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Dietas Hospitalares - V.O. Profa. Thelma Feltrin Dietoterapia nas Especialidades Clínicas - 2018/02 Dietas Hospitalares - V.O. Objetivo da Aula: Descrever e caracterizar as dietas hospitalares de rotina e especiais. Conhecimento: Identificar as diferenças quanto à composição das dietas hospitalares. Habilidades: Elaborar cardápios para dietas hospitalares de rotina e especiais. Atitudes: Execução, aplicação, autonomia. Considerações Gerais • São modificações da dieta NORMAL, padronizadas pelo Serviço de Nutrição e Dietética (SND), a fim de atender às necessidades do paciente hospitalizado. • Geralmente as necessidades do paciente hospitalizado estão alteradas se comparadas às necessidades de indivíduos sadios. Considerações Gerais ➢ Devem se basear nas principais Diretrizes Dietéticas, Guias Alimentares e Recomendações Nutricionais atuais. ➢ Adequadas quanto a composição, cor, textura e principalmente SABOR. ➢ A padronização depende das características do hospital e do SND. Devem ser divulgadas a toda equipe de saúde do hospital através do MANUAL DE DIETAS. Dietas Hospitalares ➢ As dietas hospitalares são padronizadas por conveniência, eficiência, economia e uniformidade. ➢ É importante que a dieta seja flexível e INDIVIDUALMENTE adaptada (necessidades nutricionais, restrições, hábitos e preferências). Dietas hospitalares NÃO devem ter SABOR e APARÊNCIA comprometidos GASTRONOMIA HOSPITALAR Gastronomia Hospitalar ALIMENTAÇÃO TÉCNICAS GASTRONÔMICAS RECUPERAÇÃO DA SAÚDE CONFORTO QUALIDADE MELHORA ASPECTOS SENSORIAIS REDUZ DESPERDÍCIO ALIMENTAR SANTOS VS, GONTIJO MCF, ALMEIDA MEF. Rev. Nutrición Clin. y Dietética Hospitalaria. 2017; 37(3):17-22 GASTRONOMIA ● MODIFICA DIETAS HOSPITALARES ● ASSEGURA > ACEITAÇÃO DAS PREPARAÇÕES ● CONTRIBUI P/ RECUPERAÇÃO E BEM ESTAR ● PROPORCIONA HUMANIZAÇÃO Dietas Hospitalares ➢ A nomenclatura / terminologia, varia de hospital/hospital. Ex: dieta hipossódica, dieta ½ sal, dieta hipocloretada ➢ Abreviadas por siglas e denominadas conforme a modificação ou doença. Ex. Dieta líquida (LIQ), dieta hipossódica (HS), dieta para diabetes (DM) ➢ Para possibilitar a montagem da dieta e distribuição aos pacientes, devem ser identificadas (cartões/ etiquetas). Pacientes hospitalizados X dieta ➢ IBRANUTRI – Rev Bras Nutr Clin. 1998; 13(1): 30-40 ➢ BRAINS – Rev Bras Nutr Clin. 2013; 28(4):255-63 O paciente hospitalizado pode apresentar elevado risco de DESNUTRIÇÃO durante o período de internação. Quais os possíveis motivos dessa DESNUTRIÇÃO?? Classificação das Dietas Padronizadas ➢ Dietas de Rotina: modificações quanto a CONSISTÊNCIA e TEXTURA. Geral/Branda/Pastosa/Leve/Líquida ➢ Dietas Terapêuticas ou Especiais: modificações para atender especificações de determinadas doenças. Hipossódica/Hipoprotéica/Hipocalêmica, etc Principais Modificações da Dieta Consistência ➢ Determinada pela textura dos alimentos e preparações que compõem as dietas hospitalares. ➢ As modificações de consistência são as mais frequentes alterações das dietas hospitalares. ➢ São importantes para adaptar a dieta às condições de ingestão, mastigação, deglutição e ou digestão do paciente. Principais Modificações da Dieta Temperatura ➢ A temperatura pode variar segundo condições da cavidade oral ou TGI ou adaptação a cirurgia realizada. Morna, ambiente, fria ou gelada Valor Energético Total (VET) • Hipercalórica: dieta com VET acima das necessidades do paciente, indicada na desnutrição e ou estados hipercatabólicos (queimados) • Hipocalórica: dieta com VET abaixo das necessidades do paciente, indicada na obesidade. Alteração de Macronutrientes PROTEÍNAS • Hiperproteica: dieta com maior oferta de proteínas (> 1,2g/kg/dia). Indicação: desnutrição, estados hipercatabólicos ou situações