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PATOLOGIAS DO INTESTINO NÃO NEOPLÁSICAS

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Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Doenças Intestinais não neoplásicas 
Dentre as patologias benignas que acometem os intestinos temos: diarreias, enterocolites 
infecciosas, síndrome de má absorção e doença inflamatória intestinal. 
1. DIARRÉIAS 
A diarreia é o resultado de um desequilíbrio entre a absorção e secreção intestinais. 
Tem alta prevalência em todas as idades. Na maioria dos casos são quadros benignos e transitórios 
sem necessidade de medicamentos anti-diarreicos. O tratamento depende do conhecimento da 
fisiopatologia e da identificação da etiologia (nem sempre possível). Deve-se ter em mente a doença 
de base (foco principal) e a resolução das complicações da diarreia. 
O tratamento varia desde orientação dietética até uso de agentes específicos. O uso de drogas 
antidiarreicas pode ser utilizado (com cautela) para reduzir o desconforto (sintomática). 
Geralmente a diarreia é definida como 3 ou mais evacuações com consistência diminuída ao dia. 
Outras definições consideram o aumento na massa, na frequência ou na fluidez das fezes, 
tipicamente mais de 200g por dia. Sempre importante considerar o hábito intestinal normal do 
paciente. 
Disenteria: diarreia dolorosa, sanguinolenta e de pequeno volume. Acompanha tenesmo. 
Esteatorreia: fezes volumosas, claras, gordurosas/oleosas, que flutuam e muito mal cheirosas 
(cheiro de gordura rançosa). 
Classificada em aguda (até 14d), persistente e crônica (+3 episódios em 3 meses). 
Fisiopatologia: podem ser osmóticas, secretória, associada a alterações na motilidade e de padrão 
inflamatório/exsudativo. 
 - Diarreia Osmótica: retenção de fluidos na luz intestinal; geralmente por má absorção de 
carboidratos, ingesta de sais pouco absorvíveis, etc. 
 - Diarreia Secretória: estimulação da secreção iônica e outras substâncias (toxinas 
bacterianas, substâncias secretadas por tumores, etc). 
 - Diarreia associada a alterações na motilidade: alteração no funcionamento do 
sistema nervoso entérico, como na síndrome do intestino irritável, neuropatia diabética, tireotoxicose, 
drogas prócinéticas, etc. 
 - Diarreia de padrão inflamatório (exsudativo): alterações de motilidade, osmóticas e 
secretórias. Presença de muco e/ou sangue. 
Fatores de risco: crianças (idade menor) e idosos, condições precárias de vida e saneamento, 
imunossupressão/imunodeficiência, viajantes. 
As causas de diarreia são extensas, sendo as mais importantes as infecciosas (rotavírus, shigella, 
salmonella, E coli, entamoeba histolítica), causas dietéticas (intolerância a carboidratos, intolerância 
a proteínas, dietas hiperosmolares), medicamentos (sobretudo pós-antibioticoterapia, uso de 
prócinéticos) e psicogênicas. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
O aspecto macroscópico é muito importante e permite delimitar causas principais. 
 - Fezes gordurosas: pensamos em pancreatite, doença celíaca, deficiências de lipases. 
 - Fezes aquosas: síndrome do cólon irritável e deficiências de lactase (intolerância a lactose) 
 - Fezes sanguinolentas: retocolite ulcerativa e doença de Crohn. 
Causas medicamentosas importantes: antiácidos com magnésio, agentes antineoplásicos, laxantes 
e antieméticos prócinéticos (metoclopramida). 
As principais complicações decorrem da perda de água e eletrólitos ou de consequências 
especificas dos agentes etiológicos. As principais complicações incluem: desidratação, alterações 
eletrolíticas (hiponatremia e hipocalemia – associadas com arritmias cardíacas), acidose 
metabólica (perda de bicarbonato), insuficiência renal, septicemia. 
 
2. ENTEROCOLITES INFECCIOSAS 
São causas importantes de diarreias e síndrome de má absorção. As inflamações intestinais 
englobam as enterites, colites e enterocolites. 
Enterites: inflamação do intestino delgado; 
Colites: inflamação do cólon (intestino grosso); 
Enterocolites: enterite + colite. 
As enterocolites infecciosas ocorrem no mundo todo, mas são mais importantes nos países menos 
desenvolvidos. Junto com a desnutrição, constituem as principais causas de mortalidade e 
morbidade infantil. 
São infecções intestinais por bactérias, vírus e protozoários que ocorrem mais na infância. 
 
