A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
26 pág.
Redação em Telejornalismo

Pré-visualização | Página 1 de 11

Redação em Jornalismo
organização: Fausto Coimbra
Índice:
1 - Retórica, verdade e poder ............................... 01
2 - Discursos retóricos e informativos ................. 02
3 - Jornalistas e jornalismo .................................. 03
4 - A linguagem da informação ............................03
5 - O texto jornalístico ............................................04
6 - Estrutura do texto informativo ....................... 05
 6.1 - O texto expositivo .................................... 05
 6.2 - O parágrafo lógico em texto expositivo ... 06
 6.3 - A distribuição das documentações
 no parágrafo lógico ................................... 07
7 - Lead / Pirâmide Invertida ............................... 08
 7.1 - O lead clássico .......................................... 08
 7.2 - Outros tipos de lead .................................. 10
 8- Sublead .............................................................. 11
 9 - Gancho ............................................................. 11
10 - Desenvolvimento da Notícia ..........................12 
11- Fontes Jornalísticas ........................................ 13
 11.1 - Categoria de fontes .................................. 13
 11.2 - Grupos de fonte ........................................ 14
 11.3 - Crédito das fontes .................................... 16
 11.4 - Qualificação das fontes ............................ 17
12 - Grafia de números (jornalismo impresso) ..... 18
 12.1 - Instruções Gerais ..................................... 18
 12.2 - Por Extenso .............................................. 18
 12.3 - Em Algarismos .............................................. 19 
13 - Notícia ......................................................... 20
14 - Reportagem ................................................. 21
 14.1 - Redação de reportagem ......................... 22
15- Referências ..................................................... 26
 1 - Retórica, verdade e poder 
(Teoria e Técnica do Texto Jornalístico, Nilson Lage – págs 11 à 14)
 À medida que as sociedades foram ficando 
mais complexas, comprovou-se que o exercício do 
poder dependia da concordância dos subordinados, 
os quais era preciso convencer. A retórica nasce aí...
 Retórica é tecnicamente definida como “a 
faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, 
pode ser capaz de gerar persuasão”. Em sentido 
amplo, mistura-se com a poética1 como “arte da 
eloquência em qualquer tipo de discurso”. Utiliza 
normalmente a linguagem comum e como escre-
veu Aristóteles, parte das ideias geralmente aceitas; 
eventualmente, procura impressionar usando for-
mas arcaicas que sugerem a posse de uma “cultura 
superior”.
 A persuasão que a retórica persegue deve 
ser obtida principalmente por meio de palavras; não 
há recurso à violência, embora força e argumen-
tação possam e costumem ser usadas com objetivos 
convergentes. A preocupação maior é com a adesão, 
não com a verdade, se concebermos esta como ade-
quação do enunciado aos fatos.
1 A Poética (em grego antigo: Περὶ ποιητικῆς; em latim: 
poiétikés), provavelmente registrada entre os anos 335 a.C. e 323 
a.C. (Eudoro de Souza, 1993, pg.8), é um conjunto de anotações 
das aulas de Aristóteles sobre o tema da poesia e da arte em sua 
época, pertencentes aos seus escritosacroamáticos (para serem 
transmitidos oralmente aos seus alunos) ou esotéricos (textos para 
iniciados).
 Tal definição de verdade, tomada como 
referência nas ciências exatas, é uma leitura par-
ticular, embora consensual, da fórmula “a verdade 
lógica é a adequação entre o enunciado e a coisa”, 
proposta inicialmente por Isaac Israeli no século 
IX, e adotada por São Tomás de Aquino (Summa, 
1:21:2), no século XIII. Martin Heidegger, ao mes-
mo tempo simpático ao nazismo e o filósofo mais 
influente do século XX, decompôs esse conceito (de 
fato, suprimindo a palavra “lógica”), em duas possi-
