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pesquisa em serviço social

Livro-texto sobre Pesquisa em Serviço Social; apresenta conceitos de pesquisa e da Pesquisa Social, discute a transição do conhecimento popular para o científico e orienta o desenvolvimento de habilidades técnicas, éticas e políticas para a formação e atuação do assistente social.

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Prévia do material em texto

2016
Pesquisa em serviço 
social
Prof.ª Denise da Silva Vieira 
Prof.ª Luiza Maria Lorenzini Gerber
Copyright © UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof.ª Denise da Silva Vieira 
Prof.ª Luiza Maria Lorenzini Gerber
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
361.3072081
V657p Vieira; Denise da Silva
 Pesquisa em serviço social/ Denise da Silva Vieira; Luiza Maria 
Lorenzini Gerber : UNIASSELVI, 2016.
 237 p. : il.
 ISBN 978-85-7830-975-6
 1. Serviço social – Pesquisa - Brasil.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
III
aPresentação
Prezado acadêmico!
Bem-vindo aos estudos de Pesquisa em Serviço Social!
Ao pensarmos em pesquisa, em um primeiro momento relembramos 
dos velhos trabalhos escolares nos quais, na maioria das vezes, após uma 
leitura superficial, fazíamos cópias, agrupávamos ideias em um texto, 
organizávamos uma “capa” e tínhamos finalizada a “pesquisa”.
Mas será que esse processo é pesquisar? 
Não, a pesquisa vai muito além de tudo isso.
Através deste livro vamos estudar o significado da pesquisa e, em 
especial, da Pesquisa Social. Vamos rever conceitos e adentrar ao mundo da 
pesquisa acadêmica, que irá de agora em diante influenciar sua maneira de 
pensar e refletir significativamente na sua formação como assistente social, 
que você, caro acadêmico, planeja ser, uma vez que estuda Serviço Social.
Neste sentido, observamos que no cotidiano da vida social, homens 
e mulheres organizam/sistematizam suas vidas sob a influência do que 
apreenderam no convívio familiar, social, comunitário e/ou religioso. As 
pessoas em diferentes espaços geográficos e sociais engendram processos 
para organizar suas vidas baseados nas vivências e no aprendizado formal.
Assim, as diferentes gerações através de diferentes maneiras e/ou 
narrativas transmitiam seus saberes, seus conhecimentos. Esses saberes, 
esses conhecimentos nos cercam e refletem na nossa organização doméstica, 
nas maneiras de executar determinado trabalho, nos hábitos cotidianos, no 
estilo de vida, no paladar, no senso estético, nas questões religiosas, entre 
outros aspectos.
E por que isso ocorre?
Não somos detentores do conhecimento por nascença, pelo contrário, 
adquirimos experiência conforme ocorre nosso crescimento, seja de maneira 
etária, a partir dos avanços da idade, ou como indivíduo que vive em 
sociedade. Antes de irmos, por conta própria ou porque o cotidiano nos 
direciona, em busca de novos saberes, fica em evidência o conhecimento 
denominado popular. 
IV
Desde os primórdios os conhecimentos acumulados e repassados 
de geração em geração têm grande influência nos moldes da humanidade. 
São os valores que tanto você, acadêmico, quanto os povos do outro lado 
do mundo adquirem por meio de narrativas dos antepassados, hábitos, 
costumes culturais e religiosos etc.
Porém, não é somente pelas experiências de gerações que se constrói 
e evolui uma sociedade. Apesar de esse modelo de repasse de conhecimento 
ainda existir e ter predominado durante muito tempo, houve um momento 
histórico, durante a evolução da humanidade, em que surgiram novas 
formas de aprender, experimentar e comprovar. Foi quando avançou o 
conhecimento sistematizado através de um treinamento específico, racional, 
no qual os fenômenos observados começaram a ser explicados em seus 
“porquês” e “como” ocorriam.
Iniciou-se, então, uma tentativa de evidenciar fatos/fenômenos 
correlacionados a uma visão mais ampliada do mundo, mais global, isto é, 
o fenômeno sendo visto por diferentes ângulos e “olhares”. Essa diferença 
nos “olhares” para com os fenômenos é que fez a humanidade transpor do 
conhecimento popular para o conhecimento científico. Ou seja, trocou-se o 
conhecimento “comprovado” apenas por crendices para o conhecimento 
experimentado e colocado à prova de existência.
Hoje, é na pesquisa que a percepção e a acuidade desses “olhares” 
mais avançados encontram âncoras. São os novos saberes, para a construção 
do conhecimento, que direcionam a vivência e a inteligência humana e 
tecnológica.
Dito isso, prezado estudante, iremos neste livro adentrar ao mundo 
da Pesquisa Social para que, conhecendo-a, você tenha habilidades técnicas, 
éticas e políticas para exercitá-la na sua formação acadêmica e, principalmente, 
na sua atuação futuro como assistente social.
Bons estudos!
Prof.ª Denise da Silva Vieira 
Prof.ª Luiza Maria Lorenzini Gerber
APRESENTAÇÃO DAS AUTORAS
Denise da Silva Vieira é assistente social (CRESS n° 3780 12° Região/
SC), graduada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB), especialista 
em Gestão da Política de Assistência Social pela Faculdade SPEI/PR, atua 
junto à Política de Assistência Social no município de Blumenau/SC, é docente 
(interna) do curso de Serviço Social da UNIASSELVI desde 2012.
V
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
Luiza Maria Lorenzini Gerber é assistente social (CRESS nº 0968 12 
R/SC), graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina (USFC), tem 
especialização em Serviço Social no Trabalho pela mesma universidade e 
em Administração Pública pela Universidade para o Desenvolvimento do 
Estado de Santa Catarina (UDESC); é mestre em Serviço Social pela UFSC, 
atuou profissionalmente junto à Previdência Social e Saúde, é tutora 
externa de Serviço Social do Polo MBS – UNIASSELVI de Florianópolis/
SC desde 2010.
NOTA
VI
VII
UNIDADE 1 – A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES ...................................................... 1
TÓPICO 1 – O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA ........................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 O CONHECIMENTO – CONCEITOS .............................................................................................. 4
3 OS DIFERENTES CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO 
CIENTÍFICO ......................................................................................................................................... 8
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 10
4 A CIÊNCIA – CONCEITOS, PARTICULARIDADES E LIMITES.............................................. 13
5 A CIÊNCIA COMO ÂNCORA PARA A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ...............15
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 18
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 19
TÓPICO 2 – A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES ......................................................... 21
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 21
2 CONCEITOS .......................................................................................................................................... 21
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 25
3 FINALIDADES DA PESQUISA ........................................................................................................ 26
4 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ................................................................................................... 29
5 O SERVIÇO SOCIAL: DE UM PROCESSO DE TRABALHO INTERVENTIVO PARA 
 UM PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA 
SOCIAL ................................................................................................................................................... 41
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 44
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 45
TÓPICO 3 – MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS ....................................................................... 47
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 47
2 AS CIÊNCIAS SOCIAIS ...................................................................................................................... 48
3 O MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS – CONCEITOS ................................... 48
4 MÉTODO INDUTIVO ........................................................................................................................ 50
5 MÉTODO DEDUTIVO ........................................................................................................................ 51
6 MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO ............................................................................................ 53
7 MÉTODO DIALÉTICO ....................................................................................................................... 54
7.1 AS LEIS DA DIALÉTICA ................................................................................................................ 55
8 MÉTODO FENOMENOLÓGICO .................................................................................................... 56
9 O MÉTODO DE MARX – A TEORIA, MÉTODO E PESQUISA ................................................ 57
10 O MÉTODO E OS MÉTODOS ........................................................................................................ 62
10.1 MÉTODO HISTÓRICO ................................................................................................................. 64
10.2 MÉTODO COMPARATIVO ......................................................................................................... 65
10.3 MÉTODO MONOGRÁFICO ........................................................................................................ 66
10.4 MÉTODO ESTATÍSTICO .............................................................................................................. 67
10.5 MÉTODO TIPOLÓGICO .............................................................................................................. 67
10.6 MÉTODO FUNCIONALISTA ...................................................................................................... 68
sumário
VIII
10.7 MÉTODO ESTRUTURALISTA .................................................................................................... 69
10.8 MÉTODO ETNOGRÁFICO .......................................................................................................... 70
10.9 MÉTODO CLÍNICO ...................................................................................................................... 71
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 72
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 75
TÓPICO 4 – A PESQUISA SOCIAL ..................................................................................................... 77
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 77
2 CONCEITOS E FINALIDADES ........................................................................................................ 77
3 O PESQUISADOR, SEU PAPEL E LIMITES ÉTICOS .................................................................. 83
4 AS ETAPAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA SOCIAL ....................................................... 88
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 92
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 95
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 97
UNIDADE 2 – SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ........................................... 99
TÓPICO 1 – PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO 
 SOCIAL .............................................................................................................................101
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................101
2 RESGATE HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL E A RELAÇÃO COM A PESQUISA .......102
2.1 DÉCADA DE 1980 .........................................................................................................................102
2.2 DÉCADA DE 1990 .........................................................................................................................103
3 RELEVÂNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ............................................................106
4 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA PARA O SERVIÇO SOCIAL .......................................108
5 RETORNO DAS PESQUISAS PARA O SERVIÇO SOCIAL .....................................................109
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................113
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................114
TÓPICO 2 – PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL ......................................................115
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................115
2 CONCEITOS DE ÉTICA ...................................................................................................................116
3 ÉTICA E O SABER – BIOÉTICA .....................................................................................................118
4 ÉTICA NA PESQUISA E O SERVIÇO SOCIAL ...........................................................................119
5 CENTRALIDADE DOS SUJEITOS NAS PESQUISAS EM SERVIÇO SOCIAL ...................122
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................126AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................127
TÓPICO 3 – ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL 
 PESQUISADOR ..............................................................................................................129
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................129
2 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O ATO DE PESQUISAR ...............................................129
3 TORNANDO-SE UM PESQUISADOR ..........................................................................................131
4 COMPETÊNCIA NO ATO DE PESQUISAR .................................................................................132
5 PESQUISAS: QUALITATIVA E QUANTITATIVA ......................................................................134
5.1 PESQUISA QUALITATIVA ..........................................................................................................135
5.2 PESQUISA QUANTITATIVA .......................................................................................................137
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................141
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................142
IX
TÓPICO 4 – ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ........143
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................143
2 O PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL .................................................................144
3 CARACTERÍSTICAS DO PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ......................148
4 COLETA DE DADOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ................................................151
5 RESULTADOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ............................................................155
5.1 ANALISANDO OS DADOS .........................................................................................................155
5.2 ELABORANDO O RELATÓRIO DE PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL ............................157
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................160
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................163
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................164
UNIDADE 3 – RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, 
EXECUÇÃO E RESULTADOS .................................................................................165
TÓPICO 1 – RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM 
 SERVIÇO SOCIAL .........................................................................................................167
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................167
2 ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA ....................................................................167
3 O QUE É O PROBLEMA DE PESQUISA, JUSTIFICATIVA E HIPÓTESES ..........................170
3.1 PROBLEMA DE PESQUISA .........................................................................................................171
3.2 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA .................................................................................................173
3.3 CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES ...............................................................................................174
4 METODOLOGIA E CRONOGRAMA DA PESQUISA SOCIAL .............................................177
4.1 METODOLOGIA ...........................................................................................................................177
4.2 CRONOGRAMA DE PESQUISA SOCIAL ................................................................................179
5 RECURSOS E REFERÊNCIAS DE PESQUISA SOCIAL ............................................................180
5.1 RECURSOS .....................................................................................................................................180
5.2 REFERÊNCIAS DE PESQUISA SOCIAL....................................................................................182
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................187
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................188
TÓPICO 2 – AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL ....................................189
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................189
2 PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DA AMOSTRAGEM ...........................................................189
3 TIPOS DE AMOSTRAGEM .............................................................................................................190
4 AMOSTRAS PROBABILÍSTICAS ..................................................................................................191
5 AMOSTRAS NÃO PROBABILÍSTICAS .......................................................................................193
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................196
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................197
TÓPICO 3 – TRABALHO DE CAMPO: INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS..........199
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................199
2 DEFINIÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ............................................199
3 INSTRUMENTOS: A ENTREVISTA ..............................................................................................200
4 A OBSERVAÇÃO ................................................................................................................................203
5 O QUESTIONÁRIO ...........................................................................................................................206
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................211
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................212
X
TÓPICO 4 – ANÁLISE DOS DADOS E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO ............................213
DE PESQUISA ........................................................................................................................................213
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................213
2 DEFININDO ANÁLISE DOS DADOS ..........................................................................................213
3 INTERPRETAÇÃO DOS DADOS COLETADOS ........................................................................214
4 ANÁLISE ESTATÍSTICA DE DADOS ...........................................................................................217
5 REDIGINDO O RELATÓRIO DE PESQUISAS ...........................................................................219
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................224
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................229AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................230
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................231
1
UNIDADE 1
A PESQUISA E SUAS 
PARTICULARIDADES
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender o conceito de ciência;
• relacionar os conceitos de ciência, conhecimento e saber;
• compreender a importância da pesquisa no meio acadêmico;
• estudar e analisar os diferentes métodos de pesquisas utilizados nas 
ciências sociais;
• conhecer os conceitos e a classificação da pesquisa social relacionando sua 
importância para o Serviço Social.
A Unidade 1 está dividida em quatro tópicos e, ao final de cada um deles, 
você realizará atividades para fixar seus conhecimentos.
TÓPICO 1 – O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
TÓPICO 2 – A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
TÓPICO 3 – MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
TÓPICO 4 – A PESQUISA SOCIAL
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico iremos estudar o conhecimento, como este foi sendo 
sistematizado pela humanidade no decorrer dos tempos através da capacidade 
humana de pensar.
Esta complexa ação, associada aos sentidos humanos (audição, olfato, 
visão, tato e paladar) proporciona aos humanos a inquietude que não conforma; 
que os leva a buscar soluções para os fenômenos que vivenciam e que num 
primeiro momento não têm respostas.
De maneira exata não se pode afirmar onde se iniciou a produção do 
conhecimento e qual foi a primeira pessoa a significá-lo, contudo a tradição do 
Ocidente marca a Grécia como o locus deste primeiro momento.
Ao longo da história grega, pensadores se destacaram, deixando seu 
legado para a humanidade:
• Sócrates (470 a 399 a.C.);
• Platão (427 a 347 a.C.);
• Aristóteles (384 a 322 a.C.).
NOTA
Esses três filósofos foram os inauguradores da filosofia ocidental, como a que 
concebemos ainda hoje em muitos aspectos. O período em que Sócrates, Platão e Aristóteles 
despontaram é considerado como o período áureo da Filosofia, dada a imensa contribuição 
deles para o avanço do pensamento filosófico.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
4
Antes de se falar de Sócrates, Platão e Aristóteles, é imprescindível, também, abordar sobre 
os sofistas, que foram pensadores contemporâneos a Sócrates e, juntamente com ele, 
foram os primeiros a falar sobre as questões morais dentro do âmbito filosófico. Os sofistas 
eram pensadores que realizavam viagens de cidade em cidade e, através de discursos 
públicos, atraíam jovens discípulos, os quais pagavam taxas por essa educação recebida. 
Apesar de serem pessoas muito refutadas por outros filósofos, como Aristóteles, por 
exemplo, os sofistas exerceram um grande papel para a evolução histórica da Filosofia.
As obras de Sócrates, Platão e Aristóteles serviram de base para toda a Filosofia na Idade 
Média, Renascentista, Idade Moderna e Contemporânea.
Grandes filósofos, de várias épocas da história, têm suas bases nesses três pais da filosofia 
ocidental.
Homens como Gregório, Tertuliano Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, no período 
entre a Filosofia Medieval e início da Renascença. Outros como os iluministas Rousseau, 
Diderot, Voltaire e Descartes e alguns mais recentes como Auguste Comte, Immanuel 
Kant, David Hume, Friedrich Nietzsche, Michel Foucault etc.
FONTE: Disponível em: <http://origem-da-filosofia.info/socrates-platao-e-aristoteles.html>. 
Acesso em: 22 dez. 2015.
2 O CONHECIMENTO – CONCEITOS
A palavra conhecimento tem vários significados. De acordo com o 
Dicionário Aurélio Online (2015), pode ser:
1 Ato ou efeito de conhecer.
2 Noção.
3 Notícia, informação.
4 Experiência.
5 Ideia.
6 Relações entre pessoas não íntimas.
7 Trato.
8 Recibo de contribuição paga.
9 Escrito representativo da fazenda recebida a bordo de um navio.
10 Ter perfeito conhecimento de si próprio, dos próprios méritos, do 
caráter próprio.
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
5
11 Instrução, saber.
12 Pessoas das nossas relações.
13 Conhecimento de causa: competência ou sabedoria em relação a um 
assunto ou a um fato. 
Para Costa (2001, p. 2), “conhecer é apropriar-se mentalmente de algo”, o 
conhecer está ligado à memória, quando a ativamos, as imagens mentais de algo 
vêm à tona. 
 
Então, novas ideias, novos conceitos ativam nosso sistema mental e nos 
fazem “apropriar” este novo conceito, o que nos leva ao conhecimento. Costa 
(2001) também se refere ao repertório que é a acumulação de informações e 
experiências vividas por uma pessoa no decorrer de sua vida. O autor se refere ao 
arsenal no qual a pessoa orienta-se quando percebe ou se depara com algo novo e 
se dá conta de que “não tem repertório” para tal, isto é, não viveu e/ou apreendeu 
tal fenômeno. Passa então a interrogar-se em busca de solução.
 
O repertório é individual, cada ser tem diferentes modos, maneiras de 
sentir e viver experiências.
Assim, “conhecer é mais do que ter na memória um conjunto de 
informações: é conseguir fazer com que essas informações se transformem em 
prática e sejam úteis sob a perspectiva pessoal, profissional, social ou política” 
(COSTA, 2001, p. 4).
Importante sinalizar que o ser humano não é passivo ao receber toda esta 
gama de informações, ele é racional e, neste sentido, infere sobre a informação 
sua reflexão crítica acerca do fenômeno novo com o qual se depara.
Isto quer dizer que “o processo de aquisição (produção) de conhecimento 
não é passivo (“bancário” – como diria Paulo Freire), ele é produto de reflexão 
crítica sobre os incontáveis itens que compõem a natureza, bem como sobre as 
inúmeras relações que se estabelecem entre esses itens” (COSTA, 2001, p. 4).
No Serviço Social, Aglair Alencar Setúbal, em sua obra Pesquisa em Serviço 
Social – Utopia e realidade (2013), também reflete sobre o conhecimento e a ação 
humana sobre a natureza, ação que transforma e está em contínuo movimento.
Ao considerarmos o conhecimento como forma de se expressar do 
homem no decorrer da sua história, vemos que, desde os primórdios 
da humanidade, ele foi sendo construído na relação entre os 
homens e destes com os objetos da natureza. O conhecimento foi se 
desenvolvendo à medida que as próprias ações humanas expandiam-
se em decorrência do surgimento e crescimento das necessidades 
estimuladas pelas experiências sociais, muitas das quais impostas 
pelos sistemas de produção determinantes das relações sociais de cada 
época. É certo que as condições e formas pelas quais o conhecimento 
foi e é elaborado, e as finalidades para as quais se destina, variam, 
dando origem às especulações filosóficas e teóricas que distam desde 
a Grécia antiga (século VI – I a.C) [...] Esses diferentes entendimentos 
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
6
fazem-nos perceber que a ação do homem não é apenas determinada 
biologicamente, pois concomitante a ela surgem outras variantes 
que lhe são incorporadas, de acordo com as suas experiências e 
conhecimentos acumulados (SETÚBAL, 2013, p. 30).
Neste sentido, pode-se afirmar com base em Costa (2001), Setúbal (2013) e 
na definição do Dicionário Aurélio Online (2015), que o processo de conhecimento 
é uma ação transformadora, muda a natureza porque transforma o ser que a 
vivencia, uma vez que o mesmo se torna produtor de conhecimento, ou seja, se 
transforma em agente com “competência ou sabedoria em relação a um assunto 
ou a um fato”.
Para fins metodológicos, Trujillo (1974 apud LAKATOS, MARCONI, 2009, 
p. 77) elencam os quatro tipos de conhecimento com base nos estudos deste autor: 
“Conhecimento Popular, Conhecimento Filosófico, Conhecimento Religioso 
(Teológico) e Conhecimento Científico”.
O Conhecimento Popular é também denominado de senso comum, 
se caracteriza por ser não sistemático, é passado degeração em geração sem 
comprovação científica; difere do conhecimento científico pela forma como 
determinado fenômeno é observado. 
É valorativo porque o sujeito que o detém está imbuído de valores, do 
que ele pensa sobre determinado fenômeno, como o apreendeu e o conheceu. 
Igualmente, este conhecimento não pode ser tomado como uma formulação geral, 
é assistemático, isto quer dizer que o sujeito tem experiências pessoais sobre o 
fenômeno que não são sistematizadas como regra geral; é verificável porque se 
limita à vida cotidiana e se relaciona ao que se percebe no dia a dia (LAKATOS; 
MARCONI, 2009).
Ainda de acordo com Lakatos e Marconi, é falível e inexato, “pois se 
conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a respeito do objeto. Em 
outras palavras, não permite a formulação de hipóteses sobre a existência de 
fenômenos situados além das percepções objetivas” (2009, p. 78).
Por outro lado, o Conhecimento Filosófico “se relaciona ao saber e ao 
amor à Filosofia” (COSTA, 2001, p. 8). A palavra Filosofia, em sua classificação 
etimológica, se refere ao “amor à sabedoria”; é um conhecimento também 
caracterizado como valorativo, porque emerge da experiência e não da 
experimentação (TRUJILLO, 1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2009). Não é 
verificável, pois hipóteses e/ou enunciados filosóficos não são verificáveis, não 
podem ser confirmados e nem refutados.
Apresenta a característica de racional, pois a Filosofia trabalha com 
enunciados que são logicamente correlacionados; é dito como sistemático porque 
suas “hipóteses e enunciados visam uma representação coerente da realidade 
estudada, numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade” (LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 78).
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
7
As mesmas autoras também caracterizam o conhecimento filosófico como 
infalível e exato, “já que, seja na busca da realidade capaz de abranger todas as 
outras, seja na definição do instrumento capaz de apreender a realidade, seus 
postulados, assim como suas hipóteses, não é submetido ao decisivo teste da 
observação (experimentação)”. (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 78).
Quanto ao Conhecimento Religioso (Teológico), este ancora-se na fé, em 
doutrinas, em proposições sagradas e que são valorativas; são determinadas pelo 
sobrenatural, pela inspiração. São verdades que são consideradas infalíveis e 
indiscutíveis, pois é a fé que as determina.
É um conhecimento que parte do princípio de que as “verdades” são 
infalíveis e indiscutíveis porque são “revelações” de divindades (sobrenaturais). 
Se por um lado a ciência busca através de experimentos e pesquisas comprovar 
fenômenos, a fé é uma ação de crença em algo divino e que por isto não se colocam 
dúvidas sobre seus postulados.
Neste conhecimento, a pessoa fiel acredita e por isto não procura 
evidências/provas do fenômeno, ela as interpreta como revelação divina e como 
tal não emergem dúvidas.
O Conhecimento Científico é produzido pelo homem, com base na 
realidade, sendo testável, determinado pelas regras científicas de pesquisa 
(ciência).
Assim, a ciência, que é base para este conhecimento, tem sua origem 
na palavra “scire, saber, conhecer, é uma forma especial, diferenciada de 
conhecimento. Caracteriza-se por buscar saídas inteligentes a problemas para 
cuja solução não exista repertório disponível e de tal modo que fique evidente a 
relação de causa e efeito existente entre os elementos envolvidos no problema” 
(COSTA, 2001, p. 11).
O conhecimento científico é real (factual), atua com fatos/fenômenos; as 
proposições ou hipóteses podem ser testadas para verificação se são verdadeiras 
ou falsas através da experiência e não somente através da razão, tal como ocorre 
com o conhecimento filosófico.
É um saber ordenado (sistemático), integra um sistema de ideias (teoria), 
as mesmas não estão dispersas/desconexas; tem como uma principal característica 
a verificabilidade, isto é, suas hipóteses que não podem ser verificadas não são 
consideradas como ciência (LAKATOS; MARCONI, 2009).
É falível porque não pode ser avaliado como definitivo, final ou absoluto; 
segundo as autoras supracitadas, pode-se afirmar que o conhecimento científico 
é “aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas 
podem reformular o acervo de teoria existente” (LAKATOS; MARCONI, 2009, 
p. 80).
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
8
Ainda observam as autoras que, mesmo com a separação metodológica 
entre os tipos de conhecimento (popular, filosófico, religioso e científico), é 
possível que um sujeito transite entre eles; o ser humano, ao ser estudado, pode 
ser avaliado e ser alvo de uma série de conclusões sobre sua vida em sociedade, 
“baseada no senso comum ou na experiência cotidiana; pode-se analisá-lo como 
um ser biológico, verificando através de investigação experimental as relações 
existentes entre determinados órgãos e suas funções; pode-se observá-lo como 
um ser criado pela divindade, à sua imagem e semelhança, e meditar sobre o que 
dele dizem os textos sagrados” (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 80).
Ainda sob a mesma análise, refletem as autoras que uma mesma pessoa 
pode utilizar-se de todas as quatro formas de conhecimento. Exemplificam: 
“[...] um cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente 
praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em 
muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes 
do senso comum”. (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 80).
O que ressaltamos, caro(a) acadêmico(a), é que cada tipo de conhecimento 
tem características e especificidades distintas, contudo, em se tratando de 
pesquisa, o conhecimento científico é o determinante, pois sua metodologia é a 
que permite a ciência avançar.
A partir de hipóteses, dúvidas, indagações sistematizadas através de um 
método escolhido pelo pesquisador é possível demonstrar, verificar, analisar, 
interpretar, explicar e prever uma determinada realidade e/ou fenômeno e assim 
poder propor, alterar, complementar ou refutar conceitos (pré)estabelecidos ou 
(pré)determinados anteriormente.
Diante do que estudamos até o momento, descreva a diferença entre o 
conhecimento teológico (religioso) e o conhecimento científico.
AUTOATIVIDADE
3 OS DIFERENTES CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO DO 
CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
Como já estudado, caro acadêmico, verificamos que o conhecimento 
científico é metodológico e permite que a ciência evolua, avance, faz com que a 
humanidade aumente seu saber. Mas o que é saber?
O saber está relacionado ao conhecimento. Segundo Mbarga e Fleury (2015, 
p. 90), saber é: “conhecer, compreender, ler ou ver, sentir, avaliar, reconhecer, 
considerar, analisar, praticar ou dominar”.
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
9
No aspecto da teoria, os mesmos autores Mbarga e Fleury (2015, p. 90) 
referem que “conhecer um tema, fato ou fenômeno significa que você pode 
descrevê-lo visual e virtualmente, explicar como ele interage com outros objetos 
ao seu redor e dizer como ele influencia seu ambiente e é influenciado por ele”. 
A produção do conhecimento científico se efetiva a partir do exercício 
da curiosidade, da observação, da coleta de informações através da razão; isto 
levará o ser a identificar, distinguir e descrever uma determinada realidade na 
sua forma mais verdadeira produzindo ciência.
A raiz da palavra “racionalidade” (do latim ratio) significa “cálculo”. 
Razão não é o mesmo que intuição, sensação, reação espontânea, 
emoção ou crença. A razão começa com o senso comum e se desenvolve 
por meio da habilidade de contar, medir, ordenar, organizar, 
classificar, explicar e argumentar. O discurso racional, então, é aquele 
que é coerente, ponderado e construído numa espécie de “cálculo” 
lógico, o que é bem diferente de uma opinião pessoal. Este tipo de 
discurso deve ser universalmente verdadeiro. A irracionalidade, 
porém, se recusa a estar submetida à razão. Um indivíduo irracional 
não seguea lógica e age segundo propósitos desordenados. Suas 
decisões são frequentemente incoerentes. O mundo irracional pode 
ser relacionado também ao mundo desconhecido, da superstição, do 
misticismo e do inacessível, incluindo o que acontece contra a razão. 
(MBARGA; FLEURY, 2015, p. 91). 
 
Assim, o uso do saber, do conhecimento científico sistematizado com um 
método específico levará o ser humano que é dotado de razão a “fazer ciência”.
A ciência é um conhecimento sistemático, tal como a arte, contudo 
ambas diferem entre si. Na arte, o conhecimento é sistematizado com base 
“nas preferências individuais, critérios de beleza ou, se você preferir, estética e 
emoções” (MBARGA; FLEURY, 2015, p. 91).
 
A sistematização está vinculada “ao esforço de produzir uma descrição 
verdadeira da natureza. Aqui, sistematizar significa aprofundar, pesar, medir, 
cronometrar, argumentar, racionalizar e construir logicamente, rejeitando o 
subjetivismo, deixando de lado as preferências pessoais e mantendo o sujeito fora 
de questão” (MBARGA; FLEURY, 2015, p. 91).
 
As teorias são elaboradas, construídas, escritas, mas também podem ser 
demonstradas de forma prática em um experimento laboratorial, por exemplo, 
onde o fenômeno é observado e estabelecidas suas causas e efeitos.
 
A ciência moderna se contrapõe à ciência antiga quando o estudioso deixa 
de lado seus valores pessoais para questionar o “porquê” das coisas e ir em busca 
de respostas; a ciência antiga era fortemente atrelada ao místico, à religião que 
usava da autoridade teológica para combater argumentos e questionamentos. 
 
No texto a seguir, você, acadêmico, poderá observar através da biografia 
de Galileu Galilei este atrelamento da ciência antiga à religião.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
10
GALILEU GALILEI – UMA PEQUENA BIOGRAFIA
LEITURA COMPLEMENTAR
Galileu Galilei foi um dos grandes cientistas da História, tendo dado 
grandes contributos, nomeadamente nos campos da astronomia e da física. Suas 
descobertas foram verdadeiramente notáveis, tendo revolucionado a forma de se 
fazer ciência. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observações astronômicas, 
foi um defensor do sistema heliocêntrico, entre muitas outras contribuições. 
A importância de Galileu para a ciência é tal que é considerado como o pai da 
ciência moderna. Vamos ver uma pequena biografia de Galileu Galilei, onde são 
apresentados alguns dos aspetos principais de sua vida e obra.
Galileu Galilei (em italiano, Galileo Galilei) nasceu em Pisa (Itália) a 15 
de fevereiro de 1564. Foi o filho mais velho do músico Vincenzo Galilei e de Giulia 
Ammannati. Galileu viveu em Florença entre 1574 e 1581, tendo depois ingressado 
na Universidade de Pisa para estudar medicina. Algum tempo depois abandona 
os estudos de medicina para se dedicar ao estudo da matemática. Nessa mesma 
Universidade de Pisa, em 1589 Galileu torna-se professor de matemática. Em 1592 
assume a cátedra de matemática na Universidade de Pádua, onde passou os 18 
anos seguintes. Em 1609, Galileu Galilei ouviu falar de um novo instrumento que 
consistia em um tubo com duas lentes e que permitia ver os objetos como se eles 
estivessem mais próximos. Com base nessa informação, Galileu criou ele próprio 
o seu telescópio. Não é verdade que tenha sido ele o inventor do telescópio, mas 
ele terá sido o primeiro a utilizá-lo para observações astronômicas e o primeiro 
a publicar um livro com os resultados dessas observações. A questão de quem 
foi o inventor do telescópio é bastante discutível, sendo normalmente atribuído 
ao holandês Hans Lippershey, que em 1608 pediu a patente deste instrumento 
óptico. Porém é provável que também não tenha sido este holandês o inventor. 
Existem vários outros que são considerados como potenciais inventores do 
telescópio. Galileu Galilei então criou seu próprio telescópio e posteriormente o 
aperfeiçoou. Apesar dos telescópios que ele possuía serem bastante rudimentares 
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
11
e limitados, mesmo comparados com os mais simples telescópios amadores do 
dia de hoje, as descobertas que Galileu fez com o telescópio foram espantosas 
para a época.
Galileu Galilei começou as suas observações em 1609, e logo em março 
de 1610 ele publica o resultado das suas observações na sua obra Sidereus 
Nuncius (Mensageiro das Estrelas). Essa obra de poucas páginas viria a ser 
uma das mais importantes da História da ciência. Nela, Galileu apresenta a 
superfície da Lua como sendo irregular, com montes e crateras; apresenta a 
descoberta dos quatro satélites de Júpiter, a que ele chamou de “estrelas de 
Médicis”; apresenta ainda a descoberta de que a Via Láctea é na realidade 
constituída por um enorme número de estrelas que não podem ser distinguidas 
a olho nu. Depois da publicação do Sidereus Nuncius, outras descobertas foram 
realizadas por Galileu Galilei, nomeadamente a descoberta das fases do planeta 
Vênus e a descoberta das manchas solares. As suas descobertas apoiavam o 
modelo cosmológico do heliocentrismo. O sistema heliocêntrico é aquele em 
que a Terra orbita em volta do Sol, e não o contrário, como se pensava naquela 
época. Galileu foi um forte defensor do sistema heliocêntrico, sistema esse 
já anteriormente defendido pelo astrônomo polaco Nicolau Copérnico. Até 
então o modelo cosmológico aceito na época era o geocentrismo, ou seja, a 
Terra está no centro do universo. Tanto o Sol como a Lua, os planetas e até as 
estrelas orbitam em torno da Terra. Galileu Galilei apresentou várias evidências 
que apoiavam o heliocentrismo. Mais tarde a defesa do heliocentrismo viria 
a causar problemas entre Galileu e a Igreja Católica. Em 1616, a Inquisição 
pronunciou-se contra a ideia de que o Sol é o centro do universo, considerando 
a teoria heliocêntrica como herética. Em consequência, foi proibido de falar do 
heliocentrismo como realidade física, mas apesar disso era permitido referir-
se a este sistema como hipótese matemática. Galileu foi convocado a Roma, 
onde pôde expor os seus argumentos. A conclusão do Tribunal do Santo Ofício 
era de que não existiam provas suficientes para concluir que a Terra se movia 
em volta do Sol, tendo admoestado Galileu a abandonar a defesa da teoria 
heliocêntrica. Em 1623 entra em função o Papa Urbano VIII, amigo de Galileu 
e uma pessoa mais aberta a novas ideias científicas. Apesar da abertura deste 
novo papa, este rejeitou o pedido de Galileu de revogar o decreto de 1616 que 
proibia a defesa do heliocentrismo. Apesar disso, Urbano VIII encorajou Galileu 
a prosseguir com seus estudos sobre o heliocentrismo, porém apenas como 
uma hipótese matemática e não como uma realidade física. Mais tarde Galileu 
escreveu a sua obra “Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del 
Mondo Tolemaico e Copernicano”, por vezes referido de forma mais abreviada 
como “Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo” (Diálogo sobre os 
dois principais sistemas do mundo, em português), obra essa publicada em 
1632 e que defendia o heliocentrismo. Em consequência, Galileu foi julgado e 
condenado à prisão e a abjurar as suas ideias. Passou seus últimos anos de vida 
em prisão domiciliária.
Apesar disso, Galileu Galilei sempre se apresentou como cristão, 
defendendo a veracidade das Sagradas Escrituras. Galileu aceitava a Bíblia como 
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
12
verdadeira, ele apenas estava em desacordo quanto à interpretação da Bíblia que a 
Igreja Católica fazia naquela época. Para a Igreja daquela época, o heliocentrismo 
estava em desacordo com a Bíblia. Galileu, que acreditava na Bíblia, não estava 
de acordo com essa interpretação da Igreja. Em 1638, estando Galileu cego, 
publicou a sua importante obra “Discorsi e Dimostrazioni Matematiche Intorno 
a Due Nuove Scienze” (em português, Discursos e demonstrações matemáticas 
sobre duas novas ciências). Para além das descobertas através do telescópio 
e da defesa do heliocentrismo, a obra de GalileuGalilei não fica por aqui: ele 
desenvolveu estudos sistemáticos sobre o movimento uniformemente acelerado 
e do movimento do pêndulo; descobriu a lei dos corpos em queda; enunciou 
o princípio da inércia, bem como o conceito de referencial inercial; inventou a 
balança hidrostática; inventou um tipo de compasso geométrico; inventou um 
termômetro que leva o seu nome, termômetro de Galileu. Galileu Galilei faleceu 
em Florença em 8 de janeiro de 1642.
FIGURA 1 – SIDEREUS NUNCIUS – CAPA DO LIVRO PUBLICADO EM 1610
FONTE: Disponível em: <http://www.siteastronomia.com/galileu-galilei-uma-pequena-
biografia>. Acesso em: 21 dez. 2015.
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
13
Prezado acadêmico, iremos a seguir estudar com maior ênfase a ciência.
4 A CIÊNCIA – CONCEITOS, PARTICULARIDADES E LIMITES
O termo ciência, de maneira geral, é definido como um conjunto que 
evolve raciocínio, método e verificação de determinado objeto e/ou fenômeno. 
Neste sentido, para Lakatos e Marconi (2009 apud TRUJILLO, 1974, p. 80), 
“[...] é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático 
conhecimento com objeto delimitado capaz de ser submetido a verificação”.
Ander Egg (1978, p. 15), de maneira análoga, define ciência como 
sendo “um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos 
metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de 
uma mesma natureza”.
Nos autores(as) citados evidencia-se que o que move o ser humano 
em direção à ciência é a sua necessidade de entender a natureza ao seu redor, 
compreender para além da aparência sensível dos objetos, fenômenos ou fatos.
Isto significa dizer que inicialmente a percepção sensorial humana os 
capta de forma superficial, com valores e críticas nascidos do senso comum, mas o 
homem quer ir adiante, romper com a realidade imediata, descobrir, compreender 
e explicar o fenômeno sobre o qual se debruça e responder às indagações iniciais 
que sua percepção captou.
 
Em resumo, o ser humano quer respostas para os seus “porquês”!
A ciência moderna, segundo Mbarga e Fleury (2015, p. 96), sedimenta 
o conhecimento através da: Observação, Experimentação, Explicação e 
Generalização e Previsão.
Os autores afirmam a necessidade de cada uma destas etapas ser 
rigorosamente seguida pelo(a) cientista, ou seja, por aquele(a) que busca fazer 
ciência.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
14
QUADRO 1 – A CIÊNCIA MODERNA E SEUS PASSOS METODOLÓGICOS
OBSERVAÇÃO
Observação 
rigorosa
EXPERIMENTAÇÃO
Aferição 
experimental 
cuidadosa dos fatos
EXPLICAÇÃO
Ao explicar o 
cientista deve:
GENERALIZAÇÃO 
E PREVISÃO
Quando um certo nº 
de fatos verificados 
é descoberto, deve-
se prosseguir para 
a generalização ou 
indução.
Observar 
cuidadosamente 
os fatos;
Deixar de lado 
opiniões pessoais;
Abandonar 
especulações e 
conhecimentos 
prévios;
Abandonar 
crenças, 
preconceitos, 
expectativas e 
paixões;
Abandonar 
expressões de 
autoridade;
Formular 
perguntas lógicas;
Propor hipóteses.
As observações 
devem ser repetidas 
em diferentes 
situações por 
diferentes pessoas;
Os resultados 
devem ser vitoriosos 
sobre a ignorância 
sem se submeter à 
autoridade;
As relações 
inequívocas entre 
causa e efeito devem 
ser demonstradas;
Os resultados 
devem ter uma 
confirmação clara, 
sem ambiguidades 
da verdade;
Os resultados 
devem oferecer uma 
validação verdadeira 
e isenta de ilusões.
Discutir as 
observações 
prévias, 
contraditórias, se 
houver;
Demonstrar 
relações entre 
as novas 
observações e 
as observações 
prévias;
Explicar por que 
certa causa tem 
determinado 
efeito;
Certificar-se 
de que não há 
falhas em seu 
argumento.
Generalizar as 
observações;
Aceitar que os fatos 
demonstrados 
descrevem a 
realidade;
Estabelecer leis 
e teorias válidas 
para situações 
semelhantes;
Predizer a evolução 
e o futuro estado e 
forma dos fatos e de 
suas relações.
FONTE: Adaptado de: Mbarga e Fleury (2015, p. 96)
Caro acadêmico, pelo que estudamos, você deve ter observado que 
em ciência não há espaço para o “eu acho”, opiniões do senso comum do dia 
a dia sem sistematização com a teoria; toda e qualquer nova proposição deve 
ser observada, testada, experimentada para ser validada e ser generalizada para 
fatos ou fenômenos similares.
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
15
A ciência é fascinante, contudo, é difícil e exige do pesquisador muito 
estudo, empenho e dedicação. Mbarga e Fleury (2015, p. 97) refletem que no 
mundo de hoje, o conhecimento “[...] chega mais perto da verdade e pode ser usado 
para transformar a realidade de tal maneira que foi capaz de moldar o mundo 
moderno. De forma espetacular, a ciência remodelou a saúde, as comunicações, 
as moradias, a energia, a agricultura, a guerra e a própria vida”.
Há disputa de poder na ciência, há no mundo moderno a preocupação 
com o limite da ciência, se ela revolucionou a vida humana para o bem, há a 
possibilidade de ser usada para o mal...
Por exemplo, a radioatividade: ao mesmo tempo em que partículas 
radioativas são utilizadas para o tratamento de variados tipos de câncer, podem 
ser utilizadas também em armas químicas, bombas, em guerras para a destruição 
em massa, para controle geopolítico sobre nações e populações vulneráveis...
Embora pareça se insinuar por todos os cantos e deter poderes que 
antes eram privilégios dos deuses, a ciência não é uma religião e os 
cientistas não são sacerdotes de uma seita. A grande e dispendiosa 
infraestrutura que a ciência requer parece tê-la tornado exclusiva de 
alguns países, mas os cientistas não pertencem a raça, sexo, idade, 
religião, cor de pele ou classe social determinados. Mesmo que a 
ciência busque a verdade, os resultados científicos não são verdades 
definitivas nem nada parecido com mandamentos divinos; os cientistas 
estão sempre questionando e nunca ficam satisfeitos com sua própria 
verdade. Além disso, a publicação de resultados é sempre um convite 
para que outros pesquisadores verifiquem sua precisão. Como um 
esforço humano, a ciência tem suas fraquezas. Erros, mesmo fraudes, 
acontecem. Algumas experiências são compradas e seus resultados, 
fabricados. É um mundo com sua parcela de rivalidades, ambições, 
ilusões e truques sujos, sobretudo em relação a quem foi o primeiro a 
inventar isso ou aquilo. Mas a força única da ciência – e que a distingue 
– é a sua habilidade de rastrear erros e corrigi-los com experimentos 
extras (MBARGA; FLEURY, 2015, p. 97). 
 
