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560 QUESTÕES COMENTADAS

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Errado. No trecho original, a oração adjetiva reduzida de particípio ―particularmente abordados‖ tem valor restritivo. Na reescritura, com o emprego das entrevírgulas, passa a ter caráter explicativo. Ademais, o emprego do sinal de ponto e vírgula antes da conjunção aditiva ―e‖ desrespeita o paralelismo e o padrão culto da língua.

Errado. Na linha 2, não só o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ mas também o adjetivo ―aglutinada‖ pode ser substituído por ―aglutinados‖, para concordarem com ―70%‖. Assim, ―70% da população estará aglutinada‖ (concordando com ―população‖) ou ―70% da população estarão aglutinados (concordando com ―70%‖). A estrutura ―70% da população estarão aglutinada‖ fere o padrão culto da língua.

Errado. No trecho ―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles‖, deve-se eliminar a vírgula após ―campo‖, porquanto a oração ―Abandonar a tranquilidade do campo‖ é sujeito oracional da forma verbal ―tem‖. Não separe o sujeito do seu verbo. Ademais, faltou vírgula após ―intensas‖, para marcar a interrupção ou intercalação sintática.

Certo. Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro gramatical. Isso porque a retirada do artigo definido feminino plural ―as‖ dá ao substantivo ―emoções‖ um valor genérico (―a quaisquer emoções‖). Fica somente a preposição ―a‖, exigida por ―associado‖ (―associado a emoções‖).

No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(1) Errado. Em "as coisas serão ditas sem eu as ter dito", tanto a oração principal quanto a oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal na voz passiva analítica.
(2) Errado. Em "pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta", o verbo auxiliar da locução verbal, "pode", está no singular porque o sujeito é genérico ou indeterminado.
(3) Certo. No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(4) Errado. Em "diziam com a benevolência que uma classe tem por outra", a palavra "que" exerce função sintática de objeto direto.
(5) Errado. Reescritura correta: "Na verdade, era uma vida onírica. Às vezes, quando falavam de alguém singular, diziam, com a benevolência, que uma classe tem por outra(...)".
(6) Errado. Em "as coisas serão ditas sem eu as ter dito", tanto a oração principal quanto a oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal na voz passiva analítica.
(7) Errado. No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(8) Errado. Em "diziam com a benevolência que uma classe tem por outra", a palavra "que" exerce função sintática de objeto direto.
(9) Errado. No fragmento "pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", os sintagmas nominais destacados desempenham igual função sintática.

No trecho 'Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes', as orações destacadas são adjetivas explicativas, respectivamente, reduzida de particípio e desenvolvida.
Errado.

(9) Em "Ao contrário do que se pode imaginar, a linguagem utilizada na narrativa não é desconexa nem tosca", os vocábulos "que" e "linguagem" são, respectivamente, núcleos do sujeito das formas verbais "pode imaginar" e "é".

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Questões resolvidas

Errado. No trecho original, a oração adjetiva reduzida de particípio ―particularmente abordados‖ tem valor restritivo. Na reescritura, com o emprego das entrevírgulas, passa a ter caráter explicativo. Ademais, o emprego do sinal de ponto e vírgula antes da conjunção aditiva ―e‖ desrespeita o paralelismo e o padrão culto da língua.

Errado. Na linha 2, não só o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ mas também o adjetivo ―aglutinada‖ pode ser substituído por ―aglutinados‖, para concordarem com ―70%‖. Assim, ―70% da população estará aglutinada‖ (concordando com ―população‖) ou ―70% da população estarão aglutinados (concordando com ―70%‖). A estrutura ―70% da população estarão aglutinada‖ fere o padrão culto da língua.

Errado. No trecho ―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles‖, deve-se eliminar a vírgula após ―campo‖, porquanto a oração ―Abandonar a tranquilidade do campo‖ é sujeito oracional da forma verbal ―tem‖. Não separe o sujeito do seu verbo. Ademais, faltou vírgula após ―intensas‖, para marcar a interrupção ou intercalação sintática.

Certo. Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro gramatical. Isso porque a retirada do artigo definido feminino plural ―as‖ dá ao substantivo ―emoções‖ um valor genérico (―a quaisquer emoções‖). Fica somente a preposição ―a‖, exigida por ―associado‖ (―associado a emoções‖).

No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(1) Errado. Em "as coisas serão ditas sem eu as ter dito", tanto a oração principal quanto a oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal na voz passiva analítica.
(2) Errado. Em "pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta", o verbo auxiliar da locução verbal, "pode", está no singular porque o sujeito é genérico ou indeterminado.
(3) Certo. No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(4) Errado. Em "diziam com a benevolência que uma classe tem por outra", a palavra "que" exerce função sintática de objeto direto.
(5) Errado. Reescritura correta: "Na verdade, era uma vida onírica. Às vezes, quando falavam de alguém singular, diziam, com a benevolência, que uma classe tem por outra(...)".
(6) Errado. Em "as coisas serão ditas sem eu as ter dito", tanto a oração principal quanto a oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal na voz passiva analítica.
(7) Errado. No fragmento "Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", o pronome "este" tem função dêitica.
(8) Errado. Em "diziam com a benevolência que uma classe tem por outra", a palavra "que" exerce função sintática de objeto direto.
(9) Errado. No fragmento "pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara", os sintagmas nominais destacados desempenham igual função sintática.

No trecho 'Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes', as orações destacadas são adjetivas explicativas, respectivamente, reduzida de particípio e desenvolvida.
Errado.

(9) Em "Ao contrário do que se pode imaginar, a linguagem utilizada na narrativa não é desconexa nem tosca", os vocábulos "que" e "linguagem" são, respectivamente, núcleos do sujeito das formas verbais "pode imaginar" e "é".

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Língua Portuguesa em 560 questões comentadas 
 Prof. Fernando Moura 
1 Direitos reservados. Proibida a transmissão deste material sem a prévia 
autorização do autor. 
 
PORTUGUÊS 
 
 
 
 
FERNANDO MOURA 
Curso Completo de Gramática, 
Interpretação de Textos e Redação 
 Língua Portuguesa em 560 questões comentadas 
 Prof. Fernando Moura 
2 Direitos reservados. Proibida a transmissão deste material sem a prévia 
autorização do autor. 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
 
 
 Olá, caro (a) aluno (a)! 
 
 Criar uma jornada de SUCESSO não é tarefa fácil. Exige concentração, fôlego, 
determinação. Ser aprovado em um bom concurso público ou em um vestibular da 
carreira dos sonhos demanda objetivos bem traçados. No mundo real, a concorrência é 
significativa, e, por isso, você precisa estar entre os melhores. Mas não há o que temer se 
você tem a convicção de que teve preparação sólida. 
 Pensando nisso, elaborei este material com vistas a prepará-lo melhor para os 
desafios que virão. Resolver questões é excelente caminho para atenuar boa parte das 
angústias que enfrentamos diante do caderno de provas real. TREINAR É 
FUNDAMENTAL. No início dos seus estudos, não haverá problema se você ler a questão 
proposta e, em seguida, os meus comentários. Depois, mude a estratégia: primeiro, 
resolva todas as questões; depois, confira cada resposta e acompanhe cuidadosamente 
os meus comentários. 
 Lembre-se de criar ambiente de estudos agradável (silencioso, arejado, 
confortável) para utilizar esta excelente ferramenta que lhe ofereço. Marque as questões 
e os comentários que não entendeu, para, depois, voltar a eles com mais cuidado. 
Paciência. Você é uma pessoa talentosa. Procure destacar tudo o que considerar 
importante para posterior revisão. ALGUMAS QUESTÕES SE REPETEM 
PROPOSITADAMENTE, a fim de que você fixe detalhes importantes. 
 Conquistar os primeiros lugares nos certames mais concorridos impõe preparação 
prévia, o que desencadeia mais segurança. Exige FOCO ─ fator determinante na 
velocidade e no alcance dos seus objetivos. Portanto, trace boas estratégias de estudo e 
faça deste material um importante degrau para a escalada rumo ao sucesso. 
 Forte abraço! 
 
 
 
 
Professor Fernando Moura 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Língua Portuguesa em 560 questões comentadas 
 Prof. Fernando Moura 
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autorização do autor. 
 
PROVA 1 
 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto abaixo para responder aos itens de 1 a 10. 
A declaração final da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre 
Desenvolvimento Sustentável), submetida nesta sexta-feira à ratificação de chefes de 
Estado e de governo das Nações Unidas, é um texto de 53 páginas, com boas intenções e 
o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 
 O texto reafirma os princípios processados durante conferências e cúpulas 
anteriores e insiste na necessidade "de acelerar os esforços" para empregar os 
compromissos anteriores, homenageando as comunidades locais, que "fizeram esforços 
e progressos". 
- "Políticas de economia verde" (três páginas e meia do texto): "Uma das 
ferramentas importantes" para avançar rumo ao desenvolvimento sustentável. Elas não 
devem "impor regras rígidas", mas "respeitar a soberania nacional de cada país", sem 
constituir "um meio de discriminação", nem "uma restrição disfarçada ao comércio 
internacional". Eles devem, também, "contribuir para diminuir as diferenças tecnológicas 
entre países desenvolvidos e em desenvolvimento". "Cada país pode escolher uma 
abordagem apropriada". 
- Governança mundial do desenvolvimento sustentável: o texto decide "reforçar o 
quadro institucional". A comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz, é 
substituída por um fórum intergovernamental de alto nível. O Pnuma (Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento) terá seu papel reforçado e valorizado como 
"autoridade global e na liderança da questão ambiental", com os recursos "assegurados" 
(os depósitos atualmencte são voluntários) e uma representação de todos os membros 
das Nações Unidas (apenas 58 participam atualmente). 
- "Quadro de ação": em 25 páginas, correspondentes a metade do documento, o 
texto propõe setores onde hajam "novas oportunidades" e onde a ação seja "urgente", 
notavelmente devido ao fato das conferências anteriores terem registrado resultados 
insuficientes. 
Os 25 temas particularmente abordados incluem erradicação da pobreza, 
segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, mudanças climáticas, 
consumo e produção sustentáveis. 
- Objetivos de desenvolvimento sustentável: nos moldes dos Objetivos do Milênio 
para o desenvolvimento, cujo prazo para cumprimento se encerra em 2015, a cúpula 
insiste na importância de que se estabeleçam os ODS (Objetivos do desenvolvimento 
sustentável) "em número limitado, conciso e voltado à ação", aplicáveis a todos os países, 
mas levando em conta as "circunstâncias nacionais particulares". Um grupo de trabalho 
de 30 pessoas será criado até a próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, e 
deverá apresentar suas propostas em 2013 para cumprimento a partir de 2015. 
- Os meios de realização do desenvolvimento sustentável: "é extremamente 
importante reforçar o apoio financeiro de todas as origens, em particular para os países 
em desenvolvimento". "Os novos parceiros e fontes novas de financiamento podem 
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autorização do autor. 
desempenhar um papel". A declaração insiste na "conjugação de assistência ao 
desenvolvimento com o investimento privado". 
O texto insiste, também, na necessidade de transferência de tecnologia para os 
países em desenvolvimento e sobre o "reforço de capacidades" (formação, cooperação, 
etc). 
(Folha de S. Paulo, 22/6/2012, com adaptações) 
 Com base no texto, julgue os itens seguintes: 
(1) Em ―submetida nesta sexta-feira à ratificação de chefes de Estado‖, o elemento 
destacado tem função dêitica. 
(2) No primeiro parágrafo, os termos ―de chefes de Estado e de governo das Nações 
Unidas‖ e ―dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável‖ são complementos 
nominais, respectivamente, dos substantivos ―ratificação‖ e ―lançamento‖. 
(3) No trecho ―O texto reafirma os princípios processados durante conferências e 
cúpulas anteriores e insiste na necessidade ―de acelerar os esforços‖, há duas 
orações reduzidas‖. 
(4) O emprego das aspas, em vários momentos do texto, têm a função de destacar o 
valor plurívoco ou translato das palavras constantes do documento oficial da 
Rio+20. 
(5) O trecho ―A comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz, é 
substituída por um fórum intergovernamental de alto nível‖ constitui exemplo de 
voz passiva analítica. A transposição correta para a voz ativa corresponde a: ―Um 
fórum intergovernamental de alto nível substituiu a comissão de desenvolvimento 
sustentável, totalmente ineficaz‖. 
(6) O quinto parágrafo está totalmente redigido em consonância com o princípio do 
uso do padrão culto da linguagem. 
(7) O trecho ―Os 25 temas particularmente abordados incluem erradicação da 
pobreza, segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, 
mudanças climáticas, consumo e produção sustentáveis‖ admite a seguinte 
reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e sem alteração semântica: 
―Os 25 temas, particularmente abordados, incluem: erradicação da pobreza, 
segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego,oceanos, mudanças 
climáticas, consumo; e produção sustentáveis‖. 
(8) No trecho ―é extremamente importante reforçar o apoio financeiro de todas as 
origens‖, os verbos ―é‖ e ―reforçar‖ são impessoais, uma vez que remetem a 
sujeitos genéricos, sem referentes específicos na construção sintática. 
(9) A construção "Os novos parceiros e fontes novas de financiamento podem 
desempenhar um papel" não admite transposição para a voz passiva. 
(10) No fragmento ―... a cúpula insiste na importância de que se estabeleçam os 
ODS (Objetivos do desenvolvimento sustentável)‖, a palavra ―que‖ é conjunção 
integrante que introduz oração subordinada substantiva completiva nominal, e a 
palavra ―se‖ é partícula apassivadora, que caracteriza voz passiva sintética ou 
pronominal. 
TEXTO II 
Viver em grandes centros urbanos é uma prerrogativa do mundo moderno. Estima-
se que, nas próximas duas décadas, 70% da população do planeta estará aglutinada nas 
cidades, um índice que, nos anos 1950, era de apenas 30%. Abandonar a tranquilidade do 
campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, 
bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles. 
Mas a migração tem um lado alarmante. O estresse e a ansiedade gerados pela 
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autorização do autor. 
urbanização alteram fisicamente o cérebro, predispondo o desenvolvimento de doenças 
mentais e distúrbios de humor. 
Uma pesquisa publicada na capa da edição de hoje da revista especializada Nature 
mostra, pela primeira vez, que mesmo os indivíduos saudáveis que vivem nos centros 
urbanos têm conexões neurais alteradas em regiões do cérebro associadas à ansiedade. 
Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava ligado a problemas 
como estresse e esquizofrenia. Mas, até agora, não se tinha ideia de que isso provoca 
mudanças fisiológicas, que podem ser medidas por 
exames de imagem. O mais grave, notam os autores, é que, teoricamente, habitantes das 
cidades deveriam ser mais saudáveis, pois têm à sua disposição tratamentos hospitalares 
mais modernos. 
O grupo de cientistas, de diversos institutos de pesquisa, realizou três testes em 
diferentes populações, sempre analisando a resposta cerebral dos participantes, 
capturada pela ressonância magnética funcional. O primeiro grupo passou por um 
protocolo de estudos chamado Montreal Imaging Stress Task (Mist), desenvolvido pelo 
instituto onde Pruessner trabalha. Eles foram expostos a uma situação de pressão social, 
em que suas habilidades eram desafiadas enquanto os cientistas analisavam a ativação 
dos cérebros na máquina de ressonância magnética. A pressão a qual os participantes 
foram submetidos era a mesma. O que os diferenciava era o local de residência. O nível 
de urbanidade foi medido da seguinte forma: cidades com mais de 100 mil habitantes, 
municípios com menos de 100 mil habitantes e áreas rurais. Em todos os voluntários, os 
pesquisadores conseguiram induzir o estresse, algo verificado pela medição de seus 
batimentos cardíacos e do aumento na circulação sanguínea do hormônio cortisol. Mas as 
fotografias dos cérebros mostraram um cenário bem diferente. 
Quanto mais urbanizados os indivíduos, maior a ativação de duas regiões do 
cérebro intimamente relacionadas ao estresse e aos distúrbios mentais e de humor. A 
amígdala cerebral, que se localiza no sistema límbico e centro regulador da 
agressividade, entre outros comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos 
moradores de cidades grandes. Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram 
mais ativação dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra 
área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros 
urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções. 
O segundo teste foi semelhante ao anterior e teve os mesmos resultados. Para 
saber se o estresse foi desencadeado pelo tipo de tarefa a qual os voluntários foram 
submetidos, além das questões aritméticas, eles tinham de resolver problemas de 
rotação mental, um tipo de experimento que usa imagens para avaliar a cognição. Os 
pesquisadores também investigaram questões como idade, escolaridade, renda e estado 
civil dos voluntários, assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à 
personalidade e ao apoio social de cada participante. ―Nenhum desses fatores influenciou 
significativamente a atividade cerebral, sugerindo que viver em um ambiente urbano é 
que altera a resposta do cérebro a um fator de estresse devido a um distinto e misterioso 
mecanismo‖, observam Daniel P. Kennedy e Ralph Adolphs, cientistas do Instituto de 
Tecnologia da Califórnia, em um artigo sobre a pesquisa, também publicado na Nature. 
O principal autor do estudo, Andreas Meyer-Lindenberg, do Instituto de Saúde 
Mental de Heidelberg, na Alemanha, diz ao Correio que a pesquisa é do interesse do 
Brasil. ―Acho que nossos resultados são especialmente importantes para os países em 
desenvolvimento, porque a urbanização ocorre mais rápido nesses locais e as diferenças 
entre a vida nas zonas rural e urbana podem ser ainda maiores‖. No artigo, os 
pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, 
que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais. ―Esses 
resultados contribuem para a nossa compreensão do risco ambiental urbano em relação 
aos transtornos mentais e à saúde em geral. Além disso, eles apontam para uma nova 
abordagem empírica para integração das ciências sociais, neurológicas e de políticas 
públicas que possam responder a esse desafio‖. 
No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou 
que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas. Há 10 anos, esse índice 
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autorização do autor. 
era de 81%. Dos 1.520 municípios que perderam população nesse espaço de tempo, as 
cinco maiores quedas foram registradas em cidades pequenas, com menos de 16 mil 
moradores. 
(Paloma Oliveto, Correio Braziliense, 26/6/2011, com adaptações) 
 
 
Julgue os itens a seguir com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do 
texto. 
 
(11) Na linha 2, o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖, sem prejuízo para 
a correção gramatical e para a coerência textual. 
(12) O primeiro parágrafo do texto não apresenta erro quanto à pontuação. 
(13) Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças fisiológicas, 
que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira ocorrência da palavra 
―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva 
completiva nominal; a segunda ocorrência é pronome relativo que exerce mesma 
função sintática do termo que ele retoma. 
(14) No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a mesma‖, 
omitiu-se o sinal indicativo de crase e desencadeou-se um solecismo. 
(15) Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. 
(16) O trecho ――Nenhum desses fatores influenciou significativamente a atividade 
cerebral‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ―Nenhum desses fatores influenciaram significativamente 
a atividade cerebral‖. 
(17) No trecho ―...eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo de 
experimento queusa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula separa a oração 
principal da oração subordinada adjetiva explicativa. 
(18) Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas‖, as 
vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de adjunto 
adverbial e interrupção de aposto explicativo. 
(19) Em ―Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava ligado a 
problemas como estresse e esquizofrenia‖ e em ―A amígdala cerebral, que se 
localiza no sistema límbico e centro regulador da agressividade, entre outros 
comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos moradores de cidades 
grandes‖, as ocorrências da palavra ―se‖ exercem a mesma função na construção 
sintática. 
(20) No trecho ―Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram mais ativação 
dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra área 
cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros 
urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, as ocorrências 
destacadas do vocábulo ―que‖ evidenciam igual função morfossintática. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Em ―submetida nesta sexta-feira à ratificação de chefes de Estado‖, o 
elemento destacado tem função dêitica, uma vez que constitui marca temporal de 
quem redige o texto. 
 
(2) Errado. O termo ―de chefes de Estado e de governo das Nações Unidas‖ 
estabelece com o substantivo ―ratificação‖, cognato de ―ratificar‖, uma relação 
subjetiva (chefes ratificaram). Portanto, o termo preposicionado é locução adjetiva 
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com valor de adjunto adnominal. O termo ―dos Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável‖ estabelece com o substantivo ―lançamento‖, cognato de ―lançar‖, 
uma relação objetiva ou completiva (lançar os Objetivos). Por conseguinte, trata-se 
de sintagma nominal preposicionado com valor de complemento nominal. 
Entendeu? 
 
(3) Certo. Observe as estruturas desenvolvidas: ―O texto reafirma os princípios (que 
foram) processados durante conferências e cúpulas anteriores e insiste na 
necessidade de (que acelerem) acelerar os esforços‖. No trecho, há duas orações 
reduzidas: a primeira é subordinada adjetiva restritiva reduzida de particípio 
(observe que o pronome relativo ―que‖ ficou logicamente implícito), e a segunda é 
subordinada substantiva completiva nominal (necessidade de) reduzida de 
infinitivo (observe que a conjunção integrante ―que‖ também ficou logicamente 
implícita). Lembre-se de que os conectivos estão implícitos, e os verbos estão 
registrados, respectivamente, no particípio e no infinitivo. 
 
(4) Errado. O emprego das aspas, em vários momentos do texto, tem a função de 
destacar trechos retirados do documento oficial. Diz-se, assim, que as aspas 
indicam a inserção de discurso alheio. Valor plurívoco ou translato das palavras 
corresponde a valor conotativo, o que não ocorre nos trechos indicados entre 
aspas. 
 
(5) Errado. O trecho ―A comissão de desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz, 
é substituída por um fórum intergovernamental de alto nível‖ constitui exemplo de 
voz passiva analítica. A transposição correta para a voz ativa corresponde a: ―Um 
fórum intergovernamental de alto nível substitui (e não ―substituiu‖) a comissão de 
desenvolvimento sustentável, totalmente ineficaz‖. 
 
(6) Errado. Façamos as correções: "Quadro de ação": em 25 páginas, 
correspondentes a metade do documento, o texto propõe setores onde haja (o 
verbo ―haver‖ com o sentido de ―existir‖ é impessoal) "novas oportunidades" e 
onde a ação seja "urgente", notavelmente devido ao fato de as conferências 
anteriores (sujeito não pode vir preposicionado) terem registrado resultados 
insuficientes. 
 
(7) Errado. No trecho original, a oração adjetiva reduzida de particípio 
―particularmente abordados‖ tem valor restritivo. Na reescritura, com o emprego 
das entrevírgulas, passa a ter caráter explicativo. Ademais, o emprego do sinal de 
ponto e vírgula antes da conjunção aditiva ―e‖ desrespeita o paralelismo e o padrão 
culto da língua. 
 
(8) Errado. Verbo impessoal é aquele que não apresenta sujeito. No trecho ―é 
extremamente importante reforçar o apoio financeiro de todas as origens‖, a 
oração destacada é sujeito do verbo ―é‖. Que é extremamente importante? 
Reforçar o apoio financeiro de todas as origens. Agora, veja: quem irá ―reforçar‖ o 
apoio financeiro de todas as origens? Nesse caso, o texto não apresenta referente 
e, por isso, o sujeito é indeterminado (há sujeito; ele só não foi determinado). 
Portanto, os verbos ―é‖ (que apresenta sujeito oracional) e ―reforçar‖ (que 
apresenta sujeito indeterminado) não são impessoais. 
 
(9) Errado. Os verbos transitivos diretos admitirão a voz passiva, a não ser que sejam 
impessoais (não é o caso). A construção "Os novos parceiros e fontes novas de 
financiamento podem desempenhar um papel" admite transposição para a voz 
passiva: ―Um papel pode ser desempenhado pelos novos parceiros e fontes novas 
de financiamento). 
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autorização do autor. 
(10) Certo. No fragmento ―... a cúpula insiste na importância de que se estabeleçam os 
ODS (Objetivos do desenvolvimento sustentável)‖, a palavra ―que‖ é conjunção 
integrante que introduz oração subordinada substantiva completiva nominal 
(completa sintaticamente o substantivo abstrato ―importância‖ e vem 
preposicionada) e a palavra ―se‖ é partícula apassivadora, que caracteriza voz 
passiva sintética ou pronominal, já que o verbo ―estabeleçam‖ é transitivo direto e 
concorda com o sujeito ―os ODS‖. Veja a voz passiva analítica correspondente: ―... 
que os ODS sejam estabelecidos‖. 
 
(11) Errado. Na linha 2, não só o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ mas 
também o adjetivo ―aglutinada‖ pode ser substituído por ―aglutinados‖, para 
concordarem com ―70%‖. Assim, ―70% da população estará aglutinada‖ 
(concordando com ―população‖) ou ―70% da população estarão aglutinados 
(concordando com ―70%‖). A estrutura ―70% da população estarão aglutinada‖ fere 
o padrão culto da língua. 
 
(12) Errado. No trecho ―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios. 
Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, bons hospitais e escolas, 
além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles‖, deve-se eliminar a 
vírgula após ―campo‖, porquanto a oração ―Abandonar a tranquilidade do campo‖ 
é sujeito oracional da forma verbal ―tem‖. Não separe o sujeito do seu verbo. 
Ademais, faltou vírgula após ―intensas‖, para marcar a interrupção ou intercalação 
sintática. 
 
(13) Errado. Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças 
fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira 
ocorrência da palavra ―que‖ é conjunção integrante que introduz oração 
subordinada substantiva completiva nominal (completa sintaticamente o 
substantivo abstrato ―ideia‖. A segunda ocorrência é pronome relativo que não 
exerce mesma função sintática do termo que ele retoma. A palavra ―que‖, pronome 
relativo, retoma o antecedente ―mudanças fisiológicas‖, objeto direto da forma 
verbal ―provoca‖. Como a palavra ―que‖ substitui ―mudanças fisiológicas‖, ela 
exerce a função sintática de sujeito da estrutura verbal ―podem ser medidas‖ (voz 
passiva analítica). Portanto, trata-se de funções sintáticas distintas. 
 
(14) Certo. Solecismo é qualquer erro de estruturação sintática (colocação pronominal, 
concordânciae regência). No trecho ―A pressão a qual os participantes foram 
submetidos era a mesma‖, omitiu-se o sinal indicativo de crase e desencadeou-se 
um solecismo (no caso, erro de regência). A estrutura verbal ―foram submetidas‖ 
exige a preposição ―a‖ (submetidas a quê?), que se fundirá com o ―a‖ do pronome 
relativo ―a qual‖. Estrutura correta: ―A pressão à qual os participantes foram 
submetidos era a mesma‖. 
 
(15) Certo. Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. Isso porque a retirada do artigo definido feminino plural ―as‖ dá ao 
substantivo ―emoções‖ um valor genérico (―a quaisquer emoções‖). Fica somente a 
preposição ―a‖, exigida por ―associado‖ (―associado a emoções‖). 
 
(16) Errado. O trecho ―Nenhum desses fatores influenciou significativamente a 
atividade cerebral‖ não admite a concordância com ―fatores‖, mas somente com o 
núcleo do sujeito ―Nenhum‖. 
 
(17) Errado. No trecho ―... eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo 
de experimento que usa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula indica a 
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inserção do aposto explicativo ―um tipo de experimento que usa imagens para 
avaliar a cognição‖, que reitera ou reforça o antecedente ―rotação mental‖. 
Observe que a oração ―que usa imagens‖ é subordinada adjetiva restritiva, 
introduzida pelo pronome relativo ―que‖, não precedido de vírgula. 
 
(18) Errado. Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas‖, 
as vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de adjunto 
adverbial de lugar e interrupção de adjunto adverbial de relação (de uma relação 
de 190.732.694 habitantes, retiram-se 84%). 
 
(19) Errado. Em ―Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava 
ligado a problemas como estresse e esquizofrenia‖ e em ―A amígdala cerebral, que 
se localiza no sistema límbico e centro regulador da agressividade, entre outros 
comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos moradores de cidades 
grandes‖, as ocorrências da palavra ―se‖ exercem, respectivamente, a função de 
partícula apassivadora (que acompanha o verbo transitivo direto ―sabia‖) e a de 
parte integrante do verbo (que integra o verbo ―localizar‖, empregado em sua 
forma pronominal ―localizar-se em‖. 
 
(20) Certo. No trecho ―Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram mais 
ativação dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra 
área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros 
urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, as ocorrências 
destacadas do vocábulo ―que‖ evidenciam igual função morfossintática: são 
pronomes relativos que exercem a função sintática de sujeito, respectivamente, de 
―viviam‖ (―voluntários viviam na zona rural‖) e de ―exibiu‖ (―outra área cerebral 
exibiu um padrão diferente‖). 
 
 
PROVA 2 
 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto abaixo para responder aos itens de 1 a 10. 
 
 ESTE QUINCAS BORBA, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas 
de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, 
herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo 
que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de 
vida, mas tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se 
Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-
los. Piedade resistiu, um pleuris a levou. 
 Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o 
nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-
lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho 
não se despegou do cérebro de Quincas Borba, nem antes, nem depois da moléstia que 
lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; 
o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único 
amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do 
enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 
 Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo 
de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios 
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às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da 
casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto. 
 ─ Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba. 
 ─ Grande façanha! Como se você fosse mau! 
 
 A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo 
devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-
lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente 
perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela 
certeza?... 
 ─ Lá isso, não, atalhou Rubião ─ para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um 
livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia... 
 ─ Não; mas filosofia é uma cousa, e morrer de verdade é outra; adeus. 
Quincas Borba (fragmento/capítulo IV). Obra Completa, de Machado de Assis, vol. I, Nova Aguilar, Rio 
de Janeiro, 1994. 
 Com base no texto, julgue os itens seguintes: 
(1) Em ―... se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas‖, a 
estrutura ―se acaso‖ é equivalente a ―se caso‖ ou ―eventualmente‖, podendo ser 
substituída por qualquer uma dessas formas, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual. 
(2) O vocábulo ―inopinado‖ (linha 2) pode ser substituído por ―certo‖ ou ―convicto‖, 
sem alteração do sentido original. 
(3) O trecho ―Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição 
mediana e parcos meios de vida, mas tão acanhada que os suspiros no namorado 
ficavam sem eco‖ pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual: ―Assim que chegou, enamorou-se 
de uma viúva ─ senhora de condição mediana e modestos meios de vida ─ contudo, 
tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco‖. 
(4) Em ―Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los‖, as 
vírgulas isolam oração subordinada adjetiva explicativa. 
(5) Em ―Piedade resistiu, um pleuris a levou‖, o vocábulo ―pleuris‖ foi empregado com 
valor translato. 
(6) No trecho ―Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens‖, a palavra 
―que‖ é, morfologicamente, pronome relativo e exerce função sintática de sujeito 
do verbo ―ligou‖. 
(7) Nos fragmentos ―... tinha-o por homem esquisito‖ e ―...que o deixou por herdeiro de 
seus bens‖, os termos destacados desempenham igual função sintática. 
(8) No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjetiva, 
significa ―que cresceram energicamente‖. 
(9) O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis‖, 
construído por meio de uma anástrofe, apresenta o sujeito simples posposto ao 
verbo. 
(10) Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, 
perguntou-lhe qual era o verdadeiroestado do amigo‖, o acento grave indicador de 
crase é opcional; o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto; e a 
oração ―qual era o verdadeiro estado do amigo‖ classifica-se em subordinada 
substantiva objetiva direta. 
TEXTO II 
 
Leia o texto a seguir para responder aos itens de 11 a 20. 
 
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Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos e o 
enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais, o Brasil 
se tornou o grande modelo de luta contra a Aids na América Latina e no mundo em 
desenvolvimento, nos 30 anos de descoberta da doença. "Quando nenhum país havia 
tomado esta decisão, o Brasil se tornou, em 1996, o primeiro país em desenvolvimento a 
oferecer a terapia pública e para todas as pessoas" infectadas, disse à AFP o 
coordenador no Brasil do programa OnuAids, Pedro Chequer. 
"A expectativa de vida antes da introdução da terapia era de 5,8 meses; com a 
terapia, passou a 58 meses e hoje temos muitas pessoas que estão há mais de 20 anos 
convivendo com o HIV", disse à AFP Eduardo Barbosa, diretor adjunto do programa 
brasileiro contra a Aids, que acaba de completar 25 anos. 
O Brasil assumiu um papel preponderante no enfrentamento dos laboratórios 
internacionais para baratear os preços dos medicamentos antiAids nos países em 
desenvolvimento. "Entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós cuidaremos da nossa 
saúde", afirmou em 2007 o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao confirmar a 
primeira quebra de patente brasileira do remédio antiAids Efavirenz, do laboratório Merk. 
Esta batalha começou em 2001, quando o então ministro da Saúde, o social-
democrata José Serra, ameaçou quebrar as patentes dos laboratórios. Após um embate 
com os Estados Unidos, que ameaçaram levar o Brasil à Organização Mundial do 
Comércio (OMC), o gigante latino-americano conseguiu uma substancial redução de 
preços. 
O Brasil produz hoje 10 dos 20 medicamentos de tratamento antiAids, que também 
distribui a países da África e da América Latina, como Bolívia, Paraguai, Nicarágua e 
Equador. Em 2008, montou uma fábrica de antirretrovirais em Moçambique. "O modelo 
brasileiro virou referência porque muito precocemente adotou uma ação integrada de 
prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar pela Igreja ou pela norma moral", disse 
o coordenador da OnuAids. País com mais católicos no mundo, o Brasil distribui 
gratuitamente meio milhão de preservativos ao ano. Sua famosa campanha, "Sem 
camisinha não tem carnaval", completou 13 anos. 
Estima-se que 630 mil pessoas vivam com HIV no Brasil e 210.000 recebem 
tratamento do Estado. Estima-se que mais de 250.000 não tenham sido diagnosticadas 
porque nunca se submeteram a um teste, um enorme desafio para o País. 
Na região, vários países fizeram avanços cedo na luta contra a Aids, como Uruguai, 
Argentina, Costa Rica e Cuba, e a América Latina conseguiu, de longe, evitar que a 
epidemia chegasse aos níveis catastróficos da África. No entanto, em alguns países, 
como em boa parte da América Central, "a luta atrasou muito" em virtude da prevalência 
do conservadorismo e da forte dominação da Igreja, explicou Chequer. 
A América Latina tem hoje 1,6 milhões de soropositivos e 800 mil deles não têm 
acesso a tratamentos médicos, segundo dados da OnuAids. "A América Latina promoveu 
o acesso universal à prevenção, ao tratamento e à atenção, mas ainda há obstáculos para 
alcançar as metas estabelecidas", afirmou o diretor regional da OnuAids, César Antonio 
Núñez. 
Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, do qual 22,5 
milhões estão na África, segundo o programa da ONU. As organizações Act Up e Aides 
estimam que 70% dos doentes do planeta não tenham acesso aos medicamentos 
antirretrovirais. Mais de 60 milhões de pessoas foram contaminadas pelo vírus da Aids, 
desde a sua descoberta há trinta anos, em 5 de junho de 1981. 
(Correio Braziliense, com adaptações.) 
 
 
Julgue os itens a seguir. 
 
(11) No trecho ―Com um programa precoce de distribuição gratuita de medicamentos e 
o enfrentamento frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais, 
o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids na América Latina e no 
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mundo em desenvolvimento, nos 30 anos de descoberta da doença‖, os termos 
destacados exercem igual função sintática. 
(12) Na linha 4 do texto, o verbo ―havia‖ é impessoal. 
(13) Em ―...o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids‖ e ―Estima-se que 
630 mil pessoas vivam com HIV no Brasil‖, as ocorrências do vocábulo ―se‖ têm a 
mesma função na estrutura sintática. 
(14) No quarto e no quinto parágrafo, respectivamente, os termos ―o social-democrata 
José Serra‖ e "Sem camisinha não tem carnaval" estão entre vírgulas em virtude 
da mesma justificativa. 
(15) Em "O modelo brasileiro virou referência porque muito precocemente adotou uma 
ação integrada de prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar pela Igreja ou 
pela norma moral", a palavra ―se‖ indica reflexivização do verbo ―deixar‖ e é sujeito 
da forma infinitiva. 
(16) O trecho ―A América Latina tem hoje 1,6 milhões de soropositivos e 800 mil deles 
não têm acesso a tratamentos médicos, segundo dados da OnuAids‖ respeita o 
padrão culto da linguagem. 
(17) No penúltimo parágrafo, o verbo ―há‖ pode ser substituído por ―existe‖, sem 
prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(18) O trecho ―Mais de 60 milhões de pessoas foram contaminadas pelo vírus da Aids‖ 
admite a seguinte reescritura na voz ativa: ―O vírus da Aids contaminou-se em mais 
de 60 milhões de pessoas‖. 
(19) O trecho ―Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, do qual 
22,5 milhões estão na África, segundo o programa da ONU‖ obedece ao padrão 
culto da linguagem. 
(20) No trecho ―... o Brasil distribui gratuitamente meio milhão de preservativos ao ano‖, 
o verbo ―distribuir‖ classifica-se, quanto à regência, como transitivo direto e 
indireto. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Em ―... se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás 
Cubas‖, a estrutura ―se acaso‖ é equivalente somente a ―se eventualmente‖ 
(conjunção condicional + advérbio). ―Se caso‖ é junção errada de duas conjunções 
condicionais. 
(2) Errado. O vocábulo ―inopinado‖ (linha 2) pode ser substituído por ―inesperado‖ ou 
―repentino‖, sem alteração do sentido original. 
(3) Errado. O trecho ―Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de 
condição mediana e parcos meios de vida, mas tão acanhada que os suspiros no 
namorado ficavam sem eco‖ pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo 
para a correção gramatical e para a coerência textual: ―Assim que chegou, 
enamorou-se de uma viúva ─ senhora de condição mediana e modestos meios de 
vida ─, contudo tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco‖. 
Observe que a vírgula deve ser registrada antes da conjunção adversativa 
―contudo‖, e não depois dela. 
(4) Certo. Em ―Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-
los‖, as vírgulas isolam oração subordinada adjetiva explicativa, introduzida pelo 
pronome relativo ―que‖. 
(5) Errado. Em ―Piedade resistiu, um pleuris a levou‖, o vocábulo ―pleuris‖ foi 
empregado com valor literal, real (e não translato, conotativo). Pleuris, pleurisia ou 
pleurite é uma inflamação das pleuras pulmonares (parietal e visceral). 
(6) Errado. No trecho ―Foi esse trechozinho de romanceque ligou os dois homens‖, a 
palavra ―que‖ é partícula expletiva ou de realce e não apresenta função sintática. 
Observe: Esse trechozinho de romance (foi que) ligou os dois homens. A estrutura 
―foi que‖ pode ser eliminada sem prejuízo morfossintático. Tem apenas a função de 
realçar o termo ―esse trechozinho de romance‖. Entendeu? 
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(7) Certo. Nos fragmentos ―... tinha-o por homem esquisito‖ e ―...que o deixou por 
herdeiro de seus bens‖, os termos destacados desempenham igual função 
sintática: são predicativos do objeto direto, representado, nos dois casos, pelo 
pronome ―o‖. Observe, também, que a preposição ―por‖ tem valor de ―como‖. 
(8) Errado. No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjetiva, 
significa ―que se afundaram, se arruinaram‖. 
(9) Certo. O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de 
seis‖, construído por meio de uma anástrofe, apresenta o sujeito simples posposto 
ao verbo. Vejamos a ordem direta: ―O cargo de enfermeiro durou mais de cinco 
meses, perto de seis‖. 
(10) Certo. Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, 
perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo‖, o acento grave indicador de 
crase é opcional (até a); o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto 
(o verbo ―perguntar‖ é transitivo direto e indireto) ; e a oração ―qual era o 
verdadeiro estado do amigo‖ classifica-se em subordinada substantiva objetiva 
direta. 
(11) Certo. No trecho ―Com um programa precoce de distribuição gratuita de 
medicamentos (distribuir medicamentos/relação completiva) e o enfrentamento 
frontal das poderosas companhias farmacêuticas multinacionais (enfrentar as 
poderosas companhias farmacêuticas multinacionais/ relação completiva), o Brasil 
se tornou o grande modelo de luta contra a Aids (lutar contra a Aids/relação 
completiva) na América Latina e no mundo em desenvolvimento, nos 30 anos de 
descoberta da doença‖, os termos destacados exercem igual função sintática: são 
complementos nominais, respectivamente, de ―distribuição‖, ―enfrentamento‖ e 
―luta‖ (substantivos abstratos). 
(12) Errado. Na linha 4 do texto, o verbo ―havia‖ é pessoal, pois apresenta sujeito: ―... 
nenhum país (sujeito) havia tomado ( = tinha tomado) esta decisão‖. 
(13) Errado. Em ―... o Brasil se tornou o grande modelo de luta contra a Aids‖ e ―Estima-
se que 630 mil pessoas vivam com HIV no Brasil‖, as ocorrências do vocábulo ―se‖ 
não têm a mesma função na estrutura sintática. Em ―se tornou‖, a palavra ―se‖ é 
parte integrante do verbo de ligação ―tornar-se‖. Em ―Estima-se‖, a palavra ―se‖ 
funciona como partícula apassivadora, já que o verbo ―Estimar‖ é transitivo direto. 
(14) Certo. No quarto e no quinto parágrafo, respectivamente, os termos ―o social-
democrata José Serra‖ e "Sem camisinha não tem carnaval" estão entre vírgulas 
em virtude da mesma justificativa: são apostos explicativos que reiteram ou 
reforçam o termo antecedente. 
(15) Certo. Em "O modelo brasileiro virou referência porque muito precocemente 
adotou uma ação integrada de prevenção e tratamento, sem se deixar influenciar 
pela Igreja ou pela norma moral", a palavra ―se‖ indica reflexivização do verbo 
―deixar‖ (causativo) e é sujeito acusativo da forma infinitiva (―influenciar‖). Lembre-
se de que o sujeito acusativo só aparecerá nas estruturas formadas por verbos 
causativos (mandar, fazer, deixar) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir) seguidos de 
infinitivo. Um gesto positivo, por favor! 
(16) Errado. Reescritura correta: ―A América Latina tem hoje 1,6 milhão de 
soropositivos, e 800 mil deles não têm acesso a tratamentos médicos, segundo 
dados da OnuAids‖. 
(17) Errado. No penúltimo parágrafo, o verbo ―há‖ pode ser substituído por ―existem 
(obstáculos)‖, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(18) Errado. Observe a voz ativa: ―O vírus da Aids contaminou mais de 60 milhões de 
pessoas‖. 
(19) Errado. Reescritura correta: ―Atualmente, 33,3 milhões de pessoas vivem com HIV 
no mundo, dos quais (= desses 33,3 milhões) 22,5 milhões estão na África, segundo 
o programa da ONU‖. 
(20) Errado. No trecho ―... o Brasil distribui (v.t.d) gratuitamente meio milhão de 
preservativos (objeto direto) ao ano (adjunto adverbial de tempo)‖, o verbo 
―distribuir‖ classifica-se, quanto à regência, apenas como transitivo direto. 
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PROVA 3 
 
TEXTO I 
Leia os fragmentos abaixo transcritos, extraídos de contos do livro Felicidade 
clandestina, de Clarice Lispector, para responder às questões de 1 a 10. 
 ―(...) As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não 
tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito. Ou, pelo menos, 
não era apenas isso. Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que posso me 
resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de muitas 
histórias. (...)‖ 
(de ―Os desastres de Sofia‖) 
(...) Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de alguém excêntrico, 
diziam com a benevolência que uma classe tem por outra: ―Ah, esse leva uma vida de 
poeta‖. Pode-se talvez dizer, aproveitando as poucas palavras que se conheceram do 
casal, pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau poeta: 
vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, pois este jamais os 
orientara. Mas de irrealidade. (...)‖ 
(de ―Os obedientes‖) 
Com base nos fragmentos acima transcritos, extraídos de contos do livro 
Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, considere as seguintes afirmativas: 
(1) Os fragmentos de texto acima, eminentemente descritivos, priorizam a abordagem 
da vida interior, própria ou alheia, revelando sutis alternâncias de percepção da 
realidade. 
(2) A função metalinguística da linguagem está presente no primeiro fragmento. 
(3) No último período do primeiro fragmento, Clarice Lispector, por meio da relação de 
causa e consequência, evidencia alguns elementos que compõem o enredo de 
suas narrativas. 
(4) O trecho ―Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de alguém 
excêntrico, diziam com a benevolência que uma classe tem por outra (...)‖ admite a 
seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência 
textual: ―Na verdade, era uma vida onírica. Às vezes, quando falavam de alguém 
singular, diziam, com a benevolência, que uma classe tem por outra(...)‖. 
(5) Em ―as coisas serão ditas sem eu as ter dito‖, tanto a oração principal quanto a 
oração subordinada adverbial reduzida de infinitivo apresentam estrutura verbal 
na voz passiva analítica. 
(6) Em ―pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau 
poeta‖, o verbo auxiliar da locução verbal, ―pode‖, está no singular porque o sujeito 
é genérico ou indeterminado. 
(7) No fragmento ―Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara‖, o 
pronome ―este‖ tem função dêitica. 
(8) Em ―diziam com a benevolência que uma classe tem por outra‖, a palavra ―que‖ 
exerce função sintática de objeto direto. 
(9) No fragmento ―pode-se dizer que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida 
de mau poeta: vida de sonho. Não, não era verdade. Não era uma vida de sonho, 
pois este jamais os orientara‖, os sintagmas nominais destacados desempenham 
igual função sintática. 
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(10) O período ―Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios‖ é composto por 
subordinação, e a segunda oração classifica-se em subordinada substantiva 
objetiva indireta desenvolvida. 
Leia os fragmentos abaixo transcritos, extraídos do livro A hora da estrela, de 
Clarice Lispector, para responder às questões de 11 a 20. 
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e 
nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o 
nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais 
começou. (...) 
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como 
começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-
história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. 
Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou 
escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas 
que andam por aí aos montes. 
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há 
dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De 
quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em 
que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer 
sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes. 
LISPECTOR, C. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (fragmento). 
(11) No fragmento acima, nota-se que o narrador observa os acontecimentos que narra 
sob uma ótica distante e é indiferente aos fatos e às personagens. 
(12) Infere-se da leitura do fragmento acima que o narrador revela-se um sujeito que 
reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso. 
(13) No fragmento ―Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia 
o nunca e havia o sim‖, destacaram-se advérbios, respectivamente, de tempo e de 
afirmação. 
 
