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Catarina L abouré tem 9 anos quando a mãe adoece
e vem a morrer. No meio do seu grande sofrimento, 
compreende que pode contar para sempre eom o amor 
da Virgem Maria, a Mãe de Jesus. 
Um dia - Catarina tem já 24 anos - Maria vem confiar-lhe
uma mensagem. Inscrita numa medalhinha, 
essa mensagem revela a todos nós quanto Jesus 
e Maria nos amam. 
PROVÍNCIA PORTUGUESA DAS FILHAS DA CARIDADE 
DE S. VINCENTE DE PAULO 
Av. Marechal Craveiro Lopes, 10
17 49-011 LISBOA - Telef. e Fax. 217590078
cSanla Galarina 
- --- -
... . . . . 
c5anla Galarina 
Babouré 
Ilustrações de Augusta Curreli 
--
.. ..... 
 http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
http://alexandriacatolica.blogspot.com.br
Título original: 
Sainte Catherine Labow·é 
Éditions du Signe 
1, rue Alfred Kastler 
B.P. 94- 67038 Strasbourg Cedex 2- França 
Têl.: 03 88 78 9191 
Fax: 03 88 78 91 99 
E-mail: info@editionsdusigne.fr 
Textos: 
Irmã Marie Geneviêve Roux 
Irmã Elisabeth Charpy 
Tradução: 
Irmã Múiam Godinho, O.C.S.O. 
nustmções: 
Augusta Curreli 
Diagramação: 
Éditions du Signe 
Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo 
Av. Marechal Craveiro Lopes, 10 
1749-011 LISBOA 
© Éditions du Signe - 2000 - 2002 
Todos os direitos reservados 
ISBN: 978-2-7468-0686-3 
n' 
l Já alguma vez foste a Paris e visitaste a capela de
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa? 
Não se vê da rua e, no entanto, são inumeráveis os 
visitantes que todos os dias ali vão rezar. 
Queres saber o que atrai tanto esses peregrinos? 
Maria, a Mãe de Jesus, esteve ali pessoalmente, para 
trazer ao mundo uma mensagem que Ela confiou a 
Catarina Labouré. 
Se quiseres conhecer a mensagem de Maria e desco­
brir a vida tão espectacular e, ao mesmo tempo, tão 
simples de Catarina ... abre o livro e lê! 
Já ouviste falar, certamente, de CHAMAMENTO DE 
DEUS, de MISSÃO ... 
Catarina vai explicar-te, ao seu jeito, que tu também -
sim, tu mesmo - podes responder e comprometer-te ... 
Jesus propõe a cada um, pessoalmente, o seu próprio 
caminho. 
Que Deus te acompanhe! 
Irmã Joana Elizondo 
Filha da Caridade 
Superiora Geral 
À volta da igreja, aglomeram-se grandes casas de
campo. Logo ao entrar na aldeia, o olhar sente-se 
atraído por uma ampla torre: é o pombal da quinta 
dos Labouré .. . com as suas 600 pombas! 
Ao atrav�ssar o alpendre, âi'Vístt-se o estábulo, as 
granjas e, à esquerda, a casa onde vivem. 
No dia 2 de Maio de 1806, o senhor Labouré auJ;��..,.. 
porta da sala e chama os seus sete filhos: 
- Tenho urna notícia para vos dar! Tendes mais urna 
irmãzinha! 
- Fantástico! Corno se vai chamar? - pergunta Maria 
Luísa. 
- Catarina Zoé! 
- E quando é que vão baptizá-la? - indaga Humberto, 
o mais velho.
- Amanhã, que é sábado . . .
7 
O pai trabalha no campo, a mãe ocupa-se da capoeira 
e do cuidado das vacas, uma tarefa em que ela inicia 
as filhas. Vai regularmente ao lavadouro. E, apesar 
de todos estes trabalhos, ainda arranja tempo para 
ensinar ela própria os filhos, instrui-los e dar-lhes uma 
educação cristã. 
8 
Toda a família se alegra com o nascimento dos 
dois últimos filhos, Tonine e Augusto. Mas, depois 
do acidente que este sofreu, ficando aleijado ao cair 
duma carroça, a vida torna-se bem mais difícil. 
A preocupação pelo futuro do mais pequenino e o 
trabalho demasiado pesado acabam por arruinar a 
saúde da senhora Labouré. 
Morre a 9 de Outubro de 1815. 
