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Isabela Trarbach Gomes Farmacologia Aplicada à Odontologia Farmacodinâmica É responsável pelo estudo do que o medicamento faz com nosso organismo. A farmacodinâmica envolve o mecanismo de ação do fármaco e o que é necessário acontecer para que o efeito apareça. · AÇÃO X EFEITO: A ação é a interação do fármaco com seu receptor, seu local de reconhecimento, enquanto o efeito é o resultado proveniente dessa interação. · Existem 4 principais tipos de receptores em que os fármacos podem se conectar: 1. Receptores acoplados aos canais iônicos: Eles podem apenas ser ativados por voltagem ou ligante. 2. Receptores acoplados a proteína G: Normalmente são responsáveis por amplificar o sinal biológico. 3. Receptores enzimáticos 4. Receptores intracelulares Na maioria das vezes o receptor se encontra na membrana, então o fármaco no meio extracelular se liga ao receptor e essa ação é traduzida em efeito intracelular justamente pelo fato da proteína ser uma proteína transmembrana. No caso dos receptores intracelulares, o fármaco precisa penetrar na célula para que possa se ligar ao receptor. Esses receptores são específicos e é necessário que um medicamento se ligue a ele para gerar efeito como se fosse num reconhecimento de chave e fechadura (bastante específico). · CURVA DOSE-EFEITO: Curva em S que apresenta um limiar e um efeito máximo. O efeito limiar é o mínimo de medicamento necessário para que o efeito apareça, ou seja, doses abaixo do limiar não vão gerar efeito algum. Quanto ao efeito máximo não é possível afirmar que quanto maior a dose maior o efeito porque essa afirmação só é verdadeira até o limite de saturação dos receptores. A curva padrão dose efeito possui a curva limiar e efeito máximo. Entre o efeito limiar e o efeito máximo é onde se encontram as doses mais úteis do medicamento, porque se consegue ampliar o feito e reduzir o efeito através de modificações nas doses. Existem 2 pontos importantes na análise da curva dose-feito ou dose-resposta: 1. POTÊNCIA: A potência diz respeito à dose necessária de um determinado medicamento para gerar um determinado efeito, ou seja, o medicamento mais potente será aquele que consegue chegar no efeito desejado utilizando uma dose menor. Já o medicamento menos potente consegue chegar no efeito desejado, entretanto, é necessário uma dose/quantidade de medicamento maior. 2. EFICÁCIA: Esse conceito diz respeito ao efeito máximo conseguido com a utilização de um determinado fármaco. O fármaco mais potente entre morfina e meperidina é a morfina porque ela consegue gerar o mesmo efeito com a utilização de uma dose menor que a meperidina. Quanto mais deslocada para direita estiver a curva do medicamento menos potente ele vai ser, porque, esse deslocamento para direita significa que ele precisa de doses maiores, já que a dose está no eixo X. Quanto à eficácia, tanto a morfina quanto a meperidina são igualmente eficazes. Os dois medicamentos conseguem alcançar o mesmo efeito máximo, entretanto as doses de meperidina para esse efeito são maiores. Agora quando comparamos a morfina com a codeína é possível perceber que a codeína é menos eficaz porque o efeito máximo conseguido com ela não é tão grande quando comparado com a morfina. Para a avaliação da eficácia é necessário observar a altura da curva, porque o efeito está localizado no eixo Y. · AGONISTA X ANTAGONISTAS: 1. AGONISTAS: são aqueles fármacos que ao se ligarem no receptor conseguem simular os efeitos dos ligantes endógenos daquele receptor. Existem 2 tipos diferentes de agonistas: 1.1. AGONISTAS TOTAIS: o seu efeito máximo não é superado por nenhum outro agonista. 1.2. AGONISTAS PARCIAIS: possuem seu efeito máximo superado por outro agonista No gráfico pode ser observado 4 fármacos e suas curvas de dose-efeito, e sabe-se que eles são agonistas porque existe a curva, porque todo fármaco que gera efeito ao se ligar no receptor vai ter uma curva de dose efeito ou dose resposta. A morfina e meperidina são agonistas totais, porque seu efeito máximo não está sendo superado por nenhum outro agonista, já a codeína e aspirina são agonistas parciais, porque o efeito máximo já está sendo superado pelos agonistas totais. 2. ANTAGONISTAS: são aqueles que ao se conectarem ao receptor não exercem efeito algum. O objetivo de se usar o fármaco antagonista não é ter um efeito específico, mas impedir que o ligante endógeno se conecte e gere efeito. Os fármacos antagonistas não têm curva de dose-efeito já que eles não produzem efeito, entretanto eles podem interferir na curva dose-resposta dos agonistas porque eles vão ocupar o lugar no receptor. 2.1. ANTAGONISTAS COMPETITIVOS: se ligam ao receptor de forma reversível. Sendo assim, é possível deslocar o antagonista competitivo do receptor. Figura 1. 2.2. ANTAGONISTA NÃO-COMPETITIVO: Se liga no receptor de maneira irreversível, sendo impossível deslocá-lo do receptor. Figura 2. Figura 1- análise da curva do agonista com antagonista: é possível observar que quando há presença de um antagonista competitivo o agonista até conseguiu atingir o efeito máximo, mas para isso foi preciso usar doses maiores porque o antagonista competitivo se liga de forma reversível, então para desloca-lo é necessário competir com ele aumentando a dose do agonista. Ao aumentar o agonista ele vai deslocar o antagonista competitivo e conseguirá se conectar e por fim chegará ao mesmo efeito máximo que ele alcançaria antes, quando foi administrado sozinho. Figura 2 – análise do agonista com antagonista não competitivo: observa-se que não é possível chegar com o agonista no mesmo efeito máximo observado quando ele é administrado sozinho. Isso porque o antagonista não competitivo se liga ao receptor de forma irreversível. Sendo assim, mesmo que haja aumento da dose administrada não haverá competição porque o agonista não conseguirá deslocar o antagonista e alcançar o efeito máximo. Após a análise dos gráficos é possível afirmar: · Na presença de antagonista competitivo a curva do agonista se desloca para direita. · Na presença de antagonista não-competitivo a curva do agonista se desloca para baixo. OBS: conceitos DOSE EFICAZ MEDIANA (DE50): dose capaz de produzir efeito terapêutico em metade dos indivíduos. DOSE LETAL MEDIANA (DL50): dose capaz de matar metade dos animais em um determinado experimento. DOSE TÓXICA MEDIANA (DT50): dose capaz de causar toxicidade em metade dos animais em determinado experimento. ÍNDICE TERAPÊUTICO (DL50/DE50): representa a segurança do fármaco. Quanto maior for a dose letal em relação a dose eficaz mais seguro vai ser o fármaco por conta do distanciamento dessas duas doses. Quanto mais distante eles forem, melhor, porque o paciente tem menos risco de se intoxicar acidentalmente. ALTO ÍNDICE TERAPÊUTICO = maior segurança do medicamento.