Toda ação científica deve ser norteada por princípios éticos de não 
provocar malefícios, deve visar sempre a preservação da vida no planeta, desde 
as mais simples às mais complexas formas de vida, visto que o planeta é um 
sistema interdependente onde os elementos terra, ar e água são determinantes 
para a preservação da vida.
5 A CIÊNCIA COMO ÂNCORA PARA A CONSTRUÇÃO DO 
CONHECIMENTO
Como já estudado, a racionalidade humana aliada à curiosidade e/ou 
busca por explicação para os fenômenos que o cercam, move o homem à procura 
de respostas; esta procura o impulsiona a sair do seu cotidiano, seus valores, do 
senso comum, em busca de um conhecimento sistematizado (conceitos, hipóteses, 
definições...) isto é, o conhecimento científico e que produz ciência.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
16
A realidade percebida a partir de um olhar científico tem um princípio 
explicativo, serve como base para compreendermos toda a cadeia de relações que 
está além da aparência dos fenômenos, nos leva a entender o tipo de relação que há 
entre os fenômenos, fatos e/ou coisas, ampliando a visão humana sobre o mundo.
“[...] Estima-se que na primeira década deste século tenham sido 
produzidos mais conteúdos e dados novos do que em toda a história anterior 
da humanidade. Diante de tal sobrecarga, é natural a sensação de que os fatos 
negativos são os mais frequentes e que o mundo é um lugar cada vez pior para 
viver [...]” (PAULI, 2015, p. 113).
Liderançaspolíticas, intelectuais e religiosas de expressão mundial 
discutem conjuntamente os limites da ciência; há acordos internacionais, como o 
Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que inibem o mau uso 
da ciência, aquele que traz malefícios para a vida.
DICAS
Para saber mais sobre este acordo, consulte: <http://www.infoescola.com/
geografia/tratado-de-nao-proliferacao-de-armas-nucleares/> e <https://pt.wikipedia.org/
wiki/Tratado_de_N%C3%A3o_Prolifera%C3%A7%C3%A3o_de_Armas_Nucleares>.
Prossegue Pauli (2015, p. 113) em sua análise:
A dificuldade de se desfazer de convicções pessoais contribui para a 
ansiedade causada pela mudança constante dos fatos, especialmente 
os científicos. Quando uma pessoa adquire um conhecimento e se 
convence de que ele é verdadeiro (por exemplo, de que um ovo faz 
mal à saúde), provoca-lhe incerteza receber a informação oposta. 
Contra isso, é preciso compreender que a produção de conhecimento 
é um processo contínuo. Há fatos que mudam rapidamente, como a 
previsão do tempo, e outros que são mais perenes, como o número 
de continentes no planeta. As mudanças mais difíceis de assimilar são 
aquelas que levam meses ou anos, no intervalo de tempo de uma vida 
humana, para ocorrer.
A ciência atua diretamente para a ampliação do saber, para o progresso, 
enfim, para o avanço da tecnologia que traz inúmeras melhorias para a 
humanidade. Mas, como já exposto, ela também pode ser utilizada para fins não 
pacíficos; há um expressivo número de informações na atualidade que confundem 
o indivíduo norteado pelo senso comum.
Para fins teóricos e acadêmicos e diante do amplo espectro de fenômenos que 
podem ser estudados, a ciência se apresenta com peculiaridades, especificidades, 
TÓPICO 1 | O CONHECIMENTO DA REALIDADE E A CIÊNCIA
17
assim, é classificada de acordo com seu “objeto ou tema, diferenças de enunciados 
e metodologia empregada” (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 81).
QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO E DIVISÃO DA CIÊNCIA
Ciência
Formais
Lógica 
Matemática
Factuais
Naturais
Física
Química
Biologia e outras
Sociais
Antropologia Cultural
Direito
Economia
Política
Psicologia Social
Sociologia
FONTE: Adaptado de: Lakatos e Marconi (2009, p. 81)
Caro acadêmico!
O Serviço Social se insere no contexto das ciências sociais; no decorrer dos 
estudos desta disciplina de Pesquisa Social iremos aprofundar os conhecimentos 
nesta área da ciência.
NOTA
O que é Empírico?
Empírico é um fato que se apoia somente em experiências vividas, na observação de 
coisas, e não em teorias e métodos científicos. Empírico é aquele conhecimento adquirido 
durante toda a vida, no dia a dia, que não tem comprovação científica nenhuma.
Método empírico é um método feito através de tentativas e erros, é caracterizado pelo senso 
comum, e cada um compreende à sua maneira. O método empírico gera aprendizado, 
uma vez que aprendemos fatos através das experiências vividas e presenciadas, para obter 
conclusões. O conhecimento empírico é muitas vezes superficial, sensitivo e subjetivo.
O conhecimento empírico ou senso comum é o conhecimento baseado em uma experiência 
vulgar ou imediata, não metódica e que não foi interpretada e organizada de forma racional.
Empírico também é o nome designado para aquele indivíduo que promete curar doenças, 
sem noções científicas, uma espécie de curandeiro, que, na verdade, é um charlatão. É por 
esse motivo que o antônimo de empírico é “rigoroso”, “preciso” ou “exato”.
FONTE: Disponível em: <http://www.significados.com.br/empirico/>. Acesso em 7 jan. 2016.
18
Neste tópico estudamos sobre o conhecimento da realidade e a ciência, 
assim podemos destacar: 
• De maneira exata não se pode afirmar onde se iniciou a produção do 
conhecimento e qual foi a primeira pessoa a significá-lo, contudo a tradição 
do Ocidente marca a Grécia como o locus deste primeiro momento. Na 
história grega, pensadores como Sócrates (470 a 399 a.C.), Platão (427 a 347 
a.C.) e Aristóteles (384 a 322 a.C.) se destacaram, deixando seu legado para a 
humanidade.
• O processo de conhecimento é uma ação transformadora, muda a natureza 
porque transforma o ser que a vivencia, uma vez que o mesmo se torna 
produtor de conhecimento.
• Lakatos e Marconi (2009, p. 77) elencam os quatro tipos de conhecimento com 
base nos estudos de Trujillo (1974): Conhecimento Popular, Conhecimento 
Filosófico, Conhecimento Religioso (Teológico) e Conhecimento Científico.
• A produção do conhecimento científico se efetiva a partir do exercício da 
curiosidade, da observação, da coleta de informações através da razão; isto 
levará o ser a identificar, distinguir e descrever uma determinada realidade na 
sua forma mais verdadeira produzindo ciência.
• A ciência moderna se contrapõe à ciência antiga quando o estudioso deixa de 
lado seus valores pessoais para questionar o “porquê” das coisas e ir em busca 
de respostas; a ciência antiga era fortemente atrelada ao místico, à religião que 
usava da autoridade teológica para combater argumentos e questionamentos.
• A ciência moderna, segundo Mbarga e Fleury (2015, p. 96), sedimenta 
o conhecimento através da: Observação, Experimentação, Explicação e 
Generalização e Previsão.
• Toda ação científica deve ser norteada por princípios éticos de não provocar 
malefícios, deve visar sempre a preservação da vida no planeta, desde as mais 
simples às mais complexas formas de vida, visto que o planeta é um sistema 
interdependente, onde os elementos terra, ar e água são determinantes para a 
preservação da vida.
RESUMO DO TÓPICO 1
19
1 De forma breve, descreva como ocorre o conhecimento racional e sua 
contribuição para o avanço da ciência.
2 Como visto, a ciência pode ser benéfica ou maléfica. Descreva como isto é 
possível e exemplifique.
3 Disserte brevemente sobre a Ética na ciência, ressaltando sua importância.
AUTOATIVIDADE
20
21
TÓPICO 2
A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Dando continuidade aos nossos estudos, iremos abordar a pesquisa em 
seu plano teórico, seus conceitos e finalidades. 
Ressaltamos, caros acadêmicos, a importância deste tema para o coletivo 
do Serviço Social, que nos últimos anos, com base na Lei de Regulamentação da 
Profissão (Lei nº 8.662/93), investe na formação e na qualificação continuada dos 
profissionais.
Objetiva com isto firmar uma dimensão de intervenção voltada 
tecnicamente também para a sistematização de estudos e pesquisas que 
evidenciem as reais condições e as demandas da população brasileira com vistas 
à formulação, implementação e monitoramento das políticas sociais destinadas 
aos cidadãos nas suas singularidades e nos diferentes estágios do ciclo de vida.
Uma pesquisa social com este objetivo e efetivada em consonância com 
o rigor metodológico retrata as reais condições e necessidades dos indivíduos, 
famílias e/ou grupos e pode subsidiar técnicos e gestores para a melhoria na 
qualidade, efetividade e/ou ampliação da oferta de serviços sociais.
2 CONCEITOS
A palavra pesquisa tem origem no termo latino “perquerire” - “procurar 
com perseverança”. (Disponível em: <http://www.significados.com.br/pesquisa/>. 
Acesso em 28 dez. 2015).
Neste sentido, pode-se afirmar que a pesquisa é um conjunto de ações e 
procedimentos que conduzem a novas descobertas e amplia os conhecimentos 
sobre determinado tema/área. 
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
22
Entendendo, de acordo com Gil (1995) e Minayo (2007), o 
conhecimento como emergente da curiosidade, da inquietação, 
da inteligência e da capacidade investigativa dos indivíduos, bem 
como da possibilidade de confirmação ou não de algo já elaborado 
e sistematizado sobre a realidade social, entende-se também, como 
eles, que o ato de pesquisar é algo privilegiado. Privilegiado, sim, 
pois reúne o pensamento e a ação de uma pessoa ou grupos num 
esforço para elaborar o conhecimento de diferentes ângulos e 
aspectos do real. Além disso, destaca-se que a pesquisa, como ato 
humano e social, está envoltaem valores, crenças, preferências, 
interesses e princípios do pesquisador. Sua visão de mundo, os 
pontos de partida, os fundamentos que orientam sua mente norteiam 
a sua trajetória e isso permite reafirmar que a ciência não é neutra. 
O pesquisador é justamente o elemento inteligente e ativo entre 
o conhecimento acumulado sobre determinado tema e as novas 
evidências sistematizadas no novo ato de pesquisa (GERBER, 2009, 
p. 11).
O(a) pesquisador(a) tanto pode dirigir seu foco para investigar uma 
área do conhecimento pouco estudada, isto é, parte de dúvidas ou indagações 
que ao longo do seu estudo poderão ser comprovadas ou refutadas, como 
também pode ampliar os conhecimentos sobre um determinado fenômeno/fato 
anteriormente já estudado, mas que ainda apresenta possibilidades de ter seu 
leque de conhecimentos ampliado ou mesmo aprimorado, como uma ideia e/
ou bem de consumo.
FIGURA 2 – A PESQUISA
FONTE: Disponível em: <http://www.farmaceuticas.com.br/beneficios-e-efeitos-colaterais- 
goji-berry/>. Acesso em: 10 jan. 2016.
É necessário ressaltar que a pesquisa social sofre inúmeras influências no 
seu campo de estudo, a sociedade e as relações sociais não são estáticas, estão em 
constante movimento, e isto reflete na pesquisa. Assim, o(a) pesquisador(a) deve 
estar atento(a) a estas influências externas.
Aglair Setúbal chama atenção sobre isto:
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
23
[...] Desse modo fica evidenciado que, para nós, é imanente ao 
conhecimento o caráter social que tem, por sua vez, as experiências 
sociais como base. Experiências que pelo trabalho, cultura, lazer 
e política viabilizam a transformação do homem; homem que na 
concretização das suas experiências sociais faz a história; história 
que representa as experiências sociais, que se constrói pela ação, 
que clarifica, que interpreta e que instrumentaliza o processo de 
reintegração do homem numa realidade concreta; realidade concreta 
que é apreendida, analisada e explicitada nas suas múltiplas 
determinações por meio do conhecimento científico, conhecimento 
que representa formas de se expressar do homem e da sociedade no 
mundo das artes, da política e do trabalho; trabalho que nem sempre 
representa o desejo do homem, mas que o transforma (SETÚBAL, 
2013, p. 31).
A pesquisa científica envolve um procedimento sistemático e intenso 
para explorar e inquirir em busca de descobertas e explicações que levam à 
compreensão de fenômenos em um determinado contexto histórico, social ou 
econômico.
Neste sentido, ela contribui para otimizar recursos humanos, materiais 
e naturais; racionalizando a produção de produtos (bens), para implementar 
serviços ou mesmo na descoberta de novos elementos que irão incidir para a 
melhoria da vida humana e animal.
A pesquisa enquanto proposta teórica é alvo de estudos e conceitos 
de diferentes estudiosos. Assim, observa-se que para Ander-Egg (1978 apud 
LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 157) ela é um “procedimento reflexivo sistemático, 
controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, 
em qualquer campo do conhecimento”.
Evidenciam-se a sistematização, o controle e a crítica como elementos-
chave para uma pesquisa produzir teorias e conhecimento.
Para Barros e Lehfeld (2010, p. 30), a pesquisa é definida como “uma 
maneira de se estudar um determinado objeto, sendo ela sistemática e realizada 
visando a incorporação dos resultados alcançados aos níveis de conhecimento 
obtidos. Considera-se que nada se faz sem auxílio da pesquisa”.
A afirmação de que a pesquisa é sistemática, racional e visa resposta/
resultados também é evidenciada nos estudos de Gil (2000, p. 41): “pesquisa 
consiste num procedimento racional e sistemático que visa encontrar respostas 
aos problemas que são propostos”.
Desta maneira, como já exposto, a pesquisa traz respostas, soluciona 
problemas, traz esclarecimentos, novos saberes e técnicas... muda o mundo!
Importante frisar esta característica: a partir de indagações/dúvidas, de 
forma racional e sistemática, o pesquisador encontra respostas e estas podem 
trazer melhorias para a vida cotidiana.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
24
Nesta perspectiva está o alcance social da pesquisa, o retorno dos 
resultados à sociedade que sob a forma de impostos financia a pesquisa em 
instituições governamentais e deve ser a demandatária dos resultados; contudo, a 
neutralidade se evidencia como difícil concretização, porque o(a) pesquisador(a) 
tem suas crenças e valores que interferem na sua análise.
Por isso é que consideramos ingênua a concepção que tenta abstrair 
a pesquisa das influências socioculturais e históricas do pesquisador 
e objeto, para cerrá-la num gueto científico dotado de esplendorosa 
beleza e de pureza imaculada. Felizmente, essa não é a maneira de ver 
da quase totalidade dos nossos sujeitos, o que nos leva a admitir que 
no Serviço Social não só vem ocorrendo a expansão quantitativa de 
pesquisas, mas que esse, à medida que se transforma como profissão 
inserida num mercado de trabalho, redimensiona a sua própria maneira 
de ver a pesquisa e passa qualitativamente a ter com esse processo uma 
relação mais íntima e, consequentemente, mais comprometida com a 
produção de conhecimento (SETÚBAL, 2013, p. 77).
Cabe ressaltar que não estamos, aqui, nos referindo a uma pesquisa “sob 
controle, sob encomenda” para atender a interesses particulares e/ou políticos, e 
sim que a pesquisa deve, quando financiada por recursos públicos, dar um retorno 
à sociedade, sob a forma de melhoria de serviços, maior qualificação dos técnicos, 
ampliação da autoridade dos centros de pesquisas e universidades, entre outros.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
25
LEITURA COMPLEMENTAR
FAZER CIÊNCIA: QUAL A SUA FUNÇÃO SOCIAL?
Maria Estela Vidoretti
Conta-se a lenda de que o famoso matemático inglês Michael Atiyah 
resolveu explicar para sua mãe a natureza de suas atividades. Depois de ter 
ouvido atentamente as explicações do filho, a boa senhora teria dito: “Acho que 
entendi o que você faz, mas diga-me uma coisa, filho: por que pagam você para 
isso?”. A pergunta que, segundo a anedota, a senhora Atiyah teria feito ao seu 
filho, infelizmente também é feita com frequência por muitos administradores 
públicos e pela sociedade em geral, e se refere à pertinência de se investirem 
recursos públicos na pesquisa científica e tecnológica em quaisquer países, 
sobretudo aqueles em desenvolvimento, como o Brasil – que, como se sabe, 
apresenta muitas carências sociais. 
Fazer ciência proporciona aos povos que participam, de fato, de seu 
desenvolvimento, uma melhor qualidade de vida, além da capacidade de 
superação econômica em relação aos povos que lideram os avanços tecnológicos. 
No entanto, criar uma cultura científica exige grandes investimentos em 
educação e cultura, o que é dificultado pela carência que essas sociedades em 
desenvolvimento apresentam para gerar riquezas sem o insumo principal para 
isso: o conhecimento. Sim, temos aqui um círculo vicioso!
Fazer ciência não significa ter alguns grandes cientistas, tampouco 
laboratórios abarrotados de espectrômetros, telescópios, computadores e 
outros equipamentos. Para construir um país com ciência é fundamental que a 
educação seja universal, obrigatória e de qualidade e que a sociedade cresça em 
meio à concepção de que a ciência, bem como os seus produtos, gera bem-estar 
e progresso. Veja, por exemplo: vozes da sociedade que bradam a necessidade 
da apropriação do saber têm a capacidade de impedir que o poder central 
sufoque economicamente nossas universidades, que são, hoje, os locais de 
maior concentração de pesquisadores de alto nível. Fazer ciência é, sobretudo, 
investir em educação e cultura, de modo que a promoção do crescimento 
econômico resultante seja capaz de reduzir a desigualdade social e promover o 
desenvolvimento do país.
Apesar de muitos de nossos problemas sociais poderem ser resolvidos 
com saneamentobásico, alimentação e interesse político, o século XXI nos desafia 
com os dramas das doenças emergentes, dos micro-organismos resistentes 
a fármacos, das doenças degenerativas e das múltiplas implicações da terapia 
gênica. Diante desse cenário, cabe a pergunta: “Que tipo de pesquisa devemos 
realizar?” Esse questionamento deriva do fato de que, embora o Brasil possua um 
conjunto expressivo de pesquisadores de bom nível e um investimento elevado 
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
26
no financiamento à pesquisa – levando em conta sua realidade social –, a ciência 
e a mentalidade científica ainda não estão incorporadas de maneira plena e eficaz 
em nossa sociedade. 
Inseridos nesse contexto, é necessário realizarmos uma avaliação 
crítica sobre os “porquês” de produzirmos ciência, no sentido de não apenas 
compreendermos o seu significado humanístico – que sustenta a nobreza da 
busca pelo conhecimento – e pragmático – que revela que a pesquisa é a base da 
inovação, essencial para a geração de riquezas, como também de repensarmos a 
função social da ciência num país repleto de problemas sociais como o nosso.
FONTE: Disponível em: <http://caez.org.br/fazer-ciencia-funcao-social/>. Acesso em 10 jan. 2016.
1 Defina com suas palavras o que é pesquisa.
2 Como você explica a expressão: alcance social da pesquisa?
3 Discuta com seus colegas, em pequenos grupos, possíveis temas de pesquisa 
que envolvam usuários dos serviços sociais nos diferentes estágios do ciclo 
da vida humana.
AUTOATIVIDADE
3 FINALIDADES DA PESQUISA
A pesquisa por si só não existe, para tal ela necessita que um ser 
(pesquisador) que, sob o uso racional de recursos, empreenda uma pesquisa.
 
Assim, são variadas as razões que motivam um(a) pesquisador(a), contudo, 
é reconhecido no meio científico que a pesquisa deve estar voltada para o benefício 
da sociedade.
UNI
“Produzir um conhecimento novo e inseri-lo no dia a dia da sociedade em prol 
da vida, da liberdade e da democracia. Esse deve ser o objetivo da pesquisa científica, que não 
pode prescindir do rigor na coleta de dados e no cruzamento dessas informações com as teorias 
disponíveis em determinada área de estudo”.
FONTE: Disponível em: <http://noticias.pucgoias.edu.br/index.php/component/k2/item/2844-
debate-sobre-fun%C3%A7%C3%A3o-social-da-pesquisa-abre-encontro-cient%C3%ADfico>. 
Acesso em: 29 dez. 2015.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
27
De maneira geral, os(as) pesquisadores(as) são motivados para satisfazer 
o desejo de adquirir conhecimentos, sem que haja necessariamente uma aplicação 
prática para os resultados, como é o caso da Pesquisa Pura (Pesquisa Básica); “o 
desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer” (GIL, 2000, p. 45).
Ou “o desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente 
e eficaz” (GIL, 2000, p. 45), sendo estimulados a contribuir com os conhecimentos 
adquiridos que podem ser utilizados para a aplicação prática voltada para 
a solução de problemas concretos da vida cotidiana moderna. Neste caso, é 
denominada de Pesquisa Aplicada.
NOTA
Pesquisa Básica X Pesquisa Aplicada
[...] As pesquisas, de modo geral, podem ser classificadas também em função de objetivos 
(para que serve?) e de recursos (o que será usado?). Em função dos objetivos, podem ser 
básicas (puras) ou aplicadas.
Uma pesquisa é básica (pura) quando busca produzir ou ampliar conhecimentos teóricos 
ligados a alguma área ou tema de interesse. Como o próprio nome sugere, a pesquisa básica 
não se propõe a resolver nenhum problema específico. A pesquisa aplicada, por seu turno, 
utiliza-se de teorias já existentes e busca solucionar problemas específicos.
Cumpre lembrar que existe uma modalidade de investigação que, embora se pareça com 
pesquisa aplicada, às vezes, é mera prestação de serviço (LUNA, 1996). Na prestação de 
serviço sempre existe um cliente. O pesquisador está buscando resolver um problema do 
cliente.
Já na pesquisa aplicada (também poderia ser básica), o interesse está centrado na produção 
de conhecimento novo. Assim, na pesquisa propriamente dita, é como se o cliente fosse o 
próprio pesquisador. Nada impede, evidentemente, que uma investigação esteja situada na 
interseção desses objetivos: produzir conhecimento novo e resolver um problema específico 
(de alguém).
FONTE: Costa (2001, p. 33)
Definir a finalidade da pesquisa, auxilia o(a) pesquisador(a) a argumentar 
para terceiros como planeja realizar seu estudo, e isto em termos metodológicos 
é exposto no Projeto de Pesquisa; que se constitui em “um exercício pedagógico” 
que deve ser iniciado na graduação. 
Na UNIASSELVI, você, acadêmico, vivencia esta aproximação com a 
prática da pesquisa na disciplina de Seminário Interdisciplinar.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
28
NOTA
O projeto de pesquisa e sua finalidade
José Artur Teixeira Gonçalves
O projeto de pesquisa é um planejamento elaborado pelo pesquisador antes do início de 
uma investigação científica. 
Mesmo a pesquisa sendo um processo dialético, não se pode dispensar a sistematização 
prévia do que se pretende fazer, de como proceder e a que resultados se espera chegar. 
Dificilmente se terá êxito em uma pesquisa cuja coleta de dados seja feita de forma 
assistemática e sem um norteamento teórico-metodológico. 
A finalidade científica do projeto, então, é esclarecer ao próprio pesquisador as questões que 
ele pretende enfrentar e quais as estratégias de que lançará mão para surpreendê-las. 
Além do caráter de planejamento prévio de uma pesquisa - antecedendo a elaboração de 
teses e trabalhos de conclusão de curso -, o projeto tem outras finalidades, que podemos 
chamar de institucionais. 
Em geral, os cursos de graduação exigem que os estudantes apresentem um projeto ou pré-
projeto de pesquisa antes da elaboração da monografia final. É uma forma de se avaliar se o 
caminho adotado pelo aluno poderá surtir os efeitos esperados, auxiliando-o na formulação/
construção de um objeto de investigação. 
Cursos de pós-graduação também solicitam dos candidatos projetos de pesquisa. São 
várias razões: verificar a pertinência do projeto na linha de pesquisa do programa; analisar 
a exequibilidade do projeto (ou seja, se o candidato conseguirá dar conta do que está se 
propondo); verificar o manejo do candidato de conceitos, teorias e metodologias. 
As instituições de pesquisa - tais como o CNPq - também exigem a apresentação de projetos 
de pesquisa pelos mesmos motivos expostos acima, visando avaliar também se o projeto se 
enquadra nas linhas de financiamento e se o mesmo apresenta relevância científica e social 
para ser fomentado através de uma bolsa de estudos. 
Como vimos, a finalidade do projeto de pesquisa é dupla: científica e institucional. Desta 
forma, sua produção deve ser rigorosa, atendendo tanto às exigências da própria pesquisa, 
bem como das instituições nas quais ela se insere. 
FONTE: Disponível em: <http://metodologiadapesquisa.blogspot.com.br/2008/07/o-projeto-
de-pesquisa-e-sua-finalidade.html>. Acesso em: 29 dez. 2015.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
29
4 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Para efetivar uma pesquisa é necessário confrontar dados, evidências, 
informações existentes sobre um determinado tema e o conhecimento teórico 
acumulado anteriormente sobre este mesmo assunto.
Assim, o(a) pesquisador(a) poderá construir uma porção do saber, uma 
vez que a totalidade é impossível de ser agrupada.
Neste sentido, o conhecimento sistematizado não é fruto da curiosidade, 
da inquietação, da inteligência e da atividade da pesquisa/investigação 
do(a) pesquisador(a) “X”, mas sim uma continuação do que já foi estudado e 
sistematizado anteriormente pelos estudiosos que se dedicaram também a este 
tema/assunto (LUDKE; ANDRÉ, 1986).
Diante do exposto, cabe refletir: 
- Há um(a) único(a) “dono(a) do saber”? Ou o saber pertence à humanidade 
e, em cada período histórico, determinados sábios se destacam e acrescem algonovo ao arsenal de conhecimento já existente?
Ainda no que se refere à classificação da pesquisa, não há entre os teóricos 
um consenso preestabelecido, autores diversos a classificam diferentemente de 
acordo com sua finalidade.
Para fins pedagógicos, neste estudo iremos nos deter na finalidade 
proposta por Gil (2000) e Barros e Lehfeld (2010).
Para Barros e Lehfeld (2010), a finalidade da pesquisa está relacionada à 
motivação para a qual ela se destina, assim as autoras as separam em Pesquisa 
Teórica, Pesquisa Metodológica e Pesquisa Empírica.
A Pesquisa Teórica tem o objetivo de desenvolver conceitos, discussões, 
polêmicas e apresentar novas proposições teóricas; se limita à análise da teoria 
já existente; a Pesquisa Metodológica se volta para o estudo de métodos ou 
questões metodológicas e se destina a aprofundar os estudos sobre os métodos; 
e a Pesquisa Empírica está relacionada a levantamento de dados empíricos para 
comprovação ou não de uma determinada hipótese, tem seu foco nos fenômenos 
empíricos da realidade social e que necessitam ser comprovados/validados.
Os autores citados também incluem como finalidade da pesquisa a 
diferenciação da mesma, que pode ser: Pesquisa Pura ou Pesquisa Básica e 
Pesquisa Aplicada ou Pesquisa Prática.
A Pesquisa Pura ou Pesquisa Básica, segundo Gil (1999), está relacionada à 
motivação do(a) pesquisador(a) em conhecer algo; não há uma motivação imediata 
por resultados, é também denominada de Pesquisa Teórica, anteriormente já 
discutida neste estudo.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
30
Seu objetivo está em desenvolver novos conhecimentos e que contribuam 
para o avanço da ciência, contudo, pode não ocorrer aplicação prática, os 
resultados se estabelecem no plano teórico.
Por outro lado, a Pesquisa Aplicada ou Pesquisa Prática motiva o(a) 
pesquisador(a) a conhecer e obter resultados práticos para serem aplicados no 
cotidiano. Gil (1999) expõe que esta pesquisa muda o cotidiano porque tem 
aplicação prática, isto é, sai dos centros de pesquisas para uso/benefício da 
população no seu dia a dia.
Caros acadêmicos, importante ressaltar que há uma hierarquia na ciência. 
Não basta o cientista pesquisar, descobrir algo novo, é necessário, no caso do 
Brasil, a validação e autorização dos órgãos de vigilância e dos respectivos 
ministérios para que a descoberta seja liberada para uso/usufruto da população.
UNI
No ano de 2015 vivemos a polêmica da substância fosfoamina/fosfoetanolamina 
sintética estudada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice (USP), que, mesmo tendo 
convicção do efeito da substância em células cancerígenas testadas em laboratório, viu seu 
estudo barrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Universidade de 
São Paulo (USP), porque seus efeitos sobre os seres humanos ainda não foram plenamente 
estudados e definitivamente testados. Leia a reportagem disponível em: <http://g1.globo.com/
sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/08/pesquisador-acredita-que-substancia-desenvolvida-
na-usp-cura-o-cancer.html>. Acesso em: 12 jan. 2015.
O controle de agências e ministérios é previsto na legislação brasileira 
e tem objetivos de proteção (humana, animal e ambiental); grande parte da 
polêmica com esta substância se deu por interesses econômicos, corporativos, 
emocionais...
NOTA
Ministério da Saúde - Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos 
Estratégicos (SCTIE)
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE/
MS) visa ao desenvolvimento da capacidade científica, tecnológica e produtiva nacional 
para o fortalecimento do SUS como sistema de saúde universal. A SCTIE/MS formula e 
implementa políticas nacionais de ciência, tecnologia e inovação em saúde, assistência 
farmacêutica e fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de saúde. Também 
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
31
desenvolve métodos e mecanismos para a análise da viabilidade econômico-sanitária de 
empreendimentos públicos no complexo industrial da saúde, promove a implementação 
de parcerias público-privadas no desenvolvimento tecnológico e na produção de produtos 
estratégicos para o país e coordena o processo de incorporação e desincorporação de 
tecnologias em saúde no âmbito do SUS.
FONTE: Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/
secretarias/sctie>. Acesso em: 12 jan. 2015.
É importante sinalizar que medicamentos novos envolvem muita pesquisa 
e principalmente um jogo de forças entre governos e grandes grupos químicos 
que, por deterem as patentes da descoberta e monopolizarem a produção e o 
comércio, determinam elevados preços. 
Imaginem a correlação de forças, o lobby da indústria farmacêutica com 
a perspectiva de um medicamento novo, no valor de R$ 0,10 cada cápsula...
A comoção e a busca judicial pelo medicamento estão relacionadas 
à crença, à vontade de superar uma doença grave. Tentem se colocar no lugar 
de um doente e/ou de um familiar de um doente: como não tentar todas as 
possibilidades diante de uma doença tão devastadora como o câncer?
Toda esta polêmica resultou em algo muito bom, a adesão de outros 
grupos de pesquisas para ampliarem os experimentos e os grupos de controle 
para validarem os efeitos desta nova droga no tratamento do câncer e a anuência 
governamental para incentivar a continuidade da mesma.
Acadêmico, este é somente um exemplo de pesquisa, no caso relatado, de 
Pesquisa Pura que deriva para a Pesquisa Aplicada.
Como já evidenciado neste estudo, a pesquisa, seja Pura ou Aplicada, 
difere nos objetivos e nos procedimentos. Neste sentido, Barros e Lehfeld (2010) 
afirmam que a pesquisa pode ser tipificada se considerarmos os procedimentos 
que serão adotados para estudar o fenômeno/objeto, isto significa que há 
diferentes maneiras de se alcançar o objetivo.
Assim, as autoras supracitadas denominam que quanto aos procedimentos 
a pesquisa pode ser: Pesquisa Descritiva, Pesquisa de Campo, Pesquisa 
Experimental e Pesquisa Ação.
A Pesquisa Descritiva se volta para descrever o fenômeno/fato observado, 
ele é registrado, analisado, classificado e interpretado. O(a) pesquisador(a), 
além da observação, realiza um levantamento de dados e se utiliza de pesquisa 
bibliográfica e documental. Para tal, tem o objetivo de coletar conhecimentos 
prévios e explorar o que já foi estudado sobre o assunto por outros(as) 
pesquisadores(as) (para isto pode usar os recursos da Pesquisa Exploratória).
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
32
A pesquisa bibliográfica e documental permite também a reconstrução 
histórica de um fenômeno social.
Reconstruir fatos passados através da pesquisa documental é tarefa 
árdua, visto que o estudioso está no devir, no exterior do fenômeno, 
ele também não viveu o passado tal como os atores que o relatam e que 
participaram ativamente da produção social. O movimento em direção 
ao estudo desta produção social através de documentos e relatos orais 
faz o pesquisador se deparar com múltiplas possibilidades de escolhas. 
Como começar? O que privilegiar? Escolher um tema em detrimento 
de outro? São escolhas difíceis, mas ao mesmo tempo, se apresentam 
agradáveis e prazerosas porque transportam para outro tempo, 
outra realidade. A pesquisa desencadeada em várias fontes leva a 
imaginação ao passado. Quem de nós já não se desprendeu do tempo 
real ao manusear velhos álbuns de fotografias, quem, ao organizar 
gavetas e documentos, não se deixou levar por reminiscências do 
passado? Por outro lado, estudar a trajetória e a produção social de 
grupos, de instituições ou mesmo de indivíduos tem se tornado uma 
tarefa cada vez mais importante numa sociedade em que o descartável 
é a palavra de ordem e a memória é algo pouco valorizado. Explorar o 
passado, para aqueles que o fazem, significa colocar em movimento a 
própria vida social e buscar respostas para problemas e questões que 
estiveram presentes em outros tempos, o que significa enveredar porcaminhos além do imaginado inicialmente, o que pode vir a se tornar 
uma aventura (GERBER, 2009, p. 11). 
Para o(a) estudioso(a), as vantagens em optar pela Pesquisa Descritiva 
estão relacionadas ao fato de que o(a) pesquisador(a) já conhece algo sobre o 
assunto de interesse; quer divulgar o que já se conhece sobre o tema/assunto e 
também receber críticas construtivas que lhe possibilitem ampliar a pesquisa e o 
conhecimento sobre o tema.
São utilizadas as técnicas padrão de coleta de dados (questionários, 
observação...). A abordagem metodológica para esta pesquisa é mais quantitativa 
do que qualitativa, porque envolve mensuração dos dados, percentuais, 
indicadores, enfim, os recursos quantificáveis utilizados nas técnicas estatísticas. 
Esta pesquisa permite elaborar perfis, comparar dados etc.
Para Costa (2001, p. 31), o “objetivo de uma pesquisa descritiva, em geral, 
é construir, por ensaio e erro, um modelo de comportamento das variáveis 
implicadas no processo descrito.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
33
NOTA
PESQUISA DESCRITIVA
Na Pesquisa Descritiva realiza-se o estudo, a análise, o registro e a interpretação dos fatos 
do mundo físico sem a interferência do pesquisador. São exemplos de pesquisa descritiva as 
pesquisas mercadológicas e de opinião (BARROS; LEHFELD, 2007). A finalidade da pesquisa 
descritiva é observar, registrar e analisar os fenômenos ou sistemas técnicos, sem, contudo, 
entrar no mérito dos conteúdos. Nesse tipo de pesquisa não pode haver interferência do 
pesquisador, que deverá apenas descobrir a frequência com que o fenômeno acontece 
ou como se estrutura e funciona um sistema, método, processo ou realidade operacional. 
O processo descritivo visa à identificação, registro e análise das características, fatores ou 
variáveis que se relacionam com o fenômeno ou processo. Esse tipo de pesquisa pode ser 
entendido como um estudo de caso onde, após a coleta de dados, é realizada uma análise 
das relações entre as variáveis para uma posterior determinação dos efeitos resultantes em 
uma empresa, sistema de produção ou produto (PEROVANO, 2014). A pesquisa descritiva 
pode aparecer sob diversos tipos: documental, estudos de campo, levantamentos etc., desde 
que se estude a correlação de, no mínimo, duas variáveis.
Espontaneidade: o pesquisador não interfere na realidade, apenas observa as variáveis que, 
espontaneamente, estão vinculadas ao fenômeno;
 
– naturalidade: os fatos são estudados no seu habitat natural;
 
– amplo grau de generalização: as conclusões levam em conta o conjunto de variáveis que 
podem estar correlacionadas com o objeto da investigação (PARRA FILHO; SANTOS, 2011). A 
pesquisa descritiva é, juntamente com a pesquisa exploratória, a mais habitualmente realizada 
pelos pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática. É também a mais solicitada 
por organizações como instituições educacionais, empresas comerciais, partidos políticos etc.
FONTE: Disponível em: <http://posgraduando.com/diferencas-pesquisa-descritiva-
exploratoria-explicativa/>. Acesso em: 13 jan. 2016.
A Pesquisa de Campo possibilita a observação dos fenômenos tal como 
eles ocorrem, não é possível isolar e/ou controlar as variáveis, mas sim perceber 
e estudar as relações estabelecidas. O(a) pesquisador(a) observa e explora, coleta 
diretamente os dados no local (campo) em que os fenômenos estão acontecendo 
ou ocorreram. 
No Serviço Social é uma pesquisa muito utilizada, uma vez que permite 
que o(a) pesquisador(a) se aproxime da população usuária e assim possa 
explorar as diferentes expressões da questão social que os usuários vivenciam 
em seu cotidiano.
Na Pesquisa de Campo é importante que o(a) pesquisador(a) não se deixe 
influenciar por crenças, valores morais, preconceitos... ele(a) deverá exercitar 
a neutralidade, observar os fenômenos e analisá-los com isenção, porque a 
inferência de crenças/valores pessoais interferirá nos resultados da pesquisa.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
34
Cabe ressalvar que esta pesquisa também necessita dos cuidados e regras 
da ética em pesquisa, principalmente sobre as questões pertinentes à pesquisa em 
seres humanos, como: Esclarecimentos, Termos de Consentimentos, autorização 
de Comitês de Ética, enfim, todo o regramento determinado pela Bioética.
UNI
O que é a Pesquisa de Campo?
A pesquisa de campo procede à observação de fatos e fenômenos exatamente como ocorrem 
no real, à coleta de dados referentes aos mesmos e, finalmente, à análise e interpretação desses 
dados, com base numa fundamentação teórica consistente, objetivando compreender e 
explicar o problema pesquisado. Ciência e áreas de estudo, como a Antropologia, Sociologia, 
Psicologia, Economia, História, Arquitetura, Pedagogia, Política e outras, usam frequentemente 
a pesquisa de campo para o estudo de indivíduos, grupos, comunidades, instituições, com 
o objetivo de compreender os mais diferentes aspectos de uma determinada realidade. 
Exige também a determinação das técnicas de coleta de dados mais apropriadas à natureza 
do tema e, ainda, a definição das técnicas que serão empregadas para o registro e análise. 
Dependendo das técnicas de coleta, análise e interpretação dos dados, a pesquisa de campo 
poderá ser classificada como de abordagem predominantemente quantitativa ou qualitativa. 
Segundo Franco (1985), numa pesquisa em que a abordagem é basicamente quantitativa, o 
pesquisador se limita à descrição factual deste ou daquele evento, ignorando a complexidade 
da realidade social.
FONTE: Disponível em: <http://profludfuzzimetodologia.blogspot.com.br/2010/03/o-que-e-
pesquisa-de-campo.html>. Acesso em: 12 jan. 2016.
A Pesquisa Experimental, como seu nome já sinaliza, envolve 
experimentos, tem o objetivo de criar condições para interferir no surgimento 
ou na mudança dos fenômenos, para ser possível explicar o que ocorre com os 
fenômenos correlacionados.
Esta pesquisa é utilizada para testes de novas substâncias, seja com seres 
humanos, animais ou vegetais. Os protocolos de ética devem ser rigorosamente 
seguidos e previamente autorizados pelos órgãos responsáveis. Há relatos desastrosos 
de pesquisas experimentais com animais e seres humanos que geraram graves 
sequelas, mutações genéticas, nos reinos vegetal e animal, introdução de “pragas” 
que fugiram do controle dos pesquisadores…
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
35
UNI
Vejamos o texto:
Pesquisa experimental: Entenda
Uma pesquisa é definida como experimental quando seu propósito é realizar testes e hipóteses 
a respeito de um determinado assunto. Seu universo é composto por grupos de controle, 
seleções aleatórias e variáveis independentes que podem ou não serem manipuladas.
1 - Para que você possa fazer uma pesquisa experimental o primeiro passo consiste em 
provocar, de forma deliberada, variações em uma determinada variável. Para que isto 
aconteça é necessário que sejam escolhidos grupos contendo o mesmo número de 
sujeitos, todos com características comuns, e introduzir em algum deles uma variável. 
Portanto, em seu experimento haverá um grupo de sujeitos com características idênticas, 
portando uma variável previamente escolhida por você e outra com as mesmas 
características sem a presença desta variável.
2 - O segundo passo de uma pesquisa experimental consiste em controlar variáveis que 
possivelmente possam interferir em seu experimento. Este passo é muito importante para 
que haja um reconhecimento científico de seu trabalho, pois do contrário seu experimento 
poderá ter como resultado dados vindos de variáveis que não fazem parte do objeto 
de estudo. Uma boa maneira para controlar estas interferências consiste em distribuir 
aleatoriamente os sujeitos em cada grupo, desta forma os erros estarão distribuídos 
de forma igualitária. Nesta etapa são realizadas análises dos efeitos da introdução de 
sua variável a partir de parâmetros comuns entre os dois grupos, tendo os seus dados 
devidamente armazenados. Emseguida a variável introduzida é retirada e novamente é 
feita uma análise de sua ausência contendo dados a respeito de sua ausência. O mesmo, 
ou seja, a análise dos dados existentes no grupo sem variável também deve ser feita e 
seus dados armazenados.
3 - Terminado o período previamente determinado de sua pesquisa experimental é 
realizada uma comparação contendo todos os dados coletados nos dois grupos. Todos 
os parâmetros comuns são comparados e os não comuns, ou seja, as particularidades 
existentes em cada grupo são devidamente anotadas. Por fim, estando todos os dados 
devidamente comparados, são descritos e verificados os efeitos provocados pela 
ausência ou presença da variável em cada um dos grupos. Se em seu experimento houve 
diferenças significativas provocadas pela introdução da variável escolhida, você estará 
obtendo a prova científica necessária para comprovar que ela é realmente a causa do 
problema investigado.
FONTE: Disponível em: <http://www.assimsefaz.com.br/sabercomo/pesquisa-experimental-
entenda>. Acesso em: 12 jan. 2016.
Já a Pesquisa-Ação envolve a atuação do(a) pesquisador(a) com os sujeitos 
integrantes da situação e/ou problema, há uma vinculação que visa a participação 
e a cooperação.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
36
PESQUISA-AÇÃO
Para Susman e Evered (1978), o termo pesquisa-ação foi introduzido 
por Kurt Lewin em 1946 para denotar uma abordagem pioneira da pesquisa 
social que combinava a geração de teoria com a mudança do sistema social 
através da ação do pesquisador no sistema social. A ação, por si só, é 
apresentada na forma de mudança no sistema e de geração de conhecimento 
crítico sobre a mesma. A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base 
empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação 
ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os 
participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de 
modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 2005). Para Oquist (1978), a 
pesquisa é a produção de conhecimento e ação é a modificação intencional de 
uma dada realidade. 
CARACTERÍSTICAS: 
• O pesquisador observa, mas também atua no objeto de estudo; 
• Cooperação entre pesquisador e pesquisado; 
• Abordagem holística; 
• Entendimento, planejamento e implementação de mudanças;
• Exige o entendimento da estrutura ética; 
• Inclui todos os instrumentos de coleta de dados; 
• O pesquisador tem que ter um conhecimento prévio do objeto; 
• Deve ser conduzida em tempo real. 
QUANDO UTILIZAR? 
Coghlan e Brannick (2008) consideram que a pesquisa-ação é apropriada:
• Quando a questão de pesquisa relaciona-se em descrever o desdobramento 
de uma série de ações ao longo do tempo em um dado grupo, comunidade ou 
organização; 
• Para explicar como e por que a ação de um membro de um grupo pode mudar 
ou melhorar o trabalho de alguns aspectos do sistema;
• E para entender o processo de mudança ou de melhoria para aprender com 
ele. 
OBJETIVOS DA PESQUISA-AÇÃO: 
Objetivo técnico: Contribuir para o melhor equacionamento possível do 
problema considerado como central da pesquisa; 
Objetivo científico: Obter informações que seriam de difícil acesso por meio 
de outros procedimentos, visando aumentar o conhecimento (teoria) de 
determinadas situações. (THIOLLENT, 2005).
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
37
SELECIONAR TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS: 
A combinação e uso de diferentes técnicas favorece a validação da 
pesquisa. 
Woodside e Wilson (2003) afirmam que a triangulação frequentemente 
inclui: 
• Observação participante do pesquisador no ambiente da pesquisa;
• Sondagens através de questionamentos dos participantes por explicações;
• Interpretações dos dados operacionais e análises de documentos escritos e 
dos locais onde se dá o ambiente da unidade de análise estudada.
Segundo Thiollent (2005), as principais técnicas utilizadas são: 
• Entrevista coletiva nos locais de trabalho;
• Entrevista individual aplicada de modo aprofundado;
• Arquivos internos da organização estudada;
• Observação participante.
A elaboração de um protocolo de pesquisa é recomendável para a melhoria da 
confiabilidade dessa pesquisa.
FONTE: Adaptado de: <http://www.carlosmello.unifei.edu.br/Disciplinas/Mestrado/PCM-10/Slides-
Mestrado/Metodologia_Pesquisa_2012-Slide_Aula_11_Mestrado.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2016.
Ainda sobre a finalidade da pesquisa, Gil (2000) classifica a mesma 
relacionando-a à abordagem do fenômeno/fato/problema. Para este autor, a 
pesquisa pode ser Quantitativa ou Qualitativa.
A Pesquisa Quantitativa se refere à abordagem na qual o(a) pesquisador(a) 
cita numericamente as opiniões e informações para serem classificadas e 
analisadas; há uso intensivo de técnicas e regras estatísticas. Todas as opiniões 
coletadas sobre determinado fenômeno são quantificadas utilizando-se: média, 
mediana, desvio-padrão, percentagem, análises...
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
38
NOTA
PESQUISA QUANTITATIVA
Sergio Mari Jr.
A Pesquisa Quantitativa é o método mais comumente utilizado, principalmente nas chamadas 
ciências naturais. Tem também ampla utilização no campo das ciências sociais, inclusive no 
Marketing. Seu objetivo é contar quantas vezes um determinado fenômeno ocorre em 
uma determinada população.
Recorre a métodos estatísticos para calcular a probabilidade de ocorrência de uma 
determinada variável em uma população pesquisada. Para isso, lança mão de cálculos e 
escalas que visam estabelecer um grau de confiança para os dados obtidos, declarando 
margem de erro e nível de confiança dos números obtidos.
As pesquisas estatísticas podem ser de dois tipos:
a) Senso – ouve todos os indivíduos da população, se aproximando muito da realidade, uma 
vez que ouvir o que todos pensam diminui a margem de erro.
b) Amostra – ouve um número menor de indivíduos previamente selecionados com o 
objetivo de generalizar os resultados encontrados nesse pequeno grupo para a população 
como um todo.
A grande maioria das pesquisas quantitativas é realizada por meio de procedimentos de 
amostragem, ou seja, sem ouvir todos os indivíduos, mas apenas alguns. Isso, por um lado, 
aumenta a margem de erro, pois é sempre pouco preciso generalizar, mas, por outro lado, 
diminui os custos e o tempo envolvido em sua realização.
As pesquisas quantitativas, portanto, têm um caráter reducionista. Ou seja, reduzem as 
possibilidades de resposta a apenas algumas alternativas e reduzem o número de pessoas 
ouvidas para que seja economicamente viável. Essa redução proporcionada pela pesquisa 
qualitativa é sempre alvo de críticas, principalmente nas ciências sociais.
Muito se tem escrito sobre os atributos dos procedimentos analíticos quantitativos e 
qualitativos. Os procedimentos quantitativos são indispensáveis na maior parte das 
ciências naturais. Em ciências sociais, os procedimentos quantitativos às vezes são menos 
valorizados por seu caráter reducionista. Em verdade, todo procedimento, seja qualitativo, 
seja quantitativo, é - em grau maior ou menor - reducionista. (EPSTEIN, 2010, p. 15).
PROCEDIMENTOS DE PESQUISA QUANTITATIVA
Os procedimentos mais comuns para realização das pesquisas quantitativas são 
os questionários e formulários. Ambos são formados por um conjunto de perguntas 
preferencialmente com respostas fechadas, em que o participante deve escolher entre uma 
das alternativas de resposta apresentadas. A diferença metodológica entre os dois processos 
consiste no seguinte:
• Questionários são entregues aos participantes da pesquisa para que eles mesmos leiam 
as questões e assinalem suas respostas. Neste caso é fundamental que a redação das 
questões evite ao máximo a possibilidade de dupla interpretação e deixe bem claro quantas 
alternativas se pode assinalar em cada uma.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
39
• Formulários permanecem nas mãos do pesquisador, que faz as perguntas oralmente e 
assinala aquelaalternativa que mais se aproxima da resposta dada pelo participante. Neste 
caso é possível colocar junto das questões algumas orientações técnicas sobre como o 
formulário deve ser preenchido.
FONTE: Disponível em: <http://infonauta.com.br/?q=9/91/pesquisa-quantitativa/>. Acesso em: 
10 jan. 2016.
Por outro lado, a Pesquisa Qualitativa envolve a descrição do fenômeno, as 
informações obtidas não podem ser quantificáveis, os dados são analisados de forma 
indutiva (o raciocínio indutivo generaliza a observação da realidade concreta e as 
particularidades constatadas são relacionadas ao geral).
NOTA
Indução, Dedução e Silogismo
A indução e a dedução são formas opostas de raciocínio. 
Indução: raciocínio em que, de fatos particulares, se chega a uma conclusão geral (vai de 
uma parte ao todo). 
Dedução: raciocínio que parte do geral para o particular (vai do todo a uma parte). Imagine 
que, visitando um país estrangeiro, você conhece uma loja de “frifas” (sem saber o que isso 
significa), e percebe que ela vende bonecas. No dia seguinte, ao ver uma outra loja de “frifas”, 
você poderá induzir que ela também vende bonecas. Se você fizer uma pesquisa em todas 
as lojas de “frifas” existentes e descobrir que todas vendem bonecas, sempre que encontrar 
qualquer uma dessas lojas, você poderá deduzir que ela também vende bonecas. 
A indução é o raciocínio próprio dos investigadores (quando faltam pistas de um crime) e 
cientistas (quando faltam dados concretos sobre uma pesquisa). 
A dedução é uma forma mais segura de raciocínio, porque é baseada em dados mais 
abrangentes e já aceitos. 
Silogismo: o silogismo é uma espécie de fórmula que representa o raciocínio dedutivo. Ele 
é formado por três enunciados:
1- Premissa maior (a que contém a totalidade que se conhece).
2- Premissa menor (a que menciona uma parte dessa totalidade).
3- Conclusão.
Exemplo:
1- Todo homem é mortal. (Premissa maior – todo).
2- Sócrates é homem. (Premissa menor – parte).
3- Sócrates é mortal. (Conclusão – dedução).
FONTE: Disponível em: <https://professoramarialucia.wordpress.com/2011/05/05/inducao-deducao-
e-silogismo/>. Acesso em: 10 jan. 2016.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
40
A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados aos mesmos 
são importantes no processo de pesquisa qualitativa. Igualmente neste caso, é 
necessário que o(a) pesquisador(a) exercite a neutralidade, não avaliando os 
resultados sob a ótica de valores e crenças pessoais.
As diferenças entre a Pesquisa Quantitativa e a Qualitativa são resumidas no 
quadro a seguir:
QUADRO 3 – DIFERENÇAS ENTRE PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA
Uma vez definido o tema da pesquisa, deve-se escolher entre realizar 
uma pesquisa qualitativa ou uma quantitativa. Uma não substitui a outra: elas 
se complementam.
• As pesquisas qualitativas têm caráter exploratório: estimulam os 
entrevistados a pensar e falar livremente sobre algum tema, objeto ou 
conceito. Elas fazem emergir aspectos subjetivos, atingem motivações não 
explícitas, ou mesmo não conscientes, de forma espontânea.
• As pesquisas quantitativas são mais adequadas para apurar opiniões 
e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utilizam 
instrumentos padronizados (questionários). São utilizados quando se sabe 
exatamente o que deve ser perguntado para atingir os objetivos da pesquisa. 
Permitem que se realizem projeções para a população representada. Elas 
testam, de forma precisa as hipóteses levantadas para a pesquisa e fornecem 
índices que podem ser comparados com outros.
Amostra:
• Qualitativa - não há preocupação em projetar resultados para a 
população. O número de entrevistados geralmente é pequeno.
• Quantitativa - exige um número maior de entrevistados para garantir 
maior precisão nos resultados, que serão projetados para a população 
representada.
Questionário:
• Qualitativa - normalmente as informações são coletadas por 
meio de um roteiro. As opiniões dos participantes são gravadas e 
posteriormente analisadas.
• Quantitativas - as informações são colhidas por meio de um 
questionário estruturado com perguntas claras e objetivas. Isto 
garante a uniformidade de entendimento dos entrevistados.
Entrevista:
• Qualitativa - são realizadas por meio de entrevistas em profundidade 
ou de discussões em grupo. Para as discussões em grupo, as pessoas 
(em média oito) são convidadas para um bate-papo realizado 
em salas especiais com circuito de gravação em áudio e vídeo. 
Nas entrevistas em profundidade é feito o pré-agendamento do 
entrevistado e a sua aplicação é individual, em local reservado. Este 
procedimento garante a concentração do respondente.
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
41
• Quantitativa - o entrevistador identifica as pessoas a serem 
entrevistadas por meio de critérios previamente definidos: por sexo, 
por idade, por ramo de atividade, por localização geográfica etc. As 
entrevistas não exigem um local previamente ou em pontos de fluxo 
de pessoas. O importante é que sejam aplicadas individualmente e 
sigam as regras de seleção da amostra.
Relatório:
• Qualitativa - as informações colhidas na abordagem qualitativa 
são analisadas de acordo com o roteiro aplicado e registradas em 
relatório, destacando opiniões, comentários e frases mais relevantes 
que surgiram.
• Quantitativa - o relatório da pesquisa quantitativa, além das 
interpretações e conclusões, deve mostrar tabelas de percentuais 
e gráficos.
De maneira sucinta, em pesquisas qualitativas o importante é o que se 
fala sobre um tema, enquanto que em pesquisas quantitativas o importante é 
quantas vezes é falado.
FONTE: Adaptado de: <http://www.pesquisaquantitativa.com.br/pesquisa-quantitativa.htm>; <http://
www.ipm.org.br/ne_man_conh php?opm=3&ctd=3>; <http://programapibicjr2010.blogspot.com.
br/2011/04/diferenca-entre-pesquisa-qualitativa-e.html>. Acesso em: 10 jan. 2015.
1 Elabore um resumo sobre o tema: classificação da pesquisa e suas finalidades.
AUTOATIVIDADE
5 O SERVIÇO SOCIAL: DE UM PROCESSO DE TRABALHO 
INTERVENTIVO PARA UM PROCESSO DE PRODUÇÃO DO 
CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PESQUISA SOCIAL
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais 
de Serviço Social (CRESS) são responsáveis pela fiscalização e efetivação da 
legislação que regulamenta a profissão de assistente social no Brasil; o CFESS 
refere que o(a) assistente social “atua no âmbito das relações sociais, junto a 
indivíduos, grupos, famílias, comunidade e movimentos sociais, desenvolvendo 
ações que fortaleçam sua autonomia, participação e exercício de cidadania, com 
vistas à mudança nas suas condições de vida” (CFESS, 2010).
Para tal, sua atuação está ancorada nos princípios de defesa dos direitos 
humanos e justiça social que são elementos fundamentais para o trabalho social, 
com vistas à superação da desigualdade social e de situações de violência, 
opressão, pobreza, fome e desemprego; estes princípios estão expressos no 
Código de Ética do Assistente Social.
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
42
Neste sentido, a formação do(a) assistente social está fundamentada no 
respeito às diferenças e fortalecimento das potencialidades dos sujeitos com os 
quais trabalha, sem discriminação de qualquer natureza. 
Para efetivar estes princípios o(a) profissional deve ter postura ética, 
competência teórica e habilitação técnica para desenvolver suas competências e 
atribuições articuladas a um conjunto de valores, teorias e práticas de defesa dos 
direitos humanos. 
Atualmente, a formação profissional segue as Diretrizes Curriculares de 
1996 propostas pela ABEPSS – Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em 
Serviço Social, que a partir de 1996 passou a propor nas diretrizes maior ênfase 
na dimensão investigativa para a formação profissional, porque a construção do 
conhecimento no serviço social não pode estar alijada da via investigativa.
A pesquisa assumiu então um espaço de destaque no cenário profissional 
que repercutiu emum aumento da produção de conhecimento desde os anos de 
1980 para cá.
Cabe ressaltar que a pesquisa está intimamente vinculada ao trabalho 
profissional, não deve caminhar sozinha, mas vinculada às dimensões teórico-
metodológica, ético-política e técnico-operativa do(a) profissional assistente social.
Nossa base teórico-metodológica, ancorada nas Ciências Sociais, na 
tradição marxista, preconiza a totalidade, isto é, a investigação social é uma 
busca para ir além da aparência, deve visualizar criticamente o real para intervir 
tecnicamente para as mudanças de paradigma.
A nova teoria emerge do concreto pensado, a realidade deixa de ser algo 
a ser contemplado para ser algo a ser investigado, avaliado e, com isto, serem 
sistematizadas novas proposições para a mudança desta realidade.
Para isto, não pode existir dicotomia entre os que “pensam” (na academia/
universidade) e os que “executam” (os profissionais nos diversos campos de 
atuação).
A própria Lei de Regulamentação da Profissão, Lei nº 8.662, de 7 de junho 
de 1993, determina em seu art. 5º sobre as atribuições privativas do assistente 
social, e a pesquisa em Serviço Social é uma atribuição profissional:
Art. 5º Constituem atribuições privativas do assistente social:
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, 
pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social;
[...]
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de 
pesquisa em Serviço Social (grifo nosso) (BRASIL, 1993).
TÓPICO 2 | A PESQUISA: CONCEITOS E FINALIDADES
43
A dimensão investigativa da profissão é um componente que dá 
materialidade ao Projeto Ético-Político do Serviço Social. No texto do professor 
Marcelo Braz Moraes dos Reis isto fica evidenciado:
[...] Mas o que dá materialidade ao projeto? Vimos que os profissionais 
individualmente podem operá-lo através das várias modalidades 
interventivas da profissão, ou seja, o projeto pode se concretizar em 
nossas próprias ações profissionais cotidianas. No entanto, o que 
sistematiza essas diversas modalidades interventivas, essas variadas 
ações profissionais, aparentemente isoladas, como projeto coletivo? Em 
outras palavras, que mecanismos políticos, instrumentos/documentos 
legais e referenciais teóricos emprestam não só legitimidade como 
também operacionalidade prático-política e prático-normativa ao 
projeto? Vejamos. O entendimento dos elementos constitutivos 
que emprestam materialidade ao projeto pode se dar a partir de 
três dimensões articuladas entre si, quais sejam: a) a dimensão 
da produção de conhecimentos no interior do Serviço Social; b) a 
dimensão político-organizativa da categoria; c) dimensão jurídico-
política da profissão. [...] a) Dimensão da produção de conhecimentos 
no interior do Serviço Social: É a esfera de sistematização das 
modalidades práticas da profissão, onde se apresentam os processos. 
Esta dimensão investigativa da profissão tem como parâmetro a 
afinidade com as tendências teórico-críticas do pensamento social. 
Dessa forma, não cabem no projeto ético-político contemporâneo 
posturas teóricas conservadoras, presas que estão aos pressupostos 
filosóficos cujo horizonte é a manutenção da ordem (grifo nosso) 
(REIS, 2016, p. 5).
É consenso que da década de 90 para cá, a produção de conhecimento 
no Serviço Social manteve um avanço expressivo tanto qualitativamente como 
quantitativamente, e este movimento de pensar, questionar e refletir sobre a 
realidade fortalece o Serviço Social como uma formação voltada teórica, técnica 
e eticamente para a mudança, para a negação do conformismo, para a busca 
contínua dos direitos de cidadania.
DICAS
Leia a íntegra do texto Notas sobre o Projeto ético-político do Serviço Social, 
de Marcelo Braz Moraes dos Reis, disponível em: <http://www.funorte.com.br/files/servico-
social/29.pdf>. Acesso em: 17 fev. 2016.
44
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico estudamos sobre a pesquisa, conceitos, finalidades, 
classificação e sua importância para o Serviço Social. São temas que destacamos:
• A pesquisa científica é um procedimento sistemático e intenso para explorar e 
inquirir em busca de descobertas e explicações que levam à compreensão de 
fenômenos em um determinado contexto histórico, social ou econômico.
• Ela contribui para otimizar recursos humanos, materiais e naturais; 
racionalizando a produção de produtos (bens) para implementar serviços ou 
mesmo na descoberta de novos elementos que irão incidir para a melhoria da 
vida humana e animal.
• Quanto à sua finalidade, a pesquisa pode ser Pura ou Aplicada.
• A pesquisa está relacionada à motivação para a qual ela se destina, assim, Barros 
e Lehfeld (2010) a separam em: Pesquisa Teórica, Pesquisa Metodológica e 
Pesquisa Empírica.
• Quanto aos procedimentos, para Barros e Lehfeld (2010) a pesquisa pode ser: 
Pesquisa Descritiva, Pesquisa de Campo, Pesquisa Experimental e Pesquisa 
Ação.
• Quanto à abordagem do fenômeno/fato/problema, Gil (2000) classifica a 
pesquisa como Quantitativa ou Qualitativa.
• No Serviço Social, a pesquisa assumiu, desde os anos de 1980 (século XX) 
para cá, um espaço de destaque no cenário profissional que repercutiu em um 
aumento da produção de conhecimento.
• Entende-se que a pesquisa está intimamente vinculada ao trabalho profissional; 
não deve caminhar sozinha, mas vinculada às dimensões teórico-metodológica, 
ético-política e técnico-operativa do profissional assistente social.
• O Projeto ético-político do Serviço Social se materializa a partir de três 
dimensões, segundo Reis (2016): a) a dimensão da produção de conhecimentos 
no interior do Serviço Social; b) a dimensão político-organizativa da categoria; 
c) dimensão jurídico-política da profissão.
45
1 Disserte sobre a importância da pesquisa para a produção de conhecimento 
em SS.
2 No texto sugerido para leitura, “Notas sobre o Projeto ético-político do 
Serviço Social”, de Marcelo Braz Moraes dos Reis, o autor elenca “três 
dimensões articuladas entre si” que materializam o Projeto ético-político 
do Serviço Social. Quais são estas três dimensões? Comente cada uma.
AUTOATIVIDADE
46
47
TÓPICO 3
MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Dos estudos realizados até o momento, evidencia-se que o conhecimento 
emerge da curiosidade, da inquietação, da inteligência e da capacidade 
investigativa dos indivíduos, bem como da possibilidade de confirmação ou não 
de algo já elaborado e sistematizado sobre a realidade social; entende-se também 
que o ato de pesquisar é algo privilegiado. (GIL, 1995; MINAYO, 2007). 
Privilegiado, sim, pois reúne o pensamento e a ação de uma pessoa 
ou grupos num esforço para elaborar o conhecimento de diferentes ângulos e 
aspectos do real. 
Além disso, destaca-se que a pesquisa, como ato humano e social, está 
envolta em valores, crenças, preferências, interesses e princípios do pesquisador. 
Sua visão de mundo, os pontos de partida, os fundamentos que orientam sua 
mente norteiam a sua trajetória e isso permite reafirmar que a ciência não é neutra.
 
