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COLÉGIO DE SAÚDE DE PERNAMBUCO
Curso Técnico em Enfermagem - Modulo I
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EQUIPE TÉCNICA:
Ana Lúcia Alves de Souza
Ana Valéria Vieira Tibúrcio
Ivonete Maria Lima Silva
Jacyra Salucy Antunes Ferreira
Kharolyne Moreira
Lilian Ferreira Mota
Tatiane Castanha
Yane Ferreira Cardoso
COORDENAÇÃO TÉCNICA
Ana Lúcia Alves de Souza
DIREÇÃO
Jacyra Salucy Antunes Ferreira
Olinda, fevereiro de 2016.
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SUMÁRIO
Página
Apresentação 04
Introdução 05
Unidade I – Problemas de saúde local 07
Unidade II – História Natural da doença 41
Unidade III – Vigilância à saúde 63
Unidade IV- Organização do sistema de saúde brasileiro 87
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APRESENTAÇÃO DO CURSO
O Colégio de Saúde de Pernambuco vem desde 1995 trabalhando um projeto de
profissionalização na área de saúde, voltada para uma clientela que pretende ingressar no
mundo do trabalho.
Para alcançar seu objetivo, o colégio conta com uma equipe de professores graduados
e pós-graduados nas áreas de Enfermagem, Psicologia, que vêm desenvolvendo uma proposta
metodológica centrada no aluno.
Desde o ano 2000, estamos trabalhando com o curso Técnico em Enfermagem,
organizados em módulos trazendo as competências e habilidades necessárias ao exercício da
profissão. A linha metodológica toma por base, o ritmo próprio do aluno, onde a construção
do conhecimento dar-se-á a partir do estudo-reflexão/discussão/ação, de forma a confrontar o
saber anterior dos alunos e o conhecimento científico, através de atividades teórico-prática
dentro e fora da sala de aula, complementado portextos de apoio que consolidarão o
aprendizado. A vantagem da utilização deste método é que ele proporciona ao aluno a
condição de construir seus conhecimentos profissionais passo a passo, observando-se a
complexidade dos conteúdos.
Cada módulo tem sua carga horária teórica/ prática, distribuída de forma a possibilitar
ao aluno a sistematização e consolidação dos conhecimentos antigos e novos, associando a
teoria com a aplicação prática no seu cotidiano. Ao final do curso técnico, o aluno tem a opção
de dar continuidade a seus estudos, optando por um dos cursos Especialização /
Aperfeiçoamento oferecido por esta instituição.
O processo de avaliação é realizado de forma contínua, observando-se as
competências e habilidades da referida unidade/módulo. Esta forma de trabalhar oportuniza
ao aluno que a recuperação das habilidades não construídas seja realizada durante o processo
de aprendizagem.
O material que ora se apresenta, elaborado por um esforço coletivo dos que fazem
esta instituição, a exemplo do curso, também está organizado em módulos, de acordo com
cada unidade temática, com a finalidade de subsidiar a construção do seu conhecimento,
contribuindo para uma prática consciente de cidadania e uma assistência mais humanizada.
Jacyra Salucy Antunes Ferreira
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INTRODUÇÃO AO MÓDULO I
Neste primeiro módulo de nosso curso, denominado “Processo saúde-doença”, vamos
discutir e aprender sobre os principais problemas de saúde que acometem a população; suas
causas e/ou fatores determinantes; os agentes infecciosos que contribuem para o processo de
adoecimento, bem como a forma de organização do sistema de saúde brasileiro para atender
a essa demanda.
Para isso, temos uma carga horária teórico-prática de 120 horas, e utilizaremos como
método a discussão e trabalhos de grupo e discussões de experiências vividas por vocês alunos
nas suas vidas cotidianas. Por isso, sua participação é fundamental para nossa evolução e
aprendizado.
Ao final de nossos estudos neste módulo, teremos que ter desenvolvido as seguintes
competências:
1. Identificar os principais problemas de saúde de sua comunidade, suas causas e/ou
fatores determinantes;
2. Identificar fatores de risco que elevam a incidência de doenças na comunidade;
3. Compreender o processo saúde-doença;
4. Conhecer a cadeia de transmissão das doenças e o processo infeccioso;
5. Descrever o funcionamento do sistema imunológico;
6. Manter a vigilância das infecções hospitalares;
7. Realizar ações no controle de riscos à saúde da população;
8. Compreender o sistema de saúde dentro de um processo histórico e político;
9. Compreender o Sistema Único de Saúde- SUS, suas diretrizes e normas;
10. Compreender a estratégia de saúde da família e o programa de agentes comunitários
de saúde.
Vamos começar?!
Bom estudo.
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UNIDADE 1 – OS PROBLEMAS DE SAÚDE LOCAL
Para iniciarmos nosso curso, neste primeiro módulo vamos discutir um pouco sobre os
principais problemas de saúde de sua localidade, como e porque isso acontece, o que
podemos fazer para evita-los.
Quando concluirmos nossos trabalhos nesta unidade algumas competências são
importantes que vocês consigam aprender. São elas:
1. Identificar os principais problemas de saúde de sua comunidade, suas causas e/ou fatores
determinantes.
2. Identificar fatores de risco que elevam a incidência de doenças na comunidade.
TEXTO Nº 1 - SAÚDE E AMBIENTE
Para chegarmos ao entendimento do processo saúde doença da população é
importante que possamos entender antes as questões relativas ao meio ambiente e sua
relação com os problemas de saúde dessa mesma população.
Entende-se por meio ambiente o panorama animado ou inanimado onde se desenvolve
a vida de um organismo. É um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um
sistema natural, e incluem toda a vegetação, animais, micro-organismos, solo, rochas,
atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também
compreende recursos e fenômenos físicos como ar, água e clima, assim como energia,
radiação, descarga elétrica, e magnetismo.
Para as Nações Unidas, meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos,
biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou
longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.
A preservação do meio ambiente depende muito da sensibilização dos indivíduos de
uma sociedade. A cidadania deve contemplar atividades e noções que contribuem para a
prosperidade do meio ambiente. Desta forma, é importante saber instruir os cidadãos de
várias idades, através de formação nas escolas e em outros locais.
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No meio ambiente existem vários fatores externos que têm uma influência no
organismo. Os efeitos imediatos do meio ambiente físico sobre a saúde humana podem ser
observados e sentidos por qualquer cidadão em todo planeta. Tanto os efeitos evidentes
como aqueles que não são percebidos tão diretamente, influem sobre a saúde humana com
graves consequências para a qualidade de vida e para o desenvolvimento do País.
A ausência de saneamento básico, a contaminação ambiental por resíduos derivados da
atitude humana e o número cada vez maior de substâncias tóxicas com as quais se tem
contato diário, comprometem a saúde de milhõesde pessoas. Faz-se necessária à solução
para tais problemas, minimizando o adoecimento e morte por essas causas.
Pois é, alguns fatores vêm interferindo no meio ambiente e causando danos a saúde da
população. O processo contínuo de urbanização, associado à expansão industrial, tanto
urbana quanto rural, tornou-se um problema de saúde pública e requer intervenções, antes
que se torne insustentável. A ação desses fatores de risco à saúde exige das autoridades
sanitárias estudos de impacto sobre o meio ambiente e a saúde humana. Muitas pessoas não
percebem, mas o homem é parte integrante da natureza e, nesta condição, precisa do meio
ambiente salubre para ter uma vida saudável. Com um pouco de atenção, é fácil descobrir
inúmeras situações que demonstram a relação entre o meio ambiente e a saúde, senão
vejamos:
• O vibrião da cólera, por exemplo, é transmitido pelo contato direto com a água
contaminada ou pela ingestão de alimentos contaminados;
• A falta de saneamento básico, os maus hábitos de higiene e as condições precárias de
vida de determinadas regiões do planeta são fatores que estão intimamente ligados
com o meioambientee que contribuem para a transmissão da doença.
Para melhor entender essa relação em saúde e meio ambiente, vamos conhecer agora
os sistemas ambientais que fazem parte de nossa vida e interferem diretamente na nossa
qualidade de vida.
Vamos pensar: Durante sua vida você vem percebendo mudanças no meio
ambiente?
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Os Sistemas Ambientais
1. Saneamento básico
O saneamento básico é um conjunto de medidas visando preservar ou modificar as condições
do meio ambiente com a finalidade de prevenir doenças e promover a saúde melhorando a
qualidade de vida da população, da produtividade do indivíduo e facilitando a atividade
econômica. Ele é composto de: abastecimento de água, disposição do lixo e eliminação do
esgoto, tendo como outras atividades o controle de animais, insetos; saneamento de
alimentos, escolas, locais de trabalho e de lazer e, habitações.
Vamos agora conhecer um pouco sobre cada um deles:
• Abastecimento de água:
A água própria para o consumo humano chama-se água potável. Para ser considerada
como tal ela deve obedecer a padrões de potabilidade. Se ela possui substâncias que
modificam esses padrões (nitrogenados, oxigênio consumido e cloretos), é considerada
poluída. Para o abastecimento de água a melhor saída é a solução coletiva, exceto as
comunidades muito afastadas.
Os sistemas públicos de abastecimento são uma solução coletiva e confiável pela sua
qualidade. Este sistema tem que cumprir várias etapas antes de chegar à casa dos
consumidores. As redes de abastecimento funcionam sob o princípio de vasos
comunicantes, necessitando de tratamento para se adequar ao consumo humano. O método
de tratamento dessa água pode ser os mais diversos, desde a fervura até a correção de
dureza e corrosão. As estações de tratamento se utilizam de várias fases de decantação e
filtração, além da cloração.
A água constitui-se um meio de transmissão para muitas doenças, pois pode conter
germes que são expelidos pelo corpo de pessoas doentes através das dejeções (fezes, urina,
catarro). A falta de conhecimento do modo adequado de utilizá-la e as condições
insatisfatórias de destino dos dejetos (esgotos) e do lixo são responsáveis entre outros
agravos, pela alta incidência de diarreias infecciosas e de outras doenças entéricas (doenças
do aparelho digestivo), causadores de elevada mortalidade infantil.
A água que é fundamental à vida se encontra presente em proporções elevadas na
constituição de todos os seres vivos, inclusive o homem onde atinge cerca de 75% do seu
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peso. O homem sempre se preocupou com o problema da obtenção da qualidade da água e
em quantidade suficiente ao seu consumo e desde muito cedo soube distinguir uma água
limpa sem cor e odor, de outra que não possuísse estas propriedades atrativas
Com o aumento das aglomerações humanas e com a respectiva elevação do
consumo de água, o homem passou a executar grandes obras destinadas a captação,
transporte e armazenamento deste líquido. Algumas comunidades captam água subterrânea
para abastecimento público, mas a maioria delas se aproveita de águas superficiais que após o
tratamento é distribuída para as residências e indústrias. Como podemos observar o rápido
crescimento da população e os acelerados avanços no processo de industrialização e
urbanização das sociedades, tem repercussões sem precedentes sobre o ambiente humano.
Nas Américas segundo a Organização Pan-americana de Saúde, os principais
problemas encontrados no setor de abastecimento d’água são:
• Instalações de abastecimento público ou abastecimento individual em mau estado.
• Deficiência nos sistemas de desinfecção de água destinada ao consumo humano com
especial incidência em pequenos povoados.
• Contaminação crescente das águas superficiais e subterrânea por causa de deficiente
infraestrutura de sistema de esgotamento sanitário, ausência de sistema de depuração de
águas residuais, urbanas e industriais e inadequado tratamento dos resíduos sólidos com
possível repercussão no abastecimento de água, em área para banhos e recreativos, na
irrigação e outros uso de água que interfira na saúde da população.
• Esgoto
O sistema de esgoto (águas servidas) existe para afastar a possibilidade de contato de
despejos, esgotos e dejetos humanos com a população, águas de abastecimento, vetores de
doenças e alimentos, colaborando com a redução de despesas com tratamento de água de
abastecimento e tratamento de doenças provocadas pelo contato humano com os dejetos,
além de controlar a poluição das praias. Podem ser de vários tipos:
a) Sanitário (água usada para fins higiênicos e industriais);
b) Sépticos (em fase de putrefação);
c) Pluviais (águas pluviais);
d) Combinado (sanitário + pluvial);
e) Cru (sem tratamento); fresco (recente, ainda com oxigênio livre).
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Os sistemas de esgoto propõem soluções que podem retirar os dejetos mesmo sem água
encanada. Esses sistemas classificam em três:
• Sistema unitário – é a coleta de esgotos pluviais, domésticos e industriais em um único
coletor. Tem custo de implantação elevado, assim como, o tratamento é caro;
• Sistema reparador – onde o esgoto doméstico e industrial ficaseparado do esgoto
pluvial. É o usado no Brasil, sendo seu custo de implantação menor, pois as águas pluviais
não são tão prejudiciais quanto o esgoto doméstico, que tem prioridade por necessitar
tratamento. Assim como o esgoto industrial nem sempre pode se juntar ao esgoto sanitário
sem tratamento especial prévio;
• Sistema misto – no qual a rede recebe o esgoto sanitário e uma parte das águas pluviais.
• Disposição do lixo
O lixo é o conjunto de resíduos sólidos resultantes da atividade humana. Ele é
constituído de substâncias putrescíveis, combustíveis e incombustíveis. O saneamento do
lixo tem objetivos comuns a outras medidas, acrescidos do de ordem psicológica: o efeito da
limpeza da comunidade para o povo. Ele tem que ser bem acondicionando para facilitar sua
remoção. Às vezes, a parte orgânica dele é triturada e jogada na rede de esgoto, facilitando
sua remoção e possível coleta seletiva, o que sobrecarrega o sistema de esgoto.
O tratamento adequado de o lixo domiciliar é um recurso da comunidade que auxilia
no combate a insetos transportadores de micróbios que causam doenças. Seu
acondicionamento deve ser em depósito com tampa, evitando sua exposição e a proliferação
de insetos. Quando não existir coleta pública no local, este deve ser queimadoe, a sobra que
não queima, deve ser enterrado.
• Resíduos sólidos
São materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos) resultante das atividades
humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando entre outros
aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. Esses resíduos
constituem problemas sanitário, econômico e principalmente estético. São constituídos de
substâncias facilmente degradáveis (F.D-, restos de comida, folhas, capim, cascas de frutas,
animais mortos e excremento); moderadamente degradáveis (M.D.- papel, papelão e outros
produtos celulósicos); dificilmente degradáveis (D.D. -trapo, couro, pano, madeira, borracha,
cabelo, pena de galinha, osso, plástico) e não degradáveis (N.D.- metal não ferroso, vidro,
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pedras, cinzas, terra, areia, cerâmica). Sua composição varia de comunidade para comunidade
de acordo com os hábitos e costumes da população, número de habitantes do local, poder
aquisitivo, variações sazonais, clima, desenvolvimento, nível educacional; variando para uma
mesma comunidade de acordo com as estações do ano.
Os resíduos sólidos estão classificados quanto a sua origem em: domiciliar, comercial,
industrial, serviço de saúde, portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários, agrícola,
construção civil, limpeza pública (logradouros, praias, feiras, eventos), abatedores de aves,
matadouro, estábulos.
Na massa dos resíduos sólidos encontram-se agentes patogênicos e micro-organismos
prejudiciais à saúde humana, constituindo-se em importante problema quando não recebe
cuidados convenientes que previnam o aparecimento de doenças relacionadas a eles.
Obviamente os resíduos sólidos facilitam a proliferação de insetos como moscas e baratas,
responsáveis pela transmissão de várias doenças como as helmintíases, diarreias, amebíase,
parasitoses, salmoneloses e outras, através da contaminação mecânica dos alimentos.
TEXTO Nº 2 - OS AGENTES INFECCIOSOS
Após conhecer os sistemas ambientais e sabermos que eles possuem uma relação
direta com a condição de saúde da população a partir de uma contaminação, vamos agora
conhecer os agentes infecciosos que pode contaminar esses sistemas e serem os responsáveis
pelo adoecimento e morte da população.
Vamos começar definindo doença como sendo um desajustamento ou uma falha
nos mecanismos de adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos a cuja
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
Após conhecermos os sistemas ambientais, vamos agora:
1. Listar os principais problemas ambientais que conhecemos;
2. Listar as principais doenças ligadas à precariedade do saneamento ambiental;
3. De que forma a população pode ajudar na melhoria desses sistemas reduzindo a
chance de adoecimento;
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ação está exposta. O processo conduz a uma perturbação da estrutura ou da função de um
órgão, ou de um sistema ou de todo o organismo ou de suas funções vitais.
As doenças que ocorrem numa comunidade podem ser separadas em dois grupos: as
doenças transmissíveis e as doenças não transmissíveis. As doenças transmissíveis são
capazes de “passar” (transmitir) de um homem para o outro homem ou de um animal para o
homem, pois seu agente etiológico (micro-organismo) é vivo e é transmissível. Portanto, são
doenças que as pessoas “pegam” de outras pessoas ou por causa de um animal ou inseto. Ao
contrario disso temos as doenças não transmissíveis que não pegam.
O sarampo, a tuberculose, a esquistossomose, a sífilis, o tétano são doenças
transmissíveis. O reumatismo, o câncer, a asma, a desnutrição, o bócio são doenças não
transmissíveis (não se transmite de uma pessoa para outra).
Às vezes, uma doença tanto pode ser transmissível como não transmissível, porque
tem mais de uma causa. É o que acontece com a diarreia, a hepatite e a pneumonia.
Para ocorrer uma doença transmissível, é necessário que um agente infeccioso
penetre no corpo de um indivíduo e se desenvolva nos seus tecidos. Esses agentes são seres
vivos e muito deles são tão pequenos que não podem ser vistos nem com ajuda de um
microscópio. Popularmente são chamados de micróbios ou germes. Mais existem também os
germes que são animais maiores e facilmente reconhecíveis.
Na evolução de qualquer doença, seja qual for sua origem, deve-se considerar o
agente infeccioso como um ser vivo que, através de uma das formas que assume no seu ciclo
reprodutivo (adulto, larva, cisto, ovos, esporos, etc.), pode ser introduzido em outro ser vivo,
onde é capaz de se desenvolver ou de se multiplicar e, dependendo das condições do
hospedeiro, pode ou não gerar uma doença infecciosa.
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
Nós já sabemos os problemas ambientais mais comuns em nossas áreas, agora nós
vamos fazer uma pesquisa em nossa comunidade para conhecer:
1. As doenças mais comuns na sua comunidade;
2. Realizar um censo na comunidade: numero de pessoas, por sexo, idade, etc.
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Quando o indivíduo é exposto a um agente pode ser que haja doença. Para que isso
aconteça: (a) O agente deve estar presente numa concentração suficiente e durante um
tempo determinado; (b) deve haver interação com outros fatores que contribuem (genéticos
e/ou ambientais) para aumentar a capacidade do agente (maior dose ou maior contato) de
causar doença ou de diminuir a resistência do hospedeiro (má nutrição, stress,
consanguinidade).
O homem no qual penetrou um dos agentes infecciosos é chamado de hospedeiro. O
hospedeiro é uma planta ou um animal ou ainda um artrópode que é capaz de ser infectado
pelo agente infeccioso onde geralmente ocorre sua replicação ou desenvolvimento. Quando o
agente chega ao hospedeiro desenvolve-se e multiplica-se em seus tecidos, ocorrendo uma
infecção. Por isso, as doenças transmissíveis são também denominadas de infecciosas.
A doença ocorre quando há perturbação funcional dos processos fisiológicos a nível
celular (unidades básicas do corpo), devido a uma exposição do indivíduo a condições
ambientais desfavoráveis, a agentes e/ou a fatores genéticos que levam a essas alterações que
são exteriorizadas em sintomas e/ou sinais de doença.
Essas doenças fazem com que as pessoas sintam sintomase apresentem sinais de
adoecimento. Os sintomas são os efeitos das alterações fisiológicas que são detectáveis
somente pelo próprio indivíduo (dor, vertigem, náusea), são descritos pelos homens. Os
sinais(clínicos) são os efeitos das alterações fisiológicas que podem ser observados ou medidos
por outros indivíduos (ex. médicos). São exemplos a febre, inapetência, o vômito, alteração da
locomoção etc. Outros sinais são mais obscuros e podem necessitar de instrumentos
sofisticados (alterações dos valores bioquímicos) ou períodos de observação longos (ex.
fertilidade baixa, perda de peso, perda de pelo).
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
Retomando aquela lista de doenças que você pesquisou na sua comunidade,
vamos agora separar as doenças que são transmissíveis e as não transmissíveis e vamos
pensar:
1. Como se pega a doença?
2. Qual o caminho que o agente infeccioso faz no organismo?
3. Onde o agente infeccioso se instala?
4. Por onde o agente infeccioso sai do organismo e passa para outra pessoa?
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Existem vários tipos de agentes infecciosos que possuem diferentes formas e suas
ações também podem ser diferentes. Vamos agora conhecer alguns desses tipos.
a) Bactérias - são seres minúsculos, pertencentes ao reino vegetal e que transmitem as
doençaspor invasão direta dos tecidos ou pelas toxinas que eles excretam.
� Doenças causadas por BACTÉRIAS: botulismo; bronquite; cólera; coqueluche; disenterias
bacterianas; difteria; febre tifoide; leptospirose; faringite; escarlatina; gardenerella; meningite
meningocócica; pneumonia; salmonelose; sífilis; tétano; tuberculose.
b) Espiroquetas - situam-se entre a bactéria e o protozoário. Exemplo: Sífilis.
c) Vírus - são os menores seres vivos capazes de ocasionar doenças infecciosas.
� Doenças causadas por VÍRUS: AIDS; bronquite; catapora (varicela); caxumba; dengue; febre
amarela; gripe; hepatite; HPV; pneumonia; poliomielite; raiva; rubéola; sarampo; rotavírus;
resfriado comum.
d) Rickettsias - situam-se entre a bactéria e o vírus, é transmitido por intermédio de um
vetor. Causam a Febre Tifoides.
e) Protozoários - pertencem ao reino animal, são unicelulares.
� Doenças causadas por PROTOZOÁRIOS: doença de chagas; giardíase; leishmaniose; malária;
toxoplasmose.
f) Fungos- são parasitos vegetais (cogumelos), invadem certas regiões superficiais do corpo,
como cabelos, a pele e as unhas. Causam a Impigem, Ptiríase (pano branco), a Micose (de
unha), etc.
g) Vermes- organismos multicelulares.
