Buscar

ERGONOMIA-E-ORGANIZAÇÃO-DO-TRABALHO

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 3, do total de 32 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 6, do total de 32 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes
Você viu 9, do total de 32 páginas

Faça como milhares de estudantes: teste grátis o Passei Direto

Esse e outros conteúdos desbloqueados

16 milhões de materiais de várias disciplinas

Impressão de materiais

Agora você pode testar o

Passei Direto grátis

Você também pode ser Premium ajudando estudantes

Prévia do material em texto

1 
 
SUMÁRIO 
HISTÓRICO ......................................................................................................................................... 2 
QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS ..................................................................................................... 5 
QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS LEVANTADAS PELA ERGONOMIA DE PROJETO.................... 6 
DO QUE A ERGONOMIA PODE FAZER A ANÁLISE......................................................................... 8 
ERGONOMIA, FILOSOFIA E EXTERRITORIALIDADE ...................................................................... 9 
ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO ....................................................................................... 11 
ANÁLISE ERGONÔMICA DA DEMANDA: ........................................................................................ 13 
ERGONOMIA .................................................................................................................................... 14 
A ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO .................................................................................... 14 
LAUDO ERGONÔMICO .................................................................................................................... 16 
OBJETIVO DO LAUDO ERGONÔMICO ........................................................................................... 16 
COMO SÃO AVALIADOS OS RISCOS DOS AMBIENTES DE TRABALHO .................................... 17 
QUEM É O RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO E ASSINATURA DO LAUDO DE ERGONÔMICO
 ..................................................................................................................................................................... 17 
VALIDADE DO LAUDO ERGONÔMICO ........................................................................................... 19 
LAUDOS MÉDICOS....................................................................................................................... 20 
QUEM PODE ENSINAR UM LAUDO ERGONÔMICO .................................................................. 21 
COMO ELABORAR UM LAUDO ERGONÔMICO CONSCIENTE .................................................... 26 
SOBRE O LAUDO ERGONÔMICO ................................................................................................... 27 
A IMPORTÂNCIA DA AET PARA O ESTÁGIO DE MATURIDADE DA ERGONOMIA ..................... 28 
RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO ....................................................................................................... 29 
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................. 30 
 
 
 
 
2 
 
 
1. HISTÓRICO 
 
Fonte: www.vipmedicinadotrabalho.com.br 
A partir de 1955, após a publicação do livro de Faverge e Ombredane sobre a análise do trabalho, a 
atuação de diversos outros pesquisadores expoentes na área fez com que a ergonomia centrada na análise 
da atividade fosse desenvolvida ao longo do tempo, tendo suas bases teóricas aprofundadas, seus métodos 
enriquecidos e suas aplicações às transformações das condições de trabalho mais elaboradas (GÜÉRIN et 
al., 2001; MONTMOLLIN, 2007; LAVILLE, 2007). 
Essa evolução levou a reconhecer a ergonomia situada como um dos dois principais conjuntos de 
ergonomias, distinguidos tanto na sua história como nos conceitos e nas práticas, mas que se 
complementam. 
O primeiro conjunto, majoritário no mundo e baseado no contexto americano e britânico, corresponde 
à ergonomia clássica e é qualificado como centrado no componente humano dos sistemas homem-máquina. 
O segundo, enraizado principalmente nos países francófonos, é classificado como focado na atividade 
humana contextualizada. 
Essa dicotomia entre as duas principais famílias de ergonomias assenta-se em modelos, quadros 
teóricos e diferentes métodos, sendo transversal em relação às ergonomias identificadas em função dos 
diferentes domínios de intervenção (MONTMOLLIN, 2007). 
 
 
 
3 
 
No contexto da ergonomia centrada na atividade, Güérin et al. (2001) colocam que transformar o 
trabalho é a finalidade primeira da ação ergonômica, e o que o ergonomista deve realizar de forma a 
contribuir para: 
• A concepção de situações de trabalho que não alterem a saúde dos trabalhadores e nas quais 
estes possam exercer suas competências, ao mesmo tempo num plano individual e coletivo, e 
encontrar possibilidade de valorização de suas capacidades; 
• Alcançar os objetivos econômicos determinados pela empresa, em função dos investimentos 
realizados ou futuros. 
 Para os mesmos autores a busca desses dois objetivos origina a análise ergonômica do 
trabalho, cujo método busca resolver os problemas da inadequação do trabalho às características 
humanas geradas por: 
• Projetos de sistemas de produção, de processos, da organização do trabalho e das tarefas que 
foram feitas, muitas vezes a partir de estereótipos simplificados do que seria a população de 
trabalhadores, que geralmente são “encaixados” na produção; 
• Situações de adaptação, transformação ou concepção de sistemas de produção em que houve 
predominância dos aspectos financeiros, técnicos ou organizacionais que não favoreceram a 
reflexão sobre o lugar incontornável do homem no sistema de produção. 
Essas situações minimizam a influência dos meios de trabalho cuja concepção não leva 
suficientemente em conta as especificidades de funcionamento do operador humano e a variabilidade de 
todo o sistema. 
Para contextualizar o que seja trabalho, Güérin et al. (2001) caracterizam-no como unidade de três 
realidades: a das condições de trabalho, a do resultado do trabalho e a da atividade de trabalho. Destacam 
ainda o conceito do trabalho prescrito e do trabalho real, estabelecendo a distinção entre tarefa e atividade 
de trabalho. 
Esses conceitos são bem sintetizados por Falzon (2007), o qual também destaca as noções de 
regulação e da regulação da atividade. 
Nesse processo de contextualização do trabalho, Güérin et al. (2001) colocam que a atividade de 
trabalho é o elemento central que organiza e estrutura os componentes da situação de trabalho, 
estabelecendo o que eles denominaram de função integradora da atividade de trabalho. 
Para essa construção existe um conjunto de pontos importantes, de fases privilegiadas que vão 
estruturar a construção ergonômica. A interação que ocorre entre os atores desse processo conduzido pelo 
ergonomista gera um aumento do conhecimento ou do nível de consciência da atividade que será fator-
chave na implementação das ações ergonômicas resultantes do diagnóstico feito e da transformação 
desejada. 
 
 
 
4 
 
Güérin et al. (2001) destacam ainda que parte do que se construiu deve permanecer e adquirir uma 
legitimidade que resista ao tempo. Construção está realizada com a contribuição do ergonomista junto com 
os atores do processo. Isso está diretamente relacionado à maneira como os conhecimentos sobre o 
trabalho foram produzidos e transferidos entre os atores e da questão das condições de sua apropriação. 
As características do procedimento aplicado são centrais para assegurar essa transferência, e a sua 
durabilidade será, por sua vez, maior caso um conjunto de atores-chave tenha sido instrumentalizado. 
Para concluir essa apresentação da análise ergonômica do trabalho, os mesmos autores colocam 
que sua compreensão é um meio que permite: 
• Conhecer melhor e explicar melhor as relações entre as condições de realização da produção 
e a saúde dos trabalhadores; 
• Propor pistas de reflexão úteis para a concepção das situações de trabalho; 
• Melhorar a organização dos sistemas sociotécnicos, a gestão dos recursos humanos e, em 
consequência, o desempenho da empresa em seu todo. 
A seguir são apresentadas as preocupações dos pesquisadores sobre a cientificidade e a construção 
do conhecimento na ergonomia da atividade.3. Ergonomia da atividade e sua cientificidade. Na comunidade 
da ergonomia da atividade, onde a Société d’Ergonomie de Langue Française – SELF é a entidade mais 
representativa, a discussão sobre sua epistemologia é considerada assunto ainda recente (SOCIÉTÉ 
D’ERGONOMIE DE LANGUE FRANÇAISE, 2005). 
Nesse contexto, a obra coordenada por Daniellou (2004a) é um recipiente onde diversos 
pesquisadores dessa comunidade apresentam seus pontos de vista sobre aspectos epistemológicos da 
ergonomia da atividade e que ainda permanece atual em seus conflitos e convergências. É observado nessa 
obra que a motivação em provocar os debates sobre o tema foram as dificuldades em se obter 
reconhecimento científico para as pesquisas sobre o trabalho nas instituições acadêmicas. 
Ela, a obra, representa o esforço em se discutir de modo sistemático a contribuição da ergonomia da 
atividade em produzir conhecimento, em se definir seu objeto de estudo e os critérios de validação das 
pesquisas e intervenções práticas. Esses aspectos são destacados pela questão se a ergonomia se 
caracteriza como “ciência”, “arte” ou “método” ser abordada em várias partes da obra. A seguir são 
apresentadas algumas visões emanadas por pesquisadores sobre a questão do reconhecimento científico 
do conhecimento gerado na ergonomia da atividade. 
 