O(A) pesquisador(a) é justamente o elemento inteligente e ativo entre 
o conhecimento acumulado sobre determinado tema e as novas evidências 
sistematizadas no novo ato de pesquisa (GERBER, 2009).
Assim, pode-se afirmar que não há como trabalhar/pesquisar em ciência 
sem o uso de um método. Para tal, se utiliza o Método Científico, que se 
materializa em um processo, um regramento que deve ser empregado pelo(a) 
pesquisador(a) para sistematizar seu estudo.
 
“A metodologia, segundo Minayo (2007, p. 14), é o caminho do pensamento 
e a prática exercida na abordagem da realidade, está vinculada à visão de mundo 
posta à luz pela teoria, isto é, o conjunto de técnicas e as concepções teóricas do 
investigador/pesquisador” (GERBER, 2009, p. 16).
Neste sentido, prezado acadêmico, abordaremos no Tópico 3 o Método 
nas Ciências Sociais, importante tema para fundamentar teoricamente os estudos 
de Pesquisa Social.
48
UNIDADE1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
2 AS CIÊNCIAS SOCIAIS
As Ciências Sociais se destacam como um conjunto de disciplinas que 
estudam o homem através das suas relações com a sociedade e com a cultura.
Estudam o comportamento humano, as manifestações sociais, tanto na 
esfera material como na esfera simbólica; estas questões começaram a merecer 
a atenção dos estudiosos e a revestir-se de um carácter científico a partir do 
século XVIII.
 
Contudo, foi no século XIX que apareceu a maior parte das disciplinas 
que pertencem ao domínio das Ciências Sociais: a Antropologia, a Sociologia 
e a Ciência Política; no século XX, tiveram seu espaço como ciência ampliado, 
seu estudo democratizou-se, sendo as disciplinas consolidadas em cursos de 
graduação universitária. (INFOPÉDIA, 2016).
NOTA
A Ciência Social, como disciplina científica, se consolidou no século XIX, com 
o objetivo de compreender e explicar as transformações pelas quais passava a sociedade 
moderna, tais como a Revolução Industrial, a urbanização, a expansão dos mercados, a 
colonização na África e na Ásia, a revolução científica. Tais fenômenos estimularam alguns 
pensadores a formular novos conhecimentos ou a sistematizar preocupações teóricas 
e práticas já existentes para dar conta das transformações e dos processos em curso. A 
sistematização destes conhecimentos acabou por constituir áreas específicas do saber em 
ciências sociais. Ainda hoje as ciências sociais são divididas em três áreas: a antropologia, 
voltada para o estudo da diversidade cultural e da dimensão simbólica da vida social; a ciência 
política, centrada nos temas do poder, e a sociologia, voltada para o estudo das relações em 
sociedade.
FONTE: Disponível em: <http://www.dcs.ufv.br/?page_id=540>. Acesso em 18 jan. 2016.
3 O MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS – 
CONCEITOS
Como já sinalizado, não existe ciência sem a utilização de um método. 
Auguste Comte, o pai do positivismo, acreditava que era possível planejar o 
desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com os critérios e métodos das 
ciências exatas e biológicas. 
Para este autor, não só os fenômenos naturais poderiam ser reduzidos a 
leis, mas também os fenômenos sociais, os fenômenos humanos, poderiam ser 
analisados como fenômenos naturais, e assim, tanto o pesquisador das ciências 
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
49
naturais quanto o das ciências humanas deveria se afastar de qualquer preconceito 
ou pressuposto ideológico para realizar seus estudos.
Como já evidenciado, a ciência não é neutra e a sociedade é multifacetada, 
não podendo ser analisada e controlada em laboratório como os fenômenos 
naturais; assim, para as Ciências Sociais o método utilizado nas Ciências Naturais 
não pode ter a mesma lógica de investigação.
IMPORTANT
E
O MÉTODO CIENTÍFICO
Líria Alves
A palavra método vem do grego méthodos, que quer dizer “caminho para chegar a um 
fim”. O Método Científico é definido como um conjunto de regras básicas para desenvolver 
uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar 
conhecimentos preexistentes. [...] Esse processo ocorre para todas as leis já propostas até 
hoje. Veja o que é preciso fazer para uma teoria ser aceita no mundo científico:
Observação
Não é preciso ser um cientista para ter este hábito: o de observar, todos nós fazemos isso o 
tempo inteiro. Uma observação pode ser feita a olho nu (simples) ou pode exigir a utilização 
de instrumentos mais avançados. Mas a diferença ao se estudar Ciências é que as observações 
necessitam ser precisas e cuidadosas, nos mínimos detalhes.
Hipótese
É uma possível explicação para um fenômeno e também deve ser testada por um grande 
número de experimentos. Primeiramente, o pesquisador deve propor ideias lógicas ou 
suposições para explicar certos fenômenos e observações, e então desenvolver experimentos 
que testem essas hipóteses. Se confirmadas, as hipóteses podem gerar leis e teorias. 
Lei
 
Depois de constatado um fenômeno, você poderá descrevê-lo em forma de enunciado, mas 
uma lei só pode ser formulada após certa quantidade de observações semelhantes. Uma lei 
tem a característica de descrever eventos que se manifestam de maneira invariável e uniforme. 
Teoria
Depois que a hipótese é testada por vários experimentos, ela pode dar origem 
a uma teoria ou modelo. Ex.: Modelo atômico de Dalton, Teoria de Lavoisier. 
A teoria deve responder não só às questões iniciais e as que surgirem durante seu fundamento, mas 
deve permitir previsões sobre futuros experimentos que podem vir a modificá-la. Sendo assim, 
a teoria pode ser definida como sendo um modelo científico criado por meio de experimentos. 
Em suma, o Método Científico consiste em estudar um fenômeno da maneira mais racional 
possível, de modo a evitar enganos, sempre buscando evidências e provas para as ideias, 
conclusões e afirmações. É um conjunto de abordagens, técnicas e processos para formular 
e resolver problemas na aquisição do conhecimento.
FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/quimica/metodo-cientifico.htm>. 
Acesso em: 16 jan. 2016.
50
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
DICAS
Assista ao vídeo produzido pelo Instituto de Bioquímica Médica e conheça mais 
sobre o Método Científico. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5WjZ0X_
lBeU>.
Com suas palavras, defina Método.
AUTOATIVIDADE
Nas Ciências Sociais o(a) pesquisador(a) encontra dificuldades em ser 
objetivo, estas podem estar relacionadas à dificuldade de controlar as variáveis 
em um ambiente social no qual encontram-se pessoas com culturas, costumes, 
crenças, pensamentos, estilo de vida diferentes entre si. As pessoas não são iguais, 
isto é, um ambiente social é repleto de interferências externas, o que faz com que 
um(a) pesquisador(a), mais do que explicar um fenômeno, deve contextualizá-lo 
na história e na cultura da sociedade em questão.
Iremos estudar neste livro de estudos os métodos: Indutivo, Dedutivo, 
Hipotético-Dedutivo, Dialético e Fenomenológico, conforme sistematização de 
Lakatos e Marconi (2009).
4 MÉTODO INDUTIVO
A Indução, para Lakatos e Marconi (2009, p. 86), “é um processo mental por 
intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, 
infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas”. 
Assim, o argumento indutivo leva a conclusões cujo conteúdo é mais amplo do 
que o processo que o gerou.
As autoras exemplificam:
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
51
O corvo 1 é negro. 
O corvo 2 é negro. 
O corvo 3 é negro. 
O corvo “n” é negro. 
(todo) corvo é negro.
Cobre conduz energia. 
Zinco conduz energia. 
Cobalto conduz energia. 
Ora, cobre, zinco e cobalto são metais. 
Logo, (todo) metal conduz energia.
Analisando os dois exemplos, podemos tirar uma série de conclusões 
respeitantes ao método indutivo:
a. de premissas que encerram informações acerca de casos ou 
acontecimentos observados, passa-se para uma conclusão que contém 
informações sobre casos ou acontecimentos não observados;
b. passa-se pelo raciocínio, dos indícios percebidos, a uma realidade 
desconhecida por eles revelada;
c. o caminho de passagem vai do especial ao mais geral, dos indivíduos 
às espécies, das espécies ao gênero, dos fatos às leis ou das leis especiais 
às leis mais gerais;
d. a extensão dos antecedentes é menor do que a da conclusão, que é 
generalizada pelo universalizante “todo”, ao passo que os antecedentes 
enumeram apenas “alguns” casos verificados;
e. quando descoberta uma relação constante entre duas propriedades ou dois 
fenômenos, passa-se dessa descoberta à afirmação de uma relação essencial 
e, em consequência, universal e necessária, entre essas propriedades ou 
fenômenos.
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009, p. 86-87)
5 MÉTODO DEDUTIVO
O Método Dedutivo parte da compreensão da regra geral para então 
compreender os casos específicos, particulares; ao contrário do Método Indutivo, 
que parte de casos específicospara tentar chegar a uma regra geral (o que, muitas 
vezes, pode conduzir a uma generalização indevida).
Lakatos e Marconi (2009, p. 91) expõem dois exemplos que servem para 
ilustrar a diferença entre argumentos dedutivos e indutivos.
Dedutivo:
Todo mamífero tem um coração.
Ora, todos os cães são mamíferos.
Logo, todos os cães têm um coração.
Indutivo:
Todos os cães que foram observados tinham um coração.
Logo, todos os cães têm um coração.
52
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Ainda sobre este tema, Salmon (1978, p. 30-31 apud LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 91-92) elenca as duas características básicas que distinguem 
os argumentos dedutivos dos indutivos:
DEDUTIVOS INDUTIVOS
I. Se todas as premissas são verdadeiras, 
a conclusão deve ser verdadeira.
II. Toda a informação ou conteúdo fatual 
da conclusão já estava, pelo menos 
implicitamente, nas premissas.
I. Se todas as premissas são verdadeiras, a 
conclusão é provavelmente verdadeira, mas 
não necessariamente verdadeira.
II. A conclusão encerra informação que não 
estava, nem implicitamente, nas premissas.
Resumindo:
FIGURA 3 – OS ARGUMENTOS DEDUTIVOS E INDUTIVOS
Particulariza
Generaliza
Universal Particular
Dedução
Indução
FONTE: Adaptado de: <http://livrepensamento.com/2013/09/25/metodos-cientificos-metodo-
dedutivo/>. Acesso em: 14 jan. 2016.
Faça um breve resumo sobre os Métodos Indutivo e Dedutivo e 
destaque as diferenças entre os dois.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
53
6 MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
Este método foi proposto por Karl Popper, filósofo austríaco, e busca 
a eliminação dos erros de uma hipótese; para isto, a partir da ideia de testar 
a falsidade de uma proposição, ou seja, com uma hipótese, estabelece-
se a situação ou resultado experimental, nega-se essa hipótese realizando 
experimentos para tal. 
Enquanto o Método Dedutivo procura confirmar as hipóteses, a abordagem 
do Método Hipotético-Dedutivo é a de buscar a verdade eliminando tudo o que 
é falso, procuram-se evidências para “derrubar” a hipótese.
Para Popper, a “ciência começa e termina com problemas”, o autor 
esquematizou sua teoria expondo que o Método Científico inicia com um 
problema (P1), para este, oferecem-se soluções provisórias que o autor denomina 
de teoria tentativa (TT), posteriormente inicia-se a etapa de criticar a solução para 
eliminar o erro (EE); para Popper, dialeticamente o processo renovaria a si mesmo 
e daria surgimento a novos problemas (P2) (LAKATOS; MARCONI, 2009).
Esquema de Popper:
P1__________TT__________EE__________P2
FONTE: Lakatos e Marconi (2009, p. 95)
Para as autoras, o Método Hipotético-Dedutivo proposto por Popper 
poderia ser expresso desta forma:
FIGURA 4 – ETAPAS DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO SEGUNDO POPPER
Expectativas
ou
Conhecimento 
Prévio
Problema Conjecturas Falseamento
FONTE: Adaptado de: <http://livrepensamento.com/2013/10/01/o-metodo-hipotetico-
dedutivo/> Acesso em: 14 jan. 2016.
Assim, o processo investigatório de Karl Popper envolve os momentos em 
que se evidenciam:
1. problema, que surge, em geral, de conflitos ante expectativas e 
teorias existentes;
2. solução proposta consistindo numa conjectura (nova teoria); 
dedução de consequências na forma de proposições passíveis de 
teste;
3. testes de falseamento: tentativas de refutação, entre outros meios, 
pela observação e experimentação.
54
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Se a hipótese não supera os testes, estará falseada, refutada, e exige 
nova reformulação do problema e da hipótese, que, se superar os 
testes rigorosos, estará corroborada, confirmada provisoriamente, não 
definitivamente como querem os indutivistas (LAKATOS; MARCONI, 
2009, p. 95-96).
 
Popper deixa evidente em seus estudos que os processos de aprendizagem 
sempre ocorrem a partir da formação de expectativas através de tentativas e erros, 
assim, nascemos com expectativas e, no contexto dessas expectativas, é que se dá 
a observação.
 
Quando alguma coisa inesperada acontece, quando alguma expectativa é 
frustrada, quando alguma teoria cai em dificuldades tem-se um problema, daí 
decorre a afirmação de Popper de que a observação não é o ponto de partida da 
pesquisa, mas um problema. O crescimento do conhecimento marcha de velhos 
problemas para novos por intermédio de conjecturas e refutações (LAKATOS; 
MARCONI, 2009).
Explique com suas palavras a afirmação de Popper de que “a ciência 
começa e termina com problemas” (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 95).
AUTOATIVIDADE
7 MÉTODO DIALÉTICO
A dialética é uma palavra que se origina do termo grego dialektiké e 
que significa a arte do diálogo, a arte de debater, de persuadir ou raciocinar 
(SIGNIFICADOS, 2016).
Ela permite o debate entre ideias diferentes, onde um posicionamento 
é defendido e contradito logo depois; para os gregos, a dialética consistia em 
separar fatos, dividir as ideias para poder debatê-las com mais clareza; assim, o 
Método Dialético é baseado nas contradições entre a unidade e multiplicidade, o 
singular e o universal e o movimento da imobilidade.
A realidade é analisada a partir da confrontação de teses, hipóteses ou 
teorias, a investigação ocorre pela contraposição de elementos conflitantes e a 
compreensão do papel desses elementos em um fenômeno (BARROS; LEHFELD, 
2010; LAKATOS; MARCONI, 2009). 
O pesquisador deve confrontar todo e qualquer conceito tomado como 
“verdade” com outras realidades e teorias para se obter uma nova conclusão, 
uma nova teoria. 
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
55
É importante ressaltar que a dialética não analisa o objeto estático, amorfo, 
parado, e sim o contextualiza num estudo levando em conta a dinâmica histórica, 
cultural e social.
A argumentação dialética foi sistematizada pelo pensador Friedrich 
Hegel, filósofo clássico alemão que identificou três momentos básicos no método 
dialético: a tese (uma ideia pretensamente verdadeira), a antítese (a contradição 
ou negação dessa tese) e a síntese (o resultado da confrontação de ambas as 
ideias). A síntese se torna uma nova tese e o ciclo dialético recomeça.
Como método científico, a dialética passa a ser estudada a partir de Karl 
Marx, que critica a filosofia clássica alemã e propõe a Dialética Materialista, que é 
o emprego do pensamento dialético como um método para analisar a realidade e 
suas contradições advindas das relações materiais que são estabelecidas.
Na dialética, as coisas/fenômenos não são analisadas na qualidade 
de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa (nada) está “acabada”, 
encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um 
processo é sempre o começo de outro; há um movimento contínuo, determinado 
processo é concluído com análises (síntese) para aquele momento, e como síntese 
constitui-se em nova tese.
Os fenômenos, as coisas não existem isoladas, destacadas/separadas/
independentes umas das outras, mas como um todo unido, coerente, uma 
unicidade. Tanto a natureza quanto a sociedade são compostas de objetos e 
fenômenos organicamente ligados entre si, dependendo uns dos outros e, ao 
mesmo tempo, condicionando-se reciprocamente (BARROS; LEHFELD, 2010; 
LAKATOS; MARCONI, 2009).
7.1 AS LEIS DA DIALÉTICA
Não há um consenso entre os autores que tratam deste método sobre o 
número de suas leis, para uns há três leis, para outros, há quatro. Lakatos e Marconi 
(2009, p. 100) optam por evidenciar quatro leis que definem como fundamentais:
1. ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”;
2. mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”;
3. passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;
4. interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários.
Caro acadêmico, ainda neste tópico voltaremos a este método, estudando-o 
sob os preceitos teóricos de Karl Marx, sob o título: O Método de Marx.
56
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
8 MÉTODO FENOMENOLÓGICO 
O método fenomenológico proposto por Edmund Husserl(1859-1938) 
refere-se a uma primeira experiência do conhecimento (experiência eidética – o 
momento da intuição), o fenômeno/objeto e o sujeito são polos que ainda não se 
inter-relacionam, isto só vai ocorrer a partir da intuição. 
Dada a evidência da existência da consciência, a tarefa do fenomenólogo 
é a de descrever os modos típicos (essências eidéticas), como os fatos e as coisas 
apresentam-se à consciência. Assim, a fenomenologia é definida como a ciência 
das essências voltada à descrição e análise das mesmas, busca-se a verdade além 
da aparência. 
Para tal, num primeiro momento deve ocorrer a suspensão dos juízos com 
relação às nossas preconcepções, com relação às das doutrinas filosóficas, com 
relação às afirmações das ciências. 
O investigador atém-se somente ao fenômeno da experiência tal como 
é em si mesmo, o qual pode ser alcançado pela pura reflexão. A descrição 
fenomenológica é realizada conforme a perspectiva da primeira pessoa para 
garantir que o objeto da consciência seja descrito como é experienciado pelo 
sujeito.
No Serviço Social, a Fenomenologia foi um marco teórico de relevância e 
que admitia o ser, o homem, vivendo sua própria experiência. A Fenomenologia 
não estuda apenas as histórias individuais das pessoas, uma vez que o homem não 
existe a não ser no mundo, era uma meta do Serviço Social auxiliar o(a) usuário(a) 
no entendimento do seu próprio “eu” e dos demais sujeitos ao seu redor.
Anna Augusta de Almeida foi a autora com maior destaque nos estudos 
da Fenomenologia e Serviço Social. Para a mesma, o marco referencial teórico da 
metodologia fenomenológica é constituído por três grandes conceitos: diálogo, 
pessoa e transformação social.
Atualmente, no estágio de amadurecimento teórico da profissão, evidencia-
se o pensamento de Netto (1994), que identifica na corrente fenomenológica uma 
questão de reatualização do conservadorismo que marcou o início da profissão 
no Brasil.
DICAS
Veja o vídeo sobre fenomenologia, disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=01tGlZL6ZIA>.
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
57
9 O MÉTODO DE MARX – A TEORIA, MÉTODO E PESQUISA
O surgimento do Serviço Social na América Latina e no Brasil se constituiu 
no marco do desenvolvimento capitalista e, portanto, a sua configuração não 
pode ser pensada fora do contexto de formação econômica, social e política, sob 
uma perspectiva de totalidade. 
 
Atualmente é hegemônica a tese no Serviço Social e amplamente 
fundamentada na obra de Iamamoto e Carvalho (1982), no livro Relações Sociais 
e Serviço Social no Brasil, no qual os autores explicitam que a profissão de 
assistente social se constitui no marco do desenvolvimento capitalista, com a 
profissão sendo discutida na perspectiva histórico-crítica (GERBER, 2009).
Outros estudiosos também discutem esta perspectiva, como Neto (1992), 
para o qual o surgimento da profissão de assistente social ocorreu no contexto do 
capitalismo, na sua fase monopolista, quando o Estado tomou para si o encargo 
de responder às demandas da questão social.
Também sustentam este debate: Vicente de Paula Faleiros, Maria Lúcia 
Martinelli e Manuel Manrique Castro. Para estes autores, o profissional de Serviço 
Social desempenha um papel político, tem uma função que não se explica por si 
mesma, sua função somente pode ser explicada pela posição que o profissional 
ocupa na divisão sociotécnica do trabalho (MONTAÑO, 2007).
Neste sentido, evidencia-se que o amadurecimento teórico-metodológico 
do Serviço Social se fortaleceu a partir do período pós-ditadura, sendo iniciado 
este processo com o Movimento de Reconceituação, onde se explicitou a intenção 
de ruptura com o conservadorismo (GERBER, 2009).
Esta ruptura aproximou o coletivo da profissão e suas instituições da 
orientação teórico- metodológica da tradição marxista, a profissão se reorganizou 
sob esta vertente teórica e acompanhando o movimento da sociedade brasileira.
A abertura democrática do início dos anos 80 do século XX elegeu (ainda 
que de forma indireta) um Governo Federal civil, uma Assembleia Nacional 
Constituinte, que foi responsável pela elaboração da Carta Constitucional após o 
fim da ditadura militar e que se materializou na Constituição de 1988. 
Nesta lógica de redemocratização do país, o Serviço Social atualizou sua 
Lei de Regulamentação Profissional (Lei 8.662/93), o Código de Ética Profissional 
(1993), no qual a profissão explicita o compromisso com os valores éticos e políticos 
emancipadores, para conquista da liberdade em defesa da classe trabalhadora.
Igualmente a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social 
(ABEPSS), entre 1994 e 1996 realizou aproximadamente 200 oficinas locais nas 
67 unidades acadêmicas filiadas, 25 oficinas regionais e duas nacionais, para 
discutir e revisar o currículo, que culminou com a consolidação das Diretrizes 
58
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Curriculares para o Curso de Serviço Social, aprovada pela categoria em 1996 
e aprimorada pela Comissão de Especialistas em documento de 1999 sob o 
embasamento da teoria crítica como norteadora para a formação em Serviço 
Social (ABEPSS/CEDEPSS, 1996).
UNI
Um pouco da vida de Karl Marx
Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 - Londres, 14 
de março de 1883) foi filósofo, economista, sociólogo, 
jornalista e revolucionário socialista. Nascido na Prússia, ele mais tarde 
se tornou apátrida e passou grande parte de sua vida em Londres, 
no Reino Unido. A obra de Marx em economia estabeleceu a base 
para muito do entendimento atual sobre o trabalho e sua relação com 
o capital, além do pensamento econômico posterior. Ele publicou 
vários livros durante sua vida, sendo que O Manifesto Comunista (1848) 
e O Capital (1867-1894) são os mais proeminentes.
Marx nasceu em uma rica família de classe média em Tréveris, na Renânia prussiana, e estudou 
nas universidades de Bonn e Berlim, onde ficou interessado pelas ideias filosóficas dos jovens 
hegelianos. Depois dos estudos, ele escreveu para o Rheinische Zeitung, um jornal radical 
publicado em Colônia - Alemanha, e começou a trabalhar na teoria da concepção materialista 
da história. Ele se mudou para Paris em 1843, onde começou a escrever para outros jornais 
radicais e conheceu Friedrich Engels, que se tornaria seu amigo de longa data e colaborador. 
Em 1849 ele foi exilado e se mudou para Londres junto com sua esposa e filhos, onde continuou 
a escrever e formular suas teorias sobre a atividade econômica e social. Ele também fez 
campanha para o socialismo e tornou-se uma figura significativa na Associação Internacional 
dos Trabalhadores.
As teorias de Marx sobre a sociedade, a economia e a política — a compreensão coletiva de que 
é conhecido como o marxismo — sustentam que as sociedades humanas progridem através 
da luta de classes: um conflito entre uma classe social que controla os meios de produção e a 
classe trabalhadora, que fornece a mão de obra para a produção; e que o Estado foi criado para 
proteger os interesses da classe dominante, embora seja apresentado como um instrumento 
que representa o interesse comum de todos. Além disso, ele previu que, assim como os sistemas 
socioeconômicos anteriores, o capitalismo produziria tensões internas que conduziriam à 
sua autodestruição e substituição por um novo sistema: o socialismo. Ele argumentava que 
os antagonismos de classe no sistema capitalista, entre a burguesia e o proletariado, resultariam 
na “conquista do poder político pela classe operária e, eventualmente, no estabelecimento 
de uma sociedade sem classes e apátrida — o comunismo —, que seria regida por uma livre 
associação de produtores. Marx ativamente argumentava que a classe trabalhadora deveria 
realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e provocar mudanças 
socioeconômicas. 
Elogiado e criticado, Marx tem sido descrito como uma das figuras mais influentes na história 
da humanidade. Muitos intelectuais, sindicatose partidos políticos em nível mundial foram 
influenciados por suas ideias, com muitas variações sobre o seu trabalho base. Marx é 
normalmente citado, ao lado de Émile Durkheim e Max Weber, como um dos três principais 
arquitetos da ciência social moderna.
FONTE: Adaptado de: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx> e <http://www.infoescola.com/
biografias/karl-marx/>. Acesso em: 12 jan. 2016.
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
59
DICAS
Acesse <http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/caio.html> e leia o e-book: Teoria 
marxista do conhecimento e método dialético materialista, de autoria de Caio Prado Jr.
O “Método de Marx”, segundo Netto, na obra Introdução ao Estudo do 
Método de Marx (2011), emerge de longa trajetória e elaboração teórica. Ainda 
jovem e recém-doutorado em Filosofia, Marx expõe o caráter essencialmente 
histórico de seu método. 
Marx, após conhecer Friedrich Engels (1820-1895) e suas formulações 
acerca da economia política, passou a deslocar suas críticas da questão filosófica 
para a da economia política, tendo como problema principal de sua pesquisa a 
análise da sociedade burguesa com o objetivo de desvelar a sua estrutura e a sua 
dinâmica; como já sinalizado, foi uma longa elaboração teórica que ocupou Marx 
por mais de 40 anos. 
Esse processo histórico mostra que o método em Marx não parte de 
nenhuma descoberta mágica, genial, mas é resultante de uma demorada 
investigação que, somente depois de decorridos quase 15 anos de estudos/
pesquisas, ele formulou com precisão os elementos centrais de seu método. 
Netto (2011) ressalta que há apropriações problemáticas e/ou equivocadas 
da obra de Marx; adulterações de sua teoria que partiram tanto dos seus 
seguidores, como de seus adversários. 
 
Desta “deformação” da teoria de Marx, um dos principais aspectos que se 
apresentam são as posições que “dizem” que a teoria de Marx coloca em primeiro 
lugar a questão econômica. 
No entanto, para Netto (2011), é imprescindível apresentar o papel da 
teoria na obra de Marx concomitantemente ao papel do sujeito na pesquisa. 
Assim, para Marx, “a teoria é o movimento real do objeto transposto para o 
cérebro do pesquisador – é o real reproduzido e interpretado no plano ideal (do 
pensamento)” (NETTO, 2011, p. 21). Ou seja, a teoria (conhecimento teórico) 
é o próprio conhecimento do objeto, de sua “estrutura” e “dinâmica”. E esta 
reprodução (que constitui propriamente o conhecimento teórico) será tanto mais 
correta e verdadeira quanto mais fiel o sujeito for ao objeto.
Marx afirma que o método com o qual trabalha é o dialético, porém não 
exatamente a dialética hegeliana, mas o oposto: 
60
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Meu método dialético, por seu fundamento, difere do método 
hegeliano, sendo a ele inteiramente oposto. Para Hegel, o processo do 
pensamento [...] é o criador do real, e o real é apenas sua manifestação 
externa. Para mim, ao contrário, o ideal não é mais do que o material 
transposto para a cabeça do ser humano e por ele interpretado (MARX, 
1968, p. 16 apud NETTO, 2011, p. 21). 
Assim, diante desta compreensão, Netto (2011) apresenta que o objetivo 
de um pesquisador deve ser a distinção entre “aparência e essência”, ou seja, é 
apreender a essência (a estrutura e a dinâmica) do objeto. 
É o método de pesquisa que, por meio de procedimentos analíticos, 
propicia o conhecimento teórico, partindo da aparência, visa alcançar a essência 
do objeto. Feito isso e operando a sua síntese, o pesquisador reproduz, no plano 
do pensamento, ou seja, no plano ideal, a essência do objeto que investigou. 
Em toda pesquisa, parte-se da aparência e, conforme avança a análise sobre 
a pesquisa, chega-se a conceitos e novas abstrações; contudo, o procedimento 
analítico não se encerra neste ponto, pois, após se obter as determinações mais 
simples, é necessário retornar ao objeto.
A teoria representa a reprodução do movimento real do objeto no plano 
do pensamento, assim, esta não se apresenta como um reflexo mecânico. Por isso, 
para Marx, o papel do sujeito é essencialmente ativo, pois cabe a ele apreender 
não só a aparência ou a forma dada ao objeto, mas a sua essência, que corresponde 
à sua estrutura e à sua dinâmica, como um processo (NETTO, 2011). 
Na investigação, o sujeito “tem de apoderar-se da matéria, em seus 
pormenores, de analisar suas diferentes formas de desenvolvimento e de perquirir 
a conexão que há entre elas” (MARX, 1968, p. 16 apud NETTO, 2011, p. 25).
Desta maneira, o sujeito deve ser capaz de mobilizar um máximo de 
conhecimentos, criticá-los e revisá-los; isto faz emergir outro elemento essencial 
para a pesquisa, que é a capacidade de abstração do pesquisador, que nada mais 
é do que “a capacidade intelectiva que permite extrair de sua contextualidade 
determinada (de uma totalidade) um elemento, isolá-lo, examiná-lo; é um 
procedimento intelectual sem o qual a análise é inviável” (NETTO, 2011, p. 44). 
Marx realiza isto com muita presteza em suas pesquisas, começando 
pelo real e pelo concreto, que aparecem como dados, mas que, pela análise, 
os elementos são abstraídos e consequentemente chega-se a conceitos e assim 
progressivamente.
Netto (2011, p. 45) ressalta que, para Marx, “o conhecimento concreto do 
objeto é o conhecimento das suas múltiplas determinações”, assim, quanto mais 
se refletem as determinações de um objeto, tanto mais o pensamento reflete a sua 
riqueza (concreção) real. As “determinações mais simples” estão postas no nível da 
universalidade, na imediaticidade do real, elas mostram-se como singularidades.
 
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
61
Assim, o conhecimento do concreto opera-se envolvendo universalidade, 
singularidade e particularidade; para isto, o sujeito deve utilizar-se dos mais 
variados instrumentos e também técnicas de pesquisa, desde a análise documental 
até as formas mais diversas de observação, coleta de dados, quantificação etc.
Estes instrumentos e técnicas são meios de que se vale o pesquisador para 
apoderar-se da matéria, mas não devem ser de forma alguma identificados com o 
método (NETTO, 2011), porque são técnicas. (NETTO, 2011).
 
Também é imprescindível compreender a diferenciação do método de 
pesquisa e do método de exposição, pois somente com a conclusão da pesquisa 
é que o investigador apresenta, expõe os resultados a que chegou. Neste sentido, 
Netto (2011, p. 27) ressalta: “Como se vê, para Marx, os pontos de partida são 
opostos: na investigação, o pesquisador parte de perguntas, questões; na 
exposição, ele já parte dos resultados que obteve na investigação”. 
O objetivo da pesquisa marxiana é conhecer as categorias que constituem 
a articulação interna da sociedade burguesa. Para Netto (2011), estas categorias 
são objetivas, reais, históricas e transitórias, sendo que as categorias próprias da 
sociedade burguesa só são válidas no seu marco (exemplo: trabalho assalariado).
 
Por isso é necessário conhecer a gênese histórica de uma categoria, no 
entanto, deve-se ter claro que a sua gênese não determina o desenvolvimento 
ulterior de uma categoria. Por isso, “o estudo das categorias deve conjugar a 
análise diacrônica (da gênese e desenvolvimento) com a análise sincrônica (sua 
estrutura e função na organização atual)” (NETTO, 2011, p. 49).
Assim, seria um erro compreender que há, em Marx, um método como 
um conjunto de regras formais que se “aplicam” a um objeto que foi recortado 
para uma investigação determinada sem, menos ainda, um conjunto de regras 
que o sujeito pesquisador escolhe, conforme a sua vontade, para “enquadrar” seu 
objeto de investigação (NETTO, 2011). 
Cabe sinalizar que o método implica numa perspectiva, do sujeito 
pesquisador, que o permita extrair do objeto as suas múltiplas determinações, 
que acontece conforme se avança no estudo.
Para Netto (2011, p. 53), “o método implica, pois, para Marx, uma 
determinada posição (perspectiva) do sujeito que pesquisa: aquela em que põe 
o pesquisador para, na suarelação com o objeto, extrair dele as suas múltiplas 
determinações”. Outro ponto importante é que o método em Marx é indissociável 
da teoria; não é possível analisar o método sem a referência teórica. 
De acordo com os estudos de Netto (2011), se apresentam, em Marx, três 
categorias que são nucleares para este grande pensador: totalidade, contradição 
e mediação. 
62
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
A totalidade se deve à união dos complexos sociais que se estabelecem na 
sociedade, uma totalidade dinâmica que se articula à categoria da contradição, 
devido à constante transformação da sociedade; a categoria da mediação indica 
que as relações estabelecidas são mediadas pela estrutura da totalidade. 
Ao articular estas três categorias (totalidade, contradição e mediação), 
Marx estabeleceu sua perspectiva teórico-metodológica.
DICAS
Sugerimos a leitura do livro “Introdução ao Estudo do Método de 
Marx”, publicado no ano de 2011 pela Editora Expressão Popular, 
de autoria do professor José Paulo Netto, doutor em Serviço 
Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1990), 
professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 
é um dos principais teóricos marxistas do Brasil na atualidade. 
Disponível em: <http://ujcsp.net/wp-content/uploads/2015/09/
introducc3a3o-aos-estudos-do-mc3a9todo-de-karl-marx-j-p-
netto.pdf>. Acesso em: 12 jan. 2016.
Realize uma pequena pesquisa bibliográfica e elabore os conceitos das 
categorias marxianas: totalidade, contradição e mediação.
AUTOATIVIDADE
10 O MÉTODO E OS MÉTODOS
No que se refere à sua inspiração filosófica e ao seu grau de abstração, 
Método e Métodos são distintos. Lakatos e Marconi (2009, p. 106) fazem uma 
distinção entre os termos, afirmam que o Método se caracteriza por uma 
abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos 
da natureza e da sociedade. Assim, teríamos, em primeiro lugar, o Método de 
Abordagem, assim descriminado:
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
63
a. método indutivo – cuja aproximação dos fenômenos caminha 
geralmente para planos cada vez mais abrangentes, indo das 
constatações mais particulares às leis e teorias (conexão ascendente);
b. método dedutivo – que, partindo das teorias e leis, na maioria 
das vezes prediz a ocorrência dos fenômenos particulares (conexão 
descendente);
c. método hipotético-dedutivo – que se inicia pela percepção de uma 
lacuna nos conhecimentos, acerca da qual formula hipóteses e, pelo 
processo de inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de 
fenômenos abrangidos pela hipótese;
d. método dialético – que penetra o mundo dos fenômenos através 
de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da 
mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
QUADRO 4 – MÉTODO DE ABORDAGEM
MÉTODO DE ABORDAGEM
MÉTODO INDUTIVO
MÉTODO DEDUTIVO
MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
MÉTODO DIALÉTICO/MÉTODO MARXIANO
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009)
Por outro lado, Métodos de Procedimento seriam etapas mais concretas 
da investigação (LAKATOS; MARCONI, 2009), com finalidade mais restrita em 
termos de explicação geral dos fenômenos e menos abstratas. São as atitudes 
concretas para se estudar o fenômeno e estão limitados a um domínio particular, 
são de escolha do(a) pesquisador(a); e que na área das ciências sociais podem ser 
utilizados vários, concomitantemente.
Sobre os Métodos de Procedimento, os mais comumente utilizados são: 
Histórico, Comparativo, Monográfico, Estatístico, Tipológico, Funcionalista, 
Estruturalista, Etnográfico e Clínico.
64
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
QUADRO 5 – MÉTODOS DE PROCEDIMENTO
MÉTODOS DE PROCEDIMENTO
HISTÓRICO
COMPARATIVO
MONOGRÁFICO
ESTATÍSTICO
TIPOLÓGICO
FUNCIONALISTA
ESTRUTURALISTA
ETNOGRÁFICO
CLÍNICO
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009)
10.1 MÉTODO HISTÓRICO
Este método foi sistematizado por Franz Boas, um antropólogo que partiu 
do princípio de que as atuais formas de vida social, as instituições e os costumes 
têm origem no passado, é importante pesquisar suas raízes para compreender 
sua natureza e função. 
Boas vai ser inovador em diversos conceitos e perspectivas, mas 
duas de suas contribuições se destacam: (I) a proposta do método 
histórico, ou mais especificamente a ideia do particularismo histórico, 
e pelo (II) conceito de cultura, que supera a visão evolucionista-
naturalista e também a noção de difusão, uma vez que ele atribui à 
cultura um caráter mais particular, criativo, plural e não biológico ou 
natural. (SANTOS, 2013, p. 1).
O Método Histórico busca a investigação, os acontecimentos, processos 
e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje, 
pois as instituições evoluíram para a forma atual através de alterações de suas 
partes ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural particular de 
cada época. Seu estudo, para uma melhor compreensão do papel que atualmente 
desempenham na sociedade, deve remontar aos períodos de sua formação e de 
suas modificações.
Exemplos: 
• Para compreender a noção atual de família e parentesco, pesquisa-se no passado 
os diferentes elementos constitutivos dos vários tipos de família e as fases 
de sua evolução social.
• Para descobrir as causas da decadência da aristocracia cafeeira, investigam-se os 
fatores socioeconômicos do passado (LAKATOS, 1981, p. 32 apud LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 107).
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
65
Lakatos e Marconi (2009) explicam que, colocando-se os fenômenos, 
como, por exemplo, as instituições, no ambiente social em que nasceram, entre as 
suas condições “concomitantes”, torna-se mais fácil a sua análise e compreensão, 
sobre seu surgimento, evolução e desenvolvimento, assim como as alterações 
pelas quais passaram ao longo do tempo, permitindo a comparação de sociedades 
diferentes.
 