� Doenças causadas por VERMES: ascaridíase; ancilostomose; cisticercose; enterobíose;
esquistossomose; filariose; oxiurose; teníase.
Os agentes infecciosos penetram no corpo humano através de uma porta de entrada
e localiza-se em determinados órgãos até serem eliminados através de uma porta de saída. As
principais portas de entrada dos agentes infecciosos são as seguintes:
a) Via digestiva – os agentes penetram através da boca com os alimentos e a água: ovos de
lombrigas, ovos de tênia (solitária), bactérias da diarreia infecciosa, vírus da hepatite, cistos de
amebas e outros;
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b) Via respiratória – os agentes são inalados através do nariz, penetrando no corpo, portanto,
através do processo de respiração: bactéria da tuberculose pulmonar, vírus da gripe, vírus do
sarampo e da catapora, bactéria da coqueluche e da difteria (crupe), e outros;
c) Pele – os agentes infecciosos penetram também devido ao contato da pele com o solo ou a
água que os contenham, através da picada de insetos, de injeções e transfusão de sangue ou
do contato direto com a pele de outra pessoa doente; larvas de ancilóstomos e de
esquistossomo, o carrapato da escabiose (sarna), o vírus da hepatite, os protozoários da
malária e da doença de chagas e outros;
d) Vias genital e urinária – os agentes infecciosos penetram através dos órgãos sexuais:
bactérias da sífilis e da gonorreia e de outras infecções geniturinárias.
Em geral, os agentes infecciosos que penetram pela boca acabam por se localizar na
faringe e nos diversos órgãos do aparelho digestivo, especialmente os intestinos; e os que
penetram através da respiração irão localizar-se na laringe, nos brônquios e pulmões.
Os agentes que infectam os pulmões e a parte superior das vias respiratórias são
expelidos através das pequenas gotas produzidas pelos mecanismos de tosse e espirro, como
também são impulsos através da expectoração.
A porta de saída é, portanto, a própria via respiratória. Os que se alojam no tubo
digestivo saem, em geral, através das fezes. Os que circulam pelo sangue saem quando se
realiza uma punção (por uma agulha de injeção ou picada de inseto). Os que se localizam na
pele, são expelidos devido a lesões (feridas abertas) ou contato direto com objetos e a pele de
outra pessoa. Finalmente, os que se encontram nas vias genitais e urinárias são eliminados
mediante o contato sexual ou pela urina.
Os agentes infecciosos ao saírem para o meio ambiente através das diferentes portas
de saída passam a se localizar em diversos elementos; podem ficar suspensos no ar, envoltos
em pequenas gotas produzidas pela tosse e espirro; podem se misturar com a água e o solo;
podem, ainda, permanecer nos objetos e utensílios que usam no local de trabalho e na
habitação. A existência do agente infeccioso vivo (na superfície do corpo, no vestuário, na
roupa de cama, água, ar, solo, objetos e utensílios, alimentos), e capaz de infectar outro
indivíduo é denominado contaminação. Portanto, contaminação é presença de agentes
infecciosos sobre elementos inanimados e sobre a superfície do corpo. As coisas
contaminadas acabam por contaminar outras. Ou seja, a contaminação se propaga, se
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espalha. Ex. a água de irrigação com microrganismo, contamina as verduras e legumes que
quando ingeridos contaminam o homem.
O homem, através de suas fezes, pode contaminar a água ou outros objetos e
substâncias, e assim, sucessivamente. Alguns exemplos são:
a) Os cistos de giárdia, procedentes de uma latrina contaminam a água de um riacho;
b) Os ovos de ancilóstomos de alguém que defeca sobre o chão contaminam o solo;
c) A tosse de um paciente com meningite contamina o ar de seu quarto.
Em resumo, são os seguintes os principais modos de contaminação:
a) Do solo e das terras – pela eliminação direta das fezes no solo; pela irrigação com água
procedente de fontes contaminadas;
b) Da água – pelas fezes e urina eliminadas nas proximidades de poços, riachos, açudes,
lagoas, etc. ou transportadas a partir das fossas e esgotos até esses locais, através das chuvas
e declividade do terreno;
c) Dos alimentos – durante a fase de produção pelo contato com solo e a água já
contaminados, durante o transporte e armazenamento (por condições inadequadas de
refrigeração), durante a manipulação no comércio e em casa (mãos e utensílios sujos);
d) Do ar – através da eliminação de pequenas gotas produzidas pela tosse e espirro dos
pacientes, que permanecem flutuando no ar durante algum tempo.
Os meios mais comuns de transmissão do agente infeccioso são:
• Direta – por contato direto, organismo doente com organismo sadio. Ex. beijo, aperto de
mão, espirro no rosto de indivíduo sadio;
• Indireta – através de objetos como pratos, talheres, toalhas, agulhas utilizadas e tocadas
por pessoas doentes.
• Específica – quando o microrganismo patogênico atinge o homem através de outro
organismo. Ex. mosquitos, moscas.
As bactérias, os vírus, os fungos, e outros micro-organismos estão em todas as partes:
sobre a roupa, sobre a pele humana, no intestino, nas plantas, na água, no solo; não há um só
lugar onde eles não estejam presentes. Felizmente, para o homem, a grande maioria desses
micro-organismos é inofensiva e, às vezes, muito úteis.
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Dos milhares de espécies de bactérias fungos e protozoários, somente algumas são
patogênicas, isto é, provocam infecções sérias. Só algumas, portanto, são parasitas.
Os parasitas prejudicam o homem através de diferentes mecanismos de ação.
a) Ação tóxica – produzindo substâncias que prejudicam os tecidos do hospedeiro (bactérias
do tétano e da difteria).
b) Ação espoliativa – absorvendo elementos nutritivos e mesmo o sangue do hospedeiro (o
ancilóstomo, por exemplo, que produz anemia do hospedeiro ao sugar o sangue da parede do
intestino).
c) Ação inflamatória local – irritando o local parasitado e lesando diretamente os tecidos em
que se alojam (amebas e lombrigas no intestino).
Em relação aos microrganismos, não há uma separação total entre os que são
maléficos ao homem e os que lhe são inofensivos. Existem inúmeros microrganismos
patogênicos que habitam normalmente a boca, a faringe e o tubo digestivo. Eles não chegam
a prejudicar o organismo humano porque seu número é pequeno e também porque existem
formas de defesa e de barreira que protegem o corpo contra sua agressão.
Porém, muitas das bactérias que vivem normalmenteno intestino humano, numa
situação de comensalismo, podem provocar uma infecção bastante prejudicial se chegam a
atingir as vias urinárias. Em outras circunstâncias, as amebas do tipo coli, que são geralmente
inofensivas vivendo no intestino do homem normalmente, podem tornar-se causadoras de
doença em pessoas debilitadas e sem resistência.
Estes são os elementos básicos da cadeia de transmissão das doenças infecciosas:
indivíduo doente, indivíduo sadio, agente infeccioso e ambiente. São eles determinados,
influenciados e ativados por fatores geográficos, ecológicos e sociais.
A simples presença de um patógeno não significa que esteja ocorrendo uma infecção. O
desenvolvimento de uma infecção ocorre em um processo cíclico que depende de seis
elementos: (1) O agente infeccioso ou patógeno; (2) Reservatório para o desenvolvimento do
patógeno; (3) Porta de saída do reservatório; (4) Meios ou veículos de transmissão; (5) Porta
de entrada para o hospedeiro e (6) Hospedeiro suscetível. Uma infecção irá se desenvolver se
essa cadeia não for interrompida. Os esforços do profissional para controlar a infecção devem
ser dirigidos à quebra da cadeia de transmissão da doença.
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O agente infeccioso pode ser demonstrado pelos seguintes exames:
• Sangue – A hemocultura é o exame mais útil e realizado para detectar a infecção sistêmica
por bactérias, temos também os exames simples.
• Urina – O exame bacteriológico da urina é realizado quando os sinais e sintomas indicam
infecção urinária, renais, hipertensão, febre. É recomendável sua realização em todas as
mulheres no 1º trimestre de gestação. Pode ser realizado através de sumário e urocultura.
• LCR – É a punção do líquido cefalorraquidiano, pode ser lombar ou occipital, podendo ser
realizado o exame microscópico ou cultura, geralmente usados para diagnóstico de meningite.
• Culturas de secreções – O material é escolhido de acordo com a localização.
a. Garganta – é retirado material da parede posterior da faringe.
b. Nasofaringe – São raramente solicitados, devido às técnicas especiais.
c. Ouvido – Raramente coletado, porque é necessária a perfuração da membrana do
tímpano.
d. Vias aéreas inferiores – As secreções brônquicas são colhidas através do escarro.
e. Aspirado traqueal – Aspiração através de sonda estéril do conteúdo traqueal.
f. Gastrintestinal – Através de fezes ou lavado gástrico.
g. Exsudatos – Obtidos dos espaços pleurais, peritoneal e sinovial. São aspirados através
da punção direta do local.
h. Lesões– São obtidos através de “raspagem”.
i. Tecidos, órgãos – São obtidos através de biópsia dos respectivos tecidos suspeitos,
corte pequeno dos tecidos para exames.
j. Vaginal – São coletadas secreções do colo do útero.
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• Intradermarreações - Sob o estímulo de um agente infeccioso, isto é, inoculação de
quantidades mínimas no indivíduo que desenvolverá ou não hipersensibilidade. Aparecerá um
eritema (área vermelha, rósea) + enduração, essa reação geralmente é lida (medidas) entre 48
e 72 horas. O resultado positivo indica que o indivíduo foi em alguma ocasião do passado
infectado pelo agente infeccioso.
TEXTO Nº 3 – A MICROBIOLOGIA E A PARASITOLOGIA
Agora que nós já sabemos um pouco sobre os agentes infecciosos que podem nos
causar doenças, vamos agora conhecê-los um pouco mais de perto, pois suas formas de vida
influem no processo de adoecimento. Para isso, vamos conhecer um pouco sobre a
microbiologia e a parasitologia.
Para iniciarmos nossa conversa é importante entender Micro-organismos como sendo
uma forma de vida microscópica que vive em toda a natureza, no ar, na poeira, na água, em
outros seres vivos e no solo. Os micro-organismos que produzem doenças no indivíduo são
chamados de micro-organismos patogênicos. Apenas estes são perigosos e devem ser
combatidos.
Também existem micróbios úteis ao homem como, por exemplo, as bactérias que
vivem no intestino e fabricam vitamina K, os cogumelos microscópicos que produzem a
fermentação alcoólica, de grande importância na fabricação de bebidas como cerveja e vinho.
Podemos definir então a microbiologia como a ciência que estuda a vida nas formas
microscópicas, chamadas de micro-organismos ou germes. Divide-se em bacteriologia (estudo
das bactérias); micologia (estudo dos fungos e cogumelos); virologia (estudo dos vírus) e
rickettsiologia (estudo das formas intermediárias entre bactérias e vírus).
Vamos conhecer agora um pouco sobre cada uma delas.
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
1. Realize pesquisa em livros, e outros materiais sobre as doenças
transmissíveis;
2. Identifique as que são causadas por bactérias, vírus, fungos e protozoários;
3. Como se pega a doença?
4. Qual o caminho que o agente infeccioso faz no organismo?
5. Onde o agente infeccioso se instala?
6. Por onde o agente infeccioso sai do organismo e passa para outra pessoa?
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1. Bacteriologia - é a parte da microbiologia que estuda as bactérias.
Bactérias são seres vegetais constituídos por uma célula que pode estar isolada ou
reunida a outras semelhantes, formando colônias. Podem ser móveis ou imóveis. As bactérias
móveis são dotadas de flagelos, que passam de fibrilas simples de dimensões moleculares.
Sob a forma de esporos, certas bactérias podem resistir à fervura por várias horas ou
sobreviver às mais baixas temperaturas. Classificam-se em:
• Saprófitos- são bactérias que vivem em matéria orgânica, como leite e a carne e que não
nos causam mal, sendo até benéficas ao organismo, como as da flora intestinal.
• Patogênicas- são as bactérias que causam doenças.
Uma bactéria, regra geral, apresenta a seguinte organização celular, de fora para dentro:
• Parede celular- constituída de material rígido e que faz com que a bactéria conserve sua
forma;
• Membrana plasmática- aderente à parede celular, separando-a do citoplasma;
• Citoplasma- com ribossomos evidenciados pelo microscópio eletrônico e sem núcleo
diferenciado, ou seja, desprovido de membrana nuclear.
Quase todas as bactérias não produzem seu alimento e, portanto, precisam obtê-lo no
ambiente onde vivem. Algumas espécies possuem um tipo especial de clorofila e podem
realizar a fotossíntese, produzindo seu próprio alimento. Com relação à produção de
alimentos elas podem ser classificadas em:
• Autotróficos: são os seres que produzem sua própria matéria orgânica (alimento)
utilizando para a síntese energia luminosa (fotossíntese) ou energia química
(quimiosíntese).
• Heterotróficos: são os seres que não produzem matéria orgânica (alimento) por
fotossíntese e, portanto dependem dos autotróficos para sua nutrição.
Os grupos de bactérias heterotróficas podem viver de acordo com os seguintes tipos:
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• Como saprófitos- são bactérias que vivem em matéria orgânica, como leite e a carne e que
não nos causam mal, sendo até benéficas ao organismo, como as da flora intestinal.
Encontram o alimento na matéria orgânica em decomposição (são as bactérias fermentadas);
• Como parasitas- encontram o alimento em animais e vegetais vivos aos quais causam
doenças (bactérias patogênicas);
• Como simbiônticas- vivem associadas a outros organismos, sem causar doenças.
Algumas bactérias necessitam do oxigênio presente no ar para fazer sua respiração.
Portanto, essas bactérias são aeróbicas. Outras não necessitam do oxigênio e realiza um tipo
de respiração chamada fermentação. Essas bactérias são anaeróbicas, facultativas ou estritas.
• As anaeróbicas estritas só sobrevivemem ausência de oxigênio.
• As anaeróbicas facultativas podem viver na presença ou ausência de oxigênio.
• As microaerófilas são as que conseguem viver em baixas tensões de oxigênio.
As cercas de 1.600 espécies conhecidas de bactérias apresentam formas variadas,
podendo ser arredondadas, em forma de bastão, vírgula e outros. Algumas possuem
filamentos que auxiliam na locomoção.
As bactérias, de maneira geral, classificam-se quanto à forma de sua célula em:
• Cocos- bactérias arredondadas;
• Bacilos- bactérias em forma de bastão;
• Espirilos- bactérias espiraladas:
• Vibriões- bactérias em forma de vírgula.
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Quando ocorrem agrupamentos de cocos, temos colônias bacterianas que,
dependendo da sua agregação, são classificadas em:
• Diplococos- cocos agrupados dois a dois;
• Estafilococos- cocos agrupados em forma de cacho de uva;
• Estreptococos- cocos agrupados em cadeias.
Muitos procedimentos matam as bactérias. Outros impedem que bactérias cheguem a
locais propícios à sua multiplicação. Vejamos alguns:
• Cozimento dos alimentos.
• Fervura do leite.
• Esterilização de instrumentos cirúrgicos
• Fervura da água.
• Uso de antibióticos.
• Uso de desinfetantes.
• Conservação de alimentos em geladeira.
• Salgamento de alimentos.
• Proteção e limpeza de ferimentos.
• Filtração da água.
• Vedação de recipientes com alimento industrializado.
2. Virologia -é a parte da microbiologia que estuda os vírus. Há cerca de cem anos, a
palavra vírus designava todos os tipos de agentes nocivos ou venenosos, com o avanço da
ciência essa denominação torna-se mais restrita.
Os cientistas descobriram agentes que, ao penetrar em um hospedeiro susceptível,
provocam e se reproduzem com facilidade. Verificaram tratar-se de elementos que só eram
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ativos quando no estado de parasitismo. A essa classe de agentes patogênicos ficou reservado
o nome de vírus.
Embora sem classificação, os vírus são considerados seres vivos porque são capazes de
se reproduzirem dentro das células de outros organismos. Por isso, todos os vírus são
obrigatoriamente considerados parasitas. Seu tamanho é reduzido, sendo menores que as
bactérias.
Os vírus são sempre parasitas de células, e é delas que obtêm os materiais necessários
para a formação de novos vírus. A retirada desses materiais provoca a destruição e a morte da
célula.
As etapas da infecção e replicação do vírus são, resumidamente, as seguintes:
1. Aproximação do vírus de uma célula;
2. Fixação do vírus na membrana celular;
3. Infecção do material genético;
4. Comando do metabolismo da célula infectada pelo material genético;
5. Formação de novos vírus;
6. Rompimento da célula pelos novos vírus formados, que ficam livres de infectar novas
células.
Em função de seu tipo de multiplicação, os vírus são sempre parasitas e, geralmente,
destroem as células de seus hospedeiros, o que acaba provocando doenças muitas vezes
graves.
Varíola, catapora, sarampo, dengue, rubéola, caxumba, gripe, resfriado, hepatite
infecciosa, febre amarela, poliomielite e raiva, são doenças provocadas por vírus quando se
instalam em células da espécie humana.
As características de um vírus são:
• É um organismo sub-microscópico de natureza macromolecular (observação no
microscópio eletrônico);
• Reproduz-se dentro da célula;
• Não possui metabolismo próprio;
• É insensível aos antibióticos;
• É insensível aos quimioterápicos;
• É insensível aos anticorpos;
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3. Micologia- é a parte da microbiologia que estuda os fungos e cogumelos. A não ser
por sua etiologia (causa) as infecções por fungos e cogumelos pouco diferem das bacterianas.
Sob a designação de fungos ou cogumelos estão reunidos nos vegetais aclorofilados formados
por um talo unicelular ou filamentoso. Alguns deles são microscópicos e outros chegam a
alguns centímetros.
Os fungos existem em toda natureza e participam dela, às vezes num sentido
construtivo, outras vezes destrutivo. Quando a matéria orgânica é a aproveitada de seres
vivos (animais e vegetais), ocasionando danos para estes, os fungos são considerados
parasitas. Os danos causados por esses parasitas são conhecidos como micoses.
4. Rickettsiologia – é a parte da microbiologia que estuda as rickettsias, ou seja, as
formas intermediárias entre bactérias e vírus.
As rickettsioses constituem um grupo de doenças causadas por microrganismos da
família Rickettisiacae. As rickttsias são parasitas obrigatoriamente intracelulares do tamanho
das bactérias. Quando observadas ao microscópio, apresentam-se como cocobacilos de formas
variadas.
A maioria das rickttsias é mantida na natureza por um ciclo que envolve um inseto
transmissor (geralmente pulga, carrapato e piolho) e um animal reservatório (geralmente os
roedores). Os carrapatos e percevejos, por exemplo, transmitem a febre maculosa e o tifo
Isitsugamushi, inoculando as rickettsias diretamente na derme enquanto se alimentam; os
piolhos e as pulgas transmitem o tifo epidêmico e o murino, depositando fezes infectadas na
pele, o que faz com que o microrganismo penetre pela lesão puntiforme feita por estes
insetos. Já no caso da febre Q. a rickettsia podem exercer efeito tóxico sobre as células
endoteliais.
Ao invadir o organismo, as rickettisias proliferam nas células endoteliais, nos
pequenos vasos sanguíneos. A destruição dessas células ocorre pela proliferação dos
organismos por eventual ruptura. As rickettsias podem exercer efeito tóxico sobre as células
endoteliais.
Os indivíduos que albergam rickettsias são propensos a apresentar febre, erupções e
cutâneas e distúrbios do sistema nervoso central. A causa básica do estado tóxico-febril que
caracteriza as rickttsias, como a maioria das doenças infecciosas, permanece desconhecida.
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Parasitologia é o estudo científico dos parasitas.Parasitismo é o inter-relacionamento
desarmônico entre um ou mais seres vivos, onde um dos organismos (hospedeiro) é
prejudicado pelo outro (parasito), pois fornece abrigo e alimento para este. Neste tipo de
inter-relacionamento um dos organismos é sempre prejudicado.
Os parasitos, muitos dos quais são conhecidos por nomes vulgares (solitária, lombriga)
e as doenças provocadas por parasitos se multiplicam com grande rapidez no organismo
humano e nos animais, e constituem o flagelo da maioria da população brasileira, tanto no
interior como nas cidades. Transmitidas por insetos infectados ou pela contaminação da água
e dos alimentos requerem, principalmente, para sua erradicação, medidas
profiláticas,preventivas que incluem, desde a exterminação dos vetores, como programas que
visem à melhoria das condições de habitação e saneamento.
O parasita para infectar realiza 03 ações:
1. Ação mecânica – os parasitas, sem lesar diretamente os tecidos podem perturbar as
funções mecânicas dos órgãos. Ex. Áscaris oclui o intestino.
2. Ação espoliadora – os parasitas retiram as suas substâncias nutritivas do organismo
hospedeiro. Ex. Mosquito sugar outro animal.
3. Ação irritativa – a presença do parasita acarreta uma reação inflamatória nos tecidos do
hospedeiro. Ex. Larva penetra na pele ocasionando prurido.
Fatores necessários para o sucesso do parasitismo:
1. O parasita deve entrar em contato com o hospedeiro;
2. Após a penetração, o parasita deve encontrar em todos os seus estados evolutivos, um
habitat adequado, isto é, condições fisiológicas para o desenvolvimento.
3. Para o êxitoda infestação é indispensável que a reação do hospedeiro à presença do
parasita não interfira no metabolismo normal do parasita.
Os fatores que influenciam a implantação dos parasitas são: a ação de suco digestivo; pele;
fagocitose, idade, dieta e constituição genética.
Vamos conhecer agora a Parasitologia
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Os ambientes dos parasitas podem ser:
a) Aparelho digestivo - Penetra pela boca e se alojam nas membranas, tecidos ou órgãos
dependendo das condições favoráveis de oferecer habitat adequado para a grande maioria
dos parasitas devido à disponibilidade e oxigênio, atuação de enzimas, pH, muito rico em
materiais nutritivos e assimiláveis, peristalse demorado etc.
