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Clidenor Ferreira de Araújo Filho
Jacqueline Oliveira Lima Zago
Luciana De Martino Nogueira
Jairo Jeferson Marques
Leonardo Lima da Fonseca
Introdução à engenharia, 
inovação tecnológica e 
gestão de manutenção
© 2013 by Universidade de Uberaba
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Universidade de Uberaba.
Universidade de Uberaba
Reitor: 
Marcelo Palmério
Pró-Reitora de Ensino Superior:
Inara Barbosa Pena Elias
Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância:
Fernando César Marra e Silva
Assessoria Técnica:
Ymiracy N. Sousa Polak
Produção de Material Didático:
• Comissão Central de Produção
• Subcomissão de Produção
Editoração:
Supervisão de Editoração
Equipe de Diagramação e Arte
Capa:
Toninho Cartoon
Edição:
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário
Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE
I8 Introdução à engenharia, inovação tecnológica e gestão de manutenção 
 / Clidenor Oliveira Lima Zago... [et al.]. – Uberaba:
 Universidade de Uberaba, c2013
 236 p. : il.
 ISBN 978-85-7777-462-3 
 1. Engenharia. 2. Inovações tecnológicas. 3. Manutenção. I.
Araújo Filho, Clidenor Ferreira de. II. Zago, Jacqueline Oliveira
Lima. III. Nogueira, Luciana De Martino. IV. Marques, Jairo
Jeferson. V. Fonseca, Leonardo Lima da.VI. Universidade de
Uberaba. VII. Título.
 CDD 620
Clidenor Ferreira de Araújo Filho
Mestre em Engenharia Elétrica e Bacharel em Engenharia Elétrica pela 
Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 
Jacqueline Oliveira Lima Zago
Especialista em Educação Escolar pela Faculdade Politécnica de 
Uberlândia (FPU). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal 
de Uberlândia (UFU). Pedagoga da Divisão de Apoio Técnico Pedagógico 
da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). 
Luciana De Martino Nogueira
Especialista em Gerenciamento de Redes de Computadores e Graduada 
em Tecnologia em Processamento de Dados pela Universidade de 
Uberaba (Uniube). Docente nos Cursos de Sistemas de Informação, 
Administração e Engenharia de Produção. Administradora de Redes 
desta instituição.
Jairo Jeferson Marques 
Graduado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Automação Industrial, 
pela Universidade de Uberaba (Uniube) e Técnico em Eletrônica pelo 
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Instrutor de 
Formação Profissional nesta instituição.
Leonardo Lima da Fonseca
Graduado em Engenharia de Produção pela Universidade de Uberaba 
(Uniube). Tecnólogo em Automação Industrial pelo Serviço Nacional de 
Aprendizagem Industrial (SENAI-MG). É professor da Universidade de 
Sobre os autores
Uberaba (Uniube) nos cursos de graduação em Engenharia de Produção 
e Engenharia Ambiental, e atua como consultor técnico pelo Serviço 
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), desde 1998, e pelo 
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), desde 2007. 
Sumário
Apresentação .............................................................................................................VII
Capítulo 1 Contextualização histórica, processo de formação e 
 atuação do engenheiro ........................................................ 1
1.1 A evolução histórica da Engenharia ........................................................................ 3
1.2 Atribuições do engenheiro ....................................................................................... 5
1.3 Perfil do profissional da engenharia ........................................................................ 7
1.4 Formação acadêmica .............................................................................................. 9
1.5 Campos de atuação ............................................................................................... 13
Capítulo 2 Ensino por pesquisa e por projeto ..................................... 21
2.1 Pesquisa e engenharia .......................................................................................... 23
2.2 Procedimentos da pesquisa científica e tecnológica ............................................ 25
2.3 A importância da pesquisa científica e tecnológica ............................................... 26
2.4 Projetos e engenharia ............................................................................................ 27
2.5 Fases de um projeto .............................................................................................. 28
2.5.1 Identificação de uma necessidade .............................................................. 29
2.5.2 Definição do problema ................................................................................. 30
2.5.3 Coleta de informações ................................................................................. 30
2.5.4 Concepção ................................................................................................... 30
2.5.5 Avaliação ...................................................................................................... 31
2.5.6 Especificação da solução final ......................................................................31
2.5.7 Comunicação ................................................................................................32
Capítulo 3 A criatividade e a inovação tecnológica ............................. 37
3.1 A criatividade e a inovação tecnológica ..................................................................39
3.2 O engenheiro de produção .....................................................................................40
3.3 Ciência, tecnologia e inovação tecnológica ...........................................................44
3.4 Os processos criativos no contexto das organizações ..........................................47
3.4.1 A importância da criatividade e da inovação tecnológica para o 
 desenvolvimento de novos processos e produtos ........................................47
3.4.2 Como sabemos que uma pessoa é criativa? ...............................................54
3.5 O cérebro e a criatividade .......................................................................................56
3.6 O processo criativo .................................................................................................65
3.6.1 O conhecimento no processo criativo ...........................................................68
3.6.2 Os inibidores do conhecimento .....................................................................70
3.7 2009 – Ano Europeu da Criatividade e Inovação ...................................................72
3.8 Panorama Nacional de Inovação ...........................................................................75
3.8.1 Lei da inovação – principais avanços ...........................................................78
3.8.2 A lei do bem ...................................................................................................79
3.8.3 Meios de incentivo e apoio à inovação tecnológica .....................................81
Capítulo 4 O processo de inovação tecnológica: conceitos, fases e 
 formas de acesso ............................................................... 95
4.1 Processo de inovação tecnológica.........................................................................97
4.1.1 Inovação conforme o objeto em foco ............................................................99
4.1.2 Inovação conforme o grau ..........................................................................100
4.1.3 Lado negativo da inovação tecnológica ......................................................101
4.2 Importância da inovação .......................................................................................102
4.3 Propriedade Intelectual .........................................................................................105
4.4 Constituição Federal e a Propriedade Intelectual ................................................108
4.5 Patentes ................................................................................................................112
4.5.1 Patente de invenções ..................................................................................113
4.5.2 Patente de modelos e objetos ....................................................................113
4.6 Instituto Nacional da Propriedade Industrial − INPI .............................................114
4.7 Mudanças tecnológicas ........................................................................................115
4.8 Concepção da ideia ..............................................................................................117
4.9 O desenvolvimento da ideia .................................................................................118
4.10 Estratégias de inovação tecnológica e as formas de acesso à tecnologia .......120
4.11 Sociedade do conhecimento...............................................................................123
4.12 Incentivo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica – o CNPq ................................124
4.13 Em busca da inovação tecnológica – a cooperação universidade-empresa.....125
 4.13.1 Motivações ..............................................................................................127
 4.13.2 Barreiras ..................................................................................................128
Capítulo 5 Sistemas mecânicos e eletromecânicos – sistemas de 
 transmissão ...................................................................... 145
5.1 Sistemas mecânicos .............................................................................................147
5.2 Sistemas de transmissão ......................................................................................147
5.3 O movimento circular ............................................................................................148
5.4 Relação de transmissão .......................................................................................151
5.5 Transmissão por correias .....................................................................................155
5.6 Transmissão por engrenagens .............................................................................160
5.7 Transmissão por correntes ...................................................................................167
5.8 Esteira transportadora ..........................................................................................172
5.9 Roscas de transmissão ........................................................................................175
Capítulo 6 Sistemas eletromecânicos: funcionalidades 
 e aplicações ..................................................................... 181
6.1 Dispositivos eletromecânicos ...............................................................................182
6.1.1 Sensores industriais ....................................................................................183
6.2 Sensores de posicionamento ...............................................................................184
6.2.1 Encoder .......................................................................................................184
6.2.2 Régua linear ................................................................................................186
6.2.3 LVDT ............................................................................................................187
6.2.4 Sensor potenciométrico ..............................................................................188
6.2.5 Sensores de temperatura ...........................................................................189
6.2.6 Sensores de pressão ..................................................................................195
6.2.7 Sensor de proximidade ...............................................................................197
6.2.8 Sensores de presença ................................................................................201
6.3 Micros fim-de-curso ..............................................................................................205
6.4 Eletroválvulas ou válvulas solenoides ..................................................................206
6.4.1 Válvula solenoide de abertura simples .......................................................206
6.4.2 Válvula solenoide de abertura proporcional ...............................................207
6.5 Contatores .............................................................................................................207
6.6 Motores .................................................................................................................209
6.6.1 Motores síncronos .......................................................................................210
6.6.2 Motores assíncronos ...................................................................................211
6.6.3 Motor de passo............................................................................................216
6.6.4 Servomotor ..................................................................................................218
Prezado(a) aluno(a).
Neste livro, você encontrará o aporte necessário para que seus estudos 
o(a) ajudem, efetivamente, na formação profissional, proporcionando-lhe 
a construção de conhecimentos por meio de uma abordagem teórica, 
acompanhada de atividades práticas. 
Ressaltamos que sua formação profissional não se resume ao conheci-
mento de dados técnicos e de determinadas teorias, mas ultrapassa 
a lógica metodológica do modelo acadêmico. Dessa forma, para que 
sua formação tenha bases sólidas, vamos abordar aspectos essenciais, 
propiciando uma reflexão pessoal a respeito da construção do conheci-
mento para além da grade curricular, ou seja, um conhecimento que leva 
em consideração a sua realidade, que exemplifica, agrega e edifica.
Com o objetivo de facilitar seus estudos, o livro está organizado em seis 
capítulos. No primeiro capítulo – “Contextualização histórica: processo 
de formação e atuação do engenheiro” – você terá a oportunidade de 
estudar e refletir sobre a evolução histórica da Engenharia, verá quais 
as atribuições do engenheiro, construirá o perfil desse profissional, 
entenderá os passos da formação acadêmica, bem como os campos de 
sua atuação profissional. 
No segundo capítulo – “Ensino por pesquisa e por projeto” – você 
compreenderá como se estabelece a relação entre pesquisa e 
engenharia, quais os procedimentos da pesquisa científica e tecnológica 
e sua importância para o campo da engenharia, os principais projetos de 
engenharia e as fases de sua construção.
Apresentação
X UNIUBE
No terceiro capítulo – “A criatividade e a inovação tecnológica” – você 
entenderá a importância da criatividade e da inovação tecnológica, para a 
formação do profissional de engenharia. Terá a oportunidade de conhecer 
os processos criativos em organizações,o cérebro e a criatividade, os 
passos do processo criativo, o ano europeu de criatividade e inovação e 
alguns aspectos gerais desse mesmo aspecto. 
No quarto capítulo – “O processo de inovação tecnológica: conceitos, 
fases e formas de acesso” – serão abordados os seguintes aspectos: 
os processos de inovação tecnológica, a importância da inovação, 
a propriedade intelectual, a Constituição Federal e a propriedade 
intelectual, as patentes, o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual 
(INPI), as mudanças tecnológicas, a concepção e o desenvolvimento 
da idéia, estratégias de inovação tecnológica e as formas de acesso 
à tecnologia, a sociedade e o conhecimento, o incentivo à pesquisa 
e à inovação tecnológica: o CNPq, a relação da universidade com as 
empresas e o que há de novidade em inovação.
Os Capítulos 5 e 6 referem-se ao estudo de conteúdos da gestão da 
manutenção e operações de processos produtivos cujos conhecimentos 
são importantes para a atuação profissional do engenheiro. 
No quinto capítulo – “Sistemas mecânicos e eletromecânicos: sistemas 
de transmissão” – você terá uma noção dos sistemas mecânicos 
e dos sistemas de transmissão. Aprenderá também a importância 
do movimento circular, da relação de transmissão, de como se dá a 
transmissão por correias, a transmissão por correntes, como funcionam 
a esteira transportadora e as roscas de transmissão. 
No sexto capítulo – “Sistemas eletromecânicos: funcionalidade e aplica-
ções” – você entenderá os dispositivos eletromecânicos, os sensores de 
posicionamento, os micros fim-de-curso, as eletroválvulas ou válvulas 
solenoides, contadores e motores.
 UNIUBE XI
Assim, a estruturação deste livro poderá levá-lo(a) à geração de um 
impulso ao conhecimento, promovendo uma busca por se aprofundar 
em todos os pontos aqui apresentados, ou ainda, se especializar em 
algum de maneira particular. Mas, acima de tudo, que este estudo 
permita a você vivenciar a engenharia, por meio de uma contextualização 
histórica e atual, que passa pelo processo de formação, associado 
ao estabelecimento do perfil profissional, esclarecendo as funções 
do engenheiro e os campos de atuação, bem como questões da 
regulamentação profissional, técnica e prática. 
Desejamos a você, bons estudos! Que este material sirva para o seu 
crescimento humano e profissional, ressaltando sempre a importância de 
se manter um ritmo de estudo que se estabeleça numa constante busca 
pelo conhecimento.
Clidenor Ferreira de Araújo Filho
Introdução
Contextualização histórica, 
processo de formação e 
atuação do engenheiro
Capítulo
1
O panorama da Engenharia no Brasil, apresentado por estudos 
recentes realizados pela Confederação Nacional das Indústrias 
(CNI), revela que, no atual ritmo de desenvolvimento econômico, o 
Brasil levará por volta de 100 anos para que sua renda per capita se 
aproxime do dobro do valor atual. Tal valor constitui, hoje, a renda 
per capita de países muito menores territorialmente, como Portugal. 
Ainda segundo os estudos realizados pela CNI, ocorreu, nos 
últimos anos, um decréscimo dos investimentos em setores 
relacionados à tecnologia, os quais, notadamente, são as molas 
propulsoras da atual economia global. 
É uma realidade que precisa ser revertida, que merece reflexão 
e medidas urgentes, porque tecnologia é, cada vez mais, o 
ingrediente determinante da competitividade internacional das 
empresas e da prosperidade das nações.
 
