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PATOLOGIAS DO INTESTINO NÃO NEOPLÁSICAS

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imunogênicos. O gluten é a fração proteica dos cereais (trigo, centeio, aveia e cevada). 
As lesões intestinais se iniciam pelo reconhecimento dos antígenos da gliadina que estimulam 
resposta imunitária pela IL15 nos enterócitos. Causa ativação de linfócitos intraepiteliais T CD8 que 
agridem o epitélio intestinal e estimulam a expressão de MIC-A. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
A lesão dos enterócitos favorece a penetração da gliadina na LP da mucosa, ali sofre desamidação 
(enzima tTG) e aumenta a imunogenicidade da molécula. Esses antígenos se ligam às APC e são 
apresentados aos linfócitos T CD4 (liberam citocinas inflamatórias) e geram anticorpos 
antigliadina, antiendomísio e anti-tTG. 
 
 
Na microscopia vemos atrofia e 
desaparecimento completo das vilosidades 
(quadros mais graves). Há hipotrofia das 
vilosidades, alongamento das criptas intestinais 
(podem ocupar toda a mucosa). 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um bom marcador da doença é o aumento dos 
linfócitos intraepiteliais (T CD8). Nas fases 
iniciais esse achado é bem sugestivo da doença, 
mesmo sem atrofia das vilosidades e 
alongamento das criptas. Essas alterações 
epiteliais funcionam como uma tentativa de 
compensar a lesão epitelial da gliadina. 
Quando clinico da doença celíaca varia 
conforme a idade. 
- Crianças menores: diarreia, 
esteatorreia e má absorção de 
carboidratos, lipídeos e proteínas. 
desnutrição, palidez cutânea e hipotrofia 
da musculatura (glútea e dos membros). 
- Em crianças maiores: retardo no 
crescimento (baixa estatura), 
irritabilidade, vômitos, anorexia e 
constipação intestinal. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
- Em adultos: são diarreia, dor ou desconforto abdominal, anemia (por deficiência de ferro 
e/ou ácido fólico), osteoporose, dermatite herpetiforme e emagrecimento. 
Maior risco para neoplasias malignas: linfoma de células T enteropático e carcinomas do esôfago e 
do intestino delgado. 
O diagnóstico é pelo quadro clinico (os sintomas desaparecem alguns meses após retirada do 
gluten), detecção de anticorpos (antitransglutaminase, antigliadina e antiendomísio - classe IgA), e 
por achados da biopsia intestinal (podem persistir mesmo após melhora clínica). 
 
➢ DOENÇA DE WHIPPLE 
Doença infecciosa sistêmica infrequente também 
associada a síndrome de má absorção. Acomete 
intestino delgado, SNC e articulações. Clinicamente 
há má absorção intestinal e artralgia. 
Mais comum em homens > 40 anos. Causada por 
actinomiceto gram+ Tropheryma whippelii 
(bastonetes e grânulos PAS+ em macrófagos). 
 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
As manifestações clinicas incluem diarreia e esteatorreia, artralgia migratória, febre, serosite, 
hiperpigmentação cutânea, linfonodomegalia. 
A doença apresenta boa resposta ao tratamento com antibióticos (SMX-TMP/Bactrin). 
 
4. DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL 
A doença inflamatória intestinal é uma condição 
crônica resultante de ativação imunológica 
inadequada da mucosa intestinal. Compreende a 
retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) e a Doença 
de Crohn. 
A microbiota luminal tem papel importante na doença 
inflamatória intestinal. O aspecto fisiopatológico mais 
importante é a ativação imunológica alterada. 
A distinção da RCUI e a doença de Crohn se dá pela 
localização e morfologia de cada lesão. A retocolite 
ulcerativa é limitada ao cólon descendente, 
sigmoide e reto; estende-se no máximo até a 
submucosa intestinal. A doença de Crohn pode 
comprometer qualquer trecho do TGI e é 
transmural (toda a parede). 
No início do quadro clinico não conseguimos 
distinguir certinho se é RCUI ou Dç de Crohn, pois 
ainda não apareceram as características próprias de 
cada doença. 
 
