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Acup.Auricular Chinesa e francesa

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Manual de 
 Auriculoterapia
 Acupuntura Auricular
 
 Francesa e Chinesa
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alessandra Maria Porto Scavone
2016
 
 
 
Dedicado ao Dr. Raphael Nogier, que me influenciou totalmente a amar essa
maravilhosa terapia. A minha querida amiga Martine Ribes (Sedatelec) que sempre
me motivou a escrever esse livro. Aos meus pais Claudio e Maria Lucia que sempre
me apoiaram com sua firmeza e dedicação, sem me deixar esmaecer em nenhum
momento. À minha filha Natasha, que está sempre ao meu lado, com sua alegria, me
impulsionando. Ao meu marido Fernando, companheiro de todas as horas e meu
norte, que ao conhecer a Auriculoterapia, se tornou um fã incondicional. À minha
grande amiga Keila, que sem a crítica construtiva dela sobre esse livro, ele não seria
esse resultado que eu espero que sirva de apoio no dia-a-dia do trabalho de todo
Auriculoterapeuta.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário
 
PARTE I
Introdução
Conceito
Breve História da Auriculoterapia
 
PARTE II
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Padronização da Anatomia da Orelha
Padronização da Nomenclatura dos Pontos da Orelha
Sobre os sistemas de localização na orelha
 
 
PARTE III
Reflexoterapia
Cartografia Auricular
Pontos Auriculares
Comparação entre a Acupuntura Tradicional Chinesa e a Acupuntura Auricular
 
PARTE IV
Fundamentos científicos da Acupuntura e da Auriculoterapia
A Neuroanatomia e a Neurofisiologia
A Anatomia da orelha
Projeções e representações
Modos de ação
A Auriculoterapia e o Sistema Nervoso
Relação entre a Acupuntura e o Sistema Nervoso Central
Locais de Ação
Modulação da dor
 
 
PARTE V
Indicações
Contraindicações
Materiais
Materiais de estímulo bioenergético
Aspectos a considerar
Reações
Equipamentos elétricos requeridos
Tratamentos Complementares usados com a Auriculoterapia
 
PARTE VI
Diagnósticos
Relação entre as reações positivas e o tipo de enfermidade
Diagnóstico através da palpação
Diagnóstico através da exploração elétrica
Escalas de valores de dor à exploração palpatória
Classificação das reações positivas na exploração elétrica
Características diagnósticas dos pontos de alta condutibilidade
Regras gerais das reações nos pontos de alta condutividade
Métodos de exploração
Diferenças na exploração das duas orelhas
Diagnóstico através da diferenciação de síndromes
Método de determinação diagnóstica
Medicina Tradicional Chinesa
 
PARTE VII
O exercício da Auriculoacupuntura
Auriculoterapia ou Acupuntura Auricular?
Acupuntura Auricular
Auriculoterapia
Auriculopuntura
Auriculomedicina
RAC
VAS
Pesquisas avançadas em Auriculomedicina pelo Dr. Nogier
Regiões embriológicas da Orelha identificadas por Paul Nogier
Relação das regiões embriológicas com os nervos periféricos
Frequências características de cada região embriológica
 
 
PARTE VIII
Pontos Mestres
Pontos Franceses
Pontos Chineses
Mapas
 
PARTE IX
Programas de tratamento
Tratamentos em destros e canhotos
Tratamentos sintomáticos
Tratamentos etiológicos
Tratamentos sequenciais
Protocolos
 
Parte X
Pesquisa Científica de Alessandra Scavone sobre Depressão apresentada no Congresso
Internacional de auriculoterapia, Lyon, França, 2006.
 
Parte XI
Bibliografia
Referência Bibliográfica
 
 
Parte I
INTRODUÇÃO
 
Este é um manual de Auriculoterapia/Acupuntura Auricular brasileiro que contém os
pontos auriculares descobertos pelos Chineses, os pontos Reflexos Auriculares da
Auriculoterapia descobertos na França pelo trabalho pioneiro do Dr. Paul Nogier e
protocolos de tratamento, resultados de pesquisas e estudos desenvolvidos por mim no
Brasil e, como será visto, apresentado na França, no Congresso Internacional.
Espero que esse livro seja útil e que possa levar conhecimento e compreensão desse
maravilhoso método que é a Auriculoterapia.
 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO
A auriculoterapia é a ativação de zonas do pavilhão auricular, onde um ponto é
reconhecido como anormal ou patológico. Consiste em tratar diferentes afecções com a
ajuda de picadas ou outras estimulações efetuadas sobre o pavilhão da orelha, além do
seu efeito de analgesia. Baseado no conceito de que nas orelhas, uma região ricamente
inervada e amplamente conectada ao sistema nervoso central (SNC), existem pontos
reflexos que correspondem a todos os órgãos e funções do corpo. Ao se estimular esses
pontos, o cérebro recebe impulsos que desencadeiam fenômenos físicos e químicos,
promovendo o reequilíbrio de áreas e funções do corpo. Seu auxilio no tratamento de
diversas patologias é reconhecido em muitos países. Os seguintes trabalhos
exemplificam a eficácia terapêutica, bem como a evolução da técnica nas últimas
décadas: Nogier (1980), Oleson (1980), Durinyan (1980), Borzeix (1981), Bossy
(1983), Senelar (1989), A. de Souza (1994 e 2001), Vulliez (1994), Timochevsky
(1994), Terral e Rabischong (1997, 2003, 2006), Marignan (1998 e 2003), Ikezono
(2000), Magnin(2001), Alimi (2001,2002,2003), Narongpunt (2005), Piquemal (2006),
Scavone (2006), Van Wijk e Ackerman(2006).
Para muitos casos seus efeitos são rápidos, eficientes e são sentidos logo após sua
aplicação, em outros o mesmo acontece após algumas sessões.
A auriculoterapia é um tipo de terapia que tem valor reconhecido pela OMS como
método auxiliar nas terapêuticas, potencializando seus efeitos. 
 
 
BREVE HISTÓRIA DA AURICULOTERAPIA
Na China antiga ( 475 a.C.), todo o sistema de acupuntura se estruturou sobre o
principal texto médico chinês, o Huang Di Nei Jing, o “Clássico da Medicina Interna do
Imperador Amarelo”, cuja antiguidade se remonta a 2000 anos. Nesse texto, todos os 6
meridianos Yang foram considerados conectados diretamente à orelha, enquanto que os
6 meridianos Yin estão indiretamente conectados à orelha. Esses pontos auriculares
chineses antigos não foram organizados somatotopicamente na cartografia auricular
chinesa, formavam um conjunto de pontos distribuidos aleatoriamente pela orelha. Em
outro texto clássico, o Ling Shu, feito aproximadamente entre 475 e 221 a.C., menciona-
se pela primeira vez uma somatotopia da orelha, estudada mais amplamente pelo
medico chinês Pian Que. Em tempos mais recentes, na época da dinastia Tang, difundiu-
se amplamente o uso da estimulação do pavilhão auricular para controlar o curso das
enfermidades internas.
No Egito antigo, Grécia e Roma (400 a.C.), médicos antigos como Hipócrates, o pai da
Medicina, durante anos de sua estadia no Egito tiveram acesso a esse conhecimento,
como se deduz de algumas de suas publicações. Em seu livro “Sobre a geração” afirma
que “os que sofreram incisões ao lado das orelhas usam, verdadeiramente do coito e
ejaculam, mas a sua ejaculação é pouco abundante, inativa e infecunda.” Em outro livro
“ Dos ares, das águas e dos lugares”, menciona também que a agressividade dos Escitas
poderia estar relacionada com a frequente impotência que constituia uma autêntica
praga no povo. Cita “ Eles se tratam da seguinte forma: no começo do mal, abrem a
veia colocada atrás de uma e outra orelha.” Esta intervenção dedicada a remediar este
problema permitia a realização de um coito normal, mas reduzia o conteúdo
espermático no líquido seminal. No Egito antigo se encontram referências à utilização
do pavilhão auricular com intenções médicas. Um reconhecido egiptólogo, Alexandre
Varilla, afirma que as mulheres que não desejavam ter mais filhos agulhavam um local
do pavilhão da orelha. Há uma antiga obra de arte mostrando uma rainha com uma
agulha na orelha. Igualmente na antiga Grécia, eles tratavam a ciática queimando um
ponto determinado sobre o antihélix da orelha. No livro dedicado às epidemias, refere-
se ao tratamento pela orelha dos estados inflamatórios: “Para as inflamações das partes
inferiores, abrir as veias nas orelhas”. Também Galeno fez uso clínico de anéis
auriculares e outras formas de estimulação de orelha para vários problemas,
particularmenteo tratamento de desordens sexuais e menstruais.
Os árabes usavam não somente a cauterização na orelha para o tratamento de ciática,
como também para o tratamento da hipertensão, moléstias abdominais, renais ou de
espalda.
Os antigos chineses praticavam em comum com outros povos como os árabes, ciganos,
hindus e europeus uma técnica que consistia em agulhar um ponto determinado no
lóbulo da orelha para tratar problemas oculares, tais como o olho vermelho, a miopia e
a catarata.
Na Pérsia antiga, após a queda do Império Romano, se conservaram antigos achados
médicos, em que se mencionava um tratamento para ciática pelas cauterizações na
orelha.
Na Europa, na Idade Média (1500), a Companhia Holandesa da Índias Orientais, que
desenvolveu um grande intercâmbio comercial com a China, trouxe os primeiros
conhecimentos sobre a Acupuntura à Europa. Incluida nessas descobertas estava a 
Acupuntura Auricular, assim como o desenvolvimento das agulhas hipodérmicas a
partir das agulhas chinesas de acupuntura.
Na Renascença (1700), fatos clínicos esporádicos na Europa discutiam o uso das
cauterizações para aliviar a dor ciática.
No século XVII, um médico português, Zacutus Lusitanus, descreveu a utilização das
cauterizações auriculares no tratamento da neuralgia ciática. Ele afirma: “Hipócrates
recomenda frequentemente em suas obras a secção das veias situadas atrás das orelhas
para curar as dores ciáticas”. Também neste século, Jerônimo Bosch, um pintor , em
seu quadro intitulado “ O jardim das delícias”, nos mostra um diabo que está situado na
orelha, na zona de projeção hormonal, hipofisária e sustentando uma lanceta que marca
na orelha um ponto sobre uma zona específica para aumentar a libido, ponto este que
Nogier chamou de “Ponto de Jerome” ou “Ponto de Bosco”. Este quadro encontra-se no
Museu do Prado em Madrid.
 