Inovar tornou-se questão de sobrevivência para as empresas e fator 
crucial para o desenvolvimento nacional. Para competir em mercados 
nos quais os produtos e processos têm ciclos cada vez mais curtos, 
é imprescindível incrementar continuamente a própria capacidade 
de gerar, difundir e utilizar inovações tecnológicas (IEL, 2006).
2 UNIUBE
Fica claro, então, a urgência do país em desenvolver os setores 
ligados à inovação tecnológica, tipicamente ocupados por 
profissionais ligados à engenharia, uma vez que o crescimento 
econômico depende de tais setores, passando pela ampliação e 
modernização da infraestrutura do parque industrial do país. 
A reforma e a construção de novos portos, aeroportos, armazéns, 
ferrovias, rodovias, bem como a ampliação do parque energético 
instalado, composto basicamente por hidrelétricas e termoelétricas, 
contando com a utilização de novas formas de geração de 
energia são fatores preponderantes da retomada do crescimento 
econômico. Inclui-se, ainda, o grande déficit nacional em habitação, 
saneamento básico, saúde e inclusão digital, ou seja, todas as 
áreas que dependem, direta ou indiretamente, das engenharias. 
Percebemos, diante disso, um panorama favorável, como há muito 
não se via, à formação de profissionais ligados a essa categoria. 
O estudo deste capítulo permitirá a você vivenciar a Engenharia, 
por meio de uma contextualização histórica e atual, que passa por 
um processo de formação associado ao estabelecimento do perfil 
profissional, esclarecendo as funções do engenheiro e os campos 
de atuação das diferentes modalidades de engenharia, bem como 
questões da regulamentação profissional.
Nesse sentido, ao finalizar os estudos propostos, esperamos que 
você seja capaz de:
• explicar o contexto histórico que deu origem à Engenharia;
• mostrar o estágio de desenvolvimento da Engenharia no 
Brasil;
Objetivos
 UNIUBE 3
1.1 A evolução histórica da Engenharia
1.2 Atribuições do engenheiro
1.3 Perfil do profissional da Engenharia
1.4 Formação acadêmica
1.5 Campos de atuação
Esquema
• analisar o processo de formação de engenheiros;
• explicar os fatores que motivaram a transformação desse 
processo;
• traçar um perfil do profissional da Engenharia dos dias atuais;
• relacionar os diversos campos de atuação na modalidade de 
Engenharia escolhida.
Você imagina como o ser humano vivia, na pré-história? 
Como ele buscava sua forma de sustento? Qual era a sua 
relação com a natureza? Você vê alguma relação disso com a 
Engenharia? 
Desde o princípio da sua evolução, o ser humano necessitou lidar com 
a natureza, em sua expressão mais primitiva, uma vez que ela, desta 
forma, representou durante milênios sua única fonte de sustento e de 
proteção. Na pré-história, a fabricação de ferramentas, o domínio do 
fogo, a agricultura e, com ela, a domesticação de animais, a descoberta 
do uso dos metais, as primeiras civilizações e suas grandes obras, como 
as pirâmides, a construção de algumas máquinas rudimentares movidas 
a tração animal ou a vapor, são considerados importantes sinais da 
evolução da humanidade. A partir deles, o ser humano passou a utilizar 
A evolução histórica da Engenharia1.1
4 UNIUBE
a manipulação da natureza para auxiliar nas tarefas diárias produzindo 
e conquistando riquezas.
Os indivíduos que, de alguma forma, deram início a esse processo e que, 
ao longo dos anos, aperfeiçoaram o modo como as pessoas transformam 
a natureza, constituem a categoria de profissionais atualmente 
conhecidos como engenheiros.
Voltando no tempo e analisando as atividades da humanidade, desde 
a Idade Média, percebemos claramente a presença da engenharia nas 
realizações de pessoas que se utilizavam da prática cotidiana, associada 
a um imenso senso criativo, para construir objetos que permitissem 
aproveitar os recursos da natureza. 
A partir do momento em que tais indivíduos começaram a compreender 
os fenômenos naturais e a utilizar esse conhecimento para o 
desenvolvimento da ciência e da técnica para a solução dos mais 
variados problemas, surge a engenharia moderna.
Nos séculos XVI e XVII, o aperfeiçoamento de técnicas embasadas 
em conhecimentos científicos, tais como a estrutura da matéria, alguns 
fenômenos eletromagnéticos, a composição química dos materiais, 
as leis da mecânica e o modelamento matemático revolucionaramo pensamento e permitiram o surgimento das primeiras escolas de 
engenharia, as quais objetivavam ensinar como aplicar a matemática na 
solução dos problemas dessa área específica.
Atente-se para a importância das primeiras escolas de engenharia. Perceba 
a relação das diferentes ciências, em favor do homem, na solução de 
problemas diários.
IMPORTANTE!
 UNIUBE 5
• No Brasil, o advento da engenharia seguiu o ciclo de desenvolvimento 
do país, com a criação do primeiro curso na antiga Real Academia 
de Artilharia, Fortificações e Desenho, ainda em 1792. 
• Na década de 30 do século passado, a categoria passou pela 
primeira regulamentação e já contava com 47 cursos, número que 
cresceu vertiginosamente nas décadas seguintes, sobretudo durante 
os anos desenvolvimentistas do governo de Juscelino Kubitschek.
• Na década de 60, veio a segunda regulamentação, a qual estabelecia 
uma série de modalidades, tais como: engenheiro aeronáutico, 
agrimensor, agrônomo, cartógrafo, civil, eletricista, eletrônico, 
de comunicação, florestal, geólogo, mecânico, metalurgista, de 
minas, naval, de petróleo, químico, industrial, sanitarista, têxtil e de 
operação.
• Atualmente, o país conta com mais de 1200 escolas de engenharia. 
Essas escolas formam profissionais engenheiros de mais de 50 
modalidades diferentes, regulamentados a partir de julho de 2007 
por um moderno conjunto de resoluções, que privilegiam o caráter 
inovador e plural que caracterizam o engenheiro (IEL, 2006).
O campo da engenharia tem-se alargado muito. Cada vez mais, as 
pesquisas têm contribuído para essa ampliação. E você, estudante de 
engenharia, assume um papel importante no desenvolvimento dessas 
pesquisas.
Cada pessoa, em diferentes situações, desempenha diversas funções. 
Por exemplo: o lavrador prepara, cuidadosamente, o solo para receber 
a semente. O mecânico debruça sobre o automóvel para detectar as 
falhas em seu funcionamento. O professor planeja suas aulas, entre 
outros. Percebemos, diante disso, que as atribuições profissionais se 
diferenciam, e com o engenheiro não é diferente. Esse profissional tem 
funções inerentes ao cargo que ocupa.
Atribuições do engenheiro1.2
6 UNIUBE
As alterações do panorama econômico e social em que hoje 
atuam os profissionais de engenharia ocorrem desde a criação 
das primeiras escolas, e são ocasionadas pela adoção de novas 
ferramentas tecnológicas associadas à informática, à biotecnologia, às 
telecomunicações, à automação de processos, à gestão de projetos, 
entre outras. Tais alterações criam novas oportunidades de trabalho na 
medida em que o uso de tais ferramentas exige um elevado nível de 
especialização. 
Nesse contexto, a capacidade do engenheiro de converter as descobertas 
científicas e tecnológicas em aplicações no menor intervalo de tempo 
possível e obedecendo critérios cada vez mais rigorosos de qualidade e 
normalização vão ao encontro das necessidades do mercado.
A principal função do engenheiro atual é ser capaz de se inter-relacionar 
com outros profissionais, uma vez que não só os aspectos técnicos 
e suas implicações devem ser considerados. As consequências do 
desenvolvimento para a sociedade, no que diz respeito à segurança 
ambiental, à qualidade dos produtos e aos serviços fornecidos pelas 
empresas estão cada vez mais no centro das atenções de todos os 
setores, desde a concepção do produto ou serviço, passando pela 
aquisição, instalação, operação e manutenção dos equipamentos 
necessários à sua fabricação, bem como a sua comercialização, sendo 
fornecidos ao usuário-cliente todas as garantias e o nível de suporte por 
eles solicitados.
Na Engenharia, podemos destacar algumas áreas com sua respectiva 
atuação (principal) em cada setor correspondente. Dentre elas, podemos 
destacar:
• Engenharia Civil – construção civil;
• Engenharia Elétrica – geração de energia elétrica ou linhas de 
transmissão;
 UNIUBE 7
• Engenharia Ambiental – gestão de meio ambiente;
• Engenharia da Computação – telecomunicações ou mecatrônica;
• Engenharia de Produção – produção manufatureira.
Percebemos que as exigências correspondem à área de atuação de cada 
profissional. Logo, no atual cenário de desenvolvimento tecnológico, o 
engenheiro desempenha funções relacionadas à pesquisa científica, 
seja ela básica ou aplicada à construção, à produção, à manutenção, 
à consultoria, à área de vendas, à área de administração e ao ensino 
tecnológico em nível médio, superior ou por meio da capacitação de 
outros profissionais, ministrando treinamentos.
O profissional de engenharia tem na sua incontestável formação técnica, 
baseada no raciocínio lógico e analítico, seu principal ponto forte, o qual 
é conseguido através de um processo de estudo contínuo (BAZZO, 
2003, p.198). Contudo, hoje, a qualidade de um profissional não está 
relacionada apenas a aspectos técnicos, mas a uma série de habilidades 
que vão do trabalho em equipe à capacidade de comunicação em mais 
de uma língua.
O profissional, hoje, não necessita dominar somente as habilidades técnicas, 
mas diferentes habilidades, a fim de atender à diversidade da demanda. 
Isso significa ter uma visão ampla da realidade, a fim de buscar soluções 
adequadas aos diferentes problemas.
IMPORTANTE!
Perfil do profissional da engenharia1.3
No campo dos conhecimentos técnicos, o engenheiro deve ser capaz 
de conceber, construir e operar diferentes dispositivos, com níveis 
8 UNIUBE
de complexidade também distintos, o que exige dele conhecimentos 
contextualizados dos fundamentos matemáticos, físicos, químicos e 
computacionais, associados à capacidade de identificar, interpretar e 
aplicar tais fundamentos na solução de problemas.
Para tanto, este profissional lança mão de 
recursos como a modelagem e a prototipação 
sendo, portanto, capaz de realizar ensaios que 
comprovem a eficácia de uma solução proposta, 
ou ainda, que indique se o caminho seguido está 
produzindo os resultados esperados. Profissional 
conectado com o mercado, o engenheiro moderno 
emprega ainda diversos conceitos relacionados à gestão de projetos, 
sendo o responsável pela gerência de todos os aspectos técnicos, 
administrativos e também da gerência de pessoal.
Fica claro, então, que outra importante característica desse profissional 
é estar em constante atualização, através de treinamentos sobre 
novas tecnologias, cursos de aperfeiçoamento e especializações. 
Considerando-se sua relevante contribuição para o desenvolvimento da 
sociedade, uma vez que a engenharia lida diretamente com o ambiente, 
a qualidade de vida, a moradia e a locomoção das pessoas.
O engenheiro, ao propor soluções que contribuam com as atividades do 
dia a dia, deve estar pautado na responsabilidade e na ética (BAZZO, 
2003, p. 203). Vale ressaltar que a responsabilidade e a ética devem, 
fundamentalmente, nortear o trabalho do engenheiro em suas atividades 
diárias.
Prototipação
Concepção, 
montagem e 
verificação do 
funcionamento de 
protótipos (exemplar 
original ou modelo).
 UNIUBE 9
O profissional de engenharia deve ser um indivíduo crítico e ético, 
empreendedor, de iniciativa, com visão sistêmica, de mercado e negócios, 
capaz de gerenciar projetos, de se relacionar em equipes, respeitar 
diferenças, sejam elas de ideias, culturais ou raciais, com profundo senso 
de responsabilidade social, civil, ambiental e com saúde e segurança no 
trabalho. 
Ele deve ter compromisso com a qualidade e respeito às normas técnicas, 
capaz de ler, interpretar e aplicar informações também técnicas, com 
capacidade de expressão e comunicação oral e escrita, criatividade, ciente 
do seu raciocínio lógico e analítico para conceber, desenvolver, aprimorar, 
planejar, elaborar e aplicar tecnologias, favorável ao constante exercício 
de aprendizagem, e usuário de diversasferramentas computacionais e 
tecnológicas.
SINTETIZANDO...
Formação acadêmica1.4
Considerando o perfil de um profissional de engenharia, como 
devem ser os cursos de formação? O que a organização 
curricular deve contemplar?
Os cursos de Engenharia são elaborados com o intuito de permitir, ao 
egresso engenheiro, a construção de um conjunto de conhecimentos que 
o habilitem a dominar uma determinada área de atuação, em consonância 
com as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de Graduação em 
Engenharia, as quais definem os princípios, fundamentos, condições e 
procedimentos da formação de engenheiros, estabelecidos pela Câmara 
de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação.
10 UNIUBE
Todo o curso de Engenharia, independente de sua 
modalidade, deve possuir em sua organização 
curricular um núcleo de conteúdos básicos, um núcleo 
de conteúdos profissionalizantes e um núcleo de 
conteúdos específicos que caracterizem a modalidade. 
(MEC, 2002, p.11).
O que é o núcleo de conteúdos básicos?
O núcleo de conteúdos básicos, geralmente, compõe a parte inicial 
do curso de Engenharia, uma vez que aborda conhecimentos que 
estão mais diretamente ligados aos conceitos iniciais que propiciam o 
desenvolvimento lógico, analítico e matemático.
Alguns exemplos da abrangência desses conhecimentos:
• Metodologia do Trabalho Científico;
• Comunicação e Expressão;
• Matemática;
• Física;
• Química;
• Mecânica;
• Ciência dos Materiais;
• Informática;
• Expressão Gráfica;
• Eletricidade;
• Fenômenos de Transporte;
• Humanidades;
• Ciências Sociais e Cidadania.
EXPLICANDO MELHOR
 UNIUBE 11
Já os núcleos de conteúdos profissionalizantes e de conteúdos 
específicos abrangem os conhecimentos que são trabalhados em função 
das modalidades e campos de atuação definidos pelo Sistema CONFEA/
CREA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia/
Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), que regula 
e fiscaliza a atuação profissional dos engenheiros. Os conhecimentos 
específicos representam um aprofundamento dos aspectos tratados no 
núcleo de conteúdos profissionalizantes, os quais contemplam:
• Algoritmos e Estruturas de Dados;
• Bioquímica;
• Ciência dos Materiais;
• Circuitos Elétricos;
• Circuitos Lógicos;
• Compiladores;
• Construção Civil;
• Controle de Sistemas Dinâmicos;
• Conversão de Energia;
• Eletromagnetismo;
• Eletrônica Analógica e Digital;
• Engenharia do Produto;
• Ergonomia e Segurança do Trabalho;
• Estratégia e Organização;
• Físico-química;
• Geoprocessamento;
• Geotecnia;
• Gerência de Produção;
• Gestão Ambiental;
• Gestão Econômica;
• Gestão de Tecnologia;
• Hidráulica, Hidrologia Aplicada e Saneamento Básico;
12 UNIUBE
• Instrumentação;
• Máquinas de Fluxo;
• Matemática Discreta;
• Materiais de Construção Civil;
• Materiais de Construção Mecânica;
• Materiais Elétricos;
• Mecânica Aplicada;
• Métodos Numéricos;
• Microbiologia;
• Mineralogia e Tratamento de Minérios;
• Modelagem, Análise e Simulação de Sistemas;
• Operações Unitárias;
• Organização de computadores;
• Paradigmas de Programação;
• Pesquisa Operacional;
• Processos de Fabricação;
• Processos Químicos e Bioquímicos;
• Qualidade;
• Química Analítica;
• Química Orgânica;
• Reatores Químicos e Bioquímicos;
• Sistemas Estruturais e Teoria das Estruturas;
• Sistemas de Informação;
• Sistemas Mecânicos;
• Sistemas Operacionais;
• Sistemas Térmicos;
• Tecnologia Mecânica;
• Telecomunicações;
• Termodinâmica Aplicada;
• Topografia e Geodésia;
• Transporte e Logística.
 UNIUBE 13
Vale ressaltar que todos esses conteúdos devem ser, hoje, trabalhados de 
forma a estimular que o futuro profissional entenda que é necessário ter certa 
autonomia em relação à busca do conhecimento. O antigo paradigma em 
que o professor era o detentor do conhecimento e único elo entre o aluno 
e sua formação não existe mais. Agora o aluno é o agente deste processo, 
cabendo ao professor criar condições para que ele possa encontrar o seu 
próprio caminho. O professor é o mediador da aprendizagem.
No novo paradigma, o aluno deverá utilizar meios complementares e 
suplementares para obter as informações que o levem a melhorar o seu 
nível de entendimento (vídeo, CD-ROM, multimídia, internet etc). Deverá, 
ainda, ser capaz de estudar, pesquisar, projetar e produzir, integrando 
todas essas fases do processo (IEL, 2006). Notadamente, em face à 
vertiginosa velocidade com que os aspectos tecnológicos evoluem, 
reforça-se a já destacada necessidade do profissional de engenharia 
buscar, constantemente, o seu aperfeiçoamento.
Campos de atuação1.5
Você sabia que os campos de atuação dos profissionais de 
engenharia são amplos e diversificados e que os profissionais 
dessa área se preocupam em atender às tendências de 
mercado?
A atuação dos profissionais de engenharia, nos dias de hoje, tem sido 
pautada pela migração constante entre as diferentes áreas. Essa atuação 
segue uma tendência de mercado em que se buscam os melhores 
postos de trabalho, estejam eles na indústria, em instituições públicas 
ou privadas, em escritórios de consultoria, de projetos ou em instituições 
financeiras. 
14 UNIUBE
Esses postos são disputados por aqueles que compreendem que a 
formação continuada e a autonomia, no que diz respeito à busca por 
uma maior abrangência das áreas de atuação, é fundamental. 
Diante desse cenário, o CONFEA, após uma ampla discussão com os 
diversos setores da sociedade, elaborou uma legislação moderna que 
visa permitir ao engenheiro explorar o caráter plural da sua formação. 
Essa nova sistemática deu origem à Resolução 1010 do CONFEA 
(CONFEA, 2005), a qual faz a discriminação dos grupos profissionais 
com as suas respectivas modalidades e especialidades.
Alguns exemplos de profissionais e suas modalidades.
Grupo da Engenharia:
I – Modalidade Civil: Engenheiros Civis (generalistas) e Especialidades de 
Engenheiros de Fortificação e Construção, Engenheiros Sanitaristas, 
Engenheiros Ambientais, bem como os Engenheiros Industriais, de 
Produção, e os Tecnólogos e os Técnicos, todos desta modalidade.
II – Modalidade Geomensura – Especialidades: Engenheiros Cartógrafos, 
Engenheiros de Geodésia e Topografia, Engenheiros Agrimensores, 
Agrimensores, e os Tecnólogos e os Técnicos, todos desta modalidade.
III – Modalidade Eletricista: Engenheiros Eletricistas (generalistas) e 
Especialidades de Engenheiros Eletrotécnicos, Engenheiros Eletrônicos, 
Engenheiros de Comunicação, Engenheiros de Telecomunicação, 
Engenheiros de Computação, bem como os Engenheiros Industriais, 
de Produção, e os Técnicos e Tecnólogos, todos desta modalidade.
IV – Modalidade Mecânica: Engenheiros Mecânicos (generalistas) e 
Especialidades de Engenheiros de Armamento, Engenheiros de 
EXPLICANDO MELHOR
 UNIUBE 15
Automóveis, Engenheiros Aeronáuticos, Engenheiros Navais, bem como 
os Engenheiros Industriais, de Produção, e Técnicos e Tecnólogos, 
todos desta modalidade.
V – Modalidade Química: Engenheiros de Químicos (generalistas) e 
Especialidades de Engenheiros Metalurgistas, Engenheiros de Minas, 
Engenheiros Químicos, Engenheiros de Plásticos, Engenheiros Têxteis, 
Engenheiros de Materiais, bem como os Engenheiros Industriais, de 
Produção, e Técnicos e Tecnólogos, todos desta modalidade.
No que diz respeito à sistematização dos campos profissionais de 
atuação, foram observados setores e subsetores de cada especialidade, 
a fim de criar um panorama da atuação profissional no âmbito da 
engenharia. Logo, segundo Vieira (2004, p.26), para cada modalidade 
no grupo engenharia foi estabelecido um conjunto de setores, dos quais 
merecem destaque: 
• Modalidade Civil: Construção Civil, Estruturas, Materiais, Geotecnia, 
Transportes, Hidrotecnia,Saneamento, Meio Ambiente, Engenharia 
Legal, Engenharia de Segurança;
• Modalidade Geomensura: Topografia, Geodésia, Cartografia, 
Agrimensura, Meio Ambiente, Engenharia Legal, Engenharia de 
Segurança;
• Modalidade Eletricista: Eletrotécnica, Eletrônica, Materiais, 
Comunicações, Computação, Automação e Controle, Engenharia 
Legal, Engenharia da Segurança;
• Modalidade Mecânica: Sistemas Mecânicos, Sistemas Térmicos, 
Processos Mecânicos, Automação e Controle, Materiais, Aeronáutica 
e Espaço, Naval e Oceânico, Engenharia Legal, Engenharia de 
Segurança;
• Modalidade Química: Materiais, Plásticos, Metalurgia, Minas, 
Indústria Química, Meio Ambiente, Têxtil, Alimentos, Engenharia 
Legal, Engenharia de Segurança.
16 UNIUBE
Para cada setor, foram especificadas, ainda, atividades como: 
• supervisão; 
• coordenação; 
• orientação técnica;
• planejamento; 
• projeto; 
• especificação;
• estudos de viabilidade técnico-econômica.
Independente do campo de atuação e da atividade dentro da engenharia, 
os profissionais desta categoria estão inseridos de forma única no 
processo de desenvolvimento por que passam o país e o mundo, uma 
vez que é notória a percepção de que o investimento em tecnologia é 
premissa para o crescimento econômico e consequente desenvolvimento 
de diversos setores da sociedade.
Resumo
A história da Engenharia assemelha-se à própria história da humanidade, 
iniciada há milhões de anos atrás. Os homens da pré-história não 
contavam com ferramentas próprias para desenvolver seus trabalhos 
domésticos e no âmbito social. Esta dificuldade forçou o homem a 
desenvolver métodos para fabricação de ferramentas como as pedras 
lascadas para se tornarem objetos cortantes e, ainda, o domínio do 
fogo; e, no decorrer dos tempos, o aperfeiçoamento de técnicas que 
melhoraram o modo de sobrevivência do homem.
Neste capítulo, vimos as alterações do panorama econômico e 
social em que hoje atuam os profissionais de engenharia. Desde a 
criação das primeiras escolas, ocasionadas pela adoção de novas 
ferramentas tecnológicas associadas à informática, à biotecnologia, às 
 UNIUBE 17
telecomunicações, à automação de processos, à gestão de projetos, 
entre outras, há a criação de novas oportunidades de trabalho, na 
medida em que o uso de tais ferramentas exige um elevado nível de 
especialização.
Sendo assim, os cursos de Engenharia são elaborados com o intuito 
de permitir ao egresso engenheiro a construção de um conjunto de 
conhecimentos que o habilitem a dominar uma determinada área de 
atuação, independente do campo de atuação e da atividade dentro da 
Engenharia.
Atividades
A realização das atividades é essencial ao processo de construção da 
identidade do profissional de engenharia, objetivo principal deste capítulo 
de estudos. Para tanto, faz-se necessária uma leitura pormenorizada do 
mesmo. Lembre-se: para um melhor entendimento, leia quantas vezes 
se fizerem necessárias.
Atividade 1
A sociedade vem passando por uma série de alterações, que implicam 
diretamente na forma como as pessoas moram, trabalham e se 
relacionam. Neste contexto, cabe a reflexão de que profissões como as 
engenharias passam por uma série de mudanças, diagnosticadas pela 
criação de novos cursos, novas habilitações e modalidades, além de 
uma infinidade de especializações. Amparado pelas leituras realizadas, 
indique possíveis motivações das mudanças na engenharia.
Atividade 2
É incontestável que a história da engenharia está associada à evolução da 
humanidade. Diante deste fato, liste marcos históricos que representaram 
a evolução do senso criativo-tecnológico do ser humano.
18 UNIUBE
Atividade 3
Leia a seguinte afirmação:
Os engenheiros e tecnólogos são personagens-chave 
no processo de transformar conhecimento em inovação 
e atores imprescindíveis na implementação dessas 
inovações nos sistemas produtivos. As empresas que 
mais crescem no mundo hoje têm na engenharia e na 
inovação seus pilares de sustentação (IEL, 2006, p. 19).
Após a leitura do trecho anterior, redija um pequeno texto (mínimo de 9 
linhas) a respeito da capacidade do engenheiro de promover o processo 
de desenvolvimento econômico do país.
Atividade 4
Baseando-se na leitura do capítulo, indique cinco habilidades que você 
considera imprescindíveis para o perfil do engenheiro moderno.
Atividade 5
Após a leitura das seções Formação acadêmica e Campos de atuação, 
relacione cinco conteúdos profissionalizantes que estejam ligados à sua 
modalidade de engenharia.
BAZZO, Walter Antonio, PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à 
Engenharia. 6. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. 274p.
IEL – Instituto Euvaldo Lodi. Núcleo Central e Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial – Departamento Nacional. Inova Engenharia: Propostas para a 
Modernização da Educação em Engenharia no Brasil. Brasília, 2006. 105p. 
Disponível em: <http://www.iel.org.br/portal/main>. Acesso em: 30 maio 2011. 
SILVEIRA, Marcos Azevedo da. A Formação do Engenheiro Inovador – 
Uma Visão Internacional. Rio de Janeiro: Puc-Rio, 2005. 136p. Disponível 
em: <http://www.abenge.org.br>. Acesso em: 30 maio 2011. 
Referências
 UNIUBE 19
CONFEA – Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Resolução 
no 1.010, de 22 de agosto de 2005. Lex: Regulamentação da atribuição de 
títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de 
atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea, Brasília, 2005, 
6p. Disponível em: <http://www.confea.org.br>. Acesso em: 30 maio 2011. 
MEC – Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação – 
Câmara de Educação Superior. Resolução no 11, 11 de março de 2002. 
Lex: Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em 
Engenharia, Brasília, 2002, 4p. Disponível em: <http://portal.mec.gov.
br/cne/arquivos/pdf/CES112002.pdf>. Acesso em: 30 maio 2011. 
VIEIRA, Ruy Carlos de Camargos. Estudos sobre a nova sistemática 
para definição de atribuições/atividades profissionais. Brasília: 
CONFEA – Comissão de Exercício Profissional, 2004. 39p. Disponível 
em: <http://www.confea.org.br>. Acesso em: 30 maio 2011. 
Clidenor Ferreira de Araújo Filho
Introdução
Ensino por pesquisa 
e por projeto
Capítulo
2
Considerando a demanda no campo profissional da engenharia 
em relação às novas exigências do mercado frente à constante 
evolução tecnológica, trabalharemos, neste capítulo, o conceito de 
ensino por pesquisa e por projeto, a fim de auxiliar a construção e a 
aprendizagem dos conteúdos necessários à prática da engenharia.
O ensino da engenharia, até então, era pautado em conteúdos 
fragmentados, muitas vezes longe da realidade, com resultados 
nem sempre satisfatórios. Diante disso, os estudiosos passaram 
a buscar novas abordagens didático-pedagógicas com o objetivo 
de alterar essa visão tradicionalista do ensino. 
Nesse sentido, o ensino passou a ter uma abordagem interdis-
ciplinar nas diferentes ciências, a fim de auxiliar o aluno em seu 
contexto socioeconômico e cultural.
Nessa perspectiva, este capítulo visa trabalhar a aprendizagem 
dentro de uma visão holística. De acordo com essa visão, há 
de se incentivar a criatividade, a pesquisa, o planejamento, o 
desenvolvimento e a execução de um projeto: o saber aprender, 
o saber fazer, o saber ser e, ainda, promover um ensino e 
22 UNIUBE
uma aprendizagem sistêmicas, dando sentido aos conteúdos 
estudados, possibilitando uma aprendizagem significativa.
Para Masetto (2003), existem várias metodologias que se 
aplicam à melhoria da qualidade da aprendizagem e à integração 
de conteúdos ensinados nas universidades ou outras escolas. 
Dentre elas, duas se destacam, cada uma com sua contribuição 
específica – o ensino por meio de pesquisa e o ensino por projeto.
O ensino porpesquisa é uma metodologia que permite o 
desenvolvimento de várias aprendizagens, tais como a iniciativa na 
busca de informações e sua consequente seleção, organização, 
análise e correlação dos dados e informações; a elaboração 
de inferências, o levantamento de hipóteses e as respectivas 
checagens, comprovação, reformulação e conclusão. Essa 
metodologia habilita o aluno, ainda, a elaborar relatórios científicos 
e comunicar os resultados obtidos, por escrito ou oralmente, com 
clareza e ordem.
Outra metodologia é o ensino por projeto, que leva o aluno a 
relacionar a teoria com a prática, a promover a integração dos 
componentes curriculares e a caminhar rumo a uma atitude 
interdisciplinar, algo tão necessário à realidade profissional. Assim, 
o ensino por projeto tem como objetivo contribuir para um ensino-
-aprendizagem consistente e motivador.
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:
• identificar o contexto de uma pesquisa científica e tecnológica;
• diferenciar ciência e tecnologia;
Objetivos
 UNIUBE 23
• identificar os diferentes procedimentos de uma pesquisa 
científica e tecnológica;
• entender o que é um projeto de engenharia;
• relacionar as diferentes fases de elaboração e execução de 
um projeto de engenharia.
Esquema
2.1 Pesquisa e engenharia
2.2 Procedimentos da pesquisa científica e tecnológica
2.3 A importância da pesquisa científica e tecnológica
2.4 Projetos e engenharia
2.5 Fases de um projeto
Antes de fazermos a correlação entre pesquisa e engenharia, temos 
que deixar claro a que pesquisa nos referimos. Observando a prática 
cotidiana do engenheiro, somos levados a crer que ele é apenas um hábil 
elaborador e executor de projetos. Mas, na verdade, sua prática está 
intimamente ligada ao estudo e à implementação de novas técnicas, que 
são características das pesquisas científicas e tecnológicas.
Com isso, vemo-nos diante de dois conceitos fundamentais e distintos – a 
ciência e a tecnologia – sendo necessário defini-los para entender melhor 
a pesquisa científica e a tecnológica.
Pesquisa e engenharia2.1
E você, o que entende por ciência?
24 UNIUBE
Tecnicamente, a ciência busca a descoberta de explicações que 
desvendem os mais diversos fenômenos naturais. Ela pode ser dividida 
em duas partes não excludentes, mas complementares: a ciência 
aplicada, cuja característica principal é a sua utilização na produção 
de objetivos práticos; e a ciência básica, que aborda os aspectos mais 
gerais ou fundamentais da realidade, sem a preocupação com as suas 
aplicações práticas a curto prazo.
E a tecnologia?
A tecnologia, por sua vez, procura utilizar-se da ciência, para a obtenção 
de conhecimentos específicos que podem ser empregados na produção 
de equipamentos a serem utilizados na prática. É possível observar, 
portanto, que a tecnologia é, de certa forma, o resultado da ciência 
aplicada.
Percebemos que a ciência e a tecnologia andam juntas e que o 
desenvolvimento tecnológico não seria possível sem essa interação, 
uma vez que sua principal característica é a produção de novos bens e 
serviços. 
Fica claro, então, que o profissional da engenharia deve desenvolver 
suas atividades com o auxílio da pesquisa científica e da tecnológica. 
Elas podem, então, ser entendidas como tudo aquilo que está associado 
à descoberta de novos conhecimentos e à criação de novas realidades, 
sejam esses conhecimentos produzidos por meio de trabalhos práticos 
ou por meio de trabalhos teóricos.
 UNIUBE 25
Para o início de um processo de pesquisa, é necessário a escolha do 
tema para delimitação do conteúdo e a busca de bibliografia específica 
para a fundamentação teórica. Tais procedimentos são delineados em 
função do trabalho a ser realizado. Há necessidade da realização de uma 
profunda pesquisa bibliográfica, a fim de que seja possível a catalogação 
de diferentes informações associadas ao tema da pesquisa. Atualmente, 
muitos são os meios existentes para a busca de informações (livros, 
revistas, jornais, seminários, workshops, internet), e todos devem ser 
intensamente explorados.
Após reunião do maior número de informações a respeito do assunto 
da pesquisa, é preciso realizar uma primeira análise por meio da 
observação dos pontos que merecem destaque no material levantado 
e que estão relacionados à delimitação do assunto e à solução 
do problema que deu origem à pesquisa. Nessa fase, devem ser 
levantadas todas as hipóteses para a solução do problema proposto, 
uma vez que é necessário fixar as metas para a sua realização. 
Feito isso, devemos comprovar ou, pelo menos, elucidar as hipóteses 
propostas para a solução do problema. Para tanto, um método experimental 
deve ser empregado, uma vez que o resultado de uma pesquisa científica 
e tecnológica invariavelmente deverá produzir um protótipo, ou dados que 
levem a ele. Vale ressaltar que, levantada a necessidade de validação 
dos dados ou hipóteses, a escolha dos equipamentos e os métodos a 
serem utilizados durante a fase de experimentação devem seguir critérios 
previamente definidos e que validem o processo.
Comprovadas ou descartadas as hipóteses e validados ou não os dados, 
devemos sintetizar aquilo que foi observado durante todo o processo, 
desde a busca de informações até a obtenção de possíveis resultados de 
Procedimentos da pesquisa científica e tecnológica2.2
26 UNIUBE
experimentos práticos. Essa fase é muito importante para a elaboração do 
relatório final da pesquisa.
Devemos elaborar, posteriormente, um relatório que contemple todos os 
passos do processo de pesquisa. Nele devem constar as informações 
selecionadas, o problema proposto, as possíveis hipóteses de solução do 
referido problema, os resultados dos experimentos práticos, quando for o 
caso, e a análise final de todo o processo contemplando a validação ou 
não dos dados e hipóteses levantados.
A linguagem na redação do relatório deve ser: técnica, formal, pautada na 
objetividade, na clareza, na concisão, a fim de registrar o que foi pesquisado 
e/ou observado. A elaboração desse documento deve ser feita de maneira 
a permitir a compreensão do seu conteúdo por todo leitor e em qualquer 
época.
IMPORTANTE!
Notadamente, o engenheiro é um dos principais agentes do 
desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, econômico do 
país. Um ponto importante para esse desenvolvimento é a obtenção ou 
apropriação de novas tecnologias desenvolvidas, geralmente, por meio 
da integração indústria-centros de pesquisa-escolas. 
Vale ressaltar que a pesquisa integrada com a indústria deve atender 
essencialmente as necessidades das empresas locais, pois tudo indica 
que as grandes oportunidades econômicas para o país baseiam-se no 
desenvolvimento regionalizado, na exploração dos potenciais regionais 
diferenciados (IEL, 2006).
A importância da pesquisa científica e tecnológica2.3
 UNIUBE 27
Essa ação contribui não só para reduzir as desigualdades internas, 
como para a inserção do Brasil no mercado internacional com produtos 
diferenciados e não como mero fornecedor de 
commodities.
A pesquisa integrada com o setor produtivo 
do entorno das escolas e centros de pesquisa 
contribui tanto para o avanço tecnológico das 
empresas, como para a melhoria da qualidade 
da graduação, sendo referência sobre as 
necessidades reais do mercado.
Nesse contexto, a formação de redes cooperativas 
de pesquisa, focadas em projetos de desenvolvimento tecnológico, as 
quais agregam competências de diferentes grupos de pesquisa – de 
várias instituições e de empresas, têm contribuído enormemente com 
a promoção da integração indústria-escola. Assim, essa integração 
possibilita a redução de custos, a formação de recursos humanos e a 
aceleração de resultados.
Commodities
Qualquer bem em 
estado bruto,de 
origem agropecuária 
ou de extração 
mineral ou vegetal, 
produzido em larga 
escala mundial e 
com características 
físicas homogêneas, 
seja qual for sua 
origem, destinado 
ao comércio externo 
(Houaiss e Villar, 
2009, p. 501).
O engenheiro é, por excelência, um solucionador de problemas. Grande 
parte de suas atividades estão ligadas à sua capacidade de organizar 
ideias e informações, interpretar dados e propor soluções para os 
mais diversos problemas de engenharia. Para tanto, esse profissional 
utiliza-se, muitas vezes, do projeto, que é a aplicação mais fiel dos seus 
conhecimentos técnicos e práticos.
Um projeto é caracterizado por uma sequência clara e lógica de fases, 
com início, meio e fim, que se destina a atingir um objetivo claro e definido, 
sendo conduzido por pessoas dentro de parâmetros preestabelecidos de 
tempo, custo, recursos e de qualidade.
Projetos e engenharia2.4
28 UNIUBE
Um projeto é o resultado de um elaborado planejamento, que 
demanda não apenas conhecimentos técnicos, mas também certa 
dose de criatividade e, muitas vezes, inovação. Por se tratar de um 
empreendimento notadamente inovador, o projeto tende a ser confundido 
com o seu produto final, ou seja, com o resultado de todo um processo. 
A fim de separar o projeto do seu produto, dividimos os projetos em dois 
tipos (BAZZO, 2003, p. 73 - 74): 
a) Projeto por evolução – projeto que surge da 
adaptação, melhoramento ou variação de um produto 
ou serviço já existente. Exemplo: alteram-se apenas 
características do produto para uma nova utilização ou 
melhor adaptação.
b) Projeto por inovação – projeto que surge da 
utilização de conhecimentos ainda não completamente 
experimentados, como por exemplo: o resultado de 
pesquisas científicas e tecnológicas.
Independentemente do tipo de projeto a ser elaborado e, consequen-
temente, executado, faz-se necessária a definição das fases que o 
compõem, uma vez que é resultado de um processo que envolve agentes 
e instrumentos.
Para a solução de qualquer problema é necessária uma série de 
informações, que permitirá, inicialmente, a exposição do problema e, 
posteriormente, a proposição de soluções. As informações iniciais, 
geralmente, são de domínio coletivo e possibilitam que sejam geradas 
as informações técnicas a partir delas. 
Um projeto se inicia com a reunião de todas as informações relativas ao 
assunto e o levantamento daquilo que será necessário em termos de 
Fases de um projeto2.5
 UNIUBE 29
recursos técnicos e do custo envolvido. Especificamente, segundo Bazzo 
(2003), um projeto pode ser dividido nas seguintes fases: 
• identificação de uma necessidade;
• definição do problema;
• coleta de informações;
• concepção;
• avaliação;
• especificação da solução;
• comunicação.
A seguir, veremos a descrição de cada uma dessas fases.
2.5.1 Identificação de uma necessidade
Para que um projeto seja bem elaborado, é necessário que, inicialmente, 
se entenda qual a necessidade que o gerou. Muitas necessidades 
podem ser identificadas. Por exemplo, a insatisfação do cliente com um 
determinado produto, com mudanças de comportamento do consumidor, 
com sua própria insatisfação em relação a um determinado bem ou 
serviço. Sugestões ou constatações de setores da empresa responsáveis 
por gerenciar o mercado e as novas tecnologias também fazem parte 
desta importante fase de elaboração e execução de um projeto.
Essa fase começa quando a empresa sente a necessidade de aperfeiçoar 
ou atualizar seus métodos de trabalho, ou, ainda, sua linha de produtos 
e serviços em função de novas ideias, ou em função da atuação da 
concorrência. Vale ressaltar que identificar uma necessidade demanda 
tempo e, sobretudo, criatividade do profissional envolvido com essa fase 
do projeto.
30 UNIUBE
2.5.2 Definição do problema
Uma vez identificada a necessidade da elaboração de um projeto, 
devemos definir o problema da referida necessidade. Por exemplo, se 
a necessidade é o escoamento da água das chuvas através da rede 
pluvial, o problema poderá ser a construção de galerias maiores, ou 
mesmo a recuperação das existentes. Fica claro que, neste ponto, 
começamos a delimitar o objeto que será fruto do projeto. Para tanto, a 
equipe encarregada da elaboração do projeto deve analisar a ideia de 
uma forma mais estruturada, com um estudo de viabilidade. O trabalho 
nessa fase pode incluir um estudo de mercado, receitas e despesas, 
impostos, subsídios etc.
2.5.3 Coleta de informações
Essa fase tem por objetivo o levantamento das informações que 
definirão as características do produto final e que, eventualmente, 
irão compor as especificações do produto. Dentre as características 
importantes, estão a relação custo/benefício, o volume de produção, 
bem como os interesses dos clientes (proprietários, usuários). É nessa 
fase que são realizadas as entrevistas com os clientes e potenciais 
usuários, visitas aos pontos de utilização e comercialização do produto 
e as revisões bibliográficas relacionadas ao tema.
2.5.4 Concepção
Fase de detalhamento da coleta de informações, primordial à elaboração 
e à execução de um projeto. Nela, são desenvolvidos os procedimentos, 
cálculos, instruções, desenhos e tudo o que é necessário para a execução 
do projeto, inclusive a formulação de modelos analíticos ou empíricos.
Espera-se que nessa fase o cliente participe ativamente do processo, 
uma vez que suas expectativas podem determinar o sucesso ou não 
 UNIUBE 31
do empreendimento. Vale ressaltar que não existem concepções 
preelaboradas, e que o projeto é fruto das experiências da equipe que 
o concebe.
2.5.5 Avaliação
Nessa fase, os modelos são testados à exaustão, utilizando-se, na 
maioria dos casos, de softwares computacionais, bem como os protótipos 
são submetidos às condições que mais se aproximem à futura realidade 
de uso. Todas as etapas são avaliadas, mesmo aquelas consideradas já 
vencidas, e os possíveis erros são catalogados, a fim de que possam ser 
corrigidos ou subsidiem trabalhos futuros. Sinteticamente, a avaliação é 
a fase que materializa o que foi planejado anteriormente.
2.5.6 Especificação da solução final
Segundo Bazzo (2003, p. 217), é nessa fase que é preparado o memorial 
descritivo do projeto, que corresponde a um documento que contempla 
os seguintes aspectos:
• objetivos, funções e localizações das partes 
que compõem o projeto;
• características básicas da solução final 
(propriedades requeridas para os materiais 
especificados);
• indicação dos valores previstos para os 
parâmetros e variáveis envolvidas;
• detalhes construtivos e operacionais;
• desenhos detalhados de componentes, subsis-
temas e sistemas;
• lista de materiais, orçamento e cronograma de 
execução.
32 UNIUBE
2.5.7 Comunicação
Finalizado o projeto, ele deve ser comunicado ao cliente e mesmo 
à equipe que colaborou com a sua elaboração. Sendo uma etapa 
fundamental do processo, a comunicação deve ser realizada com 
a entrega do memorial descritivo e sua explicação. Nessa fase, o 
profissional de engenharia deve defender com desenvoltura suas 
escolhas técnicas e até mesmo pessoais.
Não existem projetos prontos para serem utilizados na solução de qualquer 
problema. A criatividade e os conhecimentos farão a diferença.
IMPORTANTE!
Aceito pelo cliente, o projeto passa à fase de execução e implantação, 
que pode ou não ser acompanhada pela equipe que o elaborou. Durante 
essa fase, a equipe de implantação deve ser fiel ao planejamento 
elaborado para a execução do projeto. Por fim, devemos estar atentos 
aos benefícios e aos malefícios que um projeto pode gerar. Muitas vezes, 
os projetos falham ou não atingem os resultados esperados em função 
de obstáculos naturais, uma vez que tais obstáculos estão fora do âmbito 
do trabalhoda gerência do projeto. Entre eles, destacamos: 
• mudanças na estrutura organizacional da empresa; 
• mudanças na tecnologia; 
• evolução nos preços e prazos. 
Outras vezes, porém, as causas dos insucessos são decorrentes de 
falhas gerenciais, que poderiam ser evitadas, tais como: 
• metas e objetivos mal-estabelecidos; 
• muitas atividades e pouco tempo para realizá-las;
• estimativas financeiras incompletas;
 UNIUBE 33
• projeto baseado em dados inadequados ou insuficientes, deixando 
em segundo plano os dados históricos de projetos similares e, até 
mesmo, análises estatísticas efetuadas; 
• tempo não destinado para as estimativas e o planejamento; 
• desconhecimento das necessidades de pessoal, de equipamentos 
e de materiais;
• envolvimento de pessoas sem conhecimento teórico e prático 
necessários à execução.
A competência do gerente contribui para o sucesso do projeto, 
evidenciando, dessa forma, a importância de uma boa administração, 
para que se alcancem resultados que atendam às expectativas da 
pesquisa. 
Resumo
Neste capítulo, discorremos sobre a relação entre pesquisa e engenharia, 
com o objetivo de identificar o contexto da pesquisa científica e 
tecnológica. Além disso, mostramos os procedimentos pertinentes a esse 
tipo de pesquisa, bem como sua importância. Discorremos, também, 
sobre o que é um projeto de engenharia e suas fases de elaboração e 
execução.
Pelo capítulo, foi possível entender que o ensino por pesquisa é uma 
metodologia que permite o desenvolvimento de várias aprendizagens, 
tais como a iniciativa na busca de informações e sua consequente 
seleção, organização, análise e correlação dos dados e informações; a 
elaboração de inferências, o levantamento de hipóteses e as respectivas 
checagens, comprovação, reformulação e conclusão.
Percebemos, ainda, que o ensino por projeto, leva o aluno a relacionar 
a teoria com a prática, a promover a integração dos componentes 
curriculares e a caminhar rumo a uma atitude interdisciplinar que é tão 
necessária à realidade profissional. 
34 UNIUBE
Atividades
A realização das atividades é essencial ao processo de construção da 
aprendizagem por pesquisa e por projetos. Para tanto, é aconselhável a 
releitura pormenorizada do capítulo.
Atividade 1
Após a leitura deste capítulo, percebemos que ciência e tecnologia 
são dois conceitos importantes e que estão intimamente relacionados. 
Elabore um texto de, no máximo, 20 linhas, abordando esses conceitos 
e sua importância. 
Atividade 2
Neste capítulo, vimos um importante recurso para a aproximação entre 
o setor produtivo e as escolas de engenharia. Sendo assim, faça uma 
pesquisa sobre como estão sendo implementadas atualmente as redes 
cooperativas de pesquisa. 
Atividade 3
A pesquisa científica e tecnológica é essencial para o desenvolvimento 
tecnológico do país. Logo, o engenheiro deve estar preparado para 
trabalhar com esse tipo de pesquisa. Em função disso, determine 
quais os procedimentos para a realização de uma pesquisa científica e 
tecnológica.
Atividade 4
Leia a citação a seguir:
Na educação formal universitária, aprende-se o método 
científico através da progressão lógica de eventos que 
conduzem à solução de problemas científicos. A solução 
de problemas de engenharia, embora semelhante, 
apresenta diferenças em relação aos problemas 
científicos (BAZZO, 2003, p. 75-76). 
 UNIUBE 35
Esse trecho trata da ação científica e da ação tecnológica. Após a leitura 
do referido texto, defina esses dois conceitos de ação.
Atividade 5
Após a leitura da seção “Fases de um projeto”, sintetize o objetivo de 
cada uma delas. 
Referências
BAZZO, Walter Antonio; PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à 
Engenharia. 6. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2003. 274p.
BRASÍLIA (Distrito Federal). Instituto Euvaldo Lodi – Núcleo Central e Serviço 
Nacional de Aprendizagem Industrial – Departamento Nacional. Inova 
Engenharia – Propostas para a Modernização da Educação em Engenharia 
no Brasil. Brasília, 2006. 105p. Disponível em <http://www.iel.org.br/portal/
main.jsp?lumPageId=4028FBE51C243B77011C245F9B0B0951&lumItemId=
FF8080811D6D367D011DE4A80267429C>. Acesso em: 30 de maio 2011. 
HOUAISS, Antônio e VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua 
portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 1ª Edição, 2009.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio. São Paulo, 
Nova Fronteira, 2ª Edição, 1986.
IEL – Instituto Euvaldo Lodi. Núcleo Central e Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial – Departamento Nacional. Inova Engenharia: Propostas para a 
Modernização da Educação em Engenharia no Brasil. Brasília, 2006. 105p. 
Disponível em: <http://www.iel.org.br/portal/main>. Acesso em: 30 maio 2011.
OLIVEIRA, Guilherme Bueno de. MS Project & Gestão de Projetos. São Paulo: 
Pearson Education do Brasil, 2005. 189p.
MASETTO, Marcos Tarciso. Competência Pedagógica do Professor Universitário. 
São Paulo: Summus Editorial, 2003. 194p.
Luciana De Martino Nogueira
Jacqueline Oliveira Lima Zago
Introdução
A criatividade e a 
inovação tecnológica
Capítulo
3
No contexto das organizações, o capital humano tem um aspecto 
significativo para o êxito operacional, pois liderar pessoas passa 
a ser o ponto crítico para empresas que atuam em mercados 
competitivos.
Neste sentido, os profissionais que têm o desafio de pensar, 
implementar, operar e promover melhorias nos sistemas produtivos 
tornam-se peças fundamentais para as empresas que procuram 
produzir com o mais alto padrão de qualidade, num mundo em 
constante transformação.
Assim, a criatividade, aliada à ciência e à tecnologia, é um 
comportamento que pode e deve ser desenvolvido no ser humano, 
entendido como mola propulsora na resolução dos problemas 
organizacionais.
Para alcançar os objetivos propostos, primeiramente faremos uma 
abordagem conceitual de cada um dos temas apresentados. Essa 
abordagem precisará de uma constante parada para reflexão, 
análise e síntese de suas experiências. O conhecimento será 
construído a partir das suas observações e reflexões.
38 UNIUBE
Ao final destes estudos, esperamos que você seja capaz de:
• apresentar o campo da criatividade e da inovação 
tecnológica;
• diferenciar os conceitos: ciência, tecnologia e inovação 
tecnológica;
• explicar os processos criativos no contexto das organizações;
• identificar a importância da criatividade e da inovação 
tecnológica para o desenvolvimento de novos processos e 
produtos;
• enumerar os principais conceitos e teorias que compõem 
essa área;
• apontar a aplicabilidade desses conceitos por meio dos 
exemplos e atividades apresentados; 
• demonstrar como a criatividade pode contribuir para o 
desenvolvimento pessoal e profissional; 
• relacionar o processo de produção com a mediação do 
conhecimento nas empresas;
• analisar o panorama nacional de inovação tecnológica, bem 
como as políticas públicas de incentivo.
Objetivos
Esquema
3.1 A criatividade e a inovação tecnológica
3.2 O engenheiro de produção
3.3 Ciência, tecnologia e inovação tecnológica
3.4 Os processos criativos no contexto das organizações
3.5 O cérebro e a criatividade
3.6 O processo criativo
3.7 2009 - Ano Europeu da Criatividade e Inovação
3.8 Panorama nacional de inovação
 UNIUBE 39
Você já reparou como alguns termos têm sido utilizados no contexto das 
organizações? 
Algumas palavras invadiram o espaço organizacional passando a fazer 
parte do vocabulário e do cotidiano das pessoas. Mais do que simples 
palavras, elas transmitem valores que podem provocar profundas 
transformações no modo de ser e agir das pessoas: liderança, 
pró-atividade, inovação, criatividade, são só algumas dentre tantas outras 
palavras. Com isso, podemos dizer que o mundo estáem constante 
transformação e que ocorre em todos os setores.
A tecnologia, o cenário político e econômico, as concorrências e as 
tendências do mercado são exemplos de forças que atuam promovendo 
essas mudanças. Hoje em dia, as organizações enfrentam um ambiente 
dinâmico e precisam acompanhar e entender esse novo cenário que se 
apresenta.
A criatividade e a inovação tecnológica3.1
Observe à sua volta. Veja o quanto nosso cotidiano vem sendo modificado. 
A que você atribui essas mudanças?
PARADA PARA REFLEXÃO
Imagino que você tenha atribuído essas mudanças à capacidade do 
homem de criar novas formas para melhorar a sua vida, ou seja, não 
seria exagero afirmar que a mobilização das pessoas é fundamental para 
promover mudança, seja de que tipo for. Ou seja, qualquer invenção, ou 
inovação tecnológica, tem como aspecto principal o trabalho humano, 
criando e recriando estratégias.
40 UNIUBE
Vamos, a partir de agora, identificar o campo de ação do engenheiro de 
produção, situar o seu surgimento, a legislação pertinente, conhecer a 
história da Engenharia de Produção no Brasil e suas práticas.
O engenheiro de produção3.2
Você sabe o que é “engenhar”?
Se buscarmos na etimologia da palavra, veremos que, em latim, ingeniu 
significa faculdade inventiva, talento. É a arte de aplicar princípios 
científicos e matemáticos, experiência e senso comum de forma a 
beneficiar o Homem. Os engenheiros são, antes de tudo, solucionadores 
de problemas. Devem procurar as melhores, as mais rápidas e menos 
dispendiosas formas de utilizar insumos e trabalho para atender às 
necessidades humanas. Desde a construção das pirâmides, o processo 
de irrigação egípcio, a aterrissagem do homem na lua, o progresso tem 
referência no trabalho de um engenheiro. 
A engenharia de produção nasceu nos EUA por volta do final do século XIX 
e início do século XX com o engenheiro Frederic Taylor e sua “Scientific 
Management”, ou administração científica, que ele escreveu no início 
do século passado juntamente com Frank e Lillian Gilbreth, H.L. Gantt, 
H. Emerson, entre outros. Apesar de controverso, a indústria americana 
viu-se invadida pelas ideias tayloristas. Introduziu procedimentos 
interessantes sobre a quantificação do tempo e dos movimentos no 
processo industrial e, mesmo hoje, é considerada uma revolução.
No Brasil, a engenharia, enquanto profissão, é bastante jovem e só foi 
regulamentada em 1933 com as profissões de Engenheiro Agrônomo e 
Engenheiro Civil, ano em que também foi criado o Sistema CONFEA/
CREA, através do Decreto Federal n.º 23.569. A criação de cursos nessa 
área foi impulsionada nos anos 50 pela chegada das multinacionais. 
Tanto o departamento de planejamento e controle da produção, como 
 UNIUBE 41
o de controle de qualidade, era de responsabilidade do “Industrial 
Engineers”, o nosso engenheiro de produção. De 1959, data de criação 
do primeiro curso de engenharia de produção, até os dias atuais, temos 
mais de 130 cursos nessa área, no Brasil.
Desde então, o engenheiro de produção tornou-se peça fundamental 
para as empresas que procuram produzir com o mais alto padrão 
de qualidade, de forma cada vez mais “enxuta” e, nesse cenário de 
produção flexível, automatizado e em constante transformação, o perfil 
do engenheiro deve priorizar a criatividade. Sendo assim, o foco desse 
engenheiro, como o próprio nome diz, é produção.
Em complementação, a Associação Brasileira de Engenharia de 
Produção (ABEPRO) aponta que o engenheiro de produção deve ter uma 
formação científica e profissional que o capacite a identificar, formular 
e solucionar problemas ligados às atividades de projeto; operação e 
gerenciamento do trabalho e de sistemas de produção de bens e/ou 
serviços, considerando também os aspectos humanos, econômicos, 
sociais e ambientais, com visão ética e humana, em atendimento às 
demandas da sociedade.
O Engenheiro de Produção, segundo a ABEPRO, deve ter competên-
cia para:
• dimensionar e integrar recursos físicos, huma-
nos e financeiros a fim de produzir, com efici-
ência e ao menor custo, considerando a possi-
bilidade de melhorias contínuas;
• utilizar ferramental matemático e estatístico 
para modelar sistemas de produção e auxiliar 
na tomada de decisões;
• projetar, implementar e aperfeiçoar sistemas, 
produtos e processos, levando em considera-
ção os limites e as características das comuni-
dades envolvidas;
42 UNIUBE
• prever e analisar demandas, selecionar co-
nhecimento científico e tecnológico, projetando 
produtos ou melhorando suas características e 
funcionalidade;
• incorporar conceitos e técnicas de qualidade 
em todo o sistema produtivo, tanto nos seus 
aspectos tecnológicos quanto organizacionais, 
aprimorando produtos e processos e produ-
zindo normas e procedimentos de controle e 
auditoria;
• prever a evolução dos cenários produtivos, per-
cebendo a interação entre as organizações e 
os seus impactos sobre a competitividade;
• acompanhar os avanços tecnológicos, organi-
zando-os e colocando-os a serviço da deman-
da das empresas e da sociedade;
• compreender a inter-relação dos sistemas de 
produção com o meio ambiente, tanto no que 
se refere à utilização de recursos escassos 
quanto à disposição final de resíduos e rejeitos, 
atentando para a exigência de sustentabilidade;
• utilizar indicadores de desempenho, sistemas 
de custeio, bem como avaliar a viabilidade eco-
nômica e financeira de projetos;
• gerenciar e otimizar o fluxo de informação nas 
empresas utilizando tecnologias adequadas 
(ABEPRO, 2006, p. 3).
Logo, compete ao engenheiro de produção não só implementar e operar 
os sistemas produtivos, como também efetuar, principalmente, as 
melhorias que esses sistemas requerem. O profissional de engenharia de 
produção deve saber lidar diretamente com as evoluções tecnológicas, 
com as exigências dos consumidores e do mercado globalizado, 
utilizando sua capacidade criativa para vencer os desafios que surgem 
no dia a dia. Entre outras, deve apresentar habilidades, tais como:
 UNIUBE 43
• iniciativa empreendedora;
• iniciativa para autoaprendizado e educação continuada;
• comunicação oral e escrita;
• leitura, interpretação e expressão por meios gráficos;
• visão crítica de ordens de grandeza;
• domínio de técnicas computacionais;
• conhecimento, em nível técnico, de língua estrangeira;
• conhecimento da legislação pertinente;
• capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares;
• capacidade de identificar, modelar e resolver problemas;
• compreensão dos problemas administrativos, socioeconômicos e 
do meio ambiente;
• “pensar globalmente, agir localmente”.
A abrangente visão do engenheiro de produção lhe permite:
• efetuar diagnósticos e propor soluções;
• planejar e desenvolver estratégias;
• desenvolver produtos ou processos;
• coordenar equipes; entre outros.
EXPLICANDO MELHOR
Todas essas competências e habilidades são o que tornam esse 
profissional um dos mais procurados no mercado de trabalho, segundo 
o próprio CONFEA/CREA. É, sem dúvida, a sua capacidade em integrar 
as questões técnicas com as gerenciais que habilita o engenheiro de 
produção a atuar nos diferentes setores da produção industrial. Isso se 
dá porque grande parte dos problemas enfrentados no cotidiano das 
empresas envolve questões gerenciais, exigindo domínio das áreas 
técnica e administrativa, e também perfil integrador do engenheiro de 
produção.
No exercício da profissão, o engenheiro de produção deve preocupar-se 
com inúmeros aspectos, como:
44 UNIUBE
• com a gestão e a otimização dos processos produtivos e o 
consequente ganho em produtividade;
• com o mercado de consumo, com a logística empresarial;
• com o avanço tecnológico, com a qualidade dos produtos e serviços;
• com o impacto ambiental e social de se produzir;• com a competitividade internacional, e, principalmente;
• ter foco no cliente e no negócio.
Nesse sentido, percebemos claramente como a criatividade é importante 
na formação do Engenheiro de Produção.
Vejamos o que Sardenberg nos diz:
Sem ciência e tecnologia, como pode um país aspirar 
uma posição de relevo no futuro? Trata-se de uma das 
mais importantes questões a ser colocada não apenas 
aos governantes, ao sistema político e aos meios de 
comunicação, mas ao povo brasileiro (Sardenberg, 
2000, p.2).
Sardenberg (2000), nessa citação, coloca a ciência e a tecnologia como 
aspectos relevantes para o desenvolvimento de uma nação e de seu 
povo, e que, por isso, deve ser objeto de estudo, reflexão e vontade 
política de todos.
Para Erdmann (2000), produzir significa transformar, num contexto 
em que o estado inicial daquilo que será transformado se constitui nos 
insumos que, associados aos demais recursos, geram o resultado e/ou 
produto. Assim, como a produção é a geração de processos e produtos, 
essa pode variar desde objetos até a recreação ou informação, isto é, 
desde bens até serviços. Produção envolve, assim, ciência e tecnologia.
Ciência, tecnologia e inovação tecnológica3.3
Você já percebeu a relação entre a ciência, a tecnologia e a 
inovação tecnológica?
 UNIUBE 45
Podemos nos referir à ciência no seu sentido mais amplo buscando 
na origem da palavra o seu significado, ou seja, “conhecimento”, 
qualquer que seja ele: empírico ou senso-comum, teológico, filosófico ou 
científico. O conhecimento científico é a forma restrita de nos referirmos 
à ciência, pois a esse tipo de conhecimento é necessário um método 
que o comprove, ou seja, o método científico. Por isso, a ciência está 
intimamente relacionada à comprovação de fenômenos e teorias. Ela é 
racional e está direcionada à descoberta da verdade. 
Já a tecnologia está associada a novos processos de fabricação, a 
novos produtos, a novos métodos e aos impactos que todos esses 
podem produzir em uma sociedade. É uma palavra que vem do grego e 
significa estudo ou ciência do ofício. Envolve, portanto, o conhecimento 
técnico e o conhecimento científico, as ferramentas, os processos e 
materiais utilizados a partir de tal conhecimento. A tecnologia é, assim, 
a união entre a ciência e a engenharia. Na Figura 1 está representado, 
esquematicamente, a relação entre indústria, ciência e tecnologia.
Observe a relação entre indústria, tecnologia e ciência, na Figura 1:
Figura 1: A relação da indústria, ciência e tecnologia.
46 UNIUBE
Inovação 
Deriva do latim 
innovatione e 
significa ato ou 
efeito de inovar, 
ou seja, introduzir 
novidades, produzir 
algo novo, encontrar 
novo processo, 
renovar.
Os modelos criados por meio da ciência serão colocados em prática 
por intermédio das novas tecnologias. Assim, o processo de inovação 
tecnológica compreende todo um ciclo de desenvolvimento que engloba 
desde estudos científicos até as suas aplicações técnicas. Tem como um 
dos objetivos facilitar o cotidiano, a vida do homem, a vida em sociedade.
Tecnologia pode ser definida como um acervo de 
conhecimentos de uma sociedade (como a ciência); 
entretanto, relaciona esse acervo de conhecimentos 
com as artes industriais. A tecnologia fundamenta-
se nos métodos e nos conhecimentos científicos, 
compreendendo o domínio dos materiais e dos 
processos, úteis para a solução de problemas técnicos 
e para a fabricação de produtos (REIS, 2008, p. 33).
Se, por um lado, a tecnologia pode trazer inúmeros benefícios sociais, 
por outro lado, grandes invenções podem ser utilizadas para diferenciar 
o status social, excluir pessoas, dizimar grupos étnicos, por exemplo, os 
trens a vapor que levaram os judeus para os campos de concentração 
na Segunda Guerra Mundial. O uso dos aviões nas guerras atirando 
bombas, a própria invenção da bomba atômica e sua consequente 
produção para fins destrutivos.
Segundo Reis (2008), não se pode separar o conceito de tecnologia dos 
conceitos de ciência e indústria, pois, são domínios cognitivos próximos 
da ação de “saber-fazer”, em que a tecnologia envolve um conjunto de 
conhecimentos que “adquire especificidade ao assumir formas concretas 
na sua aplicação” (REIS, 2008, p.36). Assim, é 
muitas vezes associada à engenharia e por 
constituir um fator produtivo, ou tecnociência, 
encontra na indústria o seu combustível.
Inovação é a palavra do momento. Por isso, 
depende de esforços teóricos e práticos e 
se refere a um processo, produto ou serviço 
 UNIUBE 47
totalmente novo e inesperado. É também um estado mental das pessoas 
criativas, uma nova forma de observar o mundo que nos cerca e as novas 
necessidades emergentes.
A inovação está associada a uma maneira de produzir valor econômico 
para a sociedade. Inovamos por meio da geração de algo de valor, 
mediante o reconhecimento de oportunidade e da sua conversão em 
bens ou serviços viáveis e economicamente rentáveis. Assim, a inovação 
caminha lado a lado com o empreendedorismo, pois se alimentam da 
capacidade de ruptura e colocação de novos produtos, processos, 
matérias-primas ou mercados. Os empreendedores convertem a inovação 
em ideias de mercado por meio da descoberta de oportunidades, pois, 
a inovação tecnológica é motivada tanto pelo mercado, quanto pela 
existência de conhecimento novo, de uma descoberta ou invenção. 
Neste capítulo, a criatividade é que unirá ciência e tecnologia através 
da inovação.
Os processos criativos no contexto das organizações3.4 
3.4.1 A importância da criatividade e da inovação tecnológica para 
o desenvolvimento de novos processos e produtos
Antes de continuarmos nossos estudos, responda, nos retângulos, às 
seguintes perguntas indicadas na Figura 2.
Figura 2: Pensando criativamente.
48 UNIUBE
Você sabia que a criatividade e a inovação sempre se relacionaram ao longo 
da história da humanidade?
SAIBA MAIS
Podemos definir criatividade como sendo a qualidade ou a característica 
de quem é criativo, e inovação como a ação ou efeito de inovar, ou 
derivar, aquilo que é novo, novidade. Temos como abordar o tema sob 
diferentes pontos de vista, conforme exemplificado pela Figura 3.
Figura 3: Criatividade de diferentes pontos de vista.
Assim, criatividade é apenas a habilidade e inovação é a ação 
e/ou objetos derivados do processo criativo.
 UNIUBE 49
Durante a pré-história, os seres humanos transformavam recursos 
naturais em ferramentas simples. Desde que o homem criou o primeiro 
objeto que se tem conhecimento, ele utilizou sua capacidade criativa 
para solucionar um problema. Assim, conseguiu agir transformando, por 
exemplo, a pedra lascada em uma ferramenta útil para sua sobrevivência. 
Esse ciclo se repete desde os primórdios.
Permanecem, no mercado, os processos e produtos essenciais à 
sobrevivência de uma sociedade, embora a transformação, a readequação 
à realidade e a melhoria dos processos e produtos sejam também 
fundamentais para a sobrevivência das empresas.
Já que, para produzir o novo, precisamos, antes de qualquer coisa, partir 
de um problema a ser solucionado, é preciso que exercitemos nossa 
capacidade de percepção e de criação. Para tanto, podemos utilizar 
técnicas que visem estimular nosso pensamento criativo.
Muitos autores defendem que, de certa forma, fomos vedados de nossa 
capacidade criativa ainda na infância. Isso se deve à nossa própria cultura 
educacional que protege sempre os acertos, a objetividade e a eficácia e 
desconsideram o erro como parte integrante do processo de construção 
do conhecimento, da inovação e da criatividade. Em nossa educação, 
recebemos pouca informação ou estimulação sobre nossa ousadia. 
Cientificamente, isso quer dizer que fomos treinados desde cedo a utilizar 
com maior frequência o lado esquerdo de nosso cérebro, ouseja, o lado 
do raciocínio lógico, o pensamento convergente. Logo, podemos concluir 
que, de certa forma, o lado direito de nosso cérebro, responsável pela 
imaginação, intuição e criatividade, pelo pensamento divergente, aberto, 
ficou estagnado durante boa parte do tempo de nosso aprendizado.
Em síntese, criatividade é mudança!
50 UNIUBE
Faça uma lista das muitas utilidades que você encontraria para um tijolo. 
Isso mesmo! Um tijolo. Pense em, no mínimo, 10 utilidades. Registre suas 
anotações.
Depois de fazer a sua lista, converse com seus colegas. Compare e veja 
como podemos ser criativos. Pense em outros objetos, uma torradeira, um 
grampeador e veja quantas perguntas você poderá fazer e quantas ideias 
poderão surgir. Pense na utilidade, na essencialidade, no que poderia ser 
melhorado.
Faça isso com outras coisas no seu dia a dia. É um ótimo exercício para 
exercitar o seu potencial e pensamento criador!
AGORA É A SUA VEZ
A mente intuitiva
A mente intuitiva é uma dádiva sagrada e a mente 
racional seu servo fiel. Criamos uma sociedade 
que honra o servo e esquece a dádiva.
Einstein
Já reparou como temos o hábito de explicar ao invés de criar? Refazemos 
todo o processo mentalmente de todas as coisas. Por exemplo, explicamos 
o funcionamento de um avião. Mas, como compreender o processo criativo 
que levou Santos Dumont a criá-lo? Será que ele já amanheceu com a 
ideia pronta? Sabemos que não. A criação é um processo que pode até 
resultar em um produto, mas não é uma coisa pronta. Podemos não saber 
exatamente de onde veio uma ideia, mas sabemos que ela está lá, existe 
uma operação para criá-la. Se déssemos mais valor à nossa mente intuitiva 
que cria, recria e aprecia as maravilhas, certamente teríamos mais Santos 
Dumonts, Einstens, Da Vincis.
PONTO-CHAVE
 UNIUBE 51
Em um momento em que se fala muito em cultivar a saúde e o bem-estar, 
assim como o corpo precisa de exercícios físicos para manter o seu bom 
funcionamento, o cérebro também precisa de estímulos. Colocá-lo em 
atividade é um ótimo recurso para deixá-lo cada vez mais “esperto”.
Como futuro engenheiro, e já conhecendo as competências que serão 
esperadas de você, cultivar a criatividade será de grande importância.
Mas, como desbloquear a criatividade?
Nascemos com a capacidade de sermos criativos, certo? Um constante 
jogo criativo abre muitas possibilidades e a mente racional ajuda a 
torná-las realidade.
Tenha o hábito de perguntar: “e se...”
Exemplos: 
E se, no meio do dia, minha camisa descosturasse embaixo do braço?
E se de repente chegasse um ônibus cheio de novos clientes?
E se aparecesse um pedido exorbitante na minha fábrica por novos 
produtos?
E se eu ganhasse uma comissão extra 10 vezes maior que o meu salário?
E se...
EXPLICANDO MELHOR
Não pense que você estará perdendo tempo. Você estará estimulando 
sua mente intuitiva e criativa e a racionalidade dos seus pensamentos. 
O que você prefere: ficar pensando em como é ruim ficar parado num 
congestionamento ou pensar em como você faria para viabilizar o trânsito 
de São Paulo?
52 UNIUBE
Importância das coisas
Outra dica interessante é pensar no que é mais importante nas coisas. Por 
exemplo, um aparelho celular. O que é mais importante? O que poderia ser 
removido sem perder a sua função? O que poderia ser agregado atribuindo 
valor? 
E em um sapato? E em um biscoito? 
Use sua criatividade!
DICAS
3.4.1.1 Criar um problema para depois resolvê-lo
Pense em causar um problema ou deixá-lo pior a fim de resolvê-lo. 
Tivemos um apagão de 3 horas. E se o apagão durasse três dias?
Lembre-se: “O que move o mundo não são as respostas, são as 
perguntas...” (F/NAZCA, 2009).
Pense agora, qual foi a pergunta feita por quem inventou o primeiro 
restaurante self-service?
Qual terá sido o problema que motivou o surgimento dessa ideia?
Resposta: E se os clientes pudessem servir as suas próprias refeições?
A vida social atual necessita de maior otimização do uso do tempo. Isso 
pode ter parecido ridículo na ocasião. Será que na época os garçons 
viram isso com bons olhos e não como ameaça à sua profissão?
Situações como essa, muitas vezes sem sentido, é que levam a soluções 
criativas e muitas vezes bastante rentáveis. O que pode parecer “normal”, 
hoje, com certeza, já passou pelo ridículo um dia.
 UNIUBE 53
Pense numa empresa. O que mais chateia as pessoas num grupo? Digamos 
que seja cara feia e falta de educação dos colegas. Pense, então, em como 
resolver este problema. Que tal imaginar que as pessoas que ofenderem 
os outros serão “enviadas” para o “treinamento da sensibilidade”. Que 
treinamento seria esse? Que tipo de formação teria essas pessoas?
PARADA PARA REFLEXÃO
Você verá que, pensando sobre isso, você estará “treinando” a observa-
ção à sua volta, aplicando os seus conhecimentos e, com isso, relacio-
nando-se melhor com as pessoas.
Criatividade, como já foi dito, não se refere à criação de produtos, mas 
eventos, ideias, situações, posturas.
As pessoas criativas podem passar de uma perspectiva para outra com 
mais facilidade. Mudar o foco, o olhar sobre uma mesma coisa. Isso pode 
ser nato, mas também é uma habilidade que pode ser aprendida.
As ideias aparentemente malucas nada mais são do que uma cadeia de 
associações mentais que levam a uma ideia mais útil.
Veja nas principais manchetes de hoje. Escolha um problema que foi 
relatado e escreva aqui:
Agora pense em várias perspectivas, para este mesmo problema. Segundo 
cada uma dessas perspectivas, tente produzir uma ideia para minimizá-
-lo. Cada vez que você fizer este exercício, verá que você ficará melhor. 
Experimente!
Registre para depois conversar com os seus colegas.
AGORA É A SUA VEZ
54 UNIUBE
3.4.2 Como sabemos que uma pessoa é criativa?
Para saber se uma pessoa é realmente criativa, podemos passá-la por três 
“peneiras” (Figura 4):
Figura 4: Critérios para saber se uma pessoa é criativa.
E, então, você é criativo?
Lembra do exercício com os tijolos? Quem pensou em 60 diferentes 
utilidades para o tijolo é mais criativo do que quem pensou em 10? 
Bom, alguém poderia colocar que não, pois 60 ideias medíocres nada 
significam perante 10 ideias interessantes. Mas, a experiência e a história 
nos mostram que quanto mais ideias temos, mais próximos de boas 
ideias estaremos. A originalidade também é importante, mas o que 
dizer da qualidade das ideias? Como medir se uma ideia é de fato de 
qualidade?
Em geral, ter um monte de ideias aumenta as probabilidades de ter 
algumas boas ideias. As pesquisas mostram isso, assim como a experi-
ência pessoal. 
Uma ferramenta para isso é o próprio mercado no caso da criação de 
novos produtos. Por que algumas coisas são lançadas e logo esquecidas 
e outras estão em constante aprimoramento? No mercado de carros, por 
exemplo, é fácil detectar as más ideias.
 UNIUBE 55
Lembre-se dos muitos produtos que já foram criados e que saíram do 
mercado ou ficaram obsoletos. Faça uma lista e reflita sobre as razões que 
levaram estes produtos a não serem mais aceitos. 
Qual foi o grande erro da empresa que o lançou no mercado?
PARADA PARA REFLEXÃO
Deixar de considerar, entender e estudar quais são os desejos do 
consumidor, pode ter sido um dos erros dessa e outras empresas, não 
é mesmo?
Você gosta de assistir a filmes? Se sim, veja nossa sugestão.
Filme: Tudo acontece em Elizabethtown
Sinopse: Após provocar um prejuízo de US$ 972 milhões para a Mercury, a 
maior empresa de esportes dos Estados Unidos, ao elaborar um tênis que 
foi um fiasco, Drew Baylor (Orlando Bloom) é demitido pelo magnata Phil 
DeVoss (Alec Baldwin). Ellen Kishmore (Jessica Biel), sua namorada, acaba 
com Drew. Ele decide cometer suicídio e estava para executá-lo, quando o 
celular toca. Drew atende e sabe atravésda sua irmã, Heather (Judy Greer), 
que o pai deles, Mitchell (Tom Devitt), morrera de infarto em Elizabethtown, 
sua cidade natal [...].
Para saber mais sobre o filme, acesse: 
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-53579/
Embora não seja o foco principal do filme, a criação do tênis e o seu 
insucesso podem exemplificar muito essa relação da criatividade e a reação 
do mercado. 
DICAS
56 UNIUBE
3.4.2.1 Como gerar mais ideias 
Para melhorar as suas idéias, o melhor é trabalhar os problemas para os 
quais você pode, realmente, fazer alguma coisa e, então, exercer a sua 
criatividade com eles. Encontrar uma nova maneira de fazer o mesmo 
trabalho, por exemplo, ou, na sua vida pessoal, encontrar uma nova 
maneira para que as crianças realizem as tarefas de casa, ou guardem 
os brinquedos que espalharam, pode ser algumas dicas interessantes. 
Colocar suas ideias em ação diz a sua mente que elas são importantes 
para a vida real, e assim sua mente inconscientemente começa a 
trabalhar em novas ideias e soluções. Esta prática irá aumentar o seu 
quociente de criatividade.
Percebemos que a criatividade é muito mais do que uma característica 
do ser humano ou uma capacidade latente, mas uma visão, um modo de 
vida, uma maneira de assumir um papel na coletividade, na sociedade, 
algo permanentemente construído e que não combina com acomodação 
e inércia.
A criatividade é um comportamento e pode ser desenvolvido. Não é 
obtido de alguém, mas quanto mais um ser humano libera o seu potencial 
criativo, mais desenvolve maturidade para criar conscientemente, e 
conquistar sua autonomia.
O cérebro e a criatividade3.5
Referir-se ao nosso cérebro é bastante complexo e extenso. É um órgão 
que requer 25% daquilo que o coração bombeia, sendo um conjunto de 
milhões de células, que, segundo pesquisadores, pode ser visualizado, 
tocado e manipulado. Substâncias químicas, enzimas e hormônios fazem 
parte de sua composição. O que o faz funcionar são os neurônios que 
consomem oxigênio e troca substâncias através de suas membranas.
 UNIUBE 57
Nosso cérebro se divide em dois hemisférios, o direito e o esquerdo. 
O seu estudo ainda causa muitas controvérsias, seja no campo da 
medicina, da psicologia ou da educação. A neurolinguística, ciência que 
estuda a elaboração cerebral da linguagem, afirma que o temperamento 
de cada pessoa, tem relação direta com a forma que utiliza cada lado 
do cérebro. Sugere até mesmo uma “reprogramação neurolinguística” 
capaz de fazer com que o indivíduo se torne mais produtivo, de modo 
a desenvolver suas habilidades de liderança e melhorar a comunicação 
e os relacionamentos. Segundo esses estudos, as pessoas que utilizam 
mais o lado esquerdo, tendem a usar de forma adequada a lógica, a 
matemática, pois é o lado mais intuitivo. Ao contrário, as pessoas que 
utilizam o lado direito possuem habilidades de análise, são comunicativas, 
criativas e serenas.
De qualquer forma, para que funcionemos corretamente, faz-se necessá-
rio que utilizemos os dois hemisférios, pois o comando da memória se 
faz presente nessa interação.
Tanto o raciocínio como a inteligência são determinados pelos hemisférios 
cerebrais. No entanto, embora sejam simetricamente proporcionais, cada 
um deles, o esquerdo e o direito apresentam funções distintas, sendo, 
geralmente, um deles dominante. Se fizéssemos um mapa do cérebro 
na tentativa de localizar regiões específicas, perceberíamos o local onde 
estão nossas emoções. Pesquisas diversas seguem essa categoria de 
análise, embora boa parte do funcionamento cerebral continue a ser um 
mistério.
Muitos estudiosos atribuem o pensamento criativo ao hemisfério direito 
do cérebro. No entanto, esse estudo pode contribuir para entender 
alguns comportamentos. Mas, antes de pensar em usar “um ou outro”, 
o importante é usar os dois lados e não dar um valor em separado. Para 
um raciocínio criativo, para a resolução criativa de problemas, verificamos 
que ocorre uma oscilação interativa síncrona ou simultânea de ambos os 
hemisférios e não apenas do direito.
58 UNIUBE
Teste 1: Qual lado do cérebro orienta você?
Responda sinceramente às questões a seguir e descubra se você é mais 
dirigido pelo hemisfério direito ou pelo hemisfério esquerdo do cérebro, ou 
se você utiliza o “cérebro inteiro”, ou seja, ambos os hemisférios, ao lidar 
com fatos, ideias e questões.
O teste, a seguir, foi extraído do livro Você é criativo? de autoria de Eugene 
Raudsepp (RAUDSEPP, 1981), faça-o:
Assinale suas respostas:
1 - Nos auditórios, plateias de cinema, salas de conferência etc., você 
prefere se sentar:
 a) do lado direito?
 b) do lado esquerdo?
 c) no meio?
2 - Ao responder a uma pergunta que exija raciocínio você:
 a) costuma olhar para a esquerda?
 b) costuma olhar para a direita?
 c) costuma olhar diretamente para a pessoa que fez a pergunta?
3 - Você é:
 a) mais extrovertido?
 b) mais introvertido?
4 - Você é:
 a) uma pessoa “do dia”?
 b) uma pessoa “da noite”?
 c) igualmente “do dia” e “da noite”?
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 59
5 - Identifique quatro características, da lista a seguir, que você julgue 
possuir em alto nível, e mais quatro que representem dificuldades. 
Todas elas se relacionam com o trabalho. 
Assinale as que você possui com G e as que você não possui com D:
 a) Divisão do tempo........
 b) Organização de projetos........
 c) Planejamento estratégico........
 d) Resolução criativa de problemas........
 e) Persuasão de outras pessoas........
 f) Tomada de iniciativa........
 g) Supervisão de outras pessoas........
 h) Conceituação de noções........
 i) Controle........
 j) Impulso/motivação........
 k) Autodisciplina........
 l) Desenvolvimento de programas........
 m) Obediência a prazos........
 n) Preparo de orçamentos........
 o) Integração........
 p) Motivação de outras pessoas........
 q) Consultas........
 r) Cortesia........
 s) Percepção........
 t) Consideração........
 u) Previsão........
 v) Confiabilidade........
 w) Discernimento........
 x) Pragmatismo........
 y) Energia........
 z) Intuição........
6 - Assinale na lista a seguir as cinco palavras que melhor descrevem você:
 a) Analítico........
 b) Lógico........
60 UNIUBE
 c) Musical........
 d) Artístico........
 e) Matemático........
 f) Verbal........
 g) Inovador........
 h) Intuitivo........
 i) Controlado........
 j) Detalhista........
 k) Emocional........
 l) Com visão global........
 m) Dominador........
 n) Intelectual........
 o) Com capacidade de síntese........
 p) Com orientação espacial........
 q) Com orientação linear........
 r) Leitor inveterado........
 s) Com capacidade dedutiva........
 t) Com capacidade de usar analogias........
 Assinale na lista de frases a seguir as quatro que mais digam respeito 
a você:
 a) Tenho grande capacidade de liderança........
 b) Prefiro trabalhar por conta própria........
 c) Gosto de sair e do convívio social........
 d) Amo as artes........
 e) Sou uma pessoa conscienciosa e responsável........
 f) Considero-me uma pessoa muito sensível........
 g) Gosto de participar de atividades de grupo e equipe........
 h) Não sou uma pessoa muito organizada........
 i) Tenho uma boa capacidade de relacionamento........
 j) Tenho uma autocrítica muito forte........
 k) Respeito as convenções e os valores sociais........
 l) Algumas vezes duvido, da minha capacidade intelectual........
 UNIUBE 61
Q
ue
st
ão
A
lte
rn
at
iv
as
1
a=
1
b=
10
c=
5
2
a=
10
b=
1
c=
5
3
a=
2
b=
8
4
a=
2
b=
8
c=
5
5
a)
 
