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Plenitude 1
Plenitude 2
Plenitude
Plenitude 3
Todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e exploração econômica desta obra 
estão reservados única e exclusivamente para o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR). 
Proibida a reprodução parcial ou total da mesma, através de qualquer forma, meio ou processo 
eletrônico, digital, fotocópia, microfilme, internet, cd-rom, sem a prévia e expressa autorização da 
Editora, nos termos da lei 9.610/98 que regulamenta os direitos de autor e conexos.
Plenitude 4
Divaldo Pereira Franco
Plenitude
Joanna de Ângelis
(Espírito)
Plenitude 5
17ª Ed
Do 69º o 71º milheiro
© Copyright 1991 by
Centro Espírita Caminho da Redenção
Revisão: D. Pereira e Prof. Luciano de Castilho Urpia
Editoração eletrônica: Nilsa Maria Pinto de Vasconcellos
Capa: Thamara Fraga
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira dos Livros, SP, Brasil)
Franco, Divaldo Pereira (pelo espírito Joanna de Ângelis) – Plenitude
- Salvador, Ba – Livr. Espírita Alvorada Editora, 1991.
 ISBN: 85-7347-032-1
1. Espiritismo 2. Psicografia 3. Sofrimento I.Franco, Divaldo Pereira.
II Título
 02-5632 COD:133.93 
LIVRARIA ESPÍRITA ALVORADA EDITORA
CNPJ 15.176.233/0001-17 – I.E. 01.917.200
Rua Jayme Vieira Lima, nº 104 – Pau da Lima – CEP 41235-000
Salvador – Bahia – Brasil – Telefax: (71) 3409-8310/11
e-mail: <leal@mansaodocaminho.com.br>
site: <www.mansaodocaminho.com.br>
Todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação econômica desta obra estão reservados, única 
e exclusivamente, para o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR). Proibida a sua reprodução 
parcial ou total através de qualquer forma, meio ou processo, sem a prévia e expressa autorização da 
Editora, nos termos da lei 9.610/98
2008
Impresso no Brasil
Presita em Brazilo
mailto:leal@mansaodocaminho.com.br
http://www.mansaodocaminho.com.br/
Plenitude 6
Sumário
Plenitude 7
I) - Sofrimento 10
II) - Análise dos Sofrimentos 13
III) - Origens do Sofrimento 17
IV) - Cessação do Sofrimento 23
V) - Caminhos para a Cessação do Sofrimento 27
VI) - Altruísmo 34
VII) - Motivos de Sofrimentos 39
VIII) - Caminhos para a saúde 41
IX) - Processo de Autocura 47
X) - Terapia Desobsessiva 53
XI) - Terapias Alternativas 57
XII) - Sofrimento ante a Morte 61
XIII) - Sofrimento no Além-Túmulo 64
XIV) - Libertação do Sofrimento 68
Plenitude 7
Plenitude
Filosofias pessimistas e doutrinas religiosas arbitrárias estabeleceram que a vida é 
sofrimento e que toda tentativa para a libertação dele resulta em malogro lamentável.
Pensadores precipitados de ontem como de hoje, fiéis ao diagnóstico ignóbil, propõem o 
suicídio como solução, a eutanásia e o aborto como mecanismos de fuga para superar as situações 
aflitivas e a pena de morte como recurso punitivo, em demonstração de conduta materialista 
rebelde e ácida, na qual a crueldade assume papel preponderante.
O utilitarismo e o hedonismo, sobre os quais constroem as suas aspirações, são os 
responsáveis pela óptica distorcida da realidade, de que desejam libertar-se.
Certamente, o sofrimento faz parte da vida, por ser mecanismo da natureza, através do qual 
o progresso intelecto-moral se expressa e consolida.
O diamante bruto aguarda a lapidação para fulgir como estrela luminosa.
Os metais necessitam da alta temperatura, a fim e amoldarem-se à beleza e à utilidade.
A madeira experimenta os instrumentos cortantes para desempenhar os papéis relevantes a 
que está destinada.
O rio cava o próprio leito por onde corre.
Igualmente, o Espírito necessita lapidar as arestas que lhe encobrem a luminosidade, e, 
para tal, o sofrimento se apresenta como ocorrência normal, que o conhecimento e a força de 
vontade conseguem conduzir com equilíbrio, alcançando a finalidade sublime a que se encontra 
destinado.
O sofrimento, por outro lado, está vinculado à sensibilidade de cada um, variando, 
portanto, e adquirindo dimensões diversas. A dor do bruto apresenta-se asselvajada e 
perturbadora, explodindo em agressividade e loucura. O sofrimento do esteta e do santo se 
expressa como anseio de libertação e crescimento íntimo.
Atravessando as fases primárias da vida, no seu mecanismo automático de evolução, o 
psiquismo amplia as aptidões inatas e desenvolve os germes da perfeição nele jazentes, 
tornando-se herdeiro na etapa imediata das experiências anteriores.
O sofrimento, em face das injunções de amargura e dor de que se reveste, vem merecendo o 
mais amplo investimento histórico de que se tem notícia, objetivando-se a libertação dele e a 
plenitude da criatura.
De Krishna a Nuda, a Jesus, a Allan Kardec, a visão religiosa e filosófica sobre o 
sofrimento recebeu valiosas contribuições, que hoje, no esforço dos modernos cientistas da saúde 
holística, parecem alcançar um grau maior de entendimento do homem e do seu 
inter-relacionamento com as forças vivas da natureza, refletidas na Ecologia, ensejando uma 
compreensão maior da vida e da sua finalidade.
Antecipando essa conduta hodierna, o Espiritismo vem conclamando o homem para o 
respeito a Deus, a si mesmo, ao próximo, a todas as expressões vivas ou não que lhe constituem o 
ambiente em que está localizado, para aprender e ser feliz, assim adquirindo a sua plenitude.
Considerando a problemática humana, existente no próprio indivíduo – o desconhecimento 
de si mesmo – e tendo em vista os urgentes fatores que desencadeiam o sofrimento, arrastando 
multidões à sandice, ao desalento, à alucinação, às fugas inglórias pelo suicídio e pelos vícios, 
resolvemos aprofundar estudos em torno dele, ora reunidos no presente livro, que trazemos ao 
conhecimento do prezado leitor, interessado na solução desse terrível flagelo responsável por 
incontáveis males, para uns, e bençãos, para outros, possibilitando aos últimos a ascensão e a 
glória...
Analisamos alguns dos seus aspectos, conforme a visão budista e a cristã, e propomos a 
solução espírita, em razão da atualidade dos postulados que constituem a Revelação do 
Consolador, convidando o homem ao autodescobrimento, à vivência evangélica, ao comportamento 
Plenitude 8
lúcido advindo do estudo e da ação iluminativa na trilha da caridade fraternal.
Confiamos que o nosso esforço irá contribuir para o esclarecimento dos nossos leitores, 
induzindo-os à aquisição da plenitude, em paz e saúde, inteiramente livres do sofrimento, 
construindo o amor como fonte viva de realização íntima e geral.
Esperando haver alcançado o objetivo a que nos propusemos, rogamos ao “Modelo e Guia 
da humanidade” nos abençoe e conduza.
Salvador, 17 de outubro de 1990.
Joanna de ÂngelisPlenitude 9
“Senhor!
Ajuda-me a transitar:
da treva para a luz;
da mentira para a verdade;
e da morte para a imortalidade.”
(Upanishads)
“Sente-se sozinho, em silêncio.
Baixe a cabeça, feche os olhos, respire pausadamente
e imagine que está contemplando o interior do seu cora-
ção. Transfira sua mente, seus pensamentos de seu corpo
para seu coração. Quando expirar, diga: Senhor, tende
piedade de mim”.
(Gregório do Sinai – Mosteiro do Monte Athos – Século XIV)
Plenitude 10
I – Sofrimento
O homem empenha-se, afanosamente, para vencer o sofrimento, que se lhe apresenta como 
adversário soez.*
em todas as épocas, ele vem travando uma violenta batalha para eximir-se à dor, em 
contínuas tentativas infrutíferas, nas quais exaure as forças, o ânimo e o equilíbrio, tombando 
depois em mais graves aflições.
Passar incólume ao sofrimento é a grande meta que todos perseguem. Pelo menos, 
diminuir-lhe a intensidade ou acalmá-lo, de modo a poder fruir os prazeres da existência e 
incensantes variações.
Imediatista, interessa-lhe o hoje, sem visão do porvir.
Como efeito, o sofrimento tem sido considerado vingança ou castigo divino, portanto, credor 
de execração e ódio.
Nas variadas mitologias, as figuras de deuses invejosos quão despeitados, infligindo 
punições às criaturas e comprazendo-se ante as dores que presenciam, são a resposta ancestral para 
o sofrimento na Terra.
Diversas escolas filosóficas e doutrinas religiosas, de alguma forma concordes com essas 
absurdas conceituações, estabeleceram métodos depuradores para a libertação do sofrimento, que 
vão desde as mais bárbaras flagelações – silícios, holocaustos, promessas e oferendas – ao 
ascetismo mais exacerbado, procurando negar o mundo e odiá-lo, a fim de, com essas atitudes, 
acalmarem e agradarem aos deuses ou a Deus.
Paralelamente, o estoicismo, herdeiro de alguns comportamentos orientais, tentou imunizar 
o homem, estimulando-o a uma conduta de graves sacrifícios que, sem embargo, é desencadeadora 
do sofrimento.
Para libertar-se desse adversário, a criatura impõe-se outras formas de dor, que aceita 
racionalmente, por livre opção, não se dando conta do equívoco em que labora.
A dor, porém, não é uma punição. Antes, revela-se um excelente mecanismo da vida a 
serviço da própria vida.
Fenômeno de desgaste pelas alterações naturais da estrutura dos órgãos – à medida que a 
energia se altera advém a deterioração do invólucro material que ela vitaliza – essa disjunção faz-se 
acompanhada pelas sensações desagradáveis da angústia, desequilíbrio e dor, conforme seja a área 
afetada no indivíduo.
Desse modo, é inevitável a ocorrência do sofrimento na Terra e nas áreas vibratórias que 
circundam o planeta, nas quais se movimentam os seus habitantes. Ele faz parte da etapa evolutiva 
do orbe e de todos quantos aqui estagiam, rumando para planos mais elevados.
Na variada gênese do sofrimento, todo esforço para mitigá-lo, sem a remoção das causas, 
não logrará se não paliativos, adiamentos. Mesmo quando alguma injunção premie o enfermo com 
uma súbita liberação, se a terapia não alcançou as razões que o desencadeiam, ele transitará de uma 
para outra problemática sem conseguir a saúde real.
Isso porque, em todo processo degenerativo ou de aflição, o Espírito, em si mesmo, é 
sempre o responsável, consciente ou não. E, naturalmente, só quando ele se resolve pela harmonia 
interior, opera-se-lhe a conquista da paz.
Em tal situação, mesmo ocorrendo os processos transformadores da ação biológica, o 
sofrimento disso decorrente não afeta a emoção nem se transforma em causa de danos. À 
semelhança de outros automatismos fisiológicos, consciência não lhe registra a manifestação.
*) Oportunamente, fizemos um breve estudo sobre o sofrimento em nosso livro mediúnico O 
Homem Integral, capítulo 8 – itens: Os sofrimentos humanos e Recursos para a libertação dos 
sofrimentos. Livraria Espírita Alvorada – Editora. (Nota da Autora Espiritual)
Plenitude 11
O sofrimento, portanto pode e deve ser considerado uma doença da alma, que ainda se atém 
às sensações e opta pelas direções e ações que produzem desequilíbrio. Nessa fase, dos interesses 
imediatos, todo um emaranhado de paixões primitivas propele o ser na direção do gozo, sem a ética 
necessária ou o sentimento de superior eleição, e o atira nis cipoais dos conflitos que geram a 
desarmonia das defesas orgânicas, as quais cedem à invasão de micróbios e vírus que lhes destroem 
a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores.
Da mesma forma, os equipamentos mentais hipersensíveis desajustam-se, abrindo campo à 
instalação das alienações, das obsessões cruéis.
Por extensão, pode-se dizer que sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição 
de cada criatura, mesmo porque, a sua intensidade e duração estão na razão direta da estrutura 
evolutiva, das resistências morais características do seu estágio espiritual.
É a sensibilidade emocional que filtra a dor e a exterioriza. Com ela reduzida, as agressões 
de toda ordem recebem resposta de violência e agressividade.
Nas faixas mais primitivas da evolução, os fenômenos dor, desgaste, envelhecimento e 
morte, porque quase destituídos os seres de raciocínio e emotividade, que ainda se lhes encontram 
em germe, seguem uma linha direcional automatista, na qual as exceções atestam o trânsito da 
essência psíquica para estágios mais elevados.
Decorre disso que o sofrimento é maior nas áreas moral e emocional, que somente se 
encontram nos portadores de mais alto grau de evolução, de sensibilidade, de amor, capazes de 
ultrapassar tais condições, sobrepondo-se-lhes mediante o controle de que se fazem possuidores, 
diluindo na esperança, na ternura e na certeza da vitória as injunções aflitivas.
Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes, mecanismos de alienação 
que postergam a realidade, somando-se sempre com a sobrecarga das complicações decorrentes do 
tempo perdido. Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa valioso 
recurso de lucidez com efeito terapêutico propiciador de paz.
As reações de ira, violência e rebeldia ao sofrimento mais o ampliam, pelo desencadear de 
novas desarmonias em áreas antes não afetadas.
A resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de o 
enfrentar e remover-lhe a causa, representa avançado passo para a sua solução.
É de insuspeitável significação positiva o equilíbrio mental e moral diante do sofrimento, o 
que consegue por meio do treinamento pela meditação, pela oração, que defluem do conhecimento 
que ilumina a consciência, orientando-a corretamente.
Conhecer-se, na condição de Espírito imortal em processo evolutivo mediante as 
experiências reencarnatórias, representa para o homem alta aquisição de valores para compreender, 
considerar e vencer o sofrimento, que faz parte do modus operandi de todos os seres.
Muitas pessoas advogam que o sofrimento é a única certeza da vida, se compreenderem que 
ele está na razão direta da conduta remota ou próxima mantida para cada qual.
Pode-se dizer, portanto, que a sua presença resulta do distanciamento do amor, que lhe é o 
grande e eficaz antídoto.
Interdependentes, o sofrimento e o amor são mecanismos da evolução. Quando um se afasta, 
o outro se apresenta. Às vezes, coroando a luta, na reta final, ei-los que surgem simultaneamente, 
sem os danos que normalmentedesencadeiam.
Acima de todos eles, porém, destaca-se o exemplo de Jesus, lecionado, pelo amor, a vitória 
sobre o sofrimento durante toda a Sua vida, principalmente nos momentos culminantes do 
Getsêmani ao Gólgota, e daí à ressurreição...
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Plenitude 12
“Os fenômenos da vida podem ser comparados a um sonho, a um fantasma, a uma bolha, a uma 
sombra, a uma orvalhada cintilante ou a um raio luminoso, e como tal deveria ser contemplados”
Buda (O Sutra Imutável) 
Plenitude 13
II – Análise dos Sofrimentos
Buda ensinava que a única função da vida é a luta pela vitória sobre o sofrimento. Empenhar-se em 
superá-lo deve ser a constante preocupação do homem.
Após tentá-lo mediante o ascetismo mais austero e as disciplinas mais rígidas, o jovem 
Guatama afastou-se do monastério com alguns candidatos desanimados e foi meditar calmamente, 
logrando a Iluminação.
Estabeleceu a teoria do 'caminho do meio' para alcançar a paz. Nem mais a austeridade 
cruel, nem as dissipações comuns, mas o equilíbrio da meditação.
Voltou-se então para a libertação dos homens e estabeleceu as quatro Nobres Verdades: o 
sofrimento, suas origens, a cessação do sofrimento e os caminhos para a libertação do sofrimento.
Segundo as suas reflexões, o sofrimento se apresenta sob três formas diferentes: o 
sofrimento do sofrimento: o sofrimento da impermanência e o sofrimento resultante dos 
condicionamentos.
O sofrimento do sofrimento é resultado das aflições que ele mesmo proporciona.
A dor macera os sentimentos, desencoraja as estruturas psicológicas frágeis, infelicita, leva a 
conclusões falsas e estimula os estados da exaltação emocional ou de depressão conforme a 
estrutura íntima de cada vítima.
Apresente-se sob dois aspectos: físico e mental, na imensa área das patologias geradoras de 
doenças. Nesse caso, o sofrimento é como uma doença e resultado dela.
As doenças, porém, são inevitáveis na existência humana, em razão da constituição 
molecular do corpo, dos fenômenos biológicos a que está sujeito nas suas incessantes 
transformações.
A abrangência da ação da matéria sobre o Espírito, particularmente nos estágios mais 
primitivos, enseja sofrimentos constantes em face das doenças físicas contínuas e das distonias 
mentais frequentes.
À semelhança do buril agindo sobre a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos 
buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que a 
encarcera.
Nessa área, a ciência médica alcançou um elevado patamar do conhecimento, debelando 
antigas enfermidades que dizimavam milhões de existências e alucinavam multidões.
A lucidez do diagnóstico, a habilidade cirúrgica, a farmacopéia rica e as diversas terapias 
alternativas, têm contribuído com um grande contingente de socorro para atender os enfermos. 
Embora os surtos periódicos de antigos males e o surgimento de outros que a imprevidência gera, 
essa conquista expressiva contribui para que tal sofrimento seja atenuado.
Na área das psicologias a visão humana é hoje mais benigna do que no passado, 
considerando o enfermo mental um ser humano, e como tal prossegue, ainda que momentaneamente 
tenha perdido a identidade, o equilíbrio, com o direito de receber assistência, oportunidade e amor.
Multiplicaram-se lamentavelmente, porém, os distúrbios existenciais, comportamentais, na 
área psicológica, nascendo a chamada geração neurótica perdida no mare magnum das vítimas do 
sexo em desalinho, das drogas alucinantes, da violência e agressividade urbanas, do cinismo 
desafiador.
Os avanços tecnológicos não bloquearam os corredores do desespero; e as guerras contínuas 
fomentaram o medo, a insatisfação, o desespero, as fugas emocionais.
A juventude insegura tornou-se-lhe a grande vítima a um passo da depressão, da loucura, do 
suicídio.
Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos 
psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.
Mobile User
Plenitude 14
A mole humana passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.
A doença, todavia, é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade 
emocional do Espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais micro-organismos 
devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células 
quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita. Causam fraqueza física e mental, 
favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os 
medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte 
conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.
Momentaneamente, om a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, 
porém, a situação, em outro quadro patológico mais tarde.
A conduta moral e mental dos homens, quando cultivas as emoções da irritabilidade, do 
ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com 
vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo 
para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali 
se instalam. 
Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas 
profundas das enfermidades.
A cura sempre provém da força da própria vida, quando canaliza corretamente.
As tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças – 
sofrimento que gera sofrimento.
O homem, desde as suas origens sociais, aprende a ter medo, a conservar mágoas, a 
desequilibrar-se por acontecimentos de somenos importância, desarticulando o seu sistema 
energético. Passa de um aborrecimento para outro, cultivando vírus emocionais que facultam a 
instalação dos outros, degenerativos, responsáveis pelo agravamento das suas doenças.
Os condicionamentos, as ideias pessimistas, as crenças absurdas, as ações vexatórias são 
responsáveis pelas tensões que levam à desarmonia.
Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a 
sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.
As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve 
auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.
De imediato há o prazer que gera sofrimento.
O cotidiano demonstra que abusca insaciável do prazer constitui um tormento que aflige sem 
compensação. Quando se tem a oportunidade de fruí-lo, constata-se que o preço pago foi muito alto 
e a sensação conseguida não recebeu retribuição correspondente.
Ademais, há aquisições que proporcionam prazer em um momento para logo se 
transformarem em dores acerbas. E o responsável por esse resultado é a ilusão.
A maioria dos sofrimentos decorre da forma incorreta por que a vida é encarada. Na sua 
transitoriedade, os valores reais transcendem ao aspecto e à movimentação que geram prazer.
Esse é o sofrimento da impermanência das coisas terrenas. Esfumam-se como palha ao fogo, 
atiçado pelo vento, logo se transformando em cinza flutuando no ar. 
Para conseguir desfrutar de determinado prazer o indivíduo investe além das possibilidades, 
constatando, depois, quantas dificuldades tem a enfrentar para manter essa conquista.A luta para 
possuir um automóvel último modelo expõe-no a compromissos pesados para o futuro. A 
imaginação estimula-o com a ilusão da posse para averiguar, passado o prazer, que não tem 
condições para preservar o veículo adquirido, ou os móveis, ou a residência, enfim, tudo quanto é 
impermanente e brilha com atração apenas por um dia...
Medidas as possibilidades sem sacrifícios, é factível constatar até onde pode aventurar-se, 
sem os riscos de sofrer dores e arrependimentos tardios.
Essa visão correta, realista, que se adquire da existência, emoldura-a de harmonia. No 
entanto, a fantasia injustificada responde pelo choque inevitável com a realidade.
Plenitude 15
Certamente, cautela nas decisões não se pode converter em medo de agir, em cultivo de 
pessimismo para o futuro. São a ambição irrefreada, a precipitação, a falta de controle para o prazer 
que gera dor.
