Prévia do material em texto
Fundamentos Teóricos 95 Atividade de estudo como guia do desenvolvimento da criança em idade escolar: contribuições ao currículo de Ensino Fundamental Flávia da Silva Ferreira Asbahr1 ara pensarmos e colocarmos em prática um currículo, no nosso caso o Currículo Comum para o Ensino Fundamental Municipal de Bauru, é necessário entender a quem estamos ensinando, quem são as pessoas que irão aprender aquilo que está sistematizado na forma de conteúdo curricular. Defendemos que a compreensão sobre o conteúdo e a estrutura da atividade guia em cada período de desenvolvimento é fundamental para pensarmos a organização e a metodologia do ensino, o que abarca a organização do conteúdo a ser ensinado. O foco específico deste capítulo será a compreensão acerca da atividade de estudo, a qual deve emergir como a atividade específica das crianças que estão matriculadas no ensino fundamental. No caso do ensino fundamental a compreensão sobre a atividade de estudo se faz urgente, pois temos poucas pesquisas e sistematizações sobre este período, seu conteúdo e estrutura. Como ensinar se pouco conhecemos a quem ensinamos em termos de 1 Psicóloga. Doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Docente do departamento de Psicologia, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de Bauru. P 1 0 3 Fundamentos Teóricos 96 desenvolvimento psicológico? Como organizar um ensino que produza desenvolvimento se pouco sabemos como se desenvolve a atividade de estudo? Como organizar o ensino dos conteúdos curriculares de maneira a produzir desenvolvimento psicológico em nossos alunos(as)? Primeiramente é importante conceituar a atividade de estudo. Vale destacar que quando estamos falando sobre a atividade de estudo não podemos tomá-la como sinônimo das ações realizadas cotidianamente pelas crianças na escola e fora dela, tais como leitura de textos, realização de exercícios para fixação de conteúdos, avaliações, cópias, lição de casa etc. A atividade de estudo refere-se à atividade guia do desenvolvimento na idade escolar, cuja característica é produzir a constituição de uma neoformação psicológica essencial ao processo de humanização, a formação do pensamento teórico. As ações mencionadas podem compor a atividade de estudo se seus fins forem condizentes com os motivos desta atividade no sentido da formação do pensamento teórico, mas podem, por outro lado, serem meras operações que pouco contribuem à sua formação. Segundo Tolstij (1989), o sentido principal do estudo é a mudança da contemplação sensorial ao pensamento abstrato. A criança passa a poder dominar os conhecimentos científicos, filosóficos e artísticos, bem como amplia suas idéias sobre o mundo e “prepara-se teoricamente para a ação futura no mundo das relações e dos objetos humanos” (p.165). O termo “atividade de estudo” refere-se especialmente à atividade de aprendizagem que ocorre na escola, instituição cuja particularidade é a transmissão da cultura humana elaborada. Entende-se, na perspectiva teórica adotada, o estudante como sujeito, como personalidade integral e não como a soma de capacidades isoladas e fragmentadas. Elkonin sintetiza o que é a atividade de estudo: Fundamentos Teóricos 97 O estudo, isto é, aquela atividade em cujo processo transcorre a assimilação de novos conhecimentos e cuja direção constitui o objetivo fundamental do ensino é a atividade dominante nesse período. Durante este, tem lugar uma intensa formação das forças intelectuais e cognitivas da criança. A importância primordial da atividade de estudo está determinada, ademais, porque por meio dela se mediatiza todo o sistema de relações da criança com os adultos que a circundam, incluindo a comunicação pessoal na família (ELKONIN, 1987, p.119). Neste texto traremos duas discussões que entendemos ser centrais à organização do ensino, especialmente nas séries iniciais do ensino fundamental (1o ao 5o ano). Discutiremos, primeiramente, como se forma e se estrutura a atividade de estudo. Em um segundo momento, abordaremos a formação do pensamento produzida pela atividade de estudo, ou seja, a formação do pensamento teórico e sua relação com a organização do ensino. 1 FORMAÇÃO E ESTRUTURA DA ATIVIDADE DE ESTUDO A entrada na escola, especificamente no primeiro ano do ensino fundamental, representa um marco importante no desenvolvimento da criança, que pode modificar de forma radical sua personalidade (VYGOTSKY, 1988). Modifica-se substancialmente a situação da criança perante a sociedade, que começa a realizar uma atividade valorizada socialmente, considerada “importante e séria”, ou seja, ocorre uma mudança em sua posição social. A atividade de estudo, se bem conduzida pela escola e pela família, produz uma nova situação social de desenvolvimento2 da personalidade da criança. A partir desse momento precisa fazer os deveres escolares, não pode ser interrompida quando está estudando, não pode faltar às aulas, passa a ter novas obrigações etc. E, desta maneira, a escola produz o trânsito da família para a 2 Na concepção vigotskiana, o conceito de situação social de desenvolvimento é fundamental. Segundo o autor, para entendermos a relação da criança com o meio, não é suficiente considerar apenas seu entorno como algo externo à criança, a partir de uma concepção ambientalista de desenvolvimento. Deve-se ter em consideração que a relação da criança com o meio social é uma relação dinâmica e ativa e que a realidade social é muito mais complexa do que o entorno do