Principais localizações:
• Trypanosoma Cruzis – Esôfago.
• Taenias, Giardia, Áscaris – Intestino delgado.
• Schistossoma, ameba – Intestino grosso.
b) Fígado – Por ser rico em elementos de excreção, pH alcalino, alto teor de oxigenação, rico
em ferro, em vitaminas acumulam-se os parasitas na sua forma de cistos e larvas. Sendo os
principais: Ameba, Giardia, Leishmanias.
c) Sangue e linfa – Devido as suas funções importantes como: transportar os alimentos
digeridos pelos intestinos, gases respiratórios, hormônios; regular a temperatura reações de
defesa; ser fundamentalmente líquido, os parasitas podem viver nadando ou no interior das
células (hemácias, leucócitos). Entre os principais temos: Microfilária, Trypanossoma, Malária.
Os protozoários são organismos microscópicos e unicelulares (constituídos por uma
única célula) que vivem em ambientes aquáticos. Algumas espécies de protozoários são
parasitas humanos ou animais e podem causar doenças, como malária, leishmaniose e doença
de Chagas.
Os helmintos designam um grupo muito grande de seres, pois englobam todos os
vermes. Possuem tamanhos variados e formas diversas, podendo ser achatados (platelmintos),
arredondados (nematelmintos), arredondados e apresentando uma cabeça armada de
ganchos (acantocéfalos), em forma de fita (cestóides).
TEXTO Nº 3 – A HIGIENE
Após conhecermos as doenças mais comuns existentes nas comunidades, e suas
possíveis causas como, por exemplo, as doenças infecciosas, vamos agora discutir um pouco
sobre uma das medidas de prevenção de doenças – A higiene.
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O termo higiene provém do nome da deusa Higea que, na mitologia grega, ajudava o
pai, Esculápio a ensinar o povo a manter a saúde. Ele empregava as ervas medicinais como
forma de cura no exercício de sua arte. Higea era reverenciada como protetora da saúde e do
bem estar orgânico. Desta forma, a higiene pode ser entendida como o conjunto de medidas
preventivas empregadas com a finalidade de prevenir a doença, prolongar a vida, promover a
saúde física e mental, através de cada indivíduo pela ação da comunidade, processo
educativo. A profilaxia é a aplicação de técnicas e métodos científicos em nível de grupos ou
indivíduos, para promover, manter e restaurar a saúde e, para preservá-la devemos prevenir
as doenças e não somente tratá-las quando aparecem.
A higiene divide-se em individual, geral e social. A primeira ocupa-se apenas do
indivíduo (asseio corporal, no nascimento, no crescimento e na nutrição); a segunda trata das
condições ambientais que vive o indivíduo, sendo a última responsável pela coletividade ou
saúde pública (prevenção das doenças).
No contexto geral, a higiene empenha-se em ensinar a executar os princípios da
pureza e da puericultura, isto é, da formação e criação dos filhos nas melhores condições,
educar as crianças nos cuidados consigo mesmas; descobrir o mais cedo possível os defeitos
individuais; acompanhar, proteger e melhorar os seres humanos nas diversas fases da sua vida
e nas diferentes atividades e profissão; combater as doenças transmissíveis e os males
degenerativos. Em geral, os problemas de saúde acarretados pelo envelhecimento e tantos
outros estão na dependência imediata da formação de hábitos e atitudes necessárias à
manutenção e defesa da saúde.
A higiene estende sua ação a toda atividade física intelectual e mental do homem,
prevenindo os agravos à sua saúde, oferecendo-lhe boas condições de trabalho, poupando-o
do desgaste orgânico. Embora se preocupe com a melhoria da média de vida humana, a
higiene não visa propriamente prolongá-la, mas conservá-la enquanto dure, de forma
saudável.
A higiene é de grande importância na prevenção de muitas infecções. A higiene (limpeza
pessoal) e o saneamento (limpeza da localidade em que vivemos) são muito importantes.
Muitas infecções comuns do intestino são transmitidas de uma pessoa para outra pela
falta de higiene e saneamento. Micróbios e vermes (ou seus ovos) são transmitidos, em
grande quantidade, através das fezes de pessoas infectadas. Os micróbios e os ovos são
levados das fezes de uma pessoa para a boca de outra pessoa, através das mãos sujas ou
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através de alimento ou água contaminados. As doenças transmitidas das fezes para boca
incluem:
• Verminose de vários tipos;
• Diarreia e desinteria (causados por amebas e bactérias);
• Hepatite, febre tifoide e cólera;
• Poliomielite (paralisia infantil).
Hoje podemos dividir a higiene sob vários aspectos: higiene pessoal; ocupacional;
mental;alimentar e ambiental. Vejamos agora alguns aspectos importantes de cada uma delas.
1. Higiene pessoal:
A higiene pessoal é importante para todas as pessoas e deve ser ensinado às crianças o
mais cedo possível. As mudanças dos hábitos de higiene pessoal durante todo o processo
evolutivo da humanidade são um dos fatores mais significativos para que o Homem de hoje
tenha uma maior longevidade e vida mais confortável.
Com as mudanças de atitude, o Homem adquiriu aprendizagens relacionadas com os seus
padrões nutritivos e a cuidar melhor da higiene pessoal e do seu próprio corpo. Por isso, várias
doenças causadas pela ingestão de alimentos contaminados e a falta de higiene pessoal
diminuíram sensivelmente, levando a uma melhora da sua qualidade de vida e longevidade.
A influência que as condições de saneamento básico têm sobre a saúde da população é
notória. Em relação às crianças, essas condições estão diretamente ligadas aos índices de
mortalidade e mobilidade infantil.
A higiene pessoal dos filhos é uma tarefa que deve ser ensinada pelos pais. Só aos 6 anos é
que a crianças estão suficiente maduras para cuidar de sua própria higiene pessoal. Os pais
não devem passar a responsabilidade antes que elas estejam preparadas para tratar da sua
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
- Vamos agora retomar a lista de doenças de sua comunidade e identificar
aquelas que poderiam ter sido prevenidas por hábitos de higiene. Que tipos de higiene você
conhece?
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própria higiene pessoal. Para que a criança seja bem educada em higienização e desenvolva
bons hábitos é necessário que ela receba informações e exemplos.
A higiene pessoal tem várias componentes, a higiene infantil, a higiene bucal, a higiene
alimentar e muitas mais.
1.1 Higiene bucal:
Hálito puro e sorriso saudável são o resultado de uma boa higiene bucal. Isso significa que,
com uma higiene bucal adequada:
• Seus dentes ficam limpos e livres de resíduos alimentares;
• A gengiva não sangra nem dói durante a escovação e o uso do fio dental;
• O mau hálito deixa de ser um problema permanente.
Caso as suas gengivas doam ou sangrem quando você escova os dentes ou usa fio dental, e
principalmente se estiver experimentando um problema de mau hálito. Essas manifestações
podemser a indicação da existência de um problema mais grave e você deve procurar um
dentista.
Como garantir uma boa higiene bucal?
Uma boa higiene bucal é uma das medidas mais importantes que você pode adotar
para manter de seus dentes e gengivas em ordem. Dentes saudáveis não só contribuem para
que você tenha uma boa aparência, mas são também importantes para que você possa falar
bem e mastigar corretamente os alimentos. Manter uma boca saudável é importante para o
bem-estar geral das pessoas. Os cuidados diários preventivos, tais como uma boa escovação e
o uso correto do fio dental, ajudam a evitar que os problemas dentários se tornem mais
graves. Devemos ter em mente que a prevenção é a maneira mais econômica, menos dolorida
e menos preocupante de se cuidar da saúde bucal e que ao se fazer prevenção estamos
evitando o tratamento de problemas que se tornariam grave. Existem algumas medidas muito
simples que cada um de nós pode tomar para diminuir significativamente o risco do
desenvolvimento de cáries, gengivite e outros problemas bucais.
• Escovar bem os dentes e usar o fio dental diariamente.
• Ingerir alimentos balanceados e evitar comer entre as principais refeições.
• Usar produtos de higiene bucal, inclusive creme dental, que contenham flúor.
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• Usar enxaguante bucal com flúor, se seu dentista recomendar.
• Garantir que as crianças abaixo de 12 anos tomem água potável fluoretada ou
suplementos de flúor, se habitarem regiões onde não haja flúor na água.
1.2. Higiene corporal
A pele tem milhões de glândulas especiais que produzem suor, e outras que produzem
uma substância parecida com o sebo. A falta de banho provoca o acumulo progressivo dessas
substâncias, que se somam às sujeiras exteriores (poeiras, terra, areia, etc.). A consequência de
um banho mal tomado é o aparecimento de vermelhidão na pele, além do odor desagradável, o
risco de aparecimento de piolhos e sarna, micoses, seborreia, infecções urinárias e corrimento
vaginal nas meninas.
O banho é importantíssimo e é indispensável à saúde do corpo. O banho de duche é o
mais econômico, o mais prático e o mais higiênico. Depois do banho, certifiquem-se que
estejam bem limpos e secos os espaços entre os dedos, virilhas e outras dobras
2. Higiene ocupacional
A higiene do trabalho ou higiene ocupacional é um conjunto de medidas preventivas
relacionadas ao ambiente do trabalho, visando a redução de acidentes de trabalho e doenças
ocupacionais. A higiene do trabalho consiste em combater as doenças profissionais.
Uma das atividades da higiene do trabalho é a análise ergonômica do ambiente de
trabalho, não apenas para identificar fatores que possam prejudicar a saúde do trabalhador e
no pagamento de adicional de insalubridade/periculosidade, mas para eliminação ou controlar
esses riscos, e para a redução do absenteísmo (doença). A capacidade analítica desenvolvida
nesse esforço permite ir além, na forma de identificação e proposição de mudanças no
ambiente e organização do trabalho que resultem também no aumento da produtividade, e da
motivação e satisfação do trabalhador que resultem na redução de outros tipos de
absenteísmo que não relacionado às doenças.
3. Higiene mental
A higiene mental é o conjunto de atividades que permitem que uma pessoa esteja em
equilíbrio com o seu ambiente sociocultural. Estas acções tentam prevenir o surgimento de
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comportamentos que não se adaptem ao funcionamento social e garantir o equilíbrio
psicológico imprescindível para que o sujeito goze de uma boa saúde mental.
A sociedade deve preocupar-se em criar um ambiente propício para que todas as
pessoas se encontrem em equilíbrio com o meio envolvente. A família, o sistema educativo, o
Estado e a religião, por exemplo, contribuem para a higiene mental e influenciam-na.
A autonomia, o bem-estar subjetivo, o potencial emocional e a competitividade fazem
parte dos factores que deve cuidar a higiene mental. É importante ter em conta que a ausência
de distúrbios mentais reconhecidos (como a esquizofrenia ou a psicose) não significa
obrigatoriamente que a pessoa em questão tenha bem-estar mental.
A saúde mental de um indivíduo reflete-se no seu comportamento diário e está
associada à capacidade para gerir os seus receios e as suas angústias, controlar a ansiedade,
enfrentar as dificuldades e aliviar as tensões. Todas as pessoas deveriam poder andar com a
sua vida para frente de forma independente sem que as relações interpessoais afectassem o
seu poder de decisão e resolução.
Assim como seu corpo, sua mente também precisa se refazer das atividades realizadas
diariamente. Você e todas as pessoas precisam dormir para repousar e precisam ter um tempo
para o lazer. As horas de lazer devem ser aproveitadas para realizarmos as atividades que mais
gostamos. Desse modo, nossa mente se distrai e descansa. Nossa mente se distrai quando:
lemos livros, revistas, jornais, etc; escutamos música; meditamos; assistimos a um programa,
enfim, quando fizemos algo que gostamos.
4. Higiene Alimentar
A higiene alimentar é a melhor maneira de evitar a contaminação por micróbios como
a Salmonela e salvar seu organismo de infecções gastrointestinais muitas vezes difíceis de
controlar. Além dos cuidados mais básicos como lavar muito bem as mãos e qualquer alimento
que se coma cru, algumas outras orientações são lavar as cascas dos ovos antes de parti-los e
não deixar a carne descongelando fora da geladeira.
A Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) chama à atenção de pessoas que
costumam comer fora de casa a observarem a higiene do local antes de comerem algo feito lá.
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Essas devem dar preferência ao consumo de alimentos que estejam muito quente ou muito
frio, o que impede a proliferação de bactérias.
Assim sendo, podemos definir a higiene alimentar como um conjunto de regras,
medidas e condições que permitem garantir a segurança e salubridade dos alimentos, em
todas as etapas da cadeia alimentar, produção, preparação, embalagem, transporte,
distribuição e venda, permitindo assim, preservar a saúde do consumidor.
Regras de higiene pessoal:
1. Sempre lave as mãos com sabão quando você levanta de manhã, após Ter evacuado e
antes de comer;
2. Tome banho todos os dias, de, pois de trabalhar ou ter suado. Banhos frequentes ajudam a
prevenir doenças da pele, coceira, caspas, espinhas e erupções. Pessoas doentes, mesmo os
bebês, devem tomar banho todos os dias;
3. Escove os dentes todos os dias, após cada refeição e cada vez que comer doce. Se você não
tem pasta e escova os dentes, esfregue os dentes com sal e bicarbonato de sódio;
4. Em lugares em que o amarelão é comum, não ande descalço e não deixe as crianças
descalças. A infecção pelos vermes do amarelão causa grave anemia. As larvas destes vermes
penetram no corpo através da sola dos pés;
5. Tire os piolhos de toda a família. Pulgas e piolhos transmitem muitas doenças. Cachorros e
outros animais que têm pulga não devem entrar em casa;
6. Dê banho nas crianças, troque sua roupa todos os dias e corte suas unhas com frequência.
Debaixo das unhas compridas podem ficar micróbios e ovos de vermes.
Regras de higiene da casa
1. Não deixe porcos e outros animais entrar na casa ou nos lugares onde as crianças
brincam;
2. Não deixe cachorros e gatos lamber as crianças ou subir nas camas; eles também
podem transmitir doenças;
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3. Se a criança ou animais evacuam perto da casa, limpe imediatamente. Ensine as
crianças a usar a privada;
4. Coloque os lençóis e cobertores no sol muitas vezes;
5. Não cuspanem escarre no chão. O cuspe e o escarro podem transmitir doenças;
6. Quando você tossir ou espirrar, cubra a boca com a mão, um lenço ou um pano.
Depois lave a mão. Troque e lave os lenços com frequência;
7. Limpe a casa sempre. Esfregue e lave o chão, paredes e debaixo dos móveis. Tape os
buracos e brechas do chão ou parede, onde os percevejos, escorpiões e barbeiros
podem se esconder.
Regras de higiene ao comer e ao beber:
1. Se a água não vem de uma fonte limpa é melhor fervê-la antes de beber. Isto é muito
importante para as crianças pequenas e principalmente quando há muitos casos de diarreia,
febre tifoide, hepatite ou cólera na região. Quando a água vem de um rio, mesmo parecendo
limpa, pode transmitir doenças se não for fervida.
2. Não deixe moscas, baratas e outros insetos pousarem e andar sobre os alimentos. Estes
insetos carregam micróbios e transmitem doenças. Não deixe restos de comida em pratos
sujos espalhados, porque isto atrai moscas e mosquitos e faz crescer micróbios. Proteja os
alimentos, mantendo-os cobertos em latas ou em armários com tela.
3. Antes de comer, lave cuidadosamente as frutas e as hortaliças cruas. Não deixe as crianças
comerem nenhum alimento que caiu no chão, antes de lavá-lo bem.
4. Cuidado com carne mal passada, principalmente de porco. A carne de porco pode
transmitir doenças e vermes perigosos, como a triquinose e a solitária.
5. Não coma alimento velho ou que cheira mal. Pode ser venenoso. Não coma alimento
enlatado se a lata estiver estufada ou esguichar líquido quando você abrir a lata. As
conservas de carne e peixe são as mais perigosas.
6. Tome cuidado com frangos. Muitos transmitem germes que causam diarreia. Lave bem o
frango antes de cozinhar e também lave as mãos antes de tocar em outros alimentos.
7. Não dê comida requentada para as crianças, os idosos e para a pessoa doente.
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Evitando que a doença se espalhe?
1. A criança doente deve dormir em cama separada das outras crianças.
2. Trate as crianças que têm doença contagiosa o mais cedo possível, para que a doença não
passe para as outras.
3. Para proteger as crianças das doenças contagiosas mais graves da infância, é preciso vaciná-
las.
5. Tenha a certeza de que as crianças se alimentam bem. A boa alimentação ajuda a
proteger o corpo contra infecções.
Já vimos à higiene como um fator importante para o adoecimento das pessoas,
vamos agora conhecer outro fator que também interfere nesse processo – A DEMOGRAFIA.
TEXTO Nº 4 – A DEMOGRAFIA
Quando vamos trabalhar numa determinada área é importante que se conheça um pouco
dessa população para sabermos do que ela mais precisa e como ela se comporta no seu dia-a-
dia. Essa população será o nosso alvo, e podemos começar sabendo quantas pessoas moram
nesse área e algumas características dela como: sexo, idade, ocupação, estado civil,
escolaridade, religião, costumes e etc. Essas características nós chamamos de variáveis.
Outro aspecto essencial das populações é seu dinamismo, pois há nascimentos, óbitos,
imigrações e emigrações constantes. Ou seja, toda hora nascem e morrem pessoas e elas
também podem se mudar de uma comunidade, cidade, estado e paíspara outro e isto é muito
importante para a saúde, pois algumas doenças chegam a outros locais através dessa
mobilidade das pessoas.
Bem, mas para saber quantos somos é importante fazermos uma pesquisa na área, casa-a-
casa e com isso contarmos essas pessoas. Então, precisamos medir essa população e para isso,
se a área for pequena, podemos fazer uma pesquisa como a que você fez na sua comunidade.
Porém, se a área for muito grande temos que lançar mão de uma pesquisa maior chamada de
recenciamento, é o censo demográfico que nós passamos em nossas casas quando uma
pessoa vai lá e pega essas informações tanto com ralação a quantidade de pessoas como
também sobre as nossas qualidades como sexo, idade, o que temos em casa.
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36
A finalidade do censo é política, administrativa e técnica. Seus resultados servem de
ponto básico para elaboração dos planos de desenvolvimento social e econômico do país, bem
como para algumas atividades na área científica.
Como já vimos não se pode estudar populações sem se delimitar a sua área geográfica
(alvo). Desta forma, se faz uma relação entre o número de habitantes e a área geográfica
(Km2) que ocupa. Esta relação é denominada de densidade demográfica epode variar dentro
de um mesmo município ou bairro, de acordo com o processo migratório, sendo calculado
através da seguinte operação:
Número de habitantes
_________________________
Número de Km que ocupam
Apesar de o recenciamento ser importante, como ele requer muito trabalho e envolve
muitas pessoas em todo país, ele é realizado a cada 10 anos e oresultado é obtido em forma
de relatórios, disponíveis nos escritórios dos órgãos censitários. As secretarias Estaduais e
Municipais de saúde dispõem de dados de interesse local para realizarem seus planejamentos
com relação à moradia, educação, saúde, transporte e toda infraestrutura necessária à sua
população.Ele possui algumas limitações como:
• Alto custo;
• Demora na publicação dos resultados;
• Tendência do indivíduo a dar uma maior ou menor idade do que realmente tem;
• Pouca confiabilidade nos dados sobre o estado civil;
• Nem todos os que se declaram alfabetizados sabem ler ou escrever;
• O fato de se ter mais de uma ocupação faz com que não se defina a principal e a
secundária.
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
- Lembra que você já realizou uma pesquisa em sua comunidade e pegou dados
sobre a quantidade da população? Pois bem vamos agora trabalhar esses dados fazendo um
perfil demográfico dessa área para conhecermos ela um pouco melhor.
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37
Para continuar nossa discussão sobre os fatores que pode interferir no processo de
adoecimento, vamos agora conhecer um pouco sobre a nutrição e a conservação dos
alimentos.
TEXTO Nº 5 – NUTRIÇÃO E SAÚDE
Os cuidados nutricionais são de extrema importância para a manutenção da saúde e a
prevenção de doenças. Nesse sentido, é fundamental um esforço por parte do grupo médico e
do nutricionista. Mas, a equipe de enfermagem também desempenha um papel considerável
nessa tarefa, fornecendo os serviços diretos ao paciente e com ele estabelecendo um bom
relacionamento.
Uma boa nutrição é importante para a promoção da saúde; prevenção às doenças;
aceleração do processo de recuperação e melhoria do desempenho físico. A importância da
nutrição para a preservação da saúde tornou-se um fato indiscutível pela sua influenciatanto
na saúde física de uma pessoa quanto os tipos e a quantidade de alimentos ingeridos.
Ouvimos algumas vezes a expressão “você é o que você come” e, na verdade, o corpo
é o produto de sua nutrição. Alguns aspectos influenciam na seleção de alimentos como
hábitos; fator social; fator psicológico; fator econômico; fator educacional; fatores culturais e
religiosos e condições orgânicas.
Para uma boa nutrição é importante escolher bem os alimentos que são produtos
obtidos na natureza de origem animal ou vegetal, utilizados para manter e formar os
tecidos do corpo, regular processo corporal e fornecer calor, mantendo a vida e dessa
forma consumidos para atender as necessidades orgânicas manifestadas pela fome sendo
um veículo de nutrientes.
Esses alimentos produzem substânciasquímicas que o nosso organismo retira e
aproveita dos alimentos chamado de nutrientes. Todo alimento é formado por
nutrientes, de qualidades diversas e em quantidades diferentes. Quando ausentes causam
carências ou enfermidades.COLÉGIO DE SAÚDE DE PERNAMBUCO
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38
Os alimentos que ingerimos passam, no nosso organismo, por processos
como:ingestão, digestão, absorção, transporte, metabolismo e eliminaçãoque vamos
conhecer agora.
• A ingestão é o ato de deglutir o alimento, após ter sido colocado na boca.
• A digestãoé um processo de simplificação, ou seja, é uma série de modificações físicas
e químicas através das quais os alimentos levados ao organismo são hidrolisados (inicia
com a mastigação) para serem absorvidos no trato gastrointestinal para a corrente
sanguínea.Ao identificarmos e separarmos cada componente, simplificamos a sua
estrutura. E é exatamente isto que ocorre na digestão. Os componentes do bolo alimentar
são discriminados, e os seus resultantes, chamados de nutrientes.