 
 
5 
 
1 QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS 
Daniellou (2004b) coloca como denominador comum o fato de que a reflexão epistemológica tem por 
objeto as provas às quais devem se submeter as pesquisas, as teorias e os modelos que queiram merecer 
o adjetivo “científico”. Segundo ele, todos os autores têm em comum esse cuidado de submeter seu 
pensamento à prova da confrontação, o que torna os conhecimentos científicos algo diferente da opinião 
única de seus autores. Também a elaboração das regras dessas provas não goza de unanimidade, e nesse 
sentido o autor faz as seguintes constatações: 
• Para alguns pesquisadores, a ergonomia continuará um “projeto”, uma “arte”, uma “tecnologia” 
que utiliza conhecimentos produzidos por outras disciplinas. Se a ergonomia provoca questões 
de pesquisa e contribui para a produção de conhecimento, estas cairão ipso facto no acervo da 
disciplina científica mais bem situada para abrigá-los; 
• Para outros, a ergonomia pode produzir conhecimentos sobre a atividade de trabalho ou sobre 
a atividade do ergonomista, a qual lhe pertence exclusivamente, e que nada impede esse 
conhecimento de ganhar um dia a dignidade de “científico”. Para o autor é evidente que algumas 
das dificuldades epistemológicas com que se debate a ergonomia são comuns a todas as 
disciplinas que tratam do ser humano. 
Nesse aspecto, a pergunta-chave tornou-se dinâmica: “Que condições deveriam progressivamente 
preencher as pesquisas em ergonomia para que possam ser qualificadas de científicas? ” Além disso, 
apresentada inicialmente como responsabilidade única dos pesquisadores, a questão de cientificidade das 
pesquisas em ergonomia passa a mobilizar outros atores: quem a pratica e os protagonistas da vida social. 
Para dar base a essas constatações, o autor abre discussões sobre os seguintes aspectos: 
• A consciência das bifurcações: o ergonomista é solicitado por um conjunto de teorias e modelos 
científicos que abrange localmente os fenômenos com os quais ele se defronta. 
Esses modelos não se encaixam de modo cômodo para constituir um corpo de conhecimentos para 
a ação, e em certas zonas de realidade eles se contradizem e em outras estão ausentes. Assim, a 
emergência de conceitos que alimentam a reflexão cotidiana do ergonomista é resultado de um conjunto de 
manobras, de “bifurcações”. 
Essa condição gera uma justaposição de conceitos que dificulta a formação de um acordo do que 
significa produzir conhecimentos científicos em ergonomia: 
• A relação entre ergonomia e os conhecimentos científicos: há um acordo latente de que a 
ergonomia utiliza conhecimentos oriundos da fisiologia, psicologia e outras áreas de 
conhecimento. 
 
 
 
6 
 
Também há certa concordância de que a utilização não é uma simples aplicação desses 
conhecimentos, sendo que a ergonomia leva a transformá-los pelo seu caráter integrador. Por esse fato, a 
ergonomia é reconhecida por levar as outras disciplinas a produzir conhecimentos em zonas em que a 
prática as revela lacunares: 
• A relação homem e o trabalho: a questão dos critérios da ergonomia está relacionada a uma 
discussão dos paradigmas à luz dos quais se estuda o trabalho. 
A ergonomia classicamente leva em conta um duplo critério – o da saúde dos trabalhadores e o da 
eficácia econômica – sobre o qual exige a construção de compromissos que são influenciados por diversos 
fatores externos. Além disso, tem-se o enigma das relações entre tarefa e atividade, o trabalho prescrito e o 
trabalho real, os limites da adaptação humana, os modelos do homem e suas dimensões, os modelos da 
sociedade e da mudança social; 
• A questão dos comportamentos à ação: a referência aos termos “comportamentos” ou 
“condutas” do homem no trabalho e a influência que essa perspectiva gera no desenvolvimento 
da ação. 
As questões das racionalidades (instrumental, axiológica, prática e comunicacional) que levam o 
ergonomista a descrever-se como ator da transformação das situações de trabalho, abrindo um espaço para 
discutir como ocorrem as modalidades da ação do ergonomista. 
Assim, o autor apresenta uma visão geral sobre como se desenvolveram as questões que incitaram 
a discussão sobre a epistemologia da ergonomia da atividade. 
2 QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS LEVANTADAS PELA ERGONOMIA DE PROJETO 
Daniellou (2004c) coloca que o estatuto dos conhecimentos em ergonomia significa saber se os 
conhecimentos científicos podem ser produzidos: 
(1) Sobre o funcionamento humano no trabalho; 
(2) sobre o trabalho; 
(3). Que sejam úteis para a sua transformação positiva. 
O autor lembra que a ergonomia foi construída nos países anglo-saxônicos dentro do paradigma da 
aplicação de conhecimento científicos sobre o funcionamento do homem no projeto dos meios de trabalho. 
Esse paradigma nas pesquisas mundiais está na origem da produção de um conjunto de conhecimentos 
que ainda continua útil. 
Mas a prática da análise ergonômica do trabalho e a confrontação com outras disciplinas (psicologia 
do trabalho, sociologia, psicodinâmica do trabalho, antropologia, filosofia) conduziram os pesquisadores a 
 
 
 
7 
 
um conjunto de constatações que, pouco a pouco, tornou o paradigma inicial enfraquecido, entre as quais o 
autor cita: 
• A diferença entre trabalho prescrito e trabalho real; 
• O fato de evidenciar a atividade cognitiva e a competência dos operários; 
• A complexidade dos raciocínios em inúmeras situações; 
• A dimensão dos determinantes da atividade – mostrada, sobretudo, pela antropotecnologia; 
• A complexidade dos compromissos elaborados pelos trabalhadores e seus efeitos em termos 
de desempenho e de custo; 
• A complexidade dos fatores de natureza coletiva que entram em jogo na elaboração de 
estratégias dos trabalhadores: produção de regras coletivas, dimensões éticas, ideologias 
coletivas de defesa; 
• A complexidade dos mecanismos de danos à saúde e o papel positivo que pode ter o trabalho 
na construção da saúde. 
O conjunto dessas descobertas contribuiu para reforçar o estatuto do objeto de pesquisa – o trabalho 
propriamente dito – e o interesse pela análise da atividade como método de descoberta que permitiu não 
desvendar totalmente o enigma que constitui todo o trabalho, mas progredir em sua compreensão. Diversos 
aperfeiçoamentos metodológicos permitiram que, progressivamente, a análise da atividade pudesse ser 
aplicada a quase a totalidade das atividades profissionais. 
Aqui o autor explica a distinção entre a análise da atividade, aquela dos comportamentos, condutas, 
processos cognitivos e interações realizadas por um (a) operador(a) durante as observações – da análise 
do trabalho –, uma abordagem mais global, na qual se insere a análise da atividade, e que se compõe da 
análise dos fatores econômicos, técnicos e sociais e da análise dos efeitos do funcionamento da empresa 
sobre a população de trabalhadores envolvida e da eficácia econômica. 
O autor também destaca a diferença entre a análise da atividade (praticada por outros profissionais) 
e a análise ergonômica do trabalho. Um ponto em comum: ambas produzem conhecimentos a partir da 
elaboração de um modelo e da verificação de sua validade. 
Uma diferença que se destaca nessa condição é que os conhecimentos produzidos a partir da análise 
ergonômica do trabalho estão a serviço da ação, e por isso as exigências para sua validação são mais fortes 
do que as consideradas na validação dos conhecimentos que são objeto central de uma busca científica. 
Produzido sobre dada situação de trabalho, o modelo feito pelo ergonomista deve ser operante e sua própria 
estrutura reflete a ambição de agir para transformar as condições de trabalho. 
 
 
 
8 
 
3 DO QUE A ERGONOMIA PODE FAZER A ANÁLISE 
Hubault (2004) relata que a ergonomia tem a [...] missão de aprofundar a compreensão da relação 
entre o que o homem vive no trabalho e pelo seu trabalho, o que ele faz com o que a empresa compreende 
disso, o que ela faz disto, ainda mais, o que ela espera disto, o que ela quer fazer disto [...] (HUBAULT, 
2004, p. 106). 
Com isso ele destaca que o ergonomista interessa-se pela relação do homem e da empresa, do 
homem e da técnica, do homem e seu ambiente, enfim de cada nível que se pode conceber uma interface 
entre esses termos. Diante do exposto se coloca uma primeira questão que é a de saber se na interface o 
trabalho organiza uma continuidade ou descontinuidade, finalidades e modos de ação, entre o homem e o 
espaço instrumental ao qual ele deve se integrar. 
Como descontinuidade, Hubault (2004) coloca que a ergonomia nasceu de uma questão fundamental: 
a que obriga a distinguir o que se solicita ao homem (a tarefa) e o que isso, para ser realizado, solicita a ele. 
Isso tem origem em um conflito de lógicas, e a competência do operador é encontrar os meios de gerenciá-
lo por meio de compromissos operatórios. 
Esse princípio de descontinuidade diz respeito a vários níveis: 
• Na relação entre a atividade e o comportamento: no trabalho real que se realiza, os 
compromissos que o operador faz para agir não se veem e o comportamento comunica a parte 
manifesta do trabalho (visualmente e verbalmente); 
• Em relação ao desempenho: podem-se distinguir dois tipos de saídas do sistema de produção 
– os desempenhos econômicos e os desempenhos humanos. Os primeiros avaliáveis/avaliados 
em termos de eficácia na ordem econômica (rendimento, produtividade, qualidade, 
confiabilidade,) e os outros em termos de eficácia na ordem humana (competência 
adquirida/degradada, saúde melhorada/deteriorada,); 
• Na relação entre tarefa e atividade: onde existem duas posições opostas. Uma que postula que 
diferença entre o prescrito e o real é uma diferença a ser reconhecida, uma descontinuidade de 
princípio entre o modelo e a realidade em geral e entre a tarefa e a atividade no particular. A outra 
é o que se demanda e o que isso demanda, na qual a ergonomia identifica uma diferença a 
reduzir. 
O autor discorre que essas abordagens estão sempre em jogo, e que isso implica em saber que tipo 
de integração, funcional ou política, realiza a interface e o lugar que nela ocupa o trabalho (fator 
integrador/integrável ou de integração). Aqui ele apresenta como os diversos estados da ergonomia se 
enquadram dentro dos paradigmas de continuidade e descontinuidade. 
 