G
=2
 
D
=7
b)
 
G
=7
D
=2
c) G
=2
 
D
=7
d) G
=8
D
=2
e) G
=2
D
=8
f) G
=7
 
D
=2
g) G
=2
 
D
=7
h) G
=7
 
D
=2
i)G
=2
 
D
=8
j) 
G
=7
 
D
=2
k) G
=2
 
D
=7
l)
G
=7
 
D
=2
m
)
G
=1
 
D
=8
n) G
=2
 
D
=7
o) G
=7
 
D
=2
p) G
=2
 
D
=7
q) G
=7
D
=2
r) G
=1
 
D
=8
s) G
=8
 
D
=2
t) G
=2
 
D
=7
u) G
=7
 
D
=3
v) G
=2
 
D
=7
w
)
G
=8
D
=3
x) G
=2
D
=8
y) G
=7
D
=3
z) G
=8
 
D
=2
6
a=
3
b=
2
c=
9
d=
9
e=
3
f=
4
g=
8
h=
8
i=
2
j=
3
k=
7
l=
8
m
=3
n=
3
o=
8
p=
8
q=
2
r=
5
s=
8
t=
8
7
a=
3
b=
8
c=
2
d=
8
e=
2
f=
7
g=
3
h=
7
i=
3
j=
3
k=
3
l=
7
Calcule o valor de suas respostas de acordo com a tabela a seguir:
62 UNIUBE
Seu resultado
de 41 a 84 de 85 a 128 de 129 a 172
Orientação Esquerda Orientação Dupla Orientação Direita
O teste, a seguir, é sobre os comandos do cérebro, tente fazê-lo.
Teste 2: Identificando os comandos do cérebro
Analise os comportamentos a seguir e escreva, no Quadro 1, qual parte 
do cérebro você acredita que está dominando cada situação-problema:
Quadro 1: Identificando os comandos do cérebro
Situação-Problema
Lado do Cérebro 
Mais Usado
1 Júlia é a gerente de marketing de uma grande empresa 
de cosméticos. Destaca-se pela criatividade das 
campanhas que coordena e pela sensibilidade que lidera 
sua equipe de trabalho. No entanto, se precisar seguir 
instruções ou procurar um endereço, Júlia se atrapalha 
e prefere ser guiada. 
2 João Carlos é um advogado criminalista muito 
competente. É capaz de ler vários processos, localizando 
fatos e detalhes. Além disso, acredita-se que o seu 
sucesso seja da facilidade que tem em expressar-se 
oralmente.
3 Renato tem uma memória invejável para as imagens, 
mas não consegue lembrar-se do que fez há uma 
semana. Começa a fazer algo e se esquece do tempo, 
seja no trabalho como no lazer, por isso vive perdendo os 
prazos e deixando as pessoas esperando. Mas é a sua 
capacidade de ver as relações entre uma coisa e outra, 
e a maneira como as partes unem-se para formar um 
todo, que o tornam o profissional da arte tão maravilhoso 
e respeitado que é.
 UNIUBE 63
Você deve ter verificado que Júlia e Renato utilizam mais o lado direito do 
cérebro, e que João Carlos o lado esquerdo. Cada hemisfério do cérebro 
é dominante para alguns comportamentos, como exemplifica a Figura 
5, é especializado para algumas tarefas específicas, mas, mais do que 
identificarmos o lado predominante do nosso cérebro, é perceber que 
devemos trabalhar com os dois lados, melhorando nossas habilidades 
no nosso dia a dia. Através de exercícios e técnicas variadas pode-se 
estimular o lado direito do cérebro e buscar a integração entre os dois 
hemisférios, equilibrando o uso de nossas potencialidades.
Figura 5: Principais diferenças dos hemisférios.
Na tentativa de reativar nossa criatividade individual utilizando o lado 
direito do cérebro, podemos seguir algumas sugestões/atividades, como 
a que já abordamos no capítulo. Acompanhe-as a seguir no Quadro 2.
64 UNIUBE
Quadro 2: Estimulando a criatividade
Criar metas.
Armazenar as ideias e, 
sempre que possível, 
colocá-las em prática.
Fazer anotações.
Procurar ser 
otimista, positivo.
Ser um bom observador.
Desenvolver uma forte 
curiosidade e aprender 
a fazer perguntas 
como: quem, quando, 
onde, o quê, por 
que, qual e como.
Saber escutar e estar 
aberto a mudanças.
Descobrir novas fontes 
de ideias, como novas 
amizades, novos livros, 
jornais, revistas, 
cultura em geral.
Você sabe a diferença entre pensamento lateral e pensamento 
vertical?
O pensamento vertical: é o pensamento lógico e o racional, aquele que 
nos prende a um estado de não solução dos problemas encontrados.
O pensamento lateral: é aquele que busca alternativas para os nossos 
obstáculos por meio de nossa capacidade criativa.
Podemos dizer que pensar de forma criativa é pensar de forma lateral.
Você sabe utilizar o seu potencial criativo? 
A seguir, selecionamos algumas citações de grandes inventores e 
pensadores que nos dão a dimensão do potencial que podemos explorar por 
intermédio de nossa criatividade. Por meio delas, percebemos que o homem 
tem sempre a necessidade de sentir-se em desenvolvimento, criando e 
vivenciando novos desafios, para atingir o sucesso.
CURIOSIDADE
 UNIUBE 65
Não sou realmente um homem de ciência, não sou um 
observador, não sou um pensador. Nada sou senão um 
conquistador, por temperamento – um aventureiro – com 
a curiosidade, a rudeza e a tenacidade que compõem 
essa espécie de ser (FREUD).
Criatividade é permitir a si mesmo cometer erros. Arte é 
saber quais erros manter (SCOTT ADAMS).
Inquietação e descontentamento são as primeiras 
necessidades do progresso (THOMAS EDISON).
Criatividade é inventar, experimentar, crescer, correr 
riscos , quebrar regras, cometer erros e se divertir (MARY 
LOU COOK).
A Figura 6, a seguir, nos evidencia as fases do processo criativo.
O processo criativo3.6
Figura 6: Fases do Processo Criativo.
Fonte: Adaptado de Patrick (1955).
Viu como o processo criativo é individual e, portanto, inerente a cada ser? 
Aliar a capacidade criadora individual aos processos inovadores que uma 
empresa precisa desenvolver é um dos grandes desafios e diferenciais 
competitivos de hoje.
Para que as empresas desenvolvam sua capacidade de inovação, 
é preciso que seus funcionários desenvolvam de forma coletiva a 
criatividade. Como fazer isso? Uma boa forma é o uso de técnicas que 
estimulem o pensamento criador. 
66 UNIUBE
Uma das técnicas mais utilizadas pelas empresas para a obtenção de 
ideias se chama brainstorming.
Você sabe o que isso significa?
É uma técnica criativa de resolução de problemas, inventada em 1938, 
pelo publicitário Alex F. Osborn, quando na presidência de uma grande 
agência norte-americana.
O brainstorming é uma ferramenta associada à criatividade, e é por 
isso, preponderantemente, usada na fase de Planejamento (na busca 
de soluções). O nome da técnica deriva das palavras em inglês brain 
e storming que, traduzindo literalmente para o português, pode ser 
entendido como tempestade cerebral, mas melhor compreendido como 
tempestade de ideias. Geralmente, aplica-se a técnica para que um grupo 
de pessoas crie o maior número de ideias possíveis acerca de um tema 
previamente selecionado.
Que tipo de problema requer um brainstorming?
Quer imaginar um novo produto, rejuvenescer um antigo, simplificar um 
processo de produção, inventar meios de aumentar lucro ou, apenas 
melhorar a embalagem, a distribuição, as vendas ou as relações 
humanas entre os funcionários ou com os acionistas?
Caso você tenha algum problema desse tipo, uma sessão de brainstorming 
muitas vezes lhe proporcionará as desejadas respostas.
O que é uma sessão de brainstorming?
 UNIUBE 67
À primeira vista, parece uma reunião comum. Há um grupo de pessoas 
e um encarregado de presidi-lo, e aí termina toda semelhança.
As regras de brainstormings são quase exatamente opostas às de uma 
reunião comum e, assim, também acontece com a atmosfera que a cerca.
• Numa reunião, todos começam com a esperança de que você seja 
calmo e lógico – o que não acontece em brainstormings. 
• Numa reunião, você procura ser judicioso e comedido – o que não 
se dá nas tempestades cerebrais.
• Numa reunião, você está atento(a) a dificuldades e possibilidades 
de cometer um erro, o que não ocorre em brainstormings.
• Numa reunião, o papel do presidente é ser imparcial e controlador. 
No brainstorming, é ser inspirador e estimulador.
O objetivo principal é produzir o maior número de ideias possíveis sobre 
um problema.É fundamental separar completamente as funções opostas 
de imaginação e julgamento. As ideias nascem primeiro numa atmosfera 
não crítica de excitação e entusiasmo. O controle de qualidade e o 
julgamento são aplicados depois, em condições de pacífico e analítico 
desprendimento.
O brainstorming pode ser aplicado em diversas oportunidades, visando 
a melhoria contínua da empresa, principalmente na tomada de decisão 
para o planejamento em equipe, criação de um produto ou mesmo 
avaliação de um processo. É interessante na definição dos objetivos, 
diagnóstico e plano de ação de uma empresa, utilizar-se também do 
processo de decision mapping – mapeamento de decisões. Veja a seguir 
um exemplo:
68 UNIUBE
Responda às questões a seguir. Suas respostas podem basear-se na sua 
vida profissional ou pessoal:
a) Objetivo: Qual a sua Necessidade ou Desejo? Defina um objetivo 
desejado.
b) Diagnóstico: Existem obstáculos? Verifique quais os obstáculos impedem 
de atingir os objetivos;
c) Ação: O que te impede de atingir o seu objetivo? Defina os passos para 
eliminar os obstáculos, e a quem compete implementá-la e quando. 
Viu como é fácil? A aplicação dessa técnica demonstra a capacidade 
inovadora dos líderes nas empresas que buscam nas suas equipes a 
participação, a integração, a coordenação.
EXPLICANDO MELHOR
Produção e conhecimento nas empresas: A melhor forma de ter uma 
grande ideia é ter um monte de ideias (LINUS PAULING).
3.6.1 O conhecimento no processo criativo
Autores que se especializaram nos estudos das ciências sociais aplicada 
dizem que estamos vivenciando a era do conhecimento. Inovar por meio 
do conhecimento é uma forte vantagem competitiva entre as empresas. 
Existe uma grande distância entre a produção da ciência e a sua 
aplicação na inovação tecnológica. Um verdadeiro cânion que significa 
perdas econômicas substanciais.
Mas, como se dá a mediação de conhecimento nas empresas?
 UNIUBE 69
Primeiramente, é importante saber que existem dois tipos distintos de 
conhecimentos: o implícito ou tácito e o explícito ou codificável. 
O conhecimento implícito ou tácito: é aquele que não pode ser 
transferido por meio de documentos escritos. Dizemos que esse 
conhecimento é não codificável, ou seja, está apenas no cérebro 
humano. Como exemplo, podemos citar talentos individuais como o dom 
de Mozart para a música.
O conhecimento explícito ou codificável: é aquele que pode ser 
armazenado fora do cérebro humano; ele é transferível de uma pessoa a 
outra e pode ser compartilhado na forma de dados brutos e está presente 
em livros, mídias, computadores dentre outros.
O conhecimento implícito depende de um investimento individual, 
enquanto que o explícito é um conhecimento público que pode ser 
utilizado e recorrido sempre que necessário.
As empresas têm um grande desafio em termos de conhecimento, 
pois é preciso saber quem detém aqueles tidos como diferenciais para 
o seu sucesso, bem como saber onde o conhecimento explícito está 
armazenado e como recuperá-lo quando necessário.
É fundamental que exista uma interação harmoniosa entre as pessoas 
dentro da empresa, para que esse conhecimento seja repassado de 
forma responsável e organizada, garantindo assim, o sucesso dos 
processos e das inovações que possam surgir.
70 UNIUBE
O sucesso para a criação do conhecimento dentro da empresa se dá na 
união dos dois tipos de conhecimentos.
Existem algumas condições que promovem a criação desse conhecimento 
dentro de uma empresa, como por exemplo:
• intenção de todos, principalmente dos líderes; 
• autonomia para a realização de tarefas; e 
• atitudes abertas, principalmente com relação ao ambiente externo.
IMPORTANTE!
Figura 7: Fases do Processo de criação do conhecimento.
Fonte: Adaptado de REIS (2008).
3.6.2 Os inibidores do conhecimento
Davenport e Prusak (1998, p. 117) chamam a atenção 
para fatores culturais que inibem a transferência 
do conhecimento. Esses atritos “retardam ou 
impedem a transferência e tendem a erodir parte do 
conhecimento à medida que ele tenta se movimentar 
pela organização”. Os atritos mais comuns e formas de superá-los, são 
apresentados no Quadro 3.
Erodir
Sofrer 
processo 
de erosão, 
desintegração.
A seguir, veremos as fases do processo de criação do conhecimento, 
seguido Reis (2008) (Figura 7).
 UNIUBE 71
Quadro 3: Atritos mais comuns e possíveis soluções
Atrito Soluções Possíveis
Falta de confiança mútua
Construir relacionamentos e confiança 
mútua por meio de reuniões face a face
Diferentes culturas, vocabulários 
e quadros de referências
Estabelecer um consenso por intermédio 
de educação, discussão, publicações, 
trabalho em equipe e rodízio de funções
Falta de tempo e de locais 
de encontro, ideia estreita 
de trabalho produtivo
Criar tempo e locais para transferências 
do conhecimento: feiras, salas de 
bate-papo, relatos de experiências
Status e recompensa vão para os 
possuidores do conhecimento
Avaliar o desempenho e oferecer 
incentivos baseados no compartilhamento
Falta de capacidade de 
absorção pelos recipientes
Educar funcionários para a 
flexibilidade, propiciar tempo 
para o aprendizado, basear as 
contratações na abertura de ideias
Crença de que o conhecimento é 
prerrogativa de determinados grupos, 
síndrome do “não inventado aqui”
Estimular a aproximação não hierárquica 
do conhecimento, a qualidade das ideias 
e mais importante que o cargo da fonte
Intolerância com erros ou 
necessidade de ajuda
Aceitar e recompensar erros 
criativos e elaboração; não há perda 
de status por não saber tudo
Fonte: Adaptado de Davenport e Prusak (1998).
Sobre o registro do conhecimento na empresa, não poderíamos deixar 
de citar Probst, Raub e Romhardt (2002), que, assim, se referem a essa 
fase tão importante da Gestão do Conhecimento:
A memória pode ser descrita como um sistema de 
conhecimento e habilidades que preserva e armazena 
percepções e experiências além do momento em 
que ocorrem, para que possam ser recuperadas 
posteriormente. A memória organizacional é o ponto 
de referência para novas experiências: sem memória, 
nenhum aprendizado é possível. (PROBST, RAUB e 
ROMHARDT, 2002, p. 176).
72 UNIUBE
Assim, concluímos que, sem memória e sem promoção da transferência 
do conhecimento, uma empresa não poderá inovar.
2009 – Ano Europeu da Criatividade e Inovação3.7
Quando falamos do processo de inovação e do crescimento sustentável é 
preciso compreender que esses dependem da competitividade dos seus 
produtos e processos. Essa premissa tornou-se senso comum no cenário 
nacional e internacional quando o assunto é desenvolvimento. Não só 
de produtos e processos vive esse desenvolvimento, mas o conteúdo 
tecnológico deve estar em constante atualização, o que a curto, médio e 
longo prazos assegurará o atendimento à demanda dos consumidores 
e usuários.
A União Européia escolhe a cada ano um tema para sensibilizar e chamar 
atenção dos governos nacionais e da população para as questões que 
julga relevante. A primeira vez que foi escolhido um tema foi em 1983. 
Em 2009 foi escolhido como tema a Criatividade e Inovação. 
Para a equipe organizadora, criatividade é a faculdade de encontrar 
soluções diferentes e originais para novas situações e inovação a 
concretização de novas ideias. Ou seja, a criatividade é a base da 
inovação.
Este programa foi organizado em torno de oito verbos que representam 
as áreas de aplicação da criatividade e da inovação (Figura 8).
 UNIUBE 73
Figura 8: Verbos criativos.
Ainda, segundo o material organizado pelo Centro de Informação 
Europeia Jacques Delors para o Ano Europeu da Criatividade e Inovação 
(2009), encontramos as seguintes aplicações para cada um dos verbos 
(ou ações) apresentados:
• comunicar: desenvolverde forma criativa o uso da língua 
portuguesa e da literatura para reforçar a relação entre povos e 
culturas;
• aprender: reforçar o uso da criatividade no processo educativo e 
iniciativas que reforcem esse uso ao longo da vida;
• inventar: reconhecer o papel da ciência e tecnologia e da cultura 
científica e tecnológica na evolução da sociedade e do conhecimento 
humano; 
• criar: facilitar o desenvolvimento de ideias com potencial econômico;
• realizar: propor iniciativas criativas e empreendedoras na iniciativa 
privada como fator crucial para o desenvolvimento econômico e 
criação de riqueza;
• cooperar: estimular uma organização social que visem combater 
a pobreza e exclusão e que promovam a cooperação comunitária;
• viver: aplicar a criatividade em contexto urbano melhorando as 
condições de vida dos cidadãos e estimulando a competitividade 
empresarial;
74 UNIUBE
• imaginar: desenvolver diversas formas de expressão artística, como 
música, teatro, cinema, artes circenses e plásticas.
De acordo com a perspectiva do Programa, a questão da Criatividade 
e Inovação Tecnológica representa a oportunidade de aliar crescimento 
econômico de maneira a valorizar a cultura. Os pilares serão o trabalho e 
o emprego, o cuidado com o meio ambiente e uma maior coesão social, 
integrando os diversos setores econômicos e sociais.
Foram 260 projetos apoiados pelo programa, mas que envolveram 
diversas iniciativas de âmbito público e privado. Desse projeto nasceu um 
manual de Melhores Práticas de Programas de Criatividade e Inovação 
da União Européia, uma exposição de 20 exemplos, 35 projetos e 10 
peritos independentes de um total de mais de 100 inscritos.
Caso queira saber mais, os relatórios, dados e materiais estão disponíveis 
no site oficial do Ano Europeu, disponível em <http://www.create2009.
europa.eu>.
Sugerimos que o acesse!
PESQUISANDO NA WEB
Por que trabalhar com um tema como esse?
Porque é objetivo da UE, até 2010, ter uma economia baseada no 
conhecimento, mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir 
um crescimento econômico sustentável, com mais e melhores empregos, 
e com maior coesão social e respeito pelo meio ambiente. Reflete uma 
preocupação da UE e dos Estados-Membros, num mundo marcado 
 UNIUBE 75
por mudanças contínuas e por uma economia globalizada, tornando 
importante estimular o potencial criativo e de inovação dos cidadãos 
(Figura 9).
Figura 9: Investindo no Capital Humano.
Fomentar o potencial criativo e de inovação dos cidadãos é fundamental 
para melhorar os conhecimentos e para adquirir novas competências 
que visem promover o crescimento e o emprego, o que trará melhor 
coesão social, sensibilidade cultural e civismo. Com o desenvolvimento 
da economia europeia tem-se o social, o que permite que os cidadãos 
se integrem na sociedade contemporânea.
Diante dessa preocupação da União Europeia com as questões da 
criatividade e da inovação, qual deverá ser a postura das políticas públicas 
brasileiras?
PARADA PARA REFLEXÃO
Como está o Panorama Nacional de Inovação?
Conforme aponta Tironi (2005, p. 50), "a motivação do mercado para 
a inovação geralmente ocorre em um contexto setorial", o que para o 
autor significa que dentro de um mesmo setor industrial, alguns setores 
Panorama Nacional de Inovação3.8
76 UNIUBE
apresentam uma taxa de inovação superior a outras. É o caso das 
empresas brasileiras de equipamentos de informática, material eletrônico 
e de aparelhos e equipamentos de telecomunicações, equipamentos e 
instrumentos médico-hospitalares, instrumentos de precisão e ópticos, 
equipamentos de automação industrial, cronômetros e relógios estão 
no topo da lista. Já entre as empresas estrangeiras presentes no Brasil 
aquelas que mais inovam são as de fabricação de móveis, máquinas 
de escritório e equipamentos de informática, fabricação e montagem 
de veículos automotores, reboques e carrocerias, fabricação de outros 
equipamentos de transporte e fabricação de produtos de minerais não 
metálicos.
Pensar em inovação enquanto processo ou produto é um fenômeno difícil 
de ser mensurado e, talvez por isso, não seja possível quantificar.
Apesar dessa observação, o autor aponta que "a inovação é um processo 
difícil de ser mensurado" (Tironi, 2005, p. 51), e que requer diferentes 
metodologias de investigação. Ainda assim, conclui que "o principal 
desafio da política de inovação tecnológica brasileira seria conseguir 
aumentar a frequência da inovação radical, entendida como de maior 
intensidade tecnológica", e não apenas a inovação incremental, ou 
melhoramento de um processo.
O Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT passou a se chamar, no 
dia 03 de agosto de 2011, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 
Conforme apresentado em seu histórico no sítio oficial, desde a sua 
criação ainda na década de 80 é o órgão responsável por uma função 
estratégica no âmbito da Ciência, desenvolvendo estudos e pesquisas 
que se traduzem em geração de novos conhecimentos e tecnologias. 
Está legalmente amparado pelas disposições do Capítulo IV, da 
Constituição Federal de 1988, onde trata da Política Nacional de Ciência 
e Tecnologia. Os eixos estratégicos de sua ação são o apoio à Política 
 UNIUBE 77
Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, na forma de programas 
e de leis de incentivo à pesquisa e desenvolvimento nas empresas e ao 
fortalecimento da infraestrutura de instituições científicas e tecnológicas, 
bem como daquelas voltadas à prestação de serviços nesse setor.
Segundo consta no site do MCT:
O surgimento do novo ministério, além de expressar 
a importância política desse segmento, atendeu a um 
antigo anseio da comunidade científica e tecnológica 
nacional. Sua área de competência abriga o patrimônio 
científico e tecnológico e seu desenvolvimento; a políti-
ca de cooperação e intercâmbio concernente a esse 
patrimônio; a definição da Política Nacional de Ciência 
e Tecnologia; a coordenação de políticas setoriais; a 
política nacional de pesquisa, desenvolvimento, 
produção e aplicação de novos materiais e serviços de 
alta tecnologia (BRASIL, 2006).
Verificamos que, na realidade, esse Ministério foi criado para 
estabelecer políticas referentes à ciência e à tecnologia, acompanhando 
detalhadamente, nesse sentido, as ações necessárias a esse 
crescimento. Podemos, ainda, por meio do MCT, acessar o seguinte.
A divulgação de indicadores, na realidade, contribui para o acesso 
a informações técnico-científicas na referida área, sobretudo em 
comunicações internacionais. Segundo esses indicadores, os principais 
obstáculos para inovação apontados pelos empresários, são os 
elevados custos, riscos econômicos excessivos e escassez de fontes 
de financiamento.
A parceria da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica – 
PROTEC, com o Ministério de Ciência e Tecnologia e SENAI – Serviço 
Nacional de Aprendizagem Industrial, organizaram, em 2006, o manual 
“Mecanismos de Apoio à Inovação Tecnológica” na tentativa de promover 
o desenvolvimento de inovações e tecnologias nas empresas brasileiras. 
Esse manual funciona como um facilitador do esforço das indústrias para 
78 UNIUBE
elevar a sua competitividade nos mercados internos e externos pela 
diferenciação de seus produtos e processos de fabricação, agregando-os 
tanto às inovações que estejam desenvolvendo quanto às que venham 
a ser realizadas. Resume e explica detalhadamente as novas leis que 
regulam os procedimentos de subvenção econômica e de incentivos 
fiscais para as empresas, propiciando uma redução do risco e dos custos 
das inovações tecnológicas. Identifica, ainda, os programas de apoio ao 
desenvolvimento tecnológico das agências federais e estaduais, como, 
por exemplo, o programa Inovação, divulgado pelo BNDES, em 2006. 
São iniciativas comoestas que demonstram que o Governo Federal 
brasileiro, preocupado em transformar conhecimento científico em 
riquezas, tem apresentado diversos mecanismos para alavancar o 
desenvolvimento tecnológico. Podemos citar também os Fundos de 
Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico que têm por principais 
objetivos promover integração entre universidades, centros de pesquisa 
e o setor produtivo, gerar inovações que contribuam para a solução de 
problemas nacionais e estimular o elo entre ciência e desenvolvimento 
tecnológico. Dentre outras, estão as seguintes entidades: o Conselho 
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, a Agência 
Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, o Serviço Brasileiro de 
Apoio à Pequena e Média Empresa – SEBRAE.
3.8.1 Lei da inovação – principais avanços
Criada em 2 de dezembro de 2004, a lei 10.973, estabelece medidas de 
incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente 
produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia 
tecnológica e ao desenvolvimento industrial do País, nos termos dos 
artigos 218 e 219 da Constituição Federal de 1988.
 UNIUBE 79
O artigo 19, da Lei da Inovação, diz que a União, a Instituição 
Científica e Tecnológica – ICT, e as agências de fomento promoverão 
e incentivarão o desenvolvimento de produtos e processos inovadores 
em empresas nacionais e nas entidades nacionais de direito privado 
sem fins lucrativos voltadas para atividades de pesquisa. Isso 
ocorrerá mediante a concessão de recursos financeiros, humanos, 
materiais ou de infraestrutura, a serem ajustados em convênios ou 
contratos específicos, destinados a apoiar atividades de pesquisa e 
desenvolvimento, para atender às prioridades da política industrial e 
tecnológica nacional.
O artigo 22 traz o estímulo ao inventor independente que comprove 
depósito de pedido de patente. Para ele, é facultado solicitar a adoção 
de sua criação por ICT, que decidirá livremente quanto à conveniência 
e oportunidade da solicitação, visando à elaboração de projeto voltado 
à sua avaliação para futuro desenvolvimento, incubação, utilização e 
industrialização pelo setor produtivo.
3.8.2 A lei do bem
A lei 11.196, de 21 de dezembro de 2005, mais conhecida como lei 
do bem, constitui-se como um dos mecanismos para incentivar o 
desenvolvimento tecnológico do país. O capítulo III, dessa lei, trata dos 
incentivos à inovação tecnológica para as empresas. 
Essa lei pretende encorajar a participação das instituições científicas e 
tecnológicas no processo de inovação, compartilhando sua infraestrutura 
laboratorial com microempresas e empresas de pequeno porte. 
Cede, ainda, funcionários do setor público para colaborar com essas 
instituições, recebendo bolsa de estímulo à inovação e participando dos 
ganhos econômicos advindos das criações resultantes. Trata do estímulo 
ao inventor independente e às empresas, as quais podem beneficiar-se 
80 UNIUBE
de mecanismos financeiros (subvenção econômica, financiamento ou 
participação societária) ao investirem no desenvolvimento de produtos e 
processos. Os artigos dessa lei representam avanços importantes para 
a consolidação de um sistema de apoio à inovação.
Esses incentivos foram regulamentados pelo Decreto Nº 5.798, de 7 de 
junho de 2006, Art. 2º. Para efeitos deste Decreto, considera-se:
inovação tecnológica: a concepção de novo produto 
ou processo de fabricação, bem como a agregação de 
novas funcionalidades ou características ao produto ou 
processo que implique melhorias incrementais e efetivo 
ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior 
competitividade no mercado (BRASIL, 2006).
Esse artigo regulamenta os incentivos fiscais às atividades de pesquisa 
tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, de que tratam 
os artigos 17 a 26, da Lei do bem (2005). 
O Art. 3º traz que a pessoa jurídica poderá usufruir de incentivos fiscais, 
tais como:
• dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, 
de valor correspondente à soma dos dispêndios 
realizados no período de apuração com pesquisa 
tecnológica e desenvolvimento de inovação tec-
nológica, classificáveis como despesas operacio-
nais pela legislação do Imposto sobre a Renda da 
Pessoa Jurídica (IRPJ) ou o como pagamento na 
forma prevista no § 1 deste artigo;
• redução de cinquenta por cento do Imposto so-
bre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre 
equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumen-
tos, bem como os acessórios sobressalentes e 
ferramentas que acompanhem esses bens, des-
tinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecno-
lógico; 
 UNIUBE 81
• depreciação acelerada, calculada pela aplicação 
da taxa de depreciação usualmente admitida, 
multiplicada por dois, sem prejuízo da deprecia-
ção normal das máquinas, equipamentos, apare-
lhos e instrumentos novos, destinados à utilização 
nas atividades de pesquisa tecnológica e desen-
volvimento de inovação tecnológica, para efeito 
de apuração do IRPJ; 
• amortização acelerada, mediante dedução como 
custo ou despesa operacional, no período de apu-
ração em que forem efetuados, dos dispêndios 
relativos à aquisição de bens intangíveis, vincu-
lados exclusivamente às atividades de pesquisa 
tecnológica e desenvolvimento de inovação tec-
nológica, classificáveis no ativo diferido do bene-
ficiário, para efeito de apuração do IRPJ; 
• crédito do imposto sobre a renda retido na fonte, 
incidente sobre os valores pagos, remetidos ou 
creditados a beneficiários residentes ou domicilia-
dos no exterior, a título de royalties, de assistência 
técnica ou científica e de serviços especializados, 
previstos em contratos de transferência de tec-
nologia averbados ou registrados nos termos da 
Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996, redução a 
zero da alíquota do imposto sobre a renda retido 
na fonte nas remessas efetuadas para o exterior 
destinadas ao registro e manutenção de marcas, 
patentes e cultivares. (BRASIL, 2006).
3.8.3 Meios de incentivo e apoio à inovação tecnológica
A Agência Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) é uma empresa 
pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que visa o auxílio 
a pesquisa e inovação.São quatro opções estratégicas como prioridades:
a) semicondutores;
b) software;
82 UNIUBE
c) fármacos e medicamentos;
d) bens de capital.
E três tecnologias portadoras de futuro:
a) biotecnologia;
b) nanotecnologia;
c) biomassa. 
A FINEP financia, com essa visão de prioridades, projetos institucionais 
de pesquisa e desenvolvimento, seja de Instituições Científicas e 
Tecnológicas (ICTs) ou de empresas, de entidades públicas ou privadas. 
Sugerimos que confira no site informações interessantes a respeito da 
FINEP. Disponível em: <http://www.finep.gov.br>.
PESQUISANDO NA WEB
Nesse site, estão os formulários para solicitar apoio; pode ser realizada 
também uma consulta prévia em formulário eletrônico autoexplicativo, 
no qual constarão informações sobre a empresa interessada consistindo 
de dados básicos, informações sobre a atividade econômica, dados 
econômicos, pessoa para contato e sobre o projeto, constituindo 
objetivos, inserção no mercado, etapas ou atividades do projeto, além 
de estimativa de gastos previstos e financiamento pretendido, bem como 
proposição de garantias. 
Uma vez analisado o projeto e aprovado pela FINEP, a empresa será 
informada da aprovação e receberá o contrato de financiamento para 
assinar, e cumpridas todas as exigências receberá a liberação do 
financiamento.
 UNIUBE 83
3.8.3.1	PROINOVAÇÃO	−	Programa	de	Incentivo	à	Inovação	nas	
Empresas Brasileiras
O Proinovação é um programa do FINEP que visa estimular a realização 
de atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P, D & I) 
nas empresas brasileiras. Trata-se, do programa que fundamenta ofinanciamento reembolsável padrão para situações em que são atendidos 
requisitos, tais como: 
• aumento da competitividade; 
• inovação com relevância regional; 
• aumento das atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico;
• projetos que resultem em adensamento tecnológico, parcerias entre 
universidades e empresas;
• contratação de doutores, ou desenvolvimento de produtos da área 
de semicondutores/microeletrônica;
• software, bens de capital e fármacos/medicamentos, ou como áreas 
portadoras de futuro, tais como: biotecnologia, nanotecnologia, 
biomassa.
3.8.3.2 BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico 
e Social 
É o mais poderoso instrumento do Estado brasileiro para execução 
de políticas industriais. Foi criado em 1952, para promover o 
desenvolvimento econômico do país, financiando indústria, infraestrutura 
e outros investimentos. O BNDES é, hoje, uma empresa pública vinculada 
ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ele 
atua por meio de linhas, programas e fundos. Os produtos oferecidos 
pelo Banco são: financiamento a empreendimentos – FINEM; FINAME; 
Inovação P, D & I; Inovação Produção.
84 UNIUBE
Todas as linhas de atuação do BNDES podem propiciar, ensejar ou 
criar condições favoráveis à inovação tecnológica. Dos seis programas 
industriais do BNDES, três são voltados precisamente para opções 
estratégicas da PITCE: o Programa de Apoio ao Desenvolvimento 
da Cadeia Produtiva Farmacêutica (PROFARMA), o Programa de 
Modernização do Parque Industrial Nacional (MODERMAQ) e o 
Programa para o Desenvolvimento da Indústria Nacional de Software e 
Serviços Correlatos (PROSOFT). 
3.8.3.3 Estados Federativos
Além dos mecanismos do Governo Federal de fomento à inovação 
tecnológica, os governos estaduais também desenvolvem incentivos à 
inovação. O Estado de São Paulo, por exemplo, instituiu ainda em 1962, 
a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 
A partir de 1989, diversos estados incluíram em suas novas constituições 
estaduais artigos estipulando percentuais mínimos da arrecadação a 
serem destinados ao esforço estadual em ciência e tecnologia. Em vários 
Estados, temos fundações de amparo à pesquisa (FAP’s), que passaram 
a funcionar como repositório dos recursos oriundos desse dispositivo. 
Uma das principais iniciativas envolvendo os sistemas estaduais na 
inovação tecnológica é o Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas 
– PAPPE; trata-se de um mecanismo de uso dos recursos dos fundos 
setoriais pela FINEP em parceria com as FAP’s. 
O principal desafio da política de inovação tecnológica brasileira é 
conseguir aumentar a frequência da sua inovação, por exemplo, por 
meio do lançamento de novos produtos e ou implementação de novos 
processos. Aumentar o investimento das empresas em tecnologia 
seria um bom cenário. E isso poderia ser suscitado se culturalmente a 
criatividade fosse um valor nas pessoas, e não tratada como irreverência 
pessoal.
 UNIUBE 85
Antes de finalizarmos os estudos aqui propostos, gostaríamos de 
ressaltar que: o engenheiro de produção, entre outras atividades, deverá 
saber identificar, formular e solucionar problemas. Para que isso seja 
feito com sucesso, precisará acompanhar as evoluções tecnológicas e 
conhecer os anseios do mercado, a fim de utilizar sua capacidade criativa 
para superar os desafios que lhe serão constantemente propostos. A 
tecnologia, conforme defendido nesse capítulo é, de forma geral, a 
união entre a ciência e a engenharia. Assim, o processo de inovação 
tecnológica engloba desde estudos científicos, pesquisa, planejamento, 
até sua aplicação técnica, resultando num processo, produto ou serviço 
totalmente novo. Sem dúvida, os processos, produtos ou serviços 
essenciais à vida da sociedade são os que permanecem no mercado, 
são editados, copiados, redimensionados, transformados etc. 
Esse engenheiro precisará, antes de qualquer coisa, ser um líder. Líder 
de si mesmo, envolvido com as pessoas e, portanto, com os processos. 
Precisará ser dinâmico, para que possa efetivar o processo decisório das 
organizações. O engenheiro voltado para si mesmo não terá espaço. O 
seu espaço será o espaço do grupo, da sociedade, do mundo.
Observe a Figura 10:
Figura 10: O que é necessário para realizar as mudanças.
86 UNIUBE
Na Figura 10, temos o modo como as mudanças deverão ser feitas. Está 
claro que é preciso evoluir nos conceitos preconcebidos em função dos 
avanços tecnológicos que exigem, cada vez mais, pessoas habilitadas 
para significativas mudanças. Pessoas que respondam criativamente 
diante dos diferentes cenários e das diferentes equipes de trabalho, 
propondo novas soluções para velhos problemas, quebrando paradigmas, 
modelos constituídos, são muito necessárias.
Está no capital humano o elemento que significará êxito operacional na 
medida em que a tecnologia torna-se comum às diferentes organizações, 
porque liderar pessoas passa a ser o ponto crítico para empresas que 
permanecem em mercados competitivos.
Após toda essa leitura, a pergunta é:
 você está preparado?
Com o estudo deste capítulo, vimos pontos importantes que devem ser 
foco de atuação e conhecimento do profissional que lida com produção 
e seus processos, como:
• o engenheiro de produção tornou-se peça fundamental para 
as empresas que procuram produzir com o mais alto padrão de 
qualidade;
• entre as competências esperadas desse profissional está 
evidenciado o seu potencial criativo para vencer os desafios que 
surgem no dia a dia;
• a ciência, a tecnologia e a inovação tecnológica se relacionam;
• a ciência produz modelos, a tecnologia está associada a novos 
processos de fabricação, a novos produtos, a novos métodos e aos 
impactos que todos esses podem produzir em uma sociedade;
Resumo
 UNIUBE 87
• que inovação é a arte de introduzir novidades, produzir algo novo;
• a criatividade é que unirá ciência e tecnologia através da inovação;
• a criatividade é um comportamento que pode e deve ser 
desenvolvido; 
• liberar o nosso potencial criativo torna-se fundamental para perceber 
o mundo em constante transformação e atuar sobre ele;
• entender o cérebro e seus hemisférios nos faz perceber o quanto 
criativo nós somos;
• uma das técnicas mais utilizadas pelas empresas para a obtenção 
de ideias se chama brainstorming – tempestade de ideias – e tem 
como premissa produzir o maior número de ideias possíveis sobre 
um problema;
• as empresas têm um grande desafio em termos de desenvolvimento 
do conhecimento dos seus colaboradores;
• 2009 foi o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação, que teve 
como objetivo desenvolver uma economia baseada no conhecimento 
na União Europeia;
• o Ministério de Ciência e Tecnologia é o que descreve o panorama 
nacional para inovação tecnológica, o órgão responsável pela 
formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e 
Tecnologia;
• a Pesquisa de Inovação Tecnológica – PINTEC divulga indicadores 
importantes de como está o processo de inovação tecnológica no 
Brasil, bem como a utilização dos incentivos governamentais;
• a Lei da inovação, nº 10.973, estabelece medidas de incentivo à 
inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, 
com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia tecnológica e 
ao desenvolvimento industrial do País;
• um dos mecanismos para incentivar o desenvolvimento tecnológico 
do país foi a criação da chamada Lei do Bem – nº 11.196, que 
pretende encorajar a participação das instituições científicas 
e tecnológicas no processo de inovação compartilhando sua 
infraestrutura laboratorial com microempresas e empresas de 
pequeno porte;
88 UNIUBE
• a Agência Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP e o Banco 
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BDNES sãoalguns dos principais órgãos de incentivo à inovação tecnológica;
• está no capital humano o elemento que significará êxito operacional 
porque liderar pessoas passa a ser o ponto crítico para empresas 
que atuam em mercados competitivos.
Atividades
Atividade 1
Relacione os conceitos de ciência (C) e inovação tecnológica (I) com os 
temas propostos a seguir.
a) São os diferentes tipos de conhecimento: o discurso do senso comum, o discurso filosófico, o discurso religioso 
ou o discurso estético, o que significa que os diferentes 
tipos de conhecimento se distinguem uns dos outros por 
características que são específicas e próprias de cada um 
deles.
( )
b) Elaboração e aperfeiçoamento dos métodos para assegurar 
o funcionamento dos mecanismos da produção, do consumo 
e do lazer, assim como das atividades da pesquisa artística 
e científica.
( )
c) Impõe-se não tanto pelo que ela é, mas, sobretudo, pelo que 
faz e permite fazer, isto é, ela é socialmente reconhecida 
pelas suas consequências.
( )
d) Conhecimento racional, certo ou provável, obtido 
metodicamente, sistematizado, verificável, relativos a objetos 
de uma mesma natureza.
( )
e) Aspira à formulação de leis causais (explicativas) – à luz das 
regularidades observadas – com vista a prever os fenômenos, 
já que nas mesmas condições, as mesmas causas produzem os 
mesmos efeitos.
( )
f) Compreende desde as ferramentas mais simples até os 
microprocessadores e, no plano econômico, visa tornar cada 
vez mais rentáveis os investimentos.
( )
 UNIUBE 89
Atividade 2
Analise cada uma das competências esperadas do engenheiro de 
produção presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais, citadas no 
início deste capítulo. Qual dessas competências se relaciona mais com 
os conceitos de criatividade trabalhados aqui?
Atividade 3
Considerando os aspectos criativos individuais que as empresas podem 
explorar de seus funcionários, explique a importância desse processo 
para a produção de novas tecnologias nas empresas.
Atividade 4
Após ler o capítulo, reflita e explique sobre a situação atual do Brasil em 
relação à inovação. Para tanto, considere também os comentários da 
última PINTEC de 2005.
Atividade 5
A empresa RoseBlue Cosmetic incentiva seus funcionários a compor-
tamentos criativos e dinamizadores. Em todos os seus lançamentos, os 
primeiros consultados são os próprios colaboradores que estão sempre 
envolvidos nas pesquisas de opinião. Aliás, essa empresa paga por boas 
ideias que são implementadas nos processos, ou mesmo novos produtos. 
A comissão de PDPP – Planejamento e Desenvolvimento de Produtos 
