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ÚLCERA DE PRESSÃO (UPP) 
Lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante da 
pressão ou da combinação entre pressão e cisalhamento, causado pela fricção. 
*cisalhamento:​ deformação que sofre um corpo quando sujeito à ação de forças cortantes. 
ESTADIAMENTO 
Estágio I: eritema não branqueável 
● Pele intacta, com rubor não branqueável, numa área 
localizada, normalmente sobre uma proeminência óssea. O 
estágio I pode ser difícil de identificar em indivíduos com tons de 
pele escuros, visto que nestes o branqueamento pode não ser 
visível, a sua cor, porém, pode ser diferente da pele ao redor. 
● A área pode estar ​dolorida, endurecida, mole, mais 
quente ou mais fria comparativamente ao tecido adjacente. 
Este estágio pode ser indicativo de pessoas “em risco”. 
Estágio II: perda parcial da espessura da pele 
● Perda parcial da espessura da derme, que se 
apresenta como uma ​ferida superficial (rasa) com leito 
vermelho ou rosa. Pode também se apresentar como 
bolha fechada ou aberta, preenchida por líquido seroso 
ou sero-hemático. Apresenta-se ainda, como uma úlcera 
brilhante ou seca, sem crosta ou equimose. 
 
Estágio III: perda total da espessura da pele 
● Neste caso, o ​tecido adiposo subcutâneo pode 
ser visível​, mas não estão expostos os ossos, tendões ou 
músculos, porém em regiões ricas em tecido adiposo 
podem ser extremamente profundas. 
 
Estágio IV: perda total da espessura da pele 
● Perda total da espessura dos tecidos com 
exposição dos ossos, tendões ou músculos​. Neste 
caso, o tecido desvitalizado (fibrina úmida) e/ou tecido 
necrótico podem estar presentes e dar aparência de ferida 
menos profunda. 
● Osteomielite e osteíte são prováveis de acontecer. 
SEIS ETAPAS ESSENCIAIS PARA PREVENÇÃO DE UPP 
ETAPA 1 
● Avaliação de risco ou já existência de úlcera por pressão na admissão de todos os pacientes. 
○ Fatores de risco: falta de mobilidade, incontinência, déficit sensitivo e desnutrição (incluindo 
desidratação). 
ETAPA 2 
● Reavaliação diária de risco de desenvolvimento de UPP de todos os pacientes internados 
○ A avaliação do risco para desenvolvimento de UPP deverá ser executada através da Escala de 
Braden Q para crianças de 1 a 5 anos e ​Escala de Braden para pacientes com mais de 5 anos 
As escalas caracterizarão o paciente sem risco, com risco baixo, moderado, alto ou muito alto 
para desenvolver UPP. A classificação do risco dá-se de maneira ​inversamente proporcional 
à pontuação, ou seja, quanto maior o número de pontos, menor é a classificação de risco para 
a ocorrência dessa lesão. 
○ As escalas preditivas são, entretanto, um parâmetro que deve ser utilizado em associação à 
avaliação clínica ​do enfermeiro. 
○ A avaliação e a prescrição de cuidados com a pele é uma atribuição do ​enfermeiro​, sendo que 
a participação da equipe multiprofissional na prevenção das alterações é fundamental na 
contribuição para a prescrição e no planejamento dos cuidados com o paciente em risco. 
 
