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Monografia- A ATUAÇÃO DO ADVOGADO DIANTE OS MEIOS ADEQUADOS DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

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evitem ou desistam da jurisdição. A conciliação é um processo consensual 
breve, envolvendo conflitos de menor complexidade.86 
O Conciliador possui como função principal, conseguir um acordo entre 
pessoas, ou seja, um terceiro imparcial será adicionado na relação buscando permitir 
uma mudança na dinâmica da relação entre as partes, considerando que ao permitir 
 
84 TARTUCE, Fernanda. Op. cit., p. 72. 
85 GUERRERO, Fernando, L. Os Métodos de Solução de Conflitos e o Processo Civil. 
Coleção Atlas de Processo Civil. (Coord). CARMONA, Carlos Alberto. São Paulo: Atlas, 2015. p.15. 
86GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Manual de arbitragem e mediação: 
conciliação e negociação. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. p.43-44. 
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uma conciliação as partes já estão se abrindo para novas soluções, que até aquele 
momento não haviam sido cogitadas, no entanto o conciliador participa de forma 
colaborativa, sendo que as partes construirão a solução.87 
A conciliação, além do acordo, busca a efetiva harmonização das partes, 
visando restaurar sua relação social, utilizando técnicas persuasivas, mas não 
impositivas nem coercitivas, consumindo apenas o tempo suficiente para demonstrar 
o interesse do conciliador com a solução do caso, atingindo uma solução construtiva 
para o conflito, permitindo que os envolvidos sintam-se ouvidos, tudo isso com a 
utilização de técnicas multidiciplinares que possibilitam a solução satisfatória no 
menor prazo possível.88 
Essa modalidade pode ser realizada antes da instauração do processo 
judicial, que poderá ocorrer de forma incidental, para tanto, o judiciário dispõe de 
setores de conciliação em Tribunais de Justiça e Câmaras extrajudiciais de 
autocomposição, sendo uma forma menos custosa e mais célere de gerir os 
conflitos.89 
Antes de iniciar os atos processuais, as partes e seus advogados deveriam 
cogitar sobre a possibilidade de transação, pois mesmo não sendo realizada a 
audiência conciliatória, as partes poderão ser repetidamente incentivadas pelo juiz a 
realizar a composição amigável, o que poderá resultar em acordos sem a devida 
reflexão.90 
Ao utilizar as técnicas de conciliação, os profissionais devem obedecer aos 
princípios norteadores dos métodos mediativos, quais sejam: confidencialidade, 
imparcialidade, voluntariedade e autonomia da vontade das partes.91 
Temos a modalidade de conciliação judicial e extrajudicial, no sentido de que 
a judicial ocorre no curso de uma demanda judicial, em que o referido acordo será 
homologado pelo juiz convertido em título executivo judicial, enquanto a conciliação 
 
87 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 161. 
88 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Guia de Conciliação e Mediação Judicial: 
orientação para instalação e CEJUSC. Brasília/DF: Conselho Nacional de Justiça. p. 38. 
89 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Negociação, mediação e arbitragem: curso básico para programas de graduação 
em Direito. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 157. 
90 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 155. 
91 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça 2015. Op. cit., p. 37. 
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extrajudicial se dá por meio de contrato consumado por escrito na presença de duas 
testemunhas se revestindo com força de título executivo extrajudicial.92 
Na conciliação o conciliador sob nenhuma hipótese irá definir o conflito, 
apenas possui o papel proativo de conduzir os litigantes ao melhor desfecho da 
situação, pode sugerir decisões.93 
Neste sentido, SALLES acrescenta: 
 
Vale destacar, contudo, que o ideal é que as próprias partes tenham a chance de delinear 
sua saída; como elas conhecem com profundidade o relacionamento interpessoal, têm 
condições de melhor discernir opções viáveis e produtivas. 
O conciliador não deve, portanto, julgar o mérito das questões nem dizer às partes o que 
devem fazer; seu papel é contribuir para que pensem em soluções criativas.94 
 
Portanto, a conciliação é a modalidade de solução de conflito na qual as partes 
não possuem vínculo anterior ao fato que ensejou o conflito, buscarão a composição 
com intermédio de um conciliador que apenas estimulará a interação as partes, sem 
definir ou julgar o conflito, buscando apenas o melhor resultado possível.95 
 
2.2 MEDIAÇÃO 
 
Juntamente com a conciliação é prevista no CPC no art. 3º, §§ 2º e 3º e entre 
os artigos 165 a 175 do mesmo diploma legal, além de disciplinada pela Resolução 
125/2010 do CNJ, no entanto possui ainda previsão específica na Lei 13.140/2015, a 
chamada “Lei da Mediação”. 
A função da mediação pode ser extraída do art. 165, § 3º, do CPC, em que 
pese: “O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo 
anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os 
interesses em conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da 
comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios 
mútuos.” 
 
92 GUILHERME, Luiz Fernando do Vale de Almeida. Manual de arbitragem e mediação: 
conciliação e negociação. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. p.55. 
93 Ibidem, p. 56. 
94 SALES, Carlos Alberto de; LORENCINI, Marco Antônio Garcia Lopes; SILVA, Paulo 
Eduardo Alves. Op. cit., p. 164. 
95 Ibidem. p. 159-161. 
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Quando as partes acreditam que podem chegar a um acordo com o auxílio de 
um terceiro desinteressado é indicada a Mediação, principalmente, quando irão 
manter uma continuidade de relação após o conflito. Neste procedimento é oferecida 
aos litigantes oportunidade de externalizar suas preocupações e prioridades básicas 
em relação à disputa, além de garantir condições de manter, reforçar ou melhorar o 
relacionamento.96 
A modalidade de mediação para resolução de conflitos atende principalmente 
as partes e não o caso, privilegiando as pessoas com base em suas perspectivas 
pessoais, partindo do pressuposto de que existem dificuldades e limitações dessas 
pessoas em administrar seus conflitos e por isso, é necessária a presença de um 
terceiro que auxiliará na gestão desse conflito.97 
Muito semelhante à conciliação, que se diferencia pelo fato de consistir em 
um procedimento que envolve a ação de um terceiro, que será o mediador, este 
buscará intermediar a realização de um acordo, com participação menos incisiva, 
priorizando a maior aproximação dos envolvidos.98 
A mediação possui um método complexo, que será operado por meio da 
intervenção de um terceiro que terá inúmeras funções, dentre as quais deverá 
principalmente propiciar momentos de reflexão sobre toda a situação conflituosa 
vivenciada, o que fará as partes repensar sobre perspectiva de futuro sobre o fato, 
bem como o convívio.99 
De maneira simples, BARBADO descreve a mediação como: 
 
A mediação, em sua forma mais simples, é um processo através do qual uma terceira pessoa 
assiste duas ou mais partes no processo elaborativo de sua própria solução para um conflito. 
A eficácia da mediação reside na oportunidade que têm os adversários de examinar a questão 
em reuniões particulares ou em reuniões conjuntas, com objetivo de criar uma solução de 
ganhos mútuos, que contemple o máximo de seus interesses individuais e comuns. Nota-se 
que, a partir desse processo, as partes voluntariamente afastam-se de outras abordagens do 
problema, como a ação judicial. A mediação pode ser considerada, portanto, como uma 
negociação assistida. 100 
 
 
96 BARBADO, Michelle Tonon. Um novo perfil para a advocacia: O exercício profissional 
do advogado no processo de mediação. AZEVEDO, André Gomma de. Estudos em