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Aula 1: Direitos humanos da criança e do adolescente e Direito Internacional Infantojuvenil Apresentação Você sabia que o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) representa o marco da consolidação do Direito Infantojuvenil no Brasil, em um processo iniciado com a Constituição Federal? E que o Direito Internacional teve um papel de destaque, principalmente por meio dos Tratados de Direitos Humanos que versam direitos relativos a crianças e adolescentes? Nesta aula, iremos discorrer sobre esse tema que tanto mexe com os ânimos, lida com preconceitos, envolve sentimentos que variam da pena ao ódio, fazendo surgir diversas questões que envolvem preconceito e discriminação em relação a este grupo especial que ainda está em desenvolvimento. Objetivos • Identificar as diversas legislações internacionais, entre Declarações e Convenções que reconhecem a criança como objeto de proteção ou sujeito de direito, assim como todos os demais seres humanos; • Compreender a atual posição da comunidade internacional sobre os direitos humanos de crianças e adolescentes. Direitos humanos de crianças e adolescentes Em face da condição de pessoas em desenvolvimento, ou seja, de seres que estão em processo de formação física e psicológica, crianças e adolescentes devem receber um tratamento diferenciado. Iniciaremos nossa aula com um breve histórico evolutivo dos direitos das crianças e adolescentes. • 1899 - 1905 No âmbito internacional, a primeira referência que se tem acerca da proteção dos direitos humanos da criança e do adolescente é a Juvenile Court Art de Illinois, criada em 1899, sendo considerada o primeiro Tribunal de Menores nos Estados Unidos, expandindo-se para a Europa somente a partir de 1905, quando grande parte dos Estados criaram Tribunais de Menores (SPOSATO, 2006). • 1919 Em 1919, finda a Primeira Guerra Mundial, foi criado o Comitê de Proteção da Infância, pela liga das Nações, diante dos horrores vivenciados e da percepção de que a criança é um ser especial diante de sua vulnerabilidade, a qual, portanto, merece atenção e proteção especiais. A partir do século XX, houve uma adesão mais ampla da comunidade internacional em prol dos direitos humanos, o que acabou repercutindo nas declarações e convenções internacionais firmadas. • 1924 - 1948 Posteriormente, em 1924, a Declaração de Genebra reconheceu a criança e o adolescente como seres detentores de proteção especial ao determinar que há a “necessidade de proporcionar à criança uma proteção especial”. Da mesma forma ocorreu na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, firmada em 1948, que também defendia o “direito e assistência especiais” à criança. • 1959 Em 1959, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou a Declaração dos Direitos da Criança, passando a reconhecê-la como sujeito detentor de direitos e não mais apenas como objeto de proteção. • 1969 Por sua vez, a Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica, 1969) elencou, no artigo 19, que “toda criança tem direito às medidas de proteção que sua condição de menor requer, por parte da família, da sociedade e do Estado”. Dessa forma, percebemos que o dever de proteger e resguardar a criança e o adolescente não é uma função apenas do Estado, mas também da família com quem eles convivem, bem como da própria sociedade que os integra. Mais recentemente, a comunidade mundial criou novas bases para a formulação de um ordenamento jurídico que possa ser adotado por todos os países, independentemente das condições socioeconômicas destes, cuja característica fundamental é “a nobreza e a dignidade do ser humano criança”. Tais estruturas normativas foram fruto do esforço conjunto de diversos estudiosos e comunidades empenhadas na defesa e promoção da criança e do adolescente, que participaram das Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça da Infância e da Juventude. São elas: Regras de Beijing Resolução 40/33 da Assembleia Geral, de novembro de 1985. Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil – Diretrizes de Riad Assembleia da ONU, de novembro de 1990. Regras Mínimas das Nações Unidas para a Proteção dos Jovens Privados de Liberdade Assembleia Geral da ONU, de novembro de 1990. A proteção integral garantida ao público infantojuvenil surge a partir da Convenção sobre o Direito da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989, também conhecida como Convenção de Nova York. Esse momento foi tão importante que teve o maior número de ratificações e adesões mais rápidas da história, pois protege todas as crianças do planeta e não apenas grupos determinados. Nesse contexto, a comunidade internacional reconheceu que as crianças necessitam de atenção especial que as preserve das consequências danosas decorrentes de situações que podem colocá-las em risco. No tópico seguinte, serão abordados documentos internacionais relevantes, estabelecendo a relação direta entre eles e a defesa dos interesses de crianças e adolescentes. Declaração de Genebra – Carta da Liga sobre a criança A Declaração de Genebra, ou Carta da Liga sobre a Criança, de 1924, é considerada o primeiro documento voltado à proteção da criança de forma ampla e genérica, pois não se limita a apenas um enfoque na defesa dos direitos humanos da criança, mas engloba a proteção à infância de maneira integral. Ela incorporou os princípios dos direitos da criança, incentivando os Estados a criarem meios que efetivamente garantissem a proteção desse grupo especial. (Fonte: Nowik Sylwia / Shutterstock) Acerca da Declaração de Genebra, descreve Eglantine (apud DOLINGER, 2003, p. 82) cinco princípios basilares do documento, os quais devem ser seguidos tendo em vista a necessidade de se resguardar a criança como sujeito de direito: 1 A criança deve receber os meios necessários para seu desenvolvimento normal, tanto material, como espiritual. 2 A criança que estiver com fome deve ser alimentada; a criança que estiver doente precisa ser ajudada; a criança atrasada precisa ser ajudada; a criança delinquente precisa ser recuperada; o órfão e o abandonado precisam ser protegidos e socorridos. 3 A criança deverá ser a primeira a receber socorro em tempos de dificuldade. 4 A criança precisa ter possibilidade de ganhar seu sustento e deve ser protegida de toda forma de exploração. 5 A criança deverá ser educada com a consciência de que seus talentos devem ser dedicados ao serviço de seus semelhantes. Muito embora seja voltada para a garantia da proteção da criança e do adolescente, percebemos que a Declaração de Genebra foi um avanço para a época. No que diz respeito ao reconhecimento da vulnerabilidade da criança, a Declaração não as tratava como autênticos sujeitos de direitos e sim como objetos de proteção, como pode ser observado pelo emprego das palavras “a criança deve receber”, “deve ser alimentada”, “deve ser ajudada”, “deve ser educada”, diferentemente da Declaração de 1959, segundo a qual a criança tem direito a um nome, como veremos a seguir. Declaração dos Direitos da Criança Após a Segunda Guerra Mundial, diversos movimentos voltados a resguardar as crianças e adolescentes da devastação decorrente das guerras surgiram, a exemplo do Instituto Interamericano da Criança e da UNICEF (United Nations International Child Emergency Fund). Porém, foi em 1959 que se conseguiu mais abrangência aos direitos da infância, sendo firmada a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a qual passa a tratar a criança como sujeito de direito e não mais como mero objeto de proteção. A Declaração, além de conceder uma nova percepção da criança, agora sujeito de direitos, ressalta também a necessidade dapromoção do respeito aos direitos dela, sua sobrevivência, desenvolvimento e participação no combate à exploração e ao abuso. Princípios da Declaração dos Direitos da Criança Clique no botão acima. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#complementar1 Atividade 1. Observando a imagem a seguir, discorra sobre a violação dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente e a importância da proteção integral. Gabarito Comentado Regras de Pequim ou Regras de Beijing, Diretrizes de RIAD e Regras de Tóquio As Regras de Beijing, as Regras de Riad e as Regras de Tóquio, ao contrário das demais Convenções, voltam-se à criminalidade juvenil, como veremos a seguir. Clique nos botões para ver as informações. Regras de Beijing http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-01 Diretrizes de Riad Regras de Tóquio Como se pode perceber, as Regras de Beijing, as Diretrizes de Riad e as Regras de Tóquio compõem a Doutrina das Nações Unidas para a Proteção Integral à Infância, pois estas Regras constituíram os primeiros pilares do Sistema de Justiça da Infância e da Juventude pautado na especialidade e na garantia de direitos. Ainda falando em proteção dos direitos humanos das crianças, deve-se mencionar a Convenção sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), de 1989, abordada no tópico seguinte. Atividade 2. No plano internacional, as Regras Mínimas para a Administração da Justiça, da Infância e da Juventude referem-se a qual instrumento jurídico? a) Regras de Riad. b) Regras de Beijing. c) Convenção Internacional Sobre os Direitos da Criança de 1989. d) Declaração Universal dos Direitos da Criança de 1959. e) Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Gabarito Comentado Convenção sobre os direitos da criança de 1989 Adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1989, e vigente desde 1990, este tratado internacional de proteção dos direitos humanos possui apenas 54 artigos e se destaca dos anteriores pelo fato de ter sido ratificado por todos os países-membros, com exceção dos Estados Unidos, da Somália e do Sudão do Sul. Os direitos previstos na Convenção sobre os Direitos as Criança incluem: 1 Direito à vida e à proteção contra a pena capital. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-02 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula1.html#collapse01-03 2 Direito a ter uma nacionalidade. 3 Direito à proteção ante a separação dos pais. 4 Direito de deixar qualquer país e de entrar em seu próprio país. 5 Direito de entrar em qualquer Estado e sair dele, para fins de reunião familiar. 6 Direito à proteção para não ser levada ilicitamente ao exterior. 7 Direito à proteção de seus interesses no caso de adoção. 8 Direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. 9 Direito de acesso a serviços de saúde, devendo o Estado reduzir a mortalidade infantil e abolir práticas tradicionais prejudiciais à saúde. 10 Direito a um nível adequado de vida e segurança social. 11 Direito à educação, devendo os Estados oferecer educação primária compulsória e gratuita. 12 Direito à proteção contra a exploração econômica, com fixação de idade mínima para admissão em emprego. 13 Direito à proteção contra o envolvimento na produção, tráfico e uso de drogas e substâncias psicotrópicas. 14 Direito à proteção contra a exploração e o abuso sexual. Nos termos do Art. 1 dessa Convenção, a criança é definida como: "Todo ser humano com menos de dezoito anos de idade, a não ser que, em conformidade com a lei aplicável, a maioridade seja alcançada antes." - Convenção sobre os direitos da criança. Esse importante tratado recepciona, portanto, a concepção do desenvolvimento integral da criança, reconhecendo assim sua absoluta prioridade e necessidade de proteção integral. A Convenção sobre os Direitos da Criança foi promulgada no Brasil pelo Decreto nº 99.710, de 21 de novembro de 1990, ou seja, depois da vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente. Complementando e fortalecendo o rol de medidas protetivas à criança e ao adolescente, as Nações Unidas adotou dois Protocolos Facultativos à Convenção sobre os Direitos da Criança, por meio da Resolução A/RES/54/263 da javascript:void(0); Assembleia Geral: o Protocolo Facultativo sobre Venda de Crianças, Prostituição Infantil e Pornografia Infantil, passando a vigorar em 18.01.2002, sendo aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, por meio do Decreto Legislativo nº 230/2003, e promulgado pelo Decreto nº 5.007/2004; e o Protocolo Facultativo sobre o Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados, o qual passou a vigorar em 12.02.2002. Aula 2: Estatuto da Criança e do Adolescente: disposições preliminares Apresentação Iniciaremos os estudos sobre o tratamento jurídico conferido à criança e ao adolescente ao longo do tempo no cenário nacional. Trataremos, ainda, da doutrina da proteção integral, esclarecendo os principais pontos desta. Compreenderemos a utilização inicial do termo menor, a partir do primeiro Código de Menores, bem como a evolução dessa designação até ser empregada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Definiremos criança e adolescente, e demonstraremos como estes são sujeitos de direitos fundamentais. Finalizando, conheceremos a importância do critério de interpretação do ECA. Objetivos • Descrever a evolução do tratamento jurídico conferido à criança e ao adolescente; • Explicar a doutrina da proteção integral; • Esclarecer a utilização da designação “menor”, a definição de criança e adolescente e o critério de interpretação do ECA. Disposições preliminares Fonte: //www.engemed.med.br/ javascript:void(0); Ao longo da história jurídica, nem sempre as crianças e os adolescentes receberam um tratamento diferenciado por serem pessoas em pleno desenvolvimento. No Brasil, já houve um tempo em que a condição de seres em processo de formação física e psicológica não conferia a crianças e adolescentes a titularidade de direitos humanos, diferentemente do que acontece hoje. Como se deu, portanto, a evolução do tratamento jurídico conferido à criança e ao adolescente? Como ambos se tornaram sujeitos de direitos fundamentais? Veremos isso a seguir. Acompanhe. Evolução do tratamento jurídico conferido à criança e ao adolescente como sujeitos de direitos fundamentais A criança nem sempre foi vista e respeitada, no Brasil, como um ser detentor de direitos especiais e específicos, pela condição de pessoa em desenvolvimento. Ela era vista, podemos dizer, como um mini-adulto, sem proteção especial. Na sociedade contemporânea, as crianças ganharam mais espaço. A evolução do tratamento da criança e do adolescente, pelo mundo jurídico, pode ser resumida em quatro fases, como bem ressalta Garrido de Paula: “Fase da absoluta indiferença, em que não existiam normas relacionadas a essas pessoas;” “Fase da mera imputação criminal, em que as leis tinham o único propósito de coibir a prática de ilícitos por aquelas pessoas (Ordenações Afonsinas e Filipinas, Código Criminal do Império de 1830, Código Penal de 1890);” “Fase tutelar, conferindo-se ao mundo adulto poderes para promover a integração sócio familiar da criança, com tutela reflexa de seus interesses pessoais (Código Mello Mattos, de 1927 e Código de Menores, de 1979);” “Fase da proteção integral, em que as leis reconhecem direitos e garantias às crianças, considerando-as como uma pessoa em desenvolvimento (Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº 8.069/1990).” (GARRIDODE PAULA, 2002, p. 26) No cenário nacional foi longa a jornada em busca de uma proteção integral à criança. No Brasil colonial não havia qualquer proteção especial para a criança, a qual não era percebida como sujeito de direito. Nesse sentido, assevera Alberton (2005, p. 25) que: “as crianças, eram chamadas de ‘grumetes’, tinham expectativa de vida muito baixa, até por volta dos 14 anos; (...) as crianças eram consideradas um pouco mais do que animais, e por isso usavam sua força de trabalho que acreditavam ser necessário.” Em 1927, no Brasil, foi publicado o primeiro Código de Menores sendo direcionado às crianças expostas e às crianças abandonadas. O documento tratava não apenas da culpabilidade e da responsabilidade, mas também declarava como menor aquelas crianças e adolescentes identificadas como sujeitos em situação de vulnerabilidade e infração. Essa designação estava em consonância com o desenvolvimento intelectual, identificando que menores seriam aqueles com idade inferior a 18 anos. Na época, a responsabilidade sobre os menores ainda era inerente ao Estado, competindo a este estabelecer medidas repressivas e formas de se evitar a delinquência. Outro destaque inerente ao Código de Menores é que a punição perdeu a natureza punitiva passando a ser percebida como de natureza pedagógica, havendo a mudança da sanção-castigo para sanção-educação. Pela primeira vez se identificava o caráter assistencial voltado às crianças e aos adolescentes brasileiros; porém, a doutrina adotada ainda era a doutrina da Situação Irregular, resultado do Código Civil de 1916, conhecido como normatização voltada aos direitos dos maiores, de modo que as crianças e adolescentes não eram, portanto, percebidos como sujeitos de direitos. compare_ arrows Posteriormente, a Constituição de 1934 trouxe em seu texto questões pertinentes à criança e ao adolescente impedindo, por exemplo, o trabalho noturno realizado por menores de 16 anos de idade. A Constituição de 1937 trouxe em seu texto uma amplitude acerca da proteção da criança referindo que a infância e a juventude são objetos de cuidado e garantias especiais por parte do Estado e dos municípios, devendo ser garantido a elas o acesso ao ensino público e gratuito. “Art. 127. A infância e a juventude devem ser objeto de cuidados e garantias especiais por parte do Estado que tomara todas as medidas destinadas a assegurar-lhes condições físicas e morais de vida sã e de harmonioso desenvolvimento das suas faculdades. O abandono moral e intelectual ou físico da infância e da juventude importará falta grave dos responsáveis por sua guarda e educação, e cria ao Estado o dever de provê-las do conforto e dos cuidados indispensáveis à preservação física e moral. Aos pais miseráveis assiste o direito de invocar o auxílio e proteção do Estado para a subsistência e educação da sua prole.” (BRASIL, 1937) • Em 1979 Foi publicado o novo Código de Menores (Lei nº 6.697/79), substituindo o código anterior, mas mantendo a natureza repressiva e assistencialista, fazendo menção ao menor em situação irregular, ou seja, os menores de 18 anos de idade que tivessem cometido alguma conduta infracional, ou que tivessem sofrido maus-tratos, ou que estivessem abandonados. Ao Juiz de Menores era concedido o poder de decidir o destino das crianças, permitindo tratamentos discricionários e julgamentos baseados na situação irregular. • Na década de 1980 que se deu mais ênfase à preocupação com a proteção de crianças e adolescentes. O texto constitucional de 1988 trouxe uma gama de garantias dos direitos desse grupo especial, atribuindo não apenas ao Estado, mas também à família e à sociedade a responsabilidade de assegurar a efetividade de tais direitos. Foi com a Constituição de 1988 que se adotou a proteção integral da criança, “a população infanto-juvenil deixa de ser tutoria/discriminatória para tornar-se sujeito de direitos” (BRUÑOL, 2001, p. 39). “Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” (BRASIL, 1988) A mudança ocorrida no tratamento da criança e do adolescente a partir da Constituição de 1988, adotando a teoria da proteção integral, possibilitou o surgimento de um tratamento jurídico específico para esse grupo especial: o ECA, Lei nº 8.069/1990, pautado no disposto no inciso XV, do art. 24, da Constituição Federal de 1988, e inspirado nas normas internacionais de direitos humanos, tais como a Declaração Universal de Direitos Humanos, a Declaração Universal dos Direitos da Criança e a Convenção sobre os Direitos da Criança. O ECA surge com uma nova proposta de proteção e efetividade dos direitos das crianças e dos adolescentes impondo mudanças nas políticas públicas voltadas ao tratamento destes, percebidos, então, como sujeitos de direitos. Doutrina da Proteção Integral da criança e do adolescente O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão brasileiro que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as exigências físicas até o aprimoramento moral e espiritual. Nesse contexto moderno, com visão mais humana e amparada por um