Aí estão os vícios sociais e morais estiolando vidas, longo prazo conduzindo à loucura, ao 
autocídio. São alguns deles o inocente cigarro de exibição no grupo social como afirmação da 
personalidade, eliminação de tabu, respondendo por graves problemas respiratórios, cânceres, 
enfisemas pulmonares; o prazer etílico gerador de ressacas tormentosas, cirroses hepáticas, úlceras 
gástricas e duodenais, distúrbios intestinais e outros, além das alucinações que levam à violência, à 
depressão, à destruição de outras vidas e tudo quanto é caro, precioso, com resultados funestos; as 
drogas, que escravizam, iniciando-se as dependências nas primeiras tentativas que parecem 
proporcionar o prazer, estimulando a alegria, a coragem, a realização, vitórias fugidias sobre os 
fortes conflitos psicológicos, logo se convertendo em desgraças, às vezes, irremediáveis...
O engano de considerar-se invencível, superior, provando o desconhecimento da fragilidade 
e da impermanência do conjunto que o constitui, especialmente de seu corpo, faculta, ao ser, prazer 
mentiroso, que o desperta sob grande sofrimento.
Ninguém escapa às conjunturas que constituem a vida. Programada de forma a educar e 
fortalecer, seus aprendizes não pudem burlar indefinidamente.
Enfrentar as vicissitudes e superar os valores indicativos de prosperidade, de prazer 
injustificável, eis como poupar-se ao sofrimento. É certo que um número significativo de prazeres 
se apresenta, sem riscos de converter-se em fator afligente.
O sofrimento, portanto, quando se tem dele consciência, é facilmente evitável.
O sofrimento resultante do condicionamento abarca a educação incorreta, a convivência 
social pouco saudável, que propiciam agregados físicos e mentais contaminados.
A escala de valores, para muitos indivíduos, apresenta-se invertida, tendo por base o 
imediato, o arriscado, o vulgar e o promíscuo, o poder transitório, a força, como revelantes para a 
vida. Os seus agregados, sob altas cargas de contaminação, produzem sofrimentos de largo porte.
Ao mesmo tempo, a contaminação psíquica e física, derivadas dos condicionamentos 
doentios dos grupos sociais e dos indivíduos, promove sofrimentos que poderiam ser evitados.
A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por 
contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedam da sua conduta 
mental e moral edificante.
O homem vive na Terra soba a ação de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do 
desamor, do insucesso, da morte. Essa conduta é resultado de seu despreparo para os fenômenos 
normais da existência, que deve encarar como processo da evolução.
Herdeiro da própria consciência, é também legatário dos atavismos sociais, dos hábitos 
enfermos, entre os quais se destacam esses pavores que resultam das superstições, desinformações e 
ilusões ancestrais, formando os condicionamentos perturbadores.
Absorvendo e impregnando-se desses fatores negativos, os sofrimentos apresentam-se-lhe 
inevitáveis, produzindo distúrbios psicológicos, mentais e físicos por somatização automática.
A educação calcada nos valores éticos-morais, não-castradora, que estimule a consciência do 
dever e da responsabilidade do indivíduo para com ele próprio, para com o seu próximo e para com 
a vida, equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito equilibrado pela existência 
física. Esse conhecimento prepara-o para que saiba selecionar o que lhe é útil e saudável, 
ajudando-o no crescimento interior para a sua realização pessoal. Enquanto este discernimento não 
se transformar em força canalizadora para o seu bem, o indivíduo experimentará o sofrimento 
resultante do condicionamento, que lhe advém dos agregados físicos e mentais contaminados.
Plenitude 16
“Os sofrimentos devidos a causas anteriores à existência presente, como os que se originam de 
culpas atuais, são muitas vezes a consequência da falta cometida, isto é, o homem, pela ação de 
uma rigorosa justiça distributiva, sofre o que fez sofrer aos outros”
(O evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec,
52ª edição, FEB, Cap.V, item 7.) 
 
Plenitude 17
III – Origens do Sofrimento
Ainda segundo o budismo, as origens do sofrimento se apresentam por meio de condições 
internas e extras, resultando daí outras duas ordens: as cármicas e as emoções perturbadoras.
Indubitavelmente, conforme acentua a doutrina Espírita, o homem é a síntese das suas 
próprias experiências, autor do seu destino, que ele elabora mediante os impositivos do 
determinismo e do livre-arbítrio.
Esse determinismo – inevitável apenas em alguns aspectos: nascimento: morte, reencarnação 
– estabelece as linhas matrizes da existência corporal, propelindo o ser na direção da sua fatalidade 
última: a perfeição relativa. Os fatores que programam as condições do renascimento do corpo 
físico são o resultado dos atos e pensamentos das existências anteriores. Ser feliz quanto antes ou 
desventurado por largo tempo depende do livre-arbítrio pessoal. A opção por como e quando agir 
libera o Espírito do sofrimento ou agrilho-a nas suas tenazes.
A vida são os acontecimentos de cada instante a se encadearem incessantemente. Uma ação 
provoca uma correspondente reação, geradora de novas ações, e assim sucessivamente.
Desse modo, o indivíduo é o resultado das suas atividades anteriores. Nem sempre, porém, 
se lhe apresentam esses efeitos imediatamente, embora isso não o libere dos atos praticados.
É possível que uma experiência fracassada ou danosa, funesta ou prejudicial se manifeste a 
outras pessoas como ao seu autor por meio dos resultados, após a próxima ou passadas algumas 
reencarnações. Esses resultados, no entanto, chegarão de imediato ou em mais tardio tempo. O certo 
é que virão em busca da reparação indispensável.
Da mesma forma, as construções do bem se refletirão no comportamento posterior do 
indivíduo, sem que, necessariamente, tenham caráter instantâneo. O fator tempo, na sua 
relatividade, é de somenos importância.
Portanto, os sofrimentos humanos de natureza cármica podem apresentar-se sob dois 
aspectos que se complementam: provação e expiação. Ambos objetivam educar e reeducar, 
predispondo as criaturas ao inevitável crescimento íntimo, na busca da plenitude que as aguarda.
A provação é a experiência requerida ou proposta pelos Guias espirituais antes do 
renascimento corporal do candidato, examinadas as suas fichas de evolução, avaliadas as suas 
probabilidades de vitóriae os recursos ao seu alcance para o cometimento. Apresenta-se como 
tendências, aptidões, limites e possibilidades sob controle, dores suportáveis e alegrias sem exagero, 
que facultem a mais ampla colheita de resultados educativos. Nada é imposto, podendo ser alterado 
o calendário das ocorrências, sem qualquer prejuízo para a programação iluminativa do aprendiz.
No mapa dos compromissos, não figuram as injunções mais aflitivas nem as conjunturas 
traumatizantes irreversíveis.
As opções de como agir multiplicavam-se favoravelmente, de forma que, havendo arestas a 
aplainar, esse trabalho não impõe uma ação imediata pelo sofrimento.
A ação do amor brinda o ser com excelentes ensanchas de alterar para melhor o seu 
desempenho e as suas atividades, constituindo-lhe suportáveis provas o malogro de alguma 
aspiração, o desafio ante algumas metas que lhe parecem inalcançáveis, as dores dos processos de 
desgaste orgânico e mental, sem as quedas profundas nos calabouços das paralisias, das alienações, 
das doenças irrecuperáveis.
Se tal suceder, ainda poderemos catalogar como escolha pessoal, por acreditar o candidato 
ser esse o meio mais eficaz para a sua felicidade próxima, liberando-se da canga rude da 
inferioridade moral.
Poder-se-á identificar essa providencial escolha, na resignação e coragem demonstradas pelo 
educando e até mesmo na sua alegria diante das ocorrências dolorosas.
As provações se manifestam, dessa forma, de maneira suave, lenificadora no seu conteúdo e 
abençoada nas suas finalidades. Sem o caráter punitivo, educam de forma consciente, incitando ao 
Plenitude 18
aproveitamento da ocasião em forma eficiente e mais lucrativa, com o que equipam aqueles que as 
experimentam, para que se convertam em exemplos, apóstolos do amor, do sofrimento, 
missionários do bem, mártires dos ideais que esposam, mesmo que no anonimato dos testemunhos, 
sem pre se tornando modelos dignos de ser imitados por outras pessoas.
As provações mudam de curso, suavizando-se ou agravando-se conforme o desempenho do 
Espírito.
A eleição de certas injunções mais difíceis no processo evolutivo representa um ato de 
sabedoria, tendo-se em vista a rapidez da existência corporal e os benefícios auferidos que são de 
duração ilimitada.
Considerando-se a vida sob o ponto de vista causal, das suas origens eternas, as ocorrências 
na esfera física são de breve duração, não se alongando mais do que um curto período que, 
ultrapassado, deixa as marcas demoradas de como foram vivenciadas. Valem, portanto, quaisquer 
empenhos, os sacrifícios, as provas e testes que recompõem os tecidos dilacerados da alma, 
advindos das anteriores atitudes insensatas.
Toda aprendizagem propõe esforço para ser assimilada e toda ascensão exige o contributo da 
persistência, da força e do valor moral.
Os compromissos negativos, pois, ressurgem no esquema da reencarnação como provações 
lenificadoras, que o amor suaviza e o trabalho edificante consola.
As expiações, todavia, são impostas, irrecusáveis, por constituírem a medicação eficaz, a 
cirurgia corretiva para o mal que se agravou.
Semelhante ao que sucede na área civil, o delinquente primário tem crédito que lhe suaviza a 
pena e, mesmo ante os gravames pesados, logra certa liberdade de movimento sem a ter totalmente 
cerceada. O reincidente é convidado à multa e prisão domiciliar, conforme o caso, no entanto, 
aquele que não se corrige é conduzido ao regime carcerário e, diante de leis mais bárbaras, à morte 
infamante.
Guardadas as proporções, nos primeiros casos, o infrator espiritual é conduzido a provações, 
enquanto que, na última hipótese, à expiação rigorosa. Porque o amor de Deus vige em todas as 
Suas leis, mais justas do que as dos homens, seja qual for o crime, elas objetivam reeducar e 
conquistar o revel, não o matando, isto é, não o extinguindo. Jamais intentam vingar-se do 
alucinado, antes buscam recuperá-lo, porque todos são passíveis de reabilitação.
O encarceramento nas paresias, limitações orgânicas e mentais, as paralisias, as patologias 
congênitas sem possibilidade de reequilíbrio, certos tipos de loucura, de cânceres, de enfermidades 
degenerativas se transformam em recurso expiatório para o infrator reincidente que, no educandário 
das provações, mais agravou a própria situação, derrapando para os abismos da rebeldia e da 
alucinação propositais. Entre esses, suicidas premeditados, homicidas frios, adúlteros contumazes, 
exploradores de vidas, vendedores de prazeres viciosos, tais como as drogas alucinógenas, o sexo, o 
álcool, os jogos de azar, a chantagem e muitos artigos da crueldade humana catalogados nos 
Estatutos Divinos.
Cada ser vive com a consciência que estrutura.
De acordo com os seus códigos, impressos em profundidade na consciência, recolhe as 
ressonâncias como experiências reparadoras ou propiciatórias de libertação.
Há, em nome do amor, casos de aparentes expiações – seres mutilados, surdos-mudos, cegos 
e paralisados, hansenianos e aidéticos, - entre outros, que escolheram essas situações para 
lecionarem coragem e conforto moral aos enfraquecidos na luta e desolados na redenção.
Jesus, que nunca agiu incorretamente, é o exemplo máximo.
Logo após, Francisco de Assis, que elegeu a pobreza e a dor para ascender mais, não 
expurgava débitos, antes demonstrava-lhes a grandiosidade dos benefícios.
Hellen Keller, Steinmetz e muitos outros heróis de ontem como de hoje são lições vivas do 
amor em forma de abnegação, convidando à felicidade e ao bem.
As expiações podem ser atenuadas, não, porém, sanadas.
Plenitude 19
Enquanto as provações constituem forma de sofrimento reparador que promove, as 
expiações apenas restauram o equilíbrio perdido, reconduzindo o delituoso à situação em que se 
encontrava antes da queda brutal.
Transitam, ainda, na Terra, portadores de expiações que não trazem aparência exterior. São 
os seres que estertoram em conflitos cruéis, instáveis e insatisfeitos, infelizes e arredios, carregando 
dramas íntimos que os estiolam, afligindo-os sem cessar. Podem apresentar aparência agradável e 
conquistar simpatia, sem que se liberem dos estados interiores mortificantes.
A consciência não perdoa, no que concerne a deixar no alvido o crime perpetrado. O seu 
perdão se expressa mediante a reabilitação do infrator.
As origens do sofrimento estão sempre, portanto, naquele que o padece, no recôndito do seu 
ser, nos painéis profundos da sua consciência.
Ao lado das origens cármicas do sofrimento, surgem as causas atuais, quando o homem o 
busca mediante a irresponsabilidade, a precipitação, a prevalência do egoísmo que o incita à escolha 
do melhor para sim em detrimento do seu próximo. Essa atitude se revela em forma de emoções 
perturbadoras, que o aturdem na área das aspirações e se condensam em formas de aflição.
As emoções perturbadoras galvanizam o homem contemporâneo, mais do que o de ontem, 
em razão dos conflitos psicossociais, socioeconômicos, tecnológicos e outros...
Os impulsos e lutas que induzem o indivíduo à perda da individualidade, escravizando-o aos 
padrões de conveniência vigente, são relevantes como desencadeadores do sofrimento.
Também a perda do senso de humor torna a criatura carrancuda e artificial, gerando emoções 
perturbadoras.
A ausência da liberdade pelas constrições de toda ordem igualmente proporciona sofrimento.
Esses fenômenos psicológicos, no campo do comportamento, propiciam emoções afligentes 
tais como: o desejo, o ofuscamento, o ódio, a frustração.
Porque não se sabe distinguir entre o essencial eu supérfluo,o que convém e aquilo que não 
é lícito conseguir, o homem extrapola nas aspirações e atormenta-se pelo desejo malconduzido, 
ambicionando além das possibilidades e transferindo-se de uma para outra forma de amargura.
O desejo é um corcel desenfreado que produz danos e termina por ferir-se, na sua correria 
insana.
A primeira demonstração de lucidez e equilíbrio da criatura é a satisfação ante tudo quanto a 
vida lhe concede. Não se trata de uma atitude conformista, sem a ambição racional de progredir, 
mas, sim, de uma aceitação consciente dos valores e recursos que lhe chegam, facultando-lhe 
harmonia interior e bem-estar na área dos relacionamentos, no grupo social no qual se situa.
Toda vez que o desejo exorbita, gera sofrimento, em razão de tornar-se uma emoção 
perturbadora forte, que desarticula as delicadas engrenagens do equilíbrio.
Narra-se que a infelizmente célebre Messalina, após uma larga noite de desejos e orgia, foi 
interrogada por Cláudio, ao amanhecer, igualmente aturdido: - “Estás satisfeita?” Ao que ela teria 
redarguido: “Não; cansada!” 
Febre voraz, o desejo faz arder as energias, aniquilando-as. Sempre se transfere de uma para outra 
área, por conduzir o combustível da insatisfação. Males incontáveis se derivam da sua canalização 
equivocada, em face das suas nascentes no egoísmo, este câncer do Espírito, responsável por danos 
contínuos no processo da evolução do ser.
Mesmo na realização edificante, o desejo tem que ser conduzido com equilíbrio, a fim de 
não impor necessidades que não correspondem à realidade. O ideal do bem, o esforço por 
consegui-lo expressam-se de forma saudável quão gratificante, tornando-se estímulo para o 
desenvolvimento constante dos germes que dormem na criatura, aguardando a eclosão dos fatores 
que lhes são propiciatórios.
Como efeito do desejo, o ofuscamento, que decorre da presunção e do orgulho, é causa de 
sofrimentos, em razão do emaranhado de raízes na personalidade do homem ambicioso e 
deslumbrado, como Narciso ante a própria imagem refletida no lago.
Plenitude 20
As ilusões da prosperidade econômica e social, cultural e política induzem o insensato ao 
ofuscamento, por permitirem-lhe acreditar-se superior aos demais, inacessível ao próximo, 
colocando b
barreiras no relacionamento com as outras pessoas que lhe pareçam de menor status, qual se estas 
lhe ameaçassem a situação de destaque. Ignoram os fenômenos biológicos inevitáveis da 
enfermidade, velhice e morte, ou anestesiam a consciência para não pensarem nas ocorrências do 
insucesso, da mudança de situação, das surpresas do cotidiano.
Todos esses fatores são motivos de sofrimento, quando se pretende manter a posição de 
relevo, quando se teme perdê-la e quando isso acontece.
O ofuscamento desgoverna inumeráveis existências que se permitem as fantasias do trânsito 
orgânico, sem a claridade que discerne entre as reais e as falaciosas metas da vida.
Na mesma trilha, ressalta o domínio do ódio nas passagens dos sofrimentos humanos. As 
suas irradiações destrutivas comburem as energias de quem o sustenta, enquanto, muitas vezes, 
atingem aqueles contra quem se dirigem, caso permaneçam distraídos dos deveres relevantes ou em 
faixas mentais equivalentes.
Loucura do amor não atendido, o ódio revela a presença predominante dos instintos 
agressivos vigentes, suplantando os sentimentos que devem governar a vida.
Jamais havendo motivo que lhe justifique a existência, o ódio é responsável pelas mais 
torpes calamidades sociais e humanas de que se tem conhecimento.
Quando se instala com facilidade, expande as suas raízes como tenazes vigorosas, que 
estrangulam a razão, transformando-se em agressividade e violência, em constante manifestação.
Em determinados temperamentos, é qual uma chispa insignificante em um monte de feno, 
produzindo um incêndio devorador. Por motivo de somenos importância, explode e danifica em 
derredor.
O ódio é causador de muitos sofrimentos.
Todo o empenho deve ser enviado para desarticulá-lo onde se apresente e instale; sem esse 
trabalho, ele se irradia e infelicita.
Pestilencial, ele contamina com facilidade, travestindo-se de irritação, ansiedade, revolta e 
outros danosos mecanismos psicológicos reagentes.
A frustração, por sua vez, responde por sofrimentos que seriam evitáveis, não fossem as 
exageradas esperanças do homem, as suas confusas ideias de automerecimento, que lhe infundem 
crenças falsas nas possibilidades que não lhe estão ao alcance.
Porque se supõe credor de títulos que não possui, a criatura se frustra, entregando-se a 
reações inesperadas de depressão ou cólera, fugindo da vida ou atirando-se, rebelde, contra ela e os 
seus valores.
Quando o homem adquire a medida do pouco ou quase nenhum merecimento pessoal, 
equipa-se de harmonia e fé, de coragem e paz para enfrentar as vicissitudes e superá-las, nunca se 
permitindo malograr nos empreendimentos. Se esses não oferecem os resultados desejados, como é 
natural, insiste, persevera, até a constatação de que outro deve ser o campo de atividade a 
desenvolver ou até receber a resposta favorável do trabalho envidado.
O amor é o antídoto para todas as causas do sofrimento, por proceder do Divino Psiquismo, 
que gera e sustenta a vida em todas as suas expressões.
Luarizado pelo amor, o homem discerne, aspira, age e entrega-se em confiança, irradiando 
energia vitalizadora, graças a qual se renova sempre e altera para melhor a paisagem por onde se 
movimenta.
O amor é sempre o conselheiro sábio em qualquer circunstância, orientando com eficiência e 
produzindo resultados salutares, que propelem ao progresso e à felicidade.
Na raiz de qualquer tipo de sofrimento sempre será encontrado como seu autor o próprio 
Espírito, que se conduziu erroneamente, trocando o mecanismo do amor pela dor, no processo da 
Plenitude 21
sua evolução.
A fim de apressar a recuperação, eis que se inverte a ordem dos acontecimentos, sendo a dor 
o meio de levá-lo de volta ao amor, por cuja trilha se faz pleno.
Plenitude 22
“O homem tem de lutar com o problema do sofrimento. O oriental que livrar-se do sofrimento, 
expulsando-o ;
o ocidental procura suprimi-lo com remédios. Mas o sofrimento precisa ser superado, e o 
único meio de superá-lo é suportando-o. Aprendemos isso somente com Ele (o 
Cristo Crucificado).”
Carl Gustav Jung (Letters) Princeton
Princeton University Press, 1973-vol.I, p.236.
Plenitude 23
IV – Cessação do Sofrimentos
Na condição de enfermidade, o sofrimento, para ser curado, encontra diversos meios 
eficazes. Alguns o atenuam, outros são inócuos, e raros se apresentam como de eficiência 
incontestável.
A cura real, porém, somente se concretizará se a terapia extirpa-lhe as causas. Enquanto não 
se extingam as suas fontes geradoras, ele se manifestará inevitavelmente.
Desde que o mau uso da razão o origina, é indispensável agir no fulcro do seu 
desencadeamento, de modo a fazer cessar a energia que o aciona e vitaliza.
Nos reinos irracionais, nos quais o sofrimento resulta do fenômeno evolutivo através do 
desgaste natural das formas por desestruturação das moléculas e células, o concurso do amor 
humano atenua-lhe a intensidade, alterando o campo e proporcionando lenitivo de equilíbrio ou 
saúde.
O homem, que pensa,é responsável pela preservação da vida, que se manifesta em outros 
matizes e faz parte do conjunto que lhe sustenta a existência, possibilitando a evolução de todos os 
seres e princípios vitais.
Desse modo, os atentados e a desconsideração à ecologia se refletem na vida humana, qual 
ocorre com sua preservação e cuidados. São as ações respondendo pelos seus efeitos.