·"'' 
Catarina, de nove anos, fica completamente desola­
da. No meio das lágrimas, lembra-se da oração que a 
mãe lhes fazia repetir todas as noites. Num impulso 
de confiança, agarra na imagem de Nossa Senhora, 
que está sobre a lareira, e diz-Lhe: 
- Desde agora, és Tu a minha mãe! 
11 
Três anos depois, Maria Luísa, a mais velha das 
irmãs, já com 23 anos, deseja responder ao chama­
mento de Jesus e fazer-se religiosa. E vai dizer ao pai 
que quer ser Irmã de São Vicente de Paulo. 
- E quem é que vai tratar da criação e do Augusto? -
pergunta o senhor Labouré preocupado. 
- Nós as duas; Tonine e eu trataremos da casa, 
responde Catarina, que se julga já muito crescida, 
empertigada nos seus doze anos. 
12 
Levantando-se muito cedo, lá andam as duas do 
pombal ao estábulo, da horta à cozinha. As refeições 
estão prontas a horas. Augusto cuidadosamente 
tratado. O senhor Labouré sente-se satisfeito. 
Como todas as crianças, Catarina gosta de 
brincar e passear nos momentos livres. 
Na aldeia, chamam-lhe frequentemente Zoê . .' . 
É o seu segundo nome. 
Pouco antes da despedida de Maria Luísa, Catarina 
teve a alegria de fazer a Primeira Comunhão na 
aldeia vizinha, Moutiers-Saint-Jean, porque, depois 
da Revolução, deixou de haver pároco em Fain-les­
Moutiers. 
De manhã, antes do trabalho e muitas vezes durante 
o dia, Catarina gosta de rezar a Jesus. Sempre que 
pode, vai à igreja da aldeia, muito perto da sua casa. 
Numa noite, Catarina teve um sonho cuja lembrança 
a persegue: 
"Estava eu a rezar na igreja de Fain, quando veio um 
sacerdote ancião celebrar a Missa. Olhou para mim 
de tal maneira, que tive vontade de fugir. Disse-me: 
- Um dia voltarás a encontrar-me. Deus tem um pro­
jecto para ti. . . " 
- Quero ser Filha da Caridade! - disse um dia Catarina. 
- Nem penses! Já dei a Deus uma filha e basta! Não te 
deixo ir! - responde o senhor Labouré. 
Catarina fica despedaçada. Que fazer? Obedecer ao 
pai ou a Jesus? Continua a trabalhar na quinta, mas 
guardando o seu projecto no coração. 
19 
Alguns meses mais tarde, volta à carga: 
- Gostaria de ser Filha da Caridade. 
- Isso nunca! - responde o pai irritado. Para te fazer 
mudar de ideias, vou mandar-te para Paris, para casa 
do teu irmão Carlos. Vais ajudá-lo no restaurante. 
20 
Catarina deixa Fain-les-Moutiers com o coração 
oprimido, encarregando a Tonine do trabalho da 
granja. Carlos recebe a irmã com alegria; mas não 
tarda em descobrir o seu sofrimento. Fala disso 
com o pai que não quer ouvir nada sobre o assunto. 
Os irmãos de Catarina põem-se de acordo e Humberto 
resolve recebê-la no pensionato que sua mulher 
possui não muito longe de Fain-les-Moutiers. Ali, em 
Châtillon-sur-Seine, aprende a ler, a escrever, coisa 
que não tinha, podido fazer na quinta por causa da 
doença e morte da mãe. 
Catarina descobre, com alegria, que as Filhas da 
Caridade estão em Châtillon e, assim que pode, vai 
visitá-las. Logo à entrada, um quadro atrai o seu 
olhar: 
- Quem é este sacerdote? - pergunta. 
- É Vicente de Paulo, o nosso fundador, responde-lhe 
a Irmã. 
- Mas, é o mesmo que eu vi em sonhos! 
23 
Ao ver Catarina tão feliz sempre que vai visitar as 
Irmãs de Châtillon, Humberto decide falar novamente 
com o pai Labouré. Por fim, este deixa-se convencer e 
acaba por aceitar a vocação da sua filha deixando-a 
partir defmitivamente de Fain-les-Moutiers. 
24 
Na quarta-feira, 21 de Abril de 1830, Catarina Labouré 
é admitida no noviciado das Filhas da Caridade, 
no no 140 da rua Du Bac, em Paris. 
I I I I I 
No Domingo seguinte, 25 de Abril, a capital está em 
festa. O corpo de S. Vicente - que tinha estado escon­
dido durante a Revolução francesa - é levado em 
triunfo desde a Catedral de Notre-Dame de Paris 
para a capela dos Padres da Missão. Uma imensa 
multidão o acompanha e Catarina participa nesta 
procissão com as outras Irmãs: é a festa da caridade. 