conjunto de princípios e regras que regem diversos aspectos da vida, desde o nascimento até a maioridade, a Lei nº 8.069/1990, estabelece a necessidade de proteção integral registrando em seu artigo 1º que “Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente”; abandonando, por conseguinte, a Doutrina da Situação Irregular para adotar a Doutrina da Proteção Integral. Fonte: Por ProStockStudio / Shutterstock. Por proteção integral, entende-se o conjunto amplo de mecanismos jurídicos voltados à tutela da criança e do adolescente, tendo ligação com o princípio do melhor interesse infanto-juvenil, considerando que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos em relação à família, ao Estado e à sociedade. A Doutrina da Proteção Integral pondera, ainda, que a criança e o adolescente são pessoas que estão em desenvolvimento físico, o que lhes torna especiais frente aos adultos no sentido de necessitarem de estruturações especiais e diversas para atendê-los. O ECA deve ser interpretado e aplicado com foco nos fins sociais a que se destina, uma vez que, na verdade, em situação irregular estão as famílias, que carecem de infraestrutura e que abandonam as crianças. Os pais descumprem os deveres do poder familiar; o Estado não cumpre as políticas sociais básicas. Fonte: Por gst / Shutterstock. Dessa forma, o ECA está voltado para o desenvolvimento da população infanto- juvenil do país, garantindo proteção especial a este segmento considerado como pessoas em desenvolvimento, não tendo a percepção apenas repressora e punitiva característica do Código de Menores – este, nitidamente de natureza judicial –, mas sim uma percepção pedagógica norteada de medidas socioeducativas e protetivas, buscando sempre a ressocialização da criança e do adolescente. Afirmando que apenas por meio da educação, do tratamento e da prevenção é que se terá uma redução da delinquência juvenil, diversos órgãos foram criados com a intenção de implementar o ECA e efetivar os direitos das crianças e adolescentes, como os Conselhos de Direitos, os Conselhos Tutelares, os Fundos da Criança, bem como a ação civil pública para a responsabilização de autoridades que, por ação ou omissão, descumprirem o estatuto. Atenção É relevante ressaltar, por fim, que o ECA rompe com a barreira da situação irregular resguardada noCódigo de Menores, pois os direitos assegurados não estão direcionados apenas àqueles que se encontram em situação irregular, mas sim a toda e qualquer criança, todo e qualquer adolescente, independentemente da situação em que se encontre, pois todos são sujeitos de direitos Menor, criança e adolescente Na concepção técnica jurídica, a expressão “menor” designa aquela pessoa que não atingiu ainda a maioridade, ou seja, os 18 anos de idade, não lhe sendo atribuída a imputabilidade penal, nos termos do art. 104 do ECA e do art. 27 do Código Penal. Fonte: Por Tasty_Cat / Shutterstock. Por outro lado, a palavra menor utilizada pelo Código de Menores, era sinônimo de pessoa carente, abandonada, delinquente, infratora, pivete, ou seja, a pessoa estigmatizada como sendo um indivíduo em situação irregular. Isso estava em conformidade com a doutrina da época, a Doutrina da Situação Irregular, a qual acabou por provocar o preconceito e a marginalização, gerando até mesmo traumas nos sujeitos. Voltado para a proteção integral dos infantes e dos jovens respeitando as peculiaridades de seu desenvolvimento e condições de amadurecimento, o legislador considerou ser mais adequado substituir o termo menor cuja conotação era pejorativa para a criança e o adolescente. O ECA tem como objetivo distinguir o atendimento socioeducativo, pela definição dos conceitos de criança e adolescente, fundado no aspecto da idade, não levando em consideração sua condição social ou econômica, ponderando apenas o processo de desenvolvimento físico e intelectual em que estão tais indivíduos. Dessa forma, conforme previsto no artigo 2º, criança é toda pessoa até doze anos de idade incompletos. Já adolescente é aquele que estiver entre os doze e os dezoito anos de idade. A distinção entre criança e adolescente tem importância em diversos aspectos, entre eles na aplicação de medidas socioeducativas quando da prática de um ato infracional, pois, para a criança, não será aplicada qualquer medida socioeducativa, mas de proteção. As medidas socioeducativas serão aplicadas somente aos adolescentes, conforme previsto pelo artigo 105 do ECA. Exemplo Outro exemplo que ressalta a importância da distinção entre crianças e adolescentes é a Lei nº 13.257/2016 que dispõe políticas públicas e estabelece princípios e diretrizes para a formulação e a implementação de políticas públicas para a primeira infância, ou seja, os primeiros 06 anos de vida. É relevante ressaltar que o ECA, no artigo 2º, em seu parágrafo único, permite que o atendimento aos adolescentes ultrapasse o limite dos 18 anos de idade em situações excepcionais. Isso ocorre em face da hipótese da maioridade civil, pois, à época da entrada em vigor do estatuto, estava vigente o antigo Código Civil, a Lei nº 3.071/1916. Com a chegada do novo Código Civil em 2002, a Lei nº 10.406/2002, foi alterada a maioridade civil, sendo esta reduzida para 18 anos de idade (CC, art. 5º, caput). É possível, dessa forma, o atendimento aos adolescentes que tenham mais de 18 anos de idade, por exemplo, a possibilidade de adoção de maior de 18 anos, nas hipóteses em que o adotando já se encontre sob os cuidados e a guarda dos adotantes, conforme previsto no artigo 40 do ECA, ou quando, por exemplo, é autorizada a aplicação e o cumprimento de medida socioeducativa de internação até os 21 anos de idade, conforme previsto no artigo 121, parágrafo 5º do mesmo estatuto. Atenção É importante destacar a Lei nº 13.431/2017, que estabeleceu o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. Ela cria mecanismos para prevenir e coibir a violência e dispõe sobre a hipótese de aplicação excepcional de seus preceitos para as pessoas entre 18 e 21 anos: “Art. 3. Na aplicação e interpretação desta lei serão considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as condições peculiares da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento, às quais o Estado, a família e a sociedade devem assegurar a fruição dos direitos fundamentais com absoluta prioridade.” “Parágrafo único. A aplicação desta lei é facultativa para as vítimas e testemunhas de violência entre 18 (dezoito) e 21 (vinte e um) anos, conforme disposto no parágrafo único do art. 2º da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente).” (BRASIL, 2017) Sendo assim, o jovem terá um tratamento diferenciado, como escuta e depoimento especiais, visando oferecer a ele um sistema que lhe proteja os direitos de maneira mais eficaz, mesmo que a apuração da violência ocorra depois de a vítima ou testemunha ter atingido a maioridade. Criança e adolescente como sujeitos de direitos fundamentais Os direitos fundamentais da criança e do adolescente estão previstos no ECA, a partir do artigo 7º, os quais, pela leitura do Livro, depreendemos que são os mesmos direitos de qualquer pessoa humana. No entanto, por se tratarem de pessoas em desenvolvimento, deverão ter oportunidades que potencializem o seu estado físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Conforme o disposto no artigo 3º do ECA, incluído pela Lei nº 13.257/2016: “Art. 3º. A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se- lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.” “Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem.” (BRASIL, 2016) Em consonância com o previsto no artigo descrito, podemos estabelecer três princípios básicos que norteiam a proteção dos direitos fundamentais da criança e do adolescente, resguardando a situação de sujeitos de direito deles. São eles: A A criança e os adolescentes gozam de todos os direitos fundamentais assegurados a toda pessoa humana; B Possuem direito à proteção integral; C A eles são garantidos todos os instrumentos necessários para assegurar seu desenvolvimento físico, mental, moral e espiritual, em condições de liberdade e dignidade. Adotando a Doutrina de Proteção Integral, que atribui a função de resguardar a criança e o adolescente não apenas ao Estado mas também à família e à própria sociedade, e seguindo a orientação do texto constitucional (art. 227, CF/1988), o ECA mantém tal diretriz de forma expressa estabelecendo que, primeiramente, a família e, supletivamente, o Estado e a sociedade têm o dever de assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos fundamentais. Deixa claro que não é suficiente que um órgão ou entidade se encarregue de tal função; é necessário que haja um esforço conjunto, uma atuação articulada entre família, Estado e sociedade: “Art. 4º. É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execuçãodas políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.” (BRASIL, 1990) Atenção É importante ressaltar que o ECA destaca, em primeiro lugar, a participação da família como forma de resguardar a criança e o adolescente, pois se entende que antes de qualquer outro órgão, a família é responsável por todo o trabalho desenvolvido em benefício das crianças e dos adolescentes, pela proteção e segurança destes. No artigo 19 do ECA é enfatizado novamente o convívio não apenas com a família, mas com a comunidade, agora como direito; registrando expressamente que “Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral”. Nota-se, por conseguinte, a preocupação não apenas com relação ao jovem infrator, como ocorria nos códigos anteriores (Código de Menores), mas efetivamente com o ser humano criança e com o ser humano adolescente. Digiácomo e Digiácomo referem-se à garantia de prioridade prevista no parágrafo único do artigo 4º, que deverá ser promovida e fiscalizada pelo Ministério Público, do seguinte modo: “[...] o princípio da prioridade absoluta à criança e ao adolescente deve nortear a atuação de todos, em especial do Poder Público, para defesa/promoção dos direitos assegurados a crianças e adolescentes. A clareza do dispositivo em determinar que crianças e adolescentes não apenas recebam uma atenção e um tratamento prioritários por parte da família, sociedade e, acima de tudo, do Poder Público, mas que esta prioridade seja absoluta (ou seja, antes e acima de qualquer outra), somada à regra básica de hermenêutica, segundo a qual “a lei não contém palavras inúteis”, não dá margem para qualquer dúvida acerca da área que deve ser atendida em primeiríssimo lugar pelas políticas públicas e ações de governo. O dispositivo, portanto, estabelece um verdadeiro comando normativo dirigido em especial ao administrador público, que em suas metas e ações não tem alternativa outra além de priorizar – e de forma absoluta – a área infanto-juvenil, como vem sendo reconhecido de forma reiterada por nossos Tribunais (exemplos dessa jurisprudência se encontram compilados ao longo da presente obra).” (DIGIÁCOMO; DIGIÁCOMO, 2017) A destinação privilegiada dos recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude está assegurada no próprio ECA por meio dos artigos 59, 87, 88 e artigo 261, parágrafo único. Voltado à proteção da criança e do adolescente, o ECA estabelece ainda, em seu artigo 5º, que é dever de todos a função de velar por direitos das crianças e adolescentes, impedindo que sejam submetidos a negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão: “Art. 5º. Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.” (BRASIL, 1990) Tal previsão não faz diferenciação diante da ação ou da omissão. Não é relevante de que forma a conduta ocorreu, de modo que, em ambas as situações, o indivíduo deverá ser punido, pois o objetivo primordial é resguardar os direitos fundamentais da criança e do adolescente afirmando o princípio da proteção integral destes, bem como o princípio da prioridade absoluta. Como já foi dito anteriormente, as crianças e os adolescentes possuem os mesmos direitos fundamentais que qualquer outra pessoa, ou seja, possuem direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer, à liberdade, entre outros, ressalvado o fato de serem pessoas em desenvolvimento. Ciente de tal situação especial, o ECA registra, no artigo 15, um tópico destinado ao direito à liberdade e ao respeito, a saber: “A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis” (BRASIL, 1990). Como se observa, o ECA enfatiza novamente que se está tratando não de objetos de proteção, mas de sujeitos de direitos e, como tal, devem ser tratados e respeitados, ressaltando o princípio da dignidade humana previsto pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e consagrado universalmente. Como bem ressalta o artigo transcrito anteriormente, à criança e ao adolescente são destinados não apenas os direitos humanos fundamentais, mas também os direitos civis e sociais, de tal forma que a violação de tais direitos repercutirá em sanções legais, para mera exemplificação. Vejamos a decisão acerca do abandono paterno: “INDENIZAÇÃO DANOS MORAIS. RELAÇÃO PATERNO-FILIAL. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. PRINCÍPIO DA AFETIVIDADE. A dor sofrida pelo filho, em virtude do abandono paterno, que o privou do direito à convivência, ao amparo afetivo, moral e psíquico, deve ser indenizável, com fulcro no princípio da dignidade da pessoa humana.” (TA/MG. 7ª C. Civ. Ap. Civ. n° 408.550-5. Rel. Juiz Unias Silva. J. em 01/04/2004) A relação de paternidade não é apenas um direito do pai, mas da criança e do adolescente, devendo-lhes ser, portanto, assegurado. O descumprimento de tal direito importará a possibilidade de ação judicial e a respectiva indenização, ainda que não se tenha por interesse tornar patrimonial o sentimento, a relação entre pai e filho. O que se pretende em si é aplicar uma sanção ao descumprimento do direito inerente à criança e ao adolescente. Critério de interpretação do estatuto Quando se fala em Estatuto da Criança e do Adolescente, em hipótese alguma poderá a interpretação da norma ocorrer de modo a prejudicar a criança ou o adolescente – e não poderia ser diferente, uma vez que são os destinatários da Doutrina de Proteção Integral adotada pela legislação específica. O ECA, em seu artigo 6º, inspirado no artigo 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (BRASIL, 1942), estabelece que a lei deverá ser interpretada considerando-se “os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento” (BRASIL, 1990). Nesse sentido, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal: “ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – INTERPRETAÇÃO. O Estatuto da Criança e do Adolescente há de ser interpretado dando-se ênfase ao objetivo visado, ou seja, a proteção e a integração do menor no convívio familiar e comunitário, preservando-se-lhe, tanto quanto possível, a liberdade. Estatuto da Criança e do Adolescente – segregação. O ato de segregação, projetando- se no tempo medida de internação do menor, surge excepcional, somente se fazendo alicerçado uma vez atendidos os requisitos do artigo 121 da Lei nº 8.069/90.” (STF. 1ª T. HC nº 88945/SP. Rel. Min. Marco Aurélio Melo. J. em 04/03/2008). Dessa forma, podemos afirmar que, ao interpretar o ECA, sempre será priorizado o fim social ligado à proteção integral da criança e do adolescente, sobrepondo-se a qualquer outro bem ou interesse judicialmente tutelado, levando em conta a destinação social da lei e a condição de pessoas em desenvolvimento. Saiba mais Negligência deriva do latim negligentia e significa desatenção, desleixo. É um ato omissivo, por exemplo, a falta de cuidados pelo responsável legal. Discriminação é a segregação, a diferenciação, seja por motivos relacionados a etnia, religião, gênero, orientação sexual, nacionalidade etc., por exemplo, quando não se quer proximidade com criança ou adolescente em razão da cor deles. Exploração é a forma de extrairde modo irregular algum proveito da conduta da criança ou do adolescente, como ocorre, por exemplo, com os denominados “pais de rua”, os quais colocam os filhos para pedir esmolas nos semáforos. Violência, crueldade e opressão são condutas coercitivas contra o adolescente, causando-lhe dor e sofrimento. Cabe dano moral para criança de 3 anos? A Ministra Nancy Andrighi do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial de nº 107.775-9, em 23 de fevereiro de 2010, citando o art. 3º do ECA, reconheceu que as crianças e os adolescentes possuem o mesmo direito que a pessoa humana adulta, e assim fixou uma indenização no valor de R$ 4.000,00 a uma criança de três anos em razão de deficiência na prestação do serviço médico e recusa na feitura do exame radiológico (Resp. 103.775-9, j. 23-2-2010). Atenção Nas comunidades indígenas, não é comum a utilização da expressão adolescente. Em relação às crianças e adolescentes indígenas, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança baixou, em 2003, a Resolução 91, regulamentando a aplicação do ECA para eles, devendo ser observadas as peculiaridades socioculturais das comunidades indígenas, em consonância com o art. 231 da CF (BRASIL, 1988). Ocorre que o índio, ao passar pela puberdade e pelo seu respectivo “ritual de passagem”, deixa de ser criança e é considerado um adulto. O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão brasileiro que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as exigências físicas até o aprimoramento moral e religioso. compare_ arrows O ECA adota, por conseguinte, a teoria de Proteção Integral, definindo que a função de resguardar a criança e o adolescente não é apenas uma função do Estado, mas também da família e da própria sociedade. Seguindo a orientação constitucional, o estatuto mantém a mesma diretriz de forma expressa estabelecendo que, primeiramente, a família e, supletivamente, o Estado e a sociedade têm o dever de assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos fundamentais. Deixa claro que não é suficiente que um órgão ou entidade se encarregue de tal função, é necessário que haja um esforço conjunto, uma atuação articulada entre família, Estado e sociedade. Atividade 1. O artigo 4º da Lei Federal nº 8.069/90, ECA, estabelece que é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária e, em seu parágrafo único, esclarece que a garantia de prioridade compreende, além de outras, a: a) Primazia na destinação de recursos voltados à proteção e ao socorro nas instituições públicas. b) Primazia na destinação de recursos para atendimento emergencial exclusivamente no sistema público de saúde. c) Primazia na formulação e na execução das políticas públicas voltadas ao esporte. d) Destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. e) Destinação privilegiada de recursos materiais e financeiros voltados ao atendimento em instituições particulares especializadas. Gabarito comentado 2. O ECA, em vigor no Brasil a partir da Lei nº 8.069, desde 1990, dispõe sobre a atenção integral à criança e ao adolescente. De acordo com tal estatuto, assinale a alternativa correta: a) É considerada adolescente a pessoa entre 14 e 18 anos. b) É considerada adolescente a pessoa a partir dos 15 anos de idade completos. c) É considerada criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos. d) É considerada adolescente a pessoa a partir dos 13 anos. e) É considerada criança a pessoa até 12 anos completos. Gabarito comentado 3. Assinale V (Verdadeiro) ou F (Falso) para as assertivas a seguir: a) O ECA tem por objetivo a proteção integral, de modo que cada cidadão brasileiro que nasce tenha assegurado seu pleno desenvolvimento, desde as exigências físicas até o aprimoramento moral e espiritual. VerdadeiroFalso b) Devemos entender por proteção integral o conjunto amplo de mecanismos jurídicos voltados à tutela da criança e do adolescente, não tendo ligação com o princípio do melhor interesse infanto-juvenil. VerdadeiroFalso c) Criança é aquela pessoa com 12 anos incompletos; adolescente, dos 12 anos completos aos 18 anos incompletos. VerdadeiroFalso d) O ECA está voltado para o desenvolvimento da população infanto-juvenil do país, garantindo proteção especial a este segmento considerado composto por pessoas em desenvolvimento. VerdadeiroFalso Gabarito comentado 4. Julgue certo ou