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Estatuto da Criança e do Adolescente ECA estacio 2020

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Aula 1: Direitos humanos da criança e 
do adolescente e Direito Internacional 
Infantojuvenil 
Apresentação 
Você sabia que o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) 
representa o marco da consolidação do Direito Infantojuvenil no Brasil, em um 
processo iniciado com a Constituição Federal? E que o Direito Internacional 
teve um papel de destaque, principalmente por meio dos Tratados de Direitos 
Humanos que versam direitos relativos a crianças e adolescentes? 
Nesta aula, iremos discorrer sobre esse tema que tanto mexe com os ânimos, lida 
com preconceitos, envolve sentimentos que variam da pena ao ódio, fazendo 
surgir diversas questões que envolvem preconceito e discriminação em relação a 
este grupo especial que ainda está em desenvolvimento. 
Objetivos 
• Identificar as diversas legislações internacionais, entre Declarações e 
Convenções que reconhecem a criança como objeto de proteção ou 
sujeito de direito, assim como todos os demais seres humanos; 
• Compreender a atual posição da comunidade internacional sobre os 
direitos humanos de crianças e adolescentes. 
Direitos humanos de crianças e 
adolescentes 
Em face da condição de pessoas em desenvolvimento, ou seja, de seres que estão 
em processo de formação física e psicológica, crianças e adolescentes devem 
receber um tratamento diferenciado. 
Iniciaremos nossa aula com um breve histórico evolutivo dos direitos das 
crianças e adolescentes. 
• 1899 - 1905 
No âmbito internacional, a primeira referência que se tem 
acerca da proteção dos direitos humanos da criança e do 
adolescente é a Juvenile Court Art de Illinois, criada em 1899, 
sendo considerada o primeiro Tribunal de Menores nos Estados 
Unidos, expandindo-se para a Europa somente a partir de 1905, 
quando grande parte dos Estados criaram Tribunais de Menores 
(SPOSATO, 2006). 
• 1919 
Em 1919, finda a Primeira Guerra Mundial, foi criado o 
Comitê de Proteção da Infância, pela liga das Nações, diante 
dos horrores vivenciados e da percepção de que a criança é um 
ser especial diante de sua vulnerabilidade, a qual, portanto, 
merece atenção e proteção especiais. 
A partir do século XX, houve uma adesão mais ampla da 
comunidade internacional em prol dos direitos humanos, o que 
acabou repercutindo nas declarações e convenções 
internacionais firmadas. 
• 1924 - 1948 
Posteriormente, em 1924, a Declaração de Genebra reconheceu 
a criança e o adolescente como seres detentores de proteção 
especial ao determinar que há a “necessidade de proporcionar à 
criança uma proteção especial”. Da mesma forma ocorreu na 
Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações 
Unidas, firmada em 1948, que também defendia o “direito e 
assistência especiais” à criança. 
• 1959 
Em 1959, a Assembleia Geral da Organização das Nações 
Unidas aprovou a Declaração dos Direitos da Criança, 
passando a reconhecê-la como sujeito detentor de direitos e não 
mais apenas como objeto de proteção. 
• 1969 
Por sua vez, a Convenção Americana sobre os Direitos 
Humanos (Pacto de São José da Costa Rica, 1969) elencou, no 
artigo 19, que “toda criança tem direito às medidas de proteção 
que sua condição de menor requer, por parte da família, da 
sociedade e do Estado”. Dessa forma, percebemos que o dever 
de proteger e resguardar a criança e o adolescente não é uma 
função apenas do Estado, mas também da família com quem 
eles convivem, bem como da própria sociedade que os integra. 
Mais recentemente, a comunidade mundial 
criou novas bases para a formulação de um 
ordenamento jurídico que possa ser adotado 
por todos os países, independentemente das 
condições socioeconômicas destes, cuja 
característica fundamental é “a nobreza e a 
dignidade do ser humano criança”. 
Tais estruturas normativas foram fruto do esforço conjunto de diversos 
estudiosos e comunidades empenhadas na defesa e promoção da criança e do 
adolescente, que participaram das Regras Mínimas das Nações Unidas para a 
Administração da Justiça da Infância e da Juventude. São elas: 
Regras de Beijing 
Resolução 40/33 da Assembleia Geral, de novembro de 1985. 
Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da 
Delinquência Juvenil – Diretrizes de Riad 
Assembleia da ONU, de novembro de 1990. 
Regras Mínimas das Nações Unidas para a Proteção 
dos Jovens Privados de Liberdade 
Assembleia Geral da ONU, de novembro de 1990. 
A proteção integral garantida ao público infantojuvenil surge a partir da 
Convenção sobre o Direito da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das 
Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989, também conhecida como 
Convenção de Nova York. Esse momento foi tão importante que teve o maior 
número de ratificações e adesões mais rápidas da história, pois protege todas as 
crianças do planeta e não apenas grupos determinados. 
Nesse contexto, a comunidade internacional reconheceu que as crianças 
necessitam de atenção especial que as preserve das consequências danosas 
decorrentes de situações que podem colocá-las em risco. 
No tópico seguinte, serão abordados documentos internacionais relevantes, 
estabelecendo a relação direta entre eles e a defesa dos interesses de crianças e 
adolescentes. 
Declaração de Genebra – Carta da 
Liga sobre a criança 
A Declaração de Genebra, ou Carta da Liga sobre a Criança, de 1924, é 
considerada o primeiro documento voltado à proteção da criança de forma ampla 
e genérica, pois não se limita a apenas um enfoque na defesa dos direitos 
humanos da criança, mas engloba a proteção à infância de maneira integral. Ela 
incorporou os princípios dos direitos da criança, incentivando os Estados a 
criarem meios que efetivamente garantissem a proteção desse grupo especial. 
 (Fonte: Nowik Sylwia / Shutterstock) 
 
Acerca da Declaração de Genebra, descreve Eglantine (apud DOLINGER, 2003, 
p. 82) cinco princípios basilares do documento, os quais devem ser seguidos 
tendo em vista a necessidade de se resguardar a criança como sujeito de direito: 
 
1 
A criança deve receber os meios necessários para seu desenvolvimento normal, 
tanto material, como espiritual. 
 
2 
A criança que estiver com fome deve ser alimentada; a criança que estiver doente 
precisa ser ajudada; a criança atrasada precisa ser ajudada; a criança delinquente 
precisa ser recuperada; o órfão e o abandonado precisam ser protegidos e 
socorridos. 
 
3 
A criança deverá ser a primeira a receber socorro em tempos de dificuldade. 
 
4 
A criança precisa ter possibilidade de ganhar seu sustento e deve ser protegida de 
toda forma de exploração. 
 
5 
A criança deverá ser educada com a consciência de que seus talentos devem ser 
dedicados ao serviço de seus semelhantes. 
Muito embora seja voltada para a 
garantia da proteção da criança e do 
adolescente, percebemos que a 
Declaração de Genebra foi um 
avanço para a época. 
No que diz respeito ao reconhecimento da vulnerabilidade da criança, a 
Declaração não as tratava como autênticos sujeitos de direitos e sim como 
objetos de proteção, como pode ser observado pelo emprego das palavras “a 
criança deve receber”, “deve ser alimentada”, “deve ser ajudada”, “deve ser 
educada”, diferentemente da Declaração de 1959, segundo a qual a criança tem 
direito a um nome, como veremos a seguir. 
Declaração dos Direitos da Criança 
 
Após a Segunda Guerra Mundial, diversos movimentos voltados a resguardar as 
crianças e adolescentes da devastação decorrente das guerras surgiram, a 
exemplo do Instituto Interamericano da Criança e da UNICEF (United Nations 
International Child Emergency Fund). 
Porém, foi em 1959 que se conseguiu mais abrangência aos direitos da infância, 
sendo firmada a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a qual passa a 
tratar a criança como sujeito de direito e não mais como mero objeto de 
proteção. 
A Declaração, além de conceder uma nova percepção da criança, agora sujeito 
de direitos, ressalta também a necessidade dapromoção do respeito aos direitos 
dela, sua sobrevivência, desenvolvimento e participação no combate à 
exploração e ao abuso. 
 
 
Princípios da Declaração dos Direitos da Criança 
 
 Clique no botão acima. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1
Atividade 
1. Observando a imagem a seguir, discorra sobre a violação dos Direitos 
Humanos da Criança e do Adolescente e a importância da proteção integral. 
 
 
Gabarito Comentado 
Regras de Pequim ou Regras de 
Beijing, Diretrizes de RIAD e Regras 
de Tóquio 
As Regras de Beijing, as Regras de Riad e as Regras de Tóquio, ao contrário das 
demais Convenções, voltam-se à criminalidade juvenil, como veremos a seguir. 
Clique nos botões para ver as informações. 
Regras de Beijing 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-01
Diretrizes de Riad 
Regras de Tóquio 
Como se pode perceber, as Regras de Beijing, as Diretrizes de Riad e as Regras 
de Tóquio compõem a Doutrina das Nações Unidas para a Proteção Integral à 
Infância, pois estas Regras constituíram os primeiros pilares do Sistema de 
Justiça da Infância e da Juventude pautado na especialidade e na garantia de 
direitos. 
Ainda falando em proteção dos direitos humanos das crianças, deve-se 
mencionar a Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das 
Nações Unidas (ONU), de 1989, abordada no tópico seguinte. 
Atividade 
2. No plano internacional, as Regras Mínimas para a Administração da Justiça, 
da Infância e da Juventude referem-se a qual instrumento jurídico? 
a) Regras de Riad. 
b) Regras de Beijing. 
c) Convenção Internacional Sobre os Direitos da Criança de 1989. 
d) Declaração Universal dos Direitos da Criança de 1959. 
e) Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. 
 
Gabarito Comentado 
Convenção sobre os direitos da 
criança de 1989 
Adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1989, e vigente desde 
1990, este tratado internacional de proteção dos direitos humanos possui apenas 
54 artigos e se destaca dos anteriores pelo fato de ter sido ratificado por todos os 
países-membros, com exceção dos Estados Unidos, da Somália e do Sudão do 
Sul. 
Os direitos previstos na Convenção sobre os Direitos as Criança incluem: 
 
1 
Direito à vida e à proteção contra a pena capital. 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-02
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-03
2 
Direito a ter uma nacionalidade. 
 
3 
Direito à proteção ante a separação dos pais. 
 
4 
Direito de deixar qualquer país e de entrar em seu próprio país. 
 
5 
Direito de entrar em qualquer Estado e sair dele, para fins de reunião familiar. 
 
6 
Direito à proteção para não ser levada ilicitamente ao exterior. 
 
7 
Direito à proteção de seus interesses no caso de adoção. 
 
8 
Direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. 
 
9 
Direito de acesso a serviços de saúde, devendo o Estado reduzir a mortalidade 
infantil e abolir práticas tradicionais prejudiciais à saúde. 
 
10 
Direito a um nível adequado de vida e segurança social. 
 
11 
Direito à educação, devendo os Estados oferecer educação primária compulsória 
e gratuita. 
 
12 
Direito à proteção contra a exploração econômica, com fixação de idade mínima 
para admissão em emprego. 
 
13 
Direito à proteção contra o envolvimento na produção, tráfico e uso de drogas e 
substâncias psicotrópicas. 
 
14 
Direito à proteção contra a exploração e o abuso sexual. 
Nos termos do Art. 1 dessa Convenção, a criança é definida como: 
"Todo ser humano com menos de 
dezoito anos de idade, a não ser que, 
em conformidade com a lei aplicável, a 
maioridade seja alcançada antes." 
- Convenção sobre os direitos da criança. 
Esse importante tratado recepciona, portanto, a concepção do desenvolvimento 
integral da criança, reconhecendo assim sua absoluta prioridade e necessidade de 
proteção integral. 
A Convenção sobre os Direitos da Criança foi promulgada no Brasil pelo 
Decreto nº 99.710, de 21 de novembro de 1990, ou seja, depois da vigência do 
Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Complementando e fortalecendo o rol de medidas protetivas à criança e ao 
adolescente, as Nações Unidas adotou dois Protocolos Facultativos à Convenção 
sobre os Direitos da Criança, por meio da Resolução A/RES/54/263 da 
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Assembleia Geral: o Protocolo Facultativo sobre Venda de Crianças, 
Prostituição Infantil e Pornografia Infantil, passando a vigorar em 18.01.2002, 
sendo aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, por meio do Decreto 
Legislativo nº 230/2003, e promulgado pelo Decreto nº 5.007/2004; e o 
Protocolo Facultativo sobre o Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados, 
o qual passou a vigorar em 12.02.2002. 
Aula 2: Estatuto da Criança e do 
Adolescente: disposições 
preliminares 
Apresentação 
Iniciaremos os estudos sobre o tratamento jurídico conferido à criança e ao 
adolescente ao longo do tempo no cenário nacional. Trataremos, ainda, da 
doutrina da proteção integral, esclarecendo os principais pontos desta. 
Compreenderemos a utilização inicial do termo menor, a partir do primeiro 
Código de Menores, bem como a evolução dessa designação até ser empregada 
no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Definiremos criança e 
adolescente, e demonstraremos como estes são sujeitos de direitos fundamentais. 
Finalizando, conheceremos a importância do critério de interpretação do ECA. 
Objetivos 
• Descrever a evolução do tratamento jurídico conferido à criança e ao 
adolescente; 
• Explicar a doutrina da proteção integral; 
• Esclarecer a utilização da designação “menor”, a definição de criança e 
adolescente e o critério de interpretação do ECA. 
Disposições preliminares 
 
Fonte: //www.engemed.med.br/ 
javascript:void(0);
 
Ao longo da história jurídica, nem sempre as crianças e os adolescentes 
receberam um tratamento diferenciado por serem pessoas em pleno 
desenvolvimento. No Brasil, já houve um tempo em que a condição de seres em 
processo de formação física e psicológica não conferia a crianças e adolescentes 
a titularidade de direitos humanos, diferentemente do que acontece hoje. 
Como se deu, portanto, a evolução do 
tratamento jurídico conferido à 
criança e ao adolescente? 
Como ambos se tornaram sujeitos de 
direitos fundamentais? 
Veremos isso a seguir. Acompanhe. 
Evolução do tratamento jurídico 
conferido à criança e ao adolescente 
como sujeitos de direitos 
fundamentais 
A criança nem sempre foi vista e respeitada, no Brasil, como um ser detentor de 
direitos especiais e específicos, pela condição de pessoa em desenvolvimento. 
Ela era vista, podemos dizer, como um mini-adulto, sem proteção especial. 
Na sociedade contemporânea, as crianças ganharam mais espaço. A evolução do 
tratamento da criança e do adolescente, pelo mundo jurídico, pode ser resumida 
em quatro fases, como bem ressalta Garrido de Paula: 
“Fase da absoluta indiferença, em que não 
existiam normas relacionadas a essas pessoas;” 
“Fase da mera imputação criminal, em que as 
leis tinham o único propósito de coibir a prática 
de ilícitos por aquelas pessoas (Ordenações 
Afonsinas e Filipinas, Código Criminal do 
Império de 1830, Código Penal de 1890);” 
“Fase tutelar, conferindo-se ao mundo adulto 
poderes para promover a integração sócio 
familiar da criança, com tutela reflexa de seus 
interesses pessoais (Código Mello Mattos, de 
1927 e Código de Menores, de 1979);” 
“Fase da proteção integral, em que as leis 
reconhecem direitos e garantias às crianças, 
considerando-as como uma pessoa em 
desenvolvimento (Estatuto da Criança e do 
Adolescente - Lei nº 8.069/1990).” 
(GARRIDODE PAULA, 2002, p. 26) 
No cenário nacional foi longa a jornada em busca de uma proteção integral à 
criança. No Brasil colonial não havia qualquer proteção especial para a criança, 
a qual não era percebida como sujeito de direito. Nesse sentido, assevera 
Alberton (2005, p. 25) que: 
“as crianças, eram chamadas de ‘grumetes’, 
tinham expectativa de vida muito baixa, até por 
volta dos 14 anos; (...) as crianças eram 
consideradas um pouco mais do que animais, e 
por isso usavam sua força de trabalho que 
acreditavam ser necessário.” 
Em 1927, no Brasil, foi publicado o primeiro Código de Menores sendo 
direcionado às crianças expostas e às crianças abandonadas. O documento 
tratava não apenas da culpabilidade e da responsabilidade, mas também 
declarava como menor aquelas crianças e adolescentes identificadas como 
sujeitos em situação de vulnerabilidade e infração. Essa designação estava em 
consonância com o desenvolvimento intelectual, identificando que menores 
seriam aqueles com idade inferior a 18 anos. Na época, a responsabilidade sobre 
os menores ainda era inerente ao Estado, competindo a este estabelecer medidas 
repressivas e formas de se evitar a delinquência. 
Outro destaque inerente ao Código de Menores é que a punição perdeu a natureza 
punitiva passando a ser percebida como de natureza pedagógica, havendo a 
mudança da sanção-castigo para sanção-educação. Pela primeira vez se 
identificava o caráter assistencial voltado às crianças e aos adolescentes 
brasileiros; porém, a doutrina adotada ainda era a doutrina da Situação Irregular, 
resultado do Código Civil de 1916, conhecido como normatização voltada aos 
direitos dos maiores, de modo que as crianças e adolescentes não eram, portanto, 
percebidos como sujeitos de direitos. 
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Posteriormente, a Constituição de 1934 trouxe em seu texto questões pertinentes 
à criança e ao adolescente impedindo, por exemplo, o trabalho noturno realizado 
por menores de 16 anos de idade. A Constituição de 1937 trouxe em seu texto 
uma amplitude acerca da proteção da criança referindo que a infância e a 
juventude são objetos de cuidado e garantias especiais por parte do Estado e dos 
municípios, devendo ser garantido a elas o acesso ao ensino público e gratuito. 
“Art. 127. A infância e a juventude devem ser 
objeto de cuidados e garantias especiais por 
parte do Estado que tomara todas as medidas 
destinadas a assegurar-lhes condições físicas e 
morais de vida sã e de harmonioso 
desenvolvimento das suas faculdades. O 
abandono moral e intelectual ou físico da 
infância e da juventude importará falta grave 
dos responsáveis por sua guarda e educação, e 
cria ao Estado o dever de provê-las do conforto 
e dos cuidados indispensáveis à preservação 
física e moral. Aos pais miseráveis assiste o 
direito de invocar o auxílio e proteção do 
Estado para a subsistência e educação da sua 
prole.” 
(BRASIL, 1937) 
• Em 1979 
Foi publicado o novo Código de Menores (Lei nº 6.697/79), 
substituindo o código anterior, mas mantendo a natureza 
repressiva e assistencialista, fazendo menção ao menor em 
situação irregular, ou seja, os menores de 18 anos de idade que 
tivessem cometido alguma conduta infracional, ou que 
tivessem sofrido maus-tratos, ou que estivessem abandonados. 
Ao Juiz de Menores era concedido o poder de decidir o destino 
das crianças, permitindo tratamentos discricionários e 
julgamentos baseados na situação irregular. 
• Na década de 1980 
que se deu mais ênfase à preocupação com a proteção de 
crianças e adolescentes. O texto constitucional de 1988 trouxe 
uma gama de garantias dos direitos desse grupo especial, 
atribuindo não apenas ao Estado, mas também à família e à 
sociedade a responsabilidade de assegurar a efetividade de tais 
direitos. Foi com a Constituição de 1988 que se adotou a 
proteção integral da criança, “a população infanto-juvenil deixa 
de ser tutoria/discriminatória para tornar-se sujeito de direitos” 
(BRUÑOL, 2001, p. 39). 
“Art. 227. É dever da família, da sociedade e do 
Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao 
jovem, com absoluta prioridade, o direito à 
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao 
lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à 
convivência familiar e comunitária, além de 
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade 
e opressão.” 
(BRASIL, 1988) 
A mudança ocorrida no tratamento da criança e do adolescente a partir da 
Constituição de 1988, adotando a teoria da proteção integral, possibilitou o 
surgimento de um tratamento jurídico específico para esse grupo especial: 
o ECA, Lei nº 8.069/1990, pautado no disposto no inciso XV, do art. 24, da 
Constituição Federal de 1988, e inspirado nas normas internacionais de direitos 
humanos, tais como a Declaração Universal de Direitos Humanos, a Declaração 
Universal dos Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos da Criança. 
 O ECA surge com uma nova 
proposta de proteção e efetividade 
dos direitos das crianças e dos 
adolescentes impondo mudanças nas 
políticas públicas voltadas ao 
tratamento destes, percebidos, então, 
como sujeitos de direitos. 
Doutrina da Proteção Integral da 
criança e do adolescente 
O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão 
brasileiro que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as 
exigências físicas até o aprimoramento moral e espiritual. 
Nesse contexto moderno, com visão mais humana e amparada por um conjunto 
de princípios e regras que regem diversos aspectos da vida, desde o nascimento 
até a maioridade, a Lei nº 8.069/1990, estabelece a necessidade de proteção 
integral registrando em seu artigo 1º que “Esta Lei dispõe sobre a proteção 
integral à criança e ao adolescente”; abandonando, por conseguinte, a Doutrina 
da Situação Irregular para adotar a Doutrina da Proteção Integral. 
 
