A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
68 pág.
Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

Pré-visualização | Página 17 de 19

a 
abordagem consensual poderá ser mais rápida e reduzir os danos causados.198 
Empresas podem utilizar os mecanismos consensuais visando conter danos 
à sua imagem ou má reputação, ou ainda, reduzir o valor da indenização paga ao final 
do processo, sem deixar de lembrar que as relações entre as partes podem voltar a 
ocorrer após o acordo amigável. 
A melhor solução do conflito pode resultar em maior satisfação do cliente, 
consequentemente com isso o advogado será remunerado conforme sua atuação na 
resolução do problema. 
Neste sentido CABRAL elenca as vantagens enumeradas por Eugênio 
Facchini Neto, conforme: 
 
Eugênio Facchini Neto agrupa os argumentos favoráveis aos métodos alternativos em 
qualitativos e quantitativos. O argumento de natureza quantitativa é o mais invocado; os meios 
alternativos deveriam ser incentivados porque são uma maneira mais efi ciente de solução 
das disputas, de menor custo e muito mais rápidos; o segundo argumento, “qualitativo”, parte 
de uma abordagem segundo a qual os meios alternativos possibilitam uma maior participação 
das partes no desenvolvimento do processo e permite a elas um maior controle sobre o 
resultado do processo – afinal, são elas que definem esse resultado. Além disso, sustenta-se 
que os meios alternativos oferecem uma maior possibilidade de reconciliação entre as partes, 
garantindo uma melhor comunicação entre elas, aumentando assim a probabilidade de 
manutenção ou recuperação das relações interpessoais.199 
 
Acrescenta ainda: 
 
Petrônio Calmon indica a redução da inflação processual; a redução da demora e dos custos 
dos processos; a promoção de sua efetiva qualidade; proporcionar à sociedade alternativas 
para a solução dos conflitos além da via judicial; proporcionar a justiça restauradora e a efetiva 
pacificação social; proporcionar alternativas de solução adequadas a cada tipo de conflito, 
racionalizando a distribuição de justiça; incrementar a participação da comunidade na solução 
dos conflitos; facilitar o acesso à justiça; proporcionar meios de solução para a litigiosidade 
contida; proporcionar a mais adequada informação do cidadão sobre os próprios direitos e 
sua orientação jurídica.200 
 
Com o decorrer do tempo, a sociedade passará a aderir consideravelmente 
aos meios autocompositivos, á longo prazo, é possível deduzir que os advogados 
capazes de solucionar questões de forma efetiva e rápida receberão justa 
contrapartida pelo seu diferencial.201 
 
198 TARTUCE, Fernanda. Mediação ... Op. cit., p. 114. 
199 CABRAL, Marcelo Malizia. Op. cit., p. 143. 
200 Idem. 
201 BARBADO, Michelle Tonon. Op. cit., p. 378. 
56 
 
 
Ademais, o Novo Código de ética da OAB no art. 48,§ 5º (Resolução n. 
02/2015 CFOAB) prevê a vedação da diminuição dos honorários contratados em 
decorrência da solução do litígio por qualquer mecanismo adequado de solução 
extrajudicial, a vedação se faz em qualquer hipótese. 
 Segundo TARTUCE: “A previsão ganhou elogios por romper “a perversa 
sistemática de punir o advogado que se pauta pela economia processual e maior 
satisfação do cliente com pressões para redução de sua remuneração”. 202 
As várias possibilidades empregadas para atender a questão proposta pelo 
cliente, revela a versatilidade do advogado, não somente isso, propicia maior 
satisfação ao destinatário de sua atuação, o que enseja a valorização do profissional. 
Corroborando com este entendimento, BARBADO acrescenta: 
 
Advogados com prévia experiência ou conhecimento de RADs podem aconselhar os clientes 
que procuram seus serviços a aderir a esses processos, demonstrando-lhes as vantagens e 
as possibilidades de sucesso. Não há dúvidas de que um caso solucionado de forma rápida, 
eficiente e menos desgastante para o cliente é um poderoso instrumento de “marketing” para 
o profissional da advocacia. 203 
 