 
 
9 
 
Nesse ponto ele abre que a ergonomia trabalha em três níveis, cada qual com suas questões e seus 
desafios: 
(1) nível das condições de trabalho (questão-adaptação; desafio-segurança/saúde); 
(2) nível dos sistemas técnicos (questão-eficiência; desafio-confiabilidade); 
(3) nível dos sistemas de produção (questão-eficácia; desafio-qualidade). 
Diante desse complexo de relações, o autor coloca que uma das missões essenciais da ergonomia é 
a de [...] formalizar a relação homem-ambiente de modo a levar em conta esta contradição: o homem é um 
sistema autônomo que não é determinado pela oferta informacional de seu meio, mas que não pode se 
construir sem ela[...] (HUBAULT, 2004, p. 116). 
Assim é aberta a questão “o trabalho real é real?” Os fatos observáveis de que a ergonomia dispõe 
dizem respeito ao desempenho, ao comportamento, à tarefa, que ela confronta entre si e aos conhecimentos 
adquiridos previamente sobre o funcionamento humano, que faz emergir a figura da atividade. 
A partir da objetivação de fatos brutos organizados em sistemas de dados a ergonomia – uma ciência 
empírica – constrói, com o conceito de atividade, não observável, o meio de se compreender, de se levar 
em conta o que faz realmente o operador, a própria atividade. 
Para embasar a questão da prática, o autor compara o processo de construção do conhecimento na 
área da psicanálise e apresenta três pontos que balizam suas propostas sobre a ergonomia: 
• A prática participa de uma dimensão metodológica fundamental dos conhecimentos em 
ergonomia. Onde conhecer manipulando define um método de análise; conhecer para manipular 
define uma prática de intervenção; manipular para conhecer define uma metodologia de pesquisa. 
Em todos os casos visa-se o conhecimento e a manipulação de um processo e não de um estado; 
• Polarizações particulares que favorecem um modo diversificado de desenvolvimento da 
ergonomia nutrem relações diferentes com a ciência; 
• O peculiar da ergonomia está no seu ponto de vista que a distingue de todas as outras áreas 
sobre o estudo do trabalho. 
4 ERGONOMIA, FILOSOFIA E EXTERRITORIALIDADE 
Schwartz (2004) destaca na ergonomia a questão da exterritorialidade dos conceitos, questionando 
se ao ser epistemólogo e utilizar conceitos já é, de certa maneira, julgar, decidir e engajar-se, pois qualquer 
uso de conceitos é uma escolha, uma reivindicação de herança, uma decisão de existência ou inexistência. 
Ao utilizar conceitos, estes podem ser diferentes devido ao que o autor denominou de possíveis bifurcações 
 
 
 
10 
 
na escolha de itinerários conceituais. Segundo ele, a questão “erro humano ou falha de representação” 
exprime com clareza esse ponto de bifurcação conceitual. 
Um efeito dessa bifurcação conceitual é a manifestação de escolhas mais ou menos exclusivas que 
implicam em itinerários de investigação previamente estabelecidos, o que caracterizaria uma parcialidade 
na abordagem realizada. 
Na elaboração de sua argumentação, Schwartz (2004) faz uso de exemplos da área de ciências 
humanas com o intuito de mostrar que as áreas de conhecimento possuem lugares escondidos, lógicas 
internas que não aparecem, filiações e rupturas históricas nos sistemas conceituais. Além de remeter 
eventualmente a conjuntos complexos de valores e de escolhas e a uma prática que poderia ser uma boa 
definição de postura epistemológica. 
É nesse contexto que ele estabelece uma relação triangular entre valores, saberes e atividade com 
base nas seguintes proposições: 
•. Nenhuma atividade industriosa se desenvolve e se manifesta sem um espaço simultâneo de 
valores; 
• Esse mundo de valores se comunica em todos os pontos consigo mesmo; 
• Os valores imanentes à atividade são sempre “retratados” por ela. 
A partir de ensaio literário nesse contexto, o autor elabora a proposta de produzir conhecimentos 
compatíveis com o “policentrismo” observado nos conceitos levantados pela construção de lugares em que 
a relação triangular entre valores, atividades e saberes torna-se objeto de uma experiência epistemológica 
explícita. 
Neste processo é elaborada a proposta de um dispositivo (espaços de construção de saberes 
integrados)de três polos. 
Esse dispositivo, proposto por Schwartz (2004) e adaptado por Vieira, Barros e Lima (2007), tem a 
seguinte configuração: 
• Polo dos saberes acadêmicos: objetos de esforço permanente de estabelecimento de uma 
ordem teórica, de explicitação metódica e crítica, de retrabalho contínuo. É aquele dos saberes 
conceituais das áreas de conhecimento permeadas pela ergonomia; 
• Polo dos saberes imanentes às atividades e retrabalhados por essas atividades: são “cadinhos” 
da organização dos saberes, estruturando em uma base histórica seus desdobramentos sobre 
seus apelos aos saberes formalmente organizados. É aquele dos saberes investidos no exercício 
do trabalho e na experiência; 
• Polo filosófico: com vistas aos saberes organizados e com relação às forças de apelo, de 
memória e dos saberes investidos. Esse polo teria a função de antecipar, com as devidas 
reservas, as maneiras de tratar seu semelhante e as situações da vida social. É aquele que 
 
 
 
11 
 
significa uma postura ética e epistemológica, presente nos projetos em comum que acordam entre 
si os dois outros polos. 
Esse dispositivo torna-se a sede de um movimento duplo, no seu centro, onde se misturam e operam 
culturas contraditórias, patrimônios tendencialmente definidos pelos três polos, e mantém-se coeso por 
causa de seu movimento interno em espiral e remetendo os atores de cada polo ao exercício de suas 
próprias responsabilidades profissionais. 
Os atores “ativos” são remetidos às urgências da vida social e seu movimento de retorno é, em parte, 
para avaliar a pertinência do trabalho realizado no interior do dispositivo, com uma eventual vocação para o 
retorno, redesenhando os recursos do saber e desenvolvendo novas forças de apelo. Quantos aos atores 
“profissionais do conceito”, tanto no polo filosófico como no dos saberes acadêmicos organizados, eles são 
enviados às suas disciplinas de origem a fim de que participem, agora devidamente equipados, do debate 
científico que lhes é próprio. 
Esse processo no núcleo do dispositivo é denominado pelo autor de “socratismo ambivalente”, pois o 
sentido da troca de conhecimento (mestre/ discípulo) é alternado frequentemente entre os atores, sendo 
difícil identificá-lo no decorrer do processo. A epistemologia associada a esse gênero de dispositivo requer 
que se confronte rotineiramente as normas que lhe são próprias (socratismo ambivalente e a disponibilidade 
a outras estruturas conceituais) e as normas vigentes na comunidade científica de referência, pois elas são 
a garantia de uma reapropriação crítica e de uma vigilância específica quanto ao patrimônio acumulado no 
seio da disciplina. 
Por fim o autor, questionando se a ergonomia é ciência, coloca que quanto mais ela se torna ciência, 
menos pertinente ela se torna como interlocutora imediata de sujeitos históricos. Quanto mais a competência 
ergonômica se aproxima das pressões da transformação in situ, mais ela deve posicionar-se para a 
aprendizagem no triângulo atividades/ valores/saberes e menos se justifica a eliminação dos protagonistas 
ou forças de apelo-memória, compreendendo-se o ponto de vista científico. 
Portanto, a capacidade de mover-se no triângulo, instaurando grupos cooperativos e fazendo emergir 
questionamentos pertinentes, é apoiada por uma ampla cultura adquirida sobre a atividade, especialmente 
o que se pode capitalizar no polo mais regulamentado cientificamente, no sentido tradicional da ergonomia. 
5 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO 
O grande desafio da análise ergonômica consiste em identificar os reais problemas que são 
percebidos pelos trabalhadores e que efetivamente causam degradação no conforto, queda na produtividade 
e interferência na segurança do trabalho. 
 
 
 
12 
 
Em muitas análises é comum encontrar estudos muito ricos em termos de dados levantados, 
utilização de ferramentas avançadas (análise através de filmagens, modelos biomecânicos, dentre outros), 
sem que se tenha o foco do problema bem definido e, consequentemente os resultados das avaliações em 
nada ou muito pouco auxiliam nas atividades dos trabalhadores, contribuindo para que a ergonomia seja 
vista como supérflua e ineficaz por parte dos próprios técnicos, dos empresários e trabalhadores. 
O termo análise ergonômica tem sido empregado de forma genérica e dependendo da formação do 
profissional que atuará sobre a questão, o enfoque será dado sob o prisma de sua formação básica, quer 
seja engenharia, fisioterapia, medicina e outras. Quando se inicia um trabalho de ergonomia é comum ouvir 
a frase: “Finalmente as coisas vão melhorar, vou ter uma mesa ergonômica, um teclado ergonômico...” e 
assim por diante, sem considerar toda a dimensão da ergonomia. 
A Ergonomia é uma ciência interdisciplinar que abrange diferentes campos de atuação, como: 
Ergonomia Física que se preocupa com as condições do ambiente laboral (ruído, calor, frio, etc.) e com a 
adequação antropométrica e biomecânica; Ergonomia Cognitiva que é a disciplina científica que estuda o 
projeto dos sistemas onde as pessoas realizam seu trabalho (CANÃS, 2005); e Organizacional que, segundo 
Vidal (2003a), envolve ao menos seis aspectos interdependentes que são: a repartição de tarefas no tempo 
e no espaço; sistemas de comunicação, cooperação e interligação entre atividades, ações e operações; 
formas de estabelecimento de rotinas e procedimentos de produção; formulação e negociação de exigências 
e padrões de desempenho produtivo, incluindo sistemas de supervisão e controle; mecanismos de 
recrutamento e seleção de pessoas para o trabalho; métodos de formação, capacitação e treinamento para 
o trabalho. 
Segundo a legislação brasileira na Norma Regulamentadora 17, para avaliar a adaptação das 
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a 
análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho. As 
condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, 
ao mobiliário, aos equipamentos, às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do 
trabalho. 
Segundo a Norma Regulamentadora NR 17, a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), tem como 
objetivo, rastrear, observar e avaliar as relações existentes entre demandas de doenças, acidentes e 
produtividade com as condições de trabalho, com as interfaces, com os sistemas e a organização do trabalho 
(BRASIL, ABNT, 1990). Neste contexto, a AET compreende três importantes fases: 
 