No século XVIII, o anatomista italiano Valsalva, em sua obra “ De aura humana
tractatus” precisa em suas páginas 11 e 12 a região do pavilhão que se cauterizava nas
dores dentárias.
Mais modernamente, em 1810, o Professor Ignaz Colla, de Parma, expõe a observação
de um homem que havia sido picado por uma abelha no nível do antihélix, o que lhe
havia causado uma incapacidade passageira para caminhar de um lado para o outro.
Também relata cauterizações retro-auriculares realizadas, com evidente êxito, por um
companheiro cirurgião seu, Dr. Cecconi, para tratar dores ciáticas.
Em 1850, o “Journal des Connaissances Medico-Chirurgicales” em seu número de
primeiro de maio, publica um conjunto de observações e documentos facilitados pelo
Dr. Lucciani, de Bastia, recomendando a cauterização da orelha como tratamento
radical da ciática. A zona que se estimulava era a raiz do hélix.
Na França Moderna (1951), Dr. Paul Nogier, um neurologista e neurocirurgião de Lyon
(França), observou a ocorrência de uma cicatriz na orelha dos pacientes, devido a uma
cauterização na raiz do antihélix, o qual haviam sido tratados com sucesso por uma
curandeira, de nome Madame Barrin. Quando perguntados por ele, os doentes diziam
ter tido um alívio muito rápido da dor, em poucas horas ou até minutos , o que tornava,
sem sombra de dúvida, a existência de uma relação entre a cauterização da orelha e a
sedação da dor. Nogier pensou então, como muitas vezes uma ciática é a causa de um
bloqueio lombo-sacral, que a cauterização dessa zona no pavilhão atuava ao nível
vertebral, e assim foi como apareceu o antihélix representativo do raquis, porém,
invertido. De tal modo que se tudo estava invertido, o lóbulo corresponderia ao
encéfalo e as extremidades superior e inferior ficariam na parte superior do pavilhão,
lembrando a imagem típica de um feto no útero materno. Então ele desenvolveu o mapa
somatotópico da orelha, baseado no conceito de uma orientação de um feto invertido.
Se expuseram numerosos mecanismos de ordem neurofisiológica que explicavam a
projeção puntiforme dos transtornos periféricos sobre o pavilhão e, inversamente, a
ação recíproca da orelha sobre o corpo. Seu trabalho foi primeiro apresentado na
França, então comunicado a sociedade alemã de acupuntura, e finalmente traduzido na
China. Na verdade, realizou esse trabalho em etapas sucessivas: a descoberta em 1951,
a compilação de fatos anedóticos, a idéia para explicar os fatos, a confrontação dos
fatos de maneira empírica e depois experimental. Nogier sempre foi um apaixonado
pelas pesquisas, mesmo com as limitações da época. Os riscos eram grandes para essa
técnica médica inovadora e alternativa. Porém, ao mesmo tempo, ele dizia que o rigor
deveria dominar a fantasia.
 
 
Na China moderna (1960), a Equipe de Pesquisa de Acupuntura Auricular do Exército
de Nanking, verificou a precisão clinica da Orelha Homunculus de Nogier. Eles
empiricamente acessaram esses pontos auriculares com mais de 2000 pacientes
utilizando o “Barefoot Doctors” como parte do Mao Tse Tung.
Nos Estados Unidos (1980), um estudo duplo cego da University of California, Los
Angeles (UCLA) , verificou estatisticamente a precisão do Diagnóstico Auricular. Um
nivel estatístico significante de 75% de precisão foi achado no diagnóstico dos
problemas da dor musculoesquelética de 40 pacientes. Pela evolução de áreas
específicas de temperatura e aumento da atividade elétrica na orelha, áreas do corpo
com alguma disfunção puderam ser corretamente identificadas, enquanto áreas do corpo
livres de patologias foram corretamente identificadas como pontos não patológicos na
orelha. Subsequentemente, a pesquisa da UCLA focou sobre a comparação dos pontos
auriculares Chineses e Franceses, o uso da eletro-acupuntura auricular para dor
crônica de pacientes com medicações do tipo ópio, e a reversibilidade do naloxone na
analgesia dental produzida pela auriculoterapia.
 
Portanto como podemos comprovar, através da história, a auriculoterapia é uma prática
muito antiga, que tem acompanhado o ser humano em sua busca da cura de patologias e
do alivio da dor, desde a antiguidade, tanto no mundo oriental quanto ocidental.
(Dados do histórico compilados dos livros de Oleson, Rouxeville, Meas, Bossy e
Figuereo)
 
 
PARTE II
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS)
 
Reunião da OMS em LYON – 1990
 
 
Sob a direção de Olayiwola Akérélé, a OMS desenvolveu um programa relativo às
medicinas tradicionais, para estudar a veracidade das mesmas. Para a auriculoterapia,
uma primeira reunião foi realizada em 1987, em Séoul, a qual participaram Jean Bossy
e Raphael Nogier.
Em seguida, um grupo de trabalho de 40 membros se reuniram ao final de novembro de
1990 em Lyon (França). Encarregados de tentar conciliar os Franceses e Chineses e
normatizar a nomenclatura da acupuntura auricular, esses experts vindos de todos os
continentes ouviram Hiroshi Nakajima (diretor geral da OMS) reconhecer a
paternidade indiscutível de Paul Nogier na descoberta e no desenvolvimento da
auriculoterapia e agradecê-lo, considerando-o como um benfeitor da humanidade.
Desde 1982, a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization) coordena
ações a fim de conduzir à um consenso internacional sobre uma linguagem comum em
acupuntura, com o objetivo de facilitar o ensinamento, a pesquisa e a prática clínica,
quer dizer, estabelecer uma nomenclatura padronizada da acupuntura. Esses esforços
consistiram em grupos de trabalho e em diversas consultas regionais convocadas pelo
Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde para o Pacífico Oeste e as
reuniões de um Grupo Científico da Organização Mundial da Saúde (Grupo de
Trabalho sobre uma Nomenclatura Padronizada da Acupuntura, Manille, 1982;
Reunião de Consulta Regional por uma Nomenclatura Padrão da Acupuntura, Tokyo,
1984; Segundo Grupo de Trabalho por uma Nomenclatura Padrão em Acupuntura, Hong
Kong, 1985; Terceiro Grupo de Trabalho por uma Nomenclatura Padrão em
Acupuntura, Séoul, 1987; Reunião Cientifica da Organização Mundial da Saúdeafim de
adotar uma Nomenclatura Padrão em Acupuntura, Genève, 30 Outubro - 3 Novembro
1989). Ao final dessa última reunião, foi aprovado por unanimidade a proposta de uma
Nomenclatura Padronizada em Acupuntura para uso internacional. Os grandes traços
dessa proposta relacionam-se a utilização da tradução inglesa do nome de cada
meridiano e de um código alfanumérico derivado dos nomes ingleses, a utilização dos
nomes do alfabeto fonético Chinês (Pinyin), assim como os caracteres Han para os
nomes dos pontos e dos meridianos de acupuntura.
Uma das recomendações feitas pelo Grupo Científico da Organização Mundial da
Saúde foi de completar essa padronização da acupuntura pelos pontos de acupuntura da
orelha (ou auriculoterapia) de valor terapêutico reconhecido e cuja localização
anatômica é geralmente aceita. Foi imposta a necessidade de constituir um grupo de
trabalho reunindo os especialistas mundiais no domínio da auriculoacupuntura. A
primeira sessão ocorreu em Lyon em 28, 29 e 30 de novembro de1990. Eis aqui a ata
resumida:
HISTÓRICO
 A acupuntura, sistema único de tratamento e de alívio da dor, foi e ainda é 
constantemente utilizada desde, aproximadamente, 2500 anos. Apareceu na dinastia de
Zhou (1º milênio a.C.) e sua teoria e prática já estavam bem sistematizadas sobre os
Han anteriores (século II a.C.). Os princípios da acupuntura são imortalizados no Huang
Ti Nei Ching ("Clássico da Medicina Interna" do lmperador Huang Ti), que é
constituido de duas partes, o Su Wen (século II a.C.) e o Ling Shu (século I a.C.). Esses
textos descrevem os doze meridianos de acupuntura e seus pontos de entrada e saída.
No decorrer de sua longa história na China, no Japão e no Extremo-Oriente, a prática
da acupuntura conheceu períodos de declínio; foi tanto rejeitada como também
negligenciada com o advento da medicina ocidental moderna. Entretanto, há quarenta
anos, as autoridades chinesas dão uma grande importância aos Médicos Tradicionais e
à acupuntura em particular. Ao mesmo tempo, no Ocidente, nos interessamos cada vez
mais pelas aplicações terapêuticas da acupuntura, pesquisa e explicação dos seus
modos de ação à luz dos conhecimentos cientificos modernos. No decorrer dos últimos
vinte anos, numerosos novos pontos de acupuntura foram reconhecidos e,
particularmente em auriculoterapia, sob a impulsão e graças aos numerosos trabalhos
tanto clínicos como fundamentais do Doutor Paul NOGIER, médico francês.
Dado o interesse sem precedente que se manifesta pela acupuntura e acupuntura
auricular, essa última técnica, saída da ciência moderna, sendo uma forma de micro-
sistema de acupuntura limitado ao pavilhão da orelha, e agora com a evolução objetiva
dos seus efeitos fisiológicos em termos terapêuticos, tornou-se cada vez mais clara e
indispensável a necessidade de uma nomenclatura internacional. Uma primeira
abordagem frutuosa dessa padronização mundial da acupuntura auricular ("Working
Group Meeting on Auricular Acupuncture Nomenclature”, Lyon, France, 28 - 30
Novembre 1990) foi definida em um padrão que fornece as bases indispensáveis à
todos os trabalhos clinicos ou fundamentais de porte internacional. Veja aqui a ata
resumida do Grupo de Trabalho e a padronização, ainda não completa, que foi adotada.
 