(14) Em ―Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou‖, os vocábulos 
destacados são, respectivamente, substantivo, decorrente do processo de 
derivação imprópria, e conjunção integrante. 
 
(15) O trecho ―Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?‖ 
admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a 
coerência textual: ―Como se começar pelo início, caso as coisas acontecem antes 
de acontecerem?‖. 
 
(16) Na linha 4, uma vírgula pode ser registrada após ―resposta‖, sem prejuízo para a 
correção gramatical do texto. 
 
(17) O trecho ―Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? 
Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história 
não existe, passará a existir. Pensar é um ato‖ admite a seguinte reescritura, sem 
prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual, alterando-se os 
sinais de pontuação e fazendo-se os devidos ajustes de iniciais minúsculas: ―Como 
começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer; se antes da pré-
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autorização do autor. 
pré-história já havia os monstros apocalípticos; se esta história não existe, passará 
a existir; pensar é um ato‖. 
 
(18) Em ―Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo.‖, os vocábulos 
destacados correspondem, respectivamente, a uma partícula expletiva e a um 
pronome relativo com função sintática de complemento verbal direto. 
(19) No trecho ―Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam 
por aí aos montes‖, as orações destacadas são adjetivas explicativas, 
respectivamente, reduzida de particípio e desenvolvida. 
(20) Em ―Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever‖, 
os sintagmas nominais destacados desempenham igual função sintática. 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Os fragmentos de texto acima, eminentemente narrativos, tratam da vida 
interior, própria ou alheia, revelando sutis alternâncias de percepção da realidade. 
(2) Errado. A função emotiva ou expressiva da linguagem está presente no primeiro 
fragmento. Observe o uso da primeira pessoa do singular: ―me‖, ―tomo‖, ―eu‖, 
―enleio‖, ―posso‖, ―meu‖. 
(3) Certo. No último período do primeiro fragmento, Clarice Lispector, por meio da 
relação de causa e consequência, evidencia alguns elementos que compõem o 
enredo de suas narrativas. Observe: ―Meu enleio vem de que um tapete é feito de 
tantos fios (= causa) que (= conjunção subordinativa consecutiva) posso me 
resignar a seguir um fio só (= consequência); meu enredamento vem de que uma 
história é feita de muitas histórias. Entendeu? 
(4) Errado. O trecho ―Na verdade era uma vida de sonho. Às vezes, quando falavam de 
alguém excêntrico, diziam com a benevolência que (= pronome relativo/a qual) 
uma classe tem por outra (...)‖ não admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para 
a correção gramatical e para a coerência textual: ―Na verdade, era uma vida 
onírica. Às vezes, quando falavam de alguém singular, diziam, com a benevolência, 
que (= conjunção integrante) uma classe tem por outra(...)‖. A mudança de função 
gramatical do vocábulo ―que‖ tornou a reescritura incoerente. 
(5) Errado. Em ―as coisas serão ditas (voz passiva analítica)/ sem eu as (objeto direto) 
ter dito (v.t.d.) (voz ativa)‖. Lembre-se de que o objeto direto somente existirá na 
voz ativa. 
(6) Errado. Em ―pode-se (partícula apassivadora) dizer (v.t.d) que ambos levavam, 
menos a extravagância, uma vida de mau poeta‖, o verbo auxiliar da locução 
verbal, ―pode‖, está no singular porque o sujeito é oracional. Lembre-se de que a 
partícula apassivadora transforma a oração ―que ambos levavam, menos a 
extravagância, uma vida de mau poeta‖ em oração subordinada substantiva 
subjetiva. Assim, ―que ambos levavam, menos a extravagância, uma vida de mau 
poeta pode ser dito‖. 
(7) Errado. No fragmento ―Não era uma vida de sonho, pois este jamais os orientara‖, o 
pronome ―este‖ tem função anafórica e endofórica, cujo objetivo é retomar o termo 
sintático próximo ―sonho‖. 
(8) Certo. Em ―diziam com a benevolência que uma classe tem por outra‖, a palavra 
―que‖ exerce função sintática de objeto direto. Observe que o pronome relativo 
―que‖ retoma o antecedente ―a benevolência‖. Assim, ―a benevolência uma classe 
tem por outra‖. Coloque, agora, na ordem direta: ―uma classe tem (v.t.d) a 
benevolência (objeto direto) por outra‖. 
(9) Errado No fragmento ―pode-se dizer que ambos levavam (v.t.d), menos a 
extravagância, uma vida de mau poeta: vida de sonho (objeto direto). Não, não era 
verdade. (Ela) Não era (verbo de ligação) uma vida de sonho (predicativo do 
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sujeito), pois este jamais os orientara‖, os sintagmas nominais destacados não 
desempenham igual função sintática. 
(10) Certo. O período ―Meu enleio vem (v.t.i) de que um tapete é feito de tantos fios‖ é 
composto por subordinação, e a segunda oração classifica-se em subordinada 
substantiva objetiva indireta desenvolvida, já que a conjunção integrante ―que‖ 
está explícita. 
(11) Errado. No fragmento acima, nota-se que o narrador participa, ao empregar a 
primeira pessoa do singular (―eu‖), dos acontecimentos que narra, sem uma ótica 
distante e indiferente aos fatos e às personagens, uma vez que existem inúmerostraços de subjetividade. 
(12) Certo. Infere-se da leitura do fragmento acima que o narrador revela-se um sujeito 
que reflete sobre questões existenciais (―Enquanto eu tiver perguntas e não houver 
resposta continuarei a escrever‖) e sobre a construção do discurso (―Como 
que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que 
justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso 
registrar os fatos antecedentes.‖). 
(13) Errado. No fragmento ―Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história 
e havia o nunca e havia o sim‖, destacaram-se substantivos, pelo processo de 
derivação imprópria. Observe o artigo a acompanhar os substantivos: o nunca/ o 
sim. . 
(14) Errado. Em ―Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou‖, os vocábulos 
destacados são, respectivamente, pronome indefinido interrogativo ao final da 
frase interrogativa indireta (por isso, o acento circunflexo) e conjunção integrante. 
Ressalte-se que a forma ―o‖ antes de ―quê‖ é apenas um apoio fonético que pode 
ser eliminado. Observe: ―O que você fez?‖ ou ―Que você fez?‖. 
(15) Errado. O trecho ―Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de 
acontecer?‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Como se começar pelo início, caso as 
coisas aconteçam antes de acontecerem?‖. 
(16) Certo. Em rigor, na linha 4, uma vírgula deveria ser registrada após ―resposta‖, 
sem prejuízo para a correção gramatical do texto. Trata-se de oração subordinada 
adverbial temporal deslocada para o início do período. 
(17) Errado. O trecho ―Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de 
acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se 
esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato‖ não admite a seguinte 
reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual, 
alterando-se os sinais de pontuação e fazendo-se os devidos ajustes de iniciais 
minúsculas: ―Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de 
acontecer; se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos; se esta 
história não existe, passará a existir; pensar é um ato‖. Na reescritura, 
misturaram-se perguntas e afirmações, o que torna o texto incoerente e 
gramaticalmente incorreto. 
(18) Certo. Em ―Os dois juntos – sou (=expletivo) eu que (= expletivo) escrevo o (= aquilo) 
que (= o qual) estou escrevendo‖ (eu escrevo o que estou escrevendo), os 
vocábulos destacados correspondem, respectivamente, a uma partícula expletiva 
e a um pronome relativo com função sintática de complemento verbal direto. Veja a 
ordem direta: ―Eu estou escrevendo (v.t.d) aquilo (objeto direto). O pronome 
relativo ―que‖ está no lugar de ―aquilo‖; substitui, portanto, o objeto direto. 
(19) Errado. No trecho ―Nunca vi palavra mais doida, (que foi) inventada pelas 
nordestinas que andam por aí aos montes‖, a primeira oração destacada é adjetiva 
explicativa reduzida de particípio (veja que o pronome relativo ficou implícito e está 
precedido de vírgula), mas a segunda oração, introduzida pelo pronome relativo 
explícito ―que‖ (não precedido de vírgula) é adjetiva restritiva desenvolvida. 
(20) Certo. Em ―Enquanto eu tiver (v.t.d.) perguntas (objeto direto) e não houver (v.t.d) 
resposta (objeto direto) continuarei a escrever‖, os sintagmas nominais 
destacados desempenham igual função sintática: objeto direto. 
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PROVA 4 
 
TEXTO I 
A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em 
vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam 
e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a inchação dos beiços 
dificultavam-lhe a comida e a bebida. 
Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e 
amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre 
de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava 
os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na 
base, cheia de moscas, semelhante a uma cauda de cascavel. Então Fabiano resolveu 
matá-la. [...] 
Sinha Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que 
adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta: — Vão bulir com 
a Baleia? 
[...] Ela era como uma pessoa da família: brincavam juntos os três, para bem dizer não se 
diferençavam, rebolavam na areia do rio e no estrume fofo que ia subindo, ameaçava 
cobrir o chiqueiro das cabras. Quiseram mexer na taramela e abrir a porta, mas sinha 
Vitória levou-os para a cama de varas, deitou-os e esforçou-se por tapar-lhes os ouvidos: 
prendeu a cabeça do mais velho entre as coxas e espalmou as mãos nas orelhas do 
segundo. Como os pequenos resistissem, aperreou-se e tratou de subjugá-los, 
resmungando com energia. Ela também tinha o coração pesado, mas resignava-se: 
naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre da Baleia. 
[...] 
Na luta que travou para segurar de novo o filho rebelde, zangou-se de verdade. 
Safadinho. Atirou um cocorote ao crânio enrolado na coberta vermelha e na saia de 
ramagens. Pouco a pouco a cólera diminuiu, e sinha Vitória, embalando as crianças, 
enjoou-se da cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios. Bicho nojento, babão. 
Inconveniência deixar cachorro doido solto em casa. Mas compreendia que estava sendo 
severa demais, achava difícil Baleia endoidecer e lamentava que o marido não houvesse 
esperado mais um dia para ver se realmente a execução era indispensável. 
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 85-86. 
 
 
No que diz respeito às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a 
seguir. 
(1) O primeiro e o segundo parágrafos contêm argumentos que justificam a decisão a 
ser tomada em relação a Baleia. 
(2) O poder de decisão do chefe de família no ambiente rural fica evidente no texto. 
(3) Sinha Vitória, ao aceitar passivamente a decisão do marido no que se refere a 
Baleia, demonstra ser indiferente ao animal e preocupar-se exclusivamente com 
seus filhos. 
(4) O conectivo ―Mas‖, no último parágrafo, antecede uma explicação do conflito entre 
razão e emoção vivido por sinhá Vitória. 
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autorização do autor. 
(5) Em ―Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos...‖, o pronome ―lhe‖, com 
valor de posse, tem função anafórica e apresenta como referente o sintagma 
nominal ―A cachorra Baleia‖ (linha 1). 
(6) O vocábulo ―onde‖ (linha 2), pronome relativo, pode ser substituído por ―em que‖ 
ou ―no qual‖ e introduz oração subordinada adjetiva explicativa. 
(7) O verbo ―imaginara‖ (linha 3) pode ser substituído por ―havia imaginado‖, sem 
prejuízo para a correção gramatical e para o sentido original do texto. 
(8) Em ―...roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato...‖, os verbos estão 
registrados no singular porque o sujeito é genérico ou indeterminado. 
(9) Nos trechos ―Sinha Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos 
assustados, que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma 
pergunta: — Vão bulir com a Baleia?‖ e ―Ela também tinha o coração pesado, mas 
resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa. Pobre da 
Baleia‖, há, respectivamente, registro do discurso direto e do discurso indireto 
livre. 
(10) Em ―Mas compreendiaque estava sendo severa demais, achava difícil Baleia 
endoidecer‖, os adjetivos destacados exercem função predicativa, 
respectivamente, do sujeito e do objeto. 
 
TEXTO II 
Os meninos sumiam-se numa curva do caminho. Fabiano adiantou-se para alcançá-
los. Era preciso aproveitar a disposição deles, deixar que andassem à vontade. Sinha 
Vitória acompanhou o marido, chegou-se aos filhos. Dobrando o cotovelo da estrada, 
Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o 
patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito. 
E a conversa recomeçou. Agora Fabiano estava meio otimista. Endireitou o saco da 
comida, examinou o rosto carnudo e as pernas grossas da mulher. Bem. Desejou fumar. 
Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar o desejo. 
Temeu arriar, não prosseguir na caminhada. Continuou a tagarelar, agitando a cabeça 
para afugentar uma nuvem que, vista de perto, escondia o patrão, o soldado amarelo e a 
cachorra Baleia. Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, 
caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha Vitória achou que sim. [...] Por que 
haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? 
Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias. Podiam viver escondidos, como 
bichos? Fabiano respondeu que não podiam. 
–– O mundo é grande. 
Realmente para eles era bem pequeno, mas afirmavam que era grande –– e 
marchavam, meio confiados, meio inquietos. Olharam os meninos que olhavam os montes 
distantes, onde havia seres misteriosos. Em que estariam pensando? zumbiu sinha 
Vitória. Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho miúdo, não 
pensa. Mas sinha Vitória renovou a pergunta –– e a certeza do marido abalou-se. Ela devia 
ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava saber que iriam fazer os filhos quando 
crescessem. 
–– Vaquejar, opinou Fabiano. 
Sinha Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça negativamente, 
arriscando-se a derrubar o baú de folha. Nossa Senhora os livrasse de semelhante 
desgraça. Vaquejar, que ideia! 
Chegariam a uma terra distante, esqueceriam a catinga onde havia montes baixos, 
cascalhos, rios secos, espinhos, urubus, bichos morrendo, gente morrendo. Não 
voltariam nunca mais, resistiriam à saudade que ataca os sertanejos na mata. Então eles 
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eram bois para morrer tristes por falta de espinhos? Fixar-se-iam muito longe, adotariam 
costumes diferentes. 
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 120-122. 
 No que diz respeito às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a 
seguir. 
(11) Infere-se do texto que Fabiano considera necessária a imersão das crianças no 
mundo convencional para apreendê-lo e, assim, libertá-las das condições 
socioculturais vividas. 
(12) Na linha 1, as duas ocorrências do vocábulo ―se‖ têm função expletiva. 
(13) O trecho ―Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco 
dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o patrão, o soldado amarelo e a 
cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito‖ admite a seguinte reescritura no 
tocante à pontuação, sem prejuízo para a correção gramatical e para o sentido 
original: ―Dobrando o cotovelo da estrada ─ Fabiano sentia distanciar-se um pouco 
dos lugares onde tinha vivido alguns anos: o patrão, o soldado amarelo e a 
cachorra Baleia, esmoreceram no seu espírito‖. 
(14) Em ―Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar 
o desejo‖, estabelece-se relação de causa e conseqüência. 
(15) No fragmento ―Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, 
caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha Vitória achou que sim‖, o 
vocábulo ―sim‖ tem função vicária. 
(16) Em ―Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? 
Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias‖, os verbos destacados 
podem ser substituídos, respectivamente, por teria e havia, sem prejuízo para a 
correção gramatical do texto. 
(17) No quarto parágrafo, as ocorrências da palavra ―que‖ exercem, respectivamente, 
as seguintes funções morfológicas: conjunção integrante, pronome relativo, 
pronome indefinido interrogativo e pronome indefinido interrogativo. 
(18) Em ―Sinha Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça negativamente‖, as 
vírgulas isolam aposto de caráter explicativo. 
(19) O acento indicativo de crase em ―Não voltariam nunca mais, resistiriam à saudade 
que ataca os sertanejos na mata‖ pode ser eliminado e o elemento que fica é a 
preposição necessária à regência do verbo ―resistiam‖. 
(20) No último período do texto, a estrutura ―Fixar-se-iam‖ pode ser substituída por 
―Fixariam-se‖, sem prejuízo para a correção gramatical do texto. 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. De fato, primeiro e o segundo parágrafos contêm argumentos que justificam 
a decisão a ser tomada em relação a Baleia. Observe que, no início, do segundo 
parágrafo, o elemento relacionador ―Por isso‖ (= Por causa disso) estabelece 
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relação anafórica com o parágrafo anterior e cria a situação de justificativa. 
Ademais, o conector ―Então‖ (= Portanto), ao final do segundo parágrafo, reforça 
essa justificativa. 
(2) Certo. O poder de decisão do chefe de família no ambiente rural fica evidente no 
trecho: ―... naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e justa‖. 
(3) Errado. Sinha Vitória não demonstra ser indiferente ao animal e preocupar-se 
exclusivamente com seus filhos: ―Ela (Sinhá Vitória) também tinha o coração 
pesado, mas resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e 
justa. Pobre da Baleia‖. 
(4) Certo. O conectivo ―Mas‖, no último parágrafo, antecede uma explicação do 
conflito entre razão e emoção vivido por sinha Vitória: ―... sinha Vitória, embalando 
as crianças, enjoou-se da cadela achacada, gargarejou muxoxos e nomes feios. 
Bicho nojento, babão. Inconveniência deixar cachorro doido solto em casa 
(RAZÃO). Mas compreendia que estava sendo severa demais, achava difícil Baleia 
endoidecer e lamentava que o marido não houvesse esperado mais um dia para ver 
se realmente a execução era indispensável (EMOÇÃO). 
(5) Certo. Em ―(A cachorra Baleia) Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários 
pontos (= o pelo caíra em vários pontos dela) ...‖, o pronome ―lhe‖, com valor de 
posse, tem função anafórica e apresenta como referente o sintagma nominal ―A 
cachorra Baleia‖ (linha 1). 
(6) Certo. O vocábulo ―onde‖ (linha 2), pronome relativo que retoma ―num fundo 
róseo‖, pode ser substituído por ―em que‖ ou ―no qual‖ e introduz oração 
subordinada adjetiva explicativa (coordenada com outra oração): ―onde manchas 
escuras supuravam / e sangravam‖. 
(7) Certo. O verbo ―imaginara‖ (linha 3), flexionado no pretérito mais-que-perfeito 
simples do indicativo, pode ser substituído por ―havia/tinha imaginado‖, flexionado 
no pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para o sentido original do texto. 
(8) Errado. Em ―Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou 
metia-se no mato‖, os verbos estão registrados no singular porque concordam com 
o sujeito singular ―Baleia‖. Nos dois casos, o vocábulo ―se‖ funciona como parte 
integrante do verbo. 
(9) Certo. Nos trechos ―Sinha Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos 
assustados, que adivinhavam desgraça e nãose cansavam de repetir a mesma 
pergunta: — Vão bulir com a Baleia?‖ ( discurso direto: reproduz-se fielmente, com 
o uso do travessão, a fala das personagens) e ―Ela também tinha o coração 
pesado, mas resignava-se: naturalmente a decisão de Fabiano era necessária e 
justa. Pobre da Baleia‖ (discurso indireto livre: não se sabe se essa fala é de Sinha 
Vitória ou do narrador, até porque não se usam aspas ou travessão), há, 
respectivamente, registro do discurso direto e do discurso indireto livre. 
(10) Certo. Em ―Mas (ela) compreendia que (ela) estava sendo severa (predicativo do 
sujeito ―ela‖) demais, (ela) achava (v.t.d) difícil (predicativo do objeto ―Baleia 
endoidecer‖) Baleia endoidecer (objeto direto oracional), os adjetivos destacados 
exercem função predicativa, respectivamente do sujeito e do objeto. Entendeu? Um 
gesto positivo, por favor! 
(11) Errado. Não se pode inferir do texto que Fabiano considera necessária a imersão 
das crianças no mundo convencional para apreendê-lo e, assim, libertá-las das 
condições socioculturais vividas, uma vez que ele evidencia dúvidas, ao contrário 
do desejo de Sinha Vitória, do futuro delas e da ideia de ―libertá-las das condições 
socioculturais vividas‖: ―Agora desejava saber que iriam fazer os filhos quando 
crescessem. –– Vaquejar, opinou Fabiano‖. 
(12) Errado. Em ―Os meninos sumiam-se (= desapareciam) numa curva do caminho‖, a 
palavra ―se‖ tem função expletiva; pode ser eliminada sem prejuízo 
morfossintático. Contudo, em ―Fabiano adiantou-se (= antecipou-se) para alcançá-
los‖, a palavra ―se‖ constitui parte integrante do verbo. 
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(13) Errado. O trecho ―Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um 
pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o patrão, o soldado amarelo e a 
cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito‖ admite a seguinte reescritura no 
tocante à pontuação, sem prejuízo para a correção gramatical e para o sentido 
original: ―Dobrando o cotovelo da estrada ─ (oração reduzida de gerúndio 
deslocada para o início do período: deve-se usar a vírgula e não o travessão) 
Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos: 
(sinal de dois pontos inadequado: a oração seguinte não reforça nem esclarece a 
anterior) o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia, esmoreceram no seu 
espírito‖. 
(14) Certo. Em ―Como (= uma vez que) segurava a boca do saco e a coronha da 
espingarda (CAUSA), não pôde realizar o desejo (CONSEQUÊNCIA)‖, estabelece-
se relação de causa e consequência. 
(15) Certo. O elemento vicário, segundo a gramática latina, substitui oração. É o que faz 
o vocábulo ―sim‖ no fragmento seguinte: ―Os pés calosos, duros como cascos, 
metidos em alpercatas novas, caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinha 
Vitória achou que sim (= caminhariam)‖. Portanto, o vocábulo ―sim‖ tem função 
vicária. 
(16) Errado. Em ―Por que (eles) haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato 
como bichos? Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias‖, os verbos 
destacados podem ser substituídos, respectivamente, por (eles) teriam e havia (= 
verbo impessoal; apresenta o sentido de ―existir‖), sem prejuízo para a correção 
gramatical do texto. 
(17) Certo. No quarto parágrafo, as ocorrências da palavra ―que‖ exercem, 
respectivamente, as seguintes funções morfológicas: conjunção integrante, 
pronome relativo, pronome indefinido interrogativo e pronome indefinido 
interrogativo: ―Realmente para eles era bem pequeno, mas afirmavam que era 
grande (= conjunção integrante) –– e marchavam, meio confiados, meio inquietos. 
Olharam os meninos que (= os quais/ pronome relativo) olhavam os montes 
distantes, onde havia seres misteriosos. Em que (= pronome interrogativo 
indefinido em frase interrogativa direta) estariam pensando? zumbiu sinha Vitória. 
Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho miúdo, não 
pensa. Mas sinha Vitória renovou a pergunta –– e a certeza do marido abalou-se. 
Ela devia ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava saber que (= pronome 
interrogativo indefinido em frase interrogativa indireta) iriam fazer os filhos quando 
crescessem (?). Entendeu? 
(18) Errado. Em ―Sinha Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça 
negativamente‖, as vírgulas isolam adjunto adverbial de modo registrado entre o 
sujeito e o verbo. 
(19) Errado. O acento indicativo de crase em ―Não voltariam nunca mais, resistiriam à 
saudade que ataca os sertanejos na mata‖ não pode ser eliminado, visto que a 
preposição é necessária à regência do verbo ―resistiam‖, e o artigo definido ―a‖ 
deve acompanhar o substantivo feminino ―saudade‖, particularizado no contexto. 
(20) Errado. A estrutura ―Fixariam-se‖ está errada, haja vista que o futuro do pretérito 
(assim como o futuro do presente) não admite pronome átono enclítico, ou seja, 
posposto ao verbo. Forma correta: ―Fixar-se-iam‖ (mesóclise). 
 
 
PROVA 5 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
As mulheres sabem que a participação democrática é o principal meio de defesa de 
seus interesses e de conquista de representação política, tal como a implantação do 
sistema de quotas para aumentar o número de representantes eleitas. 
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O número reduzido de mulheres que ocupam cargos públicos — atualmente, uma 
média mundial de 19% nas assembleias nacionais — constitui um déficit a corrigir. A 
participação das mulheres em todos os níveis do governo democrático — local, nacional e 
regional — diversifica a natureza das assembleias democráticas e permite que o processo 
de tomada de decisões responda a necessidades dos cidadãos não atendidas no 
passado. 
Internet: <http://www.unric.org/pt/> (com adaptações). 
 
Julgue os itens com base nas ideias e nos aspectos estruturais do texto 
 
(1) A participação feminina nas assembleias nacionais deveria ser maior. 
(2) As ―necessidades dos cidadãos não atendidas no passado‖ restringem-se ao 
universo feminino. 
(3) Os problemas relativos ao não atendimento das necessidades dos cidadãos já 
teriam sido sanados se as mulheres sempre houvessem ocupado cargos públicos. 
(4) O sistema de governo democrático favorece o atendimento das necessidades da 
população feminina. 
(5) A inserção de vírgula logo depois do termo ―cidadãos‖ (linha 8) acarretaria prejuízo 
sintático e semântico ao texto. 
(6) Se a palavra ―atendidas‖ (linha 8) fosse flexionada no masculino — atendidos —, 
estariam mantidos a correção gramatical e o sentido original do texto. 
(7) Pelo emprego das estruturas ―assembleias nacionais‖ (linha 5) e ―assembleias 
democráticas‖ (linha 7), é correto inferir que a expressão ―cargos públicos‖ (linha 
4) se refere, efetivamente, aos cargos políticos no Poder Legislativo, dado o alto 
índice de participação feminina nos cargos do Poder Executivo. 
(8) Na linha 6, o trecho entre travessões constitui uma enumeração em progressão 
ascendente dos ―níveis de governo‖ referidos na linha anterior. 
(9) Na linha 4, o termo ―mulheres‖ constitui o sujeito sintático do verbo ―ocupam‖. 
(10) No trecho ―As mulheres sabem que a participação democrática é o principal meio 
de defesa de seus interesses e de conquista de representação política, tal como a 
implantação do sistema de quotas para aumentar o número de representantes 
eleitas‖, há, ao todo, três complementos nominais. 
 
Texto para os itens de 11 a 20. 
 
A instrumentalização da cidadania e da soberania popular, em uma democracia 
contemporânea, faz-sepelo instituto da representação política. E a transformação da 
soberania popular em representação se dá, em grande parte, por meio da eleição. 
O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade, e não, a 
soma de indivíduos. Jurídica e constitucionalmente, a representação ―representa‖ o povo 
(e não, todos os indivíduos). Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do 
representante se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou 
cláusulas estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão predeterminados 
na Constituição e apenas nela. Estritamente, sequer é possível falar em representação, 
pois não há uma vontade pré-formada. Há a construção de uma vontade, limitada apenas 
aos contornos constitucionais. 
Eneida Desiree Salgado. Princípios constitucionais estruturantes do 
direito eleitoral. Tese de doutoramento. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2010. Internet: <http://dspace.c3sl.ufpr.br> (com adaptações). 
 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
 
(11) O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. 
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(12) O representante representa o indivíduo, ao passo que a representação ―(ou o 
conjunto de representantes)‖ (linhas 7 e 8) representa o povo. 
(13) A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) corresponderia aos anseios da ―soma de 
indivíduos‖ (linhas 4 e 5). 
(14) A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) poderia ser substituída por individual 
sem que houvesse alteração do sentido textual. 
(15) O instituto da representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a 
soberania popular são operacionalizadas. 
(16) A rede temática do texto permite afirmar que, mediante o processo eleitoral, é 
possível atender às necessidades de cada um dos cidadãos de uma nação. 
(17) O pronome ―ele‖ (linha 7) tem como referente o nome ―representante‖ (linha 6). 
(18) A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos contornos 
constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação constitucional‖. 
(19) Identifica-se no texto ambivalência estrutural, evidenciada pela presença de 
trechos tipicamente dissertativos e outros marcadamente narrativos. 
(20) Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade‖, a 
palavra ―que‖ introduz oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce 
função sintática de complemento verbal indireto. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Segundo o texto, a participação feminina nas assembleias nacionais deveria 
ser maior, uma vez que o número reduzido de mulheres que ocupam cargos 
públicos é um déficit a corrigir. 
(2) Errado. Em ―necessidades dos cidadãos não atendidas no passado‖, o vocábulo 
―cidadãos‖ aplica-se, de forma genérica, a homens e mulheres. 
(3) Errado. A afirmação de que os problemas relativos ao não atendimento das 
necessidades dos cidadãos já teriam sido sanados se as mulheres sempre 
houvessem ocupado cargos públicos extrapola as informações contidas no texto. 
(4) Certo. O primeiro parágrafo confirma que o sistema de governo democrático 
favorece o atendimento das necessidades da população feminina. 
(5) Certo. A inserção de vírgula logo depois do termo ―cidadãos‖ (linha 8) acarretaria, 
sim, prejuízo sintático e semântico ao texto. A oração ―não atendidas no passado‖ 
deixaria de ter valor restritivo, conforme intenciona o redator, para assumir valor 
explicativo, generalizante. 
(6) Errado. Se a palavra ―atendidas‖ (linha 8) fosse flexionada no masculino — 
atendidos —, concordar-se-ia com ―cidadãos‖ (incoerente), e não com 
―necessidades‖ (coerente). 
(7) Errado. Pelo emprego das estruturas ―assembleias nacionais‖ (linha 5) e 
―assembleias democráticas‖ (linha 7), não é correto inferir que a expressão 
―cargos públicos‖ (linha 4) se refere, efetivamente, aos cargos políticos no Poder 
Legislativo, dado o alto índice de participação feminina nos cargos do Poder 
Executivo. A afirmação extrapola a realidade textual e é despropositada. 
(8) Errado. Na linha 6, o trecho entre travessões não constitui uma enumeração em 
progressão ascendente dos ―níveis de governo‖ referidos na linha anterior. A 
gradação seria ―local, regional e nacional‖. Ainda assim, poder-se-ia entender que 
―nacional e regional‖ corresponde a um aposto de ―local‖. Entendeu? Um gesto 
positivo, por favor. 
(9) Errado. Na linha 4, o pronome relativo ―que‖, que retoma o termo ―mulheres‖, 
constitui o sujeito sintático do verbo ―ocupam‖. 
(10) Certo. No trecho ―As mulheres sabem que a participação democrática é o principal 
meio de defesa de seus interesses (defender seus interesses) e de conquista de 
representação política (conquistar representação política), tal como a implantação 
do sistema de quotas (implantar sistema de cotas) para aumentar o número de 
representantes eleitas‖, há, ao todo, três complementos nominais (destacados). Os 
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outros termos preposicionados são apenas adjuntos adnominais, porquanto não 
estabelecem com o antecedente relação completiva. 
(11) Certo. O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. Releia o 
trecho: ―Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do representante 
se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou cláusulas 
estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão 
predeterminados na Constituição e apenas nela‖. 
(12) Errado. Segundo o texto, não há vontade individual no processo eleitoral. Em tese, 
o representante representa o povo. 
(13) Errado. A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) não corresponderia aos anseios da 
―soma de indivíduos‖ (linhas 4 e 5), mas aos anseios do povo. 
(14) Errado. A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) corresponde a um complemento 
nominal e, por isso, não poderia ser substituída por individual, visto que haveria 
alteração do sentido textual. 
(15) Certo. A leitura do primeiro parágrafo permite afirmar que o instituto da 
representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a soberania popular 
são operacionalizadas. 
(16) Errado. Mediante o processo eleitoral, não é possível atender às necessidades de 
cada um dos cidadãos de uma nação. Lembre-se de que, segundo o texto, os 
representantes representam o povo, e não a soma dos indivíduos que o formam. 
(17) Certo. O pronome ―ele‖ (linha 7) tem, claramente, como referente o nome 
―representante‖ (linha 6). 
(18) Certo. A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos 
contornos constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação 
constitucional‖. Observe o paralelismo (aos contornos/à legislação): preposição + 
artigo. 
(19) Errado. O texto é, fundamentalmente, dissertativo-argumentativo, porque o autor, 
durante todo o texto, expõe argumentos acerca de uma tese que defende. 
(20) Certo. Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma 
unidade‖, a estrutura ―a que‖ (preposição + pronome relativo = ao qual) introduz 
oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce função sintática de 
complementoverbal indireto (O.I.) de ―remete‖. Observe: a ideia de soberania 
popular remete (v.t.i) ao povo (O.I.). 
 
 
PROVA 6 
 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
Se há uma pessoa fascinada pelo Universo e ao mesmo tempo grilada com ele, sou 
eu. Isso começou no dia em que, num curso particular, o professor me revelou a 
existência da Terra e do Sistema Solar. Saí da aula atordoado. 
E era natural, uma vez que, até então, o mundo para mim eram as ruas de São Luís 
com seus sobrados e, sobretudo, o trecho em que eu morava, com as árvores da Quinta 
dos Medeiros, o bananal do sítio do Fiquene e, lá longe, o Matadouro e o Areal, por onde 
às vezes vagabundava. 
E vinha agora o professor me dizer que a Terra era redonda, coberta de oceanos e 
que o Sol era uma estrela em torno da qual ela girava. A Terra é que gira e não o Sol? Mas 
eu via o Sol surgir por detrás da Camboa, passar por cima de nossa casa e ir descendo 
em direção ao rio Bacanga. Cansei de vê-lo ─ uma bola de fogo ─ desaparecer atrás do 
manguezal. 
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Agora, vem esse professor e me garante que é a Terra que gira em torno do Sol e 
que, como ele, é redonda ─ uma bola. Ou seja, nada batia com o que eu percebia. Por 
isso fiquei atordoado, mas, com o tempo, me habituei. Desde que o bananal continuasse lá 
onde sempre esteve, que eu pudesse ir tomar banho na praia do Olho d‘Água e jogar bola 
no Campo do Ourique, pouco se me dava se a Terra fosse redonda e girasse. 
Foi o que disse a mim mesmo, mas o problema estava criado. De vez em quando, 
olhava o Sol e imaginava a Terra girando em volta dele, com seus oceanos. E a água não 
derrama?! Pior: a Terra girava numa velocidade de 107 mil quilômetros por hora ─ cem 
vezes mais veloz que um jato ─ e, no entanto, para mim, ela estava parada! Tive que ir 
atrás de livros que me explicassem melhor essas coisas. 
E desse modo, com as leituras e a reflexão, aprendi a distinguir entre a experiência 
que os sentidos nos oferecem e o conhecimento científico. O resultado foi que, em lugar 
da desconfiança, vieram a aceitação e o fascínio. 
À medida que me informava melhor, entendia as leis cósmicas que regem o 
funcionamento do Universo, que foi se tornando uma realidade assustadora e 
deslumbrante. 
Aprendi que os planetas alteram a forma do espaço em volta deles e que isso influi 
na propagação da luz, e soube dos buracos negros, onde tudo some, sugado por uma 
força inimaginável. Até a luz é engolida. Some e vai para onde? Não sei nem me 
informaram. 
Mas esses são detalhes, pois o fundamental é responder à questão que intriga a 
todos: como foi que tudo começou? A resposta é conhecida com o Big Bang, ou seja, a 
explosão que deu origem ao universo. Bem, para mim, o Big Bang pode ter dado origem 
às galáxias e a tudo o mais; porém, como o nada não explode, havia antes alguma coisa 
que explodiu. 
E não é que agora, com a notícia de que foi afinal confirmada a tal partícula bóson 
de Higgs ─ apelidada de ―partícula de Deus‖ ─ minha suspeita se confirma? O que nasceu 
da tal explosão foi só o universo atual, ou seja, o Big Bang não é a origem de tudo. Isso se 
entendi bem o que significa o bóson de Higgs. 
Os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) é que detectaram 
essa nova partícula subatômica, a que faltava para completar o Modelo Padrão da Física. 
A teoria de Higgs, formulada em 1964, previa a existência de 32 partículas 
fundamentais, das quais 31 já tinham sido detectadas, menos uma, o bóson, responsável, 
logo após o Big Bang, pelo surgimento da massa, que viria constituir tudo o que existe, 
das galáxias aos planetas, das estrelas ao seres vivos. 
Noutras palavras, não é que antes do Universo não existisse nada: existia apenas a 
energia que, por alguma razão, explodiu, gerando os prótons, elétrons etc., que formam 
os átomos e formariam a matéria cósmica. O que possibilitou a agregação dessas 
partículas, criando assim a massa, foi o bóson, conforme a teoria de Higgs. 
Agora, como surgiu a energia que fez surgir o bóson que fez surgir a massa que 
constitui o universo, ninguém sabe. Disso os cientistas não falam, e com toda a razão. Mas 
disso sobra-me uma certeza: por ser infinito, o universo não tem fora, só dentro. Como já 
dissera Parmênides (século 5º a.C.), o um é um e não é dois. 
(―O dentro sem fora‖, Ferreira Gullar) 
 
Julgue os itens com base nas ideias e nos aspectos estruturais do texto 
 
(1) Segundo o texto, a constatação de que a Terra era redonda e girava em torno do 
sol, e não o contrário, não estava em consonância com as percepções empíricas 
do narrador, o que justifica a escolha do título ―O dentro sem fora‖. 
(2) No trecho ―Agora, vem esse professor e me garante que é a Terra que gira em 
torno do Sol e que, como ele, é redonda ─ uma bola‖, a primeira e a terceira 
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autorização do autor. 
ocorrências da palavra ―que‖ correspondem a conjunções integrantes; a segunda, 
a pronome relativo. 
(3) Em ―Cansei de vê-lo ─ uma bola de fogo ─ desaparecer atrás do manguezal‖, a 
forma pronominal ―lo‖ corresponde ao sujeito da forma infinitiva ―desaparecer‖. 
(4) No fragmento ―O resultado foi que, em lugar da desconfiança, vieram a aceitação e 
o fascínio‖, a forma verbal ―vieram‖ pode ser substituída por ―veio‖, sem prejuízo 
para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(5) O texto mostra que a expressão ―partícula de Deus‖ tem origem poética e refere-se 
ao fato de as partículas conhecidas como bósons atuarem como mensageiras entre 
as partículas de matéria. 
(6) O trecho ―Os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) é que 
detectaram essa nova partícula subatômica, a que faltava para completar o Modelo 
Padrão da Física‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para o sentido original: ―São os cientistas do Centro Europeu de 
Pesquisas Nucleares (Cern) que identificaram essa nova partícula subatômica ─ a 
que faltava para completar o Modelo Padrão da Física‖. 
(7) Em ―O que possibilitou a agregação dessas partículas, criando assim a massa, foi o 
bóson, conforme a teoria de Higgs‖, o verbo ―foi‖ está no singular para estabelecer 
concordância com a forma pronominal substantiva ―O‖, núcleo do sujeito. 
(8) Em ―Agora, como surgiu a energia que fez surgir o bóson que fez surgir a massa 
que constitui o universo, ninguém sabe‖, a estrutura destacada corresponde a uma 
oração subordinada substantiva objetiva direta, seguida de três orações 
subordinadas adjetivas restritivas. 
(9) No trecho ―Como já dissera Parmênides (século 5º a.C.), o um é um e não é dois‖, 
as duas ocorrências da forma verbal ―é‖ têm função conectiva ou de ligação. 
(10) Em ―A teoria de Higgs, formulada em 1964, previa a existência de 32 partículas 
fundamentais, das quais 31 já tinham sido detectadas‖, as duas primeiras vírgulas 
indicam interrupção sintática de oração com valor adverbial, e a terceira, a 
introdução de oração adjetiva explicativa. 
 
Texto para os itens de 11 a 15. 
 
Monteiro Lobato, ao afirmar que "um país se faz com homens e livros", por certo 
indicou o caminho das pedras àqueles que, descuidadamente, promovem a história sem a 
preocupação de seu registro e que, por consequência, legam ao pó do esquecimento tudo 
o que foi feito – certo ou errado – ou deixado de fazer. Os homens fazem a história. Os 
livros registram a história. Sem estes, os exemplos do passado, os conhecimentos 
técnicos e científicos armazenados, o testemunho e as provas colhidas nãoseriam 
repassados às gerações futuras, o que comprometeria a chamada evolução. 
 
 Julgue os itens com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto. 
 
(11) De acordo com o autor do texto, os homens são imprescindíveis à difusão da 
chamada evolução, por repassarem às gerações consequentes seus 
conhecimentos e testemunhos acerca do passado. 
(12) Se os travessões (linhas 3 e 4) forem substituídos por vírgulas, o período 
permanecerá gramaticalmente correto. 
(13) É uma opção gramaticalmente correta unir o segundo e o terceiro períodos, 
substituindo-se o sinal de ponto final por ponto e vírgula antes de ―Os livros‖ (linha 
4), com mudança da inicial maiúscula para minúscula. 
(14) O fato de a forma verbal ―repassados‖ (linha 6) estar no masculino comprova o fato 
de que predomina o masculino genérico quando o antecedente é constituído de 
elementos dos dois gêneros. 
(15) O emprego do sinal indicativo de crase em ―àqueles‖ (linha 2) é exigido pela 
regência do verbo ―indicou‖. 
 
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autorização do autor. 
Texto para os itens de 16 a 20. 
 
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná tem uma história a contar. São mais de 
50 anos de fiscalização perene da coisa pública, cujos princípios foram pinçados da 
própria história das Cortes de Contas de todo o mundo. Das contribuições gregas e 
romanas ao modelo canadense de auditoria moderna, do Tribunal Imperial do Brasil de 
1824 ao Tribunal de Contas de 1890, do insigne paranaense Manoel Francisco Correia, 
filho de Paranaguá e primeiro Presidente do Tribunal de Contas da União, aos ilustres 
pares que hoje conduzem essa casa, tudo contribuiu para o desenvolvimento de um órgão 
de fiscalização eficiente e dinâmico – dado o constante aperfeiçoamento das ações – , e 
para a solidificação institucional de um colegiado independente e atuante, como o 
Tribunal de Contas paranaense. E, dentro de sua competência, o Tribunal de Contas tem 
buscado na informação, por intermédio dos mais diferenciados meios de comunicação, a 
formação de sua história, na luta incessante e implacável contra a corrupção e o mal uso 
do dinheiro público. 
 
Com base no texto, julgue os itens a seguir. 
 