em que se requer balanço nitrogenado positivo (queimaduras, septicemia e câncer). Adicionados alimentos ricos em proteína: carnes, leite e derivados, ovos e suplementos nutricionais. • Hipoproteica: dieta restrita em proteínas (6 a 8% VET), indicada em casos de insuficiência renal e encefalopatia hepática. • Rica em aminoácidos ramificados: dieta “rica” em aa ramificados (valina, leucina e isoleucina) e pobre em aa aromáticos (tirosina, fenilalanina e triptofano), indicada na encefalopatia hepática. • Restrita em fenilalanina: dieta com quantidades reduzidas do aa fenilalanina, indicada na fenilcetonúria. Alteração de Macronutrientes LIPÍDIOS Hiperlipídica ou hipergordurosa: dieta com maior oferta de lipídios (>35% VET). Indicação: epilepsia (Dieta Cetogênica). Hipolipídica ou hipogordurosa: dieta com restrição de lipídios (< 20%). Indicação: esteatorréia e ou comprometimento da digestão das gorduras, com alterações na vesícula biliar (colecistite) ou pâncreas (pancreatite). Dieta restrita em colesterol e AG saturados: dieta com restrição de alimentos fontes de colesterol e AG saturados. Indicação: Dislipidemias. Alteração de Micronutrientes SÓDIO (Na) • Hipossódica: dieta restrita em sódio total (intrínseco e/ou extrínseco). Indicação: edema, ascite e HAS, insuficiência renal, cardíaca ou hepática. • Acloretada (ou assódica): dieta restrita em sódio total, isenta de sal de cozinha (NaCl). Indicação: situações acima agravadas. Alteração de Micronutrientes POTÁSSIO (K) • Hipocalêmica: dieta com baixos teores de K, com restrição no consumo de alimentos ricos em K. Indicação: hipercalemia. • Hipercalêmica: dieta com maior oferta de alimentos fontes de K, indicada na hipocalemia, que ocorre com o uso prolongado de diuréticos, desnutrição e desidratação, CA e outras doenças espoliativas. Fibras alimentares/ resíduos alimentares ➢ Laxante ou laxativa ou rica em resíduos ou rica em fibras: dieta para ↑ o volume fecal, indicada na constipação/ obstipação intestinal. São acrescidas de alimentos fontes de fibras alimentares (30 a 50g/dia) e ou com poder laxativo. Alimentos-fonte ↓ Hortaliças, frutas, farelo de trigo, farelo de aveia, cereais e grãos integrais, suplementos de fibras. Ameixa preta: potente estimulador da motilidade intestinal (contém o ácido diidroxifenil isotina). ➢ Oferta hídrica aumentada! Fibras alimentares/ resíduos alimentares ➢ Obstipante ou restrita em resíduos: dieta para ↓ o volume e minimizar a quantidade de resíduos. Indicada: na diarréia (3 ou + evacuações líquidas/dia) e em pós operatórios do TGI. São excluídos ↓ alimentos fontes de fibras insolúveis - (frutas com casca e hortaliças), alimentos fontes de lactose/sacarose (leite, doces concentrados) e outros que possam estimular o peristaltismo intestinal. Dietas de rotina ➢ Modificadas quanto à Consistência dos Alimentos e Preparações ➢ Usadas para facilitar ingestão, mastigação, deglutição e/ou digestão ➢ Utilizadas no preparo para cirurgias e na evolução de PO ➢ Geralmente são dietas de TRANSIÇÃO para dieta normal ➢ É importante que a adequação calórica e nutritiva seja planejada em todas as fases de transição (suplementação nutricional). Dieta Líquida Características ➢Composta por alimentos de aspecto e consistência líquida no seu estado natural ou que se liquefazem à temperatura corporal ➢Exige o mínimo de trabalho para a digestão e > fracionamento (8 refeições/dia) Se adotada por longo período deve incluir suplementos para evitar carências nutricionais. Dieta Líquida Indicações ➢ Dificuldades de ingestão, mastigação e deglutição (DISFAGIA) ➢ Doenças da cavidade oral e TGI ➢ Infecções e doenças febris ➢ Inflamação do TGI e diarréia ➢ Pré e pós-operatório ➢ Preparo paraalguns exames laboratoriais ou radiológicos. Alimentos e Preparações • Leite, mingau ralo, iogurte batido, sorvete sem pedaços, chá, achocolatado, suco de frutas e de vegetais (coados), sopas (liquidificadas e coadas) e caldo de feijão. Dieta Líquida Restrita (com mínima formação de resíduos) RESÍDUOS = porção de alimentos que permanece no intestino após o processo de digestão e absorção. Características ➢ As mesmas características da dieta líquida, isenta de fibras, lactose, sacarose e outros alimentos fermentáveis. Indicações • Geralmente indicada “antes” da dieta líquida • Pré e pós-operatório de “grandes” cirurgias no TGI • Preparo de exames (colonoscopia) Dieta Líquida Restrita (com mínima formação de resíduos) Alimentos e Preparações ↓ Caldo de carne e ou legumes, chás (“claros”), suco de frutas coados (preferivelmente de limão e adoçados com edulcorantes), gelatina dietética e água de coco. Na introdução de uma dieta após jejum, inicialmente pode ser “líquidos VO” (água de coco, chá, gelatina dietética, suco de limão coado com edulcorantes). Dieta Leve ou Semilíquida Características • Composta por alimentos de consistência líquida, semi-líquida e cremosos ou macios, de fácil diluição na boca, mastigação, deglutição e digestão. Indicações • Dificuldades parciais na mastigação e deglutição • Doenças da cavidade oral e TGI • No pré e pós operatório e alguns preparos de exame • Infecções e doenças febris • Transição para dieta Branda ou Geral. Dieta Leve ou Semilíquida Alimentos e Preparações ➢ Todas as preparações da DIETA LÍQUIDA ➢ Bisnaga, torrada, pão de forma, biscoitos “simples” e queijos cremosos ➢ Sopas de macarrão, legumes e carnes picadas, canja ➢ Alguns hospitais adotam: carne bem cozida (moída, desfiada ou bem picada) purê de legumes (ou alguns legumes bem cozidos, sem casca), arroz “papa” ou massa bem cozida e caldo de feijão ➢ Fruta cozida e algumas cruas, maduras e sem casca (mamão, pêra, banana maçã). Dieta Pastosa Características ➢ Composta por alimentos de consistência líquida, semilíquida e pastosa, de fácil e mastigação ➢ Geralmente cozidos para atingirem a consistência pastosa Indicações ➢ Dificuldades de mastigação e deglutição, principalmente em pacientes idosos e alterações neurológicas. ➢ Pacientes com insuficiência cardíaca ou desconforto respiratório. Dieta Pastosa Alimentos e preparações ✓ Todas as preparações da DIETA LEVE na textura cremosa ou purê ou desfiados ✓ Bisnaga, pão de forma, biscoitos “simples” e queijos cremosos ✓ Carne bem cozida (moída, desfiada ou bem picada) ✓ Purê de legumes ou legumes bem cozidos, macios e refogados ✓ Arroz bem cozido tipo “papa”, massas bem cozidas e caldo de feijão ✓ Frutas cozidas e algumas cruas, maduras e sem casca (mamão, pêra, banana maçã). Dieta Branda Características ➢ Alimentos abrandados quanto à textura ➢ Restrição de alimentos fermentáveis Indicações ➢ Algumas alterações do TGI: gastrite, úlcera, doenças inflamatórias intestinais (DII) e outras ➢ Pós-operatório ➢ Transição para Dieta Geral Dieta Branda Alimentos e Preparações Todos da dieta leve e pastosa, arroz “normal”, caldo de feijão, carnes, legumes e verduras, frutas macias. Alimentos e preparações “excluídas” • Frituras, embutidos, enlatados, conservas, • hortaliças cruas (exceto folhas tenras picadas, como alface), • leguminosas (exceto caldo), doces concentrados e frutas com bagaço. Dieta Geral Características • Consistência e fracionamento normal • Sem restrições na composição e preparo • Normoglicídica, normoprotéica e normolipídica. Indicações • Pacientes cuja doença e estado geral não exijam nenhuma modificação em nutrientes e consistência na dieta. Alimentos e preparações “Evitados” • Geralmente evita frituras e outras preparações gordurosas e condimentos picantes. DIETAS ESPECIAIS ➢ São dietas hospitalares modificadas para atender a