As etapas subsequentes (etapas 3 a 6), descritas a seguir, deverão ser utilizadas em todos os pacientes 
classificados como de risco ​nas etapas de avaliação anteriormente descritas (etapas 1 e 2) 
ETAPA 3 
● Inspeção diária da pele (​toda superfície cutânea​, da cabeça aos pés). 
○ Estes pacientes, em geral hospitalizados, podem apresentar deterioração da integridade da 
pele em questão de horas. 
○ Áreas corporais de maior risco para UPP: regiões anatômicas ​sacral, calcâneo, ísquio, 
trocanter, occipital, escapular, maleolar e regiões corporais submetidas à pressão por 
dispositivos como a presença de cateteres, tubos e drenos. 
ETAPA 4 
● Manejo da umidade: ​manutenção do paciente seco e com a pele hidratada. 
○ Pele úmida é mais vulnerável​, propícia ao desenvolvimento de lesões cutâneas, e tende a se 
romper mais facilmente. A pele deve ser limpa, sempre que apresentar sujidade e em 
intervalos regulares. O processo de limpeza deve incluir a utilização cuidadosa de um agente 
de limpeza suave que minimize a irritação e a secura da pele. Deve-se tomar cuidado para 
minimizar a exposição cutânea à umidade decorrente de ​incontinência, transpiração ou 
exsudato de feridas​. Quando estas fontes de umidade não puderem ser controladas, a 
utilização de ​fraldas e absorventes é recomendada, com o objetivo de minimizar o contato da 
pele com a umidade. Agentes tópicos que atuam como barreiras contra a umidade e hidratam 
a pele também podem ser utilizados (1x por dia após o banho; ​não massagear ​proeminências 
ósseas ou áreas hiperemiadas). O tratamento da pele ressecada com ​hidratantes tem se 
mostrado especialmente efetivo na prevenção de UPP. 
ETAPA 5 
● Otimização da ​nutrição e da hidratação 
○ Pacientes com déficit nutricional ou desidratação podem apresentar perda de massa muscular 
e de peso, tornando os ossos mais salientes e a deambulação mais difícil. É recomendado que 
nutricionistas sejam consultados nos casos de pacientes com desnutrição a fim de avaliar e 
propor intervenções mais apropriadas. Na vigência de ​baixa aceitação alimentar (inferior a 
60% das necessidades nutricionais num período de cinco a sete dias)​, discutir com a 
equipe a possibilidade de ​sondagem​. 
ETAPA 6 
● Minimizar pressão 
○ PARA TODOS OS RISCOS: A redistribuição da pressão, especialmente sobre as 
proeminências ósseas, é a preocupação principal. Pacientes com mobilidade limitada 
apresentam risco maior de desenvolvimento de UPP. Todos os esforços devem ser feitos para 
redistribuir a pressão sobre a pele, seja pelo ​reposicionamento a cada 02 (duas) horas ​ou 
pela utilização de superfícies de redistribuição de pressão. O objetivo do reposicionamento a 
cada 2 horas é redistribuir a pressão e, consequentemente, manter a circulação nas áreas do 
corpo com risco de desenvolvimento de UPP. 
○ PARA RISCO MODERADO: Se o paciente estiver sentado na cama, evitar elevar a cabeceira 
em ​ângulo superior a 30º, evitando a centralização e o aumento da pressão no sacro e no 
cóccix. 
○ PARA RISCO ALTO: ​Travesseiros e coxins são materiais facilmente disponíveis e que 
podem ser utilizados para auxiliar a redistribuição da pressão (abaixo das pernas). 
○ Pacientes cirúrgicos submetidos à ​anestesia por período prolongado geralmente 
apresentam risco aumentado de desenvolvimento de UPP, portanto, todos estes pacientes (no 
momento pré, intra e pós-operatório) devem receber avaliação de risco da pele. 
○ Quando sentado, se os ​pés do paciente não chegam ao chão, coloque-os sobre um 
banquinho​ ou apoio para os pés, o que impede que o paciente deslize para fora da cadeira. 
○ Deve-se restringir o tempo que o indivíduo passa sentado na cadeira sem alívio de pressão. 
TRATAMENTO 
O tratamento da LPP instalada deverá ser implementado em conjunto com as medidas preventivas. 
Os tratamentos tópico e sistêmico da LPP considerarão: 
1. Procedimentos de limpeza e de desbridamento; 
2. Aplicação de terapia tópica (coberturas primárias, secundárias e de fixação) e 
3. Intervenção sistêmica. 
Tratamento Tópico 
● Procedimentos de limpeza e de desbridamento 
A técnica de limpeza da lesão e da pele adjacente visa remover secreções, tecidos desvitalizados soltos, 
micro-organismos e resíduos das coberturas tópicas, ​preservando o tecido de granulaçãoe minimizando 
riscos de trauma e/ou infecção. Os passos para a limpeza da lesão deverão seguir ​técnica asséptica e 
limpeza com soro fisiológico (SF) 0,9% morno e em jato. 
A ​solução aquosa de polihexanida 0,1% (PHMB) ​poderá ser indicada também para limpeza da ferida, 
quando for necessário uma limpeza mais profunda e controle antimicrobiano. A remoção do tecido 
desvitalizado, quando houver, ocorrerá após a limpeza, sem agredir o tecido de granulação, por meio dos 
processos: 
● 1° opção: Mecânico (jato de SF 0,9% ou gazes) 
● 2° opção: Enzimático (cobertura tópica primária com enzimas proteolíticas) ou Autolítico (cobertura 
tópica primária com facilitadores da ação dos macrófagos e da atividade proteolítica endógena) 
● 3° opção: Instrumental conservador (tesoura/bisturi) 
● 4° opção: Cirúrgico 
 
● Aplicação de terapias tópicas 
A prescrição das coberturas será embasada nas recomendações do preparo do leito da lesão que preconizam 
fazer as seguintes observações clínicas: tipo de tecido; estadiamento da lesão; quantidade de exsudato; 
presença de sangramento; sensibilidade à dor e presença de infecção. As coberturas incluem: as primárias, 
as secundárias e os dispositivos de fixação/suporte. 
 
 
 
 
Tratamento Sistêmico 
A terapia sistêmica deverá estar voltada ao tratamento ou controle/ajustes dos fatores intrínsecos do paciente 
que, diretamente ou indiretamente, interferem ou podem interferir no processo de cicatrização da LPP. 
A análise laboratorial é uma ferramenta indicada como critério de avaliação no processo cicatricial da lesão e 
guia para adequações nutricionais e metabólicas. Os exames indicados e os valores de referência são: 
● Hemoglobina glicada (6,5 a 7%) 
● Albumina sérica (3,5 a 5,2 g/dL) 
● Hemograma completo (eritrócitos 4 a 6 milhões/mm3 ; hemoglobina 12 a 18 g/dL; hematócrito 35 a 
50%; plaquetas 150.000 a 450.000/mm3 ; leucócitos 4.500 a 11.000 células/mm3 ) 
● Zinco (80 a 120 µg/dL) 
● Vitamina B12 (200-835 pg/mL) 
● Vitamina D (>30 ng/mL)

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