sujeito. Vigotski postula, inclusive, que as mudanças produzidas no curso do desenvolvimento modificam sua própria situação social. Fundamentos Teóricos 98 sociedade civil (TOLSTIJ, 1989). Disto podemos depreender uma implicação pedagógica: a criança precisa ser introduzida à atividade de estudo de forma intencional pela escola e pela família, o que significa criar um contexto de valorização das ações de estudo. O papel da família na formação da atividade de estudo foge aos limites deste texto. No entanto é importante frisar que, de forma geral, as famílias têm muitas dúvidas sobre como ajudar suas crianças no processo de escolarização e, dessa forma, a escola não pode se redimir de orientar os pais neste sentido. Um exemplo importante é a formação de conselheiros escolares em curso no sistema municipal de Bauru, pois não basta exigir a participação das famílias se não as ensinamos a participar. Sobre a participação da família na vida escolar recomendo a leitura de dois textos que compõe a Proposta Pedagógica para a educação infantil deste município: “Relações entre escola e família: reflexões e indicativos para a ação de docentes e gestores educacionais” e “Conselhos Escolares e Democracia Participativa: Aspectos legais e políticos da gestão democrática”, disponíveis em: <http://www.bauru.sp.gov.br/arquivos2/arquivos_site/sec_educacao/proposta_pedagogica _educacao_infantil.pdf>. Segundo Tolstij (1989), como resultado da mudança da posição social da criança e de sua situação social de desenvolvimento, nasce em torno dos seis anos ou sete anos, o desejo de estar na escola e aprender o que pessoas adultas sabem. O jogo, atividade guia do desenvolvimento no período anterior, paulatinamente cede lugar a uma nova forma de atividade, o estudo, e surge uma motivação social mais ampla por meioda formação da capacidade de estudo: a escola torna-se potencialmente o centro da vida das crianças. Bozhovich (1985) sintetiza estas transformações: Resumindo a caracterização das mudanças que ocorrem na vida da criança ao ingressar na escola, podemos assinalar uma mudança decisiva do lugar da criança no sistema de relações sociais acessíveis a ela, e de toda sua forma de vida. Destaca-se que a posição do escolar, devido ao ensino geral Fundamentos Teóricos 99 obrigatório e ao sentido ideológico que em nossa sociedade se concede ao trabalho3, incluindo ao escolar, cria uma tendência moral especial da personalidade da criança. O estudo não é para ela simplesmente uma atividade de assimilação de conhecimentos nem um meio para preparar-se para o futuro, e sim a criança o compreende e o sente também como sua própria obrigação de trabalhar, como sua participação na vida laboral cotidiana de todos (p. 169). Além disso, segundo Vygotsky (1988), o aprendizado escolar produz desenvolvimento psicológico na medida em que atua na Zona de Desenvolvimento Iminente e, dessa maneira, produz novas formações psicológicas. Ocorre uma intensa formação das capacidades intelectuais e cognitivas da criança e todas as suas relações, inclusive as relações familiares, passam a estar mediadas pela atividade de estudo. (ELKONIN, 1987). O conteúdo fundamental da atividade de estudo são os conhecimentos teóricos: [...] é a assimilação dos procedimentos generalizados de ação na esfera dos conceitos científicos e as mudanças qualitativas no desenvolvimento psíquico da criança que ocorre sobre esta base (DAVIDOV; MARKOVA, 1987, p.324). A finalidade da educação escolar é, portanto, a formação do pensamento teórico, tendo em vista a constituição da personalidade integral dos(as) estudantes. 3 A autora refere-se à educação na ex-URSS, em situação de socialismo desenvolvido. Defendemos que a atividade de estudo é também característica das crianças que estudam na escola primária burguesa, pois o desenvolvimento infantil deve ser entendido na perspectiva do gênero humano, ou seja, tendo como meta as máximas possibilidades de desenvolvimento em cada momento histórico Fundamentos Teóricos 100 Segundo Davidov e Markova (1987), além do conteúdo desta atividade, é importante destacar sua unidade de análise4, a tarefa de estudo, que expressa a unidade entre forma e conteúdo no ensino e é organizada a partir de um problema de aprendizagem. O termo “problema de aprendizagem” não se refere a problemas práticos ou cotidianos da criança ou de sua realidade imediata e empírica, mas sim a problemas concretos, colocados pela história humana em sua dimensão genérica. Trata-se de um problema que, para ser solucionado, demanda a reprodução do movimento lógico-histórico do conceito e o domínio de um modo geral de ação de estudo pelo(a) estudante. Podemos ver um exemplo de tarefa de estudo que busca reproduzir o movimento lógico- histórico do conceito no artigo “Relações entre educação infantil e conhecimento matemático”, disponível em: <http://www.infoteca.inf.br/endipe/smarty/templates/arquivos_template/upload_arq uivos/acervo/docs/1964p.pdf. O texto traz a estória de “Verdim e seus amigos”, que tem como objetivo estabelecer relações entre as significações aritméticas, algébricas e geométricas dos conceitos matemáticos. 