Fonte: Por ProStockStudio / Shutterstock. 
Por proteção integral, entende-se o conjunto amplo de mecanismos jurídicos 
voltados à tutela da criança e do adolescente, tendo ligação com o princípio do 
melhor interesse infanto-juvenil, considerando que a criança e o adolescente são 
sujeitos de direitos em relação à família, ao Estado e à sociedade. A Doutrina da 
Proteção Integral pondera, ainda, que a criança e o adolescente são pessoas que 
estão em desenvolvimento físico, o que lhes torna especiais frente aos adultos no 
sentido de necessitarem de estruturações especiais e diversas para atendê-los. 
O ECA deve ser interpretado e aplicado com foco nos fins sociais a que se 
destina, uma vez que, na verdade, em situação irregular estão as famílias, que 
carecem de infraestrutura e que abandonam as crianças. Os pais descumprem os 
deveres do poder familiar; o Estado não cumpre as políticas sociais básicas. 
 Fonte: Por gst / Shutterstock. 
 
Dessa forma, o ECA está voltado para o desenvolvimento da população infanto-
juvenil do país, garantindo proteção especial a este segmento considerado como 
pessoas em desenvolvimento, não tendo a percepção apenas repressora e 
punitiva característica do Código de Menores – este, nitidamente de natureza 
judicial –, mas sim uma percepção pedagógica norteada de medidas 
socioeducativas e protetivas, buscando sempre a ressocialização da criança e do 
adolescente. 
Afirmando que apenas por meio da educação, do tratamento e da prevenção é 
que se terá uma redução da delinquência juvenil, diversos órgãos foram criados 
com a intenção de implementar o ECA e efetivar os direitos das crianças e 
adolescentes, como os Conselhos de Direitos, os Conselhos Tutelares, os Fundos 
da Criança, bem como a ação civil pública para a responsabilização de 
autoridades que, por ação ou omissão, descumprirem o estatuto. 
Atenção 
É relevante ressaltar, por fim, que o ECA rompe com a barreira da situação 
irregular resguardada noCódigo de Menores, pois os direitos assegurados não 
estão direcionados apenas àqueles que se encontram em situação irregular, mas 
sim a toda e qualquer criança, todo e qualquer adolescente, independentemente 
da situação em que se encontre, pois todos são sujeitos de direitos 
Menor, criança e adolescente 
Na concepção técnica jurídica, a expressão 
“menor” designa aquela pessoa que não 
atingiu ainda a maioridade, ou seja, os 18 
anos de idade, não lhe sendo atribuída a 
imputabilidade penal, nos termos do art. 104 
do ECA e do art. 27 do Código Penal. 
 Fonte: Por Tasty_Cat / Shutterstock. 
 
Por outro lado, a palavra menor utilizada pelo Código de Menores, era sinônimo 
de pessoa carente, abandonada, delinquente, infratora, pivete, ou seja, a pessoa 
estigmatizada como sendo um indivíduo em situação irregular. Isso estava em 
conformidade com a doutrina da época, a Doutrina da Situação Irregular, a qual 
acabou por provocar o preconceito e a marginalização, gerando até mesmo 
traumas nos sujeitos. 
Voltado para a proteção integral dos infantes e dos jovens respeitando as 
peculiaridades de seu desenvolvimento e condições de amadurecimento, o 
legislador considerou ser mais adequado substituir o termo menor cuja 
conotação era pejorativa para a criança e o adolescente. 
O ECA tem como objetivo distinguir o atendimento socioeducativo, pela 
definição dos conceitos de criança e adolescente, fundado no aspecto da idade, 
não levando em consideração sua condição social ou econômica, ponderando 
apenas o processo de desenvolvimento físico e intelectual em que estão tais 
indivíduos. Dessa forma, conforme previsto no artigo 2º, criança é toda pessoa 
até doze anos de idade incompletos. Já adolescente é aquele que estiver entre os 
doze e os dezoito anos de idade. 
A distinção entre criança e adolescente tem importância em diversos aspectos, 
entre eles na aplicação de medidas socioeducativas quando da prática de um ato 
infracional, pois, para a criança, não será aplicada qualquer medida 
socioeducativa, mas de proteção. As medidas socioeducativas serão aplicadas 
somente aos adolescentes, conforme previsto pelo artigo 105 do ECA. 
Exemplo 
Outro exemplo que ressalta a importância da distinção entre crianças e 
adolescentes é a Lei nº 13.257/2016 que dispõe políticas públicas e estabelece 
princípios e diretrizes para a formulação e a implementação de políticas públicas 
para a primeira infância, ou seja, os primeiros 06 anos de vida. 
É relevante ressaltar que o ECA, no artigo 2º, em seu parágrafo único, permite 
que o atendimento aos adolescentes ultrapasse o limite dos 18 anos de idade em 
situações excepcionais. Isso ocorre em face da hipótese da maioridade civil, 
pois, à época da entrada em vigor do estatuto, estava vigente o antigo Código 
Civil, a Lei nº 3.071/1916. Com a chegada do novo Código Civil em 2002, 
a Lei nº 10.406/2002, foi alterada a maioridade civil, sendo esta reduzida para 
18 anos de idade (CC, art. 5º, caput). 
É possível, dessa forma, o atendimento aos adolescentes que tenham mais de 18 
anos de idade, por exemplo, a possibilidade de adoção de maior de 18 anos, nas 
hipóteses em que o adotando já se encontre sob os cuidados e a guarda dos 
adotantes, conforme previsto no artigo 40 do ECA, ou quando, por exemplo, é 
autorizada a aplicação e o cumprimento de medida socioeducativa de internação 
até os 21 anos de idade, conforme previsto no artigo 121, parágrafo 5º do mesmo 
estatuto. 
Atenção 
É importante destacar a Lei nº 13.431/2017, que estabeleceu o sistema de 
garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de 
violência. Ela cria mecanismos para prevenir e coibir a violência e dispõe sobre 
a hipótese de aplicação excepcional de seus preceitos para as pessoas entre 18 e 
21 anos: 
“Art. 3. Na aplicação e interpretação desta lei 
serão considerados os fins sociais a que ela se 
destina e, especialmente, as condições 
peculiares da criança e do adolescente como 
pessoas em desenvolvimento, às quais o 
Estado, a família e a sociedade devem assegurar 
a fruição dos direitos fundamentais com 
absoluta prioridade.” 
“Parágrafo único. A aplicação desta lei é 
facultativa para as vítimas e testemunhas de 
violência entre 18 (dezoito) e 21 (vinte e um) 
anos, conforme disposto no parágrafo único do 
art. 2º da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 
(Estatuto da Criança e do Adolescente).” 
(BRASIL, 2017) 
Sendo assim, o jovem terá um tratamento diferenciado, como escuta e 
depoimento especiais, visando oferecer a ele um sistema que lhe proteja os 
direitos de maneira mais eficaz, mesmo que a apuração da violência ocorra 
depois de a vítima ou testemunha ter atingido a maioridade. 
Criança e adolescente como sujeitos 
de direitos fundamentais 
Os direitos fundamentais da criança e do adolescente estão previstos no ECA, a 
partir do artigo 7º, os quais, pela leitura do Livro, depreendemos que são os 
mesmos direitos de qualquer pessoa humana. No entanto, por se tratarem de 
pessoas em desenvolvimento, deverão ter oportunidades que potencializem o seu 
estado físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e 
dignidade. Conforme o disposto no artigo 3º do ECA, incluído pela Lei nº 
13.257/2016: 
“Art. 3º. A criança e o adolescente gozam de 
todos os direitos fundamentais inerentes à 
pessoa humana, sem prejuízo da proteção 
integral de que trata esta Lei, assegurando-se-
lhes, por lei ou por outros meios, todas as 
oportunidades e facilidades, a fim de lhes 
facultar o desenvolvimento físico, mental, 
moral, espiritual e social, em condições de 
liberdade e de dignidade.” 
“Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta 
Lei aplicam-se a todas as crianças e 
adolescentes, sem discriminação de nascimento, 
situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou 
cor, religião ou crença, deficiência, condição 
pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, 
condição econômica, ambiente social, região e 
local de moradia ou outra condição que 
diferencie as pessoas, as famílias ou a 
comunidade em que vivem.” 
(BRASIL, 2016) 
Em consonância com o previsto no artigo descrito, podemos estabelecer três 
princípios básicos que norteiam a proteção dos direitos fundamentais da criança 
e do adolescente, resguardando a situação de sujeitos de direito deles. São eles: 
 
A 
A criança e os adolescentes gozam de todos os direitos fundamentais 
assegurados a toda pessoa humana; 
 
B 
Possuem direito à proteção integral; 
 
C 
A eles são garantidos todos os instrumentos necessários para assegurar seu 
desenvolvimento físico, mental, moral e espiritual, em condições de liberdade e 
dignidade. 
Adotando a Doutrina de Proteção Integral, que atribui a função de resguardar a 
criança e o adolescente não apenas ao Estado mas também à família e à própria 
sociedade, e seguindo a orientação do texto constitucional (art. 227, CF/1988), o 
ECA mantém tal diretriz de forma expressa estabelecendo que, primeiramente, a 
família e, supletivamente, o Estado e a sociedade têm o dever de assegurar, com 
absoluta prioridade, a efetivação dos direitos fundamentais. Deixa claro que não 
é suficiente que um órgão ou entidade se encarregue de tal função; é necessário 
que haja um esforço conjunto, uma atuação articulada entre família, Estado e 
sociedade: 
“Art. 4º. É dever da família, da comunidade, da 
sociedade em geral e do poder público 
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação 
dos direitos referentes à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao 
respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária. 
Parágrafo único. A garantia de prioridade 
compreende: 
a) primazia de receber proteção e socorro em 
quaisquer circunstâncias; 
b) precedência de atendimento nos serviços 
públicos ou de relevância pública; 
c) preferência na formulação e na execuçãodas 
políticas sociais públicas; 
d) destinação privilegiada de recursos públicos 
nas áreas relacionadas com a proteção à 
infância e à juventude.” 
(BRASIL, 1990) 
Atenção 
É importante ressaltar que o ECA destaca, em primeiro lugar, a participação da 
família como forma de resguardar a criança e o adolescente, pois se entende que 
antes de qualquer outro órgão, a família é responsável por todo o trabalho 
desenvolvido em benefício das crianças e dos adolescentes, pela proteção e 
segurança destes. 
No artigo 19 do ECA é enfatizado novamente o convívio não apenas com a 
família, mas com a comunidade, agora como direito; registrando expressamente 
que “Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da 
sua família e excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência 
familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral”. 
Nota-se, por conseguinte, a preocupação não apenas com relação ao jovem 
infrator, como ocorria nos códigos anteriores (Código de Menores), mas 
efetivamente com o ser humano criança e com o ser humano adolescente. 
Digiácomo e Digiácomo referem-se à garantia de prioridade prevista no 
parágrafo único do artigo 4º, que deverá ser promovida e fiscalizada pelo 
Ministério Público, do seguinte modo: 
“[...] o princípio da prioridade absoluta à 
criança e ao adolescente deve nortear a atuação 
de todos, em especial do Poder Público, para 
defesa/promoção dos direitos assegurados a 
crianças e adolescentes. A clareza do 
dispositivo em determinar que crianças e 
adolescentes não apenas recebam uma atenção 
e um tratamento prioritários por parte da 
família, sociedade e, acima de tudo, do Poder 
Público, mas que esta prioridade seja absoluta 
(ou seja, antes e acima de qualquer outra), 
somada à regra básica de hermenêutica, 
segundo a qual “a lei não contém palavras 
inúteis”, não dá margem para qualquer dúvida 
acerca da área que deve ser atendida em 
primeiríssimo lugar pelas políticas públicas e 
ações de governo. O dispositivo, portanto, 
estabelece um verdadeiro comando normativo 
dirigido em especial ao administrador público, 
que em suas metas e ações não tem alternativa 
outra além de priorizar – e de forma absoluta – 
a área infanto-juvenil, como vem sendo 
reconhecido de forma reiterada por nossos 
Tribunais (exemplos dessa jurisprudência se 
encontram compilados ao longo da presente 
obra).” 
(DIGIÁCOMO; DIGIÁCOMO, 2017) 
A destinação privilegiada dos recursos públicos nas áreas relacionadas com a 
proteção à infância e à juventude está assegurada no próprio ECA por meio dos 
artigos 59, 87, 88 e artigo 261, parágrafo único. 
Voltado à proteção da criança e do adolescente, o ECA estabelece ainda, em seu 
artigo 5º, que é dever de todos a função de velar por direitos das crianças e 
adolescentes, impedindo que sejam submetidos a negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão: 
“Art. 5º. Nenhuma criança ou adolescente será 
objeto de qualquer forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade 
e opressão, punido na forma da lei qualquer 
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos 
fundamentais.” 
(BRASIL, 1990) 
Tal previsão não faz diferenciação diante da ação ou da omissão. Não é 
relevante de que forma a conduta ocorreu, de modo que, em ambas as situações, 
o indivíduo deverá ser punido, pois o objetivo primordial é resguardar os direitos 
fundamentais da criança e do adolescente afirmando o princípio da proteção 
integral destes, bem como o princípio da prioridade absoluta. 
Como já foi dito anteriormente, as crianças e os adolescentes possuem os 
mesmos direitos fundamentais que qualquer outra pessoa, ou seja, possuem 
direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer, à liberdade, entre outros, ressalvado 
o fato de serem pessoas em desenvolvimento. Ciente de tal situação especial, o 
ECA registra, no artigo 15, um tópico destinado ao direito à liberdade e ao 
respeito, a saber: “A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito 
e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como 
sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas 
leis” (BRASIL, 1990). 
Como se observa, o ECA enfatiza novamente que se está tratando não de objetos 
de proteção, mas de sujeitos de direitos e, como tal, devem ser tratados e 
respeitados, ressaltando o princípio da dignidade humana previsto pela 
Declaração Universal dos Direitos do Homem e consagrado universalmente. 
Como bem ressalta o artigo transcrito anteriormente, à criança e ao adolescente 
são destinados não apenas os direitos humanos fundamentais, mas também os 
direitos civis e sociais, de tal forma que a violação de tais direitos repercutirá em 
sanções legais, para mera exemplificação. Vejamos a decisão acerca do 
abandono paterno: 
“INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS. 
RELAÇÃO PATERNO-FILIAL. PRINCÍPIO 
DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. 
PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE. A dor 
sofrida pelo filho, em virtude do abandono 
paterno, que o privou do direito à convivência, 
ao amparo afetivo, moral e psíquico, deve ser 
indenizável, com fulcro no princípio da 
dignidade da pessoa humana.” 
(TA/MG. 7ª C. Civ. Ap. Civ. n° 408.550-5. Rel. Juiz Unias Silva. J. em 01/04/2004) 
A relação de paternidade não é apenas um direito do pai, mas da criança e do 
adolescente, devendo-lhes ser, portanto, assegurado. O descumprimento de tal 
direito importará a possibilidade de ação judicial e a respectiva indenização, 
ainda que não se tenha por interesse tornar patrimonial o sentimento, a relação 
entre pai e filho. O que se pretende em si é aplicar uma sanção ao 
descumprimento do direito inerente à criança e ao adolescente. 
Critério de interpretação do estatuto 
Quando se fala em Estatuto da Criança e do Adolescente, em hipótese alguma 
poderá a interpretação da norma ocorrer de modo a prejudicar a criança ou o 
adolescente – e não poderia ser diferente, uma vez que são os destinatários da 
Doutrina de Proteção Integral adotada pela legislação específica. 
O ECA, em seu artigo 6º, inspirado no artigo 5º da Lei de Introdução às 
Normas do Direito Brasileiro (BRASIL, 1942), estabelece que a lei deverá ser 
interpretada considerando-se “os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do 
bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar 
da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento” (BRASIL, 
1990). Nesse sentido, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal: 
“ESTATUTO DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE – INTERPRETAÇÃO. O 
Estatuto da Criança e do Adolescente há de ser 
interpretado dando-se ênfase ao objetivo 
visado, ou seja, a proteção e a integração do 
menor no convívio familiar e comunitário, 
preservando-se-lhe, tanto quanto possível, a 
liberdade. Estatuto da Criança e do Adolescente 
– segregação. O ato de segregação, projetando-
se no tempo medida de internação do menor, 
surge excepcional, somente se fazendo 
alicerçado uma vez atendidos os requisitos do 
artigo 121 da Lei nº 8.069/90.” 
(STF. 1ª T. HC nº 88945/SP. Rel. Min. Marco Aurélio Melo. J. em 04/03/2008). 
Dessa forma, podemos afirmar que, ao interpretar o ECA, sempre será 
priorizado o fim social ligado à proteção integral da criança e do adolescente, 
sobrepondo-se a qualquer outro bem ou interesse judicialmente tutelado, 
levando em conta a destinação social da lei e a condição de pessoas em 
desenvolvimento. 
Saiba mais 
Negligência deriva do latim negligentia e significa desatenção, desleixo. É um 
ato omissivo, por exemplo, a falta de cuidados pelo responsável legal. 
Discriminação é a segregação, a diferenciação, seja por motivos relacionados a 
etnia, religião, gênero, orientação sexual, nacionalidade etc., por exemplo, 
quando não se quer proximidade com criança ou adolescente em razão da cor 
deles. 
Exploração é a forma de extrairde modo irregular algum proveito da conduta 
da criança ou do adolescente, como ocorre, por exemplo, com os denominados 
“pais de rua”, os quais colocam os filhos para pedir esmolas nos semáforos. 
Violência, crueldade e opressão são condutas coercitivas contra o adolescente, 
causando-lhe dor e sofrimento. 
Cabe dano moral para criança de 3 anos? 
A Ministra Nancy Andrighi do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no 
julgamento do Recurso Especial de nº 107.775-9, em 23 de fevereiro de 2010, 
citando o art. 3º do ECA, reconheceu que as crianças e os adolescentes possuem 
o mesmo direito que a pessoa humana adulta, e assim fixou uma indenização no 
valor de R$ 4.000,00 a uma criança de três anos em razão de deficiência na 
prestação do serviço médico e recusa na feitura do exame radiológico (Resp. 
103.775-9, j. 23-2-2010). 
Atenção 
Nas comunidades indígenas, não é comum a utilização da 
expressão adolescente. 
Em relação às crianças e adolescentes indígenas, o Conselho Nacional dos 
Direitos da Criança baixou, em 2003, a Resolução 91, regulamentando a 
aplicação do ECA para eles, devendo ser observadas as peculiaridades 
socioculturais das comunidades indígenas, em consonância com o art. 231 da CF 
(BRASIL, 1988). 
Ocorre que o índio, ao passar pela puberdade e pelo seu respectivo “ritual de 
passagem”, deixa de ser criança e é considerado um adulto. 
O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão brasileiro 
que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as exigências 
físicas até o aprimoramento moral e religioso. 
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O ECA adota, por conseguinte, a teoria de Proteção Integral, definindo que a 
função de resguardar a criança e o adolescente não é apenas uma função do 
Estado, mas também da família e da própria sociedade. Seguindo a orientação 
constitucional, o estatuto mantém a mesma diretriz de forma expressa 
estabelecendo que, primeiramente, a família e, supletivamente, o Estado e a 
sociedade têm o dever de assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos 
direitos fundamentais. 
Deixa claro que não é suficiente que um órgão ou entidade se encarregue de 
tal função, é necessário que haja um esforço conjunto, uma atuação 
articulada entre família, Estado e sociedade. 
Atividade 
1. O artigo 4º da Lei Federal nº 8.069/90, ECA, estabelece que é dever da 
família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, 
com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária e, em 
seu parágrafo único, esclarece que a garantia de prioridade compreende, além de 
outras, a: 
a) Primazia na destinação de recursos voltados à proteção e ao socorro nas instituições 
públicas. 
b) Primazia na destinação de recursos para atendimento emergencial exclusivamente no 
sistema público de saúde. 
c) Primazia na formulação e na execução das políticas públicas voltadas ao esporte. 
d) Destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à 
infância e à juventude. 
e) Destinação privilegiada de recursos materiais e financeiros voltados ao atendimento 
em instituições particulares especializadas. 
 
