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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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Neste contexto, a situação pode ser abordada em mecanismo consensual, de 
forma mais clara e eficiente, atendendo os vínculos pessoais das partes, em conjunto 
com necessidades emocionais e reconhecendo a importância do respeito mútuo, além 
de corresponder à interesses imateriais que podem estar presentes.165 
O Novo código de Processo Civil de 2016 dispõe em seu primeiro capítulo 
que, o Estado deverá promover, sempre que possível, a solução consensual de 
conflitos, que deverão ser estimulados pelos magistrados, advogados e membros do 
ministério público.166 
O Código de Ética e Disciplina da OAB, no art. 2º, § único, inciso VI, disciplina 
que o advogado se faz indispensável para a administração da Justiça, com o dever 
de estimular a conciliação entre os litigantes, ainda, devendo prevenir, sempre que 
possível a instauração de litígios.167 
O bom advogado deverá informar seu cliente sobre a finalidade das 
audiências compositivas, abordando as possibilidades de autocomposição, 
compreendendo com maior profundidade as resistências da outra parte justamente 
estimulando o fomento ao consenso, do qual trata o Código de Ética.168 
O dever previsto no Código de ética e Disciplina atribui ao advogado a 
prevenção de litígios, a quem incumbe conhecer todos os procedimentos aptos a 
responder da melhor forma aos interesses de seus clientes, ainda, se o advogado 
revela resistência aos métodos autocompositivos acaba por apresentar postura 
incompatível com aquela desejada por aqueles que poderiam vir a contratá-lo.169 
O artigo 334, § 8º do CPC dispõe que as partes devem estar acompanhadas 
pelos seus respectivos advogados nas audiências conciliatórias, mas a presença do 
advogado deve ser efetiva, sob pena de gerar maior desagregação e desconfiança 
 
165 TARTUCE, Fernanda. Mediação ... Op. cit., p. 99. 
166 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Op. cit., p.44. 
167 Vide art. 2º, § Único, VI, do Código de ética e Disciplina da OAB. 
O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado democrático 
de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social, subordinando a atividade 
do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce. 
 Parágrafo único. São deveres do advogado: 
 (...) 
VI estimular a conciliação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a 
instauração de litígios; 
168 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 155. 
169 TARTUCE, Fernanda. Mediação... Op. cit., p. 108. 
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entre as partes, visto que exerce impacto no sentido de estimular a solução 
consensual ou buscar a sentença.170 
A adoção dos meios autocompositivos tende a se expandir cada vez mais, 
portanto, deve o advogado reconhecer os casos ou momentos oportunos para utilizá-
los, sob pena de ser tido como um profissional indiferente, ou mesmo, fraco, refletindo 
carência de crescimento profissional e adequação aos novos tempos.171 
O esperado de um profissional do direito é uma conduta atualizada, 
condizente com as necessidades contemporâneas e adequada com a noção de 
efetiva pacificação social, TARTUCE acrescenta: “O advogado deve ser, antes de 
tudo, um negociador, um eficiente gerenciador de conflitos, não mais se revelando 
pertinente a figura do advogado excessivamente beligerante” 172 
O advogado precisa conquistar o cliente a aderir aos meios consensuais de 
resolução dos conflitos, apresentando suas vantagens ao cliente, com argumentos 
que reproduzam a possibilidades de soluções melhores e mais céleres para 
problemas complexos, abordar os interesses em jogo e ainda, a possível manutenção 
do controle da situação.173 
Faz parte do dever do advogado informar o cliente quanto aos riscos de sua 
pretensão e das possíveis consequências advindas da demanda judicial, de modo 
que, o mais acertado seja a busca de solução para o fato gerador, compreendendo os 
possíveis meios de resolução disponíveis, oferecendo ao cliente aquele de seja mais 
adequado ao caso.174 
A flexibilização da autocomposição permite que as partes construam um rito 
que se amolda as suas necessidades, como a limitação da duração do processo, 
logística e custos, situação diferente das oferecidas nos meios adjudicatórios em que 
o julgador centralizar todos os trabalhos. 175 
Ao advogado cabe conversar com seu cliente, de modo a identificar seus reais 
interesses e ofertar as possíveis soluções, inclusive aquelas que oportunizam ganhos 
 