4 Segundo Vigotski (2000), a unidade de análise refere- se àquele produto da análise que possui todas as propriedades inerentes ao todo, ou seja, a parte indecomponível, que revela, em sua forma primária e simples, as propriedades do todo. A organização do ensino tendo como referência a tarefa de estudo busca superar o intelectualismo e verbalismo tão presente no ensino de conceitos. Assim não se trata de garantir que a criança aprenda apenas a verbalizar um conceito, mas que se aproprie do processo lógico e histórico que produziu a necessidade e a elaboração daquele conceito, e isto só ocorre se ela estiver em atividade de estudo. Tendo a tarefa de estudo como unidade da atividade de estudo, Davidov e Markova (1987) apresentam os elementos que compõem sua estrutura como atividade. Primeiramente, a compreensão pelo (a) estudante das tarefas de estudo, que (a) o leve a generalizar os conteúdos estudados e a Fundamentos Teóricos 101 dominar novos procedimentos de ação. Essa compreensão relaciona-se intimamente com a motivação para o estudo, com a transformação da criança em sujeito da atividade de estudo. A segunda é a realização de ações de estudo, que com uma orientação correta do processo de ações de estudo, permita a identificação das relações entre as generalizações conceituais. E por fim, a realização das ações de controle e de avaliação da aprendizagem feita pelo(a) próprio(a) aluno(a). No processo de formação da atividade de estudo, o papel do(a) professor(a) é central, pois é ele(a) que organiza as tarefas de estudo e ajuda os(as) estudantes a compreender e a realizar as ações de estudo, controle e avaliação. Dessa maneira, o(a) professor(a) paulatinamente cria situações que proporcionam aos(às) estudantes a autonomia na resolução das tarefas de estudo e a formação da capacidade de estudar. Compreender estes elementos é fundamental para pensarmos e produzirmos um ensino na perspectiva vigotskiana, ou seja, que promova o desenvolvimento e, neste caso, o desenvolvimento do pensamento teórico, o que requer pensarmos quais serão as tarefas de estudo, como o conteúdo curricular está presente nestas tarefas e como serão organizadas as ações de autoavaliação. Ao organizar o ensino tendo como referência a estrutura da atividade de estudo o(a) professor(a) pode fomentar o desenvolvimento da capacidade de estudar, no sentido da auto-organização do(a) estudante, o que envolve o desenvolvimento da autonomia e do controle voluntário da conduta. Paulatinamente a criança transforma-se em sujeito da atividade de estudo. É importante ressaltar que a atividade de estudo não se forma de maneira natural. É preciso preparar a criança para a organização de sua atividade cognoscitiva e este é um dos papéis da escola nos anos iniciais, formar uma postura de estudante. Bozhovich (1985) traz algumas contribuições para entendermos o processo de formação da atividade de estudo. Fundamentos Teóricos 102 Segundo Bozhovich, no início do processo de escolarização, as crianças chegam interessadas na escola e querem fazer as coisas que o professor solicita. Quando observamos crianças pequenas, ao final da pré-escola ou nos anos iniciais do ensino fundamental (1o e 2o anos), facilmente percebemos seu interesse inicial pelo estudo e pela escola. Ingressam com a expectativa de aprender a ler e a escrever, de forma geral gostam das tarefas propostas e estabelecem com o(a) professor(a) uma relação de autoridade. Sua motivação está ligada à figura do(a) professor(a) e, ainda na transição do jogo para o estudo, as atividades escolares aproximam-se do jogo: a criança imita o que a pessoa adulta faz ou pede, quer fazer coisas sérias, quer fazer “coisas de escola” ou “coisas de adulto”. Em torno do 3o ano, aproximadamente, nota-se que o interesse pela escola e pelo estudo começam a decair e iniciam-se os problemas de indisciplina. Bozhovich (1985) chama a atençãopara o paradoxo deste fenômeno: as funções psicológicas superiores tornam-se mais complexas, as crianças têm condições (e querem) saber sobre a explicação dos fatos mas, ao mesmo tempo, há uma diminuição do interesse pelo estudo. Segundo a autora, as causas deste fenômeno encontram-se nas falhas da organização do ensino que rompem com a lógica do desenvolvimento psíquico infantil. Um desses erros refere-se à própria organização dos conteúdos baseada na compreensão empírica dos fenômenos, o que não satisfaz as necessidades cognitivas das crianças. (BOZHOVICH, 1985; DAVIDOV, 1988). Como nosso ensino ainda é predominantemente verbalista, baseado na memorização, pouco se exige da criança em termos da capacidade de formar nexos conceituais, da capacidade de entender e operar com conceitos, ao invés de sua simples reprodução formal (de forma oral ou escrita). Fundamentos Teóricos 103 Outro equívoco deve ser atribuído à questão da organização dos grupos e das atividades coletivas na escola. A motivação social advinda do(a) professor(a) diminui no decorrer da escolarização, mas aumenta o papel do grupo de amigos(as) no processo de desenvolvimento e formação dos motivos. O fato de que as crianças ocupem-se na escola de uma atividade comum, extraordinariamente importante – o estudo – conduz ao surgimento de determinadas relações: nas crianças origina-se o desejo de estarem juntas, de brincar juntas, de trabalhar, de cumprir as tarefas sociais encomendadas; nelas surge o interesse pela opinião dos colegas, querem gozar de sua simpatia e que reconheçam seus méritos. [...] Assim, a valorização dos companheiros, a opinião do coletivo infantil, converte-se paulatinamente em motivos fundamentais da conduta do escolar (BOZHOVICH, 1985, p.211). Vale lembrar que no processo de desenvolvimento começa a constituir-se a próxima atividade guia, a comunicação íntima pessoal, objeto do capítulo a seguir. O objeto desta atividade são, justamente, as relações