A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
Visão (transdução) - Fisiologia

Pré-visualização | Página 1 de 2

Visão (Transdução) - Fisiologia 	 14/09/2016 – Fernanda R.
→ Introdução
	A transdução é a transformação de um estímulo em energia eletroquímica. O estímulo para o sistema visual é a luz - não qualquer uma, mas sim a luz visível. Dessa forma a luz precisa atravessar toda a estrutura do olho para chegar à fóvea. A fóvea é o local em que os fotorreceptores estão localizados e é onde ocorre a transdução, porém existe um detalhe: a luz precisa chegar de maneira adequada na fóvea – nem muita luz, nem pouca luz (senão não ocorre transdução). Depois de atravessar todas as estruturas do sistema ocular e alcançar a fóvea, essa luz sofrerá várias refrações.
A linha pontilhada representada nessa foto é o eixo visual, que é o correto trajeto da luz até alcançar a fóvea. Se fizermos uma linha com 90° do fundo do olho na retina, teremos o chamado eixo óptico, que serve para a avaliação da estrutura desse olho – tem muito a ver com as ametropias (doenças refrativas do olho). Para que a luz chegue adequadamente até a fóvea, o nosso sistema ocular já permite várias refrações, logo, temos a mudança da direção da luz de um meio para o outro. A córnea, que é avascular, não atrapalha em momento algum a passagem da luz visível e é ela quem propicia a maior refração. Não existe nenhuma formação de imagem na retina. A retina é capaz de converter a luz em impulsos elétricos que vão trafegar pelas fibras ganglionares que formam o nervo óptico. 
→ Vergência 
Para uma boa visão, não é só a transdução que é importante, o olho precisa estar muito bem posicionado na órbita. Para isso, temos os músculos oculares para posicionarem os olhos e também para movimenta-los. Essa musculatura é invernada, principalmente, pelos nervos oculomotor, troclear e o abducente. Nosso olho pode realizar movimentos mais rápidos e movimentos mais sutis, mas o que importa é a vergência. Existem duas vergências: as vergências dos globos oculares (possibilidade de convergir e divergir para ajustar o foco da imagem) e a vergência ligada ao cristalino ou acomodação do cristalino (processo automático). Essa última tem a ver com um sistema que é constituído pelo músculo ciliar, filamentos musculares que se prendem no cristalino – também chamados de zônula de Zinn e o cristalino propriamente dito. Estão todos presos um ao outro e o comportamento de um reflete no comportamento do outro. Se esse musculo ciliar se contrair, esses filamentos musculares que prendem o cristalino ficarão menos tensionados – tanto de um lado como do outro. A curvatura externa do cristalino tende a ficar mais arredondada e isso geralmente ocorre para objetos próximos. Para objetos distantes, essa musculatura relaxa e quando isso acontece os filamentos são tracionados. Isso ocorrendo de ambos os lados deixa o centro do cristalino mais plano em sua face externa. Algumas pessoas, podem perder um pouco dessa capacidade de acomodar o cristalino gerando uma ametropia. A presbiopia é normalmente associada a uma diminuição da capacidade de acomodação do cristalino e muito associada ao idoso.
	O nosso sistema visual regula a intensidade luminosa, ou seja, podemos captar mais ou menos luz pelos movimentos de abertura e fechamento de pupila, chamadas de midríase (simpático) e miose (parassimpático) – respectivamente. Uma outra particularidade do sistema visual é a capacidade que temos de percepção da profundidade e isso acontece porque temos uma visão principalmente binocular. Somado a isso, o que faz que tenhamos noção de profundidade é a noção de tamanho dos objetos. A estereopsia é importante para objetos próximos. Todas essas são percepções que se somam.
OBS: No caso da isocoria, um olho encontra-se mais dilatado e outro mais contraído. 
OBS2: O reflexo pupilar pode ser utilizado para avalições (intoxicações e lesões, por exemplo).