bilidades: a verdade como adequação do anunciado 
à coisa (tida como o entendimento clássico) e a ver-
dade como adequação da coisa ao enunciado. 
 Esse último sentido pode ser compreendi-
do como subordinação da verdade ao poder de al-
guns homens. Por trágico o terrível que seja, esse 
entendimento difunde-se no mundo atual, gerando 
paroxismos2 de consumo e a difusão de ideias in-
dependente do mérito e da pertinência. No plano 
político, o que talvez seja mais grave, tal entendi-
mento gera uma espécie de fascismo3 disfarçado ou 
de fantasia democrática imposta pelo dinheiro ou 
pelas armas, associadas a estratégias de “fabricação 
do consentimento” ou de “engenharia social”.
 O consumo de produtos e ideias, motiva-
do pela associação a bens simbólicos (sugerindo 
2 Paroxismo: s.m. Extrema intensidade de uma doença, de 
uma paixão, de um sentimento. (Sin.: auge, apogeu, culminância.) 
Sinônimos: agonia, angústia, auge e estertor.
3 Fascismo é uma forma de radicalismo político autoritário 
nacionalista que ganhou destaque no início do século XX na 
Europa. Os fascistas procuravam unificar sua nação através de um 
Estado totalitário que promove a mobilização em massa da comuni-
dade nacional, confiando em um partido de vanguarda para iniciar 
uma revolução e organizar a nação em princípios fascistas. Hostil à 
democracia liberal, ao socialismo e ao comunismo, os movimentos 
fascistas compartilham certas características comuns, incluindo 
a veneração ao Estado, a devoção a um líder forte e uma ênfase 
em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo. O fascismo vê 
a violência política, a guerra, e o imperialismo como meios para al-
cançar o rejuvenescimento nacional e afirma que as nações e raças 
consideradas superiores devem obter espaço deslocando aquelas 
consideradas fracas ou inferiores, como no caso da prática fascista 
modelada pelo nazismo.
prestígio, juventude, individualismo etc.) e pela 
construção de raciocínios similares aos lógicos, 
seria assim, resultado verdadeiro da retórica pub-
licitária ou propagandística – não da conformidade 
entre enunciados (ou sujeitos) e objetos (o produto, 
a ideia), como conceberam os escolásticos4 . 
2 - Discursos retóricos e informativos 
(Teoria e Técnica do Texto Jornalístico, Nilson Lage – pág 14)
 O discurso retórico é voltado para versões 
ou interpretações da realidade isso o distingue do 
discurso informativo, voltado essencialmente para 
os fatos. Assim não se pode dizer que houvesse 
má fé do padre Antônio Vieira5 , quando, em suas 
pregações, calculou em 20 milhões o número de 
índios existentes no maranhão, no século XVII, o 
que lhe importava era a utilização retórica (poten-
cial de persuasão) desse dado, no qual há evidente 
exagero, para a defesa da causa do não-extermínio, 
não-escravidão e da evangelização dos índios.
 O exagero é um recurso retórico, bem como, 
por exemplo, a repetição, o uso de efeitos fonéticos 
atraentes ou de associações analógicas reforçadas 
por metáforas de uso corrente (entre medo e escu-
ridão, entre sequência e consequência, entre reve-
lação e claridade etc.). Discursos retóricos sem-
pre foram esteticamente mais cuidados do que os 
informativos: a beleza e o ritmo fazem parte do seu 
4 Escolástica ou Escolasticismo (do latim scholasticus, 
e este por sua vez do grego σχολαστικός [que pertence à escola, 
instruído]) foi o método depensamento crítico dominante no ensino 
nas universidades medievais europeias de cerca de 1100 a 1500. 
5 Antônio Vieira (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 — Sal-
vador, 18 de julho de 1697), mais conhecido como Padre Antônio 
Vieira, foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da 
Companhia de Jesus. Uma das mais influentes personagens do 
século XVII em termos de política e oratória, destacou-se como 
missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu 
infatigavelmente os direitos dos povos indígenas combatendo a sua 
exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por 
eles chamado de “Paiaçu”

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.