A fim de que se possa fazer cessar o sofrimento, torna-se imprescindível a aquisição de uma 
consciência responsável, capaz de remontar-lhe às origens, analisá-las e trabalhá-las com 
direcionamento adredemente planejado.
A educação do pensamento, a disciplina dos hábitos e a segurança das metas são os recursos 
hábeis para o logro, sem os quais as terapias e técnicas se tornam paliativas, sem resultarem 
solucionadoras.
Em alguns casos o sofrimento, em si mesmo, ainda é a melhor terapia para o progresso 
humano. Enquanto sofre, o homem menos se compromete, demorando-se em reflexão, de onde 
partem as operações de reequilíbrio. É comum a mudança de comportamento para pior, 
comprometimento parece assaltar o indivíduo imaturo, que parte para futuras situações penosas, 
complicando os parcos recursos de que dispõe. Desse modo, a duração do sofrimento muito 
contribui para uma correta avaliação dos atos a que ele se deve entregar. Porque se origina no 
primitivismo pessoal, pensamentos e ações reprocháveis induzem-no a uma existência infeliz, da 
qual se liberta somente quando se resolve por escalar a montanha do esforço direcionado para a 
evolução, a serenidade, a harmonia, trabalhando os metais grosseiros da individualidade e 
moldando-os no calor do sacrifício.
Sem esse, não há elevação moral, nem compreensão das finalidades da existência terrena.
Insculpidas na consciência, as Divinas Leis propelem a realização do bem que jaz em germe.
A demora pela definição é resultado de um período normal para o amadurecimento que 
faculta eleger o que deve, daquilo que não convém realizar.
A cura de uma enfermidade impõem a extinção das suas causas. Alguém que haja sido 
mordido ou picado por uma áspide ou um inseto venenoso deve, de início, bloquear, mediante 
garrote, a expansão do tóxico, para combatê-lo depois.
Diante de uma pessoa que foi atingida por uma seta envenenada, recomenda antiga 
sabedoria hindu, arranca-se-lhe a flecha primeiro, para depois tornar-se outra providência qualquer.
As setas morais venenosas, cravadas no cerne da alma, enquanto não sejam retiradas, 
continuam resistindo aos antídotos aplicados nos seus danos, por prosseguirem contaminando suas 
vítimas.
Educar a mente, disciplinando a vontade, constitui o passo inicial para extirpar as causas das 
aflições, infundindo responsabilidades atuais, geradoras, por sua vez, de novos resultados saudáveis, 
para propiciarem o futuro bem-estar a que se está fadado.
Plenitude 24
A recomendação de Jesus sobre o amor é de eficácia incontestável, por ser, esse sentimento, 
gerador de valores responsáveis pela felicidade humana. O amor dulcifica o ser e incita-o às atitudes 
edificantes da vida.
Mediante a sua vigência, pensa-se antes de tornar-se decisões, considerando-se quais as que são 
mais compatíveis coma ética e os anseios do próprio coração.
Jamais desejando para o seu próximo o que não gostaria de experimentar, assumem-se 
compromissos de prosperidade, sem prejuízo de natureza alguma para si ou para os outros.
A própria lucidez gerada pelo amor induz ao perdão indiscriminado para todas as pessoas, 
por consequência, para si mesmo.
O ouvido do mal, com abandono do propósitos de vingança, é inadiável para alguém 
liberar-se de expressiva soma de sofrimentos. As ideias deprimentes, acalentadas como resultados 
do ressentimento ou do desejo de retribuição malévola, geram enfermidades que dilaceram os 
tecidos orgânicos e desconcertam os equipamentos emocionais. Enquanto vigem, demoram-se os 
sofrimentos dominadores.
Por sua vez, o remorso e o arrependimento das ações infelizes, a tristeza e os desgostos delas 
derivados constituem fatores mentais dissolventes que se instalam nas engrenagens da alma, 
provocando distúrbios psicológicos, físicos e morais de demorado curso.
O perdão para as faltas alheias luariza a paisagem íntima, clareando as sombras da angústia 
insistente que bloqueia a alegria de viver, produzindo sofrimentos injustificáveis.
Cerrada a porta de uma afeição, agredido por um amigo ou desconhecido, deve-se sempre 
seguir adiante no rumo das outras, das inúmeras portas abertas que nos aguardam, e da 
compreensão fraternal para o o revel, considerando-o um enfermo ignorante do mal que o consome.
A vida são as incessantes oportunidades que surgem pela frente, jamais os insucessos que 
ocorreram no passado.
Assim, libertar-se do acontecimento negativo, qual madeira podre que se arremessa nas 
águas do rio do esquecimento, é atitude de saudável sabedoria.
Tal comportamento credencia o homem a ser perdoado pelo seu irmão, que o libera do 
pagamento dos seus momentos infelizes, não irradiando contra ele pensamentos destrutivos – ideias 
anestesiantes – que sempre são assimilados pelo fenômeno da sintonia mediante a consciência de 
culpa.
Quando alguém se liberta do lixo mental, acumulado pela ignorância e pal futilidade, 
começa o seu restabelecimento espiritual, e toda uma atividade nova se lhe apresenta favorável, 
abrindo-lhe espaço para a saúde.
Nesse grupo de tentames edificantes está o autoperdão.
Considerando a própria fragilidade, o indivíduo deve conceder-se a oportunidade de reparar 
os males praticados, reabilitando-se perante si mesmo e perante aqueles a quem haja prejudicado.
A perfeita consciência do autoperdão não se apóia em mecanismos de falsa tolerância para 
com os próprios erros, que seria negligência moral, conivência e imaturidade, antes representa uma 
clara identificação de crescimento mental e moral, que propicia direcionamento correto dos atos 
para a saúde pessoal e geral.
O arrependimento, puro e simples, se não acompanhado da ação reparadora, é tão inócuo e 
prejudicial quanto a falta dele.
Assim, o complexo de culpa é igualmente danoso, porque não soluciona o mal praticado, 
sendo, ademais, responsável pelo agravamento dos seus maus resultados.
O autoperdão compreende a posição mental a respeito do erro e a satisfação íntima ante a 
possibilidade de interromper o curso dos males causados, como arrancar-lhes as raízes encravadas 
em quem lhes padece a constrição.
Será possível lograr o cometimento por meio de uma análise meticulosa dos fatores que 
levaram à ação reprochável, examinando outras alternativas que não foram utilizadas e que não 
teriam produzidos efeitos negativos, para depois predispor-se à oportuna reconsideração da atitude, 
Plenitude 25
liberando-se da desconfortável injunção de culpa conflituosa.
Se, ante a resolução de auto-renovação, não se encontra a receptividade por parte da vítima, 
não constitua, esta recusa, um novo motivo para atrito, senão estímulo para continuar-se com o 
propósito salutar, revestindo-se de mais paciência e tolerância, a fim de enfrentar-se a reação do 
outro, igualmente enfermo e sem disposição, por enquanto, para liberar-se do mal que o entorpece.
O autoperdão ajuda o amadurecimento moral, porque propicia clara visão da 
responsabilidade, levando o indivíduo a cuidadosas reflexões antes de tomar atitudes agressivas ou 
negligentes, precipitadas ou contraditórias no futuro.
Quando alguém se perdoa, aprende também a desculpar, oferecendo a mesma oportunidade 
ao seu próximo.
O bem-estar que experimentafaculta-lhe a alegria de propiciá-lo ao outro, o ofendido, 
gerando uma aura de simpatia a sua volta, que se converte em clima de libertação do sofrimento.
A cessação real do sofrimento, portanto, dá-se quando, erradicadas as suas causas, 
desaparecem-lhe os naturais fenômenos das consequências.
Plenitude 26
132. “Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?”
Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é 
expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as 
vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda a outro fim a 
encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. 
Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento de harmonia com a 
matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É 
assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”
(O Livro dos Espíritos, A. Kardec. 29ª edição, FEB) 
Plenitude 27
V – Caminhos para a Cessação do Sofrimento
Considerar-se que os sofrimentos são causados pelos desconcertos do Espírito, que 
desarmonizam o fluxo da energia, permitindo a instalação das enfermidades físicas, mentais e 
morais, a forma eficaz para que cessem deve atingir o seu fulcro gerador, graças a cujo 
comportamento será interrompida a onda perturbadora. Na mente lúcida surgirá então a 
tranquilidade, encarregada de produzir a saúde, que se irradiará por todo o organismo, produzindo o 
equilíbrio. Assim, os caminhos constituirão o seu remédio eficiente.
Enquanto não houver uma consciência de saúde real, o ser transitará de um para outro 
sofrimento.
Há pessoas que, embora sem conhecimento das regras que promovem a harmonia íntima, 
gozam de saúde, apresentando-se bem dispostas e fortes. São esses, no entanto, fenômenos 
automáticos do organismo, que se contaminará ou não durante a existência, de acordo com a 
conduta moral e mental que se lhe imprima, permanecendo ou não saudáveis.
A antiga sabedoria budista estabeleceu um sistema de meditação, pelo qual a saúde se instala 
e o sofrimento desaparece.
Jesus, portador de equilíbrio pleno, considerava o amor como a causa única para a realização 
ideal do ser.
A multidão ou ausência do amor a Deus, ao próximo ou a si mesmo, produz a insatisfação, o 
desajuste, o desequilíbrio da energia, tornando-se fator causal de doenças, de sofrimentos.
O desamor é, em realidade, uma doença, cuja manifestação se dá de imediato ou 
posteriormente, assinalando o ser com processos degenerativos da personalidade, que instalam no 
organismo os vírus e bacilos agressivos.
A somatização dos problemas emocionais que decorrem da insegurança e do medo, da 
mágoa e do ódio, do rancor e do ciúme é responsável por graves patologias orgânicas, assim como 
as diversas enfermidades físicas, produzindo distonias emocionais e perturbações psíquicas 
lamentáveis.
Quando o amor, conforme o conceito de Jesus, assenhoreia-se do ser humano, vitaliza-o e 
irradia paz, gerando uma psicosfera rica de vibrações de equilíbrio, graças as quais a saúde se 
exterioriza de forma positiva, inundando a vida de esperança, de altruísmo e de realizações 
edificantes.
O indivíduo saudável em espírito faz-se elemento útil no concerto geral, tornando-se peça 
indispensável ao conjunto social, que progride com os seus esforços em contributos grandiosos, 
dignificadores.
O recolhimento interior, mediante análise profunda os recursos ao alcance, favorece o 
homem para que encontre os meios que fazem cessar o sofrimento.
Partindo de uma outra etapa lógica, ele avança na harmonização interior, à energia que 
preserva a saúde um curso sem bloqueio, portanto, uma irradiação em todos os sentidos, 
intercambiando com a vibração divina, razão essencial da vida.
Inicialmente, deve o homem reconhecer todos os seres como se fossem a manifestação dos 
seus próprios pais, que lhe facultaram a vida física, especialmente a mãe, pelos sacrifícios que se 
impôs durante a gestação, o parto e a alimentação preservadora da vida, nascida nas suas entranhas.
Mesmo quando esta não haja sabido cumprir com os deveres livremente assumidos e 
aceitos, o fato de haver permitido que a vida se manifestasse, concede-lhe crédito para ser exemplo 
a ser considerado.
Transferir para todos os seres vivos a imagem materna, certamente sem a visão psicanalítica 
dos tormentos da libido, porém com sentimentos de respeito e de ternura, constitui o primeiro passo 
para uma auto-realização pessoal, para o equilíbrio da emoção, liberando-se interiormente de 
quaisquer reminiscências amargas ou perturbadoras, que são matrizes ocultas de muitos distúrbios 
Plenitude 28
comportamentais geradores de sofrimentos.
O homem renasce para ser livre, a fim de poder crescer e alcançar o seu fanal maior, que é a 
realização plena. Toda amarra emocional negativa, com a retaguarda do seu processo de evolução, 
torna-se-lhe uma carga constritora, responsável por inúmeros problemas afligentes.
A imagem da mãe, de alguma forma respondendo por muitos conflitos, é também criadora 
de saudáveis estímulos. Seus sacrifícios e dedicação, as horas infindáveis de vigília e de renúncia de 
si mesma em favor da prole, as melodias que cantou nos ouvidos dos recém-nascidos e todas as 
promessas que se foram tornando realidade merecerem ser levadas em conta, repensadas e 
transferidas para todo ser senciente.
Diante de agressões ou submetido a dificuldades pelo seu próximo, irritado ou cínico, 
perverso ou escravocrata, enfermo em qualquer hipótese, deve-se considerá-lo como se fosse a mãe 
em um instante de fraqueza ou cansaço, carente de carinho e amizade. Ao invés da reação também 
agressiva, do repúdio ou indiferença vingadora, a paciência generosa, a oportunidade para reflexão, 
a desculpa sincera, nenhum ressentimento, nem amargura. Esse comportamento libera-o do 
azedume, do ódio e do rancor, responsáveis por enfermidades que se infiltram com facilidade e que 
são difíceis de ser erradicadas.
Num prolongamento da afetividade, a consideração pela mãe-Natureza ressalta como de 
importância fundamental para o equilíbrio ecológico, por consequência, de todos quantos 
contribuem para a sua harmonia.
Ver, portanto, em todos os seres vivos a projeção materna positiva, agradável, proporciona 
forças para a preservação ou restauração da saúde, para a liberação dos sofrimentos e do bem-estar, 
que são condições essenciais para a felicidade.
De imediato, após a reflexão-vivência desse postulado, descobrir a bondade que dorme em 
todos os seres e necessita ser despertada, estimulada, a fim de que frondeje, enflorescendo e 
produzindo frutos bons.
Além e acima das nuvens sombrias há espaços transparentes infinitos, que os limites das 
borrascas não alcançam.
No interior do diamante bruto, escuro e informe, fulgura uma estrela que aguarda ser 
arrancada a golpes de cinzel e lâminas lapidadoras.
Não há ninguém que não possua bondade interior.
Há, nos refolhos da alma, a presença de Deus como luz coagulada, aguardando os estímulos de fora 
a fim de brilhar com alta potência.
Pessoas agressivas, que se comprazem em atormentar, produzindo sofrimentos, são 
portadoras de muitas doresíntimas, que buscam disfarças sob a máscara da violência, da falsa 
superioridade, da alucinação.
Mesmo os animais selvagens, sob a máscara da violência, da falsa superioridade, da 
alucinação.
Mesmo os animais selvagens, sob domesticação, tornam-se amigos, e recebendo a vibração 
do amor alteram a constituição do instinto agressivo, mudando de comportamento, o que atesta a 
presença do psiquismo divino em germe, em tudo e todos.
Trata-se de uma conquista de sabedoria poder penetrar na bondade latente dos seres, 
buscando sintonizar com esse estado de vida, ao invés de vincular-se apenas às manifestações 
exteriores, às suas reações defensivas-agressivas, que são portadoras de vibrações morbíficas, 
portanto, desencadeadoras de muitos males que respondem pelos sofrimentos.
Da experiência de identificar a bondade nos seres e geral vem a extraordinária conquista de 
descobrir a presença de Deus em toda parte, em todas as criaturas, estabelecendo vínculos 
emocionais de intercâmbio se torne lúcido é empreendimento válido que faculta o progresso dos 
homens, desenvolvendo aptidões mais eloquentes e expressivas.
A vida é um permanente desafio, rica de oportunidades de crescimento e penetração nos seus 
profundos arcanos, que se revelam cada vez mais fascinantes e grandiosos. Por isso, não cessa o 
Plenitude 29
desenvolvimento dos valores intelecto-morais do Espírito na sua faina de evoluir. 
A dor e o sofrimento em geral são estágios mais primitivos do processo de desenvolvimento 
que, mediante as sensações e emoções afligentes, propelem, o ser para outros planos, patamares 
mais elevados, nos quais os estímulos se apresentam de maneira diversa, mais nobremente 
convidativos. Em tudo e em todos jazendo a presença de Deus, é necessário saber descobrir neles a 
bondade que se expressa a sua essência, a sua origem, igualmente presente em todas as vidas.
Nesse estágio, cumpre acentuar o desejo de retribuir essa bondade, essa presença divina.
A harmonia universal resulta da diversidade de formas, de expressões, de apresentações, em 
sutis processos de sintonia, de similaridade.
Da mesma forma, ao ser identificado qualquer valor relevante, especialmente a bondade em 
pessoas e animais, nos elevados objetivos da vida vegetal, é preciso planejar retribuir esse 
sentimento.
Partindo da intenção, deixar crescer o desejo de devolver, por natural fenômeno da 
retribuição, a bondade, já então mais desenvolvida no seu mundo interior.
Do pensamento à palavra, à ação, passo a passo se agiganta a intenção que se converte em 
realidade criadora, retributiva, desenvolvendo recursos de alta magnitude em derredor. Essa 
movimentação de energia positiva é saudável esforço para evitar-se o sofrimento ou dele liberar-se.
A bondade é um pequeno esforço do dever de retribuir com alegria todas as dádivas que o 
homem frui, sem dar-se conta, sem nenhum esforço, por automatismo – como o sol, a lua e as 
estrelas, o firmamento, o ar, as paisagens, a água, os vegetais, os animais – e que, inadvertidamente, 
o homem vem consumindo, poluindo com alucinação, matando com impiedade...
A vida cobra aos seus agressores o preço da interferência negativa na sua ordem e estrutura.
Assim, devolver-lhe a bondade é respeitar-lhe os códigos da existência, da sobrevivência, 
fomentando-lhe o aumento, a continuidade, a própria vida, onde quer que ela se expresse. Essa 
bondade que se pode denominar como deve retributivo, abre espaço ao hábito para outras formas de 
manifestá-la.
Os sentimentos nobres que não são estimulados à ação por largo período embotam-se, 
debilitam-se, quase desaparecem. Desse modo, a bondade cresce por meio do exercício, tornando-se 
um hábito de vida ou desaparecendo por falta de ação.
Optar por agir ou não com bondade é atitude da mente e produzir o bem é do coração.
Há em todo os seres o instinto de conservação da vida e uma natural inclinação par o bem, 
em razão de serem herdeiros de Deus em aprendizagem, na forma da utilização dos recursos à sua 
disposição.
A escolha do rumo a seguir depende do interesse imediato de resultados ou da lúcida 
preferência de frutos posteriores duradouros, mediante a renúncia do momento.
A ascese longa e, às vezes, difícil, será lograda fatalmente, em face da destinação assinalada 
para todos os seres. Torná-la iluminada e agradável deve ser a opção de todos quantos pensam e 
anelam por fazer cessarem os próprios sofrimentos.
O exercício da bondade faculta campo para a vigência do amor, cuja conquista plena coroa a 
vida, libertando- de todas as algemas que a retêm. O amor é a vibração do Pai expandindo-se na 
direção do filho e dele se exteriorizando em todas as direções. Mesmo nos indivíduos mais cruéis, 
nos verdugos mais insensíveis, vigem os lampejos do amor em ondas de ternura, gestos de carinho, 
expressões de sacrifício...
Preservando a vida de prole, as feras se expõem por instinto, traindo a presença imanente do 
amor em forma irracional.
No homem, o amor esplende e cria o heroísmo, o holocausto, o sacrifício com que a vida se 
engrandece e triunfa sobre a morte, qual dia perene sobre a noite transitória.
O exercício do amor, dilatando o sentimento que se harmoniza com a alma da vida em tudo 
pulsando, favorece a cessação do sofrimento, acaso existente. É o antídoto mais poderoso para 
quaisquer fenômenos degenerativos, em forma de dor ou ingratidão, agressividade ou desequilíbrio, 
Plenitude 30
crime ou infâmia. Ele possui os ingredientes que diluem o mal e favorecem o surgimento do bem 
oculto.
Onde viceja o progresso, o amor se manifesta. Há exceções, como no caso do crescimento 
horizontal, em que o interesse e a ganância fomentam o desenvolvimento econômico, tecnológico e 
social... Mesmo aí, o amor se encontra presente, embora direcionado para o egoísmo, a satisfação 
dos próprios sentidos, de onde partirá para os gestos altruísticos, que proporcionam a alegria de 
outrem, o bem-estar geral...
Sem o passo inicial, ninguém vence as distâncias.
O egoísmo é a estaca zero, às vezes perniciosa, para ensejar os primeiros movimentos no 
rumo da solidariedade, do bem comum. Pior que ele é o desinteresse, a morbidez da indiferença, 
deixando transparecer que o amor está morto, não obstante se encontre dormindo, aguardando o 
estímulo correspondente para despertar.
A vida é impossível sem o amor.
Da mesma forma que o crime se disfarça e os sentimentos inferiores se escamoteiam sob 
máscaras diversas, há várias expressões positivas que surgem no homem refletindo o amor de que 
ele ainda não se deu conta. À medida que se agiganta, neutraliza o sofrimento e a sua vigência 
contribui para que cessem as causas degenerativas que facultam o sofrimento. Quando atinge 
elevada qualidade, em somente uma pessoa, anula a fúria e o ódio com suas incontáveis vítimas, 
bem omo dos seus fomentadores.
Irradiando-se, à semelhança da luz, domina todos os escaninhos e tudo arrasta na direção do 
fulcro gerador da energia.
Amor é sinônimo de saúde moral e quem o possui elimina as geratrizes envenenadas que se 
expandem produzindo sofrimento.
O amor é sutil e sensível, paciente e constante, não se irritando nem se impondo nunca. No 
entanto, quem lhe experimenta o mimetismo, jamais o esquece. Mesmo que momentaneamente lhe 
interrompa o fluxo, ele sempre envolve.
Na raiz de toda ação enobrecida está a seiva do amor, produzindo vida e sustentando-a.