entre os(as) adolescentes. No entanto, via de regra, organiza-se o ensino de maneira individualista, desconsiderando o papel do outro no processo de aprendizagem, especialmente o papel dos(as) colegas de classe no desenvolvimento da motivação para o estudo. Ressalta-se que uma característica fundamental da atividade de estudo diz respeito à sua configuração como atividade conjunta, coletiva, tanto por estar mediada pela atividade do(a) professor(a), como por se desenvolver entre os(as) estudantes. Inclusive um dos papéis do(a) professor(a) na organização do ensino é organizar as ações de estudo de forma coletiva. No caso da educação escolar, a atividade de estudo desenvolvida a partir da interação entre as crianças tem demonstrado melhores resultados no que diz respeito ao processo Fundamentos Teóricos 104 de assimilação do conhecimento, por exemplo, em situações de discussão sobre a origem de determinado conceito (RUBTSOV, 1996). Ressalta-se aqui o papel do(a) professor(a) na organização de atividades coletivas a partir da compreensão do caráter coletivo da aprendizagem humana. Não é o que se valoriza na grande maioria de nossas escolas, em que as atividades grupais são desvalorizadas ou desencorajadas e prevalecem práticas que estimulam a competição entre os(as) alunos(as) (e até mesmo entre os(as) docentes), favorecendo o individualismo tão típico de nossa sociedade. Bozhovich (1985) destaca que a correta organização do grupo poderia criar as condições para a plena formação das particularidades psíquico-morais da personalidade da criança. No nosso caso, trabalhar com a organização dos coletivos infantis não significa apenas encontrar formas mais eficazes de organizar o ensino, mas sim fundamentalmente trabalhar no sentido de produzir de forma intencional uma ética do coletivo e da solidariedade tão necessária aos dias de hoje. Lazaretti (2011), sistematizando as idéias e pesquisas de Elkonin sobre a atividade de estudo, sintetiza o papel e a importância da formação dos coletivos infantis: Formar para a coletividade pressupõe educar a criança a sentir- se como membro de um conjunto, vinculando-se ao todo social, para viver uma vida comum. O papel da coletividade na vida pessoal das crianças é formar tanto para se tornar membro quanto tomar consciência de suas obrigações perante o coletivo, tomando consciência de seu pertencimento à coletividade. Essa coletividade pode ser expressa no cumprimento das obrigações da classe pela criança e submeter sua conduta às exigências desse coletivo. Isso fomenta qualidades volitivas da personalidade do escolar como o empenho, a decisão, o domínio de si mesmo, a disciplina etc. (p.247). Fundamentos Teóricos 105 A organização dos coletivos infantis5 traz, assim, um elemento importante ao “como ensinar”, que ressalta a dimensão política da educação escolar e articula o conteúdo teórico com uma forma de ensinar que supere o intelectualismo. Na dialética entre forma e conteúdo do ensino, a forma também é um conteúdo que traz finalidade àquilo que a criança aprende para além de uma perspectiva utilitarista de conhecimento. Ou seja, não basta aprender para ficar mais inteligente, para passar no vestibular, para ter um bom emprego no futuro. É necessário aprender como uma necessidade humana, como uma necessidade do coletivo. Apresentei algumas características da atividade de estudo e de sua formação. Em síntese, há dois elementos centrais a serem destacados para que possamos dar continuidade à nossa discussão sobre esta atividade guia: 1) um bom ensino, que promova o desenvolvimento de nossos(as) estudantes, deve ser organizado tendo a atividade de estudo como referência, e especialmente pautar-se na ideia de que esta atividade não se desenvolve naturalmente, sendo preciso fomentar o desenvolvimento da capacidade de estudar; 2) uma característica fundamental da atividade de estudo diz respeito à sua configuração como atividade conjunta, coletiva, o que traz implicações importantes à organização do ensino. Feita esta síntese, vamos à discussão do próximo item deste capítulo: como se forma o pensamento teórico e sua relação com a maneira como o ensino é organizado. 2 FORMAÇÃO DO PENSAMENTO TEÓRICO E ORGANIZAÇÃO DO ENSINO Como tenho frisado, no ensino escolar, a apropriação da experiência socialmente elaborada realiza-se na atividade de estudo, o que nos coloca algumas questões pedagógicas: como organizar a atividade da criança de modo que ela reproduza e se 5 Em Bauru, destaca-se o projeto intitulado “Formação de grêmios estudantis em escolas públicas municipais de Bauru”, parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de Bauru e o departamento de Psicologia da UNESP, desenvolvido com recursos do núcleo de ensino (PROGRAD- UNESP) . O projeto, coordenado por mim, por Larissa Figueiredo Bulhões (UNESP-Bauru) e por Rita Regina da Silva Santos (SME-Bauru) iniciou-se em 2012 e tem como objetivo contribuir para a efetiva organização dos alunos das escolas de ensino fundamental, por meio da implementação de grêmios estudantis, tendo em vista a construção de uma gestão escolar democrática e participativa. No capítulo sobre gestão democrática deste currículo o projeto é apresentado de forma breve. Fundamentos Teóricos 106 aproprie da experiência socialmente elaborada cristalizada na forma de conhecimento escolar (expresso no currículo)?Como organizar o ensino de maneira que este possa produzir o pensamento teórico em nossos(as) estudantes? Antes de nos debruçarmos sobre estas