	→ Transdução
	A luz, inicialmente, atravessa todas as estruturas até chegar ao fundo do olho – a retina. Ela precisa atingir as regiões dos cones e bastonetes, onde ocorrerá a transdução e vai gerar uma energia eletroquímica que se propaga por todas essas – são muitas sinapses, já que densidade neuronal é muito alta. Essas informações (eletroquímicas) vão sendo intensificadas ou não, até chegar na fibra ganglionar. Nela, a luz se torna um potencial de ação – impulso nervoso. O impulso nervoso obrigatoriamente se propaga com mesma velocidade e intensidade enquanto variações eletroquímicas podem ser aumentadas ou reduzidas. As fibras ganglionares não são todas iguais, são apresentadas em três classes. 
	Os bastonetes apresentam formato paracilíndrico e o cone cuneiforme, ambos apresentam um segmento externo que é renovável e é, ainda, formado por uma membrana que pode ser dupla ou não. A proteína integral mais falada nesse sistema é a rodopsina.
	A luz, então, incide o segmento externo e atinge sua membrana – existe a camada fosfolipídica e a rodopsina está inserida na mesma. Quando a luz atinge essa proteína, ocorre uma transferência de energia e ela muda sua conformação. Quando isso acontece, ativa a transducina – uma proteína G, que geralmente está ligada a canais iônicos – e ativa a PDE (uma enzima fosfo-diesferase). Essa enzima tem ação de reduzir o Gmp cíclico e esse Gmp cílico mantinha um canal de sódio aberto. Se agora esse canal de sódio fechou, não haverá influxo de sódio e em contrapartida haverá saída de potássio. 
No sistema visual quando não há presença/captação de luz, ocorre uma liberação constante de neurotransmissores. A visão tem essa particularidade porque ela possui outras células (ganglionares, horizontais, plexiformes, amácrinas), então é muito mais fácil termos muitos neurotransmissores sendo secretado e reduzindo-os transitoriamente, é mais perceptível o decréscimo do que o acréscimo. Então, normalmente no escuro, temos muito neurotransmissor sendo secretado e quando começamos a captar luz teremos a redução transitória do mesmo. Esse neurotransmissor é principalmente o glutamato.
Então, voltando, a luz incide na retina neural, atinge os segmentos externos dos fotorreceptores, muda a conformação da rodopsina – se estivermos falando de bastonetes, se estivermos falando de cones, é a fotopsina. Essa alteração de conformação ativou a transducina que ativou a PDE, reduziu o Gmp cíclico, fechou o canal de sódio que consequentemente causou uma hiperpolarização. Há uma redução transitória de glutamato.
Todo esse processo é muito rápido. Quando falamos da cegueira noturna ou deficiência de alguma vitamina, tem a ver principalmente com a rodopsina – é noturna porque a dificuldade visual dessa pessoa ocorre quando está de noite, principalmente em lugares que há velas. O que acontece é que, para formar a rodopsina, a vitamina A também pode ser utilizada. Essa vitamina não é uma única substância, ela é um complexo. Dentre esse complexo existe o retinol, que ajuda a formar a rodopsina. Uma pessoa com deficiência de vitamina A vai ter rodopsina, porém por outras fontes – porém terá um número menor da mesma. 
	Nos cones é acontece o mesmo processo, ou seja, a luz o hiperpolariza e diminui a liberação de glutamato. 
	O bastonete é muito mais relacionado à visão chamada de visão escotópica, que seria um tipo de visão mais “grosseira” – relacionada com o preto, cinza, claro e escuro. Os cones são responsáveis pela visão fotópica, que não está relacionada somente às cores, mas também aos detalhes, formato. Esses cones são classificados em três e qual comprimento de onda o sensibiliza mais. A luz visível vai de aproximadamente 380 nanômetros a 680/700 nanômetros, sendo essa a nossa capacidade de interpretação dessa luz. Os cones mais curtos são azuis, ou seja, estão no comprimento mais do azul. Os mais longos são vermelhos e os intermediários, verdes. 
	No ser humano, a região central da fóvea é repleta de cones, muito mais do que os outros animais. É por isso que cada espécie animal tem uma percepção melhor ou pior – nós somos os que possuem as melhores