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Apostila Direito Internacional Tributário

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que readquirirá a sua aptidão para 
produzir efeitos se e quando o tratado for 
denunciado.12 
 
Assumindo a posição da supralegalidade e dispondo sobre eventual afastamento de 
tributos, essa disposição terá, sim, a capacidade de conceder benefícios no campo 
da incidência dos estados e dos municípios. Vale transcrever decisão do STF a 
respeito: 
Recurso extraordinário. ICM. Emenda 
Constitucional nº 23; 1983 e lei nº 3.991/1983, 
do Estado de São Paulo. Constituição art. 23, II, 
e par. 11. Importação de país signatário do 
GATT de mercadoria cujo similar nacional goza 
de isenção do ICM. Subsistência da Súmula 575, 
após o advento da Emenda Constitucional nº 
23/1983. Precedente da Primeira Turma, no RE 
109.817-SP. Recurso extraordinário não 
conhecido (STF – RE nº 113.759-2-SP, Rel. Min. 
Néri da Silveira). 
 
 
12 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 5. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 1998. p. 
45. 
 
 
 
No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça tem posição semelhante àquela 
adotada pela Suprema Corte, como retrata a Súmula nº 20 da Corte: 
Súmula 20 STJ. A mercadoria importada de 
país signatário do GATT é isenta do ICM, quando 
contemplado com esse favor o similar nacional. 
 
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal voltou a tratar do tema, mantendo a 
posição quanto à possibilidade de prevalência do art. 98, CTN, pela dispensa de 
tributos estaduais e municipais. Nesse momento, foi ainda mais claro reconhecendo 
que não se trata de um ato da União Federal como unidade federativa interna, mas, 
sim, um ato celebrado pelo Chefe do Estado nacional. 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA 
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE 1988 DO 
ACORDO GERAL DE TARIFAS E COMÉRCIO. 
ISENÇÃO DE TRIBUTO ESTADUAL PREVISTA EM 
TRATADO INTERNACIONAL FIRMADO PELA 
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. ARTIGO 
151, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA. ARTIGO 98 DO CÓDIGO 
TRIBUTÁRIO NACIONAL. NÃO 
CARACTERIZAÇÃO DE ISENÇÃO HETERÔNOMA. 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E 
PROVIDO. 1. A isenção de tributos estaduais 
prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio 
para as mercadorias importadas dos países 
signatários quando o similar nacional tiver o 
mesmo benefício foi recepcionada pela 
Constituição da República de 1988. 
2. O artigo 98 do Código Tributário Nacional 
“possui caráter nacional, com eficácia para a 
 
 
 
União, os Estados e os Municípios” (voto do 
eminente Ministro Ilmar Galvão). 
3. No direito internacional apenas a República 
Federativa do Brasil tem competência para 
firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da 
República), dela não dispondo a União, os 
Estados-membros ou os Municípios. O 
Presidente da República não subscreve tratados 
como Chefe de Governo, mas como Chefe de 
Estado, o que descaracteriza a existência de uma 
isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. 
III, da Constituição (STF – Pleno, RE nº 229.096-
RS Rel. p/Acórdão Min. Cármen Lúcia, j. em 
16.8.2007, DJe 10.4.2008). 
 
Como se extrai, não existe a figura da União na ordem internacional. A União é 
pessoa jurídica de Direito público interno, assim como os Estados e Municípios. A 
República Federativa do Brasil é que existe na ordem internacional, e ela é composta 
pela União, pelos Estados e Municípios. Não se pode dizer que um país que adote o 
sistema federativo não pode acordar com outros países matérias que dentro do 
âmbito interno sejam matérias dos Estados e Municípios. Isso seria isolar os regimes 
federativos dentro da ordem internacional, pois para fazer o Mercosul, por exemplo, 
teríamos de chamar todos os prefeitos, governadores e Presidente do Brasil, e isso 
seria um absurdo. Os Estados e Municípios não aparecem na ordem internacional. 
 
No regime presidencialista, o Presidente da República não atua apenas como chefe 
do Poder Executivo da União. É também o chefe de Estado, do Estado Republicano 
Federal. A celebração de um tratado internacional decorre dessa qualidade 
funcional. Daí, a decisão do Supremo está no sentido da possibilidade do tratado 
internacional conceder isenção de tributo estadual e municipal, não incidindo na 
proibição do art. 151, III CRFB/1988. 
 
 
 
 
Medidas destinadas a evitar ou a eliminar a dupla tributação internacional 
 
A partir das recomendações conceituais sobre os fenômenos de incidência tributária 
persiste a recomendação de que as ordens jurídicas devem evitar uma dupla 
imputação. Tal consignação é dada tanto para o Direito interno, como em 
decorrência de realidades internacionais. 
 
No que nos interessa, a prevenção ou a eliminação da dupla tributação internacional 
pode ser realizada não somente pelos Estados, mas também pelos próprios 
contribuintes, por meio de planejamento tributário internacional. Os Estados 
previnem ou eliminam a dupla tributação internacional tanto unilateralmente, por 
meio de normas internas, quanto internacionalmente, com o uso de convenções 
internacionais. 
 
Medidas unilaterais 
 
Relativamente às medidas unilaterais tendentes a evitar ou a eliminar a dupla 
tributação internacional, embora os Estados que adotam o critério da fonte possam 
estabelecê-las, normalmente são os que adotam o critério da residência que o 
fazem. Isso se explica porque o critério da residência, fazendo com que a tributação 
incida inclusive sobre as rendas que provêm do exterior, apresenta a potencialidade 
de gerar a dupla tributação internacional. 
 
Assim, para mitigar ou eliminar a dupla tributação internacional, os Estados da 
residência geralmente adotam, unilateralmente, ou o método da isenção ou o 
método da imputação, podendo ainda estabelecer outros métodos, como o da 
redução da alíquota e o da dedução de impostos pagos no exterior, da base de 
cálculo. 
 
 
 
 
Tudo isso será dado nas normas internas de cada nação, dependendo, 
naturalmente, das características de cada uma das incidência que possam repercutir 
nos atos de estraneidade. 
 
Medidas internacionais 
 
As convenções contra a dupla tributação internacional são normalmente bilaterais. 
As convenções multilaterais existentes são ainda em número bastante reduzido e 
só disciplinam a tributação de alguns objetos, como veículos automotores, dada a 
grande dificuldade de obter soluções harmonizadas com base nos diversos sistemas 
tributários e nos interesses particulares de cada um dos Estados. 
 
Todavia, as convenções bilaterais nem sempre eliminam completamente a dupla 
tributação. Frequentemente, apenas atenuam os seus efeitos, sendo que, em 
determinadas circunstâncias, implícita ou explicitamente, deixam que ela subsista, 
principalmente em se tratando de matérias não consideradas básicas, sobre as quais 
os Estados não entram em acordo. 
 
Com efeito, as convenções bilaterais podem resolver grande parte dos problemas 
de dupla tributação internacional, pois, por meio delas, os Estados concedem alívios 
tributários, limitando os respectivos poderes tributários, de forma bem mais 
abrangente do que estariam dispostos a fazê-lo indiscriminadamente. 
 
De qualquer forma, em nossas aulas, iremos analisar algumas dessas situações que 
possam ser utilizadas, indicando também suas características marcantes. 
 
Planejamento tributário internacional 
 
Considerando que os tributos representam importante fatia do resultado de 
atividades humanas com repercussão econômica, principalmente com o advento da 
globalização, o planejamento tributário internacional passou a ser objeto de especial 
atenção. Com efeito,

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