questões é importante ter clareza sobre o que é o pensamento teórico. Este se desenvolve quando se mostra às crianças a necessidade de estruturar e assimilar o procedimento geral de orientação em determinada área de conhecimento (DAVIDOV; MARKOVA, 1987). Segundo Davidov (1988), o conteúdo do pensamento teórico é a existência mediatizada, refletida, essencial, que reproduz as formas universais das coisas. A pessoa que pensa teoricamente opera com conceitos e não apenas com representações imediatas da realidade. Para o autor, expressar o objeto por meio do conceito significa compreender sua essência: O conceito aparece aqui como a forma de atividade mental por meio da qual se reproduz o objeto idealizado e o sistema de suas relações, que, em sua unidade, refletem a universalidade ou a essência do movimento do objeto material. O conceito atua, simultaneamente, como forma de reflexo do objeto material e como meio de sua reprodução mental, de sua estruturação, isto é, como ação mental especial (DAVIDOV, 1988, p. 126). Diferentemente do pensamento empírico, que apreende a realidade pela via sensorial, a essência do pensamento teórico está nas dependências internas, que não podem ser observadas diretamente, mas apenas de forma mediada. Nesta perspectiva, o objeto só pode ser compreendido como totalidade, e não como somatória de partes. Torna-se necessário descobrir as inter- relações dos objetos isolados dentro de um sistema. A tarefa do pensamento teórico é elaborar os dados da contemplação por meio de conceitos, de abstrações iniciais, que revelam as conexões simples e essenciais do objeto em questão. Na análise de um Fundamentos Teóricos 107 fenômeno, deve-se separar os elementos que possuem caráter de universalidade, aquilo que é essencial na determinação universal do objeto6. Segundo Davidov (1988), o pensamento teórico provê as pessoas dos meios universais, historicamente constituídos, de compreensão da essência das mais diversas esferas da realidade. É um pensamento baseado na lógica dialética, que permite conhecer a realidade em movimento e por contradição. É importante destacar que a formação dessa qualidade de pensamento é essencial ao desenvolvimento de todas as outras funções psicológicas e permite ao sujeito certa autonomia na apropriação e produção de novos conhecimentos (SFORNI; MOURA, 2002). No entanto, o tipo de ensino que vigora na maioria de nossas escolas leva apenas à formação do pensamento empírico (DAVIDOV, 1988). Os métodos de ensino, nesta perspectiva, restringem-se à generalização empírica, expressa por conceitos empíricos e cotidianos. Ou seja, os estudantes são levados a analisar, comparar e classificar diferentes objetos, buscando neles o que há de comum, as propriedades repetidas, estáveis, que parecem constituir-se como o essencial na definição dos objetos em análise. Tais procedimentos são organizados levando em conta o caráter visual direto, a percepção dos objetos. Palangana, Galuch e Sforni (2002) sintetizam tal proposta didática: É priorizada uma forma de ensino em que a introdução de novos conceitos segue sempre a mesma estrutura: um pequeno texto, às vezes, com apenas uma frase, acompanhado de vários exemplos. Após a apresentação do conceito, surgem os exercícios que, normalmente, exigem a reprodução das mesmas palavras e exemplos citados. Na sequência, um novo texto apresenta um novo conceito e a dinâmica se repete. Pode-se constatar que, apesar do ensino centrar-se em conceitos, não há preocupação com a aquisição ou formação destes, isto é, com a elaboração de 6 Na epistemologia marxiana o concreto é um problema para o pensamento e não um dado obtido pela percepção. Isto significa que o pensamento teórico realiza o movimento de ascensão do abstrato ao concreto, discussão que foge aos limites deste texto. Em Asbahr (2016) explico melhor este movimento. Fundamentos Teóricos 108 7 Ao mencionar o conhecimento para a vida, não me refiro a uma concepção utilitarista de conhecimento, mas sim à compreensão de que os conhecimentos podem fazer parte da personalidade viva dos estudantes, como aponta Leontiev (1983). novos significados. Os textos, exemplos, histórias levam, tão somente, à identificação de conceitos. Solicita-se a classificação de objetos em determinadas categorias e não a formação de categorias. Um exemplo disso está, inclusive, explícito nos objetivos propostos por muitos planejamentos: identificar, reconhecer, nomear, classificar, citar... Ao aluno resta a tarefa de “fixar” ou reconhecer atributos dentro de um âmbito previamente definido (PALANGANA, GALUCH; SFORNI, 2002, p.115-116). O pensamento, dessa forma, limita-se à comparação de dados sensoriais, separação das características gerais, classificação e inclusão em classes, e, no máximo, aprende-se a reproduzir formalmente o que foi aprendido, mas não se aprende a operar, a pensar com os conceitos. Configura-se uma aprendizagem encapsulada, que pouco responde a questões do cotidiano das crianças e pouco transforma os conteúdos escolares em conhecimentos para a vida7. Engeström (1996), tendo como fonte a abordagem de Davidov, analisa o que chama de “encapsulação da aprendizagem” e explica a gênese desse fenômeno: Em termos gerais, a teoria de Davydov sugere que a encapsulação da aprendizagem se deve a um viés empiricista, descritivo e classificatório no ensino tradicional e na elaboração de currículos. O conhecimento adquirido na escola é em geral de uma qualidade tal que não consegue se tornar uma instrumentalidade