RECORDAÇÃO DAS METAS E OBJETIVOS QUE GUIARAM ESSE GRUPO DE
TRABALHO:
 A meta global foi de propor uma nomenclatura padrão em auriculoacupuntura.
Os objetivos foram:
- elaborar um quadro geral dos progressos realizados pela auriculoacupuntura,
- trazer a termo as discussões e proposições já evocadas por outras reuniões 
anteriores concernentes a padronização dos pontos de auriculoacupuntura,
- recomendar e aconselhar as atividades futuras da Organização Mundial da Saúde
concernentes à acupuntura como um todo.
SESSÃO DE ABERTURA E DISCURSOS
Essa reunião foi aberta pelo Doutor Raphaël NOGIER, em seu próprio nome mas
também em nome do Groupe Lyonnais d'Etudes Médicales, autores principais com a
Organização Mundial da Saúde, desse trabalho.
A elocução de boas vindas do Doutor NOGIER foi seguida por um discurso
pronunciado pelo Doutor O. AKERELE, responsável pelo Programa de Estudos dos
Médicos Tradicionais no seio da Organização Mundial da Saúde. Ele particularmente
insistiu sobre a importância não somente de construir uma nomenclatura padrão
internacional em auriculoacupuntura, mas também de promover seu uso de tal modo que
pudesse ser desenvolvido e corrigido à luz da experiência, gradualmente e à medida de
sua utilização.
Os participantes e observadores foram então convidados a apresentar-se. Os oficiais da
reunião foram em seguida designados:
Doutor Raphaël NOGIER: Presidente
Doutor T. TSIANG: Relator oficial
No decorrer da tarde da segunda jornada, o Doutor Hiroshi NAKAJIMA, Diretor Geral
da Organização Mundial da Saúde, veio especialmente do Japão, dirigiu-se ao conjunto
do Grupo de Trabalho. Entre os pontos notáveis que levantou, o Doutor NAKAJIMA
rendeu honras ao papel efetuado pelo Doutor Paul NOGIER no desenvolvimento da
teoria e das aplicações clinicas da auriculoterapia. Ele renovou igualmente o seguro,
feito pela Organização Mundial da Saúde através de seu Programa de Estudos das
Medicinas Tradicionais, de promover e recomendar para uso internacional a utilização
de uma nomenclatura da auriculoacupuntura padronizada, a fim de facilitar o ensino, a
pesquisa e as aplicações clinicas.
Em resposta, o Doutor Paul NOGIER sublinhou algumas mudanças ocorridas durante
sua longa carreira na Medicina, e bem particularmente aos espetaculares avanços
tecnológicos na proteção da saúde, mas também a emergência cada vez mais popular
das medicinas naturais e notadamente, a importância crescente da auriculoterapia e da
auriculomedicina. Ele exprimiu seu perfeito acordo com a necessidade de desenvolver
uma nomenclatura padrão da auriculoterapia e dirigiu os seus agradecimentos pela
contribuição que isso trará no futuro, no reconhecimento dos pontos da orelha e ao
ensinamento e pesquisa, tendo por consequência, certamente, atribuir um papel
crescente da auriculoterapia e da auriculomedicina na proteção eficaz e melhora da
saúde de cada um.
Enfim o Doutor T. TSIANG retraçou o histórico da implicação da Organização Mundial
da Saúde desde 1982 no centro dos esforços para padronizar a nomenclatura da
acupuntura e os sucessos que resultaram desses esforços. O Doutor TSIANG sublinhou
igualmente a intenção do Grupo e a particularidade dos pontos da orelha que não são
encontrados na acupuntura clássica.
 
 
 
Para uma Nomenclatura Padrão em Auriculoterapia
 
Padronização da Anatomia da Orelha
 
Referindo-se a padronização da anatomia da orelha, o Grupo de Trabalho estabeleceu
um consenso sobre as áreas anatômicas e propôs a seguinte classificação, que utilisa
um codigo alfabético MA (M derivado de "micro-sistema" e A de "auricular point").
 
 
 
 
CÓDIGO
ALFABÉTICO
 
ÁREA ANATÔMICA DO PAVILHÃO
DA ORELHA
MA-HX Hélix 1
MA-SF Fossa escafóide
MA-AH Anthélix 2
MA-TF Fossa triangular
MA-TG Tragus
MA-AT Antitragus
MA-IC Concha inferior
MA-SC Concha superior
MA-LO Lóbulo
MA-IT Incisura intertrágica
MA-PP2 Zona posterior periférica
MA-PI2 Zona posterior intermediária
MA-PC2 Zona posterior central
MA-PL2 Zona posterior lobular
 
1: O hélix e o anthélix são mais divididos em muitos segmentos, mas de um comum acordo não nomeados.
2: Após algumas discussões, concordou-se que a face posterior da orelha seria dividida em quatro partes.
 
 
 
 
 
Padronização da Nomenclatura dos Pontos da Orelha 
 
Uma nomenclatura padrão foi adotada, com respeito a cada ponto, seguindo os três
critérios fundamentais seguintes:
1 - os pontos devem possuir os nomes comuns de uso internacional,
2 - os pontos devem ter um valor terapêutico bem provado,
3 - a localização desses pontos sobre as áreas auriculares deve ser aceita por todo o
mundo.
Assim, 39 pontos foram discutidos e depois adotados pelo Grupo de Trabalho.Todos
os nomes marcados com um asterisco (*) são pontos de Medicina Tradicional Chinesa,
que não correspondem necessariamente à um local anatômico como é compreendido na
medicina moderna.
 
A Propósito das Tabelas de Auriculoterapia 
 
 
O Grupo de Trabalho considerou que os desenhos das tabelas de auriculoterapia
contidos no relatório do terceiro Grupo de Trabalho Regional (boletim da Organização
Mundial da Saúde, 68 (4):425-429, 1990) continha numerosos pontos onde as
localizações precisas ainda permaneciam abertas à discussão. O Grupo por conseguinte
decidiu que essas tabelas não seriam consideradas como referência de localização dos
pontos auriculares, notadamente ao olhar da insuficiente padronização da anatomia de
áreas da orelha.
 
 
Trabalhos e projetos posteriores
 
Durante o curso, emergiram discussões de numerosos pontos de vista divergentes,
concernentes as localizações dos pontos da orelha. Sobre a base dessa livre troca de
idéias e opiniões, o Grupo de Trabalho concordou que seja uma prioridade para as
atividades futuras desenvolver uma cartografia padrão de referência da orelha para sua
utilização em auriculoacupuntura. Essa cartografia padrão deverá responder às
necessidades seguintes:
- Corrigir a ilustração anatômica da orelha,
- Colocar o ponto em uma cartografia apropriada das diferentes zonas anatômicas, à
construir com a ajuda de experts da anatomia e da acupuntura da orelha,
- Ilustrar a projeção dessas zonas,
- Localizar e reconhecer de maneira precisa os pontos, cada vez que isso seja possível.
 
Recomendações de ordem geral
Devido a importância e a necessidade urgente de desenvolver uma padronização e uma
nomenclatura da auriculoacupuntura aceita internacionalmente para facilitar o
ensinamento, a prática e a pesquisa, o Grupo de Trabalho fez as seguintes
recomendações:
1 – A Organização Mundial da Saúde pede que se considere de maneira urgente a
implementação de um sub-comitê encarregado de estudar uma cartografia anatômica do
pavilhão da orelha, com o objetivo de nomear as zonas e os pontos de
auriculoacupuntura,
2 – A Organização Mundial da Saúde estabelecerá os contatos necessários com as
associações, grupos de pesquisa, instituições, etc... em todo o país, incluindo a
República Popular da China e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que foram
implicadas no ensinamento e na prática da auriculoacupuntura, e faremos uma ação para
resumir e traduzir os trabalhos selecionados dos quais foram os autores. Essa
informação será difundida às Sociedades interessadas, etc... em uma meta de pesquisa,
prática e ensinamento de auriculoacupuntura.
3 - Com a intenção de tornar acessível toda a informação de atualizações concernentes
à auriculoacupuntura, este relatório do Grupo de Trabalho deverá ser editado e
disseminado tão largamente quanto possível às sociedades de acupuntura e de
auriculoacupuntura no mundo inteiro.
Conclusões e perspectivas para o futuro
 
Eis por conseguinte a primeira padronização de nivel mundial da auriculoacupuntura.
Embora incompleta, é importante que todo trabalho, seja ele fundamental ou clínico,
respeite essa nomenclatura, porque ele dá à todos os pesquisadores e práticos uma
linguagem clara e comum à todos. Muitas escolas tem até o presente ignorado essas
normas, preferem ensinar seu próprio modelo, se bem que seus trabalhos permanecem
inoperacionais.
No futuro, as novas reuniões convocadas pela Organização Mundial da Saúde terão
lugar, não somente para completar essa nomenclatura e clarificar os pontos acima
mencionados, mas também provavelmente concernente às indicações da
auriculoacupuntura.
 
SOBRE OS SISTEMAS DE LOCALIZAÇÃO NA ORELHA (1)
 
 
 
A necessidade de dispor de um sistema de localizaçaõ no pavilhaõ auricular conduziu
muitas escolas à apresentar suas proposições. O Sectograma de Marco Romoli foi
avaliado favoravelmente por 385 colegas. Por este motivo tem a nossa preferência
atual, já que integra o ponto zero, centro geográfico do pavilhaõ auricular.
 
 
 
 
Uma nova nomenclatura auricular?
 
David Alimi desenvolve mesmo uma " Argumentação cientı́fica de uma proposição de
Nomenclatura Internacional para a Auriculoterapia proposta à W.F.C.M.S. para
submissão à O.M.S .". Ora, um inı́cio de nomenclatura foi realizado no âmbito da
O.M.S. em 1987, depois em 1990 [1]. Foi o objeto de um acordo com quórum mı́nimo
entre quarenta experts no plano mundial. Surpreende-me que este texto taõ importante
naõ tenha sido citado por David Alimi. Certamente, ele cita Paul Nogier ( � ), mas em
nenhum lugar de seu texto li a mı́nima referência aos primeiros textos [2-5] do
reconhecido descobridor da Auriculoterapia, o que permitiria fazer pensar numa atitude
parcial, por omissaõ.
Na França, existe um certo grau de reconhecimento das medicinas alternativas e
complementares. Este fato é a consequência do engajamento do Dr. Jacques Niboyet
( � ) [6] e do Prof. Jean Bossy ( � ) [7,8]. É sempre elegante naõ omitir o trabalho dos
antigos praticantes, do qual somos beneficiários! As partes da orelha saõ mais ou
menos vastas. Em 1990, o trabalho da O.M.S. constituiu-se na definiçaõ dos códigos
para as áreas: MA-AH para anti-hélice, MA-LO para o lóbulo, MA- PI para o sulco
posterior da anti-hélice, etc. [9]. Esta base consensual mı́nima foi estabelecida no plano
mundial, inclusive pelos chineses. Um trabalho iniciado em conjunto justifica continuar
também em conjunto e naõ de maneira solitária!
 