• A absorção é a “passagem” dos produtos da digestão (nutrientes) do tubo intestinal
para a corrente circulatória, através de processos altamente seletivos da membrana
celular.
• O transporte é feito através de associações pré-estabelecidas. Cada substância, ou
grupos similares, tem o seu condutor (motorista). A grande maioria dos
transportadores de nutrientes tem em sua estrutura vitaminas.
• O metabolismo do nutriente na intimidade das células é o ápice da Nutrição, a
Nutrição celular.
• A eliminação é o conjunto de processos de excreção. A excreção garante a
desintoxicação do nosso organismo.
A escolha de nossos alimentos é importante para nossa nutrição e consequentemente
para nossa saúde por isso devemos conhecê-lo melhor. Com relação a sua origem eles
podem ser:
• De origem animal – Carnes e vísceras, aves e ovos, peixes, moluscos e crustáceos, leite
e derivados, mel de abelhas, gordura animal.
• De origem vegetal – Leguminosa, cereal e derivado, raízes, hortaliças (vegetais e
legumes), frutas, gorduras vegetais, açúcares e produtos açucarados (mel, melaço,
rapadura).
• De Origem mineral – Embora muitos elementos minerais sejam essenciais à vida como
o oxigênio, o cloro, o flúor, o sódio, o potássio etc., apenas a água e o sal são
usualmente considerados alimentos.
Com relação a sua composição eles podem ser: Carboidratos(função energética- Grãos
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e raízes); Proteínas(função plástica- Produtos animais); Lipídios; Vitaminas e
Minerais(função reguladora- Verduras e frutas).Esses são muito importante na
composição de uma alimentação saudável.
Para termos uma alimentação saudável devemos obedecer às leis da alimentação
descritas abaixo:
• Lei da quantidade: A quantidade dos alimentos deve ser suficiente para cobrir as
exigências calóricas do organismo e manter o equilíbrio do balanço nutritivo.
• Lei da qualidade: A dieta deve conter alimentos completos em sua composição, ou
seja, possuir todos os componentes ou unidades nutricionais (nutrientes).
• Lei da harmonia: As quantidades dos diversos nutrientes que integram a alimentação
devem guardar entre si uma relação de proporção.
• Lei da adequação: A finalidade da alimentação está subordinada à sua adequação as
diferentes fases da vida e condições orgânicas.
A nutrição se utiliza da figura da pirâmide alimentar para apresentar o que se deve
comer no dia-a-dia; é um guia geral, e não uma prescrição rígida, e tem como objetivo orientar
uma escolha de alimentos saudável e equilibrada. Ela está dividida em quatro níveis,
destacando que nenhum dos níveis é mais importante que o outro. Na verdade, como cada um
dos grupos é composto por alimentos que fornecem alguns, mas não todos os nutrientes,
todos os níveis devem ser utilizados diariamente.
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* Os açúcares e gorduras devem ser consumidos com moderação.
Quando achamos que estamos acima de nosso peso usual sempre reduzimos a ingestão de
alimentos e costumamos dizer que estamos fazendo dieta. Pois bem, quando estamos com
determinadas patologias usualmente o médico suspende alguns alimentos como, por exemplo,
o sal para quem esta com hipertensão arterial e a isso também podemos chamar de dieta.
Pois bem a dietoterapia é a parte da nutrição que estuda essas dietas especiais. Ela é
essencial para controlar algumas patologias que temos ou para nosso restabelecimento
quando estamos doentes.
Há doenças que podem, no entanto ser tratadas com o auxílio de uma alimentação
apropriada. Poe exemplo: a gastrite, a pancreatite, o diabetes mellitus, a anemia e a
constipação intestinal. A parte da nutrição que estuda as dietas para o tratamento de doenças
se chama dietoterapia. A dietoterapia pode, algumas vezes, ser o único método de tratamento
de doenças.
Existem vários tipos de dieta de acordo com as necessidade das pessoas e que nós
vamos conhecer a medida que formos conhecendo as patologias.
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UNIDADE 2 – HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA
Na unidade anterior estudamos sobre a saúde ambiental, e os fatores de risco para
nossa saúde como: os agentes infecciosos, a demografia; a higiene e a nutrição.
Agora vamos estudar como esse processo de adoecimento acontece, suas
consequências para nossa saúde e como podemos preveni-las.
Quando concluirmos nossos trabalhos nesta unidade algumas competências são
importantes que vocês consigam aprender. São elas:
1. Compreender o processo saúde- doença.
2. Conhecer a cadeia de transmissão das doenças e o processo infeccioso.
3. Descrever o funcionamento do sistema imunológico.
4. Manter a vigilância das infecções hospitalares.
TEXTO Nº 6–SAÚDE E DOENÇA
Para compreendermos sobre o processo saúde doença é importante entendermos
mais sobre a saúde e a doença.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a “saúde é um estado de completo
bem-estar físico, mental e social e não a mera ausência de moléstia ou enfermidade”. Por
esta definição, é difícil medir o nível de saúde da população porque as pessoas não
permanecem constantemente em completo bem-estar. Também, porque os níveis de bem-
estar dependem de inúmeras variáveis existentes no ambiente físico, mental e social do
indivíduo.
Vamos pensar: Você já pensou sobre o que é saúde para você?
Discuta com seu colega do lado o que ele entende por saúde.
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De forma errada, tenta-se definir saúde como sendo a não doença, pois os sistemas
de saúde, em sua maioria, baseiam-se no conceito de que se obtém saúde erradicando-se as
doenças.
Porém se formos pensar em tudo que pode nos proporcionar saúde, vemos que ela é
resultante da influência dos fatores sócio-econômico-cultural: alimentação, habitação,
educação, renda, meio ambiente, trabalho, transportes, emprego, lazer, liberdade, acesso e
posse da terra e acesso a serviços de saúde. Esses fatores podem gerar grandes desigualdades
nos níveis de vida, que irão interferir na saúde individual e coletiva.
Deve-se pensar na saúde em uma escala graduada porque todos possuem algum grau
de saúde: em excelentes condições, razoavelmente bem, com alguma perturbação e
enfermos.
Portanto, a saúde é um processo dinâmico em que o homem luta contra as forças que
tendem a alterar seu equilíbrio; o complexo processo de redução da saúde não é provocado
por fatores simples ou específicos, mas pelo resultado da ligação contínua entre causas e
efeitos.
Uma das definições de saúde atualmente aceita é aquela apresentada por Perkins:
“saúde é um estado de relativo equilíbrio de forma e função do organismo, que resulta de seu
ajustamento dinâmico satisfatório as forças que tendem a perturbá-lo.Não é um inter-
relacionamento passivo entre a matéria orgânica e as forças que agem sobre ela, mas uma
resposta ativa do organismo no sentido do reajustamento.”.
Quando nos propomos a trabalhar, precisamos conhecer e aprender sobre o trabalho
que vamos realizar. Para os trabalhadores de saúde, é necessário não só conhecerem sobre as
práticas de saúde, como também refletirem e discutirem a respeito do que pensam sobre
saúde. Suas ideias e crenças sobre saúde e doença, vão influenciar, em grande parte, sua
prática.
Em diferentes épocas e diferentes culturas, as pessoas veem a saúde de forma
diferente. A saúde está relacionada com a cultura de um povo, com sua história e com o
momento histórico que está vivendo.
Pode parecer abstrato falar de saúde, pode parecer mais fácil até, falar de doença:
sarampo, gripe, as pessoas sentem e identificam sintomas, efeitos. Mas quando as pessoas
estão com saúde, parece que nem se lembram dela e não param para pensar sobre a ideiaque
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têm de saúde. Com o profissional da área de saúde também acontece algo parecido: sua
concepção baseia-se no seu conhecimento da doença. Fica, muitas vezes, difícil para ele
promover a saúde porque foi formado e treinado baseado no conceito de que saúde se reduz
a “não doença”. Um sistema de saúde construído sobre como curar doenças, descobre cada
vez mais doença, e cria necessidades que não pode atender.
Há várias maneiras das pessoas entenderem o que é saúde, mas elas podem ser
resumidas em duas ideias principais:
1. A saúde é compreendida como ausência de doenças e relacionada ao completo bem-estar
físico e mental;
2. A saúde é vista como uma situação física e mental que possibilita à pessoa uma vida social
adequada às suas necessidades.
A primeira ideia de saúde é um ideal muito difícil de ser alcançado, pois não é sempre
que uma pessoa pode dizer que sente um completo bem-estar físico e mental. Quando se
pensa então, num coletivo de pessoas, num grupo de pessoas de uma comunidade, fica ainda
mais complicado pensar na saúde dessa maneira, que não permite levantar problemas de
saúde mais específicos e identificar objetivos a serem alcançados para procurar ajudar as
pessoas a terem saúde.
Já a segunda ideia de saúde é pensada a partir de situações de vida específicas de
grupos de pessoas, num determinado local e numa determinada época. Essa ideia de saúde
vai permitir que os problemas de saúde de uma comunidade sejam conhecidos e seja
planejado como resolvê-los, com objetivos a serem atingidos progressivamente.
Hoje, já sabemos que a saúde, como diz o Dr. David Werner, “depende de muitas coisas:
alimentação, água, higiene, segurança. Acima de tudo, depende de como compartilhamos,
permitindo que todos tenham terra, oportunidades, recursos e conhecimentos”. A saúde é,
portanto, resultante de determinadas condições de vida e trabalho numa sociedade, ou seja,
da maneira com o país organiza a produção e distribuição de riquezas entre seus habitantes.
Vamos pensar: Agora que você já sabe a definição e saúde, qual a sua opinião sobre
esses conceitos?
Você acha que tem saúde?
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Países como o Brasil, onde a maior parte das riquezas produzidas fica com um número
muito reduzido de pessoas, são países com grande parte de sua população, doente. Para a
grande maioria da população brasileira, qualidade de vida passa ainda pela conquista de
serviços básicos como: saneamento, saúde, educação, transporte e moradia.
Hoje sabemos, sem sombra de dúvida, que a qualidade de vida e, consequentemente,
a saúde, é influenciada muito mais pela política, pela distribuição de terra e riquezas, do que
pelo tratamento e prevenção das doenças. A melhoria da qualidade de vida da população e
essencial para minimizar o processo de adoecimento da população.
Um exemplo disso no mundo é a redução de casos de tuberculose na Inglaterra onde
em 1880 era uma doença grave entre muitos trabalhadores e que hoje praticamente
desapareceu. Ainda na Inglaterra, no século XVIII, apenas 20% dos indivíduos chegavam aos
60 anos e hoje 80% dos cidadãos ingleses ultrapassam essa idade.
Em resumo, as mudanças nos padrões de vida fizeram com que os riscos do
sofrimento físico, da doença e da morte diminuam acentuadamente nesse país. Porém, essas
mudanças não ocorrem por acaso, resultaram tanto do interesse da classe dominante, que se
viu ameaçada pela redução do seu contingente de trabalhadores em decorrência das mortes,
prejudicando assim a produção e o lucro, como também da árdua luta da classe trabalhadora,
que com a organização social reivindicaram melhores condições de vida e de trabalho por
entenderem que isso interferia no processo saúde-doença naquele contexto.
Ou seja, à medida que se amplia o acesso dos indivíduos às condições dignas de
moradia, alimentação, trabalho e ambiente, eleva-se o padrão de saúde da coletividade.
Portanto, para que ocorram melhoras significativas na situação de saúde em qualquer que
seja a sociedade, torna-se imperativo suprimir as manifestações de desigualdades entre
regiões, Estados e classes sociais.
No Brasil, no século XX, enfrentou intensas transformações na estrutura populacional
e no padrão de morbimortalidade. A mortalidade infantil decresceu para menos da metade
entre 1990 e 2007, segundo a Organização Mundial de Saúde. As mortes entre crianças de até
um ano de idade diminuíram de 49 para 20 por mil nascidos vivos, enquanto as mortes de
crianças até cinco anos de idade recuaram de 58 para 22 por mil nascidos vivos.
A redução da taxa de mortalidade infantil está associada à ampliação dos serviços de
saneamento básico, ampliação da oferta dos serviços de saúde e da atenção básica,
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implantação de programas voltados à saúde da mulher e da criança, aumento da cobertura
vacinal e queda da fecundidade.
Desde 1960, alguns dos fatores que contribuíram para aumentar a expectativa de vida
foram à melhoria no acesso da população aos serviços de saúde, as campanhas de vacinação, o
aumento da escolaridade, a prevenção de doenças e os avanços da medicina.
Além da mortalidade infantil, outras doenças também tiveram modificações e, seus
padrões como, por exemplo, a redução na mortalidade por Doenças Infecciosas e
Parasitárias(DIP) como infecções intestinais mal definidas, tuberculose pulmonar e doença de
chagas, essas doenças em 1930 tinha uma prevalência em 45,7% das mortes.
O perfil de mortalidade da população brasileira mudou como o previsto, e hoje,
acompanha a tendência mundial de morte por doenças crônicas, principalmente as de origem
cardiovascular. Os hábitos de vida inadequados como a má alimentação, consumo excessivo
de álcool, tabagismo e o sedentarismo, que pautam a vida moderna há décadas, contribuíram
para que as doenças cardiovasculares passassem a liderar as causas de morte no país.
As principais causas de morte no Brasil (ano base 2014) seguem a seguinte ordem:
1-Doenças do aparelho circulatório: 31,25%.
2-Neoplasias (tumores): 16,82%. A principal causa de morte por tumores em mulheres é o
câncer de mama e nos homens, o câncer dos pulmões.
3-Causas externas: 13,54%. Nos estados do Norte e Nordeste, as causas externas como os
homicídios e os acidentes, são a segunda causa de morte, superando as neoplasias (tumores).
4-Doenças do aparelho respiratório: 11,18%. Como a bronquite crônica e enfisema pulmonar.
5-Doenças endócrinas nutricionais e metabólicas: 6,1%. Como causa isolada, a diabetes
melitus e as suas complicações, são a quarta principal causa de morte no Brasil (a terceira
principal causa nas mulheres e a sétima causa nos homens).
6-Doenças do aparelho digestivo:5,7%.
7-Doenças infecciosas e parasitárias: 4,59%. As mortes pelo HIV (vírus da imunodeficiência
humana), tuberculose ou doença de Chagas estão diminuindo na população brasileira.
8-Doenças do aparelho urinário: 2,1%
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9-Doenças do sistema nervoso: 1,9%.
10-Malformações congênitas: 1,1%
As causas externas (homicídios, suicídios e acidentes de transito) possuem tendência
crescente em todas as regiões, porém o estado com maior risco de morte é o de Pernambuco.
Os homicídios ocorrem com maior prevalência nas faixas etárias de 10 a 39 anos.
No Brasil, o perfil de morbimortalidade resulta, sem dúvida alguma, da má distribuição
de renda e do descaso por parte da classe política com as questões sociais, como habitação,
educação, serviços de saúde, etc., como também, da pouca organização social da produção
que permita uma transformação efetiva desse quadro.
Outro fato importante é a situação nutricional da população. Mesmo com todo
avanço no conhecimento científico a respeito das doenças e de suas causas e,
especificamente, da ciência da nutrição, muitas pessoas ainda passam fome no mundo e
adoecem, chegando até a morte, por causa de uma alimentação inadequada sob o ponto de
vista da qualidade e da quantidade.
A sociedade brasileira ainda convive com sérios problemas nutricionais associados à
pobreza e à miséria, como a desnutrição, a hipovitaminose A, o bócio endêmico e aquelas
doenças associadas a erros nos hábitos alimentares, como a anemia, a obesidade, as
dislipidemias (distúrbio decorrente de qualquer anormalidade no perfil lipídico sanguíneo),
que afetam tanto a população empobrecida quanto as camadas mais favorecidas.
Outras doenças da atualidade também estão relacionadas com a alimentação associadas
ao modo de vida das pessoas, a exemplo das doenças cardiovasculares, o diabetes, e as
neoplasias.
Além dessas, outras podem estar relacionadas com a qualidade do alimento ingerido,
como a diarreia, a alergia e, até mesmo, doenças muito graves que podem levar à morte
rapidamente, quando o alimento apresenta substâncias impróprias para o consumo humano,
como as toxinfecções alimentares.
Assim sendo, concluimos que a situação de saúde de uma população depenmde de
muitos fatores como: a nutrição, o saneamento básico (água, esgoto, lixo, etc) e das medidas
preventivas que podemos adotar.
.
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TEXTO Nº 7– PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
Bem, já conhecemos os conceitos de saúde e donça e um pouco sobre a situação de
saúde da população brasileira, vamos agora compreender como se dá esse processo saúde-
doença e suas interpretações.
A saúde é, sem dúvida, condição fundamental e imprescindível à produtividade do
homem. Antes do nascimento de Cristo, o homem já reconhecia a doença como fonte de
tristeza e sofrimento.
Para os povos primitivos, a doença era fruto dos maus espíritos e, por isto, utilizavam
magias e feitiçarias para afastá-los.
Antes da era Cristã, os hebreus, egípcios, gregos e romanos pensavam na saúde física.
Para os gregos a beleza física era fundamental; havia treinamentos e cuidados especiais com o
corpo. Os hebreus adotavam medidas de saneamento, com atenção centralizada na doença.
Antigamente se acreditava que as doenças eram transmitidas por substâncias
derivadas do corpo doente para o sadio; por contato direto, por substâncias geradas fora do
corpo e espalhadas pelo ar. Este pensamento era chamado de teoria dos miasmas. Ela
reconhecia que a razão do aparecimento da doença era devido a situações ambientais,
particularmente em relação ao ar. Esta teoria teve influência até o aparecimento dos primeiros
estudos em que foram apontados organismos microscópicos como causadores dos males
perceptíveis.
A partir da identificação desses agentes (microrganismos) surgiu outra teoria que
substituiu a teoria dos miasmas - a teoria unicausal. Nessa teoria, a doença era causada
apenas pelo agente infeccioso da doença. A doença era considerada elemento externo,
entrava e saía do corpo incontrolavelmente. Esse conceito atingiu grande expressão com o
advento da era bacteriológica, onde se passou a acreditar que identificados o agente e seus
meios de transmissão, estaria solucionado o problema da prevenção.
Tempos depois, começaram a aparecer outras doenças – as crônicas e degenerativas
(diabetes, hipertensão, câncer, etc.), essa teoria teve seu insucesso, dando lugar àteoria da
multicausalidade, uma vez que essas doenças (crônicas e degenerativas) não têm um agente
causador e sim, vários fatores que contribuem no processo de adoecimento. Essa teoria se
consolidou na década de 60, substituindo a teoria unicausal. Nela, o processo da doença no
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homem depende das características dos agentes patológicos, do indivíduo e de sua resposta a
estímulos provocadores de doença, advindos do meio ambiente e do próprio indivíduo.
A importância prática do conceito de causalidade múltipla das doenças reside no fato
de que o tratamento preventivo ou curativo deve basear-se na eliminação ou no controle
tanto da causa direta e provocadora, como dos fatores predisponentes e mantenedores da
doença. O importante é reconhecer que a maioria de todos os fatores predisponentes da
doença são sociais e não médicos.
Um exemplo claro disso é o processo de adoecimento pela tuberculose. Nele não basta
apenas o doente ter o bacilo de Koch, é necessário também às condições de suscetibilidade
individual, saneamento, desnutrição, habitação, etc. Aqui a questão social, o agente etiológico
e as questões biológicas tem pesos iguais.
Segundo a teoria de Leavell e Clark, três fatores intervêm e condicionam o
desenvolvimento da doença. O agente, o hospedeiro e o meio, que se acham inter-
relacionados em um estado de constante equilíbrio.
O comportamento anormal de qualquer um dos fatores pode causar transtornos nos
outros com consequente ruptura do equilíbrio de todo o sistema. Nesse momento, acontece
um conjunto de processos interativos, compreendendo “inter-relações do agente, do
suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as
primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro
lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um
AGENTE HOSPEDEIIRO
MEIO AMBIENTE
Mecânico
Biológico
Químico
Físico
Sexo
Idade
Raça
GenéticaDef
esa
Físico
SocialEconô
mico
Biológico
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defeito, invalidez, recuperação ou morte” (LEAVELL & CLARK), 1976. Todo esse conjunto de
ações chamamos e História Natural da Doença.
Desta forma, fica claro que nenhuma doença é produzida por uma causa única, visto
que sempre existem circunstâncias concomitantes que favorecem o fenômeno e todo esse
processo pode ser dividido em dois momentos ou períodos: o pré-patogênese e o
patogênese.
No período pré-patogênese a doença ainda não foi instalada. Temos uma evolução das
inter-relações dinâmicas envolvendo os condicionamentos socioeconômicos e ecológicos e as
condições do suscetível, até o estabelecimento dos fatores que propiciem a instalação da
doença no homem.
No período de patogênese a história natural da doença tem seguimento com sua
implantação e evolução no homem. Este período inicia-se com as primeiras ações que os
agentes patológicos exercem sobre o ser afetado apresentando diferentes níveis de evolução
da doença como:
a) Interação estímulo-hospedeiro - nesta etapa a doença ainda não se desenvolveu, mas
todos os fatores necessários para sua ocorrência estãopresentes. Ex.: má nutrição predispõe
a ação do bacilo da tuberculose; câncer de pulmão, probabilidade aumentada pela fumaça
do cigarro;
b) Patogênese precoce - decorrente das alterações bioquímicas, biofisiológicas e
histológicas. A doença já está implantada e pode ser detectável por exames, mas a pessoa
não apresenta manifestações clínicas. Esse período é chamado de incubação e a evolução
depende da resposta orgânica do individuo.
c) Doença precoce discernível - quando existem sinais e sintomas. É o estágio clínico. A
doença pode passar ao período de cura, evoluir para cronicidade ou progredir para invalidez
ou morte;
d) Doença avançada - quando já produziu defeitos permanentes e cronicidade. A evolução
clínica da doença pode progredir até a cronicidade ou conduzir a um estado de incapacidade
física por tempo variável. Do estado crônico, com incapacidade temporária, pode evoluir
para invalidez permanente ou morte.