Usar essa energia vital constitui dever e, com a consciência lúcida de sua magnitude, 
aplicá-la em prol da harmonia faz cessar o sofrimento. Ela é vibração positiva, que enseja 
entusiasmoe otimismo, dando colorido à existência. Reverdece a terra cansada do coração e drena o 
charco, no qual a pestilência das paixões deixou que se descompusessem a esperança e a alegria.
Ninguém ama inerte.
Dinâmico, amor induz à ação construtiva, responsável pelo progresso.
Objetivando sempre o bem, concentra suas forças nele e não desiste enquanto não lobriga a 
meta. Ainda aí permanece solidário, de modo a evitar que o ser pereça e tombe no desânimo.
Como o sofrimento decorre da insatisfação, da distonia, da degeneração dos tecidos e dos 
fenômenos biológicos desajustados, o amor age sobre as moléculas como onda vitalizante e, 
restaurando-lhes o equilíbrio, vence o sofrimento, interrompendo-lhe o fluxo causal.
Quando, porém, perseveram as dores físicas, efeitos dos desarranjos orgânicos, a resignação 
e a coragem do amor amortecem-lhes os efeitos, tornando-os suportáveis e produzindo os heróis do 
sofrimento, cujo martírio de qualquer procedência, delas fazem modelos que dão força a dignidade 
às demais criaturas, assim embelezando a vida moral e humana na Terra.
Sob a ação do amor, são processados novos mecanismos cármicos positivos, que 
interrompem aqueles de natureza perniciosa, porquanto o bem anula o mal e suas consequências, 
liberando os infratores das leis, quando eles as recompõem e corrigem os mecanismos que haviam 
desarticulado.
É o amor que leva à piedade fraternal, à compaixão, induzindo o homem à solidariedade e 
mesmo ao sacrifício.
Há um tipo de compaixão que, não resultando da ação dinâmica do amor profundo, pode ser 
perniciosa e até deprimente. Trata-se daquela, que lamenta o sofrimento e descoroçoa quem o 
Plenitude 31
experimenta, como uma forma de aureolá-lo de desdita e abandono, de falta de sorte e desgraça. 
Essa atitude transparece e resulta de uma óptica equivocada sobre o sofrimento, deixando a 
perspectiva equivocada sobre o sofrimento, deixando a perspectiva de que o mesmo é punição 
arbitrária, injustiça perturbadora.
A compaixão junta-se ao companheirismo, que comparte dos sentimentos alheios, sem 
enfraquecer-lhes as resistências morais, incitando o indivíduo à perseverança nos ideais e 
postulados relevantes, que o impulsionam ao incessante avanço, sem possibilidade de retrocesso.
Compaixão pelo bem, fruto do amor, o ser age adequadamente, mudando a estrutura do 
sofrimento, do qual o cinzel, da ternura arranca as asperezas e anfractuosidades. Esse sentimento é 
semelhante à suavidade do luar em noite escura espraiando luz tênue e confortadora sobre a 
paisagem. Faculta uma visão propiciadora de ações úteis, onde predominavam as sombras de 
desalento, do medo e do desespero em crescimento.
A paixão pelo serviço de elevação irradia piedade construtiva, que estimula à beneficência e 
dá calor à filantropia, aureolando-a de vigor fraternal, graças ao qual os sentimentos solidários 
expressam o amor em sua multiface.
A ausência de compaixão envilece o homem e a falta de paixão pelo bem torna o ser revel, 
quando não mantém apenas na indiferença mórbida, qual observador mumificado diante dos 
acontecimentos do cotidiano.
O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade 
que plenifica aquele que recebe o socorro e quem propícia. Enseja a ação de dupla via: a satisfação 
que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranquila 
pela emoção experimentada.
A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida. A cada ação resulta uma 
equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam consequências dessa última, 
por sua vez geradora de novos resultados.
Para que seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo 
próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que 
desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de 
sofrimento.
A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os 
indivíduos uns pelos outros, sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas 
necessidades ou afligindo-se mais por meio dos instintos agressivos, por acaso prevalecentes em 
sua natureza animal.
É de vital importância a compaixão no comportamento humano. Ela conduz à análise a 
respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
Sendo a ilusão um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.
Porque se fantasia a existência terrena com quimeras e sonhos, a realidade, desfazendo essa 
imagem infantil, leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na 
transitoriedade das formas e apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade 
perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crepúsculo no fim da jornada.
Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem 
reserva, sem precaução.
A ilusão é, pois, anestésico para o Espírito.
Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos 
alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia 
movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
Há quem postergue a realidade, evitando-a, para não sofrer... E existem aqueles que 
pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de 
ilusão.
A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da 
Plenitude 32
transitoriedade do chamado mundo objetivo e de uma análise tranquila e lúcida a respeito do que é 
verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos 
objetivos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – 
solidarizando-se com a sua luta e dando-lhe a ao amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que 
prossiga na marcha.
Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da 
morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
Por isso, a compaixão se torna fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural 
dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
Apresenta-se, então, no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com 
abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
Todas as experiências humanas constituem formas de amadurecimento da criatura. Algumas 
decorrem dos deveres imediatos e são comuns a todos, constituindo a sua vivência um fenômeno 
natural, sem o qual se experimenta inevitável alienação com todas as suas consequências 
perniciosas.
O fato de participar do contexto social, mesmo que sem gestos incomuns ou de 
arrebatamento, equipa o indivíduo com recursos emocionais que lhe trabalham a existência, 
aformoseando-a com estímulos crescentes para o seu prosseguimento.
No que tange aos meios para facultarem a cessação do sofrimento, as ações meritórias, 
conforme já enfocadas, são preponderantes, destacando-se aquelas inabituais, que caracterizam os 
temperamentos nobres, os sentimentos abnegados.
Distinguir-se por meio dos gestos incomuns, desconhecidos, é forma de buscar a iluminação 
mediante o concurso da realização de tudo quanto internamente se conjuga para esse fim.
Quem acumulaum tesouro tem em mente aplicá-lo em finalidades específicas. Se portador 
de sabedoria, pensa em multiplicá-lo ao tempo em que o investe, escolhendo os empreendimentos 
mais rentáveis, seja do ponto de vista econômico, assim como de retribuição emocional. Com essa 
atitude promove o progresso, gera oportunidades de serviço e dignifica as vidas que antes estavam 
sob ameaça do desespero e da inutilidade.
Da mesma forma, os recursos espirituais e emocionais elevados devem ser canalizados para 
as atividades incomuns, superiores, as quais nem todos se atrevem a realizar.
As ações incomuns variam desde os contributos materiais valiosos, irrigados de amor e de 
ternura até os gestos extraordinários do silêncio ante as ofensas, do perdão às agressões e do 
esquecimento do mal.
Todo aquele que dilui as forças negativas que teimam, por obstruir-lhe o avanço. 
utilizando-se do detergente do amor, evita contaminar-se, e de já visitado por elas, liberta-se, 
fazendo co isso que cessem as causas e desapareçam os sofrimentos.
O campo mental indefeso faculta que as farpas do mal aí proliferem, infestando a área com 
resíduos pestíferos, responsáveis por males incontáveis.
A defesa, em relação aos fatores perniciosos, é somente possível quando a irradiação de 
energias saudáveis vitaliza a organização psíquica, que reflete as aspirações do Espírito, 
resguardando-a das agressões externas. Não gerando pensamentos destrutivos nem acumulando 
vibrações perturbadoras de ódio, medo, ciúme, rancor, mágoa, concupiscência, não se faz vítima 
dos conteúdos internos degenerativos.
Esse estado interior impulsiona aos atos incomuns superiores, passo próximo da iluminação.
Somente iluminando-se, o homem supera todas as dores; erradicando-lhes as causas, 
resguarda-se de agressões destrutivas.
A iluminação resulta do esforço da busca íntima do ser profundo, opção de sabedoria que é, 
em relação ao ego que prevalece no mapeamento das aspirações humanas mais imediatas, 
portadoras de distúrbios vitais e fragorosas derrotas na luta, que é a breve existência corporal.
Plenitude 33
O desenvolvimento da chama divina imanente em todos os seres merece todos os sacrifícios 
e empenhos, a fim de que arda em todo o seu esplendor, vencendo as teimosas sombras, que são a 
herança demorada das experiências nas faixas primitivas do processo inicial da evolução.
A verdadeira iluminação promove o homem que, superando as contingências-limites da 
estância carnal, anula todas as causas de sofrimentos, fazendo-as cessar. Já não necessita da dor para 
alcançar metas, pois o amor lhe constitui a razão única do existir, em sintonia com o pensamento 
divino que o atrai cada vez com mais vigor para a meta final.
Plenitude 34
VI – Altruísmo
O altruísmo, que é lição viva de caridade, expressão superior do sentimento e amor 
enobrecido, abre as portas à ação, sem a qual não teria sentido a sua existência.
Dilatação da solidariedade, alcança o seu mais significativo mister quando reparte bençãos e 
comparte aflições. Trabalhando por minimizar-lhes os feitos, erradicando-lhes as causas.
É o próprio amor ensinado por Jesus, que esquece de si mesmo para concentrar-se no bem 
do seu próximo, olvidando todo o mal para agigantar-se no bem do seu próximo, olvidando todo o 
mal para agigantar-se nas aspirações do progresso, da ordem e da felicidade.
Antítese do egoísmo, cicatriza as lesões da alma, que este produz, fomentando a vigência da 
saúde integral.
Estrela luminar, irradia paz envolvente, que alcança e vence as grandes distâncias 
emocionais e preconceituosas que separam os homens. Arrasta os corações que se deixam 
impregnar pela sua irradiação, assinalando, indelevelmente, os períodos das vidas com a sua 
presença.
O desejo de posse, de gozo, de superioridade, que tipifica o egoísmo, na área libertadora do 
altruísmo, se converte em anelo de doação, de felicidade, de fraternidade.
O próprio desejo muda de conteúdo, perdendo a face tormentosa de jogo de prazeres, para 
constituir-se numa aspiração de serviço.
Os impulsos da carne, que buscam satisfazer os instintos e as paixões mais fortes, mais 
primárias, transformam-se em arrebatamentos de bondade e compreensão humana.
O próximo deixa de ser usado para ser dignificado.
Todos os estímulos são conduzidos para o seu crescimento e triunfo sobre as falsas necessidades, 
trabalhando-lhe as virtudes em despertamento, a fim de que o homem espiritual sobreponha a sua à 
natureza dominante do homem animal.
A existência do altruísmo revela-se por diversos sentimentos de grandeza moral, que dão 
dignidade à vida.
Entre esses, a generosidade assume papel de destaque, por ser-lhe a primeira manifestação prática, 
portanto, a sua forma inicial de exteriorizar-se na ação.
Costuma-se afirmar que, aquele que não abre a mão, mantém fechado o coração. E com 
fundamento, porquanto a generosidade tem início no sentimento que ama e deseja ajudar, a fim de 
concretizar-se na ação que socorre.
Abrir a mão é p gesto de deixar verter do coração ao mundo exterior o fluxo generoso em 
forma de doação, a fim de alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação, a fim de 
alcançar, no futuro, as grandiosas formas de abnegação. A generosidade, portanto, doa, de início, 
coisas, objetos e utensílios, roupas e alimentos, agasalhos e teto, para depois brindar sentimentos, 
aprimorando a arte de servir até poder doar.
Somente quem se exercita na oferta material, predispõe-se às dádivas transcendentes, 
aquelas que não tem preço, “não enferrujam” nem “os ladrões roubam”.
A generosidade mais se enriquece quanto mais distribui, mais se multiplica quanto mais 
divide, pois que tudo aquilo que se oferece possui-se, não obstante, qualquer valor que se retenha 
passa-se a dever. A felicidade, desse modo, resulta da ação de dar, dos benefícios dela decorrentes.
O homem generoso irradia simpatia e gera bem-estar onde se encontra.
Visceral adversária do egoísmo, a generosidade arranca, pela raiz, as tenazes desse 
responsável pela causalidade dos sofrimentos.
Jesus, na cruz, padecendo a ingratidão dos homens, ainda atendeu o ladrão que lhe rogou 
socorro, generosamente prometendo-lhe o reino dos céus, que já se lhe instalava na mente e no 
coração, a partir daquele momento.
O altruísmo, no processo de expansão, apresenta-se, também, com uma formulação ética.
Plenitude 35
Entendamos essa ética, na condição de serenidade que respeita todos os comportamentos, 
sem impor a sua forma de ser, de encarar a vida, de manifestar-se.
Além de uma ética moral, tem um caráter moral, tem um caráter universal, superando os interesses 
e convenções geográficas, que estabelecem conceitos e limites, estatuídos em leis transitórias, às 
vezes, necessárias, mas que não objetivam o bem comum.
Assim, observamos éticas que apoiam estados escravocratas, limitam a liberdade de 
movimento, freiam a procriação, perseguem os que discordam dos seus códigos, punem a dizimam 
a seu bel-prazer.
A ética da generosidade centraliza suas atenções na lei natural ou de amor, que respeita a 
vida em todos os seus estágios e ampara todos os seres sencientes, facultando-lhes a expansão.
Allan Kardec recebeu dos Benfeitores da Humanidade as diretrizes éticas perfeitas, oriundas 
da lei natural, porque procedente de Deus, a irradiar-se em várias outras, que fomentam o 
progresso, preservam a vida e dignificam a todos, promovendo o homem pormeio do trabalho, 
igual ao seu irmão na origem e diferente nas conquistas intelecto-morais, sem privilégios, porém, ao 
alcance de todos.
Essa ética faculta discernir o correto do equivocado, impulsionando a criatura à aquisição de 
uma consciência elevada, resultado da eleição dos valores positivos, que tornam a vida digna de ser 
fruída.
A sua moral é centrada na generosidade, sem a falácia da anuência ao erro ou qualquer 
atentado aos códigos da ordem, do dever da justiça.
Toda a sua estrutura de responsabilidade visa à promoção dos seres e do seu habitat,ao 
considerar a interdependência que existe entre eles. 
Não elege uns seres em detrimento de outros, embora a sua expressão de amor varie de 
acordo com as respostas afetivas, o que não invalida a necessidade de superar a pertinácia dos maus 
e tê-los em conta como necessitados também da generosidade, que pode e lhes deve ser dispensada.
Normalmente, sob a ação do desejo, as demais pessoas são classificadas de acordo com o 
interesse que fomentam, com o lucro que proporcionam, tornando-as afáveis e amigas, antipáticas 
ou inimigas, insignificantes ou indiferentes. Manifestam-se, então, os sentimentos do amor 
possessivo, do desamor e do ódio, e de desinteresse ou indiferença. A ética da generosidade propõe 
a conquista de valores que permanecem escondidos nos últimos, e a compreensão, quando os 
primeiros não correspondem ao modelo ao qual foram submetidos.
Não é castradora, por apresentar-se destituída de caráter punitivo; não obstante, o seu senso 
crítico analisa tudo e todos de modo a produzir o melhor.
A ética da generosidade é tranquila e, nesse conceito, pode ser considerada como a conquista 
da serenidade, conforme o seu significado profundo em sânscrito.
Como efeito, é paciente, não antecipando apressadamente realizações, nem buscando 
resultados imediatos. 
A paciência é o próximo passo na execução do programa altruístico.
Há um inter-relacionamento entre os vários requisitos para a integral vivência do altruísmo, 
que erradica as causas dos sofrimentos. Um fator depende do outro, que são conquistas do Espírito 
na sua busca de perfeição.
Tornando-se saudável exercício de elevação moral, cada um promove a área do sentimento, 
desenvolvendo o intelecto na arte de compreender para servir, de crescer para libertar-se, de 
entesourar conhecimentos para os distribuir.
A paciência, em razão disso, é relevante, pelo significado de criar condições no tempo 
próprio para cada realização. Nem a postergação do labor, tampouco, pressa, irreflexão, que não 
conduzem aos resultados que se esperam.
Ela harmoniza as aspirações humanas, elucidando sobre o valor a ação contínua, bem 
elaborada, que atende a cada tarefa no momento oportuno.
Faculta repetir qualquer labor malogrado com o mesmo entusiasmo, ensinando como 
Plenitude 36
realizá-lo da maneira mais eficiente, sem o cansaço que induz ao pessimismo, ao abandono da 
realização. Sabe que tudo quanto hoje não pode ser feito sê-lo-á depois, desde que se persevere no 
tentame.
A vida se agiganta, molécula a molécula, em clima de harmonia, em paciente e incessante 
movimentação.
A paciência estimula a coragem, que se esforça para colimar os resultados. Essa coragem é 
fruto do conhecimento das leis que propiciam a insistência no programa do altruísmo.
A coragem é valor moral para enfrentar a luta e persevera nela, nunca a abandonando sob 
qualquer pretexto. O esforço contínuo permite o prosseguimento da ação, que realiza o programa 
estabelecido.
A erradicação das causas geradoras do sofrimento somente é possível através do esforço 
com que se empreende a tarefa, a ela dedicando-se com empenho, sem o que se malogra, adiando a 
oportunidade.
O esforço bem direcionado caracteriza o grau de evolução do ser, porquanto, mais 
expressivo nuns do que noutros, distingue-os, demonstrando as conquistas já logradas, ao tempo em 
que faculta a percepção do muito a conseguir.
Insistir, portanto, com seriedade, pela conquista do altruísmo, encetando atividades que 
devem ser concluídas etapa a etapa, constitui passo de segurança para a libertação do sofrimento.
Mede-se, desse modo, o caráter de um homem, pelo esforço que compreende para crescer, 
para melhorar-se, a fim de enfrentar as reações que o seu ideal e empreendimento provocam.
Aquele que cede ante o obstáculo, que desiste diante da dificuldade já perdeu a batalha sem 
a ter enfrentado. Não raro, o obstáculo e a dificuldade são mais aparentes que reais, mais 
ameaçadores do que impeditivos. Só se pode avaliá-los após o enfrentamento. Ademais, cada vitória 
conseguida se torna aprimoramento da forma de vencer e cada derrota ensina a maneira como não 
se deve tentar a luta. Essa conquista é proporcionada mediante o esforço de prosseguir sem 
desfalecimento e insistir após cada pequeno ou grande insucesso. O objetivo deve ser conquistado, 
e, para tanto, a coragem do esforço contínuo é indispensável.
Muitas vezes, será necessário parar para refletir, recuar para renovar forças e avançar 
sempre. É uma salutar estratégia aquela que faculta perder agora o que é de pequena monta para 
ganhar resultados permanentes e de valor expressivo depois.
O esforço estimula desenvolvimento dos recursos que dormem no próprio homem, 
agigantando-se, à medida que realiza. A canalização correta do esforço dinamiza-o, já que o 
arrastamento para o vício, que quebra as resistências morais, é também uma forma de força 
arrebatadora, que poderia ser direcionada em sentido superior.
O altruísmo não vige sem o esforço para a sua manifestação, considerando-se que parece 
haver uma conspiração por parte do egoísmo, a fim de impedir-lhe a presença e o predomínio na 
área da emoção.
O computador, como outro engenho qualquer que ora fascina o homem, guardando milhões 
de dados, resulta do esforço daqueles que o engendraram e digitaram as informações, sinal por 
sinal.
Sem esforço a vida perece. Os membros não movimentados perdem a flexibilidade, 
entibiam-se e morrem.
Outro fator essencial ao altruísmo é a concentração nele, sem cujo contributo a mente se 
desvia, abrindo brechas para que se instalem ideias pessimistas, desanimadoras.
Centralizar o pensamento na ação altruística permite o estabelecimento de um programa 
eficiente, graças ao qual se delineiam técnicas e se logram recursos para executá-la. 
A concentração amplia os horizontes enquanto fortalece o íntimo, por facultar o intercâmbio 
de energias superiores que passam a vitalizar o indivíduo, renovando-lhe as forças quando em 
exaurimento, especialmente no mister altruístico.
Desacostumados aos gestos de elevação, os homens reagem contra eles, tornando-se 
Plenitude 37
agressivos e ingratos, para reconhecerem os resultados positivos e ingratos, para reconhecerem os 
resultados positivos só posteriormente. Essa atitude não poucas vezes desanima as pessoas 
abnegadas e menos preparadas, que recuam ou desistem, porque não buscaram o apoio da 
meditação e deixaram-se intoxicar pelo bafio pestilento em expansão.
Meditando-se, percebe-se a necessidade de maior contribuição altruística sacrificial, 
compreendendo-se que a imensa carência de amor responde pela dureza dos sentimentos, e a 
agressividade predominante atesta a gravidade das doenças morais em desenvolvimento nas 
criaturas.
A meditação amplia a visão a respeito do mal, ao tempo em que equipa o homem de lucide, 
fornecendo-lhe os instrumentos próprios para cuidar desse adversário cruel.
A arte daconcentração é uma conquista valiosa e demorada, que exige cultivo e exercício, a 
fim de responder de maneira eficiente às necessidades emocionais do homem.
Habituado a concentrar-se nos fenômenos que decorrem das paixões ou sensações mais 
fortes, tais como o desejo, o ciúme, o ódio, o ressentimento, a sensualidade, a gula, os vícios em 
geral, quando se trata das aspirações mais elevadas e sutis, o indivíduo justifica-se com escusas de 
que não consegue concentrar-se, que lhe falta capacidade para deter-se no assunto, exclusivamente 
por comodidade mental ou porque prefere fugir às responsabilidades que advêm da mudança de 
programa.