Uma utilidade de simples localização?
A inacreditável variabilidade morfológica da orelha impõe encontrar uma forma de
localizaçaõ simples. Diversas escolas propuseram diferentes sistemas. O quadriculado
auricular pode assim se tornar a imagem de seu autor: pode ser mais ou menos claro,
complicado ou simples, útil ou inútil. O sectograma de Romoli foi avaliado; é a
ferramenta que me parece ser a mais adaptada por ser fácil de compreender, prático e
dentro da lógica que governa a auriculoterapia há 50 anos (figura 1) [10, 11].
 
Figura1 . O Sectograma de Romoli (2003).
Paul Nogier considerava-o como um centro geográfico cômodo para a determinação
precisa [3].
Está situado no nı́vel onde a raiz da hélice se torna um ramo ascendente, no local
preciso onde o relevo se eleva fora da concha... É possı́vel localizá-lo graças à uma
incisura cartilaginosa que faz uma saliência quando exploramos a região com uma
protuberância transversal ou com a unha [4].
“ A orelha apresenta um ponto central, situado na raiz da hélice. Ele representa o
umbigo e o plexo solar. Chamei-o de ponto zero [5]”.
Mais tarde, ele nos ensina ter observado: Seu papel é realmente singular. Ele
comanda efetivamente toda a orelha e sua energia. Permite isolar certos pontos até
então silenciosos, quando estimulado por inserção de agulha ou por corrente
elétrica [5].
René Bourdiol ( � ), cita também o ponto zero do pavilhão, que sabemos ser a
projeção umbilical e solar [12].
Partir do ponto zero
Em junho de 1987, Paul Nogier nos dizia que na sua opiniaõ o ponto zero representa o
centro de equilı́brio do corpo humano, de seu dinamismo [13].
Alguns de meus alunos de Nantes deram-lhe o nome de " o ponto da Auriculo para os
ignorantes "!
O ponto zero é detalhado, em particular para os alinhamentos, no recente livro de
Marco Romoli [11].
Raios e alinhamentos de pontos
Os raios provenientes do ponto zero
Paul Nogier descreve [3] um sistema geométrico proveniente do ponto zero, que
consideramos como essencial, quarenta anos após a primeira descriçaõ.
Este centro geográfico é igualmente um centro fisiológico, e os raios que se originam
dele podem ser considerados como verdadeiras linhas de força unindo os pontos que os
compõem...
Tudo se passa como se todo o pavilhaõ dependesse deste ponto zero, verdadeira
comporta cuja abertura e fechamento se desencadeariam à vontade sob a influência de
uma picada de agulha ou de uma corrente elétrica.
Os alinhamentosde pontos [14]
René Bourdiol descreveu os alinhamentos de pontos sobre um raio proveniente do
ponto zero, indicando o valor capital do ponto de borda e do ponto zero [12].
Paul Nogier observou que após a picada de um ponto, pode-se detectar, na superfı́cie
do pavilhaõ da orelha, até doze raios fazendo entre eles um ângulo de 30° centrados
sobre este ponto [14]. Na figura 2, o ponto zero emite raios. Considera-se que os pontos
cinza observados sobre os raios saõ secundários ao ponto central branco (o ponto
zero).
 
Figura 2. Os doze raios à 30°
 
Os sistemas de localização já descritos [9]
O importante é uma transcriçaõ correta daquilo que é observado. Uma má transcriçaõ é
um viés importante na realizaçaõ dos estudos terapêuticos ou dos estudos
multicêntricos, mas também para anotar corretamente no prontuário de um paciente,
para solicitar o parecer de um colega mais qualificado pela Internet, ou ainda para que
o estudante copie corretamente o esquema do professor.
 
O sistema de R. A. Durinyan (1983)
Obra do soviético R. A. Durinyan ( � ), o que explica seu desconhecimento no mundo
ocidental. Formado de doze setores de 30° provenientes do ponto zero (figura 3),
permite comparar facilmente vários pacientes apresentando a mesma patologia, assim
como identificar o diagnóstico metamérico (músculo, osso, vı́scera, etc.).
 
Figura 3 . O sistema de R. A. Durinyan.
 
O sistema de René Kovacs (1983)
É um quadriculado trazendo em abcissas as letras de A à O, e em ordenadas os números
de 1 à 26 (figura 4); trata-se de coordenadas ortogonais (à 90°). Seu interesse essencial
é didático, no papel, pois seu inconveniente maior é naõ se adaptar aos diferentes
formatos de orelha. Isto explica o porque do sistema de Kovacs ( � ) ter sido
rapidamente abandonado por Paul Nogier.
 
As áreas de Terrence Oleson (1990)
Esta cartografia apresenta superfı́cies numeradas de forma variável e adaptando-se aos
relevos do pavilhaõ (figura 5). Detalha áreas essenciais (o muro da concha e outras
áreas ocultas), mas a grande variabilidade de morfologia das orelhas me leva à
considerar esta proposiçaõ mais como uma teoria filosófica muito interessante do que
um auxı́lio médico prático.
Figura 5 . As áreas de Oleson.
 
O Sectograma de Marco Romoli (1981 - 2003)
 
Em 1981, Romoli inventa um primeiro Sectograma de vinte setores recobrindo o
pavilhaõ. Em 1986, conhece o sistema de R. A. Durinyan. Estas duas proposições
integram o ponto zero como centro. Mais tarde, M. Romoli apresenta uma nova versaõ
que comporta 40 setores (de 8° à 11°) somente sobre a face lateral (externa) do
pavilhaõ (figura 1).
Romoli avaliou em 2003 o Sectograma junto a 152 colegas em aprendizado: os erros de
transcriçaõ foram em número de 19 (12,5%), sobretudo para a anti-hélice, muito pouco
para o lóbulo.
Romoli fez uma avaliaçaõ de seu Sectograma (SG) [10], de 2004 à 2007. Em 2010, os
152 se tornaram 385 médicos com formaçaõ de auriculoterapia. A utilizaçaõ do SG
permite uma ótima precisaõ de transcriçaõ correta dos pontos (P<0,001) [11].
Por este motivo o Conselho Cientı́fico da Auriculo. Sans Frontières fixou o
Sectograma de Romoli como sistema de trabalho para nossos estudos terapêuticos e
multicêntricos. A única imperfeiçaõ desta ferramenta é o fato das faces posteriores
(mastoı́deas) das orelhas estarem excluı́das. Além do mais, cada setor corresponde à
um nı́vel metamérico. O Prof. Jean Bossy sabia insistir em nos fazer lembrar que um
dermátomo tem como área de influência dois nı́veis acima e abaixo, devido aos inter-
neurônios segmentares!
O ponto zero, que naõ é descrito pelos chineses, é retomado por Romoli. Marca o
inı́cio do enrolamento da hélice, contemporâneo do enrolamento do telencéfalo [12]. Às
vezes ponto fonte, centro geográfico e ponto central do pavilhaõ auricular, este ponto
mestre é o local mais importante!
 
O Segmentograma de David Alimi (2010)
David Alimi criou o Segmentograma para a sua Nomenclatura (figura 6). Ela
compreende um 1° ábaco que divide o pavilhão auricular em 189 áreas sobre a face
lateral (externa) e um 2° ábaco dividindo o pavilhão em 89 áreas sobre a parte
medial (interna). O conjunto completa um divisor recobrindo a totalidade da
superfı́cie auricular, permitindo estabelecer um Auriculograma preciso.
David Alimi diz basear-se na neurofisiologia. Apresenta sua cartografia como
universal, como
um modelo biomatemático da neuroanatomia cerebral onde os pavilhões são um
holograma.
Seu epicentro é o ponto zero linha (no centro do trago), que seria para ele a
representaçaõ do corpo caloso. Estas duas proposições interrogam, e de modo legı́timo:
o sistema nervoso pode representar a si mesmo na orelha? A cartografia da O.M.S.
(1990) naõ comporta pontos sobre o lóbulo: o Prof. Jean Bossy ( � ) refutava a
possibilidade de que o S.N.C. fosse ali representado. É verdade que o cérebro é
interpretativo, e naõ receptor. O tratamento destas áreas sendo eficaz em certos
sintomas e em certas funções, pode-se legitimamente estimar agir naõ diretamente sobre
os órgaõs nervosos, mas indiretamente sobre seus vasos.
O trago representando as comissuras inter-hemisféricas, onde se situa o corpo caloso,
parece ser somente uma teoria. Em 6 de outubro de 2006, no V Simpósio (do qual eu,
Alessandra Scavone, participei), o Prof. Rabischong se colocou contra esta
interpretação pessoal, este conceito perigoso, esta derrapagem semântica difı́cil de
se propagar .
A experiência nos confirma que o trago é uma espécie de sı́ntese do pavilhaõ auricular;
mas esta constataçaõ é somente fruto da observaçaõ, e portanto uma simples teoria
explicativa!
As respostas a estas duas questões, que apresentamos como plausı́veis no plano
didático, dependem dos competentes pareceres dos Especialistas em Neurologia,
únicos habilitados à confirmá-las ou anulá-las.
 
Figura 6. O Segmentograma de Alimi.
 
Em direção à uma nova torre de Babel?
 
O Segmentograma de Alimi é uma descoberta interessante, um avanço que detalha sem
poder ser unanimidade hoje. Arrisca igualmente engendrar um certo número de outras
proposições bastante legı́timas, tendo por centro:
 • O fı́gado para aqueles que consideram primordial este órgaõ, fábrica quı́mica
que produz proteı́nas, gera vários metabolismos e desintoxica nosso corpo,
O pé (e mesmo o olho) para os praticantes da posturologia que tem toda
legitimidade por esta escolha,
O útero para as mulheres (" tota mulier un utero "),
A amı́dala cerebral, que regula nossas emoções e medos relativos ao sistema
lı́mbico,
O intestino delgado ou o pâncreas, cujas insuficiências engendram tantas
disfunções,
O ponto de Bosch, se consideramos que o sexo dirige o mundo,
Ora, o sexo é somente um pequeno detalhe, se posso me expressar assim, pois a
hipófise regula em grande parte as secreções das gônadas,
Etc., etc., etc., em funçaõ das concepções ou das hipóteses de cada um!
Na realidade, o ideal naõ seria uma orelha em três dimensões sobre a qual cada
escola colocaria suas próprias localizações, seu Sectograma ou seu
Segmentograma?... Pode-se sempre sonhar!
 