viva para dar conta da multidão espantosa de fenômenos naturais e sociais encontrados pelos alunos fora da escola. Em outras palavras, o conhecimento escolar se torna e permanece inerte porque não é ensinado geneticamente, porque seus “germes” nunca são descobertos pelos estudantes, e consequentemente porque os estudantes não têm a chance de usar esses “germes” para deduzir, explicar, predizer e controlar na prática fenômenos e problemas concretos em seu ambiente. Assim, a Fundamentos Teóricos 109 encapsulação pode ser rompida organizando-se um processo de aprendizagem que leve a um tipo de conceito radicalmente diferente daqueles produzidos em formas anteriores de escolarização (ENGESTRÖM, 1996, p. 186). Feitas estas diferenciações entre o pensamento teórico e o empírico, destacam-se os principais componentes do pensamento teórico: a reflexão, a análise e o plano interno das ações (DAVIDOV; MARKOVA, 1987). Sforni e Moura (2002) apresentam uma síntese desses componentes. A reflexão representa a tomada de consciência, pelo sujeito, das razões de suas ações e de sua correspondência com o problema apresentado, ou seja, significa que o estudante desenvolve a consciência dos critérios e das ações que utiliza na resolução de uma tarefa de estudo. A análise tem como objetivo apreender o princípio geral para a resolução de determinada tarefa de estudo, o que implica o desenvolvimento da capacidade de generalização, de encontrar as condições essenciais em meio às particularidades. Por fim, a capacidade de operar com o conceito expressa-se na realização do plano interno das ações, ou seja, o desenvolvimento da capacidade de antecipar ações. E, neste momento, o conceito efetiva-se como instrumento do pensamento, o sujeito passa a operar com os conceitos para além de situações particularesou das ações solicitadas na escola. Apresentados estes elementos, surgem questões centrais à prática pedagógica: como organizar o ensino de maneira a formar as capacidades de refletir, analisar e realizar o plano interno das ações em nossos(as) estudantes? Como os conceitos podem ser trabalhados pela(o) professor(a) de maneira a favorecer o desenvolvimento do pensamento teórico de nossas crianças? Fundamentos Teóricos 110 8 Lazaretti (2011) e Núñez (2009), respectivamente, apresentam uma síntese das proposições de Elkonin e Galperin. 9 Entendo que a Atividade Orientadora de Ensino aproxima-se da tarefa de estudo analisada por Davidov & Markova (1987) como unidade da atividade de estudo. Há inúmeras pesquisas em formato de experimento didático que tem como objetivo investigar justamente como se desenvolve o pensamento teórico. Recorrendo aos autores soviéticos clássicos podemos citar Davidov (1988), que apresenta elementos importantes para pensarmos como devem estruturar-se algumas disciplinas escolares, a saber, o idioma russo (sua língua natal), a matemática e as artes plásticas. Elkonin e Galperin8 também se dedicaram a estudar como se forma o pensamento por etapas, focando as ações com os conceitos. Entendo que se quisermos propor uma organização de ensino que tenha como finalidade o desenvolvimento do pensamento teórico o estudo desses autores será fundamental na formação docente. No Brasil, também temos várias investigações, focando conceitos ensinados nas disciplinas escolares, que procuram apreender o modo como crianças e adolescentes desenvolvem o pensamento conceitual. Por exemplo, Nascimento (2010) apresenta uma investigação didática trazendo conteúdos circenses que podem ser trabalhados em educação física, artes e em outras disciplinas; Bernardes (2006) e Sforni (2003) discutem a formação conceitual em experimento com ensino de geometria; Sforni e Galuch (2006) analisam situações de ensino e aprendizagem sobre o tema alimentos; entre outros muitos trabalhos. Apresentarei aqui um desses experimentos formativos realizado por Lopes et. al. (2010) na área de matemática, com o conteúdo “correspondência um- a-um”, em uma turma de segundo ano. O experimento está organizado tendo como base a Atividade Orientadora de Ensino (AOE), proposta por Moura (1996, 2001). A AOE9 consiste em uma proposta de organização do ensino e da aprendizagem baseada na teoria histórico- cultural, constituída de acordo com a estrutura da atividade Fundamentos Teóricos 111 proposta por Leontiev (1983). Na AOE, a atividade dos estudantes é mobilizada a partir de um problema de aprendizagem, que pode ser materializada por meio de diferentes recursos metodológicos, entre eles o jogo, as situações emergentes do cotidiano e a história virtual do conceito. Na atividade apresentada aqui utiliza-se uma história virtual, ou seja, uma narrativa que recria as condições essenciais de elaboração histórica do conceito a ser ensinado. A partir desta história, coloca-se o estudante em uma situação-problema que revela o processo histórico de necessidade e produção do conceito. A história apresentada intitula-se “João Johann, o pastor de ovelhas”10: Existia um pastor de ovelhas, que amava cuidar de seus animais. Todos os dias pela manhã ele levava as ovelhas para passear pela fazenda, onde podiam se alimentar, correr e sossegar. Quando anoitecia o pastor reunia todas as ovelhas, e as colocava de novo no cercado. Mas havia um problema: Às vezes algumas delas iam para muito longe do grupo e o pastor não as via, e na hora de entrar ele não percebia que estavam faltando ovelhas (LOPES et.al., 2010, p.5). A história virtual é contada pela professora da turma com um