Sem o contributo da concentração quaisquer atividades perdem o brilho e são mal 
executadas. É ela que propicia o enriquecimento dos detalhes, a visão particular e geral do 
empreendimento, revigorando o indivíduo, concedendo-lhe lucidez e inspiração.
Todos os grandes realizadores devem à concentração, ao esforço e à paciência o êxito que 
alcançaram. Esqueciam-se de tudo, quando fixados no propósito de algo realizar.
Certamente, a tenacidade com que se mantinham era resultado da experiência que se 
alongava no tempo, propiciando-lhes a capacidade crescente de se afastarem mentalmente de 
quaisquer outros objetivos, fixando-se na ação a que se entregavam.
A concentração ilumina o altruísmo e revigora-o nos momentos difíceis, por facultar 
compreender as circunstâncias dos acontecimentos e os problemas nos quais as pessoas se 
emaranham. Capacita-o com energia especial e irradia-se em ondas de bem-estar, que impregnam 
todos quantos se aproximam da pessoa que a exercita. E quanto mais o faz, tanto maior se lhe torna 
a capacidade de exteriorização. É, portanto, essencial ao altruísmo, propiciando a anulação das 
causas do sofrimento, por facultar a vigência dos sentimentos elevados da vida em plena realização 
de bem. 
Por fim, após a vivência desses variados itens, a sabedoria se instala na mente e no coração 
do homem, libertando-o da ignorância, apontando-lhe o objetivo real da existência corporal, 
impulsionando-o para novos tentames, cada vez mais sedutores e agradáveis, brilhando à frente.
Confunde-se a sabedoria com o conhecimento intelectual, o burilamento da mente, a fixação 
da cultura que, apesar de valiosos, são uma conquista horizontal.
Torna-se indispensável que, ao lado dessa importante aquisição, o sentimento lúcido e 
profundo do amor se torne a grande vertical do processo evolutivo.
Essa conquista vertical é responsável pelo discernimento de como agir, facultando os 
recursos lógicos para tal, ao mesmo tempo suavizando pelo afeto a aspereza ocasional do processo 
de execução.
A sabedoria faz que o amor seja prudente e um sentimento generoso, doador, altruístico, 
evitando que se entorpeça com as manifestações do pieguismo, que disfarça os esquemas do ego 
enfermo. Simultaneamente, proporciona ao intelecto a serena percepção de que à razão se deve unir 
o sentimento humano, sereno e afável, responsável pelo arrastamento das pessoas.
O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive pelo 
arrastamento das pessoas.
O sábio reconhece a área extensa que tem diante dele para ser conquistada, e vive mais do 
Plenitude 38
que fala, ensina mais pelo exemplo do que pelas palavras.
Quando são desenvolvidos os passos que contribuem para o altruísmo e se adquire 
sabedoria, ilumina-se o Espírito, e a vida ganha sentido, superando-se os limites do tempo e espaço, 
em face da grande meta que se deve conquistar.
Os sofrimentos cedem, então, lugar à paz, porque desaparecem os fatores cármicos, 
vencidos pelas novas libertadoras, e, porque não sejam geradas causas atuais negativas, o futuro não 
se desenha sombrio nem ameaçador. Assim, o altruísmo viceja na mente e no coração, já não sendo 
mais o homem quem vive e sim o Cristo que nele passa a viver, conforme acentuou Paulo e o 
sentiram outros mártires, heróis e sábios de todos os tempos, que se entregaram o altruísmo em 
favor da Humanidade.
Plenitude 39
VII – Motivos de Sofrimentos
Na busca incessante do prazer, o homem transfere-se exteriormente, de uma para outra 
sensação, sem dar-se conta de que, o desequilíbrio gerador de ansiedade é responsável pelo 
sofrimento que o aturde, ameaçando-o de desespero cruel. Enquanto não se resolva por selecionar 
os valores reais daqueles aos quais atribui significando e que são apenas fogos-fátuos, terá 
dificuldade em afirmar-se e seguir uma diretriz propiciadora de paz.
Vivendo sob a injunção de uma máquina, que lhe impõe necessidades a serem atendidas e o 
predispõe a outras, falsas e perturbadoras, ele opta pelas últimas, que são produto das sensações do 
ego dominador, empurrando-o para as aspirações mais grosseiras, em detrimento daqueloutras sutis 
e enobrecedoras, que adquirem resistência na renúncia, no esforço elevado, na abnegação, no 
cultivo da vida interior, no domínio da matéria pelo Espírito.
O corpo deve ser considerado um instrumento transitório para o ser eterno, temporariamente 
um santuário, em face da finalidade edificante de propiciar à alma a sua ascensão, mediante as 
experiências iluminativas que faculta, nos aspectos moral, espiritual, intelectual, pelo exercício das 
virtudes que devem ser postas em prática, e jamais para atendimento das sensações que lhe 
caracterizam a constituição molecular.
Certamente, aqui não cabe também o comportamento asceta, alienador, que fomenta a fuga 
da realidade aparente, porquanto, o importante é a vida mental modeladora da física. Pode-se mudar 
de lugar sem alterar-se a conduta, vivendo-se um estado exterior e outro íntimo. Pela falta de 
sintonia entre as duas formas de vida, surge a desagregação do indivíduo, com aparecimento de 
neuroses e psicoses devastadoras, impondo sofrimentos que poderiam ser evitados, caso se 
permitisse uma melhor compreensão das finalidades existenciais.
O exame racional e lúcido das necessidades legítimas faculta o direcionamento saudável, 
com as compensações da harmonia íntima e do equilíbrio emocional.
A ambição desmedida pelas coisas, divertimentos e gozos nunca preenche os espaços do 
prazer, pelo contrário, frustra aqueles que lhe tombam nas armadilhas.
Há indivíduos que dispõem de somas consideráveis, prestígio social, fama e inteligência, 
graças aos quais adquirem o que lhes apraz, viajam para onde desejam, relacionam-se com as mais 
diferentes pessoas, e, não obstante, são atormentados pelo vazio, pelo tédio, pela insatisfação, fortes 
causas de sofrimento.
Invariavelmente colocam os acontecimentos e interesses dora de sua realidade, no mundo 
exterior, passando a considerá-los a fonte dos sofrimentos ou dos gozos, conforme conseguem 
fruí-los ou não. Todavia, a questão é mais profunda e pertinente à sua vida íntima.
 Não havendo um real significado interior, o aparente sentido que demonstram perde-se tão logo 
sejam conseguidos. Nisso reside a maior soma de frustrações e de insatisfações que causam 
sofrimentos.
Algo vale somente quando inspira o mesmo sentido para todas as pessoas, que projetam as 
suas necessidades íntimas e aspirações legítimas na sua conquista.
Aos lugares belos, as cidades ricas e cosmopolitas que a uns indivíduos causam impacto, 
provocando o desejo incomum de aí ficarem, noutros despertam mal-estar, desconforto e desagrado. 
Ilhas paradisíacas e refúgios de oração que a uns fascinam, a outros causam sensações 
desencontradas, angústias e desesperos insuportáveis. Vestuáriosluxuosos e jóias cobiçadas, que 
aumentam a cupidez em alguns, noutros não conseguem a sensibilização, não lhes geram qualquer 
interesse, nem qualquer sofrimento, por não possuí-los.
A busca da realidade, do Eu, deve partir de uma análise profunda e interna das necessidades 
legítimas da vida, jamais da preferência de adornos, objetos e situações, que destacam o ego e 
perturbam-no, tornando-o jactancioso, prepotente ou, na sua falta, magoado, ressentido, receoso...
Primeiro, é necessário adquirir um estado de espírito de paz, para passar por tudo sem 
Plenitude 40
ater-se a nada.
A chama que clareia exteriormente projeta luz, mas faz sombra, enquanto a que se manifesta 
do interior, irradia-se por igual em todas as direções, sem gerar qualquer escuridão.
A mente e o corpo susceptíveis à dor pela posse ou perda das coisas externas sempre 
atravessarão largos períodos de sofrimentos, transferindo-se de uma para outra forma de sofrimento, 
sem conseguir a libertação. Essa ocorre quando o homem se esvazia de ambição, instalando a 
abnegação no íntimo e superando os desejos.
O ato de querer, (transferência para outrem, porque o que se detém se deve, não se possui), 
assim suscitando o domínio responsável pelas sensações de ansiedade, insegurança, medo, que são 
geradores de sofrimentos.
O autoconhecimento coopera para que se possa discernir em torno do que é útil ou 
supérfluo, indispensável ou secundário à vida feliz.
As conquistas dispensáveis pesam na economia emocional e passam a constituir 
preocupação que desvia a mente das metas que deve perseguir.
Jesus afirmou com sabedoria que o “Filho do Homem não possuía uma pedra para reclinar a 
cabeça”, embora “as aves do céus, as serpentes e feras tivessem ninhos e covis”, demonstrando o 
Seu desapego total a todas as coisas que sobrecarregam a criatura de tensão, de inquietação.
A um jovem que O queria seguir, Ele esclareceu que uma coisa lhe faltava “Vende tudo e 
dá-o aos pobres”; ele, que afirmava ser justo, cumpridor das leis, permanecia, todavia, envolvido, 
perdido nas quinquilharias do mundo a que se atava... E ele não O seguiu.
É muito difícil liberar-se dos atavismos: pertencentes e hábitos que se impregnam ao 
comportamento, passando a constituir uma nova natureza, a predominante. Sob o fardo dessas 
dependências, o ser não logra ver a luz, discernir a meta, libertar-se para encontrar-se.
Confunde a paz com a tranquilidade dos recursos que possui, dos quais aufere conforto, 
destaque social, mediante os quais desperta inveja, podendo perdê-los, de um para outro momento, 
na existência física, em razão das normais vicissitudes que a todos surpreende, como da 
compulsória pela morte, que obriga a deixar tudo, nem sempre facultando a libertação, desde que o 
tormento prossegue além das vibrações orgânicas.
 O sofrimento deve ser superado pelo amor, pela meditação, pela compreensão da sua 
presença na vida dos seres, fator de progresso, necessidade de reeducação, mecanismo da evolução 
que é, e que permanece nos indivíduos que discernem e pensam por eleição deles mesmos, já que a 
meta da reencarnação é a de lograr a vitória sobre ele.
Plenitude 41
VIII – Caminhos para a Saúde
O sofrimento é via de redenção espiritual, em face do incompleto desenvolvimento moral do 
indivíduo. Opção pessoal, é roteiro destituído de qualquer ação punitiva, educando ou reeducando 
por meio dos mesmos mecanismos, graças aos quais houve comprometimento, desvio de rota, 
desrespeito às leis da vida. A sua presença vige, enquanto se faz necessária a depuração. As únicas 
exceções se apresentam nos quadros de iluminação coletiva, quando os missionários do bem e do 
amor mergulham nas sombras do mundo, a fim de clareá-las com os seus exemplos. Não mais lhes 
sendo necessárias as dores físicas e morais, elegem-nas ou aceitam-nas como holocaustos 
espontâneos, a fim de ensinarem coragem, abnegação e sacrifício aos que estão na retaguarda, 
comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do 
dever, todos eles geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores.
A saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental, que elege os atos 
corretos para a existência modeladora da ascensão.
Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o 
psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento. Advertência ao 
desvio da linha de harmonia, ele se apresenta em forma de energia comprometida, bloqueada ou 
desequilibrada, facultando a instalação de doenças, de desares, de padecimentos de qualquer 
natureza.
Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa 
manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e 
social podem criar s condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, 
proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio 
estrutural do ser.
Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento 
e parra a sua compensação pelo bem.
Allan Kardec, por meio da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas 
pelos Espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a 
salvação, a aquisição da saúde integral.
A caridade, que é p amor na sua expressão mais elevada, para ser real exige a iluminação de 
quem a pratica, facultando-lhe, ao mesmo tempo, um constante aprimoramento de propósitos que 
induzem à abnegação e à vitória sobre as tendências primitivas, que permanecem dominadoras.
Pelo seu extraordinário conteúdo emocional, a caridade dulcifica aquele que a pratica e 
abençoa quem recebe, dignificando-o, promovendo-o e ajudando-o a superar-se. Por isso, 
verdadeiramente, a sua é uma ação de profundidade, que exige requisitos especiais,adquiridos pelo 
esforço de constante aprimoramento espiritual.
Buda, no passado, recomendava uma via de salvação,em 8 passos, que são indispensáveis 
para a iluminação pelo amor e a plenitude pela felicidade.
A criatura humana sempre crê, até naquilo que nega. O seu ato de negar é uma força de crer, 
que defende com entusiasmo e vigor. A negação, por isso mesmo, é um tipo de afirmação. 
Demonstrando a crença natural ou racional em torno da sua convicção.
Crer, retamente, porém, é direcionar o pensamento de forma positiva, edificante, firmando-o 
em propósitos saudáveis, que favorecem a realização excelente dos postulados, nos quais se crê.
Essa é uma crença estimuladora que enriquece de beleza e aciona os mecanismos da vida, 
alterando, profundamente, o comportamento para melhor e propondo uma vivência pautada na força 
da crença.
Diante de todos os enfermos que O buscavam, Jesus era peremptório, quanto ao to do 
paciente crer nEle e na recuperação da saúde.
A sua resposta positiva criava a reação orgânica favorável à movimentação da energia 
Plenitude 42
bloqueada pelos condicionamentos doentios, pelas sequelas cármicas propiciadoras dos distúrbios 
degenerativos, nas áreas do corpo, da mente ou da emoção. A abertura mental e emocional do 
enfermo à certeza de que era possível a recuperação, e que Jesus podia consegui-lo, 
proporcionava-lhe a receptividade necessária ao imediato processo de cura.
Assim, a fé tudo pode, pois acionainexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores 
de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna, depois externa do ser.
“A fé remove montanhas”, acentuou Jesus. Ela é a canalização de todas as possibilidades 
psíquicas alterando a ação das forças habituais. Quando se apresenta, estimula à ação e vibra 
interiormente, gerando energias que vitalizam toda a maquina pela qual se movimenta.
A crença reta faculta uma visão otimista da vida, que se enriquece de motivações, que nada 
perturba. Sabe esperar e estimula ao prosseguimento d empresa, mesmo quando as circunstâncias 
parecem conspirar contra, ocasionando confusão ao projeto abraçado.
Todas as conquistas da Humanidade tiveram início no ato de crer corretamente, graças ao 
qual se movimentavam as pessoas, persistindo na execução dos planos mentais transferidos para a 
realidade objetiva.
Nicolau Copérnico, por acreditar retamente no sistema heliocêntrico, sofreu humilhações 
constantes e lutou contra o sectarismo, a intolerância, o fanatismo e a ignorância, até provar que 
estava com a razão.
Cristóvão Colombo, recordando-se psiquicamente das terras que eram desconhecidas da 
civilização europeia, apesar de desestimulado e ironizado pelas Cortes as quais pediu ajuda, e pelos 
seus contemporâneos, por crer retamente, descobriu a América, provando que estava certo.
Crer retamente conduz ao querer retamente.
Umas das razões do sofrimento humano é o querer equivocadamente, conforme a ilusão do 
prazer imediatista e alucinado, que elege o dispensável em detrimento do essencial, de acordo com 
o transitório e não com o permanente. E para lográ-lo, age segundo as tendências negativas, 
comprometendo-se moral e espiritualmente.
Esse querer equivocado escraviza o ser às paixões inferiores, cujas algemas o retêm 
inexoravelmente aos efeitos infelizes da eleição.
Para o seu prazer, o indivíduo que o que não lhe convém, permitindo que o egoísmo se 
sobreponha aos interesses gerais prejudicando todos aqueles que possam constituir-lhe impedimento 
ou provocar-lhe dificuldade.
Querer retamente propõe métodos compatíveis com os objetivos da crença anelada. Os 
meios incorretos não são justificáveis quando usados para fins nobres, porquanto degeneram os 
ideias que devem permanecer pulcros. Sem o uso dos meios correspondentes, as realizações perdem 
a qualidade de que se devem revestir.
As supostas facilidades muito aneladas pelas criaturas são uma forma de evitar os meios 
hábeis, complexos às vezes, que compõem o quadro do querer de maneira elevada.
Não que as realizações mais fáceis signifiquem desvio de meta. Elas ocorre amiúde, como é 
natural, não devendo tornar-se regra geral, que desencoragem as demais que proponham esforço, 
persistência e sacrifício.
Quem elege a montanha não evita a ascensão difícil, porquanto faz parte da aspiração que se 
sustenta interiormente.
O ato de querer tornar menos ásperos os desafios e as dificuldades.
Querendo retamente difundir a mensagem de Jesus, Paulo aplicou os mais desgastantes 
esforços, padecendo, enfermidades, abandono, apedrejamento e quase morte, afirmando, confiante: 
“Ao de mim se não pregar o Evangelho”, vivendo com sacrifício o ideal que o abrasava.
A preservação do querer com retidão rechaça as propostas ignóbeis, mesmo quando se 
apresentam como fórmulas salvacionistas, solucionadoras.
O que não tem a chancela da retidão desmerece a qualidade da ação.
Jesus sempre quis retamente e sempre assim agiu, tornando a Sua mensagem uma luz 
Plenitude 43
inapagável a varar os séculos, superando desfigurações, interpolações e adulterações lamentáveis.
Quando se crê e se quer retamente, fala-se com a mesma qualidade de intenção, e essas 
palavras, conforme se refere o Evangelho, exteriorizam o de que está cheio o coração.
Indispensável, portanto, a vivência íntima das aspirações superiores, a fim de que a música 
da palavra traduza-as para o exterior retamente.
A palavra é valioso instrumento de comunicação, que tem entorpecido grandes ideais da 
humanidade, por não ser fiel aos sentimentos que deveria expressar.
Fala-se por falar-se; fala-se para dissimular emoções e ideias; fala-se com objetivos sórdidos 
e prejudiciais.
A palavra que liberta, igualmente faz-se meio de escravidão.
Por isso, a arte de falar impõe requisitos que são essenciais para expressar-se retamente.
Deve-se pôr na palavra a discrição que sabe como e quando falar, evitando gerar 
constrangimento e amargura.
Não faltam, no mundo, acusadores e palradores da inutilidade, das ideias vazias de 
conteúdo, de ironias e sentidos dúbios. Eles inquietam e anatematizam, infelicitam e desajustam, 
dominados por idealismos falsos e paixões inferiores.
O falar retamente fomenta o progresso, desenvolvendo as aspirações que se exteriorizam em 
ideais de liberdade e amor, impulsionando as criaturas para a frente, para o bem.
Falando retamente, Sócrates desenvolveu a filosofia, elevando-a às cumeadas e dignificando 
os princípios éticos e morais que ainda constituem base ao idealismo, ao Espiritualismo.
As boas palavras enrijecem o caráter, dulcificam o coração e iluminam a vida. As más, 
entorpecem os sentimentos, deformam a conduta e matam os ideias de enobrecimento.
Crer, querer e falar retamente produzem uma vibração de paz que fomenta a saúde, alterando 
o comportamento emocional que refaz o equilíbrio da energia, modificando o campo no qual se 
instalam as enfermidades.
São, inevitavelmente, caminhos para uma existência saudável.
Logo surge o momento da ação, que equivale à diretriz do opera retamente.
Os requisitos anteriores alcançam o seu momento máximo na ação, sem o que deixam de 
influenciar, como necessário, o comportamento, que retrata a realidade íntima da pessoa.
A retidão impõe-se em todos os passos da existência humana.
Um coração tranquilo é resultado de uma conduta reta, e por consequência, fator basilar para 
uma consciência de paz.
Interdependem-se, portanto, esses elementos, para uma vida feliz, desde que, olhar-se para 
trás sem remorsos, agir-se sem medo, em face dos sentimentos enobrecidos, produzem um estado 
de paz que nada perturba, porque enraizada na maneira de operar, conduzindo a caminhada 
retamente.
O mundo progrediu sempre graças àqueles que agem om retidão. Os seus exemplos de 
dedicação às causas dignificadoras tornaram-se a base do processo de engrandecimento da vida e 
das demais criaturas.
Conscientes das suas responsabilidades não temeram as perseguições, as lutas ásperas, os 
sacrifícios, nem mesmo o holocausto, quando este se fazia necessário, desde que permanecesse 
impoluto o ideal que sustentavam. Sabiam que a morte do corpo não destrói a ideia grandiosa, e que 
é no sangue do martirológico que a semente da verdade germina, a fim de poder frondejar mais 
tarde, abençoando com flores e frutos.
Como se mede a grandeza ou a pequenez das criaturas graças aos ideais que possuem, é na 
ação que se avalia a excelência das suas aspirações, pois que ai, ao aperá-las, trazê-las ao mundo 
objetivo, é que elas experimentam a intensidade dos fornos onde são lançadas antes de se tornarem 
realidade.
Entre companheiros doentes e em uma sociedade injusta, é um verdadeiro desafio operar 
retamente. As propostas da insensatez se multiplicam, os conchavos da desonestidade bem urdidos e 
Plenitude 44
disfarçados de legais enxameiam, as concessões morais e conivências fazem-se quase normais, 
dificultando a ação correta. Quem age com retidão parece alienado, é malvisto, tido por excêntrico, 
ou como se o fizesse para pretender chamar a atenção. Há uma oposição sistemática,ancestral, 
arquitetada contra o correto, de modo a impedir o desmascarar da fraude e da corrupção em 
predomínio.
Operar retamente é técnica de terapia preventiva quanto curadora para o sofrimento.
Quem não atua errado, não tem necessidade de repetir a experiência, refazer o caminho, 
ressarcir débitos...
Tal ação, entretanto, começa nas pequenas decisões, nas realizações mais simples e de 
aparente significação sem importância.
