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Secreção Biliar

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Secreção Biliar – Fisiologia 		 03/03/2017 – M3
INTRODUÇÃO
A secreção biliar é responsável pela emulsificação de gorduras, ou seja, fazer com que os lipídeos diminuam o seu tamanho e aumentem a sua área de superfície para que as enzimas (lipases, principalmente oriundas do pâncreas) para que haja o processo de digestão. Caso não tenhamos a secreção biliar, a digestão de lipídeos torna-se menor já que parte desses lipídeos não vai se misturar à bile concentrada e dessa forma sairão nas fezes – esteatorreia (fezes com gorduras). Um indivíduo, por exemplo, que faz a extração da vesícula biliar (localizada abaixo do lobo direito do fígado, com formato de pera e capacidade de 30-60 mL) continua produzindo a bile (as estruturas que a produzem são os hepatócitos, no fígado) já que a sua função está relacionada ao armazenamento e ao mesmo tempo faz com que a mesma se torne mais concentrada. O grande precursor da bile é o colesterol e ela é secretada no duodeno. Não apresenta enzimas digestivas e sua produção é contínua, sendo em média 800 mL/dia – colerese (quantidade de bile produzida). Em sua composição encontramos:
· Sais biliares*
· Fosfatidilcolina* 
· Colesterol*
· Pigmentos biliares (2%)
· Proteínas
· Íons
· Água
*Esses três componentes estão presentes em uma relação de 10:3:1, respectivamente.
COMPOSIÇÃO E CARACTERÍSTICAS DA BILE 
Os hepatócitos são os grandes responsáveis pela produção da bile, como já dito anteriormente. Os canalículos biliares surgem entre os hepatócitos e vão se tornando cada vez mais estruturados. É válido ressaltarmos que a bile não possui enzimas digestivas em sua composição, ela auxilia a digestão de lipídeos já que os fragmenta. Na bile encontramos colesterol, os sais biliares principalmente – que são oriundos do colesterol – e fosfatidilcolina, como também citado anteriormente. A proporção em que esses componentes são encontrados é muito importante e é necessário que haja uma correlação entre os três. Como é um líquido, apresentará água, bilirrubina que é responsável pela sua coloração e eletrólitos – bicarbonato, sódio, cloreto. Quando há uma proporção indevida entre eles, pode ser desenvolvido um quadro conhecido como colilitíase. Existem situações em que quando a bile vai para a vesícula biliar, ela se torna tão concentrada e perde tanta água que o colesterol, quando começa a ficar em desproporção, começa a precipitar e muitas vezes pode se ligar ao cálcio também presente na bile. O grande emulsificador das gorduras são os sais biliares – a fosfatidilcolina também realiza esse processo. Além de ser emulsificadora, a bile também apresenta algumas funções menos relevantes. Ela é um meio de excreção e é lançada no duodeno, na região de ampola de Vater no mesmo lugar que chega o ducto pancreático. Nessa região há a presença de um esfíncter de Oddi que regula a passagem das secreções biliar e pancreática. Essa bilirrubina pode ser excretada, como também pode ser um xenobiótico que são substâncias estranhas ao corpo (exemplos: resíduos metabólicos de algum fármaco) que possam ser excretadas via biliar. E por fim, essa bile apresenta bicarbonato e como isso é lançado no duodeno, também vai ajudar a neutralizar o quimo – de forma pouco significativa em comparação à secreção pancreática. O sal biliar auxilia no processo inicial da digestão, ou seja, ele tem como objetivo fragmentar os lipídeos para que as lipases, principalmente pancreáticas, atuarem. Se isso não ocorrer, não teremos uma absorção adequada. Sem a presença da bile concentrada, perdemos em torno de 40% dos lipídeos que estariam em uma refeição. 