e Processos é um órgão consultivo e dele fazem parte por tempo de 
gestão, colaboradores indicados pelos seus pares. Essas pessoas, que 
recebem um incentivo financeiro durante o tempo que estão no grupo 
se reúnem a cada ciclo para analisar e avaliar as sugestões e repassar 
ao executivo que solicita a sua implementação. O ciclo é de 3 meses e 
o mandato dos membros de 1 ano.
90 UNIUBE
Faça de conta que você é um dos membros dessa comissão, e está 
em uma das reuniões para avaliar as ideias do ciclo. Analise cada 
uma das propostas a seguir e selecione aquelas que você sugeriria a 
implementação imediata, aquelas para um prazo médio e aquelas que 
não seriam sugeridas para implementação de jeito nenhum.
Situação-problema Ideia
Será 
implementada? 
Quando?
a) Flávia é do suporte em 
informática. Até então, todas 
as dúvidas, pedidos de suporte 
e sugestões que Flávia recebia 
eram mantidos em sua caixa de 
correio pessoal. Essa solução 
possuía uma série de descon-
forto: as mesmas dúvidas eram 
respondidas inúmeras vezes. 
Não era possível controlar 
efetivamente os defeitos do 
software que haviam sido 
sanados ou que ainda estavam 
pendentes na própria empresa. 
Outros programadores que 
trabalhavam com Flávia não 
tinham acesso aos chamados 
que ela mantinha em sua caixa 
de correio.
Flávia sugeriu criar um espaço 
no ATADesk (uma ferramen-
ta que visa criar um canal de 
comunicação entre colabora-
dores, clientes e parceiros da 
empresa) que pudesse ser 
acessado por todos os colabo-
radores. Ali seria reunida uma 
base de conhecimento sobre 
as dúvidas, sugestões e estágio 
atual da resolução de dúvidas 
melhorando o atendimen-
to de suporte e seu trabalho 
junto aos colegas do setor. 
Antes de abrir uma solicita-
ção, o colaborador acessava o 
banco de dúvidas e só depois 
abria o pedido de solicitação 
de suporte. Questões simples 
como configuração de e-mails 
e impressora, teriam o passo 
a passo. Os seus colegas 
passariam a ter acesso de 
forma unificada às informações 
de atendimento aos clientes. O 
diretor da empresa também 
passaria a ter um panorama 
mais preciso de como anda o 
serviço prestado.
 UNIUBE 91
b) Marina observou que a fim 
de se distrair um pouco, os 
colaboradores levantavam 
de tempos em tempos para 
tomar um cafezinho. Resulta-
do: excesso de copinhos de 
café no lixo. As pessoas vão 
tomando cafezinho e jogando 
os copinhos no lixinho ao 
lado. Cada pessoa é capaz de 
jogar 10 copinhos por dia. São 
30 pessoas no setor, o que 
dá uma média de 200 a 300 
copinhos/dia. Duas vezes por 
dia o lixo é recolhido. O que é 
insuficiente.
Tirar o cafezinho da empresa. 
A sala do café seria externa 
aos escritórios. Com a distân-
cia, os colaboradores sairiam 
menos. Economizaria e evitaria 
o acúmulo de lixo.
c) Duarte observou que entre 
uma sala e outra da empresa, 
sempre havia um degrau. Ele 
não entendia porque aquele 
degrau estava ali. Não foi nem 
uma ou duas vezes que viu 
pessoas tropeçarem naqueles 
degraus.
Duarte sugeriu que todos os 
degraus dentro da empresa 
fossem retirados. Evitaria 
acidentes e facilitaria o acesso.
d) José Luis observou que 
os colaboradores usavam 
muito a copiadora e a impres-
sora para a execução de 
suas atividades. Resultado: 
excesso de papéis inutiliza-
dos na máquina copiadora e/
ou na impressora. As pessoas 
imprimem contratos, cartas, 
memorandos, projetos o dia 
todo. Muitas vezes, não sai 
do jeito que a pessoa quer e o 
papel é descartado ou jogado 
no lixo. Em um dia observan-
do, foi detectado que, no 
mínimo, 500 folhas de papel 
sulfite são descartadas.
José Luis sugeriu que duas 
vezes por dia o boy recolhesse 
essas folhas e encaminhasse 
para a gráfica criar bloquinhos 
de anotações. Essa gráfica 
faria esse trabalho em parceria 
ficando com metade do papel 
recolhido na empresa.
92 UNIUBE
Referências
ABEPRO – Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Informe: 
Boletim informativo ABEPRO. Ano 1, Número 3, de dezembro de 
2006. Disponível em <http://www.abepro.org.br/arquivos/websites/1/
Boletim_Abepro_n%C2%B03.pdf>. Acesso em: 25 jul 2011. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Presidência 
da República. Casa Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em 25 ago 2010.
BRASIL. Lei Nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à 
inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras 
providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 
3 dez. 2004. Nº 232, Seção 1, p. 02. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2004-2006/2004/Lei/L10.973.htm>. Acesso em: 25 ago. 2010.
_______. Pesquisa de inovação tecnológica - PINTEC. Brasília, DF: 
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, 2004. Disponível 
em: <http://www.pintec.ibge.gov.br>. Acesso em: 15 mai. 2008.
_______. Lei Nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Cap. 3. Dispõe sobre 
incentivos fiscais para a inovação tecnológica, entre outros, e dá outras providências. 
Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília,DF, 3 dez. 2004. 
Nº 223, Seção 1, p. 03. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2004-2006/2005/lei/L11196compilado.htm>. Acesso em: 25 ago. 2010.
_______. Decreto 5798, de 7 de junho de 2006. Regulamenta os incentivos 
fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação 
tecnológica, de que tratam os arts. 17 a 26 da Lei no 11.196, de 21 de 
novembro de 2005. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 
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Luciana De Martino Nogueira
Jacqueline Oliveira Lima Zago
Introdução
O processo de inovação 
tecnológica: conceitos, 
fases e formas de acesso
Capítulo
4
No capítulo anterior, vimos que os profissionais que lidam com 
a organização da produção e seus fluxos tornaram-se peças 
fundamentais para as empresas que procuram produzir com o 
mais alto padrão de qualidade. Analisamos as competências 
esperadas para esse profissional e o papel da criatividade como 
unificadora da ciência e tecnologia.
As atividades nos mostraram que é possível desenvolver a 
criatividade, condicionando nosso cérebro a uma postura diferente 
frente aos problemas do cotidiano. Nesse sentido, unimos a 
criatividade ao conceito de inovação.
Neste novo capítulo, continuaremos a tratar do tema inovação 
aprofundando no panorama nacional de incentivo à inovação 
tecnológica, visitando o aspecto legal da propriedade intelectual e 
as estratégias para tornar real a criação e o desenvolvimento de 
ideias.
• Nesse sentido, esperamos que após a leitura deste capítulo, 
você seja capaz de:
• conceituar e distinguir invenção e inovação;
Objetivos
96 UNIUBE
Esquema
4.1 Processo de inovação tecnológica
4.2 Importância da inovação
4.3 Propriedade Intelectual
4.4 Constituição Federal e a Propriedade Intelectual
4.5 Patentes
4.6 Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI
4.7 Mudanças tecnológicas
4.8 Concepção da ideia
4.9 O desenvolvimento da ideia
4.10 Estratégias de inovação tecnológica e as formas de acesso 
à tecnologia
4.11 Sociedade do conhecimento
4.12 Incentivo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica – o CNPq
4.13 Em busca da inovação tecnológica – a cooperação univer-
sidade-empresa
• compreender que a inovação tecnológica é essencial para 
o desenvolvimento de novos processos e produtos e deve 
ser estimulada;
• definir propriedade intelectual e entender como ela afeta os 
negócios de uma empresa;
• compreender o processo de inovação, desde a concepção 
da ideia, passando pelo seu desenvolvimento até o seu 
lançamento no mercado;
• situar o surgimento da sociedade do conhecimento e para 
onde ela caminha;
• relacionar geração de conhecimento e geração de novos 
produtos e processos;
• tomar conhecimento da aplicabilidade dos conceitos por meio 
dos exemplos apresentados.
 UNIUBE 97
Processo de inovação tecnológica4.1
Já falamos em inovação tecnológica em outros momentos. No 
entanto, retomaremos esse conceito para abordarmos outros 
aspectos do processo.
Vejamos!
Você se lembra da diferença entre invenção e inovação?
Inovação é um termo empregado no universo corporativo para descrever, 
de forma genérica, as necessidades de melhoria nos processos, produtos, 
serviços, formas de gestão e posicionamento estratégico, garantindo, 
consequentemente, menores custos, melhor qualidade, maior flexibilidade, 
maior agilidade, menores prazos de entrega, entre outros aspectos. Contudo, 
os termos invenção e inovação são diferentes e não devem ser confundidos.
RELEMBRANDO
Uma invenção pode ser uma nova ideia, uma nova máquina, uma nova 
forma de gestão. Ela é simplesmente algo novo, concebido por uma 
pessoa ou grupo de pessoas por meio de um processo criativo. Já, a 
inovação é uma novidade que foi aplicada na prática com sucesso, ou 
seja, uma novidade que gerou resultados e já se encontra inserida no 
mercado. Assim, uma inovação é, então, uma invenção que deu certo do 
ponto de vista de uma organização e que pode até mesmo ser aplicada 
a uma invenção.
98 UNIUBE
Segundo Schumpeter (1996, p. 4), inovação 
pode ser:
aquilo a que chamamos de progresso econômi-
co, significa essencialmente aplicar recursos 
produtivos a usos até então na prática não 
experimentados, desviando-os de usos que 
nunca tinham sido destinados. Isso se chama 
inovação.
Em síntese, Schumpeter (1996) aborda inovação 
como um conjunto de cinco pontos importantes, 
a saber:
• a fabricação de um novo bem;
• a introdução, no mercado, de um novo método 
de produção;
• a abertura de um novo mercado;
• a conquista de uma nova fonte de matéria-
prima;
• a realização de uma nova organização econô-
mica ou estrutura organizacional.
Segundo esta ideia, o surgimento de uma 
inovação pode ser representado conforme a Figura 1, pela união entre 
novidade, aplicação prática e os resultados.
Joseph Alois 
Schumpeter
Nasceu na região 
da República 
Checa, em 1883, 
e faleceu nos 
EUA, em 1950. 
Foi um dos mais 
importantes 
economistas 
do século XX e 
precursor da Teoria 
do Desenvolvimento 
Econômico (1912), 
fundamental para a 
ciência econômica 
contemporânea. 
Pouco antes de sua 
morte, foi presidente 
da recém-criada 
International 
Economic 
Association. Suas 
ideias permanecem 
contemporâneas, 
sendo reeditadas 
em todo o mundo, 
contribuindo para 
o desenvolvimento 
da ciência política e 
econômica.
Figura 1: Pontos fundamentais da inovação.
 UNIUBE 99
E, geralmente, podem ser classificados segundo o esquema da Figura 2.
Figura 2: Grau da Inovação.
4.1.1 Inovação conforme o objeto em foco 
É um conceito adaptado da classificação, elaborada pela Organização 
para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OECD – 
Organization for Economic Cooperation and Development e disponível 
para consulta no site <http://www.oecd.org> e pode ser inovação de 
produto ou serviço: o objeto da inovação tem sua origem em um novo 
produto ou serviço ou na melhoria em um produto ou serviço já existente:
• inovação de processo: o objeto da inovação é oriundoda 
concepção de um novo processo para a produção de produtos ou 
para a prestação de serviços novos ou já existentes ou, ainda, da 
melhoria em um processo para essas mesmas finalidades;
• inovação em gestão: o objetivo da inovação são novas formas ou 
melhorias na maneira de gerenciar negócios já existentes;
• inovação de negócios: o objetivo da inovação é um novo negócio 
ainda inexplorado, um novo mercado para um produto (existente ou 
não), ou um novo posicionamento de produto ou serviço já existente, 
em mercado que também já exista. 
Em geral, as inovações de negócios estão usualmente vinculadas a 
processos de geração de ideias e ao desenvolvimento dessas ideias. 
As inovações de negócios são geralmente as mais difíceis de serem 
100 UNIUBE
obtidas. Assim, segundo Shumpeter (1996), citado por Baptista (1999, 
p. 2) “Inovação é a introdução de um novo produto no mercado que teria 
de ser significativamente diferente dos já existentes. Implica uma nova 
técnica de produção e a abertura de um novo mercado”.
4.1.2 Inovação conforme o grau 
Essa inovação é assim descrita por Freeman e Perez (1988, p. 3861):
• incremental: é a melhoria em um produto, serviço, processo, 
negócio ou uma forma de gestão já existente para aprimorar ou 
expandir sua aplicabilidade. Exemplo: escova de dentes, baterias 
de celular, atualização do Windows;
• radical: é o surgimento de um novo produto, serviço, processo, 
negócio ou de uma nova forma de gestão significativamente diferente 
dos já existentes e que possibilite a criação de novos negócios ou 
novos mercados. Exemplo: invenção da imprensa, da pólvora, da 
bússola, advento da internet;
• mudança no sistema tecnológico: são grandes mudanças 
tecnológicas que afetam diversos setores da economia de uma 
sociedade. Combinam várias inovações radicais e incrementais. 
Exemplo: lançamento do Linux, GPS, celular, internet;
• mudança no paradigma tecnológico: são mudanças tecnológicas 
que transformam toda a atividade econômica de uma sociedade, 
com impacto na organização do trabalho, nos custos e processos de 
produção. Exemplo: máquina a vapor, energias alternativas.
Vamos ver se você entendeu o que falamos até aqui?
Observe os produtos a seguir e tente classificá-los segundo o seu grau de 
inovação, marcando a coluna correspondente:
AGORA É A SUA VEZ
 UNIUBE 101
Produto ou Serviço Inovação Incremental Inovação Radical
Sabão em pastilhas
CCAA Franchising
Sem Parar (Pedágio)
Código de Barras
Pilhas Duracell
Air Bag
ISO 9001
Post-it
4.1.3 Lado negativo da inovação tecnológica
Voltando em Schumpeter (1996), veremos que a inovação tem o seu 
reverso, ou seja, ao mesmo tempo em que constrói, destrói. O que isso 
significa exatamente?
Esse autor coloca a noção de “destruição criativa”, ou seja, a tecnologia 
destrói, ou pelo menos diminui o valor de velhas técnicas e/ou produtos. 
O novo produto ocupa o espaço, o que implica em destruição e criação. 
Promove empresas criativas e inovadoras e fecha aquelas que não 
se adaptaram ao mercado. Elimina postos de trabalho, mas também 
cria novas oportunidades de ação. Esse é ponto dialético da inovação, 
segundo a teoria Schumpeter.
Você poderia se lembrar de produtos ou processos que destruíram outros 
ao serem criados?
Pense na máquina de escrever.
Lembrou-se de mais algum?
SINTETIZANDO...
102 UNIUBE
Vimos até aqui, conceitos e características da inovação. Você saberia 
explicar o que seria a “denovação”? Esse termo foi usado, pela primeira 
vez, pelo geógrafo sueco Torsten Hagerstrand (1988) como sendo o lado 
destrutivo do processo de inovação. Na mesma linha de pensamento 
de Schumpeter, nos vários ensaios produzidos, contextualizando com a 
Revolução Industrial, temos os operadores de teares manuais que não 
conseguiam competir com a nova tecnologia.
Temos, ainda, o caso da imprensa de Gutenberg que acabou com o 
trabalho dos copistas e os “papeleiros” que vendiam livros manuscritos, 
além dos contadores de histórias profissionais. É claro que, 
consequentemente, surgiram novas ocupações, pois o novo modo de 
organizar o volume de informações colocadas à disposição do público 
dependia de uma diversidade profissional que era maior, do ponto de 
vista social e intelectual, do que a de seus predecessores. Mas, ainda 
assim, verifica-se o processo “denovação”.
Tais políticas devem:
• colocar a importância da inovação como fonte de vantagem 
competitiva;
• assegurar o comprometimento de todos os colaboradores da 
organização, e não somente aqueles envolvidos em pesquisa e 
desenvolvimento.
Importância da inovação4.2
Como vimos, a inovação é uma atividade que todas as empresas 
desenvolvem em maior ou menor extensão. Implica em investimentos 
aos quais estão associadas determinadas expectativas em relação 
aos benefícios daí resultantes. Desse balanço de custos e benefícios 
resultará a opção de qualquer empresa em inovar.
 UNIUBE 103
Inovação
A inovação é um componente que deve estar presente dentro de uma 
organização. Ela desempenha um papel estratégico para a competitividade 
da organização. Contudo, para ser instaurada como valor na empresa é 
necessário que a alta gerência defina políticas claras de inovação e as 
coloque em prática efetivamente.
IMPORTANTE!
Assim, o processo de inovação tem determinados riscos inerentes, 
apresentados no Quadro 1. 
Quadro 1: Riscos do processo de inovação
Os riscos de Inovar Os riscos de NÃO inovar
o produto pode não satisfazer às 
necessidades do cliente e, assim, 
não ser aceito pelo mercado;
a inovação pode implicar em 
investimentos elevados que podem 
não ter rendimento satisfatório;
a concorrência pode aproveitar a 
inovação, imitando e/ou aperfeiçoando;
não existir meios financeiros, técnicos, 
entre outros, para efetivar a ideia;
a empresa se tornar dependente 
do novo produto;
concentrar-se excessivamente no novo 
produto em detrimento da qualidade e da 
comercialização dos produtos já existentes.
tornar os produtos/
serviços obsoletos e 
desajustados do mercado;
diminuir a rentabilidade, 
com a redução do valor 
dos produtos/ serviços;
perda da imagem da 
empresa e dos produtos;
perda de competitividade, 
posição e mercado;
perda de novas oportunidades 
de negócio;
falência.
As empresas devem assegurar sua sobrevivência através da inovação 
contínua de seus processos e produtos, pois é essa a estratégia para 
104 UNIUBE
competitividade a médio e longo prazos, mesmo representando um 
risco permanente. Esse risco é real, principalmente numa economia 
de mercado oscilante como a nossa e em constante transformação 
tecnológica. 
A inovação nem sempre gera custos, mas pode, sim, representar 
contenção de gastos, gargalos que diminuem a competitividade. Sendo 
num novo produto, serviço ou mesmo processo interno, basicamente, as 
empresas precisam inovar (Figura 3), para:
Figura 3: Por que as organizações precisam inovar.
Temos muitas outras razões, e você, com certeza, poderá listar mais 
algumas!
 UNIUBE 105
O Ministério de Ciência e Tecnologia
Uma das atividades propostas pelo Ministério é a Semana Nacional de 
Ciência e Tecnologia. É um evento que acontece simultaneamente em todo 
o território nacional e tem o objetivo de mobilizar a população em torno de 
temas e atividades de ciência e tecnologia, valorizando a criatividade, a 
atitude científica e a inovação. Mostra a C&T no cotidiano e sua importância 
para o desenvolvimento do país. É uma forma de conhecer e discutir 
resultados, relevância e impactos das pesquisas na área que estão sendo 
desenvolvidas em todo o país, bem como as aplicações.
SAIBA MAIS
A seguir, serão abordados os aspectos jurídicos que asseguram o direito 
de propriedade que é dado àquele ou àqueles que produziram alguma 
inovação.
Propriedade Intelectual4.3Você sabia que estamos vivenciando uma era de muitas 
transformações tecnológicas que atingem os mais variados 
segmentos científicos e de negócios?
Essas transformações possibilitam interação cultural entre os povos. 
Assim, a inovação tecnológica de um país tem sido fator fundamental 
para o desenvolvimento socioeconômico e cultural do mesmo. Esse 
intercâmbio de conhecimentos faz com que as empresas, principalmente 
as de base tecnológica, necessitem investir cada vez mais em pesquisa 
e desenvolvimento.
106 UNIUBE
Dentro desse cenário, a Propriedade Intelectual 
surge com o aspecto de grande importância 
para o mundo moderno, pois envolve aspectos 
econômicos, jurídicos e sociais, e também serve 
como base de pesquisa tecnológica.
De acordo com a Organização Mundial de 
Propriedade Intelectual (OMPI), a expressão 
Propriedade Intelectual abrange os direitos 
relativos às invenções em todos os campos da 
atividade humana; às descobertas científicas; 
aos desenhos e modelos industriais; às marcas 
industriais, de comércio e de serviço; aos 
nomes e denominações comerciais; à proteção 
contra concorrência desleal; às obras literárias; 
artísticas e científicas; às interpretações dos 
artistas intérpretes; às execuções dos artistas, 
aos fonogramas e às emissoras de radiodifusão, 
bem como os demais direitos relativos à atividade 
intelectual no campo industrial, científico, literário 
e artístico e os softwares. Já, a expressão 
Propriedade Industrial refere-se à proteção de 
patentes, marcas, desenho industrial, indicações geográficas e proteção 
de cultivares.
A Propriedade Intelectual costuma ser dividida em duas grandes áreas:
• o Direito Autoral;
• o Direito Industrial.
Vale ressaltar que embora tenham similaridades, o Direito Autoral e o 
Direito Industrial possuem naturezas jurídicas diferentes.
Propriedade 
Intelectual 
Foi em 1873, em 
Viena, que surgiu 
pela primeira vez 
a discussão sobre 
a Propriedade 
Intelectual, a partir 
de um manifesto 
de expositores que 
se recusaram a 
participar de um 
Salão Internacional 
de Invenções 
com receio de 
terem suas 
ideias exploradas 
(Drahos,1998). No 
Brasil, a lei que 
rege a Propriedade 
Intelectual é a 9279 
de 1996.
Cultivares 
Refere-se a tipo de 
cultivo, por exemplo 
flores, grãos. Na 
Botânica é qualquer 
variedade vegetal 
cultivada, seja qual 
for sua natureza 
genética.
 UNIUBE 107
a) O Direito Autoral
Também conhecido por propriedade literária, científica e artística. Ele 
protege as criações tidas como mais artísticas do que funcionais, ou 
seja, trata das obras de arte, como a pintura e a escultura, das obras 
musicais, das obras literárias, como os romances e a poesia, e daquelas 
acadêmico-científicas, como as teses, as dissertações, os artigos, os 
livros técnicos e também os projetos de Arquitetura.
É o Direito Autoral que defende toda e qualquer criação do intelecto humano 
que possua qualidades distintas daquelas simplesmente técnicas ou 
mecânico-funcionais.
IMPORTANTE!
Sob o aspecto jurídico, o Direito Autoral aborda uma parte moral e outra 
patrimonial.
O Direito Autoral Moral já aparece a partir da elaboração da obra, ou 
seja, surge da relação entre criação e criador, em que esse último tem a 
obra como uma projeção de sua personalidade. É um direito intransferível 
e absoluto do autor e não tem validade temporal determinada, ou seja, 
não possui prazo de vigência.
O Direito Autoral Patrimonial resulta da divulgação da obra, ou seja, 
da apresentação da obra para o público, tanto pelo próprio criador como 
por outra pessoa autorizada. Assim, protege os interesses monetários da 
obra e, de maneira distinta do que ocorre com a primeira área, pode ser 
negociada, por transferência, cessão, licença etc.
108 UNIUBE
O Direito Patrimonial do autor perdura por toda a sua vida e por mais setenta 
anos, contados do primeiro dia do ano subsequente ao do falecimento, sendo 
obedecidas, para fins sucessórios, as regras comuns de nosso Código Civil.
IMPORTANTE!
b) O Direito Industrial
Também conhecido por Propriedade Industrial, apresenta princípios 
reguladores das proteções às criações intelectuais no campo técnico, 
com o objetivo principal de proteger e incentivar a disseminação 
tecnológica e a garantia de exploração exclusiva por parte de seus 
criadores. Abrangem as criações intelectuais resultantes da atuação 
profissional dos engenheiros, designers e, também, dependendo do caso, 
dos arquitetos.
A Propriedade Industrial engloba a concessão de patentes (invenções e 
modelos de utilidade) e registros (desenhos industriais).
Constituição Federal e a Propriedade Intelectual4.4
Ao tratar da Propriedade Intelectual, o art. 5º, da Constituição Federal, 
confere tutela específica nos seguintes termos (BRASIL, 1988): 
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, 
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível 
aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar (BRASIL, 1988, 
Art 5º, Inciso XXVII); 
São assegurados, nos termos da lei: a proteção 
às participações individuais em obras coletivas e à 
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas 
atividades desportivas; o direito de fiscalização do 
aproveitamento econômico das obras que criarem ou 
de que participarem aos criadores, aos intérpretes e 
às respectivas representações sindicais e associativas 
(BRASIL, 1988, Art. 5º, Inciso XXVIII, item a e b); 
 UNIUBE 109
A lei assegurará aos autores de inventos industriais 
privilégio temporário para sua utilização, bem como 
proteção às criações industriais, à propriedade das 
marcas, aos nomes de empresas e a outros signos 
distintivos, tendo em vista o interesse social e o 
desenvolvimento tecnológico e econômico do País 
(BRASIL, 1988, Art 5º, Inciso XXIX).
A nossa Carta Magna assegura a inviolabilidade do direito à propriedade, 
mas determina também que a propriedade atenderá a sua função social. 
Sendo assim, admite a desapropriação de um bem por necessidade ou 
utilidade pública ou por interesse social.
É considerado violação desse direito, segundo o 
Código Penal Brasileiro, contrafação, reprodução 
sem autorização do autor, imitação literária, 
usurpação da personalidade do autor, suplantação 
da personalidade do autor, utilização abusiva, 
plágio, pirataria.
Contrafação
Falsificação de 
produtos, valores, 
assinaturas etc. 
Obra que imita 
ou reproduz 
fraudulentamente 
outra. Imitação 
fraudulenta.
Você sabe o que é patente?
Patente é um documento formal concedido pelo Estado e que confere a 
propriedade exclusiva e temporária a uma pessoa física ou jurídica sobre 
o que tenha sido inventado ou aperfeiçoado por ela. Já, o registro é uma 
modalidade simplificada se comparado à patente, possuindo, entretanto, 
os mesmos aspectos de temporalidade e exclusividade conferidos ao 
seu titular.
Ao contrário do Direito Autoral, que tem sua proteção garantida com 
apenas a elaboração da obra, independentemente da oficialização, a 
Propriedade Industrial tem, na patente, e no registro a condição essencial 
para sua existência e validade, ou seja, uma criação só passa a ser 
protegida pelo direito industrial se for patenteada ou registrada.
110 UNIUBE
Para que a invenção seja patenteada, ela deve ser algo novo, que tenha 
aplicação industrial, como produto ou como processo de fabricação. Seus 
requisitos essenciais são apresentados na Figura 4. 
Figura 4: Requisitos para a Inovação. 
A novidade é a certeza de que a criação jamais foi feita, em qualquer 
lugar ou a qualquer tempo. A industriabilidade é a capacidade de ser 
produzido (ou reproduzido) industrialmente, com a finalidade de consumo. 
A atividade inventiva é a criatividade, ou seja, a criação não deve ser 
consequência de alguma técnica já acessível ao público, em qualquer 
ramode atividade e em qualquer parte do mundo.
Assim, caso uma criação tenha esses três requisitos e faça uso, 
principalmente, de técnicas totalmente diferentes, que acabe com 
métodos e conceitos tradicionais, com certeza ela será passível de 
proteção patentária, sendo enquadrada como uma invenção.
O modelo de utilidade é resultado de uma modificação na forma ou 
disposição de um objeto já existente, melhorando o caráter funcional no 
uso ou no processo de fabricação de algum produto, sendo assim um 
aperfeiçoamento na utilidade, embora requeira também a novidade, a 
 UNIUBE 111
industriabilidade e a atividade inventiva. Entretanto, essa modificação 
deve gerar um avanço de caráter funcional, uma vez que as modificações 
meramente estéticas já têm guarida com o registro de desenho industrial.
O desenho industrial é definido legalmente como uma forma plástica de 
um objeto ou um conjunto de linhas e cores, que pode ser aplicado em um 
produto e o torne perceptivelmente novo e original na sua configuração 
externa, servindo também de tipo de fabricação.
IMPORTANTE!
A proteção de um desenho industrial se dá por meio de registro e a 
finalidade dele visa mais o caráter estético. Essa é a principal distinção 
entre o modelo de utilidade e o desenho industrial. No modelo de 
utilidade, a intervenção é dada na função, vislumbrando uma melhoria 
no uso ou no processo de fabricação; já no desenho industrial, a proteção 
é obtida apenas na composição estético-formal de um produto.
Na prática, toda alteração estética nos produtos seja por meio de novos 
grafismos, texturas, entre outros, são registráveis e suscetíveis à proteção 
pela Propriedade Industrial por meio do registro do desenho industrial, 
tendo como exceção algumas poucas limitações impostas por lei, como, 
por exemplo, a forma vulgar do objeto ou, ainda, aquela determinada 
principalmente por considerações técnicas ou funcionais.
Percebe-se, dessa maneira, que o caráter estético é o item principal a 
ser verificado em um produto passível de registro de desenho industrial, 
isto é, por menor que seja a alteração formal, ela deverá se sobressair 
da configuração essencialmente técnica ou funcional.
Sabe-se que é por esse motivo que peças ou componentes mecânicos, 
isoladamente, dificilmente são passíveis de proteção por registro de 
desenho industrial.
112 UNIUBE
Quanto ao prazo de vigência, o direito de Propriedade Industrial é mais 
limitado se comparado com aquele do Direito Autoral. As invenções (PI) 
têm a proteção por vinte anos, contados a partir do seu pedido, ou depósito. 
Os Modelos de Utilidades (UM) têm por quinze anos, contados da data do 
depósito. Já, o desenho Industrial tem proteção por dez anos, contados do 
pedido, prorrogáveis por três períodos iguais e sucessivos de cinco anos.
IMPORTANTE!
Não poderá ser registrado e protegido o que for contrário à moral e 
aos bons costumes, que ofenda a honra ou imagens de pessoas; que 
atente contra a liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia 
e sentimentos dignos de respeito e veneração. Em relação ao aspecto 
técnico, não será protegido o Desenho Industrial que apresente forma 
necessária, comum ou vulgar do objeto.
Patentes4.5
Especificamente sobre patentes, destacamos:
Uma patente é um título de propriedade temporária sobre uma invenção 
ou modelo de utilidade. Esse título é outorgado pelo Estado aos autores 
ou outras pessoas físicas ou jurídicas detentoras de direitos sobre a 
criação. Essas pessoas são chamadas de titulares da patente. Para 
receber o título de propriedade, todo o conteúdo técnico da matéria 
protegida pela patente deve ser detalhadamente fornecido.
O objetivo é disseminar o conhecimento pela descrição detalhada da 
invenção, promovendo o desenvolvimento tecnológico.
Durante o prazo de vigência da patente, o titular tem o direito de excluir 
terceiros, sem sua prévia autorização, da fabricação, comercialização, 
importação, uso e venda da obra protegida.
 UNIUBE 113
Confira alguns exemplos de objetos que podem ser patenteados:
• dispositivos mecânicos, elétricos e eletrônicos;
• ferramentas e máquinas;
• produtos químicos, alimentícios e farmacêuticos em geral;
• processos e métodos de fabricação.
4.5.1 Patente de invenções
As invenções podem ser patenteadas, desde que atendam aos requisitos 
especificados a seguir:
• novidade: o invento não pode ter sido tornado público em lugar 
algum do mundo, exceto quando a divulgação é feita pelo próprio 
inventor, em casos previstos em lei;
• atividade inventiva: o invento não pode ser decorrência óbvia 
daquilo que já se conhece, deve trazer vantagens técnicas e 
comerciais;
• aplicação industrial: o invento deve ser facilmente fabricado em 
escala industrial ou usado em qualquer ramo da indústria.
4.5.2 Patente de modelos e objetos
Você sabe quando um objeto pode ser patenteado?
É patenteável como modelo de utilidade o objeto de uso prático, gerado 
a partir de atividade inventiva, com aplicação industrial, que apresente 
nova forma ou disposição e que resulte em melhoria funcional no seu 
uso ou em sua fabricação.
Não são patenteáveis
Não se consideram invenção e nem modelo de utilidade: descobertas, 
teorias científicas e métodos matemáticos, além de concepções 
puramente abstratas, esquemas, planos, princípios ou métodos 
comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, sorteio e de 
fiscalização.
114 UNIUBE
Sugerimos que confira os sites:
<http://www.patentesonline.com.br/> e também <http://www.inpi.gov.br>.
PESQUISANDO NA WEB
Instituto Nacional da Propriedade Industrial − INPI4.6
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é uma autarquia federal 
vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. 
Criado em 1970, o instituto tem suas atribuições regulamentadas pela Lei 
de Propriedade Industrial, Lei nº 9279, de 14/05/1996, cabendo à ele:
• executar, no âmbito nacional, as normas que regulam a propriedade 
industrial;
• pronunciar-se quanto à conveniência de assinatura, ratificação 
e denúncia de convenções, tratados, convênios e acordos sobre 
propriedade industrial;
• conceder marcas e patentes;
Veja, na Figura 5, os 6 passos para registrar a patente de um produto.
Figura 5: Passos para registro de patente.
 UNIUBE 115
• averbar contratos de transferência de tecnologia;
• registrar programas de computador, desenho industrial e indicações 
geográficas, bem como contratos de franquia empresarial.
O INPI publica a Revista de Propriedade Industrial em versão eletrônica. 
Nela são publicados todos os atos relativos ao órgão, tais como os 
pedidos de patente, as patentes deferidas e as marcas concedidas, os 
registros de desenhos industriais e os registros de indicações geográficas.
Na sequência, apresentaremos alguns modelos de mudanças 
tecnológicas que podem servir de base para que o processo de inovação 
atinja os melhores resultados, bem como mostraremos de que maneira 
a empresa pode ter acesso à tecnologia.
Mudanças tecnológicas4.7
Você se lembra?
Em 2007, a questão da Propriedade Intelectual ganhou destaque na mídia. 
Em defesa da saúde pública, o governo brasileiro negociou com grandes 
laboratórios farmacêuticos medicamentos para tratamento de portadores de 
HIV, a fim de viabilizar o custeio dos medicamentos. Isso gerou a quebra de 
um medicamento em especial que representou uma economia de US$ 30 
milhões ao ano. A OMS prevê a quebra de patentes em caso de epidemia 
ou necessidade da população. O Brasil já registrou mais de 400 mil casos 
de AIDS, desde 1980, e acumulou 183 mil óbitos. Com essa justificativa, o 
Brasil não sofreu nenhum tipo de sanção.
Entenda melhor visitando o site: <http://www.hebron.com.br>.
RELEMBRANDO
116 UNIUBE
Figura 6: Atribuiçõesna atividade inovadora. 
Além disso, independentemente de qual tipo de processo de inovação 
será utilizado, ele pode seguir dois planos diferentes e complementares: 
a concepção das ideias e o seu desenvolvimento.
Sabe-se que, de maneira geral, o processo de inovação não ocorre de 
modo linear. Vários estudos sobre o tema e seu resultado econômico 
têm chamado a atenção para os denominados modelos interativos 
de inovação, isto é, a inovação não se inicia com uma simples ideia 
que dá origem a uma aplicação prática resultando em um produto 
comercial e, sim, passa por um processo retroativo, em que a inovação 
é interpretada por vários atores, tais como: empresas, universidades, 
institutos tecnológicos e o governo – atores esses que, muitas vezes, 
atuam simultaneamente.
Entretanto, quando focamos o estudo da inovação sob a perspectiva de 
uma empresa, ela é vista como um método gerencial e que, por esse 
motivo, necessita ser sistematizado. Tal sistematização ocorre de acordo 
com o tipo de inovação que é desenvolvida.
Assim, é necessário que se definam as atividades inovadoras, enfatizan-
do as atribuições de cada ator no processo (Figura 6).
 UNIUBE 117
Concepção da ideia4.8
O objetivo desse plano é criar oportunidades de inovação que possam 
ser aplicadas no mercado com sucesso, sendo que, quanto mais ideias 
forem reveladas, melhor será o resultado. Segundo Drucker (1991, p. 45):
a inovação sistemática consiste na busca deliberada e 
organizada de mudanças e na análise sistemática das 
oportunidades que tais mudanças podem oferecer para 
a inovação econômica ou social.
Ou seja, é uma busca que deve ser feita diariamente e por todos os 
setores da empresa. Ele afirma que a inovação é um processo que pode 
ser aprendido e gerenciado e que, portanto, pode ser visto como uma 
disciplina a ser estudada. O modelo de Drucker (1991) está representado 
a seguir.
Leia-o, com atenção!
118 UNIUBE
O desenvolvimento da ideia4.9
Neste plano, a ideia é desenvolvida desde o seu refinamento até o seu 
lançamento no mercado. Assim, a ideia é estudada minuciosamente 
para se verificar se seria viável perante o mercado, bem como quais as 
possíveis receitas que a inovação traria para a empresa. Esse modelo 
apresenta etapas que devem ser gradativamente seguidas para que se 
avalie a sua capacidade técnica de execução, em um primeiro momento, 
e a econômica/financeira em um segundo momento.
Confira no diagrama da Figura 7.
Assim, podemos concluir que:
Na inovação, como em qualquer outro esforço, existe 
talento, existe engenho e existe conhecimento. Mas 
quando tudo está preparado o que a inovação exige é 
um trabalho árduo e focado nos objetivos. Se o trabalho 
não for efetuado de forma diligente, persistente e 
empenhada, talento, engenho e conhecimento não 
têm qualquer utilidade. (DRUCKER, 1991, p. 59).
 UNIUBE 119
Figura 7: Etapas de avaliação da capacidade técnica de execução. 
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Observe atentamente as etapas apontadas no diagrama proposto por 
Leite (2005). Em seguida, atente-se para as suas especificidades:
• concepção e refinamento: é o detalhamento da ideia, utilizando-se 
de várias fontes de informação, tais como laudos técnicos, opiniões 
de especialistas, pesquisas bibliográficas sobre a tecnologia a ser 
empregada, entre outros;
• avaliação: a ideia é submetida a um exame técnico detalhado 
para verificar sua viabilidade e capacidade de ser executada tanto 
na teoria como na prática. Tal exame é realizado com a ajuda das 
diversas áreas da organização – tendo como principais as áreas de 
marketing e produção, bem como de outros parceiros de negócios 
– fornecedores e representantes, por exemplo;
• operacionalização: antes de a ideia ser efetivamente posta em 
prática, torna-se necessário que ela seja testada para medir sua 
viabilidade técnica e, por meio de testes de mercado, seja medida 
sua viabilidade econômica e comercial;
• implementação: a ideia é, por fim, implantada dentro da 
organização, ou seja, novas linhas de produção são montadas ou 
Concepção e 
refinamento
Avaliação 
preliminar Projeto Viabilidade Implementação
120 UNIUBE
são alteradas as já existentes, colaboradores são treinados e o 
produto, processo ou serviço incorpora os ajustes propostos;
• lançamento: a ideia é lançada no mercado na forma de produto, 
serviço ou processo.
4.10 Estratégias de inovação tecnológica e as formas de 
acesso à tecnologia
Durante a leitura, vimos a importância de a empresa investir em 
tecnologia. Dentre as motivações para isso, podemos citar a estratégia, 
a sobrevivência e a competitividade (Figura 8).
Figura 8: Motivações para Inovar. 
O fator sobrevivência deve ser levado em consideração pois, na 
empresa, quando seus produtos e/ou serviços se tornam obsoletos a 
falência é inevitável. A mudança torna-se, assim, crucial para assegurar 
a permanência, ou não, dessa empresa no mercado.
A inovação como fator de competitividade refere-se àquelas empresas 
em que a inovação é permanente, a fim de garantir a sua manutenção 
no mercado.
 UNIUBE 121
A esse respeito, temos uma frase, que é atribuída a Bill Gattes, que diz: 
“As únicas grandes companhias que conseguirão ter êxito são aquelas 
que consideram os seus produtos obsoletos antes que os outros o façam”. 
Se essa frase foi realmente proferida por ele, não podemos afirmar, mas 
dentro do nosso contexto, é um ponto importante a se pensar.
As empresas, cuja inovação é um fator de estratégia, são conduzidas de 
forma mais estruturada e organizada. Essas empresas estão dispostas 
em investir em P&D durante o prazo que for necessário. Englobam 
aqui tanto o fator de competitividade como também de sobrevivência. 
Pode ser uma estratégia reativa (imitadora), defensiva, subcontratação 
(dependente) ou ofensiva, mas em qualquer caso a inovação é um 
elemento-chave.
A capacidade tecnológica de uma empresa pode ser definida pelo seu 
grau de domínio e experiência no processo de inovação tecnológica. 
Assim, podemos dizer que empresas no 1º nível de capacidade 
tecnológica são aquelas que têm capacidade de identificar, selecionar e 
comprar tecnologia materializada. As empresas no 2º nível de capacidade 
tecnológica são aquelas que conseguem comprar e modificar a tecnologia 
adquirida. Já as empresas de 3º nível tecnológico são aquelas que 
conseguem produzir novos produtos e/ou serviços no mercado utilizando 
sua própria tecnologia.
A aquisição de tecnologia material é limitada. A construção de 
capacidades inovadoras requer um esforço humano, ou seja, imaterial, 
que vai desde o conhecimento científico de quem pretende inovar, até a 
interação da empresa inovadora com seus fornecedores.
A estratégia tecnológica que uma empresa adota é muito relevante para o 
sucesso de seu negócio. Freeman (1982, p. 265-285) apresenta em seu 
livro Economics of industrial innovation (Economia da inovação industrial) 
essas estratégias de forma detalhada:
122 UNIUBE
• ofensiva: as empresas que se utilizam desta estratégia procuram 
uma posição de liderança técnica perante o mercado e por esse 