 
 
13 
 
6 ANÁLISE ERGONÔMICA DA DEMANDA: 
A Análise da Demanda é uma etapa primordial e que merece extrema dedicação e empenho, 
considerando que nesse momento o Ergonomista compreenderá o motivo que o levou a desenvolver 
a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). 
Para entender o que está desencadeando o problema em análise, primeiramente identificaremos de 
onde surgiu essa necessidade. Empresas inteligentes buscam por melhorias para seus funcionários, 
desenvolvendo ações que beneficiem a saúde dos trabalhadores, seja na implantação de maquinário 
adequado, na escolha de um acento apropriado ou de estratégias laborais voltadas às atividades produtivas. 
Caso a necessidade parta dos funcionários, as reclamações podem ser evidenciadas no local (in loco) ou 
de órgãos de defesa dos trabalhadores, na busca por melhores condições de trabalho, deste modo, 
evidenciando os agravos existentes que decorrem em debilidades funcionais aos mesmos. 
Será analisado o ambiente de trabalho, desmembrando todos os possíveis motivos que originaram 
os problemas referidos, ou as modificações solicitadas. Com essas análises documentadas, será o momento 
de negociação entre os gestores e trabalhadores, delimitando o tempo para resolução dos problemas. 
Análise ergonômica da tarefa (envolve a análise dos ambientes físicos, das condições posturais e 
antropométricas dostrabalhadores, dos aspectos psicológicos dos trabalhadores, da análise organizacional, 
das condições ambientais): 
A análise ergonômica das atividades. Por conseguinte, elenca-se a formulação do diagnóstico, bem 
como as recomendações ergonômicas: 
As condições de trabalho e o ambiente aos quais os funcionários estão submetidos influenciam 
diretamente na qualidade do produto e no desempenho dos processos, bem como na Qualidade de Vida 
dos Trabalhadores (QVT) (MATOS, 1997; TURELLA et al., 2011). Neste cenário, emerge a importância da 
ergonomia, que elenca os aspectos físicos, relacionado com as características da anatomia humana, 
antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação à atividade física; os aspectos cognitivos, o qual 
refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora conforme 
afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema; e, os aspectos 
organizacionais, o qual concerne à otimização dos sistemas sócio técnicos, incluindo suas estruturas 
organizacionais, políticas e de processos (IIDA, 2005; ABRAHÃO, et al., 2009; ABERGO, 2014). 
https://ergonomiaemfoco.wordpress.com/2014/05/26/analise-ergonomica-do-trabalho-aet/
 
 
 
14 
 
7 ERGONOMIA 
A ergonomia ressalta a relação entre o homem e o ambiente de trabalho, e originou-se durante a II 
Guerra Mundial (1934-45), onde médicos, psicólogos, antropólogos e engenheiros trabalharam juntos para 
resolver os problemas causados pelos equipamentos militares, posteriormente cresceu rapidamente o 
interesse nesse novo ramo, em especial na Europa e Estados Unidos da América (DUL; WEERDMEESTER, 
2004; ABRAHÃO, et al., 2009). 
Para Iida (2005) a ergonomia consiste em estudar os diversos itens que influenciam os sistemas 
produtivos, visando reduzir as possíveis consequências nocivas sobre os trabalhadores. Conforme a 
Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) a ergonomia é o estudo da adaptação do trabalho às 
características fisiológicas e psicológicas do ser humano (ABERGO, 2014). 
A ergonomia possui um caráter interdisciplinar, pois reúne e integra conhecimentos de diversas áreas 
científicas e apresenta uma natureza aplicada, pelo fato de objetivar a adaptação do posto de trabalho e do 
ambiente às necessidades do ser humano (DUL; WEERDMEESTER, 2004). Abrahão et al. (2009), destacam 
que a ergonomia é uma ciência que tem como intuito transformar o trabalho, em suas diferentes dimensões, 
adaptando-o às características e aos limites do ser humano. 
Conforme Turella et al. (2011), entre diversos fatores que auxiliam na questão de motivação de 
funcionários, está a ergonomia, que proporciona uma melhoria na relação do homem com seu ambiente de 
trabalho, otimizando os processos e interferindo diretamente na qualidade e produtividade em geral. 
Coerentemente, a ergonomia necessita de uma abordagem holística de todo o campo, tanto em seus 
aspectos físicos e cognitivos, como sociais, organizacionais e ambientais. 
8 A ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO 
Conforme a NR 17, para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo 
a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho (BRASIL, ABNT, 1990). As condições de trabalho 
incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos 
equipamentos, às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. 
A AET visa aplicar os conhecimentos da ergonomia para analisar, diagnosticar e corrigir uma situação 
real de trabalho. O método desdobra-se em 05 etapas (IIDA, 2005): 
 
 
 
15 
 
• Análise da demanda: consiste na descrição de um problema ou situação problemática, que 
justifica a necessidade de uma ação ergonômica. Pode ser solicitado pela direção da 
empresa; pelos trabalhadores e suas organizações sindicais; 
• Análise da tarefa: trata-se de um conjunto de objetivos prescritos, que os trabalhadores 
devem cumprir. A AET analisa a discrepância entre a tarefa que é prescrita (descrição de 
cargos) e a que é executada; 
• Análise da atividade: refere-se ao comportamento do trabalhador na realização de uma 
tarefa. A atividade é influenciada por fatores internos e externos. Os fatores internos estão 
relacionados ao próprio trabalhador, caracterizado pelas suas experiências, idade, sexo, 
motivação, sono e fadiga. Já os fatores externos referem-se às condições em que a 
atividade é executada: 
• Conteúdo do trabalho (objetivos, regras e normas); 
• Organização do trabalho (constituição de equipes, horários, turnos); 
• Meios técnicos (máquinas, equipamentos, posto de trabalho, iluminação, ambiente 
térmico). 
• Diagnóstico: o diagnóstico procura descobrir as causas que provocaram o problema 
descrito na demanda. Podendo ser vários fatores: absenteísmo (faltas ou atrasos); 
rotatividade (pode ser devido ao treinamento insuficiente ou elevada carga de estresse no 
ambiente); acidentes (pode ocorrer por falta de manutenção nas máquinas, sinalização mal 
interpretada, pisos molhados, entre outros); baixa qualidade: pode ser por consequências 
de erros de dimensionamento do posto de trabalho, ou pela sequência inadequada de 
tarefas; 
Recomendações ergonômicas: as recomendações ergonômicas referem-se as providências que 
deverão ser tomadas para resolver o problema diagnosticado. 
Devem-se prescrever todas as etapas necessárias para resolver o problema. Estas podem vir 
acompanhadas de figuras com detalhamento das modificações a serem feitas em máquinas ou postos de 
trabalho, e indicar as respectivas responsabilidades (pessoa e seção do departamento encarregado, com 
indicação do respectivo prazo). 
Por conta das várias dúvidas de nossos leitores e das diversas solicitações encaminhadas ás nossas 
listas de discussão e ás nossas empresas, novamente falaremos sobre Laudo Ergonômico e sobre a AET - 
Análise Ergonômica do Trabalho. Agora mais evidente com a chegado do eSocial, a AET é a grande 
polêmica e a grande necessidade do momento para a real e correta adequação e cumprimento do eSocial. 
 
 
 
16 
 
Existem muitas divergências e muitos desencontros sobre o tema, porém, nada mais evidente do que 
dizermos que Laudo Ergonômico é uma análise do risco ergonômico a que estamos sujeitos, em casa, no 
trabalho, no lazer e, até dormindo. 
Na AET - Análise Ergonômica do Trabalho, fazemos o Laudo Ergonômico exatamente para a pessoa 
que está trabalhando naquele posto de trabalho específico. 
9 LAUDO ERGONÔMICO 
O Laudo ou Análise ergonômica é um documento que mostra os riscos ERGONÔMICOS do objeto, 
do posto ou do profissional.O Laudo Ergonômico é obrigatório a todas às empresas que possuem 
empregados, cujas atividades ou operações os expõem a riscos, que por sua natureza ou métodos de 
trabalho, impliquem em esforços de levantamento, transporte e descarga individual de materiais, ou outros 
que exigem postura forçada e ainda, esforços repetitivos. 
10 OBJETIVO DO LAUDO ERGONÔMICO 
O laudo ergonômico tem por objetivo analisar as condições de trabalho dos setores administrativos e 
produtivos da empresa, ou mesmo de um estabelecimento particular como uma residência, sob os aspectos 
da Ergonomia e das condições Ambientais, visando fornecer subsídios para a empresa, ou para o solicitante, 
para implementar mudanças em sua organização e método de trabalho, no sentido de diminuir os riscos da 
ocorrência de acidentes e moléstias do trabalho. 
O laudo ou análise ergonômica identifica os riscos ergonômicos, bem como recomenda as 
intervenções e ou adaptações necessárias, seja no ambiente de trabalho, mobiliário, máquinas, 
equipamentos e ferramentas, ou nos processos de trabalho, de modo a proporcionar um máximo de conforto, 
segurança e desempenho eficiente, além de preservar a saúde do trabalhador e em especial as prevenir o 
acometimentodas LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados 
ao Trabalho). Hoje, muitas pessoas buscam a melhoria da sua qualidade de vida melhorando suas 
condições de vida e, uma dessas condições, é a melhoria de seus cuidados pessoais com sua coluna e seu 
complexo músculo- esquelético. 
 