Gabarito comentado 
2. O ECA, em vigor no Brasil a partir da Lei nº 8.069, desde 1990, dispõe sobre 
a atenção integral à criança e ao adolescente. De acordo com tal estatuto, 
assinale a alternativa correta: 
a) É considerada adolescente a pessoa entre 14 e 18 anos. 
b) É considerada adolescente a pessoa a partir dos 15 anos de idade completos. 
c) É considerada criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos. 
d) É considerada adolescente a pessoa a partir dos 13 anos. 
e) É considerada criança a pessoa até 12 anos completos. 
 
Gabarito comentado 
3. Assinale V (Verdadeiro) ou F (Falso) para as assertivas a seguir: 
a) O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão 
brasileiro que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as 
exigências físicas até o aprimoramento moral e espiritual. 
VerdadeiroFalso 
b) Devemos entender por proteção integral o conjunto amplo de mecanismos 
jurídicos voltados à tutela da criança e do adolescente, não tendo ligação com o 
princípio do melhor interesse infanto-juvenil. 
VerdadeiroFalso 
c) Criança é aquela pessoa com 12 anos incompletos; adolescente, dos 12 anos 
completos aos 18 anos incompletos. 
VerdadeiroFalso 
d) O ECA está voltado para o desenvolvimento da população infanto-juvenil do 
país, garantindo proteção especial a este segmento considerado composto por 
pessoas em desenvolvimento. 
VerdadeiroFalso 
 
Gabarito comentado 
4. Julgue certo ou errado o item subsecutivo acerca do ECA. 
“O poder público, a família, a sociedade e a comunidade devem garantir a 
efetivação dos direitos da criança e do adolescente”. 
 
Aula 3: Dos direitos fundamentais da 
criança e do adolescente 
Apresentação 
Iniciaremos os estudos sobre os direitos fundamentais da criança e do 
adolescente, como o direito à vida e à saúde, o direito à liberdade, ao respeito 
e à dignidade, o direito à convivência familiar e à comunitária, o direito à 
educação, à cultura, ao esporte e ao lazer, o direito à profissionalização e à 
proteção no trabalho, compreendendo que tais indivíduos em formação são 
sujeitos de direitos básicos. A condição de pessoas em desenvolvimento desse 
grupo especial o torna detentor de oportunidades e faculdades que 
potencializam seu estado físico, mental, moral, espiritual e social, em 
condições de liberdade e dignidade. 
Objetivos 
• Descrever os direitos fundamentais da criança e do adolescente; 
• Reconhecer que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos 
fundamentais; 
• Demonstrar que a criança e o adolescente são detentores de 
oportunidades e faculdades que potencializam o estado físico, mental, 
moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. 
Direitos e garantias fundamentais da 
criança e do adolescente 
Já sabemos que as crianças e os adolescentes foram reconhecidos, pela 
Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, pelo Estatuto da Criança e do 
Adolescente de 1990, como sujeitos de direitos humanos fundamentais e, 
consequentemente, passaram a receber um tratamento jurídico diferenciado. 
Mas quais são os direitos devidos a esse grupo especial de seres em 
desenvolvimento? 
Eles são os mesmos direitos de qualquer pessoa humana, a começar pelo 
direito à vida, pois, sem ela, todos os outros direitos não fazem sentido. 
Discutiremos, a seguir, os direitos fundamentais a que crianças e adolescentes 
fazem jus, esclarecendo os principais pontos de cada um deles. Acompanhe. 
 (Fonte: howcolour / Shutterstock) 
 
Dos direitos fundamentais 
Recepcionando a Doutrina da Proteção Integral, a Constituição da 
República Federativa do Brasil (CF), promulgada em 5 de outubro de 1988, 
passou a atribuir uma gama de garantias e direitos à criança e ao adolescente, 
corroborando a teoria de que são sujeitos de direitos. O artigo 227 faz 
referência expressa aos direitos considerados fundamentais, os quais, portanto, 
não podem ser suprimidos ou desconsiderados por qualquer indivíduo ou pelo 
Poder Público: 
"Art. 227. É dever da família, da 
sociedade e do Estado assegurar à 
criança, ao adolescente e jovem, com 
absoluta prioridade, o direito à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao 
lazer, à profissionalização, à cultura, à 
dignidade, ao respeito, à liberdade e à 
convivência familiar e comunitária, 
além de colocá-los a salvo de toda 
forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e 
opressão." 
- Brasil, 2008-B. 
Os direitos descritos no artigo 227 da CF são de caráter prestacional, ou seja, 
os pais ou responsáveis, a sociedade e o Poder Público têm o dever de prestá-los. Eles foram recepcionados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente 
(ECA) de tal forma que: 
Do art. 7º ao art. 14º 
Estão previstos o direito à vida e à saúde. 
Do art. 15º ao art. 18º 
Estão previstos os direitos relacionados à liberdade, ao respeito e à dignidade 
humana. 
Do art. 19º ao art. 52º 
Estão previstos os direitos relativos ao direito à convivência familiar e 
comunitária. 
Artigo 59º 
Estão previstos os pontos relativo à cultura, ao esporte e ao lazer. 
Do art. 60º ao art. 69º 
Estão previstos os direitos relativos à profissionalização e ao trabalho. 
Direito à vida e à saúde 
Dentre os direitos fundamentais protegidos e assegurados pela lei, o direito à 
vida destaca-se pela importância, pois não seria possível tratar de qualquer 
outro tipo de tutela de direitos ou princípios e regras sem a existência da vida 
humana. 
Com ele, desponta o direito à saúde, pois não há sentido em defender o direito 
à vida sem que haja saúde. Para tanto, o referido artigo obriga o Poder 
Público, nas esferas federal, estadual e municipal, a reservar parte do 
orçamento à aplicação de ações com vistas ao atendimento do bem coletivo. 
 (Fonte: yavyav / Shutterstock) 
 
 (Fonte: Serhii Bobyk / Shutterstock) 
 
As medidas protetivas não se destinam apenas às crianças e aos adolescentes, 
mas também àquele que ainda vai nascer, passando, por conseguinte, pelo 
cuidado com a gestante e o atendimento hospitalar. 
Desse modo, a redação das Leis nº 13.257/2016 e nº 13.798/2019 garante o 
acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento 
reprodutivo. Institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na 
Adolescência, objetivando difundir informações sobre medidas preventivas e 
educativas que permitam a redução da gravidez juvenil. 
Da mesma maneira, o ECA determina que o Estado e os empregadores da 
iniciativa privada têm o dever de proporcionar condições adequadas para o 
aleitamento materno (art. 9º). O direito ao aleitamento está previsto inclusive 
na Consolidação dos Direitos Trabalhistas, a qual, em seu artigo 396, prevê 
o direito de aleitamento à empregada, bem como às mães que estejam 
cumprindo medida socioeducativa de privação de liberdade, conforme o artigo 
63 §2º da Lei nº 12.594/2012, que cria o Sistema Nacional de Atendimento 
Socioeducativo (SINASE). 
 (Fonte: ESB Professional / Shutterstock) 
 
Recuperação da criança e do adolescente 
internados 
Assegurar condições adequadas para a recuperação da criança e do 
adolescente internados também é tema do ECA. Este determina que as 
instituições hospitalares devam proporcionar condições aos pais ou 
responsável, para que permaneçam com a criança ou o adolescente internado 
em tempo integral. 
Desfrutar a companhia dos pais é um direito 
deles e, como tal, deve ser resguardado. Caso 
haja violação desse direito, responde-se 
judicialmente. 
O artigo 10º do ECA traz um rol de obrigações a serem cumpridas por todos 
os estabelecimentos de saúde e hospitais, sejam eles públicos ou particulares, 
visando regular a adequada identificação dos recém-nascidos e de suas 
genitoras, para evitar a troca de identidades e garantir a orientação e o 
acompanhamento técnico no período das primeiras amamentações: 
"Art. 10. Os hospitais e demais 
estabelecimentos de atenção à saúde de 
gestantes, públicos e particulares, são 
obrigados a: 
I. Manter registro das atividades 
desenvolvidas, através de 
prontuários individuais, pelo 
prazo de dezoito anos; 
II. Identificar o recém-nascido 
mediante o registro de sua 
impressão plantar e digital e da 
impressão digital da mãe, sem 
prejuízo de outras formas 
normatizadas pela autoridade 
administrativa competente; 
III. Proceder a exames visando ao 
diagnóstico e terapêutico de 
anormalidades no metabolismo do 
recém-nascido, bem como prestar 
orientação aos pais; 
IV. Fornecer declaração de nascimento 
onde constem necessariamente as 
intercorrências do parto e do 
desenvolvimento do neonato; 
V. Manter alojamento conjunto, 
possibilitando ao neonato a 
permanência junto à mãe; 
VI. Acompanhar a prática do processo 
de amamentação, prestando 
orientações quanto à técnica 
adequada, enquanto a mãe 
permanecer na unidade hospitalar, 
utilizando o corpo técnico já 
existente. 
- Brasil, 2008-A. 
A seguir veremos mais sobre o assunto. 
 
 
SUS, pessoa com deficiência e integridade da criança 
 
 Clique no botão acima. 
Atividade 
1. Acerca dos direitos fundamentais inerentes à criança e ao adolescente, 
assinale a opção correta: 
a) Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe no pré e 
no pós-natal, desde que esta não manifeste interesse em entregar os filhos à adoção. 
b) No SUS, não há previsão legal de atendimento preferencial da parturiente pelo médico que 
a acompanhou no período pré-natal. 
c) É previsto atendimento pré e perinatal à gestante, por meio do SUS, incluindo assistência 
psicológica, como forma de prevenir ou minorar as consequências de estado puerperal. 
d) Incumbe ao poder público proporcionar apoio alimentar somente à nutriz; pois isso, 
resultará no desenvolvimento físico adequado da criança. 
e) Para que a gestante seja encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, basta que haja 
necessidade específica. 
 
Gabarito Comentado 
Do direito à liberdade, ao respeito e à 
dignidade 
O Capítulo II do ECA vincula-se ao princípio da dignidade humana 
referenciado pelo texto constitucional em seus artigos 1º e 5º. O princípio 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1
reconhecido internacionalmente aplica-se a todo e qualquer indivíduo 
indiferentemente de idade, sexo, raça, cor e condição econômica, entre outros. 
Dessa forma, a liberdade, o respeito e a 
dignidade da pessoa humana são valores 
sociais que permeiam todo o sistema 
normativo. 
 
(Fonte: Rawpixel.com / Shutterstock) 
 
O artigo 15º do ECA garante a liberdade, o respeito e a dignidade às crianças e 
adolescentes, considerando a peculiaridade de se tratar de pessoas em 
processo de desenvolvimento e sujeitos de direitos civis, humanos e sociais. 
O texto legal garante a liberdade sob as suas mais variadas formas: 
• A liberdade de ir e vir bem como de estar nos logradouros públicos e 
espaços comunitários ressalvadas as restrições legais; 
• A liberdade de opinião e de expressão; 
• O direito de crença e de culto religioso, de brincar, de praticar esportes 
e se divertir; 
• A liberdade de participar da vida familiar e comunitária sem 
discriminação, de participar da vida política e buscar refúgio, auxílio e 
orientação. 
São direitos que devem ser assegurados e muitos dependem da articulação de 
diversos órgãos para efetivação, a exemplo da Lei nº 10.891/2004 que criou 
a Bolsa Atleta para atletas olímpicos e paraolímpicos, de forma a incentivar a 
prática de esportes; a necessidade de participação da família na orientação e 
educação das crianças e dos adolescentes que, muitas vezes, acabam por 
necessitar de apoio e orientação de órgãos e programas específicos de 
atendimento à criança. 
No que diz respeito ao divertimento, há outros dispositivos que tutelam o 
ingresso e a permanência de crianças e adolescentes em shows e casas de 
espetáculos (art. 74-76, ECA). 
 
Atenção 
O direito ao respeito previsto no ECA se vincula à integridade física, 
psicológica e moral, abrangendo a preservação da identidade, da autonomia, 
dos valores, da ideias e das crenças bem como a preservação dos espaços e 
objetos pessoais da criança e do adolescente, evitando traumas e exposições 
que muitas vezes trazem consequências irreversíveis. Ressaltamos que a 
violação de qualquer desses direitoscaracteriza o desrespeito ao princípio da 
proteção integral e do melhor interesse da criança, sendo passível, em algumas 
situações, de indenização, como na divulgação de imagem sem autorização 
dos pais ou responsáveis. 
Diante do exposto é que a lei estabelece que não se trata apenas de um dever 
dos pais ou do Estado mas de todos, sejam governantes ou não, a proteção da 
criança e do adolescente inibindo todo o tratamento desumano, violento, 
aterrorizante, vexatório ou constrangedor (art. 18, ECA). A criança e o 
adolescente detêm o direito de serem educados sem o uso de castigo físico, 
tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina e 
educação. 
Dessa forma, e considerando o respeito aos direitos da criança e do 
adolescente, todos têm o dever de atuar em defesa destes diante de uma 
violação ou ameaça de violação, sob pena de responsabilização pela omissão. 
Como vimos, a liberdade de participar da vida familiar e comunitária sem 
discriminação é um direito garantido pelo artigo 15º do ECA. Agora, veremos 
mais detalhe sobre esse direito. 
 
 
Direito à convivência familiar e comunitária 
 
 Clique no botão acima. 
Da família natural 
O conceito de família natural ou família de origem está previsto no art. 25 
do ECA. Trata-se da comunidade formada por pais, ambos ou um só, e filhos, 
abarcando também a família monoparental (formada por apenas um dos pais e 
seus descendentes), não fazendo nenhuma menção ao casamento. 
Como já mencionado, em prol do princípio do melhor interesse, a preferência 
será sempre assegurar a convivência da criança e do adolescente com sua 
família natural e somente em situações excepcionais ela será adotada por uma 
família substituta. 
 
 
Para dar uma amplitude à noção de família, o ECA, no parágrafo único do 
artigo 25, trata da família extensa ou ampliada, ou seja, aquela que se estende 
para além da unidade de pais e filhos ou da unidade do casal, formada por 
parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém 
vínculos de afinidade e afetividade. 
Um exemplo são as crianças ou os adolescentes criados por irmãos mais 
velhos, tios ou avós. É importante frisar que não estão inclusos na família 
ampliada todos os parentes dos pais, mas somente aqueles que possuírem 
vínculos de afetividade e afinidade. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2
Saiba mais 
Também existe a família recomposta. Apesar de não ser mencionada no ECA, 
ela é reconhecida pela doutrina e caracteriza-se por homens e mulheres, com 
filhos de relacionamentos anteriores, que se casam ou vivem em relação de 
união estável. 
No que se refere ao reconhecimento de filho, o artigo 26 do ECA possibilita 
que tal ato jurídico ocorra no termo de nascimento, por meio de escritura 
pública ou outro documento público competente, independentemente da 
origem da filiação, podendo preceder o nascimento ou mesmo suceder ao 
falecimento, sendo irrevogável, ainda que feito em testamento (art. 1.610, 
CC). Considerando que é um ato jurídico, não poderá ser definida a gama de 
efeitos que dele irão decorrer ou não, ou seja, não há a possibilidade de 
reconhecido o filho negar-lhe os direitos sucessórios ou mesmo o sobrenome. 
Paralelo ao direito do pai de reconhecer o filho existe o direito do filho de 
conhecer a filiação e de ver reconhecido o vínculo familiar, conforme o art. 27 
do ECA. Nesse caso, o reconhecimento é personalíssimo, indisponível e 
imprescritível. Como se trata de direito da criança e do adolescente, não 
compete à genitora dele dispor ou mesmo abrir mão. Conhecer a paternidade 
biológica é um direito fundamental da criança e do adolescente devendo, 
portanto, ser apurada na forma da lei. 
Da família substituta 
Por família substituta se entende aquela em que a criança ou o adolescente é 
inserido quando é impossível a permanência com a família natural. O ECA 
indica, no artigo 28, as três formas de inserção em família substituta: 
Clique nos botões para ver as informações. 
Guarda 
Tutela 
Adoção 
Ainda que se considere como fundamento a 
impossibilidade da permanência do convívio 
com a família natural, o ECA, em respeito ao 
princípio do melhor interesse, ressalta que a 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-01
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-02
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-03
criança deve ser ouvida e que o adolescente 
deve consentir em ser inserido em família 
substituta. 
A identificação de uma família substituta é realizada com a máxima 
responsabilidade, pois ela deve proporcionar um ambiente adequado ao 
crescimento saudável. Dessa forma, considera-se o grau de parentesco e 
afinidade ou afetividade, pois o intuito é assegurar à criança e ao adolescente 
uma vida digna. Trata-se de um trabalho gradativo no que diz respeito à 
adaptação e ao acompanhamento posterior. 
Na hipótese de irmãos, o objetivo será a manutenção do grupo no momento da 
substituição familiar, evitando separá-los ao colocá-los em lares diversos. 
 (Fonte: pixelheadphoto digitalskillet / Shutterstock) 
 
Considerando que o ECA se direciona a toda e qualquer criança ou 
adolescente, a lei faz referência de forma expressa a crianças e adolescentes 
provenientes de comunidade remanescente de quilombo ou indígena, 
mencionando que é obrigatório observar e respeitar a identidade social e 
cultural, os costumes e as tradições, devendo a inserção ocorrer no seio da 
comunidade ou em meio a membros de mesma etnia (art. 28, ECA). 
Atenção 
A inserção da criança ou do adolescente em famílias substitutivas é ato de 
competência privativa da autoridade judiciária. Sendo assim, não poderão ser 
transferidos a terceiros ou a entidades governamentais, pois isso somente 
ocorrerá mediante intervenção de autoridade judiciária, que procederá 
cautelosamente respeitando os direitos fundamentais da criança ou do 
adolescente, bem como o princípio do melhor interesse. 
Por fim, o ECA esclarece que a inserção da criança e do adolescente em 
famílias substitutivas estrangeiras será medida de natureza excepcional, pois a 
preferência será sempre das famílias nacionais (art. 31, ECA). 
Atividade 
2. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. 
“Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além 
da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes 
próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém vínculos 
de afinidade e afetividade.” 
 
Gabarito Comentado 
3. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. 
“Existe cláusula impeditiva na Lei nº 8.069/90 à adoção por irmão e pelos 
ascendentes do adotando.” 
 
Gabarito Comentado 
Do direito à educação, à cultura, ao 
esporte e ao lazer 
O direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer estão ligados ao 
desenvolvimento sadio e pleno das crianças e adolescentes. Por isso, estão 
elencados no rol dos direitos fundamentais dos artigos 53 a 59. 
No que se refere ao direito à educação, e alinhado ao texto constitucional 
(art. 208, CRFB), o ECA ressalta a necessidade de promover meios para que a 
criança e o adolescente sejam preparados efetivamente para o exercício da 
cidadania, além de serem qualificados para o trabalho. 
 (Fonte: wavebreakmedia / Shutterstock) 
 
Vejamos sobre as responsabilidades relacionadas a educação: 
 
Responsabilidade do responsável 
Da mesma forma que se impõem ao Estado deveres voltados à inserção da 
criança e do adolescente no sistema educacional de forma isonômica, também se 
preveem deveres dos pais (art. 55, ECA) ou responsável, por exemplo, a 
obrigação de matricular o filho ou pupiloem rede regular de ensino. Seu 
descumprimento caracteriza crime de abandono intelectual (art. 246, CP). 
 
