ouvida do réu. Após a citação, o juiz não mais poderá indeferir a petição inicial, de resto já admitida, devendo, se vier a acolher alguma alegação do réu, extinguir o feito por outro motivo.”. Sobre o indeferimento da petição inicial disserte sobre as hipóteses de indeferimento da petição inicial, explicando-as. R = Seguindo o art. 330 do NCPC, temos as seguintes hipóteses de indeferimento: (a) Inepta: A petição vai ser considerada inepta quando não preenche os requisitos legais, tendo um defeito insubstituível. Erros como a falta do pedido ou causa de pedir; pedidos indeterminado, salvo os genéricos; o pedido for impossível configurariam uma petição inepta. (b) Parte ilegítima: Caso algumas das partes (Réu ou Autor) por ilegítima cabe ao juiz indeferir. O artigo 338 tipifica o quesito de o réu ser ilegítimo. (c) Falta de interesse: A vontade das partes é um pressuposto processual. No caso de falta de interesse do autor, o juiz deve indeferir. (d) Não atendimento dos artigos 106 e 321: O artigo 106 tipifica as condições do advogado que atua por causa própria. Caso ele não cumpra os requisitos, será indeferida. Já o artigo 321 é especifico em relação ao cumprimento do prazo da petição, e caso não seja atendida, cabe o indeferimento. Discorra sobre os tipos de cumulação de pedidos que existem no nosso ordenamento processual civil R = De um modo geral, a lei permite a cumulação de pedidos (art. 327), obedecendo aos requisitos para ser admitida. De forma sistêmica, temos a cumulação própria (todos os pedidos podem ser concedidos) e imprópria (somente um dos pedidos pode ser concedido). Subdividindo esses dois grupos, temos: Cumulação simples (própria): o acolhimento de um pedido não interfere no outro, ou seja, eles são independentes. O juiz vai analisar os pedidos sem estabelecer correlação. Cumulação sucessiva (própria): o acolhimento de um pedido interfere diretamente no outro pedido. O juiz vai analisar o pedido principal e, julgando procedente, analisa o segundo pedido. Cumulação alternativa (imprópria): o acolhimento de qualquer um dos pedidos é indiferente, pois não existe ordem de preferência. O autor se satisfaz com qualquer um dos pedidos. Cumulação subsidiaria/eventual (imprópria): Caso o pedido principal não seja acolhido, tem-se formulado um segundo pedido.