27 
À noite, durante a oração, revê - como num sonho -
o coração de S. Vicente, que lhe faz pressentir 
os acontecimentos dolorosos que vão ter lugar 
na França, e convida-a a acender a caridade nos 
corações. 
28 
No noviciado, o dia decorre entre o trabalho, a ora­
ção e o estudo. Durante dez a doze meses, as Irmãs 
preparam-se para serem Filhas da Caridade . . . 
Nada diferencia Catarina das outras . . . 
29 
E, no entanto . . . a 18 de Julho . . . um pouco antes da 
meia-noite, Catarina ouve uma voz: 
- Minha Irmã! Venha! Levante-se depressa! Vá à capela! 
A Santíssima Virgem espera-a! 
- Mas, vão ouvir-me! 
- Não tenha medo, toda a gente dorme profundamente!Catarina levanta-se e descobre, junto da sua cama, 
um menino resplandecente de luz. Segue-o até à 
capela toda iluminada . . . Ali, fica à espera com uma 
certa inquietação. 
Catalina conta como foi: 
"De repente, ouvi um ruído . . . Alguém vem sentar-se no 
cadeirão . . . mas eu duvidava. 'É a Santíssima Virgem! ', 
diz o l'nenino. Então, de um salto, aproximei-me d'Ela 
e ajoelhei-me nos degraus do altar. 
Apoiei as minhas mãos nos seus joelhos. Fiquei assim 
um longo momento . . . o mais grato da minha vida. " 
31 
Neste primeiro encontro, Maria entretém-se a falar 
com Catarina. Anuncia-lhe que lhe vai confiar uma 
missão; adverte-a de que não se deixe desencorajar 
pelas dificuldades, mas que venha rezar a Jesus 
presente na Eucaristia. 
"Ao voltar para a cama eram duas horas da manhã. 
Ouvi dar as horas, mas não voltei a adormecer. " 
32 
A 27 de Novembro de 1830, teve lugar a segunda visita 
de Maria a Catarina: 
"Era a hora da oração da tarde. Encontrava-me na 
capela com todas as Irmãs e vi a Santíssima Virgem 
a oferecer a Deus um globo terrestre que Ela tinha 
entre as mãos. Dos seus dedos saíam raios de luz, 
símbolo das graças que Ela concede a todos os que 
lhas pedem. " 
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. . . lJ 
••• 
I 
"Logo depois vi como que desenhar-se uma forma 
oval, à volta da Santíssima Virgem, com esta oração: 
'Ó Maria concebida sem pecado rogai por nós que 
recorremos a Vós'. 
A forma oval virou-se e vi a letra M encimada por 
uma cruz e, por baixo, dois corações: o de Jesus 
coroado de espinhos, o de Maria trespassado por 
uma espada, e uma voz me disse: 
- Manda gravar uma medalha segundo este modelo. 
As pessoas que a levarem com confiança, receberão 
muitas graças. " 
34 
-
w�.l!"'·· '•'-.la�·. 
No dia 5 de Fevereiro de 1831, a Irmã Catarina deixa 
o Noviciado. É enviada para um Lar, na rua Reuilly, 
em Palis. Esta casa, situada numa grande propliedade, 
acolhe umas cinquenta pessoas de idade, necessitadas, 
que são tratadas e servidas por sete Irmãs. 
\ 
\ 35 
Por ser a mais nova, Catarina é destacada para os 
trabalhos mais pesados: cozinha, cuidado da capoeira 
e da granja. O bom senso e a competência da cam­
ponesa de Fain-les-Moutiers fazem maravilhas. Os 
recursos da casa são poucos mas ela lá se arranja 
para preparar pratos apetitosos para o bem-estar 
de todos. 
37 
Apesar das múltiplas ocupações, Catarina não cessa 
de pensar na missão que lhe foi confiada. Como cum­
pri-la sem chamar a atenção? Compreende que deve 
permanecer desconhecida e encontrar um meio para 
que a mensagem seja difundida. 
Aconselhada pela Santíssima Virgem, falou disso ao 
Padre Aladel, que ela conhece bem. Incrédulo, num 
primeiro momento, deixa-se vergar pouco a pouco, 
pela tenacidade humilde de Catarina. 