errado o item subsecutivo acerca do ECA. “O poder público, a família, a sociedade e a comunidade devem garantir a efetivação dos direitos da criança e do adolescente”. Aula 3: Dos direitos fundamentais da criança e do adolescente Apresentação Iniciaremos os estudos sobre os direitos fundamentais da criança e do adolescente, como o direito à vida e à saúde, o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade, o direito à convivência familiar e à comunitária, o direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer, o direito à profissionalização e à proteção no trabalho, compreendendo que tais indivíduos em formação são sujeitos de direitos básicos. A condição de pessoas em desenvolvimento desse grupo especial o torna detentor de oportunidades e faculdades que potencializam seu estado físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Objetivos • Descrever os direitos fundamentais da criança e do adolescente; • Reconhecer que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos fundamentais; • Demonstrar que a criança e o adolescente são detentores de oportunidades e faculdades que potencializam o estado físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Direitos e garantias fundamentais da criança e do adolescente Já sabemos que as crianças e os adolescentes foram reconhecidos, pela Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, como sujeitos de direitos humanos fundamentais e, consequentemente, passaram a receber um tratamento jurídico diferenciado. Mas quais são os direitos devidos a esse grupo especial de seres em desenvolvimento? Eles são os mesmos direitos de qualquer pessoa humana, a começar pelo direito à vida, pois, sem ela, todos os outros direitos não fazem sentido. Discutiremos, a seguir, os direitos fundamentais a que crianças e adolescentes fazem jus, esclarecendo os principais pontos de cada um deles. Acompanhe. (Fonte: howcolour / Shutterstock) Dos direitos fundamentais Recepcionando a Doutrina da Proteção Integral, a Constituição da República Federativa do Brasil (CF), promulgada em 5 de outubro de 1988, passou a atribuir uma gama de garantias e direitos à criança e ao adolescente, corroborando a teoria de que são sujeitos de direitos. O artigo 227 faz referência expressa aos direitos considerados fundamentais, os quais, portanto, não podem ser suprimidos ou desconsiderados por qualquer indivíduo ou pelo Poder Público: "Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão." - Brasil, 2008-B. Os direitos descritos no artigo 227 da CF são de caráter prestacional, ou seja, os pais ou responsáveis, a sociedade e o Poder Público têm o dever de prestá-los. Eles foram recepcionados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de tal forma que: Do art. 7º ao art. 14º Estão previstos o direito à vida e à saúde. Do art. 15º ao art. 18º Estão previstos os direitos relacionados à liberdade, ao respeito e à dignidade humana. Do art. 19º ao art. 52º Estão previstos os direitos relativos ao direito à convivência familiar e comunitária. Artigo 59º Estão previstos os pontos relativo à cultura, ao esporte e ao lazer. Do art. 60º ao art. 69º Estão previstos os direitos relativos à profissionalização e ao trabalho. Direito à vida e à saúde Dentre os direitos fundamentais protegidos e assegurados pela lei, o direito à vida destaca-se pela importância, pois não seria possível tratar de qualquer outro tipo de tutela de direitos ou princípios e regras sem a existência da vida humana. Com ele, desponta o direito à saúde, pois não há sentido em defender o direito à vida sem que haja saúde. Para tanto, o referido artigo obriga o Poder Público, nas esferas federal, estadual e municipal, a reservar parte do orçamento à aplicação de ações com vistas ao atendimento do bem coletivo. (Fonte: yavyav / Shutterstock) (Fonte: Serhii Bobyk / Shutterstock) As medidas protetivas não se destinam apenas às crianças e aos adolescentes, mas também àquele que ainda vai nascer, passando, por conseguinte, pelo cuidado com a gestante e o atendimento hospitalar. Desse modo, a redação das Leis nº 13.257/2016 e nº 13.798/2019 garante o acesso aos programas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodutivo. Institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, objetivando difundir informações sobre medidas preventivas e educativas que permitam a redução da gravidez juvenil. Da mesma maneira, o ECA determina que o Estado e os empregadores da iniciativa privada têm o dever de proporcionar condições adequadas para o aleitamento materno (art. 9º). O direito ao aleitamento está previsto inclusive na Consolidação dos Direitos Trabalhistas, a qual, em seu artigo 396, prevê o direito de aleitamento à empregada, bem como às mães que estejam cumprindo medida socioeducativa de privação de liberdade, conforme o artigo 63 §2º da Lei nº 12.594/2012, que cria o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). (Fonte: ESB Professional / Shutterstock) Recuperação da criança e do adolescente internados Assegurar condições adequadas para a recuperação da criança e do adolescente internados também é tema do ECA. Este determina que as instituições hospitalares devam proporcionar condições aos pais ou responsável, para que permaneçam com a criança ou o adolescente internado em tempo integral. Desfrutar a companhia dos pais é um direito deles e, como tal, deve ser resguardado. Caso haja violação desse direito, responde-se judicialmente. O artigo 10º do ECA traz um rol de obrigações a serem cumpridas por todos os estabelecimentos de saúde e hospitais, sejam eles públicos ou particulares, visando regular a adequada identificação dos recém-nascidos e de suas genitoras, para evitar a troca de identidades e garantir a orientação e o acompanhamento técnico no período das primeiras amamentações: "Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a: I. Manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos; II. Identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente; III. Proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutico de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais; IV. Fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato; V. Manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe; VI. Acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações quanto à técnica adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar, utilizando o corpo técnico já existente. - Brasil, 2008-A. A seguir veremos mais sobre o assunto. SUS, pessoa com deficiência e integridade da criança Clique no botão acima. Atividade 1. Acerca dos direitos fundamentais inerentes à criança e ao adolescente, assinale a opção correta: a) Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe no pré e no pós-natal, desde que esta não manifeste interesse em entregar os filhos à adoção. b) No SUS, não há previsão legal de atendimento preferencial da parturiente pelo médico que a acompanhou no período pré-natal. c) É previsto atendimento pré e perinatal à gestante, por meio do SUS, incluindo assistência psicológica, como forma de prevenir ou minorar as consequências de estado puerperal. d) Incumbe ao poder público proporcionar apoio alimentar somente à nutriz; pois isso, resultará no desenvolvimento físico adequado da criança. e) Para que a gestante seja encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, basta que haja necessidade específica. Gabarito Comentado Do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade O Capítulo II do ECA vincula-se ao princípio da dignidade humana referenciado pelo texto constitucional em seus artigos 1º e 5º. O princípio http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar1 reconhecido internacionalmente aplica-se a todo e qualquer indivíduo indiferentemente de idade, sexo, raça, cor e condição econômica, entre outros. Dessa forma, a liberdade, o respeito e a dignidade da pessoa humana são valores sociais que permeiam todo o sistema normativo. (Fonte: Rawpixel.com / Shutterstock) O artigo 15º do ECA garante a liberdade, o respeito e a dignidade às crianças e adolescentes, considerando a peculiaridade de se tratar de pessoas em processo de desenvolvimento e sujeitos de direitos civis, humanos e sociais. O texto legal garante a liberdade sob as suas mais variadas formas: • A liberdade de ir e vir bem como de estar nos logradouros públicos e espaços comunitários ressalvadas as restrições legais; • A liberdade de opinião e de expressão; • O direito de crença e de culto religioso, de brincar, de praticar esportes e se divertir; • A liberdade de participar da vida familiar e comunitária sem discriminação, de participar da vida política e buscar refúgio, auxílio e orientação. São direitos que devem ser assegurados e muitos dependem da articulação de diversos órgãos para efetivação, a exemplo da Lei nº 10.891/2004 que criou a Bolsa Atleta para atletas olímpicos e paraolímpicos, de forma a incentivar a prática de esportes; a necessidade de participação da família na orientação e educação das crianças e dos adolescentes que, muitas vezes, acabam por necessitar de apoio e orientação de órgãos e programas específicos de atendimento à criança. No que diz respeito ao divertimento, há outros dispositivos que tutelam o ingresso e a permanência de crianças e adolescentes em shows e casas de espetáculos (art. 74-76, ECA). Atenção O direito ao respeito previsto no ECA se vincula à integridade física, psicológica e moral, abrangendo a preservação da identidade, da autonomia, dos valores, da ideias e das crenças bem como a preservação dos espaços e objetos pessoais da criança e do adolescente, evitando traumas e exposições que muitas vezes trazem consequências irreversíveis. Ressaltamos que a violação de qualquer desses direitoscaracteriza o desrespeito ao princípio da proteção integral e do melhor interesse da criança, sendo passível, em algumas situações, de indenização, como na divulgação de imagem sem autorização dos pais ou responsáveis. Diante do exposto é que a lei estabelece que não se trata apenas de um dever dos pais ou do Estado mas de todos, sejam governantes ou não, a proteção da criança e do adolescente inibindo todo o tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor (art. 18, ECA). A criança e o adolescente detêm o direito de serem educados sem o uso de castigo físico, tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina e educação. Dessa forma, e considerando o respeito aos direitos da criança e do adolescente, todos têm o dever de atuar em defesa destes diante de uma violação ou ameaça de violação, sob pena de responsabilização pela omissão. Como vimos, a liberdade de participar da vida familiar e comunitária sem discriminação é um direito garantido pelo artigo 15º do ECA. Agora, veremos mais detalhe sobre esse direito. Direito à convivência familiar e comunitária Clique no botão acima. Da família natural O conceito de família natural ou família de origem está previsto no art. 25 do ECA. Trata-se da comunidade formada por pais, ambos ou um só, e filhos, abarcando também a família monoparental (formada por apenas um dos pais e seus descendentes), não fazendo nenhuma menção ao casamento. Como já mencionado, em prol do princípio do melhor interesse, a preferência será sempre assegurar a convivência da criança e do adolescente com sua família natural e somente em situações excepcionais ela será adotada por uma família substituta. Para dar uma amplitude à noção de família, o ECA, no parágrafo único do artigo 25, trata da família extensa ou ampliada, ou seja, aquela que se estende para além da unidade de pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. Um exemplo são as crianças ou os adolescentes criados por irmãos mais velhos, tios ou avós. É importante frisar que não estão inclusos na família ampliada todos os parentes dos pais, mas somente aqueles que possuírem vínculos de afetividade e afinidade. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#complementar2 Saiba mais Também existe a família recomposta. Apesar de não ser mencionada no ECA, ela é reconhecida pela doutrina e caracteriza-se por homens e mulheres, com filhos de relacionamentos anteriores, que se casam ou vivem em relação de união estável. No que se refere ao reconhecimento de filho, o artigo 26 do ECA possibilita que tal ato jurídico ocorra no termo de nascimento, por meio de escritura pública ou outro documento público competente, independentemente da origem da filiação, podendo preceder o nascimento ou mesmo suceder ao falecimento, sendo irrevogável, ainda que feito em testamento (art. 1.610, CC). Considerando que é um ato jurídico, não poderá ser definida a gama de efeitos que dele irão decorrer ou não, ou seja, não há a possibilidade de reconhecido o filho negar-lhe os direitos sucessórios ou mesmo o sobrenome. Paralelo ao direito do pai de reconhecer o filho existe o direito do filho de conhecer a filiação e de ver reconhecido o vínculo familiar, conforme o art. 27 do ECA. Nesse caso, o reconhecimento é personalíssimo, indisponível e imprescritível. Como se trata de direito da criança e do adolescente, não compete à genitora dele dispor ou mesmo abrir mão. Conhecer a paternidade biológica é um direito fundamental da criança e do adolescente devendo, portanto, ser apurada na forma da lei. Da família substituta Por família substituta se entende aquela em que a criança ou o adolescente é inserido quando é impossível a permanência com a família natural. O ECA indica, no artigo 28, as três formas de inserção em família substituta: Clique nos botões para ver as informações. Guarda Tutela Adoção Ainda que se considere como fundamento a impossibilidade da permanência do convívio com a família natural, o ECA, em respeito ao princípio do melhor interesse, ressalta que a http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-01 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-02 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html#collapse01-03 criança deve ser ouvida e que o adolescente deve consentir em ser inserido em família substituta. A identificação de uma família substituta é realizada com a máxima responsabilidade, pois ela deve proporcionar um ambiente adequado ao crescimento saudável. Dessa forma, considera-se o grau de parentesco e afinidade ou afetividade, pois o intuito é assegurar à criança e ao adolescente uma vida digna. Trata-se de um trabalho gradativo no que diz respeito à adaptação e ao acompanhamento posterior. Na hipótese de irmãos, o objetivo será a manutenção do grupo no momento da substituição familiar, evitando separá-los ao colocá-los em lares diversos. (Fonte: pixelheadphoto digitalskillet / Shutterstock) Considerando que o ECA se direciona a toda e qualquer criança ou adolescente, a lei faz referência de forma expressa a crianças e adolescentes provenientes de comunidade remanescente de quilombo ou indígena, mencionando que é obrigatório observar e respeitar a identidade social e cultural, os costumes e as tradições, devendo a inserção ocorrer no seio da comunidade ou em meio a membros de mesma etnia (art. 28, ECA). Atenção A inserção da criança ou do adolescente em famílias substitutivas é ato de competência privativa da autoridade judiciária. Sendo assim, não poderão ser transferidos a terceiros ou a entidades governamentais, pois isso somente ocorrerá mediante intervenção de autoridade judiciária, que procederá cautelosamente respeitando os direitos fundamentais da criança ou do adolescente, bem como o princípio do melhor interesse. Por fim, o ECA esclarece que a inserção da criança e do adolescente em famílias substitutivas estrangeiras será medida de natureza excepcional, pois a preferência será sempre das famílias nacionais (art. 31, ECA). Atividade 2. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. “Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou o adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade.” Gabarito Comentado 3. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. “Existe cláusula impeditiva na Lei nº 8.069/90 à adoção por irmão e pelos ascendentes do adotando.” Gabarito Comentado Do direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer O direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer estão ligados ao desenvolvimento sadio e pleno das crianças e adolescentes. Por isso, estão elencados no rol dos direitos fundamentais dos artigos 53 a 59. No que se refere ao direito à educação, e alinhado ao texto constitucional (art. 208, CRFB), o ECA ressalta a necessidade de promover meios para que a criança e o adolescente sejam preparados efetivamente para o exercício da cidadania, além de serem qualificados para o trabalho. (Fonte: wavebreakmedia / Shutterstock) Vejamos sobre as responsabilidades relacionadas a educação: Responsabilidade do responsável Da mesma forma que se impõem ao Estado deveres voltados à inserção da criança e do adolescente no sistema educacional de forma isonômica, também se preveem deveres dos pais (art. 55, ECA) ou responsável, por exemplo, a obrigação de matricular o filho ou pupiloem rede regular de ensino. Seu descumprimento caracteriza crime de abandono intelectual (art. 246, CP). Responsabilidade da instituição de ensino O ECA, no artigo 56, traz importante previsão quanto à responsabilidade dos dirigentes de estabelecimentos de Ensino Fundamental reportarem ao Conselho Tutelar maus-tratos, reiteração de faltas injustificadas, evasão escolar e elevado nível de repetência. Isso alinhado ao artigo 57, que determina a obrigação do Poder Público ao estímulo a pesquisas e novas propostas pedagógicas com vistas à inserção de jovens excluídos do Ensino Fundamental. Por fim, o ECA aponta a preocupação com o respeito às particularidades culturais, artísticas e históricas, de forma que obriga os municípios, com o apoio dos estados e da União, a estimularem e facilitarem o destino dos recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer (art. 59, ECA). Do direito à profissionalização e à proteção no trabalho (Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) O último capítulo do ECA referente aos direitos fundamentais trata do direito à profissionalização e à proteção ao trabalho (art. 60 a 69, ECA). Os direitos garantidos aqui estão direcionados aos adolescentes, pois a criança, sendo considerada como a pessoa que ainda não completou 12 anos, não pode trabalhar. O adolescente, a partir de 14 anos completos, pode trabalhar na condição de aprendiz. Dessa forma, o trabalho realizado pelo adolescente não possui apenas o viés de contraprestação pecuniária, devendo respeitar a condição de pessoa em desenvolvimento e a capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho. Atenção Segundo o ECA, o adolescente possui direito à profissionalização, mas devem ser observados o respeito à condição de pessoa em desenvolvimento e à capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho. Atividade 4. Julgue se a afirmativa é verdadeira ou falsa. “De acordo com o ECA, o conselho tutelar pode aplicar, conforme a gravidade do caso, medida de encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico aos pais que apliquem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de disciplina ou correção de comportamento de criança e adolescente.” Gabarito Comentado 5. Considerando os direitos fundamentais à profissionalização e à proteção do trabalho de crianças e adolescentes, discorra sobre a imagem a seguir. (Fonte: SOMO) javascript:void(0); Gabarito Comentado Referências Próxima aula Explore Mais Créditos Redatora: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Maiara Machado Web Designer: Roberta Meireles Administrador do LMS: Rostan Luiz Aula 4: Do dever de prevenir a ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula3.html Apresentação Estudaremos as diretrizes gerais de observância dirigidas às diversas atividades, determinando o respeito às crianças e aos adolescentes no que concerne à sua condição peculiar de pessoas em desenvolvimento. Trataremos das regras dirigidas a atividades específicas, como o acesso a diversões e espetáculos públicos, às obrigações das emissoras de rádio e de televisão e às obrigações relativas à venda de revistas e publicações. Por fim, examinaremos a Lei nº 12.921/2013 e a nova normativa sobre a autorização para viajar deferida a crianças e a adolescentes. Objetivos • Descrever as diretrizes gerais de observância sobre as diversas atividades; • Identificar as regras dirigidas a atividades específicas; • Apontar a importância da Lei nº 12.921/2013 e da nova normativa sobre a autorização para viajar. Prevenção à ameaça ou à violação dos direitos da criança e do adolescente Como já estudado anteriormente, as crianças e os adolescentes são titulares de direitos humanos como qualquer pessoa, porém, em face de sua condição de pessoas em desenvolvimento, ou seja, de se configurarem como seres que estão em processo de formação física e psicológica, devem receber um tratamento diferenciado. Dessa forma, as condutas política, social e econômica do Estado e da sociedade devem estar voltadas a resguardar integralmente a criança e o adolescente, independentemente da origem, raça, sexo, cor e classe social, uma vez que são percebidos como sujeitos de direito. Fonte: Por New Africa / Shutterstock. Fonte: Por ambrozinio / Shutterstock. 