motivo investem em um departamento específico de P&D, contratam 
técnicos e cientistas especializados e dão valor ao sistema de 
patentes;
• defensiva: a principal estratégia de busca tecnológica dessas 
empresas seria aproveitar-se de eventuais erros de empresas 
pioneiras. De certa forma, investem em P&D, mas a maior análise 
está em cima da empresa concorrente;
• imitadora: com relação às inovações propostas, as empresas que 
se utilizam desta estratégia não disputam posição de liderança 
perante o mercado e custeiam suas inovações por meio de simples 
cópias a preços mais baixos;
• dependente: praticamente não possuem estratégia de inovação 
tecnológica. Geralmente, são empresas que mantêmsuas rotinas e 
são conservadoras.
As empresas podem conseguir acesso à tecnologia por meio de:
• compra de tecnologia: incluem equipamentos industriais e serviços;
• importação de tecnologia: neste caso, existe uma capacidade 
de prover serviços tecnológicos e recursos humanos aptos para 
desenvolver os pacotes tecnológicos comprados de fornecedores 
estrangeiros;
• P&D – Pesquisa e Desenvolvimento;
• vigilância tecnológica: realizada através da observação direta da 
concorrência; formação de pessoal próprio: investimento em P&D;
• licenciamento: concessão de uma licença para explorar determi-
nada tecnologia;
• pesquisa por encomenda: contrato com terceiros para realização 
da inovação;
• contratação de especialistas: geralmente trabalham para a 
empresa em questão apenas no período do desenvolvimento do 
novo processo ou produto.
 UNIUBE 123
Além das formas de acesso comentadas, a empresa também pode optar 
por buscar a tecnologia nas universidades, conforme comentaremos a 
seguir.
Sociedade do conhecimento4.11
Tivemos com a Segunda Guerra Mundial um momento marcado pela 
destruição. A sociedade buscou diferentes formas de sobreviver ao 
caos instalado, principalmente na Europa e América do Norte. Conforme 
acompanhamos na história da produção industrial, até esse momento, 
vivíamos a era da Sociedade de Serviços. O homem social produzia.
O desenvolvimento tecnológico em constante transformação nos trouxe 
a Sociedade da Informação, principalmente a partir dos anos 70, quando 
as formas de divulgação da informação alcançaram a base tecnológica 
necessária para a sua globalização. Antes disso, porém, Drucker (1995) 
já apontava em seus ensaios, o que ele chamava de trabalhador do 
conhecimento. 
Nesse contexto, o conhecimento apresenta-se tão vital e importante que 
se torna uma vantagem competitiva nos meios de produção.
Afirma Drucker:
na Sociedade do Conhecimento, cada vez mais 
conhecimentos, especialmente avançados, serão 
adquiridos muito depois da idade escolar e, cada vez 
mais, através de processos educacionais não centrados 
na escola tradicional. (Drucker, 1995, p.156).
O recurso humano básico não é mais o capital, ou os recursos naturais, 
ou ainda a mão de obra, mas, sim, o conhecimento que se forma em 
espiral. As organizações não geram conhecimento, as pessoas que se 
encontram nelas, sim, desde que encontrem condições propícias para 
a sua criação.
124 UNIUBE
Incentivo à Pesquisa e à Inovação Tecnológica – o CNPq4.12
O Governo Federal já percebeu que para uma maior participação do 
Brasil no cenário de Inovação Tecnológica mundial, precisará de uma 
política que em parceria com a educação, desperte os jovens para a 
pesquisa. Nesse sentido, dentre as iniciativas do governo, encontramos 
o CNPq.
O CNPq é uma Fundação Pública do Poder Executivo de fomento à 
pesquisa vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia que existe há 
50 anos no Brasil. Sua atribuição é financiar a:
formação, capacitação e aprimoramento de recursos 
humanos, no País e no exterior, quanto ao fomento 
à pesquisa científica, tecnológica e de inovação, 
mediante o aporte de recursos orçamentário-
financeiros para despesas de capital e de custeio 
de projetos, utilizando-se de recursos próprios, 
alocados ao seu orçamento, ou em parceria com 
outras instituições nacionais, de abrangência federal, 
estadual e regional, e internacionais, por meio de 
transferências recebidas e/ou repassadas, mediante 
convênios e parcerias estabelecidas para essas 
finalidades. (CNPq, 2007, p.6). 
No último relatório de gestão, mostra que atuando conjuntamente com 
o MCT, o CNPq conseguiu superar a marca de quatro mil projetos de 
pesquisa e expandiu em mais de 50% o volume de recursos. Algo em 
torno de 155,5 milhões. Foram mais de 57 mil bolsas, um milhão de 
currículos cadastrados na plataforma Lattes e mais de 4 mil instituições 
cadastradas (CNPq, 2007). 
A Plataforma Lattes é uma base de dados de currículos e de instituições 
da área de ciência e tecnologia em um único Sistema de Informações. O 
Currículo Lattes registra a vida pregressa e atual dos pesquisadores sendo 
SAIBA MAIS
 UNIUBE 125
elemento indispensável à análise de mérito e competência dos pleitos 
apresentados à Agência.
Acesse a plataforma, disponível em <lattes.cnpq.br>, conheça os maiores 
pesquisadores de todos os tempos e cadastre o seu currículo também. 
Analisando a atuação do CNPq nos últimos anos, percebe-se uma 
busca por crescente racionalização e sistematização, no que concerne 
à organização das atividades e projetos inerentes aos mesmos e, 
principalmente, à contínua ampliação das suas realizações.
Em 2009, foi aberto um novo edital do RHAE (Recursos Humanos em 
Áreas Estratégicas) com rodadas de seleção de propostas em três 
oportunidades, ao longo de 2010. O objetivo é selecionar propostas que 
visem apoiar as atividades de pesquisa tecnológica e inovação por meio 
da inserção de mestres ou doutores, em empresas, prioritariamente em 
empresas de pequeno e médio porte, atendendo aos objetivos do Plano 
de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação e as prioridades da Política 
de Desenvolvimento Produtivo – PDP.
Caso queira saber mais e ficar por dentro do que acontece nesta área, 
sugerimos acessar o sítio do CNPq regularmente no endereço: <http://www.
cnpq.br/web/guest/rhae>.
PESQUISANDO NA WEB
4.13 Em busca da inovação tecnológica – a cooperação 
universidade-empresa
Na América Latina, o ponto inicial de cooperação entre universidade-
empresa foi a publicação de um artigo em 1968, em uma revista 
126 UNIUBE
argentina, chamado “La ciencia y la Tecnología en el desarrollo futuro 
de América Latina”, de autoria de Jorge Sábato e Natálio Botana. Esse 
artigo foi escrito há 30 anos e é visto por estudiosos como um ponto de 
referência na área.
Sábato e Botana (1968 citado por REIS 2004, p.104) defendem que 
os países latino-americanos devem realizar ações sérias, sustentáveis 
e permanentes no campo da pesquisa científica e tecnológica para a 
superação do subdesenvolvimento. Entretanto, tal posicionamento das 
universidades tem causado polêmica.
Não estariam elas desviando-se de seus objetivos primordiais, 
que são o ensino e a pesquisa?
Discute-se muito sobre a segunda revolução acadêmica, por qual passa a 
universidade. Tivemos uma primeira revolução no final do século XIX com 
o advento da pesquisa na Universidade de Berlim. A segunda caracteriza-
-se basicamente na relação da escola com o setor produtivo.
Assim, essa segunda revolução seria a participação dos pesquisadores 
da universidade na elaboração de novos processos e produtos em 
parceria com o próprio mercado. A universidade começa a prestar 
serviços e consultorias que podem constituir a porta de entrada para 
relações de maior relevância.
Para que a parceria universidade-empresa tenha sucesso, Reis (2004, 
p.146-149) além de apontar atitudes motivadoras que podem ser 
adotadas, apresenta as principais barreiras que também devem ser 
enfrentadas por cada uma das entidades, conforme mostraremos a 
seguir.
 UNIUBE 127
4.13.1 Motivações
Para as empresas:
• aquisição de novos conhecimentos;
• estar a par de novas descobertas, ter acesso à inovação;
• obter opiniões independentes e diferentes;
• identificação dos melhores alunos para contratação;
• melhoria da imagem e do prestígio da empresa aos olhos dos 
clientes;
• obtenção de apoio técnico para a solução de problemas;
• os custos de pesquisa são reduzidos;
• acesso aos recursos humanos da universidade;
• acesso aos laboratórios e equipamentos.
Com o aumento da competição acirrada entre as empresas, aquelas que 
buscam parcerias com as universidades, melhoraram seu desempenho 
tecnológico e, consequentemente, seu prestígio perante a sociedade. 
Estas empresas,atuando dessa maneira, passam a ser vistas não só 
como visionárias do lucro, mas também como empresas socialmente 
responsáveis, o que pode inclusive aumentar seu sucesso.
Os benefícios para a universidade são:
• a realização da função social da universidade ao transferir 
conhecimentos que promovam a melhoria da qualidade de vida da 
população;
• divulgação de uma boa imagem da universidade;
• aplicação de conhecimentos teóricos à realidade;
• obtenção de conhecimentos da realidade empresarial úteis ao 
ensino e à pesquisa;
• abrir o mercado de trabalho para o aluno;
• obtenção de casos reais para aplicação nas aulas;
• permitir aos alunos contatos com as empresas;
128 UNIUBE
• obtenção de recursos financeiros adicionais;
• obtenção de equipamentos, matérias-primas, serviços etc., forneci-
dos pela empresa;
• obtenção de benefícios para a carreira acadêmica do professor;
• o professor/pesquisador adquire prestígios aos olhos da comunidade 
empresarial;
• o professor/pesquisador adquire prestígios aos olhos da comunidade 
acadêmica;
• possibilidades de emprego fora da universidade;
• a universidade também ganha realizando parceria com as empresas, 
pois melhora sua qualidade de ensino, uma vez que grandes 
inovações tecnológicas demandam grandes investimentos e, muitas 
vezes, as universidades não conseguiriam alavancar os recursos 
necessários para isso sozinhas.
Conheça, a seguir, alguns dificultadores, tanto para as empresas quanto 
para as universidades.
4.13.2 Barreiras
Para a empresa:
• reduzida aplicação prática dos trabalhos acadêmicos;
• falta de órgão de gestão do processo e a complexidade dos 
contratos;
• necessidade de confidencialidade;
• inexistência de canais adequados para a interação;
• falta de uma estratégia da universidade para as relações com a 
empresa;
• falta de uma estratégia da empresa para as relações com a 
universidade.
Para a universidade:
• falta de uma estratégia da universidade para as relações com a 
empresa;
 UNIUBE 129
• falta de uma estratégia da empresa para as relações com a 
universidade;
• burocracia da universidade;
• inexistência de canais adequados para a interação;
• reduzida aplicação prática dos trabalhos acadêmicos;
• existência de preconceitos, de uma parte à outra.
Embora a parceria entre empresa e universidade apresente bons motivos 
para ser implementada, existem barreiras comuns que podem inviabilizar 
o projeto, bem como uma que tange o objetivo do negócio na maior parte 
dos casos: a empresa visa o lucro, enquanto que a universidade visa o 
conhecimento. Assim, mesmo que o objetivo final seja trazer melhorias 
de processos, produtos ou serviços para ambas, tal iniciativa deve estar 
calcada em um contrato jurídico com cláusulas bem definidas, para 
que na hipótese de descumprimento, qualquer das partes possa ser 
responsabilizada e punida, se necessário.
Universidade-Empresa: Caso Eletrobrás, sucesso garantido.
A Eletrobrás é uma empresa que foi criada em 1962 para construir usinas 
geradoras, linhas de transmissão e subestações destinadas ao suprimento 
de energia elétrica no Brasil. Controla 60% da energia elétrica consumida 
aqui, através de suas empresas. Na década de 90, presenciamos uma 
total falta de investimentos na área por conta do Programa Nacional de 
Desestatização, o que causou uma série de prejuízos no setor.
No entanto, em 2003 a Eletrobrás criou o Programa de Desenvolvimento 
Tecnológico e Industrial – PDTI – para coordenar ações de pesquisa e 
desenvolvimento (P&D) das empresas do Sistema Eletrobrás, aproximando 
EXPLICANDO MELHOR
130 UNIUBE
a empresa de universidades, centros de pesquisa e indústria, e estimulando 
a fabricação local dos bens requeridos para manutenção e expansão do 
setor elétrico brasileiro.
Em 2006, foi criada a Universidade Corporativa do Sistema Eletrobrás – 
UNISE, o que permitiu que o conhecimento criado nos diversos centros de 
pesquisa pudesse ser interligado, armazenado, mensurado, disponibilizado 
e transmitido em qualquer parte do Sistema Eletrobrás. Essa estratégia 
é fundamental para que a empresa possa se recuperar dos anos de falta 
de investimento em capacitação técnica de seu pessoal e em projetos de 
pesquisa e desenvolvimento.
De 2001 até 2005, a Eletrobrás já soma 141 projetos de P&D sob sua 
responsabilidade, num total de R$ 314 milhões. Somando as suas cinco 
subsidiárias, o número de programas chega a 728, com um investimento de 
R$ 772,5 milhões. Acredita-se que estão sendo criadas as condições para 
que ela possa ir em direção à reconstrução dos investimentos tecnológicos 
e o desenvolvimento de competências críticas da organização e de seus 
membros. Esse caminho permitirá preencher novamente as condições 
capacitadoras para responder aos desafios do setor energético. 
Principais Projetos da Eletrobrás:
• implantação do Instituto de Energia Elétrica da Universidade Federal 
do Maranhão;
• implantação do Laboratório de Isolamentos Elétricos da Universidade 
Federal de Campina Grande;
• elaboração do Atlas Solarimétrico e a disseminação da tecnologia solar 
no Estado de Alagoas;
• promoção da Qualidade e Eficiência Energética de Transformadores 
de Distribuição;
• elaboração do Atlas Eólico e disseminação da tecnologia eólica no 
Estado de Alagoas;
 UNIUBE 131
• revitalização do Cepel – Avaliação da Gestão de Tecnologia e Inovação 
– GTI do Setor Elétrico Brasileiro;
• geração Elétrica a partir de Biocombustíveis;
• constituição, implantação, operacionalização de um Centro de Estudos, 
Investigação e Inovação em Qualidade e Compatibilidade Elétrica – 
C-QCE na Universidade Federal de Itajubá;
Outro caso prático: Parque Industrial da Roche
Em 2000, na empresa de medicamentos Roche, de Jacarepaguá, foi 
realizada uma aplicação da espiral do conhecimento, uma metodologia que 
tinha como objetivos sanar gaps na área de vendas da empresa, promover 
a sustentabilidade para os próximos anos e verificar como o conhecimento 
era compartilhado e fixado entre os colaboradores. Naquele momento, 
havia uma lacuna muito grande de conhecimento do staff da Divisão 
Industrial quanto aos procedimentos e tarefas atribuídos aos profissionais 
representantes dos produtos.
Esses representantes enfrentavam, por um lado, as demandas dos médicos 
prescritores, desejosos de saber detalhes sobre a produção e controle de 
qualidade dos produtos Roche. Por outro lado, os colaboradores do Parque 
Industrial lidavam com visitantes técnicos de várias origens. O programa 
foi implantado na recepção dos visitantes, em que um representante 
acompanha todo o processo. Por outro lado, os colaboradores da fábrica 
eram recepcionados por um Representante Comercial. Um tipo de visita, 
mas com mudança de foco. A empresa assumiu assim que o conhecimento 
não é apenas mais um recurso ao lado dos fatores tradicionais de produção, 
mas é o recurso mais importante. Descobriu com esse trabalho, que 
a chave para a prosperidade futura está em educação e treinamento. A 
aprendizagem mais importante que os colaboradores Roche aprenderam 
com a implantação dessa Universidade Empresa é que aprender é um 
espiral e deve ser construído em rede.
132 UNIUBE
Além da interação empresa-universidade, existem vários atores que 
interagem entre si para formar um Sistema Nacional de Inovação (SNI) 
forte. Dentre eles, destacam-se o governo, as entidades científicas e 
tecnológicas e outras instituições e programas.
O papel do governo é o de fornecer uma boa infraestrutura, com leis 
que impulsionem a inovação, bem como definir políticas estáveis e 
criar entidades. No Brasil, destacam-se a FINEP e o CNPq. Além disso, 
algumas ONG’s vêm desenvolvendo um papel expressivo nesse setor, 
tais como a ANPE e a PROTECI.
Informações importantes podem ser acessadasatravés dos sites:
Anpei – <http://www.anpei.org.br>.
Infotec – <http://www.infotec.org.br>.
Abipti – <http:/www.abipti.org.br>.
Protec – <http://www.protec.org.br>.
IPDMaq – <http://www.ipdmaq.org.br>.
IPDElectr – <www.ipdelectron.abinee.org.br>.
Mobilizar para Inovar – <www.mbc.org.br>.
Movimento Brasil Competitivo – <http://www.mbc.org.br>.
PESQUISANDO NA WEB
Observe, a seguir, a descrição de um importante prêmio em relação à 
Ciência e Tecnologia.
Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia – 2009
O Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, da Unesco, teve o objetivo de 
fomentar a cooperação técnico-científica entre os países participantes do 
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
 UNIUBE 133
bloco Mercosul (efetivos e associados) por intermédio do reconhecimento 
do trabalho de estudantes secundários, estudantes universitários, jovens 
pesquisadores e equipes de pesquisa que representem contribuição 
direta ao desenvolvimento científico e tecnológico da região. Na edição de 
2009, o tema escolhido foi Agroindústria. Foram recebidos 194 trabalhos 
provenientes de todos os países membros efetivos do bloco Mercosul. 
Categoria iniciação científica: Obtenção e caracterização de um material 
aglomerado, utilizando bagaço de cana (30% da matéria-prima). Projeto 
desenvolvido por dois alunos paraguaios do Ensino Médio.
Categoria estudante universitário: Otimização de protocolos de cultivo 
em larga escala e obtenção de compostos bioativos de Hypericum 
polyanthemum (Erva de São João), nativo do sul do Brasil.Trabalho que 
pretende nortear cultivos em larga escala de plantas medicinais como 
matéria-prima para pesquisa e indústria farmacêutica nacional. Aluna do 
curso de Farmácia da UFRGS.
Categoria Jovem Pesquisador: Concentração de Extrato de Própolis 
por nanofiltração. Doutorado da Unicamp. O trabalho mostrou que a 
concentração do produto passou de 23,67 mg/g para 96,76 mg/g com essa 
técnica.
Categoria Integração: Utilização integral de resíduos de queijo de 
preparação e preservação de probióticos. Um trabalho integrado da 
Argentina, Chile e Colômbia que propõe estratégias não convencionais para 
otimizar a preservação de microorganismo probióticos cultivados em soro 
de queijo para o desenvolvimento de um produto que poderá ser usado no 
controle de doenças do trato intestinal.
Para saber mais, acesse: <www.unesco.org>.
134 UNIUBE
Prêmio Finep de inovação – 2009
Categoria Instituição de Ciência e Tecnologia – Fundação Certi (SC) – 
Campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – é um instituto 
de tecnologia privado sem fins lucrativos. As tecnologias geradas pela CERTI 
estão associadas aos projetos de P&D realizados com empresas de diversos 
setores, entidades de governo e parceiros. Tem parcerias com instituições 
brasileiras e estrangeiras, como o Instituto Fraunhofer IZM, da Alemanha. 
Junto a ele, desenvolve projetos na área de Ecodesign de produtos 
eletrônicos e tecnologias de conservação de energia, recíso e reciclabilidade.
Categoria Tecnologia Social – Embrapa Clima Temperado (RS) – Com 
o projeto “Quintais Orgânicos de Frutas”, criado para compor o Programa 
Fome Zero, em 2003, o projeto já implantou mais de 910 pomares na Região 
Sul, totalizando 63 mil árvores frutíferas orgânicas. A Embrapa fornece as 
mudas, os insumos para o solo e a vegetação quebra-vento, além de fazer 
um acompanhamento quadrimestral das plantações. O objetivo é combater 
a desnutrição nas populações mais humildes e resgatar a tradição de se 
manter um pomar no quintal de casa.
Categoria Pequena Empresa – Angelus Indústria de Produtos Odontológicos 
(PR) – Atua na fabricação de materiais inovadores na Odontologia. 
Desenvolveu uma linha de pinos em fibras de vidro e carbono, mais resistentes 
e flexíveis do que os disponíveis até então. Com este produto, tornou-se líder 
de vendas na América Latina. Mantém ainda o Programa Angelus de Apoio à 
Pesquisa, cujo objetivo é apoiar pesquisadores de universidades públicas e 
privadas que desenvolvam teses ou monografias ligadas à inovação do setor.
Categoria Média Empresa – Opto Eletrônica (SP) – Desenvolve, fabrica e 
comercializa equipamentos que combinam alta tecnologia óptica e eletrônica. 
Nesta empresa, o tempo gasto em mestrados e doutorados conta como hora 
trabalhada.
 UNIUBE 135
Categoria Grande Empresa – Natura Cosméticos (SP) – É líder no 
mercado brasileiro de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal. Não 
faz testes em animais, extrai a matéria-prima de forma sustentável e vem 
recebendo financiamentos reembolsáveis e não reembolsáveis da FINEP, 
desde 2001. Entre 2008 e 2010, a empresa deve receber R$ 2,9 milhões 
em recursos. Somente em 2008, a Natura investiu 103 milhões em pesquisa 
e desenvolvimento.
Categoria Inventor Inovador – Roberto Zagonel (SC) – O catarinense 
Roberto Zagonel inventou um chuveiro elétrico que esquenta a água na 
medida certa. Há 14 anos no mercado, a Máster Ducha Zagonel conta com 
um controle gradual de potência com cinco opções de temperatura, em vez 
das duas que nos são conhecidas - inverno e verão. É líder de vendas na 
região Sul e registra um crescimento de 5% a 10% ao ano.
Para saber mais, acesse <premio.finep.org.br>.
Assim, finalizamos nossa conversa questionando se você está preparado 
para o cenário tecnológico em franca expansão. Consideramos que é 
necessário um instrumental que favoreça a inserção neste contexto, e foi 
isso que propusemos com mais este estudo. No entanto, por mais que 
o mapa esteja aberto, o fator mais importante é vontade, ou seja, querer 
participar de todo o processo. 
Esperamos que, em breve, sua empresa seja um dos exemplos que 
foram aqui citados. 
Não pare por aqui, busque novas referências, pesquise os assuntos 
apresentados. Você deve construir seu conhecimento!
136 UNIUBE
Resumo
Neste capítulo, destacamos que:
• os termos invenção e inovação são distintos;
• a invenção é simplesmente algo novo, enquanto que a inovação é a 
novidade que foi colocada em prática com sucesso, ou seja, gerou 
resultados, e já está disponível no mercado;
• a atividade deve possuir três pontos fundamentais para ser 
considerada uma inovação: novidade, aplicação prática e o 
resultado, sendo geralmente classificada de duas formas: conforme 
o objeto em foco e conforme o grau em que a inovação ocorre;
• a inovação tecnológica tem sido fator fundamental para o 
desenvolvimento socioeconômico e cultural de um país, fazendo com 
que as empresas necessitem investir cada vez mais em pesquisa e 
desenvolvimento;
• a expressão propriedade intelectual abrange os direitos às invenções 
em todos os campos da atividade humana, como exemplo, 
descobertas científicas, obras literárias e musicais etc., enquanto 
que a expressão propriedade industrial se refere à proteção de 
patentes, marcas, desenho industrial, indicações geográficas e 
proteção de cultivares;
• propriedade industrial é uma das grandes áreas da propriedade 
intelectual; uma vez que o processo de inovação não ocorre 
de maneira linear, ele pode seguir dois planos distintos e 
complementares para obter sucesso: a concepção das ideias e o 
desenvolvimento das mesmas;
• geralmente, a estratégia tecnológica adotada por uma empresa está 
classificada em ofensiva, defensiva, imitadora ou dependente;
• a empresa pode buscar o seu aprimoramento tecnológico efetuando 
parcerias com universidades, pois os serviços prestados por elas 
culminam no desenvolvimento econômico do país;
• existem várias alternativas e políticas de fomento à Pesquisa e 
Desenvolvimento tecnológico em andamento e, neste capítulo, 
vimos algumas propostas.
 UNIUBE 137
Atividades
Preparamos para você algumas atividades com o objetivo de recordar o 
conteúdo que você estudou neste capítulo. 
Atividade 1 
Vimos, neste capítulo, quea inovação pode ser motivada por muitos 
fatores internos e externos à empresa. Um dos fatores é a necessidade 
de mercado provocada por mudanças de hábitos da população. Observe 
as seguintes situações:
• alimentos enriquecidos com vitaminas, cálcio, ômega 3;
• refeições pré-preparadas;
• materiais de limpeza amigos do ambiente.
Essas situações apresentadas deram impulso às indústrias que passaram 
a produzir seus produtos de acordo com esses princípios. Liste alguns 
produtos que vieram para suprir essa necessidade e justifique por que 
cada um desses itens se transformaram em motores e motivações para 
a inovação.
Atividade 2
No nosso estudo, percebemos que para que uma inovação obtenha 
sucesso na empresa, deve-se buscar soluções para os seus 
problemas. Todos os níveis de sua estrutura organizacional devem 
estar envolvidos. A empresa deve ainda recorrer a fornecedores, 
consultores, especialistas etc., e procurar não “importar” soluções 
prontas. Os objetivos e as expectativas da organização devem ser 
claros e partilhados por todos, principalmente com os clientes em 
primeiro plano. Vimos, também, que uma empresa deve desenvolver 
a capacidade de autoaprendizagem, absorver e transformar novas 
informações em conhecimentos integrados da própria organização.
138 UNIUBE
Observe o caso:
A empresa X comprou novos equipamentos que, segundo o vendedor, 
otimizaria o processo de produção. No entanto, depois de 6 meses, 
foi feita uma avaliação e percebeu-se que o novo maquinário estava 
subestimado e, por isso, ao invés de otimizar o processo, atravancava. 
Os novos equipamentos ficavam mais parados do que em funcionamento 
e os funcionários optavam por voltar a usar o antigo.
Você não conhece a empresa mas, baseado nos nossos estudos, tente 
imaginar o que pode ter acontecido e descreva.
Atividade 3
Um dos assuntos abordados neste capítulo refere-se aos tipos de 
inovação. Aprendemos que a inovação pode ser classificada conforme o 
objeto em foco e conforme o grau. A inovação conforme o grau, segundo 
Freeman e Perez (1988, p. 3861), pode ser incremental ou radical, ou 
ainda que se refira ao sistema ou paradigma tecnológico.
Leia as afirmações a seguir e classifique-as de acordo com a Inovação 
Radical ou de Ruptura ou Inovação Incremental.
Coloque A para Inovação Radical ou de Ruptura e B para Inovação 
Incremental:
TIPO DE INOVAÇÃO
A - Inovação Radical ou de Ruptura B - Inovação Incremental
Características A ou B
1. Caracteriza-se por uma busca de aperfeiçoamento constante e 
gradual.
 UNIUBE 139
2. Melhora o desempenho dos seus produtos nas formas que 
realmente fazem a diferença junto dos seus clientes.
3. Caracteriza-se pela incessante busca, por parte da organização que 
a leva a cabo, de ruptura e quebra de paradigmas.
4. Suas práticas de gestão estão baseadas nos seguintes princípios: 
"ouvir" os clientes; investir agressivamente em tecnologias que 
ofereçam àqueles clientes real satisfação das suas necessidades; 
focalizar os mercados maiores ao invés dos menores.
5. Os princípios que regem esse tipo de inovação são: as empresas 
dependem de clientes e investidores para obter recursos; pequenos 
mercados não resolvem as necessidades de crescimento de 
grandes empresas; mercados que não existem não podem ser 
analisados; fornecimento de tecnologia pode não se igualar à 
procura do mercado.
6. As organizações com maior potencial de levar a cabo esse tipo de 
inovação são aquelas cujos clientes necessitam das tecnologias 
para fazer fluir os recursos, empresas/ organizações pequenas o 
bastante para se entusiasmarem com ganhos modestos, empresas/
organizações que ao planejarem as inovações consideram a 
possibilidade de fracasso.
7. Permite às empresas que a praticam, relativamente aos seus pares, 
praticar margens mais elevadas.
8. A base de conhecimentos da empresas é favorecida.
Atividade 4
Explique os termos apresentados no texto “denovação” ou “inovação 
destrutiva” segundo as ideias de Schumpeter e Hagerstrand.
Atividade 5
Realizando um tour pela internet, conhecemos muitas invenções malucas 
e que, mesmo sem sentido, são comercializadas. Observe as imagens 
a seguir:
140 UNIUBE
Protetor de orelhas para cães. Fornece um dispositivo para proteger as 
orelhas enquanto ele está comendo.
Fonte: Adaptado de Essa (2011).
Chutador de bumbum
Fonte: Adaptado de Essa (2011).
 UNIUBE 141
Umedecedor para selos
Fonte: Adaptado de Essa (2011).
Guarda-chuva de cabeça
Fonte: Adaptado de Essa (2011).
142 UNIUBE
Observação importante! Essas invenções foram patenteadas!
Escolha uma das invenções anteriores e descreva os pontos positivos e 
os negativos para lançar este produto no mercado.
Referências
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Portugal: Princípia, 1999. Disponível em: <http://www.spi.pt/documents/
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br/cnpq/docs/relatorio_gestao_2007.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2010.
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de Geografia e Estatística IBGE. Pesquisa de Inovação Tecnológica PINTEC 
2005. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/
industria/pintec/2005/pintec2005.pdf> Acesso em: 11 ago. 2010.
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Brasília, DF, Senado,1998.
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DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor. São Paulo: Pioneira, 1991.
______. Administrando em tempo de grandes mudanças. São Paulo: 
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ESSA você não sabia. As 8 invenções mais ridículas da história. Disponível em:
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Acesso em 18 jun 2013.
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SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. 3. ed. São Paulo, 
Editora Best Seller, 1999.
SCHUMPETER, Joseph A. Ensaios - Empresários, inovação, ciclos de negócio e 
evolução do capitalismo. Oeiras: Celta, 1996.
STAUT JÚNIOR, Sérgio Said. Direitos Autorais: entre as relações sociais e as 
relaçõesjurídicas. Curitiba: Moinho do Verbo, 2006.
Leonardo Lima da Fonseca
Introdução
Sistemas mecânicos 
e eletromecânicos – 
sistemas de transmissão
Capítulo
5
Na engenharia de produção são necessários estudos e 
compreensão de processos produtivos e suas características 
em diversos aspectos. Considerando que este estudo contemple 
o sistema homem-máquina, ergonomicamente falando, a 
melhor adaptação do homem a este sistema pode contribuir 
para um maior rendimento operacional. Considerando apenas 
a máquina, o engenheiro precisa compreender peculiaridades 
do funcionamento, do rendimento e da manutenção para poder 
utilizar estes conhecimentos para determinar parâmetros de 
funcionamento ideal, adequando a máquina para o processo, 
otimizando seus recursos com foco na produtividade.
Nesse sentido, detalharemos parte dos conceitos, elementos e 
aplicações de transmissão de energia em máquinas. Veremos que 
uma das formas de transmitir energia é mecanicamente, utilizando 
uma cadeia cinemática formada por elementos mecânicos. Outra 
maneira é, por meio da corrente elétrica, obter transmissões 
eletromecânicas. 
Para tal, faremos citações referenciando conceitos da física e 
detalhando elementos mecânicos compondo sistemas, sendo 
146 UNIUBE
Esquema
5.1 Sistemas mecânicos
5.2 Sistemas de transmissão
5.3 O movimento circular
5.4 Relação de transmissão
5.5 Transmissão por correias
5.6 Transmissão por engrenagens
5.7 Transmissão por correntes
5.8 Esteira transportadora
5.9 Roscas de transmissão
Objetivos
Ao final dos estudos propostos neste capítulo, esperamos que 
você esteja apto a:
• identificar os sistemas mecânicos e eletromecânicos e sua 
importância para a análise e entendimento de processos 
de produção;
• identificar elementos que compõem sistemas de transmis-
são e perceber a interação entre eles;
• perceber por meio dos conceitos e aplicações apresentados 
a importância destas operações de transmissão em 
processos produtivos;
• calcular ganhos e otimizações de processos produtivos. 
contextualizados para melhor entendimento, sendo detalhados, 
da mesma forma, os sistemas eletromecânicos.
Outro tipo de transmissão de energia que será visto 
posteriormente, porém não neste componente curricular, é a 
utilização de fluidos para efetuar transmissões óleo-dinâmicas 
ou pneumáticas.
 UNIUBE 147
Para um melhor entendimento dos objetivos deste componente curricular, 
devemos nos referenciar a Mabie (1967), analisando os mecanismos do 
estudo cinemático de sistemas. Podemos definir sistema somo sendo o 
conjunto de elementos correlacionados e mecanismo é a “combinação 
de corpos rígidos compostos e conectados de tal forma que se movem 
entre si com movimento relativo definido” (MABIE, 1967, p. 6). 
Os movimentos e as forças serão passíveis de análises pelo engenheiro 
no projeto de uma máquina ou análise de um processo. Os sistemas 
mecânicos, por exemplo, podem ser simples com dois componentes 
como engrenagens, que transmitem potência e movimento, bem como 
um complexo com vários elementos de transmissão, conforme vemos 
na Figura 1.
Sistemas mecânicos5.1
Figura 1: Exemplo de sistema mecânico.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Para estudarmos os sistemas de transmissão, devemos rever algumas 
definições da cinemática, referentes a movimento circular. Isto se faz 
necessário para melhor analisar o método pelo qual o movimento e a 
potência são transmitidos de um elemento para o outro.
Sistemas de transmissão5.2
148 UNIUBE
De acordo com Mabie (1967), a transmissão pode ser feita de 3 formas:
• por contato direto entre os membros, como na utilização de 
engrenagens;
• por meio de uma conexão ou biela;
• por uma conexão flexível, utilizando polias e correia.
A definição inicial que temos que entender é a de velocidade angular, 
que representa o deslocamento em um determinado intervalo de tempo 
descrito em uma trajetória circular. Conforme sabemos, a variação 
angular seguindo uma trajetória circular pode variar de 0º ao infinito. 
Por exemplo, uma roda quando completa um ciclo, possui uma variação 
angular de 360º. Como a velocidade angular é dada em rad/s, devemos 
considerar a variação de 0 a 2π rad. Se esse procedimento é realizado 
em 1 segundo, temos os dados para determinar a velocidade angular, e 
podemos defini-la como:
t
φω ∆=
∆
Sendo:
ω = velocidade angular em rad/s;
∆ = variação angular em radianos (rad);
∆t = variação de tempo em segundos (s).
Porém, precisamos entender e relacionar esta informação a aplicações 
práticas, contextualizando-a com o objetivo de analisar processos e 
otimizá-los, projetar uma máquina ou qualquer outra atividade pertinente. 
Para tal, vamos relembrar as definições de período e frequência. 
O movimento circular5.3
 UNIUBE 149
O período (T) é o tempo necessário em segundos para que a variação 
angular (ω) seja de 360º, ou seja, o tempo de duração de um ciclo 
2
T
π
ω
= . Portanto, podemos concluir que o período é inversamente 
proporcional à velocidade angular, ou seja, se pudermos aumentar a 
velocidade angular de um elemento, faremos com que seu período (T) 
diminua. 
A frequência é calculada como o inverso do período (T), sendo definida 
em Hertz (Hz) e representa o número de ciclos completados em um 
segundo. Se um elemento circular de um processo completa 50 ciclos em 
1 segundo, desta forma ele completa cada ciclo em 0,02s ou 20ms (logo 
T=20ms) e sua frequência é de 50 Hz. Podendo ser representado como:
1
f
T
=
Sendo:
f = frequência em Hertz (Hz);
T = período em segundos (s).
Completando esta revisão inicial, relembraremos as definições de 
rotação (n) e de velocidade periférica. A rotação permite analisarmos 
quantos ciclos são completados em 1 minuto. Se tivermos o período ou 
a frequência definidos, podemos calcular a rotação. Geralmente, para 
especificarmos determinados equipamentos, precisamos considerar a 
rotação de elementos que influenciam diretamente a vazão ou velocidade 
do processo, para assim, aumentar a sua produtividade e/ou eficiência. 
Portanto, podemos definir a rotação como:
 ou 
Sendo:
 = rotação (rpm);
 = frequência (Hz);
 = velocidade angular (rad/s).
150 UNIUBE
A velocidade periférica ou tangencial é relacionada com a rotação e o 
raio do círculo que define a trajetória, sendo:
Sendo:
= velocidade periférica (m/s);
= rotação (rpm);
= raio (m).
Por meio da velocidade periférica de um elemento, podemos 
definir a velocidade de um processo que está com ele relacionada. 
Contextualizando, se o engenheiro, analisando um processo, verificar 
que a velocidade de uma esteira está relacionada à rotação de um 
elemento circular, podemos agora compreender quais variáveis fazem 
parte desta composição, e aumentar ou diminuir a vazão do processo, 
significa alterar estas variáveis. 
Durante todo o curso de engenharia de produção, vocês estudarão 
processos, sistemas ou máquinas que podem e devem ser analisados 
quando observamos movimentos circulares. A um componente em que 
se observa uma velocidade periférica aplicada, podemos associar outros 
componentes ou sistemas para a transmissão de energia. Nesse caso, 
podemos relacionar as transmissões mecânicas, óleo ou pneumático-
dinâmicas e eletromecânicas definidas, respectivamente, mediante 
a associação de elementos mecânicos, fluido ou corrente elétrica. 
Este componente curricular objetiva o estudo e análise dos sistemas 
mecânicos e eletromecânicos, sendo que o estudo de elementos 
pneumáticos e hidráulicos serão abordados em outro momento, 
contextualizado em aplicações.
Vamos exemplificar:
Consideraremos, para análise de um projeto de processo, que temos um 
sistema mecânico motor que possui, dentre suas especificações, uma 
 UNIUBE 151
rotaçãode 2000 rpm. Por meio da rotação, podemos definir a velocidade 
angular, o período e a frequência aplicadas. 
𝜔=𝜋∙𝑛/30=2000𝜋/30
Estes dados estão diretamente relacionados com rendimentos pontuais e, 
somados a outros, definirá o rendimento global. Vamos às especificidades 
de cada sistema de transmissão. 
Existem várias relações de transmissão que traduzem as características 
dos elementos envolvidos no sistema, para que possamos, por meio da 
análise do processo, determinar as necessidades como os elementos, 
rendimentos, aplicações, velocidade motora, velocidade movida, sentido 
de rotação, conjuntos dentre outros aspectos.
Relação de transmissão5.4
Analisaremos a relação de rotação nos sistemas de transmissão!
Considerando dois elementos circulares, o elemento que transmite a 
energia é chamado motor e o outro de movido. Se os elementos possuem 
o mesmo diâmetro, a rotação de ambos, pela transmissão, será igual. 
Quando o diâmetro é diferente, temos as características de ampliação 
ou redução. Se o elemento motor tiver um diâmetro menor, então, para 
cada ciclo deste, o elemento movido não completará um ciclo completo, 
e, portanto, há redução de rotação na transmissão. Por exemplo, se o 
diâmetro do elemento motor é a metade do diâmetro do movido, para 
152 UNIUBE
cada duas rotações do primeiro haverá uma rotação do segundo. A 
velocidade e a rotação dos elementos circulares, por meio da relação 
entre eles, definirão se a transmissão tem características de conservação, 
ampliação ou redução da velocidade. 
Vamos considerar, nas Figuras 2, 3 e 4 a seguir, dois elementos circulares 
considerando, o motor sempre representado à esquerda nos desenhos 
e o movido, o da direita.
Figura 2: Transmissão de velocidade. 
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Figura 3: Transmissão com ampliação de velocidade.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Figura 4: Transmissão com redução de velocidade.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
 UNIUBE 153
Para os exemplos citados, baseando-nos na relação entre os diâmetros 
dos elementos motor e movido, pode-se definir a seguinte relação:
1 2
2 1
n D
n D
=
Quando o elemento motor não possui um contato direto com o movido, 
como nas configurações observadas nas figuras 2, 3 e 4, a forma de 
disposição do elemento transmissor, que é responsável pela transmissão 
de energia, determina o sentido de rotação. Agora, observe as Figuras 
5 e 6:
Figura 5: Transmissão com o mesmo sentido.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Figura 6: Transmissão com a inversão de sentido de rotação.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Na Figura 5, a configuração do elemento transmissor permite aplicar o 
mesmo sentido de rotação ao movido. Já, na figura 6, a configuração 
entrelaçada do elemento transmissor permite a inversão do sentido do 
elemento motor aplicado ao movido. 
154 UNIUBE
Já, quando consideramos transmissões mecânicas em que há contato 
direto entre os elementos motor e movido, envolvendo engrenagens, por 
exemplo, sempre haverá uma inversão do sentido conforme observamos 
na Figura 7.
Figura 7: Transmissão com engrenagens.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Nestes casos, também devemos considerar a velocidade por meio do 
diâmetro, porém, aqui, especificamente, relacionamos o número de 
dentes do elemento motor e o do movido para definir se há redução, 
ampliação ou manutenção da velocidade, usando a seguinte relação:
1 1
2 2
n Z
n Z
=
 
