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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CURSO DE PSICOLOGIA - TURMA 7°K PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS PROJETO DE INTERVENÇÃO EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS HIV/AIDS e Comunicação Social Arthur Voigt Sampaio: 41727746 Lucas Barros da Silva: 41743199 Rafaella Esposito Vitiello : 41744705 Thayna Cristina Lima Souza: 41724968 Vitória Tiemi Umeda: 41739701 São Paulo 18 de novembro de 2020 1. INTRODUÇÃO Em 1981, houve a identificação da chamada síndrome da imunodeficiência adquirida, conhecida popularmente como AIDS. A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e da AIDS representa um fenômeno global, pois refere-se a uma epidemia. Além de seu caráter epidemiológico, o vírus pode ser caracterizado como um fenômeno coletivo, dinâmico e instável cuja propagação depende de diversos determinantes, assim como o comportamento humano individual e coletivo. Em se tratando de sua forma de propagação, pode-se elencar a relação sexual sem o uso de preservativos e a troca de fluidos corporais como forma mais comumente de transmissão, entretanto a mesma pode ocorrer durante a gravidez, no parto, em transfusões sanguíneas, transplantes de órgãos, pela amamentação e por compartilhamento de agulhas contaminadas. Os medicamentos antirretrovirais surgiram na década de 1980, para impedir a multiplicação do vírus no organismo, que ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o coquetel para todos que necessitam do tratamento. Segundo dados de dezembro de 2013, 353 mil pessoas recebem regularmente os remédios para tratar a doença, sendo que o Ministério da Saúde estima que cerca de 797 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil. Visando a construção do sujeito com HIV/AIDS atrelado ao imaginário social na década de 80, há uma estigmatização desses sujeitos e toda uma construção negativa e discriminatória que afeta diretamente em suas subjetividades. Segundo Goffman (1988), o indivíduo estigmatizado é visto, assim, como uma pessoa que possui “uma diferença indesejável”. Levando em consideração a sociedade como um todo, o fenômeno da doença está intimamente ligada às noções de higiene e impureza. Pela ótica da sociedade saudável, estar enfermo está relacionado ao sujeito não pertencente à sociedade, marginalizando-os da vida social e do que é considerado comum. “Comum não é uma identidade, não se confunde com povo, nem é uniformidade como as massas; são as diferenças internas que devem fazer comunicar as diferenças e agir em conjunto.”(BARROS 2012) Segundo Sontag, as epidemias têm um caráter subjetivo, quando uma disfunção orgânica não obtém uma causa clara e o tratamento demonstra-se ineficaz acarreta-se uma sobrecarrega de significação ao indivíduo, traduzindo na vivificação do estigma de pessoa contaminada e/ou contaminadora. Uma vez transposta a linha imaginária das regras morais dominantes, o ser ,de acordo com Goffman (1988), é visto como uma pessoa que possui “uma diferença indesejável” podendo marcar-se de diferentes estigmas: “de abominações do corpo (deformidades físicas), culpas de caráter individual (homossexualismo, desemprego, tentativas de suicídio) [...] e, finalmente, tribais de raça (transmitidos através de linhagem)”. A intolerância imposta sobre estes sujeitos reside no tecido classificatório em que o doente se encaixa, de forma que a identidade se reduz meramente à classificação oriunda da moralidade vigente e dos valores atribuídos a sua condição. Desta forma, estes passam por uma destituição diante de si e do outro. Assim demonstra-se a pertinência de se debater este estigma baseando-se em alguns pressupostos e referenciais teóricos oferecidos pela bioética de intervenção, em busca da desconstrução do preconceito em torno do HIV/Aids. O estigma e o imaginário social perante ao sujeito com HIV/AIDS nos anos 80, está diretamente vinculado a pessoas LGBTQIA+, da figura da morte e da culpabilização do mesmo. Devido ao estigma estar enraizado e introjetado nesse sujeito, ainda mantendo esse olhar de culpado, errado, promíscuo, infectado, mesmo se sua carga viral for negativa, é interessante observar como isso influencia na subjetividade do sujeito que internaliza apenas o estigma negativo e se vê como soropositivo antes de qualquer possibilidade da sua narrativa individual e plural. Uma das pautas latentes quando se fala de pessoas com HIV, é sobre conseguir verbalizar para indivíduos que se relacionam devido a todo esse estigma, com medo da rejeição e ser atrelado a esse sujeito transmissor mesmo se este não transmitir o vírus e todo o avanço em relação ao tratamento. A revelação da soropositividade demonstra-se como um ponto crucial na vida do portador, assim como na de sua família e amigos. A certeza transfigura-se em uma percepção negativa, multiplicada pela discriminação e a falta de conhecimento, este cenário é preenchido por sofrimento. Afinal, esse contexto de doença estigmatizada é preenchido por medo do abandono e de julgamento, a revelação da identidade social, a quebra no padrão de vida, a ‘culpabilização’ individual por ter se infectado, a impotência diante da nova realidade, o isolamento, a não-adesão ao tratamento, a revolta e o consumo exagerado de bebida alcoólica. A estigmatização social oriunda de concepções de uma sociedade