1. Da prevenção Os dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que tratam da prevenção à ameaça ou à violação dos direitos da criança e do adolescente (artigos 70 a 85) estão intimamente ligados à doutrina da proteção integral e à condição peculiar de pessoas em desenvolvimento apresentada por esses indivíduos, pois o objetivo primordial é evitar colocá-los em situação de risco. Conforme prevê o ECA e, seguindo a doutrina da proteção integral, “é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente”. Da mesma forma, coíbe o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante contra crianças e adolescentes (art. 70-A, ECA) sendo necessária uma articulação entre os diversos entes do governo para se evitar formas violentas de educação. Complementando o dispositivo, foi editada a Lei nº 13.046/2014, que introduziu ao Estatuto da Criança e do Adolescente o artigo 70-B, cuja redação determina que as entidades públicas e privadas que atuem na realização dos direitos da criança e do adolescente, como a informação, a cultura, o lazer e o esporte, assim como aquelas que recepcionem crianças e adolescentes, ainda que em caráter temporário, devem possuir, em seus quadros, pessoas capacitadas a reconhecer e, de imediato, comunicar ao Conselho Tutelar as suspeitas ou casos de maus-tratos, o que demonstra a necessidade de constante profissionalização da rede de atendimento socioeducativo. Atenção Cabe lembrar que se está tratando de pessoas em formação, de crianças e adolescentes que estão em desenvolvimento e que, portanto, necessitam do apoio e do amparo de profissionais efetivamente capacitados a ajudá-los, a protegê-los e, cuja omissão deve ser responsabilizada. O ECA estabelece, no artigo 71, que “A criança e o adolescente têm direito à informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”. Dessa forma, e considerando a prevenção especial disciplinada na lei, divide-se entre aquelas medidas relativas ao direito à informação, à cultura, ao lazer e aos esportes; medidas destinadas à proteção, no que se refere a diversões e espetáculos (artigos 74 a 80); medidas voltadas a produtos e serviços (artigos 81 e 82); e, à autorização para viajar (artigos 83 a 85), considerando e respeitando sempre o fato de a criança e o adolescente serem pessoas em desenvolvimento. Considerando a necessidade de resguardar e prevenir violações dos direitos da criança e do adolescente, o ECA prevê, ainda, no artigo 73, que a inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica. Nesse caso, no âmbito civil, violações ao ECA podem ser reparadas por meio de ações individuais ou coletivas, com a ação civil pública, intentada pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública (art. 5º da Lei nº 7.347/1985). Por sua vez, na seara penal, as responsabilidades são apuradas e punidas por meio das ações promovidas pelo Ministério Público. Comentário A prevenção é o principal meio de se impedir que as crianças e os adolescentes sejam submetidos a situaçõesque possam violar-lhes os direitos. Ela pode ser aplicada mesmo a jovens que já tenham sido emancipados, pois, embora emancipados, não deixam de ser crianças ou adolescentes. 2. Da informação, cultura, lazer, esportes, diversões e espetáculos Visando a manutenção de uma vida saudável, o crescimento intelectual e social, as crianças e os adolescentes necessitam ter acesso a diversões e espetáculos públicos, porém adequados ao seu desenvolvimento, ou seja, à sua faixa etária. Para tanto, o Ministério da Justiça intervém com ações de natureza informativa e pedagógica, devendo ser exercidas em coparticipação com a própria sociedade. Aliados ao ECA nessa missão se tem, também: Lei nº 10.359/2001 e o Decretonº 6.061/2007 Relativos ao processo de classificação indicativa de obras audiovisuais destinadas à televisão, ambos do Ministério da Justiça/SNJ. Portaria nº 1.100/2006 Que dispõe sobre a classificação indicativa de diversões públicas, especialmente obras audiovisuais destinadas a cinema, vídeo, DVD, jogos eletrônicos, jogos de interpretação (RPG) e congêneres. Portaria nº 1.549/2002 Do Ministério da Justiça, que institui o “Comitê Interinstitucional para Classificação Indicativa de Filmes, Programas Televisivos, Espetáculos Públicos e Jogos Eletrônicos e de RPG”, o qual desenvolve função consultiva e opinativa acerca da classificação para a faixa etária. Classificação indicativa Clique no botão acima. 3. Dos produtos e serviços Os artigos 81 e 82 do ECA apresentam um rol de itens, produtos e serviços, cuja venda é terminantemente proibida a crianças e adolescentes. A violação do dispositivo é tão grave que importa em crime, e nem poderia ser diferente, se o que se está buscando é a proteção integral da criança e do adolescente, considerados como sujeitos em desenvolvimento, ou seja, pessoas que estão em processo de formação física e psicológica, devendo, portanto, receber um tratamento especial, diferenciado. De acordo com a lei, é proibida a venda de: 1 Armas, munições e explosivos 2 Bebidas alcoólicas 3 Produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida 4 Fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que, pelo reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida 5 Bilhetes lotéricos e equivalentes http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar1 6 Revistas e publicações às quais alude o art. 78 Veja mais sobre outros produtos ou serviços: Clique nos botões para ver as informações. Revistas e publicações Hospedagem Produtos em formato de cigarros Fonte: Por MNStudio / Shutterstock. 4. Da autorização para viajar O objetivo de uma regulamentação própria para a viagem de crianças e de adolescentes é combater o tráfico desses indivíduos e também o afastamento do filho menor da convivência com um dos pais ou responsável. Saiba mais Anteriormente a lei fazia referência apenas à criança deixando de fora da proteção os adolescentes. Isso possibilitava o tráfico interno ou mesmo a fuga destes para outras residências que não a dos pais. Porém, em 16 de março de 2019, foi publicada a Lei nº 13.812, a qual concedeu a mesma proteção ao adolescente, bem como instituiu a Política Nacional de Pessoas Desaparecidas. Foi criado um cadastro de pessoas desaparecidas, de forma a facilitar a comunicação entre as diversas entidades e a localização dos desaparecidos, dever não apenas dos estados, mas do Distrito Federal e dos territórios. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-01 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-02 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#collapse01-03 A busca pelos desaparecidos é considerada prioridade, com caráter de urgência, e são considerados desaparecidos, segundo a nova legislação mencionada: “(...) pessoa desaparecida: todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua recuperação e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas; criança ou adolescente desaparecido: toda pessoa desaparecida menor de 18 (dezoito) anos.” (BRASIL, 2019) Dessa forma, resguardando o adolescente, a lei veda que os menores de 16 (dezesseis) anos possam viajar para fora da comarca em que residem desacompanhados dos pais ou dos responsáveis sem a expressa autorização judicial. A autorização não é necessária quando se tratar de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos se, na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana ou quando a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco, ou de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. Cabe ressaltar que, quando a lei faz referência ao responsável, ela está se referindo ao responsável legal, de forma que, somente aquele que estiver exercendo o poder familiar, ou o tutor, ou o guardião ou mesmo o dirigente da entidade de acolhimento em que se encontra a criança ou o adolescente é que podem se deslocar com estes. Viagem para o exterior http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html#complementar2 Clique no botão acima. Atividade 1. Com relação à autorização para viajar, pode-se afirmar, tomando por base as disposições do ECA, que: a) Constitui instrumento judicial no exercício da prevenção especial, previsto pelo Estatuto. b) Constitui instrumento judicial de prevenção geral, previsto pelo Estatuto. c) Será dispensada quando se tratar de viagem ao exterior de adolescente acompanhado de um dos pais e autorizado pelo outro, em declaração simples, sem maiores formalidades. d) Será exigida somente quando a criança ou o adolescente menor de 16 anos estiver desacompanhado dos pais ou responsável e tratar-se de deslocamento à comarca contígua à de sua residência, mesmo que acompanhado de pessoa por eles autorizada. e) Será exigida quando a criança ou o adolescente menor de 16 anos estiverem desacompanhados dos pais ou responsável e tratar-se de deslocamento à comarca contígua à de sua residência, mesmo que acompanhada de pessoa por eles autorizada. Gabarito comentado 2. Julgue a assertiva a seguir e responda se ela está CORRETA ou INCORRETA. “As crianças menores de dez anos somente poderão ingressar e permanecer nos locais de apresentação ou exibição quando acompanhadas dos pais ou responsável.” Gabarito comentado 3. Complete as lacunas e assinale a alternativa CORRETA: _______________ criança ou adolescente menor de _______________ poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos _______________ sem expressa autorização judicial. a) Toda - 12 (doze) anos - pais ou dos responsáveis. b) Toda - 14 (quatorze) anos - pais ou dos responsáveis. c) Toda - 14 (quatorze) anos - responsáveis legais. d) Nenhuma - 16 (dezesseis) anos - pais ou dos responsáveis. e) Nenhuma - 16 (dezesseis) anos - responsáveis legais. Gabarito comentado 4. De acordo com o ECA, assinale as alternativas que apresentam produtos e/ou serviços cuja venda é proibida para crianças e adolescentes (art. 81): a) Armas, munições e explosivos. b) Bebidas alcoólicas. c) Hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvose autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. d) Produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida. e) Fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida. f) Revistas e publicações às quais alude o art. 78. g) Bilhetes lotéricos e equivalentes. Gabarito comentado 5. Considerando a imagem a seguir, discorra sobre a importância da prevenção à ameaça ou à violação dos direitos da criança e do adolescente no sentido de evitar que estes possam vir a ter problemas ou possam ser colocados em situação de risco. Fonte: Por Zoriana Zaitseva / Shutterstock. Gabarito comentado 6. Segundo o ECA, pode-se afirmar que: a) Todas as crianças podem ficar hospedadas em hotéis e pensões independentemente da idade. b) As crianças terão idade controlada para se hospedarem em hotéis e pensões em 12 (doze) anos, independentemente de estarem acompanhadas pelos pais ou responsáveis. c) A lei estabelece a proibição para hospedagem de crianças e adolescentes somente para crianças, não tratando da hipótese de adolescentes. d) De acordo com a legislação, crianças e adolescentes somente poderão ficar hospedados em hotéis e pensões se estiverem acompanhados dos pais ou dos responsáveis ou de adultos autorizados. e) Em consonância com a legislação, a proibição de hospedagem de crianças e adolescentes em hotéis e pousadas se refere apenas a crianças e adolescentes estrangeiros. Gabarito comentado Referências Próxima aula Explore Mais Créditos Redator: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Viviane dos Santos Web Designer: Allan Gadelha Administrador do LMS: Rostan Luiz Estatuto da Criança e do Adolescente - E.C.A Aula 5: Da política e entidades de atendimento socioeducativo e das medidas de proteção Apresentação Estudaremos as políticas de atendimento e suas linhas de ação, bem como as entidades de atendimento socioeducativo e seus regimes. Além disso, trataremos das medidas protetivas. Estas se caracterizam por serem ações ou programas de caráter assistencial, aplicados isolada ou cumulativamente, quando a criança ou o adolescente estiver em situação de risco ou quando praticar algum ato infracional. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula4.html Objetivos • Identificar as políticas de atendimento e suas linhas de ação; • Examinar as entidades de atendimento socioeducativo e seus regimes; • Analisar as medidas protetivas de caráter assistencial, quando a criança ou o adolescente estiver em situação de risco ou praticar algum ato infracional. Atendimento socioeducativo e medidas protetivas à criança e ao adolescente A redemocratização do Estado favoreceu a consolidação dos direitos civis, políticos e sociais, bem como a noção de direitos das crianças e dos adolescentes. A adoção da doutrina de proteção integral à criança e ao adolescente, com ênfase na prevenção e na prioridade absoluta destes indivíduos, requer a existência de mecanismos articulados; de políticas públicas, nos diversos níveis de governo e de poder; e da participação da sociedade, de modo a que se promova efetivamente a solução dos inúmeros problemas enfrentados pelo grupo infantojuvenil, seja no aspecto individual, seja no aspecto coletivo. Para isso, são necessárias medidas protetivas, em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essas ações são aplicáveis diante de lesão, violação ou ameaça de violação dos direitos das crianças e dos adolescentes, seja por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis; ou mesmo pela conduta infracional do menor, carecendo de uma atuação rápida das entidades e dos órgãos voltados à proteção deste. (Fonte: ESB Professional / Shutterstock) Da política e entidades de atendimento socioeducativo O ECA, no artigo 86, estabelece a necessidade de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, e nem poderia ser diferente, pois é de responsabilidade de todos a promoção da defesa da criança e do adolescente, sendo necessária, portanto, uma ação conjunta do poder público e da sociedade organizada para a efetividade da proteção integral. Ainda que a diretriz mencione a municipalização, não há como afastar a responsabilidade da União e dos estados, uma vez que compete a eles prestarem todo o apoio técnico necessário, bem como o apoio financeiro, para que os municípios possam implementar os programas de proteção às crianças e aos adolescentes. Nessa diretriz, já se manifestou o Poder Judiciário: "MANDADO DE SEGURANÇA. NECESSIDADE DE EXAME. DIREITO À SAÚDE. COMPETÊNCIA COMUM DOS ENTES FEDERADOS. De acordo com o art. 6° da Constituição Federal, a saúde é um direito social, e, ainda, segundo o disposto no art. 196, direito de todos e dever do Estado, estando a vida humana acima de qualquer outro direito, até porque, para exercer qualquer um deles, é necessário, primeiramente, que ela exista. Dentre as diretrizes do Sistema Único de Saúde, está o atendimento integral à saúde, seja ele para evitar ou resolver o problema. A omissão Estatal importa em grave lesão ao direito do impetrante, que não encontrou outra solução para seu caso, a não ser recorrer ao Poder Judiciário." - TJMG. 5ª C. Cív. Ap. Cív. n° 1.0145.06.307429-1/001. Rel. Des. Maria Elza. J. em 13/12/2007 Em 2010, foi publicado um artigo científico abordando as políticas de atendimento à criança e ao adolescente, vislumbrando a contextualização histórica do atendimento da infância e da adolescência no período de 1985 a 2006. Perez e Passone sistematizaram as principais normatizações acerca do tema e suas características. Principais normatizações Clique no botão acima. Cabe salientar que a criação de ações e mecanismos direcionados à proteção da criança e do adolescente compete primordialmente aos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, os quais são caracterizados pela formação em pé de igualdade entre governo e sociedade. Acerca da atuação do Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, Digiácomo e Digiácomo afirmam que: "[...] sob a coordenação dos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente os mais diversos serviços públicos (a exemplo dos prestados pelos CREAS, CRAS, CAPS etc.), assim como programas de atendimento executados por órgãos e entidades governamentais e não governamentais, devem se articular, estabelecendo “protocolos” de atendimento interinstitucional, definindo fluxos e “referenciais”, que permitam a rápida identificação dos setores e profissionais que deverão ser acionados sempre que surgir determinada situação de ameaça ou violação de direitos de crianças e adolescentes, que deverão agir de forma integrada, na perspectiva de que o http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar1 problema seja solucionado da forma mais rápida e eficaz possível (cf. arts. 1º; 4º; 100, par. único, inciso VI e 259. par. único, do ECA). Fundamental, também, o compartilhamento de informações entre os diversos integrantes da “rede de proteção” à criança e ao adolescente local, preferencialmente por intermédio de um sistema informatizado que permita o registro e a visualização das ações/intervençõesefetuadas por todos os agentes corresponsáveis pelo atendimento." - DIGIÁCOMO, 2010, p. 125 Nesse contexto, fundamentado no princípio da dignidade humana, a política de atendimento prevista no ECA articulada e implementada no Brasil pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios possuem o principal objetivo de proporcionar concretamente o direito a uma vida saudável, de forma que possibilite o crescimento e o desenvolvimento físico, mental, social, moral e espiritual da criança e do adolescente, pois se tratam de sujeitos de direitos em desenvolvimento. Para tanto, foram estipuladas diversas linhas de ação, como políticas sociais básicas: Prevenção à violação dos direitos. Proteção jurídico social. Programas que estimulem a guarda e a adoção. Serviços especiais de atendimento médico e psicológico para crianças e adolescentes que tenham sido submetidos a maus-tratos, violência sexual, exploração e crueldade. Programas destinados a reduzir o tempo de afastamento da convivência familiar. Serviço de identificação e localização dos pais ou responsáveis, bem como de crianças e adolescentes desaparecidos. Observemos que as políticas estão voltadas a todas as áreas, e não apenas à jurídica ou à assistencial, corroborando a teoria de que todas as ações voltadas à proteção integral da criança e do adolescente participam de um conjunto articulado de medidas voltadas à sua efetividade. Porém, como ressaltam Perez e Passone, é possível identificar quatro linhas básicas da política de atendimento: "a) as políticas sociais básicas de caráter universal, como saúde, educação, alimentação, moradia etc. (art. 87, item I); b) as políticas e programas de assistência social (art. 87, item II), de caráter supletivo, para aqueles de que delas necessitem; c) as políticas de proteção, que representam serviços especiais de atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso e opressão (art. 87, item III); os serviços de identificação e localização de pais, responsáveis, crianças e adolescentes desaparecidos (art. 87, IV); d) as políticas de garantias de direitos, que representam as entidades e os aparatos jurídicos e sociais de