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Apostila Direito Internacional Tributário

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se, por um lado, os Estados devem estabelecer sistema 
 
 
 
tributário justo e socialmente aceitável, por outro, cabe aos contribuintes organizar 
as suas atividades de modo a não terem de pagar a título de tributos mais do que 
o esperado e rigorosamente devido. 
 
É no mínimo sensato, portanto, que, dentro da lei, os contribuintes organizem as 
suas atividades empresariais e pessoais de modo a atraírem a menor incidência de 
tributos possível. Agir de modo diferente, especialmente em se tratando de 
atividades que envolvem somas vultuosas, pode afetar desnecessária e 
consideravelmente o poder de compra e a acumulação de riquezas por parte das 
pessoas físicas e, relativamente às empresas, pode reduzir-lhes os lucros para 
distribuição ou reinvestimento, ou até mesmo comprometer-lhe a competitividade. 
 
Assim é que, para a concretização de atividades com objetivos empresariais, 
pessoais ou outros, além dos fatores não tributários, o aspecto tributário deve ser 
examinado com cautela, a fim de se decidir sobre se a atividade é realmente viável, 
devendo ser realizada e, em o sendo, quando, como e com quem deve ser 
conduzida. 
 
Heleno Tôrres afirma, acertadamente, que: 
Como “produto”, o planejamento tributário 
corresponde à orientação que é dada à conduta 
humana na constituição dos atos jurídicos, a 
partir do plano elaborado para otimizar os custos 
com as obrigações tributárias, pela identificação 
e organização das melhores e mais econômicas 
alternativas de formação dos negócios jurídicos 
permitidos pela legislação, reduzindo as 
possibilidades de conflitos com o Fisco.13 
 
 
13 TÔRRES, Heleno. Direito tributário internacional: planejamento tributário e operações 
transnacionais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. p. 43-44. 
 
 
 
Realmente, a finalidade do plano tributário é especificar os meios e os atos jurídicos 
adequados para o atendimento dos objetivos empresariais e pessoais com o menor 
custo possível em termos de obrigações tributárias principais e acessórias, e com o 
menor risco possível. Plano tributário ousado, que promova ganho tributário de 
curto prazo, mas que sujeita o contribuinte a penoso e dispendioso litígio, não é 
recomendável. 
 
Na essência, o planejamento tributário internacional não difere do planejamento 
tributário interno, embora o primeiro seja considerado bem mais complexo, por 
envolver as especificidades dos sistemas tributários de mais de um Estado. Ao se 
engajarem em transações internacionais, contribuintes têm aumentado o risco de 
se sujeitarem a níveis de tributação mais elevados, podendo ser excessivos, dada a 
grande possibilidade de determinados rendimentos serem abrangidos pelo âmbito 
da incidência tributária em dois ou mais Estados. 
 
Das práticas mais conhecidas, o planejamento tributário entre países geralmente 
assume uma das seguintes formas organizacionais: 
 
 Uso de países com tributação favorecida: é a utilização dos benefícios 
fiscais (e também de órbita penal, traduzindo-se na inexistência de tipos 
delituosos para condutas relacionadas à evasão de impostos) concedidos por 
alguns países, comumente chamados de paraísos fiscais (tax havens). À luz 
da legislação brasileira, são considerados países com tributação favorecida 
aqueles que tributam a renda à alíquota máxima de 20% (art. 24 da lei nº 
9.430/1996). 
 
 Uso abusivo de acordos internacionais mais benéficos (treaty 
shopping): trata-se da utilização de interpostas pessoas para beneficiar 
indevidamente determinada pessoa jurídica, que não seria abrangida por 
acordo internacional para evitar a bitributação (cria-se uma residência fiscal 
fictícia em um dos países signatários do acordo, de modo a estender seus 
efeitos a empresas situadas em países diversos dos signatários). 
 
 
 
 
 Sub-capitalização de empresas (thin-capitalization): situação que 
ocorre quando o capital da empresa é pequeno em relação ao seu passivo. 
A companhia realiza empréstimos com empresas vinculadas para capitalizar 
seus negócios em vez de utilizar capital próprio. Com essa prática, obtém 
vantagem tributária, uma vez que a remuneração do empréstimo – sendo 
despesa – irá reduzir seu lucro tributável. 
 
 Preços de transferência (transfer pricing): operação de empréstimo 
financeiro ou de compra e venda realizada entre empresas vinculadas, 
localizadas em jurisdições diferentes, utilizando-se preços artificiais de modo 
a reduzir o lucro da empresa situada em país de maior pressão fiscal, em 
benefício da companhia situada em país onde a tributação é menor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ACCIOLY, Hildebrando, Nascimento e Silva, Geraldo Eulálio do. Manual de direito 
internacional público. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 1996. 
 
BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 10. ed. Universidade de 
Brasília, 1999. 
 
BORGES, Antônio de Moura. Convenções sobre dupla tributação 
internacional. Teresina: EDUFPI; São Paulo: IBDT, 1992. 
 
TORRES, Heleno. Pluritributação internacional sobre as rendas de 
empresas. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1997. 
 
_________. Direito tributário internacional: planejamento tributário e 
operações transnacionais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. 
 
TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 5. ed. Rio de 
Janeiro: Renovar, 1998. 
 
TRIEPEL, Heinrich. Les rapports entre le droit interne et le droit 
international. Recueil des Cours de l’Académie de Droit International. Paris, 
Hachette, tome 1, 1923. 
 
XAVIER, Alberto Pinheiro. Direito Internacional Tributário do brasil. 7. ed. Rio 
de Janeiro: Forense, 2010.

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