TRADUÇÃO RESUMIDA Arlene B Tickner - Latin America Still Policy Dependent After All These Years
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TRADUÇÃO RESUMIDA Arlene B Tickner - Latin America Still Policy Dependent After All These Years


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LATIN AMERICA: STILL POLICY DEPENDENT AFTER ALL THESE YEARS? 
Arlene B. Tickner 
> O campo das RI na AL e Caribe é limitado, e uma perspectiva do 
desenvolvimento da disciplina é difícil graças a uma mistura de secretismo, falta 
de registros e falta de vontade de escrutinizar que caracterizam muitos campos 
acadêmicos. Ademais, a região tem 34 nações independentes que são diversas 
em tamanho, história, língua, cultura, etc. 
> Busca analisar os caminhos pelos quais fatores como Estado, a natureza das RI e 
as ciências sociais influenciaram o desenvolvimento das relações internacionais 
em diferentes formas. 
> Conclui identificando vários desenvolvimentos regionais que podem contribuir 
para futuras transformações no campo. 
1. Latin American IR in historical perspective 
> Entre 1850 e o fim da IIGM a política externa da AL se focava em resolver 
conflitos intra regionais, dissuadindo intervenção estrangeira e participando no 
nascente sistema internacional. 
 - Com o início da Guerra Fria a política externa latinoamericana se tornou quase 
exclusivamente mediada pelas suas relações com EUA. 
> A tendência a identificar a ordem capitalista como a fonte primária dos 
problemas de desenvolvimento da América Latina e a "olhar para dentro" em 
busca de soluções foi fortalecida ainda mais pelo pensamento da dependência na 
década de 1960 e começo de 1970. 
 - Essa corrente destaca as manifestações domésticas de dependência e 
subdesenvolvimento (incluindo conflito de classes, inigualdade e exclusão e a 
deformação do Estado nacional). 
> Não obstante, ao colocar problemas regionais dentro do contexto do sistema 
econômico internacional e a existência de desiguais relações de produção, ambos 
dependência e sua ECLA (CEPAL) antecessor proveram rascunhos significantes 
para se pensar as relações internacionais latino-americanas, dado seus insights 
em problemas como capitalismo global, o Estado, desenvolvimento nacional, 
integração e soberania. 
> Num nível mais prático, as duas escolas falharam em criar soluções viáveis aos 
problemas da dependência (...). Além disso, tentativas de diversificar as relações 
externas da América Latina e aumentar sua influência em relação aos Estados 
Unidos levaram a novas necessidades analíticas para as quais as teorias locais 
existentes eram pouco adequadas. (...) Durante este período de fundação, a 
principal agenda de pesquisa das IR incluiu tópicos como as relações Norte-Sul e o 
papel do terceiro mundo, integração econômica e cooperação regional, política 
externa comparativa, negociação e transnacionalismo e interdependência. 
> Uma preocupação fundamental expressa no nascente campo das RI na América 
Latina estava relacionada ao problema da autonomia, visto como pré-condição 
tanto para o desenvolvimento interno quanto para uma estratégia de política 
externa bem-sucedida. A autonomia tornou-se vista de fora como um mecanismo 
de proteção contra os efeitos nocivos da dependência em nível local e de dentro 
para fora como um instrumento para afirmar interesses regionais no sistema 
internacional. Em ambos os casos, o principal ponto de referência foi os Estados 
Unidos. 
> Foi amplamente percebido entre os estudiosos de RI que tanto a dependência 
quanto as teorias de RI importadas que estavam disponíveis, o realismo clássico e 
a interdependência, eram de uso limitado individualmente para se pensar sobre o 
problema em questão. A fim de abordar essa lacuna, uma quantidade 
considerável de literatura sobre autonomia foi produzida na América Latina, 
principalmente durante a década de 1980. Dois autores, Helio Jaguaribe (1979) e 
Juan Carlos Puig (1980), foram particularmente influentes na análise, divulgação e 
prática do conceito de autonomia na região. Os acadêmicos de RI da América 
Latina atribuem a ambos os autores o pioneirismo da \u201cincorporação criativa\u201d dos 
princípios tradicionais de RI nas análises regionais de assuntos internacionais. 