Tudo é importante na vida. Os pequenos atos são preparatórios dos gestos grandiosos e das 
realizações vultosas.
Manter o mesmo nível de conduta reta em uma pequena como noutra atividade de relevo é 
forma de treinamento para uma vivência equilibrada.
Viver retamente é, portanto, o passo seguinte.
As ações que se sucedem, transformam-se no modus operandi de cada indivíduo que aí 
passa a ter o seu modus vivendi.
Quem age retamente, vive retamente.
O seu hoje representa as ações antes realizadas e o seu amanhã defluirá das suas atividades 
hoje desenvolvidas.
Não se homizia no erro, não se exalta, não se deprime.
Suas horas transcorrem harmoniosas e as suas lutas, mesmo quando desgastantes, não o 
infelicitam, porque elas são conquistas de patamares mais elevados, que aguardam.
A vida adquire sentido e significação, porque não se acabando no túmulo, amplia-se ao 
infinito, rica de oportunidades excelentes de aprendizagem e plenificação.
Ghandi recomendava a igualdade radical, de deveres e direitos. Todavia, para que os seus 
fossem ideais legitimamente respeitados, vivia conforme preconizava, trabalhando no tear e 
acolhendo os párias no seu ashram, a eles concedendo a mesma consideração que dispensava a 
qualquer outra pessoa.
Viveu pobremente, de acordo com o que se considerava as necessidades básicas para a vida, 
que prescrevia para as demais criaturas.
Jesus não tinha “uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves do céu tivessem os seus 
ninhos e as feras os seus covis”, porque para Ele uma só coisa era importante: dar-se, num mundo 
de coisas que valem o que se lhes atribui, já que não têm valor real...
uma vivência de tal natureza impõe um grande esforço, já que é larga a porta que conduz à 
perdição.
O passo imediato é esforçar-se retamente.
Sem esforço, nenhum empreendimento se torna possível, muito menos se faz vitorioso.
A intensidade do esforço desvela a qualidade do caráter.
Sem uma disciplina que o exercício prodigaliza, o esforço deperece e as aspirações morrem.
Essa força, que decorre do querer, é responsável pelos resultados das aspirações colocadas 
na prática.
As pessoas que não se esforçam por preservar os ideais de enobrecimento perdem as 
batalhas da evolução antes mesmo de iniciá-las, perturbando a marcha do progresso geral.
Afirma-se, muito, como justificativa para não se esforçar, que não se logra manter o nível do 
ideal necessário. No entanto, a execução dos hábitos viciosos dá-se mediante esforços que se 
incorporam ao cotidiano como fenômeno natural.
A libertação deles somente é possível através do investimento de energias que se lhes 
opõem.
Não raro, os indivíduos, em razão do prazer que experimentam na vivência viçosa, 
Plenitude 45
sacrificam-se, aplicando todos os valores imagináveis, a fim de continuarem com as sensações a que 
se escravizam. Quando se lhes propõe, no entanto, a mudança para as emoções duradouras, 
negam-se ao esforço, por acomodação ao que já fruem, mesmo que lhes seja desgastante.
Ninguém vive sem esforço. Ultrapassados os limites dos fenômenos automáticos, a vida 
exige o empenho da vontade, a aplicação e direcionamento das energias.
Quem se esforça em um sentido, realiza-o também em outro, se quiser.
Esforçar-se retamente é saber aplicar a capacidade dos seus recursos naquilo que propicia 
felicidade real, duradoura, sem as aflições dos prazeres fugidos, que necessitam de repetir-se sem 
cessar, não lhes aplacando a sede, antes aumentando-a, perturbadoramente.
No esforço bem dirigido as energias se retemperam e as motivações, por serem elevadas, 
mais atraem a novos tentames, que se sobrepõem aos limites e desgastes dos sofrimentos.
A mente, colocada em áreas nobres, anestesia as sensações dos desajustes e das 
enfermidades, emulando na conquista da harmonia, que se alcança mediante esforço retamente 
aplicado.
Das pequenas e constantes tentativas de agir corretamente se desenvolvem as forças que 
serão canalizadas para os grandes cometimentos, mesmo que desconhecidos das demais pessoas.
A constante renovação moral e todo o trabalho de alterar a estrutura do comportamento 
exigem o reto esforço que leva ao êxito. De natureza íntima, decorrem do crer nas metas a alcançar, 
do valor que possuem, a fim de querer com afinco, de modo a envidar a capacidade de ação, sem o 
que o tentame malogra.
Esse esforço decorre da aplicação do pensar retamente.
O que se cultiva no pensamento transborda para a esfera objetiva, constituindo-se elemento 
existencial no comportamento humano.
O pensamento é fonte geradora e dínamo condutor da Vida para a vida.
A energia encontra-se presente em tudo, aguardando que o pensamento a comande, e 
direcione.
No que tange aos sofrimentos, na sua multiface, a ação mental é relevante.
Todo aquele que se deixa dirigir pelo pessimismo e pela depressão faz quadros enfermiços, 
debatendo-senas malhas de dores perfeitamente dispensáveis. Por um processo de natural afinidade, 
sintoniza com as doenças, abrindo brechas nas próprias resistências para a instalação de males e 
perturbações afligentes. O bombardeio constante contra os sutis mecanismos da emoção e da 
aparelhagem orgânica termina por desarticular-lhes o equilíbrio, produzindo o desajustamento que 
facilita a penetração dos agentes degeneradores.
A ação do pensamento reto, pelo contrário, produz o fortalecimento do campo psicofísico, 
expulsando as doenças e gerando sucessivas ondas de bem-estar, que são responsáveis pela saúde.
Acrescente-se a esse quadro a interferência dos espíritos desencarnados no cotidiano das 
criaturas humanas.
Os raios mentais direcionados em um outro sentido facultam a sintonia com Entidades de 
teor vibratório correspondente. Não é, pois, de surpreende, o atual surto epidêmico de obsessões, 
que decorre da afinidade mental e moral existente entre os homens aturdidos e os Espíritos infelizes, 
com os quais os primeiros mantém convivência ideológica.
Ideoplastias enfermiças, formas-pensamento extravagantes e doentias terminam por criar 
uma psicosfera viciada que intoxica as pessoas, aumentando o quadro das enfermidades, estas 
últimas de diagnose difícil pela Medicina convencional e cuja terapia terá que partir do próprio 
paciente, por meio de uma radical mudança de comportamento mental e moral, a fim de 
desatrelar-se das vibrações que o envolvem.
Pensar retamente faculta harmonia psicológica e sintonia com os Benfeitores da 
Humanidade, em cuja convivência psíquica se haurem energias benéficas propiciadoras de saúde, 
que vão atuar nas causas dos sofrimentos alterando-lhes a vigência e os efeitos.
Quem pensa retamente encontra-se consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus.
Plenitude 46
O hábito saudável de pensar conduz à etapa final, que é meditar retamente.
Fixam-se nos painéis da memória, por educação mental perniciosa, em maior quantidade, as 
impressões infelizes, os atos reprocháveis, as aspirações inferiores, e, por isso, afirma-se com 
leviandade que meditar é muito difícil.
Basta, porém, que se mude a direção dos hábitos mentais e se criarão as bases da meditação.
Como não sevive sem pensar, exceção feita aos portadores de psicopatologias graves, 
deve-se fazê-lo sempre de forma positiva e otimista, gerando novo costume no campo mental até 
que seja absorvido e transformado em automatismo pela repetição natural.
Por mau hábito, quando algo de negativo acontece, a pessoa se deixa consumir, 
entregando-se, comentando, repetindo e fixando, quando a atitude a tomar deveria ser totalmente 
oposta. No entanto, quando algo de bom e útil acontece, raramente se analisa, penetra e revive, logo 
substituindo-o por outro fato desagradável, acostumando-se com o último em detrimento do 
anterior.
Natural que, desacostumado à reflexão em torno do bem e da paz, da saúde e da alegria, tenha 
dificuldade em meditar retamente.
Nas primeiras tentativas,os arquivos da memória liberam as impressões deprimentes, 
perniciosas, e o candidato desiste, quando deveria prosseguir com esforço para liberar-se dessas e 
fixar as novas imagens e aspirações geradoras de saúde, de felicidade.
A concentração é a fixação da mente, por interesse ou seleção, em qualquer pensamento, em 
alguma ideia especial que se deseje analisar ou reter.
Meditar é aplicar a concentração na busca de Deus, interiormente, com determinação e 
constância. Seu objetivo único é o de atingir o fluxo divino e conhecer Deus, senti-lO e alimentar-se 
da Sua energia. É o estado de quietação mental.
Jesus afirmou: “O teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu olho for um só, todo o teu corpo 
será luminoso”.
Se o indivíduo permitir-se olhar para dentro, todo ele se torna uma só ideia visual; ao captar 
a luz divina, igualmente todo fara luminoso, e nenhum sofrimento o perturbará, graças à aquisição 
da saúde integral.
A meditação reabastece de energias salutares, refazendo a harmonia do psiquismo e este, a 
do organismo físico.
Quem medita retamente, crê, quer, fala, opera, vive, esforça-se e pensa com retidão, adquire 
os valores indispensáveis à salvação. Nesse estágio, a pessoa doa-se e já não mais vive, sendo o 
“Cristo quem vive” nela.
...Liberta-se, por fim, do sofrimento.
Plenitude 47
IX – Processo de Autocura
A criatura humana possui, inexplorados, valiosos recursos que aguardam a canalização 
conveniente. Entre eles, a bioenergia é fonte de inexauríveis potencialidades, que o 
desconhecimento e a negligência direcionam em sentido equivocado, malbaratando 
inconscientemente forças preciosas.
Invisível à óptica comum, a irradiação bioenergética passa despercebida, exercendo 
influência no inter-relacionamento pessoal, graças ao qual provoca ondas de simpatia como de 
animosidade, conforme a procedência de um indivíduo moralmente são ou enfermo.
Captada pelo perispírito, nele interfere através do campo que exterioriza, facultando renovar 
as forças ou perturbá-las de acordo com o tipo de descargas que propicia.
Essa bioenergia é responsável pela atração interpessoal,qual ocorre no campo molecular, 
celular, gravitacional, universal.
Semelhante à invisível camada magnética que envolve a Terra e que somente é registrada 
por aparelhos especiais, de igual modo ela é somente percebida através da paranormalidades ou de 
câmeras ultravelozes em filmes também ultra-sensíveis.
A sua ação, todavia, é de mais fácil registro na emotividade, nas áreas afetadas por 
enfermidades, pelas reações psicológicas que provocam nos relacionamentos humanos.
Referindo-se aos fenômenos que produzia, Jesus, o Excelso Curador, foi peremptório, 
afirmando: “Vocês podem fazer coisas maiores do que estas”, se quiserem.
O querer é de alta importância, porquanto representa não apenas a vontade interesseira, 
imediatista, porém, todo o empenho, todo o investimento de recursos para adquirir-se o pleno 
comando dessa força e a sua hábil canalização com objetivos elevados.
É de igual relevância a finalidade da sua aplicação.
Todos aqueles que a utilizam na vulgaridade, no divertimento, fazem-se joguete do próprio 
desequilíbrio, passando a sofrer-lhe os efeitos danosos do mau direcionamento dado.
O exercício e a aplicação saudável da bioenergia, entretanto, desenvolvem-lhe o campo da 
ação benéfica, torando-a valioso recurso curativo de inestimável significação.
Pode-se direcioná-la mediante a operação, a concentração, a meditação e os sentimentos 
bons, a benefício do próximo, bem como do próprio, trabalhando-a para auxiliar na recuperação da 
saúde, da paz, do bem-estar, dos objetivos elevados.
Não se farão de imediato os resultados, como é compreensível, porém, eles ocorrerão no 
momento próprio. Sendo o sofrimento uma necessidade para o Espírito devedor, a sua liberação 
depende de inúmeros requisitos devidamente observados, alguns dos quais foram já analisados.
Não obstante, o amor de Deus, por misericórdia de acréscimo, faculta ao comprometimento 
oportunidade de experimentar o equilíbrio, a fim de motivá-lo ao labor para a sua aquisição 
definitiva.
Assim, diante de sofrimentos advindos, particularmente, de enfermidades, devem-se levar 
em consideração alguns fatores, a fim de propiciar-se a autocura. Por elasticidade de aplicação, 
quando necessário, direcioná-los em favor de outros enfermos.
1ª) OBSERVE-SE O PENSAMENTO, O SEU TEOR
PREFERÊNCIAL, A FIM DE QUE IRRADIE ENERGIAS
POSITIVAS, SAUDÁVEIS.
A atitude imediata é desejar-se saúde com fervor, não porque se queira libertar da doença, 
pura e simplesmente.
A liberação de uma enfermidade, se não produz o engajamento do paciente em atividades 
psíquicas e físicas positivas, faculta a presença de outras doenças.
Plenitude 48
O anseio por adquirir a saúde deve estar acompanhado de objetivos edificantes, que podem 
ser alcançados, e não do interesse imediato pelos prazeres que se deseje fruir, descarregando ondas 
de energia negativa nos intricados mecanismos perispirituais responsáveis pela ação posterior.
Esse desejo de saúde é firmado na crença e na certeza de que o “Pai não que a destruição do 
pecador, mas, a do pecado”, e quem defrauda a lei deve recompor-se perante ela.
A firmeza do desejo, sem ansiedade nem tormento, a fim de que se não torne uma 
imposição, mas sim, uma solicitação, concede tranquilidade ao enfermo, constituindo um primeiro 
resultado precedente à cura.
De imediato, deve-se concentrar na saúde, considerar-lhe a validade, abundância de 
possibilidades edificantes que propicia, de realizações produtivas, de efeitos benéficos para si e para 
a coletividade.
Ao concentrar-se nela, que se entregue de corpo e alma aos resultados que advirão, 
deixando-se impregnar pelo otimismo com irrestrita confiança em Deus, trabalhando mentalmente 
pela restauração dos forças combalidas em contínuo esforço a favor do bem-estar.
A irritação, a ansiedade, o inconformismo, o ciúme, a rebeldia devem ser rejeitados, sempre 
que se insinuem nas paisagens mentais, por serem portadores de raios destruidores que atingem os 
fulcros celulares e os desarranjam, alterando-lhes o ritmo e a multiplicação.
As ideias enobrecedoras, os planos de futura ação benéfica são portadores de energia 
equilibrante, que estimula os complexos campos celulares, propiciando-lhes harmonia e 
produtividade.
Nesse esforço, é de bom alvitre visualizar a saúde e incorporá-la.
O indivíduo deve concentrar-se numa visão saudável, projetando-se no tempo em condições 
de equilíbrio; ver-se recuperado, assumindo responsabilidades e desenvolvendo as atividades que 
pretende encetar.
Essa projeção mental reestrutura os mecanismos do perispírito afetado, recompondo-lhe o 
campo, de que resultam os efeitos em forma de saúde,de harmonia e de entusiasmo.
Os pacientes, em geral, com as exceções naturais, sempre visualizam o estado de 
agravamento do mal que os aflige, atirando no organismo projéteis mentais destrutivos.
Não poucas vezes, Jesus afirmou àqueles doentes que O buscavam: Se quiseres, já que 
queres, concluindo: levanta-te e anda, vê, sê limpo, conforme a enfermidade de que se faziam 
objeto.
Naquele momento, o enfermo saía do campo vibratório de sombras, no qual se homiziava, e 
abria-se à energia vigorosa do Benfeitor Divino, que lhe alterava a área em desordem, 
restaurando-lhe a saúde.
Assim, visualizar-se com saúde no futuro e programar-se em ação constituem fatores 
fundamentais para a autocura.
2ª) MANTER SINTONIA MENTAL COM A FONTE DO PODER.
Todo amor procede de Deus, a Fonte do Poder.
Como consequência, a sintonia mental do paciente com a Causalidade se torna imprescindível para 
a recuperação da saúde.
Sendo a enfermidade o resultado da desarmonia vibratória dos órgãos que compõem a 
maquinaria orgânica, permitindo a proliferação dos elementos destrutivos, todo trabalho de 
regularização deve partir da energia para o corpo, do Espírito para a matéria.
Desse modo, a identificação mental do necessitado com a Fonte Geradora de Vida torna-se 
essencial para o restabelecimento da harmonia.
Assim, o cultivo das ideias positivas favorece a identificação com as faixas vibratórias mais 
elevadas, produzindo a sintonia necessária com o Poder Supremo.
A oração é outro veículo por meio do qual se produz a sintonia mental com Deus. Ela faculta 
Plenitude 49
uma análise das necessidades humanas em relação às finalidades essenciais da existência, ao tempo 
em que propicia o relaxar das tensões, estimulando as forças enfraquecidas e renovando-as, graças 
ao que se abrem as possibilidades de recuperação da saúde.
Habituado aos pensamentos vulgares, agindo sob impulsos de depressão ou de violência, o 
indivíduo intoxica-se de vibrações deletérias, que mais o perturbam e o enfermam.
A mudança de diretriz mental, a fixação de ideias saudáveis geram uma psicosfera 
harmoniosa que produz as condições propiciatórias ao bem-estar, em sintonia inicial com a saúde.
Quem aspira o oxigênio puro mais se desintoxica, ampliando a própria capacidade 
respiratória.
De igual modo, a sintonia mental com a Fonte do Poder propicia o restabelecimento de 
energias saudáveis, que reinstalam no organismo o equilíbrio perdido, restabelecendo a harmonia 
vibratória que fomenta o predomínio dos agentes de saúde.
Mesmo diante da aparente demora de recuperação é justo que se processe a sintonia, que 
somente benefícios emocionais, psíquicos e orgânicos proporciona.
O ser deve elevar a Deus não apenas para pedir e buscar benefícios imediatos, mas, também, 
para manter-se em harmonia com a própria vida.
Tal estado de sintonia abre as portas da percepção extrafísica à inspiração, ao equilíbrio e à 
coragem para enfrentar quaisquer vicissitudes e situações afligentes imprevisíveis ou não.
Quando alguém se eleva a Deus, ergue com o seu gesto toda a humanidade.
A sintonia com Ele, Fonte do Poder, é causa de felicidade e fator de paz.
3º) CUIDAR DO DESCANSO, DA DIETA, DA HIGIENE, 
MANTENDO ORDEM NAS ATIVIDADES.
O descanso físico é de alta importância no programa da autocura, todavia, o repouso mental, 
advindo da harmonia dos pensamentos, torna-se vital, um fator imprescindível para a instalação da 
saúde.
Uma mente em repouso não significa em ociosidade, antes, em ação positiva, que gera 
equilíbrio. Esse, proporciona descanso das excitações, das emoções e sensações perturbadoras, 
geratrizes de doenças, de sofrimentos.
As leituras edificantes e otimistas, ricas de esperança, propiciam repouso mental e físico, 
predispondo o organismo à calma, à harmonia.
Esse descanso, igualmente, pode ser conseguido por uma alimentação bem balanceada, na 
qual se evitem os excessos de qualquer natureza, especialmente aqueles de assimilação difícil, 
muito ricos em calorias e de digestão demorada.
Alimentação para a vida, respeitando os limites impostos pela enfermidade, ao invés da vida 
para a alimentação, que complica as funções do organismo alquebrado, que necessita de todas as 
resistências para vencer o estado de desgaste.
A higiene também desempenha papel preponderante na reconquista da saúde. Ela faculta 
mais ampla eliminação de toxinas, ao tempo que proporciona agradável sensação de leveza.
A higiene física também impõe a de natureza mental, cujo complexo, quando poluído pelas 
preferências perniciosas, exterioriza a desagregação das engrenagens orgânicas, à semelhança de 
ferrugem em peças mecânicas que se devem ajustar harmoniosamente.
Esse fatores põem ordem nas atividades que a doença não interrompe, ou naquelas que, não 
obstante o problema da saúde, merecem reflexão, programação para posterior execução.
Quem não se programa sofre as surpresas da improvisação com os danos, porventura, 
presentes.
O leito de enfermidade é lugar para acuradas meditações e estabelecimento de metas, que a 
agitação do cotidiano em outras situação não permite. Ao mesmo tempo, a revisão dos atos e 
comportamentos torna-se oportuna, buscando descobrir a gênese de alguns dos males ora 
Plenitude 50
desencarnados ou os efeitos das ações impensadas que geram os distúrbios agora sofridos.
A degenerescência orgânica é fácil e rápida, enquanto que a sua recuperação é complexa e 
demorada.
Toda construção e reedificação exigem tempo e experiência, não ocorrendo o mesmo com a ação 
destrutiva.
A vida saudável, portanto, são os esforços concentrados para a manutenção dos 
equipamentos da maquinaria corporal, sob equilibrado comando do Espírito.
Certamente encontramos corpos sadios e de aparência harmoniosa sob a direção de Espíritos 
frívolos, ignorantes e até perversos. É natural a ocorrência, que passará a um plano lamentável no 
futuro, em razão do seu mau uso atual, exigindo lenta e sofrida recuperação mediante enfermidades 
dilaceradoras, dolorosas.
É da Lei Divina, pois ninguém malbarata o patrimônio da vida sem experimentar as suas 
funestas consequências.
Da mesma fora, com frequência, são encontrados corpos mutilados e padecentes, nos quais 
habitam Espíritos sadios, ditosos. São eles os mestres da abnegação, que acima dos limites 
orgânicos, sem qualquer angústia, lecionam coragem diante da dor e ressarcem antigos débitos, que 
ficaram nas páginas do tempo e agora se apresentam para proporcionar a libertação total de quem os 
adquiriu.