(16) Preservam-se as relações semânticas originais do texto se o termo ―a contar‖ 
(linha 1) for substituído por qualquer das opções a seguir: a ser contada, para 
contar, de quem contar. 
(17) O emprego do pronome relativo ―cujos‖ (linha 2) indica que ―princípios‖ refere-se a 
―coisa pública‖. 
(18) No último período do texto, não há erro gramatical. 
(19) Em ―... na luta incessante e implacável contra a corrupção e o (...) uso do dinheiro 
público...‖, registraram-se dois complementos nominais. 
(20) O uso da palavra ―tudo‖ (linha 6) é recurso coesivo anafórico que retoma, de forma 
sintética, as informações anteriores, exigindo a concordância do verbo ―contribuir‖ 
no singular. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Segundo o texto, a constatação de que a Terra era redonda e girava em 
torno do sol, e não o contrário, não estava, de fato, em consonância com as 
percepções empíricas do narrador, mas o que justifica a escolha do título ―O dentro 
sem fora‖ é a certeza de que, por ser infinito, o Universo não tem fora, só dentro. 
(2) Errado. No trecho ―Agora, vem esse professor e me garante que (é) a Terra (que) 
gira em torno do Sol e que, como ele, é redonda ─ uma bola‖, a primeira e a terceira 
ocorrências da palavra ―que‖ correspondem a conjunções integrantes; a segunda, 
a partícula expletiva ou de realce (perceba que as formas ―(é)‖ e ―(que)‖ podem ser 
eliminadas sem prejuízo morfossintático. 
(3) Certo. Em ―(Eu) Cansei de vê-lo ─ uma bola de fogo ─ desaparecer atrás do 
manguezal‖, a forma pronominal ―lo‖ (após o verbo sensitivo ―ver‖) corresponde ao 
sujeito acusativo ou sujeito da forma infinitiva ―desaparecer‖ (Quem desapareceu? 
―Ele‖ (representado pela forma pronominal ―lo‖. 
(4) Certo. No fragmento ―O resultado foi que, em lugar da desconfiança, vieram a 
aceitação e o fascínio‖, a forma verbal ―vieram‖ pode ser substituída por ―veio‖, 
sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual, porque o 
sujeito composto é posposto. Assim, pode-se concordar apenas com o núcleo mais 
próximo: ―veio a aceitação e (veio) o fascínio‖. 
(5) Errado. O texto não mostra que a expressão ―partícula de Deus‖ tem origem 
poética e refere-se ao fato de as partículas conhecidas como bósons atuarem 
como mensageiras entre as partículas de matéria. Na verdade, segundo 
conhecimentos extratextuais, o bóson de Higgs ficou conhecido como "partícula de 
Deus", porque, assim como Deus, estaria em todas as partes, mas é difícil de 
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autorização do autor. 
definir. Mas a real origem é bem menos poética. A expressão vem de um livro do 
físico ganhador do prêmio Nobel Leon Lederman, cujo esboço de título era "A 
Partícula Maldita", em alusão às frustrações de tentar encontrá-la. O título foi, 
depois, cortado para "A Partícula de Deus" por seu editor, aparentemente 
temeroso de que a palavra "maldita" fosse ofensiva. 
(6) Errado. O trecho ―Os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) 
(é que = partícula expletiva ou de realce/registro coloquial feito por Ferreira Gullar) 
detectaram essa nova partícula subatômica, a que faltava para completar o Modelo 
Padrão da Física‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para o sentido original: ―Foram (= 1) concordância eufônica, ou seja, 
de som agradável, com o núcleo do sujeito ―cientistas‖; 2) garante correlação com 
―identificaram‖, no pretérito) os cientistas do Centro Europeu de Pesquisas 
Nucleares (Cern) que identificaram (sinônimo de ―detectaram‖) essa nova partícula 
subatômica ─ a (partícula) que faltava para completar o Modelo Padrão da Física 
(nesse caso, por introduzir termo com valor explicativo, a vírgula pode ser 
substituída por travessão)‖. 
(7) Certo. Em ―O (= Aquilo) que possibilitou a agregação dessas partículas, criando 
assim a massa, foi o bóson, conforme a teoria de Higgs‖, o verbo ―foi‖ está no 
singular para estabelecer concordância com a forma pronominal substantiva ―O‖, 
núcleo do sujeito, com valor de ―Aquilo‖. 
(8) Certo. Em ―Agora, como surgiu a energia que fez surgir o bóson que fez surgir a 
massa que constitui o universo, ninguém sabe‖, a estrutura destacada 
corresponde a uma oração subordinada substantiva objetiva direta, seguida de 
três orações subordinadas adjetivas restritivas. Coloque na ordem direta: ―... 
ninguém sabe (v.t.d) como surgiu a energia (oração subordinada substantiva 
objetiva direta introduzida pelo advérbio interrogativo ―como‖) que fez surgir o 
bóson (oração subordinada adjetiva restritiva introduzida pelo pronome relativo 
―que‖) que fez surgir a massa (oração subordinada adjetiva restritiva introduzida 
pelo pronome relativo ―que‖) que constitui o universo (oração subordinada adjetiva 
restritiva introduzida pelo pronome relativo ―que‖). Entendeu? 
(9) Certo. No trecho ―Como já dissera Parmênides (século 5º a.C.), o um (sujeito) é 
(verbo de ligação) um (predicativo do sujeito) e (o um/sujeito elíptico) não é (verbo 
de ligação) dois (predicativo do sujeito)‖, as duas ocorrências da forma verbal ―é‖ 
têm função conectiva ou de ligação. Um gesto positivo, por favor! 
(10) Errado. Em ―A teoria de Higgs, (que foi) formulada em 1964, previa a existência de 
32 partículas fundamentais, das quais 31 já tinham sido detectadas‖, as duas 
primeiras vírgulas indicam interrupção sintática deoração com valor adjetivo, já 
que o pronome relativo ―que‖ está logicamente implícito), e a terceira, a introdução 
de oração adjetiva explicativa. 
(11) Errado. De acordo com o autor do texto, os livros são imprescindíveis à difusão da 
chamada evolução, por repassarem às gerações consequentes seus 
conhecimentos e testemunhos acerca do passado. Observe que o pronome ―estes‖ 
(linha 4) tem função anafórica e retoma, por coesão, ―Os livros‖, e não ―Os 
homens‖. 
(12) Certo. Se os travessões (linha 3) forem substituídos por vírgulas, o período 
permanecerá gramaticalmente correto, pois, agora sim, estamos diante de uma 
interrupção ou intercalação. 
(13) Certo. Como se trata de duas orações coordenadas ou independentes 
sintaticamente, é uma opção gramaticalmente correta unir o segundo e o terceiro 
períodos, substituindo-se o sinal de ponto final por ponto e vírgula antes de ―Os 
livros‖ (linha 4), com mudança da inicial maiúscula para minúscula. 
(14) Certo. O fato de a forma verbal ―repassados‖ (linha 6) estar no masculino 
comprova o fato de que predomina o masculino genérico quando o antecedente é 
constituído de elementos dos dois gêneros: ―os exemplos‖, ―os conhecimentos‖, ―o 
testemunho‖ (núcleos masculinos) e ―as provas‖ (núcleo feminino). 
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(15) Certo. O emprego do sinal indicativo de crase em ―àqueles‖ (linha 2) é exigido pela 
regência do verbo ―indicou‖, já que se trata de verbo transitivo direto e indireto: 
indicar algo a alguém (a + aqueles = àqueles). 
(16) Errado. Não se preservam as relações semânticas originais do texto se o termo ―a 
contar‖ (linha 1) for substituído por ―de quem contar‖. 
(17) Errado. O emprego do pronome relativo ―cujos‖ (linha 2) indica que ―princípios‖ 
refere-se a ―fiscalização perene da coisa pública‖. 
(18) Errado. Há erro gramatical: ―mau uso‖ (―mau‖ = adjetivo). 
(19) Certo. Em ―... na luta incessante e implacável contra a corrupção e o (...) uso do 
dinheiro público...‖, os termos destacados são, respectivamente, complementos 
nominais dos substantivos ―luta‖ (abstrato, cognato do verbo ―lutar‖) e ―uso‖ 
(também abstrato, cognato do verbo ―usar‖). 
(20) Certo. O uso da palavra ―tudo‖ (linha 6) é recurso coesivo anafórico que retoma, de 
forma sintética, as informações anteriores (―Das contribuições gregas e romanas 
ao modelo canadense de auditoria moderna, do Tribunal Imperial do Brasil de 1824 
ao Tribunal de Contas de 1890, do insigne paranaense Manoel Francisco Correia, 
filho de Paranaguá e primeiro Presidente do Tribunal de Contas da União, aos 
ilustres pares que hoje conduzem essa casa‖), exigindo a concordância do verbo 
―contribuir‖ no singular. 
 
 
PROVA 7 
 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
A separação não nos esfriou. Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre 
mim e Capitu. Desde que a viu, animou-me muito no nosso amor. As relações que travou 
com o pai de Sancha estreitaram as que já trazia com Capitu, e fê-lo servir a ambos nós, 
como amigo. A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo, preferia José Dias, mas José Dias 
repugnava-me por um resto de respeito de criança. Venceu Escobar. Capitu entregou-lhe 
a primeira carta, que foi mãe e avó das outras. Nem depois de casado suspendeu ele o 
obséquio... Que ele casou, —adivinha com quem— casou com a boa Sancha, a amiga de 
Capitu, quase irmã dela, tanto que, alguma vez, escrevendo-me, chamava a esta a "sua 
cunhadinha." Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventuras e os livros. 
(...) 
Quando saímos, tornei a falar com os olhos à dona da casa. A mão dela apertou 
muito a minha, e demorou-se mais que de costume(...). Senti ainda os dedos de Sancha 
entre os meus, apertando uns aos outros. Foi um instante de vertigem e de pecado. 
Passou depressa no relógio do tempo; quando cheguei o relógio ao ouvido, trabalhavam 
só os minutos da virtude e da razão. 
O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-me como se fosse a 
própria pessoa. Combati sinceramente os impulsos que trazia do Flamengo, rejeitei a 
figura da mulher do meu amigo, e chamei-me desleal. 
Demais, quem me afirmava que houvesse alguma intenção daquela espécie no 
gesto da despedida e nos anteriores? Tudo podia ligar-se ao interesse da nossa viagem. 
Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem juntas. Quando 
houvesse alguma intenção sexual, quem me provaria que não era mais que uma sensação 
fulgurante, destinada a morrer com a noite e o sono? Há remorsos que não nascem de 
outro pecado, nem têm maior duração. Agarrei-me a essa hipótese que se conciliava com 
a mão de Sancha, que eu sentia de memória dentro da minha mão, quente e demorada, 
apertada e apertando... 
 
Machado de Assis, D. Casmurro (fragmento) 
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Com base nas ideias, na tipologia e na estrutura linguísticas do texto, julgue os itens a 
seguir. 
 
(1) Narrado em primeira pessoa, o texto constitui uma alegoria subjetiva que visa 
mostrar, sob uma óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações 
humanas. 
(2) Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre mim e Capitu‖, os 
termos ―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática. 
(3) No trecho ―As relações que travou com o pai de Sancha estreitaram as que já 
trazia com Capitu‖, as ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções 
morfossintáticas idênticas. 
(4) No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo‖, Machado de Assis 
constrói uma estrutura formada por uma oração principal seguida de uma 
oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo; ademais, na oração 
principal o objeto indireto pleonástico tem a função de evitar ambiguidade. 
(5) Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, 
Machado de Assis se utiliza de linguagem com valor translato, com vistas a 
explicitar a ideia de que Capitu entregara mais de uma carta a Escobar. 
(6) No trecho ―Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventuras e os 
livros‖, temos exemplo de voz passiva com sujeito paciente composto e agente 
indeterminado. 
(7) Em ―quando cheguei o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ foi empregado com 
regência transitiva direta e indireta. 
(8) No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-
me como se fosse a própria pessoa‖, o termo ―O retrato de Escobar‖ é sujeito 
explícito de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, a estrutura conectiva 
―como se‖ indica realidade virtual ou imaginária. 
(9) Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem 
juntas‖, o vocábulo ―que‖ pode ser substituído por ―porquanto‖, sem prejuízo 
para a correção gramatical e para os sentidos do texto. 
(10) No último parágrafo, as formas verbais destacadas estão no singular porque o 
sujeito de cada uma delas é genérico ou indeterminado. 
 
TEXTO II 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
... Deixe ver os olhos, Capitu. 
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua 
e dissimulada". Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se 
podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, 
se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas 
conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; 
imaginou que era um pretexto para mirá-losmais de perto, com os meus olhos longos, 
constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos 
e sombrios, com tal expressão que... 
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que 
foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da 
dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. 
É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e 
enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, 
nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às 
orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa 
buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, 
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ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele 
jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade 
tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das 
felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu 
conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; 
assim também a quantidade das delícias que terão gozado no céu os seus desafetos 
aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino 
Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de 
um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então 
com as mãos, e disse-lhe, – para dizer alguma cousa, – que era capaz de os pentear, 
se quisesse. 
 
(Trecho do capítulo ―Olhos de Ressaca‖, da obra ―Dom Casmurro‖) 
 
Com base nas ideias e na estrutura linguísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(11) A expressão ―Vá, de ressaca‖, no terceiro parágrafo, significa a ausência de 
uma expressão melhor para definir os olhos de Capitu. 
(12) Os ―olhos de ressaca‖ se referem à força dos olhos da Capitu, de atrair 
Bentinho, de mantê-lo preso a eles. 
(13) O termo ―assim‖, no trecho ―queria ver se podiam chamar assim‖, refere-se a 
―oblíqua‖. 
(14) No trecho ―Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver 
se podiam chamar assim‖, há dois pronomes substantivos e uma conjunção 
integrante. 
(15) Em ―A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento‖, o 
termo ―A demora da contemplação‖ é sujeito prolíptico ou antecipado da forma 
verbal ―deu‖. 
(16) Em ―Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas‖, a vírgula 
indica deslocamento de oração com função adverbial. 
(17) O fragmento ―Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve‖ 
exemplifica ocorrência de voz passiva analítica. 
(18) Em ―Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos 
tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos‖, os sujeitos das 
formas verbais destacadas estão pospostos. 
(19) No trecho ―Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-
me definitivamente aos cabelos de Capitu‖, há, ao todo, três orações. 
(20) Em ―Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão 
marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem 
por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos 
suplícios‖, os termos destacados desempenham igual função sintática. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Apesar de narrado em primeira pessoa, o texto não apresenta traços 
alegóricos (conotações, personificações, simbologias) para mostrar, sob uma 
óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações humanas. Trata-se de uma 
narração subjetiva, em que o narrador também é personagem. 
(2) Certo. Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas (trocar cartas/ relação 
completiva) entre mim e Capitu (trocar entre mim e Capitu/ relação completiva)‖, os 
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termos ―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática: 
são complementos nominais do substantivo abstrato cognato de verbo ―troca‖. 
(3) Certo. No trecho ―As relações que (= as quais) travou com o pai de Sancha 
estreitaram as (= aquelas relações) que (= as quais) já trazia com Capitu‖, as 
ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções morfossintáticas idênticas: 
são pronomes relativos com função sintática de objetos diretos. Substitua a 
palavra ―que‖ pelo antecedente: as relações (ele) travou com o pai de Sancha; 
aquelas relações (ele) já trazia com Capitu. Agora, observe a ordem direta: ele 
travou (v.t.d) as relações (o.d.) com o pai de Sancha; ele já trazia (v.t.d) aquelas 
relações (o.d.) com Capitu. Entendeu? 
(4) Certo. No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo (= aceitar + o)‖, 
Machado de Assis constrói uma estrutura formada por uma oração principal 
(―custou-lhe a ela‖) seguida de uma oração subordinada substantiva reduzida de 
infinitivo (aceitá-lo). Que custou a ela? Aceitá-lo (sujeito oracional). Ademais, na 
oração principal o objeto indireto pleonástico tem, sim, a função de evitar 
ambiguidade. Caso a construção fosse somente ―Custou-lhe aceitar‖, ficaria o 
questionamento: custou a ele ou a ela aceitar? 
(5) Certo. Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, 
Machado de Assis se utiliza de linguagem com valor translato (= valor conotativo, 
figurado), com vistas a explicitar a ideia de que Capitu entregara mais de uma carta 
a Escobar. 
(6) Certo. No trecho ―Assim se (partícula apassivadora) formam (v.t.d.) as afeições e 
os parentescos, as aventuras e os livros (sujeito paciente composto posposto)‖, 
temos exemplo de voz passiva sintética ou pronominal, em virtude da presença da 
partícula apassivadora) com sujeito paciente composto e agente indeterminado. 
Observe que a voz passiva analítica confirma que o agente da passiva fica 
indeterminado: ―As afeições e os parentescos, as aventuras e os livros são 
formados‖ (por quem? = agente indeterminado). 
(7) Certo. Em ―quando cheguei ( = aproximei) o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ 
foi empregado com regência transitiva direta e indireta: o relógio (objeto direto) ao 
ouvido (objeto indireto). 
(8) Certo. No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, 
falou-me como se (ele = o retrato de Escobar) fosse a própria pessoa‖, o termo ―O 
retrato de Escobar‖ é sujeito explícito de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, 
a estrutura conectiva ―como se‖ (com valor comparativo e condicional) indica 
realidade virtual ou imaginária. Não era a própria pessoa (= realidade factual). Era 
apenas o retrato. 
(9) Errado. Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que = conjunção consecutiva) seria 
um prazer mais para elas irem juntas‖, o vocábulo ―que‖ não pode ser substituído 
por ―porquanto‖, conectivo que traduz ideia de causa ou explicação. 
(10) Errado. As ocorrências do verbo ―haver‖ (= existir) não apresentam sujeito e, 
portanto, são impessoais. No entanto, o verbo ―seria‖ apresenta a oração ―irem 
juntas‖ como sujeito. Observe: ―irem juntas seria um prazer mais para elas‖. 
(11) Certo. A expressão ―Vá, de ressaca‖, no terceiro parágrafo, significa, de fato, a 
ausência de uma expressão melhor para definir os olhos de Capitu. Releia o 
seguinte trecho: ―Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética 
para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagemcapaz de 
dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de 
ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova‖. 
(12) Certo. Os ―olhos de ressaca‖ se referem à força dos olhos da Capitu, de atrair 
Bentinho, de mantê-lo preso a eles, como comprova o seguinte trecho: ―Traziam 
não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, 
como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca‖. 
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autorização do autor. 
(13) Certo. O termo ―assim‖, no trecho ―queria ver se podiam chamar assim‖, refere-se 
a ―oblíqua‖. Reveja o trecho: ―Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada 
sabia, e queria ver se podiam chamar assim (= oblíqua)‖. 
(14) Certo. No trecho ―Eu (= pronome substantivo) não sabia o (= dispensável/apoio 
fonético) que (= pronome interrogativo indefinido substantivo) era oblíqua, mas 
dissimulada sabia, e queria ver se (= conjunção integrante) podiam chamar assim‖, 
há dois pronomes substantivos e uma conjunção integrante. 
(15) Certo. Em ―A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu 
intento‖, o termo ―A demora da contemplação‖ é sujeito prolíptico ou antecipado da 
forma verbal ―deu‖. Coloquemos na ordem direta: Creio que a demora da 
contemplação (sujeito) lhe (O.I) deu (v.t.d.i) outra ideia do meu intento (O.D.). 
Entendeu? 
(16) Certo. Em ―Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas‖, a vírgula 
indica deslocamento, para o início do período, de oração subordinada adverbial 
final reduzida de infinitivo. 
(17) Errado. O fragmento ―Só os relógios do céu (sujeito) terão marcado (v.t.d) esse 
tempo infinito e breve (objeto direto)‖ exemplifica ocorrência de voz ativa. 
(18) Certo. Em ―Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu conhecer a soma dos 
tormentos (sujeito oracional posposto de ―Há de dobrar‖) que (= conjunção 
subordinativa consecutiva) já terão padecido no inferno os seus inimigos (sujeito 
posposto de ―terão padecido‖)‖, os sujeitos das formas verbais destacadas estão, 
de fato, pospostos. 
(19) Errado. Há quatro orações. No trecho ―Estou (aqui) (oração principal/1) para 
contar (oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo com v.t.d./2) que, 
ao cabo de um tempo (que) não (foi) marcado (oração subordinada adjetiva 
restritiva reduzida de particípio/3), agarrei-me definitivamente aos cabelos de 
Capitu (oração subordinada substantiva objetiva direta/4). Essa foi um pouco difícil, 
mas tudo bem! 
(20) Certo. Em ―Quantos minutos (O.D) (nós) gastamos (v.t.d.) naquele jogo? Só os 
relógios do céu terão marcado (v.t.d.) esse tempo infinito e breve (O.D). A 
eternidade tem (v.t.d.) as suas pêndulas (O.D); nem por não acabar nunca deixa de 
querer saber (v.t.d.) a duração das felicidades e dos suplícios (O.D)‖, os termos 
destacados desempenham igual função sintática: objetos diretos das formas 
verbais sublinhadas. 
 
 
PROVA 8 
 
Texto para os itens de 1 a 14 
 
No Brasil, pode-se considerar marco da história da assistência jurídica, ou justiça 
gratuita, a própria colonização do país, ainda no século XVI. O surgimento de lides 
provenientes das inúmeras formas de relação jurídica então existentes — e o 
chamamento da jurisdição para resolver essas contendas — já dava início a situações em 
que constantemente as partes se viam impossibilitadas de arcar com os possíveis custos 
judiciais das demandas. A partir de então, a chamada assistência judiciária praticamente 
evoluiu junto com o direito pátrio. Sua importância atravessou os séculos, e ela passou a 
ser garantida nas cartas constitucionais. 
No século XX, o texto constitucional de 1934, no capítulo II, ―Dos direitos e das 
garantias individuais‖, em seu art. 113, fez menção a essa proteção, ao prever que ―A 
União e os estados concederão aos necessitados assistência judiciária, criando para 
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esse efeito órgãos especiais e assegurando a isenção de emolumentos, custas, taxas e 
selos‖. Por sua vez, a Constituição de 1946 previu, no mesmo capítulo que a de 1934, em 
seu art. 141, § 35, que ―O poder público, na forma que a lei estabelecer, concederá 
assistência judiciária aos necessitados‖. A lei extravagante veio em 1950, materializada 
na Lei n.º 1.060, que especifica normas para a concessão de assistência judiciária aos 
necessitados. No art. 4.º dessa lei, havia menção ao ―rendimento ou vencimento que 
percebe e os encargos próprios e os da família‖ e constava a exigência de atestado de 
pobreza, expedido pela autoridade policial ou pelo prefeito municipal. Foi o art. 1.º, § 2.º, 
da Lei n.º 5.478/1968, que criou a simples afirmação (da pobreza), ratificado pela Lei n.º 
7.510/1986, que deu nova redação a dispositivos da Lei n.º 1.060/1950. 
Em 1988, a Carta Cidadã ampliou o escopo da assistência judiciária ao empregar o 
termo assistência jurídica integral e gratuita, que é mais abrangente e que abarca o termo 
usado anteriormente, restrito apenas à assistência de demanda judicial já proposta ou a 
ser interposta. O termo atual também engloba atos jurídicos extrajudiciais, 
aconselhamento jurídico, patrocínio da causa, além de ações coletivas e mediação. 
Hoje, portanto, alguém que se vê incapaz de arcar com os custos que uma lide 
judicial impõe, mas necessita da imediata prestação jurisdicional, pode, mediante simples 
afirmativa, postular as benesses dessa prerrogativa, garantida pela Constituição Federal 
vigente. 
Uma história para a gratuidade jurídica no Brasil. Internet: (com adaptações). 
 
No que se refere às ideias e informações do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Infere-se do texto que a Lei n.º 1.060/1950 ainda está em vigência, embora tenha 
passado por algumas alterações. 
(2) O autor do texto visa convencer o leitor acerca da necessidade de que se tratem 
como iguais os desiguais, por meio da prestação jurisdicional gratuita. 
(3) Em ―A lei extravagante veio em 1950, materializada na Lei n.º 1.060, que especifica 
normas para a concessão de assistência judiciária aos necessitados‖, a palavra 
―que‖ exerce função sintática de sujeito, e os termos destacados exercem igual 
função sintática: são complementos nominais. 
(4) No trecho ―...a Carta Cidadã ampliou o escopo da assistência judiciária ao 
empregar o termo assistência jurídica integral e gratuita...‖, a segunda oração 
classifica-se em subordinada adverbial temporal. 
(5) Conclui-se do texto que, ao prever a substituição do atestado de pobreza pela 
simples afirmativa da pessoa de que ela não pode arcar com os custos judiciais da 
demanda, a lei teria buscado uma forma de tornar mais acessível ao necessitado o 
exercício de seu direito. 
 
Ainda a respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto, julgue os itens 
subsecutivos. 
 
(6) A substituição de ―ratificado‖ (2º. §) por confirmada manteria a coerência do texto, 
embora seu sentido fosse alterado. Esses dois particípios introduziriam, 
igualmente, oração subordinada adjetiva explicativa reduzida. 
(7) Em ―Foi o art. 1.º, § 2.º, da Lei n.º 5.478/1968, que criou a simples afirmação (da 
pobreza), ratificado pela Lei n.º 7.510/1986, que deu nova redação a dispositivos da 
Lei n.º 1.060/1950‖, destacaram-se pronomes relativos com função anafórica. 
(8) Seria mantida a correção gramatical do período caso a forma verbal ―dava‖ (1º. §) 
fosse flexionada no plural, escrevendo-se davam. 
(9) Em ―as partes se viam impossibilitadas de arcar com os possíveis custos judiciaisdas demandas‖, a partícula ―se‖ corresponde a um pronome reflexivo substantivo 
que exerce função sintática de complemento verbal direto. 
(10) O vocábulo ―que‖, em ―incapaz de arcar com os custos que uma lide judicial 
impõe‖, funciona como pronome relativo e exerce função sintática de sujeito. 
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(11) No trecho ―No Brasil, pode-se considerar marco da história da assistência jurídica, 
ou justiça gratuita, a própria colonização do país, ainda no século XVI‖, a palavra 
―se‖ tem a função de indeterminar ou generalizar o sujeito. 
(12) Sem prejuízo para a correção gramatical do período e para o sentido original do 
texto, o vocábulo ―existentes‖ (1º. §) poderia ser flexionado no singular, caso em 
que passaria a concordar com o antecedente ―relação jurídica‖. 
(13) Em ―O termo atual também engloba atos jurídicos extrajudiciais, aconselhamento 
jurídico, patrocínio da causa, além de ações coletivas e mediação‖, há objeto direto 
composto por três núcleos. 
(14) Os elementos ―já‖ (1º. §), ―atual‖ (3º. §) e ―Hoje‖ (4º. §) desempenham a mesma 
função sintática nas orações em que ocorrem. 
 
Texto para os itens de 15 a 20 
 
No início da colonização portuguesa no Brasil, a defesa das pessoas pobres 
perante os tribunais era considerada uma obra de caridade, com fortes traços religiosos. 
Anteriormente à primeira Constituição pátria, a de 1824, vigoraram as Ordenações 
Afonsinas, as Manuelinas e as Filipinas. Destas, somente as Ordenações Filipinas, 
sancionadas em 1595 e que construíram a base do direito português até o século XIX, com 
vigência de 1603 até o Código Civil brasileiro de 1916, trazem, em seu texto, algo que 
remete ao entendimento de concessão de justiça gratuita, prevendo que, se o agravante 
fosse tão pobre que jurasse não ter bens móveis, nem bens de raiz, nem como pagar o 
agravo e se rezasse, na audiência, uma vez, a oração do Pai-Nosso pela alma do rei de 
Portugal, seria considerado quitado o pagamento das custas de então. 
Ainda com relação ao aspecto da gratuidade, em particular, o colonizador 
português trouxe para o território brasileiro a praxe forense de acordo com a qual os 
advogados deveriam assistir, de maneira gratuita e voluntária, pro bono, os pobres que a 
solicitassem. Essa obrigação era admitida como um dever moral do ofício, diferenciando-
se do voluntariado por ser exercida com caráter e competência profissionais, embora 
fosse uma atividade não remunerada. 
Essas duas formas de gratuidade no acesso à justiça não se confundem. A 
advocacia pro bono é definida como a prestação gratuita de serviços jurídicos na 
promoção do acesso à justiça, ao passo que a assistência jurídica pública gratuita, 
atualmente prevista na Constituição Federal, no artigo 5.º, inciso LXXIV, e no artigo 134, é 
um dever intransferível do Estado e, na maior parte das vezes, é realizada na atuação das 
Defensorias Públicas da União e dos estados e por meio de convênios entre esses órgãos 
e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 
Enfim, a importância dessas duas formas de assistência jurídica gratuita reside no 
fato de que o maior beneficiário dessa prerrogativa é a pessoa com insuficiência de 
recursos que tenha de demandar em juízo. 
Internet (com adaptações). 
 
Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue 
os seguintes itens. 
 
(15) De acordo com o texto, o Estado confundia-se com a religião, o que fica evidente 
no fato de que foram as Ordenações Filipinas que compilaram, em textos legais, o 
benefício da justiça gratuita de cunho religioso. 
(16) Conclui-se do texto que a concessão da gratuidade no acesso à justiça originou-se 
de um dever legal do Estado de auxiliar os pobres na resolução de suas demandas. 
(17) Em ―Anteriormente à primeira Constituição pátria, a de 1824, vigoraram as 
Ordenações Afonsinas, as Manuelinas e as Filipinas‖, o acento grave foi 
empregado em complemento nominal com núcleo feminino. 
(18) Sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto, o trecho ―se o 
agravante (...) custas de então‖ (2º. §) poderia ser reescrito da seguinte forma: 
caso o agravante for muito pobre a ponto de não ter bens móveis ou bens imóveis, 
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e caso nem tenha como pagar as custas do processo, se rezar um Pai-Nosso na 
audiência em honra do rei de Portugal o pagamento das custas da época será 
considerado liquidado. 
(19) Presentes no texto, os vocábulos ―caráter‖, ―intransferível‖ e ―órgãos‖ são 
acentuados em decorrência da regra gramatical que classifica as palavras 
paroxítonas. 
(20) Em ―...seria considerado quitado o pagamento das custas de então‖, há estrutura 
de voz passiva analítica; nela, o sujeito está posposto, e o termo ―quitado‖ tem 
função predicativa. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Infere-se do texto que a Lei n.º 1.060/1950 ainda está em vigência, embora 
tenha passado por algumas alterações. Os indícios explícitos do texto evidenciam 
que a lei extravagante do texto constitucional de 1934 veio em 1950, materializada 
na Lei n.º 1.060, e que a Lei n.º 5.478/1968 criou a simples afirmação (da pobreza), 
com artigo ratificado pela Lei n.º 7.510/1986, que deu nova redação a dispositivos 
da Lei n.º 1.060/1950. Ademais, em 1988, a Carta Cidadã ampliou o escopo da 
assistência judiciária e, ainda hoje, sentem-se os efeitos da citada lei. 
(2) Errado. O autor do texto visa mostrar ao leitor o histórico legal da prestação 
jurisdicional gratuita no Brasil, por meio da Constituição de 1934, de lei 
extravagante (com as alterações posteriores) e da atual Constituição. 
(3) Certo. Em ―A lei extravagante veio em 1950, materializada na Lei n.º 1.060, que (= a 
qual = a Lei n.º 1.060) especifica normas para a concessão de assistência judiciária 
aos necessitados‖ (= conceder assistência judiciária aos necessitados), observe 
que a palavra ―que‖ exerce função sintática de sujeito do verbo ―especifica‖, e os 
termos destacados exercem igual função sintática: são complementos nominais do 
substantivo abstrato ―concessão‖, em vez de complementos do cognato verbal 
―conceder‖. Entendeu? 
(4) Certo. No trecho ―...a Carta Cidadã ampliou o escopo da assistência judiciária/ ao 
empregar o termo assistência jurídica integral e gratuita... (= quando empregou o 
termo...)‖, a segunda oração classifica-se em subordinada adverbial temporal em 
sua forma reduzida de infinitivo. 
(5) Certo. Conclui-se, por meio especialmente do segundo parágrafo, que, ao prever a 
substituição do atestado de pobreza pela simples afirmativa da pessoa de que ela 
não pode arcar com os custos judiciais da demanda, a lei teria, de fato, buscado 
uma forma de tornar mais acessível ao necessitado o exercício de seu direito. 
(6) Certo. A substituição de ―ratificado‖ (2º. §) por confirmada manteria a coerência do 
texto, embora seu sentido fosse alterado. Esses dois particípios introduziriam, 
igualmente, oração subordinada adjetiva explicativa reduzida: ... art. 1º..., (que foi) 
ratificado pela Lei ... ; ... a simples afirmação (da pobreza), (que foi) confirmada 
pela Lei... . Observe que, em ambas as situações, o pronome relativo ―que‖ fica 
logicamente implícito e retomam termos diferentes. 
(7) Errado. ―Foi (=expletivo) o art. 1.º, § 2.º, da Lei n.º 5.478/1968, que (= pronome 
relativo anafórico) criou a simples afirmação (da pobreza), ratificado pela Lei n.º 
7.510/1986, que (= expletivo) deu nova redação a dispositivos da Lei n.º 
1.060/1950‖. Veja o trecho sem asformas ―Foi‖ e ―que‖ : ―O art. 1.º, § 2.º, da Lei n.º 
5.478/1968, que (= pronome relativo anafórico) criou a simples afirmação (da 
pobreza), ratificado pela Lei n.º 7.510/1986, deu nova redação a dispositivos da Lei 
n.º 1.060/1950‖. Percebeu? 
(8) Errado. Somente seria mantida a correção gramatical do período, com a forma 
verbal ―dava‖ (1º. §) no plural, escrevendo-se davam, se os travessões fossem 
eliminados. Assim, caracterizar-se-ia sujeito composto. 
(9) Certo. Em ―as partes se viam (= a si mesmas) impossibilitadas de arcar com os 
possíveis custos judiciais das demandas‖, a partícula ―se‖ corresponde a um 
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pronome reflexivo substantivo que exerce função sintática de complemento verbal 
direto, já que o verbo ―viam‖ é transitivo direto. 
(10) Errado. O vocábulo ―que‖, em ―incapaz de arcar com os custos que (= os quais = os 
custos) uma lide judicial impõe‖, funciona como pronome relativo e exerce função 
sintática de objeto direto. Coloque na ordem direta agora: ... uma lide judicial 
(sujeito) impõe (v.t.d) custos (objeto direto). 
(11) Errado. No trecho ―No Brasil, pode-se (auxiliar) considerar (v.t.d) marco da história 
da assistência jurídica, ou justiça gratuita, (predicativo do sujeito) a própria 
colonização do país (sujeito paciente), ainda no século XVI‖, a palavra ―se‖ tem a 
função de apassivar a construção. Veja a voz passiva analítica: ―No Brasil, a 
própria colonização do país, ainda no século XVI, pode ser considerada marco da 
história da assistência jurídica, ou justiça gratuita‖. 
(12) Errado. Em ―O surgimento de lides provenientes das inúmeras formas de relação 
jurídica então existentes‖, o adjetivo ―existentes‖ concorda, obrigatoriamente, com 
―formas‖. 
(13) Certo. Em ―O termo atual também engloba (v.t.d) atos jurídicos extrajudiciais, 
aconselhamento jurídico, patrocínio da causa (objeto direto composto por três 
núcleos), além de ações coletivas e mediação (adjunto adverbial de acréscimo)‖, 
há, de fato, objeto direto composto por três núcleos. (Dá uma raiva, não é?) 
(14) Errado. Os elementos ―já‖ (advérbio = adjunto adverbial) (1º. §), ―atual‖ (adjetivo = 
adjunto adnominal) (3º. §) e ―Hoje‖ (advérbio = adjunto adverbial) (4º. §) 
desempenham funções sintáticas diferentes nas orações em que ocorrem. 
(15) Errado. De acordo com o texto, o Estado apenas sofria influências da religião, o 
que fica evidente no fato de que foram as Ordenações Filipinas que compilaram, em 
textos legais, o benefício da justiça gratuita de cunho religioso. 
(16) Errado. Conclui-se do texto que a concessão da gratuidade no acesso à justiça 
originou-se de um dever moral do ofício (advocacia) de auxiliar os pobres na 
resolução de suas demandas, diferenciando-se do voluntariado. 
(17) Certo. Em ―Anteriormente (advérbio) à primeira Constituição pátria (complemento 
nominal do advérbio), a de 1824, vigoraram as Ordenações Afonsinas, as 
Manuelinas e as Filipinas‖, o acento grave foi empregado em complemento nominal 
com núcleo feminino. 
(18) Errado. Sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto, o trecho ―se o 
agravante (...) custas de então‖ (2º. §) poderia ser reescrito da seguinte forma: 
caso o agravante seja muito pobre a ponto de não ter bens móveis ou bens imóveis. 
O restante da reescritura apresenta problemas de coesão e coerência. 
(19) Certo. Presentes no texto, os vocábulos ―caráter‖, ―intransferível‖ e ―órgãos‖ são 
acentuados em decorrência da regra gramatical que classifica as palavras 
paroxítonas. 
(20) Certo. Em ―...seria considerado quitado (predicado) o pagamento das custas de 
então (sujeito)‖, há estrutura de voz passiva analítica; nela, o sujeito está 
claramente posposto, e o termo ―quitado‖ tem função de predicativo do sujeito, 
cujo núcleo é ―pagamento‖. 
 
 
PROVA 9 
 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
As mulheres sabem que a participação democrática é o principal meio de defesa de 
seus interesses e de conquista de representação política, tal como a implantação do 
sistema de quotas para aumentar o número de representantes eleitas. 
O número reduzido de mulheres que ocupam cargos públicos — atualmente, uma 
média mundial de 19% nas assembleias nacionais — constitui um déficit a corrigir. A 
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autorização do autor. 
participação das mulheres em todos os níveis do governo democrático — local, nacional e 
regional — diversifica a natureza das assembleias democráticas e permite que o processo 
de tomada de decisões responda a necessidades dos cidadãos não atendidas no 
passado. 
Internet: <http://www.unric.org/pt/> (com adaptações). 
 
Julgue os itens com base nas ideias e nos aspectos estruturais do texto. 
 
(1) A participação feminina nas assembleias nacionais deveria ser maior. 
(2) As ―necessidades dos cidadãos não atendidas no passado‖ restringem-se ao 
universo feminino. 
(3) Os problemas relativos ao não atendimento das necessidades dos cidadãos já 
teriam sido sanados se as mulheres sempre houvessem ocupado cargos públicos. 
(4) O sistema de governo democrático favorece o atendimento das necessidades da 
população feminina. 
(5) A inserção de vírgula logo depois do termo ―cidadãos‖ (linha 8) acarretaria prejuízo 
sintático e semântico ao texto. 
(6) Se a palavra ―atendidas‖ (linha 8) fosse flexionada no masculino — atendidos —, 
estariam mantidos a correção gramatical e o sentido original do texto. 
(7) Pelo emprego das estruturas ―assembleias nacionais‖ (linha 5) e ―assembleias 
democráticas‖ (linha 7), é correto inferir que a expressão ―cargos públicos‖ (linha 
4) se refere, efetivamente, aos cargos políticos no Poder Legislativo, dado o alto 
índice de participação feminina nos cargos do Poder Executivo. 
(8) Na linha 6, o trecho entre travessões constitui uma enumeração em progressão 
ascendente dos ―níveis de governo‖ referidos na linha anterior. 
(9) Na linha 4, o termo ―mulheres‖ constitui o sujeito sintático do verbo ―ocupam‖. 
(10) No trecho ―As mulheres sabem que a participação democrática é o principal meio 
de defesa de seus interesses e de conquista de representação política, tal como a 
implantação do sistema de quotas para aumentar o número de representantes 
eleitas‖, há, ao todo, três complementos nominais. 
 
 
Texto para os itens de 11 a 20. 
 
A instrumentalização da cidadania e da soberania popular, em uma democracia 
contemporânea, faz-se pelo instituto da representação política. E a transformação da 
soberania popular em representação se dá, em grande parte, por meio da eleição. 
O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade, e não, a 
soma de indivíduos. Jurídica e constitucionalmente, a representação ―representa‖ o povo 
(e não, todos os indivíduos). Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do 
representante se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou 
cláusulas estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão predeterminados 
na Constituição e apenas nela. Estritamente, sequer é possível falar em representação, 
pois não há uma vontade pré-formada. Há a construção de uma vontade, limitada apenas 
aos contornos constitucionais. 
Eneida Desiree Salgado. Princípios constitucionais estruturantes do 
direito eleitoral. Tese de doutoramento. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2010. Internet: <http://dspace.c3sl.ufpr.br> (com adaptações). 
 
 
Julgue os itens de acordo com as informaçõespresentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
(11) O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. 
(12) O representante representa o indivíduo, ao passo que a representação ―(ou o 
conjunto de representantes)‖ (linhas 7 e 8) representa o povo. 
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autorização do autor. 
(13) A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) corresponderia aos anseios da ―soma de 
indivíduos‖ (linhas 4 e 5). 
(14) A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) poderia ser substituída por individual sem 
que houvesse alteração do sentido textual. 
(15) O instituto da representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a 
soberania popular são operacionalizadas. 
(16) Mediante o processo eleitoral, é possível atender às necessidades de cada um dos 
cidadãos de uma nação. 
(17) O pronome ―ele‖ (linha 7) tem como referente o nome ―representante‖ (linha 6). 
(18) A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos contornos 
constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação constitucional‖. 
(19) Identifica-se no texto ambivalência estrutural, evidenciada pela presença de 
trechos tipicamente dissertativos e outros marcadamente narrativos. 
(20) Os sintagmas nominais ―o povo‖ (linha 5) e ―mandato‖ (linha 6) completam o sentido 
das formas verbais ‗representa‘ (linha 5) e ―há‖ (linha 6), respectivamente. 
(21) Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade‖, a 
palavra ―que‖ introduz oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce 
função sintática de complemento verbal indireto. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Segundo o texto, a participação feminina nas assembleias nacionais deveria 
ser maior, uma vez que o número reduzido de mulheres que ocupam cargos 
públicos é um déficit a corrigir. 
(2) Errado. Em ―necessidades dos cidadãos não atendidas no passado‖, o vocábulo 
―cidadãos‖ aplica-se, de forma genérica, a homens e mulheres. 
(3) Errado. A afirmação de que os problemas relativos ao não atendimento das 
necessidades dos cidadãos já teriam sido sanados se as mulheres sempre 
houvessem ocupado cargos públicos extrapola as informações contidas no texto. 
(4) Certo. O primeiro parágrafo confirma que o sistema de governo democrático 
favorece o atendimento das necessidades da população feminina. 
(5) Certo. A inserção de vírgula logo depois do termo ―cidadãos‖ (linha 8) acarretaria, 
sim, prejuízo sintático e semântico ao texto. A oração ―não atendidas no passado‖ 
deixaria de ter valor restritivo, conforme intenciona o redator, para assumir valor 
explicativo, generalizante. 
(6) Errado. Se a palavra ―atendidas‖ (linha 8) fosse flexionada no masculino — 
atendidos —, concordar-se-ia com ―cidadãos‖ (incoerente), e não com 
―necessidades‖ (coerente). 
(7) Errado. Pelo emprego das estruturas ―assembleias nacionais‖ (linha 5) e 
―assembleias democráticas‖ (linha 7), não é correto inferir que a expressão 
―cargos públicos‖ (linha 4) se refere, efetivamente, aos cargos políticos no Poder 
Legislativo, dado o alto índice de participação feminina nos cargos do Poder 
Executivo. A afirmação extrapola a realidade textual e é despropositada. 
(8) Errado. Na linha 6, o trecho entre travessões não constitui uma enumeração em 
progressão ascendente dos ―níveis de governo‖ referidos na linha anterior. A 
gradação seria ―local, regional e nacional‖. Ainda assim, poder-se-ia entender que 
―nacional e regional‖ corresponde a um aposto de ―local‖. Entendeu? Um gesto 
positivo, por favor. 
(9) Errado. Na linha 4, o pronome relativo ―que‖, que retoma o termo ―mulheres‖, 
constitui o sujeito sintático do verbo ―ocupam‖. 
(10) Certo. No trecho ―As mulheres sabem que a participação democrática é o principal 
meio de defesa de seus interesses (defender seus interesses) e de conquista de 
representação política (conquistar representação política), tal como a implantação 
do sistema de quotas (implantar sistema de cotas) para aumentar o número de 
representantes eleitas‖, há, ao todo, três complementos nominais (destacados). Os 
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autorização do autor. 
outros termos preposicionados são apenas adjuntos adnominais, porquanto não 
estabelecem com o antecedente relação completiva. 
(11) Certo. O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. Releia o 
trecho: ―Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do representante 
se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou cláusulas 
estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão 
predeterminados na Constituição e apenas nela‖. 
(12) Errado. Segundo o texto, não há vontade individual no processo eleitoral. Em tese, 
o representante representa o povo. 
(13) Errado. A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) não corresponderia aos anseios da 
―soma de indivíduos‖ (linhas 4 e 5), mas aos anseios do povo. 
(14) Errado. A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) corresponde a um complemento 
nominal e, por isso, não poderia ser substituída por individual, visto que haveria 
alteração do sentido textual. 
(15) Certo. A leitura do primeiro parágrafo permite afirmar que o instituto da 
representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a soberania popular 
são operacionalizadas. 
(16) Errado. Mediante o processo eleitoral, não é possível atender às necessidades de 
cada um dos cidadãos de uma nação. Lembre-se de que, segundo o texto, os 
representantes representam o povo, e não a soma dos indivíduos que o formam. 
(17) Certo. O pronome ―ele‖ (linha 7) tem, claramente, como referente o nome 
―representante‖ (linha 6). 
(18) Certo. A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos 
contornos constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação 
constitucional‖. Observe o paralelismo (aos contornos/à legislação): preposição + 
artigo. 
(19) Errado. O texto é, fundamentalmente, dissertativo-argumentativo, porque o autor, 
durante todo o texto, expõe argumentos acerca de uma tese que defende. 
(20) Certo. Os sintagmas nominais ―o povo‖ (linha 5) e ―mandato‖ (linha 6) completam o 
sentido das formas verbais ‗representa‘ (linha 5) e ―há‖ (linha 6), respectivamente, 
uma vez que são verbos transitivos diretos que exigem objetos diretos. 
(21) Certo. Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma 
unidade‖, a estrutura ―a que‖ (preposição + pronome relativo = ao qual) introduz 
oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce função sintática de 
complemento verbal indireto (O.I.) de ―remete‖. Observe: a ideia de soberania 
popular remete ao povo. 
 
 
PROVA 10 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
Eu não quero passar adiante sem contar sumariamente um galante episódio de 
1814, tinha nove anos. 
Napoleão, quando eu nasci, estava já em todo o esplendor da glória e do poder; era 
imperador e granjeara inteiramente a admiração dos homens. Meu pai, que à força de 
persuadir os outros da nossa nobreza acabara persuadindo-se a si próprio, nutria contra 
ele um ódio puramente mental. Era isso motivo de renhidas controvérsias em nossa casa, 
porque meu tio João [militar], não sei se por espírito de classe e simpatia de ofício, 
perdoava no déspota o que admirava no general, meu tio padre era inflexível contra o 
corso; os outrosparentes dividiam-se: daí as controvérsias e as rusgas. 
Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão, houve 
naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum chasco ou remoque. [...] 
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Figurei nesses dias com um espadim novo, que meu padrinho me dera no dia de Santo 
Antônio; e, francamente, interessava-me mais o espadim do que a queda de Bonaparte. 
Nunca esqueci esse fenômeno. Nunca mais deixei de pensar comigo que o nosso espadim 
é sempre maior que a espada de Napoleão. E notem que eu ouvi muito discurso, quando 
era vivo, li muita página rumorosa de grandes ideias e maiores palavras, mas não sei por 
que, no fundo dos aplausos que me arrancavam da boca, lá ecoava alguma vez este 
conceito de experimentado: 
─ Vai-te embora, tu só cuidas do espadim. 
 
