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Etica em Ginecologia e Obstetricia Boyaciyan 5ed

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aviso reservado, censura pública 
Ética em Ginecologia e Obstetrícia36
em publicação oficial, suspensão do exercício profissional por até 30 dias e 
cassação do exercício profissional, que necessita ser referendado pelo Conse-
lho Federal de Medicina.9
Além da denúncia ao CRM, o paciente ou familiar insatisfeito tem o di-
reito de acionar o profissional na Justiça, nas esferas Criminal e Cível.
A Ginecologia e Obstetrícia constituem a segunda especialidade mais 
exercida no Brasil. A área trata das fases mais significativas da vida (nasci-
mento, crescimento, reprodução e envelhecimento) e, desta forma, enfren-
ta dilemas éticos imprevistos em cada avanço do conhecimento médico. A 
existência de muitas denúncias é esperada, já que a especialidade lida com 
procedimentos de maior risco, ou seja, tem uma probabilidade maior de re-
sultados adversos, mesmo na inexistência de falhas por parte dos médicos 
assistentes. Quando a formação médica é insuficiente, certamente os riscos 
aumentam, uma vez que a obtenção do diploma não caracteriza o final do 
estágio de aprendizagem, sendo necessário três anos de residência médica e, 
em seguida, o concurso para obtenção do Título de Especialista.2 
A Obstetrícia é a especialidade que mais recebe denúncias, pois a socieda-
de considera o parto um evento puramente fisiológico, sem maiores complica-
ções. Assim, a perda da mãe ou de um filho representa, para a população leiga, 
uma atuação médica desastrosa, situação em que o conhecimento técnico do 
médico assistente é imediatamente colocado em dúvida e, subsequentemente, 
ele é denunciado perante seus órgãos normatizadores e fiscalizadores.2 
A responsabilidade do médico que exerce Obstetrícia e Ginecologia é 
grande e, por isso, deve estar atento ao preenchimento correto do prontuário 
médico, ao respeito ao sigilo médico, ao cuidado com o pudor das pacientes, 
ao conhecimento da legislação sobre esterilização feminina e ao respeito aos 
direitos sexuais e reprodutivos.12,13,14 
Para exercer com dignidade a especialidade, é obrigatório conhecer a 
fundo o Código de Ética Médica, conforme ressaltou o então presidente do 
CFM, Roberto Luiz D’Avila. Para ele, o código se reveste “de enorme respon-
sabilidade social, na qual a conduta médica é observada e avaliada diuturna-
mente”. Por isso, a profissão exige do praticante um comportamento “exem-
plar, benevolente, cordial, compassivo, solidário, e, acima de tudo, com o uso 
da técnica adequada para cada caso. Cada médico deve seguir o Código de 
Conduta Moral que, ao ser infringido, resulta em punição. Tudo isso em be-
nefício da sociedade”.
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Referências
 1. Responsabilidade [on line]. [Acessado em: 13 jul 2018]. Disponível em: http:// 
michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portu-
guês-portugues&palavra=responsabilidade
 2. Boyacian K, Jorge Filho I. Questões Ético-legais em Obstetrícia e Ginecologia no 
Brasil. In: Impey L. Obstetrícia e Ginecologia. São Paulo: Tecmedd editora; 2007. 
cap.36:247-250
 3. Brasil. Conselho Federal de Medicina. Parecer nº 14, de 2017. É permitido o uso do 
Whatsapp e plataformas similares para comunicação entre médicos e seus pacien-
tes, bem como entre médicos e médicos, em caráter privativo, para enviar dados ou 
tirar dúvidas, bem como em grupos fechados de especialistas ou do corpo clínico 
de uma instituição ou cátedra, com a ressalva de que todas as informações passa-
das tem absoluto caráter confidencial e não podem extrapolar os limites do próprio 
grupo, nem tampouco podem circular em grupos recreativos, mesmo que compos-
to apenas por médicos[on-line]. [Acessado em: 13 jul.2018] Disponível em: https://
sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/pareceres/BR/2017/14
 4. Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988[on-line]. [Acessado 
em: 13 jul.2018]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm
 5. Brasil. Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957 . Dispõe sobre os Conselhos de Medi-
cina, e dá outras providências[on-line]. [Acessado em: 13 jul. 2018]. Disponível em: 
http://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/versao_impressao.php?id= 
11204
 6. Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 1.931, de 17 de setembro de 
2009. Aprova o Código de Ética Médica[on-line]. [Acessado em: 13 jul 2018]. Dis-
ponível em: http://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/versao_impres-
sao.php?id=8822 
 7. Rosas CF. Ética Médica. In: Mariani Neto C, Tadini V. Obstetrícia e Ginecologia 
Manual para o Residente. São Paulo: Roca; 2002. cap. 1:1-10.