 
 
17 
 
11 COMO SÃO AVALIADOS OS RISCOS DOS AMBIENTES DE TRABALHO 
Os Riscos dos ambientes de trabalho são avaliados de forma qualitativa, procedendo-se em seguida, 
o enquadramento de acordo com os dispositivos legais. 
12 QUEM É O RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO E ASSINATURA DO LAUDO DE ERGONÔMICO 
Podemos avaliar se um dado ambiente ou condição de trabalho é perigoso através da avaliação dos 
riscos existentes, ou seja, analisando as possibilidades e probabilidades de que algum problema venha a 
ocorrer, como um acidente. 
O primeiro passo de uma análise de risco é identificar o risco, e somente um profissional qualificado 
que pode fazer tal tarefa, pois muitos riscos passariam despercebidos aos olhos de empregados, chefes e 
pessoas comuns. Esse é um dos motivos de existirem uma gama de profissionais de segurança no trabalho, 
pois existem especialistas para cada tipo específico de risco. 
Após a identificação do risco, é necessário agora quantificar e qualificar o risco, ou seja, vamos 
estudar e ver em que tipo de risco ele se enquadra, e o quão perigoso e quanto ele oferta risco ao 
trabalhador. 
O que deve ser feito caso seja constatado um risco em ambiente de trabalho. Tal estratégia serve 
para ambos tipos de risco. 
Quando o profissional de Segurança no Trabalho detecta um risco, obviamente o primeiro desejo e 
planejamento de ação é a eliminação do risco. Pois é óbvio que o ideal e mais indicado é que tal risco 
profissional não exista. 
Porém, um ambiente 100% livre de risco é praticamente impossível, fazendo bem pouco provável 
também uma eliminação total dos riscos. 
Sendo assim, o próximo passo é tentar reduzir ao máximo, neutraliza o quanto for possível os possíveis 
focos de risco e perigo. 
Avaliado, qualificado, quantificado e reduzido os riscos, é hora de proteger o trabalhador. Para isso, 
faz-se uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e/ou EPCs (Equipamentos de Proteção 
Coletiva), que são itens básicos e importantíssimos na maioria das fábricas, indústrias, empresas e outros 
ambientes de trabalho. 
São de tão importância que trataremos em várias aulas de nosso curso online grátis de Segurança 
do Trabalho. 
 
 
 
18 
 
E por fim, em nada adianta somente reduzir, eliminar e proteger o trabalhador, este deve ter ciência 
dos riscos. 
Para isto, é necessário que todos os trabalhadores sejam educados, orientados e treinados para as 
mais diversas situações, ambientes de trabalho bem como o uso de EPIs e EPCs. 
Por mais que se tenham ótimos profissionais de Segurança e Medicina Laboral, se um funcionário 
não obedecer as regras e orientações, os riscos de problemas aumentarão, bem como os acidentes. 
Como estamos estudando o ramo de segurança NO TRABALHO, vamos nos focar apenas nos riscos 
que envolvem o trabalhador e o ambiente de trabalho, são os chamados riscos profissionais, que se dividem 
em riscos ambientais e riscos operacionais, assuntos já abordados em nossa aula passada. O Laudo 
Ergonômico deve ser realizado por equipe de especialistas em estudos ergonômicos e riscos ambientais à 
saúde, produzindo material descrito das operações, dos ambientes, dos equipamentos utilizados, que 
permitiu elaborar considerações e recomendações a respeito dos métodos e da organização do trabalho 
com relação às atividades inerentes à administração O responsável pelo laudo é a pessoa que tem a 
habilitação para a função ou seja, Engenheiro de Segurança do Trabalho que é o profissional “legalmente 
habilitado” na área de segurança do trabalho e devidamente credenciado junto ao CREA – Conselho 
Regional de Engenharia, o fisioterapeuta com especialização e conhecimento em Ergonomia, ou outro 
profissional que realmente tenha a especialização, a habilitação e a capacitação para fazer essa análise 
técnica. 
Aqui encontramos mais uma problemática e polêmica situação. Não que seja um problema legal, mas 
sim, um problema de ordem moral ou mesmo circunstancial. Por que falamos isso? Porque nem sempre 
quem assina o faz de forma consciente e correta. Isso acontece em vários setores, não apenas na 
Ergonomia. Assinar é ser responsável perante o contratante e perante a lei. Muitos empresários não se 
atentam a importância da escolha correta de um profissional para essa análise. Da correta análise dependerá 
a correta adequação e a correta atenção ao profissional. Frente a qualquer fiscalização, e a qualquer 
situação ocupacional, é primordial que se tenha total confiança no profissional ou na equipe de profissionais 
que elabora esse laudo, mesmo sendo de total responsabilidade do proprietário da empresa a escolha 
correta do profissional correto. 
Explicando melhor, não basta ser alguém com habilitação, é necessário que esse alguém tenha 
CAPACITAÇÃO para fazer uma análise correta, legal e profissional. 
Da mesma forma que precisamos de médicos habilitados e capacitados para nos atender pois desse 
atendimento depende a nossa saúde, também devemos procurar profissionais que realmente entendam da 
saúde de nossos profissionais e, consecutivamente, de nossa empresa. É melhor prevenir do que remediar 
porque muitas vezes, para certos erros não existem remédios.... 
 
 
 
19 
 
13 VALIDADE DO LAUDO ERGONÔMICO 
A exemplo do PPRA conforme subitem 9.2.1.1. da NR-09, deverá ser efetuada, sempre que 
necessário e pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do Laudo Ergonômico para avaliação do seu 
desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e estabelecimento de novas metas e prioridades. 
Evidentemente, se houverem modificações no posto, no trabalho ou no usuário, o laudo deve ser refeito. 
Em primeiro lugar, o LTCAT não tem obrigatoriedade legal de renovação anual, mas, vamos seguir 
nosso raciocínio e explicar quando o LTCAT tem que ser renovado. 
Você colocou especificamente o Laudo Ergonômico. Como em todos os questionamentos que nos 
fazem, a resposta é - DEPENDE. 
Antes de falar do Laudo Ergonômico, é interessante frisar que essa explicação é geral e que é 
necessário que se entenda o valor do Laudo. 
O Laudo é valido até que as condições as quais se efetivou o laudo sejam modificadas ou por força 
legal 
Precisamos saber o que é um Laudo e para que esse Laudo esteja sendo feito. 
Usando mais uma vez seu exemplo, vamos falar do LTCAT e o PPRA. 
Por exemplo, veja o que significa o LTCAT - Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho. 
Qual a diferença entre o PPRA (programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e o LTCAT (Laudo 
Técnico das Condições Ambientais de Trabalho)? 
Embora ambos os documentos estejam ligados às condições de segurança no ambiente de trabalho, 
cada um se presta à finalidade diferente. 
O PPRA é um Programa, com a finalidade de reconhecer e reduzir e/ou eliminar os riscos existentes 
no ambiente de trabalho. Esse relatório vais servir de base para a elaboração do PCMSO (Programa de 
Controle Médico de Saúde Ocupacional). 
Por conta de especificação contida na NR9, o PPRA precisa ser revisto e renovado anualmente. 
O LTCAT é um Laudo, elaborado com o intuito de se documentar os agentes nocivos existentes no 
ambiente de trabalho e concluir se estes podem gerar insalubridade para os trabalhadores eventualmente 
expostos. 
Esses laudos somente serão renovado caso sejam introduzidas modificações no ambiente de 
trabalho e de acordo com o parágrafo 3º do Art. 58 d Lei 8213/91 com o texto dado pela Lei 9528/97 a 
empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no 
ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição 
em desacordocom o respectivo laudo, estará sujeito à penalidade prevista no Art. 133 desta Lei, que foi 
republicada na MP 1596-14 de 10.11.97 e convertida na Lei 9528 de 10.12.97. 
 