Machado de ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas (fragmento). 
 
No tocante às estruturas lingüísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Os termos ―um galante episódio de 1814‖ (linha 1), ―a admiração dos homens‖ 
(linha 4) e ―a notícia da primeira queda de Napoleão‖(linha 10) desempenham igual 
função sintática. 
(2) No 2º parágrafo, todas as ocorrências do verbo ―era‖ têm função conectiva ou de 
ligação. 
(3) O trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão, 
houve naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum chasco ou 
remoque‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ―Quando a notícia da primeira queda de Napoleão chegou 
ao Rio de Janeiro, ocorreu naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas 
nenhuma zombaria ou chacota‖. 
(4) No fragmento ―Figurei nesses dias com um espadim novo, que meu padrinho me 
dera no dia de Santo Antônio‖, o pronome relativo ―que‖ exerce função sintática de 
complemento verbal direto. 
(5) O trecho ―Nunca esqueci esse fenômeno‖ admite a reecritura ―Nunca me esqueci 
desse fenômeno‖, sem que haja prejuízo da correção gramatical e do sentido 
original. 
(6) No final do terceiro parágrafo o pronome ―este‖ tem função catafórica e 
endofórica. 
(7) No trecho ―Vai-te embora, tu só cuidas do espadim‖, a palavra ―te‖ tem função 
expletiva, e o vocábulo ―tu‖ é sujeito das formas verbais ―Vai‖, de forma elíptica, e 
―cuidas‖, de forma explícita. 
(8) Em ―...no fundo dos aplausos que me arrancavam da boca‖, a palavra ―que‖ é 
sujeito sintático e semântico de ―arrancavam‖. 
(9) No segundo parágrafo, as três ocorrências destacadas da palavra ―se‖ indicam 
reflexivização, respectivamente, dos verbos ―persuadindo‖, ―sei‖ e ―dividiam‖. 
(10) Em ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão‖, o 
termo ―a notícia da primeira queda de Napoleão‖ exerce função sintática de sujeito, 
e as duas ocorrências da preposição ―de‖ introduzem, respectivamente, um 
complemento nominal e um adjunto adnominal. 
 
Texto para os itens de 11 a 17. 
 
A instrumentalização da cidadania e da soberania popular, em uma democracia 
contemporânea, faz-se pelo instituto da representação política. E a transformação da 
soberania popular em representação se dá, em grande parte, por meio da eleição. 
O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade, e não, a 
soma de indivíduos. Jurídica e constitucionalmente, a representação ―representa‖ o povo 
(e não, todos os indivíduos). Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do 
representante se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou 
cláusulas estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão predeterminados 
na Constituição e apenas nela. Estritamente, sequer é possível falar em representação, 
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autorização do autor. 
pois não há uma vontade pré-formada. Há a construção de uma vontade, limitada apenas 
aos contornos constitucionais. 
Eneida Desiree Salgado. Princípios constitucionais estruturantes do 
direito eleitoral. Tese de doutoramento. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2010. Internet: <http://dspace.c3sl.ufpr.br> (com adaptações). 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
 
(11) O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. 
(12) O representante representa o indivíduo, ao passo que a representação ―(ou o 
conjunto de representantes)‖ (linhas 7 e 8) representa o povo. 
(13) A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) corresponderia aos anseios da ―soma de 
indivíduos‖ (linhas 4 e 5). 
(14) A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) poderia ser substituída por individual 
sem que houvesse alteração do sentido textual. 
(15) O vocábulo ―Jurídica‖ (linha 5) é, morfologicamente, um adjetivo, com função 
predicativa, que caracteriza o substantivo ―representação‖ (linha 5). 
(16) Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade‖, a 
palavra ―que‖ exerce função sintática de complemento verbal indireto. 
(17) No período ―Há a construção de uma vontade, limitada apenas aos contornos 
constitucionais‖, as formais verbais ―Há‖ (presente do indicativo) e ―limitada‖ 
(particípio) são impessoais. 
 
 Julgue os itens a seguir quanto à correção gramatical. 
 
(18) Importância especial têm os princípios gerais do direito no suprimento das 
chamadas lacunas (se é que as hão) de direito. Ferrara, por exemplo, rechaçava a 
ideia de lacunas de direito, posto que, a seu sentir, não há lacunas e, sim, defeitos 
da lei. 
(19) Todavia, se trata de ausência irresgatável da norma, já não se pode falar em 
lacuna até por que (consigne-se o óbvio) não há como suprí-la ou como remediá-la. 
(20) Quanto aos princípios gerais propriamente ditos, há os de domínio comum às 
ordens jurídicas internas e ao direito internacional, é dizer-se, aqueles que são do 
direito das gentes, mais particularmente. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Em ―contar (v.t.d) sumariamente um galante episódio de 1814 (objeto 
direto)‖ (linha 1), ―granjeara (v.t.d) inteiramente a admiração dos homens (objeto 
direto)‖ (linha 4) e ―Chegando (v.i.) ao Rio de Janeiro (adjunto adverbial de lugar) a 
notícia da primeira queda de Napoleão (sujeito)‖(linha 10), os termos destacados 
desempenham funções sintáticas diferentes. Veja, também, o comentário do item 
10. 
(2) Certo. No 2º parágrafo, todas as ocorrências do verbo ―era‖ têm função conectiva 
ou de ligação. Vejamos: ―Napoleão (...) era (v.l.) imperador‖ (predicativo do 
sujeito); ―Era (v.l.) isso (sujeito) motivo de renhidas controvérsias‖ (predicativo do 
sujeito); ―... meu tio padre (sujeito) era (v.l.) inflexível (predicativo do sujeito). 
Entendeu? 
(3) Certo. O trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de 
Napoleão, houve naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum 
chasco ou remoque‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Quando a notícia da primeira queda de 
Napoleão chegou ao Rio de Janeiro, ocorreu naturalmente um grande abalo em 
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nossa casa, mas nenhuma zombaria ou chacota‖.Essa questão testa, também, o 
seu vocabulário. 
(4) Certo. Observe: ―Figurei nesses dias com um espadim novo, / que (= o qual = um 
espadim novo) meu padrinho me dera no dia de Santo Antônio‖. Agora, veja a 
ordem direta: ... meu padrinho (sujeito) me (= a mim/objeto indireto) dera (v.t.d.i) 
um espadim novo (objeto direto)...‖. Portanto, o pronome relativo ―que‖ exerce 
função sintática de complemento verbal direto (objeto direto). 
(5) Certo. O trecho ―Nunca esqueci (não pronominal = v.t.d) esse fenômeno (objeto 
direto)‖ admite a reecritura ―Nunca me esqueci (pronominal = v.t.i) desse fenômeno 
(objeto indireto)‖, sem que haja prejuízo da correção gramatical e do sentido 
original. 
(6) Certo. Em ―... lá ecoava alguma vez este conceito de experimentado: ─ Vai-te 
embora, tu só cuidas do espadim‖, o pronome ―este‖ faz referência a algo a ser 
mencionado (catafórico) dentro do texto (endofórico). 
(7) Certo. No trecho ―Vai-te embora, tu só cuidas do espadim‖, a palavra ―te‖ tem 
função expletiva (―Vai tu embora‖), e o vocábulo ―tu‖ é sujeito das formas verbais 
―Vai‖, de forma elíptica, e ―cuidas‖, de forma explícita. 
(8) Errado. Em ―...no fundo dos aplausos / que (= os quais/ os aplausos) me 
arrancavam da boca‖, a palavra ―que‖ é objeto direto sintático e semântico de 
―arrancavam‖. Veja a ordem direta: ―... arrancavam (v.t.d) os aplausos (objeto 
direto) da minha boca (adjunto adverbial de lugar). Um gesto positivo, por favor! 
(9) Errado. Em ―persuadindo-se a si próprio‖, a palavra ―se‖ é objeto direto reflexivo; 
em ―não sei se (...) perdoava (...) o que admirava‖, a palavra ―se‖ é conjunção 
integrante; e em ―os outros parentes dividiam-se‖, a palavra ―se‖ é parte integrante 
do verbo ―dividir-se‖. 
(10) Certo. Observe o trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda 
de Napoleão‖ na forma desenvolvida e na ordem direta: ―Quando a notícia da 
primeira queda de Napoleão (sujeito) chegou (verbo intransitivo) ao Rio de Janeiro 
(adjunto adverbial de lugar)‖. No termo ―a notícia (abstrato e cognato de verbo = 
noticiar a primeira queda de Napoleão = relação completiva) da primeira queda (= 
abstrato e remete a ―cair‖ = Napoleão caiu = relação subjetiva) de Napoleão‖, as 
duas ocorrências da preposição ―de‖ introduzem, respectivamente, um 
complemento nominal (= relação completiva) e um adjunto adnominal (= relação 
subjetiva). Difícil? Não! 
(11) Certo. O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. Releia o 
trecho: ―Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do representante 
se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou cláusulas 
estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão 
predeterminados na Constituição e apenas nela‖. 
(12) Errado. Segundo o texto, não há vontade individual no processo eleitoral. Em tese, 
o representante representa o povo. 
(13) Errado. A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) não corresponderia aos anseios da 
―soma de indivíduos‖ (linhas 4 e 5), mas aos anseios do povo. 
(14) Errado. A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) corresponde a um complemento 
nominal e , por isso, não poderia ser substituída por individual, visto que haveria 
alteração do sentido textual. 
(15) Errado. O vocábulo ―Jurídica‖ (= juridicamente) (linha 5) é, morfologicamente, um 
advérbio, assim como ―constitucionalmente‖ (linha 5), por simetria ou paralelismo. 
(16) Certo. Em ―O povo/ a que (= ao qual = ao povo) remete a ideia de soberania popular/ 
constitui uma unidade‖, a palavra ―que‖ exerce função sintática de complemento 
verbal indireto de ―remete‖. Veja a ordem direta: ―a ideia de soberania popular 
(sujeito) remete (v.t.i) ao povo (objeto indireto). 
(17) Errado. No período ―Há (= existir) a construção de uma vontade, ( que é) limitada 
apenas aos contornos constitucionais‖, a formal verbal ―Há‖ (presente do 
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autorização do autor. 
indicativo) é impessoal, mas ―limitada‖ (particípio) é pessoal. Observe que o 
pronome relativo ―que‖ está implícito e retoma o antecedente ―uma vontade‖. 
Portanto, o pronome relativo ―que‖ (implícito) exerce função sintática de sujeito 
elíptico de ―é limitada‖. 
(18) Errado. Estrutura correta: ―Importância especial têm os princípios gerais do direito 
no suprimento das chamadas lacunas (se é que as há) de direito. Ferrara, por 
exemplo, rechaçava a ideia de lacunas de direito, visto que, a seu sentir, não há 
lacunas e, sim, defeitos da lei‖. Lembre-se de que o verbo ―haver‖ (= existir) é 
impessoal e não admite ser flexionado no plural; ademais, ―posto que‖ tem valor 
concessivo, e não causal, como ―visto que‖. 
(19) Errado. Estrutura correta: ―Todavia, se se trata de ausência irresgatável da norma, 
já não se pode falar em lacuna até porque (consigne-se o óbvio) não há como supri-
la (sem acento) ou como remediá-la‖. Lembre-se de que, no enunciado, ―porque‖ é 
conjunção subordinativa causal. 
(20) Certo. ―Quanto aos princípios gerais propriamente ditos, há os de domínio comum 
às ordens jurídicas internas e ao direito internacional, é dizer-se, aqueles que são 
do direito das gentes, mais particularmente‖. Observe que a estrutura ―é dizer-se‖ 
tem valor de ―ou seja‖, ―isto é‖ e deve vir entre vírgulas. 
 
 
PROVA 11 
 
 
Texto para os itens de 1 a 5 
 
─ Macabéa! Tenho grandes notícias para lhe dar! Preste atenção, minha flor, 
porque é da maior importância o que vou lhe dizer. É coisa muito séria e muito alegre: sua 
vida vai mudar completamente! E digo mais: vai mudar a partir do momento em que você 
sair da minha casa! Você vai se sentir outra. Fique sabendo, minha florzinha, que até o 
seu namorado vai voltar e propor casamento, ele está arrependido! E seu chefe vai lhe 
avisar que pensou melhor e não vai mais lhe despedir! 
(A Hora da Estrela, Clarice Lispector, 1993, p.95, fragmento). 
 
 
No tocante às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Na fala da cartomante, percebe-se a utilização de alegorias literárias com o intuito 
de promover a otimização de Macabéa. 
(2) Nas linhas 1 e 4 do texto, a autora faz uso de vocativos que destacam a função 
conativa ou apelativa da linguagem. 
(3) Na linha 3 do texto, o vocábulo ―que‖, pronome relativo, exerce função sintática de 
adjunto adverbial de tempo; na linha 4, porém, o vocábulo ―que‖, conjunção 
integrante, não apresenta função sintática. 
(4) A construção ―E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais lhe 
despedir!‖ fere, em rigor, o padrão culto da linguagem, já que a estrutura correta é: 
―E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais despedi-la! 
(5) Na linha 4, o vocábulo ―até‖ não corresponde, morfologicamente, a uma 
preposição; por não ter função morfológica, corresponde a uma palavra denotativa 
de inclusão. 
 
 
Texto para os itens de 6 a 10. 
 
Ele se aproximou e com voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-
lhe: 
— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear? 
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— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa antes que ele mudasse de idéia. 
— E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? 
— Macabéa. 
— Maca 
— O quê? 
— Bea, foi ela obrigada a completar. 
— Me desculpe mas até parece doença, doença de pele. Eu também acho esquisito 
mas minha mãe botou ele por promessa a NossaSenhora da Boa Morte se eu vingasse, 
até um ano de idade eu não era chamada porque não tinha nome, eu preferia continuar a 
nunca ser chamada em vez de ter um nome ninguém tem mas parece que deu certo. 
Parou um instante e tomando o fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor 
— pois como o senhor vê eu vinguei... pois é... 
— Também no sertão da Paraíba promessa é questão de grande dívida de honra. 
Eles não sabiam como se passeia. Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da 
vitrine de uma loja de ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, 
parafusos grandes e pregos. E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma 
ruptura, disse ao recém-namorado: 
— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor? Da segunda vez em que se 
encontraram caía uma chuva fininha que ensopava os ossos. Sem nem ao menos se 
darem as mãos, caminhavam na chuva que na cara de Macabéa parecia lágrimas 
escorrendo. 
 (Clarice Lispector, A Hora da Estrela - fragmento) 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
 
(6) Por meio da utilização do discurso direto, Clarice Lispector promove a interação 
das personagens e constrói um diálogo, espécie do gênero narrativo. 
(7) No 9º. parágrafo, Macabea explica a origem de seu nome e lamenta o fato de 
parecer nome de doença de pele, mas, em nenhum momento, envergonha-se da 
promessa feita pela mãe, já que venceu a enfermidade e vingou. 
(8) No trecho ―Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma loja de 
ferragem onde estavam expostos atrás do vidro canos, latas, parafusos grandes e 
pregos‖, o vocábulo destacado corresponde a um pronome relativo. 
(9) No último parágrafo, as duas ocorrências da palavra ―se‖ desempenham igual 
função morfológica e sintática. 
(10) A última oração do fragmento classifica-se em subordinada adjetiva restritiva 
reduzida de gerúndio. 
 
 
Texto para os itens de 11 a 15. 
 
Um dia em que chovia muito, Macabéa encontrou Olímpico de Jesus, que se 
apresentou como Olímpico de Jesus Moreira Chaves, metalúrgico, paraibano. Os dois 
apresentam ruídos no processo de comunicação: ela por não saber e não ter o que dizer, 
e ele, por se sentir superior, principalmente em relação ao aspecto linguístico, porém 
pouco sabia. Olímpico era ambicioso, era capaz de qualquer ato para ascender 
socialmente. Até que ele conhece Glória e resolve afastar-se de Macabéa. 
Com o rompimento, Macabéa compra um batom vermelho, pinta os lábios no 
banheiro da firma em busca da identidade desejada: a atriz Marilyn Monroe. Glória zomba 
da colega, contudo resolve convidá-la para um lanche em sua casa no domingo. Em 
seguida, indica-lhe um médico. 
O médico, que não gostava de trabalhar com pobres e para pobres, distrata Macabéa, e 
ela, mesmo assim, agradece. Constata-se que Macabéa está com tuberculose. 
Quando ela volta a falar com Glória, esta lhe indica uma cartomante: Madama 
Carlota. A cartomante mente para Macabéa, que sai de lá convencida de que será outra, 
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de que será feliz e de que encontrará seu príncipe. Ao dar um passo para atravessar a 
rua, ela é atropelada por um carro Mercedes Benz ouro. Esta é a hora da estrela, quando 
ela será "tão grande como um cavalo morto": ferida de morte, a personagem vomita um 
pouco de sangue, mas queria ter vomitado "uma estrela de mil pontas". O narrador 
termina refletindo sobre a morte não só de Macabéa, mas também sobre a dele: "por 
enquanto é tempo de morangos. Sim". 
(Passagens de A Hora da Estrela, Massaud Moísés) 
 
 
No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a 
seguir. 
 
(11) No primeiro parágrafo, o autor menciona as causas das limitações de Macabéa e 
Olímpico no processo comunicativo. 
(12) O trecho ―Glória zomba da colega, contudo resolve convidá-la para um lanche em 
sua casa no domingo‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Glória ironiza a colega, todavia, resolve 
convidar-lhe para um lanche em sua casa no domingo‖. 
(13) No primeiro período do último parágrafo, o sinal de dois-pontos admite a 
substituição por vírgula ou por travessão, sem prejuízo para a correção gramatical. 
(14) No trecho ―A cartomante mente para Macabéa, que sai de lá convencida de que 
será outra, de que será feliz e de que encontrará seu príncipe‖, a repetição da 
estrutura ―de que‖ tem a função de introduzir orações completivas nominais 
coordenadas entre si e subordinadas ao mesmo nome-adjetivo: ―convencida‖. 
(15) Em ―Ao dar um passo para atravessar a rua, ela é atropelada por um carro 
Mercedes Benz ouro‖, há três orações, classificadas, respectivamente, em 
subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo, subordinada adverbial final 
reduzida de infinitivo e principal. 
 
 Julgue os itens a seguir quanto à correção gramatical. 
 
(16) Macabéa é alagoana, virgem, ignorante tem dezenove anos e diz-se "datilógrafa". 
Veio para o Rio de Janeiro com uma tia que cuidara dela desde os dois anos de 
idade. 
(17) Quando a tia morre, Macabéa muda-se para um quarto que divide com quatro 
moças as quais trabalhavam nas Lojas Americanas: Maria da Penha, Maria 
Aparecida, Maria José e Maria. 
(18) Raimundo, o patrão de Macabéa, avisa-a que será despedida (Macabéa errava 
demais na datilografia). Macabéa gostava de ouvir a Rádio Relógio porque os 
locutores falavam "palavras diferentes", embora ela desconhecia os significados 
delas. 
(19) Rodrigo S. M., o narrador, constitui um dos personagens centrais de "A Hora da 
Estrela", de Clarice Lispector. Ao mesmo tempo em que cria e narra a vida de 
Macabéa, identifica-se com ela, mesmo quando a agride. 
(20) A "Hora da Estrela", representa o momento epifânico de Macabéa: a hora da morte. 
É irônica porque só no momento da morte, é que Macabéa alcança a grandeza do 
ser. Já a autora atinge a epifania ao concluir a obra. É a epifanização do tormento 
de escrever. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Na fala da cartomante, não se percebe a utilização de alegorias literárias ─ 
cadeias metafóricas, como as empregadas em fábulas, apólogos e parábolas. 
Trata-se de linguagem coloquial, informal. 
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(2) Certo. Nas linhas 1 (―Macabéa!‖) e 4 (―minha florzinha‖) do texto, a autora faz uso 
de vocativos que destacam a função conativa ou apelativa da linguagem, cujo 
objetivo é influenciar o receptor da mensagem. 
(3) Certo. Na linha 3 do texto, o vocábulo ―que‖, pronome relativo, exerce função 
sintática de adjunto adverbial de tempo. Veja a ordem direta: ... você (suj.) vai sair 
(verbo intransitivo) de casa (adj. adv. de lugar) no momento (adjunto adv. de 
tempo). A forma ―em que‖ substitui o antecedente ―no momento‖. Na linha 4, 
porém, o vocábulo ―que‖, conjunção integrante, não apresenta função sintática. 
Apenas introduz as orações subordinadas substantivas objetivas diretas 
coordenadas entre si: ―... que até o seu namorado vai voltar e propor casamento‖ – 
objeto direto de ―sabendo‖. 
(4) Certo. A construção ―E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais 
lhe despedir!‖ fere, em rigor, o padrão culto da linguagem, já que a estrutura 
correta é: ―E seu chefe vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais despedi-la! 
O verbo ―despedir‖ é transitivo direto. O pronome átono também poderia adotar 
outras posições: não a vai mais despedir/ não vai mais a despedir. 
(5)Certo. Na linha 4, o vocábulo ―até‖ não corresponde, morfologicamente, a uma 
preposição; por não ter função morfológica, corresponde a uma palavra denotativa 
de inclusão. Observe que ―até‖ tem valor de ―inclusive‖. Lembre-se de que, nesse 
caso, até não pode ser preposição, um vez que o sujeito ―até o seu namorado‖ não 
pode vir preposicionado. 
(6) Certo. Por meio da utilização do discurso direto (com o emprego dos travessões e 
da reprodução fiel da fala das personagens), Clarice Lispector promove a 
interação dessas personagens e constrói um diálogo, espécie do gênero narrativo. 
(7) Errado. No 9º. parágrafo, Macabea explica a origem de seu nome e lamenta o fato 
de parecer nome de doença de pele. A segunda parte do item ─ ―mas, em nenhum 
momento, envergonha-se da promessa feita pela mãe, já que venceu a enfermidade 
e vingou‖ ─ não traduz informações constantes do parágrafo . 
(8) Certo. No trecho ―Andaram sob a chuva grossa e pararam diante da vitrine de uma 
loja de ferragem onde (= na qual, em que) estavam expostos atrás do vidro canos, 
latas, parafusos grandes e pregos‖, o vocábulo destacado corresponde a um 
pronome relativo. 
(9) Errado. No último parágrafo, as duas ocorrências da palavra ―se‖ desempenham 
igual função morfológica (pronomes reflexivos), mas não sintática. Na primeira 
ocorrência, ―se‖ é objeto direto reflexivo e recíproco do verbo ―encontraram‖ 
(v.t.d); na segunda ocorrência, ―se‖ é objeto indireto de ―darem‖ (v.t.d.i). 
Entendeu? 
(10) Certo. A última oração do fragmento classifica-se em subordinada adjetiva 
restritiva reduzida de gerúndio. Veja a forma desenvolvida: ―... parecia lágrimas 
que (= as quais) escorriam‖. Lembre-se de que o pronome relativo sempre introduz 
oração subordinada adjetiva. 
(11) Certo. No primeiro parágrafo, o autor menciona as causas das limitações de 
Macabéa e Olímpico no processo comunicativo: ―ela por não saber e não ter o que 
dizer, e ele, por se sentir superior, principalmente em relação ao aspecto 
linguístico, porém pouco sabia‖. Observe que as duas ocorrências da preposição 
―por‖ introduzem causa nas orações reduzidas de infinitivo. 
(12) Errado. Em ―Glória ironiza a colega, todavia, resolve convidar-lhe para um lanche 
em sua casa no domingo‖, a vírgula após ―todavia‖ está errada, e o verbo 
―convidar‖, transitivo direto, não admite o pronome ―lhe‖ como complemento 
verbal. 
(13) Certo. No primeiro período do último parágrafo, o sinal de dois-pontos admite a 
substituição por vírgula ou por travessão, sem prejuízo para a correção gramatical. 
Trata-se de aposto explicativo. 
(14) Certo. No trecho ―A cartomante mente para Macabéa, que sai de lá convencida de 
que será outra, de que será feliz e de que encontrará seu príncipe‖, a repetição da 
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autorização do autor. 
estrutura ―de que‖ tem a função de introduzir três orações completivas nominais 
coordenadas entre si e subordinadas ao mesmo nome-adjetivo: ―convencida‖. 
(15) Certo. Em ―Ao dar um passo (Quando deu um passo) / para atravessar (para que 
atravessasse) a rua, / ela é atropelada por um carro Mercedes Benz ouro‖, há três 
orações, classificadas, respectivamente, em subordinada adverbial temporal 
reduzida de infinitivo, subordinada adverbial final reduzida de infinitivo e principal. 
Veja as formas desenvolvidas entre parênteses. Um gesto positivo, por favor! 
(16) Errado. Em ―Macabéa é alagoana, virgem, ignorante tem dezenove anos e diz-se 
"datilógrafa". Veio para o Rio de Janeiro com uma tia que cuidara dela desde os 
dois anos de idade‖, falta vírgula após ―ignorante‖. 
(17) Certo. ―Quando a tia morre, Macabéa muda-se para um quarto que divide com 
quatro moças as quais trabalhavam nas Lojas Americanas: Maria da Penha, Maria 
Aparecida, Maria José e Maria‖ é período inteiramente correto. 
(18) Errado. Em ―Raimundo, o patrão de Macabéa, avisa-a que será despedida 
(Macabéa errava demais na datilografia). Macabéa gostava de ouvir a Rádio 
Relógio porque os locutores falavam "palavras diferentes", embora ela 
desconhecia os significados delas‖, deve-se substituir ―avisa-a que‖ por ―avisa-lhe 
que‖ ou ―avisa-a de que‖, já que o verbo avisar é transitivo direto e indireto‖; além 
disso, deve-se substituir ―desconhecia‖ por ―desconhecesse‖, haja vista que o 
emprego da conjunção concessiva ―embora‖ exige o emprego do verbo no modo 
subjuntivo. 
(19) Certo. ―Rodrigo S. M., o narrador, constitui um dos personagens centrais de "A 
Hora da Estrela", de Clarice Lispector. Ao mesmo tempo em que cria e narra a vida 
de Macabéa, identifica-se com ela, mesmo quando a agride‖ é trecho inteiramente 
correto. 
(20) Errado. Em ―A ‗Hora da Estrela‘, representa o momento epifânico de Macabéa: a 
hora da morte. É irônica porque só no momento da morte, é que Macabéa alcança a 
grandeza do ser. Já a autora atinge a epifania ao concluir a obra. É a epifanização 
do tormento de escrever‖, deve-se eliminar a vírgula após ―A Hora da Estrela‖ 
(sujeito) e após ―morte‖, porque a partícula expletiva ou de realce ―é que‖ já realça 
o adjunto adverbial de tempo ―no momento da morte‖. 
 
 
PROVA 12 
 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
Publicado em 1934, São Bernardo é tido como um dos maiores representantes da 
segunda fase do Modernismo brasileiro. Nos anos conturbados das décadas de 1930 e 40, 
com crises econômicas, sociais e políticas em todo o mundo, os artistas voltaram-se para 
as temáticas sociais. No Brasil, os romances dessa época tinham um caráter regionalista, 
tratando principalmente dos problemas do Nordeste do país, tais como a seca, os 
retirantes, a miséria e a ignorância do povo. 
Porém, apesar de o pano de fundo de São Bernardo ser os problemas do sertão, 
Graciliano Ramos foi muito além disso, criando uma obra com uma densa carga 
psicológica. Para alcançar sua ascensão social, Paulo Honório abre mão de sua 
humanidade. Endurecido pelas dificuldades do meio onde vive, ele se torna um homem 
rude, bruto e violento. 
Narrado em primeira pessoa, todo o romance irá se desenvolver centrado em dois 
planos diferentes: o Paulo Honório narrador e o Paulo Honório personagem. Esses planos 
ficam evidentes por meio do tempo verbal utilizado na narrativa: o Paulo Honório narrador 
é demarcado pelo uso do tempo presente; já o Paulo Honório personagem é demarcado 
pelo tempo pretérito. O narrador irá se debruçar sobre seu passado, tentando entender a 
si mesmo, ao mundo e como ele se relaciona com esse mundo exterior. 
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O narrador expõe, no primeiro capítulo, como ele planejava contar sua história, 
delegando funções para pessoas mais cultas. Contudo, Paulo Honório descobre que este 
método de escrita é falho, pois ninguém falava da forma como estava escrito e ele não se 
via representado ali. A partir de então, ele mesmo resolve tomar a frente e escrever suas 
próprias lembranças. Por meio desse processo metalinguístico de exposição do projeto 
de escrita do livro, coloca-se o próprio ato de escrever em discussão. 
Ao contrário do que se pode imaginar, a linguagem utilizada na narrativa não é 
desconexa nem tosca. Pode-se dizer, então, que há uma certa inverossimilhança na obra, 
pois como um homem rústico, que se diz quase analfabeto, iria escrever um texto tão bem 
escrito? Mas, apesar de essa crítica ser pertinente, observa-se que a linguagem utilizada 
é extremamente enxuta e direta, o que, além de ser típica do estilo do próprio Graciliano 
Ramos, combina com Paulo Honório. 
De origem humilde, Paulo Honório não mediu esforçospara conseguir sua 
ascensão social, utilizando, muitas vezes, de meios antiéticos, como ameaças, 
assassinato e roubo. Sua visão de mundo é totalmente centrada em uma relação de poder 
entre ―opressor‖ e ―oprimido‖. Para ele, o que importa é ―ter‖. Essa visão de mundo entra 
em choque com a de sua esposa, Madalena, que é da esfera do ―ser‖, ou seja, ela não se 
preocupa com posses, mas com a qualidade e dignidade humanas. 
Por fim, Paulo Honório não consegue compreender o mundo de sua esposa e a 
acusa de infiel e ―subversiva‖; por sua vez, Madalena não consegue resgatar Paulo 
Honório de sua desumanidade. Sem sua esposa e abandonado também pelos amigos, 
Paulo Honório assume em partes seus erros que levaram à tragédia que se abateu sob a 
fazenda São Bernardo. Todavia, ele joga a culpa de seu endurecimento, de sua perda da 
humanidade no ambiente em que vive. 
(Fernando Marcílio, professor de Teoria Literária/Unicamp) 
 
 
No tocante às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Infere-se do texto que São Bernardo é um romance de confissão narrado em 
primeira pessoa, em que Paulo Honório, personagem protagonista, registra a 
história da sua ascensão ao seu declínio, de sua tragédia conjugal e da aridez de 
sua vida afetiva, utilizando-se do tempo do enunciado (os eventos que ocorreram 
em sua vida) e do tempo da enunciação (o momento em que se escreve o livro). 
(2) A duplicidade temporal da narrativa prescinde da monopolização do eu-
protagonista, uma vez que, distanciado no tempo, abrange com o olhar toda sua 
vida e procura recapitulá-la, contando-a para si e para o leitor. 
(3) O texto de Fernando Marcílio contém elementos que o inserem no âmbito do gênero 
opinativo. 
(4) No trecho ―Nos anos conturbados das décadas de 1930 e 40, com crises 
econômicas, sociais e políticas em todo o mundo, os artistas voltaram-se para as 
temáticas sociais‖, as vírgulas após ―40‖ e ―mundo‖ podem ser substituídas por 
travessões ou parênteses, sem prejuízo para a correção gramatical e para a 
coerência textual. 
(5) O elemento ―disso‖ (linha 7) refere-se, no texto, à ideia de ―o pano de fundo de São 
Bernardo ser os problemas do sertão‖. 
(6) Em ―...ele se torna um homem rude, bruto e violento‖, os adjetivos ―rude‖, ―bruto‖ e 
―violento‖ caracterizam, sintaticamente, predicativo do sujeito composto por três 
núcleos. 
(7) O trecho ―Para alcançar sua ascensão social, Paulo Honório abre mão de sua 
humanidade. Endurecido pelas dificuldades do meio onde vive, ele se torna um 
homem rude, bruto e violento‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual: ―Com vistas à alcançar sua 
ascensão social, Paulo Honório descarta sua humanidade e, por estar endurecido 
pelas dificuldades do meio onde vive, ele se transforma em um homem insensível, 
tosco e grosseiro‖. 
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(8) Mantendo-se a correção gramatical e a coerência textual, o vocábulo ―falho‖ 
poderia ser substituído por ―falha‖ em ―Paulo Honório descobre que este método 
de escrita é falho‖, uma vez que a língua, nesse caso, permite a concordância com 
o termo mais próximo, ―escrita‖. 
(9) Em ―Ao contrário do que se pode imaginar, a linguagem utilizada na narrativa não é 
desconexa nem tosca‖, os vocábulos ―que‖ e ―linguagem‖ são, respectivamente, 
núcleos do sujeito das formas verbais ―pode imaginar‖ e ―é‖. 
(10) No fragmento ―Essa visão de mundo entra em choque com a de sua esposa‖, os 
termos destacados desempenham igual função sintática. 
 
Texto para os itens de 11 a 17. 
 
Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho. 
Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em 
contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a 
parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a 
sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária 
convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o 
plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e 
poria o meu nome na capa. 
Estive uma semana bastante animado, em conferências com os principais 
colaboradores, e já via os volumes expostos, um milheiro vendido graças aos elogios que, 
agora com a morte do Costa Brito, eu meteria na esfomeada Gazeta, mediante lambujem. 
Mas o otimismo levou água na fervura, compreendi que não nos entendíamos. 
João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com períodos formados de 
trás para diante. Calculem. 
Padre Silvestre recebeu-me friamente. Depois da Revolução de Outubro, tornou-se 
uma fera, exigiu devassas rigorosas e castigos para os que não usaram lenços vermelhos. 
Torceu-me a cara. E éramos amigos. Patriota. 
Está direito: cada qual tem as suas manias. 
Afastei-o da combinação e concentrei as minhas esperanças em Lúcio Gomes de 
Azevedo Gondim, periodista de boa índole e que escreve o que lhe mandam. 
Trabalhamos alguns dias. À tardinha, Azevedo Gondim entregava a redação ao 
Arquimedes, trancava a gaveta onde guarda os níqueis e as pratas, tomava a bicicleta e, 
pedalando meia hora pela estrada de rodagem que ultimamente Casimiro Lopes andava a 
consertar com dois ou três homens, alcançava São Bernardo. Comentava os telegramas 
dos jornais, atacava o governo, bebia um copo de conhaque que Maria das Dores lhe 
trazia e, sentindo-se necessário, comandava com submissão: 
─ Vamos a isso. 
Graciliano Ramos, São Bernardo (fragmento) 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos. 
 
(11) A substituição do segmento ―Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela 
divisão do trabalho‖ (linha 1) por ―Eis que, ao iniciar este livro, imaginei construí-lo 
por intermédio da partição do trabalho‖ manteria a correção gramatical e os 
sentidos originais do texto. 
(12) O segmento ―em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais‖ (linha 2) 
funciona, no período em que se insere, como complemento verbal indireto de 
―consentiram‖. 
(13) No terceiro parágrafo, o vocábulo ―Mas‖ poderia ser substituído por ―Malgrado‖, 
mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto. 
(14) O trecho ―Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e 
pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa‖ admite, sem prejuízo para 
a correção gramatical, a seguinte reescritura: ―Eu traçaria o plano; introduziria, na 
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história, rudimentos de agricultura e pecuária; faria as despesas; e poria o meu 
nome na capa‖. 
(15) Em ―Mas o otimismo levou água na fervura, compreendi que não nos 
entendíamos‖, o pronome átono ―nos‖ tanto pode ser deslocado para depois de 
―que‖ como pode ser deslocado para depois de ―entendíamos‖, com a supressão 
do ―s‖ final da forma verbal. 
(16) Em ―Afastei-o da combinação e concentrei as minhas esperanças em Lúcio Gomes 
de Azevedo Gondim, periodista de boa índole e que escreve o que lhe mandam‖, a 
estrutura ―que é‖ foi suprimida antes de ―periodista‖, talvez para evitar a repetição 
exaustiva do vocábulo ―que‖. 
(17) O acento indicativo de crase em ―À tardinha, Azevedo Gondim entregava a 
redação ao Arquimedes‖ deve-se à regência do verbo ―entregava‖ e à presença do 
artigo definido feminino singular. 
(18) Em ―... trancava a gaveta onde guarda os níqueis e as pratas‖, a oração destacadaclassifica-se em subordinada adjetiva restritiva. 
(19) No trecho ―... bebia um copo de conhaque que Maria das Dores lhe trazia‖, os 
vocábulos destacados são complementos, respectivamente direto e indireto, da 
forma verbal ―trazia‖. 
(20) Na penúltima linha do texto, o sujeito do verbo ―comandava‖ está elíptico e tem 
como referente o termo ―Casimiro Lopes‖. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Infere-se do texto que São Bernardo é um romance de confissão (―O 
narrador irá se debruçar sobre seu passado, tentando entender a si mesmo, ao 
mundo e como ele se relaciona com esse mundo exterior‖) narrado em primeira 
pessoa, em que Paulo Honório, personagem protagonista, registra a história da sua 
ascensão ao seu declínio, de sua tragédia conjugal e da aridez de sua vida afetiva, 
utilizando-se do tempo do enunciado (os eventos que ocorreram em sua vida: ―o 
Paulo Honório personagem é demarcado pelo tempo pretérito‖) e do tempo da 
enunciação (o momento em que se escreve o livro: ―o Paulo Honório narrador é 
demarcado pelo uso do tempo presente‖). 
(2) Errado. A duplicidade temporal da narrativa não prescinde da monopolização do 
eu-protagonista. Este, distanciado no tempo, abrange com o olhar toda sua vida e 
procura recapitulá-la, contando-a para si e para o leitor. 
(3) Errado. O texto de Fernando Marcílio, embora contenha alguns elementos 
opinativos, corresponde a uma resenha crítica (exposição dos principais aspectos 
do enredo da obra, acompanhada de análise crítica ou apreciativa). 
(4) Errado. No trecho ―Nos anos conturbados das décadas de 1930 e 40 (primeiro 
adjunto adverbial deslocado para o início da oração), com crises econômicas, 
sociais e políticas em todo o mundo (segundo adjunto adverbial deslocado para o 
início da oração), os artistas (sujeito) voltaram-se para as temáticas sociais‖, as 
vírgulas após ―40‖ e ―mundo‖ não podem ser substituídas por travessões ou 
parênteses, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual, 
porque não se trata de interrupção ou intercalação sintática. São dois adjuntos 
adverbiais deslocados para o início da oração. Nesse caso, só cabem as vírgulas. 
(5) Certo. O elemento ―disso‖ (linha 7) refere-se, no texto, à ideia de ―o pano de fundo 
de São Bernardo ser os problemas do sertão‖. 
(6) Errado. Em ―...ele (sujeito) se torna (verbo de ligação) um HOMEM rude, bruto e 
violento (predicativo do sujeito)‖, os adjetivos ―rude‖, ―bruto‖ e ―violento‖ são 
adjuntos adnominais (adjetivos) do único núcleo do predicativo do sujeito: 
―homem‖. 
(7) Errado. O trecho ―Para alcançar sua ascensão social, Paulo Honório abre mão de 
sua humanidade. Endurecido pelas dificuldades do meio onde vive, ele se torna um 
homem rude, bruto e violento‖ não admite a seguinte reescritura, sem prejuízo 
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para a correção gramatical e para a coerência textual: ―Com vistas à alcançar 
(acento grave errado) sua ascensão social, Paulo Honório descarta sua 
humanidade e, por estar endurecido pelas dificuldades do meio onde vive, ele se 
transforma em um homem insensível, tosco e grosseiro‖. 
(8) Errado. O vocábulo ―falho‖, em ―Paulo Honório descobre que este método de 
escrita é falho‖, só poderá concordar com o núcleo do sujeito do verbo ―é‖: 
―método‖. 
(9) Certo. Em ―Ao contrário do (= de + aquilo) que (= o qual) se pode imaginar, a 
linguagem utilizada na narrativa não é desconexa nem tosca‖, os vocábulos ―que‖ e 
―linguagem‖ são, respectivamente, núcleos do sujeito das formas verbais ―pode 
imaginar‖ e ―é‖. Substituindo-se o pronome relativo ―que‖ pelo antecedente 
―aquilo‖, obtém-se: ―aquilo se pode imaginar = aquilo pode ser imaginado‖. Assim, 
―aquilo‖ é sujeito de ―pode imaginar‖. Como a palavra que substitui ―aquilo‖ é o 
pronome relativo ―que‖, este é o sujeito. Ademais, não há dúvida de que 
―linguagem‖ é núcleo do sujeito do verbo ―é‖. Faça um gesto positivo, por favor. 
(10) Certo. No fragmento ―Essa visão (substantivo abstrato) de mundo (relação 
completiva) entra em choque (substantivo abstrato) com a de sua esposa (relação 
completiva)‖, os termos destacados desempenham igual função sintática: são 
complementos nominais de seus respectivos substantivos. 
(11) Errado. A substituição do segmento ―Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo 
pela divisão do trabalho‖ (linha 1) por ―Eis que (= Quando) , ao iniciar (= quando 
iniciei) este livro, imaginei construí-lo por intermédio da partição do trabalho‖ não 
manteria a correção gramatical (dupla relação temporal) nem os sentidos originais 
do texto (―Antes de‖ é diferente, semanticamente, de ―Quando‖). 
(12) Certo. O segmento ―em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais‖ 
(objeto indireto oracional) funciona, no período em que se insere, como 
complemento verbal indireto de ―consentiram‖ (verbo transitivo indireto). 
(13) Errado. No terceiro parágrafo, o vocábulo ―Mas‖ (conjunção adversativa) não 
poderia ser substituído por ―Malgrado‖ (conjunção concessiva), o que não mantém, 
portanto, a correção gramatical nem os sentidos do texto. 
(14) Certo. O trecho ―Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de 
agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa‖ admite, sem 
prejuízo para a correção gramatical, a seguinte reescritura: ―Eu traçaria o plano; 
introduziria, na história, rudimentos de agricultura e pecuária; faria as despesas; e 
poria o meu nome na capa‖. O sinal de ponto e vírgula separa orações 
independentes ou coordenadas entre si. O adjunto adverbial de curta extensão ―na 
história‖ pode vir ou não entre vírgulas. 
(15) Errado. Em ―Mas o otimismo levou água na fervura, compreendi que não nos 
entendíamos‖, o pronome átono ―nos‖ pode ser deslocado para depois de ―que‖, 
mas não pode ser deslocado para depois de ―entendíamos‖, já que a conjunção 
integrante ―que‖ e o advérbio ―não‖ são fatores de próclise. 
(16) Certo. Em ―Afastei-o da combinação e concentrei as minhas esperanças em Lúcio 
Gomes de Azevedo Gondim, (que é) periodista de boa índole e que escreve o que 
lhe mandam‖, a estrutura ―que é‖ foi suprimida antes de ―periodista‖, talvez para 
evitar a repetição exaustiva do vocábulo ―que‖. 
(17) Errado. O acento indicativo de crase em ―À tardinha, Azevedo Gondim entregava a 
redação ao Arquimedes‖ deve-se à presença da preposição ―a‖ na locução 
adverbial de tempo e à presença do artigo definido feminino singular antes do 
substantivo ‗tardinha‖. 
(18) Certo. Em ―... trancava a gaveta onde (= na qual) guarda os níqueis e as pratas‖, a 
oração destacada classifica-se em subordinada adjetiva restritiva, introduzida pelo 
pronome relativo ―onde‖. 
(19) Certo. No trecho ―... bebia um copo de conhaque/ que Maria das Dores lhe trazia‖, 
os vocábulos destacados são complementos, respectivamente direto e indireto, da 
forma verbal ―trazia‖. Como o pronome relativo ―que‖ substitui o antecedente ―um 
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copo de conhaque‖, veja o que se obtém na ordem direta: ―Maria das Dores lhe 
(objeto indireto) trazia (v.t.d.i) um copo de conhaque (objeto direto). Entendeu? 
(20) Errado. Na penúltima linha do texto, o sujeito do verbo ―comandava‖ está elíptico e 
tem como referente o termo ―Azevedo Gondim‖. 
 
 
 
PROVA 13 
 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
A dignidade humana é característica inerente a todas as pessoas e tem por 
objetivo colocá-las a salvo de qualquer ato discricionário, seja qual for o agente, e 
protegê-las de ausência de condições mínimasde sobrevivência. É da própria essência 
do ser humano ser dotado dessa condição e qualidade. Estar desprovido desse manto 
protetor destitui o ser humano da capacidade de subsistência e da convivência social. 
Essa é a razão pela qual a dignidade da pessoa humana passa a ser considerada o 
princípio constitucional norteador das demais normas, porque deve ele se sobrepor a 
qualquer outro interesse – seja social ou econômico. 
Apesar de toda essa evolução sistemática dos textos normativos, capazes de 
servirem de abrigo aos direitos fundamentais, com afastamento de qualquer outro que 
intimide o seu pleno exercício, não é possível olvidar-se de que as transformações 
experimentadas pela sociedade, por conta do desenvolvimento industrial e tecnológico, 
bem como as regras do mercado podem abalar sensivelmente a defesa intransigente 
desses princípios constitucionais. 
A evolução do capitalismo e o avanço tecnológico geram a necessidade de criação 
de direitos que possam regrar, de modo harmônico, essa dicotomia, a fim de preservar 
não só o ser humano, mas, também, o próprio sistema, que, se não for regulado, pode 
autodestruir-se. 
Diante dessas considerações, é possível concluir que a ordem constitucional 
brasileira erigiu a dignidade humana como pressuposto fundamental, inafastável e 
norteador de todos os demais diplomas legais. 
Nádia Regina de Carvalho, Revista Âmbito Jurídico, 2015. 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos. 
 