Concluem as autoras citadas que: “o método histórico preenche os vazios 
dos fatos e acontecimentos, apoiando-se em um tempo, mesmo que artificialmente 
reconstruído, que assegura a percepção da continuidade e do entrelaçamento dos 
fenômenos”. (LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 107).
10.2 MÉTODO COMPARATIVO
Este Método, como seu nome já anuncia, realiza comparações, com a 
finalidade de verificar semelhanças e explicar divergências; é usado tanto para 
comparações de grupos no presente, no passado, ou entre os existentes e os 
do passado, quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de 
desenvolvimento. 
A grande contribuição de Tylor foi sua tentativa de conciliar a evolução 
da cultura e sua universalidade; foi o primeiro a abordar os fatos 
culturais sob um prisma sistemático e geral. Quando esteve no México, 
Tylor elaborou um método de estudos da evolução da cultura pelo 
exame das sobrevivências culturais (elementos culturais do passado 
que sobrevivem sem explicação plausível). Pensava ser possível, 
através desse método, reconstituir o conjunto original, chegando à 
conclusão de que a cultura dos povos primitivos representava a cultura 
original da humanidade. Adotou a partir daí o método comparativo, 
pois as culturas singulares estavam ligadas umas às outras em um 
movimento de progresso cultural, sendo possível, dessa maneira, 
estabelecer uma escala de estágios da evolução humana (MELANDER 
FILHO, 2009, p. 1).
O método contribui para melhor compreensão do comportamento 
humano porque estuda as semelhanças e diferenças entre diversos tipos de 
grupos, sociedades ou povos. 
Exemplos: 
• Modo de vida rural e urbano no Estado de São Paulo;
• Características sociais da colonização portuguesa e espanhola na 
América Latina;
• Classes sociais no Brasil, na época colonial e atualmente; 
• Organização de empresas norte-americanas e japonesas;
• A educação entre os povos ágrafos e os tecnologicamente 
desenvolvidos (LAKATOS, 1981, p. 32 apud LAKATOS; MARCONI, 
2009, p. 107).
66
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
10.3 MÉTODO MONOGRÁFICO
O Método Monográficoproposto pelo sociólogo francês Pierre Guillaume 
Frédéric Le Play parte do princípio de que qualquer caso que se estude em 
profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até 
de todos os casos semelhantes, o método consiste no estudo de determinados 
indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com 
a finalidade de obter generalizações. A investigação deve examinar o tema 
escolhido, observando todos os fatores que o influenciaram e analisando-o 
em todos os seus aspectos. (Adaptado de: <https://www.passeidireto.com/
arquivo/3141055/sociologia-/12>. Acesso em: 18 fev. 2016).
É sabido que, na realidade, as investigações de Le Play 
incidiram, principalmente, sobre as monografias de famílias 
operárias. Estabeleciam o orçamento de uma família normal, numa 
profissão, lugar e época determinados, e fixavam suas diversas 
despesas, consagradas à alimentação, ao vestuário, à habitação, à saúde, 
à instrução, aos divertimentos e à economia. Para estas monografias 
Le Play constituiu quadros que foram desenvolvidos por Henri de 
Tourville numa Nomenclature detalhada, em que os fenômenos 
sociais são agrupados em 25 grandes classes, subdivididas, por sua 
vez, em 326 elementos. Le Play estabeleceu, igualmente, um quadro 
para a monografia de uma nação, que aplicou na sua “Constituição 
da Inglaterra”: Emile Cheys-son, um quadro para as monografias de 
oficina, etc. (CUVILLIER, 1939, p. 1).
No seu começo, o método se voltou para aspectos particulares, como, 
por exemplo, o orçamento familiar, as características de profissões ou de indústrias 
domiciliares, o custo de vida etc. 
Contudo, um estudo monográfico pode, também, abranger um conjunto 
de atividades de um grupo social particular, como no exemplo (a seguir) das 
cooperativas e do grupo indígena.
Tem como vantagem o respeito à “totalidade solidária” dos grupos, ao 
estudar, em primeiro lugar, a vida do grupo na sua unidade concreta, evitando, 
portanto, a prematura dissociação de seus elementos.
Exemplos: 
• Estudo de delinquentes juvenis [na nomenclatura atual (ECA), 
jovens em conflito com a Lei]; 
• Da mão de obra volante;
• Do papel social da mulher ou dos idosos na sociedade; 
• De cooperativas; 
• De um grupo de índios; 
• De bairros rurais (LAKATOS, 1981, p. 33 apud LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 107).
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
67
10.4 MÉTODO ESTATÍSTICO
As estatísticas permitem obter uma representação simples de conjuntos 
complexos e verificar se essas representações simplificadas têm relações entre si; 
Adolphe Quetelet (1796-1874), importante estudioso da estatística, introduziu 
a noção de “homem médio” (l’homme moyen) como um meio de compreender 
fenômenos sociais complexos, como taxas de criminalidade, de casamento e de 
suicídio.
Lakatos e Marconi (2009, p. 108) referem que “o método estatístico 
significa redução de fenômenos sociológicos, políticos, econômicos etc. a termos 
quantitativos e a manipulação estatística”, assim se torna possível comprovar 
as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, 
ocorrência ou significado.
O método estatístico permite fornecer uma descrição quantitativa da 
sociedade, considerada como um todo organizado; é possível definir e delimitar 
as classes sociais, especificar as características dos membros dessas classes, 
e após, medir a sua importância ou a variação, ou qualquer outro atributo 
quantificável que contribua para o seu melhor entendimento.
Exemplos:
• Verificar a correlação entre nível de escolaridade e número de filhos; 
• Pesquisar as classes sociais dos estudantes universitários;
• O tipo de lazer preferido pelos estudantes de 1º e 2º grau (LAKATOS, 1981, p. 
32-33 apud LAKATOS; MARCONI, 2009 p. 108).
10.5 MÉTODO TIPOLÓGICO
Este método sistematizado por Max Weber se assemelha ao método 
comparativo, quando o pesquisador compara fenômenos sociais complexos, 
o pesquisador cria tipos ou modelos ideais, construídos a partir da análise de 
aspectos essenciais do fenômeno. Para Weber, a característica principal do tipo 
ideal é não existir na realidade, mas servir de modelo para a análise e compreensão 
de casos concretos, realmente existentes. 
Ele, através da classificação e comparação de diversos tipos de cidades, 
determinou as características essenciais da cidade; da mesma maneira, pesquisou 
as diferentes formas de capitalismo para estabelecer a caracterização ideal do 
capitalismo moderno; e, partindo do exame dos tipos de organização, apresentou 
o tipo ideal de organização burocrática (LAKATOS; MARCONI, 2009).
Para o autor, a vocação prioritária do cientista é separar os juízos de 
realidade (o que é) e os juízos de valor (o que deve ser) da análise científica, com 
a finalidade de perseguir o conhecimento pelo conhecimento.
68
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
O tipo ideal não é uma hipótese, pois se configura como uma proposição 
que corresponde a uma realidade concreta; portanto, é abstrato; não é uma 
descrição da realidade, pois só retém, através de um processo de comparação e 
seleção de semelhanças, certos aspectos dela; também não pode ser considerado 
como um “termo médio”, pois seu significado não emerge da noção quantitativa da 
realidade. O tipo ideal não expressa a totalidade da realidade, mas seus aspectos 
significativos, os caracteres mais gerais, os que se encontram regularmente 
no fenômeno estudado (LAKATOS; MARCONI, 2009).
Ressalta-se que podem ser objeto de estudo do método tipológico somente 
os fenômenos que podem ser divididos como “tipo” e “não tipo”. Os estudos de 
Weber evidenciam esta característica:
“‘cidade’ – ‘outros tipos de povoamento’;
‘capitalismo’ – ‘outros tipos de estrutura socioeconômica’;
‘organização burocrática’ – ‘organização não burocrática’” (LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p.109).
Exemplo:
• “Estudo de todos os tipos de governo democrático, do presente e do 
passado, para estabelecer as características típicas ideais da democracia” 
(LAKATOS, 1981, p. 33-34 apud LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 109).
10.6 MÉTODO FUNCIONALISTA
O Método Funcionalista, sob a ótica de Lakatos e Marconi (2009), é mais 
um método de interpretação do que de investigação, ele leva em consideração que 
a sociedade é formada por partes componentes, diferenciadas, inter-relacionadas 
e interdependentes.
Cada uma destas partes realiza funções essenciais da vida social, e essas 
partes são melhor entendidas compreendendo-se as funções que desempenham 
no todo. O método funcionalista estuda a sociedade do ponto de vista da função 
de suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades.
Bronislaw Malinowski foi um dos principais expoentes da antropologia 
funcionalista britânica da primeira metade do século XX. Para ele, 
devido à influência de Wilhelm Wundt, cada sociedade deveria ser 
estudada como um “todo”, como um organismo possuidor de uma 
lógica interna e singular, subdividido através de uma complexa rede 
de relações entre os indivíduos. Ele também acreditava que a análise 
antropológica deveria se realizar de forma sincrônica, imediata e 
levando em conta os fatores sociais, psicológicos e biológicos dos 
nativos. Para compreender a complexidade social das diferentes 
sociedades, de acordo com Eriksen e Nielsen (2010), o funcionalismo 
de Malinowski, conhecido como biopsicológico, defende que as 
instituições sociais têm como função satisfazer as necessidades 
biológicas dos indivíduos. Ou seja, segundo a definição de Laplantine 
(2003), cada pessoa possui um conjunto de precisões, cabendo à cultura 
desenvolver diferentes maneiras de resolver essas necessidades, de 
forma coletiva, através das instituições (FERREIRA, 2012, p. 1).
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
69
A corrente funcionalista evidencia que o conceito de sociedade é visto 
como um todo em funcionamento, um sistema em operação. E o papel das partes 
nesse todo é compreendido como funções no complexo de estrutura e organização.
Exemplos:
• “Análisedas principais diferenciações de funções que devem existir 
num pequeno grupo isolado, para que o mesmo sobreviva. 
• Averiguação da função dos usos e costumes no sentido de assegurar a 
identidade cultural de um grupo” (LAKATOS, 1981, p. 34 apud LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 110).
10.7 MÉTODO ESTRUTURALISTA
O Estruturalismo é uma modalidade de pensamento e um método de 
análise praticada nas ciências sociais e humanidades no século XX, analisa os 
sistemas em grande escala, examinando as relações e as funções dos elementos 
que constituem tais sistemas, que são inúmeros, variando das línguas humanas e 
das práticas culturais aos contos folclóricos e aos textos literários.
Este método foi desenvolvido pelo francês Claude Lévi-Strauss e parte 
da investigação de um fenômeno concreto, eleva -se a seguir ao nível abstrato, 
por intermédio da constituição de um modelo que represente o objeto de estudo, 
retornando, por fim, ao concreto, dessa vez como uma realidade estruturada e 
relacionada com a experiência do sujeito social.
Assim, o método estruturalista caminha do concreto para o abstrato 
e vice-versa, dispondo, na segunda etapa, de um modelo para analisar a 
realidade concreta dos diversos fenômenos. A diferença primordial entre os 
métodos tipológico e estruturalista é que o “tipo ideal” do primeiro inexiste 
na realidade, representação concebível da realidade (LAKATOS; MARCONI, 
2009).
Exemplos:
• Estudo das relações sociais e a posição que estas determinam para 
os indivíduos e os grupos, com a finalidade de construir um modelo 
que passa a retratar a estrutura social onde ocorrem tais relações;
• Verificação das leis que regem o casamento e o sistema de parentesco 
das sociedades primitivas, ou modernas, através da construção do 
modelo que represente os diferentes indivíduos e suas relações, 
no âmbito do matrimônio e parentesco (no primeiro caso, basta 
um modelo mecânico, pois os indivíduos são pouco numerosos; 
no segundo, será necessário um modelo estatístico) (LAKATOS; 
MARCONI, 2009, p. 111).
70
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
10.8 MÉTODO ETNOGRÁFICO
O termo etnografia tem origem no grego ethono, que indica nação, povo; 
e egraphein, que quer dizer escrever. Assim, o Método Etnográfico é um conjunto 
de técnicas para coletar dados sobre os valores, os hábitos, as crenças, as práticas 
e o comportamento de um determinado grupo social.
A investigação etnográfica essencialmente consiste em uma descrição 
dos eventos que têm lugar na vida do grupo, com especial consideração 
das estruturas sociais e a conduta dos sujeitos como membros do 
grupo, assim como de suas interpretações e significados da cultura 
a que pertencem (WOODS, 1987). Oferece um estilo de investigação 
alternativa para descrever, explicar e interpretar fenômenos sociais que 
têm lugar no contexto social. O enfoque etnográfico intenta descrever 
a totalidade de um fenômeno (grupo social, aulas, festas populares 
etc.) em profundidade e em seu âmbito natural, compreendê-lo desde 
o ponto de vista dos que estão implicados nele. O método etnográfico 
permite a aproximação e detecção que favorecem a coleta de dados 
nas respectivas fontes, utilizando os principais instrumentos, como 
observação participante, os entrevistados, os documentos pessoais, com 
o propósito de proceder a investigar dados descritos, palavras escritas 
e/ou orais, em condutas observáveis dos populares participantes, de 
conhecer as pessoas e perceber como elas desenvolvem suas próprias 
definições (LOPEZ, 1999, p. 46).
A observação e a pesquisa de campo (in loco) são necessárias para efetivar a 
pesquisa. Além de diferentes fontes bibliográficas e/ou documentais, este método 
necessita de elevados aportes de recursos materiais, financeiros e técnicos; o(a) 
pesquisador(a), dependendo do tema da pesquisa, necessita deslocar-se muitas 
vezes entre países.
O processo de investigação, segundo Wilcox (1993, p. 95-127 apud 
LAKATOS; MARCONI, 2009, p. 112), envolve: 
a) aceder, manter e desenvolver uma relação com as pessoas geradoras 
de dados. Essa atividade exige certas habilidades e recursos;
b) empregar uma variedade de técnicas para coletar o maior número 
de dados e/ou informações, aspecto que redundará na validez e 
confiabilidade do estudo;
c) permanecer no campo o tempo suficiente para assegurar uma 
interpretação correta dos fatos observados e discriminar o que é 
regular e/ou irregular;
d) utilizar teorias e conhecimentos para guiar e informar as próprias 
observações do que viu ou ouviu, redefinir o tema e depurar o 
processo do estudo.
TÓPICO 3 | MÉTODOS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
71
10.9 MÉTODO CLÍNICO
É um método aplicado em estudo de caso com intervenção psicopedagógica 
que pode ser positiva ou não, pode ser qualitativo como quantitativo, podendo 
ser incluídas intenções, significados e valores. 
O método que permite o envolvimento do(a) pesquisador(a) com 
seu objeto de pesquisa e que não está inicialmente pronto, tem uma 
aproximação com o que faz o clínico, aquele que se “debruça sobre 
o paciente”, sendo o paciente “qualquer ser humano que queremos 
conhecer” (CASSORLA, 2003) . O método clínico é definido por André 
Lévy (2001, p. 28) como um método que permite a abordagem do 
outro, nas relações interindividuais e nas relações sociais. É também 
uma démarche ativa de pesquisa e de intervenção, que considera os 
valores e as posições subjetivas no trabalho científico, além de permitir 
explicitar a relação do sujeito com o saber (DINIZ, 2011, p. 4).
Apresenta como caraterísticas a relação íntima, pessoal, entre o clínico e 
o sujeito (paciente ou cliente). O(a) pesquisador(a) utiliza-se de técnicas como: 
entrevista, história de vida, observação, análise de documentos, relatórios 
técnicos; é importante que o pesquisador(a) deixe o(a) pesquisado(a) falar livre 
e espontaneamente, é utilizado em estudo de doenças/análise de pacientes, com 
estudantes (LAKATOS; MARCONI, 2009).
Caro acadêmico, as autoras Lakatos e Marconi (2009) ressaltam que, 
diferenciando-se do Método de Abordagem, os Métodos de Procedimento muitas 
vezes são utilizados em conjunto, com a finalidade de obter vários enfoques do 
objeto de estudo.
Exemplificam o uso concomitante dos diversos métodos: 
• Para analisar o papel que os sindicatos desempenham na sociedade, pode-se 
pesquisar a origem e o desenvolvimento do sindicato, e a forma específica em 
que aparece nas diferentes sociedades: Método Histórico e Comparativo.
• A análise de garimpos e garimpeiros de Patrocínio Paulista – tese de 
doutoramento da professora Marina de Andrade Marconi – foi resultado do 
emprego dos Métodos Histórico, Estatístico e Monográfico. O tema exigiu 
a pesquisa, no passado, das atividades dos garimpeiros, suas migrações e 
métodos de trabalho; na investigação da característica do garimpeiro de hoje, 
foi empregado o método estatístico; e, finalmente, ao limitar a pesquisa a 
determinada categoria, utilizou-se o método monográfico.
A escolha do Método de Abordagem e dos Métodos de Procedimento 
não é rígida, ela dependerá da linha de pesquisa na qual o(a) pesquisador(a) 
está inserido(a), do tema e/ou campo teórico. O que sempre deve ser ressaltado 
é o rigor e o compromisso do(a) pesquisador(a) das ciências sociais e humanas 
com as questões legais e éticas, porque seu estudo, de uma maneira ou de outra, 
envolverá pessoas, seres humanos.
72
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico estudamos os métodos utilizados nas Ciências Sociais, e 
destacamos: 
• O Método Científico possibilita trabalhar/pesquisar nas ciências sociais. É um 
processo, um regramento que deve ser empregado pelo(a) pesquisador(a) para 
sistematizar seus estudos e pesquisas.
• As Ciências Sociais são um conjunto de disciplinas que estudam o homem 
através das suas relações com a sociedade e com a cultura.
• Estudam o comportamento humano, as manifestações sociais tanto na esfera 
material como na esfera simbólica. Estas questões começaram a merecer a 
atenção dos estudiosose a revestir-se de um carácter científico a partir do 
século XVIII.
• No século XIX surgiu a maior parte das disciplinas que pertencem ao domínio 
das Ciências Sociais: a Antropologia, a Sociologia e a Ciência Política.
• No século XX tiveram seu espaço como ciência ampliado, seu estudo 
democratizou-se, sendo as disciplinas consolidadas em cursos de graduação 
universitária. 
• O método é um caminho para se chegar a um fim, ele é imprescindível para 
efetivar a pesquisa.
• Lakatos e Marconi (2009) destacam os métodos: Indutivo, Dedutivo, 
Hipotético-Dedutivo, Dialético e Fenomenológico, para efetivar pesquisas 
nas ciências sociais. 
• Karl Marx estudou e demonstrou o emprego do pensamento dialético como 
um método para analisar a realidade e suas contradições advindas das relações 
materiais que são estabelecidas.
• O Método Dialético considera que os fenômenos, as coisas não existem 
isoladas, destacadas/separadas/independentes umas das outras, mas como um 
todo unido, coerente, uma unicidade. Tanto a natureza quanto a sociedade são 
compostas de objetos e fenômenos organicamente ligados entre si, dependendo 
uns dos outros e, ao mesmo tempo, condicionando-se reciprocamente.
73
• A assistente social Anna Augusta de Almeida foi a autora com maior destaque 
nos estudos da Fenomenologia e Serviço Social. Para ela, o marco referencial 
teórico da metodologia fenomenológica é constituído por três grandes 
conceitos: diálogo, pessoa e transformação social.
• Atualmente, a fenomenologia não responde mais aos requisitos da profissão 
(NETTO, 1994). Identifica na corrente fenomenológica um retorno ao 
conservadorismo que marcou o início da profissão no Brasil. 
• O Serviço Social, de acordo com a obra de Iamamoto e Carvalho (1982), no livro 
Relações Sociais e Serviço Social no Brasil, surgiu no Brasil como profissão 
no marco do desenvolvimento capitalista, sendo discutida na perspectiva 
histórico-crítica.
• Evidencia-se que o amadurecimento teórico-metodológico do Serviço Social 
iniciado com o Movimento de Reconceituação explicitou a intenção de ruptura 
com o conservadorismo. Esta ruptura aproximou o coletivo da profissão e 
suas instituições da orientação teórico- metodológica da tradição marxista, 
a profissão se reorganizou sob esta vertente teórica e acompanhando o 
movimento da sociedade brasileira.
• Sob este paradigma teórico ancorado na tradição marxista, o Serviço Social 
atualizou sua Lei de Regulamentação Profissional (Lei 8.662/93), o Código 
de Ética Profissional (1993), no qual a profissão explicita o compromisso com 
os valores éticos e políticos emancipadores, para conquista da liberdade em 
defesa da classe trabalhadora e propôs novas Diretrizes Curriculares para o 
ensino de Serviço Social, aprovadas em 1996.
• A pesquisa sob o Método de Marx parte da aparência, e conforme avança a 
análise, chega-se a conceitos e novas abstrações. Contudo, o procedimento 
analítico não se encerra neste ponto, pois, após se obter as determinações mais 
simples, é necessário retornar ao objeto. O início se dá no real, no concreto, que 
aparecem como dados, mas que, pela análise, os elementos são abstraídos e, 
consequentemente, chega-se a conceitos e assim progressivamente.
• O conhecimento do concreto opera-se envolvendo universalidade, singularidade 
e particularidade; para isto, o sujeito deve utilizar-se dos mais variados 
instrumentos e também técnicas de pesquisa, desde a análise documental até 
as formas mais diversas de observação, coleta de dados, quantificação etc.
• Para Marx, três categorias são nucleares: totalidade, contradição e mediação. 
74
• Lakatos e Marconi (2009) delimitam para as ciências sociais Métodos de 
Abordagem e Métodos de Procedimentos.
• Métodos de Abordagem: Método Indutivo, Método Dedutivo, Método 
Hipotético-Dedutivo e Método Dialético/Método Marxiano.
• Métodos de Procedimentos: Histórico, Comparativo, Monográfico, Estatístico, 
Tipológico, Funcionalista, Estruturalista, Etnográfico e Clínico.
75
1 Elabore um breve resumo sobre os Métodos de Abordagem e Métodos de 
Procedimentos, conforme proposto por Lakatos e Marconi (2009).
2 Leia o texto: Serviço Social e tradição marxista: notas sobre a teoria 
social crítica, de Mathis e Santana (2009. Disponível em: <http://www.
ifch.unicamp.br/formulario_cemarx/selecao/2009/trabalhos/servico-
social-e-tradicao-marxista-notas-sobre-teoria-soci.pdf>.), e explique as três 
perspectivas teóricas do Processo de Renovação do Serviço Social discutidas 
por Netto (1991).
AUTOATIVIDADE
76
77
TÓPICO 4
A PESQUISA SOCIAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Pelo que estudamos até o momento, podemos afirmar de forma 
simplificada que o conhecimento e a ciência resultam da curiosidade do homem 
que não se conforma com o que está posto, é da sua natureza a inquietação e a 
busca contínua por explicações dos fenômenos que o cercam.
Assim, o ato de pesquisar é o processo utilizado para explicar a realidade, 
esta explicação demanda atitudes e movimentos que irão norteá-la (método); a 
observação sistemática, organizada e guiada por métodos e técnicas irá resultar 
em uma atitude consistente de produção do conhecimento que poderá trazer 
benefícios para a humanidade.
Neste tópico iremos nos ater à Pesquisa Social em si, conceitos, finalidades, 
porque, como já estudamos, a pesquisa é uma ação interventiva inerente ao 
trabalho profissional do assistente social e, como tal, merece destaque em nossos 
estudos acadêmicos.
2 CONCEITOS E FINALIDADES
Evidenciou-se pelos nossos estudos que a pesquisa é um processo formal 
e sistemático que se utiliza das ordenações do Método Científico. Neste sentido, 
a Pesquisa Social, com o uso das ferramentas da Metodologia Científica, permite 
ao pesquisador elaborar novos conhecimentos no campo da realidade social. 
A realidade social é produzida histórica e coletivamente pelos homens 
e diz respeito ao conjunto de instrumentos (objetos, ideias, conhecimento, 
tecnologia etc.) com os quais os homens se relacionam com a natureza e com os 
outros homens para promover a sobrevivência, a forma histórica de produzir a 
humanidade chama-se trabalho, amplamente estudado por Marx. 
Assim, a Pesquisa Social assume importância ímpar ao estudar as relações 
sociais, as expressões da questão social e propor soluções para os problemas 
coletivos.
78
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
IMPORTANT
E
A PESQUISA COMO SUBSÍDIO AO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Rosiane Maria da Silva Rosa
[...]
Cabe aqui discorrer sobre a pesquisa social. Para Gil (2007, p. 42) pode-se “[...] definir pesquisa 
social como o processo que, utilizando a metodologia científica, permite a obtenção de 
novos conhecimentos no campo da realidade social”. A realidade social é entendida em 
sentido amplo, abrangendo todos os aspectos relativos ao homem em suas múltiplas 
relações com outros homens e instituições. (GIL, 2007, p. 42). Portanto, pesquisa social refere-
se às investigações no âmbito das diversas ciências sociais, como Sociologia, Antropologia, 
Psicologia, Economia, dentre outras. A pesquisa social tem como objeto de estudo a realidade 
social, as relações sociais entre os homens e destes com as instituições sociais. “O termo 
Pesquisa Social tem uma carga histórica e, assim como as teorias sociais, reflete posições 
frente à realidade, momentos do desenvolvimento e da dinâmica social, preocupações e 
interesses de classes e grupos determinados.” (MINAYO, 2004, p. 23). Para Minayo (2004, 
p. 25), “[...] a pesquisa enquanto atividade intelectual sofre as limitações e contradições 
mais amplas do campo científico, dos interesses específicos da sociedade e das ‘questões 
consagradas’ de cada época histórica”. Na pesquisa social na atualidade é presente um 
debate sobre a abordagem quantitativa e qualitativa na análise do real. Muitas vezes, a relação 
entre quantitativo e qualitativo é vista como dicotômica, porém essa dicotomia é aparente, 
na realidade estas esferas são interdependentes.Os dados quantitativos e qualitativos são 
complementares entre si e contribuem para o conhecimento da realidade. Porém, grande 
parte das pesquisas sociais tem como referência a abordagem qualitativa, que possibilita 
abordar aspectos da realidade que não podem e não devem ser quantificados. “Certamente 
qualquer pesquisa social que pretenda um aprofundamento maior da realidade não pode 
ficar restrita ao referencial apenas quantitativo.” (MINAYO, 2004, p. 28). É na abordagem 
qualitativa que desponta um universo de significados e sentidos atribuídos pelos sujeitos.
FONTE: Disponível em: <http://www.franca.unesp.br/Home/Pos-graduacao/ServicoSocial/
Dissertacoes/rosiane.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2016.
Nesta linha de pensamento, o objeto principal de investigação da 
Pesquisa Social é o ser humano, sendo que o(a) pesquisador(a) se debruça sobre 
os fenômenos das relações sociais que emergem no cotidiano de sua prática e 
destaca destes fenômenos pontos relevantes a serem estudados profundamente. 
É pela via da pesquisa social que novas decisões (principalmente com 
políticas sociais) são tomadas em prol de uma comunidade, a partir de estudos 
sobre determinados problemas detectados. Da análise da pesquisa emergem 
possíveis soluções que, com a implantação de projetos específicos, poderão trazer 
melhorias na condição de vida de uma determinada parcela da população. 
Para tanto, o espírito investigativo do(a) pesquisador(a) deve estar 
presente, ele(a) deve ter no seu dia a dia a curiosidade, a vontade de ir além, 
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
79
de saber mais, de estudar a realidade para propor soluções para as questões 
que emergem naquela realidade e que são fatores impeditivos para o acesso aos 
direitos de cidadania. 
Assim, considerando-se a historicidade e dinamicidade das relações 
sociais, um conceito de pesquisa social não pode ser estático e determinado.
UNI
Leia um extrato do texto: A Importância da Pesquisa para o Curso de Serviço 
Social: Perspectiva Histórica e Atual.
[...] No primeiro momento, fazer pesquisa é para produzir conhecimento e, acima de tudo, 
proporcionar uma melhor qualidade de vida para a população. Mas não basta apenas pesquisar 
por pesquisar, sem trazer nenhuma relevância para a sociedade. Principalmente no que diz 
respeito às Ciências Sociais, que em seu nome já condiz o que deve ser tratado, o social. Nas 
nossas pesquisas podemos utilizar métodos quantitativos e/ou qualitativos. Alguns fatores 
são extremamente relevantes para qualquer pesquisa. Primeiramente, o contexto histórico 
deve ser lembrado durante o trabalho.
Significa que as sociedades humanas existem num determinado 
espaço, num determinado tempo, que os grupos sociais que as 
constituem são mutáveis e que tudo, instituições, leis, visões 
de mundo são provisórios, passageiros, estão em constante 
dinamismo e potencialmente tudo está para ser transformado 
(MINAYO, 2004, p. 20). 
Outro fator que precisamos ter em mente enquanto pesquisadores é a necessidade de 
uma identidade “entre o sujeito e o objeto de investigação” (MINAYO, 2004, p. 21), pois não 
podemos realizar qualquer pesquisa sem que o tema estudado instigue ao conhecimento. 
Outro aspecto é quanto ao trabalho com dados estatísticos, temos que ter uma leitura 
interpretativa dos mesmos.
Para tanto, afigura-se como recursos indispensáveis ao seu 
conhecimento o acesso às estatísticas disponíveis nos Censos 
oficiais, nas Pesquisas Nacionais de Amostra de Domicílios 
– PNADs -, nos levantamentos efetuados pelos Estados e 
Municípios por suas secretarias e órgãos técnicos. (IAMAMOTO, 
2007, p. 100).
FONTE: Disponível em: <http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2009/anais/arquivos/
RE_0283_0108_01.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2016.
80
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
AUTOATIVIDADE
Por que a Pesquisa Social é importante para o cotidiano do(a) assistente 
social?
Quanto à sua Finalidade, a Pesquisa Social apresenta diferentes níveis, que 
são classificados como: Pesquisa Exploratória, Pesquisa Descritiva e Pesquisa 
Explicativa.
Uma Pesquisa Exploratória tem a finalidade de levantar informações 
preexistentes sobre determinado assunto/tema, busca proporcionar uma visão 
geral, é uma aproximação de um determinado fato/fenômeno, se constitui na 
primeira etapa de uma investigação mais ampla. O produto final deste processo 
passa a ser um fenômeno/problema mais esclarecido, sendo possíveis outras 
investigações mediante procedimentos mais sistematizados. 
O objetivo de uma pesquisa exploratória é familiarizar-se com um assunto 
ainda pouco conhecido, pouco explorado; seu sucesso depende da intuição do(a) 
explorador(a) (da intuição do(a) pesquisador(a)). 
É um tipo de pesquisa muito específico, geralmente ela assume a forma de 
um estudo de caso (GIL, 2010). 
Para sua efetivação como qualquer outra pesquisa, ela depende também 
de uma pesquisa bibliográfica, pois mesmo que existam poucos estudos sobre 
o assunto a ser pesquisado, atualmente, no estágio de desenvolvimento da 
humanidade, praticamente nenhuma pesquisa começa do nada; existirá 
sempre algum escrito, dados ou histórias de pessoas que tiveram experiências 
semelhantes.
FIGURA 5 – O TRIÂNGULO ESCALENO
FONTE: Disponível em: <www.domíniosfantásticos.com.br>. Acesso em: 23 jan. 2016.
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
81
NOTA
Pesquisa bibliográfica: a pesquisa bibliográfica é básica e obrigatória em 
qualquer modalidade de pesquisa. De forma geral, qualquer informação publicada (impressa 
ou eletrônica) é passível de se tornar uma fonte de consulta. Os livros constituem-se nas 
principais fontes de referências bibliográficas. Os assuntos publicados em livros adotados 
como referências em sistemas formais de ensino constituem-se em um conhecimento 
pronto para a consulta. Na visão de Freire-Maia (1998), a ciência que já foi produzida e testada, 
denominada como ciência-disciplina, está disponível nos livros. Os assuntos publicados 
em periódicos (em nosso caso específico, em jornais e revistas científicas) geralmente 
são informações que estão ainda se sistematizando, pesquisas que ainda estão sendo 
comprovadas. Na visão de Freire-Maia (1998), a ciência dos periódicos é a ciência-processo, 
porque ela ainda está sendo elaborada, testada, discutida.
FONTE: Disponível em: <http://www.oficinadapesquisa.com.br/APOSTILAS/PROJETO_RH/_
OF.TIPOS_PESQUISA.PDF>. Acesso em: 22 jan. 2016.
Estudo de caso: o estudo de caso é um método qualitativo que consiste, geralmente, em 
uma forma de aprofundar uma unidade individual. Ele serve para responder questionamentos 
em que o pesquisador não tem muito controle sobre o fenômeno estudado. O estudo 
de caso contribui para compreendermos melhor os fenômenos individuais, os processos 
organizacionais e políticos da sociedade. É uma ferramenta utilizada para entendermos a 
forma e os motivos que levaram a determinada decisão. Conforme Yin (2001), o estudo 
de caso é uma estratégia de pesquisa que compreende um método que abrange tudo em 
abordagens específicas de coletas e análise de dados. Este método é útil quando o fenômeno 
a ser estudado é amplo e complexo e não pode ser estudado fora do contexto onde ocorre 
naturalmente. Ele é um estudo empírico que busca determinar ou testar uma teoria, e tem 
como uma das fontes de informações mais importantes as entrevistas. Através delas o 
entrevistado vai expressar sua opinião sobre determinado assunto, utilizando suas próprias 
interpretações. A tendência do estudo de caso é tentar esclarecer decisões a serem tomadas. 
Ele investiga um fenômeno contemporâneo partindo do seu contexto real, utilizando de 
múltiplas fontes de evidências.
FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/sociedade/estudo-de-caso/>. Acesso 
em: 22 jan. 2016.
Quanto à Pesquisa Descritiva, para Gil (2010), a mesma tem o objetivo de 
descrever as características de uma população, fenômeno ou de uma experiência, 
ela descreve com extremo detalhamento as características encontradas. 
Por exemplo,a ocupação de um determinado espaço geográfico, quais 
as características do grupo populacional em relação a sexo, faixa etária, renda 
familiar, nível de escolaridade etc.; os aspectos sociais, econômicos, políticos, 
culturais, religiosos dos moradores, as determinações históricas da ocupação; a 
pesquisa descritiva pode estabelecer relações entre variáveis (os papéis masculinos 
e femininos dos moradores, a renda das famílias e a escolaridade...). 
82
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Apresenta diferença em relação à pesquisa exploratória no sentido de 
que estuda/pesquisa um assunto já conhecido; sua contribuição se destaca por 
proporcionar novas visões sobre uma realidade já estudada/conhecida. 
A pesquisa descritiva também pode assumir forma de um estudo de 
caso; nas ciências sociais é uma das pesquisas mais solicitadas pelas instituições, 
porque, quando da conclusão de uma pesquisa descritiva, o(a) pesquisador(a) 
terá coletado, sistematizado e analisado muitas informações sobre o assunto 
pesquisado, o que irá contribuir significativamente para a produção do 
conhecimento.
IMPORTANT
E
A PESQUISA COMO SUBSÍDIO AO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL
Rosiane Maria da Silva Rosa
[...]
Na produção de conhecimento, o fomento ao conhecimento voltado para a atividade 
produtiva e aquele produzido pelas Ciências Sociais, e especificamente pelo Serviço Social, 
tem tratamento diferenciado, onde os estímulos financeiros voltam-se ao primeiro. Para 
Faleiros (2002), a ciência valorizada hoje é a ciência que pode levar ao desenvolvimento 
e à acumulação do capital. Essa obtém vultosos recursos e incentivos. Estas são relativas 
principalmente à área das ciências exatas, da tecnologia. Portanto, aqueles que desenvolvem 
meios para dinamizar o capital. Por certo, as ciências sociais e dentro delas o Serviço Social, 
não são prioridade. Ou pior, não são consideradas áreas de interesse. Pesquisas voltadas aos 
problemas da humanidade, como condições de vida da população que vive do trabalho, 
pobreza, miséria, que visam equidade e justiça social não têm interesse ao capital. Portanto, 
nesta área os recursos são parcos, mesmo que tenham tido uma relativa expansão por parte 
dos órgãos de pesquisa. Se comparados a outras áreas, são pouco significativos. (FALEIROS, 
2002). No Serviço Social as pesquisas que objetivam a aplicação prática dos resultados 
constituem uma grande parte das produções. Porém, cabe ressaltar que nem todas são 
voltadas à aplicação prática de resultados. Diversos profissionais da área têm desenvolvido 
pesquisas que colaboram para desenvolvimento de teorias e análise da realidade social, 
conhecimentos estes que são usados pela área das ciências sociais, como exemplo, análises 
acerca da questão social na sociedade contemporânea. A profissão, portanto, tem capacidade 
teórica de elaborar conhecimentos que se voltam para aplicação prática, mas também que 
ampliam o conhecimento acumulado sobre a realidade social na sociedade capitalista. Está 
em constante diálogo com outras áreas, bem como com pesquisadores da América Latina. 
A produção científica brasileira é referência na realidade do Serviço Social latino-americano. 
FONTE: Disponível em: <http://www.franca.unesp.br/Home/Pos-graduacao/ServicoSocial/
Dissertacoes/rosiane.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2016.
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
83
A Pesquisa Explicativa, de acordo com Gil (2010), se preocupa em 
identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos 
fenômenos, ou seja, visa explicar o porquê das coisas através dos resultados 
oferecidos. Esta pesquisa, ainda de acordo com Gil (2010), pode ser também a 
continuação de uma pesquisa descritiva, uma vez que a identificação de fatores 
que determinam um fenômeno exige que este seja descrito e detalhado. 
Nas ciências naturais, as pesquisas explicativas valem-se do método 
experimental; nas ciências sociais, recorre-se a outros métodos, sobretudo ao 
observacional. Gil (2010) ressalta também que nem sempre se torna possível a 
realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais.
DICAS
Veja o vídeo sobre a definição de pesquisa explicativa, disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=JygX4kdIU_U>. Acesso em: 15 fev. 2016.
3 O PESQUISADOR, SEU PAPEL E LIMITES ÉTICOS
O pesquisador é um profissional que faz pesquisa, ele está em busca de 
respostas de uma pergunta, assim faz uma pesquisa e elabora uma resposta, 
isto necessariamente não o caracteriza como um cientista, contudo, no Brasil, 
comumente denominamos o cientista de pesquisador. 
O cientista/pesquisador trabalha com pesquisa e, com os resultados e as 
conclusões obtidas, discute com um grupo maior, com outros pesquisadores, 
procurando avançar em um determinado campo do conhecimento.
Como já estudamos, a pesquisa deve seguir uma metodologia e 
pressupostos determinados pelo Método Científico, assim o pesquisador/cientista 
executa, cuida do método, cumpre o planejado, tem um cronograma de ação. Ele 
previamente elaborou seu projeto de pesquisa e trabalha na busca dos objetivos 
propostos, deve ser organizado, intuitivo, crítico e persistente.
Além de estar sempre atento e atualizado aos estudos que outros realizam 
na sua área de conhecimento, também deve participar de eventos de discussão de 
pesquisas, isto o leva, no percurso da sua vida profissional, a construir um perfil 
competente. 
A postura de pesquisador decorre da dedicação para exercitar a autonomia 
e o ato de aprender sempre. 
84
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Para se apegar à ciência, a ação individual é imprescindível, pois ela 
permite a descoberta para os estudos, e esta leva à vontade de conhecer e a 
envolver-se na área da pesquisa (BARROS; LEHFELD, 2010).
A iniciação científica ocorre durante a graduação e tem um caráter 
pedagógico que leva o(a) acadêmico(a) a desenvolver habilidades necessárias 
para a prática da pesquisa, quanto para a da análise crítica da realidade social. 
Este processo articula os diferentes conhecimentos teórico-metodológicos, 
teorias importantes que vão sendo adquiridas no decorrer da graduação. 
No Serviço Social, a iniciação científica se constitui em um importante 
processo para a construção da identidade profissional do assistente social como 
pesquisador e da pesquisa como campo de ação do Serviço Social.
Barros e Lehfeld (2010, p. 24) destacam que os programas de iniciação 
científica durante a graduação podem:
a) Alargar os horizontes dos educandos, incentivando-os a ter um 
olhar mais analítico-crítico sobre a realidade social em que estão 
inseridos e da qual fazem parte;
b) Construir questionamentos importantes sobre acontecimentos e 
objetos que possam induzir à realização de estudos científicos; 
c) Compreender que devemos fugir ao que nos é apresentado como 
dogmático (determinante de certezas), alienado (longe da realidade) 
e a-histórico, ao se elaborar suas metodologias de estudo.
d) Relacionar o prazer em produzir cientificamente o conhecimento 
com o prazer de se formar como profissional, unindo essas 
competências para a mudança da sociedade como um todo. 
A iniciação científica não se efetiva como é necessária, não contempla nem 
a maioria dos(as) acadêmicos(as); a totalidade é um sonho a ser conquistado; o 
fomento através de bolsas e iniciação científica ainda é bastante reduzido, o que 
por vezes inviabiliza a iniciação científica pela necessidade dos estudantes de 
trabalharem para a sua manutenção. 
Por outro lado, mesmo que o(a) acadêmico(a) se disponha a desenvolver 
pesquisa sem apoio financeiro, nem sempre encontrará professor com 
disponibilidade para orientação, há que se considerar o reduzido número de 
professores nas instituições; há cortes nos recursos financeiros e que inviabilizam 
a contratação de professores para se dedicarem especificamente à pesquisa.
Mesmo com estes fatores de ordem econômica que atingem a educação 
no país, temos uma legislação, tanto educacional quanto profissional,que 
estabelece o incentivo à pesquisa nas universidades, e no Serviço Social ela vem 
se sedimentando ano a ano. 
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
85
Referente aos limites éticos, a profissão tem, desde seu início no país, 
determinações éticas estabelecidas em seus códigos; estes, ao longo do tempo, 
foram sendo atualizados acompanhando a evolução da sociedade e da profissão.
Assim, a ética profissional é ministrada na graduação e as pesquisas 
realizadas na área atendem aos ditames do Código de Ética Profissional do 
Assistente Social e da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
DICAS
Acesse o site: <http://conselho.saude.gov.br/web_comissoes/conep/aquivos/
resolucoes/23_out_versao_final_196_ENCEP2012.pdf> e leia na íntegra a Resolução nº 196 
do Conselho Nacional de Saúde.
Ainda no que diz respeito à ética, a mesma é um importante ramo da 
filosofia que deve balizar a vida em sociedade: 
Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder 
a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso? Nem 
tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem 
tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo 
que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve. 
(Mario Sergio Cortella, disponível em: <http://pensador.uol.com.br/
frase/MTI0ODIxMA/>. Acesso em: 26 jan. 2016).
A ética em pesquisa necessita ser regulada. Osvaldo Dalberio (2008), na sua 
tese de doutorado: Os Desafios Éticos da Pesquisa Social, ressalta a importância 
desta regulação no Brasil (Resolução nº 196/96 - CNS), que indica a orientação 
sobre as pesquisas realizadas com seres humanos:
A resolução em destaque mostra esta direção para que os cientistas 
e pesquisadores possam ser norteados quanto ao processo e o 
resultado de suas investigações. Em outros termos, tudo que envolve 
a ação relativa ao homem é pautada por preocupação estrutural 
cujas consequências devem ser previstas. Antes da resolução essa 
ideia não era foco de discussão. O que se visualizava era o resultado. 
Embora tenhamos todos os requisitos necessários para sabermos das 
vantagens e prejuízos para a humanidade, com o produto de nossas 
pesquisas nas ciências, ainda assim, carecemos de posturas éticas 
durante o processo de pesquisa e o uso dos resultados advindos de 
tais procedimentos. É nesse sentido que destacamos a importância sem 
medida da Resolução 196/1996, CNS. A intenção aqui é a de explicitar, 
com base nesta discussão, as contribuições que esta resolução 
apresenta para a pesquisa social. Observamos que sendo o foco dela 
86
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
voltado para as questões da saúde, faz-se necessário refletirmos com 
outro olhar: o olhar das ciências sociais. E de posse dessas informações, 
fazer a transposição ou adaptação, ou melhor, observar e destacar as 
contribuições que esta resolução oferece para a pesquisa social [...] 
Assim, ao pesquisador cabe observar o “Risco da pesquisa, [ou seja], 
possibilidade de danos à dimensão física, psíquica, moral, intelectual, 
social, cultural ou espiritual do ser humano, em qualquer fase de uma 
pesquisa e dela decorrente” (Resolução n.196/1996, item II. 9). Significa 
que a responsabilidade com as questões envolvendo seres humanos é 
efetivamente séria. Isto é, quando a pesquisa ao ser realizada acenar 
para qualquer tipo de risco ao homem, o pesquisador precisa tomar 
a decisão responsável e competente de reverter o caminho a seguir 
ou até mesmo interromper a pesquisa. Sob pena de prejudicar todo 
o investimento feito até aquele momento. Portanto, os resultados 
obtidos só serão válidos eticamente se, e somente se, levar em conta 
o homem em primeira e última instância. Destaca a resolução que “o 
sujeito da pesquisa - é o(a) participante pesquisado(a), individual ou 
coletivamente, de caráter voluntário” (DALBERIO, 2008, p. 90-91).
O Código de Ética do Assistente Social define a liberdade como valor ético 
central, assim, não podemos cogitar nenhuma ação profissional que se interponha 
a esta definição, devemos primar sempre pelo exercício pleno da liberdade, que é 
uma condição inerente do ser humano. 
Nesta direção, a citada resolução determina que os sujeitos da pesquisa 
sejam orientados e esclarecidos sobre o teor e os objetivos da pesquisa da qual 
farão parte, esta orientação e esclarecimentos deverão culminar com a assinatura 
do termo de consentimento livre e esclarecido e que deve constar dos autos da 
pesquisa. 
Caro acadêmico, leia as orientações da Resolução nº 196/96 sobre o 
Consentimento Livre e Esclarecido:
[...]
IV - CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa 
se processe após consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, 
indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus representantes legais 
manifestem a sua anuência à participação na pesquisa.
IV.1 - Exige-se que o esclarecimento dos sujeitos se faça em linguagem 
acessível e que inclua necessariamente os seguintes aspectos:
a) a justificativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados 
na pesquisa;
b) os desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados;
c) os métodos alternativos existentes;
d) a forma de acompanhamento e assistência, assim como seus 
responsáveis;
e) a garantia de esclarecimentos, antes e durante o curso da pesquisa, 
sobre a metodologia, informando a possibilidade de inclusão em 
grupo controle ou placebo;
f) a liberdade do sujeito se recusar a participar ou retirar seu 
consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem penalização 
alguma e sem prejuízo ao seu cuidado;
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
87
g) a garantia do sigilo que assegure a privacidade dos sujeitos quanto 
aos dados confidenciais envolvidos na pesquisa;
h) as formas de ressarcimento das despesas decorrentes da participação 
na pesquisa; e
i) as formas de indenização diante de eventuais danos decorrentes da 
pesquisa.
IV.2 - O termo de consentimento livre e esclarecido obedecerá aos 
seguintes requisitos:
a) ser elaborado pelo pesquisador responsável, expressando o 
cumprimento de cada uma das exigências acima;
b) ser aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa que referenda a 
investigação;
c) ser assinado ou identificado por impressão dactiloscópica, por 
todos e cada um dos sujeitos da pesquisa ou por seus representantes 
legais; e
d) ser elaborado em duas vias, sendo uma retida pelo sujeito da 
pesquisa ou por seu representante legal e uma arquivada pelo 
pesquisador.
IV.3 - Nos casos em que haja qualquer restrição à liberdade ou ao 
esclarecimento necessários para o adequado consentimento, deve-se 
ainda observar:
a) em pesquisas envolvendo crianças e adolescentes, portadores de 
perturbação ou doença mental e sujeitos em situação de substancial 
diminuição em suas capacidades de consentimento, deverá haver 
justificação clara da escolha dos sujeitos da pesquisa, especificada 
no protocolo, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, e 
cumprir as exigências do consentimento livre e esclarecido, através 
dos representantes legais dos referidos sujeitos, sem suspensão do 
direito de informação do indivíduo, no limite de sua capacidade;
b) a liberdade do consentimento deverá ser particularmente 
garantida para aqueles sujeitos que, embora adultos e capazes, 
estejam expostos a condicionamentos específicos ou à influência 
de autoridade, especialmente estudantes, militares, empregados, 
presidiários, internos em centros de readaptação, casas-abrigo, 
asilos, associações religiosas e semelhantes, assegurando-lhes a 
inteira liberdade de participar ou não da pesquisa, sem quaisquer 
represálias;
c) nos casos em que seja impossível registrar o consentimento livre 
e esclarecido, tal fato deve ser devidamente documentado, com 
explicação das causas da impossibilidade, e parecer do Comitê de 
Ética em Pesquisa;
d) as pesquisas em pessoas com o diagnóstico de morte encefálica só 
podem ser realizadas desde que estejam preenchidas as seguintescondições:
- documento comprobatório da morte encefálica (atestado de óbito);
- consentimento explícito dos familiares e/ou do responsável legal, 
ou manifestação prévia da vontade da pessoa;
- respeito total à dignidade do ser humano sem mutilação ou violação 
do corpo;
- sem ônus econômico financeiro adicional à família;
- sem prejuízo para outros pacientes aguardando internação ou 
tratamento;
- possibilidade de obter conhecimento científico relevante, novo e 
que não possa ser obtido de outra maneira;
e) em comunidades culturalmente diferenciadas, inclusive indígenas, 
deve-se contar com a anuência antecipada da comunidade através 
dos seus próprios líderes, não se dispensando, porém, esforços no 
sentido de obtenção do consentimento individual;
88
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
f) quando o mérito da pesquisa depender de alguma restrição de 
informações aos sujeitos, tal fato deve ser devidamente explicitado 
e justificado pelo pesquisador e submetido ao Comitê de Ética 
em Pesquisa. Os dados obtidos a partir dos sujeitos da pesquisa 
não poderão ser usados para outros fins que os não previstos no 
protocolo e/ou no consentimento. [...] (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 
2012, p. 6).
AUTOATIVIDADE
Elabore um breve texto sobre a importância do consentimento livre e 
esclarecido para as pesquisas em Serviço Social.
4 AS ETAPAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA SOCIAL
Lakatos e Marconi (2009) delimitam as quatro etapas que devem nortear 
uma pesquisa social: Preparação da Pesquisa, Fases da Pesquisa, Execução da 
Pesquisa e o Relatório da Pesquisa.
Cabe ressaltar que estas etapas no decorrer da pesquisa não são 
segmentadas, separadas, elas estão assim sistematizadas para fins de estudo e 
melhor compreensão de suas etapas, entende-se que a realidade não é estanque, 
que ela não se apresenta de forma linear, as etapas podem, no decorrer da 
pesquisa, se intercalarem.
 