Responsabilidade da instituição de ensino 
O ECA, no artigo 56, traz importante previsão quanto à responsabilidade dos 
dirigentes de estabelecimentos de Ensino Fundamental reportarem ao Conselho 
Tutelar maus-tratos, reiteração de faltas injustificadas, evasão escolar e elevado 
nível de repetência. Isso alinhado ao artigo 57, que determina a obrigação do 
Poder Público ao estímulo a pesquisas e novas propostas pedagógicas com vistas 
à inserção de jovens excluídos do Ensino Fundamental. 
Por fim, o ECA aponta a preocupação com o respeito às particularidades 
culturais, artísticas e históricas, de forma que obriga os municípios, com o 
apoio dos estados e da União, a estimularem e facilitarem o destino dos 
recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer (art. 59, 
ECA). 
Do direito à profissionalização e à 
proteção no trabalho 
 (Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) 
 
O último capítulo do ECA referente aos direitos fundamentais trata do direito 
à profissionalização e à proteção ao trabalho (art. 60 a 69, ECA). Os 
direitos garantidos aqui estão direcionados aos adolescentes, pois a criança, 
sendo considerada como a pessoa que ainda não completou 12 anos, não pode 
trabalhar. O adolescente, a partir de 14 anos completos, pode trabalhar na 
condição de aprendiz. 
Dessa forma, o trabalho realizado pelo adolescente não possui apenas o viés 
de contraprestação pecuniária, devendo respeitar a condição de pessoa em 
desenvolvimento e a capacitação profissional adequada ao mercado de 
trabalho. 
Atenção 
Segundo o ECA, o adolescente possui direito à profissionalização, mas devem 
ser observados o respeito à condição de pessoa em desenvolvimento e à 
capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho. 
Atividade 
4. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. 
“De acordo com o ECA, o conselho tutelar pode aplicar, conforme a gravidade 
do caso, medida de encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico 
aos pais que apliquem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como 
formas de disciplina ou correção de comportamento de criança e adolescente.” 
 
Gabarito Comentado 
5. Considerando os direitos fundamentais à profissionalização e à proteção do 
trabalho de crianças e adolescentes, discorra sobre a imagem a seguir. 
 (Fonte: SOMO) 
javascript:void(0);
 
 
Gabarito Comentado 
 
Referências 
 
 
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Créditos 
Redatora: Patrícia Sotello 
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Aula 4: Do dever de prevenir a 
ameaça ou violação dos direitos da 
criança e do adolescente 
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Apresentação 
Estudaremos as diretrizes gerais de observância dirigidas às diversas atividades, 
determinando o respeito às crianças e aos adolescentes no que concerne à sua 
condição peculiar de pessoas em desenvolvimento. 
Trataremos das regras dirigidas a atividades específicas, como o acesso a 
diversões e espetáculos públicos, às obrigações das emissoras de rádio e de 
televisão e às obrigações relativas à venda de revistas e publicações. Por fim, 
examinaremos a Lei nº 12.921/2013 e a nova normativa sobre a autorização para 
viajar deferida a crianças e a adolescentes. 
Objetivos 
• Descrever as diretrizes gerais de observância sobre as diversas atividades; 
• Identificar as regras dirigidas a atividades específicas; 
• Apontar a importância da Lei nº 12.921/2013 e da nova normativa sobre a 
autorização para viajar. 
Prevenção à ameaça ou à violação 
dos direitos da criança e do 
adolescente 
Como já estudado anteriormente, as crianças e os adolescentes são titulares de 
direitos humanos como qualquer pessoa, porém, em face de sua condição de 
pessoas em desenvolvimento, ou seja, de se configurarem como seres que estão 
em processo de formação física e psicológica, devem receber um tratamento 
diferenciado. 
Dessa forma, as condutas política, social e econômica do Estado e da sociedade 
devem estar voltadas a resguardar integralmente a criança e o adolescente, 
independentemente da origem, raça, sexo, cor e classe social, uma vez que são 
percebidos como sujeitos de direito. 
 
Fonte: Por New Africa / Shutterstock. 
 
Fonte: Por ambrozinio / Shutterstock. 
 
1. Da prevenção 
Os dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que tratam da 
prevenção à ameaça ou à violação dos direitos da criança e do adolescente 
(artigos 70 a 85) estão intimamente ligados à doutrina da proteção integral e à 
condição peculiar de pessoas em desenvolvimento apresentada por esses 
indivíduos, pois o objetivo primordial é evitar colocá-los em situação de risco. 
Conforme prevê o ECA e, seguindo a doutrina da proteção integral, “é dever de 
todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do 
adolescente”. Da mesma forma, coíbe o uso de castigo físico ou de tratamento 
cruel ou degradante contra crianças e adolescentes (art. 70-A, ECA) sendo 
necessária uma articulação entre os diversos entes do governo para se evitar 
formas violentas de educação. 
Complementando o dispositivo, foi editada a Lei nº 13.046/2014, que introduziu 
ao Estatuto da Criança e do Adolescente o artigo 70-B, cuja redação determina 
que as entidades públicas e privadas que atuem na realização dos direitos da 
criança e do adolescente, como a informação, a cultura, o lazer e o esporte, 
assim como aquelas que recepcionem crianças e adolescentes, ainda que em 
caráter temporário, devem possuir, em seus quadros, pessoas capacitadas a 
reconhecer e, de imediato, comunicar ao Conselho Tutelar as suspeitas ou casos 
de maus-tratos, o que demonstra a necessidade de constante profissionalização 
da rede de atendimento socioeducativo. 
Atenção 
Cabe lembrar que se está tratando de pessoas em formação, de crianças e 
adolescentes que estão em desenvolvimento e que, portanto, necessitam do 
apoio e do amparo de profissionais efetivamente capacitados a ajudá-los, a 
protegê-los e, cuja omissão deve ser responsabilizada. 
O ECA estabelece, no artigo 71, que “A criança e o adolescente têm direito à 
informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços 
que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”. Dessa 
forma, e considerando a prevenção especial disciplinada na lei, divide-se entre 
aquelas medidas relativas ao direito à informação, à cultura, ao lazer e aos 
esportes; medidas destinadas à proteção, no que se refere a diversões e 
espetáculos (artigos 74 a 80); medidas voltadas a produtos e serviços (artigos 81 
e 82); e, à autorização para viajar (artigos 83 a 85), considerando e respeitando 
sempre o fato de a criança e o adolescente serem pessoas em desenvolvimento. 
Considerando a necessidade de resguardar e prevenir violações dos direitos da 
criança e do adolescente, o ECA prevê, ainda, no artigo 73, que a inobservância 
das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou 
jurídica. 
Nesse caso, no âmbito civil, violações ao ECA podem ser reparadas por meio de 
ações individuais ou coletivas, com a ação civil pública, intentada pelo 
Ministério Público ou pela Defensoria Pública (art. 5º da Lei nº 7.347/1985). Por 
sua vez, na seara penal, as responsabilidades são apuradas e punidas por meio 
das ações promovidas pelo Ministério Público. 
Comentário 
A prevenção é o principal meio de se impedir que as crianças e os adolescentes 
sejam submetidos a situaçõesque possam violar-lhes os direitos. Ela pode ser 
aplicada mesmo a jovens que já tenham sido emancipados, pois, embora 
emancipados, não deixam de ser crianças ou adolescentes. 
2. Da informação, cultura, lazer, 
esportes, diversões e espetáculos 
Visando a manutenção de uma vida saudável, o crescimento intelectual e social, 
as crianças e os adolescentes necessitam ter acesso a diversões e espetáculos 
públicos, porém adequados ao seu desenvolvimento, ou seja, à sua faixa etária. 
Para tanto, o Ministério da Justiça intervém com ações de natureza informativa e 
pedagógica, devendo ser exercidas em coparticipação com a própria sociedade. 
Aliados ao ECA nessa missão se tem, também: 
Lei nº 10.359/2001 e o 
Decretonº 6.061/2007 
Relativos ao processo de classificação indicativa de obras audiovisuais destinadas à televisão, ambos do Ministério da 
Justiça/SNJ. 
Portaria nº 1.100/2006 Que dispõe sobre a classificação indicativa de diversões públicas, especialmente obras audiovisuais destinadas a cinema, 
vídeo, DVD, jogos eletrônicos, jogos de interpretação (RPG) e congêneres. 
Portaria nº 1.549/2002 Do Ministério da Justiça, que institui o “Comitê Interinstitucional para Classificação Indicativa de Filmes, Programas 
Televisivos, Espetáculos Públicos e Jogos Eletrônicos e de RPG”, o qual desenvolve função consultiva e opinativa acerca 
da classificação para a faixa etária. 
 
 
Classificação indicativa 
 
Clique no botão acima. 
3. Dos produtos e serviços 
Os artigos 81 e 82 do ECA apresentam um rol de itens, produtos e serviços, cuja 
venda é terminantemente proibida a crianças e adolescentes. A violação do 
dispositivo é tão grave que importa em crime, e nem poderia ser diferente, se o 
que se está buscando é a proteção integral da criança e do adolescente, 
considerados como sujeitos em desenvolvimento, ou seja, pessoas que estão em 
processo de formação física e psicológica, devendo, portanto, receber um 
tratamento especial, diferenciado. 
De acordo com a lei, é proibida a venda de: 
 
1 
Armas, munições e explosivos 
 
2 
Bebidas alcoólicas 
 
3 
Produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, 
ainda que por utilização indevida 
 
4 
Fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que, pelo reduzido potencial, 
sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida 
 
5 
Bilhetes lotéricos e equivalentes 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1
 
6 
Revistas e publicações às quais alude o art. 78 
Veja mais sobre outros produtos ou serviços: 
Clique nos botões para ver as informações. 
Revistas e publicações 
Hospedagem 
Produtos em formato de cigarros 
 
Fonte: Por MNStudio / Shutterstock. 
 
4. Da autorização para viajar 
O objetivo de uma regulamentação própria para a viagem de crianças e de 
adolescentes é combater o tráfico desses indivíduos e também o afastamento do 
filho menor da convivência com um dos pais ou responsável. 
Saiba mais 
Anteriormente a lei fazia referência apenas à criança deixando de fora da 
proteção os adolescentes. Isso possibilitava o tráfico interno ou mesmo a fuga 
destes para outras residências que não a dos pais. Porém, em 16 de março de 
2019, foi publicada a Lei nº 13.812, a qual concedeu a mesma proteção ao 
adolescente, bem como instituiu a Política Nacional de Pessoas Desaparecidas. 
Foi criado um cadastro de pessoas desaparecidas, de forma a facilitar a 
comunicação entre as diversas entidades e a localização dos desaparecidos, 
dever não apenas dos estados, mas do Distrito Federal e dos territórios. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-01
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-02
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-03
A busca pelos desaparecidos é considerada prioridade, com caráter de urgência, 
e são considerados desaparecidos, segundo a nova legislação mencionada: 
“(...) pessoa desaparecida: todo ser 
humano cujo paradeiro é 
desconhecido, não importando a causa 
de seu desaparecimento, até que sua 
recuperação e identificação tenham 
sido confirmadas por vias físicas ou 
científicas; criança ou adolescente 
desaparecido: toda pessoa 
desaparecida menor de 18 (dezoito) 
anos.” 
(BRASIL, 2019) 
Dessa forma, resguardando o adolescente, a lei veda que os menores de 16 
(dezesseis) anos possam viajar para fora da comarca em que residem 
desacompanhados dos pais ou dos responsáveis sem a expressa autorização 
judicial. A autorização não é necessária quando se tratar de comarca contígua à 
da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos se, na 
mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana ou 
quando a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver 
acompanhado de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado 
documentalmente o parentesco, ou de pessoa maior, expressamente autorizada 
pelo pai, mãe ou responsável. 
Cabe ressaltar que, quando a lei faz referência ao responsável, ela está se 
referindo ao responsável legal, de forma que, somente aquele que estiver 
exercendo o poder familiar, ou o tutor, ou o guardião ou mesmo o dirigente da 
entidade de acolhimento em que se encontra a criança ou o adolescente é que 
podem se deslocar com estes. 
 
 
Viagem para o exterior 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2
 
Clique no botão acima. 
Atividade 
1. Com relação à autorização para viajar, pode-se afirmar, tomando por base as 
disposições do ECA, que: 
a) Constitui instrumento judicial no exercício da prevenção especial, previsto pelo 
Estatuto. 
b) Constitui instrumento judicial de prevenção geral, previsto pelo Estatuto. 
c) Será dispensada quando se tratar de viagem ao exterior de adolescente acompanhado 
de um dos pais e autorizado pelo outro, em declaração simples, sem maiores 
formalidades. 
d) Será exigida somente quando a criança ou o adolescente menor de 16 anos estiver 
desacompanhado dos pais ou responsável e tratar-se de deslocamento à comarca 
contígua à de sua residência, mesmo que acompanhado de pessoa por eles autorizada. 
e) Será exigida quando a criança ou o adolescente menor de 16 anos estiverem 
desacompanhados dos pais ou responsável e tratar-se de deslocamento à comarca 
contígua à de sua residência, mesmo que acompanhada de pessoa por eles autorizada. 
 
Gabarito comentado 
2. Julgue a assertiva a seguir e responda se ela está CORRETA ou 
INCORRETA. 
“As crianças menores de dez anos somente poderão ingressar e permanecer nos 
locais de apresentação ou exibição quando acompanhadas dos pais ou 
responsável.” 
 
Gabarito comentado 
3. Complete as lacunas e assinale a alternativa CORRETA: 
_______________ criança ou adolescente menor de _______________ poderá 
viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos _______________ 
sem expressa autorização judicial. 
a) Toda - 12 (doze) anos - pais ou dos responsáveis. 
b) Toda - 14 (quatorze) anos - pais ou dos responsáveis. 
c) Toda - 14 (quatorze) anos - responsáveis legais. 
d) Nenhuma - 16 (dezesseis) anos - pais ou dos responsáveis. 
e) Nenhuma - 16 (dezesseis) anos - responsáveis legais. 
 
Gabarito comentado 
4. De acordo com o ECA, assinale as alternativas que apresentam produtos e/ou 
serviços cuja venda é proibida para crianças e adolescentes (art. 81): 
a) Armas, munições e explosivos. 
b) Bebidas alcoólicas. 
c) Hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento 
congênere, salvose autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. 
d) Produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que 
por utilização indevida. 
e) Fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial 
sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida. 
f) Revistas e publicações às quais alude o art. 78. 
g) Bilhetes lotéricos e equivalentes. 
 
Gabarito comentado 
5. Considerando a imagem a seguir, discorra sobre a importância da prevenção à 
ameaça ou à violação dos direitos da criança e do adolescente no sentido de 
evitar que estes possam vir a ter problemas ou possam ser colocados em situação 
de risco. 
 Fonte: Por Zoriana Zaitseva / Shutterstock. 
 
 
Gabarito comentado 
6. Segundo o ECA, pode-se afirmar que: 
a) Todas as crianças podem ficar hospedadas em hotéis e pensões independentemente da 
idade. 
b) As crianças terão idade controlada para se hospedarem em hotéis e pensões em 12 
(doze) anos, independentemente de estarem acompanhadas pelos pais ou responsáveis. 
c) A lei estabelece a proibição para hospedagem de crianças e adolescentes somente 
para crianças, não tratando da hipótese de adolescentes. 
d) De acordo com a legislação, crianças e adolescentes somente poderão ficar 
hospedados em hotéis e pensões se estiverem acompanhados dos pais ou dos 
responsáveis ou de adultos autorizados. 
e) Em consonância com a legislação, a proibição de hospedagem de crianças e 
adolescentes em hotéis e pousadas se refere apenas a crianças e adolescentes 
estrangeiros. 
 
Gabarito comentado 
 
Referências 
 
 
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Créditos 
Redator: Patrícia Sotello 
Designer Instrucional: Viviane dos Santos 
Web Designer: Allan Gadelha 
Administrador do LMS: Rostan Luiz 
Estatuto da Criança e do Adolescente - E.C.A 
Aula 5: Da política e entidades de 
atendimento socioeducativo e das 
medidas de proteção 
Apresentação 
Estudaremos as políticas de atendimento e suas linhas de ação, bem como as 
entidades de atendimento socioeducativo e seus regimes. Além disso, trataremos 
das medidas protetivas. Estas se caracterizam por serem ações ou programas de 
caráter assistencial, aplicados isolada ou cumulativamente, quando a criança ou 
o adolescente estiver em situação de risco ou quando praticar algum ato 
infracional. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html
Objetivos 
• Identificar as políticas de atendimento e suas linhas de ação; 
• Examinar as entidades de atendimento socioeducativo e seus regimes; 
• Analisar as medidas protetivas de caráter assistencial, quando a criança ou 
o adolescente estiver em situação de risco ou praticar algum ato 
infracional. 
Atendimento socioeducativo e 
medidas protetivas à criança e ao 
adolescente 
A redemocratização do Estado favoreceu a consolidação dos direitos civis, 
políticos e sociais, bem como a noção de direitos das crianças e dos 
adolescentes. 
A adoção da doutrina de proteção integral à criança e ao adolescente, com 
ênfase na prevenção e na prioridade absoluta destes indivíduos, requer a 
existência de mecanismos articulados; de políticas públicas, nos diversos níveis 
de governo e de poder; e da participação da sociedade, de modo a que se 
promova efetivamente a solução dos inúmeros problemas enfrentados pelo 
grupo infantojuvenil, seja no aspecto individual, seja no aspecto coletivo. 
Para isso, são necessárias medidas protetivas, em consonância com o Estatuto 
da Criança e do Adolescente (ECA). Essas ações são aplicáveis diante de 
lesão, violação ou ameaça de violação dos direitos das crianças e dos 
adolescentes, seja por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta, 
omissão ou abuso dos pais ou responsáveis; ou mesmo pela conduta infracional 
do menor, carecendo de uma atuação rápida das entidades e dos órgãos voltados 
à proteção deste. 
 
(Fonte: ESB Professional / Shutterstock) 
 
Da política e entidades de 
atendimento socioeducativo 
O ECA, no artigo 86, estabelece a necessidade de um conjunto articulado de 
ações governamentais e não governamentais, e nem poderia ser diferente, pois é 
de responsabilidade de todos a promoção da defesa da criança e do adolescente, 
sendo necessária, portanto, uma ação conjunta do poder público e da sociedade 
organizada para a efetividade da proteção integral. 
Ainda que a diretriz mencione a municipalização, não há como afastar a 
responsabilidade da União e dos estados, uma vez que compete a eles prestarem 
todo o apoio técnico necessário, bem como o apoio financeiro, para que os 
municípios possam implementar os programas de proteção às crianças e aos 
adolescentes. Nessa diretriz, já se manifestou o Poder Judiciário: 
"MANDADO DE SEGURANÇA. NECESSIDADE 
DE EXAME. 
DIREITO À SAÚDE. COMPETÊNCIA COMUM 
DOS ENTES FEDERADOS. De acordo com o art. 
6° da Constituição Federal, a saúde é um direito 
social, e, ainda, segundo o disposto no art. 196, 
direito de todos e dever do Estado, estando a vida 
humana acima de qualquer outro direito, até porque, 
para exercer qualquer um deles, é necessário, 
primeiramente, que ela exista. Dentre as diretrizes do 
Sistema Único de Saúde, está o atendimento integral 
à saúde, seja ele para evitar ou resolver o problema. 
A omissão Estatal importa em grave lesão ao direito 
do impetrante, que não encontrou outra solução para 
seu caso, a não ser recorrer ao Poder Judiciário." 
- TJMG. 5ª C. Cív. Ap. Cív. n° 1.0145.06.307429-1/001. Rel. Des. Maria Elza. J. em 
13/12/2007 
Em 2010, foi publicado um artigo científico abordando as políticas de 
atendimento à criança e ao adolescente, vislumbrando a contextualização 
histórica do atendimento da infância e da adolescência no período de 1985 a 
2006. Perez e Passone sistematizaram as principais normatizações acerca do 
tema e suas características. 
 
 
Principais normatizações 
 
 Clique no botão acima. 
Cabe salientar que a criação de ações e mecanismos direcionados à proteção da 
criança e do adolescente compete primordialmente aos Conselhos de Direitos da 
Criança e do Adolescente, os quais são caracterizados pela formação em pé de 
igualdade entre governo e sociedade. 
Acerca da atuação do Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, 
Digiácomo e Digiácomo afirmam que: 
"[...] sob a coordenação dos Conselhos de Direitos da 
Criança e do Adolescente os mais diversos serviços 
públicos (a exemplo dos prestados pelos CREAS, 
CRAS, CAPS etc.), assim como programas de 
atendimento executados por órgãos e entidades 
governamentais e não governamentais, devem se 
articular, estabelecendo “protocolos” de atendimento 
interinstitucional, definindo fluxos e “referenciais”, 
que permitam a rápida identificação dos setores e 
profissionais que deverão ser acionados sempre que 
surgir determinada situação de ameaça ou violação 
de direitos de crianças e adolescentes, que deverão 
agir de forma integrada, na perspectiva de que o 
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problema seja solucionado da forma mais rápida e 
eficaz possível (cf. arts. 1º; 4º; 100, par. único, inciso 
VI e 259. par. único, do ECA). Fundamental, 
também, o compartilhamento de informações entre 
os diversos integrantes da “rede de proteção” à 
criança e ao adolescente local, preferencialmente por 
intermédio de um sistema informatizado que permita 
o registro e a visualização das ações/intervençõesefetuadas por todos os agentes corresponsáveis pelo 
atendimento." 
- DIGIÁCOMO, 2010, p. 125 
Nesse contexto, fundamentado no princípio da dignidade humana, a política de 
atendimento prevista no ECA articulada e implementada no Brasil pela União, 
pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios possuem o principal 
objetivo de proporcionar concretamente o direito a uma vida saudável, de forma 
que possibilite o crescimento e o desenvolvimento físico, mental, social, moral e 
espiritual da criança e do adolescente, pois se tratam de sujeitos de direitos em 
desenvolvimento. 
Para tanto, foram estipuladas diversas linhas de ação, como políticas sociais 
básicas: 
 
Prevenção à violação dos direitos. 
 
