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PSICOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
BASES NEURAIS DO COMPORTAMENTO 
Resumo do capítulo 1.4, do livro 
 ‘ Manual da Psicologia Evolucionista’ 
 
 
 
 
 
VALÉRIA ALVES MELO, VITORIA DE OLIVEIRA CARVALHO, 
ROSEMIRA DA ROCHA, WEFFANY, CRISTIANE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 TIANGUÁ, CEARÁ/2020 
 Bases neurais do Comportamento 
 
 
Todos os seres vivos, desde os mais simples como as hidras até os mais 
complexos como os mamíferos, incluindo o homem, possuem estruturações 
morfológica e molecular equivalentes entre si. A evolução propiciou nesses 
animais diferentes mudanças de organização dessa estruturação, Bases Neurais 
do Comportamento por exemplo, o arranjo das células nervosas para formação 
de complexas redes de circuitos neurais funcionais. 
Dentre as causas imediatas do comportamento animal estão: os 
mecanismos genéticos/ontogenéticos do comportamento; os mecanismos 
sensórios-motores. 
O sistema nervoso vai se organizando conforme o processo evolutivo. Os 
genes sofrem influência do ambiente, possibilitando o surgimento de um cérebro 
apto a sobreviver em condições diversas. O sistema nervoso gera, reage e 
modula todos os comportamentos inatos. 
As mais variadas funções do sistema nervoso dos vertebrados dependem 
de conexões formadas entre diferentes tipos de células nervosas. A interação 
entre esses fatores intrínsecos e os fatores externos, como por exemplo, 
nutrientes, estímulos sensórios e experiência social, é crítica para a correta 
diferenciação das células nervosas. Esse transporte de neurônios é feito através 
de outras células nervosas, especialmente produzidas durante o 
desenvolvimento, as células da glia radial. O destino dessa nova célula nervosa 
é determinado por um processo de sinalização entre células adjacentes da 
região neural . 
No processo de migração, os neurônios imaturos começam os fenômenos 
de diferenciação e especialização, que só são concluídos quando as células 
estiverem no seu local definitivo. Também deve-se destacar a diferenciação 
química desses neurônios, uma vez que as células começam a sintetizar as 
moléculas que garantirão a função neuronal madura, especialmente as enzimas 
que participam do metabolismo de neurotransmissores e neuromoduladores. A 
formação de contatos entre neurônios em desenvolvimento e suas respectivas 
células-alvo inicia um processo de formação seletiva de sinapses, durante o qual 
alguns contatos sinápticos são fortalecidos e outros eliminados. 
 