O advogado que atua de forma diferenciada pode mudar a forma de cobrar os 
honorários, utilizando combinações da percepção de valores por atos processuais, 
atividades de consulta, orientação e acompanhamento, o que resulta em uma 
percepção imediata e célere dos honorários, com cobrança diversa em atuações 
técnicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
202 TARTUCE, Fernanda. Advocacia ... Op. cit., p.378. 
203 BARBADO, Michelle Tonon. Op. cit., p. 378. 
57 
 
 
CONCLUSÃO 
 
O conflito é inerente a todo aquele que convivem em sociedade, muitos deles 
são resolvidos de imediato, alguns ficam esquecidos, já outros tomam proporções que 
fogem do controle dos envolvidos, momento no qual se faz necessário a intervenção 
estatal. 
No entanto, ao longo da história o acesso ao judiciário era somente dedicado 
àqueles que poderiam pagar, ou mesmo, tiveram certa influência na sociedade, mas 
isso foi sendo superado com as ondas de acesso à justiça, que disponibilizaram a 
prestação jurisdicional à todos aqueles que precisaram, no que resultou o 
abarrotamento do sistema judiciário nacional. 
Em busca de manter e otimizar o devido acesso à justiça, foram recuperados 
os meios autocompositivos, mas agora com a regulamentação do Estado, 
disponibilizando não somente uma prestação jurisdicional, mas sim a prestação mais 
adequada para a situação conflitiva. 
De certa forma, a solução se fez bastante acertada, pois os meios 
autocompositivos retiram do judiciário ações que sequer precisariam de sua 
intervenção, devolvendo aos litigantes o controle sobre o destino de seus conflitos e 
oferecendo a oportunidade de resolvê-los pela via mais adequada o que reflete ao 
sistema “multiportas”. 
Ocorre que ao longo o tempo foi possível verificar a baixa adesão aos meios 
autocompositivos, seja pela falta de informação dos litigantes ou pela ausência de 
interesse por parte de seu advogado, que busca, além de seus honorários contratuais, 
também os sucumbenciais. 
Os advogados, grande parte das vezes são os primeiros a serem procurados 
para auxiliar o litigante na solução do conflito, mas prontamente oferecem o ingresso 
em ação judicial, este comportamento impede que o cliente tenha o devido tratamento 
daquela situação. 
Muitas vezes a situação não será resolvida com a sentença judicial, como 
muitas vezes são os casos de brigas de vizinhos, que ensejam danos morais, mas 
que não ajudam a recuperar o vínculo com alguém que mora ao lado. Ou mesmo em 
ações de obrigação de fazer que ao final possa já não ser mais o desejo do 
requerente. 
58 
 
 
Ou seja, o valor monetário nem sempre é a finalidade do litigante, pode até 
ser uma consequência da ação, mas questões subjetivas jamais serão tratadas em 
sentença, a exemplo, um pedido de desculpas. 
Sendo o primeiro a ter contato com as partes, o advogado deve estar melhor 
preparado, educado, doutrinado a trabalhar o conflito pela via mais adequada, haja 
vista que possui a confiança de seu cliente. 
Inúmeras são as motivações que levam essa abordagem do conflito por parte 
do advogado, no entanto, a preocupação deve ir além dos honorários, haja vista que, 
ao atender seu cliente, satisfazendo plenamente suas necessidades, certamente será 
remunerado pelo seu expertise em resolver a situação e não pelo tempo que dedicou 
tentando resolver pela via jurisdicional. 
Além do mais, ao solucionar as questões com agilidade, deixando de lado 
toda a burocracia que o devido processo estabelece, o tempo será aliado do 
advogado, poderá atender mais clientes, dispensará menos tempo cuidando de cada 
situação. 
A famosa frase repetida no mundo dos negócios: “Tempo é dinheiro” pode ser 
muito bem aplicada quando pensamos na agilidade da solução jurisdicional, no 
entanto, o dinheiro é recuperado, de uma forma ou de outra, mas o tempo jamais se 
recupera, é nesse sentido que deve ser abordada a importância do tempo, levando à 
seguinte reflexão: É realmente necessária ajuizar uma demanda? Uma negociação 
preliminar não seria