Em toda a Criação vige a lei de igualdade, graças a qual ninguém frui de felicidade em 
caráter de exceção.
A luta é o clima por onde passam todos os seres na vida de evolução.
4º) CANALIZAÇÃO DOS PENSAMENTOS E DAS EMO-
ÇÕES PARA O AMOR, A COMPAIXÃO.
A JUSTIÇA, A EQUANIMIDADE E A PAZ.
A preservação do pensamento otimista predispõe a um estado emocional receptivo à saúde. 
Fácil, pois, se torna canalizá-lo para as expressões nobilitantes do amor, da compaixão, da justiça, 
da equanimidade e da paz.
O amor, que é o élan mágico que unirá todas as criaturas um dia, deve ser cultivado na 
condição de experiência nova, que o exercício converterá em um hábito, em um estado normal do 
Espírito.
A sua força restaura a confiança nos homens e na vida, porquanto, a sua presença produz 
estímulos facultando que, periodicamente, o sangue receba renovação de cargas de adrenalina, 
produzindo revigoramento orgânico.
Pela sua óptica os acontecimentos apresentam angulações antes não percebidas, permitindo 
que as emoções não se entorpeçam, nem se exaltem, ao mesmo tempoem que predispõe o indivíduo 
à compaixão, fator humanizador da criatura.
Quando as forças conjugadas do medo e da ira, da mágoa e da vingança, do ciúme e do ódio 
começam a perturbar a emoção, o sentimento de compaixão pelo algoz, apresenta-o frágil e 
vulnerável, evita que o desequilíbrio trabalhe em favor da agressividade por parte da vítima. Esta 
passa a ver o seu adversário como sendo um doente da alma, que ignora a gravidade do próprio mal, 
e, invés de derrapar na animosidade, envolve-o em ondas de simpatia, de compreensão, não lhe 
devolvendo o malefício que dele recebeu.
No quadro das doenças que abalam os homens, encontramos instaladas no perispírito várias 
matrizes de ódio, de ressentimento, de azedume, em relação a outras pessoas.
O amor propicia a compaixão que se gostaria de receber, caso a situação fosse oposta, 
diminuindo a intensidade do golpe recebido e anulando-lhe os efeitos danosos. Ela fala sobre a 
justiça inexorável de Deus que alcança a todos e propõe a bondade para com o opositor, 
conscientizando-o, embora indiretamente, de que o mal é sempre pior para quem o pratica.
Plenitude 51
A justiça, por sua vez, jaz insculpida na consciência de cada pessoa que pode ser anestesiada 
de manifestar-se.
O equivocado conhece o seu erro, mesmo quando o disfarça, e assim procede porque lhe 
sabe a procedência.
Encobrir uma ferida não impede que ela permaneça decompondo a área, na qual se encontra 
instalada.
A justiça na consciência impõe reparação do delito e das suas consequências infelizes, 
induzindo as vítimas a que não assumam a postura de cobradores, já que as leis soberanas dispõem 
de recursos que impedem se contraiam novos, quando se corrigem velhos débitos.
Para culminar o seu objetivo, tem ela que ser estruturada na equanimidade, que discerne 
como aplicá-la, sem o contributo emocional da paixão de qualquer natureza, porém com a 
finalidade superior de corrigir sem desforço e recuperar sem maus-tratos.
O sentimento de equanimidade nasce da razão que discerne e da emoção que compreende, 
fazendo que o recurso e o método de reeducação sejam os mesmos para todos os incursos nos seus 
códigos, não sendo severa em demasia para uns e generosa em excesso para com outros. A sua 
linha reta de ação abrange na mesma faixa todos os infratores, prodigalizando-lhes idêntico 
tratamento.
A consciência de amor com equanimidade propõe a paz, que tira as tensões e inspira o 
prosseguimento da ação. Estado íntimo de harmonia, irradia-se em sucessivas ondas de 
tranquilidade que se exteriorizam, promovendo a absorção e fixação das energias saudáveis no 
organismo.
O pensamento canalizado para a paz se torna uma onda que sincroniza com a Fonte do 
Poder, contribuindo para o entendimento geral e fraternidade, que é o passo inicial do amor entre as 
criaturas.
No processo de autocura, o Espírito recupera as energias gastas, vitaliza, mediante a ação do 
pensamento, os fulcros perispirituais e predispõe-se ao resgate pelo amor, sem a intenção de 
negociar benefícios, antes, com a de se tornar elemento útil no concerto social, membro ativo do 
progresso geral e não um peso desagradável quão infeliz na economia do grupo humano onde se 
encontra.
Co-autor da sua recuperação, ele haure na Fonte providencial do amor de Deus as energias 
sãs, saindo das sombras da enfermidade para as luzes da saúde, dispostos a contribuir decisivamente 
em favor do mundo melhor de hoje e de amanhã, renovado, esclarecido e feliz.
Plenitude 52
“Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela reveste...” 
(Item 249)
“As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua 
libertação...” (Item 252)
“Demais, o ascendente que o homem pode exercer sobre os Espíritos está na razão da sua 
superioridade moral. Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem serem 
superiores, são bons e benevolentes, mas pode dominar os que lhe são inferiores em moralidade.” 
(Item 254)
(O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, Cap. XXIII. 28ª edição, FEB.)
Plenitude 53
X – Terapia Desobsessiva
No estudo dos sofrimentos humanos destaca-se um capítulo que, pelas suas graves 
injunções, merece estudo à parte.
Chaga moral do Espírito, a obsessão tem uma generalização muito mais ampla do que se 
pode imaginar, tornando-se, periodicamente, uma virose de contágio célere, em face das 
circunstâncias que exige como decorrência do processo evolutivo das criaturas e do planeta, que a 
impõem como necessidade saneadora dos volumosos compromissos negativos que permanecem na 
economia da sociedade.
Na Antiguidade Oriental, como depois, durante a Idade Média, apresentava-se com 
características epidêmicas e varria os povos, dava-lhes uma trégua e retornava intempestivamente.
Confundida com a loucura nos seus diversos aspectos, tem desafiado os estudiosos do 
comportamento, da saúde, da religião e das ciências da mente.
Sutil, em certas ocasiões, assume proporções inesperadas, levando a extremos lamentáveis 
aqueles que lhe tombam nas urdiduras.
A humanidade tem-na sofrido, considerando-a, em diversas épocas, como castigo divino, e 
usado métodos de combate não menos cruéis, por desconhecimento da sua gênese, portanto, pela 
impossibilidade de enfrentá-la, de amenizá-la com recursos hábeis, eficazes.
Trata-se da alienação metal por obsessão, isto é, pela ingerência da presença psíquica de um 
desencarnado num encarnado.
A obsessão pode influenciar maleficamente também a organização física, produzindo 
patologias complexas quão danosas.
Allan Kardec estudou-a om proficiência, sendo o primeiro investigador a penetrar-lhe as 
causas, dissecá-las, e apresentou as terapias compatíveis, capazes de amenizá-la ou erradicá-la 
completamente.
Antes dele, Jesus, diversas vezes, enfrentou e atendeu obsessos e obsessores, socorrendo-os 
com Seu inefável amor e libertando-os uns dos outros mediante a força restauradora de que se faz 
possuidor.
Os Seus diálogos com esses enfermos são profundos, apresentando à psicopatologia 
admirável capítulo, que permanece obscuro nas áreas das doutrinas especializadas.
O Espiritismo, porém, por lidar com os fatores causais, analisa o problema e o elucida, 
propondo corretos métodos para atender os que se encontram envolvidos, ao tempo que fornece 
terapias preventivas, que impedem a instalação da mazela.
A obsessão tem as suas raízes fixadas nos antecedentes morais de ambos os litigantes, que se 
deixaram vencer pela inferioridade que os dominava, à época da pugna.
Egoístas e irrefletidos, não mediram as consequências dos seus atos venais, passando a 
vincular-se um ao outro por meio das algemas do ódio, do desforço, que os tornam cada vez mais 
infelizes.
Arrastam-se, desse modo, por séculos de sofrimentos excruciantes, passando de vitimas a 
algozes, e reciprocamente, até que o amor lhes acenda a luz da esperança nas sombras onde se 
detêm e o perdão os torne verdadeiros irmãos na senda evolutiva.
O amor é, assim, o primeiro medicamento para a terapia antiobsessiva.
Abre as portas à esperança e esclarece quanto às sagradas finalidades da vida, 
proporcionando o perdão que suaviza as dores produzidas pela ulcerações do ódio. Enquanto 
persistam o ressentimento e a malquerença, a desconfiança e o rancor, a obsessão permanece como 
ácido queimando as delicadas engrenagens da casa mental e produzindoas alienações tormentosas.
A mediunidade, por outro lado, é a grande oportunidade que faculta a identificação e a cura 
das obsessões, porque é através dos seus delicados mecanismos que elas se manifestam e, por eles 
mesmos, que se podem atender aos agentes indigitados.
Plenitude 54
O paciente, vítima de obsessão é, certamente, portador de mediunidade, que necessita de 
conveniente educação, a fim de aplicá-la em finalidades relevantes.
A obsessão é doença grave, mesmo que quando se apresenta em quadro simples, em forma 
de inspiração depressiva ou de morbo que afeta a saúde física. Isso porque impõe a transformação 
moral do paciente e a mudança emocional do agente que a desencadeia, consciente ou não.
Só há obsessão porque há débito de quem a sofre.
As leis da vida dispõem de recursos elevados para a reeducação dos incursos nos seus 
códigos de justiça.
No entanto, a intemperança e precipitação dos indivíduos, perturbados em si mesmos, 
levam-nos aos desforços e vinganças, produzindo esses desnecessários processos de sofrimentos.
A mente infeliz, mediante a monoidéia de revide, descarrega ondas de ódio no seu desafeto 
que, desequipado de recursos morais, tais vigilância, a caridade, o amor, capta-as pelo campo do 
perispírito, com o qual aquela sintoniza por afinidade vibratória até transformar-se em ideia 
perturbadora no seu próprio psiquismo.
De outras vezes, irradia as mesmas deletérias energias e condensa, pela ação da vontade, as 
suas vibrações, apresentando-se com aspectos terrificadores durante a vigília e o parcial 
desdobramento pelo sono, e provocando vinculação pelo pavor, que se transforma em patologia 
alucinante.
Na sucessão de interferências consegue dominar a mente culpada, que se lhe faz submissa, 
dando curso aos mais graves fenômenos de subjugação, que a ignorância, por muitos séculos, 
considerou como possessão demoníaca e os cientistas rotularam de esquizofrenia.
Da mesma forma, a constante ingestão psíquica da onda mental enfermiça produz distúrbios 
orgânicos variados, que facultam a instalação de germes destrutivos da saúde ou provocam, por si 
mesmos, degenerações celulares, ulcerações, disfunções de diversos órgãos.
A desobsessão, por consequência, é a terapia especializada e única possuidora dos recursos 
para a libertação do alienado.
Mediante o esclarecimento do Espírito enfermo, imbuído da falsa ideia de justiça, dever-se-á 
dissuadi-lo do infeliz propósito, demonstrando-lhe o erro em que se encontra e induzi-lo à certeza 
de que o amor de Deus tudo resolve.
Concluída essa tarefa, que exige a interferência de um médium educado – quando o 
fenômeno da psicofonia atormentada não se dá através do próprio paciente – é indispensável a 
conscientização da vítima, a fim de que busque a reabilitação por meio de uma mudança de 
comportamento mental e espiritual, aplicando as técnicas referidas no capítulo da autocura.
Essa forma moral do obsidiado fará que o seu atual perseguidor constate-lhe o esforço para 
melhorar-se, demonstrando arrependimento das ações infelizes, e, asserenando o ânimo, torne-se 
amigo do antigo verdugo, avançando com ele pela rota do bem.
O ministério da desobsessão pode também processar-se além da esfera física, pela 
interferência os Benfeitores espirituais, quando constatam o esforço da alma para reabilitar-se e 
auxiliar o seu perseguidor.
Nos processos que afetam o organismo físico, além do recurso espiritual liberativo é 
conveniente a terapia médica correspondente, para o reaparelhamento orgânico.
Proliferam, também, as obsessões entre os encarnados, graças aos abusos do sentimento, que 
os levam à vampirização psíquica, gerando distúrbios demorados.
Os desejos perturbadores direcionam petardos mentais que atingem aqueles aos quais são 
dirigidos, produzindo-lhes estranhas e desagradáveis sensações.
Quando são recíprocos, dão curso à interdependência psíquica que afeta tanto a área da 
emotividade como da organização somática, gerando sofrimento.
Toda forma de obsessão resulta de um inter-relacionamento pessoal interrompido pelas 
forças negativas da agressividade, do ódio, da traição, do crime ou das expressões do amor em 
desalinho, que destrambelham os sentimentos.
Plenitude 55
A desobsessão consiste na interrupção do processo de imantação de ambos os infelizes, 
porquanto o agressor, embora se considere realizado pelo mal que aflige a sua vítima, padece, por 
sua vez, de infortúnio e falta de paz.
A criatura é sempre responsável pela própria vida.
Somente há desar, obsessão e sofrimento, porque se elegem os comportamentos doentios em 
detrimento daqueloutros positivos.
Diante das obsessões, constata-se o retorno dos atos inditosos em busca da reparação 
imediata.
Dissolver os grilhões do mal com as energias poderosas do amor, eis no que consiste a 
terapia desobsessiva, que libera o ser do sofrimento que a sua incúria gerou, favorecendo-o com a 
saúde integral, resultado de uma mente em harmonia com a vida, uma organização física em 
equilíbrio e a emoção como a razão dirigidas para o bem, para o progresso, para a felicidade.
Plenitude 56
“Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do 
corpo, sem tratarem da alma. Ora, no se achando o todo em bom estado, impossível é que uma 
parte dele passe bem.”
(O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Introdução – Item XIX – Resumo da 
Doutrina de Sócrates e Platão – 52ª edição, FEB)
Plenitude 57
XI – Terapias Alternativas
A ignorância, geradora do egoísmo, que propicia o apego e a paixão às pessoas e coisas. É a 
grande responsável pelos sofrimentos.
Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constantes alterações, o apego 
representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos e reter tudo mais, impossibilitando o 
surgimento da realidade.
O impermanente é a materialização transitória da realidade e, por consequência, todo apego 
exagerado à forma produz sofrimento em razão das inevitáveis alterações que ela experimenta. 
Corresponde à ilusão de pretender-se deter o tempo, que deixará frustrado aquele que se apega a tal 
intento.
Assim, a maioria das enfermidades se origina na área emocional, como efeito do 
desequilíbrio da energia, transferindo-se para o psíquico ou físico, produzindo lesões que alteram a 
estrutura orgânica.
As terapias da Medicina clássica objetivam, quase sempre, deter as doenças, destruir os 
invasores perniciosos, sustentar o corpo.
Toda a filosofia médica ocidental centraliza-se nesse objetivo como essencial à saúde, com 
pequenas variações metodológicas.
A sabedoria oriental, em contrapartida, estabelece, há milênios, que, sendo as doenças 
efeitos degenerados da energia pelos fatores já examinados, elas devem ser combatidas nas suas 
causas.
Assim, variam as técnicas alternativas para a aquisição da saúde, mediante a supressão da 
sua causalidade.
Ressurgem agora, no ocidente, essas terapias, abrindo espaços para a eliminação ou, pelo 
menos, modificação do sofrimento, propondo a restauração do equilíbrio energético no ser.
A Ciência Espírita, por sua vez, reconhecendo que todo sofrimento decorre do mau uso do 
livre-arbítrio pelo homem, nos valores morais em recomposição se encontra o mecanismo essencial 
para a liberação do mesmo.A tese é extensiva à problemática das doenças.
Sem uma correspondente transformação moral do paciente, a terapia que se lhe aplique, 
quando enfermo, poderá modificar-lhe o quadro orgânico, não, porém, liberá-lo, porquanto ao 
primeiro ensejo, ela ressurgirá ou facultará a manifestação de outras patologias já vigentes no 
campo vibratório não reequilibrado.
As terapias alternativas preocupam-se, essencialmente, com o homem integral, com todo o 
complexo que se exterioriza no corpo e não apenas com este.
A acupuntura, por exemplo, considera o corpo como um instrumento de um sistema 
energético, portanto, não físico, o que equivale a dizer, menos denso do que aparenta. Esse sistema 
tem prevalência sobre todo o conjunto, qual se fosse um outro sistema nervoso mais complexo, 
sustentando toda a aparelhagem delicada e os seus implementos mais sutis da organização somática.
Encarrega-se de manter a interação mente-corpo, emoção-sensação, pensamento-matéria.
A técnica da acupuntura busca, através do corpo físico, alcançar o campo de energia e 
vitalizá-lo, eliminando os bloqueios impeditivos da irrigação de forças mantenedoras da saúde.
Esse sistema energético é composto de meridianos que são correntes de energia que se 
estendem por todo o corpo, nos seus mais variados departamentos.
Pode-se, com relativa facilidade, encontrar e medir os pontos de acupuntura, carregados de 
energia, ao longo dos meridianos. Modernamente, o tobiscópio, delicado aparelho elétrico, 
consegue localizá-los, comprovando-lhes a existência. 
Considera-se que existem quatorze meridianos principais e cinquenta e sete secundários, 
constituindo o sistema energético.
Plenitude 58
Em face de qualquer bloqueio na corrente de energia ou desequilíbrio proveniente da força 
mental devastadora e dos atos morais reprocháveis, as enfermidades se instalam.. aplicando-se 
agulhas nos pontos de acupuntura, reequilibra-se a energia do meridiano, desbloqueando-o e o 
sistema gerador se refaz, restaurando a saúde.
Esses pontos sensíveis podem facultar a anestesia para tratamentos cirúrgicos nos casos mais 
graves, partos, etc.
Outra prática de inestimáveis resultados é a ioga, especialmente para a emoção em 
desequilíbrio, para os graves problemas psicológicos e alguns outros na área de saúde.
O conhecimento dos chakras (rodas) como fontes de energia no sistema de vitalização 
orgânica, propiciou técnicas de desenvolvimento, alimentação e equilíbrio de forças, para a 
manutenção da aparelhagem material de que se utiliza o Espírito no seu processo de evolução.
Os chakras, tradicionalmente em número de sete, são considerados como órgãos de energia.
Do coronário ao genésico eles são o suporte de sustentação das funções psíquicas e 
orgânicas do corpo.
Segundo a mesma tradição, o mais importante a ser considerado nos chakras é a 
denominada energia Kundalini, também conhecida pelo nome de serpente adormecida, que se 
manifesta em ascendente pela espinha dorsal, nutrindo-os e sendo, ao mesmo tempo, por eles 
sustentada. É também responsável pela organização dos nervos.
Quando adormecida na base, atende por automatismo a organização dos chakras.
Por meio da meditação, de exercícios rítmicos, de várias outras técnicas, é despertada e sua 
energia pode ser canalizada convenientemente, atendendo os chakras, ampliando a área da 
consciência espiritual e facultando saúde física, vitalidade, harmonia nervosa.
Essa, também, chamada serpente de fogo, permite a aplicação da sua energia no 
restabelecimento da saúde pessoal, como pode ser aplicada em benefício de outros indivíduos.
A ioga faculta o equilíbrio psicofísico, transformando-se em terapia alternativa de grande 
valor.
A cromoterapia talvez se haja inspirado na helioterapia, que consiste, esta última, na 
utilização dos raios solares, como equilíbrio, provocando uma ativação salutar dos mecanismos 
vitais do corpo.
A colesterina, por exemplo, sob a ação dos raios ultravioletas se transforma na vitamina D 
ou anti-raquítica.
É de excelente resultado, quando sob cuidadoso controle, mediante aumento de tempo sob a 
exposição solar, nos casos de espasmofilia, nas anemias infantis, em variados casos de astenia, nas 
convalescenças, na asma infantil, na tuberculose cutânea, em múltiplas dermatoses. Etc.
Os solários são de comprovado resultado positivo nas neuranemias, neurastenias, etc.
A cromoterapia devidamente aplicada, por meio de um correto conhecimento das cores e 
dos efeitos, proporciona estados de recuperação da saúde.
A luz vermelha, por exemplo, em determinados estados infecciosos, como na varíola, faculta 
bons resultados.
A homeopatia nasceu por volta de 1796, quando Samuel Hahnemann iniciou a sua 
aplicação, após publicar o seu Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas 
das substâncias medicinais, seguido de alguns comentários a respeito dos princípios aceitos na 
época atual.
Ele havia experimentado em si mesmo e nos familiares por seis anos a nova terapêutica, 
cujos resultados foram surpreendentes.
A homeopatia se fundamenta no princípio do similia, similibus curanter ou seja, os 
semelhantes curam os semelhantes e, através de diluições infinitesimais, nas quais, teoricamente, 
não devem existir moléculas da substância original, o medicamento deixa de ser químico para 
tornar-se físico.
Como tudo no Universo são energia e matéria, que se convertem, devem-se aplicar os 
Plenitude 59
recursos energéticos para que se reequilibre o organismo físico, na usa essência, igualmente 
constituído da energia necessária à vida.
...E multiplicam-se as terapias alternativas: piscobiofísicas, das vidas passadas, cirurgias 
psíquicas e mediúnicas, hipnose, ao lado da fitoterapia ou flora medicinal, cristalterapia e outros 
cooperando para a saúde, o reequilíbrio da criatura na Terra, a diminuição e mesmo o 
desaparecimento do sofrimento no mundo.