Entre os hepatócitos começa a ter o primeiro trajeto desse sistema biliar, que são os canalículos biliares e observamos isso na imagem A. Como já dito, primeira teremos os canalículos biliares que logo em seguida vão se estruturando em ductos terminais, depois em ductos perilobulares e em ductos interlobulares – lembrando que todos esses estão entre os hepatócitos. Dando continuado e observando agora a imagem B, observamos que haverá a formação dos ductos hepáticos direito e esquerdo, o ducto hepático comum e podemos ter o ducto biliar comum. Quando ainda olhamos para a imagem B, observamos o ducto cístico. Entre uma refeição e outra, a tendência da bile é ir para a vesícula biliar onde será armazenada e concentrada. Ela é geralmente lançada no duodeno a partir do estímulo do quimo que passa por essa região. A bile, como já falado, é produzida continuamente e entre uma refeição e outra sua tendência, até por mudanças nas angulações, é ser encaminhada para o ducto cístico e por fim para a vesícula. Um indivíduo que retira a vesícula biliar não será capaz de armazenar e concentrar a bile, então ela continua trafegando pelos ductos até chegar a ampola de Vater na mesma região que chega o ducto pancreático. Essa região é controlada pelo esfíncter de Oddi e o mesmo estímulo que vai favorecer a saída das secreções tanto biliar como pancreáticas é o mesmo. O paciente que faz retirada da vesícula biliar será orientado a comer alimentos menos gordurosos. Voltando ao trajeto biliar, teremos então:
CANALÍCULOS BILIARES → DUCTOS BILIARES TERMINAIS → DUCTOS BILIARES PERILOBULARES → DUCTOS BILIARES INTERLOBULARES → DUCTOS HEPÁTICOS DIREITO E ESQUERDO → DUCTO HEPÁTICO COMUM → DUCTO BILIAR COMUM/ DUCTO COLÉDOCO → DUCTO CÍSTICO
O fígado é um órgão extremamente irrigado pelas artérias hepáticas e seus ramos e drenado pelas redes centrais, também tem aporte sanguíneo via veia porta. É por isso que até a produção da secreção, ou seja, colerese é em alto volume – 800 mL/dia. Lembrando que quanto mais sangue chega a uma estrutura produtora de secreção, mais secreção será produzida. A bile apresenta dois estágios de produção, assim como a saliva, e por isso os canalículos foram citados. O estágio um é exatamente o início, na região dos canalículos biliares, bem no início em que se começa a ter a formação do sistema biliar. Nessa região temos os três principais componentes da bile sendo lançados: sais biliares, fosfatidilcolina e colesterol. À medida que esses componentes vão se locomovendo pelo circuito citado, teremos a secretina propiciando que tenhamos água e eletrólitos – dessa forma o volume começa a aumentar e assim teremos a presença de vários eletrólitos, dentre eles: bicarbonato e sódio (o que lhe dá um teor alcalino). A partir dos ductos biliares terminais até os ductos biliares interlobulares, entramos no estágio dois de produção enquanto nos próximos ductos já temos a bile formada. 
SÍNTESE DOS ÁCIDOS BILIARES
O colesterol é o precursor dos sais biliares. Inicialmente os hepatócitos irão convertê-lo em ácido biliar primário: ácido cólico ou quenodesoxicólico. Esse ácido biliar primário se transforma em sal biliar se conjugando à aminoácidos, principalmente glicina, mas também pode ser taurina, na presença de sódio – nesse caso temos o ácido cólico ou quenodesoxicólico ligado a um desses aminoácidos, formando o sal biliar glico e tauroconjugado. Se, por acaso, parte desses ácidos não forem conjugados, eles serão lançados a nível intestinal e simplesmente convertidos em ácidos biliares secundários. Esse ácido não é acumulado nem tóxico, então acaba sendo reabsorvido ou excretado nas fezes – são chamados de ácidos biliares desoxicólicos, ursodesoxicólicos e litocólico. O mais produzido é o ácido cólico, que irá originar o sal biliar e depois é o quenodesoxicólico enquanto os ácidos biliares secundários são produzidos em quantidades mais baixas, cada vez com concentrações menores. Lembrando que a ação de emulsificação de gorduras pertence exclusivamente ao sal biliar. 
Nesses processos, teremos transportadores de transporte passivo de substâncias que vão para o interior do sistema biliar enquanto outros são mais ativos, em que é necessária a atuação da bomba de sódio. Esses transportadores recebem alguns nomes, temos o exemplo do NTCP que é importante pois está presente na região basolateral, ou seja, ele está no sistema hepático e é ele quem favorece a reutilização/recaptação do sal