proteção dos direitos individuais e coletivos da infância e juventude (art. 87, item V)." - PEREZ; PASSONE, 2010, p. 135 Diversos são os órgãos que participam dessa rede de proteção à criança e ao adolescente, como os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que devem ser criados pelos municípios e estão voltados não apenas ao atendimento da criança ou do adolescente mas também das famílias destes. Esses órgãos são caracterizados pela celeridade no tratamento dado ao problema vivenciado, para que se evite a majoração do problema ou a permanência da exposição infanto- juvenil. Em 2009 foi publicada a Lei nº 12.127, a qual cria o Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas. Ela determina que o registro do desaparecido seja realizado logo após a comunicação do desaparecimento, contendo informações suficientes que possam identificar a criança ou o adolescente. Ela também determina que a informação seja levada a conhecimento público, nos municípios e estados, possibilitando a localização da criança ou do adolescente no menor lapso temporal possível. Pelo Cadastro Nacional de Desaparecidos se pretende reduzir a possibilidade de tráfico de crianças e adolescentes, bem como evitar que estes sejam afastados do convívio da família. (Fonte: Mama Belle and the kids / Shutterstock) Ainda sobre as diretrizes da política de atendimento, sempre pautado na doutrina da proteção integral e do melhor interesse, o ECA estabelece a municipalização da implementação de programas que atendam ao grupo infanto-juvenil. Porém, para isso, a criação de órgãos e conselhos que possibilitem a efetiva proteção da criança e do adolescente decorre da articulação entre município, estado e União, e não apenas de um órgão específico. (Fonte: Janos Levente / Shutterstock) Compete ao Conselho de Direitos a prerrogativa de determinar e decidir quais políticas de atendimento serão implementadas visando a proteção e o desenvolvimento da criança e do adolescente. A deliberação terá natureza vinculativa, de modo que o administrador está impedido de discutir o mérito, a conveniência e a oportunidade da política a ser implementada. Em 2012, foi publicada a Lei nº 12.594 que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), com o fim de desenvolver ações socioeducativas embasadas no princípio da dignidade humana e nos direitos humanos – direitos estes inerentes a toda criança e todo adolescente. Observe, no esquema, que o SINASE “constitui-se de uma política pública destinada à inclusão do adolescente em conflito com a lei que se correlaciona e demanda iniciativas dos diferentes campos das políticas públicas e sociais” (BRASIL, 2006-B, p. 16); atuando sempre norteado pelo princípio da dignidade humana, da responsabilidade solidária da família, da criança e do adolescente como sujeitos de direito em desenvolvimento e da prioridade absoluta de ambos. Visando ao atendimento da criança e do adolescente, poderão participar entidades governamentais e não governamentais, sendo responsáveis pelas próprias unidades, e deverão se adequar à política de atendimento determinada pelo Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, sendo possível, inclusive, a realização de parcerias e convênios entre o poder público e as entidades. Nesse sentido, prevê o ECA, no artigo 90, que as entidades poderão ser criadas em regime de orientação e apoio sociofamiliar e socioeducativo, em meio aberto, colocação familiar, acolhimento institucional, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A título de fiscalização, tanto no que se refere a entidades governamentais como a entidades não governamentais, esta será realizada pelo Ministério Público, apoiado pelos Conselhos Tutelares, pelo Juizado da Infância e Juventude e por outros órgãos, como a Vigilância Sanitária e a Secretaria de Assistência Social, entre outros. (Fonte: Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos) javascript:void(0); Constatada a presença de irregularidades praticadas pelas entidades de atendimento, a legislação prevê a imposição de penalidades as quais vão desde a mera advertência até o fechamento da unidade e a cassação de registro, quando não governamental, como bem estabelece o artigo 97 do ECA: "São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos: I - às entidades governamentais: a) advertência; b) afastamento provisório de seus dirigentes; c) afastamento definitivo de seus dirigentes; d) fechamento de unidade ou interdição de programa; II - às entidades não-governamentais: a) advertência; b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas; c) interdição de unidades ou suspensão de programa; d) cassação do registro." - BRASIL, 1990, on-line Cabe ressaltar que é viável a responsabilização administrativa e civil de entidades que participem da política de atendimento da criança e do adolescente, bem como de seus representantes, diante do descumprimento das normas e direitos daqueles indivíduos. Será devida, inclusive, indenização por dano moral em face de ação ou omissão que venha a lesar os interesses infantojuvenis. A função de membro do Conselho Nacional e dos Conselhos Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente é considerada de interesse público relevante e, portanto, não será remunerada. A seguir, vamos conhecer o sistemaCNCA e os Conselhos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Sistema CNCA e Conselhos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes Clique no botão acima. Atividade http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html#complementar2 1. “O ECA traz em seu texto diversas obrigações inerentes às entidades que participam da política de atendimento à criança e ao adolescente, as quais desenvolvem programas de internação.” De acordo com esta assertiva, assinale a alternativa que corresponde a uma obrigação inerente às entidades mencionadas: a) Não comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que se mostre inviável ou impossível o reatamento dos vínculos familiares. b) Diligenciar promovendo o restabelecimento e a preservação dos vínculos familiares. c) Oferecer à criança e ao adolescente apenas cuidados médicos e odontológicos. d) Não informar, periodicamente, ao adolescente internado a situação processual deste. e) Publicar os dados pessoais das crianças e dos adolescentes que estejam submetidos ao regime de internação. Gabarito Comentado 2. O artigo 90 do ECA trata das inscrições, registros e alterações de entidades governamentais e não governamentais de atendimento à criança e ao adolescente, perante o Conselho Municipal. Tais entidades, conforme pressuposto legal do referido artigo, destinam-se a crianças e a adolescentes em regime de: a) Tutela b) Conduta legal c) Internação d) Situação irregular e) Correção indispensável Gabarito Comentado 3. O conselheiro tutelar, ao tomar conhecimento de um fato que caracterize uma infração administrativa ou penal contra os direitos fundamentais da criança ou do adolescente, deve encaminhar a notícia do fato: a) Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. b) Ao Conselho Regional de Educação. c) Ao Ministério Público. d) À Delegacia de Polícia. e) Ao Ministério da Educação. Gabarito Comentado Das medidas de proteção Medidas protetivas, em consonância com o ECA, são as ações aplicáveis diante da lesão, violação ou ameaça de violação dos direitos das crianças e dos adolescentes (arts. 3º e 5º), podendo decorrer de ação ou omissão da sociedade ou do Estado ou por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis, quando então estarão em condição de vulnerabilidade, ou seja, em situação de risco, necessitando de uma rápida atuação das entidades e órgãos destinados à proteção integral do grupo infanto-juvenil ou, então, em razão da conduta do menor, ou seja, de ele ter praticado algum ato infracional. É importante ressaltar que, além da prática de ato infracional, também será possível a aplicação de medidas de proteção em razão da conduta quando decorrente de distúrbios de comportamento que possam colocar a criança ou o adolescente em situação de risco. (Fonte: Antonina Tsyganko / Shutterstock) São diversas as medidas de proteção previstas pela legislação (art. 101, ECA), a saber: 1 Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade. 2 Orientação, apoio e acompanhamento temporários. 3 Matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental. 4 Inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família, da criança e do adolescente. 5 Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial. 6 Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. 7 Acolhimento institucional. 8 Inclusão em programa de acolhimento familiar. 9 Colocação em família substituta. Todas as medidas deverão ser adotadas com base nas necessidades pedagógicas, sendo sempre concedida a preferência para aquelas que estejam voltadas ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Não é suficiente apenas a aplicação de alguma medida protetiva, mas sim a aplicação de uma medida que efetivamente resolva o problema no qual se envolveu a criança ou o adolescente podendo ocorrer a intervenção não somente em face destes, mas também em face da família. O objetivo de todas as medidas previstas na legislação se volta ao princípio da proteção integral, possibilitando o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente até que atinjam a maioridade. Os Conselhos Tutelares não possuem competência para a aplicação de todas as medidas protetivas. As medidas protetivas de acolhimento institucional e familiar, bem como a de colocação em família substituta, é de competência exclusiva do Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude. Em situações excepcionais e urgentes, poderá, no entanto, encaminhar a criança ou o adolescente à entidade de atendimento responsável pela execução de programa de acolhimento institucional, quando, então, o fato deverá ser comunicado ao juiz no prazo máximo de vinte e quatro horas (BRASIL, 1990, art. 93). Considerando a articulação entre os mais diversos órgãos, articulação exigida pelo próprio ECA, como forma de assegurar a efetividade do princípio da proteção integral, as medidas de proteção não são aplicadas exclusivamente pelo puro arbítrio da autoridade estatal, mas sim em consonância com as diversas leis, parâmetros e cautelas necessárias para a proteção da criança e do adolescente. Ela deve, inclusive, em respeito ao princípio da dignidade humana, e considerando a condição de sujeito de direitos em desenvolvimento, ouvir a criança e o adolescente em sua vontade. Saiba mais Em 1991 foi criado, pela Lei nº 8.242, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Ele foi previsto pelo ECA como o principal órgão do sistema de garantia de direitos. Por meio da gestão compartilhada, governo e sociedade civil definem, no âmbito do Conselho, as diretrizes para a Política Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes. Além da definição das políticas para a área da infância e da adolescência, o Conanda também fiscaliza as ações executadas pelo poder público no que diz respeito ao atendimento da população infanto- juvenil (BRASIL, 2019). Atividade 4. De acordo com as políticas de atendimento à criança e ao adolescente, podemos afirmar que o ECA estabeleceu diversas linhas de ação. No que se refere às linhas previstas em lei, assinale a opção correta: a) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente as políticas sociais básicas e a prevenção à violação dos direitos apenas; b) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas os serviços especiais de atendimento médico e psicológico para aqueles que tenham sido submetidos a maus- tratos e/ou violência sexual; c) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas o serviço de identificação e localização dos pais ou responsáveis, bem como de crianças e adolescentes desaparecidos, e proteção jurídica; d) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente as políticas sociais básicas e prevenção à violação dos direitos; os serviços especiais de atendimento médico e psicológico, para aqueles que tenham sido submetidos a maus-tratos, violência sexual e exploração, entre outros riscos; o serviço de identificação e localização dos pais ou responsáveis, bem como de crianças e adolescentes desaparecidos; e proteção jurídico- social; e) São linhas de atendimento à criança e ao adolescente apenas as políticas sociais básicas, os serviços especiais de atendimento médico e psicológico, para aqueles que tenham sido submetidos a maus-tratos e/ou violência sexual. Gabarito Comentado 5. As medidas de proteção à criançae ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos na Lei nº 8.069/1990 (ECA) forem ameaçados de violação ou forem efetivamente violados. Dessa forma, assinale a opção que aponta de forma INCORRETA uma medida de proteção: a) Inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, apenas. b) Requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial. c) Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. d) Orientação, apoio e acompanhamento temporários. e) Inserção em família substituta. Gabarito Comentado 6. O ECA (Lei nº 8.069/1990) não apenas regulamenta as conquistas em favor das crianças e dos adolescentes, decorrentes da redemocratização do Estado e expressas na Constituição Federal, como também promove um importante conjunto de ações envolvendo áreas da realidade política e social do Brasil, representando um número considerável de mudanças tanto do conteúdo jurídico como de gestão. Sobre as mudanças decorrentes de conteúdo introduzidas no ECA, analise as ações a seguir e assinale a opção correta: I. Conceber a criança e o adolescente como sujeitos de direitos exigíveis com base na lei civil, apenas. II. Introduzir as garantias fundamentais a serem implementadas considerando o princípio da proteção integral e do melhor interesse. III. Reconhecer a criança e o adolescente não como sujeito de direitos, mas como objeto de proteção. IV. Introduzir uma nova divisão de trabalho social, não só entre os três níveis de governo (União, estado e município), mas também entre o Estado e a sociedade civil organizada. a) Estão corretas as ações I, III e IV, apenas. b) Estão corretas as ações I e IV, apenas. c) Estão corretas todas as ações. d) Estão corretas as ações I e II, apenas. e) Estão corretas as ações II e III, apenas. Gabarito Comentado Referências http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html Próxima aula Explore Mais Créditos Redatora: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Maiara Machado Web Designer: Roberta Meireles Administrador do LMS: Rostan Luiz Acessibilidade A+ A- listprint Estatuto da Criança e do Adolescente - E.C.A Aula 6: Da prática de ato infracional e das medidas pertinentes aos pais ou responsável Apresentação Estudaremos o ato infracional e as possíveis ilicitudes praticadas pelas pessoas em desenvolvimento e sua responsabilização penal. Demonstraremos que a criança e o adolescente são detentores dos mesmos direitos individuais e das garantias processuais que os adultos em privação de liberdade. Elencaremos, também, nesta aula, as medidas socioeducativas a serem aplicadas aos adolescentes autores de atos infracionais e as medidas que podem ser aplicadas aos pais ou responsável que descumprirem os deveres em relação à criança ou ao adolescente sobre os quais exerçam poder. Objetivos • Definir o ato infracional; • Diferenciar as seis medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula5.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html • Apontar as medidas aplicáveis aos pais ou responsável que não cumprem as obrigações perante a criança e o adolescente. Aspectos gerais A publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, trouxe uma inovação à legislação brasileira ao abordar o ato infracional. Por ato infracional, entende-se, segundo a lei, a conduta descrita como crime ou contravenção penal, porém praticada por criança ou adolescente. É importante lembrar que “crianças” são as pessoas com até doze anos de idade incompletos, e “adolescentes”, as pessoas entre doze e dezoito anos de idade. (Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) O ato infracional distingue-se do crime e da contravenção não apenas quanto ao sujeito que os pratica, em razão da idade, mas também em razão da finalidade, pois o ato infracional gera medidas socioeducativas, aos adolescentes, e protetivas, às crianças. No ato infracional, o sujeito (criança ou adolescente) que o pratica é priorizado, ao passo que, no crime e na contravenção, a finalidade é a sanção daquele que os pratica, priorizando-se a relação entre crime e sanção. Sendo assim, pode-se afirmar que tanto o crime como o delito e a contravenção são condutas atribuídas aos sujeitos imputáveis, enquanto a conduta equivalente, porém atribuída a crianças e adolescentes, que não são imputáveis, é percebida como ato infracional. O ato infracional Os atos infracionais praticados pelas crianças e pelos adolescentes não são desconsiderados tampouco deixam de implicar responsabilização, eles apenas não surtem efeitos no sentido de a criança e adolescente não serem sancionados mas submetidos a medidas socioeducativas que os prepare para a participação na vida social ou a medidas de proteção. Quanto a isso, Campos assevera: "Se o adolescente tem direitos, também tem obrigações, pois tem responsabilidade social, mesmo não respondendo penalmente pela prática de algum ato infracional. Se intencionalmente, de forma injustificável, violar as normas básicas da convivência social, investindo contra a vida, a integridade física, o patrimônio das pessoas, estará sujeito a medidas socioeducativas." - CAMPOS, 2009, p. 55 A ênfase de todas as medidas socioeducativas é educar possibilitando o retorno da criança ou do adolescente ao meio social de forma responsável e digna. Comentário Conforme pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em 14.613 processos, “a maior parte dos adolescentes infratores se concentra na faixa entre 15 e 17 anos (67%), seguida da faixa de 18 a 20 anos em que se encontram 24% do total dos jovens. A porcentagem de adolescentes entre 12 e 14 anos (6%) é a menor, considerando ser a primeira faixa etária na qual os adolescentes podem responder por ato infracional. Os jovens maiores de 20 anos, internados por atos infracionais cometidos antes da maioridade, correspondem a 0,4% do total de internos constantes nos processos analisados”. (CNJ, 2012, p. 21) Em consonância com os princípios processuais constitucionais e os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes caberá à autoridade judiciária, diante do ato infracional causado por um adolescente, a aplicação da medida competente, dentre as previstas no art. 112 do ECA 1. Entre as medidas socioeducativas previstas na lei, embora seja um rol taxativo, não há uma ordem preferencial ou mesmo uma relação entre a medida e o ato infracional específico. A aplicação das medidas deverá levar em consideração a capacidade do adolescente em cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração cometida, o que possibilita que diversos adolescentes tenham praticado o mesmo ato infracional, mas lhes seja aplicada medida socioeducativa diversa. "APELAÇÃO CÍVEL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL. ROUBO. APLICAÇÃO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE ATIVIDADES EXTERNAS. MODIFICAÇÃO. ADEQUAÇÃO ÀS CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAS DE CADA ADOLESCENTE ABRANDAMENTO DA MEDIDA. A http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html medida socioeducativa a ser aplicada deve observar não somente o ato infracional praticado, mas também as circunstânciaspessoais do adolescente, pois que a finalidade principal do Estatuto da Criança e do Adolescente é de reeducar e ressocializar o adolescente. Deve ser diferenciada a medida aplicada ao adolescente que não possui antecedentes, daquele que possui poucos e, daqueles que possuem uma conduta reiterada na prática de atos infracionais. APELAÇÃO PROVIDA." - TJRS. 7ª C. Cív. Ap. Cív. nº 70031420938. Rel. Des. José Conrado de Souza Júnior. J. em 28/10/2009 Cabe ressaltar que, e em se tratando de portador de doença ou deficiência