38 
Em 1832, com a licença do arcebispo de Paris, 
gravam-se as primeiras medalhas. O próprio Padre 
Aladel vem pessoalmente, dar uma a cada Irmã do 
Lar. Fica maravilhado com a discrição e virtude da 
Irmã Catarina que recebe a sua, sem nada deixar 
transparecer. 
Em Paxis, propaga-se urna terrível epidemia de cólera. 
Os mortos contam-se aos milhares em todos os 
bairros; uma Innã da comunidade de Catarina cai 
entre as primeiras vítimas. Para fazer face a este 
flagelo, que nada pode deter, os cristãos rezam. 
As Filhas da Caridade difundem à sua volta a medalha, 
pedindo aos doentes que repitam a oração confiada 
pela Virgem Maria a Catarina: 'Ó Maria conceJida 
sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós'. 
Oh surpresa! Começa-se a assistir a curas repentinas 
e a conversões extraordinárias. 
Essa medalha pequenina, que os doentes aceitaram 
levar, bem depressa passa a ser chamada pelo povo: 
medalha milagrosa .. . um nome que lhe vai ficar! 
Três anos depois . . . em 1835 . . . são gravadas um milhão 
e meio de medalhas e difundidas por toda a Europa. 
A Irmã Catarina é agora responsável pelo grande 
dormitório dos idosos. Todos são objecto do seu 
amor. Se há nela alguma preferência é pelo mais des­
graçado ou o mais desagradável. Quando a censuram 
por ela não castigar os que regressam bêbados, 
responde: "É que, apesar de tudo, eu vejo neles 
Jesus. " 
43 
Ao mesmo tempo que atende os idosos, Catarina 
assume também o cuidado da pequena granja do 
asilo. Às galinhas e aos coelhos, ela acrescenta 
algumas vacas a fim de ter bom leite, e algumas 
il ' 
,, ti: l ! iPe>mbàS que lhe recordam as da granja familiar. 
!I.',; !j 
Defende com energia a horta da invasão dos garotos 
do bairro, sempre prontos, como pássaros, a tirar 
qualquer coisa. A fruta melhor é para os idosos da 
casa. 
45 
Apesar de todos os seus cargos, Catarina reza muito. 
Ela mesma no-lo conta: 
"Sempre que vou à capela, ponho-me diante de Deus e 
digo-Lhe: 'Eis-me aqui, Senhor, dai-me o que quiser­
des'. Se Ele me dá alguma coisa, fico muito contente e 
agradeço-Lhe; se não me dá nada, agradeço-Lhe da 
mesma maneira, porque não mereço mais. E, depois, 
digo-lhe tudo quanto me vem à mente. Conto-Lhe as 
minhas dificuldades e as minhas alegrias, e fico à 
escuta. Se O escutarem, Ele falar-vos-à também, 
porque, com Deus, é preciso falar e escutar. Ele fala 
sempre quando se vai ali simplesmente." 
Naquela época, os trabalhadores vivem em condi­
ções deploráveis. A crise económica faz-se sentir 
duramente em França, particularmente nas grandes 
cidades. No bairro de Reuilly, as crianças trabalham 
nas fábricas de papel desde os 6 anos. Estas crianças 
exploradas são também vítimas do alcoolismo e da 
violência. 
Preocupada com o futuro desses jovens, a comuni­
dade da Irmã Catarina abre uma escola para os 
pequeninos e, à noite, cursos para os que trabalham. 
Esta iniciativa vai ao encontro do pedido de Nossa 
Senhora a Catarina, em favor dos jovens: que as 
Irmãs se ocupem da sua formação humana e cristã, 
e que, para esse fim, criem uma associação. Esta 
associação estabelece-se em Reuilly, em 1851, e. a 
sobrinha de Catarina faz parte dela. 
Enquanto a Irmã Catarina trabalha e reza no asilo, 
a medalhinha espalha-se por toda a parte; em França 
e na Europa. 
"Donde vem esta medalha?", é a pergunta que toda 
a gente faz. 
Em Reuilly, as Irmãs também falam disto: 
- Dizem que é a Irmã Catarina, que viu Nossa Senhora. 
- Isso não pode ser. Ela é como toda a gente! 
A Irmã Catarina guarda segredo e chega a ralhar com 
as Irmãs demasiado faladoras. No entanto, não hesita 
em afirmar às que têm dúvidas: "Minhas queridas, 
a Irmã que viu Nossa Senhora, viu-A 'de carne e osso' 
tal como nós! " 
'Ó Maria concebida sem pecado rogai por nós que 
recorremos a V0s1• 
Esta oração inscrita na medãlha, repetida por milhares 
de cristãos, preparq um, a:çontecimento importante. 
na Igreja.. . · ,, �� 
A oito de Dezembro de 1854, o papa Pio IX proclama 
o dogma da Imaculada Conceição. 