(1) Segundo o texto, a dignidade humana é imanente a todo ser humano, tem como 
escopo protegê-lo e constitui princípio constitucional norteador de todas as demais 
leis. 
(2) Em ―Essa é a razão pela qual a dignidade da pessoa humana passa a ser 
considerada o princípio constitucional norteador das demais normas‖, os termos 
destacados desempenham igual função sintática. 
(3) O terceiro parágrafo abre-se com um adjunto adverbial de concessão deslocado, o 
que justifica o emprego da primeira vírgula. 
(4) No terceiro parágrafo, o verbo ―olvidar-se‖ pode ser substituído por ―duvidar-se‖, 
sem prejuízo para o sentido original do texto. 
(5) Em ―... não é possível olvidar-se de que as transformações (...) podem abalar 
sensivelmente a defesa intransigente desses princípios constitucionais‖, a palavra 
―se‖ tem a função de indeterminar ou generalizar o sujeito. 
(6) No trecho ―A evolução do capitalismo e o avanço tecnológico geram a necessidade 
de criação de direitos‖, o verbo pode ser flexionado na terceira pessoa do singular, 
sem prejuízo para a correção gramatical do texto. 
(7) Em ―... a fim de preservar não só o ser humano, mas, também, o próprio sistema, 
que, se não for regulado, pode autodestruir-se‖, os vocábulos destacados são, 
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autorização do autor. 
respectivamente, do ponto de vista morfológico, pronome relativo, conjunção 
integrante e pronome átono. 
(8) A palavra ―que‖, em ―Diante dessas considerações, é possível concluir que a 
ordem constitucional brasileira erigiu a dignidade humana‖, introduz oração com 
valor de complemento verbal direto de ―é possível‖. 
(9) O trecho ―Diante dessas considerações, é possível concluir que a ordem 
constitucional brasileira erigiu a dignidade humana como pressuposto 
fundamental‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Em face dessas considerações, conclui-se 
que a ordem constitucional brasileira instituiu a dignidade humana como 
pressuposto essencial‖. 
(10) O termo ―como pressuposto fundamental‖, em ―Diante dessas considerações, é 
possível concluir que a ordem constitucional brasileira erigiu a dignidade humana 
como pressuposto fundamental‖, exerce função sintática predicativa. 
 
Texto para os itens de 11 a 17. 
 
A instrumentalização da cidadania e da soberania popular, em uma democracia 
contemporânea, faz-se pelo instituto da representação política. E a transformação da 
soberania popular em representação se dá, em grande parte, por meio da eleição. 
O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade, e não, a 
soma de indivíduos. Jurídica e constitucionalmente, a representação ―representa‖ o povo 
(e não, todos os indivíduos). Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do 
representante se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou 
cláusulas estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão predeterminados 
na Constituição e apenas nela. Estritamente, sequer é possível falar em representação, 
pois não há uma vontade pré-formada. Há a construção de uma vontade, limitada apenas 
aos contornos constitucionais. 
Eneida Desiree Salgado. Princípios constitucionais estruturantes do 
direito eleitoral. Tese de doutoramento. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2010. Internet: <http://dspace.c3sl.ufpr.br> (com adaptações). 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
 
(11) O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. 
(12) O representante representa o indivíduo, ao passo que a representação ―(ou o 
conjunto de representantes)‖ (linhas 7 e 8) representa o povo. 
(13) A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) corresponderia aos anseios da ―soma de 
indivíduos‖ (linhas 4 e 5). 
(14) A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) poderia ser substituída por individual 
sem que houvesse alteração do sentido textual. 
(15) O vocábulo ―Jurídica‖ (linha 5) é, morfologicamente, um adjetivo, com função 
predicativa, que caracteriza o substantivo ―representação‖ (linha 5). 
(16) Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade‖, a 
palavra ―que‖ exerce função sintática de complemento verbal indireto. 
(17) No período ―Há a construção de uma vontade, limitada apenas aos contornos 
constitucionais‖, as formais verbais ―Há‖ (presente do indicativo) e ―limitada‖ 
(particípio) são impessoais. 
 
 Julgue os itens a seguir quanto à correção gramatical. 
 
(18) Importância especial têm os princípios gerais do direito no suprimento das 
chamadas lacunas (se é que as hão) de direito. Ferrara, por exemplo, rechaçava a 
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ideia de lacunas de direito, posto que, a seu sentir, não há lacunas e, sim, defeitos 
da lei. 
(19) Todavia, se se trata de ausência irresgatável da norma, já não se pode falar em 
lacuna até por que (consigne-se o óbvio) não há como suprí-la ou como remediá-la. 
(20) Quanto aos princípios gerais propriamente ditos, há os de domínio comum às 
ordens jurídicas internas e ao direito internacional, é dizer-se, aqueles que são do 
direito das gentes, mais particularmente. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Segundo o texto, a dignidade humana é imanente (= inerente) a todo ser 
humano, tem como escopo (= objetivo) protegê-lo e constitui princípio 
constitucional norteador de todas as demais leis. 
(2) Errado. Em ―Essa é a razão pela qual a dignidade da pessoa humana (a pessoa 
humana tem dignidade/relação subjetiva = adjunto adnominal) passa a ser 
considerada o princípio constitucional norteador das demais normas‖ (que norteia 
as demais normas/ relação completiva = complemento nominal), os termos 
destacados desempenham diferentes funções sintáticas. 
(3) Certo. O terceiro parágrafo abre-secom um adjunto adverbial de concessão 
deslocado, o que justifica o emprego da primeira vírgula: ―Apesar de toda essa 
evolução sistemática dos textos normativos,‖. 
(4) Errado. No terceiro parágrafo, o verbo ―olvidar-se‖ pode ser substituído por 
―esquecer-se‖, sem prejuízo para o sentido original do texto. 
(5) Errado. Em ―... não é possível olvidar-se de que as transformações (...) podem 
abalar sensivelmente a defesa intransigente desses princípios constitucionais‖, a 
palavra ―se‖ tem a função de parte integrante do verbo ou pronome fossilizado. O 
verbo ―olvidar‖ foi empregado em sua forma pronominal. 
(6) Errado. No trecho ―A evolução do capitalismo e o avanço tecnológico geram a 
necessidade de criação de direitos‖, o sujeito composto está anteposto ao verbo, e 
este só pode ser flexionado na terceira pessoa do plural, sem prejuízo para a 
correção gramatical do texto. 
(7) Errado. Em ―... a fim de preservar não só o ser humano, mas, também, o próprio 
sistema, que (= o qual), se (= caso não seja regulado) não for regulado, pode 
autodestruir-se‖, os vocábulos destacados são, respectivamente, do ponto de vista 
morfológico, pronome relativo, conjunção condicional e pronome átono. 
(8) Errado. A palavra ―que‖, em ―Diante dessas considerações, é possível concluir que 
a ordem constitucional brasileira erigiu a dignidade humana‖, introduz oração com 
valor de complemento verbal direto de ―concluir‖. 
(9) Certo. O trecho ―Diante dessas considerações, é possível concluir que a ordem 
constitucional brasileira erigiu a dignidade humana como pressuposto 
fundamental‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Em face dessas considerações, conclui-se 
que a ordem constitucional brasileira instituiu a dignidade humana como 
pressuposto essencial‖. 
(10) Certo. O termo ―como pressuposto fundamental‖, em ―Diante dessas 
considerações, é possível concluir que a ordem constitucional brasileira (sujeito) 
erigiu (v.t.d) a dignidade humana (objeto direto) como pressuposto fundamental 
(predicativo do objeto direto)‖, exerce função sintática predicativa. 
(11) Certo. O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. Releia o 
trecho: ―Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do representante 
se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou cláusulas 
estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão 
predeterminados na Constituição e apenas nela‖. 
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(12) Errado. Segundo o texto, não há vontade individual no processo eleitoral. Em tese, 
o representante representa o povo. 
(13) Errado. A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) não corresponderia aos anseios da 
―soma de indivíduos‖ (linhas 4 e 5), mas aos anseios do povo. 
(14) Errado. A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) corresponde a um complemento 
nominal e, por isso, não poderia ser substituída por individual, visto que haveria 
alteração do sentido textual. 
(15) Errado. ―Jurídica (= Juridicamente) e constitucionalmente‖ tem valor de advérbio 
(morfologicamente) e, portanto, é adjunto adverbial de modo (sintaticamente). 
(16) Certo. Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma 
unidade‖, a estrutura ―a que‖ (preposição + pronome relativo = ao qual) introduz 
oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce função sintática de 
complemento verbal indireto (O.I.) de ―remete‖. Observe: a ideia de soberania 
popular remete ao povo. 
(17) Errado. No período ―Há a construção de uma vontade, limitada apenas aos 
contornos constitucionais‖, a forma verbal ―Há‖ (presente do indicativo) é 
impessoal (verbo ―haver‖ com o sentido de ―existir), mas ―limitada‖ (particípio) é 
pessoal, uma vez que o sujeito está implícito, representado pelo pronome relativo 
implícito ―que‖, o qual retoma ―uma vontade‖: ―que (= a qual) é limitada apenas aos 
contornos constitucionais‖. 
(18) Errado. Correção: Importância especial têm os princípios gerais do direito no 
suprimento das chamadas lacunas (se é que as há) de direito. Ferrara, por 
exemplo, rechaçava a ideia de lacunas de direito, visto que, a seu sentir, não há 
lacunas e, sim, defeitos da lei. ―Posto que‖ é conectivo concessivo, e não causal. 
(19) Errado. Correção: Todavia, se se trata de ausência irresgatável da norma, já não se 
pode falar em lacuna até porque (conjunção causal) (consigne-se o óbvio) não há 
como supri-la (oxítono terminado em ―i‖ não recebe acento) ou como remediá-la. 
(20) Certo. O trecho está gramaticalmente correto. Ressalte-se que ―é dizer-se‖ tem 
valor de ―ou seja‖, ―isto é‖. 
 
 
PROVA 14 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
Eu não quero passar adiante sem contar sumariamente um galante episódio de 
1814, tinha nove anos. 
Napoleão, quando eu nasci, estava já em todo o esplendor da glória e do poder; era 
imperador e granjeara inteiramente a admiração dos homens. Meu pai, que à força de 
persuadir os outros da nossa nobreza acabara persuadindo-se a si próprio, nutria contra 
ele um ódio puramente mental. Era isso motivo de renhidas controvérsias em nossa casa, 
porque meu tio João [militar], não sei se por espírito de classe e simpatia de ofício, 
perdoava no déspota o que admirava no general, meu tio padre era inflexível contra o 
corso; os outros parentes dividiam-se: daí as controvérsias e as rusgas. 
Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão, houve 
naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum chasco ou remoque. [...] 
Figurei nesses dias com um espadim novo, que meu padrinho me dera no dia de Santo 
Antônio; e, francamente, interessava-me mais o espadim do que a queda de Bonaparte. 
Nunca esqueci esse fenômeno. Nunca mais deixei de pensar comigo que o nosso espadim 
é sempre maior que a espada de Napoleão. E notem que eu ouvi muito discurso, quando 
era vivo, li muita página rumorosa de grandes ideias e maiores palavras, mas não sei por 
que, no fundo dos aplausos que me arrancavam da boca, lá ecoava alguma vez este 
conceito de experimentado: 
─ Vai-te embora, tu só cuidas do espadim. 
 
Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas (fragmento). 
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No tocante às estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Os termos ―um galante episódio de 1814‖ (linha 1), ―a admiração dos homens‖(linha 
4) e ―a notícia da primeira queda de Napoleão‖(linha 10) desempenham igual 
função sintática. 
 
(2) No 2º parágrafo, todas as ocorrências do verbo ―era‖ têm função conectiva ou de 
ligação. 
 
(3) O trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão, 
houve naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum chasco ou 
remoque‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ―Quando a notícia da primeira queda de Napoleão chegou 
ao Rio de Janeiro, ocorreu naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas 
nenhuma zombaria ou chacota‖. 
(4) No fragmento ―Figurei nesses dias com um espadim novo, que meu padrinho me 
dera no dia de Santo Antônio‖, o pronome relativo ―que‖ exerce função sintática de 
complemento verbal direto. 
(5) O trecho ―Nunca esqueci esse fenômeno‖ admite a reecritura ―Nunca me esqueci 
desse fenômeno‖, sem que haja prejuízo da correção gramatical e do sentidooriginal. 
(6) No final do terceiro parágrafo o pronome ―este‖ tem função catafórica e 
endofórica. 
(7) No trecho ―Vai-te embora, tu só cuidas do espadim‖, a palavra ―te‖ tem função 
expletiva, e o vocábulo ―tu‖ é sujeito das formas verbais ―Vai‖, de forma elíptica, e 
―cuidas‖, de forma explícita. 
(8) Em ―...no fundo dos aplausos que me arrancavam da boca‖, a palavra ―que‖ é 
sujeito sintático e semântico de ―arrancavam‖. 
(9) No segundo parágrafo, as três ocorrências destacadas da palavra ―se‖ indicam 
reflexivização, respectivamente, dos verbos ―persuadindo‖, ―sei‖ e ―dividiam‖. 
(10) Em ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de Napoleão‖, o termo 
―a notícia da primeira queda de Napoleão‖ exerce função sintática de sujeito, e as 
duas ocorrências da preposição ―de‖ introduzem, respectivamente, um 
complemento nominal e um adjunto adnominal. 
 
Texto para os itens de 11 a 20. 
 
O processo histórico e a dinâmica política têm desdobramentos surpreendentes. A 
velha raposa mineira já alertava que se assemelham às nuvens com suas formas 
cambiantes. Por vezes, são anos a fio de calmaria, quase monotonia. De repente, as 
coisas viram de cabeça para baixo. 
O Brasil vive um impasse agudo. Entre perplexas e preocupadas, as principais 
lideranças políticas e sociais assistem à deterioração do quadro institucional e à falência 
do governo Dilma. A economia brasileira está derretendo. A rejeição ao governo do PT 
transborda nas pesquisas de opinião. A sensação do estelionato eleitoral é generalizada. 
A Lava-Jato põe a nu a corrupção sistêmica e institucionalizada. O governo Dilma não tem 
mais maioria parlamentar. E para culminar, cometeu crimes de responsabilidade 
inequívocos e graves. E não é a oposição quem diz isso, é o Tribunal de Contas da União. 
Estamos rumo ao desfiladeiro. Crescimento negativo. Nove milhões de 
desempregados que poderão chegar a onze milhões ao final de 2016. Inflação acima de 
10%. E o mais grave, crise profunda de confiança e credibilidade. 
A Mesa da Câmara dos Deputados acolheu o requerimento de impeachment 
apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, fundador do PT, e do ex-ministro Miguel Reale Jr. 
Baseado nas pedaladas fiscais, na transgressão repetida da Lei de Responsabilidade 
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Fiscal e na triste realidade revelada pela Lava-Jato, oferece fundamento jurídico para a 
instalação do processo. A presidente Dilma como Ministra da Minas e Energia, presidente 
do Conselho de Administração da Petrobras e coordenadora do PAC estava no olho do 
furacão do escândalo na Petrobras. 
Na última terça-feira, reafirmando a fragilidade do governo, o Plenário da Câmara, 
por 272 votos a 199, elegeu a chapa alternativa pró-impeachment na composição da 
Comissão Processante. O vice-presidente Michel Temer escreveu carta na direção clara 
do rompimento. O ministro do STF Luiz Edson Fachin suspendeu liminarmente qualquer 
passo à frente até o pronunciamento do Supremo, na próxima quarta-feira, sobre o rito do 
processo. Após isso, a Comissão será instalada e o impeachment avançará. 
O PT fala em golpe contra a democracia. Não é. Impeachment é previsto na 
Constituição. É um processo que necessita de consistência jurídica, mas a decisão é 
política. O PT pediu o afastamento de Collor, Itamar e FHC. Agora, mesmo diante do maior 
escândalo da história e dos crimes de responsabilidade, resiste e tenta vender a ideia de 
golpismo. 
O Brasil não pode mais ficar pendurado por um fio na incerteza permanente. A 
realidade pede mudanças. Particularmente preferia uma nova eleição, em que a 
sociedade apontasse o rumo. Mas o impeachment se dará dentro dos marcos 
constitucionais e legais. É preciso reinventar o Brasil. Virar a página. E se há uma semana 
o impeachment de Dilma era improvável, hoje é quase uma certeza. Melhor e menos 
traumático seria se ela renunciasse e negociasse uma agenda de transição. 
Marcus Pestana, colunista. 
 
 No tocante às ideias, à tipologia e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue 
os itens a seguir. 
(11) Conclui-se do texto que, despeito da falência do governo Dilma, este é visto pelo 
Tribunal de Contas da União como responsável por crimes graves e inequívocos, o 
que justifica o pedido de impeachment, previsto pela Constituição Federal. 
(12) No trecho ―A rejeição ao governo do PT transborda nas pesquisas de opinião. A 
sensação do estelionato eleitoral é generalizada‖, há, ao todo, três complementos 
nominais. 
(13) Conforme o texto, os juristas Hélio Bicudo, fundador do PT, e o ex-ministro Miguel 
Reale Jr. basearam-se nas pedaladas fiscais, na transgressão repetida da Lei de 
Responsabilidade Fiscal e realidade revelada pela Lava-Jato para fundamentar 
juridicamente o requerimento que instalou do processo de impeachment. 
(14) Seria mantida a correção gramatical do texto caso a preposição ―em‖ em ―O PT 
fala em golpe contra a democracia‖ fosse substituída por ―sobre‖, ―de‖, ―a cerca 
de‖ ou ―a respeito de‖. 
(15) Em ―Entre perplexas e preocupadas, as principais lideranças políticas e sociais 
assistem à deterioração do quadro institucional e à falência do governo Dilma‖, as 
duas ocorrências do acento grave são opcionais. 
(16) No fragmento ―Agora, mesmo diante do maior escândalo da história e dos crimes 
de responsabilidade, resiste e tenta vender a ideia de golpismo‖, há, ao todo, três 
orações em período misto, ou seja, composto por coordenação e por 
subordinação. 
(17) Em ―Particularmente preferia uma nova eleição, em que a sociedade apontasse o 
rumo‖, a vírgula após ―Particularmente‖ e a preposição ―em‖ são opcionais. 
(18) No trecho ―Mas o impeachment se dará dentro dos marcos constitucionais e legais. 
É preciso reinventar o Brasil. Virar a página. E se há uma semana o impeachment 
de Dilma era improvável, hoje é quase uma certeza. Melhor e menos traumático 
seria se ela renunciasse e negociasse uma agenda de transição‖, as três 
ocorrências destacadas do vocábulo ―se‖ são conjunções condicionais. 
(19) Na linha 1, a forma verbal ―têm‖ concorda com o sujeito composto, cujos núcleos 
são ―processo‖ e ―política‖. 
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(20) Em ―O ministro do STF Luiz Edson Fachin suspendeu liminarmente qualquer passo 
à frente‖, o termo ―Luiz Edson Fachin‖ não pode vir entre vírgulas por se tratar de 
aposto especificativo ou restritivo. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Em ―contar (v.t.d) sumariamente um galante episódio de 1814 (objeto 
direto)‖ (linha 1), ―granjeara (v.t.d) inteiramente a admiração dos homens (objeto 
direto)‖(linha 4) e ―Chegando (v.i.) ao Rio de Janeiro (adjunto adverbial de lugar) a 
notícia da primeira queda de Napoleão (sujeito)‖(linha 10), os termos destacados 
desempenham funções sintáticas diferentes. Veja, também, o comentário do item 
10. 
(2) Certo. No 2º parágrafo, todas as ocorrências do verbo ―era‖ têm função conectiva 
ou de ligação. Vejamos: ―Napoleão (...) era (v.l.) imperador‖ (predicativo do 
sujeito); ―Era (v.l.) isso (sujeito) motivo de renhidas controvérsias‖ (predicativo do 
sujeito); ―... meu tio padre (sujeito) era (v.l.) inflexível (predicativo do sujeito). 
Entendeu? 
(3) Certo. O trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda de 
Napoleão, houve naturalmente um grande abalo em nossa casa, mas nenhum 
chasco ou remoque‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual: ―Quando a notícia da primeira queda de 
Napoleão chegou ao Rio de Janeiro,ocorreu naturalmente um grande abalo em 
nossa casa, mas nenhuma zombaria ou chacota‖. Essa questão testa, também, o 
seu vocabulário. 
(4) Certo. Observe: ―Figurei nesses dias com um espadim novo, / que (= o qual = um 
espadim novo) meu padrinho me dera no dia de Santo Antônio‖. Agora, veja a 
ordem direta: ... meu padrinho (sujeito) me (= a mim/objeto indireto) dera (v.t.d.i) 
um espadim novo (objeto direto)...‖. Portanto, o pronome relativo ―que‖ exerce 
função sintática de complemento verbal direto (objeto direto). 
(5) Certo. O trecho ―Nunca esqueci (não pronominal = v.t.d) esse fenômeno (objeto 
direto)‖ admite a reecritura ―Nunca me esqueci (pronominal = v.t.i) desse fenômeno 
(objeto indireto)‖, sem que haja prejuízo da correção gramatical e do sentido 
original. 
(6) Certo. Em ―... lá ecoava alguma vez este conceito de experimentado: ─ Vai-te 
embora, tu só cuidas do espadim‖, o pronome ―este‖ faz referência a algo a ser 
mencionado (catafórico) dentro do texto (endofórico). 
(7) Certo. No trecho ―Vai-te embora, tu só cuidas do espadim‖, a palavra ―te‖ tem 
função expletiva (―Vai tu embora‖), e o vocábulo ―tu‖ é sujeito das formas verbais 
―Vai‖, de forma elíptica, e ―cuidas‖, de forma explícita. 
(8) Errado. Em ―...no fundo dos aplausos / que (= os quais/ os aplausos) me 
arrancavam da boca‖, a palavra ―que‖ é objeto direto sintático e semântico de 
―arrancavam‖. Veja a ordem direta: ―... arrancavam (v.t.d) os aplausos (objeto 
direto) da minha boca (adjunto adverbial de lugar). Um gesto positivo, por favor! 
(9) Errado. Em ―persuadindo-se a si próprio‖, a palavra ―se‖ é objeto direto reflexivo; 
em ―não sei se (...) perdoava (...) o que admirava‖, a palavra ―se‖ é conjunção 
integrante; e em ―os outros parentes dividiam-se‖, a palavra ―se‖ é parte 
integrante do verbo ―dividir-se‖. 
(10) Certo. Observe o trecho ―Chegando ao Rio de Janeiro a notícia da primeira queda 
de Napoleão‖ na forma desenvolvida e na ordem direta: ―Quando a notícia da 
primeira queda de Napoleão (sujeito) chegou (verbo intransitivo) ao Rio de Janeiro 
(adjunto adverbial de lugar)‖. No termo ―a notícia (abstrato e cognato de verbo = 
noticiar a primeira queda de Napoleão = relação completiva) da primeira queda (= 
abstrato e remete a ―cair‖ = Napoleão caiu = relação subjetiva) de Napoleão‖, as 
duas ocorrências da preposição ―de‖ introduzem, respectivamente, um 
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complemento nominal (= relação completiva) e um adjunto adnominal (= relação 
subjetiva). Difícil? Não! 
 
(11) Errado. Lembre-se de que ―a despeito de‖ significa ―apesar de‖, com valor 
concessivo. O conectivo mais adequado para a situação textual é ―além de‖. 
Ademais, o pedido de impeachment, previsto pela Constituição Federal, apresenta 
outras justificativas. 
(12) Errado. Observe: ―A rejeição ao governo (C.N. = rejeitar o governo/relação 
completiva) do PT (A.A. = petista) transborda nas pesquisas de opinião (A.A. = 
opinativas). A sensação do estelionato eleitoral (C.N. = sentir o estelionato 
eleitoral/relação completiva) é generalizada‖, há, ao todo, dois complementos 
nominais. 
(13) Certo. Conforme o texto, os juristas Hélio Bicudo, fundador do PT, e o ex-ministro 
Miguel Reale Jr. basearam-se nas pedaladas fiscais, na transgressão repetida da 
Lei de Responsabilidade Fiscal e realidade revelada pela Lava-Jato para 
fundamentar juridicamente o requerimento que instalou o processo de 
impeachment. 
(14) Errado. Seria mantida a correção gramatical do texto caso a preposição ―em‖ em 
―O PT fala em golpe contra a democracia‖ fosse substituída por ―sobre‖, ―de‖, 
―acerca de‖ ou ―a respeito de‖. 
(15) Errado. Em ―Entre perplexas e preocupadas, as principais lideranças políticas e 
sociais assistem (= ver, presenciar = v.t.i. que exige a preposição ―a‖) à 
deterioração do quadro institucional e à falência do governo Dilma‖, as duas 
ocorrências do acento grave são obrigatórias (―deterioração‖ e ―falência‖ 
substantivos femininos particularizados que exigem o artigo ―a‖). 
(16) Certo. No fragmento ―Agora, mesmo diante do maior escândalo da história e dos 
crimes de responsabilidade, resiste (oração coordenada assindética) /e tenta 
(oração coordenada sindética aditiva com v.t.d.) /vender a ideia de golpismo 
(oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo)‖, há, ao 
todo, três orações em período misto, ou seja, composto por coordenação e por 
subordinação. 
(17) Errado. Em ―Particularmente preferia uma nova eleição, em que (= na qual) a 
sociedade apontasse o rumo‖, a vírgula após ―Particularmente‖ é opcional, mas a 
preposição ―em‖ é obrigatória para a caracterização do adjunto adverbial: ―...a 
sociedade apontasse o rumo em uma nova eleição‖. 
(18) Errado. No trecho ―Mas o impeachment se dará (= será dado/ se = partícula 
apassivadora) dentro dos marcos constitucionais e legais. É preciso reinventar o 
Brasil. Virar a página. E se (= conjunção condicional) há uma semana o 
impeachment de Dilma era improvável, hoje é quase uma certeza. Melhor e menos 
traumático seria se (= conjunção integrante) ela renunciasse e negociasse uma 
agenda de transição‖, as três ocorrências destacadas do vocábulo ―se‖ são 
conjunções condicionais. 
(19) Errado. Na linha 1, a forma verbal ―têm‖ concorda com o sujeito composto, cujos 
núcleos são ―processo‖ e ―dinâmica‖. 
(20) Certo. Em ―O ministro do STF Luiz Edson Fachin suspendeu liminarmente qualquer 
passo à frente‖, o termo ―Luiz Edson Fachin‖ não pode vir entre vírgulas por se 
tratar de aposto especificativo ou restritivo. Há vários ministros do STF, mas cita-
se especificamente Luiz Edson Fachin. 
 
PROVA 15 
 
Texto para os itens de 1 a 8 
 
A discussão acerca da influência do pensamento econômico na teoria moderna é 
aparentemente uma discussão metateórica, ou seja, de caráter metodológico. Mas, na 
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ciência econômica, como de resto nas ciências sociais em geral, não há consenso sobre 
a forma de evolução dos paradigmas. Contrariamente ao que, em regra, acontece no 
mundo das ciências naturais, há aqui dúvidas a respeito de se o conhecimento mais 
recente é necessariamente o melhor, o mais verdadeiro, ou seja, aquele que incorporou 
produtivamente os desenvolvimentos teóricos até então existentes, tendo deixado de lado 
aqueles que não se mostraram adequados a seu objeto. 
O economista Pérsio Arida tratou desse problema em um texto que se tornou 
clássico muito antes de ser publicado. Afirma ali que o aprendizado da teoria econômica 
tem sido efetuado de acordo com dois modelos distintos: o que ele chama de hard 
science, que ignora a história do pensamento e segundo o qual o estudante deve 
familiarizar-se de imediato com o estágio atual da teoria, e o que ele chama de soft 
science, que considera que o estudante deve conhecer bem, e, se possível, dominar, os 
clássicos do passado, mesmo que em prejuízo de sua familiaridade com os 
desenvolvimentos mais recentes. Acrescenta a esse enquadramento que, por trás do 
modelo hard science, está a ideia de uma ―fronteira do conhecimento‖: o estudante não 
precisaria perder tempo com antigos pensadores, porque todas as suas eventuais 
contribuições já estariam incorporadas ao estado atual da teoria. De outro lado, 
subjacente à visão do modelo soft science, estaria a ideia de que o conhecimento está 
disperso historicamente, ensejando a necessidade de os estudantes se dedicarem a 
esses pensadores. 
Leda Maria Paulani. Internet: (com adaptações). 
 
Acerca dasideias e dos aspectos lingüísticos do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) O texto constitui uma argumentação em defesa de determinada linha de pesquisa 
dentro das ciências econômicas. 
(2) Pela leitura do texto, depreende-se que a hard science e a soft science 
correlacionam-se, respectivamente, às ciências naturais e às ciências humanas. 
(3) Infere-se do texto que o conhecimento recente da área econômica pode não ser, 
necessariamente, o que incorporou as melhores facetas do conhecimento 
historicamente desenvolvido. 
(4) O primeiro parágrafo do texto apresenta três ocorrências de pronome relativo e 
uma ocorrência de conjunção integrante. 
 
A autora defende que, na economia e nas ciências sociais em geral, não há 
consenso sobre a verdadeira qualidade da informação teórica incorporada ao 
conhecimento recente na área. Tal afirmação pode ser inferida da leitura do primeiro 
parágrafo. 
 
Cada um dos itens de 5 a 8 apresenta uma proposta de reescrita dessa asserção, 
devendo ser julgado certo se mantiver, com correção gramatical, o sentido dessa 
assertiva, ou errado, em caso contrário. 
 
(5) Não existem, segundo a autora, uniformidade de opiniões, nas ciências sociais, às 
quais se englobariam a ciência econômica, quanto à verdadeira qualidade da 
informação teórica incorporada ao conhecimento recente na área. 
(6) A autora defende não haver consenso na ciência econômica, a exemplo do que 
ocorre nas demais ciências sociais, a respeito da verdadeira qualidade da informação 
incorporada ao conhecimento recente na área. 
(7) Quanto ao consenso nas ciências sociais sobre a verdadeira qualidade da 
informação teórica incorporada para o conhecimento recente em ciência econômica, 
a autora defende que não há. 
(8) A respeito da qualidade real da informação teórica juntada ao conhecimento 
recente na área, a autora defende não haver consenso seja na ciência econômica, seja 
nas demais ciências sociais. 
 
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Texto para os itens de 9 a 20 
 
Frederick August von Hayek concebe o indivíduo como uma singularidade e o 
conhecimento como algo subjetivamente determinado, particular e intransferível. Esse 
conhecimento, portanto, não está, para Hayek, fundamentado nem em fatos objetivos, 
que a teoria pudesse captar, nem em uma sorte qualquer de razão transcendental. 
Mas, além de seus propósitos particulares e do conhecimento subjetivo que cada um 
possui do mundo, a ação humana é, para Hayek, constituída também por regras, que 
os homens seguem meio inquestionadamente, por um processo de imitação. Essas 
regras, por sua vez, não são postuladas, não são produtos de um suposto contrato 
original resultante da ação intencional de indivíduos autocentrados, não podendo, 
pois, ser reduzidas às ações de indivíduos racionais, como rezam os preceitos 
metodológicos por trás da rational choice (escolha racional). Ora, o que Hayek está 
então sugerindo é que nem toda ação humana é produto de indivíduos racionais, 
autônomos e independentes, autodeterminados e soberanos, tal como requer a teoria 
econômica moderna. Ao contrário, as ações humanas são fortemente dependentes de 
um processo que é social e socialmente determinado. Afirma, por isso, que, em uma 
sociedade complexa como a nossa, o homem não tem outra escolha a não ser se 
adaptar às forças cegas do processo social. E, em função de tudo isso, afirma que, 
palavras dele, ―a desgraça do mecanismo de mercado é dupla, porque, por um lado, 
ele não é produto do desígnio humano e, por outro, as pessoas que são guiadas por 
ele normalmente não sabem por que são levadas a fazer o que fazem‖. 
Idem, ibidem. 
 
Com referência às ideias, à tipologia e aos aspectos gramaticais do texto, julgue os 
itens subsequentes. 
(9) O texto, por apresentar a síntese do pensamento de von Hayek, é 
predominantemente descritivo. 
(10) Embora esteja empregada de modo correto, a palavra ―rezam‖ (linha 10) poderia 
ser substituída, sem prejuízo para o sentido e a correção gramatical do texto, por 
ditam ou por estabelecem. 
(11) Ao afirmar, no último período do texto, que as pessoas guiadas pelo mercado 
‗normalmente não sabem por que são levadas a fazer o que fazem‘, von Hayek retoma 
a ideia de que as ações humanas dependem de um processo social socialmente 
determinado. 
(12) Em ―Frederick August von Hayek concebe o indivíduo como uma singularidade e o 
conhecimento como algo subjetivamente determinado, particular e intransferível‖, os 
termos destacados exercem função predicativa em relação aos respectivos núcleos 
do complemento verbal. 
(13) O último período do texto admite, também, a seguinte pontuação, sem prejuízo 
para a correção gramatical e os sentidos do texto: E, em função de tudo isso, afirma 
que ─ palavras dele ─ ―a desgraça do mecanismo de mercado é dupla porque, por um 
lado, ele não é produto do desígnio humano, e por outro, as pessoas que são guiadas 
por ele normalmente não sabem por que são levadas a fazer o que fazem‖. 
(14) Em ―Afirma, por isso, que, em uma sociedade complexa como a nossa, o homem 
não tem outra escolha a não ser se adaptar às forças cegas do processo social‖, o 
vocábulo ―que‖ corresponde, na estrutura fraseológica, interrupção de curta 
extensão; por isso, as vírgulas que o isolam podem ser eliminadas sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual. 
(15) Em ―... o homem não tem outra escolha a não ser se adaptar às forças cegas do 
processo social‖, o acento grave é facultativo, uma vez que o verbo ―se adaptar‖, não 
necessariamente pronominal, apresenta dupla possibilidade de regência em nossa 
língua. 
(16) As palavras ―intransferível‖, ―inquestionadamente‖ e ―indivíduos‖ possuem em 
sua estrutura elementos que indicam negação. 
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(17) Em ―... a ação humana é, para Hayek, constituída também por regras...‖, a 
substituição da preposição ―por‖ pela preposição ―de‖ manteria a passividade da 
construção. 
(18) No trecho ―as ações humanas são fortemente dependentes de um processo que é 
social e socialmente determinado‖, o vocábulo ―que‖ é pronome relativo e exerce 
função sintática de sujeito. 
(19) Ainda com relação ao trecho ―as ações humanas são fortemente dependentes de 
um processo que é social e socialmente determinado‖, o substantivo ―processo‖ é 
caracterizado por duas orações subordinadas adjetivas coordenadas entre si, em que 
a primeira é desenvolvida, e a segunda é reduzida de particípio. 
(20) O trecho ―... ensejando a necessidade de os estudantes se dedicarem a esses 
pensadores‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ―... ensejando a precisão dos estudantes dedicarem-se a 
esses pensadores‖. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. O texto constitui uma argumentação em defesa de dupla linha de 
pensamento dentro do aprendizado das ciências econômicas, por estas 
evidenciarem falta de consenso ou dúvidas. 
(2) Errado. Pela leitura do texto, depreende-se que tanto a hard science ─ ignora a 
história ─ quanto a soft science ─ não ignora a história ─ são dois modelos de 
aprendizado da teoria econômica que se opõem e correlacionam-se às ciências 
humanas ou sociais, das quais a economia faz parte. As dúvidas ou a falta de 
consenso são próprias das ciências humanas, e não das ciências naturais 
(―Contrariamente ao que, em regra, acontece no mundo das ciências naturais...). 
Quer dizer: no mundo das ciências naturais não há, em regra, dúvidas ou falta de 
consenso,mas, no mundo das ciências humanas ou sociais, há. Os modelos 
econômicos hard science e soft science evidenciam isso. Um gesto positivo, por 
favor! 
(3) Certo. Infere-se, de fato, do texto que o conhecimento recente da área econômica 
pode não ser, necessariamente, o que incorporou as melhores facetas do 
conhecimento historicamente desenvolvido. Os indícios para essa inferência estão 
no seguinte trecho: ―Acrescenta a esse enquadramento que, por trás do modelo 
hard science, está a ideia de uma ―fronteira do conhecimento‖: o estudante não 
precisaria perder tempo com antigos pensadores, porque todas as suas eventuais 
contribuições já estariam incorporadas ao estado atual da teoria‖. 
(4) Certo. O primeiro parágrafo do texto apresenta três ocorrências de pronome 
relativo e uma ocorrência de conjunção integrante: ―Contrariamente ao (àquilo) 
que (= o qual/pronome relativo), em regra, acontece no mundo das ciências 
naturais, há aqui dúvidas a respeito de se (=conjunção integrante/Use o mecanismo 
de substituição: ... dúvida a respeito disto ...) o conhecimento mais recente é 
necessariamente o melhor, o mais verdadeiro, ou seja, aquele que (=o 
qual/pronome relativo) incorporou produtivamente os desenvolvimentos teóricos 
até então existentes, tendo deixado de lado aqueles que (= os quais/ pronome 
relativo) não se mostraram adequados a seu objeto. 
(5) Errado. Não existe, segundo a autora, uniformidade de opiniões, nas ciências 
sociais, às quais se englobariam a ciência econômica, quanto à verdadeira 
qualidade da informação teórica incorporada ao conhecimento recente na área 
(trecho confuso). 
(6) Certo. A autora defende não haver consenso na ciência econômica, a exemplo do 
que (= daquilo que) ocorre nas demais ciências sociais, a respeito da verdadeira 
qualidade da informação incorporada ao conhecimento recente na área. 
(7) Errado. Quanto ao consenso nas ciências sociais sobre a verdadeira qualidade da 
informação teórica incorporada para o conhecimento recente em ciência 
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econômica, a autora defende que não há. (Trecho ambíguo: não há consenso, 
informação ou conhecimento?) 
(8) Certo. A respeito da qualidade real da informação teórica juntada ao (= 
incorporada ao) conhecimento recente na área, a autora defende não haver 
consenso seja na ciência econômica, seja nas demais ciências sociais. 
(9) Errado. O texto é predominantemente dissertativo. Expõem-se ideias a respeito do 
pensamneto de Frederick August von Hayek. 
(10) Certo. Embora esteja empregada de modo correto, a palavra ―rezam‖ (linha 10) 
poderia ser substituída, sem prejuízo para o sentido e a correção gramatical do 
texto, por ditam ou por estabelecem. 
(11) Certo. Ao afirmar, no último período do texto, que as pessoas guiadas pelo 
mercado ‗normalmente não sabem por que são levadas a fazer o que fazem‘ , von 
Hayek retoma, claramente, a ideia de que as ações humanas dependem de um 
processo social socialmente determinado. 
(12) Certo. Em ―Frederick August von Hayek concebe (v.t.d) o indivíduo (objeto direto / 
1º núcleo) (concebe-o) como uma singularidade (predicativo do objeto) e o 
conhecimento (objeto direto / 2º. núcleo) (concebe-o) como algo subjetivamente 
determinado, particular e intransferível (predicativo do objeto) ‖, os termos 
destacados exercem função predicativa em relação aos respectivos núcleos do 
complemento verbal. Entendeu? 
(13) Errado. Os travessões estão bem empregados na interrupção ou intercalação. 
Contudo, a interrupção ― por um lado‖ é paralela a ―por outro‖ e não ―e por outro‖. 
(14) Errado. Em ―Afirma, por isso, que, em uma sociedade complexa como a nossa, o 
homem não tem outra escolha a não ser se adaptar às forças cegas do processo 
social‖, há interrupção antes da conjunção integrante ―que‖ e depois dela. Por isso, 
ela está entre vírgulas. 
(15) Errado. Em ―... o homem não tem outra escolha a não ser se adaptar às forças 
cegas do processo social‖, o acento grave é obrigatório, uma vez que o verbo ―se 
adaptar‖, empregado em sua forma pronominal, apresenta regência transitiva 
indireta e exige a preposição ―a‖. O núcleo do objeto indireto, ―forças‖, veio 
precedido do artigo ―as‖. Assim, a crase ou fusão é obrigatória. 
(16) Certo. As palavras ―intransferível‖ (que não se transfere), ―inquestionadamente‖ 
(de modo que não se questiona) e ―indivíduos‖ (que não se dividem) possuem em 
sua estrutura elementos que indicam negação. 
(17) Certo. Em ―... a ação humana é, para Hayek, constituída também por regras...‖, a 
substituição da preposição ―por‖ pela preposição ―de‖ manteria a passividade da 
construção. Trata-se de um dos poucos casos em que, na voz passiva analítica, o 
agente da passiva admite as preposições ―por‖ e ―de‖, como em ―Ele está cercado 
por (ou ―de‖) curiosos‖. 
(18) Certo. No trecho ―as ações humanas são fortemente dependentes de um processo/ 
que (= o qual/ retoma ―um processo‖) é social e socialmente determinado‖, o 
vocábulo ―que‖ é pronome relativo e exerce função sintática de sujeito do verbo 
―é‖: ―um processo é social e socialmente determinado‖. 
(19) Certo. Ainda com relação ao trecho ―as ações humanas são fortemente 
dependentes de um processo /que é social/ e /(que é) socialmente determinado‖, o 
substantivo ―processo‖ é caracterizado por duas orações subordinadas adjetivas 
coordenadas entre si, em que a primeira é desenvolvida (observe que o pronome 
relativo ―que‖ está explícito‖, e a segunda é reduzida de particípio (observe que o 
pronome relativo ―que‖ está implícito, e a forma verbal ―determinado‖ está no 
particípio). Ambas as orações estão unidas pela conjunção coordenativa ―e‖. 
(20) Errado: Em ―... ensejando a precisão dos estudantes dedicarem-se a esses 
pensadores‖, o sujeito de ―dedicarem-se‖ está preposicionado, o que contraria o 
padrão culto da linguagem. 
 
 
 
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PROVA 16 
 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
O cenário adverso da crise internacional, que se arrasta há meses, foi o motivo 
para o Banco Central, mais uma vez, baixar a taxa de juros básica da economia, apesar da 
alta da inflação doméstica, que bateu em 7,31% em setembro, conforme o Índice de 
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses. Pela segunda vez 
consecutiva, agora por unanimidade, os membros do Comitê de Política Monetária 
(Copom) cortaram em 0,50 ponto percentual a taxa Selic, que caiu para 11,50% ao ano. 
Em nota, o Copom justificou a medida como uma forma de, ―tempestivamente, 
mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo‖. O comitê entende que 
―um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de 
convergência da inflação para a meta (de 4,5%) em 2012‖. Faltando apenas mais uma 
reunião para fechar o ano, o mercado coloca suas fichas em mais uma redução da taxa, 
na mesma proporção. 
 Ao contrário do que ocorreu em agosto, quando a redução da Selic surpreendeu o 
mercado financeiro, desta vez as apostas majoritárias estavam em linha com a decisão 
tomada pelo colegiado. A maioria dos analistas previa uma queda de 0,50 ponto. Dessa 
maioria, destoavam os economistas do Itaú, que acreditavam em queda de 0,75 ponto 
percentual, e do RBS, que esperavam uma freada mais brusca, com a taxa recuando um 
ponto de porcentagem. 
 Os economistas são unânimes em apontar o agravamento da crise externa como a 
razão da queda. ―Só a desaceleração doméstica não ajuda a trazer a inflação para o 
centroda meta‖, disse o economista-chefe do Sul América Investimento, Newton Rosa. 
Para ele, ao reduzir os juros depois de mantê-los em alta até agosto, o BC está se 
antecipando a piora do quadro internacional. 
(Correio Braziliense, com adaptações.) 
 
(1) Segundo o texto, a causa de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa 
Selic é a mitigação dos efeitos oriundos de ambiente global mais restritivo. 
(2) Na linha 2, a forma ―apesar da‖ pode ser substituída por ―apesar da‖ ou ―malgrado 
a‖, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(3) Se as vírgulas presentes na linha 4 forem substituídas por duplo travessão, haverá 
transgressão à norma culta da língua portuguesa. 
(4) O trecho ―A maioria dos analistas previa uma queda de 0,50 ponto‖ admite que o 
verbo seja flexionado no plural, sem que haja desrespeito ao padrão culto da 
linguagem. 
(5) O primeiro período do quarto parágrafo apresenta oração principal seguida de 
oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida. 
(6) A substituição da forma ―ao‖ por ―a‖ em ―Para ele, ao reduzir os juros depois de 
mantê-los em alta até agosto, o BC está se antecipando‖ não mantém as relações 
sintático-semânticas. 
(7) O último período do texto apresenta erro quanto à ausência do acento grave. 
(8) Ainda no que concerne ao último período do texto, a palavra ―se‖ indica o emprego 
do verbo em sua forma pronominal. 
(9) Narrado em terceira pessoa, o texto, quanto à tipologia, constitui um ensaio crítico 
com conteúdo técnico. 
(10) No trecho ―Ao contrário do que ocorreu em agosto, quando a redução da Selic 
surpreendeu o mercado financeiro, desta vez as apostas majoritárias estavam em 
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linha com a decisão tomada pelo colegiado‖, há sete ocorrências de artigo 
definido. 
 