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51
Nesse processo de adoecimento, podemos fazer algumas intervenções para
minimizarmos o processo ou não adoecendo ou minimizando a gravidade dessa doença. São
os níveis de prevenção que pode ser feita nos períodos de pré-patogênese e de patogênese.
Devem ser conhecidos os múltiplos fatores relacionados com o agente, o suscetível e o meio
ambiente e com a evolução da doença na pessoa. O sucesso da ação preventiva depende da
extensão como estes fatores são conhecidos – os níveis de prevenção. São eles:
• Prevenção primária: nesse nível temos duas possibilidades – promover a saúde ou
fazer uma proteção específica. Vamos vê como cada uma delas atua.
a) Promoção da saúde - as medidas adotadas não se dirigem à determinada doença ou
desordem, mas servem para aumentar a saúde e o bem-estar geral. Moradia e alimentação
adequadas, escolas, área de lazer, educação sanitária, condições agradáveis de trabalho,
educação sexual, lavagem das mãos, etc.;
b) Proteção específica - são as medidas aplicáveis a uma doença, ou grupo de doenças
visando interromper as causas das mesmas, antes que elas atinjam o homem. EX: vacinas,
saneamento básico, controle dos vetores, etc.
• Prevenção secundária: nesse nível existem ações com a doença já instalada que são
o diagnóstico precoce e tratamento imediato para evitar contaminação de terceiros
em casos de doenças transmissíveis; curar ou estacionar o processo evolutivo da
doença evitando complicações e sequelas; evitar a invalidez prolongada. Ex.:
Inquéritos para descoberta de casos na comunidade; exames periódicos, individuais,
para detecção precoce de casos; pesquisas de triagem; isolamento para evitar a
propagação da doença; tratamento para evitar a progressão da doença, etc. Outro
nível é a limitação da incapacidade onde vamos prevenir ou retardar as
consequências de moléstias clinicamente avançadas como, por exemplo, evitar
futuras complicações; evitar sequelas; provisão de meios para limitar a invalidez e
evitar a morte, etc.
• Prevenção terciária: Esse nível visa recolocar o indivíduo afetado em uma posição
útil na sociedade, com a máxima utilização de sua capacidade restante, física,
mental e social. Prevenção de incapacidade total, através da reabilitação,
fisioterapia e terapia ocupacional. Seria a recolocação da pessoa na sociedade para
produzir.
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TEXTO Nº 8– INFECÇÃO HOSPITALAR
Depois de conhecermos sobre os agentes infecciosos, como se dá o processo saúde-
doença, vamos agora estudar um pouco sobre as infecções que esses agentes podem causar
dentro das unidades de saúde- As infecções hospitalares.
A milhões de anos, antes que a terra fosse povoada, já existiam vários vírus,
bactérias e fungos, desencadeadores das doenças. Com o desenvolvimento das civilizações,
o crescimento populacional e a vasta ocupação da terra, houve o favorecimento aos
contatos interpessoais (ser humano com ser humano) propiciando a disseminação das
moléstias.
O homem na tentativa de prevenir, curar e controlar as doenças busca métodos
diversificados para explicá-la e combatê-la. Assim, na sociedade primitiva, as doenças eram
consideradas punições impostas pelos deuses aos homens, por más ações praticadas; na
medicina empírica, a cura muitas vezes exigia penitencia e a realização de rituais de magia,
individuais ou coletivas (teoria dos miasmas).
A partir do século XIX surgiram as primeiras experiências de cunho científico,
demonstrando a possibilidade da redução das infecções que ocorriam nos hospitais.Samuel
Weiss, médico húngaro descobre que a lavagem das mãos com solução clorada, reduz o
índice de infecção puerperal de 18% para 2%. Lister institui a assepsia médica, utilizando o
iodo como antisséptico e o ácido fênico como desinfetante. Louis Pasteur e Robert Koch dão
início á era bacteriológica e, consequentemente, a estudos mais profundos sobre
contaminação.
Durante a guerra da Criméia, Florence Nightingale, estabelece as bases modernas
das estratégias relacionadas com o paciente e com o ambiente hospitalar, com o objetivo de
diminuir o risco de infecção nas casas de saúde.
Vamos trabalhar um pouco em grupo?
Vamos agora retomar a lista de doenças que vocês encontraram em suas
comunidades. Para cada doença listada identifique a teoria do processo saúde-doença que
pode explicar o surgimento dessa doença e as ações que vocês poderiam fazer em cada nível
de prevenção.
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53
No Brasil, somente em 1983, o Ministério da Saúde, torna obrigatória a formação de
Comissões de Controle de Infecções Hospitalares (CCIHs), nos hospitais, por meio da Portaria
Nº 196, com o objetivo de promover a redução da incidência e da gravidade das infecções
hospitalares.
Quando um paciente adquire um problema de saúde ligado à infecção após sua
admissão e que se manifesta durante a internação ou após a alta e que pode ser relacionada
com a internação ou procedimentos hospitalares dizemos que o paciente esta com uma
infecção hospitalar ou nosocomial.
Porém, para afirmamos que essa infecção seja realmente hospitalar, é necessário
que se obedeça alguns critérios gerais que são adotados para ajudar nesse diagnóstico:
1. Infecção que se apresenta >72 horas após a admissão, quando se desconhece o
período de incubação e quando não houver evidência clínica e/ou laboratorial no momento
da admissão.
2. As infecções que aparecem antes das 72 horas na internação quando associadas a
procedimentos diagnósticos e/ou terapêuticos do período.
3. Quando na mesma topografia da infecção comunitária for isolado outro germe,
seguido de agravamento das condições clínicas do paciente.
A maioria das infecções hospitalares é de origem endógena, isto é, são causadas por
microrganismos do próprio paciente. Isto pode ocorrer por fatores inerentes ao próprio
paciente (ex: diabetes, tabagismo, obesidade, imunossupressão, etc.) ou pelo fato de,
durante a hospitalização, o paciente ser submetido a procedimentos invasivos diagnósticos
ou terapêuticos (cateteres vasculares, sondas vesicais, ventilação mecânica, etc.). As
infecções hospitalares de origem exógena geralmente são transmitidas pelas mãos dos
profissionais de saúde ou outras pessoas que entrem em contato com o paciente.
A infecção hospitalar é causa de grande preocupação das instituições de saúde do
Brasil. Enquanto a média mundial de índice de infecção é 5%, o país apresenta o porcentual de
15,5% entre os pacientes internados, conforme dados do Ministério da Saúde. Um número
Vamos pensar
1. O que você acha que é infecção hospital?
2. Como podemos evitá-las?
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54que assusta não só os pacientes, como também as instituições de saúde, que, por
consequência, têm suas despesas elevadas.
Além de gerar uma problemática ética e legal, as infecções hospitalares provocam
prejuízos aos pacientes (por aumento do tempo de internação, alterações emocionais,
quebra da sua dinâmica social); a instituição (por aumento de dias-leito, aumento da
terapêutica medicamentosa, maior gasto com a alimentação); e a sociedade (por diminuição
do número de leitos hospitalares disponíveis, não produtividade do individuo doente,
aumento do custo hospitalar).
Além das infecções hospitalares temos também aquela que é constatada ou em
incubação no ato de admissão do paciente, desde que não relacionada com a internação
anterior no mesmo hospital chamada de Infecção comunitária ou Não Hospitalar.Nessa
definição estão enquadradas:
1. As infecções associadas a complicações ou extensão da infecção já presente na admissão, a
menos que haja troca de microrganismo ou sinais ou sintomas fortemente sugestivos da
aquisição de nova infecção;
2. Infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi
comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento (ex: Herpes simples,
toxoplasmose, rubéola, citomegalovirose, sífilis e AIDS);
3. Infecção do recém-nascido associada à bolsa rota superior a 24 horas.
Essas infecções sempre são albergadas em algum local ou ser vivo denominado de
fonte de infecção e no caso das infecções hospitalares temos o homem como a principal
fonte de infecção devido à eliminação de microrganismos através de excretas (fezes e urina),
sangue, secreções naso-faringea, pele, suor, genitais, etc.
Os microrganismos penetram no corpo através de uma porta de entrada e
localizam-se em determinados órgãos até serem eliminados através de uma porta de saída,
porém para que o paciente adquira uma infecção hospitalar existem vários fatores que
facilitam esse processo e que são relacionados ao próprio paciente, à agressão diagnóstica e
terapêutica e ao ambiente hospitalar. Eles podem ser:
a) A equipe de saúde: infecção de pele, respiratória, gastrointestinal etc.; falha na utilização
da técnica, veiculação de microrganismos através das mãos, etc.
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b) Ao paciente: baixa resistência do paciente (extremos da idade, Recém-nascidos, Doenças
como AIDS, neoplasias, uso de medicamentos imunossupressores, etc.); más condições de
higiene; procedimentos que rompem a barreira epitelial ou entram em contato com a
mucosa, fumo, má formação congênita, obesidade, diabetes, insuficiência cardíaca,r enal,
choque.
c) Administração de medicamentos: Corticoides: quimioterápicos, antimicrobianos,
citostáticos, NPT, venóclise em geral.
d) Ligados ao Material (artigos): Utilização inadequada de materiais; equipamentos;
antissépticos; desinfetantes; processamento inadequado de lavagem; desinfecção e
esterilização.
e) Ligados ao ambiente: Os microrganismos são disseminados no ambiente hospitalar,
através de secreções normais ou infectadas, sangue, fezes e urina, podem crescer e se
multiplicar em condições favoráveis de sobrevivência (matéria orgânica e sujeira) e serem
veiculados através das mãos e poeiras em suspensão. Aumento do número de pessoas
circulando nas dependências hospitalares, planta física inadequada, número excessivo de
leitos nas enfermarias.
f) Realização de punções: arteriais, venosas, raqui e peridural.
g) Sondagens, transfusão de sangue, nebulização, aspirações, intubação, existência de
próteses.
h)Realização de cirurgias que varia de acordo com: grau de contaminação,local da cirurgia,
tamanho da ferida, duração da cirurgia, intercorrências no ato cirúrgico, falhas técnicas
cirúrgicas, técnica de curativo.
Além desses fatores, nas unidades de saúde existem locais onde podemos ter maior
ou menor probabilidade de adquirir infecções. As áreas e as chamadas superfícies fixas
(piso, parede, teto, porta, mobiliário, equipamentos e demais dependências dos
Agora que conhecemos um pouco sobre as infecções hospitalares, vamos
discutir um pouco sobre alguns conceitos como:
• Infecção hospitalar
• Infecção comunitária
• Origem da infecção
• Atores que podem estar envolvidos no processo – humano, material ( fontes de
infecção).
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56
Estabelecimentos de Assistência a Saúde – EAS) não representam riscos de transmitir
infecção no ambiente hospitalar, contudo existem características ambientais, que favorecem
a transmissão de infecção por propiciar meios favoráveis ao abrigo e proliferação dos
microrganismos (umidade, temperatura, nutriente).
De acordo com o potencial de transmissão de infecção as áreas podem ser
classificadas em:
a) Áreas Não-Críticas: São aquelas não ocupadas por pacientes ou as quais estes não
tem acesso. Por exemplo: onde se desenvolvem os serviços administrativos; os
setores destinados aos recursos humanos; Almoxarifado; vestiários;
b) Áreas Semicríticas: São as demais áreas onde se encontram pacientes internados,
mas cujo risco de transmissão de infecção é menor do que nas áreas críticas. Por
exemplo: Ambulatórios, enfermarias em geral, lavanderia;
c) Áreas Críticas: Aquelas onde existe risco aumentado de transmitir ou adquirir
infecção, devido ao estado grave dos pacientes, e onde se realizam os
procedimentos invasivos. Por exemplo: Área de Isolamento; Berçário de Alto Risco;
Centro de Tratamento de Queimados (CTQ); Laboratório; Laboratório de Anatomia
Patológica; Lactário e Banco de Leite; Salas de Cirurgia e de Parto; Unidade de
Atendimento Emergencial; Unidade de Quimioterapia; Unidade de Terapia Intensiva;
d) Áreas contaminadas: Superfícies que entram em contato direto com materiais
orgânicos (sangue, secreções ou excreções) independentemente da sua localização
na arquitetura hospitalar.
Assim como as áreas físicas, existem artigos hospitalares que também podem provocar
infecções. Chamamos de artigos hospitalares os instrumentos, objetos de naturezas diversas
(talheres, louças, aparadeiras, papagaios etc.) os acessórios de equipamentos e conexões,
mascaras de nebulização e outros. Estes artigos podem tonar-se de múltiplo uso e podem
tornar-se veículo de agente infeccioso se não passarem por processos seletivos de limpeza,
descontaminação e desinfecção (assim como as áreas). Eles podem ser:
a) Artigo Descartável: É o produto que, após o uso, perde suas características originais
e não devem ser reutilizados nem reprocessados. Por exemplo: cateter vesical de
demora, bolsas de colostomia, seringas, agulhas, scalpes.
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b) Artigo Não-Crítico: Aqueles que não entram em contato com o paciente ou entram
em contato apenas com a pele íntegra. Requer limpeza apenas ou desinfecção de
baixo ou médio nível, dependendo do risco de transmissão secundária de
microrganismos de importância epidemiológica. Exemplos: roupas de cama e banho
e mobiliário de paciente, paredes e pisos, termômetro axilar, diafragma de
estetoscópio, aparelhos de pressão.
c) Artigos Semicríticos: aquele que entra em contato com a pele não íntegra ou com
mucosa. Requer desinfecção de alto nível ou esterilização para uso. Exemplos:
equipamentos de terapia respiratória e de anestesia, endoscopia.
d) Artigos Críticos: aquele utilizado em procedimentos de alto risco para
desenvolvimento de infecções ou que penetra tecidos ou órgãos. Requer
esterilização para uso. Exemplos: instrumental cirúrgico, agulhas hipodérmicas,
cateteres vasculares, pinças de biópsia.
e) Artigos Contaminados: Aqueles que entram em contato com o sangue, secreções e
excreções.
Para tratamento do material (Artigos) e das Áreas (Superfícies)nos hospitais é
necessário que eles passem por processos de limpeza, desinfecção e ou descontaminação
obedecendo à portaria Nº 930 (DOU de 27/08/92) que conceitua:
1. Limpeza: Remoção de sujidade.
2. Desinfecção: Procedimento que tem como objetivo destruir os microrganismos nas suas
formas vegetativas (mais sensíveis) presentes em superfícies inertes. Não destrói vírus nem
esporos (formas mais resistente de bactérias). É realizada através de agentes químicos
(glutaraldeídos em 10 a 30 minutos) hipoclorito de sódio (30 min.) ou meios físicos
(pasteurização).
3. Antissepsia: Procedimento que tem como objetivo destruir ou impedir o crescimento de
microrganismos, nas suas formas vegetativas presentes na pele. É realizada através de
agentes químicos (antissépticos).
4. Esterilização: Procedimentos que tem como objetivo destruir os microrganismos em
todas as suas formas. É realizado através de agente físico (físico-químico, vapor sob pressão,
estufa) e químico (glutaraldeído em 08 horas; óxido-etileno).
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58
As áreas não críticas e semicríticas devem ser limpas constantemente; As áreas
críticas devem passar por processo de desinfecção; As áreas contaminadas devem passar
por processo de descontaminação e ou desinfecção.
O lixo hospitalar, chamado por resíduo sólido também deve receber tratamento
especial para evitar as infecções. Ele pode ser classificado em:
1. Resíduos Comuns: Papéis, papel higiênico, lixo de jardim, ataduras sem matéria
orgânica.
Como Coletar: Acondicionar em sacos plásticos, preferencialmente de cor preta.
2. Resíduos de Plásticos: Embalagens de plástico em geral (soros vazios, embalagens
de dietas enterais).
Como coletar: Acondicionar em sacos plásticos.
3. Vidro Íntegro: Coletar em baldes específicos.
4. Resíduos Patológicos - podem ser:
a) Biológico Sólido: Bolsa de sangue, bolsa de colostomia, coletor de urina, drenos,
gazes e curativos com matéria orgânica, peças anatômicas, placentas e fetos.
Como Coletar: Acondicionar em sacos plásticos preferencialmente de cor branca.
b) Biológico Líquido: Excretas; Líquidos (sangue pus vômitos, urina, etc).
Como Coletar: Desprezar no expurgo ou bacia sanitária utilizando técnica asséptica
(uso de luva de procedimento)
c) Pérfuro-Cortantes: Lâminas (bisturi/barbear); Scalps; Jelcos; Ampolas quebradas;
Cateteres intravenosos; Fios cirúrgicos com agulhas; Vidros quebrados; Seringas
acopladas a agulhas.
Como Coletar: Acondicionar em recipientes de paredes rígidas e ao atingir sua
capacidade média, encaminhar para a lixeira intermediária devidamente fechada.
Obs. A tampa do recipiente deverá permanecer anexada ao mesmo (para evitar perdas);
d) Resíduos farmacêuticos químicos: Frascos de quimioterápicos; Medicamentos
contaminados e vencidos.
Como Coletar: Acondicionar em recipientes de paredes rígidas fechadas. Para os
medicamentos vencidos, quando em pequena quantidade, após serem diluídos são
desprezados na bacia sanitária (acionar descargas).
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59
É importante também que se conheça os tipos de cirurgias, poismuitas delas
também, por se só, pode evoluir para uma infecção. De acordo com seu potencial de
produzir infecção, elas podem ser:
Classificação das Cirurgias:
1. Cirurgias Limpas (eletivas, não traumáticas, não infectadas, percentual de infecção
5%): São aquelas nas quais o trato intestinal, respiratório superior e geniturinário
não foi penetrado. Ocorre em tecidos estéreis passíveis de descontaminação, sem
nenhuma falha técnica asséptica. Ex. cirurgia vascular.
2. Cirurgias Potencialmente Contaminadas (percentual de infecção 10%): É aquelas
onde o trato intestinal, respiratório e geniturinário foi penetrado. Ocorre em tecido
colonizado por flora bacteriana pouco numerosa e tecidos de difícil
descontaminação para processos infeccioso local, e com presença de falha técnica
grosseira. Ex. histerectomia.
3. Cirurgias Contaminadas (percentual de infecção 20%): São aquelas nas quais existe
inflamação aguda com formação de pus. Ocorre em tecido colonizado por flora
microbiana abundante, em tecido de difícil ou impossível descontaminação e com
presença de falhas técnicas grosseiras. Ex. parto cesárea, cavidade bucal, glândulas
salivares, cólon, reto, anus, vulva e vagina, trato respiratório alto.
4. Cirurgias Infectadas: São aquelas que acontecem em qualquer tecido do órgão, com
presença de processo infeccioso local, ou ferida traumática aberta acima de 06
horas. Ex: úlceras perfuradas.
Para evitar as infecções hospitalares existem materiais chamados de equipamentos
de proteção individual – EPI que devem ser usados pelos profissionais para prestar os
cuidados aos pacientes. Vamos estudar melhor esses equipamentos no módulo de
Práticas integradas de Enfermagem I.
Outra forma de evitar as infecções e/ou controla-las é através da investigação
acompanhamento ou monitoramento dos casos e esse procedimento é feito pela
vigilância epidemiológica.
Segundo a Portaria Ministerial 2.616, a Vigilância Epidemiológica das infecções
hospitalares (IH) é a observação ativa, sistemática e contínua de sua ocorrência e de sua
distribuição entre pacientes hospitalizados ou não, e dos eventos e condições que afetam o
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60
risco de sua ocorrência, com vistas à execução oportuna das ações de prevenção e controle.
Para este fim são necessárias informações ou dados para estabelecer indicadores
epidemiológicos.
Não existe um modelo único de vigilância das infecções hospitalares, deve-se
escolher o método de Vigilância Epidemiológica segundo as características do hospital
podendo acontecer na forma de busca passiva ou busca ativa. Na primeira qualquer
membro da equipe de assistência relata ocorrência da infecção e ela é pouco recomendada
porque identifica corretamente apenas 15 e 35% das Infeções hospitalares. Na busca ativa
um profissional treinado notifica os eventos através de visitas periódicas setoriais,
utilizando diversas fontes podendo identificar entre 85 a 100% das Infecções hospitalares.
Esse tipo de busca consome muito tempo e é cara.
A investigação feita utiliza uma ficha de investigação que é uma das fontes mais
comumente empregadas na busca passiva. Os seguintes dados são essenciais e devem estar
obrigatoriamente presentes: identificação do paciente, idade, peso e procedência
(domicílio ou outro hospital); ocorrência ou não de infecção comunitária ou HOSPITALAR;
topografia de IH (um paciente pode ter mais de uma infecção durante o internamento);
espécime clínico e a data da coleta dos exames bacteriológicos; utilização de
procedimentos invasivos; diagnóstico final e tipo de saída (alta ou óbito).
Os dados colhidos ou fornecidos adequadamente permitem detectar a ocorrência
de surtos, além de fornecerem indicadores importantes que devem ser analisados
periodicamente. O objetivo desta análise é definir taxas endêmicas, identificar surtos e
intervir, identificando e modificando os fatores de risco, orientando a equipe para riscos
iminente e avaliar sistematicamente a eficiência das medidas tomadas.
Além da vigilância epidemiológica, existe dentro dos hospitais outro setor que tem a
responsabilidade de controlar as infecções hospitalares, normatizando e implantando
ações para esse fim – esta é a Comissão de Infecção Hospitalar (CCIH).
A lei 943/97 do Ministério da Saúde do Brasil “obriga hospitais a manterem um
Programa de Controle de Infecções Hospitalares para redução máxima possível da incidência e
gravidade das infecções hospitalares”
A resolução da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, publicada no Diário
Oficial 29/12/1998, determina o Núcleo de Epidemiologia (NEPI),como órgão responsável
pela geração de informações, desenvolvimento da vigilância epidemiológica e ações de
prevenção e controle da infecção hospitalar.
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61
A CCIH é o órgão de assessoria da direção da instituição composta por profissionais de
nível superior, formalmente designado, constituída por:
- Membros Consultores: representantes dos serviços médico, de enfermagem, farmácia
hospitalar, laboratório de microbiologia e da administração do hospital.
- Membros Executores: obedecendo à relação de 02 técnicos de nível superior (em
hospitais com mais de 200 leitos), sendo um dos membros preferencialmente da
enfermagem.