Proteção jurídico social. 
 
Programas que estimulem a guarda e a adoção. 
 
Serviços especiais de atendimento médico e psicológico para crianças e 
adolescentes que tenham sido submetidos a maus-tratos, violência sexual, 
exploração e crueldade. 
 
Programas destinados a reduzir o tempo de afastamento da convivência familiar. 
 
Serviço de identificação e localização dos pais ou responsáveis, bem como de 
crianças e adolescentes desaparecidos. 
Observemos que as políticas estão voltadas a todas as áreas, e não apenas à 
jurídica ou à assistencial, corroborando a teoria de que todas as ações voltadas à 
proteção integral da criança e do adolescente participam de um conjunto 
articulado de medidas voltadas à sua efetividade. Porém, como ressaltam Perez e 
Passone, é possível identificar quatro linhas básicas da política de atendimento: 
"a) as políticas sociais básicas de caráter universal, 
como saúde, educação, alimentação, moradia etc. 
(art. 87, item I); 
b) as políticas e programas de assistência social (art. 
87, item II), de caráter supletivo, para aqueles de que 
delas necessitem; 
c) as políticas de proteção, que representam serviços 
especiais de atendimento médico e psicossocial às 
vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, 
abuso e opressão (art. 87, item III); os serviços de 
identificação e localização de pais, responsáveis, 
crianças e adolescentes desaparecidos (art. 87, IV); 
d) as políticas de garantias de direitos, que 
representam as entidades e os aparatos jurídicos e 
sociais de proteção dos direitos individuais e 
coletivos da infância e juventude (art. 87, item V)." 
- PEREZ; PASSONE, 2010, p. 135 
Diversos são os órgãos que participam dessa rede de proteção à criança e ao 
adolescente, como os Centros de Referência Especializados de Assistência Social 
(CREAS) e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que devem 
ser criados pelos municípios e estão voltados não apenas ao atendimento da 
criança ou do adolescente mas também das famílias destes. Esses órgãos são 
caracterizados pela celeridade no tratamento dado ao problema vivenciado, para 
que se evite a majoração do problema ou a permanência da exposição infanto-
juvenil. 
Em 2009 foi publicada a Lei nº 12.127, a qual cria o Cadastro Nacional de 
Crianças Desaparecidas. Ela determina que o registro do desaparecido seja 
realizado logo após a comunicação do desaparecimento, contendo informações 
suficientes que possam identificar a criança ou o adolescente. Ela também 
determina que a informação seja levada a conhecimento público, nos municípios 
e estados, possibilitando a localização da criança ou do adolescente no menor 
lapso temporal possível. Pelo Cadastro Nacional de Desaparecidos se pretende 
reduzir a possibilidade de tráfico de crianças e adolescentes, bem como evitar 
que estes sejam afastados do convívio da família. 
 
(Fonte: Mama Belle and the kids / Shutterstock) 
Ainda sobre as diretrizes da política de atendimento, sempre pautado na doutrina 
da proteção integral e do melhor interesse, o ECA estabelece a municipalização 
da implementação de programas que atendam ao grupo infanto-juvenil. Porém, 
para isso, a criação de órgãos e conselhos que possibilitem a efetiva proteção da 
criança e do adolescente decorre da articulação entre município, estado e União, 
e não apenas de um órgão específico. 
 (Fonte: Janos Levente / Shutterstock) 
 
Compete ao Conselho de Direitos a prerrogativa de determinar e decidir quais 
políticas de atendimento serão implementadas visando a proteção e o 
desenvolvimento da criança e do adolescente. 
A deliberação terá natureza vinculativa, de modo que o administrador está 
impedido de discutir o mérito, a conveniência e a oportunidade da política a ser 
implementada. 
Em 2012, foi publicada a Lei nº 12.594 que instituiu o Sistema Nacional de 
Atendimento Socioeducativo (SINASE), com o fim de desenvolver ações 
socioeducativas embasadas no princípio da dignidade humana e nos direitos 
humanos – direitos estes inerentes a toda criança e todo adolescente. 
 
Observe, no esquema, que o SINASE “constitui-se de uma política pública 
destinada à inclusão do adolescente em conflito com a lei que se correlaciona e 
demanda iniciativas dos diferentes campos das políticas públicas e sociais” 
(BRASIL, 2006-B, p. 16); atuando sempre norteado pelo princípio da dignidade 
humana, da responsabilidade solidária da família, da criança e do adolescente 
como sujeitos de direito em desenvolvimento e da prioridade absoluta de ambos. 
Visando ao atendimento da criança e 
do adolescente, poderão participar 
entidades governamentais e não 
governamentais, sendo responsáveis 
pelas próprias unidades, e deverão se 
adequar à política de atendimento 
determinada pelo Conselho Municipal 
de Direitos da Criança e do 
Adolescente, sendo possível, 
inclusive, a realização de parcerias e 
convênios entre o poder público e as 
entidades. 
Nesse sentido, prevê o ECA, no artigo 90, que as entidades poderão ser criadas 
em regime de orientação e apoio sociofamiliar e socioeducativo, em meio 
aberto, colocação familiar, acolhimento institucional, prestação de serviços à 
comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. 
A título de fiscalização, tanto no que se refere a entidades governamentais como 
a entidades não governamentais, esta será realizada pelo Ministério Público, 
apoiado pelos Conselhos Tutelares, pelo Juizado da Infância e Juventude e por 
outros órgãos, como a Vigilância Sanitária e a Secretaria de Assistência Social, 
entre outros. 
 (Fonte: Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos) 
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Constatada a presença de irregularidades praticadas pelas entidades de 
atendimento, a legislação prevê a imposição de penalidades as quais vão desde a 
mera advertência até o fechamento da unidade e a cassação de registro, quando 
não governamental, como bem estabelece o artigo 97 do ECA: 
"São medidas aplicáveis às entidades de atendimento 
que descumprirem obrigação constante do art. 94, 
sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de 
seus dirigentes ou prepostos: 
 
I - às entidades governamentais: 
a) advertência; 
b) afastamento provisório de seus dirigentes; 
c) afastamento definitivo de seus dirigentes; 
d) fechamento de unidade ou interdição de programa; 
 
II - às entidades não-governamentais: 
a) advertência; 
b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas 
públicas; 
c) interdição de unidades ou suspensão de programa; 
d) cassação do registro." 
- BRASIL, 1990, on-line 
Cabe ressaltar que é viável a responsabilização administrativa e civil de 
entidades que participem da política de atendimento da criança e do adolescente, 
bem como de seus representantes, diante do descumprimento das normas e 
direitos daqueles indivíduos. Será devida, inclusive, indenização por dano moral 
em face de ação ou omissão que venha a lesar os interesses infantojuvenis. 
A função de membro do Conselho Nacional e 
dos Conselhos Estaduais e Municipais dos 
Direitos da Criança e do Adolescente é 
considerada de interesse público relevante e, 
portanto, não será remunerada. 
A seguir, vamos conhecer o sistemaCNCA e os Conselhos dos Direitos das 
Crianças e dos Adolescentes. 
 
 
Sistema CNCA e Conselhos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes 
 
 Clique no botão acima. 
Atividade 
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1. “O ECA traz em seu texto diversas obrigações inerentes às entidades que 
participam da política de atendimento à criança e ao adolescente, as quais 
desenvolvem programas de internação.” De acordo com esta assertiva, assinale a 
alternativa que corresponde a uma obrigação inerente às entidades mencionadas: 
a) Não comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que se mostre 
inviável ou impossível o reatamento dos vínculos familiares. 
b) Diligenciar promovendo o restabelecimento e a preservação dos vínculos familiares. 
c) Oferecer à criança e ao adolescente apenas cuidados médicos e odontológicos. 
d) Não informar, periodicamente, ao adolescente internado a situação processual deste. 
e) Publicar os dados pessoais das crianças e dos adolescentes que estejam submetidos ao 
regime de internação. 
 
Gabarito Comentado 
2. O artigo 90 do ECA trata das inscrições, registros e alterações de entidades 
governamentais e não governamentais de atendimento à criança e ao 
adolescente, perante o Conselho Municipal. Tais entidades, conforme 
pressuposto legal do referido artigo, destinam-se a crianças e a adolescentes em 
regime de: 
a) Tutela 
b) Conduta legal 
c) Internação 
d) Situação irregular 
e) Correção indispensável 
 
Gabarito Comentado 
3. O conselheiro tutelar, ao tomar conhecimento de um fato que caracterize uma 
infração administrativa ou penal contra os direitos fundamentais da criança ou 
do adolescente, deve encaminhar a notícia do fato: 
a) Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
b) Ao Conselho Regional de Educação. 
c) Ao Ministério Público. 
d) À Delegacia de Polícia. 
e) Ao Ministério da Educação. 
 
Gabarito Comentado 
Das medidas de proteção 
Medidas protetivas, em consonância com o ECA, são as ações aplicáveis diante 
da lesão, violação ou ameaça de violação dos direitos das crianças e dos 
adolescentes (arts. 3º e 5º), podendo decorrer de ação ou omissão da sociedade 
ou do Estado ou por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis, quando 
então estarão em condição de vulnerabilidade, ou seja, em situação de risco, 
necessitando de uma rápida atuação das entidades e órgãos destinados à proteção 
integral do grupo infanto-juvenil ou, então, em razão da conduta do menor, ou 
seja, de ele ter praticado algum ato infracional. 
É importante ressaltar que, além da prática de ato infracional, também será 
possível a aplicação de medidas de proteção em razão da conduta quando 
decorrente de distúrbios de comportamento que possam colocar a criança ou o 
adolescente em situação de risco. 
 (Fonte: Antonina Tsyganko / Shutterstock) 
 
São diversas as medidas de proteção previstas pela legislação (art. 101, ECA), a 
saber: 
 
1 
Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade. 
 
2 
Orientação, apoio e acompanhamento temporários. 
 
3 
Matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino 
fundamental. 
 
4 
Inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e 
promoção da família, da criança e do adolescente. 
 
5 
Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime 
hospitalar ou ambulatorial. 
 
6 
Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento 
a alcoólatras e toxicômanos. 
 
7 
Acolhimento institucional. 
 
8 
Inclusão em programa de acolhimento familiar. 
 
9 
Colocação em família substituta. 
Todas as medidas deverão ser adotadas com base nas necessidades pedagógicas, 
sendo sempre concedida a preferência para aquelas que estejam voltadas ao 
fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Não é suficiente apenas a 
aplicação de alguma medida protetiva, mas sim a aplicação de uma medida que 
efetivamente resolva o problema no qual se envolveu a criança ou o adolescente 
podendo ocorrer a intervenção não somente em face destes, mas também em 
face da família. 
O objetivo de todas as medidas 
previstas na legislação se volta ao 
princípio da proteção integral, 
possibilitando o pleno 
desenvolvimento da criança e do 
adolescente até que atinjam a 
maioridade. 
 
Os Conselhos Tutelares não possuem competência para a aplicação de todas as 
medidas protetivas. As medidas protetivas de acolhimento institucional e 
familiar, bem como a de colocação em família substituta, é de competência 
exclusiva do Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude. Em situações 
excepcionais e urgentes, poderá, no entanto, encaminhar a criança ou o 
adolescente à entidade de atendimento responsável pela execução de programa 
de acolhimento institucional, quando, então, o fato deverá ser comunicado ao 
juiz no prazo máximo de vinte e quatro horas (BRASIL, 1990, art. 93). 
Considerando a articulação entre os mais diversos órgãos, articulação exigida 
pelo próprio ECA, como forma de assegurar a efetividade do princípio da 
proteção integral, as medidas de proteção não são aplicadas exclusivamente pelo 
puro arbítrio da autoridade estatal, mas sim em consonância com as diversas 
leis, parâmetros e cautelas necessárias para a proteção da criança e do 
adolescente. Ela deve, inclusive, em respeito ao princípio da dignidade humana, 
e considerando a condição de sujeito de direitos em desenvolvimento, ouvir a 
criança e o adolescente em sua vontade. 
Saiba mais 
Em 1991 foi criado, pela Lei nº 8.242, o Conselho Nacional dos Direitos da 
Criança e do Adolescente (Conanda). Ele foi previsto pelo ECA como o 
principal órgão do sistema de garantia de direitos. Por meio da gestão 
compartilhada, governo e sociedade civil definem, no âmbito do Conselho, as 
diretrizes para a Política Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos 
de Crianças e Adolescentes. Além da definição das políticas para a área da 
infância e da adolescência, o Conanda também fiscaliza as ações executadas 
pelo poder público no que diz respeito ao atendimento da população infanto-
juvenil (BRASIL, 2019). 
Atividade 
4. De acordo com as políticas de atendimento à criança e ao adolescente, 
podemos afirmar que o ECA estabeleceu diversas linhas de ação. No que se 
refere às linhas previstas em lei, assinale a opção correta: 
a) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente as políticas sociais básicas e a 
prevenção à violação dos direitos apenas; 
b) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas os serviços especiais de 
atendimento médico e psicológico para aqueles que tenham sido submetidos a maus-
tratos e/ou violência sexual; 
c) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas o serviço de 
identificação e localização dos pais ou responsáveis, bem como de crianças e 
adolescentes desaparecidos, e proteção jurídica; 
d) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente as políticas sociais básicas e 
prevenção à violação dos direitos; os serviços especiais de atendimento médico e 
psicológico, para aqueles que tenham sido submetidos a maus-tratos, violência sexual e 
exploração, entre outros riscos; o serviço de identificação e localização dos pais ou 
responsáveis, bem como de crianças e adolescentes desaparecidos; e proteção jurídico-
social; 
e) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas as políticas sociais 
básicas, os serviços especiais de atendimento médico e psicológico, para aqueles que 
tenham sido submetidos a maus-tratos e/ou violência sexual. 
 
Gabarito Comentado 
5. As medidas de proteção à criançae ao adolescente são aplicáveis sempre que 
os direitos reconhecidos na Lei nº 8.069/1990 (ECA) forem ameaçados de 
violação ou forem efetivamente violados. Dessa forma, assinale a opção que 
aponta de forma INCORRETA uma medida de proteção: 
a) Inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, apenas. 
b) Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar 
ou ambulatorial. 
c) Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a 
alcoólatras e toxicômanos. 
d) Orientação, apoio e acompanhamento temporários. 
e) Inserção em família substituta. 
 
Gabarito Comentado 
6. O ECA (Lei nº 8.069/1990) não apenas regulamenta as conquistas em favor 
das crianças e dos adolescentes, decorrentes da redemocratização do Estado e 
expressas na Constituição Federal, como também promove um importante 
conjunto de ações envolvendo áreas da realidade política e social do Brasil, 
representando um número considerável de mudanças tanto do conteúdo jurídico 
como de gestão. Sobre as mudanças decorrentes de conteúdo introduzidas no 
ECA, analise as ações a seguir e assinale a opção correta: 
I. Conceber a criança e o adolescente como sujeitos de direitos exigíveis 
com base na lei civil, apenas. 
II. Introduzir as garantias fundamentais a serem implementadas considerando 
o princípio da proteção integral e do melhor interesse. 
III. Reconhecer a criança e o adolescente não como sujeito de direitos, mas 
como objeto de proteção. 
IV. Introduzir uma nova divisão de trabalho social, não só entre os três níveis 
de governo (União, estado e município), mas também entre o Estado e a 
sociedade civil organizada. 
a) Estão corretas as ações I, III e IV, apenas. 
b) Estão corretas as ações I e IV, apenas. 
c) Estão corretas todas as ações. 
d) Estão corretas as ações I e II, apenas. 
e) Estão corretas as ações II e III, apenas. 
 
Gabarito Comentado 
 
Referências 
 
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Próxima aula 
 
 
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Estatuto da Criança e do Adolescente - E.C.A 
Aula 6: Da prática de ato infracional e 
das medidas pertinentes aos pais ou 
responsável 
Apresentação 
Estudaremos o ato infracional e as possíveis ilicitudes praticadas pelas pessoas 
em desenvolvimento e sua responsabilização penal. 
Demonstraremos que a criança e o adolescente são detentores dos mesmos 
direitos individuais e das garantias processuais que os adultos em privação de 
liberdade. 
Elencaremos, também, nesta aula, as medidas socioeducativas a serem 
aplicadas aos adolescentes autores de atos infracionais e as medidas que 
podem ser aplicadas aos pais ou responsável que descumprirem os deveres em 
relação à criança ou ao adolescente sobre os quais exerçam poder. 
Objetivos 
• Definir o ato infracional; 
• Diferenciar as seis medidas socioeducativas previstas no Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA); 
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• Apontar as medidas aplicáveis aos pais ou responsável que não 
cumprem as obrigações perante a criança e o adolescente. 
Aspectos gerais 
A publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, 
trouxe uma inovação à legislação brasileira ao abordar o ato infracional. Por ato 
infracional, entende-se, segundo a lei, a conduta descrita como crime ou 
contravenção penal, porém praticada por criança ou adolescente. 
É importante lembrar que “crianças” são as pessoas com até doze anos de idade 
incompletos, e “adolescentes”, as pessoas entre doze e dezoito anos de idade. 
 
(Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) 
O ato infracional distingue-se do crime e da contravenção não apenas quanto 
ao sujeito que os pratica, em razão da idade, mas também em razão da 
finalidade, pois o ato infracional gera medidas socioeducativas, aos 
adolescentes, e protetivas, às crianças. No ato infracional, o sujeito (criança ou 
adolescente) que o pratica é priorizado, ao passo que, no crime e na 
contravenção, a finalidade é a sanção daquele que os pratica, priorizando-se a 
relação entre crime e sanção. 
Sendo assim, pode-se afirmar que 
tanto o crime como o delito e a 
contravenção são condutas atribuídas 
aos sujeitos imputáveis, enquanto a 
conduta equivalente, porém atribuída 
a crianças e adolescentes, que não 
são imputáveis, é percebida como ato 
infracional. 
O ato infracional 
Os atos infracionais praticados pelas crianças e pelos adolescentes não são 
desconsiderados tampouco deixam de implicar responsabilização, eles apenas 
não surtem efeitos no sentido de a criança e adolescente não serem 
sancionados mas submetidos a medidas socioeducativas que os prepare para a 
participação na vida social ou a medidas de proteção. 
Quanto a isso, Campos assevera: 
"Se o adolescente tem direitos, 
também tem obrigações, pois tem 
responsabilidade social, mesmo não 
respondendo penalmente pela prática 
de algum ato infracional. Se 
intencionalmente, de forma 
injustificável, violar as normas básicas 
da convivência social, investindo 
contra a vida, a integridade física, o 
patrimônio das pessoas, estará sujeito a 
medidas socioeducativas." 
- CAMPOS, 2009, p. 55 
A ênfase de todas as medidas socioeducativas é educar possibilitando o 
retorno da criança ou do adolescente ao meio social de forma responsável e 
digna. 
Comentário 
Conforme pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em 
14.613 processos, “a maior parte dos adolescentes infratores se concentra na 
faixa entre 15 e 17 anos (67%), seguida da faixa de 18 a 20 anos em que se 
encontram 24% do total dos jovens. A porcentagem de adolescentes entre 12 e 
14 anos (6%) é a menor, considerando ser a primeira faixa etária na qual os 
adolescentes podem responder por ato infracional. Os jovens maiores de 20 
anos, internados por atos infracionais cometidos antes da maioridade, 
correspondem a 0,4% do total de internos constantes nos processos 
analisados”. 
(CNJ, 2012, p. 21) 
Em consonância com os princípios processuais constitucionais e os direitos 
fundamentais das crianças e dos adolescentes caberá à autoridade judiciária, 
diante do ato infracional causado por um adolescente, a aplicação da medida 
competente, dentre as previstas no art. 112 do ECA 1. 
Entre as medidas socioeducativas previstas na lei, embora seja um rol 
taxativo, não há uma ordem preferencial ou mesmo uma relação entre a 
medida e o ato infracional específico. A aplicação das medidas deverá levar 
em consideração a capacidade do adolescente em cumpri-la, as circunstâncias 
e a gravidade da infração cometida, o que possibilita que diversos 
adolescentes tenham praticado o mesmo ato infracional, mas lhes seja aplicada 
medida socioeducativa diversa. 
"APELAÇÃO CÍVEL. ESTATUTO 
DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE. ATO 
INFRACIONAL. ROUBO. 
APLICAÇÃO DE MEDIDA 
SOCIOEDUCATIVA DE 
INTERNAÇÃO COM 
POSSIBILIDADE DE ATIVIDADES 
EXTERNAS. MODIFICAÇÃO. 
ADEQUAÇÃO ÀS 
CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAS DE 
CADA ADOLESCENTE 
ABRANDAMENTO DA MEDIDA. A 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html
medida socioeducativa a ser aplicada 
deve observar não somente o ato 
infracional praticado, mas também as 
circunstânciaspessoais do adolescente, 
pois que a finalidade principal do 
Estatuto da Criança e do Adolescente é 
de reeducar e ressocializar o 
adolescente. Deve ser diferenciada a 
medida aplicada ao adolescente que 
não possui antecedentes, daquele que 
possui poucos e, daqueles que 
possuem uma conduta reiterada na 
prática de atos infracionais. 
APELAÇÃO PROVIDA." 
- TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70031420938. Rel. Des. José Conrado de Souza Júnior. J. em 
28/10/2009 
Cabe ressaltar que, e em se tratando de portador de doença ou deficiência 
mental, este deverá receber tratamento individualizado e especializado de 
acordo com a situação, tudo em consonância com o princípio da dignidade 
humana. 
O ECA estabelece que as medidas podem ser cumulativas, mas, claro, dentro 
da possibilidade, como a medida de semiliberdade e a de liberdade assistida. 
Porém, isso será viável se a medida for de advertência, que poderá ser 
acumulada com a reparação do dano, lembrando que o objetivo será sempre a 
proteção integral do adolescente, de modo a promover meios que interrompam 
o processo que o conduziu à prática do ato infracional e a sua ressocialização. 
Segundo Menezes: 
"A medida socioeducativa possui 
caráter de aprender a conviver, a viver 
junto – um dos pilares da concepção da 
educação em Edgar Morin -, sua 
natureza é interdisciplinar, da ordem 
jurídica, social, educativa. Cada 
ciência poderá identificar a natureza da 
medida, cabendo ao operador do 
direito a todas reconhecer. Se assim 
não o fizer, sonega-se a garantia ao 
adolescente [...] de identificação da 
medida mais adequada como resposta 
ao ato infracional." 
- MENEZES, 2008, p. 86 
O objetivo das medidas socioeducativas previstas no ECA, como se percebe, 
não é punir o adolescente que praticou o ato infracional, mas educá-lo, levá-lo 
a compreender o ato praticado e, por meio de ações articuladas, como 
qualificação, orientação e inserção no mercado de trabalho, possibilitar-lhe a 
inclusão social. 
Medidas socioeducativas em espécie 
 
(Fonte: Photographee.eu / Shutterstock) 
 
Como se pode perceber, o ECA prevê, no art. 112, seis medidas 
socioeducativas que devem ser aplicadas pelo Juiz da Infância e Juventude em 
consonância com a capacidade do adolescente cumprir efetivamente a medida, 
seu perfil psicológico e suas condições sociais, bem como com a gravidade do 
ato praticado. Quanto ao Estado, cabe a este prover órgãos e instituições que 
fiquem responsáveis pela aplicação da medida. 
"Uma pesquisa do Conselho Nacional 
de Justiça (CNJ) concluiu que há, no 
Brasil, cerca de 22.640 jovens privados 
de liberdade, internados em um dos 
461 estabelecimentos socioeducativos 
existentes no país, acusados de terem 
praticado algum ato infracional. 
Destes, 3.921 são internos provisórios, 
ou seja 17% do total tiveram a 
liberdade privada sem uma sentença 
judicial definitiva." 
- RODRIGUES, 2018, on-line 
Advertência 
A advertência como medida socioeducativa é a mais branda do rol taxativo 
previsto no art. 112 do ECA, a qual consiste na repreensão verbal e deverá ser 
reduzida a termo e assinada. Segundo Barros Júnior (2013), a repreensão 
verbal tem intuito meramente informativo, formativo e imediato acerca da 
prática do ato infracional e suas consequências. 
Por ser mais branda, é recomendada apenas para os adolescentes que 
cometerem infrações de natureza leve ou quando a ocorrência do ato é 
esporádica. 
Obrigação de reparar o dano 
A medida socioeducativa voltada à reparação do dano decorrente do ato 
infracional poderá ser aplicada somente quando existirem reflexos 
patrimoniais decorrentes do ato, podendo resultar na devolução do próprio 
objeto, no ressarcimento do dano causado, ou em outras formas que 
compensem o dano sofrido pela vítima. Como ressalta Campos (2009, p. 60), 
a obrigação de reparar como medida socioeducativa “tem o mérito de 
despertar no jovem infrator a noção da responsabilidade pelo ato praticado e a 
ideia de que todo dano causado a outrem deve ser ressarcido”. 
É certo e pertinente que a medida 
socioeducativa seja efetivamente cumprida 
pelo adolescente que praticou o ato 
infracional. Para tanto, o ECA estabelece 
que para a fixação da medida a ser aplicada 
dever-se-á considerar a capacidade do 
adolescente de cumpri-la. Porém, em 
consonância com o Código Civil (CC), tendo 
o ato sido praticado por menor de 16 anos de 
idade, competirá a ele, juntamente com os 
pais ou o responsável, a reparação (arts.151 e 
152, I e II CC). 
Diante da impossibilidade de o adolescente reparar o dano, caberá à 
autoridade judiciária determinar outra medida adequada ao objetivo das 
medidas socioeducativas. 
Prestação de serviços comunitários 
A prestação de serviços comunitários tem como objeto serviços que sejam de 
interesse geral, que serão prestados gratuitamente pelo adolescente, em 
entidades hospitalares, escolas e outras similares e em programas comunitários 
ou governamentais, conforme previsto no art. 117 do ECA. 
Atenção 
Considerando o princípio da proteção integral, as atividades indicadas ao 
adolescente não poderão conduzi-lo a uma situação vexatória e degradante 
nem o levar a desenvolver qualquer atividade que seja proibida ao adolescente 
trabalhador. 
Ainda nesse contexto, a aplicação da medida não poderá exceder 06 (seis) 
meses, e a jornada da prestação de serviços deverá ser cumprida no período de 
08 (oito) horas diárias em sábados, domingos e feriados e em dias úteis, sem 
prejudicar a frequência do adolescente à escola ou ao trabalho. 
A Lei nº 12.594/2012, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento 
Socioeducativo (SINASE), estabelece, no art. 14, que compete à direção do 
Programa de Medida de Prestação de Serviços à Comunidade identificar, 
selecionar e credenciar entidades assistenciais 2, hospitais, escolas ou outros 
estabelecimentos congêneres, bem como os programas comunitários ou 
governamentais, de acordo com o perfil do socioeducando e o ambiente no 
qual a medida será cumprida. 
Cabe enfatizar que a identificação da 
atividade a ser desenvolvida tem de 
estar em consonância com os 
objetivos gerais das medidas 
socioeducativas de caráter 
pedagógico. É importante que o 
adolescente tenha um bom 
aproveitamento da atividade, devendo 
contar, para isso, com a participação 
de um orientador, bem como deverá 
contar com o apoio dos pais ou 
responsável. 
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Liberdade assistida 
Segundo o art. 118 do ECA, a liberdade assistida será adotada sempre que se 
afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar 
o adolescente visando fortalecer seus laços familiares e seus laços com a 
comunidade, rompendo, por via de consequência, com a prática de atos de 
violência e atos infracionais. Dentre as medidas restritivas de liberdade, esta é 
a mais amena. 
A aplicação da medida socioeducativa de liberdade assistida requer a 
existência de um programa efetivo de atendimento ao adolescente e sua 
família, pois não se refere apenas a vigiá-lo, mas a intervir na realidade dele, 
na vida dele, repercutindo na dinâmica familiar de modo positivo, por meio de 
profissionais capacitados. 
O SINASE estabelece, no art. 13, que é de 
responsabilidade da direção do programa de 
prestação de serviços à comunidade ou de 
liberdade assistida selecionar e credenciar 
orientadores, designando-os, caso a caso, 
para acompanhar e avaliar o cumprimento 
da medida; receber o adolescente e seus pais 
ou responsável e orientá-los sobre a 
finalidade da medida e a organização e o 
funcionamento do programa; encaminhar o 
adolescente para o orientador credenciado; 
supervisionar o desenvolvimento da medida; 
bem como avaliar, com o orientador, a 
evolução do cumprimento da medida e, se 
necessário,propor à autoridade judiciária 
sua substituição, suspensão ou extinção. 
Por sua vez, o art. 119 do ECA estabelece diversas tarefas a serem realizadas 
pelos orientadores, todas voltadas ao desenvolvimento do adolescente e não 
apenas a vigiá-lo. Podemos citar a promoção social do adolescente e da sua 
família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, quando necessário, em 
programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social; a supervisão 
da frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, 
inclusive, sua matrícula; a diligência no sentido da profissionalização do 
adolescente e de sua inserção no mercado trabalho; e a apresentação do 
relatório do caso. 
Por se tratar de medida de natureza 
pedagógica voltada ao adolescente 
em desenvolvimento, o ECA 
determina que esta será fixada pelo 
prazo mínimo de 06 (seis) meses, 
mas poderá ser a qualquer momento 
prorrogada, revogada ou mesmo 
substituída por outra medida 
considerada mais adequada, desde 
que ouvido o Ministério Público, o 
orientador e o defensor. 
Regime de semiliberdade 
O ECA estabelece, no art. 120, o regime de semiliberdade como medida 
socioeducativa em que o adolescente que praticou ato infracional cumpre a 
medida em moradias residenciais que estejam localizadas em comunidades 
que contenham sistema de saúde, transporte e educação. 
Mas afinal, quando é aplicada 
a medida socioeducativa? 
Ela poderá ser utilizada de imediato em razão da gravidade do ato infracional 
praticado, em razão de não existirem vínculos familiares ou como forma de 
transição para o regime aberto. É percebida como uma etapa de transição entre 
a liberdade assistida e a internação. 
Segundo o art. 120 do ECA, §1º, muito embora se trate de medida restritiva de 
liberdade, esse sistema permite ao adolescente a realização de atividades, no 
período diurno, fora das unidades residenciais, sem qualquer vigilância, tais 
como ir à escola e desenvolver atividades laborais fundamentais ao seu 
desenvolvimento, mantendo-o longe da violência. 
Como bem ressalta Volpi: 
"A semiliberdade contempla os 
aspectos coercitivos desde que afasta o 
adolescente do convívio familiar e da 
comunidade de origem; contudo, ao 
restringir sua liberdade, não o priva 
totalmente do seu direito de ir e vir. 
Assim como na internação, os aspectos 
educativos baseiam-se na oportunidade 
de acesso a serviços, organização da 
vida cotidiana etc. Deste modo, os 
programas de semiliberdade devem 
obrigatoriamente manter uma ampla 
relação om os serviços e programas 
sociais e/ou formativos no âmbito 
externo a comunidade de moradia." 
- VOLPI, 2002, p. 25 
O art. 122 do ECA estabelece que as disposições referentes à internação se 
aplicam ao regime semiaberto. Sendo assim, pode-se concluir que é cabível a 
aplicação da medida de regime semiaberto, conforme a seguir: 
"Art. 122. A medida de internação só 
poderá ser aplicada quando: 
I - tratar-se de ato infracional cometido 
mediante grave ameaça ou violência a 
pessoa; 
II - por reiteração no cometimento de 
outras infrações graves; 
III - por descumprimento reiterado e 
injustificável da medida anteriormente 
imposta." 
- BRASIL, 1990 
No art. 120, o ECA estabelece que a medida socioeducativa em regime 
semiaberto deverá ter o prazo máximo de 03 (três) anos, sendo que a cada 06 
(seis) meses deve ser realizada uma reavaliação a fim de verificar a 
necessidade da medida imposta ao adolescente. 
Comentário 
O estado do Rio Grande do Sul criou dois tipos de unidades de internação. O 
Instituto Sem Possibilidade de Atividade Externa (ISPAE) e o Instituto de 
Internação Com Possibilidade de Atividade Externa (ICPAE). Assim, os 
adolescentes são separados entre os que podem realizar atividades externas e 
os que não podem. 
A decisão acerca de quem participará de qual instituto é do juiz de acordo com 
o perfil de cada adolescente infrator, podendo este, inclusive, ser encaminhado 
ao ICPAE, seja como primeira medida, seja como forma de progressão da 
ISPAE. 
Aos adolescentes com possibilidade de atividade externa são oferecidas visitas 
a museus, casas de cultura, cinemas, circo, jogos de futebol, participação em 
palestras e grupos de apoio, entre outras atividades, incluindo-se aí as visitas 
aos familiares nos finais de semana. 
Internação 
A internação é prevista no ECA como medida socioeducativa restritiva de 
liberdade, devendo ser adotada como último recurso. Muito embora se trate de 
medida restritiva de liberdade, o adolescente poderá realizar atividades 
externas, como trabalhar. Essas atividades somente serão vedadas a ele se 
assim estiver decidido de forma expressa pelo Juiz da Infância e Juventude. 
Diferentemente de outras medidas socioeducativas 3, a internação não tem 
lapso temporal determinado previsto em lei, sendo necessário apenas que 
ocorra uma reavaliação da medida a cada 06 (seis) meses, não ultrapassando o 
prazo máximo de 03 (três) anos. Ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, 
o adolescente recebe a liberação compulsória. 
Assim como o regime de semiliberdade, a internação poderá ser aplicada 
quando: 
"Art. 122. A medida de internação só 
poderá ser aplicada quando: 
I - tratar-se de ato infracional cometido 
mediante grave ameaça ou violência a 
pessoa; 
II - por reiteração no cometimento de 
outras infrações graves; 
III - por descumprimento reiterado e 
injustificável da medida anteriormente 
imposta." 
- BRASIL, 1990 
Muito embora o ECA não aborde hipótese de prescrição, o Superior 
Tribunal de Justiça (STJ) pela Súmula nº 338, determina que “A prescrição 
penal é aplicável nas medidas sócio-educativas”. 
Considerando o fim educativo e pedagógico das medidas socioeducativas, o 
ECA estabelece, ainda, que a internação somente poderá ser cumprida em 
entidade exclusiva para adolescentes, separando-os de acordo com critérios de 
idade, compleição física e gravidade da infração, vendando a permanência dos 
adolescentes em instituições prisionais. 
Ainda que o adolescente se encontre em cumprimento de medida 
socioeducativa de internação, serão assegurados diversos direitos (art. 124, 
ECA) visando ao seu desenvolvimento adequado para o retorno à sociedade, 
como ficar internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao 
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domicílio dos pais ou do responsável; receber visitas, ao menos 
semanalmente; corresponder-se com os familiares e amigos; e realizar 
atividades culturais, esportivas e de lazer, entre outros. 
Remissão 
 
(Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) 
 
O ECA prevê, no art. 126, a possibilidade da remissão, ocorrendo geralmente 
em situações de menor gravidade, evitando ou pondo fim ao processo que 
envolve o adolescente infrator. 
O mesmo dispositivo atribui ao Ministério Público a prerrogativa da remissão, 
a qual poderá ser cumulada com outra medida socioeducativa não restritiva de 
liberdade (arts. 126 e 128, ECA). 
A remissão deverá ser apresentada antes da representação socioeducativa, 
evitando-se a instauração do processo. Após a representação, a remissão 
deverá ser homologada pelo Juiz da Infância e Juventude. Assim, pode-se 
afirmar que a remissão poderá suspender ou extinguir o processo. 
Medidas pertinentes aos pais ou 
responsáveis 
 
(Fonte: fizkes / Shutterstock) 
 
Em consonância com o ECA, e em cumprimento ao princípio da proteção 
integral, diversas são as medidas que podem ser aplicadas aos pais ou ao 
responsável legal pela criança ou pelo adolescente. 
"Art. 129. São medidas aplicáveis aos 
pais ou responsável: 
I - encaminhamento a serviços e 
programas oficiais ou comunitários de 
proteção, apoio e promoção da família; 
II - inclusão em programa oficial ou 
comunitário de auxílio, orientação e 
tratamento a alcoólatras e 
toxicômanos; 
III - encaminhamento a tratamentopsicológico ou psiquiátrico; 
IV - encaminhamento a cursos ou 
programas de orientação; 
V - obrigação de matricular o filho ou 
pupilo e acompanhar sua frequência e 
aproveitamento escolar; 
VI - obrigação de encaminhar a 
criança ou adolescente a tratamento 
especializado; 
VII - advertência; 
VIII - perda da guarda; 
IX - destituição da tutela; 
X - suspensão ou destituição do poder 
familiar." 
- BRASIL, 1990 
As medidas previstas no ECA têm por finalidade resgatar a criança e o 
adolescente para o seio de sua família, estando previstas medidas de proteção 
à família, nos incisos I a IV, e medidas sancionatórias, nos incisos VII a X, 
sendo estas tomadas apenas em situações extremas. 
Atividade 
1. Assinale, dentre as medidas socioeducativas previstas pelo ECA 
apresentadas a seguir, aquelas que sejam percebidas como restritivas de 
liberdade: 
a) Advertência e reparação do dano 
b) Internação e advertência 
c) Prestação de serviços comunitários e liberdade assistida 
d) Liberdade assistida e regime semiaberto 
e) Liberdade assistida e advertência 
 
Gabarito Comentado 
2. Considerando a liberdade assistida prevista no ECA, analise as assertivas a 
seguir: 
I. É uma das medidas socioeducativas previstas no ECA aplicável à criança 
e ao adolescente quando verificada a prática do ato infracional, não 
tendo natureza de medida privativa de liberdade. 
II. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, 
podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por 
outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. 
III. A liberdade assistida constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos 
princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição 
peculiar de pessoa em desenvolvimento. 
IV. Consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período 
não excedente a seis meses, em entidades assistenciais, hospitais, 
escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em 
programas comunitários ou governamentais. 
Agora, assinale a alternativa CORRETA: 
a) As assertivas I e IV são verdadeiras; 
b) As assertivas I, III e IV são falsas; 
c) As assertivas II e III são verdadeiras; 
d) As assertivas II e IV são falsas; 
e) Todas as assertivas são verdadeiras. 
 
Gabarito Comentado 
3. Assinale a alternativa correta: 
a) A advertência não é percebida como medida socioeducativa segundo o ECA. 
b) transição para o regime aberto. 
c) A liberdade assistida somente poderá ser aplicada quando se tratar de ato infracional grave. 
d) A advertência, a perda da guarda e a destituição da tutela são as únicas medidas previstas 
para quando os pais ou responsáveis descumprirem os direitos previstos e assegurados à 
criança e ao adolescente. 
e) A remissão somente poderá ser proposta quando já existir um processo judicial em trâmite 
envolvendo ato infracional praticado pelo adolescente. 
f) A prescrição penal não é aplicável às medidas socioeducativas. 
 
Gabarito Comentado 
4. São consideradas funções do orientador, quando o adolescente é colocado 
em regime de liberdade assistida: 
a) apenas promover socialmente o adolescente e sua família, orientando-os e inserindo-os, se 
necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social. 
b) apenas supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, 
promovendo, inclusive, sua matrícula e apresentar relatório do caso. 
c) promover socialmente o adolescente e sua família, orientando-os e inserindo-os, se 
necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social, apenas. 
d) diligenciar no sentido da profissionalização e da inserção do adolescente no mercado de 
trabalho, apresentar relatório do caso, supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar 
do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula. 
e) diligenciar no sentido da profissionalização e da inserção do adolescente no mercado de 
trabalho, apenas. 
 