TEXTO II 
 
Monteiro Lobato, ao afirmar que "um país se faz com homens e livros", por certo 
indicou o caminho das pedras àqueles que, descuidadamente, promovem a história sem a 
preocupação de seu registro e que, por consequência, legam ao pó do esquecimento tudo 
o que foi feito – certo ou errado – ou deixado de fazer. Os homens fazem a história. Os 
livros registram a história. Sem estes, os exemplos do passado, os conhecimentos 
técnicos e científicos armazenados, o testemunho e as provas colhidas não seriam 
repassados às gerações futuras, o que comprometeria a chamada evolução. 
 
 Julgue os itens com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto. 
 
(11) De acordo com o autor do texto, os homens são imprescindíveis à difusão da 
chamada evolução, por repassarem às gerações consequentes seus 
conhecimentos e testemunhos acerca do passado. 
(12) Se os travessões (linha 3) forem substituídos por vírgulas, o período permanecerá 
gramaticalmente correto. 
(13) É uma opção gramaticalmente correta unir o segundo e o terceiro períodos, 
substituindo-se o sinal de ponto final por ponto e vírgula antes de ―Os livros‖ (linha 
4), com mudança da inicial maiúscula para minúscula. 
(14) O fato de a forma verbal ―repassados‖ (linha 6) estar no masculino comprova o fato 
de que predomina o masculino genérico quando o antecedente é constituído de 
elementos dos dois gêneros. 
(15) O emprego do sinal indicativo de crase em ―àqueles‖ (linha 2) é exigido pela 
regência do verbo ―indicou‖. 
 
TEXTO III 
 
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná tem uma história a contar. São mais de 
50 anos de fiscalização perene da coisa pública, cujos princípios foram pinçados da 
própria história das Cortes de Contas de todo o mundo. Das contribuições gregas e 
romanas ao modelo canadense de auditoria moderna, do Tribunal Imperial do Brasil de 
1824 ao Tribunal de Contas de 1890, do insigne paranaense Manoel Francisco Correia, 
filho de Paranaguá e primeiro Presidente do Tribunal de Contas da União, aos ilustres 
pares que hoje conduzem essa casa, tudo contribuiu para o desenvolvimento de um órgão 
de fiscalização eficiente e dinâmico – dado o constante aperfeiçoamento das ações – , e 
para a solidificação institucional de um colegiado independente e atuante, como o 
Tribunal de Contas paranaense. E, dentro de sua competência, o Tribunal de Contas tem 
buscado na informação, por intermédio dos mais diferenciados meios de comunicação, a 
formação de sua história, na luta incessante e implacável contra a corrupção e o mal uso 
do dinheiro público. 
 
Com base no texto, julgue os itens a seguir. 
 
(16) Preservam-se as relações semânticas originais do texto se o termo ―a contar‖ 
(linha 1) for substituído por qualquer das opções a seguir: a ser contada, para 
contar, de quem contar. 
(17) O emprego do pronome relativo ―cujos‖ (linha 2) indica que ―princípios‖ refere-se a 
―coisa pública‖. 
(18) No último período do texto, não há erro gramatical. 
(19) Em ―... na luta incessante e implacável contra a corrupção e o (...) uso do dinheiro 
público...‖, registraram-se dois complementos nominais. 
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(20) O uso da palavra ―tudo‖ (linha 6) é recurso coesivo anafórico que retoma, de forma 
sintética, as informações anteriores, exigindo a concordância do verbo ―contribuir‖ 
no singular. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. Releia o trecho: ―Pela segunda vez consecutiva, agora por unanimidade, os 
membros do Comitê de Política Monetária (Copom) cortaram em 0,50 ponto 
percentual a taxa Selic, que caiu para 11,50% ao ano. Em nota, o Copom justificou 
a medida (= a medida tem como causa) como uma forma de, ―tempestivamente, 
mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo‖. 
(2) Certo. A locução prepositiva (―apesar de‖) seguida de artigo (―a‖), com valor 
concessivo, pode ser substituída por ―malgrado a‖, ―em que pese à‖ ou ―a despeito 
da‖, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(3) Certo. O trecho ―Pela segunda vez consecutiva, agora por unanimidade,‖ 
corresponde ao deslocamento de adjuntos adverbiais para o início do período. 
Não se trata, portanto, de interrupção ou intercalação. Assim, as duas vírgulas são 
obrigatórias e, se substituídas por duplo travessão, haverá transgressão à norma 
culta da língua portuguesa. 
(4) Certo. O trecho ―A maioria dos analistas previa uma queda de 0,50 ponto‖, que 
apresenta sujeito representado por núcleo partitivo, admite que o verbo seja 
flexionado no plural (―previam‖), sem que haja desrespeito ao padrão culto da 
linguagem. Nesse caso, pode-se estabelecer concordância, também, com o termo 
mais próximo (―analistas‖). 
(5) Certo. No trecho ―Os economistas são unânimes em apontar o agravamento da 
crise externa como a razão da queda‖, o adjetivo ―unânimes‖ exige a oração 
destacada como subordinada substantiva completiva nominal reduzida de 
infinitivo. 
(6) Certo. A substituição da forma ―ao‖ por ―a‖ em ―Para ele, ao reduzir os juros depois 
de mantê-los em alta até agosto, o BC está se antecipando‖ não mantém as 
relações sintático-semânticas. Em ―ao reduzir‖, está implícita a forma ―quando 
reduziu‖ (valor temporal). Em ―a reduzir‖, está implícita a forma ―se reduzir‖ (valor 
condicional). 
(7) Certo. Em ―o BC está se antecipando à piora do quadro internacional‖, a 
preposição ―a‖, exigida por ―se antecipando‖ se funde ao artigo ―a‖, que 
acompanha o substantivo feminino singular ―piora‖. 
(8) Certo. A palavra ―se‖ indica o emprego do verbo em sua forma pronominal: 
―antecipar-se‖. 
(9) Errado. O texto não constitui uma narração tampouco um ensaio crítico com 
conteúdo técnico. Trata-sede texto jornalístico, com base dissertativo-expositiva. 
(10) Certo. No trecho ―Ao contrário do que ocorreu em agosto, quando a redução da 
Selic surpreendeu o mercado financeiro, desta vez as apostas majoritárias 
estavam em linha com a decisão tomada pelo colegiado‖, há sete ocorrências de 
artigo definido (destacadas). Lembre-se de que, em ―do‖, há preposição (―de‖) + 
pronome demonstrativo (―o‖ = ―aquilo‖). 
(11) Errado. De acordo com o autor do texto, os livros são imprescindíveis à difusão da 
chamada evolução, por repassarem às gerações consequentes seus 
conhecimentos e testemunhos acerca do passado. Observe que o pronome ―estes‖ 
(linha 4) tem função anafórica e retoma, por coesão, ―Os livros‖, e não ―Os 
homens‖. 
(12) Certo. Se os travessões (linha 3) forem substituídos por vírgulas, o período 
permanecerá gramaticalmente correto, pois, agora sim, estamos diante de uma 
interrupção ou intercalação. 
(13) Certo. Como se trata de duas orações coordenadas ou independentes 
sintaticamente, é uma opção gramaticalmente correta unir o segundo e o terceiro 
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períodos, substituindo-se o sinal de ponto final por ponto e vírgula antes de ―Os 
livros‖ (linha 4), com mudança da inicial maiúscula para minúscula. 
(14) Certo. O fato de a forma verbal ―repassados‖ (linha 6) estar no masculino comprova 
o fato de que predomina o masculino genérico quando o antecedente é constituído 
de elementos dos dois gêneros: ―os exemplos‖, ―os conhecimentos‖, ―o 
testemunho‖ (núcleos masculinos) e ―as provas‖ (núcleo feminino). 
(15) Certo. O emprego do sinal indicativo de crase em ―àqueles‖ (linha 2) é exigido pela 
regência do verbo ―indicou‖, já que se trata de verbo transitivo direto e indireto: 
indicar algo a alguém. 
(16) Errado. Não se preservam as relações semânticas originais do texto se o termo ―a 
contar‖ (linha 1) for substituído por ―de quem contar‖. 
(17) Errado. O emprego do pronome relativo ―cujos‖ (linha 2) indica que ―princípios‖ 
refere-se a ―fiscalização perene da coisa pública‖. 
(18) Errado. Há erro gramatical: ―mau uso‖ (―mau‖ = adjetivo). 
(19) Certo. Em ―... na luta incessante e implacável contra a corrupção e o (...) uso do 
dinheiro público...‖, os termos destacados são, respectivamente, complementos 
nominais dos substantivos ―luta‖ (abstrato, cognato do verbo ―lutar‖) e ―uso‖ 
(também abstrato, cognato do verbo ―usar‖). 
(20) Certo. O uso da palavra ―tudo‖ (linha 6) é recurso coesivo anafórico que retoma, de 
forma sintética, as informações anteriores (―Das contribuições gregas e romanas 
ao modelo canadense de auditoria moderna, do Tribunal Imperial do Brasil de 1824 
ao Tribunal de Contas de 1890, do insigne paranaense Manoel Francisco Correia, 
filho de Paranaguá e primeiro Presidente do Tribunal de Contas da União, aos 
ilustres pares que hoje conduzem essa casa‖), exigindo a concordância do verbo 
―contribuir‖ no singular. 
 
 
PROVA 17 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
A separação não nos esfriou. Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre 
mim e Capitu. Desde que a viu, animou-me muito no nosso amor. As relações que travou 
com o pai de Sancha estreitaram as que já trazia com Capitu, e fê-lo servir a ambos nós, 
como amigo. A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo, preferia José Dias, mas José Dias 
repugnava-me por um resto de respeito de criança. Venceu Escobar. Capitu entregou-lhe 
a primeira carta, que foi mãe e avó das outras. Nem depois de casado suspendeu ele o 
obséquio... Que ele casou, —adivinha com quem— casou com a boa Sancha, a amiga de 
Capitu, quase irmã dela, tanto que, alguma vez, escrevendo-me, chamava a esta a "sua 
cunhadinha." Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventuras e os livros. 
(...) 
Quando saímos, tornei a falar com os olhos à dona da casa. A mão dela apertou 
muito a minha, e demorou-se mais que de costume.(...) Senti ainda os dedos de Sancha 
entre os meus, apertando uns aos outros. Foi um instante de vertigem e de pecado. 
Passou depressa no relógio do tempo; quando cheguei o relógio ao ouvido, trabalhavam 
só os minutos da virtude e da razão. 
O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-me como se fosse a 
própria pessoa. Combati sinceramente os impulsos que trazia do Flamengo, rejeitei a 
figura da mulher do meu amigo, e chamei-me desleal. 
Demais, quem me afirmava que houvesse alguma intenção daquela espécie no 
gesto da despedida e nos anteriores? Tudo podia ligar-se ao interesse da nossa viagem. 
Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem juntas. Quando 
houvesse alguma intenção sexual, quem me provaria que não era mais que uma sensação 
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fulgurante, destinada a morrer com a noite e o sono? Há remorsos que não nascem de 
outro pecado, nem têm maior duração. Agarrei-me a essa hipótese que se conciliava com 
a mão de Sancha, que eu sentia de memória dentro da minha mão, quente e demorada, 
apertada e apertando... 
 
Machado de Assis, D. Casmurro (fragmento) 
 
 
 Com base nas ideias, na tipologia e na estrutura linguísticas do texto, julgue os 
itens a seguir. 
 
(1) Narrado em primeira pessoa, o texto constitui uma alegoria subjetiva que visa 
mostrar, sob uma óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações humanas. 
(2) Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre mim e Capitu‖, os termos 
―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática. 
(3) No trecho ―As relações que travou com o pai de Sancha estreitaram as que já trazia 
com Capitu‖, as ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções 
morfossintáticas idênticas. 
(4) No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo‖, Machado de Assis constrói 
uma estrutura formada por uma oração principal seguida de uma oração 
subordinada substantiva reduzida de infinitivo; ademais, na oração principal o 
objeto indireto pleonástico tem a função de evitar ambiguidade. 
(5) Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, Machado 
de Assis se utiliza de linguagem com valor translato, com vistas a explicitar a ideia 
de que Capitu entregara mais de uma carta a Escobar. 
(6) No trecho ―Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventuras e os 
livros‖, temos exemplo de voz passiva com sujeito paciente composto e agente 
indeterminado. 
(7) Em ―quando cheguei o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ foi empregado com 
regência transitiva direta e indireta. 
(8) No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-me 
como se fosse a própria pessoa‖, o termo ―O retrato de Escobar‖ é sujeito explícito 
de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, a estrutura conectiva ―como se‖ indica 
realidade virtual ou imaginária. 
(9) Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem 
juntas‖, o vocábulo ―que‖ pode ser substituído por ―porquanto‖, sem prejuízo para 
a correção gramatical e para os sentidos do texto. 
(10) No último parágrafo, as formas verbais destacadas estão no singular porque o 
sujeito de cada uma delas é genérico ou indeterminado. 
 
 
TEXTO II 
 
Viver em grandes centros urbanos é uma prerrogativa do mundo moderno. Estima-
se que, nas próximas duas décadas, 70% da população do planeta estará aglutinada nas 
cidades, um índice que, nos anos 1950, era de apenas 30%. Abandonar a tranquilidade do 
campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidadesde emprego, 
bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles. 
Mas a migração tem um lado alarmante. O estresse e a ansiedade gerados pela 
urbanização alteram fisicamente o cérebro, predispondo o desenvolvimento de doenças 
mentais e distúrbios de humor. 
Uma pesquisa publicada na capa da edição de hoje da revista especializada Nature 
mostra, pela primeira vez, que mesmo os indivíduos saudáveis que vivem nos centros 
urbanos têm conexões neurais alteradas em regiões do cérebro associadas à ansiedade. 
Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava ligado a problemas 
como estresse e esquizofrenia. Mas, até agora, não se tinha ideia de que isso provoca 
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mudanças fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem. O mais grave, 
notam os autores, é que, teoricamente, habitantes das cidades deveriam ser mais 
saudáveis, pois têm à sua disposição tratamentos hospitalares mais modernos. 
O grupo de cientistas, de diversos institutos de pesquisa, realizou três testes em 
diferentes populações, sempre analisando a resposta cerebral dos participantes, 
capturada pela ressonância magnética funcional. O primeiro grupo passou por um 
protocolo de estudos chamado Montreal Imaging Stress Task (Mist), desenvolvido pelo 
instituto onde Pruessner trabalha. Eles foram expostos a uma situação de pressão social, 
em que suas habilidades eram desafiadas enquanto os cientistas analisavam a ativação 
dos cérebros na máquina de ressonância magnética. A pressão a qual os participantes 
foram submetidos era a mesma. O que os diferenciava era o local de residência. O nível 
de urbanidade foi medido da seguinte forma: cidades com mais de 100 mil habitantes, 
municípios com menos de 100 mil habitantes e áreas rurais. Em todos os voluntários, os 
pesquisadores conseguiram induzir o estresse, algo verificado pela medição de seus 
batimentos cardíacos e do aumento na circulação sanguínea do hormônio cortisol. Mas as 
fotografias dos cérebros mostraram um cenário bem diferente. 
Quanto mais urbanizados os indivíduos, maior a ativação de duas regiões do 
cérebro intimamente relacionadas ao estresse e aos distúrbios mentais e de humor. A 
amígdala cerebral, que se localiza no sistema límbico e centro regulador da 
agressividade, entre outros comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos 
moradores de cidades grandes. Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram 
mais ativação dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra 
área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros 
urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções. 
O segundo teste foi semelhante ao anterior e teve os mesmos resultados. Para 
saber se o estresse foi desencadeado pelo tipo de tarefa a qual os voluntários foram 
submetidos, além das questões aritméticas, eles tinham de resolver problemas de 
rotação mental, um tipo de experimento que usa imagens para avaliar a cognição. Os 
pesquisadores também investigaram questões como idade, escolaridade, renda e estado 
civil dos voluntários, assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à 
personalidade e ao apoio social de cada participante. ―Nenhum desses fatores influenciou 
significativamente a atividade cerebral, sugerindo que viver em um ambiente urbano é 
que altera a resposta do cérebro a um fator de estresse devido a um distinto e misterioso 
mecanismo‖, observam Daniel P. Kennedy e Ralph Adolphs, cientistas do Instituto de 
Tecnologia da Califórnia, em um artigo sobre a pesquisa, também publicado na Nature. 
O principal autor do estudo, Andreas Meyer-Lindenberg, do Instituto de Saúde 
Mental de Heidelberg, na Alemanha, diz ao Correio que a pesquisa é do interesse do 
Brasil. ―Acho que nossos resultados são especialmente importantes para os países em 
desenvolvimento, porque a urbanização ocorre mais rápido nesses locais e as diferenças 
entre a vida nas zonas rural e urbana podem ser ainda maiores‖. No artigo, os 
pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, 
que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais. ―Esses 
resultados contribuem para a nossa compreensão do risco ambiental urbano em relação 
aos transtornos mentais e à saúde em geral. Além disso, eles apontam para uma nova 
abordagem empírica para integração das ciências sociais, neurológicas e de políticas 
públicas que possam responder a esse desafio‖. 
No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou 
que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas. Há 10 anos, esse índice 
era de 81%. Dos 1.520 municípios que perderam população nesse espaço de tempo, as 
cinco maiores quedas foram registradas em cidades pequenas, com menos de 16 mil 
moradores. 
(Paloma Oliveto, Correio Braziliense, 26/6/2011, com adaptações) 
 
Julgue os itens a seguir com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do 
texto. 
 
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(11) Na linha 2, o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖, sem prejuízo para 
a correção gramatical e para a coerência textual. 
(12) O primeiro parágrafo do texto não apresenta erro quanto à pontuação. 
(13) Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças fisiológicas, 
que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira ocorrência da palavra 
―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva 
completiva nominal; a segunda ocorrência é pronome relativo que exerce mesma 
função sintática do termo que ele retoma. 
(14) No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a mesma‖, 
omitiu-se o sinal indicativo de crase e desencadeou-se um solecismo. 
(15) Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. 
(16) O trecho ――Nenhum desses fatores influenciou significativamente a atividade 
cerebral‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ――Nenhum desses fatores influenciaram 
significativamente a atividade cerebral‖. 
(17) No trecho ―...eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo de 
experimento que usa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula separa a oração 
principal da oração subordinada adjetiva explicativa. 
(18) Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas‖, as 
vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de adjunto 
adverbial e interrupção de aposto explicativo. 
(19) Em ―... assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à personalidade e 
ao apoio social de cada participante‖, a combinação de preposição e artigo só se 
faz necessária em relação ao vocábulo ―saúde‖ e pode ser dispensada na relação 
com os vocábulos seguintes, sem ferir o princípio da simetria sintático-semântica. 
(20) O trecho ―No artigo, os pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear 
políticas públicas integradas, que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento de 
doenças mentais‖, pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual: ―No artigo, os pesquisadores 
conjeturam que o estudo pode auxiliar a nortear políticaspúblicas integradas, que 
visem diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais‖. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Apesar de narrado em primeira pessoa, o texto não apresenta traços 
alegóricos (conotações, personificações, simbologias) para mostrar, sob uma 
óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações humanas. Trata-se de uma 
narração subjetiva, em que o narrador também é personagem. 
(2) Certo. Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas (trocar cartas/ relação 
completiva) entre mim e Capitu (trocar entre mim e Capitu/ relação completiva)‖, os 
termos ―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática: 
são complementos nominais do substantivo abstrato cognato de verbo ―troca‖. 
(3) Certo. No trecho ―As relações que (= as quais) travou com o pai de Sancha 
estreitaram as (= aquelas relações) que (= as quais) já trazia com Capitu‖, as 
ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções morfossintáticas idênticas: 
são pronomes relativos com função sintática de objetos diretos. Substitua a 
palavra ―que‖ pelo antecedente: as relações (ele) travou com o pai de Sancha; 
aquelas relações (ele) já trazia com Capitu. Agora, observe a ordem direta: ele 
travou (v.t.d) as relações (o.d.) com o pai de Sancha; ele já trazia (v.t.d) aquelas 
relações (o.d.) com Capitu. Entendeu? 
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(4) Certo. No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo (= aceitar + o)‖, 
Machado de Assis constrói uma estrutura formada por uma oração principal 
(―custou-lhe a ela‖) seguida de uma oração subordinada substantiva reduzida de 
infinitivo (aceitá-lo). Que custou a ela? Aceitá-lo (sujeito oracional). Ademais, na 
oração principal o objeto indireto pleonástico tem, sim, a função de evitar 
ambiguidade. Caso a construção fosse somente ―Custou-lhe aceitar‖, ficaria o 
questionamento: custou a ele ou a ela aceitar? 
(5) Certo. Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, 
Machado de Assis se utiliza de linguagem com valor translato (= valor conotativo, 
figurado), com vistas a explicitar a ideia de que Capitu entregara mais de uma carta 
a Escobar. 
(6) Certo. No trecho ―Assim se (partícula apassivadora) formam (v.t.d.) as afeições e 
os parentescos, as aventuras e os livros (sujeito paciente composto posposto)‖, 
temos exemplo de voz passiva sintética ou pronominal, em virtude da presença da 
partícula apassivadora) com sujeito paciente composto e agente indeterminado. 
Observe que a voz passiva analítica confirma que o agente da passiva fica 
indeterminado: ―As afeições e os parentescos, as aventuras e os livros são 
formados‖ (por quem? = agente indeterminado). 
(7) Certo. Em ―quando cheguei ( = aproximei) o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ 
foi empregado com regência transitiva direta e indireta: o relógio (objeto direto) ao 
ouvido (objeto indireto). 
(8) Certo. No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, 
falou-me como se (ele = o retrato de Escobar) fosse a própria pessoa‖, o termo ―O 
retrato de Escobar‖ é sujeito explícito de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, 
a estrutura conectiva ―como se‖ (com valor comparativo e condicional) indica 
realidade virtual ou imaginária. Não era a própria pessoa (= realidade factual). Era 
apenas o retrato. 
(9) Errado. Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que = conjunção consecutiva) seria 
um prazer mais para elas irem juntas‖, o vocábulo ―que‖ não pode ser substituído 
por ―porquanto‖, conectivo que traduz ideia de causa ou explicação. 
(10) Errado. As ocorrências do verbo ―haver‖ (= existir) não apresentam sujeito e, 
portanto, são impessoais. No entanto, o verbo ―seria‖ apresenta a oração ―irem 
juntas‖ como sujeito. Observe: ―irem juntas seria um prazer mais para elas‖. 
(11) Errado. Na linha 2, o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ para 
concordar com ―70%‖, mas, nesse caso, deve-se empregar também a forma 
―aglutinados‖. Portanto, há duas construções corretas com sujeito que apresenta 
núcleo percentual: ―70% da população do planeta estará aglutinada nas cidades‖ 
(concordância com o termo próximo); ―70% da população do planeta estarão 
aglutinados nas cidades‖ (concordância com o núcleo percentual). 
(12) Errado. O primeiro parágrafo do texto apresenta erro quanto à pontuação: 
―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios‖. Deve-se eliminar a 
vírgula após ―campo‖, pois não se pode separar o sujeito oracional da oração 
principal. 
(13) Errado. Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças 
fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira 
ocorrência da palavra ―que‖ é, de fato, conjunção integrante que introduz oração 
subordinada substantiva completiva nominal (= complemento nominal de ―ideia‖). 
A segunda ocorrência é pronome relativo que não exerce a mesma função sintática 
do termo que ele retoma. O termo que a palavra ―que‖ retoma é ―mudanças 
fisiológicas‖, objeto direto do verbo ―provoca‖. Na oração seguinte, o pronome 
relativo ―que‖ (= mudanças fisiológicas) é sujeito de ―podem ser medidas‖. 
(14) Certo. No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a 
mesma‖, como o particípio ―submetidos‖ exige a preposição ―a‖, falta o sinal 
indicativo de crase e desencadeia-se um solecismo (= erro de sintaxe). Correção: 
―A pressão à qual os participantes foram submetidos era a mesma‖. 
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(15) Certo. Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ (―emoções‖ tem valor particularizado em virtude da presença 
do artigo ―as‖) por ―a‖ (―emoções‖ tem valor genérico em virtude da ausência do 
artigo definido ―as‖) altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. 
(16) Errado. O trecho ―Nenhum desses fatores influenciou significativamente a 
atividade cerebral‖ não admite concordância verbal com o termo mais próximo. 
Concorde apenas com o núcleo do sujeito ―Nenhum‖. 
(17) Errado. No trecho ―...eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo 
de experimento que usa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula introduz um 
aposto explicativo (―um tipo de experimento‖) seguido de oração subordinada 
adjetiva restritiva (―que usa imagens para avaliar a cognição‖). 
(18) Errado. Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas‖, 
as vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de adjunto 
adverbial de lugar e interrupção de adjunto adnominal deslocado ( ―84% dos 
190.732. 694 habitantes‖). 
(19) Errado. Em ―... assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à 
personalidade e ao apoio social de cada participante‖, a combinação de 
preposição e artigo se faz necessária em relação aos vocábulos seguintes, a fim de 
não ferir o princípio da simetria sintático-semântica. 
(20) Errado. O trecho ―No artigo, os pesquisadores dizem (= afirmam) que o estudo 
pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, que visem a diminuir (certo) os 
riscos de desenvolvimento de doenças mentais‖, não pode ser reescrito da 
seguinte forma, pois haverá prejuízo para a coerência textual: ―No artigo, os 
pesquisadores conjeturam (= supõem) que o estudo pode auxiliar a nortear 
políticas públicas integradas, que visem diminuir (certo) os riscos dedesenvolvimento de doenças mentais‖. 
 
 
PROVA 18 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
Quando o mascate chega é um alvoroço na redondeza. Alguém ouviu o péc-péc-
péc do instrumento com que ele se anuncia, a notícia corre de boca em boca, o mulherio 
acode e faz o cerco ao baú. Baú milagroso que tem de tudo um pouco. Pente grosso de 
pentear, pente fino de limpar a cabeça, pentinho de enfeite com pedrinha que brilha, 
fivela ou passadeira, grampo de todo o feitio e tamanho, brilhantina que deixa o cabelo 
"alumiando que é lindeza", água de cheiro, pó de arroz alvo que nem farinha, caixinhas de 
carmim que dão cor de saúde, peças de renda, cadarço, barbatana, colchete, agulha, 
linha, botão de ceroula, de madrepérola e de vidro em todas as cores, alfinetinho de 
cabeça, pregadeira, chinelo, meia de seda e algodão, remédio de curar dor de dente e de 
botar no ouvido de criança, óleo de Sta. Maria para dar cabo das bichas, garrafinhas de 
óleo de rícino, que tanto serve pro cabelo como de purgante na hora do aperto, meu Deus, 
o que é que não sai do baú de mascate! Os olhos das caboclas brilham de alegria. "Que 
buniteza!" É um colar de conta vermelha que vai "dá hora" no pescoço da Rosenda. 
"Espia só comadre Cotinha, não dá gosto de se vê?" São o colorido das fitas que 
esvoaçam na mão encardida e grossa de Nhá Bé. "E isto pr'a mode u que tem serventia?" 
E o mascate paciente explica o uso da escova de dente e do "soutien" de pano forte, que 
modela o busto. Se o arraial é grande, o mascate esvazia o baú, porque só daí a dois ou 
três meses estará de volta, no seu constante giro pelo mundo. E a vaidade das mulheres, 
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que é a mesma na grã-fina ou na caipira, não pode esperar tanto tempo. Lá se vai o 
mascate. Alegre, porque deixou alegre a clientela e já não lhe pesa o baú nas costas. 
(Clarice Lispector, ―Baú de Mascate‖.) 
 
Considerando as ideias do texto de Clarice Lispector bem como as estruturas 
linguísticas nele utilizadas, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Na linha 2, mantendo-se a correção gramatical do texto, pode-se empregar ―com o 
qual‖ ou ―em que‖ em lugar de ―com que‖. 
(2) Infere-se da leitura do texto que o motivo do alvoroço provocado pela chegada do 
mascate é o fato de ele trazer, em seu baú milagroso, objetos tipicamente 
femininos. 
(3) Para evitar o emprego redundante de estruturas sintático-semânticas como se 
identifica no trecho ―...o mulherio acode e faz o cerco ao baú. Baú milagroso que 
tem de tudo um pouco‖, poder-se-ia unir as ideias em um só período sintático ─ o 
mulherio acode e faz o cerco ao baú milagroso que tem de tudo um pouco ─ , o que 
preservaria a correção gramatical e a coerência textual. 
(4) No trecho ―Baú milagroso que tem de tudo um pouco‖, o verbo ―ter‖ apresentou 
como complemento um objeto direto preposicionado. 
(5) O trecho "Espia só comadre Cotinha, não dá gosto de se vê?" fere, em rigor, o 
padrão culto da linguagem, pois o certo seria "Espia só, comadre Cotinha, não dá 
gosto de se ver?". 
(6) O fragmento ―Pente grosso de pentear, pente fino de limpar a cabeça, pentinho de 
enfeite com pedrinha que brilha, fivela ou passadeira, grampo de todo o feitio e 
tamanho, brilhantina que deixa o cabelo "alumiando que é lindeza", água de cheiro, 
pó de arroz alvo que nem farinha, caixinhas de carmim que dão cor de saúde, 
peças de renda, cadarço, barbatana, colchete, agulha, linha, botão de ceroula, de 
madrepérola e de vidro em todas as cores, alfinetinho de cabeça, pregadeira, 
chinelo, meia de seda e algodão, remédio de curar dor de dente e de botar no 
ouvido de criança, óleo de Sta. Maria para dar cabo das bichas, garrafinhas de óleo 
de rícino, que tanto serve pro cabelo como de purgante na hora do aperto, meu 
Deus, o que é que não sai do baú de mascate!‖ pode ser pontuado corretamente da 
seguinte forma: ―Pente grosso de pentear; pente fino de limpar a cabeça; pentinho 
de enfeite com pedrinha que brilha; fivela ou passadeira; grampo de todo o feitio e 
tamanho; brilhantina que deixa o cabelo "alumiando que é lindeza"; água de cheiro; 
pó de arroz alvo que nem farinha; caixinhas de carmim que dão cor de saúde; 
peças de renda; cadarço; barbatana; colchete; agulha; linha; botão de ceroula; de 
madrepérola; e de vidro em todas as cores; alfinetinho de cabeça; pregadeira; 
chinelo; meia de seda e algodão; remédio de curar dor de dente; e de botar no 
ouvido de criança; óleo de Sta. Maria para dar cabo das bichas; garrafinhas de óleo 
de rícino; que tanto serve pro cabelo como de purgante na hora do aperto. Meu 
Deus, o que é que não sai do baú de mascate?‖. 
(7) Seria mantida a coerência das ideias do texto e a correção gramatical, caso o 
conectivo ―Se‖, em ―Se o arraial é grande, o mascate esvazia o baú, porque só daí a 
dois ou três meses estará de volta, no seu constante giro pelo mundo‖, fosse 
substituído por ―Contanto que‖. 
(8) Em ―Lá se vai o mascate‖, a palavra ―se‖ não tem a função de indeterminar ou 
generalizar o sujeito. 
(9) Em ―Alegre, porque deixou alegre a clientela‖, a primeira ocorrência do adjetivo 
―Alegre‖ exerce a função sintática de predicativo do sujeito; a segunda, a de 
predicativo do objeto. 
(10) No fragmento ―... e já não lhe pesa o baú nas costas‖, o pronome ―lhe‖ 
traduz, textualmente, a ideia de posse. 
 
 
 
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TEXTO II 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
Um conhecido chegou, pediu licença, foi sentando e principiando a conversar. Não 
gostava de corridas nem de remo. Por natação sim, era doido. Só pode ter interesse por 
corrida quem tem um cavalo amigo do peito correndo. Aí, sim, se pode entusiasmar, 
torcer e até morrer de colapso. Mas a frio, escolher um puro-sangue desconhecido e 
gastar com ele o ouro dezoito quilates das nossas emoções, sem nenhuma ligação 
afetiva? Burrice. O mesmo com o remo; então a gente espicha o pescoço, vê um cara 
qualquer fazendo força nas pás e diz: "vou apostar naquele?" Não. Não era homem pra 
isso. Vem de trás uma gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro, no espaço. A 
mulher ria, ria por tudo e de tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também 
das coisas de chorar. Ria só com a garganta, sem um pingo de alma. E, bem pensado, é 
um ultraje ao sexo, um atentado à saúde pública o riso de uma mulher que não sabe rir. 
Todas as mulheres deveriam saber rir e as que não sabem deveriam aprender. E devia 
também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a qualquer hora 
do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir. Devia, mas não há. Por isso, aquela 
mulher irritava todo o mundo com a sua risada enervante. Olhei de novo. O jornal 
empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o lugar onde estavam a cadelinha 
e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de sepultura. Longe, no mar grosso, um 
pontinho e um braço acenando. Não se tratava de nenhum afogado. Era o amigo me 
dizendo adeus. Não havia mais nada. Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade 
numa tarde de sábado. O mar já tinha fechado o expediente e dava descanso à praia. 
Percebi que tinha começado a ser domingo. 
(Clarice Lispector, ―Hora em que começa o domingo‖.) 
 
Considerando as ideias do texto de Clarice Lispector bem como as estruturas 
linguísticas nele utilizadas, julgue os itens a seguir. 
 
(11) Infere-se do texto que a autora considera uma burrice o fato de seu conhecido 
gastar com um desconhecidopuro sangue valores exorbitantes, sem que houvesse 
ligação emocional com o animal. 
(12) Na linha 1 do texto, as vírgulas foram empregadas para separar orações 
coordenadas entre si. 
(13) Em ―Por natação sim, era doido. Só pode ter interesse por corrida quem tem um 
cavalo amigo do peito correndo‖, os termos destacados desempenham igual 
função sintática. 
(14) A relação entre as ideias do texto admite que, em ―A mulher ria, ria por tudo e de 
tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também das coisas de 
chorar‖, o sinal de ponto depois de ―nada‖ seja substituído pelo sinal de ponto e 
vírgula, fazendo-se o devido ajuste na letra inicial maiúscula. 
(15) As regras gramaticais e a coerência textual permitem que o trecho ―E devia 
também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a 
qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir‖ admita a seguinte 
reescritura: ―E deviam também existir, na lei do silêncio, um artigo que condenasse 
ao silêncio do riso, em qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não 
soubesse rir‖. 
(16) No trecho ―O jornal empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o lugar 
onde estavam a cadelinha e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de 
sepultura‖, pode-se, sem prejuízo para a correção gramatical, substituir ―onde‖ 
por ―em que‖ ou ―no qual‖; além disso, a forma verbal ―estavam‖ pode ser 
substituída por ―estava‖. 
(17) Em ―Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade numa tarde de sábado‖, há, 
em rigor, apenas uma oração absoluta. 
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(18) No trecho ―A mulher ria, ria por tudo e de tudo, por nada e de nada‖ as duas 
ocorrências da preposição ―por‖ introduzem adjuntos adverbiais de causa, e as 
duas ocorrências da preposição ―de‖, complementos verbais indiretos. 
(19) As regras gramaticais e a coerência textual permitem que, em ―Vem de trás uma 
gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro, no espaço‖, o termo ―de 
mulher‖ seja registrado depois de ―gargalhada‖, o que dispensaria o emprego das 
vírgulas, a fim de tornar o texto mais claro. 
(20) No último período do texto, o complemento verbal de ―Percebi‖ é representado por 
uma oração desenvolvida. 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Na linha 2, mantendo-se a correção gramatical do texto, pode-se empregar 
somente a forma ―com o qual‖. Veja a ordem direta, substituindo-se o pronome 
relativo ―o qual‖ por ―o instrumento‖: ―Ele se anuncia com o instrumento‖. 
(2) Errado. Há, em seu baú milagroso, objetos tipicamente femininos e outros não 
necessariamente femininos, como ―remédio de curar dor de dente e de botar no 
ouvido de criança, óleo de Sta. Maria para dar cabo das bichas, garrafinhas de óleo 
de rícino, que tanto serve pro cabelo como de purgante na hora do aperto‖. 
(3) Certo. Para evitar o emprego redundante de estruturas sintático-semânticas como 
se identifica no trecho ―...o mulherio acode e faz o cerco ao baú. Baú milagroso que 
tem de tudo um pouco‖, poder-se-ia unir as ideias em um só período sintático ─ o 
mulherio acode e faz o cerco ao baú milagroso que tem de tudo um pouco ─ , o que 
preservaria a correção gramatical e a coerência textual. 
(4) Errado. No trecho ―Baú milagroso que tem de tudo um pouco‖, em que há uma 
inversão sintática, o verbo ―ter‖ não apresentou como complemento um objeto 
direto preposicionado. Basta observar a ordem direta: ―Baú milagroso que tem 
(v.t.d) um pouco (= algo, alguma coisa) de tudo (objeto direto, cujo núcleo é o 
pronome indefinido substantivo ―pouco‖) ‖. 
(5) Certo. O trecho "Espia só comadre Cotinha, não dá gosto de se vê?" fere, em rigor, 
o padrão culto da linguagem, pois o certo seria "Espia só, comadre Cotinha, (o 
vocativo deve vir entre vírgulas) não dá gosto de se ver ? (oração subordinada 
substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo que completa sintática e 
semanticamente o substantivo abstrato ―gosto‖)". 
(6) Errado. ―Pente grosso de pentear; pente fino de limpar a cabeça; pentinho de 
enfeite com pedrinha que brilha; fivela ou passadeira; grampo de todo o feitio e 
tamanho; brilhantina que deixa o cabelo "alumiando que é lindeza"; água de cheiro; 
pó de arroz alvo que nem farinha; caixinhas de carmim que dão cor de saúde; 
peças de renda; cadarço; barbatana; colchete; agulha; linha; botão de ceroula; de 
madrepérola; e de vidro em todas as cores; alfinetinho de cabeça; pregadeira; 
chinelo; meia de seda e algodão; remédio de curar dor de dente e de botar no 
ouvido de criança (de curar e de botar se subordinam a ―remédio‖); óleo de Sta. 
Maria para dar cabo das bichas; garrafinhas de óleo de rícino, que tanto serve pro 
cabelo como de purgante na hora do aperto (a oração subordinada adjetiva 
explicativa, iniciada pelo pronome relativo ―que‖, não pode ser separada por meio 
de ponto e vírgula). Meu Deus, o que é que não sai do baú de mascate?‖. 
(7) Errado. Não seria mantida a correção gramatical, caso o conectivo ―Se‖, em ―Se o 
arraial é grande, o mascate esvazia o baú, porque só daí a dois ou três meses 
estará de volta, no seu constante giro pelo mundo‖, fosse substituído por ―Contanto 
que‖. Com ―Contanto que‖ ou ―Caso‖, conectivos também condicionais, deve-se 
fazer o ajuste do verbo: ―Contanto que/Caso o arraial seja grande, o mascate 
esvazia o baú, porque só daí a dois ou três meses estará de volta, no seu constante 
giro pelo mundo‖. Nesse caso, a coerência também fica comprometida. O ideal é 
manter o conectivo ―Se‖. 
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(8) Certo. Em ―Lá se vai o mascate‖, a palavra ―se‖ não tem a função de indeterminar 
ou generalizar o sujeito. Veja a ordem direta: ―O mascate se vai lá‖. Sujeito: O 
mascate. A palavra ―se‖ constitui partícula expletiva ou de realce. 
(9) Certo. Em ―(Ele estava) Alegre (predicativo do sujeito elíptico ―Ele‖), porque deixou 
(v.t.d) alegre (predicativo do objeto direto) a clientela (objeto direto)‖, a primeira 
ocorrência do adjetivo ―Alegre‖ exerce a função sintática de predicativo do sujeito; 
a segunda, a de predicativo do objeto. 
(10) Certo. No fragmento ―... e já não lhe pesa o baú nas costas‖, o pronome ―lhe‖ 
traduz, textualmente, a ideia de posse: ―... e já não pesa o baú nas suas costas‖ ou 
―... e já não pesa o baú nas costas dele‖. 
(11) Errado. Releia o seguinte trecho: ―Um conhecido chegou, pediu licença, foi 
sentando e principiando a conversar. (Ele) Não gostava de corridas nem de remo. 
Por natação sim, era doido‖. O trecho seguinte se refere a qualquer pessoa, não ao 
conhecido. 
(12) Certo. Na linha 1 do texto, as vírgulas foram empregadas para separar orações 
coordenadas (independentes sintaticamente) entre si. 
(13) Certo. Em ―Por natação (complemento nominal do adjetivo ―doido‖) sim, era doido. 
Só pode ter interesse por corrida (complemento nominal do substantivo abstrato 
―interesse‖) quem tem um cavalo amigo do peito correndo‖, os termos destacados 
desempenham igual função sintática. 
(14) Certo. A relação entre as ideias do texto admite que, em ―A mulher ria, ria por tudo 
e de tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também das coisas de 
chorar‖, o sinal de ponto depois de ―nada‖ seja substituído pelo sinal de ponto e 
vírgula, fazendo-se o devido ajuste na letra inicial maiúscula: ―A mulher ria, ria por 
tudo e de tudo, por nada e de nada; (ela) devia rir das coisas de rir e também das 
coisas de chorar‖. O sinal de ponto e vírgula separa períodos independentes 
sintaticamente entre si. 
(15) Errado.As regras gramaticais e a coerência textual permitem que o trecho ―E 
devia também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a 
qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir‖ admita a seguinte 
reescritura: ―E devia também existir, na lei do silêncio, um artigo que condenasse 
ao silêncio do riso, em qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não 
soubesse rir‖. Veja a ordem direta: ―um artigo devia existir‖. 
(16) Certo. No trecho ―O jornal empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o 
lugar onde estavam a cadelinha e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de 
sepultura‖, pode-se, sem prejuízo para a correção gramatical, substituir o pronome 
relativo ―onde‖ por ―em que‖ ou ―no qual‖; além disso, a forma verbal ―estavam‖ 
pode ser substituída por ―estava‖, já que, com sujeito composto posposto, admite-
se a concordância apenas com o termo mais próximo (―a cadelinha‖). 
(17) Errado. Em ―Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade numa tarde de 
sábado (está)‖, há, em rigor, duas orações. Nas orações subordinadas adverbiais 
comparativas, é comum o segundo verbo ficar implícito: ―Ela fala como um 
papagaio (fala). 
(18) Certo. No trecho ―A mulher ria, ria (v.t.i) por tudo (adjunto adverbial de causa) e de 
tudo (objeto indireto), por nada (adjunto adverbial de causa) e de nada (objeto 
indireto)‖ as duas ocorrências da preposição ―por‖ introduzem adjuntos adverbiais 
de causa, e as duas ocorrências da preposição ―de‖, complementos verbais 
indiretos. Entendeu? Um gesto positivo, por favor! 
(19) Errado. As regras gramaticais e a coerência textual não permitem que, em ―Vem 
de trás uma gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro, no espaço‖, o 
termo ―de mulher‖ seja registrado depois de ―gargalhada‖, o que dispensaria o 
emprego das vírgulas, a fim de tornar o texto mais claro. Veja como ficaria o 
trecho: ――Vem de trás uma gargalhada de mulher terrível um risco de som duro, no 
espaço‖. O adjetivo ―terrível‖ deixaria de caracterizar ―uma gargalhada‖ e passaria 
a caracterizar ―mulher‖; além disso, o trecho ficaria incompreensível (incoerente) 
com a retirada das vírgulas. 
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(20) Certo. No último período do texto, o complemento verbal de ―Percebi (v.t.d)‖ é 
representado por uma oração subordinada substantiva objetiva direta 
desenvolvida, haja vista o fato de a conjunção integrante ―que‖ estar explícita. Bom 
demais! 
 
 
PROVA 19 
 
TEXTO I 
 
Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci 
completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas 
sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios. 
Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles 
cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, 
tomar-me qualquer coisa. 
Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma 
livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, 
exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um 
sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles 
desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à-toa. 
Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, 
oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama. 
Vivo agitado, cheio de terrores, uma tremura nas mãos, que magreceram. As mãos 
já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis. As escoriações das palmas 
cicatrizaram. 
Impossível trabalhar. Dão-me um ofício, um relatório, para datilografar, na 
repartição. Até dez linhas vou bem. Daí em diante a cara balofa de Julião Tavares aparece 
em cima do original, e os meus dedos encontram no teclado uma resistência mole de 
carne gorda. E lá vem o erro. Tento vencer a obsessão, capricho em não usar a borracha. 
Concluo o trabalho, mas a resma de papel fica muito reduzida. 
À noite fecho as portas, sento-me à mesa da sala de jantar, a munheca emperrada, 
o pensamento vadio longe do artigo que me pediram para o jornal. 
Vitória resmunga na cozinha, ratos famintos remexem latas e embrulhos no guarda-
comidas, automóveis roncam na rua. 
Em duas horas escrevo uma palavra: Marina. Depois, aproveitando letras deste 
nome, arranjo coisas absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar. Uns vinte nomes. Quando 
não consigo formar combinações novas, traço rabiscos que representam uma espada, 
uma lira, uma cabeça de mulher e outros disparates. Penso em indivíduos e em objetos 
que não têm relação com os desenhos: processos, orçamentos, o diretor, o secretário, 
políticos, sujeitos remediados que me desprezam porque sou um pobre-diabo. 
Graciliano Ramos, Angústia. 
 