Clinicamente, manifestam-se com diarreia e processo inflamatório crônico inespecífico para 
cada etiologia. 
• ENTEROCOLITES BACTERIANAS 
As bactérias podem induzir enterocolite por diversos mecanismos, como a ingesta de toxinas pré-
formadas em alimentos (intoxicação alimentar) e invasão da mucosa e produção de toxinas ali 
(infecção alimentar). 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
A intoxicação alimentar ocorre pela ingesta de 
toxinas já formadas em alimentos que foram 
conservados de modo inadequado. Os principais 
agentes são Stafilococos aureus e o Clostridium 
perfringens. O quadro clinico se inicia algumas horas 
após a ingestão do alimento contaminado 
(recuperação em dias). 
A ingestão da neurotoxina produzida pelo 
Clostridium botulinium pode causar quadro fatal de 
insuficiência respiratória (paralisia flácida da 
musculatura respiratória). 
A infecção alimentar é representada principalmente pela cólera. A cólera é uma doença infecciosa 
grave transmitida pela água ou alimentos contaminados pelo Vibrio cholerae. Outras causas de 
infecção alimentar são: 
 E. coli: produzem enterotoxinas que estimulam as células a secreção de fluidos pelas células 
epiteliais da mucosa intestinal e induzem diarreia aquosa semelhante ao cólera. É chamada de 
“diarreia dos viajantes”. 
 Shigella: protótipo de microorganismo enteroinvasivos capazes de invadir as células da 
mucosa. Causa disenteria bacilar, ou seja, contém muco, sangue e células inflamatórias (odor de 
pus), acompanhada de dor abdominal, febre – formas graves tem toxemia e hipotensão arterial. A 
disenteria bacilar é endêmica em áreas com higiene precária (transmissão oral fecal e contato 
pessoal). A inflamação se inicia no ceco e cólon ascendente e pode se estender ao íleo terminal. 
Exsudato fibrinopurulento com formação de pseudomembranas sobre a mucosa – se destacam e 
deixam ulceração. 
 Salmonella: várias espécies patogênicas que causam quadro clínico variável. Os mais 
importantes são a febre tifoide (causada pela S typhi); febre entérica/paratifoide (S paratyphi); 
septicemia salmonelósica (com inflamação purulenta de vários locais); gastroenterite (S enteritidis). 
 
→ Colite Pseudomembranosa: tipo especial de inflamação na mucosa colônica que acomete 
indivíduos em tratamento com antibióticos. Ocorre um desequilíbrio da microbiota bacteriana 
intestinal pelos antibióticos favorecendo predomínio de microrganismos anaeróbios (Clostridium 
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difficile). Há produção de citotoxinas que provocam as lesões epiteliais (perda de junções íntimas, 
alterações no citoesqueleto e apoptose). 
Vemos áreas de necrose da mucosa recobertas por placas (pseudomembranas). Infiltrado purulento 
na LP. O exsudato pode fazer erupção na superfície da mucosa (lesão em vulcão) – lesão típica. 
As pseudomembranas são acúmulo do exsudato e de células destruídas na superfície da mucosa. 
 
 
A colite pseudomembranosa acomete idosos e sem doença intestinal prévia. O quadro súbito de 
febre, dor abdominal e diarreia durante tratamento com antibióticos de amplo espectro. Trata-se de 
uma condição patológica grave que se não tratada pode levar ao óbito. 
A confirmação diagnóstica é feita por meio da identificação de toxinas do C. difficile nas fezes. 
→ Tuberculose intestinal: o comprometimento intestinal pela TB é incomum atualmente. Ela pode 
ser primária ou secundária. 
A primária resulta da ingestão de leite ou derivados contaminados pelo Mycobacterium 
tuberculosis. Em geral ocorre em crianças que ingerem leite cru ou sem processamento adequado. 
Essa forma é rara devido a pasteurização. As lesões são discretas e ocorrem no íleo. Os bacilos 
podem