Gabarito Comentado 
5. Em se tratando de atos infracionais com repercussão patrimonial, assinale a 
medida socioeducativa mais adequada, considerando tratar-se de meio para a 
educação e não a punição do adolescente infrator: 
a) Internação 
b) Aplicação de multa diária 
c) Prisão em regime semiaberto 
d) Restituição da coisa ou ressarcimento do prejuízo causado 
e) Regime de semiliberdade 
 
Gabarito Comentado 
 
Referências 
 
 
Próxima aula 
 
 
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Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA 
Aula 7: Do conselho tutelar 
Apresentação 
Estudaremos o Conselho Tutelar. Conheceremos suas atribuições e 
competências, aprenderemos como ocorre o processo de escolha dos 
conselheiros tutelares, suas atribuições, prerrogativas e impedimentos. 
Abordaremos, também, nesta aula, a suspensão ou a cassação do mandato de 
conselheiro pela via administrativa ou pela judicial e a Resolução 113/2006 do 
Conanda. 
Objetivos 
• Identificar as funções do Conselho Tutelar; 
• Analisar a formação do Conselho Tutelar; 
• Examinar a possibilidade de cassação ou suspensão do mandato dos 
conselheiros. 
Aspectos gerais 
O art. 86 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) refere-se à 
necessidade de um conjunto articulado de ações governamentais e não 
governamentais, e nem poderia ser diferente, pois é de responsabilidade de 
todos a promoção da defesa da criança e do adolescente. Para isso, é 
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necessária, portanto, uma ação conjunta do poder público e da sociedade 
organizada para a efetividade da proteção integral. 
Afirmando que apenas por meio da educação, do tratamento e da prevenção é 
que se terá uma redução da delinquência juvenil, diversos órgãos foram 
criados com a intenção de implementar o ECA e efetivar os direitos das 
crianças e dos adolescentes. Entre esses órgãos, podemos citar 
• os Conselhos de Direitos, 
• os Conselhos Tutelares, 
• os Fundos da Criança. 
Além deles, há também a ação civil pública para a responsabilização de 
autoridades que, por ação ou omissão, descumprirem o ECA. 
Conselho Tutelar 
 Por Puchong Art (Fonte: Shutterstock). 
 
Segundo Liberati (2003), o Conselho Tutelar é caracterizado por um espaço de 
proteção e garantia aos direitos da criança e do adolescente, no âmbito 
municipal. Trata-se de uma ferramenta e um instrumento de trabalho nas mãos 
da comunidade, que fiscalizará e tomará providências para impedir a 
ocorrência de situações de risco pessoal e social das crianças e dos 
adolescentes. 
De acordo com o art. 131 do ECA, os Conselhos Tutelares apresentam três 
características principais: 
1. Natureza institucional; 
2. Autonomia; 
3. Não jurisdicional. 
Leiamos, a seguir, sobre cada uma dessas características: 
 
 
As três características principais dos Conselhos Tutelares 
 
 Clique no botão acima. 
Função do Conselho Tutelar 
Considerando a doutrina da proteção 
integral, podemos afirmar que a 
função primordial do Conselho Tutelar 
é salvaguardar que os direitos e as 
garantias concedidas às crianças e 
aos adolescentes como sujeitos de 
direitos sejam efetivamente 
preservados. 
Muito embora, à primeira vista, possa parecer que as funçõesdo Conselho 
Tutelar sejam meramente burocráticas, cabe ao órgão não apenas aplicar as 
medidas protetivas, mas encaminhar os sujeitos para programas de 
atendimento, fiscalizar o atendimento nos mais diversos órgãos e promover 
efetivamente a solução dos problemas vivenciados pelas crianças e pelos 
adolescentes, seja individual ou coletivamente, de forma que esses sujeitos em 
desenvolvimento possam participar da sociedade de forma digna e salutar. 
 Por Luciano Cosmo (Fonte: Shutterstock). 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1
 
Ainda que a atuação do Conselho Tutelar não seja isolada, pois, por diversas 
vezes, necessita da atuação de outros órgãos, programas e instituições, sua 
natureza resolutiva se evidencia, já que a ele compete a obrigação de 
concretizar o princípio da proteção integral e o princípio da prioridade 
absoluta da criança e do adolescente previstos no texto constitucional (art. 
37, CF). 
O ECA estabelece, no art. 136, diversas atribuições ao Conselho Tutelar. 
Porém, além das elencadas no dispositivo, podem ser acrescidos o dever de 
fiscalizar as entidades de atendimento, deflagrar o procedimento para 
apuração de irregularidade nas entidades de atendimento e infração às normas 
administrativas acerca das crianças e dos adolescentes (art. 95, 191, ECA). 
Leitura 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2
Leia as atribuições previstas no art. 136 do ECA. 
 
 Clique no botão acima. 
O Conselho Tutelar, quando toma conhecimento de que crianças ou 
adolescentes estão em situação de risco ou esteja ocorrendo violação dos 
direitos deles, poderá decidir acerca das medidas de proteção que devem ser 
aplicadas. 
Exemplo 
O Conselho Tutelar poderá encaminhar crianças e adolescentes aos pais ou 
responsável, mediante termo de responsabilidade; poderá realizar a inclusão em 
programa de acompanhamento familiar, a inclusão em programa oficial ou 
comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos, 
entre outras medidas previstas no artigo 101 do ECA. 
Como se pode observar, todas as atribuições elencadas estão em consonância 
com a doutrina da proteção integral da criança e do adolescente, bem 
como estão voltadas à efetividade do princípio da dignidade humana, 
considerando a criança e o adolescente como sujeitos de direitos e com 
prioridade absoluta. 
 Por gst (Fonte: Shutterstock). 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2
 
Saiba mais 
As decisões do Conselho Tutelar possuem caráter coercitivo e não necessitam de 
homologação judicial ou por qualquer outro órgão. A partir do momento em que 
o destinatário toma conhecimento da decisão do Conselho, a decisão deverá ser 
obrigatoriamente cumprida e, na hipótese de não concordar com ela, a única 
alternativa será pleitear a revisão por intermédio do Poder Judiciário. Porém, 
enquanto não for tomada a decisão judicial acerca da suspensão ou revogação, a 
medida deverá ser cumprida. 
Estruturação do Conselho Tutelar 
Considerando a importância do papel dos Conselhos Tutelares na promoção 
dos direitos das crianças e dos adolescentes, o ECA estabelece que em cada 
município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal deverá existir, 
no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração 
pública. 
 
Vejamos algumas características fundamentais para criação de Conselhos: 
Clique nos botões para ver as informações. 
Quantidade por município 
Demanda da localidade 
Composição 
Requisitos mínimos para interessados 
Direitos assegurados aos membros 
Saiba mais 
A Lei n° 11.622, de 19 de dezembro de 2007, instituiu o dia 18 de novembro 
como o “Dia Nacional do Conselheiro Tutelar”. 
Processo de escolha dos 
conselheiros 
De acordo com o ECA, a escolha dos conselheiros será regulamentada por 
meio de lei municipal, mas sob a responsabilidade do Conselho Municipal 
dos Direitos da Criança e do Adolescente, contando com a fiscalização 
pelo Ministério Público (art.138, ECA). 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-01
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-02
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-03
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-04
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-05
O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar terá por base um 
processo de natureza democrática, ou seja, os membros não são escolhidos 
pelo poder municipal ou pelo Conselho de Direitos da Criança e do 
Adolescente, mas sim pela própria população eleitoral do município que o fará 
por meio de voto direto, secreto e facultativo. 
"Atribuições da Comissão Especial encarregada de 
realizar o Processo de Escolha dos Membros do 
Conselho Tutelar A Comissão Especial tem 
composição paritária e sua atribuição é a 
realização do processo de escolha em data 
unificada dos membros do Conselho Tutelar que 
compreende: realizar reuniões, analisar os pedidos 
de registro de candidatura e dar publicidade à 
relação de inscritos, elaborar calendário prevendo 
etapas, cronograma, regulamentos, infraestrutura e 
todas as providências necessárias para sua 
execução. A Comissão terá seu trabalho encerrado 
após a divulgação no Diário Oficial ou em meio 
equivalente, do nome dos conselheiros tutelares 
titulares escolhidos e dos suplentes que serão 
listados em ordem decrescente de votação.”" 
(BRASIL, 2019, on-line) 
Assim, frente a eventual irregularidade no processo de escolha, conta-se com 
a intervenção do Poder Judiciário, uma vez provocado, conforme se 
demonstra por meio da decisão a seguir: 
MANDADO DE SEGURANÇA. ORDEM CONCEDIDA. (...). ESTATUTO 
DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. CONSELHO TUTELAR. 
ESCOLHA PELA COMUNIDADE LOCAL, E NÃO PELO CONSELHO 
MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, 
CUJA ATRIBUIÇÃO LIMITA-SE À ORGANIZAÇÃO DO RESPECTIVO 
PROCESSO. Consoante dispõe expressamente o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, compete à comunidade local escolher os membros do conselho 
tutelar, (artigo 132), e não ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e 
do Adolescente, cuja atribuição, nesse aspecto, limita-se à organização do 
processo de escolha (artigo 139). Superior Tribunal de Justiça agravo de 
instrumento nº 96.992/pr. (TJPR. 1ª Câmara Cível. Reexame Necessário. nº 
25750100. Relator Tadeu Costa.) 
 
 
Processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar 
 
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Atividade 
1. No que se refere à criação dos Conselhos Tutelares, assinale a alternativa 
correta: 
a) Os municípios poderão criar obrigatoriamente três conselhos tutelares distribuídos por 
regionalização de bairros. 
b) A criação de Conselho Tutelar é de competência do estado, bem como a inclusão das 
despesas na lei orçamentária. 
c) Os municípios somente poderão criar o Conselho Tutelar a partir do momento em que 
possuírem cem mil habitantes. 
d) Os estados, juntamente com os municípios, deverão criar, no máximo, dois conselhos por 
localidade. 
e) Os municípios deverão criar, no mínimo, um Conselho Tutelar. 
 
Gabarito comentado 
2. Assinale a alternativa correta acerca dos requisitos mínimos necessários aos 
candidatos interessados em participar da escolha para membro do Conselho 
Tutelar, conforme estabelecido pelo art. 133 do ECA: 
a) Idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos, com plena capacidade civil, 
residir no município e ter carteira de habilitação. 
b) Idoneidade moral, residir nomunicípio e ter idade superior a 18 anos, com plena 
capacidade civil. 
c) Possuir reconhecida idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos e residir no 
município. 
d) Idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos, ter concluído o terceiro grau. 
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e) Possuir idade superior a 21 (vinte e um) anos, ter reconhecida idoneidade moral, residir no 
município, ser integrante de algum órgão público da municipalidade. 
 
Gabarito comentado 
3. Considerando o surgimento dos Conselhos Tutelares, assinale a resposta 
correta: 
a) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de afastar as crianças e os adolescentes das 
famílias, visando a garantir-lhes a segurança. 
b) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de encaminhar a programas de acolhimento 
institucional crianças e adolescentes caso não se encontrem na companhia dos pais ou 
responsável. 
c) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de zelar pela garantia de todos os direitos das 
crianças e dos adolescentes, incluindo o direito à convivência familiar, devendo sua 
intervenção ser voltada ao fortalecimento dos vínculos familiares e à proteção à família. 
d) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de promover a aplicação de medidas de natureza 
sancionatória aos adolescentes que tenham praticado atos infracionais. 
e) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de encaminhar a programas de acolhimento 
institucional somente os adolescentes que não se encontrem na companhia dos pais ou do 
responsável. 
 
Gabarito comentado 
4. Podem ser considerados impedidos de participar do processo de escolha de 
membro para o Conselho Tutelar, segundo a Lei nº 8.690/90: 
a) os juízes e promotores públicos, independentemente do foro em que se encontrem, além 
de pais e filhos no que tange ao mesmo Conselho. 
b) apenas os ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados durante o 
cunhadio, tio e sobrinho, desde que no mesmo Conselho. 
c) juízes e promotores públicos com atuação na Justiça da Infância e Juventude em exercício na 
comarca, foro regional ou distrital, bem como não poderão participar marido e mulher, 
ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, ainda que em Conselhos distintos. 
d) do mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, 
irmãos, cunhados durante o cunhadio, tio e sobrinho, enteado e padrasto ou madrasta, bem 
como os juízes da comarca local. 
e) juízes e membros do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e Juventude em 
exercício na comarca, foro regional ou distrital, bem como não poderão participar no mesmo 
Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora. 
 
Gabarito comentado 
5 - No que se refere aos requisitos necessários para participar do processo de 
escolha de membros do Conselho Tutelar, assinale a alternativa correta: 
a) O processo deverá ser estabelecido mediante Lei Estadual, competindo ao município apenas 
a sua implementação. 
b) O Conselho dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes poderá intervir no processo de 
escolha, porém somente em casos de infração. 
c) O processo de escolha deverá estar regulamentado em Lei Municipal, mas sob a 
responsabilidade do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. 
d) O processo de escolha deverá estar regulamentado em Lei Municipal, mas sob a 
responsabilidade do Ministério Público, ao qual competirá também a fiscalização do órgão. 
e) O Conselho dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes e o Ministério Público poderão 
atuar em conjunto na implementação do processo de escolha dos membros do Conselho 
Tutelar visando à regularidade do processo e aplicando sanções aos infratores. 
 
Gabarito comentado 
6 - Realizado o processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, acerca do 
período para o cumprimento do mandato e da possibilidade de recondução, 
assinale a alternativa correta: 
a) Cumprirá mandato de 05 anos podendo ser reconduzido uma única vez. 
b) Cumprirá mandato de 02 anos podendo ser reconduzido duas vezes. 
c) Cumprirá mandato de 04 anos podendo ser reconduzido duas vezes. 
d) Cumprirá mandato de 08 anos não podendo ser reconduzido. 
e) Cumprirá mandato de 04 anos podendo ser reconduzido uma única vez. 
 
Gabarito comentado 
 
Referências 
 
 
Próxima aula 
 
 
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Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA 
Aula 8: Justiça da Infância e da 
Juventude 
Apresentação 
Estudaremos as disposições gerais sobre os aspectos das ações que tramitam 
perante a Vara da Infância e da Juventude bem como os procedimentos e 
recursos relativos a essas ações. Trataremos, também, nesta aula, das 
responsabilidades do Ministério Público, dos Advogados e da Defensoria 
Pública, e da tutela coletiva de direitos. 
Objetivos 
• Analisar os aspectos relativos à Justiça da Infância e da Juventude;; 
• Analisar os aspectos gerais das ações judiciais em torno da criança e do 
adolescente. 
Aspectos gerais da Justiça da 
Infância e da Juventude 
Diferentemente do que ocorria na época do Código de Menores, em que a 
“Justiça do Menor” era voltada quase com exclusividade para a aplicação de 
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medidas pela violação de direitos, atualmente, vemos um papel diferenciado 
concedido à Justiça da Infância e Juventude. 
Esta, embasada na doutrina da proteção integral, atua mais no campo 
dos direitos coletivos da criança e do adolescente por meio de ações que visam 
a corrigir, muitas vezes, a falha do poder público no que diz respeito à 
estruturação do próprio Estado para preservar os direitos fundamentais das 
crianças e dos adolescentes. 
O compromisso em tornar efetivo o 
princípio da proteção integral da 
criança não é assumido apenas pelos 
poderes Executivo e Legislativo, mas 
também pelo Poder Judiciário, os 
quais, ao lado da sociedade 
organizada e de outros órgãos 
governamentais e não 
governamentais, integram o Sistema 
de Garantias/Rede de Proteção à 
Criança e ao Adolescente. 
O desembargador Ruy Portanova, em decisão recursal, manifestou-se 
explicando que: 
"A responsabilidade pela 
concretização dos direitos da criança e 
do adolescente, consagrados na 
Constituição da República e no 
Estatuto da Criança e do Adolescente 
é, não só do Ministério Público, do 
Conselho Tutelar, da Escola, da 
Família e Sociedade, como também, 
do Poder Judiciário. - Recurso de 
apelação nº 70024601403" 
Para tanto, foram criadas varas especializadas para atendimento de situações que 
envolvam a criança e o adolescente, conforme prevê o art. 145 do Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA), a saber: 
"Art. 145. Os estados e o Distrito 
Federal poderão criar varas 
especializadas e exclusivas da infância 
e da juventude, cabendo ao Poder 
Judiciário estabelecer sua 
proporcionalidade por número de 
habitantes, dotá-las de infraestrutura edispor sobre o atendimento, inclusive 
em plantões." 
- - Brasil (1990) 
Juiz da Infância e da Juventude 
O ECA prevê que o Juiz da Infância e Juventude atuante na Vara Especializada 
ou o Juiz de Direito atuante, por exemplo, nas Varas Cíveis e nas Varas de 
Família desenvolverá as atividades em consonância com a lei de organização 
judiciária do estado em que se encontra. 
 Por Chris Bain (Fonte: Shutterstock). 
 
Em princípio, o Juiz da Infância e Juventude é competente para apreciar todas as 
ações, sejam elas individuais ou coletivas, que tenham por objeto de discussão a 
defesa de interesses infantojuvenis. 
Porém, o art. 147 do ECA estabelece que a ação deverá ser proposta no 
domicílio dos pais ou do responsável pela criança ou pelo adolescente, ou, em 
não havendo pais ou responsável legal, deverá ser promovida a ação no lugar em 
que a criança ou o adolescente esteja e, em tendo ocorrido ato infracional, será 
competente o juiz do lugar da ação ou a omissão. 
 
 
Questões que envolvem a competência para o julgamento. 
 
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Serviços auxiliares 
De acordo com os arts. 150 e 151 do ECA, o Poder Judiciário deverá, na 
elaboração da proposta orçamentária, prever recursos para a manutenção de 
equipe interprofissional, destinada a assessorar a Justiça da Infância e Juventude 
com a função de fornecer laudos e pareceres que auxiliem na solução do conflito 
envolvendo a criança ou o adolescente. 
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http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1
 Por Viktoria Kurpas (Fonte: Shutterstock). 
 
A equipe terá também a função de prevenção, orientação e encaminhamento aos 
demais órgãos que integrem a rede em prol da defesa dos direitos da criança e do 
adolescente. 
Corroborando a noção de que a responsabilidade pela proteção dos direitos das 
crianças e dos adolescentes não é inerente a um só órgão, mas a todos, em 2006 
foi publicada a Recomendação nº 02, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 
segundo a qual os Tribunais de Justiça devem implantar uma equipe 
interprofissional em todas as comarcas do estado, de modo a atender o previsto 
nos arts. 150 e 151 do ECA, em face da complexidade que envolve a violação 
dos direitos infantojuvenis. 
De acordo com Digiácomo e Digiácomo (2010, p. 292), o ideal, sem dúvida, é 
que cada Juízo da Infância e da Juventude tenha à sua disposição, para 
intervenção imediata, uma equipe interprofissional (ou interdisciplinar) 
composta, no mínimo, de um pedagogo, um psicólogo e um assistente social, 
que devem analisar os casos de forma conjunta e, também de forma conjunta, 
apresentar ao Juízo suas conclusões, em que sejam apontadas as alternativas 
existentes para efetiva solução do problema, com a respectiva justificativa, sob o 
ponto de vista técnico. Daí porque o Estatuto prevê, de maneira expressa, que o 
Poder Judiciário tem o dever de colocar à disposição dos Juizados da Infância e 
da Juventude a aludida equipe interprofissional, para o que deverá alocar 
recursos orçamentários. 
Como referido anteriormente, a função da equipe interprofissional é contribuir 
com o conhecimento técnico para a efetiva solução do problema vivenciado pela 
criança ou pelo adolescente, não tendo, no entanto, efeito vinculativo perante o 
juiz. Este não é, portanto, obrigado a acatar a orientação ou a sugestão fornecida 
pela equipe, desde que o faça de forma fundamentada. 
Ministério Público 
Contrariamente do que ocorreu com a criação da Justiça da Infância e Juventude 
e da criação de Varas Especializadas, o ECA não determina a criação de um 
órgão do Ministério Público exclusivamente para o setor, relegando a questão à 
Lei Orgânica. 
Em 1993, foi publicada a Lei nº 8.625 (Lei Orgânica do Ministério Público), a 
qual dispõe de normas gerais para estrutura e organização do Ministério Público 
dos estados e, meses depois, foi publicada a Lei Complementar nº 73, a qual 
prevê a organização do Ministério Público da União. 
Além da Lei Orgânica do Ministério Público, o art. 129 da Constituição Federal 
(CF) descreve quais são as funções institucionais do órgão. 
O art. 201 do ECA aborda inúmeras funções a serem exercidas pelo 
Ministério Público, salientando que não se trata de um rol que exclua outras 
funções. Desse modo, poderão ser exercidas outras funções desde que 
compatíveis com a finalidade do órgão. 
Leitura 
Leia sobre as funções do Ministério Público. 
Da mesma forma que ocorre com os Juízes, é necessário que a Promotoria 
também esteja atuando em parceria com as equipes interprofissionais para que o 
princípio da proteção integral seja atendido satisfatoriamente. 
Saiba mais 
javascript:void(0);
O sistema Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA) foi desenvolvido 
com o objetivo de criar um sistema on-line contendo dados das entidades de 
acolhimento e de crianças/adolescentes acolhidos. O CNCA visa a integrar, via 
web, as informações de todos os órgãos e entidades de proteção envolvidos com 
a medida protetiva de acolhimento, tais como os Juízos de Direito da Infância e 
Juventude, as Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, os Conselhos 
Tutelares e as instituições de acolhimento, entre outros, na busca pela garantia do 
direito de crianças e de adolescentes de serem criados no seio de uma família. 
Do advogado e do defensor público 
O advogado é percebido pela CF como fundamental para a efetividade do direito 
de acesso à justiça. Da mesma forma o percebe o ECA que, no art. 206, 
estabelece que qualquer pessoa com legítimo interesse poderá intervir no 
procedimento, desde que o faça por intermédio de um advogado. 
 
