Prévia do material em texto
Patologias do Sistema Respiratório Pamela Barbieri – T23 – FMBM Prof. Dr. Nelson Vega ▪Doenças Pulmonares Intersticiais ▪Fibrose Pulmonar Idiopática Doenças pulmonares intersticiais crônicas: Pneumoconioses (silicose, asbestose) Doenças fibrosantes (fibrose pulmonar idiopática, sarcoidose pulmonar, pneumonia de hipersensibilidade crônica, pneumonites pós radioterapia) Neoplasias (adenocarcinomas, linfangites carcinomatoses, carcinoma lipídico). Disfunções da parede torácica: Doenças neuromusculares (poliomielite, esclerose lateral amiotrófica (ELA), cifoescoliose...) Obesidade (grau III e IV) Doenças pleurais (derrame pleural, neoplasia da pleura). Introdução: Fibrose pulmonar idiopática (Pneumonia intersticial usual): Definição de doenças pulmonares intersticiais: são um grande número de distúrbios que acometem o parênquima pulmonar – os alvéolos, o epitélio alveolar, o endotélio capilar e os espaços entre essas estruturas – bem como os tecidos perivasculares e linfáticos. Caracterizadas por Capacidade Vital Forçada < 80% - espirometria. Interstício: é um espaço cheio de cavidades preenchidas por líquido, que recobrem o tubo digestório, pulmão, sistema urinário e rodeiam artérias, veias e fáscia (considerado órgão 2012) Relacionada ao volume pulmonar e não fluxo de ar (doenças obstrutivas). Doenças restritivas afetarão interstícios – septo interlobular; interstício peribroncovascular; interstício pleural... → Fibrose Pulmonar Idiopática Se refere a uma síndrome clinicopatológica marcada por fibrose intersticial pulmonar progressiva e insuficiência respiratória. FPI é uma pneumonia intersticial crônica fibrosante, de etiologia desconhecida, que acomete principalmente idosos, e cujo substrato é a pneumonia intersticial usual. Costumam cursar com perda progressiva da função pulmonar e grave comprometimento da qualidade de vida, evoluindo para óbito. Epidemiologia: Brasil: incidência anual de casos de FPI: 6.841 e 9997 casos (3,5 a 5,1 por 100.000 hab). Patologias do Sistema Respiratório Pamela Barbieri – T23 – FMBM Prof. Dr. Nelson Vega Prevalência: 13.945 e 18,305 casos (7,1 a 9,4 por 100.000 hab). Muito rara em jovens. Indivíduos > 55 anos: prevalência de 9986 e 16109 casos (5,1 a 8,3 por 100.000 hab). • Etiologia: Causas desconhecidas. Predisposições genéticas: mutações germinativas de perda de função dos genes TERT e TERC (responsáveis por decodificar os componentes de telomerases), mutações de surfactante. 1/3 dos casos da FPI: apresentam uma variante genética comum, responsável por aumentar a secreção de MUC5B, uma mucina que pode deixar as células epiteliais alveolares suscetíveis às lesões ou eventos contrarreguladores exagerados que levam à fibrose. • Fatores de risco: Ambientais: tabagismo, fumaça de metais e poeiras de madeiras; Profissões: agricultura, cabelereiros e polimento de pedras. Refluxo gastresofágico. Para evoluir para fibrose, paciente tem predisposição genética associada a fatores de risco. Epitélio respiratório em risco = lesão epitelial persistente. Epitélio lesado/ativado + estímulos liberados de células inatas e adaptativas responsivas aos sinais de “perigo”. Ativam fibroblastos intersticiais. Anormalidades na sinalização (aumento de sinalizações através da via PI3K/AKT). Fibroblasto ativado sintetiza e deposita o colágeno, resultando em fibrose intersticial. Leva a insuficiência respiratória. • Patogenia: Microscopia: identificação de padrão PIU Patologias do Sistema Respiratório Pamela Barbieri – T23 – FMBM Prof. Dr. Nelson Vega ▪Fibrose intersticial focal ▪Proliferação fibroblástica exuberante (foco fibroblásticos) – lesões mais precoses. ▪Coexistência de lesões precoces e tardias é bastante típica. ▪Fibrose em favo de mel – destruição da arquitetura alveolar e a formação de espaços císticos revestidos por pneumócitos tipo II hiperplásicos ou epitélio bronquiolar). ▪Inflamação dentro das áreas fibróticas (principalmente com linfócitos; infiltrado linfoplasmocitário). • Diagnóstico: Clínico: sinais e sintomas (fatores de risco) + espirometria com distúrbio restritivo (CVF < 80%) + Imagem: TC de tórax + Biopia pulmonas (casos selecionados) broncoscopia ou videotoracoscopia. Principais sintomas clínicos: dispneia crônica progressiva, baixa tolerância aos exercícios físicos, tosse seca crônica. É mias comum em homens maiores de 50 anos, tabagistas ou ex tabagistas, expostos a fatores de risco. Exame físico: queda de saturação de O2 progressiva, hipocratismo digital em 20% dos casos, estertores finos em velcro bilaterais. Diagnóstico funcional – espirometria – prova de função pulmonar: Relação VEF1/CVF > 0,7 CVF < 80% Patologias do Sistema Respiratório Pamela Barbieri – T23 – FMBM Prof. Dr. Nelson Vega Diagnóstico de imagem – TC de tórax de alta resolução: Anormalidade reticular predominante periférica bibasal. Bronquiectasia de tração. Aspecto em favo de mel. Diagnóstico patológico – biopsia pulmonar por broncoscopia ou videotoracoscopia. Tratamento: medidas não farmacológicas e farmacológicas; transplante de pulmão. Não farmacológicas: cessar tabagismo; vacina influenza, streptococos; O2 suplementar/domiciliar; reabilitação pulmonar. Doenças coexistente: DRGE, câncer de pulmão, DPOC, distúrbios do sono, cor pulmonale. Farmacológicos: perfinidona e nintedanibe – controlam fibrose, mas não revertem. Patologias do Sistema Respiratório Pamela Barbieri – T23 – FMBM Prof. Dr. Nelson Vega Complicações: Insuficiência respiratória crônica progressiva, com necessidade de uso de O2 domiciliar. Associação com DPOC Pneumotórax espontâneo Risco maior de câncer de pulmão Cor pulmonale / HAP TEP Prognóstico: doença grave com prognóstico ruim. Sobrevida média de 3 anos de vida. Após diagnóstico, sobrevida máxima de 10 anos.