170 FERREIRA, Camille G. J.; MACABEU, André Luís Vieira. Op. cit., p. 81. 
171 BARBADO, Michelle Tonon. Op. cit., p. 372. 
172 TARTUCE, Fernanda. Mediação... Op. cit., p. 108. 
173 TARTUCE, Fernanda. Advocacia ... Op. cit., p.9. 
174 FERREIRA, Camille G. J.; MACABEU, André Luís Vieira. Op. cit., p. 82. 
175 TARTUCE, Fernanda. Advocacia... Op. cit., p.9. 
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mútuos, explanar os pisos máximo e mínimo, prever quais opções podem ser 
consideradas pela parte oposta. 
O operador do direito também deverá se preocupar com o empoderamento do 
cliente, que sob sua assessoria estará educado nas técnicas de negociação e 
mediação atuando da melhor forma possível em função de seus interesses, instruído 
sobre o procedimento, antecipando as perguntas essenciais das seções, sabendo 
responder e dizer exatamente o que sente e pensa sobre a situação, inclusive, deve 
ser estimulado a ser empático com a outra parte, colocando-se em seu lugar.176 
 
3.2 A JUSTIÇA EM NÚMEROS 
 
Durante o processo de reconhecimento da situação conflitiva e da decisão 
sobre o meio mais adequado, quando se pensa em optar pela via jurisdicional é 
imperioso refletir sobre a situação vivenciada no judiciário brasileiro, é oportuno 
explanar estudos realizados neste sentido. 
O Conselho Nacional de Justiça, cumprindo seu dever de informação, edita 
relatórios em que se apresenta a atuação dos órgãos do poder judiciário, receitas, 
despesas, as estruturas orgânicas, mostrando como se desenvolvem as atividades 
judicantes, suas dificuldades e possibilidades para melhor atendimento das 
demandas, tempo de tramitação das demandas em todos os graus de jurisdição, 
sistemas implementados, bem como, o índice comparativos de grande parte dos 
dados apontados. 
Portanto, se faz mister analisar os relatórios que apontam a efetividade da 
prestação jurisdicional, bem como os índices de aplicabilidade dos meios adequados 
de resolução de conflitos, de modo a demonstrar a viabilidade ou não da resolução 
pelas vias adjudicatórias. 
Primeiramente serão analisados os índices de Litigiosidade em todo o 
território nacional: 
 
 
176 Ibidem, p.11. 
45 
 
 
Quadro 1 - Litigiosidade177 
 
Litigiosidade 
 Justiça Estadual Justiça do Trabalho Justiça Federal 
Movimentação processual 
Casos novos 20.207.585 4.321.842 3.865.182 
Criminal 2.501.484 126.559 
Não- criminal 17.706.101 4.321.842 3.738.623 
Julgados 22.509.456 4.622.521 3.262.442 
Criminal 2.762.307 73.452 
Não- criminal 19.747.149 4.622.521 3.188.990 
Baixados 21.688.091 4.481.991 3.738.569 
Criminal 2.841.585 135.687 
Não- criminal 18.846.506 4.481.991 3.603.882 
Casos pendentes 63.482.535 5.517.205 10.305.148 
Criminal 7.936.592 212.976 
Não- criminal 56.085.943 5.517.250 10.092.172 
Fonte: CNJ 2018. 
 
Analisando o quadro é possível perceber que, no tocante ao número de ações 
ajuizadas, em 2017, na Justiça Estadual foram distribuídas 20.207.585 novas ações, 
na Justiça do Trabalho 4.321.842 e na Justiça Federal 3.865.182. 
O índice de julgamentos ultrapassou os de ajuizamento: na Justiça Estadual 
foram julgados 22.509.456 processos e na Justiça do Trabalho 4.622.521, sendo que 
somente na Justiça Federal o índice de ajuizamento foi superior ao de julgamento que 
correspondeu a 3.262.442