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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE PLANALTINA-DF
Autos do processo nº...
Romualdo, já qualificada nos autos, da ação penal em epígrafe que lhe move o Ministério Público, vem perante à Vossa Excelência por meio do seu advogado constituído, procuração anexa, com fulcro no art. 406, §3º, do Código de Processo Penal (CPP), oferecer
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
pelos fatos e fundamentos jurídicos que se passa expor.
I. SÍNTESE PROCESSUAL
Romualdo foi denunciado pelo crime tipificado no art. 122, §1º do Código Penal em razão de ter instigado seu amigo Pedroso Maridélio a atentar contra sua própria vida pulando de uma ribanceira, visto que este se encontrava em sofrimento após ser demitido.
Ocorre que Pedroso não obteve sucesso em sua tentativa, uma vez que sua queda foi amortecida por uma pedra ficando nela preso e, posteriormente, sendo levado ao hospital ocasionando a ação penal em epigrafe.
II – DO DIREITO
II. 1. Das Preliminares e Nulidades
II.1.1. Da (s) Nulidade (s) por Cerceamento de Defesa por Ausência de Justa Causa para a Ação Penal
	Embora a tentativa de Pedroso de atentar contra sua vida tenha sido presenciada, a infração penal supracitada deixa vestígios e, para tal deve realizado o exame de corpo de delito por perito conforme art. 158 do Código de Processe Penal. No entanto, cabe arguir que tal exame não foi realizado considerando que, na época em que os fatos ocorreram, os peritos estavam em greve.
	Existindo o laudo médico, este não afasta a necessidade do lado pericial, pois este só poderá ser substituído quando as evidências da materialidade do crime tenham desaparecido ou se tornado impróprias
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça:
“1. Segundo a pacífica jurisprudência desta Corte Superior, quando a conduta deixar vestígios, o exame de corpo de delito é indispensável à comprovação da materialidade do crime. O laudo pericial somente poderá ser substituído por outros elementos de prova se os vestígios tiverem desaparecido por completo ou o lugar se tenha tornado impróprio para a constatação dos peritos.
2. Na espécie, embora os vestígios não tenham desaparecido, não foi realizado laudo pericial, revelando-se a impossibilidade de sua substituição por prova testemunhal.” (AgRg no REsp 1.622.139/MG, j. 22/05/2018)
	Ainda sobre nulidade absoluta, Mirabete nos traz que:
Causa nulidade absoluta a ausência do exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígio. Na hipótese de delicta factis permanentis é por ele que se comprova a existência do crime quando este deixa vestígios, sob pena de nulidade” (MIRABETE, Julio Fabbrini. Código de Processo Penal Interpretado, p. 1392)	
	O exame de corpo de delito não foi realizado por causa da greve dos peritos, tornando impossível a caracterização da materialidade dos fatos, haja vista que não teve a oitiva de testemunhas e não sendo cabível a prova testemunhal. Assim sendo, recai a nulidade absoluta categorizada no art. 564, inciso III, alínea “b” do Código de Processo Penal podendo ser decretada de oficio com a consequente invalidação do laudo médico usado pelo parquet para substituir o exame de corpo de delito.
	Portanto, caso seja o entendimento de Vossa Excelência ante a nulidade absoluta, que seja reconhecida a absolvição sumaria por falta de provas segundo art. 386, inciso II do Código de Processo Penal.
III – DO MÉRITO
III.1. Da Absolvição Sumária por extinção da punibilidade por prescrição
	De acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, a prescrição é definida como a perda do direito de punitivo por parte do Estado dado o transcurso de determinado lapso temporal configurando uma das causas de extinção de punibilidade.
	Para Rogério Greco a prescrição enseja como:
“o instituto jurídico mediante o qual o Estado, por não ter tido capacidade de fazer valer o seu direito de punir em determinado espaço de tempo previsto pela lei, faz com que ocorra a extinção da punibilidade”. (GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: Parte Geral. Niterói: Impetus, 2007).
	Preconiza o Código Penal, em seu art. 109, inciso IV, que a pena máxima cominada for superior a 2 (dois) anos e não excedendo 4 (quatro anos), ocorrerá a prescrição do fato em 8 (oito) anos.
	Porém, no caso em analise, a ré foi denunciada pelo crime de furto previsto no art. 155 do Código Penal, cuja pena máxima é de 4 (quatro) anos, o que por sua vez se encaixa no que é descrito no art. 109, inciso IV do mesmo diploma legal.
	Vale ressaltar que, na data do fato dia 12 de março de 2014, o réu possuía 20 (vinte) anos de idade conforme sua data de nascimento, dia 11 de fevereiro de 1994, motivo este que pode ser aplicado o ensejado no art. 115 do Código Penal, onde o prazo prescricional é diminuído pela metade caindo assim para 4 (quatro) anos.
	Diante do decaimento do prazo prescricional pela metade, tendo como base a data do fato e do recebimento da denúncia (15/08/2018) na qual deveria ter sido recebida até o dia 11 de março de 2018 conforme art. 177, inciso I, do Código Penal. 
	Portanto, o réu deve ser absolvido sumariamente ante uma causa de extinção de punibilidade nos termos do art. 397, inciso IV do Código de Processo Penal.
III.2. Da desclassificação de Induzimento ou Instigação ao suicídio em sua forma qualificada para o caput
	 Para que seja caracterizado o art. 122, §1º do Código Penal, a vitima precisa ter tido o resultado de lesão corporal grave ou gravíssima. No entanto, já no hospital, o prontuário médico indicou duas luxações com a retirada da possibilidade de exercer suas ocupações por 23 (vinte e três) dias e diversas equimoses e hematomas nos braços, pernas e rosto.
	A lesão corporal grave dispõe sobre a incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 (trinta) dias, perigo de vida, debilidade permanente ou aceleração de parto, o que não é o caso. Enquanto que a lesão corporal gravíssima traz a incapacidade permanente, enfermidade incurável, perda ou inutilização do membro, deformidade permanente ou aborto, o que também não é o caso, uma vez que o laudo de Pedroso nos mostra o contrário do exposto.
	Diante dos fatos, estamos diante do caput do artigo supracitado por não haver a qualificadora que dispõe o art. 122, §2º do Código Penal.
IV. DOS PEDIDOS
	Por todo o exposto, requer o recebimento para:
a)	Na preliminar, absolver sumariamente o réu com fulcro no art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, tendo em a falta do exame de corpo de delito
b)	No mérito, absolver sumariamente com fulcro no art. 397, inciso IV, do Código de Processo Penal, tendo em vista a prescrição da ação punitiva do Estado ensejando causa de extinção da punibilidade;
c) 	Ainda no mérito, que o crime caracterizado no art. 122, §2º do Código Penal seja desclassificado para o caput do mesmo, visto não estar presente os elementos que comprovem a qualificadora do crime em epigrafe.
Termos em que pede deferimento
Planaltina-DF, 01 de julho de 2018
					Advogado/OAB...

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