Ao mesmo tempo em que se toma a decisão de realizar a pesquisa e, por 
exemplo, se aguarda a autorização da mesma pelos respectivos comitês/órgãos 
de pesquisa, dependendo do tema, já pode ser iniciada a revisão da literatura 
(bibliográfica), levantamentos estatísticos oficiais, elaborar apontamentos teóricos, 
a descrição do cotidiano dos atores, as situações e os acontecimentos; definir as 
entrevistas, sendo importante destacar o papel das transcrições, a fidelidade das 
entrevistas e depoimentos, realizar buscas em arquivos, para levantar fotografias, 
do material iconográfico e extratos de documentos... 
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
89
 QUADRO 6 – ETAPA DE PREPARAÇÃO DA PESQUISA
PREPARAÇÃO DA PESQUISA
1 Decisão
Momento de decidir pela realização da pesquisa, pressupõe um 
conhecimento anterior sobre o que se pretende investigar e sobre a 
metodologia adequada ao seu estudo.
2 Especificação 
dos objetivos
Determina o que se pretende alcançar; devem responder às perguntas: 
Por quê? Para quê? Para quem?
3 Elaboração de 
um esquema
O esquema permite a visualização das etapas, do seu planejamento 
e permite que o pesquisador visualize a ordem lógica do trabalho.
4 Constituição 
da equipe de 
trabalho
Uma pesquisa pode ser realizada por uma só pessoa, se necessitar 
o envolvimento de outras deve ser planejado o recrutamento, 
treinamento e distribuição das tarefas e funções. Deve responder à 
pergunta: Quem?
5 Levantamento 
de recursos e 
cronograma 
Quando a pesquisa é patrocinada, é necessário realizar previsão 
aproximada dos gastos e estes devem ser especificados, devem 
ser controlados de acordo com a previsão. Devem responder às 
perguntas: Quanto? Quando?
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009, p. 158-159)
QUADRO 7 – ETAPA DAS FASES DA PESQUISA
FASES DA PESQUISA
1 Escolha do tema É o assunto escolhido para estudar e pesquisar. Deve responder à pergunta: O que será explorado?
2 Levantamento de 
dados
Envolve a obtenção dos dados, pesquisa documental, bibliográfica 
e contatos para pesquisa de campo, laboratórios, todas as fontes 
possíveis de informações de acordo com o tema escolhido. 
3 Formulação do 
problema
O problema é a dificuldade para a qual se busca resposta, soluções. 
Deve responder às perguntas: O quê? Como?
4 Definição dos 
termos
Decodificar os termos, tornando-os compreensivos, objetivos e 
adequados.
5 Construção das 
hipóteses
A hipótese é uma proposição que se faz na tentativa de verificar 
a validade de resposta para o problema. 
6 Indicação de 
variáveis Definem-se as variáveis que podem interferir ou afetar o estudo.
90
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
7 Delimitação da 
pesquisa
Estabelece-se os limites da pesquisa, geralmente o assunto e os 
objetivos podem estabelecer os limites.
8 Amostragem É a parcela selecionada do universo (população) a ser estudada.
9 Seleção de 
métodos e técnicas 
Os métodos e técnicas podem ser selecionados desde a proposição 
do problema e da formulação das hipóteses e devem ser 
adequados aos mesmos.
10 Organização do 
instrumental da 
pesquisa
É uma etapa importante e trabalhosa, deve conter resumo dos 
livros, notas, material iconográfico, listagem das entrevistas, 
visitas...de acordo com o tema delimitado.
11 Teste de 
instrumentos e 
procedimentos 
Necessário para testar a validade dos instrumentos e 
procedimentos.
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009, p. 160-167)
QUADRO 8 – ETAPA DA EXECUÇÃO DA PESQUISA
EXECUÇÃO DA PESQUISA
1 Coleta de dados
Inicia-se a aplicação dos instrumentos de coleta de dados, 
que geralmente envolve: coleta de documentos, observação, 
entrevistas, questionários, formulários, medidas de opinião e 
atitudes, técnicas mercadológicas, testes, sociometria, análise 
de conteúdo, história de vida. 
2 Elaboração dos 
dados
Elaboram-se e classificam-se os dados por seleção, codificação, 
tabulação. 
3 Análise e 
interpretação dos 
dados
É a parte central da pesquisa. Envolve a interpretação, explicação e 
especificação, deve ser cuidadosa porque irá subsidiar o Relatório. 
4 Representação 
dos dados
É a sistematização estatística, com a apresentação de tabelas, 
quadros, gráficos de acordo com a metodologia estatística. 
5 Conclusões
Explicita os resultados obtidos e considerados mais relevantes, 
apresentam-se as inferências sobre os resultados evidenciando a 
finalização do trabalho da pesquisa.
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009, p. 167-173)
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
91
QUADRO 9 – ETAPA DO RELATÓRIO DA PESQUISA
RELATÓRIO DA PESQUISA
Relatório da 
pesquisa 
Exposição geral da pesquisa, desde o seu planejamento às conclusões, 
incluindo a metodologia empregada; o texto deve ser lógico, preciso, 
em linguagem simples, clara e objetiva, tem a finalidade de expor os 
resultados obtidos com a pesquisa, se possível com detalhes.
FONTE: Adaptado de Lakatos e Marconi (2009, p. 173)
Prezado acadêmico, o mundo do trabalho do(a) assistente social está 
organicamente vinculado à intervenção junto às sequelas das expressões da 
questão social. Neste sentido, o processo de trabalho do profissional o(a) coloca 
muitas vezes em contato direto com usuários(as) em diferentes estágios do ciclo 
de vida humana e que vivenciam as diferentes expressões da questão social. 
 
Isto significa que diferentes fenômenos sociais podem ser fonte de 
pesquisa, e que esta, se planejada e executada de acordo com o que estudamos até 
o momento, poderá resultar em um “retrato” da realidade vivenciada pelos(as) 
usuários(as) e apresentar como conclusões propostas para o enfrentamento das 
expressões das questões sociais através de programas e projetos vinculados às 
diversas políticas sociais, como: Educação, Saúde, Assistência Social, Previdência 
Social, Habitação, entre outras.
92
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
LEITURA COMPLEMENTAR
A PRODUÇÃO CIENTÍFICA PARA O SERVIÇO SOCIAL
Rosiane Maria da Silva Rosa
Os programas de pós-graduação em Serviço Social são relevantes no 
desenvolvimento da pesquisa nesta área, porém isso não significa que não haviapesquisa na profissão antes da instituição da pós-graduação brasileira.
 
Setúbal (2005) destaca que, antes da criação destes programas, se 
vislumbram na profissão de forma mais precisa duas linhas de pesquisa: uma 
relacionada ao Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social 
(CBCISS), que vai dar origem aos documentos de Araxá (1967) e Teresópolis (1970). 
E outra aportada pelo Centro Latino-Americano de Trabalho Social (CELATS), 
dentro da qual se desenvolve o conhecido “Método B.H”. 
Cabe lembrar ainda que, no Brasil, em outras áreas a pesquisa científica 
começa a desenvolver-se bem distante dos cursos de pós-graduação, sendo 
desenvolvida em institutos de pesquisa vinculados à administração pública. Por 
exemplo, o Instituto Butantã e o Instituto Osvaldo Cruz, entre outros. 
[...] “diferentemente de outras profissões, o movimento da pesquisa como 
produção de um conhecimento científico sistemático ocorreu em sentido diferente 
no Serviço Social, pois, de forma mais maciça, essa tem se apresentado a partir da 
criação dos cursos de pós-graduação” (SETÚBAL, 2005, p. 77).
 
O primeiro programa de pós-graduação em Serviço Social foi criado 
em 1971, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), logo em 
seguida (1972) veio o da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 
(PUC-RJ); o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1976; o da 
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) em 1977; o da 
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1978; e o da Universidade Federal de 
Pernambuco (UFPE) em 1979. 
Com a pós-graduação em Serviço Social, a produção na área tem um 
impulso, a partir da década de 1970. Com o crescimento da produção nesta área são 
criados veículos de divulgação desta produção. É criada então a Cortez Editora, que 
publicava principalmente produção de assistentes sociais. No caso das revistas, já 
havia a Debates Sociais, e é fundada também a Serviço Social & Sociedade (1979). 
A revista Serviço Social & Sociedade foi criada a partir da necessidade de um 
espaço próprio para divulgação de um pensamento emergente no Serviço Social 
brasileiro. Esta foi criada por sugestão de um grupo de assistentes sociais de São 
Paulo, associado ao avanço da pós-graduação, permitindo produções e debates 
intelectuais mais sistematizados em nível nacional. (BRANDÃO, 2007, p. 28). 
TÓPICO 4 | A PESQUISA SOCIAL
93
Vão surgindo também revistas vinculadas às universidades, para divulgar 
a produção dos programas de pós-graduação. O espaço da pós-graduação 
constituiu-se em espaço privilegiado de incentivo e fomento à pesquisa. Com 
este a produção científica cresceu, e foram criadas associações para coordenar e 
estimular as investigações e pesquisas. 
O Serviço Social começa a receber bolsas de incentivo para alunos da pós-
graduação a partir dos anos de 1970, e passa a ser reconhecido pelas agências de 
fomento pertencentes à área de Ciências Sociais Aplicadas. Porém, só nos anos 
1980 começa a receber auxílio para pesquisa.
 
Ao falar da criação da pós-graduação, Yazbek e Silva (2005) relatam que esta 
se iniciou impulsionada por professores e profissionais motivados a desenvolver 
a vida acadêmica, a produção científica e também a prática profissional com 
fundamentos teórico-metodológicos. 
Foi uma expressão de rompimento com a postura positivista que 
determinava a separação do pensar e do agir; do construir conhecimento, 
do intervir na realidade social. Essa forma de pensar orientou, durante 
décadas, o pensamento profissional e situou os assistentes sociais no 
estágio de meros sujeitos de intervenção profissional e consumidores de 
teorias construídas por outras disciplinas profissionais. A pós-graduação 
assumiu papel fundamental na superação desse viés positivista que 
marcou o Serviço Social, contribuindo largamente para capacitar os 
profissionais também enquanto cientistas sociais preocupados em 
mudar a realidade social opressora e produzir conhecimento sobre essa 
realidade para embasar a prática profissional e contribuir para o avanço 
científico das Ciências Sociais. (YASBEK; SILVA, 2005, p. 42). 
 A produção de conhecimento na área do Serviço Social começa a 
desenvolver-se com mais profundidade a partir de 1980. Esta década marcou um 
processo de amadurecimento da produção teórica da área, com protagonismo 
da universidade, principalmente sob a égide da influência marxista inserida no 
Serviço Social no movimento de reconceituação pelos profissionais da chamada 
intenção de ruptura. 
[...] o conhecimento produzido nos programas de pós-graduação a 
partir dos anos 1970 permitiu a incorporação do pensamento crítico 
que sustentou, nos anos de 1980, a construção de um novo projeto 
profissional. A apropriação do pensamento dos autores clássicos das 
Ciências Sociais sustentou a recriação da capacidade de análise, de 
interpretar e de intervir no real do Serviço Social, que emergia como 
área de conhecimento. (CARVALHO; SILVA e SILVA, 2005, p. 73). 
O Serviço Social deixou de ser mero consumidor do saber produzido pelas 
outras áreas de conhecimento das ciências humanas e sociais, e passou a produzir 
conhecimentos acerca da realidade social. A profissão passa de consumidora 
destes conhecimentos a interlocutora, e começa e responder por uma produção 
teórica própria. 
94
UNIDADE 1 | A PESQUISA E SUAS PARTICULARIDADES
Atualmente o Serviço Social traz grandes contribuições no debate da 
realidade, que são utilizadas por diversas áreas das ciências sociais. Apresenta 
uma densa produção teórica construída por importantes expoentes da profissão 
na contemporaneidade. Como já ressaltado, essa produção tem alcance e 
visibilidade mesmo fora do âmbito do Serviço Social.
O Serviço Social [...] produz conhecimentos sobretudo articulados 
com a possibilidade de intervir na realidade social. No caso 
brasileiro, face ao agravamento da questão social, cujas manifestações 
mais visíveis são os indicadores de desigualdade e pobreza, o 
Serviço Social vem acumulando conhecimentos e pesquisas que 
expressam a particularidade de sua inserção na sociedade. Seja no 
âmbito da realidade nacional, seja internacional, o Serviço Social 
vem se especializando no tratamento de questões relacionadas às 
políticas do Estado e às iniciativas da sociedade civil no campo do 
enfrentamento de demandas e necessidades sociais da população, 
além da centralidade que historicamente vem atribuindo à 
produção do conhecimento sobre temáticas específicas da produção. 
(CARVALHO; SILVA e SILVA 2005, p. 91). 
Os programas de pós-graduação têm por objetivo formar não somente 
professores para o Ensino Superior, mas também formar pesquisadores para 
a área.
FONTE: Disponível em: <http://www.franca.unesp.br/Home/Pos-graduacao/ServicoSocial/
Dissertacoes/rosiane.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2016.
95
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico vimos que: 
• O ato de pesquisar é o processo utilizado para explicar a realidade, esta 
explicação demanda atitudes e movimentos que irão norteá-la (método); a 
observação sistemática, organizada e guiada por métodos e técnicas irá resultar 
em uma atitude consistente de produção do conhecimento que poderá trazer 
benefícios para a humanidade.
• A Pesquisa Social, com o uso das ferramentas da Metodologia Científica, 
permite ao pesquisador elaborar novos conhecimentos no campo da realidade 
social. 
• A realidade social é produzida histórica e coletivamente pelos homens e diz 
respeito ao conjunto de instrumentos (objetos, ideias, conhecimento, tecnologia 
etc.) com os quais os homens se relacionam com a natureza e com os outros 
homens para promover a sobrevivência. A forma histórica de produzir a 
humanidade chama-se trabalho, amplamente estudado por Marx. 
• A Pesquisa Social assume importância ímpar ao estudar as relações sociais, as 
expressões da questão social e propor soluções para os problemas coletivos.
• O objeto principal de investigação da Pesquisa Social é o ser humano, sendo 
que o(a)pesquisador(a) se debruça sobre os fenômenos das relações sociais 
que emergem no cotidiano de sua prática e destaca, destes fenômenos, pontos 
relevantes a serem estudados profundamente. 
• Através da pesquisa social é possível que novas decisões (principalmente 
com políticas sociais) sejam tomadas em prol de uma comunidade, a partir 
de estudos sobre determinados problemas detectados. Da análise da pesquisa 
emergem possíveis soluções que, com a implantação de projetos específicos, 
poderão trazer melhorias na condição de vida de uma determinada parcela da 
população. 
• Quanto à sua Finalidade, a pesquisa social apresenta diferentes níveis, que 
são classificados como: Pesquisa Exploratória, Pesquisa Descritiva e Pesquisa 
Explicativa.
• A Pesquisa Exploratória tem a finalidade de levantar informações preexistentes 
sobre determinado assunto/tema, busca proporcionar uma visão geral, é uma 
aproximação de um determinado fato/fenômeno.
96
• Para a pesquisa bibliográfica, os livros constituem-se nas principais fontes de 
referências. Os assuntos publicados em livros adotados como referências em 
sistemas formais de ensino constituem-se em um conhecimento pronto para a 
consulta.
• O Estudo de Caso é um método qualitativo que consiste, geralmente, em 
uma forma de aprofundar uma unidade individual. Ele serve para responder 
questionamentos em que o pesquisador não tem muito controle sobre o 
fenômeno estudado. O estudo de caso contribui para compreendermos 
melhor os fenômenos individuais, os processos organizacionais e políticos da 
sociedade.
• A Pesquisa Descritiva tem o objetivo de descrever as características de uma 
população, fenômeno ou de uma experiência, ela descreve com extremo 
detalhamento as características encontradas. 
• A Pesquisa Explicativa se preocupa em identificar os fatores que determinam 
ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, ou seja, visa explicar o 
porquê das coisas através dos resultados oferecidos.
• A Resolução nº 190/96 do Conselho Nacional de Saúde determina que os 
sujeitos da pesquisa sejam orientados e esclarecidos sobre o teor e os objetivos 
da pesquisa da qual farão parte.
• O consentimento dado pelos sujeitos da pesquisa ao pesquisador deve ser livre 
e esclarecido. 
• Quatro etapas norteiam uma pesquisa social: Preparação da Pesquisa, Fases 
da Pesquisa, Execução da Pesquisa e o Relatório da Pesquisa.
97
AUTOATIVIDADE
1 Qual a importância da pesquisa para as políticas sociais? 
2 Elabore um esquema sobre as etapas da pesquisa e resuma os procedimentos 
de cada uma.
98
99
UNIDADE 2
SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM 
SERVIÇO SOCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
• apresentar um resgate histórico do Serviço Social e a relação com a 
pesquisa, sua importância e a produção de conhecimento para a área 
de atuação do Serviço Social;
• identificar a importância da ética para a pesquisa no campo do Serviço 
Social, pois através dela se busca estratégias para qualificar ainda mais as 
demandas apresentadas;
• esclarecer sobre as atribuições e competências do assistente social pesqui-
sador, apresentar as características relevantes quando for tornar-se um 
pesquisador, bem como suas competências;
• conhecer os elementos que fazem parte do projeto de pesquisa, bem como 
a relevância e o significado do projeto de pesquisa no Serviço Social. Des-
tacaremos as características que contemplam o projeto de pesquisa.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. Em cada um deles você 
encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO 
SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 2 – PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
TÓPICO 3 – RELEVÂNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 4 – CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA PARA O SERVIÇO 
SOCIAL
100
101
TÓPICO 1
PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO 
SERVIÇO SOCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste tópico apresentaremos um breve resgate 
histórico do Serviço Social e a relação com a pesquisa social. O movimento de 
pesquisa já vem ocorrendo ao longo das décadas de 1980 e 1990, apresentando 
a pesquisa científica com um significado importante no processo de construção 
de conhecimento. Tornando-se disciplina obrigatória na academia, esta prática já 
vem sendo inserida nos currículos escolares como um método de aprendizagem.
A partir deste método fundamentaremos a importância da pesquisa social 
para o Serviço Social e as características da pesquisa nesta área. Destacamos que 
o método de pesquisa constitui parte relevante para o campo das profissões. 
Compreender a importância do ato de pesquisar, bem como das perspectivas 
e limites do uso de metodologia qualificada, estabelece amplos desafios às 
profissões, em especial ao Serviço Social, no sentido de ultrapassar ou minimizar 
as dificuldades atribuídas à realidade social.
Na construção histórica e trajetória do Serviço Social foi se desenvolvendo 
a prática da pesquisa na medida em que a profissão enfrentava demandas 
sociais decorrentes do adensamento da questão social, tendo como referência 
a perspectiva teórico-metodológica crítica. Faz-se necessário que a maneira 
investigativa esteja presente, pois a prática profissional está integrada à teoria/
prática, que busca a compreensão de maneira crítica dos acontecimentos sociais, 
para assim fundamentar ainda mais a sua intervenção baseando-se na produção 
de conhecimento através das pesquisas e nas intervenções profissionais. 
Por fim, destacaremos o retorno e avanços das pesquisas para o Serviço 
Social, onde, ao realizar uma pesquisa social, no campo do Serviço Social, devemos 
sempre nos preocuparmos com o sujeito da história, sua preservação no processo 
de investigação, permitindo através da pesquisa maior visibilidade ao sujeito 
envolvido. Neste sentido, a abrangência da pesquisa e sua vinculação com a 
prática profissional se estabelecem no movimento histórico da própria profissão, 
sugerindo um conjunto de probabilidades e progressos teórico-práticos, coerentes 
com o projeto ético-político da profissão.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
102
2 RESGATE HISTÓRICO DO SERVIÇO SOCIAL E A RELAÇÃO 
COM A PESQUISA
Observa-se que a pesquisa é um método de construção de um conhecimento 
ou de um saber, que poderá apresentar novas informações, aprovando ou 
desconstruindo um conceito já existente.
A pesquisa social, em diferentes interesses, é um excelente método de 
aprendizagem, proporcionando benefícios tanto para quem desenvolve e aplica a 
pesquisa como para a sociedade e/ou grupos.
Para tanto, a pesquisa social vem crescendo aceleradamente no âmbito das 
profissões. Apresenta-se como instrumento fundamental no campo do Serviço 
Social, caracterizando avanços expressivos em diversos campos da atuação 
profissional, bem como na abrangência das políticas públicas, dentre outros 
aspectos relevantes para a profissão. Segundo Bourguignon (2007, p. 50),
A categoria ‘particularidade’, em sua complexidade e riqueza 
ontológica, possibilita-nos compreender a pesquisa em sua vinculação 
orgânica com a prática profissional. Esta vinculação se constrói 
no movimento histórico da própria profissão e se constitui como 
possibilidade de avanço teórico-prático, coerente com o projeto ético-
político do Serviço Social. 
Este movimento vem ocorrendo ao longo das décadas de 1980 e 1990, 
onde destacamos estes dois períodos históricos como sendo de suma importância 
para o Serviço Social.
2.1 DÉCADA DE 1980
A década de 1980 foi marcada por um período de amadurecimento da 
produção teórica da profissão, destacando a universidade como sendo a principal 
protagonista deste método de evolução.
 
A partir da década de 1980, institui-se, de modo mais sistemático, o 
debate acadêmico do Serviço Social, marcando um processo de ruptura 
com o conservadorismo presente na constituição da profissão. Durante 
esta década, o processo de rompimento com o conservadorismo gerouno interior da profissão uma cultura que reconhece a pluralidade 
teórico-metodológica, no entanto, fortalece a orientação marxista 
como direção hegemônica para o projeto ético-político profissional. 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 47).
Ainda segundo a autora, 
TÓPICO 1 | PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
103
A década de 80 marca o reencontro do Serviço Social consigo mesmo, 
no que se refere à busca de estabelecimento de novas bases para a 
compreensão do seu passado histórico, das particularidades de sua 
prática na sociedade marcada por relações de classe, da sua relação 
com o Estado e com as forças da sociedade civil e de sua posição 
quanto às demandas sociais, cada vez mais complexas, situando-se no 
âmbito da divisão sociotécnica do trabalho. (BOURGUIGNON, 2007, 
p. 47).
O Serviço Social, ainda nesta década, enfrenta questões sobre as políticas 
sociais, especialmente no que se refere à concretização de políticas públicas nas 
áreas da seguridade social (abrangendo o tripé saúde, assistência e previdência 
social), entre outras.
Estes assuntos vêm sendo pauta do debate da profissão, originando 
produções acadêmicas que dão visibilidade às temáticas, bem como à ação 
profissional desencadeada nestas áreas. Tais preocupações colaboraram para 
que o Serviço Social enfrentasse, e continue enfrentando junto à sociedade civil 
organizada, os impasses, desafios e dilemas que a democracia, a cidadania e os 
direitos sociais colocam à prática social, em especial, à prática do profissional de 
Serviço Social. (BOURGUIGNON, 2007). 
Para a autora (BOURGUIGNON, 2007), grande parte dos temas de 
pesquisa dos anos 80, e seguem abordados nos anos 90, diz respeito às políticas 
públicas na sua interface com o Estado. Com destaque à seguridade social e 
também à preocupação com os usuários da política social. Para tanto, surgem 
avanços que percorrem a década seguinte, a qual será destacada a seguir. 
Lembrando que a década de 1980 foi marcada pela ruptura do conservadorismo 
presente na constituição da profissão, ou seja, idealização de uma nova prática.
ATENCAO
2.2 DÉCADA DE 1990
É na década de 90 que foi possível analisarmos os avanços das investigações 
sobre a sociedade civil, a gestão e controle das políticas públicas, bem como o 
papel dos Conselhos de Direitos. 
Esta época foi registrada com marcos históricos relevantes para o Serviço 
Social, como os 10 anos da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS e 10 anos 
do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Eventos que retratam diversas 
conquistas no campo dos direitos sociais, principalmente em relação à proteção 
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
104
social, destinada aos segmentos vítimas do processo de exclusão social, como 
famílias, crianças, adolescentes, idosos e portadores de necessidades especiais 
(BOURGUIGNON, 2007). 
“Em 1993 a regulamentação da LOAS garante maioridade jurídica à 
assistência social, trazendo-a para o campo do direito com responsabilização 
do Estado, e expressa a recusa da tradição clientelista, assistencialista e tutelar 
presente, ainda, em suas ações”. (BOURGUIGNON, 2007, p. 47).
A assistência social adquire estatuto de política pública e enfrenta desafios, 
conforme Bourguignon (2007, p. 48):
• superar a cultura apontada pelo assistencialismo; 
• avançar com o processo de avaliação da gestão da política em suas 
diferentes instâncias; 
• assegurar financiamento adequado à complexidade das ações de 
enfrentamento à pobreza garantindo os mínimos sociais;
• repensar as ações destinadas às famílias de extrema pobreza. 
Podemos observar que são diversos os desafios que se apresentam no 
campo de atuação do Serviço Social; desafios merecedores de pesquisas para 
aprofundamento das expressões sociais. Apesar de terem surgido nos anos 90, 
ainda ocorrem nos dias atuais. 
Sendo de suma importância neste contexto a produção de conhecimento 
por parte das pesquisas sociais, para que os desafios sejam superados, subsidiando 
a prática profissional. Segundo Bourguignon (2007, p. 48), “a pesquisa tem sido 
privilegiada, em alguns contextos, no âmbito da profissão, estimulando a atitude 
investigativa na postura e no exercício profissional”. 
De acordo com Simão e Souza (2008, p. 124), 
O Serviço Social, profissão caracterizada pela sua ação interventiva, 
durante boa parte de sua trajetória no Brasil destinou uma parcela 
expressiva de seus esforços para os fins, ou seja, para a execução 
de ações que colaborassem para uma mudança estrutural das 
desigualdades sociais que ainda imperam em nosso meio.
Contudo, num país com tantas desigualdades sociais é imprescindível a 
ampliação da assistência social em novos parâmetros de proteção e promoção 
dos direitos sociais. “No movimento das transformações societárias, e de forma 
inerente no movimento de repensar a profissão, há um processo de construção 
e afirmação de um projeto ético-político comprometido com a cidadania” 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 48). 
Nesta perspectiva, busca-se uma nova direção para atuação profissional, 
no sentido de renovação na direção social, bem como na formação profissional. 
“É neste novo contexto que a pesquisa social passa a ter importância fundamental 
na formação dos novos assistentes sociais” (SIMÃO; SOUZA, 2008, p. 125). 
TÓPICO 1 | PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
105
Outro destaque neste período dos anos 90 foi o esforço na construção do 
Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Este sistema foi viabilizado pela 
Secretaria Nacional de Assistência Social em 2004, respondendo às deliberações 
da IV Conferência Nacional de Assistência Social, realizada em 2003, sendo 
materializada pelas diretrizes da LOAS. 
A compreensão do SUAS em processo de construção e implementação 
possibilita o reconhecimento de uma lógica de gestão e processos 
utilizados, relacionados à concepção do sistema, que têm conformado 
seu ordenamento e sinalizam desafios centrais para a universalização 
do acesso aos direitos socioassistenciais. (BATTINI, 2007, p. 66).
A implementação do SUAS foi um avanço na área de Assistência Social, 
para tanto, passou a exigir um constante processo de acompanhamento e 
investigação por parte dos núcleos de estudos, dos profissionais e pesquisadores 
da área, tendo em vista as diversas formas de expressão da questão social 
presentes na sociedade. 
 
Bourguignon (2007) destaca que nesta década ganham maior visibilidade as 
várias formas de expressão da questão social, havendo um grande esforço teórico-
crítico no sentido de apreendê-las no movimento contraditório da sociedade, 
possibilitando maior consistência à prática profissional no enfrentamento destas 
expressões. 
 
O SUAS representa um avanço significativo para o Serviço Social, como 
fortalecimento do sistema descentralizado e participativo. É a partir destes 
avanços e conquistas que a pesquisa social tem sido privilegiada, estimulando a 
atitude investigativa no exercício profissional. 
Bourguignon (2007) ressalta que a formação profissional funda-se na 
interlocução com o conjunto de conhecimentos científicos, acumulados pelas 
diversas áreas das ciências humanas e sociais e nos diferentes campos de atuação 
profissional.
No entendimento acerca da importância da pesquisa social no campo 
de atuação do Serviço Social, coloca-se um grande desafio no que tange às 
dificuldades inerentes à realidade social, buscando através de uma prática 
inovadora incentivos às pesquisas, capazes de produzir conhecimentos a partir 
da prática profissional, contribuindo com o desenvolvimento da profissão. 
Destacamos a relevância da pesquisa no Serviço Social, a qual será 
abordada, especificamente, no próximo item.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
106
3 RELEVÂNCIA DA PESQUISA NO SERVIÇO SOCIAL
A pesquisa social é conhecida como método científico, sendo uma prática 
de suma importância para o campo do Serviço Social, por conta das várias 
transformações ocorridas na organizaçãoe sistematização do conhecimento, bem 
como suas expressões em cada conjuntura histórica. Neste sentido, para melhor 
compreensão da pesquisa, é necessário entendermos o conceito de pesquisa.
Gil (2010, p. 26) define pesquisa como o “processo formal e sistemático 
de desenvolvimento do método científico”. Ou seja, a pesquisa tem como 
objetivo proporcionar respostas às dificuldades que serão propostas. A pesquisa 
é ampliada a partir dos conhecimentos disponíveis e o emprego cuidadoso de 
método e técnicas de investigação científica. (GIL, 2010). 
O entendimento acerca da relevância do ato de pesquisar, bem como 
das probabilidades e limites do uso de metodologia qualificada, impõe grande 
desafio ao Serviço Social, no sentido de superar ou minimizar as dificuldades 
impostas à realidade social.
Bourguignon (2007) enfatiza que o Serviço Social como profissão sócio-
histórica apresenta em sua natureza a pesquisa como meio de construção de um 
conhecimento comprometido com as demandas específicas da profissão e com as 
possibilidades de seu enfrentamento.
Percebe-se que ao mesmo tempo em que a pesquisa social representa no 
campo do Serviço Social possibilidade de objetivação da prática profissional, 
também representa um desafio constante para os profissionais críticos e 
propositivos no cenário atual e em relação ao processo de formação profissional.
É de suma importância compreender o processo de produção de 
conhecimento como meio transformador da realidade social pela 
mediação do trabalho, reconhecendo o conhecimento como uma das 
expressões da práxis, frente aos desafios impostos pela relação entre 
o homem, a natureza e a sociedade. (BOURGUIGNON, 2007, p. 49).
Segundo Simionatto (2005), a pesquisa no Serviço Social vem se 
consolidando e está sendo cada vez mais utilizada no âmbito das políticas sociais, 
investigação sobre a profissão, nos espaços sócio-ocupacionais, no ambiente da 
graduação e pós-graduação, entre outros. 
Ainda conforme a autora, há desafios de:
Delimitar objetos de investigação; consolidar os grupos de 
pesquisa e avançar na construção de pesquisas interdisciplinares 
e interinstitucionais; criar mecanismos institucionais entre 
pesquisadores da mesma universidade ou universidades diferentes; 
e, por fim, ampliar a participação de pesquisadores não docentes, que 
ainda é bastante reduzida, buscando superar o distanciamento entre 
pesquisadores inseridos no âmbito acadêmico e aqueles inseridos nas 
práticas profissionais. (SIMIONATTO, 2005, p. 59).
TÓPICO 1 | PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
107
Conforme salientado, a pesquisa social decorre por um processo de 
crescimento e desafios perante as profissões, especialmente na prática do Serviço 
Social, que se põe como construção histórica que se processa na medida em 
que a profissão “enfrenta as demandas sociais decorrentes do agravamento 
da questão social, tendo como referência a perspectiva teórico-metodológica 
crítica que sustenta a produção de conhecimento e a intervenção na profissão”. 
(BOURGUIGNON, 2007, p. 50).
Ainda para a autora (BOURGUIGNON, 2007), na trajetória histórica 
da profissão, a maneira investigativa se faz presente, sendo indispensável e 
constituinte. Pois a prática está fundamentada na relação dinâmica teoria/
prática, fazendo parte da natureza da profissão buscar compreender de maneira 
crítica os acontecimentos sociais, para fundamentar sua intervenção. A seguir 
apresentaremos as principais características da pesquisa.
NOTA
A pesquisa pode construir o conhecimento científico, isto porque ela favorece 
a ruptura do senso comum e gera um novo conhecimento com base em fundamentos 
teóricos relevantes, construídos com base em uma metodologia adequada.
FONTE: Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/24940/a-
importancia-da-pesquisa-no-servico-social#ixzz406ZPRdzJ>. Acesso em: 13 fev. 2016.
FIGURA 6 – PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.contornospesquisa.org/2014/06/a-construcao-da-
metodologia-na-pesquisa.html>. Acesso em: 13 fev. 2016.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
108
4 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA PARA O SERVIÇO 
SOCIAL
Para a elaboração de um projeto de pesquisa devemos considerar as 
características fundamentais que farão parte de todo o processo da pesquisa. 
Para tanto, vamos aprender sobre a particularidade da pesquisa conforme os 
ensinamentos de Bourguignon (2007).
A autora lembra que a categoria “particularidade” vem colaborar para 
uma aproximação ao processo sócio-histórico em que a pesquisa ganha expressão 
e força no âmbito do Serviço Social, considerando as décadas de 1980 e 1990. 
(BOURGUIGNON, 2007).
A particularidade da pesquisa em Serviço Social destaca-se na 
necessidade de introduzir esta discussão no contexto socioeconômico, político e 
cultural contemporâneo, busca-se apreender as determinações mais gerais e sua 
repercussão no âmbito da prática singular da profissão, especialmente quando se 
depara com as diversas demandas sociais, bem como as exigências no seu modo 
de avaliar. (BOURGUIGNON, 2007).
Para a autora, a compreensão da pesquisa e sua vinculação com a prática 
profissional se constroem no movimento histórico da própria profissão, indicando 
um conjunto de perspectivas e avanços teórico-práticos, coerentes com o projeto 
ético-político da profissão. (BOURGUIGNON, 2007).
Entendemos que a pesquisa mantém a atividade do conhecimento e 
apresenta subsídios para uma atualização das ações diante da realidade social. 
Pois, mesmo sendo uma prática teórica, vincula-se ao pensamento e à ação, ou 
seja, as investigações estão diretamente ligadas aos interesses e circunstâncias 
sociais condicionadas. 
Segundo Bourguignon (2007, p. 50), 
É notório o protagonismo dos assistentes sociais nesta construção, 
que, através das suas organizações representativas – Conselho Federal 
de Serviço Social (CFESS), Conselho Regional de Serviço Social 
(CRESS) e Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço 
Social (ABEPSS) – e dos espaços de socialização de conhecimentos 
(congressos, conferências, encontros, seminários, cursos, publicações, 
entre outros), têm se mobilizado e se feito presentes como sujeitos 
políticos diante das questões que afetam o exercício profissional e a 
garantia dos direitos sociais no campo das políticas públicas, bem 
como têm mantido importante interlocução com os movimentos 
sociais da sociedade civil, ampliando seu potencial de enfrentamento 
das crises e transformações do mundo contemporâneo.
Podemos perceber que são diversos espaços que servem de base na busca 
pela produção de conhecimento através de pesquisas sociais para o campo do 
Serviço Social, com o intuito de apresentar novas estratégias para o enfrentamento 
das demandas apresentadas no cotidiano da prática profissional.
TÓPICO 1 | PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
109
Entendemos que a pesquisa social se apresenta como uma das exigências 
impostas para os assistentes sociais, sendo necessária uma reflexão de como ela 
pode criar espaços ricos e profícuos para os profissionais da área atuarem de 
maneira crítica e criativa, contribuindo para a transformação da realidade social. 
(SIMÃO; SOUZA, 2008, p. 124).
Neste sentido, destacamos a relevância em realizar pesquisa científica 
no campo do Serviço Social, pois vem acrescentar novos conhecimentos para 
contribuir com as demandas advindas das questões sociais presentes no cotidiano 
profissional. Conforme veremos a seguir, com o retorno das pesquisas no campo 
do Serviço Social.
5 RETORNO DAS PESQUISAS PARA O SERVIÇO SOCIAL
Um ponto central referente à pesquisa social é a preocupação com o sujeito 
da história e sua preservação no processo de investigação do real e produção do 
conhecimento profissional, ou seja, o sujeito administrador da prática profissional, 
usuário das políticas públicas, protagonista da sua própria história. 
Não podemos perder de vista o contexto sócio-históricono qual se inserem 
e em que se apresentam as relações entre o profissional e o cidadão. A preocupação 
com o reconhecimento do sujeito está presente no projeto ético-político da 
profissão, sendo de extrema relevância a necessidade de se destacar no âmbito da 
prática profissional em organizações sociais, bem como no desenvolvimento de 
pesquisas científicas. (BOURGUIGNON, 2007).
Conforme Bourguignon (2007, p. 51),
O grande desafio para o pesquisador assistente social, que se preocupa 
com a centralidade do sujeito ‘enquanto condição ontológica e não como 
estratégia metodológica de pesquisa’, é possibilitar através da pesquisa 
maior visibilidade ao sujeito, à sua experiência e ao seu conhecimento, 
cuja natureza, se desvendada, poderá permitir desenvolver práticas 
cada vez mais comprometidas ética e politicamente com a realidade, 
buscando no coletivo e na troca de saberes alternativas de superação 
das condições de privação e exclusão social. 
Neste sentido, podemos perceber que com as várias expressões das 
questões sociais que se apresentam, vivenciadas pelos sujeitos, o assistente social, 
nas suas intervenções baseadas no código de ética e pautadas no projeto ético-
político da profissão e conquistas dos direitos sociais, pressupõe que a viabilização 
destes direitos passa pela compreensão das necessidades sociais.
 