 8. Considerações sobre a responsabilidade médica: imperícia, imprudência e negli-
gência. In: Ética em ginecologia e obstetrícia (Cadernos Cremesp). 2. ed. São Paulo: 
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo; 2002. Cap. 1:11.
 9. Ética em Ginecologia e Obstetrícia (Cadernos Cremesp). 3. ed. São Paulo: Conselho 
Regional de Medicina do Estado de São Paulo; 2004. p. 11-16.
 10. Boyaciyan K, Camano L. O perfil dos médicos denunciados que exercem ginecolo-
gia e obstetrícia no estado de São Paulo. Rev. Assoc. Med. Bras. 2006; 52(3):144-147. 
 11. Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 2.145, de 17 de maio de 2016. 
Aprova o Código de Processo Ético-Profissional (CPEP) no âmbito do Conselho 
Federal de Medicina (CFM) e Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). Diário 
Oficial da União; Poder Executivo, Brasília, DF, 27 out. 2016. Seção 1:329-332.[on li-
ne]. [Acessado em: 13 jul. 2018]. Disponível em: http://www.cremesp.org.br/library/
modulos/legislacao/versao_impressao.php?id=14076
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 12. Cunha SP, Meziara FC, Barbosa HF, Duarte LB, Cavalli RC, Duarte G. Ética e Leis 
em Ginecologia e Obstetrícia: Manual de defesa profissional. Ribeirão Preto, SP: 
Funpec Editora; 2005. p.113-120.
 13. Kfouri Neto, Miguel. Responsabilidade civil do médico. 4. ed. São Paulo: Ed. Revis-
ta dos Tribunais; 2001. p. 67-98
 14. Stoco, Rui. Tratado de responsabilidade civil: responsabilidade civil e sua inter-
pretação doutrinária e jurisprudência. 5. ed. São Paulo: Ed Revista dos Tribunais, 
2001.
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2.2
A responsabilidade 
do médico residente 
introdução
A Residência Médica é um período de fundamental importância na vi-
da do médico. Após adquirir a teoria nos bancos acadêmicos, nesta fase de 
sua formação o médico residente realiza a lapidação dos seus conhecimen-
tos e seu aprimoramento profissional por meio da prática. Para usufruir da 
profissão da melhor forma possível, é importante estabelecer preceitos éticos, 
para que nenhum dano macule esta época.
O médico residente de Obstetrícia e Ginecologia está exposto a particu-
laridades da área. Diversas são as situações que expõem os residentes a riscos 
que devem ser evitados por medidas de orientação e de senso comum
A assistência ao parto é exemplo claro da complexidade da especialida-
de, pois pode resultar no comprometimento do indivíduo e de sua inserção 
na sociedade. Além de dilemas neste quesito, há questões como a interrup-
ção de uma gestação em casos de violência sexual, que pode expor o resi-
dente a conflitos religiosos; e as falhas na relação preceptor-residente, capa-
zes de resultar em atendimentos sem supervisão e seus riscos inerentes, por 
exemplo, durante plantões noturnos e com excesso de pacientes – o que pode 
comprometer o futuro de um brilhante especialista.
Com o objetivo de estabelecer a função e o papel do residente numa ins-
tituição de ensino, é relevante citar o artigo 1º da Lei n.º 6.932 de 07/07/81:
“A Residência Médica constitui modalidade de ensino de pós-gra-
duação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especiali-
zação, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob 
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a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, 
sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação 
ética