Deve-se privilegiar Descartes?
David Alimi apresenta as "coordenadas cartesianas dos pontos de
auriculoterapia". Ora, o adjetivo cartesiano corresponde ao cérebro esquerdo,
aquele da razaõ, mais analı́tico em relaçaõ ao cérebro direito, aquele da
emoçaõ, mais global.
Antonio Damásio, autor de "O Erro de Descartes" [15], mostrou que as emoções
saõ indispensáveis à validade dos nossos raciocı́nios. Demonstra que as
recentes descobertas em neurofisiologia contradizem a oposiçaõ tradicional
entre razaõ e emoçaõ. O importante para nós é que os dois hemisférios cerebrais
tenham juntos um bom funcionamento, a fim de produzir uma consciência correta
(consciência sendo empregada no sentido de um estado do organismo, cujo
objetivo seria a manutençaõ a melhor possı́velda vida).
Naõ desejando estar implicado num sistema ultrapassado, rejeito as
"coordenadas cartesianas".
As diferentes correntes da Auriculoterapia explicam as diferentes abordagens:
Desconhecida pelos chineses antes das descobertas de Paul Nogier, a
auriculoterapia é praticada no mundo inteiro. Existem duas grandes correntes no
mundo: a auriculo-acupuntura à partir da China, e a acupuntura auricular no
mundo ocidental. Os paı́ses do antigo bloco soviético praticam um misto das
duas técnicas.
Na França, dois grupos se afirmam seguindo o exemplo de Paul Nogier: de um
lado a escola lionesa que agrupa o GLEM e o EIPN (a referência histórica)
recorrendo à medicina experimental, de outro lado o ensino dito unificado
(Faculdades de Medicina de Nantes e de Sfax), Universidade de Medicina
Tradicional Tibetana em Sarnath na Índia, Auriculo. Sans Frontières (que
ensina a auriculoterapia clı́nica utilizando as neurociências).
A Faculdade de Medicina de Paris XIII (Bobigny) afirma ser a herdeira de René
Kovacs. Propõe uma formaçaõ em neurociências aplicada à auriculoterapia.
 A potente escola alema,̃ dirigida por Frank Bahr (também aluno de Paul Nogier),
 se esforça em estabelecer pontes entre a auriculoterapia ocidental e as
medicinas tradicionais chinesa e indiana.
 Em sua abordagem cientı́fica, a Medicina deve muito aos naõ médicos que foram 
Claude Bernard e Louis Pasteur, no século XIX. Mas, para a medicina do século XXI,
as teorias e o empirismo saõ considerados como uma aquisiçaõ. A avaliaçaõ das
práticas (nos planos do diagnóstico e dos resultados terapêuticos) associada às
publicações, tornou-se uma necessidade, um modelo necessário. Parece ser bem aceito
que o futuro da auriculoterapia será determinado pelos trabalhos e publicações das
diferentes escolas, e naõ mais através de teorias naõ validadas ou de hipóteses naõ
confirmadas.
É necessário constatar que existem muitas correntes de Auriculoterapia. Portanto, é
perfeitamente lógico que opiniões diferentes se manifestem, e que projetos diferentes se
realizem. Enquanto uma questaõ filosófica conduz geralmente a várias respostas (as
quais podem ser contraditórias), é habitual ter uma linha diretiva na Medicina do século
XXI.
 
 
 
 
 
PARTE III
REFLEXOTERAPIA
A reflexoterapia consiste em pesquisar a cura de uma doença pela excitação dos
centros nervosos. A acupuntura sistêmica e a acupuntura auricular entram no campo da
reflexoterapia, portanto, antes de detalharmos sobre a acupuntura auricular, falaremos
sobre a reflexoterapia. A descoberta da reflexologia não pode ser atribuída a nenhuma
cultura específica. Sabe-se que diversos povos utilizaram diferentes formas de trabalho
de estimulo em diversas regiões do corpo. Essa forma de tratamento era conhecida
pelas antigas civilizações. A mais antiga documentação que se tem notícia é
proveniente do Egito. Eles eram grandes estudantes do corpo humano. Isto ficou
registrado pelos artistas da época nas inscrições dos túmulos e nos murais. A
acupuntura surgiu dessa mesma raiz. Há pontos reflexos no corpo todo. Existem
microssistemas como o pavilhão auricular, as plantas dos pés, o crânio e outras regiões
onde esses pontos estão presentes, que podem ser estimulados através de vários meios:
• pelo calor: moxa
• por agulhas: acupuntura e auriculoterapia francesa
• por sementes: acupuntura auricular chinesa
• por massagem: Tui Na (China); massagem Ayurvédica (Índia);
• por pressão: Shiatsu ( Japão)
• por ventosas
CARTOGRAFIA AURICULAR
As cartografias são a representação das informações transmitidas pela via espino-
talâmica (Y. Rouxeville). Um caminho complexo (que está explicado posteriormente),
religa as terminações nervosas da pele e da orelha. A orelha, assim como a pele, é um
espelho dos órgãos (segundo a expressão do Professor Rabischong).
As cartografias descrevem a representação dos órgãos sobre o pavilhão da orelha sob a
forma de pequenas zonas. O ponto a detectar será pesquisado nas suas pequenas zonas.
Diferentes cartografias existem. As zonas correspondentes as distintas partes corporais
em proporções similares: a zona da cabeça ocupando uma grande extensão, os braços e
as pernas ocupando porções menores.
Um certo número de pontos tem uma grande importância: são os pontos mestres.
Cartografias auriculares, de acordo com os trabalhos de Paul Nogier
(1956,1969,1977,1987,1989).
A cartografia do pavilhão auricular foi criada em 1952 pelo Dr. Paul Nogier. Tem
finalidade tanto diagnóstica como terapêutica e veio a criar o corpo da doutrina que
conhecemos como auriculoterapia.
Na cartografia do Dr. Paul Nogier, os órgãos são representados sobre o pavilhão da
orelha por zonas : o tórax e o abdômen na concha, o aparelho locomotor no pavilhão,
os músculos na face posterior. No lóbulo foram descritas as zonas correspondentes às
funções cerebrais. Nessa cartografia encontra-se algo parecido com as estruturas
anatômicas de um embrião humano.
Os folhetos embrionários dão origem aos diferentes tecidos, órgãos, sistemas e
aparelhos do corpo humano. Através de estudos e pesquisas, Nogier associou o
endoderma, o mesoderma e o ectoderma a diferentes partes da orelha externa.
Regiões embriológicas da orelha identificadas por Nogier:
Nogier notou que a orelha é uma de muitas estruturas anatômicas que é composta de
cada um dos 3 primeiros tipos de tecido do desenvolvimento embrionário. Ele teorizou
que cada tipo do tecido embrionário da orelha tem diferentes funções somatotópicas
relacionadas com a área auricular.
a. Tecido mesodérmico (tecido mediano): é representado sobre a hélice, a antihélice, a
fossa escafóide e a fossa triangular, inervados pelo trigêmeo. Essas áreas representam
desordens musculoesqueléticas, dor muscular, inervações somestésicas e tônus
simpático.
b. Tecido endodérmico (tecido profundo): é representado na concha, inervado pelo
pneumogástrico Essa área representa desordens viscerais, dores profundas, inervação
vagal e tônus parassimpático.
c. Tecido ectodérmico (tecido superficial): é representado sobre a parte inferior do
pavilhão, sobre o antitragus e sobre o lóbulo da orelha. Essas áreas representam
desordens de pele, desordens neurológicas e disfunções endócrinas.
Figuras abaixo Dr. Raphael Nogier:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PONTOS AURICULARES
O Dr. Paul Nogier chegou à conclusão que os pontos só poderiam ser percebidos e
detectados quando determinada região ou função do corpo estava de alguma forma
alterada, quando em um experimento em que prendendo o dedo de um voluntário com
um prendedor, após algum tempo apareceu uma grande sensibilidade dolorosa no ponto
do pavilhão auricular correspondente ao dedo preso. Como os pontos auriculares só
existem em situações de alterações patológicas, facilita para que possam ser utilizados
com uma intenção terapêutica, como também diagnóstica, permitindo às vezes aclarar
casos difíceis naqueles pacientes em que existe uma sintomatologia obscura e pouco
definida (Figuereo-2006).
Os órgãos do corpo são representados nas zonas da orelha. No centro de uma zona, um
ponto será particularmente implicado. É uma microestrutura organizada inconstante, isto
é, ele deve ser pesquisado em uma zona preferencial, de acordo com a cartografia, mas
ele pode estar ausente. Não precisa estar obrigatoriamente sobre a orelha homolateral à
afecção, nem sobre a orelha da lateralidade da pessoa. O ponto comporta filetes
nervosos e de vasos (o complexo neurovascular). Pode ser doloroso à pressão.
As características elétricas dos pontos de acupuntura foram estudados nos anos 1950. É
essencialmente à Jacques Niboyet que temos um trabalho de grande valor científico.
Suas descobertas são o suporte de nossos conhecimentos atuais: tanto os pontos de
acupuntura clássica chinesa, como os pontos auriculares tem a propriedade de
apresentar uma resistênciaelétrica completamente diferente de seu contorno imediato.
No pavilhão da orelha, somente alguns pontos mestres (ponto zero e ponto ômega) são
detectáveis em baixa de impedância em todas as pessoas. A detecção em baixa de
impedância dos pontos dos órgãos acontece nos casos onde o funcionamento desse
órgão está perturbado. Essa descoberta permitiu o desenho dos aparelhos que baseados
na velha lei de OHM permitiam a localização dos pontos ativos com toda precisão.
A manifestação do ponto poderá ser ligado a uma hipóxia e a uma isquemia do órgão
correspondente, consecutivas a uma degradação . O pavilhão é dividido em três
territórios. Os órgãos são representados em função de sua correspondência
embriológica, mas um ponto pode ter uma característica plurifocal, ou seja , um mesmo
ponto pode ser usado para diversos tratamentos.
Dado o tamanho limitado do pavilhão auricular, os pontos tem tamanhos que variam de
0,1 a 0,3 mm. Ao se efetuar a sensibilização desses pontos por agulhas de acupuntura,
essas agulhas criam uma micro-inflamação onde o efeito é transmitido pelo sistema
nervoso cérebro-espinhal e vegetativo; essas ações são moduladas pelo sistema
límbico ( Y. Rouxeville).
A auriculoterapia é um método diagnóstico, pois os pontos auriculares são percebidos
através de diagnóstico visual, palpatório (fica doloroso à palpação) e eletrônico (pois
sofre alterações em suas constantes elétricas). Se esses pontos estiverem alterados,
identifica-se a zona ou função representada no pavilhão da orelha em desequilíbrio.
Portanto, um determinado ponto só aparecerá se o individuo estiver doente. Um
exemplo: se houver uma lesão no joelho, o ponto representado no pavilhão auricular
poderá apresentar alterações que podem ser vistas (ex: vermelhidão), pode ser sentida
por dor a palpação ou ter alterações de resistência elétrica que pode ser localizada por
um aparelho de detecção eletrônico (Ex:Diascope- Sedatelec) e consequentemente
tratado.
Mediante esses estímulos por complexos mecanismos neurológicos e bioquímicos
reflexos, que serão explicados no decorrer deste livro, auxilia-se a modificação dos
padrões em desequilíbrio, chegando à melhora dos transtornos observados no
organismo.
A auriculoterapia nos permite através da técnica de busca dos pontos, descobrir uma
região em forma de rede funcional, isto é, tratando-se uma patologia, identificamos
pontos a serem tratados que não tem correspondência direta com essa patologia, porém
auxilia o doente no tratamento. Encontramos por exemplo em um paciente deprimido,
não somente o ponto antidepressivo, como também o ponto do pulmão, por exemplo. Na
medicina chinesa o órgão pulmão está relacionado com a emoção, tristeza e melancolia.
Também encontramos esta relação na medicina ocidental, pois Psiquiatras Americanos
tem informado que pacientes afetados com depressão melhoram, sem trocar a
medicação, quando o paciente começa a ser tratado com a correspondente estimulação
do ponto do pulmão (Figuereo).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPARAÇÃO ENTRE A ACUPUNTURA TRADICIONAL CHINESA E A
ACUPUNTURA AURICULAR
A acupuntura (somatopuntura) é a técnica que consiste em agir sobre pontos precisos do
corpo, às vezes picando-se com finas agulhas, às vezes massageando ou aquecendo
esses locais. A acupuntura praticada na China desde milhares de anos é baseada em
conceitos tradicionais (a regulação do Yin e do Yang, a lei dos cinco elementos, as leis
de circulação de energia, etc.). A acupuntura é uma parte da medicina tradicional
chinesa. Alguns médicos tentam compreender e explicar a acupuntura tradicional
através dos conhecimentos medicos atuais, realizando teses de mestrado e doutorado
para comprovar cientificamente a eficácia da acupuntura, como citado anteriormente. A
auriculoterapia se inscreve de maneira legítima no quadro da acupuntura. Porém a
auriculoterapia não utiliza as mesmas vias que a acupuntura. A auriculoterapia e a
acupuntura entram no campo das reflexoterapias e suas ações acontecem por intermédio
do sistema nervoso. Certas regiões do corpo apresentam uma correspondência com os
órgãos. Além da orelha, também o crânio, o nariz, o rosto, o pé e a mão são regiões
reflexas. Assim, os microssistemas da acupuntura (inclusive a orelha) podem refletir o
estado energético geral e permitir sua regulação. Certos acupunturistas descrevem até
uma correspondência dos meridianos da acupuntura com a orelha (Y. Rouxeville).
O International Council of Medical Acupuncture and Related Techniques (ICMART) é
uma associação que agrupa as sociedades médicas de acupuntura. E nela incluem-se
também a auriculoterapia e a auriculomedicina.
Comparemos agora a acupuntura auricular com a sistêmica:
História: Os sistemas de acupuntura sistêmica e auricular tiveram suas origens
históricas na antiga China. Entretanto, a Acupuntura Sistêmica manteve-se praticamente
inalterada, enquanto a Acupuntura Auricular foi maravilhosamente modificada pelas
descobertas do Dr. Paul Nogier, na França. Muitas pesquisas foram desenvolvidas
desde então no campo da Auriculoterapia e Auriculomedicina.
 