 
 
20 
 
O LTCAT, assim como o PPRA, deve estar disponível na empresa para análise dos Auditores Fiscais 
da Previdência Social, Médicos e Peritos do INSS, dos profissionais, etc, devendo ser realizadas as 
alterações necessárias no mesmo, sempre que as condições de nocividade se alterarem, guardando-se as 
descrições anteriormente existentes no referido Laudo, juntamente com as novas alterações introduzidas, 
datando-se adequadamente os documentos, quando tais modificações ocorrerem. 
Resumindo O LTCAT tem validade indefinida, atemporal, ficando atualizado permanentemente, 
enquanto o “layout” da empresa não sofrer alterações. 
Outro exemplo é o LAUDO DE INSALUBRIDADE 
A exemplo do PPRA conforme subitem 9.2.1.1. da NR-09, deverá ser efetuada, sempre que 
necessário e pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do Laudo de Insalubridade para avaliação do 
seu desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e estabelecimento de novas metas e prioridades. 
A exemplo do PPRA, os dados deverão ser mantidos por um período mínimo de 20 (vinte) anos. Em 
certos casos, em que os trabalhadores estão expostos a substâncias cancerígenas o laudo deverá ser 
mantido até 30 anos. 
A Norma Regulamentadora – NR-15 (Lei nº 6514/77 – Portaria nº 12/83) estabelece a obrigatoriedade 
da elaboração e implementação, por parte de todas as empresas que admitam empregados que estejam 
expostos a agentes nocivos à sua saúde. 
No caso de a empresa não possuir o Laudo de Insalubridade ou estar vencido, estará sujeita as 
sanções legais. A NR-28 prevê multa com valor de até 6.304 UFIR para descumprimentos das normas de 
segurança do trabalho. 
Legislação pertinente: 
 Lei nº 6.514, de 22/12/1977. 
 Portaria nº 3214, de 08/06/1978. 
 Portaria nº 12, de 06/06/1983. 
 Norma regulamentadora NR-15 – Atividades e Operações Insalubres. 
14 LAUDOS MÉDICOS 
Estamos colocando esse exemplo apenas para que se entenda que a renovação do laudo DEPENDE 
do que se presta esse Laudo. Exemplo ...se estou controlando uma doença aguda, os laudos necessitam 
ser muito mais frequentes do que se estivermos controlando uma doença crônica. 
Agora, voltamos ao LAUDO ERGONÔMICO 
 
 
 
21 
 
Mais uma vez esclarecemos que DEPENDE. Conforme a NR 17, o objetivo do Laudo Ergonômico é 
estabelecer parâmetros para a adaptação das condições de trabalho as características psicofisiológicas dos 
trabalhadores. 
A exemplo do PPRA conforme subitem 9.2.1.1. da NR-09, deverá ser efetuada, sempre que 
necessário e pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do Laudo Ergonômico para avaliação do seu 
desenvolvimento e realização dos ajustes necessários e estabelecimento de novas metas e prioridades. 
Evidentemente, se houverem modificações no posto, no trabalho ou no usuário, o laudo deve ser refeito. 
Temos basicamente 3 tipos de LAUDOS ERGONÔMICOS: 
1 - Laudo Ergonômico do Objeto – esse laudo apenas é renovado pois o objeto não muda sua 
estrutura 
2- Laudo Ergonômico do Posto de Trabalho – AET – este laudo muda quando a conformação do posto 
é modificada ou seja caso haja mudanças de Layout, se não ocorrerem essas mudanças ele apenas é 
renovado a cada ano para se atestar que não houve mudanças 
3- Laudo Ergonômico Funcional – da mesma forma, se o trabalhador modificar seu posto ou o objeto 
de sua atividade, haverá um novo laudo para aquela determinada função exercida pelo determinado 
funcionário e a renovação deve ser realizada imediatamente a mudança funcional. 
Sempre que uma renovação é feita, é constatada que não houveram mudanças desde a última análise 
realizada. 
A exemplo do PPRA, os dados deverão ser mantidos por um período mínimo de 20 (vinte) anos. 
A Norma Regulamentadora – NR-17 – Ergonomia (Lei nº 6514/77 – Portaria nº 3751/90) estabelece 
a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todas as empresas que admitam 
empregados que estejam expostos a riscos ergonômicos. 
14.1 QUEM PODE ENSINAR UM LAUDO ERGONÔMICO 
Em agosto de 2000, a IEA - Associação Internacional de Ergonomia adotou a definição oficial 
apresentada a seguir. A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao 
entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de 
teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global 
do sistema. 
Os Ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de 
trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, 
habilidades e limitações das pessoas. 
 
 
 
22 
 
No Brasil, a profissão Ergonomista não apresenta uma formação específica de nível superior, ela se 
dá através de cursos de especialização Latu Sensu, que são frequentados por profissionais de áreas 
variadas de nível superior. Nessa formação são incluídas disciplinas como Psicologia, Anatomia e Fisiologia, 
Organização do Trabalho, Design e Métodos de Avaliação e Tecnologia da Informação. 
Conforme a própria definição determinada pela IEA, os fatores humanos são uma constante na 
avaliação e interpretação do risco ergonômico bem como a adaptação do trabalho as necessidades e 
limitação humanas, entendendo a origem e prevenção das doenças relacionadas ao trabalho. 
Não há definição explícita de qual profissional está habilitado legalmente a executar esse tipo de 
avaliação, porem as definições deixam claro que há necessidade de uma formação especifica para executar 
trabalhos nessa área, bem como conhecimento prévio de formação acadêmica de nível superior dos 
sistemas humanos para poder interpretar e planejar melhorias ergonômicas que protejam o ser humano no 
seu ambiente de trabalho. 
O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em 2002, reuniu uma equipe de auditores fiscais com 
especialização na área e profissionais da área da saúde e segurança do trabalho com especialidade em 
saúde do trabalhador para construírem um manual de interpretação da NR 17, norma que determina critérios 
mínimos de Ergonomia nos ambientes de trabalho. Esse manual foi constituído em virtude da complexidade 
de interpretação e aplicação da norma e interpretação da mesma pelos órgãos de fiscalização. Portanto o 
profissional que fará esse tipo de avaliação deve ser um profundo conhecedor da área e sua variada 
abrangência. 
A ERGONOMIA é um assunto relativamente novo aqui no Brasil e os Ergonomistas que temos, são 
profissionais que se titulam ERGONOMISTAS porque fizeram um curso de pós-graduação na área. 
Infelizmente, isso é um problema extremamente sério e que todos devem ficar atentos ao contratar 
um ERGONOMISTA. 
Em sendo um assunto novo, ainda falta muita regulamentação para que a capacitação seja realmente 
uma habilitação no assunto haja visto que, apesar de ser uma disciplina ligada de uma lado a saúde física 
do indivíduo e outro lado ligado a engenharia mecânica dos processos e dos objetos, suposto seria que a 
pós graduação na área deveria ter como pré requisito se pós de uma graduação compatível. 
Se é uma Pós-graduação em engenharia de fluidos, apenas engenheiros podem fazer essa pós. Se 
for uma Pós-graduação em direito do trabalho, apenas advogados podem fazer essa pós. 
Suposto seria que, para fazer uma pós-graduação em ERGONOMIA, apenas quem tivesse graduação 
em engenharia mecânica, medicina, fisioterapia, terapia ocupacional ou graduações com mesma grade 
curricular poderiam se PÓS GRADUAR, porém...não é isso que ocorre. 
QUALQUER GRADUAÇÃO HABILITA O PROFISSIONAL A FAZER A PÓS-GRADUAÇÃO NA ÁREA 
OU SEJA - SER ERGONOMISTA 
 
 
 
23 
 
Esse tema tem sido amplamente debatido e está em vias de regulamentação visto tantos problemas 
que estão surgindo no mercado e que acreditamos, com o adventodo eSocial estarão se agravando 
acentuadamente 
Paralelamente a ERGONOMISTAS insensatos, nos deparamos com profissionais de outras áreas 
que fazem a especialização apenas para poder tentar entender e até acompanhar certos profissionais 
"especialistas". 
Temos encontrado profissionais e PROFISSIONAIS, como em todas as áreas acontece, mas que na 
EROGOMIA mais se acentua exatamente por ser uma profissão recente, sem regulamentação acadêmica 
e com muitas oportunidades de campo. 
Na formação do fisioterapeuta, está garantido o exercício da atuação em Ergonomia através da 
RESOLUÇÃO n°. 403/2011, RESOLUÇÃO Nº 403 DE 18 DE AGOSTO DE 2011 que formaliza a 
Especialidade Profissional de Fisioterapia do Trabalho e dá outras providências. 
Art. 3º Para o exercício da Especialidade Profissional de Fisioterapia do Trabalho é necessário o 
domínio das seguintes Grandes Áreas de Competência: 
I – Realizar consulta fisioterapêutica, anamnese, solicitar e realizar interconsulta e encaminhamento; 
II – Realizar avaliação física e cinésio-funcional; 
III – Avaliar as condições ergonômicas; 
IV – Realizar análise ergonômica do trabalho; 
V – Elaborar, implantar, coordenar e auxiliar os Comitês de Ergonomia; 
VI – Estabelecer nexo de causa cinesiológica funcional ergonômica; 
VII – Implementar cultura ergonômica e em Saúde do Trabalhador; 
VIII – Avaliar a qualidade de vida no trabalho; 
IX – Participar da elaboração de projetos e Programa de Qualidade de Vida e Saúde do Trabalhador; 
X – Elaborar, auxiliar, implantar e/ou gerenciar programas ou ações relacionadas a saúde geral e bem 
estar do trabalhador, específicos a gestantes, hipertensos, sedentários, obesos entre outros; 
XI – Implementar ações de concepção, correção e conscientização relacionadas a saúde e segurança 
do trabalho, ergonomia entre outras; 
XII – Analisar e adequar fluxos e processos de trabalho; 
XIII – Avaliar e adequar às condições de trabalho as habilidades e características do trabalhador; 
XIV – Avaliar e adequar ambientes e postos de trabalho; 
XV – Analisar, estabelecer e adequar as pausas e outros mecanismos regulatórios; 
XVI – Analisar e organizar rodízios de tarefas; 
XVII – Avaliar e promover melhora do desempenho morfofuncional no trabalho; 
XVIII – Atuar em programas de reabilitação profissional, reintegrando o trabalhador à atividade laboral; 
 
 
 