Sendo:
n = número de rotações;
Z = número de dentes da engrenagem.
A seguir, estudaremos as relações de alguns sistemas de transmissão, 
detalhando alguns aspectos e considerando os já mostrados. Para a 
análise de sistemas complexos com mais de uma relação de transmissão, 
consideraremos as partes, observando individualmente os elementos 
motor e movido de cada parte do processo.
 UNIUBE 155
Quando o elemento motor estiver em um ponto distante do movido, é 
comum adotar a transmissão por correias. Neste caso, adotando polias 
como elementos motor e movido, e um elemento de ligação responsável 
pela transmissão, denominado correia, conforme podemos observar no 
exemplo da Figura 8.
Transmissão por correias5.5
Figura 8: Sistema de transmissão por correias.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
A correia é uma tira flexível sem fim, e pode apresentar as formas 
trapezoidais, planas ou sincronizadas. 
A aderência para garantir uma boa eficiência à transmissão é dada pela 
superfície de contato, podendo ser lisa, corrugada transversalmente ou 
estriadas longitudinalmente.
IMPORTANTE!
As polias são peças cilíndricas movimentadas pela rotação de um eixo, 
quando se trata da motora, e pela transmissão de potência quando é 
movida. É chamada de face da polia ou coroa, na qual a correia fica em 
contato e tem a forma da correia para facilitar a transmissão. Na Figura 
156 UNIUBE
9, a seguir, foram relacionados diversos tipos de polias e as correias 
correspondentes, conforme já dito, possuem a mesma forma para melhor 
se adaptar e proporcionar o rendimento adequado para a transmissão:
Figura 9: Tipos de polias.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
 UNIUBE 157
Para definir o comprimento da correia, devemos ter os dados dos diâmetros 
das polias e da distância entre os centros de seus eixos (Figura 10). 
Figura 10: Elementos de análise na transmissão por correias.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Para determinar o comprimento da correia, quando temos polias de 
mesmo diâmetro, usa-se a equação: 
2L d Cπ= ⋅ + ⋅
Sendo:
L = comprimento da correia, em metros (m);
d = diâmetro, em metros (m);
C =distância entre os centros das polias.
Para sistemas de transmissão com polias de diâmetros diferentes, temos: 
2 2( ) 2 ( )L R r C R rπ= ⋅ + + ⋅ + −
158 UNIUBE
Sendo:
R = raio da polia maior;
r = raio da polia menor.
Além do comprimento da correia, estes dados podem auxiliar na análise 
de processos e definir vários aspectos, como rendimento, velocidade e 
tipo de correia, entre outros. 
Exemplo
Em um sistema de transmissão por correias, temos 2 polias de diâmetros 
D1=15cm e D2=60cm, a distância entre eixos é de 1m e a rotação da 
polia motora n1=1500rpm. Determine:
a) se a relação de transmissão é redutora ou ampliadora;
b) o comprimento da correia para este sistema de transmissão;
c) a rotação da polia movida.
Resolução
a) A configuração da polia motora com diâmetro menor identifica um 
sistema de redução de velocidade.
b) Dados: 
D1 = 20cm  r = 10cm
D2 = 60cm  R = 30cm
C = 1m = 100cm
n1 = 1500rpm
Como as polias apresentam diâmetros diferentes, vamos definir o 
comprimento da correia por:
 UNIUBE 159
2 2( ) 2 ( )L R r C R rπ= ⋅ + + ⋅ + −
2 23,141593 (30 10) 2 100 (30 10)L = ⋅ + + ⋅ + −
125,6637 2 10400L = + ⋅
125,6637 203,9608L = +
329,6245 3,3L cm L m= → ≅
c) A relação de transmissão é dada por 
2
1
2
1
D
D
n
n
= , e devemos calcular n2:
2
1
2
1
D
D
n
n
=
 