Meridianos: A Acupuntura Sistêmica é baseada sobre um sistema de 12 meridianos, 6
meridianos Yang e 6 meridianos Yin, que circulam através de ambos lados do corpo,
como linhas de força. A Acupuntura Auricular conecta-se a esses meridianos, mas não
depende deles. A orelha é um micro sistema que afeta o corpo todo. A Escola
Francesa de Auriculoterapia não tem nenhuma relação com as teorias da Medicina
Chinesa. Na auriculoterapia não há essa idéia de energia, como na acupuntura auricular
Chinesa.
 
Inversão Somatotópica: Na acupuntura somática, os meridianos correm em linhas ao
longo do corpo, com uma lógica anatômica não aparente em relação ao órgão do corpo
representado pelo meridiano. Na acupuntura auricular, há um arranjo de pontos
ordenados, baseados sobre a perspectiva de um Fetus Invertido. As áreas da cabeça são
representadas pelo lóbulo da orelha, o pé fica no topo, e o corpo, entre eles. Como o
mapa somatotópico no cérebro, o homunculus auricular devota uma área
proporcionalmente maior para a cabeça e mão do que para o resto do corpo. O tamanho
da área somatotópica é relacionado com a sua importância funcional. Uma parte do
corpo como a orelha pode representar o corpo todo e isso foi relatado na Teoria
Holográfica, que pode ser aplicada a auriculoterapia tão bem como a reflexologia do
pé (vide teoria holográfica).
Pontos de acupuntura: Esses pontos são áreas anatomicamente definidas na pele. Eles
são estabelecidos em um local fixo e específico na acupuntura somática, e podem ser
sempre detectados. Na acupuntura auricular, entretanto, um ponto de acupuntura pode
ser detectado somente quando há um problema na área correspondente do corpo que
esse ponto representa. Quando as agulhas são bem posicionadas, o paciente deve
experimentar uma sensação chamada de Teh Chi pelas escolas de acupuntura
tradicional. O Teh Chi tem sido definido como uma sensação subjetiva de totalidade,
entorpecimento formigamento e calor com alguns locais doloridos e um sentimento de
distensão ao redor do ponto de acupuntura. Não há um consenso entre os acupunturistas
sobre a necessidade de alcançar o Teh Chi para a acupuntura ser efetiva. Embora isso
não se observe no estimulo dos pontos auriculares, há uma nítida sensação de maciez e
penetração que acompanha a estimulação auricular.
Resistência da Pele: Nas acupunturas sistêmica e auricular, os pontos de acupuntura são
localizados em regiões de baixa resistência da pele, ou em estado inverso, alta
condução da pele. Também nos dois sistemas, quando há uma patologia de algumas
formas no órgão do corpo representado pelo ponto meridiano ou ponto auricular, a
atividade eletrodérmica daquele ponto de acupuntura é ainda maior, e sente-se mais
macio ao tocá-lo.
Representação Ipsilateral: Nas acupunturas somática e auricular, áreas patológicas do
corpo que sãounilaterais, são mais fortemente representadas pelos pontos de
acupuntura no mesmo lado do corpo que está patológico, que do lado contralateral do
corpo. No cérebro, representações somatotópicas são registradas contralateralmente.
As representações ipsilaterais do corpo sobre a orelha podem ser devido às projeções
contralaterais, ascendendo da orelha ao cérebro, cruzando de volta para as projeções
descendentes do mesmo lado do corpo. Desse modo, a representação ipsilateral na
orelha deve-se a duas projeções contralaterais, ascendente e descendente da orelha.
Eficácia diagnóstica: A acupuntura auricular provê mais científicamente verificações
de áreas identificáveis de dor ou patologias que a acupuntura sistêmica pois a última
utiliza o diagnóstico pelo pulso e pela língua; no diagnóstico auricular, pode-se
identificar problemas no corpo pela detecção de áreas na orelha que estão
descoloridas, ou pela alta condução da pele, ou até mesmo através do Vascular
Autonomic Signal (VAS), que será explicado na parte sobre Auriculomedicina.
 
As aproximações dos diferentes tratamentos: As acupunturas do corpo e da orelha
podem ser clinicamente utilizadas para aliviar dor e patologias no corpo através do
uso da massagem, de acupressura, agulhas de acupuntura, eletroacupuntura, estimulação
elétrica transcutânea dos nervos nos pontos de acupuntura e estimulação à laser. As
acupunturas do corpo e da orelha podem ser usadas juntas ou independentemente.
Locais de tratamentos remotos: Os pontos da orelha são localizados a uma certa
distância da área do corpo onde o sintoma está localizado. Isso permite o uso da
Auriculoterapia na área do corpo afetada mesmo que esta esteja muito dolorida para se
tratar localmente. A acupuntura do corpo também utiliza pontos remotos. Muitos pontos
no corpo, entretanto, são localizados diretamente sobre a mesma área do corpo que o
sintoma está.
Problemas clínicos tratados: As acupunturas do corpo e da orelha são utilizadas para
tratar uma variedade de desordens clínicas, incluindo dores de cabeça, dores crônicas
das costas, hipertensão, dismenorréia e desordens dentárias. Problemas relacionados a
vícios tem resultados melhores com a auriculoterapia, como o controle do cigarro e a
desintoxicação de drogas.
Eficácia do tratamento clínico: As acupunturas auricular e sistêmica parecem ser
procedimentos igualmente efetivos, requerendo algumas sessões de 30 minutos de
tratamento , enquanto que os benefícios clínicos duram por dias e semanas. Alguns
pacientes reportam completo alívio da dor com a Auriculoterapia.
Cura: As acupunturas sistêmica e auricular não simplesmente reduzem a experiência de
dor, que é o seu efeito mais imediato, mas também facilitam o processo natural de cura
do corpo. É importante tratar a causa e não somente a representação sintomática do
problema e tanto a acupuntura auricular quanto a acupuntura somática podem tratar a
causa, com mudanças fisiológicas. A Auriculoterapia facilita o mecanismo natural de 
auto-regulacão homeostática do corpo. A estimulação de um ponto na orelha pode
diminuir ou aumentar/ativar as funções corporais ou diminuir o processo fisiológico. É
importante dizer que os pacientes tem que passar por uma avaliação de saúde, para não
tratar sintomas que precisam de tratamento tradicional, como no caso de doenças
incuráveis tais como diabetes, tumores e doenças cardíacas. Nesse caso a acupuntura
seria um suporte.
Facilidade na aplicação do tratamento: A acupuntura auricular é de muitas maneiras
mais econômica e conveniente para se usar em clínicas, hospitais e postos de saúde . A
orelha é fácil de se fazer o tratamento enquanto o paciente pode estar sentado numa
cadeira ou deitado em uma maca, em suas próprias roupas.
 