Para Bourguignon (2007), os objetivos do zelo profissional, relacionado 
às pesquisas e no âmbito da intervenção, trazem à tona as experiências e 
os conhecimentos destes sujeitos, os quais necessitam ser compartilhados, 
compreendidos e traduzidos à luz de um diálogo crítico com o conhecimento já 
acrescentado pelo Serviço Social. 
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
110
Bourguignon (2007, p. 51) lembra que:
A pesquisa para o Serviço Social deve gerar um conhecimento que 
reconheça os usuários dos serviços públicos como sujeitos políticos 
que são, capazes, também, de conhecer e intervir em sua própria 
realidade com autonomia, desvencilhando-se das estratégias de 
assistencialismo, clientelismo e subalternidade, tão presentes nas 
ações governamentais e políticas públicas. 
A pesquisa social trabalha com sujeitos, com atores sociais em relação, com 
grupos específicos. Esses sujeitos de investigação, primeiramente, são construídos 
teoricamente enquanto componentes do objeto de estudo. No campo, fazem parte 
de uma relação de intersubjetividade, de interação social com o pesquisador, 
daí resultando um produto novo e confrontante tanto com a realidade concreta 
como com as hipóteses e pressupostos teóricos, num processo mais amplo de 
construção de conhecimentos.
A pesquisa tem como possibilidade a valorização do povo, suas riquezas 
e histórias, suas experiências individuais/coletivas e mobilizadoras de novas 
formas de sociabilidade. Contribuindo para a ampliação de uma prática capaz 
de possibilitar aos usuários das políticas públicas a experiência de assumir-se 
como ser social e histórico, fazendo parte de uma sociedade como ser pensante, 
comunicante e transformadora da realidade social. (BOURGUIGNON, 2007)
Ressaltamos que, através do conhecimento produzido juntamente com 
as pesquisas sociais, é necessária uma reflexão sobre os impactos gerados na 
realidade social, com intuito de qualificar ainda mais a intervenção profissional, 
bem como avaliar as dimensões das transformações e mudanças ocorridas na 
profissão.
Nesta direção, evidenciamos uma dimensão política neste aspecto, no 
sentido do conhecimento produzido, para que tenha uma direção estratégica na 
intervenção profissional, comprometida com processos concretos que possam 
garantir materialidade ao seu projeto ético-político (BOURGUIGNON, 2007).
Percebemos que o Serviço Social, em sua trajetória histórica, avançou 
quanto ao acúmulo de conhecimentos sobre o seu objeto de intervenção e sobre 
a natureza da própria profissão. Deixou de ser consumidor do saber produzido 
por outras áreas de conhecimento das ciências sociais e humanas, passando a 
ser protagonista de um processo que exige o acompanhamento sistemático e 
crítico das transformações da sociedade, que rebatem no exercício profissional. 
(BOURGUIGNON, 2007).
No entanto, Bourguignon (2007, p. 53) traz algumas reflexões sobre a 
pesquisa e Serviço Social:
TÓPICO 1 | PESQUISA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL
111
- O conhecimento, resultado do processo de investigação permanente 
da realidade, deve ter como referência os seus frutos, materializados 
na prática social humana e em alterações que geram nas condições 
de vida dos seres humanos, nos seus comportamentos, nas suas 
atitudes e relações que estabelecem entre si e com a natureza e nas 
determinações sociais que impedem o rompimento com as condições 
de subalternidade em que se encontram. 
- Os objetos de atenção de profissionais/pesquisadores são 
reconstruções teóricas que se processam, vinculados aos objetivos do 
profissional, à sua experiência pessoal e social, e retratam o nível de 
engajamento ao seu tempo histórico e ao acúmulo de conhecimentos 
produzidos socialmente. 
- O campo empírico das inquietações profissionais e estimulador da 
atitude investigativa é a prática profissional. A prática profissional, 
problematizada, constitui-se em fonte de reflexão e construção de 
conhecimentos sobre seu objeto de intervenção e suas expressões 
particulares no contexto sócio-ocupacional, onde o profissional está 
inserido. Também é fonte de questionamento da própria prática, 
buscando alternativas de repensá-la e redefini-la, conforme as 
exigências contemporâneas para o seu exercício.
- As articulações entre o conhecimento produzido pelo conjunto da 
categoria e as demandas profissionais são feitas através de mediações. 
A intervenção, através de suas intenções, seus projetos e ações 
cotidianas, estabelece as mediações entre os conhecimentos e as 
demandas sociais. Desta forma, estas mediações são apreendidas no 
real e reconstruídas teoricamente, na medida em que o profissional 
passa da intenção à intervenção, apoiando-se em pesquisa sistemática 
e crítica dos fenômenos sociais que define estratégias, meios e recursos 
necessários para o alcance de seus fins.
- A relevância social de uma pesquisa está na sua capacidade de 
apreender a realidade e de servir de referência para os profissionais da 
categoria e de outras áreas de conhecimento, sendo assim alimentadora 
de práticas profissionais.
“Consolidar os avanços já conquistados pela profissão em relação à 
produção de conhecimento requer que o conhecimento produzido extrapole os 
muros da academia” (BOURGUIGNON, 2007, p. 53).
Para que isso ocorra é necessário haver uma política de formação que 
possa articular graduação, pós-graduação e processos de capacitação constantes. 
Segundo Bourguignon (2007), 
Neste conjunto, o eixo de sustentação deve assentar-se nas demandas e 
nos impasses vivenciados pelos profissionais no contexto do exercício 
da profissão, considerando as determinações sociais, econômicas, 
políticas e culturais que expressam a realidade contemporânea e o 
projeto ético-político profissional. (BOURGUIGNON, 2007, p. 53).
Com o entendimento acerca da pesquisa social foi possível perceber 
que a prática da pesquisa deve estar relacionada com a atuação profissional, 
considerando que a produção de conhecimento se materializa via pesquisa 
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
112
no campo do Serviço Social, colocando alguns elementos como mediações 
possíveis ao exercício da pesquisa. Sendo que podemos evidenciar a necessidade 
de vinculação orgânica com a prática profissional, a garantia de centralidade 
ao sujeito participante, como condição ontológica a ser recuperada pelas 
pesquisas, bem como o compromisso com o retorno e alcance social das mesmas. 
(BOURGUIGNON, 2007).
Por fim, diante das discussões apresentadas, observou-se que a pesquisa 
social se apresenta como uma estratégia de grande relevância para o Serviço 
Social, com o intuito de contribuirpara o aperfeiçoamento das políticas públicas, 
na prática profissional e na formação de futuros assistentes sociais.
UNI
Um outro tom de qualidade na produção do conhecimento em Serviço Social 
procedeu da direção social da prática profissional orientada por um projeto ético-coletivo.
FONTE: Disponível em: <https:/periódicos.ufsc.br/índex.php/katalysis/article/view/
s141449802007000300002>. Acesso em: 15 fev. 2016.
DICAS
Para um aprofundamento do conteúdo estudado neste tópico sugerimos a 
leitura do artigo: Pesquisa e produção de conhecimento no campo do Serviço Social (Aldaíza 
Sposati). Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/S1414-
49802007000300002>. Acesso em: 30 mar. 2016.
113
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você estudou:
• O resgate histórico e a trajetória do Serviço Social como profissão, e os 
avanços e conquistas ocorridos no período de 1980 e 1990. A busca por novos 
conhecimentos com apoio da pesquisa social para complemento da sustentação 
teórica. 
• A pesquisa social tem se apresentado como de suma importância para a prática 
profissional.
• A década de 1980 é marcada pela ruptura do conservadorismo presente na 
construção da profissão.
• A década de 1990 representa avanços e conquistas referentes à consolidação do 
projeto ético-político da profissão.
• Em sua trajetória histórica, o Serviço Social estabelece diálogo crítico com 
outras áreas do conhecimento, sendo intermediador no sentido das reflexões 
pertinentes sobre a questão social e o enfrentamento através das políticas 
públicas. 
• A pesquisa social tornou-se um exercício diário para levantar as indagações 
da realidade apresentada no campo da profissão, tornando-se elemento 
transformador da realidade social por intermédio do trabalho.
• A pesquisa social vem se consolidando e apresenta-se cada vez mais relevante 
no âmbito das políticas sociais.
• A pesquisa social decorre de um processo de crescimento e desafios perante as 
profissões, especialmente no campo do Serviço Social.
• A pesquisa social no campo do Serviço Social se preocupa com o sujeito da 
história e sua preservação no processo de investigação do real e produção 
do conhecimento profissional, possibilitando, através da pesquisa, maior 
visibilidade ao sujeito.
114
AUTOATIVIDADE
A partir dos conteúdos estudados neste tópico, vamos exercitar sua 
construção do conhecimento, bem como aproveitar para as futuras avaliações, 
respondendo às seguintes questões.
1 De forma breve, descreva os principais acontecimentos ocorridos nas 
décadas de 1980 e 1990, referentes ao Serviço Social com relação à pesquisa.
2 Sabemos que ocorreram diversos avanços na prática de pesquisa no campo 
do Serviço Social, tais como: a construção de conhecimento para a prática 
profissional, a valorização do sujeito e o reconhecimento de suas histórias. 
A pesquisa passa a ser reconhecida como elemento de construção através 
do conhecimento envolvido com as demandas específicas da profissão e 
com as possibilidades no seu enfrentamento perante a realidade social. 
Portanto, classifique V para as sentenças verdadeiras que apresentem 
avanços na prática de pesquisa no Serviço Social e F para as falsas:
( ) A pesquisa social apresenta-se como sendo um processo de crescimento e 
desafios para as profissões, especialmente no campo do Serviço Social.
( ) A pesquisa social é direcionada somente para o campo das ciências exatas, 
não contemplando outra área de atuação.
( ) Não é possível relacionar a pesquisa social com a prática profissional, pois 
não contribui na solução dos problemas sociais apresentados. 
( ) A compreensão da pesquisa e a vinculação com a prática profissional e 
o conjunto de possibilidades e avanços teórico-práticos coerentes com o 
projeto ético-político da profissão de assistente social.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – F – V.
b) ( ) V – F – F – F.
c) ( ) V – F – F – V.
d) ( ) V – V – V – V.
115
TÓPICO 2
PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste tópico apresentaremos brevemente a ética e sua 
importância para a pesquisa no Serviço Social. Iniciaremos apresentando seu 
conceito, especificamente relacionado com as questões voltadas à pesquisa com 
o sujeito, a bioética. 
A partir dos conceitos de ética vamos entender os ensinamentos com que 
a ética vem se preocupando, com a tentativa de formular códigos e princípios 
de procedimento moral. Ou seja, embora a ética e a moral possuam diferentes 
significados, devem estar integradas. A ética influencia as regras de conduta de 
uma sociedade, já a moral as regras de conduta do indivíduo.
A compreensão da questão da bioética apresenta um conjunto de 
pesquisas, discursos e práticas, sendo que na maioria são multidisciplinares. No 
entanto, é necessário que os assuntos de discriminação, desrespeito e a violação 
dos direitos dos sujeitos envolvidos na pesquisa, sejam respeitados. 
A partir da década de 1990 o Serviço Social apresenta amadurecimento 
em sua prática de intervenção. Com a revisão do código de ética e o atual código 
de 1993, relacionado às questões do Serviço Social, a condução da produção do 
conhecimento vem apresentando destaques, com ênfase nas pesquisas sociais.
Por fim, destacamos a centralidade dos sujeitos nas pesquisas em Serviço 
Social. Devemos garantir respeito aos sujeitos pertencentes à pesquisa, bem como 
a centralidade destes em diversos estudos.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
116
2 CONCEITOS DE ÉTICA
Primeiramente vamos entender o significado da palavra “ética”, que vem do 
grego ethos e significa aquilo que compete ao “bom costume”/”costume superior”, 
ou “portador de caráter”. Princípios universais, ações em que acreditamos e não 
mudam independentemente do lugar onde estamos. (WIKIPÉDIA, 2016b).
May (2004) destaca que a ética se preocupa com a tentativa de formular 
códigos e princípios de comportamento moral. 
Segundo o Dicionário de Filosofia (JULIA, 1969, p. 100), “[...] ética (do 
grego ethos, costumes), ciência dos princípios da moral. A moral designa, mais 
especificamente, a aplicação desses princípios nos atos particulares da vida”.
Neste sentido, esta percepção deixa bastante intensa a ideia de como a ética 
analisa e orienta os princípios da moral. Embora estes conceitos se apresentem 
distintos, existe uma estreita articulação entre si, na medida em que a ética tem 
como objeto de estudo a própria moral, não existindo desligadas uma da outra, 
mas sendo independentes entre si. Ética está sendo entendida por “[...] ciência do 
bem e das regras da ação humana [...]” (JULIA, 1969, p. 208).
Vázquez define a ética como sendo “[...] a teoria ou ciência do 
comportamento moral dos homens em sociedade”. (VÁZQUEZ, 2006, p. 23). Já 
por moral, 
[...] um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são 
regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes 
e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um 
caráter histórico e social, sejam acatadas livre e conscientemente, por 
uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou 
impessoal (VÁZQUEZ, 2006, p. 84).
Ainda segundo o autor,
[...] a moral só pode surgir – e efetivamente surge – quando o homem 
supera a sua natureza puramente natural, instintiva, e possui já uma 
natureza social: isto é, quando já é membro de uma coletividade (gens, 
várias famílias aparentadas entre si, ou tribo, constituída por várias 
gens). Como regulamentação do comportamento dos indivíduos entre 
si e destes com a comunidade, a moral exige necessariamente não só 
que o homem esteja em relação com os demais, mas também certa 
consciência – por limitada e imprecisa que seja – desta relação para 
que se possa comportar de acordo com as normas ou prescrições que o 
governam. (VÁZQUEZ, 2006, p. 39).
Muito embora a ética e a moral sustentem as suas especificidades e 
particularidades que as diferenciam no seumodus operandi, de fato esta relação 
TÓPICO 2 | PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
117
complementar torna-se não só desejável como indispensável, na medida em que 
admite que a moral queira uma abertura à comunicação e ao diálogo ético-moral, 
para o desenvolvimento de uma capacidade de interrogação, reflexão e avaliação 
de cada sistema de moralidade existente, relacionados à natureza e atribuição das 
suas normas e regras morais.
Contudo, estes conceitos são de suma importância na condução da 
pesquisa no Serviço Social, ou seja, a relevância de cada um deles para a construção 
do conhecimento, bem como para a compreensão do fazer ético humano nos mais 
variados contextos em que o sujeito da pesquisa se insere.
 
Diante do exposto, podemos compreender sobre as definições de ética e 
moral, e para ampliar nossos conhecimentos, discutiremos a questão da ética na 
pesquisa e o Serviço Social, a seguir.
FIGURA 7 – ÉTICA E MORAL
ÉTICA
Princípios Éticos Código de Conduta
MORAL
ÉTICA É PRINCÍPIO MORAL É CONDUTA ESPECÍFICA
MORAL É TEMPORAL
MORAL É CULTURAL
MORAL É CONDUTA DA REGRA
MORAL É PRÁTICA
MORAL É AÇÃO
MORAL TRATA DO CERTO/ERRADO
ÉTICA É PERMANENTE
ÉTICA É UNIVERSAL
ÉTICA É REGRA
ÉTICA É TEORIA
ÉTICA É REFLEXÃO
ÉTICA TRATA DO BEM/MAL
Aético = Ausência de ética
Antiético = Contrário à ética
Amoral = Ausência de moral
Imoral = Contrário à moral
FONTE: Disponível em: <http://pmkb.com.br/artigo/projetos-realizados-sem-etica-tendem-a-ser-
caoticos/>. Acessado em 20 de fevereiro de 2016. 
Conforme a figura anterior, podemos verificar a diferença entre os 
princípios éticos e a moral (código de conduta), ou seja, seguir os padrões 
convencionais relacionados à ética e à conduta moral cumprindo os valores 
estabelecidos pela sociedade.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
118
NOTA
Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não 
prejudicar o próximo. Ser ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que 
se vive.
FONTE: Disponível em: <http://www.significados.com.br/etica-profissional/>. Acesso em: 20 
fev. 2016.
3 ÉTICA E O SABER – BIOÉTICA
Bioética (grego: bios, vida + ethos, relativo à ética) é o estudo transdisciplinar 
entre Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Filosofia e Direito, que investiga 
as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana, 
ambiental e animal. O termo foi utilizado pela primeira vez em uma revisão 
do relacionamento ético dos humanos em relação aos animais e plantas. 
(WIKIPÉDIA, 2016a).
Na década de 1970 o termo foi pertinente, com o objetivo de deslocar a discussão 
acerca dos novos problemas impostos pelo desenvolvimento tecnológico, ou seja, 
de um viés mais tecnicista para uma passagem mais ajustada pelo humanismo, 
ultrapassando a dicotomia dentre os acontecimentos esclarecidos pela ciência, 
bem como seus valores observáveis pela ética.
Contudo, o debate sobre ética na pesquisa é recente nos espaços das 
ciências humanas e na ciência em geral. No campo da bioética, surgiu para 
atender demandas históricas, com o intuito de responder eticamente a situações 
de conflito, decorrentes do uso da ciência, em experimentos com seres humanos. 
(BARROCO, 2005).
No contexto das declarações e tratados internacionais de direitos 
humanos acordados no pós-guerra, tendo em vista as denúncias 
sobre os experimentos dos campos de concentração nazistas durante a 
segunda guerra mundial, são criadas as bases históricas que legitimam 
a necessidade de criação de parâmetros éticos universais relativos ao 
uso da pesquisa e das experiências científicas. (BARROCO, 2005, p. 103).
Neste sentido, surge em Seatle, em 1962, o primeiro Comitê de Bioética, 
ao mesmo tempo em que ocorre um conjunto de denúncias sobre experimentos 
médicos antiéticos. O Comitê foi instituído a partir de um avanço tecnológico da 
medicina, a criação da hemodiálise, e do conflito ético gerado com a existência 
de demanda maior que a capacidade de atendimentos, o que poderia resultar na 
morte dos usuários. (BARROCO, 2005).
TÓPICO 2 | PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
119
Conforme a autora, esta iniciativa foi considerada precursora, pois 
ampliou o poder decisório para um comitê composto por pessoas em sua maioria 
leigas em medicina. (BARROCO, 2005).
Ainda neste período surgiram diversas denúncias relacionadas a práticas 
antiéticas em pesquisas científicas com seres humanos. Henry Beecher, médico 
anestesista que colecionava relatos de pesquisas científicas publicadas em 
periódicos internacionais, publica, em 1966, o artigo “Ética e investigação clínica”. 
(BARROCO, 2005).
Segundo a autora,
De modo geral, todos concordam com a importância da discussão e 
do enfrentamento da ética na pesquisa; no entanto, apesar de ser um 
debate colocado há mais de 30 anos, o seu enfrentamento é bastante 
problemático, pela natureza dos dilemas que o envolve. Quando se 
refere à pesquisa em ciências humanas, a discussão é ainda mais rara. 
(BARROCO, 2005, p. 106).
Para tanto, o que foi exposto revela a multiplicidade de intervenções 
que envolvem a reflexão acerca da ética na pesquisa. O desenvolvimento da 
bioética veio como resposta a demandas históricas resultantes de situações de 
discriminação e desrespeito aos direitos humanos. (BARROCO, 2005).
Como ação prática, a ética é considerada a objetivação concreta dos valores, 
princípios, escolhas, entre outros, bem como, posicionamentos produzidos pela 
ação consciente dos homens perante situações de afirmação/negação da vida, 
dos direitos e valores. Conceber a ética como uma ação crítica de um sujeito 
histórico que reflete teoricamente, faz escolhas conscientes, se responsabiliza, se 
compromete socialmente por elas e age praticamente para objetivá-las é conceber 
a ética como parte da práxis. (BARROCO, 2005). 
Neste sentido, devemos seguir os padrões éticos e morais estabelecidos na 
sociedade em que vivemos, sempre reconhecendo a ética como parte fundamental 
da práxis profissional. 
A seguir veremos a importância da ética na pesquisa e no campo do 
Serviço Social.
4 ÉTICA NA PESQUISA E O SERVIÇO SOCIAL
Cabe ressaltar a importância da ética profissional nas ações e práticas 
interventivas, seguindo os valores e normas orientados pelo código de ética da 
profissão e buscando estratégias coletivas para a sua efetivação no trabalho dos 
profissionais. 
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
120
A partir da década de 1990 o Serviço Social demonstra um amadurecimento 
em relação a seu verso teórico-político da questão ética, processo vinculado à 
ruptura, onde teve início, com o código de ética de 1986 e sua revisão, com o atual 
código de 1993. Este avanço, embora essencial do código, conseguiu superá-lo ao 
longo do método por ele desencadeado. (BARROCO, 2001).
Para Barroco (2001),
Os valores éticos se objetivam mediante posicionamento e ações 
práticas, e seu conteúdo é resultado da escolha e decisão de um sujeito 
coletivo – a categoria profissional –, de onde a importância da reflexão 
ética que desvela o significado e a fundação dos valores, da discussão 
coletiva que rege os princípios, valores e normas orientadoras da ética 
profissional, definindo estratégias coletivas para sua concretização, e 
do trabalho educativo que exercita os profissionais para uma vivência 
comprometida com valores emancipatórios. (BARROCO, 2001, p. 32).
Apesar do código de ética desempenhar seu papel fundamental, nos 
últimos dez anos vêm se ampliando seus espaços de reflexão e intervenção acerca 
da ética profissional, distribuindo-se embasamentos para uma dupla superação. 
De um lado, busca romper com a visão formal de limitar a ética profissional a um 
conjunto de normas e deveres, no sentido de colaborar historicamente, ocultando 
o conjunto de mediações que constituiu a ética profissional. Já de outro lado, 
enfrentar a problemática apontada como a necessidade de organização teórica, 
baseada de forma adequada, o ethosprofissional, valores, princípios e teleologia. 
(BARROCO, 2001).
A autora afirma que o meio de debate, a sistematização teórica e a 
capacitação profissional foram um processo determinado pela conjuntura dos 
anos 90, com investimentos de interesses da categoria em atuações dirigidas 
à reflexão ética e à educação, instrumentalizadora da ética profissional. 
(BARROCO, 2001).
Como vimos, a década de 90 foi marcada significativamente em relação 
à quantidade e qualidade dos debates e discussões e atividades concentradas no 
que diz respeito à questão da ética profissional. Já que a sociedade aloca demandas 
para que esta questão seja discutida na atualidade, a categoria profissional, por 
intermédio de suas instituições, locais de estudos e trabalho, tem a obrigação de 
investir taticamente de forma a materializá-las, buscando sempre consolidar a 
hegemonia do projeto ético-político da profissão. (BARROCO, 2001).
Este movimento faz com que se perceba a qualidade dessa intervenção, 
trazendo ganhos e avanços à profissão. Já no início do século XXI, a ética 
permanece como tema em destaque, seja nos debates e também na produção 
teórica, apresentando como estratégias de capacitação profissional e ampliando 
assim para outros espaços e atividades. 
TÓPICO 2 | PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
121
Contudo, a abertura do debate profissional acerca da ética para a 
interlocução com outras profissões, bem como outros espaços de discussões, 
inclusive internacional, amplia-se a partir de 2000, em especial com a presença do 
Brasil nas edições do Fórum Social Mundial em 2001. 
Destacam-se também outras participações em 2000, sendo que uma 
delas resultou na aprovação do documento “Princípios éticos e políticos para as 
organizações profissionais de trabalho social do Mercosul” (BARROCO, 2001).
Para Barroco (2001, p. 38),
O novo século também aponta para outro espaço de capacitação ética: 
o campo da pesquisa e da reflexão em nível de pós-graduação, o que 
vem atender a demandas colocadas historicamente nos encontros 
e reinvindicações da categoria, especialmente quanto à pesquisa, a 
capacitação para a docência e para o enfrentamento crítico dos desafios 
éticos do trabalho profissional.
A pesquisa no campo do Serviço Social é essencial, pois através dela 
se buscam estratégias para qualificar ainda mais as demandas apresentadas, 
como forma de novos conhecimentos que venham a garantir o respeito à ética 
profissional junto à população envolvida com as mais variadas pesquisas na 
área. 
A reflexão sobre a ética na pesquisa em Serviço Social supõe perguntas 
sobre o significado e a importância de nossa atuação em relação à pesquisa; ou 
seja, o que é autêntico e justo fazer nesta atividade, esta pode ser analisada como 
uma ação capaz de formar mediações práticas para a objetivação de escolhas 
e valores éticos, sendo que as escolhas são referentes às condições históricas 
determinadas socialmente. 
Entretanto, nossos parâmetros éticos são dados pelos referenciais teóricos 
e políticos inscritos em nosso código de ética e em nosso plano profissional. 
(BARROCO, 2005).
Destacamos a relevância da pesquisa social para o campo do Serviço 
Social, as contribuições vêm qualificar ainda mais a prática profissional, em busca 
de estratégias e novos conhecimentos. Adentraremos agora na centralidade dos 
sujeitos nas pesquisas para o Serviço Social.
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
122
NOTA
A Resolução 196/96 coloca aspectos importantes quanto à defesa dos direitos 
humanos dos sujeitos envolvidos na pesquisa, dentre eles, a elaboração do termo de 
consentimento livre e esclarecido; no caso de crianças e adolescentes opta-se pelo termo 
de assentimento; o cuidado em relação aos riscos da pesquisa; as formas de recrutamento 
dos sujeitos; o ressarcimento dos gastos pessoais e indenização de danos decorrentes de 
participação dos sujeitos; o estabelecimento de critérios éticos para a quebra de sigilo; a 
avaliação da relevância social da pesquisa e da confiabilidade sobre a origem das informações 
(DINIZ; GUILLEM, 2005).
FONTE: Disponível em: <http://servicosocialportugues.blogspot.com.br/2007/02/consideraes-
sobre-tica-na-pesquisa.html>. Acessado em: 27 de fevereiro de 2016.
FIGURA 8 – ÉTICA EM PESQUISA
FONTE: Disponível em: <http://www.esponjacultural.com.br/?p=1435>. Acesso em: 
27 fev. 2016.
5 CENTRALIDADE DOS SUJEITOS NAS PESQUISAS EM 
SERVIÇO SOCIAL
Quando falamos na centralidade dos sujeitos envolvidos na pesquisa, 
destacamos as estratégias que abrange desempenhar soluções que garantam o 
respeito e a centralidade destes nos diversos estudos a serem concretizados.
Debater a pesquisa buscando seus embasamentos teóricos ou aspectos de 
natureza operacional, que abrangem domínio de procedimentos metodológicos 
capazes de apoiar a construção de objetos de investigação, tem sido debate 
recorrente. Já no Serviço Social, profissão de natureza interventiva, estas 
inquietações se fazem presentes e evidenciam avanços em se tratando de 
consistências relacionadas às produções acadêmicas no âmbito das Ciências 
Sociais Aplicadas. (BOURGUIGNON, 2008).
TÓPICO 2 | PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
123
Em se tratando de pesquisa social, devemos destacar o comprometimento 
ético, de respeito com os sujeitos envolvidos na pesquisa. Ressaltando que a 
centralidade dos sujeitos envolve desempenhar resoluções para que venha 
garantir o respeito, bem como, a centralidade destes em diversos estudos, no qual 
será realizado.
No entanto, encontramos alguns desafios no exercício da pesquisa, um 
exemplo é a preocupação com a particularidade da produção de conhecimento 
que tem como horizonte alimentar práticas profissionais comprometidas com 
processos emancipatórios. Há um espaço nas produções sobre a pesquisa em 
Serviço Social, que é exatamente a questão da centralidade do sujeito e sua 
preservação no processo metodológico de investigação do real e consequente 
produção de conhecimento profissional (BOURGUIGNON, 2008).
Ainda para a autora, a preocupação com o reconhecimento do sujeito está 
presente no projeto ético-político da profissão, necessitando maior relevância no 
âmbito da prática profissional em organizações sociais e no desenvolvimento de 
pesquisas científicas (BOURGUIGNON, 2008). 
O Código de Ética Profissional preconiza que o assistente social deve se 
empenhar na “eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o 
respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à 
discussão das diferenças”. (CFESS, 1993, p. 2).
No âmbito da pesquisa, segundo Bourguignon (2008),
A pesquisa deve destinar-se não só a compreender as questões 
estruturais, mas numa perspectiva de totalidade, o processo de 
reprodução material e espiritual da existência do ser social. Por isso 
não podem passar despercebidas nas pesquisas da área as diferentes 
formas como o sujeito se relaciona com a realidade social. O grande 
desafio para o pesquisador assistente social, que se preocupa com 
a centralidade do sujeito enquanto condição ontológica e não como 
estratégia metodológica de pesquisa, é possibilitar, através da 
pesquisa, maior visibilidade ao sujeito, à sua experiência e ao seu 
conhecimento, cuja natureza, se desvendada, poderá permitir aos 
profissionais desenvolver práticas cada vez mais comprometidas ética 
e politicamente com a realidade dos mesmos, buscando no coletivo 
e na troca de saberes alternativas de superação das condições de 
privação e exclusão social (BOURGUIGNON, 2008, p. 303). 
Ressaltamos que a pesquisa no campo do Serviço Social deve motivar 
um conhecimento que reconheça os usuários dos serviços públicos como sujeitos 
políticos que são, também capazes de conhecer e intervir em sua própria realidade 
com autonomia, desvencilhando-se das estratégias de assistencialismo.
É necessário ilustrar que este sujeito, antes de ser participante de nossas 
pesquisas, é usuário, beneficiário e/ou destinatário das políticas públicase dos 
serviços sociais, através de nossa intervenção nos diversos campos de atuação. 
(BOURGUIGNON, 2008). 
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
124
Ainda conforme a autora,
 
A aproximação ao sujeito que participa de nossas pesquisas se faz 
através da busca da compreensão da sua experiência, do conhecimento 
gerado a partir desta experiência e da sua vivência cotidiana, que, 
tomadas em relação ao nosso objeto de estudo, compõem um dos 
elementos a serem apreendidos na sua relação com as múltiplas 
determinações de natureza econômica, social, política e cultural 
(BOURGUIGNON, 2008, p. 305). 
Para tanto, ao planejar uma pesquisa construímos uma metodologia de 
investigação que busca constituir um tipo de relação com estes sujeitos, que 
poderá ter diferentes enfoques teóricos. Com uma metodologia fundamentada 
pela teoria social que nos alimenta, espontaneamente norteada por nossas 
finalidades de investigação, bem como pela natureza de nosso objeto de estudo 
(BOURGUIGNON, 2008). 
O âmbito da atividade investigativa exige o respeito à autonomia do 
sujeito envolvido na pesquisa, o que implica no seu consentimento quanto à sua 
participação, e em relação ao uso dos resultados, garantindo o sigilo profissional, 
relativos a todas as etapas da pesquisa, com posicionamento e respeito aos valores, 
hábitos e costumes do sujeito entrevistado. Neste sentido, estabelecendo relações 
democráticas, não discriminatórias, entre outras (BARROCO, 2005).
Trabalhar num ponto de vista que envolve o sujeito supõe uma forma 
de tratamento, uma maneira que subentende que a relação estará fundamentada 
em princípios de participação. Para tanto, pressupõe ética, interação, devolução, 
respeito à dignidade e à experiência do sujeito, entre outros. (BOURGUIGNON, 
2008). 
A autora destaca que:
O Serviço Social tem uma rica experiência e conhecimento acumulado 
sobre as formas de aproximação ao sujeito e academicamente 
ele é preparado para isso. A questão que se coloca hoje é que os 
procedimentos metodológicos de pesquisa preservem a centralidade 
do sujeito, bem como que o assistente social trabalhe com o conjunto 
das informações colhidas na realidade de forma a potencializar em sua 
intervenção as alternativas que garantam consolidação dos direitos 
fundamentais do cidadão (BOURGUIGNON, 2008, p. 310).
Contudo, são vários os desafios presentes na pesquisa em Serviço Social 
e, em especial, para garantir centralidade ao sujeito que, como participante, tem 
colaborado para o avanço da produção de conhecimento na área. Neste sentido, 
faz-se necessário que o assistente social também participe de um processo 
de investimento em capacitação continuada, com o intuito de revigorar seus 
fundamentos teórico-metodológicos, como mecanismo que dê conta de abranger 
as mediações que se manifestam em seu cotidiano de trabalho e nas relações que 
estabelece com os usuários das políticas públicas. (BOURGUIGNON, 2008).
TÓPICO 2 | PESQUISA SOCIAL E ÉTICA PROFISSIONAL
125
Estas estratégias que contribuíram para a eficácia e eficiência da prática 
profissional também fornecerão subsídios para que se desvele o cotidiano que se 
apresenta no existir de cada sujeito. Sempre com o comprometimento ético, que 
conduz na busca de respostas na atuação profissional.
Por fim, segundo Bourguignon (2008), o assistente social 
precisa criar mecanismos para socializar, difundir seus conhecimentos, 
ao ponto de ampliar os horizontes de sua intervenção e dos resultados 
de suas pesquisas. Principalmente, no contexto de suas práticas, 
potencializar conhecimentos, meios e recursos que garantam 
visibilidade ao sujeito que, pelo seu protagonismo individual e/
ou coletivo, tem, no seu cotidiano, construído alternativas de luta e 
resistência social e política (BOURGUIGNON, 2008, p. 310).
A realização da pesquisa está atrelada à socialização dos resultados, 
tanto com os sujeitos envolvidos como também no coletivo, como forma de 
esclarecer os conhecimentos pesquisados e as estratégias de enfrentamento da 
realidade social.
NOTA
Podemos entender o “termo sujeito como aquele que faz a ação ou a dirige, ou, 
num sentido mais filosófico, o homem como sujeito livre e igual, dono de si mesmo e da 
natureza, construtor do seu mundo, defensor de direitos e da subjetividade” (WANDERLEY, 
1992, p. 142).
DICAS
Leia na íntegra do artigo: Considerações sobre a ética na pesquisa a partir do 
código de ética profissional do assistente social (Maria Lucia Silva Barroco). Disponível em: 
<http://www.cpihts.com/PDF02/Lucia%20Barroco.pdf>.
126
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:
• Alguns conceitos de ética.
• A ética se preocupa com a tentativa de formular códigos e princípios de 
comportamento moral.
• Entender a compreensão da bioética, superando os conflitos morais, a 
discriminação e desrespeitos, bem como, a violação de direitos, dos sujeitos 
envolvidos na pesquisa.
• Henry Beecher, médico anestesista que colecionava relatos de pesquisas 
científicas publicadas em periódicos internacionais, publica, em 1966, o artigo 
“Ética e investigação clínica”.
• A década de 1990 foi marcada pela quantidade e qualidade dos debates e 
discussões e atividades concentradas na questão da ética profissional.
• Os avanços da ética com relação às pesquisas sociais. 
• A reflexão sobre a ética na pesquisa em Serviço Social supõe perguntas sobre o 
significado e a importância de nossa atuação em relação à pesquisa.
• Os desafios presentes na pesquisa em Serviço Social, em especial para garantir 
centralidade do sujeito que, como participante, tem colaborado para o avanço 
da produção de conhecimento na área.
127
AUTOATIVIDADE
1 Na sua compreensão, o que significa a Bioética? 
2 Disserte sobre quais as principais contribuições da ética na pesquisa no 
campo do Serviço Social.
128
129
TÓPICO 3
ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL 
PESQUISADOR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico apresentaremos informações fundamentais para 
compreensão e estudo das pesquisas no Serviço Social, iniciaremos com breves 
considerações sobre o ato de pesquisar, as competências específicas para 
realizar uma pesquisa científica, quais as razões para se fazer uma pesquisa e as 
características fundamentais da pesquisa.
Abordaremos a seriedade em saber pesquisar, bem como a escolha de 
informações que, a partir delas, e de experiências profissionais, irão levantar 
conhecimentos que subsidiarão a prática.
A relevância que obteve a pesquisa social, como uma real necessidade na 
atual sociedade e em todas as profissões.
Por fim, exibiremos os conceitos de pesquisa qualitativa e quantitativa 
e suas diferenças. Veremos também sobre a escolha do método científico 
de pesquisa, sua precedência de métodos sistemáticos, para o significado e 
esclarecimento dos acontecimentos.
2 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O ATO DE PESQUISAR
Há muitas razões para a determinação em realizar uma pesquisa, sendo 
que a única maneira de aprender a pesquisar é fazendo uma pesquisa. Outro fator 
relevante além de leituras e conversar com pesquisadores experientes para obter 
uma maior compreensão e informações referentes às dificuldades das pesquisas, 
que geralmente não são abordados em manuais ou texto.
130
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Para tanto, não existe uma fórmula mágica e única para realizar uma 
pesquisa dita ideal, toda a pesquisa haverá novas descobertas, melhor compreensão 
na aplicação das técnicas e metodologia aplicada. Gil (2010) classifica a pesquisa 
em dois grandes grupos: razões de ordem intelectual e razões de ordem prática. 
Sendo que a primeira consiste no ato de conhecer pela própria satisfação, a outra 
se trata do desejo de conhecer com objetivo de fazer algo de maneira mais eficiente 
ou eficaz. (GIL, 2010).
Para uma boa pesquisa é indispensável, primeiramente, um bom 
planejamento. “A moderna concepção de planejamento, apoiada na Teoria Geral 
dos Sistemas, envolve quatro elementos necessários à suacompreensão: processo, 
eficiência, prazos e metas”. (GIL, 2010, p. 3).
“O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de 
um projeto, que é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao 
longo do processo de pesquisa”. (GIL, 2010, p. 3).
O ato de pesquisar requer do pesquisador as diferentes atribuições e 
comprometimento com o desenvolvimento da pesquisa. A pesquisa tornou-se 
uma necessidade importante no cenário atual. O saber pesquisar, a busca de 
conhecimentos que irão contribuir nas práticas profissionais, vem ganhando 
destaque nas universidades, especialmente no campo do Serviço Social. A pesquisa 
vem contribuindo positivamente na atuação frente às diversas expressões das 
questões sociais.
Destacamos a importância do incentivo à pesquisa nas escolas e 
universidades, pois a educação contemporânea não deve se limitar a formar 
alunos para dominar determinados conteúdos, e sim que saibam pensar, refletir, 
propor soluções sobre problemas e questões atuais, trabalhar e cooperar em 
conjunto na busca de novos conhecimentos. A escola deve favorecer a formação 
de seres críticos e participativos, conscientes de seu papel nas mudanças sociais. 
(TOMAZ, 2009).
O incentivo às pesquisas sociais na vida acadêmica faz-se imprescindível 
no mundo atual. Para tanto, vamos aprofundar ainda mais o nosso conhecimento 
sobre a competência no ato de pesquisar, assunto que veremos a seguir.
NOTA
Pesquisa: “sf. 1. Ato ou efeito de pesquisar (1 e 2). 2. Investigação e estudo, 
minuciosos e sistemáticos, com o fim de descobrir fatos relativos a um campo de 
conhecimento” (FERREIRA, 2004, p. 549).
FONTE: Disponível em: http://slideplayer.com.br/slide/44251/. Acessado em: 28 de fevereiro 
de 2016. 
TÓPICO 3 | ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
131
NOTA
A pesquisa é um processo em que é impossível prever todas as etapas. O 
pesquisador está sempre em estado de tensão porque sabe que seu conhecimento é parcial 
e limitado – o “possível” para ele.
FONTE: Disponível em: <http://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/
viewFile/839/299>. Acessado em 21 de fevereiro de 2016.
3 TORNANDO-SE UM PESQUISADOR
Somente se obtém a postura de pesquisador se houver disponibilidade e 
dedicação de tempo, para que se desempenhe com autonomia o ato de aprender. 
Decorre disso a grande importância da leitura. Para se afeiçoar à ciência, a ação 
individual é imprescindível, pois ela permite a descoberta para os estudos, e esta 
leva à vontade de conhecer.
Segundo Rocha (2009, p. 2), “ao realizar uma pesquisa científica, o 
pesquisador reúne informações e as analisa para construir um novo conhecimento, 
ainda não disponível em uma determinada área ou disciplina”.
A pesquisa social para construir um novo conhecimento torna-se 
desafiadora, sendo que não existe receita, é preciso analisar e compreender, 
decifrando seus enigmas que vão surgindo no decorrer da pesquisa, sendo 
necessária qualidade e relevância em pesquisar, assim será garantida a resolução 
deste enigma que a realidade estabelece (ROCHA, 2009).
Conforme Goldenberg (2002, p. 14),
Anteriormente as ciências se pautavam em um modelo quantitativo 
de pesquisa, em que a veracidade de um estudo era verificada pela 
quantidade de entrevistados. Muitos pesquisadores, no entanto, 
questionam a representatividade e o caráter de objetividade de que 
a pesquisa quantitativa se revestia. É preciso encarar o fato de que, 
mesmo nas pesquisas quantitativas, a subjetividade do pesquisador 
está presente. 
Neste sentido, o olhar e o conhecimento do pesquisador estão presentes, 
afinal é necessária a escolha do tema, da metodologia, a bibliografia, entre 
outros. O pesquisador necessita de um olhar crítico, ativo, com a capacidade 
de pensar e agir, ou seja, saber pesquisar e elaborar as informações, e a partir 
delas e das experiências, construir o conhecimento. Sendo que no Serviço Social 
o ato de pesquisar vai contribuir para a efetividade, eficiência e eficácia do fazer 
profissional.
132
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
NOTA
“Alguns atributos necessários para o pesquisador são: a curiosidade, criatividade, 
intuição e sensibilidade para perceber o sujeito e o fenômeno como eles se apresentam”. 
(CANZONIERI, 2010, p. 27).
4 COMPETÊNCIA NO ATO DE PESQUISAR
Destacamos que em todas as profissões existem as competências 
essenciais, onde o pesquisador deve se embasar. Segundo Gil (2010), pode-se 
definir a pesquisa como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do 
método científico. 
Segundo Gil (2010, p. 17), “pode-se definir pesquisa como o procedimento 
racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos 
problemas que são propostos”.
Neste sentido, não podemos confundir a pesquisa com a simples coleta 
de dados ou enquetes, a pesquisa social vai além disso, ou seja, a necessidade de 
desenvolver uma atitude autocrítica em relação à própria pesquisa.
Segundo Gil (2010), toda a discussão realizada pelo próprio pesquisador, 
ou outras pessoas, deve ser analisada de dois pontos de vista: sua veracidade ou 
falsidade, como se pode medir sua falsidade ou veracidade.
O autor destaca ainda que a atitude do pesquisador exige reorganização 
do conceito de saber, nova visão que permita reconhecer a incerteza, falta de 
clareza, relatividade, instrumentalização e ambiguidade do conceito “verdade 
científica”. (GIL, 2010, p. 18).
No momento em que consegue analisar esta posição, deve-se levar a 
importantes avanços na produção do conhecimento, muito mais do que a simples 
aceitação (sem questionar) do que aparece nos livros e também na mente de 
especialistas. (GIL, 2010). 
Contudo, a pesquisa social pode ser classificada como o processo que, 
utilizando a metodologia científica, admite o alcance de novos conhecimentos no 
campo da realidade social. (GIL, 2010).
O autor ressalta que a realidade social é compreendida em sentido 
amplo, envolvendo todos os aspectos relativos ao homem em seus múltiplos 
relacionamentos com outros e com as instituições sociais. (GIL, 2010).
TÓPICO 3 | ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
133
Conforme Chizzotti (2006, p. 82),
O pesquisador não se transforma em mero relator passivo: sua 
imersão no cotidiano, a familiaridade com os acontecimentos diários e 
a percepção das concepções que embasam práticas e costumes supõem 
que os sujeitos da pesquisa têm representações, parciais e incompletas, 
mas construídas com relativa coerência em relação à sua visão e à sua 
experiência.
Neste sentido, destacamos que o pesquisador deve manter uma conduta 
participante, no sentido de partilha substantiva na vida e nos problemas do 
sujeito, e na medida em que serão identificados os problemas, manter o 
compromisso, bem como a necessidade de estabelecer estratégias de superação 
dessas necessidades ou resolvidos os obstáculos que interferiam na ação dos 
sujeitos. (CHIZZOTTI, 2006).
O pesquisador, ao pensar em realizar uma pesquisa, deverá ter em 
mente que vai entrar numa aposta criativa de aprender como pensar e olhar 
cientificamente. Sendo que fazer uma pesquisa significa instruir-se a pôr ordem 
nas próprias ideias. (GOLDENBERG, 2002).
De acordo com as reflexões de Simão e Souza (2008, p. 125),
O entendimento acerca da importância do ato de pesquisar e das 
possibilidades e limites do uso de metodologias de natureza distintas 
coloca um grande desafio ao Serviço Social: o de pensar e repensar 
a formação dos profissionais da área para que os mesmos possam, 
cada dia mais, não só ser capazes de minimizar e/ou superar os 
desafios e dificuldades inerentes à realidade social através de uma 
prática inovadora e coerente com as necessidades humanas e sociais, 
mas também capazes de produzir conhecimento a partir da prática 
profissional.
As considerações aqui apresentadas reforçam o que já é visto no meio 
acadêmico, como a relevância da pesquisa científica para o campo de atuação 
do Serviço Social, apresentandoestratégias que possam dar subsídio à prática 
profissional. 
134
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
FIGURA 9 – ATO DE PESQUISAR
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/viviprof/aula1arquivoalunos>. Acesso em:
 12 mar. 2016.
A seguir abordaremos os tipos de pesquisa: qualitativa e quantitativa e 
suas comparações para a realização dos métodos de pesquisa. 
5 PESQUISAS: QUALITATIVA E QUANTITATIVA
Caro acadêmico, neste item vamos compreender o significado da pesquisa 
qualitativa e quantitativa e suas diferenças.
O método científico de pesquisa significa a preferência de procedimentos 
sistemáticos, para a definição e explicação de acontecimentos. “Entendemos por 
metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da 
realidade” (MINAYO, 1994, p. 16).
Para tanto, cabe ressaltar a relevância da escolha da metodologia, pois 
esta 
ocupa um lugar central no interior das teorias [...]. Dizia Lênin (1965) 
que “o método é a alma da teoria” (p. 148), distinguindo a forma 
exterior com que muitas vezes é abordado tal tema (como técnicas 
e instrumentos) do sentido generoso de pensar a metodologia como 
a articulação entre conteúdos, pensamentos e existência. (MINAYO, 
1994, p. 16).
A metodologia de pesquisa e a teoria andam juntas, sendo que no 
“conjunto de técnicas, a metodologia deve dispor de um instrumental claro, 
coerente, elaborado, capaz de encaminhar os impasses teóricos para o desafio da 
prática” (MINAYO, 1994, p. 16).
TÓPICO 3 | ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
135
Para melhor compreensão do procedimento de escolha da metodologia, 
poderemos seguir dois métodos de pesquisa, ou seja, a pesquisa qualitativa ou 
quantitativa. Na sequência veremos a diferença entre ambas.
5.1 PESQUISA QUALITATIVA
Agora vamos acompanhar o significado da pesquisa qualitativa e suas 
finalidades para a pesquisa científica. “A palavra qualidade tem origem do latim com 
a palavra qualitate, de qualis, que indica ‘qual o tipo’”. (CANZONIERI, 2010, p. 38). 
Segundo a autora (CANZONIERI, 2010), esta modalidade é usada quando 
está direcionada para responder à pergunta “qual”, realizada pelo pesquisador 
por meio de observação, entrevistas, coleta de dados e outras que expressem o 
pensamento do sujeito ou o fenômeno, enquanto elemento de pesquisa.
“A pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como a tentativa de 
uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais 
apresentadas pelos entrevistadores” (RICHARDSON, 2011, p. 90). 
Para Minayo (1994, p. 22), 
A pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um nível 
de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com 
o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e 
atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, 
dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à 
operacionalização de variáveis.
 