cenário representando o pastor e as ovelhas, permitindo que as crianças possam manipular as personagens e envolver-se ludicamente com a história. Ao final, a professora apresenta um problema: o pastor às vezes perde algumas de suas ovelhas e não percebe sua falta. Como podemos ajudá-lo? Como o pastor poderia saber se todas as ovelhas estariam dentro do cercado? A reação imediata dos alunos foi dizer que o pastor deveria contá-las. 10 Pode ser consultada na íntegra em: <http://www.gente.eti.br/lem atec/CDS/ENEM10/artigos/ RE/T3_RE1315.pdf>. Fundamentos Teóricos 112 Surge, então, efetivamente o problema desencadeador: “Porém, existe um grande problema, o pastor não sabe contar, como poderíamos ajudá-lo a controlar o número de ovelhas que ele tinha? Que outra forma ele pode usar para saber se todas as suas ovelhas estão no cercado?” (p.5). As primeiras respostas das crianças circunscrevem-se às suas experiências cotidianas e elas recorrem a conceitos empíricos: colocar coleiras nas ovelhas; colocar fitas de cores diferentes no pescoço dos animais; colocar um objeto para cada ovelha. A professora coordena as resposta e as direciona para o conteúdo que quer trabalhar e que seja matematicamente correto: uma forma eficiente de contar. As crianças são incentivadas a testar suas hipóteses usando o cenário e chegam conjuntamente a seguinte solução: usar uma pedrinha para representar cada ovelha. Ao final, elaboram uma síntese da solução do problema: “O pastor, ele não foi na escola, por isso não sabia contar e nem ler, então ele teve uma idéia, de colocar pedras e soltar ovelhas, por exemplo, ele colocava duas pedras e soltava duas ovelhas, assim ele podia saber se elas não voltavam”. (p.7). Na continuidade do experimento, os estudantes são convidados a registrarem, por meio de desenho, a solução do problema desencadeador e representam diferentes situações de controle de quantidades. Analisando, posteriormente, as produções, verificou- se a necessidade de propor e criar estratégias para um registro mais sintético, com o uso de representações abstratas de quantidades. Fundamentos Teóricos 113 Na terceira etapa do experimento, utilizou-se, assim, outras estratégias para o registro da solução do problema de maneira que as crianças pudessem chegar de fato à correspondência um-a-um: A terceira etapa que desenvolvemos com os alunos foi um trabalho onde eles deveriam recortar e colar ovelhas e crianças correspondendo-as, ou seja, para cada ovelha deveria ter uma criança. Distribuímos aleatoriamente o número de ovelhas e crianças. Com isso, alguns receberam a mesma quantidade de cada tipo de desenho, outras receberam mais ovelhas, outras mais crianças (LOPES et. al., 2010, p.8). Segundo os autores do trabalho, o momento mais delicado, do ponto de vista docente, foi o da síntese coletiva da solução do problema, uma vez que todos queriam explorar a sua opinião e era necessário chegar a um consenso de modo a que não houvesse desmotivação pelo conflito de opiniões: “O encaminhamento de todo o processo de forma compartilhada contribuiu de forma significativa para isso, na medida em que todos foram discutindo e trabalhando juntos” (p. 10). Vamos à análise desta atividade: a professora organiza uma situação problema que busca reconstruir a necessidade histórica do conceito que está ensinando, a correspondência um-a-um. Destaca- se, aqui, como a situação é organizada na forma de problema de aprendizagem, que mobiliza os(as) estudantes e confere sentido ao que estão aprendendo. Ou seja, a docente vai produzindo de maneiraintencional a formação da atividade de estudo, o que inclui fundamentalmente a formação de motivos para esta atividade. Fundamentos Teóricos 114 Isto é bem diferente das ações corriqueiramente usadas em nossas escolas para trabalhar o mesmo conteúdo, em que é solicitado às crianças que liguem objetos correspondentes (por exemplo, ligue cada cenoura com seu coelho). Neste caso, as crianças até operam com as situações, mas não com conceitos e rapidamente desinteressam-se pelo exercício, pois, via de regra, não sabem porquê o estão realizando. Outro aspecto a ser destacado da atividade “João Johann” é que as ações de orientação da professora têm como objetivo fazer com que elas cheguem a um modo geral de ação para além da situação particular do pastor. A resolução do problema não se encerra na “descoberta” de um modo de ajudar o pastor, o que levaria às crianças apenas a uma generalização empírica. Na sequência elas são convidadas a registrar a solução encontrada, o que leva a uma relação concreta entre os juízos implicados no objeto de estudo trabalhado. Depois, o trabalho de recorte e colagem permitiu identificar se as crianças alçaram uma categorização estável dos conceitos trabalhados, se chegaram a uma generalização teórica. No movimento da atividade, os(as) estudantes são levados a refletir, analisar e a constituir o plano interno das ações, componentes centrais do pensamento teórico. A atividade prevê, ainda, ações de compreensão da tarefa, ações de realização da tarefa de estudo propriamente dita e, por último, em conjunto com a professora, os(as) estudantes devem avaliar se chegaram aos conceitos pretendidos. A estrutura da atividade de estudo é produzida pela atividade intencional da professora. E, neste sentido, a máxima vigotskiana de que o “bom ensino produz desenvolvimento” materializa-se. Ressalta-se, ainda, que toda a condução da Atividade Orientadora de Ensino é realizada de maneira coletiva, valorizando-se