"Art. 206. A criança ou o adolescente, 
seus pais ou responsável, e qualquer 
pessoa que tenha legítimo interesse na 
solução da lide poderão intervir nos 
procedimentos de que trata esta Lei, 
através de advogado, o qual será 
intimado para todos os atos, 
pessoalmente ou por publicação 
oficial, respeitado o segredo de justiça. 
Parágrafo único. Será prestada 
assistência judiciária integral e gratuita 
àqueles que dela necessitarem." 
- Brasil (1990) 
Tal relevância também é enfatizada no art. 207, o qual determina que o 
adolescente acusado de ato infracional deverá ter o acompanhamento de um 
defensor, que poderá ser nomeado pelo juiz sob pena de nulidade do 
procedimento. Isso por analogia à Súmula 523 do Supremo Tribunal 
Federal (STF), segundo a qual: “No processo penal, a falta de um defensor 
constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova 
do prejuízo para o réu”. 
A Lei nº 12.594, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento 
Socioeducativo (SINASE), no art. 4º, VIII, assegura ao adolescente que tenha 
cometido ato infracional a defesa técnica garantida pelo Estado, papel 
desenvolvido pelos Defensores Públicos. 
Diante da ausência do defensor, é importante salientar que nenhum ato 
processual será adiado, a celeridade que a peculiaridade do conflito exige 
permite que o julgador nomeie um defensor substituto, mesmo que apenas para 
aquele ato específico. 
Atividade 
1. Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta: 
I. A autoridade judiciária somente poderá atuar quando provocada pelo 
Ministério Público. 
II. A autoridade judiciária, quando se tratar de pedidos de guarda e tutela, poderá 
atuar, desde que a criança ou o adolescente esteja em situação de risco. 
III. O Juiz da Infância e Juventude é competente para apreciar todas as ações 
individuais ou coletivas cujo objeto de discussão seja a defesa de interesses 
infantojuvenis. 
IV. Compete à autoridade judiciária a publicação de portaria que regulamente a 
participação apenas das crianças em shows e espetáculos. 
a) As assertivas I eIV estão corretas.. 
b) As assertivas II e IV estão corretas. 
c) As assertivas I e III estão corretas. 
d) As assertivas II e III estão corretas. 
e) As assertivas I e II estão corretas. 
 
Gabarito comentado 
2. Leia a seguinte assertiva: “A equipe terá também a função de prevenção, 
orientação e encaminhamento aos demais órgãos que integrem a rede em prol da 
defesa dos direitos da criança e do adolescente”. A que ou a quem ela se refere? 
a) Ao Defensor Público e à defesa técnica, que deve ser realizada em prol do 
adolescente infrator. 
b) Ao Juiz, que atua nas Varas Especializadas da Infância e da Juventude. 
c) Ao Ministério Público, quando atua como autor da ações coletivas em prol da defesa 
dos interesses coletivos da criança e do adolescente. 
d) Aos serviços auxiliares, tais como psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, que 
formam uma equipe interprofissional na defesa dos direitos da criança e do adolescente. 
e) Não se refere a nenhum sujeito que participe de alguma forma da defesa dos direitos 
das crianças e dos adolescentes. 
 
Gabarito comentado 
3. Considerando o princípio da proteção integral, definiu-se a criação de Varas 
Especializadas que melhor pudessem responder ao conflito envolvendo os 
direitos das crianças e dos adolescentes. A respeito da criação dessas Varas, o 
que o ECA estabelece? 
a) Compete exclusivamente à União criar as Varas Especializadas em face da matéria 
que será discutida. 
b) Compete aos estados e aos municípios a criação das Varas Especializadas em direitos 
das crianças e dos adolescentes. 
c) Compete apenas aos municípios a criação das Varas Especializadas em Infância e 
Juventude. 
d) Compete aos estados e ao Distrito Federal a criação de Varas Especializadas e 
exclusivas da Infância e Juventude. 
e) Compete ao Distrito Federal, apenas, a criação de Varas Especializadas. 
 
Gabarito comentado 
4. Acerca da presença de crianças e adolescentes em espaços de diversão, o que 
podemos afirmar? 
a) Tanto a criança como o adolescente poderão frequentar espaços destinados à 
diversão, independentemente da modalidade, se de jogos de azar ou teatro. 
b) As crianças e adolescente somente poderão participar de concursos de moda, de 
beleza e programas de televisão uma vez concedido o alvará por autoridade judicial 
mesmo que desacompanhadas dos pais ou do responsável. 
c) A autoridade judicial possui competência para a publicação de portarias que 
regulamentem a participação de crianças e adolescentes em festivais, cinemas e boates, 
bem como estabelecer faixa etária. 
d) As crianças não poderão participar de espaços de diversão ainda que estejam 
regulamentadas pela autoridade judicial. 
e) A participação das crianças e dos adolescentes em certames de beleza dependerá de 
autorização do Ministério Público. 
 
Gabarito comentado 
5. São atribuições do Ministério Público, de acordo com o ECA e a doutrina da 
proteção integral: 
a) Conceder a permissão para a realização de espetáculo com crianças; 
b) Publicar portarias que regulamentem a participação de crianças e de adolescentes em 
espaços de diversão; 
c) Promover e acompanhar os procedimentos relativos às infrações atribuídas a 
adolescentes; 
d) Atuar apenas como fiscal da lei ainda que se tratem de ações de natureza coletiva; 
e) Autorizar, mediante alvará, a participação de crianças em certames de beleza. 
 
Gabarito comentado 
 
Referências 
 
 
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Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA 
Aula 9: Dos procedimentos e da tutela 
coletiva dos interesses da criança e 
do adolescente 
Apresentação 
Estudaremos os procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) na defesa dos direitos individuais e coletivos. Trataremos 
também dos recursos previstos para o exercício do duplo grau de jurisdição, 
garantia assegurada implicitamente pelo texto constitucional. Ainda nesta aula, 
analisaremos os mecanismos de defesa dos direitos coletivos em prol das 
crianças e dos adolescentes. 
Objetivos 
• Descrever os procedimentos previstos no ECA para a apuração do ato 
infracional; 
• Analisar a previsão legal do sistema recursal previsto no ECA; 
• Analisar as referências da defesa dos direitos coletivos. 
Procedimentos de proteção dos 
interesses infantojuvenis 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) descreve os procedimentos a 
serem adotados para a proteção dos direitos da criança e do adolescente, no 
sentido da promoção da proteção integral dos interesses infantojuvenis. 
A princípio, cabe ressaltar que as normas processuais gerais são aplicadas 
subsidiariamente ao previsto no ECA bem como todos os procedimentos 
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adotados devem sempre ser norteados pelo princípio da proteção integral e do 
melhor interesse da criança e do adolescente. 
Procedimentos na defesa dos direitos 
das crianças e dos adolescentes 
O ECA estabelece os procedimentos que devem ser adotados no sentido de 
proteger os direitos da criança e do adolescente. Prevê, portanto, os 
procedimentos a serem adotados diante da perda e da suspensão do poder 
familiar, nos arts. 155 a 163; da destituição da tutela, no artigo 164; da 
colocação em família substituta, nos arts. 165 a 170; da apuração do ato 
infracional atribuído a adolescente, nos arts. 171 a 190; da infiltração de agentes 
de polícia para a investigação de crimes contra a dignidade sexual de criança e 
de adolescente, nos arts. 190-A a 190-E; da apuração de irregularidades em 
entidades de atendimento, nos arts. 191 a 193; da habilitação de pretendentes à 
adoção, nos arts. 197-A a 197-E. 
 Da perda e da suspensão do poder 
familiar 
Sobre a importância do poder familiar, Rodrigues comenta: 
"Dentro da vida familiar o cuidado 
com a criação e educação da prole se 
apresenta como a questão mais 
relevante, porque as crianças de hoje 
serão os homens de amanhã, e nas 
gerações futuras é que se assenta a 
esperança do porvir. Daí a razão pela 
qual o Estado moderno sente-se 
legitimado para entrar no recesso da 
família, a fim de defender os menores 
que aí vivem. Umas das maneiras pelas 
quais essa interferência se manifesta é 
a fiscalização do pátrio poder, com o 
propósito de evitar que seu exercício 
possa ser nocivo aos filhos." 
(RODRIGUES, 2002, p. 368) 
Dessa forma, a perda ou a suspensão do poder familiar deve ser percebida como 
medida severa, sendo utilizada somente em casos excepcionais, quando 
efetivamente necessária e não havendo outra medida adequada, pois, a intenção 
será sempre manter a criança ou o adolescente no seio familiar. 
 
Por FTiare (Fonte: Shutterstock). 
 
Havendo necessidade, os pais ou o responsável poderão ser encaminhados, 
também, para órgãos da rede de atendimento para a preservação das garantias 
dos direitos da criança e do adolescente, conforme estabelece o ECA, no art. 
129, estando previstas medidas de proteção à família, nos incisos I a IV, e 
medidas sancionatórias, nos incisos VII a X, sendo estas tomadas apenas em 
situações extremas. 
 
 
Medidas aplicáveis aos pais e responsáveis 
 
 Clique no botão acima. 
Leitura 
A suspensão ou a destituição do poder familiarprevistas no ECA e os 
procedimentos que estão envolvidos nesse tema. 
Saiba mais 
No dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção. Ele foi 
oficializado a partir do Decreto-lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002. 
“No dia 25 de maio de 2018, quando se comemorava o Dia Nacional da Adoção, 
ainda havia 8,7 mil crianças e adolescentes em todo o país aguardando uma 
família em meio a um total de 43,6 mil pessoas que constam como pretendentes 
no Cadastro Nacional de Adoção. De acordo com o Conselho Nacional de 
Justiça (CNJ), na última década, mais de 9 mil adoções foram realizadas no país, 
sendo 420 entre janeiro e maio de 2018.” (LABOISSIÈRE, 2018, on-line) 
Destituição de Tutela 
Conforme já mencionado, a tutela será deferida quando ocorrer a suspensão ou a 
destituição do poder familiar, com o fim de preservar a criança ou o adolescente. 
A principal finalidade da tutela é 
conceder à criança ou ao adolescente 
um representante legal incumbido de 
promover todos os meios necessários 
para o seu desenvolvimento 
saudável. 
Vejamos algumas características sobre tutela: 
Clique nos botões para ver as informações. 
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Pais adolescentes, falecidos ou ausentes 
ECA, NCPC e CC 
Direito de representação e guarda 
Nomeação de tutor por meio de testamento 
Prazo para o tutor começar a exercer sua função 
Adoção 
A adoção é percebida como o instituto pelo qual se cria o vínculo de filiação da 
criança ou o adolescente com a família substituta, por meio de decisão judicial. 
 
Por New Africa (Fonte: Shutterstock). 
 
Atenção 
Ela também é percebida como medida excepcional, devendo ocorrer somente em 
última hipótese, pois o objetivo é fornecer à criança e ao adolescente uma família 
substituta, rompendo os vínculos com a família natural, além de ser irrevogável. 
Analisando-se sob a perspectiva dos princípios norteadores do ECA, entende-se 
o porquê de se tratar de algo excepcional, uma vez que a legislação tem por 
função primordial resguardar a criança e o adolescente, mantendo-os com laços 
estreitos no meio familiar e na sua comunidade. Somente na hipótese de não ser 
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possível mantê-los com a família natural é que a adoção será considerada a 
medida mais adequada. Segundo Digiácomo e Digiácomo, 
"o legislador procurou resgatar o compromisso 
do Poder Público para com as famílias, 
privilegiando a manutenção da criança ou 
adolescente em sua família biológica, 
investindo no resgate/fortalecimento dos 
vínculos familiares e evitando, o quanto 
possível, o rompimento dos laços parentais em 
caráter definitivo. Neste contexto, a destituição 
do poder familiar e posterior adoção jamais 
podem ser os objetivos da intervenção estatal 
quando da constatação de que uma criança ou 
adolescente se encontra em situação risco, 
sendo a aplicação das medidas respectivas 
condicionada à comprovação, através de uma 
completa e criteriosa avaliação técnica 
interprofissional, de que o rompimento, em 
definitivo, dos vínculos com os pais e 
parentes." 
(DIGIÁCOMO; DIGIÁCOMO, 2010, p. 64) 
Como menciona a legislação, procedimentalmente, a adoção é permitida desde 
que o adotante tenha no mínimo 18 (dezoito) anos de idade quando da 
propositura da ação; sendo maior de 18 anos e tendo no máximo 21 (vinte e um) 
anos de idade, somente será viável se o adotando já se encontrar sob a guarda ou 
tutela dos adotantes, de forma que a competência ainda será do Juiz da Infância 
e Juventude seguindo o procedimento especial previsto no ECA. 
Leitura 
Leia, com atenção, uma análise mais detalhada sobre a Adoção. 
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Recursos no Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) 
O duplo grau de jurisdição é uma garantia constitucional implícita devendo ser 
assegurado a todo e qualquer indivíduo em face de decisões judiciais proferidas. 
Dessa forma, não poderia ser diferente, em se tratando de processo envolvendo 
crianças e adolescentes. 
Segundo o ECA, serão aplicadas as regras previstas na legislação processual 
civil (NCPC), porém o estatuto traz no art. 198 traz regras procedimentais 
específicas a serem consideradas: 
"Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça 
da Infância e da Juventude, inclusive os 
relativos à execução das medidas 
socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal 
da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 
(Código de Processo Civil), com as seguintes 
adaptações: 
I - os recursos serão interpostos 
independentemente de preparo; 
II - em todos os recursos, salvo nos embargos 
de declaração, o prazo para o Ministério 
Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) 
dias; 
III - os recursos terão preferência de julgamento 
e dispensarão revisor; 
IV - o agravado será intimado para, no prazo de 
cinco dias, oferecer resposta e indicar as peças 
a serem trasladadas; 
V - será de quarenta e oito horas o prazo para a 
extração a conferência e o conserto do traslado; 
VI - a apelação será recebida em seu efeito 
devolutivo. Será também conferido efeito 
suspensivo quando interposta contra sentença 
que deferir a adoção por estrangeiro e, a juízo 
da autoridade judiciária, sempre que houver 
perigo de dano irreparável ou de difícil 
reparação; 
VII - antes de determinar a remessa dos autos a 
superior instância, no caso de apelação, ou do 
instrumento, no caso de agravo, a autoridade 
judiciária proferirá despacho fundamentado, 
mantendo ou reformando a decisão, no prazo de 
cinco dias; 
VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o 
escrivão remeterá os autos ou o instrumento a 
superior instância dentro de vinte e quatro 
horas, independentemente de novo pedido do 
recorrente; se a reformar, a remessa dos autos 
dependerá de pedido expresso da parte 
interessada ou do Ministério Público, no prazo 
de cinco dias, contados da intimação." 
(BRASIL, 1990) 
Em face da adoção do princípio da especialidade, as regras expostas somente 
poderão ser aplicadas quando da interposição de recursos contra decisões 
provenientes de processos que estejam tramitando perante a Justiça da Infância e 
Juventude. A legislação processual civil é a vigente, utilizada subsidiariamente e 
desde que não conflite com as regras especiais. 
Considerando a necessidade de possibilitar a efetividade do acesso à justiça foi 
concedida à criança e ao adolescente a isenção de custas recursais, sendo, 
portanto, dispensados do preparo independentemente do polo da relação em que 
se encontrem, ou seja, sejam reles requeridos ou requerentes. 
Com embasamento no princípio da prioridade absoluta, foram reduzidos os 
prazos de manifestação do Ministério Público bem como para a defesa visando a 
solução do conflito no menor lapso temporal possível. A mesma prioridade será 
concedida ao recurso quando se tratar de sentença que tenha julgado a ação de 
perda do poder familiar ou de adoção (art. 199-C). 
Atividade 
1. Assinale a alternativa correta: 
a) No processo de perda do poder familiar, não sendo ofertada a defesa, incidirá o efeito 
da revelia. 
b) Citado o réu na ação de destituição do poder familiar, este terá o prazo de dez dias 
para a oferta de defesa 
c) As regras que norteiam a ação para a destituição do poder familiar estão previstas 
exclusivamente no ECA. 
d) Nas ações de suspensão ou destituição do poder familiar, será dispensadaa avaliação 
pela equipe interprofissional, se tratar-se de pais ou responsável de adolescente. 
e) Na legislação civil estão previstas diversas hipóteses para a destituição do poder 
familiar, entre elas, a incompatibilidade de gênios. 
 
Gabarito comentado 
2. A garantia de prioridade à criança e ao adolescente estabelecida no ECA 
compreende, EXCETO: 
a) Precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública. 
b) Primazia a receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias. 
c) Preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. 
d) Destinação secundária de recursos públicos nas áreas relacionadas à proteção à 
infância e à juventude. 
e) Os recursos deverão ter prioridade de trâmite. 
 
Gabarito comentado 
3. As Medidas Específicas de Proteção do ECA são aplicadas sempre que os 
direitos reconhecidos em lei forem ameaçados ou violados, EXCETO: 
a) Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado. 
b) Em razão de sua conduta. 
c) Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável. 
d) Sempre que a criança ou o adolescente desejar. 
 
Gabarito comentado 
4. Em se tratando de adoção, o ECA estabelece alguns critérios para que essa 
medida excepcional possa ocorrer legalmente, entre os quais está a idade do 
adotante. Assinale a alternativa correta: 
a) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 16 anos de idade quando 
da propositura da ação. 
b) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 21 anos de idade 
quando da propositura da ação. 
c) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 24 anos de idade quando 
da propositura da ação. 
d) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 18 anos de idade 
quando da propositura da ação. 
e) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 30 anos de idade quando 
da propositura da ação. 
 
Gabarito comentado 
5. Objetivando celeridade processual para as ações envolvendo crianças ou 
adolescentes, o ECA prevê alguns aspectos procedimentais diferenciados no que 
diz respeito ao Sistema Recursal. Analise as assertivas a seguir e assinale a 
alternativa correta: 
I. Os recursos serão interpostos sem preparo, sendo o prazo de vinte dias para a 
interposição. 
II. Os recursos terão preferência de julgamento, dispensando o revisor, e serão 
isentos de preparo. 
III. O agravado será intimado para, no prazo de quinze dias, oferecer resposta e 
indicar as peças a serem trasladadas; e serão interpostos independentemente de 
preparo. 
IV. Os recursos serão interpostos dependendo de preparo e devendo ser julgados 
no prazo de cinco dias. 
V. O agravado será intimado para, no prazo de cinco dias, oferecer resposta e 
indicar as peças a serem trasladadas; a apelação será recebida em seu efeito 
devolutivo. 
a) Estão corretas as assertivas I e V; 
b) Estão corretas as assertivas II e III; 
c) Estão corretas as assertivas II e V; 
d) Estão corretas as assertivas I e III; 
e) Estão corretas as assertivas III e IV. 
 
Gabarito comentado 
 
Referências 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html
http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html
 
 
Próxima aula 
 
 
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Créditos 
Redator: Patrícia Sotello 
Designer Instrucional: Luciano Freitas 
Web Designer: Elena Pessoa 
Administrador do LMS: Rostan Luiz 
 
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