Com base nas ideias e na estruturas linguísticas do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) Segundo o narrador-personagem, certos lugares prazerosos, como uma livraria, se 
tornaram odiosos, por evidenciarem características próprias de uma espécie de 
meretrício. 
(2) A presença dos elementos dêiticos subjetivos no texto destaca os sentimentos de 
angústia e inquietude do narrador-personagem. 
(3) O trecho ―Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me 
restabeleci completamente‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para o sentido original: ―Cerca de trinta dias atrás, levantei-
me, porém, julgo que ainda não me recompus completamente‖. 
(4) Em ―Há criaturas que não suporto‖ e em ―Certos lugares que me davam prazer 
tornaram-se odiosos‖, o vocábulo ―que‖ evidencia funções sintáticas diferentes. 
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autorização do autor. 
(5) No fragmento ―Outro larga uma opinião à-toa‖, o termo destacado tem função 
adverbial e indica a ideia de modo. 
(6) No trecho ―À noite fecho as portas, sento-me à mesa da sala de jantar, a munheca 
emperrada, o pensamento vadio longe do artigo que me pediram para o jornal‖, a 
vírgula após ―noite‖ é opcional; as demais vírgulas separam uma sequência de 
orações coordenadas. 
(7) Em ―Em duas horas escrevo uma palavra: Marina. Depois, aproveitando letras 
deste nome, arranjo coisas absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar‖, a 
substituição de ―deste‖ por ―desse‖ não provocaria ambiguidade. 
(8) O período ―E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, 
oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama‖ é composto por três orações. 
(9) Em ―As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis‖, o sinal de 
dois-pontos pode ser substituído pela conjunção ―porquanto‖, precedida de 
vírgula, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(10) No trecho ―Penso em indivíduos e em objetos que não têm relação com os 
desenhos: processos, orçamentos, o diretor, o secretário, políticos, sujeitos 
remediados que me desprezam porque sou um pobre-diabo‖, a ausência do artigo 
antes de alguns elementos da enumeração constitui opção semântico-estilística do 
redator. 
 
TEXTO II 
 
Viver em grandes centros urbanos é uma prerrogativa do mundo moderno. Estima-
se que, nas próximas duas décadas, 70% da população do planeta estará aglutinada nas 
cidades, um índice que, nos anos 1950, era de apenas 30%. Abandonar a tranquilidade do 
campo, tem seus benefícios. Shopping centers, melhores oportunidades de emprego, 
bons hospitais e escolas, além de atividades sociais intensas são apenas alguns deles. 
Mas a migraçãotem um lado alarmante. O estresse e a ansiedade gerados pela 
urbanização alteram fisicamente o cérebro, predispondo o desenvolvimento de doenças 
mentais e distúrbios de humor. 
Uma pesquisa publicada na capa da edição de hoje da revista especializada Nature 
mostra, pela primeira vez, que mesmo os indivíduos saudáveis que vivem nos centros 
urbanos têm conexões neurais alteradas em regiões do cérebro associadas à ansiedade. 
Já se sabia que o atribulado ambiente das grandes cidades estava ligado a problemas 
como estresse e esquizofrenia. Mas, até agora, não se tinha ideia de que isso provoca 
mudanças fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem. O mais grave, 
notam os autores, é que, teoricamente, habitantes das cidades deveriam ser mais 
saudáveis, pois têm à sua disposição tratamentos hospitalares mais modernos. 
O grupo de cientistas, de diversos institutos de pesquisa, realizou três testes em 
diferentes populações, sempre analisando a resposta cerebral dos participantes, 
capturada pela ressonância magnética funcional. O primeiro grupo passou por um 
protocolo de estudos chamado Montreal Imaging Stress Task (Mist), desenvolvido pelo 
instituto onde Pruessner trabalha. Eles foram expostos a uma situação de pressão social, 
em que suas habilidades eram desafiadas enquanto os cientistas analisavam a ativação 
dos cérebros na máquina de ressonância magnética. A pressão a qual os participantes 
foram submetidos era a mesma. O que os diferenciava era o local de residência. O nível 
de urbanidade foi medido da seguinte forma: cidades com mais de 100 mil habitantes, 
municípios com menos de 100 mil habitantes e áreas rurais. Em todos os voluntários, os 
pesquisadores conseguiram induzir o estresse, algo verificado pela medição de seus 
batimentos cardíacos e do aumento na circulação sanguínea do hormônio cortisol. Mas as 
fotografias dos cérebros mostraram um cenário bem diferente. 
Quanto mais urbanizados os indivíduos, maior a ativação de duas regiões do 
cérebro intimamente relacionadas ao estresse e aos distúrbios mentais e de humor. A 
amígdala cerebral, que se localiza no sistema límbico e centro regulador da 
agressividade, entre outros comportamentos, exibia uma resposta muito maior nos 
moradores de cidades grandes. Mesmo os habitantes de pequenos municípios tiveram 
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mais ativação dessa região, comparados aos voluntários que viviam na zona rural. Outra 
área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos grandes centros 
urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções. 
O segundo teste foi semelhante ao anterior e teve os mesmos resultados. Para 
saber se o estresse foi desencadeado pelo tipo de tarefa a qual os voluntários foram 
submetidos, além das questões aritméticas, eles tinham de resolver problemas de 
rotação mental, um tipo de experimento que usa imagens para avaliar a cognição. Os 
pesquisadores também investigaram questões como idade, escolaridade, renda e estado 
civil dos voluntários, assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à 
personalidade e ao apoio social de cada participante. ―Nenhum desses fatores influenciou 
significativamente a atividade cerebral, sugerindo que viver em um ambiente urbano é 
que altera a resposta do cérebro a um fator de estresse devido a um distinto e misterioso 
mecanismo‖, observam Daniel P. Kennedy e Ralph Adolphs, cientistas do Instituto de 
Tecnologia da Califórnia, em um artigo sobre a pesquisa, também publicado na Nature. 
O principal autor do estudo, Andreas Meyer-Lindenberg, do Instituto de Saúde 
Mental de Heidelberg, na Alemanha, diz ao Correio que a pesquisa é do interesse do 
Brasil. ―Acho que nossos resultados são especialmente importantes para os países em 
desenvolvimento, porque a urbanização ocorre mais rápido nesses locais e as diferenças 
entre a vida nas zonas rural e urbana podem ser ainda maiores‖. No artigo, os 
pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, 
que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais. ―Esses 
resultados contribuem para a nossa compreensão do risco ambiental urbano em relação 
aos transtornos mentais e à saúde em geral. Além disso, eles apontam para uma nova 
abordagem empírica para integração das ciências sociais, neurológicas e de políticas 
públicas que possam responder a esse desafio‖. 
No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou 
que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas. Há 10 anos, esse índice 
era de 81%. Dos 1.520 municípios que perderam população nesse espaço de tempo, as 
cinco maiores quedas foram registradas em cidades pequenas, com menos de 16 mil 
moradores. 
(Paloma Oliveto, Correio Braziliense, 26/6/2011, com adaptações) 
 
Julgue os itens a seguir com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do 
texto. 
 
(11) Na linha 2, o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual. 
(12) O primeiro parágrafo do texto não apresenta erro quanto à pontuação. 
(13) Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças fisiológicas, que 
podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira ocorrência da palavra 
―que‖ é conjunção integrante que introduz oração subordinada substantiva 
completiva nominal; a segunda ocorrência é pronome relativo que exerce mesma 
função sintática do termo que ele retoma. 
(14) No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a mesma‖, 
omitiu-se o sinal indicativo de crase e desencadeou-se um solecismo. 
(15) Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ por ―a‖ altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. 
(16) O trecho ――Nenhum desses fatores influenciou significativamente a atividade 
cerebral‖ admite a seguinte reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e 
para a coerência textual: ――Nenhum desses fatores influenciaram 
significativamente a atividade cerebral‖. 
(17) No trecho ―...eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um tipo de 
experimento que usa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula separa a oração 
principal da oração subordinada adjetiva explicativa. 
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autorização do autor. 
(18) Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas urbanas‖, as 
vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de adjunto 
adverbial e interrupção de aposto explicativo. 
(19) Em ―... assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à personalidade e ao 
apoio social de cada participante‖, a combinação de preposição e artigo só se faz 
necessária em relação ao vocábulo ―saúde‖ e pode ser dispensada na relação com 
os vocábulos seguintes, sem ferir o princípio da simetria sintático-semântica. 
(20) O trecho ―No artigo, os pesquisadores dizem que o estudo pode ajudar a nortear 
políticas públicas integradas, que visem a diminuir os riscos de desenvolvimento 
de doenças mentais‖, pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coerência textual: ―No artigo, os pesquisadores 
conjeturam que o estudo pode auxiliar a nortear políticas públicas integradas, que 
visem diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças mentais‖. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS(1) Certo. Segundo o narrador-personagem, certos lugares prazerosos, como uma 
livraria, se tornaram odiosos, por evidenciarem características próprias de uma 
espécie de meretrício, de prostituição. 
(2) Certo. A presença dos elementos dêiticos subjetivos no texto, especialmente por 
meio da primeira pessoa do singular (―não me restabeleci‖, ―não suporto‖, ―Vivo 
agitado, cheio de terrores‖), destaca os sentimentos de angústia e inquietude do 
narrador-personagem. 
(3) Errada. O trecho ―Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me 
restabeleci completamente‖ não admite a seguinte reescritura ―Cerca de trinta 
dias atrás, levantei-me, porém, julgo que ainda não me recompus completamente‖, 
porque a vírgula após a conjunção ―porém‖ está errada. 
(4) Certo. Em ―Há criaturas que (= criaturas/ objeto direto de ―suporto‖) (eu) não 
suporto (v.t.d)‖ e em ―Certos lugares que (= certos lugares/sujeito de ―davam‖) me 
davam prazer tornaram-se odiosos‖, o vocábulo ―que‖ evidencia funções sintáticas 
diferentes. 
(5) Errado. No fragmento ―Outro larga uma opinião à-toa‖, o termo destacado tem 
função adjetiva e caracteriza o substantivo ―opinião‖. 
(6) Errado. No trecho ―À noite fecho as portas (oração coordenada), sento-me à mesa 
da sala de jantar (oração coordenada) , a munheca emperrada (termo nominal 
coordenado) , o pensamento vadio longe do artigo (termo nominal coordenado) 
que me pediram para o jornal (oração adjetiva restritiva)‖, a vírgula após ―noite‖ é 
opcional; as demais vírgulas separam uma sequência de orações coordenadas e 
termos nominais coordenados. 
(7) Certo. Em ―Em duas horas escrevo uma palavra: Marina. Depois, aproveitando 
letras deste nome, arranjo coisas absurdas: ar, mar, rima, arma, ira, amar‖, a 
substituição de ―deste‖ (retoma termo sintaticamente próximo) por ―desse‖ (refere-
se a nome já citado) não provocaria ambiguidade. 
(8) Certo. O período ―E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos (1)/ , 
oferecendo-se (2)/ como as mulheres da Rua da Lama (se oferecem) (3)‖ é 
composto por três orações. Observe que, nas orações comparativas, é comum o 
verbo ficar logicamente implícito. 
(9) Certo. Em ―As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis‖, o 
sinal de dois-pontos pode ser substituído pela conjunção ―porquanto‖ (= porque), 
precedida de vírgula, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência 
textual. 
(10) Certo. No trecho ―Penso em indivíduos e em objetos que não têm relação com os 
desenhos: processos, orçamentos, o diretor, o secretário, políticos, sujeitos 
remediados que me desprezam porque sou um pobre-diabo‖, a ausência do artigo 
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antes de alguns elementos da enumeração constitui opção semântico-estilística do 
redator. Enquanto vários elementos estão empregados com valor genérico, dois 
estão empregados com o valor individualizado exigido pela situação semântica. 
(11) Errado. Na linha 2, o verbo ―estará‖ pode ser substituído por ―estarão‖ para 
concordar com ―70%‖, mas, nesse caso, deve-se empregar também a forma 
―aglutinados‖. Portanto, há duas construções corretas com sujeito que apresenta 
núcleo percentual: ―70% da população do planeta estará aglutinada nas cidades‖ 
(concordância com o termo próximo); ―70% da população do planeta estarão 
aglutinados nas cidades‖ (concordância com o núcleo percentual). 
(12) Errado. O primeiro parágrafo do texto apresenta erro quanto à pontuação: 
―Abandonar a tranquilidade do campo, tem seus benefícios‖. Deve-se eliminar a 
vírgula após ―campo‖, pois não se pode separar o sujeito oracional da oração 
principal. 
(13) Errado. Em ―... até agora, não se tinha ideia de que isso provoca mudanças 
fisiológicas, que podem ser medidas por exames de imagem‖, a primeira 
ocorrência da palavra ―que‖ é, de fato, conjunção integrante que introduz oração 
subordinada substantiva completiva nominal (= complemento nominal de ―ideia‖). 
A segunda ocorrência é pronome relativo que não exerce a mesma função sintática 
do termo que ele retoma. O termo que a palavra ―que‖ retoma é ―mudanças 
fisiológicas‖, objeto direto do verbo ―provoca‖. Na oração seguinte, o pronome 
relativo ―que‖ (= mudanças fisiológicas) é sujeito de ―podem ser medidas‖. 
(14) Certo. No trecho ―A pressão a qual os participantes foram submetidos era a 
mesma‖, como o particípio ―submetidos‖ exige a preposição ―a‖, falta o sinal 
indicativo de crase e desencadeia-se um solecismo (= erro de sintaxe). Correção: 
―A pressão à qual os participantes foram submetidos era a mesma‖. 
(15) Certo. Em ―Outra área cerebral que exibiu um padrão diferente nos moradores dos 
grandes centros urbanos foi o córtex cingulado anterior, associado às emoções‖, a 
substituição de ―às‖ (―emoções‖ tem valor particularizado em virtude da presença 
do artigo ―as‖) por ―a‖ (―emoções‖ tem valor genérico em virtude da ausência do 
artigo definido ―as‖) altera as relações semânticas, mas não provoca erro 
gramatical. 
(16) Errado. O trecho ―Nenhum desses fatores influenciou significativamente a 
atividade cerebral‖ não admite concordância verbal com o termo mais próximo. 
Concorde apenas com o núcleo do sujeito ―Nenhum‖. 
(17) Errado. No trecho ―...eles tinham de resolver problemas de rotação mental, um 
tipo de experimento que usa imagens para avaliar a cognição‖, a vírgula introduz 
um aposto explicativo (―um tipo de experimento‖) seguido de oração subordinada 
adjetiva restritiva (―que usa imagens para avaliar a cognição‖). 
(18) Errado. Em ―No Brasil, o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística revelou que, dos 190.732.694 habitantes, 84% vivem em áreas 
urbanas‖, as vírgulas empregadas indicam, respectivamente, deslocamento de 
adjunto adverbial de lugar e interrupção de adjunto adnominal deslocado ( ―84% 
dos 190.732. 694 habitantes‖). 
(19) Errado. Em ―... assim como aspectos relacionados à saúde, ao humor, à 
personalidade e ao apoio social de cada participante‖, a combinação de 
preposição e artigo se faz necessária em relação aos vocábulos seguintes, a fim de 
não ferir o princípio da simetria sintático-semântica. 
(20) Errado. O trecho ―No artigo, os pesquisadores dizem (= afirmam) que o estudo 
pode ajudar a nortear políticas públicas integradas, que visem a diminuir (certo) os 
riscos de desenvolvimento de doenças mentais‖, não pode ser reescrito da 
seguinte forma, pois haverá prejuízo para a coerência textual: ―No artigo, os 
pesquisadores conjeturam (= supõem) que o estudo pode auxiliar a nortear 
políticas públicas integradas, que visem diminuir (certo) os riscos de 
desenvolvimento de doenças mentais‖. 
 
 
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PROVA 20 
 
Texto para os itens de 1 a 10 
 
A separação não nos esfriou. Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre 
mim e Capitu. Desde que a viu, animou-me muito no nosso amor. As relações que travou 
com o pai de Sancha estreitaram as que já trazia com Capitu, e fê-lo servir a ambos nós, 
como amigo. A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo, preferia José Dias, mas José Dias 
repugnava-me por um resto de respeito de criança. Venceu Escobar. Capitu entregou-lhe 
a primeira carta, que foi mãe e avó das outras. Nem depois de casado suspendeu ele o 
obséquio... Que ele casou, —adivinha com quem— casou com a boa Sancha, a amiga de 
Capitu, quase irmã dela, tanto que, alguma vez, escrevendo-me, chamava a esta a "sua 
cunhadinha." Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventurase os livros. 
(...) 
Quando saímos, tornei a falar com os olhos à dona da casa. A mão dela apertou 
muito a minha, e demorou-se mais que de costume(...). Senti ainda os dedos de Sancha 
entre os meus, apertando uns aos outros. Foi um instante de vertigem e de pecado. 
Passou depressa no relógio do tempo; quando cheguei o relógio ao ouvido, trabalhavam 
só os minutos da virtude e da razão. 
O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-me como se fosse a 
própria pessoa. Combati sinceramente os impulsos que trazia do Flamengo, rejeitei a 
figura da mulher do meu amigo, e chamei-me desleal. 
Demais, quem me afirmava que houvesse alguma intenção daquela espécie no 
gesto da despedida e nos anteriores? Tudo podia ligar-se ao interesse da nossa viagem. 
Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem juntas. Quando 
houvesse alguma intenção sexual, quem me provaria que não era mais que uma sensação 
fulgurante, destinada a morrer com a noite e o sono? Há remorsos que não nascem de 
outro pecado, nem têm maior duração. Agarrei-me a essa hipótese que se conciliava com 
a mão de Sancha, que eu sentia de memória dentro da minha mão, quente e demorada, 
apertada e apertando... 
 
Machado de Assis, D. Casmurro (fragmento) 
 
 Com base nas ideias, na tipologia e na estrutura linguísticas do texto, julgue os 
itens a seguir. 
 
(1) Narrado em primeira pessoa, o texto constitui uma alegoria subjetiva que visa 
mostrar, sob uma óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações humanas. 
(2) Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas entre mim e Capitu‖, os termos 
―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática. 
(3) No trecho ―As relações que travou com o pai de Sancha estreitaram as que já trazia 
com Capitu‖, as ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções 
morfossintáticas idênticas. 
(4) No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo‖, Machado de Assis constrói 
uma estrutura formada por uma oração principal seguida de uma oração 
subordinada substantiva reduzida de infinitivo; ademais, na oração principal o 
objeto indireto pleonástico tem a função de evitar ambiguidade. 
(5) Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, Machado 
de Assis se utiliza de linguagem com valor translato, com vistas a explicitar a ideia 
de que Capitu entregara mais de uma carta a Escobar. 
(6) No trecho ―Assim se formam as afeições e os parentescos, as aventuras e os 
livros‖, temos exemplo de voz passiva com sujeito paciente composto e agente 
indeterminado. 
(7) Em ―quando cheguei o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ foi empregado com 
regência transitiva direta e indireta. 
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(8) No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, falou-me 
como se fosse a própria pessoa‖, o termo ―O retrato de Escobar‖ é sujeito explícito 
de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, a estrutura conectiva ―como se‖ indica 
realidade virtual ou imaginária. 
(9) Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que seria um prazer mais para elas irem 
juntas‖, o vocábulo ―que‖ pode ser substituído por ―porquanto‖, sem prejuízo para 
a correção gramatical e para os sentidos do texto. 
(10) No último parágrafo, as formas verbais destacadas estão no singular porque 
o sujeito de cada uma delas é genérico ou indeterminado. 
 
Texto para os itens de 11 a 20 
 
Leia o texto seguinte para responder aos itens propostos. 
 
Um conhecido chegou, pediu licença, foi sentando e principiando a conversar. Não 
gostava de corridas nem de remo. Por natação sim, era doido. Só pode ter interesse por 
corrida quem tem um cavalo amigo do peito correndo. Aí, sim, se pode entusiasmar, 
torcer e até morrer de colapso. Mas a frio, escolher um puro-sangue desconhecido e 
gastar com ele o ouro dezoito quilates das nossas emoções, sem nenhuma ligação 
afetiva? Burrice. O mesmo com o remo; então a gente espicha o pescoço, vê um cara 
qualquer fazendo força nas pás e diz: "vou apostar naquele?" Não. Não era homem pra 
isso. Vem de trás uma gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro, no espaço. A 
mulher ria, ria por tudo e de tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também 
das coisas de chorar. Ria só com a garganta, sem um pingo de alma. E, bem pensado, é 
um ultraje ao sexo, um atentado à saúde pública o riso de uma mulher que não sabe rir. 
Todas as mulheres deveriam saber rir e as que não sabem deveriam aprender. E devia 
também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a qualquer hora 
do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir. Devia, mas não há. Por isso, aquela 
mulher irritava todo o mundo com a sua risada enervante. Olhei de novo. O jornal 
empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o lugar onde estavam a cadelinha 
e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de sepultura. Longe, no mar grosso, um 
pontinho e um braço acenando. Não se tratava de nenhum afogado. Era o amigo me 
dizendo adeus. Não havia mais nada. Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade 
numa tarde de sábado. O mar já tinha fechado o expediente e dava descanso à praia. 
Percebi que tinha começado a ser domingo. 
(Clarice Lispector, ―Hora em que começa o domingo‖.) 
 
Considerando as ideias do texto de Clarice Lispector bem como as estruturas 
linguísticas nele utilizadas, julgue os itens a seguir. 
 
(11) Infere-se do texto que a autora considera uma burrice o fato de seu conhecido 
gastar com um desconhecido puro sangue valores exorbitantes, sem que houvesse 
ligação emocional com o animal. 
(12) Na linha 1 do texto, as vírgulas foram empregadas para separar orações 
coordenadas entre si. 
(13) Em ―Por natação sim, era doido. Só pode ter interesse por corrida quem tem um 
cavalo amigo do peito correndo‖, os termos destacados desempenham igual 
função sintática. 
(14) A relação entre as ideias do texto admite que, em ―A mulher ria, ria por tudo e de 
tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também das coisas de 
chorar‖, o sinal de ponto depois de ―nada‖ seja substituído pelo sinal de ponto e 
vírgula, fazendo-se o devido ajuste na letra inicial maiúscula. 
(15) As regras gramaticais e a coerência textual permitem que o trecho ―E devia 
também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a 
qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir‖ admita a seguinte 
reescritura: ―E deviam também existir, na lei do silêncio, um artigo que condenasse 
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ao silêncio do riso, em qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não 
soubesse rir‖. 
(16) No trecho ―O jornal empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o lugar 
onde estavam a cadelinha e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de 
sepultura‖, pode-se, sem prejuízo para a correção gramatical, substituir ―onde‖ 
por ―em que‖ ou ―no qual‖; além disso, a forma verbal ―estavam‖ pode ser 
substituída por ―estava‖. 
(17) Em ―Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade numa tarde de sábado‖, há, 
em rigor, apenas uma oração absoluta. 
(18) No trecho ―A mulher ria, ria por tudo e de tudo, por nada e de nada‖ as duas 
ocorrências da preposição ―por‖ introduzem adjuntos adverbiais de causa, e as 
duas ocorrências da preposição ―de‖, complementos verbais indiretos. 
(19) As regras gramaticais e a coerência textual permitem que, em ―Vem de trás uma 
gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro,no espaço‖, o termo ―de 
mulher‖ seja registrado depois de ―gargalhada‖, o que dispensaria o emprego das 
vírgulas, a fim de tornar o texto mais claro. 
(20) No último período do texto, o complemento verbal de ―Percebi‖ é representado por 
uma oração desenvolvida. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Apesar de narrado em primeira pessoa, o texto não apresenta traços 
alegóricos (conotações, personificações, simbologias) para mostrar, sob uma 
óptica crítica, as dificuldades presentes nas relações humanas. Trata-se de uma 
narração subjetiva, em que o narrador também é personagem. 
(2) Certo. Em ―Ele [Escobar] foi o terceiro na troca das cartas (trocar cartas/ relação 
completiva) entre mim e Capitu (trocar entre mim e Capitu/ relação completiva)‖, os 
termos ―das cartas‖ e ―entre mim e Capitu‖ desempenham igual função sintática: 
são complementos nominais do substantivo abstrato cognato de verbo ―troca‖. 
(3) Certo. No trecho ―As relações que (= as quais) travou com o pai de Sancha 
estreitaram as (= aquelas relações) que (= as quais) já trazia com Capitu‖, as 
ocorrências da palavra ―que‖ desempenham funções morfossintáticas idênticas: 
são pronomes relativos com função sintática de objetos diretos. Substitua a 
palavra ―que‖ pelo antecedente: as relações (ele) travou com o pai de Sancha; 
aquelas relações (ele) já trazia com Capitu. Agora, observe a ordem direta: ele 
travou (v.t.d) as relações (o.d.) com o pai de Sancha; ele já trazia (v.t.d) aquelas 
relações (o.d.) com Capitu. Entendeu? 
(4) Certo. No fragmento ―A princípio, custou-lhe a ela aceitá-lo (= aceitar + o)‖, 
Machado de Assis constrói uma estrutura formada por uma oração principal 
(―custou-lhe a ela‖) seguida de uma oração subordinada substantiva reduzida de 
infinitivo (aceitá-lo). Que custou a ela? Aceitá-lo (sujeito oracional). Ademais, na 
oração principal o objeto indireto pleonástico tem, sim, a função de evitar 
ambiguidade. Caso a construção fosse somente ―Custou-lhe aceitar‖, ficaria o 
questionamento: custou a ele ou a ela aceitar? 
(5) Certo. Em ―Capitu entregou-lhe a primeira carta, que foi mãe e avó das outras‖, 
Machado de Assis se utiliza de linguagem com valor translato (= valor conotativo, 
figurado), com vistas a explicitar a ideia de que Capitu entregara mais de uma carta 
a Escobar. 
(6) Certo. No trecho ―Assim se (partícula apassivadora) formam (v.t.d.) as afeições e 
os parentescos, as aventuras e os livros (sujeito paciente composto posposto)‖, 
temos exemplo de voz passiva sintética ou pronominal, em virtude da presença da 
partícula apassivadora) com sujeito paciente composto e agente indeterminado. 
Observe que a voz passiva analítica confirma que o agente da passiva fica 
indeterminado: ―As afeições e os parentescos, as aventuras e os livros são 
formados‖ (por quem? = agente indeterminado). 
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(7) Certo. Em ―quando cheguei ( = aproximei) o relógio ao ouvido‖, o verbo ―cheguei‖ 
foi empregado com regência transitiva direta e indireta: o relógio (objeto direto) ao 
ouvido (objeto indireto). 
(8) Certo. No trecho ―O retrato de Escobar, que eu tinha ali, ao pé do de minha mãe, 
falou-me como se (ele = o retrato de Escobar) fosse a própria pessoa‖, o termo ―O 
retrato de Escobar‖ é sujeito explícito de ―falou‖ e implícito de ―fosse‖; além disso, 
a estrutura conectiva ―como se‖ (com valor comparativo e condicional) indica 
realidade virtual ou imaginária. Não era a própria pessoa (= realidade factual). Era 
apenas o retrato. 
(9) Errado. Em ―Sancha e Capitu eram tão amigas que = conjunção consecutiva) seria 
um prazer mais para elas irem juntas‖, o vocábulo ―que‖ não pode ser substituído 
por ―porquanto‖, conectivo que traduz ideia de causa ou explicação. 
(10) Errado. As ocorrências do verbo ―haver‖ (= existir) não apresentam sujeito e, 
portanto, são impessoais. No entanto, o verbo ―seria‖ apresenta a oração ―irem 
juntas‖ como sujeito. Observe: ―irem juntas seria um prazer mais para elas‖. 
(11) Errado. Releia o seguinte trecho: ―Um conhecido chegou, pediu licença, foi 
sentando e principiando a conversar. (Ele) Não gostava de corridas nem de remo. 
Por natação sim, era doido‖. O trecho seguinte se refere a qualquer pessoa, não ao 
conhecido. 
(12) Certo. Na linha 1 do texto, as vírgulas foram empregadas para separar orações 
coordenadas (independentes sintaticamente) entre si. 
(13) Certo. Em ―Por natação (complemento nominal do adjetivo ―doido‖) sim, era doido. 
Só pode ter interesse por corrida (complemento nominal do substantivo abstrato 
―interesse‖) quem tem um cavalo amigo do peito correndo‖, os termos destacados 
desempenham igual função sintática. 
(14) Certo. A relação entre as ideias do texto admite que, em ―A mulher ria, ria por tudo 
e de tudo, por nada e de nada. Devia rir das coisas de rir e também das coisas de 
chorar‖, o sinal de ponto depois de ―nada‖ seja substituído pelo sinal de ponto e 
vírgula, fazendo-se o devido ajuste na letra inicial maiúscula: ―A mulher ria, ria por 
tudo e de tudo, por nada e de nada; (ela) devia rir das coisas de rir e também das 
coisas de chorar‖. O sinal de ponto e vírgula separa períodos independentes 
sintaticamente entre si. 
(15) Errado. As regras gramaticais e a coerência textual permitem que o trecho ―E devia 
também haver na lei do silêncio um artigo condenando ao silêncio do riso, a 
qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não sabe rir‖ admita a seguinte 
reescritura: ―E devia também existir, na lei do silêncio, um artigo que condenasse 
ao silêncio do riso, em qualquer hora do dia ou da noite, uma mulher que não 
soubesse rir‖. Veja a ordem direta: ―um artigo devia existir‖. 
(16) Certo. No trecho ―O jornal empapado tinha sumido, era um pedaço morto de areia o 
lugar onde estavam a cadelinha e seu dono e eu sentia nas costas um silêncio de 
sepultura‖, pode-se, sem prejuízo para a correção gramatical, substituir o pronome 
relativo ―onde‖ por ―em que‖ ou ―no qual‖; além disso, a forma verbal ―estavam‖ 
pode ser substituída por ―estava‖, já que, com sujeito composto posposto, admite-
se a concordância apenas com o termo mais próximo (―a cadelinha‖). 
(17) Errado. Em ―Estava tudo tão quieto e tão vazio como a cidade numa tarde de 
sábado (está)‖, há, em rigor, duas orações. Nas orações subordinadas adverbiais 
comparativas, é comum o segundo verbo ficar implícito: ―Ela fala como um 
papagaio (fala). 
(18) Certo. No trecho ―A mulher ria, ria (v.t.i) por tudo (adjunto adverbial de causa) e de 
tudo (objeto indireto), por nada (adjunto adverbial de causa) e de nada (objeto 
indireto)‖ as duas ocorrências da preposição ―por‖ introduzem adjuntos adverbiais 
de causa, e as duas ocorrências da preposição ―de‖, complementos verbais 
indiretos. Entendeu? Um gesto positivo, por favor! 
(19) Errado. As regras gramaticais e a coerência textual não permitem que, em ―Vem 
de trás uma gargalhada terrível, de mulher, um risco de som duro, no espaço‖, o 
termo ―de mulher‖ seja registrado depois de ―gargalhada‖, o que dispensaria o 
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emprego das vírgulas, a fim de tornar o texto mais claro. Veja como ficaria o 
trecho: ――Vem de trás uma gargalhada de mulher terrível um risco de som duro, no 
espaço‖. O adjetivo ―terrível‖ deixaria de caracterizar ―uma gargalhada‖ e passaria 
a caracterizar ―mulher‖; além disso, o trecho ficaria incompreensível (incoerente) 
com a retirada das vírgulas. 
(20) Certo. No último período do texto, o complemento verbal de ―Percebi (v.t.d)‖ érepresentado por uma oração subordinada substantiva objetiva direta 
desenvolvida, haja vista o fato de a conjunção integrante ―que‖ estar explícita. Bom 
demais! 
 
 
PROVA 21 
 
TEXTO I 
 
Leia o texto abaixo para responder aos itens de 1 a 10. 
 
 ESTE QUINCAS BORBA, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas 
de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, 
herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. Logo 
que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição mediana e parcos meios de 
vida, mas tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco. Chamava-se 
Maria da Piedade. Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-
los. Piedade resistiu, um pleuris a levou. 
 Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens. Saberia Rubião que o 
nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-
lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho 
não se despegou do cérebro de Quincas Borba, nem antes, nem depois da moléstia que 
lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; 
o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único 
amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do 
enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. 
 Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis. Era real o desvelo 
de Rubião, paciente, risonho, múltiplo, ouvindo as ordens do médico, dando os remédios 
às horas marcadas, saindo a passeio com o doente, sem esquecer nada, nem o serviço da 
casa, nem a leitura dos jornais, logo que chegava a mala da Corte ou a de Ouro Preto. 
 ─ Tu és bom, Rubião, suspirava Quincas Borba. 
 ─ Grande façanha! Como se você fosse mau! 
 
 A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo 
devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-
lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente 
perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela 
certeza?... 
 ─ Lá isso, não, atalhou Rubião ─ para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um 
livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia... 
 ─ Não; mas filosofia é uma cousa, e morrer de verdade é outra; adeus. 
Quincas Borba (fragmento/capítulo IV). Obra Completa, de Machado de Assis, 
 vol. I, Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994. 
 Com base no texto, julgue os itens seguintes. 
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(1) Em ―... se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas‖, a 
estrutura ―se acaso‖ é equivalente a ―se caso‖ ou ―eventualmente‖, podendo ser 
substituída por qualquer uma dessas formas, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual. 
(2) O vocábulo ―inopinado‖ (linha 2) pode ser substituído por ―certo‖ ou ―convicto‖, 
sem alteração do sentido original. 
(3) O trecho ―Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de condição 
mediana e parcos meios de vida, mas tão acanhada que os suspiros no namorado 
ficavam sem eco‖ pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a 
correção gramatical e para a coer6encia textual: ―Assim que chegou, enamorou-se 
de uma viúva ─ senhora de condição mediana e modestos meios de vida ─ contudo, 
tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco‖. 
(4) Em ―Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-los‖, as 
vírgulas isolam oração subordinada adjetiva explicativa. 
(5) Em ―Piedade resistiu, um pleuris a levou‖, o vocábulo ―pleuris‖ foi empregado com 
valor translato. 
(6) No trecho ―Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens‖, a palavra 
―que‖ é, morfologicamente, pronome relativo e exerce função sintática de sujeito 
do verbo ―ligou‖. 
(7) Nos fragmentos ―... tinha-o por homem esquisito‖ e ―...que o deixou por herdeiro de 
seus bens‖, os termos destacados desempenham igual função sintática. 
(8) No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjetiva, 
significa ―que cresceram energicamente‖. 
(9) O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de seis‖, 
construído por meio de uma anástrofe, apresenta o sujeito simples posposto ao 
verbo. 
(10) Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, 
perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo‖, o acento grave indicador de 
crase é opcional; o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto; e a 
oração ―qual era o verdadeiro estado do amigo‖ classifica-se em subordinada 
substantiva objetiva direta. 
TEXTO II 
 
Leia o texto a seguir para responder aos itens de 11 a 20. 
 
A instrumentalização da cidadania e da soberania popular, em uma democracia 
contemporânea, faz-se pelo instituto da representação política. E a transformação da 
soberania popular em representação se dá, em grande parte, por meio da eleição. 
O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade, e não, a 
soma de indivíduos. Jurídica e constitucionalmente, a representação ―representa‖ o povo 
(e não, todos os indivíduos). Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do 
representante se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou 
cláusulas estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão predeterminados 
na Constituição e apenas nela. Estritamente, sequer é possível falar em representação, 
pois não há uma vontade pré-formada. Há a construção de uma vontade, limitada apenas 
aos contornos constitucionais. 
Eneida Desiree Salgado. Princípios constitucionais estruturantes do 
direito eleitoral. Tese de doutoramento. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, 2010. Internet: <http://dspace.c3sl.ufpr.br> (com adaptações). 
 
 
Julgue os itens de acordo com as informações presentes no texto e os seus 
aspectos linguísticos e tipológicos. 
 
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(11) O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. 
(12) O representante representa o indivíduo, ao passo que a representação ―(ou o 
conjunto de representantes)‖ (linhas 7 e 8) representa o povo. 
(13) A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) corresponderia aos anseios da ―soma de 
indivíduos‖ (linhas 4 e 5). 
(14) A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) poderia ser substituída por individual 
sem que houvesse alteração do sentido textual. 
(15) O instituto da representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a 
soberania popular são operacionalizadas. 
(16) A rede temática do texto permite afirmar que, mediante o processo eleitoral, é 
possível atender às necessidades de cada um dos cidadãos de uma nação. 
(17) O pronome ―ele‖ (linha 7) tem como referente o nome ―representante‖ (linha 6). 
(18) A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos contornos 
constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação constitucional‖. 
(19) Identifica-se no texto ambivalência estrutural, evidenciada pela presença de 
trechos tipicamente dissertativos e outros marcadamente narrativos. 
(20) Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma unidade‖, a 
palavra ―que‖ introduzoração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce 
função sintática de complemento verbal indireto. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
(1) Errado. Em ―... se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias Póstumas de Brás 
Cubas‖, a estrutura ―se acaso‖ é equivalente somente a ―se eventualmente‖ 
(conjunção condicional + advérbio). ―Se caso‖ é junção errada de duas conjunções 
condicionais. 
(2) Errado. O vocábulo ―inopinado‖ (linha 2) pode ser substituído por ―inesperado‖ ou 
―repentino‖, sem alteração do sentido original. 
(3) Errado. O trecho ―Logo que chegou, enamorou-se de uma viúva, senhora de 
condição mediana e parcos meios de vida, mas tão acanhada que os suspiros no 
namorado ficavam sem eco‖ pode ser reescrito da seguinte forma, sem prejuízo 
para a correção gramatical e para a coerênncia textual: ―Assim que chegou, 
enamorou-se de uma viúva ─ senhora de condição mediana e modestos meios de 
vida ─, contudo tão acanhada que os suspiros no namorado ficavam sem eco‖. 
Observe que a vírgula deve ser registrada antes da conjunção adversativa 
―contudo‖, e não depois dela. 
(4) Certo. Em ―Um irmão dela, que é o presente Rubião, fez todo o possível para casá-
los‖, as vírgulas isolam oração subordinada adjetiva explicativa, introduzida pelo 
pronome relativo ―que‖. 
(5) Errado. Em ―Piedade resistiu, um pleuris a levou‖, o vocábulo ―pleuris‖ foi 
empregado com valor literal, real (e não translato, conotativo). Pleuris, pleurisia ou 
pleurite é uma inflamação das pleuras pulmonares (parietal e visceral). 
(6) Errado. No trecho ―Foi esse trechozinho de romance que ligou os dois homens‖, a 
palavra ―que‖ é partícula expletiva ou de realce e não apresenta função sintática. 
Observe: Esse trechozinho de romance (foi que) ligou os dois homens. A estrutura 
―foi que‖ pode ser eliminada sem prejuízo morfossintático. Tem apenas a função de 
realçar o termo ―esse trechozinho de romance‖. Entendeu? 
(7) Certo. Nos fragmentos ―... tinha-o por homem esquisito‖ e ―...que o deixou por 
herdeiro de seus bens‖, os termos destacados desempenham igual função 
sintática: são predicativos do objeto direto, representado, nos dois casos, pelo 
pronome ―o‖. Observe, também, que a preposição ―por‖ tem valor de ―como‖. 
(8) Errado. No segundo parágrafo, a oração ―que foram a pique‖, com função adjetiva, 
significa ―que se afundaram, se arruinaram‖. 
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(9) Certo. O período ―Durou o cargo de enfermeiro mais de cinco meses, perto de 
seis‖, construído por meio de uma anástrofe (inversão sintática), apresenta o 
sujeito simples posposto ao verbo. Vejamos a ordem direta: ―O cargo de 
enfermeiro durou mais de cinco meses, perto de seis‖. 
(10) Certo. Em ―Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, 
perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo‖, o acento grave indicador de 
crase é opcional (até a); o pronome ―lhe‖ exerce função sintática de objeto indireto 
(o verbo ―perguntar‖ é transitivo direto e indireto) ; e a oração ―qual era o 
verdadeiro estado do amigo‖ classifica-se em subordinada substantiva objetiva 
direta. 
(11) Certo. O representante — um deputado federal, por exemplo — age conforme 
determinação legal constitucional, e não, segundo a vontade do povo. Releia o 
trecho: ―Além disso, não há propriamente mandato, pois a função do representante 
se dá nos limites constitucionais e não se determina por instruções ou cláusulas 
estabelecidas entre ele (ou o conjunto de representantes) e o eleitorado. As 
condições para o exercício do mandato e, no limite, seu conteúdo estão 
predeterminados na Constituição e apenas nela‖. 
(12) Errado. Segundo o texto, não há vontade individual no processo eleitoral. Em tese, 
o representante representa o povo. 
(13) Errado. A ―vontade pré-formada‖ (linha 10) não corresponderia aos anseios da 
―soma de indivíduos‖ (linhas 4 e 5), mas aos anseios do povo. 
(14) Errado. A expressão ―de indivíduos‖ (linhas 4 e 5) corresponde a um complemento 
nominal e, por isso, não poderia ser substituída por individual, visto que haveria 
alteração do sentido textual. 
(15) Certo. A leitura do primeiro parágrafo permite afirmar que o instituto da 
representação política constitui o meio pelo qual a cidadania e a soberania popular 
são operacionalizadas. 
(16) Errado. Mediante o processo eleitoral, não é possível atender às necessidades de 
cada um dos cidadãos de uma nação. Lembre-se de que, segundo o texto, os 
representantes representam o povo, e não a soma dos indivíduos que o formam. 
(17) Certo. O pronome ―ele‖ (linha 7) tem, claramente, como referente o nome 
―representante‖ (linha 6). 
(18) Certo. A correção gramatical do texto seria mantida caso a expressão ―aos 
contornos constitucionais‖ (linha 11) fosse substituída por ―à legislação 
constitucional‖. Observe o paralelismo (aos contornos/à legislação): preposição + 
artigo. 
(19) Errado. O texto é, fundamentalmente, dissertativo-argumentativo, porque o autor, 
durante todo o texto, expõe argumentos acerca de uma tese que defende. 
(20) Certo. Em ―O povo a que remete a ideia de soberania popular constitui uma 
unidade‖, a estrutura ―a que‖ (preposição + pronome relativo = ao qual) introduz 
oração subordinada adjetiva de caráter restritivo e exerce função sintática de 
complemento verbal indireto (O.I.) de ―remete‖. Observe: a ideia de soberania 
popular remete (v.t.i) ao povo (O.I.). 
 
 
PROVA 22 
 
Texto para os itens de 1 a 5 
 
São 21 milhões de brasileiros entre 12 e 17 anos, 8 milhões deles com o futuro 
comprometido pela baixa escolaridade e renda da família às quais pertencem. Os 
números nem chegam a surpreender a quem convive com esses jovens. Mas é de 
estranhar o fato de uma população tão expressiva e estratégica para o desenvolvimento 
do País continuar em segundo plano nas políticas públicas e na ação da sociedade. 
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Hoje, o Brasil gasta em torno de R$ 3 bilhões anuais em programas de renda mínima. É 
o caso do Bolsa Escola e do Bolsa Alimentação. Os dois benefícios estão dirigidos ao 
mesmo público — famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo. O 
problema é que a cobertura dos programas atinge somente os que têm até 15 anos de 
idade. 
O relatório sobre a adolescência brasileira, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas 
para Infância (Unicef) deixa clara a insuficiência dessas iniciativas na garantia de um 
futuro melhor para os jovens. A maioria dos garotos com 15 anos, data em que cessam os 
benefícios do Bolsa Escola, sequer terminou o ensino fundamental. A falta de qualidade 
do ensino público torna o quadro ainda mais grave. Adolescentes no 7º e 8º anos muitas 
vezes são incapazes de compreender um bilhete ou realizar operações matemáticas 
simples. Também não encontram oportunidades de estágio ou profissionalização. 
No momento em que as famílias deixam de receber o auxílio do governo, a pressão que 
nunca deixou de existir para que os filhos ganhem dinheiro aumenta. Segundo o Unicef, 
3,3 milhões de adolescentes estão no mercado de trabalho, sempre de forma precoce e 
precária. É a continuidade de um ciclo de exclusão que os programas de renda mínima 
foram criados para quebrar. No final das contas, boa parte do investimento feito na 
infância se perde pela falta de apoio a essa faixa etária. Políticas de renda mínima, 
entretanto, não podem sozinhas resolver as carências da juventude. É vital que os 
garotos tenham oportunidade de desenvolver seus talentos dentro e fora da sala de aula.Depoimentos de meninos e meninas de todas as classes dão uma dimensão de como a 
escola, pública e particular, falha por desperdiçar as habilidades dos alunos, por não 
aproveitá-la de nenhuma forma. 
(Correio Braziliense, com adaptações) 
 
Com respeito à organização das ideias do texto, julgue os itens a seguir. 
 