pacientes com doenças específicas. ➢ Podem ser avaliadas e calculadas individualmente devido ao elevado grau de especificações das modificações. ➢ Preparadas na cozinha dietética do SND ou cozinha metabólica e as preparações devem ser pesadas segundo a dieta calculada. ➢ Diariamente utiliza-se a Lista de Substituições. ➢ São exemplos de dietas especiais: hipocalórica, hipoprotéica, rica em aa ramificados, restrita em fenilalanina, sem glúten. NÚMERO DE REFEIÇÕES E VOLUME Normal: 5 refeições/dia (volume normal/ refeição) Fracionada: 6 a 8 refeições/dia (volume reduzido/ refeição) Refeição Horários Desjejum 7 a 8h Colação/ Lanche da manhã 9 a 10h Almoço 11h30 a 12h30 Merenda/ lanche da tarde 14 a 15h Jantar 17h30 a 18h30 Ceia/Lanche noturno 20h a 21h Dieta Geral - Almoço Dieta Geral – Café da manhã Dieta Geral - Jantar Dieta Geral - Lanche Dietas Terapêuticas EXEMPLO - QUADRO DE DIETAS DE ROTINA Refeição Dieta Geral Dieta Branda Dieta Semi Líquida Dieta Pastosa 1 Dieta Pastosa 2 Dieta Líquida Desjejum - Leite com café ● Pão francês com margarina ● Bolacha Maria ● Geléia ● Melão - Leite com café ● Pão de forma com margarina ● Bolacha Maria ● Geléia - Mamão • Leite com café ● Pão de forma com margarina ● Bolacha Maria ● Geléia - Mamão - Leite com café ● Pão de forma com margarina ● Bolacha Maria ● Geléia - Mamão ● Gelatina • Leite com café ● Mingau de maizena ● Gelatina ● Papa de frutas (papaia) • Leite com café ● Suco de melão ● Gelatina Almoço • Arroz ● Feijão ● Bife Rolê ● Batata soutê ● Salada de tomate e escarola ● Abacaxi ● Suco de laranja • Arroz ● Caldo de Feijão ● Carne em cubos cozida ● Batata soutê ● Escarola refogada ● Abacaxi em calda - Suco de laranja - Sopa inteira de legumes, macarrão - Purê de Batata - Carne desfiada - Gelatina - Suco de laranja • Arroz papa ● Caldo de Feijão ● Carne moída ● Purê de batata ● Gelatina - Suco de laranja - Sopa batida grossa de legumes, macarrão e carne - Purê de Batata - Caldo de feijão - Gelatina - Suco de laranja - Sopa batida e coada de carne e legumes - Gelatina - Suco de laranja Lanche da Tarde • Iogurte com frutas ● Chá de ervas ● Bolo inglês • Iogurte com frutas ● Chá de ervas - Bolo inglês • Iogurte com frutas ● Chá de ervas - Bolacha maizena • Iogurte com frutas ● Chá de ervas ● Bolacha maizena • Iogurte com frutas ● Chá de ervas ● Mingau de mucilon ● Papa de fruta (pêra) - Iogurte batido ralo - Chá de ervas - Gelatina Jantar • Arroz a grega ● Frango assado ● Creme de ervilha ● Espinafre ao molho branco ● Salada de acelga ● Papaia com sorvete de baunilha ● Suco de uva • Arroz com cenoura ● Frango cozido ● Creme de ervilha ● Espinafre ao molho branco ● Acelga refogada ● Papaia com sorvete de baunilha Suco de uva - Creme de ervilhas - Purê de cenoura - Frango desfiado - Creme de papaia - Suco de uva - Arroz papa - Frango desfiado - Creme de ervilha - Creme de espinafre - Creme de papaia - Suco de uva - Sopa batida grossa de legumes, macarrão e frango - Purê de cenoura - Caldo de feijão - Creme de papaia - Suco de uva - Sopa batida e coada de legumes com frango - Suco de uva - Gelatina Ceia • Chá de ervas ● Torradas ● Geléia • Chá de ervas ● Torradas - Geléia • Chá de ervas ● Bolacha maizena - Geléia - Mingau de farinha láctea • Chá de ervas ● Bolacha maizena ● Geléia - Chá de ervas - Mingau de farinha láctea - Papa de frutas (maçã) - Gelatina - Leite com achocolatado - Suco de fruta - Gelatina REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARUSO L, SIMONY RF, SILVA ALND. Dietas hospitalares - uma abordagem na prática clínica. São Paulo: Atheneu, 2002. SANTO VS, GONTIJO MCF, ALMEIDA MEF. Efeito da gastronomia na aceitabilidade de dietas hospitalares. Rev Nutr Clin Diet Hosp. 2017; 37(3): 17-22.Disponível em: http:// revista.nutricion.org/PDF/FerreiraAlmeida.pdf