preconceituosa causa diversos males que intensificam o sofrimento do indivíduo, dentre eles os impactos na saúde física e mental dos portadores de HIV/AIDS. Ambos impactos estão interligados, o estresse diversas vezes baixa a imunidade, tornando o indivíduo mais sujeito à infecção pelo vírus e ao aparecimento de doenças oportunistas. Haja visto demasiado campo de sofrimento psíquico e consequentemente físico, percebe-se que a saúde coletiva obtém um potencial de desempenho no cuidar desse cliente, desenvolvendo ações que objetivam a quebra do estigma social, orientando sobre a doença e o tratamento, explicando o aumento da sobrevida e oferecendo uma assistência de qualidade ao indivíduo como um todo, além de respeitar a singularidade em uma dimensão biopsicossocial-cultural. A comunicação pública tem um papel fundamental na conscientização para a prevenção do contágio do HIV/Aids, como meio de transmitir as políticas criadas pelos órgãos governamentais para a população. No entanto, o Estado não tem apresentado maneiras inclusivas e com efetividade imediata em relação à suas políticas de informação sobre o HIV/Aids. 2. POLÍTICAS PÚBLICAS E AS TRÊS ESFERAS (FEDERAL/ESTADUAL E MUNICIPAL) As políticas públicas são as iniciativas, escolhas e projetos adotados por esferas do poder público. Elas podem ser divididas dentro do poder público como: federais, estaduais e municipais. Mead (1995) define Políticas Públicas como um campo dentro do estudo da política que analisa o governo à luz de grandes questões públicas e Lynn (1980), como um conjunto de ações do governo que irão produzir efeitos específicos.A definição mais conhecida continua sendo a de Laswell, ou seja, decisões e análises sobre política pública implicam responder às seguintes questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz. Pode-se então dizer, que a formulação de políticas públicas como o campo que busca “colocar o governo em ação’’ e quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações. A legislação brasileira não apresenta um conceito estabelecido de política pública, o ‘’Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão publicou, em 2015, um manual denominado “Orientações para Elaboração do Plano Plurianual 2016-2019” (BRASIL, 2011) que define, em termos didáticos a estrutura do referido Plano. Nesse documento não consta uma definição clara do que é considerado uma política pública.’’ Nesse documento, podemos associar a 3 termos essenciais para a estruturação das leis orçamentárias: Programa, Objetivo e Iniciativa. Ao que se refere aos diferentes níveis de governo das políticas públicas, está presente o de âmbito federal, representado pelo Presidente da República, deputados federais e os senadores. Também, composta pelo Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. No Brasil, ela é responsável por conduzir empresas públicas, pode emitir títulos da dívida pública para adquirir recursos no mercado, e em casos de necessidade, podem criar uma dívida interna, solicitando verba emprestada da União. Ela é responsável por diversos impostos, como os produtos industrializados, renda de pessoas físicas e jurídicas, importação de produtos estrangeiros, etc. Já no âmbito estadual, estão presentes os governadores, deputados estaduais e o judiciário com as cortes de instâncias inferiores, sendo responsáveis pela infraestrutura, segurança pública, atendimento de saúde para casos mais complexos, corpo de bombeiros, projeto de moradias populares, etc. Por fim, o nível de governo municipal é representado pelos vereadores e prefeitos. Os municípios podem administrar empresas públicas como a área de saneamento, serviços e transporte urbano. Os conselhos municipais também são responsáveis em auxiliar a administração do dinheiro público, contando com a participação da sociedade civil, providenciando opiniões e, a partir disso, decisões estratégicas. Entretanto, eles dependem de programas do governo federal para a sua formação através de verbas. As principais fontes de financiamento são os impostos sobre serviços, propriedade predial e territorial urbana, etc. Com a epidemia da AIDS ocorrida em 1980, o Ministério da Saúde criou em 1986 a fim de lutar e controlar a epidemia, criou-se o Programa Nacional de DST e AIDS (PN-DST/AIDS), no qual se tornou uma referência mundial. Além disso, a AIDS passou a ser inserida na relação de doenças de notificação compulsória no País, pela Portaria nº 1.100 de 24 de maio de 1986. No Brasil, a prática de políticas públicas contra a epidemia da AIDS, acarretou em uma aprovação da nova Constituição Federal em 1988, concomitantemente, a aprovação do SUS. 3. POLÍTICAS PÚBLICAS E A COMUNICAÇÃO SOCIAL NA PREVENÇÃO DO HIV/AIDS Um dos pilares da política pública é a comunicação, a forma de como será transmitida as intenções, planos e ações dos órgãos governamentais à população. No entanto, a comunicação não pode ser reduzida a um ato de transferência de informações entre um detentor de determinado saber e poder de informar, e um grupo social desprovido destes saberes e poderes. Esta comunicação deve acontecer como um processo social multicêntrico em que diferentes saberes e respectivos modos de dizer e mostrar se unem e se alteram a cada contexto e situação de comunicação, “tecendo nos espaços sociais das cidades uma matriz discursiva complexa e em permanente transformação”(Pitta 1998), para