o grupo como fonte de aprendizagem e desenvolvimento. As crianças Fundamentos Teóricos 115 aprendem, dessa forma, não só os conceitos teóricos, mas fundamentalmente uma ética do coletivo, tão necessária aos nossos tempos. Apresentei o experimento em foco com o objetivo de trazer um exemplo didático de como podemos trabalhar os conteúdos curriculares aproveitando a atividade de estudo de nossos(as) alunos(as) que está em processo de formação. Cabe agora pensarmos e planejarmos como desenvolver este modo geral de ensino levando em conta os conteúdos previstos no currículo. Ou seja, como organizar atividades que reproduzam o movimento lógico e histórico dos conceitos que ensinamos? Como planejar o ensino de cada disciplina escolar levando em conta a estrutura e os componentes da atividade de estudo de forma a potencializar o desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes? E, assim, finalizo o texto convidando as(os) docentes do sistema municipal de educação de Bauru para esta jornada na construção de uma proposta pedagógica, articulação entre conteúdos curriculares e metodologias de ensino, que possa de fato promover o desenvolvimento de nossos(as) estudantes. REFERÊNCIAS ASBAHR, F.S.F.. Idade escolar e atividade de estudo: educação, ensino e apropriação dos sistemas conceituais”. In.: MARTINS, L.M.; ABRANTES, A.A.; FACCI, M.G.D. (orgs). Periodização Histórico Cultural do Desenvolvimento: do nascimento à velhice. São Paulo: Editora Autores Associados, 2016. p.171-192. BERNARDES, M. E. M. Mediações simbólicas na atividade pedagógica: Contribuições do enfoque histórico-cultural para o ensino e aprendizagem. 2006. 330p. Tese (Doutorado em Educação: Ensino de Ciências e Matemática). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2006. BOZHOVICH, L. I. La personalidad y su formación en la idad infantil. Habana: Editorial Pueblo y educación, 1985. Fundamentos Teóricos 116 DAVIDOV, V.. La enseñanza escolar y el desarrollo psíquico: investigación teórica y experimental. Moscu: Editorial Progresso, 1988. DAVYDOV, V.; MÁRKOVA, A.La concepcion de la actividad de estudio de los escolares. In: DAVYDOV, Vasili; SHUARE, M. La psicologia evolutiva y pedagogia en la URSS: antologia. Moscú: Editorial Progresso, 1987. p. 316-337. ELKONIN, D. B.. Sobre el problema de la periodización del desarrollo psíquico e la infância. In: DAVYDOV, V.; SHUARE, M. La psicologia evolutiva y pedagogia en la URSS: antologia. Moscú: Editorial Progresso, 1987. p.104-124. ENGESTRÖM, Y.. Non scolae sed vitae discimus: como superar a encapsulação da aprendizagem escolar. In.: DANIELS, Harry. Uma introdução a Vygotsky. São Paulo: Edições Loyola, 1996. p. 175- 197. LAZARETTI, L.M.. D. B. Elkonin: vida e obra de um autor da psicologia histórico-cultural. São Paulo: Editora Unesp, 2011. LEONTIEV, A.. Actividad, conciencia e personalidad.Havana: Editorial Pueblo y Educacion, 1983. LOPES, A.R.L.V. . João Johann, o pastor de ovelhas: uma experiência na perspectiva da atividade orientadora de ensino. In: Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática. Salvador, 2010. Disponível em: <http://www.gente.eti.br/lematec/CDS/ENEM10/artigos/RE/T3_RE1 315.pdf>. Acesso em: 05 maio 2016. MOURA, M. O.. A atividade de ensino como unidade formadora. Bolema (Rio Claro), UNESP, v. 12, p. 29-43, 1996. ________. A atividade de ensino como ação formadora. In: CASTRO, Amélia Domingues de & Anna CARVALHO, Maria Pessoa de. (Orgs.). Ensinar a ensinar - didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001, p. 143-162. Fundamentos Teóricos 117 NASCIMENTO, C. P. A organização do ensino e a formação do pensamento estético-artístico na Teoria Histórico-Cultural. 2010. 249 p. Dissertação (mestrado) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010. NÚÑEZ, I. B. Vygotsky, Leontiev, Galperin. Formação de conceitos e princípios didáticos. Brasília: Líber Livro, 2009. PALANGANA, I. C.; GALUCH, M. T. B.; SFORNI, M. S. F.. Acerca da relação entre ensino, aprendizagem e desenvolvimento. Revista Portuguesa de Educação. Minho, 2002, vol. 15, n. 01, p. 111-122. RUBTSOV, V. V. A atividade de aprendizado e os problemas referentes à formação do pensamento teórico dos escolares. In.: GARNIER, C.; BERNARZ, N.; ULANOVSKAYA, I. Após Vygotsky e Piaget: perspectivas social e construtivista - escolas russa e ocidental. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1996. p. 129-137. SFORNI, M. S. F; MOURA, M. O.. Aprendizagem conceitual e organização do ensino: contribuições da teoria da atividade. In: V Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste - ANPED, 2002, Águas de Lindóia. Disponível em: <http://26reuniao.anped.org.br/trabalhos/martasuelidefariasforni.rtf>. Acesso em: 04 jul. 2016. SFORNI, M. S. F. Aprendizagem conceitual e organização do ensino: contribuições da teoria da atividade. 2003. 166p. Tese (doutorado) - Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003. SFORNI, M. S. F.; GALUCH, M. T. B.. Aprendizagem conceitual nas séries iniciais do ensino fundamental. Educ. rev., Curitiba , n. 28, p. 217-229, dez. 2006 . Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acessos em: 04 jul. 2016. TOLSTIJ, A. El hombre y la edad. Moscu: Editorial Progreso, 1989. VIGOTSKI, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2000. VYGOTSKY, L.S.. Aprendizageme desenvolvimento intelectual na idade escolar.In.: VYGOTSKY, L.S; LURIA, A.R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 5. ed. São Paulo: Ed. Ícone, 1988. p.103-117.