 
Parte IV
FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS DA ACUPUNTURA E DA AURICULOTERAPIA
A maioria dos cientistas concorda que a acupuntura não age como a hipnose; eles citam
que ela tem aliviado a dor nos animais, que não podem ser hipnotizados. A comunidade
científica agora aceita amplamente que a acupuntura produz mudanças fisiológicas no
corpo humano. Essas mudanças incluem alterações na pressão sanguínea, nas atividades
elétricas cerebrais e no tálamo (uma parte do cérebro que processa os impulsos
nervosos da dor, da temperatura e do tato). Numa conferência, Abass Alavi, diretor de
Medicina Nuclear da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, apresentou
as imagens resultantes do escaneamento do cérebro dos pacientes agulhados por
acupuntura. "Nós medimos o fluxo cerebral antes e imediatamente após o tratamento por
acupuntura", disse o parceiro de Alavi, David Mozley. "Nós encontramos um aumento
significativo do fluxo sanguíneo para o tálamo após o tratamento... mostrando que a
acupuntura produz efeito sobre o cérebro, particularmente sobre o tálamo, que tem um
papel importante no processamento da informação sensitiva”, acrescentou ele.
Desde 1996, cientistas do mundo todo sentiram a necessidade de investigar o papel da
acupuntura na liberação de outros neuropeptídeos, que não os opióides.
Em uma assembléia de pesquisadores realizada em 1996, nos Estados Unidos, Candace
Pert, professora do departamento de fisiologia e biofísica da Escola de Medicina da
Universidade de Georgetown, disse: “cerca de 70 a 90 neuropeptídeos podem ser os
responsáveis pela transmissão no tratamento da
acupuntura”. "Até agora, o que todo mundo entende é que as endorfinas estão
implicadas” (na acupuntura).
“Não há dúvida quanto a isso", relatou Daniel Bossut, do Departamento de Neurologia
da Universidade de Duke. “Mas os neuropeptídeos têm múltiplas funções e os opióides
não irão ser os únicos responsáveis no tratamento da acupuntura", disse Bossut. "Creio
que uma lição importante a ser observada, é que a acupuntura pode afetar as
serotoninas", segundo o psiquiatra e bioquímico de lipídeos Joseph R. Hibbeln, do
National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism. “Isso é importante para os
psiquiatras porque nós usamos muitas drogas farmacológicas para alterar a serotonina e
tratar as desordens da ansiedade e da depressão", disse Hibbeln. Michel O. Smith,
diretor da Divisão de Abuso de Substâncias do Hospital Lincoln em Bronx, tem usado a
acupuntura por vários anos. Segundo ele, a acupuntura mostra um resultado positivo no
auxílio para a recuperação de viciados em drogas, para continuar com seus programas
de reabilitação. "A acupuntura em si não irá ajudar essas pessoas. Nada por si só irá
ajudar essas pessoas. Mas se você adicionar a acupuntura ao programa, você irá obter
vantagens. Há uma maior taxa de aderência (de viciados no programa). As pessoas são
mais cooperativas e elas entendem mais."
As técnicas de acupuntura e auriculoterapia se baseiam no princípio do reflexo, que é
um princípio universal fisiológico, ou seja, a resposta ordenada do organismo a um
impulso externo ou interno, que será processado pelo Sistema Nervoso Central
(S.N.C.), mas que não se pode reduzir somente à existência de estimulo-reação ou à
existência do moderno conceito de um círculo regulador (recepção de uma informação
através de um receptor, aferências sensitivas em direção a um neurônio, neurônio
eferente e atividade dos efectores). Diferentes tipos de reflexoterapias se realizam
mediante a participação de muitas estruturas do S.N.C., sobre a base de uma análise
integrativa da informação, com a utilização de uma experiência anterior e também com
a consideração de uma motivação sensorial e psíquica. O importante para a
reflexoterapia é saber se as mudanças na função produzidos diretamente pelo influxo da
informação ascendente se produzem sobre a base de mecanismos determinados pela
evolução ao longo do tempo, alcançando-se assim um ótimo nível de atividade. A
reflexoterapia demonstra desta forma um caráter de adaptação. A manutenção da
homeostase é possível mediante informações específicas de um determinado subsistema
( por exemplo, a manutenção da pressão sanguíneasobre a base de sinais aferentes que
procedem de receptores situados na aorta e na carótida), que é um exemplo de
regulação automática. Mas no nível da pressão sanguínea depende da atividade da
totalidade do organismo e se deve adaptar a novas condições ou necessidades. No
mecanismo da homeostase tomam parte não só reflexos automáticos, senão também
vários complexos mecanismos do denominado grupo de reflexos de adaptação. As
reações de um sistema fisiológico se produzem no nível do S.N.C., como conseqüência
dos correspondentes sinais aferentes.
O principio da somatotopia - distribuição de uma correspondência localizadora entre as
zonas nervosas centrais, talâmicas ou corticais, e territórios somáticos, por exemplo,
entre o córtex parietal ascendente, por um lado, e o hemicorpo do lado oposto para as
funções sensitivas (H. Piéron, psicólogo francês, 1881-1964), permite localizar lesões
nervosas de acordo com os sinais periféricos e, mais especificamente em
auriculoacupuntura sendo o conjunto de projeções reflexas no pavilhão auricular e da
viscerotopia - se desprende, segundo a acupuntura e a auriculoacupuntura, de todas as
reações corretas nos correspondentes órgãos internos, partes corporais e sistemas que
estão ligados em primeira linha com um determinado segmento corporal. E tão logo esta
informação chegue ao plano do tronco cerebral, influirá, quase sempre, beneficamente
sobre a regulação humoral e hormonal.
Há aqui também 3 mecanismos básicos que tem valor fundamental para a acupuntura e
a auriculoacupuntura, segundo Victorino Martinez Figuereo:
1- O neural que é o mais importante da periferia.
2- O neuro-humoral, que conduz as mudanças do meio interno, dos fluidos
corporais.
3- O neuro-hormonal, através de uma ação sobre a hipófise e as glândulas de
secreção interna.
FUNDAMENTOS CIENTÍFICOS PARA A AURICULOTERAPIA
A auriculoterapia é um método que mantém uma relação privilegiada com o território
do nervo trigêmeo, relação que compartilha com outros tipos de reflexoterapias e que
foi descrita magistralmente pelo Prof. Jean Bossy na sua obra fundamental, “ Bases
neurobiológicas das reflexoterapias” Masson 1975, do qual tomamos muitos conceitos
dos quais será exposto posteriormente.
O pavilhão da orelha dispõe de uma inervação particularmente densa e variada: V par
craniano – nervo trigêmeo (controle dos movimentos da mastigação -ramo motor-;
percepções sensoriais da face, seios da face e dentes -ramo sensorial-) para o pavilhão
da orelha; X par craniano- nervo pneumogástrico (percepções sensoriais da orelha,
faringe, laringe, tórax e vísceras, inervação das vísceras torácicas e abdominais) para a
concha; nervos cervicais para o lóbulo e a raiz do hélix, assim como o VII par craniano
- nervo facial (controle dos músculos faciais, mímica facial, - ramo motor - ,
percepção gustativa no terço anterior da língua -ramo sensorial-) e o IX par craniano –
nervo glossofaríngeo (percepção gustativa no terço posterior da língua, percepções
sensoriais da faringe, laringe e palato).
A orelha contém relações estreitas e comprometidas com o tronco cerebral. A
convergência neuronal sobre as unidades reticulares e suas ligações com a substância
cinzenta périaquedutal permitem explicar sua importância no domínio da analgesia.
O diagnóstico auricular evoluiu: ele é válido, mas não é infalível.
A imagem por ressonância magnética funcional permitiu notar a correlação de uma
parte do cérebro e de uma zona da orelha. Os trabalhos em teletermografia dinâmica
mostram que a orelha poderia ter um papel termoregulador sobre os órgãos. Os
trabalhos de pesquisa clínica não são mais que convincentes.
 
 
 
A NEUROANATOMIA E A NEUROFISIOLOGIA – Os trabalhos de Jean Bossy
Jean Bossy foi neuroanatomista na Faculdade de medicina Montpellier-Nîmes. Ele
sempre tentou explicar a acupuntura e a auriculoterapia da maneira mais precisa, sob a
luz da neuroanatomia e da neurofisiologia. Ele recebeu o prêmio da Escola
Internacional Paul Nogier (EIPN) em 2000. A seguir será exposto sobre seu trabalho.
 
 
A ANATOMIA DA ORELHA
A orelha externa sempre teve um valor estético e uma significação médica importante
nas diferentes culturas, mas seu estudo antropológico deixa ainda numerosos pontos de
interrogação.
No domínio médico, a medicina legal e a antropología são interessantes. Seu interesse
terapêutico ficou marginalizado até o final do século XX. Atualmente, a
auriculoacupuntura, que nós podemos chamar de reflexologia auricular, é largamente
difundida pelo mundo. As localizações dos pontos e zonas reflexas nos fazem pensar
sobre a anatomia da superficie auricular, onde a variabilidade é impressionante, em
relação mais ou menos direta com uma embriologia complexa. Entretanto, essa
inervação cérebro-espinhal e autônoma permite abrir a via para os mecanismos
centrais, explicando seus efeitos assim diversos e às vezes surpreendentes.
 
Superfície anatômica
 
A configuração complexa do pavilhão auricular é explicada em parte pela sua origem
embriológica. Apesar da diversidade da morfologia da orelha externa, podemos
estabelecer um esquema aplicável à todas. A orelha ou pavilhão é formada por uma
lâmina de cartilagem elástica (fibrocartilaginosa) de formato irregular, recoberta por
uma fina camada de pele.
Possui várias depressões e elevações, sendo a concha a maior depressão. A margem
elevada da orelha é chamada de hélice ou hélix e, localizada logo abaixo da hélice se
encontra a fossa escafóide, que é uma longa depressão. Abaixo da fossa escafóide se
encontra uma elevação chamada anti-hélice, que termina bifurcada em dois ramos,
encontrando-se uma fossa entre eles, chamada de fossa triangular. O lóbulo é uma
pequena porção de tecido mole que se encontra na região inferior do pavilhão.
Localizados superiormente ao lóbulo, encontram-se o tragus e o anti-tragus, o primeiro
localizado logo na abertura do meato acústico externo e o segundo, logo acima do
lóbulo. A sua face medial está relacionada com a região mastóidea, cujo limite forma o
sulco retro-auricular. Sua face lateral apresenta as seguintes saliências e depressões:
A orelha externa consiste em:
uma cartilagem elástica única,
coberta por fina camada de pele,
penugem,
glândulas sebáceas e sudoríparas,
inervada 
vascularizada
o lóbulo da orelha é a única região do pavilhão que não apresenta cartilagem
a orelha externa é formada pelo meato auditivo e pelo pavilhão.
 