 1 22
1
n D
n
D
⋅
=
 
 1500 602
20
n
⋅
=  2 4500n rpm=
Para o cálculo de correias cruzadas, as equações que definem o 
comprimento são:
2 22L d c dπ= ⋅ + ⋅ + - para polias de diâmetros iguais.
2 2( ) 2 ( )L R r C R rπ= ⋅ + + ⋅ + + - para polias de diâmetros diferentes.
Existem vários tipos de correias, com diversas aplicações, formas e 
constituição. Para conhecer seus perfis e dimensões, acesse os links a 
seguir:
<www.correiasmercurio.com.br>
<www.copabo.com.br>
<www.gatesbrasil.com.br>
PESQUISANDO NA WEB
160 UNIUBE
De acordo com Melconian (2007), as engrenagens têm por finalidade 
transmitir movimento sem deslizamento e potência, multiplicando os 
esforços e gerando trabalho. As engrenagens são elementos de transmis-são com dentes padronizados, podendo apresentar formatos cilíndrico, 
cônico e reto, chamadas de engrenagens cilíndrica, cônicas e cremalhei-
ra, respectivamente. 
As engrenagens têm a função de transmissão de movimento e força 
entre dois eixos, e são utilizadas em diversas aplicações, desde 
sistema de relógios até industriais. Como há contato entre duas 
engrenagens, sempre podemos associar as relações de transmissões 
vistas, considerando o número de dentes ou mesmo o diâmetro destas. 
Podemos ter transmissões complexas com mais de duas engrenagens. 
Veja Figura 11 a seguir.
Transmissão por engrenagens5.6
Figura 11: Redução de velocidade e aumento de torque utilizando engrenagens.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
 UNIUBE 161
Na Figura 11, podemos observar um redutor de velocidade contendo 
seis engrenagens em quatro eixos, sendo que duas dessas engrenagens 
são cônicas. Considerando o eixo de entrada como sendo o eixo motor, 
e aplicando movimento de rotação ao mesmo, teremos transmissão de 
movimento com redução de velocidade e aumento de torque.
Na Figura 12, podemos relacionar as partes de uma engrenagem.
Figura 12: Partes de uma engrenagem.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Dentre as partes da engrenagem, o corpo pode ser de diversas formas, 
podendo ser:
• em forma de disco, com furo central;
• em forma de disco, com cubo e furo central;
• corpo com 4 furos, cubo e furo central;
• corpo com braços, cubo e furo central.
Os dentes têm fundamental importância, pois são os elementos que, ao 
se engrenarem, produzem o movimento de rotação do elemento motor 
162 UNIUBE
para o movido. As rodas se engrenam quando os dentes de uma se 
encaixam no vão dos dentes da outra engrenagem e vice-versa. As 
engrenagens, portanto, trabalham em conjunto, podendo ter tamanhos 
diferentes. Se isso acontecer, a nomenclatura utilizada é coroa e 
pinhão, Figura 13, sendo atribuídos à maior e à menor engrenagem, 
respectivamente.
Figura 13: Nomenclatura para engrenagens 
de tamanhos diferentes.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Os materiais mais utilizados para a fabricação de engrenagens são: 
aço-liga fundido; ferro fundido; cromo-níquel; bronze fosforoso; alumínio; 
nailon.
As engrenagens cilíndricas possuem a forma de um cilindro e podem ter 
dois tipos de dentes: retos ou helicoidal. Os dentes retos apresentam-
-se perpendiculares ao corpo, e, no helicoidal, há uma inclinação dos 
dentes, conforme podemos observar nas Figuras 14 e 15 a seguir.
 UNIUBE 163
Figura 14: Engrenagens cilíndricas de dentes retos.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Figura 15: Engrenagem cilíndrica de dentes 
helicoidais.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Nas engrenagens cilíndricas de dentes helicoidais, os dentes são 
paralelos entre si e oblíquos, em relação ao eixo e ao corpo da 
engrenagem. Quando a engrenagem apresenta dentes retos, estes são 
paralelos entre si, e, ao eixo, e perpendicular ao corpo. Em ambos os 
casos, a operação pode objetivar a transmissão de rotação entre eixos 
paralelos, Figura 16. 
164 UNIUBE
Figura 16: Transmissão de movimento entre 
eixos paralelos.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
As engrenagens cilíndricas, com dentes helicoidais, também podem 
transmitir rotação entre eixos reversos, ou seja, não paralelos, Figura 17. 
Figura 17: Transmissão de movimento 
entre eixos não paralelos.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
As engrenagens cilíndricas têm suas características determinados por 
norma e que são utilizadas como referência para especificação de acordo 
com os seguintes critérios:
 UNIUBE 165
• características geométricas;
• dimensionamento;
• dureza Brinell;
• normas;
• resistência à flexão no pé do dente;
• carga tangencial;
• carga radial;
• tensão de flexão no pé do dente;
• fator de forma q;
• tabela de fatores de serviço – AGMA (ϕ);
• tensão admissível - σ;
• ângulo de tensão - α;
• engrenamento com perfil cicloidal;
• curvatura evolvente;
• dimensionamento de engrenagens.
As engrenagens cônicas, Figuras 18 e 19, apresentam forma de tronco 
de cone, podendo também ter dentes retos ou helicoidais, e transmitem 
rotação entre eixos concorrentes.
Figura 18: Engrenagem cônica de dentes retos.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
166 UNIUBE
Figura 19: Transmissão de rotação utilizando engrenagens cônicas.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
A configuração de transmissão por engrenagens utilizando uma coroa 
cilíndrica com dentes helicoidais e uma rosca sem fim é muito utilizada 
para necessidades de redução de velocidade na transmissão de rotação, 
Figura 20.
Figura 20: Coroa helicoidal com pinhão rosca sem fim.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
 UNIUBE 167
A cremalheira, Figura 21, é uma barra dentada que engrenada a uma 
roda dentada, tem o objetivo de transformar rotação em movimento 
retilíneo.
Figura 21: Transmissão de movimento com uma cremalheira.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
As correntes são elementos de transmissão, geralmente metálicos, 
formados por uma série de elos ou anéis. Podemos relacionar vários 
tipos de correntes e diversas aplicações, sendo um exemplo muito usual 
e comum a transmissão observada quando se anda de bicicleta. 
Para aplicações de transmissões de um único eixo motor para vários outros 
movidos, utiliza-se o método de correntes. Melconian (2007, p. 273) cita 
como de fundamental importância a permanência a um mesmo plano de 
todas as rodas dentadas, Figura 22.
Transmissão por correntes5.7
168 UNIUBE
Figura 22: Transmissão de movimento por meio de correntes de rolo.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Uma corrente é formada por elos externos e internos que se repetem 
alternadamente.
• Elo interno: composto por duas placas internas, duas buchas e dois 
rolos, sendo as buchas montadas com ajuste prensado nas placas, 
enquanto os rolos giram livremente sobre as buchas.
• Elo externo: composto por dois pinos montados com ajuste e 
prensados em duas placas externas e posteriormente rebitados.
Quando se seleciona correntes para um sistema, é necessário o cálculo 
de um dos seguintes pontos:
• o passo da corrente;
• tipo de corrente;
• comprimento da corrente;
• número de dentes do pinhão e da roda;
• entre eixo;
• lubrificação recomendada.
 UNIUBE 169
Nas Figuras 23 e 24, a seguir, podemos identificar vários pontos, como:
• o diâmetro do rolo (d);
• o passo da corrente (p), que é a distância entre eixos de pinos 
adjacentes;
• largura entre placas (A);
• distância entre centro de rolos (B) para correntes duplas e triplas;
• distância entre eixos (C);
• ângulo de inclinação, que indica quando os elos entram em contato 
com o pinhão (γ2);
• diâmetros primitivos do pinhão (D1).
Figura 23: Correntes de Rolo – Dimensões.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
170 UNIUBE
Figura 24: Elementos geométricos da transmissão por correntes.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
A relação de transmissão é dada pela proporcionalidade ou relação das 
duas polias, podendo ser relacionados também os raios R destas, o 
número de dentes (N) e as velocidades angulares (ω).
1 1 1
2 2 2
R N
i
R N
ω
ω
= = =
Existem diferenciações de acordo com aplicações para este método, 
o que faz haver tipos distintos de correntes, sendo: correntes de rolos, 
correntes de elevação, correntes de buchas, corrente de dentes e 
correntes com elos fundidos.
As correntes de rolos podem referenciar as diversas normas e, dentre 
elas, a ANSI e DIN. Podem-se encontrar notações e especificações 
diversas, porém, mais comumente, três especificações, sendo a simples, 
dupla e tripla. Na Figura 25 estão representados vários tipos de correntes.
 UNIUBE 171
Figura 25: Tipos de correntes.Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
As principais características das correntes de rolos são:
• velocidade periférica está limitada a 17 m/s e a velocidade angular a 
6000 rpm. A potência máxima transmissível é de, aproximadamente, 
3700 KW;
• só podem ser utilizadas entre eixos paralelos;
• exigem lubrificação;
• custo intermediário entre correias e engrenagens;
• apresenta um ruído maior do que as correias;
• manutenção fácil;
• rendimento elevado entre 97 a 98%;
• montagem fácil;
• vida útil alta, sendo maior que 1500 horas sem a mudança de 
elementos.
172 UNIUBE
Os fabricantes de correntes disponibilizam catálogos para seleção e 
cálculo de parâmetros. Podemos definir o comprimento, potência ou 
número de dentes, dentre outros elementos.
Vejamos com detalhes!
Para definir o comprimento da corrente (L), precisamos do passo (p), da 
distância entre eixos (C), e do número de dentes dos elementos motor e 
movido (N1 e N2), de acordo com a fórmula:
( )
2
2
2 1 2 ( 2 1)
2 4
L C N N N N
p p C
p
π
+ −
= + +
Normas aplicáveis para corrente de rolo:
• Internacional: ISO 606.
• Americana: ANSI 329,1.
• Brasileira: NBR 6390.
A esteira transportadora, ou correia transportadora, é um dos sistemas 
mais utilizados na indústria e utiliza os elementos já relacionados neste 
capítulo, como polias e correias. A aplicação define o tipo de elementos 
componentes desta máquina, podendo assumir diversas configurações 
e dimensões. Comumente são citadas duas formas de esteiras 
transportadoras, sendo as planas e as abauladas.
As esteiras com correias planas são utilizadas no transporte de sacas, 
pacotes ou produtos a granel. São estruturadas com rolos com eixos e 
mancais, sobre os quais se apoia uma correia sem fim. 
Esteira transportadora5.8
 UNIUBE 173
As esteiras transportadoras são vistas em diversas atividades industriais, 
ou outros serviços. As correias transportadoras são compostas por 
elementos de máquinas, tais como eixos, mancais, polias e acoplamentos 
que garantem sua funcionalidade. A Figura 26, a seguir, representa 
uma configuração de um sistema de transporte com uma correia 
transportadora.
Nas esteiras abauladas, as correias se movem sobre roletes, formando 
um ângulo em forma côncava. É utilizada para transportar materiais 
sólidos. A velocidade segue uma indicação de acordo com material e 
são especificadas por fabricantes de acordo com aplicações diversas.
O Quadro 1 apresenta as velocidades máximas recomendadas em 
metros/segundos de materiais a granel sendo transportados.
Quadro 1: Velocidades máximas recomendadas em m/seg-materiais a granel
Largura da 
correia (mm)
Cereais e outros 
materiais de 
escoamento fácil. 
Não abrasivos.
Carvão, terra, 
minérios 
desagregados, 
pedra britada fina, 
poço, abrasiva.
Minérios e 
pedras duros, 
pontiagudos 
pesados e muito 
abrasivos.
400 2,5 1,6 1,6
500-800 3,0 - 3,6 2,5 – 3,0 1,8 – 3,0
800 – 1000 3,6 – 4,1 3,0 – 3,6 3,0 – 3,3
1200 – 1600 4,1 – 5,0 3,6 – 4,1 3,8 – 3,8
174 UNIUBE
Figura 26: Componentes de uma esteira.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
A alimentação da esteira é feita por um dispositivo de carregamento e 
um motor utiliza o sistema de transmissão para transportar o produto 
até o descarregamento. A polia de acionamento, também chamada de 
tambor, transmite o torque do motor por meio da esteira, orientando o 
sentido e velocidade. A polia acionada identifica o ponto de retorno, e 
é um elemento passivo do sistema de transmissão. Os roletes podem 
possuir vários papéis na estrutura de um transporte de esteiras, como 
mostra a sistematização a seguir, no Quadro 2.
Quadro 2: Tipos de roletes
Roletes de carga
Os roletes de cargas são conjuntos de rolos, onde se apoia a correia transportadora 
quando esta se encontra carregada. A carga do material é suportada e transportada 
pelo conjunto rolete e esteira transferindo massas de um ponto a outro.
Roletes de retorno
São elementos onde não há carga direta atuando, operando apenas como trecho 
de retorno do elemento de deslocamento de massas, como, por exemplo, correias 
e esteiras.
Roletes autoalinhadores
Responsáveis pelo alinhamento do sistema de transmissão de massa, apresentam 
na sua estrutura um conjunto de rolos com mecanismos giratórios acionados pela 
correia transportadora. O alinhamento é realizado nos trechos de carga e de retorno.
 UNIUBE 175
Rolete de retorno com anéis
Rolete sem aplicação de cargas utilizado no retorno, com rolos estruturados com 
anéis de borracha com a funcionalidade de limpeza, atuando no desprendimento do 
material aderido ao elemento transportador.
Rolete espiral
Rolete de retorno com a funcionalidade de promoção de limpeza de material do 
elemento transportador pelo movimento espiral dado pela forma do rolete.
Rolete em catenária
Conjunto de rolos suspensos e articulados entre si promovendo, se necessário, o 
deslocamento longitudinal e transversal em relação ao transportador. Este tipo de 
rolete se adapta ao formato da correia.
Rolete de impacto
Conjunto de rolos presentes no início da estrutura de deslocamento de massa, ou 
seja, no ponro de carga. A função do rolete de impacto é de atenuar o impacto do 
processo de carga do material sobre o elemento transportador.
Roscas de transmissão5.9
As roscas de transmissão são utilizadas em diversas aplicações e 
transformam movimento circular em longitudinal, podendo ser paralelo 
ou perpendicular ao eixo da rosca.
O macaco mecânico, utilizado para levantar o carro para realização 
de alguma manutenção, transmite o movimento circular da rosca em 
um movimento longitudinal identificando suspensão ou rebaixamento, 
dependendo do sentido de rotação da rosca. Este exemplo, ilustrado 
pela Figura 27, mostra o deslocamento de uma rosca de transmissão do 
sistema porca-fuso.
176 UNIUBE
Figura 27: Rosca de transmissão em macaco mecânico (porca-fuso).
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Outra aplicação comum é vista no deslocamento da mandíbula móvel 
de morsas utilizadas na manutenção industrial, mostrado na Figura 28.
Figura 28: Rosca de transmissão em morsa de bancada.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
As roscas de transmissão apresentam diversas diferenças em relação a 
perfil, tipo de rosca interna e externa. Os perfis são quadrado, trapezoidal 
 UNIUBE 177
Figura 29: Eixo com rosca de perfil quadrado.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
Já, o perfil trapezoidal, Figura 30, é observado em máquinas-ferramenta 
como torno e fresadoras, os quais transmitem movimento a alguns 
componentes da máquina, nos sentidos longitudinal ou axial.
Figura 30: Eixo com rosca de perfil trapezoidal.
Desenho: Edson Machado Barbosa (2011).
e misto. O perfil quadrado, Figura 29, é utilizado na construção de roscas 
múltiplas, e usualmente aplicado quando há necessidade de transmissão 
com maior impacto ou grande esforço, como em balancim e prensas, 
respectivamente.
178 UNIUBE
As roscas com perfil misto são utilizadas em aplicações de que visam a 
transferência de força com o mínimo de atrito. Um exemplo é a utilização 
na construção de conjunto fuso-porca com esferas circulantes. Observado 
em máquinas CNC (comando numérico computadorizado), os fusos 
de esferas apresentam alta eficiência de transmissão, transformando 
movimento circular em linear ou vice-versa. 
Resumo
Neste capítulo, enfocamos os elementos de máquinas dentro do 
contexto dos sistemas mecânicos e eletromecânicos. Para tanto, você 
estudou os sistemas mecânicos, os movimentos circulares, assim 
como, as esteiras de transportes. Destacamos os tipos de roletes que 
são transportados pelas esteiras sendo: roletes de carga, roletes de 
retorno, roletes autoalinhadores, roletes limpadores, rolete de anéis, 
roleteespiral, rolete espiral, rolete em catenária e rolete de impacto.
Atividades
Atividade 1 
Calcule para um motor que possui uma rotação de 3000 rpm, os valores 
da velocidade angular, do período e da frequência.
Atividade 2 
Em um projeto de fábrica, temos definido que uma esteira deve ter uma 
velocidade de 2m/s. Sabendo da relação entre a velocidade periférica 
da polia motora e a velocidade da esteira, sem considerar perdas, 
defina qual a velocidade angular necessária para se obter a velocidade 
requerida para o processo sendo o diâmetro das polias igual a 30 cm.
 UNIUBE 179
Atividade 3 
Escreva a relação entre as rotações de duas polias considerando os 
diâmetros:
a) Polia motora: D1 = 20cm Polia movida: D2 = 10cm
b) Polia motora: D1 = 10cm Polia movida: D2 = 20cm
c) Polia motora: D1 = 15cm Polia movida: D2 = 15cm
d) Polia motora: D1 = 60cm Polia movida: D2 = 10cm
Atividade 4 
Com os dados da atividade 3, indique o tipo de relação de transmissão 
como redutora, ampliadora ou mantendo a mesma velocidade.
Atividade 5
Escreva a finalidade de utilização dos equipamentos e elementos 
mecânicos listados, a seguir:
a) esteiras transportadoras;
b) bombas centrífugas;
c) redutores de velocidade.
Referências
MABIE, H. H. OCVIRK, F. W. Mecanismos e dinâmica das máquinas. 1. ed. 
Rio de Janeiro: Editora Livro Técnico, 1967.
MELCONIAN, S. Elementos de máquinas. 8. ed. São Paulo: Érica, 2007.
Jairo Jeferson Marques 
Introdução
Sistemas eletromecânicos: 
funcionalidades 
e aplicações
Capítulo
6
Neste capítulo, abordaremos alguns produtos relacionados aos 
Sistemas Eletromecânicos, enfocando suas funcionalidades e 
aplicações. Iremos conhecer componentes, equipamentos, 
instrumentos e máquinas propriamente ditas. Esses equipamentos 
são fundamentais em uma linha de produção atuando diretamente 
na qualidade do produto e no tempo de montagem, gerando 
economia.
Para proporcionar-lhe melhor compreensão, iremos nos valer de 
alguns exemplos práticos (cases).
Objetivos
Ao final dos estudos deste capítulo, você deverá ser capaz de:
• identificar dispositivos e equipamentos eletromecânicos;
• compreender a necessidade e a utilidade de cada compo-
nente;
• corrigir erros de má utilização e auxiliar equipes, quando 
necessário;
• gerir com qualidade uma equipe de montagem por meio 
dos conhecimentos de como proceder no momento das 
instalações.
182 UNIUBE
Esquema
Dispositivos eletromecânicos6.1
Sabe-se bem que a eletricidade e a mecânica acompanham o homem há 
milhares de anos, nesse sentido, fazemos referência ao descobrimento 
da roda e à descoberta da eletricidade por Tales de Mileto, entre os 
séculos VI e VII a.c. Posteriormente, a união destas duas propriedades 
físicas em diversos equipamentos veio revolucionar a indústria mundial 
e, também, proporcionar conforto e qualidade de vida.
Os equipamentos e dispositivos pertencentes ao grupo dos sistemas 
eletromecânicos utilizam a propriedade de converter energia (capacidade 
dos corpos para produzir um trabalho ou desenvolver uma força) ou de 
utilizar uma parte dela. Entretanto, neste material, não iremos aprofundar 
em cálculos de conversão de energia e perdas por conversão, por termos 
outros objetivos.
A produção em série, em que as indústrias se baseiam hoje, vem do 
modelo criado por Henry Ford em sua fábrica nos Estados Unidos, 
no início do século XX. Com a ajuda de máquinas e equipamentos 
eletromecânicos, utilizados nas linhas de produção, foi sendo cada vez 
mais fácil produzir com qualidade em tempos mais enxutos. 
6.1 Dispositivos eletromecânicos
6.2 Sensores de posicionamento
6.3 Micros fim-de-curso
6.4 Eletroválvulas ou válvulas solenoides
6.5 Contatores
6.6 Motores
 UNIUBE 183
Esses equipamentos viriam a se tornar mãos, braços e olhos dos 
operários nas indústrias, tendo como funções movimentar, medir, 
automatizar e servir como apoio nas diversas formas de produção, seja 
em processos contínuos ou manufatura.
Você sabia que o CLP (Controlador Lógico Programável) foi criado para 
melhorar ainda mais uma linha de produção, possibilitando que o setor de 
engenharia alterasse a qualquer momento o modelo do produto fabricado? 
Por ser um equipamento programável e de custo relativamente baixo em 
relação aos grandes painéis elétricos que utilizavam lógica a relé, este 
equipamento se tornou não só o cérebro de uma planta industrial, mas 
também seu coração.
SAIBA MAIS
6.1.1 Sensores industriais
Os sensores industriais são equipamentos que servem para detectar 
uma determinada informação do ambiente em que atua. Informações que 
auxiliam a produção, determinando quais comandos e, principalmente, 
quando devem ser executados. 
Essas informações podem ser um determinado tipo de energia como 
a cinemática (movimento), pressão, pode ser pela propriedade física 
do material, como férreo, magnético, refletivo ou não. Podem ingressar 
desde os modelos mais simples atuando em um sistema liga-desliga de 
saída digital ou até mesmo com configuração para reconhecer cores, 
sons e até mesmo imagens ou em indústrias de processo contínuo onde 
as informações quase na totalidade são analógicas, necessitando de um 
equipamento que as converta.
Os sensores que estudaremos englobam, na maior parte, boa parte dos 
processos industriais, é claro que não serão específicos por área ou 
setor, mas podem ser encontrados na maioria das unidades fabris. 
184 UNIUBE
Os sensores podem ser capacitivos, indutivos, magnéticos, ópticos, que 
medem aceleração, nível, pressão, vazão, temperatura, velocidade, 
deslocamento, entre outros. Suas saídas podem ser digitais ou analógicas.
Você sabia que há uma diferença entre as saídas dos sensores 
classificadas como analógica ou digital? As saídas analógicas são valores 
compreendidos em uma faixa (range), normalmente de 4 a 20 mA ou 0 a 
10 V. Estes valores são proporcionais aos valores (informações) medidos 
pelo sensor. Os sensores digitais utilizam o sistema binário de informação, 
nível lógico de tensão 0 ou 1, ou seja, ou está ligado ou não.
IMPORTANTE!
Sensores de posicionamento6.2
6.2.1 Encoder
O encoder é um tipo de sensor constituído de um disco de material 
transparente com linhas codificadoras, e tendo, por exemplo, como 
elemento sensor, um emissor que envia luz por meio do disco a um 
receptor, detectando, assim, o deslocamento angular de um determinado 
equipamento. É usado em eixos de máquinas ou em motores quando se 
quer obter, com certa precisão, a posição atual ou quantas voltas exatas 
foram dadas.
O encoder, por gerar uma saída digital, pode ser ligado diretamente a um 
CLP ou a uma placa eletrônica dedicada a fazer a conversão de pulsos 
elétricos codificados em deslocamento linear ou números de voltas. 
 UNIUBE 185
•	 Encoder incremental
O encoder incremental é um modelo mais simples; como já vimos, sua 
configuração interna apresenta um disco codificado com milhares de 
linhas e alguns pontos de referenciamento (Figura 1). 
Figura 1: Disco perfurado de um encoder.
Sua construção simples consegue muito bem apresentar o deslocamento 
ou quantas voltas foram dadas, mas este encoder inicia sua contagem a 
partir do ponto zero, sendo necessário que o sistema faça um “zeramento” 
da posição, pois este tipo de sensor não consegue saber onde parou, 
caso seja desconectado da alimentação elétrica.
•	 Encoder absoluto
O encoder absoluto já é um pouco mais complexo que o incremental 
por usar um disco com código Gray na maioria dos modelos. Este 
tipo de encoder não tem a necessidade de atualizar sua posição caso 
falte tensão, ou seja, desacoplado do eixo, por ele trabalhar com um 
código no disco, em qualquer posição que ele retorne conseguirá ler o 
deslocamento. O grau de precisão deste tipo de encoder é maior,e, por 
isso, mais caro.
186 UNIUBE
6.2.2 Régua linear
As réguas lineares são outro tipo de sensor de posicionamento muito 
usado nas indústrias. Tem por propriedade medir o deslocamento 
linear de máquinas e equipamentos como injetoras de termoplásticos, 
extrusoras e outros equipamentos com movimento limitado. Os 
deslocamentos geralmente variam entre 100 mm e 3000 mm, tendo 
vários modelos de diferentes faixas que compreendem essa faixa de 
extensão. 
Há vários modelos, sendo cada qual com sua particularidade. Existem 
os resistivos, com uma fina camada de carbono (grafite) fixada em uma 
placa. É dotado de uma haste que fica presa, geralmente, na parte móvel 
do equipamento (sensor) e que, ao deslocar, movimenta uma espécie 
de pincel metálico que faz contato elétrico com o carbono, variando a 
resistência elétrica linearmente ao deslocamento.
Há os modelos com uma régua de vidro graduada (Figura 2) onde através 
de um emissor e um receptor de luz, mede-se o deslocamento devido aos 
feixes de luz seccionados por essa graduação. Esse sistema é sensível 
a sujeiras, pois uma interferência na recepção da luz pode causar uma 
má leitura do dispositivo. 
Figura 2: Régua graduada.
 UNIUBE 187
Esses modelos são muito empregados em fresas industriais e centros de 
usinagem, medindo o deslocamento nas três dimensões dos eixos X, Y e 
Z. Em equipamentos dotados com pistões hidráulicos, também pode-se 
empregar este tipo de sensor até mesmo para fazer controle em malha 
fechada, utilizando válvulas com bobinas solenoides proporcionais.
A régua linear, ao contrário do encoder, não desloca sua graduação, mas, 
sim, o dispositivo que contém o emissor e receptor de luz, sendo diferente 
do encoder apenas na construção. Enquanto o encoder trabalha com 
deslocamento em graus ou radianos por segundos, a régua linear trabalha 
em milímetros, centímetros ou metros por segundos.
SAIBA MAIS
6.2.3 LVDT
O transformador linear diferencial variável (traduzido da sigla LVDT, 
em inglês) é um sensor que mede deslocamento linear através de 
um sistema eletromecânico que contém os mesmos princípios de um 
transformador, por isso o nome. 
 