O conceito difundido que “o controle de infecção hospitalar é um problema de todo
os funcionários das unidades de saúde, demonstram que, no controle de infecção hospitalar,
faz-se necessário uma ação conjunta, uma união de forças, uma corrente onde todos os elos
são fundamentais, onde a quebra de um elo pode por em risco a vida dos pacientes”. Assim
sendo, a CCIH tem os seguintes objetivos:
� Orientar, treinar e reciclar periodicamente os profissionais;
� Padronizar técnicas;
� Conhecer os riscos inerentes ao procedimento, ao paciente e ao ambiente;
� Elaborar, revisar e atualizar normas e manuais de procedimentos, visando á
uniformização de medida de controle de infecção hospitalar;
� Supervisionar as normas e rotinas estabelecidas;
� Assessoramento e consultoria para os diversos setores do EAS; e assuntos de
infecção hospitalar;
� Participar na seleção e padronização de germicidas;
� Atuar na comissão de parecer técnico opinando na aquisição de materiais e
equipamento;
� Assessorar nas reformas e construção dos EAS;
� Realizar levantamento das condições de insalubridade de trabalho dos funcionários,
visando adotar medidas de prevenção específica;
� Participar na padronização dos antimicrobianos utilizados nos EAS;
� Realizar palestras educativas informais com funcionários, pacientes e visitantes;
� Atuar juntamente com o serviço de educação continuada;
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� Participar de estudos de investigação epidemiológica de controle e prevenção das
infecções hospitalares.
.
Vamos discutir agora sobre as áreas e artigos críticos para a infecção
hospitalar:
• O que você identifica como áreas criticas para as infecções hospitalares:
• E os artigos. Quais os mais importantes de serem controlados;
• Como profissional como você pode estar prevenindo essas infecções?
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64
UNIDADE 3 – SISTEMAS DE VIGILÂNCIA À SAÚDE
Na unidade anterior estudamos sobre o processo saúde-doença e as infecções
hospitalares.
Agora vamos estudar os sistemas de vigilância à saúde como forma de prevenir e
controlar os agravos que acontecem na população e compreender o papel do profissional
técnico nessas ações.
Quando concluirmos nossos trabalhos nesta unidade é importante que vocês tenham
aprendido a:
1. Realizar ações no controle dos riscos à saúde da população utilizando os sistemas de
vigilância epidemiológica, sanitária e ambiental.
TEXTO Nº 09– SISTEMAS DE VIGILÂNCIA À SAÚDE
Na unidade anterior estudamos o processo saúde-doença e as infecções hospitalares.
Vimos que para preveni-las ou controla-las é necessário que haja uma investigação de sua causa
para se ter uma ação mais direcionada.
Agora nós vamos estudar os sistemas de vigilância à saúde que é o responsável pelas as
investigações dos casos de doenças na comunidade nas suas diferentes formas. Esses sistemas
fazem parte de uma disciplina denominada de Epidemiologia. “Esta por sua vez é definida como
o ramo da ciência destinado a” estudar “tudo sobre a população”, do grego – epig. (sobre) +
demos (população), incluindo aqui a descrição e distribuição dos agravos que ocorrem com a
população; apontar as causas, verificar fatores ambientais e socioeconômicos que favorecem as
doenças transmissíveis e não transmissíveis, e orientar as indicações dos meios de controle.
Em nosso país a Epidemiologia age de maneira mais significativa no controle e
prevenção das doenças transmissíveis. É necessário saber caracterizar uma doença, quantas
vezes ela ocorreu, se é mortal ou não, se é de algum país ou região específica, a fim de
melhor planejar e priorizar as atividades de saúde. Essa caracterização dos agravos à saúde é
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realizada através da epidemiologia descritiva que explora as diversas características que
relacionam a doença e as pessoas por ela afetadas. Desta forma, os agravos são
caracterizados com relação às variáveis referentes ao tempo, lugar e pessoa.
Durante uma investigação, para esclarecer os fatos, podemos fazer algumas
perguntar que vão esclarecer algumas questões. São elas: quando aconteceu? (variáveis em
relação ao tempo); Onde aconteceu (variáveis em relação ao lugar) e quem foi acometido
(variáveis em relação à pessoa). As respostas a essas perguntas são capazes de descrever
uma situação de saúde de uma comunidade.
Agente infeccioso
(bactéria, protozoário, vírus, fungos).
Suscetível Fonte de infecção
(Homem ou Portador, doente) (Homem doente ou animal).
Transmissão
(porta de entrada ou porta de saída)
Em síntese, a epidemiologia descritiva, na tentativa de esclarecer problemas de
saúde, se utiliza a seguinte pergunta:
a) Qual é o problema?
b) Quem está envolvido?
d) Onde está acontecendo?
e) Quando aconteceu?
Essas perguntas são respondidas através da vigilância de agravos e/ou situações de
risco, as quais, a população se submete, e suas ações são executadas através da Vigilância
epidemiológica, Sanitária e Ambiental, que passamos a descrever a partir de agora.
Vamos trabalhar um pouco em grupo:
Agora, retomando a lista de doenças que vocês fizeram na unidade I, vamos fazer
uma descrição do que vocês encontraram na comunidade;
Tentem lembrar quais as características das pessoas e lugares onde vocês realizaram as
pesquisas.
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66
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
Denomina-se Vigilância Epidemiológica (VE) o alerta permanente em relação à
frequência e distribuição das doenças. A VE é um sistema de informação, decisão e ação,
para recomendar, planejar e avaliar medidas do controle dos agravos.
Segundo o Ministério da Saúde, para que isto ocorra, é necessários que a VE seja um
componente imprescindível dos programas de controle de doenças e as suas atividades
executadas em todos os níveis de prestação de serviços (unidades básicas, hospitais, clínicas
particulares e população em geral).
A informação/notificação de doenças e/ou óbitos de agravos à saúde é
imprescindível para que se inicie o processo da vigilância epidemiológica. A fim de organizar
suas ações, o Ministério da Saúde estabeleceu normas relativas à forma na qual as
informações ficariam disponíveis, definindo então uma notificação desses casos chamada de
O que é vigilância?
Vamos agora pensar:
1. Quando falamos em vigilância no que pensamos?
2. E vigilância na saúde, o que será que ela vigia?
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67
notificação compulsória das doenças, ou seja, a obrigatoriedade de informar casos de
algumas doenças uma vez que seria impossível notificar todas as doenças existentes. Mas,
fica aqui uma dúvida,como sabemos o que notificar? Para esclarecer essa dúvida levando
em consideração a importância e gravidade da doença para população, foi estabelecida
através de portaria do Ministério da Saúde uma lista de doenças chamadas de Doenças de
Notificação Compulsória (DNC)que devem ser notificadas aos serviços de saúde. Essa lista é
nacional, porém os Estados podem acrescentar doenças que são importantes para ele
quanto à gravidade dela na sua população com os objetivos de possibilitar a descoberta dos
casos novos para desencadear o mais rapidamente possível o processo de profilaxia e
permitir o planejamento das ações de saúde a partir de prioridades levantadas pelo
comportamento epidemiológico.
Para que estes objetivos sejam alcançados, é necessário e obrigatório que médicos,
profissionais de saúde e responsáveis pelos estabelecimentos de saúde notifiquem os casos
suspeitos ou confirmados das Doenças de Notificação Compulsória publicadas na Portaria de
Nº 5, de 21 de fevereiro de 2006. Nº 2.472, de 31 de agosto de 2010.
Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória:
1. Acidentes por animais peçonhentos;
2. Atendimento antirrábico;
3. Botulismo;
4. Carbúnculo ou Antraz;
5. Cólera;
6. Coqueluche;
7. Dengue;
8. Difteria;
9. Doença de Creutzfeldt-Jakob;
10. Doença Meningocócica e outras Meningites;
11. Doenças de Chagas Aguda;
12. Esquistossomose;
13. Eventos Adversos Pós-Vacinação;
14. Febre Amarela;
15. Febre do Nilo Ocidental;
16. Febre Maculosa;
17. Febre Tifoide;
18. Hanseníase;
19. Hantavirose;
20. Hepatites Virais;
21. Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana –HIV
em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão
vertical;
22.Influenza humana por novo subtipo;
23. Intoxicações Exógenas (por substâncias químicas,
incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados);
24. Leishmaniose Tegumentar Americana;
25. Leishmaniose Visceral;
26. Leptospirose;
27. Malária;
28. Paralisia Flácida Aguda;
29. Peste;
30. Poliomielite;
31. Raiva Humana;
32. Rubéola;
33. Sarampo;
34. Sífilis Adquirida;
35. Sífilis Congênita;
36. Sífilis em Gestante;
37. Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS;
38. Síndrome da Rubéola Congênita;
39. Síndrome do Corrimento Uretral Masculino;
40. Síndrome Respiratória Aguda Grave associada ao
Coronavírus (SARS-CoV);
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68
Nesta relação, constam as doenças de notificação internacional e nacional. Cada
estado, de acordo com sua situação epidemiológica, poderá acrescentar outras doenças.
Os dados coletados são digitados no computador através de três sistemas de
informação – SINASC (Sistema de Nascidos Vivos); SINAN (Sistema de Notificação de Agravos
Notificáveis); e o SIM (Sistema de Mortalidade). Logo após, os dados são processados e
analisados (em geral através de tabelas e ou gráficos) para se conhecer a situação
epidemiológica do local em estudo e direcionar melhor o planejamento das ações de saúde
da população.
Essas informações precisam ser conhecidas pelas autoridades sanitárias dos
municípios, estados e nacional e para que elas cheguem a cada destino desse deve percorrer
um caminho que chamamos de fluxo das notificações.
Em geral, a notificação é encaminhada dos níveis mais periféricos, onde o caso da
doença é diagnosticado, para os níveis mais centrais. Em cada nível do sistema, aumenta a
área de abrangência, aumentando o volume de informações disponíveis. Além disso, os
níveis mais centrais devem ser capazes de realizar a análise dos dados de forma mais
refinada, e apoiar as ações desenvolvidas a nível local.
As ações de vigilância epidemiológica têm a participação de vários profissionais e a
Enfermagem não fica de fora disso, participando de ações como:
• Identificação da notificação, através de esclarecimentos sobre importância e objetivos, para
médicos, funcionários, clínicas, laboratórios, hospitais, pacientes, população em geral;
Ministério da Saúde
SES
Regional
SMS
USF Policlínicas
Hospitais Unidades
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69
• Educação contínua e permanente dos funcionários responsáveis pela V. E. a fim de melhorar
a qualidade de diagnóstico e agir prontamente com medidas preventivas. Neste processo de
educação continuada, os aspectos epidemiológicos das doenças de notificação compulsória
deverão ser ressaltados;
• Colher material para melhor elucidação do diagnóstico;
• Preencher a ficha epidemiológica específica com encaminhamento para instância superior;
• Fazer visitas Domiciliares para realizar detecção de outros possíveis casos, comunicantes e
fontes de infecção;
• Implantar medidas de controle (vacinação, desinfecção terminal, concorrente,
quimioprofilaxia, orientações específicas para cada doença, como cuidados com a higiene
pessoal, dos alimentos, destino correto de dejetos, lixos etc.)
• Acompanhar os casos para avaliação das medidas de controle tomadas; colocar a
população em alerta, orientando sobre sinais e sintomas da doença em questão,
implementar medidas profiláticas e notificar novos casos suspeitos.
Ações de Vigilância Sanitária constituem a mais antiga face da Saúde Pública, suas ações
visam preservar à saúde e à qualidade de vida. Preocupações com o charlatanismo e com a
venda de alimentos deteriorados, bem como algumas leis relacionadas com a inspeção de
animais antes de serem abatidos, existem desde épocas mais remotas, há relatos de achados
arqueológicos que sugerem esse tipo de atividade desde antes de Cristo.
A Vigilância Sanitária é parte integrante da saúde coletiva e deve ser desenvolvida em
conjunto com as ações de vigilância epidemiológica e ambiental.
Segundo a Lei Federal nº. 8080, de 19 de setembro de 1990, a chamada Lei Orgânica da
Saúde, a vigilância sanitária está definida como “um conjunto de ações capazes de eliminar,
diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do
meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da
Vamos conhecer agora outro sistema de Vigilância:
A VIGILÂNCIA SANITÁRIA (VISA)
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70
saúde, abrangendo o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se
relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao
consumo; o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente
com a saúde”.
Assim como a Vigilância epidemiológica, a vigilância sanitária também possui fatores de
risco aqui entendidos como “os componentes críticos dos acontecimentos, fatos ou coisas que
colocam ou podem vir a colocar em risco, perigo ou que podem causar danos à saúde dos
indivíduos ou da coletividade” (MS/SNVS, 1989). Ou seja, riscos advindos do consumo de
produtos e ou serviços de interesse à saúde pelos consumidores.
Esses riscos podem ser classificados de várias formas:
• Risco inerente ou potencial, aquele que se diz de condições de perigo próprias de
determinadas práticas, situações ou técnicas, cujo exemplo mais significativo é o uso da
radiação ionizante na prática médica para tratar doentes - há um risco em si, risco para os
trabalhadores que lidam com ela, risco para o público que frequenta ou para as vizinhanças e
risco para o paciente que recebe doses, seja como técnica de diagnóstico, seja nas
terapêuticas utilizadas para a cura do câncer - o que exige uma série de cuidados para se
garantir os resultados esperados sem os efeitos deletérios;• Risco adquirido se diz de práticas ou produtos que não teriam um risco em si, mas que
devido a incorreções em seu processo de produção podem vir a provocar doenças ou danos à
saúde. Por exemplo, os alimentos, que em seu preparo ou manipulações podem veicular
microrganismos ou outros contaminantes produzindo intoxicações, envenenamentos,
sequelas e óbitos.
Uma vez identificados os riscos, é necessário empreender ações de controle. Para
tanto, devem ser empregados múltiplos instrumentos, além das leis, normas, regulamentos,
códigos de saúde, e da fiscalização. A comunicação e a educação sanitária são fortes aliadas
da vigilância sanitária, por meio de ações com a comunidade; outro apoio é o laboratório que
tem importante papel na estrutura da Vigilância sanitária, através do qual pode ser avaliada a
qualidade de produtos e das repercussões de riscos e agravos sobre as saúde das pessoas.
Uma particularidade da vigilância sanitária é que os trabalhadores, efetivos,
nomeados de inspetor sanitário possuem poder de polícia quando estão no exercício de seu
trabalho. Esse poder é exclusivo da administração pública, utilizado para coibir as
transgressões que se fazem frequentemente contra a saúde da população.
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71
As ações da vigilância sanitária devem ser realizadas a nível municipal (sec. de saúde
do município), Estadual (secretaria e saúde do Estado) e Federal ( ANVISA Agencia Nacional
de Vigilância Sanitária)onde cada um tem suas ações específicas dependendo da
complexidade delas. Essas ações podem ser:
• Controle de Portos, aeroportos e fronteiras, incluindo o controle das importações
de produtos, serviços e equipamentos e tecnologias médico-hospitalares e
laboratórios de interesse à saúde (ANVISA);
• Controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços
relacionados à saúde, com exceção das atividades de meio ambiente e saúde do
trabalhador.
• Monitora a evolução dos preços de medicamentos, equipamentos, componentes,
insumos, matérias primas, vendas etc., às pessoas de direito público ou privado que
se dediquem a produção, distribuição e comércio de bens e serviços.
Áreas de Atuação:
ALIMENTOS
MEDICAMENTOS COSMÉTICOS
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SERVIÇOS DE SAÚDE
Complementando o sistema, a vigilância a ambiental atua estudando o processo saúde
doença através da relação entre o ambiente e a saúde. A epidemiologia ambiental utiliza
informações sobre os fatores de risco existentes (físicos, químicos, biológicos, mecânicos,
ergonômicos e psicossociais); as características especiais do ambiente que interferem no
padrão de saúde da população; as pessoas expostas; e os efeitos adversos à saúde,
identificando fatores ambientais que interferem na ocorrência de epidemias e mortes em suas
regiões e a importância dos ares, águas e lugares, como determinantes de diferenças na
morbidade dos indivíduos.
Como um conjunto integrado de ações e atividades com propósitos definidos, a
estrutura da vigilância ambiental em saúde abrange a diversidade de setores e instituições por
meio das quais se cumprirão os objetivos e ações do sistema de vigilância, atuando nas
seguintes áreas:
•Vigilância e controle de fatores de risco biológicos: Vetores; hospedeiros e
reservatórios; animais peçonhentos;
Agora chegou a hora de conhecermos outro sistema de Vigilância:
A VIGILÂNCIA AMBIENTAL
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73
• Vigilância e controle de fatores de risco não biológicos: Água para consumo
humano; contaminantes ambientais; desastres naturais e acidentes com produtos perigosos;
• Vigilância em Saúde do Trabalhador.
Considerando seus objetivos e ações, a estrutura da vigilância ambiental requer uma
equipe multiprofissional e uma integração com outros setores fora do âmbito da secretaria de
saúde, como por exemplo, os setores de infraestrutura, planejamento, educação e etc.
A vigilância ambiental em saúde está inserida na atenção integral à saúde e faz parte
da vigilância da saúde, atuando na interface saúde-ambiente.
A saúde e doença de uma comunidade sofrem influência do meio ambiente em que
vive a população, pois, de fato, constitui o cenário dinâmico dos seus acontecimentos. A
atuação da epidemiologia ambiental sobre esta relação é baseada no enfoque de risco e suas
interações, que poderão causar danos à saúde.
Em relação ao ambiente, os fatores de risco referem-se a seus elementos, situações e
condições bem como os agentes patogênicos presentes no meio que representam, sob
condições especiais de exposição humana, uma maior probabilidade de gerar ou desenvolver
efeitos adversos para a saúde.
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Todo profissional de saúde, mesmo que não trabalhe especificamente na área de
vigilância ambiental, deve e pode colaborar na melhoria do trabalho, á medida que notifica,
informa e investiga possíveis problemas ambientais de sua área de trabalho, que estejam
interferindo na condição de vida da população, buscando a solução e/ou minimização do
referido problema. As ações de educação em saúde buscando a participação comunitária são
essenciais para solução dos problemas.
Como já vimos existem muitas doenças que podem acometer a população dentre
elas, temos aquelas que são transmissíveis. Porém precisamos nos prevenir contra muitas
delas através de vacinas, soros, lavagem das mãos e outros hábitos de higiene. Mesmo
tomando essas e outras precauções algumas pessoas adoecem. Por que será que isso
acontece?
Bem, as pessoas não são iguais às outras nem na aparência nem seu organismo
porque uma pode ser mais forte que a outra. Quem regula essa função de ser mais forte é
nosso sistema imunológico. Ele é quem responde as agressões que nosso organismo recebe
de corpos estranhos (antígenos), microrganismos invasores (vírus, bactérias ou parasitas) e
nos defende com nossos anticorpos, porém, se não temos anticorpos para aquela doença e
nosso sistema imunológico esta fraco, vamos adoecer e se reagimos bem não adoecendo é
porque temos resistência para aquela doença. No homem, as estruturas que fazem parte do
sistema imunológico são: os linfócitos, a medula óssea, o timo, o baço e os gânglios
linfáticos.
Após a agressão pelos corpos estranhos, o organismo responde com um processo
que faz a captura de todo e qualquer tipo de substância que o sistema imunológico
identifique como estranha, desenvolvendo meios adequados para neutralizar sua ação-
esse processo é chamado de Fagocitose e é feito através de nossos anticorpos.
As células do sistema imune são altamente organizadas como um exército. Cada tipo
de célula age de acordo com sua função. O nosso organismo possui mecanismos de defesa
que podem ser diferenciados quanto a sua especificidade, ou seja, existem os específicos
contra o antígeno ("corpo estranho") e os inespecíficos que protegem o corpo de qualquer
material ou microrganismo estranho, sem que este seja específico.
Esta capacidade que o organismo tem de reagir contra um determinado agente é o
que se chama de imunidade. Ou pode ser definida como um conjunto de mecanismos e
respostas, utilizados pelo corpo para defendê-lo contra substâncias estranhas,
microrganismos, toxinas e células não compatíveis.
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75
Diz-se, então, que uma pessoa é imune a determinada doença quando seu
organismo reage contra a doença, devido à presença de anticorpos protetores específicose
essa imunidade pode ser inespecífica ou específica.
Quando nosso organismo entra em contato com materiais estranhos, diversos
mecanismos de defesa inespecíficos participam da interação, constituindo por assim dizer as
nossas primeiras linhas de defesa e denominam-se imunidade inespecífica ou inata. Esta
imunidade inata provém de mecanismos de defesa passivos e ativos.
As defesas passivas incluem barreiras anatômicas (membranas, mucosas, pele,
etc.), secreções exógenas (mucina, saliva, fluidos bronquiais, ácido gástrico, etc.), atividade
ciliar, fatores fisiológicos normais (idade, sexo, raça, ritmo circadiano, etc.), flora
microbiológica normal e mesmo fatores ambientais e ocupacionais.
Já as defesas ativas da imunidade inata incluem uma diversa gama de respostas
fisiológicas (taquicardia, elevação da temperatura corpórea, vômito, diarreia, espirro, tosse,
etc.), bem como os padrões estereotipados das reações de fase aguda (mialgias, febre,
sonolência anorexia, alterações nos padrões de síntese e degradação proteica no fígado e
músculos, etc.).
Havendo a persistência do material estranho após a primeira interação, os
processos bioquímicos envolvidos na imunidade inespecífica sinalizam para que seja ativada
uma etapa de defesa subsequente, denominada imunidade específica ou adaptativaou
mesmo adquirida.
A imunidade ainda pode ser natural ou adquirida:
1. Imunidade Natural: Há certas espécies e raças de seres vivos que são
naturalmente imunes a determinadas doenças. Por exemplo: o homem é naturalmente
imune a muitas doenças que afetam outros animais e vice-versa. A este tipo de imunidade
chamamos de natural.
2. Imunidade Adquirida: A imunidade adquirida depende do contato que o indivíduo
tem com o agente causador da doença, com um imunizante ou com um soro imune. Pode
ser resultado de mecanismos naturais, pelos quais o próprio organismo, ao enfrentar um
agente infeccioso, elabora uma substância específica para neutralizar as toxinas.