(1) O texto pode ser assim sintetizado: a insuficiência dos programas de renda mínima 
e a falta de qualidade do ensino público são os principais problemas que afetam as 
políticas públicas e a ação da sociedade brasileira. 
(2) Depreende-se, da argumentação do texto, a seguinte síntese de ideias, redigida, 
desta vez, sob a forma de um título: Juventude desperdiçada. 
(3) O trecho a seguir serviria como fechamento para a argumentação do texto: 
Segundo o Unicef, somente 24% dos adolescentes brasileiros têm acesso a alguma 
atividade complementar como capoeira, artes, música e teatro. Como recomendou 
o próprio Unicef, é urgente que todas as políticas públicas, principalmente as de 
educação, sejam reorganizadas para apoiar os jovens. Do contrário, o 
desenvolvimento futuro do Brasil estará irremediavelmente comprometido. 
(4) No que diz respeito à progressividade de ideias, adotou-se o seguinte esquema no 
texto: número de jovens com o futuro comprometido – programas de renda mínima 
adotados no Brasil – incapacidade dos adolescentes de compreender aspectos 
linguísticos e matemáticos – inserção dos adolescentes no mercado de trabalho – 
falha da escola por desperdiçar habilidades dos alunos. 
(5) Infere-se do texto que o autor é favorável ao aprimoramento das políticas públicas, 
especialmente educacionais, a fim de não expor a perigo o futuro de milhões de 
jovens brasileiros e do País. 
 
Texto para os itens de 6 a 10 
 
Mal os Carapicus sentiram a aproximação dos rivais, um grito de alarma ecoou por 
toda a estalagem e o rolo dissolveu-se de improviso, sem que a desordem cessasse. Cada 
qual correu à casa, rapidamente, em busca do ferro, do pau e de tudo que servisse para 
resistir e para matar. Um só impulso os impelia a todos; já não havia ali brasileiros e 
portugueses, havia um só partido que ia ser atacado pelo partido contrário; os que se 
batiam ainda há pouco emprestavam armas uns aos outros, limpando com as costas da 
mão o sangue das feridas. Agostinho, encostado ao lampião do meio do cortiço, cantava 
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em altos berros uma coisa que lhe parecia responder à música bárbara que entoavam lá 
fora os inimigos; a mãe dera-lhe licença, a pedido dele, para pôr um cinto de Neném, em 
que o pequeno enfiou a faca da cozinha. Um mulatinho franzino, que até aí não fora 
notado por ninguém no São Romão, postou-se defronte da entrada, de mãos limpas, à 
espera dos invasores; e todos tiveram confiança nele, porque o ladrão, além de tudo, 
estava rindo. 
O cortiço , Aluísio Azevedo. 
 
Com base no texto, julgue os itens. 
 
(6) Em ―Mal os Carapicus sentiram a aproximação dos rivais‖ (l.1) , o termo destacado 
constitui, sintaticamente, complemento nominal. 
(7) No trecho ―...cantava em altos berros uma coisa que lhe parecia responder à 
música bárbara que entoavam lá fora os inimigos‖ (l. 7-8), destacaram-se 
pronomes relativos que exercem, respectivamente, as funções sintáticas de sujeito 
e objeto direto. 
(8) Em ―Um só impulso os impelia a todos‖, temos estrutura sintática pleonástica. 
(9) Em vez de ―já não havia ali brasileiros e portugueses‖, também estaria correto em 
estilo formal culto ―já não haviam ali brasileiros e portugueses‖. 
(10) O acento grave em ―à espera dos invasores‖ justifica-se por se tratar de locução 
conjuntiva com núcleo feminino. 
 
Texto para os itens de 11 a 15 
 
Seis meses após inventado, o cinema chegou ao Brasil. A primeira sala exibidora 
inaugurou-se na rua do Ouvidor, Rio de Janeiro, em julho de 1897, e 15 anos depois os 
filmes eram a diversão favorita dos brasileiros. No entanto, as produções eram 
esporádicas. Acreditam os pesquisadores ter sido o italiano Afonso Segreto o primeiro a 
registrar imagens do país com uma câmara, em 1898, e nos primeiros dez anos só se 
produziram alguns filmes de atualidades e ficção de curta-metragem. Mas de 1908 a 1911 
fizeram-se películas de todos os gêneros: melodramas, épicos, comédias, dramas 
históricos, adaptações de peças teatrais, obras religiosas e sátiras políticas como Pega 
na chaleira, sobre os bajuladores do senador Pinheiro Machado. 
O cinema brasileiro. Paulo Pisaro. 
 
(11) A regência do verbo ―chegar‖ em ―... o cinema chegou ao Brasil‖ (l. 1) é a mesma 
que se verifica em ―O bêbedo chegou o copo ao braço‖. 
(12) No segundo período, a palavra ―se‖ constitui partícula apassivadora, e o sujeito 
está anteposto ao verbo. 
(13) O antônimo de ―esporádicas‖ (l. 3) é ―corriqueiras‖. 
(14) Em ―só se produziram alguns filmes de atualidades‖ (l. 3) e em ―fizeram-se 
películas de todos os gêneros‖ (l .5), os termos destacados desempenham igual 
função sintática. 
(15) No último período, temos aposto enumerativo. 
 
Texto para os itens de 16 a 20 
 
Segundo a mitologia grega, Posêidon, deus do mar, enviou a Minos, rei de Creta, 
um touro branco que deveria ser sacrificado em sua honra. Deslumbrado com a beleza do 
animal, o monarca guardou-o para si. Em represália, Posêidon despertou na rainha 
Pasífae uma doentia paixão pelo animal. Da união, nasceu o Minotauro, ser monstruoso 
com corpo de homem e cabeça de touro. 
Logo após seu nascimento, o Minotauro foi levado ao labirinto, construído pelo 
arquiteto e inventor Dédalo e de onde ninguém conseguia sair. Anos mais tarde, Minos 
declarou guerra a Atenas, para vingar o assassinato de seu irmão Androgeu. Vitorioso, 
exigiu que os vencidos enviassem, a cada nove anos, sete rapazes e sete virgens para 
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serem devorados pelo Minotauro. Quando os atenienses se preparavam para pagar pela 
terceira vez o tributo, Teseu se ofereceu como voluntário. Penetrou no labirinto, matou o 
Minotauro e, guiado por um fio que lhe fora dado por Ariadne, filha de Minos, escapou de 
Creta em sua companhia e na de seus companheiros atenienses. 
Enciclopédia Britânica do Brasil 
 
(16) Os sintagmas nominais ―Posêidon‖(l. 1) , ―Minos‖ (l. 1) e ―Minotauro‖ (l. 4), no 
primeiro parágrafo, vêm seguidos de aposto explicativo cada um. 
(17) Em ―... uma doentia paixão pelo animal‖ (l. 3), o termo destacado constitui 
complemento nominal. 
(18) Em ―... exigiu que os vencidos enviassem‖ (l. 5), o primeiro verbo exige 
complemento representado por uma oração. 
(19) Em ―Teseu se ofereceu como voluntário‖ (l. 7), o verbo indica ação reflexiva em 
virtude do pronome ―se‖. 
(20) Em ―...guiado por um fio que lhe fora dado por Ariadne‖ (l. 7), destacaram-se 
agentes da voz passiva. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Certo. O texto pode ser assim sintetizado: a insuficiência dos programas de renda 
mínima (Releia: ―O relatório sobre a adolescência brasileira, divulgado pelo Fundo 
das Nações Unidas para Infância ─ Unicef deixa clara a insuficiência dessas 
iniciativas na garantia de um futuro melhor para os jovens‖) e a falta de qualidade 
do ensino público (Releia: ―A falta de qualidade do ensino público torna o quadro 
ainda mais grave‖) são os principais problemas que afetam as políticas públicas e a 
ação da sociedade brasileira. 
(2) Certo. Depreende-se, da argumentação do texto, especialmente por meio do último 
parágrafo, que se conecta com os anteriores, a seguinte síntese de ideias, 
redigida, desta vez, soba forma de um título: Juventude desperdiçada. Corrobora 
essa proposta especialmente o último período. 
(3) Certo. O trecho a seguir serviria como fechamento para a argumentação do texto, 
por garantir progressividade e sequência lógica do pensamento: Segundo o 
Unicef, somente 24% dos adolescentes brasileiros têm acesso a alguma atividade 
complementar como capoeira, artes, música e teatro. Como recomendou o próprio 
Unicef, é urgente que todas as políticas públicas, principalmente as de educação, 
sejam reorganizadas para apoiar os jovens. Do contrário, o desenvolvimento futuro 
do Brasil estará irremediavelmente comprometido. 
(4) Errado. No que diz respeito à progressividade de ideias, adotou-se o seguinte 
esquema no texto: número de jovens com o futuro comprometido – programas de 
renda mínima adotados no Brasil – insuficiência dos programas governamentais na 
garantia de um futuro melhor para os jovens e falta de qualidade do ensino público 
– inserção dos adolescentes no mercado de trabalho – falha da escola por 
desperdiçar habilidades dos alunos. 
(5) Certo. Infere-se do texto que o autor é favorável ao aprimoramento das políticas 
públicas, especialmente educacionais, a fim de não expor a perigo 
(―irremediavelmente comprometido‖) o futuro de milhões de jovens brasileiros e do 
País. Isso se confirma com a proposta de inserção de fechamento sugerido pelo 
item 3. Entendeu? 
(6) Errado. Em ―Mal os Carapicus sentiram a aproximação dos rivais‖, o termo 
destacado constitui, sintaticamente, adjunto adnominal (relação subjetiva: os rivais 
se aproximaram). 
(7) Certo. No trecho ―...cantava em altos berros uma coisa que (= a qual/ uma coisa) 
lhe parecia responder à música bárbara (ordem: uma coisa /sujeito/ lhe parecia 
responder à música bárbara) que (= a qual/ a música bárbara) entoavam lá fora os 
inimigos (ordem: os inimigos entoavam /v.t.d/ a música bárbara /O.D./ lá fora)‖ , 
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destacaram-se pronomes relativos que exercem, respectivamente, as funções 
sintáticas de sujeito e objeto direto. 
(8) Certo. Em ―Um só impulso os (objeto direto) impelia (v.t.d) a todos (objeto direto 
preposicionado pleonástico)‖, temos estrutura sintática pleonástica. 
(9) Errado. Em vez de ―já não havia (= existir) ali brasileiros e portugueses‖, também 
estaria correto em estilo formal culto ―já não haviam ali brasileiros e portugueses‖. 
Nesse caso, não admite a forma plural ―haviam‖ por não apresentar sujeito plural. 
(10) Errado. O acento grave em ―à espera dos invasores‖ justifica-se por se tratar de 
locução prepositiva com núcleo feminino: ―à espera de‖. 
(11) Errado. A regência do verbo ―chegar‖ em ―... o cinema chegou (verbo intransitivo) 
ao Brasil (adjunto adverbial de lugar)‖ não é a mesma que se verifica em ―O bêbedo 
chegou (verbo transitivo direto e indireto) o copo (objeto direto) ao braço (objeto 
indireto)‖. 
(12) Certo. No segundo período, a palavra ―se‖ constitui partícula apassivadora, e o 
sujeito está anteposto ao verbo: ―A primeira sala exibidora (sujeito paciente 
anteposto ao verbo) inaugurou-se (verbo transitivo direto + partícula apassivadora 
= foi inaugurada) na rua do Ouvidor (adjunto adverbial de lugar). 
(13) Certo. O antônimo (oposto) de ―esporádicas (casuais)‖ é ―corriqueiras 
(frequentes)‖. 
(14) Certo. Em ―só se (partícula apassivadora) produziram (v.t.d) alguns filmes de 
atualidades‖ (sujeito paciente) e em ―fizeram (v.t.d) –se (partícula apassivadora) 
películas de todos os gêneros‖ (sujeito paciente), os termos destacados 
desempenham igual função sintática. 
(15) Certo. No último período, temos aposto enumerativo, que reitera ou reforça 
―películas de todos os gêneros‖. 
(16) Certo. Claramente, os sintagmas nominais ―Posêidon‖ (l. 1) , ―Minos‖ (l. 1) e 
―Minotauro‖ (l. 4), no primeiro parágrafo, vêm seguidos de aposto explicativo cada 
um. 
(17) Certo. Em ―... uma doentia paixão pelo animal‖ (l. 3), o termo destacado constitui 
complemento nominal (relação completiva: a ―paixão‖ recai sobre ―o animal‖). O 
termo preposicionado completa, portanto, o substantivo abstrato. 
(18) Certo. Em ―... exigiu (v.t.d) que os vencidos enviassem‖ (l. 5), o primeiro verbo exige 
complemento representado por uma oração subordinada substantiva objetiva 
direta 
(19) Certo. Em ―Teseu (sujeito) se (= Teseu/objeto direto reflexivo) ofereceu como 
voluntário (predicativo do objeto)‖, o verbo indica ação reflexiva em virtude do 
pronome ―se‖. 
(20) Certo. Em ―... (foi) guiado por um fio que lhe fora dado por Ariadne‖ (l. 7), 
destacaram-se agentes da voz passiva analítica. Entendeu tudo? Um gesto 
positivo, por favor. 
 
 
PROVA 23 
 
TEXTO I 
 
Época de eleições sempre é muito agitada. Incrível como muitos aspectos da 
política se assemelham com religião, dado o fervor com que os adeptos de um ou outro 
candidato discutem. Seria essa tendência a unir toda forma de poder e, 
consequentemente, toda forma de defender esse poder algo intrínseco de nossa 
personalidade? Esse é um bom tema para trabalhos de psicologia evolutiva, mas não é 
sobre isso que quero escrever agora. O assunto desse tópico, na verdade, é um pouco 
mais amplo, para discutir pequenos aspectos de nosso processo eleitoral. Em primeiro 
lugar, por que é que temos eleições? Acho que a resposta mais óbvia é que nosso sistema 
é de uma democracia indireta, ou seja, o povo em si não participa de todos os passos da 
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elaboração das leis e do governo em si, mas, na verdade, elege seus representantes. No 
Brasil, elegemos diretamente representantes para os poderes Executivo e Legislativo. 
O primeiro aspecto que quero discutir é sobre justamente o processo de eleição. O 
voto no Brasil é obrigatório. Todo cidadão acima de dezoito anos tem o dever de 
comparecer no dia e período predeterminados à sua seção eleitoral e depositar seu voto 
na urna. O voto é facultativo apenas para jovens entre dezesseis e dezoito anos e 
eleitores com mais de setenta, de acordo com a Constituição Federal, no artigo 14. 
Embora haja discussão sobre isso, penso que se trata de termos o dever de exercer nosso 
direito de escolher nossos representantes! Isso soa muito estranho. Entretanto, para um 
povo que precisa de uma lei para não votar em políticos corruptos talvez não seja tão 
estranha assim. Na realidade, parece existir um medo generalizado da classe política de 
nos dar efetivamente este direito. Um medo de haver um esvaziamento de eleitores pelo 
menos nas primeiras eleições, o que, na minha opinião, demonstraria o tamanho da 
indignação do povo com tanta corrupção vista nessa classe. Por outro lado, embora 
tenhamos o dever de comparecer às urnas, não somos obrigados a escolher entre um ou 
outro candidato. Temos a possibilidade de votar em branco ou nulo. Essa me parece a 
opção mais democrática e ideal para dar nosso voto de protesto. Vale lembrar que 
escolher essa opção implica invalidar um voto, tornando a quantidade de votos válidos 
para que um candidato se eleja em primeiro turno, por exemplo, menor. 
Rubens Pazza, Folha de São Paulo (com adaptações) 
 
 
Julgue os itens a seguir com base nos aspectos morfossintáticos e estilísticos do 
texto. 
 
(1) Em ―O primeiro aspecto que quero discutir é sobre justamente o processo de 
eleição‖, há indícios de subjetividade no texto em razão da presença da função 
dêitica, o que não ocorre em ―Temos a possibilidade de votar em branco ou nulo‖, 
em que há objetividade. 
(2) Na linha 2 do texto, o pronome relativo ―que‖,precedido da preposição ―com‖, 
exerce função sintática de objeto indireto. 
(3) Em ―..., por que é que temos eleições?‖ e em ―…a resposta mais óbvia é que nosso 
sistema é de uma democracia indireta‖, as ocorrências destacadas da palavra 
―que‖ têm função expletiva. 
(4) Em ―…mas não é sobre isso‖ e em ―Embora haja discussão sobre isso‖, os 
conectivos destacados estão no campo da oposição semântica. Destaque-se que o 
primeiro elemento é adversativo e ocorre nas relações de coordenação, e o 
segundo elemento é concessivo e ocorre nas relações de subordinação. 
(5) Na antepenúltima linha do texto, a preposição ―em‖ pode ser registrada após o 
verbo ―implicar‖, sem que se fira a gramática tradicional ou diacrônica. 
(6) O trecho ―... embora tenhamos o dever de comparecer às urnas, não somos 
obrigados a escolher entre um ou outro candidato‖ admite a seguinte reescritura, 
sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual: ―...conquanto 
se tem o dever de comparecer às urnas, não somos obrigados a escolher dentre 
um ou outro candidato‖. 
(7) O texto de Rubens Pazza não evidencia, nos dois parágrafos, elementos dêiticos. 
(8) No primeiro período do segundo parágrafo a preposição ―sobre‖ pode ser 
eliminada, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(9) No trecho ―Na realidade, parece existir um medo generalizado da classe política de 
nos dar efetivamente este direito. Um medo de haver um esvaziamento de eleitores 
pelo menos nas primeiras eleições, o que, na minha opinião, demonstraria o 
tamanho da indignação do povo com tanta corrupção vista nessa classe‖, os 
termos destacados são, respectivamente, do ponto de vista sintático, adjunto 
adnominal, adjunto adnominal e complemento nominal. 
 
 
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autorização do autor. 
TEXTO II 
 
Um cientista muito preocupado com os problemas do mundo passava dias em seu 
laboratório, tentando encontrar meios de minorá-los. 
Certo dia, seu filho de 7 anos de idade invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo. 
O cientista, nervoso pela interrupção, tentou fazer o filho brincar em outro lugar. 
Vendo que seria impossível, procurou algo que pudesse distrair a criança. De repente, 
deparou com o mapa do mundo. Estava ali o que procurava. Recortou o mapa em vários 
pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo: 
— Você gosta de quebra-cabeça? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui 
está ele todo quebrado. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho. Mas faça tudo 
sozinho. 
Pelos seus cálculos, a criança levaria dias para recompor o mapa. Passadas 
algumas horas, ouviu o filho chamando-o calmamente. A princípio, o pai não deu crédito 
às palavras do filho. Seria impossível na sua idade conseguir recompor um mapa que 
jamais havia visto. 
Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um 
trabalho digno de uma criança. Para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os 
pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como seria possível? Como o 
menino havia sido capaz? 
— Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu? 
— Pai, eu não sabia como era o mundo, mas, quando você tirou o papel da revista 
para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o 
mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que lembrei do homem, virei os 
recortes e comecei a consertar o homem que 
eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia 
consertado o mundo! 
 
Autor anônimo. Mensagem que circulou por e-mail em fev./2004 (com adaptações). 
 
Julgue os itens subsequentes, quanto às ideias, à tipologia textual e à 
morfossintaxe do texto. 
 
(10) O texto, predominantemente descritivo-expositivo, conta o espanto de um homem 
diante da esperteza de seu filho. 
(11) Os termos ―com os problemas do mundo‖ (linha 1), ―pela interrupção‖ (linha 3) e 
―de uma criança‖ (linha 13), são complementos nominais, respectivamente, dos 
adjetivos ―preocupado‖, ―nervoso‖ e ―digno‖. 
(12) A expressão ―A princípio‖ (linha 11) pode ser substituída por ―em princípio‖, sem 
prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
(13) Em ―Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?‖ e em ―Pai, eu 
não sabia como era o mundo‖, os termos ―meu filho‖ e ―Pai‖ têm, respectivamente, 
função apositiva e vocativa. 
(14) A construção ―Foi aí que lembrei do homem‖ obedece aos princípios de regência 
da norma culta da língua portuguesa. 
(15) No sexto parágrafo, o adjetivo ―Relutante‖ pode ser deslocado para depois de 
―cientista‖, com o emprego da inicial minúscula, dispensando-se o uso de qualquer 
sinal de pontuação, uma vez que a construção fraseológica estará na ordem direta. 
 
 
TEXTO III 
 
 Leia o texto a seguir para responder às questões seguintes. 
 
A Carolina 
 
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Querida ao pé do leito derradeiro 
Em que descansas dessa longa vida, 
Aqui venho e virei pobre querida 
Trazer-te o coração do companheiro. 
 
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro 
Que, à despeito de toda a humana lida, 
Fez a nossa existência apetecida 
E num recanto pos um mundo inteiro. 
 
Trago-te flores ─ restos arrancados 
Da terra que nos viu passar unidos 
E ora mortos nos deixa e separados. 
 
Que eu, se tenho nos olhos malferidos 
Pensamentos de vida formulados, 
São pensamentos idos e vividos. 
 
 (Machado de Assis. In: LINS, Álvaro & BUARQUE DE HOLANDA, Aurélio/ adaptado.) 
 
Com base no texto, julgue os itens seguintes. 
 
(16) O termo ―Em que‖ (v. 2) representa, sintaticamente, adjunto adverbial. 
(17) O verbo ―Pulsa‖ (v. 5) classifica-se, quanto à predicação, como transitivo direto e 
indireto. 
(18) No verso ―Da terra que (A) nos (B) viu passar unidos (C)‖, destacaram-se, 
respectivamente: (A) sujeito do verbo ―viu‖; (B) sujeito do verbo ―passar‖; (C) 
predicativo do sujeito ―nos‖. 
(19) Em ―Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro/ Que, a despeito de toda a humana lida, / Fez 
a nossa existência apetecida, destacaram-se os núcleos de um predicado verbo-
nominal. 
(20) Considerando que o texto foi adaptado para a realização desta prova, provocaram-
se erros de natureza gramatical nos versos 1, 3, 6 e 8. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. Em ―O primeiro aspecto que (eu) quero discutir é sobre justamente o 
processo de eleição‖ há indícios de subjetividade no texto em razão da presença 
da função dêitica (―eu‖: dêitico subjetivo, marca de quem redige o texto). Em ―(Nós) 
Temos a possibilidade de votar em branco ou nulo‖, a subjetividade é transferida: 
―Nós‖ (inclusive ―eu‖). 
(2) Errado. Na linha 2 do texto, o pronome relativo ―que‖, precedido da preposição 
―com‖, exerce função sintática de adjunto adverbial de modo. Veja: ―dado o fervor 
com que os adeptos de um ou outro candidato discutem‖. Como o pronome relativo 
―que‖ retoma ―fervor‖, obtém-se: ―... os adeptos de um ou outro candidato 
discutem com fervor (aspectos da política e da religião)...‖. Portanto, discutem 
―com fervor‖. ―fervorosamente‖. 
(3) Errado. Em ―..., por que é que temos eleições?‖, há a função expletiva (―por que 
temos eleições), mas em ―…a resposta mais óbvia é que nosso sistema é de uma 
democracia indireta‖, temos conjunção integrante que introduz oração 
subordinada substantiva predicativa. 
(4) Certo. De fato, em ―…mas não é sobre isso‖ e em ―Embora haja discussão sobre 
isso‖, os conectivos destacados estão no campo da oposição semântica. Destaque-
seque o primeiro elemento é adversativo e ocorre nas relações de coordenação, e 
o segundo elemento é concessivo e ocorre nas relações de subordinação. 
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(5) Errado. Na antepenúltima linha do texto, a preposição ―em‖ não pode ser 
registrada após o verbo ―implicar‖, sem que se fira a gramática tradicional ou 
diacrônica. Segundo esta, o verbo ―implicar‖, com a acepção de ―acarretar‖, é 
transitivo direto. 
(6) Errado. O trecho ―... embora tenhamos o dever de comparecer às urnas, não 
somos obrigados a escolher entre um ou outro candidato‖ não admite a seguinte 
reescritura, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual: 
―...conquanto se tem o dever de comparecer às urnas, não somos obrigados a 
escolher dentre um ou outro candidato‖. O emprego do conectivo concessivo 
―conquanto‖ exige o emprego do verbo do modo subjuntivo: ―tenha‖. Ademais, a 
forma ―dentre‖ (com valor de ―do meio de‖) não cabe no contexto. Deve-se usar a 
forma ―entre‖. 
(7) Errado. O texto de Rubens Pazza evidencia, nos dois parágrafos, elementos 
dêiticos, marcas de quem redige: ―Acho‖, ―quero discutir‖, ―na minha opinião‖ e 
outras. 
(8) Certo. No primeiro período do segundo parágrafo a preposição ―sobre‖ pode ser 
eliminada, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
Veja: ―O primeiro aspecto que quero discutir é justamente o processo de eleição‖. 
Nesse caso, a oração principal apresenta a estrutura de sujeito, verbo de ligação e 
predicativo, sem prejuízo para a correção gramatical: ―O primeiro aspecto (sujeito) 
é (verbo de ligação) justamente o processo de eleição (predicativo do sujeito)‖. 
(9) Certo. No trecho ―Na realidade, parece existir um medo generalizado da classe 
política (relação subjetiva: o medo parte da classe política) de nos dar efetivamente 
este direito. Um medo de haver um esvaziamento de eleitores pelo menos nas 
primeiras eleições, o que, na minha opinião, demonstraria o tamanho da 
indignação do povo (relação subjetiva: a indignação parte do povo) com tanta 
corrupção vista nessa classe (relação completiva: a indignação recai sobre a 
corrupção)‖, os termos destacados são, respectivamente, do ponto de vista 
sintático, adjunto adnominal (relação subjetiva), adjunto adnominal (relação 
subjetiva) e complemento nominal (relação completiva). 
(10) Errado. O texto, predominantemente narrativo, conta o espanto de um homem 
diante da esperteza de seu filho. 
(11) Errado. No trecho ―O cientista, (que ficou) nervoso pela interrupção, tentou fazer o 
filho brincar‖, o termo ―pela interrupção‖ indica a causa de o cientista ter ficado 
nervoso. Portanto, tem-se um adjunto adverbial de causa. 
(12) Errado. A expressão ―A princípio‖ (= Em primeiro lugar) não pode ser substituída 
por ―em princípio‖ (= em tese). As expressões apresentam valores semânticos 
diferentes. 
(13) Errado. Em ―Você não sabia como era o mundo, meu filho, como conseguiu?‖ e em 
―Pai, eu não sabia como era o mundo‖, os termos ―meu filho‖ e ―Pai‖ têm função 
vocativa, uma vez que servem para chamar alguém. 
(14) Errado. A construção ―Foi aí que lembrei do homem‖ obedeceria aos princípios de 
regência da norma culta da língua portuguesa se fosse escrita assim: ―Foi aí que 
me lembrei do homem‖ (lembrar-se de). 
(15) Errado. No sexto parágrafo, o adjetivo ―Relutante‖ pode ser deslocado para depois 
de ―cientista‖, com o emprego da inicial minúscula e das vírgulas (para preservar a 
função predicativa e o sentido original): ―O cientista, relutante, levantou os olhos 
de suas anotações...‖. 
(16) Certo. O termo ―Em que‖ (v. 2) representa, sintaticamente, adjunto adverbial 
adjunto adverbial de lugar. Como o pronome relativo ―que‖ retoma ―o leito 
derradeiro‖, obtém-se: ―No leito derradeiro (tu) descansas desta longa vida‖. Veja 
a ordem direta: ―Tu (sujeito) descansas (v.t.i.) desta longa vida (objeto indireto) no 
leito derradeiro (adjunto adverbial de lugar). 
(17) Errado. O verbo ―Pulsa‖ (v. 5) classifica-se, quanto à predicação, como transitivo 
indireto. Veja a ordem direta: ―Aquele afeto verdadeiro (sujeito) pulsa (v.t.i.) – lhe 
(objeto indireto). 
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(18) Certo. No verso ―Da terra que (A) nos (B) viu passar unidos (C)‖, destacaram-se, 
respectivamente: (A) sujeito do verbo ―viu‖ (o pronome relativo ―que‖ retoma ―a 
terra‖ ; (B) sujeito do verbo ―passar‖ (nós – representado por ―nos‖ – passamos 
unidos); (C) predicativo do sujeito ―nos‖ (―unidos tem valor adjetivo e caracteriza o 
sujeito ―nos‖ – com valor de ―nós‖. 
(19) Certo. Em ―Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro/ Que, a despeito de toda a humana 
lida,/ Fez a nossa existência apetecida, destacaram-se os núcleos de um predicado 
verbo-nominal. O verbo transitivo direto (―Fez‖) e o predicativo do objeto 
(―apetecida‖ = predicativo do objeto direto ―existência‖) são núcleos 
concomitantes do predicado. Portanto, o predicado é verbo-nominal. 
(20) Certo. Considerando que o texto foi adaptado para a realização deste simulado, 
provocaram-se erros de natureza gramatical nos versos 1, 3, 6 e 8. Verso 1: faltou 
vírgula após ―Querida‖ (vocativo); verso 3: faltou vírgula após ―virei‖ e ―querida‖ 
(vocativo); verso 6: deve-se eliminar o acento grave na locução prepositiva com 
núcleo masculino ―a despeito de‖; verso 8: faltou acento circunflexo na forma 
verbal ―pôs‖ (monossílabo tônico terminado em ―ôs‖). 
 
 
PROVA 24 
 
TEXTO I 
Naquele ano, uma noite de agosto, como estivessem algumas pessoas na casa de 
Botafogo, sucedeu que uma delas, não sei se homem ou mulher, perguntou aos dois 
irmãos que idade tinham. 
Paulo respondeu: 
– Nasci no aniversário do dia em que Pedro I caiu do trono. 
E Pedro: 
– Nasci no aniversário do dia em que Sua Majestade subiu ao trono. 
As respostas foram simultâneas, não sucessivas, tanto que a pessoa pediu-lhes 
que falasse cada um por sua vez. 
Esaú e Jacó, Machado de Assis (fragmento) 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue os itens a 
seguir. 
(1) O texto, de caráter narrativo-descritivo, apresenta ocorrências do discurso direto, 
do discurso indireto e do discurso indireto livre. 
(2) O fragmento da obra de Machado de Assis revela aspectos psicológicos, sem 
relação com a realidade brasileira. 
(3) Na linha 2, a palavra ―se‖ corresponde a uma conjunção integrante que indica 
hipótese, conjetura. 
(4) Na linha 6, a forma ―Sua Majestade‖ não admite a substituição por ―Vossa 
Majestade‖, uma vez que as formas ―Sua‖ e ―Vossa‖ são empregadas com base em 
justificativas diferentes. 
(5) Na linha 1, as duas primeiras vírgulas podem ser substituídas por travessões ou 
parênteses, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência textual. 
 
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TEXTO II 
Ora, o que a mãe fez, quando eles entraram e fecharam a porta do quarto, foi 
pedir-lhes que ficasse cada um do lado da cama e lhe estendessem a destra. Juntou-as 
sem força e fechou-as nas suas mãos, ardentes. Depois, com a voz expirante e os olhos 
acesos apenas de febre, pediu-lhes um favor grande e único. Eles iam chorando e 
calando, porventura adivinhando o favor. 
— Um favor derradeiro, insistiu ela. 
— Diga, mamãe. 
— Vocês vão ser amigos. Sua mãe padeceráno outro mundo se os não vir amigos 
neste. Peço pouco; a vossa vida custou-me muito, a criação também, e a minha 
esperança era vê-los grandes homens. Deus não quer, paciência. Eu é que quero saber 
que não deixo dois ingratos. Anda Pedro, anda Paulo, jurem que serão amigos. Os moços 
choravam. Se não falavam, é porque a voz não lhes queria sair da garganta. Quando 
pôde, saiu trêmula, mas clara e forte. 
— Juro, mamãe! 
— Juro, mamãe! 
— Amigos para todo sempre? 
— Sim. 
— Sim. 
— Não quero outras saudades. Estas somente, a amizade verdadeira, e que se não 
quebre nunca mais. 
Natividade ainda conservou as mãos deles presas, sentiu-as trêmulas de comoção, 
e esteve calada alguns instantes. 
— Posso morrer tranquila. 
— Não, mamãe, não morre, interromperam ambos. 
Parece que a mãe quis sorrir a esta palavra de confiança, mas a boca não 
respondeu à intenção, antes fez um trejeito que assustou os filhos. Paulo correu a pedir 
socorro. Santos entrou desorientado no quarto, a tempo de ouvir à esposa algumas 
palavras suspiradas e derradeiras. 
 Esaú e Jacó, Machado de Assis (fragmento) 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue os itens a 
seguir. 
(6) Na linha 7, a conjunção condicional ―se‖ pode ser substituída por ―caso‖ sem 
necessidade de ajuste na construção textual. 
(7) Em ―Eu é que quero saber que não deixo dois ingratos‖, há período composto por 
quatro orações, com ocorrência de duas conjunções integrantes nas orações 
desenvolvidas. 
(8) O trecho ―Quando pôde, saiu trêmula, mas clara e forte‖ pode ser reescrito da 
seguinte forma, sem prejuízo para a correção gramatical e para a coerência 
textual: ―Quando lhe foi possível, saiu trêmula, entretanto, clara e vigorosa‖. 
(9) Em ―— Não, mamãe, não morre, interromperam ambos‖, o sujeito do verbo ―morre‖ 
está elíptico e corresponde à segunda pessoa do singular. 
(10) No fragmento ―...a tempo de ouvir à esposa algumas palavras suspiradas e 
derradeiras‖, o verbo ―ouvir‖ foi construído com regência transitiva direta e 
indireta. 
 
 
 
 
 
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TEXTO III 
 
Estamos no mês natalino. Apesar de não ser a data correta, pois não se sabe ao 
certo em que dia o Senhor Jesus nasceu, até porque não há uma data específica 
registrada na Bíblia, o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do seu 
nascimento. 
Por isso, é um dia comemorado e festejado por todos. Para muitos, Natal é um dia 
especial em que pessoas viajam para rever parentes e amigos. Para outros, Natal é 
promover festas, é uma oportunidade para se extravasarem os desejos da carne. Para 
uma criança, é uma data desejada e esperada com muita ansiedade para se ganharem 
presentes. 
Talvez, para muitos, o Natal seja um momento do ano em que as famílias se reúnem 
para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou. Para os empresários 
e comerciantes, é um dos eventos festivos do ano que abre o maior espaço para vendas 
em todos os aspectos. 
Na verdade, o Natal que a humanidade comemora tem pouco a ver com o 
nascimento de Jesus. Biblicamente, Ele nasceu um dia em Belém da Judeia. Seu 
nascimento foi singular, simples e humilde. Em Belém, nasceu Jesus, a parte humana, a 
carne do verbo, as vestimentas de carne e ossos com as quais o verbo se cobriu. 
E para o cristão, o que é mesmo Natal? Festas, presentes, compras, viagens, 
encontros familiares. O cristão deve ter em mente que Natal para ele tem um sentido 
profundamente espiritual, e não apenas um sentido humano. 
Émerson Garcia Dutra , titular da Secretaria-Central da IPRB. 
 
 
Com base nos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto, julgue os itens a 
seguir: 
 
(11) Em ―...pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu...‖, a palavra 
que exerce função morfológica de pronome relativo e é, sintaticamente, núcleo de 
um adjunto adverbial. 
(12) No trecho ―o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do seu 
nascimento‖, tem-se exemplo de voz passiva analítica; além disso, o termo ―o dia 
de seu nascimento‖ exerce função sintática de predicativo do sujeito. 
(13) Em ―Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se 
extravasarem os desejos da carne‖, a palavra ―se‖ tem a função de apassivar a 
estrutura oracional. 
(14) Na construção ―o Natal seja um momento do ano em que as famílias se reúnem 
para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou‖, todas as 
ocorrências da palavra ―se‖ têm função expletiva. 
(15) Nos períodos ―...é um dos eventos festivos do ano que abre o maior espaço para 
vendas em todos os aspectos‖ e ―...o Natal que a humanidade comemora tem 
pouco a ver com o nascimento de Jesus‖, a palavra que apresenta funções 
sintáticas distintas. 
(16) Em ―...pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu...‖, a segunda 
oração classifica-se em subordinada substantiva subjetiva desenvolvida. 
 
 
 
 
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TEXTO IV 
 
As capitais brasileiras perdem quase metade (45%) da água retirada dos 
mananciais em vazamentos de redes de abastecimento, fraudes e falhas de medição. Os 
6,14 milhões de litros desperdiçados diariamente nas grandes cidades do País seriam 
suficientes para atender a 38 milhões de consumidores. 
Os dados sobre as coberturas e desperdícios nas redes públicas de abastecimento 
de água e de saneamento estão reunidos em um estudo elaborado pelo Instituto 
Socioambiental (ISA). O estudo, inédito pela abrangência, ressalta a necessidade urgente 
de adoção de medidas para expandir as regiões de preservação ambiental e as redes de 
saneamento básico, assim como para conter a invasão de áreas de mananciais e 
recuperar aquelas que já foram degradadas em razão da falta de planejamento urbano 
eficaz — o que acontece na maior parte das grandes cidades. 
O estudo recomenda, ainda, a intensificação dos esforços de educação ambiental, 
para que a população compreenda que também é responsável pela conservação da água. 
O Estado de S.Paulo, 23/3/2014 (com adaptações). 
 
Em relação às estruturas linguísticas do texto acima, julgue os itens a seguir. 
 
(17) A vírgula logo após ―abastecimento‖ (linha 2) é empregada para isolar expressão 
apositiva. 
(18) A expressão ―seriam suficientes‖ (linha 3) está no plural para concordar com ―Os 
6,14 milhões de litros‖ (linha 2). 
(19) A locução conjuntiva ―para que‖ (linha 11) pode, sem prejuízo para a informação 
original do texto, ser substituída por qualquer uma das seguintes: a fim de que, de 
modo que, de forma que, contanto que. 
(20) No trecho ―... recuperar aquelas que já foram degradadas em razão da falta de 
planejamento urbano eficaz‖ a expressão destacada pode ser substituída por ―em 
virtude da‖, ―a despeito da‖, por causa da‖, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual. 
 
 
RESPOSTAS COMENTADAS 
 
(1) Errado. O texto, de caráter eminentemente narrativo, apresenta somente 
ocorrências do discurso direto (2º. e 4º. parágrafos) e do discurso indireto (5º 
parágrafo). 
(2) Errado. O fragmento da obra de Machado de Assis revela aspectos psicológicos e 
estabelece relação com a realidade brasileira (―Botafogo‖ e ―Pedro I‖). 
(3) Certo. Na linha 2, a palavra ―se‖ corresponde a uma conjunção integrante que 
indica hipótese, conjetura, possibilidade: uma das pessoas poderia ser homem ou 
uma delas poderia ser mulher. 
(4) Certo. Na linha 6, a forma ―Sua Majestade‖ (fala-se da pessoa) não admite a 
substituição por ―Vossa Majestade‖(fala-se com a pessoa), uma vez que as formas 
―Sua‖ e ―Vossa‖ são empregadas com base em justificativas diferentes. 
(5) Errado. Em ―Naquele ano, (em) uma noite de agosto, como estivessem algumas 
pessoas na casa de Botafogo, sucedeu que...‖, as vírgulas indicam deslocamentos 
sucessivos de adjuntos adverbiais para o início da construção sintática. Nesse 
caso, usam-se somente as vírgulas. Se houvesse interrupção sintática (entre o 
sujeito e o verbo, ou entre o verbo e o complemento), poder-se-iam usar as 
entrevírgulas, os travessões ou os parênteses, sem prejuízo para a correção 
gramatical e para a coerência textual. 
(6) Errado. Na linha 7, a conjunção condicional ―se‖ pode ser substituída por ―caso‖, 
com necessidade de ajuste na construção textual (forma verbal): ―Sua mãe 
padecerá no outro mundo caso os não veja amigos neste‖. 
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autorização do autor. 
(7) Errado. Em ―Eu (é que) quero saber (v.t.d) que não deixo dois ingratos‖, há período 
composto por duas orações, com ocorrência de uma conjunção integrante na 
oração subordinada objetiva direta desenvolvida. Ressalte-se que a forma ―é que‖ 
corresponde a uma partícula expletiva ou de realce (pode ser eliminada sem 
prejuízo morfossintático). 
(8) Errado. O trecho ―Quando pôde, saiu trêmula, mas clara e forte‖ não pode ser 
reescrito da seguinte forma, sem prejuízo para a correção gramatical e para a 
coerência textual: ―Quando lhe foi possível, saiu trêmula, entretanto, clara e 
vigorosa‖. O acréscimo da vírgula após a conjunção adversativa ―entretanto‖ 
produz incorreção gramatical. 
(9) Certo. Em ―— Não, mamãe, não morre, interromperam ambos‖, o sujeito do verbo 
―morre‖ está elíptico e corresponde à segunda pessoa do singular (tu). Observe 
que Machado de Assis usa, no imperativo negativo, a forma ―morre‖ (tu) ─ com a 
retirada do ―s‖ do presente do indicativo (tu morres) ─ , que deveria ser empregada 
apenas no imperativo afirmativo. Em rigor, seriam corretas as formas: ―Não morras 
(tu)‖ ou ―Não morra (você)‖ (imperativo negativo); ―Morre (tu)‖ ou ―Morra (você)‖ 
(imperativo afirmativo). Essa troca imprime um tom coloquial ao trecho. 
(10) Certo. No fragmento ―...a tempo de ouvir (v.t.d.i) à esposa (objeto indireto) 
algumas palavras suspiradas e derradeiras (objeto direto)‖, o verbo ―ouvir‖ foi 
construído com regência transitiva direta e indireta. 
(11) Errado. Em ―...pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu...‖, a 
palavra que exerce função morfológica de pronome indefinido interrogativo e é, 
sintaticamente, adjunto adnominal do substantivo ―dia‖ (núcleo do adjunto 
adverbial). Veja a ordem direta: ―O Senhor Jesus (sujeito) nasceu (verbo 
intransitivo) em que dia? (adjunto adverbial de tempo)‖ . 
(12) Certo. No trecho ―o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do 
seu nascimento‖, tem-se exemplo de voz passiva analítica; além disso, o termo ―o 
dia de seu nascimento‖ exerce função sintática de predicativo do sujeito (termo 
qualificador de ―o dia 25 de dezembro‖. 
(13) Certo. Em ―Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se 
(partícula apassivadora) extravasarem (v.t.d) os desejos da carne (sujeito 
paciente)‖, a palavra ―se‖ tem a função de apassivar a estrutura oracional. Veja a 
voz passiva analítica: ―para os desejos da carne serem extravasados‖. 
(14) Errado. Na construção ―o Natal seja um momento do ano em que as famílias se 
reúnem para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou‖, as 
duas primeiras ocorrências da palavra ―se‖ correspondem a partes integrantes do 
verbo. Somente a última ocorrência tem função expletiva. O verbo ―reunir‖ 
conjuga-se pronominalmente (―reunir-se‖) quando significa ―juntar-se‖, ―agregar-
se‖. O verbo ―alegrar‖ também se conjuga pronominalmente (―alegrar-se‖) quando 
significa ―ficar feliz‖. 
(15) Certo. Nos períodos ―...é um dos eventos festivos do ano / que (= sujeito) abre o 
maior espaço para vendas em todos os aspectos‖ e ―...o Natal / que (= objeto direto 
de ―comemora‖) a humanidade (sujeito) comemora (v.t.d) / tem pouco a ver com o 
nascimento de Jesus‖, a palavra que apresenta funções sintáticas distintas. 
(16) Certo. Releia o comentário do item 11. Ressalte-se que o pronome indefinido 
interrogativo, além das conjunções integrantes, introduz oração subordinada 
substantiva. Em ―...pois não se (partícula apassivadora) sabe (v.t.d) ao certo em 
que dia o Senhor Jesus nasceu...‖, a segunda oração classifica-se em subordinada 
substantiva subjetiva desenvolvida. Lembre-se de que a partícula apassivadora 
transforma o objeto direto em sujeito paciente. Lembre-se, também, de que a 
preposição ―em‖ não pertence ao sujeito, mas ao adjunto adverbial de tempo. 
Entendeu? Um gesto positivo, por favor! 
(17) Errado. A vírgula logo após ―abastecimento‖ (linha 2) é empregada para separar 
núcleos sucessivos do adjunto adverbial: ―vazamentos‖, ―fraudes‖ e ―falhas‖. 
(18) Certo. A expressão ―seriam suficientes‖ (linha 3) está no plural para concordar com 
o sujeito ―Os 6,14 milhões de litros‖ (linha 2), cujo núcleo é o substantivo ―milhões‖. 
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(19) Errado. A locução conjuntiva ―para que‖, que traduz a ideia de finalidade (linha 11), 
não pode, sem prejuízo para a informação original do texto, ser substituída por ―de 
modo que‖ e ―de forma que‖, que traduzem a ideia de modo, ou ―contanto que‖, que 
traduz a ideia de condição. 
(20) Errado. No trecho ―... recuperar aquelas que já foram degradadas em razão da 
falta de planejamento urbano eficaz‖ a expressão destacada, que traduz a ideia de 
causa, não pode ser substituída por ―a despeito da‖, que traduz a ideia de 
concessão, uma vez que haverá prejuízo para a correção gramatical e para a 
coerência textual. 
 
 
PROVA 25 
 
TEXTO I 
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, 
tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A 
cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no 
apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela 
mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o 
calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não 
outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o 
cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa 
com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno 
das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranquilamente, sua mão pequena e forte, 
sua corrente de vida. 
Certa hora da tarde, era mais perigosa. Certa hora da tarde, as árvores que 
plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto, 
sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o 
modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na 
fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de 
tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se 
desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era 
passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a 
vida podia ser feita pela mão do homem. 
(Clarice Lispector, ―Amor‖, in Laços de Família) 
A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue os itens a 
seguir. 
(1) O termo ―sumarenta‖

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