Quatro anos mais tarde, em Lourdes, Bemardette 
recebe a visita de uma "linda senhora" que lhe diz 
chamar-se "Imaculada Conceição". E, enquanto em 
Lourdes, Bemardette é conhecida desde o princípio 
das aparições, em Reuilly, Catarina guarda silêncio .. . 
um silêncio que vai durar 46 anos. 
53 
Em Julho de 1870, Napoleão lll declara guerra à 
Prússia. O esmagamento da França é rápido e o povo 
revolta-se contra o imperador. Este grande movimento 
popular, chamado A Comuna, abrasa . 
Paris. O bairro de Reuilly encontra-se 
no coração do conflito. 
As Irmãs tratam os feridos de ambos os lados, dos 
dois campos. Os combatentes invadem o convento. 
Catarina é presa e conduzida ao posto da polícia. 
Pedem-lhe que testemunhe contra "a Valentim", uma 
senhora fanática empregada no asilo, que muito a 
fizera sofrer. Os juízes ficam surpreendidos: Catarina 
nada diz, porque, para as Filhas da Caridade, todo o 
ser humano, mesmo o pior, merece ser respeitado. 
Catarina sente as suas forças a diminuir e a morte a 
aproximar-se. Sente-se atormentada, porque há um 
pedido da Virgem Maria que não foi realizado. Quem 
dará autorização para esculpir uma imagem de Maria 
com o globo terrestrena mão? O Padre Aladel, que 
recebera as suas confidências, já tinha morrido. 
Fala nisso à Superiora, Irmã Joana Dufês, e conta-lhe 
as suas conversas com a Virgem Maria. 
- A Irmã foi muito favorecida, diz-lhe a Irmã Joana 
emocionada. 
- Não fui senão um instrumento. Ela escolheu-me a 
mim, que sou ignorante, para que não pudessem 
duvidar dela. 
- Irmã Joana, é preciso fazer uma imagem de Maria 
com o mundo entre as mãos. Tal como uma mãe leva 
o filho nos braços, Maria apresenta a Deus toda a 
vida do mundo. Convida-nos a amar o mundo como 
Jesus o amou e a construir um mundo novo. 
Diante da imagem, finalmente esculpida, Catarina 
fica decepcionada: 
- A Santíssima Virgem é muito mais bela! 
58 
Dezembro de 1876: Catarina, cada vez mais fatigada, 
já não sai. Afirma com serenidade: "Não verei o fim 
do ano" . . . 
A 30 de Dezembro, o seu estado agrava-se. 
- Irmã Catarina, não tem medo de morrer? - pergunta 
a Irmã Joana. 
- De que havia de ter medo? Vou ver Nosso Senhor, 
a Virgem Maria e S. Vicente! 
No dia seguinte, Catarina recebe a comunhão. 
As Irmãs rezam o terço com ela, e lentamente, com 
um doce sorriso nos lábios, expira. 
Então, a Irmã Joana declara: 
- Já não há nada a esconder. Foi Catarina quem viu a 
Santíssima Virgem e recebeu a missã6 de mandar 
gravar a medalha milagrosa. 
r..·---------······--
fll �I \ .. 
•.. � •, 
- A Irmã Catarina ficava imóvel na capela, de olhos 
fixos na imagem de Nossa Senhora - diz a Irmã 
Filomena. Ainda penso nisso sempre que olho para o 
lugar onde ela se punha. 
- Eu gostava muito de rezar o terço com ela - acres­
centa a Irmã Ana Maria - ensinava-me a rezar. 
61 
A 3 de Janeiro de 1877, uma longa procissão. percorre 
os três jardins de Reuilly. Acudiu uma multidão 
imensa. Este enterro é um verdadeiro triunfo para 
aquela que sempre quis permanecer desconhecida. 
' l 
'Cáta:r:iha 'foi canon�zada peid ,��· . 
Papa Pio XII1 a 21 de Julho de · 
,+,947. Aetualmente, o seu corpq .. 
JL f j , j l ' : ')� r jl · ' ,' ;11 li i 
Fepous.a na eapela d'a MedaUi:a '' 
Milagwsa, em Paris1 :no n6 !40 
i da Rua.Du Ba.· c. · . . · ·,1 l �: . 
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11 I I I' li 
Esta capela to:Fn<;m-se um [ugaJí\ 
de penegrinação. 'Fal eomo em. 