mental, este deverá receber tratamento individualizado e especializado de acordo com a situação, tudo em consonância com o princípio da dignidade humana. O ECA estabelece que as medidas podem ser cumulativas, mas, claro, dentro da possibilidade, como a medida de semiliberdade e a de liberdade assistida. Porém, isso será viável se a medida for de advertência, que poderá ser acumulada com a reparação do dano, lembrando que o objetivo será sempre a proteção integral do adolescente, de modo a promover meios que interrompam o processo que o conduziu à prática do ato infracional e a sua ressocialização. Segundo Menezes: "A medida socioeducativa possui caráter de aprender a conviver, a viver junto – um dos pilares da concepção da educação em Edgar Morin -, sua natureza é interdisciplinar, da ordem jurídica, social, educativa. Cada ciência poderá identificar a natureza da medida, cabendo ao operador do direito a todas reconhecer. Se assim não o fizer, sonega-se a garantia ao adolescente [...] de identificação da medida mais adequada como resposta ao ato infracional." - MENEZES, 2008, p. 86 O objetivo das medidas socioeducativas previstas no ECA, como se percebe, não é punir o adolescente que praticou o ato infracional, mas educá-lo, levá-lo a compreender o ato praticado e, por meio de ações articuladas, como qualificação, orientação e inserção no mercado de trabalho, possibilitar-lhe a inclusão social. Medidas socioeducativas em espécie (Fonte: Photographee.eu / Shutterstock) Como se pode perceber, o ECA prevê, no art. 112, seis medidas socioeducativas que devem ser aplicadas pelo Juiz da Infância e Juventude em consonância com a capacidade do adolescente cumprir efetivamente a medida, seu perfil psicológico e suas condições sociais, bem como com a gravidade do ato praticado. Quanto ao Estado, cabe a este prover órgãos e instituições que fiquem responsáveis pela aplicação da medida. "Uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concluiu que há, no Brasil, cerca de 22.640 jovens privados de liberdade, internados em um dos 461 estabelecimentos socioeducativos existentes no país, acusados de terem praticado algum ato infracional. Destes, 3.921 são internos provisórios, ou seja 17% do total tiveram a liberdade privada sem uma sentença judicial definitiva." - RODRIGUES, 2018, on-line Advertência A advertência como medida socioeducativa é a mais branda do rol taxativo previsto no art. 112 do ECA, a qual consiste na repreensão verbal e deverá ser reduzida a termo e assinada. Segundo Barros Júnior (2013), a repreensão verbal tem intuito meramente informativo, formativo e imediato acerca da prática do ato infracional e suas consequências. Por ser mais branda, é recomendada apenas para os adolescentes que cometerem infrações de natureza leve ou quando a ocorrência do ato é esporádica. Obrigação de reparar o dano A medida socioeducativa voltada à reparação do dano decorrente do ato infracional poderá ser aplicada somente quando existirem reflexos patrimoniais decorrentes do ato, podendo resultar na devolução do próprio objeto, no ressarcimento do dano causado, ou em outras formas que compensem o dano sofrido pela vítima. Como ressalta Campos (2009, p. 60), a obrigação de reparar como medida socioeducativa “tem o mérito de despertar no jovem infrator a noção da responsabilidade pelo ato praticado e a ideia de que todo dano causado a outrem deve ser ressarcido”. É certo e pertinente que a medida socioeducativa seja efetivamente cumprida pelo adolescente que praticou o ato infracional. Para tanto, o ECA estabelece que para a fixação da medida a ser aplicada dever-se-á considerar a capacidade do adolescente de cumpri-la. Porém, em consonância com o Código Civil (CC), tendo o ato sido praticado por menor de 16 anos de idade, competirá a ele, juntamente com os pais ou o responsável, a reparação (arts.151 e 152, I e II CC). Diante da impossibilidade de o adolescente reparar o dano, caberá à autoridade judiciária determinar outra medida adequada ao objetivo das medidas socioeducativas. Prestação de serviços comunitários A prestação de serviços comunitários tem como objeto serviços que sejam de interesse geral, que serão prestados gratuitamente pelo adolescente, em entidades hospitalares, escolas e outras similares e em programas comunitários ou governamentais, conforme previsto no art. 117 do ECA. Atenção Considerando o princípio da proteção integral, as atividades indicadas ao adolescente não poderão conduzi-lo a uma situação vexatória e degradante nem o levar a desenvolver qualquer atividade que seja proibida ao adolescente trabalhador. Ainda nesse contexto, a aplicação da medida não poderá exceder 06 (seis) meses, e a jornada da prestação de serviços deverá ser cumprida no período de 08 (oito) horas diárias em sábados, domingos e feriados e em dias úteis, sem prejudicar a frequência do adolescente à escola ou ao trabalho. A Lei nº 12.594/2012, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), estabelece, no art. 14, que compete à direção do Programa de Medida de Prestação de Serviços à Comunidade identificar, selecionar e credenciar entidades assistenciais 2, hospitais, escolas ou outros estabelecimentos congêneres, bem como os programas comunitários ou governamentais, de acordo com o perfil do socioeducando e o ambiente no qual a medida será cumprida. Cabe enfatizar que a identificação da atividade a ser desenvolvida tem de estar em consonância com os objetivos gerais das medidas socioeducativas de caráter pedagógico. É importante que o adolescente tenha um bom aproveitamento da atividade, devendo contar, para isso, com a participação de um orientador, bem como deverá contar com o apoio dos pais ou responsável. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html Liberdade assistida Segundo o art. 118 do ECA, a liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente visando fortalecer seus laços familiares e seus laços com a comunidade, rompendo, por via de consequência, com a prática de atos de violência e atos infracionais. Dentre as medidas restritivas de liberdade, esta é a mais amena. A aplicação da medida socioeducativa de liberdade assistida requer a existência de um programa efetivo de atendimento ao adolescente e sua família, pois não se refere apenas a vigiá-lo, mas a intervir na realidade dele, na vida dele, repercutindo na dinâmica familiar de modo positivo, por meio de profissionais capacitados. O SINASE estabelece, no art. 13, que é de responsabilidade da direção do programa de prestação de serviços à comunidade ou de liberdade assistida selecionar e credenciar orientadores, designando-os, caso a caso, para acompanhar e avaliar o cumprimento da medida; receber o adolescente e seus pais ou responsável e orientá-los sobre a finalidade da medida e a organização e o funcionamento do programa; encaminhar o adolescente para o orientador credenciado; supervisionar o desenvolvimento da medida; bem como avaliar, com o orientador, a evolução do cumprimento da medida e, se necessário,propor à autoridade judiciária sua substituição, suspensão ou extinção. Por sua vez, o art. 119 do ECA estabelece diversas tarefas a serem realizadas pelos orientadores, todas voltadas ao desenvolvimento do adolescente e não apenas a vigiá-lo. Podemos citar a promoção social do adolescente e da sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, quando necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social; a supervisão da frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula; a diligência no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado trabalho; e a apresentação do relatório do caso. Por se tratar de medida de natureza pedagógica voltada ao adolescente em desenvolvimento, o ECA determina que esta será fixada pelo prazo mínimo de 06 (seis) meses, mas poderá ser a qualquer momento prorrogada, revogada ou mesmo substituída por outra medida considerada mais adequada, desde que ouvido o Ministério Público, o orientador e o defensor. Regime de semiliberdade O ECA estabelece, no art. 120, o regime de semiliberdade como medida socioeducativa em que o adolescente que praticou ato infracional cumpre a medida em moradias residenciais que estejam localizadas em comunidades que contenham sistema de saúde, transporte e educação. Mas afinal, quando é aplicada a medida socioeducativa? Ela poderá ser utilizada de imediato em razão da gravidade do ato infracional praticado, em razão de não existirem vínculos familiares ou como forma de transição para o regime aberto. É percebida como uma etapa de transição entre a liberdade assistida e a internação. Segundo o art. 120 do ECA, §1º, muito embora se trate de medida restritiva de liberdade, esse sistema permite ao adolescente a realização de atividades, no período diurno, fora das unidades residenciais, sem qualquer vigilância, tais como ir à escola e desenvolver atividades laborais fundamentais ao seu desenvolvimento, mantendo-o longe da violência. Como bem ressalta Volpi: "A semiliberdade contempla os aspectos coercitivos desde que afasta o adolescente do convívio familiar e da comunidade de origem; contudo, ao restringir sua liberdade, não o priva totalmente do seu direito de ir e vir. Assim como na internação, os aspectos educativos baseiam-se na oportunidade de acesso a serviços, organização da vida cotidiana etc. Deste modo, os programas de semiliberdade devem obrigatoriamente manter uma ampla relação om os serviços e programas sociais e/ou formativos no âmbito externo a comunidade de moradia." - VOLPI, 2002, p. 25 O art. 122 do ECA estabelece que as disposições referentes à internação se aplicam ao regime semiaberto. Sendo assim, pode-se concluir que é cabível a aplicação da medida de regime semiaberto, conforme a seguir: "Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta." - BRASIL, 1990 No art. 120, o ECA estabelece que a medida socioeducativa em regime semiaberto deverá ter o prazo máximo de 03 (três) anos, sendo que a cada 06 (seis) meses deve ser realizada uma reavaliação a fim de verificar a necessidade da medida imposta ao adolescente. Comentário O estado do Rio Grande do Sul criou dois tipos de unidades de internação. O Instituto Sem Possibilidade de Atividade Externa (ISPAE) e o Instituto de Internação Com Possibilidade de Atividade Externa (ICPAE). Assim, os adolescentes são separados entre os que podem realizar atividades externas e os que não podem. A decisão acerca de quem participará de qual instituto é do juiz de acordo com o perfil de cada adolescente infrator, podendo este, inclusive, ser encaminhado ao ICPAE, seja como primeira medida, seja como forma de progressão da ISPAE. Aos adolescentes com possibilidade de atividade externa são oferecidas visitas a museus, casas de cultura, cinemas, circo, jogos de futebol, participação em palestras e grupos de apoio, entre outras atividades, incluindo-se aí as visitas aos familiares nos finais de semana. Internação A internação é prevista no ECA como medida socioeducativa restritiva de liberdade, devendo ser adotada como último recurso. Muito embora se trate de medida restritiva de liberdade, o adolescente poderá realizar atividades externas, como trabalhar. Essas atividades somente serão vedadas a ele se assim estiver decidido de forma expressa pelo Juiz da Infância e Juventude. Diferentemente de outras medidas socioeducativas 3, a internação não tem lapso temporal determinado previsto em lei, sendo necessário apenas que ocorra uma reavaliação da medida a cada 06 (seis) meses, não ultrapassando o prazo máximo de 03 (três) anos. Ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, o adolescente recebe a liberação compulsória. Assim como o regime de semiliberdade, a internação poderá ser aplicada quando: "Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta." - BRASIL, 1990 Muito embora o ECA não aborde hipótese de prescrição, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela Súmula nº 338, determina que “A prescrição penal é aplicável nas medidas sócio-educativas”. Considerando o fim educativo e pedagógico das medidas socioeducativas, o ECA estabelece, ainda, que a internação somente poderá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, separando-os de acordo com critérios de idade, compleição física e gravidade da infração, vendando a permanência dos adolescentes em instituições prisionais. Ainda que o adolescente se encontre em cumprimento de medida socioeducativa de internação, serão assegurados diversos direitos (art. 124, ECA) visando ao seu desenvolvimento adequado para o retorno à sociedade, como ficar internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html domicílio dos pais ou do responsável; receber visitas, ao menos semanalmente; corresponder-se com os familiares e amigos; e realizar atividades culturais, esportivas e de lazer, entre outros. Remissão (Fonte: Monkey Business Images / Shutterstock) O ECA prevê, no art. 126, a possibilidade da remissão, ocorrendo geralmente em situações de menor gravidade, evitando ou pondo fim ao processo que envolve o adolescente infrator. O mesmo dispositivo atribui ao Ministério Público a prerrogativa da remissão, a qual poderá ser cumulada com outra medida socioeducativa não restritiva de liberdade (arts. 126 e 128, ECA). A remissão deverá ser apresentada antes da representação socioeducativa, evitando-se a instauração do processo. Após a representação, a remissão deverá ser homologada pelo Juiz da Infância e Juventude. Assim, pode-se afirmar que a remissão poderá suspender ou extinguir o processo. Medidas pertinentes aos pais ou responsáveis (Fonte: fizkes / Shutterstock) Em consonância com o ECA, e em cumprimento ao princípio da proteção integral, diversas são as medidas que podem ser aplicadas aos pais ou ao responsável legal pela criança ou pelo adolescente. "Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável: I - encaminhamento a serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família; II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; III - encaminhamento a tratamentopsicológico ou psiquiátrico; IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua frequência e aproveitamento escolar; VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado; VII - advertência; VIII - perda da guarda; IX - destituição da tutela; X - suspensão ou destituição do poder familiar." - BRASIL, 1990 As medidas previstas no ECA têm por finalidade resgatar a criança e o adolescente para o seio de sua família, estando previstas medidas de proteção à família, nos incisos I a IV, e medidas sancionatórias, nos incisos VII a X, sendo estas tomadas apenas em situações extremas. Atividade 1. Assinale, dentre as medidas socioeducativas previstas pelo ECA apresentadas a seguir, aquelas que sejam percebidas como restritivas de liberdade: a) Advertência e reparação do dano b) Internação e advertência c) Prestação de serviços comunitários e liberdade assistida d) Liberdade assistida e regime semiaberto e) Liberdade assistida e advertência Gabarito Comentado 2. Considerando a liberdade assistida prevista no ECA, analise as assertivas a seguir: I. É uma das medidas socioeducativas previstas no ECA aplicável à criança e ao adolescente quando verificada a prática do ato infracional, não tendo natureza de medida privativa de liberdade. II. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. III. A liberdade assistida constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. IV. Consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, em entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) As assertivas I e IV são verdadeiras; b) As assertivas I, III e IV são falsas; c) As assertivas II e III são verdadeiras; d) As assertivas II e IV são falsas; e) Todas as assertivas são verdadeiras. Gabarito Comentado 3. Assinale a alternativa correta: a) A advertência não é percebida como medida socioeducativa segundo o ECA. b) transição para o regime aberto. c) A liberdade assistida somente poderá ser aplicada quando se tratar de ato infracional grave. d) A advertência, a perda da guarda e a destituição da tutela são as únicas medidas previstas para quando os pais ou responsáveis descumprirem os direitos previstos e assegurados à criança e ao adolescente. e) A remissão somente poderá ser proposta quando já existir um processo judicial em trâmite envolvendo ato infracional praticado pelo adolescente. f) A prescrição penal não é aplicável às medidas socioeducativas. Gabarito Comentado 4. São consideradas funções do orientador, quando o adolescente é colocado em regime de liberdade assistida: a) apenas promover socialmente o adolescente e sua família, orientando-os e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social. b) apenas supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula e apresentar relatório do caso. c) promover socialmente o adolescente e sua família, orientando-os e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social, apenas. d) diligenciar no sentido da profissionalização e da inserção do adolescente no mercado de trabalho, apresentar relatório do caso, supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula. e) diligenciar no sentido da profissionalização e da inserção do adolescente no mercado de trabalho, apenas. Gabarito Comentado 5. Em se tratando de atos infracionais com repercussão patrimonial, assinale a medida socioeducativa mais adequada, considerando tratar-se de meio para a educação e não a punição do adolescente infrator: a) Internação b) Aplicação de multa diária c) Prisão em regime semiaberto d) Restituição da coisa ou ressarcimento do prejuízo causado e) Regime de semiliberdade Gabarito Comentado Referências Próxima aula Explore Mais http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula6.html Créditos Redatora: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Juliana Garcia Web Designer: Roberta Meireles Administrador do LMS: Rostan Luiz Acessibilidade A+ A- listprint Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA Aula 7: Do conselho tutelar Apresentação Estudaremos o Conselho Tutelar. Conheceremos suas atribuições e competências, aprenderemos como ocorre o processo de escolha dos conselheiros tutelares, suas atribuições, prerrogativas e impedimentos. Abordaremos, também, nesta aula, a suspensão ou a cassação do mandato de conselheiro pela via administrativa ou pela judicial e a Resolução 113/2006 do Conanda. Objetivos • Identificar as funções do Conselho Tutelar; • Analisar a formação do Conselho Tutelar; • Examinar a possibilidade de cassação ou suspensão do mandato dos conselheiros. Aspectos gerais O art. 86 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) refere-se à necessidade de um conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais, e nem poderia ser diferente, pois é de responsabilidade de todos a promoção da defesa da criança e do adolescente. Para isso, é http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html necessária, portanto, uma ação conjunta do poder público e da sociedade organizada para a efetividade da proteção integral. Afirmando que apenas por meio da educação, do tratamento e da prevenção é que se terá uma redução da delinquência juvenil, diversos órgãos foram criados com a intenção de implementar o ECA e efetivar os direitos das crianças e dos adolescentes. Entre esses órgãos, podemos citar • os Conselhos de Direitos, • os Conselhos Tutelares, • os Fundos da Criança. Além deles, há também a ação civil pública para a responsabilização de autoridades que, por ação ou omissão, descumprirem o ECA. Conselho Tutelar Por Puchong Art (Fonte: Shutterstock). Segundo Liberati (2003), o Conselho Tutelar é caracterizado por um espaço de proteção e garantia aos direitos da criança e do adolescente, no âmbito municipal. Trata-se de uma ferramenta e um instrumento de trabalho nas mãos da comunidade, que fiscalizará e tomará providências para impedir a ocorrência de situações de risco pessoal e social das crianças e dos adolescentes. De acordo com o art. 131 do ECA, os Conselhos Tutelares apresentam três características principais: 1. Natureza institucional; 2. Autonomia; 3. Não jurisdicional. Leiamos, a seguir, sobre cada uma dessas características: As três características principais dos Conselhos Tutelares