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76
Quando essa imunidade adquirida é de curta duração (dias ou meses) e que se
adquiriu introduzindo no organismo os anticorpos já formados; por transmissão materna
(através da placenta), ou artificialmente por injeção de soros imunes (soro antitetânico, soro
antidiftérico, etc.) dizemos que ela é uma imunidade adquirida passiva.
Por outro lado, quando a imunidade dura meses ou anos e é adquirida através da
doença, de vacinas dizemos que ela é uma imunidade adquirida ativa.
Alguns fatores contribuem para a maior ou menor suscetibilidade do indivíduo
interferindo no processo imunitário e contraindicando momentaneamente as vacinas:
1. Pessoas com enfermidade crônica não infecciosa. Ex. o diabético é bastante
susceptível a inflamações bacterianas;
2. Infecções virais respiratórias benignas podem contribuir para a introdução de
uma doença bacteriana grave;
3. Idade: a gravidade das doenças varia de acordo com a idade do hospedeiro.
4. Estado de nutrição: os efeitos do estado nutricional e das infecções estão
intimamente relacionados. Ex. o sarampo se apresenta de forma mais grave na criança mal
nutrida.
5. A obesidade influi na cardiopatia coronária, hipertensão, diabete mellitus, etc.
6. Outros fatores também podem de uma forma ou de outra interferir na
suscetibilidade ou na resistência aos agentes específicos de doença. Por exemplo: uso do
álcool e drogas, raça, sexo, uso de imunossupressores.
As vacinas e soros são importantes substâncias que quando introduzidas no
nosso organismo nos confere uma imunidade para algumas doenças. A ação do soro é mais
imediata porém dura mesmo tempo em nosso organismo e em contra partida a vacina exige
um tempo maior para começar a agir mas nos confere uma imunidade por mais tempo.
Como toda medicação, as vacinas e soros devem ser bem acondicionados para
que não percam seu poder imunogênico, isto é, para que conservem suas substâncias e a
capacidade de nos proteger a partir do seu uso. Essa conservação deve ser feita em
geladeira a uma temperatura adequada que as conserve.
Vamos conhecer agora a forma correta de conservar nossas vacinas e soros nas
unidades de saúde.
A REDE DE FRIO
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77
A Rede de Frio ou Cadeia de Frio é o processo de armazenamento, conservação,
manipulação, distribuição e transporte dos imunobiológicos do Programa Nacional de
Imunizações, e deverá oferecer as condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório
produtor até o momento em que a vacina é administrada.
O objetivo final da Rede de Frio é assegurar que todos os imunobiológicos
administrados mantenham suas características iniciais, a fim de conferir imunidade, haja vista
que são produtos termo lábeis, isto é, se deterioram depois de determinado tempo quando
expostos a variação de temperaturas inadequadas à sua conservação. O calor acelera a
inativação dos componentes imunogênicos.
É necessário, portanto, mantê-los constantemente refrigerados, utilizando instalações
e equipamentos adequados em todos os níveis: Nacional, Estadual, Regional ou Distrital e
Municipal / Local. Um manuseio inadequado, um equipamento com defeito, ou falta de
energia elétrica podem interromper o processo de refrigeração, comprometendo a potência e
eficácia dos imunobiológicos.
Vamos agora conhecer os equipamentos que fazem parte da rede de frio:
a) Câmaras Frigoríficas
Também denominadas quartos frios ou câmaras frias, são ambientes especialmente
projetados para armazenagem de produtos predominantemente em baixas temperaturas e
em grandes volumes. Podem ser reguladas para trabalhar mantendo as mais diversas
temperaturas, tanto positivas quanto negativas. Especificamente para os imunobiológicos,
Vamos pensar: Você já observou que em toda unidade de saúde as vacinas são guardadas
em geladeira?
Por que será que isso acontece?
Vamos pensar:
a) Como se faz para controlar se os equipamentos estão funcionando bem?
b) Em situações de emergência (falta de energia, quebra do equipamento), o que devemos
fazer?
c) Qual o papel do técnico de enfermagem na rede de frio?
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78
essas câmaras são projetadas para operarem em temperatura de +2º e -20º C, de acordo com
a especificação do produtor. Os imunobiológicos podem em algum momento estar
conservados em temperatura entre +2º a +8º C, sem perda da sua capacidade imunogênica,
observada a data de validade especificada no produto.
As câmaras são dotadas de prateleiras, preferencialmente metálicas (aço inox). Os
imunobiológicos devem ser acondicionados nas prateleiras, de forma a permitir a circulação
de ar entre as mesmas.
Os imunobiológicos devem ser armazenados da seguinte forma:
•Nome do imunobiológico – separar por:
•Laboratório produtor;
•N.º do lote;
•Prazo de validade;
•Enfrascagem (uma dose, 10 doses, 20 doses, etc.);
•Ordem alfabética.
Deve-se observar também a validade dos lotes. Aqueles com menor prazo de validade
deverão ter prioridade na distribuição, para possibilitar menor perda de imunobiológicos
por vencimento do prazo.
b) Freezers ou Congeladores
São equipamentos destinados preferencialmente para estocagem de vacinas à –20º C.
Em geral são do tipo horizontal com caixas de isolamento de poliuretano, evaporadores nas
paredes (contato interno) e condensador / compressor em áreas projetadas no corpo, abaixo
do gabinete. É mais eficiente e confiável para conservação em temperaturas negativas,
principalmente aquele dotado de várias portas pequenas na parte superior.Sua instalação
deve ser em local bem arejado, sem incidência da luz solar direta e longe de equipamentos
que desprendamcalor, uma vez que o condensador necessita dissipar calor para o ambiente.
Como os freezers são dotados somente de um compartimento, deve-se ter o cuidado
de armazenar os imunobiológicos devem ser armazenados da mesma forma das câmaras
frigoríficas.
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Cuidados básicos:
•Fazer a leitura da temperatura diariamente, no início da jornada de trabalho da manhã e à
tarde, e no final do dia, registrando-as no formulário próprio;
•Não deixar a porta abertas por mais de 5 minutos;
•Certificar-se de que a porta está vedando adequadamente;
•Fazer o degelo a cada 30 dias ou sempre que for necessário; não deixar acumular gelo nas
paredes, em espessura maior que 0,5 cm porque isto compromete a conservação das vacinas,
vez que o gelo é um material isolante e não deixa passar o frio.
•Usar tomada exclusiva para o equipamento.
Os freezers também podem ser usados para congelar as bobinas de gelo reciclável, tendo o cuidado
de não usar o mesmo equipamento em que estão armazenados os imunobiológicos, para não
comprometer a conservação deste.
c) Geladeira Comercial
Pode se utilizar também geladeiras comerciais com capacidade entre 600 e 1200 litros,
equipados com um pequeno evaporador de quatro ou seis portas. O seu funcionamento
em relação à geladeira doméstica diferencia na movimentação do ar interno, tendo em
vista que na geladeira comercial o ar é movimentado por um ventilador. A espessura do
isolamento das paredes da geladeira deve ser de no mínimo 5 cm. Deve-se manter no
mínimo 30 garrafas com água colorida à base de iodo ou corante, na parte de baixo da
geladeira.
d) Refrigerador ou Geladeira
São equipamentos de uso doméstico ou comercial, que na rede de frio são destinados
à estocagem de imunobiológicos em temperaturas positivas a +2º C, devendo para isto, estar
regulados para funcionar nesta faixa de temperatura. A vacina pode, em algum momento,
estar em uma temperatura entre +2º a +8º C sem sofrer perda de potência (em
armazenamento).
As geladeiras, do tipo doméstico com capacidade a partir de 280, utilizadas pelo PNI, devem
ser organizadas de acordo com as seguintes recomendações:
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80
•No evaporador (congelador) colocar gelo reciclável (bobinas com água), na posição
vertical. Esta norma contribui para elevação lenta da temperatura, oferecendo proteção
aos imunobiológicos. Na falta de energia elétrica ou defeito do equipamento.
•Na 1º prateleira devem ser colocadas as vacinas que são conservadas em temperatura
negativa (contra poliomielite, sarampo, febre amarela, rubéola, tríplice viral) dispostas em
bandejas perfuradas para permitir a circulação de ar;
•Na 2º prateleira devem ser colocadas as vacinas que são conservadas em temperatura de
+2 a +8º C e toxóides (dt e DTP) e virais que não podem sofrer congelamento (Hepatite B,
tetravalente, TT e BCG), também em bandejas perfuradas ou nas próprias embalagens do
laboratório produtor;
•Na 2º prateleira, no centro, colocar o termômetro de máxima e mínima na posição
vertical.
•Na 3º prateleira podem-se os diluentes, soros ou caixas com o cuidado de permitir a
circulação do ar entre as mesmas, e entre as paredes da geladeira;
• Retirar todas as gavetas plásticas e suportes que existam na parte interna da porta, e no
lugar da gaveta grande preencher toda parte inferior exclusivamente com 12 garrafas de água
com corante, que contribuem para a lenta elevação da temperatura interna da geladeira. Essa
providência é de vital importância para manter a temperatura da geladeira entre +2º C e +8º C
quando ocorre falta de energia ou defeito no equipamento. A porta do evaporador
(congelador) e a bandeja coletora sob este deverão ser mantidas. Não devem ser usadas
bobinas de gelo reciclável como substitutas das garrafas.
A geladeira que não possuir o quantitativo de 12 garrafas de água deverá ser
abastecida com o número necessária, colocando-se duas unidades por dia, até atingir o
número recomendado (12), evitando-se com essa forma, modificação abrupta de temperatura
no interior da geladeira, levando as vacinas a choque térmico. As Unidades de Saúde que
dispuserem de geladeira para outro fim, poderão utilizá-la para refrigerar a água que será
usada para abastecer as 12 garrafas e em seguida colocá-las na geladeira da vacina de uma só
vez.
Observação: Não devem ser usadas geladeiras duplex (evaporadores separados do restante)
e/ou frigobar, tendo em vista que o equipamento não contará com o evaporador como
elemento de segurança contra as bruscas elevações de temperatura em caso de defeito ou
falta de energia elétrica.
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Os sacos de gelo e as garrafas com água servem para manter a temperatura baixa em caso de
defeito ou falta de energia.
ORGANIZAÇÃO INTERNA
e) Caixas Térmicas
São produzidos com materiais térmico do tipo poliuretano ou polietileno expandido
(ex: isopor) sendo está última a mais utilizada no transporte de imunobiológicos entre os
diversos níveis, do laboratório produtor até a sala de vacina, inclusive vacinação extramuros.
A caixa térmica deve ser organizada para manter a temperatura de conservação dos
imunobiológicos a –20º C ou entre +2º C e +8º C por um determinado período de tempo, de
acordo com o imunobiológicos a ser armazenado ou transportado.
Para a organização interna, são necessárias bobinas de gelo reciclável ou gelo seco
(CO2), quando se tratar de vacinas virais, material para formação de barreiras (flocos de
isopor) para preencher os espaços vazios, com o objetivo de diminuir a quantidade de ar
existente na caixa.
Não utilizar sacos com gelo solto devido a dois fatores: 1- não existe forma de se
acondicionar facilmente na caixa. 2- devido a sua forma irregular, permanecerão: espaços
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82
vazios entre o isolamento e a vacina, o que será prejudicial à manutenção da temperatura
adequada.
Sala de vacinação
Tipos de Caixa
Térmica
Caixa térmica de poliuretano com termômetro
Caixa isopor
Caixa térmica de poliuretano
Cuidados básicos com equipamentos da rede de frios:
• Fazer a leitura da temperatura diariamente, no início da jornada de trabalho e no final do
dia e anotar no formulário de controle diário de temperatura;
•Manter afixado na porta aviso para que esta não seja aberta fora do horário de retirada
e/ou guardar das vacinas;
•Usar tomada exclusiva para cada geladeira, se houver mais de uma;
•Instalá-la distante de fonte de calor, bem nivelada e afastada 20 cm da parede;
•Colocar na base da geladeira suporte com rodas;
•Não armazenar absolutamente nada na porta;
•Certificar-se de que a porta esta vedando adequadamente;
•Fazer o degelo quando a camada de gelo for superior a 0,5 cm;
•Não colocar qualquer elemento na geladeira que dificulte a circulação de ar.
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83
Para que sejam mantidas as condições ideais de conservação dos imunobiológicos,
deve-se fazer a limpeza da geladeira periodicamente, a cada 15 ou 30 dias, quando a camada
de gelo atingir 0,5 cm. Para isso, recomenda-se:
•Transferir os imunobiológicos para outra geladeira se houver, ou para uma caixa térmica
com gelo reciclável, mantendo a temperatura recomendada (+2º C a +8º C) e vedar as caixas
com fita gomada;
•Desligar a tomada e abrir as portas da geladeira e do congelador, até que todo o gelo
aderido se desprenda não usar faca ou outro objeto pontiagudo a remoção mais rápida do
gelo, pois esse procedimento pode danificar os tubos de refrigeração;
•Não mexer no termostato;
•Limpar a geladeira com um pano umedecido em solução de águacom sabão neutro, ou
sabão de coco, por exemplo. Não jogar água no interior do refrigerador;
•Após a limpeza, ligar a geladeira;
•Recolocar o termômetro, as 12 garrafas e o gelo reciclável;
•Manter as portas fechadas por uma hora, verificando a temperatura após esse período.
•Quando a mesma estiver entre +2º C e +8º C, recolocar as vacinas e soros nos seus devidos
lugares.
Observação: Para verificar se a borracha da porta da geladeira está vedando
adequadamente, deve-se pegar uma tira de papel com 3 cm de largura aproximadamente e
colocá-la entre a borracha apresentar resistência, está em perfeito estado, porém se o papel
sair com facilidade deverá ser trocada a borracha. Este teste deverá ser feito em vários
pontos da porta, especialmente nos 4 cantos.
Em uma situação de emergência (defeito técnico, falta de energia) a geladeira pode
parar de funcionar sendo preciso se ter cuidado com os imunobiológicos. É preciso que se
mantenha a temperatura de +2º C a +8º C, caso contrario devemos acondiciona-la em caixas
térmicas mantendo a temperatura recomendada de, onde poderão permanecer até 24
horas.
Em caso de corte de energia elétrica se a geladeira está em perfeito estado de
funcionamento apresentando variações de temperatura de +2º C a + 4º C, deve-se mantê-la
fechada por um período máximo de oito horas.Em ambos os casos deverão ser tomadas
providências para evitar a perda dos imunobiológicos acondicionados no mesmo.
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O serviço de saúde deverá dispor de bobinas de gelo reciclável congeladas para
serem usadas no acondicionamento dos imunobiológicos em caixas térmicas quando a
interrupção do fornecimento de energia elétrica durar mais que oito horas. As condições das
caixas térmicas devem ser observadas para que realmente seja usada corretamente.
Uma coisa importante é a manutenção da temperatura desses equipamentos que
deve ser verificada 3 vezes ao dia (no mínimo 2) e anotada em mapa próprio e para isso
utiliza-se o termômetro de máxima e mínima, termômetro linear ou cabo extensor digital.
O termômetro recomendado para ser usado nos equipamentos da Rede de Frio é o
de máxima e mínima, pois se pode verificar a temperatura máxima e a mínima ocorrida em
um espaço de tempo e a temperatura no momento da verificação.A leitura deve ser rápida,
visto que tais termômetros sofrem ligeiras alterações nos indicadores de leitura quando
expostos a variação de temperatura. Termômetro de cabo extensor digital evita esta
alteração, uma vez que o mostrador fica fora da geladeira, indicando a temperatura Max
/Min./Momento constantemente.
O termômetro linear só nos dá a temperatura do momento, por isso seu uso não é
aconselhável na rede de frio. São utilizados na falta de termômetro de máxima e mínima.
O termômetro de cabo extensor(analógico ou digital) é utilizado para verificar a
temperatura do momento, principalmente das caixas térmicas: a) onde estão
acondicionadas as vacinas para serem transportadas; b) no uso diário da sala de vacina; c) no
trabalho extramuros. Pode ser utilizado também nos demais equipamentos da rede de frio,
para verificação contínua de temperatura.
Sala de vacinação
• Tipos de Termômetros:
Termômetros digitais de cabo estensor
Termômetro infravermelho
Termômetro cabo extensor
Termômetro capela
Termômetro clínico
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UNIDADE 4 – ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA DE SAÚDE
BRASILEIRO
Agora vamos estudar o sistema de saúde brasileiro, como ele se organizou ao longo do
tempo e compreendendo a saúde como um direito do cidadão e dever do Estado e as
estratégias elaboradas para atenção á saúde da população.
Quando concluirmos nossos trabalhos nesta unidade é importante que vocês tenham
aprendido a:
1. Compreender o sistema de saúde do Brasil dentro de um processo histórico e político.
2. Compreender o Sistema Único de Saúde- SUS, suas diretrizes e normas;
3. Compreender a estratégia de saúde da família e o Programa de agentes comunitários
de saúde.
TEXTO Nº 10– EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SAÚDE PÚBLICA
NO BRASIL
Para entendermos a organização atual do sistema de saúde no Brasil é importante que
se conheça programas e planos que foram se aperfeiçoando até chegarmos aos dias atuais. O
estudo dos sistemas de saúde no Brasil partirá da década de 70 até nossos dias, dando uma
visão de conjunto, sumarizada dos diferentes sistemas.
Desde o início do século passado, até o final dos anos sessenta, o sistema de saúde
brasileiro se preocupava, fundamentalmente, com o combate em massa de doenças,
através das campanhas de saúde pública. A partir dos anos setenta, passou a priorizar a
assistência médica curativa e individual.
Em 1975, através da Lei 6.229, foi criado o Sistema Nacional de Saúde, separando as
ações de saúde pública das ações ditas de atenção às pessoas.
Em 1977, se criou INAMPS – Instituto Nacional de Assistência Médica da
Previdência Social, para tender exclusivamente as pessoas que possuíam carteira de
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89
trabalho. O atendimento dos desempregados e residentes no interior era de
responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde e dos serviços públicos federais.
Somente a partir dos anos 80, mudanças econômicas e políticas ocorridas no país,
passaram a exigir a substituição do modelo médico-assistencial privatista por outro modelo
de atenção à saúde.
As duas últimas décadas foram marcadas por intensas transformações no sistema de
saúde brasileiro, intimamente relacionadas com as mudanças ocorridas no âmbito político-
institucional. Simultaneamente ao processo de redemocratização iniciado nos anos 80, o
país passou por grave crise na área econômico-financeira.
No início da década de 80, procurou-se consolidar o processo de expansão da
cobertura assistencial iniciado na segunda metade dos anos 70, em atendimento às
proposições formuladas pela OMS na Conferência de Alma-Ata (1978), que preconizava
"Saúde para Todos no Ano 2000", principalmente por meio da Atenção Primária à Saúde.
Nessa mesma época, começa o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira,
constituído inicialmente por uma parcela da intelectualidade universitária e dos
profissionais da área da saúde. Posteriormente, incorporaram-se ao movimento outros
segmentos da sociedade, como centrais sindicais, movimentos populares de saúde e alguns
parlamentares.
As proposições desse movimento, iniciado em pleno regime autoritário da ditadura
militar, eram dirigidas basicamente à construção de uma nova política de saúde
efetivamente democrática, considerando a descentralização, universalização e unificação
como elementos essenciais para a reforma do setor.
Várias foram às propostas de implantação de uma rede de serviços voltada para a
atenção primária à saúde, com hierarquização, descentralização e universalização,
iniciando-se já a partir do Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento
(PIASS), em 1976. Em 1980, foi criado o Programa Nacional de Serviços Básicos de Saúde
(PREV-SAÚDE) - que, na realidade, nunca saiu do papel -, logo seguido pelo plano do
Conselho Nacional de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP), em 1982, a partir
do qual foi implementada a política de Ações Integradas de Saúde (AIS), em 1983. Estas
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constituíram uma estratégia de extrema importânciapara o processo de descentralização
da saúde.
A 8ª Conferência Nacional da Saúde, realizada em março de 1986, considerada um
marco histórico, consagra os princípios preconizados pelo Movimento da Reforma
Sanitária. Em 1987 é implementado o Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde
(SUDS), como uma consolidação das Ações Integradas de Saúde (AIS), que adota como
diretrizes a universalização e a equidade no acesso aos serviços, a integralidade dos
cuidados, a regionalização dos serviços de saúde e implementação de distritos sanitários, a
descentralização das ações de saúde, o desenvolvimento de instituições colegiadas
gestoras e o desenvolvimento de uma política de recursos humanos.
O capítulo dedicado à saúde na nova Constituição Federal, promulgada em outubro
de 1988, retrata o resultado de todo o processo desenvolvido ao longo dessas duas
décadas, criando o Sistema Único de Saúde (SUS) e determinando que "a saúde é direito
de todos e dever do Estado" (art. 196).
Entre outros, a Constituição prevê o acesso universal e igualitário às ações e serviços
de saúde, com regionalização e hierarquização, descentralização com direção única em
cada esfera de governo, participação da comunidade e atendimento integral, com
prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais. A Lei nº
8.080, promulgada em 1990, operacionaliza as disposições constitucionais. São atribuições
do SUS em seus três níveis de governo, além de outras, "ordenar a formação de recursos
humanos na área de saúde" (CF, art. 200, inciso III).
Outro passo significativo na direção do cumprimento da definição constitucional de
construção do Sistema Único de Saúde, foi a publicação do decreto nº 99.060, de 7 de
março de 1990, que transferiu o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência
Social (INAMPS) do Ministério da Previdência para o Ministério da Saúde.
Em 27 de julho de 1993, quase três anos após a promulgação da lei 8.080, que
regulamentou o SUS, o INAMPS foi extinto através da Lei n° 8.689, sendo suas funções,
competências, atividades e atribuições absorvidas pelas instâncias federal, estadual e
municipal do SUS.
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91
Ao se preservar as funções, competências, atividades e atribuições do INAMPS, se
preservou também a sua lógica de financiamento e de alocação de recursos financeiros,
como, por exemplo, o estabelecimento de limites ou tetos físicos e financeiros para as
Unidades Federadas.
TEXTO Nº 11– O SISTEMA ÚNICO DESAÚDE (SUS)
Como vimos no texto anterior, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado em 1988 a
partir da inadequação dos sistemas anteriores. Vamos conhecer um pouco sobre ele.