24 
 
XIX – Solicitar, aplicar e interpretar escalas, questionários e testes funcionais; 
XX – Solicitar, realizar e interpretar exames complementares; 
XXI – Determinar diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico; 
XXII – Planejar e executar medidas de prevenção e redução de risco; 
XXIII – Prescrever e executar recursos terapêuticos manuais; 
XXIV – Prescrever, confeccionar, gerenciar órteses, próteses e tecnologia assistiva; 
XXV – Utilizar recursos de ação isolada ou concomitante de agente cinésio-mecanoterapêutico, 
massoterapêutico, termoterapêutico, crioterapêutico, fototerapêutico, eletroterapêutico, sonidoterapêutico, 
aeroterapêuticos entre outros; 
XXVI – Determinar as condições de alta fisioterapêutica; 
XXVII – Prescrever a alta fisioterapêutica; 
XXVIII – Registrar em prontuário consulta, avaliação, diagnóstico, prognóstico, tratamento, evolução, 
interconsulta, intercorrências e alta fisioterapêutica; 
XXIX – Emitir laudos de nexo de causa laboral, pareceres, relatórios e atestados fisioterapêuticos; 
XXX – Atuar junto às CIPA (Comissões Internas de Prevenção de Acidente do Trabalho); 
XXXI – Auxiliar e participar das SIPATs (Semanas Internas de Prevenção de Acidentes do Trabalho), 
SIPATR (Semanas Internas de Prevenção de Acidentes no Trabalho Rural), entre outros; 
XXXII – Auxiliar e participar na elaboração e atividades do PPRA (Programa de Prevenção de Riscos 
Ambientais), entre outros; 
XXXIII – Elaborar, auxiliar, participar, implantar e /ou coordenar programas e processos relacionados 
à Saúde do Trabalhador, Acessibilidade e Meio Ambiente; 
XXXIV – Realizar atividades de educação em todos os níveis de atenção à saúde, e na prevenção de 
riscos ambientais, ecológicos e ocupacionais. 
XXXV – Avaliar, estabelecer, implantar e gerenciar programas e processos de Ginástica Laboral; 
XXXVI – Ensinar e corrigir modo operatório laboral; 
XXXVII – Elaborar e desenvolver programas preventivos e de promoção em saúde do trabalhador; 
XXXVIII – Realizar ou participar de pericias e assistências técnicas judiciais entre outras; 
XXXIX – Elaborar, implantar e gerenciar programas de processos e produtos relacionados à 
Tecnologia Assistiva; 
XL – Auxiliar e participar dos processos de certificação ISO, OHSAS, entre outros; Art 4º. 
O exercício profissional do Fisioterapeuta do Trabalho é condicionado ao conhecimento e domínio 
das seguintes áreas e disciplinas, entre outras: 
I – Anatomia geral dos órgãos e sistemas; 
II – Ergonomia; 
 
 
 
25 
 
III – Doenças Ocupacionais ou Relacionadas ao Trabalho; 
IV – Biomecânica Ocupacional; 
V – Fisiologia do Trabalho; 
VI – Saúde do Trabalhador; 
VII – Legislação em Saúde e Segurança do Trabalho; 
VIII – Legislação Trabalhista; 
IX – Sistemas de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho; 
X – Organização da Produção e do Trabalho; 
XI – Aspectos Psicossociais e Cognitivos Relacionados ao Trabalho; 
XII – Estudo de Métodos e Tempos; 
XIII – Higiene Ocupacional; 
XIV – Ginastica Laboral; 
XV – Recursos Terapêuticos Manuais; 
XVI – Órteses, próteses e tecnologia assistiva; 
XVII – Acessibilidade e Inclusão; 
XVIII – Administração e Marketing em Fisioterapia do Trabalho; 
XIX – Humanização; 
XX – Ética e Bioética. 
A titulação dessa especialidade se dá através de critérios estabelecidos na Resolução nº 377/2010 
onde os profissionais de fisioterapia com comprovação de formação na área de saúde do trabalho, 
fisioterapia do trabalho ou ergonomia, submetem-se a provas de títulos e de conhecimento para obterem o 
título de especialista e obterem qualificação reconhecida pelo seu conselho de executarem os dispostos na 
resolução. 
Essa prova de titulação acontece em eventos oficiais, instituições ou associações como a ABRAFIT, 
Associação Brasileira de fisioterapia do trabalho, certificando então capacitação desses profissionais para 
executarem os trabalhos de Ergonomia e outros citados nos itens da resolução citados anteriormente. 
Portanto, é recomendável que se conheça a qualificação profissional e seu reconhecimento legal da 
formação na área de Ergonomia para a validação da responsabilidade técnica das análises de Ergonômicas 
realizadas nas empresas. 
 
 
 
26 
 
15 COMO ELABORAR UM LAUDO ERGONÔMICO CONSCIENTE 
Como é de se imaginar, o Laudo Ergonômico de uma estação de Trabalho deve ser direcionado a 
análise global do posto de trabalho, sempre levando em consideração o psico-biofísico do seu operador. 
O Laudo Ergonômico deve ser elaborado por posto de Trabalho individual, levando em consideração 
também, a empresa como um todo. Nada deve ser analisado de forma segmentada. 
Conforme a NR 17, o objetivo do Laudo Ergonômico é estabelecer parâmetros para a adaptação das 
condições de trabalho as características psicofisiológicas dos trabalhadores. 
Temos, basicamente, 03 tipos de Laudos Ergonômicos: 
1 - Laudo Ergonômico do Objeto 
2- Laudo Ergonômico do Posto de Trabalho - AET 
3- Laudo Ergonômico Funcional - AET 
O Laudo Ergonômico que denominamos Consciente, deve ser realizado com estudos visando os 03 
tipos de laudos acima mencionados para que se tenha uma real Avaliação Ergonômica do Posto - que pode 
ser de trabalho ou um simples local de lazer onde assistimos uma TV ou a dona de casa realiza seus 
trabalhos domésticos. 
A ERGONOMIA deve estar presente no dia a dia de toda população para prevenção dos riscos aos 
quais se está exposto por problemas de má postura, falta de ventilação, falta de iluminação, tamanho 
inadequado de ferramentas, e outras milhares de situações que se traduzem por uma má condição deequilíbrio físico - emocional - postural. 
O desenvolvimento de um Laudo Ergonômico consta de: 
- Estudo detalhado dos processos utilizados no desenvolvimento das atividades; 
- Avaliações qualitativa e quantitativa dos riscos ergonômicos; 
- Avaliação do mobiliário e equipamentos frente as atividades (hora x homem x trabalho); 
- Aferição e análise das condições ambientais dos locais de trabalho; (esquecido por muitos 
profissionais que elaboram o LE. 
- Aferição e análise do psico-biofísico do operador 
- Recomendações técnicas para melhoria das condições de trabalho. 
- Implantação de medidas de controle; 
- Treinamentos e cursos sobre ergonomia; 
- Mobilizações simples como a "Ginástica do Gato" 
 
 
 
27 
 
16 SOBRE O LAUDO ERGONÔMICO 
Quando uma empresa sofre uma ação fiscalizatória da DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e não 
desenvolve nenhuma ação em ergonomia ou ações insatisfatórias geralmente é notificada, com um prazo 
para elaboração do (s) documento (s) solicitado (s) - geralmente o Laudo Ergonômico - passível de multa 
caso não cumpra esse prazo. Neste caso vem uma pergunta extremamente atual para o gestor da empresa: 
A elaboração da Análise Ergonômica do Trabalho (Laudo Ergonômico) é suficiente para proteger minha 
empresa? A resposta é DEPENDE! 
O primeiro ponto é que o Laudo Ergonômico (AET) é exigência legal dentro do conjunto de normas 
regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, descrita na norma número 17 - NR17. 
A segunda questão é que hoje em dia não basta somente a empresa contratar uma pessoa ou 
empresa que identifique os riscos presentes no ambiente de trabalho, é preciso que o profissional que 
desenvolve trabalhos em ergonomia aplique conceitos de gestão em suas análises de risco: identificando, 
eliminando (ou controlando), priorizando, avaliando e validando seus trabalhos. 
Com frequência, apenas a primeira e a segunda etapas são contempladas nos estudos ergonômicos. 
O profissional se dirige a empresa, fotografa algumas situações, aplica alguns questionários e elabora 
o relatório do tipo: 1- Posto de trabalho A riscos B + C sugestão de melhoria SS. 
Isso é suficiente? Como sempre, a resposta é DEPENDE: Muitas vezes não… 
Hoje tem se exigido, além da identificação do risco e a sugestão de melhoria, uma melhor 
caracterização das atividades de trabalho, estabelecendo prioridades para as ações de controle e 
principalmente acompanhamento do trabalho. 
Cada vez menos se admite o “Laudo de Gaveta”, somente para “cumprir tabela”. 
Muitas ações fiscalizatórias têm exigido que a AET contenha no mínimo uma planilha de correções 
(cronograma), pois neste caso se estabelecem prazos de cumprimento e de avaliação. Para não nos 
estendermos por hoje, cabe ressaltar novamente o papel do profissional capacitado. A cobrança acaba 
sendo natural por parte de algumas empresas, pois um laudo mal elaborado pode trazer mais custos do que 
benefícios acabam gerando o “retrabalho”. Já diz o velho ditado “Se conselho fosse bom ninguém dava, 
vendia”, mas se cabe um conselho aos profissionais que adentram à área é que surgindo uma possibilidade 
de trabalho, contate algum profissional com maior experiência, faça parcerias, pesquise, empenhe-se… Vale 
mais a pena começar com menores rendimentos porém da maneira correta! 
Agora com o eSocial as informações tem que estar corretas pois qualquer falha pode gerar grandes 
transtornos para o empregador. 
Portanto, quem assina seu laudo, tem que ter condições técnicas e psicofisiológicas para representa-
lo caso haja algum problema e alguma perícia seja indicada. 
 
