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NEOPLASIAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

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Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Podem ser tumores primários (gliomas, meníngeos e embrionários) e secundários (metástases), 
bem como tumores em nervos (células de Schwann). 
Esses tumores são heterogêneos, ou seja, podem ter várias formas histológicas. Podem ser gliomas 
(30%), meningiomas (30%) e metastáticos (30%). As outras classes de tumores do SNC são mais 
raras e correspondem a 10% deles. 
Alguns tumores primários tem localização preferencial. 85% tem topografia intracraniana e 15% 
tem localização no canal espinal. Dentre os intracranianos, na população adulta eles predominam 
nos hemisférios cerebrais e nas crianças, na fossa posterior. Alguns tumores predominam em 
determinadas faixas etárias: 
 - Adultos: gliomas de hemisfério, meningiomas e metástases. 
 - Crianças: astrocitomas de cerebelo e embrionários. 
TUMORES PRIMÁRIOS DO SNC 
1. GLIOMAS 
Uma das classes mais comuns, envolve tumores com diferenciação glial (astrocitomas), 
oligodendrogliomas e ependimários (ependimomas). Não conhecemos tumores derivados da 
micróglia. O mais comum dentre eles é o Astrocitoma. 
 ASTROCITOMAS 
Podem ser circunscritos (limites bem definidos) ou infiltrativos/difusos (limites indefinidos). São 
categorizados em uma escala da OMS de I a IV, quanto maior o grau pior o prognóstico do tumor. 
Acometem diferentes topografias e em diferentes faixas etárias. 
• Astrocitoma Pilocítico: 
Astrocitoma relativamente bem circunscrito e com padrão 
histológico bifásico (no tecido neoplásico vemos áreas com 
dois aspectos distintos). Frequentemente é cístico, com nódulo 
mural. Correspondem a 2% das neoplasias intracranianas 
primárias (o tumor mais comum do SNC em crianças e jovens 
– 20anos). Pode se desenvolver em qualquer local do SN, 
sendo comum o cerebelo. 
O crescimento é lento, bom prognóstico pós-cirúrgico (grau I 
geralmente). 
Macroscopia: cístico com líquido pardacento. Área 
avermelhada que corresponde ao nódulo mural (aqui que deve 
ser feita a biopsia). 
Histologia: numa área predominam microcistos (espaço entre células neoplásicas) e área com 
células mais próximas umas das outras (fibrilar). 
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Prolongamentos celulares alongados que se distribuem como feixes – que lembram fios de 
cabelo, por isso pilocítico. Vemos fibras hialinas que chamamos de Fibras de Rosenthal (acúmulos 
de proteína alfa-beta cristalina dentro do citoplasma dos astrócitos). 
 Imagem: 
Associação frequente com a neurofibromatose tipo 1. 
Baixa mutação da p53, ou seja, baixa agressividade. Não 
há neovascularização (baixa perfusão). 
 
Componente cístico, hiperssinal em T2. Após contraste o 
componente sólido capta contraste (bastante realce – 
terceira imagem). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Lesão na cisterna supraselar no corte coronal. No corte sagital T1 sem contraste a lesão está em 
estruturas diencefalicas envolvendo o quiasma óptico (sintomas visuais da NFtipo1). Após 
contraste há intenso realce (última imagem – lesão sólida). Assim, não há formação de cistos aqui. 
 
O local mais comum no TE é o bulbo, mas aqui está no mesencéfalo. Lesão de aspecto exofítico 
com sinal aumentado na ponderação T2 (primeira imagem). Hidrocefalia supratentorial. 
 
