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Sensação, Atenção, Memória, Integração Sensório-motora

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DEFINIÇÃO
Conceito de sensação, atenção e memória. Apresentação da neurociência do processo sensoperceptivo
e da integração sensório-motora, bem como do processo sensório-motor, das teorias e funções do
processo atencional, da neurociência da atenção e do processo mnemônico.
PROPÓSITO
Compreender os processos cognitivos sensação, atenção, memória e a integração sensório-motora
desde suas definições, teorias subjacentes e funções aos substratos neurais relacionados a elas.
PREPARAÇÃO
Para um melhor aproveitamento deste tema, você pode utilizar um modelo físico ou 3D do cérebro.
Ainda, pode se valer de sites ou aplicativos para recorrer a modelos 3D virtuais. Recomenda-se que
você esteja familiarizado com noções básicas de Neurociências; em especial, Neurociência Cognitiva.
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OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar os substratos neurais subjacentes ao processo sensoperceptivo e atencional
MÓDULO 2
Identificar os substratos neurais subjacentes ao processo mnemônico e sensório-motor
INTRODUÇÃO
Neste tema, exploraremos três funções cognitivas (sensopercepção, atenção e memória) e abordaremos
a integração sensório-motora, função executada pelo sistema nervoso (SN). Conheceremos essas
diferentes funções e as relacionaremos com áreas específicas do SN. Vamos, agora, identificar os
conceitos fundamentais para a compreensão dessas funções. Mas, para isso, cabe ressaltar dois
importantes pontos:
Ponto 1
As funções cognitivas somente são separadas com fins didáticos, uma vez que, no mundo concreto,
atuam de forma integrada. Sob coordenação das funções executivas, o indivíduo, ativado por uma
emoção, motiva-se na direção de focar a atenção em determinado estímulo, que será processado pela
sensopercepção, gerando o traço necessário para a memória e o consequente aprendizado. É o que
está representado na figura 1.
Ponto 2
O desenvolvimento das estruturas do SN subjacentes a cada uma das funções cognitivas tem
correlação direta com o desempenho do sujeito naquela função específica, uma vez que cada avanço no
substrato neurobiológico subjacente (aumento do número de neurônios, ou de sinapses, ou mesmo o
fortalecimento das redes) representa também um ganho funcional. Assim, é esperado que indivíduos de
diferentes idades e perfis de estimulação tenham desempenhos funcionais também diferentes.
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SENSOPERCEPÇÃO
Não se preocupe com esse termo novo. Logo você vai compreendê-lo!
 