Essa fusão de conceitos de dependência, realismo e interdependência levou à 
criação de um modelo \u201chíbrido\u201d latino-americano amplamente utilizado para 
analisar questões globais e que refletia a tendência, ainda prevalente hoje, de 
escolher categorias úteis de diferentes teorias. 
> A influência das abordagens de dependência se manifestou nas descrições 
acadêmicas do sistema internacional, caracterizado em termos de relações 
hierárquicas de dominação e o papel das forças globais na restrição das políticas 
externa e interna dos países da região. O fato de o Estado ter sido historicamente 
visto como o domínio central da regulação política, social e econômica, a 
expressão primária da \u201cnação\u201d e um símbolo-chave da soberania e independência 
nacional também facilitou o uso da leitura da dependência desse ator. 
> Um fator que distinguia os escritos de autonomia da dependência era a fé no 
papel das elites progressistas na mobilização de recursos do Estado em favor de 
um projeto nacional. Essa visão se encaixou melhor com os princípios realistas de 
Morgenthau, relativos ao papel do estadista como árbitro final do interesse 
nacional. Um segundo aspecto emprestado do realismo clássico foi a 
preocupação com o poder, embora tenha sido reformulado em termos de 
autonomia. Dado que muitos dos principais protagonistas do campo vinham da 
Argentina, Brasil e Chile autoritários, e do México dominado pelo PRI, a 
linguagem estatal e baseada na energia que caracterizava o pensamento realista 
permitia o envolvimento acadêmico com o discurso geopolítico de governos 
militares distintos e sua orientação nacionalista ferrenha, bem como com a do 
estado mexicano. 
> A interdependência foi prontamente incorporada nas discussões latino-
americanas de RI no final da década de 1970, dada sua abertura a questões 
econômicas e sociais, seu otimismo quanto ao papel dos recursos estratégicos e 
habilidades efetivas de negociação para impulsionar a influência internacional em 
países mais frágeis e seu reconhecimento de atores transnacionais como 
principais atores globais. 
> A RI da América Latina recebeu um impulso crucial do Programa de Estudos 
Conjuntos em Relações Internacionais na América Latina (RIAL), uma rede 
regional de centros acadêmicos criada em 1977 para promover a pesquisa e o 
ensino no campo. A RIAL foi criada por um pequeno grupo de indivíduos cujos 
interesses e atividades profissionais incluíam uma combinação de serviço 
acadêmico e público. Os objetivos do programa eram fomentar o interesse em 
estudos internacionais em nível regional e, ao fazê-lo, aumentar a capacidade de 
negociação internacional da América Latina. A RIAL foi indispensável para a 
consolidação e institucionalização do campo em toda a região. Antes de sua 
criação, os programas de Relações Internacionais estavam concentrados em 
relativamente poucas instituições em um pequeno número de países, como 
México, Chile, Brasil e Argentina. No auge das atividades da RIAL no final dos anos 
80, programas de RI foram estabelecidos na maior parte da região andina e da 
América Central, com os quais a rede acadêmica regional também cresceu. 
> Além de fortalecer os estudos de RI na América Latina, a considerável atividade 
resultante do programa e a crescente interação que nutria entre diversas 
instituições e estudiosos se prestaram à apropriação de novos conhecimentos 
teóricos e acadêmicos, abordagens metodológicas para o estudo de questões 
globais. Um dos resultados mais interessantes desse processo foi a gradual 
\u201clatino-americanização\u201d das teorias importadas da RI, principalmente através da 
ampla circulação do modelo híbrido latino-americano. Ao aumentar a consciência 
teórica, fomentar uma abordagem autóctone das questões internacionais e 
fomentar uma \u201cmassa crítica\u201d de especialistas em RI, a RIAL também influenciou 
o pensamento da política externa na região, principalmente porque um número 
significativo de indivíduos ativos no programa