 Como se dá o desenvolvimento do arcabouço estrutural que rege e 
modula essas respostas comportamentais? 
Toda atividade comportamental realizada pelo sistema nervoso, desde a 
percepção sensorial passando pelo controle motor até as funções cognitivas 
mais complexas como a aprendizagem e memória, dependem da organização 
de interconexões entre os milhões de neurônios e é aí que entra 
Filogeneticamente, essa organização do sistema nervoso se inicia com um 
padrão denominado de centralização. 
Este padrão se encontra presente em hidras, nas quais encontramos uma 
concentração neuronal localizada próxima à boca, necessária para o controle 
dos tentáculos durante o reconhecimento e captação do alimento. Muito embora 
esses animais já demonstrem esse padrão organizacional, só a partir dos 
platelmintos encontramos uma concentração de células nervosas localizadas em 
um polo cefálico ou caudal do organismo, a canalização, e o aparecimento de 
interneurônios nesses seres propicia uma modulação ou uma facilitação na 
transmissão da informação entre diferentes neurônios. 
 Esse tipo de disposição das células neurais já demonstra importante 
papel funcional na elaboração de comportamentos, uma vez que algumas formas 
de busca de alimentos, como a perseguição da presa, são facilitadas pela 
apropriada localização de receptores na parte voltada ao movimento executado 
nesse comportamento. A complexidade neuronal e consequentemente 
comportamental vai ficando cada vez mais difusa a partir desse animal. Os 
cordados ganham mais uma estrutura nervosa, a notocorda ou coluna vertebral, 
onde se encontra a medula espinal. 
Bases Neurais do Comportamento esse rearranjo de conexões, ou seja, 
essa organização evolutiva do sistema nervoso aconteceu devido à influência de 
genes que participam do desenvolvimento embrionário dos animais. 
Possivelmente esses genes, sofrendo influência ambiental, permitiram o 
surgimento de cérebros extremamente complexos, como o dos mamíferos. 
Em mamíferos, distintas células nervosas são formadas. Os genes podem 
ter o seu funcionamento alterado, sem necessariamente haver alteração na 
sequência de DNA. O gene é regulado não somente pelas condições intrínsecas 
do desenvolvimento, mas os fatores extrínsecos são capazes de promover 
modificações no genoma. 
Alterações na cognição, possibilitaram aos mamíferos, ao longo da 
evolução, uma melhora no processamento de informações. Ao longo do 
processo de seleção natural, as alterações poderiam ser mantidas e havia ainda, 
o acréscimo de novas alterações morfológicas na cognição. O tamanho do crânio 
(características anatômicas), ou o comportamento (características funcionais), 
fizera com que uma maior quantidade de informação fosse processada. 
Há uma certa dificuldade em estudar a evolução do aprendizado, uma vez 
que se busca uma forma de explicar como se dá a detecção das informações 
sensoriais, bem como a codificação das mesmas e o que possibilita o seu 
armazenamento. 
De acordo com os dados já armazenados de experiências vividas, tornara-
se possível recuperá-los e termos uma referência de comportamento, resgatando 
soluções passadas. Ou seja, há sempre uma utilidade para aquilo que é 
armazenado e que vai modulando o pensamento. Cada comportamento passa a 
ter uma função, e a medida em que sobrevive a vários processos evolutivos. No 
momento preciso, o cérebro ativará a informação armazenada, na resolução de 
problemas semelhantes ao que ocorrera antes. 
Em cada época evolutiva, o ambiente apresenta exigências diferentes. A 
capacidade de processamento, possibilita o indivíduo de se sobressair e dar 
continuidade a sua espécie. 
Nossa personalidade é o todo, ou seja, a genética, as experiências 
individuais e as nossas escolhas. A personalidade determina a forma individual 
de perceber e interpretar o mundo. Embora esqueçamos alguns fatos ocorridos 
ao longo da vida, aquilo faz parte do que somos, pois de uma maneira, moldou 
a personalidade e a forma de se relacionar. 
Aprendizado é aquisição, memória é a capacidade de armazenar e 
recuperar informações quando for necessário, e é um resultado do aprendizado. 
 Há a reconsolidação de uma informação já consolidada. Isso quer dizer 
que ao surgir uma experiência semelhante a que está armazenada, a memória 
será evocada e reconsolidada de acordo com as condições presentes. 
Resumidamente, trata-se de uma ‘atualização’. 
Situações mais complexas no ambiente, exigem um maior 
desenvolvimento cerebral. Isso mostra que foram as necessidades das espécies 
que ajustaram o comportamento em cada fase da seleção. No viés ontogenético, 
a dinamicidade da memória e do aprendizado, levam as espécies a aderir ou 
evitar um determinado comportamento, trazendo benefícios ao longo da vida. 
Existem três tipos de memórias: a memória sensorial, esta é temporária, 
ao sentir uma sensação antes já experimentada, trará um traço rápido de 
lembrança. A memória de curto prazo, retém uma quantidade limitada de 
informações por um curto espaço de tempo. Já a memória de longo prazo é 
ilimitada e permanente. 
O aprendizado e a memória modificam nosso cérebro a medida em que 
novas conexões neurais vão sendo formadas. Essas conexões são formadas 
devido a nova quantidade de dados aprendidos. Esta modificação é denominada 
plasticidade cerebral. 
 Uma grande parcelada população acha que seria benéfico ter uma 
capacidade de memória máxima, onde não esqueceríamos nada. Contudo, 
precisamos analisar essa questão por um ponto de vista mais amplo, se fosse 
possível lembrar de todas as experiências que temos ao longo da nossa vida 
necessitários do mesmo tempo para recordar estes eventos, e já que é 
impossível vivermos uma nova vida para lembrar de “tudo”, nossas lembranças 
estariam perdidas em algum lugar no cérebro, destinadas ao desaparecimento, 
sendo assim, o armazenamento de qualquer informação só é útil se for 
necessário recordar no futuro, caso contrário não terá serventia. 
Algumas pessoas passam a lembrar de momentos dolorosos e 
traumáticos da sua vida. Estas memórias parecem não querer ir embora, sendo 
evocada cada vez que algo remete à lembrança, causando muito sofrimento a 
pessoa. esse distúrbio é conhecido como Transtorno de Estresse Pós-
traumático. Por isso é importante ressaltar que nós não podemos e não devemos 
lembrar de todas as nossas experiências, inclusive existem algumas que 
devemos esquecer. 
O nosso cérebro funciona com uma limitação no processamento de 
informação, algumas informações necessitam da atenção e do envolvimento de 
áreas associadas a emoção e tomada de decisão para serem filtradas e 
armazenadas, já outras informações que não chegam a ser armazenadas são 
logo descartadas, e outras são armazenadas para serem usadas no futuro. 
Sendo assim, muito do que vivenciamos é ignorado, outros dados são 
esquecidos, já as memórias armazenadas serão utilizadas em benefício do 
indivíduo. Quando informações prejudiciais são armazenadas o cérebro permite 
atualizar ou suprimir essas memórias prejudiciais, isso tudo, é parte de um 
processo adaptativo onde o principal motivo é quanta emoção e atenção nós 
colocamos em jogo quando estamos aprendendo. 
 
 
 
	Bases neurais do Comportamento

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