Fonte: Autor.
 Figura 1 - Integração das funções cognitivas.
MÓDULO 1
 Identificar os substratos neurais subjacentes ao processo sensoperceptivo e atencional
Preste atenção ao seu ambiente neste momento. Volte-se para o seu ambiente externo e interno. Você
consegue perceber diferentes cores, brilhos, movimentos, sons, o toque do seu corpo na cadeira, nas
roupas, no seu sapato, a temperatura das superfícies que toca, do ar, eventuais cheiros, perfumes,
sabores.
Só podemos ter a sensação de nosso ambiente porque uma linha de processamento neural está
funcionando de forma integrada e coordenada. Em especial porque o nosso cérebro – principal órgão do
sistema nervoso central (SNC) e responsável pela compreensão do que sentimos em uma percepção –
está íntegro!
SENSAÇÃO: DEFINIÇÃO
Para definirmos o que é sensação, vamos recordar uma questão filosófica que está proposta na
atividade de reflexão a seguir:
Se uma mulher fala em uma sala e não há homem algum para ouvi-la, ainda assim ela está certa?
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RESPOSTA
Essa ironia nasceu de uma velha charada: Se uma árvore cai na floresta e não há ninguém para ouvir,
ainda sim ela produz som? E é assim que Sternberg (2008) começa sua apresentação acerca da
sensação. E mostra que, diferentemente do que se tem no senso comum, na área das neurociências
cognitivas, o termo sensação se reduz à mera resposta relacionada aos nossos sentidos: visão, audição,
tato, olfato e paladar. Ou seja: é a capacidade que nosso corpo tem de receber os estímulos do meio externo
e permitir (através de células receptoras) que sejam compreendidos pelos neurônios. Portanto, voltando à
charada, antes que aconteça a sensação, há o mundo externo (a árvore que cai e produz o som, por
exemplo) que será captado pelos sentidos.
NEUROCIÊNCIA DO PROCESSO
SENSOPERCEPTIVO
Nosso aparato sensorial é formado pelos órgãos sensoriais (olhos, ouvidos, pele, língua, nariz), os
nervos (que levam as informações dos órgãos dos sentidos até o SNC) e o córtex cerebral (onde o
estímulo será processado em diferentes áreas a depender da modalidade sensorial: visual, tátil etc.). No
cérebro, as informações sensoriais se conjugam numa percepção.
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Fonte: dmitroscope/Shutterstock
 SAIBA MAIS
Segundo Lent (2008), diferentemente de sua definição no senso comum, as percepções para as
neurociências cognitivas são aqueles produtos da sensação (ou seja, proveniente dos sentidos). Por
esse motivo, está cada vez mais frequente na literatura da área a grafia sensopercepção, já que se
trata de um processo intrinsecamente integrado
Quando vemos um objeto (uma bola vermelha, por exemplo), neurônios sensoriais em nossa retina
realizam a transdução das ondas luminosas em impulsos nervosos, que seguem pelo nervo óptico até
núcleos específicos do tálamo, uma estrutura dupla (ou seja, presente nos dois hemisférios cerebrais),
conforme indica a figura 2:
TRANSDUÇÃO
Na linguagem das ciências biológicas e afins, chama-se transdução quando um tipo de sinal é
transformado em outro a fim de cumprir determinada finalidade. No exemplo dado, as ondas
luminosas sofrem transdução para impulsos nervosos.
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Fonte: decade3d - anatomy online/Shutterstock
 Figura 2 - Tálamo (em amarelo).
O tálamo, então, encaminha os impulsos visuais até as áreas sensoriais primárias (no exemplo, área
visual primária, no córtex occipital). Na área visual primária, haverá apenas o processamento da cor e do
formato; e separadamente. Em seguida, o estímulo será encaminhado para processamento nas áreas
secundárias (no exemplo, área visual secundária, ainda no córtex occipital) e nas áreas de associação
multimodais (junção têmporo-parieto-occipital), onde será formada a percepção do objeto visto como
um todo, a fim de ser reconhecido como uma “bola vermelha”.
Vale ressaltar que os estímulos sensoriais seguem este padrão:
JUNÇÃO TÊMPORO-PARIETO-OCCIPITAL
Não se preocupe! 
Você entenderá o que isso significa ainda neste tema!
ÓRGÃO SENSORIAL

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TÁLAMO

CÓRTICES
Com exceção dos estímulos sensoriais olfativos, que não passam pelo tálamo e são enviados do bulbo
olfatório diretamente para o córtex cerebral.
PROCESSAMENTO CONTRALATERAL
Um ponto curioso e relevante sobre a sensopercepção é que ela é processada no córtex contralateral
ao estímulo. Isso significa que os estímulos percebidos no lado esquerdo do corpo são processados nas
estruturas cerebrais do lado direito e vice-versa. Isso se dá porque as fibras neurais se cruzam no nível
da ponte (estrutura componente do tronco cerebral): os prolongamentos do córtex cerebral direito
cruzam na ponte e passam a enervar o lado esquerdo do corpo e vice-versa. É importante citar que
essas vias são:
AFERENTES
Levam comandos do SNC até a periferia. Isso é relevante para o comportamento motor (como veremos
mais à frente neste tema).
EFERENTES
Carregam informações sensoriais da periferia até o SNC. Isso é de especial relevância para a
sensopercepção.
Segundo Thompson (2005), é provável que essa característica tenha sido adaptativa em algum
momento da evolução das espécies. Assim, espera-se que lesões cerebrais em um dos hemisférios
produzam efeitos (sensoriais e motores) no lado contralateral do corpo.
ÁREAS FUNCIONAIS – CÓRTICES PRIMÁRIO E
SECUNDÁRIO E CÓRTEX ASSOCIATIVO
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Para ser percebido, um estímulo é processado em diferentes áreas do SNC. Essas áreas, de acordo
com Fuentes et al. (2008), são organizadas hierarquicamente e ficaram conhecidas como unidades
funcionais,