Este tipo de pesquisa busca entender o contexto onde ocorre o fenômeno, 
vai delimitar a quantidade dos sujeitos da pesquisa e também intensificar o estudo 
sobre ele. (CANZONIERI, 2010).
Segundo Triviños (1987, p. 120),
Alguns autores entendem a pesquisa qualitativa como uma “expressão 
genérica”. Isto significa, por um lado, que ela compreende atividades 
de investigação que podem ser denominadas específicas. E por outro, 
que todas elas podem ser caracterizadas por traços comuns. Esta é 
uma ideia fundamental que pode ajudar a ter uma visão mais clara 
do que pode chegar a realizar um pesquisador que tem por objetivo 
atingir uma interpretação da realidade do ângulo qualitativo.
A pesquisa qualitativa estabelece a observação de situação habitual 
em ocasião real e solicita uma descrição e análise subjetiva da experiência. 
Procura “a busca da compreensão de ‘como’ ocorrem os fenômenos. Preocupa-
se em compreender e se refere ao mundo dos significados e do simbolismo”. 
(CANZONIERI, 2010, p. 38). 
136
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
A mesma autora traz alguns pilares relevantes na modalidade qualitativa, 
tais como (CANZONIERI, 2010):
• A busca da compreensão, da significação do fenômeno em si mesmo.
• O sujeito é o objeto da pesquisa, não há variáveis ou comparações 
entre grupo, há a significação dada pelo sujeito ou grupo.
• O pesquisador faz parte do processo de pesquisa, suas observações, 
percepções e conhecimentos sobre o tema pesquisado são de extrema 
importância e relevância para a realização da pesquisa.
• A metodologia qualitativa trata exclusivamente de significados 
e processos e não de medidas; os resultados são apresentados de 
forma descritiva, explicativa e não numérica.
• A validade ocorre por intermédio da descrição precisa da 
aproximação do pesquisador com o fenômeno.
• A generalização se torna possível a partir da construção do 
conhecimento; leva a pensar, a refletir sobre os dados encontrados. 
O fenômeno pesquisado revela algo que instiga o pesquisador para 
a busca de novos conhecimentos.
Para tanto, não poderemos esquecer que a escolha não deverá ser aleatória 
ou eliminatória, porém adequada àquilo que se almeja investigar para a obtenção 
de respostas ao problema levantado. (CANZONIERI, 2010).
A pesquisa qualitativa está mais relacionada aos levantamentos de dados 
sobre as motivações de um sujeito ou grupo, a compreensão e interpretação de 
determinados comportamentos, opiniões e expectativas do sujeito pesquisado. 
Este tipo de pesquisa é exploratório, não levanta números como resultados, mas 
sim a análise dos dados. Sendo que os recursos mais utilizados neste método são 
as entrevistas semiestruturadas, as observações de campo, entre outras. 
A explicação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas 
no processo de pesquisa qualitativa. Não solicita o uso de métodos e técnicas 
estatísticas. Porém, o ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e 
o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a 
analisar seus dados indutivamente, sendo que o processo e seu significado são os 
focos principais de abordagem (LAKATOS; MARCONI, 1985).
NOTA
Na entrevista semiestruturada, o investigador tem uma lista de questões ou 
tópicos para serem preenchidos ou respondidos, como se fosse um guia. A entrevista tem 
relativa flexibilidade. As questões não precisam seguir a ordem prevista no guia e poderão 
ser formuladas novas questões no decorrer da entrevista (MATTOS, 2005). Mas, em geral, 
a entrevista seguirá o que se encontra planejado. As principais vantagens das entrevistas 
semiestruturadas são as seguintes: possibilidade de acesso à informação além do que se listou; 
esclarecer aspectos da entrevista; geração de pontos de vista, orientações e hipóteses para 
o aprofundamento da investigação e definição de novas estratégias e outros instrumentos. 
(TOMAR, 2007).
FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/conceitos-em-pesquisa-
cientifica/10409>. Acesso em: 7 mar. 2016.
TÓPICO 3 | ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
137
5.2 PESQUISA QUANTITATIVA
Abordaremos agora sobre a pesquisa quantitativa, a compreensão do seu 
conceito, bem como a sua importância para a pesquisa social. 
“A palavra quantidade tem origem no latim com a palavra quantitate, de 
quantus, que indica ‘quanto’” (CANZONIERI, 2010, p. 37).
Para a autora, é uma modalidade utilizada quando o desenho da 
pesquisa está direcionado para responder à pergunta “quantos”, realizada pelo 
pesquisador por meio de dados numéricos, estatísticos, para fazer comparações 
entre o que foi pesquisado. Este método confere segurança para provar uma 
realidade frente a hipóteses formuladas, com o intuito de revelar dados, 
indicadores e observação, que comprovem medidas confiáveis, generalizáveis e 
sem vieses. (CANZONIERI, 2010).
Conforme os ensinamentos de Richardson (2011), esta técnica de pesquisa 
quantitativa caracteriza-se pela arte da quantificação, seja nas modalidades 
de coletade informações, quanto no tratamento dessas através de técnicas 
estatísticas, ou seja, das mais simples até as mais complexas. Esta técnica possui 
como diferencial a finalidade de garantir a exatidão dos trabalhos concretizados, 
com o intuito de chegar a um resultando com poucas chances de incoerências.
O método quantitativo caracteriza-se pelo emprego da quantificação, 
seja na modalidade de coleta de dados, quanto no tratamento deles através de 
técnicas estatísticas. Usados frequentemente nos estudos descritivos, aqueles 
que procuram encontrar e classificar a relação entre as variáveis, que acabam 
investigando a relação de causalidade entre fenômenos (RICHARDSON, 2011).
O estudo descritivo pode abordar aspectos amplos de uma sociedade, 
como, por exemplo, descrição da população economicamente 
ativa, do emprego de rendimentos e consumo, do efetivo de mão 
de obra; levantamento da opinião e atitudes da população acerca 
de determinada situação; caracterização do funcionamento de 
organizações; identificação do comportamento de grupos minoritários 
(RICHARDSON, 2011, p. 71).
Tomando como exemplo um caso específico, um tipo de estudo dessa 
ordem que busca saber sobre a reação do administrador escolar sobre o uso de 
novas técnicas no ensino da matemática. A investigação visa apenas identificar 
as possíveis reações do administrador, não se propondo investigar quais fatores 
estariam contribuindo para tais reações, também não estaria interessada em 
verificar a relação entre as reações do administrador e seu modo de administrar a 
escola (RICHARDSON, 2011).
138
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Os estudos que procuram investigar a correlação entre as variáveis 
são fundamentais para diversas ciências sociais, porque permitem 
controlar, simultaneamente, grande número de variáveis e, por meio 
de técnicas estatísticas de correlação, especificar o grau pelo qual 
diferentes variáveis são relacionadas, oferecendo ao pesquisador 
entendimento do modo como as variáveis estão operando 
(RICHARDSON, 2011, p. 71).
No âmbito da pesquisa, este tipo de estudo poderá ser realizado 
quando o pesquisador almeja obter melhor entendimento do comportamento 
de diferentes fatores que venham influenciar sobre determinado fenômeno 
(RICHARDSON, 2011).
Através da pesquisa quantitativa busca-se entender os elementos básicos 
da análise por meio de números, sendo que o pesquisador mantém distanciamento 
do procedimento, ou seja, dos sujeitos, independente do contexto, teste de 
hipóteses, no qual o raciocínio deverá ser lógico e dedutivo, estabelecendo 
relações, causas, buscando generalizações e preocupando-se com as quantidades, 
utilizando instrumentos específicos. 
Apresentamos na figura a seguir as comparações entre a pesquisa 
quantitativa e qualitativa e seus aspectos para a pesquisa científica, comparando 
da menor à maior ênfase no desenvolvimento destas categorias.
FIGURA 10 – PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA
Aspecto PesquisaQuantitativa
Pesquisa
Qualitativa
 Ênfase na interpretação do 
entrevistado em relação à pesquisa Menor Maior
Importância do contexto da 
organização da pesquisa Menor Maior
Proximidade do pesquisador em 
relação aos fenômenos estudados Menor Maior
Alcance do estudo no tempo Instantâneo Intervalo maior
Número de fontes de dados Uma Várias
Ponto de vista do pesquisador Externo à organização
Interno à 
organização
Quadro teórico e hipóteses Definidos rigorosamente
Menos 
estruturados
COMPARAÇÕES
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/jlpaesjr/pesquisa-qualitativa-e-quantitativa>. 
Acesso em: 12 março 2016.
TÓPICO 3 | ATRIBUIÇÃO E COMPETÊNCIA DO ASSISTENTE SOCIAL PESQUISADOR
139
Das comparações acima citadas, destaca-se a importância e cuidado ao 
desenvolver a pesquisa, utilizando o método coerente com os elementos utilizados 
no processo da elaboração da pesquisa e no alcance dos resultados. 
Podemos observar, em seguida, que as pesquisas quantitativa e qualitativa 
possuem diferenças nas suas características, porém as duas são interligadas, a 
escolha vai depender do método utilizado na pesquisa, como também podem ser 
abordados os dois elementos numa mesma pesquisa, uma com teoria e outra com 
dados quantitativos. Vejamos as comparações.
FIGURA 11 – PESQUISA QUALITATIVA E QUANTITATIVA – COMPARAÇÕES
QUANTITATIVO QUALITATIVO
Objetivo Subjetivo
Testa a Teoria Desenvolve a Teoria
Uma realidade: o foco é conciso e limitado Múltiplas realidades: o foco é complexo e amplo
Redução, controle, precisão Descoberta, descrição, compreensão, interpretação partilhada
Mensuração Interpretação
Mecanicista: partes são iguais ao todo Organicista: o todo é mais do que as partes
Possibilita análises estatísticas Possibilita narrativas ricas, interpretações individuais
Os elementos básicos da análise são 
os números
Os elementos básicos da análise são 
palavras e ideias
O pesquisador mantém distância 
do processo O pesquisador participa do processo
Sujeitos Participantes
Independe do contexto Depende do contexto
Teste de hipóteses Gera ideias e questões para pesquisa
O raciocínio é lógico e dedutivo O raciocínio é dialético e indutivo
Estabelece relações, causas Descreve os significados, descobertas
Busca generalizações Busca particularidades
Preocupa-se com as quantidades Preocupa-se com a qualidade das informações e respostas
Utiliza instrumentos específicos Utiliza a comunicação e observação
COMPARAÇÕES
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/jlpaesjr/pesquisa-qualitativa-e-quantitativa>. 
Acesso em: 12 mar. 2016.
140
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Para uma melhor compreensão, veja a seguir um comparativo das 
pesquisas qualitativa e quantitativa quanto à diferença nos elementos que 
compõem cada método.
Poderemos observar as diferenças entre elas no que se refere ao foco da 
investigação, as raízes filosóficas de cada uma, os conceitos associados a cada 
método, os objetivos de investigação e características. Vamos comparar a seguir:
FIGURA 12 – PESQUISA QUALITATIVA X QUANTITATIVA 
PESQUISA QUALITATIVA X PESQUISA QUANTITATIVA
Pesquisa Qualitativa Pesquisa Quantitativa
Foco da Investigação Qualidade (natureza, essência)
Quantidade
(quanto, quantos)
Raízes Filosóficas Fenomenologia Positivismo, empirismo lógico
Conceitos associados Trabalho de campo,etnografia
Experimental, empírico, 
estatística
Objeto de Investigação
Compreensão,
descrição,
geração de hipótese
Controle, confirmação,
comprovação de hipótese
Características Flexível Predeterminado,estruturado
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/ericarigo/pesquisa-qualitativa>. Acesso em: 12 
mar. 2016. 
DICAS
Sugerimos que faça a leitura do artigo: Pesquisa em serviço social: reflexões 
sobre os desafios para a formação e atuação profissional. De Andréa Branco Simão e 
Robson Sávio Reis Souza. Revista Serviço Social & Sociedade, São Paulo, v. 29, n. 96, p. 110-
127, nov. 2008.
141
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico vimos:
• Breves considerações sobre o ato de pesquisar, as muitas razões para a 
realização de uma pesquisa. 
• Como se tornar um pesquisador, observando elementos fundamentais ao 
realizar uma pesquisa.
• As competências específicas para a realização de pesquisas científicas.
• A pesquisa social tornou-se uma necessidade da atual sociedade em todas as 
profissões, não devendo ser confundida com uma simples coleta de dados ou 
enquete de opiniões.
• As características das pesquisas qualitativa e quantitativa e suas diferenças.
• Que a escolha do método científico de pesquisa significa a precedência de 
procedimentos sistemáticos, para a definição e explicação de acontecimentos.
142
1 Disserte brevemente sobre quais as competências no ato de realizar uma 
pesquisa científica.
2 Explique, a partir do seu entendimento, a diferença entre a pesquisa 
qualitativa e pesquisa quantitativa.
AUTOATIVIDADE
143
TÓPICO 4
ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM 
SERVIÇO SOCIAL
UNIDADE 21 INTRODUÇÃO
Neste tópico apresentaremos, inicialmente, a relevância e o significado 
do projeto de pesquisa no campo do Serviço Social. Destacamos que a pesquisa 
científica é desempenhada por diversas áreas do conhecimento, em especial no 
campo do Serviço Social, pois vem acrescentando vários conhecimentos que 
contribuem na atuação profissional frente às demandas sociais.
Veremos as características que contemplam o projeto de pesquisa. 
Exibiremos também o processo de coleta de dados, bem como sua importância 
e alguns instrumentos utilizados na pesquisa social. O projeto de pesquisa é 
um procedimento para elaboração teórica, metodológica, instrumental e da 
proposição dos sujeitos para o desenvolvimento e avaliação da pesquisa.
Apontaremos a importância do projeto de pesquisa para o Serviço Social, 
onde procurar adequar particularidades fundamentais e suas características, na 
qual procura evidenciar a evolução das ideias e objetivos propostos na pesquisa.
Por fim, veremos considerações sobre a importância de mensurar e exibir 
os resultados obtidos na pesquisa ocorrida e da prática realizada. 
Deve-se ter seriedade na coleta de dados quando da elaboração da 
pesquisa, bem como cuidados essenciais devem ser tomados em todo o processo, 
garantindo qualidade das informações que se deseja obter com o sujeito da 
pesquisa e, posteriormente, obter uma boa análise de dados, esclarecendo a 
natureza do problema pesquisado, contribuindo para excelentes resultados da 
pesquisa.
144
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
2 O PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
A pesquisa científica é empregada em diferentes áreas do conhecimento, 
em especial no campo do Serviço Social. Sendo que para iniciar a sistematização 
do estudo indica-se a elaboração de um projeto de pesquisa. Para melhor 
compreensão, apresentaremos o conceito de projeto de pesquisa.
O projeto de pesquisa é a descrição de um empreendimento a ser realizado. 
Busca respostas para problemas que necessitam de soluções a curto ou longo 
prazo (ABNT, 2011; SILVEIRA, 2010).
Ainda segundo a ABNT (2011), o projeto de pesquisa especifica as autênticas 
finalidades propostas pelo pesquisador, abrangendo o foco, a importância e o 
questionamento por ele determinado.
O projeto de pesquisa é um documento através do qual se articula e se 
organiza uma proposta de pesquisa e que se elabora, conforme Deslandes (1995), 
norteado pelos seguintes aspectos: definição de um conjunto de recortes na 
realidade social; cartografia das escolhas para abordar a realidade, ou seja, o que 
pesquisar, por que pesquisar e como pesquisar. Também procuramos responder 
a uma série de perguntas, tais como: o que iremos fazer, como, quando, onde, 
entre outras.
Ao pensar num projeto de pesquisa, devemos mapear um percurso a 
ser seguido durante a investigação, evitando assim imprevistos no decorrer da 
pesquisa que poderiam até mesmo inviabilizar a sua realização (MINAYO, 1994).
Ainda segundo a autora, o projeto de pesquisa deve, essencialmente, 
responder às seguintes perguntas: 
• O que pesquisar? (Definição do problema, hipótese, base teórica e 
conceitual);
• Por que pesquisar? (Justificativa da escolha do problema);
• Para que pesquisar? (Propósitos do estudo, seus objetivos);
• Como pesquisar? (Metodologia);
• Quando pesquisar? (Cronograma de execução);
• Com que recursos? (Orçamento); 
• Pesquisado por quem? (Equipe de trabalho, pesquisadores, 
coordenadores, orientadores) (MINAYO, 1994, p. 36).
A partir destas perguntas, ressaltamos que o projeto de pesquisa deverá 
esclarecer sobre os diversos elementos que irão compor a investigação, ou seja, a 
definição do tema e escolha do problema ou definição do objeto (MINAYO, 1994).
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
145
Sabemos que a construção de um projeto de pesquisa é uma etapa 
importante e delicada da pesquisa científica, fazer um recorte do objeto, ordenar 
as próprias ideias, sistematizar as questões estudadas.
Conforme os ensinamentos de Goldenberg (2002, p. 75), a formulação de 
um projeto de pesquisa passa por diversas etapas:
• O problema que exige respostas deve ser delimitado dentro de um 
campo de estudo;
• A tarefa de pesquisa precisa ser reduzida ao que é possível ser 
realizado pelo pesquisador;
• É preciso evitar que a coleta de dados seja feita de forma a favorecer 
uma determinada resposta;
• É preciso definir os conceitos que serão usados;
• É necessário prever as etapas do processo de pesquisa, mesmo 
sabendo-se que elas poderão ser reformuladas.
 
Segundo Rocha (2009),
É importante escrever o projeto de pesquisa por várias razões, entre 
as quais destaco: para registrar as decisões que serão o guia de suas 
ações no decorrer de todo o processo; para sistematizar suas ideias 
e submetê-las a crítica e autocrítica e, por fim, para ter a visão de 
conjunto das decisões e observar melhor as relações entre decisões, 
fundamentos e diretrizes da pesquisa (ROCHA, 2009, p. 4). 
O projeto de pesquisa é o documento onde são registrados esses fenômenos, 
as diretrizes da pesquisa, bem como as deliberações adotadas (ROCHA, 2009).
Para melhor compreensão, apontaremos, então, uma sugestão para a 
formulação de um projeto de pesquisa.
146
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
QUADRO 10 – SUGESTÃO PARA ELABORAR UM PROJETO DE PESQUISA
CAPA
1. INSTITUIÇÃO (local onde será desenvolvida a pesquisa)
2. TÍTULO
3. SUBTÍTULO
4. NOME DO PESQUISADOR
5. MÊS E ANO
I. INTRODUÇÃO
1. Objetivo Geral (questão principal da pesquisa, problema a ser resolvido) (o 
quê? Principal)
2. Objetivos Específicos (questões secundárias a serem respondidas, relacionadas 
à questão principal) (os quês? Secundários)
3. Objeto (indivíduo, grupo ou instituição pesquisada) (quem? Onde?)
II. JUSTIFICATIVA (importância do tema proposto; motivação individual, 
profissional, social e teórica para escolher o tema) (por quê?);
III. HIPÓTESES DE TRABALHO (algo provável antecipa algo que será ou não 
confirmado) (eu acredito que);
IV. DISCUSSÃO TEÓRICA (contextualizar o tema dentro do debate teórico 
existente; principais conceitos e categorias; estudos precedentes; diálogo com 
os autores) (a partir de quem?);
V. METODOLOGIA (caminhos possíveis, instrumentos e fontes de pesquisa) 
(como?);
VI. CRONOGRAMA (quanto tempo?);
EXEMPLO:
Etapa I: Revisão da bibliografia.
Etapa II: Construção dos instrumentos de pesquisa.
Etapa III: Entrevistas.
Etapa IV: Análise do material coletado.
Etapa V: Redação do trabalho final.
Meses jan. fev. mar. abr. maio. jun. jul. ago. set. out. nov. dez.
Etapas 
I X XX
II X
III X XXX
IV X 
V X XX
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
147
VII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (livros e artigos citados no corpo do 
texto).
FONTE: Adaptado de Goldenberg (2002, p. 76-77)
Para iniciar um projeto é necessário ter em mente estas perguntas: O que 
pesquisar? Como? Por quê? Quando? Para quê? Quais? Quantos?, conforme a 
fi gura a seguir. Sendo assim, com estas defi nições já se poderá esboçar um pré-
projeto de pesquisa, seguindo a metodologia e as referências teóricas sobre o 
tema proposto.
FIGURA 13 – PROJETO DE PESQUISA
PESQUISAR
O que?
Como?
Por quê?
Para quê?
Onde?
Quando?
Quantos?
Quais?
FONTE: Disponível em: <https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/20/como-
elaborar-projeto-de-pesquisa/>. Acesso em: 13 mar. 2016. 
A seguir apresentaremos brevemente um esboço passo a passo para a 
realização de um projeto de pesquisa, com alguns dos elementos fundamentais 
neste processo, desde a elaboraçãoda pergunta até a análise da solução que será 
implementada. Conforme podemos observar na fi gura a seguir.
148
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
FIGURA 14 – PROJETO DE PESQUISA
Passo a Passo do Projeto de Pesquisa
Iniciação ao Método Científi co
Inovação incremental
Inovação radical
Elaborar a pergunta
de pesquisa
Pesquisar em diferentes 
fontes de informação
Revisar as soluções
existentes
Desenvolver a solução
inovadora
Compartilhar a ideia
e a solução
Analisar como a solução
será implementada
FONTE: Disponível em: <http://www.portaldaindustria.com.br/sesi/iniciativas/programas/torneio-
de-robotica-fl l/2015/06/1,65513/documentos-da-temporada.html>. Acesso em: 13 mar. 2016.
Na fi gura acima pudemos observar algumas dicas importantes na 
elaboração de um projeto de pesquisa, que visam contribuir na iniciação ao 
método científi co, ou seja, lembretes para qualifi car todo o processo de preparação 
da pesquisa. Em seguida, trataremos das características da pesquisa.
3 CARACTERÍSTICAS DO PROJETO DE PESQUISA EM 
SERVIÇO SOCIAL
No Serviço Social um projeto de pesquisa deverá proporcionar 
particularidades fundamentais. Conforme Best (1972 apud MARCONI; LAKATOS, 
2002), podem-se resumir as características da pesquisa da seguinte maneira: 
• Procedimento sistematizado: é aquele por meio do qual novos conhecimentos 
são coletados, de fontes primárias ou de primeira mão. A pesquisa não é 
apenas confi rmação ou reorganização de dados, nem a elaboração de ideias, 
exige comprovação e verifi cação. 
• Exploração técnica, sistemática e exata: o investigador, baseando-se em 
conhecimentos teóricos anteriores, planeja cuidadosamente o método a ser 
utilizado, formula problemas e hipóteses, registra sistematicamente os dados 
e os analisa. Para a coleta de dados utiliza instrumentos adequados, emprega 
todos os meios mecânicos possíveis, obtendo maior exatidão na observação 
humana, no registro e na comprovação dos dados.
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
149
• Pesquisa lógica e objetiva: deve utilizar todas as provas possíveis para o 
controle dos dados e dos procedimentos empregados. O investigador não 
se pode deixar envolver pelo problema; deve olhá-lo objetivamente, sem 
emoção. Não deve tentar persuadir, justificar ou buscar somente os dados que 
confirmem suas hipóteses, mas comprovar, o que é mais importante do que 
justificar.
• Organização quantitativa dos dados: os dados devem ser, quanto possível, 
expressos com medidas numéricas. O pesquisador deve ser paciente e não 
ter pressa, pois as descobertas significativas resultam de procedimentos 
cuidadosos e não apressados. Não deve fazer juízo de valor, mas deixar que os 
dados e a lógica levem à solução real, verdadeira.
• Relato e registro meticulosos e detalhados da pesquisa: a metodologia 
deve ser indicada, assim como as referências bibliográficas, a terminologia 
cuidadosamente definida, os fatores limitativos apontados e todos os resultados 
registrados com a maior objetividade. As conclusões e generalizações devem 
ser feitas com precaução, levando-se em conta as limitações da metodologia, 
dos dados recolhidos e dos erros humanos de interpretação.
Segundo Ander-Egg (1978, p. 33 apud MARCONI; LAKATOS, 2002, p. 20), 
há dois tipos de pesquisas:
a. Pesquisa básica pura ou fundamental. É aquela que procura o 
progresso científico, a ampliação de conhecimentos teóricos, sem a 
preocupação de utilizá-los na prática. É a pesquisa formal, tendo em 
vista generalizações, princípios, leis. Tem por meta o conhecimento 
pelo conhecimento.
b. Pesquisa aplicada. Como o próprio nome indica, caracteriza-se por 
seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados ou 
utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem 
na realidade.
Além dessas classificações citadas acima, Best (1972, p. 12-13 apud 
MARCONI; LAKATOS, 2002, p. 20) acrescenta mais três: 
a. Histórica. “Descreve o que era” – o processo enfoca quatro aspectos: 
investigação, registro, análise e interpretação de fatos ocorridos no 
passado, para, por meio de generalizações, compreender o presente e 
predizer o futuro.
b. Descritiva. “Delineia o que é” – aborda também quatro aspectos: 
descrição, registro, análise e interpretação de fenômenos atuais, 
objetivando o seu funcionamento no presente.
c. Experimental. “Descreve o que será” – quando há controle sobre 
determinados fatores; a importância encontra-se nas relações de causa 
e efeito.
150
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Como observamos, são alguns elementos do projeto de pesquisa em Serviço 
Social que devemos seguir, bem como considerar a descrição dos elementos que 
constituem um projeto. Sendo que a forma de apresentação pode variar muito 
conforme o pesquisador, porém guiada pelas normas da ABNT. (MINAYO, 1994).
Na Unidade 3 deste livro de estudos ilustraremos mais detalhadamente 
o roteiro de projeto de pesquisa, com base em modelo socializado por autores do 
Serviço Social. 
Caro acadêmico, apresentaremos algumas perguntas que tornam-se 
fundamentais para a escolha do tema, identificar o problema, bem como seus 
objetivos e o que se pretende pesquisar, dicas que vão facilitar a elaboração da 
pesquisa, conforme a figura a seguir.
FIGURA 15 – ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA
Tema
Problema
Hipótese (s)
Objetivos
Justificativa
Metodologia
Cronograma
Bibliografia
Referencial Teórico
O quê?
Para quê?
Por quê?
Como?
Quando?
Com quê?
Revisão da Literatura
Resposta promissória
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/dcartoni/metolodogia-daniela-cartoni-slides-
parte-08-estrutura-do-projeto>. Acesso em: 15 mar. 2016.
A figura acima esclarece por que se faz as perguntas relacionadas 
à metodologia de pesquisa, tem a finalidade didática de sugerir e facilitar 
procedimentos que contribuem para uma melhor compreensão na elaboração 
do projeto. Estas perguntas irão promover a escolha do tema, identificando o 
problema e todo o processo metodológico da pesquisa.
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
151
4 COLETA DE DADOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Sabemos que a coleta de dados é de suma importância no processo de 
pesquisa. Serão coletados os dados com base nos objetivos a serem alcançados 
para análise final. 
Segundo Richardson (2011), o interesse por interpretar documentos é 
uma prática bastante antiga, que surgiu antes da Idade Média. Já a análise de 
conteúdo é um assunto central para todas as ciências humanas, e com o decurso 
do tempo tem se transformado em um instrumento extraordinário para o estudo 
da interação entre o indivíduo. “A coleta de dados representa a pesquisa de 
campo propriamente dita” (CANZONIERI, 2010, p. 94). 
Richardson (2011) destaca alguns pontos importantes para a coleta de 
dados na pesquisa, tais como:
• O planejamento de todo o processo da pesquisa;
• Agendar horário e local para entrevista;
• Discrição nas atitudes do pesquisador;
• Explicar os motivos da pesquisa para o sujeito envolvido.
A coleta de dados da pesquisa, no Serviço Social, consiste na precisão 
de selecionar os instrumentos adequados para a utilização da pesquisa. 
Sendo indispensável por parte do pesquisador cautela e cuidado em todo seu 
planejamento, escolhas de métodos e instrumentos, bem como no número de 
sujeitos, assim a coleta de dados não representará uma dificuldade, nem para 
execução e nem para a análise dos dados (CANZONIERI, 2010).
A coleta de dados é a base da pesquisa, na qual se reúnem dados por meio 
de técnicas específicas, sendo necessário determinar parâmetros que servirão de 
guia em todo o desenvolvimento do projeto.
Ressaltamos a importância desta fase na elaboração de qualquer pesquisa 
científica, pois os cuidados nesta etapa tendem a garantir a qualidade das 
informações que se deseja obter junto ao sujeito da pesquisa.
A figura a seguir esclarece os tipos de classificações relacionados à coleta 
de dados na pesquisa, observe.152
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
FIGURA 16 – COLETA DE DADOS EM PESQUISA
Classificação da Coleta de Dados
• A coleta de dados pode ser dividida em contínua, periódica ou ocasional:
• Coleta de dados contínua: quando os eventos que acontecem durante 
determinado estudo, são registrados à medida que ocorrem;
• Coleta de dados periódica: acontece de ciclo em ciclo, como exemplo o 
censo do Brasil;
• Coleta de dados ocasional: é aquela realizada sem a preocupação de 
continuidade ou periodicidade.
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/gallojunior/coleta-de-dados-29212026>. Acesso 
em: 13 mar. 2016.
Analisando a figura acima, percebemos a diferença nas classificações 
quanto à coleta de dados da pesquisa, os conceitos explicam qual o tipo a ser usado 
de acordo com a metodologia escolhida para o desenvolvimento da pesquisa. 
 
Existem alguns instrumentos de coleta de dados a serem utilizados quando 
se faz uma pesquisa científica. Para conhecimento, vejamos o que as normas da 
ABNT trazem sobre estes instrumentos.
 
Conforme a ABNT (2011), os instrumentos de coleta de dados mais 
comuns são: questionários (com perguntas abertas e/ou fechadas), entrevistas 
(estruturadas ou não), observação (assistemática/sistemática, participante/não 
participante).
 
Lembrando que a entrevista e o questionário são instrumentos que 
consentem coletar elementos com embasamento no relato dos sujeitos da pesquisa. 
Abordaremos brevemente os conceitos destes instrumentos de coleta de dados.
 
No questionário a elaboração consiste em traduzir os objetivos específicos 
da pesquisa em componentes bem dirigidos, é um instrumento utilizado para 
o levantamento de informações, sendo preenchido pelo próprio entrevistado, 
indiretamente, pelo entrevistador. 
O questionário pode ser definido como uma técnica de investigação 
social composta por um conjunto de questões que são submetidas a 
pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, 
crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, 
temores, comportamento presente ou passado (GIL, 2008, apud Numa 
et al.2011).
Construir um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos 
da pesquisa em questões específicas. As respostas irão proporcionar dados ao 
pesquisador para descrever as características do sujeito da pesquisa (GIL, 2008).
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
153
Destacamos os tipos de questionários a seguir:
QUADRO 11 – TIPOS DE QUESTIONÁRIOS
ABERTO: o questionário do tipo aberto é aquele que utiliza questões 
de resposta aberta. Este tipo de questionário proporciona respostas de maior 
profundidade, ou seja, dá ao sujeito maior liberdade de resposta, podendo 
esta ser regida pelo próprio. O pesquisador preocupa-se com a opinião mais 
elaborada do sujeito.
FECHADO: tem na sua construção questões de resposta fechada, 
permitindo obter respostas que possibilitam a comparação com outros 
instrumentos de recolha de dados. Este tipo de questionário facilita o 
tratamento e análise da informação, exigindo menos tempo. Por outro lado, 
a aplicação deste tipo de questionário pode não ser vantajosa, pois facilita 
a resposta para um sujeito que não saberia ou que poderia ter dificuldade 
acrescida em responder a uma determinada questão. Este tipo de questionário 
é com questões fechadas de múltipla escolha.
SEMIABERTO OU MISTO (combinado): mescla as duas formas 
anteriores.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.scribd.com/doc/66962162/Questionario-como-instrumento-
de-pesquisa#scribd>. Acesso em: 13 mar. 2016.
No quadro anterior vimos as características dos tipos de questionários, 
podendo ser questionário aberto, fechado e semiaberto ou misto. Veremos agora 
o conceito de entrevista.
Entrevista: “as entrevistas geram compreensões ricas das biografias, 
experiências, opiniões, valores, atitudes e sentimentos dos sujeitos” (MAY, 2004, p. 
145). A entrevista apresenta maior flexibilidade, podendo assumir várias formas:
Pode se caracterizar como informal, quando se distingue da simples 
conversação apenas por ter como objetivo básico a coleta de dados. 
Pode ser focalizada quando, embora livre, enfoca tema bem específico, 
cabendo ao entrevistador esforçar-se para que o entrevistado retorne 
ao assunto após alguma digressão. Pode ser parcialmente estruturada, 
quando guiada por relação de pontos de interesses que o entrevistador 
vai explorando ao longo do curso. Pode ser totalmente estruturada, 
quando se desenvolve a relação fixa de perguntas. Neste caso, a 
entrevista confunde-se com o formulário (GIL, 2010, p. 105). 
A realização de entrevistas de pesquisa é bem complexa que outras 
entrevistas, isto porque o sujeito escolhido não é o solicitante, ou seja, o 
entrevistador constitui a única fonte de motivação para o entrevistado. Portanto, 
as entrevistas nos levantamentos deverão ser desenvolvidas com estratégias e 
táticas adequadas (GIL, 2010).
154
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Na sequência abordaremos os tipos de entrevistas, que podem ser 
entrevista estruturada, não estruturada ou semiestruturada, conforme mostra a 
figura a seguir, observe as suas diferenças. 
FIGURA 17 – TIPOS DE ENTREVISTAS
TIPOS DE ENTREVISTA
Entrevista Não estruturada
Nas entrevistas não estruturadas, o 
entrevistador segue o informante, 
mas faz perguntas ocasionais para 
ajustar o foco ou para clarificar 
aspectos importantes. O pesquisador 
tem geralmente um guia com 
os tópicos a serem cobertos na 
entrevista, mas não tem uma ordem 
para perguntar sobre estes tópicos. 
Entrevista Estruturada
As perguntas estão claramente definidas. Nas 
entrevistas estruturadas, o entrevistador quer 
ter certeza de que ele faz as mesmas perguntas 
para cada informante.
Entrevista Semiestruturada
As entrevistas contém sugestões de perguntas 
e dicas a serem usadas pelo pesquisador para 
garantir que todos os tópicos de interesse 
sejam abordados.
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/FlviaDeMattosMotta/entrevista-
sociologia-19167182>. Acesso em: 13 mar. 2016. 
Destacamos que ambos os tipos de entrevistas são utilizados nas pesquisas 
pelo Serviço Social, porém a escolha depende da finalidade que se busca com a 
pesquisa. 
Outro recurso a ser utilizado para coleta de dados é a observação. “A 
observação é o exame minucioso ou mirada atenta sobre um fenômeno no seu 
todo ou algumas de suas partes: é a captação precisa do objeto examinado” 
(RICHARDSON, 2011, p. 259).
A observação em qualquer processo de pesquisa científica é fundamental, 
pois tanto pode conjugar a outra técnica de coleta de dados, como também 
poderá ser empregada de forma independente e/ou exclusiva. “Genericamente, a 
observação é a base de toda investigação no campo social, podendo ser utilizada 
em trabalho científico de qualquer nível, desde os mais simples estágios até os 
mais avançados” (RICHARDSON, 2011, p. 259).
Ainda segundo o autor, “a observação apresenta muitas nuances em face 
de sua flexibilidade, pois seu objeto de estudo, e o objetivo da pesquisa que a 
utiliza, determinam seu tipo e sua metodologia” (RICHARDSON, 2011, p. 259).
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
155
FIGURA 18 – OBSERVAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://observacao5.pbworks.com/w/page/6860824/FrontPage>. 
Acesso em: 13 mar. 2016.
Na sequência apresentaremos a importância dos resultados das pesquisas 
em Serviço Social.
5 RESULTADOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
A partir da coleta de dados, o pesquisador se organiza com muito zelo 
para a leitura e análise dos dados pesquisados. Vejamos na sequência.
5.1 ANALISANDO OS DADOS
O método de análise dos dados da pesquisa é um momento importantíssimo, 
pois é através desses dados precisos que obteremos o resultado. 
Análise “é a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o fenômeno 
estudado e outros fatores” (MARCONI; LAKATOS, 2002, p. 35). 
Gil (2010, p. 156) considera que “a análisetem como objetivo organizar e 
sumariar os dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao 
problema proposto para investigação”. 
Entretanto, os métodos de análise variam expressivamente em função do 
plano de pesquisa, sendo possível considerar que em boa parte das pesquisas 
sociais ressaltam os seguintes passos: 
156
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
• Estabelecimento de categorias;
• Codificação;
• Tabulação;
• Análises estatísticas dos dados;
• Avaliação das generalizações obtidas com os dados;
• Inferência de relações causais;
• Interpretação dos dados. (GIL, 2010, p. 156).
Para Marconi e Lakatos (2002, p. 35), a elaboração da análise é realizada 
em três níveis:
• Interpretação: atividade intelectual que procura dar um significado 
mais amplo às respostas, vinculando-as a outros conhecimentos. Em 
geral, a interpretação significa a exposição do verdadeiro significado 
do material apresentado, em relação aos objetivos propostos e ao 
tema.
• Explicação: esclarecimento sobre a origem da variável dependente 
e a necessidade de encontrar a variável antecedente (anterior às 
variáveis independente e dependente).
• Especificação: Explicitação sobre até que ponto as relações entre 
as variáveis independente e dependente são válidas (como, onde e 
quando).
Este processo de análise dos dados é considerado um momento de extrema 
importância para a pesquisa, pois é a partir desta fase que se busca as respostas 
pretendidas, através dos métodos de raciocínio indutivo, dedutivo, comparativo, 
entre outros.
E a partir daí destaca-se que o êxito da análise dos dados da pesquisa 
para o Serviço Social vai depender da própria organização do pesquisador, 
relacionando com o seu nível de conhecimento, criatividade, imaginação, 
capacidade de argumentação e da elaboração dos dados propriamente ditos.
NOTA
Análise final: “Neste momento, procuramos estabelecer articulações entre os 
dados e os referenciais teóricos da pesquisa, respondendo às questões da pesquisa com 
base em seus objetivos. Assim, promovemos relações entre o concreto e o abstrato, o geral 
e o particular, a teoria e prática”. (MINAYO, 1994, p. 78).
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
157
5.2 ELABORANDO O RELATÓRIO DE PESQUISA NO 
SERVIÇO SOCIAL
Chegamos à última etapa do processo de pesquisa, para tanto é necessária 
a elaboração do relatório de pesquisa, sendo indispensável, pois após os resultados 
obtidos, estes só terão fundamento de valor se forem socializados com os sujeitos 
envolvidos e com o coletivo. Ou seja, esta comunicação dos resultados é também 
uma das responsabilidades do pesquisador, devendo receber atenção especial 
como todo o processo de pesquisa. 
Existe ainda muita discussão sobre como se deve proceder ao relatar 
uma pesquisa científica. As razões são várias, uma delas diz respeito à falta 
de preparo da parte de pesquisadores para bem escrever e, assim, descrever e 
explicar satisfatoriamente os resultados de seus trabalhos científicos. Para isso 
é necessária muita dedicação, aprendizado, leituras, sendo que só escrevendo é 
que se aprende a escrever (RICHARDSON, 2011).
Relatório “é a exposição escrita na qual se descrevem fatos verificados 
mediante pesquisas ou se historia a execução de serviços ou de experiências. 
É geralmente acompanhado de documentos demonstrativos: tabelas, gráficos 
estatísticos e outros” (UFPR, 1996, p. 2).
Para Schrader (1974, p. 257 apud RICHARDSON, 2011, p. 297),
[...] o relatório inicia com a formulação do problema, expõe dados da 
literatura existente sobre o tema, explicita a posição teórico-científica. 
Apresenta uma lista completa das hipóteses, descreve problemas 
da técnica de mensuração, fundamenta a escolha de um ou vários 
métodos, explica o procedimento mensurativo, a amostra e as técnicas 
de análise, compara os dados com as hipóteses e formula, a partir das 
hipóteses explicativas confirmadas, refutadas ou reformuladas, um ou 
mais enunciados teóricos com os quais se responde à pergunta inicial 
de investigação. 
O relatório é a última etapa do processo de pesquisa, sendo categoricamente 
indispensável, visto que após os resultados alcançados, tem valor quando 
informado aos outros. Como todo instrumento destinado à comunicação, o 
relatório de pesquisa deverá considerar o público a ser atingido (GIL, 2010).
O mesmo autor destaca que “o relatório de pesquisa deverá conter 
informações suficientes para esclarecer acerca da natureza do problema 
pesquisado e dos resultados” (GIL, 2010, p. 181). Sugere-se ainda que o relatório 
seja subdividido em partes que envolvam os seguintes itens: 
• O problema;
• A metodologia;
• Os resultados; e
• As conclusões e sugestões. 
158
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
Selltiz (1965, p. 517) aponta quatro aspectos que o relatório de pesquisa 
deve abranger:
• Apresentação do problema ao qual se destina o estudo.
• Processos de pesquisa: plano de estudo, método de manipulação 
da variável independente (se o estudo assumir a forma de uma 
experiência), natureza da amostra, técnicas de coleta de dados, 
método de análise estatística.
• Os resultados.
• Consequências deduzidas dos resultados.
Por fim, o relatório é considerado um conjunto de conhecimentos usado 
para reportar resultados parciais ou totais de uma determinada atividade, 
projeto, ação, pesquisa. “Para a obtenção de um bom relatório científico que 
atenda a certos requisitos julgados essenciais na pesquisa, existem certas normas 
que, se observadas, conduzem a bons resultados” (RICHARDSON, 2011, p. 298).
A figura a seguir ilustra dicas para a elaboração do relatório de pesquisa.
FIGURA 19 – RELATÓRIO DE PESQUISA
RELATÓRIOS DE PESQUISA
• Parte final da pesquisa.
• Apresentação dos resultados obtidos em todas as dimensões.
• ESTRUTURA DO RELATÓRIO
1. Seção Preliminar
2. Corpo do Relatório
3. Seção de Referências
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/5639799/>. Acesso em: 14 mar. 2016.
Conforme a figura anterior, a parte final da pesquisa é o relatório, através 
deste você vai detalhar todo o processo de pesquisa, bem como os resultados 
e indicações do que poderá ser realizado para tornar estes resultados mais 
significativos. 
NOTA
Fundamentação Teórica: o texto de fundamentação teórica precisa ser elaborado 
respondendo à questão: o que foi escrito sobre o meu objeto de estudo? Atenção! Substitua 
o título do capítulo “Fundamentação Teórica” por um título pertinente ao seu tema de estudo.
FONTE: Disponível em: <http://www.miniweb.com.br/educadores/artigos/pdf/roteiro_
projeto_pesquisa.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2016.
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
159
DICAS
Sugestões de leitura:
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de Pesquisa. 
5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MINAYO, M. C.S. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e 
criatividade. 21. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. (Col. Temas 
Sociais).
Caro acadêmico, na próxima unidade você poderá praticar os 
conhecimentos até aqui alcançados, através da elaboração de um projeto de 
pesquisa, sendo que todo o conteúdo trabalhado vai contribuir na construção do 
projeto. Exercite!
160
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
LEITURA COMPLEMENTAR
A ATITUDE INVESTIGATIVA NO TRABALHO DO
 ASSISTENTE SOCIAL
Cristina Kologeski Fraga
[...]
Historicamente o Serviço Social foi considerado vocação, habilidade, 
ocupação, ofício ou até mesmo arte. Atualmente é reconhecido como profissão, 
uma especialização do trabalho coletivo, inscrita na divisão social e técnica do 
trabalho, de nível superior, regulamentada no Brasil pela Lei n. 8.662/9, de 7 de 
junho de 1993. [...]
Embora não tendo atingido o patamar de “ciência”, o Serviço Social 
conseguiu se constituir como uma área de produção de conhecimentos, inserida 
na grande área de Ciências Sociais Aplicadas (assim é identificada nas agências de 
fomento como CNPq, Capes e Fapergs), isto é, constróiconhecimento científico. 
O Serviço Social é uma profissão reconhecida na sociedade na medida em que é 
socialmente necessária e exercida por um grupo social específico, uma categoria 
profissional que compartilha um sentimento de pertencimento e possui uma 
identidade profissional.
[...] Atualmente, além de ser uma profissão, o Serviço Social é considerado 
trabalho. A abordagem do Serviço Social como trabalho foi protagonizada 
por Iamamoto em 1982 (IAMAMOTO; CARVALHO, 1995), corroborada, 
posteriormente, pela Abepss, a partir do processo de revisão curricular de ensino 
de graduação em Serviço Social no Brasil, que redundou na proposta de Diretrizes 
Gerais para o Curso de Serviço Social, respondendo a uma exigência da Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (IAMAMOTO, 1998). 
[...] 
A atitude investigativa no cotidiano de trabalho do assistente social
A Abepss (1996), na proposta das Diretrizes Gerais para o Curso de 
Serviço Social, postula como princípios da formação profissional (entre outros) 
o estabelecimento das dimensões investigativas e interventiva como princípios 
formativos que devem perpassar a formação profissional e da relação teoria e 
realidade; recomenda a questão do caráter interdisciplinar nas várias dimensões 
do projeto de formação profissional do assistente social. [...]
TÓPICO 4 | ELEMENTOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
161
A Pesquisa em Serviço Social é apresentada como uma das matérias básicas 
do curso. Antes de se problematizar acerca da atitude investigativa no exercício 
profissional do assistente social, é importante ter presente que o atual Código de 
Ética do Assistente Social prevê como um dos seus 11 princípios fundamentais a 
questão do compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e 
com o aprimoramento intelectual, na perspectiva de competência profissional. 
[...]
Nessa perspectiva, Battini refere que a atitude investigativa é a permanente 
busca do novo pela reconstrução de categorias teórico-metodológicas de leitura e 
intervenção na realidade social, pois: 
Pensar os fatos, os acontecimentos, as relações, exige questionar, 
investigar a realidade, criticá-la, tornando-a evidente pela contínua 
recolocação de questões, fazendo-a emergir de forma cada vez mais 
rica e viva, recriando-a num contínuo percurso entre a aparência e a 
essência, entre a parte e o todo, entre o universal e o particular, numa 
visão dialética. (BATTINI, 1994, p. 144).
De acordo com a mesma autora, a atitude investigativa torna possível a 
superação da visão pragmática na ação profissional, centrada na imediaticidade 
dos fatos e que privilegia sequências empíricas. Além disso, no exercício 
profissional do AS, a atitude investigativa desmistifica o fato de que só fazem 
ciência ou só agem cientificamente aqueles que têm o privilégio de construir 
o saber, ou seja, os assistentes sociais que estão inseridos nas academias como 
docentes e pesquisadores, uma vez que tal atitude propicia desvendar, pelas 
mediações, a realidade aparente. 
[...]
O exercício profissional do assistente social: uma equação tensionada 
pela postura investigativa e pela interdisciplinaridade
O trabalho em conjunto tem sido uma tendência discutida como uma 
possibilidade em diversas áreas, não somente no Serviço Social. Atualmente os 
profissionais estão cada vez mais se conscientizando de que o trabalho solitário e 
isolado compromete as intervenções. No cotidiano de atuação profissional do AS 
não parece ser diferente; o que talvez precise mudar é o despertar generalizado 
dos profissionais no sentido de envidar esforços para que seja construída uma 
trajetória de trabalho conjunta, cada área oferecendo a sua contribuição e 
especificidade. [...]
No Serviço Social, a interdisciplinaridade pode ser trabalhada como uma 
possibilidade já nos cursos de formação de graduação. Isso pode ser viabilizado 
na medida em que: 
162
UNIDADE 2 | SUBSÍDIOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
a) há uma profunda articulação do conhecimento advindo de uma formação que 
se pretende generalista, voltado para a busca da unidade; 
b) o campo de atuação do Serviço Social é múltiplo e amplo, o que o torna 
particularmente complexo e promissor na interação, troca e parceria na 
intervenção profissional; 
c) o projeto profissional da categoria prima por princípios profissionais que 
enaltecem a liberdade, a defesa dos direitos humanos, a luta pela ampliação e 
consolidação da cidadania, a defesa da democracia, o empenho na eliminação 
de todas as formas de preconceito, a garantia do pluralismo, o compromisso 
com a qualidade dos serviços prestados e com o aprimoramento intelectual. 
[...]
A atitude investigativa no cotidiano de trabalho do assistente social 
precisa ser concebida na medida em que possibilita uma ação profissional 
reflexiva nutrida pela intencionalidade e pelo planejamento. A ação planejada 
define um horizonte direcionado pelo desbravamento de ações permeadas de 
intencionalidade, portanto, plenas de sentido. 
[...]
Finalmente, a atitude investigativa é o que fomenta uma ação do assistente 
social consistente, consequente e vice-versa. Enquanto a atitude investigativa é um 
movimento constante de busca, questionamentos, debruçamentos, planejamento 
para atuar na profissão, a ação profissional é consequência e, ao mesmo tempo, 
subsídio para essa investigação. Sendo assim, é preciso se desvencilhar dos 
limites do pragmatismo e incorporar a postura investigativa na ação do assistente 
social. Justamente daí que reside o mote do tensionamento da equação (postura 
investigativa + intervenção profissional + interdisciplinaridade = ação profissional 
com alcance social) que está posto pela possibilidade da atitude interdisciplinar 
que só poderá ser incorporado plenamente com a postura investigativa.
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n101/04.pdf>. Acesso em: 29 fev. 2016.
163
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você estudou que:
• A pesquisa científica é empregada por diferentes áreas do conhecimento, em 
especial no campo do Serviço Social.
• O projeto de pesquisa é um procedimento para elaboração teórica, metodológica, 
instrumental e da proposição dos sujeitos para o desenvolvimento e avaliação 
da pesquisa. 
• A coleta de dados da pesquisa, no Serviço Social, consiste na precisão de 
selecionar os instrumentos adequados para a utilização da pesquisa.
• A coleta de dados é importante na elaboração de qualquer pesquisa científica, 
pois os cuidados nesta etapa tendem a garantir a qualidade das informações 
que se deseja obter com o sujeito da pesquisa.
• A análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal 
que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para 
investigação.
• O relatório de pesquisa é a última etapa do processo e deverá conter informações 
suficientes para esclarecer acerca da natureza do problema pesquisado e dos 
resultados.
• O relatório é considerado um conjunto de conhecimentos usado para reportar 
resultados parciais ou totais de uma determinada atividade, projeto, ação, 
pesquisa, sendo de suma importância para a socialização de todo o processo 
de resultado da pesquisa.
164
O relatório de pesquisa tem algumas características na elaboração, tais como: 
apresentação do problema ao qual se destina o estudo; processos de pesquisa: 
plano de estudo, método de manipulação da variável independente (se o 
estudo assumir a forma de uma experiência), natureza da amostra, técnicas de 
coletas de dados, método de análise estatística; os resultados; consequências 
deduzidas dos resultados (SELLTIZ, 1965). Por conseguinte, assinale a 
alternativa que apresente consequências dedutivas nos resultados.
a) ( ) No resultado deverá constar somente a formulação clara do problema 
pesquisado.
b) ( ) Nos resultados da pesquisa convém indicar questões ou sugestões que 
não puderam ser respondidas pela pesquisa.
c) ( ) Nos resultados da pesquisa as consequências dedutivas dizemrespeito 
somente aos resultados obtidos na pesquisa.
d) ( ) Os resultados exigem prévia descrição dos dados, que geralmente são 
obtidos através de entrevistas.
AUTOATIVIDADE
165
UNIDADE 3
RELATÓRIO DE PESQUISA EM 
SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, 
EXECUÇÃO E RESULTADOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Nesta unidade vamos:
• compreender e exercitar os elementos para elaboração do projeto de 
pesquisa no Serviço Social;
• entender os conceitos de problema e justificativa na pesquisa e o por que 
são utilizados;
• elaborar as hipóteses para a definição do delineamento de um projeto de 
pesquisa;
• compreender a metodologia e suas finalidades num projeto de pesquisa, 
bem como o cronograma de prazos a serem realizados;
• verificar os lançamentos dos recursos que serão utilizados no projeto de 
pesquisa e a relevância das referências bibliográficas com base na teoria 
utilizada para a pesquisa.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. Em cada um deles você 
encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA 
EM SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 2 – AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
TÓPICO 3 – TRABALHO DE CAMPO: INSTRUMENTOS DE COLETA DE 
DADOS
TÓPICO 4 – ANÁLISE DOS DADOS E ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO 
DE PESQUISA
166
167
TÓPICO 1
RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA 
EM SERVIÇO SOCIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico retomaremos as informações de um projeto de pesquisa, 
exibiremos como redigir um projeto de pesquisa na área do Serviço Social, ou 
seja, o mapeamento de todo o caminho a ser percorrido durante o processo de 
investigação. Identificaremos alguns elementos importantes para esta fase de 
elaboração do projeto. 
Posteriormente, veremos como formular um problema específico que 
possa ser pesquisado por processos científicos, bem como a justificativa, a resposta 
para este problema a ser pesquisado, por que se torna importante esta pesquisa.
Você também será instigado a elaborar o seu projeto, conforme os 
exemplos citados no texto, como forma de aprendizagem e exercício acadêmico.
Por fim, destacamos como elaborar a metodologia, cronograma, recursos 
a serem utilizados na pesquisa e as referências bibliográficas citadas no corpo do 
texto.
2 ELABORAÇÃO DE UM PROJETO DE PESQUISA
A pesquisa científica vem ganhando cada vez mais espaços, especialmente 
na atividade acadêmica, tendo em vista que esta proporciona uma abertura já 
aplicada para a elaboração de um projeto de pesquisa, com o intuito de produzir 
conhecimentos. Como também proporciona através do estudo a obtenção dos 
objetivos a serem pesquisados. Abrangendo não somente uma ideia, mas também 
o desenvolvimento de estratégias para alcançar os objetivos da pesquisa científica.
 “A construção do projeto de pesquisa é uma etapa importante e delicada 
da pesquisa científica” (GOLDENBERG, 2002, p. 74). Segundo a autora, a partir 
do projeto de pesquisa se delimita o problema a ser estudado, ou seja, colocar 
ordem nas próprias ideias, sistematizando as questões que serão estudadas, 
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
168
devendo ser objetivo e rigoroso ao transformar suas boas ideias em um projeto 
(GOLDENBERG, 2002). 
A construção de um projeto de pesquisa é mapear um caminho a ser 
percorrido durante todo o processo de investigação, ou seja, um planejamento de 
todas as atividades. 
“O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de 
um projeto, que é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao 
longo do processo de pesquisa” (GIL, 2010, p. 3). O projeto deverá especificar os 
objetivos da pesquisa, apresentando a justificativa para sua realização, definição 
de modalidade e determinando os procedimentos de coleta e análise de dados, 
além do cronograma especificando a indicação de recursos humanos, financeiros 
e materiais necessários para afiançar o êxito da pesquisa científica (GIL, 2010). 
Para Gil (2010, p. 4), o projeto de pesquisa apresenta alguns elementos 
requeridos, tais como: 
a) formulação do problema;
b) construção de hipóteses ou especificação dos objetivos;
c) identificação do tipo de pesquisa;
d) operacionalização das variáveis;
e) seleção da amostra;
f) elaboração dos instrumentos e determinação da estratégia de coleta 
de dados;
g) determinação do plano de análise dos dados;
h) previsão da forma de apresentação dos resultados;
i) cronograma da execução da pesquisa;
j) definição dos recursos humanos, materiais e financeiros a serem 
alocados.
A partir destes elementos, podemos definir que a elaboração de um projeto 
de pesquisa depende de inúmeros fatores, sendo que o primeiro e de grande 
relevância refere-se à natureza do problema. Um projeto só poderá seguir em 
frente quando se tem delimitado o problema, com objetivos bem determinados, 
assim o pesquisador terá noção sobre o que deseja pesquisar para obter um 
resultado final com êxito. 
Cabe ressaltar que a delimitação do tema representa um momento 
complexo, pois o pesquisador definirá um aspecto para desenvolver sua pesquisa. 
Isso significa que para a delimitação é necessário um conhecimento prévio 
do assunto, isto sugere que o pesquisador já tenha realizado algumas leituras 
exploratórias sobre o assunto a ser pesquisado, buscando aprofundar através de 
referências bibliográficas.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
169
A elaboração de um projeto de pesquisa consiste na construção de etapas 
necessárias para seu desenvolvimento. Para facilitar a compreensão apresentamos 
um fluxo de pesquisa, porém, cabe lembrar que a ordem destas etapas não é 
absolutamente rígida, podendo, em muitos casos, simplificá-la ou modificá-la. 
Na sequência apresentaremos a definição do problema e da justificativa 
para melhor compreensão destes elementos da pesquisa científica.
A figura a seguir apresenta um diagrama de pesquisa a ser seguido na 
elaboração de uma pesquisa científica.
FIGURA 20 – DIAGRAMA DE PESQUISA 
FORMULAÇÃO 
DO PROBLEMA
CONSTRUÇÃO
DE HIPÓTESES
DETERMINAÇÃO
DO PLANO
OPERACIONALIZAÇÃO
DAS VARIÁVEIS
ELABORAÇÃO DOS 
INSTRUMENTOS DE 
COLETA DE DADOS
PRÉ-TESTE DOS 
INSTRUMENTOS
SELEÇÃO DA 
AMOSTRA
COLETA DE 
DADOS
ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO 
DOS DADOS
REDAÇÃO DO RELATÓRIO 
DA PESQUISA
FONTE: Adaptado de Gil (2010, p. 5)
Conforme a figura demonstrada acima, quando for elaborar um projeto 
de pesquisa, deveremos seguir um diagrama que vai nos auxiliar na construção 
do projeto seguindo os itens indicados neste diagrama.
Já a figura a seguir nos mostra etapas nesta construção do projeto.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
170
FIGURA 21 – ETAPAS DA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/3204538/>. Acesso em: 18 mar. 2016.
Conforme observamos, a figura acima apresenta indicativos que 
contribuem na escolha do objetivo, problema, justificativa, metodologia e 
referência.
NOTA
“A Introdução deve apresentar um esboço geral da fundamentação teórica que 
orientará o estudo, a formulação do problema, os objetivos da pesquisa, as hipóteses, bem 
como os aspectos metodológicos. Deverá incluir, naturalmente, uma visão do contexto do 
problema, ressaltando sua utilidade, viabilidade, originalidade e importância”. (TRIVIÑOS, 
1987, p. 91).
3 O QUE É O PROBLEMA DE PESQUISA, JUSTIFICATIVA E 
HIPÓTESES
Caro acadêmico, na sequência abordaremos os conceitos de problema, 
justificativa e hipóteses.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
171
3.1 PROBLEMA DE PESQUISA
Ao pensar em realizar uma pesquisa científica, temos que ter em mente 
o problema como objeto de suma importância, pois em função do problema 
buscamos a investigação, sendo que no transcorrer da pesquisa o pesquisador 
precisa apresentar uma resposta ao problema apresentado.
Neste sentido,para melhor compreensão vamos rever alguns conceitos. 
Segundo o dicionário Michaelis, problema é “proposição que afirma qualquer 
coisa que deve ser tratada ou demonstrada”.
FONTE: Disponível em: <http://michael is .uol.com.br/moderno/portugues/index.
php?lingua=portugues-portugues&palavra=problema>. Acesso em: 25 maio 2016.
De acordo com Gil (2010, p. 33), “Uma acepção bastante corrente identifica 
problema com questão que dá margem a hesitação ou perplexidade, por difícil de 
explicar ou resolver”.
Já o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (apud GIL, 2010, p. 7) 
apresenta os seguintes significados de problema:
• Assunto controverso, ainda não satisfatoriamente respondido 
em qualquer campo do conhecimento, e que pode ser objeto de 
pesquisas científicas ou discussões acadêmicas.
• Obstáculos, contratempo, dificuldade que desafia a capacidade de 
solucionar de alguém.
• Situação difícil; conflito.
• Mau funcionamento crônico de alguma coisa que acarreta 
transtornos, pobreza, miséria, desgraças etc., e que exigiria grande 
esforço e determinação para ser solucionado.
• Distúrbio, disfunção orgânica ou psíquica.
• Pessoa, coisa ou situação incômoda, fora de controle etc.
• Questão levantada para inquirição, consideração, discussão ou 
solução.
Como podemos observar, são inúmeras razões de ordem intelectual 
que conduzem à formulação de problemas de pesquisa. Pode ocorrer que 
um pesquisador se interesse em pesquisar sobre um objeto conhecido, ou já 
pesquisado (GIL, 2010).
Para tanto, “muitas vezes a escolha de um problema é determinado 
não só por sua relevância, mas pela oportunidade que oferecem determinadas 
instituições” (GIL, 2010, p. 35). Há instituições que oferecem recursos financeiros 
para a realização de pesquisa em determinada área, outras, embora não ofereçam 
recursos financeiros, proporcionam condições materiais para o desenvolvimento 
de pesquisa (GIL, 2010). 
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
172
Contudo, “a escolha do problema de pesquisa sempre implica algum 
tipo de comprometimento” (GIL, 2010, p. 36), ou seja, o pesquisador deve estar 
envolvido com a pesquisa, seja uma pesquisa de seu interesse ou uma pesquisa 
proposta pela instituição ou clientes.
Ressaltamos que não existem regras absolutamente rígidas para a 
formulação de problemas, e sim recomendações baseadas na experiência de 
pesquisadores, que quando aplicadas irão facilitar a formulação do problema 
(GIL, 2010).
Gil (2010, p. 36) apresenta algumas regras práticas para a formulação de 
problemas:
• O problema deve ser formulado como pergunta: podendo ser 
simples ou direta.
• O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável: problemas 
amplos ou genéricos se tornam inviáveis.
• O problema deve ter clareza: os termos utilizados na formulação do 
problema devem se claros, deixando explícito o significado com que 
estão sendo utilizados.
• O problema deve ser preciso: há termos considerados claros, mas 
não são precisos, pois não informam acerca dos limites de sua 
aplicabilidade.
• O problema deve apresentar referências empíricas: sem juízos de 
valor.
• O problema deve conduzir a uma pesquisa factível: não basta 
formular o problema delimitado, mas considerar toda a metodologia.
• O problema deve ser ético: pesquisas que envolvem seres humanos 
devem caracterizar-se pela observância dos princípios éticos 
definidos por normas aceitas internacionalmente.
Goldenberg (2002, p. 71) ressalta como formular um problema específico 
que possa ser pesquisado por processos científicos, tornando o problema concreto 
e explícito através: 
• “da imersão sistemática no assunto;
• do estudo da literatura existente;
• da discussão com pessoas que acumularam experiência prática no campo de 
estudo”.
Ainda segundo a autora, “a boa resposta depende da boa formulação da 
pergunta! O pesquisador deve estar consciente da importância da pergunta que 
faz e deve saber colocar as questões necessárias para o sucesso de sua pesquisa”. 
(GOLDENBERG, 2002, p. 71).
A partir da formulação do problema, teremos que justificar por que 
escolhemos o tema. Para melhor compreensão, apresentaremos os conceitos e a 
importância da justificativa para a pesquisa, bem como as hipóteses.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
173
3.2 JUSTIFICATIVA DA PESQUISA
Na justificativa da pesquisa você irá justificar a importância dessa 
pesquisa, explicar de forma clara e precisa por que é necessário fazer esta pesquisa, 
considerando a ordem teórica e prática.
De acordo com Canzonieri (2010, p. 76), “a justificativa representa o 
porquê da escolha do assunto”. 
“Trata-se da relevância, do por que tal pesquisa deve ser realizada. Quais 
motivos a justificam? Que contribuições para a compreensão, intervenção ou 
solução para o problema trará a realização de tal pesquisa?” (MINAYO, 1994, 
p. 42). 
Segundo Richardson (2011, p. 55), na justificativa explicitam-se os motivos 
de ordem teórica e prática que justificam a pesquisa, ou seja, deve-se responder à 
pergunta “por que se deseja fazer a pesquisa?”. Para isso, é necessária a presença 
de alguns pontos indicados a seguir:
 