 
 
O pavilhão da orelha é formado por várias saliências e depressões:
Concha (concha superior e concha inferior): a saliência mais profunda. É
limitada principalmente pelo anti-hélix e pelo trago.
Raiz do hélix : divide a concha em 2 partes: uma superior e estreita denominada
concha cimba e outra inferior muito mais larga, que é contínua com o conduto
auditivo externo, chamada concha cava.
A margem superior e proeminente da orelha é denominada hélix ou hélice, que
começa na cavidade da concha do pavilhão da orelha e segue circundando o
pavilhão até encontrar o lóbulo.
O lóbulo da orelha é a região inferior do pavilhão auditivo, formada por tecido
gorduroso, fibroso e vasos sanguíneos cobertos por pele.
A saliência mais interna e central da orelha constitui o anti-hélix, que se bifurca
na parte superior formando a cruz superior e a cruz inferior, cuja depressão
formada é denominada fossa triangular.
Entre o hélix e o anti-hélix situa-se a fossa escafóide, região localizada em uma
depressão curvilínea que acompanha o formato do hélix.
O tubérculo auricular é uma proeminência relativamente pequena, localizada na
região superior do hélix.
A proeminência localizada na região anterior da concha, abaixo do hélix, é
denominada trago. Ele se projeta a partir do meato auditivo externo para frente,
protegendo o orifício.
Na concha cava encontra-se o meato acústico ou meato auditivo; na sua região
anterior encontra-se uma estrutura denominada trago; e, posteriormente ao meato
auditivo e à concha cava, encontra-se o antitrago.antitrago é uma pequena proeminência triangular de pontas abauladas. A fossa
superior do antitrago consiste em uma depressão relativamente pequena que se
forma entre o antitrago e o anti-hélix.
 
 
Distribuindo-se, resumidamnente, da seguinte forma:
• lóbulo da orelha – região cefálica e facial.
• Antitrago – cabeça e cérebro
• Trago – laringe, faringe, nariz externo e interno, supra renais, nervo tempoauricular,
etc.
• Anti-hélix – tronco, na cruz inferior do anti-hélix se localiza a região glútea e na cruz
superior os membros inferiores.
• Fossa escafóide – membros superiores.
• Raiz do hélix – diafragma e em torno do hélix distribui-se o aparelho digestório.
• Incisura do intertrago – glândulas endócrinas.
• Concha cimba – pontos da cavidade abdominal.
 
 
 
 
 
 O pavilhão auricular possui formato oval, com a extremidade maior voltada para cima
e a superfície lateral levemente côncava e inclinada para frente. 
Está localizado nos dois lados da cabeça, posteriormente à articulação
têmporomandibular (ATM) e à região parotídea, anterior à região mastóide e abaixo da
temporal. O pavilhão auricular é formado de tecido fibrocartilaginoso, ligamentos,
músculos e tecido adiposo. A parte inferior do pavilhão é rica em vasos sanguíneos,
linfáticos e nervos. Já os terços superiores são formados essencialmente por
cartilagem. O lóbulo da orelha apresenta, na maior parte de sua constituição, tecido
adiposo e conjuntivo. O sistema sanguíneo da orelha é abundante, sendo o suprimento
arterial realizado principalmente através da artéria temporal superficial, auricular
posterior e da carótida externa. As veias acompanham as artérias e possuem a mesma
designação, com exceção da veia jugular posterior que drena as áreas irrigadas pela
artéria carótida. 
Os vasos linfáticos da face anterior desembocam nos gânglios linfáticos da parótida e
muitos dos vasos linfáticos da face posterior desembocam em linfonodos
retroauriculares. A inervação do pavilhão auricular é rica. Os nervos motores se
originam do nervo facial e os nervos sensitivos possuem origem dupla. Os ramos do
nervo auriculotemporal vão para a parte anterior do hélix e para o trago e o ramo
auricular do plexo cervical superficial inerva o restante do pavilhão auricular. O
pavilhão auricular apresenta várias depressões e saliências cartilaginosas. Nas partes
mais profundas estão localizados pontos relacionados aos órgãos internos e as partes
salientes apresentam pontos que se relacionam principalmente as estruturas ósseas do
corpo. O estudo anatômico da orelha facilita a localização dos pontos e das áreas
correspondentes.
 
 
A NEUROANATOMIA DA ORELHA
 
Bossy descreveu a inervação sensitiva da orelha. Suas dissecações foram reprisadas
(tese de M. Séouane, Montpellier 1974). Ele identificou a existência de frequentes
variações anatômicas individuais e admitiu a possibilidade da inervação pelo nervo
facial (VII par craniano) e pelo nervo glossofaríngeo (IX par craniano). O pavilhão da
orelha é o único lugar do corpo que dispõe de uma inervação tripla:
- o nervo auriculo-temporal, ramo do trigêmeo (V par craniano) , ortosimpático, no
pavilhão (suporta as representações músculo-esqueléticas) e ramo ascendente do hélix;
- um ramo auricular do pneumogástrico (X par craniano), parasimpático, na concha (
suporta a representação das vísceras);
- o grande nervo auricular (nervos cervicais C1-C2-C3), ortosimpático, no lóbulo 
(suporta as localizações ectodérmicas) e a raiz do hélix.
Ademais, a periferia do conduto auricular é inervada pelo VII par craniano (nervo
facial), e o tragus pelo IX par craniano (glossofaríngeo).
Figura Dr. Raphael Nogier
 
 
 
A NEUROFISIOLOGIA NA AURICULOTERAPIA
Bossy sempre insistiu sobre os fenômenos de convergência sobre as unidades neurais
da formação reticular. Ele precisou e detalhou o papel fundamental dessas estruturas
nervosas particulares ao tronco cerebral e ao subcórtex.
A formação reticular é como uma “teia de aranha” religando entre eles diretamente os
centros hipotalâmicos, rinencefálicos e o tronco cerebral. Os nervos do pavilhão
auricular são implicados, a orelha sendo derivações em relação às vias nervosas. A
formação reticular tem uma relação estreita com o tônus, com o sistema vegetativo
(centros respiratórios e circulatórios), assim como com as funções de atenção e de
sono. É uma relação estreita com o núcleo vermelho, o cerebelo, o hipotálamo e o
córtex. A formação reticular bulbar pode explicar as interações somático-auriculares
que se exploram nas técnicas da auriculoacupuntura. Funções da Formação Reticular:
Controle de sono e vigília
Centro respiratório e vasomotor
Controle eferente de sensibilidade
Controle da motricidade somática
Controle neuroendócrino
Controle do sistema nervoso autônomo
A formação reticular tem um papel capital e não específico:
“Não é possível dar uma explicação aos microsistemas da acupuntura, à
auriculopuntura, à partir da organização dos centros primários...Assim é indispensável
se fazer uma chamada aos centros supra segmentários...A formação reticular aparece
como um só centro permitindo se compreender os mecanismos de ação.” (Bossy J.,
Pradal-Prat D., Taillandier J. 1984 - Les microsystèmes de l’acupuncture). O pavilhão
da orelha recolhe as informações periféricas passando pelos nervos cranianos e a
formação reticular. Sobre as unidades reticulares convergem por sua vez os influxos
vindo do corpo e os influxos vindos do pavilhão auricular.
O fenômeno de convergência pode ser compreendido da seguinte maneira. Sobre uma
mesma unidade reticular de influxo proveniente dos órgãos doentes e das zonas
cutâneas da orelha, numerosas informações afastadas umas das outras chegam sobre a
mesma unidade nervosas serão associadas, combinadas e traduzidas em uma
informação única. Esse fenômeno permite explicar duas anomalias aparentes das
cartografias: muitos órgãos podem ter a mesma localização na orelha. Portanto, as
cartografias diferentes não serão obrigatoriamente falsas.
 
 
 
PROJEÇÕES E REPRESENTAÇÕES
É preciso insistir sobre o fato que os pontos ou zonas auriculares não são jamais
projeções, mas representações da inervação de um órgão ou de um território.
Falamos de projeção quando a estimulação de uma estrutura somática ou nervosa
permite evocar todos os potenciais nervosos ao longo da via nervosa que pode atingir o
córtex.
Em contrapartida, dois territorios, A e B, mais ou menos afastados, podem se projetar
sobre a mesma unidade neural, para seguir uma via nervosa central idêntica, e atingir as
mesmas zonas talâmicas ou corticais, evocando-se os potenciais nervosos em cada uma
de suas estruturas. Entretanto, a estimulação de A não pode jamais evocar os potenciais
em B, ou inversamente. Por conseguinte é falso falar de projeção de A em B. Trata-se
somente de uma representação de A em B.
Dada que a supressão completa da inervação cérebro-espinhal e autônoma suprime o
efeito da estimulação do ponto, não pode tratar-se da representação do órgão ou da
região, mas da inervação. Isso é para coroar a necessidade de se ter em conta por um
lado, a densidade da inervação e, por outro lado, para certos órgãos, de uma dupla
representação cérebro-espinhal e autônoma ainda que essas inervações não sejam
coerentes.
Ocorre que dois órgaos diferentes, tendo a mesma inervação segmentar podem ter uma
representação superposta. Assim, um ponto doloroso auricular pode aparecer como o
sinal de disfunção de um território segmentar .
Portanto, assim como na medicina tradicional, um só sinal não é suficiente para o
diagnóstico do paciente, ou seja, não basta encontrar um só ponto doloroso auricular; é
preciso reunir um conjunto de sintomas convergentes.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MODOS DE AÇÃO
Pela auriculoterapia, podemos conseguir diversos efeitos. A agulha cria uma micro-
inflamação onde o efeito é transmitido pelo sistema nervoso cérebro-espinhal e
neurovegetativo;

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