Clique no botão acima. Função do Conselho Tutelar Considerando a doutrina da proteção integral, podemos afirmar que a função primordial do Conselho Tutelar é salvaguardar que os direitos e as garantias concedidas às crianças e aos adolescentes como sujeitos de direitos sejam efetivamente preservados. Muito embora, à primeira vista, possa parecer que as funçõesdo Conselho Tutelar sejam meramente burocráticas, cabe ao órgão não apenas aplicar as medidas protetivas, mas encaminhar os sujeitos para programas de atendimento, fiscalizar o atendimento nos mais diversos órgãos e promover efetivamente a solução dos problemas vivenciados pelas crianças e pelos adolescentes, seja individual ou coletivamente, de forma que esses sujeitos em desenvolvimento possam participar da sociedade de forma digna e salutar. Por Luciano Cosmo (Fonte: Shutterstock). http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar1 Ainda que a atuação do Conselho Tutelar não seja isolada, pois, por diversas vezes, necessita da atuação de outros órgãos, programas e instituições, sua natureza resolutiva se evidencia, já que a ele compete a obrigação de concretizar o princípio da proteção integral e o princípio da prioridade absoluta da criança e do adolescente previstos no texto constitucional (art. 37, CF). O ECA estabelece, no art. 136, diversas atribuições ao Conselho Tutelar. Porém, além das elencadas no dispositivo, podem ser acrescidos o dever de fiscalizar as entidades de atendimento, deflagrar o procedimento para apuração de irregularidade nas entidades de atendimento e infração às normas administrativas acerca das crianças e dos adolescentes (art. 95, 191, ECA). Leitura http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2 Leia as atribuições previstas no art. 136 do ECA. Clique no botão acima. O Conselho Tutelar, quando toma conhecimento de que crianças ou adolescentes estão em situação de risco ou esteja ocorrendo violação dos direitos deles, poderá decidir acerca das medidas de proteção que devem ser aplicadas. Exemplo O Conselho Tutelar poderá encaminhar crianças e adolescentes aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; poderá realizar a inclusão em programa de acompanhamento familiar, a inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos, entre outras medidas previstas no artigo 101 do ECA. Como se pode observar, todas as atribuições elencadas estão em consonância com a doutrina da proteção integral da criança e do adolescente, bem como estão voltadas à efetividade do princípio da dignidade humana, considerando a criança e o adolescente como sujeitos de direitos e com prioridade absoluta. Por gst (Fonte: Shutterstock). http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar2 Saiba mais As decisões do Conselho Tutelar possuem caráter coercitivo e não necessitam de homologação judicial ou por qualquer outro órgão. A partir do momento em que o destinatário toma conhecimento da decisão do Conselho, a decisão deverá ser obrigatoriamente cumprida e, na hipótese de não concordar com ela, a única alternativa será pleitear a revisão por intermédio do Poder Judiciário. Porém, enquanto não for tomada a decisão judicial acerca da suspensão ou revogação, a medida deverá ser cumprida. Estruturação do Conselho Tutelar Considerando a importância do papel dos Conselhos Tutelares na promoção dos direitos das crianças e dos adolescentes, o ECA estabelece que em cada município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal deverá existir, no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública. Vejamos algumas características fundamentais para criação de Conselhos: Clique nos botões para ver as informações. Quantidade por município Demanda da localidade Composição Requisitos mínimos para interessados Direitos assegurados aos membros Saiba mais A Lei n° 11.622, de 19 de dezembro de 2007, instituiu o dia 18 de novembro como o “Dia Nacional do Conselheiro Tutelar”. Processo de escolha dos conselheiros De acordo com o ECA, a escolha dos conselheiros será regulamentada por meio de lei municipal, mas sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, contando com a fiscalização pelo Ministério Público (art.138, ECA). http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-01 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-02 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-03 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-04 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#collapse01-05 O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar terá por base um processo de natureza democrática, ou seja, os membros não são escolhidos pelo poder municipal ou pelo Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, mas sim pela própria população eleitoral do município que o fará por meio de voto direto, secreto e facultativo. "Atribuições da Comissão Especial encarregada de realizar o Processo de Escolha dos Membros do Conselho Tutelar A Comissão Especial tem composição paritária e sua atribuição é a realização do processo de escolha em data unificada dos membros do Conselho Tutelar que compreende: realizar reuniões, analisar os pedidos de registro de candidatura e dar publicidade à relação de inscritos, elaborar calendário prevendo etapas, cronograma, regulamentos, infraestrutura e todas as providências necessárias para sua execução. A Comissão terá seu trabalho encerrado após a divulgação no Diário Oficial ou em meio equivalente, do nome dos conselheiros tutelares titulares escolhidos e dos suplentes que serão listados em ordem decrescente de votação.”" (BRASIL, 2019, on-line) Assim, frente a eventual irregularidade no processo de escolha, conta-se com a intervenção do Poder Judiciário, uma vez provocado, conforme se demonstra por meio da decisão a seguir: MANDADO DE SEGURANÇA. ORDEM CONCEDIDA. (...). ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. CONSELHO TUTELAR. ESCOLHA PELA COMUNIDADE LOCAL, E NÃO PELO CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, CUJA ATRIBUIÇÃO LIMITA-SE À ORGANIZAÇÃO DO RESPECTIVO PROCESSO. Consoante dispõe expressamente o Estatuto da Criança e do Adolescente, compete à comunidade local escolher os membros do conselho tutelar, (artigo 132), e não ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, cuja atribuição, nesse aspecto, limita-se à organização do processo de escolha (artigo 139). Superior Tribunal de Justiça agravo de instrumento nº 96.992/pr. (TJPR. 1ª Câmara Cível. Reexame Necessário. nº 25750100. Relator Tadeu Costa.) Processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar Clique no botão acima. Atividade 1. No que se refere à criação dos Conselhos Tutelares, assinale a alternativa correta: a) Os municípios poderão criar obrigatoriamente três conselhos tutelares distribuídos por regionalização de bairros. b) A criação de Conselho Tutelar é de competência do estado, bem como a inclusão das despesas na lei orçamentária. c) Os municípios somente poderão criar o Conselho Tutelar a partir do momento em que possuírem cem mil habitantes. d) Os estados, juntamente com os municípios, deverão criar, no máximo, dois conselhos por localidade. e) Os municípios deverão criar, no mínimo, um Conselho Tutelar. Gabarito comentado 2. Assinale a alternativa correta acerca dos requisitos mínimos necessários aos candidatos interessados em participar da escolha para membro do Conselho Tutelar, conforme estabelecido pelo art. 133 do ECA: a) Idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos, com plena capacidade civil, residir no município e ter carteira de habilitação. b) Idoneidade moral, residir nomunicípio e ter idade superior a 18 anos, com plena capacidade civil. c) Possuir reconhecida idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos e residir no município. d) Idoneidade moral, ter idade superior a 21 (vinte e um) anos, ter concluído o terceiro grau. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar3 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar3 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar3 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html#complementar3 e) Possuir idade superior a 21 (vinte e um) anos, ter reconhecida idoneidade moral, residir no município, ser integrante de algum órgão público da municipalidade. Gabarito comentado 3. Considerando o surgimento dos Conselhos Tutelares, assinale a resposta correta: a) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de afastar as crianças e os adolescentes das famílias, visando a garantir-lhes a segurança. b) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de encaminhar a programas de acolhimento institucional crianças e adolescentes caso não se encontrem na companhia dos pais ou responsável. c) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de zelar pela garantia de todos os direitos das crianças e dos adolescentes, incluindo o direito à convivência familiar, devendo sua intervenção ser voltada ao fortalecimento dos vínculos familiares e à proteção à família. d) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de promover a aplicação de medidas de natureza sancionatória aos adolescentes que tenham praticado atos infracionais. e) O Conselho Tutelar foi criado com o fim de encaminhar a programas de acolhimento institucional somente os adolescentes que não se encontrem na companhia dos pais ou do responsável. Gabarito comentado 4. Podem ser considerados impedidos de participar do processo de escolha de membro para o Conselho Tutelar, segundo a Lei nº 8.690/90: a) os juízes e promotores públicos, independentemente do foro em que se encontrem, além de pais e filhos no que tange ao mesmo Conselho. b) apenas os ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados durante o cunhadio, tio e sobrinho, desde que no mesmo Conselho. c) juízes e promotores públicos com atuação na Justiça da Infância e Juventude em exercício na comarca, foro regional ou distrital, bem como não poderão participar marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, ainda que em Conselhos distintos. d) do mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados durante o cunhadio, tio e sobrinho, enteado e padrasto ou madrasta, bem como os juízes da comarca local. e) juízes e membros do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e Juventude em exercício na comarca, foro regional ou distrital, bem como não poderão participar no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora. Gabarito comentado 5 - No que se refere aos requisitos necessários para participar do processo de escolha de membros do Conselho Tutelar, assinale a alternativa correta: a) O processo deverá ser estabelecido mediante Lei Estadual, competindo ao município apenas a sua implementação. b) O Conselho dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes poderá intervir no processo de escolha, porém somente em casos de infração. c) O processo de escolha deverá estar regulamentado em Lei Municipal, mas sob a responsabilidade do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. d) O processo de escolha deverá estar regulamentado em Lei Municipal, mas sob a responsabilidade do Ministério Público, ao qual competirá também a fiscalização do órgão. e) O Conselho dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes e o Ministério Público poderão atuar em conjunto na implementação do processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar visando à regularidade do processo e aplicando sanções aos infratores. Gabarito comentado 6 - Realizado o processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, acerca do período para o cumprimento do mandato e da possibilidade de recondução, assinale a alternativa correta: a) Cumprirá mandato de 05 anos podendo ser reconduzido uma única vez. b) Cumprirá mandato de 02 anos podendo ser reconduzido duas vezes. c) Cumprirá mandato de 04 anos podendo ser reconduzido duas vezes. d) Cumprirá mandato de 08 anos não podendo ser reconduzido. e) Cumprirá mandato de 04 anos podendo ser reconduzido uma única vez. Gabarito comentado Referências Próxima aula http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html Explore Mais Créditos Redator: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Luciano Freitas Web Designer: Elena Pessoa Administrador do LMS: Rostan Luiz Acessibilidade A+ A- listprint Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA Aula 8: Justiça da Infância e da Juventude Apresentação Estudaremos as disposições gerais sobre os aspectos das ações que tramitam perante a Vara da Infância e da Juventude bem como os procedimentos e recursos relativos a essas ações. Trataremos, também, nesta aula, das responsabilidades do Ministério Público, dos Advogados e da Defensoria Pública, e da tutela coletiva de direitos. Objetivos • Analisar os aspectos relativos à Justiça da Infância e da Juventude;; • Analisar os aspectos gerais das ações judiciais em torno da criança e do adolescente. Aspectos gerais da Justiça da Infância e da Juventude Diferentemente do que ocorria na época do Código de Menores, em que a “Justiça do Menor” era voltada quase com exclusividade para a aplicação de http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula7.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html medidas pela violação de direitos, atualmente, vemos um papel diferenciado concedido à Justiça da Infância e Juventude. Esta, embasada na doutrina da proteção integral, atua mais no campo dos direitos coletivos da criança e do adolescente por meio de ações que visam a corrigir, muitas vezes, a falha do poder público no que diz respeito à estruturação do próprio Estado para preservar os direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes. O compromisso em tornar efetivo o princípio da proteção integral da criança não é assumido apenas pelos poderes Executivo e Legislativo, mas também pelo Poder Judiciário, os quais, ao lado da sociedade organizada e de outros órgãos governamentais e não governamentais, integram o Sistema de Garantias/Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente. O desembargador Ruy Portanova, em decisão recursal, manifestou-se explicando que: "A responsabilidade pela concretização dos direitos da criança e do adolescente, consagrados na Constituição da República e no Estatuto da Criança e do Adolescente é, não só do Ministério Público, do Conselho Tutelar, da Escola, da Família e Sociedade, como também, do Poder Judiciário. - Recurso de apelação nº 70024601403" Para tanto, foram criadas varas especializadas para atendimento de situações que envolvam a criança e o adolescente, conforme prevê o art. 145 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a saber: "Art. 145. Os estados e o Distrito Federal poderão criar varas especializadas e exclusivas da infância e da juventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las de infraestrutura edispor sobre o atendimento, inclusive em plantões." - - Brasil (1990) Juiz da Infância e da Juventude O ECA prevê que o Juiz da Infância e Juventude atuante na Vara Especializada ou o Juiz de Direito atuante, por exemplo, nas Varas Cíveis e nas Varas de Família desenvolverá as atividades em consonância com a lei de organização judiciária do estado em que se encontra. Por Chris Bain (Fonte: Shutterstock). Em princípio, o Juiz da Infância e Juventude é competente para apreciar todas as ações, sejam elas individuais ou coletivas, que tenham por objeto de discussão a defesa de interesses infantojuvenis. Porém, o art. 147 do ECA estabelece que a ação deverá ser proposta no domicílio dos pais ou do responsável pela criança ou pelo adolescente, ou, em não havendo pais ou responsável legal, deverá ser promovida a ação no lugar em que a criança ou o adolescente esteja e, em tendo ocorrido ato infracional, será competente o juiz do lugar da ação ou a omissão. Questões que envolvem a competência para o julgamento. Clique no botão acima. Serviços auxiliares De acordo com os arts. 150 e 151 do ECA, o Poder Judiciário deverá, na elaboração da proposta orçamentária, prever recursos para a manutenção de equipe interprofissional, destinada a assessorar a Justiça da Infância e Juventude com a função de fornecer laudos e pareceres que auxiliem na solução do conflito envolvendo a criança ou o adolescente. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html#complementar1 Por Viktoria Kurpas (Fonte: Shutterstock). A equipe terá também a função de prevenção, orientação e encaminhamento aos demais órgãos que integrem a rede em prol da defesa dos direitos da criança e do adolescente. Corroborando a noção de que a responsabilidade pela proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes não é inerente a um só órgão, mas a todos, em 2006 foi publicada a Recomendação nº 02, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo a qual os Tribunais de Justiça devem implantar uma equipe interprofissional em todas as comarcas do estado, de modo a atender o previsto nos arts. 150 e 151 do ECA, em face da complexidade que envolve a violação dos direitos infantojuvenis. De acordo com Digiácomo e Digiácomo (2010, p. 292), o ideal, sem dúvida, é que cada Juízo da Infância e da Juventude tenha à sua disposição, para intervenção imediata, uma equipe interprofissional (ou interdisciplinar) composta, no mínimo, de um pedagogo, um psicólogo e um assistente social, que devem analisar os casos de forma conjunta e, também de forma conjunta, apresentar ao Juízo suas conclusões, em que sejam apontadas as alternativas existentes para efetiva solução do problema, com a respectiva justificativa, sob o ponto de vista técnico. Daí porque o Estatuto prevê, de maneira expressa, que o Poder Judiciário tem o dever de colocar à disposição dos Juizados da Infância e da Juventude a aludida equipe interprofissional, para o que deverá alocar recursos orçamentários. Como referido anteriormente, a função da equipe interprofissional é contribuir com o conhecimento técnico para a efetiva solução do problema vivenciado pela criança ou pelo adolescente, não tendo, no entanto, efeito vinculativo perante o juiz. Este não é, portanto, obrigado a acatar a orientação ou a sugestão fornecida pela equipe, desde que o faça de forma fundamentada. Ministério Público Contrariamente do que ocorreu com a criação da Justiça da Infância e Juventude e da criação de Varas Especializadas, o ECA não determina a criação de um órgão do Ministério Público exclusivamente para o setor, relegando a questão à Lei Orgânica. Em 1993, foi publicada a Lei nº 8.625 (Lei Orgânica do Ministério Público), a qual dispõe de normas gerais para estrutura e organização do Ministério Público dos estados e, meses depois, foi publicada a Lei Complementar nº 73, a qual prevê a organização do Ministério Público da União. Além da Lei Orgânica do Ministério Público, o art. 129 da Constituição Federal (CF) descreve quais são as funções institucionais do órgão. O art. 201 do ECA aborda inúmeras funções a serem exercidas pelo Ministério Público, salientando que não se trata de um rol que exclua outras funções. Desse modo, poderão ser exercidas outras funções desde que compatíveis com a finalidade do órgão. Leitura Leia sobre as funções do Ministério Público. Da mesma forma que ocorre com os Juízes, é necessário que a Promotoria também esteja atuando em parceria com as equipes interprofissionais para que o princípio da proteção integral seja atendido satisfatoriamente. Saiba mais javascript:void(0); O sistema Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA) foi desenvolvido com o objetivo de criar um sistema on-line contendo dados das entidades de acolhimento e de crianças/adolescentes acolhidos. O CNCA visa a integrar, via web, as informações de todos os órgãos e entidades de proteção envolvidos com a medida protetiva de acolhimento, tais como os Juízos de Direito da Infância e Juventude, as Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, os Conselhos Tutelares e as instituições de acolhimento, entre outros, na busca pela garantia do direito de crianças e de adolescentes de serem criados no seio de uma família. Do advogado e do defensor público O advogado é percebido pela CF como fundamental para a efetividade do direito de acesso à justiça. Da mesma forma o percebe o ECA que, no art. 206, estabelece que qualquer pessoa com legítimo interesse poderá intervir no procedimento, desde que o faça por intermédio de um advogado. "Art. 206. A criança ou o adolescente, seus pais ou responsável, e qualquer pessoa que tenha legítimo interesse na solução da lide poderão intervir nos procedimentos de que trata esta Lei, através de advogado, o qual será intimado para todos os atos, pessoalmente ou por publicação oficial, respeitado o segredo de justiça. Parágrafo único. Será prestada assistência judiciária integral e gratuita àqueles que dela necessitarem." - Brasil (1990) Tal relevância também é enfatizada no art. 207, o qual determina que o adolescente acusado de ato infracional deverá ter o acompanhamento de um defensor, que poderá ser nomeado pelo juiz sob pena de nulidade do procedimento. Isso por analogia à Súmula 523 do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual: “No processo penal, a falta de um defensor constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova do prejuízo para o réu”. A Lei nº 12.594, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), no art. 4º, VIII, assegura ao adolescente que tenha cometido ato infracional a defesa técnica garantida pelo Estado, papel desenvolvido pelos Defensores Públicos. Diante da ausência do defensor, é importante salientar que nenhum ato processual será adiado, a celeridade que a peculiaridade do conflito exige permite que o julgador nomeie um defensor substituto, mesmo que apenas para aquele ato específico. Atividade 1. Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta: I. A autoridade judiciária somente poderá atuar quando provocada pelo Ministério Público. II. A autoridade judiciária, quando se tratar de pedidos de guarda e tutela, poderá atuar, desde que a criança ou o adolescente esteja em situação de risco. III. O Juiz da Infância e Juventude é competente para apreciar todas as ações individuais ou coletivas cujo objeto de discussão seja a defesa de interesses infantojuvenis. IV. Compete à autoridade judiciária a publicação de portaria que regulamente a participação apenas das crianças em shows e espetáculos. a) As assertivas I eIV estão corretas.. b) As assertivas II e IV estão corretas. c) As assertivas I e III estão corretas. d) As assertivas II e III estão corretas. e) As assertivas I e II estão corretas. Gabarito comentado 2. Leia a seguinte assertiva: “A equipe terá também a função de prevenção, orientação e encaminhamento aos demais órgãos que integrem a rede em prol da defesa dos direitos da criança e do adolescente”. A que ou a quem ela se refere? a) Ao Defensor Público e à defesa técnica, que deve ser realizada em prol do adolescente infrator. b) Ao Juiz, que atua nas Varas Especializadas da Infância e da Juventude. c) Ao Ministério Público, quando atua como autor da ações coletivas em prol da defesa dos interesses coletivos da criança e do adolescente. d) Aos serviços auxiliares, tais como psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, que formam uma equipe interprofissional na defesa dos direitos da criança e do adolescente. e) Não se refere a nenhum sujeito que participe de alguma forma da defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes. Gabarito comentado 3. Considerando o princípio da proteção integral, definiu-se a criação de Varas Especializadas que melhor pudessem responder ao conflito envolvendo os direitos das crianças e dos adolescentes. A respeito da criação dessas Varas, o que o ECA estabelece? a) Compete exclusivamente à União criar as Varas Especializadas em face da matéria que será discutida. b) Compete aos estados e aos municípios a criação das Varas Especializadas em direitos das crianças e dos adolescentes. c) Compete apenas aos municípios a criação das Varas Especializadas em Infância e Juventude. d) Compete aos estados e ao Distrito Federal a criação de Varas Especializadas e exclusivas da Infância e Juventude. e) Compete ao Distrito Federal, apenas, a criação de Varas Especializadas. Gabarito comentado 4. Acerca da presença de crianças e adolescentes em espaços de diversão, o que podemos afirmar? a) Tanto a criança como o adolescente poderão frequentar espaços destinados à diversão, independentemente da modalidade, se de jogos de azar ou teatro. b) As crianças e adolescente somente poderão participar de concursos de moda, de beleza e programas de televisão uma vez concedido o alvará por autoridade judicial mesmo que desacompanhadas dos pais ou do responsável. c) A autoridade judicial possui competência para a publicação de portarias que regulamentem a participação de crianças e adolescentes em festivais, cinemas e boates, bem como estabelecer faixa etária. d) As crianças não poderão participar de espaços de diversão ainda que estejam regulamentadas pela autoridade judicial. e) A participação das crianças e dos adolescentes em certames de beleza dependerá de autorização do Ministério Público. Gabarito comentado 5. São atribuições do Ministério Público, de acordo com o ECA e a doutrina da proteção integral: a) Conceder a permissão para a realização de espetáculo com crianças; b) Publicar portarias que regulamentem a participação de crianças e de adolescentes em espaços de diversão; c) Promover e acompanhar os procedimentos relativos às infrações atribuídas a adolescentes; d) Atuar apenas como fiscal da lei ainda que se tratem de ações de natureza coletiva; e) Autorizar, mediante alvará, a participação de crianças em certames de beleza. Gabarito comentado Referências Próxima aula Explore Mais Créditos http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula8.html Redator: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Luciano Freitas Web Designer: Elena Pessoa Administrador do LMS: Rostan Luiz Acessibilidade A+ A- listprint Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA Aula 9: Dos procedimentos e da tutela coletiva dos interesses da criança e do adolescente Apresentação Estudaremos os procedimentos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na defesa dos direitos individuais e coletivos. Trataremos também dos recursos previstos para o exercício do duplo grau de jurisdição, garantia assegurada implicitamente pelo texto constitucional. Ainda nesta aula, analisaremos os mecanismos de defesa dos direitos coletivos em prol das crianças e dos adolescentes. Objetivos • Descrever os procedimentos previstos no ECA para a apuração do ato infracional; • Analisar a previsão legal do sistema recursal previsto no ECA; • Analisar as referências da defesa dos direitos coletivos. Procedimentos de proteção dos interesses infantojuvenis O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) descreve os procedimentos a serem adotados para a proteção dos direitos da criança e do adolescente, no sentido da promoção da proteção integral dos interesses infantojuvenis. A princípio, cabe ressaltar que as normas processuais gerais são aplicadas subsidiariamente ao previsto no ECA bem como todos os procedimentos http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html adotados devem sempre ser norteados pelo princípio da proteção integral e do melhor interesse da criança e do adolescente. Procedimentos na defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes O ECA estabelece os procedimentos que devem ser adotados no sentido de proteger os direitos da criança e do adolescente. Prevê, portanto, os procedimentos a serem adotados diante da perda e da suspensão do poder familiar, nos arts. 155 a 163; da destituição da tutela, no artigo 164; da colocação em família substituta, nos arts. 165 a 170; da apuração do ato infracional atribuído a adolescente, nos arts. 171 a 190; da infiltração de agentes de polícia para a investigação de crimes contra a dignidade sexual de criança e de adolescente, nos arts. 190-A a 190-E; da apuração de irregularidades em entidades de atendimento, nos arts. 191 a 193; da habilitação de pretendentes à adoção, nos arts. 197-A a 197-E. Da perda e da suspensão do poder familiar Sobre a importância do poder familiar, Rodrigues comenta: "Dentro da vida familiar o cuidado com a criação e educação da prole se apresenta como a questão mais relevante, porque as crianças de hoje serão os homens de amanhã, e nas gerações futuras é que se assenta a esperança do porvir. Daí a razão pela qual o Estado moderno sente-se legitimado para entrar no recesso da família, a fim de defender os menores que aí vivem. Umas das maneiras pelas quais essa interferência se manifesta é a fiscalização do pátrio poder, com o propósito de evitar que seu exercício possa ser nocivo aos filhos." (RODRIGUES, 2002, p. 368) Dessa forma, a perda ou a suspensão do poder familiar deve ser percebida como medida severa, sendo utilizada somente em casos excepcionais, quando efetivamente necessária e não havendo outra medida adequada, pois, a intenção será sempre manter a criança ou o adolescente no seio familiar. Por FTiare (Fonte: Shutterstock). Havendo necessidade, os pais ou o responsável poderão ser encaminhados, também, para órgãos da rede de atendimento para a preservação das garantias dos direitos da criança e do adolescente, conforme estabelece o ECA, no art. 129, estando previstas medidas de proteção à família, nos incisos I a IV, e medidas sancionatórias, nos incisos VII a X, sendo estas tomadas apenas em situações extremas. Medidas aplicáveis aos pais e responsáveis Clique no botão acima. Leitura A suspensão ou a destituição do poder familiarprevistas no ECA e os procedimentos que estão envolvidos nesse tema. Saiba mais No dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção. Ele foi oficializado a partir do Decreto-lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002. “No dia 25 de maio de 2018, quando se comemorava o Dia Nacional da Adoção, ainda havia 8,7 mil crianças e adolescentes em todo o país aguardando uma família em meio a um total de 43,6 mil pessoas que constam como pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na última década, mais de 9 mil adoções foram realizadas no país, sendo 420 entre janeiro e maio de 2018.” (LABOISSIÈRE, 2018, on-line) Destituição de Tutela Conforme já mencionado, a tutela será deferida quando ocorrer a suspensão ou a destituição do poder familiar, com o fim de preservar a criança ou o adolescente. A principal finalidade da tutela é conceder à criança ou ao adolescente um representante legal incumbido de promover todos os meios necessários para o seu desenvolvimento saudável. Vejamos algumas características sobre tutela: Clique nos botões para ver as informações. http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#complementar1 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#complementar1 javascript:void(0); javascript:void(0); Pais adolescentes, falecidos ou ausentes ECA, NCPC e CC Direito de representação e guarda Nomeação de tutor por meio de testamento Prazo para o tutor começar a exercer sua função Adoção A adoção é percebida como o instituto pelo qual se cria o vínculo de filiação da criança ou o adolescente com a família substituta, por meio de decisão judicial. Por New Africa (Fonte: Shutterstock). Atenção Ela também é percebida como medida excepcional, devendo ocorrer somente em última hipótese, pois o objetivo é fornecer à criança e ao adolescente uma família substituta, rompendo os vínculos com a família natural, além de ser irrevogável. Analisando-se sob a perspectiva dos princípios norteadores do ECA, entende-se o porquê de se tratar de algo excepcional, uma vez que a legislação tem por função primordial resguardar a criança e o adolescente, mantendo-os com laços estreitos no meio familiar e na sua comunidade. Somente na hipótese de não ser http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#collapse01-01 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#collapse01-02 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#collapse01-03 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#collapse01-04 http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html#collapse01-05 possível mantê-los com a família natural é que a adoção será considerada a medida mais adequada. Segundo Digiácomo e Digiácomo, "o legislador procurou resgatar o compromisso do Poder Público para com as famílias, privilegiando a manutenção da criança ou adolescente em sua família biológica, investindo no resgate/fortalecimento dos vínculos familiares e evitando, o quanto possível, o rompimento dos laços parentais em caráter definitivo. Neste contexto, a destituição do poder familiar e posterior adoção jamais podem ser os objetivos da intervenção estatal quando da constatação de que uma criança ou adolescente se encontra em situação risco, sendo a aplicação das medidas respectivas condicionada à comprovação, através de uma completa e criteriosa avaliação técnica interprofissional, de que o rompimento, em definitivo, dos vínculos com os pais e parentes." (DIGIÁCOMO; DIGIÁCOMO, 2010, p. 64) Como menciona a legislação, procedimentalmente, a adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 18 (dezoito) anos de idade quando da propositura da ação; sendo maior de 18 anos e tendo no máximo 21 (vinte e um) anos de idade, somente será viável se o adotando já se encontrar sob a guarda ou tutela dos adotantes, de forma que a competência ainda será do Juiz da Infância e Juventude seguindo o procedimento especial previsto no ECA. Leitura Leia, com atenção, uma análise mais detalhada sobre a Adoção. javascript:void(0); Recursos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) O duplo grau de jurisdição é uma garantia constitucional implícita devendo ser assegurado a todo e qualquer indivíduo em face de decisões judiciais proferidas. Dessa forma, não poderia ser diferente, em se tratando de processo envolvendo crianças e adolescentes. Segundo o ECA, serão aplicadas as regras previstas na legislação processual civil (NCPC), porém o estatuto traz no art. 198 traz regras procedimentais específicas a serem consideradas: "Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive os relativos à execução das medidas socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), com as seguintes adaptações: I - os recursos serão interpostos independentemente de preparo; II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o Ministério Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) dias; III - os recursos terão preferência de julgamento e dispensarão revisor; IV - o agravado será intimado para, no prazo de cinco dias, oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas; V - será de quarenta e oito horas o prazo para a extração a conferência e o conserto do traslado; VI - a apelação será recebida em seu efeito devolutivo. Será também conferido efeito suspensivo quando interposta contra sentença que deferir a adoção por estrangeiro e, a juízo da autoridade judiciária, sempre que houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação; VII - antes de determinar a remessa dos autos a superior instância, no caso de apelação, ou do instrumento, no caso de agravo, a autoridade judiciária proferirá despacho fundamentado, mantendo ou reformando a decisão, no prazo de cinco dias; VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o escrivão remeterá os autos ou o instrumento a superior instância dentro de vinte e quatro horas, independentemente de novo pedido do recorrente; se a reformar, a remessa dos autos dependerá de pedido expresso da parte interessada ou do Ministério Público, no prazo de cinco dias, contados da intimação." (BRASIL, 1990) Em face da adoção do princípio da especialidade, as regras expostas somente poderão ser aplicadas quando da interposição de recursos contra decisões provenientes de processos que estejam tramitando perante a Justiça da Infância e Juventude. A legislação processual civil é a vigente, utilizada subsidiariamente e desde que não conflite com as regras especiais. Considerando a necessidade de possibilitar a efetividade do acesso à justiça foi concedida à criança e ao adolescente a isenção de custas recursais, sendo, portanto, dispensados do preparo independentemente do polo da relação em que se encontrem, ou seja, sejam reles requeridos ou requerentes. Com embasamento no princípio da prioridade absoluta, foram reduzidos os prazos de manifestação do Ministério Público bem como para a defesa visando a solução do conflito no menor lapso temporal possível. A mesma prioridade será concedida ao recurso quando se tratar de sentença que tenha julgado a ação de perda do poder familiar ou de adoção (art. 199-C). Atividade 1. Assinale a alternativa correta: a) No processo de perda do poder familiar, não sendo ofertada a defesa, incidirá o efeito da revelia. b) Citado o réu na ação de destituição do poder familiar, este terá o prazo de dez dias para a oferta de defesa c) As regras que norteiam a ação para a destituição do poder familiar estão previstas exclusivamente no ECA. d) Nas ações de suspensão ou destituição do poder familiar, será dispensadaa avaliação pela equipe interprofissional, se tratar-se de pais ou responsável de adolescente. e) Na legislação civil estão previstas diversas hipóteses para a destituição do poder familiar, entre elas, a incompatibilidade de gênios. Gabarito comentado 2. A garantia de prioridade à criança e ao adolescente estabelecida no ECA compreende, EXCETO: a) Precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública. b) Primazia a receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias. c) Preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas. d) Destinação secundária de recursos públicos nas áreas relacionadas à proteção à infância e à juventude. e) Os recursos deverão ter prioridade de trâmite. Gabarito comentado 3. As Medidas Específicas de Proteção do ECA são aplicadas sempre que os direitos reconhecidos em lei forem ameaçados ou violados, EXCETO: a) Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado. b) Em razão de sua conduta. c) Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável. d) Sempre que a criança ou o adolescente desejar. Gabarito comentado 4. Em se tratando de adoção, o ECA estabelece alguns critérios para que essa medida excepcional possa ocorrer legalmente, entre os quais está a idade do adotante. Assinale a alternativa correta: a) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 16 anos de idade quando da propositura da ação. b) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 21 anos de idade quando da propositura da ação. c) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 24 anos de idade quando da propositura da ação. d) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 18 anos de idade quando da propositura da ação. e) A adoção é permitida desde que o adotante tenha no mínimo 30 anos de idade quando da propositura da ação. Gabarito comentado 5. Objetivando celeridade processual para as ações envolvendo crianças ou adolescentes, o ECA prevê alguns aspectos procedimentais diferenciados no que diz respeito ao Sistema Recursal. Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta: I. Os recursos serão interpostos sem preparo, sendo o prazo de vinte dias para a interposição. II. Os recursos terão preferência de julgamento, dispensando o revisor, e serão isentos de preparo. III. O agravado será intimado para, no prazo de quinze dias, oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas; e serão interpostos independentemente de preparo. IV. Os recursos serão interpostos dependendo de preparo e devendo ser julgados no prazo de cinco dias. V. O agravado será intimado para, no prazo de cinco dias, oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas; a apelação será recebida em seu efeito devolutivo. a) Estão corretas as assertivas I e V; b) Estão corretas as assertivas II e III; c) Estão corretas as assertivas II e V; d) Estão corretas as assertivas I e III; e) Estão corretas as assertivas III e IV. Gabarito comentado Referências http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html Próxima aula Explore Mais Créditos Redator: Patrícia Sotello Designer Instrucional: Luciano Freitas Web Designer: Elena Pessoa Administrador do LMS: Rostan Luiz v http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html http://estacio.webaula.com.br/cursos/dp0141/aula9.html