 
 
28 
 
A saúde do trabalhador é muito importante pois o "capital humano" é o maior patrimônio de qualquer 
empresa. 
Agora, sobre a AET - Vamos falar bem resumidamente sobre o assunto. Estamos formatando 
vários Fóruns de discussão no nosso Centro de Referência em Ergonomia de São Paulo - CRESP. 
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) tem como objetivo rastrear, observar, avaliar e analisar o 
profissional em seu real posto de trabalho e verificar as relações existentes entre demandas de doenças, 
acidentes e produtividade com as condições de trabalho, com as interfaces, com os sistemas e com a 
organização do trabalho. 
O Laudo Ergonômico é geralmente um documento emitido como resposta à algumas ou diversas das 
questões ergonômicas relativas à uma condição específica de trabalho em um determinado posto de 
trabalho. Certamente que um laudo ergonômico é solicitado para que um conjunto de respostas seja dado 
aos itens analisados, embora não necessariamente a totalidade dos itens relacionados à uma situação de 
trabalho, condição que caracteriza a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). 
A AET - análise ergonômica do trabalho compreende três fases: análise ergonômica da 
demanda, análise ergonômica da tarefa - que envolve: análise dos ambientes físicos (calor, luminosidade, 
umidade, som, etc); análise das condições posturais e antropométricas dos trabalhadores; análise dos 
aspectos psicológicos dos trabalhadores; análise organizacional; condições ambientais e por último, mas 
não menos importante, a análise ergonômica das atividades. 
Todas estas etapas devem ser cronologicamente abordadas de maneira a garantir coerência 
metodológica e evitar percalços, que são comuns nas pesquisas empíricas de campo. 
A AET é individual, FEITA PESSOA A PESSOA. Antigamente se fazia a análise por amostragem o 
que se verifica hoje que não é o correto. 
Com uma real AET se pode minimizar os riscos e trazer todos os benefícios ao profissional e a 
empresa além do completo cumprimento legal. 
17 A IMPORTÂNCIA DA AET PARA O ESTÁGIO DE MATURIDADE DA ERGONOMIA 
Bouyer (2007), utilizando-se do conceito de quatro limiares que distinguem o grau de maturidade de 
um discurso científico (positividade, epistemologização, cientificidade e formalização), coloca que a 
ergonomia está situada entre o limiar da epistemologização e o da cientificidade. Para ele a caracterização 
da ergonomia como ciência encontra-se confusa, porém mais conscienciosa da necessidade da 
interdisciplinaridade na construção da ergonomia científica e não reducionista. Se a opção é considerar a 
 
 
 
29 
 
ergonomia ciência, o autor observa que os modelos explicativos devem acompanhar a evolução das 
disciplinas que se unem para consolidá-los. 
Nesse contexto interdisciplinar [...] não há limite nos conhecimentos das disciplinas, que podem ser 
recrutados para a interpretação de uma atividade de trabalho [...] (DANIELLOU, 2004c, p. 187). No processo 
de maturidade em direção à cientificidade, Bouyer (2007) considera que o passo mais largo nessa direção 
foi a metodologia da análise ergonômica do trabalho (AET). Ela trouxe uma nova mentalidade sobre o que 
consiste em estudar uma situação de trabalho, colocando a atividade de trabalho como espaço privilegiado. 
O mesmo autor observa que essa situação demandou [...] incluir todo um arcabouço científico de 
outras disciplinas (psicologia, antropologia, fisiologia,) que, integradas, deveriam dar conta do objeto posto 
para análise da ergonomia: o trabalho, a atividade [...] (BOUYER, 2007, p. 4). Tecendo a discussão em torno 
dos fundamentos sobre cientificidade e métodos, conclui-se que com o instrumental da AET é: [...] possível 
construir verdadeiros modelos que, conforme postulada pela filosofia da ciência em diferentes abordagens, 
podem ser considerados modelos científicos por permitir, ao observador, explicar o fenômeno mediante o 
emprego desta ferramenta ou modelo por ele construído [...] (BOUYER, 2007, p. 5). 
18 RELAÇÃO CUSTO-BENEFÍCIO 
A questão custo-benefício decorrente das intervenções ergonômicas é um item essencial nas 
negociações envolvendo ergonomistas e dirigentes de organizações em geral. 
Sabe-se que a tomada de decisão das organizações envolve três razões principais (BUDNICK, 1998): 
- Ganhar Dinheiro: Empregada com cuidado ecritério a ergonomia trará mais dinheiro minimizando 
custos relativos às consequências de lesões no trabalho; evitando perdas relativas à produtividade, baixa 
qualidade na produção etc. 
- Evitar consequências, tais como multas por não agir de uma certa maneira: No aspecto legal, a 
Norma Regulamentar 17 (NR-17) recomenda: 
“… cabe ao empregador realizar a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), …”. 
Assim um documento oficial do Ministério do Trabalho prevê a necessidade da AET, sem especificar 
tipo ou natureza da atividade desenvolvida. Nos USA, a Occupational Safety and Health Administration 
(OSHA), órgão vinculado ao U. S. Department of Labour, desenvolve pesquisas em setores com alto nível 
de lesões vinculadas ao trabalho, visando aprimorar a legislação vigente. Assim, as sanções por questões 
ligadas à saúde e segurança devem se acentuar com o tempo. 
- Fazer a coisa certa: A ergonomia também implica em “fazer a coisa certa”, devido à seu impacto na 
melhoria da qualidade de vida dos agentes envolvidos. 
 
 
 
30 
 
Resumindo, a aplicação dos princípios ergonômicos deve e pode ser apresentada como uma boa 
estratégia de negócios e a questão financeira não devem ficar de fora da etapa de negociação. 
A Ergonomia, quando colocada como requisito de melhoria contínua, pode ser aliada ao sistema da 
Qualidade, que hoje já faz parte do dia-a-dia das organizações e a ela diversas ferramentas gerenciais são 
aplicadas, inclusive a de “Custos da Qualidade”. 
Já foi demonstrado que melhoria de qualidade reduz custos, em todas as fases do ciclo de 
desenvolvimento de um produto, principalmente na fase de projeto, (PETENATE, 1995), e a Ergonomia, 
aliada ao movimento da qualidade, coloca-se como uma base para a proposta de melhoria contínua dos 
processos produtivos e em geral, as melhorias da Ergonomia trazem, efetivamente, benefícios para os 
processos produtivos. Isso ocorre em termos de melhorias em diversos aspectos do processo, tais como: 
produtividade, qualidade da produção, redução de erros, moral dos trabalhadores, entre outros, e que, em 
todos os casos, podem ser traduzidos em resultados financeiros. 
BIBLIOGRAFIA 
ABERGO. Associação Brasileira de Ergonomia. Disponível em: Acesso em 19 de jun. 2016. 
ABRAHÃO, J.; SZNELWAR, L. I.; SILVANO, A.; SAMET, M.; PINHO, D. Introdução à Ergonomia. 1.ed. 
São Paulo: Blucher, 2009. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 10.152: Níveis de Ruído para o 
Conforto Acústico. Rio de Janeiro: ABNT, 1987. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 17: Segurança e medicina do 
trabalho. São Paulo: ABNT, 1990. 
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2006. 
CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 2. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2007. 
DANIELLOU, F. Apresentação à edição brasileira. In: DANIELLOU, F. (Coord.). A ergonomia em busca 
de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blucher, 2004a. p. 8-10. 
DANIELLOU, F. Introdução - questões epistemológicas acerca da ergonomia. In: DANIELLOU, F. 
(Coord.). A ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blucher, 
2004b. p. 1-18. 
 
 
 
31 
 
DANIELLOU, F. Questões epistemológicas levantadas pela ergonomia de projeto. In: DANIELLOU, F. 
(Coord.). A ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blucher, 
2004c. p. 181-198. 
DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prática. 2.ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. 
FALZON, P. Natureza, objetivos e conhecimentos da ergonomia: elementos de uma análise cognitiva da 
prática. In: FALZON, P. (Ed.). Ergonomia. São Paulo: Edgard Blucher, 2007. p. 3-19. 
GIBBS, G. Análise de dados qualitativos. Porto Alegre: Bookman, 2009. 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
HAIR Jr., J. F.; BUSH, R. P.; ORTINAU, D. J. Marketing research: a practical approach for the new 
millennium. New York: Irwin/McGraw-Hill, 2000. 
IIDA, I. Ergonomia projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2005. 
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia em ciências humanas. Porto 
Alegre: Artmed, 1999. 
LAVILLE, A. Referências para uma história da ergonomia francófona. In: FALZON, P. (Ed.). Ergonomia. 
São Paulo: Edgard Blucher, 2007. p. 21-32. 
LEPLAT, J.; MONTMOLLIN, M. As relações de vizinhança da ergonomia com outras disciplinas. In: 
FALZON, P. (Ed.). Ergonomia. São Paulo: Edgard Blucher, 2007. p. 33-44. 
MATOS, F. G. Fator QF – Ciclo de felicidade no trabalho. São Paulo: Makron Books, 1997. 
SCHWARTZ, Y. Ergonomia, filosofia e exterritorialidade. In: DANIELLOU, F. (Coord.). A ergonomia em 
busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. p. 141-179. 
YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 
TURELLA, K. T.; GUIMARAES, J. C. F.; SEVERO, E. A.; ESTIVALET, V. L. Ergonomia no processo 
produtivo: estudo de caso em uma indústria da Serra Gaúcha. In: XVIII Simpósio de Engenharia da 
Produção, SIMPEP, 2011, Bauru, Anais.

Continue navegando