Considerando a valiosa contribuição de todas elas, não podemos esquecer que é na 
transformação moral do indivíduo para melhor, na ação da caridade – como prescreve o 
Espiritismo, respaldado no conceito de a pecar, a fim de que não lhes acontecesse nada pior – que a 
cura real se processa e o sofrimento se dilui, cedendo lugar à paz e ao equilíbrio psicofísico.
Plenitude 60
OS MENSAGEIROS DA MORTE
“todos aqueles que, imprudentes, não atentam
Para quando aparecem os mensageiros da morte,
Durante muito tempo sentirão a dor
Habitando algum corpo-forma inferior.
Mas todos os homens bons e santos,
Ao verem os mensageiros da morte,
Não agem impensadamente, mas dão ouvidos
Ao que a Nobre Doutrina diz,
E, no afeto, amedrontados, vêem
Do nascimento e da morte a fértil fonte,
E se libertam do afeto,
Extinguindo, assim, o nascimento e a morte.
Esses são seguros e felizes,
Livres de todo esse espetáculo fugaz;
De todo pecado e medo isentos,
Dominaram todo o sofrimento.”
Angutarra-Nikaya, III, 35ª
(Trad. Inglesa de Warren.)
Plenitude 61
XII – Sofrimento ante a Morte
A impermanência de todas as coisas e pessoas no mundo físico é também extensiva à 
conjuntura do sofrimento.
A sua vigência resulta da intensidade dos fatores causais que o engendraram.
O campode energia afetado, no caso das doenças, terminada a prova ou a expiação que 
depuram, recompõe-se, facultando o equilíbrio. Não obstante, nos sofrimentos morais, quando a 
desarmonia é emocional, por meio do autocontrole, da oração, da meditação, das ações de 
beneficência, o ser mais facilmente se libera, deixando de valorizar demasiadamente as ocorrências 
aflitivas, considerando-as naturais no processo evolutivo, e por consequência, aceitáveis.
A aceitação do sofrimento é o passo decisivo para a liberação dele, enquanto a rebeldia 
produz efeito totalmente contrário.
Compreendendo-se que o corpo é uma organização delicada, sujeita a deterioramento, 
desgaste e transformação pelo fenômeno da morte, nele não se colocam as bases da vida, nem se 
fiam as realidades essenciais. Assim, quando lhe sucedam as desconexões e os desajustes, 
advindo-lhes a interrupção, a morte não se transforma em motivo de desgraça, de ruína.
A preparação conveniente para enfrentar a morte faculta uma aceitação do seu fatalismo e, 
portanto, uma diminuição do sofrimento.
Quem, na vida material deposita todas as suas aspirações e nela vê um fim único, 
constatando-lhe a interrupção, o cessar de manifestações, experimenta superlativas dores morais, 
que se transformam em sofrimentos físicos sem lenitivo imediato.
Assim, as dores têm muito a ver com as disposições psicológicas de cada indivíduo, a 
maneira de encarar a vida e a sua estrutura, os acontecimentos e as suas matrizes.
A morte, por ignorância da vida, tem sido através dos milênios a causa de sofrimentos 
inimagináveis, desencadeadora de tragédias e de desconforto sem-fim.
Todo fenômeno biológico que se inicia, naturalmente cessa. Tudo que nasce, no plano físico, 
interrompe-se, transforma-se, portanto, morre.
Não há prazo nem determinismo absoluto de tempo, dependendo de inumeráveis razões para 
que o ciclo que começou se encerre... Assim, a morte é inevitável e o sofrimento que ela gera resulta 
somente de mé interpretação dos objetivos da vida.
O apego à forma transitória, que se decompõe, produz a perturbação emocional, dando ideia 
de que tudo se consumiu, nada mais restando como finalidade da existência humana.
Colocadas todas as esperanças no corpo, os fenômenos inerentes `sua constituição 
perturbam quem nele se firma, produzindo o impacto desesperador.
De certo modo, a ocorrência é resultado de uma educação, uma formação cultural 
materialista, mesmo que sob o disfarce espiritualista. As pessoas ligam-se a correntes religiosas sem 
vinculação emocional nem aprofundamento racional do seu conteúdo, e, em face desse 
comportamento, a morte se lhes apresenta como sendo a grande destruidora de planos, de anseios e 
realizações.
Por negarem-se a uma análise profunda em torno da vida, passam a existência corporal 
transferindo reflexões no tempo e programando, fruindo ao máximo, sob a conivente ilusão da 
eternidade carnal. Quando jovens, transferem para a velhice o exame da morte quando sadios, 
adiam para o período das enfermidades a mesma reflexão, acreditando-se invulneráveis ao desgaste 
e aos fenômenos degenerativos da matéria.
Á medida que o tempo transcorre, negam-se a envelhecer, utilizando-se de expedientes 
cirúrgicos, ginásticos, alimentares, na vã tentativa de manter a juventude que os anos arrebatam 
inexoravelmente. A luta para escamotear a realidade é tenaz, e, quando essa se apresenta vexatória, 
derrapam nas crises neuróticas, nas fugas pelos alcoólicos e outras drogas, tombando no suicídio.
Assim, a morte tem sido responsabilizada por ocorrências que lhe não dizem respeito e 
Plenitude 62
devem ser creditadas à intemperança das próprias criaturas.
A morte de um ser amado, em razão disso, não deveria acarretar desespero, antes alegria, 
especialmente se a sua foi uma existência digna.
Deplora-se, então, não poucas vezes, a morte de uma pessoa boa e a permanência de outra 
má, numa espécie de desequilíbrio das leis soberanas, quando o correto é essa determinação.
O homem e a mulher de bem, porque exemplares na conduta e no pensamento, encerraram 
os seus compromissos o mundo físico, podendo retornar à sua origem, enquanto os endividados, os 
de conduta insana devem desfrutar de tempo para a sua reparação, o reequilíbrio.
O corpo, mesmo quando bafejado pela saúde, é um cárcere, e a liberação de um ser amado 
que volve à plenitude deverá causar alegria e não desgosto.
Se forem pessoas más que desencarnem, também a satisfação deveria permanecer, pelo fato 
de a mesma interromper-lhes o curso dos delitos, facultando-lhes tempo para pensar, não se 
comprometendo mais, nem se arruinando em demasia.
Não é assim que reagem as criaturas, na teimosia em que permanecem, negando-se a uma 
mudança saudável de conduta.
“Não me conformo” - asseveram uns. - “É uma desgraça”. - afirmam outros. “Nunca 
aceitarei”. - informa a maioria, diante da morte dos seres queridos, entregando-se voluntariamente 
ao sofrimento.
O orgulho desmedido e a presunção pessoal são lhes os adversários mais rigorosos, que não 
lhes permitem raciocinar diante do que acontece com todos os seres.
Acompanham a ocorrência da morte em toda parte com as demais pessoas, porém, acreditam 
que não ocorrerá com eles, pelo menos, indefinidamente, na dimensão do seu capricho.
Como morte no interroga antes os interessados na vida, ao arrebatá-los, deixa surpresos os 
seus afetos, que se entregam às desordens emocionais e aos desnecessários sofrimentos que os 
arrasam.
 A morte sempre produz sentimentos contraditórios naqueles que partem, como naqueloutros 
que ficam.
Para todos é, normalmente, uma grande surpresa, na maioria das vezes, desagradável.
Quem considerou e se preparou para o acontecimento, logo se adapta após o choque inicial, 
como é compreensível. No entanto, para aquele que ao corpo delegou todos os interesses, a surpresa 
é substituída pelo desgosto ante o suicídio, acompanhado por injustificável revolta, que causa males 
insuspeitados.
O sofrimento que decorre da morte é, portanto, resultado da óptica pela qual se observam e 
se acompanham os mecanismos da vida.
Constituem fenômenos naturais a dor da saudade, a melancolia, a preocupação com o estado 
do ser que partiu, como decorrência de necessárias provações para o amor, que precisa sublimar-se 
pela ausência física e por todas as implicações dela decorrentes.
Como a real, a verdadeira felicidade não se pode fruir no mundo físico, dia chegará, logo 
mais, para vivê-la, onde não haja morte, nem separando-se para morrer, aflitiva, evitando o 
desespero e todo o seu séquito de agentes perturbadores.
Plenitude 63
 
“Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso. 
De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que 
aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a 
sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a 
influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa 
que lhe obscurece os pensamentos.
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de 
algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando 
ainda viviam na Terra, se identificaram com o estado futuro que os aguardava, são os em que 
menos longa ele é, porque esses compreende imediatamente a posição em que se encontram.
(”Comentários de Allan Kardec à questão nº 165 de O Livro dos Espíritos. 29ª edição, FEB)
Plenitude64
XIII – Sofrimento no Além-Túmulo
A problemática do sofrimento se apresenta, à luz do Espiritismo, com uma dimensão 
desconhecida pela maioria das doutrinas filosóficas e religiosas, ampliando a sua área de estudo e 
discussão.
As religiões ortodoxas resolveram a questão da Justiça Divina mediante a aplicação das 
penas e recompensas eternas. Estabeleceram o conceito de punição eterna, engendrando uma forma 
de vingança celeste, na qual o amor, a compaixão, a benevolência e a própria justiça ficam à 
margem, desconsiderados.
O infrator, segundo esse critério, perde o direito à reabilitação. Mesmo quando ignorante, 
psicopata ou simplesmente revel, ao tombar no erro é condenado sem remissão, caso morra em 
pecado.
Com a mesma atitude, num momento severa, noutro, torna-se ingênua, diante do medroso 
que se arrepende ou do astuto que diz submeter-se ao dogma ou aceitar o cristo como seu salvador, 
liberando-o, a passe de mágica, de todo o sofrimento e brindando-o com a perpétua felicidade, que é 
reservada ao justo, como se procedimentos díspares merecessem a mesma qualificação e 
recompensa.
A culpa assinala a consciência que se abre em chaga viva até a reparação do erro, a 
recomposição do campo energético agredido. O arrependimento sincero ou os propósitos honestos 
de reabilitação não bastam para conceder o reequilíbrio no psiquismo e na emoção do delinquente. 
Por isso, quanto mais esclarecido e lúcido o infrator, tanto maior o grau da sua responsabilidade.
O erro retém o seu autor nas próprias malhas, que este deve desfazer mediante a correção do 
que foi praticado. Esse labor faculta dignificação, promovendo o indivíduo.
Liberado do mal praticado, adquire experiência e avança, estrada a fora, no rumo de novos 
patamares para a felicidade, sem retentivas a retaguarda.
Nem mesmo o perdão que a vítima concede ao seu malfeitor libera-o da consciência de 
culpa. Ajuda-o, naturalmente, a sentir-se melhor consigo próprio e com aquele a quem prejudicou, 
estimulando-se, ele mesmo, para reparar o dano causado. Mediante a concessão do amor e não o 
ódio em forma de revide, torna-se-lhe mais factível a vitória, recuperação moral, assim 
liberando-se do sofrimento.
A ilusão da posse, a presença das paixões primitivas, o egoísmo, agasalhados enquanto no 
corpo, transferem as chagas que geram para além da sepultura.
Desde que o homem é Espírito e este, energia, as suas mazelas permanecem impregnadas, 
produzindo as ulcerações alucinantes onde quer que este se encontre: no corpo ou fora dele.
Não provocando real alteração em ninguém, a morte apenas transfere os seres de posição e 
situação vibratória, mantendo-ps conforme são.
É natural que a troca de indumentária imposta pelo cessar do fenômeno biológico não lhe 
arranque as estratificações na área da energia, portanto, na sede da consciência.
O desencarnado desperta além das vibrações moleculares do corpo com as mesmas aptidões, 
ansiedades, engodos, necessidades cultivadas, boas ou más, voltando a assumir a postura 
equivalente ao grau de evolução em que estagie.
As sensações que lhe são predominantes na individualidade permanecem-lhe, quando 
atrasado, sensual, amante dos prazeres, vinculado aos pensamentos sinistros, licenciosos, egoísticos, 
fazendo-o experimentar a mesma densidade vibratória que lhe era habitual durante a conjuntura 
orgânica. Rematerializa-se e passa a viver como se estivesse encarcerado no corpo somático, 
sofrendo-lhe todos os limites, conjunturas, condicionamentos, doenças, desgastes... A mente, 
escrava das sensações, elabora formas ideoplásticas que o aturdem e infelicitam, tornando-lhe o 
sofrimento de difícil descrição.
Tenta o contato com os familiares e amigos que ficaram, e eles não se apercebem, o que lhe 
Plenitude 65
aflige dores morais superlativas, levando-o à loucura, à agressividade, ao desalento.
Em alguns momentos, esbraveja e exaure-se, entregando-se aos paroxismos do desespero e 
desmaia, para logo recomeçar, sem termo, até quando brilha na consciência entenebrecida o amor, 
que o desperta para outro tipo de sofrimento, o de remorso, do arrependimento que o conduz ao 
renascimento, para a recuperação sob os estigmas da cruz que traz insculpida na existência.
Enquanto não lhe chega esse socorro, une-se em magotes de desesperados, que constroem 
regiões dantescas, onde se homiziam e prosseguem sob o açodar das penas que o automatismo das 
leis de Deus, neles próprios, como em todos nós inscritas, impõem.
O sofrimento, nessas regiões, decorre dos atentados perpetrados com a anuência da razão.
Ninguém se evade das consequências dos seus atos, como planta alguma produz diferente 
fruto da sua própria estrutura fatalista.
O amor é a grande lei da vida. É o amor que estabelece o critério de justiça com igualdade 
para todos, respondendo em reação conforme praticada a ação.
A conduta mental e moral cultivada durante a existência corporal propicia resultados 
correspondes, impregnando o ser com os hábitos que se transformam em experiências de libertação 
ou retenção, consoante a qualidade de que de revestem.
O prolongamento da vida após a morte física faz-se com as mesmas características, 
resultando as fixações como futuros critérios de comportamento. Porque a mente viciada gera 
necessidades que não encontram correspondente satisfação, o sofrimento é a presença constante 
naqueles que se enganaram ou lograra prejudicar os outros.
Consciências encarceradas na ignorância das leis da vida, quando são chamadas ao 
sofrimento purificador, entregam-se à rebeldia e buscam fugir da colheita que lhes chega mediante 
o suicídio horrendo.
Para a própria desdita, mais dolorosa, encontram a vida que ultrajaram com o gesto 
desvairado, somando às novas dores a frustração por constatarem-se como indestrutíveis, e as 
aflições decorrentes do ato praticado, que produzem dilacerações no perispírito que passa, então, a 
sofrer males que não conduzia. Além desses, estão na sua realidade espiritual, as consequências 
infelizes, tais: a dor dos familiares ou a revolta que neles se instala; o exemplo negativo, que 
estimula outras futuras defecções; os problemas que recaem sobre os que ficaram, produzindo-lhes 
sofrimentos inenarráveis, que se arrastam por decênios largos até o momento de retorno à Terra, 
com as marcas da deserção.
Noutros casos, buscando fugir às enfermidades degenerativas, outras pessoas recorrem à 
eutanásia, na ingênua perspectiva de sono eterno sem despertar, quando tudo fala de vida, de 
atividade, de progresso.
O letargo que buscam é povoado de pesadelos sombrios e presenças espirituais impiedosas, 
que lhes invectivam o ato e as atormentam sem descanso.
A morte, em hipótese alguma, faz cessar o sofrimento, porque, não anulando a consciência, 
faculta-lhe logicar e vivenciar o prosseguimento das experiências, e porque as percepções 
pertencem ao Espírito, continuam sendo transformadas as delicadas engrenagens da energia em 
sensações e emoções. Daí a manifestação do sofrimento corrigindo os erros e conduzindo o infrator 
à reparação.
Ninguém pense em morrer para libertar-se, caso não se libere antes do fenômeno de 
alterações biológicas pelo processo da morte.
A ilusão que se permite os indivíduos, conceituando a vida como um acidente biológico, à a 
grande responsável pelos disparates que lhes engendram dor e sofrimento.
Somente a conscientização, a verdadeira individualização permitem uma vida saudável, na 
Terra e além dela, quando ocorre o fenômeno da morte, em natural processo final de ciclo 
biológico.
Prosseguindo o ser, além da disjunção cadavérica, com a consciência de si mesmo, é natural 
que permaneçamnele impressas as sensações e emoções amplamente vividas. Omo efeito, aquelas 
Plenitude 66
que lhe constituíram bênção ou desarmonia predominam com mais vigor, dando curso à vida, 
embora noutra dimensão.
Nessa panorâmica, ressaltam as impressões grosseiras, de que não quis ou não de pôde 
libertar, gerando sofrimentos correspondentes, qual se permanecesse na esfera física.
Como é compreensível, as fantasias cultivadas e os desequilíbrios da insensatez geram, na 
área dos sentimentos, amarguras, que são complementadas pelos complexos resultados da 
consciência de culpa, em razão dos erros perpetrados e de tudo quanto de positivo ele houvera 
podido realizar e não logrou fazer.
A consciência que se apresenta culpada engendra mecanismos de reparação que se 
transformam em pesadelos de arrependimento desnecessário, assim permanecendo como látego 
inclemente a infligir-lhe punição.
O arrependimento deve constituir um despertar da responsabilidade que convida à 
reconstrução, à renovação, à ação reparadora sem aflição nem desdita.
O sofrimento no além-túmulo também assume condições chocantes, quando o desencarnado, 
por meio da perturbação do após-morte, entrega-se às ideoplastias do cotidiano, construindo 
psiquicamente um clima e uma realidade, nos quais se envolve, que lhe proporcionam o 
prosseguimento do estado orgânico com as suas difíceis conjunturas, agora em situação diferente, 
prolongando a ilusão carnal com todos os seus ingredientes perturbadores, que são resultado do 
apego à matéria, de que se não libertou realmente, apesar do fenômeno biológico da morte.
É indispensável a libertação dos condicionamentos materiais, disciplinado a mente e a 
vontade, de modo a adaptar-se de imediato à vida-além-da vida. Somente assim o sofrimento pode 
ser evitado, especialmente se a existência corporal fez-se caracterizar pelas ações enobrecidas, 
atingindo a finalidade precípua da reencarnação, que é a busca da felicidade.
A educação moral e espiritual do ser é o instrumento seguro para libertá-lo do sofrimento na 
Terra, como no além-túmulo, facultando-lhe vida em abundância de paz.
Plenitude 67
“Irmãos, tomai como exemplo, só sofrimento e na paciência, os profetas que falaram em nome do 
Senhor.
Eis que chamamos felizes aos que sofreram.
Tendes ouvido da paciência de Job e tendes visto o fim do Senhor, que é cheio de ternura e 
de compaixão.”
(Tiago, 5:10 e 11.)
Plenitude 68
XIV – Libertação do Sofrimento
Diante da infinita gama dos sofrimentos que dilaceram as criaturas, a finalidade da terapia 
profunda é arrancar-lhes as causas geradoras.
Ao lado de todo o contributo ético-moral que suaviza o sofrimento e altera-lhe a 
causalidade, produzindo gêneses saudáveis para o futuro, a assistência médica, quando se trate de 
questões na área da saúde física, assim como a assistência das ciências psíquicas no comportamento 
alienado ou nos conflitos da personalidade são de relevante valor.
Seja qual for o tipo de sofrimento, as suas garras produzem chagas de demorado processo 
degenerativo que leva, às vezes à alucinação, ao despautério, às arbitrariedades, especialmente as 
pessoas destituídas de resistências morais.
Normalmente, a sua intensidade é captada conforme a sensibilidade de quem o experimenta.
Sofredores há, na esfera física, portadores de alta capacidade para suportar-lhe a injunção, 
que, no entanto, tombam, desalentados, quando o sofrimento se apresenta no campo moral.
A recíproca é verdadeira, consagrando os heróis das resistências quase inacreditáveis, sob o 
jugo dos terríveis acúleos cravados nos tecidos da alma.
 O sofrimento está muito relacionado com o processo espiritual.
A ampla sensibilidade faculta-lhe maior profundidade emocional, que responde pelas 
angústias e desagregações interiores, sem queixumes nem acusações. O padecente silencia a dor e 
deixa-se estraçalhar interiormente, em especial quando tomba nas aflições morais, derivadas da 
traição, da injustiça, da crueldade, do abandono, do isolamento...
Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor 
as lâminas cortantes, com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise 
com amadurecimento e paz. As enfermidades de larga duração aformoseiam-lhes o caráter e 
dão-lhes maior quota de amor aos sentimentos, que transbordam de ternura.
Quando atingem aqueles que estagiam em faixas menos evolutivas, as enfermidades 
brutalizam-nos e asselvajam-lhes as bases dos sentimentos, que se desenvolviam noutra direção 
benéfica.
O Espiritismo, em razão da sua complexa estrutura cultural, científica, moral e religiosa, é a 
doutrina capaz de equacionar o sofrimento, liberando as suas vítimas.
Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, 
propondo a sua elucidação e cura. Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, 
no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a 
gênese e a solução: os sonhos e a imaginação.
Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o 
atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava 
os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.
Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para 
a cura da alma., na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.
A individualização e a marcha na direção do numinoso constituíram-lhe valiosos 
mecanismos terapêuticos para os problemas dos pacientes que o buscavam.
A promoção moral proposta pelo Espiritismo e a contribuição extraordinária que dá, pelo 
fato de ser a alma imortal – herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de 
sofrimentos – e da reencarnação – em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não 
raro, o sofrimento – constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem 
e na Terra.
O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, 
direcionada para o bem e para o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a 
plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos no mundo está reservada pelo Pai Criador.

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