 
A doença inflamatória intestinal surge em adolescentes e adultos a partir dos 30 anos, mais 
frequente nas mulheres (RCUI). Mais frequente em caucasianos e judeus Ashkenazi. 
A prevalência da doença inflamatória intestinal é mais alta nos países em desenvolvidos. Isso pode 
ser explicado pela “hipótese da higiene”, onde o melhor armazenamento dos alimentos nos países 
ricos diminui a contaminação deles e alteram a microbiota intestinal. A falta de contato com certos 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
microrganismos durante a infância resultaria num desenvolvimento inadequado de processos 
regulatórios que limitam as respostas imunes do TGI – reação inflamatória mais exuberante 
quando em contato com certos microrganismos na fase adulta. 
Fisiopatogênese da doença inflamatória intestinal: as causas não são muito definidas, mas 
provavelmente é multifatorial → microbiota alterada, relação hospedeiro-microbiota intestinal 
desequilibrada, resposta imune exagerada, disfunção epitelial. 
 
Ao que tudo indica, fatores genéticos contribuem para o aparecimento da DII. O risco aumenta se 
há antecedente familiar de DII. Na doença de Crohn a concordância em gêmeos monozigóticos é 
muito alta (componente genético é muito importante na Dç de Crohn). 
A RCUI tem menor associação genética. Contudo, há vários genes envolvidos na doença inflamatória 
intestinal. Alguns desses genes estão relacionados com a resposta imunológica ao M. tuberculosis 
e M leprae – presença de granulomas na DII. 
Os principais genes envolvidos na Doença de Crohn são: NOD2, ATG16L1 e IRGM. Todos 
relacionados com a regulação das respostas celulares às bactérias intracelulares. 
A resposta imune da mucosa é muito importante na doença inflamatória intestinal. A ativação de 
células T helper com polarização para resposta Th1 é comum na Dç de Crohn; polimorfismos do 
receptor que ativa as células Th17 estão associados com Crohn e RCUI; mutações da IL-10 está 
relacionada com surto grave e precoce de DII. 
Os agentes imunossupressores continuam sendo a base de tratamento dessa doença. 
Outro aspecto importante da fisiopatogenese é o defeito da barreira epitelial intestinal. Pode ocorrer 
esse defeito tanto nos pacientes com Dç de Crohn quanto nos parentes saudáveis (polimorfismos 
NOD2). 
Na RCUI polimorfismos das proteínas da matriz celular (ECM1) inibem a metaloproteinase e reduz a 
gravidade da doença. 
- Microbiota e a DII: os microrganismos da microbiota intestinal normal podem compor 50% 
da massa fecal. Os anticorpos anti-flagelina são mais frequentes no Crohn do que em outras 
doenças associadas ao NOD2. Testes clínicos com bactérias probióticas (benéficas) ou transplante 
microbiano fecal podem prevenir a DII, mas ainda estão em estudo. 
Branda de Oliveira de Lima, Turma LVI - MedUnicamp 
Modelo unificado da patogênese: ciclo 
autoamplificador que culmina na DII. Se inicia com o 
fluxo de componentes bacterianos pelo epitélio 
intestinal para dentro da LP. A presença deles na LP 
ativa resposta imune inata (macrófagos e neutrófilos) e 
resposta imune adaptativa (Th1, Th2, Th17). Em 
hospedeiros geneticamente susceptíveis há liberação 
de TNF e outras substancias inflamatórias que 
aumentam a permeabilidade do epitélio às bactérias 
do lúmen intestinal (diminuem a defesa de barreira). 
Infiltra mais pedaços de bactérias na LP e gera um 
ciclo que aumenta cada vez mais inflamação na LP. 
Com o passar do tempo sempre há mais queda de 
barreira e ativação da resposta imune. Isso leva a 
lesões da mucosa e da parede intestinal típica da DII. 
 
• DOENÇA DE CROHN 
Pode ocorrer em qualquer área do TGI, mesmo no esôfago e estomago. Contudo, os locais mais 
frequentes são o íleo terminal, valva ileocecal e ceco. Limitada ao intestino delgado em 40% dos 
casos. Em 30% dos casos há associação do ID e cólon; e nos últimos 30% há apenas acometimento 
do cólon. 
Os dois principais aspectos morfológicos são: 
(a) comprometimento segmentar, frequentemente multifocal, conhecido como