• Astrocitomas difusamente infiltrativos: 
Bem mais frequentes que os pilocíticos (80% das neoplasias encefálicas primárias). Mais comuns 
em adultos (em idosos tem maior agressividade). Comum surgir na substancia branca dos 
hemisférios cerebrais, mas pode ocorrer no cerebelo e TE. 
Crescimento lento sugere baixo grau (II) e rápido sugere alto grau (III ou IV). 
Astrocitoma difuso de baixo grau (II): mal delimitados, vemos essa falta de limite nos exames de 
imagem. Na histologia, vemos atipias nucleares (alongamento nuclear e cromatina grosseira; 
binucleação; variação do tamanho; hipercromatismo). 
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http://anatpat.unicamp.br/lamneuro13.html 
Imagem: 
Apresentação inicial dos tumores: pouca neovascularização (tumores frios à perfusão). 
85% das vezes estão associadas a mutações do 
gene IDH1 (melhor prognóstico). Mutações em 
p53 também podem ocorrer, mas menos comum 
(25% dos casos). Sobrevida de 6 a 10 anos após 
diagnóstico. 
Astrocitoma infiltrativo difuso que envolve tálamo, 
caudado e putamen ipsilaterais. Na imagem 
abaixo é axial T1 pós-contraste, há bloqueio dos 
ventrículos causando hidrocefalia dos ventrículos 
laterais. Vemos rima de hiperssinal margeando o 
contorno do ventrículo (edema intersticial – 
indica transudação liquórica pelo efeito 
expansivo da neoplasia). Quadro de HIC. 
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No corte sagital vemos lesão infiltrativa hipointensa no tálamo com pouco ou nenhum realce pelo 
meio de contraste. 
 
A tomografia é um exame de screening, devemos sempre fazer ressonância magnética caso 
encontremos algo suspeito. Lesão hipodensa relativamente mal delimitada (infiltrativa) que pode 
confundir com lesão hemorrágica (região frontotempoinsular esquerda). Sem realce em T1. Em T2 
tem predomínio de hiperssinal. 
 
Sequência T1 pós contraste observamos lesão corticosubcortical no giro frontal médio direito. 
Mapa de ADC de difusão não restringe à difusão (tumor menos agressivo). Área tumoral tem 
perfusão com cor semelhante à substancia branca (azul) – perfusão fria com baixo valor por ser um 
glioma de baixo grau. 
Astrocitoma difuso grau IV (Glioblastoma): aspectos mais variados. Lesão grande mal delimitada 
que compromete o hemisfério todo e se propaga para o outro. Na histologia, encontramos atipias 
nucleares, mitoses, necroses em pseudopaliçadas e proliferação endotelial. Esses vasos 
proliferados podem simular glomérulos renais (pseudoglomérulos) e pode até ocorrer trombose e 
necrose. 
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http://anatpat.unicamp.br/lamneuro14.html 
 Imagem: 
Neoplasia primária do SNC mais comum. 
Geralmente o gene IDH é selvagem, mais 
agressivo. A maioria surge ‘de novo’. Também te 
mutação no PTEN. 
Lesão bastante heterogênea à tomografia. 
Componentes espontaneamente mais densos 
(hemorragias). Após contraste (imagem direita) 
vemos zonas hipocaptantes que representam 
necrose (realce irregular). Há edema ao redor 
(escuro). Calcificações são pouco frequentes. 
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Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Na ressonância são lesões com alta perfusão (bastante neovasculogênese) e infiltração dos tratos 
da substancia branca. 
É muito comum a lesão envolver o corpo caloso e se estender de um hemisfério a outro. 
 
Tumor de localização profunda bi-hemisférico cruzando a linha média e envolvendo o esplênio 
do corpo caloso. As porções sólidas restringem a difusão (DWI – segunda imagem). O que restringe 
brilha (hiperssinal). Significa alta celularidade (pouco citoplasma e muito núcleo adjacente). 
 
As zonas mais brancas do T1 sem contraste (primeira 
imagem) são áreas hemorrágicas. Lesão com bastante 
efeito expansivo com apagamento dos sulcos, reduz 
ventrículos, desvia as estruturas da linha média. Realce 
intenso após contraste (segunda foto). Sinal heterogêneo. 
Herniação do giro do cíngulo com compressão da ACA. 
Alta perfusão dos glioblastomas. Além dos limites da 
lesão captante na ressonância (o tecido ao redor está com 
infiltração microscópica do tumor). 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
Os astrocitomas difusos podem surgir já como glioblastoma ou podem surgir de modo mais leve e ir 
piorando. O astrocitoma grau I não é difuso, mas sim bem delimitado. 
A presença da mutação na histona causa prognóstico extremamente ruim. Assim, quando o glioma 
ocorre na linha media, de ponte ou talâmico, imaginamos