Sua construção é simples, sendo, basicamente, 
três bobinas e um núcleo que deve ser feito de 
material ferromagnético. O núcleo, por ser 
um concentrador do fluxo magnético, receberá 
do primário e enviará este fluxo ao secundário, 
proporcionalmente ao seu deslocamento linear; 
entre outras palavras, a tensão do secundário 
está ligada proporcionalmente ao deslocamento 
do núcleo.
Material 
ferromagnético
São materiais que 
são atraídos pelo 
campo magnético 
ou que conduzem 
o fluxo magnético 
em seu material. O 
principal exemplo é 
o ferro e a maioria 
das ligas que 
contém este metal.
188 UNIUBE
Geralmente feito de forma cilíndrica, no LVDT, seu núcleo percorre 
toda a extensão que compreende o primário e o secundário. O valor 
da tensão na saída dependerá de uma fórmula que conhecemos do 
transformador, em que é influenciada pela tensão de entrada e a relação 
de transformação. 
A tensão na saída do LVDT também dependerá da posição do núcleo 
no interior do sensor. Caso o núcleo esteja em 50% da posição inicial, 
o valor encontrado na fórmula anterior deverá ser multiplicado em 0,5. 
Onde posso usar o LVDT
O LVDT é usado principalmente em aplicações em que o deslocamento é 
pequeno, como para fazer o controle de válvulas solenoides proporcional, 
em que é necessário obter um “feedback” para comparar se o deslocamento 
adquirido corresponde com o valor de pressão ou vazão desejado.
IMPORTANTE!
6.2.4 Sensor potenciométrico
O sensor potenciométrico (Figura 3) consiste na 
aplicação de um potenciômetro de precisão para 
medir o deslocamento angular, no caso de um 
motor. Em algumas aplicações lineares, usa-se, 
no eixo do potenciômetro, uma engrenagem 
e esta é encaixada em uma cremalheira que 
movimentará com a máquina. O potenciômetro é 
um componente muito usado na eletrônica. 
Potenciômetro
Denominado 
resistor variável, 
geralmente de 
forma circular 
onde um cursor 
deslizante percorre 
a resistência 
variando a 
referência ôhmica 
com a entrada ou 
saída.
 UNIUBE 189
Figura 3: Sensor potenciométrico.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
O potenciômetro, internamente, produz uma divisão da tensão, sendo 
esta proporcional ao seu deslocamento. Devido à sua construção 
simples, é muito empregado nas indústrias, mas sua capacidade de 
suportar choque mecânico é baixa, necessitando de proteção adicional.
Encontram-se modelos de poucas voltas e os modelos multivoltas (mais 
usados pela precisão) para as aplicações industriais.
6.2.5 Sensores de temperatura
São equipamentos sensíveis à variação da temperatura, provocando, 
também, uma variação de grandezas elétricas, como tensão, resistência 
e corrente elétrica. Há modelos para todas as aplicações conhecidas. Um 
dos padrões de comunicação destes sensores é o de 4 a 20 mA, em que 
a saída de corrente é proporcional à temperatura de entrada.
Exemplo:
Se um PT100 (sensor de temperatura) está medindo uma temperatura 
de 70 ºC em um determinado tanque dentro de uma faixa (range) de 20 
a 120 ºC, seu transmissor enviará à sala de controle um valor de corrente 
de 12 mA. Mas por quê? 
PARADA OBRIGATÓRIA
190 UNIUBE
O valor de 70ºC está exatamente no meio dos valores compreendidos entre 
20 e 120 ºC, ou seja, 50%. Sendo 50% do valor compreendido entre 4 e 20 
mA é 12mA.
O cálculo é feito da seguinte maneira: 
6.2.5.1 Termorresistência
As termorresistências são sensores que variam o valor ôhmico devido à 
variação da temperatura. Estes sensores são ligados em transmissores 
que enviam os valores a um instrumento que controla as variáveis de 
processo, chamamos de controlador de temperatura.
• PT100
O PT100 (Figura 4) é uma termorresistência (diga-se de passagem, o 
mais confiável) feita de platina e o seu valor ôhmico varia de acordo com 
a temperatura. Partindo de uma curva característica, onde seu valor é 
de 100 ohms a 0ºC, podendo atuar em uma faixa de trabalho de -200 a 
650ºC, conforme a norma ASTM E1137. Sua montagem é feita em bainha 
de inox com óxido de magnésio, o que lhe dá uma boa condução térmica, 
capacidade de suportar choques mecânicos e suportar corrosão.
 UNIUBE 191
Figura 4: PT-100.
Fonte: Acervo EAD-Uniube. 
Das formas de ligações conhecidas, a ligação a 
três fios é a mais usada em aplicações industriais. 
Internamente nos instrumentos que fazem a 
leitura da temperatura ou nos laboratórios de 
calibração, onde o termorresistor é conectado a 
uma ponte de wheatstone (Figura 5), que calcula 
o valor ôhmico do termorresistor.
Ponte de 
wheatstone
Circuito criado para 
encontrar o valor 
de uma resistência 
desconhecida 
através de um 
arranjo de quatro 
resistências, um 
galvanômetro e uma 
fonte.
Figura 5: Ponte de wheatstone.
192 UNIUBE
Há outros termorresistores feitos de platina e níquel, como é o caso dos 
Ni-100, Pt-500 e Ni-1000.
6.2.5.2 Termopares
Por meio da teoria de Seebeck, em 1821, que diz 
que a junção de fios de dois metais diferentes, 
ao receber uma temperatura superior à outra 
junção dos mesmos metais ligados em um circuito 
fechado, geraria uma corrente elétrica devido ao 
campo elétrico formado pelo aquecimento.
Esta propriedade faz com que se possa medir a temperatura de um local 
em específico usando como referência outra temperatura (junta fria). A 
junta fria pode ser simulada por controladores através de dispositivos 
eletrônicos que configurem um valor para medição.
Em 1990, houve uma unificação nas medidas de temperatura através 
da adoção da Escala Internacional de Temperaturas (ITS-90, da sigla, 
em inglês). 
Há vários tipos de termopares sendo comercializados, e cada um deles 
temuma particularidade quanto à sua construção, faixa de trabalho 
e local onde pode ser utilizado, o que acaba influenciando no tipo de 
termopar no momento da escolha.
Escolher um termopar não é simplesmente olhar em uma lista, gostar do 
nome e pegar, a escolha depende, em primeiro lugar, das condições do 
ambiente em que o termopar será instalado; em segundo lugar, a faixa 
de temperatura que será necessário medir com este elemento sensor e, 
por último, a distância do controle.
Seebeck
Médico e físico 
alemão que 
dedicou-se a 
estudar os efeitos 
da temperatura na 
eletricidade.
 UNIUBE 193
Vejamos agora alguns modelos de termopares:
• termopar tipo T: feito de junção de cobre e uma liga chamada 
constantan (cobre+níquel), este termopar pode ser aplicado em 
basicamente todas as atmosferas, tanto as oxidantes, redutoras e 
inertes. Sua utilização se faz melhor em temperaturas baixas e pode 
ser submetido ao vácuo. Sua faixa de aplicação vai de -200 a 350ºC;
• termopar tipo S: feito de junção de platina com uma liga de 10% de 
ródio/platina não é recomendado para aplicações no vácuo e/ou 
atmosferas redutoras e em ambientes de temperatura baixa. Sua 
faixa de aplicação vai de 0 a 1600ºC;
• termopar tipo J: feito de junção de ferro e uma liga de constantan, 
este termopar juntamente com o termopar tipo K, são uns dos 
termopares mais usados nas indústrias. Suporta, basicamente, todas 
as atmosferas, não sendo recomendada a aplicação em atmosfera 
sulfurosa e em temperatura baixa. Sua faixa de aplicação vai de -40 
a 750ºC;
• termopar tipo K: feito de uma composição de duas junções 
níquel+cromo e níquel+alumínio, este termopar é recomendado para 
atmosferas oxidantes, sendo sua aplicação em outras atmosferas 
não recomendada. Sua faixa de aplicação vai de -200 a 900ºC;
• termopar tipo N: feito de uma composição de duas junções 
níquel+cromo+silício e níquel+silício, este termopar resiste muito 
bem à oxidação, e sua faixa de aplicação vai de -200 a 1200ºC, 
sendo um dos mais versáteis termopares estudados até agora.
Algumas particularidades dos termopares ainda não foram exploradas, 
como os invólucros, tipos de junções e cabeamento. Vamos estudá-las?
Os termopares são construídos conforme a necessidade das linhas de 
produção. Existem aqueles que apresentam uma resposta mais rápida, 
utilizados em processos em que as variações são constantes e de 
pequena periodicidade, estes são os termopares de junção aterrada e 
de junção exposta. 
194 UNIUBE
Toda liga ou materiais usados nos termopares formam um par bimetálico 
de polaridade oposta, uma liga ou metal sempre será mais positivo que 
o outro, caso contrário não haveria diferença de potencial.
6.2.5.3 Pirômetros infravermelhos
Os pirômetros infravermelhos fazem parte da classe dos pirômetros de 
radiação, onde, por um princípio de captar o sinal da energia no espectro 
infravermelho, conseguem medir a temperatura através da radiação. 
A diferença entre os dois é que o de junta exposta tem uma resposta 
ainda mais rápida que o de junta aterrada, mas tem uma vida útil bastante 
pequena por sofrer todas as variações de um ambiente agressivo. O 
aterrado consiste na junção soldada na bainha, o que traz uma proteção 
maior em relação ao ambiente. Há, também, os termopares de junta 
isolada, que está dentro da bainha, mas sem contato com a mesma, 
tem a mesma vida útil da aterrada, mas o tempo de resposta é menor e 
é menos susceptível a interferências eletromagnéticas.
Além das formas e dos tipos bastão e baioneta, os termopares 
necessitam de cabeamento especial para transmitir os valores a longas 
distâncias. Os cabos de extensão (Quadro 1) são utilizados por terem a 
mesma composição que o termopar correspondente; isso faz com que 
não se perca a referência da junta.
Quadro 1: Cabos de compensação e extensão 
Ligas Fio (+) Fio (–) Norma Din 43710
J Fe Cu – Ni Vm(+); Az (–)
K Ni-Cr Ni – Al Vm(+); Vd (–)
R Pt – 13%Rh Pt Vm(+); Br (–)
S Pt – 10%Rh Pt Vm(+); Br (–)
T Pt – 30%Rh Pt – 6%Rh Vm(+); Pr (–)
 UNIUBE 195
Cobrindo uma faixa que vai desde 0ºC até 4000ºC, aproximadamente. 
Esses pirômetros estão tendo uma importante função na preservação e 
auxílio da manutenção em máquinas e equipamentos, no monitoramento 
da temperatura em processos fabris, e até mesmo sendo usados em 
laboratórios de qualidade para testes e calibração no intuito de melhorar 
cada vez mais a produção.
Devido a uma grande quantidade de fabricantes, os pirômetros 
infravermelhos estão mais baratos e acessíveis; na maioria dos modelos, 
foi incorporado um LED laser que, no momento em que se quer medir o 
objeto ou ponto da máquina, este laser mostra o centro exato da região 
em que se está medindo, esta região é uma área de círculo que depende 
da distância do medidor ao objeto medido.
6.2.6 Sensores de pressão
São equipamentos que, além de medir a grandeza, ainda convertem 
a pressão em sinais analógicos, ou seja, os valores de saída variam 
conforme a grandeza de entrada.
Há vários modelos destinados a uma grande faixa de pressão e aplicação 
física. Existem sensores que são empregados em silos, balanças 
industriais, em bombas hidráulicas entre outros.
A fórmula para medição de pressão é: 
6.2.6.1 Tubo de Bourdon
Dentre os mais comuns, está o tubo de Bourdon que, em forma de uma 
letra C (Figura 6), mede a pressão do fluido através do deslocamento 
196 UNIUBE
de seu tubo. Este sensor, como os outros, pode ser aferido, pois seu 
movimento constante e pressões acima do range podem fazê-lo perder 
seu referencial.
Figura 6: Tubo de Bourdon tipo “C” (construção básica).
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Seu tubo de seção transversal elíptica recebe a pressão do fluído e se 
deforma na tentativa de equalizar a pressão aplicada à parede do tubo. 
Essa deformação é calculada e está dentro do regime de elasticidade 
do material que retornará ao seu estado natural. Neste movimento, o 
tubo de Bourdon desloca um dispositivo (pode-se usar um LVDT) que 
converta este movimento, em tensão elétrica. Em casos em que o fluido 
seja agressivo ao material do tubo de Bourdon, utiliza-se dentro do tubo 
um líquido não compressível.
6.2.6.2 Célula de carga
A célula de carga consiste, assim como o tubo de Bourdon, em receber 
uma pressão e deformar-se devido a um regime elástico, mas neste 
sensor quem varia linearmente com a pressão é uma resistência interna 
de um tipo de extensômetro mais conhecido como (strain-gage). 
Comumente usado para medir o peso de caminhões nas balanças 
em indústrias, tais como fertilizantes, alimentícias, entre outros, são 
 UNIUBE 197
equipamentos de alta confiabilidade gerando alta precisão na medição 
e fácil instalação, podendo ser monitorado a distância.
Dentre os tipos de células de carga (Figura 7), estão os modelos de 
Flexão que medem entre 0,5 e 200, quilos aproximadamente; o modelo 
de Cisalhamento, que mede entre 200 e 50 toneladas, e o de compressão 
que mede acima de 50 toneladas.
Figura 7: Célula de carga tipo SV.
Por este modelo ser resistivo, ele fica susceptível aos efeitos da 
temperatura, sendo necessária a compensação pela ponte de wheatstone 
com valores inversos aos dos extensômetros.
Faz saber que as células de carga podem ser encontradas em vários 
tipos e modelos nas mais diversas aplicações. Quase todas as balanças 
comerciais ou industriais necessitam de uma célula de carga para 
monitorarem a massa e, quando aferidas com a gravidade que é relativa 
à altitude, passam a mostrar o peso final.
6.2.7 Sensor de proximidade
Os sensores que atuam por proximidade têm a característica de “medir” 
a presença de um determinado objeto ou um ponto a ser medido depois 
de um deslocamento. Estes sensores têm um papel fundamental na 
evolução das indústrias por parte da aplicação da automação industrial,198 UNIUBE
tendo como algumas vantagens as inúmeras aplicações, tempo de 
resposta muito baixo e vida útil longa, e desvantagens como distâncias 
de detecção baixas e proteção ao choque mecânico também baixo.
6.2.7.1 Sensor capacitivo
Este tipo de sensor é muito empregado em linhas de montagem em 
que se necessita detectar, principalmente, materiais não metálicos. 
Esses sensores geralmente têm uma forma cilíndrica, e, na sua face, 
um elemento capacitivo gera um campo eletrostático. A detecção se faz 
com a presença de objetos ou matérias que interferem neste campo 
eletrostático ativando um circuito oscilador.
Os sensores capacitivos (Figura 8) podem detectar desde água e óleo 
como também materiais plásticos, papel, rochas, vidros e materiais de 
face reflexiva entre alguns metais. 
Figura 8: Sensor capacitivo.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Vantagens:
• fácil instalação;
• baixo custo (em relação aos indutivos e ópticos);
• fácil manuseio e regulagem;
• grande aplicabilidade.
 UNIUBE 199
Desvantagens:
• em ambientes com sólidos ou líquidos em suspensão, este sensor 
pode acionar a saída, caso sua face esteja impregnada com poeira 
ou líquido;
• distância de detecção muito baixa, chegando a, no máximo, 20mm 
com precisão em alguns modelos estudados.
6.2.7.2 Sensor indutivo
Os sensores indutivos (Figura 9), apesar de alguns fabricantes já haverem 
fabricado sensores que detectam também materiais plásticos (polímeros), 
os sensores indutivos foram construídos para detectar metais. 
Figura 11: Sensor indutivo.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Sua face sensora recebe um sinal eletromagnético de alta frequência 
provindo de um circuito interno e, ao aproximarmos um elemento metálico 
da face do sensor, este campo eletromagnético sofre variação, que é 
detectada pelo circuito interno e comuta os transistores.
Por esta característica de detectar metais, os sensores indutivos são 
amplamente utilizados nas plantas industriais em inúmeras aplicações, 
desde detectar que um produto de corpo metálico chegou a um 
200 UNIUBE
determinado ponto da esteira ou parte de uma máquina, até em empresas 
recicladoras de resíduos onde se separam metais de não metais. 
Essa característica do sensor indutivo de detectar metais, lhe proporciona 
uma instalação e manutenção um pouco mais rigorosa, pois caso a 
face fique fixada em estrutura metálica, ou caso o corpo do sensor seja 
metálico (geralmente é), e venha a sofrer desgaste na face, poderá haver 
um acionamento indevido. 
Vantagens:
• são produtos blindados, podendo ser imersos em líquidos, desde 
que não corrosivos e atentos à temperatura de trabalho;
• não sofrem interferências de líquidos e sólidos em suspensão, desde 
que não sejam metálicos;
• faixa de alcance bem diversificada e elevada em relação ao 
capacitivo. Alguns sensores chegando a 100 mm.
Desvantagens:
• montagem e manutenção mais criteriosa;
• custo mais elevado, mas boa relação custo/benefício.
6.2.7.3 Sensores Magnéticos
Há dois tipos de sensores magnéticos, os simples de ampola, tipo 
Reed Switch (Figura 10) e os eletrônicos. Os sensores magnéticos, 
tipo Reed Switch, são acionados por materiais magnéticos, geralmente 
ímãs permanentes que, ao passar pelo sensor, imanta seus terminais, 
produzindo polos inversos que se atraem fechando o contato, podendo 
acionar diretamente a carga, caso o sensor suporte a corrente produzida, 
ou acionar um circuito de chaveamento a relé ou a transistor.
 UNIUBE 201
Figura 10: Sensor magnético.
Como o campo magnético atravessa muitos materiais, o sensor não tem 
a necessidade de ter um contato direto com o ímã que irá acioná-lo, 
como é o caso de pistões pneumáticos com ímã presente no êmbolo. 
Sendo o corpo do pistão de alumínio, um metal não ferroso, detecta-se 
a posição deste. Muito usado para indicar início e fim do curso do pistão 
para controle de máquinas operatrizes. 
Este tipo de sensor pode ser aplicado a distância, utilizando um meio 
condutor (por ex.: ferro), que levará o campo magnético até o sensor.
Vantagens:
• baixo custo;
• pequena dimensão; 
• manutenabilidade baixa e fácil instalação.
Desvantagens:
• são susceptíveis a interferências eletromagnéticas.
6.2.8 Sensores de presença 
Os sensores de presença, como os sensores de proximidade, podem 
e devem ser usados para detectar objetos em uma linha de produção. 
202 UNIUBE
Sua propriedade óptica lhes permite uma vantagem, a distância, a qual 
é fundamental em muitos processos fabris.
São largamente usados nas áreas de segurança por detectarem com 
precisão objetos a vários metros de distância. Usados também em 
processos em que o objeto a ser medido é muito pequeno e um feixe de 
laser direcionado pode resolver este problema.
6.2.8.1 Sensores ópticos 
Estes sensores também são largamente utilizados nas linhas de 
produção industrial, principalmente em indústria de manufatura. Há 
destes sensores para detectar, praticamente, todo tipo de material, desde 
líquidos até metais, não sendo aconselhado material transparente, ou que 
a superfície seja irregular e refletiva, por provocar desvio da luz incidente.
Estes sensores utilizam a propriedade de emitir onda de luz em um objeto 
e recebê-lo de volta. 
Vantagens:
• alguns modelos com supressão de fundo detectam materiais em 
diferentes distâncias (ex: duas folhas A4 sobrepostas, o sensor pode 
ser regulado para acionar com a] primeira e ignorar a segunda).
Desvantagens:
• podem ser susceptíveis a poeira nas lentes emissora e receptora;
• alto custo;
• grande manutenabilidade (limpeza e regulagem constantes);
• difícil instalação, uma vez que precisa estar alinhado com o espelho 
refletor.
Retrorreflexão
Este modelo usa um espelho refletor (Figura 11) que retorna a luz para 
o sensor, quando este não está transpassado por um objeto. Neste tipo 
 UNIUBE 203
de sensor o que influencia é o ângulo de entrada da luz que retorna 
do espelho refletor; como o objeto em movimento não emitirá a luz no 
mesmo ângulo, ele não detecta a luz.
Figura 13: Sensor óptico.
Os sensores mais modernos já utilizam espelhos com criptografia 
óptica que faz com que o cliente que o compre não possa utilizar outro 
espelho refletor. Você acha que isso foi criado para “amarrar” o cliente 
ao fabricante? Na verdade, não. Foi desenvolvido para diminuir casos 
de acidentes trabalhistas, em que pessoas “enganavam” o sensor 
com espelhos quaisquer e, assim, era possível burlar a segurança da 
máquina.
Transmissão
Muito usados em indústrias de manufatura, por serem quase específicos 
a pequenos processos, os sensores ópticos de transmissão têm o seu 
emissor separado do receptor. Caso haja um objeto na frente da onda 
de luz emitida, o receptor não receberá esta luz, e assim, detecta um 
204 UNIUBE
objeto. Estes tipos de sensores não diferem o que estão medindo como 
os indutivos; por isso, é necessário tomar certas precauções quanto a 
sua instalação.
Se estes sensores estiverem interligados a alguma função de segurança 
da máquina, deverão ser cobertos de maneira a evitar ao máximo o 
contato com objetos desprendidos de máquinas e até mesmo das 
pessoas envolvidas nos processos de fabricação.
Dentre estes modelos, há os que são fabricados para indústrias de papel 
e celulose no formato de forquilha, onde o papel passa entre o emissor e 
o receptor; caso o papel acabe, o sensor envia o sinal de não presença 
de objeto.
Cortina de luz
As cortinas de luz (Figura 12) são como janelas sempre abertas onde 
a acessibilidade parece ser possível. Feitas de um conjunto de LEDs 
emissores de luz infravermelha de um lado e receptores em uma barreira 
do outro lado, sentem a presença de qualquer objeto, peça ou mesmo o 
corpo humano quando seus feixes de luz são interrompidos.
Figura 12: Barreirade luz.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
 UNIUBE 205
A classificação dessas barreiras se deve pela distância dos feixes 
emitidos, que pode variar desde 14mm até 90mm, o que resulta em 
uma proteção que não deixa passar nem um dedo e até uma outra que 
passam praticamente os membros superiores.
Sua distância entre o emissor e o receptor também varia de fabricante 
para fabricante, em alguns modelos chegando a 20 m de distância. Muito 
bem empregados em sistemas de segurança de prensas, calandras, 
guilhotinas entre outras aplicações que se faça necessário este tipo de 
segurança.
O microswitch, ou micro interruptor, ou micro fim-de-curso (Figura 13), 
não é considerado um sensor, pois não foi construído para detectar algo 
em específico, mas, sim, quando for acionado por um objeto ou até 
mesmo por uma pessoa, comutar os seus contatos, tornando-os abertos 
ou fechados.
Micros fim-de-curso6.3
Figura 13: Micro interruptor.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
206 UNIUBE
Há modelos simples de apenas um contato NA ou NF e há modelos 
que possuem até quatro contatos distintos, podendo apresentar várias 
configurações. Esses equipamentos possuem contatos secos acionados 
por um dispositivo que os movimentam. 
O que diferencia os modelos dos micros fim-de-curso são exatamente os 
dispositivos atuadores deles. Há tanto os modelos simples de alavanca 
e alavanca com roldana, como outros, tipo pistão, rolete, haste e argola.
6.4.1 Válvula solenoide de abertura simples
As válvulas solenoides (Figura 14) são equipamentos eletromecânicos 
que proporcionam a passagem ou não de líquidos e gases por meio 
de sua câmara, após o acionamento de uma bobina. Os solenoides, 
como são comumente chamados, são construídos para abrir ou fechar 
a câmara quando sua bobina é alimentada.
Eletroválvulas ou válvulas solenoides6.4
Figura 14: Válvula solenoide 2 vias.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
 UNIUBE 207
Seu funcionamento se baseia em uma bobina feita de fio que, ao ser 
percorrida por uma corrente elétrica, cria um campo magnético que 
percorre seu interior em um sentido ordenado sul-norte. Pelo lado de 
fora da bobina, o campo magnético tende a se dispersar, formando uma 
estrutura quase circular ao redor da bobina, mas, em seu interior, todas 
elas se unem formando um fluxo magnético forte.
O êmbolo da válvula está sujeito a esta força que o impulsiona para cima 
movimentando o sistema de abertura e fechamento da câmara. Este 
êmbolo ficará suspenso tanto quanto durar o tempo em que a bobina 
ficar energizada. O retorno se dá através de uma mola que empurra o 
êmbolo para baixo.
6.4.2 Válvula solenoide de abertura proporcional
Os solenoides podem ser empregados em diversos tipos de válvulas, 
tanto pneumáticas quanto hidráulicas. Outras empregabilidades são 
as bobinas solenoides com variação proporcional, muito utilizadas em 
bombas hidráulicas e sistemas hidráulicos que necessitam de controle de 
vazão e pressão. Elas variam o campo magnético devido a uma variação 
da corrente ou tensão aplicada nas bobinas. 
Contatores6.5
Os contatores (Figura 15) são os equipamentos mais empregados dentro 
de uma indústria, estão até mesmo na frente dos motores. São fabricados 
com a finalidade de chavear tensão elétrica sob carga.
208 UNIUBE
Figura 15: Contatores. 
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Mas, o que isso significa? Chaveamento significa a comutação dos contatos 
elétricos deixando passar ou não a tensão. Sendo, neste caso, sob carga, 
significa que quando o contator chavear a tensão elétrica, ele estará 
submetido a uma carga que poderá gerar arco elétrico.
A intensidade do arco elétrico gerado pode danificar muitos equipamentos 
ou até mesmo queimar as pessoas envolvidas no processo industrial. Com 
o contator contendo este arco, em sua câmara de extinção, a segurança é 
maior.
Devido a sua construção, os contatores conseguem absorver este arco 
elétrico gerado na comutação dos contatos e dissipá-lo sem danos 
materiais. Um arco elétrico pode chegar a 6000ºC, o que derreteria muitos 
materiais. Sua câmara de extinção de arco elétrico possibilita este tipo de 
chaveamento.
PARADA PARA REFLEXÃO
 UNIUBE 209
Os contatores são construídos para as diversas cargas que se queira 
acoplar a eles. Há os contatores gerais, que servem basicamente para 
tudo, como aquecedores, e os específicos, feitos para circuitos de 
iluminação e partidas de motores.
Podem, caso necessário, ser acoplados com contatos auxiliares para uma 
maior versatilidade de suas operações. Os contatos auxiliares servem 
como uma extensão dos pontos de operação do contator, auxiliando no 
intertravamento de comandos elétricos, como também no chaveamento 
de pequenas cargas.
Motores6.6
Os motores elétricos são, de longe, os componentes mais conhecidos de 
uma planta industrial. Conhecer suas variedades, aplicações e particu-
laridades não são tarefas muito fáceis, por isso nós iremos estudá-las.
Os motores são classificados como máquinas, por produzirem trabalho 
através de sua própria configuração, sem a necessidade de mais 
componentes externos. São chamados de máquina elétrica rotativa por 
converterem energia elétrica em energia mecânica, aplicada ao seu eixo.
Quase todas as partes que se movimentam em uma máquina, de alguma 
forma, dependem de um motor, seja para tracionar uma esteira, seja 
para girar uma bomba hidráulica, que dará vazão e pressão de óleo nos 
pistões hidráulicos, seja para uso em polias ou caixas de engrenagem.
Estudaremos as particularidades sem aprofundarmos nos cálculos 
matemáticos referentes aos motores. Entenderemos como reconhecê-
-los, como aplicá-los e como cuidar deles.
210 UNIUBE
Qual será a velocidade síncrona de um motor síncrono que tenha dois polos 
a uma frequência de 60Hz?
E qual seria a velocidade de um motor síncrono que tem quatro polos em 
uma frequência de 100Hz?
Os motores têm 2, 4, 6 ou 8 polos, somente não tendo números ímpares.
EXEMPLIFICANDO!
6.6.1 Motores síncronos
Uma máquina síncrona, ou motor síncrono, tem o seu eixo (rotor) girando 
na mesma velocidade do campo girante. Sua construção lhe proporciona 
uma velocidade, que se mantém constante, e que também é proporcional 
à frequência da rede imposta a ele. 
Seu estator é alimentado por tensão CA, enquanto seu rotor é alimentado 
por tensão CC; com isso, obtém-se um motor que não varia sua 
velocidade com a variação da carga aplicada até o limite de torque.
A rotação síncrona é dada por:
Sendo:
ns = rotação síncrona (rpm);
f = frequência (Hz);
2p = número de polos.
 UNIUBE 211
6.6.2 Motores assíncronos
Uma máquina assíncrona, ou motor assíncrono, tem o seu eixo (rotor) 
girando a uma velocidade menor que a do campo girante. Isso se deve ao 
escorregamento que é característico desse tipo de motor: quanto maior 
for essa constante, menor será a velocidade em rpm do motor, conforme 
fórmula apresentada a seguir.
A rotação assíncrona é dada por:
Sendo: 
 rotação síncrona [rpm];
 frequência [Hz];
 número de polos;
 escorregamento [%].
Vamos fazer alguns exemplos?
Qual será a velocidade síncrona de um motor assíncrono que tenha dois 
polos a uma frequência de 60Hz e um escorregamento de 2,22%?
E qual seria a velocidade de um motor síncrono que tem quatro polos em 
uma frequência de 100Hz?
EXEMPLIFICANDO!
212 UNIUBE
6.6.2.1 Motor de indução trifásico
O motor de indução trifásico é muito utilizado em indústrias de vários 
setores. São robustos, baratos em relação aos motores síncronos e são 
confiáveis. 
Para se entender exatamente como funciona o motor, teríamos que 
fazer toda uma explicação prévia em eletromagnetismo. Então, vamos 
ao principal.
Quando passa corrente elétrica em uma bobina, esta gera um campo 
eletromagnético igual ao eletroímã, que percorretodas as ranhuras do 
motor. Um motor trifásico se comporta como três motores monofásicos 
em um mesmo encapsulamento, mas com suas bobinas em defasagem 
de 120º umas das outras. 
Como no sistema elétrico trifásico, as fases também estão em 
defasagem de 120º umas das outras (Figura 16), e são criados três 
campos eletromagnéticos iguais em módulos e diferentes em sentido. 
Estes campos magnéticos são representados pela letra H podendo ser 
denominados de H1, H2 e H3.
 UNIUBE 213
Figura 16: Perfil de um enrolamento trifásico.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Ao se aplicar tensão trifásica nos enrolamentos do motor (Figura 17), os 
três campos magnéticos distintos aparecerão. Seus valores dependerão 
do valor da tensão aplicada às bobinas, ou seja, quanto mais próximo 
estiver da tensão de pico, maior será o campo magnético.
Figura 17: Soma gráfica dos campos para seis 
instantes sucessivos.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Se observarmos, no instante 1, temos a tensão U1 em seu valor máximo 
(tensão de pico) e o campo magnético H1 correspondente a esta tensão 
também em seu valor máximo. Os outros dois campos magnéticos têm 
seus valores negativos por estarem com suas fases correspondentes 
também negativas.
214 UNIUBE
Os dois campos H2 e H3 têm o mesmo módulo, mas suas projeções em 
H1 se anulam sobrando apenas como vetor resultante o sentido de H1. 
É este vetor que indica o sentido do campo magnético. Se repetirmos 
este mesmo raciocínio para os outros cinco instantes, teremos os vetores 
resultantes, tendo em sequência uma movimentação angular que fará 
com que o motor gire nesta mesma sequência.
Os motores de indução trifásicos são divididos em duas categorias:
• motor de rotor bobinado: usado em locais onde se necessita de 
grande torque;
• motor de rotor tipo gaiola de esquilo: uso geral. Seu rotor é feito de 
barras laterais ao longo dos anéis curto-circuitando-os.
Se analisarmos os campos magnéticos e seus vetores 
anteriormente, podemos concluir que o motor trifásico necessita 
das três fases para funcionar. Mas, caso uma das fases 
faltasse, o motor pararia? Na verdade, não, ele consumiria da 
rede mais corrente para suprir a tensão que falta.
A seguir, na Figura 18, apresentamos um modelo de motor de indução 
trifásico.
Figura 18: Motor elétrico de indução trifásico.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
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6.6.2.2 Motores monofásicos
Os motores monofásicos são, dentro da categoria de máquinas 
assíncronas, considerados os mais simples devido a sua construção. 
Dividido em uma bobina de partida e uma principal, estes motores são, 
na sua maioria, pequenos e de baixo torque, usados na maioria das 
aplicações onde se necessita de velocidade e rotação. 
Alguns exemplos de motores monofásicos são os motores de esmeril 
usados nas oficinas para afiação de ferramenta, pequenas máquinas 
industriais, ventiladores e exaustores. 
Sua construção, quando se diz simples, não quer dizer fácil, pois os 
motores monofásicos, diferentes dos trifásicos, necessitam de uma 
“ajudinha” para iniciarem a girar. O modelo mais conhecido é o de partida 
a capacitor por sua particularidade de criar um defasamento angular de 
90º entre as correntes da bobina de partida e da bobina principal.
É esse defasamento que permite que o motor inicie sua rotação. Devido 
à sua construção simples, a bobina principal cria um campo magnético 
que transpassa o rotor no centro, não deslocando para nenhum lado. 
Com a bobina de partida defasada em 90º elétricos, consegue-se “puxar” 
o rotor para o lado devido a um campo magnético criado quase que 
lateralmente, fazendo-o girar.
Uma vez o motor deslocado e girando, a bobina de partida não é mais 
necessária, pois a própria inércia, ou melhor, a força centrífuga da rotação 
com o campo magnético da bobina principal mantêm o motor girando. 
Alguns motores vêm com mecanismos para desligar a bobina de partida, 
como é o caso da chave centrífuga, que abre o contato após o motor 
alcançar uma determinada velocidade.
216 UNIUBE
Motores monofásicos, Figura 19, podem ser ligados em tensões 
monofásicas. No Brasil, temos duas configurações de tensão elétrica 
monofásica. Temos 110V (fase+neutro) ou 220v (fase+neutro) ou 
(fase+fase). O motor deve ser construído para uma destas duas tensões.
Figura 19: Vista explodida de um motor monofásico.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Este motor pode ser ligado para girar em sentido horário ou anti-horário, 
dependendo apenas da configuração da ligação elétrica feita em seus 
terminais.
6.6.3 Motor de passo
O motor de passo (Figura 20) é um motor de corrente contínua que tem 
uma construção diferente; internamente, é projetado com engrenagens 
que posicionam o rotor, dando uma precisão de posicionamento. 
Tampa 
traseira
Centrífugo
Capacitor
Carcaça
Rotor
Chaveta
Ventilador
Rolamento
Dianteiro
Rolamento
Traseiro
Tampa
Dianteira
Eixo
Platinado
Estator 
bobinado
 UNIUBE 217
Figura 20: Motores de passo.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
O motor funciona quando suas bobinas são energizadas em uma 
sequência de pulsos elétricos que dá a direção, e a velocidade fica 
dependente da frequência em que estes pulsos são aplicados. O 
posicionamento se dá no momento em que a bobina do motor é 
desenergizada e, por ele conter um ímã que desloca para os lados as 
engrenagens internas encaixando-as, ele para com precisão.
A classificação deste tipo de motor é pelo grau de precisão, tensão e 
potência, por exemplo, 1,8º – 24 vcc – 50 w. 
Muito usado em montagens de robôs, tendo como exemplo a engenharia 
mecatrônica, que necessita de precisão nos movimentos e equipamentos 
industriais, que também precisam de precisão tanto em números de 
voltas quanto em deslocamento angular. Este motor pode parar em um 
determinado valor angular após ter iniciado o giro, basta que o controle 
execute as alimentações das bobinas nas sequências corretas até o 
momento de parada.
Muito usado em indústria de manufatura por ser versátil, confiável e 
preciso. Imagine só uma indústria de alimentos ou farmacêutica que 
não consegue controlar exatamente quantos produtos irão numa caixa 
ou a quantidade de produtos para uma fórmula? Ele tem a propriedade 
218 UNIUBE
de manter torque no seu eixo mesmo parado, ou seja, um robô pode 
suportar o peso do braço mais o peso do objeto sem que haja movimento 
no braço do robô.
Seu circuito acionador puramente eletrônico depende de um registrador 
e um deslocador direita/esquerda para dar sentido ao giro e acionar 
corretamente as bobinas nas sequências corretas.
6.6.4 Servomotor
Os servomotores, Figura 21, assim como o motor de passo, são da 
família dos motores de corrente contínua. São acoplados em caixas 
de engrenagens (redutores) para se obter torque, menor velocidade e 
comando de sentido e direção. 
Figura 21: Servomotores.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
Nas indústrias, os servomotores são muito usados no controle de abertura 
e fechamento de válvulas pneumáticas (chamadas de servoválvulas), 
como em uma caldeira, para controlar a vazão do gás e do ar para 
combustão. 
 UNIUBE 219
Alguns modelos de servomotores dependem do servoconversor 
para controle da velocidade e torque empregados pelo servomo-
tor. O servoconversor controla o campo magnético no rotor e estator 
do servomotor, o que não é conseguido com precisão em motores de 
indução.
Modelos assíncronos também necessitam de um encoder que envie ao 
controle o deslocamento angular que o eixo do motor sofreu, e, assim, 
podendo obter com precisão a posição e velocidade.
Resumo
Neste capítulo, você teve a oportunidade de conhecer um pouco da origem 
e evolução dos dispositivos eletromecânicos, assim como, algumas 
aplicações. Em seguida, enfocamos os sensores de posicionamento, 
por exemplo, o encoder,o LVDT, o sensor potenciométrico; os micros 
fim-de-curso; as eletroválvulas ou válvulas solenoides; os contatores e os 
motores. Dentre os motores, diferenciamos e especificamos os síncronos 
e os assíncronos.
Atividades
Atividade 1
Responda que tipo de sensor é fabricado para detectar metais, e em qual 
categoria ele se encontra?
Atividade 2
Escreva os tipos de encoder que você conhece.
220 UNIUBE
Atividade 3
Vimos que a régua linear serve para medir o deslocamento linear de uma 
máquina. Descreva de que maneira o encoder mede o deslocamento.
Atividade 4
Calcule a corrente enviada por um transmissor analógico de 4 a 20 mA 
ligado a um PT-100 que está medindo uma temperatura de 245ºC em um 
tanque que varia sua temperatura em uma faixa de 30 a 400ºC.
Atividade 5
Calcule a velocidade síncrona de um motor de indução trifásico 
assíncrono com seis polos, em uma frequência de 50 Hz e uma taxa de 
escorregamento de 2%.
Referências
BEGA, Egídio Alberto et al (Org). Instrumentação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro - 
Interciência: IBP, 2006.
FURSTENAU, Eugênio. Novo dicionário de termos técnicos inglês-português. 24. 
ed. São Paulo: Globo, 2005.
ROSÁRIO, João Maurício. Princípios da mecatrônica. São Paulo: Pearson 
Prentice Hall, 2005.
THOMAZINI, Daniel. Sensores industriais fundamentos e aplicações - Pedro 
Urbano Braga de Albuquerque. 3. ed. São Paulo: Érica, 2007.
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Anotações
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Anotações
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