Lourdes : as multidões
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· Iiesp�hl · Ir 1 ;" "} �I 'ir •• '' • 11 : ; , , • 11!" 1111 · ·.1 • . l!i 
dem ao eon�te da Vitrg�m Mana: 
"Vinde aos pés deste altar: :neie ' 
�syrão, ·, ��r�a;ma:d�s as 111
gr�ça:.� 
s0b�e aq:ue�es que as pedlften11 . ' 1·. "I< 
com fervor''. u ·' 
I I ! 
Y"Jara leu con.hecimenlo 
A Comuna 
Levantamento revolucionário muito violento, 
que teve lugar em Paris, em 1871. Foi pro­
vocado pelos trabalhadores descontentes 
com as suas más condições de vida. 
Associação 
Outrora chamada Associação dos Filhos de 
Maria, este movimento juvenil tem hoje o 
nome de "Juventude Mariana". Existe em 60 
países e reúne à volta de 200.000 jovens. 
Capela dos Padres da Missão 
São os Padres formados por S. Vicente de 
Paulo (veja-se o livro desta mesma colec­
ção, que conta a vida deste grande Santo). 
São enviados a anunciar, em toda a parte, 
o amor de Deus, mas sobretudo junto dos 
mais pobres. Na sua capela, em Paris, 
rua de Sêvres, 95, pode ver-se o corpo de 
S. Vicente de Paulo. 
Doença grave, contagiosa e frequentemente 
mortal. 
Conversão 
Acção de se voltar para Deus, de acreditar 
n'Eie. 
Crise económica 
Situação difícil para um país ou uma região, 
marcada pela falta de dinheiro e de trabalho. 
Dogma 
Verdade de Fé na qual a Igreja pede que se 
acredite. 
Filhas da Caridade 
São jovens, na maior parte, provenientes 
de ambientes modestos (camponesas ou 
aldeãs) que entregam toda a sua vida a 
Deus. Também são conhecidas por Irmãs 
de S. Vic:ente de Paulo. No seu tempo, as 
religiosas eram obrigadas a permanecer no 
interior do seu convento. Vicente tem a ousa­
dia de enviar as Filhas da Caridade por toda 
a parte, iiniciando assim um novo estilo de 
vida religiosa. Envia-as para os bairros 
pobres, e por vezes perigosos, para os tugú­
rios dos doentes, os hospitais, as prisões e 
até para os campos de batalha. Diz-lhes: 
"Tereis por convento a casa dos doentes; 
por claus1tro as ruas da cidade; por capela, a 
igreja da paróquia". Com elas, começaram 
as primeims mestras rurais, as enfermeiras 
a domicíiÍio, as assistentes sociais, as visi­
tadoras das prisões, as educadoras de 
infância e das jovens em dificuldade ... 
67 
Imaculada Conceição ou "Maria concebida 
sem pecado" 
Escolhida por Deus para ser a Mãe de 
Jesus, Maria foi cheia de graça e preserva­
da de todo o pecado desde o primeiro 
momento da sua existência. 
Missão 
Projecto confiado a uma pessoa. 
Noviciado 
Lugar de estudo e de formação para os que 
se preparam para o sacerdócio ou para a 
vida religiosa. 
Revolução 
Convulsão violenta, mudança política ou 
social que, por vezes, provoca motins, lutas 
sangrentas. 
Vocação 
Chamamento de Deus, desejo profundo de 
se entregar a Ele. 
69 
Oração 
Obrigado, Senhor Jesus 
pela vida da Irmã Catarina. 
Obrigado pela sua coragem nas dificuldades 
e a sua decisão em responder 
ao Teu chamamento. 
Obrigado pela alegria que lhe concedeste 
de poder ver a Virgem Maria 
e pela Missão que lhe confiaste 
de dar a conhecer e amar 
na beleza e pureza do seu coração imaculado. 
Obrigado pelo seu silêncio e humildade, 
a sua alegria e paz, 
a sua oração e vida tão simples 
ao serviço dos idosos e doentes. 
Senhor Jesus, ensina-me 
a receber com toda a simplicidade, 
como a Irmã Catarina, 
as alegrias que me envias. 
Põe no meu coração o desejo de falar contigo, 
de Te escutar e de fazer o que Tu me pedes!
Que Maria, tua Mãe, me leve até junto de Ti
e de todos os que precisam do meu sorriso 
e da minha alegria. 
Obrigado, Senhor Jesus! 
Amen. 
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