que, assim, possa haver uma difusão do conhecimento que está tentando ser passado. Alguns grupos sociais não se identificam no que se refere a discursos políticos relacionados a doença da HIV/Aids, da mesma forma como alguns materiais produzidos para o homossexual assumido perante a sociedade, muitas vezes é considerado totalmente explícito em função do moralismo, machismo, e homofobia existente também em órgãos oficiais. Outro estorvo nas atuações de políticas públicas é a forma de linguagem que é utilizada na propagação da mensagem, que não conseguem atingir a população a nível de sua compreensão plena. A mídia não tem como prioridade representar de forma realística os traços culturais da população, levando a uma exclusão da representação de populações pobres, marginalizadas e populações femininas, o que dificulta entrar em contato com esses grupos ao realizar políticas públicas de prevenção. Por muito também, tem as campanhas públicas, utilizando-se de slogans e propagandas que aparentavam ter a intenção de amedrontar a população mais do que educá-la, tendo como foco os grupos de maior risco como prostitutas, homossexuais e usuários de drogas (Barbosa, 1999), mas que encobria grupos que também eram vulneraveis como as mulheres e os heterreossexuais. Desta forma os meios de comunicação levaram a HIV/Aids a serem tratada como uma doença causada pela imoralidade. Junto destes comportamentos também era visto como práticas de prevenção no combate à HIV/Aids feitas pelo governos eram efetivadas de forma tardia e questionável, nunca englobando toda a população e levando a não terem o percalço necessário o ano todo. Como exemplo, pode ser citada a campanha de prevenção feita no Carnaval de 2001, a qual apesar de ter sido importante na educação da população, teve o erro de levar a população a associar a erotização do carnaval disseminação da doença, permitindo com que tais preocupações como o uso de preservativo como forma de evitar o aumento de casos fique de certa forma mais restrita a apenas este período do ano. 4. ANÁLISE CRÍTICA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS Quando pensamos política públicas a respeito do HIV/AIDS no Brasil, como citado nos tópicos anteriores, através de um imaginário social construído a partir dos anos 80, com a visão do promíscuo, do sujo, da imagem física extremamente magra e associado ao determinado grupo: homosexuais, mulheres trans e travestis. Esse imaginário social perante ao sujeito com HIV, extremamente estigmatizado e determinado a tal grupo, é muito fruto de uma estrutura machista e LGBTfóbica, e que muito dessa construção e olhar conservadores podem permear para diversas nuances da esfera pública, como exemplo a questão racial, na qual o Brasil vive o mito da democracia racial mas é claro, como racismo institucional está engendrado nas diversas esferas social, institucionais, pública, acabam reproduzindo tal discurso racista, devido a toda uma estrutura histórica. Logo podemos correlacionar que para além de um racismo institucional que está engendrado na sociedade brasileira devido a uma construção histórica, há também uma extrema parcela preconceituosa machista e LGBTfóbica que está engendrada nanossa sociedade na qual precisamos sempre estarmos atento para ver se não caímos em mais estigmatização do que o devido olhar e cuidado necessário para determinado grupo social. A promoção de saúde de pessoas com HIV/AIDS requer ações afirmativas que pensem para além do estigma, até porque homens heterossexuais são o principal grupo afetado pela infecção do HIV no Brasil, mas devido ao estigma e falta de informação de que você só contrai HIV apenas em relações homossexuais, mostra que há uma grande gama de diagnóstico tardio por parte de homens heterossexuais e se é descoberto apenas no estágio da AIDS. A UNAIDS lançou o novo relatório "nós temos o poder", mostrando também que as grandes desigualdades de gênero continuam a tornar as mulheres e meninas mais vulneráveis ao HIV. E isso não se dá pela mesma problemática de homens heterossexuais, onde permeia a ideia de masculinidade que não se pensa em cuidado e que só descobrem no estágio da AIDS. A questão se dá mais por volta da problemática, que em áreas com alta prevalência de HIV, verificou-se que a violência por parceiro íntimo aumenta o risco de mulheres se infectarem com HIV em 50%. Mulheres soropositivas relatam violência de seus parceiros, familiares, comunidades e até de serviços de saúde. E para isso precisamos pensar em uma abordagem voltada para adolescentes e sistema de apoio entre pares, onde os componentes de direitos, gênero e não-violência sejam integrados à educação sexual abrangente. Temos que entender as diversas nuances que abarca o HIV/AIDS para assim montar ações afirmativas, políticas públicas que acessem e entenda que cada grupo tem sua demanda singular, que precisa visar aproximar o acesso destes, que seja utilizado uma linguagem que dialoga com diferentes valores e que inclua diversos grupo, cultuando idades diversas, pensando no local de moradia, diferentes gerações, orientações sexuais, gênero, condições físicas e mentais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GONCALVES, Erli Helena; VARANDAS, Renata. O papel da mídia na prevenção do HIV/Aids e a representação da mulher no contexto da epidemia. 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