1. Modo como foi escolhido o fenômeno para ser pesquisado e como 
surgiu o problema levantado para estudo.
2. Apresentação das razões em defesa do estudo realizado.
3. Relação do problema estudado com o contexto social.
4. Explicação dos motivos que justificam a pesquisa nos planos teórico 
e prático, considerando as possíveis contribuições do estudo para o 
conhecimento humano e para a solução do problema em questão.
5. Fundamentação da viabilidade da execução da proposta de estudo.
6. Referência aos possíveis aspectos inovadores do trabalho. Esse é 
um ponto básico e deve estar presente nos aspectos já mencionados. 
No entanto, quando o objetivo do pesquisador for replicar um estudo 
anteriormente realizado por considerar que não houve aplicação 
correta e/ou precisa de determinada metodologia ou abordagem 
teórica, não se faz necessário o critério de inovação, pelo menos dentro 
de uma visão restrita, posto que as características do projeto não 
precisam ser modificadas. Nesse caso, a inovação só poderá ocorrer 
nos resultados obtidos com a nova metodologia e/ou abordagem 
teórica aplicada.
7. Considerações sobre a escolha do(s) local(is) que será(ão) 
pesquisado(s). Relatar se a pesquisa será realizada em nível local, 
regional, nacional ou internacional. 
Com relação a estes indicativos acima citados, não existe nenhuma regra 
rígida relacionada à sequência, inclusão ou exclusão de itens ao conteúdo da 
justificativa. 
Cabe destacar que com relação à justificativa é importante que se torne 
claro ao leitor qual o interesse do pesquisador e qual a relevância para a área 
em que se insere a pesquisa, contendo informações sobre qual metodologia será 
utilizada, para que o leitor já direcione sua forma de pensar e analisar a pesquisa 
a partir dessas direções (CANZONIERI, 2010).
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
174
Por fim, ressaltamos que “a forma de justificar em pesquisa que produz 
maior impacto é aquela que articula a relevância intelectual e prática do problema 
investigado à experiência do investigador” (MINAYO, 1994, p. 42).
UNI
Resumindo...
Na justificativa o pesquisador deve responder em redação única às questões abaixo:
Por que a pesquisa é importante?
Qual a sua relevância?
Quais as suas contribuições?
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/marildabacana/lista-de-verbos-para-projeto-
de-pesquisa>. Acesso em: 26 mar. 2016
3.3 CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES 
Sabemos que no projeto de pesquisa, quando já se delimitou o problema, 
é necessário apresentar algumas hipóteses ou possibilidades para definir o 
problema central da pesquisa. 
Neste sentido, a argumentação das hipóteses estará sempre ligada 
à resposta que o pesquisador busca para o problema da pesquisa, ou seja, 
probabilidadespara solucioná-lo.
“As hipóteses podem ser definidas como soluções tentativas, previamente 
selecionadas, do problema de pesquisa” (RICHARDSON, 2011, p. 104). 
Para Triviños (1987, p. 105-106), 
A hipótese surge após a formulação do problema. A dificuldade está 
presente. Diante dela o investigador vislumbra prováveis soluções. A 
hipótese envolve uma possível verdade, um resultado provável. É a 
verdade preestabelecida, intuída, com o apoio de uma teoria. Os fatos 
poderão verificar ou não a hipótese. [...]. A hipótese indica caminhos 
ao investigador, orienta seu trabalho, assinala rumos à investigação.
A hipótese é o passo seguinte à delimitação do problema da pesquisa, 
após isto deve-se perguntar quais serão as possíveis respostas, escolher as que 
lhe parecem mais adequadas para proceder a seu teste, com base nas informações 
coletadas (RICHARDSON, 2011).
Existem duas classificações de hipóteses utilizadas nas Ciências Sociais, 
segundo o número de variáveis e a relação entre elas, conforme aponta Richardson 
(2011, p. 108-109):
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
175
Hipótese com uma variável: postula a existência de determinadas 
uniformidades em uma população ou universo. As uniformidades podem 
ser quantitativas ou qualitativas. As primeiras quantificam a proporção da 
variável no universo. As segundas especificam alguma qualidade ou atributo 
do universo.
 
Exemplos: 
1. Os ciganos não se interessam pela política.
Variável: interesse pela política.
Tipo: qualitativa.
[...]
2. A renda mensal média dos operários de Belo Horizonte é de três salários 
mínimos.
Variável: renda mensal.
Tipo: quantitativa. 
Hipótese com duas ou mais variáveis e uma relação de associação: 
refere-se a todas aquelas hipóteses que implicam diversos tipos de relações 
entre as variáveis, sem incluir relações de causalidade (influência): relação de 
reciprocidade, igualdade, superioridade, inferioridade, precedência etc.
Exemplos:
1. As mulheres são mais conservadoras que os homens.
 Variáveis: sexo e conservadorismo.
 Tipo de relação: superioridade.
2. Os alunos que apresentam bom aproveitamento em Matemática também 
apresentam bom aproveitamento em Português.
Variáveis: aproveitamento escolar em Matemática e Português.
Tipo de relação: igualdade. 
3. A participação política dos idosos é menor que a participação política dos 
jovens.
 Variáveis: idade e participação política.
 Tipo de relação: inferioridade.
Hipótese com duas ou mais variáveis e uma relação de dependência: 
postula a influência de duas ou mais variáveis independentes sobre uma 
variável dependente.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
176
Exemplos:
1. O desejo de migrar depende das aspirações e expectativas educacionais do 
indivíduo.
 Variável dependente: desejo de migrar.
 Variável independente: aspirações educacionais, expectativas educacionais.
2. Quanto maior o grau de frustração dos adolescentes, maior a percentagem 
de delinquência juvenil.
Variável dependente: delinquência juvenil.
Variável independente: frustração.
Com relação às hipóteses de pesquisa, estas são formuladas com base 
em marco referencial que o pesquisador elabora, denominadas hipóteses de 
pesquisa ou hipóteses de trabalho. Ou seja, o pesquisador acredita que suas 
hipóteses são verdadeiras, à medida que derivam de uma teoria adequada 
(RICHARDSON, 2011).
 
“As hipóteses de nulidade são o inverso das hipóteses de pesquisa. 
Também são asserções sobre os fenômenos sociais, mas servem para rejeitar ou 
negar as colocações de hipóteses de pesquisa” (RICHARDSON, 2011, p. 111).
Neste sentido, a hipótese seria uma suposta resposta ao problema 
identificado, ou seja, será aceita ou rejeitada depois que for devidamente testada, 
após explicar os fatos.
Observe na figura a seguir os tipos de hipóteses de pesquisa, bem como 
sua finalidade.
FIGURA 22 – HIPÓTESES 
TIPOS DE HIPÓTESES DE PESQUISA
• As casuísticas: afirmam que um objeto, pessoa ou fato
possuem determinada característica.
• As que se referem à frequência de acontecimentos: 
indicam se determinada característica ocorre com maior 
ou menor intensidade.
• As que estabelecem relações entre variáveis: permitem 
classificações entre duas ou mais categorias; ex: gênero, 
classe social.
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1778830/>. Acesso em: 26 mar. 2016.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
177
A figura anterior deixou evidente a finalidade dos tipos de hipóteses, a 
escolha depende de cada tipo de hipótese que poderá ser usada na explicação 
para os fatos da pesquisa.
NOTA
Objetivos: são a descrição do que se pretende como resultado do trabalho e 
qual a contribuição da pesquisa para o universo científico. Devem ser escritos de forma clara, 
sucinta e direta.
Objetivos gerais: são os que demonstram de forma mais abrangente o que a pesquisa quer 
responder. 
Objetivos específicos: são os que representam o desdobramento dos objetivos gerais, 
demonstrando de forma mais específica o que se deseja saber. (CANZONIERI, 2010, p. 74-75).
4 METODOLOGIA E CRONOGRAMA DA PESQUISA SOCIAL
Acadêmico, a escolha da metodologia que será utilizada na pesquisa 
geralmente é uma parte complexa que requer muito cuidado por parte do 
pesquisador.
4.1 METODOLOGIA
A metodologia é uma técnica muito utilizada nas pesquisas científicas, 
pois favorece todo o processo de evolução de elaboração. Ou seja, para o 
conhecimento se tornar científico, faz-se necessário identificar as intervenções 
técnicas que permitam produzir o melhor método de chegar ao conhecimento 
através da pesquisa. 
 
Sendo mais que uma descrição formal de métodos e técnicas a serem 
utilizados, pois indica as opções e leitura operacional que o pesquisador fez de 
todo quadro teórico. (MINAYO, 1994).
A mesma autora destaca que: 
A metodologia não só contempla a fase de exploração de campo (escolha 
do espaço da pesquisa, escolha do grupo de pesquisa, estabelecimento 
dos critérios de amostragem e construção de estratégias para entrada 
em campo), como a definição de instrumentos e procedimentos para 
análise dos dados (MINAYO, 1994, p. 43).
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
178
A metodologia consiste no processo de organizar o método, colocando 
ordem a tudo o que foi intencionalmente pensado, pesquisado e planejado, bem 
como, desenvolver a escrita do trabalho fundamentada no método escolhido para 
direcionar a pesquisa (MINAYO, 1994). 
De acordo com Minayo (1994, p. 230 apud BARDIN, 1979, p. 95), as fases 
da análise de conteúdo organizam-se cronologicamente em:
• A pré-análise: é a fase de organização propriamente dita. Visa 
operacionalizar e sistematizar as ideias, elaborando um esquema 
preciso de desenvolvimento do trabalho. Permitindo flexibilidade 
referente à eliminação, substituição e introdução de novos elementos 
que contribuam para uma melhor explicação do fenômeno estudado 
e entre outros elementos.
• A análise do material: consiste basicamente na codificação, 
categorização e quantificação da informação. 
• O tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação: visam o 
tratamento quantitativo que não exclui a interpretação qualitativa. 
Na atualidade, os procedimentos para esse tipo de tratamento são 
numerosos. O mais simples consiste no cálculo de frequências e 
percentagens que permitem estabelecer a importância dos elementos 
analisados, por exemplo, as palavras. Uma vez estabelecidas as 
características do problema da pesquisa, formulados os objetivos e 
escolhidos os documentos, o investigador está em condições de dar 
uma resposta bastante precisa às perguntas por que e o que analisar.
A seguir abordaremos a elaboração do cronograma de pesquisa.
Para facilitar o entendimento, observe a seguir um exemplo que poderá 
ser seguido na construção da metodologia.
FIGURA23 – METODOLOGIA DE PESQUISA
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/286738/>. Acesso em: 26 mar. 2016.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
179
A figura anterior apresenta um pequeno esboço de como deverá iniciar a 
metodologia de pesquisa, ou seja, um exemplo bem prático para facilitar quando 
for fazer o registro das informações teóricas. 
4.2 CRONOGRAMA DE PESQUISA SOCIAL
O cronograma da pesquisa é de extrema importância, pois a pesquisa 
social se desenvolve em várias etapas, sendo necessário fazer a previsão do 
tempo para passar de uma fase para outra. Também é importante determinar as 
fases desenvolvidas simultaneamente, com indicação de quando vai ocorrer cada 
etapa do processo de pesquisa. 
O cronograma deverá ter clareza no tempo de execução previsto para 
as diversas fases e os momentos em que estas se interpõem. O cronograma, 
também conhecido como gráfico de Gannt, é constituído por linhas indicando 
as fases da pesquisa e colunas que indicam o tempo previsto em cada fase. 
(GIL, 2010). 
Para Minayo (1994, p. 44), “o projeto deve traçar o tempo necessário para 
a realização de cada uma das etapas propostas, muitas poderão ser realizadas 
simultaneamente”.
Caro acadêmico, veja a seguir um exemplo de cronograma a ser utilizado 
na pesquisa científica.
FIGURA 24 – EXEMPLO DE CRONOGRAMA
ETAPAS MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Elaboração do Projeto X
Levantamento e realização 
de leituras necessárias à 
pesquisa
X X X
Seleção dos atores 
observados e entrevistados X
Elaboração dos 
instrumentos de pesquisa X X X
Contatos com o grupo 
pesquisado X
Coleta de dados X X X
Análise dos dados X X X
Elaboração do trabalho final X X X
Entrega e apresentação do 
trabalho final X
CRONOGRAMA
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/elieteoliveira14606/
comoelaborarumprojetodepesquisa-100323013200phpapp01>. Acesso em: 26 mar. 2016.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
180
A figura anterior apresenta as etapas da elaboração da pesquisa, bem como 
o cronograma dos prazos estabelecidos para a finalização de todo o processo de 
pesquisa.
5 RECURSOS E REFERÊNCIAS DE PESQUISA SOCIAL
Abordaremos agora a importância de expor nas pesquisas científicas os 
recursos que serão utilizados, sejam recursos humanos ou materiais, e também as 
referências bibliográficas utilizadas como base de estudo para o desenvolvimento 
teórico da pesquisa. 
5.1 RECURSOS
Os recursos também são elementos fundamentais na realização da pesquisa, 
pois quando se apresenta o projeto, seja para uma instituição financiadora de 
projetos, ou de pesquisa, é necessária a apresentação do orçamento, material ou 
aquisição de equipamentos que serão utilizados para a realização da pesquisa.
Para isso é importante elaborar um orçamento, que deverá considerar os 
custos relacionados a cada etapa da pesquisa, onde serão discriminados os itens 
de despesas, com indicação das quantidades, do custo unitário e do total. 
Conforme Gil (2010, p. 165), para as discriminações dos itens convém que 
sejam agrupados em seções, tais como:
 
• Material Permanente: é aquele que tem durabilidade prolongada e 
permanece após o encerramento do projeto. Podem ser: despesas com 
aquisição de máquinas, equipamentos hospitalares, equipamentos 
para acampamentos, computadores, impressoras, móveis, livros etc.
• Material de Consumo: são aqueles materiais que não têm 
durabilidade prolongada. Normalmente são consumidos durante 
a realização da pesquisa. Podem ser: papel, tinta para impressora, 
canetas, material para fotografia e filmagem, material de proteção, 
material de limpeza, combustível etc.
• Diárias: despesas com alimentação e pousada do pessoal envolvido 
na execução do projeto.
• Passagens e despesas com locomoção: despesas com aquisição de 
passagens aéreas e terrestres, taxas de embarque etc.
• Outros Serviços de terceiros: podem incluir fretes e carretos, 
conservação; despesas com congressos, simpósio, conferências ou 
exposições etc.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
181
As discriminações acima citadas podem parecer exagero para alguns 
pesquisadores, porém são de suma importância, sobretudo quando se deseja 
obter recursos para a realização da pesquisa (GIL, 2010).
A seguir apresentamos um quadro que exemplifica a elaboração de um 
orçamento de pesquisa baseado nos itens e despesas previstas.
QUADRO 12 – ORÇAMENTOS
MATERIAL PERMANENTE
ITEM DESCRIÇÃO QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
1.1 CADERNO 03 R$ 10,00 R$ 30,00
1.2 CARTUCHO IMPRESSORA 02 R$ 30,00 R$ 60,00
1.3 FOLHA A4 500 R$ 45,00 R$ 45,00
TOTAL GERAL: R$ 135,00
MATERIAL DE CONSUMO
ITEM DESCRIÇÃO QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
2.1 COMPUTADOR 01 R$ 1.300,00 R$ 1.300,00
2.2 MÁQUINA FOTOGRÁFICA 01 R$ 350,00 R$ 350,00
TOTAL GERAL: R$ 1.650,00
DESPESAS COM LOCOMOÇÃO
ITEM DESCRIÇÃO QUANTIDADE CUSTO UNITÁRIO TOTAL
3.1 PASSAGEM 10 R$ 100,00 R$ 1.000,00
3,2 LIMENTAÇÃO 10 R$ 30,00 R$ 300,00
TOTAL GERAL: R$ 1.300,00
FONTE: Adaptado de Gil (2010, p. 166). Dados fictícios.
Também é preciso ficar atento, caso a pesquisa exija por parte das 
instituições a especificação das metas e indicadores de desempenho. Assim, 
para cada meta é necessário definir as atividades para execução, conforme o 
quadro a seguir.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
182
QUADRO 13 – METAS 
META 01 (DESCRIÇÃO):
ATIVIDADES INÍCIO TÉRMINO
RESULTADOS
A SEREM 
ATINGIDOS
PESSOAL
ENVOLVIDO
HORAS
SEMANAIS
CUSTO
ESTIMADO
(EM R$)
TOTAL GERAL:
FONTE: Adaptado de Gil (2010, p. 167)
A figura a seguir esclarece o conceito dos materiais que poderão ser 
utilizados.
FIGURA 25 – RECURSOS
MATERIAIS
• Os meteriais ou recursos são as listagens quantitativas de tudo 
que será utilizado no desenvolvimento do projeto de pesquisa,
 podendo ser divididas em:
 • Recursos humanos;
 • Materiais;
 • Financeiros e outros.
• A divisão vai ser definida a partir dos critérios de organização 
de cada instituição onde está sendo apresentado o projeto.
FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/1247654/>. Acesso em: 27 mar. 2016.
5.2 REFERÊNCIAS DE PESQUISA SOCIAL
As referências são essenciais em todo corpo do texto e no relatório científico, 
devendo ser utilizadas de acordo com cada citação, seguindo as normas técnicas, 
devendo ser referenciadas somente as fontes bibliográficas utilizadas no texto.
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
183
Sabemos que todos os trabalhos citados no corpo do texto devem ser 
referenciados em ordem alfabética, seguindo as normas da NBR 6023:2000, da 
ANBT. (GIL, 2010).
Segundo Richardson (2011, p. 300), “parte do instrumento com que conta 
um pesquisador está constituído por tudo aquilo que ele leu em toda e qualquer 
espécie de publicação, notadamente as de caráter científico”.
 
De acordo com Gil (2010, p. 190), “as referências são essenciais ao relatório 
técnico-científico e devem ser relacionadas de acordo com o sistema utilizado 
para citação”.
 
“Pode-se dizer que referência é um conjunto de elementos que permitem a 
identificação, a posteriori, da obra ou autor citado em um escrito” (CANZONIERI, 
2010, p. 98).
 
Ainda segundo a autora, as referências devem conter obrigatoriamente 
estes elementos, nesta ordem:
• Autor;
• Título;
• Edição;
• Local de publicação;
• Editora;
• Data de publicação (ano).
Exemplo: 
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São 
Paulo: Atlas, 2010.
 
Na sequência apresentaremos um exemplo da elaboração das referências 
bibliográficas conforme as normas da ABNT.
 
Caro acadêmico, observe no quadro a seguir como referenciar no relatório 
final, sendo que cada autor deverá estar citado no corpo do texto.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
184
QUADRO 14 – REFERÊNCIAS 
REFERÊNCIASASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 15287: 
informação e documentação: projeto de pesquisa: apresentação. Rio de Janeiro, 
2011.
BATTINI, Odária. Sistema Único de Assistência Social em debate. São Paulo: 
Veras Editora; Curitiba, PR: CIPEC, 2007. 
BARROCO, Maria Lucia Silva. Reflexões sobre ética, pesquisa e serviço social. 
Temporalis: Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço 
Social, v. 5, n. 9, p. 103-116, jan./jun. 2005.
______. A inscrição da ética e dos direitos humanos no projeto ético-político do 
Serviço Social. Revista Serviço Social e Sociedade, n. 79. São Paulo, Cortez, 2001.
BEST, J. W. Como investigar em educación. 2. ed. Madri: Morata, 1972. cap. 1-2.
BOURGUIGNON, Jussara Ayres. A particularidade histórica da pesquisa no 
serviço social. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 10, número especial, 2007. 
Disponível em: <http:/www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0510spe.pdf>. Acesso 
em: 25 jan. 2016.
______. A centralidade ocupada pelos sujeitos que participam das pesquisas do 
Serviço Social. Revista Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 7, n. 2, p. 302-312, 
jul./dez. 2008.
CANZONIERI, Ana Maria. Metodologia da pesquisa qualitativa na saúde. 
Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 8. ed. São 
Paulo: Cortez, 2006.
CFESS. Conselho Federal de Serviço Social. Código de Ética Profissional dos 
Assistentes Sociais. Brasília: CFESS, 1993.
FONTE: A autora.
Observe alguns exemplos de como fazer referências bibliográficas:
TÓPICO 1 | RETOMANDO OS DADOS DE UM PROJETO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
185
FIGURA 26 – COMO FAZER REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONTE: Adaptado de: <http://pt.slideshare.net/veramoreiramatos/slide-referenciao-bibliogrfica-
segundo-normas-da-abnt-slide>. Acesso em: 27 mar. 2016. 
FIGURA 27 – REFERÊNCIAS ATÉ TRÊS AUTORES
FONTE: Adaptado de: <http://slideplayer.com.br/slide/397746/>. Acesso em: 27 mar. 2016.
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
186
FIGURA 28 – REFERÊNCIAS DE MESMO AUTOR
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/brendell/referencias-bibliogrficas-abnt-2014>. 
Acessado em: 27 mar. 2016. 
NOTA
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas): É o órgão responsável pela 
normalização técnica no país. Essa associação foi fundada em 1940 e é uma instituição 
privada, sem fins lucrativos.
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/veramoreiramatos/slide-referenciao-
bibliogrfica-segundo-normas-da-abnt-slide>. Acesso em: 27 mar. 2016.
As figuras 26, 27 e 28 trazem exemplos de citações com um ou três autores. 
Também apresentamos o conceito da ABNT, justificando qual o órgão responsável 
por esta norma técnica. 
DICAS
Para um maior aprofundamento do conteúdo estudado neste tópico, sugerimos 
a leitura do artigo: BARROCO, Maria Lucia Silva. Reflexões sobre ética, pesquisa e serviço 
social. Temporalis: Revista da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço 
Social, v. 5, n. 9, p. 103-116, jan./jun. 2005.
187
Neste tópico você estudou:
• A retomada das informações acerca da elaboração de um projeto de pesquisa.
• Os elementos utilizados para elaborar um projeto de pesquisa científica.
• A pesquisa antes de iniciar tem que ser planejada, ela consiste em um conjunto 
de ações e propostas para localizar a solução de um problema.
• Identificado o problema da pesquisa, é necessário partir para a justificativa, a 
resposta para a solução deste problema.
• A justificativa significa argumentar, esclarecer por que o trabalho é relevante, 
tanto para a comunidade acadêmica, sujeitos envolvidos e para a sociedade.
• Identificar as hipóteses, verificando a relação existente entre os fenômenos, 
buscando alcançar a certeza.
• Nos objetivos deve-se identificar e esclarecer o que se pretende atingir com a 
realização da pesquisa. 
• A metodologia deve detalhar todo o desenvolvimento do trabalho, todas as 
etapas e público-alvo.
• O cronograma incide no detalhamento de prazos a serem atingidos durante o 
processo de pesquisa.
• Os recursos detalham os gastos com recursos humanos e materiais, para 
serem apresentados no projeto ou para a instituição financiadora do projeto de 
pesquisa.
• As referências bibliográficas são de extrema relevância para o projeto, pois 
fornecem embasamento à teoria e conceitos utilizados.
RESUMO DO TÓPICO 1
188
1 Compreendemos que a prática de pesquisa no campo do Serviço Social é 
fundamental, bem como em outros campos, pois através da pesquisa 
científica é possível obter a construção de conhecimento para a prática 
profissional e também o reconhecimento da valorização do sujeito e suas 
histórias. Ressaltamos que a pesquisa é reconhecida como componente 
de construção através do conhecimento envolvido com as demandas 
específicas da profissão. Portanto, sobre a pesquisa científica, classifique V 
para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Para a construção de uma pesquisa social é necessário mapear um caminho 
a ser percorrido durante todo o processo de investigação.
( ) Na pesquisa social não há necessidade de traçar uma metodologia 
específica, basta apresentar o problema e justificá-lo.
( ) Os objetivos da pesquisa devem mapear o que se pretende alcançar através 
da pesquisa social. 
( ) O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de um 
estudo de caso na área de Serviço Social.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – F – V.
b) ( ) V – F – F – V.
c) ( ) V – F – V – F.
d) ( ) V – V – V – V.
2 De forma breve, descreva o que se entende por problema de pesquisa e 
justificativa.
AUTOATIVIDADE
189
TÓPICO 2
AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste tópico contextualizaremos os princípios e os 
procedimentos para a definição da amostragem na pesquisa em Serviço Social, 
bem como o conceito e suas finalidades.
A amostra na pesquisa vai demarcar uma porção ou subconjunto de um 
grupo, ou seja, delimitar a população que fará parte da pesquisa.
Ainda em se tratando da amostragem, destacamos que se classifica 
em dois grandes grupos: amostra probabilística (ou aleatória) e amostra não 
probabilística.
Assim, este tópico contribuirá para você se apropriar dos conceitos dos 
dois grupos, suas finalidades e diferenças na pesquisa científica. E também as 
outras classificações das amostragens.
2 PRINCÍPIOS E FUNDAMENTOS DA AMOSTRAGEM
As pesquisas sociais, de modo geral, envolvem um universo de elementos 
que compõem o processo de pesquisa, sendo impossível considerá-los em sua 
totalidade. Por conta disso que é necessário trabalhar com amostras, uma pequena 
parte dos elementos que compõem este universo. Para trabalhar com amostras é 
fundamental entender o seu conceito. 
De acordo com Fink (1995, p. 1 apud MAY, 2004, p. 114),
Uma amostra é uma porção ou subconjunto de um grupo maior 
denominado população. A população é o universo a ser amostrado. 
Populações de amostra poderiam incluir todos os americanos, os 
residentes na Califórnia durante o terremoto de 1994 e todas as 
pessoas acima de 85 anos de idade... Uma amostra boa é uma versão 
em miniatura da população – idêntica a ela, somente menor. 
190
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
A amostra da pesquisa vai delimitar uma porção da população ou sujeito 
que vai fazer parte da pesquisa, por isso destacamos sua importância, sendo um 
desenho central na elaboração do processo de pesquisa. 
No caso da necessidade de realizar um estudo através de amostras em 
geral, “resulta impossível obter informações de todos os indivíduos ou elementos 
que formam parte do grupo que se deseja estudar” (RICHARDSON, 2011, p. 157). 
Neste sentido, faz-se necessário trabalhar com uma parte dos elementos 
delimitando seu universo a ser pesquisado. Segundo Richardson (2011, p. 157), 
“universo é o conjunto de elementos que possuemdeterminadas características. E 
fala-se população ao se referir a todos os habitantes de determinado lugar”.
Contudo, o universo da pesquisa é representado pelo conjunto de 
elementos que possuem propriedades específicas determinadas para o estudo 
em questão, sendo que cada unidade do universo é denominada elemento da 
pesquisa. Gil (2010, p. 90) acrescenta que amostragem se fundamenta em leis 
estatísticas que lhe conferem fundamentação científica: 
• A lei dos grandes números (aproximação);
• A lei de regularidade estatística (característica do grupo maior);
• A lei da inércia dos grandes números (parte igual do mesmo grupo variação 
oposta); 
• A lei da permanência dos pequenos números (primeira amostra encontrada, 
características raras, na segunda, encontradas em igual proporção).
 
Na sequência apresentaremos os tipos de amostragem e suas características 
para a pesquisa.
3 TIPOS DE AMOSTRAGEM
Nas pesquisas científicas são utilizados diversos tipos de amostragem, 
que podem ser classificados em dois grandes grupos: amostra probabilística (ou 
aleatória) e amostra não probabilística.
Estes são os dois grupos de amostra, o primeiro grupo é rigorosamente 
científico e baseia-se nas leis citadas no item anterior, já o segundo grupo não 
apresenta fundamentação matemática ou estatística, depende unicamente de 
critérios do pesquisador. Porém, os procedimentos neste último grupo são bem 
mais críticos em relação à validade de seus resultados, no entanto, apresentam 
algumas vantagens, principalmente no que se refere ao custo e tempo despendido. 
(GIL, 2010).
TÓPICO 2 | AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
191
O mesmo autor destaca que nos tipos de amostragem as probabilidades 
mais utilizadas são: aleatória simples, sistemática, estratificada, por conglomerado 
e por etapas. Já nas não probabilísticas, os mais conhecidos são: por acessibilidade, 
por tipicidade e por cotas. 
A seguir detalharemos cada tipo de amostragem, conforme descrição na 
figura, observe:
FIGURA 29 – TIPOS DE AMOSTRAS
FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/marquespalagi/metodologia-da-pesquisa>. 
Acesso em: 3 mar. 2016. 
Caro acadêmico, vamos exemplificar cada tipo de amostragem, conforme 
a figura acima.
4 AMOSTRAS PROBABILÍSTICAS
Este tipo de amostragem é o procedimento básico da amostra científica. 
Pode-se dizer que todos os outros procedimentos seguidos para compor a amostra 
são variações do tipo aleatório.
 
Segundo May (2004, p. 114), “as amostras probabilísticas são denominadas 
assim porque é possível expressar a probabilidade matemática das características 
da amostra sendo reproduzidas na população”. 
Ou seja, é possível atribuir a cada elemento da população um número 
único para depois selecionar alguns desses de forma casual.
192
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
Conforme May (2004, p. 114), 
Aleatória não se refere a uma seleção fortuita de nomes ou endereços, 
mas, ao contrário, significa matematicamente aleatória, onde cada 
pessoa ou endereço na moldura da amostragem recebe um único 
número – começando do um – e depois é feita uma seleção aleatória 
da amostra.
Neste sentido, para entender melhor basta analisar uma regra prática, que 
é quanto menor a população, maior tem que ser a razão da amostra em relação 
à população, ou seja, as populações maiores comportam razões de amostragem 
menor. Contudo, os pesquisadores necessitam de “números” suficientes para 
trabalhar quando forem analisar os dados (MAY, 2004).
Este tipo de amostra é realizado de maneira aleatória, por sorteio, sendo 
que as chances de serem escolhidas são as mesmas. Podendo também ser uma 
amostra aleatória estratificada, por meio de acordo com características como faixa 
etária, gênero, entre outras, posteriormente é retirada uma amostra aleatória de 
cada uma das listas estratificadas (MAY, 2004). 
Segundo os ensinamentos de Gil (2010, p. 91-94), os tipos de amostragem 
e as probabilidades mais utilizadas são caracterizadas por:
• Amostragem Aleatória simples: é o procedimento básico da 
amostragem científica, consiste em atribuir a cada elemento da 
população um número.
 
• Amostragem Sistemática: é uma variação da amostragem aleatória 
simples. Sua aplicação requer que a população seja ordenada de 
modo tal qual cada um de seus elementos possa ser unicamente 
identificado pela posição.
• Amostragem Estratificada: caracteriza-se pela seleção de uma 
amostra de cada subgrupo da população considerada. O fundamento 
para delimitar os subgrupos ou estratos pode ser encontrado em 
propriedades como sexo, idade ou classe social. Podendo ser 
proporcional ou não proporcional.
• Amostragem por Conglomerados: é indicada em situações em que 
é bastante difícil a identificação de seus elementos, por exemplo, de 
pesquisa cuja população seja constituída por todos os habitantes de 
uma cidade.
• Amostragem por Etapas: pode ser utilizada quando a população 
se compõe de unidades que podem ser distribuídas em diversos 
estágios. Torna-se muito útil quando se deseja pesquisar uma 
população cujos elementos se encontram dispersos numa grande 
área, como um estado ou um país.
• Amostragem por Acessibilidade ou por Conveniência: constitui o 
menos rigoroso de todos os tipos de amostragem. Por isso mesmo é 
destituída de qualquer rigor estatístico.
TÓPICO 2 | AMOSTRAGEM NA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL
193
• Amostragem por Tipicidade ou Intencional: também constitui um 
tipo de amostragem não probabilística e consiste em selecionar um 
subgrupo da população que, com base nas informações disponíveis, 
possa ser considerado representativo de toda a população. A 
principal vantagem da amostragem por tipicidade está nos baixos 
custos de sua seleção.
 • Amostragem por Cotas: de todos os procedimentos definidos 
como não probabilísticos, este é o que apresenta maior rigor. Este 
procedimento é usualmente aplicado em levantamentos de mercado 
e em prévias eleitorais. Tem como principais vantagens o baixo 
custo e o fato de conferir alguma estratificação à amostra.
Vejamos agora a definição de amostra não probabilística e suas finalidades 
na pesquisa.
5 AMOSTRAS NÃO PROBABILÍSTICAS
Na amostragem não probabilística os sujeitos são escolhidos por 
determinados critérios. “Requer a existência de algum tipo de moldura de 
amostragem, mesmo se a mesma é apenas um número n de apartamentos de 
uma localidade particular” (MAY, 2004, p. 116). 
Sendo importante que o número seja conhecido, porém nem sempre terá 
uma moldura de amostragem disponível de forma imediata, e também nem 
sempre será o caso de requerer a generalização da amostra para a população. 
(MAY, 2004). 
Neste caso, os elementos não poderão ser escolhidos de forma aleatória, 
pois esta metodologia não permite a generalização dos resultados das pesquisas 
realizadas, relacionadas à população. Sendo assim, a amostra não probabilística 
não terá garantia de certeza relacionada à representatividade do universo 
pesquisado. 
As amostras não probabilísticas são desenvolvidas em: acidentais e 
intencionais ou de seleção racional.
Na sequência descreveremos cada uma das amostras não probabilísticas, 
conforme os ensinamentos de Richardson (2011, p. 106-161). 
• Amostra Acidental: é um subconjunto da população formado 
pelos elementos que se pôde obter, porém sem nenhuma segurança 
de que constituam uma amostra exaustiva de todos os possíveis 
subconjuntos do universo.
Exemplo: 
- os pacientes que têm sido atendidos em hospital determinado;
- as crianças disléxicas de um estabelecimento educacional. 
194
UNIDADE 3 | RELATÓRIO DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL: PLANEJAMENTO, EXECUÇÃO E RESULTADOS
• Amostra Intencional ou de Seleção Racional: os elementos que 
formam a amostra relacionam-se intencionalmente de acordo 
com certas características que definem a população, é necessário 
assegurar a presença do sujeito-tipo. Desse modo, a amostra 
intencional apresenta-se como representativa do universo.

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