MARCO HISTÓRICO
1975
Sistema
Nacional de
Saúde
1977
INAMPS
1976
PIASS
1980
Movimento da
Reforma Sanitária
Brasileira
PREV-SAÚDE
1983
AIS
1986
Conferência
Nacional da
Saúde
1987
SUDS
1988
Sistema Único de Saúde
Vamos agora fazer um resumo da evolução histórica da saúde pública no Brasil
LINHA DO TEMPO
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Curso Técnico em Enfermagem - Modulo I
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As duas últimas décadas foram marcadas por intensas transformações no sistema de
saúde brasileiro, intimamente relacionadas com as mudanças ocorridas no âmbito político-
institucional. Simultaneamente ao processo de redemocratização iniciado nos anos 80, o
país passou por grave crise na área econômico-financeira.
Mas o que é o SUS?
O Sistema Único de Saúde - SUS - foi criado pela Constituição Federal de 1988 e
regulamentado pelas Leis n.º 8080/90 (Lei Orgânica da Saúde) e nº 8.142/90, com a
finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população,
tornando obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças
de dinheiro sob qualquer pretexto.
Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais -
incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros (bancos de sangue), além de
fundações e institutos de pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto
Vital Brasil. Através do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas,
exames, internações e tratamentos nas Unidades de Saúde vinculadas ao SUS, sejam
públicas (da esfera municipal, estadual e federal), ou privadas, contratadas pelo gestor
público de saúde.
O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados
através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do
governo federal, estadual e municipal.
O Sistema Único de Saúde tem como meta tornar-se um importante mecanismo de
promoção da equidade no atendimento das necessidades de saúde da população, ofertando
serviços com qualidade adequados às necessidades, independente do poder aquisitivo do
cidadão. O SUS se propõe a promover a saúde, priorizando as ações preventivas,
democratizando as informações relevantes para que a população conheça seus direitos e os
Vamos trabalhar um pouco em grupo:
• O que vocês conhecem sobre o SUS?
• Como era o atendimento antes e depois do SUS?
• Vocês acham que houve mudanças?
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riscos à sua saúde. O controle da ocorrência de doenças, seu aumento e propagação
(Vigilância Epidemiológica) são algumas das responsabilidades de atenção do SUS, assim
como o controle da qualidade de remédios, de exames, de alimentos, higiene e adequação
de instalações que atendem ao público, onde atua a Vigilância Sanitária.
O setor privado participa do SUS de forma complementar, por meio de contratos e
convênios de prestação de serviço ao Estado – quando as unidades públicas de assistência à
saúde não são suficientes para garantir o atendimento a toda a população de uma
determinada região.
Para normatizar esse sistema foram criados princípios e diretrizes que vamos agora
conhecer:
Princípios doutrinários do SUS:
1. Universalidade da Saúde: É um dos princípios que orienta o SUS, previsto na Constituição
Federal de 1988. Significa que o sistema de Saúde deve atender a todos, sem distinções ou
restrições, oferecendo toda a atenção necessária, sem qualquer custo.
2. Equidade em saúde: Igualdade da atenção à Saúde, sem privilégios ou preconceitos. O SUS
deve disponibilizar recursos e serviços de forma justa, de acordo com as necessidades de cada
um. O que determina o tipo de atendimento é a complexidade do problema de cada usuário.
3. Integralidade: É um princípio fundamental do SUS. Garante ao usuário uma atenção que
abrange as ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, com garantia de acesso
a todos os níveis de complexidade do Sistema de Saúde. A integralidade também pressupõe a
atenção focada no indivíduo, na família e na comunidade (inserção social) e não num recorte
de ações ou enfermidades.
Diretrizes do SUS:
1. Descentralização: É entendida como uma redistribuição das responsabilidades às ações e
serviços de saúde entre os vários níveis de governo, a partir da ideia de que quanto mais perto
do fato a decisão for tomada, mais chance haverá de acerto.
Deverá haver uma profunda redefinição das atribuições dos vários níveis de governo, com
um nítido reforço do poder municipal sobre a saúde - a este processo dá-se o nome de
municipalização. Aos municípios cabe, portanto, a maior responsabilidade na implementação
das ações de saúde diretamente voltados para os seus cidadãos.
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Curso Técnico em Enfermagem - Modulo I
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2. Regionalização e Hierarquização
A rede de serviços do SUS deve ser organizada de forma regionalizada e hierarquizada,
permitindo um conhecimento maior dos problemasde saúde da população de uma área
delimitada, favorecendo ações de vigilância epidemiológica, sanitária, controle de vetores,
educação em saúde, além das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis
de complexidade.
O acesso da população à rede deve se dar através dos serviços de nível primário de
atenção, que devem ser estar qualificados para atender e resolver os principais problemas que
demandam serviços de saúde. Os que não forem resolvidos a este nível deverão ser
referenciados para os serviços de maior complexidade tecnológica.
No Nível terciário de atenção à saúde estão os hospitais de referencia e resolvem os 5%
restante dos problemas de saúde.
O nível secundário resolve 15% dos problemas de saúde - são os Centros de Especialidades
e 80% dos problemas são resolvidos na Unidade Básica de Saúde.
3. Participação dos cidadãos e Controle Social
É a garantia constitucional de que a população através de suas entidades
representativas poderá participar do processo de formulação das políticas de saúde e do
controle de sua execução, em todos os níveis desde o federal até o local.
Essa participação deve se dar nos conselhos de saúde, com representação paritária de
usuários, governo, profissionais de saúde e prestadores de serviços, com poder deliberativo.
As Conferências de Saúde nas três esferas de governo são as instâncias máximas de
deliberação, devendo ocorrer periodicamente e definir as prioridades e linhas de ação sobre a
saúde.
É dever das instituições oferecer informações e conhecimentos necessários para que a
população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde.
4. Resolubilidade- É a exigência de que, quando um indivíduo busca o atendimento ou
quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde, o serviço correspondente
esteja capacitado para enfrentá-lo e resolvê-lo até o nível da sua competência.
Existem vários tipos de unidades de saúde que são diferenciadas de acordo com sua
capacidade de atendimento e de resolver os problemas da população. A essa diferença
chamamos de níveis de complexidade e de acordo com ele as unidades podem ser: Unidade
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de Saúde da Família; Postos ou Centros de Saúde; UPA(s); UPA(s) de especialidades;
hospitais; hospitais gerais.
5. Complementaridade do Setor Privado- A Constituição definiu que, quando, por
insuficiência do setor público, for necessária a contratação de serviços privados, isso deve se
dar sob três condições:
1ª A celebração de contrato, conforme as normas de direito público, ou seja, o interesse
público prevalecendo sobre o particular;
2ª A instituição privada deverá estar de acordo com os princípios básicos e normas técnicas
do SUS. Prevalecem, assim, os princípios da universalidade, equidade, etc., como se o serviço
privado fosse público, uma vez que, quando contratado, atua em nome deste;
3ª A integração dos serviços privados deverá se dar na mesma lógica organizativa do SUS,
em termos de posição definida na rede regionalizada e hierarquizada dos serviços. Dessa
forma, em cada região, deverá estar claramente estabelecido, considerando-se os serviços
públicos e privados contratados, quem vai fazer o que, em que nível e em que lugar.
Dentre os serviços privados, devem ter preferência os serviços não lucrativos,
conforme determina a Constituição.
Assim, cada gestor deverá planejar primeiro o setor público e, na sequência,
complementar a rede assistencial com o setor privado, com os mesmos conceitos de
regionalização, hierarquização e universalização. Torna-se fundamental o estabelecimento de
normas e procedimentos a serem cumpridos pelos conveniados e contratados, os quais devem
constar, em anexo, dos convênios e contratos.
Toda organização, trabalho, empresas e etc precisam de um gerente que aqui, no
sistema de saúde é chamado de gestor. Eles são encarregados de fazer com que o SUS seja
implantado e funcione adequadamente dentro das diretrizes doutrinárias, da lógica
organizacional e seja operacionalizado dentro dos princípios anteriores esclarecidos.
Há gestores nas três esferas do Governo, isto é, no nível municipal, estadual e
federal. Nos municípios, os gestores são ossecretários municipais de saúde. Nos estados, os
gestores são os secretários estaduais de saúde e no nível federal o Ministério da Saúde. A
responsabilidade sobre as ações e serviços de saúde em cada esfera de governo, portanto, é
do titular da secretaria respectiva, e do Ministério da Saúde no nível federal.
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96
No nível municipal, cabe aos gestores programar, executar e avaliar as ações de
promoção, proteção e recuperação da saúde. Isto significa que o município deve ser o primeiro
e o maior responsável pelas ações de saúde para a sua população.
Como os serviços devem ser oferecidos em quantidade e qualidade adequadas às
necessidades de saúde da população, ninguém melhor que os gestores municipais para avaliar
e programar as ações de saúde em função da problemática da população do seu município.A
estratégia adotada no país reconhece o município como o principal responsável pela saúde de
sua população.
• A partir do Pacto pela Saúde, de 2006, o gestor municipal assina um termo de compromisso
para assumir integralmente as ações e serviços de seu território.
• Os municípios possuem secretarias específicas para a gestão de saúde.
• O gestor municipal deve aplicar recursos próprios e os repassados pela União e pelo estado.
• O município formula suas próprias políticas de saúde e também é um dos parceiros para a
aplicação de políticas nacionais e estaduais de saúde.
• Ele coordena e planeja o SUS em nível municipal, respeitando a normatização federal e o
planejamento estadual.
• Pode estabelecer parcerias com outros municípios para garantir o atendimento pleno de sua
população, para procedimentos de complexidade que estejam acima daqueles que pode
oferecer.
O secretário estadual de saúde, como gestor estadual, é o responsável pela
coordenação das ações de saúde do seu estado. Seu plano diretor será a consolidação das
necessidades propostas de cada município, através de planos municipais, ajustados entre si. O
estado deverá corrigir distorções existentes e induzir os municípios ao desenvolvimento das
ações. Assim, cabe também aos estados, planejar e controlar o SUS em seu nível de
responsabilidade e executar apenas as ações de saúde que os municípios não forem capazes
e/ou que não lhes couber executar.
A nível federal, o gestor é o Ministério da Saúde, e sua missão é liderar o conjunto de
ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, identificando riscos e necessidades nas
diferentes regiões para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, contribuindo para
o seu desenvolvimento. Ou seja, ele é o responsável pela formulação, coordenação e controle
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da política nacional de saúde. Tem importantes funções no planejamento, financiamento,
cooperação técnica e controle do SUS. Para a realização dos projetos, depende de seus
parceiros (estados, municípios, ONGs, fundações, empresas, etc.). Também tem a função de
planejar, criar normas, avaliar e utilizar instrumentos para o controle do SUS.
O principal responsável deve ser o município, através das suas instituições próprias ou
de instituições contratadas. Sempre que a complexidade do problema extrapolar a capacidade
do município resolvê-lo, o próprio serviço municipal de saúde deve enviar o paciente para
outro município mais próximo, capaz de fornecer a assistência adequada, ou encaminhar o
problema para suportes regionais e estaduais nas áreas de alimentação, saneamento básico,
vigilância epidemiológica e vigilânciasanitária, deverá haver, sempre que possível, uma
integração entre os municípios de uma determinada região para que sejam resolvidos os
problemas de saúde da população.Conforme o grau de complexidade do problema entra em
ação as secretarias estaduais de saúde e/ou próprio Ministério da Saúde.
É importante também sabermos de onde vem o recurso (dinheiro)para financiar as
ações do SUS. Os investimentos e o custeio do SUS são feitos com recursos das três esferas de
governo: federal, estadual e municipal. A União é o principal financiador da saúde pública no
país. Historicamente, metade dos gastos é feita pelo governo federal, a outra metade fica por
conta dos estados e municípios. A União formula políticas nacionais, mas a implementação é
feita por seus parceiros (estados, municípios, ONGs e iniciativa privada).
Os recursos federais para o SUS provêm do orçamento da Seguridade Social (que
também financia a Previdência Social e Assistência Social) acrescidos de outros recursos da
União, constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias, aprovada anualmente pelo Congresso
Nacional.
Esses recursos, geridos pelo Ministério da Saúde, são divididos em duas partes: uma é
retida para o investimento e custeio das ações federais; e a outra é repassada às secretarias de
saúde estaduais e municipais, de acordo com critérios previamente definidos em função da
população, necessidades de saúde e rede assistencial.
Em cada estado, os recursos repassados pelo Ministério da Saúde são somados aos
alocados pelo próprio governo estadual, de suas receitas, e geridos pela respectiva secretaria
de saúde, através de um fundo estadual de saúde. Desse montante, uma parte fica retida para
as ações e os serviços estaduais, enquanto outra parte e repassada aos municípios, de acordo,
também, com critérios específicos.
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98
Finalmente, cabe aos próprios municípios destinar parte adequada de seu próprio
orçamento para as ações e serviços de saúde de sua população.
Assim, cada município irá gerir os recursos federais repassados a ele e os seus próprios
recursos alocados pelo governo municipal para o investimento e custeio das ações e serviços
de saúde de âmbito municipal. Também os municípios administrarão os recursos para a saúde
através de um fundo municipal de saúde.
A criação dos fundos é essencial, pois asseguram que os recursos da saúde sejam
geridos pelo setor saúde, e não pelas secretarias de fazenda, em caixa único, estadual ou
municipal, sobre o qual a Saúde tem pouco acesso.
Para repassar recursos do Fundo nacional de Saúde para o Fundo Municipal são
necessários alguns critérios, instrumentos e regras que estão contidos na Norma Operacional
Básica (NOB). Deste modo, tem-se como objetivo da NOB, a operacionalização do sistema de
saúde. Vamos conhecer agora algumas delas:
Orçamento da Seguridade Social (OSS)
Saúde Previdência Social Assistência Social
Historicamente temos o seguinte:
1 NOB 01/91 – determinava que a transferência de recursos fosse depender do serviço
produzido, ou seja, o que aconteceria era o pagamento por produção.
2 NOB 01/93 – Criou diferentes fases para a habilitação dos municípios, de acordo com o
tipo de gestão: incipiente, parcial e semiplena. Os municípios que estavam na gestão
semiplena recebiam os recursos de forma regular e automática (fundo a fundo) e os
municípios em gestão incipiente ou parcial, recebiam os recursos de acordo com os serviços
produzidos repassados através do gestor estadual.
• NOB 01/96 – determina dois tipos de gestão do município: Gestão plena da atenção básica
e gestão plena do sistema municipal e propõe a transferência direta do fundo nacional aos
fundos municipais de saúde de todos os recursos de assistência ambulatorial básica.
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A PPI deve ser elaborada levando-se em consideração a necessidade da população
objetivando uma melhoria na qualidade de vida desta, e com a participação dos cidadãos,
respeitando-se, portanto o princípio do SUS que prevê a participação da população na
definição das prioridades na saúde.
• NOAS 01/2001 – Norma Operacional de Assistência à Saúde: está em vigor atualmente e
mantém as orientações da NOB 01/96. Independente do nível de gestão todos os municípios
receberão o Piso de Atenção Básica (PAB).
Áreas estratégicas de atuação da Atenção Primária à Saúde (APS)
• Eliminação da hanseníase
• Controle da tuberculose
• Controle da diabetes mellitus
• Controle da hipertensão arterial
• Eliminação da desnutrição infantil
• Saúde da criança
• Saúde da mulher
• Saúde do idoso
• Saúde bucal
• Promoção da saúde
Vamos trabalhar um pouco em grupo:
Ler as reportagens sobre a saúde trazidas pelo grupo;
1. Escolher 03 delas que o grupo acha mais representativa para a saúde hoje;
2. Realizar colagem em papel madeira;
3. Fazer alguns comentários sobre cada uma delas;
4. Identificar as diretrizes e princípios que foram infringidos.
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0
TEXTO Nº 12– ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA
Na organização do sistema de saúde é importante definir a porta de entrada do
sistema, ou seja, o local onde é mais fácil e próximo às pessoas terem acesso ao sistema. Essa
unidade deve atender a uma demanda específica das pessoas que moram mais próximo
dela(população adstrita). Estrategicamente, o Ministério da Saúde criou os PROGRAMA DE
AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (PACS) = 1991 e o PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA =
1994 PSF) para atender a esta demanda específica para reorganizar a atenção básica, na lógica
da vigilância à saúde, representando uma concepção de saúde centrada na promoção da
qualidade de vida.
Por sua possibilidade de garantia de acesso, as Unidades de Saúde da Família (USF)se
mostra estrategicamente importante como a porta de entrada pela atenção básica no sistema
de saúde, sendo capaz de acompanhar e garantir o acesso aos demais níveis de complexidade
do sistema na medida em que cada caso requerer, sem perder o vínculo original e a
individualidade necessária.
Essas unidades tem o objetivo de reorganizar a prática assistencial em novas bases e
critérios, com capacidade de ação para atender as necessidades de saúde da população de sua
área de abrangência. Sua função é prestar assistência contínua à comunidade, acompanhado
integralmente a saúde de todos com as seguintes coberturas:
• A proporção depende da realidade geográfica, econômica e sócio-política da área,
considerando a densidade populacional e a facilidade de acesso.
• População adstrita do território: 600 a 1000 famílias, não excedendo o limite máximo
de 4000 pessoas.
• Uma unidade de saúde da família pode trabalhar com uma ou mais equipes, não
devendo exceder a 4
• Agentes Comunitários de Saúde em número suficiente para cobrir a 100% da
população da área adstrita, respeitando-se o teto máximo de 1 ACS para cada 750
pessoas e de 12 ACS para cada ESF.
• Outros profissionais podem integrar essas equipes de acordo com as necessidades em
saúde da população e da decisão do gestor municipal em consonância com o Conselho
Municipal de Saúde
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COMPOSIÇÃO DAS EQUIPES
• 1 médico generalista
• 1enfermeira
• 1 auxiliar/técnico de enfermagem
• 4 a 6 agentes comunitários de saúde
EQUIPE DE SAÚDE BUCAL
• 1 cirurgião dentista
• 1 auxiliar de consultório dentário
ATRIBUIÇÕES BÁSICAS DE UMA ESF
• Conhecer a realidade das famílias, com ênfase nas características socioeconômicas,
psicoculturais, demográficas e epidemiológicas.
• Identificar problemasde saúde mais comuns e situações de risco.
• Elaborar, junto com a comunidade, um plano local para o enfrentamento dos fatores
que colocam a saúde em risco.
• Executar, de acordo com a qualificação de cada profissional, os procedimentos de
vigilância à saúde de vigilância epidemiológica, controlando as doenças.
• Prestar assistência integral, promovendo a saúde através da educação sanitária.
• Resolver a maior parte dos problemas de saúde, quando não for possível garantir a
continuidade do tratamento, através da referência.
• Promover ações Inter setoriais
• Promover através da educação continuada, a qualidade de vida e contribuir para que o
meio ambiente se torne mais saudável
• Discutir de forma permanente conceitos de cidadania, direitos de saúde
• Incentivar a participação nos Conselhos Locais de Saúde e no CMS
ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO MÉDICO
• Executar ações de assistência integral
• Realizar atendimentos de primeiros cuidados nas urgências
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• Realizar pequenas cirurgias ambulatoriais
• Realizar partos se as condições locais permitirem
ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO ENFERMEIRO
• Desenvolve seu trabalho na USF e na comunidade
• Supervisiona os ACS e o auxiliar de enfermagem
• Executa assistência básica e ações de VE e VS aos grupos (criança, adolescente,
gestante, idoso, etc)
• Organiza a rotina de trabalho
• Supervisiona e desenvolve ações para capacitação de ACS e auxiliares de enfermagem
ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO TÉCNICO/AUXILIAR DE ENFERMAGEM
• Acompanhar consultas de enfermagem dos indivíduos expostos a situações de risco.
• Desenvolver ações junto com o ACS atividades de identificação das famílias de risco
• Realizar procedimentos domiciliares, quando solicitados pelo ACS
ATRIBUIÇÕES ESPECÍFICAS DO ACS
• Realizar mapeamento da área
• Cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro
• Identificar indivíduos e famílias expostas às situações de risco
• Orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde, encaminhado e
agendando consultas e exames
• Acompanhamento mensal de todas as famílias sob sua responsabilidade
• Estar sempre bem informado e informar a ESF sobre a situação das famílias
acompanhadas, particularmente aquelas situações de risco.
• Desenvolver ações de educação e vigilância à saúde,com ênfase na promoção à saúde
e prevenção de doenças
• Promover a mobilização comunitária
• Traduzir para ESF a dinâmica social, suas necessidades, potencialidades e limites.
COLÉGIO DE SAÚDE DE PERNAMBUCO
Curso Técnico em Enfermagem - Modulo I
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COMPETÊNCIAS DAS SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE
• Execução e gerenciamento
• Infraestrutura
• Seleção, contratação e remuneração dos profissionais
• Alimentação dos bancos de dados nacionais e consolidação dos municipais.
• Acompanhamento e avaliação do trabalho das ESF, divulgando as informações e os
indicadores alcançados.
PROCESSO DE TRABALHO
• Planejamento local das atividades – deve ser dinâmico e acompanhar as mudanças
ocorridas nas comunidades;
• Cadastramento das famílias – informações demográficas, socioeconômicas,
socioculturais, do meio ambiente e sanitária;
• Diagnóstico das condições de vida e de saúde – identificação dos problemas de saúde
mais prevalentes e detecção de situações de risco;
• Identificação de micro áreas de risco – áreas que possuem fatores de risco e/ou
barreiras geográficas ou culturais e indicadores de saúde ruins;
• Elaboração do plano de ação;
• Mapeamento da área de atuação – representação (no papel) da área de atuação da
ESF;
• Organização da demanda – através da identificação de problemas, abordagem
coletiva, monitoramento das doenças crônicas, assistência domiciliar;
• Trabalho em equipe;
• Atenção Domiciliar – a visita domiciliar é realizada pelo ACS que garante o vínculo
família – ESF;
• Trabalho com grupos – através dos ciclos vitais, grupos mais vulneráveis (crianças,
gestantes, idosos...);
• Educação permanente – preferencialmente em serviço, de forma supervisionada,
contínua e eficaz.